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Mercados e Concorrência

Samuelson & Nordhaus (2005). Economia, 18 edição. Mc

Graw- Hill, Capítulo 8 A 9A

Carlos M. Pereira da Silva

Mercados e Concorrência Existem duas estruturas de mercado:

  • - concorrência perfeita

  • - concorrência imperfeita

I. Concorrência perfeita

Um mercado está em concorrência perfeita quando:

  • - numerosas empresas vendem a numerosos compradores bens homogeneos (idêntico ao produto vendido pelas concorrentes)

    • - não existem barreiras à entrada nesse mercado

-as empresas e os compradores estão perfeitamente informados sobre os preços praticados no mercado por cada uma das empresas

  • - o preço de mercado é um dado. As empresas aceitam o preço de mercado (price takers) e não podem influenciá-lo porque apenas fornecem uma infima parte do mercado (os bens são homogeneos).

1. O Custo de oportunidade da produção

O custo de oportunidade é o valor da melhor possibilidade à qual se renuncia

para obter uma outra. Para uma empresa é o valor do melhor uso alternativo

que poderia fazer dos seus recursos.

2. O lucro O objectivo da empresa é maximizar o seu lucro económico. Os custos de produção já incluem o lucro normal, uma vez que nos factores de produção (trabalho, terra, capital, outros) está incluída a utilização dos recursos do proprietário ( factor empreendedorismo e o trabalho) e da própria empresa.

Os lucros são iguais à receitas totais (RT) menos os custos totais (CT).

Veja-se o exemplo seguinte

Rubrica

Montante

Receitas Totais

400000

Custo dos recursos comprados no mercado

 

80000

Fornecimentos e serviços terceiros

20000

Salários pagos

120000

Leasing de computador

5000

Juros pagos

5000

230000

Custo dos recursos da própria empresa

Depreciação economica

25000

Juro sacrificado

15000

40000

Custo dos recursos do proprietário

Lucro normal

45000

Salário da renuncia

55000

100000

Custo total

370000

Lucro económico

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30000

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3. Oferta Concorrencial quando o Custo Marginal é igual ao preço

Dado que as empresas em concorrência perfeita não podem influenciar o preço, o preço de cada unidade vendida é a receita adicional (receita marginal).

4. Receita Marginal

A receita marginal é a variação da receita em resultado da venda de uma

unidade adional de produto. Em concorrência perfeita a receita marginal é igual ao preço (a procura dirigida à empresa é horizontal )

A figura seguinte ilustra a afirmação anterior.

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A curva de procura do sector actividade (industria figura da esquerda a) é rígida no equilíbrio concorrencial (ponto A).

Par a empresa (figura da direita) a curva de procura é horizontal, isto é perfeitamente elástica. A empresa, que representa uma pequena parte do mercado, pode escoar toda a sua produção ao preço de mercado.

A receita adicional (receita marginal) resultante da venda de uma unidade adicional do produto é igual ao preço de mercado.

Vejamos o seguinte exemplo:

 

Custo

Custo

Custo

       

Quantida

Marg/unid.

Custo

Receita

de

Total

Marginal

Adicional

Médio

Preço

Total

Lucro

Q

CT

CMa

CMa

Cme

P

RT

π

0

55.000

       

0

-55.000

  • 1.000 30.000

85.000

  • 30 85

40

  • 40.000 -45.000

  • 2.000 110.000

25.000

  • 25 55

40

  • 80.000 -30.000

  • 3.000 130.000

20.000

  • 20 43

40

120.000

-10.000

  • 3.999 159.960

29.960

  • 30 40

40

159.960

0

 
  • 4.000 160.000

40

 
  • 40 40

40

160.000

0

 
  • 4.001 160.040

40

 
  • 40 40

40

160.040

0

  • 5.000 210.000

49.960

  • 50 42

40

200.000

-10.000

Dados os seus custos, a procura e o seu desejo de maximizar os lucros a empresa produz no ponto em que o custo marginal é igual ao preço.

No quadro anterior a empresa está na situação óptima quando produz 4 ‘000 unidade de produto. Nesse ponto o custo marginal e o preço de mercado são iguais a 40. A lógica subjacente é que a empresa pode sempre fazer lucro adicional desde que o preço seja superior ao custo marginal da última unidade.

O lucro total atinge o seu pico- é maximizado- quando já não há qualquer lucro adicional que possa ser obtido com a venda de mais produto. No ponto de lucro máximo, a última unidade produzida proporciona uma receita exactamente igual ao seu custo, 160’000 unidades monetárias. Essa receita adicional é o preço por unidade que é igual ao custo marginal. Tem-se a seguinte igualdade

Receita marginal= custo marginal= preço

Regra de decisão da empresa em concorrência perfeita

Custo Marginal (CMa)=Preço (P)

A figura seguinte ilustra esta igualdade.

Custo

   

Marg/unid. Adici

Preço

Receita Margi

Cma

P

 
     

30

40

40

25

40

40

20

40

40

30

40

40

40

40

40

40

40

40

50

40

40

Samuelson & Nordhaus (2005). Economia, 18 edição. Mc Graw- Hill, Capitulo 8 A. 17/11/2010 Mercados e

Samuelson & Nordhaus (2005). Economia, 18 edição. Mc Graw- Hill, Capitulo 8 A.

A curva da oferta da empresa corresponde à sua curva de custo marginal (CMa) na parte em que a inclinação é positiva.

O ponto B é o ponto crítico (ponto de lucro nulo), que corresponde ao nível de produção de equilibrio entre custo marginal e preço de mercado.

Para o preço de mercado em d’d’, a empresa oferecerá uma produção no ponto de intersecção A.

A zona sombreada representa o prejuízo de produzir A quando o preço de equilíbrio é 40.

5. Custo Total e encerramento da empresa.

A regra geral de maximização do lucro deixa aberta uma possibilidade a do preço ser tão baixo- que a empresa prefira encerrar.

Em geral, no curto prazo, uma empresa preferirá ficar inactiva quando não consegue cobrir os seus custos variaveis.

Suponha que o preço de mercado desce para 35 (recta d’’d’’ da figura. A esse

preço, o Custo marginal (CMa) é igual a C, preço que é inferior ao Custo

Médio (CMe) da produção.

A empresa não encerra porque deve minimizar os prejuízos. Produzir no ponto C resultaria num prejuízo de 20’000, enquanto que o seu encerramento envolveria perder 55’000 (que são os custos fixos)

O preço de mercado para encerramento ocorre quando as receitas apenas cobrem os custos variaveis ou quando o prejuízo é igual aos custos fixos.

Quando o preço desce abaixo dos custos variaveis médios , a empresa maximizará os lucros (minimizará os prejuízos) com o encerramento.

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A curva de oferta da empresa corresponde à curva de Custo Marginal desde que as receitas sejam superiores aos custos Variaveis. Se descer abaixo de Ps, o ponto de encerramento, os prejuízos são maiores do que os custos fixos e a empresa fecha. Assim a curva contínua M’ (a rosa) é a curva da oferta da empresa.

6. As decisões da empresa em concorrência perfeita Dado o preço de mercado O objectivo da empresa é maximizar o lucro. Para atingir esse objectivo, a

empresa deve decidor

- Se entra ou sai do mercado

- que quantidade produzir

- que meios deve utilizar para produzir ao custo mais baixo.

II. Concorrência Imperfeita

Os principais tipos de concorrência imperfeita:

  • - concorrência monopolística

  • - monopólio

-oligopólio

Diz-se que uma empresa está numa situação de concorrência imperfeita se pode influenciar significativamente (não tem o controlo absoluto) o preço de mercado dos bens que produz. Figura seguinte

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Na figura da esquerda a) a empresa em concorrência perfeita pode vender tudo o que pretende ao longo da sua curva de procura horizontal dd sem reduzir o preço de mercado.

Na figura da direita b) a empresa em concorrência imperfeita considera que a sua curva de procura tem inclinação negativa. Uma descida no preço dos seus concorrentes reduz a curva de procura para a esquerda d’d’.

1. Concorrência Monopolística

No mundo real, a maior parte dos mercados são concorrenciais, mas a concorrência não é perfeita porque as empresas podem, até certo ponto, fixar o seu preço como se actuassem como monopolistas. Nesta estrutura de mercado um número elevado de vendedores produz produtos diferenciados.

Assemelha-se à concorrência perfeita pelo facto de existirem muitos vendedores Difere da concorrência perfeita pelo facto de os produtos vendidos por empresas diferentes terem características importantes que os diferenciam. Por exemplo, os computadores têm características como velocidade,

memória, disco rígido, modem, tamanho e peso que os diferenciam e que

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justificam preços diferentes

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Em resumo a concorrência monopolística é uma estrutura de mercado onde:

  • - numerosas empresas concorrem entre elas

  • - as empresas produzem bens e serviços diferenciados

  • - as empresas fazem concorrência pela qualidade do produto, pelo preço e pelo marketing

  • - não existem barreiras à entrada e saída de concorrentes

Um grande número de empresas implica

  • - uma parte de mercado restrita (o monopólio detem todo o mercado)

  • - indiferença a respeito das outras empresas do sector

  • - impossibilidade de fazerem coligações (não podem fazer cartel)

Um produto diferenciado que significa um substituto próximo mas não perfeito- dos produtos das outras empresas.

A concorrência pela qualidade, preço e marketing A qualidade do produto tem a ver com a concepção, fiabilidade, serviço à clientela, disponibilidade

Na concorrência monopolística a empresa enfrenta uma curva de procura negativa. Pode por isso fixar o preço tendo em conta a qualidade do produto.

O marketing resulta da necessidade de diferenciação do produto e tem a ver com a valorização do produto através apresentação (embalagem, mensagem, etc) e a publicidade do produto. Ausência de barreiras à entrada significa que a empresa pode entrar e sair do mercado e que a empresa marginal não pode obter um lucro económico a longo prazo.

2. Monopólio

Até que nivel a imperfeição pode a concorrência chegar?

O caso extremo é o monopólio: um único vendedor com o controlo total sobre um ramo de actividade. É a única empresa a produzir no sector de

actividade e ao preço fixado por ela.

As características do monopólio são:

- ausência de substituto próximo

- existência de barreiras à entrada

Ausência de substituto próximo significa que o produtor desse bem não teme a entrada de concorrentes com um produto diferenciado.

A impossibilidade de entrar no mercado pode resultar:

  • - barreiras naturais

  • - barreiras de propriedade

  • - barreiras legais

As barreiras naturais causam monopólios naturais. Por exemplo nos sectores industriais onde as economias de escala permitem a uma só empresa satisfazer toda a procura do mercado aos preços mais baixos dados os elevados custos fixos de produção da empresa. Estão neste caso o gaz, a electricidade, a água que beneficiam da protecção do Estado (anteriormente eram empresas publicas ou estatizadas)

Barreiras de propriedade significam que a entrada de concorrentes está prejudicada pela apropriação de uma grande parte de um recurso escasso chave. Exemplo

No século XX a De Beers detinha 90% da produção mundial de diamantes

Barreiras legais dão origem a monopólios legais. O monopólio legal resulta de um privilégio (concessão, permissão, alvará ou direitos de autor)

A politica de fixação do preço em monopólio

O monopólio pode ser discriminatório ou não descriminatório

A empresa em situação de monopólio não discriminatório vende cada unidade do produto ao mesmo preço para todos os consumidores.

A empresa em situação de monopólio discriminatório vende o seu produto a preços diferentes para clientes diferentes (Microsoft com Windows et Office).

3. Oligopólio

O termo oligopólio significa “ poucos vendedores”. A caraterística principal é que o oligopolista pode influenciar o preço de mercado.

No sector da aviação, a decisão de uma única companhia de baixar as tarifas

pode desencadear uma guerra de preços que força a redução das tarifas de todas as companhias.

Quando os oligopolistas se concertam para fixar um preço único temos um cartel que é ilegal porque prejudica o interesse de todos os consumidores.

Tipos de concorrência - Monopolística, Monopólio e oligopólio

Sanuelson & Nordahaus (2005), Economia, 18ªedição. Mc Graw Hill