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Introdução

Bíblica
Inclinar-me-ei para o teu santo templo, e louvarei o teu nome pela
tua benignidade, e pela tua verdade; pois engrandeceste a tua
palavra acima de todo o teu nome.
(Salmos 138:2 ACF)

(Pesquisa, elaboração e coletânea de material por: Humberto Fontes)


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ABREVIATURAS:
Em índices e citações bíblicas, é comum o uso de abreviaturas para se referir aos textos
bíblicos. Um dos formatos convencionados segue o padrão abaixo:

• Os dois pontos (:) separam o capítulo dos versos;


• O hífen (-) indica uma faixa contínua de versos;
• A vírgula (,) indica uma seqüência não contínua de versos;
• O ponto-e-vírgula (;) inicia um novo capítulo do mesmo livro ou não, se seguido de nova
abreviação.
2 Ts 2:2-12 = Segunda Tessalonicenses, capítulo 2, versículos 2 a 12
Gn 3:1-15 = Gênesis, capítulo 3, versículos 1 a 15.
Rm 11:18 = Romanos, capítulo 11, versículo 18.
Dn 9:25, 27; 11:3-43 = Daniel, capítulo 9, versículos 25 e 27; e capítulo 11, versículos 3 a 43.
Mt 24-26; Ap 1:1-8 = Mateus, capítulos 24 a 26; Apocalipse, capítulo 1, versículos 1 a 8.

CAPÍTULOS E VERSÍCULOS:
A divisão da Bíblia em capítulos só veio acontecer no ano de 1250 A. D., pelo cardeal Hugo
de Sancto Caro, monge dominicano. Alguns pesquisadores atribuem essa divisão também a Stephen
Langton, professor da Universidade de Paris e mais tarde arcebispo da Cantuária, em 1227.
Em 1525, Jacob Ben Hayim, na Bíblia Bomberg, em Veneza, havia dividido o Antigo
Testamento em versículos.
O Novo Testamento foi dividido em versículos em 1551, por Robert Stephanus, um
impressor de Paris, que publicou a primeira Bíblia (Vulgata Latina) dividida em capítulos e
versículos em 1555.

ALGUNS TERMOS IMPORTANTES E SEUS SIGNIFICADOS:


Antilegômena: (significa: falar contra). São os livros bíblicos que em certa ocasião foram
questionados por alguns.
Apócrifos: (significa: escondidos ou duvidosos). Livros não-bíblicos aceitos por alguns, mas
rejeitados por outros.
Cânon = Do grego "kánon", e do hebraico "kaneh", regra; lista autêntica dos livros considerados
como inspirados.
Epístolas = Cartas
Evangelho = Caminho; boas novas
Homologoumena: (significa: falar como um). São os livros bíblicos que foram aceitos por todos e
que em momento algum foram questionados.
Paráfrase = Tradução livre ou solta, onde o objetivo é traduzir “a idéia” e não as palavras;
Pseudepígrafos: (significa: falsos escritos). Livros não-bíblicos (não canônicos) rejeitados por
todos. Seus escritos se desenvolvem sobre uma base verdadeira, seguindo caminhos fantasiosos;
Septuaginta = LXX de Alexandria. Bíblia traduzida para o grego por judeus e gregos de
Alexandria, incluindo os livros apócrifos;
Sinóticos = Síntese. Os três primeiros evangelhos são chamados de evangelhos sinóticos, pois
sintetizam a vida de Jesus;
Testamento = Aliança, Pacto, Acordo;
Tradução = Transliteração de uma língua para outra;
Variantes = Diferenças encontradas nas diferentes cópias de um mesmo texto, mediante
comparação. Elas atestam o grau de pureza de um escrito;
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Versão = Tradução da língua original para outra língua.
CURIOSIDADES BÍBLICAS:

• Jó é o livro mais antigo da Bíblia;


• Foram usados 3 idiomas na confecção da Bíblia: hebraico, aramaico (A.T.) e grego (N.T.);
• Foi escrita em aproximadamente 1500/1600 anos, por uns 40 autores e contém 66 livros;
• Texto áureo da Bíblia: João 3:16;
• A "Epístola da Alegria", a carta de Paulo aos Filipenses, foi escrita na prisão e as expressões
de alegria aparecem 21 vezes na epístola;
• Quem cortou o cabelo de Sansão não foi Dalila, mas um homem (Juizes 16:19);
• O nome mais cumprido e estranho de toda a bíblia é Maer-Salal-Has-Baz - filho de Isaías
(Is 8:3-4);
• Davi, além de poeta, músico e cantor foi o inventor de diversos instrumentos musicais.
(Am 6:5);
• O nome "cristão" só aparece três vezes na Bíblia. (At 11:26; At 26:28 e I Pe 4:16);
• O capítulo 19 de 2 Reis é idêntico ao 37 de Isaías;
• O VT encerra citando a palavra “maldição”, o NT encerra citando “a graça de Nosso Senhor
Jesus Cristo”;
• O nome de JESUS consta no primeiro e último versículo do NT;
• Israel é considerada a “menina dos olhos de Deus” (Deuteronômio 32:10; Zacarias 2:8);
• A Bíblia contém cerca de 3.565.480 letras, 773.692 palavras, 31.173 versículos, 1.189
capítulos e 66 livros;
• O capítulo mais comprido é o Salmo 119;
• O mais curto, Salmo 117;
• O meio exato da Bíblia é o versículo 8 do Salmo 118;
• O versículo mais longo está em Ester 8:9;
• O versículo mais curto é: "Não matarás", Êxodo 20:13 (10 letras);
• As tábuas da lei foram feitas por Deus e quebradas por Moisés, e depois feitas por Moisés e
reescritas por Deus (Êx 34:1);
• Moisés fez o povo beber o ouro do bezerro da desobediência (Êx 32:19-20);
• A arca de Noé media 134 m de comprimento, 23m de largura e 14m de altura; sua área total
nos três pisos era de 9.250 (m²) e um volume total de 43.150 (m³);
• Noé permaneceu na arca 382 dias (Gn 7:9-11; 8:13-19);
• Davi foi ungido três vezes obtendo uma gloriosa confirmação (1 Sm 16:13; 2 Sm 2:4;
1 Cr 11:3);
• Salomão não era o único sábio, havia mais quatro sábios (1 Rs 4:29-31);
• Salomão disse 3.000 provérbios e 1005 cânticos. (1 Rs 4:32);
• O Antigo Testamento apresenta 332 profecias literalmente cumpridas na pessoa de Jesus
Cristo;
• Paulo pregou o maior discurso descrito pela Bíblia (At 20:7-11);
• O maior profeta jamais realizou um milagre, contudo foi o pregador mais convincente
(Jo 10:41-42);
• O "sermão do monte" poderia ser chamado de "sermão da planície" (Mt 5:1; Lc 6:17);
• O Salmo 22 é alfabético - um versículo para cada letra hebraica;
• O Salmo 119 tem, em hebraico, 22 seções de oito versículos. Cada uma das seções inicia
com uma letra do alfabeto hebraico, de 22 letras. Dentro das seções, cada versículo inicia
com a letra da seção;
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• No livro Lamentação de Jeremias, os capítulos 1, 2 e 4 têm versículos em número de 22
cada, compreendendo as letras do alfabeto hebraico. O capítulo 3 tem 66 versículos, levando
cada três deles, em hebraico, a mesma letra do alfabeto;
• A expressão "o caminho de um sábado" corresponde ao caminho permitido no dia de
sábado; a distância que ia da extremidade do arraial das tribos ao tabernáculo, quando no
deserto, isto é, cerca de 1.200 metros;
• A menor Bíblia existente foi impressa na Inglaterra e pesa somente 20 gramas. Este fabuloso
exemplar da Bíblia mede 4,5 cm de comprimento, 3 cm de largura e 2 cm de espessura.
Apesar de ser tão pequenina, contém 878 páginas, possui uma série de gravuras ilustrativas e
pode ser lida com o auxílio de uma lente;
• A maior Bíblia que se conhece, contém 8.048 páginas, pesa 547 quilos e tem 2,5 metros de
espessura. Foi confeccionada por um marceneiro de Los Angeles, durante dois anos de
trabalho ininterrupto. Cada página é uma delgada tábua de 1 metro de altura, em cuja
superfície estão gravados os textos;
• Para a leitura completa da Bíblia, são necessárias 49 horas, a saber: 38 horas para a leitura
do Velho Testamento e 11 horas para a do Novo Testamento;
• Para lê-la audivelmente, em velocidade normal de fala, são necessárias cerca de 71 horas. Se
você deseja lê-la em 1 ano, deve ler apenas 4 capítulos por dia;
• Ao comparar as diferentes cópias do texto da Bíblia entre si e com os originais disponíveis,
menos de 1% do texto apresentou dúvidas ou variações, portanto, 99% do texto da Bíblia é
puro. Vale lembrar que o mesmo método (crítica textual) é usado para avaliar outros
documentos históricos, como a Ilíada de Homero, por exemplo;
• Foi a primeira obra impressa por Gutenberg, em seu recém inventado prelo manual, que
dispensava as cópias manuscritas;
• A Bíblia foi escrita e reproduzida em diversos materiais, de acordo com a época e cultura
das regiões, utilizando tábuas de barro, peles, papiro e até mesmo cacos de cerâmica/louças
(óstracos);
• Com exceção de alguns textos do livro de Esdras e de Daniel, os textos originais do Antigo
Testamento foram escritos em hebraico, uma língua da família das línguas semíticas,
caracterizada pela predominância de consoantes;
• A palavra "Hebraico" vem de "Hebrom", região de Canaã que foi habitada pelo patriarca
Abraão em sua peregrinação, vindo da terra de Ur;
• Os 39 livros que compõem o Antigo Testamento estavam compilados desde cerca de 400
a.C., sendo aceitos pelo cânon Judaico, e também pelos Protestantes, Católicos Ortodoxos,
Igreja Católica Russa, e parte da Igreja Católica tradicional;
• A primeira Bíblia em português foi impressa em 1748. A tradução foi feita a partir da
Vulgata Latina e iniciou-se com D. Diniz (1279-1325);
• A primeira citação da redondeza da terra confirmava a idéia de Galileu, de um planeta
esférico. Bastava que os descobridores conhecessem a bíblia. (Isaías 40: 22);
• A palavra fé, no Antigo Testamento, é encontrada apenas em Hc 2: 4;
• A palavra "DEUS" aparece 2.658 vezes no V.T. e 1.170 vezes no N.T., num total de 3.828
vezes;
• Há na Bíblia 177 menções ao diabo em seus vários nomes;
• Os livros de Ester e Cantares de Salomão não possuem o nome DEUS;
• A expressão "Assim diz o Senhor" e equivalentes encontram-se cerca de 3.800 vezes na
Bíblia;
• A Vinda do Senhor é referida 1845 vezes na Bíblia, sendo 1.527 no Antigo Testamento e 318
no Novo Testamento;
• A expressão "Não Temas!" é encontrada 366 vezes na Bíblia, o que dá uma para cada dia do
ano e mais uma para os anos bissextos!;
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• No Salmo 107 há 4 versículos iguais: 8, 15, 21 e o 31;
• Todos os versículos do Salmo 136 terminam da mesma maneira;
• Em Êxodo 3.14 Deus, pela primeira vez, revela seu nome: Eu Sou Quem Sou, ou Yahweh
(Jeová) - Este é o nome mais comum de Deus no Velho Testamento, aparecendo cerca de
6.800 vezes na língua original, o Hebraico. Em nossa tradução esse nome vem traduzido por
"Senhor" e aparece 1.853 vezes;
• Adão - o homem no Jardim do Éden – o seu nome significa "ser humano";
• À medida que os apóstolos levaram o evangelho pelo mundo, muitas das palavras do Senhor
e muitas reminiscências sobre Ele circulavam oralmente. Uma evidência disso ocorre
quando Paulo, ao falar aos anciãos de Éfeso, empregou uma declaração de Jesus que não
consta de parte alguma dos evangelhos (Atos 20:35).

O livro de Isaías:

• Também conhecido como “o Evangelho do Antigo Testamento”.


• É tido como uma miniatura da Bíblia:
• Tem 66 capítulos, assim como a Bíblia tem 66 livros.
• A primeira seção tem 39 capítulos/livros e corresponde à mensagem do
Antigo Testamento.
• A segunda seção tem 27 capítulos/livros tratando do conforto, promessa e
salvação, correspondendo à mensagem do Novo Testamento.
• Assim como o NT termina falando do novo céu e nova terra, o mesmo
ocorre no término de Isaías (66:22).
O próprio nome Isaías tem semelhança com o significado do nome de
Jesus: Isaías quer dizer Salvação de Jeová e Jesus, Jeová é Salvação.

Algo muito significante é que a Bíblia contém três advertências solenes contra
qualquer tentativa de acrescentar palavras ao livro inspirado de Deus e esta
significação é grandemente acentuada pelo fato de que a primeira de tais advertências
foi escrita pelo primeiro de todos os escritores da Bíblia, enquanto que a terceira foi
escrita pelo último dos escritores:
MOISÉS – que teve visão, dada pelo Espírito, do passado desconhecido,
escreveu a primeira: Dt 4:2;
SALOMÃO – o homem mais sábio que já viveu, escreveu a segunda: Pv 30:6;
JOÃO – para quem foi dado tão maravilhosa revelação do futuro, escreveu a
terceira: Ap 22:18-19.

De capa a capa a Bíblia é a mensagem do amor de Deus por nós.


Devemos estudá-la diligentemente todos os dias para termos
discernimento e crescimento espiritual e vivermos no padrão de Deus,
glorificando nosso Criador e Redentor.
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AS LÍNGUAS E OS MATERIAIS DA BÍBLIA:

A ERA DA ESCRITA:

Parece que a escrita se desenvolveu durante o IV milênio a.C. No II milênio a.C. várias
experiências conduziram ao desenvolvimento do alfabeto e de documentos escritos por parte dos
fenícios. Tudo isso se completou antes da época de Moisés, que escreveu não antes de mais ou
menos 1450 a.C.
Já em 3500 a.C. os sumérios usavam tabuinhas de barro para a escrita cuneiforme, e
registraram, por exemplo, a descrição sumeriana do dilúvio, que teria sido gravada em 2100 a.C.
Os egípcios (em 3100 a.C.) apresentavam documentos escritos em hieróglifos (pictografia).
A partir de 2500 a.C. usavam-se textos pictográficos em Biblos (Gebal) e na Síria. Em
Cnosso e em Atchana, grandes centros comerciais, apareceram registros gravados anteriores à época
de Moisés. Outros elementos correspondentes de meados a fins do II milênio a.C. acrescentam mais
evidências de que a escrita já se havia desenvolvido bem antes da época de Moisés.
Em suma, Moisés e os demais autores da Bíblia escreveram numa época em que a
humanidade estava “alfabetizada”, ou melhor, já podia comunicar seus pensamentos por escrito.

AS LÍNGUAS BÍBLICAS EM PARTICULAR:

As línguas utilizadas no registro da revelação de Deus, a Bíblia, vieram das famílias de


línguas semíticas e indo-européias. Da família semítica se originaram as línguas básicas do Antigo
Testamento, quais sejam, o hebraico e o aramaico (siríaco).
Além dessas línguas, o latim e o grego representam a família indo-européia. De modo
indireto, os fenícios exerceram um papel importante na transmissão da Bíblia, ao criar o veículo
básico que fez que a linguagem escrita fosse menos complicada do que havia sido até então:
inventaram o ALFABETO.

AS LÍNGUAS DO ANTIGO TESTAMENTO:

O aramaico era a língua dos sírios, tendo sido usada em todo o período do Antigo
Testamento. Durante o século VI a.C., o aramaico tornou-se a língua geral de todo o Oriente
Próximo. Seu uso generalizado se refletiu nos nomes geográficos e nos textos bíblicos de
Esdras 4:7 – 6:18; 7:12-26, Daniel 2:4 a 7:28. (alguns estudiosos mencionam que o correto é Esdras
4:8 a 8:18 e incluem Jr 10:11).
O hebraico é a língua principal do Antigo Testamento, especialmente adequada para a tarefa
de criar uma ligação entre a biografia do povo de Deus e o relacionamento do Senhor com esse
povo. O hebraico encaixou-se bem nessa tarefa porque é uma língua pictórica. Expressa-se
mediante metáforas vívidas e audaciosas, capazes de desafiar e dramatizar a narrativa dos
acontecimentos. Além disso, o hebraico é uma língua pessoal. Apela diretamente ao coração e às
emoções, e não apenas à mente e à razão.
É uma língua em que a mensagem é mais sentida que meramente pensada.
É chamada no A. T. de “língua de Canaã” (Is 19:18) e “língua Judaica” (Is 36:13; 2 Rs
18:26-28). Lê-se da direita para esquerda e o alfabeto compõe-se de 22 letras.

AS LÍNGUAS DO NOVO TESTAMENTO:


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As línguas semíticas também foram usadas na redação do Novo Testamento. Na verdade,
Jesus e seus discípulos falavam o aramaico, sua língua materna, tendo sido essa a língua falada por
toda a Palestina na época. (Mt 27:46).
O hebraico fez sentir mais sua influência mediante expressões idiomáticas, como uma que
no português quer dizer “e sucedeu que”. Outro exemplo da influência hebraica no texto grego
vemos no emprego de um segundo substantivo, em vez de um adjetivo, a fim de atribuir uma
qualidade a algo ou a alguém (1 Ts 1:3).
Além das línguas semíticas a influenciar o N. T., temos as indo-européias, o latim e o grego.
O latim influenciou ao emprestar muitas palavras, como “centurião”, “tributo” e “legião”, e pela
inscrição trilíngue na cruz (em latim, em hebraico e em grego).
No entanto, a língua em que se escreveu o N. T. foi o grego. Até fins do século XIX, cria-se
que o grego do N. T. (koinê) era a “língua especial” do Espírito Santo, mas a partir de então, essa
língua tem sido identificada como um dos cinco estágios do desenvolvimento da língua grega.
Esse grego koinê era a língua mais amplamente conhecida em todo o mundo do século I. O
alfabeto havia sido tomado dos fenícios. Seus valores culturais e vocabulário cobriam vasta
expansão geográfica, vindo a tornar-se a língua oficial dos reinados em que se dividiu o grande
império de Alexandre, o Grande, uma língua quase universal.
O aparecimento providencial dessa língua, ao lado de outros desenvolvimentos culturais,
políticos, sociais e religiosos, ampla rede de estradas, etc, durante o século I a.C., fica implícito na
declaração de Paulo: “Mas, vindo a plenitude dos tempos, Deus enviou seu Filho, nascido de
mulher, nascido sob a lei” (Gálatas 4:4 – A.C.F.).
. O grego do N. T. adaptou-se de modo adequado à finalidade de interpretar a revelação de
Cristo em linguagem teológica. Tinha recursos lingüísticos especiais para essa tarefa, por ser um
idioma intelectual. Era um idioma da mente, mais que do coração, e os filósofos atestam isso
amplamente. O grego tem precisão técnica de expressão não encontrada no hebraico. Além disso, o
grego era uma língua quase universal.

A verdade do A. T. a respeito de Deus foi revelada inicialmente a uma nação, Israel, em


sua própria língua, o hebraico.
A revelação completa, dada por Cristo, no Novo Testamento, não veio de forma tão
restrita. Em vez disso, a mensagem de Cristo deveria ser anunciada ao mundo todo:
“... em seu nome se pregará o arrependimento e a remissão dos pecados, em todas as nações,
começando por Jerusalém” (Lc 24:47)

OS MATERIAIS DA ESCRITA:

Os autores da Bíblia empregaram os mesmos materiais em uso no mundo antigo.


O papiro foi usado na antiga Gebal (Biblos) e no Egito, por volta de 2100 a.C. Eram folhas
de uma planta, cuja popa era cortada em tiras que eram colocadas superpostas umas às outras de
forma cruzada, coladas, prensadas e depois polidas. Eram escritas de um lado apenas. A cor era
amarelada. Foi o material que o apóstolo João usou para escrever o Apocalipse (Ap 5:1) e suas
cartas (2 Jo 12).
O velino, o pergaminho e o couro são palavras que designam os vários estágios de produção
de um material de escrita feito de peles de animais curtida e preparada para a escrita. Seu uso
generalizado vem dos primórdios do Cristianismo, mas já era conhecido em tempos remotos, pois
temos uma menção de Isaías 34:4 sobre um livro que era enrolado.
O pergaminho preparado de modo especial para a escrita era chamado de velo. Tudo indica
que o termo pergaminho derivou o seu nome da cidade Pérgamo, na Ásia menor, cujo rei,
Eumenes II (159 - 197 d. C.), fez uma grande biblioteca para rivalizar com a de Alexandria no
Egito. O Novo Testamento menciona esse material gráfico em 2 Tm 4:13; Ap 6:14. O velino era
desconhecido até 200 a.C., pelo que Jeremias teria tido em mente o couro (Jr 36:23).
Outros materiais para a escrita eram o metal (Êx 28:36), a tábua recoberta de cera (Is 30:8;
Hc 2:2; Lc 1:63), as pedras preciosas (Êx 39:6-14) e os cacos de louça (óstracos), como mostra Jó
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2:8. O linho era usado no Egito, na Grécia e na Itália, embora não tenhamos indícios de que tenha
sido usado no registro da Bíblia.

A TINTA E OS INSTRUMENTOS DE ESCRITA:

A tinta utilizada pelos escribas era uma mistura de carvão em pó com uma substância líquida
parecida com a goma arábica (Jr 36:18; Ez 9:2; 2 Co 3:3; 2 Jo 12; 3 Jo 13).
Para a escrita em papiro e pergaminho, os escribas usavam penas de aves, pincéis finos e um
tipo de caneta feita de madeira porosa e absorvente. Para uso em cera utilizavam um estilete de
metal (Is 30:8).

OS TIPOS DA ESCRITA:

Alguns tipos de escrita utilizados nos manuscritos são:


a) Uncial: os mais antigos manuscritos gregos só usavam letras maiúsculas desenhadas e sem
separação entre palavras. Datam do IV século A. D.
b) Cursivo: Era o tipo de escrita onde letras minúsculas eram conectadas com espaço entre palavras.
Datam do IX século A. D.
c) Sinais Vocálicos: Mais ou menos ao redor dos anos 500 a 900 d.C., eruditos judeus chamados
Massoretas introduziram um sistema de pontos colocado acima, abaixo e entre o texto consonantal
do Velho Testamento, de forma a marcar a vocalização do texto (Além disto eles cercaram o texto
de uma série de anotações chamadas Massorá, que garantiam a imutabilidade do texto). Estes
pontos, chamados pontos vocálicos, exerceriam a função de vogais, mas tinham a vantagem de nada
acrescentar ou tirar do texto consonantal inspirado. Este sistema preservou a pronúncia do hebraico
que, nesta época, era língua dos eruditos judeus. Foi o texto hebraico preservado por este grupo de
eruditos judeus que chegou aos dias de hoje.

OBS: É conveniente lembrar que nos manuscritos mais antigos não era usado um sistema de
pontuação.

O FORMATO DOS MANUSCRITOS (MSS):

Os manuscritos do Antigo Testamento tinham os formatos de livros (códices) e rolos. Os


códices eram feitos de pergaminho cujas folhas tinham normalmente 65 cm de altura por 55 cm de
largura. Os rolos podiam ser de papiro ou pergaminho. Eram presos a um cabo de madeira para
facilitar o manuseio durante a leitura. Era enrolado da direita para a esquerda. Sua extensão
dependia da escrita a ser feita.

O rigor com o qual os judeus transmitiram a Bíblia Hebraica até hoje pode ser visto nas
prescrições abaixo, preservadas no Talmude:
“Um rolo de sinagoga deve ser escrito sobre peles de animais limpos, preparadas por um
judeu, para o uso particular da sinagoga. Estas devem ser unidas mediante tiras [de couro] retiradas
de animais limpos. Cada pele deve conter um certo número de colunas, igual em toda a extensão do
códice. A altura da coluna não deve ser menor do que 48 nem maior do que 60 linhas; e a largura
deve ser de 30 letras. Toda a cópia deve ser primeiro dotada de linhas; e se três palavras forem
escritas nela sem uma linha, será sem valor. A tinta deve ser preta, não vermelha, verde nem de
qualquer outra cor e deve ser preparada de acordo com uma receita definida. Uma cópia autêntica
deve ser o modelo do qual o transcritor não deve desviar-se até nos menores detalhes. Nenhuma
palavra, letra e nem ainda um yod deve ser escrito de memória sem que o escriba não a tenha olhado
no códice que está a sua frente. ... Entre cada consoante deve intervir o espaço de um cabelo ou de
um pavio; entre cada palavra o espaço será de uma consoante estreita; entre cada novo parashah, ou
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secção, o espaço será de nove consoantes; entre cada livro, três linhas. O quinto livro de Moisés
deve terminar exatamente com uma linha, mas os restantes não necessitam terminar assim. Além
disto, o copista deve sentar-se com vestimenta judia completa, lavar todo o seu corpo, não começar a
escrever o nome de Deus com a pena recentemente molhada na tinta e mesmo que um rei lhe
dirigisse a palavra enquanto estava escrevendo este nome, deve não dar atenção a ele.”
A UTILIDADE DA BÍBLIA:
“Toda escritura é inspirada por Deus e útil para o ensino, para a repreensão, para a
correção, para a educação na justiça, a fim de que o homem de Deus seja perfeito e perfeitamente
habilitado para toda boa obra.” 2 Tm 3:16-17. Examine ainda 1 Coríntios 10:11 e Romanos 15:4.
A BÍBLIA É UM LIVRO PARA: ser buscado/examinado (Jo 5:39); crido (Jo 2:22); lido
(1 Tm 4:13); recebido (1 Ts 2:13); confirmado e aceito (At 17:11).
A BÍBLIA TEM MUITOS OBJETIVOS: avisar aos crentes (1 Co 10:11); manifestar o
cuidado de Deus (1 Co 9:9, 10); ensinar e instruir (Rm 15:4); aperfeiçoar o cristão para toda boa
obra (2 Tm 3:16-17); fazer o homem sábio para a salvação (2 Tm 3:15); produzir fé na divindade de
Cristo (Jo 20:31); produzir vida eterna (Jo 5:24).

SÍNTESE DA HISTÓRIA BÍBLICA


1. DEUS criou o homem e o colocou no Jardim do Éden
2. O homem pecou e deixou de ser aquilo para o que Deus o tinha destinado. Foi então que Deus
pôs em andamento o plano para a salvação do homem e o fez chamando Abraão para que fundasse
uma nação, mediante a qual o plano seria executado.
3. A nação não andou nos caminhos do Senhor e foram escravizados no Egito. Após 400 anos, sob a
direção de Moisés, o povo foi tirado do Egito de volta à terra prometida de Canaã. A nação tornou-
se um grande e poderoso reino.
4. O reino foi dividido no fim do reinado de Salomão: Israel, ao norte, 10 tribos, levada cativa pela
Assíria em 721 a. C., e Judá, ao sul, 2 tribos, levada cativa pela Babilônia no ano 600 a. C.
5. Encerra-se o Antigo Testamento. 400 anos mais tarde cumpre-se a promessa pelo aparecimento
de Jesus, o Messias, a esperança da humanidade, mediante Quem o homem seria redimido e nascido
de novo. Para realizar e consumar sua obra salvadora, Jesus Cristo MORREU pelo pecado humano,
ressuscitou e ordenou que os discípulos saíssem pelo mundo contando a história de Sua vida e Seu
poder redentor.
6. Assim, obedecendo à ordem, a “grande comissão”, partiram os discípulos por toda parte, em
todas as direções, levando as BOAS NOVAS, alcançando o mundo civilizado conhecido da época.
Assim, com o lançamento da obra da redenção humana, encerra-se o Novo Testamento.

A BÍBLIA
“A Bíblia é o Livro de Deus”.
A palavra Bíblia (Livros) entrou para as línguas modernas por intermédio do francês,
passando primeiro pelo latim bíblia, com origem no grego biblos (folha de papiro do século XI a. C
preparada para a escrita. Um rolo de papiro tamanho pequeno era chamado “biblion”, e vários
destes era uma “Bíblia”. Portanto “Bíblia” quer dizer coleção de vários livros.
No princípio os livros sagrados não estavam reunidos uns aos outros como os temos agora
em nossa Bíblia. O que tornou isso possível foi a invenção do papel no séc. II pelos chineses, bem
como a invenção do prelo de tipos móveis, em 1450 A. D. por Guttenberg, tipógrafo alemão. Até
então tudo era manuscrito como ocorria anteriormente com os escribas, de modo laborioso, lento e
oneroso.
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Com a invenção do papel desapareceram os rolos e a palavra biblos deu origem a “livro”
como se vê em biblioteca, bibliografia, bibliófilo.
A primeira pessoa a aplicar o nome “Bíblia” foi João Crisóstomo, grande reformador e
patriarca de Constantinopla, 398-404 A. D.

Teologicamente a Bíblia é a revelação de Deus para a humanidade. Etimologicamente


é uma coleção de livros pequenos, cujo autor é Deus, o Espírito Santo é seu real intérprete e
Jesus Cristo seu TEMA UNIFICADOR, seu assunto central.

Cerca de 40 personagens se envolveram na autoria e compilação dos livros que compõem a


Bíblia Sagrada (1 Pedro 1:20-21). Foram das mais diferentes categorias: escritores, estadistas,
camponeses, reis, vaqueiros, pescadores, cobradores de impostos, instruídos e ignorantes, judeus e
gentios. Cada escritor manifestou seu próprio estilo e características literárias.
Demoraram cerca de aproximadamente 1600 anos para escreverem. 1500 a. C., quando
Moisés começou a escrever o Pentateuco, no meio do trovão no monte Sinai, até 97 d. C., quando o
apóstolo João, ele mesmo um “filho do trovão” (Mc 3:17), escreveu seu evangelho na Ásia Menor.
Os escritores viveram distante uns dos outros, em épocas e condições diferentes, não se
conheceram (na época a comunicação era praticamente impossível) pertenceram às mais variadas
camadas sociais, e tinham cultura e profissões muito diferentes.

Entretanto, há na Bíblia um só plano ou projeto, que de fato mostra a existência de um só


Autor divino, guiando os escritores. A Bíblia é um só livro. Tem um só sistema doutrinário, um só
padrão moral, um só plano de salvação, um só programa das eras. As diversas narrativas ali
encontradas dos mesmos incidentes e ensinamentos não são contraditórias, mas suplementares. Não
há em todo o seu conteúdo uma só contradição, e um livro sempre dá continuidade ou complementa
o outro, apesar das condições em que foram escritos.
Em todo o seu conjunto possui uma harmonia, que só pode ser explicada como sendo um
“MILAGRE”.

A Bíblia é a coleção das exatas palavras dos 66 livros que constituem o seu CÂNON, sendo:
• 24 livros os do cânon judaico do VT (equivalentes aos nossos 39 livros, o mesmo que hoje é
chamado de "Texto Massorético de BEN CHAYyIM" e que, depois da invenção da Imprensa,
foi impresso por Daniel Bomberg, um abastado cristão veneziano originário da Antuérpia,
em 1524-5. A edição da segunda publicação ficou a cargo de Jacob Ben Chayyim);
• 27 livros os do cânon do NT (o mesmo que, depois da invenção da Imprensa, foi impresso,
terminando por ser conhecido pelo nome de TR, ou "Textus Receptus", isto é, "O Texto
Recebido" [recebido pelas igrejas do século I, das mãos dos homens inspirados por Deus
para escrevê-lo; e, também, recebido pela Reforma, das mãos das pequeninas igrejas fiéis
{perseguidas por Roma} e da Igreja Grega Ortodoxa]).

Não confundir Ben Chayyim com Ben Asher. Não confundir o Texto Massorético de Ben
Chayyim (100% genuíno) com o falso Texto Massorético, de Ben Asher (com falsificações e
também referido como Bíblia Stuttgartensia). Não confundir a Bíblia Hebraica de Kittel (BHK) 1ª e
2ª edição [1906 e 1912, boas, baseadas no Texto Massorético de Ben Chayyim] com as BHK
edições posteriores, más, baseadas no falso Texto Massorético, de Ben Asher.

Apesar de toda oposição, a Bíblia é o livro mais antigo, mais famoso e mais lido do mundo.
Escrito em mais de 2000 línguas e dialetos, já atravessou 3.000 anos. É também o livro de maior
circulação em todo o mundo. Em 1996 foram distribuídas 20 milhões de Bíblias em todo o mundo;
só no Brasil foram quase 7 milhões e na China circulam cerca de 3 milhões. Por tudo isso,
podemos dizer, sem medo de errar que a Bíblia tem origem sobre-humana!

Os nomes mais comuns dados à Bíblia são: Livro do Senhor (Is 34:16); Palavra de Deus
11
(Mc 7:13; Jo 10:35; Hb 4:12); As Escrituras ou Sagradas Escrituras (Mt 21:42; Lc 4:21; Jo 7:38, 42;
Rm 1:2; Rm 4:3; Gl 4:30); A Verdade (Jo 17:17; Rm 15:8); Lei (Sl 119); Lc 10:26; Mt 5:18);
Mandamentos (Sl 119); A Lei e os Profetas (Mt 5:17; Lc 16:16); A Lei de Moisés (Lc 24:44);
Oráculos de Deus (Rm 3:2).

A MENSAGEM SINGULAR DA BÍBLIA


Entre a Bíblia e os outros escritos religiosos e filosóficos existe um abismo intransponível.
Certamente valores como a verdade, a honestidade, e justiça e o altruísmo são comuns aos
melhores escritos da humanidade. Nisso a Bíblia se identifica com todos os outros. Mas o que dizer
do Deus apresentado pela Bíblia? Que contraste com a energia impessoal do Hinduísmo ou com os
frágeis e grotescos deuses dos panteões greco-romanos! Deus se apresenta em toda a Sua majestade
e grandeza: santo, justo, fiel, onipotente e onisciente; perfeito em amor e misericórdia, imutável em
todos os Seus atributos.
O próprio mistério da Trindade demonstra um Deus maior que nossa razão. O homem, na
Bíblia, é retratado no seu melhor e no seu pior estado. Enquanto na Filosofia o homem é deificado
como senhor do seu próprio destino, na Bíblia o homem é criatura de Deus, pecador e dependente.
Enquanto em algumas crendices o homem é parte de um jogo de dados cósmicos, joguete
nas mãos de forças poderosas, na Bíblia o homem é criado por Deus com dignidade e sentido na
História.
O caminho bíblico para a salvação vai de encontro à idéia arraigada, no espírito humano, de
que cada um deve promover a sua própria salvação. Na Bíblia, a salvação é um presente que não
pode ser comprado, mas recebido com gratidão.
O perdão dos pecados não ocorre por cerimônias vazias, mas mediante a morte do Filho de
Deus na cruz, no lugar dos pecadores. O destino final, na Bíblia, não é a aniquilação da
personalidade, nem um paraíso de prazeres carnais, mas a comunhão com Deus por toda a
eternidade. E isto somente para aqueles que um dia aceitaram o caminho oferecido por Deus.
Nenhum homem conceberia a idéia de um inferno de sofrimento eterno.

A unidade da Bíblia é sem paralelo. Nunca em qualquer outro lugar, se uniram tantos
tratados diferentes, históricos, biográficos, éticos, proféticos e poéticos, para perfazer
um livro. Assim como todas as pedras lavradas e as tábuas de madeira compõem um
edifício ou, melhor ainda, como todos os ossos, músculos e ligamentos se combinam
em um corpo, assim é com a Bíblia.

A Bíblia se opõe a certos conceitos filosóficos do mundo, e refuta-os:

1) Ateísmo
2) Politeísmo
3) Materialismo
4) Panteísmo
5) A eternidade da matéria (Gn 1:1).
12

DIVISÃO DOS LIVROS:

Nós, cristãos (igreja), agrupamos os 39 livros do Antigo Testamento em:

• 5 da Lei (Gn, Ex, Lv, Nm, Dt), formando o Pentateuco;


• 12 históricos (Js, Jz, Rt, 1 e 2Sm, 1 e 2Rs, 1 e 2Cr, Ed, Ne, Et);
• 5 poéticos (Jó, Sl, Pv, Ec, Ct);
• 5 profetas maiores (Is, Jr, Lm, Ez, Dn);
• 12 profetas menores (Os, Jl, Am, Ob, Jn, Mq, Na, Hc, Sf, Ag, Zc, Ml).

A Tanakh (o A. T. dos judeus) e a divisão de Flávio Josefo (Lc 24:44)

TEXTO MASSORÉTICO FLÁVIO JOSEFO - 22 livros


(a distribuição é hipotética)
TORÁH Gn, Ex, Lv, Nm, Dt = 5 Gn, Ex, Lv, Nm, Dt = 5
(A Lei)
NEBI'IM Profetas anteriores - Js, Jz, Sm, Rs = 4 Js, Jz-Rt, Sm, Rs. Is, Jr-Lm, Ez, XII, Dn,
(Profetas) Profetas posteriores - Is, Jr, Ez, XII = 4 Ec, Es-Ne, Et, Cr = 13
KEThUBhIM Poesia e sabedoria - Sl, Jó, Pv = 3 Poesia e sabedoria - Sl, Pv, Jó, Ct = 4
(Escritos) Gr. "Megilloth" - Rt, Ct, Ec, Lm, Et = 5
Hagiographa História - Dn, Ed-Ne, Cr = 3

OBSERVAÇÕES:

a) Os Profetas e os Escritos também eram conhecidos pelos nomes dos seus primeiros livros,
“Isaías” e “Salmos”, respectivamente.
b) Profetas Posteriores porque exerceram o ministério no período compreendido entre os cativeiros
Assírio e Babilônico até o retorno dos judeus à Palestina, após 70 anos sob o domínio babilônico.
c) Os livros históricos são de autores que não eram profetas oficiais, mas que possuíam o dom de
profecia.
d) O Rolo dos Doze – XII inclui os livros de: Oséias, Joel, Amós, Obadias, Jonas, Miquéias, Naum,
Habacuque, Sofonias, Ageu, Zacarias, Malaquias.
e) Os Cinco rolos (Megilloth) são cada um usado na ocasião de uma festa específica: Cantares na
Páscoa; Rute no Pentecostes; Lamentações no dia 9 do mês Abibe (no aniversário da destruição de
Jerusalém); Eclesiastes na Festa dos Tabernáculos; Ester na Festa de Purim.
f) O primeiro livro da Escritura hebraica é Gênesis e o último Crônicas (Mt 23:35; Gn 4:8;
2 Cr 24:20-22).
g) No Cânon hebraico, como no nosso Cânon, os livros não estão em ordem cronológica.
h) São 24 livros, visto que os seguintes livros são assim considerados: Samuel (engloba 1 e 2 Sm),
Crônicas (engloba 1 e 2 Cr), Reis (engloba 1 e 2 Rs), Os Doze (são contados como um só livro),
Esdras (inclui Neemias).
i) Flávio Josefo, historiador judeu reduziu os 24 livros para 22 livros, em correspondência às 22
letras do alfabeto hebraico, combinando Rute com Juizes e Lamentações com Jeremias.
j) O Novo Testamento menciona uma divisão tripla do Antigo Testamento: "A Lei, os Profetas e os
Salmos" (Lucas 24:44).
k) Jesus Cristo mencionou estas 3 divisões do V. T. em Lc 11:49-51, Lc 24:44 e Mt 23:34-36.
13
l) O livro de Eclesiástico (apócrifo), escrito em cerca de 130 antes de Cristo fala em "a lei, os
profetas e os outros escritos". Confira Mateus 23:35 e Lucas 11:51 que refletem o arranjo da Bíblia
Hebraica.

“O Novo Testamento está no Antigo Testamento ocultado,


e o Antigo Testamento, no Novo Testamento revelado”.

Os 27 livros do Novo Testamento são:

• (BIOGRAFIA) 4 Evangelhos (Mt, Mc, Lc, Jo);


• (HISTÓRIA) 1 histórico (At);
• (DOUTRINA) 21 epístolas. São elas:
a) 9 a igrejas locais (Rm, 1 e 2 Co, Gl, Ef, Fp, Cl, 1 e 2 Ts);
b) 6 pastorais (1 e 2 Tm, Tt, Fm, 2 e 3 Jo);
c) 6 universais (Hb, Tg, 1 e 2 Pe, 1 Jo, Jd).
• (PROFECIA) 1 profético (Ap).

Os crentes anteriores a Cristo olhavam adiante com grande expectativa (1 Pe 1:11-12), ao


passo que os crentes de nossos dias vêem em Cristo a concretização dos planos de Deus.

DIVISÃO CRISTOCÊNTRICA
A Bíblia pode ser dividida na estrutura geral e cristocêntrica. Isso se baseia nos ensinos do
próprio Jesus, cerca de cinco vezes no Novo Testamento (Mt 5:17; Lc 24:27; Jo 5:39; Hb 10:7).
Sim, Cristo é o centro e o coração da Bíblia, porque o Antigo Testamento descreve uma
nação e o Novo Testamento descreve um HOMEM. Toda a Bíblia se converge para Cristo, como
deixa claro João 20:31.
CRISTO é a nossa Palavra Viva (Apocalipse 19:13) que percorre todas as páginas das
Sagradas Escrituras. Examine ainda Lc 24:44. Considerando CRISTO como o tema central da
Bíblia, toda ela poderá ficar resumida assim:

ANTIGO TESTAMENTO:

LEI: Fundamento da chegada de Cristo.


HISTÓRIA: Preparação para a chegada de Cristo.
POESIA: Anelo pela chegada de Cristo.
PROFECIA: Certeza da chegada de Cristo.

OBS: de uma forma geral, todo o A. T. trata da preparação para o advento de Cristo.

NOVO TESTAMENTO:

EVANGELHOS: Manifestação de Cristo ao mundo, como Redentor.


ATOS: Propagação de Cristo, por meio da igreja.
EPÍSTOLAS: Explanação, interpretação e aplicação de Cristo. São os detalhes da doutrina.
APOCALIPSE: Consumação de todas as coisas em Cristo.

OBS: O N. T. trata da manifestação de Jesus Cristo.


14
Desta forma, tendo CRISTO como TEMA CENTRAL, podemos resumir
todo o Antigo Testamento numa frase: JESUS VIRÁ, e o Novo
Testamento noutra frase: JESUS JÁ VEIO (é claro, como Redentor).
Assim, as Escrituras sem a pessoa de JESUS seriam como a física sem a
matéria e o matemático sem os números.
Já imaginou um cristão sem a Bíblia?

BREVE ANÁLISE DOS LIVROS DA BÍBLIA

I - ANTIGO TESTAMENTO:

TRÊS PENSAMENTOS BÁSICOS DO ANTIGO TESTAMENTO:

1. A Promessa de Deus a Abraão - “todas as nações seriam abençoadas”


2. O Concerto de Deus com a Nação Hebraica - Se O servissem fielmente, prosperariam. Em
estabelecer a nação hebraica, o objetivo FINAL de Deus foi trazer CRISTO ao mundo. O objetivo
IMEDIATO de Deus foi estabelecer, em terra idólatra, em preparação para a vinda de Cristo, a idéia
de que há UM só Deus vivo e verdadeiro.A bênção dessa nação se comunicaria ao mundo.
3. A Promessa de Deus a Davi - “que sua família reinaria para sempre...”

PORTANTO, CONCLUÍMOS QUE:

1. A nação hebraica foi estabelecida para que, por ela, o mundo inteiro fosse abençoado:
A nação messiânica.
2. O meio pelo qual a benção da nação hebraica se comunicaria ao mundo seria a família de Davi:
A família messiânica.
3. O modo pelo qual a bênção da família de Davi se comunicaria ao mundo seria o grande Rei que
nasceria dela: O MESSIAS.

O ANTIGO TESTAMENTO É DIVIDIDO EM QUATRO PARTES:

1 – Pentateuco, Livros da Lei ou Torah – são 5 livros:

Gênesis – Como a palavra bem indica, é o livro dos princípios: do céu e da terra, das ilhas e dos
mares, dos animais e do homem. Com Abraão, temos o começo de uma raça, um povo, uma
revelação divina particular e finalmente uma igreja.
Êxodo – Relata o povo de Deus escravizado no Egito e a grande libertação divina, usando a
instrumentalidade de Moisés.
Levítico – Leis acerca da moralidade, limpeza, alimento, sacrifícios, etc.
Números – Relata a peregrinação de Israel, quarenta anos pelo deserto.
Deuteronômio – Repetição das leis.

2 – Livros Históricos – são 12 livros:

Josué – Trata da conquista de Canaã. O milagre da passagem do rio Jordão, a queda das muralhas
de Jericó, a vitória sobre as sete nações Cananéias, a divisão da terra prometida e, finalmente, a
morte de Josué com cento e dez anos.
Juízes – Várias libertações através dos quinze juízes.
Rute – A linda história de Rute, uma ascendente de Davi e de Jesus Cristo.
15
1 e 2 Samuel – Relatam a história de Samuel, da implantação da monarquia, sendo Saul o primeiro
rei ungido por Samuel. Samuel como o último juiz e a história de Davi.
1 e 2 Reis – Relatam a edificação do Templo de Jerusalém, a divisão do reino. Ministério de Elias e
Eliseu. Ainda em II Reis está relatado o cativeiro do Reino do Norte pelos exércitos assírios, e do
Sul com o poderio Caldeu de Nabucodonossor.
1 e 2 Crônicas – Registram os reinados de Davi, Salomão e dos reis de Judá até a época do
cativeiro babilônico.
Esdras – Relata o retorno de Judá do cativeiro babilônico com Zorobabel e a reconstrução do
templo de Jerusalém.
Neemias – Relata a história da reedificação das muralhas de Jerusalém.
Ester – Relata a libertação dos judeus por Ester e o estabelecimento da festa de Purim.

Divide-se em quatro períodos da História de Israel:

a) Teocracia (Juízes)
b) Monarquia (Saul, Davi, Salomão)
c) Divisão do Reino e Cativeiro (Judá, Israel)
d) Período pós-cativeiro

3 – Livros Poéticos – são 5 livros:

Jó – Sofrimento, paciência e libertação de Jó.


Salmos – Cânticos espirituais, proclamações, poemas e orações.
Provérbios – Dissertações sobre sabedoria, temperança, justiça, etc.
Eclesiastes – Reflexões sobre a vida, deveres e obrigações perante Deus.
Cantares de Salomão – Descreve o amor de Salomão pela jovem sulamita, simbolizando o amor
de Jesus pela igreja.

4 – Profetas – são 17 livros:

a) Profetas Maiores – são 5 livros:

Isaías – Muitas profecias messiânicas. É considerado o profeta da redenção. O livro contém


maldições pronunciadas sobre as nações pecadoras.
Jeremias – Tem por tema a reincidência, o cativeiro e a restauração dos judeus. Jeremias é
considerado “o profeta chorão”.
Lamentações – Clamores de Jeremias, lamentando as aflições de Israel.
Ezequiel – Um livro que contém muitas metáforas para descrever a condição, exaltação e a glória
futura do povo de Deus.
Daniel – Visões apocalípticas.

b) Profetas Menores – são 12 livros:

Oséias – Relata a apostasia de Israel, caracterizada como adultério espiritual. Contém muitas
metáforas que descrevem os pecados do povo.
Joel – Descreve o arrependimento de Judá e as bênçãos. “O Dia do Senhor” é enfatizado como um
dia de juízo e também de bênçãos.
Amós – Através de visões, o profeta reformador denuncia o egoísmo e o pecado.
Obadias – A condenação de Edom e a libertação de Israel.
Jonas – Relata a história de Jonas, o missionário que relutou para levar a mensagem de Deus à
cidade de Nínive. O mais bem sucedido dentre os profetas. Um dos profetas que pregou o
arrependimento ao povo. O povo arrependeu-se e o profeta ficou triste e desejou a morte.
16
Miquéias – Condição moral de Israel e Judá. Também prediz o estabelecimento do reino
messiânico.
Naum – A destruição de Nínive e a libertação de Judá da opressão assíria.
Habacuque – O grande questionamento do profeta a Deus. Como pode Deus ser justo e permitir
que uma nação pecadora oprima Israel. Contém uma das mais belas orações da Bíblia.
Sofonias – Ameaças e visão da glória futura de Israel.
Ageu – Repreende o povo por negligenciar a construção do segundo templo e promete a volta da
glória de Deus.
Zacarias – Através de visões, profetiza o triunfo final do reino de Deus. Zacarias ajudou a animar
os judeus a reconstruírem o templo. Foi contemporâneo de Ageu.
Malaquias – Descrições que mostram a necessidade de reformas antes da vinda do Messias.

SÃO OS LIVROS PROFÉTICOS DE ACORDO COM AS


DUAS GRANDES CRISES DO POVO JUDEU:

CRISE CRISE DURANTE APÓS


ASSÍRIA BABILÔNICA CATIVEIRO CATIVEIRO
BABILÔNICO BABILÔNICO
Joel Sofonias Daniel Ageu
Amós Habacuque Ezequiel Zacarias
Jonas Jeremias Malaquias
Oséias Lamentações
Isaías Obadias
Miquéias
Naum

Terminamos o Velho Testamento com a palavra "maldição". Até aqui Cristo foi
prometido, mas não visto. A Esperança era prevista, mas não obtida.

Por quase 400 anos, Deus não chamou nenhum profeta para dizer "assim
diz o Senhor". Em todo este tempo (de 397 a. C. até 6 a. C.),
nenhum escritor inspirado apareceu. Por isso este tempo é chamado:
"Os Anos Silenciosos". “O Período Intertestamentário” ou "O Período Negro".

II - NOVO TESTAMENTO:

O Velho Testamento mostra o problema, mas não revela completamente a solução;


Já o Novo Testamento dá a resposta ao problema e aponta a solução:
JESUS CRISTO!

O NOVO TESTAMENTO TAMBÉM TEM QUATRO DIVISÕES:

1 – Os Evangelhos ou Biográficos:

• Mateus, Marcos, Lucas e João - Tratam do nascimento, vida, obra, morte, ressurreição e
ascensão de Um Homem chamado Jesus, O Filho de Deus, O Messias Prometido a Israel.
17
A questão central é a carreira terrena de Jesus Cristo.

• Os temas e as datas dos Evangelhos:

Mateus: O Prometido está - veja as Suas qualificações


Marcos: Assim Ele trabalhou - veja o Seu poder
Lucas: Assim Ele era - veja a Sua natureza
João: Assim Ele é - veja a Sua divindade

Mateus (40-55 d. C.): foi escrito para os JUDEUS. Faz conexão com o Velho Testamento (as
Escrituras Hebraicas). Revela o Messias como o REI prometido do Velho Testamento aos Judeus,
O soberano que veio ordenar e reinar (autoridade Mt 1:1; 16:16-19; 28:18-20). O Novo
Testamento é o cumprimento do Velho - note logo no começo do Novo Testamento o que diz
Mateus 1:22. É por isso que Deus diz em Mateus: "Este é o meu amado Filho em quem me
comprazo: escutai-O" (17:5). É o evangelho que mais traz profecias.

Marcos (57-63 d. C.): foi escrito para o povo ROMANO. Representa o Messias como o SERVO
Fiel e Obediente de Deus, Aquele que veio servir e sofrer (Mc 10:45). Não traz genealogia, pois
para o servo, isso não conta. Marcos é um Judeu-Gentio (João Marcos), cujo nome faz conexão com
o judeu e o gentio. Relata mais milagres, pois os romanos se interessavam mais por ações que
palavras.

Lucas (63 d. C.): foi escrito para os GREGOS. Relata o Messias como o homem perfeito, o
FILHO DO HOMEM, Aquele que veio repartir e compadecer-se (Lc 19:10). Os gregos
gostavam de tudo detalhado. Lucas tem genealogia, mostrando que Jesus é perfeito. Mesmo tentado
na carne, Ele continuou perfeito. Lucas era um médico e um gentio.

João (90 d. C.): foi escrito para TODO O MUNDO, com o propósito de levar o homem a Cristo.
João apresenta Jesus como o FILHO DE DEUS, Aquele que veio revelar e redimir (Jo 1:1-4;
20:31). Tudo no evangelho de João ilustra e demonstra seu relacionamento com o Pai. É onde Jesus
trata mais a Deus como Pai (Abba Pai).

Os sinópticos diferem, do Evangelho de João, nas seguintes maneiras:

Mateus, Marcos e Lucas João


Os fatos da vida exterior de Cristo A vida intima de Cristo
Os aspectos da sua vida humana A vida divina de Cristo
Os seus discursos públicos Os discursos pessoais
O ministério na Galiléia O ministério na Judéia

Assim, os quatro relatam os tipos mostrados em Ezequiel 1.10 e em Apocalipse 4.6-8,


ilustrando os quatro animais "no meio do trono, e ao redor do trono" com a semelhança de:
• leão (Mateus - rei),
• bezerro (Marcos – servo),
• rosto como de homem (Lucas - filho do homem) e
• semelhante a uma águia voando (João - filho de Deus).

A crítica está cada vez mais voltando ao ponto de vista tradicional quanto à data e autoria de
diversos livros. Há razão para crermos que os Evangelhos Sinóticos foram escritos na ordem:
Mateus, Lucas e Marcos. Orígenes freqüentemente os cita nessa ordem e Clemente de Alexandria,
antes dele, coloca os Evangelhos que contêm genealogias primeiro, com base na tradição que ele
18
recebeu dos “antigos antes dele”. De acordo com Euzébio, H. E., Vi. Xiv. Esta opinião é reforçada
pela consideração de que os Evangelhos surgiram das circunstâncias e ocasiões da época. (Palestras
em Teologia Sistemática, Henry Clarence Thiessen (Ed. Batista Regular, pág 58).
2 – Histórico:

• Atos dos Apóstolos - Propagação do Evangelho. Trata dos resultados da morte e da


ressurreição de Jesus Cristo, com a propagação das “Boas Novas”, por impulso e liderança
do Espírito Santo, começando em Jerusalém, Judéia, Samaria e até os confins da terra.

3 – Epístolas:

Os fundadores das igrejas, freqüentemente impossibilitados de visitá-las pessoalmente, desejavam


entrar em contato com seus convertidos no propósito de aconselhá-los, repreendê-los e instruí-los.
Assim surgiram as Epístolas.
(Circulação das epístolas: 1 Ts 5:27; Cl 4:16; 1 Pe 1:1-2; 2 Pe 3:14-16; Ap 1:3)

• Epístolas Paulinas – a) 9 dirigidas a igrejas: Romanos, 1 e 2 Coríntios, Gálatas, Efésios,


Filipenses, Colossenses, 1 e 2 Tessalonicenses; b) 4 dirigidas a indivíduos: 1 e 2 Timóteo,
Tito, Filemom.
• Epístolas Gerais – a) 1 dirigida a um povo: Hebreus; b) 7 universais: Tiago, 1 e 2 Pedro, 1,
2 e 3 João, Judas.

OBS: Fp, Ef, Cl e Fm são chamadas epístolas da prisão, escritas em Roma.

As cartas apresentam a teologia para a Igreja. A essência do que Deus tem para
a Igreja está nas Cartas. Elas foram escritas para orientar, instruir e exortar os
crentes a viverem uma vida cristã plena, frutífera, operosa, abundante,
VITORIOSA. Leia! Medite !!!

4 – Profético:

Apocalipse – Revelação, Consumação e Juízo de Deus. Um novo Céu e uma nova Terra.

Cada livro da Bíblia deve ser estudado convenientemente para que o seu ensino
seja aprendido, retido na mente e no coração, colocando os princípios em prática.

A BÍBLIA É INSPIRADA

SIGNIFICADO DA INSPIRAÇÃO:

O Espírito de Deus de tal modo guiou e superintendeu os escritores da Bíblia, mesmo


fazendo uso das suas características pessoais, que os seus originais (e os Textos Massorético e Texto
Recebido, miraculosamente preservados por Deus sem nenhuma falha, e traduzidos fielmente na
Almeida Original e na Trinitariana) são a única e completa, plena, verbal, infalível e inerrável,
autoritativa corporificação de TUDO o que Deus quis comunicar ao homem. Assim, cada
palavra da Bíblia é literalmente de Deus e é a única base para doutrina.
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Inspiração é o poder estendido pelo Espírito Santo, mas não sabemos exatamente como esse
poder operou. É limitado aos autores da Escritura Sagrada. Isto EXCLUI todos os outros livros
“sacros” por não serem inspirados; também nega autoridade final a todas as igrejas, concílios
eclesiásticos, credos e clérigos.
É essencialmente “orientação”. Isto é, o Espírito Santo supervisionou a seleção dos materiais
a serem usados e das palavras a serem empregadas por escrito. Finalmente, Ele preservou os autores
de todos os erros e omissões.
Temos na Bíblia, portanto, a Palavra de Deus verbalmente inspirada.

Talvez a melhor definição de inspiração seja a de L. Gaussen: “aquele inexplicável poder


que o Espírito divino estendeu antigamente aos autores das Sagradas Escrituras, para que fossem
dirigidos mesmo no emprego das palavras que usaram, e para preservá-los de qualquer engano ou
omissão”.

O mais próximo que conseguimos chegar da inspiração é chamando-a de “orientação”.


Observamos, além disso, que a inspiração se estende às palavras, não simplesmente aos
pensamentos e conceitos. Se se estendesse simplesmente aos últimos, ficaríamos sem saber se os
escritores entenderam exatamente o que Deus disse, se se lembraram exatamente do que Ele disse, e
se eles tinham capacidade para expressar os pensamentos de Deus com exatidão.

A Bíblia é um livro divino-humano: humano porque, escrito por homens,


manifesta sentimentos e pensamentos humanos, às vezes em desacordo com os de
Deus (ver, por exemplo, os discursos dos amigos de Jó); divino, porque é obra de
homens a quem a Palavra de Deus foi revelada.

Isso se deu naturalmente, de modos diversos: ora os escritores simplesmente registravam


fatos históricos; ora registravam as mensagens que profetas e apóstolos recebiam de Deus; ora
refletiam intimamente sobre coisas de Deus e Este usava seus pensamentos para levar Sua
mensagem aos homens; ora eram guiados por Deus a escrever palavras revestidas de sentido mais
profundo do que eles próprios sabiam (1 Pe 1:10-12; cf. Dn 8:15; 12:8-12).

Embora a Bíblia seja inspirada por Deus (2 Pe 1.20-21; 2 Tm 3.16-17; Ap 1.1-3), a


participação do homem na recepção da revelação assumiu várias formas: ocasionalmente, o escritor
bíblico recebeu um “ditado” divino para escrever (Lv 26.46); outras vezes o escritor teve que
estudar antes de escrever (Dn 9.2; Lc 1.1-4); eles se utilizavam de outros livros inspirados ou não
(Nm 21.14; Js 10.13; 2 Sm 1.18; 1 Cr 29.29; etc); ocasionalmente descreviam visões, sonhos ou
aparições que testemunharam (Is 6, Jr 24; Dn 7-12; Ap 1-22); vários autores puderam escrever seu
testemunho pessoal, pois foram testemunhas oculares dos eventos que relatam (Josué 24.26. João
19.35; 21.24; 1 Jo 1.1-4; 2 Pe 1.16-18); também citaram documentos antigos, que tinham à sua
disposição (Daniel 4; 2 Crônicas 36.23; Esdras 1.2-4; 7.11-26; etc); compuseram, como artistas,
poesia e outras manifestações da sabedoria (Salmos, Provérbios, etc).

O Deus que soprou o fôlego de vida nos seres viventes é o mesmo que soprou Sua Palavra nas
consciências dos Seus profetas.

Assim a Bíblia, obra de autores humanos, é, contudo, de natureza divina e isso num sentido
mais elevado do que o que se dá ao fazer referência a outras obras que se costumam dizer
“inspiradas”. É-lhe aplicado em 2 Tm 3:16 um adjetivo que significa <<insuflado por Deus>>
(cf. Gn 2:7); seus escritores são chamados <<homens impelidos (ou “carregados”) pelo Espírito
Santo>> (2 Pe 1:20-21; cf. Ap. 19:9; 22:6; 2 Sm 23:2).
Os profetas estavam tão cônscios da responsabilidade de entregar a mensagem de Deus que
muitas vezes pediam a Deus que os poupasse desse peso.
20
Os escritores do Novo Testamento também reconhecem ter sido guiados pelo Espírito Santo
para registrar novas revelações de Deus. De acordo com a promessa do próprio Jesus, o Espírito
Santo lembraria de tudo o que Ele havia ensinado e os guiaria a toda a Verdade (Jo 16:13).

A aceitação da Bíblia como Palavra de Deus não é matéria de prova científica e


sim de fé. Isso não quer dizer que tomamos atitude irracional ou sem
fundamento. Antes, nossa atitude se baseia no testemunho de Jesus, a respeito do
Antigo Testamento.

De certo modo, podemos compará-la à nossa fé em Jesus Cristo como Filho unigênito de
Deus, a qual não depende, em última análise, de provas humanas de Sua divindade, e sim, de um
ato de fé.
A experiência cristã tem confirmado que de fato Deus se revela aos homens através de
TODA a Bíblia, ainda que o faça com maior nitidez em certas partes (João, por exemplo) do que
em outras que são, por assim dizer, periféricas em relação à suprema revelação em Jesus Cristo.
Cremos que Deus inspirou alguém a registrar palavras de homens que estavam enganados,
como por exemplo, dos consoladores de Jó, cujos argumentos o próprio Deus refutou. Não é que o
Evangelho segundo João seja <<mais inspirado>> do que Eclesiastes, por exemplo; antes, é que,
naquele, Deus estava concedendo a João a mais suprema e plena revelação de Deus; ao passo que,
em Eclesiastes, fornecia o registro das últimas tentativas humanas para conseguir a felicidade
<<debaixo do sol>>.
Outrossim, mesmo que algumas partes da Bíblia pareçam não trazer mensagem de Deus
para nós, em nossa situação atual, é muito possível que tenham falado, ou que ainda venham a falar,
a outras pessoas em situações diferentes.
Basta lembrarmos, por exemplo, como o livro do Apocalipse tem revivido, vez após vez,
para cristãos que sofriam de perseguição.
Devemos lembrar também, que a própria Bíblia não nos autoriza a dividi-la em partes, mas,
antes, considerá-la um todo orgânico, tendo cada livro um papel a desempenhar na obra total
(2 Tm 3:16).
A própria Bíblia clama ser a Palavra de Deus. O termo “inspiração” é o termo teológico
tirado da Bíblia que expressa a verdade que a Bíblia é a Palavra de Deus. Para entendermos a
inspiração, devemos olhar para dois versículos clássicos das Escrituras:

“Toda a Escritura é divinamente inspirada, e proveitosa para ensinar, para redargüir, para
corrigir, para instruir em justiça;” (2 Tm 3:16)

É importante frisarmos que a Bíblia é inspirada e não os escritores. Se fosse o contrário, tudo
aquilo que eles escrevessem, de uma forma geral, seria Bíblia...

A palavra inspiração é “theopneutos”, que significa “theo” = Deus, e “pneutos” = assoprar. A


palavra Hebraica é “nehemiah” e é usado somente uma vez no Velho Testamento em Jó 32:8. O
versículo está dizendo que Deus assoprou nos escritores da Bíblia que escreveram assim as próprias
Palavras de Deus.
A próxima passagem é:

“Porque a profecia nunca foi produzida por vontade de homem algum, mas os homens santos
de Deus falaram inspirados pelo Espírito Santo.” (2 Pe 1:21)

Literalmente o que o versículo está dizendo é que a inspiração é o processo pelo qual o
Espírito Santo “se moveu” ou dirigiu os escritores das Escrituras para que o que eles escrevessem
não fossem suas palavras, mas a própria Palavra de Deus. Deus nos está dizendo que Ele é o Autor
da Bíblia, e não o homem.
21
Será que cada palavrinha da Bíblia é inspirada?
O que Jesus disse acerca deste assunto? Vamos lá ver, o que nosso Senhor falou:

“Ele, porém, respondendo, disse: Está escrito: Nem só de pão viverá o homem,
mas de TODA a palavra que sai da boca de Deus.” (Mt 4:4)

Que sublime afirmação do Mestre, onde Ele claramente nos diz que TODAS (não somente
algumas, não somente as que constam nos “melhores e mais antigos manuscritos”, nem as que têm
certa preferência da crítica textual), mas sim que todas as palavras que saem da boca de Deus são
alimento para o homem. Ou que dizer acerca do cumprimento cabal da lei, declarado por Jesus:

“Porque em verdade vos digo que, até que o céu e a terra passem, nem um jota
ou um til se omitirá da lei, sem que tudo seja cumprido.” (Mt 5:18)

Ora aqui Jesus nos diz que TUDO o que está na lei, será cumprido. Existem versículos que
claramente proíbem acrescentar, ou diminuir, o que quer que seja – Ap 22:18-19 (lembre-se que
uma vírgula numa frase pode alterar totalmente o sentido da mesma).
Se o próprio Espírito Santo supervisionou a entrega e o registro da revelação, Ele, sendo
Deus onipresente, onisciente e onipotente, garantiu que isto seria feito sem erros.
De imediato, as pessoas dizem que a Bíblia é um livro de homens. Em outras palavras, falha
e imperfeita. Por mais sinceros, eruditos e criteriosos que fossem os profetas, eles ainda estavam
sujeitos às limitações da sua época e do seu conhecimento. Como poderiam deixar de errar?
É natural, assim, esperar que a Bíblia apresente erros gritantes em questões filosóficas,
científicas, literárias ou históricas. Os milagres, por exemplo, são vistos como lendas da
Antigüidade, tão verdadeiros e históricos quanto Branca de Neve e os Sete Anões.
De fato, tais conclusões seriam inevitáveis se o fator sobrenatural fosse descartado. Mas, se
o Espírito Santo, sendo o mesmo Deus, estava por trás da produção da Bíblia, então é perfeitamente
admissível que homens falhos fossem instrumentos para transmitir informações infalíveis. E foi
exatamente isso o que ocorreu.

Note:

- Inspiração é um mistério.
- Inspiração é essencialmente proteção contra erros, como se Deus dissesse “As
verdades que Eu quero transmitir, você as escreverá com as suas palavras, mas
Eu vou guiá-lo para você não deixar de escrever toda e só a verdade que Eu
quero que seja escrita, e não errar nem sequer uma letrinha ou o menor sinal de
acentuação.”
- Plenária significa palavra por palavra, e não apenas os pensamentos principais.
- Verbal significa palavra por palavra, e não apenas os pensamentos principais.
- Toda a Bíblia é igualmente inspirada, mas não igualmente importante (Jo 3:16
versus Jz 3:16).
- Cada palavra é inspirada, mas só é autoritativa: a) no seu contexto; b) quando é de
Deus [diretamente ou pelos Seus profetas] e não o registro (inspirado, infalível!) das
mentiras do Diabo, demônios, ou homens.
- Inspiração não exclui o uso de fontes extra-Bíblicas: At 17:28; Tt 1:12; Jd 14-15.
- Inspiração não exige mesmos detalhes no relato de um mesmo evento: Mt 27:37 +
22
Mc 15:26 + Lc 23:38 + Jo 19:19.
- A inspiração está terminada: Ap 22:18-19. E só abrangeu a Bíblia.

Distinção entre inspiração e autoridade:

Algo deve ser dito a respeito da distinção entre inspiração e autoridade. Geralmente as duas
são idênticas, de modo que aquilo que é inspirado, tem também autoridade com respeito ao ensino e
à conduta, mas, ocasionalmente, não é isso o que acontece. Por exemplo: o que Satanás disse para
Eva foi registrado por inspiração, mas não é a verdade (Gn 3:4-5); o conselho que Pedro deu a
Cristo (Mt 16:22), a declaração de Gamaliel ao concílio (At 5:38-39); textos retirados do contexto,
que assumem um significado totalmente diferente de quando inseridos no contexto, etc.

A BÍBLIA, REGISTRO MERECEDOR DE CONFIANÇA

A Bíblia é uma revelação de Deus absolutamente fidedigna. Essa afirmativa baseia-se na


atitude de Jesus para com o Antigo Testamento e no testemunho da Bíblia a Seu próprio respeito
(Mt 5:17-18; Mc 7:1-13; 12:35-37; Jo 5:39-47; 10:34-36; 1 Co 14:37-38; Ef 3:3).
A Bíblia não tem a pretensão de ser uma enciclopédia infalível de informações sobre todos
os assuntos e, por isso, não nos fornece a resposta a todas as perguntas que possamos fazer a
respeito do mundo a nosso redor. (NEM TUDO NOS É REVELADO!).

As coisas encobertas pertencem ao SENHOR nosso Deus, porém as reveladas


nos pertencem a nós e a nossos filhos para sempre, para que cumpramos todas
as palavras desta lei. (Dt 29:29).

Ela é escrita na linguagem do povo e não com a terminologia e exatidão científicas do nosso
século. De fato, seria tolice esperar que o fosse, e se, por algum milagre, isso fosse conseguido, o
livro se tornaria incompreensível para a maioria de nós, para todos os que nos precederam e, dentro
de pouco tempo, se tornaria arcaica.
A Bíblia registra uma revelação progressiva de Deus através de muitos séculos e a povos
vários. Não devemos, portanto, tomar suas afirmações isoladamente, mas considerá-la à luz do todo.
Não podemos basear nossas crenças em versículos isolados, destacados de seu contexto.

LEMBRE-SE: Texto fora de contexto é pretexto para heresias!

É inegável que a moderna ciência da Arqueologia muito tem feito no sentido de confirmar a
exatidão da história registrada na Bíblia. Muito raramente, e em assuntos de pequena importância,
põe um ponto de interrogação ao lado do registro bíblico.
Uma vez que a Bíblia registra uma revelação que se deu através da história, podemos sentir
satisfação em saber que o esboço histórico apresentado na Bíblia é capaz de tanta confirmação
arqueológica.
Muitos problemas que se alegam existir na Bíblia, devem-se à nossa falta de saber
interpretá-la corretamente. Às vezes procuramos, por exemplo, informações literais em passagens
que devem ser tomadas como poéticas.

Através de uma compreensão integral da Bíblia, podemos descobrir que muitas


discrepâncias desaparecem ou são de somenos importância, no que se refere à
verdade da Bíblia, vista como um todo.
23

TERMOS RELACIONADOS COM A INSPIRAÇÃO:

A) A REVELAÇÃO DE DEUS:

“REVELAÇÃO É AQUELE ATO DE DEUS PELO QUAL ELE MESMO SE


DESCERRA E COMUNICA VERDADE À MENTE, MANIFESTANDO ÀS
SUAS CRIATURAS AQUILO QUE NÃO PODERIA SER CONHECIDO DE
NENHUM OUTRO MODO”.

• A NECESSIDADE DA REVELAÇÃO:

Certamente o Senhor Deus não fará coisa alguma, sem ter revelado o seu segredo aos seus
servos, os profetas. (Amós 3:7)

Será possível ao homem, finito e limitado como é, em sua capacidade e em seu


entendimento, compreender a grandeza do Deus infinito?
Por si mesmo, é evidente que não. A não ser que Deus se revele ao homem, este não pode
conhecê-Lo.
Chega-se, portanto, à conclusão de que Deus se revelou às suas criaturas.

• A REVELAÇÃO DE DEUS DIVIDE-SE EM GERAL E ESPECIAL:

• Revelação geral de Deus: É endereçada e acessível a TODA criatura inteligente, e tem por
objetivo persuadir a alma a buscar o verdadeiro Deus. Ela ocorre:

• Na Natureza: JÓ 12:7-9; SL 8:1, 3; 19:1-3; IS 40:12-14, 26; AT 14:15-17; RM 1:19-23,


2:14-15. SUA FINALIDADE É INCITAR O HOMEM A BUSCAR O DEUS
VERDADEIRO, PARA RECEBER MAIS LUZ. DEIXA O HOMEM INESCUSÁVEL,
MAS É INSUFICIENTE PARA SALVAÇÃO. ALGUMAS VERDADES CONTIDAS NAS
RELIGIÕES PAGÃS DERIVAM-SE DESSA FONTE DE REVELAÇÃO. É, CONTUDO,
INSUFICIENTE. SE REVELA A GRANDEZA, A SABEDORIA E O PODER DE DEUS,
NADA DIZ DO INTERESSE QUE ELE TEM NO HOMEM PECADOR, NEM SE ESTE
PODE SE SALVAR.
• Na História DE NAÇÕES TAIS COMO O EGITO, ASSÍRIA, ETC. EMBORA DEUS
POSSA USAR UMA NAÇÃO MAIS ÍMPIA PARA CASTIGAR UMA MENOS ÍMPIA,
AO FINAL TRATARÁ A MAIS ÍMPIA COM MAIOR SEVERIDADE (HC 1:1-2:20). E,
MUITÍSSIMO MAIS, NA ESPANTOSA HISTÓRIA DA “PULGUINHA” ISRAEL.
DT 28:10; SL 75:6-8; PV 14:34; AT 17:2-4; RM 13:1. ESSE POVO ACREDITAVA QUE
DEUS, A QUEM CONHECIA POR NOME DE JAVÉ OU JEOVÁ, AGIA NA SUA VIDA
INDIVIDUAL E NACIONAL (SL 78); QUE LHE FALAVA POR MEIO DE PROFETAS (1
SM 3; IS 6; OS 1; AM 7:14-17), REVELANDO-LHES QUE SEU CARÁTER ERA DE
JUSTIÇA E AMOR (IS 6:3; AM 5:6-27; DT 7:8; JR 31:3; OS 11:1); QUE ISRAEL ERA
SEU POVO ESCOLHIDO (DT 7:7-26; JR 7:23; 13:11) E QUE DELE DEUS
RECLAMAVA NÃO SÓ O CULTO, COMO TAMBÉM A JUSTIÇA E O AMOR EM SUA
VIDA SOCIAL E NACIONAL (AM 5:21-24; IS 1:27; MQ 6:8). ESSE DEUS ERA
SENHOR DA CRIAÇÃO (IS 40; 42:5; AM 5:8) E REI MORAL DA HISTÓRIA (DT 28; JZ
2; AM 5:14). HAVERIA, UM DIA, DE JULGAR O MUNDO E ESTABELECER UM
REINO DE JUSTIÇA. SEU PROPÓSITO FINAL PARA OS HOMENS ERA, PORTANTO,
24
A SALVAÇÃO E, PARA ESSE FIM, ESCOLHERA A ISRAEL PARA SEU SERVO, O
QUAL DEVERIA LEVAR TODOS OS HOMENS À RELIGIÃO VERDADEIRA. COMO,
PORÉM, ISRAEL ESTAVA PREJUDICADO PELO SEU PECADO, PARA EXECUTAR A
TAREFA, DEUS PROMETERA LEVANTAR, FUTURAMENTE, UM LIBERTADOR,
CHAMADO, ORA DE REI, NA SUCESSÃO DE DAVI, ORA DE SERVO DO SENHOR
(IS 2:1-4; 9:1-7; 42:1-9; 49:1-6; 50:4-9; 52:13; 53:12; JR 31:31-40; 33:14-16; EZ 34:37).
ESTA REVELAÇÃO JÁ É MAIS EXPLÍCITA E INFORMATIVA DO CARÁTER
PESSOAL DE DEUS, DO QUE A REVELAÇÃO ATRAVÉS DA NATUREZA.
CONTUDO, É TAMBÉM INCOMPLETA.
• Na Consciência: A Lei gravada nos corações,"uma espiã de Deus em nosso peito," "uma
embaixadora de Deus em nossa alma," como os puritanos costumavam chamá-la.
Rm 2:14-16. É a presença no homem desta ciência do que é certo e errado, deste algo
discriminativo e impulsivo que constitui a revelação de Deus. Não é auto-imposta, como
fica evidenciado pelo fato de que o homem freqüentemente se livraria de suas opiniões se
pudesse; é o reflexo de Deus na alma. Na nossa consciência temos outra revelação de Deus.
Suas proibições e ordens, suas decisões e impulsos não teriam qualquer autoridade real
sobre nós se não sentíssemos que na consciência temos de alguma forma a realidade, algo
em nossa natureza que, todavia, está acima dessa natureza. Em outras palavras, ela revela o
fato de que há uma lei absoluta do certo e do errado no universo e de que há um Legislador
Supremo que encarna esta lei em Sua própria pessoa e conduta.

• Revelação especial de Deus: ABRANGE OS ATOS DE DEUS PELOS QUAIS ELE SE FEZ
CONHECER E À SUA VERDADE, EM OCASIÕES ESPECIAIS E A PESSOAS ESPECÍFICAS,
MAS QUASE SEMPRE PARA O BENEFÍCIO DE TODOS.
É NECESSÁRIA PORQUE O HOMEM NÃO RESPONDEU À REVELAÇÃO GERAL.
RM 1:20-23,25; 1 CO 1:21; 2:8. ELA OCORRE:

• Em Jesus Cristo, A SUPREMA REVELAÇÃO DE DEUS (CL 1:15; 2:9; HB 1:3),


NECESSÁRIA PORQUE O HOMEM NÃO RESPONDEU ÀS OUTRAS HB 1:1-3.
CRISTO É A MELHOR PROVA DA: EXISTÊNCIA, NATUREZA, E VONTADE DE
DEUS! A vinda de Jesus Cristo foi a manifestação suprema e o pleno cumprimento da
Revelação que Deus começara a fazer de Sua Pessoa, na vida de Israel. Jesus afirmou
expressamente que Ele era Aquele de quem os profetas falavam (Mt 5:17; Lc 24:44).
Referia-se a Si mesmo como o Filho de Deus (Mt 11:25-27) e atribuía às Suas próprias
palavras a autoridade de Deus (Mc 2:1-12; 13:31; 14:62). Além das Suas palavras, o caráter
e as ações de Cristo deviam ser considerados manifestações de Deus aos homens. Disso
eram sinais: Seus milagres e Suas obras poderosas (Lc 12:54-56; Jo 3:2; 14:11). Toda a Sua
vida demonstrara o amor que caracteriza a Deus (Mc 2:17; 10:21, 45; Lc 19:1-10; Jo 3:16).
Sua morte coroou Sua vida de abnegação em favor dos homens (Mc 14:22-24) e Sua
ressurreição e ascensão declararam que Deus se agradara da obra de Seu Filho e O tinha
exaltado (At 3:14-26; Rm 1:4). Seus discípulos passaram o restante de suas vidas
anunciando-O como Aquele que verdadeiramente revelava Deus aos homens e lhes
restabelecia a relação adequada com Ele. As provas impressionantes de Sua influência nas
vidas humanas, a partir de então, são outras tantas confirmações de Sua pretensão de revelar
Deus aos homens. Essa Revelação, na qual Deus se fez homem, na Pessoa de Seu Filho
Jesus Cristo, é uma Revelação pessoal, perfeita e que não se repete. No sentido mais
completo, Jesus Cristo é a PALAVRA DE DEUS aos homens (Jo 1:1-18; Hb 1:1-2). É
evidente, portanto, que ninguém pode conhecer a Deus, senão por Jesus Cristo (Jo 1:18;
Mt 11:27).
• Nas Experiências Pessoais de Certos Homens: Enoque e Noé andaram com Deus
(Gn 5:21-24; 6:9); Deus falou a Noé (Gn 6:13; 7:1; 9:1); a Abraão (Gn 12:1-3); a Isaque
(Gn 26:24); a Jacó (Gn 28:13; 35:1); a José (Gn 37:5-11); a Moisés (Êx 3:3-10; 12:1); a
Josué (Js 1:1); a Gideão (Jz 6:25); a Samuel (1 Sm 3:2-4); a Davi (1 Sm 23:9-12); a Elias
25
(1 Rs 17:2-4); a Isaías (Is 6:8), etc. Da mesma maneira, no N. T. Deus falou a Jesus
(Mt 3:16-17; Jo 12:27-28); a Pedro, Tiago e João (Mc 9:7); a Felipe (At 8:29); a Paulo
(At 9:4-6; 18:9); e a Ananias (At 9:10). Nas experiências de nós, crentes da dispensação da
graça.
• EM MILAGRES: eventos fora do usual e natural, realizando uma obra útil, revelando a
presença e poder de Deus, visando trazer homens a Cristo (Jo 20:30-31). Êx 4:2-5 (Deus
transformou vara em cobra) contraste Êx 7:1-2 (imitação, desmascarada).

Milagres podem ser:

a) de intensificação (exemplo: dilúvio) ou “tempo exato” (terremoto na crucificação) de fenômenos


naturais (praga de saraiva e fogo); a força de Sansão, etc.
b) de alteração das leis naturais (multiplicação dos pães, florescimento da vara de Arão, obtenção de
água da rocha, cura dos doentes, ressurreição de mortos).

Se alguém quiser contestar a existência de milagres, lembre-lhe que a pergunta


certa é “as testemunhas são absolutamente confiáveis?” e não “o evento é
naturalmente possível?”. Demonstre a historicidade da ressurreição de JESUS
CRISTO. Mostre que se ele crer na ressurreição e no Ressurreto Homem-Deus,
aceitará todos os milagres da Bíblia. Fale de respostas às orações.
• Em Profecias-predição de eventos, só possível pela comunicação direta da parte de Deus
Is 44:28-45:1 (Ciro). Se alguém quiser contestar a existência de profecias, mostre-lhe que se
ele crer no Profetizado Emanuel, aceitará todas as profecias da Bíblia.

Mostre-lhe as profecias cumpridas em Cristo:

• Ele deveria ser nascido de uma virgem (Is 7:14; Mt 1:23);


• da semente de Abraão (Gn 12:3; Gl 3:8);
• da Tribo de Judá (Gn 49:10; Hb 7:14);
• da linhagem de Davi (Sl 110:1; Rm 1:3);
• deveria nascer em Belém (Mq 5:2; Mt 2:6);
• ser ungido pelo Espírito (Is 61:1-2; Lc 4:18-19);
• entrar em Jerusalém montado em um asno (Zc 9:9; Mt 21:4-5);
• ser traído por um amigo (Sl 41:9; Jo 13:18);
• ser vendido por trinta moedas de prata (Zc 11:12-13; Mt 26:15; 27:9-10);
• ser abandonado por seus discípulos (Zc 13:7; Mt 26:31, 56);
• ter suas mãos e pés traspassados, mas não ter nenhum osso quebrado (Sl 22:16; 34:20;
Jo 19:36; 20:20, 25);
• os homens iriam dar-lhe fel e vinagre a beber (Sl 69:21; Mt 27:34);
• repartir Suas vestes e lançar sortes sobre Sua túnica (Sl 22:18; Mt 27:35);
• Ele seria abandonado por Deus (Sl 22:1; Mt 27:46);
• enterrado com os ricos (Is 53:9; Mt 27:57-60);
• Ele iria surgir dos mortos (Sl 16:8-11; At 2:27);
• subir às alturas (Sl 68:18; Ef 4:8);
• e se assentar à mão direita do Pai (Sl 110:1; Mt 22:43-45).

Será que não temos nestas predições que já foram cumpridas uma forte prova do fato que
Deus Se revelou por profecia? E se Ele o fez nestas predições, o que nos impede de crer que O fez
em outras também?
26

• Em profecias-enunciação de verdades “assopradas” pelo Espírito Santo” 2 Tm 3:16;


2 Pe 1:20-21.
• Nas Escrituras, QUE REÚNEM TODA A REVELAÇÃO QUE DEUS QUIS QUE
FICASSE INERRANTEMENTE CORPORIFICADA, SENDO A BASE PARA TODAS AS
DISCIPLINAS DA TEOLOGIA.
Se a suprema revelação de Deus é Jesus Cristo, surge o problema: como então pode Deus
revelar-se a nós, que vivemos dois milênios depois de Cristo? Não estando Jesus
visivelmente entre nós, ficamos privados da possibilidade de alcançar a plena revelação de
Deus?
A resposta a essas perguntas é que existe ainda outra forma de revelação. É que o Espírito de
Deus capacitou homens a darem testemunho escrito da revelação que receberam, de modo a
poderem interpretá-la e transmiti-la às gerações posteriores. Assim, podemos chegar ao
conhecimento da revelação de Deus na Natureza, na História, etc, e em Jesus Cristo, através
do registro que dela temos em mãos, na BÍBLIA, e pelo qual Deus fala hoje aos homens.
Desse modo, Jesus Cristo se revela ainda aos homens. Ele não é uma extinta Figura do
passado, mas o FILHO VIVO DE DEUS, de maneira que os cristãos que vivem em eras
posteriores à Sua crucificação podem afirmar que O conhecem e têm comunhão com Ele.

Uma vez que é a Bíblia o meio pelo qual seguramente Deus se revela hoje
aos homens, devemos examinar com algum cuidado seu caráter, sua
suficiência e a confiança que merece como revelação de Deus
(2 Tm 3:15; Hb 1:1).

• MÉTODOS DE REVELAÇÃO:

POR ANJOS GN 18 (3 ANJOS, ABRAÃO, SODOMA); COM VOZ ALTA GN 3:9-19


(PUNINDO A QUEDA); COM VOZ SUAVE 1 RS 19:11, 12 (A ELIAS); SL 32:8; PELA
NATUREZA SL 19:1-3; POR UM JUMENTO NM 22:28 (BALAÃO); POR SONHOS GN 28:12
(ESCADA DE JACÓ); EM VISÕES GN 46:2; AT 10:3-6 (PEDRO E CORNÉLIO); LIVRO DE
APOCALIPSE; CRISTOFANIAS ÊX 3:2 (O ANJO NA SARÇA).

A Revelação de Deus no Antigo Testamento é uma revelação com as seguintes características:

a) É uma revelação autoritária - Jo 5:39; Lc 19:19-31.


b) É uma revelação verídica - Jo 10:35; Is 34:16.
c) É uma revelação progressiva - Hb 1:1, 2.
d) É uma revelação parcial - Hb 1:1, 2; Cl 2:17; Hb 10:1.

B. A ILUMINAÇÃO:

“É AQUELE MÉTODO USADO PELO ESPÍRITO SANTO PARA


DERRAMAR LUZ DIVINA SOBRE TODO O HOMEM QUE O BUSQUE, AO
SER ESTE HOMEM EXPOSTO À PALAVRA DE DEUS.”

• A iluminação se faz necessária por causa das cegueiras: natural 1 Co 2:14; induzida pelo Diabo
2 Co 4:3-4; induzida pela carne 1 Co 3:1; Hb 5:12-14; 2 Pe 1:19.

• Só com a iluminação é que pecadores são salvos (Sl 119:30; 146:8) e crentes são fortalecidos
(Sl 119:105; 1 Co 2:10; 2 Co 4:6).
27
• Antes de iluminar, o Espírito Santo procura por sinceridade do homem (Dt 4:29; Hb 11:6) e
diligente estudo do crente (At 17:11; 2 Tm 2:15; 1 Pe 2:2).

• O Espírito Santo sempre tem que usar um crente (que O tem) para iluminar o descrente (que não
O tem) At 8:31.

C. COMPARAÇÃO REVELAÇÃO-INSPIRAÇÃO-ILUMINAÇÃO:

Revelação: comunicação da verdade.


Inspiração: registro da verdade.
Iluminação: entendimento da verdade.

---inspiração--->
DEUS ---revelação---> Homem BÍBLIA
<---iluminação---

Podemos ter revelação sem inspiração, como tem sido o caso de muitas pessoas piedosas
no passado e como fica claro pelo fato de João ter ouvido as vozes dos sete trovões, apesar de não
lhe ter sido permitido escrever o que eles disseram (Ap 10:3-4).
Podemos também encontrar inspiração sem revelação, como quando os escritores
registram o que viram com seus próprios olhos e descobriram pela pesquisa (1 Jo 1:1-4; Lc 1:1-4).
A iluminação geralmente acompanha a inspiração ou está incluída nela, mas nem
sempre, conforme pode ser visto em 1 Pe 1:11-12.

TEORIAS ANTIBÍBLICAS SOBRE A INSPIRAÇÃO

A) TEORIA MECANISTA, OU DO DITADO = “Deus usou homens como meros


amanuenses”.

Esta teoria ignora diferenças de estilo entre os escritores; ignora que Deus não usou robôs
inanimados nem psicografistas (“pneumografistas”) talvez até inconscientes do que escreviam, mas
usou, sim, homens com personalidades distintas; e ignora que a Bíblia é ambos 100% divina e
100% humana, respeitando a personalidade e estilo de cada escritor! 2Pe 1:21.
Deus usou as personalidades e modos de expressão peculiares a cada escritor: “somente” os
protegeu do menor erro, desvio, omissão, e excesso.
Inspiração é basicamente essa proteção.

B) TEORIA DA INSPIRAÇÃO NATURAL = “a inspiração da Bíblia é só momentos de


superioridade do homem natural, como Beethoven na “Sinfonia Inacabada”. 2 Pe 1:20-21.

Assim, cometem o erro de pensar que: “o Salmo 23 não é mais inspirado que o grande hino
‘Rude Cruz’; o Sermão do Monte não é mais inspirado que ‘Pecadores nas Mãos de um Deus
Irado’, de Jonathan Edwards; a História do Filho Pródigo não é mais inspirada que ‘O Peregrino’,
de John Bunyan, etc.”

C) TEORIA DA INSPIRAÇÃO PARCIAL, dinâmica = “A Bíblia só é inspirada no


espiritual e essencial, não na História, Ciência, etc. e no que achamos ‘secundário’.” 2 Tm 3:16;
Jo 3:12.
28

O que é essencial? aquilo que você gosta??!!! Isto é puro subjetivismo louco! Como crer o
maior (o espiritual, invisível, eterno) de quem não creio o menor (material, tangível, efêmero)?
(Jo 3:12).

“A teoria dinâmica não explica, nem mesmo tenta explicar, como os escritores poderiam estar
possuídos de conhecimentos sobrenaturais ao registrarem uma sentença e serem rebaixados a um
nível muito inferior na seguinte. Ela não nos dá a psicologia daquele estado de espírito que pode se
pronunciar infalivelmente sobre matérias de doutrina, enquanto que se desvia a respeito dos fatos
mais simples da história. Ela não tenta analisar a relação existente entre as mentes Divina e humana,
que produz tais resultados.” (Marcus Dods, em A Bíblia: Sua Origem e Natureza, 1912, pág. 122)

D) TEORIA DA INSPIRAÇÃO SÓ DO PENSAMENTO PRINCIPAL, Não das


palavras em si (Sl 138:2; Mt 5:18; 1 Co 2:13; 2 Tm 3:16).

E) TEORIA DO “ENCONTRO MÍSTICO” = “AQUELES QUE TIVERAM


‘ENCONTROS’ (EXPERIÊNCIAS EMOCIONAIS) COM DEUS ESCREVERAM A VERDADE
SEM A SUA PROTEÇÃO, MUITO MISTURADA COM MITOS E IMAGINAÇÕES. HOJE, A
BÍBLIA NÃO É, MAS CONTÉM A PALAVRA DE DEUS, QUE EU DESCUBRO QUANDO,
NUM ‘ENCONTRO’ (» NIRVANA), PERCEBO O QUE DEUS TEM POR BAIXO DOS MITOS
BÍBLICOS. SÓ ENTÃO, ELA TORNA-SE A SUA PALAVRA, PARA MIM.”
ISTO É PURO SUBJETIVISMO LOUCO, LEVANDO ÀS MAIS DISPARATADAS
CONCLUSÕES! 2 Tm 3:16

PROVAS DA INSPIRAÇÃO PLENÁRIA, VERBAL, INFALÍVEL


A Bíblia é inspirada (“assoprada para dentro do homem”) por Deus: Ver a seção: “A Bíblia é a
corporificação da revelação de Deus”.

• ESTA INSPIRAÇÃO É:

a) Por Deus (!): At 1:16; 2 Tm 3:16-17; Hb 10:15-17; 2 Pe 1:20-21.


b) Verbal (= palavra por palavra, e não apenas os pensamentos principais): Sl 138:2; Mt 4:4-5; 5:17-
18; 22:32; 1 Co 2:13; Gl 3:16.
c) Plenária (= toda ela, de capa a capa, sobre todo e qualquer assunto): 2 Tm 3:16-17.
d) Infalível e inerrável (= não contém nenhum erro, é incapaz de errar e de falhar): Mt 5:18;
Jo 10:35b.

• A NATUREZA DA INSPIRAÇÃO PLENÁRIA, VERBAL E INFALÍVEL


DA BÍBLIA É ASSEGURADA POR:

a) O caráter de Deus: IRIA O DEUS PERFEITO, ETERNO E IMUTÁVEL, CONSENTIR QUE AS


SUAS REVELAÇÕES FOSSEM EXPRESSAS IMPERFEITA E FALIVELMENTE PELOS SEUS
PROFETAS? ISTO É INIMAGINÁVEL!

b) O caráter e declarações da Bíblia:

b.1) (Ver: “O caráter transcendente da Bíblia”). A BÍBLIA TEM UNIDADE, CONTEÚDO E


PADRÃO MORAL, INCOMPARAVELMENTE SUPERIORES A TODOS OS OUTROS LIVROS.
29
b.2) (Ver: “Declarações da Bíblia sobre si mesma”). A BÍBLIA É ABSOLUTAMENTE
CONFIÁVEL EM TUDO O QUE PODE SER CHECADO, ENTÃO DEVEMOS ACEITAR O
QUE DIZ DE SI MESMA:

b.3) A Bíblia clama ser a plenária, verbal e infalível Palavra de Deus:

• Explicitamente em Sl 138:2; 2 Tm 3:16; 2 Pe 1:20-21.


- As peculiaridades do sistema mosaico ficam claras à luz de uma revelação progressiva. A Lei a
Graça e a doutrina do Espírito Santo estão interligadas ao propósito dispensacional de Deus.
• Mais de 3800 vezes em frases diretas como “Assim diz o Senhor” no V. T.: Êx 14:1; Is 43:1;
Ez 1:3.
• No reconhecimento de um escritor/livro por outro: 2 Rs 17:13; Sl 19:7; 33:4; 119:89;
Is 8:20; Gl 3:10; 1 Pe 1:23; At 1:16; 28:25; 1 Pe 1:10-11. Pedro reconheceu a inspiração dos
escritos de Paulo 2 Pe 3:15-16. Pedro e Paulo reconhecem a inspiração de todo o restante
das Escrituras. 2 Tm 3:16; 2 Pe 1:20.

Cristo ensinou que a Bíblia é infalivelmente inspirada (Jo 10:35b; Mt 4:4; 5:17-18; 22:32) e
também eterna e perfeitamente preservada por Deus (Mt 4:4; 5:18; 24:35 [= Lc 21:33]; Lc 16:17)

OBJEÇÕES À INSPIRAÇÃO PLENÁRIA E VERBAL:

A) ALEGAM QUE HÁ “RECONHECIMENTO DE NÃO INSPIRAÇÃO”: BASTA UM BOM


EXAME DO CONTEXTO (OU UM PERFEITO ENTENDIMENTO DOS IDIOMAS E DOS
MANUSCRITOS PELOS QUAIS DEUS PRESERVOU INFALIVELMENTE SUA PALAVRA:
TEXTO MASSORÉTICO E TEXTO RECEBIDO). EXEMPLO: EM 1 CO 7:12, 25. PAULO, QUE
ESTAVA SÓ REPETINDO MT 5:31-32; 19:3-9 (DIVÓRCIO), AGORA INTRODUZ UM
MANDAMENTO IGUALMENTE INSPIRADO (COMPARE: 1 CO 7:40).

B) ALEGAM QUE HÁ “CITAÇÕES EXPRESSANDO ERROS”: SÃO SÓ CITAÇÕES (FIÉIS!)


DE ERRADOS E/OU MENTIROSOS HOMENS (SL 10:4) OU DO DIABO (GN 2:4-5).

C) “ERROS HISTÓRICO-CIENTÍFICOS”: BASTA LEMBRARMOS QUE:


• Assim como os cientistas usam expressões “pôr-do-sol”, “quatro cantos da terra” (por serem
referenciais cômodos, de fácil entendimento), a Bíblia usa a linguagem das aparências, em certas
passagens, etc.; Ademais, a Bíblia é 100% exata, mas não é formal, matemática.
• A Bíblia só relata fragmentos da verdade Jo 20:30-31.
• Relatos distintos podem se complementar (CONTRADIZER!) OU PODEM ENFATIZAR
DIFERENTES ASPECTOS DOS EVENTOS OU DOUTRINAS.
• A Bíblia foi por Deus infalivelmente inspirada e preservada (através do Texto Massorético e do
Texto Recebido), palavra por palavra, til por til, mas os tradutores mais fiéis e tremendamente
cuidadosos podem aqui e acolá ter sido algo menos que perfeitos...
• A verdadeira ciência se limita a fatos da observação ou experimentação (a Teoria da Evolução, das
Camadas Geológicas, da Astrofísica, etc., não o fazem, resultam de meras suposições loucas!).
• Cientistas hoje admitem que a luz apareceu antes do sol.

D) “APARENTES CONTRADIÇÕES”: SEMPRE TÊM EXPLICAÇÕES, SE PRESTARMOS


MUITA ATENÇÃO. EXEMPLOS:
• NM 25:9 VERSUS 1 CO 10:8 (DIFERENTES NÚMEROS DE MORTOS PELA PRAGA):
NM NÃO SE LIMITOU A 1 SÓ DIA!
• LC 6:17 VERSUS MT 5:1 (O SERMÃO FOI NO MONTE OU EM LUGAR PLANO?):
2 SERMÕES, SENDO 1 PARA OS DISCÍPULOS, OUTRO PARA O POVO. OU 1 SERMÃO, EM
30
LUGAR PLANO NO MEIO DO MONTE? A PLANURA EM LC 6:17 ERA PROVAVELMENTE
NA MESMA MONTANHA MENCIONADA EM MT 5:1.
• MT 20:29 VERSUS MC 10:46 + LC 18:35 (1 OU 2 CEGOS? NA ENTRADA OU SAÍDA DE
JERICÓ?): 2 CEGOS NA ENTRADA, 1 NA SAÍDA. PROVAVELMENTE, FORAM OS
2 CEGOS CURADOS ENTRE JERICÓ VELHA E JERICÓ NOVA, SENDO QUE MC E LC
MENCIONAM SOMENTE O MAIS NOTÁVEL.
• MT 8:5-13 VERSUS LC 7:1-10: CENTURIÃO DE CAFARNAUM COM SERVO
MORIBUNDO: OUVIU FALAR DE JESUS -> ENVIOU ANCIÃOS JUDEUS PARA CHAMÁ-
LO -> ENVIOU AMIGOS -> FOI ELE MESMO -> CREU -> VOLTOU -> CONSTATOU
MILAGRE.

OBS: 2 Rs 8:26 versus 2 Cr 22:2


1 Rs 4:26 versus 2 Cr 9:25 – (Apresentar estudo mostrando que não são erros)

E) “ERROS EM PROFECIAS”: ESSES APARENTES ‘ERROS’ SÃO MÁS INTERPRETAÇÕES


DAS PROFECIAS, OU PROFECIAS AINDA A SEREM CUMPRIDAS (DN 2, 7, 9, 11, 12;
ZC 12-14; A MAIOR PARTE DO LIVRO DE APOCALIPSE). NEM PAULO, NEM TIAGO, NEM
PEDRO ENSINARAM QUE CRISTO VIRIA IMEDIATAMENTE, MAS SIMPLESMENTE, QUE
ELE PODERIA VIR A QUALQUER HORA (II CO 5:4; I TS 4:15-17; TG 5:9; 2 PE 3:4, 8, 9).

F) “IMPOSSIBILIDADE CIENTÍFICA DE MILAGRES”: (VER O ITEM “A REVELAÇÃO


ESPECIAL DE DEUS”). QUANDO A EXISTÊNCIA DO DEUS TODO-PODEROSO É ACEITA,
ENTÃO NÃO HÁ PROBLEMA EM SE ACEITAR A SUA INTERVENÇÃO SOBRENATURAL
(E COERENTE CONSIGO MESMO): SE, QUANDO, COMO, E ONDE ELE O DESEJE.

G) “ERROS NA CITAÇÃO E INTERPRETAÇÃO DE SI PRÓPRIA”: Às vezes, os escritores do


Novo Testamento simplesmente expressam suas idéias com palavras emprestadas de uma passagem
do Velho Testamento, sem a pretensão de interpretar a passagem (Rm 10:6-8, cf. Dt 30:12-14). Às
vezes eles destacam um elemento típico em uma passagem que não tem geralmente sido
reconhecido como típico (Mt 2:14, cf. Os 11:1). Às vezes, dão crédito a uma profecia mais recente,
quando eles realmente estão citando uma forma mais antiga da mesma (Mt 27:9, cf. Zc 11:13). Às
vezes eles combinam duas citações em uma só, e atribuem o todo ao autor mais proeminente
(Mc 1:2-3). ADEMAIS, O AUTOR (O ESPÍRITO SANTO) DE TODA A BÍBLIA TEM TODO O
DIREITO DE RE-EXPRESSAR-SE E RE-EXPLICAR-SE CONFORME SEU DESEJO
SOBERANO.

H) “IMORALIDADE DOS HOMENS”: É REGISTRADA; HONESTAMENTE (!); MAS NUNCA


É SANCIONADA. Ex: a bebedeira de Noé (Gn 9:20-27), o incesto de Ló (Gn 19:30-38), a
falsidade de Jacó (Gn 27:19-24), o adultério de Davi (2 Sm 11:1-4), a poligamia de Salomão
(1 Rs 11:1-3, cf. Dt 17:17), a severidade de Ester (Et 9:12-14), as negações de Pedro (Mt 26:69-75).

OBS: APARENTES SANÇÕES À IMORALIDADE SÃO SANÇÕES SÓ A UMA VIRTUDE


ACOMPANHANTE:

EXEMPLOS:

I) DIVÓRCIO (DT 24:1 VERSUS MT 5:31-32 + 19:7-9), ETC: FORAM


TOLERADOS/DISCIPLINADOS COMO UM BEM RELATIVO, NUNCA RECOMENDADOS
COMO UM BEM ABSOLUTO.

II) A MATANÇA DOS CANANEUS (DT 7:1-2; 20:16-18), OS SALMOS IMPRECATÓRIOS (35,
69, 109, 137), ETC: MOSTRAM UM DEUS SOBERANO, SANTO, E JUSTO, QUE PODE USAR
HOMENS PARA EXECUTAR SEUS DESÍGNIOS.
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Strong diz que os salmos imprecatórios são “não a ebulição de ódio pessoal, mas a expressão de
indignação judiciosa contra os inimigos de Deus”, e que a destruição dos cananitas “foi
simplesmente cirurgia benevolente que amputou um membro pútrido, e assim salvou a vida
religiosa da nação hebraica e do mundo posterior”.

A BÍBLIA É A CORPORIFICAÇÃO DA REVELAÇÃO DE DEUS:

DECLARAÇÕES DA PRÓPRIA BÍBLIA:


A Bíblia é absolutamente genuína e confiável em tudo que podemos checar com fatos (ver seções
“genuinidade” e “confiabilidade da Bíblia”)!

Portanto, como é natural até nas relações diplomáticas e comerciais, somos justificados em
aceitar o que ela diz de si mesma, declarando-se no V. T. (mais de 3800 vezes: Êx 14:1; Is 43:1;
Ez 1:3) e no N. T. (1 Co 14:37; Gl 1:11-12; Hb 2:1-4; 2 Pe 3:2; 1 Jo 5:10; Ap 22:18-19) como a
corporificação da revelação de Deus. 2 Tm 3:16-17; 2 Pe 1:20-21.

ARGUMENTOS:

a) ARGUMENTO “A PRIORI” (prova que tem que haver uma Bíblia Divina, mas ainda não
prova que é a nossa):
O homem é depravado e não pode ir a Deus. Deus é bom, amor, misericórdia, graça, ...
Portanto, esperar-se-ia que Deus se revelasse e corporificasse Sua revelação.

b) ARGUMENTO DA ANALOGIA: (EXIGE HAVER UMA BÍBLIA DIVINA, MAS AINDA


NÃO PROVA QUE É A NOSSA):
HOMENS ± “BONS” COMUNICAM VERDADES AOS QUE A NECESSITAM. DEUS É
INFINITAMENTE BOM AT 14:15-17. PORTANTO, SEGURAMENTE DEUS SE REVELOU E
CORPORIFICOU SUA REVELAÇÃO.

c) A SINGULAR E ESPANTOSA INDESTRUTIBILIDADE DA BÍBLIA:

O tempo não afeta Bíblia. É o livro mais antigo do mundo e ao mesmo tempo o
mais moderno. Em mais de 20 séculos o homem não pôde melhorá-la. Se a Bíblia
fosse de origem humana em 20 séculos ela já estaria superada, ou seja, desatualizada.
Uma vez que o homem moderno se farta de tanto saber, era de se esperar que já
tivesse produzido uma Bíblia melhor! Para o salvo isto é uma evidência da Bíblia
como a Palavra imutável de Deus.

Mesmo sob a mais tenaz/variada, violenta/sutil perseguição já vista, a Bíblia nunca foi
destruída! Portanto ela tem que ser divina.
(“Os malhos se amassam-despedaçam, mas a bigorna permanece”).
O ataque satânico contra a palavra de Deus remonta o Jardim do Éden. A primeira
intervenção de Satanás na História foi adulterando e pondo dúvida na Palavra de Deus: nascia a
primeira Bíblia na Linguagem de Hoje! O primeiro pecado de Eva foi o de aceitar a suposta palavra
de Deus "modernizada" da boca do Diabo.

"ORA, a serpente era mais astuta que todas as alimárias do campo que o SENHOR Deus tinha feito.
E esta disse à mulher: É assim que Deus disse?: Não comereis de toda a árvore do jardim?"
(Gn 3:1 - ACF)
32
Repare que quem fica a ganhar com esta controvérsia Bibliológica, é o pai da mentira; e não
o povo de Deus.
Séculos mais tarde, Satanás recorreu novamente às Escrituras para tentar o Mestre Jesus em
Mateus 4:1-11.
Os imperadores romanos descobriram que os cristãos baseavam sua crença nas Escrituras.
Conseqüentemente, buscaram suprimi-las ou exterminá-las. O mais notável foi Dioclécio que,
através de um decreto real em 303 A. D., ordenou que todos os exemplares da Bíblia fossem
queimados. Ele havia matado tantos cristãos e destruído tantas Bíblias que, quando os cristãos
ficaram quietos por algum tempo e permaneceram escondidos, ele achou que havia realmente
conseguido eliminar as Escrituras. Ele fez com que em uma medalha fosse gravada a seguinte
inscrição: “A religião cristã está destruída e o culto aos deuses restaurado”. Entretanto, não demorou
muito para que Constantino subisse ao trono e fizesse do cristianismo a religião oficial. O que diria
Dioclécio se pudesse voltar a terra e ver como a Bíblia tem prosseguido em sua missão mundial!
Durante os dois séculos em que o Papado teve poder absoluto na Europa Ocidental (1073-
1294), os estudiosos passaram a colocar o credo acima da Bíblia. Enquanto que a maioria deles
ainda procurava o apoio das Escrituras para o credo, alguns deles se apegavam a revelações
posteriores, transmitidas apenas pela tradição, e não tão dependentes nos ensinamentos da Bíblia.
Fisher diz que durante este período: “a leitura da Bíblia por parte dos leigos ficou sujeita a tantas
restrições, especialmente após a ascensão ao poder dos Valdenses, que, se não era absolutamente
proibida, era vista com graves suspeitas”. (George P. Fisher, História da Igreja Cristã, pg. 219).
Muitos meios foram usados para que a Bíblia ficasse restrita ao pequeno círculo dos
sacerdotes, padres, bispos e papas. Dentre as medidas para conter o avanço da Palavra de Deus,
estão as seguintes:
1) Em 1229, o Concílio de Toulouse (França), o mesmo que criou a diabólica Inquisição,
determinou: “Proibimos os leigos de possuírem o Velho e o Novo Testamento... Proibimos ainda
mais severamente que estes livros sejam possuídos no vernáculo popular. As casas, os mais
humildes lugares de esconderijo, e mesmo os retiros subterrâneos de homens condenados por
possuírem as Escrituras devem ser inteiramente destruídos. Tais homens devem ser perseguidos e
caçados nas florestas e cavernas, e qualquer que os abrigar será severamente punido.” (Concil.
Tolosanum, Papa Gregório IX, Anno Chr. 1229, Canons 14:2). Foi este mesmo Concílio que
decretou a Cruzada contra os albigenses. Em “Acts of Inquisition, Philip Van Limborch, History of
the Inquisition, cap. 08, temos a seguinte declaração conciliar: “Essa peste (a Bíblia) assumiu tal
extensão, que algumas pessoas indicaram sacerdotes por si próprias, e mesmo alguns evangélicos
que distorcem e destruíram a verdade do evangelho e fizeram um evangelho para seus próprios
propósitos... (elas sabem que) a pregação e explanação da Bíblia são absolutamente proibidas aos
membros leigos”.
2) No Concílio de Constança, em 1415, o santo Wycliffe, protestante, foi postumamente
condenado como “o pestilento canalha de abominável heresia, que inventou uma nova tradução das
Escrituras em sua língua materna”.
3) O Papa Pio IX, em sua encíclica “Quanta cura”, em 8 de dezembro de 1866, emitiu uma
lista de oito erros sob dez diferentes títulos. Sob o título IV ele diz: “Socialismo, comunismo,
sociedades clandestinas, sociedades bíblicas... pestes estas devem ser destruídas através de todos os
meios possíveis”.
4) Em 1546 Roma decretou: “a Tradição tem autoridade igual à da Bíblia”. Esse dogma
está em voga até hoje, até porque existe o dogma da “infalibilidade papal”. Ora, se os dogmas,
bulas, decretos papais e resoluções outras possuem autoridade igual à das Sagradas Escrituras, os
católicos não precisam buscar verdades na Palavra de Deus.
5) O Papa Júlio III, preocupado com os rumos que sua Igreja estava tomando, ou seja,
perdendo prestígio e poder diante do número cada vez maior de “irmãos separados” ou “’cristãos
novos” ou “protestantes” (apesar dos massacres), convocou três bispos, dos mais sábios, e lhes
confiou a missão de estudarem com cuidado o problema e apresentarem as sugestões cabíveis. Ao
final dos estudos, aqueles bispos apresentaram ao papa um documento intitulado “DIREÇÕES
CONCERNENTES AOS MÉTODOS ADEQUADOS A FORTIFICAR A IGREJA DE ROMA”. Tal
33
documento está arquivado na Biblioteca Imperial de Paris, fólio B, número 1088, vol. 2, págs 641 a
650. O trecho final desse ofício é o seguinte:
“Finalmente (de todos os conselhos que bem nos pareceu dar a Vossa Santidade, deixamos
para o fim o mais necessário), nisto Vossa Santidade deve pôr toda a atenção e cuidado de permitir o
menos que seja possível a leitura do Evangelho, especialmente na língua vulgar, em todos os países
sob vossa jurisdição. O pouco dele que se costuma ler na Missa, deve ser o suficiente; mais do que
isso não devia ser permitido a ninguém.
Enquanto os homens estiverem satisfeitos com esse pouco, os interesses de Vossa Santidade
prosperarão, mas quando eles desejarem mais, tais interesses declinarão. Em suma, aquele livro (a
Bíblia) mais do que qualquer outro tem levantado contra nós esses torvelinhos e tempestades, dos
quais meramente escapamos de ser totalmente destruídos. De fato, se alguém o examinar
cuidadosamente, logo descobrirá o desacordo, e verá que a nossa doutrina é muitas vezes diferente
da doutrina dele, e em outras até contrária a ele; o que se o povo souber, não deixará de clamar
contra nós, e seremos objetos de escárnio e ódio geral. Portanto, é necessário tirar esse livro das
vistas do povo, mas com grande cuidado, para não provocar tumultos” - Assinam Bolonie, 20
Octobis 1553 - Vicentius De Durtantibus, Egidus Falceta, Gerardus Busdragus.
Durante a época da Reforma, quando a Bíblia foi traduzida para a língua do povo, a igreja
Católica Romana impôs severas restrições à sua leitura, alegando que as pessoas eram incapazes de
interpretá-la. Tinha-se que obter permissão para lê-la, mas mesmo quando essa permissão era dada,
era com a condição de que o leitor não tentasse interpretá-la por si só. Muitos deram suas vidas pela
simples razão de serem seguidores de Cristo e colocarem sua confiança nas Escrituras.
Newman diz: “Um esforço persistente foi feito pelos romanizantes para eliminar a Bíblia
inglesa. Em 1543, um decreto foi passado proibindo terminantemente o uso da versão de Tyndale, e
qualquer leitura das Escrituras em assembléias, sem a permissão real”. (A. H. Newman, Um
Manual da História da Igreja, pág. 262). A princípio, foram feitas tentativas de proibir a impressão
de sua Bíblia; e quando ele finalmente publicou seu Novo Testamento em Worms, teve que
despachá-lo para a Inglaterra em engradados de mercadorias. Quando os livros chegaram à
Inglaterra, foram comprados em grandes quantidades pelas autoridades eclesiásticas e queimados
em Londres, Oxford e Antuérpia. Dos 18.000 exemplares que se estima terem sido impressos entre
1525-1528, sabe-se que apenas dois fragmentos restaram.
É interessante notar, com respeito ao que foi acima citado, que Voltaire, o famoso infiel
francês que morreu em 1778, predisse que em 100 anos, a partir de sua época, o cristianismo estaria
extinto. Mas, em vez disso, apenas 25 anos após sua morte, a Sociedade Bíblica Inglesa e
Estrangeira foi fundada, e as mesmas impressoras que haviam imprimido a literatura infiel de
Voltaire têm sido usadas, desde então, para imprimir a Bíblia!
Como se pode ver, nem decreto imperial, nem restrições papais, nem destruição eclesiástica,
conseguiram exterminar a Bíblia. Quanto maiores os esforços feitos para levar a cabo tal destruição,
maior tem sido a circulação da Bíblia.
Todos esses maléficos expedientes usados para eliminar, alterar ou suprimir as Sagradas
Escrituras não conseguiram êxito. A Bíblia é o livro mais vendido e mais lido em todo o mundo e
está traduzido para quase 2.000 línguas e dialetos. Só no Brasil são vendidos por ano mais de quatro
milhões de bíblias, afora uns 150 milhões de livros com pequenos trechos (bíblias incompletas).
Os reflexos desses expedientes, ou seja, as tentativas de algemar a Palavra de Deus, ainda
hoje são sentidos. No Brasil são poucos os católicos que se dedicam à leitura da Bíblia. Regra geral,
se contentam “com o pouco que lhes são oferecido na missa”, e enquanto se contentam com esse
pouco (como sugeriram aqueles bispos ao papa, item 5 retro) continuam errando. “ERRAIS, NÃO
CONHECENDO AS ESCRITURAS, NEM O PODER DE DEUS”. (Mateus 22.29)
Com o passar dos séculos, o ataque satânico ficou mais bem elaborado, usando supostos
crentes e sociedades Bíblicas. Nasciam as "versões", com textos manipulados e com técnicas de
tradução traidoras do texto original como é o caso da equivalência dinâmica. Veremos porque a
versão King James, conhecida como a “Versão do Rei Tiago” (e sua equivalente no português – A
Almeida Corrigida FIEL) é muitíssimo superior às versões modernas as quais devem ser rejeitadas
pelos crentes sérios.
34
A mais recente tentativa de roubar a autoridade da Bíblia é o esforço modernista para
degradá-la até o nível de todos os outros antigos livros religiosos. Se a Bíblia tem que estar em
circulação, então tem que ser demonstrado que ela não tem autoridade sobrenatural. Os crentes
verdadeiros, entretanto, reconhecem logo este estratagema de Satanás, e apesar de tudo que é feito
para enfraquecer as Escrituras, a Bíblia é hoje encontrada em mais de 1000 línguas no mundo. O
fator da indestrutibilidade da Bíblia pesa fortemente em favor de ser ela a incorporação de uma
revelação divina.

“Eu sei que tudo quanto Deus faz durará eternamente; nada se lhe deve
acrescentar, e nada se lhe deve tirar; e isto faz Deus para que haja temor diante
dEle.” (Ec 3:14 - ACF)

Pink diz: “Quando pensamos no fato da Bíblia ter sido objeto especial de infindável perseguição, a
maravilha da sua sobrevivência se transforma em milagre... Por dois mil anos, o ódio do homem
pela Bíblia tem sido persistente, determinado, incansável e assassino. Todo esforço possível tem
sido feito para corroer a fé na inspiração e autoridade da Bíblia, e inúmeras operações têm sido
levadas a efeito para fazê-la desaparecer. Decretos imperiais têm sido passados ordenando que todas
as cópias existentes da Bíblia fossem destruídas, e quando essa medida não conseguiu exterminar e
aniquilar a Palavra de Deus, ordens foram dadas para que qualquer pessoa que fosse encontrada
com uma cópia das Escrituras fosse morta. O próprio fato de ter a Bíblia sido o alvo de tão
incansável perseguição, nos faz ficar maravilhados diante de tal fenômeno”. (Arthur W. Pink, The
Divine Inspiration of the Bible – págs. 113/114.

No tempo de Esdras, parecia que todas as Bíblias tinham sido destruídas, mas logo se
acharam 2 cópias, preservadas por Deus, e logo havia incontáveis Bíblias!
Na casa do ateu Voltaire, que apregoava: “Deus morreu”, hoje funciona grande
impressora de Bíblias! Etc.

TRANSCENDENTE CARÁTER

a) O padrão moral da Bíblia é tão inatingível e condenador, que não pode ser, senão Divino
(Êx 20; Lv 20:7; Mt 5:21-22, 27-28 [ou 20-48]; Tg 2:10). Contraste com outros “livros sagrados”
(Os deuses grego-romanos, os dos egípcios, cananeus, tupis-guaranis...!

b) A unidade única e perfeita da Bíblia prova: seu autor é Deus.


Embora escrita por uns 40 homens, de umas 19 ocupações diferentes, em 11 países, durante
pelo menos 1500 anos, em uns 10 gêneros literários, escritores não conhecendo muitos ou todos os
outros, a Bíblia é clara e espantosamente UM livro!
Que contraste com os “outros livros sagrados”, que essencialmente são coleções de material
heterogêneo, sem começo, meio ou fim, inúmeras vezes discordantes!

OBSERVAÇÕES:

1) O sentido de cada palavra ou conceito é sempre o da sua primeira menção (“amor” Gn 22:2 +
Jo 3:16); Os “tipos” ou “sombras” do V. T. casam perfeitamente com o “Corpo” no N. T. (serpente
de bronze Nm 21:6 + Jo 3:14-15; Cordeiro pascal)!
2) O 1o e o último livro da Bíblia se encaixam de modo assombroso !!!:
35
GÊNESIS APOCALIPSE
Gn 1:1 céu e terra, temporários Ap 21:1 novo céu e nova terra, eternos
1:27-28 primeiro Adão (com esposa, no21:9 último Adão (com a noiva, na cidade de Deus),
jardim do Éden), reina sobre a terra reina sobre universo
1:10 mares 21:1 “e o mar não mais existe”
1:5, 16 sol e lua, dia e noite 21:23 nenhum sol, lua, nem noite; o Cordeiro é o eterno
sol, luz, dia!
3:22 a árvore da vida é negada aos caídos 22:2 folhas da árvore da vida darão saúde e cura às
nações
3:17 “maldita é a terra” 22:3 não existirá mais maldição
3:1 aparece Satanás, para atormentar o20:10 desaparece Satanás, para ser atormentado ele
homem, temporariamente mesmo, para sempre.
7:12 a antiga terra foi punida pelo dilúvio 21:1 (+2Pe 3:6-12) a nova terra será purificada pelo
fogo
2:10 lar à beira de rio 22:1 lar eterno à beira de rio
19 Deus retira cidade terrestre, Sodoma, do21:1 Deus traz cidade celestial, a Nova Jerusalém, dos
solo céus
23:2 Abraão chora por esposa, morta 21:4 Deus enxugará todas lágrimas da noiva (cada
salvo, eternamente vivo)
50:1-3 Gn termina com um crente, morto,21:4 Ap termina com todos crentes, vivos, de pé na
jazendo no Egito, num caixão eternidade, reinando para sempre.

c) A precisão histórica da Bíblia é única e perfeita!

No final do século XIX alguns pseudo-cientistas ridicularizaram a Bíblia, afirmando que


continha “centenas de disparates históricos”. Mas, com o extraordinário avanço da Arqueologia, os
zombadores têm sido sufocados por cada pá dos escavadores.

Tem sido comprovado, por exemplo:


• A universalidade da crença num dilúvio universal (Épico de Gilgamesh;
nativos da Nova Guiné, etc.);
• A existência e súbita destruição (2000 a. C.) das populosas Sodoma e
Gomorra (sob o Mar Morto?);
• Os tijolos sem palha e a morte dos primogênitos, no Egito;
• Os muros de Jericó caídos para fora (!);
• Um arrependimento para monoteísmo em Nínive;
• A existência de Dario;
• A seqüência dos reis das nações citadas; etc.

SUPERNATURAL PRECISÃO CIENTÍFICA:

A Terra é um esferóide Is 40:22 suspenso no vazio Jó 26:7.


A primeira Lei da Termodinâmica Hb 4:3, 10 e a segunda das mais universais leis da ciência
Sl 102:26 (serão abolidas Ap 21:1-5); Vida só vem de vida, e do mesmo tipo Gn 1:21. (Vide quadro
abaixo).
36
Integridade topográfica e geográfica:

As descobertas arqueológicas provam que os povos, os lugares e os eventos


mencionados nas Escrituras são encontrados justamente onde as escrituras os
localizam no local exato e sob as circunstâncias geográficas exatas, descritas na
Bíblia.
“O Dr. Kyle diz que os viajantes não precisam de outro guia além da Bíblia
quando descem pela costa do mar vermelho, ao longo seguido no Êxodo, onde a
topografia corresponde exatamente à que é dada no relato Bíblico”.

OBSERVAÇÕES:

a) O objetivo de Deus na Bíblia não foi o de nos dar um livro texto científico perfeito e completo,
abrangendo Física, Astronomia, Biologia, etc. Mas sempre que o Criador fala da Sua criação, o faz
de modo infalível e perfeito.

Alguns exemplos:

Texto na Bíblia Fato científico implicado pela Ciência do homem:


Bíblia
Is 40:22 A Terra é esférica 540 a. C.: um grego conjeturou; foi rejeitado.
15?? Magalhães demonstrou.
Jó 26:7 A Terra paira no espaço 1687 Newton explicou como a gravidade do sol
era equilibrada pela força centrífuga da rotação da
terra.
Gn 15:15As estrelas são incontáveis 150 d. C. Ptolomeu errou: “há exatamente 1056
(Jr 33:22; Hb estrelas”. Outros erraram, mas cada vez chegam
11:12) mais perto de reconhecer o que Deus disse.
2Sm 22:16; Jn 2:6 Há montanhas e canyons no1880 Oceanografia surgiu, chumbadas
leito do mar descobriram.
Gn 7:11; 8:2;Há fontes d’água no leito do1948 Batiscafos descobriram
Pv 8:28 mar
Sl 8:8 Há correntes, caminhos no mar 186? Matthew Fontaine Maury, ministro da
Marinha americana, movido pela Bíblia, descobre
correntes, premiando quem achasse garrafas
semeadas por navios.
Jó 26:8; 36:27-28;A água segue “ciclo17?? Cientistas entenderam
37:16; 38:25-27;hidrológico”
Sl 135:7; Ec 1:6-7 (mar®nuvem®chuva®rio®mar
)
Gn 1:21; 6:19 Vida só vem de vida. E da1862 Pasteur mostrou que moscas não se
mesma espécie “geravam espontaneamente”: vida só vem de vida.
1865 Mendel provou: vida só vem da mesma
espécie.
Lv 17:11 A vida da carne está no sangue 18?? Abandonou-se o conceito de que “sangue
excessivo é a raiz de todas as doenças”, que
matou milhões de pessoas (por exemplo: George
Washington), com sangrias!...
Gn 2:1-3; Sl 33:6-“No universo, nada se cria,177? Lavoisier formula a 1ª Lei da
37
9; 102:25; Hbnada se perde. Tudo apenas seTermodinâmica, uma das 2 leis mais universais da
4:3,10 transforma” ciência
Sl 102:26; Rm“Em tudo há aumento da18?? É formulada a 2ª Lei da Termodinâmica, uma
8:18-23; Hb 1:10-entropia, da degradação, dodas 2 leis mais universais da ciência
12 caos, da morte do universo”

Is 65:17; 66:22;A 2ª Lei da Termodinâmica, aSó assim o universo permanecerá eternamente


2Pd 3:13; Aptendência à degradação, não
21:1-5 existirá na nova criação, que,
assim, será perfeita, eterna,
eternamente perfeita
Lv 13, 14 Há contágios. A prevenção é- No tempo de Moisés, o Papiro Ebers (“o máximo
total quarentena (doençasda ciência”) receitava: sangue de lagarto, dente de
passageiras) e isolamentoporco, carne e banha podres, cera de ouvido de
(doenças como a lepra) porco, excrementos humanos, etc.
- Só houve vitória contra a lepra, etc., obedecendo-
se à Bíblia.
Dt 23:12-13 Isolar e dar rapidíssimo sumiçoaté 1790: todos excrementos eram lançados e
aos excrementos ficavam nas ruas, mesmo nas capitais e côrtes!
Lv 7:22-27 Evitar certas carnes e misturas 1960: descoberto que causam colesterol, etc.
Lv 15:7, etc. Purificação (meticulosa!) pelaaté 1900: até cirurgiões eram sujos, não
água praticavam/ensinavam higiene, 17% das grávidas
que entravam no melhor hospital do mundo (em
Viena) morriam de infecção! Ainda hoje,
purificação salva mais que todos os remédios
juntos.
Gn 17:12 Circuncisão ao 8º dia 1946: descobriu-se que circuncisão controla
câncer cervical. Depois, que, até o 5º dia de vida, a
criança não produz vitamina K, e a circuncisão
traria perigosa hemorragia. Do 7º dia em diante a
produção de vitamina K normaliza-se. No 8º dia, o
nível de protombina alcança o máximo de toda a
vida. O dia ideal.

b) Contraste com os disparates da falsa ciência:

1. A Biblioteca do Louvre tem 7 km de livros científicos obsoletos!


99,99...% de todos os livros científicos com mais de 50 anos estão estufados de
erros, hoje unanimemente reconhecidos.
2. Em 1861, a Academia Francesa de Ciência listou 51 “fatos científicos
indiscutíveis que fazem a Bíblia inaceitável.”. Hoje, esses 51 “fatos” é que são
ridicularizados pela própria ciência!

c) Contraste com os inúmeros disparates científicos presentes em todos os outros livros ditos
sagrados:

1. O livro dos Vedas ensina: a Lua está 50000 léguas mais alta que o Sol, e brilha por sua
própria luz; ... ; a Terra é chata, triangular, e composta de 7 camadas: a 1ª de mel, a 2ª de açúcar, a 3ª
38
de manteiga, a 4ª de vinho, etc., tudo sobre as cabeças de incontáveis elefantes, os quais, ao
tropeçarem, provocam terremotos!!!
2. Livro dos Egípcios: um gigantesco ovo foi chocado, mas tendo asas, fugiu, e depois
dividiu-se, redividiu-se, etc., formando o universo. O sol é um mero reflexo da luz da Terra. Os
homens surgiram de vermezinhos brancos que pululam no lodo deixado pela inundação do Nilo.

ASSOMBROSA (!) PRECISÃO PROFÉTICA


(para mim [o autor deste estudo], este é o argumento esmagador): A Bíblia é singular - tem muitas
centenas de profecias detalhadas e “impossíveis”, mas todas as que deviam ser cumpridas o foram
literalmente! Is 46:9-10; 2 Pe 1:19:

a. Profecias sobre centenas de nações: Exemplos: Tiro destruída Ez 26:4-5, 14, mas Egito só
humilhada, rebaixada Ez 29:15; tão minuciosas são as correspondências de Dn 11 (534 a.C.) com a
História, que anti-supernaturalistas, sem prova nenhuma, o picham como mera História, escrita após
168 a.C., relatando fatos que já teriam ocorrido “no passado” !!!...
b. Profecias sobre o milagre da indestrutibilidade de Israel: (TODAS AS OUTRAS NAÇÕES
ESPALHADAS DESAPARECERAM!) Gn 12:1-3; 15:5 versus Jr 30:11; Lv 26:44; Is 11:11-12;
Jr 31:35-36; 46:28; Ez 37:21; Mt 24:34; Rm 11:1-5; 25-32.
c. Profecias sobre a História de Israel: Israel teve profetizada sua dispersão (Lv 26:33;
Dt 28:15, 64-65 (ou 15-68); Jr 15:4; 16:13; 24:9; Os 3:4; 9:17). Primeiro seria dispersa só a parte de
Israel (1 Rs 14:15; Is 7:6-8; Os 1:6-8). Depois, Judá seria dispersa (Is 39:6; Jr 25:9-12). 70 (Setenta)
anos depois, Judá seria parcialmente restaurada (Mq 1:6-9 versus Jr 29:10-14). Até o nome de Ciro,
o rei Persa que restauraria Judá, foi previsto com 120 anos de antecedência !!! (Is 44:28-45:1).
d. Profecias sobre a seqüência dos impérios mundiais (Dn 7);
e. Profecias sobre a 1ª vinda de Cristo, todas (mais de 90 explícitas) literalmente cumpridas!:
montado num jumento (Zc 9:9-10), entrada em Jerusalém em “6 de Abril de 32” (Dn 9:24-26 +
calendário). Por exemplo: Em cerca de 538 a. C. (Dn 9:24-27), Daniel, o profeta, predisse que Jesus
viria como o Salvador e Príncipe prometido para Israel exatamente 483 anos depois que o
imperador persa desse aos judeus permissão para reconstruir a cidade de Jerusalém que estava em
ruínas nesta época. Essa profecia foi clara e definitivamente cumprida no tempo exato; espantosos
detalhes da crucificação (Sl 22:14-18); ossos (Sl 34:20); fel (Sl 69:21); transpassado (Is 53:4-6;
Zc 12:10); ressurreição (Sl 16:10; 30:3, 9; 40:1-2; Is 53:1; Os 6:2).
f. Profecias sobre os últimos dias [do domínio dos gentios sobre o local do templo Lc 21:24]:
Uniformitarianismo evolucionista 2 Pe 3:3-4. Tremendas: multiplicação das viagens e ciência
Dn 12:4; disparidade e tensão sócio-econômica Tg 5:1-6; degradação moral Lc 17:26-37;
2 Tm 3:1-7; apostasia religiosa 2 Pe 2:1; 3:3-4; 2 Tm 3:7; 4:4; demonismo Mt 24:24; 1 Tm 4:1. OS
SINAIS DE: CATACLISMAS E TRIBULAÇÕES Mt 24:3-8; o progresso do conhecimento e das
viagens nos últimos tempos (Dn 12:4); CONFEDERAÇÃO DE DEZ DEDOS-NAÇÕES
REVIVENDO O IMPÉRIO ROMANO Dn 7:19-24; RUSSOS E ÁRABES JUNTANDO-SE
CONTRA ISRAEL Ez 28:1-6; ENORME EXÉRCITO ORIENTAL, CONTRA ISRAEL Ap 16:12.

g. Análise probabilística:

A probabilidade composta de apenas (!) as profecias do primeiro advento


(nascimento de Jesus Cristo) terem se cumprido por acaso é muitíssimo menor
que 1/10300, comparável a um macaco, brincando, por acaso (!) acertar na
primeira tentativa o número telefônico do presidente de cada país no mundo !!!
A probabilidade de Mq 5:2 ter acertado o local do nascimento de Jesus
Cristo por acaso é de (1/12 tribos) x (1/200 cidades em Judá) = 1/2.400; tomemo-
la apenas como 1/2.000. A probabilidade de Dn 9:24-26 ter acertado a data de
entrada de Cristo em Jerusalém por acaso é de 1/(2.500 anos x 365 dias) =
39
1/900.000. A probabilidade composta desses 2 eventos é de (1/2.000) x (1/900.000)
= (1/1.800.000.000).
A BÍBLIA É GENUÍNA (Autêntica)
(cada livro foi escrito pela pessoa e na época que lhe são tradicionalmente atribuídos, não foi
falsificado, não é espúrio, forjado, corrompido)

OBS: Tradição firme entre os fiéis e conservadores judeus e os crentes: (tradição indisputada
quanto à genuinidade e quanto aos autores, conforme abaixo indicados. Só há variação quanto a
alguns pouquíssimos anos da data exata de alguns dos livros):

A LEI – O PENTATEUCO (Torah) FOI ESCRITA POR MOISÉS (SÉCULO XV a. C.):

Gn (1491 a.C.), Ex (1491 a.C.), Lv (1490 a.C.), Nm (1451 a.C.), e Dt (1451 a.C.), foram escritos
por Moisés.

Possibilidade: já na época de Hammurabi se escrevia; Moisés pode ter recebido todo o livro
de Gênesis por revelação direta de Deus; ou ter compilado os tabletes escritos diretamente por Deus
(a partir de 1:1), e aqueles, divinamente inspirados, escritos por Adão (a partir de 2:4), Noé
(de 5:1); Sem (10:1); Abraão (11:10); Isaque (25:12); Jacó (37:2); e José (50:6).

PROVAS:

• NO PENTATEUCO: Êx 17:14 + 24:4; 34:27-28.


• NO V. T.: Js 8:31; 23:6; 1 Rs 2:3; 2 Rs 14:6; Ne 13:1; Dn 9:11.
• POR CRISTO: Mt 8:4; Lc 16:29; 24:27; Jo 5:45-47.
• NO N.T.: At 15:21; 1 Co 9:9; Hb 9:19.

O AUTOR, OBVIAMENTE, FOI TESTEMUNHA OCULAR DO ÊXODO. COSTUMES E


PALAVRAS SÃO DO EGITO, 2000 a. C.

A descendência abençoada de Noé - seu filho Sem:

Noé tinha três filhos: Sem, Cão e Jafé, que depois de deixarem a arca, foram
para diferentes regiões. Sem permaneceu na Ásia, Cão foi para a África e Jafé para a
Europa.
De Sem nasceu um povo que continuou explorando as terras imediatas ao
berço da civilização. Desse povo é que descende o grande amigo de Deus – Abraão,
“o pai dos hebreus”.
Sem foi o INTERMEDIÁRIO: nasceu 120 anos antes do dilúvio, conheceu a
Noé, seu pai, a Lameque, seu avô (que conviveu com Adão 50 anos) e a Matusalém,
seu bisavô (que conviveu com Adão por 250 anos).
Noé viveu até ao tempo de Abraão e Sem chegou a alcançar o tempo de Jacó.
Esses fatos demonstram a maneira pela qual os conhecimentos históricos do princípio
da raça foram comunicados às gerações posteriores.
40

OS PROFETAS (NEBHIIM = “Isaías”):

Js 1427 a.C. Josué. Js 24:26. Eleazar ou seu filho Finéias podem, inspirados,
ter concluído 24:29-33.
Jz 1080! a.C., tempoSamuel. Jz 19:1; 21:25 // 1:21; 2 Sm 5:6-8.
de Saul
1 Sm 1-24 1060 a.C. Samuel. 1 Cr 29:29
1 Sm 25, 2 Sm1018 a.C. Natan + Gad. 1 Cr 29:29
fim
1 Rs 1-11 1004 (ou, menosCronistas (ou, menos conservador, Jeremias ou seu
conservador, contemporâneo), selecionados por Jeremias ou seu
Jeremias, 590) a.C. contemporâneo.
1 Rs 12-fim 897 (ou, menosCronistas (ou, menos conservador, Jeremias ou seu
conservador, contemporâneo), selecionados por Jeremias ou seu
Jeremias, 590) a.C. contemporâneo.
2 Rs 1004 (ou, menosCronistas (ou, menos conservador, Jeremias ou seu
conservador, contemporâneo), selecionados por Jeremias ou seu
Jeremias, 590) a.C. contemporâneo.
Is 698 a.C. Isaías. 2 Cr 32:32 // 2 Cr 26:22 // Is 1:1 // Mt 8:17 + Is 53:4; Lc
4:17-19 + Is 61:1; Jo 12:38-41 + Is 53:1 + 6:10. Cristo atestou a
genuinidade de Is.
Jr 588 a.C. Jeremias. Jr 30:2; 51:60; Baruque foi seu amanuense Jr 36 +
45:1.
Ez 574 a.C. Ezequiel. 24:2; 43:11
Hc 626 a.C. Habacuque. 2:2
Os 740 a.C. Oséias
Jl 800 a.C. Joel
Am 787 a.C. Amós
Ob 587 a.C. Obadias
Jn 862 a.C. Jonas
Mq 750 a.C. Miquéias
Na 713 a.C. Naum
Sf 630 a.C. Sofonias
Ag 520 a.C. Ageu
Zc 520 a.C. Zacarias
Ml 397 a.C. Malaquias

OS ESCRITOS (KETHUBHIM = Hagiographa = “Salmos”):

Sl diversas datas, de ±73 Salmos por Davi (2 Cr 35:4); 2 por Salomão, 12 por Asafe;
1491 a ± 480 a.C. 11 pelos filhos de Coré; 1 por Etan; 1 por Moisés; 50
anônimos.
Pv 1-29 1000 a.C. Salomão: Pv 1-24 ele escreveu e publicou; Pv 25 a 29 foram
copiados dos seus escritos, pelos servos de Ezequias, ± 700
41
a.C.; Pv 30 foi escrito por Agur, mas Salomão, inspirado, o
selecionou como inspirado, e o publicou; Pv 31 foi escrito por
“Rei Lemuel” , mas Salomão, inspirado, também o selecionou
como inspirado e publicou; ou, mais provável porque não há
registro deste “Rei Lemuel”, provavelmente ele é Salomão.
Lemuel (= “Dedicado a Deus”) seria carinhoso “apelido”
usado só pela mãe ao lhe falar, e perdido com o tempo.
Jó Antes da Lei.Jó. Não se refere à Lei, nem sequer a Abraão e à aliança
Provavelmente +-abraâmica, deve ser o livro mais antigo da Bíblia, pode ser mais
2000 a. C. ! antigo que os mais antigos hieróglifos! Algo da sabedoria do
mundo pré-diluviano pode ter sido transmitida a Jó.
Ct 1013 a.C. Salomão. Ct 1:1.
Rt 1060 a.C. Contemp.Samuel.
de Davi. Rt 4:22
Lm 588 a.C. Jeremias.
Ec 975 a.C. Salomão (Ec 1:1, 16; 2:4-11), não obstante alguns pequenos
problemas lingüísticos.
Et 509 a.C. Mordecai. Mas (ao menos cap. 10) pode ter sido escrito por
judeu seu contemporâneo e com acesso às crônicas dos reis da
Média e da Pérsia Et 2:23; 9:20; 10:2-4.
Dn 607 - 534 a.C. Daniel. 7:2; 8:1,15; 9:2; 10:2; 12:4; Mt 24:15.
Ed 457 a.C. Esdras. 7:28 + 7:1
Ne 434 a.C. Neemias. 1:1.
1 Cr Até 1015 (ou,Cronistas (ou, menos conservador, Esdras), selecionados por
menos conservador,Esdras. 1, 2 Rs lidam com os aspectos proféticos da história,
antes de Esdras 450-1,2 Cr com os sacerdotais.
425 a.C.)
2 Cr 1-9 1004 (ou, menosCronistas (ou, menos conservador, Esdras), selecionados por
conservador, antesEsdras. 1, 2 Rs lidam com os aspectos proféticos da história,
de Esdras 450-4251,2 Cr com os sacerdotais.
a.C.)
2 Cr 10-fim 623 a.C.

O NOVO TESTAMENTO:

Mt 38 (ou, pouco Mateus, em Grego, na Judéia (ou, pouco conservador, fora da Judéia, após
conservador: deixar a Palestina para pregar aos gregos, e após escrever este evangelho em
50) Aramaico, em 45 d.C.)
Mc 65 ou (67 a João Marcos.
68), de Roma
Lc 58 (ou 63), da Lucas, o médico amado
Grécia
Jó 85-90, da Ásia João 21:24. Alguns, inconformados com a ênfase na divindade de Cristo,
Menor afirmam que é espúrio e escrito após 160 ou mesmo 200 d.C. Mas não têm fatos,
só maus desejos. A descoberta do Papiro 52, com fragmento do capítulo 18 e
datado de somente 120 d.C., destrói a teoria.
At 64, da Grécia Lucas.
Rm 58, de Corinto Paulo. As pequenas mudanças de estilo nas epístolas pastorais são esperáveis!...
42
1 Co 56, de Éfeso Idem. Idem.
2 Co 57, da Idem. Idem.
Macedônia
Gl 52, de Corinto Idem. Idem.
ou Macedônia
Ef 61, de Roma Idem. Idem.
Fp 62, de Roma Idem. Idem.
Cl 62, de Roma Idem. Idem.
1 Ts 52, de Corinto Idem. Idem.
2 Ts 52, de Corinto Idem. Idem.
1 Tm 64, da Idem. Idem.
Macedônia
2 Tm 65, de Roma Idem. Idem.
Tt 64, da Idem
Macedônia ou
Grécia
Fl 62, de Roma Idem. Idem.
Hb 63, de Roma. Anônimo. Ninguém (Apolo, etc.) é mais provável que Paulo (Hb 13:23;
2 Pe 3:15); apoio da mais antiga e respeitável tradição.
Tg 49!, de Tiago. Um dos pelo menos 7 filhos de Maria, irmão de Jesus. É a mais antiga
Jerusalém das epístolas!
1 Pe 64, de Roma Pedro. Silvanus pode ter ajudado no estilo de 1 Pe (ler 5:12), daí as pequenas
diferenças quanto 2 Pe.
2 Pe 65, de Roma Pedro. Idem.
Jd 66, local Judas. Um dos pelo menos 7 filhos de Maria, irmão de Jesus.
indeterminado
1 Jo 69, da Judéia João. Pequenas diferenças de estilo são esperáveis, ou semelhantes às de Pedro.
2 Jo 69, de Éfeso João. Pequenas diferenças de estilo são esperáveis, ou semelhantes às de Pedro.
3 Jo 69, de Éfeso João. Pequenas diferenças de estilo são esperáveis, ou semelhantes às de Pedro.
Ap 96, de Patmos João. Pequenas diferenças de estilo são esperáveis, ou semelhantes às de Pedro.

OBS: Note que (Mt) foi escrito por Mateus, em grego. Alguns, inconformados com a ênfase na
divindade de Jesus Cristo, afirmam que (Jo) é espúrio e escrito após 200 d. C., mas não têm sequer
uma prova, só maus desejos (O Papiro 52, datado de 120, com trechos de João 18, esmigalha seus
desejos. Hebreus (Hb) foi escrito em 63, anonimamente (Por Paulo, cremos!). (1 Pe) pode ter
recebido o auxílio gramatical de Silvanus; pequenas diferenças no estilo de Pedro são esperáveis
pelos tempos (Ou mesmo “amanuenses-dialogadores” diferentes).

A BÍBLIA É CONFIÁVEL, VERÍDICA


[Um livro é confiável se relata veridicamente tudo aquilo de que trata].

O ANTIGO TESTAMENTO É CONFIÁVEL:

a) Os fatos da História, da Arqueologia, da Geografia e Topografia, sempre concordam


assombrosamente com a Bíblia! TODAS AS TEORIAS DESDENHADORAS DA BÍBLIA TÊM
SIDO DESTRUÍDAS PELOS FATOS.
43

Sabe-se que Salmanezer IV sitiou a cidade de Samaria, mas “o rei da Assíria”, que
sabemos ter sido Sargom II, carregou o povo para a Assíria (II Reis 17:3-6). A história mostra
que ele reinou de 722-705 a. C. Ele é mencionado pelo nome apenas uma vez na Bíblia
(Is 20:1). Nem Belsazar (Dn 5), nem Dario, o Medo (Dn 6), são mais considerados como
personagens fictícios.
Os hieróglifos egípcios indicam que a escrita já era conhecida mais de mil anos antes de
Abraão. A arqueologia também confirma o fato de Israel ter vivido no Egito, que o povo foi
escravo naquela terra e que ele finalmente saiu daquele país. O pesquisador John Garstang,
dá a data do êxodo como 1447 a. C. Os Hititas, cuja existência era posta em dúvida até
recentemente, foram mostrados como tendo sido um povo poderoso na Ásia Menor e na
Palestina, na mesma época indicada na Bíblia.
Descobertas arqueológicas também confirmam a veracidade do Novo Testamento.
Quirino (Lucas 2:2) foi governador da Síria duas vezes (16-12 e 6-4 a. C.), sendo que Lucas se
refere a esse último período. “Lisânias, o Tetrarca” é mencionado em uma inscrição no local
de Abilene na época a que Lucas se refere. Uma inscrição em Listra registra a dedicação da
estátua a Zeus (Júpiter) e Hermes (Mercúrio), o que mostra que esses deuses eram colocados
na mesma classe no culto local, conforme insinuado em Atos 14:12. Uma inscrição de Pafos faz
referência ao “procônsul Paulo”, que já foi identificado como o Sérgio Paulo de Atos 13:7.
OS TABLETES DE EBLA CONFIRMARAM A EXISTÊNCIA DE SODOMA E
GOMORRA, ETC.; ARQUEÓLOGOS MODERNOS TAPARAM AS BOCAS DOS QUE
ZOMBAVAM DA REALIDADE DE DARIO!; ETC.

Os Manuscritos do Mar Morto:

No ano de 1947, um pastor beduíno árabe, chamado Muhammad ad Dib, descobriu por
acaso, nas cavernas de Qumram, próximo ao Mar Morto, a mais preciosa coleção de Manuscritos do
Velho Testamento. Foram encontrados cerca de 823 manuscritos, sendo que a maior parte é de livros
bíblicos ou relacionados.
Essas descobertas trouxeram à luz textos que confirmam a exatidão da transmissão textual
do Antigo Testamento. É muito conhecido o caso do famoso Rolo do livro de Isaías, chamado
1QIsª, datado de 150-100 a.C., que era cerca de 1000 anos mais velho que os mais antigos
manuscritos até então existentes!
Os Manuscritos do Mar Morto foram escondidos nas cavernas de Qumram pelos essênios -
seita ascética judaica, durante a segunda revolução dos judeus contra os romanos em 132-135 d.C.
Os Manuscritos de Qumram são os mais antigos do mundo, conhecidos até o momento.
De todos os livros do Antigo Testamento foram encontrados em Qumram manuscritos
exceto do livro de Ester.
Um famoso teólogo do início do século XIX, F. C. Baur, dizia que o evangelho de João só
tinha sido escrito por volta do ano 160 d.C., negando a origem apostólica do documento. Mas no
século XX já se descobriu um fragmento do evangelho de João, no Egito, datado de 125 d.C.,
derrubando completamente a teoria daquele "erudito". Este papiro (tecnicamente conhecido como
Papiro 52), contém poucos versos do evangelho de João (18.31-33, 37-38), mas era o texto mais
antigo do Novo Testamento que conhecíamos e mostra que o evangelho que havia sido escrito
depois de 90 d.C. já tinha alcançado uma cidade do Egito em menos de 35 anos! É desta forma que
as descobertas recentes confirmam o relato e o texto da Bíblia.

b) Cristo onisciente reconheceu integralmente a inspiração do V.T.: Mt 5:17-18; Lc 24:27,


44-45; Jo 10:35b.
Ele endossou um grande número de ensinamentos, como verdadeiros: a criação do universo
por Deus (Mc 13:19); a criação direta do homem (Mt 19:4-5); a personalidade de Satanás e seu
44
caráter maligno (Jo 8:44); a destruição do mundo por um dilúvio (Lc 17:26-27); a destruição de
Sodoma e Gomorra e livramento de Ló (Lc 17:28-30); a revelação de Deus na sarça a Moisés
(Mc 12:26); Moisés como sendo o autor do Pentateuco (Mt 8:4; 19:7-8; Mc 7:10; 12:26; Jo 7:22-23,
Jo 5:47); o maná no deserto (Jo 6:32); a existência do tabernáculo (Lc 6:3-4); Jonas dentro da baleia
(Mt 12:39-40); a unidade de Isaías (Mt 8:17; Lc 4:17-18).

Em muito mais que 180 dos 1800 versos onde Jesus Cristo fala, Ele cita o V.T. !

O NOVO TESTAMENTO É CONFIÁVEL:

Seus escritores eram competentes, qualificados (humana e divinamente falando). Eles


(inclusive Paulo) foram testemunhas oculares de todo o ministério, morte e ressurreição de Cristo,
aprendendo diretamente dEle (Lucas foi companheiro de Paulo, fidelíssimo registrador do que viu,
e também do que os apóstolos viram e lhe ensinaram diretamente. Marcos foi o intérprete de Pedro,
segundo Papias e Irineu. Tiago e Judas eram irmãos do Senhor). Eram honestos (mesmo até o ponto
de darem suas vidas!). Foram investidos pelo Espírito Santo. Seus escritos harmonizam-se
perfeitamente uns com os outros, e sempre concordam com os fatos da História e da experiência.

(As “aparentes contradições entre Paulo e Tiago): Eles somente falam de pontos de vista
complementares: o que Deus vê e que os homens vêem; a verdadeira fé, que resulta em obras e
a fé falsa, que nada produz. Há progresso no desenrolar da doutrina dos evangelhos para as
epístolas e diferentes ênfases na revelação dos ensinos (por exemplo: do divórcio; dos cultos e
adoração; etc.), mas nunca contradição!

Os registros do N. T. estão de acordo com a História: o recenseamento quando Quirino era


governador da Síria (Lc 2:2); os Atos de Herodes o Grande (Mt 2:16-18); de Herodes Antipas
(Mt 14:1-12), de Agripa I (At 12:1); de Gálio (At 18:12-17); Agripa II (At 25:13 – 26:32), etc.

A BÍBLIA É CANÔNICA
[Um livro é canônico quando, desde o seu primeiro dia, foi aceito pelo povo de Deus como
divinamente inspirado, como realmente o é (Ver o item “Inspiração”)].

CÂNON do grego "kánon", e do hebraico "kaneh", regra; lista autêntica dos livros
considerados como inspirados.
SIGNIFICAVA ORIGINALMENTE “VARA DE MEDIR, DEPOIS “NORMA OU REGRA”
(Gl 6:16), E HOJE SIGNIFICA “CATÁLOGO DE UMA REVELAÇÃO COMPLETA E DIVINA”.
A PALAVRA CÂNON ACHA-SE EM TRÊS PASSAGENS DO N. T.: GL 6:16, FP 3:16 E
2 CO 10:13-17.

A inspiração diz respeito à ação divina no ato de escrever o material,


garantindo o resultado.
Já a canonização do Texto diz respeito à ação humana, reconhecendo a qualidade
divina daquele material.
A “CANONIZAÇÃO” DE UM LIVRO NÃO SIGNIFICA QUE HOMENS LHE
CONCEDERAM AUTORIDADE E INSPIRAÇÃO DIVINA, MAS SIM QUE HOMENS
FORMALMENTE OFICIALIZARAM O QUE SEMPRE FOI RECONHECIDO
[EM OUTRAS BASES, SUFICIENTES].
45
Esse processo de reconhecimento se deu no seio da comunidade da Fé — a comunidade
hebraica, quanto ao A.T., e a comunidade cristã, quanto ao N.T.
A canonização tem tudo a ver com a preservação do Texto, pois, a comunidade da Fé só iria
se preocupar em transmitir e proteger os livros "canônicos", tidos como inspirados. A parte humana
na transmissão do Texto fica patente, mas será que houve ação divina também, protegendo o Texto
(a exata redação do Texto)?
Se o Criador quis que Sua revelação chegasse intacta, ou pelo menos de forma íntegra e
confiável, até o século XX e seguintes, fatalmente teria que vigiar o processo da transmissão através
dos séculos. Teria que proibir a perda irrecuperável de qualquer parte genuína, bem como a inserção
indetectável de material espúrio. (Ver item Preservação, a seguir).

A DIFERENÇA ENTRE OS LIVROS CANÔNICOS E OUTROS ESCRITOS RELIGIOSOS:

Nem todos os escritos religiosos dos judeus eram considerados canônicos pela comunidade
de crentes. É óbvio que havia certa importância religiosa em alguns livros primitivos como o livro
dos justos (Js 10:13), o livro das guerras do Senhor (Nm 21:14) e outros (1 Rs 11:41). Os livros
apócrifos dos judeus, escritos após o encerramento do período do Antigo Testamento (400 a. C.),
têm significado religioso definido, mas jamais foram considerados canônicos pelo judaísmo oficial.
A diferença essencial entre escritos canônicos e não-canônicos é que aqueles são normativos
(têm autoridade), ao passo que estes não são autorizados. Os livros inspirados exercem autoridade
sobre os crentes; os não-inspirados poderão ter algum valor devocional ou para a edificação
espiritual, mas jamais devem ser usados para definir ou delimitar doutrinas.
Os livros canônicos fornecem o critério para a descoberta da verdade, mediante o qual todos
os demais livros (não-canônicos) devem ser avaliados e julgados. Nenhum artigo de fé deve basear-
se em documento não-canônico, não importando o valor religioso desse texto.
Os livros divinamente inspirados e autorizados são o único fundamento para a
doutrina. Ainda que determinada verdade canônica receba algum apoio complementar da parte de
livros não-canônicos, tal verdade de modo algum confere valor canônico a tais livros. Esse apoio
terá sido puramente histórico, destituído de valor teológico autorizado.
A verdade transmitida pelas Escrituras Sagradas, e por nenhum outro meio, é que constitui
cânon ou fundamento das verdades da fé.

A FORMAÇÃO DO CÂNON DO V. T. :

O Cânon do Antigo Testamento foi formado num espaço de -/+ 1046 anos - de Moisés a
Esdras. Moisés escreveu as primeiras palavras do Pentateuco por volta de 1491 a.C. O cânon das
Escrituras do V. T. foi encerrado por Esdras e seus companheiros piedosos, que formaram a Grande
Sinagoga, cerca de 445 anos a. C.
Os livros do Antigo Testamento formaram o Cânon de maneira lenta e gradual, à medida que
iam sendo credenciados, como inspirados por Deus, perante o povo comum, seus líderes, seus
profetas e sacerdotes.
A história da formação do Velho Testamento começa com Moisés, que recebeu a revelação
divina em várias formas e depois a transcreveu em livros. Ele redigiu-os usando livros, tradição
oral, oráculos recebidos diretamente de Deus, além do fato de que participou de toda a história
narrada entre Êxodo e Deuteronômio. Ele recebeu ordens expressas de escrever (Êxodo 17:14;
24:4, 7; 34:27-28). Relatou os acontecimentos da época (Nm 33:2).
No fim de sua vida, com os cinco primeiros livros praticamente terminados, já tinha perfeita
percepção de que estes livros tornar-se-iam normativos para o povo: seriam “o Livro da Lei”, os
cinco primeiros livros (Pentateuco) [Dt 28:58, 61; 29:20-29; 30:10; 31:9-13, 19, 22, 24-26].
Devemos lembrar que Moisés viveu com o povo de Israel por quarenta anos no deserto, e
teria não somente tempo, mas conhecimento e condições para escrever.
Durante a época de Moisés e depois dele, outros profetas continuaram sua obra oral e escrita
(Nm 12:6; Dt 18:15-22; 34:10; Jz 4:4; 6:8). Os sacerdotes e levitas foram encarregados de guardar,
46
colecionar e copiar os livros do V. T. O tabernáculo e depois, o templo, eram o centro de reunião
dos materiais inspirados (Dt 17:18-20; 31:9-13, 24-29; 1 Sm 10:25; 2 Rs 22:8; 23:24; Js 24:26).
Os livros estavam disponíveis aos líderes da nação e do sacerdócio. Caso eles fossem
também profetas, como era o caso de Josué, eles também acabariam por escrever algo ou até uma
obra inteira que seria incorporada à coleção de livros sagrados (Josué 1:8; 24:26). O período da
conquista da terra de Canaã e também dos Juízes, evidencia a presença dos livros pela prática dos
seus ensinos: a aliança foi lembrada (Jz 2:1-5) e alguns rituais foram praticados (Jz 13:2-7,13-14).
Samuel, como “primeiro profeta”, tratou de dar impulso à historiografia profética
(1 Samuel 10:25; 1 Crônicas 29:29). Os profetas foram os historiadores de Israel: eles narravam os
acontecimentos, privilegiando os assuntos que interessavam ao desenvolvimento dos propósitos de
Deus para o seu povo (2 Crônicas 9:29; 12:15; 13:22; 20:34; 26:22; 32:32; 33:18, 19)
No período dos reis e profetas, bastante material já estava centralizado no templo de
Jerusalém (2 Crônicas 34:14-18; Jeremias 36). Os reis Davi, Salomão, Josias, Ezequias e os vários
profetas são escritores ou divulgadores dos livros bíblicos. Os reis deviam sempre obedecer a lei
(2 Reis 14:6).
Os textos de alguns livros foram sendo compilados durante o período dos reis. A frase final
do Salmo 72.20 mostra que houve uma época em que a coleção dos Salmos terminava ali. Depois
ela foi ampliada. Da mesma forma Provérbios 25.1, mostram que o livro de Provérbios foi
ampliado. Todas estas compilações a amplificações dos livros ocorreram dentro da inspiração
divina, através do Espírito Santo.

Os profetas pregaram e escreveram suas obras (Is 30:8; Jr 25:13; 29:1; 30:2, 36:1-32;
51:60-64; Ez 43:11; Hc 2:2; Dn 7:1; 2 Cr 21:12). Eles sabiam que estavam deixando suas obras para
o futuro e até enviaram-nas para outros lugares (Jr 29:1; 36:1-8; 51:60-61; 2 Cr 21:12). Liam,
citavam e usavam as obras uns do outros (Is 2:1-5 e Mq 4:1-5 / Jr 26:18 cita Mq 3:12), atestando a
existência da coleção de livros inspirados (Dn 9:2). Entendiam que seus livros tornar-se-iam obra de
referência e consulta no futuro (Is 34:16; Dn 12:4).
Este material inspirado foi levado ao exílio e à dispersão (Dn 9:2), quando os judeus foram
deportados da Palestina. Talvez tenha sido trazido de volta por aqueles que iriam iniciar a religião
dos samaritanos (2 Rs 17:24-41). Mas, o grande retorno da lei à Palestina ocorreu com Esdras,
sacerdote e grande escriba (Ed 7; Ne 8-10). O oficio de Esdras como sacerdote e levita mostra que,
no Velho Testamento, os sacerdotes eram os que centralizaram e preservaram o Velho Testamento.
Os últimos profetas a escreverem Ageu, Zacarias e Malaquias tiveram suas obras
reconhecidas e incorporadas no Velho Testamento, assim também, os últimos livros históricos tais
como Crônicas, Esdras, Neemias e Ester.

Nos últimos anos do período incluso no Cânon, cinco grandes homens de Deus viveram
simultaneamente numa época de profundo despertamento religioso, a saber: Esdras, Neemias, Ageu,
Zacarias e Malaquias, sendo dos cinco, Esdras o mais hábil e versátil.
Foi este poderoso sacerdote-escriba que, segundo a tradição judaica, presidiu a chamada
Grande Sinagoga, que selecionou e preservou os rolos sagrados, determinando, dessa maneira, o
Cânon das Escrituras do Antigo Testamento (Ed 7:10, 14). A Esdras é atribuído também a tríplice
divisão do Cânon hebraico (A Lei, Os Profetas e os Escritos).
Ao encerramento do V. T. (isto é, ao terminar de ser escrito o seu último livro [Neemias ou
Malaquias] no século V antes de Cristo) foi reconhecido por TODOS os crentes fiéis que o cânon
do V. T. (isto é, a coleção dos 39 livros que o constituem) estava encerrado para sempre, e incluía o
livro de que falamos.
Depois do acima referido encerramento do V. T., tudo isto acima dito (e que sempre foi o
consenso entre os crentes fiéis) foi meramente RECONHECIDO, reconhecido e declarado
OFICIALMENTE e por TODOS, sob o comando de Esdras, em cerca do ano quatrocentos e
poucos a. C.
47
O VELHO TESTAMENTO é canônico, porque sempre foi reconhecido como inspirado
por Deus:

• A Lei: sempre foi reconhecida como canônica: Dt 17:18-20; 31:10-13, 24-26; Js 1:8; 1 Rs 11:38;
2 Rs 22:8; 23:1-2; Ne 1:7-9; Ed 3:2.

• Profetas/Escritos: sempre foram reconhecidos como canônicos: 2 Rs 17:13; Dn 9:2; Mt 22:29;


23:35; Lc 24:44; Jo 5:39; 10:35; 2 Tm 3:16; 2 Pe 1:20-21.

- Objeção: As 3 divisões do V.T. (Lei, Profetas, Escritos) implicam 3 “campanhas humanas


concedendo autoridade”.
- Refutação: Não há sequer uma prova disto! As divisões são pelas naturezas dos
assuntos/escritores. Em Israel o divino tornava-se aceito, e não o aceito tornava-se divino!
2 Rs 22:8; 23:1-2; Ne 8:1-3 não são outorgamentos, mas sim reconhecimentos da inspiração divina.

- Objeção: Ec e Ct ainda eram duvidados por alguns até depois do Concílio de Jamnia (90 d.C.),
portanto o cânon do V.T. ainda estava em aberto até cerca de 200 d.C..
- Refutação: Exigindo unanimidade absoluta, o que você quer é nunca ter um cânon autoritativo e
final! Os eruditos judeus sempre mantiveram que, já em 445 a.C., no reino de Artaxerxes
Longânimo, Esdras “juntou, ordenou e publicou” o V.T. na sua forma final, como o conhecemos.
Josephus (80 d.C.) corrobora isto e usa cânon e divisões Massoréticas. Esdras é chamado de “o
escriba” (Ne 8:1, 4, 9, 13; 12:26, 36), “escriba versado na lei de Moisés” (Ed 7:6), e “o escriba das
palavras dos mandamentos e dos estatutos do Senhor sobre Israel” (Ed 7:11).

- Objeção: os apócrifos figuram na Septuaginta.


- Refutação: Mas nunca no cânon judaico!

CLASSIFICAÇÃO DOS LIVROS DO V. T. :

Estudiosos de eras posteriores, nem sempre totalmente conscientes dos fatos a respeito da
aceitação original do cânon, tornavam a levantar dúvidas sobre certos livros.
Com isso, surgiu a terminologia técnica, conforme vemos abaixo:

1 - HOMOLOGOUMENA: (significa: falar como um). São os livros bíblicos que foram aceitos
por todos.

A canonicidade de alguns livros jamais foi desafiada por nenhum dos grandes rabis da
comunidade judaica. Desde que alguns livros foram aceitos pelo povo de Deus como documentos
produzidos pela mão dos profetas de Deus, continuaram a ser reconhecidos como detentores de
inspiração e de autoridade divina pelas gerações posteriores.
Trinta e quatro dos 39 livros do Antigo Testamento podem ser classificados como
“homologoumena”. Os cinco excluíveis seriam: Cantares de Salomão, Eclesiastes, Ester, Ezequiel e
Provérbios.

2 - ANTILEGOMENA: (significa: falar contra). São os livros bíblicos que em certa ocasião foram
questionados por alguns.

A canonicidade de 5 livros do Antigo Testamento foi questionada numa ou noutra época, por
algum mestre do judaísmo: Cantares de Salomão, Eclesiastes, Ester, Ezequiel e Provérbios. Cada
um deles tornou-se controvertido por razões diferentes; todavia, no fim prevaleceu a autoridade
divina de todos os cinco livros.
48
Cantares de Salomão: Alguns estudiosos da escola de Shammai consideravam esse cântico sensual
em sua essência. Porém, é mais provável que a pureza e a nobreza do casamento façam parte do
propósito essencial desse livro. É preciso ver esse livro da perspectiva espiritual correta.

Eclesiastes: Alguns objetaram que esse livro parece cético. Alguns até o chamam de “O Cântico do
ceticismo”. Qualquer pessoa que procure a máxima satisfação “debaixo do sol”, com toda a certeza
há de sentir as mesmas frustrações sofridas por Salomão, visto que a felicidade eterna não se
encontra neste mundo temporal.
Além do mais, a conclusão e o ensino genérico desse livro estão longe de ser céticos. Depois
“de tudo o que se tem ouvido”, o leitor é admoestado: “a conclusão é: Teme a Deus, e guarda os
seus mandamentos, pois isto é todo o dever do homem” (Ec 12:13).
Assim como o livro Cantares de Salomão, o problema básico é de interpretação do texto e
não de canonização ou inspiração.

Ester: Pela ausência do nome de Deus nesse livro, alguns pensaram que ele não fosse inspirado.
Perguntavam como podia um livro ser Palavra de Deus, se nem ao menos trazia o seu nome.
Porém, uma coisa é certa: a ausência do nome de Deus é compensada pela presença de Deus
na preservação de seu povo.
O fato de Deus haver concedido grande livramento, como narra o livro, serve de fundamento
e razão da festa judaica do Purim (Et 9:26-28). Basta este fato para demonstrar a autoridade
atribuída ao livro, dentro do judaísmo.

Ezequiel: Alguns na escola rabínica pensavam que esse livro era antimosaico em seu ensino.
Achavam que o livro não estava em harmonia com a lei mosaica. No entanto, essa tese não
prevaleceu e demonstrou mais uma vez ser uma questão de interpretação e não de inspiração.

Provérbios: Achavam-no um livro contraditório (Pv 26:4-5). Achavam contraditório o leitor ser
exortado a responder e ao mesmo tempo não responder. Todavia, o sentido aqui é que há ocasiões
em que o tolo deve receber resposta de acordo com sua tolice, e em outras ocasiões isso não deve
ocorrer. Porém, nenhuma “contradição” ficou demonstrada em nenhuma outra passagem de
Provérbios.

OBS: É importante frisar que a Bíblia em momento algum é contraditória, pois é a Palavra de Deus
(infalível). O que “parece” contradição é erro de interpretação humana.

3 - PSEUDEPÍGRAFOS: (significa: falsos escritos). Livros não-bíblicos rejeitados por todos.

Grande número de documentos religiosos espúrios que circulavam entre a antiga


comunidade judaica são conhecidos como “pseudepígrafos”. Nem tudo nesses escritos é falso. De
fato, a maior parte desses documentos surgiu de dentro de um contexto de fantasia ou tradição
religiosa, possivelmente com raízes em alguma verdade. Com freqüência, a origem desses escritos
estava na especulação espiritual, a respeito de algo que não ficou bem explicado nas Escrituras
canônicas.
As tradições especulativas a respeito do patriarca Enoque, por exemplo, sem dúvida são a
raiz do livro de Enoque. De maneira semelhante, a curiosidade a respeito da morte e da glorificação
de Moisés, sem dúvida acha-se por trás da obra Assunção de Moisés.
No entanto, essa especulação não significa que não exista verdade nenhuma nesses livros.
Ao contrário, o Novo Testamento refere-se a verdades implantadas nesses dois livros
(vide Jd 14,15) e chega a aludir à penitência de Janes e Jambres (2 Tm 3:8). Entretanto, esses livros
não são dotados de autoridade, como Escrituras inspiradas.
Paulo também citou alguns poetas não-cristãos, como Arato (At 17:28), Menânder
(1 Co 15:33) e Epimênides (Tt 1:12). Trata-se tão somente de verdades verificáveis, contidas em
livros que em si mesmos, nenhuma autoridade divina têm. É importante que nos lembremos que
49
Paulo cita apenas aquela faceta da verdade, e não o livro pagão como um todo, como conceito a que
Deus atribuiu autoridade e fez constar no Novo Testamento.

A verdade é sempre verdade, não importa onde se encontre, quer pronunciada por um poeta
pagão, quer por um profeta pagão (Nm 24:17), por um animal irracional e mudo (Nm 22:28) ou
mesmo por um demônio (At 16:17).

É possível que o fato mais perigoso a respeito desses falsos escritos (pseudepígrafos) é que
alguns elementos da verdade são apresentados com palavras de autoridade divina, num contexto de
fantasias religiosas que, em geral, contêm heresias teológicas.
A infundada reivindicação de autoridade divina, o caráter altamente fantasioso dos
acontecimentos e os ensinos questionáveis (e até mesmo heréticos) levaram os pais do judaísmo a
considera-los espúrios (pseudepígrafos).

São eles:

Lendários: O livro do Jubileu; Epístola de Aristéias; O livro de Adão e Eva; O martírio de Isaías

Apocalípticos: 1 Enoque; Testamento dos doze patriarcas; O oráculo sibilino; Assunção de


Moisés; 2 Enoque, ou O livro dos segredos de Enoque; 2 Baruque, ou O apocalipse siríaco de
Baruque (*); 3 Baruque, ou O apocalipse grego de Baruque.

Didáticos: 3 Macabeus; 4 Macabeus; Pirque Abote; A história de Aicar.

Poéticos: Salmos de Salomão; Salmo 151 (consta na Septuaginta).

Históricos: Fragmentos de uma obra de Sadoque

OBS:

a) 1 Baruque está relacionado entre os apócrifos.

b) Há outros livros, sendo que alguns foram descobertos entre os manuscritos do Mar Morto, tais
como: Gênesis apócrifo e Guerra dos filhos da luz contra os filhos das trevas, dentre outros.

4 - APÓCRIFOS: (significa: escondidos ou duvidosos). Livros não-bíblicos aceitos por alguns,


mas rejeitados por outros. Pelos católicos romanos são conhecidos como Deuterocanônicos.

Na realidade, os sentidos da palavra apocrypha refletem o problema que se manifesta nas


duas concepções de sua canonicidade. No grego clássico, a palavra apocrypha significava “oculto”
ou “difícil de entender”. Posteriormente, tomou o sentido de esotérico, ou algo que só os iniciados
podem entender, não os de fora.
Pela época de Ireneu e Jerônimo (séc. III e IV), o termo apocrypha veio a ser aplicado aos
livros não-canônicos do Antigo Testamento, mesmo aos que foram classificados previamente como
“pseudepígrafos”.
Desde a era da Reforma, essa palavra tem sido usada para denotar os escritos judaicos
não-canônicos originários do período intertestamentário.
O Novo Testamento jamais cita um livro apócrifo indicando-o como inspirado. As alusões a
tais livros não lhes emprestam autoridade, assim como as alusões a poetas pagãos não lhes
conferem inspiração divina. Aliás, desde que o N.T. faz citações de quase todos os livros canônicos
do A.T. e atesta o conteúdo e os limites desse Testamento (omitindo os apócrifos) parece estar claro
que o N.T. indubitavelmente exclui os apócrifos do cânon hebraico.
50
Os apócrifos não foram aceitos pelos judeus palestinos, zelosos preservadores dos ensinos
bíblicos que não estiveram sujeitos às influências helenizantes dos judeus de Alexandria, muitos dos
quais (mas não todos) acatavam tais livros como de origem divina, como Palavra de Deus.
Aliás, toda a problemática de aceitação da canonicidade desses livros envolve exatamente o
grande centro da cultura grega no Oriente, a cidade de Alexandria. Os judeus ali sofreram grande
influência da filosofia grega, e houve até um destacado intelectual judeu, Filo, que se empenhou por
fundir o judaísmo com os conceitos gregos, que o empolgavam.
Jesus Cristo referiu-se à Bíblia Sagrada na Sua oração sacerdotal a Seu Pai dizendo:
“Santifica-os na verdade; a Tua Palavra é a verdade” (João 17:17). Como poderiam obras cheias de
conceitos que se chocam com os claros ensinos de apóstolos e profetas, além de crendices
supersticiosas, lendas, inexatidões históricas e até mentiras qualificar-se como essa verdade de
divina inspiração?
O Concílio de Trento, 1546, reagiu a Lutero, canonizando os livros apócrifos, com o voto de
53 prelados sem conhecimentos históricos destacados sobre documentos orientais, encontrando
oposição de grandes homens como o cardeal Polo que afirmou que assim agira o Concílio a fim de
dar maior ênfase às diferenças entre católicos romanos e os evangélicos. Outro destacado líder
católico, Tanner afirmou que a Igreja Católica Romana encontrou nesses livros o seu próprio
espírito (apud Introdução ao Antigo Testamento, Dr. Donaldo D. Turner, IBB).
A ação do Concílio não foi apenas polêmica, foi também prejudicial, visto que nem todos os
14 (15) livros apócrifos foram aceitos pelo Concílio.
A Oração de Manassés e 1 e 2 Esdras [3 e 4 Esdras dos católicos romanos; a versão de
Douai denomina 1 e 2 Esdras, respectivamente, os livros canônicos de Esdras (1 Ed) e Neemias
(2 Ed)] foram rejeitados.
A rejeição de 2 Esdras é particularmente suspeita, porque contém um versículo muito forte
contra a oração pelos mortos (2 Esdras 7.105). Aliás, algum escriba medieval havia cortado essa
seção dos manuscritos latinos de 2 Esdras, sendo conhecida pelos manuscritos árabes, até ser
reencontrada outra vez em latim por Robert L. Bentley, em 1874, numa biblioteca de Amiens, na
França.
O cânon do Antigo Testamento até a época de Neemias compreendia 22 (ou 24) livros em
hebraico, que, nas bíblias dos cristãos, seriam 39, como já se verificara por volta do século IV a.C.
As objeções de menor monta a partir dessa época não mudaram o conteúdo do cânon.
Foram os livros chamados apócrifos, escritos depois dessa época, que obtiveram grande
circulação entre os cristãos, por causa da influência da tradução grega de Alexandria (Septuaginta).
Com exceção de 2 Esdras, esses livros preenchem a lacuna existente entre Malaquias e
Mateus (o chamado “período intertestamentário”) e compreendem especificamente dois ou três
séculos antes de Cristo.
No entanto, até a época da Reforma Protestante esses livros não eram considerados
canônicos. A canonização que receberam no Concílio de Trento não recebeu o apoio da história. A
decisão desse concílio foi polêmica e eivada de preconceito.

Isto quer dizer que estes livros não eram acessíveis a todos e:

a) Jamais foram incluídos no cânon pelas autoridades reconhecidas: As maiores e mais reconhecidas
nunca reconheceram os apócrifos: Esdras (o profeta, que “juntou, ordenou e publicou” o V. T. na sua
forma final e como o conhecemos); os fariseus; Josephus (o historiador judeu, provavelmente o
maior historiador de todos os tempos); os pais da igreja primitiva; etc.
b) JAMAIS FORAM ACEITOS PELOS JUDEUS.
c) SÓ EM 08 DE ABRIL DE 1546, NO CONCÍLIO DE TRENTO, A IGREJA ROMANA OS
DECLAROU CANÔNICOS, MAS SÓ EM REAÇÃO À REFORMA.
d) JAMAIS FORAM CITADOS POR JESUS CRISTO OU POR NENHUM OUTRO ESCRITOR
DA BÍBLIA. (Judas cita dois pseudepígrafos, mas não parece ceder-lhes declaradamente o conceito
de inspirados).
e) NENHUM LIVRO APÓCRIFO ALEGA SER INSPIRADO (NA REALIDADE, ALGUNS
51
DELES CLAMAM NÃO SER INSPIRADOS! MACABEUS 15:38.
f) ALGUNS APÓCRIFOS TÊM INCONTORNÁVEIS ERROS HISTÓRICOS E GEOGRÁFICOS.
g) ALGUNS APÓCRIFOS ENSINAM DOUTRINAS FALSAS E QUE CONTRADIZEM A
BÍBLIA COMO UM TODO (MACABEUS 12:43-46 ENSINA QUE PODEMOS E DEVEMOS
ORAR PELOS MORTOS, A BÍBLIA COMO UM TODO ENSINA QUE NÃO ADIANTA).

RAZÕES DA REJEIÇÃO:

• O Velho Testamento já estava produzido;


• A maioria dos apócrifos foi produzida em grego;
• Rejeição pelos judeus da cultura gentia;
• Prevaleceu para os judeus o cânon palestiniano;

A postura protestante: a Bíblia produziu a Igreja. Postura católica: a Igreja produziu a Bíblia,
e também a Tradição. Inclusive as nivela. Por isso, pode acrescentar e tirar.
Não é a Bíblia protestante que tem livros a menos. A Bíblia católica é que tem livros a mais.
Foi a Igreja Católica quem os acrescentou.

LOCALIZAÇÃO HISTÓRICA:

Os apócrifos foram produzidos entre o 3o e 1o século a. C., com o cânon já definido, no


período intertestamentário, com exceção de 2 Esdras (escrito em 100 d. C.).
A cultura gentia os assimilou (o cânon de Alexandria). O historiador Josefo, os judeus e a
Igreja cristã rejeitaram.
A LXX (Septuaginta) os incluiu como adendo (seguindo o cânon alexandrino). No Concílio
de Cártago, em 397 d. C. foram considerados próprios para a leitura. O Concílio Geral de
Calcedônia, 451 d. C., os negou.
Foram colocados no cânon em uma sessão em 08 de Abril de 1546, no Concílio de Trento,
com 5 cardeais e 48 bispos, apenas, e não foi por unanimidade.
Em 1827, a Sociedade Bíblica Britânica e Estrangeira os excluiu da Bíblia (não editando
nem mesmo como adendo). Desde então esta é a postura protestante.

COMO OS APÓCRIFOS FORAM APROVADOS:

A Igreja Romana aprovou os apócrifos em 08 de Abril de 1546 como meio de combater a


Reforma protestante. Nessa época os protestantes combatiam violentamente as doutrinas romanistas
do purgatório, oração pelos mortos, salvação pelas obras, etc. Os romanistas viam nos apócrifos
base para tais doutrinas, e apelaram para eles aprovando-os como canônicos.
Houve prós e contras dentro dessa própria igreja, como também depois. Nesse tempo os
jesuítas exerciam muita influência no clero. Os debates sobre os apócrifos motivaram ataques dos
dominicanos contra os franciscanos. O biblicista católico John L. Mackenzie em seu "Dicionário
Bíblico" sob o verbete, Cânone, comenta que no Concílio de Trento houve várias "controvérsias
notadamente candentes" sobre a aprovação dos apócrifos. Mas o cardeal Pallavacini, em sua
"História Eclesiástica" declara mais nitidamente que em pleno Concílio, 40 bispos dos 49 presentes
travaram luta corporal, agarrado às barbas e batinas uns dos outros...
Foi nesse ambiente "ESPIRITUAL", que os apócrifos foram aprovados. A primeira edição
da Bíblia (“versão”) católico-romana com os apócrifos deu-se em 1592, com autorização do papa
Clemente VIII. Os Reformadores protestantes publicaram a Bíblia com os apócrifos, colocando-os
entre o Antigo e Novo Testamentos, não como livros inspirados, mas bons para a leitura e de valor
literário histórico. Isto continuou até 1629.
52

VULGATA DE JERÔNIMO:

O arranjo da Vulgata (versão latina oficial da Igreja católica romana, completa em 450 antes
de Cristo, mas aceita plenamente em cerca de 650 antes de Cristo), em geral, segue a LXX, só que
1 e 2 Esdras são iguais a Esdras e Neemias, e as partes apócrifas (3 e 4 Esdras), tanto como a
Oração de Manassés, são colocados no fim do Novo Testamento. Os Profetas Maiores são
colocados antes dos Profetas Menores.
Quando Jerônimo traduziu a Vulgata, incluiu os apócrifos oriundos da Septuaginta, através
da antiga versão latina de 170, porque lhe foi ordenado, mas indicou que os mesmos não poderiam
ser base de doutrinas.

Os livros são: 1 Esdras, 2 Esdras, Tobias, Judite, Adição a Ester, Sabedoria de Salomão,
Eclesiástico, Baruque, Adições a Daniel (Cântico dos 3 Rapazes, História de Susana e Bel e o
Dragão), Oração de Manassés, 1 Macabeus, 2 Macabeus.

A Bíblia protestante segue a mesma ordem tópica do arranjo da Vulgata, só que omite
todas as partes apócrifas...
Na ordem, a Bíblia protestante segue a Vulgata, no conteúdo, segue a Hebraica.

A VERSÃO CATÓLICO-ROMANA:

Seguindo a Vulgata que traduziu da LXX (Septuaginta), com exceção de Oração de


Manassés, o cânon católico incorporou os apócrifos após a Reforma. Quando a Vulgata os inseriu,
distinguiu-os dos outros, que chamou de canônicos. Aos apócrifos chamou de deuterocanônicos,
isto é, livros do “segundo cânon” (eclesiásticos).
Na versão de edição Católico-Romana há um total de 73 livros, sendo 7 apócrifos, além de 4
acréscimos ou apêndices a livros canônicos, sendo assim um total de 11 escritos apócrifos:

São os seguintes os livros apócrifos que constam da versão Romana:

Tobias (após Esdras); Judite (após Tobias); Sabedoria de Salomão (após Cantares);
Eclesiástico (após Sabedoria de Salomão); Baruque – incluindo a Epístola a Jeremias (após
Lamentações); 1 Macabeus (após Ester); 2 Macabeus (após 1 Macabeus).

São os seguintes os apêndices apócrifos:

Acréscimos a Ester (Et 10:4 – 16:24); acréscimos a Daniel: (Cântico dos três rapazes –
Dn 3:24-90; História de Suzana – Dn 13; Bel e o Dragão – Dn 14).

Alguns erros ensinados pelos apócrifos: Livros canônicos:


1 - Narração de anjo mentindo sobre sua origem. Tobias 5:1-9 Isaías 63:8; Oséias 4:2
2 - Diz que se deve negar o pão aos ímpios. Eclesiástico 12:4-6 Provérbios 25:21-22
3 - Uma mulher jejuando toda a sua vida. Judite 8:5-6 Mateus 4:1-2
4 - Deus dá espada para Simeão matar siquemitas, Judite 9:2 Gênesis 34:30; 49:5-7
5 - Dar esmola purifica do pecado. Tobias 12:9 e Eclesiástico 3:30 1 Pedro 1:18-19
6 - Queimar fígado de peixe expulsa demônios. Tobias 6:6-8 Atos 16:18
7 - Nabucodonossor foi rei da Assíria, em Nínive. Judite 1:1 Daniel 1:1
8 - Honrar o pai traz o perdão dos pecados. Eclesiástico 3:3 1 Pedro 1:18-19
9 - Ensino de magia e superstição. Tobias 2:9 e 10; 6:5-8; 11:7-16 Tiago 5:14-16
10 - Antíoco morre de três maneiras. 1 Macabeus 6:16; 2 Macabeus 1:16; Isaías 63:8; Mateus 5:37
53
9:28
11 - Recomenda a oferta pelos mortos. 2 Macabeus 12:42-45 Eclesiastes 9:5-6
12 - Ensino do purgatório ou imortalidade da alma. Sabedoria 3:14 1 João 1:7; Hebreus 9:27
13 - O suicídio é justificado e louvado. 2 Macabeus 14:41-46 Êxodo 20:13

O ESTUDO DAS ESCRITURAS E A SEPTUAGINTA:

A conquista da Palestina por Alexandre, o Grande, ocasionou uma nova dispersão dos judeus
por todo o império greco-macedônico. Pelo ano 300 antes de Cristo, a colônia de judeus na cidade
de Alexandria, Egito, era numerosa, forte e fluente. Morrendo Alexandre, seu domínio dividiu-se
em quatro ramos, ficando o Egito sob a dinastia dos Ptolomeus.
Com o advento da sinagoga, o estudo e a interpretação das Escrituras começou a ganhar
importância sobremodo independente, ocupando o centro da vida religiosa judaica.
Foi nessa época de propagação popular das Escrituras que o Rei Ptolomeu II, Filadelfo, rei
do Egito (Tempo dos Filadelfos: 284-247 a. C.), grande amante das letras, preocupou-se em
enriquecer a famosa biblioteca que seu pai havia fundado. Com este objetivo, muitos livros foram
traduzidos para o grego.
Naturalmente, as Escrituras Sagradas do povo hebreu foram levadas em conta, apreciando-se
também a grande importância que teria a tradução da Bíblia de seus antepassados da Palestina para
os judeus cuja língua vernácula era o grego.
Portanto, mandou em 277 a. C., traduzir a Torah para o grego, em Alexandria, a partir da
proposta de Demétrio Falerus, Diretor da Biblioteca de Alexandria.
A ordem de tradução foi enviada a Eleazar, o Sumo Sacerdote. Segundo um relato de Josefo,
Sumo Sacerdote de Jerusalém, Eleazar enviou uma embaixada de 72 tradutores a Alexandria, com
um valioso manuscrito do Velho Testamento, do qual traduziram o Pentateuco.
No começo só o Pentateuco foi traduzido. A tradução continuou depois, não se completando
senão no ano 150 antes de Cristo. Esta tradução, que se conhece com o nome de Septuaginta ou
Versão dos Setenta (por terem sido 70, em número redondo, seus tradutores), foi aceita pelo
Sinédrio judaico de Alexandria; mas, não havendo tanto zelo ali como na Palestina e devido às
tendências helenistas contemporâneas, os tradutores alexandrinos fizeram adições e alterações e,
finalmente, sete dos Livros Apócrifos foram acrescentados ao texto grego como Apêndice do Velho
Testamento.
Os estudiosos acham que foram unidos à Bíblia, por serem guardados juntamente com os
rolos de livros canônicos, e quando foram iniciados os Códices, isto é, a escrituração da Bíblia
inteira em um só volume, alguns escribas copiaram certos rolos apócrifos juntamente com os rolos
canônicos.
Todos estes livros, com exceção de Judite, Eclesiástico, Baruque e 1 Macabeus, estavam
escritos em grego (sendo Baruque em hebraico e Tobias em aramaico), e a maioria deles foi escrita
muitíssimos anos depois de o profeta Malaquias, o último dos profetas da Dispensação antiga,
escrever o livro que leva o seu nome.
O que se pode concluir daí é que, quando a Septuaginta era copiada, alguns livros não
canônicos para os judeus eram também copiados. Isso também poderia ter ocorrido por ignorância
quanto aos livros verdadeiramente canônicos.
Pessoas não afeiçoadas ao judaísmo ou mesmo desinteressadas em distinguir livros
canônicos dos não canônicos tinham por igual valor todos os livros, fossem eles originalmente
recebidos como sagrados pelos judeus ou não. Mesmo aqueles que não tinham os demais livros
judaicos como canônicos certamente também copiavam estes livros, não por considerá-los sagrados,
mas apenas para serem lidos. Por que não copiar livros tão antigos e interessantes?
Estes livros, entretanto, têm a importância de refletir o estado do povo judeu e o caráter de
sua vida intelectual e religiosa durante as várias épocas que representam, particularmente, a do
período chamado intertestamentário (entre Malaquias e João Batista, de 400 anos); é, talvez, por
estas razões que os tradutores os juntaram ao texto grego da Bíblia, mas os judeus da Palestina
nunca os aceitaram no cânon de seus livros sagrados.
54
Essa tradução nos explica porque foram acrescentados os livros apócrifos à Septuaginta -
para tê-los na Biblioteca de Alexandria como literatura da nação israelita.
Parece que o prólogo de Eclesiástico refere-se à Septuaginta. As cópias, completas ou quase
completas, mais antigas que temos desta versão são do século IV, e foram confeccionadas por
cristãos. Elas têm todos os livros da Bíblia hebraica e alguns dos livros apócrifos.
Isto levou alguns a teorizarem a existência de dois “cânones” do Velho Testamento, um
palestiniano e outro alexandrino. Tal teoria, porém, cai por terra quando se observa o conteúdo dos
grandes manuscritos da Septuaginta do quarto e quinto séculos.
Eles têm os seguintes livros apócrifos e pseudo-epígrafos:

Nome do Manuscrito Sigla de Apócrifos Pseudo-epígrafos presentes


identificação omitidos
Vaticano B 1 e 2 Mc 1 Ed
Sinaitico alefh Bar 4 Mc
Alexandrino A nenhum 1 Ed, 3 e 4 Mc

A tabela mostra que os grandes manuscritos cristãos da Septuaginta, embora tivessem todos
os livros da Bíblia Hebraica, não tinham os apócrifos com constância e até tinham alguns livros que
ninguém, nem mesmo a igreja romana, tenta incluir na Bíblia.
Isto é suficiente para mostrar que não havia consenso sobre que livros adicionar na
Septuaginta. A omissão de vários dos apócrifos e a inclusão de livros que ninguém nunca aceitou
como inspirados, ajuda a ver que não havia uma “lista oficial” de livros em Alexandria que era
diferente da “lista oficial” da Judéia.
Antes de mais nada, é bom lembrar de novo que as cópias encadernadas da Septuaginta que
temos hoje são oriundas dos cristãos e não dos judeus. O fato das cópias da Septuaginta incluir e
omitir apócrifos e pseudo-epígrafos mostra que a colocação destes livros numa só encadernação
com os inspirados não era indicação de sua aceitação no “cânon” bíblico. Além disto, a igreja lia
estas obras, mas considerava-as secundárias. Não há nada que pudesse ser chamado de "cânon
alexandrino".

Filon e Josefo, que utilizavam quase exclusivamente esta versão grega, sempre defenderam
o cânon da Bíblia hebraica.
Flávio Josefo (aprox. 90 d.C.) disse:
"Não temos dezenas de milhares de livros em desarmonia e conflitos, mas só vinte e dois
contendo o registro de toda a história, que , conforme se crê com justiça, são divinos. Cinco são de
Moisés, que referem tudo o que aconteceu até a sua morte, durante perto de três mil anos, e a
seqüência dos descendentes de Adão. Os profetas que sucederam este admirável legislador,
escreveram em treze livros tudo o que se passou depois de sua morte até o reinado de Artaxerxes,
filho de Xerxes, rei dos Persas, e os quatro outros livros contêm hinos e cânticos feitos em louvor de
Deus e preceitos para os costumes. Escreveu-se também tudo o que se passou desde Artaxerxes até
os nossos dias, mas como não se teve, como antes, uma seqüência de profetas, não se lhes dá o
mesmo crédito que aos outros livros de que acabo de falar e pelos tais temos tal respeito que
ninguém jamais foi tão atrevido para tentar tirar ou acrescentar ou mesmo modificar-lhe a mínima
coisa. Nós os consideramos como divinos, chamamo-los assim ..." (Contra Ápio 1.8).
Josefo fala apenas de 22 livros porque os judeus dividiam seus livros de modo diferente do
nosso. Suas Bíblias tinham 22 ou 24 livros, mas estes são exatamente iguais aos 39 livros da Bíblia
atual.
Josefo reconhece as 3 divisões do cânon e os mesmos livros da Bíblia Hebraica (22). Na
opinião dele, nenhum livro canônico foi escrito depois do reinado de Artaxerxes (462-424 a.C.) e
ainda afirma que, durante estes séculos, desde Artaxerxes, nada foi alterado nos livros sagrados.
Embora Josefo conhecesse os livros do período interbíblico, não os considerava canônicos. Embora
fosse um leitor da Septuaginta, não cria que os chamados apócrifos fizessem parte da Bíblia.
55

Porém, vejam esta citação:

A LXX nunca existiu!


Foi Orígenes que fabricou a dita obra (quinta coluna da sua Hexapla - a partir da
falsificação conhecida por "Carta de Aristeas") para corromper a igreja com os livros
apócrifos dos alegoristas e mais tarde dos IDÓLATRAS do catolicismo, adotando-a na
tradução que veio a ser chamada "A Vulgata" de Jerônimo.
Jesus NUNCA fez qualquer referência a tal FANTASMA de versão, nem iria desonrar as
Escrituras do Velho Testamento, cotando a suposta tradução com os livros apócrifos pós-
Malaquias. O Espírito Santo jamais inspiraria uma versão "milagrosa", como é chamada
pelos eruditos não se sabe de quê, levada a cabo por 72 tradutores de 12 tribos que tinham
desaparecido do mundo físico. Enfim, uma lenda para crianças da instrução primária! (Ler o
livro "The Mythological Septuagint", do Dr. Peter S. Ruckman).
Fim da citação.

Pode a existência da Septuaginta ser uma fabricação usada contra a Palavra de Deus e ser
outro exemplo da agressão satânica de longa data contra as Escrituras? Este é um assunto
importante que merece estudo. Em um documento lido em uma reunião da prestigiosa Deacan
Society de Burgon, 10-11 de julho de 1996, Dr. Kirk D. DiVietro focaliza afiadamente o assunto:
“Você pode perguntar, Por que, afinal, você está trilhando por esta estrada? O que ela
significa para mim? Ela significa muito para você. A própria autoridade de sua Bíblia está em jogo.
A Septuaginta não é uma tradução literal. Utiliza freqüentemente a teoria de "equivalência
dinâmica" de tradução. Às vezes passa malabarismos fantásticos, não-literais, inexatos do hebraico.
Se nós aceitamos a alegação de que a LXX foi aceita por Jesus e os escritores das Sagradas
Escrituras como a Palavra autorizada de Deus, então nós temos que dissolver esta sociedade, e nos
unir ao clube de semana da Bíblia moderna... Se Jesus e os escritores de Escritura aceitaram esta
como Escritura autorizada, então a inspiração plena, verbal da Escritura é irrelevante. Se Jesus e os
escritores de Escritura aceitassem esta como Escritura autorizada, então a doutrina de preservação é
um vexame.”
Veja essa outra citação:
“A tradução foi realizada indubitavelmente durante o 3º e 2º séculos a. C., e é pretendido ter
sido acabada já no tempo de Ptolemy II Philadelphus, de acordo com a denominada Carta de
Aristeas para Philocrates (c. 130 - 100 a. C.). De acordo com a Carta de Aristeas, o bibliotecário da
Alexandria persuadiu Ptolemy II Philadelphus para traduzir a Torá para o grego para uso pelos
judeus da Alexandria. A carta menciona que foram selecionados seis tradutores de cada uma das 12
tribos e que eles completaram a tradução em apenas 72 dias. Enquanto os detalhes desta história são
indubitavelmente fictícios, o núcleo de fato contido nisto parece ser que o Pentateuco foi traduzido
para o grego em algum dia durante a primeira metade do 3º século a. C. Durante os próximos dois
séculos o remanescente do VT foi traduzido, como também algum livro apócrifo e não-canônico.”
[Charles F. Pfeiffer, Howard F. Vos, and John Rhea. editors. Wycliff Bible Encyclopedia, vol. 2
(Chicago: Moody Press, 1975), "Versions, Ancient And Medieval," by William E. Nix.]
Unger escreve: "Os mais velhos e mais importantes manuscritos da Septuaginta são os
seguintes: (a) Códice Vaticanus (b) Códice Alexandrinus... (c) Códice Sinaiticus ". Duas coisas
golpearão o leitor perspicaz imediatamente. Estes são manuscritos que não são mais antigos do que
o quarto século d. C. Além disso, eles são os manuscritos corruptos nos quais o Texto notório de
Westcott-Hort é baseado. Se estes são "os mais velhos e mais importante dos manuscritos" da
Septuaginta, nós temos que concluir que os mesmos não são muito velhos e eles não são muito
bons. [Merrill F. Unger, Unger's Bible Dictionary (Chicago: Moody Press 1957),p.1149f.]
56
Jones traz o quadro em aguçado enfoque ao escrever: “Constantemente nos é falado que
Vaticanus... e Sinaiticus são os mais velhos manuscritos gregos existentes, conseqüentemente os
mais fidedignos e os melhores; que eles são de fato a Bíblia. Ainda o Texto Grego Novo que
substituiu o Textus Receptus representa nas mentes da vasta maioria dos estudiosos o
empreendimento privado de apenas dois homens, dois muito religiosos, embora homens não
convertidos, Westcott e Hort. Estes homens fundaram a “Bíblia” deles baseada quase que
exclusivamente na quinta coluna do Velho Testamento de Orígenes e no Novo Testamento editado
pelo mesmo. As leituras do Novo Testamento deles é derivado quase que exclusivamente sobre
apenas cinco manuscritos, principalmente sobre apenas um só - Vaticanus B. Além disso, deve ser
visto que o testemunho destes dois manuscritos corrompidos é (sic) quase que o único responsável
para todos os erros introduzidos nas Sagradas Escrituras, em ambos os testamentos, isto através dos
críticos modernos!”

LIVROS APÓCRIFOS DA SEPTUAGINTA: 3 Esdras, 4 Esdras, Oração de Azarias


(Cântico dos Três Rapazes), Tobias, Adições a Ester, A Sabedoria de Salomão, Eclesiástico
(Também chamado de Sabedoria de Jesus, filho de Siraque), Baruque, A Carta de Jeremias, Os
acréscimos de Daniel, A Oração de Manassés, 1 Macabeus, 2 Macabeus, Judite.

A REIVINDICAÇÃO DE QUE JESUS USOU A SEPTUAGINTA:

D. A. Waite desafia a contenção que Jesus citou da Septuaginta. Em Mateus 5:18 Jesus falou
sobre a Lei e disse: "Porque em verdade vos digo que, até que o céu e a terra passem, de modo
nenhum passará da lei um só i ou um só til, até que tudo seja cumprido." Nosso Senhor falou do "i"
e do "til", as menores partes das letras hebraicas. Quão pequeno? Bem, o "i" se refere à letra
hebraica “yodh” que é do tamanho de uma apóstrofe. Esta é um terço da altura das outras
letras hebraicas. O "til" se refere aos chifres, ou extensões minúsculas, de algumas letras
hebraicas, como o “daleth”, algo parecido com o golpe vertical do lábio em nosso “m” ou “n".
Isto excluiria uma Bíblia grega. Além disso, o Novo Testamento se refere a uma divisão tripartite
do Velho Testamento - lei, profetas e salmos (Lucas 24:27, 44). Os manuscritos do Velho
Testamento grego são, porém, entremeados com escritos apócrifos, nunca reconhecidos como
"escritura" pelos rabinos, ou por Cristo ou pelos apóstolos.
Waite também nos refere para Mateus 23:35 como sendo apropriada a esta discussão: “para
que sobre vós caia todo o sangue justo, que foi derramado sobre a terra, desde o sangue de Abel, o
justo, até o sangue de Zacarias, filho de Baraquias, que mataste entre o santuário e o altar".
Ele escreve:
Por esta referência, o Senhor pretendeu responsabilizar os Escribas e os Fariseus por todo o
sangue de pessoas inocentes derramado do VT inteiro. Abel se acha em Gênesis, mas Zacarias se
acha em II Crônicas 24:20-22. Se você olha sua Bíblia hebraica, você achará II Crônicas no
último livro (i.é, o último livro na terceira seção, os escritos). Se, por outro lado, você olha em sua
edição da Septuaginta, tal como publicada pela Sociedade Bíblica Americana, 1949, Terceira
Edição, editada por Alfred Rahlfs, você vê que ela termina com Daniel seguida por "Bel e o
Dragão" !! Isto é prova clara que Nosso Salvador usava o Velho testamento hebraico e não o
grego. (Ver Lucas 11:51).
Esta é uma observação significante. A frase, "Abel até Zacarias," é apenas outro modo de
declarar, "do início ao fim". Jesus não disse, "de Abel até Bel e o Dragão".

MAS O NOVO TESTAMENTO NÃO CITA DA LXX?

Uma citação no NT de uma passagem do VT, que não é automaticamente uma citação literal
do Texto Massorético, não implica necessariamente que o escritor dO Novo Testamento estava
usando uma versão diferente do Texto Massorético. Em Ef 4:8, por exemplo, o apóstolo Paulo cita
57
Salmo 68:18 (67:18 na LXX), mas a citação não concorda nem com o Texto Massorético nem com
a LXX.
Quando citações no NT variam do Texto Massorético hebraico do VT não implica
necessariamente o uso da LXX. Os escritores do NT, escrevendo debaixo da inspiração do Espírito
Santo, sentiram-se livres para levar a passagem do VT a dar um significado mais completo a eles
revelado pelo Espírito Santo.
DiVietro afirma:
Seria errado presumir que Jesus usou a Septuaginta. Qualquer liberdade que Ele
praticou com o texto das Escrituras hebraicas, Ele o fez como seu Autor, não como seu crítico.
Estaria, também, errado presumir que os escritores do Novo Testamento usaram a
Septuaginta como o Velho Testamento autorizado deles. Suas formas características de
tradução fornecem nenhuma defesa da prática moderna de tradução de paráfrase e ou
equivalência dinâmica. As leituras aberrantes da LXX não deveriam ser elevadas sobre as
leituras do Texto Massorético.

FORMAÇÃO DO CÂNON DO NOVO TESTAMENTO:

A história do cânon do N.T. difere da do A.T. em vários aspectos.


Primeiro: o cristianismo foi desde o começo uma religião internacional e não restrita a um só
povo (como no caso do A.T.), não havia comunidade profética fechada que recebesse os livros
inspirados e os coligisse (colecionasse) em determinado lugar. Por isso, o processo mediante o qual
todos os escritos apostólicos se tornassem universalmente aceitos levou muitos séculos. Felizmente,
há mais manuscritos do Novo Testamento do que do Antigo Testamento.
Segundo: uma vez que as discussões resultaram no reconhecimento dos 27 livros canônicos
do N. T. , não mais houve movimentos dentro do cristianismo, no sentido de acrescentar ou eliminar
livros.
O cânon do N. T. encontrou acordo geral no seio da igreja universal. Não há N. T. com
apócrifos.

O CÂNON DO N.T. DEU-SE DE FORMA PROGRESSIVA:

Desde o início havia escritos falsos, não-apostólicos, em circulação (Lc 1:1-4; 2 Ts 2:20;
2 Ts 3:17).
No início da igreja primitiva (século I), havia um processo seletivo em operação. Toda e
qualquer palavra a respeito de Cristo, oral ou escrita, era submetida ao ensino dos apóstolos
(1 Jo 1:3; 2 Pe 1:16).
Era o “cânon vivo” das testemunhas oculares, mediante o qual os escritos vieram a ser
reconhecidos.
Os primeiros cristãos (igrejas) iam recebendo, lendo e colecionando as cartas apostólicas,
cheias de autoridade divina, lançando assim o alicerce de uma coleção crescente de documentos
inspirados (Cl 4:16; 1 Ts 5:27). As igrejas, assim, estavam envolvidas em um processo iniciante de
canonização.
Os cristãos eram admoestados a ler continuamente as Escrituras (1 Tm 4:11,13). A única
maneira pela qual se poderia realizar isso no seio de um número crescente de igrejas era fazer
cópias, de tal sorte que cada igreja ou grupo de igrejas tivesse sua própria compilação de escritos
autorizados.
Essa aceitação original de um livro, o qual era autorizadamente lido nas igrejas, teria
importância crucial para o reconhecimento posterior de um livro canônico.
Assim, o processo de canonização desde o início da igreja estava em andamento. As
primeiras igrejas foram exortadas a selecionar apenas os escritos apostólicos fidedignos. Desde que
determinado livro fosse examinado e dado por autêntico, fosse pela assinatura, fosse pelo emissário
apostólico, era lido na igreja e depois circulava entre os crentes de outras igrejas.
58
As coletâneas desses escritos apostólicos começaram a tomar forma nos tempos dos
apóstolos.
Pelo final do século I, todos os 27 livros do N. T. haviam sido recebidos e reconhecidos
pelas igrejas cristãs. O cânon estava completo, e todos os livros haviam sido reconhecidos pelos
crentes de outros lugares.
Por causa da multiplicidade dos falsos escritos e da falta de acesso imediato às condições
relacionadas ao recebimento inicial de um livro, o debate a respeito do cânon prosseguiu durante
vários séculos, até que a igreja universal finalmente reconheceu a canonicidade dos 27 livros do
N. T.
Logo após a primeira geração, passada a era apostólica, todos os livros do N. T. haviam sido
citados por algum pai da igreja, como dotados de autoridade. Por sinal, dentro de 200 anos depois
do século I, quase todos os versículos do N. T. haviam sido citados em um ou mais das mais de
36 mil citações dos pais da igreja.
Uma tradução do N. T. (Antiga siríaca) circulou na Síria pelo fim do século IV,
representando um texto que datava do século II e incluía os livros do N. T., exceto 2 Pedro,
2 e 3 João, Judas e Apocalipse.
Atanásio, o Pai da Ortodoxia, relaciona com clareza todos os 27 livros do N. T. como
canônicos (Cartas, 3,267,5).
Resumindo: o processo de coligir os escritos apostólicos confiáveis iniciou-se nos tempos do
N. T. No século II houve exame desses escritos mediante a citação da autoridade divina de cada um
dos 27 livros do N. T. No século III, as dúvidas e as objeções a respeito de determinados livros
prosseguiram, culminando nas decisões dos pais da igreja e dos concílios influentes do século IV.

FATORES QUE INFLUENCIARAM A IGREJA NO CÂNON DO N. T.:

Alguns fatores influenciaram para que a igreja primitiva definisse de vez a lista dos livros
canônicos do N. T.
Márcion ou Marcião foi um herege gnóstico (150) que, entre outras coisas, fez uma lista de
livros a serem aceitos. Rejeitou todo o Velho Testamento por considerá-lo obra de um “deus
inferior”. Sua lista de livros bíblicos inclui: uma versão resumida de Lucas (retirando os primeiros
capítulos por serem muito judaicos) e mais dez epístolas de Paulo (as chamadas “Pastorais” não
foram aceitas por serem-lhe contrárias, assim como todas as outras). Chamou “Efésios” de
“Laodicenses”.
Sua rejeição dos livros bíblicos forçou as igrejas a tomarem uma posição explícita sobre
estes livros. De fato, a rejeição dos livros prova que já havia um consenso, mas a igreja tornou-se
mais consciente deste consenso na luta contra a heresia.
Na segunda metade do segundo século o Novo Testamento já é considerado par do Antigo.
Começam os comentários, trabalhos literários e traduções do Novo Testamento. As traduções para o
latim antigo e para o siríaco neste período já incluem todo o Novo Testamento, exceto 2 Pedro na
versão siríaca.
A heresia de Marcião e de Montano, bem como os movimentos gnósticos contribuíram para
a aceleração do processo de reconhecimento dos livros inspirados, uma vez que Marcião negava
muitos livros; Montano alegava ter novas revelações; e os gnósticos buscaram produzir sua
literatura “superior”.
Outros fatores que influenciaram foram as perseguições do imperador romano Diocleciano
(302-305). De acordo com o historiador cristão Eusébio, houve um edito imperial da parte de
Diocleciano (303), ordenando que “as Escrituras fossem destruídas pelo fogo”.
A perseguição motivou um exame sério da questão dos livros canônicos, quais eram
realmente canônicos e deveriam ser preservados?
É sabido que já traiçoeiramente se insinuavam uma ou outra corrupção da Palavra de Deus,
mesmo durante a vida dos apóstolos, no século I.
59
Livros falsificados quer totalmente (como a de Hermas, de Barnabé, etc.), quer
parcialmente, já tentavam se insinuar nas igrejas, mesmo durante a vida dos apóstolos! Que
ousadia!

“Porque nós não somos, como muitos, falsificadores da palavra de Deus, antes falamos de Cristo
com sinceridade, como de Deus na presença de Deus.” (2 Coríntios 2:17).
“Que não vos movais facilmente do vosso entendimento, nem vos perturbeis, quer por espírito,
quer por palavra, quer por epístola, como de nós, como se o dia de Cristo estivesse já perto.”
(2 Tessalonicenses. 2:2).
Mas ninguém pode deixar de ver e se esquivar de reconhecer que todas estas corrupções do
século I e todas as poucas corrupções subseqüentes foram totalmente rejeitadas pela massa das
igrejas! Particularmente, os textoS dos pouquíssimos manuscritos alexandrinos (séculos IV em
diante) em que todo o TC se edifica foram totalmente rejeitados pelo total da enorme massa das
igrejas e jamais foram copiados e usados para qualquer coisa. (Usamos o plural "textoS" porque
cada um destes manuscritos alexandrinos difere terrivelmente dos outros, em muitos milhares de
pontos! Diferem mais entre si do que diferem do TR !!!...).
Podemos resumir dizendo que a grande maioria dos livros do N. T. jamais sofreu polêmicas
quanto à sua inspiração, desde o início. Certos livros não-canônicos, que gozavam de grande
prestígio, que eram muito usados e que tinham sido incluídos em listas provisórias de livros
inspirados, foram tidos como valiosos para emprego devocional e homilético, mas nunca obtiveram
reconhecimento canônico por parte da igreja.
Só os 27 livros do N. T. são tidos e aceitos como genuinamente apostólicos e encontraram
lugar no cânon do Novo Testamento.

Assim, podemos dizer que, logo no mais tenro início, no primeiro e segundo século do
Cristianismo, ocorreu a canonização (no sentido de "reconhecimento informal e consensual, pela
grande massa das igrejas locais fiéis"):
a) tanto de quais os 27 LIVROS que compunham o NT;
b) como também de quais as PALAVRAS exatas que compunham cada um destes 27 livros.
Também podemos dizer que, ao final do século IV, ocorreu a canonização (no sentido de
"declaração formal e oficial da grande massa de igrejas locais, mesmo que já não totalmente locais e
nem todas fiéis, posto que o Romanismo já se desenvolvia, Roma já se impunha, ainda que o
Romanismo ainda tivesse muito em que degenerar"):
a) tanto de quais os 27 LIVROS que compunham o NT;
b) como também de quais as PALAVRAS exatas que compunham cada um destes 27 livros.

CRITÉRIOS PARA SE RECONHECER A CANONICIDADE DE UM LIVRO:

Quatro princípios gerais ajudaram a determinar que livros deveriam ser aceitos como
canônicos:
a) Apostolicidade: foi escrito por um apóstolo, ou, senão, tinha o autor do livro um
relacionamento tal com um apóstolo, de modo a elevar seu livro ao nível dos livros
apostólicos? (At 4:13 mostra a credibilidade dos apóstolos).
b) Conteúdo: era o conteúdo de um dado livro de tal natureza espiritual que lhe desse o direito
a esta categoria? Esse teste eliminou muitos livros apócrifos ou pseudo-apócrifos.
c) Universalidade: era o livro recebido universalmente pela igreja?
d) Inspiração: mostrava o livro evidência de ter sido divinamente inspirado? Era o teste final.
Tudo tinha que cair diante dele.

Da mesma forma que a apostolicidade é provada, também é provada a canonicidade dos


livros do Novo Testamento, tal como se prova a autoria dos renomados escritores mundiais cujas
obras trazem seus nomes.
60
A consciência cristã, dominada pelo Espírito, discerniu entre o puro e o impuro. Cumpre
ressaltar que tal realização não se deve nem à própria Igreja, mas que ela aconteceu obedecendo aos
mesmos processos da canonização do Velho Testamento. Isto é, cada livro foi se impondo e falando
por si mesmo com suas provas internas e externas até que, em determinado tempo, foi reconhecido
pelas autoridades eclesiásticas e pelos Pais da Igreja como possuindo autoridade apostólica, não
havendo a intervenção de Concílios.
Os livros apareceram primeiramente separados, em épocas e localidades diferentes. Foram
guardados com carinho pelas Igrejas e aceitos como apostólicos. Eram lidos nas assembléias cristãs,
em reuniões devocionais, inspirativas e doutrinárias.
Ao encerramento do N. T. (isto é, ao terminar de ser escrito o livro de Apocalipse, em cerca
do ano 96 depois de Cristo) foi reconhecido por TODOS os crentes fiéis que o cânon do N. T. (isto é
a coleção de 27 livros que o constituem) estava encerrado para sempre, e incluía o livro de que
falamos; [claro, sempre houve, há e haverá um pequeno grupo de descrentes em algum livro,
sempre há e haverá os infiéis, os agentes que o Diabo sempre introduz para levantar dúvidas a
princípio leves e sutis, depois mais pesadas];
Algo depois do acima referido encerramento do N. T., tudo isto acima dito (e que sempre foi
o consenso entre os crentes fiéis) foi meramente RECONHECIDO, reconhecido e declarado
OFICIALMENTE e por TODOS, mesmo sob a coordenação / comando do distorcedor Romanismo
incipiente, no III Concílio de Cártago, em 397 d. C.

Desde os primeiros séculos foi reconhecido e desde a Reforma foi re-confirmado


o cânon dos CONTEÚDOS (as Exatas PALAVRAS) dos Livros da Bíblia.
Portanto, o assunto está encerrado, fechado !!! (2 Pe 1:3; Jd 3)

O NOVO TESTAMENTO é canônico, uma vez que todos os seus livros, e somente eles,
foram desde o início universalmente reconhecidos como inspirados, PORQUE:

• FORAM ESCRITOS PELOS APÓSTOLOS (OU SUAS SEGUNDAS PESSOAS) Cl 1:1-2.


• FORAM UNIVERSAL E ESPONTANEAMENTE ACEITOS 1 Ts 2:13.
• FORAM ACEITOS PELOS “PAIS DA IGREJA” (FILHOS OU NETOS ESPIRITUAIS
DOS APÓSTOLOS, POR QUEM FORAM ENSINADOS, DIRETAMENTE. EXEMPLO:
POLICARPO, FILHO NA FÉ DE JOÃO).
• TÊM CONTEÚDO EVIDENTEMENTE INSPIRADO, EDIFICANTE, ESPIRITUAL,
HARMÔNICO COM TODA A BÍBLIA.

É notável o fato de não termos tido interferência da autoridade da igreja na constituição de


um cânone; nenhum concílio discutiu esse assunto; nenhuma decisão formal foi tomada. O Cânone
parece ter se formado sozinho... Lembremo-nos que esta não-interferência de autoridade constitui
um tópico valioso de evidência quanto à genuinidade dos quatro evangelhos; pois assim parece que
não foi devido a qualquer autoridade adventícia, mas sim a seu próprio peso, que desbancaram
todos os seus rivais. (George Salmon – Uma Introdução Histórica ao Estudo dos Livros do Novo
Testamento, 1888, pág. 121).

É bom que fique claro, que certos livros do Novo Testamento foram considerados canônicos
independentemente de se conhecer quem os escreveu. O exemplo clássico que temos disso é a
Carta aos Hebreus.
Muitos dos debates que ainda perduram até hoje sobre livros do Novo Testamento, não se
ligam à sua canonicidade, mas à sua autoria.

OBS:
a) Em 200 d.C. só um pequeno punhado de cristãos [pelo menos na aparência] ainda tinha algumas
pequenas dúvidas sobre os livros: Hb (“quem escreveu”), 2 e 3 Jo (“não seriam só cartas para uso
61
pessoal dos endereçados?”), 2 Pe (“será um pseudo-epígrafo [autor usando nome de outrem,
respeitado]?”), Tg (“será que contradiz Paulo?”), Jd (“será que quis implicar que o livro de Enoque
era inspirado mas foi perdido?”) ou Ap (“será mesmo João que o escreveu? os símbolos não são
misteriosos demais?”).
b) Em 397 d. C. o N.T., tal qual o temos hoje, foi oficialmente reconhecido no Concílio de Cártago,
para o Ocidente. Em 500 d. C., o foi no Oriente.

Finalmente, também podemos dizer que, após a invenção da Imprensa, e no início do século XVI,
com o maravilhoso movimento de Deus trazendo a inigualada Reforma, ocorreu a RE-confirmação
do Cânon dos conteúdos (as exatas PALAVRAS) dos 39 livros do V. T. e 27 do N. T. (por
UNANIMIDADE de TODAS as igrejas "protestantes" de TODAS as nações raças e povos !!!).

Desde os primeiros séculos e desde a Reforma está definitiva e completamente fechado o


Cânon das exatas PALAVRAS das Escrituras, em Hebraico-Aramaico e em Grego, tanto
quanto está fechado o Cânon de quais são os 66 LIVROS que formam a Bíblia! (2Pe 1:3; Jd 3)

É tão impensável e intolerável levantarmos dúvidas (seja através de colchetes ou de notas de


rodapé, seja direta e expressamente) sobre uma sequer das palavras do Texto Massorético de Ben
Chayyim, mais o Textus Receptus (mais particularmente, aquele usado pela Bíblia KJV-1611),
omitirmos ou modificarmos tal palavra, quanto fazermos a mesma coisa em relação a um dos livros
da Bíblia!

A Bíblia foi escrita e seus livros reunidos num conjunto que foi transmitido, através dos
séculos até os nossos dias. Através de cópias feitas à mão, os textos bíblicos do Velho e do Novo
Testamentos foram transmitidos e preservados até invenção da imprensa.
Em 1516, um humanista conhecido como Desidério Erasmo ou Erasmo de Rotherdan,
publicou o primeiro Novo Testamento em grego, encerrando o período de transmissão manuscrita
do N. T. e iniciando uma verdadeira "febre" de publicação de textos gregos do Novo Testamento.
Foi com base nestes textos gregos que, mais tarde, as traduções bíblicas foram reiniciadas e a
palavra de Deus divulgada cada vez mais. (Tecnicamente, o primeiro Novo Testamento Grego foi
impresso pelo cardeal Ximenes de Cisneros mas, como a obra aguardava o término da impressão do
texto do Velho Testamento para ser distribuída, a obra de Erasmo é considerada a primeira).

CLASSIFICAÇÃO DOS LIVROS DO N. T. :

1 - HOMOLOGOUMENA: (significa: falar como um). São os livros bíblicos que foram aceitos
por todos.

Em geral, 20 dos 27 livros do N. T. foram aceitos por todos. Exceto: Hebreus, Tiago,
2 Pedro, 2 e 3 João, Judas e Apocalipse. Outros três livros, Filemom, 1 Pedro e 1 João, foram
omitidos, não questionados.

2 - ANTILEGOMENA: (significa: falar contra). São os livros bíblicos que em certa ocasião foram
questionados por alguns.

De acordo com o historiador cristão Eusébio, houve 7 livros cuja autenticidade foi
questionada por alguns dos pais da igreja, e por isso ainda não haviam obtido reconhecimento
universal por volta do século IV.
62
Isso não significa que não haviam tido aceitação inicial por parte das comunidades
apostólicas e subapostólicas. Tampouco, o fato de terem sido questionados, em certa época, por
alguns estudiosos, é indício de que sua presença no cânon seja menos firme que os demais livros.
Ao contrário, o problema básico a respeito da aceitação da maioria desses livros não era sua
inspiração ou falta de inspiração, mas sim, a falta de comunicação entre o Oriente e o Ocidente a
respeito de sua autoridade divina.
São eles: Hebreus, Tiago, 2 Pedro, 2 e 3 João, Judas e Apocalipse.

Hebreus: foi basicamente a anonimidade do autor que suscitou dúvidas. Por isso, o livro
permaneceu sob suspeição para os cristãos do Oriente, que não sabiam que os crentes do Ocidente o
haviam aceito como autorizado e inspirado.
Outro fator que influenciou foi o fato de que os montanistas heréticos terem recorrido a
Hebreus em apoio a algumas de suas concepções errôneas, o que fez demorar sua aceitação nos
círculos ortodoxos.
Ao redor do século IV, no entanto, sob a influência de Jerônimo e Agostinho, esse livro
encontrou lugar permanente no cânon.

Tiago: sua veracidade e autoria foram desafiadas. Os primeiros leitores atestaram que era o Tiago,
irmão de Jesus (At 15 e Gl 1). Todavia, a igreja ocidental não teve acesso a essa informação.
Também houve a questão do aparente conflito com o ensino de Paulo sobre a justificação pela fé
somente. No entanto, sua aceitação como canônico baseia-se na compreensão de sua
compatibilidade essencial com os ensinos paulinos.

2 Pedro: foi a carta que mais ocasionou dúvidas quanto à sua autenticidade. Isso deveu-se à
dessemelhança de estilo com a primeira carta de Pedro. As diferenças, porém, podem ser explicadas
facilmente, por causa do emprego de um escriba em 1 Pedro, o que não ocorreu em 2 Pedro (vide
1 Pe 5:12).

2 e 3 João: o fato do seu questionamento foi porque o escritor se identificou apenas como “o
presbítero” e, além da anonimidade, sua circulação foi limitada. Porém, a semelhança de estilo e de
mensagem com 1 João, que já havia sido aceita, mostrou ser óbvio que 2 e 3 João vieram também
do apóstolo João.

Judas: a confiabilidade desse livro foi questionada por alguns. A contestação centrava-se nas
referências ao livro pseudepígrafo de Enoque (Jd 14, 15) e numa possível referência ao livro
Assunção de Moisés (Jd 9). Porém, suas citações não são diferentes das citações feitas por Paulo de
poetas não-cristãos (At 17:28; 1 Co 15:33; Tt 1:12). O que Judas fez foi citar um fragmento de
verdade encravada naqueles livros e não dizer que eles têm autoridade divina. Sua canonicidade foi
reconhecida pelos primeiros pais da igreja (Ireneu, Clemente de Alexandria, Tertuliano). O Papiro
Bodmer (P72), recentemente descoberto, confirma o uso de Judas ao lado de 2 Pedro, na igreja
copta do século III.

Apocalipse: A doutrina do milenarismo (Ap 20) foi o ponto central da controvérsia, que durou até
fins do século IV. Como os montanistas heréticos agregaram seus ensinos heréticos ao livro de
Apocalipse, no século III, a aceitação definitiva desse livro acabou sofrendo uma demora. A partir
do momento em que se tornou evidente que esse livro estava sendo mal usado pelas seitas, embora
tivesse sido escrito por intermédio de João (Ap 1:4; 22:8-9), e não dentre os hereges, assegurou-se o
lugar definitivo no cânon sagrado.

RESUMO: Alguns pais da igreja haviam se posicionado contra esses livros, por causa da falta de
comunicação, ou por causa de más interpretações desses livros antilegomena. A partir do momento
em que a verdade passou a ser do conhecimento de todos, tais livros foram aceitos plena e
63
definitivamente, passando para o cânon sagrado, da forma exata como haviam sido reconhecidos
pelos cristãos primitivos desde o início.

3 - PSEUDEPÍGRAFOS: (significa: falsos escritos). Livros não-bíblicos rejeitados por todos.

Durante os séculos II e III, numerosos livros espúrios e heréticos surgiram (escritos falsos).
A corrente principal do cristianismo seguia Eusébio, que os chamou de livros “totalmente absurdos
e ímpios”.
Esses livros têm apenas interesse histórico. O conteúdo deles resume-se em ensinos
heréticos, eivados de erros gnósticos (seita filosófica que arrogava para si conhecimento especial
dos mistérios divinos), docéticos (ensinavam a divindade de Cristo, mas negavam sua humanidade,
alegando que Ele só tinha a aparência de ser humano) e ascéticos (os monofisistas ascéticos
ensinavam que Cristo tinha uma única natureza, uma fusão do divino com o humano).
Tais livros revelavam desmedida fantasia religiosa. Evidenciavam uma curiosidade para
descobrir mistérios não revelados nos livros canônicos (como a infância de Jesus).
Eles, na maior parte, não haviam sido aceitos pelos pais primitivos e ortodoxos da igreja,
nem pelas igrejas, não sendo, portanto, considerados canônicos.
O número exato desses livros é difícil de apurar. Por volta do século XIX, Fótio havia
relacionado cerca de 280 obras. Depois apareceram outras.

São eles:

Evangelhos: O Evangelho de Tomé, O Evangelho dos ebionitas, O Evangelho de Pedro, O Proto-


Evangelho de Tiago, O Evangelho dos egípcios, O Evangelho arábico da infância, O Evangelho de
Nicodemos, O Evangelho do carpinteiro José, A História do carpinteiro José, O passamento de
Maria, O Evangelho da natividade de Maria, O Evangelho de um Pseudo-Mateus, Evangelho dos
doze, de Barnabé, de Bartolomeu, dos hebreus, de Marcião, de André, de Matias, de Pedro, de
Filipe.

Atos: Os Atos de Pedro, Os Atos de João, Os Atos de André, Os Atos de Tomé, Os Atos de Paulo,
Atos de Matias, de Filipe, de Tadeu.

Epístolas: A Carta atribuída a nosso Senhor, A Carta perdida aos coríntios, As (Seis) Cartas de
Paulo a Sêneca, A Carta de Paulo aos laodicenses (também pode ser considerado entre os
apócrifos).

Apocalipses: de Pedro (também pode ser considerado entre os apócrifos), de Paulo, de Tomé, de
Estêvão, Segundo apocalipse de Tiago, Apocalipse de Messos, de Dositeu. (os 3 últimos foram
descobertos em 1946, em Nag-Hammadi, no Egito).

Outras obras: Livro secreto de João, Tradições de Matias, Diálogo do Salvador. (também
descobertos em 1946, em Nag-Hammadi, no Egito).

4 - APÓCRIFOS: (significa: escondidos ou duvidosos). Livros não-bíblicos aceitos por alguns,


mas rejeitados por outros.

Esses livros gozavam de grande estima pelo menos da parte de um pai da igreja. Tiveram,
quando muito, o que Alexander Souter chamou de “canonicidade temporal e local”. Haviam sido
aceitos por um número limitado de cristãos, durante um tempo limitado, mas nunca receberam um
reconhecimento amplo ou permanente.
Eram considerados mais importantes que os pseudepígrafos e faziam parte das bibliotecas
devocionais e homiléticas das igrejas primitivas, pelas seguintes razões: revelam os ensinos da
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igreja do século II; fornecem documentação da aceitação dos 27 livros canônicos do N.T.; fornecem
informações históricas a respeito da igreja primitiva, quanto à sua doutrina e liturgia.

São eles: Epístola do Pseudo-Barnabé; Epístola aos coríntios; Homilia antiga (chamada “Segunda
epístola de Clemente); O pastor, de Hermas (foi o livro não-canônico mais popular da igreja
primitiva); O didaquê (ou “Ensino dos doze apóstolos”); Apocalipse de Pedro; Atos de Paulo e de
Tecla; Carta aos laodicenses; Evangelho segundo os hebreus; Epístola de policarpo aos filipenses;
Sete epístolas de Inácio (este teria sido discípulo de João, mas não reivindica para si autoridade
divina).
A BÍBLIA É PRESERVADA, ATRAVÉS DO “TEXTO RECEBIDO”
(da “Almeida Corrigida e Revisada, Fiel ao Texto Original”, da Sociedade Bíblica Trinitariana do
Brasil)

Deus jurou e realmente PRESERVOU Suas palavras, de um modo absolutamente


PERFEITO, de maneira que cada palavra do Texto (em Hebraico-Aramaico e em Grego) por Ele
preservado e que eu tenho agora escrito em papel, nas minhas mãos, é plenária, exclusiva, inerrável,
infalível e verbalmente a própria Palavra eterna do próprio Deus!
Esta preservação só requereu a infalível PROVIDÊNCIA de Deus, não Seu milagre contínuo.
Falamos de TEXTO, de PALAVRAS, não de suas representações, nem de manuscritos e outros meios
físicos. 1 Cr 16:15; Sl 12:6-7; 19:7-8; 33:1; 100:5; 111:7-8; 117:2; 119:89,152,160; 138:2b; Is 40:8;
59:21; Mt 4:4; 5:18; 24:35; Lc 4:4; 16:17; 21:33; Jo 10:35b; 16:12-13; 1 Pe 1:23,25; Ap 22:18-19.
A canonização tem tudo a ver com a preservação do Texto, pois, a comunidade da Fé só iria
se preocupar em transmitir e proteger os livros "canônicos", tidos como inspirados. A parte humana
na transmissão do Texto fica patente, mas será que houve ação divina também, protegendo o Texto
(a exata redação do Texto)? (Rever item A Bíblia é Canônica).
Os próprios autores humanos sabiam que estavam escrevendo "as Palavras de Deus".
Os líderes cristãos do 1º século e do 2º século (e 3º, 4º, etc.) utilizaram e citaram material
neotestamentário lado a lado com material do A.T. como sendo Palavra de Deus.
Entendendo, como entenderam, que estavam lidando com coisa sagrada, iriam zelar por essa
Palavra, vigiando o processo da transmissão.
Dispomos de declarações cabais dessa preocupação a partir do próprio N. T. (Ap 22:18-19).
Justino Mártir (150 d. C.) escreveu que era costume nas congregações cristãs, quer na cidade
quer no campo, ler tanto o N. T. como o A. T. cada Domingo.
Resulta dali que tinham que existir cópias, muitas cópias (não se pode ler sem livro), e
teriam que ser cópias boas (os usuários seriam exigentes).
Embora o processo de copiar à mão resulte em erros sem querer, muitas vezes, no início
seria possível verificar qualquer cópia contra o Autógrafo (documento original), e principalmente
nas regiões mais próximas da igreja detentora do Autógrafo.
Tudo indica que pelo menos 18 e talvez até 24 dos 27 Autógrafos (2/3 a 8/9) se encontravam
na região Egéia (Grécia e Ásia Menor).
Foi exatamente nessa área que a Igreja mais prosperou, e ela se tornou o eixo da Igreja até o
4º século (pelo menos). [lembrar que Jerusalém foi saqueada em 70 d. C., e provavelmente
quaisquer Autógrafos ali existentes foram levados para a Antioquia, ou ainda mais longe].
Foi também nessa área que a língua Grega foi mais usada, e durante mais tempo — foi a
língua oficial do império bizantino (transmissão exata de qualquer texto é possível unicamente na
língua original).
A Ásia Menor foi caracterizada também por uma mentalidade conservadora quanto ao Texto
Sagrado; na Antioquia surgiu uma "escola" de interpretação literalista (por formação um literalista é
obrigado a se preocupar com a exata redação do texto, pois sua interpretação se prende a ela).
Quer dizer que até o ano 300 d. C. tinha um fluxo cada vez maior de cópias boas, fidedignas
emanando da região Egéia para o mundo cristão, precisamente porque aquela região reunia todos os
requisitos para se impor à confiança da Igreja, quanto ao Texto Sagrado (em contraste, no Egito a
igreja era fraca, herética, não se usava Grego, não havia nenhum Autógrafo [fatalmente o texto ali
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existente sempre seria de 2ª mão, no mínimo], grassava uma mentalidade alegorista — enfim, o
Egito seria um dos últimos lugares onde procurar um texto bom).
Aí houve a campanha de Diocleciano (303 d. C.), visando destruir os MSS (manuscritos) do
N. T. Sendo que a perseguição mais ferrenha se deu exatamente na região Egéia, teria sido uma
oportunidade perfeita para os tipos de texto existentes no Egito e na Itália conquistarem espaço
maior no fluxo da transmissão do Texto e fossem considerados aceitáveis ou viáveis. Mas não
aconteceu; os grandes pergaminhos ℵ, B e D não têm "filhos" — ninguém quis copiar semelhante
texto.
Aliás, podemos deduzir que a campanha de Diocleciano teve um efeito purificador na
transmissão. Grosso modo, os MSS menos preciosos e respeitados seriam os primeiros a
serem entregues à destruição; já os exemplares mais cotados e respeitados seriam protegidos a
qualquer custo, e uma vez que a perseguição passou serviriam de base para suprir as igrejas
com cópias boas novamente.

O movimento Donatista girou em torno da punição merecida pelas pessoas que entregaram
seus MSS (entre outras coisas). Obviamente muitos não os entregaram, e os que entregaram foram
discriminados.
É geralmente reconhecido por eruditos de todas as linhas teóricas que a partir do 4º século o
fluxo da transmissão do Texto foi tranqüilamente dominado por um tipo de texto, geralmente
conhecido por "Bizantino" em nossos dias. "Bizantino" porque esse império abrangeu exatamente a
região Egéia, a região que reunia todas as qualificações necessárias para garantir a transmissão fiel
do Texto. Até hoje as "Igrejas Ortodoxas" do oriente utilizam esse tipo de texto.
Lá pelo 9º século houve um "movimento" (parece que foi mais ou menos espontâneo) no
sentido de mudar o estilo de grafia de letras maiúsculas (unciais) para cursivas (minúsculas). Os
exemplares antigos eram copiados na nova "roupagem" e aparentemente grande número desses
antigos foram destruídos (ou reciclados, daí os "palimpsestos", manuscritos apagados e escritos por
cima).

Dos MSS gregos existentes hoje (do N. T.), uns 95% trazem o texto "Bizantino" e os
outros 5% são um tanto heterogêneos (o erudito Frederic Wisse fez uma comparação
minuciosa de 1.386 MSS gregos nos capítulos 1, 10 e 20 de Lucas e chegou à conclusão de que
apenas oito deles representavam o tipo de texto egípcio, geralmente chamado "Alexandrino"
em nossos dias — 8 contra 1.375 !!!).

Cabem aqui algumas ressalvas:


A mera antiguidade de um MS não garante nada quanto à sua qualidade. Aliás, devemos
perguntar: como poderia um MS sobreviver fisicamente durante mais de 1.500 anos? Teria que ficar
no desuso e ainda num clima seco. Como todos os MSS mais antigos estão cheios de erros cabais,
tudo indica que foram reprovados no seu tempo — certo é que não foram copiados, a julgar pelos
MSS existentes.
Como é que não dispomos de MS tipicamente "Bizantino" de antes do 5º século? Qualquer
MS digno de uso seria usado e gasto por esse uso. Assim, seria estranho encontrar um MS bom com
tanta idade. Os MSS fidedignos foram intensamente usados e copiados, e acabados, mas o texto
(ou redação) que traziam foi preservado através das sucessivas gerações de cópias.
A idéia de que teria havido um congresso ou concílio no 4º século que "normalizou" o texto
do N. T. carece de qualquer sustentação histórica. No caso da Vulgata Latina, que na hipótese seria
análogo (o papa tentou impor a nova tradução), não resultou o consenso que existe entre os MSS
"Bizantinos".
Como é que a grande maioria dos eruditos dos últimos cem anos tem preferido o texto
"Alexandrino" e desprezado o texto "Bizantino"? A resposta está nas pressuposições e no terreno
espiritual (por exemplo, nenhum dos cinco redatores responsáveis pelo texto eclético ora em voga
acredita que o N. T. seja inspirado por Deus, e o próprio Senhor Jesus adverte que a neutralidade no
terreno espiritual não existe [Lc 11:23]).
66

Resumindo, os livros neotestamentários foram reconhecidos como "Bíblia" desde o


início, e através das décadas e dos séculos as gerações sucessivas de crentes zelaram pela
transmissão fiel desses livros. O Texto nunca se "perdeu". Nos primeiros 200 anos, era sempre
possível constatar a exata redação de qualquer livro.
A preservação divina operou durante os séculos todos de tal modo que ainda hoje
podemos ter certeza razoável, com base em critérios objetivos, da exata redação
original do N. T.
E daí? Daí, uma preservação tamanha, uma preservação semelhante, abrangendo tantos
séculos de transmissão à mão, e passando por tantas tribulações — uma preservação assim é
simplesmente miraculosa! É uma prova aparente da atuação divina, que vale dizer também que
Deus abonou a escolha da Igreja, o Cânon.

O argumento mais contundente e convincente a favor do exato Cânon que a


Igreja vem defendendo através dos séculos é exatamente a preservação
miraculosa desse Cânon. Essa preservação é igualmente um forte argumento a
favor da inspiração do Texto.
É o argumento lógico.

Se o Criador fosse dar uma revelação à nossa raça, deveria também preservá-la.
Constatamos que Ele a preservou, com efeito. Porque Ele cuidou tanto de preservar esse Texto, e só
esse Texto? Presumivelmente porque Ele tinha interesse especial nesse Texto.
Deus não só inspirou, mas também preservou Sua Palavra incessante-inerrável-infalível-
verbalmente, da forma mais perfeita e absoluta. Vejamos:

• Salmos 12:6-7-- As palavras do SENHOR são palavras PURAS, [como] prata refinada em
fornalha de barro, purificada sete vezes. (7) Tu os GUARDARÁS, SENHOR, desta geração
os livrarás [PRESERVARÁS] PARA SEMPRE. (Também pode [e deve!] ser traduzido “Tu
as GUARDARÁS, ... as PRESERVARÁS ...”, referindo-se às palavras de Deus!)
• Salmos 19:7-- A lei do SENHOR é PERFEITA, e refrigera a alma; o testemunho do
SENHOR é FIEL, e dá sabedoria aos símplices. (8) Os preceitos do Senhor são RETOS e
alegram o coração; o mandamento do Senhor é PURO e ilumina os olhos.
• Salmos 119:89-- [lamed:] PARA SEMPRE, ó SENHOR, a tua palavra PERMANECE [está
estabelecida] no céu.
• Salmos 138:2-- ... engrandeceste a tua PALAVRA acima de todo o teu nome
(! Que inspiração verbal, i.é, palavra por palavra!).
• Isaías 40:8-- Seca-se a erva e cai a flor, porém a PALAVRA de nosso Deus subsiste
ETERNAMENTE.
• Mateus 4:4-- ... Está escrito: Nem só de pão viverá o homem, mas de TODA a PALAVRA
que sai da boca de Deus.
• Mateus 5:18-- ... até que o céu e a terra passem, nem um jota ou um til se omitirá da lei,
sem que tudo seja cumprido.
• Mateus 24:35-- O céu e a terra passarão, mas as minhas palavras NÃO HÃO DE PASSAR.
• Lucas 16:17-- E é mais fácil passar o céu e a terra do que cair um til da lei.

Este volume é a escrita do Deus vivo: cada letra foi escrita por um dedo Todo-poderoso;
cada palavra saiu dos lábios eternos, cada frase foi ditada pelo Espírito Santo. Ainda que Moisés
tenha sido usado para escrever suas histórias com sua ardente pluma, Deus guiou essa pluma. Pode
ser que Davi tenha tocado sua harpa, fazendo que doces e melodiosos salmos brotassem de seus
dedos, porém Deus movia Suas mãos sobre as cordas vivas de sua harpa de ouro. Pode ser que
Salomão que tenha cantado os Cânticos de amor ou pronunciado palavras de sabedoria consumada,
67
porém Deus dirigiu seus lábios, e fez eloqüente ao Pregador. Se sigo o trovejador Naum, quando
seus cavalos aram as águas, ou a Habacuque quando vê as tendas de Cusã em aflição; se leio
Malaquias, quando a terra está ardendo como um forno; se passo para as serenas páginas de João,
que nos falam de amor, ou para os severos e fogosos capítulos de Pedro, que falam do fogo que
devora os inimigos de Deus, ou para Judas, que lança anátemas contra os adversários de Deus; em
todas partes vejo que é Deus quem fala.
É a voz de Deus, não do homem; as palavras são as palavras de Deus, as palavras do Eterno,
do Invisível, do Todo-poderoso, do Jeová desta terra. Esta Bíblia é a Bíblia de Deus; e quando a
vejo, parece que ouço uma voz que surge dela, dizendo: “Sou o livro de Deus; homem, leia-me. Sou
a escrita de Deus: abra minhas folhas, porque foram escritas por Deus; leia-as, porque Ele é meu
autor, e O verá visível e manifesto em todas as partes”. “[Eu] escrevi-lhe as grandezas da minha lei,
porém essas são estimadas como coisa estranha” (Oséias 8:12). (Retirado do Sermão do Reverendo
C. H. Spurgeon: A Bíblia (The Bible ) - Um Sermão (Nº 0015) - Pregado na Manhã de Domingo,
18 de Março de 1855, no Exeter Hall, Strand— Londres —Inglaterra).

Deus preservou Sua palavra de modo tão maravilhoso, somente


através dos Textos Massoréticos (V.T.) e do Texto Recebido (N.T.)

• ANTIGO TESTAMENTO:

Cuidados extremos dos copistas garantiram que mesmo hoje apenas 1 de cada 1580 letras do
V. T. tenha variante, mesmo que esta variante seja totalmente improvável! E nenhum desses casos
tem o menor dos menores efeitos em nenhuma doutrina!
Nenhuma letra, sequer, podia ser escrita de memória: o escriba tinha que ter uma cópia
autêntica sob seus olhos, e tinha que ler supercuidadosamente e pronunciar bem alto cada palavra,
tanto antes como depois de copiá-la!
Cada jovem escriba era advertido pelo escriba ancião: “Acautela-te de como fazes teu
trabalho, porque este é o trabalho do céu, não aconteça que tu omitas ou insiras uma letra e assim te
tornes o destruidor do mundo!” (mundo = humanidade).
Cada palavra e cada letra era contada, e se UMA letra tivesse sido omitida ou inserida, ou se
UMA letra tocasse uma outra letra, a página era imediatamente (!) destruída (!); três erros numa
página condenavam todo o manuscrito!

• NOVO TESTAMENTO:

Há cerca de 6000 manuscritos em Grego. Compare:

“Texto Recebido” (Impresso por Erasmus,“Textos Críticos” (Impressos por Westcott e Hort,
Stephen, Beza, Elzevir, etc., a partir de 1516) etc., a partir de 1881)
São cerca de 95% dos manuscritos em Grego São cerca de 5% dos manuscritos em Grego
São absolutamente consistentes entre si São absolutamente inconsistentes entre si (e, até,
cada um consigo próprio)
Vieram de igrejas firmes Vieram de igrejas introdutoras de heresias
(Alexandria)
Únicos textos adotados pelas igrejas fiéis eSó recentemente descobertos / adotados pelos
instruídas, sempre, antes e após a Reforma. liberais e modernistas, que os chamam “mais
antigos e melhores textos”.
Das cerca de 140.000 palavras do N.T. em Grego, os T.C. omitem/alteram/adicionam cerca de
10.000. Dos 200 casos que examinei [o autor], os T.C. sempre (!) diminuem a inspiração das
Escrituras, a divindade de Cristo, Seu sangue, Seu nascimento virginal, a natureza vicária da
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Sua morte, a Trindade, outras doutrinas cardinais. Agora, responda: Em que Texto está
evidenciado o sutil e destruidor dedo do Diabo? Ef 6:12.

Por tudo isto, e:

- por ser impensável que Deus tenha falhado seu juramento de incessante-inerrável-verbalmente
preservar Sua Palavra;
- por ser impensável que ela não reinou, reine e reinará em uso pelas igrejas fiéis através dos séculos
e até a eternidade;
- por ser impensável que Deus deixou uma versão “imperfeita” reinar entre os fiéis, para só neste
século (só em 1958 na língua Portuguesa!, com a “Atualizada”) restaurar uma versão “melhor, mas
ainda não absolutamente indubitável em cada letra, afinal ninguém realmente muito erudito e
inteligente pode ter certeza absoluta de cada palavra de um livro passado por mãos humanas...”

Temos que concluir que:

- O único e verdadeiro N.T., plena-verbal-infalivelmente inspirado e preservado por Deus, é o do


Texto Recebido.
- Assim, o crente que quiser ser ao máximo fiel à Palavra de Deus não tem senão duas versões em
Português a escolher:
- “Almeida Revista e Corrigida”, mais antiga e tradicional; e
- “Almeida Corrigida e Revisada, Fiel ao Texto Original” (“Trinitariana”), que é ainda melhor
que a anterior.
Ambas as versões mencionadas são as traduzidas fielmente somente do Texto Recebido.

Todas as outras versões “protestantes” mesmo tidas como “conservadoras”


(Contemporânea, Atualizada, “de acordo com os melhores textos”, NVI, etc.) são
baseadas nos Textos Críticos e devem ser rejeitadas pelo crente que quiser ser ao
máximo fiel a Deus.

Os autógrafos originais de todos os livros do Novo Testamento não existem mais. Eram
feitos de papiro e este material não resistia aos séculos em condições normais de uso. O que temos
hoje, são cópias destes originais. O fato dos originais não existirem não deve assustar ninguém. Até
mesmo a obra de Camões, "Os Lusíadas", só é preservada por cinco cópias e não há o original.
Mesmo assim, ninguém duvida de que temos a obra como Camões a escreveu com sua
própria mão. A famosa “Ilíada” de Homero é atestada por 643 manuscritos, sendo que o mais antigo
manuscrito completo é do século treze! As tragédias gregas de Eurípides são atestadas por
aproximadamente 330 manuscritos.

A SUFICIÊNCIA DA BÍBLIA (Sl 119:89-104; Lc 16:29-31)


Faz parte integrante da fé evangélica a convicção de que a igreja nada pode acrescentar à
Bíblia e de que todas as suas doutrinas devem ser testadas pela sua fidelidade às Escrituras.
Embora valendo-nos da erudição dos expositores, nem por isso devemos aceitar deles, ou de
quem quer que seja, qualquer opinião que esteja em conflito com o sentido claro da própria Bíblia
(At 17:11) – pois cremos que esta nunca se contradiz.
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Em última análise, devemos depender da unção do mesmo Espírito de Deus que inspirou os
escritores (Jo 16:13; 1 Co 2:10-14; 1 Jo 2:27). Para tanto, havemos de <<permanecer Nele>>, a fim
de sabermos o que é que nos diz o Deus que <<falou aos profetas>> (Jo 6:63; 2 Co 3:6).

“Toda escritura é inspirada por Deus e útil para o ensino, para a


repreensão, para a correção, para a educação na justiça, a fim de que o
homem de Deus seja perfeito e perfeitamente habilitado para toda boa
obra.”
2 Timóteo 3:16-17
A AUTORIDADE SUPREMA DAS ESCRITURAS
A igreja primitiva recebia a Bíblia como a autoridade final. Gaussen diz:
“Com exceção unicamente de Theodore de Mopsuestia, tem sido impossível encontrar, ao
longo dos oito primeiros séculos do cristianismo, um único doutor que tenha negado a inspiração
plena das Escrituras, a menos que fosse no seio das mais violentas heresias que têm atormentado a
igreja cristã; isso equivale a dizer, entre os gnósticos, os maniqueístas, os anomistas e os
maometanos”. L. Gaussen, Theopneustia (Chicago: The Bible Institute Colportage Ass’n n. D.) pág.
139 e segs. (Palestras em Teologia Sistemática – Henry Clarence Thiessen, pg. 45).
A autoridade suprema das Escrituras também é uma doutrina puritano-presbiteriana. A ela os
puritanos tiveram que apelar freqüentemente na luta que foram obrigados a travar contra as
imposições litúrgicas da Igreja Anglicana.
A Confissão de Fé de Westminster professa a referida doutrina em três parágrafos do seu
primeiro capítulo. No quarto parágrafo, ela trata da origem ou fundamento da autoridade das
Escrituras:

“A autoridade da Escritura Sagrada, razão pela qual deve ser crida e obedecida,
não depende do testemunho de qualquer homem ou igreja, mas depende
somente de Deus (a mesma verdade) que é o seu Autor; tem, portanto, de ser
recebida, porque é a Palavra de Deus”.

O décimo e último parágrafo desse capítulo confere às Escrituras (a voz do Espírito Santo) a
palavra final para toda e qualquer questão religiosa, reconhecendo-a como supremo tribunal de
recursos em matéria de fé e prática:

“O Juiz Supremo, pelo qual todas as controvérsias religiosas têm de ser


determinadas, e por quem serão examinados todos os decretos de concílios, todas
as opiniões dos antigos escritores, todas as doutrinas de homens e opiniões
particulares; o Juiz Supremo, em cuja sentença nos devemos firmar, não pode
ser outro senão o Espírito Santo falando na Escritura”.

Mas, visto que Cristo nos fala agora pelo seu Espírito por meio das Escrituras (Hb 1:1), e
que as revelações da criação e da consciência não são nem perfeitas e nem suficientes por causa da
queda, que corrompeu tanto uma como outra, a palavra final, suficiente e autoritativa de Deus
para esta dispensação são as Escrituras Sagradas.
O fato é que, por procederem de Deus, as Escrituras reivindicam atributos divinos: são
perfeitas, fiéis, retas, puras, duram para sempre, verdadeiras, justas (Sl 19:7-9) e santas (2 Tm 3.15).
Cf. também Salmo 119:39, 43, 62, 75, 86, 89, 106, 137, 138, 142, 144, 160, 164, 172, Mateus
24:34; João 17:17; Tiago 1:18; Hebreus 4:12 e 1 Pedro 1:23, 25.

Que autoridade teria Paulo para exortar aos gálatas no sentido de rejeitarem qualquer
evangelho que fosse além do evangelho que ele lhes havia anunciado, ainda que viesse a ser
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pregado por anjos? Só há uma resposta razoável: ele sabia que o evangelho por ele anunciado não
era segundo o homem; porque não o havia aprendido de homem algum, mas mediante revelação de
Jesus Cristo (Gl 1:8-12).

Jesus também atesta a autoridade suprema das Escrituras: pelo modo


como a usa, para estabelecer qualquer controvérsia: "está escrito" (exemplos:
Mt 4:4, 6, 7, 10; etc.), e ao afirmar explicitamente a autoridade das mesmas,
dizendo em João 10:35 que "a Escritura não pode falhar."
A fé reformado-puritana reconhece a autoridade de todo o conteúdo das Escrituras, e sua
plena suficiência e suprema autoridade em matéria de fé e práticas eclesiásticas.
Tão importante foi a redescoberta destas doutrinas pelos Reformadores, que se pode afirmar
que, da aplicação prática das mesmas, decorreu, em grande parte, a profunda reforma doutrinária,
eclesiástica e litúrgica que deu origem às igrejas protestantes. Todas as doutrinas foram submetidas
à autoridade das Escrituras. Todos os elementos de culto, cerimônias e práticas eclesiásticas foram
submetidos ao escrutínio da Palavra de Deus. A própria vida (trabalho, lazer, educação, casamento,
etc.) foi avaliada pelo ensino suficiente e autoritativo das Escrituras. Muito entulho doutrinário teve
que ser rejeitado. Muitas tradições e práticas religiosas acumuladas no curso dos séculos foram
reprovadas quando submetidas ao teste da suficiência e da autoridade suprema das Escrituras. E a
profunda reforma religiosa do século XVI foi assim empreendida.

Pergunta-se: Qual a maneira mais convincente de demonstrar a autoridade de


um leão?
Resposta: solte-o e verás...
É assim com a Bíblia também...

CONCLUSÃO
Mas muito tempo já se passou desde então. O evangelicalismo moderno recebeu,
especialmente do século passado, um legado teológico, eclesiástico e litúrgico que precisa ser
urgentemente submetido ao teste da doutrina reformada da autoridade suprema das Escrituras.
É tempo de reconsiderar as implicações desta doutrina. É tempo de reavaliar a nossa fé,
nossas práticas eclesiásticas e nossas próprias vidas à luz desta doutrina. Afinal, admitimos que a
Igreja reformada deve estar sempre se reformando — não pela conformação constante às últimas
novidades, mas pelo retorno e conformação contínuos ao ensino das Escrituras.

Lema da Reforma: “Eclésia Reformata Semper Reformanda” (a igreja deve sempre estar aberta
para ser corrigida por Deus, arrepender-se dos seus pecados e reformar-se em conformidade com o
ensino das Escrituras). (Ap 2:5, 16, 21; 3:3, 19).

No atual clima de relativismo, a opinião parece ser o único referencial para o que a pessoa
deve crer ou praticar. Dentro desse contexto, o aborto e o homossexualismo devem ser analisados
por critérios puramente pragmáticos. O fato de Deus ter revelado os limites da sexualidade humana
e o respeito pela vida não é mais válido para o homem moderno. Ele não acredita que Deus tenha
falado.
Entretanto, para os evangélicos que aceitam a Bíblia como a Palavra de Deus, pesa a
responsabilidade de levar essa convicção a sério. Não obstante, é triste notar que, também neste
caso, a teoria está longe da prática.
Hoje em dia, supostas revelações místicas têm mais autoridade do que a clara exposição da
Bíblia. Cremos em idéias jamais ensinadas pelos profetas, por Jesus ou pelos apóstolos: regressão
71
psicológica, decreto, entre outras coisas que jamais foram ensinadas na Bíblia. Então, por que as
praticamos? [O motivo é] Por que funcionam? [O motivo é] Por que atraem as pessoas?

“Mas o Espírito expressamente diz que nos últimos tempos apostatarão alguns da fé, dando ouvidos
a espíritos enganadores, e a doutrinas de demônios”. (1 Tm 4:1 - A.C.F.)

“Porque se levantarão falsos cristos, e falsos profetas, e farão sinais e prodígios, para enganarem, se
for possível, até os escolhidos”. (Mc 13:22 - A.C.F.)

Assumir a autoridade da Bíblia implica enfatizar aquilo que ela enfatiza. Em nome da
relevância, estamos assimilando filosofias da época atual e saímos à busca de textos fora de
contexto para justificá-las.

A partir do instante em que aceitamos a autoridade da Bíblia, somos


chamados pela força da Palavra a nos submetermos à autoridade de Deus. Se
Ele, o Criador, de fato se revelou aos homens através de palavras, tal revelação
tem a força de lei para as Suas criaturas.
Como Soberano do Universo, Deus tem o direito de exigir plena obediência
às Suas ordens e fazer valer Sua autoridade através de justo julgamento. Deus,
sendo onisciente e eterno, faz da Sua Palavra autoridade para todas as áreas da
vida humana, sejam elas espirituais, morais, intelectuais e físicas.

Uma pregação teocêntrica enfatizará a mensagem da Bíblia. Certamente, ela não é popular.
Nunca o foi. Se o crescimento numérico fosse o critério para a verdade, Jesus não teria tido muito
sucesso na Sua vida terrena, pois até alguns dos Seus discípulos mais próximos O abandonaram
quando Ele começou a expor todas as implicações do discipulado. Se cremos na Bíblia como a
Palavra de Deus, devemos pregá-la, quer ouçam quer deixem de ouvir.

O povo de Deus abandona as águas cristalinas da verdade para beber nas


cisternas furadas e apodrecidas do erro. O remédio de Deus parece ser mais
amargo, porém é eficaz!

Sabendo que a nossa natureza pecaminosa nos impulsiona em direção ao erro e ao pecado,
conhecendo o engano e a corrupção do nosso próprio coração, reconhecendo os dias difíceis pelos
quais passa o evangelicalismo moderno (particularmente no Brasil), e a ojeriza doutrinária, a
exegese superficial e a ignorância histórica que em grande parte caracterizam o evangelicalismo
moderno no nosso país, não temos o direito de assumir que nossa fé e práticas eclesiásticas sejam
corretas, simplesmente por serem geralmente assim consideradas. É necessário submeter nossa fé e
práticas eclesiásticas à autoridade suprema das Escrituras.
Assim fazendo, não é improvável que nós, à semelhança dos Reformadores, também
tenhamos que rejeitar considerável entulho teológico, eclesiástico e litúrgico acumulados nos
últimos séculos. Não é improvável que venhamos a nos surpreender, ao descobrir um
evangelicalismo profundamente tradicionalista, subjetivo e racionalista. Mas não é improvável
também que venhamos a presenciar uma nova e profunda reforma religiosa em nosso país.
Que assim seja!

Oh! quanto amo a tua lei! É a minha meditação em todo o dia.


Tu, pelos teus mandamentos, me fazes mais sábio do que os meus inimigos; pois estão sempre
comigo.
Tenho mais entendimento do que todos os meus mestres, porque os teus testemunhos são a minha
meditação.
72
Entendo mais do que os antigos; porque guardo os teus preceitos.
Desviei os meus pés de todo caminho mau, para guardar a tua palavra.
Não me apartei dos teus juízos, pois tu me ensinaste.
Oh! quão doces são as tuas palavras ao meu paladar, mais doces do que o mel à minha boca.
Pelos teus mandamentos alcancei entendimento; por isso odeio todo falso caminho.
Lâmpada para os meus pés é tua palavra, e luz para o meu caminho.

(Salmos 119-97-105)
FONTES DE CONSULTAS

• Bíblia Almeida Corrigida e Revisada Fiel ao Texto Original - SBTB


• Estudo: BIBLIOLOGIA - A DOUTRINA DA BÍBLIA (por Hélio Menezes Silva, em Set/97,
para a Igreja Batista Fundamentalista de Campina Grande), retirado do site:
http://solascriptura-tt.org/
• Estudo: A BÍBLIA SAGRADA - O Livro dos Livros - O milagre de Deus para a
humanidade. (Pr. Emídio Viana)
• Livro: Palestras em Teologia Sistemática – Henry Clarence Rhiessen – Editora Batista
Regular.
• Pequena Enciclopédia Bíblia – Orlando Boyer – Ed. Vida.
• Livro: Introdução Bíblica (Como a Bíblia chegou até nós) – Norman Geisler e William Nix,
Ed. Vida.
• Estudo: Creio na Inspiração da Bíblia: por Deus, totalmente, infalível, inerrável, cada
palavra (Humberto Rafeiro, outubro 2002, retirado do site: http://solascriptura-tt.org/)
• Estudo: O Período Entre os Testamentos e O Novo Testamento - Missionário Calvin
Gardner
• Pesquisa de Teologia Bíblica do Antigo Testamento - Produção Teológica no Período
Intertestamentário - Prof.: Rev.: Isaías Cavalcanti. Sem.: Josias Macedo Baraúna Jr.,
Seminário Teológico Presbiteriano do Rio de Janeiro, 1998.
• Texto: A CANONICIDADE DO NOVO TESTAMENTO - Wilbur (Gilberto) Norman
Pickering.
• Texto: Como posso ter certeza de que a Bíblia está falando a verdade? - Autores: Henry
Morris e Martin Clark, adaptado do livro dos mesmos A Bíblia tem a resposta, publicado por
Master Books, 1987. Texto suprido para a Eden Communications com a permissão de
Master Books. (http://www.solascriptura-tt.org/)
• Texto: Formação do Cânon do Novo Testamento - Augusto Bello de Souza Filho
• Texto: "Bíblia - Preservação Perfeita Ou Restauração Insegura? Ou "O Cânon das Palavras
Está Perfeito e Fechado, Parem de Mexer com Elas!", retirado do site: http://solascriptura-
tt.org/
• Estudo: A DOUTRINA REFORMADA DA AUTORIDADE SUPREMA DAS
ESCRITURAS
Paulo Anglada (http://www2.uol.com.br/bibliaworld/igreja/estudos/doutr001.htm)
• Texto: Fidelidade de Transmissão dos Textos Bíblicos; Quais Manuscritos? - Waldemar
Janzen, 17 junho 2001- http://apologetic.freeyellow.com/FidelTextos.htm
• Texto: Mitos Sobre a Septuaguinta e Traduções Modernas - por Dr. Larry Spargimino -
Traduzido para o português por Waldemar Janzen -
(http://apologetic.waetech.com.br/Septuaginta.htm).
• Texto: A MENSAGEM QUE VEIO DO CÉU - Rev. Jorge Issao Noda - Revista Raio de Luz
- Ano 28 – Edição 111 - Outubro de 1998.