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Universidade Lusófona

Politica Económica

Politica Monetária da União Europeia

Lisboa 2009

POLITICA MONETÁRIA

NA

UNIÃO EUROPEIA

MESTRADO EM GESTÃO DE EMPRESAS – POLITICA ECONÓMICA

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POLITICA MONETÁRIA

NA

UNIÃO EUROPEIA

Universidade Lusófona

Politica Económica

Politica Monetária da União Europeia
Lisboa 2009

DOCENTE: DISCENTES:

Dr. António Augusto Costa João Bernardes Sandra Camilo Sónia Gonçalves Nº 20091300 Nº 20092872 Nº 20093606 Mestrado Mestrado Mestrado

MESTRADO EM GESTÃO DE EMPRESAS – POLITICA ECONÓMICA

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....37 HANSPETER K...........................................Margarida....37 Abreu................ISBN972-592-199-2......................6 2.................................................................................................................... Sameuelson............ Breve história da integração monetária europeia.........Lisboa. Sistema Monetário Europeu .......................................35 11... Portugal...........37 Neves............................................... Considerações finais .................. O Euro.......36 Bibliografia ...............ISBN972-22-1416-7..........1999...20 7. Introdução........................................................................................................................................................21 8.................. A experiência de Portugal no SME entre 1987 e 1990...............................................................26 Critérios de convergência...........oitava edição.....................7 3....14 4. REVISTA 2006.. decima sexta edição............18 5..................João ..............................................................................................................ISBN 978-92-899-0025-6 .32 10... Mc graw Hill........Etall.......................................... verbo editora........ 2007...................................................... SEGUNDA EDIÇÃO.....................................POLITICA MONETÁRIA NA UNIÃO EUROPEIA Índice Sumario 1.................2007....... Lisboa....... Escolar Editora....................Economia Monetária e Financeira.............................. SCHELLER............................. Medição da inflação............................................................................................................. 4 .....................30 Distorções...19 6.... Politica Monetária...............37 Nordhaus..................31 9............. Enquadramento histórico da União Europeia........................................................37 MESTRADO EM GESTÃO DE EMPRESAS – POLITICA ECONÓMICA PÁG...... O Sistema Europeu de Bancos Centrais..............................28 Processos que geram inflação........................ ISBN972-8298-83-8........................................ BANCO CENTRAL EUROPEU............... O papel da inflação na economia.............................................. Economia......

Lisboa. ISBN978-85-352-1108-5.............Etall................... Introdução á economia........ Editora Campos.37 MESTRADO EM GESTÃO DE EMPRESAS – POLITICA ECONÓMICA PÁG....................POLITICA MONETÁRIA NA UNIÃO EUROPEIA Wells........Robin............ 5 ..................2007.....

com o objectivo de permitir estabilidade económica e evitar o aumento dos preços. porém não o determina. tendo como principal objectivo defender o poder de compra da moeda. Numa política monetária restritiva. nos próximos capítulos irá ser aprofundada a temática.POLITICA MONETÁRIA NA UNIÃO EUROPEIA 1. verificamos que a quantidade de dinheiro em circulação aumenta. Para o pensador John Maynard Keynes. a quantidade de dinheiro em circulação é diminuída. economista britânico cujas ideias serviram de influência para a macroeconomia moderna. Desta forma. ou mantida estável. passa a ser colocada como factor de grande relevância. abordando a temática Politica Monetária na União Europeia. principalmente nos mais recentes modelos macroeconómicos. contribuindo assim para influenciar o nível de emprego. isto é. com o objectivo de estimular a procura e incentivar o crescimento económico. é onde a moeda ocupa funções essenciais. Tal prática pode ser expansionista ou restritiva. a procura da moeda deixou de ser neutra. pois na liquidação de dívidas e na manutenção de reservas de valor. sem afectar as quantidades produzidas e comercializadas. esta passa a ser procurada por todos os agentes que interagem e transaccionam em sistemas economicamente organizados. 6 . A procura da moeda. Se estivermos perante uma política monetária expansionista. e como esta actua directamente sobre o controlo da quantidade de dinheiro em circulação. Introdução No âmbito da Disciplina de Politica Económica foi proposto a elaboração de um trabalho. MESTRADO EM GESTÃO DE EMPRESAS – POLITICA ECONÓMICA PÁG. deixou de ser interpretada unicamente como instrumento de ligação das trocas. Desta forma a moeda deve ser reconhecida como reserva de valor e importante instrumento para realização de novos negócios. É de salientar que a política monetária expansionista visa criar condições para o crescimento económico.

Konrad Adenauer . ou "mercado comum". que muitos consideram os principais arquitectos da integração europeia após a Segunda Guerra Mundial foram. Em Março de 1957. Jean Monnet . A seguir à guerra. Inspirando-se no Plano Schuman. Estes seis países são a Alemanha. A partir de agora nenhum pode fabricar armas de guerra para as dirigir contra os outros. mas outros são abatidos ao tentarem fugir. onde se dá o inicio da cooperação entre os países aderentes à União Europeia. como no passado. a França. alargam a sua cooperação a outros sectores económicos. Enquadramento histórico da União Europeia Entre 1945 e 1959 surge uma época de uma Europa Pacífica. uma vez que em Maio de 1950 o Ministro Francês dos negócios estrangeiros.Altiero Spinelli. MESTRADO EM GESTÃO DE EMPRESAS – POLITICA ECONÓMICA PÁG. As nações da Europa Ocidental criaram o Conselho da Europa em 1949. que cria a Comunidade Económica Europeia (CEE). a Itália. a Europa foi dividida entre Leste e Oeste e assistiu-se ao início da "guerra-fria". os seis países acima referidos. Os europeus queriam assegurar-se de que tal loucura assassina e tal vaga de destruição nunca mais se repetiria. 7 . O dia 9 de Maio foi consagrado o “Dia da Europa”.Alcide de Gasperi . Assinam o Tratado de Roma. Alguns conseguem escapar. Robert Schuman. Os anos 60 (entre 1960 e 1969) foram considerados um período de crescimento económico. a Bélgica. as autoridades comunistas da Alemanha Oriental constroem um muro em Berlim para impedir que a população fuja para Oeste em busca da liberdade. As raízes históricas da União Europeia remontam à Segunda Guerra Mundial. seis países assinam um tratado que visa colocar as suas indústrias pesadas do carvão e do aço sob uma autoridade comum.POLITICA MONETÁRIA NA UNIÃO EUROPEIA 2. o Luxemburgo e os Países Baixos. na medida em que. cujo objectivo é a livre circulação das pessoas. em Agosto de 1961.Walter Hallstein.Paul Henri Spaak .Sir Winston Churchill . das mercadorias e dos serviços entre os Estados-Membros. encorajados pelo êxito do tratado sobre o carvão e o aço. que durou 40 anos. Tratou-se de um primeiro passo para uma cooperação que seis desses países desejavam aprofundar. Robert Schuman . Os fundadores da União Europeia. apresentou um plano para a cooperação profunda.

Em Julho de 1963. Caraíbas e Pacífico). Os seus deputados. A CEE lidera os esforços de ajuda ao desenvolvimento dos países mais desfavorecidos. para melhorar as estradas e as comunicações. mas por grupos políticos pan-europeus (socialistas. com a adesão formal da Dinamarca. Em Junho de 1979 ocorre a primeira eleição por sufrágio universal directo do Parlamento Europeu. A década de 80 foi considerada a época de mutação com a queda do muro de Berlim. onde os dirigentes da CEE criam o Fundo Europeu de Desenvolvimento Regional.). 8 . Estabeleceu desde então uma parceria especial com 78 países das regiões ACP (África. a CEE assina o seu primeiro grande acordo internacional de assistência a 18 antigas colónias Africanas. Em Julho de 1968 surge a Supressão dos direitos aduaneiros entre os Seis. liberais. com de adesão a novos países. MESTRADO EM GESTÃO DE EMPRESAS – POLITICA ECONÓMICA PÁG. atrair investimentos e criar emprego. da mesma forma que entre a Comunidade e o resto do mundo. que provinham até então dos parlamentos nacionais. O respeito dos direitos do Homem constitui a primeira condição para poder beneficiar desta ajuda. A partir da década de 90. A CEE é auto-suficiente em termos alimentares e os agricultores dispõem de um rendimento adequado. é dada prioridade à redução destes excedentes e à melhoria da qualidade. O comércio entre os Seis desenvolve-se rapidamente. Esta política de assistência absorve hoje um terço do orçamento europeu. etc. verdes. que confere aos Estados-Membros o controlo comum da produção alimentar. A sua influência é cada vez maior. São aplicados os mesmos direitos aduaneiros aos produtos importados dos outros países. Os efeitos negativos da PAC sobre produção foram a produção de excedentes. A década de 70 foi intitulada como o período de expansão da comunidade. não estão organizados por delegações nacionais. da Irlanda e do Reino Unido Em Dezembro de 1974 surge sinal de solidariedade. conservadores. Em Janeiro de 1973 há o alargamento dos Seis para Nove países. Os preços agrícolas são uniformizados na Comunidade. criando-se pela primeira vez condições para o comércio livre. Nasce assim o maior mercado do mundo.POLITICA MONETÁRIA NA UNIÃO EUROPEIA Em Julho de 1962 ocorreu o lançamento da política agrícola comum (PAC). que assegura a transferência de recursos financeiros das regiões ricas para as regiões pobres.

das pessoas e dos capitais. Para se manter na vanguarda da inovação. a CEE lança o programa Esprit em 1984. qualificações profissionais. a Finlândia e a Suécia aderem à EU.POLITICA MONETÁRIA NA UNIÃO EUROPEIA Em Janeiro de 1981. A Áustria. Trata-se essencialmente de diferenças entre as legislações nacionais. continuam a existir obstáculos à liberdade de comércio na Comunidade. torna-se uma realidade. Na década de 90 foi consagrada uma Europa sem fronteiras. A "Comunidade Europeia" é formalmente substituída pela "União Europeia". Em Fevereiro de 1986. que o Acto Único Europeu. França. o primeiro de uma longa série no domínio da investigação e desenvolvimento. a política externa e de segurança e o reforço da cooperação em matéria de justiça e de assuntos internos. Em Janeiro de 1993 é Criado o mercado único e as suas quatro liberdades: a livre circulação das mercadorias. Espanha. Luxemburgo. Desde 1986 foram publicados mais de 200 actos legislativos no domínio da fiscalidade. Em Fevereiro de 1984 ocorre a revolução informática e da robótica que vai influenciar a vida das populações implicadas (dos 10 países até agora aderentes à CEE). O Acto Único aumenta igualmente a influência do Parlamento e reforça os poderes da CEE em matéria de ambiente. Os 15 Estados-Membros cobrem doravante quase toda a Europa Ocidental. a antiga Alemanha de Leste foi integrada na União Europeia. com a adesão da Grécia. Em Fevereiro de 1982 é assinado o Tratado da União Europeia em Maastricht. etc. em Janeiro de 1986. MESTRADO EM GESTÃO DE EMPRESAS – POLITICA ECONÓMICA PÁG. Países Baixos e Portugal. na perspectiva da abertura das fronteiras. dos serviços. em sete EstadosMembros: Alemanha. Em Março de 1995 entram em vigor os acordos de Schengen. o que aumenta para 12 o número dos seus membros.. 9 . apesar da supressão dos direitos aduaneiros em 1968. Com a reunificação da Alemanha em Outubro de 1990. Bélgica. o número de membros da Comunidade passa a 10. prevê eliminar através de um vasto programa de seis anos. direito das empresas. No entanto. em Janeiro de 1995. assinado em 1986. Espanha e Portugal aderem à CEE. a livre circulação de certos serviços foi adiada. A CEE ultrapassa uma etapa importante ao estabelecer regras claras para a futura moeda única. que pôde aderir depois da queda do seu regime militar e do restabelecimento da democracia em 1974.

República Checa e Roménia. Polónia e República Checa) aderem MESTRADO EM GESTÃO DE EMPRESAS – POLITICA ECONÓMICA PÁG. Áustria. Estónia. A Dinamarca. com indicação do valor. a UE decidiu criar até 2010 um espaço de liberdade. podem deslocar-se a estes países sem controlo de identidade nas fronteiras. França. Itália. Todas circulam livremente: pagar um bilhete de metro em Madrid com um euro finlandês (ou outro) tornou-se banal. Os países da zona euro são: Alemanha. 10 .POLITICA MONETÁRIA NA UNIÃO EUROPEIA Os viajantes. Em Junho de 1997 surge a assinatura do Tratado de Amesterdão. Em Janeiro de 1999. Bélgica. Acrescem a estes países as ilhas mediterrânicas de Chipre e de Malta. o Reino Unido e a Suécia decidiram de momento não participar. ao reformular as regras comunitárias em matéria de votação. Grécia. o Tratado de Nice abre a via para o alargamento. Polónia. Nos dois casos. Hungria. cuja impressão. As notas são as mesmas em todos os países. Em Dezembro de 1997. Hungria. Luxemburgo. tendo em conta que em Janeiro de 2002 surge a introdução das moedas e notas em euros. Em 2000. Eslovénia. Irlanda. Eslovénia. as forças da UE substituíram as forças da NATO. No plano interno. que se baseia nas conquistas do Tratado de Maastricht. a UE assegura missões de manutenção da paz na região dos Balcãs: primeiro na antiga República Jugoslava da Macedónia e depois na Bósnia e Herzegovina. cunhagem e difusão implicaram uma operação logística de grande envergadura. mas as moedas têm uma face comum. Letónia. Países Baixos e Portugal. Eslováquia. Finlândia. a dar mais peso à Europa no mundo e a consagrar mais recursos ao emprego e aos direitos dos cidadãos. No quadro da sua política externa e de segurança. os Onze países (a que a Grécia se viria a juntar em 2001) adoptam o euro unicamente para as suas transacções comerciais e financeiras. Mais de 80 mil milhões de moedas e de notas são colocadas em circulação. Letónia. A partir do ano 2000 é declarada uma época de expansão. segurança e justiça para todos os cidadãos. de todas as nacionalidades. Eslováquia. os dirigentes europeus decidem dar início a negociações de adesão com 10 países da Europa Central e Oriental: Bulgária. e uma face com um símbolo nacional. Em Maio de 2004 os Oito países da Europa Central e Oriental (Estónia. em Março de 2003. Espanha. Lituânia. As moedas e as notas serão introduzidas mais tarde. Lituânia. Inclui disposições destinadas a reformar as instituições europeias.

apenas obrigatório na Irlanda (devido à sua constituição) . a Bulgária e a Roménia. A UE constitui um exemplo na luta contra as alterações climáticas. O Tratado de Lisboa (também denominado Tratado Reformador) é o acordo ratificado pelos 27 Estados-membros da União Europeia. Em Janeiro de 2007. O Tratado. São inúmeras as escolas e as famílias que dispõem de um acesso rápido à Internet. um tratado internacional que visa limitar o aquecimento global e reduzir as emissões de gases com efeitos de estufa. O primeiro-ministro dinamarquês Anders MESTRADO EM GESTÃO DE EMPRESAS – POLITICA ECONÓMICA PÁG. a 19 de Outubro de 2007. Para se manterem em contacto constante.optando pela sua ratificação pelos respectivos parlamentos nacionais. elevando o número de Estados-Membros para 27. aderirão à União Europeia. pondo termo à divisão da Europa decidida em Yalta 60 anos antes pelas grandes potências. Chipre e Malta aderem igualmente. os 25 Estados-Membros assinam um Tratado que estabelece uma Constituição para a Europa com visa a simplificar o processo de decisão democrática e o funcionamento de uma Europa com 25 membros e mais. Entrada em vigor. e que substitui a Constituição europeia de 2004. houve apelos para se realizar um referendo ao Tratado. mas uma comissão neutra decidiu em contrário. Aparelhos de DVD e de televisão com grandes ecrãs planos asseguram as distracções em casa. A maioria dos estados irá provavelmente tentar evitar um referendo ao Tratado . Os Estados Unidos não ratificaram o Protocolo. 11 . A Croácia. Em Outubro de 2004. mais dois países da Europa oriental.POLITICA MONETÁRIA NA UNIÃO EUROPEIA à União Europeia. a Antiga República Jugoslava da Macedónia e a Turquia também são países candidatos à adesão. A revolução no domínio das comunicações prossegue. os jovens trocam mensagens de texto ou SMS. entrando em vigor em 1 de Janeiro de 2009 antes das próximas eleições europeias. assinado em Lisboa. O tratado confere à União Europeia personalidade jurídica própria para assinar acordos internacionais de nível comunitário. só poderá entrar em vigor se for ratificado pelos 25 Estados-Membros. Na Dinamarca. do Protocolo de Quioto. O Tratado de Lisboa foi assinado em 13 de Dezembro de 2007 e deverá ser ratificado em todos os Estados-Membros até ao final de 2008. em Fevereiro de 2005. que prevê também a criação do cargo de ministro europeu dos Negócios Estrangeiros. nomeia o Alto Representante para a Política Exterior e de Segurança Comum da União Europeia e estabelece a aplicação formal da dupla maioria a partir de 2014.

à excepção do Bloco de Esquerda. O presidente da Comissão Europeia. A República da Irlanda. todos os partidos. o Tratado é ratificado por Portugal no Parlamento. no entanto. West Yorkshire. vai realizar um referendo local sobre o tema no âmbito da Lei do Governo Local. cai com a competência do Parlamento escocês. o primeiro-ministro José Sócrates comprometeu-se a realizar um referendo sobre a Constituição Europeia e enfrenta chamadas para realizar um referendo sobre o Tratado. Em 23 de Abril de 2008. o que foi confirmado deputados no mesmo dia. para continuarem com o seu processo de MESTRADO EM GESTÃO DE EMPRESAS – POLITICA ECONÓMICA PÁG. Nos Países Baixos e Reino Unido. o Governo escocês tem sugerido que pode realizar um referendo consultivo sobre o tratado. bem como. temendo um knock-on. 12 . A Assembleia Nacional da Hungria (Országgyűlés) ratificou o Tratado em 17 de Dezembro de 2007. não é claro se tal referendo destina-se a ter qualquer efeito jurídico. 325 do total de 386 deputados votaram sim na ratificação do Tratado. pediu aos restantes Estados-membros que ainda não ratificaram. em 9 de Janeiro de 2008 para o Parlamento nacional que o tratado seria ratificado sem um referendo. tinha afirmado que iria anunciar a sua decisão formal após a assinatura do tratado. que será financiada pela Wakefield de base parlamentar do candidato conservador Alex Story. estão hesitantes em fazê-lo. como a política externa. em 12 de Novembro de 2007 que não iria apresentar o tratado a referendo. Na Escócia. causando outros estados para realizar um referendo. para ratificar o tratado através da via parlamentar. o Partido Comunista da Boémia e Morávia. como anti-referendo dos partidos com maioria. 5 votaram contra. realizou o seu referendo em 12 de Junho de 2008. em 13 de Dezembro de 2007. Países Baixos e Reino Unido considerou-se sobre a realização de referendo. Sócrates. o parlamento poderia forçar um referendo contra a decisão do Governo. Em todos os casos. gerando assim uma crise institucional e um possível fim ao Tratado. A República Checa vota em 30 de Outubro de 2007. Na República Checa. Ele afirmou. A Hungria foi o primeiro Estado-membro da UE que ratificou o Tratado de Lisboa. e não através de um referendo. no entanto. evitando ao mesmo tempo que faz uma declaração clara sobre a questão em 2007. A pequena vila de Crigglestone. decidiram votar a favor de um referendo Em Portugal. Durão Barroso.POLITICA MONETÁRIA NA UNIÃO EUROPEIA Fogh Rasmussen anunciou. e três deputados rebeldes do Partido Democrata Cívico. esta é considerada improvável. que deu maioria absoluta ao "não". no entanto. os governos decidiram a ratificar o tratado através do parlamento.

com excepção da República Checa. para discutir uma solução para o Tratado de Lisboa. completando assim todos os processos nacionais de ratificação.POLITICA MONETÁRIA NA UNIÃO EUROPEIA ratificação. que é dia 1 de Dezembro de 2009. e decidiu-se adiar a discussão para Outubro de 2008. O Conselho Europeu reuniu-se no dia 19 de Junho de 2008. foi aprovada a emenda à Constituição da Irlanda que permitiu ao país ratificar o Tratado de Lisboa. O Presidente da República Checa foi o último a ratificar o Tratado. Em novo referendo realizado em 2 de Outubro de 2009. O tratado entrará em vigor no primeiro dia do mês seguinte à deposição do último instrumento de ratificação junto do Governo de Itália. em 3 de Novembro de 2009. MESTRADO EM GESTÃO DE EMPRESAS – POLITICA ECONÓMICA PÁG. que é o último passo necessário para que o Tratado de Lisboa entre em vigor. O Presidente da Comissão Europeia ouviu o primeiro-ministro irlandês. A deposição dos instrumentos de ratificação junto do Governo de Itália. 13 . foi feito por todos os membros.

as Operações de Mercado Aberto (open Market). Politica Monetária A Política Monetária. Reservas ou disponibilidades mínimas obrigatórias é um instrumento que se materializa por imposição dos bancos centrais. a Estabilidade das taxas de juros. Estes instrumentos actuam sobre a base monetária influenciando desta forma a liquidez bancária através do efeito quantidade e de um efeito de preço. 14 . a função de refinanciador de última instancia que se traduz na disponibilização pelos bancos centrais. a Estabilidade dos mercado financeiros e a Estabilidade do mercado de Câmbios. Tendo em conta os objectivos acima referidos torna-se relevante a descrição dos instrumentos da Política Monetária. de forma a compreender como concretizar os objectivos. a Politica de desconto ou de refinanciamento (discont Window) e as Reservas ou disponibilidades mínimas obrigatórias (reservas legais de caixa). nomeadamente pela gestão da Base Monetária e da taxa de reservas bancárias obrigatórias. esta é efectuada através da gestão da oferta de moeda. Os objectivos da Politica Monetária são o elevado nível de emprego. A Politica de desconto ou de refinanciamento é um instrumento que reflecte uma das funções tradicionais do banco central. surge como um dos principais instrumentos de Política Macroeconómica que as autoridades económicas têm à sua disposição para procurar atingir os objectivos económicos.POLITICA MONETÁRIA NA UNIÃO EUROPEIA 3. Os instrumentos da Politica Monetária são. o Crescimento económico sustentado. ``E o mais utilizado actualmente. As Operações de Mercado Aberto são instrumento que se materializa na utilização de mecanismos do mercado monetário. as IFM (instituições financeiras dos MESTRADO EM GESTÃO DE EMPRESAS – POLITICA ECONÓMICA PÁG. Em Portugal a Política Monetária é conduzida pelos Bancos Centrais. Com a utilização deste instrumento o banco central realiza operações de cedência ou de absorção de liquidez. a Estabilidade de preços. pela maioria das autoridades monetárias dos países com mercados financeiros liberalizados. Desta forma é impreterível referir os objectivos e os respectivos instrumentos da Política Monetária. de forma a evitar excessos.

A sua sede está localizada na cidade Alemã de Frankfurt. dirige as operações de câmbio e garante o bom funcionamento dos sistemas de pagamentos. e os seus objectivos são: MESTRADO EM GESTÃO DE EMPRESAS – POLITICA ECONÓMICA PÁG. Luxemburgo. O Eurosistema só inclui o BCE e os países membros da Zona Euro. França. estabelecer e aplicar a política monetária da comunidade. Itália. Na transmissão de política monetária o Sistema Europeu de Bancos Centrais Europeu tem uma função deliberativa. compete-lhe gerir a moeda única da EU (euro).POLITICA MONETÁRIA NA UNIÃO EUROPEIA mercado) estão sujeitas a constituição de disponibilidades ou reservas mínimas obrigatórias. O BCE é a instituição central da política monetária da União Económica Monetária (UEM). conduzir operações cambiais. O Sistema Europeu de Bancos Centrais (SEBC) consiste do Banco Central Europeu (BCE) e dos bancos centrais de todos os países membros da União Europeia. O SEBC baseia-se nos estatutos do Banco Central. Áustria e Finlândia. Estabelece e aplica a política monetária europeia. As funções do SEBC são. assegurando assim a estabilidade de preços na respectiva zona. Bélgica. no dia 1 de Janeiro 1999. promover o bom funcionamento dos sistemas de pagamentos e aconselhar as autoridades nacionais nos domínios da supervisão das instituições de crédito O Sistema Europeu de Bancos Centrais é diferente do Eurosistema. 15 . e o centro do Sistema Europeu de Bancos Centrais (SEBC). assumindo a forma de depósitos á ordem no banco central. Alemanha. Este sistema foi implementado como parte da terceira fase da União Monetária Europeia. Banco Central Europeu (BCE) é o banco central responsável pela moeda única da Zona Euro e a sua principal missão é preservar o poder de compra do euro. bem como garantir a estabilidade dos preços. Irlanda. Países Baixos. O BCE foi fundado em 1 de Junho de 1998 com a adesão dos onze estados membros que tinham cumprido as condições necessárias para adoptarem a moeda única em 1 de Janeiro de 1999: Portugal. gerir os recursos de terceiros oficiais dos países membros. nos estatutos do Sistema Europeu de Bancos Centrais e nos tratados fundadores da Comunidade Europeia. Espanha. E igualmente responsável pela definição e execução da politica monetária da área do euro.

Garantir o bom funcionamento do sistema de pagamentos através do sistema de pagamentos TARGET). Estabelecer a quantidade de moedas de euro que os países membros devem cunhar para assegurar o fornecimento. nomeados de comum acordo pelo Conselho Europeu. Este órgão encarrega-se adoptar as grandes orientações e de formular a política monetária única. preparar as reuniões do Conselho do Governo. quando assim seja estabelecido pelo Conselho do governo. O organigrama do BCE é formado pelo Comité Executivo que é composto pelo Presidente. MESTRADO EM GESTÃO DE EMPRESAS – POLITICA ECONÓMICA PÁG. adoptar as orientações e decisões necessárias para garantir o cumprimento das funções atribuídas SEBC. Colaborar com as autoridades de cada país nas funções de supervisão bancária. estabelecer as orientações necessárias para o seu cumprimento. incluindo as decisões referentes aos objectivos monetários intermédios. Administrar as reservas de divisas que os países membros nele depositam. exercer funções consultivas e adoptar decisões em matéria de cooperação internacional. 16 . salvo em certos casos estabelecidos nos Estatutos. As suas votações necessitam do voto de dois terços dos seus membros. Tem como funções. Tem como funções. O BCE contará. O seu mandato será de 8 anos e não é renovável e a sede encontra-se em Frankfurt. de forma provisória. aplicar a política monetária em conformidade com as orientações e decisões adoptadas pelo Conselho do Governo. tomando-se as decisões por maioria simples.POLITICA MONETÁRIA • • • • • • NA UNIÃO EUROPEIA Manter a estabilidade de preços na UEM sendo totalmente independente do resto das instituições europeias e dos diferentes governos nacionais. é também formado pelo Conselho de Governo que é formado pelos membros do Comité executivo e pelos governadores dos bancos centrais dos países membros. com base na recomendação do Conselho e prévia consulta ao Parlamento e ao Conselho do Governo. entre responsáveis de comprovada experiência pessoal em assuntos monetários ou bancários e de reconhecido prestígio. pelo Vice-presidente e quatro vogais. Emitir as notas de euro. transmitindo instruções necessárias aos bancos centrais nacionais e exercer delegação de determinados poderes. formular a política monetária da União. as taxas de juros a gestão de reservas no SEBC. adoptar o Regulamento interno.

o Vice-presidente e os governadores de todos os bancos centrais da EU. O TUE concede ao BCE poder para aplicar regulamentos. MESTRADO EM GESTÃO DE EMPRESAS – POLITICA ECONÓMICA PÁG. recomendações e directivas. 17 . É de salientar que a actuação dos bancos centrais nacionais deve ajustar-se às orientações e instruções do BCE.POLITICA MONETÁRIA NA UNIÃO EUROPEIA com um Conselho Geral em que participam o Presidente. incluindo os dos países que não fazem parte desta. Podem também participar nas reuniões deste Conselho os restantes membros do Comité Executivo ainda que sem direito de voto. e também legitimidade activa para empreender acções perante o Tribunal de Justiça.

o Tratado sobre a UEM que consagra as três etapas do plano Delors. é apresentado o relatório Werner que avança propostas para atingir esse objectivo. sucedendo ao acordo do Smithsonian Institute que fixa margens de flutuação de aproximadamente 2. nas novas estruturas e transferência de responsabilidades.unidade de conta cujo valor era obtido de uma média ponderada das moedas que integravam o SME. Em 1991 é assinado. As suas principais características eram a existência de taxas de câmbio fixas mas ajustáveis e o ECU . Em 1989. os Chefes de Estado Europeus reunidos em Haia decidem estudar o modo de realizar a união económica e monetária. MESTRADO EM GESTÃO DE EMPRESAS – POLITICA ECONÓMICA PÁG. dando origem ao gráfico de evolução que ficou conhecido como serpente dentro do túnel. Como consequência. no Conselho Europeu de Madrid. em Maastricht. 18 . Em 1972. os seis países que constituem a CEE estabelecem o limite de 2. que consiste na coordenação e liberalização financeira.25% centradas no valor do dólar americano (o túnel).POLITICA MONETÁRIA NA UNIÃO EUROPEIA 4. Durante a década de 1970 a disciplina cambial foi-se reduzindo e em 1978 os países que integravam a CEE decidiram criar o Sistema Monetário Europeu (SME) que vigorou a partir de Março de 1979. é adoptado o relatório Delors que propõe um plano de três etapas para a União Económica e Monetária (UEM). O Sistema Europeu de Bancos Centrais Em 1969. no ano seguinte.25% no afastamento entre a mais forte e a mais fraca das suas moedas (a serpente monetária).

no ano seguinte. é apresentado o relatório Werner que avança propostas para atingir esse objectivo. no Conselho Europeu de Madrid. Tal como no Sistema Europeu dos Bancos Centrais. MESTRADO EM GESTÃO DE EMPRESAS – POLITICA ECONÓMICA PÁG. As suas principais características eram a existência de taxas de câmbio fixas mas ajustáveis e o ECU . ocorreu a fixação das margens de flutuação. 19 . Durante a década de 1970 a disciplina cambial foi-se reduzindo e em 1978 os países que integravam a CEE decidiram criar o Sistema Monetário Europeu (SME) que vigorou a partir de Março de 1979. Breve história da integração monetária europeia Em 1969 os Chefes de Estado Europeus reunidos em Haia decidem estudar o modo de realizar a união económica e monetária. é adoptado o relatório Delors que propõe um plano de três etapas para a União Económica e Monetária (UEM). centrando-se nas no valor do Dólar Americano.unidade de conta cujo valor era obtido de uma média ponderada das moedas que integravam o SME. Em 1989.POLITICA MONETÁRIA NA UNIÃO EUROPEIA 5. em 1972. Como consequência.

o que levou à saída do Reino Unido do Sistema. dando origem ao Euro. que já não funciona com base no ECU (cabaz das moedas dos participantes) mas no Euro. Em Maio de 1998 um conjunto de países. Os pontos essenciais do acordo eram: O ECU (European Currency Unit . nomeadamente tendo em conta o esforço de reunificação da Alemanha.25% relativamente a cada uma das outras (cesta de moedas europeias).Unidade de Conta Europeia) era um cabaz de moedas.POLITICA MONETÁRIA NA UNIÃO EUROPEIA 6. Daqui resultou o chamado compromisso de Bruxelas. 20 . A 1 de Janeiro de 1999 foi lançado o SME 2. Um Mecanismo de Taxas de Câmbio (MTC). acordou em fixar permanentemente as respectivas taxas de câmbio. Surgiam ajustamentos periódicos que permitiam a subida das taxas de câmbio das moedas mais fortes e a descidas das mais fracas. Este acaba por ser o caminho de entrada para os pretendentes à utilização do Euro. que alargou a banda de flutuação para 15%. que se tornou assim a referência em torno da qual a flutuação máxima da taxa de câmbio não pode exceder os 15%. em que todas estavam ligadas para que nenhuma taxa de câmbio bilateral pudesse variar mais de 2. incluindo Portugal. O Fundo Europeu de Cooperação Monetária criado em Outubro de 1972. mas após 1986 passou-se a utilizar alterações às taxas de juro internas para manter as taxas de câmbio dentro da banda de flutuação autorizada. o SME estava pressionado pelas condições e políticas económicas muito diferentes nos seus países membros. No início dos anos 90. MESTRADO EM GESTÃO DE EMPRESAS – POLITICA ECONÓMICA PÁG. Sistema Monetário Europeu O Sistema Monetário Europeu (SME) resultou de um acordo estabelecido em Março de 1979 através do qual a maior parte dos países da então Comunidade Económica Europeia acordaram ligar as suas moedas de forma a evitar grandes flutuações de taxa de câmbio entre elas.

No momento da adesão ao MTC. o que já acontecia com o "shadowing". Com esta actuação. Em Outubro de 1990 começa-se a preparar a adesão ao MTC através da fixação pelo Banco de Portugal (BP) de um objectivo unilateral de manter o câmbio do escudo dentro de uma banda estreita face a um cabaz dos 5 principais componentes do SME (Marco 35. Para os agentes é um período de adaptação a uma realidade de competição sem protecção cambial. 21 . Em 1990 Miguel Beleza (Ministro das Finanças) defende que a adesão ao MTC é uma opção fundamental da política económica. procurando-se assim manter a competitividade da oferta nacional. Hernâni Lopes olha para o SME como uma etapa no caminho para a UEM. Portugal (o escudo) entra no MTC. Na mesma altura. eliminando a sustentação da competitividade via desvalorização da taxa de câmbio. viável e credível. A questão seria quando entrar e quando anunciar a entrada. o BP acaba com a acomodação dos diferenciais de inflação face ao exterior.POLITICA MONETÁRIA NA UNIÃO EUROPEIA 7.535. A resposta era entrar assim que fosse tecnicamente possível. Peseta 19.327. na banda dos +-6%. num cenário em que a liberalização da circulação de capitais era crescente. que cedo se torna a moeda mais forte (mais próxima da banda superior de flutuação) do MTC. É uma fase de preparação do BP para o MTC e de avaliação da capacidade de controlar o câmbio do escudo. Libra 14. de 3% ao ano. Em Abril de 1992. O elevado diferencial de taxas de juro relativamente ao resto da Europa. leva ao afluxo maciço de capitais estrangeiros e à apreciação do escudo.735 escudos por ECU (86.2% e a homóloga em 8% (dados de Fevereiro). MESTRADO EM GESTÃO DE EMPRESAS – POLITICA ECONÓMICA PÁG.825 e a Lira 10.939 por Marco). a inflação média anual estava em 10.562. Franco 19. O pendor político da decisão pode também passar pelo facto de Portugal estar neste semestre na Presidência da Comunidade. com uma paridade central de 178. A experiência de Portugal no SME entre 1987 e 1990 O diferencial de inflação entre Portugal e os seus parceiros comerciais é acomodado por uma política de desvalorização constante do escudo.735). A entrada é considerada por alguns como uma decisão eminentemente política de consagração da estabilidade nominal do escudo face às restantes moedas do SME.

Nesse ano o relatório do Banco de Portugal indica que o objectivo da política monetária e cambial durante o ano foi a estabilização nominal da economia. ao investimento e à eficiência dos mercados.POLITICA MONETÁRIA NA UNIÃO EUROPEIA Para Cavaco Silva a decisão de entrada visa credibilizar os objectivos de combate à inflação. sustentando taxas de juro elevadas como forma de evitar tensões inflacionistas. retiraram credibilidade ao processo de integração e alimentaram movimentos especulativos de ataque às moedas mais fracas do SME. implicando a alteração da política cambial no sentido da estabilidade de preços e da disciplina orçamental. ficando a política de taxas de juro inteiramente afecta a estes objectivos. sendo as pressões inflacionistas difíceis de suster. marcado para 20 de Setembro. O combate às pressões inflacionistas passou a ficar inteiramente a cargo de políticas orçamentais. Seguiu-se a liberalização integral dos movimentos de capitais com o exterior. regista a perda do instrumento taxa de câmbio como sustentador da competitividade — perde-se a autonomia da política monetária. como as dificuldades de ratificação do Tratado de Maastricht. a Alemanha encontrava-se em pleno processo de reunificação. assegurada por restrições à liberdade de capitais. A situação no mercado de trabalho é definida como de quase pleno emprego. as restantes economias lutavam para sair da recessão. agudizam as tensões. A autonomia da política monetária ficou delimitada pela margem de flutuação do escudo no MTC. marcadas pelo "não" dinamarquês. sem alterações no escudo. Até Agosto existe ainda alguma autonomia da política monetária interna. A incerteza quanto ao referendo francês. no que é acompanhada pela libra. pretendendo taxas de juro baixas para estimular o crescimento. Criou-se uma situação de inconsistência entre objectivos de estabilização cambial e crescimento interno e a grelha de paridades perdeu credibilidade. Do lado dos efeitos negativos. 22 . mas forçam-se a acompanhar a Alemanha. que era já relativa dada a política de não acomodação face à evolução de um conjunto de moedas europeias ficou formalizada com a adesão ao MTC do SME. A adesão ao MTC traz efeitos positivos às transacções. A perda da autonomia da política cambial. A peseta desvaloriza 5%. Em Setembro de 1992. A 14 de Setembro a libra tinha desvalorizado 7% e em 16 de Setembro abandona o MTC. MESTRADO EM GESTÃO DE EMPRESAS – POLITICA ECONÓMICA PÁG. A instabilidade do SME em1992 deve-se a motivos essenciais. entramos num período de fortes pressões no SME.

Passa-se de uma sistema de câmbios quase fixos a um sistema de câmbios potencialmente flutuantes. O BoP alega uma que os mercados ainda fazem uma forte associação entre peseta e escudo e que a evolução negativa da peseta. não defendendo a peseta. A Espanha. Perante um clima de recessão generalizado. A apreciação do Banco de Portugal quanto ao período de crise levanta a questão da falta de coordenação das políticas monetárias nacionais num ambiente de perfeita liberdade de circulação de MESTRADO EM GESTÃO DE EMPRESAS – POLITICA ECONÓMICA PÁG. Esta nova crise resulta do abandono da ligação da coroa sueca ao ECU. motivada pela má performance económica interna. a braços com taxas de desemprego elevadas e pretendendo ganhar competitividade nas exportações. A 18 de Maio o segundo referendo dinamarquês dá o Sim a Maastricht. a desvalorização tratou-se de uma questão de prudência. reconhece-se que a capacidade de defesa das moedas face a ataques especulativos é reduzida. A 2 de Agosto de 1993 as bandas de flutuação passam para aproximadamente15%. coroa dinamarquesa. não acompanha a subida dos juros. alargando-se as margens de flutuação. Os raids seguintes dos especuladores são à libra e à lira. uma vez que a situação interna (recessão. A 13 de Maio de 1993 ocorre uma desvalorização de 8% da peseta. pressões inflacionistas) não permitiria defender a moeda de ataques especulativos. A evolução da peseta aumenta a competitividade das exportações espanholas e afecta directamente os produtores portugueses. franco belga.POLITICA MONETÁRIA NA UNIÃO EUROPEIA A 8 de Setembro os especuladores atacam a markka finlandesa e conseguem romper a ligação desta ao ECU. Todo o período seguinte fica marcado pelo dilema do escudo em acompanhar a evolução nominal do marco sem perder competitividade face à peseta (Alemanha e Espanha são os principais parceiros comerciais). Segundo Cavaco Silva. mas que será injustificadamente dura para a maioria dos restantes participantes no sistema. em resultado de pressões sobre franco francês. O boletim trimestral do Banco de Portugal reconhece que a política monetária alemã é adequada à situação interna do país (inflação).5%. Em 21 de Novembro de 1992 a peseta e o escudo desvalorizam 6%. Por seu lado. 23 . seguindo-se a ratificação pelo Reino Unido. com o escudo a desvalorizar 6. peseta e escudo. acaba por estender ao escudo a tendência de depreciação da peseta. escudo e peseta passam para a parte inferior da banda de flutuação. Em consequência do realinhamento. a Alemanha não se mostra disposta a aumentar a oferta de marcos.

” A 6 de Março de 1995 a peseta desvaloriza 7%. Irlanda. • O ECU podia ser um cabaz de referência. Favorece a estabilidade dos fluxos comerciais externos. vendendo dólares e comprando marcos. mas a sua utilização é muito restrita. como a portuguesa. acompanhar a apreciação do escudo seria artificial. A peseta apresentava uma evolução menos credível que o próprio escudo. PÁG. Portugal. enquanto reserva de valor internacional. Preserva o poder de compra dos consumidores e o valor patrimonial dos activos internos. Este novo período de instabilidade inicia-se com a crise de pagamentos do México e com a consequente recomposição de carteiras dos agentes internacionais. está sujeito a choques externos frequentes. torna-se crucial a preservação da estabilidade cambial na medida em que: 1. forçando a desvalorização destas. Conclui-se pela incapacidade dos bancos centrais em defenderem a moeda consistentemente com base apenas nas reservas de divisas (Itália.POLITICA MONETÁRIA NA UNIÃO EUROPEIA capitais. 3. estimulando o investimento produtivo. e descredibilizaria a política de estabilidade cambial seguida. 24 • MESTRADO EM GESTÃO DE EMPRESAS – POLITICA ECONÓMICA . Dinamarca e Bélgica tentaram-no). 4. Espanha. Coloca-se nesta altura a questão de qual deve ser o referencial relativamente ao qual se deve estabelecer o objectivo de estabilidade do escudo: • O marco. Facilita as estratégias e as políticas de médio prazo das empresas. Reino Unido. Contribui para o reforço do processo de desinflação e do custo de financiamento das empresas. 2. porque não baseado num ganho de competitividade interno. Neste caso. No âmbito do MTC a consequência foi a valorização das moedas mais próximas do marco face às restantes. mas 30% das moedas que o compunham não fazia parte do MTC. As taxas de juro são o instrumento mais eficaz. o que explica as tensões do sistema como resultantes do impacto da reunificação alemã. Daqui resultou a valorização do marco face ao dólar. com o escudo a desvalorizar 3.5%. pelo que seria uma má referência. Em Dezembro de 93 Eduardo Catroga toma posse como Ministro das Finanças: “numa pequena economia aberta ao exterior.

pelo que mais tarde teria de existir uma inflexão no seu comportamento. franco e peseta. para o que seria a paridade real entre as duas moedas. Este choque levanta novamente a questão da ligação entre o escudo e a peseta. Segundo Catroga. MESTRADO EM GESTÃO DE EMPRESAS – POLITICA ECONÓMICA PÁG. observa-se que o comportamento do escudo através das crises tem sido positivo. tendo a relação entre as duas moedas vindo a atenuar-se. a evolução escudo/peseta ao longo dos ajustamentos do MTC representa uma percepção diferenciada dos mercados relativamente às duas moedas. ou um cabaz composto por marco. Face à necessidade de manter a tendência decrescente de inflação e taxa de juro.POLITICA MONETÁRIA • NA UNIÃO EUROPEIA Utilizando o franco francês. o escudo desvaloriza apenas parcialmente face à peseta. 25 . O então Ministro das Finanças Eduardo Catroga defende que os mercados acreditam que a peseta se encontrava subavaliada.

em 1992. Isto faz do euro a segunda maior moeda no mundo (sendo o dólar americano a maior). o Tratado da União Europeia. O Euro foi introduzido como moeda legal e as 11 moedas nacionais dos Estados. criaram e MESTRADO EM GESTÃO DE EMPRESAS – POLITICA ECONÓMICA PÁG. O êxito do Euro é considerado fundamental para a realização de uma Europa onde pessoas. que viria a culminar com a introdução do Euro. O Tratado de Roma (1957) estabeleceu o mercado comum europeu como um objectivo cuja finalidade seria assegurar o progresso económico e contribuir para uma união mais estreita entre os países aderentes à Comunidade Europeia. introduziram a União Económica e Monetária (UEM) e lançaram as bases para a moeda única. em 1986 e. há anos que estava a ser preparada. serviços. A Terceira fase da UEM teve início no dia 1 de Janeiro de 1999. Apesar de só em 1998 ter ocorrido a introdução do Euro. 26 . quando as taxas de câmbio das moedas participantes foram fixadas irrevogavelmente. A nova moeda única tem origem após a realização de vários Tratados. O Euro Em Maio de 1998 Portugal faz parte do primeiro grupo de países a fixar definitivamente as taxas de câmbio bilaterais entre as respectivas moedas. constituído pelos Chefes de Estado ou de Governo de cada um dos Estados-membros da União Europeia (UE). Os países participantes na área do Euro passaram a pôr em prática uma política monetária única. Todos os Tratados foram concebidos pelos membros do Conselho Europeu. capitais e bens possam circular livremente. a Grécia aderiu à UEM e. assim. em conjunto. passaram a ser 12 os Estados – Membros a introduzir as novas notas e moedas de Euros. No dia 1 de Janeiro de 2002. Mais tarde. A União Europeia estava em vias da fazer a maior transição monetária que o mundo jamais testemunhou. Os governos eleitos dos Estados – membros. partindo do mesmo objectivo. O Acto Único Europeu. em 1 de Janeiro de 2001. e foram posteriormente autenticados por cada país de acordo com os respectivos processos legislativos nacionais. o euro tornou-se a moeda única de 12 nações membros da União Europeia.POLITICA MONETÁRIA NA UNIÃO EUROPEIA 8.

na Alemanha. O Banco Central Europeu (BCE) foi criado no dia 1 de Junho de 1998. O que tivemos foi o maior evento monetário da história mundial. oceanos e culturas. MESTRADO EM GESTÃO DE EMPRESAS – POLITICA ECONÓMICA PÁG. Doze moedas nacionais desapareceram e foram substituídas pelo euro. 27 . Riquezas podem ser facilmente armazenadas ou transportadas como moeda. e tem como objectivos a manutenção da estabilidade e a condução de uma política monetária única em toda a área do Euro. Esta tarefa é concretizada com a colaboração dos bancos centrais nacionais. formam o Eurosistema. Tem sede em Frankfurt. O BCE. o Conselho Europeu adoptou a designação “ Euro”. Em Dezembro de 1995. Moedas nacionais são essencialmente importantes para a forma como as economias modernas operam. O BCE é responsável pela coordenação de processo de produção e de introdução das notas e moedas de Euros. Elas nos permitem expressar consistentemente o valor de um artigo através de fronteiras. juntamente com os bancos centrais nacionais da área do Euro.POLITICA MONETÁRIA NA UNIÃO EUROPEIA desenvolveram o Euro. em Madrid.

do presente Tratado e nos Estatutos do SEBC. incluindo os estatutos do seu banco central nacional. por cada Estado-Membro. determinado nos termos do n. das margens normais de flutuação previstas no mecanismo de taxas de câmbio do Sistema Monetário Europeu. Os relatórios analisarão igualmente a realização de um elevado grau de convergência sustentada. que será expressa por uma taxa de inflação que esteja próxima da taxa.º 6 do artigo 104º. Esses relatórios devem conter um estudo da compatibilidade da legislação nacional de cada Estado-Membro. • A sustentabilidade das suas finanças públicas. Os quatro principais critérios de convergência estão consignados no nº1 do Artigo 121º do TCE (Tratado da Comunidade Europeia): A Comissão e o IME apresentarão relatórios ao Conselho sobre os progressos alcançados pelos Estados-Membros no cumprimento das suas obrigações relativas à realização da União Económica e Monetária.POLITICA MONETÁRIA NA UNIÃO EUROPEIA Critérios de convergência Os critérios de convergência (também conhecidos como Critérios de Maastricht') são critérios estabelecidos para os estados-membros da União europeia que têm de ser verificados para que estes atinjam a União Económica e Monetária (UEM) e adoptem o euro. 28 . com base na observância. dos três Estados-Membros com melhores resultados em termos de estabilidade dos preços. com o disposto nos artigos 108º. dos seguintes critérios: • A realização de um elevado grau de estabilidade dos preços. no máximo. • A observância. MESTRADO EM GESTÃO DE EMPRESAS – POLITICA ECONÓMICA PÁG. • O carácter duradouro da convergência alcançada pelo Estado-Membro e da sua participação no mecanismo de taxas de câmbio do Sistema Monetário Europeu deve igualmente reflectir-se nos níveis das taxas de juro a longo prazo. que será traduzida pelo facto de ter alcançado uma situação orçamental sem défice excessivo. sem ter procedido a uma desvalorização em relação à moeda de qualquer outro Estado-Membro. durante pelo menos dois anos. e 109º.

ou muito baixa. a menos que um significado alternativo seja expressamente especificado. inflação é a queda do valor de mercado ou poder de compra do dinheiro. que é uma redução na taxa de inflação. ou alternativamente. Em economia. Assim. situações em que o nível geral de preços está caindo em uma taxa decrescente). o nível e a evolução da balança de transacções correntes e a análise da evolução dos custos unitários de trabalho e de outros índices de preços. mas não o suficiente para causar deflação. a palavra inflação é usada como aumento de preços. é uma situação chamada de estabilidade de preços. Isso é equivalente ao aumento no nível geral de preços. antes confeccionados em ouro puro. os resultados da integração dos mercados. culpou a avareza dos mercadores pela alta dos preços. por exemplo. Outra distinção também se faz quando se analisam os efeitos internos e externos da inflação: externamente. Mas de um modo geral. a inflação traduz se mais por uma desvalorização da moeda local frente a outras. a palavra inflação é utilizada para significar um aumento no suprimento de dinheiro e a expansão monetária. Em alguns contextos. MESTRADO EM GESTÃO DE EMPRESAS – POLITICA ECONÓMICA PÁG. que é ou um aumento de preços de um estado deflacionado. em vez de definir inflação pelo aumento de preços. O imperador Diocleciano. Inflação zero. alguns economistas (como os da Escola austríaca) preferem o primeiro significado. ao invés de perceber essa causa. 29 . de igual modo. passaram a ser fabricados com todo tipo de impurezas. em conta o desenvolvimento do ECU. Os relatórios da Comissão Europeia e do IME devem ter. Um exemplo clássico de inflação foi o aumento de preços no Império Romano. Um termo relacionado é desinflação. ainda que os preços não estivessem aumentando naquele período.POLITICA MONETÁRIA NA UNIÃO EUROPEIA Os quatro critérios a que se refere o presente número e os respectivos períodos durante os quais devem ser respeitados vêm desenvolvidos num Protocolo anexo ao presente Tratado. já que a ciência económica ainda não existia. Inflação é o oposto de deflação. e internamente ela se exprime mais no aumento do volume de dinheiro e aumento dos preços. o que é às vezes visto como a causa do aumento de preços. alguns estudiosos da década de 1920 nos EUA referem-se a inflação. uma redução na taxa de deflação (ou seja. A inflação pode ser contrastada com a deflação. causado pela desvalorização dos denários que. promulgando em 301 um edito que punia com a morte qualquer um que praticasse preços acima dos fixados.

que tem subjacente um processo inflacionário gerado pelo aumento dos custos de produção e por causa de uma redução na oferta de factores de produção. que tem a ver com alguma questão especifica de uma determinado mercado. Isto é equipolente ao aumento do nível geral de preços. E por último a Inflação de demanda. os preços sobem por que há aumento geral da demanda sem um acompanhamento no crescimento da oferta. pois. que gera uma redução no crédito. com o custo dos factores de produção mais altos. que consiste no processo inflacionário gerado pelo aumento do consumo com a economia em pleno emprego. como pressão de sindicatos. em vez de definir inflação pelo aumento de preços. A Inflação é o oposto de deflação. ceteris paribus. alguns economistas (como os da Escola austríaca) preferem o primeiro significado. tabelamento de preços acima do MESTRADO EM GESTÃO DE EMPRESAS – POLITICA ECONÓMICA PÁG. a produção reduz e ocorre uma redução na oferta dos bens de consumo aumentando seu preço. é uma situação chamada de estabilidade de preços. o seu preço aumenta. a inflação reprimida. Esse tipo de inflação é causada também pela emissão elevada de moeda e aumento nos níveis de investimento. 30 . e consequente desaceleração económica. Quando ocorre uma redução de produção denomina-se ceteris paribus. elevação da taxa de juros e das restrições de crédito. que consiste num processo inflacionário gerado pelo aumento dos preços sem que o pleno emprego seja atendido. Os processos inflacionários são aqueles que desencadeiam a inflação e podem ser classificados segundo algumas características como a inflação prematura. é uma redução na oferta de moeda. passa a haver muito dinheiro à cata de poucas mercadorias. que implica um processo inflacionário gerado pelo congelamento dos preços por parte do governo. ou muito baixa. Também se utiliza a palavra inflação com o intuito de expressar um aumento no suprimento de dinheiro e a expansão monetária.POLITICA MONETÁRIA NA UNIÃO EUROPEIA Processos que geram inflação Em economia. a inflação de custo. o que é às vezes visto como a causa do aumento de preços. Inflação zero. Uma das formas utilizadas para o controle de uma crise de inflação de demanda. Há ainda aqueles que discutem a chamada inflação (por razão) estrutural. proposta pela CEPAL. o termo inflação significa a queda do valor de mercado ou a queda do poder de compra do dinheiro. Ou seja. Outra alternativa são o aumento de tributos.

julgando-se mais ricas. e também a Ilusão Monetária (interpretação errada da relação de ajuste do salário nominal com o salário real. imóveis). As pessoas. Outro tipo de inflação. causa inflação). imperfeições técnicas no mecanismo de compra e venda.POLITICA MONETÁRIA NA UNIÃO EUROPEIA valor de mercado (caso do salário mínimo). com oferta a pleno emprego. As principais distorções acontecem na Distribuição de Renda (já que assalariados não tem a mesma capacidade de repassar os aumentos de seus custos. o empresariado reduz seus investimentos). podemos citar ainda a Inflação de Expectativas. com base em índices de inflação passados. na Formação de Expectativas (diante da imprevisibilidade da economia. também muito danoso. onde há um círculo vicioso de elevação de preços. consequência de um aumento de preços provocados pelas projecções dos agentes sobre a inflação. como fazem empresários e governos. 31 . taxas e contratos. que gera percepção de maior renda e consequentemente decisões equivocadas. na Balança de Pagamentos (inflação interna maior que a externa causa encarecimento do produto nacional com relação ao importado o que provoca aumento nas importações e redução nas exportações). Distorções A inflação é responsável por diversas distorções na economia. é a Inflação Inercial. no Mercado de Capitais (causa migração de aplicações monetárias para aplicações em bens de raiz (terra. ficando seus orçamentos cada vez mais reduzidos até a chegada do reajuste). MESTRADO EM GESTÃO DE EMPRESAS – POLITICA ECONÓMICA PÁG. demandam mais bens e serviços e. Quase na mesma linha.

que é o "descontrole" ou "descomando". no chamado "economês" (linguagem da do mundo da ciência económica). Muitos valores são bastante inelásticos para baixo. Numa re-acomodação. no que seria uma forma de se fazer algo para socialmente se posicionasse redistribuindo rendas e causando uma desproporcionalidade sem rejeição. estimulando falências. riqueza acumulada. 32 . os esforços para manter uma taxa zero de inflação (nível constante de preços) irão punir outros sectores com queda de preços. o que Keynes. e sim cada um com diferente intensidade econométrica. e particularmente contratos e salários. logo. ou seja sobre o valor ou "renda. fonte desse real. que podem ser bastante destrutiva. a inflação (no sentido clássico). então. ao invés da simples poupança. e tendem a subir. no futuro. deve haver uma desvalorização também do real na economia como um todo. em relação ao volume de demanda para os vários sectores da economia. a inflação representa a incerteza ou sobre valorização de "algo" que na verdade não existe. da economia. composta da e na moeda no e do futuro". Segundo os economistas da Escola austríaca. Por conta disso alguns economistas e executivos vêem essa inflação suave como um mecanismo de "lubrificação" do comércio. Ou seja.POLITICA MONETÁRIA NA UNIÃO EUROPEIA 9. alertado por Keynes. Desta perspectiva. Muitos na comunidade financeira lembram do "risco escondido" da inflação como um incentivo essencial para o investimento. O papel da inflação na economia Um efeito da inflação de pequena escala é que se torna mais difícil renegociar alguns preços. MESTRADO EM GESTÃO DE EMPRESAS – POLITICA ECONÓMICA PÁG. A inflação. lucros e empregos. já que os preços não mudam todos juntos (ceteris paribus). para valores mais baixos então com o aumento geral de preços é mais fácil para que os preços relativos se ajustem. se um real hoje é mais valioso que um real daqui a um ano. conhecida desde então por todos os economistas do "Mundo das Ciências Económicas". é vista como a expressão no mercado do valor temporal do dinheiro ou mais precisamente moeda. Segundo algumas escolas de economia. esforços para manter uma estabilidade completa de preços podem também levar à deflação (queda constante de preços). concordatas e finalmente a recessão. desta perspectiva. provoca efeitos sobre a estrutura de produção da economia. em sua obra que foi editada finalmente em 1936. devido à desvalorização dos meios de produção. concorda.

muitas vezes se suicida. pois a política. que pode levar à hiperinflação ou ao equilíbrio. • • • A crescente incerteza pode desestimular o investimento e a poupança. pois a moeda TEM QUE SER REAL. na fórmula de Keynes(vide obra). dessa forma. A inflação.POLITICA MONETÁRIA NA UNIÃO EUROPEIA No caso de inflação monetária. MESTRADO EM GESTÃO DE EMPRESAS – POLITICA ECONÓMICA PÁG. por exemplo) para aqueles com rendas mais flexíveis. Também devem ser considerados os custos. além destas consequências tem vários outros efeitos crescentemente negativos na economia. desse peso. em um ciclo virtuoso ou vicioso. aumenta ou diminui. 33 . para empresas. que foi surpreendido pela inflação. da mudança continuada de preços (por exemplo. em que a moeda é injectada no mercado de crédito (que é a moeda). às crises económicas. • De modo similar será beneficiado o indivíduo que emprestou dinheiro ou moeda. segundo Keynes. como em 1929. que se transfere progressivamente daqueles com rendas fixas (locatários. o que acaba por se tornar em investimentos ineficientes aos que são criados. A inflação é geralmente resultado de políticas governamentais erradas. Efeitos que se relacionam com o "abatimento" de actividade económica previa. • Comércio exterior: se a taxa de inflação for maior do que a praticada em outros países. para aumentar a disponibilidade de moeda. em si. como vimos acima é dinâmica. e será prejudicado. o "JURO". e o que leva finalmente. sobre o dinheiro em circulação—isso por sua vez promove um aumento da velocidade. o que por sua vez reforça para mais ou para menos o processo inflacionário de Keynes. Redistribuição Haverá redistribuição da renda. uma tarifa fixa de comércio será solapada pelo enfraquecimento da posição do país na balança comercial. • Aumento dos custos relativos a maior velocidade de circulação do dinheiro ou mais precisamente moeda (o exemplo simples é o das pessoas precisarem de ir mais ao banco). a uma taxa fixa. a contribuição do governo para um ambiente inflacionário é vista como uma variação para mais ou para menos na chamada "taxa sobre a moeda em circulação". de circulação do dinheiro. na figura do emprestador. mais precisamente ou econometricamente moeda. como controle ou COMANDO. Com o aumento ou diminuição da inflação. entretanto. da moeda.

o aumento generalizado de preços deveria ocorrer de forma proporcionalmente simétrico para todos os sectores da economia e não é o que é empiricamente comprovado. quanto à inflação e outros não. os bancos centrais costumam definir a estabilidade de preços como um objectivo primordial de suas políticas. como ideal. em quadrantes diferentes de desenvolvimento Económico). . a inflação não é um fenómeno meramente monetário: sua raiz está na questão distributiva. com uma inflação perceptível. tais como Celso Furtado. segundo alguns economistas de formação heterodoxa. usando-se Matemática e o Cálculo da Econometria). entre os grupos sociais de uma economia. levando a economia para novos equilíbrios distributivos entre esses grupos. se a inflação fosse um efeito meramente monetário e neutro em relação ao lado real da economia (o lado da produção de bens e serviços). Isto é.a inflação age como uma redistribuição em sentido dos sectores indexados(O REAL. mas baixa. . Por outro lado..POLITICA MONETÁRIA NA UNIÃO EUROPEIA restaurantes que precisam constantemente refazer seus cardápios. sem afectar a distribuição de renda. que verdadeiramente está crescendo) e afastando-se dos sectores não indexados (os FALSOS. procure entender usando Cálculo Matemático. defendendo a teoria de Keynes. Conforme o argumento de Furtado. Por conta destes efeitos nefastos (em quadrantes diferentes. a inflação de preços é o meio pelo qual os grupos sociais ligados às actividades produtivas dispõem para ampliar a sua apropriação do acréscimo de renda criado no processo de crescimento económico. super valorizados. Numa economia em que alguns sectores são "indexados" ou "REALIZADOS ou CORRIGIDOS. • Hiperinflação: se a inflação ficar totalmente fora de controlo. 34 . MESTRADO EM GESTÃO DE EMPRESAS – POLITICA ECONÓMICA PÁG. prejudicando sua capacidade REAL da oferta de bens. uma vez que a Economia se apresenta INVERTIDA. interfere pesadamente no funcionamento normal da economia.. como Keynes também afirma. ou cestas de aplicação financeira com vistas ao mundo real e não financeiro).

35 . Medição da inflação A medição da inflação é feita através de uma grandeza denominada núcleo da inflação: mede o que os economistas chamam de "coração da inflação". são excluídos do cálculo os preços de itens mais sujeitos a choques de custo. MESTRADO EM GESTÃO DE EMPRESAS – POLITICA ECONÓMICA PÁG. Um outro modelo é o utilizado pelo FED (o banco central americano): aqui.POLITICA MONETÁRIA NA UNIÃO EUROPEIA 10. como alimentos e energia.

mas sim como se comparam as variações do instrumento e a magnitude dos choques exógenos. 3ºo Sistema do banco central Europeu. a função de reacção precisa prescrever coeficientes de reacção menores que os indicadores cuja variação aumenta. Um conjunto de nove características importantes e esclarecedoras foram usadas para identificar. É dessa comparação. que depende a adequada estabilização macroeconómica.7º O papel de Portugal no SME. 4ºBCE e seus objectivos. Para medir adequadamente a eficiência da autoridade monetária não é o quão intensamente o instrumento de política monetária reage aos indicadores endógenos. Considerações finais O objectivo deste trabalho foi realizar um estudo abrangente sobre a Politica Monetária na EU orientado a vários tópicos inerentes ao tema em questão. MESTRADO EM GESTÃO DE EMPRESAS – POLITICA ECONÓMICA PÁG. afinal de contas. O primeiro passo do trabalho foi identificar.9º Inflação. 36 . 2ºObjectivos da Politica Monetária. amplificam-se as oscilações inevitáveis da inflação. Para que o instrumento de política Monetária continue apresentar a mesma variação quando ocorre um dado choque. O objectivo central do trabalho foi avaliar os efeitos de bem-estar da Condução da política monetária numa economia onde o governo enfrenta uma restrição ao financiamento da sua dívida. através de documentos explicativos as características que podem ser consideradas relevantes na Politica Monetária da EU. 8º O euro. À medida que se intensifica a restrição de financiamento. sendo elas: 1ºAbordagem histórica da Eu.5º A integração Monetária da EU:6ºO sistema monetário da EU.POLITICA MONETÁRIA NA UNIÃO EUROPEIA 11. e explicar o conteúdo.

BANCO CENTRAL EUROPEU. 37 .João .Margarida. verbo editora. Editora Campos. Escolar Editora. Lisboa. SCHELLER.2007.wikipedia.POLITICA MONETÁRIA NA UNIÃO EUROPEIA Bibliografia • • Abreu.Lisboa.Etall.Robin. Portugal.Lisboa. Mc graw Hill. ISBN972-8298-83-8 Wells.org MESTRADO EM GESTÃO DE EMPRESAS – POLITICA ECONÓMICA PÁG. Sameuelson.1999.Economia Monetária e Financeira. 2007. Economia. ISBN978-85-352-1108-5 Http://pt.Etall. REVISTA 2006. SEGUNDA EDIÇÃO.2007.ISBN972-592-199-2 HANSPETER K. decima sexta edição.ISBN 978-92-899-0025-6 • • • • Neves.oitava edição. Introdução á economia.ISBN972-221416-7 Nordhaus.