A RELAÇÃO ENFERMEIRO- PACIENTE EM PSIQUIATRIA A relação enfermeiro-cliente é a base sobre a qual se estabelece a enfermagem psiquiátrica.

Esta é uma relação em que ambos os participantes têm de reconhecer um ao outro como seres humanos singulares e importantes. É também uma relação em que há um aprendizado mútuo. Peplau (1991) afirma: "O enfermeiro irá realizar ações para um paciente ou podem-se enfatizar relações participativas, para que o enfermeiro venha a realizar ações com um paciente como sua parte numa agenda de trabalhos para atingir-se uma meta - a saúde. É provável que o processo de enfermagem seja educativo e terapêutico quando o enfermeiro e o paciente podem vir a conhecer e respeitar um ao outro, como pessoas que são semelhantes, e no entanto diferentes, como pessoas que participam em comum da resolução de problemas." (p. 9.) Este capítulo examina o papel do enfermeiro psiquiátrica e o uso do eu como um recurso terapêutico na assistência a clientes portadores de transtornos mentais. As fases da relação terapêutica são exploradas e são discutidas as condições essenciais ao desenvolvimento de uma relação terapêutica. É enfatizada a importância do esclarecimento dos valores no desenvolvimento da consciência de si mesmo. PAPEL DO ENFERMEIRO PSIQUIÁTRICA O que é um enfermeiro? Sem dúvida esta pergunta teria tantas respostas diferentes quantas fossem as pessoas a que ela fosse apresentada. A enfermagem como um conceito existe provavelmente desde o início do mundo civilizado, com a provisão de "cuidados" para os doentes ou enfermos por parte de qualquer pessoa no meio que tivesse tempo para administra-los para aqueles em necessidade. O surgimento da enfermagem como profissão, porém, ocorreu apenas no final do século XIX, com a graduação de Linda Richards do New England Hospital for Women and Children in Boston, ao receber o diploma de enfermeira. Desde esta época o papel do enfermeiro evoluiu daquele de prestador de cuidados custodiais e ajudante dos médicos até ser reconhecido como um membro singular e independente da equipe de profissionais de saúde. Peplau (1957) identificou vários subpapéis no papel do enfermeiro: 1.A Mãe Substituta. - Neste subpapel o enfermeiro satisfaz necessidades básicas associadas à maternidade, como dar banho, alimentar, vestir, ajudar na excreção, avisar, disciplinar e aprovar. 2.O Técnico. O foco deste subpapel é na realização competente, eficiente e correta de procedimentos técnicos. 3.O Administrador. Neste subpapel o enfermeiro controla e manipula o ambiente para melhorar as condições para a recuperação do cliente. 4.O Agente Socializante. A principal função aqui é participar de atividades sociais com o cliente. 5.A Instrutor de Saúde. Neste subpapel o enfermeiro identifica necessidades de aprendizado e fornece informações necessárias ao cliente ou seus familiares para melhorar a situação de saúde. 6.O Conselheiro ou terapeuta. O enfermeiro usa "técnicas interpessoais" para ajudar os clientes a aprender a se adaptar a dificuldades ou alterações nas experiências de vida. Peplau (1962) acha que a ênfase na enfermagem psiquiátrica é no subpapel de aconselhamento ou psicoterápico. Como então esta ênfase influencia o papel do enfermeiro no contexto psiquiátrico? É essencial que o enfermeiro da equipe trabalhando em psiquiatria tenha um conhecimento geral das técnicas básicas de aconselhamento. Uma relação terapêutica ou

8. Pesar os benefícios e as conseqüências desta alternativa. 5. DINÂMICA DE UMA RELAÇÃO TERAPÊUTICA ENFERMEIRO-CLIENTE Travelbee (1971). morte e à condição humana em geral. As relações terapêuticas são orientadas por metas. como "um número de quarto" ou como "todos os enfermeiros" em geral. tanto o enfermeiro como o indivíduo que recebe os cuidados têm necessidades satisfeitas quando cada um vê o outro como um ser humano único. Teóricos interpessoais. que ela descreve como uma "experiência mutuamente significativa" . Identificar o que está perturbando o cliente neste momento. 9. mas sim a uma relação ser humano-ser humano. Obtendo a Consciência de Si Mesmo Esclarecimento dos Valores . Em geral. não como "uma doença".uma combinação de intelecto e emoções. Discutir estratégias alternativas para criar as alterações que o cliente deseja fazer. a meta de uma relação terapêutica pode basear-se num modelo de resolução de problemas. Fazer o cliente explorar os sentimentos relativos aos aspectos que não podem ser modificados e outras maneiras de ajustar-se de modo mais adaptativo. EXEMPLO: • Meta O cliente vai demonstrar estratégias de ajuste mais adaptativas para lidar com (situação vital específica). que desenvolveu e ampliou a teoria de Peplau de relações interpessoais na enfermagem. O enfermeiro deve compreender que a capacidade e o grau em que se pode efetivamente ajudar os outros em ocasiões de necessidade são fortemente influenciados pelo sistema interno de valores . Encorajar o cliente a discutir as alterações que gostaria de fazer. numa tentativa de ocasionar algum tipo de alteração na vida do cliente. Discutir com o cliente quais são as alterações possíveis e quais não são possíveis. Ela se refere não a uma relação enfermeiro-cliente. Dar feedback positivo às tentativas do cliente em criar alterações. Sullivan (1953) achava que os problemas emocionais decorrem de dificuldades nas relações interpessoais. Mais comumente a meta é dirigida ao aprendizado e à promoção do crescimento. • Intervenções 1. 4. 6. 3."de ajuda" é estabelecida pelo uso dessas técnicas interpessoais e se baseia num conhecimento das teorias sobre o desenvolvimento da personalidade e o comportamento humano. 7. Uso Terapêutico do Eu Travelbee (1971) descreveu o instrumento para a aplicação do processo de enfermagem interpessoal como o uso terapêutico do eu que ela definiu como "a capacidade de usar a própria personalidade conscientemente e em plena lucidez na tentativa de estabelecer um relacionamento e de estruturar as intervenções de enfermagem". Através do estabelecimento de uma relação enfermeiro-cliente satisfatória. 10. Ajudar o cliente a avaliar os resultados da alteração e a fazer as modificações necessárias. O uso do eu de maneira terapêutica exige que o enfermeiro tenha maior autoconsciência e autocompreensão de ter chegado à uma crença filosófica em relação à vida. Encorajar o cliente a implementar a alteração.isto é. os indivíduos aprendem a generalizar a capacidade de obter relações interpessoais satisfatórias com outros aspectos de sua vida. enfatizam a importância do desenvolvimento de relações na provisão de cuidados emocionais. como Peplau e Sullivan. 2. afirmou que é somente quando cada indivíduo na interação percebe o outro como um ser humano que a relação é possível. Idealmente o enfermeiro e o cliente decidem juntos qual vai ser a meta da relação. Ajudar o cliente a selecionar uma alternativa.

êxtase. O estigma prevalente associado à doença mental é um exemplo de atitude negativa. Ela pode ser um prejulgamento e pode ser seletiva e distorcida por um viés. Uma atitude é um ponto de referência em torno do qual um indivíduo organiza o conhecimento em relação a seu mundo. mas seus valores provavelmente estão ao nível das dezenas. Atitudes.Conhecer e compreender a si próprio aumentam a capacidade de estabelecer relações interpessoais satisfatórias. Idéias que um indivíduo considera verdadeiras sem evidências objetivas disso. ser limpo e organizado. que constituem o modo ideal de conduta e metas ideais de um indivíduo. O sistema de valores de um indivíduo é estabelecido bem no início da vida e tem suas bases no sistema de valores mantido pelos principais responsáveis pelos cuidados do indivíduo. Os delírios podem ser uma forma de crença irracional. Crenças racionais. mas é essencial na enfermagem psiquiátrica. um enfermeiro pode achar que todos os clientes têm o direito de que lhes seja dita a verdade em relação a seu diagnóstico. EX: A crença num poder superior pode ajudar um alcoólatra a parar de beber. Uma crença é uma idéia que se considera ser verdadeira e pode assumir muitas formas: 1. Idéias que um indivíduo considera como verdadeiras apesar da existência de evidências contrárias objetivas. O esclarecimento dos valores é um processo pelo qual um indivíduo pode adquirir consciência de si mesmo. Ele é culturalmente orientado. 4. honra e lealdade. humildade. nem sempre ela pode agir com base nessa crença e dizer a todos os clientes toda a verdade sobre sua condição. um alcoólatra pode beber socialmente se desejar. EX: Depois de passar pela desintoxicação e a reabilitação. liberdade. respeito. EX: Todos os alcoólatras são vagabundos de rua. por exemplo: "Todas as pessoas com doença mental são perigosas. O conceito é importante na vida cotidiana e na profissão de enfermagem em geral. As atitudes e crenças decorrem do conjunto de valores do indivíduo. Uma crença socialmente compartilhada que descreve um conceito de maneira excessivamente simplificada ou não diferenciada. Fé (Por Vezes Denominadas "Crenças Cegas"). Uma crença associada pode ser. Idéias para as quais há evidências objetivas para comprovar sua veracidade. felicidade. todavia. Crenças. Alguns exemplos de um modo ideal de conduta incluem procurar verdade e beleza. Estereótipo. Os valores diferem das atitudes e crenças por serem orientados para a ação e produtores de ações. fama e poder. Crenças Irracionais. atitudes e valores. justiça." Valores. Como exemplo. Pode-se ter muitas atitudes e crenças sem se comportar de um modo que demonstra que se tem essas atitudes e crenças. positivos ou negativos. e comportar-se com sinceridade. 2. pode mudar muitas vezes no decurso de uma vida e consiste em crenças. As atitudes satisfazem a necessidade de encontrar sentido na vida e proporcionam ao indivíduo clareza e consistência. EX: O alcoolismo é uma doença. centenas de atitudes. São exemplos de metas ideais: segurança. Os valores podem ser vistos como um tipo de conceito nuclear ou de padrões básicos que determinam as próprias atitudes e crenças e em última análise os . compaixão. 3. razão. igualdade. A autoconsciência exige que um indivíduo reconheça e aceite aquilo a que ele dá valor e aprenda a aceitar a singularidade e as diferenças nos outros. Uma atitude também tem um componente emocional. Um indivíduo pode ter milhares de crenças. Valores são padrões abstratos. E somente quando se age com base numa crença é que ela se toma um valor.

1968). A janela Johari divide-se em quatro quadrantes. se necessário aos outros. 2.Satisfeito. emoções e necessidades de cada indivíduo (Ujhely. Conhecido de Eu Conhecido dos Outros Eu aberto ou público Ignorado pelo Eu Eu que se desconhece Desconhecido dos Outros Eu privado Eu desconhecido . Após considerar escolhê-Io. de comportamento consistente e repetidamente NíVEL DAS OPERAÇÕES A JANELA DE JOHARI O eu se origina da auto-avaliação e da avaliação dos outros e constitui o padrão peculiar de valores. A autoconsciência é o reconhecimento desses aspectos e a compreensão de seu impacto sobre si mesmo e os outros. crenças. Entre alternativas Ninguém me forçou a Cognitivo 3." 4. atitudes. A janela Johari é uma representação do eu e um recurso que pode ser usado para aumentar a consciência de si mesmo (LUFT.Demonstrando este padrão o tiver." 6.próprios comportamentos.Fazendo afirmação pública disposto a contar isso da escolha. Uma atitude ou crença que preencha cada um dos sete critérios pode ser considerada como um valor PROCESSO DE ESCLARECIMENTO DOS VALORES CATEGORI CRITÉRIOS EXPLICAÇÃO A 1. Raths. Livremente "Este valor é meu. 1970). Merril e Simon (1966) identificaram um processo de atribuição de valores em sete etapas que pode ser usado para ajudar a esclarecer os valores pessoais. contente com a "Tenho orgulho de ter escolha este valor e estou Emocional Dar valor 5. Este processo é apresentado na tabela abaixo. O processo pode ser usado aplicando-se essas sete etapas a uma atitude ou crença que se tenha.Agindo de modo a O valor é refletido no demonstrar o valor no comportamento do Comportamental Agir comportamento indivíduo enquanto ele 7. Escolher cuidadosamente as Eu compreendo e conseqüências aceito asconseqüências de ter este valor. comportamentos.

Peplau. aceitar as diferenças nos outros e observar o direito de cada pessoa ao respeito e dignidade. Sintonia ou Harmonia Travar conhecimento e estabelecer sintonia é a tarefa primária no desenvolvimento de relações. O Eu que se Desconhece . As pessoas quê: ela está ajudando também não sabem que Susan está satisfazendo uma necessidade pessoal não atendida ao lhes dar assistência. como não quer que os outros membros da equipe saibam desses sentimentos. Ex: Quando cuida de pacientes em desintoxicação. dando atenção aos aspectos técnicos da tarefa de um modo que os clientes a percebem como uma pessoa fria e crítica. O indivíduo que é aberto para si mesmo e para os outros tem a capacidade de ser espontâneo e de compatilhar emoções e experiências com outros. interesses comuns. A meta de aumentar a autoconsciência pelo uso da janela de Johari é aumentar o tamanho do quadrante que constitui o e aberto ou público. Entretanto. porque fazer isso evoca memórias dolorosas de sua infância. Ex: Susan. um enfermeiro que é a filha adulta de um alcoólatra. Ela não percebe que os clientes a vêem assim. mas que o indivíduo deliberada e conscientemente esconde dos outros. Susan o faz sem emoção. Ela aprendeu com o tempo a encontrar pequenas maneiras de manter o controle sobre sua situação de vida e saiu de casa assim que se formou no segundo grau. tem sentimentos fortes quanto a ajudar alcoólatras a conseguir a sobriedade. amizade. Ela se ofereceu voluntariamente para ser uma pessoa de apoio para ajudar na recuperação de alcoólatras. Precisar estar em controle era sempre muito importante para Susan e ela não percebe que trabalhar com alcoólatras em recuperação ajuda a satisfazer esta sua necessidade. ou seja. CONDIÇÕES ESSENCIAIS AO DESENVOLVIMENTO DE UMA RELAÇÃO TERAPÊUTICA Vários teóricos identificaram características que aumentam a obtenção de uma relação terapêutica (Rogers et al. mas permanece ignorada pela consciência do indivíduo. Esses conceitos são muito significativos para o uso do eu como recurso terapêutico no desenvolvimento de relações interpessoais.O quadrante superior direito (cego) da janela constitui a parte do eu que é conhecida dos outros. Este indivíduo também tem maior compreensão do comportamento pessoal e das respostas dos outros a ele. O Eu Desconhecido . um sentimento de . Travelbee. Ex: Susan sentia-se muito impotente como criança crescendo com um pai alcoólatra. 1971.O quadrante inferior esquerdo da janela constitui a parte do eu que é conhecida do indivíduo. calor. O Eu Privado .O quadrante inferior direito da janela é a parte do eu que não é conhecida do indivíduo nem dos outros. Ela tem consciência de seus sentimentos e de seu desejo de ajudar os outros. Carkhuff. 1967.O Eu Aberto ou Público . aspectos do eu do qual o indivíduo e outros têm conhecimento. Ex: Susan preferiria não cuidar de pacientes em desintoxicação. Os membros do grupo de Alcoólatras Anônimos em que ela atua como voluntária também conhecem os sentimentos de Susan e sentem-se à vontade para chamá-Ia quando precisam de ajuda para não beber. A sintonia implica sentimentos especiais por parte tanto do cliente como do enfermeiro.O quadrante superior esquerdo da janela representa a parte do eu que é pública. com base em aceitação. Ela raramente sabia em que condição iria encon¬trar o pai ou como ele iria se comportar. 1968). ela se oferece como voluntária para cuidar dos clientes em desintoxicação sempre que eles são alocados na sua unidade. A maior consciência de si mesmo possibilita a um indivíduo interagir com outros sem conflitos. 1969.

É imperativo que o enfermeiro transmita uma aura de confiabilidade. sempre que possível. Ser honesta (p. as preferências. A capacidade verdadeira de importar-se com os outros é o núcleo básico da sintonia. Cumprir as promessas. Travelbee (1971) afirma: "[Estabelecer sintonia] é criar um sentimento de harmonia com base no conhecimento e apreciação da unicidade de cada indivíduo. o enfermeiro pode efetivamente não . Os exemplos de intervenções de enfermagem que promoveriam confiança num indivíduo apresentando pensamento concreto incluem os seguintes: • • • • Fornecer um cobertor quando o cliente estiver com frio. mas vou tentar descobrir") e então fazer isso. Apresentar com simplicidade e clareza as razões para orientações. solicitações e opiniões do cliente em decisões relativas a seu cuidado. e em problemas imediatos em lugar de resultados finais. • • • • • • A confiança é a base de uma relação terapêutica. procedimentos e regras. Considerar. A confiabilidade é demonstrada por intervenções de enfermagem que transmitem aos clientes um sentimento de calor humano e de carinho pelos outros. ela é conquistada. que exige apenas que ela possua um sentimento de autoconfiança. Freqüentar com o cliente as atividades às quais ele reluta em ir sozinho. Dar alimento quando o cliente estiver com fome. independentemente de seu comportamento inaceitável. assim como da capacidade de integrar esses papéis e essas funções num todo unificado. Respeito Mostrar respeito é acreditar na dignidade e valor de um indivíduo. este componente do desenvolvimento de relações torna-se mais difícil. Ser consistente na aderência às orientações da unidade. ex. A confiança não pode ser presumida. mas apenas que podem ser necessários mais tempo e paciência por parte do enfermeiro.confiança e uma atitude não crítica. Rogers (1951) denominava isso olhar positivo incondicional. A confiança em si próprio deriva do conhecimento adquirido por alcançar objetivos pessoais e profissionais. Estabelecer a sintonia pode ser feito discutindo-se tópicos não relacionados à saúde. Quando essa tarefa não é realizada. Assegurar confidencialidade. Muitos clientes psiquiátricos têm um pensamento concreto. É a capacidade de ficar parado e vivenciar o outro como um ser huma¬no . integridade. 1985). Sem o estabelecimento de confiança a relação de ajuda não vai progredir além do nível da provisão mecânica para atender a necessidades superficiais (Sundeen et ai.apreciar a revelação da personalidade de cada um para o outro. confiabilidade.. Fornecer por escrito um esquema estruturado das atividades. Essas intervenções são iniciadas de modo simples e concreto e dirigidas a atividades voltadas para a satisfação das necessidades básicas de segurança e tranqüilidade fisiológica e psicológica do cliente. veracidade e desejo sincero de dar assistência quando solicitada desta pessoa. que focaliza seus processos de pensamento em coisas específicas em vez de generalidades. dizer "Não sei a resposta a sua pergunta. A atitude é não crítica e o respeito é incondicional por não depender de que o comportamento do cliente satisfaça certos padrões. tranqüilizando o cliente de que aquilo que é discutido não vai ser repetido fora dos limites da equipe de profissionais de saúde.. O enfermeiro trabalhando em psiquiatria deve aperfeiçoar as habilidades que promovem o desenvolvimento da confiança." Confiança Para confiar em outra pessoa é preciso que se tenha confiança na presença. A confiança é a tarefa inicial do desenvolvimento humano (Erikson). Isto não quer dizer que a confiança não pode ser estabelecida.

se tomar cuidado para evitar ultrapassar os papéis de enfermeiro e cliente. Muitos clientes psiquiátricos têm muito pouco respeito próprio. honesta e "real" nas interações com o cliente. Essas qualidades são essenciais para a liberação do potencial de realização do cliente e para haver mudança e crescimento (Meador & Rogers. ao usar a transparência deve. O enfermeiro pode transmitir uma atitude de respeito por: • Chamar o cliente pelo nome (e título. Quando o enfermeiro usa transparência. 1979). A principal diferença é que na empatia o enfermeiro "percebe ou compreende corretamente" o que o cliente está sentindo e encoraja o cliente a explorar esses sentimentos. O enfermeiro deve também ser capaz de comunicar esta percepção ao cliente. Quando o enfermeiro não traz à relação a qualidade de autenticidade.aprovar o estilo de vida ou padrão de comportamento do cliente. Muitos indivíduos têm uma notável capacidade de detectar a artificialidade de outras pessoas. ( auxilia na evolução . criando um papel que serve de modelo para o cliente em situações semelhantes. Quando se é autêntico há congruência entre o que é sentido e o que está sendo expresso. Isto não quer dizer que o enfermeiro tem de revelar ao cliente tudo que está sentindo ou todas as vivências pessoais que possam se relacionar com aquilo que está se passando com o cliente. Não raro o conceito de empatia é confundido com aquele de simpatia. • Promover uma atmosfera de privacidade durante as intervenções terapêuticas com o cliente ou quando o cliente estiver se submetendo a um exame físico ou terapia. Isto é feito tentando-se traduzir palavras e comportamentos em sentimentos. 1979). devido ao fato de terem sido rejeitados por outros no passado devido a seu comportamento. • Ser sempre franca e honesta com o cliente. Através da empatia o enfermeiro pode perceber e compreender com precisão o significado e a relevância dos pensamentos e sentimentos do cliente. • Levar em consideração as idéias. O reconhecimento de que estão sendo aceitos e respeitados como indivíduos singulares numa base incondicional pode servir para evocar sentimentos de valor pessoal e respeito por si próprio. com o olhar positivo incondicional o cliente é aceito e respeitado pela simples razão de ser considerado um ser humano digno e singular. independentemente de quão inacei¬tável ele possa parecer. se o cliente preferir). não é estabelecida uma base de realidade para a confiança. mesmo que possa ser difícil discutir a verdade. • Passar algum tempo com o cliente. O cliente pode então sentir-se mais à vontade ao revelar informações pessoais ao enfermeiro. 1971). uma qualidade de "humanidade" é revelada ao cliente. preferências e opiniões do cliente ao planejar o cuidado. De fato. • Tentar compreender a motivação subjacente ao comportamento do cliente. Autenticidade O conceito da autenticidade designa a capacidade do enfermeiro em ser franca. O enfermeiro que possui a qualidade de autenticidade responde ao cliente com franqueza e honestidade e não com respostas que ela pode considerar mais "profissionais" ou que refletem simplesmente o "papel da enfermagem". A autenticidade pode exigir um certo grau de transparência por parte do enfermeiro. Ser "real" é estar ciente do que se está vivenciando internamente e deixar a qualidade desta vivência interior evidenciar-se na relação terapêutica (Meador & Rogers. Empatia Empatia é um processo pelo qual um indivíduo consegue ver além do compOltamento externo e perceber corretamente a vivência interior de outra pessoa num dado momento (Travelbee. Entretanto. • Dar tempo suficiente para responder às perguntas e preocupações do cliente.

a fase de trabalho e a fase de término. Resposta simpática: Enfermeiro: "Posso perceber com certeza o que você está sentindo. Com a simpatia o enfermeiro sente efetivamente o que o cliente está sentindo. a objetividade é perdida e o enfermeiro pode ficar voltada para o alívio da angústia e não para ajudar o cliente a resolver o problema do momento. Você tem direito de querer ficar longe delas. que todos os problemas emocionais decorrem de dificuldades nas relações interpessoais). Quando apareceu para almoçar no refeitório após a admissão. Este é seu primeiro dia na unidade e ela está se recusando a sair do quarto. Emoções positivas são geradas quando o cliente percebe que é efetivamente compreendido por outra pessoa. Ela fica com BJ mas não aborda seus sentimentos pessoais(do enfermeiro) quanto ao que aconteceu. BJ é uma cliente na unidade psiquiátrica com diagnóstico de distúrbio distímico. A empatia é considerada como uma das características mais importantes de uma relação terapêutica. o enfermeiro a acolhe se ela quiser chorar e expressar sua raiva pela situação. Fico com tanta raiva quando as pessoas agem desse jeito. Segue-se um exemplo de uma resposta empática e simpática à mesma situação. FASES DE UMA RELAÇÃO TERAPÊUTICA ENFERMEIRO-CLIENTE Os enfermeiros psiquiátricas usam o desenvolvimento de relações interpessoais como a principal intervenção com clientes no contexto psiquiátrico/de saúde mental. Vamos ver se elas riem alto quando você é que for escolher o filme mostrado na unidade depois do jantar de hoje. Isto é congruente com identificação do aconselhamento por Peplau (1962) como o principal subpapel da enfermagem na psiquiatria. a fase de orientação (introdutória). Quando os sentimentos vêm à superfície e são explorados. Isto contribui para o processo de identificação pessoal e para a promoção de um conceito positivo de si próprio. Com o uso da empatia. Ele se torna-se parte integrante do regime terapêutico total. A relação interpessoal terapêutica é o meio pelo qual é implementado o processo de enfermagem. Se é verdade aquilo em que Sullivan (1953) acreditava (isto é.e no caminho individual do paciente) Na simpatia o enfermeiro "compartilha" o que o cliente está sentindo e vivencia uma necessidade de aliviar a angústia. Embora cada fase seja apresentada como específica e distinta das outras." Resposta empática: Enfermeiro: "Você está com raiva e constrangida pelo que aconteceu no almoço hoje. Situação. Elas são tão insensíveis. Através da relação os problemas são identificados e é procurada a solução. especialmente quando a interação é limitada. Também tive peso excessivo a maior parte da minha vida.62m e pesa 136 kg. ela ficou constrangida quando vários dos outros clientes riram alto e chamaram-na de "gordinha". Ela é solteira." Quando os olhos de BJ se enchem de lágrimas. Em vez disso. Ela tem 1. As tarefas da relação foram classificadas em quatro fases: a fase pré-interação. ao mesmo tempo em que compreende os pensamentos e sentimentos do cliente. A percepção empática precisa por parte do enfermeiro auxilia o cliente a identificar sentimentos que foram suprimidos ou negados. BJ teve excesso de peso toda a vida. então este papel da enfermagem na psiquiatria passa a ter um significado e um propósito especiais. pode haver alguma superposição das tarefas. o enfermeiro consegue manter uma objetividade suficiente para possibilitar ao cliente resolver problemas com um mínimo de auxílio. não tem amigos Íntimos e nunca teve uma relação Íntima com outra pessoa. • Fase Pré-Interação . o cliente aprende aspectos de si mesmo dos quais podia não ter conhecimento. ela focaliza BJ e o que a cliente percebe serem suas necessidades mais imediatas neste momento. É típico das pessoas magras agir desse jeito.

As tarefas incluem: 1. Várias interações podem ser necessárias para a realização das tarefas associadas a esta fase. 5. • A Fase de Término O término da relação pode ocorrer por diversas razões: as metas definidas por acordo mútuo podem ter sido alcançadas. As tarefas incluem: 1. Estabelecer um contrato para intervenção que detalhe as expectativas e responsabilidades tanto do enfermeiro como do cliente. no caso de uma estudante de enfermagem.A fase pré-interação envolve a preparação para o primeiro encontro com o cliente. Examinar os próprios sentimentos. dos entes queridos ou outros membros da equipe de saúde. 2. 8. Estabelecer metas que sejam mutuamente agradáveis para o enfermeiro e o cliente. Criar um ambiente propício ao estabelecimento de confiança e sintonia. Resolver problemas usando o modelo já apresentado anteriormente. O término pode ser uma fase difícil tanto para o cliente como para o enfermeiro. Elaborar um plano de ação que seja realista para alcançar-se as metas desejadas. ter sido criada numa família de alcoólatras e ter sentimentos ambivalentes em relação a cuidar de um cliente que seja dependente de álcool. 4. 3. A partir dessas informações começase a fazer a avaliação inicial. 2. Promover a compreensão e a percepção da realidade pelo cliente. temores e ansiedades em relação a trabalhar com um cliente específico. Essas informações iniciais podem possibilitar ao enfermeiro ficar ciente de respostas pessoais ao conhecimento a respeito do cliente. Um plano de cuidado contínuo ou de assistência durante experiências de vida estressantes é estabelecido conjuntamente pelo enfermeiro e o cliente. Isto ocorre quando: a. Manter a confiança e a sintonia estabelecidas durante a fase de orientação. Superar comportamentos de resistência por parte do cliente quando aumentar o nível de ansiedade em resposta à discussão de aspectos dolorosos. pode ter chegado ao fim seu estágio. O enfermeiro pode. As apresentações são freqüentemente desagradáveis e os participantes podem apresentar alguma ansiedade até ser estabelecido um certo grau de apoio. 6. São reconhecidos e explorados os sentimentos quanto ao término da relação. Foi feito progresso no sentido de atingir as metas mutuamente estabelecidas. 7. Todos os indivíduos trazem para o contexto clínico atitudes e sentimentos de experiências anteriores. b. Juntar informações de avaliação para construir uma sólida base de dados sobre o cliente. o cliente pode ter alta do hospital ou. O enfermeiro deve compartilhar seus sentimentos com o cliente. Explorar os sentimentos tanto do cliente como do enfermeiro em termos da fase introdutória. 3. por exemplo. Tanto o enfermeiro como o cliente podem apresentar sentimentos de tristeza e perda. • A Fase de Orientação (Introdutória) Durante a fase de orientação o enfermeiro e o cliente travam conhecimento. Identificar os pontos fortes e as limitações do cliente. Por meio dessas interações o cliente . 4. 2. c. • A Fase de Trabalho O trabalho terapêutico da relação é realizado durante esta fase. As tarefas incluem: 1. Formular diagnósticos de enfermagem. O enfermeiro precisa saber como essas preocupações podem afetar sua capacidade de cuidar de clientes individuais. Produzir uma conclusão terapêutica da relação. As tarefas incluem: 1. 5. As interações podem permanecer a um nível superficial até a ansiedade remitir. Avaliar continuamente o progresso no sentido de se alcançar as metas. Obter as informações disponíveis sobre o cliente através do seu prontuário.

Uma relação terapêutica ou "de ajuda" é estabelecida pelo uso dessas técnicas interpessoais e se baseia num conhecimento das teorias sobre o desenvolvimento da personalidade e o comportamento humano. que exige que o enfermeiro tenha um forte sentido de consciência de si mesma e de autocompreensão. confiança. NOTA: Quando o cliente sente tristeza e perda. Término METAS Explorar percepção de si mesmo Estabelecer confiança Formular contrato para intervenção Promover mudanças no cliente Avaliar se as metas foram atingidas Assegurar o fechamento terapêutico RESUMO Os enfermeiros que trabalham no campo da psiquiatria/saúde mental usam habilidades especiais. Idealmente a meta é estabelecida por consenso entre o enfermeiro e o cliente e é dirigida ao aprendizado e à promoção do crescimento. a fase de orientação (introdutória). Elas incluem sintonia. qual é a meta de uma relação terapêutica? Qual método é recomendado para intervenção? 5) Qual é o instrumento para a aplicação do processo de enfermagem interpessoal? 6) Quais as características aumentam a possibilidade de obter-se uma relação terapêutica? .aprende que é aceitável ter esses sentimentos por ocasião da separação. autenticidade e empatia. Se tiver os mesmos sentimentos. ou "técnicas interpessoais". As relações terapêuticas enfermeiro-cliente são orientadas para as metas. O instrumento para a aplicação do processo de enfermagem é o uso terapêutico do eu. As tarefas associadas ao desenvolvimento de uma relação interpessoal terapêutica foram classificadas em quatro fases: a fase pré-interação. para ajudar os clientes a adaptar-se a dificuldades ou alterações nas experiências de vida. Para o fechamento terapêutico. Pré-interação 2. o enfermeiro pode deixar os comportamentos do cliente retardar o término. o enfermeiro tem de estabelecer a realidade da separação e resistir ser manipulada a adiamentos repetidos por parte do cliente. Os conceitos e as tarefas aqui apresentados podem facilitar a promoção de uma relação de ajuda e de cuidados de enfermagem efetivos para clientes necessitando de intervenção psicossocial. Orientação (introdutória) 3. De trabalho 4. EXERCÍCIOS 1) Quais os seis subpapéis da enfermagem identificados por Peplau? 2) Qual subpapel é enfatizado na enfermagem psiquiátrica? 3) Por que o desenvolvimento de relações é tão importante para a provisão de cuidados emocionais? 4) Em geral. respeito. Foram identificadas algumas características que aumentam a possibilidade de se obter uma relação terapêutica. a fase de trabalho e a fase de término. O modelo de resolução de problemas é usado na tentativa de ocasionar algum tipo de alteração na vida do cliente. Através desse conhecimento o cliente apresenta crescimento durante o processo de término. podem evidenciar-se comportamentos visando retardar o término. As principais metas de enfermagem durante cada fase da relação enfermeiro-cliente estão relacionadas na tabela abaixo: Fases do desenvolvimento de relações e principais metas de enfermagem FASE 1.

Editora Guanabara Koogan.7) Quais são as fases da relação enfermeiro-paciente e como deve agir o profissional em cada uma delas? 8) Na sua opinião. 3ª ed. Enfermagem Psiquiátrica: Conceitos de Cuidados. C. 2002. qual a importância da relação enfermeiro-paciente? Bibliografia: TOWSEND M. .

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