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UNIVERSIDADE DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO FACULDADE DE CIÊNCIAS ECONÔMICAS

RUTHIANY SILVA CAROLINA CORRÊA

SUBISÍDIOS AMBIENTAIS
ISENÇÃO DE ITR PARA ÁREAS PROTEGIDAS

RIO DE JANEIRO

2

2011 UNIVERSIDADE DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO FACULDADE DE CIÊNCIAS ECONÔMICAS

RUTHIANY COSTA DA SILVA 2008.2.04218-11 CAROLINA CORRÊA PEREIRA 2008.2.00298-14

SUBISÍDIOS AMBIENTAIS

Trabalho em grupo apresentado a professora Gabriela Fernandes Sanchez, na disciplina de Tópicos em Economia Ambiental – código FCE 03-06970, para obtenção de nota parcial na média desta disciplina.

RIO DE JANEIRO

no Brasil e em diversas nações. outras regras de cunho social. se estabelecesse um subsídio para as reduções de emissões”. não é equitativo. Assim. não há dúvida de que a teoria econômica que oferece um suporte imediato para a discussão de instrumentos de política ambiental é a microeconomia neoclássica. valores culturais. A isenção do ITR em áreas preservadas tem amparo constitucional. . sem que fosse destruindo a natureza. e não se pode garantir que permaneça benéfico no longo prazo. apenas possui eficácia relativa. Segundo Fields (1997. Enquanto alguns tipos de subsídios podem ser uma forma de incentivo ao combate dos problemas ambientais. Jacobs (1995. P. especificamente seu conceito de externalidades. 258) expõe que “os subsídios são uma forma de incentivo financeiro: barateiam atividades ambientalmente positivas de empresas e consumidores”. outros se tornam promotores de práticas economicamente ineficientes e prejudiciais ao ambiente. se viu obrigado a intervir pelos instrumentos econômicos. não se demonstraram suficientes para que o homem desenvolvesse seu crescimento econômico.288) teríamos “os mesmos efeitos de incentivos se ao invés de se aplicar um imposto. pois precisaria atender aos principais critérios de avaliação política e econômica. Segundo ALMEIDA (1997). p.3 2011 RESUMO As leis. Neste sentido o IE atua na intenção de minimizar os danos causados ao meio. A Constituição Federal de 1988 consagra a proteção ao meio ambiente como um dos fundamentos de ordem econômica. se o subsídio não é um instrumento de política ambiental eficiente. O Estado.

........23 PARETO.BR/>. PP...... .......23 PEARCE............................. – SÃO PAULO: ED.24 SERÔA DA MOTTA..............GOV.......... QUE ALTERA A LEI 9....393 /96..................... 192.......................................... 1994.......................................... 1990.. DO DEPUTADO DOMINGOS DUTRA (PT-MA).” AGENCIA CÂMARA (2011)............................ ....... A...... CAMPINAS........... MANUAL DE ECONOMIA POLÍTICA.. ECONOMÍA AMBIENTAL: UNA INTRODUCCIÓN. .....R.23 BELLIA..............24 PEREIRA........... VILFREDO........... ECONOMICS OF NATURAL RESOURCES AND THE ENVIRONMENT............... EN ESPAÑOL: 1995 (1ª ED...... VÍTOR............. ECONOMÍA VERDE – MEDIO AMBIENTE Y DESARROLLO SOSTENIBLE – BOGOTÁ/COLÔMBIA: EDICIONES UNIANDES....... DANIEL L. R.........23 FIELD...... ECONOMIA DO MEIO AMBIENTE: TEORIA.............4 SUMÁRIO “STJ CONFIRMA ISENÇÃO DE ITR SOBRE RESERVA LEGAL VOLUNTÁRIA... 1999... PAPIRUS / FUND..... PP 61-83 ...... 1997........ 192P...................... .....................CAMPINAS/SP: ED.......–BRASÍLIA................................ STJ CONFIRMA ISENÇÃO DE ITR SOBRE RESERVA LEGAL VOLUNTÁRIA......... A PROPOSTA.......................... DISPONÍVEL EM: <HTTP://WWW.... COLEÇÃO OS ECONOMISTAS........119 PP.................................... UNICAMP................ 494P...........23 ROMEIRO.......... 587P......... NOVA CULTURAL........ KERRY.. 1ª ED....... E MENDES.................. .................................23 JACOBS.. MEIO AMBIENTE: CUSTOS E BENEFÍCIOS.................... UNESP......... AND TURNER. REYDON B......... MICHAEL............ .17 “COMISSÃO APROVA ISENÇÃO DE ITR PARA QUILOMBOLAS.............DIREITOPUBLICO........... ACESSO EM: 20 NOV................COM.P......... LUCIANA T.................................................23 ALMEIDA........... ROBERT S.................17 DIREITO PÚBLICO......... R.................. ................ 968 P. AGRICULTURA APROVA ISENÇÃO DE ITR PARA IMÓVEL EM MUNICÍPIO POBRE.................. A................23 CAIRNCROSS........ INTRODUÇÃO À ECONOMIA DO MEIO AMBIENTE.............. CAP....... FRANCES.CAMARA.................... SP: ED........ AND RUBINFELD................... DAVID W...... DISPONÍVEL EM: <HTTP://WWW2...............24 ....... – BALTIMORE: THE JOHNS HOPKINS UNIVERSITY PRESS...... POLÍTICAS E GESTÃO DE ESPAÇOS REGIONAIS................ 333 P.... A ANÁLISE CUSTO EFETIVIDADE NA GESTÃO ECONÔMICA DO MEIO AMBIENTE.............. 269 P. .... MICROECONOMIA – SÃO PAULO: MAKRON BOOKS.....1991)...... INSTRUMENTOS ECONÔMICOS NA GESTÃO AMBIENTAL: ASPECTOS TEÓRICOS E DE IMPLEMENTAÇÃO................. QUE CONCEDE ISENÇÃO DO IMPOSTO TERRITORIAL RURAL (ITR) AOS IMÓVEIS RURAIS DE PROPRIEDADE DE REMANESCENTES DE QUILOMBOS........ ACESSO EM: 22 NOV........... 2011....... M................S 4 E 5.. E LEONARDI....................... 241-262.............. DE PARTº ECONOMIA UNB/NEPAMA...... 1998..... – SÃO PAULO: NOBEL.......................... 1996.... ROMILSON RODRIGUES............................ DEPUTADO VELOSO (PMDB-BA)...........23 CÂMARA DOS DEPUTADOS....... BARRY C.... 2011............... – SANTA FÉ DE BOGOTÁ/COLÔMBIA: MCGRAW-HILL... ........... DISSERTAÇÃO DE MESTRADO....... POLÍTICA AMBIENTAL – UMA ANÁLISE ECONÔMICA...................... L......... RECEBEU PARECER FAVORÁVEL DO RELATOR............17 A COMISSÃO DE DIREITOS HUMANOS E MINORIAS APROVOU NA QUARTA-FEIRA (16) O PROJETO DE LEI 2853 /08...................................... .....24 PINDYCK.............. ED............ 378 P................................. INGLESA......... ... 1997............................... FRANCISCO E.................. DF........... DE.BR/>.........

o governo isenta de tributos as áreas que tenham como uma das prioridades a preservação ambiental. ocorre com o fim de atenuar a poluição. Ou seja. neste caso o subsídio. de interesse ecológico. . de forma indireta. ou seja. Estimulando a preservação do meio ambiente e até criação de novas áreas preservadas. não apenas as estipuladas pelo governo.5 INTRODUÇÃO A utilização de um instrumento econômico. A isenção de um imposto está englobada entre os diversos tipos de subsídios que o Estado pode oferecer. Em se tratando deste trabalho a isenção do Imposto Territorial Rural (ITR). se faz na tentativa de atenuar uma externalidade.

Dado que as externalidades foram identificadas e o Estado decidiu por internalizá-las. sem que esse custo ou benefício seja contabilizado economicamente. empresas etc. Geralmente. 1994). . como a poluição. se viu obrigado a tentar intervir. consideram-se as externalidades negativas. faz-se necessário então o uso dos Instrumentos Econômicos (IEs) como uma ação estratégica. observando sua relevância ambiental. não se demonstraram suficientes para que o homem. desenvolvesse seu crescimento econômico.1 . direta ou indiretamente. em se tratando de políticas econômicas. por exemplo. Estes tem por finalidade corrigir (na verdade atenuar) as externalidades. sem que fosse explorando predatoriamente e consequentemente destruindo a natureza. o bom senso e outras regras legais ou de cunho social. Externalidade é quando são gerados custos ou benefícios por um indivíduo. Essa interferência se da pelos instrumentos econômicos (Tarqüínio. e sem haver uma expectativa de mudança de comportamento per se da sociedade como um todo em prol de uma maior sustentabilidade em suas atitudes. Diversos autores fazem análises comparativas entre o uso de instrumentos econômicos e os de controle direto. que afeta positiva ou negativamente um outro indivíduo. em diversas nações. E. O Estado. Considerando a triste realidade em que a natureza se encontra hoje. valores culturais.6 I. para garantir sua eficiência econômica deve-se escolher a que gere um menor custo .INSTRUMENTOS ECONÔMICOS As leis. na atitude de pessoas. e seus ecossistemas.

c) Devolução de depósitos reembolsáveis. pp. d) Criação de mercado (licenças negociáveis) I. “por incentivos (instrumentos) econômicos entendesse todo mecanismo de mercado que orienta os agentes econômicos a valorizarem os bens e serviços ambientais de acordo com sua escassez e seu custo de oportunidade social” Os instrumentos econômicos subdividem-se em: a) Taxas e tarifas.7 Serôa da Motta (1996.1 SUBSÍDIOS . os custo administrativos associados aos IE’s podem ser mais elevados. como no caso do C&C. As exigências de monitoramento e outras atividades de fiscalização continuam.09) assim os defende: “Os IE’s são amplamente considerados como sendo uma alternativa economicamente eficiente e ambientalmente eficaz para complementar as estritas abordagens de C&C. os IE’s permitem que o custo social de controle ambiental seja menor e podem ainda fornecer aos cofres do governo local a receita de que tanto necessitam. marxista. observando a OCDE (1998. podendo haver necessidade de esforços adicionais de administração. a fim de fazer face às mudanças institucionais e de projeto que surgem da aplicação dos IE’s” Segundo Almeida (1998. por exemplo) a ideia de IE’s pode sofrer consideráveis alterações. p. b) Subsídios. 47-49) concluiu que dependendo da corrente econômica (neoclássica.1. No entanto. pp. 47-49) que também empreendeu amplos estudos a respeito dos IE’s . Teoricamente ao fornecerem incentivos ao controle da poluição ou de outros danos ambientais.

sendo o custo da proteção do meio ambiente posto sobre a sociedade como um todo. Ele esclarece que a distinção entre esses gastos se dá pela propriedade. De qualquer forma todos os subsídios violam o princípio do poluidor pagador. • Incentivos fiscais: Isenção ou abatimento de impostos. • Subvenção: forma de assistência não retornável aos cofres públicos. 55) a denominação de subsídio nada mais é do que um enunciado genérico pertinente a diferentes formas de assistência financeira. 15). estimulando a preservação de suas porções de terra mais sensíveis. De acordo com os critérios expostos pela OCDE (1989. 258) expõe que “os subsídios são uma forma de incentivo financeiro: barateiam atividades ambientalmente positivas de empresas e consumidores”. ou depreciação acelerada para os praticantes de ações antipoluentes. Jacobs (1995. p. são apresentados os seguintes tipos de subsídios: • Empréstimos subsidiados: com taxas de juros reduzidas (diante das existentes no mercado) para os indivíduos que tomassem medidas “antipoluidoras” ou de diminuição da poluição. cuja intenção seria promover incentivos aos poluidores para que eles deixassem de poluir ou poluíssem menos. feitas a indivíduos poluidores que reduzissem seus níveis de poluição. p. Seria como uma recompensa do governo local aos que reduzissem suas . p. se é privada ou pública.8 Segundo Almeida (1998. Os subsídios podem estimular um uso mais eficiente da terra pelos proprietários.

288) teríamos “os mesmos efeitos de incentivos se ao invés de se aplicar um imposto. Segundo Fields (1997. . O poluidor abre mão de certa produção.9 emissões. reduzindo sua emissão de poluentes. se estabelecesse um subsídio para as reduções de emissões”. mas recebe uma compensação do Estado. P.

em 1º de janeiro de cada ano. §1º. tem como fato gerador a propriedade. legalmente instituído pelo Poder Público. “o espaço territorial e seus recursos ambientais. o domínio útil ou a posse de imóvel por natureza. bem de uso comum do povo e essencial à sadia qualidade de vida. localizado fora da zona urbana do município.O ITR “O Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural . em todas as unidades da Federação. com objetivos de . Todos têm direito ao meio ambiente ecologicamente equilibrado.2. 2011) A criação de um imposto para áreas territoriais rurais baseia-se em políticas de preservação ambiental. espaços territoriais e seus componentes a serem especialmente protegidos. Estas postuladas no art. impondo-se ao Poder Público e à coletividade o dever de defendê-lo e preserválo para as presentes e futuras gerações.ITR.definir.10 I. com características naturais relevantes. III da CF/88: “Art. sendo a alteração e a supressão permitidas somente através de lei.” (PORTAL TRIBUTÁRIO. incumbe ao Poder Público: III . 225. 225.Classificação das unidades de conservação Entende-se por Unidade de Conservação. vedada qualquer utilização que comprometa a integridade dos atributos que justifiquem sua proteção” I.Para assegurar a efetividade desse direito. § 1º . incluindo as águas jurisdicionais.1 .2 . de apuração anual.

dos recursos naturais. dano ou destruição dos recursos naturais. sob regime especial de administração. E então estabelecer políticas justas a fim de atenuar as externalidades. assim como qualquer alteração do ecossistema dentro dessas unidades. a coleta. mas de forma planejada e regulamentada. b) Unidades de Uso Sustentável (uso direto): São aquelas destinadas a utilização racional dos recursos naturais. .I).11 conservação e limites definidos.2º. Estabelecer claramente a diferença entre as classificações territoriais é fundamental para que se possa distinguir qual o fim na utilização ou posse de cada uma destas propriedades. As unidades de conservação foram divididas em: a) Unidades de Proteção Integral (uso indireto): são aquelas onde é expressamente proibido o consumo. comercial ou não. ao qual se aplicam garantias adequadas de proteção” (Art. sendo admitida a coleta e uso.

o imóvel rural compreendido em programa oficial de reforma agrária. de 1965. e que ampliam as restrições de uso previstas no caput deste artigo. São isentas de tributação e do pagamento do Imposto Territorial Rural as áreas dos imóveis rurais consideradas de preservação permanente e de reserva legal. com nova redação dada pela Lei 7.3 . Parágrafo único – A isenção do Imposto Territorial Rural-ITR estende-se às áreas da propriedade rural de interesse ecológico para a proteção dos ecossistemas. próprias para cultivo). parágrafo único “Art. A isenção do ITR se aplica as seguintes áreas/propriedades: I . quando o proprietário as explorar.ISENÇÃO/IMUNIDADE DO ITR Imunidade • O ITR não incide sobre pequenas glebas rurais (pequenas porções de terra.12 I. 104. que.771. assim declarados por ato do órgão competente federal ou estadual. de 1989. e este não possua outro imóvel. art. 104. previstas na Lei nº 4. caracterizado pelas autoridades competentes como assentamento. só ou com sua família. A isenção do ITR A Lei de Política Agrícola. atenda aos seguintes requisitos: a) seja explorado por associação ou cooperativa de produção.171/91. cumulativamente.803.” Para se alcançar a fruição da isenção do ITR é necessário que o imóvel esteva cumprindo com sua função sócio-ambiental. . Lei nº 8.

de preservação permanente (APP) e de reserva florestal legal (RFL).as áreas sob regime de servidão florestal. IV . cumulativamente.de interesse ecológico para a proteção dos ecossistemas. e que ampliem as restrições de uso previstas na lei. III . A Constituição Federal de 1988 consagra a proteção ao meio ambiente como um dos fundamentos de ordem econômica. cuja área total observe os limites fixados no parágrafo único do artigo anterior. o proprietário: a) o explore só ou com sua família. .13 b) a fração ideal por família assentada não ultrapasse os limites estabelecidos. declaradas de interesse ecológico mediante ato do órgão competente.comprovadamente imprestáveis para qualquer exploração agrícola. Neste sentido o IE atua na intenção de minimizar os danos causados ao meio. b) não possua imóvel urbano. federal ou estadual.o conjunto de imóveis rurais de um mesmo proprietário. VI . assim declaradas mediante ato do órgão competente. e sustentar ambientalmente o crescimento econômico do país. c) o assentado não possua outro imóvel. desde que. A isenção do ITR em áreas preservadas tem amparo constitucional. e é um dos principais objetivos do beneficio fiscal em questão. II . aquícola ou florestal. granjeira. admitida ajuda eventual de terceiros. A proteção destas áreas visa a diminuição de emissão de poluentes ao meio ambiente. V . pecuária. federal ou estadual.

PRINCÍPIOS MICROECONÔMICOS Antes de expor como o princípio econômico interfere na criação do instrumento econômico é necessário entender como eles atuam nas externalidades e em sua internalização. P*: preço de mercado e o preço que deveria ser cobrado incluindo o custo gerado pelo produtor a outro(s) indivíduo(s).br/face/eco/inteco/textosnet/1parte/externalidades. Q*: quantidade produzida e a quantidade . a um outro sem que estes sejam contabilizados corretamente. PIGOU (1920).unb. ou benefícios.pdf O gráfico demonstra uma externalidade negativa. Graficamente temos: Fonte: http://vsites. após estudar os conceitos de economia e deseconomia de MARSHALL (1890). fez seu teorema das externalidades.14 I 4 . Sendo PM. QM. Nele Pigou define o que é a externalidade: É quando um indivíduo em sua produção gera custos.

que age via preço (pelo uso ou abuso do meio ambiente) e não via quantidade. (Organização de Cooperação e Desenvolvimento Econômico). adotou o princípio poluidor pagador como base para o estabelecimento de políticas ambientais nos países membros. não há dúvida de que a teoria econômica que oferece um suporte imediato para a discussão de instrumentos de política ambiental é a microeconomia neoclássica. Dessa maneira. Este princípio é a base para o enfoque econômico da política ambiental (BURSZTYN e OLIVEIRA. Os instrumentos econômicos usam o princípio do poluidor pagador. pois são cotas (físicas) que os poluidores podem negociar entre si. especificamente seu conceito de externalidades. seriam excluídas as licenças de emissão negociáveis. a OCDE. Segundo ALMEIDA (1997). A distância entre C e E representa a externalidade negativa em questão. Por esta razão. O gráfico a seguir demonstra a utilização de um IE para minimização de custos sociais: . Uma forma de se referir ao instrumento econômico é tratar-se de um mecanismo atrelado a um componente monetário. E*: Equilíbrio de mercado e equilíbrio após serem internalizadas as externalidades. Usa-se o critério de otimização de Pareto para verificar quais são as situações ótimas de equilíbrio.15 que deveria ser produzida na internalização da externalidade. 1982). EM. define quem irá arcar com os custos gerados pela externalidade. Em 1972. em vários países surgiu a necessidade de complementar o enfoque normativo com o emprego de instrumentos econômicos. Considerando-se a compreensão da externalidade resta encontrar uma forma de internalizá-lo. que através do direito de propriedade.

• Interferência Mínima nas decisões privadas – decisões privadas podem levar ao uso ineficiente de recursos naturais. portando.1 – APLICAÇÃO AO BRASIL E SITUAÇÃO ATUAL . • • • Eficácia econômica – garantir vantagens para ambos os lados Aceitação política Permanência – são igualmente eficientes ao longo do tempo de sua vigência. Para a aplicação de subsídios ser eficiente (em termos econômicos) deve seguir alguns critérios: • Buscar a Eficiência de Pareto em termos de bem-estar da sociedade. II. onde o direito de propriedade está nas mãos do poluidor. ocorre um tipo de subsídio. é a sociedade. quem deve arcar com os custos da diminuição da poluição.16 No caso da isenção do ITR.

. simultaneamente.393 /96. aos seguintes requisitos: . recebeu . que altera a Lei 9.utilização adequada dos recursos naturais disponíveis e preservação do meio ambiente.17 Primeiramente vale introduzir novas áreas e propriedades que foram beneficiadas com a isenção do ITR recentemente: Jurisprudência a respeito de aumento da área preservada voluntariamente: “STJ confirma isenção de ITR sobre reserva legal voluntária A União argumentou que o ITR é um tributo utilizado com fins extrafiscais e se destina justamente a incentivar o uso racional da propriedade imobiliária rural. que concede isenção do Imposto Territorial Rural (ITR) aos imóveis rurais de propriedade de remanescentes de quilombos.observância das disposições que regulam as relações de trabalho. e . O ITR busca evitar a concentração de grandes propriedades improdutivas. A proposta.” OBSERVATÓRIO ECO (2011) Isenção de ITR para quilombolas: “Comissão aprova isenção de ITR para quilombolas A Comissão de Direitos Humanos e Minorias aprovou na quarta-feira (16) o Projeto de Lei 2853 /08. A Constituição estabelece que a função social é cumprida quando a propriedade rural atende.aproveitamento racional e adequado. descumprindo a função social e viabilizando o desenvolvimento econômico e social da comunidade.exploração que favoreça o bem-estar dos proprietários e dos trabalhadores. do deputado Domingos Dutra (PT-MA). .

” AGENCIA CÂMARA (2011) Da possibilidade de fiscalização sobre as áreas isentas: “CONVÊNIOS ENTRE UNIÃO E ENTES FEDERATIVOS A União. sem prejuízo da competência supletiva da Secretaria da Receita Federal. por intermédio da Secretaria da Receita Federal. e de cobrança do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural. inclusive a de lançamento dos créditos tributários. visando a delegar as atribuições de fiscalização. de que trata o inciso VI do art.18 parecer favorável do relator.” PORTAL TRIBUTÁRIO (2011) . 153 da Constituição Federal. poderá celebrar convênios com o Distrito Federal e os Municípios que assim optarem. deputado Veloso (PMDB-BA).

2 – EFEITOS DA ISENÇÃO DO ITR SOBRE O MEIO AMBIENTE Infelizmente. a receita arrecadada com o Imposto Territorial Rural (ITR) foi R$ 536 milhões. certamente o valor que o governo deixa de receber com o subsídio não criaria uma diferença substancial e relevante em termos macroeconômicos. têm-se verificado a não eficiência dos subsídios no âmbito ambiental. segundo dados do Ipea. e ações como silvicultura. nesse aspecto se mostra eficiente. Sendo assim a política de isenção do ITR não tem grande impacto nos cofres públicos e. Logo. e agricultura vem apontando nessa direção. os governos economizariam o dinheiro de seus contribuintes e impediriam o dano ambiental” Estatisticamente. energia. Cairncross (1992) diz: “se retirassem os subsídios não-verdes. sobre a influência nos recursos água. Estes dados nos mostram que a receita obtida com o imposto não pode ser considerada como fundamental nas contas do governo. Estudos da World Resources Institute (WRI). . em 2010. assumindo que o Estado deixa de receber o ITR apenas das áreas que se enquadrem nos critérios legais já mencionados.19 II.07% do total arrecadado. 0. estimula a preservação ambiental. pois ainda que deficiente.

Enquanto o segundo. A isenção do ITR como Instrumento Econômico apresenta falhas por não convergir para alguns princípios: . se aplicado junto a outros IE’s poderiam ser mais eficazes. 259).20 III.1 PRINCIPAIS PROBLEMAS E POSSÍVEIS SOLUÇÕES Em se tratando de subsídio. não atendendo o ótimo de Pareto. verdadeiramente estimulando as empresas a não só manterem sua meta de emissões. esse autor identifica o primeiro tipo como deficiente. existem dois tipos de subsídios: • Os que o governo oferece para que os poluidores reduzam suas emissões. a redução de subsídios governamentais também pode ser um instrumento econômico da política ambiental. Assim sendo. como forma de corrigir casos específicos de má utilização da política ambiental. logo não se aproximando suficientemente da eficiência de mercado. Para Jacobs (1995. • E os oferecidos a empresas que reduzam suas emissões abaixo da meta estabelecida ou desenvolvam pesquisas/investimentos em tecnologia específica na redução da poluição. empréstimos de baixo custo. mas principalmente reduzindo suas taxas de poluição e auxiliando a humanidade como um todo descobrindo novas formas eficientes de se diminuir a poluição e otimização no uso dos recursos. e descontos fiscais por exemplo. seja de que tipo for. entendendo que as empresas se sintam estimuladas a maximizar seus dejetos antes de serem introduzidas no programa de subsídio. na forma de subvenções. priorizando uns em detrimento de outros. sempre algum indivíduo pagará menos do que deveria. A partir desta classificação.

interesse e existe espaço para a corrupção.CONCLUSÃO . • • Não garante a perfeita competitividade. Não se demonstra igualmente eficaz ao longo de sua vigência IV . • Falha porque há grande interferência de jogos políticos.21 • Falha quanto o critério de Pareto. pois uns saem beneficiados em detrimento de outros.

pela qual se busca evitar a concentração de grandes propriedades improdutivas e também promover e incentivar o uso racional e sustentável dos recursos naturais e a preservação do meio ambiente. apenas possui eficácia relativa.22 O ITR. E vale ressaltar que os indivíduos/empresas/proprietários beneficiados com a isenção. apesar de não representar um peso alto aos cofres públicos. Os estudos apresentados ao longo do trabalho nos permite concluir que a isenção de impostos sobre áreas protegidas. é o imposto que incide sobre a propriedade rural. Não parece justo para a sociedade em geral que ela arque com os custos da poluição no lugar do poluidor. Portanto. O subsídio não é um instrumento de política ambiental eficiente. seria mais eficiente se ancorada e vinculada a outros instrumentos econômicos. no caso brasileiro pelo menos. não se pode compreender por que ainda é tão utilizado e difundido. é de caráter extrafiscal. a isenção do ITR não pode ser considerado efetivamente eficiente do ponto de vista econômico e ambiental REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS . não são estimulados a diminuir progressivamente suas emissões nem a participar na elaboração de pesquisas que permitam a descoberta de novas ações eficientes ecologicamente.

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