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Intensidade Ou Insanidade?

Foi em 1977. Richard Dreyfuss ganhou o prêmio de melhor ator, o New York Yankees
venceu a World Series, o cesto de pão custava só trinta e cinco centavos, e o pequeno
John DeFendis, 18 anos de idade, estava aprendendo o mais masoquista dos estilos de
treinamento em sua busca por tornar-se um campeão de fisiculturismo. Veja, eu era
aquele adolescente que vinha treinando durante 8 anos e tinha competido em nove
ocasiões diferentes sempre sem levar para casa um troféu sequer. Em minha
determinação pela auto-superação, ocorreu que eu tomei uma decisão que afetaria
enormemente os quinze anos seguintes da minha vida. Eu escolhi treinar com o Mr.
América, Steve Michalik.
O Ginásio do Steve
Tudo começou num dia em que eu decidi fazer uma visita ao ginásio onde todos os tão
comentados "campeões" treinavam: o Mr. América´s Gym. Este não era um Spa familiar
qualquer. As paredes foram pintadas a jato, em preto, e os equipamentos eram
vermelhos, reminiscências de uma antiga câmara de torturas no estilo gótico. Havia uma
enorme seringa de 60 cm na parede acima do balcão de entrada, montada em uma placa
onde se lia: "Mensagem Do Dia: Aumente a Dosagem"! A caneta para a assinatura da
inscrição também era inserida em uma seringa.
Eu entrei e pedi para falar com o próprio Mr. América. Este foi meu primeiro erro. Steve
Michalik não era o típico proprietário de academia. Ele não se preocupava com o
negócio, e nem se importava quanto a ofender quem quer que fosse. De fato, Steve
Michalik realmente não se preocupava com muita coisa, exceto treinar. Agora, eu não
estou me referindo a treinar do mesmo modo como os meros mortais se referem a isto.
Não, este tipo de treinamento tem um significado completamente novo. Afinal de
contas, o lema de Steve era "Treine além da dor... e a morte será sua única recompensa".
O recepcionista do ginásio apontou para uma área de equipamentos que estava isolada
por uma corda, e disse: "... o Steve está além das cordas, treinando, mas eu não o
aborreceria se eu fosse você!" Bem, Sr. recepcionista do Ginásio, você não é eu. Eu
penso por mim mesmo. Afinal de contas, eu era um aspirante a campeão que tinha me
classificado em quinto numa recente competição local para adolescentes, e eu imagino
que o Steve ficaria feliz em falar comigo. Bem, nosso encontro foi algo assim... "Oi
Steve, eu sou John DeFendis, e eu gostaria de saber se. . ."
Eu nem mesmo consegui terminar minha frase quando aquele Hulk transformou-se em
algo ainda mais monstruoso. Eu desejei ter trazido uma cruz ou uma estaca de madeira
para atravessar no coração dele porque isso teria sido o único modo de prevenir o que
estava a ponto de acontecer. Ele lançou diante dos meus pés os halteres com os quais
fazia roscas, e começou a berrar histericamente, "eu vou o matá-lo se você não cair fora
daqui, agora. Eu vou chutar o seu rabo. Caia fora daqui e nunca chegue perto de mim
enquanto eu estiver treinando"!

Falando Com Mr. América


Neste momento, eu tive a impressão que eu poderia não ser bem-vindo aqui e percebi
que o que eu deveria fazer era desaparecer. Assim, eu parti. Minha motivação por auto-
superação no bodybuilding foi superada por minha vontade de viver, mas depois, à noite
do mesmo dia, eu retornei até o ginásio para abusar um pouco mais. Desta vez eu
circulei furtivamente pelas imediações e olhava pela janela quando eu senti uma mão
batendo no meu ombro. Conforme eu me virei, eu me vi cara a cara com meu pior
pesadelo, eu percebi deltóides que pareciam melões, e bíceps que se assemelhavam a
pêssegos enormes. Era ele... o Mr. América.
Enquanto eu permanecia em pé esperando ser detonado ali mesmo, ele olhou
diretamente em meus olhos e disse, "O que é que você quer? E fale rápido porque eu
tenho que ir comer". Eu respondi, “eu quero me tornar um campeão igual a você. Eu
quero ser Mr. América.

Eu pensei que talvez você me treinasse para tornar esta meta uma realidade”. Steve
respondeu, “Ah! Você quer se tornar um campeão? O que o faz pensar que você possui
as qualidades que o levarão a se tornar um campeão?" Antes que eu pudesse responder,
Michalik continuou, "Ok! te peguei! Certo! Mr. Campeão, me encontre aqui amanhã às
5:00 da manhã e nós veremos se você tem colhões para treinar como um campeão. Não
se atrase Mr. Campeão... não se atrase...".
No dia seguinte eu parecia uma criança indo à confeitaria. Eu estava excitado por poder
treinar com o Mr. América. Esta era minha chance. Eu fui voando até o ginásio,
imaginando ver Steve ali esperando por mim, para me explicar os fundamentos do seu
treinamento. Mas em vez de esperar por mim, ele estava envolvido em um intenso
treinamento. Gotas de suor encharcavam suas sobrancelhas, e ele tinha um olhar que era
hipnótico, praticamente assustador.
Quando ele terminou a série, ele largou o peso e lentamente virou-se até minha direção.
"São 5:05 e você está atrasado. Caia fora do meu ginásio e não me faça desperdiçar o
meu tempo," disse ele. “Caia fora daqui! Esteja aqui amanhã às 5:00 em ponto e eu lhe
darei outra chance". No dia seguinte eu estava lá às 5:00 da manhã, só havia um
problema. Nenhum sinal de Steve Michalik. Eu me sentei na guia da calçada a esperar.
Passou 6:00, então 7:00, e finalmente 8:00.
No final das contas Steve apareceu para abrir o ginásio apenas às 9:00. Conforme ele
saia de seu carro, eu disse: "Que porra é essa! Onde inferno você estava?" ...Bem, não
foi exatamente isso o que eu disse, mas foi mais algo mais ou menos assim: "Me
desculpe Sr. Michalik por eu aparecer 4 horas mais cedo para o treinamento.
Nós podemos treinar agora? " Steve apenas destrancou a porta do ginásio e resmungou
algo sobre aquele ser seu dia de descanso e que nós poderíamos retomar o treinamento
às 5:00 em ponto do dia seguinte se eu tivesse saco para aparecer.
Uma vez mais eu parti desapontado.

Aquela noite eu não consegui dormir muito, pois eu estava determinado a mostrar a
Michalik que eu era duro e indestrutível. Na manhã seguinte eu estava no ginásio a 4:45
e Steve apareceu logo depois disso. Ele me perguntou se eu sabia o que era treinar duro.
Eu ri, e com uma atitude convencida, respondi, "eu treino mais duro que qualquer cara!"
Steve riu um pouco e disse, "Muito bom Mr. Campeão, então vamos começar."

O Treinamento "Inferno na Terra"

Steve começou a montar várias estações de exercício diferentes. Depois de posicionar


halteres estrategicamente em vários bancos e máquinas, Steve isolou a área com uma
corda grossa. Depois eu vim a chamar essa área isolada em nosso treinamento, de
"Inferno na Terra". Ali era onde toda a ação acontecia. Michalik me fazia acreditar que
nós éramos gladiadores indo para a batalha. A área isolada representava o campo de
batalha e você apenas emergiria um guerreiro bem sucedido se você pudesse resistir à
dor e pudesse sobreviver à batalha.
Em meu caminho para a vitória eu fiz várias visitas ao trono de porcelana. Em outras
palavras, eu vomitei as tripas. Eu fui forçado a fazer séries de exercícios sem qualquer
descanso, até que eu tive que fazer um pitstop no banheiro. Em vez de fazer repetições
forçadas, eu me encontrei fazendo séries forçadas. Eu fui forçado a fazê-las. Depois de
uma semana destes treinamentos torturantes eu me encontrei deitado em uma cama de
hospital tentando recuperar um corpo depletado e detonado.
Eu aprendi minha primeira lição. Não tente acompanhar o ritmo de Michalik. Ele é
biônico. Conforme eu continuava deitado lá tentando entender o que deu errado,
Michalik estava falando para todos os freqüentadores do ginásio que eu era
mentalmente fraco e que eu deveria tentar minha mão no badminton ou no criket. Isto
me enfureceu e eu me tornei ainda mais determinado ainda em mostrar a este cyborg
que eu tinha o que era necessário para me tornar um campeão.

Ganhando o Mr. U.S.A.

Assim, no dia seguinte ao da minha saída do hospital eu estava de volta ao ginásio e


frente a frente com Michalik. Eu disse com firmeza, "o que não me mata só me
fortalece!" Nós então nos tornamos uma equipe. Nós abastecíamos um ao outro para
eventualmente alcançar o céu para não conformar-se com nada menos que as estrelas.
Minha nave estava preparada e decolando verticalmente para minha meta. Eu venceria o
título de Mr. Nova Iorque, então o Mr. Eastern América, ai o Mr. Western América e
finalmente o título de Mr. U.S.A.
Mas em minha busca eu passei por todos os sacrifícios do caminho. Os treinamentos
eram brutais e meu nome tornou-se sinônimo de da frase "Intensidade ou Insanidade".
Freqüentemente as pessoas desejam saber se meus treinamentos eram
inacreditavelmente intensos ou se eram considerados insanos. Nós nunca fizemos
menos de 40 séries para cada parte do corpo e às vezes chegavamos até a 100 séries
para uma única área.
Obrigado.

Intensidade Ou Insanidade! - 2ª Parte

Quando Michalik treinava, as chamas do inferno ardiam em seus olhos. O homem era
um animal. Eu vivi cada despertar antecipando os treinamentos de esfolar o rabo que
viriam ao longo do dia, desejando saber como inferno eu poderia superá-los. Eu vivia
uma citação de Friedrich Nietzsche: "O que não me mata apenas me torna mais forte".

Sobrevivendo Aos Treinamentos


A chave era entender o modo como sobreviver e até mesmo como prosperar e crescer
nestes treinamentos. De início não era fácil, mas eu estava determinado a não desistir.
Eu queria vencer o U.S.A. e conquistar uma página no livro dos recordes. O que me
importava não era estar em forma. Eu queria é ser o melhor. Se você quer ser um
campeão você tem que fazer sacrifícios. Michalik não era apenas um campeão, ele era o
Vince Lombardi do bodybuilding. Vencer a qualquer preço. Vencer significava tudo. Ele
sempre dizia, "Treine além da dor... e a morte será sua única recompensa"!
Era um dia quente e ensolarado do verão de 1979 e nós há pouco havíamos concluído
um brutal treinamento de perna de 55 séries. Sim, é isso mesmo, 55 séries. Hoje em dia
isso pode soar idiota e você poderia pensar que era overtraining, mas aos 20 anos de
idade, eu exibia coxas de 72 cm rasgadas até os ossos. Coxas grandes, espessas,
musculosas numa época em que Bill Phillips provavelmente nem mesmo conseguia
pronunciar a palavra "creatina" e muito antes que eu tivesse ouvido pela primeira vez o
termo "hormônio do crescimento". É de fazer pensar a respeito de treinar duro na atual
era do IGF-1, insulina e hormônio do crescimento.
De qualquer modo, o monstruoso Steve Michalik me convidou para pegar alguns raios
na praia em preparação para o U.S.A. que estava por vir. A caminho da praia eu
continuei perguntando para Michalik o que seria necessário para mim para vencer o
U.S.A. . O que eu teria que fazer e quais sacrifícios teriam que ser feitos além daqueles
que eu já estava fazendo?
Steve estava quieto.

Ele simplesmente continuava olhando através do para-brisa, mas recusava-se murmurar


qualquer palavra. Pouco tempo depois nós chegamos a Jones Beach, colocamos nossas
toalhas na areia, e nos dirigimos para a água. Quando nós estávamos longe o bastante
para a água cobrir minha cabeça, o Steve me agarrou e agressivamente me empurrou
para baixo da rebentação. Eu consegui emergir por um momento. Eu engasguei, tossi, e
fui empurrado novamente para baixo.
Michalik me permitiria surgir para um breve fôlego, e então procedia me empurrando
novamente e novamente para baixo. Eu chutava e lutava freneticamente até que
finalmente eu fiquei fraco e com o corpo mole. Michalik me arrastou da água e me
lançou na praia. Conforme eu cuspia água e tentava recobrar a respiração, ele começou
a gritar como um louco. "Me diga o que você sentia ao tomar um fôlego... quão
ferozmente você desejava cada pequeno sopro de ar?! Quando você desejar vencer tão
ferozmente quanto você desejava cada fôlego de ar, então volte para me ver. Isso é o
que levará você a ser o melhor!"
Aquele dia marcou um hiato que durou pelos próximos três anos: Michalik como o
mentor exigente, e eu como o saco de pancada dependurado. Dia após dia e semana
após semana eu comecei a crescer maior e melhor. Os treinamentos eram inacreditáveis.
Michalik me ensinou mais do que a dureza dos treinamentos; ele instilou em mim um
desejo de vencer que era quase sobrenatural.

Vivendo nos anos 70

Eu vivia para treinar. Comia, dormia e eu trabalhava o bastante para dispor de todos os
luxos da vida que consistiam em um Chevy Vega 1972 sem para-choque dianteiro, um
estoque infinito de frango, uma kitinete num porão com um colchão no chão, e um
armário cheio de vitaminas. Mas agora olhando para trás, eu percebo perfeitamente o
significado da frase, "mais feliz que um porco na merda". Meu estilo de vida teria sido
de miséria para a maioria, mas para mim, eu estava no topo do mundo. Eu estava
fazendo o que eu queria fazer e eu estava subindo muito e rapidamente para minha
meta.

Não importava se eu estivesse despertando às 5:00 da manhã para comer claras de ovos
ovo de forma que eu pudesse estar no ginásio às 6:30, e não importava que eu fosse
arrastado através da última metade do treinamento como o gladiador na cena das bigas
do " Ben Hur ". O que importava era o fato que eu estava treinando com o Mr. América
e que embora ele estivesse fisicamente e mentalmente arrancando a merda viva de
dentro de mim dia após dia, eu estava melhorando dramaticamente.
Meus bíceps de 45 cm estavam agora com bem mais de 50 cm e seus picos estavam
ficando mais altos a cada hora. Halteres que uma vez eu tinha usado para pesados
desenvolvimentos inclinados eram agora meus pesos de aquecimento para exercícios
como roscas com halteres e elevações laterais. O treinamento "Intensidade ou
Insanidade" era uma rotina, igual ao café da manhã. Toda vez que alguém nos dizia que
nós não poderíamos fazer algo, isso nos inspirava a tentar isto de qualquer maneira. 50
pesadas séries de rosca direta?
Bem ali... 30 séries de agachamentos... 225 kg de supino inclinado... Roscas com
halteres de 45 kg... Elevações laterais com halteres de 40 kg... Treinamentos de dorsais
de 60 séries. Nossas vidas poderiam ter sido caracterizadas pela famosa citação feita por
Walter Gagehot, "Um grande prazer na vida está em fazer o que as outras pessoas dizem
que você não pode fazer".

Foi mais ou menos nessa época que meus pais perceberam que eu estava possuído por
Michalik. Eles o desprezavam por ter me transformado em uma máquina viva de comer,
respirar e treinar. Eles tentaram me manter distante, mas já era muito tarde. Tão logo eu
percebi que estas longas e árduas sessões de treinamento eram a chave para o meu
progresso, não havia nada na Terra que poderia ter me mantido longe do ginásio.
Ah, o ginásio. O ginásio de Michalik. Nada de aulas de aeróbica. Nenhum equipamento
cárdio. Nenhuma sauna, ou piscina. Nada de quadras de squash! Apenas as enormes e
pesadas máquinas de aço negro, e os bancos com estofamento vermelho para fazer-nos
lembrar das antigas câmaras de tortura. Quando você viesse ao Mr. América´s Gym para
treinar, havia só um modo, uma só velocidade: muito árduo e muito rapidamente.

O Ginásio
A fachada e a calçada diante da porta da frente eram escovadas várias vezes por dia para
lavar cafés da manhã perdidos e os almoços jogados fora. Este lugar era a Mecca do
Fisiculturismo Hardcore, um santuário para torcer os intestinos e treinamentos de
estourar as bolas. Nenhuma fita de exercícios do Tony Little era encontrada nestas
premissas. Se você não treinasse duro, a porta de saída seria mostrada para você, ou eu
deveria dizer, você seria lançado para fora através da porta dos fundos. Medalhas eram
conquistadas por quantos treinamentos brutais você poderia suportar e você só era tão
"durão" quanto seu último treinamento. Você não era respeitado tanto por como você
parecia, mas por quão duro você pudesse treinar.
Steve não tolerava nenhuma vacilada. Um dia um sujeito com E.D.E. (Expansão Dorsal
Exagerada) entrou para um treinamento e Steve o parou e lhe falou que ele estava com
três meses de atraso na mensalidade. O sujeito disse, "Pódi crê! que seja... Eu trago o
dinheiro da próxima vez," e então começou a treinar. O Steve vasculhou no fundo da
gaveta de sua escrivaninha, tirou um martelo, e caminhou em direção à porta da frente.
Rapaz... ! – pensei eu. Essa vai ser boa... ! Eu tenho que ver isso...
Conforme eu caminhava até a porta de entrada do ginásio, eu vi o Steve caminhar para
cima do Corvete do sujeito e detonar com seus faróis. Ao mesmo tempo em que o
sujeito vinha saindo do ginásio, Steve começou a golpear as janelas do lado do
passageiro. O sujeito estava gritando freneticamente, "Pare! Alguém chame a polícia.
Que inferno você está fazendo com o meu carro?" o Steve simplesmente o olhou sem
cerimônia e disse: "Está tudo certo agora. Nós estamos quites. Você já pode ir treinar ".

Conforme eu olho para trás, eu percebo que eu estava vivendo em um ambiente muito
corrupto. Minhas atitudes e minha moral estavam distorcidas por causa das filosofias de
Steve. Comprar 15 kg de frango para suprir minhas necessidades de proteína era mais
importante do que pagar o aluguel do apartamento.
Era muito mais importante estar na hora certa para o treinamento do que estar na hora
certa para o trabalho. Se alguém treinasse conosco e acabasse no hospital (o que foi o
caso em várias ocasiões), nós sequer apareceríamos para uma visita, e ao invés, nós o
desdenharíamos como alguém mentalmente e fisicamente fraco.
Conforme eu me sento aqui e penso sobre o passado, eu tenho algo a acrescentar àquela
citação de Friedrich Nietzsche "O que não o mata apenas o torna mais forte". E mais
ainda, se o matar, então você não deveria nem mesmo ter começado a treinar conosco.

Obrigado.

John Defendis

Fonte: http://www.treinohardcore.com

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