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IV ENCONTRO NACIONAL DA ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE ESTUDOS DO TRABALHO

São Paulo, 28-29 de Setembro de 1995

FEA-USP

Discurso Operário, Alteridade e as Possibilidades Brasileiras de Transformação das

Condições de Trabalho. 1

Renato Rocha Lieber 2

Departamento de Produção Faculdade de Engenharia da UNESP Guaratinguetá

"O que se chama ´objetivo´ é o lado não controverso pelo qual aparecem as coisas, seu clichê aceito inquestionadamente, a fachada composta de dados classificados, em suma:

o que é subjetivo; e o que as pessoas chamam de ´subjetivo´ é o que rompe tudo isso, o que entra na experiência específica de uma coisa, dispensa os juízos convencionados sobre isso, colocando a relação com o objeto no lugar da resolução majoritária daqueles que sequer o contemplam, quanto menos o pensam, em suma: o que é objetivo." T. Adorno, "Minima Moralia", 1951

"Nós brasileiros estamos firmemente persuadidos, no fundo de nossos corações, que sobreviveremos ao fim do mundo que acontecerá um dia. Fundaremos então um reino de justiça, pois somos o único povo da terra que pratica diariamente a lógica do ilógico Guimarães Rosa (entrevista)

"

O espaço reservado à interpretação do discurso operário no ambiente de trabalho tem sido

tradicionalmente vinculado à racionalidade tecnológica. A administração científica, por exemplo,

como expressão máxima da modernidade no trabalho, tem usado a fala operária para o

enquadramento dos indivíduos em seus arquétipos, presumindo a possibilidade de revelação dos

indicadores da "compatibilidade física e psíquica" às condições de trabalho supostamente

invariáveis (1). Em sentido oposto, porém ainda sob a mesma racionalidade, o discurso operário

passa a ser revelador de sofrimento, como na psicopatologia do trabalho (2), ou de expressão de

resistência ao sistema organizacional imposto, como em alguns estudos sociais realizados entre

nós (3,4).

1 In: 4o. Encontro Nacional de Estudos do Trabalho, Associação Brasileira de Estudos do Trabalho - ABET, São Paulo, 28-29.9.95. Anais. São Paulo, ABET/FEA-USP, 1997. v2, p.967-78.

2 lieber@feg.unesp.br

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Mais recentemente, entretanto, a psicopatologia do trabalho, embora ainda voltada ao sofrimento operário, tem revelado através da análise de discursos a ocorrência de estratégias entre os trabalhadores, que a nível individual ou coletivo vão viabilizar a execução de tarefas nas condições de fato, em contraposição àquelas presumidas (5). O estudo de Dejours (6) mostrou que embora possa haver um elevado conteúdo tecnológico em dada condição de trabalho, como numa usina nuclear francesa, subsiste também a necessidade de improvisações essenciais que o sistema racionalizado não concebe. De fato, tem sido possível reinterpretar as psicopatologias decorrentes dessas situações adversas não apenas como decorrentes do "incerto" ou do "imprevisto perigoso" da situação em si, geradora do "medo", mas também pela ciência de se estar agindo conscientemente em conflito com "normas", supostamente aplicáveis.

Algo em semelhança com a disputa epistemológica entre Popper e Kuhn (7), teríamos o próprio desenvolvimento tecnológico caminhando entre a opção ditada pela modernidade, via controle crescente do singular na busca de um geral absoluto, e uma opção paradigmática, valorizando o singular na sua capacidade de transformação radical. Não se trata, portanto, da sistematização de procedimentos não sistematizados, mas sim da legitimação e da abertura de espaços para a sua reprodução em uma dada cultura.

Em outras palavras, trata-se do reconhecimento do indivíduo nos seus propósitos produtivos e da validade das suas próprias opções. Este, não encontrando os subsídios necessários à execução da tarefa na cultura formal, restrita e determinada pela organização do trabalho, vai buscá-los em sua cultura geral e expontânea, determinante de seus valores e de seus princípios de convívio e ação. Aquilo que tem sido chamado de "Compatibilização entre gestão moderna e tradições locais" [8], fazendo supor uma objetividade (gestão moderna) permissiva, tolerante em relação à subjetividade que permeia as culturas (tradições locais), pode na verdade ser reinterpretado como estratégias de inserção do trabalhador nos ambientes tecnológicos altamente racionalizados. Exemplos do Japão [9], Tunísia [10] e Mexico [11] fazem supor que o sucesso organizacional depende dessas estratégias. O caso estudado no México [11], situação cultural que nos é mais próxima, mostra que uma complexa fábrica de laticínios pôde ser operada por trabalhadores semi- qualificados graças as relações de "compadre", que permitiram a mútua assistência e a reprodução de conhecimentos e experiências nos grupos.

Muito embora não seja um fato novo a necessidade da adaptação às condições locais nas transferências tecnológicas [12], pouco tem sido proposto para as questões de gestão, determinantes das condições de trabalho. Já há muito tem sido reconhecida, por exemplo, a necessidade da "tropicalização" de recursos técnicos. Outras propostas, entretanto, como o enfoque sócio-técnico [13], preconizando o valor da cultura como determinante da opção tecnológica, não têm merecido o mesmo destaque. Na verdade, as opções atuais voltadas

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principalmente para ações globalizadas e concorrência de mercado, pressupondo "modelos de sucesso" (particularmente aqueles praticados no Japão), mantém a tradicional interpretação expressa por indianos [14] na década de 70 que o desenvolvimento industrial nos países periféricos dependeria de transformações culturais.

Nesse contexto racionalizado, o desenvolvimento econômico, tecnológico e a determinação das condições de trabalho, por conseqüência, pressupõem-se sustentados no controle, ao invés na aceitação da opção operária. Esta, por sua vez, embora possa estar ligada à valores coletivos, encontra-se em flagrante conflito com essa racionalidade. Nesse caso, a estratégia revelada pelo discurso corresponderia à uma condição de alteridade.

Assim sendo, o problema se apresenta como resgate, apresentação e legitimação do discurso de um "diferente". Como questão complementar, se apresenta ainda a condição brasileira na sua forma particular de aceitação e controle dessa alteridade, o convívio com contradições ("o mal necessário"), os aspectos históricos e as respectivas implicações na transformação das condições de trabalho.

1. Possibilidades de interpretação do discurso operário como a fala do estrangeiro (15)

Como discutido acima, o discurso operário no contexto tecnológico formal encontra-se numa situação característica de estar ao mesmo tempo na condição "de diferente" e na "de pertencer a um geral". Diferente enquanto forma de apresentação (no domínio de termos formais) e, principalmente, diferente enquanto lógica de inserção de necessidades à realidade, já que o presumido não confere necessariamente com o circunstancial, vivido de fato. Por outro lado, o mesmo discurso também pertence a um geral, um geral definido pela realidade de um "em torno comum" estabelecido pelo trabalho (e não necessariamente pela tarefa, que pode ser distinta) e pelo outro geral estabelecido pela parte compartilhada da cultura. Tal situação sugere uma condição de alteridade, cujas possibilidades de rejeição ou aceitação passam a ser aqui analisadas como próprias do estrangeiro.

A condição de alteridade ou "estrangeirice" seria decorrente não do absolutamente estranho, mas sim do familiar que se apresenta outro. Tal familiaridade permitiria a surpresa, a fascinação ou mesmo a intimidação, dentro de um contexto regido pelo acontecimento ("ruptura na trama de representações e rotinas") e pela transpassibilidade ("passibilidade ao inesperado, ao surpreendente ao impossível ao inacreditável"). Forçando a aproximação pela familiaridade e estranheza, o discurso revela uma solicitação de hospitalidade, vindo a constituir um "rasgo na proximidade absoluta" (16).

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Duas possibilidades de resistência se apresentariam ao ouvinte: "desconhecer o outro na sua estranheza" (reduzindo-o ao familiar pela integração) ou repudiá-lo, ignorando a familiaridade e reduzindo o estrangeiro num bárbaro, "absolutamente idêntico a si mesmo". Teríamos, no primeiro caso, a fala operária reduzida ao argumento tecnológico (que reconheceria a própria incompletude, sem admitir o seu desvirtuamento). Ou então, a fala seria re-explicada, reconduzida, sofrendo um processo de convencimento da sua dimensão reduzida em relação à dimensão pressupostamente maior da racionalidade tecnológica. No segundo caso, a fala operária tornar-se-ia irredutível ao argumento tecnológico, seria apenas um sem-sentido, desprovido de racionalidade técnica por natureza, já que a condição operária não estabelece o contexto tecnológico (é bárbara em si). Firma-se o estereótipo.

Tal como no processo psicoanalítico, também a fala operária no contexto tecnológico capitula e a sua "alteridade se torna invisível e sucumbe à tutela da identidade". Mas ao contrário deste, os caminhos alternativos podem ser menos difíceis. Aceitar a condição estrangeira, que implica na "diferença como princípio de estruturação", embora traduza uma condição radical para o contexto tecnológico, pode ser também espaço de descoberta, determinado pela nova condição de desalojamento. Mesmo assim, permanece o risco de uma mesmice, já que o novo espaço pode ser simplesmente ocupado, independente da descoberta reveladora da sua vastidão.

2. Aproximação da fala operária: as vivências

Experiências vividas de aproximação da fala operária mostram um primeiro momento desconcertante. Pesquisas de campo tão diversas como entre trabalhadores da construção civil (17,18) ou entre aqueles no setor petroquímico (19) têm proporcionado essa experiência inicial perplexa. É o desencontro da fala revelando-se ora pela frustração diante do silêncio do outro, ora pela admiração diante do inusitado. É a denúncia da "estrangeirice" recíproca. É o próprio pesquisador descobrindo-se um estrangeiro, forçando o encontro transformador das partes, assustado diante do risco de submissão da "sua lógica".

As pesquisas entre trabalhadores de construção civil foram conduzidas dentro de um projeto interdisciplinar de engenharia, tomando-se a melhoria das condições de trabalho como tema central. Matsumoto (17) e Cherin (18) acompanharam os serviços de obra em diferentes condições, analisando as dificuldades presentes, a dinâmica e as propostas de solução do sistema organizado em confronto com o cotidiano de trabalho. Os procedimentos prescritos para a montagem de forros de gesso, por exemplo, mostraram-se em grande parte inviáveis nas condições determinadas pela realidade dinâmica de grandes obras (19). As recomendações para armazenagem e corte não podiam ser seguidas. O ritmo imposto pela produção congestionava os espaços e impossibilitava a reserva de locais tão amplos, como seria exigido para placas de mais

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de 3m2 de superfície. Recomendações de segurança, como uso de cinto ou de capacete apresentavam-se absurdas para a rotina de deslocamento exigida, em posições quase sempre com olhar voltado para o alto. É na sua fala que o trabalhador revela o contra-senso e a sua estratégia para superá-lo:

"Certa vez numa obra, tínhamos um prazo curto para poder instalar o forro. Como o pé-direito era de mais ou menos seis metros, éramos obrigados a trabalhar com o cinto de segurança fixo no andaime de ferro. Só que era impossível trabalhar rápido se o cinto prendia toda hora. Sempre que desenganchávamos o cinto, lá vinha o pessoal da CIPA exigir o uso do cinto. No final do dia, pouco forro tinha sido montado perto daquilo que a gente poderia montar se não estivéssemos usando cinto. Aí, eu e meus colegas resolvemos trabalhar naquele fim de semana inteiro e sem o cinto, aproveitando que a CIPA não estava na obra e adiantamos bem o serviço."

Fiscal de montagem, 38 anos

Entrevistando pedreiros, carpinteiros, armadores e ajudantes, Cherin (18) constatou, por exemplo, que quase a metade dos trabalhadores que concordam com a necessidade de uso de cinto de segurança na construção civil, de fato nunca tiveram que usá-lo. Mas para aqueles que se submetem a tarefas em altura, com propósito produtivo:

"O cinto usado em construção é muito trabalhoso para por e tirar fazendo com que a gente perca muito tempo, isso faz com que a gente evite usar o cinto em serviços curtos."

Armador, 32 anos

De forma semelhante, para o uso de luvas e da coifa de proteção na serra circular, embora sejam

itens aceitos por quase todos, sustentados na exigência sindical (20), muito pouco tem a ver com

a realidade do carpinteiro:

"Se quem comprou a coifa acha que ela vai proteger as mãos na hora de cortar a madeira, está "

muito enganado, pois a coifa não evita cortes. O peão tem que ficar atento

Carpinteiro, 30 anos

A incapacidade de aproximação com essa realidade vivida, expressa pela resistência do ouvinte,

acaba reduzindo a condição operária em sí mesma. Ora é o "peão inculto", incapaz de se proteger

e ardiloso (um bárbaro), ora é o objeto passível de doutrinação pela aproximação técnica:

treinamento e conscientização.

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Assumindo-se, todavia, a contradição imposta pela realidade, a escuta abre espaço para um potencial transformador. Matsumoto (17) transcreve várias alternativas tecnológicas sugeridas pelos depoentes, como anel corrediço para o cinto de segurança, pistola de gesso para arremate

de junta e um montante telescópico de sustentação auxiliar, capaz de poupar a mão de obra de

um ajudante. O montador de forro, no caso, em sua busca para aumento da produtividade, propõe técnicas e dispositivos com possibilidades de melhoria da sua condição de trabalho como um todo.

O acompanhamento de paradas para manutenção de grandes complexos petroquímicos (19)

possibilitou a coleta de discursos de indivíduos absolutamente inexperientes naqueles ambientes, mas nem por isso despossuídos de um potencial tecnológico inovador, como mostra o caso a seguir: Um ex-ajudante de cozinha foi escalado para limpar uma torre de separação de

hidrocarbonetos, previamente purgada e liberada. O espaço interior, restrito em dimensões e em

iluminação, ficava dividido por bandejas para sustentação dos borbulhadores. Devido à presença

de enxofre sob diversas formas, a superfície interna sofre corrosão e o produto, sulfeto de ferro,

deposita-se na forma de pó. Por tradição, conveniências ou pela pequena importância dos custos

envolvidos, a tarefa de limpeza estava sendo feita, como habitualmente, com jato de ar comprimido. O ajudante, acidentando-se ao ter o dedo esmagado entre as bandejas, foi questionado sobre as suas condições de trabalho e sobre as possibilidades de melhoria:

"Se eu tivesse um aspirador de pó seria melhor. Com ar comprimido eu sopro prum lado e pro outro e o pó fica lá. Já estou há uma semana."

Ajudante geral, 22 anos

Manutenções desse gênero envolvem diretamente de 2.000 a 3.000 pessoas concomitantemente por quase um mês. Embora o planejamento da organização dos serviços tenha levado anos, o

planejador de fato jamais tentou limpar uma torre de fracionamento com ar comprimido. Mas será

no momento de trabalho que vão fervilhar 3.000 idéias diferentes, manietadas e sufocadas. Idéias

subvertedoras da ordem imposta, tão exóticas como a presença de um ex-ajudante de cozinha

dentro de uma torre petroquímica, mas tão firmes no propósito produtivo como toda a organização

se arvora.

3. Para Prosseguir: Opção brasileira na alteridade e na técnica

Se a diferença deve ser tomada como princípio de estruturação para aceitação da alteridade, ato contínuo é questionar-se o traço cultural que se apresenta para o convívio ou superação

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daquela. Mais ainda, se a diferença está presente naquele que é, persiste então uma contradição.

A questão passa a ser: qual o caminho legitimado pela cultura para o convívio com as

contradições?

Refletir sobre a nossa própria contradição exige a experiência com o outro. Recentemente, ao expor em uma escola de engenharia alemã a condição cultural brasileira (21), pôde ser mostrado que, ao contrário daquele país, as nossas diferenças são fluidas (22). Entre nós, há brancos, muito brancos, quase brancos; bem como pretos, meio pretos ou quase pretos. Da mesma forma, poderíamos descrever a honestidade de nossos cidadãos, ou o certo e o errado das nossas ações. Além disso, tal categorização não é de forma alguma absoluta, podendo a cada momento haver uma reclassificação em atendimento a uma circunstância particular. Na ocasião, um aluno argumentou que isso na Alemanha seria impossível, "já que o certo e o errado devem ser inequívocos". De fato, trata-se de uma cultura que procura excluir a contradição e tem, portanto, dificuldades recorrentes em conviver com o diferente. Cabe ao extremismo, por ex., a conquista do espaço de legitimação. De forma sintomática, constatou-se que a condição tecnológica daquele país está de tal forma regulamentada, que já surge o temor de uma perda de mercado internacional para outras países, como França e Itália, favoráveis à prática de "tecnologias mais ousadas".

Mas e entre nós, qual seria o espaço de transformação reservado pela nossa cultura? Historiadores, antropólogos e sociólogos têm tentado explicar nossa diferença. O nosso "ser brasileiro" estaria "subvertido por natureza" já no processo colonizador, ou dos brancos pelos índios (23) ou de todos pelos negros (24). De qualquer forma, a dedução dos caminhos da alteridade no Brasil não pode desconsiderar que das 15 gerações da sua história, 12 tenham sido sob regimes escravocratas. A importância da contribuição negra nesse caminho de alteridade não pode ser comparada ao recente processo de imigração pós-abolição. Convém ressaltar que sempre houve uma forte resistência para admissão de asiáticos (aos chineses em particular) em nosso país. A imigração de origem européia corresponderia mais aos ideais positivistas de nossa república: branqueamento da raça e redução de diferenças (25). Assim sendo, se houve um caminho para expressão da alteridade no Brasil, este possivelmente foi trilhado pela cultura africana. E neste caminho podemos encontrar de tudo; desde a dúbia aplicação de leis repressoras (26), ao apelo sexual na dança (27) até a maior expressão sincrética, como expresso

na frase colhida em nosso último censo (28):

"

sou

católica porque sou umbandista

"

Neste caldo de relativismos (29) trafega a expressão da nossa técnica. Uma técnica capaz e inconformada, que não admite o impossível, mas que também não prescinde do "quebra-galho"

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como forma de ultrapassar a própria técnica; do "jeitinho" (30), que come pelas bordas a racionalidade carente de sentido das organizações; e da "gozação", a sátira subvertedora de papéis que assume as contradições da vida.

Notas e Referências bibliográficas:

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[1] Dunnette, MD Aptitudes, abilities and skills. In: Dunnette, MD (ed) Handbook of industrial and organizational psychology. RandMcNally College Publishing Co., Chicago, 1976.

[2] Dejours C A loucura do trabalho. 3a.ed, São Paulo, Ed. Cortez, 1988.

[3] Guareschi, PA & Grisci CLI A fala do trabalhador. Petrópolis, Ed. Vozes, 1993.

[4] Kuenzer, A Pedagogia da fábrica: as relações de produção e a educação do trabalhador. 3a ed., São Paulo, Ed. Cortez, 1989.

[5] Dejours C., Abdoucheli E, Jayet C Psicodinâmica do trabalho. São Paulo, Atlas, 1994.

[6] Dejours C. Trabalho e saúde mental: da pesquisa à ação. In: op. cit. 5.

[7] Rivadulla-Rodriguez A. Introduccion a la discusion Popper-Kuhn-lakatos acerca del progresso cientifico. In: -----. Filosofia actual de la ciencia. Madrid, Ed. Tecnos SA, 1986.

[8] D´Iribarne P. Gestão moderna e tradições locais. Correio da Unesco, 22(6):5-7, 1994.

[9] Hartford J. Os novos samurais.

Correio da Unesco, 22(6):31-5, 1994.

[10] Zghal R. Administrar a incerteza. Correio da Unesco, 22(6):16-8, 1994.

[11] Ruffier,J & Villavicencio D.

Solidariedades locais. Correio da Unesco, 22(6):19-22, 1994.

[12] A Organização Internacional do Trabalho (OIT), o mais antigo organismo da ONU, editou um código de práticas nesse sentido. [Oficina Internacional de trabajo Seguridad, higiene y condiciones de trabajo y la transferencia de tecnologia a los paises en desarollo. (Repertorio de recomendaciones praticas) Genebra,

1988.]

[13] A. Wiesner, em seu livro "A inteligência no trabalho" (São Paulo, Fundacentro/UNESP, 1993) refere-se também à "antropotecnologia", ou a adequação da tecnologia à cultura local.

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[14] Punekar V. & Babu EH

J. of Social Work, 39(1):61-7, 1978.

Industrial development and commitment of the Indian industrial worker. Indian

[15] Esta exposição tomou por base a tese exposta por LC Figueiredo em seu artigo apresentado em 1994, ainda não publicado, "A questão da alteridade nos processos de subjetivação e o tema do estrangeiro.", discutindo as possibilidades de interpretação da fala dentro do processo psicoanalítico. Instituto de Psicologia da USP, Departamento de Psicologia Experimental.

[16] "Proximidade absoluta é a proximidade que nos envolve, o espaço que habitamos, em que estamos ancorados, fonte de todas as representações. Na proximidade absoluta estariamos indefesos, sem garantia do sistema de representação ao objetivar e estabilizar nossas relações de entorno." [op cit. 15]

[17] Matsumoto E. ¨Transformações tecnológicas na montagem de forros de gesso em obras civis de grande porte. Projeto civil interdisciplinar. Departamento de Projetos e Construção civil. Faculdade de Engenharia da UNESP, Campus de Guaratinguetá. Guaratinguetá, 1994. 49p.

[18] Cherin A. Investigação das percepções e conhecimentos de perigos dos trabalhadores na construção civil. Projeto civil interdisciplinar. Departamento de Projetos e Construção civil. Faculdade de Engenharia da UNESP, Campus de Guaratinguetá. Guaratinguetá, 1994. 35p.

[19] Lieber R.R.

para os riscos químicos. In: SEMINÁRIO DE SEGURANÇA INDUSTRIAL, 10o, São Paulo, 1993. Anais. Rio de Janeiro, Instituto Brasileiro do Petróleo (IBP), 1993. p.23-35.

Higiene e segurança em paradas para manutenção: Uma proposta de estudo sistemático

[20] Constatou-se que, embora muitas medidas para melhoria das condições do trabalho estivessem desvirtuadas do cotidiano operário e, portanto, desconsideradas enquanto prática pelos indivíduos, as mesmas recebiam apoio por muitos, pois: - "Se o sindicato exigiu essas propostas então devem ser cumpridas, pois o sindicato luta pelo trabalhador" - Fala de um pedreiro de 28 anos, apud op. cit. 18.

[21] Convênio da Faculdade de Engenharia de Guaratinguetá - UNESP (FEG-UNESP) e Fachhochschhule (FH) Darmstadt, sob o patrocínio da FUNDUNESP (Fundação da UNESP) e DAAD (Deutsche Academischer Austauschdienst), 1994.

em "Cor, hierarquia e sistema de classificação" analisa a fluidez dos nossos sistemas

classificatórios em confronto com outras culturas, particularmente na questão racial. [Estudos históricos,

[22] Maggie Y.

7(14):149-160, 1994.]

[23] Tal é a tese de Sérgio Buarque de Holanda (Raizes do Brasil, Cia das Letras, 1994). A. Metraux (A religião dos tupinambás, Cia. Editora Nacional, 1979) nos revela o mito da fertilidade vigente entre os tupinambás, que exigia uma relação sexual sobre o campo recém-plantado como garantia de boa colheita. É fácil imaginar as repercussões dessa prática entre nossos "colonizadores" europeus, quando se leva também em conta, p. ex., a baixa taxa de masculinidade entre os escravos indígenas da capitania de São

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Vicente. [Monteiro, J.M. Negros da terra: Índios e bandeirantes nas origens de São Paulo, Cia. das Letras,

1994].

[24] Ribeiro, D. O povo brasileiro: A formação e o sentido do Brasil. São Paulo, Cia. das Letras, 1995.

[25] Lanna, ALD A transformação do trabalho. 2a. ed, Campinas, Ed. Unicamp, 1989.

[26] Pesquisa de M. Abreu, Festas religiosas no Rio de Janeiro: Perspectivas de controle e tolerância no século XIX [Estudos históricos, 7(14):183-204,1994], constata que os agentes de fiscalização municipal não estavam absolutamente seguros na proibição de "batuques" dos negros, confirmando que a repressão à cultura negra em muito sujeitava-se ao arbítrio de delegados e chefes de polícia. "Reprimir ou tolerar, dependia da hora e das circunstâncias".

[27] Presume-se que a palavra "samba" tenha tido origem na palavra angolana "semba", que significa movimento pélvico, presente nas umbigadas praticadas por homens e mulheres durante o batuque.[op. cit.

20]

[28] Paleari J. Ouvidos atentos às angústias humanas. Sem fronteiras, Junho/1994 [efêmero].

[29] R. DaMata em seu artigo "A terceira margem do rio

se a "mitos construídos a partir de uma espécie de bricolagem moral" de uma soma de regras morais de éticas duplas ou triplas, mitos construídos para viabilizar a nossa modernidade expressa num racionalismo igualitarista aplicado numa sociedade tradicionalista baseada na diferença.

[Correio da Unesco, 21(9/10):43-7, 1993] refere-

"

[30] Barbosa, L em seu livro "O jeitinho brasileiro: A arte de ser mais igual que os outros", Rio de Janeiro, Ed. Campus, 1992, analisa em ampla pesquisa essa "instituição brasileira" sob diversos ângulos, expondo tanto as suas implicações positivas como negativas para o arranjo social brasileiro.