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Vanderlei S. Bagnato Introdução tudo isto e muito mais.


Instituto de Física de São Carlos

A
óptica é um campo dentro da Conceitos Básicos para
Universidade de São Paulo
física que lida não somente Entendermos o Laser:
C.P. 369, CEP 13560-970
com a propagação da luz mas
São Carlos - SP A Atomística
○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ também com a produção da luz e,
principalmente, com seus mecanis- Para que seja possível entendermos
mos de interação com a matéria. É di- o funcionamento do laser, é necessário
fícil imaginar um campo da ciência antes esclarecermos alguns pontos
onde a óptica não esteja presente. Para fundamentais, tais como a estrutura
citar alguns exemplos, temos a as- atômica e a origem e propagação da
tronomia convencional, que só luz. Depois disto, estaremos prontos
existe devido ao fa- para entender a física
to dos corpos celes- Funcionando como fonte de do raio laser.
tes emitirem luz ou luz de características únicas A idéia do átomo
refletirem a luz de (monocromaticidade, não é nova. Os
outros, e que usa coerência e outras), o laser sábios antigos con-
instrumentos ópti- possui propriedades espe- sideravam a idéia de
cos para observa- ciais que o tornam um uma porção funda-
ções. A engenha- excelente instrumento de mental de matéria.
ria utiliza vasta- uso científico e tecnológico Imagine se tomar-
mente a óptica, seja mos um bloco de
por meio de de instrumentos analí- pedra e nele dermos uma martelada,
ticos ou mesmo nas linhas de produ- de modo que se divida em muitos
ção e controle de qualidade. Nas áreas fragmentos. Tomamos agora o menor
ligadas à saúde, a óptica tem estado dos fragmentos e prosseguimos da
presente de forma bastante marcan- mesma maneira. Chegaremos então
te. em uma porção de rocha que não
A grande aplicabilidade da óptica mais pode ser dividida, sem perder as
hoje em dia deve-se, bastante, à exis- propriedades básicas do material. Essa
tência do raio laser. Funcionando co- porção, os antigos chamavam de áto-
mo fonte de luz de características mo.
únicas, o laser possui propriedades es- Em torno de 1808, o cientista in-
peciais que o tornam um excelente glês John Dalton deu um caráter cien-
instrumento de uso científico e tec- tífico à idéia do átomo. As idéias de
nológico. Neste artigo queremos Dalton a respeito do átomo são bas-
explicar como o laser funciona e como tante exploradas nos cursos de quí-
ele está conectado com as caracterís- mica e física das escolas de primeiro e
ticas básicas da matéria. De fato, an- segundo graus e são bastante conhe-
A ficção científica dos anos 60 explorou a arma tes da invenção do laser, a óptica se cidas. Para reuní-las de forma breve,
de raios laser à exaustão. Hoje, o laser tem uma
gama de aplicações que ainda está para ser preocupava bastante com o desenvol- podemos dizer que “todo átomo é
completamente explorada; quando menos se vimento de ferramentas que possibili- uma minúscula partícula material,
espera, alguém aparece com uma nova utilidade tassem produzir feixes de luz concen- indestrutível, mantendo massa e di-
para essa luz, que os mais desavisados cha- trados e que se propagassem por mensão inalteradas; os átomos podem
mariam de ‘miraculosa’. Antes de discutirmos
suas aplicações, vamos conhecer neste artigo longas distâncias sem se dispersarem. combinar-se produzindo diferentes
os fundamentos do laser. Como veremos, o laser trouxe à óptica espécies de matéria”.

4 Os Fundamentos da Luz Laser Física na Escola, v. 2, n. 2, 2001


O conceito atual de átomo está Existe no modelo
bastante longe da idéia de Dalton, que de Rutherford uma
via o átomo como uma esfera rígida. contradição. Como ex-
Essa definição se enquadra muito bem plica a teoria da eletri-
em determinadas situações, mas tal cidade e do magnetis-
modelo já não responde corretamente mo, uma carga elétrica
à maioria das perguntas relativas a em movimento acele-
fenômenos que ocorrem na natureza. rado emite energia. As-
Mais tarde, o inglês Ernest Ruth- sim, como os elétrons
erford apresentou um novo modelo estão se movendo em
para o átomo. As experiências de Ru- torno do núcleo, eles
therford podem ser encontradas em deveriam emitir ener-
Figura 2. Processos de absorção e emissão de fótons nas
vários livros básicos de química e de gia constantemente.
transições de órbitas.
física, e deixamos para o leitor a tarefa Para compensar a di-
de se aprofundar nesse assunto. As minuição de sua energia, o raio de sua Assim, como assinalado na Figura
proposições de Rutherford foram as trajetória diminuiria. Isto significa 2, quando o elétron que gira em torno
seguintes: “O átomo deve ser cons- que os elétrons descreveriam uma tra- do núcleo salta de uma órbita externa
tituído de uma parte central, que foi jetória em espiral e, ao término sua para outra interna, ele emite um fóton
denominada núcleo. Esse caroço cen- energia, chocariam-se com o núcleo. de energia e, no processo inverso, ele
tral apresenta uma carga elétrica Isso evidentemente é absorve um fó-
positiva. O tamanho desse núcleo um absurdo, pois, se O tamanho do núcleo ton de energia. A
seria bastante pequeno em relação ao assim fosse, a matéria atômico é pequeno em essa mudança de
tamanho do átomo (de 10.000 a se colapsaria rapida- relação ao tamanho do órbita, ou salto,
100.000 vezes maior)”. Isto quer di- mente e átomos não átomo (de 10.000 a 100.000 chamamos tran-
zer que, se o núcleo tivesse 1 m de existiriam. vezes maior)”. Isso quer sição eletrônica.
diâmetro, o átomo teria 10 km. Fa- A justificativa para dizer que, se o núcleo Evidentemente,
çamos então a seguinte pergunta: se a energia dos elétrons tivesse 1 m de diâmetro, o essas idéias de
o átomo apresenta um núcleo bas- foi dada pelo físico di- átomo teria 10 km! Bohr não surgi-
tante positivo, como então a matéria namarquês Niels Bohr, ram em um
é neutra? Rutherford respondeu a essa que utilizou as idéias básicas de outro estalo de genialidade, mas foram
pergunta admitindo que a carga nu- físico, Planck. As proposições feitas baseadas em uma série de fatos
clear é equilibrada por partículas de por Bohr são conhecidas como seus experimentais da época. Esses resul-
carga negativa, denominadas elétrons. postulados, fornecidos a seguir: tados experimentais eram os espectros
Mas, se esses elétrons estivessem pa- a) Os elétrons giram ao redor do de emissão de certos gases, principal-
rados, eles seriam atraídos para o nú- núcleo em trajetórias circulares bem mente do gás hidrogênio.
cleo. Foi então proposto um equilíbrio definidas e nesse movimento de rota- Podemos começar ilustrando o
dinâmico para os elétrons: “Os elé- ção não há emissão de energia pelos que vem a ser o espectro de emissão
trons giram ao redor do núcleo em elétrons. por meio da montagem mostrada na
trajetórias circulares”. O esquema b) Quando, de alguma maneira, Figura 3.
apresentado na Figura 1 ajuda a com- o elétron passa de uma órbita para A luz branca contém todas as
preender as idéias de Rutherford. outra, ocorre emissão ou absorção de cores. Ao passar pelo prisma ocorre
certa quantidade de energia determi- uma decomposição, que separa a luz
nada pela expressão branca em suas diversas compo-
nentes. Essas várias cores, projetadas
∆ E = h.f
em um anteparo, diferenciam-se pelos
onde h é uma constante conhecida co- seus chamados comprimentos de on-
mo constante de Planck, e f a freqüên- da, ou freqüências. Como, nesse caso,
cia da radiação (essa fre-
qüência ficará mais clara
quando virmos ondas
magnéticas mais adiante).
A quantidade de ener-
gia absorvida ou emitida
pelo elétron nas suas tran-
sições de órbitas é denomi-
nada “fóton”. A Figura 2
Figura 1. Modelo de Rutherford para o mostra de forma ilustrada Figura 3. Espectro de emissão de uma lâmpada de luz
átomo. o explicado acima. branca.

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as cores vão passando de uma a outra Como a nova órbita não é a melhor nem sempre é possível ver a radiação
continuamente, temos o chamado para ele (a tendência é ficar na órbita emitida no salto do elétron. Às vezes,
espectro contínuo. mais próxima do núcleo), depois de o comprimento da onda da luz emiti-
Se, em vez da lâmpada no es- certo tempo nessa situação o elétron da é muito grande ou muito peque-
quema da Figura 3, for colocada uma retorna à órbita inicial. Como já no, fugindo do intervalo da chamada
ampola de vidro contendo gás hidro- vimos, nesse processo de retorno ao luz visível e, então, nossos órgãos vi-
gênio a baixa pressão, como mostra nível mais estável há emissão de um suais não são capazes de observá-los.
a Figura 4, o espectro que aparece no fóton, que constitui a radiação que
anteparo é de linhas claras e espaça- será vista no anteparo. O esquema da
das, como mostra a Figura 5. Figura 6 ilustra o que foi explicado
Essas linhas discretas que apare- acima.
cem na decomposição da luz prove- Não existe apenas uma órbita ex-
niente da ampola de hidrogênio mos- terna à qual o elétron pode ir após o
tram que essa luz é composta apenas choque com o elétron emitido pelo
de determinados comprimentos de catodo. Várias órbitas são possíveis
onda, e por isso dizemos que se trata e, dependendo do choque ser mais for-
de um espectro discreto. Quando um te ou mais suave, o elétron “pulará”
gás a baixa pressão é submetido a alta para uma órbita mais externa ou me-
voltagem através de dois eletrodos, há nos externa. Quanto mais externa for
emissão de elétrons do catodo que são a órbita, maior energia terá o elétron
acelerados para o anodo (pólo positi- quando nela estiver. Assim, teremos
vo). Mas, no meio do caminho, esses pulos diferentes quando o elétron
elétrons emitidos pelo catodo encon- voltar, e isto produz radiação com
tram os átomos de hidrogênio conti- diferentes comprimentos de onda, co-
dos na ampola e chocam-se com eles. mo é observado no espectro do hidro-
Como são os elétrons que rodeiam o gênio.
núcleo, são eles na verdade que se cho- A Figura 7 mostra alguns saltos
cam com os elétrons liberados pelo possíveis que o elétron pode dar em
catodo. Nesses choques, o elétron livre um átomo de hidrogênio. Quando o
transmite energia ao elétron do áto- elétron está na órbita mais próxima
mo, que, adquirindo maior energia, do núcleo, diz-se que ele está no seu
pula para outra órbita mais externa. estado fundamental; quando o elétron
Porém, nessa nova situação, ele estará está em uma de suas órbitas mais
instável (segundo a ordem natural, ele externas, diz-se que ele está em um
“não gosta” de ficar nessa órbita). de seus estados excitados.
Em cada órbita o elétron tem de-
terminada energia. Cada uma será,
então, chamada de nível energético que
o elétron pode ter, e a ela se atribui um Figura 6. Esquema do processo de emissão
número inteiro (n = 1, 2, 3....), cha- de um fóton.
mado número quântico prin-
cipal, por ser encontrado por
Figura 4. Ampola de descarga em gás a meio de cálculos de um ramo
baixa pressão. da física denominado Mecâ-
nica Quântica. Esse número
inteiro n (número quântico
principal) caracteriza a ener-
gia que o elétron apresenta
quando em uma determinada
órbita. O mesmo esquema
mostrado na Figura 7 pode ser
agora apresentado na forma
de níveis de energia, já que,
como dissemos, cada nível tem
uma energia. Na Figura 8
também estão mostradas
Figura 5. Espectro de emissão do gás hi- várias transições possíveis. Figura 7. Saltos possíveis para elétron no átomo de
drogênio. É importante lembrar que hidrogênio.

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de um fóton externo. O resultado é a
emissão estimulada de um outro fó-
ton, que emerge lado a lado com o
primeiro fóton.
Esses dois fótons que emergiram
da emissão estimulada vão perturbar
outros átomos com elétrons em seus
estados excitados, havendo emissão de
mais fótons que se juntam aos ini-
Figura 9. Equilíbrio instável de uma bola. ciais. A essa altura já podemos ter
Um leve toque externo colocará a bola em uma noção do que vem a ser o laser.
movimento.
Como vimos, existem processos
Figura 8. Transições possíveis para átomo pelos quais os átomos emitem luz. Se
aquele que causou a transição. Desse
de hidrogênio. juntarmos essa luz a processos que
modo, na emissão estimulada, o cau-
sador do efeito sai intacto e o fóton veremos mais adiante, e conseguir-
gerado é o seu irmão gêmeo. mos amplificá-la, teremos o chamado
Produção de Luz no Laser
Nesse caso, os dois fótons emer- raio-laser. Assim, a luz do laser pro-
Até agora foram descritos dois vém justamente da emissão que ocor-
gem do sistema juntos, com a mesma
processos básicos de extrema impor- re quando elétrons decaem de seus ní-
energia, propagando-se na mesma
tância. Primeiramente, vimos o pro- veis energéticos de forma estimulada,
direção. Dizemos que eles estão em
cesso de absorção de um fóton por um produzindo um feixe de luz onde to-
fase e são fótons praticamente indis-
sistema atômico, causando a trans- das as pequenas porções (fótons)
tingüíveis. A Figura 10 ilustra os três
ferência de elétron de um nível de mais comportam-se identicamente.
processos até agora descritos.
baixa energia para um nível de mais Todos esses fótons que emergem
No esquema (a), o sistema atô-
alta energia. Em segundo lugar, vimos do sistema são novamente jogados so-
mico absorve um fóton externo e o
um processo de emissão espontânea bre ele por meio do uso de espelhos,
elétron usa a energia desse fóton para
de um fóton pelo sistema atômico, que são colocados em cada extremi-
pular para o nível de energia mais alta.
causando a transferência do elétron dade da amostra. A vantagem nessa
No esquema (b), o elétron volta
para um nível de mais baixa energia. operação é que, fazendo com que os
ao seu estado de mais baixa energia,
Existe, também, um terceiro pro- fótons emitidos pela amostra intera-
através da emissão de um fóton com
cesso que pode ocorrer no sistema atô- jam mais com os átomos desta, maior
energia Eo.
mico, tão importante quanto os dois será o número de fótons emitidos
Finalmente, no esquema (c), mos-
anteriores: a emissão estimulada. através do processo de emissão esti-
tra-se o retorno do elétron ao estado
A emissão estimulada consiste no mulada, aumentando a quantidade de
de mais baixa energia, devido à ação
seguinte: vamos supor um elétron luz que sairá do sistema.
que esteja em um estado que não é Após vários passos, os fótons que
aquele no qual ele tem menor energia se movimentam através do meio que
(estamos então nos referindo a um forma o laser constituirão um feixe
estado excitado). que apresenta uma intensidade consi-
Esse elétron excitado apresenta derável.
uma forte tendência em ir para o nível Uma abertura em um dos espe-
de mais baixa energia. Porém, sozi- lhos em uma das extremidades permi-
nho, esse processo é relativamente tirá que continuamente uma fração
demorado para acontecer, podendo, dessa luz deixe o sistema.
no entanto, ser acelerado por um Nas explicações dadas acima fala-
agente externo. Um exemplo disto é mos em sistema, cavidade, espelhos
a situação tradicional de uma bola em etc., mas não demos maior atenção a
equilíbrio instável, no topo de uma esses conceitos. Vamos explicá-los.
montanha, como mostra a Figura 9. Um laser consiste principalmente
Com o elétron no seu estado exci- de 3 partes. A primeira parte é o cha-
tado ocorre o mesmo, e o agente exter- mado meio ativo, que pode ser gasoso,
no que causa seu salto para um nível sólido ou líquido. Essa parte do laser
energético menor é justamente outro é a que contém os átomos ou molé-
fóton. Assim, um fóton externo esti- culas, as quais contêm os elétrons
mula o decaimento do elétron excitado que, através dos saltos de níveis de
e este, ao passar para o estado de mais energia emitem luz (fótons), que
baixa energia, emite um fóton que Figura 10: Maneiras para o átomo mudar finalmente constituirão a luz laser. O
emerge do sistema juntamente com seu estado de energia. primeiro laser construído tinha como

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meio ativo uma barra de rubi.
De um modo geral, um sistema
constitui um bom meio ativo quando
os elétrons conseguem permanecer um
tempo relativamente longo (10-4 s) em
um estado excitado (normalmente
um elétron permanece apenas 10-10 s
no nível excitado).
Como vimos anteriormente, a
energia do fóton emitido está relacio- Fig. 11. Esquema simplificado das partes
nada com seu comprimento de onda. que constituem um laser.
Assim, quando queremos construir
um laser que emita luz com determi- que foi falado acima, mostrando a
nado comprimento de onda, devere- produção da luz laser (adotaremos os
mos escolher um meio que apresente círculos vazios como sendo átomos
átomos com elétrons em níveis cujo no estado fundamental e círculos
espaçamento tenha justamente a ener- cheios como sendo átomos com esta-
gia do feixe de luz que desejamos dos excitados).
obter. Começando do esquema (a), te-
Se todos os átomos do meio apre- mos um meio ativo com seus átomos
sentarem elétrons no estado de mais no estado fundamental. Uma fonte
baixa energia, a ação do laser não externa (que pode ser uma descarga
poderá iniciar-se devido ao fato de que elétrica no meio, outro laser etc.) deixa
não teremos elétrons excitados para a maioria dos átomos em seus estados
que ocorra o processo de emissão esti- excitados, criando o que se chama de
mulada, ou mesmo espontânea. uma inversão de população (b). A
Assim, antes de iniciar-se a ação emissão espontânea de um fóton por
do laser, é preciso que tenhamos a um desses átomos, adiciona mais luz
maioria dos átomos com elétrons em à porção já existente (c). Esses fótons
seus estados excitados. se refletem nos espelhos da cavidade,
Para que os elétrons saltem para voltando para a amostra e provocan-
seus níveis mais energéticos, é preciso do mais emissão estimulada, até que
fornecer energia. Esse é o trabalho de todos tenham decaído (esquemas (d), Figura 12. Esquema mostrando as várias
uma fonte externa de energia, que é a (e) e (f)). Essa é a máxima quantidade etapas da produção de luz laser.
segunda parte principal do laser. A de luz que pode ser extraída desse
fonte terá a obrigação de produzir esta- meio. Uma porção dessa luz emerge feixe emergente são as seguintes:
dos excitados, a fim de que nos decai- do sistema, constituindo o feixe da luz • primeiramente, a mais marcan-
mentos haja produção de luz. Ela atua laser (g). É claro que todos esses pro- te é que a luz laser é monocromática,
no meio ativo, muitas vezes emitindo cessos ocorrem de uma maneira con- já que a energia carregada pelo fóton
fótons sobre ele, e isso faz com que um tínua, fazendo com que a luz emer- estimulante e pelo fóton emitido são
grande número de átomos fiquem no gente seja um feixe contínuo e não as mesmas. Portanto, se verificarmos
estado excitado. Quando o maioria dos interrompido. o espectro da luz laser, veremos ape-
átomos apresentam elétrons no estado nas uma linha, mostrando que ela é
excitado, dizemos que ocorreu uma in- Características da Luz Laser composta de apenas um comprimen-
versão de população. Esse estágio é fun- Após a inversão de população ter to de onda, enquanto uma fonte de
damental para a produção do laser. ocorrido, produzindo a excitação dos luz incandescente é formada por vá-
A terceira parte importante do la- elétrons com ajuda de uma fonte ex- rios comprimentos de onda. O esque-
ser é a cavidade ótica ou ressonador. terna, o decaimento espontâneo de ma da Figura 13 mostra os dois espec-
Sua função é justamente a de fazer com um dos átomos para o estado funda- tros. A monocromaticidade da luz la-
que os fótons que emergem do siste- mental começa a provocar a emissão ser é importante em espectroscopia e
ma voltem para ele, produzindo mais estimulada dos demais átomos e, em outras áreas de pesquisa que re-
e mais emissão estimulada. Isso é feito conseqüentemente, produz luz. So- querem luz com uma energia deter-
por meio de espelhos que são colocados mente a luz que se propaga ao longo minada.
nas extremidades dessa cavidade e do eixo principal do laser é que vai • uma segunda característica é o
provocam a reflexão dos fótons de volta sofrer as várias reflexões no interior fato de que a intensidade do feixe la-
à amostra. A Figura 11 é um esquema da cavidade ressonante, fazendo com ser pode ser extremamente grande, ao
simplificado dessas 3 partes do laser. que haja emergência de um feixe de contrário das fontes de luz convencio-
A Figura 12 faz um resumo do luz. As principais características desse nais. Sua potência pode atingir ordens

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tidos inclinados com relação ao eixo plificar nossa idéia de coerência, vamos
central não contribuirão para o feixe tomar um exemplo simples. Vamos
de laser final. O feixe resultante, que é considerar as águas calmas de um lago.
constituído de ondas caminhando na Ao jogarmos uma pedra, haverá pro-
mesma direção, é bastante estreito; ou dução de ondas de uma forma periódica
seja, todo feixe propaga-se na mesma e ordenada. Com isso, vemos em todos
direção, havendo um mínimo de dis- pontos desse lago ondas coerentes.
persão. Essa caracte- Agora, vamos jogar de
rística é extremamen- Luz laser é: maneira desordenada
te importante para • monocromática várias pedras no inte-
uma série de aplica- • de alta intensidade rior do lago. Nessa si-
ções em comunicação, • direcional tuação, as ondas da su-
na indústria, na ele- • coerente perfície estarão total-
Figura 13. Espectro contínuo (vários com-
trônica etc. mente desordenadas,
primentos de onda) e espectro discreto do
laser ( apenas um comprimento de onda).
• a quarta característica importan- provenientes de pontos diferentes. Essas
te da luz laser é sua coerência. Para não são ondas coerentes, mas incoe-
de tera watt (1012 W). Essas grandes explicar o que significa a luz ser coe- rentes.
intensidades ocorrem em lasers pulsa- rente devemos lembrar da natureza Concluindo, são essas as proprieda-
dos, onde a energia acumulada em ondulatória da luz. Radiação é espa- des da luz laser que fazem dela um dos
longo tempo é emitida toda em um cialmente coerente se as ondas sucessi- instrumentos de maior aplicabilidade.
intervalo de tempo muito pequeno, vas da radiação estão em fase e tem- Por isso, há mesmo quem diga que o
da ordem de 10-12 s. poralmente coerente se os trens de on- laser é a solução à procura de proble-
• em terceiro lugar temos o cará- da têm todos a mesma direção e o mes- mas. Em um próximo artigo, falaremos
ter direcional do feixe laser. Fótons emi- mo comprimento de onda. Para exem- das inúmeras aplicações do laser.

Faça Você
Faça Você
Movimento do Centro de Massa*
MESMO
Objetivo Preparo do bloco a)
p ur
Visualização do movimento do Esses orifícios apresentam diâme- ão CM
l aç CM
centro de massa de um corpo. tros que permitem a introdução de ans
canetas esferográficas comuns (bem (Tr
Montagem macias), uma azul (A) e outra ver-
A 1 A 2
V V
Em um bloco de madeira de (20 melha (V). Um dos orifícios passa pelo
x 10 x 15 cm), praticam-se dois centro de massa do bloco e o outro, CM CM
orifícios que atravessam o bloco ao próximo à borda mais afastada do
longo de sua altura (15 cm), como centro. O bloco, com as canetas in-
se ilustra: seridas nos orifícios, é colocado sobre A 3 4
A V
uma grande folha de papel. A seguir, V
vamos à pancada. Trajetórias registradas no papel
20 cm Procedimento massa do bloco (uma linha reta azul)
A V
Com um martelo, golpeie o bloco e a caneta vermelha traçará uma li-
10 cm
próximo da região X, indicada na face nha (em geral, uma curva) vermelha
Papel
15 cm x lateral. Com as experimentações você em torno da linha azul, como ilus-
regulará a adequada intensidade da tramos acima (resultado de alguns
martelada e o local pretendido X. ensaios):
Como resultado, a caneta azul Prof. Luiz Ferraz Netto
registra o movimento do centro de leo@barretos.com.br

*Esta experiência consta do site http://www.feiradeciencias.com.br/sala05/05_36.asp, gerenciado pelo Prof. Luiz Ferraz Netto.

Física na Escola, v. 2, n. 2, 2001 Os Fundamentos da Luz Laser 9