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Marco Antonio Moreira


Introdução espécies pode apresentar-se em três
“edições” chamadas cores: 1 (verme-

E
Instituto de Física da UFRGS, C.P. ste texto procura dar, através da
15051, 91501-970 Porto Alegre - RS técnica dos mapas conceituais lho), 2 (verde) e 3 (azul). Haveria en-
moreira@if.ufrgs.br (Moreira e Buchweitz, 1987), tão 18 quarks distintos. Porém, como
www.if.ufrgs.br/~moreira uma visão introdutória ao assunto cada um deles tem a sua antipartícula,
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partículas elementares e interações o número total de quarks é 36 (uma
fundamentais. A intenção é a de mos- antipartícula tem a mesma massa e o
2
trar que esse tema pode ser abordado, mesmo spin da partícula em questão,
de maneira aces- porém carga opos-
sível, sem muitas Uma visão introdutória ao ta.) Quarks têm car-
ilustrações que assunto partículas ga elétrica fracio-
acabam tolhendo a elementares e interações nária (+2/3 para os
imaginação dos fundamentais pode ser sabores u, c e t e -1/3
alunos e até mes- abordado, de maneira para os sabores d, s
mo dificultando a acessível, de forma a e b), mas nunca fo-
aprendizagem de transmitir aos alunos a idéia ram detectados li-
certos conceitos. de um assunto excitante, vres; aparentemen-
Essa introdução colorido , estranho e te, estão sempre
poderá ser seguida charmoso confinados em par-
de considerações tículas chamadas
qualitativas sobre simetria e leis de hádrons (da palavra grega hadros, que
conservação em Física, sobre a cons- significa massivo, robusto, forte).
trução do conhecimento em Física Há duas classes de hádrons, aque-
(por exemplo, a previsão teórica das les formados por três quarks, chama-
partículas que somente anos depois dos bárions (da palavra grega barys,
foram detectadas, ou que ainda não que significa pesado), e os constituí-
o foram), sobre as tentativas de uni- dos por um quark e um antiquark,
ficar teorias físicas. Com habilidade denominados mésons (do grego,
didática, talvez se possa transmitir aos mesos, significando intermediário,
alunos a idéia de um assunto exci- médio). Bárions obedecem o Princípio
3
tante, colorido, estranho e charmoso, da Exclusão de Pauli , mésons não;
ao invés de difícil e enfadonho. bárions têm spin fracionário (1/2, 3/2,
...), mésons têm spin inteiro (0, 1,
Partículas1 Elementares 2,...). O nêutron e o próton são os
Átomos consistem de elétrons, bárions mais familiares, os mésons π
que formam as camadas eletrônicas, e Κ são exemplos de mésons; contudo,
e núcleos, compostos por prótons e face às múltiplas possibilidades de
nêutrons que, por sua vez, consistem combinações de três quarks ou de
de quarks (dos tipos u e d). Quarks quarks e antiquarks, o número de há-
Este artigo apresenta um sumário das partícu- são, possivelmente, os constituintes drons é bastante grande, constituindo
las elementares e das interações fundamentais, fundamentais da matéria. Há seis es- uma grande família.
segundo o Modelo Padrão. Na seqüência, são
apresentados dois mapas conceituais, um para pécies, ou sabores, de quarks: u (up), Outra família, não tão numerosa,
partículas e outro para interações, que esque- d (down), c (charmed), s (strange), b é a dos léptons (do grego leptos, que
matizam conceitualmente esse modelo. (bottom) e t (top). Cada uma dessas significa delgado, fino, leve). São par-

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tículas de spin 1/2, sem cor, que partículas elementares e mantém jun- fótons de ondas de rádio, de luz
podem ter carga elétrica ou não (neu- tos prótons e nêutrons no núcleo atô- visível, de radiação ultravioleta, de
trinos). Parecem ser partículas verda- mico. Afeta somente hádrons. A raios-X, de raios γ (embora seja γ o
deiramente elementares, i.e., nenhu- interação fraca é responsável pelo símbolo que representa qualquer
ma delas aparenta ter uma estrutura decaimento relativamente lento de fóton).
interna como a dos hádrons. O elétron partículas como nêutrons e múons, e Analogamente, o campo de forças
é o lépton mais familiar, mas além também por todas reações envolvendo produzido por quarks e antiquarks,
dele existem o múon (µ), o tau (τ) e neutrinos. atuando sobre eles, é chamado de
três neutrinos (neutrino do elétron, Tais interações são descritas atra- campo de glúons, e a força entre eles
neutrino do múon e neutrino do tau). vés de campos de força. Campo é um resulta da troca de glúons. Glúons re-
Como a cada lépton corresponde um conceito fundamental nas teorias presentam para o campo de glúons o
antilépton, parece haver um total de sobre partículas ele- mesmo que os fó-
12 léptons na natureza. mentares. Aliás, é Mediar a interação significa tons para o campo
Começamos falando de elétrons, um conceito funda- que a força existente entre eletromagnético.
prótons e nêutrons e chegamos a lép- mental em toda a as partículas interagentes Quarks emitem e
tons, passando por hádrons, bárions Física. Os quanta resulta de uma “troca” absorvem glúons e
e mésons. Mas essa história ainda vai desses campos são (emissão e absorção) de assim exercem a
longe. Para se ter uma idéia da cons- partículas media- outras partículas (virtuais) interação forte en-
tituição da matéria, não basta saber doras das interações entre elas tre si. Glúons, tal
que existem tais e tais partículas, que cor respondentes. como os fótons,
umas parecem ser realmente elemen- Assim, o fóton é o quantum do campo têm spin 1, mas, diferentemente deles,
tares e outras são compostas por eletromagnético e media a interação têm cor, i.e., fótons são incolores, ou
“sub-partículas” confinadas. É preciso eletromagnética, os glúons são os “brancos”, e glúons não. Assim como
também levar em conta como elas quanta do campo forte e mediam a a carga elétrica é a fonte do campo
interagem, como integram sistemas interação forte, o gráviton é o quan- fotônico, as cargas cor são a fonte dos
estáveis e como se desintegram, ou tum do campo gravitacional, median- campos gluônicos (há oito tipos de
seja, é preciso considerar interações e do a interação gravitacional, e as par- glúons)5.
+ - o
campos de força, o que nos leva a outra tículas denominadas W , W e Z são Da mesma forma, a interação
categoria de partículas, as chamadas os quanta do campo fraco e são me- fraca é mediada por partículas, co-
partículas mediadoras das interações diadoras da interação fraca. Tais par- nhecidas como W (do inglês weak, que
fundamentais da natureza. tículas são chamadas bósons, um significa fraca) e Z, i.e., pela troca de
termo genérico para partículas de spin tais partículas, assim como a intera-
Interações Fundamentais inteiro (férmions é o termo genérico ção gravitacional é, teoricamente,
Há quatro tipos de interações fun- para partículas de spin 1/2,3/2,5/ mediada pela troca de grávitons.
damentais: eletromagnética, gravita- 2...; léptons e quarks são férmions). A rigor, todas estas interações são
cional, forte e fraca. A interação en- De todas essas partículas, a única que mediadas por partículas virtuais.
tre um elétron e um núcleo atômico ainda não foi detectada experimental- Consideremos, por exemplo, a intera-
é um exemplo de interação eletromag- mente é o gráviton4. ção eletromagnética entre um elétron
nética; a atração entre quarks é do tipo Mediar a interação significa que livre e um próton livre: uma das par-
interação forte; o decaimento β (por a força existente entre as partículas tículas emite um fóton e a outra o
exemplo, um nêu- interagentes resulta absorve; no entanto, esse fóton não é
A família dos léptons (do
tron decaindo para de uma “troca” um fóton livre ordinário, pois aplican-
grego leptos, que significa
próton pela emissão (emissão e absor- do as leis de conservação da energia e
delgado, fino, leve)
de um elétron e um ção) de outras par- momentum a tal processo poder-se-ia
apresenta partículas de spin
neutrino) exempli- tículas (virtuais) mostrar que haveria uma violação da
1/2, sem cor, que podem ter
fica a interação fra- entre elas. Assim, a conservação da energia (a energia do
carga elétrica ou não e
ca; a interação gra- força eletromagné- fóton emitido não seria igual ao pro-
parecem ser partículas
vitacional atua entre tica resulta da troca duto de seu momentum pela velocidade
verdadeiramente
todas as partículas de fótons entre as da luz, como seria de se esperar para
elementares: nenhuma
massivas, e é a que partículas (eletrica- um fóton livre). Mas seria uma vio-
delas aparenta ter uma
governa o movi- mente carregadas) lação virtual porque, devido ao Prin-
estrutura interna
mento dos corpos interagentes. Fó- cípio da Incerteza de Heisenberg6, a
celestes, mas é irrelevante em domí- tons são portadores incerteza na energia do fóton implica
nios muito pequenos, assim como as da força eletromagnética, são partí- que tal violação ocorreria em inter-
demais podem não ser relevantes em culas de radiação, não de matéria; têm valos de tempo muito pequenos. Isso
alguns domínios. spin 1, não têm massa e são idênticos significa que o fóton seria imediata-
A interação forte, como sugere o às suas antipartículas. É a energia de mente absorvido, i.e., não seria livre,
nome, é a mais forte no âmbito das um fóton que determina seu “tipo”: mas sim virtual.

Física na Escola, v. 5, n. 2, 2004 Partículas e Interações 11


No mundo macroscópico a ener- sificação não se refere apenas às partí- fraca e forte. As interações eletromag-
gia sempre se conserva, porém mi- culas elementares, mas também a nética e fraca podem ser interpretadas,
croscopicamente a Mecânica Quântica quaisquer partículas que obedecem as teoricamente, como instâncias de
mostra que pode haver pequenas leis da Mecânica Quântica como, por uma única interação, a eletrofraca. A
violações ∆E durante um tempo ∆t de exemplo, as partículas alfa.) O fato interação forte que existe entre
modo que ∆E x ∆t = h = 6,6.10-22 de que os férmions obedecem ao Prin- bárions e mésons pode ser interpre-
MeV.s. Quando uma partícula livre cípio da Exclusão de Pauli e os bósons tada como fundamental ou residual
emite um fóton, o desbalanço de não, é a principal diferença entre essas quando decorre de um balanço imper-
energia é dado pela energia do fóton, categorias. A partir dessa distinção feito das atrações e repulsões entre os
de modo que quanto maior for essa inicial, pode-se prosseguir com outras quarks e antiquarks que constituem
energia, tanto mais rapidamente ele categorizações como a de classes de tais partículas.
deve ser absorvido por outra partícula férmions (léptons, quarks e bárions) Essas quatro (ou três) interações
a fim de restabelecer o balanço ener- e classes de bósons (partículas media- são mediadas por partículas (porta-
gético. Quer dizer, quanto maior a doras de interações e mésons). Léptons doras de força) elementares - grávi-
violação da conservação da energia, e quarks são os férmions fundamen- tons (gravitacional), fótons (eletro-
tanto mais rapidamente deve ser res- tais: a rigor, toda a matéria é consti- magnética), W e Z (fraca) e glúons
tabelecido o equilíbrio energético. Essa tuída de quarks e léptons, pois as (forte) - e descritas por campos de for-
violação virtual da energia é, portan- demais partículas ou são compostas ça. Os mésons mediam a interação
to, importante na interação entre par- de quarks ou antiquarks (bárions) e forte residual. Quer dizer, além dos
tículas. Fótons “reais”, assim como pares quarks-antiquarks (mésons) ou campos gravitacional e eletromagné-
elétrons, por exemplo, podem ter uma são partículas mediadoras das intera- tico, que são relativamente familiares,
vida infinita desde que não interajam ções fundamentais (glúons, Z e W, há também o campo forte e o campo
com outras partículas. Fótons “vir- fótons e grávitons). fraco. A energia armazenada nesses
tuais”, por outro lado, têm uma vida Tanto os léptons como os quarks campos não está neles distribuída de
muito curta. têm seis variedades ou sabores, como maneira contínua; está quantizada,
O alcance da interação causada indicado no mapa conceitual. Entre- i.e., concentrada nos chamados quan-
pela troca de partículas virtuais tanto, diferentemente dos léptons, ca- ta de energia. Assim, os fótons são os
(quanta virtuais) está intimamente da sabor de quark existe em três quanta do campo eletromagnético, as
relacionado à massa de repouso dos variedades distintas em função de partículas W e Z são os quanta do
quanta trocados. Quanto maior a uma propriedade chamada cor, ou car- campo fraco, os glúons do campo
massa da partícula, tanto menor o ga cor. Contudo, quarks não existem forte e os grávitons do campo gravita-
espaço permitido a ela pela relação de livremente, só podem ser observados cional.
incerteza da Mecânica Quântica. Fó- em combinações que são neutras em A cada campo está associado um
tons, por exemplo, não têm massa, relação à cor; estão sempre confinados tipo de força: força gravitacional, for-
de modo que o alcance da interação em partículas compostas chamadas ça eletromagnética (elétrica e magné-
eletromagnética para partículas car- hádrons. Hádrons podem ser fermiô- tica), força fraca, e forca cor (forte ou
regadas é infinito. Grávitons também nicos quando formados por quarks fundamental, e residual). Contudo, no
não têm massa, de sorte que o alcance ou antiquarks (nesse caso são chama- domínio das partículas elementares,
da interação gravitacional é igual- dos bárions) ou bosônicos quando em reações altamente energéticas, par-
mente infinito. Por outro lado, as inte- constituídos por um quark e um an- tículas são criadas, destruídas e recria-
rações forte e fraca são mediadas por tiquark (então chamados mésons). das novamente, com velocidades e
partículas massivas e são de curto Tudo isso está “mapeado” na Fig. trajetórias com determinado grau de
alcance. 1 que, de certa forma, “termina” com incerteza. Assim, o conceito de força
As classificações de partículas e os “conhecidos” elétrons (são léptons), não tem um significado muito preciso
interações feitas até aqui estão diagra- prótons e nêutrons (ambos são nesse domínio, e é preferível falar em
madas nos mapas conceituais apre- bárions; têm estrutura interna) que interações, ou seja, a ação entre par-
sentados nas Figs. 1 e 2. formam átomos e moléculas que tículas. Por esta razão, no mapa da
constituem a matéria macroscópica Fig. 2 as interações fundamentais apa-
Um Mapa Conceitual para tal como a percebemos. recem na parte superior do mapa e as
Partículas Elementares forças na parte inferior. Nesse con-
Um Mapa Conceitual para texto, interação é um conceito hierar-
No mapa conceitual apresentado
na Fig. 1, o próprio conceito de partí- Interações Fundamentais quicamente superior ao de força.
culas elementares aparece no topo co- O mapa conceitual mostrado na
Conclusão
mo sendo o mais abrangente dessa Fig. 2 também começa com o conceito
área de conhecimento. Logo abaixo, mais abrangente: interações funda- Embora seja uma construção hu-
aparecem os conceitos de férmions e mentais. Logo abaixo aparecem as mana espetacular, presente em toda
bósons como duas grandes categorias quatro interações existentes na natu- parte e, particularmente, na natureza
de partículas elementares. (Esta clas- reza: gravitacional, eletromagnética, científica do homem (Kelly, 1963), isto

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Figura 1. Um mapa conceitual entre partículas elementares (M.A. Moreira, 1989, revisado em 2004).

Figura 2. Um mapa conceitual para interações fundamentais (M.A. Moreira, 1990, revisado em 2004).

Física na Escola, v. 5, n. 2, 2004 Partículas e Interações 13


é, na sua permanente tentativa de do- Mecânica Quântica, o spin das partí- entanto, de acordo com a teoria da
minar, construindo e testando mode- culas elementares pode ter apenas carga cor, a chamada Cromodinâmica
los do universo em que vive, a Física determinados valores que são sempre Quântica (em analogia à Eletrodi-
é considerada, na escola, uma matéria um número inteiro (0, 1, 2, 3, ...) ou nâmica Quântica), no caso das
difícil, pouco motivadora, aprendida semi-inteiro (1/2, 3/2, 5/2, ...) possibilidades vermelho-antiverme-
mecanicamente. As causas são mui- multiplicados por (h/2π; onde lho, verde-antiverde e azul-antiazul
tas, mas a falta de atualização ou, pelo h ≅ 6,6.10-22 MeV.s é a constante de poderia haver transições de uma para
menos, de reformulação do currículo Planck, a constante fundamental da outra que levaria a três combinações
deve ser uma das mais importantes. Mecânica Quântica). Isso significa que (superposições) lineares entre elas, das
O currículo de Física nas escolas é o spin das partículas elementares é quais uma seria totalmente sem cor,
desatualizado; ensina-se uma Física uma propriedade essencialmente i.e., branca. Portanto, há oito glúons,
que não chega ao século XX que é quântica, ou seja, um número quân- não nove como pareceria inicial-
quase só Mecânica e que invariavel- tico, sem análogo na Física Clássica, mente. Assim como a carga elétrica,
mente começa pela Cinemática. Esta, pois se tais partículas fossem bolinhas a carga cor também obedece uma lei
por seu caráter altamente represen- girando em torno de um eixo seu mo- de conservação, porém enquanto
tacional, é, psicologicamente, talvez mentum angular poderia ter qualquer existe apenas uma carga elétrica, há
o mais inadequado dos conteúdos pa- valor. oito cargas cores distintas (Okun,
3
ra se começar a aprender Física. Por De acordo com esse princípio, 1987, p. 41-42).
6
que, então, não começar com tópicos duas partículas da mesma espécie e Medir a intensidade de duas
contemporâneos? Dificilmente serão com spins não inteiros não podem grandezas físicas simultaneamente
mais inapropriados do que a Cinemá- ocupar o mesmo estado quântico. Fér- implica duas medições, porém a rea-
tica, a Estática e a Dinâmica. mions (léptons e quarks) obedecem a lização da primeira medida poderá
O presente trabalho pretende con- esse princípio, bósons (fótons, glúons perturbar o sistema e criar uma incer-
tribuir para uma reflexão nesse senti- e partículas W e Z) não. teza na segunda. Nesse caso, não será
4
do e, ao mesmo tempo, servir como Grávitons seriam, teoricamente, possível medir as duas simultanea-
material de apoio para professores que partículas de massa nula e spin 2. mente com a mesma precisão. Não se
queiram renovar ou, quem sabe, Fótons são também partículas de pode, por exemplo, medir tanto a po-
resgatar a Física no Ensino Médio. massa nula, porém a troca de fótons sição como a velocidade de uma par-
produz atração entre partículas de tícula com toda precisão, nem sua
Notas cargas opostas e repulsão entre partí- exata energia num exato momento.
1
Apesar de consagrado, o termo culas de mesma carga, enquanto a Macroscopicamente isso não faz dife-
partícula elementar, em especial a pa- troca de grávitons produz só atração. rença, pois a perturbação é tão peque-
lavra partícula, não é adequado para No entanto, em condições terrestres na que pode ser ignorada, porém para
nomear as unidades fundamentais da a atração gravitacional é tão fraca que partículas subatômicas o efeito é dra-
matéria. No domínio subatômico, os quanta dessa interação são pratica- mático (Close, 1983, p. 175).
partícula não é um corpúsculo, um mente indetectáveis. A interação gra-
corpo diminuto. Pensar as partículas vitacional torna-se dominante em
elementares como corpos muito pe- energias da ordem de 2.10-5 g, que é a Bibliografia
quenos, com massas muito pe- chamada massa de Planck (ou energia F. Close, The Cosmic Onion. Quarks and the
quenas, ocupando espaços muito de Planck), que seriam fantastica- Nature of the Universe (American In-
stitute of Physics, USA, 1983), 180 p.
pequenos, funciona como obstáculo mente grandes para serem produzidas P. Colas y B. Tuchming, Mundo Científico
representacional para compreendê-las em condições de laboratório. Note-se 247, 46 (2003).
de maneira significativa (partículas que, devido à equivalência massa- H. Fritzch, Quarks: The Stuff of Matter (Ba-
elementares podem, por exemplo, não energia, faz sentido medir a energia sic Books Inc., USA, 1983), 295 p.
P.I.P. Kalmus, Contemporary Physics, 41,
ter massa; além disso, tais partículas em unidades de massa e a massa em 129 (2000).
não têm existência situada, i.e., não unidades de energia. A massa de G. Kelly, A Theory of Personality - The Psy-
podem ser localizadas com precisão). Planck, 2.10-5 g, equivale à energia de chology of Personal Constructs (W.W.
Por esta razão, ao longo deste texto Planck, 1,1.1019 GeV (Giga eV = 109 Norton & Company, New York,
1963), 189 p.
as partículas elementares não serão eV, onde 1 eV ≅ 1,6.10-19 J é a energia M.A. Moreira, Revista Brasileira de Ensino
referidas ou representadas por cor- adquirida por um elétron acelerado ao de Física 11, 114 (1989).
púsculos ou “bolinhas” como aparece longo de uma diferença de potencial M.A. Moreira, Enseñanza de las Ciencias 8,
na maioria dos textos didáticos sobre de 1 V). 133 (1990).
5 M.A. Moreira e B. Buchweitz, Mapas Con-
esse tema. Cada glúon tem uma cor (ver- ceituais. Instrumentos Didáticos, de
2
Spin é uma propriedade funda- melho, verde e azul) e uma anticor Avaliação e de Análise de Currículo (Edi-
mental das partículas elementares que (antivermelho, antiverde e antiazul), tora Moraes, São Paulo, 1987), 83 p.
descreve seu estado de rotação; é o mo- de modo que haveria nove possibi- L.B. Okun, A Primer in Particle Physics
(Harwood Academic Publishers, UK,
mentum angular intrínseco das partí- lidades de pares cor anticor que cor- 1987), 112 p.
culas. De acordo com as regras da responderiam a nove glúons. No

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