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UNIÃO DINÂMICA DE FACULDADE CATARATAS FACULDADE DINÂMICA DAS CATARATAS CURSO DE ENGENHARIA AMBIENTAL Missão:

UNIÃO DINÂMICA DE FACULDADE CATARATAS FACULDADE DINÂMICA DAS CATARATAS

CURSO DE ENGENHARIA AMBIENTAL

Missão: “Formar Profissionais capacitados, socialmente responsáveis e aptos a promoverem as transformações futuras”

SUMIDOURO RESIDENCIAL PARA RECARGA FREÁTICA NA ÁREA URBANA NO MUNICÍPIO DE FOZ DO IGUAÇU - PR

GILBERTO ANTÔNIO ALBERTI

FOZ DO IGUAÇU – PR

2010

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GILBERTO ANTÔNIO ALBERTI

SUMIDOURO RESIDENCIAL PARA RECARGA FREÁTICA NA ÁREA URBANA NO MUNICÍPIO DE FOZ DO IGUAÇU - PR

Trabalho Final de Graduação apresentado à banca examinadora da Faculdade Dinâmica das Cataratas (UDC), como requisito para obtenção do grau de Engenheiro Ambiental.

Profª. Orientadora: Paula Vergili Perez

FOZ DO IGUAÇU – PR

2010

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DEDICATÓRIA

Dedico este trabalho de conclusão de graduação aos meus pais Olivo e Clementina pela dedicação, compreensão e por estarem juntos nessa caminhada para a realização de mais uma etapa de minha vida.

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AGRADECIMENTOS

Agradeço primeiramente a Deus e aos Orixás pela oportunidade da travessia de mais um caminho da minha vida.

Aos meus pais e familiares pela paciência e compreensão durante essa etapa muito importante para a realização de um sonho e objetivo.

Ao Engenheiro Fabio Haugge do Prado, que quando Secretário Municipal de Planejamento Urbano, me mostrou a necessidade da evolução profissional com a formação de nível superior.

A Professora Ms Paula Vergilli Perez pelo incentivo, paciência e presteza no auxílio

para a realização do Trabalho Final de Graduação.

A minha prima Claudete Kielek por permitir a realização do experimento em sua

propriedade e pela colaboração prestada.

Ao coordenador, professores e funcionários da União Dinâmica de Faculdades pela sua dedicação e colaboração durante o curso.

À Professora Norma Barbado pela dedicação e atenção, por estar sempre presente

e prestativa.

Aos colegas de classe que estiveram sempre juntos e que deixaram de ser colegas

e se tornaram amigos e que pela espontaneidade destaco entre eles Ana Paula de

Mello e Silva Vaz, Marina de Fátima Fernandes, Adir Ledesma dos Santos, Rafael Cassol e Henrique Höffle,

A todos os amigos e colegas de trabalho que colaboram e apoiaram durante o curso.

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EPÍGRAFE

“A pessoa prudente aproveita a sua experiência. A sábia, aproveita a experiência dos outros.” John Collins

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ALBERTI, Gilberto Antônio . Sumidouro Residencial para Recarga Freática na Área Urbana no Município de Foz do Iguaçu – PR . Foz do Iguaçu, 2010. Projeto de Trabalho Final de Graduação - Faculdade Dinâmica de Cataratas.

RESUMO

A vazão anual de um curso d’água não é alterada pela impermeabilização do solo,

mas esta causa um desequilíbrio em sua distribuição ao longo do ano, pois aumenta

a vazão no período das chuvas e diminui no período da seca. O ciclo da água

representa a energia dentro do sistema da bacia hidrográfica, onde sua entrada se faz por meio da precipitação pluvial. A Agenda 21 aborda a proteção da qualidade e do abastecimento dos recursos hídricos, como componente essencial e parte indispensável de todos os ecossistemas. Dentre os efeitos da urbanização podem ser destacados, aumento da produção de resíduos sólidos e o aumento da impermeabilização das superfícies. Medidas de controle sustentáveis devem ser introduzidas para promoverem a infiltração da água da chuva no solo promovendo a recarga freática. O balanço hídrico em bacias urbanas altera-se, com o aumento do volume do escoamento superficial e a redução da recarga natural dos aquíferos e da evapotranspiração e consequente rebaixamento do nível freático e a diminuição das vazões fluviais durante as estiagens. O Loteamento Conjunto Libra I, foi escolhido para a implantação do experimento por estar na bacia do Rio M’Boicy, totalmente inserida no quadro urbano. O sistema de retenção de água da chuva para fins de recarga freática foi instalado no imóvel na parte mais baixa do loteamento e 3 metros acima do lençol freático, o que motivou a instalação do sumidouro na horizontal e utilização do solo como meio filtrante da água coletada do telhado. Após a implantação do protótipo a água da chuva precipitada sobre o telhado do imóvel foi em sua totalidade infiltrada no solo através do sumidouro o que atende o propósito do experimento. XXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXX

Palavras-Chave: Impermeabilização – águas pluviais – infiltração.

Obs - O texto será apresentado três espaços abaixo da palavra RESUMO, em espaço simples entrelinhas, sem parágrafo. O resumo deverá conter entre 150 e 300 palavras. É redigido na terceira pessoa do singular, com o verbo na voz ativa e não deve incluir citações bibliográficas. As palavras chave são no mínimo três e no máximo cinco e não devem fazer parte do título do trabalho.

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ALBERTI, Gilberto Antônio . Residential sink for groundwater recharg in the urban area in city of Foz do Iguaçu – PR. Foz do Iguacu, 2010. Project to Completion of Course Work - Faculdade Dinâmica de Cataratas.

ABSTRACT

The annual flow of a watercourse is not altered by soil sealing, but this causes an unbalance in its distribution throughout the year, increasing the flow during the rainy season and decreasing at dry season. The water cycle is the energy system within the watersheds, where entry is made through the rain. 21 Agenda addresses the protection of the quality and supply of water resources, as essential and indispensable part of all ecosystems. Among the effects of urbanization can be highlighted, the increased production of solid waste and increasing the sealing surfaces. Sustainable control measures must be introduced to promote the infiltration of rainwater into the soil to recharge groundwater. The water balance in urban watersheds changes, with the increased volume of runoff and reduce the natural recharge of aquifers and evapotranspiration and consequent lowering of groundwater level and the decrease in river discharge during droughts. The Libra I neighborhood was chosen for the implementation of the experiment because is located in the M'Boicy river basin fully inserted into the urban context. The rain water retainment system for recharging groundwater was installed in the building at the bottom of the allotment and 3 meters above the water table, which led to the installation of the sink horizontally and use the land as a means of filtering water collected from the roof. After the implementation of the prototype rainwater precipitated over the roof of the building was full infiltrated into the ground through the drain which serves the purpose of the experiment.

Keywords: soil sealing - rain water – infiltration

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SUMÁRIO

1 INTRODUÇÃO

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2 REFERENCIAL TEÓRICO

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2.1 DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL E PLANEJAMENTO URBANO

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2.2 CICLO HIDROLÓGICO

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2.3 URBANIZAÇÃO

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2.4 DRENAGEM URBANA

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ÁGUAS

2.5 SUPERFICIAIS

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2.6 SUBTERRÂNEAS

ÁGUAS

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MATERIAL E MÉTODOS

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3.1

LOCALIZAÇÃO DA ÁREA

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3.1.1

Características do solo de Foz do Iguaçu – PR

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3.2

IMPLANTAÇÃO DO EXPERIMENTO

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3.2.1 Escolha do Local

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3.2.2 Solo do Local

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3.2.3 Instalação do Sumidouro de Águas Pluviais

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3.2.4 Teste de

Percolação

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3.3 ÁREA DE CAPTAÇÃO DE ÁGUA

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3.4 MEDIÇÕES

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3.5 VERIFICAÇÃO DO NÍIVEL DE ÁGUA RETIDA NO RESERVATÓRIO

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3.6 TESTE DA CAPACIDADE TOTAL DO SUMIDOURO

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4 RESULTADOS E DISCUSSÃO

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5 CONSIDERAÇÕES FINAIS

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REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

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ANEXOS

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LISTA DE FIGURAS

Figura 1: O ciclo Hidrológico, Karmann, 2000,

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Figura 2: Divisão territorial do Municipio de Foz do

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Figura 3: Bacia hidrográfica do Rio M’Boicy, inserida no quadro urbano de Foz do Iguaçu, 2008

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Figura 4: Localização da Bacia Hidrográfica do Rio M’Boicy,

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Figura 5: Corte no terreno mostrando a presença do solo Latossolo

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Figura 6 : Local da implantação do experimento na Rua Itauna, 780 - Conjunto Libra

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Figura 7: Medidas da base do corte do meio tubo, e raio de 0,30 m e com comprimento de 4,0 m

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Figura 8: Etapas da implantação do sumidouro sendo A - a vala aberta para compor o sumidouro, B - fundo vala com camada de pedra brita pronta para receber as manilhas, C - as manilhas colocadas no sumidouro, formando a área do reservatório e a D - vista do local onde esta o sumidouro,

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Figura 9: Gráfico para determinar coeficiente de percolação

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Figura 10: Teste de percolação – Quadro A seção no fundo da vala, Quadro B seção com 5 cm de pedra brita e com a régua de 30 cm e Quadro C seção cheia de água, 2010

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Figura 11: Pluviômetro instalado no imóvel, 2010

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LISTA DE TABELAS

Tabela 1 – Testes de percolação realizados

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Tabela 2 – Precipitação registradas no mês de setembro de 2010

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Tabela 3 – Precipitação registradas no mês de outubro de 2010

37

Tabela 4 - Dados dos loteamentos, área da quadra, área de telhado na quadra e o volume calculado para o mês de setembro e outubro tendo como referencia os mm de chuva precipitado no local do experimento

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1 INTRODUÇÃO

A urbanização das cidades ocorre através da construção de ruas,

avenidas, redes de esgoto, escolas, hospitais, casas, prédios, rede elétrica, praças,

shoppings, etc. Todo este desenvolvimento urbano tem relação direta com aumento da densidade populacional, pois muitas pessoas migram em busca de melhores condições de vida na área urbana das cidades. Quando a urbanização é planejada através do plano diretor esta pode apresentar benefícios para os cidadãos. Porém, quando não há planejamento

urbano, além de não oferecer qualidade de vida, os problemas urbanos se multiplicam, por exemplo, criminalidade, desemprego, poluição, impactos negativos ao meio ambiente e invasões em áreas inadequadas. Com o parcelamento do solo urbano e a ocupação por moradias, edificações, especulações imobiliárias, as áreas destinadas para a infiltração da água torna-se cada vez menor, propiciando o aumento do escoamento superficial quando da ocorrência de chuvas, aumentando o volume de água nos córregos e rios localizados no perímetro urbano. As margens dos córregos e rios foram moldadas pela natureza a centenas ou mesmo a milhares de anos e resistem naturalmente a um volume habitual de água. Com o escoamento superficial dos terrenos ocupados pelas edificações e pela impermeabilização do restante das áreas livres dos imóveis, aumenta o volume habitual da água, que avançará sobre terrenos mais frágeis, criando voçorocas, desbarrancamentos, carreando plantas das margens, assoreando o leito dos cursos d’água, erosão e enchentes. No período chuvoso a água da chuva infiltra para o subsolo, que servira para alimentar através das nascentes os cursos d’água em período de seca. A vazão anual de um curso d’água não é alterada pela impermeabilização do solo, mas esta causa um desequilíbrio em sua distribuição ao longo do ano, pois aumenta a vazão no período das chuvas e diminui no período da seca, quando é necessária para a manutenção dos cursos d’água e há mais necessidade de água

O planejamento urbano, que envolve fundamentos interdisciplinares, na

prática é realizado em um âmbito mais restrito do conhecimento. O planejamento da

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ocupação do espaço urbano no Brasil, através do Plano Diretor Urbano não tem considerado aspectos de drenagem urbana, qualidade da água e a recarga freática, que acarretam transtornos e custos para a sociedade e para o ambiente. Com o crescente desenvolvimento urbano brasileiro, a frequência das inundações teve um aumento relevante. Com a visão voltada para as futuras gerações a manutenção da capacidade de recarga dos lençóis freáticos faz parte do desenvolvimento sustentável contribuindo com o principal objetivo do planejamento urbano, demonstrando a preocupação com os bens que podem ser finitos como a água potável.

A ocupação dos espaços urbanos com edificações diminui a infiltração de água no solo, provocando maior escoamento superficial, causando danos na infra-estrutura urbana e alagamentos devido ao grande volume de água que provém das áreas edificadas não ocorrendo assim a infiltração e natural recarga freática. O loteamento Conjunto Residencial Libra I está situado na área central da Bacia do Rio M’Boicy, e a montante do local onde ocorrem alagamentos por ocasião de precipitações elevadas em curto período de tempo. Em Foz do Iguaçu, o Plano Diretor prevê uma taxa de permeabilidade de 12% para o zoneamento do bairro estudado, porcentagem esta que deve ser deixada para a infiltração da água da chuva nos imóveis. O objetivo deste trabalho foi dimensionar um sumidouro horizontal proporcional à área residencial construída e através do acompanhamento do volume de água pluvial infiltrada no solo nos meses de setembro e outubro de 2010.

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2 REFERENCIAL TEÓRICO

2.1 DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL E PLANEJAMENTO URBANO

O estudo do desenvolvimento sustentável atualmente, para Gewehr (2006), requer uma visão holística que seja aberta e voltada para o entendimento da complexidade planetária, como forma de melhor atender a expectativa de deixar às futuras gerações subsídios capazes de fazer com lhes seja garantida uma melhor qualidade de vida e a busca do desenvolvimento sustentável, como forma da sociedade externar sua preocupação com a qualidade de vida e para demonstrar que o homem passa a ter a exata noção de que os recursos naturais são finitos. Segundo Montes (2009), a redução da área permeável, de uma bacia hidrográfica passa a ter um aumento expressivo do escoamento superficial das águas pluviais que são lançadas em corpos hídricos. O processo, quando não implantado e gerenciado de forma planejada e sustentável, acaba gerando vários problemas, tais como: enchentes, inundações, enxurradas e consequente contaminação dos rios dentre outros. Sendo necessário que a administração pública municipal adote medidas corretivas e preventivas para a minimização e controle dos impactos, visando imitar o ciclo hidrológico natural, permitindo amortecer as vazões de cheias e uma maior infiltração de água no solo. De acordo com Tucci e Collischonn (1998), a drenagem urbana representa uma fonte importante de prejuízos para população urbana das cidades, devido as frequentes inundações, ao tráfico interrompido e à deterioração ambiental. O impacto esse gerado pela urbanização inadequada, que requer medidas preventivas de controle, e para que isso aconteça são necessárias medidas administrativas e técnicas implantadas através do Plano Diretor Urbano. A proteção da qualidade e do abastecimento dos recursos hídricos é abordado na Agenda 21 (1992), onde coloca os recursos de água doce, como componente essencial e parte indispensável de todos os ecossistemas terrestres e é necessário em todos os aspectos da vida. Tendo como objetivo geral assegurar que se mantenha uma oferta adequada de água de boa qualidade para toda a

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população, com a aplicação de planos racionais de utilização da água através da conservação e minimização do desperdício. Porém, a Agenda 21 (1992) advertiu que se deve dar prioridade às medidas de prevenção e controle de enchentes, bem como ao controle de sedimentação, onde necessário. Para o setor de água doce é proposto áreas de programas como: Desenvolvimento e manejo integrado dos recursos hídricos; Avaliação dos recursos hídricos; Proteção dos recursos hídricos, da qualidade da água e dos ecossistemas aquáticos; Abastecimento de água potável e saneamento; Água e desenvolvimento urbano sustentável, Água para produção sustentável de alimentos e desenvolvimento rural sustentável e Impactos da mudança do clima sobre os recursos hídricos.

2.2 CICLO HIDROLÓGICO

De acordo com a CETESB (2009), em uma bacia hidrográfica a água das chuvas são parte interceptada pelas plantas, evapora-se e volta para a atmosfera, parte escoa superficialmente formando as enxurradas e, através de um córrego ou rio, abandona rapidamente a bacia outra parte, a de mais interesse, é aquela que se infiltra no solo, com uma parcela temporariamente retida nos espaços porosos, outra parte absorvida pelas plantas ou evaporada através da superfície do solo, e outra alimenta os aquíferos, que constituem o horizonte saturado do perfil do solo. Para Kobiuama, Mota e Corseuil (2008), todo o tipo de água se movimenta nas três fases encontrada (gasosa, líquida e sólida) e os componentes desse ciclo denominam-se os processos hidrológicos e entre eles os que apresentam maior relevância são a condensação, precipitação, interceptação, infiltração, detenção, percolação, escoamentos superficiais e subsuperficiais, escoamento subterrâneo, escoamento fluvial e evapotranspiração. A renovação da água no planeta Terra acontece através do ciclo hidrológico, podendo ser verificado na Figura 1 a sua movimentação e forma de sua disposição na natureza.

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15 Figura 1: O ciclo Hidrológico, Karmann, 2000, Fonte: Decifrando a Terra, Oficina de textos. Para

Figura 1: O ciclo Hidrológico, Karmann, 2000, Fonte: Decifrando a Terra, Oficina de textos.

Para Karmann (2000), o ciclo hidrológico pode ser comparado a uma grande máquina de reciclagem da água, na qual operam processos tanto de transferência entre os reservatórios como de transformação entre os estados gasosos, liquido e sólido. Processos de consumo e formação de água interferem neste ciclo, em relativo equilíbrio através do tempo geológico, mantendo o volume geral de água constante no Sistema Terra. A água existente na Terra, para Camponogara (2006), tem origem no ciclo hidrológico, isto é, no sistema pelo qual a natureza faz a água circular do oceano para a atmosfera e desta para os continentes, de onde retorna à atmosfera e, superficial e subterraneamente, ao oceano e que a água subterrânea origina-se da chuva que precipita e infiltra no solo. Para Sousa Junior (2006), a água constitui-se um recurso renovável por meio do ciclo hidrológico e quando reciclada por meio de sistemas naturais, é um recurso limpo e seguro que é deteriorada a diferentes níveis de poluição pela atividade antrópica e os níveis de tratamentos recomendados serão estabelecidos pelo fins a que esta se destina. Conforme Tucci (2003), o ciclo hidrológico sofre fortes alterações nas

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áreas urbanas devido, as alterações da superfície e a canalização do escoamento das chuvas, aumento de poluição devido à contaminação do ar, das superfícies urbanas e do material sólido disposto pela população. O desenvolvimento urbano altera o ciclo hidrológico natural. Com a urbanização, a cobertura da bacia é alterada para pavimentos impermeáveis e são introduzidos condutos para escoamento pluvial, gerando modificações no ciclo, como a redução da infiltração no solo, onde há uma redução do nível do lençol freático por falta de alimentação reduzindo o escoamento subterrâneo e ainda devido a substituição da cobertura natural ocorre uma redução da evapotranspiração das folhagens e do solo, já que a superfície urbana não retém água como a cobertura vegetal (PORTO ALEGRE, 2005).

2.3 URBANIZAÇÃO

Conforme Costa (2003), a urbanização que ocorre no mundo, desde as últimas décadas, está associada ao desenvolvimento do capitalismo, caracterizado pelo rápido crescimento dos grandes centros urbanos e pelo surgimento de problemas socioespaciais dos mais diversos, favorecendo com isto o comprometimento da qualidade de vida. Segundo Reis (2005), apud Almeida e Ferreira (2007), com o desenvolvimento urbano há um aumento do escoamento superficial, causando maiores cheias urbanas, devido ao desequilíbrio do balanço hídrico nas cidades, exigindo-se assim que sejam implementados sistemas de drenagem sustentáveis e de controle na fonte. Dentre os diversos efeitos da urbanização, dois podem ser destacados, aumento da produção de resíduos sólidos e o aumento da impermeabilização das superfícies. Ambos provocam danos ao meio ambiente urbano se não gerenciados de maneira adequada (NEVES; TUCCI, 2003). Planejamento estratégico, segundo Chiavenato e Sapiro (2003), é o planejamento concebido para a organização como uma totalidade. Em geral, parte de cima para baixo, envolve a organização como um sistema integrado e é focado no longo prazo. Seu horizonte temporal pode chegar até 5 ou 10 anos, dependendo

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da natureza e dos objetivos que pretende alcançar, é um processo de formulação de estratégias organizacionais. De acordo com Hauser e Schnore (1975), a residência constitui a forma mais expandida de uso do solo urbano, na maioria das cidades, exceção feita às vias, as quais funcionam, primeiramente e na maior parte como acesso às residências e segundo os mesmos autores as cidades proporcionam bens de consumo e serviços, tanto para os habitantes da cidade, como para as populações das áreas externas. Para Carneiro (1998) o plano diretor, concebido na Carta Magna, não deve circunscrever-se tão somente à ordenação do espaço urbano, mas deve também consignar igualmente diretrizes sociais da cidade, sobre tudo nos campos da saúde, educação, ação social, cultura, esporte, lazer e habitação, e alem desses deve definir diretrizes econômicas para as áreas primarias, secundárias e terciárias da econômica. Deverá destacar o plano diretor as diretrizes físicas e ambientais, relativamente às questões de saneamento básico, abastecimento de água, limpeza urbana, expansão energética e de telecomunicações, sistema viário, transporte e trânsito, defesa e preservação do meio ambiente e estrutura urbana. Mascaró (1994) destacou que os aspectos mais fortes como condicionantes do traçado urbano são as características topográficas onde estão baseados principalmente na declividade, na uniformidade, no tamanho dos morros e das bacias que cada sítio tem seu ecossistema natural que, em maior ou menor grau, é alterado e agredido quando sobre eles se faz um assentamento urbano. Segundo Mota (1995) apud Lavinski et al. (2006) a definição dos usos e da ocupação do solo de determinada área deve considerar os aspectos naturais do meio físico que possam ter influência sobre os recursos hídricos. Os condicionantes naturais tais como: características climáticas, cobertura vegetal, topografia, tipo de solo, sistemas de drenagem e os próprios recursos hídricos, devem ser estudados em conjunto, de modo a garantir que a utilização de uma área seja feita de forma a causar o menor impacto possível. Para Tucci e Bertoni (2003), apud Mota (2003) a própria aglomeração urbana já é por si só uma fonte de poluição, pois implica em numerosos problemas ambientais como o acúmulo de resíduos e o enorme volume de esgotos. Todavia Oliveira (2001), em estudo sobre a Degradação do Meio Físico e Implicações Ambientais na Bacia do Rio Jaguaribe – João Pessoa – PB, que aborda

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os problemas ambientais decorrentes do modelo de ocupação e uso do solo comenta “que diante da demanda crescente pela ocupação do meio físico, os problemas ambientais estão atingindo níveis preocupantes, pela falta de critérios de ocupação dos espaços urbanos. Essa falta de preocupação para com o uso adequado do meio físico tem sido apontada como uma questão que deve merecer atenção especial por parte dos gestores públicos”. De acordo com Campana e Tucci (2001) apud Benini (2005) uma grande diferença entre controlar os impactos antes do desenvolvimento da bacia e após a sua urbanização, pois a maioria dos municípios não tem condições econômicas para fazer controle neste último estágio. Os mesmos autores ressaltam que um dos principais desafios do planejador é o de antecipar-se e prevenir ou minimizar os impactos antes que eles se tornem realidades. Almeida e Ferreira (2008) mostraram que o planejamento do uso e ocupação do solo é importantíssimo, pois diz respeito de como as áreas determinadas pelas medidas de zoneamento devem ser ocupadas. Um percentual mínimo de área permeável deve ser mantido para proporcionar a infiltração e dificultar o escoamento superficial. As medidas estruturais constituem-se em obras da engenharia hidráulica implementadas para mitigar os impactos causados pelas enchentes, e as extensivas são as medidas que agem na bacia, fazendo com que através de medidas físicas diretas possam reduzir o coeficiente de escoamento e diminuir os efeitos da erosão e como consequência a diminuição dos riscos de enchente.

2.4 DRENAGEM URBANA

Com o progresso urbanístico, há uma influência nos recursos hídricos, principalmente ao que se refere ao equilíbrio natural existente nos fatores qualitativos e quantitativos do ciclo hidrológico, pois as ações antrópicas originam grandes superfícies impermeáveis, que provocam aumento do volume de escoamento superficial e juntamente com ocupações indevidas de áreas de risco, falhas no processo de coleta e disposição do lixo, dentre outros, geram prejuízos significativos para toda a sociedade, devido a cheias urbanas. As medidas de

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controle sustentáveis que minimizem os impactos da urbanização devem ser introduzidas para promoverem a infiltração da água da chuva no solo. (REIS 2005) apud (ALMEIDA E FERREIRA, 2008). As inundações devido a urbanização têm sido mais frequentes neste século, com o aumento significativo da urbanização das cidades e a tendência dos engenheiros de drenarem o escoamento pluvial o mais rápido possível das áreas urbanizadas (TUCCI e BERTONI, 2003). As águas da chuva que antes eram infiltradas e percoladas pelo solo, agora são escoadas por pavimentos impermeáveis e canais de concreto. Esse caminho, percorrido pelas águas, tende a gerar uma série de problemas ambientais, desde aqueles relacionados à poluição de rios, córregos e mananciais, como outros tão graves quanto aqueles relacionados à saúde pública. O incremento dessas áreas impermeáveis facilita o aumento da velocidade do escoamento superficial ao longo dos canais, agrava os problemas de ordem estrutural do sistema de drenagem e intensifica o potencial para a ocorrência das inundações (JR, 2005) apud (BENINI,

2005).

As cheias que ocorrem nas pequenas e médias bacias apresentam características hidrológicas diferentes das que ocorrem nas grandes bacias hidrográficas e a escala de tempo em que ocorrem as cheias também é diferente. Nas pequenas bacias, onde os problemas de enchentes estão relacionados a eventos de curta duração, da ordem de grandeza de horas, o componente principal da cheia é o escoamento superficial (GONTIJO, 2007). Segundo Tucci (2003), com o desenvolvimento urbano, ocorre a impermeabilização do solo através de telhados, ruas calçadas e pátios, entre outros. Dessa forma, a parcela da água que infiltrava passa a escoar pelos condutos, aumentando o escoamento superficial. O volume que escoava lentamente pela superfície do solo e ficava retido pelas plantas, com a urbanização, passa a escoar no canal, exigindo maior capacidade de escoamento das seções. Castro (2002) estudou sobre a proposição de indicadores para a avaliação de sistemas de drenagem urbana, que diversas alterações no meio ambiente podem ser percebidas e provocam mudanças no ciclo hidrológico como o aumento do volume do escoamento superficial devido à expansão das áreas impermeáveis o que reduz a infiltração. Para Tucci (1993) apud Montes (2009), no planejamento urbano podem

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ser usadas medidas estruturais que são obras de engenharia hidráulica com a finalidade de suavizar os impactos causados por enchentes, e estas podem ser extensivas ou intensivas. Onde as medidas extensivas são as que agem na bacia, modificando as relações entre precipitação e vazão, diminuindo o escoamento e riscos de enchentes. Os dispositivos de percolação dentro de lotes permitem aumentar a recarga freática e reduzir o escoamento superficial. O armazenamento depende da porosidade e da percolação. Bacias são construídas para recolher a água do telhado e criar condições de escoamento através do solo. Essas bacias são construídas removendo-se o solo e preenchendo-o com cascalho, que cria o espaço para o armazenamento. De acordo com o solo, é necessário criar-se maiores condições de drenagem (PORTO ALEGRE, 2005). Nascimento et al. (2007) estudou um sistema de controle do escoamento das águas pluviais em vias públicas, através da instalação de caixas de captação de águas pluviais na camada não saturada do solo e subsolo da Bacia Sedimentar de Curitiba, para atenuar as alterações causadas pela impermeabilização do solo. A política existente de desenvolvimento e controle dos impactos quantitativos na drenagem se baseia no conceito de escoar a água precipitada o mais rápido possível. Este princípio foi abandonado nos países desenvolvidos no início da década de 1970 (TUCCI, 2003)

2.5 ÁGUAS SUPERFICIAIS

Quando o processo de ocupação do solo à montante de uma bacia hidrográfica encontra-se bastante desenvolvido, ocorre aumento do escoamento superficial e redução no tempo de retardamento da bacia, potencializando os efeitos da enchente à jusante (BARROS, 2003) apud (BENINI, 2005). Segundo Nascimento et al, (2007), o balanço hídrico em bacias urbanas altera-se, com o aumento do volume do escoamento superficial e a redução da recarga natural dos aquíferos e da evapotranspiração e que a redução da recarga dos aquíferos produz o rebaixamento do nível freático e a diminuição das vazões fluviais durante as estiagens.

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Para Reis, Oliveira e Sales (2005), as consequências e o aumento tanto da frequência e da magnitude das enchentes nos meios urbanos são impactos diretos sobre o balanço hídrico resultantes do processo de impermeabilização, da alteração da cobertura vegetal, da criação de obstruções de escoamentos em condutos naturais, da construção de redes de condutos pluviais, entre outros. Dentre os fatores que são apontados como agravantes à inundação, Oliveira (1998) destacou: despejo de resíduos sólidos urbanos, provocando o entulhamento dos canais; eliminação da mata ciliar, provocando erosão contínua e assoreamento dos cursos d’água; execução de cortes e aterros nas planícies de inundação; canalização dos córregos; mineração que, quando mal planejada, causa assoreamento do canal; ocupação indevida dos fundos de vale e ausência de saneamento básico. As inundações localizadas são provocadas por intervenções antrópicas nas drenagens, com estrangulamento dos canais em pontes, bueiros e aterros. Quando o sistema de drenagem de águas pluviais é inadequado, também ocorrem alagamentos devido às concentrações excepcionais das águas do escoamento superficial. Este processo é denominado alagamento por (CERRI & AMARAL, 1998) e inundação pluvial por (SAYAGO & GUIDO 1990) apud (LACERDA, 2005). Segundo Tucci (2003) para o controle do escoamento superficial pode ser adotado medidas de micro e macrodrenagem que são as detenções e retenções. Sendo necessário desenvolvimento do plano diretor de drenagem urbana e considerar os princípios que são: os novos desenvolvimentos não podem aumentar a vazão máxima de jusante; o planejamento e controle dos impactos existentes devem ser elaborados considerando a bacia como um todo; o horizonte de planejamento deve ser integrado ao Plano Diretor da cidade; o controle dos efluentes deve ser avaliado de forma integrada com o esgotamento sanitário e os resíduos sólidos.

2.6 ÁGUAS SUBTERRÂNEAS

Para Karmann (2000), a fração de água que sofre infiltração, pelo subsolo, e o seu movimento e armazenamento são controlados pela força gravitacional e características dos materiais presentes. Toda essa água que ocupa

22

os vazios em formação rochosos ou no regolito são classificadas como subterrânea formando os aquíferos, que são unidades rochosas ou de sedimentos porosas ou permeáveis que guardam e transmitem quantidades significativas de água, sendo o estudo dos mesmos um dos objetos mais importantes da Hidrogeologia, que visa explorar e proteger as águas subterrâneas. Segundo Oliveira et al (2007), a água é um recurso natural renovável e,a recarga da água subterrânea é fundamental para que este recurso se mantenha em quantidades adequadas e que os sistemas de infiltração de água de chuva são soluções, na maioria dos casos, eficientes que operam de forma sustentável, proporcionando a manutenção do equilíbrio hídrico natural do terreno a um baixo custo de implantação. Atualmente, a água subterrânea tem se tornado uma fonte alternativa de abastecimento. Isto se deve, aos problemas de escassez e poluição das águas de superfície, que tornam seu custo cada vez mais oneroso em termos de potabilidade (CHAVES; SILVA, 2008); De acordo com Clarke e King (2005), nas ultimas 5 décadas está sendo retirada água dos aquíferos num ritmo muito rápido do que eles conseguem se refazer, e que alguns aquíferos se recompõe pela água da chuva que se infiltra nos solo, mas esse processo pode levar centenas ou milhares de anos. Comenta Nascimento et al. (2007), que o balanço hídrico em bacias urbanas altera- se, com o aumento do volume do escoamento superficial e a redução da recarga natural dos aquíferos e da evapotranspiração. A tendência da redução da recarga dos aquíferos produz o rebaixamento do nível freático e a diminuição das vazões fluviais durante as estiagens.

23

3 M ATERIA L E MÉT ODOS

3.1 LOCALIZA ÇÃO DA

ÁREA

O m unicípio d e Foz do I guaçu est á localizad o no extre mo oeste do estado

com o Par aguai. Co m altitude de 173 m

mar, 25°3 2'55"S de latitude e 54°35'17" O de longi tude (FOZ

do P araná, na

em

DO IGUAÇU,

relação ao

fronteira com a Arg entina e

nível do

2006).

A á rea do M unicípio é

Nacional,

de 617,71

km², qu e compree nde a áre a urbana,

A área u rbana ocu pa a maior

a divisã o territorial

rura l, Parque

parc ela com 3 0,99% co mo pode

do M unicípio ( FOZ DO I GUAÇU, 2 006).

Lago de Ita ipu e a Ilh a Acaray.

ser verific ado na Fig ura 2 com

D ivisão Ter ritorial de 617,71 Foz do I guaçu - Km² 138,6 Km² 149
D ivisão Ter ritorial de
617,71
Foz do I guaçu -
Km²
138,6 Km²
149 ,1Km2
138,17 Km²
191,46 Km²
0, 38 Km²
138,6 Km² 149 ,1Km2 138,17 Km² 191,46 Km² 0, 38 Km² Urb a na - 30,99

Urb ana - 30,99%

Rur al - 22,37 %

Par que Naciona l -22,44%

Lag o de Itaipu - 24,14 %

Ilha Acaray - 0,0 6 %

Figu ra 2: Divisão territorial d o Municipio

Font e: Secretaria Municipal d e Planejame nto Urbano, 2006

de Foz do Ig uaçu.

3.1. 1 Caracte rísticas d o solo de Foz do Ig uaçu – PR

No município existem n ove micro bacias, de stas seis

são afluen tes do Rio

24

Paraná e três do Rio Iguaçu. As microbacias afluentes do Rio Paraná são: Rios M’Boicy, Almada, Monjolo, O’Coi, Cuê e Guabiroba e as afluentes do Rio Iguaçu são:. Rios Tamanduá, São João e Córrego Carimã (FOZ DO IGUAÇU, 2006).

O clima é subtropical úmido mesotérmico, classificado por Köppen como

Cfa. A temperatura média é superior a 22°C anual sendo de 40º C para as máximas

e 0º C para as mínimas. As chuvas costumam ser bem distribuídas durante o ano,

com uma pequena redução no inverno, e a precipitação média anual varia em torno dos 1800 mm, sendo o mês de maio o de maior precipitação e os meses de março e agosto são menos chuvosos (FOZ DO IGUAÇU, 2006).

O Município de Foz do Iguaçu ocupa a porção oeste do terceiro planalto

ou planalto de Guarapuava. Nesta região, predomina vertentes levemente onduladas, voltadas predominantemente para o sudoeste, confluência dos dois

maiores rios: Paraná e Iguaçu (FOZ DO IGUAÇU, 2006).

O solo do município é caracterizado, em sua maioria, por solos de textura

argilosa profundo, originado da decomposição de rochas basálticas, do tipo Latossolo Roxo Distrófico e Eutrófico, abrangendo a maior parte do município; Podzólico Vermelho-Amarelo Eutrófico que se estende no sentido norte-sul, dentro

da área urbana, desde a barragem de Itaipu, até as proximidades do principal eixo de desenvolvimento, a Avenida Juscelino Kubitschek (FOZ DO IGUAÇU, 2006).

- O substrato aflorante do município é composto por uma sucessão de

cerca de cinco derrames superpostos de lavas básicas, capeados pelos produtos de

intemperismo, os solos laterizados avermelhados. Esses têm espessura dependente da topografia e da evolução geomorfológica.

- Em regiões altas predominam os Latossolos Roxos e nas encostas com declividade pouco acentuada, predominam a Terra Roxa Estruturada.

Excepcionalmente, ao longo de segmentos do leito das drenagens menores, ocorrem solos de cobertura originados pela pequena declividade local, que provoca

a saturação e hidromorfização.

- Os Latossolos Roxos são solos não hidromórficos, bem intemperizados,

profundos e porosos, com alto teor de ferro. Pertencem às espécies caulínítica, o que lhes confere maior plasticidade e pegajosidade que os Latossolos roxos típicos. Devido a essas características, assemelha-se à terra roxa, compactando-se com facilidade, processo agravado pelos altos teores de argila e deficiência de matéria

orgânica (FOZ DO IGUAÇU, 2006).

25

Os solos de várzea, localizados nas regiões mais baixas e aplainadas, estão relacionados ao hidromorfismo, sendo derivados de sedimentos coluvio- aluviais (FOZ DO IGUAÇU, 2006).

3.2 IMPLANTAÇÃO DO EXPERIMENTO

3.2.1 Escolha do Local

O Loteamento Conjunto Libra I, foi escolhido para a implantação do

experimento por estar entre os 91 loteamentos existentes na bacia do Rio M’Boicy que tem a área de 25,28 km² e está totalmente inserida no quadro urbano podendo ser verificado na Figura 3. Os acidentes naturais como enchentes ocorrem geralmente a jusante do Conjunto Libra.

enchentes ocorrem geralmente a jusante do Conjunto Libra. Figura 3: Bacia hidrográfica do Rio M’Boicy, inserida

Figura 3: Bacia hidrográfica do Rio M’Boicy, inserida no quadro urbano de Foz do Iguaçu, 2008. Fonte: Secretaria Municipal de Planejamento Urbano

O loteamento foi implantado no ano de 1978, com residências de

26

tamanho padrão e inferior a 70,00 m², que ao longo dos anos foram ampliadas, restando apenas algumas unidades com as dimensões de origem. Nas mesmas condições do Conjunto Libra I, foram implantados posteriormente outros loteamentos com as características idênticas, sendo eles o Cohapar I, Cohapar II, Vila Militar, Conjunto Libra II, III e IV, todos na área da Bacia do Rio M’Boicy. Na Figura 4 pode ser verificado a ocupação da Bacia Hidrografica, onde existem ainda vários vazios urbanos e sofrerão a ocupação e como consequência aumento da impermeabilização.

e como consequência aumento da impermeabilização. Figura 4: Localização da Bacia Hidrográfica do Rio

Figura 4: Localização da Bacia Hidrográfica do Rio M’Boicy, 2010. Fonte: Google Earth - Adaptação

O loteamento Conjunto Libra I, está situado na parte norte, às margens do Rio M’Boicy, estando os lotes locados a uma distância que varia entre 30,0 metros até 50,0 metros de sua margem.

3.2.2 Solo do Local

A análise do terreno do Conjunto Libra I se assemelha com a análise do

27

laudo geológico/geotécnico realizado para a implantação de loteamento Vila Toscana localizado próximo do Rio M’Boicy e encontra-se no processo de aprovação do mesmo nos arquivos da Prefeitura Municipal. Conforme estudo o terreno é composto de dois tipos de materiais inconsolidados: um solo residual maduro argiloso e um solo coluvial argiloso. Foi identificado nas partes mais elevadas do terreno, à presença de um solo residual maduro argiloso, apresentando um Horizonte B com uma coloração arroxeada a avermelhada, profundo, plástico, poroso e permeável, classificado através do Sistema Brasileiro de Classificação Pedológica como Latossolo Roxo (Terra Roxa), com uma espessura média de 4,00 (quatro) metros. A partir dessa profundidade ele começa progressivamente a se transformar em um solo litólico (horizonte C) que se caracteriza pelos fragmentos de rocha intemperizadas, ou não, em meio a uma matriz argilosa. A Figura 5 mostra o corte no solo onde pode ser visto o latossolo.

5 mostra o corte no solo onde pode ser visto o latossolo. Figura 5: Corte no

Figura 5: Corte no terreno mostrando a presença do solo Latossolo. Fonte: Junior (2010)

Segundo Junior (2010), em estudos realizados em Foz do Iguaçu os coeficientes de permeabilidade obtidos nos solos argilosos maduros proveniente da alteração da rocha basáltica são da ordem de 10 -3 a 10 -4 cm³/s. Os elevados valores obtidos estão relacionados por esses solos serem ricos em óxido de ferro e

28

alumínio, onde a disposição das partículas em agregados mais arredondados garante boa permeabilidade, apesar do elevado teor de argila. Na partes mais planas e perto das margens dos Rios M’Boicy foi

encontrado um solo coluvial argiloso, bastante raso, de coloração avermelhado, granulometria fina, poroso e plástico, com uma espessura média de 0,50 metros. A partir desta profundidade é identificado a presença de um solo de coloração acinzentada, granulometria fina, bastante plástico e saturado. O manto intemperismo, (regolito) na área mais elevada é de 6,0 metros e na parte mais baixa a com a presença deste solo é de aproximadamente 3,0 metros.

O lençol freático está a uma profundidade de 3,0 metros, verificado

através de dois poços cacimba, localizados próximo, um na Rua Capibaribe e outro na Rua Mané Garincha, estando eles situados na cota de 187,8 m de altitude, sendo

a mais próxima da cota onde está implantado o experimento.

3.2.3 Instalação do Sumidouro de Águas Pluviais

O sistema de retenção de água da chuva (sumidouro) para fins de

recarga freática foi instalado no imóvel localizado na Rua Itauna, 780 - Bairro Conjunto Libra I, Município de Foz do Iguaçu – PR, situado na bacia do Rio M’Boicy. O loteamento possui lotes padronizados e dotado de infra-estrutura como rede de esgoto, ruas com pavimentação asfáltica e com galerias pluviais, onde existe boca de lobo somente na extremidade mais baixa das quadras. Para a determinação do comprimento do reservatório para retenção da

água da chuva, por não haver em literatura e por ser oobjetivo do estudo foi utilizado

a razão de 1/3 da frente do imóvel que é de 12,0 metros, o que corresponde a 4,0

metros a área do reservatório. Na parte mais baixa do loteamento e local da implantação do experimento, encontra-se o lençol freático a uma profundidade de 3,0 metros, o que motivou a disposição de forma horizontal do sumidouro para a utilização do solo como meio filtrante da água da chuva coletada no telhado. Foi demarcado no solo 0,75 m x 4,80 m, local da escavação para a

29

implantação do reservatório, sendo escavado na profundidade de 0,70 m, deixando

o fundo da vala o mais próximo do nível possível, para que a distribuição da água seja uniforme e realizado o teste de percolação.

A Figura 6, mostra a localização do lote onde foi implantado o sumidouro

e onde está o leito do Rio M”Boyci.

o sumidouro e onde está o leito do Rio M”Boyci. Figura 6 : Local da implantação

Figura 6 : Local da implantação do experimento na Rua Itauna, 780 - Conjunto Libra I. Fonte: Adaptação do Google Earth, 2010

.

O fundo da vala que após sofrer uma escarificação, para evitar que ficasse partes compactadas pelo ato da escavação, recebeu uma camada de 0,05 m de pedra brita nº 1, preparando o local para o recebimento das manilhas que compõe o reservatório. Para a formação do reservatório utilizou-se 04 manilhas de concreto com 0,60 m de diâmetro por 1,0 m de comprimento e espessura de 0,06 m, cortados ao meio de forma longitudinal e conhecidos comercialmente como meio tudo. O qual ficou com um volume interno total de 0,5656 m³.

A Figura 7.mostra as dimensões das manilhas com o raio e que é de 0,30

m e a base a qual permite a infiltração bem como o volume reservado no sumidouro horizontal.

30

30 Figura 7 : Medidas da base do corte do meio tubo, e raio de 0,30

Figura 7: Medidas da base do corte do meio tubo, e raio de 0,30 m e com comprimento de 4,0 m.

As 4 manilhas foram colocadas na vala sobre a pedra brita e as duas extremidades foram fechadas com tijolos de 5 x 8 x 23 cm e que possuem 21 furos com seção de 2cm x 2cm, que permitem a entrada da água da chuva no reservatório. A formação do reservatório pode ser verificado na Figura 8, onde mostra a vala escavada, o fundo da vala com a camada de pedra brita, as manilhas colocadas na vala pra a formação do reservatório e o local após a implantação do sumidouro.

atório e o local após a implantação do sumidouro. Figura 8: Etapas da implantação do sumidouro

Figura 8: Etapas da implantação do sumidouro sendo A - a vala aberta para compor o sumidouro, B - fundo vala com camada de pedra brita pronta para receber as manilhas, C - as manilhas colocadas no sumidouro, formando a área do reservatório e a D - vista do local onde esta o sumidouro, 2010.

31

O área do sumidouro ocupada pelas manilhas é de 4,0 m e 0,40 m em

cada lado, local do abastecimento do mesmo, e preenchido com pedra brita. As duas extremidades servem de entrada da água no sumidouro, sendo que o abastecimento do mesmo é feito através de canos de PVC DN100 que estão ligados nas calhas que coletam a água da chuva na cobertura da residência. Na extremidade da tubulação que fica entre o solo e as manilhas colocou- se um joelho de PVC DN100 e posicionado tijolos em volta, de forma a ficar a área livre para o recebimento da água na ponta da tubulação e envolta dos tijolos foi colocado pedra brita nº 1, completando o espaço existente. Local este onde a água oriunda do telhado escoara para dentro do meio tubo através dos furos dos tijolos.

3.2.4 Teste de Percolação

A percolação é o movimento subterrâneo da água através do solo,

especialmente nos solos saturados ou próximos da saturação. O teste de percolação

representa o número de litros de água que 1,0 m² de área de infiltração do solo é capaz de absorver em um dia.

A metodologia utilizada para a realização do teste de percolação, segue

os passos contidos no Manual de Saneamento da Fundação Nacional de Saúde e foi utilizado o Gráfico da Figura 9, para determinar coeficiente de percolação.

da Figura 9, para determinar coeficiente de percolação. Figura 9: Gráfico para determinar coeficiente de

Figura 9: Gráfico para determinar coeficiente de percolação Fonte:Capitulo 3 do Manual de Saneamento da Fundação Nacional de Saúde

32

Para o teste de percolação no fundo da vala foi realizado uma seção

quadrada de 0,30 m por 0,30 m de profundidade, sendo raspados tanto os lados

como o fundo para que fique áspero, após foi colocado uma camada de 0,05 m de

pedra brita no fundo.

A seção foi mantida cheia por 4 horas, após esse período foi aguardada a

infiltração de toda água e preenchido novamente com água até os 15 cm da régua

graduada e marcado o tempo para baixar 1 cm na régua, os 2º e 3º testes foram nos

dias subsequentes.

Para obtenção dos resultados do Teste de Percolação (TP) foi utilizado o

gráfico de determinação de coeficiente de infiltração, e registrados com TP1, TP2 e

TP3 sendo um para cada teste e estes estão como Apêndice 1, 2 e 3

respectivamente.

Permeabilidade é a propriedade que os solos tem de permitir o

escoamento de água através dos seus vazios. A sua avaliação é feita através do

coeficiente de permeabilidade.

Coeficiente de permeabilidade é um índice que expressa a facilidade ou a

dificuldade da água se deslocar por entre os vazios de um solo com certa

velocidade, geralmente expresso, em cm/s.

Os resultados encontrados nos testes de percolação estão descritos na

Tabela 1, sendo que estes foram realizados no fundo do sumidouro, antes da

colocação das manilhas que formaram o reservatório. O primeiro teste em relação

ao terceiro teve um coeficiente de infiltração maior, por não estar totalmente

saturado. Sendo considerado com coeficiente de infiltração, para o solo onde está

implantado o sumidouro, o resultado obtido no terceiro teste o qual foi o coeficiente

de infiltração de 55,05 L m -2 dia -1 .

Tabela 1 – Testes de percolação realizados

Teste

Data

Tempo p/ infiltrar 1 cm

Coeficiente

TP1

06/09/2010

5’ 50”

59,03 L m -2 dia -1 56,97 L m -2 dia -1 55,05 L m -2 dia -1

TP2

07/09/2010

6’ 08”

TP3

08/09/2010

6’ 25”

O teste de percolação foi realizado no fundo da vala antes da colocação

das manilhas como pode ser visto na Figura 6, onde no quadro A pode ser visto a

vala, no quadro B a seção quadrada com a régua de 30 cm na lateral e no quadro C

33

a seção cheia de água no início do teste.

33 a seção cheia de água no início do teste. Figura 10: Teste de percolação –

Figura 10: Teste de percolação – Quadro A seção no fundo da vala, Quadro B seção com 5 cm de pedra brita e com a régua de 30 cm e Quadro C seção cheia de água, 2010

Com a seção quadrada de 30 cm e o tempo de 385 segundos gastos para infiltrar 1 cm marcados na régua graduada, o coeficientes de permeabilidade “K” para o solo do local é de 2,33 10 -6 m³ s -1 . Capacidade de infiltração é a taxa máxima de entrada de água no interior do solo, sob determinadas condições. As dimensões tanto da velocidade como da capacidade de infiltração, são (L/T), sendo usual o mm/h e cm/h.

3.3 ÁREA DE CAPTAÇÃO DE ÁGUA

O imóvel possui uma área total de 300 m², sendo parte edificado e parte do mesmo com cobertura de grama. Para o desenvolvimento do estudo utilizou-se somente a área correspondente ao telhado como área de captação da água para

34

infiltração no sumidouro.

O telhado existente no imóvel possui uma área de 145 m², e nas

extremidades foi instalada uma calha para coletar a água da chuva que através de canos de PVC DN100 é conduzida ao sumidouro.

3.4 MEDIÇÕES

A medição da água precipitada realizou-se sempre que houve ocorrência

de chuvas, através de um pluviômetro, fixado no local, visto na Figura 7, o qual tem

a forma de cunha e fornece a leitura direta em milímetros, fabricado pela J.Prolab – Industria e Comércio de produtos para Laboratórios e patenteado sobe n° 7101820-4

e fornecido pela Cooperativa Agroindustrial Lar.

7101820-4 e fornecido pela Cooperat iva Agroindustrial Lar. Figura 11: Pluviômetro instalado no imóvel, 2010 O

Figura 11: Pluviômetro instalado no imóvel, 2010

O pluviômetro foi instalado no dia 01 de setembro de 2010 e a partir

dessa data quando ocorreram chuvas a leitura do volume precipitado foi realizado no intervalo entre 7 e 8 horas. O pluviômetro corresponde a leitura realizada em

35

milímetros o que corresponde em litros por metro quadrado.

3.5 VERIFICAÇÃO DO NÍIVEL DE ÁGUA RETIDA NO RESERVATÓRIO

Para realizar a verificação do nível do volume de água acumulado no reservatório para posterior infiltração foram instalados 3 pontos de verificação com a finalidade de fazer as leituras do nível da água dentro do mesmo. Os pontos de verificação são compostos por canos de PVC DN25, estes com 6 furos na parte inferior e estão localizados nas extremidades e no centro do reservatório. As medições foram feitas com uma estaca colocada dentro do tubo e após com o auxilio de um escalímetro na escala 1:100 obteve-se a leitura do nível de água dentro do reservatório.

3.6 TESTE DA CAPACIDADE TOTAL DO SUMIDOURO

Para analisar a capacidade do sumidouro, e por não haver metodologia descrita em literatura para o protótipo, adotou-se o procedimento para o enchimento do sumidouro onde foram anotados o volume de água e o tempo gasto para seu total enchimento e anotado o tempo gasto para a infiltração total da água. No dia 03 de outubro foi colocado água no reservatório até encher completamente, onde foi necessário 2,0164 m³ no tempo de 54 minutos, passados 30 minutos do enchimento completo, foi realizado nova verificação do volume de água no reservatório onde restavam 0.3848 m³ ou sejam 17 cm. Para a infiltração de toda a água retida no reservatório foram necessários 110 minutos. Após completa infiltração da água retida no reservatório foi novamente enchido o mesmo, onde foram gastos 50 minutos e o volume de 1,8487 m³, sendo acompanhado o tempo gasto para o rebaixamento até o nível obtido após os 30 minutos no primeiro enchimento os mesmos 17 cm de água, sendo que foram necessários 33 minutos para atingir o mesmo nível e a infiltração total ocorreu aos 126 minutos.

36

Após ser realizado a verificação ocorreu precipitação de 56 mm (período de 20 horas do dia 03 de outubro as 17 horas do dia 04 de outubro de 2010), no dia 05 de outubro após 24 horas do fim da precipitação foi realizado novamente o procedimento de enchimento do reservatório onde foram necessários 48 minutos e um volume de 1,6122 m³. Como a área que contribui para o enchimento do reservatório é de 145,00 m², no primeiro procedimento de enchimento corresponde a uma precipitação de 13,9 mm em 54 minutos. No segundo procedimento de enchimento corresponde a uma precipitação de 12,75 mm em 50 minutos e o terceiro enchimento com o solo já mais saturado corresponde a uma precipitação de 11,12 mm em 48 minutos.

37

4 RESULTADOS E DISCUSSÃO

Após a implantação do protótipo a água da chuva precipitada sobre o telhado do imóvel foi totalmente infiltrada no solo através do sumidouro. Conforme pode ser verificado na Tabela 2 no mês de setembro ocorreu um total de precipitação de 121 mm, e no mês de outubro de acordo com a Tabela 3 um total de 295 mm conforme verificação realizada no local onde está instalado o sumidouro, o que corresponde a um volume de água de 17,545 m³ que foram infiltrados no solo e captados da área coberta de 145 m².

Tabela 2 – Precipitação registradas no mês de setembro de 2010

Mês de Setembro

Dia

Precipitação (mm)

11

8

14

35

22

10

23

46

26

5

28

17

Total

121

Tabela 3 – Precipitação registradas no mês de outubro de 2010

Mês de Outubro

Dia

Precipitação (mm)

1

21

4

20

5

36

7

68

17

5

22

25

23

20

30

85

31

15

Total

295

No dia 22 de setembro às 16 horas foi verificado um volume de 0,2356 m³ no reservatório sendo que a maior parte do volume precipitado ocorreu antes da verificação no sumidouro e o total de chuva em 24 horas foi de 45 mm. No dia 7 de outubro em 4 horas ocorreu uma precipitação de 60 mm e na terceira hora após o início da chuva foi verificado no reservatório um volume de

38

0,28m³.

Com a implantação do sumidouro no imóvel a água da chuva ficou retida

e infiltrada no mesmo, onde foi evitado o escoamento para as vias publicas, não

havendo contribuição para possíveis enchentes. A infiltração ocorrida contribuiu para

a recarga do lençol freático comprometida pela urbanização. Através de dados oficiais fornecido pela Secretaria Municipal de Planejamento da Prefeitura Municipal de Foz do Iguaçu, foi levando a área total de telhado existente na quadra onde foi implantado o sumidouro e mais duas quadras de loteamentos com características semelhantes ao Conjunto Libra I e pertencentes a mesma bacia hidrográfica sendo eles Jardim Tarobá e Vila Militar. Os loteamentos Conjunto Libra I e Vila Militar pelo Zoneamento estabelecido no Plano Diretor através da Lei Complementar nº 124/2007 são classificados com Zona Residencial de Baixa Densidade – ZR-2 e o Jardim Tarobá como Zona Residencial de Alta Densidade – ZR-4, onde está prevista uma Taxa de Permeabilidade, que é um percentual expresso pela relação entre a área do lote sem pavimentação impermeável e sem construção no subsolo, e a área total do lote ou terreno, de 12% e 15% respectivamente. Os valores obtidos da metragem quadrada de telhado foram através da restituição aerofotogramétrica do vôo de 1995, conforme podem ser verificados como Anexo 1, 2 e 3, sendo que após ocorreram outros vôos, mas não houve a restituição para que fosse possível verificar o acréscimo da área coberta. A área real dos telhados é superior a constante na Tabela 4, pois através da restituição aerofotogramétrica não é possível determinar a inclinação do telhado, sendo que os valores encontrados e adotados como área do telhado são somente para fins de cálculos. Com os dados da área das quadras, dos telhados e da precipitação, calculou-se a projeção do volume de água recolhidos pelos telhados de cada quadra para os meses de setembro e outubro. Na Tabela 4 estão apresentados os dados de três quadras sendo uma do Jardim Tarobá, uma da Vila Militar e outra Conjunto Libra I, e o resultado do cálculo do volume de água resultante dos telhados tendo como base nos dados pluviométricos coletados no imóvel onde foi instalado o sumidouro.

39

Tabela 4 - Dados dos loteamentos, área da quadra, área de telhado na quadra e o volume calculado para o mês de setembro e outubro tendo como referencia os mm de chuva precipitado no local do experimento

Loteamento

Área (m²)

 

Volume (Litros)

Quadra

Telhado

Set (121mm)

Out (295mm)

(Total Set - Out)

Jardim Tarobá Vila Militar Conj. Libra I

6.673,20

3.112,43

376.604.03

918.166,85

1.294.770,88

4.285,17

2.073,20

250.857,20

611.594,00

862.451,20

9.764,40

4.429,79

535.957,40

1.306.788,05

1.842.792,64

A metragem dos telhados e das quadras bem como o cálculos

correspondentes para cada mês estão como Apêndice 4, 5 e 6.

O volume de água calculado para os telhados das 3 quadras dos

loteamentos constantes na Tabela 4 correspondem a 2.836 m³ no mês de Setembro

e 4.000 m³ no mês de Outubro, sendo que esses valores foram obtidos

considerando a cobertura existente no ano de 1995, havendo alterações na mesma

para mais, porém não existem dados oficiais atuais.

No estudo realizado por Nascimento et al. (2007), para o

dimensionamento do sistema de reservação e infiltração foi adotado uma área de

captação de 30m x 3,5m =105 m² da pista de rolamento de uma rua no Centro

Politécnico da UFPR e outro instalado na Rua Presidente Wilson, bairro Uberaba ,

em Curitiba, sendo que foi dimensionado para reter 2,1 m³ e o sistema foi

implantado de forma vertical utilizando dois tubos de concreto com diâmetro de

1,20m e com o fundo preenchido com 30 cm de pedra brita, permitindo o

armazenamento de 2,26 m³ para a infiltração em um período de 12 dias no solo com

coeficiente de permeabilidade de 21 L m -2 dia -1 . Já no sistema horizontal foram

utilizados 4 meio tudo de 0,60 m de diâmetro, obtendo assim uma área de infiltração

de 2,40 m² e a área de captação de 145 m² e pelos experimentos realizados o tempo

gasto para a infiltração foi de 110 minutos no solo com coeficiente de

permeabilidade de 55,05 L m -2 dia -1 .

O sumidouro horizontal mostrou-se eficiente para a infiltração da água

captada no telhado e o dimensionamento usado foi suficiente para suportar todas as

chuvas ocorridas durante os meses de setembro e outubro de 2010, sem haver o

transbordo do sistema.

Para evitar o entupimento dos espaços que proporcionam a infiltração,

pelo material fino transportado para dentro do sumidouro é importante e necessário

40

a utilização de filtro de material de geotêxtil, o que no sistema implantado não foi utilizado.

Como Montes (2009) comentou que o gerenciamento de forma planejada e sustentável das águas pluviais evita vários problemas como enchentes, inundações, enxurradas e consequente contaminação dos rios dentre outros. O sistema de sumidouro horizontal atende a esse propósito de sustentabilidade com a diluição da responsabilidade de gerenciamento do escoamento superficial promovido pela ocupação urbana, permitindo a infiltração da água no solo o que faz parte do ciclo hidrológico e é impedido pela ocupação por edificações. Para Tucci (2003) deve ser desenvolvido o Plano Diretor de Drenagem Urbana utilizando medidas não-estruturais como a legislação e medidas estruturais por sub-bacias, esses são projetos que vêm a promover a detenção ou retenção do escoamento superficial. O sumidouro implantado demonstrou ser uma estrutura de controle na fonte e que pode trazer benefícios para a infra-estrutura urbana com a redução do escoamento das águas nas vias públicas.

41

5 CONSIDERAÇÕES FINAIS

O funcionamento do sumidouro residencial mostrou-se eficiente para a

infiltração da água da chuva no solo do local de implantação e regime de chuvas a

que foi submetido em Foz do Iguaçu - PR.

O sumidouro dimensionado atendeu a necessidade, não ocorrendo o seu

enchimento por ocasião das chuvas. Para um melhor dimensionamento considerando as condições do local e as características do solo sugere-se que sejam realizados mais estudos.

42

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46

ANEXOS

47

Anexo 1

Quadra do Conjunto Libra I Restituição aerofotogramétrica do vôo de 1995, fornecidos pela Secretaria Municipal de Planejamento Urbano.

I Restituição aerofotogramétrica do vôo de 1995, fornecidos pela Secretaria Municipal de Planejamento Urbano.

48

Anexo 2

Quadra do Loteamento Jardim Tarobá Restituição aerofotogramétrica do vôo de 1995, fornecidos pela Secretaria Municipal de Planejamento Urbano.

Restituição aerofotogramétrica do vôo de 1995, fornecidos pela Secretaria Municipal de Planejamento Urbano.

49

Anexo 3

Quadra do Loteamento Vila Militar Restituição aerofotogramétrica do vôo de 1995, fornecidos pela Secretaria Municipal de Planejamento Urbano.

Restituição aerofotogramétrica do vôo de 1995, fornecidos pela Secretaria Municipal de Planejamento Urbano.

50

APÊNDICES

51

APÊNDICE 1

Teste de percolação realizado no fundo do sumidouro, no dia 06 de setembro de

2010.

no fundo do sumidouro, no dia 06 de setembro de 2010. Teste de Percolação: TP-01 Tempo

Teste de Percolação: TP-01 Tempo de duração: 5 (cinco) minutos e 50 (cinquênta) segundos (5,8) Coeficiente de infiltração:

,

490

5,8 2,5 59,03 / ²/

52

APÊNDICE 2

Teste de percolação realizado no fundo do sumidouro, no dia 07 de setembro de

2010.

no fundo do sumidouro, no dia 07 de setembro de 2010. Teste de Percolação: TP-02 Tempo

Teste de Percolação: TP-02 Tempo de duração: 6 (seis) minutos e 08 (oito) segundos (6,1) Coeficiente de infiltração:

,

490

6,1 2,5 56,97 / ²/

53

APÊNDICE 3

Teste de percolação realizado no fundo do sumidouro, no dia 08 de setembro de

2010.

no fundo do sumidouro, no dia 08 de setembro de 2010. Teste de Percolação: TP-03 Tempo

Teste de Percolação: TP-03 Tempo de duração: 6 (seis) minutos e 25 (vinte e cinco) segundos (6,4) Coeficiente de infiltração:

,

490

6,4 2,5 55,05 / ²/

54

APÊNDICE 4

Levantamento da área de telhado de uma quadra do Loteamento Conjunto Libra I. Dados obtidos através da restituição aerofotogramétrica do vôo de 1995, fornecidos pela Secretaria Municipal de Planejamento Urbano. Volume de água calculado sobre o telhado das edificações de uma quadra do Loteamento Conjunto Libra I com área total de 9.764,4 m² e área de telhado de 4.429,79 m²:

- Mês de setembro 2010 (121 mm) = 535.957,40 litros = 535, 96 m³

- Mês de outubro 2010 (295 mm) = 1.306.788,05 litros = 1.306,78 m³

outubro 2010 (295 mm) = 1. 306.788,05 litros = 1.306,78 m³ Adaptação da restituição aerof otogramétrica

Adaptação da restituição aerofotogramétrica do vôo de 1995

55

APÊNDICE 5

Levantamento da área de telhado de uma quadra do Loteamento Jardim Tarobá. Dados obtidos através da restituição aerofotogramétrica do vôo de 1995, fornecidos pela Secretaria Municipal de Planejamento Urbano. Volume de água calculado sobre o telhado das edificações de uma quadra do Loteamento Jardim Tarobá com área total de 6.673,2 m² e área de telhado de 3.112,43 m²:

- Mês de setembro 2010 (121 mm) = 376.604.03 litros = 376,6 m³

- Mês de outubro 2010 (295 mm) = 918.166,85 litros = 918,17 m³

de outubro 2010 (295 mm) = 918.166,85 litros = 918,17 m³ Adaptação da restituição aerof otogramétrica

Adaptação da restituição aerofotogramétrica do vôo de 1995

56

APÊNDICE 6

Levantamento da área de telhado de uma quadra do Loteamento Vila Militar. Dados obtidos através da restituição aerofotogramétrica do vôo de 1995, fornecidos pela Secretaria Municipal de Planejamento Urbano. Volume de água calculado sobre o telhado das edificações de uma

quadra do Loteamento Vila Militar com área total de 4.285.17 m² e área de telhado de 2.073,38 m²:

- Mês de setembro 2010 (121 mm) = 250.857,20 litros = 376,6 m³

- Mês de outubro 2010 (295 mm) = 611.647,1 litros = 611,64 m³

de outubro 2010 (295 mm) = 611.647,1 litros = 611,64 m³ Adaptação da restituição aerofot ogramétrica

Adaptação da restituição aerofotogramétrica do vôo de 1995.