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UNIVERSIDADE ESTADUAL DE MATO GROSSO DO SUL - UEMS

Transformações Lineares

Estamos familiarizados com funções ordinárias, tais como a função f definida pela equação f(x) = x 2 . Essa equação transforma um número real em outro número real,

no caso, seu quadrado.

Estudaremos agora funções que transformam vetores em vetores.

e W são EV, uma função ou transformação T de V para W, é

uma regra que associa a todo vetor x em V um único vetor y em W que é denotado por

T(x).

Em geral, se V

Se

x

é

um

transformação T.

vetor em V, então T(x) é chamado “imagem

de

x”

sobre a

Ex.: 1. Se T é uma transformação do R 3 para R 2 definida pela equação:

T(x 1 , x 2 , x 3 ) = ( x 1 +x 2 , x 2 +x 3 )

T: R 3 R 2

Então T leva o vetor (1,1,1) no vetor (2,2)

Ou seja, T(1,1,1) = (2,2)

O vetor (3,2,0) no vetor

T(3,2,0) = (5,2)

2. Uma transformação T: R 2 R 3 associa vetores v = (x,y)

T: R 2  R 3 associa vetores v = (x,y) R 2 com vetores W

R 2 com vetores

W = (x,y,z)

associa vetores v = (x,y) R 2 com vetores W = (x,y,z) R 3 . Se

R 3 . Se a lei que define a transformação T for: T(x,y) = (3x, -2y, x-y)

T(2,1) = (3.2, -2.1, 2-1)

T(2,1) = (6, -2,1) T (6,-2,1) (2,1) (-3,-6,-4) (-1,3) (0,0,0) (0,0)
T(2,1) = (6, -2,1)
T
(6,-2,1)
(2,1)
(-3,-6,-4)
(-1,3)
(0,0,0)
(0,0)
T (6,-2,1) (2,1) (-3,-6,-4) (-1,3) (0,0,0) (0,0) TRANSFORMAÇÕES LINEARES PROF .ª ADRIANA BISCARO
T (6,-2,1) (2,1) (-3,-6,-4) (-1,3) (0,0,0) (0,0) TRANSFORMAÇÕES LINEARES PROF .ª ADRIANA BISCARO

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Definição: Uma transformação linear é uma aplicação que leva vetores de um EV em outro EV.

T: VW, onde T é a transformação linear (uma aplicação) de V em W, onde V (um EV) é o domínio e W (um EV) é a imagem.

Sejam V e W dois EV, uma transformação T:VW é chamada de LINEAR de V em W se:

I) T(v + w) = T(v) + T(w)

II) T(

=
=

T(v)

para

v e
v
e

R.

Uma transformação linear T:VW preserva a adição e a multiplicação por escalar entre os vetores.

Obs.: Uma transformação linear de V em V (é ocaso de V = W) é chamada de Operador Linear sobre V.

Exemplos:

1)

T:R 2 R 3 ; T(x,y) = (3x, -2y, x y) é linear. Demonstração:

 

I) Sejam u = (x 1 , y 1 ) e v = (x 2 , y 2 ) vetores genéricos de R 2 . T(u+v) = T(u) + T(v)

 

T(u + v) = T(x 1 + x 2 , y 1 + y 2 )

 

T(u + v) = (3.( x 1 + x 2 ), -2.( y 1 + y 2 ), (x 1 + x 2 ) (y 1 + y 2 )) T(u + v) = 3 x 1 + 3 x 2 , -2 y 1 -2 y 2 , x 1 + x 2 - y 1 - y 2

T(u + v) = (3 x 1 , -2 y 1 , x 1 - y 1 ) + (3 x 2 , -2 y 2 , T(u + v) = T(u) + T(v)

x 2 -

y 2 )

II) Para todo

T(

T(

= = (3( = =
=
= (3(
=
=

R e qualquer u = (x 1 , y 1 ) T(u)

II) Para todo T( T( = = (3( = = R e qualquer u = (x

y 1 ,

II) Para todo T( T( = = (3( = = R e qualquer u = (x

x 1

II) Para todo T( T( = = (3( = = R e qualquer u = (x

y 1 )

x 1 , -2

R 2 temos que:

R 2 temos que:

 

T(

(3 x 1 , -2 y 1 , x 1 - y 1 )

 

T(

T(u)

2)

T: R R X 3x ou T(x) = 3x é linear. Demonstração:

 

I) Sejam u = x 1 e v = x 2 vetores genéricos de R.

T(u+v) = T(u) + T(v) T(u + v) = T(x 1 + x 2 ) T(u + v) = 3(x 1 + x 2 ) T(u + v) = 3x 1 + 3x 2 T(u+v) = T(u) + T(v)

2 ) T(u + v) = 3x 1 + 3x 2 T(u+v) = T(u) + T(v)
2 ) T(u + v) = 3x 1 + 3x 2 T(u+v) = T(u) + T(v)

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II)

Para todo T( T( T( T( = = T( = 3 x 1 ) =
Para todo
T(
T(
T(
T(
=
= T(
= 3
x 1 ) =
R
T(u)
x 1 )
x 1
(3x 1 )

Essa transformação representa uma reta que passa ela origem.

Obs.: Uma transformação que não representar uma reta que passa pela origem não é linear.

Ex.:

T: R R; T(x) = 3x + 1

Demonstração:

não é linear.

I) Se u = x 1 e v = x 2

T(u + v) = T(x 1 + x 2 )

T(u + v) = 3(x 1 + x 2 ) + 1

T(u + v) = 3x 1 + 3x 2 + 1

T(u + v) = (3x 1 + 1) + 3x 2

T(u + v)

+ 3x 2 + 1 T(u + v) = (3x 1 + 1) + 3x 2

T(u) + T(v)

Propriedade

“Em toda transformação linear T:V W, a imagem do vetor 0

do vetor 0 Se = 0
do vetor 0
Se
= 0

W, isto é, T(0) = 0”.

T(0) = T(0.v) = 0. T(v) = 0

No exemplo anterior temos,

T: R R; T(x) = 3x + 1

T(0) = 1, assim, não é linear.

T: R 3 R 2 ; T(x,y,z) = (3x + 2, 2y z)

T(0,0,0) = (2, 0)

R 2 ; T(x,y,z) = (3x + 2, 2y – z) T(0,0,0) = (2, 0) (0,0)

(0,0)

Logo, não é linear.

2, 2y – z) T(0,0,0) = (2, 0) (0,0) Logo, não é linear. V é a

V é a imagem

Obs.: Se T: VW é linear, então T(0) = 0. No entanto, a recíproca dessa propriedade não é verdadeira, pois existem transformações com T(0) = 0 e T não é linear.

existem transformações com T(0) = 0 e T não é linear. TRANSFORMAÇÕES LINEARES PROF .ª ADRIANA
existem transformações com T(0) = 0 e T não é linear. TRANSFORMAÇÕES LINEARES PROF .ª ADRIANA

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Ex.: T: R 2 R 2

T(x,y) = (x 2 , 3y)

I) Sejam u = (x 1 , y 1 ) e v = (x 2 , y 2 ) vetores genéricos de R 2 . T(u+v) = T(u) + T(v) T(u + v) = T(x 1 + x 2 , y 1 + y 2 ) T(u + v) = ((x 1 + x 2 ) 2 , 3(y 1 + y 2 )) T(u + v) = (x 1 2 + 2x 1 x 2 + x 2 2 , 3y 1 + 3y 2 ) Enquanto:

T(u) + T(v) = (x 1 2 , 3y 1 ) + (x 2 2 , 3y 2 )

T(u + v)

1 2 , 3y 1 ) + (x 2 2 , 3y 2 ) T(u +

T(u) + T(v)

3. A projeção ortogonal do R 3 sobre o plano xy

T: R 3 R 3 (x,y,z) (x,y,0) ou

T(x,y,z) = (x,y,0) é linear

3 (x,y,z)  (x,y,0) ou T(x,y,z) = (x,y,0) é linear 4. A projeção no eixo dos

4. A projeção no eixo dos x.

T:R 3

R 3

T(x,y,z) = (x,0,0) é linear

5. Seja a matriz A =

T A : R 2 R 3

v Av ou

Seja a matriz A = T A : R 2  R 3 v  Av

T A (v) = Av que é linear

Demonstração:

T A (u + v) = A(u + v)

= Au + Av

= T A (u) + T A (v)

Essa matriz determina a transformação

e, T A (α(u)) = A(αu) = α(Au)

= αT A (u)

e, T A (α(u)) = A(αu) = α(Au) = αT A (u) TRANSFORMAÇÕES LINEARES PROF .ª
e, T A (α(u)) = A(αu) = α(Au) = αT A (u) TRANSFORMAÇÕES LINEARES PROF .ª

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Efetuando Av, onde v= (x,y) R 2 é um vetor coluna de ordem 2x1.

onde v= (x,y) ∈ R 2 é um vetor coluna de ordem 2x1. = e, Portanto,
= e,
=
e,

Portanto, T A é definida por:

T A (x,y) = (x + 2y, -2x + 3y, 4y).

6. Transformação identidade

T(x) = Ix = x, (a multiplicação por I leva o vetor em R n em si mesmo).

I: V V

v v ou I(v) = v é linear

Demonstração:

I) I(u+v) = u + v = I(u) + I(v)

II) I(αu) = αu = αI(u)

7. A transformação nula

Se 0 é matriz nula mxn e se 0 é o vetor nulo de R n , então para cada vetor x em

R n temos:

T0(x) = 0x = 0

De modo que a multiplicação por zero leva cada vetor em R n no vetor nulo de R m .

T:VW

v 0 ou T(v) = 0 é linear

Demonstração:

I)

T(u+v) = 0

II) T(αu) = 0

T(u+v) = 0 + 0

= α0

T(u+v) = T(u) + T(v)

= αT(u)

8. A simetria em relação à origem no R 3 .

T:R 3 R 3

em relação à origem no R 3 . T:R 3  R 3 TRANSFORMAÇÕES LINEARES PROF
em relação à origem no R 3 . T:R 3  R 3 TRANSFORMAÇÕES LINEARES PROF
em relação à origem no R 3 . T:R 3  R 3 TRANSFORMAÇÕES LINEARES PROF

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v -v é linear

Demonstração:

I) T(u+v) = - (u + v) = -u v T(u+v) = T(u) + T(v)

II) T(αu) = -αu = α(-u) = αT(u)

Observações:

T(v) II) T(αu) = - αu = α( -u) = αT(u) Observações: a) Uma matriz A

a) Uma matriz A (mxn) sempre determina uma transformação linear. T A : R n R m

Onde a imagem T A (v) = Av é o produto da matriz A pelo vetor v R n , considerando como uma matriz de ordem nx1. Uma transformação desse tipo chama-se “multiplicação por A”.

b) Para uma interpretação geométrica do significado de uma transformação linear, consideremos uma transformação no plano. Seja o operador linear:

T:R 2 R 2 definido por:

T(x,y) = (-3x + y, 2x + 3y) e consideremos os vetores u = (-1,1) e v = (0,1). Portanto, T(u) = (4,1) e T(v) = (1,3)

= (-1,1) e v = (0,1). Portanto, T(u) = (4,1) e T(v) = (1,3) u +

u + v a diagonal deter minada por u e v, sua imagem T(u + v) representa a diagonal do paralelogramo determinado por T(u) + T(v);

isto é T(u+v) = T(u)+T(v)

Neste caso, diz-se que T preserva a adição de vetores.

Neste caso, diz-se que T preserva a adição de vetores. TRANSFORMAÇÕES LINEARES PROF .ª ADRIANA BISCARO
Neste caso, diz-se que T preserva a adição de vetores. TRANSFORMAÇÕES LINEARES PROF .ª ADRIANA BISCARO
Neste caso, diz-se que T preserva a adição de vetores. TRANSFORMAÇÕES LINEARES PROF .ª ADRIANA BISCARO

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Ao multiplicarmos o vetor u por 2, sua imagem T(u) fica também multiplicada por 2. Esse fato vale para qualquer α real, isto é, T(αv) = αT(v). Diz-se, nesse caso, que T preserva a multiplicação por um escalar.

Propriedades:

Se T:VW for uma transformação linear, então:

T(a 1 v 1 + a 2 v 2 ) = a 1 T(v 1 ) + a 2 T(v 2 )

Para

De forma análoga, tem-se:

T(a 1 v 1 + a 2 v 2 +

v 1 , v 2 ∈ V e 1 , v 2 V e

1 v 1 + a 2 v 2 + v 1 , v 2 ∈ V

a 1 , a 2 R.

+

a n v n ) = a 1 T(v 1 ) + a 2 T(v 2 )+

+ a n T(v n )

Para

linear de vetores é a combinação linear das imagens desses vetores, com os mesmos coeficientes.

n } seja uma base do domínio V e que

se saiba quais são as imagens T(v 1 ), T(v 2 ),

Sempre é possível obter a imagem T(v) de qualquer vV, pois sendo v uma combinação linear dos vetores da base, isto é,

v= a 1 v 1 + a 2 v 2 +

e, pela relaçao acima, vem:

isto é, a imagem de uma combinação

v i , i ,

V e

isto é, a imagem de uma combinação v i , ∈ V e a i ∈

a i R, i = 1,2,

,n,

,v

Suponhamos agora que {v 1 , v 2 ,

, T(v n ) dos vetores da base.

+

a

n v n

T(v) = a 1 T(v 1 ) + a 2 T(v 2 )+

+ a n T(v n )

Assim, uma transformação linear T:V W fica completamente definida

quando se conhecem as imagens dos vetores de uma base de V.

Exemplo:

T:R 3 R 2 uma transformação linear e B = {v 1 , v 2 , v 3 } uma base do 3 , sendo

v 1 = (0,1,0), v 2 =(1,0,1) e v 3 = (1,1,0). Determinar T(5,3,-2) sabendo que T(v 1 ) = (1,-2), T(v 2 ) = (3,1) e T(v 3 ) = (0,2).

1 ) = (1,-2), T(v 2 ) = (3,1) e T(v 3 ) = (0,2). TRANSFORMAÇÕES
1 ) = (1,-2), T(v 2 ) = (3,1) e T(v 3 ) = (0,2). TRANSFORMAÇÕES

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Exercícios:

1. São dadas as transformações. Verificar quais delas são lineares.

a) T:R 2 R 3 , T(x,y) = (x-y, 2x +y, 0)

b) T:R 2 R 2 , T(x,y) = (x+2, y+3)

c) T: R 2 R, T(x,y) = |x|

2. Seja o espaço vetorial V = M (n,n) e B uma matriz fixa em V. Seja a aplicação

T: VV definida por T(A) = AB + BA, com AV , mostrar que T é linear.

3. Seja T:V W linear. Mostrar que:

a) T(-v) = - T(v)

b) T(u v) = T(u) T(v)

4. Consideremos o operador linear T:R 3 R 3 definido por

T(x,y,z) = (x+2y +2z, x+2y-z, -x+y+4z).

a) Determinar o vetor u R 3 tal que T9u) = (-1,8,-11)

b) Determinar o vetor vR 3 tal que T(v) = v.

5. Sabendo que T:R 2 R 3 é uma transformação linear e que T(1,-1) = T(3,2,- 2) e T(-1,2) = (1,-1,3) determinar T(x,y).

6. Um operador T:R 2 R 2 é tal que: T(1,0) = (3,-2) e T(0,1) = (1,4). Deteminar T(x,y).

tal que: T(1,0) = (3,-2) e T(0,1) = (1,4). Deteminar T(x,y). TRANSFORMAÇÕES LINEARES PROF .ª ADRIANA
tal que: T(1,0) = (3,-2) e T(0,1) = (1,4). Deteminar T(x,y). TRANSFORMAÇÕES LINEARES PROF .ª ADRIANA