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DENÚNCIA DO JORNAL DA BAND SOBRE A

INDÚSTRIA FARMACÊUTICA
Terceira reportagem da Série: “RECEITA MARCADA ”

04 de julho de 2008 (Sexta-feira)

( ... )
... procurou outra opinião médica, e descobriu que Pedro não
precisa tomar o medicamento.”

“Ainda estou nesta prática, mais do amor mesmo, do carinho, da


atenção.”

-- Então, é o jeito dele?


-- É o jeito! Tem que saber entender ele.

“O remédio é controlado (Ritalina), e só pode ser vendido com este


tipo de receita, de cor amarela. Mas é fácil encontrar a droga, sendo
vendida livremente pela internet. No Brasil nos últimos quatro anos,
houve um aumento de 930% na venda da Ritalina. Em São José do
Rio Preto, no interior de São Paulo, 12 mil comprimidos foram
vendidos por mês em 2007. Segundo o Ministério da Saúde, a
cidade é uma das que mais prescrevem o medicamento.”

“Eu acho que houve um excesso de rótulos, muitas crianças que


não se adequavam ao comportamento em sala de aula, eram
rotuladas de crianças com déficit de atenção.” (Maria do Rosário
Laguna – Sec. Mun. Educação)

“Segundo especialistas, o crescimento do consumo do remédio,


está ligado ao marketing agressivo dos fabricantes. Cerca de 70%
das crianças que tomam o remédio não tem a doença.”

“A indústria farmacêutica na minha opinião, cria as doenças, para


que, os sujeitos possam então consumir medicamentos, para de
certa forma apaziguar, ou diminuir estes sintomas provocados por
esta doença”. (Kátia Forli Bautheney – Psicanalista/USP)

“Para chamar a atenção para a eficácia do produto, e induzir o


tratamento, os dois laboratórios que fabricam o “Cloridrato de
metilfenidato” divulgam pesquisas encomendadas e opiniões
médicas sobre o assunto. Este artigo diz que uma cada três
crianças com o transtorno é reprovada na escola. Quem informa, é
o Laboratório Janssem-Cilag Farmacêutica, que produz o
“Concerta”, concorrente da ritalina. Este é o mais novo estudo
científico sobre o tema(*), produzido pelo Instituto de Psiquiatria da
Univerdade Federal do Rio de Janeiro. Quem patrocinou o trabalho,
foi o Laboratório Janssem-Cilag Farmacêutica. Quem toma o
medicamento sem precisar, sofre com os efeitos colaterais.”

“Cefaléia, alteração do sono e alteração do apetite, são


relativamente comuns.” (Fábio de Nazaré – Neurologista)

“Este menino toma Ritalina de segunda a sexta-feira para se


concentrar na sala de aula.”

-- “E sábado e domindo? Quando você não toma, como é que você


fica? (repórter)
-- “Agitado”. (Pablo Barboza, 8 anos)
-- “Faz o que?”
-- “Fico brincando”.

“Para vender mais, os laboratórios facilitam o acesso ao remédio.”

“O famoso Ritalina o acesso é fácil. Você consegue em qualquer


carro de representante.”

“Os norte-americanos consomem 90% da produção mundial da


Ritalina. Nos Estados Unidos, o assunto é tratado como uma
epidemia. O governo tem promovido campanhas nas escolas, para
informar que nem todas as crianças precisam tomar o
medicamento. O Brasil, caminha no sentido contrário”.

“Hoje em dia prevalece, na minha opinião, na indústria


farmacêutica, aquilo que a gente chama brincando de “capitalismo
selvagem”, a “ganância”, o “lucro a qualquer custo”. (Raul Gorayeb
– Psiquiatra/ UNIFESP).

“Em nota, o Laboratório Janssem-Cilag, fabricante do “Concerta”,


afirmou que não interfere nos resultados das pesquisas científicas
que patrocina. Já o Laboratório Novartis, do remédio Ritalina, não
se pronunciou”.
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(*) publicado no “Jornal Brasileiro de Psiquiatria”. Nome do artigo:
“Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH) na
prática clínica”; Editor convidado: Paulo Mattos. /Patrocinador deste
trabalho: Janssem-Cilag Farmacêutica.
J. bras. psiquiatr. vol.56 suppl.1 Rio de Janeiro 2007
Transtorno de déficit de atenção e hiperatividade (TDAH) na prática
clínica
Attention deficit hiperactivity disorder (ADHD) in the clinical practice

Fonte:
Jornal da Band – 04 julho 2008 – sexta-feira – Terceira reportagem
da série “Receita Marcada” – Denúncia do Jornal da Band sobre a
Indústria Farmacêutica.

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