MATERIAIS CERÂMICOS

Profª. Ana Luiza Raabe Abitante Porto Alegre/2009

UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO GRANDE DO SUL - UFRGS ESCOLA DE ENGENHARIA - EE DEPARTAMENTO DE ENGENHARIA CIVIL - DECIV NÚCLEO ORIENTADO PARA A INOVAÇÃO DA EDIFICAÇÃO – NORIE

CURSO DE ESPECIALIZAÇÃO EM CONTRUÇÃO CIVIL __________________________________________________

SUMÁRIO
1. HISTÓRICO .............................................................................................................. 4 2. VANTAGENS DE UTILIZAÇÃO ............................................................................. 5 3. DEFINIÇÃO E CLASSIFICAÇÃO ............................................................................ 6 4. TIPOS DE MATERIAIS CERÂMICOS ..................................................................... 6 4.1. Grês Cerâmico .............................................................................................. 6 4.2. Porcelanato ........................................................................................... 7 4.3. Porcelana ...................................................................................................... 7 4.4. Cerâmica Esmaltada para Revestimentos ....................................................... 7 5. PROCESSO DE PRODUÇÃO 5.1. Matérias-Primas ............................................................................................ 8 5.2. Recebimento e Estocagem de Matérias-Primas .............................................. 8 5.3. Liberação ...................................................................................................... 9 5.4. Pesagem ........................................................................................................ 9 5.5. Moagem e Mistura ........................................................................................ 9 5.6. Peneiramento e Atomização .......................................................................... 9 5.7. Depósito ....................................................................................................... 10 5.8. Prensagem .................................................................................................... 10 5.9. Secagem e Resfriamento ............................................................................... 10 5.10. Esmaltação e Decoração ............................................................................. 10 5.11. Queima no Forno a Rolo ............................................................................. 11 5.12. Classificação ............................................................................................... 11 5.13. Embalagem e Expedição .............................................................................. 11 6. PROCESSOS DE QUEIMA 6.1. Monoqueima ................................................................................................. 12 6.2. Biqueima ....................................................................................................... 12 6.3. Terceira Queima ............................................................................................ 12 7. SUPERFÍCIES DE UM COMPONENTE CERÂMICO .............................................. 13 8. CLASSIFICAÇÃO DOS COMPONENTES CERÂMICOS 8.1. Aspecto Superficial ...................................................................................... 14 8.2. Dimensões .................................................................................................... 15 8.3. Tonalidade .................................................................................................... 16 9. MODULARIDADE .................................................................................................... 17

NORIE/UFRGS

Profª. Ana Luiza Raabe Abitante

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introduzem nas cidades. estimulada pela abundância de matéria-prima e grande diversidade de processos de fabricação. excetuados os metais e suas ligas. os Assírios já obtinham cerâmica vidrada. R. os portugueses. nos séculos XIX e XX. Ana Luiza Raabe Abitante 3 . Há. diz que materiais cerâmicos são todos os materiais de emprego em engenharia ou produtos químicos inorgânicos. Na América do Sul. Por longo período. HISTÓRICO A fabricação de produtos cerâmicos é uma das atividades mais antigas do mundo. fornecida pela American Ceramic Society. como segue:Os produtos argilosos se subdividem em estruturais. que ficam utilizáveis. Mais tarde.. descobertas sobre civilizações indígenas que viveram no território brasileiro desde o século XIV.c. pelo tratamento a temperaturas elevadas (GEYER. Posteriormente. chegando ao ponto de obter componentes semelhantes a azulejos. e louça branca. geralmente.EE DEPARTAMENTO DE ENGENHARIA CIVIL . dando uma grande ênfase nas belas fachadas produzidas sob encomenda para as residências da aristocracia do Brasil Colônia.UFRGS ESCOLA DE ENGENHARIA . a arquitetura de seu país. os produtos cerâmicos passam a ser valorizados através de esculturas. NORIE/UFRGS Profª. SMITH. O termo “Cerâmica” provém da palavra grega Keramikós (keramos = barro). com os quais cobriam suas paredes de tijolos e barro (VERÇOSA. 1991) A definição adotada pela Associação Brasileira de Cerâmica.DECIV NÚCLEO ORIENTADO PARA A INOVAÇÃO DA EDIFICAÇÃO – NORIE CURSO DE ESPECIALIZAÇÃO EM CONTRUÇÃO CIVIL __________________________________________________ 1. em Belo Horizonte (ANUÁRIO. aproximadamente 40 séculos a. detentores da tradição de fabricação de azulejos a partir da herança moura. tubos e placas cerâmicas. e na Igreja de São Francisco de Assis. monumentos e painéis como os de Victor Dubugras no monumento comemorativo ao centenário da Independência do Brasil em São Paulo. na época da colonização (séculos XVII e XVIII). A título de classificação geral. mostram a existência de tradição na produção de cerâmica vermelha. os materiais cerâmicos compreendem seis categorias. quando referidos a tijolos. 1994). ao tratar de loca de mesa e sanitários. 1994)... a produção foi voltada a artefatos de uso doméstico. 1994).UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO GRANDE DO SUL . que refere-se à arte de fabricar artefatos a partir da argila sob a ação do fogo (HABER. e nos painéis do pintor Cândido Portinari no Rio de Janeiro. P.

Em geral. A maturidade da indústria foi conseguida no final da década de 80 e início da década de 90. conforme se indica a seguir: . com a produção de azulejos e pastilhas cerâmicas. 1997). por extrusão ou por prensagem. 2.5%. No caso de placas. CLASSIFIÇÃO Para a classificação dos materiais cerâmicos pode-se adotar vários critérios.UFRGS ESCOLA DE ENGENHARIA . a industrialização da cerâmica apresenta um considerável desenvolvimento. A partir da II Guerra Mundial. tornando-se acessível para grande parte da população devido a diminuição dos preços. são classificados quanto às matérias-primas utilizadas. ter-se-á uma extensa faixa de variação das propriedades dos materiais cerâmicos. quanto ao processo de conformação.EE DEPARTAMENTO DE ENGENHARIA CIVIL . menor absorção. automação das diferentes fases do processo produtivo e a implantação de sistemas de qualidade. MATERIAIS CERÂMICOS PARA REVESTIMENTO 2. Ana Luiza Raabe Abitante 4 . A absorção d`água quantifica a porosidade aberta do corpo cerâmico e fornece um indicativo da sua estrutura.1.UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO GRANDE DO SUL . levando ao surgimento de novas empresas para atender as exigências de uma maior produção. NORIE/UFRGS Profª.DECIV NÚCLEO ORIENTADO PARA A INOVAÇÃO DA EDIFICAÇÃO – NORIE CURSO DE ESPECIALIZAÇÃO EM CONTRUÇÃO CIVIL __________________________________________________ A indústria de Cerâmica para Revestimentos no Brasil inicia no século XX com a produção de ladrilhos hidráulicos. A cada nível de absorção corresponde uma denominação usualmente estabelecida no mercado.porcelanato: 0 a 0. com um elevado grau de atualização tecnológica. e em 1919. a uma estrutura mais densa. Maior absorção corresponde a uma estrutura mais porosa e. com a incorporação de tecnologias de última geração. Dependendo desses fatores. somente a partir da década de 70 que atinge uma demanda continuada. quanto ao processo de cozimento e quanto a aplicação ou não de esmalte (NAVARRO. No entanto. e no grau de absorção d`água. 1995). normalmente o critério adotado consiste no processo de produção. buscando-se a certificação de produtos segundo as normas internacionais do setor cerâmico e do processo segundo as normas da série ISO 9000 (ANFACER.

apresenta-se algumas características básicas dos principais grupos de materiais cerâmicos para revestimentos de piso e paredes.DECIV NÚCLEO ORIENTADO PARA A INOVAÇÃO DA EDIFICAÇÃO – NORIE CURSO DE ESPECIALIZAÇÃO EM CONTRUÇÃO CIVIL __________________________________________________ .UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO GRANDE DO SUL . de maneira a facilitar o processo de vitrificação da massa (PETRUCCI. A seguir. De qualquer forma.semiporoso: 6 a 10%. 2.EE DEPARTAMENTO DE ENGENHARIA CIVIL . No caso de placas esmaltadas. Ana Luiza Raabe Abitante 5 . Grês Cerâmico Produto cerâmico de estrutura compacta e baixa absorção (até 3%) obtido por queima a temperaturas entre 1250ºC e 1300ºC. em seu Anexo T. A argila usada na fabricação de produtos do tipo grês cerâmico deve ser suficientemente fusível. tanto para os materiais esmaltados quanto para os não esmaltados. . a esmaltação justamente tem como um dos objetivos conferir impermeabilidade ao revestimento.5%  a  3% AI BIb ABSORÇÃO GRUPO IIa 3%  a  6% AIIa BIIa CIIa DE ÁGUA GRUPO IIb 6%  a  10% AIIb BIIb CIIb GRUPO III a  10% AIII BIII CIII Para cada classe indicada no quadro 1. com bastante mica ou até 15% de óxido de ferro. NORIE/UFRGS Profª. 1995). a absorção d`água refere-se ao corpo cerâmico. . que relaciona as características exigíveis das cerâmicas para revestimentos. A norma NBR 13817/97 reúne ambos os critérios de classificação de acordo com o quadro 1.poroso: mais de 10%.5 a 3%.5% significa impermeabilidade.UFRGS ESCOLA DE ENGENHARIA . natural ou artificialmente preparada.semigrês: 3 a 6%.grês: 0. Quadro 1 – Classificação da cerâmica de acordo com a norma NBR 13817/97 PROCESSO DE CONFORMAÇÃO EXTRUDADO (A) PRENSADO (B) OUTROS (C) BIa CI GRUPO Ia 0%  a  0.1. absorção menor ou igual a 0. a NBR 13818/97 apresenta um quadro. Confeccionado a partir de uma pasta vitrificável. .1. Cabe ressaltar que para os materiais cerâmicos.5% GRUPO Ib 0.

1992). normalmente se reflete em aumento da resistência à compressão e à flexão. O polimento pode também ser obtido em obra. ladrilhos de grês cerâmico. desenhos. extrusão ou outro processo. após assentamento. A reduzida porosidade. com inúmeras formas. Porcelanato Produto cerâmico de baixa absorção de água.UFRGS ESCOLA DE ENGENHARIA . tubos e conexões com fins hidráulicos. o ciclo de queima foi reduzido para períodos entre 50 e 70 minutos e envolve temperaturas de até 1230ºC (MOTTA et al. 2. Normalmente disponível com acabamento polido e não polido. Na segunda fase. o polimento requer operação manual. evidenciada pela baixa absorção. Na medida em que novos níveis de desenvolvimento tecnológico são alcançados através de pesquisas. que abrange o período de 1985 a 1990 utilizava um ciclo de queima de 40 horas e temperatura máxima de 1200ºC. este último podendo apresentar-se liso ou rugoso.UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO GRANDE DO SUL . Nos cantos. bases e sais de piscina.EE DEPARTAMENTO DE ENGENHARIA CIVIL . O processo de produção envolve alto grau de moagem e altas temperaturas. muitas das deficiências devem ser resolvidas. Ana Luiza Raabe Abitante 6 .1.2. Não necessariamente as deficiências constituem características permanentes no material. obtido por prensagem. algumas restrições ao uso são percebidas na medida em que este não apresenta comportamento satisfatório ao longo do tempo em determinadas situações.DECIV NÚCLEO ORIENTADO PARA A INOVAÇÃO DA EDIFICAÇÃO – NORIE CURSO DE ESPECIALIZAÇÃO EM CONTRUÇÃO CIVIL __________________________________________________ Exemplos de produtos do tipo grês: manilhas. Essas características tornam o material adequado à utilização em ambientes sujeitos a maiores cargas. A resistência química do porcelanato também pode ser destacada através da maior estabilidade a ácidos.. 2001). o qual pode receber esmaltação superficial ou não (BAUER. cores e com massa altamente vitrificada. de forma similar às pedras naturais. Dado que o porcelanato é um material relativamente recente. NORIE/UFRGS Profª. também chamados de lito-cerâmica. através de discos abrasivos. a partir de 1990. A primeira fase do porcelanato.

É possível que resultados muito bons relativos à perda de volume. tradicional para as cerâmicas esmaltadas. A tendência consiste em alterar as características da superfície do material. Dessa forma. estejam associados a imediata percepção. por exemplo. De qualquer maneira. A resistência à abrasão é quantificada pela perda de volume. por outro lado. Interessante observar que as restrições de utilização invariavelmente resultam da percepção do problema. como. exige cuidados especiais quanto ao assentamento. Dessa forma. ou seja. os materiais com algum tipo de trabalho superficial disfarçam melhor eventuais problemas de alteração de aspecto em comparação aos monocromáticos. do risco e das manchas. convém ter me mente que as cores escuras são as que mais evidenciam riscos e desgaste. da percepção do desgaste. a adoção de juntas entre componentes e de movimentação adequadas. em mm3.UFRGS ESCOLA DE ENGENHARIA . Isso se verifica. a percepção do desgaste através da alteração do brilho superficial independe da quantidade de material removido. são as mais sensíveis às manchas. o tamanho e a forma dos poros propicia a retenção de partículas. através da formação de uma película através da técnica Solgel ou da impregnação da superfície com outros compostos antes da queima. O porcelanato. as quais penetram e muitas vezes não são removíveis. Em qualquer situação. Isto significa estabelecer medidas que propiciem a eficácia da aderência. Ana Luiza Raabe Abitante 7 . devido à baixíssima porosidade. sua viscosidade e o tempo de exposição são fundamentais para que o material resulte ou não manchado. as cores claras. com freqüência o porcelanato polido tem o uso restringido para locais de alto tráfego.DECIV NÚCLEO ORIENTADO PARA A INOVAÇÃO DA EDIFICAÇÃO – NORIE CURSO DE ESPECIALIZAÇÃO EM CONTRUÇÃO CIVIL __________________________________________________ Dentre as restrições. pode-se citar a resistência à abrasão e a dureza do porcelanato polido e a resistência à manchas do polido e de alguns não polidos.UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO GRANDE DO SUL . o rigoroso cumprimento das condições de aplicação. Nesse caso. ao tratar-se de produtos com brilho. apesar da baixa porosidade. a cor do agente de contato. Com relação à resistência à manchas. o que não permite comparação com os resultados do método PEI. NORIE/UFRGS Profª. por exemplo. a correta seleção da argamassa adesiva. Algumas tentativas de solução do problema de manchamento são mencionadas na literatura.EE DEPARTAMENTO DE ENGENHARIA CIVIL .

EE DEPARTAMENTO DE ENGENHARIA CIVIL .UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO GRANDE DO SUL . Dessa forma. impermeável. A resistência à abrasão passa a ser avaliada através do método PEI. sendo o produto limitado ao PEI V. portanto. dado que o nível de absorção de água permanece inferior a 0. no final da década de 90. vitrificação intensa e absorção praticamente nula (PETRUCCI.5%.1% serão necessariamente polidos. continua tratando-se de um porcelanato. Suas principais características são massa translúcida. com boas características de massa. As pastilhas são um exemplo de porcelana onde a área superficial deve ser menor que 39cm2 e normalmente estão aplicadas sobre mantas de aproximadamente 30X60cm para NORIE/UFRGS Profª.5% e 0. Ana Luiza Raabe Abitante 8 . o porcelanato esmaltado com o propósito de contornar as deficiências relativas à superfície do porcelanato propriamente dito. som metálico. 1995). isso é obtido através de esmaltação. os porcelanatos com absorçao de água entre 0. a norma NBR 15463/07 formaliza o assunto diferenciado-os nominalmente da seguinte forma: .5%.porcelanato técnico: placas cerâmicas não esmaltadas cuja absorção de água é menor ou igual a 0. Minimiza-se o problema de manchas.DECIV NÚCLEO ORIENTADO PARA A INOVAÇÃO DA EDIFICAÇÃO – NORIE CURSO DE ESPECIALIZAÇÃO EM CONTRUÇÃO CIVIL __________________________________________________ A vibração das placas através de equipamentos específicos é ressaltada na maioria dos livros que tratam deste material. 2. Porcelana Produto cerâmico não esmaltado.UFRGS ESCOLA DE ENGENHARIA . obtido por fusão a temperaturas pouco mais elevadas que as do grês. Normalmente.porcelanato esmaltado: placas cerâmicas esmaltadas cuja absorção de água é menor ou igual a 0.1% .3. elevadíssima dureza.1. a partir de uma pasta vitrificável de caulim de elevada pureza com quartzo e feldspato. Surge no mercado. O efeito estético é considerado um desafio já que processos de fabricação diferentes não permitem obter o mesmo padrão visual. este produto tem as bordas retificadas de forma a possibilitar alinhamento perfeito entre placas assentadas. Em 2007. Sendo assim. Como indica o próprio nome.

4.1% da capacidade instalada (BUSTAMANTE E BRESSCIANI. aproximadamente 1% do PIB – Produto Interno Bruto (BUSTAMANTE e BRESSIANI. totalizando. 2. juntamente com os demais segmentos da indústria cerâmica. mas de argilas convencionais. denominada face esmaltada.DECIV NÚCLEO ORIENTADO PARA A INOVAÇÃO DA EDIFICAÇÃO – NORIE CURSO DE ESPECIALIZAÇÃO EM CONTRUÇÃO CIVIL __________________________________________________ facilitar o assentamento (ASTM C 242. Na figura 1. revestimentos de fachada se destinadas às paredes externas e simplesmente pisos quando para aplicação em pisos.UFRGS ESCOLA DE ENGENHARIA . porém nesse caso. 2000). 1997). Este material é tratado em separado conforme item que segue. NORIE/UFRGS Profª. 3. para o ano de 1998. CERÂMICAS ESMALTADAS PARA REVESTIMENTO 3. 400.UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO GRANDE DO SUL . MERCADO Os materiais cerâmicos para revestimento inserem-se num mercado bastante significativo para a economia brasileira na medida em que compõem. não derivam da porcelana.1. Normalmente são chamadas de azulejos quando destinadas à paredes internas. O grupo de cerâmicas para revestimentos é composto por 121 unidades industriais.1. 2000).7 milhões de m2 produzidos. Cerâmica Esmaltada para Revestimentos As placas cerâmicas esmaltadas são materiais prensados e compostos por uma superfície impermeável. Ana Luiza Raabe Abitante 9 . fundida sobre um corpo cerâmico de porosidade variável. observa-se a localização das indústrias de cerâmica branca e de revestimentos nas regiões sul e sudeste do Brasil.EE DEPARTAMENTO DE ENGENHARIA CIVIL . o que representa 88. Também existem pastilhas esmaltadas.

UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO GRANDE DO SUL . a região de Criciúma.. a região da grande São Paulo. que a capacidade instalada está concentrada principalmente em 4 pólos industriais. em Santa Catarina.DECIV NÚCLEO ORIENTADO PARA A INOVAÇÃO DA EDIFICAÇÃO – NORIE CURSO DE ESPECIALIZAÇÃO EM CONTRUÇÃO CIVIL __________________________________________________ Figura 1 – Localização das indústrias de cerâmica branca e de revestimentos nas regiões sul e sudeste do Brasil (MOTTA et al.EE DEPARTAMENTO DE ENGENHARIA CIVIL . NORIE/UFRGS Profª. Ana Luiza Raabe Abitante 10 . no estado de São Paulo e a região de Cordeirópolis e Santa Gertrudes no estado de São Paulo (CARIDADE e TORKOMIAN. 2001) Verifica-se.UFRGS ESCOLA DE ENGENHARIA . na figura 2. a região de Mogi das Cruzes. quais sejam.

UFRGS ESCOLA DE ENGENHARIA .. O sudeste merece destaque a partis da década de 90. et al. mostra-se a evolução da produção brasileira de revestimentos até o ano de 2008. A partir de 1996.DECIV NÚCLEO ORIENTADO PARA A INOVAÇÃO DA EDIFICAÇÃO – NORIE CURSO DE ESPECIALIZAÇÃO EM CONTRUÇÃO CIVIL __________________________________________________ 2001). da conformidade com as normas. Neste cenário. 58% da capacidade instalada enquanto a região sul passa a representar 33% da mesma (MOTTA. com 39 empresas responsáveis por 40% da produção nacional. 2009) NORIE/UFRGS Profª. verifica-se uma mudança gradativa na estratégia competitiva de alguma destas empresas na busca da diferenciação através da melhoria técnica dos produtos.UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO GRANDE DO SUL . de mudanças na estética do produto e no fortalecimento da marca (CARIDADE e TORKOMIAN. quando alcançou 682 milhões de m2. Figura 2 – Evolução da produção brasileira de revestimentos (ANFACER. 2001). desponta especialmente a região de Santa Gertrudes. envolvendo atualmente. Ana Luiza Raabe Abitante 11 . Na figura 2. 2001).EE DEPARTAMENTO DE ENGENHARIA CIVIL .

DECIV NÚCLEO ORIENTADO PARA A INOVAÇÃO DA EDIFICAÇÃO – NORIE CURSO DE ESPECIALIZAÇÃO EM CONTRUÇÃO CIVIL __________________________________________________ Os maiores produtores mundiais são a China. e a Turquia (BUSTAMANTE E BRESSCIANI. NORIE/UFRGS Profª.UFRGS ESCOLA DE ENGENHARIA . mostra-se a produção aproximada dos quatro primeiros entre 2004 e 2007. 2007).UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO GRANDE DO SUL . Ana Luiza Raabe Abitante 12 . Figura 3 – Produção dos principais produtores mundiais de 2004 a 2007 (ANFACER. respectivamente. 2001) e. alcançando produção cada vez mais significativa e surpreendente.6 milhões de m2 em 1998) (MOTTA et al.. apesar da redução na parcela exportada entre os anos de 2004 e 2007. ora um ou outro em terceiro e quarto lugar. aproximadamente 16% da sua produção (102 milhões de m2 em 2007) (ANFACER. Cabe considerar que a China desponta no mercado a partir da década de 90. a Espanha. o percentual brasileiro exportado representava aproximadamente 10% da sua produção em 1998 (42. conforme mostra a figura 4. O Brasil e a Itália constantemente mudam de posição.EE DEPARTAMENTO DE ENGENHARIA CIVIL . a Itália. Na figura 3. em 2007. o Brasil. 2009) No mercado externo. 2000).

tanto relativa aos produtos. Quanto a moda. os consumidores brasileiros são beneficiados dadas as exigências impostas por alguns mercados quanto ao rigoroso cumprimento da normalização. através da ISO 13006 e ISO 10545. mas a inovação de métodos de preparo e de produção. através da série ISO 9000. Ana Luiza Raabe Abitante 13 . como ao processo.UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO GRANDE DO SUL . esta revolução tem propiciado não somente um aumento na produção. Em especial. 2000). O grande objetivo consiste em estimular o desejo do consumidor e não permitir que o mesmo compre a cerâmica somente em função de suas características tradicionais. relativas à limpeza e higiene (VIVONA.DECIV NÚCLEO ORIENTADO PARA A INOVAÇÃO DA EDIFICAÇÃO – NORIE CURSO DE ESPECIALIZAÇÃO EM CONTRUÇÃO CIVIL __________________________________________________ Figura 4 – Produção dos principais exportadores mundiais de 2004 a 2007 (ANFACER. desenho e cor. A partir da década de 70. a partir da década de 80.EE DEPARTAMENTO DE ENGENHARIA CIVIL . 2009) Como decorrência das exportações. normalmente a indústria trabalha com aspectos relativos ao formato. Uma das estratégias da indústria cerâmica para aumentar a sua competitividade no mercado consiste na criação de moda e no desenvolvimento de necessidades.UFRGS ESCOLA DE ENGENHARIA . a incorporação de novas matérias-primas e a obtenção de ampla gama de produtos. o desenvolvimento tecnológico das cerâmicas esmaltadas para revestimentos vem apresentando incrementos importantes (VIVONA. a superfície (relevo). 2000) NORIE/UFRGS Profª.

UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO GRANDE DO SUL . 1998). Figura 5 – Tipos de produtos fabricados pelas indústrias de placas cerâmicas brasileiras entre 2005 e 2007 (ANFACER.EE DEPARTAMENTO DE ENGENHARIA CIVIL .UFRGS ESCOLA DE ENGENHARIA . pode-se citar a maior diversidade de produtos com características técnicas diferenciadas. Na figura 5. observa-se a consolidação da ênfase dada pela indústria cerâmica à produção de pisos a fim de dar vazão aos produtos obtidos em monoqueima. formatos cada vez maiores e a disseminação de peças de acabamento (PORCAR. a partir de placas menos porosas.DECIV NÚCLEO ORIENTADO PARA A INOVAÇÃO DA EDIFICAÇÃO – NORIE CURSO DE ESPECIALIZAÇÃO EM CONTRUÇÃO CIVIL __________________________________________________ Em resumo. Ana Luiza Raabe Abitante 14 . 2009) NORIE/UFRGS Profª.

ESTRUTURA DO MATERIAL Pode-se distinguir duas superfícies principais nos componentes cerâmicos. A título de efeito estético diferenciado pode-se utilizar granilha sobre a superfície esmaltada. alcançando-o. obtém-se também uma superfície brilhante. há necessidade de maior dispêndio energético. não chegando a fundir-se na massa. b) face de assentamento A face de assentamento (verso) dos componentes cerâmicos recebe o nome de tardoz.UFRGS ESCOLA DE ENGENHARIA . A diferenciação entre ambos é determinada essencialmente pela constituição das matérias-primas empregadas. A granilha constitui-se em um vidro comercializado em sacos. Face Esmaltada A face esmaltada pode apresentar acabamento brilhante ou fosco. Alto teor de alumina implica em ponto de fusão mais elevado. Como consequência. quais sejam. 3. a proporção de óxido de alumínio. em específico. A mesma pode também ser utilizada com a finalidade de conferir certo atrito à superfície uma vez que apresenta ponto de fusão mais elevado que o esmalte.EE DEPARTAMENTO DE ENGENHARIA CIVIL . NORIE/UFRGS Profª.UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO GRANDE DO SUL . Em contrapartida. na forma grãos.2. Ana Luiza Raabe Abitante 15 . A retícula presente nesta face recebe o nome de muratura. Certamente. Superfícies cujas matérias-primas alcançam o estágio de fusibilidade apresentam maior capacidade em refletir a luz incidente.1. esse produto terá uma superfície menos fundível comparativamente a outro produto cuja matéria-prima tenha menor ponto de fusão. a face esmaltada e a face de assentamento. configurando-se como uma superfície brilhante.2. para a mesma temperatura. aumentando-se a temperatura para o produto cuja matéria-prima tem maior ponto de fusão.DECIV NÚCLEO ORIENTADO PARA A INOVAÇÃO DA EDIFICAÇÃO – NORIE CURSO DE ESPECIALIZAÇÃO EM CONTRUÇÃO CIVIL __________________________________________________ 3.

na produção. NORIE/UFRGS Profª. As matérias-primas não argilosas como o talco e o quartzo servem para formar o esqueleto do corpo cerâmico. titânio e óxidos metálicos diversos (ferro. Nesta face. As matérias-primas não naturais são compostos a base de chumbo. zinco e cádmio) e usadas para a preparação de esmaltes e corantes. a cerâmica para revestimentos é obtida através da mistura de matérias-primas naturais argilosas e não argilosas e de matérias-primas minerais e artificiais para a preparação de esmaltes e corantes. encontram-se as impressões de fabricação. o forno prevê a sobreposição das peças (empilhamento). clorita e montmorilonita. CGC da empresa e número do estampo no qual a peça foi conformada.UFRGS ESCOLA DE ENGENHARIA . Matérias-Primas Tecnicamente. os feldspatos e os filitos funcionam como fundentes e os carbonatos de cálcio e magnésio contribuem na estabilidade dimensional e outras características. 5. PROCESSO DE PRODUÇÃO 5. boro. A maior ou menor aceitação do mercado por um ou outro baseia-se em aspectos culturais e experiências com materiais de má qualidade produzidos por fabricantes sem preocupação com a qualidade. Os dados são país de origem. As placas cerâmicas mais elaboradas têm em sua composição de 30 a 50% de matérias-primas argilosas as quais conferem trabalhabilidade e resistência mecânica a cru. Pode-se dispor de componentes cerâmicos de massa escura que atendem plenamente as exigências de norma e de componentes de massa clara com péssimo desempenho. assim os ressaltos devem ter maior altura em função da necessidade de promover circulação de ar por toda a peça. Os principais tipos de argila são a caulinita. zircônio.1.DECIV NÚCLEO ORIENTADO PARA A INOVAÇÃO DA EDIFICAÇÃO – NORIE CURSO DE ESPECIALIZAÇÃO EM CONTRUÇÃO CIVIL __________________________________________________ No processo biqueima. cromo. as quais servem para a rastrear a origem da cerâmica. Ressalva-se que a coloração do corpo da cerâmica está relacionada basicamente ao teor de óxidos de ferro da argila utilizada como matéria-prima e não constitui-se em fator indicativo de qualidade do material.EE DEPARTAMENTO DE ENGENHARIA CIVIL . ilita.UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO GRANDE DO SUL . Ana Luiza Raabe Abitante 16 .

4.5. as quais são carregadas através de pá-carregadeira.. que eventualmente não foram suficientemente moídas. 5.EE DEPARTAMENTO DE ENGENHARIA CIVIL .3. devidamente identificados. 5. ocorre a liberação do material para a produção. etc.UFRGS ESCOLA DE ENGENHARIA . 5. Peneiramento e Atomização A Barbotina é conduzida para tanques dotados de agitadores (tanques primários) a partir dos quais é bombeada e filtrada para a eliminação das partículas de maiores dimensões. calcários. argilas. posteriormente carregados e depositados separadamente em boxes.UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO GRANDE DO SUL . e as características físicas das matérias-primas. Se aprovadas. Da balança. onde as partículas apresentam dimensão coloidal. são depositados inicialmente em áreas externas à fabrica. realizam-se ensaios de laboratório a partir de amostras coletadas de cada lote. Moagem e Mistura No moinho de bolas ocorre a moagem e simultânea mistura dos materiais secos com água e silicato de sódio (silicato com função defloculante). Ana Luiza Raabe Abitante 17 . Resulta deste processo uma emulsão denominada Barbotina.6. Em sequência. filitos. 5. Pesagem A pesagem das matérias-primas ocorre em balanças de capacidade média de 25ton. Recebimento e Estocagem de Matérias-Primas Os materiais recebidos. a barbotina é bombeada para o atomizador. Dentro desse. A fonte energética do atomizador para as fábricas NORIE/UFRGS Profª. talco. é retirado o excesso de umidade através do fluxo de ar quente de maneira a atingir umidade próxima a 7%.DECIV NÚCLEO ORIENTADO PARA A INOVAÇÃO DA EDIFICAÇÃO – NORIE CURSO DE ESPECIALIZAÇÃO EM CONTRUÇÃO CIVIL __________________________________________________ 5. e conduzidas a outro tanque (tanques de serviço). Liberação Para a liberação do material estocado. os materiais são transportados através de esteiras rolantes para o moinho de bolas. a título de verificação da qualidade. se piso ou parede. Conforme a destinação da massa cerâmica.2. também dotado de agitadores. é informado ao operador da pá-carregadeira a quantidade de cada material que constitui a formulação.

escovas. 5.DECIV NÚCLEO ORIENTADO PARA A INOVAÇÃO DA EDIFICAÇÃO – NORIE CURSO DE ESPECIALIZAÇÃO EM CONTRUÇÃO CIVIL __________________________________________________ Cecrisa da região sul é a queima de carvão mineral. a “bolacha” recebe o banho de engobe (base para o esmalte). Prensagem O pó atomizado retirado dos silos é novamente peneirado e conduzido através de correias transportadoras até as prensas. Esmaltação e Decoração Na mesma linha de produção. Caso ocorra. Ana Luiza Raabe Abitante 18 . contendo aproximadamente 7% de umidade. A partir dos silos. as quais promovem o derrame do engobe e esmalte pelo sistema chamado “véu de noiva”. é acionado um alarme e interrompida a produção até NORIE/UFRGS Profª. Depósito O pó atomizado.UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO GRANDE DO SUL . Os três primeiros têm como função extrair das “bolachas” excessos de engobe ou esmalte.8. banho de esmalte e decoração final através do processo de serigrafia. 5.7. 5. Os sensores identificam a eventual sobreposição de “bolachas”. prejudiciais à decoração das mesmas. Para as demais fábricas utiliza-se óleo combustível. através de correias transportadoras. existem rebarbadores. Secagem e Resfriamento No secador. caracterizando o processo de moldagem adotado pelo grupo Cecrisa. tendo-se especial cuidado na separação das cinzas do contato com a massa. Os dois banhos ocorrem em “campanas”. a massa é conformada em estampos (moldes) através da aplicação de pressão da ordem de 26 a 32MPa (260 a 320Kgf/cm²). separadamente para pisos e paredes. as quais apresentam massa ainda com certa umidade e fragilidade.9. 5. o pó atomizado é utilizado conforme a necessidade de massa para a produção.UFRGS ESCOLA DE ENGENHARIA .EE DEPARTAMENTO DE ENGENHARIA CIVIL . levado aos silos de depósito de massa. Intercalados aos banhos e decoração. As peças obtidas por esse processo são denominadas “bolachas”. Nas prensas. é peneirado na saída do atomizador e. A “bolacha” é conduzida através de esteira plana rolante ao resfriador a fim de reduzir-lhe a temperatura utilizando-se de vapor de água. é retirado o excesso de umidade da “bolacha” até atingir um percentual próximo de zero. aspiradores e sensores.10.

UFRGS ESCOLA DE ENGENHARIA . A massa. aspectos de tonalidade (comparação visual com padrões) e aspectos dimensionais (verificação automatizada . ambos materiais inorgânicos. diluídos em água. Embalagem e Expedição A embalagem dos componentes é feita através de um processo altamente automatizado e robotizado.12. A temperatura de queima atingida no centro do forno pode chegar até 1400ºC. A constituição da cerâmica obtida após a queima consiste basicamente de silicatos e aluminatos de cálcio. após a queima.UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO GRANDE DO SUL . que minimiza as quebras. alumínio e óxidos na forma de cristais aglutinados por vidro (VERÇOSA). 5.sensores). A serigrafia utiliza-se de corantes ou tintas. já com a camada de esmalte. são conduzidos a pulmões (“depósitos”) e gradativamente. recebe o nome “biscoito”.13. O forno é do tipo “a rolo” justamente pelo processo de condução das peças ocorrer sobre roletes. O processo de queima conta com fases de aquecimento inicial e desaquecimento final graduais e perfeitamente controladas. Classificação A classificação dos componentes cerâmicos enquanto processo produtivo é realizada em várias etapas sucessivas a partir de considerações sobre aspectos de qualidade superficial (observação visual). permitindo a união íntima da decoração com a base cerâmica (processo monoqueima). introduzidos no forno para serem “queimados”. 5. momento em que ocorre a sinterização (aglutinação de partículas pelo efeito do aquecimento) do corpo cerâmico simultaneamente à vitrificação do esmalte. até então denominada “bolacha”. conforme exposto na sequência.DECIV NÚCLEO ORIENTADO PARA A INOVAÇÃO DA EDIFICAÇÃO – NORIE CURSO DE ESPECIALIZAÇÃO EM CONTRUÇÃO CIVIL __________________________________________________ que o problema seja solucionado. NORIE/UFRGS Profª. maximiza a produção e o transporte para a área de expedição. que constituem-se de fritas e corantes. Queima no Forno a Rolo Os elementos cerâmicos. que são pigmentos minerais diluídos em solventes orgânicos (óleos). Ana Luiza Raabe Abitante 19 . A esmaltação utiliza-se de esmaltes.11. 5.EE DEPARTAMENTO DE ENGENHARIA CIVIL . ferro.

em produtos de absorção superior a 10%. geralmente. Terceira Queima O processo chamado de Terceira Queima consiste na aplicação de nova serigrafia e posterior queima sobre a camada de esmalte original com a finalidade de permitir a criação de novos padrões decorativos. em etapas complementares. a queima da “bolacha” ocorre a 900ºC enquanto que a posterior vitrificação do esmalte e estabilização das cores a temperatura maior ou igual a 1050º C. 6.EE DEPARTAMENTO DE ENGENHARIA CIVIL . exige-se da superfície do biscoito a presença de poros em número e formato adequados. Ana Luiza Raabe Abitante 20 . somada ao fato de que efetua-se em fornos e em temperaturas diferentes. Biqueima O processo chamado biqueima diferencia-se do monoqueima no sentido de que a queima da “bolacha” e do esmalte não se realiza simultaneamente. PROCESSOS DE QUEIMA 6. Posteriormente. Na biqueima.DECIV NÚCLEO ORIENTADO PARA A INOVAÇÃO DA EDIFICAÇÃO – NORIE CURSO DE ESPECIALIZAÇÃO EM CONTRUÇÃO CIVIL __________________________________________________ 6. comparativamente ao processo monoqueima. Esta característica não é apenas consequência do processo. mas necessidade uma vez que para uma adequada aderência com o esmalte. ampliando-a também para o segmento de azulejos. confere características diferenciadas à ligação esmalte/“biscoito”. mas sim. introduziu-se a “monoporosa”. NORIE/UFRGS Profª. 6. na tentativa de flexibilizar a produção. Monoqueima A descrição acima abrange as etapas básicas do processo monoqueima. Essa técnica foi desenvolvida justamente com a finalidade de produzir componentes cerâmicos com absorção de água inferior a 6%.UFRGS ESCOLA DE ENGENHARIA . que resulta em componentes de absorção superior a 10% produzidos em monoqueima.UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO GRANDE DO SUL . Esta sistemática.1.2. A biqueima resulta.3.

todos os componentes cerâmicos são avaliados na medida em que são transportados sobre esteira em frente a um observador.EE DEPARTAMENTO DE ENGENHARIA CIVIL . “standard” e “refugo”. nas classes A. mediante padrões pré-estabelecidos. “1° linha”. C e D. Aspecto Superficial Ao longo da linha de produção. NORIE/UFRGS Profª. os produtos eram classificados em “extra”. as fábricas tendem a optar por inseri-los na Classe C. esses componentes normalmente são retirados e retornam ao moinho.DECIV NÚCLEO ORIENTADO PARA A INOVAÇÃO DA EDIFICAÇÃO – NORIE CURSO DE ESPECIALIZAÇÃO EM CONTRUÇÃO CIVIL __________________________________________________ Cabe observar que essa técnica pode ser aplicada tanto sobre produtos provenientes de monoqueima quanto de biqueima. normalmente o percentual produzido pertencente a essa classe não é demasiado (aproximadamente 10%). que não exige tal avaliação. detectados na linha de produção ou na etapa de classificação dos produtos. lascamento de bordas. Anteriormente à norma NBR 7169.UFRGS ESCOLA DE ENGENHARIA . falhas no esmalte. desabilitam-os à comercialização e consequentemente. ondulações e depressões significativas. apesar de no primeiro não corresponder efetivamente à “terceira queima”.UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO GRANDE DO SUL . configurando o chamote. a norma européia EN-98 estabelece que a avaliação do aspecto superficial deve ser realizada por um observador posicionado a 1m e 3m de um painel de aproximadamente 1m² com um número mínimo de 25 peças e luminosidade de 300 lux. Cabe observar que a norma permite até 5% de erro em avaliações de qualidade superficial. 8. Este classifica-os. Salienta-se que em ambos os casos é chamada de terceira queima.1. “classe C” (o “refugo” não foi considerado). passaram a ser denominados “classe A”. Com a implantação da NBR 7169. Ana Luiza Raabe Abitante 21 . A título de inspeção. CLASSIFICAÇÃO DOS COMPONENTES CERÂMICOS 8. deve-se ressaltar que defeitos grosseiros como. “classe B”. Como para declarar um produto como Classe B também há necessidade de avaliar bitola e tonalidade e. em um produto classificado como “A” pode haver até 5% de peças defeituosas. Como comentário. por exemplo. ou seja.

4 %)  A variação do Calibre 6 dentro da tolerância de  0.EE DEPARTAMENTO DE ENGENHARIA CIVIL . é classificado através de sensores em calibres a partir de suas dimensões modulares e não modulares. dentro de certos limites. A classificação de lotes em função da tonalidade é feita através da comparação de um painel de aproximadamente 1m² com no mínimo 25 peças e exposto sob condições NORIE/UFRGS Profª. Cabe observar que o calibre 5 corresponde sempre à dimensão de fabricação. As fábricas costumam adotar três categorias: calibre 4. sendo que todos trabalham com uma tolerância de  0.UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO GRANDE DO SUL . A título de exemplificação.5 8.DECIV NÚCLEO ORIENTADO PARA A INOVAÇÃO DA EDIFICAÇÃO – NORIE CURSO DE ESPECIALIZAÇÃO EM CONTRUÇÃO CIVIL __________________________________________________ 8. Todo o produto cerâmico classe “A”.4 % será entre os limites 299.4 %. Tonalidade A variação de tonalidade.9 Calibre 5 = 301.5 .4 % será entre os limites 301.UFRGS ESCOLA DE ENGENHARIA . em mm Calibre 6 = 302. calibre 5 e calibre 6.3.4 % dimensão de fabricação (W) Calibre 4 = 300.5  0. pode-se citar um produto 30 x 30 não modular.3 (301.0.7 (301.2. Ana Luiza Raabe Abitante 22 . é inerente ao processo de produção cerâmico em vista da grande diversidade de coloração das matérias-primas e influência da temperatura de queima.5 x 301.5 + 0.4 %)  A variação do Calibre 4 dentro da tolerância de  0. * dimensão nominal (N) = 30 x 30. Dimensões O termo “calibre” foi adotado mundialmente segundo designação dada pela ISO 13006 em substituição ao termo corrente “bitola”.1 e 301.5. em cm * dimensão de fabricação (W) = 301.5 e 303.

devem repassá-los aos consumidores de produtos modulares de modo que possa ser utilizado o conceito propostos. A seguir.5mm l .5.DECIV NÚCLEO ORIENTADO PARA A INOVAÇÃO DA EDIFICAÇÃO – NORIE CURSO DE ESPECIALIZAÇÃO EM CONTRUÇÃO CIVIL __________________________________________________ específicas de luminosidade (300 lux). com padrões existentes.2. a “Coordenação Modular” permite relacionar as medidas que constam em um projeto com as medidas modulares de forma que. no caso dos revestimentos cerâmicos.Ajustes Modulares e Tolerâncias. cria-se um novo padrão. cuja numeração é crescente. 9. dispõem-se das normas NBR 5731 .0mm qualquer .5. o exemplo de um fabricante: Tipo do Componente Azulejo * Dimensão do Lado (l) (cm) l  15 15  l  20 l  20 Dimensão de Fabricação (W) l .5. os pisos e paredes contenham um número inteiro de componentes.Coordenação Modular da Construção e NBR 5725 .0mm l .EE DEPARTAMENTO DE ENGENHARIA CIVIL . Se o novo lote não corresponder a nenhum padrão pré-estabelecido.UFRGS ESCOLA DE ENGENHARIA . Ana Luiza Raabe Abitante 23 . que definem termos e fixam condições relativas ao tema. obviamente.1. Com efeito.0mm acompanha o azulejo l .5.0mm qualquer . MODULARIDADE A modularidade de componentes e estruturas teve grande desenvolvimento na europa quando do pós-guerra como ingredientes básico da industrialização da construção.UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO GRANDE DO SUL . No Brasil. Os fabricantes acabam por definir os tamanhos de junta para seus produtos modelares e.0mm acompanha o piso Piso Externo Listellis qualquer qualquer horizontal ao piso vertical ao piso Barras e Tozetos qualquer * tamanhos que envolvem dois limites diferentes acompanham cada lado independentemente NORIE/UFRGS Profª.

n. Qualicer 98. NBR 5725 . Cerâmica Industrial. NBR 13817 – Placas cerâmicas para revestimentos – Classificação.1. NBR 13818: Placas cerâmicas para revestimento: especificação e métodos de ensaio.3. Ana Luiza Raabe Abitante 24 . http://www. Estratégias de produção das empresas cerâmicas de Santa Gertrudes. R.UFRGS ESCOLA DE ENGENHARIA . Rio de Janeiro. ASSOCIAÇAO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. P. J. v. NBR 7169 Rio de Janeiro. BAUER. ASSOCIAÇAO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. ASSOCIAÇAO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. n. TORKOMIAN.Coordenação Modular da Construção. 1995 NORIE/UFRGS Profª. CARIDADE. e BRESSCIANI. SMITH.L. 2001 GEYER..br.com. Castellón (Espanha). ANFACER. v. mai/jun 2000. 6p. ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS.5. 1997. 1992 BUSTAMANTE. J. 1994 HABER. ASSOCIAÇAO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS.UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO GRANDE DO SUL . 1997. Cerâmica Industrial. El proyecto colocación una iniciativa espanola por la calidad de los recubrimientos cerámicos.Ajustes Modulares e Tolerâncias. NBR 5731 .G. jan-fev 2001. 1982. 1991 PORCAR. 1998. 1997. Rio de Janeiro.EE DEPARTAMENTO DE ENGENHARIA CIVIL .. M. Rio de Janeiro.. Rio de Janeiro. Rio de Janeiro.32-39 MOTTA et al. p. ASSOCIAÇAO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. A indústria cerâmica brasileira.L. NBR 15463 – Placas cerâmicas para revestimentos – Porcelanato.6. 3p.DECIV NÚCLEO ORIENTADO PARA A INOVAÇÃO DA EDIFICAÇÃO – NORIE CURSO DE ESPECIALIZAÇÃO EM CONTRUÇÃO CIVIL __________________________________________________ ASSOCIAÇÃO NACIONAL DOS FABRICANTES DE CERÂMICA. 1997. ISO 13006 e ISO 10545 PETRUCCI..anfacer. Proceedings V Congreso Mundial de la Calidad del Azulejo y del Pavimento Cerámico. A.

1997 Revista Mundo Cerâmico.UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO GRANDE DO SUL . ano II. Visão.UFRGS ESCOLA DE ENGENHARIA . Ana Luiza Raabe Abitante 25 . Cerâmica Industrial. número 12-A.5. n. v.EE DEPARTAMENTO DE ENGENHARIA CIVIL . desafios e novos rumos da cerâmica de revestimentos.DECIV NÚCLEO ORIENTADO PARA A INOVAÇÃO DA EDIFICAÇÃO – NORIE CURSO DE ESPECIALIZAÇÃO EM CONTRUÇÃO CIVIL __________________________________________________ José Emilio Enrique Navarro. mar/abr 2000. Guia Geral de Cerâmica 94.2. VIVONA. mai 1994. VERÇOSA NORIE/UFRGS Profª.

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