Varal do Brasil - Dezembro de 2011

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Literário, sem frescuras!
1664ISSN 1664-5243

PASSE UM FELIZ NATAL E UM ANO DE 2012 CHEIO DE PAZ E REALIZAÇÕES COM TODA A EMOÇÃO DO VARAL DO BRASIL!

DezembroAno 2 - Dezembro- 2011 - Edição Especial Natal e Ano Novo 12B
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1664ISSN 1664-5243

LITERÁRIO, SEM FRESCURAS
Genebra, Natal de 2011 Edição Especial
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EXPEDIENTE
Revista Literária VARAL DO BRASIL®

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Edição Especial de Natal e Ano Novo Dezembro de 2011— Genebra - CH Copyright Vários Autores O Varal do Brasil é promovido, organizado e divulgado pelos sites: www.coracional.com e www.livrariavaral.com Site do VARAL: www.varaldobrasil.com Textos: Vários Autores Ilustrações: Vários Autores Capa: © Dušan Zidar - Fotolia.com Desenhos: h p://www.obsidiandawn.com e Cheshire Angel Revisão parcial de cada autor Revisão geral VARAL DO BRASIL Composição e diagramação: Jacqueline Aisenman Editora-Chefe: Jacqueline Aisenman A distribuição ecológica, por e-mail, é gratuita. Se você deseja par cipar do VARAL DO BRASIL: varaldobrasil@gmail.com (peça o formulário!) COMO PARTICIPAR DO VARAL (REVISTA E SITE):

O Natal não é uma data... É um estado da mente. Mary Ellen Chase

Honrarei o Natal em meu coração e tentarei conservá-lo durante todo o ano. Charles Dickens

Enviar seus textos, fotos e/ou desenhos acompanhados de uma foto e de uma minibiogra ia para o email varaldobrasil@gmail,com Toda participaçã o é gratuita

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Independente de religiões e do comércio, festejar o Natal e a chegada no Novo Ano é uma tradição que nos acompanha. Verdade seja dita, parece que a data tem o dom de acalmar os ânimos, amainar as fúrias, agraciar cada um com paz e amor. Não se esqueça aqui daqueles que não conhecem (talvez um dia, talvez nunca...) este estado de espírito: pessoas nas ruas, em zonas de guerra; pessoas desamparadas e esquecidas; animais que o homem cativou e abandonou. Por estes e tantos motivos é bom festejar esta época. Para relembrar valores, renovar promessas. Rever o caminho, tentar melhorar a si mesmo e o meio em que se vive. Festejar o Natal é festejar o amor. O Ano Novo, traz novamente os auspícios de desejos que se realizarão. E mais do que nunca é preciso festejar estas emoções: com a família e com os amigos, sim. E também com os que estão nos hospitais, nos refúgios, nos asilos, nos orfanatos, nas casas de saúde, nas ruas. Embriague-se do espírito natalino, satisfaça-se com a substancial refeição de amor que esta data serve. Só não esqueça de ir além e perpetuar esta refeição de amor incondicional por todos os dias do ano! Feliz Natal, Feliz 2012! Sua Equipe do Varal
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ALICE LUCONI NASSIF AGATA ALMANDRADE ANA ESTHER ANNA BACK ANNA RIBEIRO ARA MITTA BETTY SILBERSTEIN CADU LIMA SANTOS CARLA NEVES CARLOS ALBERTO OMENA CÉSAR SOARES FARIAS CLARA MACHADO CLÁUDIO DE ALMEIDA HERMÍNIO EVA P. BUENO EVELYN CIESZYNKI FABIANE RIBEIRO FERNANDO SOARES FLÁVIA ASSAIFE GILBERTO NOGUEIRA DE OLIVEIRA GILDO OLIVEIRA INES CARMELITA LOHN INFETO

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ISABEL C. S. VARGAS IVANE PEROTTI MAC KNIGHT JAAK BOSMANS JACQUELINE AISENMAN JOÃO CAMBINDA DALA JOSELI ROSA JU PETEK LARIEL FROTA LÉNIA AGUIAR LENIVAL NUNES DE ANDRADE LEONILDA YVONNETI SPINA LOURDES LIMEIRA MADHU MARETIORE MARCELO CANDIDO MADEIRA MARIA LAUDECY F. DE CARVALHO MARIA PERPÉTUA F. BRASILEIRO MARIA SOCORRO MARINA FERNANDA FARIAS MÁRIO REZENDE NAMIBIANO FERREIRA NÉLIDA NUNES CARDOSO NORÁLIA DE MELLO CASTRO ODENIR FERRO
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OLIVEIRA CARUSO PAOLA RHODEN PAUL LAW RAIMUNDO C. TEIXEIRA FILHO REGINA PESSOA SANTOS RENATA IACOVINO RO FURKIM ROBERTO ARMORIZZI ROBERVÂNIO LUCIANO ROBINE GOMES ROSSANDRO LAURINDO ROZELENE FURTADO DE LIMA SILVIO PARISE SONIA NOGUEIRA TETE CRISPIM TINO PORTES VALQUÍRIA GESQUI MALAGOLI VO FIA VARENKA DE FÁTIMA ARAÚJO VERA RIBEIRO WALNÉLIA CORRÊA PEDERNEIRAS WILTON PORTO YARA DARIN ZEZE BARCELOS
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O Natal e as religiões...
Por Alice Luconi Nassif

Religião no sentido sócio cultural É crer num Deus ou num ser sobrenatural Códigos, práticas e rituais admitem a dissociação Entre a “ordem natural” e a “ordem sacral” Todas as religiões acreditam possuir a verdade Apoiando-se sempre numa fé ou numa crença Aqui não vigora e nem se precisa de racionalidade Mas, para nós nada disso faz diferença O homem religioso tem suas razões E aqueles que não o são Devemos respeitar suas decisões...

Nesse período do Natal prevalecem os cristãos Sua religião nasceu com o sacrifício do Salvador Sua crença é respeitada por milhões Espalhados pelo mundo e pelas nações...

O Natal representa o nascimento do Amor Na figura do menino Jesus, menino Deus Amado e adorado por tantos com ardor Neste dia há total renovação nos crentes Que acreditam que esta corajosa criança Foi, é, sempre será, o nosso redentor ...

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APENAS UM NATAL
Por Agata Natal de Noel, natal de fartura de mesa pronta sem muita frescura.

Natal de tantos anos, de jovens e velhos, de animais pelas ruas, de alegrias e enganos.

Árvore de Natal com brilho e luz retrata o sorriso do menino Jesus?

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NOITE DE NATAL
Por Almandrade

Atrás da canção uma grande lua a estrela da festa sinos da madrugada que ninguém mais escuta despertam lembranças distantes.

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Viva o Ano Novo!

Texto e Ilustração por Ana Esther

Branco para a paz? Laranja para a fortuna ou vermelho para as paixões e o amor? Que roupa vestir para a virada do ano? A Avenida Beira Mar toda iluminada para esperar mais um novo ano em Florianópolis... ela já tem sua ‘roupa de festa’. E eu? Devo acender uma vela para Santo Antônio... colocar doces para os deuses hindus... fazer um despacho numa encruzilhada? Oh, antes da meia-noite, sem falta, é necessário verificar a numerologia para o ano que vai chegar... E as cartas do tarô, o que me dizem? Que dilema escolher a melhor cor... mas e qual o perfume certo: flor de laranjeira ou alfazema? Nem pensar em esquecer de pedir a um estranho bem no primeiro minuto do Ano Novo para colocar a fitinha do Senhor do Bonfim no meu pulso esquerdo enquanto eu faço três pedidos secretos, um para cada nó dado. Xi... e como fazer para levar até a Beira Mar a panela com a tradicional lentilha que garantirá a minha abundância durante todo o ano vindouro... e o Champanhe? Opa, aliás, vinho espumante para não cometer gafe politicamente incorreta. Mas já começar o ano com altos índices etílicos no sangue? Não parece bom sinal, mas e a tradição? Bem, quem sabe para compensar eu posso prometer parar de fumar... ou começar um regime totalmente vegetariano na primeira segunda-feira do Ano Novo, sim, é isso, está decidido! Posso tomar o vinho espumante! Hum... dizem que atrai prosperidade colocar no bolso [tenho que lembrar de vestir então uma roupa –que cor?- com bolso] uma nota de um dólar... Mas o euro vale mais, e a libra esterlina mais ainda. Levarei dólar, euro e libra, pronto! Nossa, o tempo voou e faltam só alguns minutos para o novo ano... Depois de tantos pensamentos múltiplos e ecléticos nesses últimos dias, agora eu só posso comemorar dizendo: Viva, para as milhares de possibilidades da Física Quântica no meu Ano Novo!

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NATAL SEM NOEL

Tudo passou e como o senhor, acabou. Seus olhos perderam o brilho, Seus lábios emudeceram,

Por Anna Back O natal passou, meu Papai-Noel. E fiquei tão só, tão perdida. Foi amargo, solitário... Dentro de mim, eu e eu, na saudade. No coração, um aperto, Na garganta, um nó. Houve missa, eu lhe recordei. Pelo senhor rezei, pedi. Quem diria, não? Que neste natal eu falaria sozinha, Não teria suas respostas, sua alegria.

Sua voz, a força perdeu. Seus braços caíram, cansados... Seus pés não conseguiram andar. Ah, meu Papai-Noel! Sem seu abraço, sem sua face para beijar, Não há mais natal legal! Sua casa ficou fechada, Sua família, espalhada, Sem sua voz, sua alegria, Não houve natal, só saudades. Que amargos estão os doces... Que distantes, as pessoas. Que sem graça ficou a vida...

Que os doces não seriam também para o se- Parece mesmo brincadeira de papel. nhor. Que a morte consome, Que o presente que sempre lhe levara, agoTriunfante em sua vitória, ra, são flores... Levou meu Papai-Noel! Ah, meu Papai-Noel, o senhor partiu. Onde estão tantas coisas comuns em nossos Que eu esperei, que eu recordei. natais? Com certeza, já morreu! A gasosa e os doces do meu tempo de meni- Mas aqui, em meu coração, na? Sua presença será eterna Tantos vieram, passaram o natal conosco e Como é, meu Pai do Céu. partiram, Para sempre... Mas sempre havia meu Papai-Noel. Com ele, a alegria, sem fantasia. O encontro, o barulho... Para os netos, a bênção, se precisar, a repreensão. O jantar, os “causos”. Para todos, o sorriso. A oração é claro, curta e precisa, Nada de reza comprida Não precisa cansar Deus...
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(Dez/ 93 –no primeiro natal sem meu pai).

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Dezembro
Por Anna Ribeiro Acordam as lembranças, Acordam as lagrimas, Os sorrisos. Também acorda a saudade, da criança de ontem. Que dorme dentro de mim, as vezes brinca com meus sonhos... Hoje Natal! No cair da noite, Entre as estrelas... A Luz maior, "E Jesus! Menino Jesus iluminai com amor, os infortunados sem Fé. Olhai Senhor para a dor de todos nós. FELIZ NATAL!

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O Papai Noel
Por Ara Mitta

Não saberia precisar por quanto tempo esperava por aquele dia. Perdão, por aquela noite. Um ano? Um ano inteiro? Não importa, o momento chegara. Juca queria descobrir a verdade e não dormiria. Já tinha planejado tudo. Iria cedo para a cama, fingiria cair em sono profundo, e, quando os pais se recolhessem, pularia do leito e se poria em vigília. Mas oh, chateação! Justamente naquela noite, os pais pareciam não querer ir dormir. O que faziam ainda na sala? A árvore estava há muito montada e enfeitada. Só faltavam os presentes (que ele descobrira escondidos no sótão). Juca estava quase certo de que veria aqueles mesmos presentes sob a árvore, na manha seguinte. Quase certo! Mas, não tinha certeza absoluta; por isso, precisava ter a prova final. Sim, ficaria à espreita! Mas a noite avançava e os pais não deixavam a sala... E ele esperava... De repente ouviu-se um brado, e uma voz vigorosa anunciou: crianças, eis que chega Papai Noel! Sem que Juca soubesse de onde vieram, uma meninada se ajuntou. E todos encaravam ansiosos, a porta que se abriu, dando passagem a um homenzinho pequeno, franzino, que sustentava uma carranca zangada. O homúnculo trajava calca de xadrezado preto e branco, camisa amarela com gravata vermelha e

uma casaca roxa. Adentrou o salão com passos militares. Seus sapatos demasiadamente longos, levantavam nas tábuas do assoalho, o ressoar de lambadas aplicadas sobre uma superfície molhada; enquanto os cabelos pretos, volumosos e desgrenhados, pareciam querer escapar por debaixo da grande cartola verde. A estranha figura se postou atrás de um púlpito, retirou da casaca um manuscrito, pigarreou e se pôs a falar. A plateia contemplava estarrecida e Juca, por acreditar se tratar de um engano. Não, não poderia ser Papai Noel. Ora. conhecia-o muito bem. O resto da plateia, no entanto, parecia extasiada em adoração e reverência. Juca não podia acreditar nos próprios ouvidos, quando o homenzinho informou, que a partir de então, não haveria mais Natais. Não haveria mais árvores enfeitadas e nem haveria presentes, pois ele retornaria para sua terra natal, que ficava muito, muito distante dali. E a plateia lamentou em uníssono: "Oh!" "Este é o dia mais infeliz da minha vida, pois não me apetece ter que partir." "Então porque não fica?" Exclamou a plateia. "Porque só existo se acreditam em mim." "Acreditamos, acreditamos." Exaltou a plateia. Mas Juca não simpatizara com aquela figura esquizofrênica e sabia que se tratava de um impostor. O verdadeiro Papai Noel era muito diferente. Era grande, forte e tinha os olhos azuis. E não se apresentava de casaca roxa. Ora, a indumentária dele, era vermelha. Que fosse aquele impostor pro "caixa-prego"! E o homenzinho repetiu: "Só posso ficar se acreditarem em mim." E a plateia prodigalizou: "Fique, fique... acreditamos, acreditamos." Então o homúnculo fechou ainda mais a carranca, apontou com um dedo magro, enluvado de preto, na direção de Juca e bradou: "Se todos acreditarem!" E Juca sentiu o medo lhe invadindo, e o suor encharcando as suas roupas, ao perceber a meninada, tomada de fúria, fechar um cerco à sua volta. estava pronto para gritar por socorro, quando escutou junto ao ouvido, o sussurro suave: "Venha filho, venha ver os presentes que Papai Noel lhe trouxe."

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MEU PRESENTE DE NATAL 2010 Por Betty Silberstein O Natal está chegando.

Tentei convencê-lo a esperar até o Natal, etc. tal e coisa, mas ele insistiu. - Não, ele vai chegar antes para você já ir usando. E eis que chega meu INCRÍVEL presente de Natal:

Embora envolto com tantas preparações Um KINDLE, este livro eletrônico bárbagostosas (enfeites, reuniões de amigos, reuni- ro. O que em si só já seria um baiiiiiiiiiita preões familiares, amigo (e inimigo!) secreto, pre- sente. sentes, lembrancinhas, preparação de petiscos Não contente com isso, Guili comenta: típicos da época, etc.), esta é para nossa famí- Veja só como você pode comprar livros lia uma data um tanto triste também. para abaixar no próprio Kindle. Foi exatamente no Natal de 2000 que E me mostrou. nosso filho Guto “apitou”, ou seja, se incorporou ao Opus Dei, uma seita dentro da Igreja Adivinhem o que estava à venda na lista Católica (tida “apenas” como uma ala ‘um tan- do Amazon/Kindle??? to’ conservadora da mesma). (Só Deus e familiares dos membros desta seita sabem “quão conservadora” ela é!) Esses 10 anos têm sido muito conturbados e sofridos, pois essa Obra (dita de Deus) sequestrou nosso filho mais velho do seio da nossa família, não só roubando-o de nosso convívio, mas roubando dele sua juventude, sua liberdade, seu dinheiro e sua alegria de viver no meio do mundo real, de sua família real, que o ama de verdade e não o descartará jamais, como certamente a Opus Dei fará, Nem preciso comentar quão emocionaquando ele não mais lhes servir à altura de suda fiquei com esse presente, que foi mais que as complicadas e distorcidas demandas. um mero presente de Natal. Foi uma atitude, Lutando para resgatá-lo de tal organizaum carinho sem tamanho! ção, percebi que nem eu, nem ninguém, sabia Este ano, novamente, não teremos o qualquer coisa a respeito do que envolvia “ser Guto conosco (ele está passando CINCO anos do Opus Dei”. Assim, visto que eu não conseguiria tirar meu filho de lá, resolvi alertar outras em Roma, SEM direito a voltar ao Brasil neste mães, outras famílias, para que eles não so- período, claro). (A tempo: Guili foi trabalhar alfressem o que sofremos no passado e continu- gumas semanas na Europa e deu um jeitinho ando sofrendo. Minhas pesquisas resultaram de voltar via Roma, para encontrar o irmão). em 2 livros, o principal deles OPUS DEI – A Mas este Natal, certamente, vai ser mais Falsa Obra de Deus, Alerta às Famílias Católi- alegre para mim (não só pela chegada dos lincas, lançado em 2005, feito e publicado exclu- dos netinhos gêmeos), mas por ter a certeza sivamente com esforços conjuntos de meu ma- que certas coisas NEM a Opus Dei consegue rido, meus outros dois filhos Drika e Guili, e eu. eliminar: o amor dos irmãos que vão se encontrar (à revelia daqueles que tentam de tudo para separar seus infelizes membros de suas respectivas famílias) e também constatar o amor que um filho pode sentir pela mãe e – de quebra! – mostrar quanto valoriza e preza meu tra- Mãe, seu Papai Noel vai chegar antes balho. esse ano. Muito bem, voltando ao Natal deste ano: meu maravilhoso caçulinha, o Guili (engenheiro químico) chega pra mim (em novembro) e diz:
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PS: Como é Natal, nada mais justo que - pela destruição da nossa família, que “agradecer” ao Opus Dei por tudo o que vem era feliz, normal E católica. proporcionando a mim e minha família nestes - por ter sido o caminho da ruptura de nossa últimos 10 anos. Esta mensagem (Obrigado, formação católica com a Igreja na qual cresceOpus Dei) é o Capítulo II do livro Opus Dei – a mos, já que ela aprova seus métodos duvidosos e sua existência nefasta. Falsa Obra de Deus. - por ensinar nossos filhos a seguirem ordens (SUAS) cegamente. - por fazer nossos filhos perderem a compreensão do que é viver no mundo real. - por destruir a confiança na qual criamos nosObrigado, Opus Dei sos filhos, já que os diretores espirituais da Opus os encorajam a não contar NADA aos pais, pois nós "não vamos compreender”. por mais um Natal super triste, onde - por nos transformar em “famílias biológicas ou NOSSO filho não vai comparecer porque de sangue” agora - segundo VOCÊS - ele tem - por ignorarem a dor incrível em nós (pais) OUTRA FAMÍLIA. causada por saber que pessoas que amamos pelos meses / anos mais tristes e sofridos estão sendo transformadas em marionetes, de nossas vidas. que seguem – cegamente! - ordens desta orga- por ensinar nossos filhos a praticarem várias nização. formas de mortificação corporal, incluindo acei- - pelo silêncio, suspense e segredos que envoltar com naturalidade o uso do cilício e da vem as coisas relativas à “Obra”. “disciplina”. - por destruir os alicerces de nossos lares, - por incutir a presunção em nossos filhos de construídos sobre um amor verdadeiro de uma pertencerem a uma elite muito especial e que família cristã. se tornarão santos, alcançando - através de horas e horas de reza e mortificações corporais - o reino do céu, ignorando o fato de que nós ab imo corde (seus pais e sua verdadeira família) estamos vivendo um inferno diário pelo jeito diferente como vêm agindo e pelas atitudes que vêm tomando desde que resolveram ser “numerários” (um número de quê ???). - por trancafiar a cabeça de nossos filhos a 7 chaves para evitar que eles vejam os erros, mentiras, distorções que vocês pregam em nome de ser um melhor cristão e "santo". - pela desonestidade que incutiram em nossos filhos, que continuam afirmando – obstinadamente - que não mentem, mas sim omitem certos fatos... - por nos ter apunhalado pelas costas, usando seus grupos de fachada (Centros Culturais, Clubinhos, etc.) como redutos desavergonhados de captação de jovens. - pela dissimulação que envolve todo seu processo agressivo de recrutamento de jovens. - pela "vocação" orquestrada, orientada e dirigida por subterfúgios que vocês incutiram nas cabeças de nossos filhos.
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Presépio vivo
Por Cadu Lima Santos

Vamos representar O nascimento de Jesus. Atores se passando Por José, Maria E um bebê Representando O Filho de Deus! Vamos convidar alguns Para representarem Os magos, os pastores E os anjos vindos do céu. Vamos selecionar animais Que representarão o estábulo Onde estava a manjedoura! Vamos nos tornar assim Um presépio vivo E que esta lembrança Do nascimento de Jesus Fique em nossa mente E no nosso coração o ano todo!

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Não Desista
Por Carla Neves

Quebre barreiras e o sustente. Você é um vitorioso E só precisa acreditar Que Deus te dá um novo tempo Pra com Ele se alegrar!

Mais um ano que se finda, Nele crises, lutas, dores, Lembranças e grandes rumores, Talvez se encontre na berlinda.

São guerras, queda de valores, Mercados e bolsas em atrito Mundo de competitividade Que geram muitos excluídos

Crises e dores acontecem Mas elas têm começo e fim Fique firme e permaneça Fiel a Deus até o fim

Um novo ano se aproxima Experimente agradecer A Deus por cada novo dia Por ter te dado uma família Que lhe ensina a crescer.

Deus está conosco sempre Coloca o céu pra se mover Conta contigo nesta luta Se agarre Nele pra vencer.

Não esmoreça, lute sempre Se alegre Nele, não se ausente Peça ao Senhor que se adiante
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ANO NOVO Por Carlos Alberto Omena De repente a noite vira dia. Gritos de euforia e alegria ecoam no ar o povo em êxtase cantam em coro bendizendo aquele que não demora a chegar. São sentimentos de otimismo e amor todos unidos em comunhão. De repente a noite vira dia, mostrando que a esperança não é em vão. Fogos de artifícios iluminando todo céu fazendo de repente a noite virar dia finalmente hoje é ano novo, é noite de pura magia. Magia transformada em esperança unindo por minutos todo um povo. De repente a noite vira dia, saudando a chegada do ano novo.

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de dezembro, conforme estudos de alguns historiadores, contudo, não é essa a principal questão a ser aqui levantada. Acho importante, acima de tudo, que a humanidade reserve um, Por César Soares Farias dos trezentos e sessenta e cinco dias do ano, para cultivar lembranças sublimes sobre um No mês de dezembro, um personagem momento tão esperado de redenção aos poaparentemente inofensivo vem, ao longo dos vos. séculos, afastando a atenção das pessoas do O aparecimento do Salvador, a meu ver, verdadeiro foco a ser almejado nos festejos na- é uma inesgotável fonte de ensinamentos e jútalinos. Natal, conforme reza o dicionário, é um bilos que, por si só, bastariam para preencher substantivo “que diz respeito ao nascimento; todos os natais que passaram e os que virão. onde se deu o nascimento; dia em que se coE o bom velhinho? How! How! How! É memora o nascimento de Cristo.” Acho tolerável que se venere a figura de um velhinho gor- uma piada? Se for, é daquelas de muito mau do, de barba branca e empenhado em distribuir gosto. Será uma coincidência histórica? Em presentes no último mês do ano, contanto que caso positivo, está entre as mais infelizes. Talessa veneração não rivalize com a data de vez... uma imposição da igreja? Caso seja, é a nascimento do Grande Mestre inspirador da fé mais herética de todas. Que se crie, então uma nova data para ele, dando liberdade de opção cristã. a todos que se identificam com esse aspecto comercial presente em todos os finais de anos. Talvez seja mais oportuno e coerente, encaixálo nas programações de réveillon, festa bem menos comprometida com o teor sagrado das celebrações cristãs.

Quem é o aniversariante?

Voltando o olhar para o presente, acredito que a mudança pode e deve partir de cada um de nós. Que nos próximos natais consigamos prestar mais atenção no grande homenageado da data e comecemos assim, ano após ano, a apressarmos a sua volta.

Conforme sabemos, a figura do papai Noel é inspirada na existência de São Nicolau, um bispo que nasceu na Turquia em 280 D.C., e costumava ajudar as pessoas pobres, deixando saquinhos com moedas próximos às chaminés das casas. Por coincidência ou não, o calendário de festas e feriados religiosos ocidentais acabou absorvendo, exatamente no sublime aniversario do Senhor, essa alegoria voltada para o consumo de bens materiais. Na verdade, se fizermos um rigoroso exame na possível data de nascimento, talvez exista uma diferença de alguns meses em relação ao 25
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Um papo com a Psicóloga e escritora Maria Clara Machado

ção humana, portanto não se assuste se no fim do ano, vocês ficarem mais, nostálgicos, mais tristes e com saudades de seus familiares que estão aqui no Brasil, isso tudo também vai passar. Aquilo que penso aqui e falo para vocês com carrega em si uma emoção e tenho certeza que alguém, esteja onde estiver, estará conectado comigo mesmo que inconscientemente. Esta conexão de todos com um e um com todos, chamamos de inconsciente coletivo. Então se você esta neste momento sentindo solidão por estar chegando o Natal e o Ano Novo, olha Solidão de Fim de Ano para o lado e, se não tem nem uma pessoa de sua família por perto, pode ter certeza que alguém de sua família aqui no Brasil ou em qualNeste artigo, vou me dirigir às pessoas que moram fora do Brasil e que saíram daqui, atrás quer lugar do mundo, estará pensando e sende seus sonhos, para um novo País, uma nova tindo a mesma coisa que você, que é solidão, dor e saudades. cultura e uma nova realidade. Quando você faz a opção de morar fora do seu país de origem, isso quer dizer que você tem dentro de si uma capacidade de adaptação com o novo muito maior do que as pessoas que passam a vida toda no mesmo lugar. Podemos pensar que as pessoas que fazem esta escolha são pássaros que sentem o prazer em dar vôos cada vez mais altos. Alçar voos assim é algo muito benéfico para nós seres humanos, pois faz com que as pessoas saiam do seu conforto, e da sua “segurança”, para conhecer e viver novos horizontes. Parabéns a vocês brasileiros que fazem isso, Mas se todos estamos conectados, vamos tennesse nosso planeta tão diversificado em suas tar vibrar positivamente. Eu estou aqui para te culturas, raças e credos. ajudar a sair da solidão, vamos à ação! Juntos! Agora vou falar do humano de todos nós. Para Você deve estar pensando agora, mais de que as pessoas que, quando sentem dores e me forma? Qual a mágica que ela está nos properguntam como lidar com isso ou sair disto o pondo? É simples quer ver? mais rápido possível, sempre falo: a dor, o sofrimento, a saudade, fazem parte de nossa hu- Se tudo está dentro e nada está fora de mim, manidade e nos dão a clara referência que so- basta você entrar em contato com o sentimento mos humanos. Digo também que o mais impor- que está tendo neste momento. Por exemplo: tante é entender que tudo está dentro de nós, e Ah, me sinto triste e solitário aqui na Suíça... que tudo que vem acaba passando também. E Pronto, já vai vir solidão, dor e saudades. sentir dor e saudades faz parte de nossa evoluwww.varaldobrasil.com - VARAL DO BRASIL EDIÇÃO ESPECIAL DE NATAL E ANO NOVO 21

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Agora se você olha para esse sentimento que está dentro de você e deixa ele existir e diz: - Que maravilha, mais um ano que termina, mais um Natal que chega e eu estou aqui na Suíça (ou em outro país), feliz e realizado com minha coragem e determinação de morar nesse lindo País! Pronto! Viu, estava também dentro de você este pensamento, você vai perceber que como em um passe de mágica a dor e a tristeza e a solidão vão desaparecer, porque tudo esta dentro de você. Repito: Nada esta fora e Tudo passa. Grave bem isso, que esta é a chave para a sua felicidade.

ceber que o fim de ano deixa de ser algo dolorido e solitário e passa a ser mais uma conquista, mais vida, mais possibilidades, mais realizações. E aí um amigo ou uma amiga chega até você e pergunta, onde você vai passar o Natal? E você diz, não sei estou sem programas e naturalmente você é convidado para uma linda ceia de natal ou uma festa de fim de ano. Acredite, tudo está no seu pensamento, pense coisas boas e se conectará com coisas boas; pense em coisas ruins e atrairá coisas ruins. Portanto estou aqui escrevendo para você, conectada somente em coisas boas para você que esta aí na Suíça ou em outro país e eu aqui no Brasil, em São Paulo. Bem, essa é minha contribuição positiva para você ter um lindo fim de ano, longe do Brasil, no país que você escolheu para ser sua casa! Feliz Natal e um Lindo Ano Novo É o que te desejo Clara Machado. www.claramachado.com.br

Faça suas perguntas para Clara Machado através do e-mail varaldobrasil@gmail.com Continuando a pensar assim, pensando na má- e ela responderá com muita alegria! gica e no inconsciente coletivo, ai você vai per-

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HAPPY NEW YEAR
Por Claudio de Almeida Hermínio

Janeiro chegou E com ele mais um ano de vida, Vida superposta nos encalços de calços.

Nos primeiro anos vividos a descoberta encoberta.

Na caminhada nem sempre amena, Promessas de um mundo melhor Que às vezes não se revelam No meio de atalhos escondidos, Mas o ano nasce através do tempo, Trazendo com ele o sorriso perdido; E espalha o frescor de uma nova brisa.

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Benfeitorias natalícias
Eva P. Bueno

meus irmãos, coisa que eu odiava. E o Paulo tinha que engraxar e lustrar bem os sapatos de todos os adultos. Nós dois odiávamos estes trabalhos, porque ninguém nos pagava. Minha mãe dizia que era a nossa contribuição, e ficava tudo por isto mesmo. Então, num tempo destes, a idéia que alguém pudesse estar dando presentes de Natal, de graça, era incrível. Mas eu insisti. --“A professora falou que é só a gente preencher este papel aqui, e levar na escola, que uma dona muito rica vai dar presentes pra todas as crianças do bairro.” Minha mãe tampou uma panela, e veio olhar o tal papel. Sim, era um papel mimeografado que pedia nosso nome, nome dos pais, endereço, quantas pessoas tinha na família, quantos estavam empregados, etc. --“Vou mostrar pro seu pai a hora que ele acordar. Isto parece que é um truque.” Meu pai dormia em geral até as 4 da tarde, jantava, e ir trabalhar no posto das 7 da noite as 7 da manhã. Ainda eram duas da tarde quando eu cheguei em casa, e aquelas duas horas levaram muito tempo pra passar. Ninguém podia acordar o pai antes da hora, porque ele ficava muito enfezado. Eu e Paulo saímos pra tirar água do poço e fazer nossos deveres da escola, os dois ansiosos para que meu pai acordasse. Por fim ele acordou. Minha mãe mostrou o papel, e ele também achou que era alguma pegada, alguém que queria se divertir à custa das crianças. --“Mas quem ia fazer uma maldade dessas?” Minha mãe perguntou. --“Sei lá,” meu pai disse. “Amanhã por que você não dá uma chegada na escola pra saber desta história?”

Quando cheguei em casa correndo, já com meu guarda-pó meio tirado, minha mãe gritou da cozinha, “Que foi isso, menina? Olha aí arrastando o guarda-pó no chão!” De fato, estava arrastando o cinto e uma manga do guardapó na poeira vermelha, mas nem tinha percebido. A notícia era boa demais, e minha mãe com certeza ia gostar. --“Manhê! Vão dar presente de Natal pra todas as crianças do nosso bairro! Falaram lá na escola!” --“Que besteira é essa, menina! Quem falou tal coisa?” Realmente, parecia besteira mesmo. O Paraná tinha passado por uns tempos apertados, geadas tinham trucidado os cafezais, e tinha muita gente desempregada. Em minha casa, por exemplo, Ana, minha irmã mais velha, estava dando aula na escola primária, mas não recebia fazia muitos meses. Meus dois irmãos mais velhos, Ricardo e Pedro, estavam trabalhando numa loja de tecidos, e mal ganhavam o salário mínimo. Meu pai trabalhava num posto de gasolina, período da noite. Só eu e meu irmão mais novo, Paulo, não tínhamos trabalho. Ou a gente sempre achava que o nosso trabalho não tinha pagamento. Todos os dias nós dois tirávamos água do poço pra tomar, pra nossa mãe lavar nossa roupa, fazer a comida de todos, e pra todos tomarem banho. Além disto, eu tinha que lavar as meias dos

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E assim foi. No outro dia minha mãe foi até a escola e mostrou o papel pra diretora. Ela confirmou que uma “benfeitora” queria dar presentes de Natal pras crianças mais necessitadas. Minha mãe preencheu o papel lá mesmo na sala da diretora, mas fez questão de dizer a mim e ao meu irmão que ela não tinha certeza se nós íamos ganhar algum presente. Ela ainda não acreditava na história, mas decerto preencheu o papel pra não nos ver chorando e reclamando. Pra mim e pro Paulo, pelo menos agora a gente tinha uma pequena esperança. Eu estava no terceiro ano primário, e ele no segundo. Eu lembrava que a última vez que eu tinha ganho um presente de Natal só meu, tinha sido quando eu estava no primeiro ano. Papai Noel tinha deixado uma boneca de olho de vidro debaixo da minha cama, e Paulo tinha ganho um caminhãozinho de madeira, com carroceria e tudo. Agora, parecia que fazia muito tempo que a gente não ganhava nada no Natal. Na verdade, tinha sido só um ano, mas parecia uma eternidade. Quando a gente é criança e a vida de mede de Natal a Natal, o tempo entre um e outro parece que não passa nunca. Tá certo: minha família era religiosa. Todos íamos juntos à missa do galo, uma coisa que eu francamente não entendia, e sempre dormia na metade e tinha que ser trazida de volta pra casa nos braços de alguém. Mas isto era antes, quando eu era pequena. Agora, no terceiro ano, eu já tinha que caminhar de volta pra casa, tropeçando no sono, bêbada das luzes elétricas da igreja e do cheiro das velas. Minha mãe sempre insistia que o Natal não era os presentes. Mas já viu criança acreditar nisto? Eu e meu irmão, apesar das nossas imensas brigas o ano inteiro, em dezembro

começávamos a nos comportar, pra ter certeza que ou o Menino Jesus ou o Papai Noel (quem se importava com a diferença), visse como a gente estava se comportando, e nos recompensasse. A decisão sobre os presentes ia ser revelada no último dia de aulas, no meio de dezembro. E os presentes iam ser distribuídos no dia 23, na praça em frente da igreja. Todas as crianças da escola tinham preenchido os papéis. Todos nós tínhamos a certeza que íamos ganhar um presente da tal benfeitora. Como ela não tinha como saber o que andávamos fazendo neste meio de tempo, as brigas rolaram como sempre naquele fim de ano. Afinal, por boa que fosse, esta benfeitora não era nem o Papai Noel nem o Menino Jesus. Disto a gente tinha certeza. Mas o final do ano escolar chegou, e nenhuma notícia. Algumas mães foram à escola perguntar à diretora qual era a decisão. Ela também não sabia. Algumas ficaram bravas, onde já se viu dar esperanças pras crianças assim, e depois não cumprir? A diretora não queria revelar quem era a benfeitora. Por fim, acabou revelando: era uma dona de uma loja de móveis e utensílios domésticos no centro da cidade. --“Nós vamos lá perguntar pra esta dona que ideia foi esta,” uma das mães mais bravas disse. --“A senhora não precisa fazer isto não. Eu mesma vou falar com ela e amanhã dou o resultado pra todos.” E assim foi. Muitas tinham levado os filhos quando foram falar com a diretora, e muitos dos alunos da escola estavam esperando também pra saber o resultado. Em dois dias a diretora anunciou a todas as mães que tinham voltado pra saber a decisão que a mulher tinha resolvido dar presentes a todas as crianças do bairro. De pé no chão na poeira
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vermelha de Maringá, todas as crianças exultaram, já vendo as bicicletas, as bonecas, as bolas, as chuteiras sonhadas. Se o ano entre um Natal e outro levava tempo, nada se compara com a lesma das horas do dia deste anúncio até o dia 23. Afinal chegou o dia, e Paulo e eu estávamos prontos desde de manhã. Eu queria que minha mãe servisse o jantar do meu pai mais cedo pra gente ir pra praça as 4 horas. Mas a distribuição ia começar só às 6 da tarde, e minha mãe disse que a gente não ia sair de casa antes das 5:30. Onde já se viu? Ela tinha mais o que fazer que ficar dando voltas na praça por duas horas. Mas, por fim, de tanta insistência minha e do meu irmão, às 5 da tarde nós fomos pra praça. Já estavam aí praticamente todas as crianças da minha escola primária. E as professoras também, com seus filhos. Pra nós, crianças, não tinha problema nenhum, mas minha mãe e outras mães comentaram que elas não deveriam ter colocado o nome dos filhos, porque, afinal, elas pelo menos tinham um emprego e podiam comprar os presentes elas mesmas. Quem disse que os pobres são sempre generosos? Minha mãe, que não negava um prato de comida a ninguém, naquele dia não enxergou o fato que nossas professoras eram tão pobres como nós, e que fazia muito sentido elas terem colocado seus próprios filhos naquela lista. Com o passar dos minutos, aumentava a poeira, o calor, e o nervosismo. Não se via a tal benfeitora em lugar nenhum. Eu estava com sede. Meu irmão queria ir ao banheiro. Tinha criança dando vazão ao nervosismo em forma de brigas, cabelos puxados, nomes feitos gri-

tados. Minha mãe segurava nossa mão pra nos impedir de sair rolando com os outros, nos sujando. Às 6 da tarde, os sinos da igreja tocaram o Angelus, e todos baixamos a cabeça e rezamos a Ave-Maria, como de costume. Eu pedi à mãe de Jesus que mandasse logo a benfeitora. Paulo, aproveitando este minuto de distração, escapou da mão de minha mãe e foi se aliviar encostado à parede da igreja. Outros meninos, vendo aquele exemplo de liderança, foram também utilizar aquela parede para o mesmo fim, enquanto que as meninas, que não tinham licença pra tal coisa, tivemos que fazer de conta que não víamos nada. Mas algumas risadinhas bem que escaparam. Finalmente, as 6:30, chegou uma Kombi na praça. A multidão cercou o carro, enquanto as crianças gritava, “Papai Noel! Papai Noel!” A benfeitora abriu a porta lateral da Kombi e quis falar alguma coisa, mas não pôde. Os pacotes que ela tinha nas mãos foram arrebatados, e as pessoas começaram a vir em ondas, pegando o que ela tinha pra dar, e saindo com as crianças atônitas e sufocadas no meio da poeira e da gentarada. Minha mãe, vendo aquela balbúrdia, disse que a gente não ia entrar naquela confusão. Ela já tinha começado a nos arrastar de volta pra casa quando meu irmão começou a chorar e dizer que queria um presente. Eu não estava chorando ainda, mas ia começar em seguida, com certeza. Como eu podia renunciar assim ao que tinha sonhado só porque um borbotão de gente estava rodeando o carro? Minha mãe parou, me olhou, olhou Paulo, e tomou uma decisão. Ela nos levou até a esquina, e nos disse pra ficar segurando no poste de luz. “Eu volto já,” ela disse. E entrou na multidão. Minha mãe era uma mulher muito pequenininha, de pouco mais de metro e meio. A multidão a engoliu, e eu e meu irmão ficamos segurando no poste de luz, aterrorizados com o que estava acontecendo diante de nós.
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--“E se ela não voltar? E se acontecer alguma coisa com ela?”-- Meu irmão choramingava. --“A culpa é sua!” Eu disse com raiva, esquecendo que eu também tinha insistido. “Foi você que começou a chorar e pedir um presente!” Aí sim é que ele começou a chorar de verdade, e eu, apesar de querer me fazer de forte, também comecei a sentir as lágrimas rolando pelo meu rosto empoeirado. O que a gente ia dizer pro nosso pai? E pros outros irmãos? A culpa era nossa da gente ter perdido nossa mãe na multidão. Meu irmão chorava com gosto, e seus olhos verdes, agora vermelhos, estavam ficando inchados. Eu o abracei e disse que não chorasse, mas ele me empurrou e me chamou de burra. Neste momento, algumas pessoas na multidão se afastaram, e do meio do povo saiu minha mãe. Estava com os cabelos desarranjados, mas trazia numa mãos dois volumes. E vinha com pressa, já dizendo que a gente começasse a voltar pra casa, imediatamente. E assim fizemos. Corremos, os três, até em casa, e chegamos esbaforidos. Só depois que entramos, ela acendeu uma lamparina, e nos mostrou os presentes: uma bola de plástico branco para o meu irmão, e uma bolsinha de pano cor-de-rosa, com margaridinhas plásticas, para mim. Não me lembro se ficamos contentes ou desapontados com os presentes. Mas me lembro muito bem que a história tal distribuição pela benfeitora teve várias versões, que escutamos até meados do ano seguinte. Numa delas, a mulher tinha roubado todos os brinquedos, e queria distribuir pra se livrar deles. Noutra, que ela tinha feito uma promessa por causa de uma doença ruim que tinha sarado. E numa terceira versão, ela não sabia o que estava fazendo quando prometeu presentes pra todos, não sabia quantas pessoas iam aparecer. E, na versão que eu gostava mais, ela era uma pessoa muito boa que queria mesmo presentear todas as crianças do nosso bairro pobre, num ano difícil. Também me lembro muito bem que no dia depois da distribuição, Paulo e eu fomos à praça e achamos várias moedas, um par de brincos de lata, e um pé de coelho. No ano seguinte, eu me formei no primário. Foi um ano de sorte. Mas a benfeitora nunca mais distribuiu presentes no nosso bairro.

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ARROZ DE NATAL

Do site: http://cybercook.terra.com.br/ Basta você acrescentar um toque de carinho e alguns ingredientes típicos para transformar um arroz comum em um delicioso Arroz de Natal, para você servir junto com suas deliciosas receitas de carnes assadas, saladas maravilhosas e todas as outras que você capricha tanto.

2 xícara(s) (chá) de arroz 1/2 xícara(s) (chá) de nozes moída(s) 60 gr de uva passa quanto baste de pimentão vermelho para decorar

Faça a sua moda 2 xícaras (chá) de arroz branco (somente adicionando, sal, cebola e alho, não exagere nos temperos). Após o arroz estar pronto e morno, transfira para um refratário de vidro e misture as nozes passadas pelo processador e as uvas passas. A seguir, decore com os pimentões para dar um toque mais natalino. Foto por: Douglas Aby Saber

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Natal?

Por Evelyn Cieszynki
É natal. Data em que as pessoas trocam presentes entre si, momento de reunir a família, dia em que o amor, a paz, e a solidariedade estão presentes. Mas não para mim. Nunca gostei do natal. Os sentimentos bons não existem nesse dia. Por isso estou aqui, escrevendo essa história, sentada em minha escrivaninha de estudos que não utilizo mais. Tudo está em silêncio, ouço apenas o barulho do relógio que não marca a hora certa. Na verdade, o que é certo? O relógio que marca momentos de uma vida? Ou o silêncio? Silêncio. Uma palavra que define bem o natal para mim. Desculpe. Sou uma péssima contadora de histórias. Mas o que esperar de alguém que passa a madrugada em claro, com os olhos vermelhos e uma xícara de café velho sobre a mesa. Posso escutar os sinos tocando em alguma casa enquanto cantam músicas natalinas das quais não conheço, mas sempre ouço. Parece que as pessoas trocam presentes e se abraçam. Nunca terei um natal assim, até meus sonhos se limitam com essa experiência. Sonho com um natal, um natal diferente onde não há humanos, somente eu e os presentes, presentes secretos comprados por mim mesma e que não serão abertos. Não há árvores, nem enfeites. Há luzes, muitas luzes. Hoje é natal, e minha família acaba de chegar.

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— ...Sino de Belééémmm...

O Daruma e o Quebra-nozes

Por Fabiane Ribeiro

A família estava sentada à mesa para a ceia. Conversas altas, risos, talheres. Passava da meia-noite. Era uma linda noite de Natal. Perfeita para que um milagre pudesse se tornar real. Então, a primeira voz, aquela que pedia ajuda,

calou-se, e se transformou em um choro contido. A voz irritante do suposto cantor caolho, um tanto receosa, pronunciou: — Você está chorando?

Enquanto isso, na sala, algo terrível acontecia...

— Ei, você, preciso de ajuda! – disse uma voz vin— Claro, eu estou com dor, seu Daruma nojento! da do pinheiro. Não houve resposta. Passados alguns instantes... — Eu estou falando com você, redondinho! Em resposta, ouviu-se apenas uma música: — Noite feliz, noite feliz, óóóóó Se... — Pare de ser irritante, caolho! Eu falo sério, preciso de ajuda. Mas, cada vez mais alto, tudo que se podia ouvir eram as canções do “redondinho caolho”... — Bate o sino, pequenino... — Dor aonde, exatamente, seu Quebra-nozes enjoado? Eu não consigo enxergá-lo... — É noite de Natal, estão todos reunidos na cozinha. Meu dever é zelar pela segurança da família, enquanto um bom soldado. Portanto, subi pela árvore de Natal, mas enrosquei-me em meio ao pisca-pisca e caí aos pés do pinheiro. Aí da estante, você não conseguirá me ver, mas preciso que venha até aqui. — E por que eu iria até aí? Você não é um soldado? Certamente consegue se desenrolar de um pisca-pisca! Jingle Bells, jingle Bells... — Ah, não! Pare de cantar! Eu estou falando sério, redondinho, eu... — Então é Natal, e o que você feeeez? — Sério, cara, quer calar a boca? Eu... Eu quebrei o meu pé. O silêncio reinou pela sala. Os sons vindos da cozinha continuaram a ecoar por toda a casa, entretanto, os únicos dois objetos acordados na sala, o Daruma e o Quebra-nozes, ficaram sem falar por vários instantes. O Daruma, por mais irritante que fosse, sabia o que aquilo significava. Tudo bem que ele mesmo não tinha pés, mas sabia que para um soldado trabalhador, — Eu juro que, quando eu estiver bem, eu irei até que zelava pela segurança da família, como aquea prateleira e arranharei sua estrutura! le Quebra-nozes, perder um pé significava muito...
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até mim, que será uma luta... — Diga alguma coisa – pediu o soldadinho, quebrando o silêncio. — De certa forma, me sinto culpado – respondeu o Daruma, deixando de lado seu modo atrevido e orgulhoso de falar. — Como culpado? Eu que me enrolei e... Foi então que um ruído interrompeu as palavras do Quebra-nozes. O Daruma estava se movendo na estante. Ele ia vagarosamente arrastando-se, e seguindo os conselhos do soldado.

Primeiro, ele saltou até uma mesinha, derrubando a cola no chão. Então, pulou no sofá para amortecer a queda, e, depois, deslizou ao chão. Arrastou-se — Eu sou um Daruma! A única razão da minha vida até o local onde a cola havia caído e, empurrandoé trazer sorte e realização a todos! Sinto-me culpa- a, levou-a até os pés da árvore natalina. do que meu vizinho de estante tenha sofrido um acidente tão grave... Deve ter sido pelo fato de ter- Foi um longo trajeto, já estava amanhecendo quanmos nos provocado o ano todo. Minha função inver- do o Daruma chegou até o soldado. Este pegou a teu-se e eu lhe trouxe azar! cola e emendou o pé quebrado. — Cara, não sei o que dizer... Mas, por favor, venha me ajudar, eu estou com muita dor. Preciso que me traga a cola... — Mas aí está o problema, eu nunca desci da prateleira e, devido à minha estrutura “redondinha”, creio que não conseguirei fazê-lo. — Você estava certo quando disse que seu propósito é ajudar as pessoas a realizarem seus sonhos! Eu sei que o seu maior sonho sempre foi sair da prateleira e ver as coisas de outro ângulo... — Mas... — Eu estou lhe dando esta oportunidade – insistiu o Quebra-nozes. — Mas e se eu cair e me quebrar todo? Eu sou feito de louça... — Eu sei, amigo. Mas eu irei lhe falar exatamente como você irá se mover e qual caminho tomar. Eu prometo guiar seus passos; você tem que confiar em mim. — Mas irá demorar muito, eu realmente não estou acostumado a me locomover! — Não tem problema. Eu li o seu manual, quando você chegou. Sei que o seu dono deve colorir um dos seus olhos e fazer um pedido (desculpe ter te chamado de “caolho” por isso...). E, quando o desejo se realizar, ele deve pintar o outro olho. Eu estive pensando e, na verdade, você é símbolo de paciência e luta. Todos os dias, quando o seu dono olha para você na estante, ele se lembra de seus sonhos mais profundos e do caminho a percorrer para alcançá-los, até que seus dois olhos estejam coloridos. Tenhamos, então, paciência em sua descida
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— Obrigado, cara. Você me salvou – disse o Quebra-nozes – eu sabia que você iria conseguir! — Eu que devo agradecer – falou o Daruma – a vista daqui é maravilhosa... Eles abraçaram-se demoradamente e decidiram que ficariam ali mesmo. Assim, o Daruma poderia apreciar melhor a visão que tinha, e o soldado poderia descansar seu pé Machucado. Alguém, certamente, os colocaria de volta na prateleira mais tarde. Era manhã de 25 de dezembro, e os primeiros raios de sol que penetraram a sala, puderam testemunhar um milagre de Natal: um Daruma e um Quebra -nozes, juntos, sob um pinheiro, após a noite mais mágica e desafiadora de suas vidas. Eles certamente estariam em silêncio, a contemplar a beleza daquele momento de redescobrimento, se não fosse por uma voz um tanto irritante, que ecoava por toda a sala: — Bom Natal, um Feliz Natal, muito amor e paz pra você. Praaa vooocêêê!!!

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Reflexão sobre o Natal

Por Fernando Soares

Como falar em Papai Noel para crianças mais sofridas que nós, adultos insatisfeitos, que choramos com a barriga cheia? Como crer em espírito natalino quando a realidade que há sob as marquises torna ainda mais infeliz a noite de quem se toca - um dobre de finados com as desigualdades? Como saborear uma ceia de Natal, sabendo que há criaturas que se sustentam com o resto dos cachorros sem dono que povoam a madrugada das ruas? O único ato autêntico na celebração desta farsa é a embriaguez, que deveria durar por todo o Ano Novo Única forma de esquecer que há tanto o que consertar no mundo e falta mão-de-obra para se chegar lá.

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CALCINHA OU CUECA NOVAS: Dão sorte no amor, porque deixam os mal-entendidos para trás. São recomendadas principalmente para quem está começando namoro, para garantir o Reprodução do site http://www.mulherdeclasse.com.br/ futuro. ROUPA BRANCA: é um hábito relativamente COMIDAS QUE DÃO SORTE recente, trazido para o Brasil com a popularização das religiões africanas. O branco represenLENTILHAS: uma colher de sopa é suficiente ta luz, pureza, bondade. para assegurar um ano inteiro de muita fatura à QUALQUER PEÇA AMARELA: pode ser uma mesa. A origem desta superstição é italiana e peça íntima, um lenço, uma faixa ou um pequefoi trazida para o Brasil pelos imigrantes. no lacinho amarelo (que deve ficar sempre na ROMÃS: para atrair dinheiro, coma sete parsua bolsa). O amarelo representa o poder do tes, guardando as sementes na carteira. ouro e, dizem, atrai dinheiro. UMA NOTA DE DINHEIRO DENTRO DO SAPATO: os orientais dizem que a energia entra no nosso corpo pelos pés. Vai daí, o dinheiro no sapato atrai mais e mais riquezas. LENÇÓIS NOVOS: a dica é especial para recém-casados. Dizem que os lençóis novos, na primeira noite de ano, deixam as possíveis ameaças do ano passado na máquina de lavar.

Simpatias e Superstições para Ano Novo

BAGOS DE UVA: para os portugueses, comer 3, 7 ou a quantidade correspondente ao seu número de sorte garante prosperidade e fartura de alimentos. Para garantir também dinheiro, guarde as sementes na carteira ou na bolsa, até a troca do próximo Ano-Novo. CARNE DE PORCO: deve ser o prato principal da ceia, servida à meia-noite. Como o porco fuça pra frente, garante armários cheios o ano todo. Evite o peru, que cisca para trás. NOZES, AVELÃS, CASTANHAS E TÂMARAS: estas, trazidas para cá pelos imigrantes de origem árabe, são recomendadas para garantir fartura.

OS CUIDADOS COM A CASA

A MODA MUDA PRA DAR SORTE

......A casa deverá ser limpa, varrendo-a de trás para frente, e o lixo deve ser deixado fora. As vassouras devem ser queimadas e as cinzas enterradas. ......Nada quebrado deve ser deixado na casa (jarros de planta, garrafas, copos, pratos e espelhos). ..... Lave os batentes da casa com sal grosso e água, ou água do mar. ......Borrife a casa com água-benta nos quatro cantos. O ideal é pintar toda a casa, colocar lâmpadas novas (não deixar lâmpadas queimadas). ......Verifique se os sapatos estão em ordem e se as roupas não estão pelo avesso. ......As flores da casa devem ser amarelas para chamar ouro. ......As portas e janelas das casas devem estar abertas e as luzes acesas. ......Tudo isso atrai boa sorte e bons fluidos no Ano Novo que vai chegar.

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À MEIA NOITE, DEPOIS DOS ABRAÇOS

......Pegue três rosas brancas, e coloque-as em um vaso virgem branco ou de vidro transparente. Coloque dentro dele seis moedas, uma cebolinha, água e deixe ficar assim durante sete dias. ......Depois dos sete dias, troque a água, tire a cebolinha e troque as rosas. Só deixe ficar as moedas. ..... Essa prática deve ser repetida de sete em sete dias, de preferência nas sextas-feiras, o ano todo.

PULAR SÓ COM O PÉ DIREITO: atrai boas coisas para a sua vida, pois, segundo a Bíblia, tudo que está à direita é bom. JOGAR MOEDAS, da rua para dentro de casa. Atrai riqueza para todos que moram no lugar. DAR TRÊS PULINHOS, com uma taça de champanhe na mão, sem derramar uma gota. Depois, jogar todo o champanhe para trás, de uma vez só, sem olhar. Deixa para trás tudo de ruim. Não se preocupe em molhar os outros: quem for atingido pelo champanhe terá sorte garantida o ano todo. SUBIR NUM DEGRAU numa cadeira, enfim, em qualquer coisa num nível mais alto. Diz o folclore que isso dá impulso à sua vontade de subir na vida. Comece, é claro, com o pé direito. FAZER BARULHO: Os povos antigos acreditavam que afugenta maus espíritos. Vale apito, batucada, bater panelas, desde que seja exatamente à meia-noite. Dizem que não há mal que resista. ACENDER VELAS NA PRAIA ou jogar rosas nos espelhos de água, em intenção de Iemanjá. A deusa africana protege seus fiéis, com saúde, amor e dinheiro o ano todo, dia o candomblé. ......Há ainda o costume de receber o Ano Novo, à meia-noite, com fogos de artifícios, sinos tocando e muita música.

PARA NUNCA FALTAR DINHEIRO ......Compre um lenço e na noite de 31 de dezembro, exatamente na hora da passagem do ano novo, molhe-o e coloque-o para secar. ......Antes de o sol nascer, recolha o lenço e amarre dentro dele alguns níqueis. Só abra esse embrulho na meia-noite do próximo 31 de dezembro. Daí para frente, nunca mais há de faltar dinheiro. SUPERSTIÇÕES ......1 - Não passe o Ano Novo com os bolsos vazios. ......2 - Coma doze uvas verdes, à meia-noite do Ano Novo, para ter dinheiro em todos os meses do ano. ......3 - Guarde em lugar seguro, para ninguém achar, a tampa da garrafa de "champanhe", que tenha feito muito barulho, usada na festa de Ano Novo, chama dinheiro. ......4 - Defume a casa, na véspera do Ano Novo, com um defumador feito com carvão, xerém e açúcar. Além de chamar sorte e dinheiro, tira, também, o azar do ano velho. ......5 - No dia de Reis (6 de janeiro), coloque três caroços de romã dentro da carteira, para ter dinheiro durante o Ano Novo.
Baseado nas informações contidas em soldeamor.com

PARA TER SAÚDE E DINHEIRO O ANO TODO ......Para ter paz, saúde, aumentar o dinheiro e preservar a harmonia no lar o ano todo, vale a simpatia das três rosas brancas.

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ACREDITO EM PAPAI NOEL

Meu coração bate forte Meus olhos brilham

Por Flávia Assaife

Ao fitar o bom velhinho Ali, oferecendo um colinho...

Papai Noel existe? Existe sim. Acredito em Papai Noel, e daí? Esperando receber os pedidos de criança alimentados pela esperança Os pedidos de adolescentes já descrentes (será?) Os pedidos de adultos... (Adultos pedem?) Aqueles que jamais deixam morrer sua criança interior, Aqueles em que a esperança ainda tem valor, Aqueles que a emoção ainda faz bater o coração... Pedem, pedem sim... Um pedido diferente... Um pedido consciente... Por que quebrar a magia? Por que dizer que é fantasia? Por que deixar de acreditar em alguém que propaga a alegria? Pedem paz mundial Pedem amor fraternal Pedem proteção universal Pedem maior equilíbrio social Pedem que a fome não seja tão desigual O bom velhinho é imortal Sua imagem é mundial Totalmente global É um dos símbolos do Natal! Pedem que a dor não seja letal Pedem coragem sem igual Pedem algo especial... A gente cresce e um dia alguém diz Papai Noel não existe... Sua figura representa o amor A Paz universal O sentimento de fraternidade e bondade incondicional (Segue...) Que momento triste!

Ele existe no coração de cada um No espírito do Natal Está presente no sorriso Num gesto de carinho No homem de barba branca com roupas vermelhas Que mora no Polo Norte e possui um trenó com renas que podem voar!

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Alguém parece feliz Em o sonho desfazer Mostrar as amarguras, as realidades, o sofrer.... Não podemos ignorá-los, Eles existem. É preciso enxergá-los.

Mas, porque deixar de acreditar no espírito de natal No que o Papai Noel se propõe representar... Na união das famílias, No nascimento do Jesus Menino, Em alguém especial, Na mistura da fantasia e do real...

Papai Noel existe? Existe sim. Acredito em Papai Noel, e daí?

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ESPERANÇA

Por Gilberto Nogueira de Oliveira

Transpus um arco argentino E caí num nada. Um nada abstrato, Um nada incomum. Acontece tantas com o homem... Hesse aceitou o desafio do lobo Vencendo a si próprio. Kardek venceu as religiões Esquivando-se de todas. Titov venceu o desafio do Vostok Dando dezessete voltas em órbita da terra. Gagárin venceu o desafio das religiões: “Fui ao céu e não vi Deus” Os japoneses venceram o desafio da bomba A. Provaram que os EUA não ganharam a guerra. Quem consertaria o mundo? Eu? Você? Nós? Eles? Talvez a educação, Talvez os filósofos, Talvez ninguém. E se o tempo consertar? Mas o tempo não existe. Vamos tentar? É uma esperança... E se esperarmos e nada vier? Que fazer? Vamos lutar?

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O VERDADEIRO NATAL
Por Gildo Oliveira

Por ocasião do Natal, centenas de milhares de lâmpadas são acesas no planeta com a preocupação única de reunir pessoas em torno do acontecimento maior, a celebração da festa que anuncia o nascimento do menino Jesus. Esse sistema, que permite uma aproximação entre as pessoas, não toca o coração profundamente, embora possa até convencer o homem de estar vivendo uma época toda especial. Quando uma pessoa se ilumina a si mesma com a verdade manifesta, ela ilumina o mundo, pois, como disse Jesus, ninguém acende uma candeia e a torna oculta aos outros, mas coloca-a no alto para poder iluminar tudo que está a sua volta. Quando duas ou mais pessoas se reúnem, verdadeiramente, em nome do Cristo Jesus, a iluminação atinge níveis espirituais muito elevados; é o ponto de partida para uma compreensão maior do sentido do Natal em todos os seus mistérios.

Imagem de Mike Prinz

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PRESÉPIO DE NATAL
Por Inês Carmelita Lohn

Pinheiro enfeitado Luzes por todos os lados Caixas presentes espalhados Como um tapete no chão Muitas vezes fechamos os olhos Para o irmão que implora Apenas um pedacinho de pão Muita disputa no ter Esquecemo-nos do verbo ser Falamos em Papai Noel Esquecemo-nos o homem do céu Que deu a vida por nós Pregado em uma cruz Bebendo um cálice de fel Fazemos festas de aparência Esquecemo-nos da essência Do verdadeiro natal Presépio no canto da sala Luzes de competição Ao invés de fazer na sala Façamos no coração Para que o menino possa nascer E fazer a transformação.

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Natal Aprisionado
Por Infeto
Feliz Natal e um Próspero Ano Novo. Finalmente chegou a época de dizer está adorável frase. Tão esperada por crianças, velhinhos e donos de Shopping Center. Eu não quero comprar! Eu não quero consumir! Eu não quero sorrir! Eu não quero me divertir! Nesta maldita data agourenta. Mais daí Papai Noel, pode me castigar. Foda-se quem inventou o panetone. E essas ignóbeis árvores de natal... Vou enfeitar um cacto para ornamentar a antessala de meu coração. Sinto uma gastura na boca do estômago. Tomo Buscopan com Luftal. Sofro de flocos de ar oral e anal. Mas ainda, continuo a me sentir mal. Há um natal aprisionado dentro de mim. Com grades feitas do mais puro aço inoxiiável. Jesus Cristo natimorto. Natal, Exu, encosto. Atrás das grades os Reis Magos estão esfacelados, mutilados, com as ovelhas servindo-se de seus miolos com feno. E a pata gigante do consumismo satisfeito, prestes a esmagar a cabeça do menino Jesus, que berra, prevendo seu futuro. Cinquenta centavos ao mendigo, bom dia ao porteiro. Esse é o natal dos cordeiros. Há um natal aprisionado dentro de mim Sem vontade alguma de ser liberto.

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VII CONCURSO LITERÁRIO POESIAS SEM FRONTEIRAS (inscrições de 10 de agosto até 20 de dezembro de 2011)

Realização: http://marceloescritor.blig.ig.com.br Apoio: Academia Cabista de Letras, Artes e Ciências ; União Brasileira dos Escritores/BA; Revista Artpoesia Com o objetivo de estimular poetas de todo o Brasil e de países de Língua Portuguesa, o concurso premia os melhores trabalhos, comprovando o sucesso com sua 7ª edição. Os interessados devem enviar uma única poesia, tema LIVRE (digitada ou datilografada) inédita sob pseudônimo, em duas vias, dentro de um envelope maior. No envelope menor, deverá constar a ficha de inscrição que deverá ser criada pelo autor, com o nome, endereço completo, idade, profissão, escolaridade, título da poesia, pseudônimo, telefone, e-mail (se tiver), comprovante de depósito de R$ 8,00, em nome de Marcelo de Oliveira Souza, conta poupança BRADESCO : No 5920 digito 0 Agência 3679 digito 0. Não se esquecer de dizer como tomou conhecimento do concurso e se já participou de outras versões. Obs: Não aceitaremos poesias por e-mail; menores de idade podem participar desde que seja com a autorização dos pais. Formas de pagamento: • Em espécie junto à ficha de inscrição (envelope menor) • Depósito Bancário ou transferência de conta • Fora do país o equivalente a 5 dólares ou euros. RESULTADO: Dia 20 de janeiro de 2012 No site http://marceloescritor.blig.ig.com.br carta para quem não tiver e-mail. por e-mail, para quem enviar o endereço eletrônico e por

1° lugar: Troféu + certificado + Livro Cartas ao Pr esidente Lula + Revista Literária 2o lugar: Certificado + 1 PEN DRIVE 4GB + Livro Conto & Reconto + Revista Literária 3o lugar: Certificado + 1 PEN DRIVE 4GB + Revista Literária 4º e 5º Lugares: Certificado + Revista Literária Menções Honrosas: Uma para o autor nacional juvenil, menores de idade; outra para o autor internacional; cuja premiações serão: Juvenil Nacional: certificado + Revista literária ; Internacional: certificado + Livro Conto & Reconto + Revista Literária Todos os vencedores do concurso terão seu trabalho publicado no site www.poesiassemfronteiras.no.comunidades.net e na revista Art Poesia Contatos: marceloosouzasom@hotmail.com e celular 71-81553677 Main#Profile.aspx?origin=is&uid=7443555686771239313 Enviar carta registrada para: VII Concurso literário: Poesias sem Fronteiras A/c escritor Marcelo de Oliveira Souza Conjunto Edgar Santos Bloco 14/204 Engenho Velho de Brotas Salvador Bahia BRASIL CEP 40240-550
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Orkut: http://www.orkut.com.br/

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ADVENTO
Por Isabel C S Vargas

Preparo meu coração Para a vinda de JESUS Meu menino não virá. Por isso Virgem Maria Peço a VÓS em oração Apascenta meu coração Para tanta dor suportar. Estende tua mão generosa Ajuda minha ferida a cicatrizar Deixa meu menino descansar Docemente aninhado em Vosso colo sagrado.

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DEZEMBRO NO NATAL DO CALENDÁRIO…

Por Ivane Laurete Perotti Mac Knight FECHAVA-SE UMA NUVEM ESCURA SOBRE MEUS OMBROS. ACHO QUE ELA DESCIA DA CABEÇA OU PARA A CABEÇA SUBIA. ERA TÃO NEGRA, TÃO ESPESSA QUE COM A PONTA DE MEUS CÍLIOS EU SENTIA OS SEUS LIMITES.

NUVENS GERALMENTE VÃO E VEM, MAS ESSA ESTAVA ME ACOMPANHANDO FAZIA EU PODIA TUDO. ESCOLHERA ESTAR ALI, UM TEMPO LONGO DEMAIS, AO PONTO DE EU ATÉ PODER DIZER QUE ME ACOS- ENTRE TANTAS VEIAS ABERTAS COM DETALHES COLORIDOS SAINDO PELAS BOTUMARA COM ELA... CAS E ORIFÍCIOS QUE LEMBRAVAM PORÉ MAIS FÁCIL A GENTE SE ACOSTUMAR TAS, JANELAS E VITRINES. EU CAMINHACOM O QUE É BOM OU COM O QUE É VA UM PASSO DEPOIS DO OUTRO NAMAU? QUELE MUNDO COMUM E ESTRANHO, CUA NUVEM CAMINHAVA COMIGO E DESDE JA SOMBRA EM FORMA DE NUVEM PESACRIANÇA EU PENSAVA QUE NUVEM ERA VA EM MEUS PÉS. MEUS PÉS DOÍAM. ESTAVAM MARCADOS PELAS FERIDAS QUE ALGO FOFO, MACIO, BRANQUINHO, LEEU APLICARA NA HORA DE PEDIR SOCORVE... RO. MEUS PÉS ESTAVAM DIMINUINDO DE ESSA POSSIVELMENTE ERA UMA NUVEM TAMANHO E EU NÃO SABIA MAIS SE IAM DE OUTRA FAMÍLIA. FORA PREPARADA PARA A ESQUERDA OU PARA A DIREITA. NO CULTIVO DA RESISTÊNCIA E PERISMEUS PÉS PARECIAM DUAS BOLAS DE TÊNCIA HUMANA, EU NADA SABIA SOBRE BOLICHE SOLTAS EM UM TERRENO SEM ISSO, MAS DEPOIS DE TANTOS DIAS TENATRITO, SEM RUMO, SEM DIREÇAO. EU TANDO ME REFAZER, ESPERAR DEZEMCAMINHAVA PELAS RUAS DO NATAL QUE BRO ERA UM BÁLSAMO. DEZEMBRO CHECHEGAVA DO CÉU, DEPOIS DA LINHA DO GARIA COM O FRESCOR NATALINO E HORIZONTE. SIM, O NATAL CHEGAVA DO VARRERIA PARA O OUTRO LADO ESSA CÉU E OS HOMENS FAZIAM DE CONTA NUVEM DE ESPESSSA, PESADA. NÃO QUE CONHECIAM TODOS ESSES SEGREQUERIA MAIS ANDAR PELAS CALÇADAS DOS. DAVAM CONTA DE SABER PARA ONCOMO SE E STIVESSE EM UM PLANO SIDE E COMO IAM AQUELES QUE O PROCUDERAL ABSOLUTAMEMNTE ESTRANHO E RAVAM. O NATAL VINHA DO CÉU E DEAO MESMO TEMPO COMUM. QUANDO É ZEMBRO VINHA DO CALENDÁRIO DAS PAESTRANHO, A NOSSA ATENÇAO É CAPTAREDES DAS OFICINAS E SUPERMERCADA POR AQUILO QUE DESCONHECEMOS. DOS. ERA QUASE A MESMA COISA, SÓ QUANDO É COMUM, PODEMOS ESCOQUE O NATAL ERA MAIS BONITO PORQUE LHER O QUE DEMONSTRAR COM O INTETRAZIA UMA ESTRELA QUE NÃO ERA ESRESSSE QUE SEMPRE APARECE DE ALTRELA, MAS PARECIA UMA E SE
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GUM LUGAR. EU ANDAVA PELAS RUAS COMO VEIAS QUE EU MESMA ABRIRA. AS PORTAS COLORIDAS PELAS ORELHAS DOS PRESENTES GORDINHOS FERIAM MEUS OLHOS, MINHAS MÃOS E MINHA ALMA. EU QUERIA GRITAR PARA TIRAREM TUDO AQUILO DALI, MAS NENHUM GRITO PASSAVA PARA FORA DA NUVEM ESPESSA. NENHUM SOM DE MINHA BOCA CONSEGUIA ALCANÇAR O S LIMITES DO QUE ELA ESTIPULARA PARA SER MEU ESPAÇO. MEU ESPAÇO? QUE ESPAÇO TINHA EU DESDE QUE DEIXARA AQUERLA CARGA DEPOSITAR OS SEUS RESTOS SOBRE MIM? QUEM ERA EU PARA RECLAMAR DEPOIS DE TODO O ESFORÇO EM ME COLOCAR NESSE SOFRIMENTO? QUEM EU PENSAVA SER PARA DUVIDAR DE MINHA PRÓPRIA CAPACIDADE DE ME FAZER SOFRER?

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SO SABER A DIFERENÇA DO BRANCO DO NATAL. ONTEM À NOITE EU DORMI PERTO DO RIO E VI NOSSA SENHORA PESCANDO UM PEIXE PARA O MENINO JESUS. TAMBÉM VI SÃO JOSÉ ACENDENDO UMA FOGUEIRA DE PEDRA PARA ASSAR O PEIXE, MAS DEPOIS, POR CAUSA DA NUVEM PESADA, EU NÃO PUDE SENTAR COM ELES E PEDIR UMA BITELINHA DE PEIXE. TUDO CULPA DA NUVEM QUE ME FAZ SANGRAR E CHORAR QUANDO EU NÃO QUERO. ENCONTREI O MEU AMIGO ESPANTANDO O MEDO DA NOITE, PORQUE ELE NÃO GOSTA DA COR DA NOITE. ENTÀO EU CONTEI PARA ELE QUE GOSTAVA DE CAMINHAR PELAS CALÇADAS DO NATAL E ELE DISSE QUE EU ESTAVA FICANDO LOUCO. ACHO QUE SIM, QUE JÁ FIQUEI LOUCO, POR QUE ESSA NUVEM NÃO DÁ ESPAÇO PARA A MINHA CABEÇA E A MINHA CABEÇA ÀS VEZES SAI POR AÍ SOZINHA, FAZENDO DE CONTA QUE PROCURA O MEU CORPO PESADO. MAS O MEU AMIGO QUE TEM MEDO DA NOITE E FICA CORDADO CUIDANDO PARA ELA NÃO CHEGAR MUITO PERTO, DORME NA CALÇADA DO NATAL DURANTE O DIA. E EU GOSTO MUITO DELE, POR QUE ELE COME BANANA COM OS LÁBIOS, SEM MASTIGAR O CAROÇO E ENGOLE A CASCA INTEIRINHA. EU NÃO CONSIGO FAZER ASSSIM PORQUE A NUVEM ESCURA ME MANDA DESCASCAR A BANANA E COMER SÓ O CAROÇO E ENTÃO EU COMO PARA TUDO NÃO FICAR AINDA MAIS PESADO. MAS TAMBÉM NÃO É SEMPRE QUE EU COMO UMA BANANA, MEU AMIGO TEM UM AMIGO QUE GANHA BANANAS. EU NÃO TENHO AMIGOS QUE GANHAM BANANAS PELAS CALÇADAS DO NATAL. MAS EU TENHO UM AMIGO QUE MORA NAS QUADRAS DOS CALENDÁRIOS E ELE SEMPRE ME AVISA QUANDO VAI CHOVER.

DESDOBRAVA EM MILHÕES DE OUTRAS MINÚSCULAS LUZINHAS. ESSAS ESTRELAS EU VIA ENTRANDO POR BAIXO DA PLANTA DOS PÉS LIMPOS E QUE NÃO PESAVAM FEITO BOLA DE BOLICHE COMO OS MEUS. EU QUERIA O NATAL E QUERIA DEZEMBRO, MAS TROQUEI O CALENDÁRIO DE LUGAR NA MINHA VIDA E ENTÃO EU SÓ SABIA QUE ERA QUASE NATAL. MUITOS PÉS PELA S CALÇADAS ABERTAS ESPERAVAM PELO NATAL. EU CONHECIA MUITOS PÉS QUE ANDAVAM PESADOS COMO O S MEUS, MAS NÃO DAVA PARA DIVIDIR OS PESOS DOS PÉS. JESUS CARREGOU A CRUZ E NÓS CARREGAMOS OS PÉS FEITOS BOLA DE BOLICHE. AINDA HÁ QUEM PENSE QUE A CRUZ DE JESUS SAI ÀS RUAS NO NATAL, MAS EU SEI QUE NÃO, POR QUE ELA FOI PARA O CÉU MORAR COM ELE E AQUI SÓ FICARAM OS PÉS DE BOLA DE BOLICHE, PESADOS E FEDIDOS. A NUVEM GROSSA ATRAPALHA A MINHA VISÃO. NÃO SEI SE OLHO OU SE SOU OLHADO. NÃO SEI SE ESTOU DECIDINDO VER AS COISAS QUE VEJO, PORQUE ELA PARECE MANDAR NA MINHA VIDA DESDE QUE SENTOU SOBRE MEU CORPO. ELA É UMA NUVEM SEM NOME, MAS EU GOSTARIA DE DAR UM NOME A ELA, PARA VER SE ENTÃO ELA ME ATENDE E DEIXA IR SOZINHO POR AÍ. SÓ COM OS MEUS PÉS DE BOLA. QUERIA TROCAR O MEU CALENDÁRIO DE LUGAR E COLOCAR O NATAL NO LUGAR DE DEZEMBRO. O CALENDÁRIO ERA AMARELO E O NATAL PARA MIM É BRANCO, OU AZUL. MAS NO CALENDÁRIO AMARELO APARECE O NATAL EM VERMELHO. VERMELHO É COR DE SANGUE, IGUAL AO SANGUE DE MEU PÉ BOLA DE BOLICHE QUE ESTÁ SANGRANDO E FEDENDO. MAS EU NÃO GOSTO DO VERMELHO E ACHO QUE NÃO É A COR DO NATAL. EU ESTOU DENTRO DESSSA NUVEM ESCURA, MAS POS-

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ELE SABE MAIS DO QUE ESSA NUVEM ESCURA QUE FECHA MEUS OLHOS, ENTOPE MEUS OUVIDOS E PESA EM MEUS PÉS. ESSA NUVEM É DO MAL E O MEU AMIGO DO CALENDÁRIO FALOU QUE EM UMA HORA DESSA O TEMPO VAI MUDAR E A MINHA NUVENZINHA TERÁ DE FAZER XIXI. XIXI DE NUVEM FAZ BEM PARA A GRAMA, MAS MATA AS FLORES, POR QUE É MUITO ÁCIDO EM UM XIXI SÓ. XIXI DE GENTE FEDE E NÃO SERVE PARA ADUBO. EU GOSTO DE FAZER XIXI QUANDO NÃO PRECISO ME ESCONDER DA NUVENZINHA. ELA FICA OLHANDO PARA MIM COMO SE EU NÃO PUDESSE FAZER XIXI. E EU POSSO FAZER XIXI, PORQUE AGORA EU ENCONTREI DEZEMBRO E NO DEZEMBRO ESTÁ UM CAMINHO PARA O NATAL DE BRANCO. VOU DORMIR PERTO DA PRAÇA PARA ESPIAR QUANDO DEVE CHEGAR O HOMEM DE BRANCO TRAZENDO AS ESTRELAS E AS LUZES... VOU ESPERAR COM UM CALENDÁRIO DE DEZEMBRO NA MÃO E PEDIR PARA ELE COLOCAR A NUVEM NA ESQUINA ENTRE SETEMBRO E OUTUBRO. CERTAMENTE, ENTÃO, ELA PODERÁ ENCONTRAR O CAMINHO DE VOLTA, JÁ QUE ELA TEM PARA ONDE VOLTAR, TÃO DIFERENTE DE MIM QUE COMECEI A CAMINHAR E NÃO POSSO MAIS VIRAR AS MINHAS COSTAS. AS MINHAS COSTAS FICAM PARA O SUL, PORQUE SE O VENTO FICAR FORTE DEMAIS A NUVEM NEGRA PODE APROVEITAR A CARONA. MAS ELA PARECE MAIS INSISTENTE DO QUE EU, SÓ QUE ELA NÃO FALA. ELA FAZ. EU FALO E NÃO FAÇO. EU PROMETI PARA O SENHOR GUARDA QUE NÃO IRIA MAIS ANDAR POR AQUI, MAS OS MEUS PÉS DE BOLA DE BOLICHE ME TROUXERAM ATÉ ONDE A NUVENZINHA DEIXOU E AGORA EU SEI QUE O SENHOR GUARDA NÃO VAI GOSTAR DE ME VER SANGRANDO E FEDENDO. MAS É DEZEMBRO E EU QUERO O NATAL QUE VÃO TRAZER DO CÉU. EU NÃO ENCOMENDEI NENHUM ANJINHO PORQUE A NUVEM DISSE QUE ELES SÃO MUITO CAROS, MAS EU QUERIA UM ANJO VERDE COM CABELOS AMARELOS E UMA ESPIGA DE MI-

LHO COZIDO COM BASTANTE MANTEIGA E SAL E PARA SOBREMESA EU QUERIA PASSEAR LÁ DO OUTRO LADO DO RIO, ONDE MEUS AMIGOS FAZEM UMA FESTA MUITO BONITA, BEM CHEIA DE COISAS QUE EU NÃO SEI DIZER O NOME. MAS A FESTA DE MEUS AMIGOS É PARA DEPOIS DO NATAL. E EU QUERIA DEZEMBRO AGORA, PARA DAR UM JEITO NO NATAL. SEU SENHOR GUARDA ISSO É CULPA DA NUVEM, NÃO PISE NO MEU PÉ QUE ELE ESTÁ PESADO FEITO BOLA DE BOLICHE E EU VOU SAIR ROLANDO RUA ABAIXO COM ELE E ESSA NUVEM PESADA. NÃO, NÃO ESTOU RECLAMANDO. SÓ ESTOU LHE CONTANDO QUE EU GUARDEI O CALENDÁRIO NO LUGAR ERRADO E AGORA EU VIM AQUI NAS CALÇADAS BUSCAR O NATAL. EU SEI QUE É DEZEMBRO, MAS O NATAL É BRANCO E EU NÃO ENCOMENDEI UM PARA MIM, PORQUE ESSA NUVEM PESADA FECHOU OS MEUS OLHOS PARA O CARROCEIRO DAS ENCOMENDAS. ELE TINHA TUDO CERTINHO PARA DAR CONTA DE TODOS OS NATAIS, MAS OS MEUS PÉS TAMBÉM DOÍAM MUITO E EU NÃO PUDE CORRER ATRÁS DELE. MAS ELE TEM O MEU NOME, SEU GUARDA E EU ACHO QUE ELE VAI LEMBRAR DA MINHA ENCOMENDA PELO NÚMERO DESSA NUVEM QUE PESA TANTO. NÃO. NÃO SEI COMO ELA VEIO PARAR AÍ. NÃO. É MENTIRA NÃO, SEU GUARDA, ESSA É UMA NUVEM PESADA E MUITO FECHADA. EU VI CRESCER, CRESCER E CRESCER E PESAR CADA VEZ MAIS. MAS ELA TAMBÉM PARECE REDONDA, SEMPRE AO REDOR DE MINHA CABEÇA, PROCURANDO UM JEITO DE SE PENDURAR EM MEUS OMBROS. ELA SABE O QUE É DESCANSO. SÓ EU QUE NÃO TENHO MAIS DESCANSO, SEU GUARDA. NÃO, EU NÃO COMI O PEIXE QUE SÃO JOSÉ ASSOU PORQUE PERDI A HORA DA BALSA E A LUA JÁ ESTAVA MUITO CHEIA.
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OS MEUS AMIGOS FORAM CONVIDADOS POR NOSSA SENHORA PARA UMA GRANDE FESTA E EU TAMBÉM FUI, MAS GUARDEI O CALENDÁRIO EM LUGAR ERRADO E DAÍ QUASE PERDI O NATAL. O SENHOR SABE QUE NHUM HOMEM PODE PERDER O NATAL, SENÃO, AS VEIAS FICAM SEM SANGUE E O HOMEM CAI EM QUALQUER ESQUINA DA VIDA, COM OS PÉS CHATOS, COM OS PÉS DE BOLA DE BOLICHE, COM OS PÉS CHEIOS DE BICHOS COMO ESSES MEUS. SÃO BICHINHOS BENIGNOS, MAS ÀS VEZES, ELES QUEREM ENTRAR MAIS PARA DENTRO E EU NÃO GOSTO. GOSTO DE FICAR COM OS MEUS PÉS DE BOLA DE BOLICHE SEM INVASORES DE PÉS. SÓ O MEU AMIGO QUE TEM MEDO DA NOITE É QUE SABE UM JEITO DE TIRAR OS BICHINHOS DO LUGAR SEM MACHUCAR NINGUÉM. MAS ELE SÓ FAZ ISSO DEPOIS DO NATAL EM NOITE DE LUA MINGUANTE, PARA NÃO ASSUSTAR OS POBREZINHOS. EU TAMBÉM JÁ FUI AO HOSPITAL DOS HOMENS, SIM. ELES LAVARAM OS PÉS DE BOLA DE BOLICHE COM UMA COISA MUITO ARDIDA QUE AFOGOU OS BICHINHOS E TIROU MUITO SANGUE SECO DOS BURACOS. NÃO. SIM. EU SEI SENHOR GUARDA. EU SEI QUE NO NATAL EU POSSO ENTRAR ALI, MAS EU PERDI DEZEMBRO DENTRO DO CALENDÁRIO DA OFICINA. ENTÃO, AGORA EU PERGUNTO PARA UM E PARA OUTRO QUANDO É QUE O NATAL VEM E SE ELE VEM QUANTOS VÊM COM ELE, PORQUE EU SEI QUE ELE VEM DO CÉU. NA TERRA NÃO TEM NATAL. NA TERRA, QUE É ESSA AQUI EMBAIXO DOS MEUS PÉS DE BOLA DE BOLICHE, O NATAL NÃO PODE CHEGAR. ELE FICA MUITO ADOENTADO

COM A FALTA DE OXIGÊNIO QUE O SOL QUEIMA AO MEIO-DIA. SEI DE TODAS AS COISAS, SEU GUARDA, EU SEI E FICO QUIETO. NÃO SAIO CONTANDO PARA TODO O MUNDO O SEGREDO DO NATAL. EU SEI. O SENHOR É GENTE BOA. VAI ME LEVAR PARA ONDE? MAS E OS MEUS PÉS DE BOLA DE BOLICHE? VÃO TAMBÉM? EU QUERIA DEIXAR A NUVENZINHA AQUI PARA O SENHOR. NÃO PODE? PODE? EU POSSO TENTAR CORTAR ELA EM FATIAS. O SENHOR PODERIA ME AJUDAR DAQUI ENQUANTO EU CORTO DALI. MAS SABE, SE DEZEMBRO CHEGAR E EU NÃO ENCONTRAR DE NOVO ESSAS VEIAS ABERTAS VOU TER PROBLEMAS COM O MEU AMIGO DO CALENDÁRIO. SÓ SE O SENHOR EXPLICAR PARA ELE QUE ME LEVOU PARA O CÉU. NAO É CEU? É NATAL? É NATAL NO CÉU? EU QUERIA SABER MAIS SOBRE ESSES ASSUNTOS DE POLÍTICA QUE TANTO INTERESSAM AOS HOMENS COMO EU. QUERIA SABER PARA PODER CONTAR SÓ A PARTE BOA DAS COISAS QUE ESTÃO CHEGANDO. MAS SE O SENHOR ME GARANTE QUE EU POSSO DEIXAR OS MEUS PÉS DE BOLA DE BOLICHE IR JUNTO, ENTÃO EU VOU. VOU E AINDA LHE AGRADEÇO PORQUE ESSE PÉ AQUI TÁ BOTANDO MUITO SAGUE PARA FORA. EU ACHO QUE FOI DA OUTRA NOITE QUANDO EU QUERIA PASSAR PARA O LADO DO ZÉ CANINO E ELE NÃO GOSTOU DOS PASSOS QUE EU DEI. DEU COM A BENGALA EM MIM PARA EU APRENDER A NÃO INVADIR TERRENO ALHEIO. SEI DISSO, SEU GUARDA. O SENHOR É GENTE BOA E ENTENDE TODA A GENTE. EU VOU. EU VOU BEM QUIETINHO AQUI ATRÁS, E NÃO VOU FAZER NENHUMA BAGUNÇA NO SEU CARRO. LÁ É BOM PARA O NATAL? E EU POSSO DEIXAR A NUVEM NA ENTRADA DO HOSPITAL? VÃO CUIDAR BEM DELA? POBREZINHA, ATÉ JÁ ME APEGUEI A ESSA COISINHA PESADA E ESCURA.
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ESTOU COM PENA DE DEIXAR ELA SOZINHA. ELA PERDEU O CAMINHO DE CASA, PORQUE A FAMÍLIA DELA É DE OUTRO GRUPO DE NUVENS. AS NUVENS DA FAMÍLIA DELA SÃO MUITO PESADAS E NÃO FICAM ASSIM, ASSIM, PASSEANDO PELO CÉU. ELAS PRECISAM DA CABEÇA DOS HOMENS COM PÉS DE BOLA DE BOLICHE. EU VOU, SEU GUARDA. VOU QUIETINHO. O SENHOR ME AVISA QUANDO A GENTE CHEGAR LÁ NO NATAL? EU VOU FAZER CARA DE HOMEM BEM FELIZ PARA ENTREGAR A NUVEM NA PORTARIA. PODE DEIXAR. NÃO RECLAMO, NÃO. DEIXA COMIGO. SEU SENHOR GUARDA? SERÁ QUE O SENHOR CONSEGUE UM CALENDÁRIO PARA MIM? É PARA EU SABER DE ONDE VEM AQUELA ESQUINA ENTRE NOVEMBRO E DEZEMBRO E AQUELA COLUNA DE NÚMEROS ESTRANHOS PINTADOS DE VERMELHO. O SENHOR ME DÁ UM CALENDÁRIO? É ISSO MESMO, SENHOR GUARDA? MUITO OBRIGADO, SENHOR BOM GUARDA. MUITO OBRIGADO. O NATAL VAI CHEGAR PARA O SENHOR... BOM NATAL SEU GUARDA. BOM NATAL...

AGENDA DO VARAL:
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As inscrições para o livro Varal Antológico estão encerradas. Dia 01 de dezembro, em Genebra, apresentação de livros em presença dos autores Mariana Brasil, Carlos Ventura, Marcelo Madeira e Jacqueline Aisenman. Será servido coquetel. Endereço: Avenue du Mail, no. 2 - 7o. Andar - Entrada livre. Até trinta e um de dezembro receberemos livros em consignação nas condições especiais para a Livraria Varal do Brasil; Até dez de fevereiro receberemos textos para a edição de março, com o tema FAÇA AMOR, NÃO FAÇA A GUERRA! Um passeio atual sobre o lema maior dos anos 70.

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Por Jaak Bosmans

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Por Jacqueline Aisenman

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Vinho de Natal
Por João Cambinda Dala

Para esta quadra festiva Já escolhi o meu vinho É Cristo E o cálice é a Bíblia Sagrada

Todos estão convidados A partilharem comigo Saboreando este grande vinho Que vem da fonte pura,

Trata-se de um vinho diferente Um vinho que jamais embebedaria alguém Venha, na capela, participar com toda sua família

As portas estão abertas Não precisa convites Não custa nada!

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Poema de Natal
Por Joseli Rosa Natal É natal tudo é luz nasceu em Belém o Menino Jesus. Ele veio Para nos salvar. Então nos alegremos Vamos comemorar!

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Imagem Paróquia Sta. Catarina

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Noite de Natal
Por Ju Petek

aproximando na caridade. Ao longe um anjo anuncia tão perto um anjo glorifica ao Deus de amor que nasce, não importa onde não importa como for. Na noite de Natal estaremos reunidos num mesmo louvor na mesma oração entoando “Noite Feliz” seja onde for onde estivermos.

Lá fora a neve cai lentamente, lá fora o sor brilha deslumbrante. Ao longe um coração bate de esperança Aqui outro mais ainda, não importa onde não importa como for. É Natal, o sino bate bate aqui, bate acolá badala onde é inverno badala onde é verão, não importa onde não importa como for, todos os corações se unem nessa noite de esplendor. É Natal é Cristo que vem trazendo paz fortalecendo amor semeando esperança

Em uníssono mundo afora clamamos Glória a Deus nas alturas e paz na Terra a todos por onde estivermos

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A BARBA DE MENTIRINHA

ples.

Os gritos histéricos assustavam as crianças menores, que agarrando-se ao pescoço das Do Romance BAÚ DE CASSANDRA mães, com certeza não entendem o motivo de tanta gritaria. As professoras responsáveis, tentando estabelecer um mínimo de ordem, Por Lariel Frota para que a distribuição acontecesse sem maiores problemas. Caia a tarde de um calor sufocante, do céu muito azul um sol absurdamente quente inva- O falso velho sentado em um banquinho de dia todos os cantos, castigando duramente os madeira forrado de papel crepom vermelho, a responsáveis pelos preparativos para as festas esta altura em pedaços, transpirava mais a cada movimento executado, a barba colada de fim de ano. com dificuldade parecia se desprender e o O calor deixava todo mundo visivelmente agita- pobre homem, entre uma entrega e outra, tendo. As lojas abarrotadas, com vendedores su- tando recolocar o amontoado de fios brancos ando em bicas, pacotes e mais pacotes, emdesgrenhados no lugar. purrões, mau humor, pernas inchadas, braços Era uma cena tragicômica, como se a maioria e pés cansados. das crianças já não tivesse percebido a falsidaNa escola simples da periferia haveria solenide daqueles pelos meio encardidos pelo temdade de encerramento do ano, não uma festa po. grandiosa como as dos bairros nobres, mas Uma menininha muito linda de olhos tristes, é que afinal também seria uma comemoração, com direito à papai Noel vestido de vermelho, trazida até o falso Noel, vem nos braços da com a falsa barriga de almofada, barba lon- mãe que tem o rosto banhado em silenciosas ga e bigode brancos, colados com dificuldade lágrimas, todos ali conhecem seu drama, o sobre a pele encharcada pelo suor abundante; marido vítima de uma doença incurável, vive os presentinhos simples acondicionados em paco- últimos tempos de agonia, é jovem, mas um tes vermelhos, iguais, identificados pelo nome tumor no estômago descoberto tardiamente vai interromper a vida feliz da família simples, que em uma pequena etiqueta. até bem pouco vivera tempos de paz e harmoAs crianças se agitavam numa algazarra infer- nia. nal ao ver o “falso velhinho” travestido em inaA balburdia diminui consideravelmente, dequado traje vermelho, inadequado pelo catodos abrem espaço para aquela pequena crialor, porque no imaginário de todos, até mesmo tura que no colo da mãe parece implorar por dos adultos, ele era perfeito, olhos incrivelum pouco de alegria. O papai Noel se levanta mente azuis, óculos arredondados, e nesta do banquinho, estendendo os braços para a tarde sufocante, uma bochecha avermelhacriança de olhos profundos e tristes. O abraço da pelo calor intenso, dispensando qualquer não é de fantasia é de amor verdadeiro, intenmaquiagem. so, forte, como só os corações puros são caO sorriso é daqueles abertos e sinceros de que pazes de se dar; dura longos segundos e ao separar-se, a barba já quase solta da pele sutem um verdadeiro prazer em colaborar, em troca de um pequeno pagamento, com a ma- ada, se desprende de vez caindo no chão em gia dessa festa natalina numa escolinha sim- meio a poeira e pedaços de papel crepom vermelho pisoteados.
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Um silêncio estranho paira no ar, o falso velho, com verdadeiros olhos azuis, encharcados em lágrimas, não sabe o que fazer. As professoras por um instante parecem totalmente incapazes de qualquer atitude, enquanto algumas crianças, com olhinhos arregalados levam as inocentes mãozinhas a boca demonstrando susto e perplexidade. O clima de faz de conta parece irremediavelmente perdido, quando a menina triste, força sua descida do colo carinhoso, rapidamente se abaixa apanhando o chumaço de falsos pelos brancos, cheirando a naftalina. O rosto tristonho se ilumina, invadido por aquela alegria sem censura que só os corações puros sabem sentir , e como que exibindo o mais valioso dos troféus desse mundo, pulando freneticamente, com as frágeis mãozinhas dançando no ar, enquanto grita com voz triunfante: _Mãe olha, olha mãe, a barba é de mentira, mas o papai Noel é de verdade!!!! O papai Noel é de verdade mãe!!!

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cais de Natal na televisão. No Dia da Consoada (24 de Dezembro) Por Lénia Aguiar jantámos o tradicional bacalhau e algumas iguarias doceiras. Muitas crianças recebem o Pai Natal em casa, alguém da família que se veste com esse traje para abrihantar a noite de Natal com as tão desejadas prendas (às vezes as crianças nem sabem quem é); noutras casas os presentes aparecem na chaminé ou debaixo da árvore de Natal à noite ou na manhã do dia 25 e ainda há outras que recebem directamente dos pais e de outros familiares, por veAntes do mês de Dezembro muitas pessoas começam a comprar os presentes para a famí- zes, antes das 24 horas. Nós, a minha família, não consegui-mos conter a curiosidade e abrilia. Nós, cá em casa, costumamos fazê-lo, e embrulhámos os presentes ao chegar a casa. mos os presentes antes da meia-noite e só deFomos ao sótão buscar os enfeites de pois, às vezes, vamos à Missa do Galo. NorNatal. Estavam em diversos caixotes. Iniciámos malmente chove, mas na igreja estámos bem e esquecemo-nos do mau tempo com a alegria pela árvore de Natal, de tamanho médio, pinheiro artificial que simboliza as árvores do Pa- dos cânticos natalícios e com a palavra de Deus. raíso pela sua fertilidade, tal como a mulher. Colocámos em cima do sofá da sala de estar No dia 25 de Dezembro jantamos os restos do (em que não costumamos ficar muito tempo), dia anterior, recebemos os parentes em casa e para que fique à altura da janela. Foram postas vamos a seguir a casa deles. Trocámos preà sua volta vários conjuntos de luzes artificiais sentes e petiscámos os salgados e os doces de diferentes cores, assim como bolas, sinos e expostos na mesa. Nos dias seguintes também fitas encarnadas. Na janela pendurámos os si- fazemos visitas aos familiares e amigos trocannos luminosos e os candeeiros dourados. do prendas, bebendo e comendo. Alguns dias depois deslocámo-nos até Quando chega o último dia do calendário ao mato para arrancar das paredes pastinhos (31 de Dezembro – Reveillon) jantámos fartaou leivas, como estejam habituados a chamar, mente galinha frita com batatas rosadas ou bie construir um presépio em cima de uma das fes com arroz, jogámos às cartas para passar o mesas que não usámos no dia-a-dia. A gruta tempo, vemos televisão, conversámos em famíocupava quase sempre o lugar central, com a lia, petiscámos os doces e os salgados confecSagrada Família lá dentro e com os animais, cionados para a ocasião e, às vezes, comemos tendo por cima um anjo. Do lado esquerdo en- coscorões (feitos de massa, estaladiços e encontravam-se uns pastos com as ovelhas e os volvidos em açúcar e canela) ou donetes ou pastores, do outro a aldeia e os visitantes ao panquecas ou pipocas. Ao chegar à meia-noite Menino Jesus. Ao lado do presépio tínhamos assistimos o fogo-de-artifício pela televisão, Pais Natal e a enfeitar as paredes tínhamos es- abrimos a garrafa de champanhe para brindar o trelas luminosas. Pendurámos azevinhos nas Ano Novo que se iniciará e não dispensámos portas e raminhos de pinheiro pela casa. as 12 passas para pedir os 12 desejos (1 para Na semana antes do Natal confeccioná- cada mês do novo ano) enquanto se bebe o mos os doces - queijadas, Bolo de Natal, tartes copo da bebida festeira. diversas - e visualizámos os programas musi-

ÉPOCA NATALÍCIA

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festas preferidas. Gosto mais da maneira que é celebrada na minha ilha, no Inverno, para as luzes artificias estarem mais tempo acesas e, para mim, as filóses, comem-se só no Carnaval.

Outras pessoas costumam sair para bares e discotecas festejando até às tantas com amigos ou familiares; outros vão para casa de familiares e fazem churrasco e jogam algum jogo divertido em união, havendo sempre muita algazarra, atirando foguetes para iniciar o novo ano; ainda existem outras pessoas que jantam fora e vêem o fogo-deartifício ao vivo e outras fazem viagens nessa ocasião e vivem uma passagem-de-ano diferente. O que importa é que haja saúde e alegria para passar para o Ano Novo. No dia 1 de Janeiro levantámo-nos tarde, voltámos a comer pratos que não são consumidos regularmente ou os restos da noite passada, rezámos e passámos a tarde em família, indo às vezes a casa de algum familiar. Ao chegar o dia 6 de Janeiro, Dia de Reis, muitas pessoas comem o Bolo de Rei (embora algumas já o tenham comido ou já vaia em metade), é feito frequentemente em forma anelar (simbolizando riqueza e união), é comum ter frutas cristalizadas, que algumas pessoas põem de lado ou simplesmente não comem o bolo. Em Espanha é nesse dia que se abrem os presentes, mas em Portugal, em algumas regiões, nessa noite cantam-se as Janeiras (cânticos de Natal) de porta em porta; noutros locais fazem-se ranchos para desfilar pelas ruas da cidade a cantar, como é o caso da Ilha Terceira, nos Açores. Costuma ser uma noite alegre quase como a de Natal. Nesse dia há quem desmanche os enfeites de Natal, embora, alguns o façam no dia seguinte para honrar os Reis. Nesta época acontece uma das minhas

Canção dos Reis

Aqui vimos nós, Todos reunidos, A cantar os reis, Aos nossos amigos. Não é por interesse, Mas por amizade, Dá-nos um tostão, De boa vontade.

Cantemos os Reis Do qui ri qui qui, Senão nos não nada, Ficamos aqui.

Ficamos aqui, Ficamos aqui, A cantar os reis, Do qui ri qui qui

Imagem e canção do site: p://piscateca.blogspot.com 56

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Depressão: o inimigo oculto do Natal
Silvana Martani A depressão é uma doença que afeta as pessoas de uma maneira voraz, comprometendo a parte física, o humor e o pensamento. Ela altera a maneira como a pessoa vê o mundo e sente a realidade, entende as coisas, manifesta emoções, sente a disposição e o prazer em relação a vida. A depressão modifica a forma como a pessoa se alimenta e dorme, como se sente em relação a si próprio e como pensa e percebe as coisas. A depressão é, portanto, uma doença afetiva ou do humor, não é simplesmente estar "mau" ou de "baixo astral" temporário. Também não é sinal de fraqueza, de falta de pensamentos positivos ou uma condição que possa ser superada apenas pela força de vontade ou com esforço. As pessoas com doença depressiva não podem, simplesmente, melhorar por conta própria e através dos pensamentos favoráveis, conhecendo pessoas novas, viajando, passeando ou tirando férias. Sem tratamento adequado e intenso, os sintomas podem durar semanas, meses ou anos.

atípica, característica ou mascaradas, bem como, perceber traços depressivos em outras patologias emocionais como, por exemplo, nos casos de pânico, fobia, etc.

Imagem de rockthena ons

A sintomatologia depressiva é muito variada e difere entre as pessoas. Para entendermos melhor essa diversidade de sintomas depressivos, vamos considerar que, entre as pessoas, a depressão seria como uma grande bebedeira, onde cada pessoa alcoolizada fica de um jeito: uns alegres, outros tristes, irritados, engraçados, lentos, desatentos, sendo que a única coisa que teriam em comum é o fato de teA depressão, de um modo geral, resulta numa rem ingerido uma grande quantidade de álcool. inibição global da pessoa, afeta a parte psíqui- Normalmente a depressão vem acompanhada ca e as funções principais da mente, como a de sintomas físicos como dores pelo corpo, memória, o raciocínio, a criatividade, a vontatonturas, cólicas, falta de ar, palpitação, enjoo e de, o amor e o sexo, além de comprometer emocionais: tristeza, angústia, ansiedade, metambém a parte física. Enfim, tudo parece ser do, baixa de rendimento, e queda da libido, difícil, problemático e cansativo para o deprimi- choro constante e apatia, dentre outros sintodo. mas. Do ponto de vista clínico, seria simples e muito mais fácil se a depressão fosse caracterizada, única e exclusivamente, por um rebaixamento do humor com manifestação de tristeza, choro, abatimento moral, desinteresse e tudo aquilo que todos sabemos que uma pessoa deprimida é capaz de apresentar. As festas de Final de Ano, são grandes potencializadores de emoção e podem, tanto desencadear um quadro depressivo nos indivíduos fragilizados emocionalmente, com agravar os sintomas naqueles que já convivem com a depressão. Parece estranho como festividades e suas expressões reconhecidamente felizes são capazes de “maltratar” as pessoas.

Desta forma, até os amigos, os pais ou mesmo o companheiro(a) poderiam identifica-la. A par- Todos nós já escutamos comentários negativos te mais difícil e trabalhosa da psiquiatria está a respeito das festividades que compõem o cano diagnóstico dos muitos casos de depressão lendário anual, mas o Natal e seus desdobrawww.varaldobrasil.com - VARAL DO BRASIL EDIÇÃO ESPECIAL DE NATAL E ANO NOVO 57

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mentos afetivos como - reunião de família, prestígio entre as pessoas, expectativa dos presentes ( que compramos e vamos receber) , recordações da infância, os próprios enfeites de Natal, as nossas realizações e frustrações do ano, está no topo da lista das comemorações mais emocionantes do planeta. Por conta disso, precisamos estar atentos a forma como estamos vendo e sentido as emoções que tomarão conta das cidades e lares nos próximos dias, pois nesta altura, já temos uma boa ideia de como iremos nos sair nesta festividade. O Natal, e mesmo as comemorações do final de ano, precisam ser vividas com expectativas mais viáveis e uma programação que nos traga felicidade e sossego, não angústia e ansiedade a ponto de ficarmos exaustos e mal humorados. O Natal, na realidade deveria ser o momento para pensamos em nos renovar, nos melhorar para o próximo ano, nos reeditar com mais bondade e generosidade e as festividades de Ano Novo a oportunidade de dizer adeus ao ano velho e bendizer seus bons momentos. Feliz Natal!!!! *Silvana Martani é psicóloga da Clínica de Endocrinologia da Beneficência Portuguesa de São Paulo - CRP06/16669
Reprodução do site http://www.bemparana.com.br (Publicado em 2006) Site: www.pscicologia.psc.com

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NATAL
Por Lenival Nunes de Andrade Nesse tempo maravilhoso Onde tudo fica legal O tratamento conosco é honroso Com gente e jeito especial Nunca poderemos esquecer A época e a noite de natal

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NATAL DIFERENTE

Por Leonilda Yvonneti Spina Quisera Senhor, que neste Natal quem se calou... falasse; quem chorou, sorrisse; quem partiu... voltasse; quem magoou se arrependesse; quem sofreu, perdoasse e quem vivesse em solidão encontrasse um grande amor para florir seu coração! Quisera, enfim, que todos se entendessem e se dessem as mãos com muito amor, como irmãos. E que nesta data que tanta beleza encerra pedissem a Cristo Jesus, que descesse de novo à Terra para acabar com a guerra, que dizima a humanidade, com a pobreza, com a riqueza conquistada com violência. Tivesse clemência com os que sofrem, sem esperança... Protegesse a criança, amparasse os velhinhos, conduzisse a adolescência ao mais certo dos caminhos e levasse a juventude mal amada, incompreendida, a tirar sempre da vida a mais sábia das lições... Quisera tão somente um Natal diferente, em que todos que festejassem junto aos seus, se lembrassem principalmente, da chegada de Deus!

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Viver o Natal
Por Lourdes Limeira Viver o Natal É mais que solidariedade É rezar pela humanidade Tão presa ao material. Viver o Natal É olhar ao seu redor É enxergar a Essência e Cor Naquilo que é simples e banal. Viver o Natal É viver com alegria O amor de Jesus, sua sabedoria, coisa e tal Porque nada mais nos compraz no dia-a-dia. Que Reviver o semblante De nosso Pai _ o Salvador dos errantes _ Pois, sua Paz é nosso Ás.

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Arte e poema por Madhu Maretiore

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Um conto de Natal
Por Marcelo Candido Madeira

tive problemas uma vez, mas por sorte fui reconhecido e ele acabou me entregando uma cartinha de seu filho. No fundo ele era um bom homem, coitado.

Agora vou me preparar para visitar mais uma casa, primeiro fazemos um check-up, sem chaminé, sem cachorro, tudo ok? Onde Todo ano é a mesma coisa, chega a é a janela? Alarme contra assalto? Tudo ok. essa altura do ano e não há quem dê conta. Entrei sem ruídos, sou mestre nisso, porém, O trabalho se multiplica, são tantas crianças de repente, acende-se a luz da sala. e tantas casas para visitar, e fora os marman– Quem é você? Identifique-se! Pai! Pejos que ainda insistem em serem presentea- ga ladrão!!! dos! Tenha dó! Eu já sou um velhinho e de– Psiu, quieto rapaz, sou eu, não me repois de tantos anos de serviço não tenho diconhece? reito a aposentadoria, sempre que vou reclamar meus direitos à Previdência Social eles – Não. me dizem a mesma coisa: – Como não? Trouxe um presente pra – O meu senhor que estória é essa? O você. Olha só. senhor só pode estar brincando! Volta pra E lhe entreguei com maior carinho um casa, senão eu lhe mando pra um asilo de caminhãozinho de madeira colorida. E ele loucos! E libere a fila, por favor! Próximo!!! rudemente o pôs no chão e depois de um Cada ano que passa fica mais difícil, tempo observando o brinquedo me pergunchaminé já não existe mais e quando tem são tou: estreitas para meu físico avantajado. E já foi – Não se mexe, não tem pilha? o tempo em que eu ficava pulando de telhado em telhado, haja preparo físico! Até meus – Não gostou? ajudantes já não são mais os mesmos, perdi – Pai! Pega ladrão!!! Tum, tum, tum! – E um bocado deles com a globalização, muitos me dava umas almofadadas o moleque. me trocaram por ofertas gratificantes de mul– Se você não gostou, não tem importinacionais de brinquedos e aqueles que ficaram comigo vivem fazendo greves e se quei- tância. Eis aqui o meu cartão, você me escrexando aos sindicatos. Haja saúde, aliás saú- ve e eu lhe mando o que você pedir, tá bom? de é o que não me falta, pois para percorrer – Pai! Pega ladrão!!! Tum, tum, tum! tantos quilômetros em trenó, enfiado numa E com tanta barulheira a mãe do menino roupa quente sob o calorão de dezembro... Tenha santa paciência. E no final das con- entra na sala, eu sem hesitar pulei a janela e desapareci. A mãe lhe dizia docemente: tas, não sou reconhecido. – Meu filho, vamos dormir que amanhã Esta noite não será diferente, já visitei algumas casas, já deixei presentes ao pé das abriremos os presentes. árvores natalinas e doces dentro das meias O menino vendo pela janela meu trenó penduradas na lareira. Quem não tem lareira alcançando as estrelas pensou: sempre prega a meia, às vezes bordada à – Mas, ele é mágico? Ele voa? Ah! Comão, na parede ou perto das janelas. Às vemo não pensei nisto antes? Ele é o velho zes é complicado de encontrá-las. É difícil também quando a casa tem cachorro, mas Dumbledore da Escola de Magos do Harry para isso meus ajudantes sempre providenci- Potter! am um bom pedaço de carne para ele não fazer alarme. E essa onda de assalto está um horror e nem poupam o pobre velhinho. Já
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CRISTO E O PE. CÍCERO
Por Maria Laudecy Ferreira de Carvalho Veja que coisa bacana tenho pra lhe dizer !!! O final deles é só brilho Isso o mundo pode ver. Olhe que tentações o Satanás veio aprontar. Saiba que é na fraqueza que ele passa a atacar. Jesus Cristo depois de jejuar 40 dias e 40 noites no deserto teve fome como qualquer humano tem aí Satanás se aproxima Manda Jesus transformar pedra em pão Mas Jesus não cai não E lhe responde por cima Nem só de pão vive o homem desta nação Mas de toda palavra que sai da boca de Deus. Satanás insatisfeito, tenta pela 2ª vez e pede para Jesus se jogar de cima do templo Dizendo que os anjos lhe carregariam na mão o Filho de Deus é tão sábio e logo vai lhe responder : Não tentarás o Senhor teu Deus. Satanás enfurecido por não vencer, Leva Jesus a um monte muito mais alto Mostra- lhe todos os reinos do mundo Prometendo dar todo reino se Cristo o adorasse. Jesus que tem poder divino pede para Satanás se afastar e vai logo dizendo Adorarás o Senhor teu Deus e só a Ele servirás .
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Assim não houve brecha para Satanás entrar. Com o Pe. Cícero também há 3 tentações 1º pelo fato do milagre da hóstia, é impedido de celebrar com ordens de D. Joaquim José Vieira Bispo da capital Fortaleza. Pe. Cícero obedecendo aquela ordem, resolve Juazeiro governar pra não sair daquele lugar, mas lá vem Franco Rabelo, Governador do Ceará, e lhe impede de governar . Depois resolve praticar cidadania na sua Fazenda Caldeirão ajudando toda aquela nação, Mais uma vez é perseguido e tentado mas ele não desiste não. pra vencer as injustiças no Sertão Cristo, Cícero e Caldeirão, eles têm o mesmo início “ c ” e também o mesmo fim “ o ”.

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O Ceará tem o privilégio ter um Santo defensor. Lutou pelo Nordeste querido e o povo trabalhador. Seu poder é tão grande que o mundo todo conquistou. Agora falta os governantes poder oficializar que a graça do nome do Trio deve se concretizar CRAJUBAR é o nome desse lugar. Crato, Juazeiro e Barbalha é a trindade que Padre Cícero quis comentar.

mas , para o Ceará , Cícero é um santo espetacular! Viva Padre Cícero do Ceará! E Cristo em todo lugar!

(Beato José Lourenço)

Cristo na multiplicação dos pães deu a todos o que comer, Padre Cícero no caldeirão fez o mesmo acontecer. Isso não é mesmo um milagre, que se repete pra quem crê ? Não tenha dúvida meu irmão que Cristo escolheu o Ceará, pra Cícero profetizar o Ceará é de Cícero e Cícero é do Ceará. Mesmo que Roma não queira,
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Um Presente de Natal

Por Maria Perpétua Freire Brasileiro

Depois de muitos anos de casada, Raquel se separou. Foi duro enfrentar a situação, com os filhos criados se viu sozinha em meio a uma turbilhão de emoções diferentes. Estava confusa, ela não queria essa situação, para ela seu casamento estava desgastado, precisando de ajustes, mas nada que muita conversa uma boa terapia e férias da dura rotina não resolvesse. Porém para seu ex-marido a relação não tinha mais jeito e resolveu acabar o casamento. Na época foi um golpe muito duro, porém não se humilhou, ergueu a cabeça, resolveu todas as coisas práticas, porque separar dá trabalho e depois de tanto tempo, tem muitas coisinhas que dependem de cabeça fria e muita paciência. Foram meses de muita raiva e dor. Com o passar do tempo e de muito desgaste, todas as pendências foram resolvidas, ela foi morar sozinha , travando uma batalha interior, encarando de frente essa nova realidade, viver só. Tudo na vida não dura pra sempre, com esse lema Raquel conseguiu superar suas dificuldades. Cada barreira rompida era uma vitória. Assim foi levando cada mês, cada dia que passava. Dezembro se aproximava, sua vontade era ficar sozinha, principalmente porque as reuniões familiares traziam muitas recordações. Depois de muito pensar ela tomou uma decisão radical, decidiu viajar para o sul do país, passar o natal sozinha fazendo um balanço da sua vida. Todos ficaram surpresos com essa atitude, mas era necessário para seu equilíbrio emocional. No dia 21 de dezembro ela embarcou, viajou tranquilamente, chegando lá se instalou no hotel e saiu para fazer o que mais gostava. Fazer compras e conhecer lugares. Comprou lembranças para todos, parecia que estava feliz. O hotel preparou uma magnífica ceia de Natal,

todos os hóspedes foram convidados, era uma maneira de aproximar as pessoas. Haveria também um jantar dançante, seria uma noite especial. No dia 24 ela saiu, comprou um vestido lindo se produziu toda e desceu para o jantar. A noite estava animada, Raquel estava tentando se enturmar, se dirigiu ao bar e tomou um drink, escutava a linda música e balançava lentamente. De repente ouvia alguém chamando seu nome, olhou e não viu ninguém, a pessoa insistiu foi então que ela viu quem era e não acreditou --- Luís você por aqui? Jamais poderia imaginar te encontrar! --- Depois de tantos anos, eu também não poderia imaginar! Como numa noite de natal você está aqui, e pelo visto sozinha? --- Eu digo o mesmo pra você!

De repente anunciaram o início da ceia. --- Raquel, que tal sentarmos na mesma mesa? Jantamos e conversamos sobre nossas vidas. --- Ótima ideia. --- Porque está aqui sozinha sem sua família? Há alguns meses estou separada, esse é o primeiro natal só. Resolvi me dá um tempo, sem ninguém por perto. E você, onde está sua família? --- Não tenho família, não casei, a propósito depois que você me deu o fora, não arranjei ninguém pra casar e que eu amasse de verdade. --- Luís, assim você me deixa sem graça.

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--- Vamos nos divertir, vamos dançar. Dançaram bastante conversaram sobre o tempo em que namoraram curtiram muito a noite. Já era dia quando foram para seus quartos. Marcaram para almoçar juntos. Raquel estava feliz com esse reencontro, parecia que no seu íntimo acendia uma velha chama. Para Luís acontecia o mesmo ele estava entusiasmado e feliz. Eles estavam se entendendo bem, saíram todos os dias, a amizade, o carinho e o desejo de estarem juntos crescia. No último dia da viagem eles não aguentaram se beijaram e se entregaram ao amor. No início Raquel se trancou um pouco, mas quando pensou que aquele momento era mágico e único , desabrochou, foi uma noite inesquecível. Esse encontro não acabou aí, os dois estão namorando felizes e com mil planos. Raquel passou a ser o personagem principal da vida de Luís e vice versa. Esse foi o melhor presente de natal que Raquel recebeu.

17 simpatias e superstições para o Réveillon
(as datas foram alteradas para o ano de 2012) Reprodução artigo do site: http://www.mulherfeliz.com.br/ de 2007

Pular sete ondinhas, subir um degrau, fazer barulho, estourar a champanhe, usar roupas novas, pular com o pé direito. Essas são algumas das muitas simpatias e superstições de fim de ano. Você acredita nelas? Ninguém nunca disse que funcionava de verdade, mas mal algum elas fazem, então não custa nada arriscar e dar uma chance pra sorte. Veja algumas receitinhas de boas simpatias para a entrada do ano de 2012. 1. No último dia do ano, tome um banho de ervas para deixar pra trás as energias negativas e começar o ano zerada. Em água quente, coloque folhas de arruda, alecrim, manjericão, malva-rosa, malva-branca, manjerona e vassourinha para fazer o banho. Deixe alguns minutos, espere esfriar e jogue na sua cabeça. Quem já tomou jura que dá certo. 2. Para a noite de réveillon é indispensável roupas novas, mas não é tão obrigatório assim, o importante é alguma coisa nova — como uma lingerie, por exemplo. Calcinhas e cuecas novas para você e seu amor terem sorte no amor. Fazendo isso, é garantia de deixar para trás os mal-entendidos e garantia de um bom futuro para quem está começando o namoro, ou um casamento.

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Arte por Neli Neto

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3. Para continuar firme e forte com seu amor, no último dia do ano pegue um fio de cabelo seu e do seu amado e guarde-o juntos num saquinho branco durante o ano todo. 4. O branco é a soma de todas as cores, ela é ótima para usar no réveillon e ter um ano novo com muita luz. Mas você pode escolher outras cores de acordo com o que mais deseja para o ano novo

5. Para atrair dinheiro no próximo ano, use uma peça qualquer de roupa na cor amarela — que representa o ouro. Para ter esperança, vista-se de azul, vermelho para quem quer ter sorte no amor. 6. Para subir na vida, suba também um degrau com o pé direito na hora da virada — pode ser uma escada, uma cadeira ou uma calçada. 7. Guarde uma nota (vale qualquer valor) dentro do sapato na noite de réveillon, isso garante atrair riqueza. Não vale gastar o dinheiro nessa noite. 8. Dê vários pulinhos com o pé direito à meia-noite para atrair coisas boas para sua vida. Pule também com a taça de champanhe na mão sem deixar derramar. Alguns ainda jogam o champanhe para trás, de uma vez só, sem olhar para deixar tudo de ruim pra trás. Vida nova. Só não vale acertar as outras pessoas. 9. Logo após contagem regressiva e os fogos, coma doze uvas grandes ou romãs e guarde os caroços com você. Comer lentilha e milho também dá certo e garante sorte. 10. Para ter um ano doce, coma suspiros, merengue, chocolates logo após à meia-noite Comer uma salada com sete frutas diferente traz fartura. 12. Após a virada do ano, beije alguém do sexo oposto ou aquela pessoa especial da sua vida para garantir o amor no próximo ano ou manter o que se tem. 13. Para atrair dinheiro, coloque seis moedinhas embaixo do tapete da porta de entrada de casa. Durante o ano verifique sempre se elas continuam lá, se alguma sumir, reponha. Jogar as moedas fora de casa quando der meia-noite também chama riqueza para a casa. 14. Na hora da virada faça barulho. Isso afasta os maus espíritos. Apite, grite, batuque, panelas — mas só vale exatamente à meia noite. 15. Se a comemoração do ano novo for na praia, ótimo: pule as sete ondinhas e faça sete pedidos — uma para cada ondinha. Renova as energias e trás sorte para realização dos desejos.

16. Use roupas confortáveis na passagem do ano, para passar assim um ano novo: confortável. Nada de roupas apertadas! 17. Na noite do dia 1º de janeiro, use peças da cama novas para deixar para trás os problemas do ano que passou.

Feliz 2012!

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NO ANO QUE SE APROXIMA, FAÇA GESTOS DE AMOR: PRESERVE O PLANETA, PROTEJA OS ANIMAIS, NÃO DEIXE QUE ACABEM COM NOSSAS MATAS! SEJA CONSCIENTE! NÃO COMPRE ANIMAIS! NÃO DESTRUA O MUNDO ONDE VIVE! O MUNDO QUE VAI ACABAR EM 2012 É O MUNDO DE CADA PEDAÇO DA NATUREZA QUE É DESTRUÍDO!

Imagem do site: h p://acipacascavel.blogspot.com www.varaldobrasil.com - VARAL DO BRASIL EDIÇÃO ESPECIAL DE NATAL E ANO NOVO 69

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NATAL E ANO NOVO

Por Maria Socorro

Natal! Tempo de Festa... Felicidade Alegria de grande júbilo! A estrela brilha irradiante... Traz Boas Novas de grande alegria PAZ na terra Para toda a humanidade É tempo mágico... Harmonia e confraternização Suscitam a reflexão em Novas Esperanças Único momento em que as Nações Celebram o enlace de Paz com alegria Espetáculo de luzes em artifícios Vislumbra ao mundo em promessas... Sonhos a serem conquistados No despertar de Um Novo Dia Feliz... Feliz Ano Novo

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O melhor Natal do mundo
Por Marina Fernanda Farias

E ver o florescer de um novo dia De sentir o teu calor no frio do inverno Do Natal, do mais irracional Dos sentimentos, nossos momentos Você, o encontro, a paz De sermos quem somos De termos ou por medo perdemos A essência do nosso ser Você

O meu melhor Natal não tem claro nem escuro Nem intenso, nem profundo Eu só queria ter o meu pão Para esvaziar a minha razão De não ter medo do futuro E me encontrar no tão seguro Do teu amor, minha paixão Agora vamos comemorar este momento Aproveitar cada minuto de celebração Porque estou feliz Felicidade, ai minha alegria de acordar pela manhã

Nós A vida O Melhor Natal, meu amor

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NATAL DE MENINO
Por Mário Rezende

Eu vivi a expectativa pelo natal nos olhos esperançosos de menino, passeando as pupilas iridescentes, curiosas e brincalhonas, fascinadas pelas vitrines enfeitadas e coloridas que lhe atiçavam o desejo. Eu vivi a esperança do natal pelos olhos quase adormecidos de menino, aguardando, ansioso, a visita do Papai Noel. Eu vivi o olhar curioso, radiante, nos olhos marejados de menino e o coração apressado no peito, feliz com um brinquedinho humilde que o esforço dos pais permitiu. Ainda assim, eu vivi o sentimento de menino, solidário com aqueles que nada podiam ter. Eu vivi a vontade firme para vencer na cabeça inexperiente de menino, para poder um dia ter mais do que aquilo e retribuir o que conseguiram, dedicados e imbuídos de amor verdadeiro, lhe oferecer.

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PÁGINA DE UM DIÁRIO QUE O VENTO (CHEIRANDO A CADÁVER E PÓLVORA) TROUXE ATÉ MIM

Por Namibiano Ferreira

Olha tanta paz a pingar do cajueiro como pingos gordos de sangue. Olha tanta fartura de paz a escorrer das varandas buganvílias de minha mocidade... Olha tanta PAZ, meu Deus, tanta PAZ!

E uma menina -criança aindachorando no Kuíto - Bié, hoje em mais um dia de guerra em que fomos bombardeados pelos mig's das FAPLA; e obuseados pelos mísseis das FALA.

Na mata, onde fugimos, fingindo nos esconder, um menino está para nascer: talvez ele seja Jesus Candengue, nossa promessa de PAZ...

-É véspera de Natal, algures no Bié!

FAPLA – Exército do MPLA. FALA – Exército da UNITA. Candengue - Menino

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Arte de Nélida Nunes Cardoso especial para o Varal Especial de Natal

MOLDURA EM GESSO DIMENSÃO: 42 cm / 26 cm. DESCRIÇÃO TÉCNICA: Revestidos com panos, todas as personagens adotadas pela Igreja Católica Apostólica Romana como representantes da Certidão de Nascimento do Enviado de Deus. Tecidos utilizados para feitura dessa obra são de padronagens variadas; - Adereços em crochê: nos servimos de linhas e lãs de matizes as quais achamos no momento inspiratório, charmosos! O mesmo processo, usamos também nas colagens de papéis em pontos discretos, até escondidos. - Colocação de arroz feijão e folha de louro, representados como tesouro, em oferenda ao Menino Jesus, intencionalmente, queremos demonstrar por intermédio dos grãos, quanto nós brasileiros, os temos como preciosidade. Assim acontece quando numa pequena cesta também retomamos nossas iguarias trópico/culturais e expomos duas bananas, laranja e tomate.

- Técnica de pintura: Lúdica - Ano da confecção: inicio 2010 término 2011. - Leitura Natalina: PRESÉPIO ITINERANTE. Inicia -se com a retirada do povo hebreu do Egito rumo ao deserto escaldante; esta história vai sendo contada até o Nascimento do Filho de Deus, Jesus Cristo. Todos os acontecimentos históricos religiosos vêm sendo observados pelo PANTANAL o olho do mundo, representados, por duas araras. A ramagem floral indica nossa pré-disposição para o amor.

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QUER FAZER DIFERENTE?
Neste Natal e Ano Novo, onde mais do que de festas se ouve falar de tristeza e solidão, faça diferente! Abra seu coração, suas portas! Convide alguém que passaria estas datas sozinho para passar as festas ao seu lado e de sua família! Está sozinho (a)? Não sabe onde passar as festas? Está pressentindo noites frias de solidão? Mude isto: vá a uma casa de idosos, um orfanato, um hospital, um abrigo para animais. Leve alguma coisa, se não puder, leve o seu amor! Onde você for vai com certeza sentir a alegria de poder estar compartilhando aquilo que existe de melhor na vida: o sentimento de fraternidade, a emoção de amar!

Seja feliz fazendo feliz! Não fique só, não deixe só quem precisa tanto de você! Família a gente também pode escolher! Faça viver em você o espírito de Natal!

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Peregrinação
Por Norália de Mello Castro Deixei que acordes da música Varassem o coração. Cantei baixinho o cântico dos cantos. Viajei por oceanos de mistérios inalterados. Voei por entre nuvens. Conheci a loucura dos desesperados. No caos apocalíptico gritei. Não escutaram a voz - voz muda de paladar encoberto. Chorei. Não escutaram o pranto - choro de lama, mistura de brejo. Vaguei. Chamei por Castália e a fonte jorrou e eu vi: o cometa-estrela que anunciou: É Natal

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POR UMA NOITE DE NATAL!

pelo egoísmo individual de cada um. Que de certa forma, é imposto pelo sistema social atual em que vivemos. Onde as necessidades do mundo moderno cobram muitas vezes, de forma inconsciente até, um estilo de vida que quase nos é imposto, obrigando a vivê-lo dentro desse sistema social atual.

- E os nossos sorrisos, sequer lembram, ao menos de relance, àquela profunda paz onde Por Odenir Ferro nos presenteáramos imbuídos num total silenEm cada ano que já vai chegando à linha da cio. sua reta final, abrem-se espaços para refletirmos, pensarmos, organizarmos nossas vidas, - O nosso rosto não é mais o mesmo. Nem mesmo é, o nosso sorriso, sequer. Nem nos nossas emoções, nossos relacionamentos. lembra, ao menos num relance, aquela augusEm cada fim de ano, é tudo que já vai se fe- ta paz inspirada na beleza dos Santos e dos chando e cedendo os seus espaços para a li- Anjos do Presépio! nha da largada onde haverá o reinício da vida correndo rumo aos percursos incógnitos das - Onde o menino Jesus, deitado na manjedoucorridas desenfreadas do próximo ano, que ra, olhava-nos sempre puro e belo! Pois Ele nunca teve e nem tem nada a dever, ao Munlogo, logo, já se iniciará. do! E nele, dentro dele, as expectativas se retêm se refletem ou se repetem, como a cada Novo - Ao contrário! Sempre procurou motivar-nos a caminharmos avante com as nossas vidas, Ano de novo que se inicia. nosso mundo interior, ao refletindo guardarRenovam-se os inumeráveis sonhos, de uma mos no íntimo da alma do nosso coração, a maneira esperançosa, pulsando nossas emo- imagem fixada do seu rostinho lindo, corado, ções, tal igual aos ponteiros dos relógios que sorrindo! vão direcionando as horas rumo ao final de mais um ano. Horas cheias de subterfúgios, - As muitas e muitas Árvores de Natal, enfeitaonde nossos olhares, muitas vezes acabam das com bolas de vidro coloridas, as guirlanpor se cruzarem, ao rever no próximo, os refle- das muitas, cobertas de flores, cobertas de xos da nossa realidade interior, estampada tudo, enfeitam as portas a cada ano que pasbem na nossa frente. Como se fosse o espe- sa, e tudo se repete. lho ou o reflexo do espelho, expressando a - Paro para pensar. Reflito e tento vivenciar nossa alma através do nosso rosto. Ou o es- evidenciando dentro das memórias de mim, pelho do nosso espírito natalino interior e vivo aquele tempo onde tudo era motivo de magnídentro de nós! Somos todos irmãos! Irmãos ficas nuances de belezas, onde imperavam as em Cristo! É o Cristo que busca vir, e reviver leis do sublime que vinha do clima Natalino. dentro das vivências e das emoções de cada um de nós! - Ficava estampado no rosto de cada ser hu- Nosso rosto já não é mais o mesmo. Nem mano, o semblante das esperanças renovadas mesmo é o nosso mesmo sorriso de sempre, em cada novo ano que se iniciava! E aquele sequer. Não. Já não é mais. Tudo passa. Tudo tradicional bom velhinho, mesmo sendo um passa rápido. E as nossas emoções vão sem- Ícone Mundial, era forte dentro das magias encantadas e sonhadoras da infância. Onde propre indo, muitas vezes, sendo assim: punha às crianças, toda a plena e efusiva li- Massacradas! Cada vez mais, atropeladas berdade do sonhar.
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- E os sonhos se misturavam com a fé. Que se simpatizava com as luzes do Amor de Jesus. E tudo era clima de festas. Plenas de carismas, envoltos com os doces e os cheiros dos vinhos, dos licores, dos chocolates, dos assados das carnes, das frutas, dos perfumes diversos, das massas e dos panetones. Que impregnavam a vida das pessoas, com a rotina alegre das comemorações feitas com brindes de champanhes. Numa marcha de clima efusivo de festas! - As músicas natalinas espalhavam-se nos ares, enchendo de ternura os corações transbordantes de amor e fé, com seus melodiosos acordes cheios de sonoras letras religiosas que se misturavam com as clássicas harmonias que nos encantavam, pela profundidade das emotivas sonoridades melódicas, enchendo de ternura e amor nossas almas através dos sons diversos que chegavam aos nossos ouvidos, envolvendo nossas almas, os nossos corpos, os nossos espíritos, os nossos corações, o nosso profundo Amor Cognitivo Universal, sempre esperançoso com as bemaventuranças vindas de Deus!

fui até a cozinha. Tomei um copo d’água, bem gelada. Bem devagar, absorvendo e saboreando-a lentamente, em pequenos goles. Absorto nos pensamentos que estavam por mim a transitarem, desfilarem, cutucando-me de certa forma, tentando atingir-me dentro do interior mais profundo do humano ser que ainda habita vivo dentro das essências da minh’alma. Dirigi-me até a porta que dava para os fundos de casa. Abri-a, também de forma bem devagar, para não acordar ninguém, pois já era madrugada. Deparei-me com a beleza reflorescida no velho pé de manga do fundo do quintal, que embora já contivesse na sua copa muitas mangas verdes ou maduras, também ainda continha em si, algumas flores que se desenvolviam para transformarem-se em mangas. A lua estava na fase nova. A noite quente, com o verão se aproximando. E a noite estava muito clara! Com muitas estrelas enfeitando o céu.

Na sala, as músicas que vinham do piscapisca, soavam harmoniosas, deslizando os temas de natal, de forma bem suave, dentro do - Elevando os nossos espíritos em forças de silencio da noite, enquanto as luzes iam interplenitude do Amor, numa esperança onde os calando-se em cores, dentro da pouca claridasonhos eram depositados aos pés dessa bem- de da sala. aventurança impregnada de Celestiais Bênçãos de repletas harmonias agentes da subli- Olhei tudo isso de fora, através do vidro fosco da janela, pois estava na penumbra da madrumidade derramada pela Paz! gada, no lado de fora de casa. - Parecia que nos meses de dezembro, era possível ouvir de lá, do Céu, um Coral de An- Pressenti naquele momento, que o Presépio jos. Cantando e tocando flautas, flautins, clari- do Menino Jesus, que estava embaixo do pinetas e harpas. Enchendo a vida de nós, hu- nheiro da Árvore de Natal, ser muito, muito real manos mortais, de muitas belezas carismáti- pra mim. Muito mais do que imaginava, pois cas, que embora quase invisíveis, eram tocan- através dele o exercício da minha Fé em Jesus tes, profundamente tocantes, plenas e lirismos Cristo vivo, era imenso estado de plenitude de singelos e doces, envolventes... Enlevando-se puro amor. E eu estava pleno, lúcido, vivo, vívidentro de nós, fazendo pulsar mais forte nos- do e real, dentro do carisma cognitivo que dessos corações, num carisma intenso por uma pertava em mim, o espírito do Nariqueza intraduzível pelas palavras, pois que tal! eram essas fortes emoções, plenas de belezas Repentinamente, olhei puro céu, vivas, dentro de uma poesia rica! de soslaio. E num susto momenPerdi o sono, e desperto estou, ainda! A mais tâneo, comecei a rir de mim mesde uma hora, já. Levantei-me a algum tempo e mo !
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da cada pessoa, e também dentro de tudo o Pois pensara, quase acreditara, ter visto o Pa- que há existente no Universo, enfim! pai Noel em seu trenó, sendo conduzido pelas renas tradicionais, e que foram pintadas no - Unifiquei minh’alma mais uma vez, reafirmanquadro da imaginação humana, de dourado. do meus laços de fé, Àquele que atua residindo Num reflexo momentâneo, acreditei ter visto em nós Todos, através dessa Comunicação de tudo isso, passeando nas sombras da noite, no Esperança e Fé em dias melhores e mais felialto do céu constelado! Como se o ouro da vi- zes para todos nós, pois Jesus vive em cada da, realmente fosse trazido pelo Papai Noel! um de nós. Propondo-nos, quanto humanos que somos a vivermos os Versos e o Verbo do Amor! - Pois Sim!... Mas foi apenas um susto momentâneo! A minha imaginação me traíra. Descobri rapidamente, que inconsciente, fizera apenas uma projeção do desenho da garrafa do refrigerante que estava pela metade, exposto na mesinha de centro da sala, com o Presépio do menino Jesus ao fundo, onde a imagem do Papai Noel posava sorridente no trenó, desenhado no rótulo do refrigerante, sobrepondo-se à imagem Divina do Nosso Senhor Jesus Cristo Vivo! Olhando para o interior de mim, novamente conscientizei-me de quem nos traz o Ouro da Vida, é o Nosso Senhor Jesus Cristo! Ao continuar olhando para dentro da sala, olhei para o interior de mim, agradecido, enquanto, através do vidro da janela, recebendo e interpretando o clima profundo que o Presépio e Jesus menino, pra mim significavam encantado, observava. Admirava! - Quando voltei os meus olhos pra dentro de mim, querendo novamente reencontrar-me com Deus, pudera então, numa viva crença, prostrado em atitude de louvor, digna e esplendorosa fé, O ver e O ouvir, ao senti-Lo por dentro e por fora de mim. Pois ele estava vivo dentro do clima natalino. Eu pudera rever Jesus Cristo, O Imortal! - Aquele que estava residindo eternamente belo, dentro de mim e de todos nós, seres vivos habitantes do Planeta Terra. - Olhei dentro do labirinto do meu corpo, onde eu habito Nele e Ele em mim. Unindo a poesia existencial da minh’alma ao meu corpo e meu espírito, ao corpo Dele, que se faz presente na Humanidade que O compõe, residente dentro
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É Natal
Por Oliveira Caruso No café da manhã hoje há rabanadas, castanhas adoradas, panetone da campeã data de confraternização do vero cristianismo e de quem sem cinismo une-se na nobre missão de, sem rótulos, semear a bondade pelo ar, presentes um pouco olvidando e o presente vero enfocando, junto ao futuro almejado, o brindar calorizado.

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O natal de Helena
Por Paul Law

A criança sabia onde estavam os túmulos dos pais, havia ido até lá várias vezes, tinha o hábito de falar com eles, de jurar vingança. Esta noite o motivo da visita era outro, de saudade. Ela se aproximou, sentou no túmulo de pedra da mãe: “Mãe, eu tô com saudade. Não sei se serei forte o suficiente para vingar a senhora e o papai. Desde que perdi você, vivo com um homem chamado Billy que cuida de mim e me ensina a ser forte o suficiente para me vingar, vocês sabem. Nessa noite de natal, Billy não fez nada de especial, nem um presente comprou para mim, o que me deixou muito triste porque é o primeiro natal que passamos juntos. Ele não é como a senhora ou papai que sempre me encheram de presentes e festa nesta época do ano. Quando saí de casa, ele já estava dormindo.” A menina dizia com os pensamentos. Tinha certeza que a mãe podia ouvi-la assim. “O natal é tão importante, não é? A senhora sempre dizia. Se eu tivesse uma arma eu já teria ido para onde vocês estão, para comemorarmos o natal como antes, como uma família.” Helena ouviu o barulho de cascos. Alguém se aproximava e ela sentiu medo. Depois imaginou que talvez fosse um bandido mandado por sua mãe, para levá-la naquela noite, afinal tinha pedido. — Que faz aqui a esta hora? — era Billy. — Vim ver meus pais nesta noite de natal. — ela enxugou as lágrimas, Billy não gostava de vê-la chorando.

O cavalo disparou pela estrada barrenta daquele sítio distante. Em seu dorso, a jovem Helena tinha os olhos cheios d’água, tal qual o céu daquela noite. Era difícil para ela, era impossível passar a noite de natal sem seus pais, era a primeira sem eles. “droga” O cavalo tinha o cemitério como rumo certo, ainda que fosse tarde demais. As águas que caiam devagar do céu atingiam o rosto pálido da menina de sete anos com agressividade, o animal que a conduzia ia veloz. Entrou na cidade de Neo Texas, deserta àquela altura da noite e rumou para a Rua Alta, o destino de quem não dispunha de vida. No alto, o cercado de grama, árvores secas e cruzes se faziam aterrorizante. O cavalo parou depois de ter as rédeas puxadas com violência pela pequena amazona. Ela desceu e foi até o túmulo dos pais.

“Acho que eu deveria ter apertado aquele gatilho, quando tive a chance. Eu tinha que estar aqui, junta de meus pais porque é go. muito difícil ficar sem eles. O Billy é um bom homem, mas não é meu pai.”

— É perigoso montar por aqui, Helena. — Como se você se preocupasse comi-

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Fez-se silêncio. Billy acendeu um cigarro e Helena disse-lhe: — Pode ir embora. Eu vou para casa logo. — Trouxe-lhe um presente. Os olhos da pequena Helena brilharam. — O quê? — Isto — ele enfiou a mão no coldre e retirou um revólver 38 — ele é mais leve que os tradicionais, tem cabo de marfim. É uma ótima arma. Feliz natal, guria. “Era o que eu mais queria.” — Obrigada. — De nada. — Billy deu a volta com seu cavalo e cavalgou para a saída daquele cemitério. Helena sorriu ao fitar a arma pequena, ele gostava dela. Abriu o tambor e viu que estava carregada, confiava nela. Levantou-se do túmulo da mãe com um sorriso no rosto. “Obrigada, mamãe.” No dia seguinte, quando o cacarejar das galinhas acordou a pequena Helena, ela fitou o presente que descansava em cima do rústico criado-mudo. Sorriu. Levantou-se ligeira, fez sua higiene matinal e desceu as escadas de madeira do casebre de Billy. Sentiu o cheiro de frango sendo assado e notou que padrasto estava na cozinha, preparando algo. Quando a curiosidade foi maior, Helena adentou pela porta e viu uma mesa bem arrumada, Billy preparava o banquete natalino. Lágrimas se ajuntaram nos olhos da criança quando ela ouviu o homem: — Feliz natal, Helena!

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Os milagres de todos os dias
Por Paola Rhoden O nascer do sol; Uma brisa suave; Cor do girassol; Mais um voo da ave; As flores nascendo; Crianças brincando; Rosas florescendo; Os seres amando. Na nave da Igreja, Jesus acolhendo, Sem olhar quem seja, A benção descendo. E Deus nesta hora Em brilho total, Resolveu que agora, Haveria Natal. Milagres assim, De todos os dias, Nos trazem, enfim, Muitas alegrias. O Natal é agora, Bem neste momento, Pois Deus não tem hora Para tal evento. Porque afinal, É sempre Natal.

Foto de © papalars / Flickr

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Natal
Por Raimundo Cândido Teixeira Filho

Na época em que o presumir do meu olhar não andava corrompido ou doutrinado por estampas artificiais que me ofuscam, o natal já era feito de belas palavras. . Quando minha FÉ singela era de carvoeiro, um grande sol resplandecia em meus dias e de uma ingênua e mínima necessidade que era satisfeita, nascia a máxima alegria. . Foram se desgastando, lentas, as palavras. Do caos que se gerou na minha epiderme não se edificou a nítida e filosófica estrela como predisse-me Nietzsche, uma vez. . Enquanto a ESPERANÇA nutre as almas como a vela verte um lume na escuridão, o sopro de fé púnica dos falsos e astutos aplaca o fervor da lenha em combustão. . Mesmo a CARIDADE, essa moeda de troca, desbotou. Desvaneceu-se com o tempo. Hoje, até a essencial filantropia humanitária me parece reflexo de um mero egoísmo.

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BUCHE DE NATAL À BRASILEIRA
Do site http://cybercook.terra.com.br

Massa 3 colher(es) (sopa) de cacau em pó 2 xícara(s) (chá) de farinha de trigo com fermento 1 xícara(s) (chá) de leite quente 1 xícara(s) (chá) de açúcar 4 unidade(s) de gema de ovo 1 colher(es) (café) de sal 4 unidade(s) de clara de ovo quanto baste de manteiga para untar Recheio 1/2 lata(s) de marron-glacê de batata-doce 1 caixinha(s) de creme de leite Cobertura 100 gr de chocolate meio amargo 1 caixinha(s) de creme de leite

Massa Bata as claras em neve. Sem parar de bater, acrescente o sal, as gemas e o açúcar. Incorpore a farinha aos poucos, sem bater, em movimentos de baixo para cima. Adicione o leite quente aos poucos, misturando delicadamente. Coloque numa fôrma retangular untada e enfarinhada (30X20 cm) e leve ao forno moderado quente (200° por cerca de 30 minutos. C) Recheio Bata tudo no liquidificador . Cobertura Pique o chocolate em pedacinhos e misture com o creme de leite. Leve ao fogo lento, mexendo sem parar, até derreter o chocolate. Deixe esfriar e firmar na geladeira para utilizar. Montagem Desenforme o rocambole ainda quente sobre um pano de prato limpo e umedecido, polvilhado com açúcar. Enrole como rocambole e espere esfriar. Desenrole e recheie com o creme de marrom glacê. Corte uma fatia de cerca de 1/3 do rocambole, em diagonal. Coloque essa fatia na lateral do rocambole, imitando um tronco de árvore. Cubra com a cobertura e passe as pontas do garfo no creme, formando estrias que imitam as do tronco de árvore. Enfeite com fios-de-ovos e cerejas.

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NATAL DOS EXCLUÍDOS Natal época de festas Troca de presentes Mesas muito fartas Vejo também muita tristeza Mãos completamente vazias E sem comida nas suas ceias Mas tudo podia ser tão diferente Se as pessoas não ficassem indiferentes Ante a miséria desta gente

NATAL NAS RUAS Natal época de festas Reunião de família, mesa farta. Troca de presentes, abraços, felicidade. Espumantes borbulhando nas taças... Mas para muitas pessoas, Um dia como outro qualquer Onde a fome grita no estomago E as pernas sôfregas e cansadas Procuram um canto um abrigo Para mais uma noite ao relento. Pobres seres invisíveis aos nossos olhos Poemas por Regina Pessoa Santos
Fotos do site:
http://willows95988.typepad.com/ tongue_cheek/

Farrapos humanos a vagarem noite adentro. Olhando tanta fartura e tanta alegria E eles ali sozinhos e esquecidos Procurando migalhas no caminho

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de logo mais Faxina quando chega ao barraco Para manter a dignidade em pé O sono é pesado e não faz pensar Um tiro no ar é aviso importante. Natal na favela É rotina, incerteza constante Roupas sujas de barro Da última enchente Há dois dias não secam Por Renata Iacovino Natal na favela. Nasce o menino chamado Jesus Morre o moleque – de apelido Zezinho De nome José – De morte desavisada. As luzes que iluminam os barracos São tocos de vela, Lampiões recuperados, Que tentam manter acesa a chama da vida Após o último incêndio Fruto da condição de risco Inerente à moradia precária. Natal na favela Uns comemoram o nascimento de Jesus Outros choram a morte de José, Em nenhuma mesa se vê Nozes, castanhas ou peru As panelas não contêm nem a comida do dia-a-dia Melhor assim, o gás acabou Mais um dia sem comer Economia dos trocados restantes. A labuta é constante Faxina na casa da madame para a festa
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À margem

E faltando tudo, não falta esperança É um povo crente Daquilo que os olhos não veem E do que pouco entende. Natal, no mundo de hoje Só me lembra uma coisa: Exclusão de milhares.

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internacional de moda jovem. E acresceu a censura: Sempre a mesma Nana! Vivendo dentro dos livros, falando difícil, não é? Deveria tomar jeito. Tá na hora. Os heróis dos romances nunca vão virar gente. É bom começar a ter Por Ro Furkin medo de ficar pra titia, sabe, de ficar no caritó. ‘Cê nem é tão feia. Um banho de loja, maninha, tem de ver que milagre pode fazer... Tô falando por mal não. A gente se conhece desde neném, né? Todas aquelas férias juntas. Só quePara a festa de Natal o precioso equipa- ria te fazer saber o que é namorar... ‘Cê ia mormento fotográfico de seu irmão Quincas foi pos- rer fazendo isso. to a salvo em um depósito. O lugar se encheu Certíssima nesse último ponto. A pessoa de modelos. Moças e rapazes voluntariamente fica querendo morrer namorando. Que o mundo famintos, cujos esqueletos nada lhe diziam. Es- acabe em namoro. Os mísseis incinerem o queletos falando estrangeiro, perdida aquela alheio em redor, enquanto a gente se completa sua breve capacidade de comunicação. Apaga- em par fundido. Na mais completa alienação. do o relâmpago que riscara o seu céu e clarea- Enquanto durar. Porque o fim tarda mas não ra um mundo com que interagir. Mundo com falha. E nem tardo foi. Seis meses. Relâmpago. duração de parcos meses. Agora nenhum ser Mas seria lógico lembrar a pouca idade lhe dizia nada de relevante. Sua língua servia delas. E que além do mais andar arriando a calmais de lacre que de desenhadora de letra soça por aí não garante o futuro. Em qualquer nora. Pior que antes do relâmpago, quando o tempo havia sido de espera tranquila, o aguar- idade. Não se tratando de negócios. Ciente de do de justamente um relâmpago para acender quanta filosofia resultaria, sua resposta à verbio mundo. As tempestades repetem-se a perío- agem da outra foi um sorriso. Com a palidez do dos, mas os relâmpagos são aleatórios. E que vírus. A colega bufou revirando os olhos de avelã, ajuntando para o alto da cabeça o cabedizer da aleatoriedade do relâmpago simbólilo de seda herdado de Hera. Depois beijou-lhe co? o rosto, despedindo-se com: Deus te ajude. Nessa noite apareceu Cota. Relâmpago Nem sempre teve essa falta de efeito. tão ao fim do céu. Para lá do horizonte. A desSua indulgência quanto ao maneirismo da colepeito do lamê vermelho no vestido de mangas bufantes. Decote até o umbigo. Personalidade ga costumava conter humor. Quase tão vivo vocal. Perto dela pouco se precisa falar. Apare- quanto o lamê daquele vestido. Mesmo jamais ço aqui vez em quando, Cota revelou, encontrei tendo acrescentado algo significativo uma à ouesse menino por acaso no desfile de uma grife. tra. Ele não lhe disse? Já faz quase um ano, não é, E Nana a deixou ir sem perguntar: Como Quincas? Com um olho empenhado no flerte vai seu pai? Anda tristonho? Ou está saindo com o rapaz, cobrou de Nana: E aí, caramujo, com alguma desquitada? Alguém que já cumpor que não me telefonou? Estou sabendo que priu sua quota de erros. E sem ouvir possível papai lhe deu meu número de telefone. convite para acompanhá-la à Cidade MaravilhoPerdi o cartão, mentiu Nana, poupando a sa. Mamãe ia adorar te ver, a outra diria, e paoutra de sintomas maiores da indiferença, viro- pai também. se habitante de suas entranhas. E lembrou: VoPara fazer a pergunta teria de nascer de cê poderia ter telefonado, se quisesse. novo. Para aceitar o convite idem. A gente nem sabe direito o que dizer a Um poeta dos seus usava a expressão um caramujo que nem você, respondeu Cota. “desperdiçar minha poesia”. Havia de ser aquiSacou de dentro da bolsinha metalizada outro lo. Desperdiçar afetividade com alguém alheio dos cartões de visita com logotipo, telefone e à sua existência. Pérolas aos porcos. endereço da boutique da mãe, Hera. Copacabana. Representante de uma conhecida marca

ESTADO GRAVE

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ço abaixo da íris. Fitou o espelho, pensando no socorro da tinta na cara. Dezessete anos. Apenas ela enxergando os calos de crescimento. Irrisórios calos, para o possuidor de quantidade muito maior. Insuficientes para encorajar um gato escaldado. E não era natural ele ter medo de água fria? Depois de toda a má interpretação de seus atos por parte da lei. A menos que Sabe como aquela é, justificou-se com a o valor dela suplantasse o risco. Compensasse garganta obstruída, vive num grau de alegria o possível sacrifício. Houvesse gratificação no que ninguém consegue acompanhar. poder de diluir concha. Ele era o único. No Queria que você não parecesse a meni- mundo dela. Mas sem a capacidade de percena mais tristonha do Natal. ber a importância disso. Tornou a verter lágrimas. Tornou a borrar a máscara. Noite perdida. Impressão sua, mano. Tornou a lavar e esfregar toalha de papel com Se ele houvesse continuado a ocupar - fúria. Noite perdida! lhe o sentido com a conversa, teria sido possível a contenção emocional. Mas limitou-se a levá-la no ritmo. Cordas plangendo. Eco de um órgão. Bateria delicada. Estrofe melancólica: Alguém pôs o disco do cantor baiano. A música a tomou feito líquido quente a um recipiente. Subindo. Pesando. Em iminente transbordar. O irmão, inconsciente de sua comoção, pôs as mãos em sua cintura, induzindo-a. Dois pra lá. Dois pra cá. E apontou: Foi má com sua amiguinha. “...não pense na separação não despedace o coração o verdadeiro amor é vão estende-se infinito imenso monólito nossa arquitetura quem poderá fazer aquele amor morrer nossa caminhadura cama de tatame pela vida afora...” Foi para o isolamento do quarto. Arrancou da parede o mapa falante. Ficava lançando -lhe em rosto o destino que não tomaria. Só nascendo de novo. No dia seguinte diria a Quincas sua opinião sobre a peça na parede. Ele estranhou: Horrendo como? Mapas são tão interessantes.

Interessante na parede é uma paisaO irmão sentiu o ombro molhado. Espiou gem, Quincas. -a. Nana...! _ com um muxoxo de compaixão pegou seu rosto. Sem pergunta verbal. QuestiOra, mapa é a síntese de todas as paionava com a face, cheio de direito fraterno. Ela sagens. Basta ter imaginação. nada falou. Contumaz caramujo. Deteve o derEla teria teimado em que era um dos ramamento à custa de mandíbulas trincadas. maiores absurdos já ouvidos, se o objeto da Entrou música de descabida alegria. Pa- discussão não houvesse de fato sido sugestiraram diante um do outro. Ele sorriu resignado vo. Então se calou. Só tinham estéticas opose brando. Borrou o make-up, avisou, tá a cara tas. Pois bem. do Carlitos. Tudo oposto. Ele, por exemplo, jamais Sua deixa. Correu para o toalete. Lavou largava um osso suculento. Falou de convite a cara. Esfregou papel toalha. Redesenhou a feito por Cota para passarem o Réveillon em risca preta para dentro dos cílios inferiores. Copacabana. Assistirem à queima de fogos na Método de disfarçar a tristeza de pálpebras ca- praia. ídas. Seu traço fisionômico natural. Sem necessidade de uma música a aumentar o espawww.varaldobrasil.com - VARAL DO BRASIL EDIÇÃO ESPECIAL DE NATAL E ANO NOVO 90

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Se pretendesse passar a ponte incerta, era hora. Teria objetivado no subconsciente ao aceitar essa viagem para São Paulo? Conscientemente, porém, num nível similar ao do superego, a questão estava resolvida. Inútil apelar. Não vou ao Rio de Janeiro, avisou. Mas, Nana, vamos, vai ser o maior barato! Vá você. Nada impede. Sabemos que foi convidado para o beijo da virada. Ele soltou um assovio. E zangou quando ela disse que voltaria para casa no dia seguinte. Ficou irredutível por causa do acordo de distraí-la, feito com o pai. Ela contestou com raiva o ridículo de ter babá. Um inferno ser sempre tratada como criança. Ele retrucou falando da liberdade cultivada nessa família. Se não sabia desfrutar, culpasse a si mesma. E ela se arrependeu de trocar os bandidos da história. Mudou de tom, passando a regatear com calma seu retorno à Bahia. Ao final abriu mão de uns dias. Iriam juntos ao aeroporto no último dia do ano, embarcando cada qual em um avião. Ele teria os seus fogos na praia. E ela a companhia de Santiago, seu gato preto.

DIA DE REIS
Comemora-se o Dia de Reis o dia 6 de janeiro de todos os anos . De acordo com a tradição cristã os Reis Magos eram Gaspar, Belchior e Baltazar, e os presentes simbolizam, respectivamente, a realeza, a divindade e a paixão de Cristo. O folclore e a tradição do dia de reis continuam vivos no Brasil. Por todo o país, variando de região em região, o dia de reis é comemorado no dia 6 de janeiro com festas como o Terno de Reis, Folia de Reis ou Santos Reis. São feitas algumas simpatias para nunca faltar dinheiro durante o ano que se inicia.

No dia 6 de Janeiro Dia de Reis, coloque três caroços de romã dentro da carteira para ter dinheiro durante o Ano Novo. No Dia de Reis, dia 6 de janeiro, pegar uma romã e retirar 9 sementes pedindo aos 3 Reis Magos, Baltazar, Belchior e Gaspar que nesse ano que se inicia você tenha muita saúde, amor, paz, dinheiro.

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NATAL E ANO NOVO

Por Roberto Armorizzi

Disse, feliz, o velhinho: - Um novo Natal já chegou, achei, outra vez, o caminho, o meu mundo recomeçou.

Fala, o adulto, sorrindo: - Que amor – novo mundo já vem; o chão continua florindo, plantemos nos campos do bem.

Todos se confraternizam, doando os carinhos seus; Natal e Ano Bom se eternizam, selando a obra de Deus.

Virá sempre nova esperança, Natal e Ano Novo: é o amor; futuro vem feito criança, na paz do Menino-Senhor.

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A VIRADA
Por Robervânio Luciano

Controle essa ganância em chegar ao Ano Novo sem ao menos ter olhado pro passado, sem enxergar que essa mania de querer só o futuro

Ora! Não me diga que não viu este enorme relógio à sua frente... É o tempo.

é só mera correria de quem corre contra o muro sem saber aonde vai. Olhe pra trás! Dará pra ver que esse louco jeito de correr não permite voltar mais, não permite ver quantos bons atos você esquece no percurso nem quantos erros comete nesse espaço por querer o futuro a qualquer custo.

Não me diga que não viu estas três navalhas transpassantes, quase transparentes, querendo parti-lo ao meio, feito as guilhotinas da morte... É a vida.

Nem me diga que, no repicar da girândola à meia-noite, você sorriu sem saber que a vida foi-se... A vida completa de um ano... É o engano. Mas, canhoto ou destro – voltemos ao relógio –, subleve o braço inverso, analise essa corrida incessante que é a vida O Natal passou. Não me diga que não viu que o Natal é desperdício de palavras e presentes, e que a gente esculpe, todo ano, esse ínfimo limite entre a mentira e a hipocrisia, entre a ingenuidade e a tolice! Natal é isso... Quem diria!... e veja, ainda, que o próprio sepulcro é um novo berço. Veja, por fim, nesse movimento das navalhas do relógio que há no tempo, que, a cada minuto, há sempre um recomeço.

Se você não enxerga tanto, se você só vê tão pouco, cuide então em olhar pra si, antes de julgar os outros.
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Natal
Por Robine Gomes É o encontro das famílias, Dos bolos e pudins; De perus e farofas; Natal É o dia da troca de presentes É revelação do amigo-oculto; Natal É beijos e abraços; É festa e alegria; Natal É esperança É árvore enfeitada de bolas e estrelas Mas, acima de tudo... Natal, É o nascimento do menino-Deus que veio ao mundo para dar vida e salvação a humanidade; Natal, É CRISTO JESUS !

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Menino, criança
Por Rossandro Laurindo

sua partida para o Pai. Uma criança. Que sonhava, que brincava, estudava. Era simplesmente. Existia.

Exemplo enviado por Deus para ser seguido, vivido. Não conhecido somente, mas vivenciado, dividido, compartilhado e por isso, Nascimento. A existência. A proximidade vivido. de um Deus à vida humana. A prova de que a Inocência, simplicidade. Chaves a serem igualdade divina entre a humanidade é possíusadas até o fim da vida. Mesmo com o conhevel. O amor pôde finalmente ser visto. Pôde ter um rosto, mas suas verdadeiras feições só pu- cimento do que é certo e errado, permitido pela deram ser vistas pelas pessoas da época. Os maturidade impossível de ser detida. O cultivo habitantes do país no qual nascera. A data de da inocência e simplicidade deve ser eterno. seu nascimento fora batizada de Natal pelo Ignorando o que provoca o brotar da maldade. Ocidente. Para os que esperavam a manifesta- Impedindo seu desenvolvimento em nossos coção de Deus aos homens fora denominada Mi- rações. Claro, óbvio que a prudência precisa lagre. Esperança para a vitória do amor em ser usada como moderador destes sentimenoposição à maldade enraizada nos corações tos. Para que não sejamos enganados, mas a inteligência, a mesma que Ele possui, só que dos homens. limitada infelizmente devido ao erro, nos permiO tempo foi dilacerado ao meio. Antes da te defender-nos da crueldade. presença deste menino sobre a face da terra Com posse da inocência e simplicidade conhecíamos os anos de uma maneira. Após de criança podemos enfim entrar no Reino de seus pequeninos pés tocarem o solo, as horas, os dias, os anos, séculos e milênios foram Deus, O Pai, que enviou seu filho para nascer, drasticamente alterados. O universo passou a viver e morrer por nós. A gratidão precisa semgirar ao redor do calor solar do seu coração, da pre brotar em nossos corações como fonte das mais altas cascatas de quedas duradouras. sua essência. Porque o Amor só existe devido ao conheciUm menino apenas. Com suas minúscu- mento de Seu rosto. Mesmo que imaginativo las limitações. Sua dependência total dos pais, por quem não viveu naquela época. Só existe submissão plena às autoridades. Sua devoção porque foi possível a um homem vivê-lo e desimplória ao próximo. Um garoto com alma hu- monstrá-lo por completo, em sua plenitude. Em mana genuína, com Espírito de Deus. Deus hu- altura, largura, comprimento e profundidade. mano a assemelhar-se a nós. Reflexo de um Assim como viemos Dele, para Ele voltaremos espelho para todos os seres dotados de espíri- um dia. Voltaremos a nos encontrar com Ele. to e fôlego de vida. Mesmo os que não acreditam que isso seja Seu crescimento ocorreu normalmente. possível. Porque quem sabe a verdade afinal, Viveu em obediência à família e às leis. A sim- senão todos aqueles que já se foram? A morte plicidade das mãos em auxiliar seu pai na car- enfim, não seria o que nos permite conhecer pintaria. O suor do trabalho, herança familiar, realmente a verdade? Felizes os que a conheformando seus músculos, seu corpo semelhan- cem antes de passar pela a experiência da temente frágil como o nosso sofria ferimentos, morte. Que possamos vivenciá-la como crianças. Em semelhança ao reflexo do Espelho que sangrava. é Cristo. O imortal agora mortal. O supremo agora Um Natal Maravilhosamente maravilhoso terreno. O divino, agora dos homens amigo. para todos os que fazem parte de minha vida e Possuía sombra o invisível. Gerado de matéria orgânica o que antes, somente Espírito. Seme- história. Um dia a leremos juntos no Livro da lhança eterna às suas criaturas. Um exemplo Vida... possível de se viver. Não era diferente sua estrutura física e intelectual. Seu Espírito, essência da vida é que o diferenciava de nós, mas isto Ele também compartilhou conosco após
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EU SEI QUE É NATAL

Por Rozelene Furtado de Lima

Quando a saudade dá lugar às recordações de momentos de coragem e fé Como as Zildas Arns Eu sei que é Natal Porque Mandelas lutam contra o apartheid Transformando leis sociais Eu sei que é Natal Porque Orêncios e Nadires Têm filhos e dedicam a vida na responsabilidade pela família. Eu sei que é Natal Quando saborizamos as diferenças da vida com cravo e canela. Porque Joyces Cavalcantes, Delasnieves Daspets, Divas Pavesis e Jaquelines Aisenmans e muitas outras grandes mulheres que encabeçam movimentos em prol da literatura brasileira alargando caminhos para seguidoras. Eu sei que é Natal Porque o Menino Deus Aceitou nascer na nossa gruta Vindo compartilhar o amor do Pai E ser mensageiro da paz Enlaçando tudo e todos Num abraço de luz Eu sei que é Natal

Eu sei que é Natal Porque existem Marias Que dizem sim e mudam o destino da humanidade E Josés que aceitam agasalhar grandes Verdades Eu sei que é Natal Quando Teresas de Calcutá descruzam os braços para Serem solidárias com a dor do outro Ou com a natureza Eu sei que é Natal Quando Gandhis demonstram que o amor é a engrenagem da vida E nos amando Comemoramos a vitória de estarmos juntos Eu sei que é Natal Quando nas manhãs, vejo flores orvalhadas acariciadas pelo sol desabrocharem no jardim E tu, como o sol encantas meu dia com tua presença Eu sei que é Natal Quando a lua como lençol prateado vela meu sono E teus braços me amparam e me Aconchegam Eu sei que é Natal Porque beijas minhas lágrimas E meus olhos espelham teu amor por mim Fazendo a vida sorrir Eu sei que é Natal Quando a alegria está no ar abanando todos os rostos E os corações tilintam uníssonos num sentimento de união Eu sei que é Natal

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Natal em La Salette
Por Silvio Parise Acho lindo observar, E magnífico participar Nas celebrações de Natal Que anualmente se faz Com dedicação, muita fé, amor e paz Na esplêndida Igreja de La Salette Cujas bênçãos e preces Vale à pena compartilhar. Porque aqui, impera o verbo Amar Com toda a sua riqueza e fulgor! Sentido também pelo calor Das músicas que continuamente soam no ar. E, nessa festa gloriosa Deleitamo-nos em olhar a arte sacra Rica em beleza e graça Espalhada por todos os lados à embelezar. Para, corajosamente sair e Lentamente caminhar com a multidão De fiéis que, como eu, Vão agora alegremente enfrentar o frio Porque querem ver, indiferente aos calafrios Toda a decoração que faz parte da iluminação Nesta vasta área sagrada O deslumbrante Presépio cuja graça, Também faz parte de nossa tradição. E assim, anualmente festejamos O aniversário do nosso amado Jesus Com alegria, louvor e muitos cânticos! Afinal de contas, Natal é sem espanto Um dia de reflexão, doação, harmonia e confraternização, Além de lógico, muita felicidade, amor e luz.

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Natal 2011
Por Sonia Nogueira

Correu rápido o ano de 2011. É assim em cada ano. A esperança se instala no coração das pessoas, na crença de mudanças. Somos seres frágeis, onde maldade e bondade gritam no decorrer da vida. A necessidade de felicidade, amor, saúde e realização profissional são buscas permanentes que nos trazem realizações, mas, independentes de nossas vontades ou provocadas por nossas ações, os conflitos existenciais nos perseguem. Diante das circunstâncias inevitáveis procuramos fazer promessas, renovar nossa vida com achegada do Natal. Aniversário do Jesus menino. A casa ganha fardamento novo, as flores se mostram mais coloridas, vestuário novo, jantar com iguarias variadas, abraços, beijos, perdidos, de perdão, reconciliação. Para uns. Noutros, onde destino, ou incapacidade de mudança não estende à mão, a sorte permanece no prato vazio. Segundo a literatura Bíblica, na Epístola de São Paulo, há esta citação: “Bendito seja o Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo, que, segundo a grandeza de sua misericórdia, nos regenerou para a esperança da vida, pela ressurreição de Jesus Cristo dentre os mortos”. É através da esperança, que nossa luta se estende no decorrer da vida. O homem sem esperança é luz apagada, navio sem timoneiro, sem rumo certo. Os sábios fazem do fracasso, aprendizado, experiência, lição de vida e para vida. Quando conhecemos nossos erros, somos réu confesso; quando abraçamos o irmão isto é carinho; quando estendemos a mão ao desprotegido é fraternidade; quando compartilhamos nossos segredos, encontramos o verdadeiro amigo; quando sentimos necessidade de mudanças isto é ressurreição; quando somos cúmplice do outro na formação do lar, encontramos o amor. Estamos nos preparando para as festas Natalinas. A cidade ganha claridade exuberante com luzes coloridas, pisca-pisca de alerta ao nosso olhar, propagando de produtos diversos, lucros comerciais extraordinários condizentes com investimentos e fruto do trabalho, todavia não esqueçamos o aniversariante. O nascimento de Jesus, história registrada, na história do cristianismo, que veio pregar, perdão, fraternidade, igualdade, justiça e amor, mostra que a humanidade, independente de religião, sente necessidade destas forças para limpeza e purificação das nossas falhas e defeitos. Façamos em cada Natal corrente interminável de abraço, renovação e mudança com o pensamento voltado para no encontro do ano vindouro, estarmos de mão dadas na força e na fé em nosso Criador, artista maior do Universo e nós pobres mortais inferiores e imperfeitos esperando a Glória e o perdão Divino. Amém.

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Balanço de dois mil e onze
Por Tetê Crispim * ** * Neste ano De dois mil e onze Tive mais alegrias que tristezas Momentos de agradáveis surpresas E aproveitei as boas oportunidades surgidas Mesmo as mais simples foram muito importantes. Conquistei vitórias, produzi mais que os anos anteriores Conheci ótimos amigos, e vivemos bons momentos juntos Consegui soluções importantes e desatei alguns nós que me prendiam Deletei da minha memória algumas imagens negativas que não me faziam bem Visitei lugares maravilhosos, imaginários, enigmáticos e transportei energia positiva Por onde passei. Com isso exercitei a minha alma e meu coração, e com ternura ofertei Minhas mensagens de otimismo aos que me rodeiam em demonstração de amor e respeito. O tempo que sobrou dividi entre Trabalho, O amor, esperança, Família, amigos, encontros Até mesmo desencontros, E algumas decepções. Porém, o que me aconteceu de mais importante foi meu encontro com Deus. Assim, tenho muito mais que agradecer do que pedir para o novo ano 2012 Apenas o desejo continuar seguindo minha vida, acreditando Que cada novo amanhecer mesmo com os erros e acertos, Tenho a chance de buscar novas direções Para me tornar um ser humano Cada vez melhor e mais feliz!

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Presentinho A gente é o que a gente dá. Juntei, pois, de sol a sol, Teu presente: tudo que há Debaixo deste lençol!

Poema: Tino Portes Ilustração: Valquíria Gesqui Malagoli

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Por Valquíria Gesqui Malagoli

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Presépio
Por Varenka de Fátima Araújo O natal está chegando, o Tempo voou. Eis a oportunidade de reunir a família. Surpreende-me a ausência física do meu pai Chaguinha, que sempre foi nosso papai Noel e fazia questão que todos da família estivessem presentes para passarmos junto a festa natalina. O presépio era enfeitado com flores para ficar mais alegre e belo. Para entendermos a mensagem do presépio. Só quem é capaz de reconhecer seus limites e sua fragilidade. Pois o presépio prega ensinamentos diferentes do mundo. Ensinamento do presépio: "Uma criança: fragilidade Uma jovem: humildade Um homem: silêncio Pastores: simplicidade Magos: curiosidade Animais: o mundo terreno Flores: alegria Anjo: mensageiro Estrela: uma geria" A criança indefesa é a resposta do anseio de Deus ao infinito do ser humano. Maria a honrar com seu nome por toda humanidade. Um homem José, com seu silêncio, homem justo, que viveu em função do filho do qual viveu Os pastores ouviram o anúncio e correram ate a gruta, os primeiros a verem o menino. Só os simples entenderam a linguagem de Deus. Os magos foram em busca do recém-nascido. Só quem tem coragem de sair de si, vai ao encontro de Deus. O bafo dos animais aquecem a gruta fria. Flores que ornamentam dando alegria. O anjo é o mensageiro que anuncia a chegada do Salvador. A estrela com luz guiou o caminho de Belém. O natal é de solidariedade. Um natal mais verdadeiro. Um natal de amor e Paz.

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Ouse Ser Bom
Poema e ilustração por Vera Ribeiro

Já deixou alguém feliz hoje? Então, que tal ser diferente Se importar com alguém... Assim, tão de repente. Ouse dar um sorriso, ouse dar atenção Ouse dar um abraço, trazer alegria ao coração Ouse ser mais amigo, ouse ser mais leal E para que se torne um dom A cada dia ouse ser bom!

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O PRESEPIO DE GINO
Por Vó Fia

Gino era uma pessoa estranha, metido em uma eterna roupa preta que realçava ainda mais a sua altura, pois ele media mais de dois metros e ainda por cima era bem magro; usava um surrado chapéu de feltro e botinas de atanado nos pés enormes, falava pouco e aos arrancos e como era um homem rude, jamais dizia uma palavra amena a alguém, era curto e grosso. Com seus modos bruscos, ele assustava as pessoas que chegavam a pensar que ele era maluco, mas estavam totalmente enganadas porque Gino era inteligente e criativo, e a prova disso era um enorme presépio que ele montava em sua sala todos os anos, durante os festejos natalinos e que encantava crianças e até mesmo os adultos. O presépio era mesmo uma beleza, suas figuras se moviam de acordo com suas funções, a Sagrada Família movia as mãos como se distribuísse bênçãos e os jumentos, boizinhos e carneirinhos pareciam comer a palha colocada na manjedoura; além dos enfeites tradicionais, Gino colocava novos personagens, que não tinham nada a ver com o assunto, mas tornavam o visual mais bonito e interessante. Havia um homem com um serrote nas mãos, que serrava sem parar uma pequena tora de madeira, outro vestido de boiadeiro conduzia um boi pelo laço, e de vez em quando dava um puxão e derrubava o boi; lindo era o monjolo que recebia água de uma telha e socava um pouco de milho no cocho, além dessas maravilhas tinha camponesas e camponeses com suas roupas de festa, dançando uma interminável valsa. Tudo isso era coberto por um céu azul de papel crepom, marchetado de estrelas que piscavam o tempo todo, e a claridade maior era fornecida por uma lua

cheia, que permanecia acesa e iluminava o presépio todo; Gino plantava arroz em tabuleiros úmidos, e quando germinavam eram usados para forrar o piso do presépio, intercalados com pequenas ilhas de cascalho branco. Por cima de tudo vinha uma cobertura de folhas de bananeira, que era trocada a cada dois dias para manter o verde e o frescor, havia ainda uma cascata movida por engenhoso sistema hidráulico, que jorrava água sobre uma bacia onde nadavam peixinhos coloridos e pequenos girinos, em volta da bacia flores variadas coloriam o ambiente. As pessoas vinham de longe para visitar o famoso presépio de Gino, e eram recebidas na porta pelo dono da casa, com suas roupas esquisitas e seu eterno mau humor; ele não ria nunca e exigia que as crianças mantivessem as mãos nas costas durante a visita, que era policiada com olhos de águia, se alguém se atrevesse a tocar em alguma de suas obras de arte, era empurrado bruscamente porta afora. O presépio era realmente lindo, mas era uma visita difícil de ser feita, porque além dos mau modos do temperamental artista, ainda havia as guardiãs do lugar, que eram as centenas de pulgas existentes, porque Gino acumulava trastes e jornais velhos pela casa toda, e jamais fazia uma faxina; os visitantes entravam, olhavam o maravilhoso presépio e saiam aos pulos, batendo nas roupas com as mãos para afastar os agressivos insetos. Durante mais de cinquenta anos, aquele homem estranho preparou seu presépio, e de ano para ano ele aumentava seu acervo, com novas e engenhosas peças, mas nunca mudou suas maneiras bruscas e nem perdeu suas manias; mas lá no fundo ele era uma boa pessoa, porque quem cultua com tamanha fidelidade o Menino Jesus, é porque também ama as demais criancinhas desse mundo.

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Tempo que há de vir
Por Walnélia Corrêa Pederneiras

Jesus é justo Buda é santo Shiva é forte Para conceber, deixar fluir... São tantos espelhos para esta alma Errante Padecente De tantas falhas consciente... Este é o meu porvir!!

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A mãe chorava – às escondidas – de um lado. O filho chorava – à distância – de outro MEU FILHO, EU BRIGO! lado. A mãe chorava, porque vendo o olhar pedinte e compreensivo do filho, não podia satisfazê-lo. O filho se desmanchava em lágrimas Por Wilton Porto porque, verificando outros garotos nas bicicletas, exibindo carros barulhentos e a controle remoto, ele nem sequer podia se aproximar: O menino ao ouvir as músicas Natalinas, com o egoísmo na ponta da unha, a garotada saía sorrateiramente de casa, corria para o co- agarrava o brinquedo, saía depressa, como se ração da cidade, se embevecia com o colorido pressentisse que seria roubada. das luzes espalhadas pelas lojas e se embasD. Natividade Natalina Forte fora até o bacava com os inúmeros e diferentes tipos de comércio BRILHANTE. A movimentação debrinquedo. monstrava a efervescência das vendas. Carros Após a paralisação momentânea – levada do ano encostando. Madames bem vestidas. pelo encanto -, ele arregalava os olhos, mexia Ouros cintilando fortes reluziam nos olhos de em um, noutro, e em outro, como se a escolher dona Natividade. Esta se sente tímida, deslocao mais apropriado ao bolso, ou o de mais bele- da. Os vendedores quase se ajoelhando aos za, ou o mais moderno. Porém, ficava no me- pés das damas da socialite, se alternavam em xer. E, muitas vezes, algum vendedor ralhava, solicitudes. Para Natividade, olhavam de trejeipois percebia que ele não estava acompanha- to – por desconfiança, medo de que ela pudesdo dos pais, roupa indicando pobreza e sabia- se larapiar algo. se que ali não se teria uma venda. Às madames, serviam café com bolos... Triste, o garoto evadia para a praça mais Para a senhora Natividade: “Por favor, a sepróxima, sonhava com um daqueles brinquenhora está atrapalhando, não gostaria de ver dos sendo embrulhado e imaginava mostrando- vitrines, observar outras lojas...?” o a todos. - Eu gostaria de falar com o Gerente!

SE O PRESENTE É PARA O

- Ele está ocupado, conversando com a esposa do prefeito. - Será que ele demorará? - A senhora não gostaria de ir a uma outra loja? - Bem. Ele pode resolver o meu problema. - Se é esmola... Acho... A loja está cheia, a senhora não percebeu que estou deixando de atender os clientes?! Que estou perdendo gorjetas?!

Com o olhar brilhando de esperança, ele fitava o Papai Noel que se movimentava em frente à loja. Pedia-lhe em pensamento que Natividade fica vermelha. O sangue – às lembrasse dele e dizia-lhe como em oração: “... lufadas – desanda em direção à cabeça. Ela que ao acordar, na manhã de Natal, meu pretenta lutar, com todas as forças, contra a ferocisente esteja debaixo de minha rede. Amém”. dade a saltitar latente. Não consegue. Como se A mãe atentava-se para o alvoroço do estivesse servindo de intermediária entre este menino. Percebia que ele a espreitava ansioso e o mundo invisível; como se alguém do lado e rubro, embora quedasse silente – ele sabia de lá tomasse as rédeas da situação, ela desdo amor da mãe, das dificuldades que ela en- temidamente começa uma oratória, mais tarde frentava e, que, muitas vezes não tinham a me- discutida em esquinas, bares, lares e meios de sa posta quando das refeições. comunicação.
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- Meus senhores e minhas senhoras. Apesar de estarmos no Século XXI, o homem, salvo uma minoria, ainda continua estufando o peito em orgulho e egoísmo. Considera peças de roupa e joias o que há de mais importante, somando-se a isso, sexo e poder. E se um semelhante não se apresenta vestido numa roupa de marca, não desfila pelas ruas só após passar por um salão de beleza e pelo corpo não exibir destacado rubi, ele é tido como um súcia, imediatamente desprezado. A loja parou. Uma arena fora feita. Quem passava em frente à elegante empresa entrava. O gerente vendo o alvoroço, tirou o bumbum da cadeira para assuntar o que estava acontecendo. Os funcionários tentavam acalmar a senhora. Surgiram os que queriam impedir o discurso à força... Apareceram também os defensores de Natividade. Assim ela continuou.

olhares atravessados, como se vissem em mim uma ladra, uma esmoler. Maltrataramme. Ela não parava: - Enquanto muitas madames que estão nesta loja, neste exato momento, vivem atoladas num salão de beleza, eu dou o duro lavando e passando roupas... E para ganhar um mísero salário. Eu pago imposto e taxas como todos os presentes neste recinto e neste país. Ela se emocionou. Chorou. Tímidos aplausos soaram no ar. Porém o som da sirene do carro da polícia chamou a atenção da plateia. Muitos saíram apressados. Natividade estremeceu. Apesar de, não perdeu a pose. Os soldados, cacetes na mão, abriram espaço, invadindo a área. O gerente logo se apresentou dizendo: “essa mulher (apontando-a) está fazendo discurso promovendo motim. E eu já soube que produtos foram roubados por conta disso. Dessa... - Por causa dessa comunista, mendiga, coitada... Completa, Sr. Gerente! Os policiais partiram para a Sra. Natividade... Um homem bem vestido surgiu, como um relâmpago, tomou a frente de Natividade e disse: - Eu sou Dr. Ângelo dos Anjos de Jesus, advogado desta senhora. Se alguém mexer com ela sem passar pelo crivo legal, eu entro com processo... - Recebemos telefonema do gerente da loja – afirmou um policial.

- Eu vim aqui porque meu filho – como qualquer outro do mundo – merece um presente de Natal. No entanto, eu não tive a sorte ou não usei de meios escusos, como muitos deste país, para ser graduada em conta bancária rechonchuda, tal qual, com certeza, como muitos dos que aqui estão sendo recebidos à base de café, bolos, ou seja, tratamento cortês. E continuou: – eu vim a esta loja na esperança, como mãe que ama o filho, de conseguir comprar algo que alegre o coração do meu garoto amado, esperto, estudioso... Porém, eu fora recebida com desconfiança,

Então, que apresente queixa na delegacia, tragam intimação por escrito. Sr. Gerente. Aqui temos muitas testemunhas de que minha cliente... - Natividade... Minha cliente Natividade não fez, até o presente momento, nada que possa desonrála. Muito pelo contrário, só queria comprar um presente para o filho. Alguém discorda do que ela disse? Silêncio. Uma dama quis se alterar: “Ela nos atacou...”
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A senhora não fica horas no cabeleireiro? Quantas vezes a madame vai para a beira do fogo, para a fonte machucar, sujar suas mãos bem tratadas, lavando roupa, por exemplo? – Perguntou o advogado. A dama calou-se. - Sr. Gerente. Se os seus funcionários não tivessem tratado com indiferença, achado que minha cliente é uma ladra, nada disso teria ocorrido. Os aproveitadores não teriam levado produtos, como o senhor disse que levaram. Quem merece processo é a loja, que tratou mal uma trabalhadora, uma pessoa que viera no intuito de comprar. No entanto, os seus empregados olharam primeiro a roupa, a humildade de dona Natividade. O dinheiro dela é diferente dos outros que entram para adquirir produtos? Digamos que ela tenha vindo para comprar fiado, pedir para dividir a compra em prestação. Ainda assim, ela não podia receber o tratamento que recebera. Bastava dizer, delicadamente, que a loja não trabalha dessa forma. Embora se saiba que neste país todas as lojas fazem questão de vender fiado. Assim sendo, aqui houvera um caso de desprezo, humilhação, puramente social. Entretanto, Sr. Gerente. Nós podemos ser generosos. A loja pede desculpas em público pelo acontecido e oferece o presente que minha cliente escolher. E Natividade – se assim aceitar – encerra o caso, põe uma pedra em cima do que acontecera. Gritos... Aplausos. Lágrimas de dona Natividade... Algumas pessoas que quando viram a polícia, se retiraram assustadas, ao longe oravam. Ao perceberem que a polícia se retirava sem jogar a senhora dentro do camburão policial, alegraram-se. E não fora com tamanha alegria e gritos de viva! Viva! Viva!... Que observaram a saída de Natividade. Vinha abraçada ao advogado, pacotes na mão. Corre-corre: todos queriam saber o que acontecera. A sabedoria, a fé, a retidão subiram ao altar naquele tarde de véspera de Natal.

AMAR É UM VERBO DE AÇÃO! FEITO DE PALAVRAS E GESTOS ELE SÓ É VERDADEIRO QUANDO O UTILIZAMOS PARA QUE O NOSSO PRÓXIMO SEJA FELIZ! AME O SEU PRÓXIMO, AME OS ANIMAIS! AMAR E RESPEITAR: O SEGREDO PARA VIVER MELHOR! Feliz 2012!

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Natal dos Meus Sonhos
by sun Quero um Natal Repleto, sem igual! Presentes , com gente Solidárias ,se abraçando, Se amando, se querendo. Sorridentes, contentes! Povos de todas as nações Felizes, unidos no amor. Cantando lindas canções. Mensagem de alento, capaz De trazer a paz, sem dor! Bonecas , carrinhos, Ursinhos de pelúcia, Doados e embalados Em afáveis carinhos... Este meu sonho ideal, Acalentado , imaginado, Seria meu lenitivo, real! Crianças entrelaçadas, Mãos dadas, guerras Apaziguadas , quem dera!! Natal, sempre tristes lembranças. Um mundo Melhor, segurança, Teria eu, esperanças? Sonhos lindos, idealizados. Um dia ,talvez, concretizados. Quimeras , desencantos... Festa dos meus encantos, Poderia ser tanto Natal , alegria dos povos?
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Inicio de Ano Novo
Por Zeze Barcelos

Mais um Ano Aproxima-se Feliz de quem pode participar Da mudança de um tempo Que inicia Tendo muito que contar... Vamos começar o novo ano e festejar! E na emoção do momento Vamos todos recomeçar Recomeçar a pensar Que a vida vale mais Que corações possam amar Sem odiar jamais Quando o 2012 surgir Um sentimento novo Contamos que há de vir A esperança nascendo do povo Do povo cansado e sofrido Um tempo novo a esperar Que a paz tão desejada no mundo Finalmente possamos alcançar. O futuro já chegou E com ele muita energia Para quem acreditou Na paz, amor e alegria !!!!!!

FELIZ ANO NOVO

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Bolo Natalino com Geleia
Receita indicada por: Claudete Drumond Perazzo

Ingredientes 1 1/2 xícara(s) (chá) de uva passa 200 gr de ameixa preta sem caroço 1 xícara(s) (chá) de frutas cristalizadas picada(s) 1/2 xícara(s) (chá) de coco ralado(s) 2 1/2 xícara(s) (chá) de farinha de trigo 1/2 colher(es) (sopa) de bicarbonato de sódio 1/2 colher(es) (chá) de fermento químico em pó 1/2 colher(es) (chá) de sal 1/2 colher(es) (chá) de canela-da-china em pó quanto baste de noz-moscada em pó 1 xícara(s) (chá) de manteiga 1/2 xícara(s) (chá) de açúcar 1/2 xícara(s) (chá) de geleia de goiaba 3 unidade(s) de ovo 1/2 xícara(s) (chá) de suco de laranja

Modo de Preparo Numa vasilha grande, misture as passas, as ameixas, as frutas cristalizadas e o coco ralado. Reserve. Peneire a farinha, o bicarbonato, o fermento, o sal, a canela e a nozmoscada. Reserve. Bata a manteiga com o açúcar até que fique cremoso. Junte o creme da goiaba e bata novamente. Adicione os ovos um de cada vez, batendo muito bem. Adicione os ingredientes secos (farinha de trigo, etc.) alternando com o suco de laranja, batendo bem. Despeje sobre as frutas e o coco ralado. Misture muito bem com colher de pau. Coloque em uma fôrma de anel untada. Asse em forno moderado pré-aquecido, até que enfiando um palito este saia limpo. Deixe esfriar e desinforme num belo prato, decorando com ameixas pretas. (Ou faça a decoração com ingredientes diferentes para combinar com sua mesa natalina)
Receita do site: http://cybercook.terra.com.br/

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Depressão de fim de ano
Reprodução artigo: http://www.bolsademulher.com do ano de 2000

confraternização do trabalho, os amigos secretos, etc... UAU! QUE BOMBA!!! Muitas pessoas gostariam de dormir no dia 23 de dezembro e só acordar depois de passado o Natal.

por Laura da Fonseca Monteiro

O QUE PODE SER FEITO PARA MELHORAR ESTE QUADRO DE ANGÚSTIA E DEPRESSÃO?

O primeiro passo é tentar não assumir mais compromissos do que se pode cumprir. Eleja prioridades. O segundo passo a ser dado é fazer uma autoanálise consciente e realista. Reveja as metas propostas no início do ano, e conscientemente, perceba o quanto extrapolou O fim do ano se aproxima, as festas vão che- nas intenções. Aí sim, após um exame realisgando; para uns, isto é motivo de alegria, en- ta, compare com o que você realizou durante contros, presentes..., para outros, significa an- o ano. O terceiro passo aplica-se à festa de Natal propriamente dita. Tente encarar os fasiedade, angústia, tristeza, baixo astral e até miliares com os quais você tem relações difímesmo, depressão. ceis de uma forma diferente. Por que será que isto acontece? Prepare-se para o encontro: tente perceber porque eles o incomodam, se as cobranças No início do ano fazemos planos, traçamos partem deles ou se é você mesmo que se cometas, iniciamos projetos e trabalhamos com bra um determinado desempenho, e não cona expectativa “nas alturas”. Com a aproximaseguindo alcançá-lo se incomoda com isso – ção do final do ano, começamos a fazer uma então, basta alguém tocar no assunto para retrospectiva, a avaliar nosso desempenho. O que você logo se aborreça. Quanto à relação que realmente realizamos? O que ficou só nos amor/ódio, tente avaliá-la, perceber o quanto planos? O que ficou abaixo das expectativas? há de amor nela, pois o amor é a mola mestra Aonde vencemos e aonde falhamos? Depen- do mundo, e vá para festa de coração aberto. dendo do resultado de nossa autoanálise, podemos ficar felizes ou entrar num estado de Florais para vencer a depressão natalina ansiedade, de depressão e angústia. Há outro fator que contribui para isso. Para muitas pessoas, a Festa de Natal representa o encontro com familiares com os quais elas não têm boas relações, que evocam emoções difíceis de se lidar ,ou contraditórias, tipo amor/ ódio, e cobranças, cobranças e mais cobranças... Somado a isso, vem o stress de fim de ano, os presentes a comprar, as festinhas de HELIOTROPIUM + ALELUIA + IMPATIENS + BASILICUM + CAMELLI ( florais de Minas) Modo de usar: Mande aviar esta fórmula floral numa farmácia de manipulação de sua confiança, pingue 4 gotas debaixo da língua, 8 vezes ao dia, até passar o Natal e o Réveillon. FELIZ NATAL!!!
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Poema de Natal Vinicius de Moraes
Para isso fomos feitos: Para lembrar e ser lembrados Para chorar e fazer chorar Para enterrar os nossos mortos — Por isso temos braços longos para os adeuses Mãos para colher o que foi dado Dedos para cavar a terra. Assim será nossa vida: Uma tarde sempre a esquecer Uma estrela a se apagar na treva Um caminho entre dois túmulos — Por isso precisamos velar Falar baixo, pisar leve, ver A noite dormir em silêncio. Não há muito o que dizer: Uma canção sobre um berço Um verso, talvez de amor Uma prece por quem se vai — Mas que essa hora não esqueça E por ela os nossos corações Se deixem, graves e simples. Pois para isso fomos feitos: Para a esperança no milagre Para a participação da poesia Para ver a face da morte — De repente nunca mais esperaremos... Hoje a noite é jovem; da morte, apenas Nascemos, imensamente.

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Noite Feliz

Noite feliz, Noite feliz, O Senhor, Deus de amor, pobrezinho nasceu em Belém. Eis na lapa Jesus, nosso bem. Dorme em paz, oh Jesus. Dorme em paz, oh Jesus. Noite de paz! Noite de amor! Tudo dorme em redor, entre os astros que espargem a luz, indicando o Menino Jesus. Brilha a estrela da paz. Noite de paz! Noite de amor! Nas campinas ao pastor, Lindos anjos mandados por Deus, Anunciam a nova dos céus; Nasce o bom Salvador! Noite de paz! Noite de amor! Oh, que belo resplendor Ilumina a o Menino Jesus! No presépio, do mundo eis a luz, Sol de eterno fulgor!

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FELIZ NATAL, FELIZ 2012!

ESPERANÇA AMOR ALEGRIA PAZ REALIZAÇÕES PESSOAIS SAÚDE...

SEJA FELIZ!

Revista Varal do Brasil A revista Varal do Brasil é uma revista bimensal independente, realizada por Jacqueline Aisenman. Todos os textos publicados no Varal do Brasil receberam a aprovação dos autores, aos quais agradecemos a participação. Se você é o autor de uma das imagens que encontramos na internet sem créditos, façanos saber para que divulguemos o seu talento!

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