APOSTILA ESPECÍFICA PSICOLOGIA FHEMIG

- REPRODUÇÃO PROIBIDA –

www.educapsico.com.br Índice: 1. Novo Código de Ética Profissional do Psicólogo. Página 3 2. Elaboração de laudo psicológico: análise, desenvolvimento e cuidados no processo de comunicação dos resultados do psicodiagnóstico. Página 10 3. Entrevista psicológica: definição, tipos e finalidades. Página 20 4. Identificação do problema, sinais e sintomas. Página 26 5. Psicodiagnóstico: criança e adulto; tipos, fundamentos e passos do processo psicodiagnóstico, aplicação, interpretação e análise. Página 27 6. Psicopatologia: conceituação; alterações da percepção, representação, juízo, raciocínio, memória, atenção, consciência e afetividade; doenças de natureza psíquica (alcoolismo, depressão, esquizofrenia, ansiedade). Página 52 7. Possibilidades de atendimento institucional. Página 70 8. Saúde mental e trabalho: estruturas de personalidade, natureza e causa dos distúrbios, mecanismos de ajustamento; transtornos mentais e do comportamento relacionados ao trabalho; atendimento em psicoterapia individual e de grupo. Página 71 9. Metodologias de diagnóstico e de intervenção em instituições de saúde. Página 138 10. Fundamentos para o planejamento e a gestão do processo de trabalho em organizações públicas de saúde. Página 141 11. Fundamentos para a avaliação dos serviços de saúde. Página 154 12. Transplante: legislação sobre transplantes no Brasil (SUS); o sistema de lista única; o sistema de distribuição de órgãos; abordagem e entrevista a fam ília do doador; legislação das comissões intra-hospitalares de doação de órgãos e tecidos para transplantes (CIHDOTT’s). Página 157 13. Modelo Brasileiro: SNT, CNCDO’s, CIHDOTT. Página 173 14. Referências Bibliográficas. Página 175

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www.educapsico.com.br 1. Novo Código de Ética Profissional do Psicólogo.
CÓDIGO DE ÉTICA PROFISSIONAL DO PSICÓLOGO O XIII Plenário do Cons elho Federal de Psicologia entrega aos psicólogos e à sociedade o novo Código de Ética Profissional do Psicólogo. O trabalho de construção democrática deste Código esteve sobre responsabilidade do XII Plenário, sob a presidência do psicólogo Odair Furtado e sob a coordenação do psicólogo Aluízio Lopes de Brito, então Secretário de Orientação e Ética. Ao XII Plenário coube também a formação do Grupo de Profissionais e Professores convidados, responsável por traduzir os debates nacionais do II Fórum Nacional de Ética. Ao Grupo, nossos agradecimentos e elogios pelo trabalho de tradução fiel aos debates e preocupações expressas no Fórum. Em nossa Gestão, os resultados foram submetidos à aprovação da Assembléia de Políticas Administrativas e Financeiras do Sistema Conselhos de Psicologia, APAF, quando foi finalizado o texto que ora se apresenta. Deixamos aqui registrado nosso reconhecimento aos colegas do XII Plenário e a todos que, direta ou indiretamente, contribuíram para os avanços obtidos e expressos neste novo texto. AOS PSICÓLOGOS Brasília, agosto de 2005. RESOLUÇÃO CFP Nº 010/05 Aprova o Código de Ética Profi ssional do Psi cólogo. O CONS ELHO FEDERAL DE PSICOLOGIA, no us o de suas atribuições legais e regimentais, que lhe são conferidas pela Lei no 5.766, de 20 de dezembro de 1971; CONSIDERANDO o disposto no Art. 6º, letra “e”, da Lei no 5.766 de 20/12/1971, e o Art. 6º, inciso VII, do Decreto nº 79.822 de 17/6/1977; CONSIDERANDO o disposto na Constituição Federal de 1988, conhecida como Constituição Cidadã, que consolida o Estado Democrático de Direito e legislações dela decorrentes; CONSIDERANDO decisão deste Plenário em reunião realizada no dia 21 de julho de 2005; RESOLV E: Art. 1º - Aprovar o Código de Ética Profissional do Psicólogo. Art. 2º - A presente Resolução entrará em vigor no dia 27 de agosto de 2005. Art. 3º - Revogam-se as disposições em contrário, em especial a Resoluç ão CFP n º 002/87. Brasília, 21 de julho de 2005. Ana Merc ês Bahia Bock Cons elheira-Presidente

APRES ENTAÇÃO

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Karina de O. uma reflexão contínua sobre o próprio código de ética que nos orienta. Este Código de Ética dos Psicólogos é reflexo da necessidade. as profissões trans formam-se e isso exige. A missão primordial de um código de ética profissional não é de normatizar a natureza técnica do trabalho. o pres ente Código foi construído a partir de múltiplos espaços de discussão sobre a ética da profissão. com a participação direta dos psicólogos e aberto à sociedade. um padrão de conduta que fort aleça o reconhecimento social daquela categoria. Este Código de Ética pautou-se pelo princ ípio geral de aproximar-se mais de um instrumento de reflexão do que de um conjunto de normas a serem seguidas pelo psicólogo. na sua construção buscou-s e: a. Traduzem-se em princípios e normas que devem se pautar pelo respeito ao sujeito humano e seus direitos fundament ais. pois esses eixos atravessam todas as práticas e estas demandam uma contínua reflexão sobre o contexto social e institucional. procura fomentar a autoreflexão exigida de cada indivíduo acerca da sua práxis. pessoal e coletivamente. A formulação deste Código de Ética. norteado por elevados padrões técnicos e pela existência de normas éticas que garant am a adequada relação de cada profissional com seus pares e com a sociedade como um todo. a profissão. Por constituir a expressão de valores universais. Para tant o. As sociedades mudam. por ações e suas conseqüências no exerc ício profissional. responde ao contexto organizativo dos psicólogos. a de assegurar. o terceiro da profissão de psicólogo no Brasil. que refletem a realidade do país. ao moment o do país e ao estágio de desenvolvimento da Psicologia enquanto campo científico e profissional. e de valores que estruturam uma profissão.www. suas responsabilidades e compromissos com a promoção da cidadania. as entidades profissionais e a ciência. sim. de atender à evolução do contexto institucional-legal do país. Valorizar os princ ípios fundamentais como grandes eixos que devem orientar a relação do psicólogo com a sociedade.br Toda profissão define-se a partir de um corpo de práticas que busca atender demandas sociais. e. de modo a respons abilizá-lo. sócioculturais. tais como os constantes na Declaraç ão Universal dos Direitos Humanos.educapsico. Códigos de Ética expressam sempre uma concepção de homem e de sociedade que determina a direção das relações entre os indivíduos. Cons oant e com a conjuntura democrática vigente. O processo ocorreu ao longo de três anos. ao estabelecer padrões esperados quanto às práticas referendadas pela respectiva categoria profissional e pela sociedade. um código de ética não pode ser visto como em conjunto fixo de normas e imutável no tempo. em 1988. Um Código de Ética profissional. sentida pela categoria e suas entidades representativas. marcadamente a partir da promulgação da denominada Constituição Cidadã.com. Lima CRP: 84326/06 Organização e Coordenação 4 . também. e das legislações dela decorrentes. em todo o país. dentro de valores relevantes para a sociedade e para as práticas desenvolvidas.

Ao aprovar e divulgar o Código de Ética Profissional do Psicólogo. cumprir e fazer cumprir este Código. posicionando-se de forma crítica e em consonância com os demais princ ípios deste Código. Estimular reflexões que considerem a profissão como um todo e não em suas práticas particulares. O psicólogo considerará as relações de poder nos contextos em que atua e os impactos dessas relações sobre as suas atividades profissionais. Karina de O. d. por meio do contínuo aprimoramento profissional. VI. O psicólogo baseará o seu trabalho no respeito e na promoção da liberdade. VII.com. c. O psicólogo trabalhará visando promover a saúde e a qualidade de vida das pessoas e das coletividades e cont ribuirá para a eliminação de quaisquer formas de negligência. discriminação. O psicólogo zelará para que o exercício profissional seja efetuado com dignidade. V. III. 1º – São deveres fundamentais dos psicólogos: a) Conhecer.br b. Lima CRP: 84326/06 Organização e Coordenação 5 . IV.www. O psicólogo atuará com responsabilidade social. Abrir espaço para a discussão. rejeitando situações em que a Psicologia esteja sendo aviltada. social e cultural. os colegas de profissão e os usuários ou beneficiários dos seus serviços. da dignidade. oferecer diretrizes para a sua formação e baliz ar os julgamentos das suas ações.educapsico. analisando crítica e historic ament e a realidade política. O psicólogo contribuirá para promover a universalizaç ão do acesso da população às informaç ões. violência. econômica. divulgar. questão crucial para as relações que estabelece com a sociedade. exploração. 7PRINCÍPIOS FUNDAMENTAIS I. a expectativa é de que ele seja um instrumento capaz de delinear para a sociedade as responsabilidades e deveres do psicólogo. II. contribuindo para o desenvolvimento da Psicologia como campo cient ífico de conhecimento e de prática. DAS RESP ONS ABILI DADES DO PSICÓLOGO Art. uma vez que os principais dilemas éticos não se restringem a práticas espec íficas e surgem em quaisquer contextos de at uação. O psicólogo atuará com res ponsabilidade. pelo psicólogo. dos limites e interseções relativos aos direitos individuais e coletivos. aos serviços e aos padrões éticos da profissão. crueldade e opressão. apoiado nos valores que embasam a Declaração Universal dos Direitos Humanos. da igualdade e da integridade do ser humano. ao conhecimento da ciência psicológica. contribuindo para o fortalecimento e ampliação do significado social da profissão. Contemplar a diversidade que configura o exerc ício da profissão e a crescente inserção do psicólogo em contextos institucionais e em equipes multiprofissionais.

g) Informar. respeito. b) Induzir a convicções políticas. sem visar benefício pessoal. guarda e forma de divulgação do material privativo do psicólogo sejam feitas conforme os princípios deste Código. fornecendo ao seu substituto as informaç ões necessárias à continuidade do trabalho. na prestação de serviços psicológicos. discriminação. k) Sugerir serviços de outros psicólogos. i) Zelar para que a comercialização. conheciment os e técnicas reconhecidamente fundamentados na ciência psicológica. os resultados decorrentes da prestação de serviços psicológicos. teórica e tecnicament e.educapsico. filosóficas. consideração e solidariedade. aquisição. a quem de direito. utilizando princ ípios. c) Utilizar ou favorecer o uso de conhecimento e a utilização de práticas psicológicas como instrumentos de castigo. não puderem ser continuados pelo profissional que os assumiu inicialmente. Karina de O. para com o trabalho dos psicólogos e de outros profissionais.com. quando do exercício de suas funções profissionais. os documentos pertinentes ao bom termo do trabalho. f) Fornecer. informações concernentes ao trabalho a ser realizado e ao seu objetivo profissional. transgressões a princípios e diretrizes deste Código ou da legislação profissional. 2º – Ao psicólogo é vedado: a) Praticar ou ser conivente com quaisquer at os que caracterizem negligência. j) Ter. por motivos justificáveis. na ética e na legislação profissional. morais. e) Estabelec er acordos de prestação de serviç os que respeitem os direitos do usuário ou beneficiário de serviços de Psicologia. sempre que solicitado. l) Levar ao conhecimento das instâncias competentes o exercício ilegal ou irregular da profissão. de orientação sexual ou a qualquer tipo de preconceito. crueldade ou opressão. d) Prestar serviç os profissionais em situações de calamidade pública ou de emergência. salvo impediment o por motivo relevante. ideológicas. quando solicitado. empréstimo. violência. h) Orientar a quem de direit o sobre os encaminhamentos apropriados. exploração. doação. sempre que.www. a partir da prestação de serviços psicológicos.br b) Assumir responsabilidades profissionais somente por atividades para as quais esteja capacitado pessoal. Lima CRP: 84326/06 Organização e Coordenação 6 . em condições de trabalho dignas e apropriadas à natureza desses serviços. e. colaborar com estes. e fornecer. tortura ou qualquer forma de violência. d) Acumpliciar-se com pessoas ou organizações que exerçam ou favoreçam o exercício ilegal da profissão de psicólogo ou de qualquer outra atividade profissional. a quem de direito. Art. transmitindo soment e o que for nec essário para a tomada de decisões que afetem o us uário ou beneficiário. religiosas. c) Prestar serviços psicológicos de qualidade.

o psicólogo: a) Levará em conta a justa retribuiç ão aos serviços prestados e as condições do us uário ou beneficiário. pessoas ou organizações atendidas por instituição com a qual mantenha qualquer tipo de vínculo profissional. n) Prolongar. b) Estipulará o valor de acordo com as características da atividade e o comunicará ao usuário ou beneficiário antes do início do trabalho a ser realizado. relação que possa interferir negativamente nos objetivos do serviço prestado. o) Pleitear ou receber comissões. f) Prestar serviços ou vincular o título de psicólogo a serviços de at endimento psicológico cujos procedimentos. familiar ou terc eiro. Lima CRP: 84326/06 Organização e Coordenação 7 . se pertinente. l) Des viar para serviço particular ou de outra instituição. garantirá que: Karina de O. m) Prestar serviços profissionais a organizações concorrentes de modo que possam resultar em prejuízo para as partes envolvidas. associar-se ou permanecer em uma organiz ação. h) Interferir na validade e fidedignidade de instrumentos e técnicas psicológicas.com. doaç ões ou vantagens outras de qualquer es pécie.br e) Ser conivente com erros.www. 3º – O psicólogo. g) Emitir documentos sem fundamentação e qualidade técnicocientífica. decorrentes de informações privilegiadas. a filosofia. apres entar denúncia ao órgão compet ente. p) Receber. desnecessariamente. faltas éticas. pagar remuneração ou porcentagem por enc aminhamento de serviços. violação de direitos. crimes ou contravenções penais praticados por psicólogos na prestação de serviços profissionais. avaliador ou parecerista em situações nas quais seus vínculos pessoais ou profissionais. divulgar proc edimentos ou apresentar resultados de serviços psicológicos em meios de comunicação. atuais ou anteriores. as normas e as práticas nela vigentes e sua compatibilidade com os princípios e regras deste Código. grupos ou organizações. cabe ao psicólogo recusar-se a prestar serviços e. Parágrafo único: Existindo incompatibilidade. de forma a expor pessoas. i) Induzir qualquer pessoa ou organização a recorrer a seus serviços. visando benefício próprio. que tenha vínculo com o atendido. Art. as políticas. possam afetar a qualidade do trabalho a ser realizado ou a fidelidade aos resultados da avaliação. além dos honorários contratados. j) Estabelecer com a pessoa at endida. empréstimos. a prestação de serviç os profissionais. 5º – O psicólogo.educapsico. 4º – Ao fixar a remuneração pelo seu trabalho. para ingressar. c) Assegurará a qualidade dos serviços oferecidos independentemente do valor acordado. técnicas e meios não estejam regulament ados ou reconhecidos pela profissão. Art. q) Realizar diagnósticos. adulterar seus resultados ou fazer declarações falsas. considerará a missão. quando participar de greves ou paralisações. assim como intermediar transações financeiras. k) Ser perito. Art.

§2° – O psicólogo responsabilizar-se-á pelos encaminhamentos que se fizerem necessários para garantir a proteç ão integral do atendido. de preservar o sigilo. Parágrafo único – Em caso de quebra do sigilo previsto no caput deste artigo. adolescente ou interdito.www. da interrupção volunt ária e definitiva do serviço. quando dará imediata ciência ao profissional. Art. o psicólogo poderá decidir pela quebra de sigilo. observadas as determinações da legislação vigente: §1° – No caso de não se apresentar um respons ável legal. baseando sua decisão na busca do menor prejuíz o. Art. 8º – Para realizar atendimento não eventual de criança.br a) As atividades de emergência não sejam interrompidas. a intimidade das pessoas. excetuando-se os casos previstos em lei. o atendimento deverá ser efet uado e comunicado às autoridades competent es. o psicólogo deverá obter aut orização de ao menos um de seus responsáveis. b) Em caso de emergência ou risco ao beneficiário ou usuário do serviço. 9º – É dever do psicólogo respeitar o sigilo profissional a fim de proteger. grupos ou organizações. assinalando a responsabilidade. c) Quando informado ex pressamente. 9º e as afirmações dos princ ípios fundamentais deste Código. 7º – O psicólogo poderá intervir na prestação de serviços psicológicos que estejam sendo efetuados por outro profissional. b) Haja prévia comunicação da paralisação aos usuários ou beneficiários dos serviços atingidos pela mesma. a que tenha acesso no exercício profissional. nas seguintes situações: a) A pedido do profissional respons ável pelo serviço.com. Art. d) Quando se tratar de trabalho multiprofissional e a intervenção fizer parte da metodologia adotada. Lima CRP: 84326/06 Organização e Coordenação 8 . resguardando o caráter confidencial das comunicações. b) Compartilhará somente informações relevantes para qualificar o serviço prestado. por qualquer uma das part es. o psicólogo deverá restringir-se a prestar as informações estritamente necessárias.educapsico. de quem as receber. Art. 6º – O psicólogo. Art. Karina de O. por meio da confidencialidade. no relacionamento com profissionais não psicólogos: a) Encaminhará a profissionais ou entidades habilitados e qualific ados demandas que extrapolem seu campo de atuaç ão. 10 – Nas situações em que se configure conflito entre as exigências decorrent es do disposto no Art.

14 – A utilização de quaisquer meios de registro e observaç ão da prática psicológica obedecerá às normas deste Código e a legislação profissional vigent e. Karina de O. o CRP e seu número de registro. o psicólogo respons ável informará ao Cons elho Regional de Psicologia. por quaisquer meios. o psicólogo poderá prestar informações. c) Garantirá o anonimat o das pessoas. Art. 17 – Caberá aos psicólogos docentes ou supervisores esclarecer. Art. ao participar de atividade em veículos de comunicação. § 1° – Em caso de demissão ou exoneração. tanto pelos procedimentos. com o objetivo de proteger as pessoas. o psicólogo deverá repassar todo o material ao psicólogo que vier a substituí-lo.com. orientar e exigir dos estudantes a observância dos princ ípios e normas contidas neste Código. 13 – No atendimento à criança. 19 – O psicólogo. ele deverá zelar pelo destino dos seus arquivos confidenciais. na realização de estudos. ao promover publicamente seus serviços. individual ou coletivamente: a) Informará o seu nome completo. por quaisquer motivos. Art. ou lacrá-lo para posterior utilização pelo psicólogo substituto. 20 – O psicólogo. 18 – O psicólogo não divulgará. cederá. Art. ao adolescente ou ao interdito. sempre que assim o desejarem. b) Garantirá o caráter voluntário da participação dos envolvidos. Art.www. da base cient ífica e do papel social da profissão. grupos. 11 – Quando requisitado a depor em juízo. deve ser comunicado aos responsáveis o estritamente essencial para se promoverem medidas em seu benefício. des de o início. grupos ou organiz ações aos res ultados das pesquisas ou estudos. ser informado. 12 – Nos document os que embasam as atividades em equipe multiprofissional. salvo nas situações previstas em legislação espec ífica e respeitando os princípios deste Código. Art. devendo o usuário ou beneficiário. grupos ou organizações. Art. considerando o previsto neste Código. informar. após seu encerramento.br Art. salvo interesse manifesto destes. Lima CRP: 84326/06 Organização e Coordenação 9 . 16 – O psicólogo. organizações e comunidades envolvidas. mediante consentimento livre e esclarecido. emprestará ou venderá a leigos instrumentos e técnicas psicológicas que permitam ou facilitem o exercício ilegal da profissão. pesquisas e atividades volt adas para a produç ão de conheciment o e desenvolviment o de tecnologias: a) A valiará os riscos envolvidos. d) Garantirá o ac esso das pessoas.educapsico. § 2° – Em caso de extinção do serviço de Psicologia. ensinará. que providenciará a destinação dos arquivos confidenciais. 15 – Em caso de interrupção do trabalho do psicólogo. o psicólogo registrará apenas as informações necessárias para o cumprimento dos objetivos do trabalho. como pela divulgação dos resultados. Art. zelará para que as informaç ões prestadas disseminem o conhecimento a respeito das atribuições. Art.

ad referendum do Conselho Federal de Psicologia. por até 30 (trinta) dias.educapsico. Elaboração de laudo psicológico: análise.www. f) Não fará auto-promoção em detrimento de outros profissionais. 24 – O pres ente Código poderá ser alterado pelo Conselho Federal de Psicologia. 21 – As transgressões dos preceit os deste Código constituem infraç ão disciplinar com a aplicação das seguintes penalidades. 2006). e) Não fará previsão taxativa de resultados. b) Multa. 25 – Este Código entra em vigor em 27 de agosto de 2005. e deve fazer parte de cada conjunto dos documentos relativos às avaliações realizadas. atividades e recursos relativos a técnicas e práticas que estejam reconhecidas ou regulamentadas pela profissão. refere-se ao resumo das conclusões diagnósticas e prognosticas. devendo ser guardados por um período de cinco anos (ARZENO.br b) Fará referência apenas a títulos ou qualificações profissionais que possua. Informe Psicodiagnóstico O informe. 1995.com. ad referendum do Conselho Federal de Psicologia. e) Cassação do exercício profissional. 22 – As dúvidas na obs ervância deste Código e os casos omissos serão resolvidos pelos Cons elhos Regionais de Psicologia. c) Censura pública. seja num trabalho particular (como consultório). como dito anteriormente. DAS DISPOSIÇÕES GERAIS Art. Art.pdf 2. ad referendum do Conselho Federal de Psicologia. g) Não proporá atividades que sejam atribuições privativas de outras categorias profissionais. d) Suspensão do exercício profissional. desenvolvimento e cuidados no processo de comunicação dos resultados do psicodiagnóstico.org. na forma dos dispositivos legais ou regimentais: a) Advert ência.br/legislacao/pdf/cod_etica_novo. Lima CRP: 84326/06 Organização e Coordenação 10 . ouvidos os Conselhos Regionais de Psicologia. h) Não fará divulgação sens acionalista das atividades profissionais. d) Não utilizará o preço do serviço como forma de propaganda. seja em instituições. Art. c) Divulgará somente qualificações. pol. por iniciativa própria ou da categoria. Fonte: www. Art. CFP. Karina de O. Art. 23 – Competirá ao Conselho Federal de Psicologia firmar jurisprudência quanto aos casos omissos e fazê-la incorporar a este Código.

1995). com respostas claras aos objetivos da avaliação. como resposta a um pedido de avaliação. Lima CRP: 84326/06 Organização e Coordenação 11 . Karina de O. do paciente avaliado. este deve. Por vezes pode ocorrer também um novo pedido de avaliação após algum tempo. o informe deve ser expresso em termos bastante inequívocos. A linguagem técnica é geralmente utilizada ao se enviar o documento a um outro profissional da mesma área. definições e conclusões claras e elucidativas.com. fazendo uso de alguns pontos do material utilizado e termos comuns ao âmbito forense. não só da área da saúde. aceitáveis ou ausentes no aspirante ao cargo. sendo importante evidenciar potencialidades.educapsico. etc. afirmações que não sejam dúbias. são presentes. ou a ter realizado. tomando maiores precauções para não transparecer intimidades do caso que não se relacionem com campo pedagógico. Referindo-se a testes. como no caso de alguma intervenção terapêutica ou cirúrgica. por exemplo (ARZENO. psicoterapia. mas também educacional e judicial. e por geralmente estes informes serem encaminhados de modo escrito. 1995). termos comuns à psicopatologia. informar se os traços de personalidade requeridos para a função. Para médicos. e até mesmo qual seria o cargo para o qual estas seriam mais aproveitadas (ARZENO. o que permite uma comparação entre o informe atual e o anterior (ARZENO. a outros profissionais. a maneira de redigi-los é bastante relevante. a avaliação. lembrando-se de apresentar as potencialidades do sujeito.www. Pelo fato de poder ser outro o profissional a realizar. Já no informe para fins trabalhistas. geralmente interessados em receber informações sobre a presença ou ausência de transtornos. em forma de documento. Uma linguagem menos técnica e mais concisa é utilizada ao se emitir o informe a profissionais da área da educação. preferencialmente. ou deixar brechas para a utilização de rótulos desnecessários.br No trabalho institucional. uma vez que qualquer informação colocada poderá ser utilizada a favor. adequados. seja devido à rotatividade encontrada em tais estabelecimentos. ou não. e até mesmo um outro profissional da área de psicologia. a realização do informe é imprescindível. o informe pode ser conciso. para que as informações passadas não sejam utilizadas como convier à causa. No campo judicial. ou pelo falto de este poder dar seguimento ao caso num trabalho terapêutico. uma vez que diversos profissionais poderão ter acesso a este. 1995).

deve se restringir pontualmente às informações que se fizerem necessárias. o psicólogo deverá adotar técnicas de linguagem escrita e os princípios éticos.www. obsceno ou engraçado). não se deve dizer absolutamente tudo. baseado nos preceitos do CFP. da palavra exata e necessária. 2006). harmônica e clara. o Conselho Federal de Psicologia. o profissional psicólogo pode vir a colocar no documento de informe tudo o que foi observado durante a avaliação. inexperiência. Ou seja. no aspecto sonoro e na ausência de vícios de linguagem e/ou cacofonias (sons desagradáveis formados pela união de palavras que podem dar a estas.educapsico. CFP. porém. 1995. Por fim. ou com a finalidade de fazer muito bem seu trabalho. técnicos e científicos de sua profissão. as definições. Documentos Emitidos pelos profissionais Psicólogos Dando continuidade às questões referentes à maneira de se redigir os documentos de informe. dos documentos. por insegurança. Este será utilizado nos tópicos a seguir a fim de elucidar. Desta forma. pela seqüência/ordenamento adequado dos conteúdos. possibilitando a expressão do que realmente se quer comunicar. Princípios para redação dos documentos Para a redação dos documentos. formas de apresentação.com. é importante dizer o necessário e de uma forma que sempre possa ser interpretado com objetividade e não possa ser usado em prejuízo do sujeito avaliado (ARZENO. Essa “economia verbal” requer do psicólogo a atenção para o equilíbrio que evite uma redação muito sucinta ou o exagero de uma redação prolixa. sentido pejorativo.br Algumas vezes. o documento deve apresentar uma redação bem estruturada. etc. Lima CRP: 84326/06 Organização e Coordenação 12 . instituiu um Manual de Elaboração de Documentos Decorrentes de Avaliações Psicológicas. A concisão se verifica no emprego da linguagem adequada. A clareza se revela na estrutura frasal. pela resolução nº 007/2003. e sim o que foi solicitado e servirá para esclarecer as conclusões obtidas. Karina de O. Quanto à linguagem escrita. concisa. a harmonia está presente na correlação adequada das frases. recusando qualquer tipo de consideração que não tenha relação com a finalidade do documento específico.

escuta. bem como sobre outros materiais e grupo atendidos e sobre outros materiais e documentos produzidos anteriormente e pertinentes à matéria em questão. considerando a quem o documento será destinado. não definitiva e não cristalizada do seu objeto de estudo. Lima CRP: 84326/06 Organização e Coordenação 13 . às relações com a justiça e ao alcance das informações – identificando riscos e compromissos em relação à utilização das informações presentes nos documentos em sua dimensão de relações de poder. devem ser rubricadas. fazendo referência aos princípios éticos. ao produzir documentos escritos. o psicólogo deverá sempre basear suas informações nos princípios e dispositivos do Código de Ética Profissional do Psicólogo.br A ordenação do documento deve possibilitar sua compreensão por quem o lê. dinâmicas de grupo. testes. O que não significa que a linguagem deva ser sempre técnica.educapsico. O profissional psicólogo. evitando a diversidade de significações da linguagem popular. ao sigilo profissional. observações. os cuidados em relação aos deveres do psicólogo nas suas relações com a pessoa atendida. estes devem corresponder aos seus reais significados. considerando que a última estará assinada. Esses instrumentais técnicos devem obedecer às condições mínimas requeridas de qualidade e de uso. Frases e termos devem ser utilizados de forma compatível com as expressões próprias da linguagem profissional. Karina de O. estudos e interpretações de informações a respeito do sujeito atendido. devendo ser adequados à investigação em questão. Dentre estes. ao elaborar um documento. Com relação aos princípios técnicos. como dito no tópico anterior.www. Por fim. o documento deve considerar a natureza dinâmica. estrutura e composição de parágrafos ou frases. desde a primeira até a penúltima. deve se basear exclusivamente nos instrumentais técnicos (entrevistas. garantindo a precisão da comunicação.com. o que é permitido pela coerência gramatical. Outro fato importante de ser lembrado é que todas as laudas. intervenções verbais) que se caracterizam como métodos e técnicas psicológicas para a coleta de dados. em toda e qualquer modalidade de documento. e sim que quando há necessidade de termos mais simples.

14 Karina de O. I.educapsico. situações ou estados psicológicos. em quais dias. a declaração deve expor: • • • Registro do nome e sobrenome do solicitante. para fins de comprovação). Quanto à estrutura. Declaração Documento que visa informar a ocorrência de fatos ou situações objetivas relacionados ao atendimento psicológico. Tem a finalidade de declarar: • • • Comparecimentos do atendido e/ou do seu acompanhante. qual horário). Tipos de documentos Neste tópico serão apresentados conceito. a saber: declaração. • Registro do local e data da expedição da declaração. sob toda e qualquer condição. dias ou horários).com. Lima CRP: 84326/06 Organização e Coordenação . relatório/laudo psicológico e parecer psicológico. atestado psicológico.www. Acompanhamento psicológico do atendido. quando necessário. técnicas psicológicas e da experiência profissional da Psicologia na sustentação de modelos institucionais e ideológicos que perpetuem qualquer forma de segregação. Finalidade do documento (por exemplo. do uso dos instrumentos. Informações sobre as condições do atendimento (tempo de acompanhamento. Deve-se realizar uma prestação de serviço responsável pela execução de um trabalho de qualidade cujos princ ípios éticos sustentam o compromisso social da Psicologia. Registro de informações solicitadas em relação ao atendimento (por exemplo: se faz acompanhamento psicológico.br Seria expressamente proibido realizar. finalidade e estrutura de cada tipo de documento que pode ser emitido pelo profissional psicólogo. Nele não devem ser feitos registros de sintomas.

• •

www.educapsico.com.br Registro do nome completo do psicólogo, sua inscrição no CRP e/ou carimbo com as mesmas informações. Assinatura do psicólogo acima de sua identificação ou do carimbo.

A declaração deve ser emitida em papel timbrado ou apresentar na subscrição do documento o carimbo, em que constem nome e sobrenome do psicólogo, acrescido de sua inscrição profissional (“Nome do psicólogo / N.º da inscrição”). II. Atestado Psicológico Este documento é utilizado para certificar uma determinada situação ou estado psicológico, e tem como finalidade afirmar sobre as condições psicológicas de quem o solicita, por requerimento, com fins de: • • • Justificar faltas e/ou impedimentos do solicitante; Justificar estar apto ou não para atividades específicas, após realização de um processo de avaliação psicológica, dentro do rigor técnico e ético; Solicitar afastamento e/ou dispensa do solicitante, subsidiado na afirmação atestada do fato, em acordo com o disposto na Resolução CFP nº. 015/96.

Ao se formular o atestado, as informações devem restringir-se às solicitadas, contendo somente o fato constatado. Embora seja um documento simples, deve cumprir algumas formalidades. O atestado deve ser emitido em papel timbrado ou apresentar na subscrição do documento o carimbo, em que conste o nome e sobrenome do psicólogo, acrescido de sua inscrição profissional (“Nome do psicólogo / N.º da inscrição”). Ele deve expor: • • • Registro do nome e sobrenome do cliente; Finalidade do documento; Registro da informação do sintoma, situação ou condições psicológicas que justifiquem o atendimento, afastamento ou falta – podendo ser registrado sob o indicativo do código da Classificação Internacional de Doenças em vigor; Karina de O. Lima CRP: 84326/06 Organização e Coordenação 15

• • •

www.educapsico.com.br Registro do local e data da expedição do atestado; Registro do nome completo do psicólogo, sua inscrição no CRP e/ou carimbo com as mesmas informações; Assinatura do psicólogo acima de sua identificação ou do carimbo.

Para evitar adulterações no documento, os registros devem estar transcritos de forma corrida, ou seja, separados apenas pela pontuação, sem parágrafos. Caso haja necessidade da utilização de parágrafos, o psicólogo deve preencher esses espaços com traços. É importante ressaltar que o atestado emitido para justificar aptidão ou não para determinada atividade, através do uso do psicodiagnóstico, deve ter seu relatório correspondente guardado nos arquivos profissionais do psicólogo, pelo prazo mínimo de cinco anos, ou o prazo previsto por lei. III. Relatório ou Laudo Psicológico Referem-se a uma apresentação descritiva acerca de situações e/ou condições psicológicas e suas determinações históricas, sociais, políticas e culturais, pesquisadas no processo de avaliação psicológica. Como todo documento, deve ser subsidiado nos dados colhidos e analisados, à luz de um instrumental técnico baseado em referencial técnico-filosófico e científico adotado pelo psicólogo. Finalidade do relatório ou laudo psicológico: apresentar os procedimentos e conclusões geradas pelo processo da avaliação psicológica, relatando sobre o motivo do encaminhamento, as intervenções, o diagnóstico, o prognóstico e evolução do caso, orientação e sugestão de projeto terapêutico, bem como, caso necessário, solicitação de acompanhamento psicológico, limitando-se a fornecer somente as necessárias relacionadas à demanda, solicitação ou petição. O relatório psicológico é uma peça escrita de natureza e valor científicos. Sendo assim, deve conter narrativa detalhada e didática, com clareza, precisão e harmonia, tornando-se acessível e compreensível ao destinatário. Os termos técnicos devem, informações

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www.educapsico.com.br portanto, estar acompanhados das explicações e/ou conceituação retiradas dos fundamentos teórico-filosóficos que os sustentam. Quanto à sua estrutura, o relatório psicológico deve conter no mínimo cinco itens: identificação, descrição da demanda, procedimento, análise e conclusão. Identificação Constitui-se da parte superior do primeiro tópico do documento com a finalidade de identificar: • • • AUTOR/relator – quem elabora - nome(s) do(s) psicólogo(s) que realizará(ão) a avaliação, com a(s) respectiva(s) inscrição(ões) no Conselho Regional.; INTERESSADO – quem solicita - nome do autor do pedido (se a solicitação foi da Justiça, se foi de empresas, entidades ou do cliente); ASSUNTO/finalidade – o psicólogo indicará a razão, o motivo do pedido (se para acompanhamento psicológico, prorrogação de prazo para acompanhamento ou outras razões pertinentes a uma avaliação psicológica). Descrição da demanda Esta parte destina-se à descrição das informações referentes à problemática apresentada e dos motivos, razões e expectativas que produziram o pedido do documento. Nesta parte, deve-se apresentar a análise que se faz da demanda, justificando o procedimento adotado. Procedimento Nesta parte serão apresentados os recursos e instrumentos técnicos utilizados para coletar as informações (número de encontros, pessoas ouvidas etc) à luz do referencial teórico-filosófico que os embasa. O procedimento adotado deve ser pertinente para avaliar a complexidade do que está sendo demandado. Análise

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serão expostos o resultado e/ou considerações a respeito de sua investigação. Após isto. sendo as mesmas. Nessa exposição. IV. não definitiva e não cristalizada do seu objeto de estudo”. data de emissão. econômicas e políticas. “O processo de avaliação psicológica deve considerar que os objetos deste procedimento (as questões de ordem psicológica) têm determinações históricas. objetiva e fiel dos dados colhidos e das situações vividas relacionados à demanda. Como apresentado anteriormente. portanto. ainda nesta parte. deve considerar a natureza dinâmica. o psicólogo faz uma exposição descritiva de forma metódica. O documento. especialmente quando se referir a dados subjetivos. Conclusão Na conclusão do relatório.br Na análise. As considerações geradas pelo processo de avaliação psicológica devem transmitir ao solicitante tanto a análise da demanda como do processo de avaliação psicológica como um todo. Somente deve ser relatado o que for necessário para o esclarecimento do encaminhamento. elementos constitutivos no processo de subjetivação. Karina de O. nos princípios técnicos. Lima CRP: 84326/06 Organização e Coordenação 18 . deve-se respeitar a fundamentação teórica que sustenta o instrumental técnico utilizado. Vale ressaltar a importância de sugestões e projetos de trabalho que contemplem as variáveis envolvidas durante todo o processo. assinatura do psicólogo e o seu número de inscrição no CRP. sociais. com indicação do local.com. O psicólogo. devendo ter linguagem precisa. não deve fazer afirmações sem sustentação em fatos e/ou teorias. bem como princípios éticos e as questões relativas ao sigilo das informações.www. conforme explicita o Código de Ética Profissional do Psicólogo. o documento é encerrado.educapsico. Parecer Psicológico O parecer é um documento fundamentado e resumido sobre uma questão focal do campo psicológico cujo resultado pode ser indicativo ou conclusivo.

a descrição detalhada dos procedimentos. O psicólogo parecerista deve fazer a análise do problema apresentado. através de uma avaliação especializada. deve respeitar as normas de referências de trabalhos científicos para suas citações e informações. Exposição de Motivos Nesta parte o parecerista transcreve o objetivo da consulta e dos quesitos ou apresenta as dúvidas levantadas pelo solicitante. “sem elementos” ou “aguarda evolução”. o psicólogo deve respondê-los de forma sintética e convincente. exposição de motivos. Quando não houver dados para a resposta ou quando o psicólogo não puder ser categórico. Quanto à estrutura. destacando os aspectos relevantes e opinar a respeito. seja na ética. como os dados colhidos ou o nome dos envolvidos. considerando os quesitos apontados e com fundamento em referencial teórico-científico. deve-se utilizar a expressão “sem elementos de convicção”. visando diminuir dúvidas que estão interferindo na decisão. o nome do autor da solicitação e sua titulação. Deve-se apresentar a questão em tese. Nesta parte. portanto. Análise A discussão do Parecer Psicológico se constitui na análise minuciosa da questão explanada e argumentada com base nos fundamentos necessários existentes. na técnica ou no corpo conceitual da ciência psicológica. não deixando nenhum sem resposta. Havendo quesitos. Karina de O.br Ele tem como finalidade apresentar uma resposta esclarecedora no campo do conhecimento psicológico. sendo. Identificação Identifica o nome do parecerista e sua titulação.www. uma resposta a uma consulta. portanto. pode-se afirmar “prejudicado”. de uma “questãoproblema”. Se o quesito estiver mal formulado. tem-se que o parecer é composto de quatro itens: identificação. que exige de quem responde competência no assunto.com. não sendo necessária. Lima CRP: 84326/06 Organização e Coordenação 19 . análise e conclusão.educapsico.

avaliação. 3.Entrevista psicológica: definição. 115). O psicólogo utiliza uma técnica psicológica e concomitantemente lança mão de recursos advindos da psicologia para configurar a própria situação da entrevista. o entrevistador não está isento de comprometer os resultados de seu trabalho em função de suas limitações pessoais e profissionais. A esse aspecto acrescentam-se os psicológicos. Sendo assim. ao se preocupar com a etiologia das doenças psiquiátricas. O psicólogo deve apresentar seu posicionamento. Merece destaque a tão debatida questão da (ilusão da) neutralidade científica. Nesse sentido. A realização dos objetivos possíveis da entrevista da atuação de acordo com esse saber. Thiollent (1987) expõe que a idéia de neutralidade não é verdadeira visto que à medida que qualquer procedimento de investigação envolve pressupostos teóricos. Lima CRP: 84326/06 Organização e Coordenação 20 . clínico. foram elaboradas no contexto da psicoterapia e da psicometria. Segundo Winicott (1983) a psicanálise. Entretanto. que não apenas perpassam mas constituem todo e qualquer encontro entre pessoas.www. orientação e/ou aconselhamento.educapsico.br Conclusão Parte final do parecer.com. pensamentos e sentimentos. O referido autor apresenta uma visão sociológica da questão referente ao posicionamento do entrevistador. seja em contexto escolar. com o objetivo de pesquisa. organizacional ou em outros. respondendo à questão levantada. Historicamente. Em seguida. isso não significa descuido com os aspectos éticos. as técnicas de entrevista têm origem na medicina e. assim “os psicanalistas se tornaram pioneiros em tomar a história do paciente” (p. já no campo da psicologia. A entrevista é um dos recursos técnicos de que dispõe o psicólogo para obter informações. deve informar o local e data em que foi elaborado o documento e assiná-lo. norteadores Karina de O. práticos e variáveis segundo os interesses sociopolíticos que estão em pauta no ato de conhecer. passou a exigir do clínico o interesse pelos processos de desenvolvimento ps íquico e não apenas pelos sintomas. como os valores. tipos e finalidades. Na visão de Bleger (1991) pode ser considerado uma entrevista uma relação humana na qual um dos integrantes devem procurar entender o que está acontecendo e atuar segundo esse conhecimento.

espera-se que surjam elementos referentes àquilo que o entrevistado conhece.educapsico. observando e ouvindo a pessoa entrevistada. Lima CRP: 84326/06 Organização e Coordenação 21 . os gestos. enfim. também. a posição na cadeira. Durante a entrevista é importante o psicólogo observar a postura corporal. ou seja. Esses aspectos acrescentam uma dimensão importante do conhecimento da estrutura de sua personalidade e ao caráter de seus conflitos. ouviu falar e que também imagina. Bleger (1991) afirma que com a observação desses fenômenos é possível colocar-se frente aos aspectos da conduta e da personalidade do entrevistado. acolher e elaborar hipóteses diagnósticas a respeito do caso. pois fenômenos como a transferência e a contratransferência fazem parte de todo relacionamento interpessoal e seguramente vão configurar o processo de entrevista. A condução do processo precisa ser respaldada tanto pelos pressupostos da teoria adotada pelo profissional quanto pelas condições subjetivas deste. torna-se mais fácil compreender determinados comportamentos e verbalizações por parte de nosso sujeito. relacionados à psicologia e ao trabalho do psicólogo. aos sentimentos despertados em si durante a entrevista é fundamental para o psicólogo.br da atuação do psicólogo. abrange as respostas do entrevistador às manifestações do entrevistado. Considerando-se tais elementos. Aspectos Técnicos Em uma entrevista. o tom de voz. com o profissional apresentando seus questionamentos. de maneira geral. Estar atento. A contratransferência nesse contexto. requer possibilidades efetivas de escutar. Elementos mais minuciosos em relação à entrevista psicológica de maneira geral podem ser encontrados em Bleger (1991) e Pain (1992). Na entrevista faz-se necessária uma efetiva interação interpessoal. O entrevistado atribui papéis ao entrevistador e se comporta em função destes. Envolve a história pessoal daquele e esses sentimentos precisam ser considerados para um bom manejo e eficácia da entrevista.com. Tipos de Entrevistas Karina de O. aspectos não verbais que fornecem dados fundamentais a respeito do entrevistado e seu posicionamento na circunstância de entrevista.www. A respeito disso. a aparência.

de maneira geral. seja uma avaliação de uma criança com dificuldades escolares. seja de indivíduos. O entrevistado deve falar por si. que gira em torno de um tema geral. Assim como outras técnicas adotadas no trabalho do psicólogo. De maneira geral. Assim. Com base em pesquisas na área das ciências sociais. favorecem pessoas de mesmo nível sociocultural de quem elaborou os instrumentos. a semidirigida. posteriormente e de acordo com a configuração da situação. É preciso um particular cuidado com perguntas que apenas conduzem à confirmação daquilo que esperamos. para o aprofundamento de temas não abordados pelo entrevistado. a primeira entrevista caracteriza-se por um momento inicial mais livre.br A entrevista pode ser utilizada dentro de um processo avaliativo. E há pesquisas que também comportam processos avaliativos. Existe a entrevista dirigida.www. composta de questões fechadas. seja uma pesquisa.com. cabe ao profissional decidir o tipo de entrevista mais pertinente. seja da instituição como um todo. a não diretiva. Também pode ser empregada com fins investigativos. por exemplo. sendo aqui compreendida como um momento privilegiado de escuta do outro. de um direcionamento para o preenchimento de lacunas percebidas pelo profissional. Lima CRP: 84326/06 Organização e Coordenação 22 . que focaliza um tema específico. A obtenção de determinadas informações é imprescindível para a compreensão do contexto. Esse dado leva-nos a pensar que alguns questionamentos apresentados ao indivíduo entrevistado não necessariamente fazem parte de seu universo cotidiano e que por isso sua resposta pode refletir apenas nossa inabilidade em compreender a sua realidade.educapsico. e a clínica. é comum iniciarmos a entrevista de maneira mais livre e depois apresentarmos algumas perguntas abertas. Os tipos de entrevistas estão diretamente relacionados aos objetivos com que são empregadas. Thiollent (1987) mostra que entrevistas e questionários (assim como testes) que. De acordo com a situação. a entrevista merece uma atenção especial na formação profissional. no qual o entrevistado busca um espaço de acolhimento (Bleger. no caso de uma pesquisa. em que o sujeito orienta-se a partir de perguntas abertas. que nos permite formular hipóteses que vão compondo o mosaico. além da função avaliativa. 1991). a entrevista também pode Karina de O. acompanhado. Em algumas circunstâncias. a centrada.

para o qual o psicólogo precisa estar atento. de forma a otimizar o encontro entre a demanda do sujeito e os objetivos da tarefa.www. Quando o entrevistador confronta uma defesa. Segundo TAVARES (2000) para realizar uma entrevista de modo adequado o entrevistador deve ser capaz de: 1. Lima CRP: 84326/06 Organização e Coordenação 23 . Todos os tipos de entrevista têm alguma forma de estruturação na medida em que a atividade do entrevistador direciona a entrevista no sentido de alcançar seus objetivos. de tempo delimitado. no sentido de estar inteiramente disponível para o outro naquele momento sem a interferência de outras pessoas. com o objetivo de descrever e avaliar aspectos pessoais. encaminhamentos ou propor algum tipo de intervenção em benefício das pessoas entrevistadas. tem objetivos definidos e é através dela que o entrevistador estrutura sua intervenção.” A entrevista clínica é dirigida. 2000) Papel do entrevistador É necessário habilidades do entrevistador para que ele esteja preparado para lidar com o direcionamento que o sujeito parecer querer dar a entrevista. relacionais ou sistêmicos (indivíduo. Facilitar a expressão dos motivos que levaram a pessoa até a consulta.br apresentar-se como um momento terapêutico. (TAVARES. que utiliza conhecimentos psicológicos. ou seja. 3.com. rede social). dirigido por um entrevistador treinado. Auxiliar o paciente para que ele se sinta a vontade e construa a possibilidade de uma aliança terapêutica. Entrevista Clínica De acordo com TAVARES (2000) “A entrevista clínica é um conjunto de processos de técnicas de investigação. em uma relação profissional. Karina de O. Portando é necessário que o entrevistador domine as especificações da técnica. fam ília. está facilitando ou dificultando o processo. em um processo que visa a fazer recomendações. Estar presente.educapsico. 2. casal. ele empaticamente reconhece ou pede esclarecimentos.

8. Criar um clima que facilite a interação nesse contexto e a abertura para o exame de questões íntimas e pessoais talvez seja o desafio maior da entrevista clínica. Também é do entrevistador a responsabilidade de reconhecer a necessidade de treinamento especializado e atualizações constantes ou periódicas.www. Nessa situação o Karina de O. a responsabilidade de zelar pelo interesse e bem-estar do outro. Nas entrevistas clínicas deseja-se conhecer em profundidade o sujeito. que dá uma posição privilegiada ao entrevistador. Dominas as técnicas que utiliza no seu trabalho. 5. Papel do entrevistado O papel principal da pessoa entrevistada é o de prestar informações. para compreender os motivos de sua atitude. 9. Nos casos em que parece haver dificuldades de levantar a informação.educapsico. é bem provável que o entrevistador tenha que centrar sua atenção na relação com a pessoa entrevistada. 6. Essa posição lhe confere poder e. Lima CRP: 84326/06 Organização e Coordenação 24 . Tolerar a ansiedade relacionada aos temas evocados na entrevista. com o objetivo de entender qual a situação que o levou à entrevista. Outro ponto importante significa reconhecer a desigualdade intrínseca na relação. além do dom ínio da técnica. Assumir a iniciativa em momentos de impasse. Reconhecer defesas e modos de estruturação do paciente. a idéias preconcebidas em relação à psicologia ou à saúde mental e a fantasias inconscientes vinculadas a ansiedades pessoais acerca do processo. O resultado de uma entrevista depende largamente da experiência e da habilidade do entrevistador. Identificar e compreender seus processos transferenciais.com.br 4. 7. portanto. Confrontar esquivas e contradições de maneira gentil. 10. Buscar esclarecimentos para colocações vagas ou incompletas. Distorções relacionadas a pessoas ou instituições interessadas na avaliação.

Semi-estruturadas: Tem um roteiro com tópicos pré-estabelecidos. no entanto tem certa estruturação. Nesses casos é preciso que se crie um espaço as manifestações individuais e requer habilidades e conhecimentos específicos que permitam ao entrevistador conduzir adequadamente o processo. de como essa informação deve ser obtida. como nas clínicas sociais.br entrevistado é porta-voz de uma demanda e espera um retorno que o auxilie. na psicologia hospitalar. De acordo com TAVARES (2000). Lima CRP: 84326/06 Organização e Coordenação 25 .www. o papel de quem a conduz e os procedimentos pelos quais é possível atingir seus objetivos. Ela é mais utilizada em pesquisas onde se destinam basicamente no levantamento de informações. Karina de O. Essa especificidade clinica favorece que sejam utilizadas as entrevistas semiestruturas e de estruturação. É utilizada praticamente como um questionário. Elas podem ser classificadas em relação aos seus objetivos: Entrevista de triagem: O objetivo principal é avaliar a demanda do sujeito e fazer encaminhamento. Segundo TAVARES (2000) todas as entrevistas requerem uma etapa de apresentação da demanda. São de grande utilidade em settings onde é necessária ou desejável a padronização de procedimentos e registro de dados. pois tem suas metas. torna-se necessário ou imprescindível o encaminhamento para um apoio medicamentoso. as entrevistas podem ser classificadas em relação ao aspecto formal em: Estruturadas: Tem pouca utilidade na área clinica. na saúde pública. de que tipo de informação é necessária para atingi-los. quando ou em que seqüência. São assim denominadas porque o entrevistador tem clareza de seus objetivos. pois nesses casos. de reconhecimento da natureza da natureza do problema e da formulação de alternativas de solução e de encaminhamento. em que condições deve ser investigadas e como deve ser considerada. Livre de estruturação: Não tem o roteiro pré-estabelecido. É fundamental para avaliar a gravidade da crise.educapsico.com.

www.educapsico.com.br Entrevista de Anamnese: O objetivo principal é o levantamento detalhado da história de desenvolvimento da pessoa, principalmente na infância. Entrevista Diagnóstica (que podem ser sindrômicas ou dinâmicas): De certo modo, toda entrevista clínica comporta elementos diagnósticos. Em outro sentido, empregamos o termo diagnóstico de modo mais específico, definindo-o como o exame e a análise explícitos ou cuidadosos de uma condição na tentativa de compreendê-la, explicá-la e possivelmente modificá-la. Implica descrever, avaliar, relaciona e inferir, tendo em vista a modificação daquela condição. A entrevista diagnóstica pode priorizar aspectos sindrômicos ou psicodinâmicos. O primeiro visa á descrição de sinais (como por exemplo: baixa auto-estima, sentimentos de culpa) e sintomas (humor deprimido, ideação suicida) para a classificação de um quadro ou síndrome (Transtorno Depressivo Maior). O diagnóstico psicodinâmico visa á descrição e à compreensão da experiência ou do modo particular de funcionamento do sujeito, tendo em vista uma abordagem teórica. Entrevistas sistêmicas: Geralmente são utilizadas para avaliar casais e fam ílias e podem focalizar a avaliação da estrutura ou da estória familiar. Essas técnicas são muito variadas e fortemente influenciadas pela orientação teórica do entrevistador. Entrevistas de devolutiva: Tem por finalidade comunicar ao sujeito o resultado da avaliação. É importante, pois permite ao sujeito expressar pensamentos e sentimentos em relação às conclusões e recomendações do entrevistador. 4. Identificação do problema, sinais e sintomas. Segundo Dalgalarrondo (2000), a semiologia é a ciência dos signos, podendo ser utilizada para o estudo das interações em diversas áreas do conhecimento (artes, por exemplo). A semiologia médica é algo mais específico e diz respeito ao estudo dos sinais e sintomas das doenças. Também há o estudo dos sinais e sintomas dos transtornos mentais, o qual é denominado semiologia psicopatológica. O signo é muito importante dentro da semiologia, e dele faz parte a língua, os gestos, comportamentos (verbais e não verbais), entre outros. Eles podem ser entendidos como sinais, já que todos os signos possuem significação (Dalgalarrondo, 2000).

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www.educapsico.com.br Os profissionais da psicologia dão especial atenção aos sinais comportamentais que podem ser vistos objetivamente, e também aos sintomas, queixas que são relatadas pelo paciente e constituem-se em vivencias subjetivas de alguma patologia, transtorno. Ainda segundo Dalgalarrondo (2000), os sintomas médicos e psicopatológicos são tanto um símbolo quanto um índice (indicador). No primeiro caso, o sentido vai depender das relações que este mantém com outros símbolos do sistema simbólico total do paciente. Já no que diz respeito a sua dimensão “índice” os sintomas remetem a uma disfunção que está em um outro lugar do organismo e do aparelho ps íquico. Os sinais e sintomas podem ser agrupados e a esses agrupamentos da-se o nome de síndromes, ou seja, nas síndromes são descritos sinais e sintomas recorrentes. Quando é possível identificar nos fenômenos fatores causai, curso homogêneo, estados terminais típicos, fatores genéticos relacionados, mecanismos psicopatológicos e psicológicos, tratamentos previsíveis, pode-se chamar de entidades nosológicas ou transtornos e doenças específicos (Dalgalarrondo, 2000). 5. Psicodiagnóstico: criança e adulto; tipos, fundamentos e passos do processo psicodiagnóstico, aplicação, interpretação e análise. De acordo com o Dicionário Aurélio (1999), Avaliação refere-se à: “sf. 1. Ato ou efeito de avaliar (-se). 2. Apreciação, análise. 3. Valor determinado pelos avaliadores”. O termo avaliação é abrangente e nos remete a diferentes conceitos, desta forma, para o Conselho Federal de Psicologia a Avaliação Psicológica, é um processo técnico e científico realizado com pessoas ou grupos de pessoas que, de acordo com cada área do conhecimento, requer metodologias específicas. Suas estratégias aplicam-se a diversas abordagens e recursos disponíveis para o processo de avaliação (CUNHA, 2000). Ela é dinâmica e constitui-se em fonte de informações de caráter explicativo sobre os fenômenos psicológicos, com a finalidade de subsidiar os trabalhos nos diferentes campos de atuação do psicólogo. Trata-se de um estudo que requer um planejamento prévio e cuidadoso, de acordo com a demanda e os fins aos quais a avaliação destina-se. Avaliação Psicológica para Alchieri e Noronha (2004) é: “um exame de caráter compreensivo efetuado para responder questões específicas quanto ao funcionamento psíquico adaptado ou não de uma pessoa durante um período espec ífico de tempo ou para Karina de O. Lima CRP: 84326/06 Organização e Coordenação 27

www.educapsico.com.br predizer o funcionamento psicológico da pessoa no futuro. A avaliação deve fornecer informações cientificamente fundamentadas tais que orientem, sugiram, sustentem o processo de tomada de decisão em algum contexto específico no qual a decisão precisa levar em consideração informações sobre o funcionamento psicológico” (p. 44). Segundo Cunha (2000), o conceito de avaliação psicológica é muito amplo, englobando em si o psicodiagnóstico. Este seria uma avaliação psicológica de finalidade clínica, e não abarcaria todos os modelos possíveis de avaliação psicológica. Para a autora, o psicodiagnóstico é definido como “um processo científico, limitado no tempo, que utiliza técnicas e testes psicológicos, em nível individual ou não, seja para entender problemas à luz de pressupostos teóricos, identificar e avaliar aspectos específicos, seja para classificar o caso e prever seu curso possível, comunicando os resultados, na base dos quais são propostas soluções, se for o caso”. Visa, assim, identificar forças e fraquezas no funcionamento psicológico (CUNHA, 2000). A fim de caracterizar este processo, tem-se que o mesmo se dá em uma situação bipessoal, com papéis bastante definidos e com um contrato, havendo uma pessoa que pede ajuda (paciente) e uma que recebe o pedido e se compromete em solucioná-lo, na medida do possível, o psicólogo. Sua duração é limitada e seu objetivo é conseguir, através de técnicas, investigar, descrever e compreender, de forma mais completa possível, a personalidade total do paciente ou grupo familiar, abrangendo aspectos passados, presentes e futuros desta personalidade (OCAMPO & ARZENO, 2001). Mostra-se assim, como um processo científico, uma vez que parte do levantamento prévio de hipóteses que serão confirmadas ou refutadas por meio de um plano de avaliação, com passos e técnicas predeterminadas e objetivos específicos (CUNHA, 2000). Com os dados obtidos, faz-se uma inter-relação destes com as informações obtidas a partir das hipóteses iniciais, e uma seleção e integração com os objetivos do psicodiagnóstico, assim, os resultados são comunicados, a quem de direito,

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para que as necessidades da fonte de solicitação sejam atendidas e seu trabalho tenha o impacto e crédito merecidos. principalmente quando recomendado por amigo ou outro membro da família (CUNHA. 1995) (CUNHA. em conjunto. casos de procura espontânea do paciente ou familiar. o mais importante. Dentre os motivos que levam a este tipo de consulta tem que se distinguir basicamente dois tipos: o motivo latente e o motivo manifesto. 2000). ao se observar a dificuldade que o solicitante do encaminhamento pode apresentar ao requerer uma avaliação psicológica. ou finalidades.com. (OCAMPO & ARZENO. 2001). Há também. sem esquecer-se de incluir tanto aspectos patológicos quanto adaptativos. O primeiro. advogados. integrando-o. por fim. esclarecer e determinar. o que se espera dele (CUNHA. pediatras. Este.). 200).educapsico. Isto confere ao profissional maiores condições de fazer escolhas mais acertadas quanto às técnicas e materiais a serem utilizados (ARZENO. que depende do motivo do encaminhamento. Objetivos: O principal objetivo do processo psicodiagnóstico é conseguir uma descrição e compreensão da personalidade do paciente.br determinando-se quais dados devem ser apresentados para que seja possível a oferta de subsídios para recomendações e/ou decisões (CUNHA. 2000). posteriormente.www. Lima CRP: 84326/06 Organização e Coordenação 29 . de forma a explicar a dinâmica do caso como aparece no material. Para tanto. 2000). é de sua responsabilidade encontrar meios de manter contato e uma boa comunicação com os diferentes profissionais com quem trabalha. geralmente. para conhecer melhor suas necessidades e. mas com menor freqüência. É importante ainda salientar a qual público o psicólogo que realiza psicodiagnóstico atende. É de suma importância que o psicólogo tenha ciência sobre qual a finalidade. que encaminham seus clientes. atentar-se para a finalidade da investigação. juízes e pela comunidade escolar. etc. do psicodiagnóstico a ser realizado. neurologistas. O profissional psicólogo deve. num quadro global. caracterizado Karina de O. é formado por profissionais médicos (psiquiatras.

níveis de funcionamento. A outra situação é quando o paciente é passível de teste. p. sexo). o último. a possibilidade da realização de um psicodiagnóstico se faz possível. alternativas diagnósticas ou natureza da Karina de O. geralmente o motivo que aparece num primeiro momento.educapsico. Uma refere-se ao paciente não testável. para verificar através da comparação com outros pacientes da mesma categoria diagnóstica o que este tem em comum com ela. identifica potencialidades e fracassos.www.ex. e que os mais comuns seriam os seguintes: • Classificação simples: quando há a comparação da amostra do comportamento do examinado com os resultados obtidos por outros sujeitos de uma população com condições semelhantes à dele (idade. • Diagnóstico diferencial: são investigadas irregularidades e inconsistências dos resultados dos testes e/ou do quadro sintomático para diferenciar categorias nosológicas. • Classificação nosológica: as hipóteses iniciais são testadas tendo como referência critérios diagnósticos. Cunha (2000) aponta que existem um ou vários objetivos em um processo psicodiagnóstico. assim. além de descrever o desempenho do paciente. como p. inconsciente. e. que às vezes nem o cliente tem muita certeza. através da bateria de testes – nesta situação não caberia somente conferir quais critérios diagnósticos são preenchidos pelo paciente. Uma avaliação com este objetivo pode ser realizada em diferentes situações.br por ser o mais oculto. escolaridade. sendo assim. os dados são fornecidos de modo quantitativo. o mais consciente. • Descrição: vai além da anterior. e as hipóteses iniciais podem ser testadas cientificamente. 1995). A classificação nosológica auxilia na comunicação entre profissionais e contribui para o levantamento de dados epidemiológicos de uma comunidade.com. uma vez que interpreta diferenças de escores. avaliações de déficit neurológico. e são classificados de maneira resumida e simplificada.ex. quando o cliente é perguntado sobre o porquê da consulta (ARZENO. em uma avaliação intelectual. o profissional deverá fazer um julgamento clínico acerca da presença ou não de sintomas significativos. Lima CRP: 84326/06 Organização e Coordenação 30 .

Geralmente utiliza-se recursos de triagem. • Avaliação compreensiva: considera o caso num sentido mais global. examinam-se funções do ego (insight) e condições do sistema de defesas para que a indicação terapêutica e/ou a previsão das possíveis respostas aos mesmos possam ser facilitadas. que podem contribuir na avaliação dos resultados terapêuticos. competência para o exercício de funções de cidadão. • Prevenção: propõe identificar problemas precocemente. geralmente o psicólogo deve responder uma série de quesitos pra instruir em decisões importantíssimas do processo. por um reteste futuro. isto deve ser feito de forma clara. investigando conflitos.www. mas também é de grande utilidade numa avaliação individual. Não há uma necessidade explícita do uso de testes. uma vez que enfoca a personalidade de modo global. utilizando uma dimensão mais aprofundada. portanto. Requer uma condução diferenciada das entrevistas e dos materiais de testagem. Lima CRP: 84326/06 Organização e Coordenação 31 . ansiogênicas ou difíceis. mas a ultrapassa por pressupor um nível mais elevado de inferência clínica. precisa e objetiva. Tenta-se determinar o nível de funcionamento da personalidade. etc. como sua coleta de dados estatísticos. estimar forças e fraquezas do ego. mais aprofundada. • Entendimento dinâmico: similar à avaliação compreensiva. porém estes permitem evidências mais precisas e objetivas. avaliação de incapacidade ou de comprometimentos psicopatológicos que possam se associar com infrações de leis.br patologia. avaliar riscos.com. • Perícia forense: contribui na resolução de questões relacionadas com “insanidade”. Para tanto. o psicólogo de ter um vasto conhecimento em psicopatologia e sobre técnicas sofisticadas de diagnóstico. Ressalta-se que esta área ainda exige maior estudo para aprimorar tanto a adequação da testagem utilizada. Karina de O. de algum modo. no curso de um caso. na direção histórica do desenvolvimento. conflitivas. para atingir uma maior população em um menor número de tempo. de sua capacidade para enfrentar situações novas.educapsico. psicodinamismos e chegando a uma compreensão do caso com base num referencial teórico. • Prognóstico: pode avaliar condições que possam influenciar.

• 4º momento: estudo do material coletado. Em alguns casos se mostra de suma importância as entrevistas incluindo os membros mais implicados na patologia do paciente e/ou grupo familiar. Nesta etapa ocorre a definição das hipóteses iniciais e dos objetivos do exame. • 5º momento: entrevista de devolução. e a construção da história do indivíduo e da família em questão. demonstrando necessidades únicas. • 2º momento: reflexão sobre material coletado na etapa anterior e sobre as hipóteses iniciais a fim de planejar e selecionar os instrumentos a serem utilizados na avaliação. buscando recorrências e convergências dentro do material.educapsico. sendo estas sanadas com instrumentos próprios para elas. fantasias. As etapas são as seguintes: • 1º momento: realização da(s) primeira(s) entrevista(s) para levantamento e esclarecimento dos motivos (manifesto e latente) da consulta. encontrar o significado de pontos obscuros. sendo esta referente ao momento em que o consultante faz a solicitação de avaliação até o encontro com o profissional. uma vez que cada caso é único. Nesta etapa faz-se a integração dos dados e informações. sendo que a única diferença entre estes está no fato de que Arzeno considera uma etapa anterior às apresentadas a seguir. defesas. É relevante salientar que não deve haver um modelo rígido de psicodiagnóstico. as orientações a respeito do caso e o encerramento do Karina de O. aqui será utilizado um modelo baseado em Cunha (2000) e Arzeno (1995).com. Lima CRP: 84326/06 Organização e Coordenação 32 .br Etapas do processo: Os passos do psicodiagnóstico não apresentam muitas diferenças de autor para autor. correlacionar os instrumentos entre si e com as histórias obtidas no primeiro momento. as ansiedades. formulando inferências por estas relações tendo como ponto de partida as hipóteses iniciais e os objetivos da avaliação. Nela ocorre a comunicação dos resultados obtidos. • 3º momento: realização da estratégia diagnóstica planejada. Ocorre o levantamento quantitativo e qualitativo dos dados.www.

www.educapsico.com.br processo. Ela pode ocorrer somente uma vez, ou diversas vezes, uma vez que, geralmente, faz-se uma devolutiva de forma separada para o paciente (em primeiro lugar) e outra para os pais e o restante da família. Quando o paciente é um grupo familiar, a devolutiva e as conclusões são transmitidas a todos. O psicólogo deve se lembrar de que o processo psicodiagnóstico não é agradável para o paciente, portanto é importante ter bastante cuidado para não torná-lo persecutório. Isto é possível quando o profissional explica como se dá o processo já num primeiro encontro; evita que a(s) entrevista(s) inicial(is) se torne(m) um inquérito sem fim, causando muita ansiedade; explicita em linguagem acessível e compreensível o que é esperado do paciente em cada etapa do processo (principalmente quando são utilizados testes); procura evitar que a entrevista de devolução seja uma mera transmissão de conclusões, sem que haja a oportunidade do paciente ou familiares expressarem suas reações, e sim, que neste momento, ocorra um espaço para que uma conversa se instaure, para que possíveis dúvidas possam ser sanadas e encaminhamentos realizados com maior esclarecimento. Ao final do processo psicodiagnóstico, dependendo da fonte solicitante, é necessário que o psicólogo forneça um documento contendo as observações e conclusões a que chegou, o chamado laudo psicológico. Trata-se de um parecer técnico que visa subsidiar o profissional a tomar decisões e é um dos principais recursos para comunicar resultados de uma avaliação psicológica. Seu objetivo é apresentar materialmente um resultado conclusivo de acordo com a finalidade proposta de consulta, estudo ou prova e deve restringir as informações fornecidas às estritamente necessárias à solicitação (objetivo da avaliação), com a intenção de preservar a privacidade do paciente (SILVA, 2008). NOTA: cada etapa do processo psicodiagnóstico está descrita de maneira mais detalhada no capítulo 11 de Cunha (2000).

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www.educapsico.com.br Plano de Avaliação e Bateria de Testes Relembrando que o processo psicodiagnóstico parte do levantamento prévio de hipóteses que serão confirmadas ou refutadas por meio de um plano de avaliação, com passos e técnicas predeterminadas e objetivos específicos, é importante explorarmos um pouco o que seriam este plano de avaliação e as técnicas subjacentes a este. Através do plano de avaliação, o qual se caracteriza por ser um processo, procurase identificar quais recursos auxiliariam o investigador (neste caso o psicólogo) a estabelecer uma relação entre suas hipóteses iniciais e suas possíveis respostas (CUNHA, 2000). Um dos fatores que podem colaborar com a escolha do material mais adequado para a investigação é o encaminhamento feito por outro profissional, uma vez que este sugere um objetivo para o exame psicológico. Porém, esta informação não é suficiente, o psicólogo deve complementá-la e confrontá-la com os dados objetivos e subjetivos do caso. Por isto, na maioria das vezes, este plano só é estabelecido após entrevistas com o sujeito e/ou responsável (CUNHA, 2000). O plano de avaliação consiste então em traduzir as perguntas sugeridas inicialmente em testes e técnicas, programando a administração de alguns instrumentos que sejam adequados e especialmente selecionados para fornecer subsídios para se chegar às respostas das perguntas iniciais. O que irá confirmar ou refutar as hipóteses de modo mais seguro (CUNHA, 2000). É importante ressaltar que a testagem de uma hipótese pode ser feita por diferentes instrumentos, e que a opção por um específico deve levar em consideração os seguintes itens: características demográficas do sujeito (idade, sexo, nível sociocultural, etc.); suas condições específicas (comprometimentos sensoriais, motores, cognitivos – permanentes ou temporários); fatores situacionais (ex: medicação, internação, etc.) (ARZENO, 1995; CUNHA, 2000). Como pode ser observado então, o plano de avaliação envolve a organização de uma “bateria de testes”. Karina de O. Lima CRP: 84326/06 Organização e Coordenação

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www.educapsico.com.br Segundo Cunha (2000), esta é uma expressão usada para designar “um conjunto de testes ou de técnicas, que podem variar entre dois e cinco ou mais instrumentos, que são incluídos no processo psicodiagnóstico para fornecer subsídios que permitam confirmar ou infirmar as hipóteses iniciais, atendendo o objetivo da avaliação”. A bateria de testes é utilizada principalmente por duas razões: 1. por se considerar que nenhum teste sozinho conseguiria fazer uma avaliação abrangente da pessoa como um todo. 2. por se acreditar que o uso de diferentes testes envolve a tentativa de uma validação intertestes dos dados obtidos, diminuindo assim a margem de erro e provendo um fundamento mais embasado para se chegar a inferências clínicas (Exner, 1980 apud CUNHA, 2000). Porém, é importante ressaltar, para o segundo ponto, que embora isto garanta maior segurança nas conclusões, não se deve utilizar um número extensivo de testes, para não aumentar, desnecessariamente, o número de sessões do psicodiagnóstico e, conseqüentemente, seu valor persecutório. Cunha (2000) apresenta dois tipos de principais de baterias de testes: - as padronizadas: para avaliações mais específicas - nestas a organização da bateria provém de vários estudos, que auxiliam a realização de exames bastante específicos, como alguns exames neuropsicológicos, mas o psicólogo pode incluir alguns testes, se necessário; - e as não-padronizadas: mais comuns na prática clínica - a bateria de testes é selecionada de acordo com o objetivo da consulta e características do paciente, e, baseando-se nisto, durante o plano de avaliação, determina-se o número e tipos de testes, de acordo com sua natureza, tipo, propriedades psicométricas, tempo de administração, grau de dificuldade, e qualidade ansiogênica. Devido à grande variedade de questões iniciais e aos objetivos do

psicodiagnóstico, constantemente a bateria de testes é composta por testes psicométricos Karina de O. Lima CRP: 84326/06 Organização e Coordenação

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o que quer dizer que o resultado é um número ou medida (ESTÁCIO. Complementando. iniciando e terminando o processo com testes pouco ou não-ansiogênicos para o paciente. A correção ou apuração é mecânica. ao se organizar a bateria de testes. 2000). mais especificamente. sem ambigüidade por parte do avaliador (ESTÁCIO. Lima CRP: 84326/06 Organização e Coordenação 36 . Quanto a isto. A técnica se caracteriza por ser de escolha forçada.www. portanto. escalas em que o sujeito deve simplesmente marcar suas respostas. grau de dificuldade. usam números para descrever os fenômenos psicológicos. diz-se que um teste psicométrico é aquele cujas normas gerais utilizadas são quantitativas. Sendo assim. Primam pela objetividade. MELLO. o quanto de ansiedade pode gerar. na psicometria. maior a mobilização de ansiedade. são considerados objetivos (SILVA. Entretanto. E sua distribuição e seqüência devem ser consideradas levando-se em conta o tempo de aplicação. e as características individuais do paciente (ARZENO. coloca-se que o conveniente seria que houvesse uma alternância entre técnicas projetivas e psicométricas. 1995.br e técnicas projetivas. assim como a elaboração dos dados da investigação. SILVA. e quais as características e particularidades tanto do teste em si como de sua aplicação. Cunha (2000) propõe que à medida que são apresentadas as técnicas projetivas. Tem-se denominado método psicométrico o procedimento estatístico sobre o qual se baseia a construção dos testes. quando se trata da metodologia utilizada para a obtenção de dados. que é traduzida em tarefas padronizadas.: testes de inteligência).com. é o sujeito e não o teste. o foco da investigação. 2008). FORMIGA. por oferecer estímulos pouco estruturados e o paciente ter que se responsabilizar pela situação e respostas dadas (uma vez que não há certo e errado). Karina de O. Os itens do teste são objetivos e podem ser computados de forma independente uns dos outros. CUNHA.educapsico. Testes Psicométricos Os testes psicométricos têm um caráter científico. deve-se revisar quem é o cliente. 2008. 2008. se baseiam na teoria da medida e. Lembrando-se que o mais importante. assim. seguindo uma tabela (ex. 2000). 2008).

tendo variações que permitem a avaliação desde crianças a idosos (CUNHA. representa a terceira edição da Escala de Inteligência Wechsler para Crianças (WISC) e tem por finalidade avaliar a capacidade intelectual de crianças (CUNHA.br Para Alchieri e Cruz (2003. Teste WISC – III A Escala de Inteligência Wechsler para Crianças (WISC-III). A seguir será apresentado um importante exemplar destes testes. o instrumento pode ser útil não apenas para diagnósticos de deficiências ou avaliações de uma criança. sua precisão (fidedignidade nos valores quanto à confiabilidade e estabilidade dos resultados) e validade (segurança de que o teste mede o que se deseja medir). Como medida da capacidade intelectual geral. Além disso. o WISC-III pode ser utilizado para diferentes finalidades. Lima CRP: 84326/06 Organização e Coordenação 37 . desenvolvida por David Wechsler em 1991. A seguir serão expostas as duas versões mais usadas e mais recentes. sendo utilizadas cada vez menos para determinação de um nível intelectual e cada vez mais para atender necessidades bastante específicas no diagnóstico de psicopatologistas e avaliações neuropsicológicas.educapsico.59 apud SILVA.www. neuropsicológica e pesquisa. 2008). Escalas Wechsler de Inteligência Desenvolvidas por David Wechsler. 2000). mas também para identificar as forças e fraquezas do sujeito Karina de O. São consideradas “padrão ouro” nas avaliações psicométricas.com. diagnóstico de crianças excepcionais em idade escolar. 2000). embora não sirva somente para isto. 2000). e vêm sendo constantemente revisadas para maior adaptação à população brasileira (CUNHA. avaliação clínica. estas escalas têm sido incluídas entre os instrumentos mais conhecidos para avaliação da inteligência (QI). como por exemplo: avaliação psicoeducacional. p. os instrumentos psicométricos estão basicamente fundamentados em valores estatísticos que indicam sua sensibilidade (ou adaptabilidade do teste ao grupo examinado).

é formado por diversos subtestes que. Subtestes de Execução: Completar Figuras. avaliam e predizem várias dimensões da habilidade cognitiva.com. Procurador de Símbolos. Procurar Símbolos e Labirintos. Além da escala de QI. 2000). Vocabulário. Lima CRP: 84326/06 Organização e Coordenação 38 . o WISC-III. o desempenho das crianças nesses subtestes fornecem estimativas da capacidade intelectual das mesmas. Semelhanças. sendo eles agrupados da seguinte maneira: a) Compreensão Verbal: Informação. Subtestes Suplementares: Dígitos. Semelhanças. que são aplicados nas crianças em ordem alternadas. as características fundamentais do WISC e do WISCR mantiveram-se iguais no WISC-III (WECHSLER. Karina de O. b) Organização Perceptual: Completar Figuras. um subteste de Execução e depois um subteste verbal e vice-versa (WECHSLER. Figueiredo (2000) aponta que. Arranjo de Figuras.www. muitas investigações foram realizadas (teóricas e empíricas) e. 2002). Armar Objetos. a saber: QIs Verbal. ou seja. Dígitos e Labirintos não entram neste compito). Cubos e Armar objetos. Aritmética. como no WISC-R. individualmente. de Execução e Total (sendo que os subtestes Procurar Símbolos. que estimam diferentes construtos subjacentes ao teste. sendo 12 deles mantidos do WISC-R e um novo subteste. Cubos.br e fornecer informações relevantes para a elaboração de uma programação educacional específica para cada caso (FIGUEIREDO. o teste também fornece os Índices Fatoriais.educapsico. 2002). sendo que. organizados em dois grupos: Verbais e Perceptivos-motores (ou de Execução). Os subtestes são organizados nos seguintes conjuntos: a) b) c) Subtestes Verbais: Informação. Procurar Símbolos e Labirintos. Compreensão e Dígitos. Arranjo de Figuras. embora tenham sido realizadas melhoras substanciais e acrescentado importante número de itens novos. quando agrupados. O WISC-III é composto por 13 subtestes. Vocabulário e Compreensão. Na elaboração do WISC-III. Código.

pp. Velocidade de Processamento: Código e Procurar Símbolos. pode também revelar aspectos importantes para a explicação do funcionamento cognitivo da criança. QI-total) (CUNHA. ocorre a apreciação qualitativa.com. a qual. Karina de O. 2000. É aconselhado que o teste seja aplicado de forma integral. Simões (2002) retomou trabalhos de vários investigadores (Goia. de cada subteste. capacidade do indivíduo em raciocinar. incluindo os que são considerados facultativos e não entram no cálculo dos três quocientes de base (QI-verbal. lidar e operar com propósito. racionalmente e efetivamente com o seu meio ambiente. incluindo todos os subtestes do WISC-III. colocando assim em evidência áreas fortes e fracas. no interior de cada subescala. Desta forma. pp. os subtestes foram selecionados com o objetivo de investigar muitas capacidades mentais diferentes. O reagrupamento de alguns subtestes. Simões (2002) aponta que a observação do perfil constituído pelas pontuações ponderadas de cada subescala e de cada subteste comporta uma explicação de natureza quantitativa. Lussier & Flessas. ao mesmo tempo. Todos os subtestes devem ser valorizados do ponto de vista da avaliação. 51-58) a fim de esboçar algumas análises relativas à interpretação associadas a cada subteste isoladamente. Os desempenhos da criança em cada subteste são. Por esta razão. 176-204.br c) d) Resistência à Distração: Aritmética e Dígitos. A Escala de Inteligência Wechsler para Crianças WISC-III foi desenvolvida levando em consideração a concepção da inteligência como uma entidade agregada e global. ou seja.www. pp. 2001. e que serão exibidas a seguir. 2001.educapsico. 2000. Grégoire. mas que juntas oferecem uma estimativa da capacidade intelectual geral da criança (FIGUEIREDO. ou seja. 2002). por permitir uma investigação mais acurada da especificidade medida por eles. QI-execução. muitas vezes se mostra de grande relevância. 329-336. FIGUEIREDO. 2000. WECHSLER. Isquith & Guy. Kaufman & Lichtenberger. O mesmo autor afirma que na análise item a item. Lima CRP: 84326/06 Organização e Coordenação 39 . 81-190. 2000. 2000). diretamente comparados com os resultados nos restantes subtestes e com os do seu grupo etário.

É bastante sensível a um déficit de atenção (e à falta de controle da impulsividade). b) Semelhanças: avalia a capacidade de estabelecer relações lógicas e a formação de conceitos verbais ou de categorias.www. sobretudo.educapsico. dificuldades de aprendizagem (déficits seqüenciais) ou desatenção-impulsividade é particularmente freqüente a existência de um déficit na organização temporal. Apela ao conhecimento de regras de relacionamento social. Nas crianças que apresentam problemas de linguagem (disfasias). em especial. Recorre à memória de longo prazo. c) Aritmética: Avalia a capacidade de cálculo mental. Permite verificar a organização temporal. a compreensão de enunciados verbais de uma certa complexidade e a capacidade de raciocínio. deve-se observar a equidade do vocabulário utilizado e a precisão do pensamento. e) Compreensão: Examina a capacidade do sujeito exprimir as suas experiências.br • Sub-escala Verbal a) Informação: mede o nível dos conhecimentos adquiridos a partir da educação na família e na escola. e a flexibilidade mental (quando é solicitada uma segunda Karina de O. os conhecimentos lexicais e. d) Vocabulário: Mede a competência lingüística. uma boa capacidade de síntese. É um subteste difícil para as crianças com limitações intelectuais. além da capacidade de síntese e de integração de conhecimentos. Requer uma boa capacidade da memória de trabalho (e da memória para seqüências de procedimentos) necessária para manter presente todos os elementos do problema a resolver. Assim como em “Semelhanças”. É importante observar se a criança alcança a pontuação máxima nos itens através de uma única resposta correta ou de explicações pormenorizadas.com. Lima CRP: 84326/06 Organização e Coordenação 40 . Um desempenho baixo pode traduzir falta de familiarização com o contexto educativo ou ausência de experiência escolar. Permite observar a facilidade de argumentação (quando o sujeito justifica suas respostas). Pode ser o melhor resultado da subescala verbal para os sujeitos disfásicos que freqüentemente apresentam um nível elevado de inteligência geral e. a facilidade de elaboração do discurso.

Recorre à memória visual e a um bom senso prático. Lima CRP: 84326/06 Organização e Coordenação 41 . Avalia a capacidade de aprendizagem mecânica/automatizada.com. muitas vezes ausente nas crianças impulsivas (os problemas neuromotores finos são freqüentemente relacionados com esta problemática). sobretudo numa criança tímida.educapsico.www. Esta tarefa é geralmente mais difícil que a precedente. Um bom resultado sugere um estilo seqüencial preferencial. b) Código: Mede a capacidade de associar números a símbolos e de memorizar corretamente essas associações. mas não na ordem em que eles lhe foram apresentados. A reprodução dos símbolos requer uma boa caligrafia. falta de empatia e de julgamento (que caracterizam freqüentemente os sujeitos que apresentam uma disfunção não verbal). É esperado que o resultado na Ordem Inversa seja um ou dois pontos inferiores ao obtido na Ordem Direta. por isso. Um resultado fraco pode sugerir uma certa dificuldade neurológica do sujeito na mobilização dos seus recursos cognitivos durante a tentativa de evocação de várias soluções para um mesmo problema ou revelar desconhecimento das regras sociais. Um resultado (excepcional) igual ou superior na Ordem Inversa parece indicativo do recurso a excelentes estratégias executivas e da utilização preferencial de um modo de evocação visual (que substitui uma atenção auditiva enfraquecida). Um resultado Karina de O. Quando o sujeito repete todos os números. A Memória de Dígitos no Sentido Inverso mede a capacidade de memória de trabalho (inteligência geral). a fim de executar a tarefa o mais rapidamente possível. f) Dígitos: na Ordem Direta.br resposta ao mesmo item). por uma reação de inibição ansiosa. • Sub-Escala de Execução a) Completar Figuras: É o primeiro subteste da escala a ser aplicado podendo. Em termos globais esta prova está também associada ao processamento verbal auditivo. a prova mede a memória auditiva seqüencial e é bastante sensível à capacidade de escuta e às flutuações da atenção. trata-se especificamente de capacidade de evocação seqüencial em modalidade auditiva e não de um déficit de natureza mnésica ou atencional. esperar-se que o resultado obtido seja negativamente influenciado pelo efeito de novidade.

e) Armar Objetos. bem como uma integração do conjunto das informações disponíveis. Karina de O. ou ser observado em certas crianças dispráxicas (com dificuldades motoras e de linguagem). Examina a capacidade de organização e processamento visoespacial/não-verbal.www. Mede a capacidade de organizar um todo a partir de elementos separados. Proporciona uma oportunidade para observar diretamente a estratégia de resolução dos problemas (itens). rapidez 42 . permite identificar dificuldades de auto-monitorização presentes quando a criança é incapaz de reconhecer erros evidentes. c) Arranjo de Figuras: Requer uma boa capacidade de análise perceptiva. o subteste de Cubos supõe o recurso a um funcionamento viso-perceptivo. recorre à capacidade de integração perceptiva. Neste contexto. após a aplicação formal do subteste. bem como das capacidades de raciocínio viso-espacial. Em comparação com outras medidas de aptidão viso-espacial. analítica ou sintética) que permite a execução da tarefa revela-se um excelente índice da inteligência não-verbal. que podem ser detectadas nesta tarefa. mesmo quando é desafiada a descobrir esses erros ou a comparar o seu trabalho com o estímulo. Lima CRP: 84326/06 Organização e Coordenação capacidades construtivas. 2009) . psicomotora. a capacidade para decompor mentalmente os elementos constituintes do modelo a reproduzir. o que pode não ocorrer nos sujeitos que apresentam uma disfasia. d) Cubos. A escolha do tipo de estratégia (global.educapsico. A relação dos desenhos que compõem cada história exige uma forma de discurso interior funcional. É considerada uma medida de resolução de problemas não verbais e usada como uma das contra-provas de déficits nas funções executivas. sobretudo receptiva.br fraco pode dever-se a uma dificuldade da memória cinestésica “capacidade da criança reter os movimentos motores necessários à realização gráfica” (PSICOPEDAGOGIA BRASIL. coordenação.da seqüência gestual a executar.com. Muitas vezes as crianças disfásicas evidenciam dificuldades na percepção do tempo e do espaço.

As crianças impulsivas. 2000). requer uma estratégia viso-espacial em memória de trabalho. Ele compreende 14 subtestes. Pode ser indicado para medir a inteligência geral. 2000). ou com déficit de atenção. no Código e no Procurar Símbolos. 2000). 2000). É composto pela mesma estrutura do WAIS – R. O WAIS – III apresenta-se como uma versão mais recente do WAIS. foram desenvolvidas a fim de auxiliar na avaliação do funcionamento intelectual de adolescentes e adultos. As crianças mais jovens.f) www. g) g) Labirintos: Examina a capacidade de antecipação e de planificação. É bastante sensível à impulsividade do método ou abordagem adaptada. como se existisse uma desconexão entre a intenção e a realização do gesto a efetuar. e sua idade de aplicação atual vai de 16 a 89 anos (CUNHA. sendo que houve um aumento de 32% de novos itens. psiquiátricos e neurológicos no funcionamento cognitivo (NASCIMENTO. quanto à investigação do impacto de problemas emocionais. apresentam dificuldades na realização desta tarefa: o insucesso provém de uma incapacidade de planificação da sua execução gestual. O objetivo de sua utilização incide sobre a avaliação de problemas de aprendizagem. Mostrando-se como importantes recursos diagnósticos para identificar tanto diferentes habilidades cognitivas. diagnóstico de transtornos psiquiátricos e neurológicos (NASCIMENTO. NASCIMENTO. Lima CRP: 84326/06 Organização e Coordenação 43 . Karina de O.educapsico. identificar potencialidades e fraquezas do funcionamento cognitivo e avaliar o impacto de problemas psicopatológicos no funcionamento cognitivo (CUNHA.br Procurar Símbolos: recorre à capacidade de discriminação perceptiva. predição de desempenho acadêmico futuro. sendo aplicados de forma alternada (subteste de execução em seguida o verbal) iniciando pelo subteste de execução Completar Figuras. publicada em 1997. obtêm com freqüência os resultados mais baixos.com. Depende de uma boa capacidade de atenção visual e de memória de trabalho. que sofrem de dispraxia motora. WAIS – III As Escalas Wechsler de Inteligência para adultos (WAIS). da subescala de execução.

Lima CRP: 84326/06 Organização e Coordenação 44 . são necessários 11 subtestes (CUNHA. 2000).br mas. que seria a capacidade de compreensão (raciocínio verbal). O que cada Índice Fatorial reflete e os subtestes referentes a cada um deles são: a) Compreensão Verbal: subtestes . a aplicação de todos não é necessária.Vocabulário. evidencia o conhecimento verbal adquirido e o processo mental necessário para responder às questões. 2000). Procurar Símbolos (suplementar) e Armar Objetos (opcional).educapsico. d) Velocidade de Processamento: subtestes componentes – Códigos e Procurar Símbolos. atenção para detalhes e integração visomotora. raciocínio fluido. Letras Compreensão Seqüência (suplementar).com. b) Verbais: Vocabulário.www. Números e Dígitos. sendo assim. Completar Figuras e Raciocínio Matricial. refere-se à resistência à distrabilidade. dependendo do objetivo da avaliação. Subtestes de Execução: Completar Figuras. por exemplo. c) Memória de Trabalho: obtido pelos subtestes Aritmética. para em seguida. de execução e total) além dos Índices Fatoriais (NASCIMENTO. Códigos. Arranjo de Figuras. mantê-la brevemente e processá-la na memória. oferece a possibilidade de oferecer medidas referentes às escalas de QI (verbal. de Aritmética. mede o raciocínio não-verbal. b) Organização Perceptual: formado pelos subtestes Cubos. O WAIS – III segue os mesmos passos para interpretação das outras Escalas Wechsler de Inteligência. está relacionado à capacidade de atentarse para a informação. e Semelhanças. Dígitos e Seqüência de Números e Letras. Informação e Semelhanças. A seguir serão apresentados os subtestes que compõe os conjuntos de aplicação (verbal e de execução – lembrando que os testes suplementares e opcional não entram no compito do QI total): a) Subtestes Informação. Cubos. Raciocínio Mental. emitir uma resposta. Para o cálculo do QI total. mede os Karina de O.

2008). Teste do Desenho da Figura Humana (DFH) Ao final do século XIX. Goodenough foi pioneira. são testes menos objetivos. a informação visual. portanto. 2008) Os testes de personalidade. como medida de desenvolvimento intelectual de crianças.com. e os resultados são totalmente dependentes da sua percepção. rapidamente. 2008). como um todo. O resultado se expressa através de uma tipologia. em 1926 desenvolveu a primeira escala com critérios de análise do Desenho da Figura Humana (DFH). Lima CRP: 84326/06 Organização e Coordenação 45 . sabe-se que a personalidade de um indivíduo muda constantemente. O psicólogo trabalha com tarefas pouco ou nada estruturadas. sujeita aos vieses de interpretação do avaliador. em 1963. Por terem uma avaliação qualitativa. BANDEIRA.educapsico.www. 2000). Os testes cuja metodologia é projetiva são aqueles cujas normas são qualitativas. Posteriormente. que não se referem aos aspectos cognitivos da conduta. sua apuração é ambígua. veja um exemplo destes testes. Porém. ou seja. em determinado momento (ESTÁCIO.br processos relacionados à atenção. etc. medem as características de personalidade propriamente ditas. já se acreditava que o desenho de crianças podia ser avaliado como indicador do desenvolvimento psicológico. Ex. A seguir. Karina de O.: estabilidade emocional. A constância de certas características avaliadas no teste. interesse. a apuração das respostas deixa margem para interpretações subjetivas do próprio avaliador. o que realmente é medido são as características mais ou menos constantes da personalidade. dos seus critérios de entendimento e bom senso (SILVA. Testes/Técnicas Projetivos (as) Os testes projetivos requerem respostas livres. memória e concentração para processar. revisou a escala e a expandiu. seus elementos (itens de teste) não podem ser medidos em separado. sociabilidade. atitude.: testes de personalidade em geral) (ESTÁCIO. Harris. que dará a relativa certeza de um diagnóstico (ex. como integrantes dos projetivos. sendo esta passando a ser considerada como medida de maturidade (HUTZ. mas mesmo assim.

2000). O instrumento. hoje é um dos mais utilizados como método de avaliação da personalidade (HUTZ. incomuns e excepcionais conforme a idade da criança. após a colaboração de Koppitz. e assim surgiu um novo caráter dado ao DFH. existe a probabilidade das pessoas desse nível fornecerem resposta correta para aquele item. baseado no modelo de Rasch. Assim.com. o qual supõe que ao responder um item do teste. inclui 30 itens evolutivos. a forma de correção proposta por Sisto. (HUTZ. em cada nível de habilidade. ou seja. após análise de diversas observações clínicas sobre a representação gráfica de figuras humanas desenhadas por crianças e adultos que apresentavam problemas psicológicos. entendendo-o como medida de maturidade conceitual. tamanho ofício. pontuados como ausentes ou presentes. A análise também pode ser realizada na avaliação pela presença de itens esperados. BANDEIRA. como a criança compreende o corpo humano. Este tipo de análise se popularizou. criado em 1960. comuns. é considerado pelo CFP. para avaliação do desenvolvimento cognitivo.br Após duas décadas. gerando um escore global.www. Esta forma de aplicação do DFH mede o desenvolvimento cognitivo. Lima CRP: 84326/06 Organização e Coordenação 46 . o projetivo. Os itens se apresentam então de forma hierárquica de acordo com sua dificuldade e da habilidade do Karina de O. DFH: Avaliação do desenvolvimento infantil Ao revisar e ampliar a escala de Goodenough. ainda tendo como referencia os estudos de Goodenough. Harris (1963) já questionava o uso do DFH como teste de inteligência. colocando a sua disposição um lápis preto número dois e uma borracha. BANDEIRA. introduzindo o enfoque do desenvolvimento infantil no desenho. publicou tais resultados em 1949. BANDEIRA.educapsico. Para a aplicação dessa técnica. 2000). Atualmente. pede-se à criança que faça o desenho de uma pessoa inteira em uma folha branca. amplamente estudado por Koppitz (HUTZ. Manchover. que somados. passou a ser um sistema de avaliação objetivo utilizado internacionalmente. 2000). a pessoa manifesta alguma quantidade de determinada habilidade. A avaliação é feita com um único desenho.

2005). baseada nos estudos de Machover e Hammer. 2009). quando passou a avaliar os aspectos emocionais em crianças pelo DFH. esta forma de correção possibilita uma escala unidimensional (RUEDA. existência de uma classificação hierárquica de itens de acordo com o sexo e a idade da criança. itens predominantemente masculinos e femininos (o sistema de correção é o mesmo. Algumas vantagens apresentadas por este sistema de correção: menor número de itens (30).com. a operatoriedade (conceito de Piaget referente ao desenvolvimento cognitivo em crianças) e aprendizagem escolar (VETOR-EDITORA. ficando claro sua relação com a operatoriedade. São técnicas de análises não disponíveis à época para Goodenough. O DFH – Escala Sisto é uma medida de inteligência e está relacionada ao fator g. 2009). não levando em consideração se a figura desenhada é feminina ou masculina. solicitação de apenas um desenho.br sujeito. A escala solicita o desenho de uma pessoa e reduziu os itens a 30 diferentemente de Kopitz. 3) Além de fornecer evidências de validade em termos de desenvolvimento cronológico e inteligência como fez Goodenough fornece evidências de validade em termos de desenvolvimento cognitivo na perspectiva de Piaget. procurando selecionar os itens em relação às idades cronológicas. 2005). de tal modo que as pessoas mais habilidosas desenharão os itens mais difíceis e as menos. não (RUEDA. mudam-se as normas). o sistema proposto por Sisto fornece as seguintes contribuições (VETOR – EDITORA.educapsico. propôs outra forma de avaliação descrita para a interpretação do DFH. Estabelecendo uma escala de 30 indicadores Karina de O. que foram selecionados com vistas a se constituírem em uma escala e não em um simples inventário de itens (VETOR – EDITORA.www. 2009): 1) Estudo dos itens quanto ao funcionamento diferencial e a análise de sua influência. Além destas. DFH: Avaliação da Personalidade e Ajustamento Emocional Koppitz em 1968. 2) A manutenção do caráter evolutivo da proposta original. Lima CRP: 84326/06 Organização e Coordenação 47 .

Para Van Kolker (1984. 1981. Ao se desenhar uma pessoa. Trinca. Além do mais. uma projeção de atitudes do sujeito para com o examinador e a situação. citado em HUTZ. e mostra-se como um dos mais ricos instrumentos para a investigação da personalidade e de características psicológicas. 1987. como aspirações. o desenho pode também ser a representação de outros aspectos do indivíduo. padrões de hábitos. sendo uma combinação de tudo isso. corrobora estes fatos citando Levy. uma expressão de padrões de hábitos. uma projeção da imagem ideal do eu. expressivos de fenômenos inconscientes. uma projeção de atitudes para com alguém do ambiente. refere-se necessariamente às imagens internalizadas que tem de si próprio e dos outros. pessoas vinculadas a ele. Karina de O. citado em HUTZ. 2000). e dessa forma ocorre à projeção de sua imagem corporal. BANDEIRA. Há outra possibilidade. 2000). preferências. quando um sujeito realiza o Desenho da Figura Humana. Na aplicação. BANDEIRA.com. O DFH pode também ter uma avaliação que aborde a personalidade e seus aspectos estruturais e dinâmicos.www. atitudes para com o examinador e a situação de testagem. Machover (1967) afirma que. ou seja. uma expressão de tonalidade emocional. um resultado de circunstâncias externas. 2000). o indivíduo projeta a sua imagem corporal no papel. é solicitado também que se faça o desenho DFH do sexo oposto à primeira figura desenhada (em folhas separadas). ao dizer que o desenho “além de veículo de projeção da imagem corporal. imagem ideal.educapsico. uma expressão de suas atitudes para com a vida e a sociedade em geral”. 1959. o desenho pode ser uma expressão consciente ou pode incluir símbolos profundamente disfarçados. Lima CRP: 84326/06 Organização e Coordenação 48 . pode ser uma projeção de autoconceito. o que permitiria investigar as reações do examinando a situações de tensão. BANDEIRA.br emocionais que seriam suficientes para diferenciar crianças com e sem problemas emocionais (HUTZ. em 1949. Esta forma de avaliação teve origem com as pesquisas de Machover. um modo pelo qual o corpo se apresenta para nós (Schilder. Recomendase ainda. BANDEIRA. 2000). é como a figuração de nosso corpo formada em nossa mente. a realização de um inquérito ou a construção de uma história sobre a figura (HUTZ. pedindo que se desenhe a pessoa na chuva.

em 1967. BANDEIRA. Lima CRP: 84326/06 Organização e Coordenação 49 . estabelecendo critérios de escore para análise de maneira formal.br DFH e a Ansiedade O DFH pode ser utilizado também para a avaliação de aspectos específicos. o emprego desses recursos tem como objetivo a instrumentalização de suas possibilidades comunicacionais. o comportamento da criança é observado em uma sala destinada à ludoterapia. Desta forma. Foram descritos vinte índices. 2000). propôs uma escala para avaliação da ansiedade de adolescente e adultos. Handler. Entrevista Lúdica Segundo FRANCO e MAZORRA a entrevista lúdica é uma técnica de investigação clínica da personalidade da criança introduzida inicialmente por Aberastury (1992). Machover (1949) afirmou que crianças que desenham figuras do sexo oposto provavelmente apresentam um problema no desenvolvimento de sua identidade sexual. contudo. Vários estudos mostraram que há uma tendência geral das pessoas desenharem figuras do mesmo sexo. em escalas de quatro ou dois pontos. seria esperado que os mesmos fossem correspondentes ao sexo da criança que o desenhou. O Sexo da Figura Sendo o DFH considerado uma expressão da auto-imagem de crianças que projetam suas identificações e conflitos nos desenhos. a presença é um indicador de ansiedade. (FRANCO e MAZORRA) Karina de O. 2000). Porém recomenda-se cautela na utilização deste material com tal finalidade (HUTZ. onde. atribuindo-se escores de acordo com as características do desenho de cada um deles. que abrangem tanto a ansiedade causada por situações externas estressantes como causas intrapsíquicas. o DFH não pode ser utilizado como indicador de patologia (HUTZ.educapsico.com. com 20 itens de ansiedade. nesta última. com brinquedos e material gráfico.www. Nesse procedimento. desejos e experiências. BANDEIRA. não há confirmação da hipótese lançada por Machover. tais com a ansiedade. Tendo em vista que a atividade lúdica é a forma como a criança expressa suas fantasias.

As crianças variam na quantidade e tipo de verbalização durante as sessões de brinquedo ou jogo. concordam ou não com o plano de atendimento. Geralmente as crianças podem apresentar-se ansiosas em relação ao contato com o terapeuta.www. O profissional nesta situação deve ajudar aos pais a optarem pelo bem-estar da criança definindo então metas para a atuação terapêutica. no processo terapêutico. Lima CRP: 84326/06 Organização e Coordenação 50 . acontecimentos significativos na vida da criança. O profissional deve auxiliar os pais a pensarem sobre algumas maneiras de preparar a criança para este momento.br No atendimento com criança a queixa inicial é trazida pelos pais e esta geralmente se apresenta de forma confusa. bonecos flexíveis e pequenos. tais como mudança ou morte. a história dos problemas.com. é diferente. formas anteriores de lidar com os problemas. visto serem os pais ou outros responsáveis. as forças da criança. Karina de O. Essas entrevistas geralmente tem como início o modo totalmente não-estruturado. e determinam até mesmo quando a terapia deve ser encerrada. pois a criança faz uso livre dos materiais. Em conseqüência. As entrevistas com jogos ou brinquedos podem ser parcialmente estruturadas ou não-estruturadas. Seu discurso pode estar focado no brinquedo ou em outros tópicos. mas deve incluir os seguintes materiais ou pelo menos alguns deles: blocos de madeira. Estas perguntas podem ser relacionadas ou não com o brinquedo embora estas ocorram quando a criança está em relação com ele. Freqüentemente com crianças com menos de 10 anos utiliza-se entrevistas lúdicas (com jogos ou brinquedos). que buscam atendimento para ela. A posição da criança. mas a criança deve estar à vontade para responder quando estiver ocupada com atividades mais agradáveis. buscando uma definição dos objetivos pretendidos. além de problemas ou doenças físicas. o terapeuta de forma gradativa realiza perguntas sobre a problemática ou questões referentes. O material de jogo em brinquedo não precisa ser elaborado. De acordo com FRANCO e MAZORRA com freqüência os terapeutas entrevistam os pais antes de ver a criança individualmente de modo a obter informações sobre os problemas apresentados.educapsico. influenciam o estabelecimento de metas. neste momento o terapeuta tem que intervir como facilitador da comunicação dos problemas.

soldados. habilidades perceptomotoras. espontaneidade. através de inferências baseadas no seu relato verbal. a cada contato com a criança são propostos cinco tipos de atividades para que escolha uma delas: desenho livre. fonte de raiva. uma boneca-bebê. Elas podem. pede-se a criança que permaneça de olhos fechados. Cada atividade é finalizada com uma fantasia.www. Em algumas situações. menina e bebê. estilos de aprendizagem. modo de iniciar uma interação e atitudes em relação à competição. A Karina de O. Através da observação do brinquedo é possível avaliar a inteligência. criatividade. enquanto descreve estórias irreais que devem ser imaginadas. massa de modelar. preocupações sexuais. Os desenhos são considerados uma fonte rica de informações. pai.br usados às vezes em casas de boneca. se deve ao fato de que este instrumento – a fantasia – favorece a identificação de possíveis sentimentos da própria criança. argila e construção de cena com brinquedos. Em seguida. pois há muitas crianças que desenham espontaneamente durante a entrevista enquanto que outras só quando solicitadas. comportamento de expor-se a riscos. comportamentos dependentes e independentes. carros e caminhões pequenos. percepção de si próprio e dos outros e a natureza dos processos de interação. incluindo mãe. O brincar com a criança pode oferecer informações acerca de atitudes em relação a regras.com. É então solicitado que a criança complete a fantasia. modo de lidar com a vitória e a derrota. processos de pensamento. impulsividade. talvez com uma genitália anatomicamente perfeita. organização. indiretamente. menino. "onde a criança descreve os sentimentos dos personagens e as possíveis regras que governam seus comportamentos. culpa e conflito com os pais através do brinquedo. marionetes. Outra técnica muito utilizada é o uso da fantasia que pode ser empregada no relato verbal de estórias fictícias. Lima CRP: 84326/06 Organização e Coordenação 51 . papel e lápis. A idéia fundamental no uso de entrevistas lúdicas é a de que as crianças irão projetar suas questões-chaves no conteúdo do brinquedo e na maneira com que utilizam o material. pequenas armas de brinquedo. disposição para ser ensinada. as crianças geralmente usam o brinquedo para controlar suas preocupações. revelar medos. cowboys e índios. desenhe o que imaginou. desenho em quadrinhos. estórias de gravura. sendo registrado o relato verbal da criança.educapsico. defesas.

panelinha. são feitas perguntas para tornar mais compreensíveis os pontos obscuros e omissões. dominó. juízo. lápis preto. durante a entrevista Karina de O. familiares e sócio-culturais que contribuem para o desenvolvimento e manutenção dos problemas. durex. Lima CRP: 84326/06 Organização e Coordenação 52 . lápis de cor. Exame do Estado Mental Segundo CORDIOLI (2009) O exame do estado mental é a pesquisa sistemática de sinais e sintomas de alterações do funcionamento mental. canetinhas hidrocor. lápis de cera. apontador. Esta formulação deve incluir comentários sobre recursos e déficits específicos da personalidade e o modo como eles relacionam-se aos problemas. Esta ciência estuda inúmeros fenômenos humanos e historicamente esses fenômenos estudados pela psicopatologia foram denominados “doença mental (Dalgalarrondo. depressão. massa de modelar (de diversas cores). raciocínio. xícaras e seus respectivos pires.br seguir.www. barbante. Para a realização da entrevista lúdica pode ser usada uma caixa onde seja incluído os seguintes materiais: papel sulfite. conseqüências dos problemas para a criança e a família e os meios atuais de lidar com os problemas. cola. carrinhos ou caminhões (pelo menos dois). tinta a dedo.com. ansiedade). borracha. representação. Psicopatologia pode ser definida como a ciência que trata da natureza da doença mental. consciência e afetividade. alterações da percepção. tesoura sem ponta. esquizofrenia. material de sucata. psicológicas. enquanto outros tipos de perguntas pretendem levar à identificação de incoerências no relato. família de pano. a gravidade do problema. As informações obtidas através da avaliação devem ser interpretadas e integradas para proporcionar um entendimento mais profundo dos problemas apresentados. fogão. palitinhos de madeira. variáveis fisiológicas. revistinhas. livros. pinos de encaixe. doenças de natureza psíquica (alcoolismo. família de animais selvagens e domésticos. Psicopatologia: conceituação. atenção. 2000). memória. revólver de brinquedo.educapsico. fantoches e jogos comerciais estruturados. 6. blocos de madeira ou de plástico.

diagnóstico. falta de vontade ou medo de contar suas experiências pessoais. posto de saúde. agitação psicomotora. peso. consultoria). Movimentos anormais como coréia. Em seguida. etc) 2. bajuladores. roupas incongruentes. A atitude dominante durante a entrevista também é alvo de consideração (se desconfiado.com. aspecto bizarro. mas deve fazer parte do exame clínico do paciente. Atitude frente ao examinador: Como o paciente se comporta durante o exame. Também podem ser hostis. muito coloridas). descreve-se o motivo pelo qual está sendo realizada (avaliação para internação hospitalar ou tratamento ambulatorial. colegas ou até mesmo autoridades policiais. sujo. metabólicos. desde a idade. Lima CRP: 84326/06 Organização e Coordenação 53 . Aparência: O aspecto da pessoa é avaliado. numa tentativa de envergonhar ou humilhar o examinador. seguindo-se de impressões sobre o paciente registradas pelo entrevistador sobre os seguintes aspectos: 1. intoxicações ou de efeitos de drogas. O resultado do exame e da entrevista clínica são combinados para se formular o diagnóstico psiquiátrico. receptivo. É essencial não só para o diagnóstico de possíveis transtornos psiquiátricos. tiques ou tremores também são descritos aqui. evita responder às perguntas. Outros são mais abertos. para agradar. fechados e até desconfiados. 3. comum na esquizofrenia hebefrênica ou hebefrenia). Atividade psicomotora e Comportamento: Como a pessoa se move. por vergonha. O exame do estado mental não deve ser realizado apenas pelos psiquiatras. bem como do relato de familiares e outros informantes como atendentes. As informações são obtidas através da observação direta da aparência do paciente. Alguns limitam-se a responder somente o que o entrevistador pergunta. Cada função mental é considerada separadamente de uma forma paralela a um exame físico. da anamnese. consultório particular). vestuário (se está limpo.br psiquiátrica. Segundo CORDIOLI (2009) o exame inicia-se com uma descrição sumária sobre o local onde se realiza a entrevista (hospital. posições do corpo (flexibilidade cérea. É Karina de O.educapsico. independente da sua morbidade. altura.www. reticentes. como pode também oferecer indícios importantes de transtornos neurológicos. amigos.

5. hesitações (ou bloqueios). Lima CRP: 84326/06 Organização e Coordenação Coma. Comunicação com o examinador: Costuma-se separar discurso de pensamento. No geral. Confusão.www.educapsico. 6.com.1 Consciência: é o reconhecimento da realidade externa ou de si mesmo em determinado momento. O nível de consciência é avaliado em: Obnubilação/sonolência. fluxo. A atenção pode ser avaliada nos estados de: Vigilância: designa a capacidade de voltar o foco da atenção para os estímulos externos Tenacidade: capacidade de manutenção da atenção ou de uma tarefa específica. Maneirismos. em discurso descreve-se o volume que a pessoa usa ao falar. Estupor.br importante que o entrevistador além de anotar a postura indique alguns exemplos que o fizeram pensar daquela forma. Sentimentos despertados: O entrevistador deve relatar a impressão emocional geral transmitida pelo paciente. Funções mentais 6. Hiperalerta. ou seja.2 Atenção: A atenção é uma dimensão da consciência que designa a capacidade para manter o foco em uma atividade. Concentração: é a capacidade de manter a atenção voluntária em processos internos do pensamento ou em alguma atividade mental As alterações na atenção podem ser descritas como: Desatenção: incapacidade de voltar o foco para um determinado estímulo. tiques vocais são descritos aqui. 4. Distração: incapacidade de manter o foco da atenção em determinado estímulo. Karina de O. velocidade. 54 . os sentimentos despertados em sua pessoa pelo paciente 6. e a capacidade de responder aos seus estímulos. sotaques.

etc). se são assustadoras. Também é importante verificar se as alucinações ocorrem na segunda pessoa (conversa com o paciente) ou na terceira pessoa (conversam entre si) e se comandam o doente (atos homicidas ou suicidas). como o eco do pensamento. Às vezes as alucinações podem ser outros sons além de vozes. são comuns na esquizofrenia enquanto alucinações visuais são frequentes em doenças orgânicas. angustiantes ou prazerosas. Lima CRP: 84326/06 Organização e Coordenação 55 . Alucinações auditivas.3 Sensopercepção: designa a capacidade de perceber e interpretar os estímulos que se apresentam aos órgãos dos sentidos. espaço ou situação e reconhecer sua própria pessoa. visuais. por exemplo. Estas são chamadas alucianções elementares Alucinações extra-campinas são aquelas nas quais o paciente vê ou ouve coisas fora de seu campo sensorial (ouvir uma voz a 3 km de distância. como ele recebe (sentidos) e percebe (interpretação) o mundo.educapsico. Descreve-se aqui fenônemos como alucinação e ilusão. A natureza de cada experiência deve ser descrita em detalhes. Os estímulos podem ser: auditivos. etc. roubo do pensamento e iserção de pensamentos. Alguns dos sintomas de Kurt Schneider de primeira ordem são alucinatórios. Deve-se questionar sobre alterações de todos os sentidos pois as alucinações podem ser olfativas. Despersonalização (o indivíduo sente-se irreal) e desrealização (sente o mundo como irreal) também devem ser descritos aqui.com.www. 6. zumbidos. olfativos. ou seja. latidos. sons de motores.br 6. como sinos.4 Orientação: capacidade do indivíduo de situar-se no tempo. ver através de paredes. Deve-se questionar como a pessoa lida com as alucinações. Na percepção é avaliada a sensopercepção do paciente. Karina de O. Também podem ser outros fenômenos visuais como halos ou cores difíceis de descrever. gedankenlautverden. cenestésicas. táteis e gustativos. etc.

Amnésia lacunar: esquecimento dos fatos ocorridos entre duas datas.br São feitas questões para saber se o paciente sabe onde está (orientação espacial) e o dia/mês/ano (orientação temporal). Questionar também se sabe quem é e qual sua situação (orientação autopsíquica).6 Inteligência: capacidade de uma pessoa de assimilar conhecimentos factuais. Lima CRP: 84326/06 Organização e Coordenação 56 .educapsico. e remota. Karina de O. Capacidade de resolver situações novas com rapidez e com êxito mediante a realização de tarefas que envolvam a apreensão de relações abstratas entre fatos. Amnésia anterógrada: o paciente esquece tudo o que ocorreu após um fato ou acidente importante. etc. Para fins de avaliação divide-se a memória em: sensorial.com. Ex: traumatismo craniano. Amnésia retrógrada: esquecimento de situações ocorridas anteriormente a um trauma. de raciocinar logicamente e de forma abstrata manipulando conceitos.www. Amnésia imediata: geralmente existe um comprometimento cerebral agudo. que recebe a informação dos órgãos dos sentidos e a retém por breve período de tempo (0. pessoas e experiências passadas ou estímulos sensoriais. doença ou fato importante. distúrbio dissociativo (histeria).5segundos). recente. números ou palavras. 6. que é a responsável pela retenção permanente de informação selecionada. antecedentes e consequências. eventos. que divide-se em de curto prazo (5-10min) e de longo prazo (mais de 30 min). 6.5 Memória: é a capacidade de registrar. As alterações e Transtornos mais comuns são: Amnésia: incapacidade parcial ou total de evocar experiências passadas. responsável pelo registro de informações ouvidas nos últimos 15 a 20 segundos. Amnésia remota: esquecimento de fatos ocorridos no passado. compreender as relações entre eles e integrá-los aos conhecimentos já adquiridos anteriormente. imediata. fixar ou reter. evocar e reconhecer objetos.

Aspectos culturais devem ser considerados. -Conversar com outras pessoas. quando Karina de O. 6. sintetizar e criar.Forma ou processo: Nesta categoria. demência e incapacidade de abstração. Na maioria das vezes o indivíduo com depressão profunda. Pensamento .8 Pensamento: é o conjunto de funções integrativas capazes de associar conhecimentos novos e antigos. avalia-se a velocidade do pensamento. Lima CRP: 84326/06 Organização e Coordenação 57 .com. Nada mais do que ela pensa. relatado pelo mesmo. tal deve ser descrito em humor. São elas: -O prazer de tomar banho. bloqueio do pensamento. concluir. Se a sensação que se tem ao final do exame é de um estado depressivo. -Sonolência excessiva ou insônia. integrar estímulos externos e internos. elação ou eufórico. mais faz sentido. Como antes fazer as tarefas de costumes eram normais . ela não pensaem outra coisa a não ser o suícidio. -Fazer a barba. Os vários estados afetivos demonstram se uma pessoa demonstra uma expansão do seu afeto ou se o mesmo se encontra restrito (muitas vezes descrito como aplainado ou embotado). Também é importante notar se o afeto está incongruente (por exemplo um indivíduo ri ao invés de chorar quando lhe contam uma notícia triste). O mini mental state examination é exemplo de questionário que pode ser aplicado para esta avaliação. passam a ser muito difíceis.www. abstrair.br As alterações e transtornos mais comuns são avaliadas através de testes específicos. 6.educapsico.julgar. (torna-se insuportável). Podem-se encontrar casos de deficiência mental. -Concentração quase 0 "Pensamento a mil". analisar. desconexão do pensamento ou pensamento desagregado (quando há perda de associação entre as idéias. O afeto de uma pessoa pode variar desde depressivo (depressão nervosa). -Pensamento de suícidio ou mesmo homicídio. Esta categoria é dividida em forma (como a pessoa pensa) e conteúdo (o quê se pensa).7 Afetividade e Humor. fluxo e como está conectado A perturbação do pensamento formal ocorre quando há "pressão" para se pensar (excessivamente rápido). Afeto é a expressão de uma emoção e humor é o estado emocional do indivíduo. -Convivência com outras pessoas. podendo chegar ao ponto de "salada de palavras". -Trabalhar. tagarelices. fuga de idéias. irritado e normal. -Pensamentos repetitivos.

tiques. gestos. atos. ainda. 6. Pensamento . sem qualquer movimento Karina de O. Idéias suicidas e homicidas devem ser investigadas. de sentimentos e impulsos de outras pessoas. Implica separarsentimentos. grandiosidade. ruminações (pensamentos recorrentes). impulsos. aumento de energia) ou retardo (hipoatividade. Os distúrbios do julgamento podem ser circunscritos a uma ou mais áreas. ciúmes patológico também devem ser explorados. Idéias supervalorizadas. gastar mais do que pode. delírio. Tangencialidade (não responde às perguntas) e pensamento circunstancial (com diversos detalhes perdendo-se ou retardando-se a conclusão da idéia). impulsos e fantasias próprios. verbalizações. Uma pessoa deprimida pode ter idéias de ruínas ("tudo está acabado") e desesperança. preocupações com o corpo (anorexia.atitudes. à possibilidade de auto avaliar-se adequadamente e ter uma visão realista de si mesmo. Lima CRP: 84326/06 Organização e Coordenação 58 . 6. não se dar conta da gravidade da doença.www. masoquismo. O paciente pode apresentadas alterações como: falar coisas inapropriadas.com. Refere-se. ser inconveniente.9 Juízo Crítico: É a capacidade para perceber e avaliar adequadamente a realidade externa esepará-la dos aspectos do mundo interno ou subjetivo. mantendo as demais áreas adequadas.Conteúdo: inclui as crenças da pessoa e o que é discutido durante a entrevista. suas dificuldades e suas qualidades.10 Conduta: São os comportamentos observáveis do indivíduo: comportamento motor. agitação (hiperatividade. irradiação do pensamento. etc Podem ser apresentadas as seguintes alterações: Inquietação.educapsico. bulimia). não reconhecer limitações. sadismo. lentificação dos movimentos e da fala) psicomotores. não medir conseqüências. agressividade. diminuição do interesse por atividades. para estabelecer prioridades e prever conseqüências. fobias. comportamento catatônico (ficar parado. Estes podem ser idéias intrusivas angustiantes (pensamento obsessivo). A capacidade de julgamento é necessária para todas as decisões diárias. como dinheiro ou sexualidade.br o paciente apenas responde palavras desconectadas.

com. somatizações. gagueira. anorexia. alterações da m ímica facial (ausência. com roupas. exagero. repetitivo. expressão facial ou por escrito. disgrafia (escrever palavras incorretamente).educapsico. vandalismo.mesquinhez. espontânea ou em resposta. estados dissociativos (sintomas físicos persistentes sem explicação plausível). perda do controle em busca do uso de SPA). salada de palavras e associação por rimas refletem um processo de pensamento desgregado. aparência excêntrica (diferente do seu grupo sociocultural. roubo. Funções psicofisiológicas Karina de O. Podem ser encontradas na comunicação oral. suic ídio. uso/abuso de álcool e drogas.compulsões (urgência irresistível de realizar um ato motor aparentemente sem motivo. bradilalia (falar muito devagar).br podendo alternar-se com hiperatividade). vulgaridade (usar vocabulário de baixo calão). bizarro (fazer coisas absurdas ou estranhas. postura ou trejeitos muito discrepantes). logorréia (não parar de falar). estados de transe.limpeza e ordem exagerados. taquilalia (falar muito rápido).exposição ao perigo. tentativa de suic ídio. aumento ou diminuição da atividade sexual. ecolalia (repetir as últimas palavras do interlocutor). impulsividade. risos imotivados. 6. homicídio. Lima CRP: 84326/06 Organização e Coordenação 59 . afasia (não conseguir falar). tiques e cacoetes. Exemplos: disartria (dificuldade na articulação da palavra). escrita e mímica. www. fissura (ou "craving". 7. comer compulsivos ou excessivos.comportamento histriônico (sentimentos expressos de forma exagerada e dramática). dimuição das habilidades sociais (não se dar conta que está se comportando mal em público). familiares). mutismo (ficar completamente quieto). negativismo (fazer o contrário do que é solicitado). como revirar lixo)ou autista (concentrado em si mesmo e independente do mundo ao seu redor).durante horas. rituais. verbal ou não verbalmente. envolvendo gestos. tiques). olhar. compras/gastos. jogo. isolamento social(evitar encontros com amigos. reconhecido como sem significado. Neologismos (invenção de palavras com significados particulares para o paciente). estereotipado. ornamentos. mesmo em posição desagradável. piora dos cuidados pessoais (higiene). evitações). coprolalia (uso de palavras obcenas). tricotilomania.11 Linguagem É a maneira como a pessoa se comunica. parafilias.

com delírios. Abstinência de álcool. SADOCK. Transtorno psicótico induzido por álcool. parafilias. 60 Karina de O. ALCOOLISMO: O alcoolismo diz respeito aos abusos e dependência de álcool. terror noturno. Doenças.www. apnéia do sono.br 7.3 Sexualidade: diminuição ou aumento do desejo ou da excitação (depressão e mania). ou no meio da noite. ejaculação precoce. GREBB. Transtorno amnéstico induzido por álcool. 7.sonambulismo. 2003): • • • • • • • • • Dependência de álcool. vaginismo. Intoxicação com álcool. Demência). terminal. Abuso de álcool.1 Sono: Insônia inicial. Transtorno do humor induzido por álcool. GREBB. retardada. com ou sem alteração no peso (considerar variações maiores que 5% do peso usual). Os transtornos relacionados ao álcool apontados pelo DSM IV são os seguintes (KAPLAN. Transtorno psicótico induzido por álcool. alterações do ciclo sono-vigília (SCO. incapacidade de atingir o orgasmo. com alucinações. 7. Transtorno de ansiedade induzido por álcool. como é o caso do DSM IV (KAPLAN.2 Apetite: Aumento ou diminuição. porém esse termo não é utilizado pela maioria dos sistemas diagnósticos. diminuição da necessidade de sono (Mania).educapsico. hipersonia.com. 2003). SADOCK. Lima CRP: 84326/06 Organização e Coordenação .

trabalho. os delírios e alucinações podem ser menos elaborados do que aqueles observados em adultos. relações interpessoais..com. A perturbação não é melhor explicada por um Transtorno Esquizoafetivo ou Transtorno do Humor com Características Psicóticas nem se deve aos efeitos fisiológicos diretos de uma substância ou de uma condição médica geral. se tratados com sucesso). A Esquizofrenia envolve disfunção em uma ou mais áreas importantes do funcionamento (por ex.br • • Disfunção sexual induzida por álcool. Em crianças. Lima CRP: 84326/06 Organização e Coordenação 61 . sendo raro o início antes da adolescência (embora haja relatos de casos com início aos 5 ou 6 anos). mas pode ser particularmente difícil fazer o diagnóstico neste grupo etário. uma melhor história ocupacional e maior freqüência de casamentos.. Transtorno do sono induzido por álcool. após os 45 anos). O curso geralmente é crônico. ESQUIZOFRENIA: O início da Esquizofrenia tipicamente ocorre entre o final da adolescência e por volta dos 35 anos. Os casos de aparecimento tardio tendem a ser similares à Esquizofrenia de início mais precoce. SINAIS E SINTOMAS Os aspectos essenciais da Esquizofrenia são um misto de sinais e sintomas característicos (tanto positivos quanto negativos) que estiveram presentes por um período de tempo significativo durante 1 mês (ou por um tempo menor. Os aspectos essenciais da condição são os mesmos em crianças. A Esquizofrenia também pode começar mais tarde (por ex. e as alucinações visuais podem ser mais comuns. Esses sinais e sintomas estão associados com acentuada disfunção social ou ocupacional. A apresentação clínica tende mais a incluir delírios e alucinações paranóides. embora os indivíduos freqüentemente respondam bastante bem aos medicamentos antipsicóticos em doses menores. educação ou higiene). sendo menos propensa a incluir sintomas desorganizados e negativos. exceto por uma proporção maior de mulheres.www.educapsico. Karina de O. com alguns sinais do transtorno persistindo por pelo menos 6 meses.

• Os sintomas positivos incluem distorções ou exageros do pensamento inferencial (delírios). a capacidade hedônica. da percepção (alucinações). na fluência e produtividade do pensamento (alogia) e na iniciação de comportamentos dirigidos a um objetivo (avolição). o monitoramento comportamental. a linguagem e a comunicação. podem estar relacionadas a diferentes mecanismos neurais e correlações clínicas subjacentes: a "dimensão psicótica" inclui delírios e alucinações.br Em indivíduos com um diagnóstico prévio de Transtorno Autista (ou outro Transtorno Invasivo do Desenvolvimento). o pensamento inferencial. Lima CRP: 84326/06 Organização e Coordenação 62 . a fluência e produtividade do pensamento e do discurso. O diagnóstico envolve o reconhecimento de uma constelação de sinais e sintomas associados com prejuízo no funcionamento ocupacional ou social. a volição. por sua vez.www. Os sintomas positivos parecem refletir um excesso ou distorção de funções normais. o impulso e a atenção. Os sintomas característicos podem ser conceitualizados como enquadrando-se em duas amplas categorias — positivos e negativos. que. o diagnóstico adicional de Esquizofrenia aplicase apenas se delírios ou alucinações proeminentes estão presentes por pelo menos 1 mês. da linguagem e comunicação (discurso desorganizado) e do monitoramento comportamental (comportamento amplamente desorganizado ou catatônico).com. o afeto.educapsico. Os sintomas característicos de Esquizofrenia envolvem uma faixa de disfunções cognitivas e emocionais que acometem a percepção. enquanto os sintomas negativos parecem refletir uma diminuição ou perda de funções normais. Esses sintomas positivos podem compreender duas dimensões distintas. enquanto a "dimensão da desorganização" inclui o discurso e comportamento desorganizados. • Os sintomas negativos incluem restrições na amplitude e intensidade da expressão emocional (embotamento do afeto). OBS: Os medicamentos neurolépticos freqüentemente produzem efeitos colaterais extrapiramidais que se assemelham muito ao embotamento afetivo ou à avolição. A distinção entre os verdadeiros sintomas negativos e os efeitos colaterais de medicamentos depende de um discernimento clínico envolvendo a gravidade dos Karina de O.

somáticos. Delírios: Os delírios são crenças errôneas. Embora os delírios bizarros sejam considerados especialmente característicos da Esquizofrenia. religiosos. persecutórios. os efeitos de um ajuste da dosagem e os efeitos de medicamentos anticolinérgicos.. visuais. as mais comuns e características da Esquizofrenia. Seu conteúdo pode incluir uma variedade de temas (por ex.www. As alucinações devem ocorrer no contexto de um sensório claro. sendo geralmente experimentadas como vozes conhecidas ou estranhas.educapsico. habitualmente envolvendo a interpretação falsa de percepções ou experiências. Um exemplo de delírio não-bizarro é a falsa crença de estar sob vigilância policial. Experiências isoladas de ouvir o próprio nome sendo chamado ou experiências que não possuem a qualidade de uma percepção externa (por ex. Um exemplo de delírio bizarro é a crença de uma pessoa de que um estranho retirou seus órgãos internos e os substituiu pelos de outra. a natureza e tipo de medicamento neuroléptico.br sintomas negativos. mas as alucinações auditivas são. Lima CRP: 84326/06 Organização e Coordenação 63 . pode ser difícil avaliar o grau de "bizarria". Os delírios são considerados bizarros se são claramente implausíveis e incompreensíveis e não derivam de experiências comuns da vida. ou grandiosos). sem deixar quaisquer cicatrizes ou ferimentos. que são percebidas como distintas dos pensamentos da própria pessoa. gustativas e táteis).. O conteúdo pode ser bastante variável. espionada ou ridicularizada. referenciais.com. aquelas que ocorrem enquanto o indivíduo adormece (hipnagógicas) ou desperta (hipnopômpicas) são consideradas parte da faixa de experiências normais.. auditivas. Alucinações: As alucinações podem ocorrer em qualquer modalidade sensorial (por ex. embora as vozes pejorativas ou ameaçadoras sejam especialmente comuns. Os delírios persecutórios são os mais comuns. de longe. zumbidos na própria cabeça) também não são consideradas alucinações características da Esquizofrenia. enganada. seguida. Karina de O. olfativas. especialmente entre diferentes culturas. neles a pessoa acredita estar sendo atormentada.

cachecóis e luvas em um dia quente). indo desde o comportamento tolo e pueril até a agitação imprevis ível.www.br OBS: As alucinações podem ser também um componente normal de uma experiência religiosa. acarretando dificuldades no desempenho de atividades da vida diária. gritar ou praguejar). masturbar-se em público) ou uma agitação imprevisível e sem um desencadeante (por ex. raramente. irado ou agitado não devem ser considerados evidência de Esquizofrenia. Desorganização do pensamento: A desorganização do pensamento ("transtorno do importante da Esquizofrenia. que é praticamente incompreensível e se assemelha à afasia receptiva em sua desorganização linguística (“incoerência”. Similarmente. salada de palavras”). Um comportamento amplamente desorganizado pode manifestar-se de variadas maneiras. pode exibir um comportamento sexual nitidamente inadequado (por ex. A pessoa pode parecer mostrar-se acentuadamente desleixada. "afrouxamento de associações") é defendida por alguns autores como o aspecto mais comportamento meramente desprovido de objetivos e do comportamento organizado motivado por crenças delirantes. as respostas podem estar obliquamente relacionadas ou não ter relação alguma com as perguntas ("tangencialidade"). O discurso dos indivíduos com Esquizofrenia pode ser desorganizado de variadas maneiras. o discurso pode estar desorganizado de forma tão severa.educapsico. saltando de um assunto para outro ("descarrilamento" ou "associações frouxas").com. especialmente se a motivação for compreensível.. A pessoa pode "sair dos trilhos". em certos contextos culturais. O comportamento muito desorganizado deve ser diferenciado de um pensamento formal". alguns casos de comportamento inquieto. Karina de O. Lima CRP: 84326/06 Organização e Coordenação 64 . vestir-se de modo incomum (por ex. usar casacos sobrepostos.. Podem ser notados problemas em qualquer forma de comportamento dirigido a um objetivo. tais como organizar as refeições ou manter a higiene.

com. ou manutenção de Karina de O. ou afeto embotado ou inadequado. o clínico não deve esquecer que os sintomas catatônicos são inespecíficos e podem ocorrer em outros transtornos mentais (ver Transtornos do Humor com Características Catatônicas). Subtipos O diagnóstico de um determinado subtipo está baseado no quadro clínico que ocasionou a avaliação ou admissão mais recente para cuidados clínicos. adoção de posturas inadequadas ou bizarras (postura catatônica).br Comportamentos motores catatônicos: Os comportamentos motores catatônicos incluem uma diminuição acentuada na reatividade ao ambiente. ou excessiva atividade motora sem propósito e não estimulada (excitação catatônica). Nenhum dos seguintes sintomas é proeminente: discurso desorganizado. resistência ativa a instruções ou tentativas de mobilização (negativismo catatônico).educapsico. Critérios específicos são oferecidos para cada um dos seguintes subtipos: Tipo Paranóide: há a preocupação com um ou mais delírios ou alucinações auditivas freqüentes. Lima CRP: 84326/06 Organização e Coordenação 65 . atividade motora excessiva (aparentemente desprovida de propósito e não influenciada por estímulos externos). extremo negativismo (uma resistência aparentemente sem motivo a toda e qualquer instrução. Tipo Desorganizado: todos os seguintes sintomas são proeminentes: discurso desorganizado. comportamento desorganizado e afeto embotado ou inadequado.www. podendo. mudar com o tempo. portanto. manutenção de uma postura rígida e resistência aos esforços de mobilização (rigidez catatônica). às vezes alcançando um grau extremo de completa falta de consciência (estupor catatônico). comportamento desorganizado ou catatônico. em condições médicas gerais (ver Transtorno Catatônico Devido a uma Condição Médica Geral) e Transtornos do Movimento Induzidos por Medicamentos (ver Parkinsonismo Induzido por Neurolépticos). Embora a catatonia tenha sido historicamente associada à Esquizofrenia. Tipo Catatônico: há imobilidade motora evidenciada por cataplexia (incluindo flexibilidade cérea ou estupor).

Transtorno Delirante ou Transtorno Psicótico Sem Outra Especificação. C. B. Recorrente A. Episódio Único A. maneirismos proeminentes ou trejeitos faciais proeminentes). Critérios Diagnósticos para Transtorno Depressivo Maior. Presença de dois ou mais Episódios Depressivos Maiores Nota: Para serem considerados episódios distintos. peculiaridades do movimento voluntário evidenciadas por posturas (adoção voluntária de posturas inadequadas ou bizarras. pelo menos 2 semanas de humor deprimido ou perda de interesse. acompanhados por pelo menos quatro sintomas adicionais de depressão). Karina de O. movimentos estereotipados. B. tipo misto ou tipo hipomaníaco são induzidos por substância ou tratamento ou se devem aos efeitos fisiológicos diretos de uma condição médica geral. O Episódio Depressivo Maior não é melhor explicado por um Transtorno Esquizoafetivo nem está sobreposto a Esquizofrenia. Os Episódios Depressivos Maiores não são melhor explicados por Transtorno Esquizoafetivo nem estão sobrepostos a Esquizofrenia.educapsico. Transtorno Esquizofreniforme. O Transtorno Depressivo Maior se caracteriza por um ou mais Episódios Depressivos Maiores (isto é. um Episódio Misto ou um Episódio Hipomaníaco. Presença de um único Episódio Depressivo Maior . deve haver um intervalo de pelo menos 2 meses consecutivos durante os quais não são satisfeitos os critérios para Episódio Depressivo Maior. Nota: Esta exclusão não se aplica se todos os episódios tipo maníaco. C. Jamais houve um Episódio Maníaco .br uma postura rígida contra tentativas de mobilização) ou mutismo. ecolalia ou ecopraxia. Jamais houve um Episódio Maníaco.www. TRANSTORNOS DEPRESSIVOS . Lima CRP: 84326/06 Organização e Coordenação 66 . Transtorno Delirante ou Transtorno Psicótico Sem Outra Especificação. Transtorno Esquizofreniforme. um Episódio Misto ou um Episódio Hipomaníaco. Critérios Diagnósticos para Transtorno Depressivo Maior.com.

estão presentes sintomas tais como falta de ar. no caso de ter um Ataque de Pânico ou sintomas tipo pânico.www. Ataques de Pânico e Agorafobia ocorrem no contexto de diversos outros transtornos.com. Durante esses ataques.br TRANSTORNOS DE ANSIEDADE A Ansiedade no DSM IV é subdividida em: Agorafobia Ataque de Pânico Transtorno de Pânico Sem Agorafobia Transtorno de Pânico Com Agorafobia Agorafobia Sem História de Transtorno de Pânico Fobia Específica Fobia Social Transtorno Obsessivo-Compulsivo Transtorno de Estresse Pós-Traumático Transtorno de Estresse Agudo Transtorno de Ansiedade Generalizada Transtorno de Ansiedade Devido a uma Condição Médica Geral Transtorno de Ansiedade Induzido por Substância Transtorno de Ansiedade Sem Outra Especificação.educapsico. palpitações. Um Ataque de Pânico é representado por um período distinto no qual há o início súbito de intensa apreensão. dor ou desconforto torácico. temor ou terror. O Transtorno de Pânico Sem Agorafobia é caracterizado por Ataques de Pânico inesperados e recorrentes acerca dos quais o indivíduo se sente persistentemente preocupado. Karina de O. Lima CRP: 84326/06 Organização e Coordenação 67 . freqüentemente associados com sentimentos de catástrofe iminente. sensação de sufocamento e medo de "ficar louco" ou de perder o controle. A Agorafobia é a ansiedade ou esquiva a locais ou situações das quais poderia ser difícil (ou embaraçoso) escapar ou nas quais o auxílio poderia não estar disponível.

As obsessões são idéias. droga de abuso.educapsico.. não está dentro de seu próprio controle nem é a espécie de pensamento que ele esperaria ter. ele é capaz de reconhecer que as obsessões são produto de sua própria mente e não impostas a partir do exterior (como na inserção de pensamento). pensamentos. A Fobia Social caracteriza-se por ansiedade clinicamente significativa provocada pela exposição a certos tipos de situações sociais ou de desempenho. freqüentemente levando ao comportamento de esquiva. impulsos ou imagens persistentes. que são vivenciados como intrusivos e inadequados e causam acentuada ansiedade ou sofrimento. Karina de O.* O termo refere-se ao sentimento do indivíduo de que o conteúdo da obsessão é estranho. medicamento) ou de uma condição médica geral. o indivíduo reconheceu que as obsessões ou compulsões são excessivas ou irracionais. Entretanto. O Transtorno Obsessivo-Compulsivo: As Transtorno Obsessivo-Compulsivo são obsessões características ou essenciais do compulsões recorrentes suficientemente severas para consumirem tempo (isto é.www. A Fobia Específica caracteriza-se por ansiedade clinicamente significativa provocada pela exposição a um objeto ou situação específicos e temidos. consomem mais de uma hora por dia) ou causar sofrimento acentuado ou prejuízo significativo.br O Transtorno de Pânico Com Agorafobia caracteriza-se por Ataques de Pânico recorrentes e inesperados e Agorafobia. o conteúdo das obsessões ou compulsões não se restringe a ele. A perturbação não se deve aos efeitos fisiológicos diretos de uma substância (por ex.com. Em presença de outro transtorno do Eixo I. A qualidade intrusiva e inadequada das obsessões é chamada de "egodistônica". Lima CRP: 84326/06 Organização e Coordenação 68 . A Agorafobia Sem História de Transtorno de Pânico caracteriza-se pela presença de Agorafobia e sintomas característicos de ataques de pânico sem uma história de Ataques de Pânico inesperados. Em algum ponto durante o curso do transtorno. freqüentemente levando ao comportamento de esquiva.

educapsico.* * Pensamentos ego-distônicos são aqueles percebidos como intrusivos. uma compulsão). procura neutralizá-las verificando repetidamente para assegurar-se de que o fogão está desligado. Um indivíduo assaltado por dúvidas acerca de ter desligado o gás do fogão.. O indivíduo com obsessões em geral tenta ignorar ou suprimir esses pensamentos ou impulsos ou neutralizá-los com algum outro pensamento ou ação (isto é. como problemas financeiros. O Transtorno de Estresse Pós-Traumático caracteriza-se pela revivência de um evento extremamente traumático. verificação e rituais de organização são particularmente comuns em crianças. preocupação com dificuldades atuais.www.. As apresentações do Transtorno Obsessivo-Compulsivo em crianças geralmente são similares àquelas da idade adulta. As crianças em geral não solicitam ajuda. imaginar se foram executados certos atos. ordenar. tais como ter machucado alguém em um acidente de trânsito ou ter deixado uma porta destrancada). lavar as mãos. intenso sofrimento quando os objetos estão desordenados ou assimétricos). Os pensamentos. impulsos ou imagens não são meras preocupações excessivas acerca de problemas da vida real (por ex. contar. como algo que não é próprio.. de machucar o próprio filho ou gritar uma obscenidade na igreja) e imagens sexuais (por ex. Um determinado sujeito não Karina de O.com.. uma necessidade de organizar as coisas em determinada ordem (por ex. As compulsões são comportamentos repetitivos (por ex. impulsos agressivos ou horrorizantes (por ex. por exemplo.. profissionais ou escolares) e não tendem a estar relacionados a um problema da vida real. Lavagens. uma imagem pornográfica recorrente). orar.. Lima CRP: 84326/06 Organização e Coordenação 69 . e os sintomas podem não ser ego-distônicos. ser contaminado em apertos de mãos). ao invés de oferecer prazer ou gratificação. P. dúvidas repetidas (por ex. verificar) ou atos mentais (por ex.. repetir palavras em silêncio) cujo objetivo é prevenir ou reduzir a ansiedade ou sofrimento.ex..br As obsessões mais comuns são pensamentos repetidos acerca de contaminação (por ex. acompanhada por sintomas de excitação aumentada e esquiva de estímulos associados com o trauma.

Além disso. a ciência teria como base a prática. o psicólogo institucional deve ter claro que é preciso ultrapassar os objetivos das pessoas que lhe contratam (equipe administrativa) e chegar aos seus objetivos de trabalho também através dos sintomas que são identificados durante o diagnóstico institucional. ou seja. 1980. O psicólogo institucional deve ter como base a atividade humana dentro da instituição. mas para isso deve ter informações sobre a instituição que está inserido. O Transtorno de Estresse Agudo caracteriza-se por sintomas similares àqueles do Transtorno de Estresse Pós-Traumático. como se relaciona com Karina de O.educapsico. a saber: situação e objetivos da instituição. Assim. ocorrendo logo após um evento extremamente traumático. Alguns pontos devem ser pesquisados. mar.www. A Psicologia institucional para Bleger não é um mero campo de atuação. como e onde foi fundada. planejamento. Para este autor a partir da análise da prática psicológica nas instituições pode-se investigar os fenômenos que envolvem cada um dos problemas e situações que são trabalhadas nessa prática. desde aspectos físicos a aspectos humanos que constituem tal instituição. o mais importante é que é um campo de investigação.br conseguir chegar perto de piscinas e lagos. 7. 2005). O Transtorno de Ansiedade Generalizada caracteriza-se por pelo menos 6 meses de ansiedade e preocupação excessivas e persistentes. 97 apud ANACLETO. Possibilidades de atendimento institucional. uma vez que no passado presenciou um afogamento fatal de um familiar. bem como uma proposta de intervenção dentro de uma instituição devem considerá-la como um todo. onde ela está localizada e como se relaciona com a comunidade em volta. ANACLETO. “O ser humano antes de ser pessoa é sempre um grupo. e sim no de que sua personalidade é o grupo” (BLEGER. mas não no sentido de que pertence a um grupo. como está organizada e quais são suas normas. Para este autor o diagnóstico. Lima CRP: 84326/06 Organização e Coordenação 70 . PEREIRA. p.com.

educapsico.).www. etc. Ele vai intervir nos relacionamentos interpessoais. as quais ele chamou de inconsciente e pré-consciente. Saúde mental e trabalho: estruturas de personalidade. Em sua primeira explanação (Primeira Tópica) sobre o estado da consciência. Ele deve ter claro que isso acontece e tentar modificar os mecanismos utilizados pela instituição. E afirmou que não há descontinuidade nos eventos mentais. o inconsciente torna-se um depósito para idéias sociais inaceitáveis. Freud interessou-se também em suas áreas menos expostas. Segundo o autor anteriormente referido deve-se lançar mão da “indagação operativa”. estes. uso dessa compreensão para fazer apontamentos. natureza e causa dos distúrbios. visando a população sadia e a promoção de saúde. seus detalhes e seqüência temporal. quantos. um “depositário de conflitos” e isso pode fazer com que a instituição haja no sentido de anular suas ações. Primeira Tópica: Primeiro Modelo do Aparelho Psíquico Inconsciente: parte do funcionamento mental que deposita os desejos instintivos e necessidades e ações fisiológicas. memórias traumáticas e emoções dolorosas colocadas fora da mente pelo mecanismo da repressão psicológica. Na visão Karina de O.br outras instituições. Para Bleger o psicólogo é um catalisador. são ligados uns aos outros. vai explicitar o que muitas vezes está implícito. mecanismos de ajustamento. seus resultados e como ela própria obtém dados do seu desempenho. isto é. ao longo da vida do sujeito. 8. interpretações e reflexões. isto é. Lima CRP: 84326/06 Organização e Coordenação 71 . compreensão dos acontecimentos e de como eles se relacionam. São apresentadas a seguir algumas teorias que tratam das estruturas da personalidade: Toda a teoria de Freud está baseada no pressuposto de que o corpo é a fonte básica de toda a experiência mental. conscientes ou não. são influenciados por fatos que os precederam no passado. Bleger afirma que o psicólogo deve ter ações relativas à psico-higiene. informações sobre as pessoas que trabalham na instituição (quem são.com. a qual compreende a observação dos fatos. A esse pressuposto foi denominado o termo Determinismo Psíquico. Para Freud. atendimento em psicoterapia individual e de grupo. transtornos mentais e do comportamento relacionados ao trabalho.

Inclui sensações e experiências das quais há a percepção a cada momento. e por sua possibilidade de se submeterem a adiamentos.” ( 1933. Segundo Freud: “Os instintos sexuais fazem-se notar por sua plasticidade. entre outros). que pouco varia de um indivíduo para outro. na medida em que a consciência precisa de lembranças para desempenhar suas funções. 1975). análise de sonhos e atos falhos presentes na fala. representadas pelos instintos de vida (responsáveis pela sobrevivência do indivíduo e da espécie) e pelos instintos de morte (agressivos e destrutivos).) Karina de O.www.com. sua capacidade de se substituírem. ex: nome de pessoas.. Lima CRP: 84326/06 Organização e Coordenação 72 . que permite uma satisfação instintual ser substituída por outra. Pulsões (trieb) ou instintos (instinkt) Pulsão (em alemão: trieb): “processo dinâmico que consiste numa pressão ou força (carga energética. e que parece corresponder a uma finalidade” (LaPlanche e Pontalis. Pensamentos inconscientes não são diretamente acessíveis por uma ordinária introspecção. (P. que se desenrola segundo uma seqüência temporal pouco suscetível de alterações. sensações e lembranças perceptíveis todo o tempo. mas podem ser interpretados por métodos especiais e técnicas como a livre-associação. O mecanismo instintual é complexo. fazendo com que uma satisfação instintual possa ser substituída por outra e se submeter a adiamentos..educapsico. sua capacidade de alterar suas finalidades. Bras. Ed. Consciente: é através dele que se dá o contato com o mundo exterior. o inconsciente se expressa no sintoma. livro 28.” Instinto (em alemão: instinkt): “esquema de comportamento herdado.br psicanalítica. examinados e conduzidos durante o processo analítico. próprio de uma espécie animal. Por estes instintos. datas importantes. Os instintos básicos foram divididos por Freud em duas forças antagônicas. Freud não considerava este aspecto da vida mental o mais importante uma vez que há uma pequena parte de nossos pensamentos. Pré-consciente: é a parte situada entre o consciente e o inconsciente. Parte do inconsciente que pode se tornar consciente com facilidade. endereços. fator de motricidade) que faz tender o organismo para um alvo. uma energia pode fluir.

Os primeiros são os responsáveis pela manutenção da vida da espécie e estão relacionados à reprodução. A catexia está relacionada aos sentimentos de amor. no qual pode haver um desinteresse por parte do indivíduo pelas ocupações normais e a preocupação com o recente finado pode ser interpretado neste sentido. tendo como característica central a ausência de contradição. objetos. raiva. já os segundos são os responsáveis pela manutenção da vida do indivíduo (comer. um processo Karina de O. isto é. Este mecanismo foi denominado processo secundário e co-existe ao lado dos processos primários. Este princípio rege as primeiras experiências da vida de um bebê recém-nascido. em que o bebê na ausência do objeto de satisfação tem uma revivescência perceptiva de algo que proporcionou prazer no passado.br Impulso: Energia que possui uma origem interna. Catexia do objeto: processo de investimento da energia libidinal. etc). isto é. em uma região deste corpo onde nasce uma excitação e o psíquico. A satisfação passa a considerar adiamentos e atrasos. não leva em conta a realidade. em idéias. Há satisfações alucinatórias neste período.educapsico.com. fazem com que esse sujeito passe a considerar a realidade para que suas satisfações sejam obtidas sem que a alucinação seja o meio de alcançá-las. O luto. ódio. porém desta maneira se mostra mais segura e provoca menor risco para a integridade do indivíduo. dormir. Freud nominou este funcionamento de processos mentais primários. desprazer causado pelo acúmulo de tensão produzida no interior do aparelho psíquico).www. como uma retirada de libido dos relacionamentos habituais e cotidianos e uma extrema catexia da pessoa perdida. Lima CRP: 84326/06 Organização e Coordenação 73 . A mobilidade original da libido é perdida quando há a catexia voltada para um determinado objeto. situada entre o corpo (somático). Princípio do Prazer / Processo primário: Explicado pelo mecanismo psíquico em que os impulsos agem no sentido de busca de prazer e evita o desprazer (prazer causado pela redução da tensão. que podem ser relacionados aos objetos. beber. Libido: impulsos sexuais e impulsos de autoconservação. Princípio de Realidade / Processo secundário: As experiências pelas quais o bebê vai passando. pessoas.

Nesta. o ID é o reservatório dos instintos (tanto de vida quanto de morte) e da energia libidinal e é ele que Karina de O. pudessem ser fruto do que ele chamou de pulsão de morte e estas estariam em contradição com o princípio do prazer que rege as pulsões de vida. Explica que repetições. etc). em sonhos ou mesmo em atos. Id: (“es” em alemão. estudo. podendo ser projetado para o mundo externo sob a forma de agressividade. passam a fazer parte da pulsão de vida. poderiam ser constantemente repetidos.br não substitui o outro. porém esta não se resume à atividades vitais mas também à atividades que levam o sujeito a construir (p. Fantasia: Modo de pensar inconsciente que não leva em conta a realidade. sintomas neuróticos. é a forma latina do pronome neutro “isto”). Os impulsos de autoconservação e os impulsos sexuais.). sadismo. Pulsão de Morte – compulsão à repetição: Freud ao analisar sonhos. etc. Entretanto. entre outras. destruição. Freud irá então reformular sua teoria das pulsões. Refere-se à parte inacessível da personalidade. trabalho.www. Além disso. Aglutina todos eles em Pulsão de Vida (Eros) e Pulsão de Morte (Thânatos). ela foi integrada à nova concepção. antes dividida em impulsos de autoconservação e impulsos sexuais. ics e pré-cs) não foi abandonada. apesar de também o ego e o superego possuírem aspectos inconscientes. Corresponde ao conceito inicial de inconsciente. sonhos.com. o EGO e o SUPEREGO. Tal concepção foi denominada 2ª tópica.educapsico.: união com outros indivíduos. Segunda Tópica: Segundo Modelo do Aparelho Psíquico Freud a fim de apreender a complexidade do dinamismo do aparelho psíquico reelaborou a sua concepção sobre a estrutura da personalidade. como lembranças de guerra. É regida pelo processo primário. Lima CRP: 84326/06 Organização e Coordenação 74 . masoquismo. Está presente nas brincadeiras infantis. O impulso de morte estaria presente no interior da vida ps íquica dos indivíduos (sob a forma de autodestruição. responsáveis pela preservação da vida e da espécie. os dois formam um complexo mecanismo de funcionamento psíquico.ex. São elas o ID. Pulsão de Vida: Freud reformulou sua teoria sobre os impulsos. a primeira concepção (aparelho dividido em cs. percebeu que eventos desagradáveis. a personalidade é dividida em três partes que mantém relações mútuas entre si.

educapsico. Apesar de seus conteúdos serem quase todos inconscientes. objetos e momentos socialmente aceitos. seu objetivo é reduzir a tensão sem levar em consideração os atrasos. porém de forma racional. isto é. em que as satisfações são obtidas por meio de atos reflexos e fantasias. Lima CRP: 84326/06 Organização e Coordenação 75 . Características do Id • Caótico e Desorganizado.www. É regido segundo o processo secundário. Age conscientemente e também inconscientemente. Os investimentos libidinais. É o caso dos mecanismos de defesa. o Ego é desenvolvido com o passar da vida do indivíduo. a partir da interiorização das imagens idealizadas dos pais. Não leva em conta a realidade. Parte do ID que passa a ser influenciada pelo mundo externo. Embora muitas características do Ego coincidam com o consciente muitos conteúdos inconscientes também o compõe. Tem por objetivo ajudar o Id a satisfazer suas pulsões. As leis lógicas do pensamento não se aplicam a ele. • É orientado pelo princípio do prazer. o Id tem o poder de agir na vida mental de um indivíduo. • Atemporal: Fatos que ocorreram no passado convivem paralelamente e sem desvantagem de intensidade. É receptivo tanto às excitações internas quanto externas ao indivíduo. Restrições inconscientes são indiretas podendo aparecer sob Karina de O. escolhendo lugares. Ego: Segundo Freud. Forma-se a partir do declínio do Complexo de Édipo. embora oriundos do Id passam necessariamente pelo Ego. e que passa a funcionar como uma defesa protetora contra o que ameaça a vida psíquica.br fornece e satisfaz as exigências do Ego e do Superego. Exerce função crítica e normativa e também de formação de ideais. com relação a fatos que ocorreram recentemente. Assim é regido pelo processo primário. planejada. onde predominam a realidade e a razão. instrumentos do Ego para lidar com a tensão emanada pelo Id. contato e defesa. adiamentos e o outro. sem que um anule ou diminua o outro. fornecendo toda a energia para eles. O ego portanto exerce função de síntese.com. Impulsos contraditórios coexistem lado a lado. Superego (Ideal do Ego e Ego-Ideal): Forma-se a partir do Ego.

alguns mecanismos de defesa aparecem. um ato psíquico ou uma idéia é excluído da consciência e jogado para o inconsciente. perda de amor (rejeição). Exemplo de estressores que podem levar à ansiedade: perda de um objeto desejado. a criação artística. que atua como censura. não percebendo algo da realidade: no caso da morte de alguém pelo qual um sujeito tinha sentimentos de amor e ódio. Fatos que só são acessados através da análise ou sonhos. esquecimento de fatos traumáticos acontecidos na infância (ato violência. perda de identidade (prestígio). Modelo com relação ao ideal. Repressão: Mecanismo consciente. na percepção do presente (p. pois ele diminui a tensão. Lima CRP: 84326/06 Organização e Coordenação 76 .educapsico. Vejamos agora alguns mecanismos de defesa: Sublimação: Defesa bem sucedida contra a ansiedade. A moral do sujeito está ligada a este mecanismo. Em relação ao Ego pode-se dizer que o superego age como modelo e obstáculo. perda da auto-estima (desaprovação do superego que resultam em culpa ou ódio em relação a si mesmo). Pode atuar nas lembranças. por exemplo. obstáculo. através de distorções da realidade. O ego protege o indivíduo inconscientemente.br a forma de compulsões e proibições. consciência moral e sentimentos de culpa. Envolve a não-percepção. Ansiedade: Provocada por um aumento de tensão ou desprazer desencadeado por um evento real ou imaginário. provocando ansiedade.www. Por exemplo. Mecanismos de defesa patogênicos: Defesas que não eliminam a tensão apenas a encobrem. Na ocasião de seu falecimento os sentimentos tanto de hostilidade quanto de perda podem não ser percebidos e este sujeito pode Karina de O. acidente.com. Mecanismos de defesa do Ego: O ego muitas vezes não consegue lidar com as demandas do Id e com a cobranças do superego. entre outros). com relação ao proibido. Quando isto acontece. Por outro lado não possibilitam um conhecimento real sobre os desejos. ex. Traz uma ameaça para o Ego. É o responsável pela auto-estima. a consciência de algo que traz constrangimento ou sofrimento. São eles: Recalcamento: Por força de um contra-investimento. medos e necessidades. O aumento de tensão ou desprazer é desviado para outros canais de expressão socialmente aceitáveis como.

negação da iminência de morte de um ente querido. Formação Reativa: Inversão da realidade.com. O sujeito nega a existência de alguma ameaça ou evento traumático ocorrido. destruir propriedades. enquanto no passado este sujeito já passou por uma situação de traição conjugal. entre outros. P. Retorno do sujeito a etapas de desenvolvimento anterior. Fatos podem ser relatados sem sentimento quando um sujeito fala de conteúdos que foram isolados de sua personalidade. com menos frustração e ansiedade.educapsico. Lima CRP: 84326/06 Organização e Coordenação 77 .br mostrar-se indiferente. roer unhas.www.: Uma mulher pode reprimir tanto um desejo sexual que pode chagar a tornar-se frígida). por o dedo no nariz. dirigir rápida e imprudentemente. Regressão: Escapar da realidade. O impulso é cada vez mais ocultado. P. que foram mais agradáveis. demonstrando compreensão e indiferença ao assunto. Impulsos agressivos podem dar lugar a comportamentos solícitos e amigáveis. ex. que este não tem aprovação dos outros. intenções e sentimentos que são ignorados em si mesmo são atribuídos a outras pessoas. negação de algo que aconteceu no passado. Karina de O. atribuir repugnância e nojo ao sexo. Negação: Está relacionado à repressão. vestir-se como criança. Desejos. ex. Por exemplo. Um sentimento contrário é colocado no lugar de outro para disfarçá-lo. Culpar um objeto por falhas pessoais ao invés de culpar-se a si mesmo. Isolamento: Uma idéia ou ato sofre o rompimento de suas conexões com outras idéias e pensamentos.: um sujeito fala sobre traição conjugal. que este não será bem-sucedido. ex. Exemplo: falar como criança. Racionalização: Redefinição da realidade. Processo de colocar motivos aceitáveis para atos ou idéias inaceitáveis. Projeção: Colocar algo do mundo interno no mundo externo. na qual houve sofrimento.: Um pai pode dizer ao seu filho que este não cumpre suas tarefas. objetos ou animais. como se eles tivessem relacionados a outro sujeito. O fato isolado passa a receber pouca ou nenhuma reação emocional. Por exemplo: dar explicações racionais para a perda de um emprego ou relacionamento convencendo-se de que estes objetos perdidos possuíam defeitos. quando na verdade este sentimento é para com ele mesmo.) e até mesmo no funcionamento do corpo ( p. Por exemplo: negação de um diagnóstico grave. fantasia de que alguns fatos não ocorreram ou não “foi bem assim”. quando os impulsos sexuais não podem ser satisfeitos.

fase genital. São elas: fase oral. fase anal. estimulada através da amamentação e do seio materno. A fase oral desenvolvida tardiamente pode incluir a gratificação de instintos agressivos com o uso dos dentes para morder o seio.www. período de latência e fase genital. transtorno obsessivocompulsivo (TOC).br Deslocamento: Acontece quando o objeto que satisfazia um impulso do Id não está presente. Fase Anal: Por volta dos dois anos de idade a criança aprende a controlar os esfíncteres anais e a bexiga. A obtenção deste controle fisiológico provoca sensações de prazer. Seria esta a responsável pela compreensão de toda a vida psíquica posterior na fase adulta. Além disso. O corpo é cercado de regiões (zonas) erógenas que sob estimulação provocam sensações prazerosas. Freud associou a satisfação através desta estimulação à fases de desenvolvimento infantil. O termo fixação foi designado para descrever um estado em que parte da libido permanece investida em uma das fases psicossexuais. Através de suas observações ele categorizou o desenvolvimento infantil em fases psicossexuais do desenvolvimento. porém quando estão fortemente associados e trazem dificuldades sociais caracterizam-se enquanto neuroses. a criança é também confortada. Ao nascer o bebê vai descobrindo tais áreas através da estimulação. as crianças vão percebendo que este controle pode ser alvo de elogios e Karina de O. quando a tensão foi provocada por um outro estressor. A boca neste momento é a única parte do corpo que a criança pode controlar. ou bater numa criança quando uma agressividade não pode ser expressada em direção ao fator desencadeante.com. Por exemplo: fobias. acalentada e acariciada. devido à uma frustração na fase atual ou satisfação excessiva na fase anterior. Por exemplo: gritar com um cachorro. Além disso. A pessoa então desloca este impulso para outro objeto. Fase Oral: A primeira zona erógena é a boca. ao ser amamentada. Neurose: Os mecanismos de defesa contra a ansiedade podem ser encontrados em indivíduos saudáveis. histeria. fase fálica.educapsico. entre outros. Freud revelou a presença de uma sexualidade infantil. língua e mais tarde dentes. Lima CRP: 84326/06 Organização e Coordenação 78 .

é comum que brinquem ou perguntar se podem se casar com os pais. como por exemplo. Lima CRP: 84326/06 Organização e Coordenação 79 . porém. Nesta fase aparece o conflito de substituir os pais e a rivalidade contra aquele que “está tomando o seu lugar”. por que as meninas não tem pênis. permanece inconsciente. o pai aparece como um rival. frente aos desejos incestuosos e à masturbação. V antes de Cristo.educapsico. Este conflito foi denominado por Freud de Complexo de Édipo. Esse complexo acaba sendo reprimido. sem saber de quem era filho realmente. se elas conseguem urinar. Fase Fálica: Acontece quando as crianças se dão conta da diferença sexual. É tarefa do superego (que está em desenvolvimento) impedi-lo de aparecer ou até mesmo que haja uma reflexão sobre ele. Junto com o desejo de tomar o lugar do pai está o medo de ser machucado. Ele interpreta este anseio como um temor de que seu pênis seja cortado. Karina de O. Neste momento. que é nesta época o órgão de sua satisfação de prazer. de Sófocles no séc. As crianças demonstram interesse em explorar e manipular esses genitais. Complexo de Édipo – A Lei. a Castração: O Complexo de Édipo acontece diferentemente para as meninas e meninos. Para o menino.br atenção por parte dos pais. Acontece. inspirado no mito grego do Édipo Rei. a realidade e a moral colocada pelos pais entram em conflito com os impulsos do Id. mais tarde quando descobre a verdade. uma vez que hábitos de higiene são treinados cercando esta zona erógena de tabus e proibições. Freud explicou o Complexo de Édipo masculino mais detalhamente.www. O foco do prazer deixa de ser o ânus e passa a ser o genital. Dúvidas e fantasias aparecem. Este é o chamado temor de castração. que a criança pode perceber que ir ao banheiro é algo “sujo” e traz repugnância. O jovem Édipo.com. de forma parecida com o que acontece no mito do Édipo rei. Podem manifestar ciúmes da atenção dada um pelo outro no casal. enquanto os meninos se dão conta da presença de um. As meninas se dão conta da falta de um pênis. O pai e a mãe passam a ser objetos de curiosidade e interesse também. ele próprio arranca seus dois olhos. que deseja estar próximo de sua mãe. etc. mata o pai e se casa com a mãe. Ao mesmo tempo ele também deseja o amor e afeição de seu pai e desta forma ele vive um conflito de desejar o amor dos pais e ao mesmo tempo temê-los.

A resolução do Complexo: a ansiedade de castração nos meninos fará com que eles abandonem seus desejos incestuosos pela mãe e superem o complexo identificandose ao pai.www.com. isto é. a interdição paterna. parece haver uma menor repressão e o que foi observado é que elas permanecem nesta situação edipiana por mais tempo e até mesmo a resolução pode ser incompleta. como nas amizades. conscientes de suas identidades sexuais distintas começam a buscar formas de satisfazer suas necessidades eróticas e interpessoais. uma vez que ela é a fonte de alimento. Período de latência: Independentemente de como se dará a resolução deste conflito com os pais. entre outros. Para os meninos é a castração que os faz superar o complexo de Édipo.br Para as meninas o complexo foi chamado de Complexo de Electra. Mas ela perceberá que a mãe não pode lhe dar aquilo que lhe falta: um pênis.educapsico. transformados em atividades socialmente produtivas. Surge aí uma hostilidade frente à mãe e seu interesse será destinado ao pai. Narcisismo: Narcisismo primário: Karina de O. Para as meninas é justamente a castração que faz iniciar Complexo de Édipo. para as meninas o primeiro objeto de amor é a mãe. Assim como para os meninos. aquele que pode lhe dar um pênis ou um substituto deste. Lima CRP: 84326/06 Organização e Coordenação 80 . Os impulsos sexuais pré-genitais que acabem não tendo êxito na sexualidade genital podem então ser recalcados ou sublimados. As meninas também passam a identificar-se com a mãe e assumem uma identidade feminina. No conflito das meninas. afeto e segurança. esportes. A sexualidade não avança mais e os anseios sexuais até diminuem. Fase Genital: Nesta fase final do desenvolvimento psicossexual meninos e meninas. É instaurada a lei da proibição. a maioria das crianças por volta dos 5 anos de idade passam a demonstrar interesse em outros relacionamentos. A repressão feita pelo superego neste momento é bem sucedida e os desejos não resolvidos da fase fálica não perturbam mais. Passa a buscar nos homens similaridades do pai.

Manifestações do Inconsciente: Freud percebeu. Freud diferenciou a libido do ego da libido do objeto.www. uma vez que no estado de vigília muitas ações são inaceitáveis devido à repressão e moral. Karina de O.br Em 1914. Durante as primeiras experiências do bebê o ego ainda não está formado. Pode-se falar também em auto-erotismo e amor objetal. embora apareçam de maneira não clara. desenvolvendo o que Freud chamou de amor objetal. O inconsciente aparece então nos sonhos. ou gostaria de possuir. na impossibilidade de manter-se como seu próprio objeto de amor. os conteúdos aparecem disfarçados. isto é. Lima CRP: 84326/06 Organização e Coordenação 81 . Esta distorção permite que o desejo seja aceitável ao ego.com. há portanto uma renúncia ao próprio narcisismo que ele já viveu. Já na escolha narcisista. Os conteúdos do sonho são conteúdos manifestos. através da consciência e sim de forma encoberta. nas chistes e atos-falhos. morder o pé. Nos sonhos. Na escolha anaclítica.. distorcidos pelos mecanismos de deslocamento e da condensação. aparentemente sem nexo e sentido. O narcisismo primário termina quando o desenvolvimento psicossexual se completa. Narcisismo secundário: A escolha objetal pode dar-se de duas maneiras. Existe a escolha anaclítica e a escolha narcisista.educapsico. ele ama alguém que apresenta características bem semelhantes às que ele próprio possui ou possuiu. Neste amor objetal o sujeito deve fazer escolhas e para que isto ocorra o indivíduo deve ter percorrido os estágios psicossexuais do desenvolvimento e até mesmo elaborado o complexo de Édipo. e o auto-erotismo (satisfação pelo e no próprio corpo: chupar o dedo. Depois. através do método da associação-livre e a partir dos relatos de sonhos de seus pacientes que o inconsciente não se revela diretamente. são manifestados..) vem como uma forma de satisfação libidinal. diferentemente de conteúdos latentes. não temendo punições. que não conseguem aparecer. o indivíduo busca no objeto de amor por exemplo. a mulher ou o homem que uma vez o protegeu. Sonhos e elaboração onírica: Forma de satisfação de desejos que não foram ou não puderam ser realizados. o indivíduo busca no amor objetal por exemplo a sua própria imagem. este indivíduo volta-se finalmente para um objeto externo.

Nos sonhos traumáticos. A relação pacienteKarina de O. dependendo de como fossem manejados. tanto negativos quanto positivos. Muitos sonhos traumáticos de guerra que aconteciam repetidamente durante o sono de alguns indivíduos que viveram situações de guerra. um dos livros mais importantes. também há redução de tensão e produção de prazer. quem reconheceu sua importância para a psicanálise para uma melhor compreensão dos sentimentos dos pacientes. A partir daí. Tais sentimentos estariam contribuindo para o sucesso do tratamento ou fracasso. Chistes. temores e ódio.com. pois energias acumuladas são descarregadas. A interpretação de um sonho para Freud só terá sentido no próprio discurso do indivíduo. erro de endereço. Esta aparição do inconsciente é dada através dos mecanismos de condensação e deslocamento. É trabalho do analista ajudar o paciente a interpretar o sonho. Regras gerais podem não ser válidas. Essas repetições podem ajudar o indivíduo de alguma forma a elaborar suas angústias. Assim.br Fisiologicamente a função do sonho é manter o sono. entre outros).educapsico. foram interpretados por Freud como uma necessidade de elaboração da situação traumática. O livro de Freud publicado em 1900. mesmo que não tenha havido uma realização na realidade físico-sensorial dos desejos. Lima CRP: 84326/06 Organização e Coordenação 82 . do paciente para com seu analista e do analista para com seu paciente. proporcionar um momento de satisfação para que o indivíduo não desperte. Foi primeiramente descrita por Freud. caracterizado pelo direcionamento inconsciente de sentimentos de uma pessoa para outra. nos pesadelos. Transferência: Transferência é um fenômeno na psicologia. Freud percebeu a importância de analisar e perceber a expectativa projetada e sentimentos. ele criou o conceito de transferência e contra-transferência. durante o sonho há uma satisfação adicional ou uma redução da tensão. “A interpretação dos Sonhos” é considerado dentro de sua obra.www. piadas) e atos falhos (troca de nome aparentemente acidental. No decorrer de seus atendimentos e a partir de alguns casos de abandono de tratamento. ato falhos: assim como nos sonhos o inconsciente se manifesta nos chistes (brincadeiras.

isto é. que foi definido pelo autor como “estruturado como uma linguagem”. foi um psicanalista francês. através da fala. Trabalha como interno da Enfermaria Especial para alienados da Chefatura de Polícia. Lima CRP: 84326/06 Organização e Coordenação 83 . Propõe então um “Retorno a Freud” . constrói uma imagem de si. Seu ensino deu-se primordialmente através de seminários e conferências. Fica assim sendo representante importante do Estruturalismo. permite a construção de um relacionamento inédito para o paciente. Pode prescindir de um espelho. Jacques Lacan Marie Émile Lacan (1901-1981). REGISTROS: Imaginário: Forma-se a partir do Estádio do Espelho: • Descrito como o momento em que a criança descobre. Formou-se em Medicina e especializou-se em Psiquiatria. o registro no Campo Simbólico e o Registro no Campo do Real. onde uma imagem é projetada ou não Karina de O. na medida em que permite a atualização dos conteúdos inconscientes que permeiam as relações interpessoais do paciente. o instrumento terapêutico principal. A transferência que surge nesta relação torna-se. Contra-transferência: O analista deve tomar cuidado com a contra-transferência.www. Num primeiro momento faz parte da IPA (International Psicoanalises Association) mas depois acaba saindo e afirmando que os pós-freudianos haviam se desviado da proposta Freudiana. É a partir do campo simbólico. o que pode dificultar a relação terapêutica. sem risco de juízos alheios. Para Lacan há três registros psíquicos: o registro no Campo Imaginário. Interesse-se pelo estudo das psicoses e em toda sua obra haverá um aprofundamento sobre tratamento de psicóticos. da linguagem é possível que haja o acesso ao inconsciente.com.educapsico. Estuda literatura e filosofia e aproxima-se dos surrealistas. então. Estuda lingüística e antropologia estrutural (Levi-Strauss) e incorpora esses conhecimentos em sua teoria.br terapeuta sob o contexto da livre-associação. com o processo contrário em que afetos do analista são transferidos para o paciente.

Traços imaginários. Passa a haver uma divisão entre um mundo interno e externo. por exemplo. deseja ser um todo. a hiância que havia antes entre o corpo e sua imagem é então preenchida. 1ª etapa: a criança reconhece na imagem do espelho uma realidade ou pelo menos a imagem de um outro. com o pênis. No estádio do espelho este corpo dá lugar a uma imagem totalizada do corpo. • Esta relação com o espelho. ou relação especular. aos seus semelhantes. • O indivíduo tem por desejo ser o desejo de sua mãe. cujas características são: relação imediata.com. um complemento. Lima CRP: 84326/06 Organização e Coordenação 84 . este outro que estaria detrás do espelho. identificação narcísica. 3ª etapa: A criança reconhece este outro como sendo sua própria imagem.www. uma vez que a criança identifica-se com algo que não é ela própria mas que lhe permite reconhecer-se. • • Uma unidade e uma subjetivação e também alienação. Há uma indistinção da criança com a mãe. momento de constituição do ser. mas também que seja o que falta a essa mãe. tem traços em comum com a relação da criança com sua mãe.br necessariamente. ao desejo de sua mãe. 2ª etapa: A criança não mais tenta pegar este objeto real. Simbólico: Karina de O. E é por isto que a definição de desejo na teoria lacaniana é: “o desejo é o desejo do outro”. A criança deseja não só receber os cuidados e afeto de sua mãe. A brecha.educapsico. Em termos lacanianos esta criança deseja ser o Falo desta mãe. Lacan descreve uma identificação primária da criança com a sua própria imagem e a qualifica de imaginária. indistinção. No caso de uma pessoa cega. • Ponto decisivo na origem do ser. Não há um eu antes do estádio do espelho. alienação. Antes há a noção de um corpo despedaçado. portanto. aquele que detém o poder de possuir o que falta ao outro. com o órgão sexual. subjugação da criança à sua imagem. pois o outro também faz a função de espelho. Falo não deve se confundido.

3º tempo do Édipo: acesso ao Nome-do-Pai e à ordem simbólica. Este priva a mãe de um Falo. – (Semântica). uma falta de ser.www. aquele quem tem o falo e haverá a entrada na ordem simbólica. inerentes a esta trama da linguagem. Se a mãe aceita a lei do paterna. a função paterna a criança então se identificará ao pai. Lacan enquanto pesquisador no campo da lingüística. Passagem do ser ao ter.com. é privada disto pelo pai. O simbólico traz consigo a cultura. a linguagem e a civilização. O inconsciente é estruturado como linguagem: ao aceder à linguagem o sujeito é dominado e constituído pela ordem simbólica. castração (ser castrado significando não ter o Falo). 1º tempo do Édipo: Coincide com a 3ª etapa do Estádio do espelho. de Saussure sobre significantes e significados.. onde havia uma indistinção dela com esta própria mãe. Esta castração mostra ao sujeito que há uma FALTA . A língua.) –( Semiologia) O discurso pronunciado refere-se aos significados. Significantes são desde oposições fonemáticas até locuções compostas (frases. traz a contribuição de F. 2º tempo do Édipo: interdição do pai. Supremacia do significante: “Os significados são apenas variações individuais e só ganham coerência dentro da coerência da rede significante”.. refere-se aos significantes. A criança sai da relação dual com a mãe para entrar então em na tríade familiar. é quem tem o falo. o código. A criança que queria ser o falo da mãe. Lima CRP: 84326/06 Organização e Coordenação 85 . O pai portanto.br Acesso à ordem simbólica: a partir do Complexo de Édipo. Acontece aí o encontro com a Lei do Pai. O sujeito entra na trama da linguagem. Karina de O. uma vez que a criança percebe que este pai é desejo da mãe.educapsico.

Perversão: No Édipo só aceitará a castração se houver a possibilidade de transgredi-la. Dificuldade de perceber a ausência do pênis na mãe. Por exemplo. Este significante esconde outros tantos como. dizer a um homem: “ Você é um touro”..br Rede ou cadeia significante: significantes expressos possuem outros significantes associados. Karina de O. Há uma substituição. Perversão. Frente à angústia de castração há a mobilização de recursos defensivos para contorná-la. resistência . muitos inconscientes. Há uma combinação. Sincronia. Perversão feminina traz uma discussão problemática. O significante Touro engloba outros: força.. Traços: desafio e transgressão. Dependem principalmente do que se passou durante as fases inicias: Estádio do Espelho e vivência do Édipo. tem por traz destes significantes muitos outros relativos à cultura da segregação dos sexos. e denegação da realidade. Psicose. Defesas: fixação e a regressão. Perversão descrita e percebida nos homens. Mecanismos constitutivos da homossexualidade e do fetichismo.educapsico. Metáfora : correspondente do termo Freudiano de condensação.www.. Exemplo: “Sou Estagiário”. resto inassimilável. Lima CRP: 84326/06 Organização e Coordenação 86 . Por exemplo: as inscrições : Homem / Mulher nas portas de banheiros públicos. Parte pelo todo. “Estou numa fase de transição. braveza .” Metonímia: correspondente do termo Freudiano de deslocamento. Há leis que regem a linguagem e o inconsciente: a metáfora e a metonímia. Todo pela parte. “minha responsabilidade ainda não é a de um profissional”.com. “ainda não possuo um título”. aquilo que se passa no corpo mas não consegue ser totalmente simbolizado. Real Toca naquilo que no sujeito é o "improdutivo". Diacronia. Não consegue assumir a sua parte perdedora. Estruturas clínicas: Neurose. um estágio pelo qual devo passar para alcançar algo”.

Os psicóticos estariam presos ao corpo despedaçado. Karina de O.com. Sentem-se amados demais pela mãe. Psicose: A psicose está relacionada com uma passagem mal sucedida pelo estádio do espelho. Caráter imperioso da necessidade e do dever. marcada pelas identificações com o outro. se submetendo a ela de bom ou mal grado. Sedução: mais colocada a serviço do falo do que de seu desejo. A única lei do desejo é a sua e não do outro. Neurose Obsessiva: Nostálgicos do ser. O estádio do espelho é responsável pela estruturação do sujeito humano. Mas acredita que o pai só o tem porque tirou da mãe. Obstinação. Isolamento. A mãe poderia encontrar nesta criança o que supostamente espera do pai. No desejo histérico há uma constante: permanecer insatisfeita. Indecisão permanente. Competição e rivalidade.br Desejo: orientado pela questão da castração.www. Há assim uma reivindicação permanente pelo fato de a mãe também poder tê-lo e o próprio sujeito também poder tê-lo. Ambivalência. com o semelhante. Implicitamente há uma sensação no histérico de que ele não pode ter o falo. Não há o desejo do desejo do outro. que se dá no declínio do Complexo de Édipo. que existe antes da identificação do corpo à imagem especular. Evita o encontro com a falta. mas desenvolve uma nostalgia sintomática diante da perda sofrida. Lima CRP: 84326/06 Organização e Coordenação 87 . Neurose: Aceita a obrigatoriedade da castração.educapsico. que é formado a partir da linguagem. O pai tem direito ao falo e é por isso que a mãe o deseja. Neurose Histérica: Questão do passo a dar na assunção da conquista do falo. Anulação Retroativa. Ocupa o lugar de gozo do outro. Quer assegurar o controle onipotente do objeto. nos psicóticos uma falha na dinâmica imaginária. Criança se coloca numa posição de suplência à satisfação do desejo materno. que é quem o possuía anteriormente. portanto. Traços: economia obsessiva do desejo. Não há a renúncia ao objeto primordial. Como se esta satisfação lhe tivesse sido uma falha. Há um acidente na organização de seu psiquismo. Organização obcecante do prazer. Há. Traços: reivindicação do ter.

a Psicologia entra na sua vida. a chamada palavra induzida. Então. cursou Medicina e especializou-se em Psiquiatria. Este pedia que o sujeito do experimento respondesse com a primeira palavra que viesse a sua mente. o experimentador. Jung conclui a faculdade de medicina e saiu da Basiléia para ser o segundo assistente no Hospital Psiquiátrico Burgholzli em Zurique. Neste modelo havia uma pessoa. que tem como base experiências de associação verbal. Jung se interessava pelos estudos feitos por Freud.com. já tinha noções de Kant e Goethe. Karina de O. tanto biológica como espiritualmente. chamadas palavras indutoras.br Os fenômenos elementares da psicose são: alucinações auditivas ou visuais. como Jung. interpretações delirantes. Era medido o tempo de resposta entre dizer a palavra indutora e responder a palavra induzida. aproxima-se da Psicanálise. Em 1900.educapsico. e com isso veio a hipótese de que essas palavras deveriam atingir conteúdos emocionais das pessoas. com tal interesse pelo homem. Notando uma proximidade entre seus estudos e aqueles feitos por Freud. afrouxamento dos elos associativos. que dizia palavras isoladas. Jung observou as diferentes reações nos sujeitos. Com suas experiência. idéias que influenciaram a construção de sua Psicologia Analítica. Os estudos de Bleuler e seus colaboradores. que utilizava a teoria do associacionismo. e alterações diversas de linguagem. ou ainda áreas de bloqueio afetivo de que os sujeito não tinham consciência. Dessa maneira. voltam-se à esquizofrenia.www. Bleuler também trazia à Psiquiatria uma base psicológica. O hospital era dirigido por Eugen Bleuler. a cada palavra indutora. Depois teve interesse pelas idéias de Schopenhauer e Nietzsche. Carl Jung Carl Gustav Jung nasceu em 1875 na Suíça. Lima CRP: 84326/06 Organização e Coordenação 88 . Ingressou nas Universidades de Basiléia e Zurique para estudar medicina.

Lima CRP: 84326/06 Organização e Coordenação 89 . Criou a Psicologia Analítica e é visto como um dos grandes expoentes do século XX. então. amigos e pacientes cria sua Escola. preenchidas por materiais da realidade. são experiências comuns a toda humanidade. pois.com. ou seja. nas grandes religiões. pensamentos e memórias compartilhadas por todos os seres humanos. cultura e individuais. há um núcleo que possui alta carga afetiva. Karina de O.www. tais como: enfrentar a morte de um ente e cuja manifestação simbólica encontra-se nos mitos. Para o desenvolvimento de suas teorias Jung utilizou conhecimento de mitologia (trabalhos em colaboração com Kerensky) e História e culturas de países como México. Índia e Quênia Jung adoeceu e faleceu em 06 de junho de 1961.br Desde então. O arquétipo traduz-se. Nisso. O inconsciente coletivo se compõe do que ele chamou de arquétipos. A origem do complexo é uma situação psíquica considerada incompatível tanto com a atitude como com a atmosfera consciente de costume. ou seja. Inconsciente Coletivo. formando assim a chamada “psique parcelada”. A afinidade entre as idéias de Freud e Jung deteriorou-se com a publicação da Psicologia do Inconsciente. em 1912 (revista em 1916). em que Jung apresenta noções parecidas entre as fantasias psicóticas e os mitos antigos. Este passa a estabelecer associações com outros elementos. sendo assim.educapsico. incentivado por colegas. Em sua obra constam as questões espirituais. nos contos de fadas e outros. na Alquimia. ou imagens primordiais. idéias ou representações afetivamente carregadas e autônomas da psique consciente. enquanto fenômenos psíquicos. O inconsciente coletivo são sensações. nas fantasias. Deixa contribuições científicas importantes para o estudo e compreensão da alma humana. Buscava com palavras indutoras descobrir os conteúdos inconscientes que estavam sendo alcançados e denominou-os “complexo psíquico”. essas experiências tornaram-se uma forma de explorar o inconsciente. independente das diferenças de raça. em Kusnacht. em imagens formadas a partir da interação com ambiente.

Persona: é a forma que nos apresentamos ao mundo. nas produções do inconsciente de modo geralseja nos sonhos de pessoas normais. tornar-se um ser único.educapsico. Este outro lado foi chamado de Sombra. ninguém vive inteiramente dentro dos moldes que são determinados pela consciência coletiva. postulando a existência de uma base psíquica comum a todos os humanos. o núcleo do material que foi reprimido da consciência.Sombra: é o centro do inconsciente pessoal. na filosofia. O termo Persona é derivado da palavra latina equivalente à máscara. ou seja. profissionais e nossa expressão pessoal. isto se torna. pois. . tentando preenchê-los e corresponder às expectativas. Através do processo de individuação o homem realiza sua potencialidade ou auto desenvolvimento. nos mitos nos dogmas e ritos das religiões. 1971). o indivíduo assume os papéis que lhe cabem nas diferentes situações em que se encontra. uma fonte de neuroses. aquilo que descuidamos e nunca desenvolvemos em nós mesmos. Lima CRP: 84326/06 Organização e Coordenação 90 . dos seus defeitos e impulsos contrários aos padrões e ideais sociais.com. para se adaptar ao ambiente em que vive. Abaixo descrevemos cada um desses arquétipos. . através dela nos relacionamos com as outras pessoas. Então. a Anima. o Animus e o Self. O Ego identifica-se com a Persona em maior ou menor grau. nas artes. nos contos de fadas.www. Processo de Individuação e os Arquétipos. ou seja. a Sombra é aquilo que consideramos inferior em nossa personalidade. Os principais arquétipos descritos no processo de individuação são: a Persona. a Sombra. À medida que o Ego rejeita a imagem ideal que tem de si. o indivíduo passa a se defrontar com um outro lado. sejam em delírios dos loucos” (SILVEIRA. Karina de O. A Persona inclui nossos papéis familiares. permite compreender por que em lugares e épocas distantes aparecem temas idênticos. Para Jung os arquétipos são elementos necessários para a auto-regulação da psique.br “A noção de arquétipo. É o nosso caráter. então.

sereia etc. unificação. São componentes contrasexuais inconscientes. Este centro se constituirá num ponto de equilíbrio que garante uma base sólida para a personalidade. como pensamentos rígidos. Introversão e Extroversão. é organizador e determina o desenvolvimento psíquico. em outras situações a extroversão é mais adequada. Para Jung.com. ou seja. Karina de O.Self: é chamado por Jung de arquétipo central. A Anima geralmente é representada por princesa. . como um círculo ou quadrado. nenhum indivíduo é apenas introvertido ou extrovertido. Como o processo de individuação é uma aproximação entre consciente e inconsciente. feiticeiro etc.educapsico.www. Já o Animus é representado como príncipe. sensibilidade e outros Já na mulher o Animus personifica as características masculinas. fada. ou equilíbrio dinâmico. ou seja. o arquétipo da ordem. enquanto a energia do extrovertido se direciona mais para seu mundo externo. os objetivos do processo de individuação. à medida que a consciência do homem é masculina. Estes são arquétipos que determinam o encontro do eu com o outro. eles se complementam. a Anima é a personificação das tendências psicológicas femininas na psique do homem. Mas. haverá uma outra parte feminina em seu inconsciente e vice-versa para a mulher. Lima CRP: 84326/06 Organização e Coordenação 91 . ou seja. tais como: sentimentos.Anima e Animus: são os arquétipos feminino e masculino. ou de forma pessoal como um velho ou uma velha sábia. muda de acordo com a ocasião em que algumas vezes a introversão é mais apropriada e.br . Para Jung cada indivíduo se caracteriza de acordo com como é voltado para seu interior ou para o exterior. da totalidade da personalidade. O Self é simbolizado em sonhos ou imagens de forma impessoal. Uma exclui a outra. estados de humor. O processo de individuação tem como meta o Self. ou na forma de outro símbolo de divindade. uma criança divina. portanto não se pode manter ambas ao mesmo tempo e uma não é melhor do que a outra. Todos estes são símbolos da totalidade. herói. A energia daqueles que são introvertidos se direciona para seu mundo interno. o Ego não será mais o centro.

são formas de adquirir informações e não formas de tomar decisões. com tendência à introspecção. b) Extrovertidos Já os extrovertidos estão ligados ao mundo externo das pessoas e dos objetos. sensação e percepção. em seu mundo interior. o ideal é que cada indivíduo seja flexível e possa adotar uma das duas de acordo com o que for necessário. tais como. São pessoas sociáveis e conscientes do que acontece à sua volta. . Eles relacionam prontamente as experiências passadas complacentes e as experiências relevantes atuais. Os intuitivos dão mais importância ao que poderia vir a acontecer. têm como característica fazer grandes planos. São pessoas que têm como base as idéias de outros. confrontando-se o inconsciente pessoal e integrando-o com o inconsciente coletivo.Intuição: é uma forma de acionar informações das experiências passadas. um paciente pode alcançar um estado de individuação. Pensamento. representado no arquétipo da sombra coletiva.www. tocar. As pessoas em que predomina o pensamento são consideradas reflexivas e. O pensamento está relacionado com a verdade e com julgamentos. e acabam não desenvolvendo suas próprias idéias e opiniões. Mas. Os Karina de O. . objetivos futuros e processos inconscientes.educapsico. intuição.br Os dois tipos de pessoas são necessários no mundo. o que se pode ver. de fatos concretos. Mas. ou seja. Intuição. pois. e que haja um equilíbrio.Pensamento: é uma maneira diferente de preparar julgamentos e tomar decisões.com. na percepção de detalhes. Têm que se proteger para que não sejam englobados pelo mundo externo. ou que seria possível. que às vivências. ou a integridade. A Sensação está ligada à experiência direta. . Lima CRP: 84326/06 Organização e Coordenação 92 . a) Introvertidos Os introvertidos estão ligados em seus próprios pensamentos e sentimentos. através da reconciliação dos diversos estados da personalidade.Sensação: é classificada junto com a intuição. pensamento. Sensação e Sentimento Para Jung. tornando raro seu contato com o ambiente externo. que é dividido também nas subvariáveis. tem que se tomar cuidado para que estas pessoas não mergulhem de forma excessiva em seu mundo interior.

Sentimento: uma maneira alternativa de preparar julgamentos e tomar decisões. à priori o inconsciente se expressa através de símbolos. de personalidade podem ser determinantes para o aparecimento de uma doença mental. desejável. têm facilidade de lidar com crises e emergências cotidianas. Para Jung. Para ele um símbolo é alguma coisa em si mesma. Bock. Sonhos Os sonhos possuem mais emoções intensas e imagens simbólicas que nosso pensamento consciente. Os mecanismos de defesa são processos realizados pelo ego e são inconscientes (Schultz & Schultz. que representa uma dada situação psíquica do indivíduo. mas possui significados além do convencional e óbvio. os mecanismos de defesa deformam ou suprimem a realidade para evitar uma percepção aversiva. Ele se interessa por símbolos naturais. Fatores genéticos. orgânicos. 1995). Dão valor à consistência e princípios abstratos. sociais. proteger o aparelho ps íquico. e assim. Pode ser um termo. Símbolos Para Jung. 1998. Karina de O. Os sentimentais são voltados para o lado emocional da experiência. algo dinâmico. Cerca de 30% dos trabalhadores são acometidos por transtornos mentais leves e 5 a 10% por transtornos mentais graves (OMS apud Ministério da Saúde do Brasil. Lima CRP: 84326/06 Organização e Coordenação 93 . um nome ou uma imagem familiar na vida diária. Mais sobre mecanismos de defesa encontra-se em outros tópicos dessa apostila. Suas decisões são tomadas de acordo com seus valores.educapsico. Como forma de proteger o aparelho ps íquico.br sensitivos respondem ao presente. 2001). Trabalham como pontes entre consciente e inconsciente. que são produções espontâneas da psique individual. Saúde Mental A doença mental pode ter diferentes causas e em muitos casos mais de um fator atua como causa.com. de preferência emoções fortes. Mecanismos de ajustamento O termo ajustamento tem relação com ajustar-se ao que é aceito. .www. a função dos sonhos é tentar equilibrar o nosso psicológico através da produção de um material do sonho que refaz o equilíbrio ps íquico total. Os símbolos coletivos também são importantes e geralmente são imagens religiosas.

seus colaboradores. Karina de O. foi responsável pela descoberta da síndrome do trabalho vazio entre bancários. autonomia e controle o trabalhador tem no seu ambiente de trabalho. paranóia entre digitadores. mais favoráveis a saúde é o ambiente de trabalho. podem ser fontes de stress para os trabalhadores (Ministério da Saúde do Brasil. 2003). entre outros. Desta forma. Para Codo (2002) apud Jacques (2003). Segundo Codo (1997. histeria em trabalhadores de creches e burnout em educadores" (CODO. Além desses instrumentos. ou seja. com seus avanços e recuos. Lima CRP: 84326/06 Organização e Coordenação 94 . Os fatores do trabalho que influenciam na saúde das pessoas são muitos. A perda de controle gera sofrimento e sensações de desprazer no trabalhador. 2002). Portanto. quanto mais liberdade.educapsico. uma clínica (por exemplo. admite que o trabalho tem um papel estruturante na vida do ser humano. há uma multiplicidade de fatores envolvidos na determinação de doenças mentais e comportamentais relacionadas ao trabalho. em Jacques (2003) o trabalho deve gerar significado para o homem e as doenças psíquicas relacionadas ao trabalho ocorrem quando este atinge sua dimensão geradora de significado. 2002. a escala de histeria e de depressão) e uma de alcoolismo.www.com. p. nova função.185 apud JACQUES. tem como objetivo em seus trabalhos identificar quadros psicopatológicos e relacioná-los a categorias profissionais.br Na sociedade capitalista o trabalho é mediador da integração social e tem uma grande importância para a saúde (física e mental) das pessoas. juntamente com outros autores. ou seja. Sobre a importância de suas investigações e do seu método investigativos pode-se recorrer às palavras do próprio autor: “este método de investigação. subemprego. não é possível analisar e pensar no bem estar psíquico do individuo sem pensar nas relações que o mesmo estabelece com o trabalho. 2003). Codo e seus colaboradores elaboraram uma metodologia baseada em 13 escalas de trabalho. queda). Codo. Condições de emprego. cruzam-se informações do trabalho com escalas clínicas. são utilizados nessa metodologia um protocolo de observação e são analisadas entrevistas que tinham por finalidade diagnosticar a psicodinâmica. 2001). mudanças no trabalho (promoção. Este autor tem uma perspectiva psicossocial da saúde mental. informações objetivas e subjetivas são utilizadas (JACQUES.

2001). Veja: • Demência em outras doenças específicas classificadas em outros locais (F02.educapsico. Solicitar emissão do CAT pela empresa e preencher o LEM para encaminhar ao INSS. verificar a necessidade de afastamento do trabalhador (total ou parcial) do ambiente de trabalho.-) • Alcoolismo crônico (relacionado ao trabalho) (F10.2) • Episódios depressivos (F32.0) • Transtorno mental orgânico ou sintomático não especificado (F09. notificação ao SUS de piora do caso. a saber: limitações em atividades cotidianas (vida diária).0) • Outros transtornos neuróticos especificados (inclui neurose profissional) (F48. 5. A portaria 1399 de 1999 aponta os transtornos mentais e de comportamento relacionados ao trabalho.0) • Transtorno cognitivo leve (F06. A AMA apud Ministério da Saúde do Brasil (2001) aponta as deficiências ou disfunções casadas pelas doenças mentais relativas ao trabalho. 3. não-sobreposto à demência. concentração. como descrita (F05. 4. recomendações à empresa sobre fatores de controle e proteção que devam ser adotados (Ministério da Saúde do Brasil. persistência ou ritmo (capacidade de completar tarefas).br Para a prevenção de doenças mentais relacionados ao trabalho são necessárias ações de vigilância aos ambientes e condições de trabalho (Ministério da Saúde do Brasil.-) • Estado de estresse pós-traumático (F43. exercício de funções sociais (diz respeito a capacidade de comunicação eficiente com outras pessoas).2) Karina de O. Lima CRP: 84326/06 Organização e Coordenação 95 . 2001).7) • Transtorno orgânico de personalidade (F07. 2.8) • Delirium. podendo ser esse afastamento temporário ou permanente.1) • Neurastenia (inclui síndrome de fadiga) (F48. busca por outros casos e também por fatores de risco na empresa e em empresas que trabalham no mesmo ramo de atividades.www. Quando há o diagnóstico de uma doença relacionada ao trabalho deve-se proceder da seguinte forma: 1.com. acompanhar como o caso evolui.8) • Transtorno do ciclo vigília-sono devido a fatores não-orgânicos (F51. deteriorização ou descompensação no trabalho (o individuo não consegue se adaptar a situações estressantes). 6.

A consciência não é afetada e as deficiências cognitivas são acompanhadas e. outras doenças vasculares cerebrais isquêmicas e contusões cerebrais repetidas. “Demência é conceituada como síndrome. chumbo e arsênio). 1997). precedidas por deterioração do controle emocional. concentração. 2001. compreensão. • comprometimento ou incapacidade pessoal para as atividades da vida diária. da conduta social ou da motivação (Bertolote. deve ter acesso aos benefícios do SAT. ocasionalmente. na qual se verificam diversas deficiências das funções corticais superiores. doença de Huntington g. memória. derivados organometálicos (chumbo tetraetila e organoestanhosos). p. ocorrência de infartos múltiplos. Pode estar associada a inúmeras doenças que atingem primária ou secundariamente o cérebro. devida a uma patologiaencefálica. Para o tratamento o trabalhador deve ser afastado da exposição as substâncias acima citadas. entre elas. 164). intoxicações. alcoolismo. de caráter adquirido. sulfeto de hidrogênio (H²S).educapsico. linguagem. linguagem e julgamento. juízo crítico e comportamento social adequado.8 apud Ministério da Saúde do Brasil (2001). hipotireoidismo adquirido. doença de Parkinson g. degeneração hepatolenticular. como as sofridas pelos boxeadores” (Ministério da Saúde do Brasil. lúpus eritematoso sistêmico. capacidade de aprender. tripanosomíase. como: capacidade de aprendizagem.com. atenção. Os fatores de risco são: .0) DEMÊNCIA EM OUTRAS DOENÇAS ESPECÍFICAS CLASSIFICADAS EM OUTROS LOCAIS CID-10 F02.br • Sensação de estar acabado (síndrome de burn-out g. geralmente crônica e progressiva. cálculo. epilepsia. capacidade de resolver problemas.www. metais pesados (manganês. sulfeto de carbono. deve ser atendido em suas necessidades emocionais e também ser tratado com fármacos e por último é necessário Karina de O. Critérios diagnóstico: • comprometimento ou incapacidade manifestada pelo declínio das funções cognitivas (corticais superiores). síndrome do esgotamento profissional) (Z73. doenças pelo HIV. nível de inteligência.Exposição a toxinas como monóxido de carbono (CO). orientação. incluindo: memória. pensamento. mercúrio. Lima CRP: 84326/06 Organização e Coordenação 96 .

166). Geralmente. Geralmente. focalizar. um curso breve e flutuante e uma melhora rápida assim que o fator causador é identificado e corrigido. Critérios diagnósticos: • rebaixamento do nível da consciência – traduzido pela redução da clareza da consciência em relação ao ambiente. da atividade.educapsico. p.0 apud Ministério da Saúde do Brasil (2001). do pens ament o (ideação delirante) e do comportament o (reações de medo e agit ação psicomot ora). nistagmo. “Delirium é uma síndrome caracterizada por rebaixamento do nível de consciência.www. das condições de trabalho e dos efeitos ou danos à saúde. DELIRIUM.com. Apresenta distintos níveis de gravidade. No que diz respeito à prevenção deve-se realizar vigilância dos ambientes. Podem ocorrer alterações do humor (irritabilidade). É o aspecto fundamental entre os critérios diagnósticos para o delirium. asterixis.CID-10 F05. com informações a gerência e colegas de trabalho sobre o diagnóstico do paciente e também buscando novos casos naquele ambiente. da percepção (ilusões e/ou alucinações especialmente visuais). de formas leves a muito graves. manter ou deslocar a atenção.” (Ministério da Saúde do Brasil. para recuperação completa ou para a morte. é necessário medidas de controle ambiental com a finalidade de eliminação e/ ou redução dos níveis de exposição e também realizar análise ergonômica do trabalho. dissulfeto de hidrogênio (H2S) (substâncias asfixiantes) e ao sulfeto de carbono são fatores de risco para o Delirium não sobreposto a demência. com distúrbio da orientaç ão (no tempo e no espaço) e da atenção (hipovigilância e hipotenacidade). o paciente apresenta uma inversão característica do ritmo vigília-s ono com sonolência diurna e agitação noturna.br realizar um manejo da situação de trabalho. O delirium pode ocorrer no curso de uma demência. 2001. com diminuição da capacidade de direcionar. A exposição às toxinas monóxido de carbono (CO). Assim. pode evoluir para demência. o delirium tem um início súbito (em horas ou dias ). associada ao comprometimento global das funções cognitivas. Karina de O. Lima CRP: 84326/06 Organização e Coordenação 97 . incoordenação motora e inc ontinência urinária. NÃO-SOBREPOSTO À DEMÊNCIA . Pode vir acompanhada de sintomas neurológicos como tremor.

ritmo e intensidade do trabalho.br • alterações na cognição. busca por outros casos e também por fatores de risco na empresa e em empresas que trabalham no convulsões Karina de O. 5. entre outros) e também realizar análise ergonômica do trabalho. organizar o trabalho de forma que o menor número de trabalhadores fiquem expostos as substâncias tóxicas pelo menor tempo possível. No que diz respeito à prevenção deve-se realizar vigilância dos ambientes. • existência de evidências a partir da história. Solicitar emissão do CAT pela empresa e preencher o LEM para encaminhar ao INSS. 3. estabelecida ou em evolução. Lima CRP: 84326/06 Organização e Coordenação 98 . verificar a necessidade de afastamento do trabalhador (total ou parcial) do ambiente de trabalho. deve ter suporte físico visando evitar acidentes e ser tratado com fármacos quando estiverem presentes e se insônia acontecerem (uso do haloperidol) podem e ser alucinações utilizados benzodiazepínicos) anticonvulsivantes. 4. uso de equipamentos de segurança. é necessário medidas de controle ambiental com a finalidade de eliminação e/ ou redução dos níveis de exposição (por exemplo. monitoramento da qualidade do ar. • perturbação que se desenvolve ao longo de um curto período de tempo (horas a dias). verificar o conteúdo das tarefas.com. Feito o diagnóstico deve-se. 2. com tendência a flutuações no decorrer do dia. proceder da seguinte forma: 1. Para o tratamento o trabalhador deve ser afastado da exposição as substâncias acima citadas. associada a uma situação de trabalho. podendo ser esse afastamento temporário ou permanente. fatores psicossociais e individuais. entre outros). desorientação. como já citado anteriormente.www. perturbação de linguagem ou desenvolvimento de uma perturbação da percepção que não é explicada por uma demência preexistente. acompanhar como o caso evolui. Assim. tais como déficit de memória. da atividade (por exemplo. das condições de trabalho e dos efeitos ou danos à saúde. uso de equipamentos de segurança.educapsico. notificação ao SUS de piora do caso. exame físico ou achados laboratoriais de que a perturbação é conseqüência direta ou indireta.

outros solventes orgânicos neurotóxicos. Os fatores de risco são: . p.www. Problemas no desempenho cognitivo. sulfeto de carbono. Fármacos como benzodiazepínicos para a ansiedade e insônia e também antidepressivos podem ser utilizados. Assim. da orientação. dificuldades de aprendizado e de concentração são utilizados para o diagnóstico de Transtorno Cognitivo Leve.Exposição a níveis elevados de ruído. Esses sintomas podem manifestar-se precedendo ou sucedendo quadros variados de infecções (inclusive por HIV ) ou de distúrbios físicos. tricloroetileno. 169). Dependendo da gravidade pode ser nec essário a reabilitação neuropsicológica e também a reabilitação profissional. sem que haja evidências diretas de comprometimento cerebral” (Ministério da Saúde do Brasil. recomendações à empresa sobre fatores de controle e proteção que devam ser adotados. é necessário medidas de controle ambiental com a Karina de O.Exposição às toxinas: chumbo e seus compostos tóxicos. tais como dificuldades de memória. das condições de trabalho e dos efeitos ou danos à saúde. tolueno e outros solventes aromáticos neurotóxicos. manganês e seus compostos tóxicos. O paciente se queixa de intens a sensação de fadiga mental ao exec utar tarefas mentais e um aprendizado novo é percebido subjetivamente como difícil. ainda que objetivamente consiga realizá-lo bem. Para o tratamento do Transtorno cognitivo leve relacionado ao trabalho deve –se afastar o paciente do ambiente de trabalho.educapsico. As medidas de prevenção são as mesmas já citadas quando discutidos outros transtornos. mercúrio e seus compostos tóxicos. tetracloroetileno. . Lima CRP: 84326/06 Organização e Coordenação 99 . a saber: realizar vigilância dos ambientes. TRANSTORNO COGNITIVO LEVE CID-10 F06. tanto cerebrais quanto sistêmicos. tricloroetano e outros solventes orgânicos halogenados neurotóxicos.7 apud Ministério da Saúde do Brasil (2001).br mesmo ramo de atividades.com. 6. 2001. da capacidade de aprendizado e reduç ão da capacidade de concentração em tarefas prolongadas. “Transtorno cognitivo leve caracteriza-se por alterações da memória.

www. entre outros).com. que pode ocorrer não apenas associada à lesão no lobo frontal. Caracterizase por uma alteração significativa dos padrões habituais de comport amento pré-mórbido. verificar o conteúdo das tarefas. tolueno e outros solventes aromáticos neurotóxicos . entre outros) e também realizar análise ergonômica do trabalho. p. deve-se proceder como já citado no início desse texto. É importante que se tenha a participação de trabalhadores nos níveis gerenciais para promoção de saúde e mudanças no ambiente que visem prevenção de doenças ocupacionais.Exposição às seguintes substâncias: brometo de metila. tricloroetileno. particularmente no que se refere à expressão das emoções.br finalidade de eliminação e/ ou redução dos níveis de exposição (por exemplo. As funções cognitivas podem estar comprometidas de modo particular ou mesmo exclusivo nas áreas de planejamento e antecipação das prováveis conseqüências pessoais e sociais. Lima CRP: 84326/06 Organização e Coordenação 100 . uso de equipamentos de segurança. ritmo e intensidade do trabalho. monitoramento da qualidade do ar. como na chamada síndrome do lobo frontal. 171). “Transtorno orgânico de personalidade é conceituado como a alteração da personalidade e do comport amento que aparec e como um transtorno concomitante ou residual de uma doenç a. organizar o trabalho de forma que o menor número de trabalhadores fiquem expostos as substâncias tóxicas pelo menor tempo possível. sulfeto de carbono. lesão ou disfunção cerebral. Os fatores de risco relativos à ocupação são: . chumbo ou seus compostos tóxicos. manganês e seus compostos tóxicos. Karina de O. necessidades e impulsos.educapsico. mas também a lesões de outras áreas cerebrais circunscritas” (Ministério da Saúde do Brasil. da atividade (por exemplo. fatores psicossociais e individuais. mercúrio e seus compostos tóxicos. Sobre a conduta. TRANSTORNO ORGÂNICO DE PERSONALIDADE CID-10 F07.0 apud Ministério da Saúde do Brasil (2001). no caso de ser confirmada essa doença. uso de equipamentos de segurança. 2001.

educapsico. ideação paranóide e/ou preocupação excessiva com um tema único. Os fármacos benzodiazepínicos para a ansiedade e insônia.com. usualmente abstrato (por exemplo: religião. especialmente aquelas envolvendo períodos de tempo mais prolongados e gratificação postergada. • comportamento sexual alterado. tricloroetano e outros solventes orgânicos halogenados neurotóxicos. • alteração marcante da velocidade e fluxo da produção de linguagem com aspectos. Lima CRP: 84326/06 Organização e Coordenação 101 . outros solventes orgânicos neurotóxicos.www. jocosidade inadequada) e mudança fácil para irritabilidade. alegria superficial e imotivada (euforia. das condições de trabalho e dos Karina de O. caracterizado por labilidade emocional. viscosidade e hipergrafia. tais como circunstancialidade. comer vorazmente ou mostrar descaso pela higiene pessoal). certo e errado). propostas sexuais inadequadas. prolixidade.br tetracloroetileno. explosões rápidas de raiva e agressividade ou apatia. As medidas de prevenção são as mesmas já citadas quando discutidos outros transtornos. antidepressivos. a saber: realizar vigilância dos ambientes. Em muitos casos a aposentadoria por invalidez pode ser necessária. O tratamento tem como objetivo a reabilitação social. • perturbações cognitivas na forma de desconfiança. • expressão de necessidades e impulsos sem considerar as conseqüências ou convenções sociais (roubo. • comportamento emocional alterado. carbamazepina para controle da impulsividade e antipsicóticos para comportamentos disruptivos podem ser utilizados. Para o diagnóstico desse transtorno devem estar presentes dois ou mais dos seguintes aspectos: • capacidade consistentemente reduzida de perseverar em atividades com fins determinados.

sulfeto de carbono. a psicose orgânica e a psicose sintomática” (Ministério da Saúde do Brasil. ou secundária. estado catatônico. como nas doenças. a síndrome amnésica orgânica (não-induzida por álcool ou psicotrópicos ) e g vários outros transtornos orgânicos (alucinose. g a demência vascular. ritmo e intensidade do trabalho. TRANSTORNO MENTAL ORGÂNICO OU SINTOMÁTICO NÃO-ESPECIFICADO CID-10 F09. lesões ou danos que afetam direta e seletivamente o cérebro. uso de equipamentos de segurança. tricloroetileno. da ansiedade). manganês e seus compostos tóxicos. organizar o trabalho de forma que o menor número de trabalhadores fiquem expostos as substâncias tóxicas pelo menor tempo possível. uso de equipamentos de segurança. entre outros) e também realizar análise ergonômica do trabalho. “Este termo compreende uma série de transtornos mentais agrupados por terem em comum uma doença cebral de etiologia demonstrável.173). Fazem parte desse grupo a demência na doença de Alzheimer . do humor. como nas doenças sistêmicas nas quais o cérebro é um dos múltiplos órgãos envolvidos. Lima CRP: 84326/06 Organização e Coordenação 102 .www.br efeitos ou danos à saúde.com. delirante. medidas de limpeza. no caso de ser confirmada essa doença. p. a síndrome pós-encefalite e pós-traumática. uma lesão cerebral ou out ro dano que leva a uma disfunção que pode ser primária. 2001. deve-se proceder como já citado no início desse texto.educapsico. também. tolueno e outros solventes aromáticos neurotóxicos. é necessário medidas de controle ambiental com a finalidade de eliminação e/ ou redução dos níveis de exposição (por exemplo. entre outros).apud Ministério da Saúde do Brasil (2001). Karina de O. incluindo. É importante que se tenha a participação de trabalhadores nos níveis gerenciais para promoção de saúde e mudanças no ambiente que visem prevenção de doenças ocupacionais. Para o diagnóstico desse transtorno devem estar presentes dois ou mais dos seguintes aspectos: . da atividade (por exemplo. verificar o conteúdo das tarefas. chumbo e seus compostos tóxicos.. mercúrio e seus compostos tóxicos. Assim.Exposição às seguintes substâncias: brometo de metila. fatores psicossociais e individuais. Sobre a conduta.

da atividade (por exemplo. organizar o trabalho de forma que o menor número de trabalhadores fiquem expostos as substâncias tóxicas pelo menor tempo possível. 2. verificar o conteúdo das tarefas. Solicitar emissão do CAT pela empresa e preencher o LEM para encaminhar ao INSS. O diagnóstico é baseado em evidências de doença. As medidas de prevenção são as mesmas já citadas quando discutidos outros transtornos relacionados a ocupação. podendo ser esse afastamento temporário ou permanente. Karina de O. lesão ou disfunção cerebral ou de uma doença física sistêmica. uso de equipamentos de segurança. notificação ao SUS de piora do caso. entre outros). recomendações à empresa sobre fatores de controle e proteção que devam ser adotados. como já citado anteriormente. a saber: realizar vigilância dos ambientes. associada a uma das síndromes relacionadas. ALCOOLISMO CRÔNICO RELACIONADO AO TRABALHO CID-10 F10. ritmo e intensidade do trabalho. uso de equipamentos de segurança. É importante que se tenha a participação de trabalhadores nos níveis gerenciais para promoção de saúde e mudanças no ambiente que visem prevenção de doenças ocupacionais. busca por outros casos e também por fatores de risco na empresa e em empresas que trabalham no mesmo ramo de atividades. 4. acompanhar como o caso evolui.educapsico. 6. tricloroetano e outros solventes orgânicos halogenados neurotóxicos. medidas de limpeza.www.com. fatores psicossociais e individuais. é necessário medidas de controle ambiental com a finalidade de eliminação e/ ou redução dos níveis de exposição (por exemplo. outros solventes orgânicos neurotóxicos. Lima CRP: 84326/06 Organização e Coordenação 103 .br tetracloroetileno. 3.2 apud Ministério da Saúde do Brasil (2001). 5. verificar a necessidade de afastamento do trabalhador (total ou parcial) do ambiente de trabalho. Feito o diagnóstico deve-se. Assim. proceder da seguinte forma: 1. das condições de trabalho e dos efeitos ou danos à saúde. entre outros) e também realizar análise ergonômica do trabalho.

175). Algumas ocupações tem sido mais relacionadas ao alcoolismo. o bebedor alcoólico tende a não reconhecer que faz uso abusivo do álcool” (Ministério da Saúde do Brasil. caracteristicamente a negação. caracterizado pelo descontrole periódico da ingestão ou por um padrão de consumo de álc ool com episódios freqüentes de intoxicação e preocupaç ão com o álcool e o seu uso. • um estado fisiológico de abstinência quando o uso do álcool é reduzido ou interrompido. • comprometimento da capacidade de controlar o comportamento de uso da substância – em termos de início. A pert urbação do controle de ingestão de álcool caracteriza-se por ser contínua ou periódica e por distorções do pensamento. • evidência de tolerância aos efeitos da substância de forma que haja uma necessidade de quantidades crescentes da substância para obter o efeito desejado. devendo ser explicitada a relação da ocorrência com a situação de trabalho: • um forte desejo ou compulsão de consumir álcool em situações de forte tensão presente ou gerada pelo trabalho. psicossociais e ambient ais. sendo que o trabalho está entre eles. A Sociedade Americana das Dependências. tediosas e que ocasionem um isolamento do convívio humano. Karina de O. em 1990.www. a síndrome de dependência do álcool é um dos problemas relacionados ao trabalho. Lima CRP: 84326/06 Organização e Coordenação 104 .educapsico. apesar das conseqüências adversas desse comportamento para a vida e a saúde do us uário. término ou níveis – evidenciado pelo uso da substância em quantidades maiores ou por um período mais longo que o pretendido ou por um desejo persistente ou por esforços infrutíferos para reduzir ou controlar o seu uso.com. freqüentemente progressiva e fatal. p. isto é. de “grande densidade de atividade mental”. atividades monótonas. Segundo a OMS. Vários são os fatores psicossociais relacionados ao alcoolismo.br “Alcoolismo refere-se a um modo crônico e continuado de usar bebidas alcoólicas. a saber: aquelas que se caracterizam por ser socialmente desprestigiadas e rejeitadas. 2001. Diagnóstico: As manifestações devem ocorrer juntas. de forma repetida durante um período de 12 meses. atividades que envolvem afastamento prolongado do lar. atividades nas quais a tensão está sempre presente. considerou o alcoolismo como uma doença crônica primária que tem seu desenvolvimento e manifestações influenciados por fatores genéticos.

a despeito das evidências das suas conseqüências nocivas e da consciência do indivíduo a respeito do problema. transtorno amnésico induzido pelo álcool. freqüentar centros de atenção diária.br • preocupação com o uso da substância.. Assim. outros transtornos relacionados ao álcool: transtorno do humor induzido pelo álcool. Para o tratamento devem ser utilizadas diversas estratégias terapêuticas. O Karina de O.www. disfunção sexual induzida pelo álcool. sendo comum uma sensação de fadiga aumentada. • uso persistente da substância. grupos de mútua ajuda. No que diz respeito à prevenção deve-se realizar vigilância dos ambientes. O sono encontra-se freqüentemente perturbado.educapsico. idéias ou atos suicidas. no caso de ser confirmada essa doença. consumir ou recuperar-se dos efeitos da ingestão da substância. da atividade. “Os episódios depressivos caracterizam-se por humor triste. pode apresentar baixa auto-estima e autoc onfiança.apud Ministério da Saúde do Brasil (2001). perda do interesse e prazer nas atividades cotidianas. é necessário medidas de controle ambiental com a finalidade de eliminação e/ ou redução dos níveis de exposição aos fatores de risco e também realizar análise ergonômica do trabalho. transtorno de ansiedade induzido pelo álcool. manifestada pela redução ou abandono de importantes prazeres ou interesses alternativos por causa de seu uso ou pelo gasto de uma grande quantidade de tempo em atividades necessárias para obter. transtorno do sono induzido pelo álcool. demência induzida pelo álcool. Lima CRP: 84326/06 Organização e Coordenação 105 . idéias de culpa e inutilidade. sendo que em muitos casos pode ser necessário o afastamento do trabalho. O paciente pode se queixar de dificuldade de concentração. EPISÓDIOS DEPRESSIVOS CID-10 F32. Pode estar relacionado ao desenvolvimento de outros transtornos. intervenção farmacológica (ansiolíticos e antidepressivos). deve-se proceder como já citado no início desse texto. Sobre a conduta. desesperança. transtorno psicótico induzido pelo álcool. a saber: delirium (delirium tremens). das condições de trabalho e dos efeitos ou danos à saúde.com. geralmente por insônia terminal. Veja as estratégias terapêuticas que normalmente são utilizadas: psicoterapia. visões desoladas e pessimistas do futuro.

Sintomas de ansiedade são muito freqüentes. • sentimentos de desesperança. chumbo e seus compostos tóxicos. por um período de.br paciente se queixa de diminuição do apetite. moderada. tricloroetileno. As alterações da psicomot ricidade podem variar da lentificação à agitação. outros solventes orgânicos neurotóxicos. manganês e seus compostos tóxicos. 178). além de: • marcante perda de interesse ou prazer em atividades que normalmente são agradáveis. Alguns fatores de risco são: decepção e frustração no ambiente de trabalho. no mínimo. Lima CRP: 84326/06 Organização e Coordenação 106 . a exposição às substâncias brometo de metila. mercúrio e seus compostos tóxicos. Os episódios depressivos devem ser classificados nas modalidades: leve. grave com sintomas psicóticos (Ministério da Saúde do Brasil. Além disso. Karina de O.www. • diminuição da capacidade de pensar e de se concentrar ou indecisão. • agitação ou retardo psicomotor. 2001. • insônia ou hipersonia. sendo que um dos sintomas característicos é humor triste ou diminuição do interesse ou prazer. • diminuição ou aumento do apetite com perda ou ganho de peso (5% ou mais do peso corporal. queda no nível da hierarquia que ocupava. no último mês). A angústia tende a ser tipicamente mais intensa pela manhã. sulfeto de carbono. geralmente com perda de peso sensível. nível elevado de exigência. duas semanas.educapsico. grave sem sintomas psicóticos. também são fatores de risco. p. • fadiga ou perda da energia. Pode haver lentificação do pensamento. culpa excessiva ou inadequada. perda afetiva. demissão. Diagnóstico: A presença de pelo menos cinco dos sintomas abaixo. tetracloroetileno. tolueno e outros solventes aromáticos neurotóxicos. excessiva competição. tricloroetano e outros solventes orgânicos halogenados neurotóxicos.com.

como já citado anteriormente. Deve ser avaliado e indicado quando necessário o afastamento do paciente do ambiente de trabalho. E. No que diz respeito à prevenção deve-se realizar vigilância dos ambientes. verificar a necessidade de afastamento do trabalhador (total ou parcial) do ambiente de trabalho. busca por outros casos e também por fatores de risco na empresa e em empresas que trabalham no mesmo ramo de atividades. podendo ser esse afastamento temporário ou permanente. Lima CRP: 84326/06 Organização e Coordenação 107 . ESTADO DE ESTRESSE PÓS-TRAUMÁTICO CID-10 F43. 3. ideação suicida recorrente sem um plano específico ou uma tentativa de suicídio ou um plano específico de suicídio. São exemplos: os desastres naturais ou produzidos pelo homem. proceder da seguinte forma: 1.1 apud Ministério da Saúde do Brasil (2001). testemunho de morte violenta ou ser vítima de tortura. estupro. Solicitar emissão do CAT pela empresa e preencher o LEM para encaminhar ao INSS. é necessário medidas de controle ambiental com a finalidade de eliminação e/ ou redução dos níveis de exposição aos fatores de risco e também realizar análise ergonômica do trabalho.br • pensamentos recorrentes de morte (sem ser apenas medo de morrer). “O estado de estresse pós-traumático caracteriza-se como uma resposta tardia e/ou protraída a um evento ou situação estressante (de curta ou longa duração) de natureza excepcionalmente ameaçadora ou catastrófica. reconhecidamente. causaria extrema angústia em qualquer pessoa.educapsico. 6. da atividade. 4. Feito o diagnóstico deve-se.com. das condições de trabalho e dos efeitos ou danos à saúde. uso de fármacos (antidepressivos. acompanhar como o caso evolui. notificação ao SUS de piora do caso. recomendações à empresa sobre fatores de controle e proteção que devam ser adotados. dependendo da gravidade de cada caso). No tratamento devem ser utilizadas as seguintes estratégias: psicoterapia. acidentes graves. intervenções psicossociais. testemunhou ou foi confrontado com um evento ou eventos que Karina de O. O pacient e experimentou. Assim. 2. 5.www. terrorismo ou qualquer outro crime.

br implicaram morte ou ameaça de morte. lesão grave ou ameaça da integridade física a si ou a outros ” (Ministério da Saúde do Brasil.www. Karina de O. p. .educapsico. .esforços para evitar atividades. sentimentos ou conversas associadas ao trauma. ilusões. alucinações e episódios dissociativos de flashback. Os fatores de risco relacionados ao trabalho são: realização de trabalhos perigosos que tenham. 2001. Diagnóstico: Pacientes que apresentem quadros de início até 6 meses após um evento ou período de estresse traumático* caracterizados por: • evento ou situação estressante (de curta ou longa duração) de natureza excepcionalmente ameaçadora ou catastrófica. pensamentos. percepções ou memórias vívidas e/ou pesadelos e/ou agir ou sentir como se o evento traumático estivesse acontecendo de novo (incluindo a sensação de reviver a experiência. • atitude persistente de evitar circunstâncias semelhantes ou associadas ao evento estressor (ausente antes do trauma) indicada por: . em uma situação de trabalho ou relacionada ao trabalho. • rememorações ou revivescências persistentes e recorrentes do evento estressor em imagens. lugares ou pessoas que tragam lembranças do trauma. inclusive aqueles que ocorrem ao despertar ou quando intoxicado) e/ou angústia quando da exposição a indícios internos ou externos que lembram ou simbolizam um aspecto do evento traumático e/ou reação fisiológica exacerbada a indícios internos ou externos que simbolizem ou lembrem um aspecto do evento traumático).com. parcial ou completamente. 181). aos quais o paciente foi exposto.incapacidade de relembrar. alguns aspectos importantes do período de exposição ao estressor.esforços para evitar pensamentos. Lima CRP: 84326/06 Organização e Coordenação 108 . por exemplo. responsabilidade com vidas humanas e de acidentes.

é necessário medidas de controle ambiental com a finalidade de eliminação e/ ou redução dos níveis de exposição aos fatores de risco e também realizar análise ergonômica do trabalho. 2. .br .sentimento de futuro curto (por exemplo. NEURASTENIA (Inclui Síndrome de Fadiga) CID-10 F48. 4.irritabilidade ou explosões de raiva. acompanhar como o caso evolui. Solicitar emissão do CAT pela empresa e preencher o LEM para encaminhar ao INSS. Feito o diagnóstico deve-se. Lima CRP: 84326/06 Organização e Coordenação 109 . 6.com. uma expectativa de vida normal). podendo ser esse afastamento temporário ou permanente. No que diz respeito à prevenção deve-se realizar vigilância dos ambientes. .www.dificuldade para adormecer ou permanecer dormindo.resposta exagerada a susto.hipervigilância. . Assim. . 3. recomendações à empresa sobre fatores de controle e proteção que devam ser adotados. como já citado anteriormente.0 apud Ministério da Saúde do Brasil (2001). das condições de trabalho e dos efeitos ou danos à saúde. notificação ao SUS de piora do caso.educapsico. verificar a necessidade de afastamento do trabalhador (total ou parcial) do ambiente de trabalho. casamento. busca por outros casos e também por fatores de risco na empresa e em empresas que trabalham no mesmo ramo de atividades.distanciamento afetivo (por exemplo.sentimentos de distanciamento ou estranhamento dos outros. . incapacidade de ter sentimentos amorosos). filhos. 5. . . .sintomas persistentes de estado de alerta exacerbado. . proceder da seguinte forma: 1.dificuldade de concentração. Karina de O. da atividade.interesse ou participação significativamente diminuída em atividades importantes. não espera mais ter uma carreira.

exposição a: brometo de metila. • paciente é incapaz de se recuperar por meio do descanso. de um quadro crônico” (Ministério da Saúde do Brasil. cefaléias tensionais. perturbações do sono. • pelo menos dois dos seguintes: sensação de dores musculares.educapsico. Lima CRP: 84326/06 Organização e Coordenação 110 . São fatores de isco relacionados ao trabalho: . especificamente ins ônia inicial. irritabilidade. em geral. p. Karina de O. simultaneamente física e mentalmente. 184). . caracterizando uma fadiga geral. Diagnóstico está baseado em: • queixas persistentes e angustiantes de fadiga aumentada após esforço mental ou queixas persistentes e angustiantes de fraqueza e exaustão corporal após esforço físico mínimo. A fadiga é referida pelo paciente como sendo constante. 2001. Outros sintomas que podem fazer parte da síndrome são: dores de cabeça. tonturas. mercúrio e seus compostos tóxicos. relaxamento ou entretenimento. despert ares freqüentes durante a noite. tolueno e outros solventes aromáticos neurotóxicos. dores musculares (geralmente nos músculos mais utilizados no trabalho). • duração do transtorno de pelo menos três meses. manganês e seus compostos tóxicos. dificuldade de aprofundar o sono. Outras manifestações importantes são: má qualidade do sono. sulfeto de carbono.www. tetracloroetileno. como acordar cansado. grandes jornadas de trabalho e jornada de trabalho em turnos alternados.ritmos de trabalho acelerados. perda do apetite e malestar geral. Trat a-se. chumbo e seus compostos tóxicos. tricloroetileno. irritabilidade ou falta de paciência e desânimo. acumulada ao longo de meses ou anos em situações de trabalho em que não há oportunidade de se obter descanso necessário e suficient e. dispepsia.com. dificuldade para adormecer ou “a cabeça não consegue desligar”. incapacidade de relaxar. tricloroetano e outros solventes orgânicos halogenados neurotóxicos.br “A característica mais marcant e da síndrome de fadiga relacionada ao trabalho é a presença de * fadiga constante. outros solventes orgânicos neurotóxicos.

“O grupo outros transtornos neuróticos especificados inclui transtornos mistos de comportamento. acompanhar como o caso evolui. No que diz respeito à prevenção deve-se realizar vigilância dos ambientes. recomendações à empresa sobre fatores de controle e proteção que devam ser adotados. A .www. OUTROS TRANSTORNOS NEURÓTICOS ESPECIFICADOS (Inclui Neurose Profissional) CID-10 F48. 186). Segundo a CID-10.8 apud Ministério da Saúde do Brasil (2001). 2001. ameaça de desemprego. Karina de O. na qual os sintomas são expressão simbólica de um conflito psíquico. 3. p.educapsico. podendo ser esse afastamento temporário ou permanente. 5. condições difíceis de trabalho.br O tratamento deve ter o objetivo de mudanças nas condições de trabalho. Lima CRP: 84326/06 Organização e Coordenação 111 . Assim. cujo desenvolvimento encontra-se vinculado a uma determinada situação organizacional ou profissional” (Ministério da Saúde do Brasil. mudança de emprego. ritmo de trabalho penoso.com. busca por outros casos e também por fatores de risco na empresa e em empresas que trabalham no mesmo ramo de atividades. Uso de fármacos (ansiolíticos e hipnóticos) para insônia e irritabilidade. notificação ao SUS de piora do caso. Feito o diagnóstico deve-se. Solicitar emissão do CAT pela empresa e preencher o LEM para encaminhar ao INSS. está incluída neste grupo. das condições de trabalho e dos efeitos ou danos à saúde. crenças e emoç ões que têm uma associação estreita com uma determinada cultura. como já citado anteriormente. 2. Os fatores de risco relacionados ao trabalho são: problemas relacionados ao emprego e ao desemprego. outras dificuldades físicas e mentais relacionadas ao trabalho. 6. que inclui a câimbra de escrivão . proceder da seguinte forma: 1. verificar a necessidade de afastamento do trabalhador (total ou parcial) do ambiente de trabalho. da atividade.* categoria neurose profissional é definida por Aubert (1993) como “uma afecção psicógena persistente. 4. é necessário medidas de controle ambiental com a finalidade de eliminação e/ ou redução dos níveis de exposição aos fatores de risco e também realizar análise ergonômica do trabalho. a neurose ocupacional.

é det erminado pela jornada de trabalho à noite em regime fixo ou pela alternância de horários diurnos. desinteresse pelo trabalho e outras atividades. por definição. deve-se proceder como já citado no início desse texto. da atividade. uma vez que. Lima CRP: 84326/06 Organização e Coordenação 112 . dificuldades para dormir. Os fatores de risco podem ser orgânicos (fatores que influenciam a saúde). alterações do sono normalmente estão presentes. O transtorno do ciclo vigília-sono relacionado ao trabalho pode ser incluído nessa categoria. p. dependendo da contribuição relativa de fat ores psicológicos. Assim.educapsico. psicossociais ou orgânicos. sonolência em excesso durante a vigília e percepção de sono de má qualidade. é necessário medidas de controle ambiental com a finalidade de eliminação e/ ou redução dos níveis de exposição aos fatores de risco e também realizar análise ergonômica do trabalho. circunstâncias econômicas e sociais. condições de trabalho. irritabilidade. TRANSTORNO DO CICLO VIGÍLIA-SONO DEVIDO A FATORES NÃO-ORGÂNICOS CID-10 F51. vespertinos e/ou noturnos. interrupção precoc e do sono ou de sonolência excessiva. trabalho em turnos ou trabalho noturno. 189). “O transtorno do ciclo vigília-sono devido a fatores não-orgânicos é definido como uma perda de sincronia entre o ciclo vigília-sono do indivíduo e o ciclo vigília-sono socialment e estabelecido como normal. interrupções freqüentes no sono.com. das condições de trabalho e dos efeitos ou danos à saúde. O diagnóstico se baseia nos seguintes fatores: adiantamento ou atraso de fases do ciclo vigília-sono.www. no caso de ser confirmada essa doença. Na circunstância relacionadas às Karina de O. 2001.br Sintomas como cansaço.2 apud Ministério da Saúde do Brasil (2001). problemas relacionados com o emprego e com o desemprego. Sobre a conduta. result ando em queixas de insônia. em regime de revezamento de turnos” (Ministério da Saúde do Brasil. No que diz respeito à prevenção deve-se realizar vigilância dos ambientes. Esses transtornos podem ser psicogênicos ou de origem orgânica presumida.

www. proceder da seguinte forma: 1. podendo ser esse afastamento temporário ou permanente. por pelo menos um mês ou recorrentemente por períodos mais curtos de tempo. Para prevenção deve-se organizar o trabalho buscando que o sistema de turnos seja utilizado o m ínimo possível e que quando este esteja presente haja um maior número de horas de descanso para os trabalhadores.br presença desses fatores deve-se realizar exames para diagnóstico diferencial para distúrbios de sono não-relacionados com a organização do trabalho. tal como condição neurológica ou outra condição médica. como já citado anteriormente. notificação ao SUS de piora do caso. 5. transtorno de uso de substância psicoativa ou de um medicamento. social ou ocupacional. acompanhar como o caso evolui.com.educapsico. qualidade e tempo de sono insatisfatórios como causa de angústia pessoal marcante ou interferência com o funcionamento pessoal na vida diária. Feito o diagnóstico deve-se. que é normal em uma dada sociedade particular e compartilhado pela maioria das pessoas no mesmo ambiente cultural. 3. • como resultado da perturbação do ciclo vigília-sono. • inexistência de fator orgânico causal. busca por outros casos e também por fatores de risco na empresa e em empresas que trabalham no Karina de O. Solicitar emissão do CAT pela empresa e preencher o LEM para encaminhar ao INSS. Veja os aspectos clínicos que devem estar presentes para o diagnóstico desse transtorno. prática de cochilo entre as pausas. verificar a necessidade de afastamento do trabalhador (total ou parcial) do ambiente de trabalho. 4. • quantidade. 2. No que diz respeito ao tratamento são indicados repousos intrajornadas. Se necessário mudança no horário de trabalho. indivíduo com insônia durante o principal período de sono e hipersonia durante o período de vigília quase todos os dias. • padrão vigília-sono do indivíduo fora de sincronia com o ciclo vigília-sono desejado. Lima CRP: 84326/06 Organização e Coordenação 113 .

tremores e inquietação. Sintomas inespecíficos: insônia. Tem sido descrita como resultant e da vivência profissional em um contexto de relações sociais complexas. “A sensação de estar acabado ou s índrome do es gotamento profissional é um tipo de resposta prolongada a estressores emocionais e interpessoais crônicos no trabalho. desint eressa-se e qualquer esforço lhe parece inútil” (Ministério da Saúde do Brasil. É importante que se tenha a participação de trabalhadores nos níveis gerenciais para promoção de saúde e mudanças no ambiente que visem prevenção de doenças ocupacionais.br mesmo ramo de atividades. insensibilidade ou afastamento excessivo do público que deveria receber os serviços ou cuidados do paciente (despersonalização). desiste. que muitas vezes ganha o caráter de missão. com os seus pacientes ou com o trabalho em si. Lima CRP: 84326/06 Organização e Coordenação 114 . irritabilidade. angústia.0 apud Ministério da Saúde do Brasil (2001). perde a energia ou se “queima” complet ament e. • sentimentos de desgaste emocional e esvaziamento afetivo (exaustão emocional). O trabalhador perde o sentido de sua relação com o trabalho. Para o diagnóstico podem ser identificados: • história de grande envolvimento subjetivo com o trabalho. 2001. O trabalhador que antes era muito envolvido afetivamente com os seus clientes. p. 191). fadiga. Karina de O. • queixa de sentimento de diminuição da competência e do sucesso no trabalho. função.educapsico. recomendações à empresa sobre fatores de controle e proteção que devam ser adotados. desinteresse. tristeza. envolvendo a representação que a pessoa tem de si e dos outros. 6. • queixa de reação negativa. apatia. desgasta-se e.com. SENSAÇÃO DE ESTAR ACABADO (SÍNDROME DE BURN-OUT OU SÍNDROME DO ESGOTAMENTO PROFISSIONAL) CID-10 Z73.www. em um dado momento. profissão ou empreendimento assumido.

intervenções psicossociais. em Boston. alterações de técnicas e os efeitos que poderia se esperar a partir delas. Malan De acordo com Yoshida (1990).. Para esta autora. Sifneos. destacam-se dois grupos que trabalhavam independentemente: um na Clínica Tavistock. Lima CRP: 84326/06 Organização e Coordenação 115 . desenvolveu uma técnica de psicoterapia que inclui vários tipos de recursos técnicos disponíveis na psicanálise: análise da resistência. descritas de uma ou outra forma em mais de 10 mil livros e em milhares de artigos científicos relatando pesquisas realizadas com a finalidade de compreender a natureza do processo psicoterápico e os mecanismos de mudança e de comprovar a sua efetividade. dirigido por David Malan. deve-se proceder como já citado no início desse texto. Neste contexto. Cordioli (2008) afirma que “(. com o objetivo de resgatar o método original de Freud..br No tratamento devem ser utilizadas as seguintes estratégias: psicoterapia. interpretação Karina de O.www. no caso de ser confirmada essa doença. uso de fármacos (antidepressivos e ansiolíticos). dirigido por Peter E. A gravidade de cada caso deve ser avaliada para aplicação dessas estratégias. Sobre a conduta.com. e o outro no Hospital Geral de Massachusetts. o grupo da Tavistock. 20). o movimento de psicoterapia breve ganha força com vários grupos de pesquisadores que buscavam definir critérios de seleção. a partir de 1950. das condições de trabalho e dos efeitos ou danos à saúde.) existem mais de 250 modalidades distintas de psicoterapias. apresentaremos agora algumas teorias e técnicas psicoterápicas importantes na atualidade: Psicoterapia Psicodinâmica Breve David H. No que diz respeito à prevenção deve-se realizar vigilância dos ambientes. especificando em que condições devem ser usados e para quais pacientes” (p. em Londres. Atendimento em Psicoterapia individual e grupal.educapsico. Sem a intenção de esgotar o tema.

se defini o procedimento terapêutico mais estratégico a ser adotado. O procedimento adotado por eles consistia em fazer uma avaliação psicodiagnóstica. Com isso em mãos. para daí se estabelecer uma hipótese psicodinâmica básica. atenção seletiva e negligência seletiva.www. Sifneos Yoshida (1990) coloca que Sifneos propôs uma técnica de psicoterapia denominada Psicoterapia Breve Provocadora de ansiedade (Short-Term AnxietyProvoking Psychotherapy. STAPP) indicada para casos em que os sintomas neuróticos são claramente identificáveis e onde a problemática edipiana está em primeiro plano. Lemgruber (1984) diz que para Malan o objetivo ou o foco deve ser formulado idealmente em termos de uma interpretação essencial. como por exemplo. Peter E. Yoshida (1990) ressalta que a atitude do terapeuta para Malan é ativa. no qual sua problemática atual constitui uma reedição.com. • Negligência seletiva: leva o terapeuta a evitar qualquer material que possa desviálo do foco. Esta técnica é conhecida com o nome de Psicoterapia Focal. Esta hipótese busca identificar o conflito primário do paciente.educapsico. Lima CRP: 84326/06 Organização e Coordenação 116 .br transferencial. Com base nesta hipótese se estabelece um objetivo específico e limitado. Atenção seletiva: através da qual se busca todas as relações possíveis do material que o paciente traz com o conflito focal (é diferente da atenção flutuante da psicanálise clássica). que consiste no foco ou tema especifico para interpretação. utilizandose de interpretações seletivas. De forma mais especifica. na qual se baseia o processo terapêutico. composta de entrevistas clínicas e utilização de testes. O Karina de O. na fobia e nas formas brandas de neuroses obsessivas. interpretação de sonhos e fantasias. Ele deve procurar manter a focalização sobre os elementos da hipótese psicodinâmica básica. Lemgruber (1984) destaca que segundo Malan os três recursos técnicos que o terapeuta pode usar para buscar o foco são: • • Interpretação seletiva: onde se busca interpretar sempre o material do paciente em relação ao conflito focal.

Este estudo também se faz importante para a eficácia terapêutica.com. O ego é uma dimensão de especial interesse para todo o enfoque diagnóstico. o terapeuta realiza o manejo das sessões.educapsico. que consiste em um trabalho egóico com base teórica psicanalista. prognóstico e terapêutico. De acordo com Hegenberg (2004). para Fiorini o papel do terapeuta é semelhante ao de um “docente”.www. o terapeuta formula questões provocadoras de ansiedade. Na Psicoterapia Breve de Fiorini.br procedimento proposto consiste em pedir para o paciente escolher qual dificuldade emocional considera prioritária. colocando-se no lugar do saber. que estimulem o paciente a enfrentar e examinar áreas do conflito emocional que numa outra situação evitaria. O Karina de O. Hector Fiorini Fiorini (1995) propõe a “Psicoterapia de esclarecimento”. Desempenhando o papel de “avaliador” e “professor”. Uma das principais razões que fazem Fiorini priorizar o ego. Para ele o estudo das funções egóicas é importante para a compreensão da dinâmica do comportamento e também para entender os mecanismos de ação das influências sobre este comportamento. já que o êxito ou o fracasso de uma psicoterapia dependem da evolução adequada ou do descaso pelos recursos egóicos do paciente. propor viagens. falar com alguém sobre algum assunto fundamental para o problema do paciente. Lima CRP: 84326/06 Organização e Coordenação 117 . As sessões ocorrem na posição de face a face e desde o início é dito para o paciente que o tratamento terá uma duração de doze a dezoito sessões. é que este é potencialmente plástico e tem bastante mobilidade se comparado com a inércia atribuída ao superego e ao id. como por exemplo. além do descaso teórico que se deu a ele até então. a indicação de livros e filmes. com o objetivo de se formular uma hipótese psicodinâmica que dê conta de explicar os conflitos emocionais subjacentes às dificuldades vividas por ele. O que permite uma base para a compreensão da ação terapêutica e de uma diversidade de recursos corretivos. ele assume uma postura pedagógica. a sugestão de condutas. ou seja. Em seguida o terapeuta faz um levantamento detalhado da história de vida do paciente.

Interpretar o significado de comportamentos do paciente. reformular o relato do paciente para que certos conteúdos adquiram mais relevo. com o objetivo de ampliar e esclarecer o relato. Recapitular. comentar ou avaliar o porquê de ter usado determinada intervenção. O trabalho proposto por Fiorini (1995) é predominantemente cognitivo. anunciar interrupções. usando interpretações transferenciais apenas para diluir os obstáculos. mudanças a titulo de experiência. com duração de 3 a 6 meses. Sugerir atitudes determinadas. em que o insight abre espaço para a experiência emocional corretiva. voltado para o futuro e para a realidade factual (social) do cliente. Propiciar informação. tais como: intervenções corporais (gestos. Indicar especificamente a adoção de certos comportamentos com caráter de prescrição.com. Lima CRP: 84326/06 Organização e Coordenação 118 . O terapeuta é mais ativo. Clarificar. solicitando dados precisos. Confirmar ou retificar os conceitos do paciente sobre sua situação.br terapeuta busca dar condições para a criação de um contexto de discriminação e esclarecimento. postura corporal e olhares) e intervenções para-corporais (tom de voz. ou seja. com atenção voltada para o foco. Dar enquadramento à tarefa. são elas: Interrogar o paciente. Karina de O. com o objetivo de fortalecer áreas livres de conflitos. intervenções de cunho diretivo.www. Ele também aponta a necessidade de diferentes tipos de intervenções. resumir o processo de cada sessão e do conjunto do tratamento. Outras intervenções: cumprimentar. Assinalar relações entre dados. Meta-intervenção. variações ocasionais de horários.educapsico. etc. Fiorini (1995) destacou alguns tipos de intervenções verbais de um terapeuta em psicoterapia breve. ou seja. intensidade e ritmo da fala).

2001). Sobre a técnica. clarificação de percepções individuais. estabelecer relações entre experiências significativas e condições atuais. 2001). como será feito o tratamento. Psicoterapia de Apoio. o papel ativo do terapeuta é essencial para o sucesso do processo psicoterápico (BRAIER.www. busca-se o desenvolvimento do paciente e também que ele adquira ou readquira a capacidade de tomar decisões. Karina de O.educapsico. alguns aspectos imprescindíveis são: estabelecer prazo para término (este varia de acordo com o paciente e se for realizado em instituições também de acordo com os prazos que estas determinam). entre outros. b) levantamento da história clínica e das queixas. ou seja.com. Além disso. centra-se na realidade do paciente. a saber: a) estabelecimento do vínculo. a psicoterapia deve levar o paciente ao “insight” dos conflitos existentes. confrontações e assinalamentos. pacientes com pouca tolerância a frustração e ansiedade. Desta forma o foco terapêutico é em torno do problema. segundo Braier não se beneficiam em grande escala da psicoterapia breve de orientação psicanalítica são: pacientes com psicose crônica. c) psicodiagnóstico. entre outras. Além disso. esclarecimentos de perspectivas individuais. Além disso. também enfatizando o prognóstico. pacientes que não tem motivação para o tratamento. Braier afirma que a psicoterapia breve surge porque havia uma grande demanda de pacientes vindos das instituições. pacientes com doenças psicossomáticas e psicopatias.br Psicoterapia Breve de Orientação Psicanalítica segundo Braier De acordo com o autor acima citado na Psicoterapia Breve tem-se a finalidade de levar o paciente a superar seus sintomas e problemas atuais. Nesse sentido. toxicomanias. Lima CRP: 84326/06 Organização e Coordenação 119 . associação livre deve “girar” em torno do foco terapêutico. mesmo que esse não seja completo (BRAIER. responsabilidades do terapeuta e paciente. usa-se esclarecimentos. da queixa. com debilidades egóicas. d) contrato terapêutico. Nesse tipo de psicoterapia é muito importante a entrevista inicial e alguns objetivos devem ser considerados nesse momento e são citados por Braier. Alguns pacientes que. dos sintomas relatados pelo paciente. pacientes pervertidos e com caracteropatias graves.

Ainda segundo este autor. Aristides Cordioli (1993) afirma que ela é uma modalidade terapêutica bastante utilizada.com. Karina de O. ante a incapacidade do ego em integrar ou resolver tais conflitos. além de visar a aquisição de maturidade emocional mediante a promoção da autonomia. estimulando ativamente a ultrapassagem das etapas evolutivas. mais superficial e de menor valor em se comparada com as práticas terapêuticas que são voltadas para o insight. as razões para este certo menosprezo. sem dar ênfase a modificação da personalidade nem a resolução de conflitos inconscientes. é que ela vem sendo considerada menos eficaz. 1 Efeitos patológicos causados pelo próprio tratamento. particularmente em pacientes caracteriológicos graves ou psicóticos. De maneira mais especifica.www. em vez de provocarem o crescimento emocional e autonomia. Esta meta será buscada mediante o reforço de mecanismos de defesas adaptativos. quando inadequadamente utilizadas podem provocar efeitos iatrogênicos 1 ao estimularem a dependência e a regressão.educapsico. Cordioli (1993) citando Dewald (1981) diz que o objetivo da PA é o alívio dos sintomas e a mudança do comportamento manifesto. reforçando-as ou encorajando-as. Cordioli (1993) salienta que muitas das intervenções típicas em PA como o aconselhamento. Em PA não se trata de trazer à consciência conflitos inconscientes. Existe pouca literatura especifica publicada na área de Psicoterapia de Apoio (PA). Dewald propõem ainda o exame das diferentes defesas utilizadas pelo paciente. ao invés de questioná-las e desfazê-las. Lima CRP: 84326/06 Organização e Coordenação 120 . o que leva a uma ausência de definições de técnicas. Porém. o conforto moral. as explicações intelectuais entre outras. objetivos e intervenções para esta prática clínica. o afastamento de pressões ambientais demasiado intensas e a adoção de medidas que visam o alívio dos sintomas. a sugestão. Cordioli (1993) define a PA como uma forma de terapia que tem como principal objetivo manter ou restabelecer o nível de funcionamento prévio do paciente. o controle ativo. Este autor menciona ainda que as práticas específicas possíveis para PA são: a sugestão.br Introdução. pois isso levaria a um aumento da ansiedade. Com isso procura-se promover o crescimento emocional.

educapsico. e a melhorar a capacidade de julgamento da realidade. os candidatos mais típicos para a PA são os que têm: teste de realidade comprometido. de intimidade e de trocas. Por tanto. Cordioli (1993) a classifica de acordo com seu tempo de duração em: Psicoterapias de apoio de longa duração: destinadas a pacientes com importantes incapacidades do ego. e para reconhecer os limites entre si mesmo e o outro. Lima CRP: 84326/06 Organização e Coordenação 121 . necessidade freqüente de exteriorizar os afetos de uma maneira destrutiva para si e para os outros. Avaliação do Paciente Ainda segundo Cordioli (1993). a clarificação e a confrontação. suas intervenções visam predominantemente o fortalecimento do ego. Ou seja. implicando no risco de desenvolver um quadro psicótico se fosse submetido a uma psicoterapia voltada ao insight. ou seja. o aconselhamento. dificuldade de ter emoções adequadas. meses ou até anos. Um tratamento de PA pode durar dias. os afetos são experimentados de forma exagerada ou inibida em relação à situação de que os provoca. controle de impulsos deficiente. as Psicoterapias de Apoio são usadas isoladamente ou associadas a outras terapias em pacientes com diferentes graus de comprometimento das funções do ego.www. inabilidade para separar fatos de fantasias. psicóticos. portadores de transtornos caracteriológicos graves. semanas. e restabelecer o nível de funcionamento prévio do paciente. pouca capacidade de Karina de O. tais como. valem-se de técnicas psicológicas como a sugestão. no qual se inclui um nível razoável de confiança. mais especificamente. implicando em dificuldade de conter e examinar sentimentos. ou com atrasos ou déficits evolutivos acentuados. ou melhor. relações interpessoais pobres ou incapacidade de estabelecer e manter um relacionamento estável. o controle ativo. pouca capacidade de sublimação. por tanto. a educação.com.br a consolidação de uma identidade própria. e que não apresentam condições para um tratamento dirigido ao insight. apresentando dificuldade para canalizar energia para atividades criativas. através o estabelecimento de uma autoimagem estável e integrada do self. Psicoterapias de apoio de curta duração: destinadas a controlar crises agudas que ocorrem ou isoladas ou no curso das terapias prolongadas.

dos aspectos sadios do ego e rigidez do superego. Para o planejamento das intervenções a serem utilizadas no processo terapêutico é essencial entender suas motivações inconscientes. Cordioli (1993) destaca que é importante que seja feita uma cuidadosa avaliação clínica do paciente. dificuldade em comunicar seus sentimentos ao terapeuta. Diagnóstico Dinâmico: identificação de lacunas em processos evolutivos básicos. nível intelectual baixo. o conflito psíquico. que inclua a identificação dos sintomas. Karina de O. Mais especificamente. fatores desencadeantes. Diagnóstico da Personalidade: com o objetivo de identificar os déficits no funcionamento do ego.br introspecção. diagnóstico nosográfico2 e aspectos de personalidade como a compreensão profunda da psicodinâmica do paciente. Para que seja realizada uma psicoterapia de apoio com qualidade.educapsico. Tipos e descrição das Intervenções Cordioli (1993) afirma que as intervenções em PA têm o objetivo de fortalecimento das funções egoicas. Cordioli (1993) apresenta a avaliação do paciente nos seguintes termos: Diagnóstico Clínico: obtido através da historia clínica do paciente e de um exame psiquiátrico. das defesas predominantes. mecanismos de defesas patológicos predominantes e o nível de organização da estrutura da personalidade. ter uma visão das etapas evolutivas. dos sucessos e dos fracassos nos diferentes períodos críticos e dos aspectos sadios e das vulnerabilidades do indivíduo. Lima CRP: 84326/06 Organização e Coordenação 122 . o uso de mecanismos de defesas preferenciais. O autor propõe também que após a avaliação é importante que o terapeuta elabore uma explicação provisória para a origem dos déficits identificados.www. a partir disso descreve algumas. 2 Diagnostico que descreve e classifica. da capacidade de avaliar a realidade. pouco interesse ou curiosidade em compreender-se. a relação paciente-terapeuta. E o planejamento geral das intervenções de apoio deve ser orientado por esta explicação.com.

o terapeuta vale-se de sua própria capacidade de examinar a realidade. examiná-las criticamente.br Sugestão Intervenção que tem por objetivo induzir uma idéia.com. não consegue perceber as alternativas. assume funções de ego-auxiliar.educapsico. Porém. em função da realidade.www. determinado pela incapacidade do paciente para exercer tal função. Neste caso. assinando as conseqüências e deixando ao paciente a responsabilidade pela escolha. mostrando acreditar em suas capacidades. valendo-se de sua autoridade. ou para reduzir sintomas provocadores de stress. sentimento ou alterar a vontade do paciente. Aconselhamento São sugestões e recomendações sobre atitudes e decisões que o terapeuta dá ao paciente de forma ativa. Ou seja. que a utiliza para tomar as suas decisões. Reasseguramento É a intervenção através da qual o terapeuta demonstrar aprovação ou concordância sobre determinadas atitudes ou idéias do paciente. baseados em fatos concretos e reais. a utilização deste recurso deve ser provisória. e selecionar a mais conveniente. Porém. pois o risco de sua perpetuação pode favorecer a dependência e retardo da autonomia. por período de tempo limitado. propõe alternativas sobre como conduzir-se em diferentes situações. decidindo e executando (ele mesmo ou auxiliares por ele designados) funções que o paciente momentaneamente é incapaz de desempenhar. Este tipo de procedimento é mais indicado para psicóticos ou situações de grande descontrole emocional. estes têm que ser sinceros e verdadeiros. É o recurso utilizado nas situações em que o paciente. com a finalidade de reforçar os aspectos sadios de sua personalidade. o terapeuta introduz idéias novas. Os elogios têm por objetivo aumentar a auto-estima do paciente. estimulando-o a tomar decisões difíceis. Controle ativo É o recurso técnico no qual o terapeuta. emprestando-a temporariamente ao paciente. por limitações pessoais. Lima CRP: 84326/06 Organização e Coordenação 123 . ou ainda para evitar Karina de O.

Outro aspecto que deve ser levado em conta. o Karina de O. estimulando-se os relatos dos eventos recentes mais significativos. nos quais se manifestem as forças e debilidades do ego. onde o paciente saiba que será ouvido e não vai haver rejeição do que vai falar. Porém.www. É comum em PA. Aspectos Gerais da Técnica Cordioli (1993) destaca alguns aspectos gerais para a utilização das técnicas em psicoterapia de apoio e que se diferenciam das psicoterapias de orientação analítica. Para que isto ocorra é fundamental que o paciente sinta-se seguro e acolhido pelo terapeuta. e o ensina como controlá-los. O primeiro destes aspectos é o fato do terapeuta não manter uma posição neutra na relação terapêutica. simpatia e atitude de apoio. suprimi-los ou evitá-los. onipotência e seus vieses pessoais. pois ele deve mostrar. Portanto. Mas este também é um recurso de uso breve e excepcional. O terapeuta deve se guiar pelas necessidades do paciente e não por seus próprios valores. Ventilação (desabafo) É a comunicação por parte do paciente de emoções ou sentimentos reprimidos. pois nesta ocorrem proibições e ordens ao paciente e no aconselhamento é oferecido uma explicação racional das vantagens ou desvantagens da atitude aconselhada. a repressão a que conflitos e situações traumáticas estavam submetidos. ou em situações de crise aguda. Lima CRP: 84326/06 Organização e Coordenação 124 . sendo aconselhada a descrição detalhada dos fatos diários. superando. o foco é no aqui e agora.educapsico. nas quais a capacidade de avaliar a realidade está comprometida. Educação É intervenção na qual o terapeuta dá informações ao paciente sobre a gênese de seus sintomas. envolvimento. assim. ativamente. é que em PA a associação livre é desaconselhada. utilizado em pacientes muito regressivos. que exista um clima de confiança. desejos e aspirações. é importante que o terapeuta tome cuidado e evite grandiosidade.com. os quais são revividos de uma forma emocionalmente carregada.br crises. Esta técnica não deve ser confundida com o controle ativo.

mas podem ser quinzenais ou mensais. ser utilizadas para evidenciar relações simbióticas de dependência. a orientação profissional adquire maior Karina de O. ou de mecanismos primitivos como a dissociação e a identificação projetiva. Podem. quando Parsons fundou seu Serviço de Orientação Profissional em Boston.com. são utilizadas intervenções com o intuito de diminuir a ansiedade. tais como: 1) O aparecimento da orientação profissional. abrangendo um importante setor de especialização da ciência psicológica. mais para aumenta do que para desfazer as defesas. Já em 1937. que limitava-se a fornecer aos clientes informações relativas ao mundo profissional. em 1909. iria se definir a orientação profissional como o fortalecimento de informações e conselhos sobre a escolha da profissão.educapsico. mais especificamente. Praticamente não é utilizada interpretação com objetivo de tornar manifesto o conteúdo latente. apenas quando a transferência constitui uma resistência ao tratamento. Em PA. em 1924. o desenvolvimento histórico do Aconselhamento surge ligado a alguns movimentos psicológicos renovadores. É uma prática que se desenvolveu nos campos da: orientação educacional. Mas os encontros devem ser previsíveis e regulares. Lima CRP: 84326/06 Organização e Coordenação 125 . através do aumento de autoconhecimento. higiene mental. serviço social de caso e psicoterapia. também.br estabelecimento de tarefas semanais ou quinzenais e suas revisões durante as sessões para reforço e apoio dos avanços. uma área especifica da Psicologia. pautado na experiência do orientador. Aconselhamento O Aconselhamento constitui. as sessões são normalmente semanais. atualmente. Desenvolvimento Histórico Segundo Ruth Scheeffer (1964). psicometria. no entanto. sem se preocupar com as técnicas de relacionamento entre orientador e orientando. Mais tarde. análise e superação das dificuldades. Usualmente não são feitas interpretações transferenciais. dependendo da necessidade do caso. com uma atuação de caráter estático.www. orientação profissional.

elogiar. neste momento. 2) A criação de Serviços de Higiene Mental para adultos. Mas.U. favorece a criação de campo de atuação para o aconselhamento. Sem dúvidas. 3) As instituições de Assistência Social que precisavam dar aos clientes. porém. Definição Ainda segundo Scheeffer (1964). 4) Uma outra oportunidade de aplicação do aconselhamento foi desenvolvimento dos serviços de assistência psicológica nas empresas. a profissão mais adequada. tais como: fornecer informações. Após o auge dos testes psicológicos. suas definições sofreram mudanças no decorrer de sua história. Mais tarde o aconselhamento passou a ser definido em termos mais dinâmicos e operacionais. o termo aconselhamento já foi tradicionalmente associado a várias situações. de acordo com as suas características pessoais. com suas teorias de orientação não-diretiva no aconselhamento psicológico. criticar. dar conselhos. foi dada maior importância à relação orientador e orientando na situação de aconselhamento do processo de orientação profissional. oportunidades de expressão e alívio de suas cargas emocionais constituíram um outro campo de atuação para desenvolvimento do aconselhamento psicológico.. predominava a ênfase na aplicação de testes psicológicos. Scheeffer (1964) cita Garrett (1942) que definia aconselhamento com uma conversa profissional. nos E. apresentar sugestões e interpretar ao cliente o significado de seu comportamento.educapsico. Nesta época. encorajar. inclusive de Centro de Aconselhamento Pré-Matrimonial e Matrimonial.www. além de assistência médica e financeira. no qual a principal meta é lhe oferecer assistência na modificação de suas atitudes e comportamentos.com. Lima CRP: 84326/06 Organização e Coordenação 126 . Meyer a define como o processo no qual o indivíduo é assistido com o objetivo de este encontrar. já se admitia que a orientação fosse um processo que visa ajudar o orientando a fazer algo para si. de 1940 à 1950. Scheeffer (1964) atribui a Carl Rogers (1941) este tipo de conceituação quando o definiu como um processo de contatos diretos com o indivíduo.A.br dinamismo. Suas primeiras definições eram concisas e estáticas. Karina de O. o maior influenciador desta mudança foi Carl Rogers.

na qual uma delas é ajudada a resolver dificuldades de ordem educacional. Basicamente. define aconselhamento “como uma relação face a face de duas pessoas. Percebe-se nesta definição que o aconselhamento é visto como uma situação de aprendizagem e aplicável a pessoas normais. Este tipo de método está. Nesta concepção. é ajudado a conhecer a si próprio. a de Mac Kinney (1958) que diz que o aconselhamento é uma relação interpessoal na qual o conselheiro deve perceber o indivíduo em sua totalidade psíquica.educapsico. Considerando e sintetizando as definições apresentadas. mediante a situação estabelecida e a sua competência especial. Métodos de Aconselhamento Os métodos de aconselhamento vêm sofrendo alterações no decorrer de sua história.com. uma pessoa normal. proporciona uma situação de aprendizagem. é a elaborada por Tolberg (1959). Scheeffer (1964).br Scheeffer (1964) aponta outras definições que têm sido dadas ao aconselhamento. suas ações consistiam na repreensão e na ameaça dos orientados. profissional. ele completa destacando a importância de se tomar o indivíduo em sua totalidade no processo de aconselhamento. modificando suas técnicas.14). de definição dado pelo autor. Lima CRP: 84326/06 Organização e Coordenação 127 . nota-se que o planejamento do aconselhamento dá ênfase ao ajustamento do indivíduo ao ambiente em que está inserido. nela o aconselhamento é delimitado enquanto uma relação entre duas pessoas na qual o aconselhador. por serem pouco duradouras e por conseguirem Karina de O. a fim de fazer o uso adequado de suas características. na qual o indivíduo. hoje. e as suas possibilidades e potencialidades. praticamente abandonado. com o objetivo de lhe ajudar a se ajustar mais efetivamente a si próprio e ao seu ambiente. vital e utilizar melhor seus recursos pessoais” (p. dividindo-os em: Método Autoritário: Os primeiros métodos desenvolvidos para o aconselhamento se caracterizam pelo elevado nível de autoritarismo. pela falta de sentido humanitário. Scheeffer (1964) faz um apanhado histórico dos principais métodos de aconselhamento. por exemplo. os princípios que o norteiam e sua dinâmica. Como. Outro exemplo.www.

Consiste na supressão do problema e através do encorajamento e suporte. São ações que seguem mais no sentido de reprimir do que de modificar. de jogar. Até recentemente. que o utilizou na Psicanálise de maneira sistemática e profunda com o objetivo de liberar o individuo de recalques. como. se convence que o problema não existe. com mais ênfase. através de sugestões sobre o progresso obtido. de bater na esposa. etc.www. por motivos internos. Este método foi trazido para a terapêutica por Freud.br modificações muito superficiais. este método vem sendo usado em vários contextos orientacionais. Método Diretivo Karina de O. na qual. Catarse Foi utilizada pela Igreja Católica. Método Exortativo O orientador trabalha com o objetivo de conseguir que o orientado faça uma promessa: deixar de beber. “mais corajoso”. o trabalho caracteriza-se pela obtenção de um termo de compromisso ou uma promessa formal do orientando. com o hipnotismo. angústias. muitas vezes. atendida. etc. apesar de seus inconvenientes: o fato de ser baseado numa exigência externa e que.educapsico. além do problema existente. Aplicada de maneira continua pode mobilizar o inconsciente. onde era baseada na confissão. É um método bastante utilizado por quem faz aconselhamento. o encorajamento: “você está mais calmo”. Ou seja.com. não pode ser. etc. Método Sugestivo Caracteriza-se fundamentalmente pelo emprego de técnicas sugestivas. um sentimento de culpa pelo não cumprimento da promessa. Lima CRP: 84326/06 Organização e Coordenação 128 . Ressurgiu. Consiste em expressar problemas para outra pessoa que irá proporcionar orientação. É ainda bastante usado atualmente. por exemplo. procura-se provocar uma modificação no comportamento e nas atitudes do sujeito. o indivíduo. gera. de acordo com o que o orientador acha ser melhor para ele.

Este tipo de orientação pode gerar um efeito iatrogênico.educapsico. o que permite uma melhor compreensão do comportamento e a possível descoberta das causa que o motivam. não há a preocupação de se elaborar um diagnóstico. É baseado no estudo da dinâmica da personalidade.com. mas ao emocional. descobre as causa e sugere soluções ou propõe planos de ação. consideradas pelo orientador. também se utiliza as técnicas interpretativas. manejar e aplicar a técnica mais adequada às exigências do cliente. Karina de O. pois dá bastante importância para o histórico do caso e procura realizar um diagnóstico e um prognóstico. Caracteriza-se pela utilização das técnicas. Não deixa de ser um aconselhamento do tipo autoritário. mais satisfatórias e eficientes para a situação apresentada pelo cliente. proporciona a oportunidade de um amadurecimento pessoal. visa à pessoa. define os problemas. Nele o orientador age como dirigente. Método Eclético Consiste na aplicação de conceitos e técnicas dos diversos métodos apresentados acima. O papel do orientador consiste em clarificar os conteúdos emocionais do trazidos pelo orientando.www. não se dá grande importância ao conteúdo fatual e intelectual.br É o método que conta com o maior numero de seguidores dentro da área do aconselhamento. Lima CRP: 84326/06 Organização e Coordenação 129 . Baseia-se na orientação médica. a dependência do orientando. Método Interpretativo Na orientação diretiva. Pode ser considerada uma tentativa de mudar o comportamento através de uma explicação e interpretação intelectual. É dada grande ênfase a habilidade do orientador em selecionar. visto que a responsabilidade das soluções está a cargo do orientador. seleciona os tópicos que serão discutidos. como na orientação diretiva. embora não em caráter rígido. isto é. mais do que o problema apresentado. além da persuasão e conselhos. Método Não-Diretivo Método iniciado por Carl Rogers apresenta as seguintes características: dá maior responsabilidade da direção da entrevista ao orientando. a entrevista é centralizada na pessoa do orientando.

Os mesmos autores colocam que tal terapia apresenta objetivos educativos e as técnicas facilitam um maior autocontrole. para o alívio do sofrimento das pessoas e o progresso do funcionamento humano. 1975. 11). Para esta corrente teórica. como pode parecer em um primeiro momento. conforme (FRANKS E WILSON. cultural. guiam-se por princípios éticos amplamente aceitos”. 2002). mais que na alteração direta dos processos corporais por meio de procedimentos biológicos. Assim sendo. o qual enfatiza a determinação ambiental sobre o sujeito. relações estas também conhecidas como tríplice contingência do comportamento: estímulo-resposta-conseqüência (S-R-C). Caballo (2002) apresenta a análise funcional como o recurso utilizado para avaliar e propor mudanças comportamentais de modo a atingir os objetivos terapêuticos. 62). implica na alteração ambiental e na interação social. e entre o comportamento e suas conseqüências. (CABALLO. A análise funcional especifica as condições ambientais das quais o comportamento é função. APUD CABALLO. permite a descrição detalhada das relações funcionais entre as variáveis antecedentes e o comportamento em questão.educapsico. É com base na identificação destas relações que o terapeuta. (p. p. segundo Lettner e Rangé (1988). “Na aplicação da terapia comportamental. Aqueles que empregam os enfoques comportamentais de modo responsável. a fim de escolher procedimentos e objetivos adequados para a intervenção.com.www. assim sendo.br Terapia Comportamental A terapia comportamental implica principalmente. o sujeito é determinado pelo ambiente físico. A análise do Comportamento tem suas raízes teóricas no Behaviorismo Radical. “o comportamento dos sujeitos ocorre (desenvolve-se e modifica-se) em função de certas condições ambientais especificáveis”. pode levantar hipóteses de aquisição e manutenção do comportamento. Lima CRP: 84326/06 Organização e Coordenação 130 . 2002. É importante ressaltar que a atividade psicológica não consiste. pré-fixados mecanicamente. Karina de O. em aprendizados estereotipados. social e histórico que o cerca. na aplicação dos princípios derivados da investigação na psicologia experimental e social. ou seja. Em outras palavras. normalmente se negocia um acordo contratual no qual se especificam procedimentos e objetivos mutuamente agradáveis.

Para o bom andamento da psicoterapia. a Karina de O. saiba reforçar diferencialmente as verbalizações do cliente. saiba controlar a própria ansiedade. O reforçamento positivo é outro recurso disponível ao terapeuta comportamental. O relacionamento é direcionado pelo terapeuta e. o terapeuta pode reforçar diferencialmente. O efeito do uso deste recurso é o aumento gradual da resposta que o precede. quando a conseqüência depende da ocorrência da resposta. Vale lembrar também a possibilidade de utilização do reforçamento negativo. uma vez que há uma relação de contingência entre uma resposta e sua conseqüência. depende de diversos fatores. Lima CRP: 84326/06 Organização e Coordenação 131 . a ocorrência de comportamentos assertivos em clientes com baixo repertório de assertividade. Por exemplo. e o relacionamento terapeuta-cliente. e não a sua topografia. o terapeuta pode utilizar o reforço diretamente em sua relação com o cliente. que o importante nesta teoria é identificar a função do comportamento. e seja capaz de proporcionar uma audiência não punitiva ao paciente. que afirma que os comportamentos são mantidos por suas conseqüências.br Trata-se de classes de comportamento de acordo com as definições de estímulo propostas por Skinner. assim como em outras abordagens teóricas. com elogios verbais. vestuário e ambiente onde se desenvolve a relação. uma recompensa. é sua primeira preocupação. postura que denote atenção e ao mesmo tempo descontração. o reforçamento positivo implica na apresentação de um estímulo positivo. de acordo com tal autor.www. aspectos de contato visual adequado. mas para maiores esclarecimentos pode-se consultar Caballo (2002). até sua ocorrência mais ou menos estável. em 1975.educapsico. Logo. linguagem ao nível de compreensão do cliente. ou seja. Reitera-se apenas. Não cabe neste momento o aprofundamento sobre a teoria da aprendizagem que sustenta a terapia comportamental. ou seja. o qual tem sua base no grande princípio da teoria da aprendizagem.com. entre eles a história anterior de comportamentos de cada membro. segundo Lettner e Rangé (1988). O terapeuta comportamental utiliza-se de muitos recursos durante o processo terapêutico. este relacionamento é fundamental para que o cliente aceite as orientações psicoterápicas e confie no terapeuta. Assim. para tanto é necessário que o terapeuta domine as técnicas de entrevista. reforçador.

que consiste na escolha progressiva de novos comportamentos a reforçar. citado acima. A discriminação consiste em “reforçar positivamente um comportamento na presença de um estímulo. (LETTNER E RANGÉ. A discriminação e a generalização também podem ser utilizadas pelo terapeuta.www. no sentido de modelar3 o comportamento de acordo com o planejamento final. O reforço negativo também aumenta a probabilidade de ocorrência da resposta. O reforço diferencial. 76). O esquema de reforço contínuo implica em um reforço a cada resposta apresentada pelo cliente. Certamente. Lima CRP: 84326/06 Organização e Coordenação 132 . A modelagem do comportamento baseia-se nos princípios de reforço diferencial e aproxi mação sucessiva. consiste em reforçar diferentemente as respostas. 1988). (LETTNER E RANGÉ. o qual gera uma freqüência de comportamentos mais alta e a resistência à extinção é maior. O esquema de reforço intermitente segue critérios de tempo ou de números de comportamentos para liberar o reforço. tais formas de programar o reforço são chamadas de esquemas de reforçamento. E a generalização acontece após um processo de discriminação. O reforçamento simbólico ocorre quando o estímulo reforçador apresentado após a ocorrência da resposta é um símbolo a ser trocado pelo paciente por reforçadores condicionados. o qual produz freqüência baixa e estável de ocorrência do comportamento e baixo nível de resistência à extinção. 1988.br retirada de um estímulo aversivo. p. Há diversas maneiras de utilizar esses tipos de reforçamento. até atingir-se um critério preestabelecido de desempenho considerado desejável. 77). ou seja. O reforço condicionado diz respeito a um estímulo que anteriormente não tivesse propriedades reforçadoras e passa a adquiri-las de uma maneira condicionada quando é associado sistematicamente a um estímulo reforçador. e extinguir a ocorrência deste comportamento na presença de outros estímulos”.com. dentro de uma hierarquia de comportamentos pertencentes a uma mes ma classe de respostas.educapsico. funcionando então como estímulo discriminativo para a ocorrência da resposta que o produz. p. o qual “aumenta a probabilidade de ocorrência da resposta reforçada na presença de estímulos que tenham características semelhantes ao estímulo discriminativo”. 1988. (LETTNER e RANGÉ. 3 Karina de O. depende dos objetivos do terapeuta a escolha do melhor esquema de reforçamento para cada situação clínica. reforçar umas e extinguir outras.

Para uma intervenção comportamental mais efetiva.br A extinção do comportamento é a quebra da relação de contingência que existe entre uma resposta e sua conseqüência. mas não é possível. técnica que consiste no acompanhamento e avaliação da problemática do paciente após algum tempo de alta. Condicionamento Clássico. p.www. ou permitir que o cliente tenha acesso aos estímulos reforçadores sem a ocorrência da resposta que antes o produzia. faz com que o comportamento antes mantido por esta relação de contingência perca sua força e diminua de freqüência”. Sensibilização Encoberta. Há comportamentos que são extintos com mais facilidades que outros. abordá-las com profundidade. 1988. Contrato de Contingências. “Deixar que uma resposta ocorra sem ser seguida por suas conseqüências usuais. como linha de base para avaliar.educapsico. Princípio de Karina de O. a qual.com. apenas citaremos as mais importantes. Prática negativa. Supressão de resposta (ansiedade). Assim. Pais como agentes de mudança – pais como terapeutas. as mudanças adquiridas com a intervenção. para avaliar a duração de um efeito terapêutico. Dessensibilização Sistemática. Resistência à Frustração. Punição. Relaxamento Muscular. (LETTNER E RANGÉ. Autocontrole. Desempenho de Papéis – ou Treino de papéis (role-play). Frustração. o que produz o efeito de reduzir gradual e definitivamente a freqüência do comportamento que deixou de ser reforçado. Técnicas de Dessensibilização Autoadministrada. sugere-se que o terapeuta tenha formas de mensurar a freqüência e mesmo a topografia do comportamento antes de iniciar o processo terapêutico em si. E. Time out. muitos terapeutas utilizam-se do seguimento. Inundação (flooding) – ou terapia implosiva. A medida que indica a força do condicionamento é chamada de resistência à extinção. ao final do processo. segundo Lettner e Rangé (1988). Reforçamento Negativo. A psicoterapia comportamental dispõe ainda de inúmeras técnicas que podem ser utilizadas na intervenção psicoterápica. possui como critério o número de respostas ou tempo que o organismo demora para atingir as freqüências não condicionadas de ocorrência do comportamento. Registro de comportamento. Habituação (ou adaptação). no espaço deste texto. 75). Modelação. Economia de Fichas. Lima CRP: 84326/06 Organização e Coordenação 133 . que são facilmente encontradas nas referências bibliográficas indicadas: Esvaecimento – desvanecimento (fading out). Sensibilização (terapia aversiva). Treinamento assertivo.

Terapia Sexual conjunta. os autores esclarecem que é praticamente impossível fazer uma prescrição de técnicas exclusivas. Técnica de compressão (squeeze). Treinamento do controle da bexiga. os quais estão envolvidos na origem e desenvolvimento das Karina de O. Há autores que distinguem técnicas operantes e técnicas respondentes. (p. Dilatadores hegar. Treinamento de habilidades sociais.educapsico. Feedback auditivo atrasado (DAF). 80).com. Inoculação de estresse. Foco Sensorial e foco genital. Por fim.www. Terapia cognitiva (Meichemnaum) ou treino autoinstrucional. Tarefas Comportamentais. Fam ília instrutora. e outros recursos para a redução na freqüência de respostas não podem ser usados ou são ineficientes”. Tratamento de projeção do futuro. Intenção Paradoxal. Se o terapeuta tem formação adequada nenhuma escolha de técnicas se fará. Biofeedback. há algumas de controle aversivo. Recondicionamento orgásmico (treinamento de masturbação). Terapia Racional Emotiva (Ellis). Terapia Cognitiva (Beck). Prevenção de resposta. Ensaio comportamental. Terapia da enurese por despertador. mas. Parada no pensamento (thought-stopping). ou quando a severidade do distúrbio é muito grande. Dessensibilização masturbatória. Imaginação emotiva. Dentre estas técnicas citadas. Terapia Cognitivo-Comportamental A Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC) tem o seu foco voltado para os processos cognitivos. o que também é uma característica da terapia comportamental. ou mais apropriadamente utilizáveis para cada distúrbio de comportamento. Lettner e Rangé (1988) julgaram preferível descrever as técnicas sem esta separação formal. Inversão de hábito. e os autores Lettner e Rangé (1988) ressaltam que apesar das inúmeras restrições. “em alguns casos utilizase o controle aversivo especialmente quando está em risco a segurança ou integridade física do cliente. sem antes efetuar-se uma análise funcional que identifique e descreva claramente o distúrbio do comportamento e suas relações com variáveis do meio ambiente. Caberá a cada terapeuta a escolha da técnica que julgar mais adequada a cada caso.br Premack. Lima CRP: 84326/06 Organização e Coordenação 134 . podem ocorrer ao mesmo tempo. como os comportamentos dos clientes e os processos por que passam. sejam operantes ou respondentes.

atualmente defende uma postura integrativa de psicoterapia. bem como a identificação de como o próprio cliente se ajusta aos seus valores e o quanto este conjunto de dispositivos aproxima ou distancia o indivíduo de seus mais diversos objetivos. conforme o mesmo autor. tais como a expressão de emoções e a execução de comportamentos. A TCC.) fornece um paradigma 4 Para maiores esclarecimentos destes erros indica-se a consulta à referência bib liográfica indicada. utiliza-se a classificação dos pensamentos quanto ao grau de ajustamento psicossocial e cultural para com o seu meio (disfuncionais ou primitivos e funcionais ou maduros).educapsico. O objetivo da TCC. apud NEVES NETO. Para tal. pensamento dicotômico4. 2003). logoterapia.. 15). ou seja. abstração seletiva. Assim. o mundo e o futuro. ou seja. 18). (p.www. reúnem-se sistematicamente técnicas cientificamente embasadas das diversas abordagens teóricas existentes em psicologia clínica. O que produz a queixa do paciente “não são diretamente os estímulos ambientais. p. magnificação e minimização. “A terapia cognitiva fornece uma estrutura teórica unificadora dentro da qual as técnicas clínicas de outras abordagens psicoterapêuticas estabelecidas e validadas podem ser apropriadamente incorporadas (. 1997.br psicopatologias. desta forma acredita-se dar mais relevância para o indivíduo e sua construção pessoal deste processamento. mas sim o processamento cognitivo seletivo falho (atribuição de significados) da realidade pessoal do indivíduo”. p. (NEVES NETO. 2003. Lima CRP: 84326/06 Organização e Coordenação 135 . as intervenções do psicoterapeuta cognitivo-comportamental tomam por base os pensamentos dos clientes. (BECK. Karina de O. psicoterapia interpessoal. Os mesmos podem ser: inferência arbitrária. 20).com. Os erros sistemáticos ou distorções cognitivas podem ocorrer durante o processamento de informações sobre si mesmo.. É o processamento cognitivo que faz a mediação dos processos psicológicos. tais como psicoterapia comportamental. psicodinâmica. (NEVES NETO. personalização. 2003. é a “substituição de cognições disfuncionais por pensamentos mais flexíveis e pautados na interação entre indivíduo e seu ambiente”. etc. segundo Neves Neto (2003). hipergeneralização. “Esses erros reforçam as cognições que podem ser adaptativas ou desadaptativas”. gestalt. “uma distorção das cognições diante das possíveis interpretações da realidade”.

uma vez que estes geralmente são mais fáceis e garantem um aumento de adesão do cliente às intervenções futuras e mais amplas. citaremos apenas algumas questões importantes. que são atividades complementares à consulta e que visam aumentar a efetividade e a generalização dos Karina de O. compreensão empática e interesse genuíno. A postura ativa consiste no estabelecimento de uma relação terapêutica entre cliente e psicoterapeuta embasada na tríade: calor humano. mas não de modo rígido a ponto de ignorar mudanças nas queixas ou problemas emergenciais da vida. que se baseia nos achados de pesquisas que demonstram tratamentos eficazes para as queixas do paciente. ou seja. Uma vez tratados.com. ou seja. possibilitam que este processo terapêutico seja de prazo limitado. 2000. (BECK E ALFORD. é um processo orientado para os problemas do presente. A seqüência de sessões é previamente estabelecida pelo terapeuta. A TCC é diretiva. Uma técnica bastante utilizada consiste nas tarefas de casa. mas criar condições para que este as encontre e teste suas cognições. não oferecer primeiramente as respostas para o paciente. Ao terapeuta cognitivo-comportamental também são possíveis inúmeras técnicas como recurso terapêutico. o que caracteriza a TCC como estruturada.br coerente e ao mesmo tempo evolutivo para a prática clínica”. novos objetivos podem ser ou não estipulados. p. Lima CRP: 84326/06 Organização e Coordenação 136 . sobre a natureza de seu problema. Há também o planejamento terapêutico personalizado. 17).educapsico. Outro componente é o que se denominou chamar de empirismo colaborativo. apud NEVES NETO. o processo psicoterapêutico e prepara-se para a prevenção de recaídas. Novamente a aliança terapêutica é o passo inicial e fundamental para o bom andamento do processo terapêutico. ou seja.www. Esta estrutura e planejamento da TCC. os objetivos são priorizados no acordo entre paciente-terapeuta. E é também educativa. na qual discute-se com o paciente sobre o modelo cognitivo-comportamental de psicoterapia. 2003.

www.educapsico.com.br efeitos da psicoterapia. Com este recurso a psicoterapia permanece mais tempo na vida do paciente e este se sente também mais envolvido com a resolução de seus problemas. A respeito da utilização das técnicas, Neves Neto (2003) ressalta que uma boa técnica em geral flui naturalmente dentro das sessões, e requer habilidade do terapeuta ao empregar este poderoso recurso, no entanto, as técnicas não substituem o papel da relação terapêutica. Novamente não será possível dentro deste texto a abordagem detalhada das principais técnicas utilizadas na TCC. Para maior aprofundamento da temática indica-se a consulta às referências sugeridas (Manual de técnicas cognitivo-comportamentais, de Keith S. Dobson). Apresenta-se apenas as mais utilizadas de cada abordagem teórica. Comportamentais: relaxamento muscular progressivo, agenda de atividades, análise do comportamento, exposição, treino do manejo da ansiedade, reforçamento, agendamento de atividades (semanal/diária), treino de discriminação, treino de contato, agenda diária, contrato, controle de estímulos, relaxamento autógeno, modificação de resposta, prevenção de resposta, observação do comportamento. Cognitivas: terapia cognitiva geral, auto-reforçamento, resolução de problemas, auto-verbalização, dessensibilização sistemática (imaginação), autocontrole, terapia racional emotiva (Ellis), terapia cognitiva (Beck), automonitoração, eliciação de cognições, parada de pensamento, inoculação de stress, explicação alternativa, ensaio cognitivo, registro de pensamentos disfuncionais, linha do tempo. Teoria da aprendizagem social: treino de assertividade, treino de habilidades sociais, modelação. Outras técnicas: terapia de casais, empatia, aconselhamento, terapia de família, terapia sexual. Psicoterapia de Grupo A psicoterapia de Grupo pode ser feita em diferentes abordagens teóricas, sendo que cada uma delas possui suas características.

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www.educapsico.com.br Muitos pacientes, com diferentes transtornos, podem se beneficiar da terapia grupal, porém Ito, Roso, Tiwari, Kendall, Asbahr (2008) apontam alguns critérios que devem ser considerados para a composição do grupo, a saber: • Balanceamento do grupo por gênero, idade e gravidade do transtorno a ser trabalhado. Alguns pacientes, como por exemplo, aqueles que apresentam depressão, transtornos de personalidade e/ ou são muito agressivos e exigentes não se beneficiam dessa terapêutica. • • • Pacientes com o nível de gravidade do transtorno semelhantes devem compor o grupo. O grupo deve ter cerca de seis participantes para dois terapeutas. O número de sessões deve ser por volta de 12, com duração de duas horas cada uma e sendo estas semanais. 9. Metodologias de diagnóstico e de intervenção em instituições de saúde. Campos, Barros e Castro discutem a promoção de saúde como estratégia para enfrentar os problemas sanitários do país e contribuir para a melhoria da qualidade de vida da população. Afirmam que posições teórico-políticas culminam em práticas, assim é importante pensar nessas posições para refletir sobre essas práticas. Ao se pensar em Promoção de Saúde uma pergunta surge: “Como cuidar da saúde de sujeitos e coletividades?”. Considera-se inicialmente nessa reflexão, o conceito ampliado de saúde, ou seja, saúde é algo multideterminado, sendo determinada, entre outras coisas, pela maneira como a sociedade, nas quais os indivíduos são integrados, organiza seu modo de produção. Com base nesse conceito, as ações em saúde necessitam serem integradas as outras políticas públicas e econômicas (CAMPOS; BARROS; CASTRO). Assim, os profissionais de saúde devem focar não mais as doenças e sim os sujeitos. Também a proposta de política nacional de Promoção de Saúde deve ser Transversal e integradora. Além disso, a promoção de saúde também deve ser intersetorial, abrangendo, por exemplo, questões relativas ao meio ambiente, nutrição, moradia, uso de drogas, entre outras. Para que haja intersetorialidade é necessário o diálogo entre os setores, além da co-gestão e co-responsabilidade. Também população deve estar envolvida, no sentido de rastrear as suas necessidades e buscar alternativas Karina de O. Lima CRP: 84326/06 Organização e Coordenação

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www.educapsico.com.br para as mesmas, para isso é importante o fortalecimento dos movimentos sociais (CAMPOS; BARROS; CASTRO). Os modos de vida da população também devem ser pensados pela política de promoção de saúde, contudo é necessário compreender/ considerar a estrutura social e econômica em que as necessidades e hábitos da população são produzidos (CAMPOS; BARROS; CASTRO). Na promoção de saúde há um trabalho pela “autonomia dos sujeitos e das coletividades” e esses são preparados para buscar soluções e formas de vida que atendam as suas necessidades e desejos (CAMPOS; BARROS; CASTRO). A política de Promoção de Saúde deve considerar que o sistema capitalista gera necessidades de consumo contínuo, fato que traz conseqüências a saúde dos sujeitos. Assim, deve investir na capacidade de auto-regulação dos sujeitos e também cobrar atitudes do Estado que contribuam para não deixar os sujeitos tão vulneráveis a quaisquer situações de risco, ou seja, uma das palavras de ordem é co-responsabilização (CAMPOS; BARROS; CASTRO). Campos, Barros e Castro propõem uma articulação entre os conceitos de promoção de saúde e redução de danos. Veja os eixos temáticos de trabalho citados no artigo: Modos de viver; Condições e relações de trabalho; Ambientes; Intersetorialidade; Educação/ Formação/ Comunicação; Integralidade. O apoio matricial trata-se de uma metodologia de trabalho que complementa a prevista em sistemas hierarquizados: mecanismos de referência e contra-referência, protocolos e centro de regulação. Seu objetivo é oferecer retaguarda assistencial e suporte técnicopedagógico às equipes de referencia (CAMPOS, 2007). Essa metodologia pretende assegurar maior eficácia e eficiência ao trabalho em saúde e investir na construção de autonomia dos usuários. As equipes de referência objetivam ampliar as possibilidades de construção de vínculo entre profissionais e usuários e, ainda, pressupõem uma lógica análoga para profissionais de policlínicas ou hospitais (terapeutas ocupacionais, psiquiatras e psicólogos que trabalham em centros de apoio psicossocial;

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br de infectologistas. reforçando o poder de gestão da equipe interdisciplinar. de ortopedistas. epistemológicos e subjetivos ao desenvolvimento desse tipo de trabalho integrado à saúde (CAMPOS.o apoiador pode programar para si mesmo uma série de atendimentos especializados. Assim. Analisando o hospital Karina de O. 2007). Já o termo apoio sugere ordenar a relação entre referência e especialista. éticos. Há obstáculos estruturais. Estes contatos podem-se desenvolver em três planos fundamentais: . centros de referência.o apoio restringe-se à troca de conhecimento e de orientações entre equipe e apoiador. mantendo contato com a equipe de referência. O nome matricial sugere que profissionais de referência e especialistas mantenham uma relação horizontal e não vertical como recomenda a tradição dos sistemas de saúde. culturais. 2007). unidades de urgência ou de terapia intensiva. nutrição e reabilitação física) (CAMPOS. enfermarias. cirurgiões e enfermeiros em departamentos de trauma etc (CAMPOS. Houve uma divisão do trabalho na Medicina e na saúde. 2007).com. também. . O termo foi retirado do método Paidéia (CAMPOS. Dessa forma. eletrônico ou telefônico) (CAMPOS. A proposta de equipes de referência é extensiva para hospitais. 2007). 2007).www. 2007). Em campinas foram criados Núcleos de Saúde Coletiva e organizou-se apoio em áreas clínicas (saúde mental. a equipe de referência é um grupo organizacional cujo objetivo. políticos. (CAMPOS. enfermeiros e assistentes sociais no programa de DST/AIDS. Cada equipe de referência tem um registro e um cadastro dos seus casos.educapsico. estruturam-se organizações de saúde com elevado grau de departamentalização. é tirar o poder das profissões e corporações de especialistas. Lima CRP: 84326/06 Organização e Coordenação 140 . Existem duas maneiras para estabelecer o contato entre referências e apoiadores: encontros periódicos e regulares e em caso de emergência o profissional de referência aciona o apoio matricial (contato pessoal.atendimentos e intervenções conjuntas entre o especialista matricial e alguns profissionais da equipe de referência. .

CECCILIO. Os profissionais acostumaram-se a valorizar o trabalho autônomo.com. A maioria das especialidades e profissões de saúde trabalha com um referencial sobre o processo saúde e doença restrito. O apoio matricial depende da existência de espaços coletivos em que as equipes de saúde compartilhem a elaboração de planos gerenciais e de projetos terapêuticos e depende. 2007). também. Lima CRP: 84326/06 Organização e Coordenação 141 . ainda. Há múltiplas correntes teóricas nessa produção. Produções nas Ciências humanas em Gestão e Avaliação em Saúde: • Estrutural e funcionalista: Karina de O. O SUS introduziu a diretriz do controle social. 2007). 2007). a qual influência tanto os pesquisadores quanto aqueles que tomam as decisões em Saúde Pública (Gestores e avaliadores).br e o ambulatório verifica-se. de uma ampla reformulação da mentalidade e da legislação do sistema de saúde (CAMPOS. Assim.educapsico. 2007). que se dividem em departamentos ordenados conforme profissões e especialidades médicas (CAMPOS. porém nem sempre as pessoas têm consciência dessa influência (LINS. na maioria. nota-se que estes são influenciados por diferentes maneiras de interpretar a realidade.www. sendo que a Sociologia aparece em destaque. 10. Há uma disputa entre essas correntes. Outros tendem a valorizar o social na explicação desse fenômeno também geram soluções restritas a essa linha de intervenção e isso é observado. Fundamentos para o planejamento e a gestão do processo de trabalho em organizações públicas de saúde. entre os adeptos de explicação subjetiva (desejo ou cognição) (CAMPOS. As equipes de referência e o apoio matricial buscam um trabalho coletivo e definem de maneira mais precisa a responsabilidade sanitária. 2007). Há diversas pesquisas em gestão e avaliação de saúde no Brasil após a criação do SUS em 1988. as quais têm fundamento nas correntes teóricas acima citadas. mas o apoio matricial promove encontros entre distintas perspectivas e obriga os profissionais a comporem projetos terapêuticos com outras racionalidades e visões de mundo (CAMPOS.

www. os quais atribuem racionalidades próprias ao desempenho de papéis específicos na sociedade. CECCILIO. o paradigma continua funcionalista. o qual tem as seguintes características: ausência formal de conflitos de interesse entre os sujeito. Parson via a instituição como uma sociedade em miniatura. que preza pela objetividade. A teoria estruturalfuncionalista de Parson influenciou muitas intervenções em gestão e avaliação em países como Alemanha. há na sociedade a busca pelo consenso que levaria a homeostase. 2007). Donabedian influenciou muito a área de avaliação de saúde e sua teoria seria uma aplicação da teoria de sistemas à saúde. Assim. Estados Unidos. A metodologia dessa teoria se baseia “no estudo dos atores ou pequenos grupos situados biograficamente. Essa teoria também é utilizada para a análise das organizações. • Teoria da Ação: Os trabalhos dessa teoria se filiam à sociologia fenomenológica. 2007). Posicionam-se contrariamente ao positivismo. o estudo dos estoques de conhecimento com os quais interpretam e dos significados que atribuem ao fenômeno para sua melhor compreensão” (LINS. mede-se o resultado da organização. Sua obra influenciou profissionais das mais diversas áreas em avaliação de saúde (LINS. Contudo. a gestão deve ter como base a disciplina e o controle – racionalidade gerencial hegemônica. 2007). juntamente com as teorias clássicas de Taylor e Fayol (LINS. Citam também Aguilar e Ander-Egg (1995). Definem as instituições como Karina de O. processo e resultado.br Lins e Cecílio (2007) utilizam Parson para sintetizar essa forma de pensamento. CECCILIO. consideram o aspecto subjetivo para o estudo da dinâmica social (LINS. divergências são disfunções que devem ser incorporadas pelo sistema.educapsico. que tem como autoridades Schultz (1979) e Berger e Luckmann (1994).com. CECCILIO. CECCILIO. Lima CRP: 84326/06 Organização e Coordenação 142 . já que os mesmos introjetaram os interesses da sociedade. como exemplo de autores que fazem isso tem-se Erhard Friedberg. CECCILIO. Os pesquisadores ligados a teoria dos sistemas faziam críticas à idéia mecânica de instituições proposta na produção estrutural-funcionalista. 2007). Inglaterra e Brasil. 2007). Propunha a avaliação em saúde a partir de um tripé metodológico: estrutura. sem levar em conta os distintos interesses dos indivíduos que dela fazem parte (LINS. tendo como foco a atenção médica. pois não há espaço para conflitos de interesse.

CECCILIO. Apontam ainda três momentos do conceito de instituição: a) Universalidade (normas.www. p. também conhecida como Socianálise com George Lapassade e René Lourau. • Movimento Institucionalista: Surge na França. tendo destaque a Esquizoanálise com Gilles Deleuze e Felix Guattari e Análise Institucional. estruturas estruturadas predispostas a funcionarem como estruturas estruturantes” (Bourdieu.educapsico. na década de 60. 2007). • Estruturismo ou estruturacionismo: Linha de pensamento que busca acabar com a dicotomia entre subjetivismo e objetivismo. a partir do qual se pensa as estruturas sociais constituídas através da ação humana e também são o próprio meio dessa constituição (LINS. Esta última propõe uma diferença entre os conceitos de organização e instituição. 61 apud Lins e Cecílio (2007). Lapassade e Loureau (1972) apud Lins e Cecílio (2007) afirmam que instituição é “a forma assumida pela reprodução e produção de relações sociais num dado modo de produção. É constituído por diversas tendências. 2007). sendo essa diferença importante para que se entenda a dinâmica social(LINS. b) Particularidade (instituinte) e c) Singularidade (formas necessárias para atingir certa finalidade. ou a maneira de agir e pensar que o indivíduo encontra preestabelecida”. 2007). CECCILIO. Usa em seus escritos a idéia de hábitos (disposição estável para agir em certa direção) e a partir dela propõe o conceito de habitus que seria “um sistema de disposições duráveis.com. 2) para designar algumas condutas ou processos sociais. quanto no modo de produção e na formação social que se constituí. momento da institucionalização). CECCILIO. Pierre Bourdieu é um dos expoentes dessa linha. aquilo que é instituído). 1983. Já no que diz respeito ao conceito de instituição os referidos autores apontam dois significados: 1) conjuntos práticos que perseguem objetivos. Lima CRP: 84326/06 Organização e Coordenação 143 . Campo seria o lócus no qual os agentes encontram-se fixados num primeiro momento e aí se vê as relações de poder. Nessa linha é defendido o conceito de Dualidade.br “produções dos indivíduos que nelas interagem e como reflexos das estruturas e significados prevalentes na sociedade em cada momento histórico” (LINS. A Karina de O. Os analistas institucionais afirmam que o sentido da organização é externo a ela tanto na história.

Campos metodológicos de intervenção organizacional: Foram escolhidas três abordagens em caráter arbitrário para a construção desses campos metodológicos de intervenção organizacional. norma e liberdade. Berger. Admite os diversos segmentos presentes na organização. estruturacionismo (Bourdieu). Preza-se pela liberdade dos atores.www. Organização entendida como um sistema ou um organismo que tende a homeostase.br Socianálise foi aplicada a prática social dos grupos e das instituições (LINS. Esses campos foram utilizados por Lins e Ceccilo (2007) para análise de teses e dissertações da área de gestão e avaliação em saúde produzidas no Brasil de 2000 a 2004. entre memória e criatividade. Karina de O.com. A criatividade desses atores é partilhada no grupo e a governança deve ser capaz de fazer “aflorar” essa criatividade. Lima CRP: 84326/06 Organização e Coordenação 144 . normas oficiais). Foram encontrados trabalhos: • No referencial estrutural-funcionalista. A ação desses atores é determinada pela estrutura (regras – legislação. CECCILIO. Campo metodológico de intervenções singulares (CMIS): nesse há a busca pela “síntese dialética” entre estrutura e ação. Campo metodológico de intervenções particularistas (CMIP): os interesses dos pequenos grupos norteiam as ações nas organizações. CECCILIO. 2007). por isso é a criatividade dos mesmos é determinada pela estrutura. sendo que essa idéia de campo é inspirada na idéia de homônima de Bourdieu significando diferenciação das esferas sociais. 3. Campo metodológico de intervenções universalistas (CMIU): há a predominância da memória na prática dos atores. desfazendo dicotomias como “explorados e exploradores” exercendo ações que são transformadoras e cristalizadas ao mesmo tempo. 2. 2007). De acordo com Lins e Ceccilo (2007) há três momentos da instituição (socianálise) para definição de três campos de intervenção ideais: 1. Esses campos buscam ser categorias analíticas baseadas nas teorias da estruturação (Guiddens).educapsico. estrutural funcionalista (Parsons e Talcott) e análise institucional (Lourau e Lapassade) (LINS. subjetividade e objetividade. fenomenologia sociológica (Schutz. Luckmann). 2007). CECCILIO. Governabilidade normativa impera. como especialistas (LINS.

já que os profissionais que se formam no país não estão prontos para lidarem com a complexidade desse sistema. Constata-se que os currículos dos cursos que formam profissionais para a saúde dão destaque a uma visão hospitalocêntrica.Ministério da Saúde.Ministério da Saúde.educapsico. Lima CRP: 84326/06 Organização e Coordenação 145 . 2004). 2004). Projetos como “Escola de Verão do Rio Grande do Sul” foram realizados já em 2002.www. 2004). Acredita-se que esse esquema de análise pode contribuir para novas leituras e análises de proposições e intervenções organizacionais na área de saúde.Ministério da Saúde. 2004). além de não terem a visão coletiva de saúde. estando presos a modelos biomédicos (Brasil . Apesar dessa pouca importância que se dá ao SUS nos currículos de formação desses profissionais. Os estudantes da área da saúde têm demonstrado preocupação com a situação acima citada (Brasil . muitos deles irão atuar como gestores nesse sistema (Brasil .com. Apesar desses avanços apoiados pelo Movimento Estudantil ainda não se encontra em quantidade suficiente políticas públicas de desenvolvimento de recursos humanos para o SUS que tenham como alvo os estudantes e os cursos de formação de profissionais da saúde (Brasil . deixando para segundo plano os conteúdos sobre o SUS. criando assim a Assessoria de Relações com o Movimento Estudantil e Associações CientíficoProfissionais da Saúde. 2004).br • • Busca por novos paradigmas em autores contemporâneos.Ministério da Saúde. a saber: Karina de O. data de criação da Assessoria de Relações com o Movimento Estudantil e Associações Científico-Profissionais da Saúde (Brasil . buscando o desenvolvimento de projetos que valorizem o SUS e a visão coletiva de saúde. encontra-se previsto na legislação brasileira pontos tratando da formação Recursos Humanos e o Papel dos Gestores Públicos no Brasil. A formação de recursos humanos para o SUS (Sistema único de Saúde) é algo bastante problemático no Brasil. Diante dessa situação a Escola de Saúde Pública do Estado do Rio Grande do Sul (ESP/RS) buscou uma articulação os estudantes da área da saúde. De acordo com o Caderno VER-SUS do Ministério da Saúde (2004).Ministério da Saúde.

Lei Orgânica da Saúde de 1990 Artigo 6o: Estão incluídas no campo de atuação do SUS: III .br 1 . métodos e estratégias para a formação e educação continuada dos recursos humanos do Sistema Único de Saúde na esfera correspondente.www. assim como em relação à pesquisa e à cooperação técnica entre essas instituições.incrementar em sua área de atuação o desenvolvimento científico e tecnológico.o incremento. Lima CRP: 84326/06 Organização e Coordenação 146 . 2 . X . além de outras atribuições. do desenvolvimento científico e tecnológico. V . XIX .Constituição Nacional de 1988 Artigo 200 o: Ao Sistema Único de Saúde compete.participação na formulação e na execução da política de formação e desenvolvimento de recursos humanos para a saúde. Artigo 27 o: A política de recursos humanos na área da saúde será formalizada e executada articuladamente pelas diferentes esferas de governo.realizar pesquisas e estudos na área da saúde.com.a ordenação da formação de recursos humanos na área da saúde. Parágrafo único: Cada uma dessas Comissões terá por finalidade propor prioridades.educapsico. em cumprimento dos seguintes objetivos: Karina de O. Artigo 14o: Deverão ser criadas Comissões Permanentes de integração entre os serviços de saúde e as instituições de ensino profissional e superior. nos termos da Lei: III . em seu âmbito administrativo. os Estados. Artigo 15 o: A União. o Distrito Federal e os Municípios exercerão. em sua área de atuação. as seguintes atribuições: IX .ordenar a formação de Recursos Humanos na área da saúde.

www. 2004). segundo Ramos apud Brasil . Esse novo panorama no mundo do trabalho gerou discussões no campo da educação. os currículos por competência nada mais são do que currículos pautados em normas de competência. Lima CRP: 84326/06 Organização e Coordenação 147 .Ministério da Saúde (2004) afirma que é necessária uma nova definição do objeto. No século XX há uma transição do modelo fordista de trabalho para o modelo chamado de “flexibilização produtiva”.Ministério da Saúde (2004) que na sua maioria. Percebe-se que apesar da existência de leis. Artigo 30 o: As especializações na forma de treinamento em serviço sob supervisão serão regulamentadas por Comissão Nacional.br I . fato que implica novos significados ao trabalho. Ainda para o autor acima referido para um currículo realmente pautado em competências dever-se-ia ter uma preocupação com a Karina de O. sendo que novas exigências são feitas ao trabalhador. crescimento do trabalho informal (Brasil . Haddad apud Brasil . Parágrafo único: Os serviços públicos que integram o SUS constituem campo de prática para o ensino e pesquisa. dos quais também o campo da saúde (Brasil . das quais a necessidade de novas competências para o trabalho nos diversos setores. mediante normas específicas elaboradas conjuntamente com o sistema educacional.com. inclusive de pós-graduação. Seria necessário normalizar as competências em saúde. espaço e das ações de trabalho do profissional da saúde. formar os profissionais tendo como referência essas competências e por último avaliar e certificar por essas competências. 2004). além da elaboração de programas de permanente aperfeiçoamento de pessoal. vê-se. a saber: necessidade de ampla qualificação.Ministério da Saúde. pouco se avançou na construção de bases sólidas para a formação de recursos humanos em saúde que estejam em consonância com os princípios do SUS.Ministério da Saúde. [instituída junto ao Conselho Nacional de Saúde]. Contudo. aumento do trabalho intelectual em detrimento do trabalho manual. garantida a participação das entidades profissionais correspondentes.organização de um sistema de formação de recursos humanos em todos os níveis de ensino.educapsico.

2004). Os projetos do programa UNI são planejados a partir da abordagem coletiva dos problemas. na prática profissional em saúde. na participação da população.Ministério da Saúde (2004) afirma que a formação permanente objetiva transformar o profissional em sujeito. As práticas desse programa são baseadas no ensino-aprendizagem. assim como pensamentos hegemônicos são impossíveis no campo da saúde.Ministério da Saúde. Esses programas de educação continuada ou permanente devem considerar que todo profissional de saúde tem uma visão sobre saúde e suas práticas têm relação com tais visões. juntamente com os alunos da Universidade e Karina de O. No programa UNI há uma tentativa de revalorização da ação política e dos sujeitos sociais. Motta (1998) apud Brasil . nas práticas sanitárias. mas são decididas coletivamente e a população.www. a partir do trabalho com parcerias. Assim.educapsico. na investigação. deixando-o no centro do processo de ensino-aprendizagem. O programa UNI foi construído na América Latina que saia de governos autoritários (Brasil . o que diz o programa UNI.br aprendizagem em ritmo individual e gradual e desenvolver a capacidade de autoavaliação. Deve-se ter um esforço no sentido de mobilizar e organizar novas estratégias de ação. Já a educação continuada de acordo com Ricas (1994) apud Brasil . Constata-se ainda a necessidade de formação continuada e permanente dos profissionais de saúde. da participação popular e da educação de profissionais de saúde na América Latina. Práticas hegemônicas. 2004).Ministério da Saúde. É necessário. a título de ilustração.com.Ministério da Saúde. e na busca constante pelo exercício da cidadania. ir além de questões teóricas e conceituais e pensar nesses processos acontecendo em meio a relações de trabalho. Lima CRP: 84326/06 Organização e Coordenação 148 . as quais devem ser entendidas como relações sociais que tem diferentes intenções e conflitos. 2004). Veja agora.Ministério da Saúde (2004) seria relativo a atividades de formação após o curso de graduação com o objetivo de atualização e aquisição de novos conhecimentos/ informações. no UNI formas de ação e de pensamento são construídas constantemente a partir do contexto em que se está inserido (Brasil . Este programa surgiu a partir de uma análise de saúde. As práticas não são definidas a priori a partir de alguma teoria. no que diz respeito a formação de recursos humanos para saúde(Brasil .

2004). qualidade e eficiência. 1997). A primeira tem como objetivo desenvolver políticas de saúde mais adequadas à realidade brasileira tendo o CEBES como um conjunto de tendências renovadoras do setor saúde.Ministério da Saúde. 2004). Busca-se então uma hegemonia da relação entre classe/Estado/Sociedade.Ministério da Saúde.www. pensam nessas práticas e decidem até mesmo as prioridades (Brasil Ministério da Saúde. CEBES (Centro Brasileiro de Estudos de Saúde) O Movimento Sanitário almeja que as demandas da sociedade sejam vistas como um todo. 1997). reflexivas e problematizadoras e metodologias de ensino que permitissem a participação ativa dos estudantes em diferentes e novos cenários de ensino. A democracia nos anos 70 tinha um forte conteúdo anárquico e contra-cultural. 2004). quanto ao sistema de saúde. A segunda concepção quer desenvolver atividades voltadas à comunidade (FLEURY. Devem também pensar na democratização. As pessoas apresentam uma grande motivação em participar de projetos que também foram idealizados por elas e essa ação coletiva facilita a comunicação entre os segmentos sociais e as instituições de saúde (Brasil . ampliação da consciência sanitária e a organização do movimento social (FLEURY. 2004). Tais concepções visam desenvolver o CEBES como um órgão democrático e que preconiza a democratização do setor saúde. institucionalizou-se o movimento sanitário organizando-se. 1997). as propostas de formação de recursos humanos devem considerar os aspectos como equidade. Para finalizar. O CEBES representou um novo saber que ressaltasse as relações entre saúde e estrutura social. Existem duas concepções da ação do CEBES que polarizam os interesses de grande número de associados.” (Brasil . Lima CRP: 84326/06 Organização e Coordenação 149 . 1997). na maior participação social (Brasil . tendo como uma das marcas a unificação dos serviços de saúde pública sem fins lucrativos (FLEURY. Com a criação do CEBES.br professores. A partir dos anos 80 a democracia “institucionalista” recorreu ao conceito estratégico de Karina de O. na definição de um projeto comum de estratégias e táticas de ação coletiva. Um outro ponto importante que pode ser pensado a partir do programa UNI é a adoção de concepções pedagógicas “críticas.Ministério da Saúde.com. (FLEURY.educapsico.

educapsico.www. O CEBES consolidou-se no documento apresentado no I Simpósio sobre Política Nacional de Saúde na Câmara Federal. Segundo Fleury (1997). destaca-se o conteúdo ético baseado na solidariedade e no desenvolvimento integral da comunidade política. que a “representação corporativa dos interesses organizados pode fortalecer a democracia”. ainda. já na democracia substancial. apud Fleury. a Reforma Sanitária é “definida como um processo de transformação da norma legal e do aparelho institucional que regulamenta se responsabilizando pela proteção à saúde dos cidadãos e corresponde a um efetivo deslocamento do poder político em direção às camadas populares. Hirst (1992:13. cuja expressão material se concretiza na busca do direito universal à saúde e na criação de um sistema único sob a égide do Estado”. em outubro de 1979. a pressuposição de que o homem político seja. 1997) ainda nos mostra a relação entre Estado interventor e economia oligopólica embutida nesta definição e resume os traços do modelo schumpeteriano. destaca-se a idéia de liberdade. Na democracia formal. Bobbio (1994) apud Fleury (1997) encontra dois sentidos básicos para o conceito de democracia: a formal e a substancial. 1997). Defende o corporativismo e o pluralismo e conclui. Chauí (1990. reduzindo a participação cidadã à escolha dentre as ofertas políticas tornando os cidadãos alienados quanto a esta questão. essencialmente. também.br desenvolvimento da consciência sanitária como forma de articulação de diferentes níveis (FLEURY. Karina de O. 1997) propõe “o gerenciamento econômico por meio da coordenação dos grandes interesses sociais e da orquestração do acordo pela negociação entre os grupos de interesse”. 1997). Lima CRP: 84326/06 Organização e Coordenação 150 . Este modelo traz o esvaziamento do conteúdo moral da democracia e. um consumidor e apropriador.com. A constituição do movimento sanitário como uma política abrange uma consciência sanitária e aliava a organização política do movimento social com a busca da formulação de um projeto alternativo para o sistema de saúde (FLEURY. Schumpeter (1984) apud Fleury (1997) define método democrático como “aquele acordo institucional para se chegar a decisões políticas em que os indivíduos adquirem o poder de decisão através de uma luta competitiva pelos votos da população”. apud Fleury.

. .a cidadania resgata a mediação entre Estado e Sociedade. 1997). .a democracia não pode prescindir da dimensão liberal. sobre o termo democracia temos Robert Dahl que identifica dois eixos histórico-analíticos de desenvolvimento político das sociedades: o eixo da liberação e o eixo da participação (FLEURY.a dimensão social da democracia exige novas formas concomitantes de participação no poder político.a jurisdição das relações políticas é conseqüência inevitável.a burocracia estatal é requerida como fundamento da igualdade política dos cidadãos. .educapsico.br Já Macpherson apud Fleury (1997) formula um tipo de democracia participativa priorizando os movimentos sociais e almejando a ampliação do espaço político pela sociedade civil.a cidadania compreendida em toda sua complexidade contraditória. alterando o equilíbrio da hegemonia dominante. .com. Acredita que tal modelo seja compatível com a democracia liberal. Com estas questões. Lima CRP: 84326/06 Organização e Coordenação 151 .a combinação do sistema de representação territorial com uma modalidade de representação corporativa. deixam de lado a necessidade de um processo institucional que assegure a igualdade básica da cidadania e o fato de que o encontro entre liberalização e participação subestima a participação ao espaço estrito do governo representativo. .o sistema de representação com base territorial e definição da participação através dos mecanismos de organização tem sido escolhido como o que melhor garante a igualdade de condições para que opiniões individuais sejam consideradas nas decisões coletivas. garantia da saúde como direito individual e a Karina de O. .a cidadania requer a positivação dos direitos sociais e atuação estatal como garantia de sua vigência.a combinação do sistema representativo com a participação direta em organizações públicas auto-geridas pretende transformar a correlação de forças. ainda. Falando.www.a participação cidadã nas decisões coletivas que afetam a comunidade política deve ser resguardada por um corpo de regras. . . Poulantzas (1981) apud Fleury (1997) assinala os pontos cruciais: . . A democracia da Reforma Sanitária possuía as seguintes bases fundamentais: formulação de uma utopia igualitária.

É dever das instituições oferecer informações e conhecimentos necessários para que a população se posicione sobre as questões que dizem respeito à sua saúde (FLEURY. sabe-se que existe a desigualdade e novas tendências na sociedade brasileira e isso faz com que esse modelo igualitário não seja feito de forma imediata. também foi importante para o movimento sanitário no Brasil. divulgação do movimento pela série de livros e pela Revista “Saúde em Debate. as Normas Operacionais Básicas e etc (FLEURY. A produção acadêmica “informada” politicamente. A globalização vem alterando tanto as formas produtivas e as relações econômicas quanto o papel dos Estados nacionais. a Lei Orgânica. assume a igualdade como principal meta (FLEURY. 1997).www.educapsico. Contudo. Prefeitos e vereadores comprometidos com o movimento tinham esta questão em suas plataformas eleitorais (NETO. ainda sobre a ditadura militar. Karina de O. 1997). à medida que estimulou e promoveu o debate. 1997). É a garantia constitucional de que a população através de suas entidades representativas poderá participar do processo de formulação das políticas de saúde e do controle da sua execução. 1997). pela visão política. 1997). os estados latino-americanos. 1997). 1997). como um movimento exclusivamente reformista (NETO. Grupos buscaram fugir do Sistema Único de Saúde com suas regras uniformizadoras (FLEURY. as Constituições Estaduais. Lima CRP: 84326/06 Organização e Coordenação 152 . em crise fiscal e administrativa. construção de contra-politicas ou de políticas alternativas e ocupação de espaços institucionais” (NETO. As Conferências de Saúde nas três esferas do governo são as instâncias máximas de proposição. Sendo assim.br construção de um poder local o qual ganhou forças com a gestão social democrática. dando um novo conceito ao movimento e sendo.com. O Parlamento foi utilizado como espaço para debate público sobre a Saúde e para a organização do movimento sanitário brasileiro. incluindo a Constituição Federal. 1997). Neste contexto. enfrentam-se com diversidade de demandas e expectativas geradas no processo de participação democrática (FLEURY. O CEBES protagonizou o movimento sanitário brasileiro. Quanto ao conceito do direito à saúde tem-se uma concepção ampliada e a saúde que assume a condição de função pública e foi traduzido em uma base legal e normativa. em todos os níveis desde o federal até o local.

1993. 1997). 1997). Introduzem-se os contratos de gestão que expressam uma nova racionalidade para tal administração e permitem uma abrangente concepção de gestão (BARBOSA. No início dos anos 80 os asilos do Ministério da Saúde transformaram-se em hospitais gerais ou especializados. de centralização subordinada”. mais chance haverá desta decisão ser acertada (BARBOSA. Por mais mudanças que ocorriam no setor saúde. Assim. não são marcantes para a Reforma Sanitária (BARBOSA. Depois vieram as Ações Integradas de saúde. usuários diretos do sistema (BARBOSA. O município é o melhor âmbito para tratar a questão saúde. 1997). Segundo Mendes. a segunda em um nível organizacional e no terceiro plano estão as causas de caráter individual. determina que as ações e os serviços públicos de saúde se integrem em uma rede regionalizada e hierarquizada. sendo capaz de identificar as peculiaridades e as diversidades locais e por isso estaria mais acessível à participação. 1997). Somente em 90 a gestão hospitalar e a importância do hospital no SUS ganharam espaço e pôde ser algo considerável. constituindo um único sistema de Karina de O. a partir da idéia de quanto mais perto do fato a decisão for tomada. por mais que ocorriam crises.com. A Constituição. Nessa década acontecia a sua evolução e desenvolvimento. o processo da reforma constitucional no campo da administração pública brasileira induziu à utilização de modelos de maior autonomia das organizações estatais. e o nível de atenção hospitalar era imprescindível nesse processo (BARBOSA. 1997. Lima CRP: 84326/06 Organização e Coordenação 153 . avaliação e fiscalização dos cidadãos.www. No processo de descentralização há uma redistribuição das responsabilidades às ações e serviços de saúde entre vários níveis de governo. 1997). Vecina Neto e Malik (1991) apud Barbosa (1997) propuseram uma análise da crise que envolve o setor saúde em três dimensões: a primeira em nível estrutural. apud Barbosa. descentralizar não significa tornar independentes as unidades de saúde. no art. uma vez que é o ente federado mais próximo da realidade da população.br O Desafio dos Hospitais O convênio MEC-MPAS foi precursor no processo de fortalecimento do setor público. “onde a cada momento de descentralização deve corresponder um outro. 198.educapsico. mas sim criar uma relação “biunívoca” entre as dimensões centralização e descentralização.

com. Para o processo de avaliação do desempenho do sistema único de saúde é necessário que todos os envolvidos com o sistema de saúde compreendam os problemas que afetam Karina de O. organizados de forma descentralizada. mas ainda há muito o que fazer (Campos. 2008). Também há uma falta de governança no que diz respeito ao SUS e este não é um sistema. É necessário um sistema integrado em saúde. Campos (2008) afirma que há uma grande preocupação da população com os serviços de saúde e que apesar dos progressos o SUS ainda não atende a maioria das necessidades de saúde da população brasileira. exceto em alguns municípios. com direção única em cada esfera de governo e com a participação da comunidade (BARBOSA. a defesa da vida. A substituição do atual processo de habilitação pela adesão solidária aos Termos de Compromisso de Gestão. Fundamentos para a avaliação dos serviços de saúde. 11. política e administrativa caracterizada pelas complexas especificidades regionais excluídas do modelo preponderante (BRASIL – Ministério da Saúde. Atualmente há o desafio da efetivação do Pacto pela Saúde e acordos entre as três esferas de gestão do SUS. com os quais se pode comprovar a possibilidade de um atendimento público em saúde. A reforma sanitária estruturou o Sistema Único de Saúde para responder a realidade social. 2008). a integração das várias formas de repasse de recursos federais e a unificação dos vários pactos existentes são mecanismos que fortalecem a gestão do sistema e ampliam a possibilidade de construção da equidade (BRASIL – Ministério da Saúde. As organizações estatais não são eficientes e isso gera um descrédito com relação as mesmas (CAMPOS. em ultima instância. em quase todos os países. 2008).br saúde. Deve haver muita responsabilidade dos gestores quanto à saúde porque o direito desta significa. a regionalização solidária e cooperativa como eixo estruturante do processo de descentralização. Lima CRP: 84326/06 Organização e Coordenação 154 . 1997). 2007). O SUS não foi colocado como prioridade no país. a avaliação na área da saúde é prioridade (BRASIL – Ministério da Saúde. 2007).www. Dessa forma. Introduzem-se mudanças no processo de gestão do sistema e nas formas de relação intergovernamental no âmbito da saúde. 2007). pois não funciona em rede com base populacional e territorial (CAMPOS.educapsico.

também utiliza a rede pública para ações de saúde pública e para procedimentos mais complexos e de maior custo (BRASIL – Ministério da Saúde.br os resultados de sua ação e construam algo que permita superá-los (BRASIL – Ministério da Saúde. 2007). efetividade. sob as diretrizes e princípios do SUS. A Agência Nacional de Saúde Supletiva – ANS – vem desenvolvendo um projeto de avaliação. 2007).www. 2007). as ações ofertadas nem sempre satisfazem às necessidades da população. respeito ao Karina de O. O sistema de saúde permanece burocratizado e verticalizado. 2007). iniqüidades no acesso e uma cultura sanitária que a saúde é assistência médica.educapsico. sendo também precária interação entre equipes. são precários os sistemas de referência.com. 2007). O sistema público de saúde brasileiro. A consolidação do SUS exige a ampliação de sua legitimidade social e o fortalecimento de apoio políticos. sociais e políticos (BRASIL – Ministério da Saúde. não há como avaliar o sistema de saúde somente através do SUS. A proposta metodológica em relação aos componentes público e privado compreende: acesso. Aproximadamente 34 milhões de pessoas (cerca de 19% da população) recebem atenção à saúde por meio do segmento provado (BRASIL – Ministério da Saúde. A tarefa de avaliar o desempenho do sistema de saúde se apresenta nas dimensões política e técnica-operativa. Porém. mesmo tendo sistema suplementar. 155 . A constituição do sistema de saúde público causou desequilíbrios estruturais. descentralização e participação social (BRASIL – Ministério da Saúde. 75% da população têm acesso assegurado exclusivamente pelo sistema público e parte da população. São enormes os desafios para tornar efetivos os princípios para avaliação do sistema público: universalidade do acesso. A avaliação de desempenho do sistema de saúde (público ou privado) dependerá se os processos propostos e resultados serão compatíveis aos seus objetivos (BRASIL – Ministério da Saúde. 2007). representa um novo marco jurídico-legal com conteúdos éticos. Lima CRP: 84326/06 Organização e Coordenação direito das pessoas. desorganização na composição e articulação entre serviços. integralidade da atenção igualdade de direitos. Segundo PNAD 2003. eficiência. Para a diretriz metodológica na avaliação deve-se considerar a proposta elaborada pelo Projeto Desenvolvimento de Metodologia de Avaliação do Desempenho do Sistema de Saúde Brasileiro – PROADESS.

Segundo o artigo 5º da Lei 8.educapsico.www. condiciona-se a produção de saúde em ordem social e econômica (BRASIL – Ministério da Saúde. A realização as avaliação do sistema em âmbito nacional é responsabilidade do Ministério da Saúde. 2007). adequação e segurança. segundo o artigo 200 da Constituição Federal: controlar e fiscalizar procedimentos. definir dois grupos: o que reúne dimensões e indicadores que se apresentam como determinantes e aqueles que efetivamente se apresentam como dimensões e indicadores de desempenho propriamente dito. Pode. participar da formulação e da execução das ações de saneamento básico. executar ações de vigilância sanitária e epidemiológica. transporte. Assim. 2007). equipamentos e outros insumos. . substâncias de interesse para a saúde e participar da produção de medicamentos. 2007). Lima CRP: 84326/06 Organização e Coordenação 156 . inclui planejamento. estadual e municipal. incrementar em sua área de atuação o desenvolvimento científico e tecnológico. produtos. as prioridades e os objetivos governamentais expressos no Plano Plurianual (PPA) 2004/2007. tóxicos e radioativos. cabe ao SUS (1) identificar e divulgar fatores condicionantes e determinantes da saúde. fiscalizar e inspecionar alimentos. tem participação social em saúde. (BRASIL – Ministério da Saúde. articulando ações assistenciais e de prevenção. 2007). na avaliação do SUS. A avaliação em relação ao SUS mede seu próprio desempenho como política pública. também. é a estrutura e a organização das redes de atenção à saúde. A avaliação deve produzir análises em âmbito federal. bebidas e água para consumo humano. garante acesso universal.participar do controle e fiscalização da produção.br aceitabilidade. então. e (3) realizar atenção integral. proteção e recuperação. O MS assegurará Karina de O. A Constituição Federal entende que a saúde é direito do cidadão.colaborar na proteção do meio ambiente e do trabalho (BRASIL – Ministério da Saúde. Compete a ele. O SUS tem um espectro de atuação mais amplo. Deve-se considerar. bem como as de saúde do trabalhador. 2007).com. (2) formular políticas para reduzir agravos e estabelecer condições que assegurem acesso universal e igualitário a ações e serviços de saúde para sua promoção. ordenar a formação de recursos humanos na área da saúde. guarda e utilização de substâncias e produtos psicoativos. continuidade. A equidade é considerada como dimensão transversal (BRASIL – Ministério da Saúde. . resultados das ações sanitárias (BRASIL – Ministério da Saúde.080/90.

o o CAPÍTULO II Karina de O. Lima CRP: 84326/06 Organização e Coordenação 157 . público ou privado. o sistema de lista única. 2 . 2007). Art. e regulamentos do Poder Executivo. no doador.www. 2007). O PRESIDENTE DA REPÚBLICA Faço saber que o Congresso Nacional decreta e eu sanciono a seguinte Lei: CAPÍTULO I DAS DISPOSIÇÕES GERAIS Art. é permitida na forma desta Lei. o esperma e o óvulo. produção regular de Relatório de Avaliação de Desempenho do Sistema de Saúde (BRASIL – Ministério da Saúde.com. para fins de transplante e trat amento. legislação das comissões intra-hospitalares de doação de órgãos e tecidos para transplantes (CIHDOTT’s). abordagem e entrevista a família do doador.434 de 4 de Fevereiro de 1997 Dispõe sobre a remoção de órgãos. Com base no processo de monitoramento da avaliação deverão ser produzidos notas técnicas regulares para orientar o processo decisório. 12. Parágrafo único. e por equipes médicocirúrgicas de remoção e transplante previamente autorizados pelo órgão de gestão nacional do Sistema único de Saúde. estudos pontuais. em vida ou post mortem. órgãos e partes do corpo humano. Parágrafo único. 1 . promovendo a articulação entre as equipes das secretarias e centros de excelência acadêmica (BRASIL – Ministério da Saúde. tecidos e partes do corpo humano para fins de transplante e tratamento e dá outras providências. A realização de transplant es ou enxertos de tecidos. A realização de transplant es ou enxert os de tecidos. LEI N° 9.educapsico. segundo dispõem a Lei n" 7. o sistema de distribuição de órgãos. órgãos ou part es do corpo humano só poderá ser aut orizada após a realização. órgãos ou part es do corpo humano só poderá ser realizada por estabelecimento de saúde. Transplante: legislação sobre transplantes no Brasil (SUS). de 25 de janeiro de 1988. A disposição gratuita de tecidos.br a cooperação técnica descentralizada e apoiará a constituição de Comitês de Avaliação de Desempenho nas unidades federadas.649. Para os efeitos desta Lei não estão compreendidos ent re os tecidos a que se refere este artigo o sangue. de todos os testes de triagem para diagnóstico de infecção e infestação exigidos para a triagem de s angue para doação.

§ 3º Será admitida a pres ença de médico de confiança da família do falecido no ato da comprovaç ão e atestação da morte encefálica. § 4º A manifestação de vontade feit a na Carteira de Identidade Civil ou na Carteira Nacional de Habilitaç ão poderá ser reformulada a qualquer momento. 5º. no documento. comparecendo ao órgão oficial de identificação civil ou departamento de trânsito e procedendo à gravação da expressão "não-doador de órgãos e tecidos". § 1º Os pront uários médic os. 4º. o o Karina de O. Lima CRP: 84326/06 Organização e Coordenação 158 . § 2º A gravação de que trata este artigo será obrigatória em todo o território nacional a todos os órgãos de identificação civil e departamentos de trânsito. prevalecerá aquele cuja emissão for mais recent e. § 5º No caso de dois ou mais documentos legalment e válidos com opções diferentes. mediante a utilização de critérios clínicos e tecnológicos definidos por resolução do Cons elho Federal de Medicina. Art. Parágrafo único.com. As instituições referidas no art. 9º. quanto à condição de doador ou não. 4º Salvo manifestação de vontade em cont rário. contendo os resultados ou os laudos dos exames referentes aos diagnósticos de morte encefálica e cópias dos documentos de que tratam os arts. ÓRGÃOS E PARTES DO CORPO HUMANO PARA FINS DE TRANSPLANTE Art. registrando-se. decorridos trinta dias da publicaç ão desta Lei. § 1º A expressão "não-doador de órgãos e t ecidos" deverá ser gravada. e detalhando os atos cirúrgicos relativos aos transplant es e enxertos. serão mantidos nos arquivos das instituições referidas no art. quando couber. 2º enviarão anualmente um relatório contendo os nomes dos pacientes receptores ao órgão gestor estadual do Sistema Único de Saúde. 7º. § 3º O portador de Carteira de Identidade Civil ou de Carteira Nacional de Habilitação emitidas até a data a que s e refere o parágrafo anterior poderá manifestar sua vontade de não doador de tecidos. § 2 .www. A retirada post mortem de tecidos. de forma indelével e inviolável na Carteira de identidade Civil e na Carteira Nacional de Habilitação da pessoa que optar por essa condição. 2º. 2º por um período mínimo de cinco anos. e 10º. órgãos ou partes do corpo humano destinados a transplante ou tratamento deverá ser prec edida de diagnóstico de morte encefálica constatada e registrada por dois médicos não participantes das equipes de remoção e transplant e. §§ 2º. para finalidade de transplantes ou terapêutica post mortem. a nova declaração de vontade. órgãos ou partes do corpo humano. nos termos desta Lei presume-se autoriz ada a doação de tecidos.educapsico. 3 . órgãos ou part es do corpo após a morte. do morto. 4º e seus parágrafos. 6º e 8º.br DA DISPOSIÇÃO POST MORTEM DE TECI DOS.

órgãos ou partes de cadáver para fins de transplante ou t erapêutica somente poderá ser realizada após a autorização do patologista do serviço de verificação de óbito responsável pela investigação e citada em relatório de necrópsia. órgãos ou partes do próprio corpo vivo para fins de trans plante ou terapêuticos.br Art. poderá fazer doação nos casos de t rans plante de medula óssea. órgãos ou partes do corpo de pessoa juridicamente incapaz poderá ser feita desde que permitida expressament e por ambos os pais ou por seus responsáveis legais Art. Preferencialmente por escrito e diante de testemunhas. No cas o de morte sem assistência médica. órgãos ou part es do corpo de pessoas não identificadas. CAPÍTULO III DA DlSPOSlÇÃO DE TECIDOS. § 1º . 7º (VETADO) Parágrafo único. 9 . § 5º A doaç ão poderá ser revogada Pelo doador ou pelos res ponsáveis legais a qualquer momento antes de sua concretização. órgão ou parte do corpo objeto da retirada. tecidos ou partes do corpo cuja retirada não impeça o organismo do doador de continuar vivendo sem risco para a sua integridade e não repres ente grave comprometimento de suas aptidões vit ais e s aúde mental e não cause mutilação ou deformação inaceit ável. de óbito em decorrência de causa mal definida ou de outras situações nas quais houver indicação de verific ação da caus a médica da morte. 5º A remoção post mortem de tecidos.educapsico. de partes de órgãos.(V ETADO) § 3º Só é permitida a doação referida neste artigo quando se t ratar de órgãos duplos. especificamente o tecido. desde que haja cons entimento de ambos os pais ou seus responsáveis legais e autoriz ação judicial e o ato não oferecer risco para a sua saúde. Lima CRP: 84326/06 Organização e Coordenação 159 . 6º É vedada a remoção post morrem de tecidos.www. com compatibilidade imunológica comprovada. o cadáver será condignament e recomposto e entregue aos parentes do morto ou seus res ponsáveis legais Para sepultamento.com. a remoção de tecidos. § 4º O doador deverá autorizar. § 6º O indivíduo juridicament e incapaz. e corresponda a uma nec essidade terapêutica comprovadamente indispensável à pessoa rec eptora.(V ETADO) § 2º . o Karina de O. 8º Após a retirada de partes do corpo. É permitida à pessoa juridicamente capaz dispor gratuitamente de tecidos. ÓRGÃOS E PARTES DO CORP O HUMANO VIVO PARA FI NS DE TRANSPLANTE OU TRATAMENTO Art. Art.

identificada ou não. c) apelo público para a arrecadação de fundos para o financiament o de transplante ou enxerto em beneficio de particulares. às centrais de notificação. relativa a estas atividades. É proibida a veiculação.10. se ele for juridicamente incapaz. 12. Os órgãos de gestão nacional. exceto quando se tratar de doação de tecido para ser utizado em transplante de medula óssea e o ato não oferecer risco à sua saúde ou ao fet o.. b) apelo público no sentido da doação de tecido. órgãos ou partes do corpo de pessoa ou cadáver. para todos os estabelecimentos de saúde. o diagnóstico de morte encefálica feito em pacientes por eles atendidos. captaç ão e distribuição de órgãos da unidade federada onde ocorrer. 13. o consentimento de que trata este artigo será dado por um de seus pais ou responsáveis legais. O transplante ou enxert o só se fará com o consentimento expresso do receptor. e multa de 100 a 360 dias-multa.educapsico. órgãos ou partes de seu c orpo vivo. Lima CRP: 84326/06 Organização e Coordenação 160 . Nos c asos em que o recept or s eja juridicamente inc apaz ou cujas condições de saúde impeçam ou comprometam a manifestação válida de sua vontade. regional e local do Sistema Único de Saúde realizarão periodicament e. notificar. CAPÍTULO V DAS SANÇÕES PENAIS E ADMINISTRATIV AS Seção I Dos Crimes Art. através de qualquer meio de comunicação social de anúncio que configure: a) publicidade de estabelecimentos autorizados a realizar transplantes e enxertos. Art.br § 7º É vedado à gestante dispor de tecidos. É obrigatório. § 8º O auto t rans plante depende apenas do consentimento do próprio indivíduo. registrado em seu prontuário médico ou.www. Karina de O. Art.reclusão. órgão ou part e do corpo humano para pessoa determinada. em desacordo com as disposições desta Lei: Pena . de dois a seis anos. Parágrafo único. 14. de um de seus pais ou respons áveis legais. 11. (VETADO) Art. após aconselhamento sobre a excepcionalidade e os riscos do procedimento.com. CAPÍTULO IV DAS DISPOSIÇÕES COMPLEMENTARES Art. ressalvado o disposto no parágrafo único. Remover tecidos. Parágrafo único. através dos meios adequados de comunicação social campanhas de esclarecimento público dos beneficies esperados a partir da vigência desta Lei e de estímulo à doação de órgãos.

Art. órgãos ou panes do corpo humano: Pena. § 4º Se o crime é praticado em pessoa viva e resulta morte: Pena . II . de três a oito anos. Art. guardar ou distribuir partes do corpo humano de que se tem ciência terem sido obtidos em desacordo com os dispositivos desta Lei: Pena . de 100 a 250 dias-multa. de 150 a 300 dias-multa. Karina de O. 19. Lima CRP: 84326/06 Organização e Coordenação 161 .deformidade permanent e. Pena-reclusão.perda ou inutilização de membro.reclusão.abort o: Pena . Publicar anúncio ou apelo público em desacordo com o disposto no art. de 100 a 150 dias-multa. e multa de 200 a 360 dias-multa. de 100 a 200 dias-multa.reclusão. Realizar transplante ou enxerto em desacordo com o disposto no art. IV . e multa.reclusão. de um a seis anos. de seis meses a dois anos. Art.incapacidade permanente para o trabalho. facilita ou aufere qualquer vantagem com a transação. sentido ou funç ão. 18. II . sentido ou função.detenção. e multa de 200 a 360 dias-multa. 10 desta Lei e seu parágrafo único: Pena . transportar. 15.perigo de vida. de seis meses a dois anos.Enfermidade incurável. III .reclusão. 11: Pena . IV . devolvendo-lhe aspecto condigno. e result a para o ofendido: I . e multa de 150 a 300 dias-multa. § 2º Se o crime é praticado em pessoa viva. e multa de 100 a 200 dias-multa. de quat ro a doze anos.incapacidade para as ocupaç ões habituais. Deixar de recompor cadáver. IIII . por mais de trinta dias. Parágrafo único. Art. para sepultamento ou deixar de ent regar ou ret ardar sua entrega aos familiares ou interessados: Pena .reclusão.debilidade permanente de membro. Art.br § 1º Se o crime é cometido mediante paga ou promessa de recompensa ou por out ro motivo torpe: Pena .com. Incorre na mesma pena quem promove. de três a oito anos. e multa.detenção. de seis meses a dois anos. Art. e muita. V .www.multa. § 3º Se o crime é praticado em pessoa viva. 17.educapsico. de oito a vinte anos. 16. e result a para o ofendido: I . 20. intermedeia. órgãos ou partes do corpo humano de que se tem ciência terem sido obtidos em desacordo com os dispositivos desta Lei. de três a dez anos.aceleração de parto: Pena . Recolher. Realizar transplante ou enxerto utilizando tecidos. Comprar ou vender tecidos.reclusão.

3º. § 1º. Jobim Carlos Cé sar de Albuquerque LEI N° 10. poderá t er suas atividades suspensas temporária ou definitivamente. em caso de reincidência. 14. o estabelecimento de saúde e as equipes médico cirúrgicas envolvidas poderão ser desautoriz adas temporária ou permanentemente pelas aut oridades competentes. 4 de fevereiro de 1997. (VETADO) Art. 11. 15.com. de 18 de novembro de 1992. 3º. de 27 de agosto de 1962.educapsico. estão sujeitas a multas de 100 a 200 dias multa.º 879. ou que não enviarem os relatórios mencionados no art. Fernando Henrique Cardoso Nelson A. 434. a autoridade competente poderá multá-la em 200 a 360 dias-multa e. Art. é proibida de estabelecer contratos ou convênios com entidades públicas bem como se beneficiar de créditos oriundos de instituições governamentais ou daquelas em que o Estado é acionista. Revogam-se as disposições em contrário. 22. Lima CRP: 84326/06 Organização e Coordenação 162 . ao órgão de gestão estadual do Sistema Único de Saúde. sem direito a qualquer indenização ou compensação por investimentos realizados.211 de 23 de março de 2001 Altera dispositivos da Lei nº 9.º 8. 21. a empresa de comunicação social que veicular anúncio em desacordo com o disposto no art.br Seção II Das Sançõe s Administrativa s Art. Brasília. o órgão de gestão estadual do Sistema Único de Saúde poderá determinar a desaut orização temporária ou permanent e da instituição. 176º da Independência 109º da República.º 4. particularmente a Lei n. No caso dos crimes previstos nos arts. 13. 24. Art. tecidos e partes do corpo humano para fins de transplante e trat amento". que "dispõe sobre a remoção de órgãos. 23. As instituições que deixarem de manter em arquivo relatórios dos transplantes realizados. § 1º Se a instituição é particular.489. de 4 de fevereiro de 1997. e o Decret o n. pelo prazo de cinco anos.www. 25.117. CAPÍTULO VI DAS DISPOSIÇÕES FINAIS Art. 16 e 17. além de multa. § 2º Em caso de reincidência. de 22 de julho de 1993. § 2º. § 2º Se a instituição é particular. O PRESIDENTE DA REPÚBLICA Faço saber que o Congresso Nacional decreta e eu sanciono a seguinte Lei: Karina de O. conforme o disposto no art. 59 da Lei n. Sujeita-se às penas do art. § 1º Incorre na mesma pena o estabelecimento de saúde que deixar de fazer as notificações previstas no art.

434.. 1º Os dispositivos adiante indicados. reta ou colateral. Lima CRP: 84326/06 Organização e Coordenação 163 . .... 10... (VE TADO)" "Art....com..... o consentimento de que trata este artigo será dado por um de seus pais ou responsáveis legais. passam a vigorar com a seguinte redação: "Art............www.." (NR) "Art. aos parentes do morto ou seus res ponsáveis legais para sepultamento..." (NR) Karina de O... após aconselhamento sobre a excepcionalidade e os riscos do procedimento... se verificada a hipótes e do parágrafo único do art. provocado por acidente ou incidente em seu transporte.." (NR) "§ 1º Nos casos em que o receptor seja juridicamente incapaz ou cujas condições de saúde impeçam ou c ompromet am a manifestação válida da sua vontade..." (NR) "§ 2º A inscrição em lista única de espera não confere ao pretenso rec eptor ou à sua família direito subjetivo a indenização.. de 4 de fevereiro de 1997...... 2º .....educapsico... órgãos e partes do corpo de pessoas falecidas para transplantes ou outra finalidade terapêutica....... dependerá da autorizaç ão do cônjuge ou parent e... o cadáver será imediatament e necropsiado. em seguida. maior de idade... que lhe seriam destinados." (NR) "Parágrafo único... obedecida a linha sucessória. A realização de transplant es ou enxertos de tecidos.... O transplante ou enxerto só s e fará com o consentimento expresso do receptor. em qualquer caso..... firmada em documento subscrito por duas testemunhas presentes à verificação da morte. 4º A retirada de tecidos.. e. 7º ..... no doador.. 9º É permitida à pessoa juridic ament e capaz dispor gratuitamente de tecidos....br CAPÍTULO I DAS DISPOSIÇÕES GERAIS "Art. ou em qualquer outra pessoa. se o transplante não se realizar em dec orrência de alt eração do estado de órgãos... dispensada esta em relação à medula óssea......... até o segundo grau inclusive. para fins terapêuticos ou para transplantes em cônjuge ou parentes consangüíneos até o quarto grau... órgãos e partes do próprio corpo vivo." (NR) "Art. inclusive..... da Lei nº 9......" (NR) "Art........... na forma do § 4º deste artigo. órgãos e partes do corpo humano só poderá ser aut orizada após a realização... condignamente recomposto para ser entregue.. assim inscrito em lista única de espera.. mediante autorização judicial..... 8º Após a retirada de tecidos.......... de todos os testes de triagem para diagnóstico de infecção e infestação exigidos em normas regulament ares expedidas pelo Ministério da Saúde. "Parágrafo único.. tecidos e partes. órgãos e partes...................

180º da Independência e 113º da República. 23 de março de 2001.com. que regulamenta a Lei supracitada. 5º Esta Lei ent ra em vigor na data de sua publicação. Art. especialmente aqueles que disponham de Unidades de Tratamento Intensivo cadastradas como de tipo II e III.268.educapsico. Considerando a necessidade de ampliar os avanç os já obtidos na c aptação de órgãos e na realização de transplantes. de 4 de fevereiro de 1997. O Ministro de Estado da Saúde. Considerando a P ortaria GM/MS nº 3. Considerando a necessidade de envolver. tecidos e part es do corpo humano para fins de transplante e tratamento e dá outras providências. Brasília. perdem sua validade a partir de 22 de dezembro de 2000. de 30 de junho de 1997.434. órgãos e partes. constantes da Carteira de Identidade Civil e da Carteira Nacional de Habilitação. Lima CRP: 84326/06 Organização e Coordenação 164 . que cria os mecanismos para a implantaç ão dos Sistemas Estaduais de Referência Hospitalar em Atendimento de Urgências e Emergências. que aprova o Regulamento Técnico sobre as atividades de transplante e dispõe sobre a Coordenação Nacional de Trans plantes. de 05 de agosto de 1998. que estabelece os critérios de classificação e cadastramento de Unidades de Terapia Intensiva. Art. de 15 de abril de 1999. Considerando a P ortaria GM/MS nº 479. Considerando a Portaria GM/MS nº 3432. 2º As manifestações de vontade relativas à retirada "post mortem" de tecidos. que sejam integrantes dos Sistemas Estaduais de Referência Hospitalar em Atendimento de Urgências e Emergências e que sejam hospitais que realizem transplantes. Considerando a Lei nº 9. Portaria nº 905/GM Em 16 de agosto de 2000. os hospitais integrantes do Sistema Único de Saúde/SUS no esforço coletivo de captação de órgãos. Karina de O. de 12 de agosto de 1998.www. 4º da Lei nº 9.434. de forma mais efetiva e organizada. Considerando o Decret o nº 2. 3º Ficam convalidados os atos praticados com base na Medida Provisória nº 2. no uso de suas atribuições. que dispõe sobre a remoção de órgãos. FERNANDO HENRIQUE CARDOS O José Gregori e José Serra Legislação das comi ssõe s intra-hospitalares de doação de órgãos e tecidos para transplantes (CIHDOTT’ s). de 04 de fevereiro de 1997.407.br Art. 4º Ficam revogados os §§ 1º a 5º do art. de 22 de fevereiro de 2001. Art.083-32.

viabilizam uma ampliaç ão qualitativa e quantitativa na captação de órgãos. d . o que. assegurando que esta ação seja. f . e . dentre os quais 01 (um) designado como Coordenador Intra-hospitalar de Transplantes.432. § 1º A Comissão de que trata este Artigo deverá ser instituída por ato formal da direç ão de cada hospital. especialmente as das Unidades de Tratamento Intensivo e dos S erviços de Urgência e Emergência. Captação e Distribuição de Órgãos. quando possível. no âmbito do hospital. melhor identificação dos potenciais doadores. no mínimo.apresent ar.articular-se com as equipes encarregadas da verificação de morte encefálica. § 2º A Comissão terá as seguintes atribuições. o processo de captação de órgãos.articular-se c om a respectiva Central de Notific ação.articular-se com as equipes médicas do hospital. agilizar o processo de necrópsia dos doadores. resolve: Art. dentro de estritos parâmetros éticos e morais. II e III.organizar. facilitando. e Considerando que a existência e funcionamento de Comissões Intra-hospitalares de Transplantes permitem uma melhor organização do proc esso de captação de órgãos. 03 (três) membros int egrantes de seu corpo funcional. dotando-as de instrumentos que permitam sua melhor articulação com os hospitais integrantes do Sistema Único de Saúde/S US. mais adequada abordagem de seus familiares. de 12 de agosto de 1998. mensalment e. quando for o caso. de 15 de abril de 1999. e para inclusão de hospitais nos Sistemas de Referência Hospitalar em Atendimento de Urgências e Emergências. Karina de O. possibilitando o adequado fluxo de informações. Captação e Distribuição de Órgãos. Relat ório de Atividades à CNCDO. 1º Estabelecer que a obrigatoriedade da existência e efetivo funcionamento de Comi ssão Intra-hospitalar de Transplantes passa a integrar o rol das exigências para cadastramento de Unidades de Tratamento Intensivo do tipo II e III. sob cuja coordenação esteja.educapsico. devendo ser composta por. regida pelos mais estritos parâmetros éticos e morais. igualmente. a realização do procedimento no próprio hospital tão logo seja procedida a retirada dos órgãos. melhor articulação do hospit al com a respectiva Central de Notificaç ão. estabelecidas pela Portaria GM/MS nº 3.articular-se com os respectivos Institutos Médicos Legais para. por fim. c . no sentido de identificar os potenciais doadores e estimular seu adequado suporte para fins de doação. g .com. visando a assegurar que o processo seja ágil e eficiente. Captação e Distribuição de Órgãos/CNCDO.br Considerando a necessidade de aprimorar o funcionamento das Centrais de Notificação. Lima CRP: 84326/06 Organização e Coordenação 165 . fixadas pela Portaria GM/MS nº 479. nos tipos I. que deverão estar claramente estabelecidas em seu Regimento Interno: a .coordenar o processo de abordagem dos familiares dos pot enciais doadores identificados.www. b .

a contar da publicaç ão desta Portaria. em seus processos de cadastramento.com. c . a documentação comprobatória da instituição de suas respectivas Comissões Intra-hospitalares de Transplantes. devidamente chancelados pelo responsável pela CNCDO à qual o hospital esteja vinculado. § 2º No caso de hospitais já cadastrados para a realização de transplant es. b . Lima CRP: 84326/06 Organização e Coordenação 166 . em articulação com a respectiva CNCDO. em conformidade com o estabelecido nos Artigos 1º e 2º desta Portaria. § 3º Os hospitais de t rata o § 2º deste Artigo deverão. a suspensão da remuneração adicional a que hoje faz jus. Art.432. no prazo estipulado. § 1º A Comissão de que trata a alínea "a" deste Artigo deverá ser instituída. § 2º Para os hospitais que já contam com UTI cadastradas como de tipo II ou III ou que já sejam integrantes dos Sistemas Estaduais de Referência Hospit alar em Atendimento de Urgências e Emergências. a contar da publicação desta Portaria. para o c adastramento de hospitais à realização de transplantes das classes I.educapsico. §1º A comprovação de que trata este Artigo se dará pelo envio dos atos de instituição da Comissão. anexos ao processo de cadastramento.www. e ser condição para cadastramento. ter as at ribuições. de 12 de agosto de 1998. consequentemente. que não comprovem. o prazo para adequação a esta norma é de um 01 (ano). 2º Estabelecer que.a obrigatoriedade da participação do esforço de captação e retirada de órgão. 3º Incluir as exigências abaixo discriminadas no rol das estabelecidas pela Portaria GM/MS nº 3. não contar com Atendimento de Urgências e Emergências e não estar vinculado a uma Organização de P rocura de Órgãos ou Córneas. no cas o do hospital não realizar captação de órgãos.a obrigatoriedade de haver indic ação de uma instituição parceira que atue como hospit al captador. enviar à S ecretaria de Assistência à Saúde/Departamento de Redes e Sistemas Assistenciais. a criação e funcionament o de suas respectivas Comissões Intra-hos pitalares de Transplantes. devidamente chancelada pelo responsável pela CNCDO à qual o hospital esteja vinculado. o prazo para adequação à presente norma é de noventa 90 (dias).a obrigat oriedade da existência e funcionamento de Comissão Int ra-hospitalar de Transplantes. II e III: a . § 4º O não cumprimento do prazo estabelecido acarret ará a perda da classificação. pela UTI do hospital faltoso e/ou a exclusão do Hospital do Sistema Estadual de Referência Hospitalar em Atendiment o de Urgências e Emergências e. não serão cadastradas UTI do tipo II ou III ou incluídos hospitais nos Sistemas Estaduais de Referência Hospitalar em Atendimento de Urgências e Emergências. como tipo II ou III. a contar da publicação desta Portaria. Karina de O.br Art.

Art. § 5º A instituição parceira indicada como hospital captador.educapsico. de 4 de fevereiro de 1997. a criaç ão e funcionamento de suas respectivas Comissões Intra-hospitalares de Trans plantes. fato que deverá ser atestado pela CNCDO quando do envio da documentaç ão de que trata o § 3º. e do Decreto nº2. JOSÉ SERRA. enviar à S ecretaria de Assistência à Saúde/Departamento de Redes e Sistemas Assistenciais. deverá manifestar concordância por at o formal da sua direç ão. INTE RINO. Captação e Distribuição de Órgãos.DOU 19/06/2006. para articular-se com a respectiva CNCDO e iniciar sua participaç ão das escalas estabelecidas para a retirada de órgãos. 6º Esta portaria entra em vigor na dat a de sua publicação. §7º O não cumprimento das exigências no prazo estabelecido acarretará o descadastramento do hospital faltoso. no uso de suas atribuições. Art. § 4º A participação do es forço de captação e retirada de órgãos de que trata a alínea "b" deste Artigo se dará por meio do trabalho desenvolvido pela Comissão Intra-hospitalar de Transplantes e. de 30 de junho de 1997.com. para realização de transplantes.br § 3º Os hospitais de trata o § 2° deste A rtigo deverão.262. no praz o estipulado. Considerando a necessidade de ampliar os avanços já obtidos na captação de tecidos de doadores em parada cardio-res piratória. de 23 de setembro de 2005. Lima CRP: 84326/06 Organização e Coordenação 167 . 1. e Considerando as disposições da Lei nº 9. Considerando a Portaria nº 1. 4º Estabelecer que. a contar da publicação desta Port aria. 5º Determinar que todos os órgãos captados e retirados conforme estabelecido por esta Portaria. Art.268. § 6º O hospital já cadastrado para a realização de transplantes tem o prazo de novent a 90 (dias).434. com suas respectivas equipes médicas. das escalas estabelecidas pela CNCDO para a retirada de órgãos. que deverá ser anexada à documentação de que trata o § 3º.www. especialmente. objeto da alínea "c" deste Artigo. que os distribuirá obedecendo às listas únicas de receptores e a toda legislação em vigor. a contar da publicação desta Port aria. PORTARI A MS Nº.752/GM. revogadas as disposições em contrário. deverão ser destinados à respectiva Central de Notificação. que determina a Karina de O. devidamente chancelada pelo responsável pela CNCDO à qual o hospital esteja vinculado. pela participação do hospital. O MINIS TRO DE ESTA DO DA SAÚDE. em seus processos de cadastramento. não serão cadastradas hospitais para realização de transplantes das classes I. II ou III que não comprovem. a documentação comprobatória da instituição de suas respectivas Comissões Intra-hospitalares de Transplantes. DE 16 DE JUNHO DE 2006 .

702/GM.br constituição de Comissão Int ra-Hos pitalar de Doação de Órgãos e Tecidos para Trans plante (CIHDOTT) em todos os hospitais públicos. Seção 1. publicada no Diário Oficial da União nº 196. de 27 de setembro de 2005. Seção II Das Atribuições Art. Capt ação e Distribuição de Órgãos do Estado ou Distrito Federal (CNCDO). até 30 de junho de 2006.www. integrante s do corpo funcional do estabelecimento de saúde. 9º da Portaria nº1. 1º A Comi ssão Intra-Hospitalar de Doação de Órgãos e Tecidos para Transplante deve ser composta por no mínimo trê s membros de nível superior. e a P ortaria nº 1.com. Karina de O. § 3º O coordenador deverá ter certificação de Curso de Formação de Coordenadores Int raHospitalares de Doaç ão de Órgãos e Tecidos para Transplante. Art. 54 . 2º Prorrogar. JOSÉ AGENOR ÁLVA RES DA SILVA Capítulo I DA COMISSÃO INTRA -HOSPITA LAR DE DOA ÇÃO DE ÓRGÃOS E TECIDOS PA RA TRANSP LANTE Seção I Da Estrutura Art. Capt ação e Distribuição de Órgãos dos Estados ou Distrito Federal. § 1º A Comissão de que trata este artigo deverá ser instituída por ato formal da direção de cada hospital e estar diret ament e vinculada à diretoria médica do estabelecimento. e considerando a Portaria nº 1006/MS/MEC. referente à criação da reestruturação dos hospitais de ensino no âmbito do Sistema Único de Saúde e a necessidade de organizar os indicadores e metas para as diversas instituições. dentre os quais 1 (um) médico ou enfermeiro. Lima CRP: 84326/06 Organização e Coordenação 168 . validado pelo SNT. Art. 1º Aprovar o Regulamento Técnico para estabelecer as atribuições. notificando as situações de possíveis doações de órgãos e tecidos.752/GM. de 27 de maio de 2004. pág. resolve: Art. privados e filantrópicos com mais de 80 leitos. de 23 de setembro de 2005. designado como Coordenador Intra-Hospi talar de Doação de Órgãos e Tecidos para Transplante.articular-se com a Central de Notificação. de 17 de agosto de 2004. anexo a esta Portaria. 3º Esta Portaria entra em vigor na data de sua publicaç ão. 2º Cabe à Comissão Intra-Hospit alar de Doação de Órgãos e Tecidos para Transplante: I . o prazo estabelecido no art.educapsico. deveres e indicadores de eficiência e do potencial de doação de órgãos e tecidos relativos às Comissões Intrahospit alares de Doação de Órgãos e Tecidos para Transplant e (CIHDOTT). ministrado pelo Sistema Nacional de Transplante (S NT) ou pelas Centrais de Notificação. § 4º Os coordenadores em exerc ício terão o prazo até 31 de dezembro de 2006 para se adequarem à exigência do parágrafo anterior. § 2º Os membros da Comissão não devem ser integrantes de equipe de transplante e/ou remoção de órgãos ou tecidos ou int egrar equipe de diagnóstico de morte encefálica.

definir os parâmetros a serem adotados no acompanhament o das metas da contrat ualização determinadas pela Port aria nº 1. no âmbito da instituição. estabelec endo metas de atuação com prazo determinado. Captaç ão e Distribuição de Órgãos (CNCDO): I .elaborar regiment o interno e manual de atribuições. em conjunto com a Central de Notificação.702//GM de 2004. document os de notificações e doações etc.com. considerando as suas características. e VI . objetivando a otimização do processo de doação e captação de órgãos e tecidos. Lima CRP: 84326/06 Organização e Coordenação 169 . V . de acordo com a Lei nº 9. Karina de O. protocolo de verificação de morte encefálica. de 4 de fevereiro de 1997.434. Seção III Das Responsabilidades Art. juntamente com o diretor médico do estabelecimento de saúde. VI .definir. II . rotinas e prot ocolos que possibilitem o processo de doação de órgãos e tecidos. termo de c onsentimento esclarecido.estabelecer critérios de eficiência possibilitando análise de resultados. III . VII .organizar. diagnosticando a potencialidade da captação de órgãos e tecidos. 4º A Comissão Intra-Hospitalar de Doação de Órgãos e Tecidos para Transplante tem os seguintes deveres: I . III .educapsico. os indicadores de qualidade. IV . Art.identificar os recursos diagnósticos disponíveis na instituição.www. necessários para a avaliação do possível doador de órgãos e/ou tecidos.garantir uma adequada entrevista familiar para solicitação da doação. 3º Cabe à Comissão Intra-Hospitalar de Doação de Órgãos e Tecidos para Transplante.avaliar a capacidade da instituição. e encaminhar ao gestor local os indicadores de desempenho estabelecidos para o hos pital. atas de reuniões. exames laboratoriais e outros. com bas e no número de potenciais doadores na instituição. V .manter os registros de suas atividades (relatórios diários.promover programas de educação/sensibilização continuados dirigidos à comunidade.arquivar e guardar adequadamente doc ument os do doador. III . formulários.articular-se com os profissionais de saúde encarregados do diagnóstico de morte encefálica e manutenção de potenciais doadores.promover programa de educação continuada de todos os profissionais do estabelecimento para compreensão do processo de doação de órgãos e tecidos. rotinas e respons abilidades. IV .br II . II .disponibilizar os insumos necessários para a captação efetiva de órgãos e tecidos no hospital.adotar estratégias para otimizar a captação de órgãos e tecidos.

ausência de familiares presentes.notificações a CNCDO de potenciais doadores de tecidos.br IV . § 1º A possibilidade de c aptação de córneas para transplante está diretamente relacionada ao número de óbitos na instituição. conforme modelo no Anexo III. a entrega do corpo do doador à família e responsabilizarse pela guarda e conservação e encaminhamento dos órgãos e tecidos. sendo considerado adequado: I .número de doações efetivas de córneas.causas de não remoção especificadas se por cont raindicação médica.supervisionar todo o processo iniciado. XIII . II . 5º Os critérios para determinação dos indicadores do potencial de doação de órgãos e tecidos e de eficiência. V . VI . VII .no caso de doação de órgãos. IV . etc. condiç ão de não doador em vida.tempo médio de hospitalização. e XIV .número de leit os de UTI e existência de respiradores mecânicos em outros setores do estabelecimento de saúde. e VII .número total de óbitos. conforme orientação da respectiva CNCDO. identidade desconhecida. relacionados com sobrevida e qualidade de vida de pacientes transplantados e encaminhar essas informaç ões a CNCDO.taxa de mortalidade geral da instituição com diagnósticos da causa base. o acompanhamento dos indicadores de eficiência da atividade dos serviços de transplante. IX . X . XII . Art.taxa de consentimento familiar em relação ao número de entrevistas realizadas. desde a identificação do doador. nos estabelecimentos autorizados para realização de transplantes de órgãos e/ou tecidos. VIII .www.número de ocorrências de mortes enc efálicas diagnosticadas e notificadas a CNCDO.taxa de mortalidade em UTI. III . utilizados para avaliar o desempenho das atividades são os seguintes: I .apresentar mensalmente os relatórios a CNCDO.promover. Lima CRP: 84326/06 Organização e Coordenação 170 .Entrevistar os familiares de pacientes falecidos no hospital oferecendo a possibilidade de doação de córneas.número de hospitalizações. o t empo médio entre a conclusão do diagnóstico de morte e entrega do corpo aos familiares e de todas as etapas intermediárias. garantindo a efetivação da doaç ão em um praz o máximo de 6 horas após a Karina de O.taxa de ocupação.educapsico. incluindo a retirada de órgãos e/ou tecidos. Seção IV Dos Indicadores de Potencial de Doação da Instituição e de Eficiência no Desempenho das Atividades. XI .número de leit os. VI . V .promover e organizar o acolhimento às famílias doadoras durante todo o processo de doação no âmbit o da instituição.com.

os familiares do paciente falecido.Notificar a CNCDO 100% dos casos de ocorrências de diagnóstico de morte encefálica conforme resolução do Conselho Federal de Medicina em vigor e Art. em conjunto com o Coordenador da CNCDO. outros tecidos e partes do corpo humano deverá ser organizada pela CNCDO em regiões de abrangência de Bancos de Tecidos específicos.www.Obter um mínimo de 30% de efetivação da doação de órgãos sobre o total de casos notificados a CNCDO. em 100% dos casos.Obter um mínimo de 20% de captação efetiva de córneas em relação aos casos entrevistados.Entrevistar. válvulas cardíac as.br constatação do óbito. acondicionamento e transporte do material coletado ao Banco de Tecidos. facilitando os trâmites logísticos necessários à adequada captação. Lima CRP: 84326/06 Organização e Coordenação 171 . 13 da Lei 9434 de 4 de fevereiro de 1997. A ocorrência de situações de morte encefálica nas Unidades de Tratament o Intensivo está estimada entre 10 a 14% do total de óbitos. pele. V . sendo considerado adequado: I . em 100% desses casos. § 2º A possibilidade de capt ação de órgãos para t ransplante está diretament e relacionada à ocorrência de óbitos em pacient es internados nas Unidades de Tratamento Intensivo ou unidades que disponham de equipamento de ventilação mecânica. definidas pela CNCDO. excetuando-se as contra-indicaç ões médicas.Conduzir todas as etapas diagnósticas de qualificação do pot encial doador de órgãos em no máximo 18 horas. II .educapsico. II . podendo variar conforme as características do hospital.com. IV . § 3º A possibilidade de captação de tecidos musculoesqueléticos. excetuando-se as contra-indicaç ões médicas definidas pela CNCDO e Banco de Olhos vinculado. 60% de consentimento familiar à doação considerando os casos em que foi aplicada a entrevista familiar. em pacient es internados nas Unidades de Tratamento Intensivo ou out ras unidades no hospital que disponham de ventiladores mecânicos. na forma do disposto no caput deste Artigo.Obter no mínimo. oferecendo a possibilidade de doaç ão de órgãos. III . 6º O currículo do Curs o de Formação de Coordenador Intra-Hospitalar de Doação de Órgãos e Tecidos para Transplante deve seguir as seguintes diretrizes: Karina de O. determinar os indicadores para a instituição. Capítulo II DOS CURSOS DE FORMAÇÃ O DE COORDE NADOR INTRA -HOSPITA LAR DE DOA ÇÃO DE ÓRGÃOS E TECIDOS PARA TRA NSPLA NTE Art. § 4º Compete ao Coordenador da Comissão.

e XIV . X .possibilidade de capacitação para a organização de um sistema de controle de qualidade de todas as ações realizadas durante o proc esso de doação de órgãos e tecidos. Parágrafo único.ética em doação e transplante.logística do processo doação-transplante. IX .seleção do doador.retirada dos órgãos e tecidos.manutenção do doador de órgãos e tecidos. XII .entrevista familiar para doação e at enção à família do doador. IV . Abordagem da família do doador. Vários são os obstáculos no que diz respeito a doação de órgãos. A carga horária estabelecida para o Curso de Formação de Coordenador Intra-Hospitalar de Transplante deve ser de no mínimo 24 horas.possibilidade de capacitação para promoção de educação continuada na instituição. III . 7º Instruir que outros aspectos a s erem abordados durante a realização do curso sejam relacionados à: I .det ecção de potencial doador.diagnóstico de morte encefálica. Busca-se aí a família do doador em potencial para Karina de O. e IV .aspectos legais. II .recomposição do corpo do doador. VIII .educapsico. XI . A equipe de captação é extremamente importante nesse processo e é ela quem procura o doador e propõe à fam ília a doação (RECH. III . VI . O processo se inicia quando o diagnóstico de morte encefálica é feito e não há nenhuma contra-indicação à doação. XIII .possibilidade de capacitação para a elaboração de um programa estratégico próativo para detectar a existência de possíveis doadores na instituição.transporte dos órgãos e tecidos. 2007).com.br I . RODRIGUES. Lima CRP: 84326/06 Organização e Coordenação 172 . V . II .critérios de distribuição de órgãos.possibilidade de capacitação para a organizaç ão da equipe de trabalho e treinamento dos integrantes.www. Art. VII .meios de preservação e acondicionament o dos órgãos e tecidos.informações sobre o doador a CNCDO.

13. Também é aconselhável que esta seja feita em ambiente calmo e confortável. No que diz respeito a entrevista com esses familiares. Rech e Rodrigues (2007) apontam que o melhor momento para se abordar a questão da doação com os familiares parece ser logo após a notícia da morte. e os profissionais psicólogos. 2007). SNT Karina de O.br propor a doação. CIHDOTT. RODRIGUES. RODRIGUES. 2007). RODRIGUES. fazendo-os sentir-se confortáveis com qualquer que seja a sua decisão (RECH. Além disso. RODRIGUES. é importante que eles estejam seguros e demonstrem uma preocupação com a família. uma outra equipe faria a investidura para a doação de órgãos. Deve ser garantido a família um tempo para refletir sobre a doação longe do entrevistador e da equipe. deve-se respeitar a decisão da família e não impor juízos de valo e moral. Casos de doação de córneas podem ser autorizados até mesmo pelo telefone (RECH. Além disso. já que esses fatores estão relacionados com maiores taxas de consentimento (RECH.www. livre de interferências e com a participação dos membros da família e possíveis amigos desejados pela família. Duas equipes participam desse processo. seu ente querido está morto (RECH. Segue-se então com os esclarecimentos sobre a doação. Num segundo momento. o fato da família não ter que arcar com nenhum custo relativo a doação.educapsico. CNCDO’s. sobre as conseqüências no corpo e no velório. assistentes sociais e enfermeiros podem realiza-la. RODRIGUES. No início deve-se permitir que a família fale sobre seus sentimentos. orienta-se que as pessoas que irão realizar essa entrevista sejam especificamente treinadas para isso. entre outras preocupações que os familiares possam ter. 2007). sobre o que aconteceu com seu familiar/ amigo e também suas dúvidas e deve-se certificar que todos ali presentes tenham claro que o doador em potencial. Lima CRP: 84326/06 Organização e Coordenação 173 . 2007). técnica é denominada de “desacoplamento”. 2007). Nesse momento também é reiterado a família a possibilidade de voltar atrás sobre o consentimento da doação mesmo após a assinatura do termo (RECH.com. Primeiro o médico intersivista informa sobre a morte encefálica e esclarece todas as dúvidas da família. Modelo Brasileiro: SNT. médicos.

O médico do receptor é contatado para responder sobre o estado de saúde do receptor. O laboratório refaz vários exames e realiza outros novos com material armazenado desse receptor. Karina de O. a saber: 1. Se não estiver bem de saúde.br” CMCDO´s. Conta hoje com 24 centrais estaduais. 8. Nessa etapa. no Brasil. 7. o processo recomeça. Se ele estiver em boas condições. O funcionamento baseado na legislação vigente já foi abordado no item anterior dessa apostila.gov. Nesse momento. além de centrais regionais (saude. 5.com. Lima CRP: 84326/06 Organização e Coordenação 174 . Captação e Distribuição de Órgãos tem suas atribuições previstas na lei 9434 (já transcrita nessa apostila). Nesta etapa. No site “saúde. 3. O programa faz o cruzamento entre os dados de doador e receptor e apresenta dez opções mais compatíveis com o órgão. Só suas iniciais e números são mostrados. Quando aparece um órgão. 6.br Hoje. todos os profissionais da central têm acesso ao cadastro. o receptor ainda não é comunicado. é o candidato a receber o novo órgão.educapsico.br). ele é submetido a exames e os resultados são enviados para o computador. o que faz com que Brasil tenha um dos maiores programas públicos de transplantes (saúde. 2.gov. da estatura física e antigênicas (o caso dos rins).www. CNCDO´s As Centrais de Notificação. Os dez pacientes não são identificados pelo nome para evitar favorecimento. Os dados são organizados em um programa de computador.br). O receptor preenche uma ficha e faz exames para determinar suas características encontra-se listada a forma de funcionamento do sangüíneas. o acesso ao cadastro fica restrito à chefia da central. 4.gov. mais de 555 estabelecimentos de saúde são autorizados pelo Sistema Nacional de transplante (SNT) a realizar transplantes. A nova bateria de exames aponta o receptor mais compatível. A ordem cronológica é usada principalmente como critério de desempate.

Lima CRP: 84326/06 Organização e Coordenação 175 .br/observatorio/arquivos/Destaque87. BRAIER. vol. J. Porto Alegre.6. CIHDOTT Já abordado no item anterior dessa apostila. P. Rev. [online]. v.gov. A. M. J. 43-52. Porto Alegre: Artes Médicas. O receptor é contatado e decide se deseja o transplante e em que hospital fará a cirurgia.org.opas. Disponível em: In: American <http://pepsic. Trad. ISSN 1677-2970.com. ARZENO.Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais <http://www.www. no. Ministério da Saúde. E. 1995. 4a edição. 1. (DSM-IV). Andréa de Carvalho. 1997. PEREIRA.br/scielo. E. Beatriz Affonso Neves. A. ANACLETO. P. 2001. p.br 9. Psicoterapia breve de orientação psicanalítica. Vínculos institucionais: uma experiência asilar. Estudos em Psicologia. In FLEURY. janeiro/abril 2004.htm#d> Karina de O. p. SPAGESP. dez.br/editora/produtos/livros/genero/livros. Capítulo 10 . PUC-Campinas. Psicodiagnóstico Clínico: novas contribuições.2 [citado 26 Junho 2009]. AMARAL. São Paulo: Martins Fontes.bvspsi.php?script=sci_arttext&pid=S167729702005000200005&lng=pt&nrm=iso Psychiatric Association . G.37-42. n.org. (Org. S. 2001 BRASIL. 14. Diagnóstico e Classificação dos Transtornos Mentais. R. Marta de Paula et al. 1995. 2005. 21. Gestão em saúde: o desafio dos hospitais como referência para inovações em todo o sistema de saúde.R. P.educapsico.) Saúde e democracia: a luta do CEBES São Paulo: Lemos.pdf> Acesso em 14/06/2009. Artes Médicas. Referências Bibliográficas: ALCHIERI. Manual de em: procedimentos para os serviços de saúde. ANACLETO.saude. Conhecimento em avaliação psicológica. Doenças relacionadas ao trabalho: relacionados ao trabalho. C e NORONHA. Maria Imaculada de Carvalho. BARBOSA.Transtornos mentais e do comportamento Disponível <http://dtr2001. Disponível na World Wide Web: >.

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