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E-Learning: Um novo paradigma de

Ensino/Aprendizagem

09/03/2005

A Declaração de Lisboa, saída da presidência


portuguesa da Comunidade Europeia, em 2000, veio
chamar a atenção da importância das tecnologias
da informação e da comunicação na formação da
"sociedade do conhecimento", que se entende
necessária e vital para o desenvolvimento
económico e social sustentado e sustentável desta
nova imagem de uma Europa a 28. De facto, foi na
sequência da Declaração ou Estratégia de Lisboa
2000 que se começou a dar valor às TIC's e aos
conteúdos electrónicos como instrumento de
ensino/aprendizagem.

O e-learning (electronical learning) é um novo


paradigma de ensino-aprendizagem que assenta no
desenvolvimento das novas tecnologias da
informação e comunicação aplicadas à educação e à
formação, a que eu acrescentaria aplicadas à
interacção comunicacional. Podemos designá-las por
a nova geração das tecnologias educacionais,
sucessoras do escrito e do audiovisual. Em certa
medida o e-learning é uma nova metodologia de
ensino a distância, que recorre às TIC?s como um
ambiente de aprendizagem.

Assim, o e-learning é o sucedâneo das classes


virtuais da década de 90 do século XX, nos Estados
Unidos da América, das quais a Europa sempre
desconfiou, não fosse a necessidade económica e
social que a Comunidade Europeia sentiu de
ultrapassar aquele país de além Atlântico a nível de
desenvolvimento do conhecimento, como
despoletador de desenvolvimento económico e
social, de competitividade e de competência,
apostando e investindo, ela também, no
conhecimento, na inovação, na formação.
Este objectivo requer uma aposta na formação
profissional, quer como actualização de
conhecimentos, quer como aquisição de novas
competências e requer, também, a necessidade de
creditar essa formação e avaliação com a finalidade
de a mesma poder vir a ser reconhecida por outras
entidades e/ou empregadores nacionais ou na
Comunidade. Num país que está a atravessar uma
crise económica com centenas de milhar de
desempregados, a formação profissional e a
aquisição de novas competências devem ser
incentivadas, quer por parte das empresas, quer por
parte dos trabalhadores, como uma mais valia a
curto e a médio prazos para umas e para outros.
São elas que podem interagir no todo social para
uma mudança de mentalidades a caminho da
sociedade do conhecimento para todos e não
apenas para uma elite.

O e-learning é o novo paradigma educacional que


marca a sociedade pós-moderna, assente no
conhecimento e na formação ao longo da vida. Todo
e qualquer sistema educacional ou formacional
pressupõe a aquisição de novos conhecimentos, de
novas competências ou de novos graus por uma
determinada população alvo que, cada vez mais, se
estima diferenciada em idade e heterogénea em
competências adquiridas ao longo da vida. Por sua
vez, a necessidade de desenvolvimento de novas
capacidades ou aquisição de novos conhecimentos
por parte dos indivíduos ou por parte das
sociedades, como a forma mais capaz de os vários
países responderem ao fenómeno da globalização
económica, implicou o aparecimento de um novo
paradigma educacional que assenta na capacidade
de cada um aprender a aprender.

O e-learning permite responder a esta necessidade,


tanto mais que ela é sentida por uma população
diversificada com múltiplas responsabilidades, como
trabalho, família, estudo e lazer, mas que começa a
reconhecer a necessidade de obter novas
competências para competir num mercado de
trabalho cada vez mais internacional e mais feroz.
Ora, o problema da ausência de crescimento
económico em Portugal, radica, entre outros
factores de índole conjuntural, numa questão
estrutural que assenta nas
habilitações/competências mínimas possuídas por
uma percentagem elevada de trabalhadores, a que
se junta a iliteracia e a info-iliteracia. Os saberes
adquiridos por estes ao longo da vida são, na sua
maioria, um saber-fazer manual que não se
compadece, hoje, com a sociedade competitiva nem
com o desenvolvimento sustentado que se pretende
atingir. Por isso, a aposta no e-learning, como o
meio de ensino/aprendizagem que possibilita, ao
mesmo tempo, aquisições várias de competências:
a literacia informática através da utilização do
computador como instrumento de aprendizagem e a
aprendizagem de novos conhecimentos teóricos ou
práticos no local do trabalho ou em casa.
Ora, não existindo o problema do espaço, no caso
do ensino electrónico, as questões que se colocam,
entre outras, são a gestão da interacção em
ambiente virtual, a disponibilização prévia dos
conteúdos, a info-literacia dos utilizadores e a
capacidade destes, sem conhecimentos teóricos
informáticos, se adaptarem à comunicação em
plataforma electrónica ou à utilização de conteúdos
em suporte digital, como o CD-Rom. Porém, nem
todos os utilizadores estão em empatia com a
aprendizagem electrónica. Falta-lhes a voz e a figura
do professor/formador e dos colegas. Se esta última
é facilmente substituída pela fotografia, já tal não
sucede com a voz. No entanto, ambas poderão ser
substituídas por outro tipo de e-learning,
complementar do que é suportado pelo computador
e a plataforma electrónica: a videoconferência
recepcionada em computadores ou a
audioconferência, integrada na plataforma
electrónica.

Mas o ensino/aprendizagem electrónicos não se


resumem a uma plataforma. Eles requerem
conteúdos e seus conceptores, tutores, formandos e
administradores da plataforma. A disponibilização
de conteúdos em plataforma pressupõe que esta
seja acessível ou amigável e não seja geradora de
entropias, entre o meio de aprendizagem e o
utilizador. Por sua vez, os conteúdos devem ser
pedagogicamente concebidos, utilizando uma
linguagem clara e propiciando a interactividade
entre o tutor/formador e o formando.

O e-learning torna-se assim o meio preferencial para


uma formação contínua ou aprendizagem ao longo
da vida, através de um currículo flexível, onde cada
aprendente selecciona o conhecimento, a formação
que lhe é mais necessária, tornando-se óbvia e
necessária a existência de um sistema de unidades
de crédito nacional, reconhecido externamente, que
permita a creditação desses conhecimentos
adquiridos no país e/ou no estrangeiro, sobretudo,
numa comunidade transnacional onde à mobilidade
ou deslocalização das empresas/empregadores se
junta a mobilidade dos trabalhadores.
Sem ignorar a importância das TIC's na
aprendizagem, não devemos esquecer que elas são
um meio, uma ferramenta, e não um fim. O fim é a
pessoa, a sociedade ou as sociedades. Daí a sua
utilidade, pois elas possibilitam uma reflexão
interactiva e dinâmica sobre as necessidades de
formação ou de qualificação, a nível local ou
regional, podendo ser usadas como um instrumento
necessário à revitalização da economia e da
competitividade, através do incentivo à vontade de
querer aprender a aprender ou querer saber mais,
vitais à sobrevivência no mundo competitivo e
global em que nos inserimos.

Maria José Ferro Tavares (Reitora da Universidade


Aberta)