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Departamento de Engenharia Química da Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto

NOTAS PARA
O ESTUDO DA
MECÂNICA DOS
FLUIDOS
João Moreira de Campos
3 NOTAS PARA O ESTUDO DA MECÂNICA DE FLUIDOS
João M. Campos
ÍNDICE
7 1. Introdução e conceito de viscosidade
7 1.1 Introdução
7 1.1.1 O que são fluidos?
9 1.1.2 Os Fluidos, a Mecânica dos Fluidos e a Engenharia Quí-
mica
10 1.1.3 Um apanhado da história da Mecânica de Fluidos
12 1.2 Fluidos viscosos
12 1.2.1 Forças que actuam no seio de um fluido
13 1.2.2 Conceito de viscosidade - lei de Newton para um fluido;
16 1.2.3 Fluidos Newtonianos - viscosidade de fluidos
comuns
19 1.2.4 Variação da viscosidade com a temperatura e pressão
20 1.2.5 Fluidos não-Newtonianos
25 1.3 Exercícios de aplicação propostos
29 2. Hidrostática
29 2.1 Pressão num ponto no seio de um fluido
30 2.2 Equação Fundamental da Hidrostática
33 2.3 Manómetros diferenciais
35 2.4 Forças em superfícies submersas
36 2.4.1 Superfícies planas verticais
38 2.4.2 Superfícies planas inclinadas
43 2.4.3 Superfícies curvas
50 2.5 Equilíbrio relativo
56 2.6 Exercícios de aplicação propostos
67 3. Cinemática do escoamento de fluidos
67 3.1 Descrição Eulereana e Lagrangeana de um escoamento
68 3.2 Campo de velocidade
68 3.3 Campo de aceleração
70 3.4 Visualização do campo de escoamento
70 3.4.1 Linhas de corrente, trajectórias, linhas de rasto e linhas
do tempo
74 3.5 Vectores velocidade e aceleração ao longo de uma linha de
corrente
76 3.6 Exemplos propostos de aplicação
77 4 Equação de Bernoulli
77 4.1 Introdução
77 4.2 Equação de Bernoulli ao longo de uma linha de corrente
ÍNDICE
4 NOTAS PARA O ESTUDO DA MECÂNICA DE FLUIDOS
João M. Campos
ÍNDICE
80 4.3 2ª Lei de Newton na direcção normal a uma linha de cor-
rente
82 4.4 Aplicações da equação de Bernoulli
82 4.4.1 Introdução
83 4.4.2. Jactos Livres
87 4.4.3. Medidores de caudal
87 4.4.3.1 Venturi
88 4.4.3.2 Medidor de orifício
89 4.4.3.3 Descarregadores
92 4.4.4. Medidores de velocidade
92 4.4.4.1. Tubo de Pitot
99 5 Análise Integral em Volumes de Controlo Finitos
99 5.1 Análise diferencial, integral e dimensional
101 5.2 Teorema do Transporte de Reynolds
101 5.2.1 Dedução do teorema do transporte de Reynolds
104 5.2.2 Teorema do transporte de Reynolds generalizado
106 5.3 Conservação de Massa- Equação da Continuidade
106 5.3.1 Dedução da equação da continuidade
109 5.3.2 Carga e descarga de reservatórios
117 5.3.3. Exercícios propostos de aplicação
122 5.4 Equação da Energia- 1ª lei da Termodinâmica
122 5.4.1 Dedução da equação da energia
124 5.4.2 Casos particulares da equação da energia
126 5.4.3 Aplicação da equação da energia a algumas máquinas
simples
127 5.4.4 Comparação entre a equação da energia e a equação de
Bernoulli
130 5.4.5 Aplicação da equação da energia a escoamentos não-
uniformes
131 5.4.6 Exercícios propostos de aplicação
133 5.5 Equação da Quantidade de Movimento
133 5.5.1 Dedução da equação da quantidade de movimento
136 5.5.2 Aplicações da equação da quantidade de movimento
136 5.5.2.1 Força de atrito na parede de tubos
137 5.5.2.2 Força exercida num cotovelo
139 5.5.2.3 Força exercida por um líquido em escoamento numa
comporta
140 5.5.2.4 Força exercida por um jacto sobre uma superfície
142 5.5.2.5 Energia degradada numa expansão súbita
5 NOTAS PARA O ESTUDO DA MECÂNICA DE FLUIDOS
João M. Campos
ÍNDICE
143 5.5.2.6 Energia degradada numa contracção súbita
144 5.5.2.7 Exemplos de aplicação diversos
148 5.5.3 Exercícios propostos de aplicação
155 6 Análise dimensional, semelhança e modelos
155 6.1 Introdução
157 6.2 Análise Dimensional
157 6.2.1 Teorema de H Buckingham
159 6.2.2 Aplicação do teorema de H Buckingham
159 6.2.2.1 Escoamento em tubagens
162 6.2.2.2 Escoamento em torno de objectos imersos
164 6.2.3 Algumas notas sobre a aplicação do Teorema de H
Buckingham
165 6.3 Grupos adimensionais na Mecânica de Fluidos
166 6.4 Correlação de dados experimentais
168 6.5 Teoria dos modelos
168 6.5.1 Semelhança cinemática, dinâmica e geométrica
170 6.5.2 Aplicação da teoria dos modelos
170 6.5.2.1 Escoamento em tubagens
171 6.5.2.2 Escoamento em torno de objectos
173 6.5.2.2.1 Força de arrasto e velocidade terminal
175 6.5.2.3 Escoamentos com superfície livre
176 6.6 Exercícios de aplicação propostos
181 7 Escoamentos Laminar e Turbulento
181 7.1 Introdução
182 7.2 Escoamento Laminar
182 7.2.1 Equação de Poiseuille
192 7.2.2- Escoamento laminar entre dois tubos concêntricos
194 7.2.3 Escoamento laminar numa coluna de parede molhada
196 7.2.4 Escoamento laminar numa coluna de parede molhada
inclinada
197 7.3 Escoamento turbulento
197 7.3.1 Descrição do escoamento turbulento
200 7.3.2 Perfil de velocidade em escoamento turbulento
201 7.4 Exercícios propostos de aplicação
205 8 Escoamento em tubagens
205 8.1 Perdas de carga em tubagens- Gráfico de Moody
207 8.2 Características das tubagens
6 NOTAS PARA O ESTUDO DA MECÂNICA DE FLUIDOS
João M. Campos
ÍNDICE
209 8.3 Perdas de carga localizadas em tubagens
213 8.4 Perdas de carga em tubagens não circulares
213 8.4.1 Exemplos
214 8.5 Exercícios resolvidos sobre perda de carga em tubagens
218 8.6 Perda de carga em tubagens múltiplas
222 8.7 Medidores de caudal
223 8.8 Exercícios propostos de aplicação
227 9 Camada limite e forças sobre objectos submersos
227 9.1 Introdução
227 9.2 Camada limite laminar numa placa plana imersa num fluido
227 9.2.1 Conceito de camada limite
229 9.2.2 Espessura da camada limite numa placa plana- solução
de Blasius
231 9.3 Forças de arrasto e de sustentação sobre um objecto
imerso
231 9.3.1 Introdução
232 9.3.2 Forças de arrasto e sustentação
233 9.3.3 Coeficiente de arrasto em função do número de Rey-
nolds
235 9.4 Força de arrasto e velocidade terminal
237 9.5 Valores típicos do coeficiente de arrasto para sistemas a
duas e três dimensões
7 NOTAS PARA O ESTUDO DA MECÂNICA DE FLUIDOS
João M. Campos
INTRODUÇÃO AO CONCEITO
DE VISCOSIDADE
1. INTRODUÇÃO E CONCEITO DE VISCOSIDADE
1.1 Introdução
1.1.1 O que são fluidos?
As imagens e sensações mais fortes são as que perduram na nossa memória. Como tal,
não há nada melhor do que recorrer a uma imagem forte para compreender a importância
dos fluidos. Com certeza que já assistiram a imagens de pessoas em greve da fome. Ima-
gens chocantes em que se assiste a um definhar lento do ser humano. Contudo, porque é
que não fazem, em sinal de protesto, greve da sede ou greve da respiração? A resposta é
evidente, os objectivos pretendidos não seriam atingidos, uma pessoa morre num período
de 3 a 5 minutos se fizer greve da respiração, e entre 8 e 10 dias se fizer greve da sede. O
ar e a água são fluidos, os mais importantes, já que são indispensáveis à vida de qualquer
ser, animal ou vegetal. Contudo não são os únicos, no caso de gases, o dióxido de carbono,
o hélio, o hidrogénio têm propriedades muito semelhantes às do ar e no caso de líquidos,
o mercúrio, o sangue, o álcool, o petróleo, comportam-se de alguma forma semelhante
à água.
A maioria destes fluidos tem uma presença contínua no dia a dia
dos seres vivos. Imaginemos o quotidiano de um ser humano, que pode
ser o de um qualquer vizinho nosso, e interroguemo-nos sobre muitas
das suas acções diárias. Acorda de manhã com sono e muitas vezes
sem se lembrar que acordar é estar vivo. Mas estar vivo não é ter
todas as funções vitais a funcionar? Quais são as funções vitais? A
respiração em que o ar e o dióxido carbono têm um papel importante,
o sistema circulatório onde o sangue desempenha um papel trans-
portador de gases e nutrientes, o sistema digestivo onde a água e o
ácido clorídrico têm uma actividade essencial, e as funções auxiliares,
como a função de excreção do suor e a função renal, onde a água e o
ácido úrico são de importância vital. Mesmo sem pensar no complexo
sistema do corpo humano, onde os fluidos desempenham uma acti-
vidade enorme, o nosso vizinho resolve ir tomar banho para acordar.
Tira o pijama, que nesse dia era 75% sintético, e liga a torneira da
água. Pijama sintético? Mas donde vêm as fibras? Será que vêm das
ramas de petróleo? E a água para o banho? E o gás para aquecer a
água? Se não fossem fluidos poderiam desempenhar aquelas tarefas?
Como terá a água atingido o 15º andar onde o nosso vizinho habita?
8 NOTAS PARA O ESTUDO DA MECÂNICA DE FLUIDOS
João M. Campos
INTRODUÇÃO AO CONCEITO
DE VISCOSIDADE
Depois de tomar banho, veste-se, desta vez todas as suas roupas são
100% algodão, e resolve tomar um copo de leite reconfortante e um
iogurte. Leite e iogurte, têm propriedades tão diferentes. Serão flui-
dos? Como terão sido fabricados? Por quantos processos de transfor-
mação terão passado? Sem mais demoras, vai lavar os dentes. Água,
pasta de dentes? Quais as semelhanças, quais as diferenças? Serão
fluidos? Está atrasado, corre para o carro, olha para o mostrador e vê
se o carro está em ordem. Água, óleo, gasolina? O tubo de escape por
onde saem os gases de exaustão estará em condições? No dia anterior
fazia imenso barulho. Arranca, chove, o vento é forte, e por viver ao pé
do mar sente um leve cheiro a maresia. Quem transporta o cheiro? Se
estivesse vento de Nordeste seria bem pior, sentiria o cheiro da fábrica
de celulose que dista 10 km de sua casa. Sente dificuldade em guiar
nestas condições, embora o seu carro seja potente e as suas linhas
aerodinâmicas permitam uma condução segura em condições adver-
sas. No caminho assiste a um desastre, um carro entrou num lençol
de água, perdeu as condições de aderência e deu um toque. O que é
que a água tem a ver com a aderência? E com os pneus? Chega ao
trabalho, liga o sistema de ar condicionado e pede que lhe tragam uma
água tónica para ir bebendo durante a manhã. Porque será que a água
tónica liberta tantas bolhas de gás? Passa uma vista de olhos pelo
jornal. Notícias aterradoras, um vulcão entrou em erupção? Vulcão,
a lava será um fluido? Um ciclone, devastou, mais um vez, a costa da
Califórnia. Qual seria a velocidade dos ventos? O que terá dado origem
ao ciclone? Uma ponte nova não resistiu à força das águas de um rio
e ameaça ruir. Quem projecta uma ponte não deverá saber calcular a
força da água dos rios? Um avião, de pequeno porte, teve de aterrar de
emergência devido a um problema relacionado com elevadas tempe-
raturas numa asa. Quem projecta aviões não deve saber evitar estes
problemas? O resto do dia do nosso vizinho foi passado a trabalhar, a
comer e a dormir e num grande número de situações voltou a contac-
tar com diferentes fluidos e várias interrogações poderiam novamente
ser levantadas.
Como nota final, a palavra fluido significa a substância que se pode
deslocar em liberdade completa (fluido ideal) ou em liberdade restrita
(fluido real). O ramo da Mecânica que estuda as leis do movimento e a
tendência ao escoamento dos fluidos é a Mecânica de Fluidos. O ramo
da Mecânica de Fluidos que estuda em particular os líquidos (leia-se
água) é a Hidromecânica e o que estuda em particular os gases (leia-se
ar) a Aeromecânica.
9 NOTAS PARA O ESTUDO DA MECÂNICA DE FLUIDOS
João M. Campos
INTRODUÇÃO AO CONCEITO
DE VISCOSIDADE
1.1.2 Os Fluidos, a Mecânica dos Fluidos e a Engenharia Química
Muitas das respostas às perguntas do nosso vizinho podem ser dadas
por um Engenheiro Químico, outras poderão ser mais apropriadamente
dadas por Engenheiros Mecânicos, Civis, de Ambiente, ou Aeronáuticos.
Na Engenheira Química, ar e água estão presentes na maioria dos
processos, e muitos outros fluidos são utilizados para os mais diversos
fins. Um Engenheiro Químico lida, na maioria dos casos, com o que se
designa por escoamentos internos, i.e., escoamentos confinados por uma
superfície, quase sempre sólida, que foi projectada e construída para
promover uma dada operação. Como exemplo, o escoamento de fluidos
nas inúmeras peças de equipamento que vemos quando passamos ao
lado de um grande número de Unidades Fabris que processam produtos
químicos, sendo a Petrogal em Leça da Palmeira um exemplo elucidativo.
São exemplos deste tipo de equipamentos, os permutadores de calor, as
colunas de destilação, os reactores químicos, os tanques de armazena-
gem e em particular as tubagens que ligam entre si estas peças.
E o que é que a Mecânica de Fluidos permite ao Engenheiro Químico
saber sobre o funcionamento destas peças de equipamento? Permite
responder a perguntas tais como:
Qual a velocidade e a pressão do fluido num dado ponto, ou sec- -
ção recta, do escoamento?
Que forças o fluido exerce sobre as paredes que confinam o -
escoamento?
Como é que a forma e as dimensões do equipamento influenciam -
o escoamento?
De que forma a pressão e a velocidade do escoamento podem -
ser medidas?
Que potência é necessária para bombear um fluido em escoa- -
mento?
Como é que se pode extrapolar resultados de estudos em mode- -
los para equipamentos à escala real?
Muitas destas questões não servem só para caracterizar o escoa-
mento, são essenciais para estudar outros processos, nomeadamente
aqueles que envolvem transferência de calor e/ou transferência de
massa. Um café arrefece mais rapidamente se soprarmos, aumentando
a velocidade de renovação do ar, do que se o deixarmos calmamente
10 NOTAS PARA O ESTUDO DA MECÂNICA DE FLUIDOS
João M. Campos
INTRODUÇÃO AO CONCEITO
DE VISCOSIDADE
pousado sobre a mesa do café. Uma esfera de naftalina sublima mais
rapidamente quando colocada em cima de um armário, sujeita à des-
locação e renovação do ar de uma sala, do que quando fechada numa
gaveta sem ar em circulação. Estes exemplos, embora façam parte do
dia a dia de cada um, são semelhantes a muitos outros que se passam
em vários processos da Engenharia Química, e mostram a necessidade
do conhecimento da Mecânica de Fluidos.
Antes de iniciar o estudo da Mecânica dos Fluidos, vamos conhecer
alguma coisa sobre a sua história, já que ela está intimamente ligada à
História Universal.
1.1.3 Um apanhado da história da Mecânica de Fluidos
O que mais impressiona quando nos debruçamos sobre a história da
Mecânica de Fluidos é o enorme número de conceitos que hoje aplicamos
com grande sucesso e que foram descobertos há centenas, e alguns há
milhares de anos. Quem imagina ao tomar banho numa praia cheia de
motas de água, barcos de recreio, que tudo começou duzentos anos
antes de Cristo com Arquimedes a descobrir o princípio da impulsão? O
século XX foi sem dúvida o século do desenvolvimento tecnológico, mas
a grande e complicada tarefa de interpretação dos fenómenos físicos,
i.e. a construção dos alicerces do grande edifício, foi feita ao longo de
muitos séculos, utilizando equipamento muito simples e uma grande
dose de génio. Desafio os alunos no fim do semestre a lerem novamente
a cronologia da Mecânica de Fluidos e a situarem no tempo tudo aquilo
que aprenderam, ficarão certamente impressionados.
Algumas descobertas importantes para o progresso da Mecânica de
Fluidos e respectivas datas
A Mecânica de Fluidos, tal como a maioria das Ciências Exactas
nasceu e floresceu quando o Homem passou a acreditar nas suas pos-
sibilidades e a pôr em prática o seu espírito crítico, observando, expe-
rimentando e teorizando. Nesta breve cronologia está bem patente o
desenvolvimento da Mecânica de Fluidos a partir do chamado período
do conhecimento, o período Renascentista.
287-212 A.C. Arquimedes estabeleceu os princípios elementares da
impulsão.
11 NOTAS PARA O ESTUDO DA MECÂNICA DE FLUIDOS
João M. Campos
INTRODUÇÃO AO CONCEITO
DE VISCOSIDADE
1452-1519 Leonardo da Vinci estabeleceu os princípios elementares
da continuidade de massa.
1564-1642 Galileu Galilei impulsionou a Mecânica de Fluidos experi-
mental.
1608-1647 Torricelli mediu a pressão atmosférica através da altura
barométrica.
1623-1662 Pascal clarificou princípios barométricos e de transmissão
de pressão.
1642-1727 Isaac Newton estudou a resistência ao escoamento de
fluidos - regimes inercial e viscoso.
1695-1771 Pitot construiu o primeiro equipamento para medir o perfil
de velocidade num escoamento.
1700-1782 Bernoulli adaptou princípios termodinâmicos para explicar
a carga cinética de um fluido em escoamento.
1707-1783 Euler formulou a equação de Bernoulli, bem como equa-
ções básicas de escoamento de fluidos. Introduziu os con-
ceitos de cavitação e de centrifugação.
1746-1822 Venturi realizou testes de escoamentos em contracções
e expansões.
1785-1836 Louis Navier estabeleceu as equações microscópicas, ao nível
de forças intermoleculares, de escoamento de fluidos.
1789-1857 Cauchy estudou a propagação de ondas de pressão em
fluidos.
1797-1884 Hagen estudou a resistência ao escoamento em regime
transitório (laminar/turbulento).
1799-1869 Poiseuille estudou a resistência ao escoamento em tubos
capilares - regime laminar.
1810-1879 Froude desenvolveu estudos de similaridade entre mode-
los e protótipos.
1819-1903 Stokes derivou analiticamente várias equações de esco-
amento. Estudou o escoamento de líquidos em torno de
esferas.
1838-1916 Mach iniciou estudos em escoamentos supersónicos.
1842-1912 Osborne Reynolds descreveu experiências em vários cam-
pos: cavitação, similaridade em modelos e escoamento em
tubos.
1867-1940 Buckingam desenvolveu a análise dimensional.
1875-1953 Prandtl introduziu o conceito de camada limite.
1880-1953 Moody propôs um método para correlacionar a resistência
ao escoamento em tubos.
12 NOTAS PARA O ESTUDO DA MECÂNICA DE FLUIDOS
João M. Campos
INTRODUÇÃO AO CONCEITO
DE VISCOSIDADE
1881-1963 Von Karman deu contribuições importantes nos domínios
da turbulência, da camada limite e da separação de um
escoamento.
1883-1970 Blasius correlacionou a resistência ao escoamento em
tubos com o número de Reynolds.
1.2 Fluidos viscosos
1.2.1 Forças que actuam no seio de um fluido
No seio de um fluido actuam forças à distância e por contacto. A
força da gravidade é um exemplo de uma força que actua à distân-
cia, enquanto as forças tangenciais e normais que se desenvolvem
no interior do fluido são exemplos de forças de contacto. As forças
tangenciais são designadas por forças de corte (F
c
) e as forças nor-
mais por forças de pressão (F
p
). As forças de contacto são forças
distribuídas ao longo da superfície onde actuam, na maioria das vezes
de uma forma não-uniforme. Por serem distribuídas, estas forças são
normalmente referenciadas à unidade de área, passando a designar-se
por tensões.
Tomando uma área infinitesimal oA onde actuam forças de contacto,
define-se:
dA
dF
p
dF
c
lim
d
d
p
A
F
A
F
A
p p
0
d
d
= =
" d
(1.1)
lim
d
d
A
F
A
F
A
c c
0
x
d
d
= =
" d
(1.2)
13 NOTAS PARA O ESTUDO DA MECÂNICA DE FLUIDOS
João M. Campos
INTRODUÇÃO AO CONCEITO
DE VISCOSIDADE
A tensão normal p designa-se por pressão e a tangencial t por ten-
são de corte. Se a distribuição das tensões ao longo de uma superfície
for conhecida, as respectivas forças podem ser determinadas por inte-
gração.
( )d F p A A p
A
= #
(1.3)
( )d F A A C
A
x = #
(1.4)
1.2.2 Conceito de viscosidade - lei de Newton para um fluido
O conceito de viscosidade de um fluido está intimamente ligado à
resistência que um fluido opõe ao seu deslocamento. Para introduzir
este conceito, considerem-se duas placas planas paralelas de compri-
mento infinito e separadas por uma pequena distância y
0
. Num dado
instante, t = 0, o espaço entre as placas está cheio com um fluido em
repouso. Para deslocar, segundo a direcção x, a placa superior com
uma velocidade v
0
é necessário aplicar uma força exterior F de forma a
“vencer” a resistência ao movimento oferecida pelo fluido. A intensidade
desta força exterior depende da área da placa, do tipo de fluido e da
velocidade v
0
que se pretende imprimir à placa. Pode-se eliminar o efeito
da área, tomando a força que se exerce por unidade de área.
Pelo princípio da acção-reacção, esta força exterior é igual, inten-
sidade, direcção e sentido, à força que a placa exerce sobre o fluido
adjacente. A força que o fluido adjacente exerce sobre a placa tem igual
direcção e intensidade mas sentido contrário.
y
o
F
y
x
Fluido
v
0
Demonstra-se que para valores reduzidos de v
0
e de y
0
, o perfil de
velocidade que se desenvolve no fluido é linear e pode ser expresso
analiticamente por:
14 NOTAS PARA O ESTUDO DA MECÂNICA DE FLUIDOS
João M. Campos
INTRODUÇÃO AO CONCEITO
DE VISCOSIDADE
( ) v y
y
v
y x
0
0
= (1.5)
v
0
y
x
0
y
o
Sendo o perfil linear, a variação de v
x
ao longo de y é constante :
d
d
y
v
y
v x
0
0
= (1.6)
Conhecido o perfil, pretende-se saber onde estarão situados os ele-
mentos de fluido, inicialmente (t = 0) na linha aa`, ot segundos após
o início do movimento da placa. Pela condição de não-deslizamento, o
elemento de fluido adjacente à placa em movimento percorre durante o
intervalo de tempo ot

uma distância v
0
ot, enquanto o elemento de fluido
adjacente à placa parada se mantém imóvel .

y
o
v
0
a’
a
v t
0
δ
δθ
Nos fluidos mais comuns, água e ar, observa-se uma relação de pro-
porcionalidade entre a tensão de corte t no interior do fluido e a resul-
tante taxa de deformação do fluido expressa por du/ot:
t
\ x
d
di
(1.7)
15 NOTAS PARA O ESTUDO DA MECÂNICA DE FLUIDOS
João M. Campos
INTRODUÇÃO AO CONCEITO
DE VISCOSIDADE
Por considerações geométricas e admitindo que o valor da tangente
de um ângulo infinitesimal é bem aproximado pelo valor do próprio
ângulo, obtém-se o valor da taxa de deformação:
tg
y
v
t
t y
v
0
0
0
0
" , di di d
d
di
= = (1.8)
Combinando as equações (1.6) - (1.8) resulta:
d
d
d
d
y
v
y
v x x
\ x n = (1.9)
A constante de proporcionalidade, µ, designa-se por coeficiente de vis-
cosidade ou simplesmente por viscosidade. A variação de v
x
ao longo de y é
constante, perfil de velocidade linear, pelo que a tensão de corte no interior
do fluido ao longo das diversas camadas é igualmente constante.
Há alguma semelhança entre a tensão de corte num fluido e a força
de atrito quando há movimento relativo entre sólidos. Um exemplo ilus-
trativo é o que acontece a um baralho de cartas quando se pretende
deslocar horizontalmente a primeira carta:
se a superfície das cartas for muito polida, o atrito entre as car- -
tas é muito reduzido. Quando se desloca a primeira carta, as
que estão imediatamente a seguir não sofrem qualquer deslo-
camento. Considere que o deslocamento da primeira carta é l
1

quando se aplica a força F durante o tempo t;
se a superfície das cartas for ligeiramente rugosa, o atrito entre -
as cartas aumenta. Quando se desloca a primeira carta, as que
estão imediatamente a seguir deslocam-se, observando-se uma
grande diferença entre o espaço percorrido por cada uma. Se se
aplicar a força F durante o tempo t, o deslocamento da primeira
carta é l
2
< l
1
;
se a superfície das cartas for muito rugosa, a maioria das cartas des- -
loca-se, mas não se observa uma grande diferença entre o espaço
percorrido por cada uma. Se se aplicar a força F durante o intervalo
de tempo t, o deslocamento da primeira carta é l
3
< l
2
< l
1
.
Que conclusões se podem tirar comparando este exemplo com o do
fluido posto em movimento pela força aplicada à placa?
O atrito (a viscosidade) é responsável pelo movimento das car- -
tas que se encontram por baixo da primeira carta (semelhante
16 NOTAS PARA O ESTUDO DA MECÂNICA DE FLUIDOS
João M. Campos
INTRODUÇÃO AO CONCEITO
DE VISCOSIDADE
ao movimento das camadas de fluido que se encontram sub-
adjacentes à que está em contacto com a placa).
Aplicando a mesma força, quanto maior é o atrito (viscosidade) -
menor é a velocidade de deslocamento da primeira carta (do
fluido adjacente à placa).
Um atrito muito elevado (elevada viscosidade) faz com que as -
cartas se desloquem lentamente, quase a par (que o fluido se
desloque quase em bloco). A variação de velocidade das cartas
na direcção normal ao baralho é pequena (a variação de veloci-
dade no fluido na direcção normal ao escoamento é igualmente
pequena).
A grande diferença é que nos sólidos o atrito é resultado da forma,
tipo de material e acabamento das superfícies em contacto, enquanto
que nos fluidos a resistência ao escoamento processa-se ao nível mole-
cular e está intimamente ligada ao tamanho, e energia das moléculas
(interna e intra-molecular).
1.2.3 Fluidos Newtonianos - viscosidade de fluidos comuns
Os fluidos em que se observa uma proporcionalidade directa entre a
variação de velocidade (dv
x
/dy) e a tensão de corte (t), designam-se por
fluidos Newtonianos. A constante de proporcionalidade é a viscosidade,
também chamada de viscosidade dinâmica.
A maioria dos fluidos tem características Newtonianas, sendo os
mais comuns: a água, o benzeno, o alcool etílico, o tetracloreto de car-
bono, o hexano, etc; as soluções aquosas de sais inorgânicos e de açu-
cares; o hidrogénio, o azoto, o ar, etc.
A tabela seguinte mostra valores da viscosidade dinâmica de alguns
fluidos Newtonianos a 1 atm e 20 ºC, sendo de realçar a grande dife-
rença entre a viscosidade dos líquidos e a dos gases, e no caso dos
líquidos a elevada gama de valores. A água é 1500 vezes menos viscosa
que a glicerina pura.
A unidade da viscosidade dinâmica no sistema Internacional é o Pa.s
[kg/(m.s)], e no sistema c.g.s. o Poise [g/(cm.s)]. Facilmente se conclui
que 1 Poise = 0,1 Pa.s.
Frequentemente, a viscosidade dinâmica aparece dividida pela
massa volúmica e designa-se esta razão por viscosidade cinemática:
17 NOTAS PARA O ESTUDO DA MECÂNICA DE FLUIDOS
João M. Campos
INTRODUÇÃO AO CONCEITO
DE VISCOSIDADE
y
t
n
= (1.10)
No sistema c.g.s. a unidade da viscosidade cinemática é o Stoke (St),
equivalendo 1 St a 10
-4
m
2
/s.
Tabela 1- Viscosidade de fluidos Newtonianos a 1atm e 20ºC
Fluido µ (Pa.s)
( ) H2 n
n
Hidrogénio 8,9 x 10-6 1
Ar 1,8 x 10-5 2,1
Gasolina 2,9 x 10-4 33
Água 1,0 x 10-3 114
Álcool 1,2 x 10-3 135
Mercúrio 1,5 x 10-3 170
Azeite 0,084 9440
Glicerina 1,5 168000
Exemplo 1.1
Água está em escoamento no interior de um tubo circular sendo o perfil de veloci-
dade numa dada secção recta do tubo dado analiticamente por:
( ) ( ) v r R r
4
x
2 2
n
b
= -
em que | é uma constante, r a distância radial medida a partir do eixo, R o raio
interno do tubo, e v
x
(r) a velocidade do fluido ao longo da direcção x na posição r.

D
x
r
Calcule a tensão de corte na parede do tubo e no interior do fluido na posição r=R/2. Se
o perfil persistir numa distância de tubo L, calcule a força exercida pela água sobre o
tubo ao longo deste comprimento.
Solução
Por se tratar de um fluido Newtoniano, a intensidade da tensão de corte na parede
é dado pela lei de Newton aplicada a fluidos:
d
d
r
v r
r R
x
r R
x n =
=
=
^
c
h
m
A variação da velocidade com r junto à parede pode ser conhecida a partir do perfil
de velocidade:
18 NOTAS PARA O ESTUDO DA MECÂNICA DE FLUIDOS
João M. Campos
INTRODUÇÃO AO CONCEITO
DE VISCOSIDADE
d
d
d
d
r
v r
r
r
v r
R 2
4
2
4
r R
x x
"
n
b
n
b
=- =-
=
^ ^
c
h h
m
A tensão de corte na parede calcula-se combinando as duas equações anteriores:
R
R
2
4 2
r R x n
n
b b
= = =
Seguindo o mesmo raciocínio, agora para r=R/2:
d
d
d
d
d
d
r
v
r
v
r
r
v
R
R
2
4 4 4
/
/
/
/
r R
r R
r R
r R
x
x x
2
2
2
2 " "
x n
n
b
n
b
x
b
=
=- =- =
=
=
=
=
`
`
j
j
Pelo facto de o perfil não ser linear, a tensão de corte no interior do fluido varia ao
longo de r, aumentando desde o eixo do tubo, onde o seu valor é nulo, até à parede, onde se
observa o valor máximo. A tensão de corte exercida pelo fluido sobre a superfície interna
do tubo, no sentido do escoamento, é uniforme ao longo de todo o comprimento L do tubo,
pelo que a intensidade da força que o fluido exerce sobre a parede é dada por:
d
F A F
r
dv r
RL 2 r R
r R
x
" x n r = =
=
=
^
c
h
m
Substituindo, determina-se a chamada força de atrito sobre o tubo, F
f
:
F R L f
2
r b =
Exemplo 1.2
Um veio cilíndrico de raio R
i
gira no interior de um tubo igualmente cilíndrico de raio
R
e
. O espaço entre tubos é preenchido por uma graxa de viscosidade µ. Determine a
potência mecânica necessária para que o tubo interior gire a uma velocidade de rotação
constante n (rpm). Suponha uma distribuição linear de velocidade na graxa. A potência
a fornecer é dada pelo produto do momento da força de corte da graxa sobre o veio em
rotação pela sua velocidade angular.
Dados: R
i
= 40 mm; R
e
= 41 mm; µ = 4x10
-
3 Pa.s; n = 1200 rpm e L = 150 mm

D
i
D
e
Solução
Segundo o enunciado, a velocidade da graxa varia linearmente com r:
v r v
R R
R r
r R
e i
e
i
=
-
-
=
^ h
Recorrendo à definição de fluido Newtoniano, calcula-se a tensão de corte exercida
pelo fluido no veio em rotação:
19 NOTAS PARA O ESTUDO DA MECÂNICA DE FLUIDOS
João M. Campos
INTRODUÇÃO AO CONCEITO
DE VISCOSIDADE
d
d
r
v
R R
v
/ r R e i
r R
2
r R
i
x
r R
i
i
" x n x n = =
-
=
=
= = ` j
De acordo com esta equação, a tensão de corte é uniforme sobre toda a superfície
lateral do veio, não dependendo da coordenada axial x. As velocidades tangencial e
angular estão relacionadas:
v R
r R i
i
~ =
=
Substituindo na equação anterior, obtém-se:
R R
R
r R
e i
i
i
x n
~
=
-
=
Se o veio gira a uma velocidade angular constante, a intensidade do momento apli-
cado por via mecânica, momento activo, tem de ser igual ao momento da força de corte
aplicado pela graxa na superfície lateral, momento resistente. Contudo, o sentido des-
tes momentos é contrário. O momento da força de corte na superfície lateral é dado
pelo produto da intensidade da força de corte, uniforme ao longo da superfície lateral,
pelo braço. A força de corte é tangente à superfície lateral em cada ponto, pelo que o
braço, distância na perpendicular entre o vector força e o eixo do veio, coincide com o
raio R
i
. O braço é sempre o mesmo ao longo de toda a superfície lateral, pelo que:
M R R L M
R R
R L
2
2
F i r R i F
e i
i
3
corte i corte
" x r
rn~
= =
-
=
^ h
A potência a fornecer ao veio é dada pelo produto do momento pela velocidade
angular (e = 2tn/60):
P M
R R
n R L
1800
2
F
e i
corte
i
3 2 3
~
r n
=
- ^ h
1.2.4 Variação da viscosidade com a temperatura e pressão
A viscosidade dos gases e da maioria dos líquidos aumenta modera-
damente com a pressão; a água é uma excepção já que diminui mode-
radamente.
A viscosidade dos gases aumenta com a temperatura. Duas expres-
sões (entre muitas) que traduzem esta variação são a lei da potência e
a lei de Sutherland:
T
T
n
0 0
.
n
n
c m
(Lei da potência) (1.11)
em que µ
0
representa a viscosidade conhecida à temperatura T
0

e n é
função do tipo de gás;
20 NOTAS PARA O ESTUDO DA MECÂNICA DE FLUIDOS
João M. Campos
INTRODUÇÃO AO CONCEITO
DE VISCOSIDADE
ln
T S
T T T S
0
0
3 2
0
.
n
n
+
+ ^ ^ h h
(Lei de Sutherland) (1.12)
em que S é função do tipo de gás.
A viscosidade dos líquidos decresce com a temperatura de uma
forma exponencial. Os resultados experimentais são bem ajustados por
uma função do tipo:
ln a b
T
T
T
T
0
0 0
2
.
n
n
+ +c m
(1.13)
Estas expressões e muitas outras podem ser encontradas em vários
livros sobre propriedades termodinâmicas de fluidos.
1.2.5 Fluidos não-Newtonianos
Há inúmeros fluidos em que não se observa uma proporcionalidade
entre a tensão de corte e a variação da velocidade na direcção normal
ao escoamento. Na figura estão representados as diversas funcionali-
dades que se observam na maioria dos fluidos que têm na sua estrutura
moléculas maiores do que as da água ou que têm na sua composição
uma elevada concentração de partículas sólidas em suspensão.
u

N
e
w
t
o
n
i
a
n
o
D
i
l
a
t
a
n
t
e
B
i
n
g
h
a
m
P
s
e
d
o
p
l
á
s
t
i
c
o
τ
d / d v y
Fluidos Pseudoplásticos
Nos fluidos Pseudoplásticos ou reofluidificantes a razão [t/(dv/dy)]
diminui para valores crescentes da tensão de corte aplicada; o declive
21 NOTAS PARA O ESTUDO DA MECÂNICA DE FLUIDOS
João M. Campos
INTRODUÇÃO AO CONCEITO
DE VISCOSIDADE
em cada ponto da curva representada na figura seguinte diminui à
medida que o valor da tensão de corte aumenta.
São exemplos de fluidos Pseudoplásticos as lamas, pastas, sangue,
soluções poliméricas, colas e óleos pesados. Os óleos pesados são um
exemplo curioso, já que as características pseudoplásticas permitem que
sejam usados quer como lubrificantes, quer como vedantes. Nos apoios
de motores, onde as tensões de corte são elevadas, os óleos pesados são
pouco viscosos permitindo a lubrificação, e nas juntas, onde as tensões
de corte são reduzidas, são muito viscosos permitindo a vedação.

Pseudoplásticos
τ
d / d v y
A
B
Fluidos Dilatantes
Nos fluidos Dilatantes a razão [t/(dv/dy)] aumenta para valores cres-
centes da tensão de corte aplicada; o declive da curva representada na
figura aumenta à medida que o valor da tensão de corte também aumenta.
São exemplosde fluidos dilatantes ou espessantes as soluções aquosas
de farinha.

Dilatantes
τ
d / d v y
A
B
22 NOTAS PARA O ESTUDO DA MECÂNICA DE FLUIDOS
João M. Campos
INTRODUÇÃO AO CONCEITO
DE VISCOSIDADE
Fluidos de Bingham
Estes fluidos apresentam elevada resistência (“infinita”) para baixas
tensões de corte. São exemplos bem conhecidos a pasta de dentes e as
geleias. A pasta de dentes só entra em escoamento quando se aplica
uma tensão superior a t
0
(tensão de cedência).
Bingham
τ
τ
0
d / d v y
Fluidos Tixotrópicos e Reopéticos
São fluidos que quando sujeitos a uma tensão de corte, a variação
de velocidade na direcção normal ao escoamento varia com o tempo. Há
dois tipos, os Tixotrópicos e os Reopéticos.
Os fluidos Tixotrópicos são aqueles em que a viscosidade diminui
com o tempo. São exemplos as tintas. As tintas são muito viscosas
quando se abre uma lata e se procede à sua homogeneização, agitando
com o pincel, o que impede o assentamento dos pigmentos durante o
período de armazenagem, mas são muito menos viscosas quando se
inicia a sua aplicação. Os fluidos Reopéticos são aqueles em que a vis-
cosidade aumenta com o tempo.
Os fluidos Viscoelásticos são caracterizados por voltarem ao seu
estado inicial logo após cessar a tensão aplicada.
1.2.6 Viscosímetro de cilindros coaxiais
Exemplo 1.3
Um viscosímetro de cilindros coaxiais está representado na figura. O cilindro
externo, de diâmetro D
e
, está ligado a um eixo que lhe transmite uma velocidade de
rotação, e. O cilindro interno, de diâmetro D
i
, está suspenso por um fio calibrado para
23 NOTAS PARA O ESTUDO DA MECÂNICA DE FLUIDOS
João M. Campos
INTRODUÇÃO AO CONCEITO
DE VISCOSIDADE
medir esforços de torção. O cilindro externo transmite movimento de rotação ao fluido
viscoso e este por sua vez transmite movimento ao cilindro interno. O fio torce até que
o momento da reacção do fio à torção equilibra o momento da força de corte exercida
pelo fluido sobre o cilindro interno. Atingido este equilíbrio, o cilindro interno deixa de
rodar. Acoplado ao fio, há um ponteiro que indica o momento de torção, M
t
.
Determine a expressão que permite calcular a viscosidade de um fluido a ser tes-
tado, em função de M
t,
D
i
, D
e
, H, a e da velocidade e. Admita perfis lineares de velo-
cidade no líquido.

H
D
i
D
e
a
r
y
M
t
Solução
A intensidade do momento aplicado pelo fluido ao cilindro interno é igual à soma da
intensidade dos momentos aplicados na superfície lateral e na base do cilindro. Ambos
têm direcção segundo o eixo do cilindro e igual sentido, o mesmo sentido de rotação do
cilindro exterior.
Intensidade do momento aplicado na superfície lateral pela força de corte
O perfil da velocidade tangencial no líquido em rotação é linear (sugerido no enun-
ciado). Na figura seguinte está representada uma vista de topo que permite visualizar
o perfil de velocidade. Analiticamente o perfil é dado por:
( ) v r v
R R
r R
r R
e i
i
e
=
-
-
=
e R r
v
=
A tensão de corte na parede do cilindro interior é dada por:
( ) d
dr
v r
R R
v
r R
r R
r R
e i
r R
i
i
i
i
" x n x n = =
-
=
=
=
=
c m
24 NOTAS PARA O ESTUDO DA MECÂNICA DE FLUIDOS
João M. Campos
INTRODUÇÃO AO CONCEITO
DE VISCOSIDADE
A velocidade tangencial relaciona-se com a velocidade angular:
v r v R r r R e e
" ~ ~ = =
=
Substituindo na equação anterior obtém-se:
R R
R
r R
e i
e
i
x n~ =
-
=
A intensidade do momento da força de corte relativamente ao eixo do cilindro é
dada pelo produto da intensidade da força de corte, tangencial à superfície lateral do
cilindro, pelo respectivo braço. O braço é a distância, na perpendicular, do vector força
ao eixo do cilindro. Esta distância é igual ao raio do cilindro ao longo de toda a superfí-
cie lateral. A intensidade do momento aplicado pelo fluido na superfície lateral, MFL
o , é
então dada por:
M R F M R R H M
R R
R R H
2
2
F i L F i r R i F
e i
e i
2
L L i L
" " x r
rn~
= = =
-
=
o o o
^ h
Intensidade do momento aplicado na base do cilindro pela força de corte
r
y
a
v y,r ( )
rebatimento do perfil
O perfil de velocidade no líquido em rotação é linear (sugerido no enunciado) ao
longo da coordenada y representada na figura. Contudo, a velocidade tangencial do
fluido além de variar com y varia igualmente com r. Analiticamente o perfil da veloci-
dade tangencial é dado por:
( , ) ( , ) ( , ) v r y v r
a
y
v r 0 0 =- +
A tensão de corte na base do cilindro interior (y=a) é função de r:
,
( ,
,
, d
r a
dy
v r y
r a
a
v r 0
y a
" x n x n = =
=
^ c ^
^
h m h
h
Mas v(r,0) = er, resultando:
, r a
a
r
x n~ = ^ h
Pelo facto da tensão de corte variar com r (força distribuída não uniforme) é neces-
sário “encontrar” uma área infinitesimal onde, no limite, quando or tende para 0, a ten-
são de corte tenda para um valor uniforme. A área da coroa infinitesimal representada
na figura, cuja espessura é or, satisfaz esta condição; quando or tende para 0 a área
tende para uma “linha” onde a tensão de corte é uniforme.
25 NOTAS PARA O ESTUDO DA MECÂNICA DE FLUIDOS
João M. Campos
INTRODUÇÃO AO CONCEITO
DE VISCOSIDADE

r
δr
O valor desta área é dado por:
A r r r A r r 2
2
2
" d r d r d r d = + - = ^ h 6 @
A intensidade do momento da força de corte, força tangencial, que se exerce nesta
área infinitesimal é dada por:
, M r r r a r 2 F F B B
d d x rd = = ^ h
Integrando ao longo do raio obtém-se:
d M r
a
r
r
a
R
2
2
F
R
i
0
4
B
i
n~ r
rn~
= =
#
Somando a intensidade dos dois momentos:
M M
a
R
R R
R R H
2
2
F F
i
e i
i e
2
L B
4
rn~ rn~
+ = +
- ^ h
A intensidade do momento da força de corte na superfície do cilindro é igual à
intensidade do momento de torção do fio, M
t
. Resolvendo em ordem à viscosidade,
obtém-se:
R
R R
R H
a
R
M
2
4
i
e i
e i
t
2
2
n
r~
=
-
+ c m
1.3 Exercícios de aplicação propostos
1.1 Um veio de aço (µ = 7850 kg/m
3
) com 30 mm de diâmetro e 400
mm de comprimento cai, sob a acção do seu próprio peso, no interior de
um longo tubo vertical com 30,2 mm de diâmetro, aberto nos extremi-
dades. O espaço entre o veio e o tubo está cheio com glicerina a 20 ºC
(µ = 1,5 Pa.s). Determine a velocidade terminal do veio.
26 NOTAS PARA O ESTUDO DA MECÂNICA DE FLUIDOS
João M. Campos
INTRODUÇÃO AO CONCEITO
DE VISCOSIDADE
1.2 O espaço entre duas placas planas separadas de 25 mm
está cheio com um líquido de viscosidade 0,7 Pa.s. No seio do
líquido, a 6 mm de uma das placas, é posta em movimento, veloci-
dade 150 mm/s, uma nova placa, muito delgada, com dimensões
250 mm x 250 mm . Assumindo variações lineares de velocidade no líquido,
determine a força que este exerce sobre a placa em deslocamento.
1.3 Um bloco de faces quadradas (200 mm de aresta) pesa 1 kN e
desliza num plano inclinado ao longo do qual escorre uma película de
óleo de 0,0050 mm de espessura.
Supondo que o perfil de velocidade no óleo é linear, calcule a velocidade
terminal do bloco. A viscosidade do óleo é 7 cP.
20º
1 kN
0,0050 mm
1.4 A figura mostra dois pratos distanciados de 1 cm, o inferior está
fixo e o superior, de peso desprezável, em deslocamento uniforme sob
a acção de uma massa de 25 kg. Se o fluido entre os pratos for óleo
(viscosidade 0,650 Pa.s) e a área de contacto do prato superior com o
óleo 0,75 m
2
, determine a velocidade do prato superior. Admita perfil de
velocidade linear no óleo.

1 cm
Prato móvel
Prato fixo
25 kg
Óleo
1.5 Um cilindro vertical roda no interior de um outro cilindro montado
coaxialmente. Entre os cilindros existe uma película de óleo de visco-
sidade µ e espessura e. Se o cilindro interior rodar a uma velocidade
27 NOTAS PARA O ESTUDO DA MECÂNICA DE FLUIDOS
João M. Campos
INTRODUÇÃO AO CONCEITO
DE VISCOSIDADE
angular de n rps (o exterior está parado) e tiver um diâmetro D, qual é
o momento (binário) que é necessário aplicar? Assuma perfil linear de
velocidade entre os cilindros.

e
D
1.6 Uma película de óleo com 0,13 mm de espessura separa dois
discos, cada um com 200 mm de diâmetro, montados coaxialmente.
Calcule o momento (binário) necessário para rodar um dos discos a
uma velocidade de 7 rps relativamente ao outro. A viscosidade do óleo
é 0,14 Pa.s.
1.7 A figura representa um viscosímetro constituído por um motor
eléctrico que acciona um tambor cilíndrico de diâmetro 50 mm colo-
cado coaxialmente no interior de outro cilindro. O espaço entre os cilin-
dros é preenchido por um fluido cuja viscosidade se pretende medir,
sendo a espessura da camada 0,2 mm. O motor produz um momento
(binário) constante de 0,05 N.m para qualquer velocidade entre
0 e 1000 rpm. A velocidade de rotação é medida por um conta-rotações
montado na extremidade livre do veio.
Calcule a viscosidade mínima que é possível medir com este a.
dispositivo. Admita uma distribuição linear de velocidade no
fluido.
28 NOTAS PARA O ESTUDO DA MECÂNICA DE FLUIDOS
João M. Campos
INTRODUÇÃO AO CONCEITO
DE VISCOSIDADE
Este método de medida poderá ser prejudicado por um even- b.
tual aquecimento do fluido dentro do dispositivo. Estabelecendo
uma expressão para a potência calorífica dissipada, faça uma
análise quantitativa e diga em que casos, grande viscosidade ou
pequena, o aquecimento poderá tornar-se importante.
conta-rotações
motor
500 mm
29 NOTAS PARA O ESTUDO DA MECÂNICA DE FLUIDOS
João M. Campos
HIDROSTÁTICA
2. HIDROSTÁTICA
2.1 Pressão num ponto no seio de um fluido
Um fluido em repouso não está sujeito a tensões de corte. No elemento infinitesimal de fluido
representado na figura, paralelepípedo seccionado por um plano diagonal, só actuam tensões
normais. Por ser infinitesimal, as suas dimensões podem ser tão reduzidas quanto se desejar,
pelo que no limite, o elemento representa um “ponto” no seio do fluido.
p
y
δy
δx
δz
px
p
θ
x
y
o’
o
θ
Um elemento de fluido está em repouso, quando as condições de
equilíbrio estático são verificadas, nomeadamente o somatório vectorial
das forças que sobre ele actuam é nulo.
Equilíbrio de forças na direcção ox :
sen p z y p z x y x
2 2
d d id d d = + i ^ ^ h h (2.1)
p z y p
x y
y
z x y p p x x
2 2
2 2
( d d
d d
d
d d d =
+
+ = i i
^ ^
^ ^
h h
h h (2.2)
p
y
p
x
p
θ
o
θ
θ
30 NOTAS PARA O ESTUDO DA MECÂNICA DE FLUIDOS
João M. Campos
HIDROSTÁTICA
Equilíbrio de forças na direcção oy :
cos p z x g
x y z
p z x y
2
y
2 2
d d t
d d d
id d d + = + i ^ ^ h h (2.3)
p z x g
x y z
x y
x
z x y
p p g
y
2
2
y
x
2 2
2 2
(
d d t
d d d
t
d d
d
d d d
t
d
+ =
+
+
= +
i
i
^ ^
^ ^
h h
h h
(2.4)
Tomando o lim ox, oy, oz÷ 0 o elemento reduz-se a um “ponto”
no seio do fluido e de acordo com as equações (2.2) e (2.4) conclui-se
que:
p p p x y = = i (2.5)
Esta igualdade mostra que no interior de um fluido em repouso
a pressão num “ponto” exerce-se com igual intensidade em todas as
direcções.
2.2 Equação Fundamental da Hidrostática
A equação fundamental da hidrostática resulta da aplicação das
condições de equilíbrio estático necessárias para o fluido permanecer
em repouso. Considere o elemento de fluido infinitesimal, de forma
cúbica, representado na figura.
Equilíbrio segundo a direcção oz :
z
z
p
p δ


+
δy
δz
x
z
0
p
δx
ρ δ g zδ δ x y
31 NOTAS PARA O ESTUDO DA MECÂNICA DE FLUIDOS
João M. Campos
HIDROSTÁTICA
A pressão na face inferior do elemento é p, e na superior p
z
p
z
2
2
d +
,
representando
z
p
z
2
2
d a variação de pressão no interior do fluido num
comprimento infinitesimal .
De um balanço de forças segundo a direcção oz resulta:
0 g z x y p
z
p
z x y p x y
z
p
g "
2
2
2
2
t d d d d d d d d t - - + + = =- c m (2.6)
Equilíbrio segundo a direcção ox :

x
x
p
p δ


+
x
z
0
p
δy
δz
δx
De um balanço de forças segundo a direcção ox resulta:
0 p
x
p
x y z p y z
x
p
0 "
2
2
2
2
d d d d d - + + = = c m (2.7)
Equilíbrio segundo a direcção oy :
De um balanço de forças segundo a direcção oy resulta:
x
z
y
0
p
δy
δz
δx
y
y
p
p δ


+
0 0 p
y
p
y x z p x z
y
p
"
2
2
2
2
d d d d d - + + = = c m (2.8)
32 NOTAS PARA O ESTUDO DA MECÂNICA DE FLUIDOS
João M. Campos
HIDROSTÁTICA
Do equilíbrio nas três direcções conclui-se que:
no interior de um fluido em repouso há uma variação de pressão -
ao longo da direcção vertical, negativa no sentido contrário ao
do vector aceleração da gravidade;
ao longo dos planos perpendiculares ao vector aceleração da -
gravidade, a pressão é constante, i. e., os planos horizontais são
planos isobáricos.
As conclusões anteriores podem ser condensadas em notação vec-
torial:
grad
x
p
i
y
p
j
y
p
k p g
2
2
2
2
2
2
t + + = =
v v v
v v
(2.9)
Fluidos incompressíveis
Sempre que a variação da massa volúmica com a pressão é pouco
significativa, o fluido pode ser tratado como incompressível. No caso de
um fluido incompressível, a equação geral da hidrostática integra-se
facilmente entre dois “pontos” de um fluido em repouso:
d d p g z p p gh
p
p
z
z
1 2
1
2
1
2
& t t =- = + # # (2.10)
h
p
2 z
2
p
1 z
1
z
A altura h, frequentemente denominada por carga de pressão,
representa a altura de uma coluna de líquido, com peso volúmico ¸ = µg,
necessária para obter uma diferença de pressão p
1
- p
2
.
33 NOTAS PARA O ESTUDO DA MECÂNICA DE FLUIDOS
João M. Campos
HIDROSTÁTICA
Fluidos compressíveis
Os gases são, contrariamente aos líquidos, fluidos compressíveis em
particular quando escoam a elevada velocidade, pelo que a sua massa
volúmica varia com a pressão. Assim, para integrar a equação funda-
mental da hidrostática é necessário conhecer a equação de estado do
gás. Se o gás puder ser considerado um gás perfeito:
d
ln
d
p RT
p
p
p
p
R
g
T
z
1
2
z
z
p
p
2
2
1
2
& t = = =- # # (2.11)
em que o valor de R, constante dos gases perfeitos, depende do tipo de
gás, mais propriamente da sua massa molecular.
Em condições isotérmicas (T
0
), a diferença de pressão entre as cotas
z
1
e z
2

é dada por:
exp p p
RT
g z z
2 1
0
2 1
= -
- ^ h
; E (2.12)
Se a diferença de cota não for muito significativa ou o valor da
temperatura muito reduzido, o valor da exponencial é muito próximo
da unidade, resultando p
2
= p
1
. Nestas condições, a pressão no seio de
um gás pode ser considerada, com boa aproximação, uniforme. Esta
aproximação é consequência da massa volúmica dos gases ser muito
baixa, aproximadamente 1000 vezes inferior à da água em condições de
pressão e temperatura ambiente.
2.3 Manómetros diferenciais
O manómetro diferencial utiliza-se para medir diferenças de pressão
e, na sua versão mais simples, é um tubo em U de secção recta reduzida,
que contém no seu interior um líquido de massa volúmica conhecida.
34 NOTAS PARA O ESTUDO DA MECÂNICA DE FLUIDOS
João M. Campos
HIDROSTÁTICA
Exemplo 2.1
Na figura, os “braços” do manómetro estão ligados a recipientes fechados contendo
ar a pressão diferente, p
A
e p
B
. Pretende-se saber, por leitura no manómetro, qual a
diferença de pressão no interior dos recipientes.
2
3
1
4
Ar
Ar
p
A
p
B
Líquido
h
Solução
Analisando os níveis de líquido no manómetro, pode-se afirmar de imediato que a
pressão no recipiente A é maior que no recipiente B, já que o nível de líquido no braço
do manómetro ligado ao recipiente B é maior.
Aplicando a equação fundamental da hidrostática entre os pontos de referência 1
e 3 resulta:
p
1
- p
3
= -µ
ar
gh
Por continuidade, a pressão na interface de dois fluidos (ponto 3) é a mesma, quer
do lado do ar, quer do lado do líquido. As superfícies horizontais no interior do mesmo
fluido são isobáricas logo:
p
3
= p
4
Aplicando a equação fundamental da hidrostática entre os pontos 4 e 2 resulta:
p
4
- p
2
= -µ
L
gh
Adicionando membro a membro as equações anteriores obtém-se:
p
1
- p
2
= (µ
L
- µ
ar
)gh
Mas µ
L
>> µ
ar
logo:
p
1
- p
2
= µ
L
gh ÷ p
A
- p
B
= µ
L
gh
Se o líquido no manómetro fosse água e as pressões p
A
= 1 atm ~ 10
5
Pa e p
B
= 0
(vazio), o desnível (carga de pressão) que se observaria seria aproximadamente de 10
m de coluna de água. No caso de o líquido ser mercúrio, o desnível que se observaria
seria de 760 mm de coluna de mercúrio (experiência de Torricelli).
35 NOTAS PARA O ESTUDO DA MECÂNICA DE FLUIDOS
João M. Campos
HIDROSTÁTICA
Exemplo 2.2
Qual a pressão absoluta p
0
e a pressão manométrica do ar sobre a superfície livre
da água no tanque, sabendo que a pressão atmosférica é 760 mm Hg?
Mercúrio (13600 kg/m)
3
0,50 m
0,75 m
0,65 m
0,40 m
1
6
Água
Ar p
0
Óleo (800 kg/m)
3
Atmosfera
4
3 2
5
7
Solução
Aplicando sucessivamente a equação fundamental da hidrostática resulta:
p
0
= p
1
(pressão uniforme no ar)
p
1
- p
2
= -0,65µ
H2O
g
p
2
= p
3
(plano isobárico)

p
3
- p
4
= 0,75µ
Hg
g
p
4
- p
5
= -0,50µ
óleo
g
p
5
= p
6
(plano isobárico)
p
6
- p
7
= 0,40µ
Hg
g
p
7
= p
atm
Substituindo os dados da figura, o valor da pressão absoluta é p
0
~ 2,4¬10
5
Pa.
A pressão manométrica ou relativa é obtida subtraindo à pressão absoluta a pressão
atmosférica, p
0
- p
atm
~ 2,4¬10
5
Pa.
2.4 Forças em superfícies submersas
Sobre uma superfície em contacto com um fluido em repouso ou
sobre um corpo submerso, a força de pressão é sempre normal à super-
36 NOTAS PARA O ESTUDO DA MECÂNICA DE FLUIDOS
João M. Campos
HIDROSTÁTICA
fície/corpo e é sempre compressiva e nunca de tracção, i.e., exerce-se
sempre contra a superfície/corpo.
2.4.1 Superfícies planas verticais
Pretende-se determinar a força hidrostática na “janela” rectangular
(ABCD) situada sobre uma das faces laterais de um tanque com água.
A figura mostra a “janela” rebatida sobre o plano do papel. A altura da
“janela” é b e o seu comprimento a.

z
i
b
a
δz
i
z
A
B C
D
Rebatimento
L
i
δ δ A L z
i i i
=
A
B
p
atm
C
D
h
0
O líquido exerce sobre a “janela” uma pressão que varia ao longo
do eixo dos z de acordo com a equação fundamental da hidrostática. A
origem do eixo dos z, por uma questão de simplicidade, foi colocada na
superfície livre do líquido.
Para determinar a força de pressão, seleccionou-se uma tira infini-
tesimal rectangular i de comprimento L
i
e espessura oz
i
que dista z
i
da
superfície livre do líquido. No limite quando oz
i
÷ 0, a tira tende para
uma linha horizontal ao longo da qual a pressão é uniforme (a linha
pertence a um plano isobárico, paralelo à superfície livre).
A força de pressão,oF
i
, na tira é dada por:
oF
i
= p
i
oA
i
(2.13)
Segundo a equação fundamental da hidrostática, a pressão na tira
depende da sua distância à superfície livre (origem dos eixos):
p
i
= p
atm
+ µgz
i
÷ oF
i
= (p
atm
+ µgz
i
)L
i
oz
i
(2.14)
A força de pressão total é dada pelo somatório das forças no número
infinito de tiras infinitesimais em que se pode dividir a “janela” :
37 NOTAS PARA O ESTUDO DA MECÂNICA DE FLUIDOS
João M. Campos
HIDROSTÁTICA
F gz L z i
i
atm i
i
i i
1 1
d t t d = -
3 3
= =
^ h / / (2.15)
Recorrendo à definição de integral definido de uma função contínua
obtém-se:
lim d F F p gz L z
z
i
i
atm
h
h b
0
0
i
0
0
d t = = +
"
3
d
=
+
^ h / # (2.16)
Integrando, obtém-se a força interna, oF
int
, exercida sobre a “janela”,
(L = a):
F p ab g ab h
b
2
0 int atm t = + ` j
(2.17)
A primeira parcela representa a força que a pressão atmosférica
exerce interiormente sobre a janela e aparece pelo facto da superfície
livre estar aberta para a atmosfera.
De uma forma semelhante pode calcular-se a força exterior exer-
cida sobre a janela pela pressão atmosférica:
d F p L z Fext p L z p ab i atm i i atm atm
h
h b
0
0
" d d = = =
+
# (2.18)
Considerou-se sobre toda a janela uma pressão uniforme e igual à
atmosférica. A intensidade da força resultante, interior e exterior, exer-
cida sobre a janela é dada por:
F F F gab h
b
2
0 int total ext t = - = + ` j
(2.19)
A direcção desta força é horizontal, perpendicular à superfície da
“janela”, e o seu sentido é de dentro para fora. A força resultante pode
ser calculada numa só integração, basta lembrar que as forças interna
e externa têm a mesma direcção e sentidos opostos. Em sistemas com
superfície livre aberta para a atmosfera, a força resultante pode ser
calculada por simples integração da pressão manométrica.
38 NOTAS PARA O ESTUDO DA MECÂNICA DE FLUIDOS
João M. Campos
HIDROSTÁTICA
2.4.2 Superfícies planas inclinadas
Considere uma “janela” triangular contida numa superfície plana
inclinada, ângulo u com a superfície horizontal, tal como mostra a
figura. Pretende-se determinar a força hidrostática sobre a "janela"
triangular, altura b e lado da base c, e o momento dessa força em
relação ao eixo ’ oo .
Tal como no exemplo anterior é necessário “encontrar” uma tira
infinitesimal onde, no limite, a pressão seja uniforme. A direcção z é
a da aceleração da gravidade (vertical) e a direcção x a da superfície
inclinada; a origem de ambos os eixos está colocada na superfície livre.
A tira infinitesimal i escolhida tem espessura ox
i
, comprimento L
i
e dista
z
i
da superfície livre.
p
atm
z
o
o’
o’
Rebati mento
o
o
a
b
L
i
δx
i
c
x
x
z
i
θ
x
i
A força hidrostática sobre a tira infinitesimal i é dada por:
F F F p gz p L x , , int i i i ext atm i atm i i d d d t d = - = + - ^ h 6 @ (2.20)
Mas devido à inclinação da parede e à geometria da “janela”, z
i
e L
i

são função de x
i
:
sen z x
x a
L
b
c
L
b
c
x a i i
i
i
i i " / i =
-
= = - ^ h (2.21)
A segunda condição resulta da semelhança de triângulos (teorema
de Thales). A expressão x
i
- a representa a distância, segundo a direcção
x, do vértice do triângulo à tira infinitesimal. A força hidrostática sobre
a janela é dada por:
lim sen d F F gx
b
c
x a x
x
i
i
a
a b
0
1
i
d t i = = -
"
3
d
=
+
^ ^ h h / # (2.22)
39 NOTAS PARA O ESTUDO DA MECÂNICA DE FLUIDOS
João M. Campos
HIDROSTÁTICA
sen F g
b
c
a b
b a a
6
2
6
2
3
t i = +
-
+ ^ c h m ; E
(2.23)
Para calcular o momento da força hidrostática relativamente ao eixo
’ oo é necessário voltar a analisar a tira infinitesimal. A intensidade do
vector momento relativamente ao eixo ’ oo é dada pelo produto da força
de pressão na tira pela distância na perpendicular do eixo à linha de
acção da força (braço da força). Como a força de pressão é perpendi-
cular à tira, o braço é a distância, ao longo do plano inclinado, entre a
tira e o eixo, i.e., x
i
.
A direcção do vector momento é perpendicular ao plano que contém
a força na tira e o respectivo “braço” , i.e., tem a direcção do eixo ’ oo .
O sentido do vector momento é dado pelo sentido da progressão de um
saca-rolhas; o sentido anti-horário é positivo e o horário negativo. No
exemplo da figura anterior, a força hidrostática faz a “janela” rodar, em
torno do eixo ’ oo , no sentido anti-horário.
A intensidade do momento da força de pressão na tira e a intensi-
dade do momento da força de pressão na “janela” são dados por:
M x F x p gz p L x , ’ i oo i i i atm i atm i i d d t d = = + - ^ h 6 @ (2.24)
lim d M M x p gz p L x , ’ ’
x
i oo
i
oo atm atm
a
a b
0
1
i
d t = = + -
"
3
d
=
+
^ h 6 @ / # (2.25)
d sen
sen
M gx
b
c
x a x x
g
b
c
a b
b a a
12
3
12
’ oo
a
a b
3
4
t i
t i
= - =
= +
-
+
+
^ ^
^ c
h h
h m ; E
#
(2.26)
Exemplo 2.3
Uma comporta BEF é suportada por uma coluna CD. As articulações B, C e D são
rótulas (dobradiças) e a largura da comporta é 2,4 m (direcção perpendicular ao plano
do papel):
a- calcule as componentes horizontal e vertical da força hidrostática sobre a com-
porta; b- determine a força na dobradiça B e no apoio D.
Dados: µ
óleo
=800 kg/m
3
, µ
água
=1000 kg/m
3
. Tome g = 10 m/s
2
.

1
1
60º
45º
B
C
D
E
F
Água
Óleo
patm
1,0 m
0,5 m
1,0 m
1,0 m
40 NOTAS PARA O ESTUDO DA MECÂNICA DE FLUIDOS
João M. Campos
HIDROSTÁTICA
Solução
Força (F
1
) que o óleo exerce na comporta.
δF
i
Óleo
Água
p
atm
p
atm
z
i
A origem do eixo dos z está situada na superfície livre do
óleo.
F F F p gz p L x , , int i i i ext atm i atm i i d d d t d = - = + - ^ h 6 @
, d F zL z gL g
2
1
9 6 kN leo oleo o 1
0
1
. t t = = #
Força que a água exerce na comporta.
δF
i
Óleo
Água
p
atm
p
atm
z
i
A água exerce força na parte vertical da comporta e na parte
inclinada.
Secção vertical da comporta (F
2
). A origem do eixo dos z
está situada na interface óleo-água.
z F p g gz p L i atm leo H O i atm i i o 2
d t t d = + + - ^ h 6 @
, d F L z g gz 12 6 kN
,
oleo H O 2
0
0 5
2
t t = = + ^ h #
p
atm
p
atm
Óleo
Água
δF
i
60º
x
i
z
i
Secção inclinada da comporta (F
3
). A origem do eixo dos z
está situada no plano horizontal que separa a parte vertical
da comporta da parte inclinada.
0, 5 F p g gz p L x
i atm leo H O H O i atm i i g o 2 2
d t t t d = + + + - ^ h 6 @
, dx F z L g g 0 5 oleo H O 3
0
2
2
t t = + + ^ h 6 @ #
, xsen dx F L g g 0 5 60 104 kN oleo H O 3
0
2
2
t t = + = + ^ h 6 @ #
Componentes da força hidrostática sobre a comporta.
Óleo
Água
F
1
F
2
F
3
60º
60º
30 112 cos F F F F kN H 1 2 3 = = + +
cos F F 60 52 kN V 3 = =
41 NOTAS PARA O ESTUDO DA MECÂNICA DE FLUIDOS
João M. Campos
HIDROSTÁTICA
Equilíbrio estático da comporta
Óleo
Água
F
1
F
2
F
3
F
CD
F
B,V
F
B,H
45º
Sobre a barra CD actuam somente duas forças: as exerci-
das pelas rótulas C e D. Para a barra CD estar em equi-
líbrio é necessário que o somatório dos momentos das
forças aplicadas em relação a um eixo (representado por
um ponto no plano) seja nulo. Esta condição só é verifi-
cada, se as duas forças que actuam na barra tiverem a
mesma linha de acção, neste caso coincidente com a
direcção da barra, e sentidos contrários. Esta conclusão
tem de ser observada sempre que sobre um sistema em
equilíbrio estático actuem somente duas forças.
Do equilíbrio da rótula C conclui-se que a força
exercida sobre a comporta, F
CD
, tem de ter a direcção da
barra CD e o sentido de D para C. Na rótula B o sentido
e direcção da força sobre a comporta é desconhecido, pelo que se representa a força
pelas suas duas componentes ortogonais, F
B,V
e F
B,H
(sentidos arbitrados).
Analisando a figura onde estão representadas as forças que actuam sobre a
comporta conclui-se que há três incógnitas, F
B,V
, F
B,H
e F
CD
. As equações escalares de
equilíbrio estático da comporta são igualmente três: o somatório das componentes hori-
zontais das forças igual a zero, o somatório das componentes verticais das forças igual
a zero e o somatório dos momentos das forças relativamente a um eixo perpendicular
ao plano, representado por um ponto no plano, igual a zero.
Momento das forças aplicadas na comporta relativamente ao eixo de rotação repre-
sentado na figura pelo ponto B.

δF
i
60º
Óleo
Água
B
b
z
i
3 5 , 1 +
A escolha deste eixo tem vantagens, já que os momentos
das forças F
B,V
e F
B,H
(ambas incógnitas) são iguais a
zero.
, M b F z F 1 5 3 B i i i d d d = = + - ^ h
, z 24, 6 d M gz L z 1 5 3 kN.m , F B oleo
0
1
1
t = + - = ^ ^ h h
#
, M b F z F 0 5 3 B i i i d d d = = + - ^ h


δF
i
60º
Óleo
Água
B
b
z
i
3 5 , 0 +
, , d M g gz z L z 0 5 3 14 0 kN.m , H O
,
F B oleo 2
0
0 5
2 t t = + + - = ^
^
h
h
#
42 NOTAS PARA O ESTUDO DA MECÂNICA DE FLUIDOS
João M. Campos
HIDROSTÁTICA
patm
patm
Óleo
Água
δFi
60º
zi
xi
b

x M b F F 2 B i i i d d d = = - ^ h
, xsen x , dx H O M g g L 0 5 60 90 0 2 kN.m , F B oleo 3 2
0
2
t t = + - = ^ ^ h h
#
Somatório dos vectores momento relativamente ao eixo de rotação B:
1 45 0 cos M M M F
F kN 182
, , , F B F B F B CD
CD
1 2 3 # - - - + =
=
Tal como já foi referido anteriormente, os vectores momento têm todos direcção
perpendicular ao plano do papel. O sentido de cada vector é positivo se da sua acção
resultar a rotação do sistema no sentido anti-horário e negativo se a rotação for no
sentido horário.
Dos somatórios das componentes horizontais e das componentes verticais das for-
ças aplicadas à comporta obtém-se F
B,V
e F
B,H
.
Exemplo 2.4
Na figura seguinte está representada uma pirâmide regular de base quadrada (1 m
de lado) “colada” a uma caixa paralelepipédica. Determine:
A pressão em B. a.
A componente horizontal da força hidrostática sobre uma das faces da pirâ- b.
mide.
A componente vertical da força hidrostática sobre uma das faces da pirâmide. c.
Dados: µ
óleo
=800 kg/m
3
, µ
água
=1000 kg/m
3
.
1,0 m 0,5 m
Água
2
3
1
Óleo
A
B
C
4
p
atm
1,0 m
Solução
a. Aplicando a equação geral da hidrostática entre os pontos de referência assi-
nalados na figura, partindo da superfície do óleo até ao ponto B, obtém-se:
0, 5 0, 5 1, 0 , p p g g g 9 9 10 Pa
4
B atm leo H O H O o 2 2
# t t t = + + - =
b. Na figura seguinte está representada uma face lateral da pirâmide rebatida
no plano do papel.

δxi
Li
A
B B
C C
z
x
Pirâmide em corte Face lateral rebatida
H
xi
43 NOTAS PARA O ESTUDO DA MECÂNICA DE FLUIDOS
João M. Campos
HIDROSTÁTICA
A força exercida na tira infinitesimal i de espessura ox
i
e comprimento L
i
é dada por:
F p gz p L x i B H O i atm i i 2
d t d = + - ^ h 6 @
A força de pressão na face da pirâmide é dada pelo integral:
F p gz p Ldx
B H O atm
H
0
2
t = + - ^ h 6 @ #
Mas tanto z como L variam com x, havendo necessidade de recorrer a relações
geométricas:
, L
x H
L
H
x
1 0
" = = (teorema Thales) , x cos tg z H
2
1
1 12m / / i i = = =
A força resultante é normal à face da pirâmide, sendo as suas componentes dadas por:

C
B
F F
V
F
H
θ
θ
sen cos F F F F v H / i i = =
2.4.3 Superfícies curvas
Método de integração da pressão.
Há casos de geometrias curvas simples, cilindros e esferas, em que
o cálculo da força de pressão por integração da pressão na área em que
actua é possível. Considere-se um cilindro de comprimento L, mergu-
lhado num líquido de massa volúmica µ, com o eixo paralelo à superfície
livre do líquido.
L
i
z
i
δθ
i
Superfície livre
É necessário encontrar uma tira infinitesimal, onde, no limite da
espessura, a pressão seja uniforme, quer em intensidade, quer também
em direcção e sentido. A tira representada na figura, desenhada a partir
de um acréscimo de arco ou
i
, satisfaz estas condições. A área infinitesi-
mal da tira é dada por oA
i
= L
i
arc ou
i
. Recorrendo a relações geométricas
pode-se exprimir esta área em função do incremento de ângulo ou
i
:
44 NOTAS PARA O ESTUDO DA MECÂNICA DE FLUIDOS
João M. Campos
HIDROSTÁTICA
R
arc
arc R A RL tg i i
i
i i i i i " " , di di
di
di di d di = = = (2.27)
Na figura seguinte está representada uma vista de topo do cilindro
com as respectivas componentes da força de pressão na tira. O próximo
passo é exprimir cada uma destas componentes em função do incre-
mento de ângulo ou
i
.

h
0
θ
i
θ
i
δθ
i
F
F
V
F
H
p
atm
Componente vertical da força de pressão - :
cos cos cos F F p A p RL V i i i i i i i i i i
d i d i d i di = = = ^ h (2.28)
A pressão na tira é função da distância à superfície livre que por sua
vez é função de u
i
. Por relações geométricas obtém-se:
cos p p gz z h R R i atm L i i 0 i / t i = + = + -
] g (2.29)
A relação geométrica entre z
i
e ou
i
está esquematizada na figura
seguinte.
h
0
Superfície livre
θ
i
z
i
R cos θ
i
R R - cos θ
i
Substituindo a equação (2.29) na (2.28), obtém-se:
cos cos F p g h R R RL V atm L i i i i 0 i d t i i di = + + -
^ h 7 A (2.30)
Somando as forças de pressão que actuam sobre um infinito
número de tiras infinitesimais ao longo da superfície lateral do cilindro
obtém-se:
45 NOTAS PARA O ESTUDO DA MECÂNICA DE FLUIDOS
João M. Campos
HIDROSTÁTICA
cos d
cos d
F F p gh gR RL
gR L
lim
V V atm L L
L
0
0
0
2
2 2
0
2
i
i
t t i i
t i i
= = + + -
-
"
3
di
r
r
_ i / #
#
(2.31)
Integrando, obtém-se a componente vertical da força de pressão
que não é mais do que a impulsão sofrida por um corpo imerso num
fluido. Arquimedes dizia “um corpo mergulhado num líquido sofre da
parte deste uma força vertical de baixo para cima cuja intensidade é
igual ao peso do volume de líquido deslocado”.
F g R L V L
2
t r =- (2.32)
O sinal negativo indica que o sentido da força é de baixo para cima
contrário ao sentido positivo do eixo dos z.
Componente horizontal da força de pressão. -
Recorrendo às figuras e relações anteriores, obtêm-se as seguintes
expressões para a componente horizontal da força de pressão:
sen sen sen F F p A p RL H i i i i i i i i i i d i d i d i di = = =
^ h (2.33)
cos p p gz z h R R i atm L i i i 0 / t i = + = + -
^ h (2.34)
cos sen F p g h R R RL H atm L i i i i 0 i d t i i di = + + -
^ h 7 A (2.35)
0
sen d
cos sen d
F p gh gR RL
gR L
H atm L L
L
0
0
2
2
0
2
t t i i
t i i i
= + + -
- =
r
r
_ i
#
#
(2.36)
Resolvendo o integral, conclui-se que a componente horizontal da
força de pressão sobre o cilindro é nula, i.e., um objecto mergulhado
num fluido em repouso não se desloca no plano horizontal. Este com-
portamento é facilmente entendido, já que é sempre possível encontrar
na superfície do cilindro duas tiras infinitesimais onde as componentes
horizontais da força de pressão são iguais em intensidade e direcção
mas têm sentidos opostos.
46 NOTAS PARA O ESTUDO DA MECÂNICA DE FLUIDOS
João M. Campos
HIDROSTÁTICA
Nem sempre a geometria da superfície curva é tão simples! É neces-
sário um método geral para determinar a força de pressão em superfí-
cies curvas.
Método da projecção
Considere um tanque com água, em que uma das faces laterais tem
a extremidade com forma cilíndrica (eixo paralelo à superfície livre). A
superfície lateral cilíndrica pode ser dividida, por incrementos de ângulo,
em tiras infinitesimais de área oA
i
. Uma dessas tiras está representada
na figura numa escala aumentada. O arco infinitesimal correspondente
ao incremento de ângulo está representado por um segmento de recta,
já que um arco de circunferência é bem aproximado por um número
infinito de segmentos de recta de comprimento infinitesimal.
x
o
Superfície livre
z
p
i
p
i
θ
i
i
cos θ δ
i i
A
p
i i
cos θ
δ A
O ângulo u
i
é o ângulo que a força de pressão na tira faz com o eixo ox .
Componente horizontal da força de pressão -
A componente horizontal da força de pressão na tira infinitesimal é
p
i
oA
i
cosu
i
. Mas oA
i
cosu
i
não é mais do que a projecção de oA
i
num plano
perpendicular a ox .
cos F p A p proj A H i i i i oz i i d d i d = =
"
(2.36)
Esta relação verifica-se, qualquer que seja u
i
e qualquer que seja a
forma da superfície curva. Conclui-se que:
“A componente, segundo um dado eixo, da força de pressão que
se exerce sobre uma superfície de orientação e forma qualquer, é
sempre igual à força de pressão sobre a projecção dessa superfície
num plano perpendicular ao eixo considerado.”
47 NOTAS PARA O ESTUDO DA MECÂNICA DE FLUIDOS
João M. Campos
HIDROSTÁTICA

x
o
z
S
A δ
i
cos θ δ
i i
A
θ
i
p
i
proj Soz
A componente horizontal da força de pressão que se exerce numa
superfície curva S de forma irregular é dada por:
cos d d proj F p A p A
proj
H oz
S S oz
i = =
"
"
^ h # # (2.37)
Desta forma, é possível substituir o cálculo de um integral compli-
cado sobre S, pelo cálculo simples da força de pressão sobre a projec-
ção da superfície S num plano vertical (perpendicular a ox ).
Componente vertical da força de pressão -

Superfície livre
z
x
p
i
p
i
θ
i
A δ
i
sen θ δ
i i
A
p
i i
sen θ
A componente vertical da força de pressão sobre a tira infinitesimal
representada na figura é dada por:
sen F p A V i i i i d d i = (2.38)
Considerando pressões manométricas, a pressão na superfície livre
é igual a zero e na tira infinitesimal é dada por p
i
= µ
L
gh
i
, em que h
i
é a
distância da tira infinitesimal à superfície livre. Substituindo esta rela-
ção na equação anterior obtém-se:
sen F gh A Vi L i i i d t i d = (2.39)
Mas senu
i
oA
i
representa a proj ox oA
i
, e h
i
senu
i
oA
i
é o volume elemen-
tar de líquido contido entre a tira de área oA
i
e a superfície livre.
48 NOTAS PARA O ESTUDO DA MECÂNICA DE FLUIDOS
João M. Campos
HIDROSTÁTICA

proj S
ox
Superfície livre
S A δ
i
sen θ δ
i i
A
θ
i
p
i
h
i
A componente vertical da força de pressão sobre a tira passa a ser
dada por:
proj F gh A g V Vi L i ox i L i d t d t d = =
"
(2.40)
em que oV
i
representa o volume de líquido compreendido entre a tira infi-
nitesimal e a superfície livre. Estendendo a toda a superfície, resulta:
d F g V gV V L
V
L t t = = # (2.41)
em que V representa o volume contido entre a superfície onde a força
de pressão actua e a sua projecção na superfície livre.
Como conclusão, a componente vertical da força de pressão sobre
uma superfície é igual ao peso do líquido medido verticalmente entre a
superfície onde a força actua e a superfície livre.
Se a superfície é fechada, qualquer que seja a sua forma, é fácil
obter, por simples subtracção, a componente vertical da força de pres-
são (impulsão).
V
2
V
1
V
1
V
2
Superfície livre
V
2
F
V
1
F
F F F gV gV gV 2 1 V V V L L L S 2 1 t t t = - = - = (2.42)
Nesta equação, F
V
1
representa a componente vertical da força de
pressão com sentido de cima para baixo que actua na superfície de con-
torno do sólido e F
V
2
a componente vertical da força de pressão com
49 NOTAS PARA O ESTUDO DA MECÂNICA DE FLUIDOS
João M. Campos
HIDROSTÁTICA
sentido de baixo para cima que igualmente actua na superfície de con-
torno do sólido. O volume V
S
é o volume do sólido e a intensidade da
componente vertical da força de pressão é igual à impulsão.
Exemplo 2.5
O cilindro representado de topo na figura tem 3 m de diâmetro e 5 m de compri-
mento (direcção perpendicular ao plano do papel). Qual a grandeza, direcção e sentido
da força hidrostática que sobre ele actua ?
Água
Água 1,5 m
Solução: Resolução pelo método das projecções
Componente Vertical -
Um quarto de cilindro (lado direito da figura) e meio cilindro (lado esquerdo da
figura) sofrem a acção da força de pressão da água.
Água
Água
Superfície livre
Superfície livre
VA
VB
x
z VC
No quarto de cilindro, a componente vertical da força de pressão que actua sobre
a superfície tem sentido de baixo para cima. A superfície projectada sobre a superfície
livre tem a forma de um rectângulo, de largura igual ao raio e comprimento igual ao do
cilindro. O volume compreendido entre a superfície onde a pressão actua e a projecção
desta superfície sobre a superfície livre é o volume do quarto de cilindro (V
A
).
4
1
F gV gV V H O A H O cilindro 1 2 2 t t =- =-
No meio cilindro, a componente vertical da força de pressão actua sobre a super-
fície em diferentes sentidos: de baixo para cima no quarto de cilindro mais afastado da
superfície livre e de cima para baixo no quarto de cilindro em contacto com a superfície
livre. Em ambos os casos a superfície projectada sobre a superfície livre tem a forma
de um rectângulo de largura igual ao raio e comprimento igual ao do cilindro.
No caso do quarto de cilindro mais afastado da superfície livre, o volume compreen-
dido entre a superfície onde a pressão actua e a projecção desta superfície na superfície
livre é igual à soma dos volumes V
B
e V
C
.
F g V V V H O B C 2 2 t =- +
^ h
No caso do quarto de cilindro em contacto com a superfície livre, o volume com-
preendido entre a superfície e a projecção desta superfície na superfície livre é igual
ao volume V
C
.
F gV V H O C 3 2 t =
50 NOTAS PARA O ESTUDO DA MECÂNICA DE FLUIDOS
João M. Campos
HIDROSTÁTICA
Somando as componentes verticais das forças de pressão resulta:
4
3
4
3
F g V V V gV gV g R L
2
V H O A B H O C H O cilindro H O 2 2 2 2 C t t t t r =- + + + =- =- ^ h
Componente horizontal -
A superfície lateral do quarto de cilindro projectada num plano vertical tem a forma
de um rectângulo de altura igual ao raio e comprimento igual ao comprimento do cilin-
dro. A força de pressão actua no sentido positivo do eixo dos x .
Para determinar a componente horizontal da força de pressão, basta integrar a
pressão na área projectada, i. e., na superfície plana vertical representada na figura.
2
1
d F gzL z gLR
0
2
H H O
R
H O 1 2 2 t t = = #

x
z
No meio cilindro, a componente horizontal da força de pressão actua sobre toda a
superfície no sentido negativo do eixo dos x. A superfície lateral do meio cilindro pro-
jectada num plano vertical tem a forma de um rectângulo de altura igual ao diâmetro
e comprimento igual ao comprimento do cilindro.

x
z
Para determinar a componente horizontal da força basta integrar a pressão na área
projectada, i. e., na superfície plana vertical representada na figura.
2 d F gzL z gLR
0
2
2
H H O
R
H O 2, 3 2 2 t t =- =-
#
Somando as componentes horizontais da força de pressão resulta:
2
1
2
2
3
F gLR gLR gLR
2 2 2
H H O H O H O 2 2 2 t t t = - =-
Caso não haja nenhuma força a contrariar o movimento, o cilindro desloca-se no
sentido negativo do eixo dos x.
2.5 Equilíbrio relativo
A equação fundamental da hidrostática foi deduzida sabendo que num
qualquer elemento no interior do fluido não actuam tensões de corte.
Quando um fluido é transportado de tal forma que todos os seus elementos
51 NOTAS PARA O ESTUDO DA MECÂNICA DE FLUIDOS
João M. Campos
HIDROSTÁTICA
têm a mesma velocidade, não há deslocamento relativo entre os elemen-
tos e não se desenvolvem tensões de corte no seu interior. Um exemplo
é quando se transporta um copo com água. Já ouviram falar certamente
de corridas entre pessoas que transportam copos com água em bandejas.
Porque será que estes “maratonistas” têm de ter uma velocidade contro-
lada? É evidente que é para a água não transbordar. Mas já pensaram qual
a relação entre a velocidade do “maratonista” e a quantidade de água que
transborda? E por que sítio do copo transborda mais água?
Considere-se o caso de um tanque, contendo líquido com massa volú-
mica µ, que se desloca em movimento rectilíneo uniformemente acele-
rado na horizontal. Tome um elemento infinitesimal de fluido de forma
cilíndrica, com eixo paralelo à direcção do movimento, comprimento ox e
área das bases oA. Para o elemento estar em equilíbrio é necessário que se
exerça sobre o elemento uma força que se “oponha” à força de inércia:
F a m x x d d = (2.43)
em que oF
x
é a força de inércia na direcção horizontal, a
x
é a aceleração
horizontal exterior imposta ao elemento de fluido e om a massa do ele-
mento de fluido.
δA
p A δ
(p+ p) A δ δ
δx
a
x
A força que se opõe à força de inércia resulta da diferença de pres-
são entre a base e o topo do elemento:
p A p p A ma p A A xa
x
p
a x L x L x " "
2
2
d d d d d d t d d t - + = - = - =
_ i (2.44)
Conclui-se que se houver aceleração segundo uma direcção é neces-
sário uma variação de pressão no fluido ao longo dessa direcção para
que não haja movimento relativo entre os elementos de fluido. O sentido
positivo desta variação é contrário ao sentido da aceleração.
Com base na equação anterior, a diferença de pressão entre dois
pontos situados numa linha segundo a direcção do movimento, é dada
(após integração) por:
p p a L 1 2 L x t - = (2.45)
em que L representa a distância entre os pontos.
52 NOTAS PARA O ESTUDO DA MECÂNICA DE FLUIDOS
João M. Campos
HIDROSTÁTICA

θ
h
2
h
1
L
1 2
p
atm
Por outro lado, dado que a aceleração actua numa direcção perpen-
dicular à da força de gravidade, para haver equilíbrio estático continua
a ter de se observar a equação fundamental da hidrostática tal como foi
demonstrado no início do capítulo:
z
p
g p p g h h L L 1 2 1 2 "
2
2
t t =- - = -
^ h (2.46)
Só no caso de a superfície livre estar inclinada é que se podem obser-
var simultaneamente as duas relações de equilíbrio segundo x e z.
Combinando as equações (2.45) e (2.46), obtém-se:
tg a L g h h
L
h h
g
a
1 2
1 2
L x L
x
& t t i = -
-
= =
^ h (2.47)
O ângulo u mede a inclinação da superfície livre relativamente a um
plano horizontal.
Tem interesse, de seguida, considerar o movimento uniformemente
acelerado rectilíneo, mas não necessariamente na direcção horizontal. A
2ª lei de Newton na sua forma vectorial é expressa por F ma d d =
" "
/ , a qual
conduz a três equações escalares: oF
x
= oma
x
, oF
u
= oma
y
,

oF
z
= oma
z
.

y x z
z
p
p δ δ δ


+ ) (
x z y
y
p
p δ δ δ


+ ) (
y z x
x
p
p δ δ δ


+ ) (
y x p δ δ
z x p δ δ
z y p δ δ
Num elemento paralelepipédico de arestas ox, oy e oz sujeito a uma
aceleração constante , , a a a a x y z
"
^ h, o equilíbrio estático é expresso por:
p y z p
x
p
x y z y z xa
p x z p
y
p
y x z y z xa
p y x p
z
p
z y x y z xg y z xa
L x
L y
L L z
2
2
2
2
2
2
d d d d d t d d d
d d d d d t d d d
d d d d d t d d d t d d d
- + =
- + =
- + - =
c
d
c
m
n
m
Z
[
\
]
]
]
]
]
]
(2.48)
53 NOTAS PARA O ESTUDO DA MECÂNICA DE FLUIDOS
João M. Campos
HIDROSTÁTICA
grad
x
p
a
y
p
a
z
p
a g
p a g
L x
L y
L z
L &
2
2
2
2
2
t
t
t
t
=-
=-
=- +
=- -
" " "
_
a
i
k
Z
[
\
]
]
]
]
]
]
(2.49)
Um caso particular, curioso e com interesse, é o da queda livre de
um recipiente contendo um líquido. Neste caso, 0 grad a g p " = =
" " "
, o
que significa que a pressão é constante no interior de todo o líquido e
igual à pressão sobre a superfície livre.
A equação fundamental da hidrostática é um caso particular da
equação (2.49) em que 0 a =
"
:
gradp g
z
p
g L L "
2
2
t t = =-
" "
(2.50)
com oz
"
dirigido para cima.
Exemplo 2.6
Uma vagoneta com água é abandonada num plano inclinado como mostra a figura.
Se o ângulo u for de 15º, diga qual a inclinação | da superfície livre relativamente à
horizontal. Admita que o ar não oferece resistência ao deslocamento da vagoneta e que
não há atrito nas rodas.
θ
φ Água
Solução
O sistema de eixos utilizado para resolver este exercício é o que está representado
na figura seguinte, sendo a direcção x a da superfície livre inclinada. O vector aceleração
da gravidade está decomposto segundo a direcção dos eixos escolhidos.
θ
x
y
g sen θ
g
A equação de equilíbrio na sua forma vectorial é dada por:
grad p a g H O 2 t =- -
" " "
a k
O vector aceleração da vagoneta é, no sistema de coor-
denadas escolhido, dado pela componente activa do vector
aceleração da gravidade:
sen a g i i =
" "
A gravidade exerce-se nos elementos de fluido segundo as duas direcções :
sen cos g g i g j i i = -
" " "
54 NOTAS PARA O ESTUDO DA MECÂNICA DE FLUIDOS
João M. Campos
HIDROSTÁTICA
Substituindo resulta:
0 sen sen
cos
x
p
g g
y
p
g
H O
H O
2
2
2
2
2
2
t i i
t i
=- - =
=-
^ h
'
(
Em conclusão, as superfícies de pressão uniforme (isobáricas) são superfícies
paralelas ao plano inclinado. Na superfície livre, a pressão é uniforme (atmosférica)
pelo que esta superfície é paralela ao plano inclinado, u = | = 15º.
Exemplo 2.7
Um tanque cúbico com 2 m de lado tem no seu interior um prisma de base quadran-
gular (L
x
= 0,7 m, L
y
= 0,7 m, L
z
= 1 m) com duas faces horizontais, uma contendo a aresta
EF e outra a aresta GH. O tanque é fechado, está cheio de água, e sofre uma aceleração
horizontal de intensidade 10 m/s
2
. Calcule a força hidrostática sobre o prisma.
a
x
x
z
A B
C D
E F
G H
Solução
A equação de equilíbrio estático na forma vectorial :
grad p a g H O 2 t =- -
" " "
a k
O tanque tem aceleração horizontal, segundo a direcção x, e a gravidade actua
sobre os elementos de fluido segundo a direcção z, pelo que:
z
g
x
p
p
a H O x
H O
2
2
2
2
2
2
t
t
=-
=-
Z
[
\
]
]
]]
A variação total de pressão é expressa por:
d d d d p
x
p
dx
z
p
dz p a x g z H O x H O 2 2 "
2
2
2
2
t t = + =- -
Integrando resulta:
p a x gz C H O x H O 2 2 t t =- - +
A constante de integração pode ser determinada desde que a pressão num ponto
seja conhecida, o que não é o caso.
55 NOTAS PARA O ESTUDO DA MECÂNICA DE FLUIDOS
João M. Campos
HIDROSTÁTICA
Força hidrostática na face horizontal que contém a aresta EF -
Esta face é perpendicular ao eixo dos z (cota L
z
) pelo que a pressão na face só varia
ao longo de x. A pressão é uniforme numa tira infinitesimal com comprimento segundo
y e espessura ox
i
:
F pL x i y i d d =
Estendendo a um número infinito de tiras infinitesimais sobre a face resulta:
d F a x gL C L x a L
L
gL L L CL L
2
EF H O x
H O
L
y
H O
x
x
H O z x y x y
0
2
z
x
y 2
2 2
2
t t t t = - - + =- - + ^ h
#
Força hidrostática na face horizontal que contém a aresta GH -
Esta face é paralela à face que contém a aresta EF pelo que o cálculo da força é
semelhante. A única diferença é que a cota da face é 0 em vez de L
z
.
2
d F a x C L x a L
L
CL L
0
GH
H O
x
L
y
H O
x y
x
x y
2
x
2 2
t t = - + =- + ^ h
#
Componente vertical da força hidrostática sobre o prisma -
F F gL L L gV GH EF H O x z H O prisma 2 y 2
t t - = =
O resultado anterior mostra que a componente vertical da força que se exerce
sobre o prisma é uma vez mais a força de impulsão. O resultado seria diferente se o
sistema estivesse sujeito a uma aceleração vertical. No caso da aceleração vertical ter
sentido contrário ao do eixo dos z, a componente vertical da força sobre o prisma seria
dada por:
F F g a V GH EF H O z prisma 2 t - = - ] g
Força hidrostática na face vertical que contém a aresta FH -
Esta face é perpendicular ao eixo dos x (afastamento L
x
) pelo que a pressão na face
só varia ao longo de z. A pressão é uniforme numa tira infinitesimal com comprimento
segundo y e espessura oz
i
:
F pL z i y i d d =
Estendendo a um número infinito de tiras infinitesimais sobre a face resulta:
2
d F a L gz C L z gL
L
a L L L CL L
0
FH H O x x
H O
L
y
H O
y
z
H O x z x y z y
2
2
z
2 2
2 t t t t = - - + =- - + ^ h
#
Força hidrostática na face vertical que contém GE -
Esta face é paralela à face que contém a aresta FH pelo que o cálculo da força é
semelhante. A única diferença é que o afastamento da face é 0 em vez de L
x
.
56 NOTAS PARA O ESTUDO DA MECÂNICA DE FLUIDOS
João M. Campos
HIDROSTÁTICA
F gz C L dz gL
L
CL L
2
H O
L
y H O y
z
z y
0
2
GE
z
2 2
t t = - + =- + ] g
#
Componente horizontal (segundo x) da força sobre o prisma -
F F a L L L a V GE FH H O x y x z H O x prisma 2 2
t t - = =
Força hidrostática na face de topo que contém as arestas representadas no -
plano do papel
Esta face é perpendicular ao eixo dos y (afastamento 0), pelo que a pressão na face
varia não só ao longo de x como também ao longo de z. Não é possível encontrar uma
tira infinitesimal onde a pressão seja uniforme, pelo que é seleccionado um elemento
infinitesimal de dimensões oz
i
e ox
i
. No limite, quando estas dimensões tendem para 0,
o elemento tende para um ponto. A força de pressão no elemento é dada por:
F p x z i i i d d d =
Fazendo o somatório das forças no infinito número de elementos em que se pode
dividir a face resulta:
2 2
d F F a x gz C dx z gL
L
a L
L
CL L
i 1
0 0
FHEG H O x H O
L L
H O
x
z
H O
x z
x
z x i
2 2
2
x z
2
2 2
t t t t = = - - + =- - +
=
3
] g /
# #
Na face oposta, a força hidrostática tem igual intensidade mas sentido contrário.
Assim, a resultante das forças que actuam no prisma segundo a direcção y é nula.
2.6 Exercícios de aplicação propostos
Forças distribuídas
2.1 Uma chapa de alumínio (µ = 6500 kg/m
3
) é suportada, conforme
mostra a figura, por um apoio de rotação em A e por um apoio simples
(sem atrito) em B. Admita que a chapa tem espessura constante de 4
mm e calcule:
O momento do peso da chapa em relação a A através dum integral a.
e depois verifique o resultado por um método mais simples.
As forças em A e B que equilibram a chapa. b.
Admita que a secção da chapa (1m x 1m) mais perto de A tem espessura
4 mm enquanto a outra secção tem espessura 2 mm e calcule:
O momento do peso da chapa em relação a A através dum integral c.
e depois verifique o resultado por um método mais simples.
As forças em A e B que equilibram a chapa. d.
57 NOTAS PARA O ESTUDO DA MECÂNICA DE FLUIDOS
João M. Campos
HIDROSTÁTICA

2,0 m
0,5 m
1,0 m
A
B
2.2 Uma chapa de aço (µ = 6500 kg/m
3
) com 10 mm de espessura tem
a forma de um trapézio e está “suportada” por apoios simples conforme
indica a figura. Calcule:
O peso da chapa ? Calcule por um integral e verifique por outro a.
processo.
O momento do peso da chapa em relação ao apoio A? b.
A força exercida pela chapa em cada um dos apoios? c.
Mantendo o apoio A fixo e aproximando deste o apoio B, a distân- d.
cia mínima entre A e B para que o equilíbrio se mantenha?
A resultante das forças que a parte da chapa para a esquerda e.
da linha BC faz sobre a parte à direita desta linha? Considere o
apoio em B como estando imediatamente à direita da linha BC.
1,0 m
0,1 m
1,4 m
A B
C D
0,1 m
1,2 m
Manómetros
2.3 Qual a diferença de pressão entre os pontos A e B represen-
tados na figura expressa em: a) dynes/cm
2
; b) cm de c.a.(coluna
de água); c) mm Hg; d) Pa; e) atm; f) psi (lbf/in
2
).
0,9 m
1,1 m
Óleo [850 kg/m]
3
Ar Ar
B
A
58 NOTAS PARA O ESTUDO DA MECÂNICA DE FLUIDOS
João M. Campos
HIDROSTÁTICA
2.4 Para medir a diferença de pressão entre dois pontos numa tuba-
gem que transporta um líquido é vulgar usar um dos tipos de manóme-
tros indicados na figura.
Calcule, as diferenças de pressão a. p
A
- p
B

e p
C
- p
D
em dynes/cm
2
;
Se no manómetro da direita em vez de 0,15 m o desnível for b. h,
estabeleça uma expressão para p
C
- p
D

em função de h, g e da
massa volúmica dos líquidos.
0,20 m
Ar
Água Água
A B
0,15 m
Água Água
C D
Mercúrio [13600 kg/m]
3
2.5 Numa sala de 3,0 m de altura, qual a diferença de pressão entre o
chão e o tecto, se a temperatura for 25 ºC e a pressão ao nível do chão
1 atm ? Dê a resposta em mm c. a.
Força hidrostática em superfícies planas
2.6 Na figura, AD representa um corte segundo a altura de uma porta
triangular (triângulo equilátero), sendo o eixo de rotação D horizontal.
Em A existe um batente que impede a comporta de abrir. Calcule:

Mercúrio
[13600 kg/m ]
3
1,0 m
1,0 m
Água
Ar
Ar
0,5 m
D
P = 0,05 MN/m
0
2
A
A força a que a porta está sujeita por acção do ar e da água. a.
A força no eixo de rotação D. b.
A força mínima em A que abre a porta (direcção e sentido). c.
2.7 A comporta AB representada na figura tem 2,1 m de largura
(direcção perpendicular ao plano do papel) e pesa 1,4 ton. A comporta
é articulada em B por meio de um eixo de rotação e está sustentada
numa parede lisa (A). Determine o nível de água mínimo, h , para o qual
a comporta abre.
h
1,2 m
B
A
2,5 m
1,8 m
59 NOTAS PARA O ESTUDO DA MECÂNICA DE FLUIDOS
João M. Campos
HIDROSTÁTICA
2.8 A comporta representada na figura tem 3.5 m de largura (direc-
ção perpendicular ao plano do papel) e está presa ao chão por meio de
um eixo de rotação em B. Um cabo (em A) com um peso de 40 t man-
tém a comporta na posição da figura. Desprezando o peso da comporta
determine o nível de água h.
h 120º
B
A
6,5 m
40 t
2.9 A figura representa uma comporta em forma de calha. Os lados
da comporta têm forma rectangular (comprimento 1,0 m na direcção
perpendicular ao plano do papel). Em A existe um eixo de rotação. Cal-
cule a tensão no cabo.

Cabo
C
A
B
1,0 m
2,0 m
Água
A
60º
1,0 m
2.10 A caixa paralelepipédica maciça, representada na figura, tem
peso W e 5 cm de largura (direcção perpendicular ao plano do papel).
Quando mergulhada em água e sujeita à força F fica na posição de equi-
líbrio que a figura mostra. Calcule:
A resultante da força hidrostática sobre a caixa a.
A massa volúmica do material de que é feita a caixa, bem como b.
a intensidade da força F.

10 cm
5 cm
20 cm
Água
F
2.11 A comporta representada na figura retém água com uma altura
h. A comporta pesa 750 kg por metro de largura (direcção perpendicular
ao plano do papel), está articulada no eixo de rotação A e simplesmente
pousada em B.
Considere a. h =1,5 m e calcule as forças por metro de largura de
comporta que se exercem no eixo de rotação A e no apoio B.
Calcule o valor mínimo de b. h para a comporta abrir.
60 NOTAS PARA O ESTUDO DA MECÂNICA DE FLUIDOS
João M. Campos
HIDROSTÁTICA
Água
A
B
C.G.
60º
90º
2 m
1,73 m
h
3,0 m

2.12 Um copo cilíndrico é colocado na posição invertida sobre a
superfície da água. Ao abandonar o copo, ele fica na posição indicada.
Sabendo que a espessura do vidro do copo é 8 mm e que a massa volú-
mica do vidro é 7500 kg/m
3
, calcule h
1
e h
2
. Diga se a força de impulsão
é uma parcela importante no balanço de forças.
Água
0,1 m
0,1 m
Água
h
1
h
2
2.13 Um bloco paralelipipédico de aço (µ = 7850 kg/m
3
) é mergu-
lhado num banho de mercúrio (µ = 13600 kg/m
3
) coberto por água. O
bloco fica a flutuar na posição indicada na figura.
Calcule a razão a. a/b usando as equações fundamentais da hidros-
tática.
Verifique a resposta anterior usando o princípio de Arquimedes. b.

Água
Mercúrio
Aço
a
b
2.14 Uma barra uniforme com dimensões L x h x b e de peso volúmico
¸
ba
flutua ao longo da diagonal, tal como mostra a figura, quando tem
suspensa numa das faces de topo, uma esfera pesada (¸
esf
).
Mostre que esta situação só é possível se a.
3
í
ba
l q
c
c
= .
Com a condição anterior mostre que o diâmetro da esfera tem b.
que ser dado por:


L
h<<L
b <<L
D
γest
γba
γliq

1
D
Lhb
í
1
3
l q
esf
r
c
c
=
- c m
> H
61 NOTAS PARA O ESTUDO DA MECÂNICA DE FLUIDOS
João M. Campos
HIDROSTÁTICA
2.15 A comporta rectangular ABC, com 2,0 m de comprimento na
direcção perpendicular ao plano do papel, abre por rotação do eixo B.
Calcule:
A força P que se tem de aplicar para manter a comporta fechada a.
quando a altura de água acima do eixo é de 8,0 m.
A força no eixo de rotação B. b.
A força hidrostática na comporta, se esta tiver a forma de um c.
meio cilindro com eixo de rotação em B e raio 1,0 m.
No caso da alínea c, o momento da força hidrostática relativa- d.
mente ao eixo de rotação B.

8 m
A
B
C
Água
1 m
1 m
P
2.16 Dois sólidos prismáticos com faces de topo triangulares (triân-
gulos isósceles) estão mergulhados em gasolina (µ = 720 kg/m
3
). As
faces estão contidas no mesmo plano (plano do papel) e os vértices D
estão a 1,0 m de profundidade. Calcular a força que a gasolina exerce
sobre cada uma das faces triangulares.
D D
1,0 m
0,5 m
Gasolina
1,0 m
1,0 m
0,5 m
0,5 m
2.17 Um recipiente tem a forma de uma pirâmide regular de altura 2,4
m e base quadrangular (0,9 m x 0,9 m). No recipiente há água até 1,2 m
de altura e sobre a água, o ar está à pressão atmosférica (760 mm de
Hg). Calcule:
As componentes (direcção sentido e intensidade) da força a.
hidrostática nas faces ABC e DEC.
A força hidrostática na base ABED. b.
A direcção, sentido e intensidade da força hidrostática sobre a c.
pirâmide.
A
B
C
E
D
Água
Ar
0,9 m
0,9 m
62 NOTAS PARA O ESTUDO DA MECÂNICA DE FLUIDOS
João M. Campos
HIDROSTÁTICA
Forças em superfícies curvas
2.18 A comporta AB representada na figura é um meio cilindro maciço
de diâmetro 2,5 m e 2,1 m de comprimento.
1,2 m
A
h
Água
B
Calcule a resultante da força hidrostática que se exerce na comporta,
bem como o momento dessa resultante relativamente ao eixo de rota-
ção B. Tome h = 3,0 m.
2.19 Um barril com a forma de um quarto de cilindro está mergulhado
em água e a sua posição é mantida por um eixo de rotação A, em torno
do qual o barril pode rodar, e por um batente fixo B ao qual o barril
encosta. O comprimento do quarto de cilindro na direcção perpendicular
ao plano do papel é 2,0 m.
Calcule as componentes da força hidrostática a que o barril está a.
sujeito.
Calcule o momento de cada componente em relação ao eixo A. b.
Calcule as forças exercidas pelo eixo A e batente B no equilíbrio. c.

B
A
1,0 m
1,0 m
2,0 m
Água
2.20 Uma cápsula semi-esférica representada na figura pesa 30 kN,
está cheia de água e está presa ao chão por 6 parafusos igualmente
espaçados. Qual a força mínima que cada parafuso tem que exercer ?

2,0 m
Água
1,2 m
3 cm
2.21 Para cada uma das figuras, determinar as componentes da força
que a água exerce sobre a comporta AB (1/4 de cilindro com 1,0 m de
comprimento na direcção perpendicular ao papel e raio 0,5 m). Use o
“método das projecções”.
63 NOTAS PARA O ESTUDO DA MECÂNICA DE FLUIDOS
João M. Campos
HIDROSTÁTICA

r
Água
Sup. Livre
B
A
r
Água
Sup. Livre
B
A
r
Sup. Livre B
A
Água
r
Sup. Livre
B
A
Água
Equilíbrio relativo
2.22 Um recipiente contém gasolina (µ = 720 kg/m
3
) e está sujeito a
uma aceleração constante linear, com direcção horizontal (esquerda
para a direita) de intensidade 1,2 m/s
2
. Quando parado a altura de gaso-
lina no tanque é 0,8 m. Calcular:
O ângulo entre o plano horizontal e a superfície livre. a.
A força que a gasolina exerce no fundo do recipiente e nas faces b.
perpendiculares ao plano do papel que contêm as arestas AB e
CD.

1,0 m
3,2 m
1,4 m
Gasolina
A
B
C
D
a = 1,2 m/s
2
2.23 Num tanque paralelepipédico fechado repleto de água, está
mergulhado um cilindro. O eixo do cilindro é horizontal e está colocado
perpendicularmente à direcção de deslocamento do tanque. O cilindro
tem 1,0 m de comprimento e 0,7 m de diâmetro. Quais as componentes
horizontal e vertical da força hidrostática a que o cilindro está sujeito,
quando a aceleração é constante e igual a 1 m/s
2
.
a = 1,0 m/s
2
1,0 m
1,0 m
0,7 m
64 NOTAS PARA O ESTUDO DA MECÂNICA DE FLUIDOS
João M. Campos
HIDROSTÁTICA
2.24 Calcule a força hidrostática no meio cilindro representado na
figura (comprimento 1,0 m na direcção perpendicular ao plano do papel)
nas duas situações seguintes:
Quando o “carro” está parado. a.
Quando o “carro” tem uma aceleração horizontal de 1 m/s b.
2
.
Nota: o tubo CD é um tubo capilar e está aberto para a atmosfera.
Água
1,0 m
40 cm
C
D
r = 30 cm
A
B
2.25 O tanque de água representado na figura é fechado, excepto ao
longo de uma fenda que está em contacto com a atmosfera .
Para que valor da aceleração a. a
x
é que a pressão da água em E é
igual à atmosférica ?
Descreva sucintamente o que sucede à pressão em E, à medida b.
que são aplicadas acelerações crescentes.
Para c. a
x
= 1 m/s
2

calcule a grandeza, direcção e sentido da força
hidrostática sobre a superfícies ABCD e CDEF (por unidade de
comprimento na direcção perpendicular ao papel).

1,0 m 2,0 m
2,0 m
1,0 m
A
B
C
E
D
F
Água
a
x
2.26 Na figura estão representados dois recipientes esféricos A e B
ligados entre si.
Calcule a diferença de pressão entre A e B expressa em mm c. a. a.
Imagine o conjunto da figura no interior de um veículo que se b.
desloca na horizontal com aceleração de 2 m/s
2
. Qual a diferença
de pressão entre A e B?
Admita que o conjunto da figura cai na vertical em queda livre. c.
Durante a queda qual a diferença de pressão entre A e B?
65 NOTAS PARA O ESTUDO DA MECÂNICA DE FLUIDOS
João M. Campos
HIDROSTÁTICA
Repita a alínea c supondo que a aceleração durante a queda é d.
de 5 m/s
2
.

B
A
50 cm
40 cm
40 cm
40 cm
10 cm
30 cm
Água
Óleo
[800 kg/m ]
3
Mercúrio
[13600 kg/m ]
3
2,0 m 30 º
2.27 Um recipiente aberto para a atmosfera contém água até 0,50
m de altura. Um bloco cúbico de madeira (µ = 880 kg/m
3
) com 0,10 m
de aresta está mergulhado na água e é mantido na posição indicada na
figura por dois cabos “presos” no centro de duas das faces do bloco. Se
aplicar ao sistema uma aceleração horizontal de 1 m/s
2
(da esquerda
para a direita), calcule a direcção sentido e intensidade das forças que
os cabos exercem sobre o bloco.
Água
A
B
0,10 m 0,10 m
0,50 m
0,50 m 1,00 m
1,00 m
2.28 O tanque representado na figura sofre uma aceleração da
esquerda para a direita de 10 m/s
2
0,5 m
A
B C
8,0 m
2,0 m Água
Patm
Calcule, durante a aceleração:
A pressão nos pontos A, B, C. a.
A força no fundo do tanque por metro de largura do tanque. b.
A força na face vertical esquerda por metro de largura do tanque. c.
A força na face de topo do tanque por metro de largura do tanque. d.
Exame Janeiro de 2003
67 NOTAS PARA O ESTUDO DA MECÂNICA DE FLUIDOS
João M. Campos
CINEMÁTICA DO
ESCAMENTO DE FLUIDOS
3. CINEMÁTICA DO ESCOAMENTO DE FLUIDOS
3.1 Descrição Eulereana e Lagrangeana de um escoamento
Há duas maneiras de analisar/descrever em termos cinemáticos e dinâmicos o escoa-
mento de um fluido. Uma, a chamada Eulereana, descreve todo o campo de escoamento quer
em termos de velocidade v = f(x, y,z,t), quer em termos de pressão p = f(x, y,z,t). Outra, a
chamada Lagrangeana descreve o escoamento de uma partícula de fluido no espaço e no
tempo. Comparemos estas duas formas de descrever o escoamento, com duas formas de des-
crever o tráfego numa auto-estrada. Um certo comprimento de auto-estrada é seleccionado
para sistema. Num dado intervalo de tempo muitos carros não identificados entram e saem
do sistema. Se o controlador de tráfego ignorar a identidade dos carros e se preocupar com
a velocidade dos carros que passam em determinados locais ao longo do tempo, ele está a
descrever o tráfego tomando uma aproximação Eulereana. Ao invés se o controlador estiver
interessado na velocidade e posição no sistema ao longo do tempo de um carro identificado,
ele está a descrever o tráfego tomando uma aproximação Lagrangeana.
Um outro exemplo elucidativo é o da descrição do campo de tem-
peratura de um rio onde, num certo local, há uma fonte emissora que
lança líquido a uma temperatura elevada. Se forem colocados em vários
pontos, ao longo do rio, instrumentos de medida fixos e a temperatura
for registada ao longo do tempo em cada um desses pontos, é possível
conhecer o campo de temperatura em cada instante. Este é o método
de descrição Eulereano. Contudo, com este método, não se sabe qual
a temperatura de uma partícula de fluido ao atravessar aquele campo.
Para tal, conhecido o campo de temperatura em cada instante, seria
necessário conhecer a localização da partícula em função do tempo.
Se em vez de instrumentos de medida em vários pontos, for colocado
um instrumento de medida “preso” a uma partícula (ou mais partículas),
obtém-se a descrição da temperatura da partícula em função do tempo.
Este é o método de descrição Lagrangeano. O campo de temperatura
não seria conhecido, a menos que se soubesse a localização das partí-
culas ao longo do tempo.
A descrição Eulereana é habitualmente usada na maior parte dos
estudos em Mecânica de Fluidos. Contudo, há casos em que a Lagran-
geana permite um maior conhecimento, por exemplo, quando se injecta
no sangue uma partícula colorida cujo trajecto ao longo do corpo pode
ser seguido por instrumentação exterior. Neste caso estuda-se o fluxo
sanguíneo por um método Lagrangeano.
68 NOTAS PARA O ESTUDO DA MECÂNICA DE FLUIDOS
João M. Campos
CINEMÁTICA DO
ESCAMENTO DE FLUIDOS
3.2 Campo de velocidade
Determinar o campo de velocidade v = f(x, y,z,t) é muitas vezes
resolver integralmente um problema de escoamento de um fluido, já
que o conhecimento de outras propriedades decorre deste, por exemplo,
o conhecimento do campo de pressão. A velocidade é como se sabe uma
grandeza vectorial.
, , , , , , , , , , , , v x y z t v x y z t i v x y z t j v x y z t k x y z = + +
" " " "
^ ^ ^ ^ h h h h (3.1)
Outras propriedades cinemáticas são deriváveis matematicamente
partindo do conhecimento do campo de velocidade, tais como o vector
deslocamento e o vector aceleração.
3.3 Campo de aceleração
Por definição o vector aceleração traduz a variação do vector velo-
cidade com o tempo:
d
d
d
d
d
d
d
d
a
t
v
t
v
x
v
t
x
y
v
t
y
z
v
t
z
2
2
2
2
2
2
2
2
= = + + +
"
" " " " "
(3.2)
ou
d
d
a
t
v
t
v
x
v
v
y
v
v
z
v
v x y z
2
2
2
2
2
2
2
2
= = + + +
"
" " " " "
(3.3)
As diferentes parcelas do vector aceleração são usualmente desig-
nadas por:
aceleração total ou substancial (derivada total ou substancial)- -
ou
t
v
t
v
d
d
D
D
" "
< F
aceleração local (derivada local)- -
t
v
2
2
"
< F
aceleração convectiva.- -

v
x
v
v
y
v
v
z
v
x y z
2
2
2
2
2
2
+ +
" " "
= G
Recorrendo ao operador gradiente:
i
x
j
y
k
k
d
2
2
2
2
2
2
= + +
" " "
(3.4)
69 NOTAS PARA O ESTUDO DA MECÂNICA DE FLUIDOS
João M. Campos
CINEMÁTICA DO
ESCAMENTO DE FLUIDOS
e ao produto interno de vectores, o termo da aceleração convectiva
toma a seguinte forma:
. v
x
v
v
y
v
v
z
v
v v x y z
2
2
2
2
2
2
d + + =
" " "
" "
_ i
(3.5)
O vector aceleração pode assim ser escrito de uma forma mais com-
pacta:
. a
Dt
Dv
t
v
v v
2
2
d = = +
"
" "
" "
_ i
(3.6)
A mesma simbologia pode ser usada para descrever a variação no
espaço e no tempo de outras propriedades contínuas de um fluido (quer
escalares, quer vectoriais), por exemplo, a propriedade escalar tempe-
ratura - T = f(x, y,z,t)
A variação total ou substancial da temperatura em ordem ao tempo
é dada por:
.
Dt
DT
t
T
v T
2
2
d = +
"
(3.7)
Para perceber o significado físico destas derivadas, retome-se
o exemplo do rio com uma fonte emissora de água quente num dado
ponto bem localizado. Comece-se por supor que a fonte emissora lança
água sempre à mesma temperatura, que as condições exteriores não se
alteram ao longo do tempo, e que a velocidade do rio em cada ponto é
constante ao longo do tempo.
Pretende-se saber a variação total de temperatura. Se for seguida
uma aproximação Eulereana, mergulha-se o medidor de temperatura
num ponto, ou vários medidores em vários pontos, e mede-se a tempe-
ratura ao longo do tempo. Conclui-se que ao longo do tempo a tempe-
ratura não varia num ponto, mas que é diferente de ponto para ponto.
Em termos físicos, o campo de temperatura é estacionário, mas não
uniforme. Em termos matemáticos, a derivada local da temperatura é
nula, mas a derivada total não:
0
t
T
2
2
= mas 0
Dt
DT
!
E como conhecer a derivada convectiva? Seguindo uma aproximação
Lagrangeana, colocam-se dois medidores, um de temperatura e outro de
velocidade (direcção, sentido e intensidade), “presos” a uma partícula (ou
mais), e regista-se a temperatura e a velocidade durante o tempo que a
70 NOTAS PARA O ESTUDO DA MECÂNICA DE FLUIDOS
João M. Campos
CINEMÁTICA DO
ESCAMENTO DE FLUIDOS
partícula demora a atravessar o campo estacionário mas não uniforme.
Destas medições obtém-se informação que permite calcular a derivada
convectiva da temperatura da partícula nos pontos por onde passou:
. v
x
T
v
y
T
v
z
T
v T x y z
2
2
2
2
2
2
d + + =
"
Percebe-se agora que se chama derivada convectiva por estar asso-
ciada ao escoamento do fluido.
Resta abordar o caso de a fonte emissora lançar líquido a uma tem-
peratura que varia ao longo do tempo. Neste caso, a temperatura no
campo além de não ser uniforme, varia em cada ponto com o tempo, i.e,
em cada instante há um campo de temperatura diferente. A variação
da temperatura de uma partícula ao atravessar o campo tem de ser
calculada pela soma da variação local com a variação convectiva:
Dt
DT
t
T
v
x
T
v
y
T
v
z
T
x y z
2
2
2
2
2
2
2
2
= + + +
3.4 Visualização do campo de escoamento
3.4.1 Linhas de corrente, trajectórias, linhas de rasto e linhas do
tempo
Embora o campo de velocidade (e de pressão) descreva de uma
forma precisa um escoamento, foi necessário encontrar formas sim-
ples de o visualizar. A forma mais simples é seguir uma partícula de
fluido ao longo (espaço e tempo) do seu escoamento, i.e., conhecer a
sua trajectória.
Outra, a mais usada, é através das chamadas linhas de corrente.
Estas linhas são obtidas/desenhadas de forma a serem sempre tan-
gentes aos vectores velocidade das partículas de fluido em escoamento
num dado instante.

Linhas de corrente
Num escoamento estacionário a orientação das linhas de corrente é
fixa no tempo e as trajectórias das partículas coincidem com as linhas
de corrente. Num escoamento não estacionário as linhas de corrente
71 NOTAS PARA O ESTUDO DA MECÂNICA DE FLUIDOS
João M. Campos
CINEMÁTICA DO
ESCAMENTO DE FLUIDOS
são somente uma representação instantânea do campo de escoamento,
não havendo correspondência entre as linhas de corrente e a trajectória
das partículas.
As linhas de corrente em torno de uma área infinitesimal formam
um tubo, designado por tubo de corrente. Por definição de linha de cor-
rente, não há saída de partículas de fluido através das paredes laterais
de um tubo de corrente.
δA
Tubo de corrente
Outra forma de visualizar um escoamento, além das linhas de cor-
rente e das trajectórias das partículas de fluido, é através das chama-
das linhas de rasto e das linhas de tempo.
A linha de rasto é o lugar geométrico das partículas que passaram
(em instantes anteriores) por um dado ponto de coordenadas (x
0
, y
0
).
A linha de tempo é “desenhada” unindo, num dado instante, um con-
junto de partículas do fluido. O escoamento é visualizado seguindo em
instantes sucessivos a evolução desta linha no espaço.
Em escoamentos estacionários as linhas de corrente, as trajectórias
e as linhas de rasto coincidem.
As linhas de corrente podem ser calculadas analiticamente partindo
do conhecimento do campo de velocidade. Considere-se um vector velo-
cidade v
"
tangente ao arco de comprimento infinitesimal or desenhado
ao longo da linha de corrente.

x
z
y
δy
δz
δr
δx
v
z
v
x
v
y
v
72 NOTAS PARA O ESTUDO DA MECÂNICA DE FLUIDOS
João M. Campos
CINEMÁTICA DO
ESCAMENTO DE FLUIDOS
Por condições de proporcionalidade:
v
x
v
y
v
z
v
r
x y z
d
d
d d
= = = (3.8)
ou
dy
dx
v
v
y
x
=
dz
dx
v
v
z
x
=
dz
dy
v
v
z
y
= (3.9)
A expressão analítica das linhas de corrente obtém-se integrando
as equações anteriores, por simples separação de variáveis, tomando t
constante. Para tal é necessário conhecer, quer o campo de velocidade,
quer as coordenadas de um ponto da linha de corrente, (x
0
, y
0
, z
0
).
Como exemplo, pretende-se calcular e desenhar as linhas de cor-
rente de um campo de velocidade que é expresso analiticamente por:
1
v
t
x
x =
+

1 2
v
t
y
y =
+
0 vz =
O escoamento é bidimensional (v
z
= 0), pelo que as linhas de cor-
rente são paralelas ao plano xy. É igualmente um escoamento depen-
dente do tempo, i.e., não estacionário.
1
1 2
1
1 2
1 1 2 ln ln
dy
dx
v
v
t
x
dx
t
y
dy
x
t
dx
y
t
dy t
x
x
t
y
y
0 0
y
x
x
x
y
y
0
0
" "
"
=
+
=
+
+
=
=
+
+ = +
] ] g g
#
#

ou
y y
x
x
0
0
n
= b l com
1 2
1
n
t
t
=
+
+
Esta é a equação das linhas de corrente que passam por (x
0
, y
0
) ao
longo de t . Na figura seguinte podem observar-se as partículas de fluido
a deslocarem-se no tempo para a direita.

x
y
y
0
x
0
t = 0
t crescente
1/3
-1/3
-1/6
73 NOTAS PARA O ESTUDO DA MECÂNICA DE FLUIDOS
João M. Campos
CINEMÁTICA DO
ESCAMENTO DE FLUIDOS
A trajectória da partícula que no instante t = 0 passou no ponto de
coordenadas (x
0
, y
0
) não coincide no estado não-estacionário com a linha
de corrente para t = 0. A equação desta trajectória pode ser calculada:
,
dt
dx
v
t
x
dt
dy
v
t
y
1 1 2
x y = =
+
= =
+
Integrando obtém-se:
, x C t y C t 1 1 2 1 2
1 2
= + = +
] ] g g

No instante t = 0 a partícula de fluido passa pelo ponto de coorde-
nadas (x
0
, y
0
) pelo que, C
1
= x
0
e C
2
= y
0
. Eliminando t das equações
anteriores resulta:
1 2 1 y y
x
x
0
0
1 2
= + - b l : D
Esta é a equação da trajectória da partícula que passa no ponto
(x
0
, y
0
) no instante t = 0.
A equação da linha de rasto das partículas que passaram no ponto
(x
0
, y
0
) em instantes anteriores a t
0
pode ser igualmente calculada.
Designem-se os instantes anteriores a t
0
por ,, pelo que a condição
inicial é dada por x = x
0
, y = y
0
para t = ,.
1
,
1 2 dt
dx
v
t
x
dt
dy
v
t
y
x y = =
+
= =
+
Integrando entre , e t
0
:
)
, x
x t
y y
t
1
1
1 2
1 2 0 0
0
0
1 2
g g
=
+
+
=
+
+
^
c
h
m
Estas são as equações da linha de rasto das partículas de fluido que
passaram no ponto (x
0
, y
0
) em instantes , < t
0
.
A linha de rasto pode
ser traçada fixando t
0
e dando valores a ,. Alternativamente, pode-se
eliminar , resultando:
1 2 1 1
1 2
y
y
t
x
x
t
0
2
0
0
0
=
+ + -
+
c
] b
m
g l : D
A figura seguinte mostra a linha de corrente que passa no ponto (x
0
,
y
0
) no instante t = 0, a trajectória da partícula de fluido que passou no
instante t = 0 no ponto (x
0
, y
0
) e a linha de rasto das partículas que em
instantes anteriores a t = 0 passaram no ponto(x
0
, y
0
).
74 NOTAS PARA O ESTUDO DA MECÂNICA DE FLUIDOS
João M. Campos
CINEMÁTICA DO
ESCAMENTO DE FLUIDOS

x
y
y
0
x
0
Linha de corrente
Trajectória
Linha de rasto
3.5 Vectores velocidade e aceleração ao longo
de uma linha de corrente
Num escoamento estacionário, o vector velocidade é tangente à
linha de corrente e a sua intensidade pode ser expressa em termos
do comprimento da linha de corrente, os, percorrido pelo elemento de
fluido no intervalo de tempo

ot.
v
dt
ds
s = (3.10)
em que v
s
representa a velocidade na direcção da linha de corrente.
A componente numa outra qualquer direcção é obtida projectando v
s

segundo essa direcção.
Por definição, a aceleração de uma partícula de fluido na direcção
tangencial à linha de corrente é dada por:
a
dt
dv
s
s
= (3.11)
Além da componente tangencial, há a componente normal do vector
aceleração. A componente tangencial expressa a variação da intensi-
dade do vector velocidade, enquanto que a componente normal traduz
a mudança de direcção deste vector.
a
a
s
a
n
75 NOTAS PARA O ESTUDO DA MECÂNICA DE FLUIDOS
João M. Campos
CINEMÁTICA DO
ESCAMENTO DE FLUIDOS
Para exprimir as componentes do vector aceleração, considerem-se as
linhas de corrente representadas na figura seguinte, as quais não são nem
rectas nem estão equidistantes. No intervalo de tempo ot uma partícula de
fluido percorre uma distância os

ao longo da linha de corrente central e a
sua velocidade varia tanto em intensidade como em direcção. A variação
de intensidade é traduzida pelo aproximar das linhas de corrente.
A variação da intensidade ao longo de os

é dada por:
v
ds
dv
s s
s
d d = (3.12)

Mas os = vs ot

logo:
2
1
d
d
d
d
d
d
t
v
v
s
v
a
s
v
2
s
s
s
s
s
" = = (3.13)
Esta equação exprime a componente tangencial da aceleração.

δs
R
δβ
v
s
v + v
s
δ
v
s
δv
s
δv
n
δv
v + v
s
δ
δβ
Aplicando o mesmo raciocínio para a componente normal da velo-
cidade resulta:
d
d
d
d
d
d
v
s
v
s
t
v
v
s
v
n
n n
s
n
" d d = = (3.14)
Recorrendo à figura anterior:
tan tan
d
d
R
s
v v
v
v
v
s
v
R
v
s s
n
s
n n s
" / . db
d
db
d
d d
= =
+
= (3.15)
Substituindo na equação anterior obtém-se:
a
R
v
2
n
s
= (3.16)
em que R representa o raio de curvatura da linha de corrente. O vec-
tor aceleração nas coordenadas da linha de corrente é dado por:
a v
ds
dv
s
R
v
n
2
s
s s
= +
" " "
(3.17)
76 NOTAS PARA O ESTUDO DA MECÂNICA DE FLUIDOS
João M. Campos
CINEMÁTICA DO
ESCAMENTO DE FLUIDOS
3.6 Exemplos propostos de aplicação
3.1 O campo de velocidade de um escoamento é dado por
1 1 v xi x x y j = + - +
" " "
]
^
g
h . Desenhe a linha de corrente que passa no ponto
(x
0
, y
0
)

e compare-a com a linha de rasto das partículas que passam
nesse ponto.
3.2 O campo de velocidade de um escoamento no plano xy é dado por:
v
x
= 3 m/s, v
y
= 6 m/s para 0 s < t < 20 s e v
x
= -4 m/s, v
y
= 0 m/s para
20 s < t < 40 s. Se a partir do instante t = 0 se injectar tinta no ponto de
coordenadas (x = y = z = 0) desenhe:
a- As trajectórias de duas partículas de fluido que passam na origem,
respectivamente nos instantes t = 0 s e t = 20 s.
b- As linhas de corrente que passam no ponto (x = y = z = 0) nos instan-
tes

t = 10 s e t = 30 s.
3.3 Um fluido está em escoamento em torno de uma esfera tal como
mostra a figura. Longe da esfera a velocidade é v
0
= 30 m/s, e na zona
frontal da esfera é
2
3
v v sen 0 i = . Determine as componentes normal
e tangencial da aceleração no ponto A sabendo que o raio da esfera é
0,20 m.

R
v
v
0 A
40 º
77 NOTAS PARA O ESTUDO DA MECÂNICA DE FLUIDOS
João M. Campos
EQUAÇÃO DE BERNOULLI
4 EQUAÇÃO DE BERNOULLI
4.1 Introdução
A equação de Bernoulli é uma equação muito simples, frequentemente aplicada, e muito
rica em considerações estruturantes do raciocínio para a compreensão da Mecânica de Fluidos.
Por estas razões decidiu-se introduzir este capítulo dedicado exclusivamente a esta equação.
No capítulo seguinte este tema será novamente abordado numa perspectiva complementar.
4.2 Equação de Bernoulli ao longo de uma linha
de corrente
A equação de Bernoulli é aplicável sempre que a intensidade das
forças de corte é de uma ordem de grandeza inferior à intensidade das
outras forças que se desenvolvem num fluido, nomeadamente forças
de pressão e gravidade.
Considere-se um elemento de fluido infinitesimal de dimensões on e
os no plano da figura e oy na direcção normal a este plano.
(p- p ) n y δ δ δ s
(p+ p ) n y δ δ δ
s
(p+ p ) s y δ δ δ n
(p- p ) s y δ δ δ
n
θ
δW
δs
δn
δy
n
s
Em estado estacionário, da aplicação 2ª lei de Newton segundo a
direcção da linha de corrente, s, resulta:
F ma mv
s
v
Vv
s
v
s s s
s
s
s
2
2
2
2
d d d td = = = / (4.1)
em que v
s
representa a velocidade do elemento de fluido segundo a
direcção da linha de corrente, om e oV a massa e o volume do elemento
infinitesimal, a
s
a aceleração do elemento segundo a linha de corrente
e EoF
s
o somatório das forças aplicadas ao elemento de fluido segundo
a direcção da linha de corrente.
78 NOTAS PARA O ESTUDO DA MECÂNICA DE FLUIDOS
João M. Campos
EQUAÇÃO DE BERNOULLI
Forças aplicadas sobre o elemento de fluido.
Força da gravidade segundo a direcção da linha de corrente: -
sen W g V s d t id =- (4.2)
Força de pressão segundo a direcção da linha de corrente: -
Sendo p a pressão no centro do elemento, os valores médios da
pressão nas faces perpendiculares à linha de corrente s são: p + op
s
e
p - op
s
com op
s
dado por:
2
1
p
s
p
s s
2
2
d d =
c m
(4.3)
A resultante das forças de pressão segundo s é por conseguinte:
2
F p p n y p p n y
p n y
s
p
s n y
s
p
V
, p s s s
s
2
2
2
2
d d d d d d d
d d d d d d d
= - - + =
=- =- =-
_ _ i i
(4.4)
Somatório das forças aplicadas ao elemento de fluido na direc- -
ção da linha de corrente.
F W F gsen
s
p
V , s s p s
2
2
d d d t i d = + = - -
c m
/ (4.5)
Combinando as equações (4.1) e (4.5) obtém-se:
( ) v
s
v
V gsen
s
p
V s
s
2
2
2
2
t d t i d = - - (4.6)
A equação (4.6) pode ser re-escrita numa forma mais simples.
Aplicando as regras de derivação:
2
1
v
s
v
s
v
2
s
s s
2
2
2
2
= (4.7)
Por considerações geométricas

δs
δz
θ

79 NOTAS PARA O ESTUDO DA MECÂNICA DE FLUIDOS
João M. Campos
EQUAÇÃO DE BERNOULLI
sen
s
z
i
d
d
= (4.8)
Ao longo da linha de corrente s, a coordenada perpendicular n tem
valor constante, pelo que:
d d d d d p
s
p
s
n
p
n p
s
p
s "
2
2
2
2
2
2
= + = (4.9)
Substituindo as equações (4.7) a (4.9) na equação (4.6) obtém-se:
2
1
2
1
0
d
d
d
d
d
d
d d d g
s
z
s
p
s
v
p v g z
2
2
" t t t t - - = + + = (4.10)
Integrando:
2
1 dp
v gz C
2
t
+ + = # (4.11)
em que C representa um valor constante.
Se a massa volúmica puder ser considerada independente da pres-
são, fluido incompressível, líquidos e gases a baixa velocidade, a equa-
ção anterior toma a forma:
2
1
p v gz C
2
t t + + = (4.12)
Esta equação é conhecida por equação de Bernoulli ao longo de uma
linha de corrente.
Na sua aplicação é necessário tomar atenção às hipóteses formu-
ladas:
as forças de corte foram consideradas desprezáveis quando -
comparadas com as forças de inércia e gravidade (escoamento
“sem atrito”), o fluido foi considerado incompressível e o escoa-
mento estacionário;
a equação aplica-se ao longo de uma linha de corrente; -
não há troca de energia calorífica entre o fluido e o exterior; -
não há sistemas mecânicos a fornecer energia mecânica ao -
fluido, nem a receber energia mecânica do fluido.
A equação de Bernoulli traduz o conhecido princípio trabalho-ener-
gia: o trabalho realizado pela resultante das forças exteriores, pressão
e gravidade, que actuam num elemento de fluido é igual à variação da
energia cinética do elemento. Este trabalho é igual ao produto da dis-
80 NOTAS PARA O ESTUDO DA MECÂNICA DE FLUIDOS
João M. Campos
EQUAÇÃO DE BERNOULLI
tância percorrida pelo elemento, numa dada direcção, pela intensidade
da resultante das forças aplicadas nessa direcção.
A equação de Bernoulli aparece frequentemente escrita sob outras
formas:
2
1 p
v gz C
2
t
+ + = (4.13)
2
1
g
p
g
v z C
2
t
+ + = (4.14)
Os termos da equação (4.13) representam energia por unidade de
massa enquanto os termos da equação (4.14) representam energia
por unidade de peso, igualmente designados por carga de escoamento
(pressão), potencial e cinética e são expressos em unidades de compri-
mento.
A equação de Bernoulli pode também ser interpretada de uma forma
complementar, talvez mais simples de compreender: ao longo de uma
linha de corrente, a energia mecânica total transportada por um ele-
mento de fluido é constante. Esta energia mecânica total é a soma das
energias potencial, cinética e de escoamento. A variação de uma destas
formas de energia mecânica implica a variação de pelo menos uma das
outras duas, para que a energia mecânica total permaneça constante.
4.3 2ª Lei de Newton na direcção normal a uma
linha de corrente
Em muitos escoamentos uni-dimensionais as linhas de corrente são
rectas ou bem aproximadas por rectas, e a variação do vector veloci-
dade na direcção normal às linhas de corrente (aceleração segundo n)
é desprezável quando comparada com a sua variação na direcção das
linhas de corrente (aceleração segundo s). Contudo é um bom exercí-
cio estabelecer a 2ª lei de Newton para o caso desta variação não ser
desprezável.
Analisando a figura onde estão esquematizadas as forças que se
exercem num elemento de fluido e aplicando a 2ª lei de Newton segundo
a direcção normal, n , resulta:
F ma
R
v
m
R
v
V
2 2
n n
s s
d d d td = = = / (4.15)
em que R representa o raio de curvatura da linha de corrente.
81 NOTAS PARA O ESTUDO DA MECÂNICA DE FLUIDOS
João M. Campos
EQUAÇÃO DE BERNOULLI
Forças aplicadas sobre o elemento de fluido.
Força da gravidade na direcção normal à linha de corrente: -
cos W g V n d t id =- (4.16)
Força de pressão na direcção normal à linha de corrente: -
Se a pressão no centro do elemento for p, os valores médios da
pressão no topo e na base do elemento de fluido são respectivamente p
+ op
n
e p - op
n
, com op
n
dado por:
2
p
n
p n
n
2
2
d
d
= (4.17)
A resultante das forças de pressão segundo n é dada por:
2
F p p s y p p y s
p s y
n
p
s n y
n
p
V
, p n n n
n
2
2
2
2
d d d d d d d
d d d d d d d
= - - + =
=- =- =-
_ _ i i
(4.18)
Somatório das forças aplicadas ao elemento de fluido na direc- -
ção normal à linha de corrente.
cos F W F g
n
p
V , n n p n
2
2
d d t i d = + = - -
c m
/ (4.19)
Combinando as equações. (4.15) a (4.19) obtém-se:
( ) cos
R
v
V g
n
p
V
2
s
2
2
t d t i d = - - (4.20)
Por considerações geométricas:
δs
δz
δn
θ
cos
n
z
i
d
d
= (4.21)
Na direcção normal à linha de corrente a coordenada s tem valor
constante, pelo que:
82 NOTAS PARA O ESTUDO DA MECÂNICA DE FLUIDOS
João M. Campos
EQUAÇÃO DE BERNOULLI
d d d d d p
s
p
s
n
p
n p
n
p
n "
2
2
2
2
2
2
= + = (4.22)
Substituindo as equações (4.21) e (4.22) em (4.20), obtém-se:
d
d
d
d
g
n
z
n
p
R
v
2
s
t t - - = (4.23)
No caso de um gás, o peso do elemento de fluido pode ser despre-
zado, e a equação anterior traduz que qualquer mudança na direcção do
escoamento é acompanhada de uma variação de pressão na direcção
normal ao escoamento. Pelo facto da aceleração na direcção normal
ser positiva e n “apontar” para o centro da curvatura, a pressão devido
à mudança de direcção do elemento de fluido diminui ao longo de n.
Multiplicando ambos os membros da equação anterior por dn e inte-
grando, resulta:
d
d
p
R
v
n gz C
2
s
t
+ + = # # (4.24)
Se a massa volúmica puder ser considerada independente da pres-
são, fluido incompressível, líquidos e gases a baixa velocidade, a equa-
ção anterior toma a forma:
d p
R
v
n gz C
2
s
t t + + = # (4.25)
Para integrar esta equação é necessário saber como R e v
s
variam
com n.
4.4 Aplicações da equação de Bernoulli
4.4.1 Introdução
Em alguns exemplos que vão ser apresentados é necessário conhe-
cer o conceito de conservação de massa, a chamada equação da conti-
nuidade. De seguida vai-se enunciar/estabelecer esta equação de uma
forma muito simples e intuitiva; no capítulo seguinte ela será deduzida
com detalhe.
Considere-se um fluido em escoamento através de um volume fixo, por
exemplo um tanque que tem uma entrada e uma saída (ver figura seguinte).
Se não houver acumulação de fluido no interior do tanque, a massa que
83 NOTAS PARA O ESTUDO DA MECÂNICA DE FLUIDOS
João M. Campos
EQUAÇÃO DE BERNOULLI
entra por unidade de tempo no tanque (caudal de entrada) tem de ser igual
à massa que sai igualmente por unidade de tempo (caudal de saída).
Se A
2
e v
2
representarem a área da secção recta de saída e a velo-
cidade média do fluido à saída, o volume de fluido que sai do tanque no
intervalo de tempo ot é dado por v
2
A
2
ot. Na figura, este volume está
representado a escuro. Note que v
2
ot representa o espaço percorrido
em ot pelo fluido que no início do intervalo de tempo estava prestes a
sair do tanque. O volume de fluido que sai por unidade de tempo (caudal
volumétrico) é dado por Q
2
= (v
2
A
2
ot)/ot = v
2
A
2
e a massa de fluido que
sai por unidade de tempo (caudal mássico) por m
2
= µ
2
v
2
A
2
.
Igual raciocínio pode ser feito para a entrada do tanque. Como não
há acumulação de massa, o caudal mássico de entrada tem de ser igual
ao de saída:

Entrada
1
2
Saída
Volume
A v t
1 1
δ
Volume
A v t
2 2
δ
v t
1
δ
v t
2
δ
v
1
v
2
µ
1
v
1
A
1
= µ
2
v
2
A
2
(4.26)
Se o fluido de entrada e de saída for o mesmo e não houver variação
da massa volúmica:
v
1
A
1
= v
2
A
2
(4.27)
4.4.2. Jactos Livres
Considere-se o escoamento de um líquido através de um orifício
situado na base de um tanque de grande dimensão. Pretende-se saber
qual o caudal (mássico ou volumétrico) de escoamento e como este
caudal varia com a altura de líquido dentro do tanque.
Aplicando a equação de Bernoulli entre os pontos 1, na superfície
do tanque, e 2 , imediatamente à saída do orifício, ambos situados na
mesma linha de corrente, resulta:
2
1
2
1
p v gz p v gz 1 1
2
1 2 2
2
2 t t t t + + = + + (4.28)
84 NOTAS PARA O ESTUDO DA MECÂNICA DE FLUIDOS
João M. Campos
EQUAÇÃO DE BERNOULLI

h
d
j
1
2
A velocidade à superfície do tanque representa a velocidade de des-
cida da superfície livre.
O raio do oríficio é muito menor que o raio do tanque, assim:
A v A v A A
v v v v
2
1
2
1
1 1 1 2 2 2 1 2 1 2
2 1 2
2
1
2
"
" "
` / 22
22 222
t t t t = =
(4.29)
Como exemplo, se o raio do tanque for 10 vezes superior ao do orifí-
cio (20 mm o do orífício e 200 mm o do tanque), a área do tanque é 100
vezes superior à do orifício e a energia cinética por unidade de massa
à saída do orifício é 10000 superior à energia cinética por unidade de
massa à superfície do tanque.
A diferença de cota entre os pontos 1 e 2 é variável ao longo do
tempo de descarga e é dada por:
µg(z
1
– z
2
) = µgh(t) (4.30)
Tanto a superfície livre, como a secção recta do jacto imediatamente à
saída do orifício estão à pressão atmosférica. O ponto 2, mesmo que situ-
ado no eixo do jacto, está à pressão atmosférica, já que as linhas de cor-
rente são supostamente rectas paralelas não havendo variação de pressão
na direcção normal a estas linhas. Todo o jacto, desde que deixa de estar
confinado pelas paredes, passa a estar sujeito à pressão atmosférica.
p
1
= p
2
= p
atm
(4.31)
Substituindo as equações (4.30) e (4.31) na equação de Bernoulli
resulta:
2
1
2 v gh t v gh t 2
2
2 " t t = =
^ ^ h h
(4.32)
Esta equação mostra que a velocidade de saída do jacto é proporcio-
nal à raiz quadrada da altura de líquido no tanque. O caudal volumétrico
de saída do tanque é dado por:
85 NOTAS PARA O ESTUDO DA MECÂNICA DE FLUIDOS
João M. Campos
EQUAÇÃO DE BERNOULLI
2 Q A gh t o =
^ h
(4.33)
em que A
o
representa a área do orifício.
O diâmetro do jacto pode não coincidir com o diâmetro do orifício
dependendo da forma como o orifício é construído: em esquina, arredon-
dado, etc. Há geralmente uma contração do jacto, o chamado efeito da
vena contracta. Esta contracção é maior ou menor conforme a forma
como as linhas de corrente contornam o orifício. Quando as linhas de
corrente “acompanham” os bordos do orifício a contracção é mínima
e vice-versa. Define-se então um coeficiente de contracção Cc igual à
razão entre a menor área do jacto, na chamada zona da vena contracta, e
a área do orifício. Os valores deste coeficiente são dados na literatura em
função da geometria do orifício. A figura seguinte mostra alguns exem-
plos de escoamentos em orifícios e os respectivos valores do coeficiente
de contracção. O caudal volumétrico de saída passa a ser dado por:
2 Q C A gh c o = (4.34)

C A /A
C j
= = 0,50
0
C A /A
C j
= = 0,61
0 C A /A
C j
= = 0,61
0
C A /A
C j
= = 1,0
0
d
j
d
j
d
j
d
j
Exemplo 4.1
Água sai de um tubo sob a forma de um jacto livre e vai embater num prato plano
circular. A geometria do escoamento é simétrica relativamente ao eixo do jacto tal
como mostra a figura. Determine o caudal do jacto Q e a leitura do manómetro H
0,4 mm
H
0,1 m
0,01 m
v v
Q
0,2 m
86 NOTAS PARA O ESTUDO DA MECÂNICA DE FLUIDOS
João M. Campos
EQUAÇÃO DE BERNOULLI
Solução
O jacto ao sair do tubo fica à pressão atmosférica. Ao percorrer uma certa distân-
cia na vertical “ganha” energia potencial. Como a energia mecânica total é constante
e a pressão é atmosférica há um decréscimo de energia cinética. Pela equação da
continuidade, este decréscimo de velocidade tem de ser acompanhado por um aumento
da área de escoamento, i.e., o jacto sofre um alargamento.
Aplicando a equação de Bernoulli entre o ponto 1 situado à saída do tubo, e o ponto
2 perto do prato imediatamente antes do jacto mudar de direcção, obtém-se:
g
p
z
g
v
g
p
z
g
v
2
1
2
1 1
1 1
2
2
2 2
2
t t
+ + = + +

Q
1
2
3
4
Por ser um jacto, não confinado, e em contacto com a atmosfera:
p
1
= p
2
= p
atm
A equação de Bernoulli toma então a seguinte forma:
0, 4 v v g
1
2
2
2
= +
De seguida aplica-se equação de Bernoulli entre o ponto 2 (muito perto do prato)
e um ponto 3 situado no jacto após mudar de direcção. O prato é circular pelo que o
escoamento passa a ser radial logo após o jacto mudar de direcção. A área de escoa-
mento passa a ser a da superfície lateral de um cilíndrico com altura igual à espessura
do jacto. Sendo a diferença de cota entre os dois pontos (2 e 3) desprezável a equação
de Bernoulli reduz-se a:
g
v
g
v v v
2
1
2
1
2
2
3
2
2 3 " = =
A equação da continuidade, na sua forma mais simples, diz que o caudal mássico
que sai do tubo é igual ao caudal mássico no escoamento radial:
R v R ev 2 t p
2
1 3 r r =
em que e representa a espessura do líquido em escoamento radial, R
t
o raio do tubo e
R
p
o raio do prato. Combinando as equações anteriores obtém-se:
,
, / Q A v A
R e
R
g
l s
1
2
0 4
0 06 t t
p
t
1
2
2
. = =
- c m
87 NOTAS PARA O ESTUDO DA MECÂNICA DE FLUIDOS
João M. Campos
EQUAÇÃO DE BERNOULLI
O ponto 4 representado na figura é um ponto de estagnação, a carga cinética com
que o líquido vinha animado transforma-se em carga de pressão no instante em que
o líquido embate no prato. Devido ao aumento de pressão no ponto de estagnação, o
líquido sobe no tubo capilar. Pelo facto do tubo estar aberto para a atmosfera, e da
pressão no jacto antes do impacto ser também atmosférica, a altura H é dada por:
2
1
H
g
v 2
2
=
4.4.3. Medidores de caudal
Uma forma de medir o caudal de um fluido em escoamento num tubo
é colocar no seu trajecto algum tipo de restrição de forma a provocar
a formação de duas zonas: uma de baixa velocidade e alta pressão, e
outra de alta velocidade e baixa pressão. Medindo a diferença de pres-
são entre as duas zonas é possível conhecer o caudal volumétrico ou
mássico através da equação de Bernoulli. De seguida são dados alguns
exemplos.
4.4.3.1 Venturi
O venturi é um medidor frequentemente utilizado, para medir quer o
caudal de líquidos quer o de gases. Consiste num estreitamento suave
da conduta onde o fluido está em escoamento.
Supondo que o escoamento é estacionário, que as forças de inércia
são muito superiores às forças viscosas, e que o fluido é incompressível,
pode-se aplicar a equação de Bernoulli ao longo de uma linha de cor-
rente (horizontal) entre os pontos 1 e 2. O ponto 2 situa-se na secção
recta do estrangulamento da conduta.

1 2
2
1
2
1
p v p v 1 2 1
2
2
2
t t + = + (4.35)
Supondo que os perfis de velocidade são uniformes nas secções rec-
tas que contêm os pontos 1 e 2 (hipótese aceitável quando as forças de
inércia são dominantes), a equação da continuidade permite escrever.
88 NOTAS PARA O ESTUDO DA MECÂNICA DE FLUIDOS
João M. Campos
EQUAÇÃO DE BERNOULLI
Q = A
1
v
1
= A
2
v
2
(4.36)
Combinando as equações (4.35) e (4.36) resulta uma equação que
permite calcular o caudal volumétrico que está a passar na conduta por
simples leitura da variação de pressão:
1
2
Q A
A
A
p p
2
1
2
2
1 2
t
=
-
-
c
^
m
h
< F
(4.37)
Mais uma vez, dependendo da razão entre as áreas das seccções
rectas do estrangulamento e da conduta, a área do jacto pode ser infe-
rior à área do estrangulamento. Define-se então um coeficiente de con-
tracção C
c
= A
j
/A
2
, em que A
j
representa a área do jacto, e o caudal passa
a ser dado por:
1
2
Q C A
A
C A
p p
2
1
2
2
1 2
c
c
t
=
-
-
c
^
m
h
< F
(4.38)
4.4.3.2 Medidor de orifício
O medidor de orifício é frequentemente utilizado para medir caudais já
que é um dispositivo barato, simples de implementar e dá resultados bas-
tante precisos. Na sua forma mais simples é um disco circular com uma
área central aberta ao escoamento menor do que a área da secção recta
da conduta. Por simples medição do decréscimo de pressão do fluido ao
passar por este disco pode-se conhecer o caudal de escoamento.

1
2
De uma forma análoga à do Venturi, aplicando a equação de Bernoulli
entre os pontos 1 e 2 situados na mesma linha de corrente, obtém-se:
1
2
Q A
A
A
p p
2
1
2
2
1 2
t
=
-
-
c
^
m
h
< F
(4.39)
No medidor de orifício, tal como nos exemplos anteriores, o diâmetro
do orifício nem sempre coincide com o diâmetro do jacto que o “atravessa”,
sendo necessário usar um coeficiente de contracção para corrigir o caudal.
89 NOTAS PARA O ESTUDO DA MECÂNICA DE FLUIDOS
João M. Campos
EQUAÇÃO DE BERNOULLI
4.4.3.3 Descarregadores
Os descarregadores servem para medir caudais em canais abertos
para a atmosfera, podendo ter várias geometrias. De seguida são estu-
dados dois exemplos.
Descarregador rectangular -
Na figura está representado um descarregador rectangular de lar-
gura b. Uma barragem em descarga é um bom exemplo para compre-
ender este tipo de medidor.
São necessárias algumas hipóteses para aplicar a equação de Ber-
noulli entre os pontos 1 e 2 representados na figura ao longo de uma
linha de corrente:
a montante do descarregador, a velocidade só tem componente -
horizontal e o perfil de velocidade é uniforme. A variação de
pressão na secção recta que contém o ponto 1 é hidrostática;
a superfície livre permanece horizontal entre as secções rectas -
que contêm os pontos 1 e 2 ;
o ponto 2 situa-se à saída do descarregador e tal como no jacto -
livre a pressão neste ponto é atmosférica (linhas de correntes
supostamente rectas paralelas);
a velocidade na secção recta que contém o ponto 2 só tem com- -
ponente horizontal. Numa queda de água, o fluido não escorre
pela “encosta”, descreve um arco tal como um projéctil com
velocidade inicial na direcção normal à direcção da gravidade;
a intensidade da força de corte é desprezável comparativamente -
com a intensidade das outras forças em jogo (escoamento sem
atrito viscoso).
Ar
1
2
z
1
z
2
H
b
z
2
δz
2
Superfície livre
Aplicando a equação de Bernoulli ao longo da linha de corrente que
passa nos pontos 1 e 2 resulta:
90 NOTAS PARA O ESTUDO DA MECÂNICA DE FLUIDOS
João M. Campos
EQUAÇÃO DE BERNOULLI
2
1
2
1
2 g H z gz v gz v v g H z v 1 1 1
2
2 2
2
2 2 1
2
" t t t t t - + + = + = - +
^ ^ h h (4.40)
De acordo com a equação, a velocidade de descarga é função da cota
do ponto 2. Assim, tem que se definir uma área de descarga infinitésimal
onde a velocidade possa ser considerada uniforme. Considere-se a tira
infinitesimal de altura oz
2
a uma distância z
2
da base do descarregador
(ver Figura). O caudal de descarga através desta área elementar é dado
por:
oQ = v
2
oA = v
2
boz
2
(4.41)
Estendendo esta análise a toda a área do descarregador resulta:
2 d d Q v b z Q g H z v b z
0 0
1 2 H H
2 1
2
" = = - +
] g 7 A
# # (4.42)
Integrando:
3
2
2
2 2
Q b g H
g
v
g
v 1
2
1
2
3
2
2
3
= + - d d n n
> H (4.43)
Na maioria dos casos
2
H
g
v1
2
22 pelo que o caudal volumétrico de
descarga é dado por:
3
2
2 Q b g H2
3
= (4.44)
Descarregador triangular -
No caso de um descarregador triangular a largura da tira infinitesi-
mal é função da coordenada z. Seguindo o mesmo raciocínio que para
o descarregador rectangular e exprimindo a largura da tira em função
de z, obtém-se:
15
8
2
2 tan Q g H2
5
i
= (4.45)
Deixa-se como exercício deduzir este resultado.

H θ
91 NOTAS PARA O ESTUDO DA MECÂNICA DE FLUIDOS
João M. Campos
EQUAÇÃO DE BERNOULLI
Exemplo 4.2
Um descarregador tem a forma de um trapézio simétrico cuja base inferior tem 1
m de comprimento e a base superior 5 m (ambas horizontais). A altura do trapézio é
3 m.
Deduza uma expressão que relacione o caudal de descarga com o nível de água a.
acima da base inferior do trapézio, H (superior a 3 m).
Se b. H for 4,0 m calcule o caudal de descarga nas seguintes condições:
Supondo a velocidade nula a montante do descarregador. i.
Supondo que a área da secção recta a montante é de 40 m ii.
2

1
2 δz
2
z
1
z
2
z
2
H
Vista de frente Vista lateral (corte)
Solução
Aplicando Bernoulli entre um ponto 1 longe do descarregador a uma cota z
1
e
um ponto 2 à saída do descarregador a uma cota z
2
(referência a base do trapézio),
obtém-se:
2
1
2
1
p
gz v
p
gz v
1
1 1
2
2
2 2
2
t t
+ + = + +
Recordando as hipóteses formuladas no estudo dos descarregadores:
p
1
= p
atm
+ µg(H – z
1
), p
2
= p
atm
Substituindo na equação de Bernoulli:
2 ( ) v g H z v 2 2 1
2
= - +
O caudal volumétrico de descarga através de um elemento infinitesimal de altura
oz
2
e comprimento b, que dista z
2
da base do trapézio é dado por:
oQ = v
2
oA = v
2
boz
2
Mas b varia linearmente com z
2
:
3
4
1 b z2 = +
Substituindo as equações anteriores na expressão do caudal volumétrico que passa
na tira infinitesimal, obtém-se:
2 ( )
3
4
1 Q g H z v z z 2 1
2
2 2 d d = - + + c m
Estendendo a toda a área do descarregador:
2 ( )
3
4
1 d Q g H z v z z
0
3
1
2
= - + + c m #
92 NOTAS PARA O ESTUDO DA MECÂNICA DE FLUIDOS
João M. Campos
EQUAÇÃO DE BERNOULLI
Para H=4,0 m e v
1
=0 a expressão para o cálculo do caudal reduz-se a:
( ) d Q g z z z 2 4
3
4
1
0
3
= - + c m #
Quando a velocidade a montante não é desprezável o cálculo é mais complicado:
( ) d v
A
Q
A
g z v z z
1
2 4
3
4
1 1
1 1
1
2
0
3
= = - + + c m #
O caudal Q é função de v
1
pelo que é necessário um processo iterativo. A melhor
estimativa inicial é o valor de Q calculado supondo v
1
= 0. Divide-se este valor de Q
por A
1
, e obtém-se uma estimativa para v
1
. Com este valor, resolve-se o integral, e
obtém-se um novo valor de Q e consequentemente um novo valor de v
1
. Compara-se
este novo valor de v
1
com o anterior, se não coincidirem faz-se nova iteracção. Este
processo continua até que haja concordância entre dois valores consecutivos de v
1
.
4.4.4. Medidores de velocidade
4.4.4.1. Tubo de Pitot
O tubo de Pitot é um dispositivo há muito tempo usado para medir a
velocidade num ponto do escoamento. Por ser necessário colocá-lo no
seio do escoamento, técnica intrusiva que perturba o escoamento, não
é muito utilisado quando se pretende medidas muito rigorosas. Em par-
ticular, torna-se pouco atractivo quando se pretende medir a velocidade
perto de uma parede ou de um sólido mergulhado num escoamento.
v
v
1
v
2
=0
1 2
H
h
Atmosfera
Considere a linha de corrente que passa pelos pontos 1 e 2. O ponto
2 está situado imediatamente antes da entrada de um tubo muito fino,
tubo de Pitot, orientado na direcção do escoamento (a outra extremi-
dade do tubo está aberta para a atmosfera). Na parede da tubagem, na
direcção da linha vertical que passa no ponto 1, está colocado um outro
tubo fino também aberto para a atmosfera.
A pressão estática no ponto 1 pode ser conhecida por simples leitura
de h:
93 NOTAS PARA O ESTUDO DA MECÂNICA DE FLUIDOS
João M. Campos
EQUAÇÃO DE BERNOULLI
p
1
– p
atm
= µgh (4.46)
O fluido em escoamento, quando chega à abertura estreita do tubo
de Pitot (2), não tem energia suficiente para entrar e provocar escoa-
mento no interior do tubo manométrico. Fica por assim dizer “à porta”,
formando-se à frente da abertura uma zona de fluido estagnado. A carga
cinética dos elementos de fluido ao longo da linha de corrente, transfor-
ma-se em carga de pressão, a chamada pressão dinâmica. Assim:
2
1
p p v 2 1 1
2
t = + (4.47)
À soma da pressão estática (p
1
) com a dinâmica
2
1
v1
2
t c m , chama-se
pressão total. Por leitura do manómetro:
p
2
– p
atm
= µgH (4.48)
Combinando as equações (4.46)-(4.48) resulta:
2 v g H h 1 = - ] g (4.49)
O tubo de Pitot permite assim medir a velocidade “quase” pontual
de um escoamento por simples leitura de duas alturas manométricas.
Uma versão, mais desenvolvida do tubo de Pitot, o chamado tubo de
Pitot com manga, está esquematizada na figura seguinte. Em 1 mede-se
a pressão estática e em 2 a pressão total.
1
2
94 NOTAS PARA O ESTUDO DA MECÂNICA DE FLUIDOS
João M. Campos
EQUAÇÃO DE BERNOULLI
4.6 Exercícios propostos de aplicação
4.1 Água é descarregada de um tanque para a atmosfera, através da
tubagem representada na figura. Calcule as cargas total, cinética e de
pressão em A, B, C, e D bem como o caudal de descarga. Suponha que
o nível do tanque permanece constante e que as forças viscosas são
desprezáveis.
Atmosfera
3 m
4 m
2 m
d= 5 cm
d= 5 cm d= 3,75 cm
d= 10 cm
A
C
D
B
Atmosfera
4.2 A água de um tanque está a ser descarregada para a atmosfera
através de um sifão como mostra a Figura. O barómetro de água repre-
sentado na figura indica o valor máximo de 9,2 m. Determine o valor
máximo de h de forma a que não ocorra cavitação no tubo de descarga.
A pressão atmosférica é 740 mm de Hg. A pressão no extremo fechado
do barómetro é a pressão do vapor de água.

1,8 m
76 mm
h
9,2 m
4.3 Um tanque cilíndrico com 2,0 m de diâmetro descarrega para a
atmosfera através de uma mangueira de 20 mm de diâmetro interno.
A saída da mangueira encontra-se ao nível da base do tanque, mas tem
que passar sobre um obstáculo alto. Suponha que as forças viscosas
são desprezáveis.
B
h
1,5 m 2 m
Atmosfera
95 NOTAS PARA O ESTUDO DA MECÂNICA DE FLUIDOS
João M. Campos
EQUAÇÃO DE BERNOULLI
Calcule o caudal volumétrico de descarga. a.
Estabeleça uma relação entre a pressão do líquido em B e a dife- b.
rença de cota h.
Qual o valor máximo de c. h se o líquido for água á temperatura de
60 ºC (p
v
= 150 mmHg).
R: a- 1,7 l/s; b- p
B
= p
atm
-ρ g h; c- h
máx
= 8 m
4.4 Um tubo cilindrico horizontal é percorrido por um fluido. Dois
tubos muito finos estão colocados no interior do tubo tal como mostra
a Figura. A abertura do tubo A está alinhada com o eixo do tubo hori-
zontal e o tubo B tem a abertura 4 cm abaixo deste eixo (na vertical).
Mostre que as velocidades vA (ao nível de A) e vB (ao nível de B) estão
relacionadas com h segundo:
2 2 g
v
g
v
h
2 2
A B
- =

6 cm
A
B
4 cm
h
Ar
4.5 Água é transportada num tubo vertical com 5 cm de diâmetro e
para medir o caudal introduziu-se no tubo uma placa com um orifício de
2 cm de diâmetro. Determine o caudal de descarga sabendo que a menor
secção recta do jacto (vena contracta), onde está colocada a segunda
toma de pressão, tem um diâmetro 0,8 d
orif
. Suponha que as forças vis-
cosas são desprezáveis.

5 cm
Água
5 cm
1,5 cm
1,5 cm
Mercúrio
4.6 Observe a Figura e determine h em função de H. Suponha que as
forças viscosas são desprezáveis. R: h=0, ¬H
96 NOTAS PARA O ESTUDO DA MECÂNICA DE FLUIDOS
João M. Campos
EQUAÇÃO DE BERNOULLI
H
Água
h
ρ=3000 kg/m
3
8 cm
4.7 Água sai de um reservatório através de uma conduta de secção
circular com 20 mm de diâmetro e é descarregada para a atmosfera.
Suponha que as forças viscosas são desprezáveis.
Encontre uma relação entre as alturas H e H1 .
Determine os valores de H1 e H2 quando o caudal mássico for 1,0 kg/s.
R: a- H=H
1
; b- H
1
= 0,52 m e H
2
=0
H
H
2
H
1
4.8 Um tanque cilindrico de diâmetro 1,0 m descarrega água para
a atmosfera através de um orifício com 4 mm de diâmetro situado na
base. Para conhecer a velocidade de descarga, colocou-se no jacto um
tubo de Pitot tal como mostra a figura. Determine o caudal de descarga
no instante em que o nível da água é o indicado na figura, bem como a
pressão P que o manómetro ligado ao tubo de Pitot deve indicar. Supo-
nha que as forças viscosas são desprezáveis.

1,0 m
0,20 m
Água
p
4.9 Os carburadores dos automóveis são bem mais complicados que
a versão representada na figura, contudo basicamente o sistema de
operação é o mesmo. As áreas das secções rectas onde estão situados
os pontos 1 e 3 são suficientemente elevadas de forma a que as cargas
cinéticas nessas secções são desprezáveis quando comparadas com
97 NOTAS PARA O ESTUDO DA MECÂNICA DE FLUIDOS
João M. Campos
EQUAÇÃO DE BERNOULLI
a carga cinética na secção onde está situado o ponto 2. À entrada e à
saída do carborador (1 e 3) a pressão é próxima da ambiente. A gasolina
está armazenada num reservatório de nível constante e aberto para a
atmosfera, e é injectada no ar através de um orifício largo de diâmetro
D
j
. O diâmetro da secção onde está representado o ponto 2 é D
2
. Supo-
nha que as forças viscosas são desprezáveis.
Escreva a razão ar-fuel, i.e., o caudal mássico de ar dividido pelo a.
caudal mássico de gasolina, em função das variáveis apropria-
das. Se se aumentar a entrada de ar (nos carros através de um
mecanismo associado ao pedal do acelarador) como é que acha
que a razão ar-fuel varia ? R: / / / m m A A 2 ar gas j ar gas t t =
o o
Se a razão for de 15 ao nível do mar, acha que será maior, igual ou b.
menor no cimo da serra da Estrela a uma altitude de 2000 m.

Gasolina
Entrada de ar
Saída de ar + gasolina
1
3
2
D
j
D
2
4.10 a. Um Venturi é um equipamento que permite medir o caudal de
escoamento de um fluido num tubo. Se o escoamento for incompressí-
vel e as forças viscosas forem desprezáveis mostre que o caudal volu-
métrico Q está relacionado com a altura manométrica h pela seguinte
expressão:
1 ( )
2
Q
D D
A
gh
2 1
4
2
m
t
t t
=
-
- ^ h
em que µ e µ
m
são respectivamente as massas específicas do fluido em
escoamento e do fluido manométrico
h
98 NOTAS PARA O ESTUDO DA MECÂNICA DE FLUIDOS
João M. Campos
EQUAÇÃO DE BERNOULLI
Um Venturi pode igualmente funcionar como uma “bomba aspira- b.
dora” de fluido. Encontre uma expressão para a velocidade v
1
em função
da altura máxima h para que a água de um reservatório aberto chegue
ao estrangulamento do Venturi.

p
atm
p
atm
v
1
v
2
Água
Água
h
D
2
D
1
4.11 Um tubo liso contendo água em escoamento a um caudal de 7 m
3
/hr
tem num dado troço um medidor de orifício tal como mostra a figura. O
diâmetro do orifício é de 30 mm.

h
3
h
2
h
1
=1 m
5 m
D=5 cm d=3 cm
Medidor de orifício
Estime os níveis de água nos tubos capilares h
3
e h
2
. Suponha que as for-
ças viscosas são desprezáveis e que o coeficiente de contracção é 1.
99 NOTAS PARA O ESTUDO DA MECÂNICA DE FLUIDOS
João M. Campos
ANÁLISE INTEGRAL EM
VOLUMES DE CONTROLO
FINITOS
5 ANÁLISE INTEGRAL EM VOLUMES DE CONTROLO FINITOS
5.1 Análise diferencial, integral e dimensional
Há três formas clássicas de estudar o escoamento de um fluido e os seus efeitos, todas
importantes, e por vezes complementares:
estudo do escoamento de um elemento de fluido de dimensões infinitesimais, desig- -
nado por estudo diferencial;
estudo do escoamento e seus efeitos num volume de controlo seleccionado, designado -
por estudo integral;
estudo experimental de um escoamento e seus efeitos com suporte na análise dimen- -
sional.
Estudo diferencial -
Quando as leis de conservação são escritas para um elemento de
fluido infinitesimal designam-se por equações diferenciais básicas de
escoamento. Após serem estabelecidas para um dado problema, elas
têm que ser integradas, sujeitas às condições fronteira apropriadas.
Soluções analíticas exactas são na grande maioria dos casos impossí-
veis de obter, pelo que as equações têm de ser resolvidas por integra-
ção em computadores, sendo as soluções numéricas aproximações das
soluções exactas. Com este tipo de análise, os detalhes do escoamento
não são ignorados, sendo por isso possível descrever todo o campo de
escoamento, velocidade e pressão.
Estudo integral -
As leis de conservação são escritas e aplicadas a um sistema o qual
é definido como uma quantidade arbitrária de massa com identidade
própria. Tudo o que não faça parte do sistema é designado por arre-
dores e entre os arredores e o sistema existe a fronteira. Em muitos
problemas de Mecânica dos Fluidos, não tem interesse estudar o esco-
amento de uma dada massa de fluido, i.e., não tem interesse estudar o
escoamento do sistema, mas sim estudar os efeitos desse escoamento.
Ao estudar a acção dos ventos numa ponte, não tem interesse estudar
o campo de escoamento do ar em torno da ponte, mas sim os efeitos
dos ventos sobre a ponte. Assim, define-se uma região, que no caso
100 NOTAS PARA O ESTUDO DA MECÂNICA DE FLUIDOS
João M. Campos
ANÁLISE INTEGRAL EM
VOLUMES DE CONTROLO
FINITOS
anterior engloba a ponte, a qual é designada por volume de controlo.
Este volume de controlo pode ser fixo ou móvel no espaço, e rígido ou
deformável no tempo. Na figura estão esquematizados alguns exemplos
de volumes de controlo.
V.C.
v v
Volume de controlo móvel
Área de controlo
V.C.
1
2
Volume de controlo fixo
Área de controlo
Área de controlo
V.C.
Volume de controlo deformável
Estudo experimental com suporte na análise dimensional -
Muitos problemas são difíceis de estudar quer por análise integral
quer por análise diferencial, por exemplo o estudo das condições aero-
dinâmicas de um carro de Fórmula I. Estes estudos são geralmente
levados a cabo experimentalmente. Quando a dimensão dos objectos é
pequena, simulam-se as condições exteriores, por exemplo em túneis
de vento ou de água, e realizam-se estudos em protótipos. Quando as
dimensões dos objectos são grandes, realizam-se estudos em modelos
à escala, sendo a análise dimensional uma ferramenta importante para
que se possa tirar conclusões.
Qualquer que seja a forma de abordar um escoamento, têm de ser
sempre satisfeitas as equações de conservação, a equação de estado
do fluido e as condições na fronteira:
conservação de massa; -
conservação de quantidade de movimento (2ª lei de Newton); -
conservação de energia (1ª lei da Termodinâmica); -
equação de estado do fluido; -
condições fronteira em superfícies sólidas, interfaces, entradas -
e saídas.
Neste capítulo vai ser seguida a abordagem integral.
101 NOTAS PARA O ESTUDO DA MECÂNICA DE FLUIDOS
João M. Campos
ANÁLISE INTEGRAL EM
VOLUMES DE CONTROLO
FINITOS
5.2 Teorema do Transporte de Reynolds
5.2.1 Dedução do teorema do transporte de Reynolds
O teorema do transporte de Reynolds vai servir de suporte para
deduzir as equações integrais de conservação de massa, quantidade de
movimento e energia. Este teorema faz a ponte entre o que se passa no
sistema e o que se passa no volume de controlo. Na figura está repre-
sentado, a ponteado, um volume de controlo fixo e estacionário com
uma entrada (1) e uma saída (2). O fluido desloca-se na direcção normal
às superfícies de entrada e saída com velocidades respectivamente v
1

e v
2
. Estas velocidades são, por hipótese, uniformes nas respectivas
secções.
Num dado instante t, a massa de fluido seleccionada para sistema
preenche por completo o volume de controlo. Durante o intervalo de
tempo ot, o sistema move-se para a direita, e está representado a trace-
jado na figura. Os elementos do sistema que estavam no instante t sobre
a superfície de saída do volume de controlo (2) deslocaram-se para a
direita de ol
2
= v
2
ot. Os elementos de fluido que estavam no instante t
sobre a superfície de entrada do volume de controlo (1) deslocaram-se
para a direita de ol
1
= v
1
ot.

1
2
v
1
v
2
v t
1
δ
v t
2
δ
1
2
I II V.C. - I
Volume de controlo e Sistema no instante t
Sistema no instante δt + t
Para facilitar a dedução do teorema de Reynolds, o volume de con-
trolo passa a ser designado por VC, o que sai do VC durante o inter-
valo de tempo ot ocupa um volume designado por II e o que entra no
VC durante este intervalo de tempo ocupa um volume designado por
I. Assim no instante t o sistema está todo no interior do VC, enquanto
que no instante t + ot está contido em VC- I + II.
Seja B uma propriedade extensiva qualquer (que dependa da massa
do sistema). No instante t:
B
Sist
(t) = B
VC
(t) (5.1)
102 NOTAS PARA O ESTUDO DA MECÂNICA DE FLUIDOS
João M. Campos
ANÁLISE INTEGRAL EM
VOLUMES DE CONTROLO
FINITOS
No instante t + ot:
B
Sist
(t + ot) = B
VC
(t + ot) – B
I
(t + ot ) + B
II
(t + ot) (5.2)
A variação de B
Sist
no intervalo de tempo ot é dada por:
t
B
t
B t t B t
t
B t t B t t B t t B t
Sist Sist Sist
VC I II Sist
d
d
d
d
d
d d d
=
+ -
=
=
+ - + + + -
^ ^
^ ^ ^ ^
h h
h h h h
(5.3)
Rearranjando e sabendo que B
Sist
(t) = B
VC
(t) obtém-se:
t
B
t
B t t B t
t
B t t
t
B t t Sist VC VC I II
d
d
d
d
d
d
d
d
=
+ -
-
+
+
+
^ ^ ^ ^ h h h h
(5.4)
No limite quando ot ÷ 0, cada uma das parcelas da equação (5.4)
tem um significado:
lim
t
B
Dt
DB
t o
Sist Sist
d
d
=
" d
; E
Esta parcela representa a variação da propriedade - B no sistema
por unidade de tempo. A variação em ordem ao tempo de uma
qualquer propriedade de um sistema, escalar ou vectorial, asso-
ciada a um elemento de fluido em escoamento, é designada por
derivada total ou substancial.
lim
t
B t t B t
0 t
VC VC
d
d + -
" d
^ ^ h h
< F
Esta parcela representa a variação da propriedade - B no VC por
unidade de tempo. Seja b a propriedade B por unidade de massa
(propriedade intensiva do sistema). Se se dividir o volume de
controlo num número infinito de volumes infinitesimais, cada um
de volume oV
i
e massa µoV
i
, pode-se escrever:
lim
B b V bdV VC
V
i i i
i
VC
0 1
i
t d t = =
"
3
d =
^ h / #
Substituindo:
lim
t
B t t B t
t
B
t
bdV
t
VC VC VC VC
0 2 2
2
d
d
t
+ -
= =
" d
^ ^
d
h h
n
#
103 NOTAS PARA O ESTUDO DA MECÂNICA DE FLUIDOS
João M. Campos
ANÁLISE INTEGRAL EM
VOLUMES DE CONTROLO
FINITOS
lim
t
B t t
0 t
II
d
d +
" d
^ h
< F
Esta parcela representa a velocidade (quantidade por unidade -
de tempo) de saída do VC da propriedade extensiva B através da
superfície de controlo. Observando a figura anterior, a quanti-
dade de B na região II é dada por:
B
II
(t + ot ) = µ
2
b
2
A
2
ol
2
= µ
2
b
2
A
2
(v
2
ot)
No limite quando ot ÷ 0:
lim
t
B t t
b A v
0
2 2 2 2
t
II
d
d
t
+
=
" d
^ h
lim
t
B t t
0 t
I
d
d +
" d
^ h
< F
Esta parcela representa a velocidade (quantidade por unidade -
de tempo) de entrada no VC da propriedade extensiva B através
da superfície de controlo. Observando a figura anterior, a quan-
tidade de B na região I é dada por:
B
I
(t + ot ) = µ
1
b
1
A
1
ol
1
= µ
1
b
1
A
1
(v
1
ot)
No limite quando ot ÷ 0:
lim
t
B t t
b A v
0
1 1 1 1
t
I
d
d
t
+
=
" d
^ h
Combinando todos as parcelas anteriores de acordo com a eq. (5.4)
obtém-se o teorema de Transporte de Reynolds.
Dt
DB
t
bdV
A b v A b v 2 2 2 2 1 1 1 1
Sist VC
2
t
t t = + -
d n
#
(5.5)
Um exemplo, bem ilustrativo, do teorema de Transporte de Reynolds
é o que se passa num garrafa de gás pressurizado quando se abre a
válvula de saída.
O VC está a tracejado na figura, e o sistema é todo o gás que no
instante t = 0 (antes da abertura da válvula) está no interior da garrafa.
De seguida vão ser analisados, para este exemplo, cada um dos termos
da eq. (5.5).
104 NOTAS PARA O ESTUDO DA MECÂNICA DE FLUIDOS
João M. Campos
ANÁLISE INTEGRAL EM
VOLUMES DE CONTROLO
FINITOS
Sistema
Volume de controlo
t=0 t>0
Não há entrada de massa no VC, logo:
0
d
A b v
Dt
DB
t
b V
A b v 1 1 1 1 2 2 2 2
Sist VC
"
2
2
t
t
t = = +
d n
#
A quantidade de massa no sistema é constante no tempo, nada se
perde, nada se ganha, tudo se transforma:
0 0
Dt
DB
t
bdV
A b v 2 2 2 2
Sist VC
"
2
2 t
t = + =
d n
#
Esta equação mostra que a velocidade a que a massa “desaparece”
da garrafa, i.e. do V.C., é igual ao caudal mássico de saída.
5.2.2 Teorema do transporte de Reynolds generalizado
No caso do vector velocidade não ser normal aos planos que contêm
as superfícies de entrada e/ou de saída do VC, ou no caso da velocidade
não ser uniforme na entrada e/ou na saída do VC, o teorema de trans-
porte de Reynolds apresenta uma forma mais complexa.
Seja v a velocidade com que o fluido atravessa a área infinitesimal
oA de saída do VC. No intervalo de tempo ot, o volume de fluido que
atravessa esta área é dado por:
oV = ol
n
oA = ol cosu oA = (vot) cosu oA (5.6)
em que u é o menor ângulo, (0 º < u < 90 º), que o vector velocidade faz
com o versor normal à superfície de saída oA (ver figura seguinte).
105 NOTAS PARA O ESTUDO DA MECÂNICA DE FLUIDOS
João M. Campos
ANÁLISE INTEGRAL EM
VOLUMES DE CONTROLO
FINITOS
δA
θ
n
v
δ δ l=v t
δl
n
v
δl
n
θ
A quantidade de propriedade b que atravessa a área oA no intervalo
de tempo ot é dada por:
bµ oV = bµ (vot) cosu oA (5.7)
Integrando na área de saída:
´
. lim cos
t
B t t
bv dA b v n dA
0 t
II
A A S S
d
t i t
+
= =
"
" "
d
^
`
h
j
# # (5.8)
Na entrada do VC, o sentido do versor normal à superfície aponta
para fora do volume de controlo. Assim o menor ângulo que o versor
faz com o vector velocidade à entrada está compreendido entre 90 º <
u < 180 º (ver figura seguinte). Logo:
bµ oV = – bµ (vot) cosu oA (5.9)
Integrando na área de entrada:
. lim cos d d
t
B t t
bv A b v n A
0 t
I
A A E E
d
d
t i t
+
=- =-
"
" "
d
^
`
h
j
# # (5.10)

δA
θ
n
v
δ δ l=v t
δl
n
v
δl
n
θ
A diferença entre o que sai e o que entra de B na unidade de tempo
é dada por:
. .
.
lim lim d d
d
t
B t t
t
B t t
bv n A bv n A
bv n A
0 0 t
II
t
I
A A
AC
S E
d
d
d
d
t t
t
+
-
+
= - - =
=
" "
" " " "
" "
d d
^ ^
f
h h
p
# #
#
(5.11)
106 NOTAS PARA O ESTUDO DA MECÂNICA DE FLUIDOS
João M. Campos
ANÁLISE INTEGRAL EM
VOLUMES DE CONTROLO
FINITOS
em que AC representa a área exterior do volume de controlo, i.e., a área
de controlo.
O teorema de Transporte de Reynolds é rescrito na seguinte
forma:
. d d
Dt
DB
t
b V bv n A
Sist
VC AC
2
2
t t = +
" "
# # (5.12)
Falta generalizar para o caso em que o volume de controlo se desloca
a uma velocidade constante. Se o referencial se deslocar à velocidade
do VC, então a velocidade relativa entre o fluido e o VC é dado por:
v v v rel VC = -
" " "
(5.13)
O teorema de Reynolds relativamente a um observador móvel toma
então a seguinte forma:
. d d
Dt
DB
t
b V bv n A
Sist
VC
rel
AC
2
2
t t = +
" "
# # (5.14)
5.3 Conservação de Massa- Equação da
Continuidade
5.3.1 Dedução da equação da continuidade
Quando a propriedade extensiva B é a massa, então o valor da pro-
priedade intensiva é b = 1. O teorema de Transporte de Reynolds apli-
cado à propriedade massa toma a seguinte forma:
. d d
Dt
DM
t
V v n A
Sist
VC
rel
AC
2
2
t t = +
" "
# #
Pelo princípio de conservação de massa de um sistema, mais uma
vez nada se cria, nada se perde, tudo se transforma, a equação anterior
reduz-se a:
0 . 0 d d
Dt
DM
t
V v n A
Sist
VC
rel
AC
"
2
2
t t = + =
" "
# # (5.15)
107 NOTAS PARA O ESTUDO DA MECÂNICA DE FLUIDOS
João M. Campos
ANÁLISE INTEGRAL EM
VOLUMES DE CONTROLO
FINITOS
Esta equação é designada por equação da conservação de massa
aplicada a um VC.
Se não houver variação de massa com o tempo no interior do VC, i.e,
se não houver acumulação ou desacumulação de massa no interior do
VC, resulta a chamada equação da continuidade:
0 . 0 d d
t
V v n A
VC
rel
AC
"
2
2
t t = =
" "
# # (5.16)
Se o volume de controlo for fixo e sabendo que . v n
" "
é positivo para o
que sai do VC e negativo para o que entra no VC, obtém-se a forma mais
simples da equação da continuidade:
. v ndA m m
AC
S E t = -
" "
o o
# (5.17)
em que mS
o representa o caudal mássico de saída pela área de con-
trolo e mE
o o caudal mássico de entrada.
Exemplo 5.1
Um tanque contém, no início de uma dada operação, 1000 kg de uma solução de
salmoura com 10% de sal (em massa).O tanque, num dado instante, passa a ser alimen-
tado por uma corrente, contendo 20% (em massa) de sal, a um caudal de 20 kg/min. A
mistura no tanque é mantida uniforme por agitação mecânica. A salmoura é removida
do tanque a um caudal de 10 kg/min. Determine a quantidade de sal no tanque em qual-
quer instante t e o tempo ao fim do qual a quantidade de sal no tanque é 200 kg.
Solução
O primeiro passo é representar o VC, a tracejado na figura. De seguida aplica-se a
equação da continuidade à salmoura (sal + água) sabendo que:
V.C.
10 kg/min
20 kg/min
20 % massa
. 10 20 10
10
d
d
v ndA m m
t
dV
t
M
kg/min kg/min kg/min
kg/min
AC
S E
VC
2
2
t
t
= - = - =-
= =
v v o o
#
#
108 NOTAS PARA O ESTUDO DA MECÂNICA DE FLUIDOS
João M. Campos
ANÁLISE INTEGRAL EM
VOLUMES DE CONTROLO
FINITOS
em que M representa a massa de salmoura no tanque em qualquer instante t. Inte-
grando a equação anterior, sabendo que no instante t = 0 a massa de salmoura no
tanque é 1000 kg, obtém-se:
10 0 10 1000
d
d
t
M
M t " - = = +
Se S representar a massa de sal, a concentração de sal (massa de sal/massa de
salmoura) no interior do V.C. ao longo do tempo é dada por:
1000 10 M
S
t
S
=
+
De seguida aplica-se a equação da continuidade ao sal sabendo que na corrente
de saída, em qualquer instante, a concentração de sal é igual à concentração no
interior do volume de controlo:
. ,
4
d
d
d
d
v ndA m m
t
S
t
dV
t
S
t
S
t
S
t
S
10
1000 10
20 0 2
100
4
100
0
AC
S E
VC
"
#
2
2
t
t
= - =
+
-
= =-
+
- +
+
- =
v v o o
a k
#
#
Esta equação é uma equação diferencial de 1ª ordem cuja solução é:
100
2 200
100
S
t
t t
t
C
=
+
+
+
+
^ h
em que C é a constante de integração, cujo valor é determinado a partir da condição
inicial: t = 0, S = 100 ÷ C = 10000. A massa de sal no tanque ao longo do tempo é
finalmente dada por:
100
10000 400 2
S
t
t t
2
=
+
+ +
Exemplo 5.2
Na figura, estão representados os perfis de velocidade, para o volume de controlo
em torno de um cilindro de comprimento L mergulhado num fluido, com o eixo perpen-
dicular à direcção de escoamento. Se o fluido for incompressível, qual o caudal através
das superfícies horizontais do volume de controlo?

6d d VC
v
0 v
0
v =
x
v
0
v =
x
v
0
Solução
Considerando o fluido incompressível não há variação de massa no interior do
volume de controlo, pelo que da equação da continuidade resulta:
. 0 . . 0 d d d v n A v n A v n A
. AC AS AE
" t t t = + =
"" "" ""
# # #
109 NOTAS PARA O ESTUDO DA MECÂNICA DE FLUIDOS
João M. Campos
ANÁLISE INTEGRAL EM
VOLUMES DE CONTROLO
FINITOS
A saída dá-se quer pela superfície vertical (A
SV
) quer pelas superfícies horizontais
(A
SH
).
. . . . d d d d v n A v n A v n A v n A 0 0
. ASV ASH AC AE
" t t t t = + + =
"" "" "" ""
# # # #
O perfil de velocidade à entrada é uniforme:
. 6 d v n A v dL
. AE
0 t t =-
""
#
O perfil de velocidade á saída na superfície vertical varia linearmente desde o plano
central até cada uma das extremidades:
3
0 3 v
d
v
y i y d
0
# # =
" "
O caudal mássico de saída pela superfície vertical do VC é dado por:
.
3
. 2
3
3 d d d v n A
d
v
y i n A
d
v
yL y v dL
0 0
0
3
0
ASV ASV
d
# t t t t = = =
"" ""
# # #
O caudal mássico de saída pelas superfícies horizontais do VC é dado por:
. . . 6 3 3 d d d v n A v n A v n A v dL v dL v dL
SV
0 0 0
ASH AE A
t t t t t t =- - = - =
"" "" ""
# # #
5.3.2 Carga e descarga de reservatórios
Exemplo 5.3
Dois tanques (A e B) com uma parede comum comunicam por um orifício estreito
de área A
0
, tal como mostra a figura. Calcule:
O caudal de descarga do tanque A em função de a. h
A
, h
B
e A
0
. Considere que no
instante inicial h
A
> h
B
.
O tempo que demora b. h
A
a baixar de 3,5 m para 3,0 m considerando o tanque B
inicialmente vazio. Tome A
0
= 2,0 cm
2
, A
1
= 10 cm
2
e A
2
= 5 cm
2
.
O tempo que demora o tanque A a baixar de 3,5 m até 2,5 m considerando o c.
tanque B inicialmente vazio. Tome A
0
= 2,0 cm
2
, A
1
= 10 cm
2
e A
2
= 5 cm
2
.

A
B
h
A
h
B
10 m 5 m
1 m
Solução
O caudal de descarga do tanque A depende do nível de água no tanque B estar a.
acima ou abaixo do orifício:
110 NOTAS PARA O ESTUDO DA MECÂNICA DE FLUIDOS
João M. Campos
ANÁLISE INTEGRAL EM
VOLUMES DE CONTROLO
FINITOS
Superfície livre do tanque B acima do orifício. -
Aplicando a equação de Bernoulli ao longo da linha de corrente, entre o ponto 1
situado na superfície do tanque A e o ponto 2 situado no tanque B imediatamente à
saída do orifício, resulta:
2
1
2
1 p
gz v
p
gz v
1 2
1 1
2
2 2
2
t t
+ + = + +

A
B
h
A
h
B
h
B
-1
1
2
Na superfície do tanque A a pressão é atmosférica. A área do orifício é muito menor
que a área da secção recta do tanque A, pelo que:
v v 1
2
2
2
%
A pressão à saída do orifício é bem aproximada pela pressão hidrostática no tanque
B; a razão é semelhante à apresentada no capítulo anterior para a descarga de um jacto
de líquido para a atmosfera.
p
2
= p
atm
+ µg(h
B
– 1)
Substituindo na equação de Bernoulli resulta:
( 1)
2
1
2 ( ) gh
p
g
p
g h v v g h h 2 A
atm atm
B A B 2
2
"
t t
+ = + + - + = -
O caudal volumétrico de descarga do tanque A é dado por:
2 ( ) Q A v A g h h 2 o o A B = = -
Superfície livre do tanque B abaixo do orifício. -
Neste caso o tanque A está a descarregar para a atmosfera:
p
2
= p
atm
Aplicando a equação de Bernoulli entre os pontos 1 e 2 resulta:
2
1
2 ( 1) gh
p
g
p
v v g h 2 A
atm atm
A 2
2
"
t t
+ = + + = -
O caudal volumétrico de descarga do tanque A é dado por:
2 ( 1) Q A v A g h 2 o o A = = -
Tempo que demora o tanque A a baixar de 3,5 m até 3,0 m b.
A área da secção recta do tanque A é o dobro da do tanque B. Assim, quando o nível
do tanque A baixa de 3,5 m até 3,0 m o nível do tanque B, inicialmente vazio, sobe 1 m,
i.e., sobe até ao nível do orifício.
111 NOTAS PARA O ESTUDO DA MECÂNICA DE FLUIDOS
João M. Campos
ANÁLISE INTEGRAL EM
VOLUMES DE CONTROLO
FINITOS

h
A
h
B
V.C.
1
2
O VC está representado na figura. Nada entra no VC, saí fluido através do orifício e
o volume de fluido dentro do VC vai diminuindo com o tempo. Aplicando a equação de
conservação de massa ao VC representado na figura resulta:
.
.
t
dV v ndA
t
dV
t
A dz
t
A h A
t
h
v ndA v A g h A
0
2 1
AC VC
VC
A
hA
A A A
A
AC
A
0
2 0 0
2
2
2
2
2
2
2
2
2
2
t t
t t t t
t t t
+ =
= = =
= = -
""
""
^
^
h
h
# #
# #
#
A
t
h
g h A
A
A
t
h
v g h 2 1 0 2 1 A
A
A
A A
A 0
0
2 "
2
2
2
2
t t + - = =- =- - ^ ^ h h (1)
Integrando entre t = 0 (h
A
= 3,5 m) e t
1
(h
A
= 3,0 m):
2 1 2 1
0, 25 dt
A
A
g h
dh
t
A
A
g h
dh
A g
A
0
0
3,5
3,0
1
0
3,5
3,0
0
t
A
A
A A
A
A A
1
" . =-
-
=-
- ^ ^ h h
# # # (*)
Tempo que demora o tanque A a baixar de 3 c. ,5 m até 2,5 m
Quando o nível do tanque A baixa de 3,5 m até 2,5 m o nível do tanque B, inicial-
mente vazio, sobe 2,0 m. O tempo de descarga vai ser dividido em 2 períodos: o primeiro,
já calculado, corresponde ao tempo que demora o nível do tanque A a baixar de 3,5 m
até 3,0 m; o segundo corresponde ao tempo que o nível do tanque A demora a baixar
de 3,0 m até 2,5 m.
No segundo período, o termo correspondente à saída de fluido do VC é dado por:
. 2
2 0 2
v ndA v A g h h A
A
t
h
g h h A
A
A
t
h
g h h
0 0
0
0
AC
A B
A
A
A B
A A
A B
2
"
2
2
2
2
t t t
t t
= = -
+ - = =- -
""
^
^ ^
h
h h
#
Integrando entre t
1
(h
A
= 3,0 m) e t
2
(h
A
= 2,5 m):
2 2
dt
A
A
g h h
dh
t t
A
A
g h h
dh
0
3,0
2,5
2 1
0
3,0
2,5
t
t
A
A B
A A
A B
A
1
2
" =-
-
- =-
- ^ ^ h h
# # #
Para conhecer t
2
– t
1
é necessário saber como h
B
varia com h
A
. Aplicando a equação
da conservação de massa ao tanque B resulta:
112 NOTAS PARA O ESTUDO DA MECÂNICA DE FLUIDOS
João M. Campos
ANÁLISE INTEGRAL EM
VOLUMES DE CONTROLO
FINITOS
. 0
.
t
dV v ndA
t
dV
t
A dz
t
A h A
t
h
v ndA v A
0
2 0
AC VC
VC
B
h
B B B
B
AC
B
2
2
2
2
2
2
2
2
2
2
t t
t t t t
t t
+ =
= = =
=-
""
""
^ h
# #
# #
#
0 A
t
h
v A
A
A
t
h
v 2 0
0
2 B
B B B
"
2
2
2
2
t t - = = (2)
Comparando as equações de conservação de massa aplicadas ao tanque A e B, (1)
e (2), conclui-se que:
3, 5
A
A
dt
dh
A
A
dt
dh
A dh A dh h
A
A
h
0 0
3,5 0
B B A A
B B A
h h
B
B
A
A A
A B
" " =- =- = - ^ h
# #
Substituindo a relação entre h
B
e h
A
na equação de conservação de massa aplicada
ao tanque A, obtém-se:
2 3, 5
t t
A
A
g h
A
A
h
dh
2 1
0
3,0
2,5
A
A
B
A
A
A
- =-
- - ^ h ; E
# (**)
O tempo total é dado pela soma dos tempos calculados pelas equações (*) e (**)
Exemplo 5.4
Estime, aplicando a equação da continuidade na sua forma integral, o tempo neces-
sário para encher de água um recipiente de forma cónica se o caudal de alimentação for
1l/min. A alimentação processa-se por um pequeno orifício no topo do cone.

H=1,5 m
h
D=1,5 m
δz
i
z
r
p
atm
Solução
O VC está representado na figura a ponteado. Nada sai do VC, entra fluido a um
caudal constante e o volume de fluido dentro do VC vai aumentando com o tempo. Apli-
cando a equação da conservação de massa ao VC representado na figura resulta:
. 0
t
dV v ndA
AC VC
2
2
t t + =
""
# #
Na figura está representado um elemento infinitesimal i de altura oz
i
. Quando oz
i

tende para 0 a forma deste elemento tende para a de um disco circular de espessura
infinitesimal e raio r. O volume deste disco infinitesimal é V r z i i i
2
d r d = . Somando o
infinito número de discos em que se pode dividir o volume de líquido dentro do VC,
resulta:
113 NOTAS PARA O ESTUDO DA MECÂNICA DE FLUIDOS
João M. Campos
ANÁLISE INTEGRAL EM
VOLUMES DE CONTROLO
FINITOS
d lim d
t
V
t
r z
t
r z
0 1
2
0 VC
z
i i
i
h
2
i 2
2
2
2
2
2
t tr d tr = =
"
3
d
=
: D
/
# #
em que h representa a altura de água dentro do VC num dado instante.
O valor de r varia linearmente com z:
r
H
r H z 0
=
-
^ h
em que r
0
representa o raio da base do cone e H a altura do cone.
Substituindo na equação de conservação de massa, resulta:
d
d
d
t
dV
t H
r H z
dz
H
r
t
H z z
H
r
t
H h H
H
r
H h
t
h
3
1
3
1
VC
h h
0
2
0
2
0
2
2
0
2
0
2
3
3
2
0
2
2
2
2
2
2
2
2
2
2
t tr
tr
tr tr
=
-
= - =
= - - + = -
^
^
^ ^
h
h
h h
;
;
E
E
# # #
O caudal de entrada é dado no enunciado:
. 1, 67 10 d v n A kg s
AC
2
# =-
""
-
#
Substituindo cada termo na equação de conservação de massa, resulta:
1, 67 10 0
d
d
H
r
H h
t
h
2
0
2
2
2
#
tr
- - =
-
^ h
Integrando entre o instante inicial em que não há água no cone e o tempo t ao fim
do qual o cone está cheio, h = H, resulta:
1, 67 10
d d H h h
r
H
t
0 0
H t
2
0
2
2 2
#
tr
- =
-
^ h
# #
5 10
880min t
r H
2
0
2
#
tr
= =
-
Este resultado pode ser confirmado dividindo simplesmente o volume do cone pelo
caudal volumétrico de entrada
Exemplo 5.5
Um tanque quadrado (10mx10m) de elevada capacidade está inicialmente vazio.
Numa das faces do tanque há uma “janela/descarregador” com a forma de um triângulo
equilátero tal como mostra a figura. Num dado instante, o tanque passa a ser alimen-
tado com água, a um caudal Q
A
. Calcule:
O caudal de alimentação d. Q
A
, sabendo que, passado muito tempo, o nível de água
no tanque é de 3,0 m.
O tempo que a superfície livre do tanque demora a atingir o nível da aresta infe- e.
rior (contida num plano horizontal) do descarregador .
O tempo que a superfície livre do tanque demora a atingir o nível do vértice f.
superior do descarregador.
114 NOTAS PARA O ESTUDO DA MECÂNICA DE FLUIDOS
João M. Campos
ANÁLISE INTEGRAL EM
VOLUMES DE CONTROLO
FINITOS

3,0 m
0,5 m
1,0 m
Vista de frente
QA
Solução
O tanque começa a encher, e até a superfície livre atingir o plano da aresta inferior
do descarregador só entra água no tanque. De seguida, o tanque, que continua a ser
alimentado, começa a descarregar para a atmosfera a um caudal que depende do nível
de água no interior do tanque. Após o nível de água atingir o vértice superior, continua
a descarregar, agora através de toda a “janela”. O nível de água no tanque continua a
aumentar, bem como o caudal de descarga que é função deste nível, até que este cau-
dal iguale o caudal de entrada. Esta igualdade observa-se para uma altura de 3,0 m de
água dentro do tanque
No estado estacionário, não há acumulação e a massa que entra no tanque por uni- a.
dade de tempo tem de ser igual à que sai por unidade de tempo. O caudal de alimentação
Q
A
é igual ao caudal de descarga através de um descarregador triangular (Capítulo 4).

Vista de frente
Q
A
z
2
H
D
δz
2
Q
A
1
2
z
1
z
2
H
Vista lateral (corte)
Aplicando Bernoulli entre um ponto 1 longe do descarregador a uma cota z
1
e
um ponto 2 à saída do descarregador a uma cota z
2
(referência a base do triângulo),
obtém-se:
2
1
2
1 p
gz v
p
gz v
1
1 1
2
2
2 2
2
t t
+ + = + +
Recordando as hipóteses formuladas no estudo dos descarregadores e de acordo
com a figura:
p
1
= p
atm
+ µg(H – z
1
), p
2
= p
atm
em que H representa a altura de água acima da aresta do descarregador.
Substituindo na equação de Bernoulli:
2 ( ) v g H z v 2 2 1
2
= - +
O caudal de descarga através de um elemento infinitesimal de altura oz
2
que dista
z
2
da base do triângulo é dado por:
oQ = v
2
oA = v
2
bo z
2
115 NOTAS PARA O ESTUDO DA MECÂNICA DE FLUIDOS
João M. Campos
ANÁLISE INTEGRAL EM
VOLUMES DE CONTROLO
FINITOS
em que b representa a largura da tira infinitesimal.
Mas b varia linearmente com z
2
sendo a respectiva equação:
1 b
H
z
D
2
= -
em que H
D
representa a altura do triângulo.
2 ( ) 1 Q g H z v
H
z
z
D
2 1
2 2
2 d d = - + - c m
Estendendo a toda a área do descarregador:
2 ( ) 1 d Q g H z v
H
z
z D
D
H
2 1
2 2
0
2
D
= - + - c m
#
A montante do descarregador, a área da secção normal ao escoamento é muito
elevada (30 m
2
), pelo que a velocidade do fluido, v
1
, é muito baixa (desprezável na soma
das duas parcelas). A expressão para o cálculo do caudal simplifica-se:
2 ( ) 1 d Q Q g H z
H
z
z A D
D
H
2
2
0
2
D
= = - - c m
#
Em que Q
A
representa o caudal volumétrico de alimentação ao tanque. De acordo
com o enunciado H 3 2 D = e 0, 5 H 3 2 = + .
Durante o tempo que o nível da água demora a atingir a aresta inferior do descar- b.
regador, só há alimentação ao tanque. O caudal de alimentação foi calculado na alínea
anterior.
Q
A
Vista lateral (corte)
h
V.C.
O VC está desenhado na figura, onde h representa a altura de água no tanque num
dado instante. Cada um dos termos da equação de conservação de massa é analisado
de seguida.
.
.
d d
d
d
d
d
d
d
d d
t
V v n A
t
dV
t
A z A
t
h
v n A Q
A
t
h
Q A h Q t t
Q
A H
0
3
AC VC
VC
h
AC
A
A
H
A
t
A
0
0
3
0
" "
2
2
2
2
2
2
t t
t t t
t t
+ =
= =
=-
= = =
-
""
""
-
^ h
# #
# #
#
# #
em que A representa a área da base do tanque, Q
A
o caudal de alimentação calculado
na alínea anterior e 0, 5 3 2 H = + .
116 NOTAS PARA O ESTUDO DA MECÂNICA DE FLUIDOS
João M. Campos
ANÁLISE INTEGRAL EM
VOLUMES DE CONTROLO
FINITOS
Durante o tempo que o nível da água demora a atingir o vértice do descarregador, c.
além de haver alimentação, o tanque está a descarregar para a atmosfera. O caudal de
descarga vai aumentando e a velocidade de subida da superfície livre vai diminuindo até
se atingir o estado estacionário. O caudal de descarga aumenta por duas razões: porque
a área de descarga vai aumentando e porque a velocidade de descarga, função da cota
da superfície livre, também vai aumentando. O caudal de alimentação foi calculado na
alínea anterior.

Q
A
Q
D
Vista lateral (corte)
h
V.C.
Cada um dos termos da equação de conservação de massa é analisado de
seguida.
.
.
d d
d d
d
d
d
t
V v n A
t
V
t
A z A
t
h
v n A Q Q
0
AC VC
VC
h
AC
A D
0
2
2
2
2
2
2
t t
t t t
t t t
+ =
= =
=- +
""
""
# #
# #
#
O caudal de descarga, quando a superfície livre se encontra a 3,0 m da base, já foi
calculado na alínea a:
2 ( ) 1 Q g H z
H
z
dz D
D
H
2
2
0
2
D
= - - c m
#
No caso da cota da superfície livre variar, a dedução pode ser refeita e conclui-se
que:
2 ( ) 1 d Q g h z
H
z
z D
D
h
2
2
0
2 = - - c m
#
em que h representa a altura da superfície livre relativamente à aresta do descarre-
gador.
Substituindo cada termo na equação de conservação de massa obtém-se:
( )
( )
d
d
d
d
d
d
A
t
h
g h z
H
z
z Q
A
g h z
H
z
z Q
h
t
2 1 0
2 1
D
h
A
D
h
A
H t
2
2
0
2
2
2
0
2
0 0
D
t t t + - - - =
- - - +
=
c
c
m
m
#
#
# #
em que t representa o tempo que a superfície livre demora a ir da aresta inferior do
descarregador até ao vértice. O tempo total é a soma dos tempos calculados nas alí-
neas b e c.
117 NOTAS PARA O ESTUDO DA MECÂNICA DE FLUIDOS
João M. Campos
ANÁLISE INTEGRAL EM
VOLUMES DE CONTROLO
FINITOS
5.3.3. Exercícios propostos de aplicação
5.1 Água em escoamento numa conduta circular tem um perfil de
velocidade dado pela equação 4 1 v r 1
2
= - _ i, com v expresso em m/s.
Calcule a velocidade média da água na conduta de 0,4 m de diâmetro.
x
r
d = 2 m
d = 0,4 m
5.2 Água entra num canal de secção recta quadrada tal como mostra
a figura a uma velocidade de 1,5 m/s. O canal converge, sendo a secção
de descarga quadrada com 50 mm de aresta. A secção de descarga faz
um ângulo de 30º com a vertical, contudo a velocidade nesta secção
mantém a direcção horizontal. Calcule a velocidade média de saída e o
respectivo caudal mássico.

100 mm
50 mm
50 mm
30º
100 mm
5.3 Água entra num dos extremos de um tubo (1,2 m de diâmetro)
com a parede lateral perfurada a uma velocidade de 6 m/s. A descarga
através da parede é bem aproximada por um perfil de velocidade linear.
Se o escoamento for estacionário calcule a velocidade v de descarga.

6 m/s
v
v/2
v/2
0,5 m
5.4 Na figura, o pistão maior tem uma velocidade de 0,6 m/s e uma
aceleração de 1,5 m/s
2
. Calcule a velocidade e a aceleração do pistão
menor.
d = 100 mm
d = 12,5 mm
0,6 m/s
1,5 m/s
2
Óleo
118 NOTAS PARA O ESTUDO DA MECÂNICA DE FLUIDOS
João M. Campos
ANÁLISE INTEGRAL EM
VOLUMES DE CONTROLO
FINITOS
5.5 O êmbolo de uma seringa tem uma face de área 500 mm
2
. Se o
líquido for injectado a um caudal constante de 300 cm
3
/s qual a velo-
cidade a que o êmbolo avança? O espaço entre o corpo da seringa e
o êmbolo permite a passagem de um caudal de líquido que é 10% do
caudal que sai pela agulha.

300 cm/s
3
30 cm/s
3
5.6 Um tanque está a ser alimentado com água a um caudal cons-
tante de 1 l/min. Diga qual é a taxa de variação da altura de água dentro
do tanque.

1,5 m
0,5 m
0,6 m
5.7 Dois pratos muito compridos, de largura 2L, estão separados por
uma distância b. O prato superior desloca-se verticalmente a uma velo-
cidade constante v. O espaço entre os pratos está cheio com um líquido
que é removido à medida que o prato superior “avança”. Calcule o caudal
mássico e a velocidade máxima de descarga nos dois seguintes casos:
Perfil de velocidade de saída uniforme. a.
Perfil de velocidade de saída parabólico. b.
2L
b
y
x
v
5.8 Um avião desloca-se a uma velocidade de 971 km/hr. A área fron-
tal do motor a jacto por onde é admitido o ar (µ = 0,736 kg/m
3
) é de 0,80
m
2
. Um observador estacionário (colocado na Terra) estimou a veloci-
dade de saída dos gases de exaustão como sendo 1050 km/hr. A área
de saída dos gases de exaustão (µ = 0,515 kg/m
3
) é de 0,558 m
2
. Estime
o caudal mássico de fuel que é alimentado ao motor.
Fuel
Admissão
de ar
Gases de
exaustão
119 NOTAS PARA O ESTUDO DA MECÂNICA DE FLUIDOS
João M. Campos
ANÁLISE INTEGRAL EM
VOLUMES DE CONTROLO
FINITOS
5.9 Um tanque vertical cilíndrico fechado no fundo e de diâmetro D
está cheio com um líquido incompressível. Um pistão cilíndrico de diâ-
metro d, desloca-se dentro do tanque concentricamente a uma veloci-
dade v. O líquido entre o pistão e as paredes do tanque desloca-se no
sentido ascendente. Determine a velocidade média do líquido relativa-
mente ao fundo do tanque e relativamente ao pistão.

D
d
v
5.10 A densidade de um gás em escoamento num tubo de secção
recta A e comprimento L
0
varia de acordo com a seguinte equação:
1
2
0 0
L
x
sen
L
v t
v
L
t x L 0
0 0
0
0
2
0
0 / 2 $ # # t t
r
= - c m
sendo x a distância ao longo do eixo do tubo e v
0
uma velocidade de
referência conhecida. Determine a variação de caudal mássico, entre a
entrada e a saída em qualquer instante.
5.11 Chapas de aço a elevada temperatura passam por um “moinho
de rolos” tal como mostra a figura. O aço ao sair é 10% mais denso do
que ao entrar. Se a velocidade de alimentação for v
1
= 0,2 m/s, qual a
velocidade v
2
à saída ? Há um aumento de 9% na largura da chapa.

10 mm
30 mm
v
1
v
2
5.12 Um tanque cilíndrico com 1,0 m de diâmetro, contém água e óleo
tal como mostra a figura (µ
H2O
= 1000 kg/m
3
, µ
óleo
= 1200 kg/m
3
). No
fundo do tanque há um orifício de diâmetro d
0
= 5 mm. Calcule o tempo
necessário para que o óleo e a água escoem. Suponha que não há dissi-
pação de energia mecânica no orifício.

3 m
3 m
Água
Óleo
120 NOTAS PARA O ESTUDO DA MECÂNICA DE FLUIDOS
João M. Campos
ANÁLISE INTEGRAL EM
VOLUMES DE CONTROLO
FINITOS
5.13 Uma torneira descarrega água para um tanque cilíndrico com
um orifício no fundo. Com a torneira totalmente aberta e o orifício de
descarga tapado, o tanque enche em 20 minutos até uma altura de 0,5
m. Se nesse instante se fechar a torneira e destapar o orifício, o tanque
esvazia em 32 minutos. Qual a altura que a água atingirá se a torneira
estiver totalmente aberta e o orifício no fundo estiver destapado? Supo-
nha que não há dissipação de energia mecânica no orifício.
0,5 m 20 min
32 min
h
5.14 Uma calha é formada por duas placas inclinadas e contém água
tal como mostra a figura. Na junção das duas placas há uma “fenda” ao
longo da calha com 2,5 mm de espessura. Se a altura inicial de água na
calha for 1,0 m calcule o tempo que demora o nível a baixar até 0,5 m.
90º
1,0 m
2,5 mm
5.15 Um tanque de base quadrada, 5,0 m de aresta, tem numa das
faces um orifício semicircular de diâmetro 1,0 m tal como mostra a
figura. Calcule:
O caudal de água que é necessário alimentar ao tanque para a.
manter o nível da superfície livre.
Quanto tempo demorará o nível a baixar 0,5 m se a alimentação b.
for cortada?

0,5 m
1,0 m
5,0 m
5.16 Um tanque cilíndrico, diâmetro D, contém água e descarrega
para a atmosfera através de um orifício lateral de diâmetro d (d<<D)
que dista h da base. Derive uma expressão para calcular o tempo que
demora a baixar o nível de água no tanque de H
1
até H
2
.

121 NOTAS PARA O ESTUDO DA MECÂNICA DE FLUIDOS
João M. Campos
ANÁLISE INTEGRAL EM
VOLUMES DE CONTROLO
FINITOS
5.17 Um tanque aberto no topo tal como mostra a figura está cheio
de água. Na base há um orifício de área 9,0 cm
2
. Quanto tempo demora
o tanque a descarregar ? Suponha que não há dissipação de energia
mecânica no orifício.

6 m
3 m
3 m
1,5 m
5.18 Uma cisterna hemisférica com 4 m de diâmetro está totalmente
cheia de água. Quanto tempo demorará a cisterna a descarregar através
de um orifício de diâmetro 80 mm, situado no “fundo”. Suponha que não
há dissipação de energia mecânica no orifício.
5.19 Uma vala rectangular com 10 m de largura, na direcção perpendi-
cular ao plano do papel, tem uma inclinação de 15º na base, tal como mos-
tra a figura. Água está a ser despejada na vala a um caudal de 10 l/s.
Qual o valor de d a. h/dt quando h = 1,0 m?
Quanto tempo demora a superfície livre a subir de 1,0 m até 1,2 m ? b.
Suponha que além do caudal constante de 10 l/s está a entrar c.
um caudal de água proveniente das chuvas igual a 2 l/(s m
2
de
vala com água). Nesta nova situação, quanto tempo demora a
superfície livre a subir de 1,0 m até 1,2 m ?

15º
h
Q
5.20 Um tanque de secção quadrada (5 m x 5 m) tem água até 2 m de
altura. Numa das faces do tanque há uma “janela” trapezoidal. O tra-
pézio é isósceles, tem 2,0 m de aresta inferior, 1,0 m de aresta superior
e 1,0 m de altura. Destapando a janela inicia-se a descarga de água.
Simultaneamente, o tanque é alimentado com um caudal igual ao de
descarga, de modo a manter o nível de água no tanque constante.
Qual o caudal de água de alimentação? a.
Cortando a alimentação, o nível de água começa a baixar. Quanto b.
tempo demorará a baixar 0,5 m ?
Quanto tempo demorará a deixar de sair água do tanque? c.
122 NOTAS PARA O ESTUDO DA MECÂNICA DE FLUIDOS
João M. Campos
ANÁLISE INTEGRAL EM
VOLUMES DE CONTROLO
FINITOS
5.4 Equação da Energia- 1ª lei da Termodinâmica
5.4.1 Dedução da equação da energia
Se e representar energia por unidade de massa, o teorema de Rey-
nolds permite escrever:
. d d d
Dt
D
e V
t
e V e v n A
Sist VC AC
2
2
t t t = +
" "
# # # (5.18)
Significado de cada termo:
d
Dt
D
e V
Sist
t #
Representa a variação de energia no sistema na unidade de tempo.
d
t
e V
VC
2
2
t #
Representa a variação de energia no volume de controlo na unidade
de tempo.
. d e v n A
AC
t
" "
#
Representa a energia que sai do volume de controlo através da área
de controlo na unidade de tempo; a entrada no volume de controlo é tida
com uma saída com sinal negativo (produto interno negativo).
A energia por unidade de massa do sistema, e, é dada pela soma
da energia interna u, com a energia cinética e a energia potencial do
sistema, todas por unidade de massa:
2
1
e u v gz
2
= + + (5.19)
A 1ª lei da termodinâmica aplicada ao sistema, “diz” que:
d
Dt
D
e V Q W
Sist
Sist Sist t = +
o o
/ / #
(5.20)
em que QSist
o
/
representa a energia adicionada ou retirada do sistema
por unidade de tempo sob a forma de energia térmica, e WSist
o
/
a energia
adicionada ou retirada do sistema por unidade de tempo sob a forma de
trabalho (trabalho realizado sobre ou pelo sistema).
123 NOTAS PARA O ESTUDO DA MECÂNICA DE FLUIDOS
João M. Campos
ANÁLISE INTEGRAL EM
VOLUMES DE CONTROLO
FINITOS
Por convenção considera-se positivos a energia térmica transferida
dos arredores para o sistema e o trabalho realizado pelos arredores sobre
o sistema, e negativos a energia térmica transferida do sistema para os
arredores e o trabalho realizado pelo sistema sobre os arredores:
Q Q Q Sist e s = -
o o o
/ / /
(5.21)
W W W Sist e s = -
o o o
/ / /
(5.22)
No instante de tempo t o sistema e o volume de controlo coincidem,
logo:
Q W Q W
Sist VC
+ = +
o o o o
` ` j j / / / /
(5.23)
Combinando as equações (5.18)-(5.23), resulta a chamada 1ª lei da
termodinâmica aplicada a um volume de controlo:
. d d
t
e V e v n A Q W
VC AC
VC
2
2
t t + = +
v v
o o
` j / / # #
(5.24)
Há duas formas de realizar/fornecer trabalho ao volume de controlo:
o chamado trabalho ao veio resultante da acção de pás, turbinas, veios
rotativos, pistões etc., e o trabalho que os elementos de fluido na fron-
teira realizam sobre o volume de controlo.
O trabalho realizado sobre o volume de controlo pelas forças asso-
ciadas ao escoamento na fronteira vai ser expresso recorrendo ao esco-
amento de um fluido num tubo (figura). O VC exclui as paredes do tubo
onde a condição de não deslizamento é observada.

V.C.
V.C.
σ
r
σ
r
σ
x
σ
x
V.C.
τ
r
τ
r
τ
x
τ
x
O trabalho realizado por unidade de tempo (potência) pela força das
tensões normais que actuam num elemento de fluido, Wp d
o
, é calculado
pelo produto interno da força pelo vector velocidade do elemento.
. W F v p p d d =
o v
v
(5.25)
124 NOTAS PARA O ESTUDO DA MECÂNICA DE FLUIDOS
João M. Campos
ANÁLISE INTEGRAL EM
VOLUMES DE CONTROLO
FINITOS
A força de tensão normal é expressa pelo produto da tensão normal
( pn v =-
v v
em que n
v
representa o versor normal ao elemento de fluido
“apontando” para “fora do elemento”) pela área do elemento em que a
força actua:
. F pn A W pv n A p p " d d d d =- =-
v
v
v
v v
(5.26)
Estendendo a todas os elementos do volume de controlo resulta:
. d W pv n A p
AC
= -
o
v v
#
(5.27)
Se a velocidade só tiver componente horizontal, o produto interno
. v n
v v
é nulo em toda a superfície lateral do volume de controlo represen-
tado na figura, não o sendo nas secções de entrada e saída.
O trabalho realizado por unidade de tempo (potência) pela força das
tensões tangenciais que actuam num elemento de fluido, W d x
o
, é dado
pelo produto interno da força pelo vector velocidade do elemento:
. W F v d d = x x
o v
v
(5.28)
No volume de controlo seleccionado, a velocidade é nula em todo o
perímetro molhado do tubo, condição de não deslizamento, enquanto
que nas secções de entrada e saída, o vector da tensão tangencial é
perpendicular ao vector velocidade. Assim, o trabalho realizado pela
força das tensões tangenciais é nulo em toda a AC.
Após estas considerações, a 1ª lei da termodinâmica é expressa por:
. . d d
t
e V e v ndA Q W pv n A
VC AC
veio
AC
2
2
t t + = + -
v v
o o
v v
# # #
(5.29)
e após rearranjo:
2
. d d
t
e V u
p
v
gz v n A Q W
2
VC AC
veio
2
2
t
t
t + + + + = +
v v
o o
c m
# #
(5.30)
5.4.2 Casos particulares da equação da energia
Estado estacionário:
0
2
. d d
t
e V u
p
v
gz v n A Q W
2
VC AC
veio "
2
2
t
t
t = + + + = +
v v
o o
c m
# #
(5.31)
125 NOTAS PARA O ESTUDO DA MECÂNICA DE FLUIDOS
João M. Campos
ANÁLISE INTEGRAL EM
VOLUMES DE CONTROLO
FINITOS
Se as propriedades dentro do parêntesis forem uniformes ao longo
das superfícies de entrada e de saída do volume de controlo, pode-se
escrever:
. d u
p
v
gz v n A
u
p
v
gz m u
p
v
gz m
2
2 2
AC
s
s
e
e
2
2 2
t
t
t t
+ + + =
= + + + - + + +
v v
o o
c
c c
m
m m
#
(5.32)
em que ms
o
e me
o
representam respectivamente o caudal mássico de
saída e o caudal mássico de entrada no volume de controlo.
Se houver trabalho ao veio fornecido/efectudo ao/pelo sistema, a
equação da energia toma então a seguinte forma:
u
p
v
gz m u
p
v
gz m Q W
2 2
s
s
e
e veio
2 2
t t
+ + + - + + + = +
o o
o o
c c m m (5.33)
Esta é a equação da energia nas condições de escoamento uni-di-
reccional, em estado estacionário, com propriedades distribuídas uni-
formemente nas secções de entrada e de saída do volume de controlo.
Muitas vezes aparece escrita em termos da propriedade termodinâmica
entalpia. Para sistemas abertos:
h u
p
t
= + (5.34)
em que h representa a entalpia por unidade de massa.
Se não houver acumulação de fluido dentro do volume de controlo,
os caudais mássicos de entrada e saída são iguais e:
2
h h
v v
g z z m Q W
2 2
s e
s e
s e veio - +
-
+ - = +
o
o o
^ h ; E (5.35)
Exemplo 5.6
Na figura está representada um esboço de uma queda de água de altura 150 m.
Determine a elevação de temperatura associada a esta queda de água .

Lago
Lago
1
2
V.C. 150 m
Solução
Aplicando a equação da energia ao volume de controlo esboçado na figura
resulta:
126 NOTAS PARA O ESTUDO DA MECÂNICA DE FLUIDOS
João M. Campos
ANÁLISE INTEGRAL EM
VOLUMES DE CONTROLO
FINITOS
u u
p p
v v
g z z
m
Q
2
2 1
2 1
2
2
1
2
2 1
t t
- + - +
-
+ - =
o
o
c c ^ m m h
A pressão à entrada e saída do volume de controlo é atmosférica e a variação da
carga cinética desprezável comparativamente com a variação de energia potencial (a
saída do volume de controlo está longe da queda de água). Se o escoamento for adia-
bático, Q 0 =
o
, resulta:
u
2
– u
1
= g(z
1
– z
2
)
Sendo um sistema aberto, a variação de energia interna por unidade de massa é
dada por:
u
2
– u
1
= C
p
(T
2
– T
1
)
em que C
p
representa a capacidade calorífica do líquido a pressão constante.
Logo
0, 35 T T
Cp
g z z
T T C 2 1
1 2
2 1 " c - =
-
- =
^ h
5.4.3 Aplicação da equação da energia a algumas máquinas
simples
Estrangulamento Adiabático
O chamado estrangulamento adiabático representa razoavelmente
o escoamento de um fluido através de uma válvula parcialmente aberta,
através de uma válvula de expansão de um frigorífico, através de uma
fenda num contentor de armazenagem de gás comprimido, etc.
Supondo que o escoamento é estacionário e horizontal, que as velo-
cidades de entrada e saída do volume de controlo são iguais e que não
há calor transferido do ou para o volume de controlo (adiabático), da
equação da energia resulta:
h
s
= h
e
(5.36)
Turbinas e Compressores
Uma turbina ou máquina de expansão é um dispositivo que permite
extrair trabalho de um fluido em escoamento. Compressores, bombas,
ventiladores e pás com eixo rotativo, pelo contrário fornecem trabalho
ao fluido.
Supondo que o escoamento é estacionário, que a diferença de nível
entre a entrada e a saída é desprezável, que não há trocas de calor entre o
127 NOTAS PARA O ESTUDO DA MECÂNICA DE FLUIDOS
João M. Campos
ANÁLISE INTEGRAL EM
VOLUMES DE CONTROLO
FINITOS
volume de controlo e os arredores, que os caudais mássicos de entrada e
saída do volume de controlo são iguais, e que a variação de energia cinética
entre a entrada e a saída é desprezável, da equação da energia resulta:
m
W
h h
veio
s e = -
o
o
(5.37)
No caso de uma turbina é retirado trabalho do volume de controlo (por
convenção negativo h
s
< h
e
), no caso de um compressor está a ser forne-
cido trabalho ao volume de controlo (por convenção positivo h
s
> h
e
).
Exemplo 5.7
Vapor entra numa turbina com uma velocidade de 30 m/s e uma entalpia de 3350
kJ/kg. A corrente de saída é uma mistura de vapor e líquido com uma velocidade de
60 m/s e uma entalpia de 2550 kJ/kg. Se o escoamento na turbina for adiabático e as
variações de cota desprezáveis, determine o trabalho fornecido, por unidade de massa
de vapor, pela turbina aos arredores.

V.C.
s
e
Turbina a vapor
Trabalho ao veio fornecido
aos arredores pelo V.C.
Solução
O volume de controlo seleccionado está a tracejado na figura. Aplicando a equação
da energia ao V.C. resulta:
m h h
v v
g z z Q W
2
s e
s e
s e veio
2 2
- +
-
+ - = +
o
o o
^ h ; E
A diferença de cota é desprezável e o escoamento adiabático donde:
800 h h
v v
w w
2
kJ/kg veio 2 1
2
2
1
2
veio " . - +
-
= - ; E
O trabalho por unidade de caudal mássico é negativo porque é fornecido pelo V.C.
aos arredores. Note que a variação da energia cinética é desprezável comparativamente
com a variação de entalpia.
5.4.4 Comparação entre a equação da energia e a equação de
Bernoulli
Em estado estacionário, com propriedades uniformes nas superfí-
cies de entrada e saída e sem trabalho ao veio, a equação da energia
apresenta a seguinte forma:
u
p
v
gz m u
p
v
gz m Q
2 2
s
s
e
e
2 2
t t
+ + + - + + + =
o o
o
c c m m (5.38)
128 NOTAS PARA O ESTUDO DA MECÂNICA DE FLUIDOS
João M. Campos
ANÁLISE INTEGRAL EM
VOLUMES DE CONTROLO
FINITOS
rearranjando para o caso de :
p
v
gz
p
v
gz u u q
2 2
s
s
s
e
e
e s e
2 2
t t
+ + = + + - - - ^ h (5.39)
em que:
q
m
Q
=
o
o
(5.40)
A equação de Bernoulli é aplicada ao longo de uma linha de corrente
e foi deduzida pondo a hipótese de não se desenvolverem tensões de
corte no fluido (não “haver”resistência viscosa ao escoamento):
p
v
gz
p
v
gz
2 2
s
s
s
e
e
e
2 2
t t
+ + = + + (5.41)
Comparando as equações (5.39) e (5.41) conclui-se que para “não
haver” resistência viscosa ao escoamento tem que se verificar a seguinte
condição:
u u q 0 s e , - - (5.42)
A resistência viscosa promove degradação de energia mecânica,
passagem irreversível de energia mecânica a térmica, pelo que:
u u q 0 s e 2 - - (5.43)
Este termo representa a energia mecânica degradada por resistên-
cia viscosa:
u u q perdas s e - - = (5.44)
A equação da energia é muitas vezes apresentada na seguinte forma
p
v
gz
p
v
gz perdas
2 2
s
s
s
e
e
e
2 2
t t
+ + = + + - (5.45)
Quando há trabalho ao veio
p
v
gz
p
v
gz w perdas
2 2
s
s
s
e
e
e veio
2 2
t t
+ + = + + + - (5.46)
em que
w
m
W
veio
veio
=
o
o
(5.47)
129 NOTAS PARA O ESTUDO DA MECÂNICA DE FLUIDOS
João M. Campos
ANÁLISE INTEGRAL EM
VOLUMES DE CONTROLO
FINITOS
A equação 5.46 pode ser enunciada de uma forma simples: em
estado estacionário, a soma da energia mecânica que entra no V.C. com
a energia mecânica fornecida pelo trabalho ao veio é igual à soma da
energia mecânica que sai do V.C. com a energia mecânica degradada
(estas energias são todas referenciadas à unidade de massa).
Exemplo 5.8
Uma ventoinha de fluxo axial trabalha acoplada a um motor que debita 0,4 kW de
potência. As pás da ventoinha produzem um escoamento de ar axial com uma velocidade
de 12 m/s que é “sentido” num tubo circular com 0,6 m de diâmetro. O escoamento a mon-
tante da ventoinha tem uma velocidade desprezável. Determine a % do trabalho fornecido
pela ventoinha que tem aplicação útil. Estime a eficiência do processo de ventilação.

Motor 0,6 m
V.C.
v = 12 m/s
v = 0 m/s
Solução
Parte da energia fornecida pelas pás vai degradar-se devido ao atrito entre o fluido
e as pás do ventilador. Esta energia que permanece no fluido sob a forma de energia
térmica não tem aplicação mecânica e designa-se por energia degradada (perdas).
Aplicando a equação da energia ao volume de controlo representado na figura,
resulta:
p p v v
g z z w perdas
2
s e
s e
veio
2 2
2 1
t t
- +
-
+ - = - ` ` ^ j j h
; E
Sabendo que p
s
= p
e
=p
atm
, z
2
-z
1
~ 0 e
v
2
0
e
2
. resulta:
72
v
w perdas w perdas
2
J/kg
s
veio veio
2
" = - - = ; E
Vamos chamar ao termo w
veio
– perdas, energia útil por unidade de massa, w
útil
. A
potência útil será dada por:
W w m m 72 util util # = =
o
o o l l
A eficiência do processo de ventilação é por definição:
potencia fornecida as pas
potencia util
h =
t } l
t l
A potência fornecida às pás, supondo que não há perdas por atrito nas partes mecâ-
nicas do ventilador, é:
400 95, 8 W w m m # = = =
o o o
O caudal mássico foi calculado considerando µ
ar
= 1,23 kg/m
3
.
A eficiência do processo de ventilação é:
,
, %
m
m
95 8
72
75 2 h = =
o
o
130 NOTAS PARA O ESTUDO DA MECÂNICA DE FLUIDOS
João M. Campos
ANÁLISE INTEGRAL EM
VOLUMES DE CONTROLO
FINITOS
5.4.5 Aplicação da equação da energia a escoamentos não-
uniformes
No caso da velocidade não ser uniforme nas secções de entrada e
saída tem que se ter atenção à evolução do integral.
2
v.nd
v
A
AC
2
t
v v
# (5.48)
Para um escoamento com velocidade não uniforme nas entradas e
saídas do VC define-se:
. d
v
v n A m
v v
2 2 2
AC
s s e e
2 2 2
t
a a
= -
v v o
r r
c m #
(5.49)
em que o representa o coeficiente de energia cinética e vr a velo-
cidade média na respectiva secção. O coeficiente o é definido pelas
seguintes equações:
. d
m
v
v
v n A
2
2
s
s
A
2
2
s
a
t
=
o
r
v v
#
e
. d
m
v
v
v n A
2
2
e
e
A
2
2
e
a
t
=
o
r
v v
#
(5.50)
A equação da energia toma então a seguinte forma:
p
v
gz
p
v
gz w perdas
2 2
s
s s
s
e
e e
e veio
2 2
t
a
t
a
+ + = + + + -
r r
(5.51)
Se o escoamento for laminar, perfil de velocidade parabólico, o = 2,
e se o escoamento for uniforme o seu valor é o =1.
Exemplo 5.9
Uma ventoinha montada num secador de cabelo, tal como mostra a Figura, movi-
menta ar a um caudal mássico de 0,1 kg/min. Na entrada, o diâmetro do tubo é de 60 mm
e na saída de 30 mm. Se o aumento de pressão estática através do secador for de 0,1 kPa
e a potência fornecida pela ventoinha ao ar 0,14 W, calcule as perdas assumindo:
Distribuição de velocidade uniforme em ambas as secções. a.
Distribuição parabólica na secção de entrada e uniforme na de saída. b.

60 mm
30 mm
e
s
Escoamento laminar
Escoamento
turbulento
131 NOTAS PARA O ESTUDO DA MECÂNICA DE FLUIDOS
João M. Campos
ANÁLISE INTEGRAL EM
VOLUMES DE CONTROLO
FINITOS
Solução
Aplicando a equação de energia ao volume de controlo obtém-se:
p v
gz
p v
gz perdas w
2 2
s s s e e e
e veio
2
2
2
t
a
t
a
+ + = + + - +
r r
Tomando z
2
– z
1
~ 0 resulta:
perdas w
p p
v v
2 2
veio
s e
e e s s
2 2
t
a a
= -
-
+ -
r r
c m
em que:
,
,
84 J/kg w
m
W
w
60
0 1
0 14
veio
veio
veio " = = =
o
o
A velocidade média na secção de entrada (µ
ar
= 1,23 kg/m
3
) é:
,
,
0, 479m/s v
A
m
1 23
4
60 10
60
0 1
e
1
3 2
#
t
r
= = =
-
r
o
^ h
A velocidade média na secção de saída (µ
ar
= 1,23 kg/m
3
) é:
,
,
, m/s v
A
m
1 23
4
30 10
60
0 1
1 92 s
2
3 2
#
t
r
= = =
-
r
o
^ h
A variação da massa volúmica devido ao aumento de pressão é muito pequena, pelo
que se consideram iguais massas volúmicas à entrada e à saída do VC.
Perfis uniformes à entrada e saída. a.
o
1
= o
2
= 1
0, 975 J/kg perdas w
p p
v v
2 2
veio
2 1
1 1
2
2 2
2
t
a a
= -
-
+ - =
r r
c m
Perfil parabólico à entrada e uniforme à saída: b.
o
1
= 2 . o
2
= 1
0, 9 J/kg perdas w
p p
v v
2 2
40 veio
2 1
2 2
2
1 1
2
t
a a
= -
-
+ - =
r r
c m
5.4.6 Exercícios propostos de aplicação
5.21 Óleo (µ = 920 kg/m
3
) é bombeado entre dois níveis a um caudal
de 0,0053 m
3
/s, por meio de uma bomba centrífuga. A pressão relativa
nas secções de entrada (sucção) e de saída (descarga) da bomba é res-
pectivamente -350 Pa e 5500 Pa. Se os diâmetros internos dos tubos de
sucção e de descarga forem respectivamente 0,05 m e 0,076 m, calcule
132 NOTAS PARA O ESTUDO DA MECÂNICA DE FLUIDOS
João M. Campos
ANÁLISE INTEGRAL EM
VOLUMES DE CONTROLO
FINITOS
a potência eléctrica fornecida à bomba admitindo que esta tem uma efi-
ciência de 75%. Despreze as perdas por dissipação viscosa no fluido.
5.22 Água é bombeada de um tanque para outro, sendo 80 m a dife-
rença de nível entre as respectivas superfícies livres. Os diâmetros
internos dos tubos de sucção e descarga são respectivamente 100 mm
e 50 mm. As secções de entrada e saída da bomba estão no mesmo
plano horizontal, 6,0 m acima da superfície livre do tanque inferior. A
energia mecânica degrada-se, devido à dissipação viscosa. A perda de
carga no tubo de sucção é 2 vezes a carga cinética nesse tubo, no tubo
de descarga é 25 vezes a carga cinética nesse tubo e na saída do tubo
de descarga para o tanque é igual à carga cinética no tubo de descarga.
Quando a potência fornecida pela bomba ao fluido é 40 kW, a carga
de pressão na entrada da bomba é 3,0 m de água. Nestas condições,
calcule o caudal de descarga bem como a energia degradada entre a
entrada e a saída da bomba.
5.23 Água está em escoamento descendente num tubo inclinado tal
como mostra a figura. Determine:
A diferença de pressão a. p
1
– p
2
;
As perdas de energia por unidade de massa entre as secções 1 e 2. b.

1
,5
m
15 cm
15 cm
Mercúrio
1
2
5.24 Uma bomba transfere água de um reservatório para outro a
uma cota superior como mostra a figura. A diferença de nível entre as
superfícies livres dos tanques é de 30 m. A perda de carga por atrito
na conduta é dada por / K v g 2 L
2
r em que KL é um coeficiente de perdas
considerado constante. A relação entre o aumento de carga do fluido
quando passa na bomba , H, e o caudal bombeado Q está representada
no gráfico da figura. Se KL=20 e o diâmetro do tubo for 25 mm qual o
caudal de água que está a ser bombeado?
30 m
0 0,3 0,6
30
60
H (m água)
Q (m/s)
3
133 NOTAS PARA O ESTUDO DA MECÂNICA DE FLUIDOS
João M. Campos
ANÁLISE INTEGRAL EM
VOLUMES DE CONTROLO
FINITOS
5.25 Determine a potência de saída da turbina representada na figura
quando circula um caudal de água de 0,5 m
3
/s. A turbina tem uma efici-
ência de 90%. (Exame 2003)
Turbina
Mercúrio
0,20 m
0,50 m
0,15 m
V2
5.5 Equação da Quantidade de Movimento
5.5.1 Dedução da equação da quantidade de movimento
No caso da propriedade intensiva b ser a quantidade de movimento
por unidade de massa, o teorema de Reynolds permite escrever:
d .
D
D
d d
t
v V
t
v V v v n A
Sist VC AC
2
2
t t t
= +
v v v v v
# # # (5.58)
Significado de cada termo da equação
D
D
d
t
v V
Sist
t
v
#
Representa a variação da quantidade de movimento no sistema na
unidade de tempo
d
t
v V
VC
2
2
t
v
#
Representa a variação da quantidade de movimento no volume de
controlo na unidade de tempo
. d v v n A
AC
t
v v v
#
Representa a quantidade de movimento que sai através da área de
controlo na unidade de tempo; a entrada no volume de controlo é tida
como uma saída com sinal negativo (produto interno negativo).
134 NOTAS PARA O ESTUDO DA MECÂNICA DE FLUIDOS
João M. Campos
ANÁLISE INTEGRAL EM
VOLUMES DE CONTROLO
FINITOS
Aplicando a 2º lei de Newton ao sistema resulta:
D
D
d
t
v V F
Sist
Sist t =
v
v
/ #
(5.59)
Esta equação mostra que a variação da quantidade de movimento
na unidade de tempo no sistema é igual à soma vectorial das forças
externas que sobre ele actuam.
Como, num dado instante t, o volume de controlo coincide com o
sistema, pode-se escrever:
F F Sist VC =
v v
/ /
(5.60)
Combinando as equações (5.58)- (5.60) resulta:
v.n A d d
t
v V v F
VC
VC
AC
2
2
t t + =
v v v v
v
/ # #
(5.61)
Esta é a equação vectorial da quantidade de movimento que se
aplica a volumes de controlo indeformáveis, fixos ou móveis. O referen-
cial de coordenadas é sempre inercial, fixo ou em movimento uniforme,
e as forças envolvidas são forças de superfície ou forças à distância. A
equação por ser vectorial, desdobra-se num número de equações algé-
bricas que depende do tipo de problema: unidimensional, bidimensional
ou tridimensional.
Algumas indicações importantes para aplicar correctamente a equa-
ção 5.61.
Indicações respeitantes ao termo - FVC
v
/
As forças externas têm sinal algébrico associado, positivo se a 1.
força está dirigida no sentido positivo do eixo coordenado e nega-
tivo no caso contrário.
Somente forças exteriores ao volume de controlo devem ser con- 2.
sideradas. Se o volume de controlo englobar somente o fluido,
as forças de reacção das superfícies sólidas em contacto com o
fluido têm de ser consideradas. Se o volume de controlo englo-
bar as superfícies sólidas estas forças de reacção já não são
consideradas, pois são forças internas ao volume de controlo.
Contudo, neste último caso, as forças que mantêm as superfí-
135 NOTAS PARA O ESTUDO DA MECÂNICA DE FLUIDOS
João M. Campos
ANÁLISE INTEGRAL EM
VOLUMES DE CONTROLO
FINITOS
cies sólidas no “sítio” são exteriores ao volume de controlo e têm
de ser consideradas.
Em alguns casos, e em particular se o volume de controlo selec- 3.
cionado englobar superfícies sólidas, a força resultante da acção
da pressão atmosférica na área de controlo é nula e não neces-
sita de ser considerada. Como resultado, na entrada e na saída
de fluido do volume de controlo deve-se considerar pressões
relativas.
Se as superfícies de entrada e saída do fluido no volume de controlo 4.
forem seleccionadas de forma a serem perpendiculares à direcção
de escoamento, então as forças de superfície exercidas pelo fluido
exterior sobre o volume de controlo são somente forças normais
de pressão. Caso as superfícies não sejam escolhidas desta forma,
tem que se ter em conta as forças tangenciais de corte.
Indicações respeitantes ao termo -
Se o escoamento for estacionário a variação com o tempo da quan-
tidade de movimento no volume de controlo é nula.
Indicações respeitantes ao termo - d
t
v V
VC
2
2
t
v
#
O sinal algébrico (+ ou -) associado à quantidade de movimento 1.
que atravessa a superfície de controlo tem que ser cuidadosa-
mente analisado:
Na entrada de quantidade de movimento o produto interno -
. v n
v v
é sempre negativo. Se o sentido do eixo coordenado esco-
lhido para positivo coincidir com o sentido do vector veloci-
dade à entrada, então o valor algébrico do termo é negativo,
caso contrário é positivo;
Na saída de quantidade de movimento o produto interno - . v n
v v

é sempre positivo. Se o sentido do eixo coordenado escolhido
para positivo coincidir com o sentido do vector velocidade à
saída, então o valor algébrico do termo é positivo, caso con-
trário é negativo.
Quando o perfil de velocidade é uniforme nas secções de entrada 2.
e saída do volume de controlo, o cálculo do integral é facilitado; o
caso de não ser será discutido com um exemplo ilustrativo.
136 NOTAS PARA O ESTUDO DA MECÂNICA DE FLUIDOS
João M. Campos
ANÁLISE INTEGRAL EM
VOLUMES DE CONTROLO
FINITOS
5.5.2 Aplicações da equação da quantidade de movimento
5.5.2.1 Força de atrito na parede de tubos
Exemplo 5.9
Um caudal mássico de ar está em escoamento num tubo de diâmetro interno D. À
entrada a pressão é p
1
e a temperatura T
1
e à saída a pressão é p
2
e a temperatura T
2
.
Assumindo uma distribuição uniforme de velocidade nas secções 1 e 2 calcule a força
que o tubo exerce sobre o ar em escoamento.

1 2
1’ 2’
v
1
p A
1 1
p
T
1
1
= 6,8 atm
= 27 ºC
p
T
2
2
= 1,25 atm
= -21 ºC
p A
2 2
v
2
R
x
x
y
V.C.
Solução
Pretende-se conhecer a força de reacção do tubo sobre o ar em escoamento, pelo que
se deve escolher um volume de controlo em que esta força apareça como exterior. O volume
de controlo seleccionado está representado na figura, exclui a parede do tubo e nas secções
de entrada e saída de fluido a área da secção recta é normal ao vector velocidade.
Da aplicação da componente axial da equação da quantidade de movimento
resulta:
. d v v n A F R p A p A
AC
VC x 1 1 2 2 t = =- + -
v v v
/ #
em que R
x
representa a força de reacção do tubo sobre o ar em escoamento e p
1
e p
2
as
pressões absolutas à entrada e à saída de fluido do VC.
Assumindo perfis uniformes de velocidade nas secções 1 e 2, obtém-se:
+ v
1
µ
1
(–v
1
A
1
) + (v
2
) µ
2
(v
2
A
2
) = – R
x
+ p
1
A
1
– p
2
A
2

Recorrendo à equação da continuidade:
m A v A v 1 1 1 2 2 2 t t = =
o
Combinando as duas equações anteriores:
m v v R p A p A x 2 1 1 1 2 2 - =- + -
o
^ h
Considerando o ar um gás perfeito, as velocidades de entrada e de saída no volume
de controlo são dadas por:
v
A
m
v
A
m
1
1
2
2 t t
= =
o o
com
RT
p
RT
p
1
1
1
2
2
2
t t = =
O valor de Rx calcula-se através das equações anteriores:
R p A p A m v v x 1 2 2 1 = - - -
o
^ h
137 NOTAS PARA O ESTUDO DA MECÂNICA DE FLUIDOS
João M. Campos
ANÁLISE INTEGRAL EM
VOLUMES DE CONTROLO
FINITOS
5.5.2.2 Força exercida num cotovelo
Exemplo 5.10
Água está em escoamento num tubo com um cotovelo de 180º. A área da secção
recta do tubo é constante, A, e a velocidade média da água é v. As pressões absolutas
à entrada e à saída do tubo são respectivamente p
1
e p
2
.
Calcule as componentes horizontal e vertical da força exercida pelo cotovelo a.
sobre o fluido.
Calcule as componentes horizontal e vertical da força exterior necessária para b.
manter o cotovelo no “sítio”.
p A
1
p A
2
v
1
v
2
z
x
y
R
x
R
z
R
y
Solução
Pretende-se a força de reacção do cotovelo sobre o líquido em escoamento, pelo que se a.
deve escolher um volume de controlo em que esta força apareça como exterior. O volume
de controlo seleccionado está representado na figura e exclui a parede do cotovelo.
Nas secções de entrada e saída a pressão não tem componente segundo y, pelo que
a equação da quantidade de movimento nesta direcção se reduz a:
. d v v n A R y
AC
y t =
v v
#
em que Ry representa a componente segundo y da força de reacção no tubo. A compo-
nente da velocidade segundo a direcção y é nula, tanto na secção de entrada como na
de saída do VC, resultando Ry = 0.
Igual conclusão se obtém aplicando a equação da quantidade de movimento
segundo a direcção z, i.e., Rz = 0.
Equação da quantidade de movimento segundo a direcção x:
. d v v n A R p A p A x
AC
x 1 1 2 2 t =- + +
v v
#
em que p
1
e p
2
representam a pressão absoluta nas secções de entrada e de saída
do volume de controlo e Rx a força de reacção do cotovelo sobre o fluido segundo a
direcção x.
Assumindo perfis de velocidade uniformes à entrada e saída do volume de con-
trolo:
(+ v
1
) µ
1
(–v
1
A
1
) + (–v
2
) µ
2
(v
2
A
2
) = p
1
A
1
+ p
2
A
2
– R
x
Da equação da continuidade resulta:
m A v A v 1 1 1 2 2 2 t t = =
o
Combinação as duas últimas equações:
m v v A p A p R R A p A p m v v
R A p p mv 2
x x
x
2 1 1 1 2 2 1 1 2 2 2 1
1 2
" - + = - - =+ + + +
= + +
o o
o
^ ^
^
h h
h
138 NOTAS PARA O ESTUDO DA MECÂNICA DE FLUIDOS
João M. Campos
ANÁLISE INTEGRAL EM
VOLUMES DE CONTROLO
FINITOS
Pretende-se conhecer a força exterior que se tem de exercer para manter no “sítio” b.
o cotovelo, pelo que o volume de controlo tem de englobar o tubo. As forças exteriores
são a pressão atmosférica e a força, F que mantém o tubo no “sítio”. O volume de con-
trolo seleccionado está representado na figura.

F
x
F
z
F
y
p A
1
p A
2
v
1
v
2
z
x
y
Recorde-se que as componentes da força de pressão sobre uma superfície curva
podem ser calculadas projectando a área onde a força actua nas direcções perpendi-
culares às das componentes e integrando, nas áreas projectadas, a respectiva pres-
são. Considere-se na entrada e saída do V.C., a pressão total como a soma da pressão
relativa com a pressão atmosférica. Aplicando o método das projecções para calcular
a força da pressão atmosférica sobre o volume de controlo, conclui-se que esta força
é nula em qualquer das direcções.
p
atm
p
atm
p
atm
p + p
atm 1
*
p p *
atm 2
+
Equação da quantidade de movimento segundo a direcção do eixo dos x:
. v v ndA F p A p A
*
1
*
2 x
AC
x 1 2 t =- + +
v v
#
em que p
1
*
e p
2
*

representam a pressão relativa nas secções de entrada e de saída do
volume de controlo e F
x
a força exterior segundo x necessária para manter o cotovelo
no “sítio”.
Assumindo perfis de velocidade uniformes à entrada e saída do volume de con-
trolo:
(+ v
1
) µ
1
(–v
1
A
1
) + (–v
2
) µ
2
(v
2
A
2
) = p
1
*
A
1
+ p
2
*
A
2
– F
x
Da equação da continuidade resulta:
m A v A v 1 1 1 2 2 2 t t = =
o
Combinação as duas últimas equações:
( ) 2 F A p p mv
* *
x 1 2 = + +
o
Comparando as soluções das alíneas a e b facilmente se concluí que:
F
x
= R
x
– 2Ap
atm
139 NOTAS PARA O ESTUDO DA MECÂNICA DE FLUIDOS
João M. Campos
ANÁLISE INTEGRAL EM
VOLUMES DE CONTROLO
FINITOS
5.5.2.3 Força exercida por um líquido em escoamento numa
comporta
Exemplo 5.11
Uma comporta móvel de um metro de comprimento, na direcção perpendicular ao
plano do papel, está esquematizada na figura nas posições de fechada e aberta. Em qual
das posições é maior a força que se tem de aplicar para manter a comporta no “sítio”?

x
z
V.C.
H
C.V. F
x
F
h
2
1
H
h
V.C.
F
x
2
1
F
h2
F
h
1
v
1
v
2
F
a
Solução
Mais uma vez se coloca o problema que volume de controlo se deve seleccionar.
Pretende-se a força que mantém a comporta no “sítio”, pelo que se escolheu um volume
de controlo que engloba a comporta. A acção da pressão atmosférica é nula sobre o
volume de controlo e deve-se usar pressões relativas.
Comporta fechada
Integrando a pressão relativa ao longo da secção 1 resulta:
2
1
d d F p A gzL z gH
0
2
h
AC
H
t t = = = # #
Representando F
h
a força hidrostática.
Aplicando a equação da quantidade de movimento segundo x:
.
2
1
0
2
1
d v v n A gH F F gH
2 2
x
AC
x x " t t t = - = =
v v
# (1)
A intensidade da força exercida para manter a comporta no “sítio”, F
x
, é igual à
intensidade da força hidrostática.
Comporta aberta
Integrando a pressão relativa ao longo da secção de saída do fluido (2):
2
F pdA gzLdz g
h
2
0
2
h
AC
h
t t = = = # #
Aplicando a equação da quantidade de movimento segundo x:
.
2
1
2
1
v v ndA gH gh F F
2 2
x
AC
a x t t t = - - -
v v
#
140 NOTAS PARA O ESTUDO DA MECÂNICA DE FLUIDOS
João M. Campos
ANÁLISE INTEGRAL EM
VOLUMES DE CONTROLO
FINITOS
em que F
x
representa a força que se tem de exercer sobre a comporta para a manter
no sítio e F
a
a força de atrito que o solo exerce sobre o fluido no volume de controlo.
Considerando perfis de velocidade uniformes à entrada e à saída:
2
1
2
1
v v H v v h gH gh F F 1 1 1 2 2 2
2 2
x a t t t t + - + + = - - - ^ ^ ^ ^ h h h h
Tomando v
1
<< v
2
, devido à elevada razão entre as áreas das secções rectas nor-
mais ao escoamento:
2
1
2
1
F gH gh F v h
2 2
2
2
x a t t t = - - - (2)
Comparando as equações (1) e (2) conclui-se que a força que se tem de exercer
sobre a comporta para a manter no “sítio” é maior no caso de ela estar fechada.
5.5.2.4 Força exercida por um jacto sobre uma superfície
Exemplo 5.12
Um jacto de água incide num prato inclinado como mostra a figura. Calcule as
componentes da força que o prato exerce sobre o fluido. Despreze a força de atrito
entre a água e o prato.

3
4
x
y R
y
v
3
v
2
v
1
R
x
A
1
A
3
A
2
θ
Solução
Neste caso, em que é pedida a força de reacção do prato sobre o fluido, seleccio-
nou-se um volume de controlo que não engloba o prato. A pressão atmosférica actua na
área de controlo seleccionada tal como mostra a figura seguinte. Projectando a área de
controlo em planos perpendiculares à direcção dos eixos coordenados e integrando nas
áreas projectadas, conclui-se que segundo o eixo dos x a força resultante da pressão
atmosférica é nula, e segundo o eixo dos y é igual ao produto da área do prato, A
p
, pela
pressão atmosférica.
p
atm
p
atm
p
atm
p
atm
A força de reacção que o prato exerce sobre o volume de controlo, tem duas compo-
nentes R
x
, reacção à força de atrito, e R
y
, reacção do prato à força de pressão do fluido.
A pressão à superfície do prato é diferente da pressão atmosférica. No embate do jacto,
há conversão de energia cinética em energia de pressão e forma-se uma zona estag-
nada de elevada pressão. Esta pressão “em excesso” vai ser “gasta” em movimentar,
141 NOTAS PARA O ESTUDO DA MECÂNICA DE FLUIDOS
João M. Campos
ANÁLISE INTEGRAL EM
VOLUMES DE CONTROLO
FINITOS
na direcção tangencial ao prato, o fluido em redor da zona estagnada. Na figura o sen-
tido de R
x
é arbitrado.
Aplicando a equação da quantidade de movimento segundo a direcção do eixo dos x:

. d v v n A R x
AC
x t =-
v v
#
. ( ) cos v v ndA v v A v v A v v A 1 1 1 2 2 2 3 3 3 x
AC
t i t t t = - + + -
v v
^ ^ ^ ^ ^ h h h h h #
em que u é o ângulo que o vector velocidade faz com o versor segundo x na entrada do
volume de controlo. Este ângulo é igual ao que o prato faz com o plano horizontal.
Aplicando a equação de Bernoulli entre 1 e 2 ao longo de uma linha de corrente
obtém-se:
2
1
0
p p
g z z v v
2 1
2 1 2
2
1
2
t
-
+ - + - =
^ ^ h h
Considerando desprezável a variação de energia potencial:
v
1
= v
2
= v
2
= v
Aplicando a equação da continuidade:
A
1
v = A
2
v + A
3
v ÷ A
1
= A
2
+ A
3
Se a força de atrito for desprezável, R
x
= 0, por combinação das equações anterio-
res obtém-se:
v
2
µ(–A
1
cosu + A
2
– A
3
) = 0 ÷ A
2
= A
3
+ A
1
cosu
Se A
1
for conhecido, das duas últimas equações obtêm-se os valores de A
2
e A
3
.
De
acordo com a equação, o valor de A
2
é superior ao de A
3
.

Aplicando a equação da quantidade de movimento segundo a direcção do eixo dos y:
. d v v n A p A R y
AC
atm p y t =+ -
v v
#
em que A
p
representa a área do prato.
. ( ) v v ndA v sen v A 1 1 1 y
CA
t i t = -
v v
^ h #
Resultando, para a componente y da força de reacção:
R
y
= – (v
1
senu)(–µv
1
A
1
) + p
atm
A
p
Se se pretender a força externa que deve ser exercida sobre o prato para o manter
no “sítio”, esta força é dada por:
F
y
= – (v
1
senu)(–µv
1
A
1
)
142 NOTAS PARA O ESTUDO DA MECÂNICA DE FLUIDOS
João M. Campos
ANÁLISE INTEGRAL EM
VOLUMES DE CONTROLO
FINITOS
5.5.2.5 Energia degradada numa expansão súbita
Exemplo 5.13
No início de uma expansão o fluido sai em jacto, pelo que o aumento da área da
secção recta normal ao escoamento dá-se de uma forma gradual. A região entre o jacto
e a parede da conduta é ocupada por fluido em recirculação. Esta recirculação causa
turbulência e consequente degradação de energia mecânica. Pretende-se calcular a
força de reacção da conduta sobre o fluido devido à expansão e a energia mecânica
degradada. Desprezar a força de atrito na parede do tubo.

1
2
p A
1 1
p A
2 2
R
x
R
x
x
y
Solução
O volume de controlo seleccionado neste caso não engloba a parede da conduta já
que se pretende calcular a força que esta exerce sobre o fluido devido à expansão. Seja
R
x
a força de reacção da conduta sobre o volume de controlo na zona da expansão.
Equação da quantidade de movimento segundo x:
. d v v n A p A p A R 1 1 2 2 x
CA
x t =+ - +
v v
#
em que p
1
e p
2
representam a pressão absoluta nas secções de entrada e saída do
fluido no VC.
A área da secção recta do jacto sofre um alargamento lento, pelo que a pressão,
no início da expansão, é bem aproximada pela pressão a montante. Esta aproximação
permite escrever:
R
x
= p
0
(A
2
– A
1
) ~ p
1
(A
2
– A
1
)
em que p
0
é a pressão do fluido no início da expansão.
Combinando as duas últimas equações:
. ( ) d v v n A p p A 1 2 2 x
CA
t = -
v v
#
(+ v
1
) µ
1
(–v
1
A
1
) + (+v
2
) µ
2
(v
2
A
2
) = (p
1
– p
2
)A
2
Aplicando a equação da continuidade:
m A v A v 1 1 1 2 2 2 t t = =
o
Substituindo na equação anterior:
p p A m v v 1 2 2 2 1 - = -
o
^
^
h
h
Aplicando a equação da energia ao volume de controlo representado na figura
obtém-se:
2 g
p
g
p
g
v v
perdas
2 1
2
2
1
2
t t
- +
-
=-
143 NOTAS PARA O ESTUDO DA MECÂNICA DE FLUIDOS
João M. Campos
ANÁLISE INTEGRAL EM
VOLUMES DE CONTROLO
FINITOS
Combinando as duas últimas equações resulta:
2 2
perdas
g
v v
g
v v v
g
v v
1
2
2
2
2 1 2 1 2
2
=
-
-
-
=
- ^ ^ h h
Quando há uma expansão para um reservatório de grande diâmetro
, 0
2
A v perdas
g
v
2 2
1
2
" " & 3 =
o que significa que se degrada toda a carga cinética com que o fluido vinha animado
antes da expansão.
5.5.2.6 Energia degradada numa contracção súbita
Exemplo 5.14
Após a contracção dá-se um estreitamento do jacto, formação da chamada vena-
contracta, com fluido em recirculação entre esta zona e a conduta (semelhante ao
escoamento através de um orifício). Nesta zona de recirculação há degradação de ener-
gia mecânica devido à turbulência que se gera.
Solução
Aplicando a equação da quantidade de movimento segundo x ao VC seleccionado:
1
2
x
y
. v v ndA p A p A 1 1 2 2 x
CA
t =+ -
v v
#
(+v
1
)µ( – v
1
A
*
1
) + (+v
2
)µ(v
2
A
2
) = (p
1
– p
2
)A
2
em que A
*
1
= C
c
A
2
, sendo C
c
o chamado coeficiente de contracção.
Aplicando a equação da continuidade:
m A v A v 1 1 1 2 2 2 t t = =
o
resulta:
(
1
1)
g
p p
g
v
C
2 1
2
2
c
t
-
= -
Aplicando a equação da energia:
2 g
p
g
p
g
v v
perdas
2 1
2
2
1
2
t t
- +
-
=-
Combinando as duas últimas equações:
2
1
1
2
1
1 perdas
g
v v
g
v
C g
v
C
1
2
2
2
2
2
2
2
2
c c
=
-
- - = - c c m m
144 NOTAS PARA O ESTUDO DA MECÂNICA DE FLUIDOS
João M. Campos
ANÁLISE INTEGRAL EM
VOLUMES DE CONTROLO
FINITOS
5.5.2.7 Exemplos de aplicação diversos
Exemplo 5.15
A figura mostra um tanque de base quadrada (2m x 2m) a descarregar por um
tubo para a atmosfera. O tubo de descarga é constituído por um troço curvo logo após
um troço horizontal (junção em A). O troço horizontal tem 10 cm de diâmetro interno,
enquanto que o diâmetro do troço curvo vai diminuindo até à saída (8 cm à saída). Deter-
mine a força que a água exerce no tubo curvo bem como a força que a água exerce nas
paredes do tanque.

1
3
2
4 m
Água
A
2 m
45º
3 m
v
3
P
0
Solução
Antes de aplicar a equação da quantidade de movimento é necessário conhecer a
velocidade em diversos pontos do tubo curvo, nomeadamente nos pontos assinalados
por (2) e (3) na figura.
Aplicando a equação de Bernoulli ao longo de uma linha de corrente entre um ponto
à superfície do tanque (1) e um à saída do tubo (3) obtém-se:
( )
g
p
z
g
v
g
p
z
g
v
g
v
g
p p
z z v
p p
g z z
2
1
2
1
2
1
2
2
atm atm
1
1 1
2
3
3 3
2
3
2
1
3 1 3
1
3 1 "
t t
t t
+ + = + +
=
-
- - =
-
- - ^ ^ h h
A equação da continuidade permite relacionar a velocidade média na secção do
tubo que contém o ponto (2) com a velocidade média à saída (3):
v A v A v
A
v A
d
v d
3 3 2 2 2
2
3 3
2
2
3 3
2
" = = =
Aplicando de seguida a equação de Bernoulli entre um ponto na superfície do tan-
que (1) e um ponto antes do cotovelo (2), calcula-se a pressão na secção (2):
g
p
z
g
v
g
p
z
g
v
g
p p
g
v z z p p v g z z
2
1
2
1
2
1
2
1
1
1 1
2
2
2 2
2
1 2
2
2
1 2 2 1 2
2
1 2 "
t t
t
t t
+ + = + +
-
= - - = - + - ^ ^ h h
Pretende-se saber qual a força exercida pelo líquido no tubo curvo. Para tal selec-
ciona-se um volume de controlo que não inclui a parede do tubo.

45º
v
3 p
atm
p
2
v
2
R
y
c
R
x
c
x
y
Aplicando a equação da quantidade de movimento segundo x ao volume de controlo
seleccionado resulta:
145 NOTAS PARA O ESTUDO DA MECÂNICA DE FLUIDOS
João M. Campos
ANÁLISE INTEGRAL EM
VOLUMES DE CONTROLO
FINITOS
cos cos m v m v p A p A R 45 45 atm x
c
2 3 2 2 1 - + = - -
o o
^ ^ ^ ^ ^ h h h h h
cos cos R m v m v p A p A 45 45 x
c
atm 2 3 2 2 1 =- - - + -
o o
^ ^ ^ ^ ^ h h h h h
em que Rx
c
é a reacção do tubo à força do líquido no cotovelo na direcção x.
Aplicando a equação da quantidade de movimento segundo y ao VC seleccionado,
desprezando o peso do líquido no interior do VC, resulta:
cos cos m v p A R 45 45 atm y
c
3 1 =- +
o ^ ^ ^ h h h
cos cos R p A m v 45 45 y
c
atm 1 3 = +
o ^ ^ ^ h h h
Para determinar a força que o jacto exerce ao sair sobre as paredes do tanque,
escolheu-se o VC representado na figura.
2
3 atm
p
2
v
2
x
y
R
x
t
R
y
t
A diferente distribuição de pressão nas paredes do tanque é consequência do
aumento de velocidade do líquido na zona de saída do tanque, com a consequente dimi-
nuição da pressão (equação de Bernoulli). Desta assimetria resulta a chamada força do
jacto, que tende a deslocar o tanque no sentido negativo do eixo dos x.
Aplicando a equação da quantidade de movimento segundo x ao VC:
m v R p A x
t
2 2 2 = -
o ^ ^ h h
R m v p A x
t
2 2 2 = +
o ^ ^ h h
em que Rx
t
representa a reacção do tanque à saída do jacto.
Aplicando a equação da quantidade de movimento segundo y ao VC resulta:
R P y
t
liq =
em que P
liq
representa o peso do líquido no interior do VC.
Caso se pretenda conhecer a força exterior necessária para manter o dispositivo
no “sítio”, escolhe-se um volume de controlo que englobe todo o dispositivo, incluindo o
tanque e a tubagem. A acção da pressão atmosférica anula-se em toda a área do VC e
o resultado da aplicação da equação da quantidade de movimento é:
cos cos F R R p A m v 45 45 x x
t
x
c
atm 1 3 = - - =
o ^ ^ ^ h h h
cos cos F R R p A m v P 45 45 y y
t
y
c
atm liq 1 3 = + - = +
o ^ ^ ^ h h h
146 NOTAS PARA O ESTUDO DA MECÂNICA DE FLUIDOS
João M. Campos
ANÁLISE INTEGRAL EM
VOLUMES DE CONTROLO
FINITOS
Exemplo 5.16
Um tubo com um cotovelo de 90º roscado à saída de uma bomba colocada no inte-
rior de um tanque direcciona um jacto de água de encontro a um dispositivo que muda
a direcção do jacto. Considere que o jacto tem 5 cm de diâmetro e uma velocidade de
9 m/s. Calcule a componente horizontal da força exterior que se tem de exercer para
que o tanque permaneça parado nos seguintes caso:
O jacto segue o trajecto A. a.
O jacto segue o trajecto B. b.
Água
60º
120º
A B
x
y
Solução
Para calcular a força exterior que se deve exercer para manter o tanque no “sítio”, a.
considerem-se separadamente dois volumes de controlo. Comece-se por analisar o
volume de controlo que engloba o tanque, a bomba e o tubo de elevação de água, tal
como mostra a figura. Entra e sai água do VC, e tanto na entrada como na saída a área
de controlo é normal ao vector velocidade.
Água
A
B
x
y
F
1
x
F
1
y
V.C.
A pressão é atmosférica em toda a superfície de controlo. Aplicando a equação da
quantidade de movimento segundo x, obtém-se:
cos v m v m F 60 x
1
- + - =-
o o
^
^ ^ ^ h
h h h
Da equação da quantidade de movimento segundo y, obtém-se
sen v m F 60 y
1
- - =
o
^ ^ h h
Considere-se agora o VC que contém o dispositivo de mudança de direcção:

x
y
F
2
x
F
2
y
V.C.
60º
147 NOTAS PARA O ESTUDO DA MECÂNICA DE FLUIDOS
João M. Campos
ANÁLISE INTEGRAL EM
VOLUMES DE CONTROLO
FINITOS
Aplicando a equação da quantidade de movimento segundo x, obtém-se
cos v m v m F 60 x
2
- - + - =-
o o
^ ^ ^ ^ h h h h
Aplicando a equação da quantidade de movimento segundo y, obtém-se:
60 sen v m Fy
2
=
o ^ ^ h h
A resultante da força exterior que se tem de exercer sobre todo o dispositivo, não
considerando o peso do líquido, é:
Segundo x: cos cos F vm v m vm v m 60 60 0 x =- - + + =
o o o o
Segundo y: 60 60 2 60 sen sen F vm vm vmsen y = + =
o o o
O valor da componente segundo y é diferente de zero já que exteriormente ao
volume de controlo, pela acção da força de gravidade, o jacto muda de direcção.
O caso do b. trajecto B é semelhante, excepto não haver entrada de quantidade de
movimento no primeiro VC seleccionado.
As componentes da resultante da força exterior sobre o dispositivo, não conside-
rando o peso do líquido, são:
Segundo x: 60 60 cos cos F vm v m vm v m x =+ + - =
o o o o
Segundo y: 60 sen F v m y =
o
Exemplo 5.17
Um carro tanque com o topo aberto para a atmosfera desloca-se da esquerda para
a direita a uma velocidade uniforme de 4,5 m/s. Num dado instante (representado na
figura) o tanque passa por baixo de um jacto de água estacionário de diâmetro 0,10 m
e 10 m/s de velocidade. Qual a força exercida no tanque pelo jacto de água?

Água
45º
4,5 m/s
Solução
O volume de controlo seleccionado está representado na figura. Se o carro se
encontra em movimento, o percurso do jacto será visto de diferente forma conforme o
observador se encontre parado, ou em movimento no interior do carro. Se o observador
se deslocar no interior do carro, a direcção em que ele vê o jacto entrar no tanque é a
que está representada na figura .
O respectivo vector velocidade é dado por :
148 NOTAS PARA O ESTUDO DA MECÂNICA DE FLUIDOS
João M. Campos
ANÁLISE INTEGRAL EM
VOLUMES DE CONTROLO
FINITOS
10 45 10 45 4, 5 10 45 4, 5 10 45 cos sen cos sen v v v i j i i j r VC = - = - - = - -
v v v
v v v v v
^ h

V.C.
A(Fixo)
B (Móvel)
4,5 m/s
10 m/s
vr
Rx
Ry
A equação escalar de quantidade de movimento segundo x toma a seguinte forma:
, cos m R 10 45 4 5 x - - =-
o
^ ^ h h
em que R
x
é a força de reacção que o tanque exerce sobre o volume de controlo segundo
a direcção x. No volume de controlo escolhido, a força exercida pela pressão atmosfé-
rica é nula.
O caudal mássico é dado por:
m A 10 j t =
o
resultando:
R
x
= 10

µ A
j
(10 cos45 – 4,5) (1)
A equação da quantidade de movimento segundo y , desprezando o peso do líquido
no volume de controlo, toma a seguinte forma:
R
y
= 10

µ A
j
(10 sen45 ) (2)
As componentes da força exercida pelo líquido no tanque têm sentidos contrários
às respectivas reacções calculadas nas equações (1) e (2).
5.5.3 Exercícios propostos de aplicação
5.26 Uma pessoa com 50 kg de peso deixa-se cair, em pé, de uma
altura de 3,2 m. Determine a força média a que a pessoa está sujeita no
embate admitindo que:
Não dobra os joelhos ao bater no chão e por isso pára em 0,1 s. a.
Estava preparada para a queda e amorteceu o embate dobrando b.
os joelhos, demorando 1,0 s a parar (desde que toca no chão).

3,2 m
Δt = 0,1 s Δt = 1 s
50 kg
149 NOTAS PARA O ESTUDO DA MECÂNICA DE FLUIDOS
João M. Campos
ANÁLISE INTEGRAL EM
VOLUMES DE CONTROLO
FINITOS
5.27 Determine as componentes x e y da força exterior que se tem de
exercer numa pá estacionária que, tal como mostra a figura, desvia um
jacto de água de 7×10
-5
m
3
/s e velocidade 8 m/s.

30º
8 m/s
8 m/s
5.28 Um orifício circular com 4 cm de diâmetro descarrega água na
vertical, para baixo, a um caudal de 0,263 l/s. A água cai livremente sem
atrito e pretende-se saber:
A forma do jacto de água , i.e., como é que o diâmetro do jacto a.
varia com a altura.
a força que o jacto exerce ao embater numa chapa horizontal b.
colocada a 0,5 m do orifício de descarga.
A força que o jacto exerce ao embater numa chapa horizontal c.
colocada a 2,0 m do orifício.
5.29 Um tubo vertical cónico com 1,5 m de altura alarga de 0,3 m
(diâmetro) na base até 0,6 m no topo. Calcule a intensidade e o sentido
da força que a água em escoamento ascendente a um caudal de 0,28
m
3
/s exerce sobre a parede do tubo. A pressão na base do tubo é de 207
kPa. Assuma que a perda de energia no alargamento é dada por:
1,5 m
0,6 m
0,3 m
1
2
V.C.
5.30 Um fluido ao percorrer um tubo cilíndrico de raio R em regime
laminar tem um perfil de velocidade dado por
v v
R
r
1 max
2
2
= - c m
em que r representa a distância ao eixo.
150 NOTAS PARA O ESTUDO DA MECÂNICA DE FLUIDOS
João M. Campos
ANÁLISE INTEGRAL EM
VOLUMES DE CONTROLO
FINITOS
No extremo do tubo, ao sair para a atmosfera, o jacto afila e fica com
perfil de velocidade uniforme v sobre toda a secção recta. Com base na
equação da quantidade de movimento determine a relação entre a e b.
Despreze o efeito da força da gravidade.

2b
2a
v
5.31 A figura mostra um motor a jacto. Ar (µ = 1,29 kg/m
3
) entra no
motor a uma velocidade de 90 m/s. A massa de fuel consumido repre-
senta 1% da massa de ar que entra no motor. Ar e gases provenientes do
fuel consumido saem a uma velocidade de 274 m/s. As área das secções
rectas de entrada e de saída são 1,0 m
2
. Nestas condições calcule o
sentido e a intensidade do impulso a que o motor está sujeito. Considere
o ar incompressível

v
1
= 91 m/s v
2
= 274 m/s
Fuel
5.32 Na queda de água representada na figura, observa-se a forma-
ção de uma zona estagnada junto à parede com altura H. A velocidade e
a altura do fluido no canal (de largura constante) são respectivamente v
e h. Por aplicação da equação da quantidade de movimento, determine H
em função de µ, v, h. Escolha o volume de controlo de modo a poder des-
prezar a componente horizontal da quantidade de movimento do fluido
à entrada. Despreze as perdas de energia mecânica.

H
h
v
Ar
5.33 Uma caixa cúbica fechada, excepto nas “entradas” A e B, é per-
corrida por água a um caudal Q. As pressões na entrada e na saída são
respectivamente: P
A
= 3 atm e P
B
= 2 atm.
Qual o caudal de água, sabendo que a única perda de carga entra a.
A e B corresponde ao alargamento súbito em A, onde toda a ener-
gia cinética é perdida? Dados: d
e
= 70 mm; d
s
= 50 mm
As juntas do tubo em A e B são flexíveis de modo que não trans- b.
mitem nenhuma força horizontal. Toda a força a que a caixa está
151 NOTAS PARA O ESTUDO DA MECÂNICA DE FLUIDOS
João M. Campos
ANÁLISE INTEGRAL EM
VOLUMES DE CONTROLO
FINITOS
sujeita é suportada pela base. Qual o valor da componente hori-
zontal da força a que a caixa está sujeita, quando é percorrida
pelo caudal calculado na alínea a).
p
A
p
B Q Q
Fole Fole
5.34 Jactos de água saem de dois tanques e encontram-se a uma
determinada cota como mostra a figura. Despreze a energia mecânica
dissipada e determine:
A altura a. h sabendo que o ponto A representado na figura é um
ponto de estagnação (velocidade nula).
Se à cota do ponto A fosse colocada uma placa muito delgada, b.
qual seria a intensidade sentido e direcção da força exterior que
teria de se exercer para a manter no “sítio”.
Água
Ar
Água
2,5 m
2,5 m
h
6,0 m
0,5 m
2 cm
5 cm
A
2,0 atm
Jactos
livres
5.35 Um novo tipo de elevador está esquematizado na figura. Por
regulação do caudal de água é possível elevar o elevador até à altura
desejada. Assumindo que o caudal mássico máximo do jacto é 220 kg/s
e a velocidade à saída da mangueira 60 m/s, qual a relação entre o peso
do elevador e a altura a que o jacto eleva o elevador?
Jacto de
água livre
5.36 Num rio em que a velocidade da água é 1,5 m/s, um barco a
motor desloca-se contra a corrente à velocidade de 9,0 m/s (ambas as
velocidades têm como referencial a margem). O barco é impulsionado
152 NOTAS PARA O ESTUDO DA MECÂNICA DE FLUIDOS
João M. Campos
ANÁLISE INTEGRAL EM
VOLUMES DE CONTROLO
FINITOS
por um motor (a jacto de água) que aspira água do rio a um caudal de
0,15 m
3
/s e a descarrega pela parte de trás à velocidade de 18 m/s rela-
tivamente ao barco (direcção do movimento do barco mas em sentido
contrário). O motor consome 21 kW.
Determine a força propulsora do barco e a eficiência do sistema de pro-
pulsão se:
A água entrar pela proa (frente), com a mesma direcção que o a.
movimento do barco.
A água entrar pela parte lateral, perpendicularmente ao movi- b.
mento do barco.
5.37 Um balão de 86g de massa está cheio com ar, µ = 1,29 kg/m
3
.
O pipo (tubo pequeno de enchimento) tem 6,0 mm de diâmetro e está
dirigido na vertical para baixo no instante em que o balão é “solto”. Des-
prezando o atrito calcule o caudal mássico de saída de ar no instante
inicial em que a aceleração do balão é 15 m/s
2
.
5.38 Um jacto “circular” de água com 50 mm de diâmetro é lançado
contra uma porta quadrada, com 1,2 m de lado. O ângulo entre o plano
da porta e a direcção do jacto é 30º. A velocidade é 1,8 m/s e o jacto
“atinge “ a porta no centro. Desprezando a força de corte entre o fluido
e a porta calcule a força normal F que se tem de aplicar na extremidade
superior da porta para a manter em equilíbrio. Na extremidade inferior
da porta existe um apoio de rotação (dobradiça).

v = 1,8 m/s
Dobradiça
30º
F
5.39 Um tanque cilíndrico colocado sobre rodas está cheio com água
até uma altura h0 acima do orifício circular de descarga. Um cabo rígido
AB prende o tanque a uma parede, impedindo o seu movimento. O orifí-
cio de descarga é destapado no instante t = 0. Considere A1 a área do
tanque e A2 a área do orifício e determine:
Uma expressão para o nível de água no tanque em função do a.
tempo.
Uma expressão para a força exercida pelo cabo AB no tanque em b.
função do tempo.
O valor de c. h, do caudal de descarga, e a força no cabo, 30 s após o ori-
fício ter sido destapado. Dados: A1=2,0 m
2
, A2=1,0 cm
2
e h0= 6,25 m
153 NOTAS PARA O ESTUDO DA MECÂNICA DE FLUIDOS
João M. Campos
ANÁLISE INTEGRAL EM
VOLUMES DE CONTROLO
FINITOS
A B
h
0
5.40 A figura representa esquematicamente um sistema automático
de enchimento de recipientes de água. O recipiente de 1 kg e 5 litros de
capacidade, é colocado sobre uma balança eléctrica. Um controlador
gera um sinal de comando que fecha uma electroválvula, situada na
tubagem de alimentação, quando o valor medido na balança atinge o
limite ajustado no controlador.
Se o controlador for regulado para actuar quando a balança a.
detecta uma massa de 60 kg (água e recipiente), observa-se
que os recipientes não ficam completamente cheios. Comente
adequadamente o que se passa.
Faça o cálculo da correcção a introduzir no controlador, tendo b.
em conta que o caudal de enchimento é de 0,5 l/s e o diâmetro
da tubagem é 15 mm.

Controlador
Balança
Electroválvula
0,5 l/s
5.41 Uma placa tapa o orifício de um reservatório. O orifício tem a
forma de um triângulo equilátero com 15 cm de altura. A placa é man-
tida no ”sítio” através da força de um jacto livre de água que sai de um
outro reservatório e sobre ela incide. Determine o valor máximo de H
para que não ocorra perda de água pelo orifício. Despreze a força de
atrito entre o jacto e a placa e considere que a placa é muito leve.
0,5 atm (relativas)
H
60º
60º
10 cm
3,0 m
15 cm
Vista lateral
5.42 Água sai de um tubo sob a forma de um jacto livre e vai embater
num prato plano circular. A geometria do escoamento é simétrica tal
como mostra a figura. Determine o caudal e a leitura H do manómetro.
Determine a força exterior que se tem de exercer para manter o prato
no “sítio”. Despreze a acção das forças viscosas.
154 NOTAS PARA O ESTUDO DA MECÂNICA DE FLUIDOS
João M. Campos
ANÁLISE INTEGRAL EM
VOLUMES DE CONTROLO
FINITOS

0,4 mm
H
0,1 m
0,01 m
v v
Q
0,2 m
5.43 A figura representa um reservatório com um tubo de descarga
de diâmetro D e comprimento L, articulado em A.
Supondo o tubo fixo na horizontal através do tirante T, determine a.
a altura h de água no tanque. Na extremidade do tubo colocou-se
um tubo de Pitot para medir a velocidade de descarga.
Se o tirante for retirado, o tubo de saída estabilizará numa deter- b.
minada posição definindo um ângulo u com a horizontal. Deter-
mine a relação h(u). Considere que o material do tubo é muito
leve e despreze a força de atrito no tubo.

θ h h
1 m
T
ir
a
n
te
Água
200 mm
100 mm
Hg (13600 kg/m)
3
A
Se acoplar um convergente na saída do tubo, ver pormenor da c.
figura, como acha que se alteraria a relação h(u)? Justifique

D
1
D
2
5.44 Água está a sair em jacto de um tanque aberto para aatmosfera
através de um orifício circular com 13 cm
2
de área, sendo 1,5 m a altura
de água no tanque (1,0 m acima do orifício). O jacto ao sair do tanque
embate numa pá curva que lhe muda a direcção de um ângulo de 30º.
Determine a força, intensidade e sentido, a que está sujeito o cabo de
aço horizontal que segura o carro sobre o qual está pousado o tanque e
a pá curva.
1,5 m
Cabo de aço
30º
Água
Jacto
155 NOTAS PARA O ESTUDO DA MECÂNICA DE FLUIDOS
João M. Campos
ANÁLISE DIMENSIONAL,
SEMELHANÇA E MODELOS
6 ANÁLISE DIMENSIONAL, SEMELHANÇA E MODELOS
6.1 Introdução
Embora muitos problemas de Mecânica de Fluidos possam ser resolvidos analiticamente
por resolução das equações que descrevem o fenómeno, outros há que só podem ser resolvi-
dos experimentalmente ou por combinação de resultados analíticos com experimentais. Neste
capítulo vão ser estudadas algumas técnicas que permitem planear, executar, compreender
e correlacionar dados experimentais.
Outro dos objectivos deste capítulo é aprender como devem ser
extrapolados dados obtidos em laboratório para sistemas semelhantes
mas à escala “industrial”- os chamados estudos de semelhança.
Para introduzir o estudo da análise dimensional recorre-se ao pro-
blema de escoamento de um fluido Newtoniano, incompressível e em
estado estacionário, num tubo circular horizontal de secção recta cons-
tante. Pretende-se conhecer a perda de pressão por unidade de compri-
mento de tubo, resultante da acção das forças viscosas.
O primeiro passo para planear o estudo é decidir quais as variáveis
que afectam a perda de pressão por unidade de comprimento do tubo.
A experiência diz que o diâmetro do tubo, D, a densidade do fluido, µ, a
viscosidade do fluido, µ, e a velocidade média do fluido, v , são as vari-
áveis que afectam a perda de pressão. Esta dependência é traduzida
matematicamente por:
, , , f
l
p
D v t n
D
= ^ h (6.1)
Contudo, desconhece-se a natureza da função, sendo o principal
objectivo do estudo experimental determiná-la. As experiências devem
ser realizadas de uma forma sistemática, pelo que a melhor opção será
medir a perda de pressão em séries de experiências. De série para série
altera-se o valor de uma das variáveis e mantêm-se as outras constantes.
Deste estudo resultam gráficos do tipo que a figura seguinte mostra.
A tarefa de construir estes gráficos não é simples, é necessário reali-
zar muitas experiências algumas delas de difícil execução. Por exemplo,
encontrar fluidos de igual massa volúmica mas de diferente viscosidade
é difícil, mesmo impossível se for necessário realizar várias experiências
nestas condições. Igualmente, pela análise destes gráficos, não é possível,
de uma forma simples, conhecer a função que a equação (6.1) sugere.
156 NOTAS PARA O ESTUDO DA MECÂNICA DE FLUIDOS
João M. Campos
ANÁLISE DIMENSIONAL,
SEMELHANÇA E MODELOS
Δp
l
D,
constantes
ρ, μ
v
Δp
l
D v ,
constantes
, μ
ρ
Δp
l
D v ,
constantes
ρ,
μ
Δp
l
v,
constantes
ρ, μ
D
Para ultrapassar estas dificuldades recorre-se muitas vezes à Aná-
lise Dimensional. De uma forma breve refira-se que esta análise permite
agrupar as variáveis em grupos adimensionais, o que facilita muito o
estudo dos experimentalistas. No exemplo da perda de pressão num
tubo, a análise dimensional permite concluir que:
v
D
l
p
vD
2
t
z
n
t
D
= c m (6.2)
Ao realizar experiências, em vez de cinco variáveis em estudo passa
a haver somente dois grupos adimensionais. Assim, para construir um
gráfico da perda de pressão por unidade de comprimento sofrida por
um fluido em escoamento num tubo, só é necessário variar vD t n e
determinar os correspondentes valores de D p v l
2
t D ^ h. O resultado é
expresso por uma curva universal tal como mostra a figura. As experi-
ências podem ser realizadas num tubo qualquer, com um fluido qual-
quer, desde que a velocidade do escoamento se altere.

2
v
D
l
p
ρ
Δ
μ
ρ D v
De seguida demonstra-se que estes grupos são efectivamente adi-
mensionais.
M L L T
L M L T
L M T
v
D
l
p
3 2 2
2 2
0 0 0
2
t
D
= =
^ ^
^
h h
h 6 @
M LT
M L M L L
M L T
vD
3
0 0 0
n
t
= =
^
^ ^ ^
h
h h h
157 NOTAS PARA O ESTUDO DA MECÂNICA DE FLUIDOS
João M. Campos
ANÁLISE DIMENSIONAL,
SEMELHANÇA E MODELOS
em que M representa a dimensão massa, T a dimensão tempo e L a
dimensão comprimento. Estas três dimensões foram seleccionadas
como fundamentais ou básicas.
6.2 Análise Dimensional
6.2.1 Teorema de H Buckingham
Teorema de H Buckingham - Uma equação dimensionalmente homo-
génea que envolve k variáveis pode ser "transformada" numa relação
entre k-r grupos adimensionais independentes, em que r representa o
número mínimo de dimensões fundamentais necessárias para descre-
ver as variáveis.
Uma equação dimensionalmente homogénea é aquela em que as
dimensões do lado direito da equação são iguais às do lado esquerdo.
Para a larga maioria dos problemas de Mecânica de Fluidos, qualquer
variável pode ser expressa recorrendo às dimensões fundamentais L
(comprimento), T (tempo) e M (massa).
Os grupos adimensionais são geralmente designados pelo símbolo
H
i
. Com base no teorema de H Buckingham, a equação que relaciona as
k variáveis:
u
1
= f(u
1
, u
2
,…, u
k
) (6.3)
pode ser rearranjada e apresentada na seguinte forma:
H
1
= |(H
2
, H
3
,…, H
k-r
) (6.4)
Determinação dos termos H
i
Passo I - – Listagem das variáveis envolvidas no problema
Este é o passo mais difícil e também o mais importante; depende
do conhecimento do experimentalista sobre as leis físicas que regem
o fenómeno.
Devem ser incluídas as variáveis que descrevem a geometria do sis-
tema (diâmetro e comprimento do tubo), as que definem as proprieda-
des físicas do fluido (viscosidade, massa volúmica e tensão superficial)
158 NOTAS PARA O ESTUDO DA MECÂNICA DE FLUIDOS
João M. Campos
ANÁLISE DIMENSIONAL,
SEMELHANÇA E MODELOS
e as que traduzem o efeito das forças exteriores ao sistema ( aceleração
da gravidade e a perda de pressão por atrito na parede do tubo). Con-
tudo, em alguns problemas poderão ter de ser incluídas variáveis que
não se encaixam facilmente nestas três categorias.
É importante que as variáveis listadas sejam independentes; por
exemplo, se num dado problema a área da secção recta de escoamento
for importante, ela não deve ser listada a par com o diâmetro da tuba-
gem, já que são duas variáveis dependentes. Igualmente se a massa
volúmica do fluido µ e o peso volúmico ¸ forem importantes, elas não
devem ser listadas conjuntamente com a aceleração da gravidade, g.
Passo II - – Exprimir cada variável em termos das dimensões
fundamentais
Na grande maioria dos problemas de Mecânica de Fluidos as dimen-
sões fundamentais com as quais se exprimem todas as variáveis são:
o comprimento, L, a massa, M e o tempo T ou alternativamente L, F
(força) e T.
Passo III - – Determinar o número de termos H
i
necessários
O número de termos H
i
necessários, segundo o teorema de Buckin-
gham, é igual a k-r, em que k representa o número de variáveis listadas
para descrever o fenómeno e r o número de dimensões fundamentais
necessárias para descrever as variáveis. Pode haver casos (raros) em
que as dimensões fundamentais podem ser apresentadas sob uma
forma combinada diminuindo r.
Passo IV - – Seleccionar um número de variáveis igual ao das
dimensões fundamentais
Da lista de variáveis selecciona-se um número igual ao das dimensões
fundamentais. Estas variáveis vão ser repetidamente combinadas com as
restantes para formar grupos adimensionais. Tem de se ter o cuidado das
variáveis seleccionadas não formarem elas próprias, por combinação, um
grupo adimensional. Quando se está interessado em estudar uma dada
variável (variável dependente) ela não deve ser seleccionada.
Passo V - – Formar termos H
i
multiplicando uma das variáveis não
seleccionadas pelo produto das variáveis seleccionadas cada
159 NOTAS PARA O ESTUDO DA MECÂNICA DE FLUIDOS
João M. Campos
ANÁLISE DIMENSIONAL,
SEMELHANÇA E MODELOS
uma elevada a um dado expoente. O valor do expoente tem de
ser determinado de forma a que o produto seja adimensional.
Cada grupo adimensional será formado por u u u u i
a b c
1 2 3
i i i
em que u
i

representa uma das variáveis não seleccionadas, u
1
, u
2
e u
3
as variáveis
seleccionadas e a
i
, b
i
e c
i
os expoentes a determinar de forma a que o
produto seja adimensional.
Passo VI - – Repetir o passo V para todas as variáveis não selec-
cionadas .
Passo VII - – Verificar se todos os termos H
i
são adimensionais.
Passo VIII - – Exprimir na forma final a função entre os termos

H
i
.
H
1
= |(H
2
, H
3
,…, H
k-r
)
No primeiro grupo deve aparecer em numerador a variável depen-
dente que se pretende estudar. A relação funcional entre os grupos adi-
mensionais deve ser determinada através da experimentação.
6.2.2 Aplicação do teorema de H Buckingham
6.2.2.1 Escoamento em tubagens
Para ilustração, vai-se aplicar o teorema de H Buckingham ao exem-
plo do escoamento de um fluido Newtoniano, incompressível, em estado
estacionário, num tubo circular horizontal. Pretende-se determinar a
perda de pressão devida ao atrito por unidade de comprimento de tubo.
Como já foi dito as variáveis envolvidas no problema são:
Passo I -
, , , f
l
p
D v t n
D
= ^ h
Passo II -
Exprime-se as variáveis em termos das unidades fundamentais (M,
L e T)
160 NOTAS PARA O ESTUDO DA MECÂNICA DE FLUIDOS
João M. Campos
ANÁLISE DIMENSIONAL,
SEMELHANÇA E MODELOS
MT L
l
p
2 2
0
D
- -
D 0 L
µ 0 ML
-3
µ 0 ML
-1
T
-1
v 0 LT
-1
Passo III -
Há 5 variáveis (k = 5) e é necessário utilizar 3 (r = 3) dimensões
fundamentais para as descrever dimensionalmente. De acordo com o
teorema de Buckingham formam-se 2 grupos adimensionais.
Passo IV -
Seleccionam-se 3 variáveis, número igual ao das dimensões fun-
damentais. Não se deve seleccionar p l D já que é a variável que se
quer estudar (variável dependente) e não deve aparecer repetida. As
variáveis escolhidas não devem formar por combinação um grupo adi-
mensional. Optou-se por escolher D, v e µ.
Passo V -
Formação dos grupos adimensionais. Começa-se pelo grupo que
envolve p l D .
l
p
D v
a b c
1 t P
D
=
(MT
-2
L
-2
)(L)
a
(LT
-1
)
b
(ML
-3
)
c
= M
0
L
0
T
0
1 + c = 0 (M)
–2 – b = 0 (T)
–2 + a + b – 3c = 0 (L)
A solução deste sistema algébrico de equações é c = -1, b = -2 e a = 1,
logo:
v
l
p
D
1
2
t
P
D
=
161 NOTAS PARA O ESTUDO DA MECÂNICA DE FLUIDOS
João M. Campos
ANÁLISE DIMENSIONAL,
SEMELHANÇA E MODELOS
Passo VI -
O procedimento vai agora ser repetido para a variável µ:
D v
a b c
2 n t P =
(ML
-1
T
-1
)(L)
a
(LT
-1
)
b
(ML
-3
)
c
= M
0
L
0
T
0
1 + c = 0
(M)
–1 – b = 0
(T)
– 1 + a + b – 3c = 0
(L)
A solução deste sistema algébrico de equações é c = -1, b = -1 e a = -1,
logo:
vD
2
t
n
P =
Passo VII -
Verifica-se se os grupos são efectivamente adimensionais
(ML )(L T )
(ML T )(L)
M L T
v
l
p
D
3 2 2
2 2
0 0 0
1
2
0 0
t
P
D
=
- -
- -
(ML )(LT )(L)
ML T
M L T
vD
3 1
1 1
0 0 0
2 0 0
t
n
P =
- -
- -
^ h
Passo VIII -
O resultado é expresso na forma:
f
v
l
p
D
vD
2
t t
n
D
= c m
Cada grupo adimensional pode ser rearranjado (invertido ou multi-
plicado por outro grupo adimensional), como é o caso de H
2
.
vD
vD *
2 2 "
t
n
n
t
P P = =
162 NOTAS PARA O ESTUDO DA MECÂNICA DE FLUIDOS
João M. Campos
ANÁLISE DIMENSIONAL,
SEMELHANÇA E MODELOS
Este é o grupo adimensional “mais famoso” da Mecânica de Fluidos
e é conhecido por número de Reynolds.
f Re
v
l
p
D
2
t
D
= ^ h
6.2.2.2 Escoamento em torno de objectos imersos
Um prato pouco espesso de comprimento l e largura w está colo-
cado paralelamente à direcção do escoamento de um fluido. Assume-se
que a força que o fluido faz sobre o prato (força de arrasto,
a
F ) é uma
função de w e l, da viscosidade e da massa volúmica do fluido, µ e µ e
da velocidade de aproximação do fluido ao prato, v. Pretende-se deter-
minar os grupos adimensionais convenientes para estudar experimen-
talmente este problema.
A escolha de variáveis é feita no enunciado:
F
a
= f(w, l, μ, µ, v)
As dimensões das variáveis são:
F
a
= MLT
-2
w = L
l = L
µ = ML
-3
µ = ML
-1
T
-1
v = LT
-1
O número de variáveis é k = 6 e de dimensões necessárias para expri-
mir as variáveis é r= 3, pelo que se vão formar 3 grupos adimensionais.
Para variáveis principais escolhe-se w, v e µ as quais são indepen-
dentes, já que cada uma incluí uma nova dimensão. Começa-se por F
a
,
variável dependente.
163 NOTAS PARA O ESTUDO DA MECÂNICA DE FLUIDOS
João M. Campos
ANÁLISE DIMENSIONAL,
SEMELHANÇA E MODELOS
H
1
= F
a
w
a
v
b
µ
c
(MT
-2
L)(L)
a
(LT
-1
)
b
(ML
-3
)
c
= M
0
L
0
T
0
1 + c = 0 (M)
–2 – b = 0 (T)
1 + a + b – 3c = 0 (L)
A solução deste sistema algébrico de equações é c = -1, b = -2 e a = -2,
logo:
v w
Fa
1
2 2
t
P =

O procedimento vai agora ser repetido para a variável l.
H
2
= lw
a
v
b
µ
c
(L)(L)
a
(LT
-1
)
b
(ML
-3
)
c
= M
0
L
0
T
0
c = 0 (M)
b = 0 (T)
1 + a + b -3c = 0 (L)
A solução deste sistema algébrico de equações é c = 0, b = 0 e a=-1,
logo:
w
l
2 P =
O procedimento vai agora ser repetido para a variável µ.
H
3
= µw
a
v
b
µ
c
(ML
-1
)(L)
a
(LT
-1
)
b
(ML
-3
)
c
= M
0
L
0
T
0
1 + c = 0 (M)
164 NOTAS PARA O ESTUDO DA MECÂNICA DE FLUIDOS
João M. Campos
ANÁLISE DIMENSIONAL,
SEMELHANÇA E MODELOS
–1 – b = 0 (T)
–1 + a + b – 3c = 0 ( L)
A solução deste sistema algébrico de equações é c = -1, b = -1 e a = -1,
logo:
vw
3
t
n
P =
Verifica-se se os grupos são efectivamente adimensionais.
ML L T L
MLT
M L T
v w
F
3 2 2 2
2
0 0 0 a
1
2 2
0 0
t
P =
- -
-
^ ^ ^
^
h h h
h
L
L
M L T
w
l 0 0 0
2 0 0 P =
^
^
h
h
ML LT L
ML T
M L T
vw
3
0 0 0
3
1
1 1
0 0
t
n
P =
- -
- -
^ ^ ^
^
h h h
h
O resultado final é expresso na forma:

,
v w
F
vw w
1 a
2 2
z
t t
n
= c m
Cada grupo adimensional pode ser rearranjado
, Re
vw
vw
w v
F
l
w * a
3 3
2 2
" " {
t
n
n
t
t
P P = = = ` j
6.2.3 Algumas notas sobre a aplicação do Teorema de H
Buckingham
A escolha das variáveis, em número igual às dimensões fundamen-
tais, é aleatória desde que respeite as condições já enunciadas: não selec-
cionar a variável em estudo e as variáveis escolhidas combinadas não
formarem um grupo adimensional. Pelo facto da escolha ser “aleatória”
resultam grupos adimensionais diferentes. Mas estes grupos adimensio-
nais podem ser combinados entre si, resultando uma solução única.
Veja-se o exemplo da perda de pressão num tubo:
165 NOTAS PARA O ESTUDO DA MECÂNICA DE FLUIDOS
João M. Campos
ANÁLISE DIMENSIONAL,
SEMELHANÇA E MODELOS
Se as variáveis seleccionadas forem 1. D, v e µ obtém-se:
v
l
p
D
vD
2
z
t n
t
D
= c m
Se as variáveis seleccionadas forem 2. D, v e µ obtém-se:
v
l
p
D
vD
{
n n
t
D
= c m
Ambos os resultados estão correctos, contudo a função é diferente.
O 1º termo da primeira solução pode ser obtido por combinação dos dois
termos da segunda.
.
v
l
p
D
Dv v
l
p
D
2
2
t t
n
n
D D
=
6.3 Grupos adimensionais na Mecânica de
Fluidos
Número de Reynolds – mede a razão entre as forças de inércia e as
forças viscosas que actuam sobre um elemento de fluido:
Re
lv
l v lv
2 2
n
t
n
t
= =
O número de Reynolds crítico permite distinguir entre escoamentos
laminares e turbulentos em tubos, em camadas limite ou em torno de
objectos. Para números de Reynolds menores do que o crítico, a acção
das forças viscosas sobrepõe-se à das forças de inércia e o escoamento
dá-se em regime laminar. Para números de Reynolds maiores do que o
crítico, a acção das forças de inércia sobrepõe-se à das forças viscosas
e o escoamento é turbulento.
Número de Froude – mede a razão entre as forças de inércia e a
força da gravidade que actuam sobre um elemento de fluido
Fr
gl
l v
gl
v
gl
v
3
2 2
2
t
t
= = =
É um grupo importante em escoamentos com superfície livre, esco-
amentos abertos para a atmosfera, tais como, escoamentos em torno
de barcos, escoamentos em rios ou canais.
166 NOTAS PARA O ESTUDO DA MECÂNICA DE FLUIDOS
João M. Campos
ANÁLISE DIMENSIONAL,
SEMELHANÇA E MODELOS
Número de Euler – mede a razão entre as forças de pressão e as
forças de inércia que actuam sobre um elemento de fluido
Eu
v l
l p
v
p
2 2
2
2
t t
= =
Muitas vezes o número de Euler é escrito em termos de diferença
de pressão
Eu
v
p
2
1 2
t
D
=
O número de Euler apresentado nesta forma é usualmente desig-
nado por coeficiente de pressão.
Número de Mach e de Cauchy – medem a razão entre as forças de
inércia e as forças de compressão que se exercem sobre um elemento
de fluido.
Ca Ma
l c
l v
c
v
2 2
2 2
"
t
t
= =
A variável c representa a velocidade do som. Quando o número de
Mach é pequeno (menor que 0,3) as forças de inércia não são suficien-
temente elevadas para causar qualquer mudança significativa na massa
volúmica do fluido. Esta mudança é muito significativa quando o número
de Mach é superior a 1 e o escoamento é supersónico (este grupo é
frequentemente utilizado em aerodinâmica).
Número de Weber – mede a razão entre as forças de inércia e as
forças de tensão superficial que actuam num elemento de fluido e é
particularmente importante quando há uma interface no escoamento.
We
l
l v l v
2 2 2
v
t
v
t
= =
Este grupo é importante em escoamentos tais como bolhas de gás
e gotas em ascensão num líquido.
6.4 Correlação de dados experimentais
A correlação de dados experimentais vai ser ilustrada com um
exemplo.
167 NOTAS PARA O ESTUDO DA MECÂNICA DE FLUIDOS
João M. Campos
ANÁLISE DIMENSIONAL,
SEMELHANÇA E MODELOS
Perda de pressão num fluido em escoamento num tubo horizontal
Determinou-se experimentalmente a relação entre a perda de pres-
são por unidade de comprimento num tubo circular horizontal de secção
recta constante com parede lisa e as variáveis que a afectam. No labo-
ratório, a variação de pressão foi medida num tubo liso com 1,5 m de
comprimento e 15 mm de diâmetro interno. O fluido utilizado foi água a
25 ºC (µ = 1 cP, µ =1000 kg/m
3
). Os ensaios foram realizados variando
a velocidade do fluido.
v (m/s) Ap (Pa)
0,36 300
0,60 740
0,89 1460
1,78 5154
3,4 15560
5,16 32210
7,11 56760
8,76 81830
Pretende-se determinar uma relação funcional entre a perda de
pressão por unidade de comprimento e as outras variáveis.
Como já foi analisado:
, , ,
l
p
f D v t n
D
= ^ h
e pelo teorema de H Buckingam:
v
D
l
p vD
2
z
t n
t D
= c m
Com os dados da tabela podem ser calculados estes dois grupos
adimensionais.
v (m/s) Δp (Pa)
v
D
l
p
2
t
D vD
n
t
0,36 300 0,0195 4 000
0,60 760 0,0175 6 700
168 NOTAS PARA O ESTUDO DA MECÂNICA DE FLUIDOS
João M. Campos
ANÁLISE DIMENSIONAL,
SEMELHANÇA E MODELOS
v (m/s) Δp (Pa)
v
D
l
p
2
t
D vD
n
t
0,89 1 460 0,0155 10 000
1,78 5 154 0,0132 20 000
3,40 15 560 0,0113 38 100
5,16 32 210 0,0101 58 000
7,11 56 760 0,0094 80 000
8,76 81 830 0,0089 98 500
Representando graficamente (log-log) verifica-se que um bom
ajuste aos resultados experimentais é dado pela equação :
,
v
D
l
p
vD
0 150
,
2
0 25
t n
t
D
=
-
c m
Blasius (1883-1970) com base num estudo semi-empírico concluiu
que:
0, 15
v
D
l
p
vD
82
,
2
0 25
t n
t
D
=
-
c m
Esta equação é muito semelhante à obtida com base na análise
dimensional e na experimentação. A relação obtida é válida na gama do
número de Reyolds 4000 a 100000.
6.5 Teoria dos modelos
6.5.1 Semelhança cinemática, dinâmica e geométrica
Um problema pode ser descrito em termos de uma funcionalidade
entre grupos adimensionais:
H
1,p
= |(H
2,p
, H
3,p
,..., H
n,p
)
169 NOTAS PARA O ESTUDO DA MECÂNICA DE FLUIDOS
João M. Campos
ANÁLISE DIMENSIONAL,
SEMELHANÇA E MODELOS
Se a equação anterior descrever o comportamento de um dado pro-
tótipo, uma relação semelhante pode ser escrita para descrever o com-
portamento de um modelo à escala:
H
1,m
= |(H
2,m
, H
3,m
,..., H
n,m
)
A função é a mesma, já que o problema em estudo é o mesmo. Se o
estudo no modelo se realizar de forma a serem respeitadas as seguintes
condições:
H
2,m
= H
2,p
H
3,m
= H
3,p
...................
H
n,m
= H
n,p
conclui-se que:
H
1,m
= H
1,p
Traduzindo por palavras o que foi analiticamente descrito, se os gru-
pos adimensionais importantes para descrever o fenómeno em estudo
forem numericamente iguais no modelo e no protótipo, a variável em
estudo no protótipo pode ser conhecida pela medição do seu valor no
modelo.
Semelhança Geométrica – Quando se iguala grupos adimensionais
que representam relações geométricas, está-se a impor semelhança
geométrica entre o modelo e o protótipo, i.e., que o modelo seja uma
representação à escala do protótipo.
Semelhança Dinâmica – Quando se iguala grupos adimensionais que
representam razões entre forças (ex. número de Reynolds) está-se a
impor semelhança dinâmica entre o modelo e o protótipo.
Quando se garante semelhança geométrica e dinâmica entre o
modelo e o protótipo, está-se a garantir semelhança cinemática, i.e., a
garantir que a razão entre as velocidades é igual à razão entre as ace-
lerações em todo o campo de escoamento.
170 NOTAS PARA O ESTUDO DA MECÂNICA DE FLUIDOS
João M. Campos
ANÁLISE DIMENSIONAL,
SEMELHANÇA E MODELOS
Para que haja semelhança entre o modelo e o protótipo é neces-
sário que haja semelhança geométrica, dinâmica e consequentemente
cinemática.
6.5.2 Aplicação da teoria dos modelos
6.5.2.1 Escoamento em tubagens
Quando se estabelece por análise dimensional os grupos importan-
tes para estudar a perda de pressão por unidade de comprimento num
tubo horizontal de secção recta constante, conclui-se que:
Re
v
D
l
p
vD
2
z z
t n
t
D
= = c ^ m h
Se o problema fosse equacionado em termos de perda de pressão
num comprimento l do protótipo resultaria:
, , Re
v
p
D
l
vD
D
l
2
{ {
t n
t D
= = c ` m j
O grupo adimensional representado no lado esquerdo da equação é
usualmente designado por coeficiente de atrito:
C
v
p
2
1
f
2
t
D
= (6.5)
Na maioria dos casos os tubos não são lisos, apresentam uma certa
rugosidade, a qual é determinante para a perda de pressão. Definindo
por c a altura média dos elementos rugosos da superfície, da análise
dimensional resulta:
, , , , Re
v
p
D D
l
vD
D D
l
2
} }
t
f
n
t
f
D
= = c ` m j
(6.6)
Para que haja semelhança geométrica entre o modelo e o protótipo
é necessário que:
,
D
l
D
l
l
l
D
D
D D D
D
l
l
D
D
m
m
p
p
p
m
p
m
m p
p
p
m
p
m
p
m
p
m
p
m m
" " &
f
f
f
f
f
f
m = = = = = = =
171 NOTAS PARA O ESTUDO DA MECÂNICA DE FLUIDOS
João M. Campos
ANÁLISE DIMENSIONAL,
SEMELHANÇA E MODELOS
Quando o factor de escala é << 1, esta condição é muitas vezes
difícil de respeitar, já que não é fácil construir modelos com uma rugo-
sidade muito reduzida.
Da semelhança dinâmica resulta:
D v D v
v
v
D
D
m
m m m
p
p p p
p
m
p
m
m
p
m
p
" $ $
n
t
n
t
n
n
t
t
= =
Quando se usa o mesmo fluido no modelo e no protótipo:
v
v
D
D
1
p
m
m
p
m
= =
Nesta situação e para qualquer factor de escala ì< 1, a velocidade
no modelo é superior à velocidade no protótipo, o que por vezes se torna
complicado de realizar.
Quando o fluido é o mesmo no modelo e no protótipo, para respeitar
as condições de semelhança geométrica e dinâmica é necessário que:
p
v
v
p p p p
m
p
m
p
m p m
2
2
&
t
t
m D D D D = = ` j
Um caso particular de interesse, é o de um escoamento turbulento
perfeitamente desenvolvido, em que o valor da perda de pressão é inde-
pendente de Re (voltar-se-à a este assunto no capítulo 8). Neste caso:
,
v
p
D D
l
2
z
t
f
D
= ` j
Se as condições de semelhança geométricas forem respeitadas,
resulta:
p
v
v
p p
m
p
m
p
m
2
t
t
D D = ` j
não havendo qualquer restrição à razão das velocidades.
6.5.2.2 Escoamento em torno de objectos
Muitos modelos foram construídos para estudar escoamentos em
torno de objectos, por exemplo em torno de automóveis, pontes, edifí-
cios, aviões, etc. No caso de escoamentos incompressíveis (Ma< 0,3),
aplicando a análise dimensional às variáveis que quantificam a força de
arrasto exercida pelo fluido sobre o objecto, F
a
, resulta:
172 NOTAS PARA O ESTUDO DA MECÂNICA DE FLUIDOS
João M. Campos
ANÁLISE DIMENSIONAL,
SEMELHANÇA E MODELOS
, ,
v l
F
l
l
l
vl
2
1
a
2 2
1
2
1
1
t
z
f
n
t
= c m
em que l
1
e l
2
representam dimensões características do objecto. O
grupo adimensional representado no lado esquerdo da equação é usu-
almente designado por coeficiente de arrasto:
C
v l
F
2
1
D
a
2
1
2
t
= (6.7)
Da semelhança geométrica resulta:
,
l
l
l
l
l
l
l
l
l l l
l
l
l
,
, ,
,
,
,
,
, , ,
,
,
,
m
m
p
p
p
m
p
m
m p
p
p
m
p
m
p
m
2
1
2
1
1
1
2
2
1 1 1
1
2
2 m
" "
f
f
f
f
m = = = = = =
Da semelhança dinâmica resulta:
v l v l
, ,
m
m m m
p
p p p 1 1
n
t
n
t
=
Se as semelhanças geométrica e dinâmica forem respeitadas:
C C
v l
F
v l
F
2
1
2
1
, ,
D D
m m m
m
p p p
p
1
2
1
2
m p
"
t t
= =
Quando o fluido é o mesmo no modelo e no protótipo, resulta:

v
v
l
l
1
,
,
p
m
m
p
1
1
m
= =
No caso da escala ser de 1:10 (ì= 0,1), a velocidade no modelo terá
que ser 10 vezes superior à velocidade no protótipo, o que, como já
foi referido, em muitos casos é difícil de realizar experimentalmente.
Igualmente, para velocidades elevadas, e no caso do fluido ser ar, as
condições de escoamento no modelo poderão ser tais que as forças de
compressão se tornem importante (Ma>0,3), o que não permite extra-
polar os resultados do modelo para o protótipo.
Em alguns casos usam-se fluidos diferentes no modelo e no protó-
tipo (fluidos menos viscosos e/ou mais densos no modelo) de maneira
a reduzir a razão das velocidades.
Na figura seguinte está representada (representação log-log) a
variação do coeficiente de arrasto com o número de Reynolds, no caso
do objecto imerso ser uma esfera. Como se pode observar na figura, a
173 NOTAS PARA O ESTUDO DA MECÂNICA DE FLUIDOS
João M. Campos
ANÁLISE DIMENSIONAL,
SEMELHANÇA E MODELOS
partir de Re > 1000 o coeficiente de arrasto torna-se independente do
número de Reynolds. Para valores de Re < 1 o valor do coeficiente de
arrasto é dado por:
Re
C
24
D =

Re
24/Re
C
D
Laminar
Transição
Turbulento
1000 1
0,4
Coeficiente de arrasto
Para uma esfera
6.5.2.2.1 Força de arrasto e velocidade terminal
Exemplo 6.1
Pequenos grãos esféricos de pólen de diâmetro 0,04 mm e massa volúmica 800
kg/m3 caem do topo de um pinheiro com 20 m de altura. Se houver uma brisa de ar na
direcção horizontal com intensidade 1 m/s, determine a que distância da árvore o grão
cai. Assuma que a velocidade horizontal do grão é igual à do ar.
Solução
As forças verticais que se exercem no grão durante a queda são: o seu peso, W, a
força de impulsão I, e a força de arrasto, FD, exercida pelo ar sobre o grão (resultante
da integração das forças tangenciais).
Durante os instantes iniciais da queda, a velocidade relativa do grão (referencial
com velocidade igual à do ar) aumenta rapidamente, aumentando FD. Após estes ins-
tantes o somatório das componentes verticais das forças anula-se e os grãos entram
em queda livre com velocidade uniforme , a chamada velocidade terminal.
W – I = F
D
O peso de cada grão e a força de impulsão são dadas respectivamente por:
W = µ
p
gtD
3
/6
I = µ
ar
gtD
3
/6
A força de arrasto é função de Reynolds, tal como foi demonstrado pela análise
dimensional:
v
D
F
C
vD
2
1
4
ar
D
D
ar
ar
2
2
z
t r
n
t
= = c m
174 NOTAS PARA O ESTUDO DA MECÂNICA DE FLUIDOS
João M. Campos
ANÁLISE DIMENSIONAL,
SEMELHANÇA E MODELOS
em que v representa a componente vertical da velocidade relativa entre o grão e o ar.
Neste exemplo, assume-se que a velocidade do ar não tem componente vertical, pelo
que v representa a velocidade de queda do grão de pólen.
Como se pode ver na figura anterior, no caso de Re <1 (o diâmetro das partículas é
reduzido pelo que é provável que o valor do número de Reynolds seja inferior a 1, mas
esta hipótese será confirmada) o valor do coeficiente de arrasto é dado por:
Re
C
24
D =
pelo que:
3 F v
D
C v
D
vD
vD
2
1
4 2
1
4
24
D ar D ar
ar
ar
ar
2
2
2
2
t r t r
t
n
rn = = =
Estabelecendo o balanço de forças e resolvendo em ordem a v resulta:
v
gD
18 ar
p ar
2
n
t t
=
- ^ h
Em condições de pressão (1 atm) e temperatura (20 ºC) normais: µ
ar
= 1,79¬10
-5
Pa.s
e µ
ar
= 1,23¬10
-5
kg/m
3
. Calculando o número de Reynolds obtém-se, Re = 0,107 < 1.
Conhecida a velocidade de descida do grão de pólen, calcula-se o tempo que o
grão demora a percorrer os 20 m que separam o topo do pinheiro do solo, bem como a
distância percorrida pelo grão na horizontal durante a queda
514m t
v
h
d tv
v
hv
ar
ar
" = = = =
em que , representa a componente horizontal da velocidade do ar.
Exemplo 6.2
Uma pequena gota de água esférica com 0,1 mm de diâmetro está na atmosfera
a uma altura de 1500 m. Será que a gota sobe ou desce se o vento soprar na direcção
vertical (para cima) a uma velocidade de 1,5 m/s ? E no caso da velocidade do vento
ser 0,1 m/s?
Solução
Supõe-se, tal como no exemplo anterior, que o tamanho da gota é suficientemente
pequeno pelo que Re <1. Aproveitando o resultado do problema anterior:
v
gD
18 ar
p ar
2
n
t t
=
- ^ h
em que v representa a velocidade relativa entre a gota e o ar.
Supondo que a 1500 m as condições de pressão e temperatura são 20 ºC e 1 atm

ar
= 1,23¬10
-5
kg/m
3
e µ
ar
= 1,79¬10
-5
Ns/m
2
), calcula-se a velocidade, v= 0,3 m/s.
Por definição de velocidade relativa:
v v v rel ar g = -
v v v
em que a velocidade vrel
v
é a velocidade “vista” por um observador que se move à velo-
cidade do ar e , v v g ar
v v
por observadores estacionários.
175 NOTAS PARA O ESTUDO DA MECÂNICA DE FLUIDOS
João M. Campos
ANÁLISE DIMENSIONAL,
SEMELHANÇA E MODELOS
Se a gota e o ar se deslocarem em sentidos contrários o valor absoluto da veloci-
dade relativa tem de ser maior que o valor absoluto da velocidade do ar. No caso de se
deslocarem no mesmo sentido, o valor absoluto da velocidade relativa tem de ser menor
que o valor absoluto da velocidade do ar. Assim, no caso do ar ter uma velocidade de 1,5
m/s, a gota desloca-se para cima a uma velocidade de 1,2 m/s. No caso do ar ter uma
velocidade de 0,1m/s, a gota desloca-se para baixo a uma velocidade 0,2 m/s.
6.5.2.3 Escoamentos com superfície livre
Escoamentos em rios, canais, quedas de água e em torno de barcos
e submarinos são exemplos de escoamentos com superfície livre. Neste
tipo de escoamentos as forças de inércia e as forças viscosas são impor-
tantes, tal como as forças de gravidade e eventualmente as de tensão
superficial. Assim de uma forma geral:
, , , ,
l
l
l
l v
gl
v
v l
1
2
2
1
1
1
2
1
z
f
n
t
v
t
P = e o
Para que haja semelhança, os números de Froude têm de ser iguais
no modelo e no protótipo:
gl
v
gl
v
v
v
l
l
, ,
,
,
m
m
p
p
p
m
p
m
1 1
1
1
& m = = =
e igualmente os números de Reynolds têm que ser iguais:
Re Re
v
v
l
l
,
,
m p
p
m
m
p
m
p
p
m
1
1
&
t
t
n
n
= =
Combinando as relações obtidas, resulta:
p
m
m
p 3 2
n
n
t
t
m =
Geralmente o fluido no protótipo é água (eventualmente salgada)
e o factor de escala ì é <<1. Para se realizarem as experiências no
modelo teria que se arranjar um fluido muito denso e muito pouco vis-
coso, fluido esse que na maioria das situações não existe.
O problema torna-se ainda mais complicado se a força de tensão
superficial desempenhar um papel importante. Se os números de Weber
têm de ser iguais:
p
m
m
p 2
v
v
t
t
m =
176 NOTAS PARA O ESTUDO DA MECÂNICA DE FLUIDOS
João M. Campos
ANÁLISE DIMENSIONAL,
SEMELHANÇA E MODELOS
Neste caso, ainda seria mais difícil arranjar fluidos para respeitar iguais
números de Froude, Reynolds e Weber. Felizmente em muitos problemas
de superfície livre, os efeitos das forças de tensão superficial e os das for-
ças viscosas são pequenos e consequentemente a semelhança entre os
números de Reynolds e entre os números de Weber não é determinante.
6.6 Exercícios de aplicação propostos
6.1 A velocidade v que um corpo de massa m em queda livre atinge
ao fim de uma altura h é função de: m , h , g, e da velocidade inicial, v
0
.
Mostre que a relação entre v e estas variáveis é da forma:
gh
v
gh
v0
z =
c m
Determine a natureza da função por comparação com a solução cine-
mática.
R:
gh
v
gh
v
2
0
2
= +
c m
6.2 A perda de pressão ao longo de um tubo horizontal de secção
recta constante por onde escoa um fluido viscoso, depende do caudal
de escoamento, do diâmetro do tubo, da viscosidade do fluido e do com-
primento do tubo
Exprima a relação entre as variáveis por análise dimensional a.
Sabendo que a perda de pressão é proporcional ao comprimento b.
que mais pode concluir.
R: p C
D
Q l
1
4
n
D =
6.3 Mostre através da análise dimensional que a força de arrasto F
a

exercida sobre uma esfera de diâmetro D, que se move a uma velocidade
constante v num fluido parado de massa volúmica µ e viscosidade µ,
pode ser expressa por:
C
v
D
F vD
2
1
4
D
a
2
2
z
t r
n
t
= = c m
Observou-se que uma bola de aço (µ = 7750 kg/m
3
) de 2,5 mm de diâ-
metro, cai com uma velocidade uniforme de 5 mm/s num líquido de den-
177 NOTAS PARA O ESTUDO DA MECÂNICA DE FLUIDOS
João M. Campos
ANÁLISE DIMENSIONAL,
SEMELHANÇA E MODELOS
sidade 830 kg/m3. Sabendo que a função |(z) = 24/z para qualquer z,
calcule a viscosidade do líquido.
R: µ = 4,7 Pa.s
6.4 Para movimentar grandes caudais de gás usam-se frequente-
mente ventiladores. O caudal volumétrico de ar (Q) é função da massa
volúmica do fluido (µ), do diâmetro do ventilador (D), da velocidade de
rotação das pás (N) e da potência (P) fornecida ao ventilador.
Dispõe-se de um ventilador para bombear ar com 1m de diâmetro,
accionado por um motor de 5 CV e com N =1500 rpm. Foi construído
um modelo à escala 1/5 com motor de 1 CV para bombear água.
Qual a velocidade de rotação a usar no modelo de modo a poder a.
relacionar os caudais no modelo e no protótipo? R: N= 1374 rpm
Com a rotação calculada em a), qual o caudal de água no modelo b.
se no protótipo se observarem as condições da figura? As perdas
de pressão na entrada do tubo e no próprio tubo são desprezá-
veis. R: Q= 0,093 m
3
/s
30 mm
Água
Ar Ar
6.5 Para efectuar uns cálculos, pretende-se saber a velocidade de
subida de uma bolha de ar de volume 5,0 x 10-8 m
3
num líquido, muito
dispendioso, µ = 2100 kg/m
3
, µ = 0,0044 Pa.s e o = 0,040 J/m
2
. Não
havendo possibilidade de adquirir o líquido resolveu-se fazer testes num
modelo utilizando soluções aquosas de glicerina.
A partir dos dados da tabela, calcule qual a concentração da solução de
glicerina que se de deve utilizar bem como o volume da bolha. Por que fac-
tor se deve multiplicar a velocidade observada no modelo para se obter a
a velocidade pretendida. A bolha de ar pode ser tomada como esférica.
Concentração
(v/v)
20% 40% 60%
o (J/m
2
) 0,0747 0,0765 0,0785
µ (kg/m
3
) 1080 1180 1290
µ (Pa.s) 0,002 0,0062 0,057
R: 40%, V = 3,14 ¬ 10
-7
m
3
/s, v
mod
/v
prót
= 1,36.
178 NOTAS PARA O ESTUDO DA MECÂNICA DE FLUIDOS
João M. Campos
ANÁLISE DIMENSIONAL,
SEMELHANÇA E MODELOS
6.6 Para determinar a perda de pressão num sistema de tubagens de
uma estação de bombagem de água, pretende-se fazer um ensaio num
modelo reduzido à escala de 1:5. Dispõe-se de ar a 27 ºC e 10
5
Pa de
pressão absoluta. (µ
ar
=1.8 x 10
-5
Pa.s)
No protótipo irá circular água a 15 ºC numa tubagem com 40 mm de
diâmetro à velocidade de 0,5 m/s. Determinar a velocidade do ar e o
caudal necessário, bem como a forma de calcular a perda de pressão
no protótipo a partir da perda medida no modelo.
6.7 A força exercida por um fluido sobre um cilindro com diâmetro da
base igual à altura foi estudada em modelos de vários tamanhos com líqui-
dos diferentes, mas sempre com a mesma orientação do cilindro em relação
ao escoamento. Os resultados obtidos estão representados na Tabela.
D (m) v (m/s) µ (kg/m
3
) µ (Pa.s) F (N)
0,10 1 1000 0,001 1,96
0,20 1 1000 0,001 7,86
0,20 4 800 0,003 100,5
0.10 2 800 0,003 6,27
0.10 2 900 0,004 7,06
Em face destes resultados, os experimentadores concluíram que a vis-
cosidade não tinha influência sobre a força exercida pelo fluido sobre
o cilindro.
Acha a conclusão acertada? a.
Como compara esta situação com a da força exercida sobre uma b.
esfera?
6.8 A perda de carga por atrito em duas tubagens exactamente iguais
transportando líquidos A e B é proporcional a v
1,8
em que v é a velocidade
média do líquido no tubo.
A massa volúmica de B é 1,5% superior à de A e a viscosidade de B 25%
superior à de A. Para a mesma velocidade qual será a razão entre as
perdas de carga?
6.9 Um modelo á escala 1: 4 de um submarino, que se desloca à velo-
cidade de 15 m/s, vai ser testado num túnel de vento (ar) a 5 atm, para
determinar a força de arrasto. O modelo tem 3 m de comprimento. Qual
179 NOTAS PARA O ESTUDO DA MECÂNICA DE FLUIDOS
João M. Campos
ANÁLISE DIMENSIONAL,
SEMELHANÇA E MODELOS
a velocidade do ar a usar no teste do modelo e qual a razão entre as
forças de arrasto para o modelo e para o protótipo nessas condições?

ar
= 1,8 x 10
-5
Pa.s)
6.10 Uma partícula de poeira de forma esférica (µ = 200 kg/m
3
) tem
0,1 mm de diâmetro. Esta partícula é lançada, partindo do repouso, do
alto de uma torre, 35 m acima do nível do mar. Assumindo o ar parado
e escoamento laminar da partícula, estime:
a velocidade terminal; a.
o espaço que tem de percorrer para atingir 98% da sua veloci- b.
dade terminal. R: v
t
= 0,06 m/s, h = 3 mm.
6.11 Um corpo em forma de diamante, de dimensão característica
230 mm, quando suspenso num túnel de ar (condições PTN) sofre uma
força por parte do ar (µ
ar
= 1,8¬10
-5
Pa.s), a qual se encontra tabelada
em função da velocidade. Use os dados da tabela para prever a força de
arrasto num corpo de forma semelhante, mas com dimensão caracte-
rística 380 mm, quando suspenso num túnel de água a 20 ºC em esco-
amento à velocidade de 2,2 m/s.
F (N) v (m/s)
5,56 9,1
8,68 11,6
13,44 14,6
18,02 17,1
21,40 18,6
24,87 20,1
6.12 A queda de pressão Ap sofrida por um caudal de ar ao passar num
filtro depende do caudal volumétrico Q, da massa volúmica µ, da espes-
sura do filtro H, e da porosidade do filtro (volume c de poros sobre volume
total). Os dados seguintes foram obtidos com ar a 1 atm e 20ºC, através
de um filtro com 30 mm de espessura e uma porosidade de 45%.
Ap (m água) 0,008 0,032 0,071 0,126 0,197 0,285
Q (m
3
/s) 0,094 0,189 0,283 0,378 0,472 0,566
Use os dados e determine a queda de pressão no mesmo filtro se a espes-
sura for 60 mm e o caudal volumétrico 0,354 m
3
/s. (Exame 2003).
181 NOTAS PARA O ESTUDO DA MECÂNICA DE FLUIDOS
João M. Campos
ESCOAMENTOS LAMINAR E
TURBULENTO
7 ESCOAMENTOS LAMINAR E TURBULENTO
7.1 Introdução
Osborne Reynolds (1814-1912) foi o primeiro a mostrar as diferenças entre um esco-
amento em regime laminar e um escoamento em regime turbulento, para o que utilizou a
instalação que está esquematizada na figura.

Tinta
Rasto de tinta
D
Laminar
Turbulento
Transição
A experiência, muito simples, consiste na injecção quase pontual de
uma tinta colorida num fluido e na observação do rasto provocado pelo
escoamento. Para caudais baixos observa-se uma linha recta colorida,
muito bem definida com manchas muito ténues na fronteira; o fluido
está em escoamento em regime laminar. Aumentando o caudal, a linha
colorida deixa de ser recta e torna-se ligeiramente sinuosa, e, de tempos
a tempos e sem localização definida, observam-se pequenas manchas
de tinta; o fluido está em escoamento em regime de transição. Para
caudais elevados, o rasto passa a ser uma mancha colorida esbatida,
muito ténue nos pontos mais afastados da injecção, que ocupa toda ou
quase toda a secção recta do tubo; o fluido está em escoamento em
regime turbulento.
No escoamento em regime laminar num tubo, a velocidade tem
somente uma componente ao longo do eixo. Em regime turbulento,
embora a componente principal, não estacionária, seja ao longo do eixo,
a velocidade tem também componentes nas direcções normais ao eixo.
Mas, o que se entende por caudal suficientemente baixo para se
observar regime laminar ou suficientemente elevado para se obser-
var regime turbulento? Em regime laminar são as forças viscosas que
“comandam” o escoamento enquanto que em regime turbulento são as
forças de inércia. O grupo adimensional Reynolds representa a razão
entre estas forças, pelo que o seu valor permite saber quando é que
182 NOTAS PARA O ESTUDO DA MECÂNICA DE FLUIDOS
João M. Campos
ESCOAMENTOS LAMINAR E
TURBULENTO
uma delas se “sobrepõe” ou “domina” a outra. Por observações experi-
mentais concluiu-se que, num tubo de secção recta circular, desde que
não haja perturbações ao escoamento, o regime é laminar quando o
número de Reynolds é inferior a 2100 e é turbulento quando é superior
a 4000. Entre estes dois limites, o regime é de transição. Estes valores
limites variam conforme a geometria do tubo confinante, em particular
são função da dimensão característica escolhida para definir o número
de Reynolds.
7.2 Escoamento Laminar
7.2.1 Equação de Poiseuille
Dedução da equação de Poiseuille por aplicação da 2ª lei de Newton
a um elemento de fluido.
A ponteado na figura está representado um elemento de fluido. No
instante t, este elemento é cilíndrico de comprimento l e raio r, centrado
no eixo de um tubo circular de diâmetro interno D.
D
v r ( )
r
l
t t +δ t
As trajectórias das partículas de fluido são paralelas entre si e
paralelas à parede, sendo contudo a velocidade de uma partícula em
r, diferente da velocidade de uma partícula em r+or. Esta variação de
velocidade resulta de o fluido ser viscoso e haver tensões de corte entre
as partículas em posições adjacentes. Devido a esta variação de velo-
cidade, os topos do elemento de fluido, que são planos no instante t,
apresentam-se deformados no instante t +ot (elemento de fluido repre-
sentado a traço ponto).
Quando o escoamento é estacionário, 0
t
v
2
2
=
v
, e perfeitamente
desenvolvido, 0 v v v
x
v
i x
x
d
2
2
= =
v v
v
, nenhuma partícula de fluido é acele-
rada ao longo de x, pelo que o perfil de velocidade se mantém constante
ao longo desta direcção.
Para o elemento de fluido não sofrer aceleração, é necessário que
o somatório vectorial das forças que sobre ele actuam seja nulo. Na
183 NOTAS PARA O ESTUDO DA MECÂNICA DE FLUIDOS
João M. Campos
ESCOAMENTOS LAMINAR E
TURBULENTO
parede lateral do elemento actuam forças tangenciais de corte com
sentido contrário ao escoamento, pelo que têm que se desenvolver
outras forças na direcção do escoamento que se oponham às forças de
corte. As forças que se desenvolvem são forças de pressão, aplicadas
nas faces de topo do elemento, cuja intensidade vai diminuindo no sen-
tido do escoamento.
Desprezando o efeito da gravidade, e considerando a pressão uni-
forme em cada uma das faces de topo, da aplicação da 2ª lei de Newton
ao elemento de fluido resulta:
¿F
x
= ma
x
= 0 ÷ p
1
tr
2
– (p
1
– Ap)tr
2
– t2trl = 0 (7.1)

l
r
p r
1
π
2
2 π τ r l
( - ) p p r
1
Δ π
2
Rearranjando a equação anterior obtém-se:
2
l
p
r
x D
= (7.2)
com
l
p D
constante ao longo de x e independente de r.
No eixo do tubo, o perfil de velocidade parabólico apresenta um
máximo pelo que a tensão de corte é nula (relembrar definição de fluido
Newtoniano). Na parede do tubo, a tensão de corte é máxima já que
é onde se observa a maior variação de velocidade. Assim, podem-se
escrever as seguintes condições fronteira:
r = 0 ÷ t = 0 . r = R ÷ t = t
R
(7.3)
em que t
R
representa a tensão de corte na parede do tubo.

Aplicando estas condições à equação (7.2) obtém-se:
4
l
p
D
R x D
= (7.4)
É preciso conhecer a tensão de corte na parede e para tal o perfil de
velocidade. Admitindo que o fluido tem comportamento Newtoniano:
dr
dvx
x n =- (7.5)
Combinando as equações (7.2) e (7.5) resulta:
184 NOTAS PARA O ESTUDO DA MECÂNICA DE FLUIDOS
João M. Campos
ESCOAMENTOS LAMINAR E
TURBULENTO
2 dr
dv
l
p
r
x
n
D
=-d n (7.6)
Integrando ao longo do raio:
2 4
dv
l
p
rdr v
l
p
r C
2
1 x x "
D
=- =- +
c m
# # (7.7)
Pelo facto de o fluido ser viscoso, observa-se a condição de não des-
lizamento na parede, v
x
= 0 para r = R, pelo que:
16
C
l
p D
1
2
D
= (7.8)
O perfil de velocidades toma então a seguinte forma:
16
1
2
1 v r
l
p D
D
r
v
R
r
2
2 2
max x
D
= - = - ] c c c g m m m < < F F (7.9)
com
16
v
l
p D
2
max
D
=
A equação (7.9) é a já conhecida equação do perfil de velocidade
parabólico para um escoamento em regime laminar num tubo de secção
recta circular.
Para determinar o caudal volumétrico de escoamento no tubo, con-
sidere-se a coroa infinitesimal de área 2tror representada na figura,
na qual a velocidade pode ser considerada uniforme desde que se tome
o limite or ÷ 0.

r
δr
O caudal volumétrico que passa na coroa infinitesimal é dado por:
oQ = v
x
(r)oA = v
x
(r)2tror
Dividindo a área da secção recta num número infinito de coroas infi-
nitesimais e adicionando o caudal que passa em cada uma, resulta:
2 2 1 d d d Q v r A v r r r v
R
r
r r
0
2
0
max x x
R R
r r = = = - ] ] c g g m < F
# # # (7.10)
Integrando, obtém-se:
185 NOTAS PARA O ESTUDO DA MECÂNICA DE FLUIDOS
João M. Campos
ESCOAMENTOS LAMINAR E
TURBULENTO
2
Q
R v
2
max r
= (7.11)
A velocidade média é a razão entre o caudal volumétrico e a área da
secção recta de escoamento, logo:
2
1
2
v
A
Q R v
R
v
2
2
max max r
r
= = =
r (7.12)
Para determinar a queda de pressão num comprimento l de tubo,
recorre-se às equações (7.4), (7.5) e (7.9):
4
l
p
D
R x D
= e
( )
dr
dv r
D
v
l
p
D
v 4 16
max max
R
x
r R
2
" x n n
n D
=- = =
=
; E (7.13)
Combinando as equações (7.12) e (7.13) resulta:
32
l
p
D
v
2
n D
=
r (7.14)
ou
128
Q
D
l
p
4
r D
= (7.15)
Esta equação é conhecida pela equação de Poiseuille e permite
determinar a perda de carga, carga de pressão, provocada pelo atrito,
forças viscosas, num escoamento em regime laminar num tubo de sec-
ção recta circular.
A equação de Poiseuille aparece frequentemente na literatura sob
outra forma:
32
Re
p
D
lv
v
p
v
lv D
vD D
l
D
l 32
2
1
2
1
64
64
2
2 2
2
"
n
t t
n
t
n
D
D
= = = =
r
r r
r
r
_
b b b
i
l l l (7.16)
ou
( ) , ( )
Re
p f C v
D
l
f ou C
2
1 64
ou com f f
2
t D = =
r (7.17)
em que Cf é designado por coeficiente de atrito e f por factor de Fanning.
Dedução da equação de Poiseuille com base na análise dimensional
A perda de carga, carga de pressão, num escoamento em regime
laminar em que as forças viscosas se sobrepõem às de inércia, é função
da velocidade média do fluido, do diâmetro e comprimento do tubo, e da
viscosidade do fluido:
186 NOTAS PARA O ESTUDO DA MECÂNICA DE FLUIDOS
João M. Campos
ESCOAMENTOS LAMINAR E
TURBULENTO
Ap = |(v, l,D,µ) (7.18)
Aplicando o teorema de H Buckingham resulta:
v
D p
D
l
n
z
D
=
r
c m (7.19)
Embora a análise dimensional não dê qualquer informação, sabe-se
que o escoamento é perfeitamente desenvolvido, pelo que a perda de
carga é proporcional ao comprimento do tubo, l/D:
D
l
C
D
l
1 z =
c m (7.20)
Logo:
v
D p
C
D
l
l
p
C
D
v
p C
D
l
Q 4 1 1
2
1
4
" "
n
n
r
n D D
D = = =
r
r
(7.21)
Comparando esta equação com a equação deduzida a partir da 2º lei
de Newton conclui-se que C
1
= 32. Este valor pode ser obtido com base
em resultados experimentais.
Exemplo 7.1
Na instalação representada na figura, os tubos são percorridos por um óleo viscoso
de propriedades físicas, µ = 900 kg/m
3
, µ = 0,1 Pa.s. A queda de pressão é medida por
meio de um manómetro de mercúrio, µ = 13600 kg/m
3
, sendo o desnível observado h.
Considerando regime de escoamento laminar e desprezando a perda de carga na junção
dos tubos, diga:
Qual o sentido em que o fluido se desloca quando a. h = 30 mm?
Qual o caudal volumétrico quando b. h = 30 mm?
Para o mesmo caudal, qual o desnível no manómetro se fosse alterada a incli- c.
nação dos tubos?

Óleo
Óleo
h
l
45º
1
2
Mercúrio
1,5 m
1,0 m
3 mm
4 mm
187 NOTAS PARA O ESTUDO DA MECÂNICA DE FLUIDOS
João M. Campos
ESCOAMENTOS LAMINAR E
TURBULENTO
Solução:
Seleccione-se um volume de controlo, que não englobe o tubo, em que as sec- a.
ções de entrada e de saída do fluido estão assinaladas na figura pelos números 1 e
2 respectivamente. Se a diferença entre a carga total em 1 e a carga total em 2 for
positiva, o escoamento é ascendente, sentido de 1 para 2. Se a diferença for negativa,
o escoamento é descendente, sentido de 2 para 1. Em qualquer dos casos a diferença
corresponde à carga dissipada.
2 2 g
p
z
g
v
g
p
z
g
v
ó
1
1
ó
2
2
leo leo
1
2
2
2
t
a
t
a
+ + - + + r r d d n n
Em escoamento laminar a carga cinética é muito baixa pelo que pode ser despre-
zada, tanto em 1 como em 2, quando comparada com as outras cargas em jogo (esta
hipótese tem de ser verificada no fim da resolução). Assim, a diferença entre as cargas
totais simplifica-se:
45 sen
g
p p
l
ó
1 2
leo t
-
-
Por leitura no manómetro é possível conhecer a diferença de pressão entre as
secções de entrada e saída do volume de controlo:
p
1
– p
2
= µ
Hg
gh + µ
óleo
glsen45 – µ
óleo
gh
Combinando as duas equações anteriores resulta :
h h
óleo
Hg
t
t
-
Como µ
Hg
> µ
óleo
, a conclusão é que o escoamento é ascendente, qualquer que seja
o desnível do manómetro desde que h > 0 .
0 h h
óleo
Hg
2
t
t
-
A perda de carga , carga de pressão, na tubagem é dada por: b.
h h
g
p
ó ó leo
Hg
leo
atrito
t
t
t
D
- =
em que Ap
atrito
representa a perda de pressão por atrito devido às tensões de corte
que se desenvolvem no fluido.
A perda de pressão por atrito em regime laminar é dada pela equação de Poi-
seiulle:
128
p
D
l
Q
4
atrito
t
D =
Esta equação mostra que a perda de pressão por atrito é proporcional ao caudal de
escoamento. Assim, por analogia com circuitos eléctricos, AV(Ap
atrito
) = l(Q)R, define-se
uma resistência ao escoamento laminar, que de acordo com a equação de Poiseuille é
dada por:
128
R
D
l
4
t
=
188 NOTAS PARA O ESTUDO DA MECÂNICA DE FLUIDOS
João M. Campos
ESCOAMENTOS LAMINAR E
TURBULENTO
No exemplo em estudo, há duas resistências ao escoamento associadas em série,
uma em cada tubo. O caudal/intensidade de corrente é o mesmo nos dois tubos e a
perda de carga total/diferença de potencial é a soma das perdas de carga em cada
tubo. Logo, por ser uma associação em série, a resistência equivalente é igual à soma
das resistências individuais:
R
eq
= R
1
+ R
2
em que R
1
representa a resistência ao escoamento no tubo de 4 mm, e R
2
a resistência
no tubo de 3 mm.
128
R
D
l
D
l 1 2
eq
1
4
2
4
r
n
= + < F
Recorrendo ao resultado da alínea a):
h h
g
p
g
QR
ó Hg leo
atrito eq
t t
D
- = =
obtém-se:
Q
R
gh
ó
eq
Hg leo t t
=
-
(*)
R
eq
= 7,42 × 10
10
Pa.s/m
3
÷ Q = 5,1 × 10
-8
m
3
/s
Depois de calcular Q tem de se verificar se efectivamente a carga cinética é ao não
desprezável quando comparada, por exemplo, com a perda de carga por atrito.
2
1, 65 10 4, 5 10 m m
g
v
g
p
1
2 6 1
leo
atrito
# / #
a
t
D
= =
- -
r
Analisando a equação (*), conclui-se que para um dado caudal c. Q, qualquer que seja
a inclinação do tubo, a leitura do manómetro é sempre a mesma.
Exemplo 7.2
Num tubo de diâmetro 5,0 mm circula óleo a 40 ºC. Pretende-se determinar o cau-
dal, a partir do conhecimento do desnível h entre os dois ramos de um manómetro igual-
mente com óleo. O óleo no manómetro encontra-se a 20 ºC, excepto num comprimento
desprezável junto ao tubo onde a temperatura sobe de 20 ºC a 40 ºC.
Com um caudal a. Q de óleo a percorrer o tubo, observou-se um desnível h = 63
mm. Qual o caudal e em que sentido se desloca o fluido?
Se por fecho de uma válvula, a circulação de líquido for interrompida, qual o b.
valor de h que se observará ?
Qual o caudal de líquido e o seu sentido se c. h = 0 ?
Compare os dois últimos resultados com os que obteria se a temperatura do d.
óleo fosse a mesma no tubo e no manómetro.
Dados µ
(20 ºC)
= 826 kg/m
3
, µ
(40 ºC)
= 806 kg/m
3
e μ
(40 ºC)
= 8 × 10
-3
Pa.s
Solução
O volume de controlo seleccionado não inclui o tubo. As secções de entrada e saída a.
do VC estão assinaladas na figura respectivamente por 1 e 2.
189 NOTAS PARA O ESTUDO DA MECÂNICA DE FLUIDOS
João M. Campos
ESCOAMENTOS LAMINAR E
TURBULENTO
Por leitura do manómetro obtém-se:
p
1
– p
2
= 2,0µ
(20 ºC)
g – hµ
(20 ºC)
g
2 m
5 mm
1
2
h
Óleo 20º
Óleo 40º
Ar 20º
A diferença entre as cargas totais nas secções 1 e 2 é dada por:
2, 0
g
p p
40
1
C
2
0
t
-
-
^ h
Combinando as equações anteriores, resulta:
2, 0
2, 0 0, 015 0
h
40
20 20
C
C C
0
0 0
1
t
t t -
- =-
^
^ ^
h
h h
(*)
Sendo negativa a diferença entre as cargas totais (1-2), o escoamento dá-se no
sentido descendente.
A diferença entre as cargas totais, é igual à perda de carga por atrito no tubo. Em
regime laminar, esta perda de carga é dada pela equação de Poiseille:
2, 0
2, 0 128… h
D g
l
Q
40
20 20
4
40 C
C C
C
0
0 0
0 t
t t
r t
-
-
=
^
^ ^
^ h
h h
h
Resolvendo em ordem a Q:
2, 0
2, 0
128…
Q
h
l
D g
40
20 20
4
40
C
C C C
0
0 0 0
t
t t r t
= -
-
^
^ ^ ^
h
h h h
< F
Q = 113 mm
3
/s
Se a circulação for interrompida, a diferença de pressão é igual ao peso da coluna b.
de líquido entre as secções 1 e 2:
p
1
– p
2
= 2,0µ
(40 ºC)
g
A diferença de pressão lida no manómetro é dada por:
p
1
– p
2
= 2,0µ
(20 ºC)
g – hµ
(20 ºC)
g
Combinando as duas últimas equações resulta:
2, 0 2, 0
48 h mm
20
20 40
C
C C
0
0 0
t
t t
=
-
=
^
^ ^
h
h h
Pretende-se saber o caudal e o sentido de circulação quando c. h = 0. Recorrendo à
equação deduzida na alínea a) e substituindo h = 0 obtém-se:
190 NOTAS PARA O ESTUDO DA MECÂNICA DE FLUIDOS
João M. Campos
ESCOAMENTOS LAMINAR E
TURBULENTO
2, 0
2, 0 50 0 mm
40
20
C
C
0
0
2
t
t
- =
^
^
h
h
Logo o escoamento é ascendente (1-2). O caudal é dado por:
,
, Q
l
D g 2 0
2 0
128 C
C C
40
20
4
40
0
0 0
t
t
n
r t
= -
^
^ ^
h
h h
< F
Q = 375 mm
3
/s
Se a temperatura fosse igual no manómetro e no tubo, para d. Q = 0 a diferença de
altura h seria também igual a 0.
Exemplo 7.3
Um líquido viscoso está em escoamento de um reservatório cuja pressão sobre a
superfície livre é mantida a 1,5 atm. O fluido passa num conjunto de tubos capilares e
é descarregado para a atmosfera. Nos capilares, o percurso do líquido é seleccionado
por intermédio de um conjunto de válvulas tudo ou nada, tal como mostra a figura.
Calcule:
O caudal de descarga se só a válvula A estiver aberta? a.
O caudal de descarga se estiverem abertas as válvulas A e C? b.
O caudal de descarga se estiverem abertas as válvulas A e B? c.
Dados: µ = 0,1 Pa.s e µ = 10
3
kg/m
3
P = 1,5 atm
1,0 m
1,0 m
A
B
C
2 mm 2 mm
2 mm
4 mm
6 mm
1,0 m
1,0 m
Solução
Os tubos são capilares de diferentes comprimentos e diâmetros associados em
série e em paralelo. O escoamento nos capilares é laminar, e as diferentes resistências
ao escoamento vão ser referenciada de acordo com a figura seguinte.

P = 1,5 atm
A
B
C
R
1
R
2
R
3
R4 R6
R
5
Válvula A aberta a.
Neste caso há duas resistências associadas em série, R
1
e R
2
, por sinal de igual
valor, já que os tubos têm o mesmo comprimento e o mesmo diâmetro. A resistência
equivalente é então dada por:
191 NOTAS PARA O ESTUDO DA MECÂNICA DE FLUIDOS
João M. Campos
ESCOAMENTOS LAMINAR E
TURBULENTO

R
1
R
2

128
R R R
D
l
D
l
1 2
1
4
1
2
4
2
eq
r
n
= + = + c m
Aplicando a equação da energia a um volume de controlo entre a superfície livre do
tanque e a saída de um tubo com uma resistência igual à equivalente, obtém-se:
2 2 g
p
z
g
v
g
p
z
g
v
g
p 1
1 1
2
2
2 2
2
atrito
t
a
t
a
t
D
+ + = + + + r r
com
Ap
atrito
= R
eq
Q
Considerando desprezável, comparativamente com os outros termos, as cargas
cinéticas à superfície livre do tanque e à saída do tubo, resulta:
g
p p
z z
g
p 1 2
1 2
atrito
t t
D -
+ - =
^ h (1)
g
p p
z z
g
R Q 1 2
1 2
eq
t t
-
+ - =
^ h
A pressão à superfície do tanque é 1,5 atm e à saída do tubo equivalente 1 atm; a
diferença de cotas é de 3,0 m. O valor do caudal é dado por:
8 10
157 Q
R
mm /s
4
eq
3 #
= =
Válvulas A e C abertas b.
Neste caso há dois pares de resistências em série, R
1
com R
2
e R
5
com R
6
. Aplicando
a equação da energia entre a superfície do tanque e a saída de cada tubo, conclui-se que
sendo desprezáveis as energias cinéticas à superfície e saída dos tubos, as perdas de
carga têm de ser iguais. Assim as resistências equivalentes dos pares acima referidos
podem ser associadas em paralelo.
R
1
R
2 R
6
R
5

128
R R R
D
l
D
l
1
1 2
1
4
1
2
4
2
eq
r
n
= + = + c m
128
R R R
D
l
D
l
2
5 6
5
4
5
6
4
6
eq
r
n
= + = + c m
1 1 1
R R R
1 2
eq eq eq
= +
Aplicando a equação da energia ao volume de controlo e fazendo considerações
iguais às da alínea anterior resulta:
g
p p
z z
g
p 1 2
1 2
atrito
t t
D -
+ - =
^ h
g
p p
z z
g
R Q 1 2
1 2
eq
t t
-
+ - =
^ h
A pressão à superfície do tanque é 1,5 atm e à saída do tubo “equivalente” 1 atm;
a diferença de cotas é de 3,0 m.
7 10
31 Q
R
mm /s
4
eq
3 #
= =
192 NOTAS PARA O ESTUDO DA MECÂNICA DE FLUIDOS
João M. Campos
ESCOAMENTOS LAMINAR E
TURBULENTO
Válvulas A e B abertas c.
Neste caso há duas resistências associadas em série, R
3
com R
4
, a resistência equi-
valente de R
3
com R
4
em paralelo com R
2
e a equivalente desta associação em série
com R
1
.

R
1
R
2 R
3
R
4

128
R R R
D
l
D
l
1
3 4
3
4
3
4
4
4
eq
r
n
= + = + c m


1 1 1
R R R
2 1
2 eq eq
= +

R R R 1
2
eq eq = +
Aplicando a equação da energia ao volume de controlo e fazendo iguais considera-
ções às da alínea anterior resulta:
g
p p
z z
g
p 1 2
1 2
atrito
t t
D -
+ - =
^ h
g
p p
z z
g
R Q 1 2
1 2
eq
t t
-
+ - =
^ h
A pressão à superfície do tanque é 1,5 atm e à saída do tubo “equivalente” 1 atm;
a diferença de cotas é de 3,0 m.
1 Q
R
8 10
2 mm /s
eq
4
3 #
= =
7.2.2- Escoamento laminar entre dois tubos concêntricos
O fluido vai circular no espaço anelar entre dois tubos concêntricos
de raio respectivamente R
1
e R
2
. Tal como no escoamento num tubo
circular, o fluido é considerado incompressível e Newtoniano. O escoa-
mento está em estado estacionário e é perfeitamente desenvolvido, não
há efeitos de entrada nem de saída, pelo que a aceleração dos elemen-
tos de fluido é nula. Assim, o perfil de velocidade v
x
= f(r) é constante
ao longo da direcção x, e as forças tangenciais de corte que se desen-
volvem no fluido são “contrariadas” por um decréscimo das forças de
pressão no sentido do escoamento.
R
1
R
2
δx
δr
r
x
Na figura está representado um elemento de fluido infinitesimal de
comprimento ox e de espessura or. Aplicando a 2ª lei de Newton a este
elemento resulta:
193 NOTAS PARA O ESTUDO DA MECÂNICA DE FLUIDOS
João M. Campos
ESCOAMENTOS LAMINAR E
TURBULENTO
EF
x
= EF
x
(pressão) + EF
x
(corte) = ma
x
= 0 (7.22)
As forças de corte e de pressão, que actuam no elemento infinitesi-
mal em forma de anel, estão representadas na figura seguinte:

p
x
p
x+ x δ
r+ r δ
τ
rx
r
τ
rx
p
x
(2πror) – p
x+ox
(2πror) – (t
rx
)
r
(2πrox) + (t
rx
)
r+or
[2π(r + or)ox] = 0 (7.23)
em que t
rx
representa a tensão de corte que actua segundo x e é normal
à direcção r, 2tror a área infinitesimal da secção recta de escoamento,
2trox a área lateral interior do anel e 2t(r + or)oxa área lateral exterior
do anel.
Simplificando e rearranjando a equação (7.23) obtém-se:
0 r
x
p p
r
r r r x x x rx
r r
rx
r
d d
x d x
-
-
+
+ -
=
d
d
+
+
^ ^ ^ h h h
(7.24)
Tomando o limite quando ox e or ÷ 0, e com base na definição de
derivada resulta:
0
d
d
d
d
r
x
p
r
r rx x - + =
^ h (7.25)
Sendo o escoamento horizontal e perfeitamente desenvolvido, dp/
dx é constante e igual a –Ap
atrito
/l ao longo da direcção x, pelo que, da
integração da equação anterior, por separação de variáveis, resulta:
2
r
l
p
r
C1
rx
atrito
x
D
=- +
c m (7.26)
Por se tratar de um fluido Newtoniano:
d
d
r
v r
rx
x
x n =
] g
(7.27)
Combinando as duas equações anteriores, resulta:
2 d
d
r
v r r
l
p
r
C1 x atrito
n
D
=- +
]
c
g
m (7.28)
integrando:
4
1
ln v r
l
p
r C r C
2
1 2 x
atrito
n
D
=- + +
] c g m (7.29)
194 NOTAS PARA O ESTUDO DA MECÂNICA DE FLUIDOS
João M. Campos
ESCOAMENTOS LAMINAR E
TURBULENTO
Devido à condição de não deslizamento, a velocidade é nula tanto
para r = R
1
como para r = R
2
, o que permite determinar o valor das
constantes. Substituindo o valor das constantes na equação anterior
obtém-se o perfil de velocidade do escoamento:
( )
4
1
ln
ln v r
l
p
R r
R
R
R R
R
r
1
2 2
1
2
2
2
1
2
1
x
atrito
n
D
= - +
-
c ^ c m h m
> H
(7.30)
O valor e posição radial da velocidade máxima é determinada deri-
vando o perfil de velocidade em ordem a r e igualando a 0,dv
x
(r)/dr = 0,
obtendo-se:
2
1
ln
r v
R
R
R R
1
2
2
2
1
2
max
x =
-
^ h (7.31)
O valor da velocidade máxima é dado pela seguinte expressão:
4
2
1
2 ln
ln
ln
v
l
p
R
R
R
R R
R
R
R
R R
1
2
2
1
1
2
2
2
1
2
2
1
1
2
2
2
max
x
atrito D
= -
-
-
-
c
f
c
f
m
p
m
p > H * 4
(7.32)
O valor da velocidade média é calculado integrando a velocidade na
área de escoamento:
1
2
8
d
ln
v
A
v r r v
l
p
R R
R R
R
R
R R
1
2
2
2
1
4
2
4
1
2
1
2
2
2
x x
R
R
x
atrito
2
1
" r
D
= =
-
-
-
-
r r
c
f
m
p
# (7.33)
O caudal volumétrico é dado por:
8
ln
Q v R R Q
l
p
R R
R
R
R R
1
2
2
2
1
4
2
4
1
2
1
2
2
2
2
x
atrito
" r
n
rD
= - = - -
-
r ^
c
^
f
h
m
h
p
(7.34)
Esta expressão relaciona a perda de pressão por atrito com o caudal
de líquido que percorre o espaço entre os tubos concêntricos.
7.2.3 Escoamento laminar numa coluna de parede molhada
Uma “cortina” de líquido cai sob a acção da gravidade ao longo de
uma parede plana de largura H (direcção perpendicular ao plano do
papel).
195 NOTAS PARA O ESTUDO DA MECÂNICA DE FLUIDOS
João M. Campos
ESCOAMENTOS LAMINAR E
TURBULENTO

δ
δx
x
z
Ar
δW
τ
xzx x +δ
τ
xzx
Pelo facto de a pressão na interface ar/líquido ser constante, não se
desenvolve qualquer variação de pressão, nem radial nem axial, para
contrariar a acção das forças tangenciais de corte, tal como nos exem-
plos anteriores de escoamentos internos.
A acção das forças de corte que se desenvolvem no fluido é con-
trariada pela acção da força da gradidade. Assim, a partir de uma dada
cota z, observa-se um escoamento perfeitamente desenvolvido e uma
cortina de líquido de espessura constante, o
Para estudar este escoamento laminar selecciona-se um elemento
de fluido de espessura ox e comprimento l. Aplicando a segunda lei de
Newton ao elemento de fluido representado na figura, resulta:
oW + EoF
z
(corte) = 0 (7.35)
em que oW

representa o peso do elemento infinitesimal de fluido.
De acordo com a figura, por unidade de largura da parede,
obtém-se:
µgoxl – (t
xz
)
x+ox
l + (t
xz
)
x
l = 0 (7.36)
em que t
xz
representa a tensão de corte que actua segundo z e é normal
à direcção x.
Rearranjando a equação anterior:
x
g
xz
x x
xz
x
d
x x
t
-
=
d +
^ ^ h h
(7.37)
Tomando o limite quando ox ÷ 0 e por definição de derivada,
obtém-se:
d
d
x
g xz x t = (7.38)
Sendo a viscosidade do ar reduzida, a tensão de corte na interface
gas-líquido (x = 0) pode ser considerada desprezável, pelo que da inte-
gração da equação anterior resulta:
196 NOTAS PARA O ESTUDO DA MECÂNICA DE FLUIDOS
João M. Campos
ESCOAMENTOS LAMINAR E
TURBULENTO
t
xz
= µgx (7.39)
Segundo esta equação, a tensão de corte varia linearmente com x e
tem um valor máximo na parede.
Recorrendo à definição de fluido Newtoniano e à equação (7.39),
obtém-se o perfil de velocidade:
( )
( )
2
1 1
dx
dv x
gx v x
g
x
v
x
2
2
2
2
2
max xz
z
z " x n t
n
t d
d d
=- = = - = - c c m m (7.40)
em que
2
v
g
2
max
n
t d
=
Conhecido o perfil de velocidade, é possível calcular o valor da velo-
cidade média:
1
( )
3
v
A
v x dA
g
2
z z
A
n
t
d = =
r
# (7.41)
Combinando as duas equações anteriores obtém-se uma relação
entre a velocidade média e a velocidade máxima:
v v
3
2
z max =
r (7.42)
O caudal volumétrico por unidade de largura da parede é dado por:
3
Q v
g
3
z d
n
t d
= =
r (7.43)
Por definição de diâmetro hidráulico, que será dada no capítulo
seguinte, o número de Reynolds para este escoamento é expresso da
seguinte forma:
4
3
4
Re
v g
2
2 3
z
n
td
n
t d
= =
r
(7.44)
em que 4o representa o diâmetro hidráulico.
Por observações experimentais o escoamento é laminar para
Re < 1200.
7.2.4 Escoamento laminar numa coluna de parede molhada
inclinada
Esta situação é muito semelhante à estudada na secção anterior
sendo a única diferença a inclinação da parede. Assim, seguindo o mesmo
raciocínio obtém-se uma expressão para o perfil de velocidade:
197 NOTAS PARA O ESTUDO DA MECÂNICA DE FLUIDOS
João M. Campos
ESCOAMENTOS LAMINAR E
TURBULENTO
θ
δ
x
z
Ar
τ
xz
x x +δ
τ
xzx
δx
δW
2
1 v x
g sen
x
2
2
2
z
n
t d i
d
= - ] c g m (7.45)
em que u é o ângulo que a parede faz com o plano horizontal.
A velocidade média no escoamento é dada por:
1
3
v
A
v x dA
gsen
2
z z
A
n
t i
d = =
r ] g
# (7.46)
O caudal por unidade de largura da parede é dado por:
3
Q
gsen
3
n
t id
= (7.47)
7.3 Escoamento turbulento
7.3.1 Descrição do escoamento turbulento
O padrão de escoamento quer no regime de transição laminar-tur-
bulento, quer no regime turbulento é bastante complexo, e alguns dos
seus aspectos ainda não são totalmente conhecidos, pelo que a este
nível do curso só vão ser feitas considerações básicas.
Considere um tubo circular de grande comprimento, inicialmente
cheio de líquido parado. Com o accionar de uma bomba hidráulica e
o abrir de uma válvula reguladora, o líquido é posto em movimento.
Á medida que se abre a válvula, a velocidade aumenta e por conse-
guinte o número de Reynolds. Considere que este aumento se dá de
uma forma lenta. Num período inicial, o número de Reynolds é baixo
e o escoamento é laminar. Quando Reynolds atinge um valor próximo
de 2100 começa a dar-se a transição de laminar para turbulento.
Esta transição termina para Reynolds superior a 4000. Na figura está
representada a evolução da velocidade ao longo do tempo num ponto
fixo do escoamento.
198 NOTAS PARA O ESTUDO DA MECÂNICA DE FLUIDOS
João M. Campos
ESCOAMENTOS LAMINAR E
TURBULENTO
Laminar
Transição
Turbulento
Re
v
t
2000
4000
O regime turbulento é caracterizado pela natureza irregular e alea-
tória do vector velocidade em cada ponto do escoamento. Estas flutu-
ações ocorrem nas três componentes do vector velocidade, bem como
na pressão e nas tensões de corte. Estas variáveis podem ser descritas
em termos do seu valor médio, ao qual é adicionado uma parcela de
flutuação. Seja v
x
(x, y, z, t) a componente da velocidade segundo x e vx
r
o seu valor médio no intervalo de tempo At (ver figura seguinte)
, , , d v
t
v x y z t t
1
x x
t
t t
0
0
D
=
D +
r ^ h
#
(7.48)
v
x
t
v
x
v’
x
A parcela de flutuação é dada por:
( , ) ( , ) v x t v x t v

x x x = - r (7.49)
Como é evidente, o valor médio da parcela de flutuação em ordem
ao tempo é zero:
0
d d d v
t
v v t
t
v t v t
t
tv tv
1 1
1

x x x
t
t t
x
t
t t
x
t
t t
x x
0
0
0
0
0
0
D D
D
D D
= - = - =
= - =
D D D + + +
r r r
r r
^
f
^
h
p
h
# # #
(7.50)
Pelo facto da parcela de flutuação tomar valores positivos ou negati-
vos conforme o valor da velocidade é superior ou inferior ao valor médio,
define-se o valor médio das flutuações num dado ponto do escoamento
por:
d v
t
v t
1
0
’ ’
x x
t
t t
2 2
0
0
2
D
=
D +
^ ^ h h
#
(7.51)
199 NOTAS PARA O ESTUDO DA MECÂNICA DE FLUIDOS
João M. Campos
ESCOAMENTOS LAMINAR E
TURBULENTO
O nível de turbulência ou a intensidade de turbulência é definido
através deste valor médio das flutuações:
d
v
v
v
t
v t
1
I


x
x
x
x
t
t t
2
2
2
1
0
0
D
= =
D +
r r
^
^
h
h
> H #
(7.52)

Quanto maior o nível de turbulência, maior é a amplitude das flutu-
ações.

v’
( ) v’
2
t
( ) > 0 v’
2
v’

= 0
v’
( ) v’
2
ou
0
A tentativa de extrapolar o conceito de tensão de corte definida para
um fluido viscoso
dy
dvx
x n = d n para um fluido em escoamento turbulento,
por simples substituição de v
x
por vx r não deu resultado, pelo facto da
origem da tensão de corte em regime turbulento ser diferente da origem
em regime laminar.
Em regime laminar a tensão de corte dá-se ao nível molecular,
enquanto em regime turbulento é visível movimentos macroscópicos
turbilionários sobrepostos ao próprio escoamento. Destes movimentos
resultam tensões de corte adicionais entre os elementos de fluido. Uma
maneira simplista de descrever um escoamento turbulento é conside-
rá-lo como um escoamento laminar com turbilhões tridimensionais
aleatórios “sobrepostos”. Com base nesta visão simplista define-se a
tensão de corte aparente em regime turbulento por:
d
d
y
v
v v
’ ’
min
x
x y la ar turbulento x n t x x = - = + (7.53)
Segundo esta maneira de descrever o escoamento turbulento, num
tubo, perto da parede, há uma fina camada onde a tensão de corte
laminar se sobrepõe à contribuição turbilionária, enquanto que longe
da parede se dá o inverso.

τ( ) r
τ
τ
lam
τturb
τ
w
0
r
R
v
x
0
R
Camada exterior
Camada intermédia
Sub-camada viscosa
200 NOTAS PARA O ESTUDO DA MECÂNICA DE FLUIDOS
João M. Campos
ESCOAMENTOS LAMINAR E
TURBULENTO
Uma forma alternativa de definir e quantificar a tensão de corte em
escoamento turbulento é através do conceito de viscosidade turbulenta,
“eddy viscosity”:
d
d
y
vx
x h =
r
(7.54)
O facto desta viscosidade ser função tanto das propriedades do
fluido como das condições de escoamento torna o seu uso difícil. Pran-
dlt propôs que o escoamento turbulento fosse visto como o transporte
aleatório de pacotes de partículas ao longo de uma certa distância –
comprimento de mistura, l
m
– de uma região com uma dada velocidade
para outra com velocidade diferente. Com base neste conceito, e após
algumas considerações, Prandtl concluiu que a viscosidade turbulenta
é dada por:
d
d
l
y
v
m
x 2
h t =
r
(7.55)
e a tensão de corte por:
d
d
l
y
v
turb m
x 2
2
x t =
r
c m
(7.56)
O problema passa agora a ser a determinação do comprimento de
mistura o qual não é constante ao longo do escoamento.
7.3.2 Perfil de velocidade em escoamento turbulento
Como já foi referido, o perfil turbulento pode ser dividido em três
zonas de acordo com a distância à parede: sub-camada viscosa junto
à parede onde as forças viscosas são dominantes, camada exterior
longe da parede onde as tensões de origem turbulenta são dominantes
e camada intermédia.
Na sub-camada viscosa o perfil de velocidade é dado por:
v
v y yv
*
*
x
o
=
r ^ h
válida para 0 5
yv
*
# #
o
(7.57)
em que y = R – r, o
t
n
= e v
*
1 2
w x t = ^ h (a chamada velocidade de
atrito)
Na camada intermédia o perfil de velocidade é dado por:
201 NOTAS PARA O ESTUDO DA MECÂNICA DE FLUIDOS
João M. Campos
ESCOAMENTOS LAMINAR E
TURBULENTO
2, 5 5, 0 ln
v
v y yv
*
*
x
o
= +
r ^
c
h
m (7.58)
Na camada exterior o perfil de velocidade é dado por:
, ln
v
v v y
y
R
2 5
*
c x -
=
r ^
c
h
m
(7.59)
em que v
c
representa a velocidade no eixo do tubo.
Uma correlação empírica que ajusta bem os dados experimentais
em todas as zonas, excepto muito perto, quer da parede quer do centro
do tubo, é a designada lei da potência para o perfil de velocidade.
v
v r
R
r
1
c
x
n
1
= -
r ^
`
h
j
(7.60)
O expoente n é função do número de Reynolds, sendo o valor n = 7
usado numa gama alargada do número de Reynolds.
7.4 Exercícios propostos de aplicação
7.1 Dois tanques de base quadrada, cheios com água, estão ligados
por um tubo muito fino (| = 2,5 mm) e comprido tal como mostra a
figura. No instante inicial o desnível entre os dois tanques é de 0,6 m.
Calcule:
A velocidade de descarga no instante inicial. a.
O tempo que demora as superfícies livres dos tanques a ficarem b.
a uma distância de 0,3 m.
0,6 m
1,0 m 7,5 m
0,5 m
2,5 mm
A B
7.2 Um tubo capilar de diâmetro interior 6 mm liga o tanque A
(fechado) a um tanque B (aberto) tal como mostra a figura. O líquido na
instalação é água, µ = 1000 kg/m
3
e µ = 8 × 10
-4
Pa.s. A pressão do ar
sobre a superfície livre do tanque A é 34,5 kPa (pressão relativa). Qual
a direcção de escoamento do líquido? Qual o caudal volumétrico nas
condições da figura? Despreze as perdas de carga localizadas.
R: Sentido de A para B, Q = 6,9 × 10
-6
m
3
/s
202 NOTAS PARA O ESTUDO DA MECÂNICA DE FLUIDOS
João M. Campos
ESCOAMENTOS LAMINAR E
TURBULENTO

B
A
34,5 kPa
45º 1,0 m
1,4 m
L=4,3 m
7.3 Água a 40 ºC µ = 992 kg/m
3
, µ = 6,56 × 10
-4
Pa.s, está em escoa-
mento do tanque A para o tanque B.
Determine, nas condições da figura, a. o caudal de escoamento?
Despreze as perdas de carga na entrada do tubo capilar bem
como na saída . R- Q = 6,1 × 10
-7
m
3
/s
Se os tanques tiverem igual diâmetro ( b. D = 0,20 m) qual o tempo
que demora o tanque A a ficar reduzido a metade do seu conte-
údo inicial? Considere que o tanque B tem uma altura suficiente
para não transbordar. R- t ~ 4 horas

A
B
1 mm
0,4 m
0,4 m
0,08 m
7.4 Uma película de água com espessura o = 5 mm escorre ao
longo de uma parede plana sob a acção da gravidade. O escoamento
é estacionário (a espessura da película é constante), e perfeitamente
desenvolvido(a velocidade v
z
é função de x e não depende de z).
Através de um balanço de forças a um elemento infinitesimal de a.
fluido, encontre uma expressão para o perfil de velocidade. Con-
sidere a viscosidade do ar desprezável e admita outras hipóteses
que julgar conveniente.
Calcule a velocidade média do escoamento e relacione-a com a b.
velocidade máxima.
7.5 Uma correia muito comprida (plano normal à folha de papel)
passa através de um recipiente contendo um líquido muito viscoso de
propriedades físicas µ e µ. A correia move-se verticalmente com uma
velocidade v
0
. Devido às forças viscosas, a correia “arrasta” uma pelí-
cula de líquido de espessura o. Este arrastamento é contrariado pela
acção da gravidade. Determine uma expressão para a velocidade média
203 NOTAS PARA O ESTUDO DA MECÂNICA DE FLUIDOS
João M. Campos
ESCOAMENTOS LAMINAR E
TURBULENTO
da película de líquido que é arrastada. Admita que o escoamento é
laminar, estacionário (a espessura da película é constante ao longo de
z), e perfeitamente desenvolvido (a velocidade v
z
é função de x e não
depende de z).
v
0
z
x
δ
Ar
205 NOTAS PARA O ESTUDO DA MECÂNICA DE FLUIDOS
João M. Campos
ESCOAMENTO EM
TUBAGENS
8 ESCOAMENTO EM TUBAGENS
8.1 Perdas de carga em tubagens- Gráfico de Moody
Como foi referido na análise dimensional, a perda de pressão sofrida por um fluido incom-
pressível em escoamento estacionário num tubo horizontal de secção circular de diâmetro
D é função de:
Ap
atrito
= | (v, D, l, c, μ, µ) (8.1)
Demonstrou-se que, aplicando o teorema de H Buckingham, existe
uma funcionalidade entre os seguintes grupos adimensionais:
, ,
v
p vD
D
l
D
2
1
atrito
2
z
t
n
t
f
D
= c m (8.2)
No caso do escoamento ser perfeitamente desenvolvido, a perda de
pressão é proporcional ao comprimento do tubo, logo:
, Re
v
p
D
l
D
2
1
atrito
2
z
t
f
D
= ` j
(8.3)
A expressão anterior aparece muitas vezes na literatura na seguinte
forma:
p f
D
l
v
2
ouC atrito
2
f
t
D = ^ h ou
g
p
h f
D
l
g
v
2
1 atrito
2
t
D
= = (8.4)
em que f ou Cf, é designado por factor de atrito ou coeficiente de atrito,
e é função do número de Reynolds e da rugosidade relativa, c/D:
( ) , Re f ou C
D
f z
f
= ` j
(8.5)
O factor de atrito pode ser obtido no diagrama de Moody em função
do número de Reynolds e de c/D.
No diagrama de Moody deve-se observar e reter os seguintes pontos:
em regime laminar o factor de atrito é independente da rugosi- -
dade relativa;
em regime laminar - f = 64/Re;
206 NOTAS PARA O ESTUDO DA MECÂNICA DE FLUIDOS
João M. Campos
ESCOAMENTO EM
TUBAGENS
para 2100 < Re < 4000 o regime tanto pode ser laminar como -
turbulento, sendo o valor de f indefinido - regime de transição;
para elevados valores do número de Reynolds, escoamento per- -
feitamente turbulento, o valor de f é independente do número
de Reynolds.
2
(
1
0


)
3
1
0
3
1
0
4
1
0
5
1
0
6
1
0
7
4
6
8
2
(
1
0


)
4
4
6
8
2
(
1
0


)
5
4
6
8
2
(
1
0


)
6
4
6
8
2
(
1
0


)
7
4
6
8
0
.
0
0
8
0
.
0
0
9
0
.
0
1
0
.
0
1
5
0
.
0
2
0
.
0
2
5
0
.
0
3
0
.
0
4
0
.
0
5
0
.
0
6
0
.
0
7
0
.
0
8
0
.
0
9
0
.
1
0
.
0
5
0
.
0
4
0
.
0
3
0
.
0
2
0
.
0
1
5
0
.
0
1
0
.
0
0
8
0
.
0
0
6
0
.
0
0
4
0
.
0
0
2
0
.
0
0
1
0
.
0
0
0
8
0
.
0
0
0
6
0
.
0
0
0
4
0
.
0
0
0
2
0
.
0
0
0
1
0
.
0
0
0
0
5
0
.
0
0
0
0
1
D
e
R
e

=
μ
ρ
V
D
T
r
a
n
s
i
t
i
o
n

r
a
n
g
e
L
a
m
i
n
a
r
f
l
o
w
S
m
o
o
t
h
W
h
o
l
l
y

t
u
r
b
u
l
e
n
t

f
l
o
w
f
207 NOTAS PARA O ESTUDO DA MECÂNICA DE FLUIDOS
João M. Campos
ESCOAMENTO EM
TUBAGENS
Para regime turbulento Colebrook apresentou uma expressão de
ajuste às diversas curvas do diagrama de Moody, a qual permite calcular
f com um erro inferior a 10%:
,
,
,
log
Re f
d
f
1
2 0
3 7
2 51
f
=- + e o
(8.6)
Após apresentar as correlações e gráficos que permitem determi-
nar a perda de carga num tubo circular, tanto em regime laminar como
em regime turbulento, é importante reter as principais dependências
funcionais descritas na tabela seguinte. Estas dependências decorrem
das considerações feitas sobre o diagrama de Moody, e no caso de
regime laminar podem ser comprovadas por inspecção da equação de
Poiseuille.
Regime Laminar
Regime turbulento
desenvolvido
Velocidade média Q · v Q · v
Queda de pressão Q · Ap
atrito
Q · Ap
atrito
1/2
Massa volúmica independente Q · µ
-1/2
Viscosidade Q · µ
-1
independente
Diâmetro do tubo Q · D
4
Q · D
5/2
Comprimento do tubo Ap
atrito
· l Ap
atrito
· l
Rugosidade do tubo independente Ap
atrito
= f(c)
8.2 Características das tubagens
No dia a dia, as tubagens são referidas conforme o seu diâmetro
nominal; a cada diâmetro nominal corresponde um diâmetro interno
efectivo. A rugosidade dos tubos depende do material de que são feitos
e por vezes do seu diâmetro interno. As tabelas seguintes mostram a
relação entre o diâmetro nominal e o diâmetro interno efectivo, e valo-
res típicos da rugosidade para alguns materiais mais comuns usados no
fabrico de tubagens.
208 NOTAS PARA O ESTUDO DA MECÂNICA DE FLUIDOS
João M. Campos
ESCOAMENTO EM
TUBAGENS
Diâmetros nominais para tubos normalizados
Tubos de aço inox, tubos de carbono e ligas de aço.
Diâmetro nominal (in) Diâmetro interno (in)
Área da secção recta
interior (in
2
)
1/2 0,364 0,1041
3/4 0,824 0,533
1 1,049 0,864
1 1/2 1,610 2,036
2 2,067 3,356
3 3,068 7,393
4 4,026 12,73
5 5,047 20,01
6 6,065 28,89
8 7,981 50,03
10 10,020 78,85
12 12,000 113,1
14 13,000 132,73
16 15,250 182,65
18 17,250 233,71
20 19,250 291,04
22 21,250 354,66
24 23,250 424,56
Rugosidade típica de alguns materiais
c
Material Condition ft mm Uncertainty, %
Steel Sheet metal, new 0.00016 0.05 ± 60
Stainless, new 0.000007 0.002 ± 50
Commercial, new 0.00015 0.046 ± 30
Riveted 0.01 3.0 ± 70
Rusted 0.007 2.0 ± 50
Iron Cast, new 0.00085 0.26 ± 50
Wrought, new 0.00015 0.046 ± 20
Galvanized, new 0.0005 0.15 ± 40
Asphalted cast 0.0004 0.12 ± 50
Brass Draw, new 0.000007 0.002 ± 50
Plastic Draw tubing 0.000005 0.0015 ± 60
Glass — Smooth Smooth
209 NOTAS PARA O ESTUDO DA MECÂNICA DE FLUIDOS
João M. Campos
ESCOAMENTO EM
TUBAGENS
cont.
c
Material Condition ft mm Uncertainty, %
Concrete Smoothed 0.00013 0.04 ± 60
Rough 0.007 2.0 ± 50
Rubber Smoothed 0.000033 0.01 ± 60
Wood Stave 0.0016 0.5 ± 40
(tabela retirada do Munson, Young e Okiishi)
8.3 Perdas de carga localizadas em tubagens
Perdas de carga em válvulas, cotovelos, entradas e saídas, expan-
sões súbitas, uniões, ramificações etc., são referidas como perdas loca-
lizadas. O método mais utilizado para determinar estas perdas é através
do coeficiente de perdas K, o qual é definido por:
K
v
p
p K v h K
g
v
2
1 2
1
2
atrito
atrito
2
2
2
" "
t
t
D
D = = = (8.7)
em que h representa a perda de carga e K = ¢(Re, geometria)
Na maioria dos casos de utilidade prática o escoamento é perfeita-
mente turbulento e K não depende do número de Reynolds.
Outra forma de exprimir as perdas de carga localizadas é através
do comprimento equivalente de tubagem; comprimento de tubagem
necessário para se obter uma perda de carga por atrito igual à perda de
carga localizada.
h K
g
v
f
D
l
g
v
2 2
eq
2 2
= = (8.8)
Na tabela, para regime turbulento perfeitamente desenvolvido, estão
inventariados alguns valores para o coeficiente de perdas em cotovelos,
uniões, válvulas e ramificações.
O gráfico seguinte permite determinar o coeficiente de perdas para
um cotovelo a 90º, em função da geometria, raio de curvatura, e da
rugosidade relativa do tubo.
210 NOTAS PARA O ESTUDO DA MECÂNICA DE FLUIDOS
João M. Campos
ESCOAMENTO EM
TUBAGENS
Component K
L
a.Elboows
Regular 90 º, flanged
Regular 90 º, threaded
Long radius 90 º, flanged
Long radius 90 º, threaded
Long radius 45 º, flanged
Regular 45 º, threaded
0.3
1.5
0.2
0.7
0.2
0.4
v
v
b. 180 º return bends
180 º return bend, flanged
180 º return bend, threaded
0.2
1.5
v
c. Tees
Line flow, flanged
Line flow, threaded
Branch flow, flanged
Branch flow, threaded
0.2
0.9
1.0
2.0
v
v
d. Union, threaded 0.08
v
*
e. Valves
Globe, fully open
Angle, fully open
Gate, fully open
Gate,
4
1
closed
Gate,
2
1
closed
Gare,
4
3
closed
Swing check, forward flow
Swing check, backward flow
Ball valve, fully open
Ball valve,
3
1
closed
Ball valve,
3
2
closed
10
2
0.15
0.26
2.1
17
2
·
0.05
5.5
210
(tabela retirada do Munson, Young e Okiishi)
Separated flow
Primary
flow
Secondary
flow
b b
a
a
90 º
1.0
0.8
0.6
0.4
0.2
0
0 2 4 6 8 10 12
0
0.001
0.002
= 0.01
D
e
R/D
K
L
R
D
(gráfico retirado do Munson, Young e Okiishi)
211 NOTAS PARA O ESTUDO DA MECÂNICA DE FLUIDOS
João M. Campos
ESCOAMENTO EM
TUBAGENS
As perdas de carga numa expansão súbita e numa contracção, são
exemplos em que o resultado pode ser obtido analiticamente. Estes
casos foram estudados no capítulo 5 e em seguida são transcritas as
conclusões desses estudos.
Perda de carga numa expansão súbita -

1
2
p A
1 1
p A
2 2
R
x
R
x
x
y
Tal como se demonstrou no capítulo 5, exemplos de aplicação da
equação da quantidade de movimento, a perda de carga numa expansão
súbita é dada por:
h
g
v
v
v
g
v
A
A
K
g
v
2
1
2
1
2
1
2
1
2
2
1
2
2
1
2
1
2
= - = - = a b k l
com
K
A
A
1
2
1
2
= - b l
Quando há uma expansão para um reservatório de grande diâme-
tro:
, 0 1 e A v h
g
v
K
2
2 2
1
2
" " & 3 = =
A1 A2
hL=KL
v12
2g
1.0
0.8
0.6
0.4
0.2
0
0 0.2 0.4 0.6 0.8 1.0
KL
A1/A2
(gráfico retirado do Munson, Young e Okiishi)
212 NOTAS PARA O ESTUDO DA MECÂNICA DE FLUIDOS
João M. Campos
ESCOAMENTO EM
TUBAGENS
Perda de carga numa contracção súbita -
1
2
x
y
A perda de carga numa contracção súbita é dada por (ver capítulo 5):
1 h
g
v v
g
v
C g
v
C
K
g
v
2
1
1
2
1
2 c c
1
2
2
2
2
2
2
2 2
2
2
=
-
- - = - = b b l l
com
1 K
C
1
c
2
= - b l
0.6
0.4
0.2
0
0 0.2 0.4 0.6 0.8 1.0
KL
A1/A2
A1 A2 hL=KL
v22
2g
(gráfico retirado do Munson, Young e Okiishi)
Perda de carga na saída de um tanque entrada num tubo -
0.5
0.3
0.1
0.4
0.2
0
0 0.20 0.05 0.1 0.15 0.25
KL
r
D
r
D
(gráfico retirado do Munson, Young e Okiishi)
213 NOTAS PARA O ESTUDO DA MECÂNICA DE FLUIDOS
João M. Campos
ESCOAMENTO EM
TUBAGENS
8.4 Perdas de carga em tubagens não circulares
Para condutas não circulares define-se o diâmetro hidráulico como,
4 vezes a razão entre a área da secção recta de escoamento e o perí-
metro molhado:
D
P
A
4 h
molhado
= (8.9)
8.4.1 Exemplos
Tubos concêntricos- escoamento entre tubos -
D
2
D
1
A
D D
D D
4 4 4
2
2
1
2
2
2
1
2 r r r
= - = - _ i
P
molhado
= πD
2
+ πD
1
= π(D
2
+ D
1
)
D
D D
D D
D D
4
4
h
2 1
2
2
1
2
2 1
r
r
=
+
-
= -
_
_
i
i
Escoamento numa conduta rectangular -

b
a
D
a b
ab
a b
ab
2 2
4 2
h =
+
=
+
Escoamento num sector de círculo -

α
D
sen
D D 1
2
2
h
r a
a
= +
- _
_
i
i
> H
Escoamento num tubo de secção triangular -

α
b
1
2
sen cos
sen
D
b
h
a a
a
=
+ + _ i
= G
214 NOTAS PARA O ESTUDO DA MECÂNICA DE FLUIDOS
João M. Campos
ESCOAMENTO EM
TUBAGENS
8.5 Exercícios resolvidos sobre perda de carga
em tubagens
Exercício Tipo I: Determinação da perda de carga numa instalação
Água a 20ºC circula num edifício, da cave para o 2º andar, através de uma tubagem
de cobre, rugosidade 0,0015 mm, de diâmetro interno 19,0 mm a um caudal Q = 0,75 l/s.
A saída, no 2º andar, dá-se através de uma torneira com diâmetro de saída 12,7 mm..
Determine a pressão no ponto 1 da figura nas seguintes situações:
Não considerando qualquer tipo de perda de carga. a.
Considerando somente as perdas de carga na tubagem. b.
Incluindo as perdas de carga localizadas. c.
15 ft
10 ft
10 ft
5 ft
10 ft 10 ft
Q
1
2
k=2
Cotovelos roscados a 90º
Válvula de globo
aberta
Nota: O coeficiente de perdas à saída da torneira é baseado na velocidade de escoamento no tubo.
Solução
O volume de controlo escolhido exclui a tubagem. Aplica-se a equação da energia
entre as secções de entrada e de saída do volume de controlo (1 e 2):
g
p
g
v
z
g
p
g
v
z h
2 2
1
1
1
2
1
2
2
2
2
2
t
a
t
a + + = + + +
em que h representa as perdas de carga na tubagem e as perdas de carga localizadas.
Pelos dados do problema:
6, 10
2, 65
5, 90
5, 0 10 Re
Re
z z
v
A
Q
D
Q
v
A
Q
D
Q
v D
4
4
2100 1
m
m/s
m/s
(tubo)
torneira
2 1
1
2
2
2
1
4
1 2 "
#
2
r
r
n
t
a a
=
- =
= = =
= = =
=
= =
(Nota: as propriedades físicas foram retiradas das tabelas em apêndice)
Sem perdas de carga a.
Substituindo os valores anteriores e sabendo que h = 0, obtém-se:
7, 6
g
p
g
v
g
v
z z
2 2
m
1
2
2
1
2
2 1
t
= - + - =
p
1
= 7,4 × 10
4
Pa (pressão relativa)
215 NOTAS PARA O ESTUDO DA MECÂNICA DE FLUIDOS
João M. Campos
ESCOAMENTO EM
TUBAGENS
Com perdas de carga na tubagem b. .
A rugosidade relativa do tubo é:
D
8 10
5
#
f
=
-
Por leitura do gráfico de Moody:
, , Re f
D
f 0 0215 " z
f
= = a k
A perda de carga na tubagem é dada por:
7, 4 h f
D
l
g
v
2
m
1
2
= =
Substituindo na equação da energia:
15, 0
g
p
g
v
g
v
z z h
2 2
m
1
2
2
1
2
2 1
t
= - + - + =
p
1
= 14,7 × 10
4
Pa (pressão relativa)
Com perdas de carga na tubagem e localizadas. c.
Por leitura nas respectivas tabelas dos valores dos coeficientes de perdas nos
cotovelos de 90
0
roscados (“threaded”), válvula de globo aberta (“globe valve, fully
opened”) e torneira, obtém-se:
4 1, 5 10 2
,
,
6, 5 h k
g
v
2 2 9 8
2 65
cotovelos m local
1
2 2
#
#
= = + + = _ i 8 B /
Substituindo na equação da energia:
15, 0 , ,
g
p
g
v
g
v
z z h
2 2
6 5 21 5 m
1
2
2
1
2
2 1
t
= - + - + = + =
p
1
= 21 × 10
4
Pa (pressão relativa)
A figura seguinte mostra a pressão relativa ao longo da tubagem (linha a cheio).
A tracejado está representada a pressão relativa no caso de as perdas de carga não
serem contabilizadas. A linha de pressão apresenta dois tipos de rectas que diferem
no declive: as de maior declive resultam de no trajecto do fluido, além da perda de
pressão por atrito, haver conversão de energia de pressão em energia potencial; as de
menor declive resultam de no trajecto do fluido só haver perda de pressão por atrito.
Na saída, o diâmetro da torneira diminui, pelo que além da perda de energia localizada,
há conversão de energia de pressão em energia cinética.
1
7
2
8
3
9
4
10
5
11
6
12
13
216 NOTAS PARA O ESTUDO DA MECÂNICA DE FLUIDOS
João M. Campos
ESCOAMENTO EM
TUBAGENS

1
1
7
7
2
8
3
3
9
9
4
10
5
5
11
6
12
13
12
Distância ao longo do tubo
P
r
e
s
s
ã
o

r
e
l
a
t
i
v
a
A figura seguinte mostra a linha de energia do fluido.
No caso de não serem contabilizar as perdas:
H
g
p
g
v
z
2
constante
2
t
= + + =
em que H representa a energia total, carga total, num ponto da tubagem.
A perda de carga na tubagem, h, por unidade de comprimento de tubo é cons-
tante:
l
h
f
gD
v
2
2
=
A perda de carga na tubagem, sendo proporcional ao comprimento do tubo, aparece
na linha de energia através de rectas de declive constante. As perdas de carga localiza-
das aparecem através de um salto descendente da linha de energia.

Distância ao longo do tubo
H

[
m

H
O
]
2
Declive constante
Sem perdas
Exercício Tipo II - Determinação do caudal
Água a 20
0
C, µ = 998 kg/m
3
e µ = 1,0 × 10
-3
Pa.s, é bombeada por meio de um sifão
ao longo de uma distância de 1,8 m. O diâmetro do tubo é 50 mm e a sua rugosidade c =
0,20 mm. O coeficiente de atrito em cada cotovelo é K = 0,4. Admita que na saída se perde
toda a carga cinética e que na entrada K = 0,8. Determine o caudal de circulação.
0,13 m
0,07 m
1
2
50 mm
1,8 m
Solução
Aplicando a equação da energia a um volume de controlo cujas entrada e saída
coincidem com as superfícies livres (pontos 1 e 2) obtém-se:
g
p
g
v
z
g
p
g
v
z f
D
l
g
v
K
g
v
2 2 2 2
1
1
2
1
2
2
2
2
2 2
t t
+ + = + + + +/
217 NOTAS PARA O ESTUDO DA MECÂNICA DE FLUIDOS
João M. Campos
ESCOAMENTO EM
TUBAGENS
Do enunciado e tabelas sabe-se que:
v
1
= v
2
= 0, p
1
– p
2
= 0, z
1
– z
2
= 0,13 m
K
cotovelo
= 0,4, K
entrada
= 0,8, K
saída
= 1,0
Substituindo na equação da energia:
,
,
,
, ( , )
,
, , f
v
f v 0 13
0 05
1 8
0 8 2 0 4 1
2 9 8
2 55 36 2 6
2
2
"
#
= + + + = + _ i 7 A ( 2 (1)
Sabe-se ainda que:
Re
vD
v 49800
n
t
= = (2)
,
,
D 50
0 20
0 004
f
= =
Para o cálculo há três relações: duas equações (1) e (2) e uma curva no diagrama
de Moody correspondente ao valor da rugosidade relativa. Estas relações permitem cal-
cular três incógnitas, f, Re e v, para o que se vai usar um processo iterativo. Como é difí-
cil ter uma primeira estimativa para v, opta-se por arbitrar f considerando o escoamento
turbulento e desenvolvido. Neste regime f é independente do número de Reynolds.
Arbitrando f, calcula-se v pela equação (1) e Re pela equação (2). Com os valores
de Re e c/D consulta-se o diagrama de Moody e obtém-se novo valor de f. Se este valor
coincidir com o arbitrado, o processo iterativo termina, caso contrário toma-se o último
valor de f e faz-se nova iteração até o processo convergir. Recorrendo a este processo
iterativo obtém-se:
Re = 41300, f = 0,031, v = 0,828 m/s
Exercício Tipo III: Determinação do diâmetro da tubagem
Água a 10 ºC, v = 1,307 × 10
-6
m
2
/s está em escoamento de um tanque A para um
tanque B, através de um tubo de ferro galvanizado, c = 0,26 mm, com 20,0 m de compri-
mento, a um caudal de 2 l/s. Na entrada do tanque B o valor do coeficiente de perdas é
K = 1,0, na saída do tanque A K = 0,5 e em cada um dos seis cotovelos de 90
0
regulares
e roscados K = 0,5. Determine o diâmetro da tubagem.

A
B
2
1
2,0 m
D
L = 20 m
Solução
Aplicando a equação da energia a um volume de controlo cujas entrada e saída
coincidam com as superfícies livres (pontos 1 e 2), e que não engloba a tubagem,
obtém-se:
218 NOTAS PARA O ESTUDO DA MECÂNICA DE FLUIDOS
João M. Campos
ESCOAMENTO EM
TUBAGENS
g
p
g
v
z
g
p
g
v
z f
D
l
g
v
K
g
v
2 2 2 2
1
1
2
1
2
2
2
2
2 2
t t
+ + = + + + +/
Sabendo que à superfície dos tanques a pressão é atmosférica e que as cargas
cinéticas são desprezáveis, a equação anterior simplifica-se:
z z
g
v
f
D
l
K
2
1 2
2
- = + b l /
Dos dados do problema obtém-se:
,
v
A
Q
D
Q
v
D
4 2 55 10
2 2
3
"
#
r
= = =
-
K
saída
= 0,5, K
entrada
= 1,0, K
cotovelos
= 0,5 × 6
Substituindo na equação da energia, resulta:
2, 0
,
, , , ,
v
D
f D D f
2 9 8
20
3 0 0 5 1 6 0 10 4 5 20 0
2
6 5
"
#
# = + + + - - = 7 A ' 1 (1)
Sabe-se ainda que:
,
,
,
Re
v
vD
D D D
1 95 10 2 6 10
3 4
# # f
= = =
-
(2) e (3)
Há quatro relações para efectuar os cálculos, três equações (1), (2) e (3) e uma
curva no diagrama de Moody correspondente ao valor da rugosidade relativa. Estas
relações permitem calcular quatro incógnitas, f, Re, D e c/D, através de um processo
iterativo.
Pode-se desenvolver o processo iterativo em torno da variável f, contudo a com-
plexidade da equação (1) sugere que o processo seja em torno da variável D. Estima-se
D e calcula-se f (equação 1), Re (equação 2) e a rugosidade relativa (equação 3). Com
estas duas últimas variáveis consulta-se o diagrama de Moody e obtém-se um novo
valor de f. Se os valores de f coincidirem o processo está terminado, caso contrário
arbitra-se novo valor de D e continua-se o processo iterativo. A solução do presente
problema é D ~ 40 mm.
8.6 Perda de carga em tubagens múltiplas
No capítulo anterior estudou-se a associação de resistências ao
escoamento em regime laminar. Esta associação baseia-se na analo-
gia entre circuitos eléctricos e hidráulicos, e é aplicável a regime lami-
nar porque a perda de carga é proporcional ao caudal de escoamento
(equação de Poiseulle), tal como em circuitos eléctricos a diferença de
potencial é proporcional á intensidade da corrente. Em escoamentos
turbulentos a perda de carga é proporcional ao quadrado do caudal de
escoamento e um tratamento análogo ao de circuitos eléctricos não
é aplicável. De seguida são resolvidos exemplos de escoamentos em
tubagens múltiplas em regime turbulento.
219 NOTAS PARA O ESTUDO DA MECÂNICA DE FLUIDOS
João M. Campos
ESCOAMENTO EM
TUBAGENS
Associação de tubos em série -
Quando dois ou mais tubos com diâmetros diferentes são colocados
em série, verificam-se as seguintes condições:
O caudal mássico que passa em cada um deles é o mesmo. 1.
A perda de carga total é igual à soma das perdas de carga indi- 2.
viduais.
D
1
D
3
D
2
v
1
v
2
v
3
m m m 1 2 3 = =
o o o
h
total
= h
1
+ h
2
+ h
3
Associação de tubos em paralelo -
Quando dois ou mais tubos com diferentes diâmetros são colocados
em paralelo, verificam-se as seguintes condições:
O caudal mássico total é igual à soma dos caudais mássicos 1.
individuais.
A perda de carga é a mesma em cada um dos tubos. 2.
D
1
D
3
D
2
m
1
m
3
m
2
m m m m 1 2 3 = + +
o o o o
h = h
1
= h
2
= h
3
Exemplo 8.4
Três reservatórios com água estão ligados por três tubos tal como mostra a figura.
Admita, só para simplificar o problema, que o diâmetro dos tubos é 1ft e o coeficiente de
atrito para todos os tubos é 0,02. Pelo facto da razão comprimento/diâmetro dos tubos
ser elevada, as perdas de carga localizadas são desprezáveis. Determine o caudal que
chega ou que parte de cada reservatório.
220 NOTAS PARA O ESTUDO DA MECÂNICA DE FLUIDOS
João M. Campos
ESCOAMENTO EM
TUBAGENS

B
A
C
20 ft
80 ft
1
2
3
1000 ft
400 ft
500 ft
Solução
Não é evidente o sentido do escoamento no tubo de ligação ao tanque B. Por hipó-
tese, considere-se que o sentido é de B para C. Aplicando a equação da continuidade a
um fluido incompressível:
m m m v v v 1 2 3 1 2 3 " + = + =
o o o (1)
Aplicando sucessivamente a equação de energia aos volumes de controlo entre a
superfície do tanque A e o nó (*) e entre o nó e a superfície do tanque C obtém-se:
g
p
g
v
z
g
p
g
v
z f
D
l
g
v
2 2 2
* *
* A
A
A
2
2
1
1 1
2
t t
+ + = + + +
^ h
g
p
g
v
z
g
p
g
v
z f
D
l
g
v
2 2 2
* *
* C
C
C
2
2
3
3 3
2
t t
+ + = + + +
^ h
g
p
g
v
z
g
p
g
v
z f
D
l
g
v
f
D
l
g
v
2 2 2 2
A
A
A
C
C
C
2 2
1
1 1
2
3
3 3
2
t t
+ + = + + + +
Dos dados do problema sabe-se que:
p
A
= p
C
= 0, v
A
= v
C
= 0, z
C
= 0
Substituindo na equação da energia resulta:
z f
D
l
g
v
f
D
l
g
v
2 2
A 1
1 1
2
3
3 3
2
= +
322 0, 4 v v 1
2
3
2
= + (2)
com v
1
e v
3
expressos em ft/s.
Aplicando de seguida a equação de energia aos volumes de controlo entre a super-
fície do tanque B e o nó (*), e entre o nó e a superfície do tanque C obtém-se:
g
p
g
v
z
g
p
g
v
z f
D
l
g
v
2 2 2
* *
* B
B
B
2
2
2
2 2
2
t t
+ + = + + +
^ h
g
p
g
v
z
g
p
g
v
z f
D
l
g
v
2 2 2
* *
* C
C
C
2
2
3
3 3
2
t t
+ + = + + +
^ h
g
p
g
v
z
g
p
g
v
z f
D
l
g
v
f
D
l
g
v
2 2 2 2
B
B
B
C
C
C
2 2
1
1 1
2
3
3 3
2
t t
+ + = + + + +
221 NOTAS PARA O ESTUDO DA MECÂNICA DE FLUIDOS
João M. Campos
ESCOAMENTO EM
TUBAGENS
Dos dados do problema sabe-se que:
p
B
= p
C
= 0, v
B
= v
C
= 0, z
C
= 0
Substituindo na equação da energia resulta:
z f
D
l
g
v
f
D
l
g
v
2 2
B 2
2 2
2
3
3 3
2
= +
, , 0, 4 v v 64 4 0 5 2
2
3
2
= + (3)
com v
2
e v
3
expressos em ft/s.
Resolvendo conjuntamente as equações (1), (2) e (3) conclui-se que o sistema não
tem solução real positiva, o que significa que a hipótese de o fluido se deslocar do tan-
que B para o tanque C não é possível. Vai-se reformular o problema, pondo a hipótese
que o fluido que sai do tanque A, parte entra no tanque C, e outra parte no tanque B.
Aplicando a equação da continuidade
m m m v v v 1 3 2 1 3 2 " = + = +
o o o (1*)
A equação (2), resultante do escoamento de A para C, continua a ser válida.
Aplicando a equação da energia ao fluido em escoamento de A para B resulta:
g
p
g
v
z
g
p
g
v
z f
D
l
g
v
2 2 2
* *
* A
A
A
2
2
1
1 1
2
t t
+ + = + + +
^ h
g
p
g
v
z
g
p
g
v
z f
D
l
g
v
2 2 2
* *
* B
B
B
2
2
2
2 2
2
t t
+ + = + + +
^ h
g
p
g
v
z
g
p
g
v
z f
D
l
g
v
f
D
l
g
v
2 2 2 2
A
A
A
B
B
B
2 2
1
1 1
2
2
2 2
2
t t
+ + = + + + +
Dos dados do problema sabe-se que:
p
A
= p
B
= 0, v
A
= v
B
= 0
Substituindo na equação da energia resulta:
z z f
D
l
g
v
f
D
l
g
v
2 2
A B 1
1 1
2
2
2 2
2
- = +
0, v v 258 5 1
2
2
2
= + (3*)
com v
1
e v
2
expressos em ft/s.
Resolvendo as equações (1*), (2) e (3*) obtém-se:
Q
1
= 12,5 ft
3
/s, Q
2
= 2,26 ft
3
/s, Q
3
= 10,2 ft
3
/s
222 NOTAS PARA O ESTUDO DA MECÂNICA DE FLUIDOS
João M. Campos
ESCOAMENTO EM
TUBAGENS
8.7 Medidores de caudal
Como se estudou no capítulo 4, uma forma de medir o caudal de um
fluido em escoamento num tubo é colocar no seu trajecto algum tipo de
restrição de forma a provocar a formação de duas zonas: uma de baixa
velocidade e alta pressão, e outra de alta velocidade e baixa pressão.
Medindo a diferença de pressão entre as duas zonas é possível conhecer
o caudal volumétrico ou mássico através da equação de Bernoulli. O
medidor de orifício e o medidor de Venturi foram dois exemplos dados
para medir caudais. As expressões para cálculo do caudal foram deduzi-
das supondo que o diâmetro do jacto coincidia com o diâmetro do orifício
e que não havia perdas de energia mecânica por efeitos viscosos:
1
2
Q A
A
A
p p
2
1
2
2
2 1
t
=
-
-
b
_
l
i
< F
(8.10)

1
2
Contudo, o diâmetro do jacto não coincide geralmente com o diâ-
metro do orifício como foi referido no capítulo 4. Há uma contracção do
jacto, o chamado efeito da vena contracta. A contracção do jacto é maior
ou menor conforme a forma como as linhas de corrente contornam o
orifício. Quando as linhas de corrente “acompanham” os bordos do orifí-
cio a contracção é mínima e vice-versa. Definiu-se então um coeficiente
de contracção Cc, cujo valor é igual à razão entre a menor área do jacto,
área na vena contracta, e a área do orifício. Como já foi referido, os valo-
res deste coeficiente são dados na literatura em função da geometria do
orifício. O caudal volumétrico de saída é então expresso por:
Q C A
A
A
p p
1
2
c 2
1
2
2
2 1
t
=
-
-
b
_
l
i
< F
(8.11)
Falta contabilizar as perdas de energia mecânica por efeitos visco-
sos. Entre o jacto e a parede forma-se uma zona com fluido em recir-
culação onde o escoamento é, na maioria dos casos, turbulento, o que
conduz a uma perda de energia mecânica, a qual não pode ser calculada
teoricamente. Esta dificuldade levou a que se definisse um coeficiente
de descarga C
0
, o qual tem em conta, tanto o efeito de diminuição de
223 NOTAS PARA O ESTUDO DA MECÂNICA DE FLUIDOS
João M. Campos
ESCOAMENTO EM
TUBAGENS
pressão devido ao estreitamento e aceleração do jacto, como a diminui-
ção de pressão por efeitos viscosos na zona de recirculação do fluido:
Q C Q C A
A
A
p p
1
2
ideal 0 0 2
1
2
2
2 1
t
= =
-
-
b
_
l
i
< F
(8.12)
Este coeficiente de descarga depende da razão entre o diâmetro
do orifício e o diâmetro do tubo e do número de Reynolds. Há normas
precisas estabelecendo a correcta localização das tomas de pressão.
No gráfico seguinte apresentam-se curvas que permitem determinar o
coeficiente de descarga em função dos parâmetros citados.
O que foi exposto para o caso do medidor de orifício, aplica-se ao
medidor de Venturi.
0.66
d
D
D
D D
v
d
2
0.64
0.62
0.60
0.58
104 105 106 107 108
β = = 0.7
0.6
0.5
0.4
0.2
Re = ρvD/μ
CD
(gráfico retirado do Munson, Young e Okiishi)
8.8 Exercícios propostos de aplicação
8.1 Uma rede de abastecimento de água é constituída genericamente
por um reservatório e 450 m de tubo liso de 180 mm de diâmetro
interno. O tubo contém vários cotovelos e uma válvula à saída. A perda
de carga nos cotovelos é nove vezes superior à carga cinética na tuba-
gem. Quando a válvula está parcialmente fechada o caudal é 7,5 × 10
-2

m
3
/s e a pressão relativa imediatamente antes da válvula 0,5 atm.
224 NOTAS PARA O ESTUDO DA MECÂNICA DE FLUIDOS
João M. Campos
ESCOAMENTO EM
TUBAGENS
Calcule a diferença de nível entre a superfície do reservatório e a.
a saída do tubo.
O caudal quando a válvula estiver totalmente aberta. b.
Dado: Para tubo liso e escoamento turbulento f = 0,079Re
-1/4

8.2 O tanque representado na figura tem uma entrada em B e uma
saída em C. Comece por considerar que o fluido que circula é água e que
a única perda de carga em toda a instalação é na expansão em B onde o
fluido perde toda a carga cinética com que vinha animado.
Se a pressão em A for 2,4 atm e a pressão em D atmosférica a.
calcule o caudal de água no circuito.
Calcule a componente horizontal da força que o fluido exerce b.
sobre as paredes do tanque.
Mantendo a pressão em A, se se pretender aumentar o caudal c.
de 20%, diga qual a potência que uma bomba, instalada entre A
e B, teria que fornecer ao fluido. Se a eficiência da bomba for de
65% diga qual a potência consumida pela bomba.
Continue a considerar que o fluido é água mas pretende ser mais “rigo-
roso” e contabilizar as perdas de carga na tubagem além da perda de
carga na expansão.
Recalcule o caudal de água no circuito nas condições da alínea d.
a). Apresente as expressões e diga o método de cálculo.
Considere um fluido muito viscoso em escoamento na instalação µ=
1200 kg/m
3
, µ = 10
-1
Pa.s.
Qual a pressão em A se o caudal mássico na instalação for 1/3 e.
do calculado na alínea a). Note que a perda de carga na expan-
são pode ser desprezável face à perda de carga na tubagem e
comece por calcular a “resistência equivalente” .

1,0 m
1,0 m
2,0 m
3,0 m
6,0 m
A
B
C D
3 cm
4 cm
8.3 Um caudal de 170 l/s sai do tanque A para o tanque B. Se v = 1,13
× 10
-6
m/s, qual o diâmetro da secção horizontal da tubagem?
225 NOTAS PARA O ESTUDO DA MECÂNICA DE FLUIDOS
João M. Campos
ESCOAMENTO EM
TUBAGENS
B
A
35 m
16 m
k = 1
35 m
65 m
k = 0,9
k = 0,4
150 mm
8.4
Qual o caudal a. Q que circula na instalação representada na figura?
Qual a potência eléctrica da bomba? As características da bomba
estão representadas no gráfico em anexo.
Qual deverá ser o diâmetro do tubo se o caudal volumétrico for b.
3400 l/s ?
3,5 atm
1,7 atm
Ar
Ar
k = 0,4
k = 0,9
k = 1
9 m
3 m
150 m
150 m
12 m
Tubo de aço comercial
(60 cm de diâmetro)
20
20
20
40 40
60
60
60
80 80
100
100 140 180
100
ΔH [ft]
Q [ft /s]
3
ΔH η η
8.5 Qual a força exercida pela água no tubo na direcção horizontal ?
A água sai do tubo em jacto livre. Despreze perdas menores.

30 m
30 m
120 m
30 cm
Tubo de aço comercial
8.6 Na instalação esquematizada na figura os tubos são todos de
ferro fundido, rugosidade relativa 0,01, e 80 mm de diâmetro interno.
Determine o caudal de água que sai do tanque 1 quando a válvula C
está:
Fechada; a.
Aberta com b. K = 0.5.
226 NOTAS PARA O ESTUDO DA MECÂNICA DE FLUIDOS
João M. Campos
ESCOAMENTO EM
TUBAGENS
Considere que na expansão do tubo para o tanque 2, o fluido perde toda
a sua energia cinética e despreze as perdas na saída do tanque 1 para
o tubo e na bifurcação.

Tanque 1
Tanque 2
50 m 100 m
70 m
C
30 m
30 m
10 m
227 NOTAS PARA O ESTUDO DA MECÂNICA DE FLUIDOS
João M. Campos
CAMADA LIMITE E
FORÇAS SOBRE OBJECTOS
SUBMERSOS
9 CAMADA LIMITE E FORÇAS SOBRE OBJECTOS
SUBMERSOS
9.1 Introdução
Sempre que um fluido em escoamento encontra um objecto sólido imerso, há desenvol-
vimento de tensões de corte na camada adjacente ao objecto. Sobre a superfície, a tensão de
corte é máxima, e a velocidade tangencial do fluido é nula, a chamada condição de não desli-
zamento. Ao longo da direcção normal à superfície, a tensão de corte diminui e a velocidade
tende para a velocidade do fluido antes de ser perturbado pela presença do objecto.
Estabelece-se assim um perfil de velocidade na camada adjacente
ao objecto. À zona onde este perfil se desenvolve dá-se o nome de
camada limite de quantidade de movimento. O perfil de velocidade e a
espessura desta camada limite vão depender de vários factores, sendo
os mais importantes a geometria e orientação do objecto, e o número
de Reynolds. Sobre a superfície, além das forças de corte tangenciais
actuam forças normais de pressão.
9.2 Camada limite laminar numa placa plana
imersa num fluido
9.2.1 Conceito de camada limite
Suponha um fluido em escoamento não confinado, com um perfil de
velocidade uniforme U. No seu trajecto, o fluido vai encontrar uma placa
plana muito delgada de comprimento infinito colocada paralelamente à
direcção de escoamento. Quando o fluido encontra a placa, esta exerce
uma força tangencial de corte sobre o elemento de fluido adjacente.
Este elemento não desliza, pára, e passa a exercer uma força de corte
tangencial sobre o elemento de fluido mais próximo, retardando-o. Por
sua vez, este vai retardar outro elemento adjacente. Este retardar dos
elementos de fluido propaga-se, com uma intensidade atenuada, até
que a alguma distância da placa, na direcção normal, a acção das forças
de corte deixa de se fazer sentir. A partir desta distância, a velocidade
do fluido volta a ser U. A toda a zona em que o fluido é retardado pela
presença da placa chama-se camada limite de quantidade de movi-
mento. Esta camada tem uma espessura, mas para a definir é neces-
sário saber a partir de que valor próximo de U se considera que o fluido
228 NOTAS PARA O ESTUDO DA MECÂNICA DE FLUIDOS
João M. Campos
CAMADA LIMITE E
FORÇAS SOBRE OBJECTOS
SUBMERSOS
não está perturbado. Será quando a velocidade na camada limite atinge
95% de U, quando atinge 99%, ou quando atinge 99,9%? É uma questão
de definição, embora seja costume considerar-se que a camada limite
acaba quando se atinge uma velocidade que é 1% inferior à velocidade
exterior, o
99%
:
y = o
99%
quando u = 0,99U (9.1)
No início da placa, a espessura da camada limite começa por ser
muito fina e vai aumentando ao longo do seu comprimento, i. e, é função
da distância x ao seu ponto de formação. A espessura é também função
da razão entre as forças de inércia e as forças viscosas que actuam no
fluido, i.e. do número de Reynolds. Assim, quanto maior a intensidade
das forças viscosas comparativamente com a intensidade das forças
de inércia, maior será a espessura da camada limite em qualquer ponto
ao longo da placa.
Se a distância x for tomada como dimensão característica para defi-
nir o número de Reynolds, a espessura será somente função de Re
x
.
Re
U x
x
n
t
= (9.2)
em que U é a velocidade do escoamento exterior, as propriedades físicas
são as do fluido e a dimensão característica é a distância x ao longo da
placa.
O escoamento na camada limite começa por ser laminar mas a par-
tir de um dado x, i.e., de um dado valor de Re
x
, começa a observar-se
a transição de regime laminar para regime turbulento. Este valor de
transição para uma placa plana é da ordem dos Re
x
= 2¬10
5
a 3¬10
6

dependendo da rugosidade da superfície e da intensidade de turbulência
do escoamento exterior.
No caso do comprimento da placa não ser infinito, define-se o número
de Reynolds tomando para dimensão característica o comprimento l da
placa.
Re
U l
l
n
t
= (9.3)
Na figura seguinte está esboçada a camada limite que se desen-
volve em torno da placa para três valores de Reynolds diferentes. Para
Re
l
= 0,1 a espessura da camada limite é elevada, começando a fazer-se
sentir a presença da placa ainda antes do fluido entrar em contacto com
229 NOTAS PARA O ESTUDO DA MECÂNICA DE FLUIDOS
João M. Campos
CAMADA LIMITE E
FORÇAS SOBRE OBJECTOS
SUBMERSOS
a superfície. Para Re
l
= 10
7
a acção das forças viscosas só se faz sentir
no início da placa e a sua espessura é pequena em qualquer ponto ao
longo de x.

U U
Re = = 0,1 U l/υ
x
l
y
v U < 0,99
Efeitos viscosos importantes
Linhas de correntes deflectidas
consideravelmente
U U
Re = 10
x
y
v U < 0,99
Efeitos viscosos importantes
Efeitos viscosos
desprezáveis
Linhas de correntes um
pouco deflectidas
U U
Re = 10
7
x
y
Efeitos viscosos
importantes
Efeitos viscosos
desprezáveis
Linhas de correntes
ligeiramente pouco deflectidas
Região
da esteira
δ << l
l
Camada limite
Figura 9.1 Camada limite para diferentes valores de Re
l
. (Figura retirada do Mun-
son, Young e Okiishi)
9.2.2 Espessura da camada limite numa placa plana- solução de
Blasius
A análise e resolução das equações diferenciais de escoamento na
camada limite estão fora do âmbito desta disciplina. Contudo, usando
argumentos muito simples, pode-se estabelecer relações que permitem
o cálculo da sua espessura.
Através da adimensionalização dos perfis de velocidade que se esta-
belecem na camada limite laminar ao longo da placa conclui-se que eles
são semelhantes. Num dado ponto da placa, x, o perfil de velocidade
é uma expressão da velocidade transversal em função da coordenada
normal à placa y:
u f y
x
= _ iB (9.4)
230 NOTAS PARA O ESTUDO DA MECÂNICA DE FLUIDOS
João M. Campos
CAMADA LIMITE E
FORÇAS SOBRE OBJECTOS
SUBMERSOS
Adimensionalizando a velocidade u pela velocidade U do escoa-
mento exterior e y pela espessura da camada limite, o, nesse ponto x,
obtém-se:
U
u
g
y
x
x
h
d
= =
c m E G (9.5)
Ao adimensionalizar os perfis ao longo de x obtêm-se perfis sobre-
postos, i.e., perfis idênticos, o que significa que há similaridade dos per-
fis ao longo do comprimento da placa. Assim, é possível uma só curva
para representar todos os perfis ao longo da camada limite laminar. O
próximo passo é conhecer a função g(q = y/o). Blasius analisando os ter-
mos da equação diferencial de quantidade de movimento concluiu que:
U
u
g
vx
U
y
2
1
h = =
b l
= G
(9.6)
e determinou a funcionalidade g(q) apresentando os resultados em
forma de tabela (solução de Blasius).
Tabela 9.1 Escoamento laminar ao longo de uma placa plana (solução de Blasius)
x
U
y
2
1
h
o
=
b l
U
u
x
U
y
2
1
h
o
=
b l
U
u
0 0 3,6 0,9233
0,4 0,1328 4,0 0,9555
0,8 0,2647 4,4 0,9759
1,2 0,3938 4,8 0,9878
1,6 0,5168 5,0 0,9916
2,0 0,6298 5,2 0,9943
2,4 0,7290 5,6 0,9975
2,8 0,8115 6,0 0,9990
3,2 0,8761 ∞ 1,0000
Como se pode ver na tabela, a velocidade no interior da camada
limite atinge 99% da velocidade do escoamento exterior para um valor
de q =5. Assim, segundo Blasius, o valor da espessura da camada limite
pode ser calculado pela seguinte equação:
5
U
x
d
o
= (9.7)
ou
231 NOTAS PARA O ESTUDO DA MECÂNICA DE FLUIDOS
João M. Campos
CAMADA LIMITE E
FORÇAS SOBRE OBJECTOS
SUBMERSOS
5
Re
x
x
d
= (9.8)
Com o conhecimento do perfil de velocidade é possível (Blasius
apresentou igualmente em tabela a 1ª e a 2ª derivada de g(q)) determi-
nar a tensão de corte na parede:
0, 332
y
u
U
x
0
3 2
w
y
2
2
x n
tn
= =
=
(9.9)
É de salientar que num escoamento laminar desenvolvido a tensão
de corte na parede é proporcional a U, enquanto que na camada limite
laminar em desenvolvimento é proporcional U
3/2
.
Para um prato plano de comprimento l e largura b, a força de atrito
exercida pelo fluido em escoamento, D
f
, é dada pela integração da ten-
são de corte ao longo do comprimento do prato.
d b x D
0
f w
l
x = # (9.10)
Esta força de atrito ao longo do prato é geralmente expressa pelo
coeficiente de arrasto induzido pelo atrito CDf . Segundo Blasius este
coeficiente é dado por:
2
1
1, 328
Re
U bl
C
D
2
D
f
l
f
t
= = (9.11)
9.3 Forças de arrasto e de sustentação sobre
um objecto imerso
9.3.1 Introdução
Quando um objecto está imerso num fluido em escoamento vão-se
exercer dois tipos de forças sobre a superfície do objecto: forças de
corte e forças de pressão. Na maioria dos casos estas forças variam
sobre a superfície, forças distribuídas, sendo por isso necessário refe-
renciá-las à unidade de área, tensões de corte e pressão. Ao integrar
estas tensões ao longo de toda a superfície do objecto, obtém-se a força
resultante da acção do fluido em escoamento sobre o objecto. Na maio-
ria dos casos, esta força resultante provoca o deslocamento do objecto.
À componente responsável pelo deslocamento do objecto ao longo da
232 NOTAS PARA O ESTUDO DA MECÂNICA DE FLUIDOS
João M. Campos
CAMADA LIMITE E
FORÇAS SOBRE OBJECTOS
SUBMERSOS
direcção do escoamento, chama-se força de arrasto, D, enquanto que
à componente responsável pelo deslocamento do objecto na direcção
normal ao escoamento chama-se força de sustentação, L.
9.3.2 Forças de arrasto e sustentação.
Considere-se um elemento infinitesimal de área oA, colocado numa
posição oblíqua relativamente à direcção de escoamento.
δA
p
δA
τ
w
θ
θ
y
x
U
Figura 9.2 Forças que se exercem num elemento infinitesimal de área oA
As componentes segundo as direcções x e y da força que o fluido em
escoamento exerce sobre o elemento de área infinitesimal, são dadas por:
oF
x
= (poA)cosu + (t
w
oA)senu (9.12)
oF
y
= -(poA)senu + (t
w
oA)cosu (9.13)
As forças de arrasto e de sustentação sobre o objecto são dadas
pela integração, sobre toda a superfície, das forças elementares defini-
das nas duas equações anteriores.
d cos d d F p A sen A D x w i x i = = + # # # (9.14)
d d cos d L F psen A A y w i x i = =- + # # # (9.15)
Para levar a cabo as integrações necessárias para calcular a força
de arrasto e de sustentação sobre o objecto é necessário não só conhe-
cer a forma do objecto, i.e. θ para cada posição (x, y), como também
conhecer as distribuições de p e de t
w
ao longo da superfície do objecto.
No caso de um prato plano colocado paralelamente à direcção de esco-
amento, u = 90º, só a tensão de corte na parede contribui para a força
de arrasto, e só a pressão contribui para a força de sustentação.
O conhecimento das distribuições de pressão e tensão de corte
sobre a superfície de um objecto é em muitos casos difícil. Assim, uma
alternativa é definir coeficientes adimensionais, e aplicar técnicas expe-
rimentais ou numéricas para conhecer os valores destes coeficientes
para cada geometria.
233 NOTAS PARA O ESTUDO DA MECÂNICA DE FLUIDOS
João M. Campos
CAMADA LIMITE E
FORÇAS SOBRE OBJECTOS
SUBMERSOS
O coeficiente de arrasto é definido por:
2
1
U A
C
D
2
D
t
= (9.16)
e o coeficiente de sustentação por:
2
1
L
U A
C
2
L
t
= (9.17)
em que A representa a área do objecto projectada num plano normal à
direcção do escoamento.
9.3.3 Coeficiente de arrasto em função do número de Reynolds
O coeficiente de arrasto para um dado objecto vai depender do
número de Reynolds, já que, a camada limite onde se exercem as ten-
sões de corte vai depender deste parâmetro adimensional. A funciona-
lidade entre o coeficiente de arrasto e o número de Reynolds pode ser
dividida em três categorias de acordo com o regime de escoamento na
camada limite: (1) números de Reynolds muito baixos; (2) números de
Reynolds moderados (camada limite laminar); (3) números de Reynolds
elevados (camada limite turbulenta).
Números de Reynolds muito baixos - (Re < 1)
Para números de Reynolds muito baixos o escoamento é dependente
do balanço entre as forças de pressão e as forças viscosas. Os efeitos
da força de inércia são desprezáveis e a força de arrasto é função das
seguintes variáveis:
, , f U l D n = ^ h (9.18)
em que l é a dimensão característica do objecto.
Aplicando os conhecimentos de análise dimensional é fácil concluir
que:
C lU D n = (9.19)
onde C é uma constante que depende da forma do objecto.
234 NOTAS PARA O ESTUDO DA MECÂNICA DE FLUIDOS
João M. Campos
CAMADA LIMITE E
FORÇAS SOBRE OBJECTOS
SUBMERSOS
O valor do coeficiente de arrasto é então dado por:
2
1
2 2
Re
U l
U l
C lU C
C
D
2 2
2 2
D
t
t
n
= = = (9.20)
em que o número de Reynolds é definido como Re
Ul
n
t
= .
No caso de uma esfera o valor de C é 12 e a área projectada num
plano normal ao escoamento é A = tD
2
/4, resultando:
Re
24
CD esfera = e 3 U D D r n = (9.21)
Números de Reynolds moderados -
Para valores moderados do número de Reynolds, o escoamento na
camada limite é laminar, e tal como se concluiu para uma placa plana, o
coeficiente de arrasto devido ao atrito tende a diminuir moderadamente
quando se aumenta o número de Reynolds. A equação 9.11 mostra que
para uma placa plana, C
D
~ Re
-1/2
. Para objectos com variações de forma
não suaves, tais como esferas e cilindros, o valor de C
D
é muito próximo
de constante, na gama 10
3
< Re
D
< 10
5
(ver figura seguinte).
Números de Reynolds elevados -
Em regime turbulento o comportamento depende muito da forma
do objecto. A contribuição da força de corte na parede, faz a força de
arrasto aumentar. Contudo, quando a variação da forma do objecto não
é suave, na transição, pode haver um decréscimo súbito da contribui-
ção da força de pressão para a força de arrasto. Esta diminuição tem a
ver com alterações da pressão nas zonas de fluido em recirculação. Do
balanço entre a diminuição da parcela respeitante à força de pressão
e o aumento respeitante à força de corte, observa-se, como no caso da
esfera e do cilindro, um decréscimo no coeficiente de arrasto quando se
inicia a transição (ver figura seguinte).
Na figura seguinte estão representados os valores do coeficiente
de arrasto para uma esfera e para um cilindro com superfícies lisas
(não-rugosas).
235 NOTAS PARA O ESTUDO DA MECÂNICA DE FLUIDOS
João M. Campos
CAMADA LIMITE E
FORÇAS SOBRE OBJECTOS
SUBMERSOS
400
200
100
60
40
20
10
6
4
2
1
0.6
0.4
0.2
0.1
0.06
10
-1
C
D
C
D
10
0
10
1
10
2
10
3
10
4
10
5
10
6 10
7
Re =
ρUD
μ
Smooth cylinder
Smooth sphere
24
Re
=
A
B C
D
E
Figura 9.3 Coeficiente de arrasto para uma esfera e para um cilindro em função do
número de Reynolds. (Gráfico retirado do Munson, Young e Okiishi)
9.4 Força de arrasto e velocidade terminal
De seguida são dados dois exemplos sobre o cálculo da velocidade
terminal de uma esfera, que já foram abordados no capítulo 6.
Exemplo 9.1
Pequenos grãos esféricos de pólen de diâmetro 0,04 mm e massa volúmica 800
kg/m
3
caem do topo de um pinheiro com 20 m de altura. Se houver uma brisa de ar na
direcção horizontal com intensidade 1 m/s, determine a que distância da árvore o grão
cai. Assuma que a velocidade horizontal do grão é igual à do ar.
Solução
As forças verticais que se exercem no grão durante a queda são: o seu peso, W, a
impulsão I e a força de arrasto exercida pelo ar sobre o grão D.
Durante os instantes iniciais da queda, a velocidade relativa do grão (referencial à
velocidade do ar) aumenta rapidamente, aumentando D. Após estes instantes o soma-
tório das componentes verticais das forças anula-se e os grãos entram em queda livre
com velocidade uniforme , a chamada velocidade terminal.
W - I = D
O peso de cada grão é dado respectivamente por:
W = µ
p
gtD
3
/6
I = µ
ar
gtD
3
/6
A força de arrasto é função de Reynolds tal como foi demonstrado pela análise
dimensional:
236 NOTAS PARA O ESTUDO DA MECÂNICA DE FLUIDOS
João M. Campos
CAMADA LIMITE E
FORÇAS SOBRE OBJECTOS
SUBMERSOS
v
D
C
vD
2
1
4
D
ar
D
ar
ar
2
2
t r
z
n
t
= = d n
em que v representa a componente vertical da velocidade relativa entre o grão e o ar.
Neste exemplo, assume-se que a velocidade do ar não tem componente vertical, pelo
que v representa a velocidade da queda do grão de pólen.
Como se pode ver na figura, no caso de Re < 1 (pelo facto do diâmetro das partícu-
las ser muito reduzido, é provável que o valor de Re seja inferior a 1, mas esta hipótese
tem que ser confirmada), o valor do coeficiente de arrasto é dado por:
Re
C
24
D =
pelo que:
v
D
C v
D
vD
vD
2
1
4 2
1
4
24
3 D ar D ar
ar
ar
ar
2
2
2
2
t r t r
t
n
rn = = =
Estabelecendo o balanço de forças e resolvendo em ordem a v resulta:
v
gD
18 ar
p ar
2
n
t t
=
- _ i
A 1 atm e 20 ºC, µ = 1,79×10
-5
Ns/m
2
e µ
ar
= 1,23 kg/m
3
. Calculando o número de
Reynolds obtém-se, Re = 0,107 < 1.
Conhecida a velocidade de descida do grão de pólen, calcula-se o tempo que ele
demora a percorrer os 20 m que separam o topo do pinheiro do solo, bem como a dis-
tância percorrida na horizontal durante a queda
514 t
v
h
d tv
v
hv
m ar
ar
" = = = =
em que v
ar
, representa a componente horizontal da velocidade do ar.
Exemplo 9.2
Uma pequena gota de água esférica com 0,1 mm de diâmetro está na atmosfera
a uma altura de 1500 m. Será que a gota sobe ou desce se o vento soprar na direcção
vertical (para cima) a uma velocidade de 1,5 m/s? E no caso da velocidade do vento
ser 0,1 m/s?
Solução
Supõem-se, tal como no exemplo anterior, que o tamanho da gota é suficiente-
mente pequeno pelo que Re < 1. Aproveitando o resultado do problema anterior:
v
gD
18 ar
p ar
2
n
t t
=
- _ i
em que v representa a velocidade relativa entre a gota e o ar.
Supondo que a 1 500 m as condições de pressão e temperatura são 1 atm e 20º C

ar
= 1,23 kg/m
3
e µ = 1,79×10
-5
Ns/m
2
), calcula-se a velocidade, v = 0,3 m/s.
Por definição de velocidade relativa:
v v v rel ar g = -
v v v
237 NOTAS PARA O ESTUDO DA MECÂNICA DE FLUIDOS
João M. Campos
CAMADA LIMITE E
FORÇAS SOBRE OBJECTOS
SUBMERSOS
em que a velocidade vrel
v
representa a velocidade “vista” por um observador que se move
à velocidade do ar e , v v g ar
v v
por observadores estacionários.
Se a gota e o ar se deslocarem em sentidos contrários o valor absoluto da veloci-
dade relativa tem de ser maior que o valor absoluto da velocidade do ar. No caso de se
deslocarem no mesmo sentido, o valor absoluto da velocidade relativa tem de ser menor
que o valor absoluto da velocidade do ar. Assim, no caso do vento ter uma velocidade de
1,5 m/s, a gota desloca-se para cima a uma velocidade de 1,2 m/s. No caso de o vento
ter uma velocidade de 0,1m/s, a gota desloca-se para baixo a uma velocidade 0,2 m/s.
9.5 Valores típicos do coeficiente de arrasto
para sistemas a duas e três dimensões
Um dos objectivos de quem projecta automóveis, aviões, pontes e
muitas outras estruturas é de reduzir o valor do coeficiente de arrasto.
Para isso fazem-se testes em modelos ou à escala em túneis de vento
e túneis de água, para determinar a forma dos objectos para a qual a
força de arrasto é mínima.
As tabelas seguintes mostram valores de coeficiente de arrasto
para vários objectos bi-dimensionais e tri-dimensionais.
Tabela de coeficientes de arrasto para objectos bi-dimensionais ( Munson, Young e Okiishi)
238 NOTAS PARA O ESTUDO DA MECÂNICA DE FLUIDOS
João M. Campos
CAMADA LIMITE E
FORÇAS SOBRE OBJECTOS
SUBMERSOS
Tabela de coeficientes de arrasto para objectos tri-dimensionais ( Munson, Young e Okiishi)
239 NOTAS PARA O ESTUDO DA MECÂNICA DE FLUIDOS
João M. Campos
CAMADA LIMITE E
FORÇAS SOBRE OBJECTOS
SUBMERSOS
Tabela de coeficientes de arrasto para diferentes objectos ( Munson, Young e Okiishi)

3

NOTAS PARA O ESTUDO DA MECÂNICA DE FLUIDOS João M. Campos

ÍNDICE

ÍNDICE

7 7 7 9 10 12 12 13

19 20 25 29 29 30 33 35 36 38 43 50 56 67 67 68 68 70 70 74 76 77 77 77

1. Introdução e conceito de viscosidade 1.1 Introdução 1.1.1 O que são fluidos? 1.1.2 Os Fluidos, a Mecânica dos Fluidos e a Engenharia Química 1.1.3 Um apanhado da história da Mecânica de Fluidos 1.2 Fluidos viscosos 1.2.1 Forças que actuam no seio de um fluido 1.2.2 Conceito de viscosidade - lei de Newton para um fluido; 16 1.2.3 Fluidos Newtonianos - viscosidade de fluidos comuns 1.2.4 Variação da viscosidade com a temperatura e pressão 1.2.5 Fluidos não-Newtonianos 1.3 Exercícios de aplicação propostos 2. Hidrostática 2.1 Pressão num ponto no seio de um fluido 2.2 Equação Fundamental da Hidrostática 2.3 Manómetros diferenciais 2.4 Forças em superfícies submersas 2.4.1 Superfícies planas verticais 2.4.2 Superfícies planas inclinadas 2.4.3 Superfícies curvas 2.5 Equilíbrio relativo 2.6 Exercícios de aplicação propostos 3. Cinemática do escoamento de fluidos 3.1 Descrição Eulereana e Lagrangeana de um escoamento 3.2 Campo de velocidade 3.3 Campo de aceleração 3.4 Visualização do campo de escoamento 3.4.1 Linhas de corrente, trajectórias, linhas de rasto e linhas do tempo 3.5 Vectores velocidade e aceleração ao longo de uma linha de corrente 3.6 Exemplos propostos de aplicação 4 Equação de Bernoulli 4.1 Introdução 4.2 Equação de Bernoulli ao longo de uma linha de corrente

4

NOTAS PARA O ESTUDO DA MECÂNICA DE FLUIDOS João M. Campos

ÍNDICE

80 82 82 83 87 87 88 89 92 92

4.3 2ª Lei de Newton na direcção normal a uma linha de corrente 4.4 Aplicações da equação de Bernoulli 4.4.1 Introdução 4.4.2. Jactos Livres 4.4.3. Medidores de caudal 4.4.3.1 Venturi 4.4.3.2 Medidor de orifício 4.4.3.3 Descarregadores 4.4.4. Medidores de velocidade 4.4.4.1. Tubo de Pitot

99 5 Análise Integral em Volumes de Controlo Finitos 99 5.1 Análise diferencial, integral e dimensional 101 5.2 Teorema do Transporte de Reynolds 101 5.2.1 Dedução do teorema do transporte de Reynolds 104 5.2.2 Teorema do transporte de Reynolds generalizado 106 5.3 Conservação de Massa- Equação da Continuidade 106 5.3.1 Dedução da equação da continuidade 109 5.3.2 Carga e descarga de reservatórios 117 5.3.3. Exercícios propostos de aplicação 122 5.4 Equação da Energia- 1ª lei da Termodinâmica 122 5.4.1 Dedução da equação da energia 124 5.4.2 Casos particulares da equação da energia 126 5.4.3 Aplicação da equação da energia a algumas máquinas simples 127 5.4.4 Comparação entre a equação da energia e a equação de Bernoulli 130 5.4.5 Aplicação da equação da energia a escoamentos nãouniformes 131 5.4.6 Exercícios propostos de aplicação 133 5.5 Equação da Quantidade de Movimento 133 5.5.1 Dedução da equação da quantidade de movimento 136 5.5.2 Aplicações da equação da quantidade de movimento 136 5.5.2.1 Força de atrito na parede de tubos 137 5.5.2.2 Força exercida num cotovelo 139 5.5.2.3 Força exercida por um líquido em escoamento numa comporta 140 5.5.2.4 Força exercida por um jacto sobre uma superfície 142 5.5.2.5 Energia degradada numa expansão súbita

1 Semelhança cinemática.5.6 Energia degradada numa contracção súbita 5.1 Escoamento em tubagens 171 6.5 NOTAS PARA O ESTUDO DA MECÂNICA DE FLUIDOS João M.2.2.2 Aplicação do teorema de  Buckingham 159 6.4 Exercícios propostos de aplicação 205 8 Escoamento em tubagens 205 8.2.5.4 Correlação de dados experimentais 168 6.2.5 Teoria dos modelos 168 6.2 Perfil de velocidade em escoamento turbulento 201 7.2.2 Escoamento em torno de objectos imersos 164 6.2. Campos ÍNDICE 143 144 148 5.7 Exemplos de aplicação diversos 5.4 Escoamento laminar numa coluna de parede molhada inclinada 197 7.2.3 Algumas notas sobre a aplicação do Teorema de  Buckingham 165 6.Escoamento laminar entre dois tubos concêntricos 194 7.2 Análise Dimensional 157 6.1 Perdas de carga em tubagens.2.2 Características das tubagens . semelhança e modelos 155 6.3 Escoamentos com superfície livre 176 6.1 Força de arrasto e velocidade terminal 175 6.2.5.2.2.1 Descrição do escoamento turbulento 200 7.2.3.5.Gráfico de Moody 207 8. dinâmica e geométrica 170 6.5.2.2 Escoamento Laminar 182 7.3 Exercícios propostos de aplicação 155 6 Análise dimensional.1 Equação de Poiseuille 192 7.5.6 Exercícios de aplicação propostos 181 7 Escoamentos Laminar e Turbulento 181 7.1 Teorema de  Buckingham 159 6.5.3 Grupos adimensionais na Mecânica de Fluidos 166 6.1 Introdução 157 6.2 Aplicação da teoria dos modelos 170 6.2.1 Introdução 182 7.3.2.1 Escoamento em tubagens 162 6.5.2.3 Escoamento turbulento 197 7.2.2.2.2 Escoamento em torno de objectos 173 6.3 Escoamento laminar numa coluna de parede molhada 196 7.5.

4.1 Introdução 232 9. Campos ÍNDICE 209 213 213 214 218 222 223 8.4 Força de arrasto e velocidade terminal 237 9.3 Forças de arrasto e de sustentação sobre um objecto imerso 231 9.1 Exemplos 8.3.5 Valores típicos do coeficiente de arrasto para sistemas a duas e três dimensões .1 Conceito de camada limite 229 9.2 Forças de arrasto e sustentação 233 9.2 Camada limite laminar numa placa plana imersa num fluido 227 9.2.7 Medidores de caudal 8.3 Perdas de carga localizadas em tubagens 8.6 Perda de carga em tubagens múltiplas 8.4 Perdas de carga em tubagens não circulares 8.8 Exercícios propostos de aplicação 227 9 Camada limite e forças sobre objectos submersos 227 9.3 Coeficiente de arrasto em função do número de Reynolds 235 9.3.1 Introdução 227 9.solução de Blasius 231 9.2.6 NOTAS PARA O ESTUDO DA MECÂNICA DE FLUIDOS João M.5 Exercícios resolvidos sobre perda de carga em tubagens 8.3.2 Espessura da camada limite numa placa plana.

e entre 8 e 10 dias se fizer greve da sede. que pode ser o de um qualquer vizinho nosso. Tira o pijama. Imagens chocantes em que se assiste a um definhar lento do ser humano. Campos INTRODUÇÃO AO CONCEITO DE VISCOSIDADE 1. o nosso vizinho resolve ir tomar banho para acordar. que nesse dia era 75% sintético. animal ou vegetal. Com certeza que já assistiram a imagens de pessoas em greve da fome. já que são indispensáveis à vida de qualquer ser. onde os fluidos desempenham uma actividade enorme. o álcool. o sistema circulatório onde o sangue desempenha um papel transportador de gases e nutrientes. INTRODUÇÃO E CONCEITO DE VISCOSIDADE 1. não há nada melhor do que recorrer a uma imagem forte para compreender a importância dos fluidos. uma pessoa morre num período de 3 a 5 minutos se fizer greve da respiração. Mas estar vivo não é ter todas as funções vitais a funcionar? Quais são as funções vitais? A respiração em que o ar e o dióxido carbono têm um papel importante. Imaginemos o quotidiano de um ser humano.1.1 Introdução 1. e interroguemo-nos sobre muitas das suas acções diárias. o petróleo. o hidrogénio têm propriedades muito semelhantes às do ar e no caso de líquidos. O ar e a água são fluidos. o hélio.7 NOTAS PARA O ESTUDO DA MECÂNICA DE FLUIDOS João M. Contudo não são os únicos. no caso de gases. A maioria destes fluidos tem uma presença contínua no dia a dia dos seres vivos. em sinal de protesto. Mesmo sem pensar no complexo sistema do corpo humano.1 O que são fluidos? As imagens e sensações mais fortes são as que perduram na nossa memória. greve da sede ou greve da respiração? A resposta é evidente. e liga a torneira da água. Acorda de manhã com sono e muitas vezes sem se lembrar que acordar é estar vivo. Como tal. Contudo. os mais importantes. o dióxido de carbono. e as funções auxiliares. o mercúrio. Pijama sintético? Mas donde vêm as fibras? Será que vêm das ramas de petróleo? E a água para o banho? E o gás para aquecer a água? Se não fossem fluidos poderiam desempenhar aquelas tarefas? Como terá a água atingido o 15º andar onde o nosso vizinho habita? . como a função de excreção do suor e a função renal. o sangue. o sistema digestivo onde a água e o ácido clorídrico têm uma actividade essencial. os objectivos pretendidos não seriam atingidos. porque é que não fazem. onde a água e o ácido úrico são de importância vital. comportam-se de alguma forma semelhante à água.

8 NOTAS PARA O ESTUDO DA MECÂNICA DE FLUIDOS João M. Arranca. o vento é forte. corre para o carro. pasta de dentes? Quais as semelhanças. Serão fluidos? Como terão sido fabricados? Por quantos processos de transformação terão passado? Sem mais demoras. um carro entrou num lençol de água. liga o sistema de ar condicionado e pede que lhe tragam uma água tónica para ir bebendo durante a manhã. desta vez todas as suas roupas são 100% algodão. Água. devastou. a palavra fluido significa a substância que se pode deslocar em liberdade completa (fluido ideal) ou em liberdade restrita (fluido real). O ramo da Mecânica que estuda as leis do movimento e a tendência ao escoamento dos fluidos é a Mecânica de Fluidos. perdeu as condições de aderência e deu um toque. chove. Campos INTRODUÇÃO AO CONCEITO DE VISCOSIDADE Depois de tomar banho. um vulcão entrou em erupção? Vulcão. Quem transporta o cheiro? Se estivesse vento de Nordeste seria bem pior. e por viver ao pé do mar sente um leve cheiro a maresia. quais as diferenças? Serão fluidos? Está atrasado. Como nota final. a costa da Califórnia. . vai lavar os dentes. olha para o mostrador e vê se o carro está em ordem. Água. óleo. O ramo da Mecânica de Fluidos que estuda em particular os líquidos (leia-se água) é a Hidromecânica e o que estuda em particular os gases (leia-se ar) a Aeromecânica. Qual seria a velocidade dos ventos? O que terá dado origem ao ciclone? Uma ponte nova não resistiu à força das águas de um rio e ameaça ruir. Leite e iogurte. de pequeno porte. e resolve tomar um copo de leite reconfortante e um iogurte. a comer e a dormir e num grande número de situações voltou a contactar com diferentes fluidos e várias interrogações poderiam novamente ser levantadas. veste-se. Porque será que a água tónica liberta tantas bolhas de gás? Passa uma vista de olhos pelo jornal. têm propriedades tão diferentes. sentiria o cheiro da fábrica de celulose que dista 10 km de sua casa. embora o seu carro seja potente e as suas linhas aerodinâmicas permitam uma condução segura em condições adversas. Notícias aterradoras. Sente dificuldade em guiar nestas condições. gasolina? O tubo de escape por onde saem os gases de exaustão estará em condições? No dia anterior fazia imenso barulho. O que é que a água tem a ver com a aderência? E com os pneus? Chega ao trabalho. Quem projecta aviões não deve saber evitar estes problemas? O resto do dia do nosso vizinho foi passado a trabalhar. teve de aterrar de emergência devido a um problema relacionado com elevadas temperaturas numa asa. No caminho assiste a um desastre. mais um vez. a lava será um fluido? Um ciclone. Quem projecta uma ponte não deverá saber calcular a força da água dos rios? Um avião.

de Ambiente. do que se o deixarmos calmamente . São exemplos deste tipo de equipamentos. com o que se designa por escoamentos internos. sendo a Petrogal em Leça da Palmeira um exemplo elucidativo. que foi projectada e construída para promover uma dada operação. ar e água estão presentes na maioria dos processos. Campos INTRODUÇÃO AO CONCEITO DE VISCOSIDADE 1.9 NOTAS PARA O ESTUDO DA MECÂNICA DE FLUIDOS João M. nomeadamente aqueles que envolvem transferência de calor e/ou transferência de massa. E o que é que a Mecânica de Fluidos permite ao Engenheiro Químico saber sobre o funcionamento destas peças de equipamento? Permite responder a perguntas tais como:       Qual a velocidade e a pressão do fluido num dado ponto. as colunas de destilação. Como exemplo.. e muitos outros fluidos são utilizados para os mais diversos fins.2 Os Fluidos. escoamentos confinados por uma superfície. a Mecânica dos Fluidos e a Engenharia Química Muitas das respostas às perguntas do nosso vizinho podem ser dadas por um Engenheiro Químico. são essenciais para estudar outros processos. aumentando a velocidade de renovação do ar. os tanques de armazenagem e em particular as tubagens que ligam entre si estas peças. Um Engenheiro Químico lida.1. quase sempre sólida. ou Aeronáuticos. na maioria dos casos. outras poderão ser mais apropriadamente dadas por Engenheiros Mecânicos. os reactores químicos. Na Engenheira Química. o escoamento de fluidos nas inúmeras peças de equipamento que vemos quando passamos ao lado de um grande número de Unidades Fabris que processam produtos químicos. i. Um café arrefece mais rapidamente se soprarmos. do escoamento? Que forças o fluido exerce sobre as paredes que confinam o escoamento? Como é que a forma e as dimensões do equipamento influenciam o escoamento? De que forma a pressão e a velocidade do escoamento podem ser medidas? Que potência é necessária para bombear um fluido em escoamento? Como é que se pode extrapolar resultados de estudos em modelos para equipamentos à escala real? Muitas destas questões não servem só para caracterizar o escoamento. ou secção recta.e. os permutadores de calor. Civis.

embora façam parte do dia a dia de cada um. são semelhantes a muitos outros que se passam em vários processos da Engenharia Química. mas a grande e complicada tarefa de interpretação dos fenómenos físicos. experimentando e teorizando.e. utilizando equipamento muito simples e uma grande dose de génio. i.3 Um apanhado da história da Mecânica de Fluidos O que mais impressiona quando nos debruçamos sobre a história da Mecânica de Fluidos é o enorme número de conceitos que hoje aplicamos com grande sucesso e que foram descobertos há centenas. Nesta breve cronologia está bem patente o desenvolvimento da Mecânica de Fluidos a partir do chamado período do conhecimento. vamos conhecer alguma coisa sobre a sua história. 1. tal como a maioria das Ciências Exactas nasceu e floresceu quando o Homem passou a acreditar nas suas possibilidades e a pôr em prática o seu espírito crítico.C.10 NOTAS PARA O ESTUDO DA MECÂNICA DE FLUIDOS João M. e alguns há milhares de anos. Campos INTRODUÇÃO AO CONCEITO DE VISCOSIDADE pousado sobre a mesa do café. barcos de recreio. Algumas descobertas importantes para o progresso da Mecânica de Fluidos e respectivas datas A Mecânica de Fluidos. observando. Estes exemplos. sujeita à deslocação e renovação do ar de uma sala. que tudo começou duzentos anos antes de Cristo com Arquimedes a descobrir o princípio da impulsão? O século XX foi sem dúvida o século do desenvolvimento tecnológico. ficarão certamente impressionados. foi feita ao longo de muitos séculos. Desafio os alunos no fim do semestre a lerem novamente a cronologia da Mecânica de Fluidos e a situarem no tempo tudo aquilo que aprenderam. já que ela está intimamente ligada à História Universal. 287-212 A. Arquimedes estabeleceu os princípios elementares da impulsão. . Antes de iniciar o estudo da Mecânica dos Fluidos. o período Renascentista. do que quando fechada numa gaveta sem ar em circulação. Quem imagina ao tomar banho numa praia cheia de motas de água. a construção dos alicerces do grande edifício.1. e mostram a necessidade do conhecimento da Mecânica de Fluidos. Uma esfera de naftalina sublima mais rapidamente quando colocada em cima de um armário.

. ao nível de forças intermoleculares. 1608-1647 Torricelli mediu a pressão atmosférica através da altura barométrica. 1785-1836 Louis Navier estabeleceu as equações microscópicas. 1707-1783 Euler formulou a equação de Bernoulli. 1789-1857 Cauchy estudou a propagação de ondas de pressão em fluidos. 1819-1903 Stokes derivou analiticamente várias equações de escoamento.11 NOTAS PARA O ESTUDO DA MECÂNICA DE FLUIDOS João M. 1880-1953 Moody propôs um método para correlacionar a resistência ao escoamento em tubos.regimes inercial e viscoso. bem como equações básicas de escoamento de fluidos. Campos INTRODUÇÃO AO CONCEITO DE VISCOSIDADE 1452-1519 Leonardo da Vinci estabeleceu os princípios elementares da continuidade de massa. 1623-1662 Pascal clarificou princípios barométricos e de transmissão de pressão. 1838-1916 Mach iniciou estudos em escoamentos supersónicos. 1799-1869 Poiseuille estudou a resistência ao escoamento em tubos capilares . 1746-1822 Venturi realizou testes de escoamentos em contracções e expansões. 1700-1782 Bernoulli adaptou princípios termodinâmicos para explicar a carga cinética de um fluido em escoamento. Estudou o escoamento de líquidos em torno de esferas. 1842-1912 Osborne Reynolds descreveu experiências em vários campos: cavitação. similaridade em modelos e escoamento em tubos. 1797-1884 Hagen estudou a resistência ao escoamento em regime transitório (laminar/turbulento). 1867-1940 Buckingam desenvolveu a análise dimensional. de escoamento de fluidos.regime laminar. 1695-1771 Pitot construiu o primeiro equipamento para medir o perfil de velocidade num escoamento. 1810-1879 Froude desenvolveu estudos de similaridade entre modelos e protótipos. 1642-1727 Isaac Newton estudou a resistência ao escoamento de fluidos . Introduziu os conceitos de cavitação e de centrifugação. 1564-1642 Galileu Galilei impulsionou a Mecânica de Fluidos experimental. 1875-1953 Prandtl introduziu o conceito de camada limite.

As forças tangenciais são designadas por forças de corte (Fc) e as forças normais por forças de pressão (Fp). na maioria das vezes de uma forma não-uniforme.2) . Campos INTRODUÇÃO AO CONCEITO DE VISCOSIDADE 1881-1963 Von Karman deu contribuições importantes nos domínios da turbulência. define-se: dF p dA dF c p = lim dA " 0 dFp d Fp = dA d A (1. 1.2 Fluidos viscosos 1. A força da gravidade é um exemplo de uma força que actua à distância.1 Forças que actuam no seio de um fluido No seio de um fluido actuam forças à distância e por contacto. As forças de contacto são forças distribuídas ao longo da superfície onde actuam. Por serem distribuídas.2. estas forças são normalmente referenciadas à unidade de área. da camada limite e da separação de um escoamento.1) x = lim dFc = d Fc dA " 0 d A dA (1. passando a designar-se por tensões. 1883-1970 Blasius correlacionou a resistência ao escoamento em tubos com o número de Reynolds. enquanto as forças tangenciais e normais que se desenvolvem no interior do fluido são exemplos de forças de contacto.12 NOTAS PARA O ESTUDO DA MECÂNICA DE FLUIDOS João M. Tomando uma área infinitesimal A onde actuam forças de contacto.

a placa superior com uma velocidade v0 é necessário aplicar uma força exterior F de forma a “vencer” a resistência ao movimento oferecida pelo fluido.13 NOTAS PARA O ESTUDO DA MECÂNICA DE FLUIDOS João M. tomando a força que se exerce por unidade de área. Campos INTRODUÇÃO AO CONCEITO DE VISCOSIDADE A tensão normal p designa-se por pressão e a tangencial  por tensão de corte. à força que a placa exerce sobre o fluido adjacente. Pode-se eliminar o efeito da área. t = 0. F v0 y x yo Fluido Demonstra-se que para valores reduzidos de v0 e de y0 . A força que o fluido adjacente exerce sobre a placa tem igual direcção e intensidade mas sentido contrário. o perfil de velocidade que se desenvolve no fluido é linear e pode ser expresso analiticamente por: . Pelo princípio da acção-reacção. segundo a direcção x. considerem-se duas placas planas paralelas de comprimento infinito e separadas por uma pequena distância y0 . direcção e sentido. A intensidade desta força exterior depende da área da placa.3) FC = (1. intensidade.2. Para deslocar. esta força exterior é igual. Num dado instante.lei de Newton para um fluido O conceito de viscosidade de um fluido está intimamente ligado à resistência que um fluido opõe ao seu deslocamento. as respectivas forças podem ser determinadas por integração. do tipo de fluido e da velocidade v0 que se pretende imprimir à placa.2 Conceito de viscosidade . o espaço entre as placas está cheio com um fluido em repouso. Se a distribuição das tensões ao longo de uma superfície for conhecida. Para introduzir este conceito. Fp = A # p (A) dA # x (A) dA A (1.4) 1.

pretende-se saber onde estarão situados os elementos de fluido. inicialmente (t = 0) na linha aa`. observa-se uma relação de proporcionalidade entre a tensão de corte  no interior do fluido e a resultante taxa de deformação do fluido expressa por d/t: x \ di dt (1.7) . a variação de vx ao longo de y é constante : d vx v0 = dy y0 (1.6) Conhecido o perfil. água e ar. t segundos após o início do movimento da placa. o elemento de fluido adjacente à placa em movimento percorre durante o intervalo de tempo t uma distância v0t.14 NOTAS PARA O ESTUDO DA MECÂNICA DE FLUIDOS João M.5) yo y x 0 Sendo o perfil linear. enquanto o elemento de fluido adjacente à placa parada se mantém imóvel . Pela condição de não-deslizamento. Campos INTRODUÇÃO AO CONCEITO DE VISCOSIDADE vx (y) = v0 y y0 v0 (1. v0 a’ yo a δθ v0 δt Nos fluidos mais comuns.

Quando se desloca a primeira carta. se a superfície das cartas for muito rugosa. di = v0 dt " di = v0 y0 y0 dt Combinando as equações (1. pelo que a tensão de corte no interior do fluido ao longo das diversas camadas é igualmente constante. o deslocamento da primeira carta é l3 < l2 < l1.9) (1.8) A constante de proporcionalidade. Se se aplicar a força F durante o intervalo de tempo t.15 NOTAS PARA O ESTUDO DA MECÂNICA DE FLUIDOS João M. Há alguma semelhança entre a tensão de corte num fluido e a força de atrito quando há movimento relativo entre sólidos. o atrito entre as cartas aumenta. Quando se desloca a primeira carta.6) . o deslocamento da primeira carta é l2 < l1. Campos INTRODUÇÃO AO CONCEITO DE VISCOSIDADE Por considerações geométricas e admitindo que o valor da tangente de um ângulo infinitesimal é bem aproximado pelo valor do próprio ângulo. o atrito entre as cartas é muito reduzido.8) resulta: x \ d vx = n d vx dy dy (1. Um exemplo ilustrativo é o que acontece a um baralho de cartas quando se pretende deslocar horizontalmente a primeira carta:  se a superfície das cartas for muito polida. Considere que o deslocamento da primeira carta é l1 quando se aplica a força F durante o tempo t. a maioria das cartas desloca-se. se a superfície das cartas for ligeiramente rugosa.   Que conclusões se podem tirar comparando este exemplo com o do fluido posto em movimento pela força aplicada à placa?  O atrito (a viscosidade) é responsável pelo movimento das cartas que se encontram por baixo da primeira carta (semelhante . perfil de velocidade linear. Se se aplicar a força F durante o tempo t. A variação de vx ao longo de y é constante. obtém-se o valor da taxa de deformação: tg di .(1.. as que estão imediatamente a seguir deslocam-se. designa-se por coeficiente de viscosidade ou simplesmente por viscosidade. observando-se uma grande diferença entre o espaço percorrido por cada uma. mas não se observa uma grande diferença entre o espaço percorrido por cada uma. as que estão imediatamente a seguir não sofrem qualquer deslocamento.

Facilmente se conclui que 1 Poise = 0. Frequentemente.2. Aplicando a mesma força. sendo os mais comuns: a água.viscosidade de fluidos comuns Os fluidos em que se observa uma proporcionalidade directa entre a variação de velocidade (dvx/dy) e a tensão de corte (). designam-se por fluidos Newtonianos. o ar.s. o hidrogénio. e no caso dos líquidos a elevada gama de valores. quanto maior é o atrito (viscosidade) menor é a velocidade de deslocamento da primeira carta (do fluido adjacente à placa). etc. o tetracloreto de carbono. e no sistema c.16 NOTAS PARA O ESTUDO DA MECÂNICA DE FLUIDOS João M. a viscosidade dinâmica aparece dividida pela massa volúmica e designa-se esta razão por viscosidade cinemática: . o hexano.3 Fluidos Newtonianos . o benzeno. também chamada de viscosidade dinâmica. A tabela seguinte mostra valores da viscosidade dinâmica de alguns fluidos Newtonianos a 1 atm e 20 ºC. o azoto. etc. quase a par (que o fluido se desloque quase em bloco).s)]. o alcool etílico. as soluções aquosas de sais inorgânicos e de açucares.s. A grande diferença é que nos sólidos o atrito é resultado da forma. 1. A constante de proporcionalidade é a viscosidade.s)]. A maioria dos fluidos tem características Newtonianas. A variação de velocidade das cartas na direcção normal ao baralho é pequena (a variação de velocidade no fluido na direcção normal ao escoamento é igualmente pequena). e energia das moléculas (interna e intra-molecular). o Poise [g/(cm.s [kg/(m.1 Pa. A água é 1500 vezes menos viscosa que a glicerina pura. A unidade da viscosidade dinâmica no sistema Internacional é o Pa. Um atrito muito elevado (elevada viscosidade) faz com que as cartas se desloquem lentamente.g. Campos INTRODUÇÃO AO CONCEITO DE VISCOSIDADE   ao movimento das camadas de fluido que se encontram subadjacentes à que está em contacto com a placa). sendo de realçar a grande diferença entre a viscosidade dos líquidos e a dos gases. enquanto que nos fluidos a resistência ao escoamento processa-se ao nível molecular e está intimamente ligada ao tamanho. tipo de material e acabamento das superfícies em contacto.

r x D Calcule a tensão de corte na parede do tubo e no interior do fluido na posição r=R/2.s. R o raio interno do tubo. Tabela 1.1 Água está em escoamento no interior de um tubo circular sendo o perfil de velocidade numa dada secção recta do tubo dado analiticamente por: v x (r) = b 2 2 (R .5 x 10-3 0.5 n n (H2) 1 2.9 x 10-4 1. Campos INTRODUÇÃO AO CONCEITO DE VISCOSIDADE y= n t (1. a intensidade da tensão de corte na parede é dado pela lei de Newton aplicada a fluidos: xr = R = n c d vx ^ r h m dr r=R A variação da velocidade com r junto à parede pode ser conhecida a partir do perfil de velocidade: .8 x 10-5 2. a unidade da viscosidade cinemática é o Stoke (St).g.2 x 10-3 1.084 1.17 NOTAS PARA O ESTUDO DA MECÂNICA DE FLUIDOS João M.s) 8. e vx(r) a velocidade do fluido ao longo da direcção x na posição r. calcule a força exercida pela água sobre o tubo ao longo deste comprimento. equivalendo 1 St a 10-4 m2/s.Viscosidade de fluidos Newtonianos a 1atm e 20ºC Fluido Hidrogénio Ar Gasolina Água Álcool Mercúrio Azeite Glicerina  (Pa.0 x 10-3 1.r ) 4n em que  é uma constante.9 x 10-6 1.10) No sistema c. r a distância radial medida a partir do eixo.1 33 114 135 170 9440 168000 Exemplo 1. Solução Por se tratar de um fluido Newtoniano. Se o perfil persistir numa distância de tubo L.

Dados: Ri = 40 mm. Determine a potência mecânica necessária para que o tubo interior gire a uma velocidade de rotação constante n (rpm). Re = 41 mm. n = 1200 rpm e L = 150 mm 2 De Di Solução Segundo o enunciado. calcula-se a tensão de corte exercida pelo fluido no veio em rotação: . Campos INTRODUÇÃO AO CONCEITO DE VISCOSIDADE d vx ^ r h d vx ^ r h b m = . onde o seu valor é nulo.s. a tensão de corte no interior do fluido varia ao longo de r.2r dr 4n dr 4n r=R A tensão de corte na parede calcula-se combinando as duas equações anteriores: xr = R = 2Rn b Rb = 4n 2 Seguindo o mesmo raciocínio.Ri Recorrendo à definição de fluido Newtoniano. A tensão de corte exercida pelo fluido sobre a superfície interna do tubo. determina-se a chamada força de atrito sobre o tubo. A potência a fornecer é dada pelo produto do momento da força de corte da graxa sobre o veio em rotação pela sua velocidade angular.R dr 4n d r r = R/2 4n 4 Pelo facto de o perfil não ser linear. pelo que a intensidade da força que o fluido exerce sobre a parede é dada por: F = xr = R A " F = n c dv x ^ r h m 2rRL dr r=R Substituindo.  = 4x10-3 Pa. onde se observa o valor máximo. Ff: Ff = rR bL Exemplo 1. até à parede.r Re . agora para r=R/2: xr = R/2 = n ` d vx j d r r = R/2 b b Rb d vx dv "` xj " xr = R/2 = = 2r =. O espaço entre tubos é preenchido por uma graxa de viscosidade .2R b "c = .2 Um veio cilíndrico de raio Ri gira no interior de um tubo igualmente cilíndrico de raio Re.18 NOTAS PARA O ESTUDO DA MECÂNICA DE FLUIDOS João M. no sentido do escoamento. a velocidade da graxa varia linearmente com r: v^ r h = vr = Ri Re . Suponha uma distribuição linear de velocidade na graxa. aumentando desde o eixo do tubo. é uniforme ao longo de todo o comprimento L do tubo.

Rih 3 2 3 1. a água é uma excepção já que diminui moderadamente. . uniforme ao longo da superfície lateral. obtém-se: xr = Ri = n ~Ri Re .11) em que 0 representa a viscosidade conhecida à temperatura T0 e n é função do tipo de gás. a intensidade do momento aplicado por via mecânica. A viscosidade dos gases aumenta com a temperatura. pelo que o braço.19 NOTAS PARA O ESTUDO DA MECÂNICA DE FLUIDOS João M. cT m T0 n0 (Lei da potência) (1. coincide com o raio Ri.Ri Se o veio gira a uma velocidade angular constante. o sentido destes momentos é contrário. Campos INTRODUÇÃO AO CONCEITO DE VISCOSIDADE xr = Ri = n ` vr = Ri d vx " xr = Ri = n j d r r = R/2 Re . A força de corte é tangente à superfície lateral em cada ponto. pelo braço. a tensão de corte é uniforme sobre toda a superfície lateral do veio. distância na perpendicular entre o vector força e o eixo do veio. O momento da força de corte na superfície lateral é dado pelo produto da intensidade da força de corte. tem de ser igual ao momento da força de corte aplicado pela graxa na superfície lateral. momento activo. não dependendo da coordenada axial x. Duas expressões (entre muitas) que traduzem esta variação são a lei da potência e a lei de Sutherland: n n .Rih 3 A potência a fornecer ao veio é dada pelo produto do momento pela velocidade angular (= 2n/60): P = MFcorte ~ 2 r nn R i L 1800^Re . pelo que: MFcorte = Ri xr = Ri 2rRi L " MFcorte = 2rn~R i L ^Re . As velocidades tangencial e angular estão relacionadas: vr = Ri = ~Ri Substituindo na equação anterior. momento resistente.2. O braço é sempre o mesmo ao longo de toda a superfície lateral.Ri De acordo com esta equação.4 Variação da viscosidade com a temperatura e pressão A viscosidade dos gases e da maioria dos líquidos aumenta moderadamente com a pressão. Contudo.

n0 T+S (Lei de Sutherland) (1.5 Fluidos não-Newtonianos Há inúmeros fluidos em que não se observa uma proporcionalidade entre a tensão de corte e a variação da velocidade na direcção normal ao escoamento.2. o declive . Os resultados experimentais são bem ajustados por uma função do tipo: ln 2 n . Na figura estão representados as diversas funcionalidades que se observam na maioria dos fluidos que têm na sua estrutura moléculas maiores do que as da água ou que têm na sua composição uma elevada concentração de partículas sólidas em suspensão. Campos INTRODUÇÃO AO CONCEITO DE VISCOSIDADE ln ^T T0h3 2 ^T0 + Sh n . A viscosidade dos líquidos decresce com a temperatura de uma forma exponencial.20 NOTAS PARA O ESTUDO DA MECÂNICA DE FLUIDOS João M.12) em que S é função do tipo de gás. a + b T0 + c T0 m T T n0 (1. 1. Ps eu do pl ás ti c o N Bi ng ha m τ D i la ta nt e ew to ni an o dv / dy Fluidos Pseudoplásticos Nos fluidos Pseudoplásticos ou reofluidificantes a razão [/(dv/dy)] diminui para valores crescentes da tensão de corte aplicada.13) Estas expressões e muitas outras podem ser encontradas em vários livros sobre propriedades termodinâmicas de fluidos.

colas e óleos pesados. onde as tensões de corte são elevadas. sangue. São exemplos de fluidos Pseudoplásticos as lamas. pastas.21 NOTAS PARA O ESTUDO DA MECÂNICA DE FLUIDOS João M. São exemplosde fluidos dilatantes ou espessantes as soluções aquosas de farinha. Campos INTRODUÇÃO AO CONCEITO DE VISCOSIDADE em cada ponto da curva representada na figura seguinte diminui à medida que o valor da tensão de corte aumenta. os óleos pesados são pouco viscosos permitindo a lubrificação. τ Dilatantes B A dv / dy . o declive da curva representada na figura aumenta à medida que o valor da tensão de corte também aumenta. onde as tensões de corte são reduzidas. quer como vedantes. Os óleos pesados são um exemplo curioso. soluções poliméricas. τ B A Pseudoplásticos dv / dy Fluidos Dilatantes Nos fluidos Dilatantes a razão [/(dv/dy)] aumenta para valores crescentes da tensão de corte aplicada. Nos apoios de motores. são muito viscosos permitindo a vedação. e nas juntas. já que as características pseudoplásticas permitem que sejam usados quer como lubrificantes.

Os fluidos Reopéticos são aqueles em que a viscosidade aumenta com o tempo.6 Viscosímetro de cilindros coaxiais Exemplo 1. . A pasta de dentes só entra em escoamento quando se aplica uma tensão superior a 0 (tensão de cedência). São exemplos bem conhecidos a pasta de dentes e as geleias. São exemplos as tintas. agitando com o pincel. τ τ0 Bingham dv / dy Fluidos Tixotrópicos e Reopéticos São fluidos que quando sujeitos a uma tensão de corte. Campos INTRODUÇÃO AO CONCEITO DE VISCOSIDADE Fluidos de Bingham Estes fluidos apresentam elevada resistência (“infinita”) para baixas tensões de corte.3 Um viscosímetro de cilindros coaxiais está representado na figura. está suspenso por um fio calibrado para . mas são muito menos viscosas quando se inicia a sua aplicação.2.22 NOTAS PARA O ESTUDO DA MECÂNICA DE FLUIDOS João M. a variação de velocidade na direcção normal ao escoamento varia com o tempo. O cilindro interno. O cilindro externo. Os fluidos Viscoelásticos são caracterizados por voltarem ao seu estado inicial logo após cessar a tensão aplicada. está ligado a um eixo que lhe transmite uma velocidade de rotação. de diâmetro De. Os fluidos Tixotrópicos são aqueles em que a viscosidade diminui com o tempo. Há dois tipos. 1. de diâmetro Di. As tintas são muito viscosas quando se abre uma lata e se procede à sua homogeneização. os Tixotrópicos e os Reopéticos. o que impede o assentamento dos pigmentos durante o período de armazenagem.

o mesmo sentido de rotação do cilindro exterior. em função de Mt. Ambos têm direcção segundo o eixo do cilindro e igual sentido. Acoplado ao fio.Ri vr =Re A tensão de corte na parede do cilindro interior é dada por: xr = Ri = n c d v (r) v " xr = Ri = n r = Ri m dr r = Ri Re . há um ponteiro que indica o momento de torção.Ri . Atingido este equilíbrio. Campos INTRODUÇÃO AO CONCEITO DE VISCOSIDADE medir esforços de torção. Na figura seguinte está representada uma vista de topo que permite visualizar o perfil de velocidade. Mt.23 NOTAS PARA O ESTUDO DA MECÂNICA DE FLUIDOS João M. Analiticamente o perfil é dado por: v (r) = vr = Re r .Ri Re . Admita perfis lineares de velocidade no líquido. Intensidade do momento aplicado na superfície lateral pela força de corte O perfil da velocidade tangencial no líquido em rotação é linear (sugerido no enunciado). O fio torce até que o momento da reacção do fio à torção equilibra o momento da força de corte exercida pelo fluido sobre o cilindro interno. Mt Di De H a y r Solução A intensidade do momento aplicado pelo fluido ao cilindro interno é igual à soma da intensidade dos momentos aplicados na superfície lateral e na base do cilindro. H. Determine a expressão que permite calcular a viscosidade de um fluido a ser testado. O cilindro externo transmite movimento de rotação ao fluido viscoso e este por sua vez transmite movimento ao cilindro interno. Di. o cilindro interno deixa de rodar. De. a e da velocidade .

Rih 2 Intensidade do momento aplicado na base do cilindro pela força de corte rebatimento do perfil a y r v(y. quando r tende para 0.v (r.24 NOTAS PARA O ESTUDO DA MECÂNICA DE FLUIDOS João M. na perpendicular. 0h d v (r. a tensão de corte tenda para um valor uniforme. tangencial à superfície lateral do cilindro. 0) a A tensão de corte na base do cilindro interior (y=a) é função de r: x^r.r) O perfil de velocidade no líquido em rotação é linear (sugerido no enunciado) ao longo da coordenada y representada na figura. A intensidade do momento aplicado pelo fluido na superfície lateral. O braço é a distância. cuja espessura é r. no limite. Analiticamente o perfil da velocidade tangencial é dado por: v (r. y " x^r. ah = n c x^r. quando r tende para 0 a área tende para uma “linha” onde a tensão de corte é uniforme. é então dada por: MFoL = Ri FL " MFoL = Ri xr = Ri 2rRi H " MFoL = 2rn~Re R i H ^Re . 0) y + v (r. ah = n~ v^r. satisfaz esta condição. y) = .Ri A intensidade do momento da força de corte relativamente ao eixo do cilindro é dada pelo produto da intensidade da força de corte. MFoL . Esta distância é igual ao raio do cilindro ao longo de toda a superfície lateral. A área da coroa infinitesimal representada na figura. . resultando: r a Pelo facto da tensão de corte variar com r (força distribuída não uniforme) é necessário “encontrar” uma área infinitesimal onde.0) = r. Campos INTRODUÇÃO AO CONCEITO DE VISCOSIDADE A velocidade tangencial relaciona-se com a velocidade angular: vr = ~r " vr = Re = ~Re Substituindo na equação anterior obtém-se: xr = Ri = n~ Re Re . pelo respectivo braço. do vector força ao eixo do cilindro. ah = n m dy a y=a Mas v(r. Contudo. a velocidade tangencial do fluido além de variar com y varia igualmente com r.

2 mm de diâmetro. Mt.3 Exercícios de aplicação propostos 1. ah 2rdr Integrando ao longo do raio obtém-se: Ri MFB = 0 r # rn~ a 2r d r = rn~R 2a 4 i Somando a intensidade dos dois momentos: 2rn~R i Re H rn~R i + 2a ^Re . que se exerce nesta área infinitesimal é dada por: dMFB = rdFB = rx^r. Resolvendo em ordem à viscosidade.5 Pa.25 NOTAS PARA O ESTUDO DA MECÂNICA DE FLUIDOS João M. O espaço entre o veio e o tubo está cheio com glicerina a 20 ºC ( = 1. Campos INTRODUÇÃO AO CONCEITO DE VISCOSIDADE r δr O valor desta área é dado por: 2 dA = 6 r^r + dr h . aberto nos extremidades.1 Um veio de aço ( = 7850 kg/m3) com 30 mm de diâmetro e 400 mm de comprimento cai. no interior de um longo tubo vertical com 30. força tangencial.rr @ " dA = 2rrdr 2 A intensidade do momento da força de corte. sob a acção do seu próprio peso. . obtém-se: n= Mt 2 Re H R 2r~R c + i m Re . Determine a velocidade terminal do veio.Rih 4 2 MFL + MFB = A intensidade do momento da força de corte na superfície do cilindro é igual à intensidade do momento de torção do fio.Ri 4a 2 i 1.s).

uma nova placa.7 Pa. No seio do líquido.2 O espaço entre duas placas planas separadas de 25 mm está cheio com um líquido de viscosidade 0. Prato móvel 1 cm Óleo Prato fixo 25 kg 1.0050 mm de espessura. em deslocamento uniforme sob a acção de uma massa de 25 kg.5 Um cilindro vertical roda no interior de um outro cilindro montado coaxialmente.s) e a área de contacto do prato superior com o 2 óleo 0.4 A figura mostra dois pratos distanciados de 1 cm. Assumindo variações lineares de velocidade no líquido. A viscosidade do óleo é 7 cP. Supondo que o perfil de velocidade no óleo é linear. Se o fluido entre os pratos for óleo (viscosidade 0. muito delgada. com dimensões 250 mm x 250 mm .s. Admita perfil de velocidade linear no óleo. calcule a velocidade terminal do bloco. Se o cilindro interior rodar a uma velocidade . Campos INTRODUÇÃO AO CONCEITO DE VISCOSIDADE 1. determine a força que este exerce sobre a placa em deslocamento.75 m . determine a velocidade do prato superior.3 Um bloco de faces quadradas (200 mm de aresta) pesa 1 kN e desliza num plano inclinado ao longo do qual escorre uma película de óleo de 0. de peso desprezável. Entre os cilindros existe uma película de óleo de viscosidade  e espessura e. 1.650 Pa. é posta em movimento. o inferior está fixo e o superior.26 NOTAS PARA O ESTUDO DA MECÂNICA DE FLUIDOS João M.0050 mm 1 kN 20º 1. velocidade 150 mm/s. 0. a 6 mm de uma das placas.

s.14 Pa. Calcule o momento (binário) necessário para rodar um dos discos a uma velocidade de 7 rps relativamente ao outro.13 mm de espessura separa dois discos. montados coaxialmente.05 N. . A velocidade de rotação é medida por um conta-rotações montado na extremidade livre do veio.2 mm.6 Uma película de óleo com 0. sendo a espessura da camada 0. D e 1. A viscosidade do óleo é 0. Calcule a viscosidade mínima que é possível medir com este dispositivo.7 A figura representa um viscosímetro constituído por um motor eléctrico que acciona um tambor cilíndrico de diâmetro 50 mm colocado coaxialmente no interior de outro cilindro.m para qualquer velocidade entre 0 e 1000 rpm. Campos INTRODUÇÃO AO CONCEITO DE VISCOSIDADE angular de n rps (o exterior está parado) e tiver um diâmetro D. a. Admita uma distribuição linear de velocidade no fluido. 1.27 NOTAS PARA O ESTUDO DA MECÂNICA DE FLUIDOS João M. O motor produz um momento (binário) constante de 0. qual é o momento (binário) que é necessário aplicar? Assuma perfil linear de velocidade entre os cilindros. O espaço entre os cilindros é preenchido por um fluido cuja viscosidade se pretende medir. cada um com 200 mm de diâmetro.

Estabelecendo uma expressão para a potência calorífica dissipada. faça uma análise quantitativa e diga em que casos. grande viscosidade ou pequena.28 NOTAS PARA O ESTUDO DA MECÂNICA DE FLUIDOS João M. conta-rotações motor 500 mm . o aquecimento poderá tornar-se importante. Campos INTRODUÇÃO AO CONCEITO DE VISCOSIDADE b. Este método de medida poderá ser prejudicado por um eventual aquecimento do fluido dentro do dispositivo.

o elemento representa um “ponto” no seio do fluido. HIDROSTÁTICA 2.2) dy dz ^dxh2 + ^dyh2 ( pi = px py o θ px pθ θ .29 NOTAS PARA O ESTUDO DA MECÂNICA DE FLUIDOS João M.1) (2. só actuam tensões normais. No elemento infinitesimal de fluido representado na figura. as suas dimensões podem ser tão reduzidas quanto se desejar.1 Pressão num ponto no seio de um fluido Um fluido em repouso não está sujeito a tensões de corte. py δz o y pθ x o’ δx δy θ px Um elemento de fluido está em repouso. pelo que no limite. nomeadamente o somatório vectorial das forças que sobre ele actuam é nulo. quando as condições de equilíbrio estático são verificadas. Equilíbrio de forças na direcção ox : px dzdy = pi sen idz ^dxh2 + ^dyh2 px dzdy = pi ^dxh2 + ^dyh2 (2. Por ser infinitesimal. Campos HIDROSTÁTICA 2. paralelepípedo seccionado por um plano diagonal.

Campos HIDROSTÁTICA Equilíbrio de forças na direcção oy : py dzdx + tg dxdydz = pi cos idz ^dxh2 + ^dyh2 2 dx dz ^dxh2 + ^dyh2 2 2 ^ dx h + ^ dy h (2.3) dxdydz = ti 2 dy ( pi = px + tg 2 py dzdx + tg (2. de forma cúbica.30 NOTAS PARA O ESTUDO DA MECÂNICA DE FLUIDOS João M.2) e (2. Equilíbrio segundo a direcção oz : p+ ∂p δz ∂z δy δx ρ g δ z δx δy δz z 0 x p .4) conclui-se que: px = py = pi (2. z 0 o elemento reduz-se a um “ponto” no seio do fluido e de acordo com as equações (2.5) Esta igualdade mostra que no interior de um fluido em repouso a pressão num “ponto” exerce-se com igual intensidade em todas as direcções.4) Tomando o lim x. 2. representado na figura. Considere o elemento de fluido infinitesimal. y.2 Equação Fundamental da Hidrostática A equação fundamental da hidrostática resulta da aplicação das condições de equilíbrio estático necessárias para o fluido permanecer em repouso.

Campos HIDROSTÁTICA 2p A pressão na face inferior do elemento é p. De um balanço de forças segundo a direcção oz resulta: .tg 2z 2z (2. e na superior p + dz 2z .7) Equilíbrio segundo a direcção oy : De um balanço de forças segundo a direcção oy resulta: p+ δy δx δz z 0 x y p ∂p δy ∂y -c p + 2p 2p dy m dxdz + pdxdz = 0 " =0 2y 2y (2.8) .31 NOTAS PARA O ESTUDO DA MECÂNICA DE FLUIDOS João M.tgdzdxdy .c p + 2p 2p dz m dxdy + pdxdy = 0 " = . 2p representando dz a variação de pressão no interior do fluido num 2z comprimento infinitesimal .6) Equilíbrio segundo a direcção ox : δy p δz z 0 x δx p+ ∂p δx ∂x De um balanço de forças segundo a direcção ox resulta: -c p + 2p 2p dx m dydz + pdydz = 0 " =0 2x 2x (2.

9) # d p = .. a pressão é constante. frequentemente denominada por carga de pressão.p2. No caso de um fluido incompressível. representa a altura de uma coluna de líquido. i. negativa no sentido contrário ao do vector aceleração da gravidade.10) p2 h p1 z2 z1 z A altura h.  As conclusões anteriores podem ser condensadas em notação vectorial: 2p v 2p v 2p v v v i+ j+ k = grad p = tg 2x 2y 2y Fluidos incompressíveis Sempre que a variação da massa volúmica com a pressão é pouco significativa. com peso volúmico  = g. os planos horizontais são planos isobáricos. necessária para obter uma diferença de pressão p1 . o fluido pode ser tratado como incompressível.32 NOTAS PARA O ESTUDO DA MECÂNICA DE FLUIDOS João M. e. Campos HIDROSTÁTICA Do equilíbrio nas três direcções conclui-se que:  no interior de um fluido em repouso há uma variação de pressão ao longo da direcção vertical. ao longo dos planos perpendiculares ao vector aceleração da gravidade. a equação geral da hidrostática integra-se facilmente entre dois “pontos” de um fluido em repouso: p2 z2 1 (2. .tg # d z & p p1 z1 = p2 + tgh (2.

2. uniforme. resultando p2 = p1. Esta aproximação é consequência da massa volúmica dos gases ser muito baixa. depende do tipo de gás. na sua versão mais simples. a pressão no seio de um gás pode ser considerada. mais propriamente da sua massa molecular.z1h E RT0 (2. para integrar a equação fundamental da hidrostática é necessário conhecer a equação de estado do gás.33 NOTAS PARA O ESTUDO DA MECÂNICA DE FLUIDOS João M. constante dos gases perfeitos. Em condições isotérmicas (T0). Assim. é um tubo em U de secção recta reduzida. fluidos compressíveis em particular quando escoam a elevada velocidade. com boa aproximação.12) Se a diferença de cota não for muito significativa ou o valor da temperatura muito reduzido. Nestas condições. o valor da exponencial é muito próximo da unidade.g^ z2 . pelo que a sua massa volúmica varia com a pressão.# d z p p1 Rz T 2 (2.3 Manómetros diferenciais O manómetro diferencial utiliza-se para medir diferenças de pressão e. Campos HIDROSTÁTICA Fluidos compressíveis Os gases são.11) em que o valor de R. . aproximadamente 1000 vezes inferior à da água em condições de pressão e temperatura ambiente. a diferença de pressão entre as cotas z1 e z2 é dada por: p2 = p1 exp . contrariamente aos líquidos. Se o gás puder ser considerado um gás perfeito: p2 z2 p = tRT & # p1 g dp p2 = ln =. que contém no seu interior um líquido de massa volúmica conhecida.

p2 = (L . o desnível (carga de pressão) que se observaria seria aproximadamente de 10 m de coluna de água. pode-se afirmar de imediato que a pressão no recipiente A é maior que no recipiente B.34 NOTAS PARA O ESTUDO DA MECÂNICA DE FLUIDOS João M. .1 Na figura. pA e pB. já que o nível de líquido no braço do manómetro ligado ao recipiente B é maior. Aplicando a equação fundamental da hidrostática entre os pontos de referência 1 e 3 resulta: p1 . No caso de o líquido ser mercúrio.ar)gh Mas L >> ar logo: p1 . por leitura no manómetro. os “braços” do manómetro estão ligados a recipientes fechados contendo ar a pressão diferente. As superfícies horizontais no interior do mesmo fluido são isobáricas logo: p3 = p4 Aplicando a equação fundamental da hidrostática entre os pontos 4 e 2 resulta: p4 .p2 = Lgh  pA . o desnível que se observaria seria de 760 mm de coluna de mercúrio (experiência de Torricelli). Campos HIDROSTÁTICA Exemplo 2. Pretende-se saber. qual a diferença de pressão no interior dos recipientes. quer do lado do ar. Ar pA Ar pB 1 h 3 2 4 Líquido Solução Analisando os níveis de líquido no manómetro. quer do lado do líquido.p3 = -argh Por continuidade.p2 = -Lgh Adicionando membro a membro as equações anteriores obtém-se: p1 . a pressão na interface de dois fluidos (ponto 3) é a mesma.pB = Lgh Se o líquido no manómetro fosse água e as pressões pA = 1 atm 105 Pa e pB = 0 (vazio).

p5 = -0.75 m 5 2 3 0.4¬105 Pa. sabendo que a pressão atmosférica é 760 mm Hg? 3 Óleo (800 kg/m ) Atmosfera Ar 1 Água 0.p7 = 0.50óleog p5 = p6 (plano isobárico) p6 .4 Forças em superfícies submersas Sobre uma superfície em contacto com um fluido em repouso ou sobre um corpo submerso.4¬105 Pa.50 m 0.p2 = -0.75Hgg p4 .65 m p0 4 7 0.40Hgg p7 = patm Substituindo os dados da figura.35 NOTAS PARA O ESTUDO DA MECÂNICA DE FLUIDOS João M. a força de pressão é sempre normal à super- .patm 2.2 Qual a pressão absoluta p0 e a pressão manométrica do ar sobre a superfície livre da água no tanque. 2. o valor da pressão absoluta é p0 2.65H2Og p2 = p3 (plano isobárico) (pressão uniforme no ar) p3 . p0 . Campos HIDROSTÁTICA Exemplo 2. A pressão manométrica ou relativa é obtida subtraindo à pressão absoluta a pressão atmosférica.p4 = 0.40 m 6 Mercúrio (13600 kg/m ) 3 Solução Aplicando sucessivamente a equação fundamental da hidrostática resulta: p0 = p1 p1 .

A altura da “janela” é b e o seu comprimento a..13) Segundo a equação fundamental da hidrostática. A origem do eixo dos z.14) A força de pressão total é dada pelo somatório das forças no número infinito de tiras infinitesimais em que se pode dividir a “janela” : . a tira tende para uma linha horizontal ao longo da qual a pressão é uniforme (a linha pertence a um plano isobárico.36 NOTAS PARA O ESTUDO DA MECÂNICA DE FLUIDOS João M. i.Fi. Para determinar a força de pressão. paralelo à superfície livre). Campos HIDROSTÁTICA fície/corpo e é sempre compressiva e nunca de tracção.4. a pressão na tira depende da sua distância à superfície livre (origem dos eixos): pi = patm + gzi  Fi = (patm + gzi)Lizi (2. na tira é dada por: Fi = pi Ai (2. exerce-se sempre contra a superfície/corpo.1 Superfícies planas verticais Pretende-se determinar a força hidrostática na “janela” rectangular (ABCD) situada sobre uma das faces laterais de um tanque com água. por uma questão de simplicidade. foi colocada na superfície livre do líquido. patm Rebatimento D A C B h0 z zi D b C a δzi Li A δ Ai =Li δ zi B O líquido exerce sobre a “janela” uma pressão que varia ao longo do eixo dos z de acordo com a equação fundamental da hidrostática. A força de pressão. A figura mostra a “janela” rebatida sobre o plano do papel. seleccionou-se uma tira infinitesimal rectangular i de comprimento Li e espessura zi que dista zi da superfície livre do líquido. No limite quando zi  0.e. 2.

Campos HIDROSTÁTICA / dF = / ^ t 3 3 i i=1 i=1 atm . a força resultante pode ser calculada por simples integração da pressão manométrica. exercida sobre a “janela”.tgzih Li dzi (2. basta lembrar que as forças interna e externa têm a mesma direcção e sentidos opostos.Fext = tgab `h0 + b j 2 (2. exercida sobre a janela é dada por: Ftotal = Fint . perpendicular à superfície da “janela”. (L = a): Fint = patm ab + t g ab `h0 b j 2 (2.17) A primeira parcela representa a força que a pressão atmosférica exerce interiormente sobre a janela e aparece pelo facto da superfície livre estar aberta para a atmosfera. A intensidade da força resultante. interior e exterior.19) A direcção desta força é horizontal. .37 NOTAS PARA O ESTUDO DA MECÂNICA DE FLUIDOS João M. A força resultante pode ser calculada numa só integração.18) Considerou-se sobre toda a janela uma pressão uniforme e igual à atmosférica.15) Recorrendo à definição de integral definido de uma função contínua obtém-se: F = lim / dFi = dz " 0 i 3 h0 + b i=0 h0 # ^p atm + tgzh L d z (2.16) Integrando. De uma forma semelhante pode calcular-se a força exterior exercida sobre a janela pela pressão atmosférica: h0 + b dFi = patm Li dzi " Fext = #p h0 atm L d z = patm ab (2. Fint. obtém-se a força interna. e o seu sentido é de dentro para fora. Em sistemas com superfície livre aberta para a atmosfera.

2 Superfícies planas inclinadas Considere uma “janela” triangular contida numa superfície plana inclinada.21) A segunda condição resulta da semelhança de triângulos (teorema de Thales). a pressão seja uniforme.20) Mas devido à inclinação da parede e à geometria da “janela”.38 NOTAS PARA O ESTUDO DA MECÂNICA DE FLUIDOS João M. zi e Li são função de xi: zi = xi sen i / Li = c " Li = c ^ xi .ah d x a+b (2. do vértice do triângulo à tira infinitesimal. tal como mostra a figura.ext = 6^ patm + tgzih . A força hidrostática sobre a janela é dada por: F = lim / dFi = dx " 0 i 3 i=1 a c # ^tgx sen ih b ^ x .ah xi .a representa a distância. no limite. e o momento dessa força em relação ao eixo oo’ . Pretende-se determinar a força hidrostática sobre a "janela" triangular.dFi.int . comprimento Li e dista zi da superfície livre. A direcção z é a da aceleração da gravidade (vertical) e a direcção x a da superfície inclinada. Tal como no exemplo anterior é necessário “encontrar” uma tira infinitesimal onde.22) .4. patm o’ o o x θ zi xi b x a o’ o Re batime nto z Li δxi c A força hidrostática sobre a tira infinitesimal i é dada por: dFi = dFi. a origem de ambos os eixos está colocada na superfície livre. Campos HIDROSTÁTICA 2. segundo a direcção x. A expressão xi . altura b e lado da base c. ângulo  com a superfície horizontal.a b b (2. A tira infinitesimal i escolhida tem espessura xi.patm @ Li dxi (2.

calcule as componentes horizontal e vertical da força hidrostática sobre a comporta. A direcção do vector momento é perpendicular ao plano que contém a força na tira e o respectivo “braço” . A intensidade do momento da força de pressão na tira e a intensidade do momento da força de pressão na “janela” são dados por: dMi. p atm F Óleo E Água 1.oo’ = xi dFi = xi 6^ patm + tgzih .3 Uma comporta BEF é suportada por uma coluna CD. i. tem a direcção do eixo oo’ . A intensidade do vector momento relativamente ao eixo oo’ é dada pelo produto da força de pressão na tira pela distância na perpendicular do eixo à linha de acção da força (braço da força). xi.25) 3 i=1 a a+b # x6^ p a+b atm + tgzh .^a + bh2 c 2b .0 m 0.a m + a E b 12 12 (2. Tome g = 10 m/s2. em torno do eixo oo’ . Como a força de pressão é perpendicular à tira. no sentido anti-horário. Campos HIDROSTÁTICA 3 F = tg sen i c .oo’ = Moo’ = dx " 0 i (2.5 m B 60º D . i.0 m 1 C 1. b.24) (2.a m + a E b 6 6 (2..23) Para calcular o momento da força hidrostática relativamente ao eixo oo’ é necessário voltar a analisar a tira infinitesimal.0 m 1 45º 1.ahxdx = 4 = tg sen i c .patm @ L d x Moo’ = a c # ^tgx sen ih b ^ x .determine a força na dobradiça B e no apoio D. C e D são rótulas (dobradiças) e a largura da comporta é 2. a força hidrostática faz a “janela” rodar. entre a tira e o eixo. O sentido do vector momento é dado pelo sentido da progressão de um saca-rolhas. As articulações B.e.4 m (direcção perpendicular ao plano do papel): a.26) Exemplo 2. água=1000 kg/m3.. Dados: óleo=800 kg/m3.e. o sentido anti-horário é positivo e o horário negativo.39 NOTAS PARA O ESTUDO DA MECÂNICA DE FLUIDOS João M. No exemplo da figura anterior. ao longo do plano inclinado. o braço é a distância.patm @ Li dxi lim / dMi.^a + bh3 c 3b .

9. ext = 6^ patm + tgzih . 5 oleo g + tH O gzh L d z = 12. dFi = dFi. patm Óleo patm A água exerce força na parte vertical da comporta e na parte inclinada. A origem do eixo dos z está situada na interface óleo-água. A origem do eixo dos z está situada no plano horizontal que separa a parte vertical da comporta da parte inclinada.patm @ Li dxi F3 = 0 2 60º # 6t 2 oleo g + tH O g^0. Secção vertical da comporta (F2). dFi = 6^ patm + toleo g + tH2 O gzih . dFi = 6^ patm + toleog + 0. 5 + xsen60h@ L dx = 104 kN Componentes da força hidrostática sobre a comporta. patm Óleo zi δF i patm A origem do eixo dos z está situada na superfície livre do óleo.40 NOTAS PARA O ESTUDO DA MECÂNICA DE FLUIDOS João M. 6 kN 2 Força que a água exerce na comporta. 6 kN 2 patm Óleo Água zi δF i xi patm Secção inclinada da comporta (F3).patm @ Li dz i F2 = 0 zi Água δF i # ^t 0. Óleo Água 60º F3 FH = F1 + F2 + F3 cos 30 = 112 kN F1 FV = F3 cos60 = 52 kN F2 60º . Campos HIDROSTÁTICA Solução Força (F1) que o óleo exerce na comporta. 5tH2 O g + tH2 O gzih .patm @ Li dxi 1 Água F1 = 0 #t oleo gzL d z = 1 toleo gL . 5 + zh@ L dx 2 2 F3 = 0 # 6t oleo g + tH O g^0. int .dFi.

As equações escalares de equilíbrio estático da comporta são igualmente três: o somatório das componentes horizontais das forças igual a zero. e sentidos contrários. 5 oleo g + tH 2 Ogzh^0.H Do equilíbrio da rótula C conclui-se que a força exercida sobre a comporta. FB. B = 0 b 3 . Óleo zi δF i Água 1. Campos HIDROSTÁTICA Equilíbrio estático da comporta Sobre a barra CD actuam somente duas forças: as exercidas pelas rótulas C e D. B = 0 0. 5 + MF1. Momento das forças aplicadas na comporta relativamente ao eixo de rotação representado na figura pelo ponto B.5 + 3 A escolha deste eixo tem vantagens. já que os momentos das forças FB. FCD. tem de ter a direcção da barra CD e o sentido de D para C.zh L d z = 14.V. dMB = bdFi = ^1. Esta condição só é verifi2 cada. 5 + 3 .V e FB.m B 60º # ^t 1 oleo gzh^1. se as duas forças que actuam na barra tiverem a F3 mesma linha de acção.zih dFi MF2. Na rótula B o sentido e direcção da força sobre a comporta é desconhecido. Para a barra CD estar em equiÓleo líbrio é necessário que o somatório dos momentos das F1 forças aplicadas em relação a um eixo (representado por Água F um ponto no plano) seja nulo.V 45º F CD equilíbrio estático actuem somente duas forças. FB. 0 kN. F B. representado por um ponto no plano.zih dFi 3 . Esta conclusão tem de ser observada sempre que sobre um sistema em F B. o somatório das componentes verticais das forças igual a zero e o somatório dos momentos das forças relativamente a um eixo perpendicular ao plano.41 NOTAS PARA O ESTUDO DA MECÂNICA DE FLUIDOS João M. neste caso coincidente com a direcção da barra.H (ambas incógnitas) são iguais a zero. 6 kN.V e FB.zh L d z = 24. 5 + Óleo Água zi b δF i dMB = bdFi = ^0. FB. 5 + 3 . igual a zero.m .H (sentidos arbitrados).5 + 3 B 60º # ^t 0. pelo que se representa a força pelas suas duas componentes ortogonais.H e FCD . Analisando a figura onde estão representadas as forças que actuam sobre a comporta conclui-se que há três incógnitas.

MF1.5 m 1 2 3 Água Óleo 1. A componente horizontal da força hidrostática sobre uma das faces da pirâmide. 5tH2 O g . 5tH2 Ogxsen60h^2 . Campos HIDROSTÁTICA patm Óleo Água zi δF i xi b 60º patm dMB = bdFi = ^2 .4 Na figura seguinte está representada uma pirâmide regular de base quadrada (1 m de lado) “colada” a uma caixa paralelepipédica.0 m A 4 1. Dados: óleo=800 kg/m3. B z x δxi Li A Pirâmide em corte C C Face lateral rebatida xi H B 4 . 9 # 10 Pa b. 0tH2 O g = 9. 5toleo g + 0.0 m C Solução a. b.42 NOTAS PARA O ESTUDO DA MECÂNICA DE FLUIDOS João M. partindo da superfície do óleo até ao ponto B. B . A componente vertical da força hidrostática sobre uma das faces da pirâmide.x ih dFi MF3.MF3.V e FB. 0 kN.H.m Somatório dos vectores momento relativamente ao eixo de rotação B: . obtém-se: pB = patm + 0. Dos somatórios das componentes horizontais e das componentes verticais das forças aplicadas à comporta obtém-se FB. A pressão em B. B + 1 # cos 45FCD = 0 FCD = 182 kN Tal como já foi referido anteriormente. Exemplo 2. patm B 0.MF2. O sentido de cada vector é positivo se da sua acção resultar a rotação do sistema no sentido anti-horário e negativo se a rotação for no sentido horário.1. água=1000 kg/m3.xh L dx = 90. Determine: a. B = 0 # ^t 2 oleo g + 0. B . Na figura seguinte está representada uma face lateral da pirâmide rebatida no plano do papel. c. os vectores momento têm todos direcção perpendicular ao plano do papel. Aplicando a equação geral da hidrostática entre os pontos de referência assinalados na figura.

quer em intensidade. 12m 2 A força resultante é normal à face da pirâmide. 0 H (teorema Thales) z = x cos i / tg i = 1 / H = 1. mergulhado num líquido de massa volúmica com o eixo paralelo à superfície livre do líquido. a pressão seja uniforme.4. Considere-se um cilindro de comprimento L. A área infinitesimal da tira é dada por Ai = Liarc i. em que o cálculo da força de pressão por integração da pressão na área em que actua é possível. desenhada a partir de um acréscimo de arco i.patm @ Ldx Mas tanto z como L variam com x. quer também em direcção e sentido. sendo as suas componentes dadas por: B θ FH F θ FV C Fv = F sen i / FH = F cos i 2. havendo necessidade de recorrer a relações geométricas: x H x "L= = L 1. Há casos de geometrias curvas simples.patm @ Li dxi A força de pressão na face da pirâmide é dada pelo integral: F= 0 # 6^ p H B + tH2 O gzh .43 NOTAS PARA O ESTUDO DA MECÂNICA DE FLUIDOS João M. Superfície livre zi δθi Li É necessário encontrar uma tira infinitesimal. satisfaz estas condições. onde. Recorrendo a relações geométricas pode-se exprimir esta área em função do incremento de ângulo i: . cilindros e esferas. no limite da espessura. A tira representada na figura. Campos HIDROSTÁTICA A força exercida na tira infinitesimal i de espessura xi e comprimento Li é dada por: dFi = 6^ pB + tH2 O gzih .3 Superfícies curvas Método de integração da pressão.

Superfície livre R-R cos θi R cos θi h0 zi θi Substituindo a equação (2.R cos iig (2.29) na (2.28) dFV = cos ii dFi = cos ii pi dAi = cos ii pi ^RLi diih A pressão na tira é função da distância à superfície livre que por sua vez é função de i.27) Na figura seguinte está representada uma vista de topo do cilindro com as respectivas componentes da força de pressão na tira.44 NOTAS PARA O ESTUDO DA MECÂNICA DE FLUIDOS João M. Por relações geométricas obtém-se: pi = patm + tL gzi / zi = h0 + ]R . patm h0 θi δθi FV θi F FH  i Componente vertical da força de pressão: (2. obtém-se: dFV = 7 patm + tL g^h0 + R .28).R cos iihA cos ii RLi dii i (2. Campos HIDROSTÁTICA tgdii . O próximo passo é exprimir cada uma destas componentes em função do incremento de ângulo i.30) Somando as forças de pressão que actuam sobre um infinito número de tiras infinitesimais ao longo da superfície lateral do cilindro obtém-se: . dii = arcdii " arcdii = Rdii " dAi = RLi dii R (2.29) A relação geométrica entre zi e i está esquematizada na figura seguinte.

34) (2.36) 0 # t gR L 2 L cos i sen i d i = 0 Resolvendo o integral.tL grR 2 L (2. obtém-se a componente vertical da força de pressão que não é mais do que a impulsão sofrida por um corpo imerso num fluido. .32) O sinal negativo indica que o sentido da força é de baixo para cima contrário ao sentido positivo do eixo dos z. Campos HIDROSTÁTICA lim dii " 0 2r /F 3 Vi = FV = 0 2 # _p 2 2r atm + tL gh0 + tL gRi RL cos i d i - (2.45 NOTAS PARA O ESTUDO DA MECÂNICA DE FLUIDOS João M.35) pi = patm + tL gzi / zi = h0 + ^R . FV = . i. obtêm-se as seguintes expressões para a componente horizontal da força de pressão: dFH = sen ii dFi = sen ii pi dAi = sen ii pi ^RLi diih i (2. um objecto mergulhado num fluido em repouso não se desloca no plano horizontal.  Componente horizontal da força de pressão. conclui-se que a componente horizontal da força de pressão sobre o cilindro é nula.31) 0 # t gR L L cos i d i Integrando.33) (2.. já que é sempre possível encontrar na superfície do cilindro duas tiras infinitesimais onde as componentes horizontais da força de pressão são iguais em intensidade e direcção mas têm sentidos opostos.R cos iih dFH = 7 patm + tL g^h0 + R . Recorrendo às figuras e relações anteriores. Este comportamento é facilmente entendido.R cos iihA sen ii RLi dii i FH = 0 2r # _p 2r atm + tL gh0 + tL gRi RL sen i d i - (2. Arquimedes dizia “um corpo mergulhado num líquido sofre da parte deste uma força vertical de baixo para cima cuja intensidade é igual ao peso do volume de líquido deslocado”.e.

em que uma das faces laterais tem a extremidade com forma cilíndrica (eixo paralelo à superfície livre). já que um arco de circunferência é bem aproximado por um número infinito de segmentos de recta de comprimento infinitesimal. Uma dessas tiras está representada na figura numa escala aumentada. O arco infinitesimal correspondente ao incremento de ângulo está representado por um segmento de recta. Conclui-se que: “A componente. da força de pressão que se exerce sobre uma superfície de orientação e forma qualquer. Método da projecção Considere um tanque com água.” .  Componente horizontal da força de pressão A componente horizontal da força de pressão na tira infinitesimal é piAicosi. Campos HIDROSTÁTICA Nem sempre a geometria da superfície curva é tão simples! É necessário um método geral para determinar a força de pressão em superfícies curvas. por incrementos de ângulo. dFH = pi dAi cos ii = pi projoz dAi " i (2. A superfície lateral cilíndrica pode ser dividida. é sempre igual à força de pressão sobre a projecção dessa superfície num plano perpendicular ao eixo considerado. segundo um dado eixo.46 NOTAS PARA O ESTUDO DA MECÂNICA DE FLUIDOS João M.36) Esta relação verifica-se. em tiras infinitesimais de área Ai. Mas Aicosi não é mais do que a projecção de Ai num plano perpendicular a ox . pi Superfície livre pi z o pi cos θi θi δ Ai cos θi δAi x O ângulo i é o ângulo que a força de pressão na tira faz com o eixo ox . qualquer que seja ie qualquer que seja a forma da superfície curva.

a pressão na superfície livre é igual a zero e na tira infinitesimal é dada por pi = Lghi.  Componente vertical da força de pressão pi Superfície livre pi z x θi pi sen θi δAi sen θi δAi A componente vertical da força de pressão sobre a tira infinitesimal representada na figura é dada por: dFV = pi dA sen i i i i (2. Campos HIDROSTÁTICA proj Soz S pi cos θi δAi z o x θi δAi A componente horizontal da força de pressão que se exerce numa superfície curva S de forma irregular é dada por: FH = S # p cos i d A = # p d ^proj projoz S " oz " Ah (2. é possível substituir o cálculo de um integral complicado sobre S.38) Considerando pressões manométricas. em que hi é a distância da tira infinitesimal à superfície livre. e hiseniAi é o volume elementar de líquido contido entre a tira de área Ai e a superfície livre.47 NOTAS PARA O ESTUDO DA MECÂNICA DE FLUIDOS João M. Substituindo esta relação na equação anterior obtém-se: dFV i = tL ghi sen ii dAi (2. . pelo cálculo simples da força de pressão sobre a projecção da superfície S num plano vertical (perpendicular a ox ).37) Desta forma.39) Mas seniAi representa a proj ox Ai .

FV1 representa a componente vertical da força de pressão com sentido de cima para baixo que actua na superfície de contorno do sólido e FV2 a componente vertical da força de pressão com .41) em que V representa o volume contido entre a superfície onde a força de pressão actua e a sua projecção na superfície livre. Como conclusão. qualquer que seja a sua forma.42) Nesta equação. por simples subtracção. Campos HIDROSTÁTICA Superfície livre proj Sox sen θi δAi hi θi S pi δAi A componente vertical da força de pressão sobre a tira passa a ser dada por: dFV i = tL ghi projox dAi = tL gdVi " (2. Superfície livre V1 FV 1 V1 V2 V2 FV 2 FV = FV .48 NOTAS PARA O ESTUDO DA MECÂNICA DE FLUIDOS João M. Se a superfície é fechada.FV = tL gV2 . a componente vertical da força de pressão sobre uma superfície é igual ao peso do líquido medido verticalmente entre a superfície onde a força actua e a superfície livre.tL gV1 = tL gVS 2 1 (2. é fácil obter. resulta: FV = V # t g d V = t gV L L (2. a componente vertical da força de pressão (impulsão). Estendendo a toda a superfície.40) em que Vi representa o volume de líquido compreendido entre a tira infinitesimal e a superfície livre.

tH2 O gVA = .tH2 O g^VB + VCh No caso do quarto de cilindro em contacto com a superfície livre. FV2 = .5 m Água Solução: Resolução pelo método das projecções  Componente Vertical Um quarto de cilindro (lado direito da figura) e meio cilindro (lado esquerdo da figura) sofrem a acção da força de pressão da água. de largura igual ao raio e comprimento igual ao do cilindro. Qual a grandeza. Exemplo 2.49 NOTAS PARA O ESTUDO DA MECÂNICA DE FLUIDOS João M. o volume compreendido entre a superfície e a projecção desta superfície na superfície livre é igual ao volume VC. direcção e sentido da força hidrostática que sobre ele actua ? Água 1. Em ambos os casos a superfície projectada sobre a superfície livre tem a forma de um rectângulo de largura igual ao raio e comprimento igual ao do cilindro.tH2 O gVcilindro 4 No meio cilindro. a componente vertical da força de pressão actua sobre a superfície em diferentes sentidos: de baixo para cima no quarto de cilindro mais afastado da superfície livre e de cima para baixo no quarto de cilindro em contacto com a superfície livre. o volume compreendido entre a superfície onde a pressão actua e a projecção desta superfície na superfície livre é igual à soma dos volumes VB e VC. 1 FV1 = . Superfície livre VC VB Água VA Água Superfície livre x z No quarto de cilindro. No caso do quarto de cilindro mais afastado da superfície livre. A superfície projectada sobre a superfície livre tem a forma de um rectângulo. Campos HIDROSTÁTICA sentido de baixo para cima que igualmente actua na superfície de contorno do sólido. a componente vertical da força de pressão que actua sobre a superfície tem sentido de baixo para cima. O volume compreendido entre a superfície onde a pressão actua e a projecção desta superfície sobre a superfície livre é o volume do quarto de cilindro (VA). FV3 = tH2 O gVC . O volume VS é o volume do sólido e a intensidade da componente vertical da força de pressão é igual à impulsão.5 O cilindro representado de topo na figura tem 3 m de diâmetro e 5 m de comprimento (direcção perpendicular ao plano do papel).

o cilindro desloca-se no sentido negativo do eixo dos x. i. R FH1 = 0 #t H2 O gzL d z = 1 tH2 O gLR 2 2 x z No meio cilindro.. a componente horizontal da força de pressão actua sobre toda a superfície no sentido negativo do eixo dos x.3 = 0 #t H2 O gzL d z = . 2R FH2. e.5 Equilíbrio relativo A equação fundamental da hidrostática foi deduzida sabendo que num qualquer elemento no interior do fluido não actuam tensões de corte.tH2 O g^VA + VB + VCh + tH2 O gVC = . Para determinar a componente horizontal da força de pressão.. A superfície lateral do meio cilindro projectada num plano vertical tem a forma de um rectângulo de altura igual ao diâmetro e comprimento igual ao comprimento do cilindro. Quando um fluido é transportado de tal forma que todos os seus elementos .50 NOTAS PARA O ESTUDO DA MECÂNICA DE FLUIDOS João M. Campos HIDROSTÁTICA Somando as componentes verticais das forças de pressão resulta: 3 3 FV = .tH2 O grR 2 L 4 4  Componente horizontal A superfície lateral do quarto de cilindro projectada num plano vertical tem a forma de um rectângulo de altura igual ao raio e comprimento igual ao comprimento do cilindro. 2.2tH2 O gLR 2 = . A força de pressão actua no sentido positivo do eixo dos x . e. na superfície plana vertical representada na figura. i.2tH2 O gLR 2 Somando as componentes horizontais da força de pressão resulta: FH = 1 3 tH2 O gLR 2 . basta integrar a pressão na área projectada.tH2 O gLR 2 2 2 Caso não haja nenhuma força a contrariar o movimento. x z Para determinar a componente horizontal da força basta integrar a pressão na área projectada.tH2 O gVcilindro = . na superfície plana vertical representada na figura.

51 NOTAS PARA O ESTUDO DA MECÂNICA DE FLUIDOS João M.43) em que Fx é a força de inércia na direcção horizontal._ p + dpi dA = dmax " .dpdA = tL dAdxax " 2p ta 2x = L x (2. Já ouviram falar certamente de corridas entre pessoas que transportam copos com água em bandejas. O sentido positivo desta variação é contrário ao sentido da aceleração. comprimento x e área das bases A.45) . com eixo paralelo à direcção do movimento. Porque será que estes “maratonistas” têm de ter uma velocidade controlada? É evidente que é para a água não transbordar. Com base na equação anterior. Mas já pensaram qual a relação entre a velocidade do “maratonista” e a quantidade de água que transborda? E por que sítio do copo transborda mais água? Considere-se o caso de um tanque. contendo líquido com massa volúmica que se desloca em movimento rectilíneo uniformemente acelerado na horizontal. ax é a aceleração horizontal exterior imposta ao elemento de fluido e m a massa do elemento de fluido. Tome um elemento infinitesimal de fluido de forma cilíndrica. não há deslocamento relativo entre os elementos e não se desenvolvem tensões de corte no seu interior. (2. é dada (após integração) por: p1 . Para o elemento estar em equilíbrio é necessário que se exerça sobre o elemento uma força que se “oponha” à força de inércia: dFx = ax dm (2. a diferença de pressão entre dois pontos situados numa linha segundo a direcção do movimento. Campos HIDROSTÁTICA têm a mesma velocidade. Um exemplo é quando se transporta um copo com água.p2 = tL ax L em que L representa a distância entre os pontos. δx p δA ax δA (p+δp) δ A A força que se opõe à força de inércia resulta da diferença de pressão entre a base e o topo do elemento: pdA .44) Conclui-se que se houver aceleração segundo uma direcção é necessário uma variação de pressão no fluido ao longo dessa direcção para que não haja movimento relativo entre os elementos de fluido.

Fu = may.h2h 2z = L (2. Campos HIDROSTÁTICA θ h1 1 L 2 patm h2 Por outro lado. de seguida.45) e (2. considerar o movimento uniformemente acelerado rectilíneo. (p+ ∂p δz)δxδy ∂z (p+ pδyδz ∂p δy)δzδx ∂y (p + ∂p δx)δzδy ∂x pδxδz pδxδy Num elemento paralelepipédico de arestas x. a qual conduz a três equações escalares: Fx = max.tL dydzdxg = tL dydzdxaz \ (2.c p + 2z dz m dydx . y e z sujeito a uma " aceleração constante a^ax.d p + dy n dxdz = tL dydzdxay 2y ] 2p ] ] pdydx . dado que a aceleração actua numa direcção perpendicular à da força de gravidade.h2h & h1 .46) Só no caso de a superfície livre estar inclinada é que se podem observar simultaneamente as duas relações de equilíbrio segundo x e z. obtém-se: tL ax L = tL g^h1 .46).47) O ângulo  mede a inclinação da superfície livre relativamente a um plano horizontal.52 NOTAS PARA O ESTUDO DA MECÂNICA DE FLUIDOS João M. Fz = maz. azh .c p + 2p dx m dydz = tL dydzdxax 2x ] ] 2p [ pdxdz .t g " p1 .p2 = tL g^h1 . ay. para haver equilíbrio estático continua a ter de se observar a equação fundamental da hidrostática tal como foi demonstrado no início do capítulo: 2p . Combinando as equações (2. Tem interesse.h2 = ax = tg i g L (2.48) . o equilíbrio estático é expresso por: Z ] pdydz . A " " 2ª lei de Newton na sua forma vectorial é expressa por / dF = dma . mas não necessariamente na direcção horizontal.

dado pela componente activa do vector aceleração da gravidade: " " a = g sen i i A gravidade exerce-se nos elementos de fluido segundo as duas direcções : " " " g = g sen i i . é o da queda livre de " " " um recipiente contendo um líquido. diga qual a inclinação  da superfície livre relativamente à horizontal.6 Uma vagoneta com água é abandonada num plano inclinado como mostra a figura. A equação de equilíbrio na sua forma vectorial é dada por: " " " grad p = .tL aa . sendo a direcção x a da superfície livre inclinada. o que significa que a pressão é constante no interior de todo o líquido e igual à pressão sobre a superfície livre.49) Um caso particular. a = g " grad p = 0 .50) com oz dirigido para cima.49) em que a = 0 : grad p = tL g " " " " 2p -t g 2z = L (2. A equação fundamental da hidrostática é um caso particular da " equação (2. no sistema de coordenadas escolhido.g cos i j . curioso e com interesse. O vector aceleração da gravidade está decomposto segundo a direcção dos eixos escolhidos.gk -t a 2y = L y ] ] 2p = .g k y x g sen θ g θ O vector aceleração da vagoneta é. Exemplo 2.tL _az + gi ] \ 2z (2. Campos HIDROSTÁTICA Z ] p = . φ Água θ Solução O sistema de eixos utilizado para resolver este exercício é o que está representado na figura seguinte.tL ax ] 2x ] 2p " " " [ & grad p = .53 NOTAS PARA O ESTUDO DA MECÂNICA DE FLUIDOS João M. Admita que o ar não oferece resistência ao deslocamento da vagoneta e que não há atrito nas rodas. Se o ângulo  for de 15º. Neste caso.tH2 O a a .

segundo a direcção x. a pressão é uniforme (atmosférica) pelo que esta superfície é paralela ao plano inclinado. Exemplo 2. pelo que: Z ] 2p = .tH2 O g cos i 2y ' 2p = .  =  = 15º. Lz = 1 m) com duas faces horizontais. Calcule a força hidrostática sobre o prisma.tH2 O a x x . Campos HIDROSTÁTICA Substituindo resulta: 2x 2p ( = . e sofre uma aceleração horizontal de intensidade 10 m/s2.tH O ^g sen i .g k O tanque tem aceleração horizontal. as superfícies de pressão uniforme (isobáricas) são superfícies paralelas ao plano inclinado. O tanque é fechado.7 Um tanque cúbico com 2 m de lado tem no seu interior um prisma de base quadrangular (Lx = 0.7 m.tH O g \ 2z 2 2 A variação total de pressão é expressa por: dp = 2p 2p dx + dz " d p = .tH2 O a x d x .tH2 O gz + C A constante de integração pode ser determinada desde que a pressão num ponto seja conhecida. A E F ax z G D x H C B Solução A equação de equilíbrio estático na forma vectorial : " " " grad p = .g sen ih = 0 2 Em conclusão.tH O ax ] 2x [ ] 2p = . o que não é o caso. uma contendo a aresta EF e outra a aresta GH. Na superfície livre. Ly = 0. e a gravidade actua sobre os elementos de fluido segundo a direcção z.tH2 O g d z 2x 2z Integrando resulta: p = . . está cheio de água.7 m.54 NOTAS PARA O ESTUDO DA MECÂNICA DE FLUIDOS João M.tH2 O a a .

a componente vertical da força sobre o prisma seria dada por: FGH . No caso da aceleração vertical ter sentido contrário ao do eixo dos z.t Lz H2 O a x L x .tH2 O a x Ly Lx .t Lx H2 O a x x . A pressão é uniforme numa tira infinitesimal com comprimento segundo y e espessura zi: dFi = pLy dzi Estendendo a um número infinito de tiras infinitesimais sobre a face resulta: FFH = 0 # ^.tH2 O gLy Lz tH2 O a x Lz L x Ly + CLz Ly 2 2  Força hidrostática na face vertical que contém GE Esta face é paralela à face que contém a aresta FH pelo que o cálculo da força é semelhante.55 NOTAS PARA O ESTUDO DA MECÂNICA DE FLUIDOS João M.t Lx H2 O a x x + Ch Ly d x = . A pressão é uniforme numa tira infinitesimal com comprimento segundo y e espessura xi: dFi = pLy dxi Estendendo a um número infinito de tiras infinitesimais sobre a face resulta: FEF = 0 # ^.tH2 O gLz + Ch Ly d x = .tH2 O a x Ly Lx + CL x Ly 2 2  Componente vertical da força hidrostática sobre o prisma FGH .tH2 O gLz L x Ly + CL x Ly 2 2  Força hidrostática na face horizontal que contém a aresta GH Esta face é paralela à face que contém a aresta EF pelo que o cálculo da força é semelhante.az gVprisma  Força hidrostática na face vertical que contém a aresta FH Esta face é perpendicular ao eixo dos x (afastamento Lx) pelo que a pressão na face só varia ao longo de z.tH2 O gz + Ch Ly d z = . A única diferença é que o afastamento da face é 0 em vez de Lx. O resultado seria diferente se o sistema estivesse sujeito a uma aceleração vertical.FEF = tH2 O ]g . Campos HIDROSTÁTICA  Força hidrostática na face horizontal que contém a aresta EF Esta face é perpendicular ao eixo dos z (cota Lz) pelo que a pressão na face só varia ao longo de x. FGH = 0 # ^. A única diferença é que a cota da face é 0 em vez de Lz. .FEF = tH2 O gLy L x Lz = tH2 O gVprisma O resultado anterior mostra que a componente vertical da força que se exerce sobre o prisma é uma vez mais a força de impulsão.

O momento do peso da chapa em relação a A através dum integral e depois verifique o resultado por um método mais simples. O momento do peso da chapa em relação a A através dum integral e depois verifique o resultado por um método mais simples.tH2 O gz + C gdx d z = .tH2 O gL x Lz L tH2 O a x Lz x + CLz L x 2 2 2 2 Na face oposta. A força de pressão no elemento é dada por: dFi = pdxi dzi Fazendo o somatório das forças no infinito número de elementos em que se pode dividir a face resulta: / Fi = FFHEG = 0 3 i=1 # # ]. Campos HIDROSTÁTICA FGE = 0 # ]. a força hidrostática tem igual intensidade mas sentido contrário. Não é possível encontrar uma tira infinitesimal onde a pressão seja uniforme. . pelo que a pressão na face varia não só ao longo de x como também ao longo de z. No limite.t Lz Lx 0 H2 O a x x .6 Exercícios de aplicação propostos Forças distribuídas 2. o elemento tende para um ponto. conforme mostra a figura. As forças em A e B que equilibram a chapa. 2. b.FFH = tH2 O a x Ly L x Lz = tH2 O a x Vprisma  Força hidrostática na face de topo que contém as arestas representadas no plano do papel Esta face é perpendicular ao eixo dos y (afastamento 0). Admita que a chapa tem espessura constante de 4 mm e calcule: a. Admita que a secção da chapa (1m x 1m) mais perto de A tem espessura 4 mm enquanto a outra secção tem espessura 2 mm e calcule: c.tH2 O gLy Lz + CLz Ly 2 2  Componente horizontal (segundo x) da força sobre o prisma FGE . por um apoio de rotação em A e por um apoio simples (sem atrito) em B. pelo que é seleccionado um elemento infinitesimal de dimensões zi e xi.1 Uma chapa de alumínio ( = 6500 kg/m3) é suportada. quando estas dimensões tendem para 0. As forças em A e B que equilibram a chapa. a resultante das forças que actuam no prisma segundo a direcção y é nula. d.t Lz H2 O gz + C gLy dz = . Assim.56 NOTAS PARA O ESTUDO DA MECÂNICA DE FLUIDOS João M.

a distância mínima entre A e B para que o equilíbrio se mantenha? e. Ar Ar 0.1 m 1.1 m D 1. A força exercida pela chapa em cada um dos apoios? d.0 m A 1.9 m A 1. b) cm de c. 0. f) psi (lbf/in2).(coluna de água).a.2 Uma chapa de aço ( = 6500 kg/m3) com 10 mm de espessura tem a forma de um trapézio e está “suportada” por apoios simples conforme indica a figura. Calcule: a. e) atm.4 m C Manómetros 2.0 m A 0. O peso da chapa ? Calcule por um integral e verifique por outro processo. c) mm Hg. O momento do peso da chapa em relação ao apoio A? c. A resultante das forças que a parte da chapa para a esquerda da linha BC faz sobre a parte à direita desta linha? Considere o apoio em B como estando imediatamente à direita da linha BC. d) Pa. b.5 m 2.1 m B Óleo [850 kg/m3 ] .0 m B 0.2 m B 1.3 Qual a diferença de pressão entre os pontos A e B representados na figura expressa em: a) dynes/cm2. Mantendo o apoio A fixo e aproximando deste o apoio B. Campos HIDROSTÁTICA 2.57 NOTAS PARA O ESTUDO DA MECÂNICA DE FLUIDOS João M.

A força no eixo de rotação D. h A 1. Calcule: P0 = 0.2 m 2.5 m B 1. b. AD representa um corte segundo a altura de uma porta triangular (triângulo equilátero). a.0 m D Água Ar 0.05 MN/m Ar 1.5 m 2 Mercúrio 3 [13600 kg/m ] a. qual a diferença de pressão entre o chão e o tecto. A comporta é articulada em B por meio de um eixo de rotação e está sustentada numa parede lisa (A). Em A existe um batente que impede a comporta de abrir. Força hidrostática em superfícies planas 2. se a temperatura for 25 ºC e a pressão ao nível do chão 1 atm ? Dê a resposta em mm c.0 m A 1. para o qual a comporta abre.5 Numa sala de 3.pD em dynes/cm2. Ar C Água 0. a.15 m o desnível for h.1 m de largura (direcção perpendicular ao plano do papel) e pesa 1.58 NOTAS PARA O ESTUDO DA MECÂNICA DE FLUIDOS João M. A força mínima em A que abre a porta (direcção e sentido).15 m Água D 2.4 ton. h .8 m . as diferenças de pressão pA . c. sendo o eixo de rotação D horizontal. A força a que a porta está sujeita por acção do ar e da água.pD em função de h. estabeleça uma expressão para pC . b.6 Na figura. Calcule.20 m Água A Água B Mercúrio [13600 kg/m3 ] 0. Se no manómetro da direita em vez de 0.0 m de altura. Campos HIDROSTÁTICA 2. 2.4 Para medir a diferença de pressão entre dois pontos numa tubagem que transporta um líquido é vulgar usar um dos tipos de manómetros indicados na figura.pB e pC . g e da massa volúmica dos líquidos.7 A comporta AB representada na figura tem 2. Determine o nível de água mínimo.

5 m de largura (direcção perpendicular ao plano do papel) e está presa ao chão por meio de um eixo de rotação em B. Campos HIDROSTÁTICA 2. b. Em A existe um eixo de rotação.8 A comporta representada na figura tem 3. Os lados da comporta têm forma rectangular (comprimento 1. 5 cm 10 cm F 20 cm Água 2. Calcule: a. Considere h =1.0 m 2. A massa volúmica do material de que é feita a caixa. A comporta pesa 750 kg por metro de largura (direcção perpendicular ao plano do papel).11 A comporta representada na figura retém água com uma altura h. representada na figura.9 A figura representa uma comporta em forma de calha. Calcule a tensão no cabo. C Cabo B 1. bem como a intensidade da força F. Um cabo (em A) com um peso de 40 t mantém a comporta na posição da figura. a. A 40 t 6. Desprezando o peso da comporta determine o nível de água h.5 m e calcule as forças por metro de largura de comporta que se exercem no eixo de rotação A e no apoio B. está articulada no eixo de rotação A e simplesmente pousada em B.10 A caixa paralelepipédica maciça. Calcule o valor mínimo de h para a comporta abrir.0 m 2.0 m 60º A Água A 1. A resultante da força hidrostática sobre a caixa b. tem peso W e 5 cm de largura (direcção perpendicular ao plano do papel).5 m 120º h B 2. Quando mergulhada em água e sujeita à força F fica na posição de equilíbrio que a figura mostra.59 NOTAS PARA O ESTUDO DA MECÂNICA DE FLUIDOS João M.0 m na direcção perpendicular ao plano do papel). .

60 NOTAS PARA O ESTUDO DA MECÂNICA DE FLUIDOS João M. Água a Aço b Mercúrio 2.1 m h2 h1 Água Água 2. Calcule a razão a/b usando as equações fundamentais da hidrostática. Verifique a resposta anterior usando o princípio de Arquimedes. uma esfera pesada (esf). a.73 m 2. a. Sabendo que a espessura do vidro do copo é 8 mm e que a massa volúmica do vidro é 7500 kg/m3. ele fica na posição indicada. Mostre que esta situação só é possível se cba = clíq . b. Água h 60º B 3. tal como mostra a figura.13 Um bloco paralelipipédico de aço ( = 7850 kg/m3 ) é mergulhado num banho de mercúrio ( = 13600 kg/m3 ) coberto por água. calcule h1 e h2. quando tem suspensa numa das faces de topo.12 Um copo cilíndrico é colocado na posição invertida sobre a superfície da água. Com a condição anterior mostre que o diâmetro da esfera tem que ser dado por: b <<L L γba h<<L D= γliq Lhb > r c cesf .14 Uma barra uniforme com dimensões L x h x b e de peso volúmico ba flutua ao longo da diagonal.1 m 0. Campos HIDROSTÁTICA 2m C.G. Diga se a força de impulsão é uma parcela importante no balanço de forças. Ao abandonar o copo.1 m H clíq 1 3 D γest .0 m 90º A 1. O bloco fica a flutuar na posição indicada na figura. 0. 3 b.

A força hidrostática na base ABED.17 Um recipiente tem a forma de uma pirâmide regular de altura 2.5 m 1. o momento da força hidrostática relativamente ao eixo de rotação B.0 m 1. Calcule: a. Campos HIDROSTÁTICA 2.5 m Gasolina 2.15 A comporta rectangular ABC. b.0 m.0 m de comprimento na direcção perpendicular ao plano do papel. b.9 m x 0. 0.0 m de profundidade.16 Dois sólidos prismáticos com faces de topo triangulares (triângulos isósceles) estão mergulhados em gasolina ( = 720 kg/m3). Calcular a força que a gasolina exerce sobre cada uma das faces triangulares. As componentes (direcção sentido e intensidade) da força hidrostática nas faces ABC e DEC.2 m de altura e sobre a água. c. Calcule: a.9 m). d. c.9 m .0 m 0. com 2. As faces estão contidas no mesmo plano (plano do papel) e os vértices D estão a 1. A força P que se tem de aplicar para manter a comporta fechada quando a altura de água acima do eixo é de 8. sentido e intensidade da força hidrostática sobre a C pirâmide. 8m A B 1m 1m P C Água 2.0 m D D 0.0 m. No recipiente há água até 1.9 m A B D 0.4 m e base quadrangular (0. A força no eixo de rotação B. abre por rotação do eixo B. o ar está à pressão atmosférica (760 mm de Hg).5 m 1. Ar E Água 0. A força hidrostática na comporta. No caso da alínea c. A direcção.61 NOTAS PARA O ESTUDO DA MECÂNICA DE FLUIDOS João M. se esta tiver a forma de um meio cilindro com eixo de rotação em B e raio 1.

0 m de comprimento na direcção perpendicular ao papel e raio 0. Campos HIDROSTÁTICA Forças em superfícies curvas 2. b. e por um batente fixo B ao qual o barril encosta.21 Para cada uma das figuras. Água B 1. bem como o momento dessa resultante relativamente ao eixo de rotação B. c. .0 m A 1.20 Uma cápsula semi-esférica representada na figura pesa 30 kN.5 m). Calcule as forças exercidas pelo eixo A e batente B no equilíbrio.2 m Água B Calcule a resultante da força hidrostática que se exerce na comporta.2 m Água 2. Calcule as componentes da força hidrostática a que o barril está sujeito. determinar as componentes da força que a água exerce sobre a comporta AB (1/4 de cilindro com 1.0 m 2. O comprimento do quarto de cilindro na direcção perpendicular ao plano do papel é 2. a.62 NOTAS PARA O ESTUDO DA MECÂNICA DE FLUIDOS João M.1 m de comprimento.0 m 2. em torno do qual o barril pode rodar.19 Um barril com a forma de um quarto de cilindro está mergulhado em água e a sua posição é mantida por um eixo de rotação A. Calcule o momento de cada componente em relação ao eixo A.0 m 2.5 m e 2. Tome h = 3. Qual a força mínima que cada parafuso tem que exercer ? 3 cm 1. h A 1. 2.0 m. está cheia de água e está presa ao chão por 6 parafusos igualmente espaçados.0 m.18 A comporta AB representada na figura é um meio cilindro maciço de diâmetro 2. Use o “método das projecções”.

O cilindro tem 1.2 m/s2 A 1.23 Num tanque paralelepipédico fechado repleto de água.7 m de diâmetro.0 m a = 1. C Gasolina 1. A força que a gasolina exerce no fundo do recipiente e nas faces perpendiculares ao plano do papel que contêm as arestas AB e CD. b.7 m .0 m de comprimento e 0.2 m D a = 1.22 Um recipiente contém gasolina ( = 720 kg/m3) e está sujeito a uma aceleração constante linear.0 m 1. Campos HIDROSTÁTICA r Sup.8 m. Quais as componentes horizontal e vertical da força hidrostática a que o cilindro está sujeito. 1. quando a aceleração é constante e igual a 1 m/s2.0 m 2. está mergulhado um cilindro.2 m/s2. O ângulo entre o plano horizontal e a superfície livre. Livre Água A r A B r Equilíbrio relativo 2. Livre Água B Sup. com direcção horizontal (esquerda para a direita) de intensidade 1.63 NOTAS PARA O ESTUDO DA MECÂNICA DE FLUIDOS João M.0 m/s2 0.4 m B 3. Calcular: a. Livre Água A B Sup. Quando parado a altura de gasolina no tanque é 0. O eixo do cilindro é horizontal e está colocado perpendicularmente à direcção de deslocamento do tanque. Livre Água A r B Sup.

Calcule a diferença de pressão entre A e B expressa em mm c. Nota: o tubo CD é um tubo capilar e está aberto para a atmosfera. Quando o “carro” tem uma aceleração horizontal de 1 m/s2. excepto ao longo de uma fenda que está em contacto com a atmosfera . Quando o “carro” está parado. Imagine o conjunto da figura no interior de um veículo que se desloca na horizontal com aceleração de 2 m/s2. Admita que o conjunto da figura cai na vertical em queda livre. Campos HIDROSTÁTICA 2. a. à medida que são aplicadas acelerações crescentes. B A 2. direcção e sentido da força hidrostática sobre a superfícies ABCD e CDEF (por unidade de comprimento na direcção perpendicular ao papel). Para ax = 1 m/s2 calcule a grandeza.0 m na direcção perpendicular ao plano do papel) nas duas situações seguintes: a. a.64 NOTAS PARA O ESTUDO DA MECÂNICA DE FLUIDOS João M. b. C 40 cm D 1.0 m Água D E ax F 1.25 O tanque de água representado na figura é fechado. Qual a diferença de pressão entre A e B? c. Durante a queda qual a diferença de pressão entre A e B? . Para que valor da aceleração ax é que a pressão da água em E é igual à atmosférica ? b.0 m C 1. b. c. Descreva sucintamente o que sucede à pressão em E.26 Na figura estão representados dois recipientes esféricos A e B ligados entre si.0 m 2.24 Calcule a força hidrostática no meio cilindro representado na figura (comprimento 1.0 m A Água B r = 30 cm 2. a.0 m 2.

Se aplicar ao sistema uma aceleração horizontal de 1 m/s2 (da esquerda para a direita). Um bloco cúbico de madeira ( = 880 kg/m3) com 0. d. 40 cm Água 10 cm B Óleo [800 kg/m3 ] 50 cm A 40 cm 30 º 2.10 m 0. durante a aceleração: a. Exame Janeiro de 2003 . A pressão nos pontos A.00 m B 0. A força na face vertical esquerda por metro de largura do tanque. c.0 m Calcule.50 m 1.0 m Mercúrio [13600 kg/m3 ] 40 cm 30 cm 2. calcule a direcção sentido e intensidade das forças que os cabos exercem sobre o bloco.27 Um recipiente aberto para a atmosfera contém água até 0. Campos HIDROSTÁTICA d.65 NOTAS PARA O ESTUDO DA MECÂNICA DE FLUIDOS João M.50 m Água 0. A força na face de topo do tanque por metro de largura do tanque.5 m 2. Repita a alínea c supondo que a aceleração durante a queda é de 5 m/s2.50 m de altura. A força no fundo do tanque por metro de largura do tanque. b.0 m Água Patm B C 8.28 O tanque representado na figura sofre uma aceleração da esquerda para a direita de 10 m/s2 A 0. B.10 m de aresta está mergulhado na água e é mantido na posição indicada na figura por dois cabos “presos” no centro de duas das faces do bloco.10 m 1. C.00 m 2. A 0.

.

Contudo. obtém-se a descrição da temperatura da partícula em função do tempo. instrumentos de medida fixos e a temperatura for registada ao longo do tempo em cada um desses pontos. Se o controlador de tráfego ignorar a identidade dos carros e se preocupar com a velocidade dos carros que passam em determinados locais ao longo do tempo. há uma fonte emissora que lança líquido a uma temperatura elevada. Este é o método de descrição Lagrangeano. ao longo do rio. Num dado intervalo de tempo muitos carros não identificados entram e saem do sistema. Este é o método de descrição Eulereano. quando se injecta no sangue uma partícula colorida cujo trajecto ao longo do corpo pode ser seguido por instrumentação exterior. ele está a descrever o tráfego tomando uma aproximação Eulereana. com duas formas de descrever o tráfego numa auto-estrada. Outra. a chamada Eulereana. ele está a descrever o tráfego tomando uma aproximação Lagrangeana.z. não se sabe qual a temperatura de uma partícula de fluido ao atravessar aquele campo. Comparemos estas duas formas de descrever o escoamento. há casos em que a Lagrangeana permite um maior conhecimento. a chamada Lagrangeana descreve o escoamento de uma partícula de fluido no espaço e no tempo. y.t). Neste caso estuda-se o fluxo sanguíneo por um método Lagrangeano. com este método. for colocado um instrumento de medida “preso” a uma partícula (ou mais partículas). é possível conhecer o campo de temperatura em cada instante. a menos que se soubesse a localização das partículas ao longo do tempo. y. Para tal. Um certo comprimento de auto-estrada é seleccionado para sistema.67 NOTAS PARA O ESTUDO DA MECÂNICA DE FLUIDOS João M. Um outro exemplo elucidativo é o da descrição do campo de temperatura de um rio onde. O campo de temperatura não seria conhecido. Contudo.1 Descrição Eulereana e Lagrangeana de um escoamento Há duas maneiras de analisar/descrever em termos cinemáticos e dinâmicos o escoamento de um fluido. descreve todo o campo de escoamento quer em termos de velocidade v = f(x. Ao invés se o controlador estiver interessado na velocidade e posição no sistema ao longo do tempo de um carro identificado. Se em vez de instrumentos de medida em vários pontos. Uma. Campos CINEMÁTICA DO ESCAMENTO DE FLUIDOS 3. Se forem colocados em vários pontos. seria necessário conhecer a localização da partícula em função do tempo. CINEMÁTICA DO ESCOAMENTO DE FLUIDOS 3.z. num certo local. conhecido o campo de temperatura em cada instante. por exemplo. .t). A descrição Eulereana é habitualmente usada na maior parte dos estudos em Mecânica de Fluidos. quer em termos de pressão p = f(x.

z. z. A velocidade é como se sabe uma grandeza vectorial. t h = vx ^ x. t h i + vy ^ x. o conhecimento do campo de pressão.3) As diferentes parcelas do vector aceleração são usualmente designadas por:  aceleração total ou substancial (derivada total ou substancial)" " < d v ou D v F dt Dt " <2v F aceleração local (derivada local)2t " " " aceleração convectiva.4) .. tais como o vector deslocamento e o vector aceleração. t h j + vz ^ x.t) é muitas vezes resolver integralmente um problema de escoamento de um fluido. z. v^ x. Campos CINEMÁTICA DO ESCAMENTO DE FLUIDOS 3.z.3 Campo de aceleração Por definição o vector aceleração traduz a variação do vector velocidade com o tempo: d y 2v d z a = d v = 2v + 2v d x + 2v + dt 2t 2x d t 2y d t 2z d t " " " " " " (3. por exemplo. y.1) Outras propriedades cinemáticas são deriváveis matematicamente partindo do conhecimento do campo de velocidade. y.2) ou a = d v = 2v + 2v vx + 2v vy + 2v vz dt 2t 2x 2y 2z " " " " " " (3. t h k " " " " (3. y.68 NOTAS PARA O ESTUDO DA MECÂNICA DE FLUIDOS João M. já que o conhecimento de outras propriedades decorre deste. 3. y.=vx 2 v + vy 2 v + vz 2 v G 2x 2y 2z   Recorrendo ao operador gradiente: " " " d = i 2 +j 2 +k 2 2x 2y 2k (3.2 Campo de velocidade Determinar o campo de velocidade v = f(x. y. z.

“presos” a uma partícula (ou mais). y.T = f(x. a derivada local da temperatura é nula. mas a derivada total não: 2T = 0 2t mas DT ! 0 Dt E como conhecer a derivada convectiva? Seguindo uma aproximação Lagrangeana. Pretende-se saber a variação total de temperatura.5) O vector aceleração pode assim ser escrito de uma forma mais compacta: " " " a = Dv = 2v + _v. o campo de temperatura é estacionário. Em termos matemáticos. Comece-se por supor que a fonte emissora lança água sempre à mesma temperatura. que as condições exteriores não se alteram ao longo do tempo. Se for seguida uma aproximação Eulereana. e que a velocidade do rio em cada ponto é constante ao longo do tempo. Campos CINEMÁTICA DO ESCAMENTO DE FLUIDOS e ao produto interno de vectores. e regista-se a temperatura e a velocidade durante o tempo que a . a propriedade escalar temperatura . sentido e intensidade). e mede-se a temperatura ao longo do tempo. ou vários medidores em vários pontos.7) Para perceber o significado físico destas derivadas.di v Dt 2t " " (3.6) A mesma simbologia pode ser usada para descrever a variação no espaço e no tempo de outras propriedades contínuas de um fluido (quer escalares.di v 2x 2y 2z " " " (3. o termo da aceleração convectiva toma a seguinte forma: " " vx 2v + vy 2v + vz 2v = _v. colocam-se dois medidores.69 NOTAS PARA O ESTUDO DA MECÂNICA DE FLUIDOS João M. Em termos físicos.z. retome-se o exemplo do rio com uma fonte emissora de água quente num dado ponto bem localizado. um de temperatura e outro de velocidade (direcção. mas que é diferente de ponto para ponto. Conclui-se que ao longo do tempo a temperatura não varia num ponto. mergulha-se o medidor de temperatura num ponto. quer vectoriais). por exemplo.t) A variação total ou substancial da temperatura em ordem ao tempo é dada por: " DT = 2T + v. mas não uniforme.dT Dt 2t (3.

em cada instante há um campo de temperatura diferente. Outra. trajectórias. i.e. A variação da temperatura de uma partícula ao atravessar o campo tem de ser calculada pela soma da variação local com a variação convectiva: DT = 2T + vx 2T + vy 2T + vz 2T Dt 2t 2x 2y 2z 3.. i.dT 2x 2y 2z Percebe-se agora que se chama derivada convectiva por estar associada ao escoamento do fluido.4 Visualização do campo de escoamento 3. a mais usada. Resta abordar o caso de a fonte emissora lançar líquido a uma temperatura que varia ao longo do tempo. Estas linhas são obtidas/desenhadas de forma a serem sempre tangentes aos vectores velocidade das partículas de fluido em escoamento num dado instante.1 Linhas de corrente. foi necessário encontrar formas simples de o visualizar. é através das chamadas linhas de corrente. conhecer a sua trajectória. A forma mais simples é seguir uma partícula de fluido ao longo (espaço e tempo) do seu escoamento. varia em cada ponto com o tempo. Campos CINEMÁTICA DO ESCAMENTO DE FLUIDOS partícula demora a atravessar o campo estacionário mas não uniforme. a temperatura no campo além de não ser uniforme. Num escoamento não estacionário as linhas de corrente . Neste caso. Destas medições obtém-se informação que permite calcular a derivada convectiva da temperatura da partícula nos pontos por onde passou: " vx 2T + vy 2T + vz 2T = v. Linhas de corrente Num escoamento estacionário a orientação das linhas de corrente é fixa no tempo e as trajectórias das partículas coincidem com as linhas de corrente.70 NOTAS PARA O ESTUDO DA MECÂNICA DE FLUIDOS João M.e. linhas de rasto e linhas do tempo Embora o campo de velocidade (e de pressão) descreva de uma forma precisa um escoamento.4.

num dado instante.71 NOTAS PARA O ESTUDO DA MECÂNICA DE FLUIDOS João M. além das linhas de corrente e das trajectórias das partículas de fluido. designado por tubo de corrente. um conjunto de partículas do fluido. As linhas de corrente em torno de uma área infinitesimal formam um tubo. Em escoamentos estacionários as linhas de corrente. A linha de rasto é o lugar geométrico das partículas que passaram (em instantes anteriores) por um dado ponto de coordenadas (x0. δA Tubo de corrente Outra forma de visualizar um escoamento. As linhas de corrente podem ser calculadas analiticamente partindo do conhecimento do campo de velocidade. y0). O escoamento é visualizado seguindo em instantes sucessivos a evolução desta linha no espaço. z v δr δy vy x δz δx vz y vx . não há saída de partículas de fluido através das paredes laterais de um tubo de corrente. não havendo correspondência entre as linhas de corrente e a trajectória das partículas. Por definição de linha de corrente. A linha de tempo é “desenhada” unindo. Considere-se um vector velo" cidade v tangente ao arco de comprimento infinitesimal r desenhado ao longo da linha de corrente. é através das chamadas linhas de rasto e das linhas de tempo. as trajectórias e as linhas de rasto coincidem. Campos CINEMÁTICA DO ESCAMENTO DE FLUIDOS são somente uma representação instantânea do campo de escoamento.

. É igualmente um escoamento dependente do tempo. Campos CINEMÁTICA DO ESCAMENTO DE FLUIDOS Por condições de proporcionalidade: dx = dy = dz = dr vx vy vz v ou dx = vx dy vy dx = vx dz vz dy vy = dz vz (3. quer o campo de velocidade. i. (x0. pelo que as linhas de corrente são paralelas ao plano xy. x -1/3 -1/6 t= 0 1/3 x0 t crescente y0 y . Para tal é necessário conhecer.72 NOTAS PARA O ESTUDO DA MECÂNICA DE FLUIDOS João M. tomando t constante. z0). Na figura seguinte podem observar-se as partículas de fluido a deslocarem-se no tempo para a direita. Como exemplo. por simples separação de variáveis. dx = vx " dx = dy " dy vy x y x 1+t 1 + 2t = ou n y = y0 b x l com n = 1 + t x0 1 + 2t x # 1 + t dx = x y y0 0 y0 x # 1 + 2t dy " ]1 + tg ln x y y 0 = ]1 + 2tg ln Esta é a equação das linhas de corrente que passam por (x0.9) (3. y0) ao longo de t . não estacionário.e. y0. quer as coordenadas de um ponto da linha de corrente.8) A expressão analítica das linhas de corrente obtém-se integrando as equações anteriores. pretende-se calcular e desenhar as linhas de corrente de um campo de velocidade que é expresso analiticamente por: vx = x 1+t vy = y 1 + 2t vz = 0 O escoamento é bidimensional (vz = 0).

pode-se eliminar  resultando: c y 2 1 + 2t0 m = y0 1 + 2 :]1 + t0gb x0 l . dy = vy = y dt 1 + t dt 1 + 2t Integrando obtém-se: x = C1 ]1 + tg . y0). y0) no instante t = 0. Alternativamente. dy = vy = y dt 1 + t dt 1 + 2t Integrando entre et0: x= 1 2 x0 ^1 + t0)h . y0) não coincide no estado não-estacionário com a linha de corrente para t = 0. dx = vx = x .1 lD x0 Esta é a equação da trajectória da partícula que passa no ponto (x0. y = y0 para t = . y0) pelo que.1 D x A figura seguinte mostra a linha de corrente que passa no ponto (x0. A equação da linha de rasto das partículas que passaram no ponto (x0. Designem-se os instantes anteriores a t0 por pelo que a condição inicial é dada por x = x0. y = y0 c 1 + 2t0 m 1+g 1 + 2g Estas são as equações da linha de rasto das partículas de fluido que passaram no ponto (x0. y0) no instante t = 0. y0) em instantes anteriores a t0 pode ser igualmente calculada.73 NOTAS PARA O ESTUDO DA MECÂNICA DE FLUIDOS João M. . A equação desta trajectória pode ser calculada: dx = vx = x . a trajectória da partícula de fluido que passou no instante t = 0 no ponto (x0. Eliminando t das equações anteriores resulta: 1 2 y = y0 :1 + 2 b x . A linha de rasto pode ser traçada fixando t0 e dando valores a . y = C2 ]1 + 2tg1 2 No instante t = 0 a partícula de fluido passa pelo ponto de coordenadas (x0. C1 = x0 e C2 = y0 . y0) e a linha de rasto das partículas que em instantes anteriores a t = 0 passaram no ponto(x0. Campos CINEMÁTICA DO ESCAMENTO DE FLUIDOS A trajectória da partícula que no instante t = 0 passou no ponto de coordenadas (x0. y0) em instantes  < t0.

A componente tangencial expressa a variação da intensidade do vector velocidade.10) em que vs representa a velocidade na direcção da linha de corrente.74 NOTAS PARA O ESTUDO DA MECÂNICA DE FLUIDOS João M. enquanto que a componente normal traduz a mudança de direcção deste vector. s. Campos CINEMÁTICA DO ESCAMENTO DE FLUIDOS y Linha de rasto Linha de corrente Trajectória y0 x0 x 3. vs = ds dt (3. Por definição. há a componente normal do vector aceleração.5 Vectores velocidade e aceleração ao longo de uma linha de corrente Num escoamento estacionário. percorrido pelo elemento de fluido no intervalo de tempo t. A componente numa outra qualquer direcção é obtida projectando vs segundo essa direcção. o vector velocidade é tangente à linha de corrente e a sua intensidade pode ser expressa em termos do comprimento da linha de corrente. as a an . a aceleração de uma partícula de fluido na direcção tangencial à linha de corrente é dada por: as = dvs dt (3.11) Além da componente tangencial.

16) em que R representa o raio de curvatura da linha de corrente. A variação de intensidade é traduzida pelo aproximar das linhas de corrente. O vector aceleração nas coordenadas da linha de corrente é dado por: 2 " " " a = vs dvs s + vs n ds R (3.12) Esta equação exprime a componente tangencial da aceleração. vs + δv δβ δv R δs vs δβ vs δvs vs + δv δvn Aplicando o mesmo raciocínio para a componente normal da velocidade resulta: dvn = d vn ds " d vn = vs d vn ds dt ds Recorrendo à figura anterior: tan db = ds / tan db = dvn .75 NOTAS PARA O ESTUDO DA MECÂNICA DE FLUIDOS João M. as quais não são nem rectas nem estão equidistantes.17) . Campos CINEMÁTICA DO ESCAMENTO DE FLUIDOS Para exprimir as componentes do vector aceleração.15) (3. considerem-se as linhas de corrente representadas na figura seguinte. A variação da intensidade ao longo de s é dada por: dvs = dvs ds ds Mas s = vst logo: d vs v d vs " a 1 d vs2 = s s = dt ds 2 ds (3.14) (3. dvn " dvn = vs R vs ds R v s + dv s Substituindo na equação anterior obtém-se: 2 an = vs R (3.13) (3. No intervalo de tempo t uma partícula de fluido percorre uma distância s ao longo da linha de corrente central e a sua velocidade varia tanto em intensidade como em direcção.

As trajectórias de duas partículas de fluido que passam na origem. e na zona frontal da esfera é v = 3 v0 seni . respectivamente nos instantes t = 0 s e t = 20 s. Se a partir do instante t = 0 se injectar tinta no ponto de coordenadas (x = y = z = 0) desenhe: a.20 m. vy = 6 m/s para 0 s < t < 20 s e vx = -4 m/s. y0) e compare-a com a linha de rasto das partículas que passam nesse ponto. 3. Determine as componentes normal 2 e tangencial da aceleração no ponto A sabendo que o raio da esfera é 0.3 Um fluido está em escoamento em torno de uma esfera tal como mostra a figura.6 Exemplos propostos de aplicação 3. b.As linhas de corrente que passam no ponto (x = y = z = 0) nos instantes t = 10 s e t = 30 s.1g^ y + 1h j . Desenhe a linha de corrente que passa no ponto (x0. Longe da esfera a velocidade é v0 = 30 m/s. v v0 40 º A R .1 O campo de velocidade de um escoamento é dado por " " " v = xi + x] x .76 NOTAS PARA O ESTUDO DA MECÂNICA DE FLUIDOS João M. Campos CINEMÁTICA DO ESCAMENTO DE FLUIDOS 3. vy = 0 m/s para 20 s < t < 40 s.2 O campo de velocidade de um escoamento no plano xy é dado por: vx = 3 m/s. 3.

Considere-se um elemento de fluido infinitesimal de dimensões n e s no plano da figura e y na direcção normal a este plano. 4. as a aceleração do elemento segundo a linha de corrente e Fs o somatório das forças aplicadas ao elemento de fluido segundo a direcção da linha de corrente. . e muito rica em considerações estruturantes do raciocínio para a compreensão da Mecânica de Fluidos.2 Equação de Bernoulli ao longo de uma linha de corrente A equação de Bernoulli é aplicável sempre que a intensidade das forças de corte é de uma ordem de grandeza inferior à intensidade das outras forças que se desenvolvem num fluido. frequentemente aplicada.1) em que vs representa a velocidade do elemento de fluido segundo a direcção da linha de corrente. da aplicação 2ª lei de Newton segundo a direcção da linha de corrente. δy (p+δpn ) δs δ y δn (p+δ p s) δ n δ y n s θ δW (p-δ ps ) δ n δ y (p-δp n ) δ s δ y δs Em estado estacionário.1 Introdução A equação de Bernoulli é uma equação muito simples.77 NOTAS PARA O ESTUDO DA MECÂNICA DE FLUIDOS João M. resulta: / dF = dma s s 2v 2v = dmvs 2ss = tdVvs 2ss (4. No capítulo seguinte este tema será novamente abordado numa perspectiva complementar. m e V a massa e o volume do elemento infinitesimal. Campos EQUAÇÃO DE BERNOULLI 4 EQUAÇÃO DE BERNOULLI 4. s. nomeadamente forças de pressão e gravidade. Por estas razões decidiu-se introduzir este capítulo dedicado exclusivamente a esta equação.

2 s d s d n d y = .2 s d V  (4.5) obtém-se: 2p tvs 2vs dV = (.6) pode ser re-escrita numa forma mais simples.tg sen idV  Força de pressão segundo a direcção da linha de corrente: Sendo p a pressão no centro do elemento.1) e (4.4) Somatório das forças aplicadas ao elemento de fluido na direcção da linha de corrente. Campos EQUAÇÃO DE BERNOULLI Forças aplicadas sobre o elemento de fluido. os valores médios da pressão nas faces perpendiculares à linha de corrente s são: p + ps e p .2) dWs = .s = _ p .2s m dV (4. s s p.3) A resultante das forças de pressão segundo s é por conseguinte: (4.6) A equação (4._ p + dpsi dndy = 2p 2p = .  Força da gravidade segundo a direcção da linha de corrente: (4.ps com ps dado por: 2p dp s = 1 c ds m 2 2s dFp.) dV 2s 2s (4. s / dF = dW + dF 2p = c.dpsi dndy .78 NOTAS PARA O ESTUDO DA MECÂNICA DE FLUIDOS João M.2d p s d n d y = .tgseni .tgseni .5) Combinando as equações (4. Aplicando as regras de derivação: 2 v s 2v s = 1 2v s 2s 2 2s (4.7) Por considerações geométricas δs θ δz .

12) Esta equação é conhecida por equação de Bernoulli ao longo de uma linha de corrente. Este trabalho é igual ao produto da dis- .7) a (4. a coordenada perpendicular n tem valor constante.79 NOTAS PARA O ESTUDO DA MECÂNICA DE FLUIDOS João M.11) em que C representa um valor constante. não há troca de energia calorífica entre o fluido e o exterior.9) na equação (4. pressão e gravidade.10) # dtp + 1 v 2 2 + gz = C (4. pelo que: dp = 2p 2p 2p ds + dn " dp = ds 2s 2n 2s (4. nem a receber energia mecânica do fluido.8) Ao longo da linha de corrente s. não há sistemas mecânicos a fornecer energia mecânica ao fluido.tg d z ds ds = 2 ds 2 Integrando: (4.9) Substituindo as equações (4. Campos EQUAÇÃO DE BERNOULLI sen i = dz ds (4. o fluido foi considerado incompressível e o escoamento estacionário.    A equação de Bernoulli traduz o conhecido princípio trabalho-energia: o trabalho realizado pela resultante das forças exteriores. a equação aplica-se ao longo de uma linha de corrente. Na sua aplicação é necessário tomar atenção às hipóteses formuladas:  as forças de corte foram consideradas desprezáveis quando comparadas com as forças de inércia e gravidade (escoamento “sem atrito”). líquidos e gases a baixa velocidade. fluido incompressível. que actuam num elemento de fluido é igual à variação da energia cinética do elemento. Se a massa volúmica puder ser considerada independente da pressão. a equação anterior toma a forma: p + 1 tv 2 + tgz = C 2 (4.6) obtém-se: dp 1 dv2 t " d p + 1 t d v 2 + tg d z = 0 .

14) representam energia por unidade de peso. talvez mais simples de compreender: ao longo de uma linha de corrente. n . resulta: / dF = dma n n vs2 vs2 = R dm = R tdV (4. a energia mecânica total transportada por um elemento de fluido é constante. igualmente designados por carga de escoamento (pressão). A equação de Bernoulli pode também ser interpretada de uma forma complementar. potencial e cinética e são expressos em unidades de comprimento. 4.80 NOTAS PARA O ESTUDO DA MECÂNICA DE FLUIDOS João M.13) representam energia por unidade de massa enquanto os termos da equação (4. pela intensidade da resultante das forças aplicadas nessa direcção. numa dada direcção.3 2ª Lei de Newton na direcção normal a uma linha de corrente Em muitos escoamentos uni-dimensionais as linhas de corrente são rectas ou bem aproximadas por rectas.15) em que R representa o raio de curvatura da linha de corrente. Analisando a figura onde estão esquematizadas as forças que se exercem num elemento de fluido e aplicando a 2ª lei de Newton segundo a direcção normal. Contudo é um bom exercício estabelecer a 2ª lei de Newton para o caso desta variação não ser desprezável.13) (4. A equação de Bernoulli aparece frequentemente escrita sob outras formas: p 1 2 v gz C t+2 + = p 1 v2 z C gt + 2g + = (4. para que a energia mecânica total permaneça constante.14) Os termos da equação (4. Esta energia mecânica total é a soma das energias potencial. e a variação do vector velocidade na direcção normal às linhas de corrente (aceleração segundo n) é desprezável quando comparada com a sua variação na direcção das linhas de corrente (aceleração segundo s). Campos EQUAÇÃO DE BERNOULLI tância percorrida pelo elemento. A variação de uma destas formas de energia mecânica implica a variação de pelo menos uma das outras duas. cinética e de escoamento. .

19) obtém-se: 2 2p t vs dV = (.tg cos idV  Força de pressão na direcção normal à linha de corrente: Se a pressão no centro do elemento for p. (4.2n dV  (4.n = _ p . pelo que: .) dV 2n R (4.2n m dV (4.81 NOTAS PARA O ESTUDO DA MECÂNICA DE FLUIDOS João M.17) A resultante das forças de pressão segundo n é dada por: dFp._ p + dpni dyds = 2p 2p = .tg cos i . com pn dado por: dpn = 2 p dn 2n 2 (4.pn .tg cos i .15) a (4. n n p.20) Por considerações geométricas: δs θ cos i = dz dn δz δn (4.19) Combinando as equações.16) dWn = . n / dF = W + dF 2p = c.dpni dsdy . Campos EQUAÇÃO DE BERNOULLI Forças aplicadas sobre o elemento de fluido.21) Na direcção normal à linha de corrente a coordenada s tem valor constante.18) Somatório das forças aplicadas ao elemento de fluido na direcção normal à linha de corrente.2n dsdndy = . os valores médios da pressão no topo e na base do elemento de fluido são respectivamente p + pn e p .  Força da gravidade na direcção normal à linha de corrente: (4.2dpn dsdy = .

22) Substituindo as equações (4.23) No caso de um gás. fluido incompressível.1 Introdução Em alguns exemplos que vão ser apresentados é necessário conhecer o conceito de conservação de massa. obtém-se: dp vs2 . a pressão devido à mudança de direcção do elemento de fluido diminui ao longo de n. no capítulo seguinte ela será deduzida com detalhe. líquidos e gases a baixa velocidade.4 Aplicações da equação de Bernoulli 4. e a equação anterior traduz que qualquer mudança na direcção do escoamento é acompanhada de uma variação de pressão na direcção normal ao escoamento.24) Se a massa volúmica puder ser considerada independente da pressão. a massa que .4.tg d z =tR dn dn (4.21) e (4. Multiplicando ambos os membros da equação anterior por dn e integrando. resulta: # dtp + # v d n + gz = C R 2 s (4.82 NOTAS PARA O ESTUDO DA MECÂNICA DE FLUIDOS João M. por exemplo um tanque que tem uma entrada e uma saída (ver figura seguinte).25) Para integrar esta equação é necessário saber como R e vs variam com n. 4. Campos EQUAÇÃO DE BERNOULLI dp = 2p 2p 2p ds + dn " dp = dn 2s 2n 2n (4.20). a chamada equação da continuidade. o peso do elemento de fluido pode ser desprezado. Pelo facto da aceleração na direcção normal ser positiva e n “apontar” para o centro da curvatura.22) em (4. a equação anterior toma a forma: p + t # vs d n + tgz = C R 2 (4. Se não houver acumulação de fluido no interior do tanque. De seguida vai-se enunciar/estabelecer esta equação de uma forma muito simples e intuitiva. Considere-se um fluido em escoamento através de um volume fixo.

o caudal mássico de entrada tem de ser igual ao de saída: v1δt v1 Volume A1v1δ t 1 Entrada v2δt Volume A2v2δ t v2 2 Saída 1v1A1 = 2v2A2 (4. este volume está representado a escuro.2. Igual raciocínio pode ser feito para a entrada do tanque. Note que v2t representa o espaço percorrido em t pelo fluido que no início do intervalo de tempo estava prestes a sair do tanque. e 2 . resulta: p1 + 1 tv12 + tgz1 = p2 + 1 tv22 + tgz2 2 2 (4. Se A2 e v2 representarem a área da secção recta de saída e a velocidade média do fluido à saída. ambos situados na mesma linha de corrente. Jactos Livres Considere-se o escoamento de um líquido através de um orifício situado na base de um tanque de grande dimensão. Na figura.83 NOTAS PARA O ESTUDO DA MECÂNICA DE FLUIDOS João M. imediatamente à saída do orifício. na superfície do tanque.27) 4. Como não há acumulação de massa.28) . o volume de fluido que sai do tanque no intervalo de tempo t é dado por v2A2t. Aplicando a equação de Bernoulli entre os pontos 1. Pretende-se saber qual o caudal (mássico ou volumétrico) de escoamento e como este caudal varia com a altura de líquido dentro do tanque. O volume de fluido que sai por unidade de tempo (caudal volumétrico) é dado por Q2 = (v2A2t)/t = v2A2 e a massa de fluido que sai por unidade de tempo (caudal mássico) por m2 = 2v2A2.26) Se o fluido de entrada e de saída for o mesmo e não houver variação da massa volúmica: v1A1 = v2A2 (4. Campos EQUAÇÃO DE BERNOULLI entra por unidade de tempo no tanque (caudal de entrada) tem de ser igual à massa que sai igualmente por unidade de tempo (caudal de saída).4.

O raio do oríficio é muito menor que o raio do tanque. já que as linhas de corrente são supostamente rectas paralelas não havendo variação de pressão na direcção normal a estas linhas. p1 = p2 = patm (4.30) Tanto a superfície livre. Todo o jacto. passa a estar sujeito à pressão atmosférica.32) Esta equação mostra que a velocidade de saída do jacto é proporcional à raiz quadrada da altura de líquido no tanque. A diferença de cota entre os pontos 1 e 2 é variável ao longo do tempo de descarga e é dada por: g(z1 – z2) = gh(t) (4.29) Como exemplo. desde que deixa de estar confinado pelas paredes. Campos EQUAÇÃO DE BERNOULLI 1 h 2 dj A velocidade à superfície do tanque representa a velocidade de descida da superfície livre. O caudal volumétrico de saída do tanque é dado por: . como a secção recta do jacto imediatamente à saída do orifício estão à pressão atmosférica. assim: t1 A1 v1 = t2 A2 v2 ` A1 22 A2 / t1 = t2 " " v2 22 v1 " 1 v22 222 1 v12 2 2 (4. O ponto 2. se o raio do tanque for 10 vezes superior ao do orifício (20 mm o do orífício e 200 mm o do tanque). está à pressão atmosférica.31) Substituindo as equações (4. mesmo que situado no eixo do jacto.31) na equação de Bernoulli resulta: 1 tv 2 tgh^ t h " v 2gh^ t h 2 = 2 = 2 (4.30) e (4.84 NOTAS PARA O ESTUDO DA MECÂNICA DE FLUIDOS João M. a área do tanque é 100 vezes superior à do orifício e a energia cinética por unidade de massa à saída do orifício é 10000 superior à energia cinética por unidade de massa à superfície do tanque.

1 Água sai de um tubo sob a forma de um jacto livre e vai embater num prato plano circular. na chamada zona da vena contracta.01 m . o chamado efeito da vena contracta.61 (4. Há geralmente uma contração do jacto.50 dj dj Exemplo 4. Os valores deste coeficiente são dados na literatura em função da geometria do orifício. A geometria do escoamento é simétrica relativamente ao eixo do jacto tal como mostra a figura. Campos EQUAÇÃO DE BERNOULLI Q = Ao 2gh^ t h (4. Quando as linhas de corrente “acompanham” os bordos do orifício a contracção é mínima e vice-versa.61 C C = Aj /A0 = 0. Define-se então um coeficiente de contracção Cc igual à razão entre a menor área do jacto.0 C C = Aj /A0 = 0. Determine o caudal do jacto Q e a leitura do manómetro H 0.85 NOTAS PARA O ESTUDO DA MECÂNICA DE FLUIDOS João M. O diâmetro do jacto pode não coincidir com o diâmetro do orifício dependendo da forma como o orifício é construído: em esquina. A figura seguinte mostra alguns exemplos de escoamentos em orifícios e os respectivos valores do coeficiente de contracção. arredondado.2 m Q 0.33) em que Ao representa a área do orifício.4 mm v v 0. etc.34) dj dj C C = Aj /A0 = 1. Esta contracção é maior ou menor conforme a forma como as linhas de corrente contornam o orifício.1 m H 0. e a área do orifício. O caudal volumétrico de saída passa a ser dado por: Q = Cc Ao 2gh CC = Aj /A0 = 0.

. e o ponto 2 perto do prato imediatamente antes do jacto mudar de direcção. e em contacto com a atmosfera: p1 = p2 = patm A equação de Bernoulli toma então a seguinte forma: 2 2 v 1 = v 2 + 0.e. i.86 NOTAS PARA O ESTUDO DA MECÂNICA DE FLUIDOS João M. O prato é circular pelo que o escoamento passa a ser radial logo após o jacto mudar de direcção. Combinando as equações anteriores obtém-se: Q = At v1 = At 1-c 0. obtém-se: p1 1 2 p2 1 2 v1 = v2 + z1 + + z2 + 2g 2g tg tg 4 2 3 1 Q Por ser um jacto. o jacto sofre um alargamento. na sua forma mais simples. 06l/s . Rt o raio do tubo e Rp o raio do prato. 4g De seguida aplica-se equação de Bernoulli entre o ponto 2 (muito perto do prato) e um ponto 3 situado no jacto após mudar de direcção. este decréscimo de velocidade tem de ser acompanhado por um aumento da área de escoamento. 0. Pela equação da continuidade. diz que o caudal mássico que sai do tubo é igual ao caudal mássico no escoamento radial: rR t2 v1 = 2rRp ev3 em que e representa a espessura do líquido em escoamento radial. Campos EQUAÇÃO DE BERNOULLI Solução O jacto ao sair do tubo fica à pressão atmosférica. 4 g R t2 m 2R p e 2 . Como a energia mecânica total é constante e a pressão é atmosférica há um decréscimo de energia cinética. A área de escoamento passa a ser a da superfície lateral de um cilíndrico com altura igual à espessura do jacto. Sendo a diferença de cota entre os dois pontos (2 e 3) desprezável a equação de Bernoulli reduz-se a: 1 2 1 2 v2 = v 3 " v2 = v3 2g 2g A equação da continuidade. Aplicando a equação de Bernoulli entre o ponto 1 situado à saída do tubo. não confinado. Ao percorrer uma certa distância na vertical “ganha” energia potencial.

e da pressão no jacto antes do impacto ser também atmosférica. De seguida são dados alguns exemplos. . que as forças de inércia são muito superiores às forças viscosas.4.3.3. Medindo a diferença de pressão entre as duas zonas é possível conhecer o caudal volumétrico ou mássico através da equação de Bernoulli. Campos EQUAÇÃO DE BERNOULLI O ponto 4 representado na figura é um ponto de estagnação. pode-se aplicar a equação de Bernoulli ao longo de uma linha de corrente (horizontal) entre os pontos 1 e 2. Supondo que o escoamento é estacionário. a equação da continuidade permite escrever. Consiste num estreitamento suave da conduta onde o fluido está em escoamento. a altura H é dada por: H= 1 2 v2 2g 4. Devido ao aumento de pressão no ponto de estagnação. para medir quer o caudal de líquidos quer o de gases.35) Supondo que os perfis de velocidade são uniformes nas secções rectas que contêm os pontos 1 e 2 (hipótese aceitável quando as forças de inércia são dominantes). o líquido sobe no tubo capilar.1 Venturi O venturi é um medidor frequentemente utilizado. a carga cinética com que o líquido vinha animado transforma-se em carga de pressão no instante em que o líquido embate no prato. O ponto 2 situa-se na secção recta do estrangulamento da conduta. e que o fluido é incompressível. Medidores de caudal Uma forma de medir o caudal de um fluido em escoamento num tubo é colocar no seu trajecto algum tipo de restrição de forma a provocar a formação de duas zonas: uma de baixa velocidade e alta pressão. e outra de alta velocidade e baixa pressão.87 NOTAS PARA O ESTUDO DA MECÂNICA DE FLUIDOS João M. Pelo facto do tubo estar aberto para a atmosfera. 1 2 2 2 p1 + 1 tv 1 = p2 + 1 tv 2 2 2 (4.4. 4.

tal como nos exemplos anteriores. obtém-se: Q = A2 2^p1 . aplicando a equação de Bernoulli entre os pontos 1 e 2 situados na mesma linha de corrente.3. Na sua forma mais simples é um disco circular com uma área central aberta ao escoamento menor do que a área da secção recta da conduta. o diâmetro do orifício nem sempre coincide com o diâmetro do jacto que o “atravessa”.38) 4. 1 2 De uma forma análoga à do Venturi. sendo necessário usar um coeficiente de contracção para corrigir o caudal.88 NOTAS PARA O ESTUDO DA MECÂNICA DE FLUIDOS João M. em que Aj representa a área do jacto.c A2 m F A1 (4.36) resulta uma equação que permite calcular o caudal volumétrico que está a passar na conduta por simples leitura da variação de pressão: Q = A2 2^p1 . Por simples medição do decréscimo de pressão do fluido ao passar por este disco pode-se conhecer o caudal de escoamento.35) e (4.2 Medidor de orifício O medidor de orifício é frequentemente utilizado para medir caudais já que é um dispositivo barato. a área do jacto pode ser inferior à área do estrangulamento. dependendo da razão entre as áreas das seccções rectas do estrangulamento e da conduta. .p2h 2 t <1 . Campos EQUAÇÃO DE BERNOULLI Q = A1v1 = A2v2 (4.37) Mais uma vez.39) No medidor de orifício.p2h 2 t <1 . Define-se então um coeficiente de contracção Cc = Aj/A2. e o caudal passa a ser dado por: Q = Cc A2 2^p1 .c Cc A2 m F A1 (4.36) Combinando as equações (4.4. simples de implementar e dá resultados bastante precisos.p2h 2 t <1 .c A2 m F A1 (4.

b Superfície livre 2 H δz2 z2     z1 1 z2 Ar Aplicando a equação de Bernoulli ao longo da linha de corrente que passa nos pontos 1 e 2 resulta: . De seguida são estudados dois exemplos. Numa queda de água.4.3. A variação de pressão na secção recta que contém o ponto 1 é hidrostática. São necessárias algumas hipóteses para aplicar a equação de Bernoulli entre os pontos 1 e 2 representados na figura ao longo de uma linha de corrente:  a montante do descarregador. podendo ter várias geometrias. o fluido não escorre pela “encosta”. a intensidade da força de corte é desprezável comparativamente com a intensidade das outras forças em jogo (escoamento sem atrito viscoso).89 NOTAS PARA O ESTUDO DA MECÂNICA DE FLUIDOS João M. a superfície livre permanece horizontal entre as secções rectas que contêm os pontos 1 e 2 . descreve um arco tal como um projéctil com velocidade inicial na direcção normal à direcção da gravidade. a velocidade só tem componente horizontal e o perfil de velocidade é uniforme.  Descarregador rectangular Na figura está representado um descarregador rectangular de largura b. a velocidade na secção recta que contém o ponto 2 só tem componente horizontal. Campos EQUAÇÃO DE BERNOULLI 4. Uma barragem em descarga é um bom exemplo para compreender este tipo de medidor.3 Descarregadores Os descarregadores servem para medir caudais em canais abertos para a atmosfera. o ponto 2 situa-se à saída do descarregador e tal como no jacto livre a pressão neste ponto é atmosférica (linhas de correntes supostamente rectas paralelas).

a velocidade de descarga é função da cota do ponto 2.45) Deixa-se como exercício deduzir este resultado. Considere-se a tira infinitesimal de altura z2 a uma distância z2 da base do descarregador (ver Figura).43) 2 Na maioria dos casos H 22 v 1 pelo que o caudal volumétrico de 2g descarga é dado por: 3 Q = 2 b 2g H 2 3 (4.z2h + v 1 (4.41) Estendendo esta análise a toda a área do descarregador resulta: Q= 0 # v b d z " Q = # 72g]H .44)  Descarregador triangular No caso de um descarregador triangular a largura da tira infinitesimal é função da coordenada z. θ H .z1h + tgz1 + 1 tv 1 = tgz2 + 1 tv 2 " v2 = 2g^H .d v 1 n H 3 2g 2g (4. Assim.90 NOTAS PARA O ESTUDO DA MECÂNICA DE FLUIDOS João M.40) 2 2 De acordo com a equação. O caudal de descarga através desta área elementar é dado por: Q = v2A = v2bz2 (4. Campos EQUAÇÃO DE BERNOULLI 2 2 2 tg^H .42) Integrando: 2 2 2 2 Q = 2 b 2g > d H + v 1 n . Seguindo o mesmo raciocínio que para o descarregador rectangular e exprimindo a largura da tira em função de z.zg + v H H 2 0 3 3 2 1 A bdz 1 2 (4. tem que se definir uma área de descarga infinitésimal onde a velocidade possa ser considerada uniforme. obtém-se: 5 Q = 8 tan i 2g H 2 15 2 (4.

obtém-se: p1 p2 gz 1 v 2 gz 1 v 2 t + 1+ 2 1 = t + 2+ 2 2 Recordando as hipóteses formuladas no estudo dos descarregadores: p1 = patm + g(H – z1). Supondo que a área da secção recta a montante é de 40 m2 1 δz2 z2 2 z1 z2 H Vista de frente Vista lateral (corte) Solução Aplicando Bernoulli entre um ponto 1 longe do descarregador a uma cota z1 e um ponto 2 à saída do descarregador a uma cota z2 (referência a base do trapézio). Se H for 4.z2) + v 1 O caudal volumétrico de descarga através de um elemento infinitesimal de altura z2 e comprimento b. p2 = patm Substituindo na equação de Bernoulli: 2 v2 = 2g (H . ii. Deduza uma expressão que relacione o caudal de descarga com o nível de água acima da base inferior do trapézio. a. A altura do trapézio é 3 m. b. obtém-se: 2 dQ = 2g (H .z) + v 1 c 4 z + 1m d z 3 . Campos EQUAÇÃO DE BERNOULLI Exemplo 4.z2) + v 1 c 4 z2 + 1m dz2 3 Estendendo a toda a área do descarregador: 3 Q= 0 # 2 2g (H .0 m calcule o caudal de descarga nas seguintes condições: i.2 Um descarregador tem a forma de um trapézio simétrico cuja base inferior tem 1 m de comprimento e a base superior 5 m (ambas horizontais).91 NOTAS PARA O ESTUDO DA MECÂNICA DE FLUIDOS João M. Supondo a velocidade nula a montante do descarregador. que dista z2 da base do trapézio é dado por: Q = v2A = v2bz2 Mas b varia linearmente com z2: b = 4 z2 + 1 3 Substituindo as equações anteriores na expressão do caudal volumétrico que passa na tira infinitesimal. H (superior a 3 m).

4. orientado na direcção do escoamento (a outra extremidade do tubo está aberta para a atmosfera). técnica intrusiva que perturba o escoamento. Medidores de velocidade 4. Campos EQUAÇÃO DE BERNOULLI Para H=4. Compara-se este novo valor de v1 com o anterior. resolve-se o integral. torna-se pouco atractivo quando se pretende medir a velocidade perto de uma parede ou de um sólido mergulhado num escoamento. A pressão estática no ponto 1 pode ser conhecida por simples leitura de h: . A melhor estimativa inicial é o valor de Q calculado supondo v1 = 0. Na parede da tubagem.z) + v 1 c 4 z + 1m d z 3 O caudal Q é função de v1 pelo que é necessário um processo iterativo.4.0 m e v1=0 a expressão para o cálculo do caudal reduz-se a: 3 Q= 0 # 2g (4 . Com este valor. na direcção da linha vertical que passa no ponto 1.4. O ponto 2 está situado imediatamente antes da entrada de um tubo muito fino.4. Atmosfera h v v1 1 v2=0 2 H Considere a linha de corrente que passa pelos pontos 1 e 2. Por ser necessário colocá-lo no seio do escoamento. Divide-se este valor de Q por A1. se não coincidirem faz-se nova iteracção.92 NOTAS PARA O ESTUDO DA MECÂNICA DE FLUIDOS João M.1. tubo de Pitot. está colocado um outro tubo fino também aberto para a atmosfera. Tubo de Pitot O tubo de Pitot é um dispositivo há muito tempo usado para medir a velocidade num ponto do escoamento. Em particular. e obtém-se um novo valor de Q e consequentemente um novo valor de v1. não é muito utilisado quando se pretende medidas muito rigorosas. Este processo continua até que haja concordância entre dois valores consecutivos de v1. 4. e obtém-se uma estimativa para v1.z)c 4 z + 1m d z 3 Quando a velocidade a montante não é desprezável o cálculo é mais complicado: v1 = Q = 1 # A1 A1 0 3 2 2g (4 .

mais desenvolvida do tubo de Pitot.47) 2 À soma da pressão estática (p1) com a dinâmica c 1 tv 1 m . Assim: 2 p2 = p1 + 1 tv 1 2 (4. quando chega à abertura estreita do tubo de Pitot (2).48) (4. formando-se à frente da abertura uma zona de fluido estagnado. Campos EQUAÇÃO DE BERNOULLI p1 – patm = gh (4. Por leitura do manómetro: p2 – patm = gH Combinando as equações (4. Em 1 mede-se a pressão estática e em 2 a pressão total. transforma-se em carga de pressão.46) O fluido em escoamento.93 NOTAS PARA O ESTUDO DA MECÂNICA DE FLUIDOS João M. Uma versão. chama-se 2 pressão total. não tem energia suficiente para entrar e provocar escoamento no interior do tubo manométrico. Fica por assim dizer “à porta”. 1 2 . está esquematizada na figura seguinte. o chamado tubo de Pitot com manga.46)-(4.48) resulta: v1 = 2g ]H .49) O tubo de Pitot permite assim medir a velocidade “quase” pontual de um escoamento por simples leitura de duas alturas manométricas.hg (4. a chamada pressão dinâmica. A carga cinética dos elementos de fluido ao longo da linha de corrente.

9.8 m 76 mm h 4.3 Um tanque cilíndrico com 2. A pressão atmosférica é 740 mm de Hg. Suponha que o nível do tanque permanece constante e que as forças viscosas são desprezáveis. Calcule as cargas total.2 A água de um tanque está a ser descarregada para a atmosfera através de um sifão como mostra a Figura.94 NOTAS PARA O ESTUDO DA MECÂNICA DE FLUIDOS João M. cinética e de pressão em A.0 m de diâmetro descarrega para a atmosfera através de uma mangueira de 20 mm de diâmetro interno.2 m. através da tubagem representada na figura. A saída da mangueira encontra-se ao nível da base do tanque. mas tem que passar sobre um obstáculo alto. Atmosfera d= 10 cm B 4m 3m 2m A d= 5 cm C D Atmosfera d= 3.2 m 1. B. Atmosfera B 1. O barómetro de água representado na figura indica o valor máximo de 9. Campos EQUAÇÃO DE BERNOULLI 4. Determine o valor máximo de h de forma a que não ocorra cavitação no tubo de descarga. Suponha que as forças viscosas são desprezáveis.75 cm d= 5 cm 4.6 Exercícios propostos de aplicação 4. C.5 m 2m h . e D bem como o caudal de descarga.1 Água é descarregada de um tanque para a atmosfera. A pressão no extremo fechado do barómetro é a pressão do vapor de água.

onde está colocada a segunda toma de pressão.4 Um tubo cilindrico horizontal é percorrido por um fluido. Determine o caudal de descarga sabendo que a menor secção recta do jacto (vena contracta). Água 5 cm 1. c. Dois tubos muito finos estão colocados no interior do tubo tal como mostra a Figura. b.6 Observe a Figura e determine h em função de H. Suponha que as forças viscosas são desprezáveis. Estabeleça uma relação entre a pressão do líquido em B e a diferença de cota h. Calcule o caudal volumétrico de descarga.1.5 cm 4.5 cm 5 cm Mercúrio 1. Mostre que as velocidades vA (ao nível de A) e vB (ao nível de B) estão relacionadas com h segundo: vA2 .hmáx= 8 m 4.95 NOTAS PARA O ESTUDO DA MECÂNICA DE FLUIDOS João M. H .8 dorif. b.pB = patm-ρ g h. Campos EQUAÇÃO DE BERNOULLI a. R: h=0. Qual o valor máximo de h se o líquido for água á temperatura de 60 ºC (pv = 150 mmHg). A abertura do tubo A está alinhada com o eixo do tubo horizontal e o tubo B tem a abertura 4 cm abaixo deste eixo (na vertical).vB2 h = 2g 2 g h Ar 6 cm A B 4 cm 4. Suponha que as forças viscosas são desprezáveis.7 l/s. R: a.5 Água é transportada num tubo vertical com 5 cm de diâmetro e para medir o caudal introduziu-se no tubo uma placa com um orifício de 2 cm de diâmetro. tem um diâmetro 0. c.

Encontre uma relação entre as alturas H e H1 . R: a.0 m descarrega água para a atmosfera através de um orifício com 4 mm de diâmetro situado na base.52 m e H2 =0 H H1 H2 4. b. Para conhecer a velocidade de descarga. Suponha que as forças viscosas são desprezáveis.0 kg/s. contudo basicamente o sistema de operação é o mesmo. 1. As áreas das secções rectas onde estão situados os pontos 1 e 3 são suficientemente elevadas de forma a que as cargas cinéticas nessas secções são desprezáveis quando comparadas com .96 NOTAS PARA O ESTUDO DA MECÂNICA DE FLUIDOS João M. Campos EQUAÇÃO DE BERNOULLI H 8 cm Água h ρ=3000 kg/m 3 4.20 m p 4. colocou-se no jacto um tubo de Pitot tal como mostra a figura. Suponha que as forças viscosas são desprezáveis.H=H1.9 Os carburadores dos automóveis são bem mais complicados que a versão representada na figura.0 m Água 0.8 Um tanque cilindrico de diâmetro 1.H1= 0.7 Água sai de um reservatório através de uma conduta de secção circular com 20 mm de diâmetro e é descarregada para a atmosfera. bem como a pressão P que o manómetro ligado ao tubo de Pitot deve indicar. Determine os valores de H1 e H2 quando o caudal mássico for 1. Determine o caudal de descarga no instante em que o nível da água é o indicado na figura.

i. a.. Entrada de ar 1 D2 2 Dj Gasolina 3 Saída de ar + gasolina 4. acha que será maior. e é injectada no ar através de um orifício largo de diâmetro Dj.th t em que  e m são respectivamente as massas específicas do fluido em escoamento e do fluido manométrico h . O diâmetro da secção onde está representado o ponto 2 é D2. Um Venturi é um equipamento que permite medir o caudal de escoamento de um fluido num tubo.97 NOTAS PARA O ESTUDO DA MECÂNICA DE FLUIDOS João M. Se o escoamento for incompressível e as forças viscosas forem desprezáveis mostre que o caudal volumétrico Q está relacionado com a altura manométrica h pela seguinte expressão: Q= A2 1 . Escreva a razão ar-fuel. o caudal mássico de ar dividido pelo caudal mássico de gasolina. A gasolina está armazenada num reservatório de nível constante e aberto para a atmosfera. em função das variáveis apropriadas.(D2 D1) 4 2gh^tm . igual ou menor no cimo da serra da Estrela a uma altitude de 2000 m.10 a. Se se aumentar a entrada de ar (nos carros através de um mecanismo associado ao pedal do acelarador) como é que acha o o que a razão ar-fuel varia ? R: mar /mgas = A2 /A j tar /tgas b.e. Campos EQUAÇÃO DE BERNOULLI a carga cinética na secção onde está situado o ponto 2. À entrada e à saída do carborador (1 e 3) a pressão é próxima da ambiente. Se a razão for de 15 ao nível do mar. Suponha que as forças viscosas são desprezáveis.

D2 D1 v1 h patm patm Água v2 Água 4. h3 5m D=5 cm h2 d=3 cm Medidor de orifício h1 =1 m Estime os níveis de água nos tubos capilares h3 e h2. O diâmetro do orifício é de 30 mm.98 NOTAS PARA O ESTUDO DA MECÂNICA DE FLUIDOS João M. . Suponha que as forças viscosas são desprezáveis e que o coeficiente de contracção é 1. Campos EQUAÇÃO DE BERNOULLI b. Um Venturi pode igualmente funcionar como uma “bomba aspiradora” de fluido. Encontre uma expressão para a velocidade v1 em função da altura máxima h para que a água de um reservatório aberto chegue ao estrangulamento do Venturi.11 Um tubo liso contendo água em escoamento a um caudal de 7 m3/hr tem num dado troço um medidor de orifício tal como mostra a figura.

1 Análise diferencial. sendo por isso possível descrever todo o campo de escoamento. Ao estudar a acção dos ventos numa ponte. designado por estudo diferencial. não tem interesse estudar o escoamento de uma dada massa de fluido. Campos ANÁLISE INTEGRAL EM VOLUMES DE CONTROLO FINITOS 5 ANÁLISE INTEGRAL EM VOLUMES DE CONTROLO FINITOS 5. que no caso . velocidade e pressão. e por vezes complementares:    estudo do escoamento de um elemento de fluido de dimensões infinitesimais. os detalhes do escoamento não são ignorados. integral e dimensional Há três formas clássicas de estudar o escoamento de um fluido e os seus efeitos.  Estudo integral As leis de conservação são escritas e aplicadas a um sistema o qual é definido como uma quantidade arbitrária de massa com identidade própria.99 NOTAS PARA O ESTUDO DA MECÂNICA DE FLUIDOS João M. Após serem estabelecidas para um dado problema. define-se uma região. Tudo o que não faça parte do sistema é designado por arredores e entre os arredores e o sistema existe a fronteira. sujeitas às condições fronteira apropriadas. não tem interesse estudar o escoamento do sistema. mas sim estudar os efeitos desse escoamento. estudo do escoamento e seus efeitos num volume de controlo seleccionado. i. não tem interesse estudar o campo de escoamento do ar em torno da ponte.e. sendo as soluções numéricas aproximações das soluções exactas. Assim. designado por estudo integral. Em muitos problemas de Mecânica dos Fluidos. Soluções analíticas exactas são na grande maioria dos casos impossíveis de obter. elas têm que ser integradas. todas importantes. pelo que as equações têm de ser resolvidas por integração em computadores.  Estudo diferencial Quando as leis de conservação são escritas para um elemento de fluido infinitesimal designam-se por equações diferenciais básicas de escoamento. Com este tipo de análise. mas sim os efeitos dos ventos sobre a ponte.. estudo experimental de um escoamento e seus efeitos com suporte na análise dimensional.

Área de controlo v Área de controlo V. têm de ser sempre satisfeitas as equações de conservação. Na figura estão esquematizados alguns exemplos de volumes de controlo. realizam-se estudos em modelos à escala. 2 1 Volume de controlo fixo V. condições fronteira em superfícies sólidas. e rígido ou deformável no tempo. a qual é designada por volume de controlo. Campos ANÁLISE INTEGRAL EM VOLUMES DE CONTROLO FINITOS anterior engloba a ponte. sendo a análise dimensional uma ferramenta importante para que se possa tirar conclusões. Neste capítulo vai ser seguida a abordagem integral. controlo Á rea de V.C. Estes estudos são geralmente levados a cabo experimentalmente.C. conservação de energia (1ª lei da Termodinâmica). conservação de quantidade de movimento (2ª lei de Newton). por exemplo em túneis de vento ou de água.C. Este volume de controlo pode ser fixo ou móvel no espaço. Qualquer que seja a forma de abordar um escoamento. interfaces. a equação de estado do fluido e as condições na fronteira:      conservação de massa. simulam-se as condições exteriores. . por exemplo o estudo das condições aerodinâmicas de um carro de Fórmula I. e realizam-se estudos em protótipos. Volume de controlo deformável Volume de controlo móvel v  Estudo experimental com suporte na análise dimensional Muitos problemas são difíceis de estudar quer por análise integral quer por análise diferencial. Quando a dimensão dos objectos é pequena. equação de estado do fluido. Quando as dimensões dos objectos são grandes.100 NOTAS PARA O ESTUDO DA MECÂNICA DE FLUIDOS João M. entradas e saídas.

1 Dedução do teorema do transporte de Reynolds O teorema do transporte de Reynolds vai servir de suporte para deduzir as equações integrais de conservação de massa.101 NOTAS PARA O ESTUDO DA MECÂNICA DE FLUIDOS João M. enquanto que no instante t + t está contido em VC. Este teorema faz a ponte entre o que se passa no sistema e o que se passa no volume de controlo. um volume de controlo fixo e estacionário com uma entrada (1) e uma saída (2). Assim no instante t o sistema está todo no interior do VC. quantidade de movimento e energia. Num dado instante t.2 Teorema do Transporte de Reynolds 5. Durante o intervalo de tempo t. Os elementos do sistema que estavam no instante t sobre a superfície de saída do volume de controlo (2) deslocaram-se para a direita de l2 = v2t.C. Os elementos de fluido que estavam no instante t sobre a superfície de entrada do volume de controlo (1) deslocaram-se para a direita de l1 = v1t. uniformes nas respectivas secções. por hipótese. v1δ t v1 1 2 v2δ t v2 1 I V. o volume de controlo passa a ser designado por VC. Estas velocidades são.1) . Campos ANÁLISE INTEGRAL EM VOLUMES DE CONTROLO FINITOS 5. O fluido desloca-se na direcção normal às superfícies de entrada e saída com velocidades respectivamente v1 e v2. o que sai do VC durante o intervalo de tempo t ocupa um volume designado por II e o que entra no VC durante este intervalo de tempo ocupa um volume designado por I. e está representado a tracejado na figura. o sistema move-se para a direita.2. a ponteado.I II 2 Volume de controlo e Sistema no instante t Sistema no instante δt + t Para facilitar a dedução do teorema de Reynolds. a massa de fluido seleccionada para sistema preenche por completo o volume de controlo.I + II. . No instante t: BSist(t) = BVC(t) (5. Na figura está representado. Seja B uma propriedade extensiva qualquer (que dependa da massa do sistema).

associada a um elemento de fluido em escoamento.BSist ^ t h = VC + dt Rearranjando e sabendo que BSist(t) = BVC(t) obtém-se: dBSist BVC ^t + dt h .lim dBSist = DBSist E dt " o Dt dt  Esta parcela representa a variação da propriedade B no sistema por unidade de tempo. Seja b a propriedade B por unidade de massa (propriedade intensiva do sistema).102 NOTAS PARA O ESTUDO DA MECÂNICA DE FLUIDOS João M.3) No limite quando t  0.4) (5.BVC t = BVC = dt " 0 2t dt 2d VC # tbdV n 2t .BVC t F dt " 0 dt  Esta parcela representa a variação da propriedade B no VC por unidade de tempo.BI ^t + dt h BII ^t + dt h + = dt dt dt dt (5. pode-se escrever: 3 BVC = lim/ bi ^ti dVi h = dVi " 0 i = 1 # tbdV VC Substituindo: ^ h ^ h lim BVC t + dt .4) tem um significado: . Campos ANÁLISE INTEGRAL EM VOLUMES DE CONTROLO FINITOS No instante t + t: BSist(t + t) = BVC(t + t) – BI(t + t ) + BII(t + t) A variação de BSist no intervalo de tempo t é dada por: dBSist BSist ^t + dt h .BVC ^ t h . A variação em ordem ao tempo de uma qualquer propriedade de um sistema. escalar ou vectorial.BSist ^ t h = = dt dt B ^t dt h . ^ h ^ h <lim BVC t + dt . é designada por derivada total ou substancial. cada uma das parcelas da equação (5.2) (5. cada um de volume Vi e massa Vi. Se se dividir o volume de controlo num número infinito de volumes infinitesimais.BI ^t + dt h + BII ^t + dt h .

DBSist Dt = d VC # tbdV n 2t + t2 A2 b2 v2 . (5. De seguida vão ser analisados.103 NOTAS PARA O ESTUDO DA MECÂNICA DE FLUIDOS João M. e o sistema é todo o gás que no instante t = 0 (antes da abertura da válvula) está no interior da garrafa. do teorema de Transporte de Reynolds é o que se passa num garrafa de gás pressurizado quando se abre a válvula de saída. Campos ANÁLISE INTEGRAL EM VOLUMES DE CONTROLO FINITOS ^ h <lim BII t + dt F dt " 0 dt  Esta parcela representa a velocidade (quantidade por unidade de tempo) de saída do VC da propriedade extensiva B através da superfície de controlo.t1 A1 b1 v1 (5. a quantidade de B na região II é dada por: BII(t + t ) = 2 b2 A2 l2 = 2 b2 A2 (v2 t) No limite quando t  0: lim BII ^t + dt h t b A v = 2 2 2 2 dt dt " 0 ^ h <lim BI t + dt F dt " 0 dt  Esta parcela representa a velocidade (quantidade por unidade de tempo) de entrada no VC da propriedade extensiva B através da superfície de controlo. Observando a figura anterior.5) Um exemplo.4) obtém-se o teorema de Transporte de Reynolds. a quantidade de B na região I é dada por: BI(t + t ) = 1 b1 A1 l1 = 1 b1 A1 (v1 t) No limite quando t  0: lim BI ^t + dt h t b A v = 1 1 1 1 dt dt " 0 Combinando todos as parcelas anteriores de acordo com a eq. .5). Observando a figura anterior. bem ilustrativo. cada um dos termos da eq. (5. para este exemplo. O VC está a tracejado na figura.

5. nada se perde. nada se ganha.6) em que  é o menor ângulo. logo: 2d t1 A1 b1 v1 = 0 " DBSist = Dt VC # tb d V n 2t + t2 A2 b2 v2 A quantidade de massa no sistema é constante no tempo. . do V.2 Teorema do transporte de Reynolds generalizado No caso do vector velocidade não ser normal aos planos que contêm as superfícies de entrada e/ou de saída do VC. tudo se transforma: 2 d # tbdV n DBSist 0 " VC + t2 A2 b2 v2 = 0 2t Dt = Esta equação mostra que a velocidade a que a massa “desaparece” da garrafa.104 NOTAS PARA O ESTUDO DA MECÂNICA DE FLUIDOS João M. ou no caso da velocidade não ser uniforme na entrada e/ou na saída do VC. Campos ANÁLISE INTEGRAL EM VOLUMES DE CONTROLO FINITOS Sistema Volume de controlo t=0 t>0 Não há entrada de massa no VC. i. o teorema de transporte de Reynolds apresenta uma forma mais complexa.C. Seja v a velocidade com que o fluido atravessa a área infinitesimal A de saída do VC. é igual ao caudal mássico de saída. o volume de fluido que atravessa esta área é dado por: V = lnA = l cos A = (vt) cos A (5.2.. (0 º <  < 90 º). No intervalo de tempo t. que o vector velocidade faz com o versor normal à superfície de saída A (ver figura seguinte).e.

n d Ap = dt " 0 dt " 0 dt dt A A S E = # tbv.9) (5.n d A AC " " (5.# tbv. Campos ANÁLISE INTEGRAL EM VOLUMES DE CONTROLO FINITOS n θ v δl δl=v δt n θ v δln δA A quantidade de propriedade b que atravessa a área A no intervalo de tempo t é dada por: b V = b (vt) cos A Integrando na área de saída: " " ^ h lim BII t + dt = # tbv cos idA = # tb`v. o sentido do versor normal à superfície aponta para fora do volume de controlo.nj d A dt " 0 dt A A E E (5.# tbv cos i d A = .f.n d A .7) (5.105 NOTAS PARA O ESTUDO DA MECÂNICA DE FLUIDOS João M.10) v δl δA n θ δl=v δt θ n v δln A diferença entre o que sai e o que entra de B na unidade de tempo é dada por: " " " " ^ h ^ h lim BII t + dt .njdA dt " 0 ´t A A S S (5. Logo: b V = – b (vt) cos A Integrando na área de entrada: " " ^ h lim BI t + dt = .# tb`v.lim BI t + dt = # tbv. Assim o menor ângulo que o versor faz com o vector velocidade à entrada está compreendido entre 90 º <  < 180 º (ver figura seguinte).8) Na entrada do VC.11) .

O teorema de Transporte de Reynolds aplicado à propriedade massa toma a seguinte forma: " " DMSist 2 = 2t # t d V + # tvrel .vVC (5. Campos ANÁLISE INTEGRAL EM VOLUMES DE CONTROLO FINITOS em que AC representa a área exterior do volume de controlo.n d A Dt VC AC (5.e. Se o referencial se deslocar à velocidade do VC.14) 5. nada se perde.. tudo se transforma.Equação da Continuidade 5.3 Conservação de Massa.13) O teorema de Reynolds relativamente a um observador móvel toma então a seguinte forma: " " 2 DBSist = 2t # tb d V + # tbvrel . então o valor da propriedade intensiva é b = 1.n d A Dt VC AC (5.12) Falta generalizar para o caso em que o volume de controlo se desloca a uma velocidade constante. O teorema de Transporte de Reynolds é rescrito na seguinte forma: " " DBSist 2 = 2t # tb d V + # tbv. então a velocidade relativa entre o fluido e o VC é dado por: " " " vrel = v . i.1 Dedução da equação da continuidade Quando a propriedade extensiva B é a massa. a equação anterior reduz-se a: " " DMSist 0 " 2 = # t d V + # tvrel .n d A Dt VC AC Pelo princípio de conservação de massa de um sistema.3.15) .n d A = 0 2t Dt VC AC (5. mais uma vez nada se cria.106 NOTAS PARA O ESTUDO DA MECÂNICA DE FLUIDOS João M. a área de controlo.

num dado instante. no início de uma dada operação.mE = 10 kg/min . 1000 kg de uma solução de salmoura com 10% de sal (em massa). Campos ANÁLISE INTEGRAL EM VOLUMES DE CONTROLO FINITOS Esta equação é designada por equação da conservação de massa aplicada a um VC. passa a ser alimentado por uma corrente.n é positivo para o que sai do VC e negativo para o que entra no VC. Se não houver variação de massa com o tempo no interior do VC.107 NOTAS PARA O ESTUDO DA MECÂNICA DE FLUIDOS João M. De seguida aplica-se a equação da continuidade à salmoura (sal + água) sabendo que: 20 kg/min 20 % massa V. i. contendo 20% (em massa) de sal.O tanque. a tracejado na figura. A salmoura é removida do tanque a um caudal de 10 kg/min.ndA = m AC " " S o . a um caudal de 20 kg/min.C.n d A = 0 (5.10 kg/min 2 2t # tdV = ddM = 10 kg/min t VC .17) o em que m S representa o caudal mássico de saída pela área de cono trolo e m E o caudal mássico de entrada. Solução O primeiro passo é representar o VC.mE (5. A mistura no tanque é mantida uniforme por agitação mecânica. Determine a quantidade de sal no tanque em qualquer instante t e o tempo ao fim do qual a quantidade de sal no tanque é 200 kg. se não houver acumulação ou desacumulação de massa no interior do VC.e. obtém-se a forma mais simples da equação da continuidade: o # tv.ndA = m AC S o . resulta a chamada equação da continuidade: 2 2t # t d V = 0 " # tv VC AC " " rel . 10 kg/min vv o # tv .1 Um tanque contém.20 kg/min = .16) " " Se o volume de controlo for fixo e sabendo que v. Exemplo 5.

Integrando a equação anterior. estão representados os perfis de velocidade.ndA = m AC S o . a concentração de sal (massa de sal/massa de salmoura) no interior do V. ao longo do tempo é dada por: S S = M 1000 + 10t De seguida aplica-se a equação da continuidade ao sal sabendo que na corrente de saída. Se o fluido for incompressível. n d A = 0 " # t v.108 NOTAS PARA O ESTUDO DA MECÂNICA DE FLUIDOS João M. para o volume de controlo em torno de um cilindro de comprimento L mergulhado num fluido. S = 100  C = 10000. qual o caudal através das superfícies horizontais do volume de controlo? vx= v0 v0 d v0 VC 6d vx= v0 Solução Considerando o fluido incompressível não há variação de massa no interior do volume de controlo. pelo que da equação da continuidade resulta: # t v.C. com o eixo perpendicular à direcção de escoamento. em qualquer instante.4k " d S + 100 + t . "" "" "" .mE = 10 S . n d A + # t v. A massa de sal no tanque ao longo do tempo é finalmente dada por: S= 10000 + 400t + 2t 2 100 + t Exemplo 5.4 = 0 dt dt Esta equação é uma equação diferencial de 1ª ordem cuja solução é: S= 2t^200 + t h C + 100 + t 100 + t em que C é a constante de integração. a concentração de sal é igual à concentração no interior do volume de controlo: vv o # tv . cujo valor é determinado a partir da condição inicial: t = 0. n d A = 0 AC AS AE. 2 1000 + 10t 2 2t VC S S # tdV = d S = -a 100 + t .20 # 0.2 Na figura.10 = 0 " M = 10t + 1000 dt Se S representar a massa de sal. sabendo que no instante t = 0 a massa de salmoura no tanque é 1000 kg. obtém-se: dM . Campos ANÁLISE INTEGRAL EM VOLUMES DE CONTROLO FINITOS em que M representa a massa de salmoura no tanque em qualquer instante t.

O tempo que demora hA a baixar de 3. 10 m 5m hA A B 1m hB Solução a. n d A + # t v.0 cm2.0 cm2.5 m para 3. n d A = . A1 = 10 cm2 e A2 = 5 cm2. O caudal de descarga do tanque A depende do nível de água no tanque B estar acima ou abaixo do orifício: .# t v . hB e A0. "" O perfil de velocidade á saída na superfície vertical varia linearmente desde o plano central até cada uma das extremidades: " " v0 v= y i 0 # y # 3d 3d O caudal mássico de saída pela superfície vertical do VC é dado por: # ASV "" t v.3tv dL = 3tv dL 0 0 0 ASH AE ASV "" "" "" 5.tv 6dL 0 AE. n d A = 6tv dL .5 m considerando o tanque B inicialmente vazio.# t v . n d A = 0 " # t v. n d A = . c. Tome A0 = 2.3. n d A . O tempo que demora o tanque A a baixar de 3. # t v. O caudal de descarga do tanque A em função de hA.n d A = 2 # t 3d 0 3d v # t 3d yL d y = 3tv dL 0 0 O caudal mássico de saída pelas superfícies horizontais do VC é dado por: # t v . n d A = # ASV "" v0 y i . Campos ANÁLISE INTEGRAL EM VOLUMES DE CONTROLO FINITOS A saída dá-se quer pela superfície vertical (ASV) quer pelas superfícies horizontais (ASH).5 m até 2. Calcule: a. Considere que no instante inicial hA > hB.3 Dois tanques (A e B) com uma parede comum comunicam por um orifício estreito de área A0. A1 = 10 cm2 e A2 = 5 cm2. b.0 m considerando o tanque B inicialmente vazio.2 Carga e descarga de reservatórios Exemplo 5. n d A = 0 AC ASV ASH AE. n d A + # t v.109 NOTAS PARA O ESTUDO DA MECÂNICA DE FLUIDOS João M. Tome A0 = 2. "" "" "" "" O perfil de velocidade à entrada é uniforme: # t v . tal como mostra a figura.

Campos ANÁLISE INTEGRAL EM VOLUMES DE CONTROLO FINITOS  Superfície livre do tanque B acima do orifício.1) O caudal volumétrico de descarga do tanque A é dado por: Q = Ao v2 = Ao b. a razão é semelhante à apresentada no capítulo anterior para a descarga de um jacto de líquido para a atmosfera. i. sobe 1 m.1) + v 2 " v2 = 2 t t 2g (hA . resulta: p1 1 2 p2 1 2 + gz1 + v 1 = + gz2 + v 2 2 2 t t 1 A B hB-1 2 hB hA Na superfície do tanque A a pressão é atmosférica.0 m o nível do tanque B. entre o ponto 1 situado na superfície do tanque A e o ponto 2 situado no tanque B imediatamente à saída do orifício. A área do orifício é muito menor que a área da secção recta do tanque A. sobe até ao nível do orifício.0 m A área da secção recta do tanque A é o dobro da do tanque B.hB) Superfície livre do tanque B abaixo do orifício.5 m até 3.1) Tempo que demora o tanque A a baixar de 3.hB) O caudal volumétrico de descarga do tanque A é dado por: Q = Ao v2 = Ao  2g (hA .. .110 NOTAS PARA O ESTUDO DA MECÂNICA DE FLUIDOS João M. pelo que: 2 2 v1 % v2 A pressão à saída do orifício é bem aproximada pela pressão hidrostática no tanque B. Aplicando a equação de Bernoulli ao longo da linha de corrente. Neste caso o tanque A está a descarregar para a atmosfera: p2 = patm Aplicando a equação de Bernoulli entre os pontos 1 e 2 resulta: ghA + patm patm 1 2 = g+ + v 2 " v2 = t t 2 2g (hA . quando o nível do tanque A baixa de 3.e. Assim. inicialmente vazio. p2 = patm + g(hB – 1) Substituindo na equação de Bernoulli resulta: ghA + patm patm 1 2 = g+ + g (hB . 2g (hA .5 m até 3.

5 m até 2.hBh A0 2t 2t = t 2g^hA .0 m.1h 2t A0 2t 3.hBh dhA Para conhecer t2 – t1 é necessário saber como hB varia com hA.0 m) e t2 (hA = 2.v2 = . hA 2 hB O VC está representado na figura. já calculado.1h A0 2 ^tAA hAh = tAA 2hA 2t 2t tAA 2h A A A 2h A + t 2g^hA .5 2.0 m): t1 # dt = .hBh A0 Integrando entre t1 (hA = 3.111 NOTAS PARA O ESTUDO DA MECÂNICA DE FLUIDOS João M. saí fluido através do orifício e o volume de fluido dentro do VC vai diminuindo com o tempo. No segundo período. ndA = 0 VC AC hA VC "" # tdV = 22t # tA 0 A dz = # AC "" t v .0 (1) Integrando entre t = 0 (hA = 3.5 m até 3.1h A0 = 0 " = .hBh dhA " t2 .A # A t1 3.0 A 0 3. ndA = tv2 A0 = t 2g^hA .5 m): t2 A 0 2. inicialmente vazio.5 2g^hA .2g^hA . o termo correspondente à saída de fluido do VC é dado por: # t v .5 m. Campos ANÁLISE INTEGRAL EM VOLUMES DE CONTROLO FINITOS 1 V.t1 = - AA A0 # 3.1h dhA .0 m até 2. sobe 2. Aplicando a equação da conservação de massa ao tanque B resulta: .A # A 0 3. O tempo de descarga vai ser dividido em 2 períodos: o primeiro. ndA = tv A 2 AC "" 0 tAA A A 2h A 2h A + t 2g^hA .0 2g^hA . 25 AA A0 g (*) c.5 m o nível do tanque B. o segundo corresponde ao tempo que o nível do tanque A demora a baixar de 3.5 m) e t1 (hA = 3. corresponde ao tempo que demora o nível do tanque A a baixar de 3.0 m.0 2g^hA .5 m até 2.2g^hA .5 m Quando o nível do tanque A baixa de 3. Nada entra no VC. 0.C. Aplicando a equação de conservação de massa ao VC representado na figura resulta: 2 2t 2 2t # tdV + # t v .hBh A0 = 0 " = .5 2g^hA .5 # dt = . Tempo que demora o tanque A a baixar de 3.1h dhA " t1 = - AA A0 # 3.

hAh AB Substituindo a relação entre hB e hA na equação de conservação de massa aplicada ao tanque A. o tempo necessário para encher de água um recipiente de forma cónica se o caudal de alimentação for 1l/min. ndA = 0 VC AC "" hB # VC tdV = 2 2t # tA 0 B dz = 2 ^tAB hBh = tAB 2hB 2t 2t # AC "" t v .hAhE AB dhA (**) O tempo total é dado pela soma dos tempos calculados pelas equações (*) e (**) Exemplo 5. ndA = 0 VC AC "" Na figura está representado um elemento infinitesimal i de altura zi. Aplicando a equação da conservação de massa ao VC representado na figura resulta: 2 2t # tdV + # t v . h A 3. ndA = . Somando o infinito número de discos em que se pode dividir o volume de líquido dentro do VC. A alimentação processa-se por um pequeno orifício no topo do cone. conclui-se que: hB hA AB dhB AA dhA " AB =A0 dt A0 dt 0 # dhB = .112 NOTAS PARA O ESTUDO DA MECÂNICA DE FLUIDOS João M. 5 . 5 . Quando zi tende para 0 a forma deste elemento tende para a de um disco circular de espessura infinitesimal e raio r. patm H=1. O volume deste disco infinitesimal é dVi = rr i2 dzi .5 m Solução O VC está representado na figura a ponteado.tv2 A0 = 0 " B B = v2 A0 2t 2t tAB (2) Comparando as equações de conservação de massa aplicadas ao tanque A e B. aplicando a equação da continuidade na sua forma integral.5 A " hB = AA ^ 3.0 AA ^ 2g .tv2 A0 A 2h 2hB .5 m h z δzi r D=1.5 t2 .4 Estime.t1 = - AA A0 # 3. resulta: . Nada sai do VC. (1) e (2). obtém-se: 2.AA # dh 3. entra fluido a um caudal constante e o volume de fluido dentro do VC vai aumentando com o tempo. Campos ANÁLISE INTEGRAL EM VOLUMES DE CONTROLO FINITOS 2 2t 2 2t # tdV + # t v .

sabendo que.zh H em que r0 representa o raio da base do cone e H a altura do cone. passado muito tempo.. resulta: 2 2 dh trr 0 ^ . f. 67 # 10 AC "" -2 kg s Substituindo cada termo na equação de conservação de massa.0 m.2 -2 H2 0 t # dt 0 t= Este resultado pode ser confirmado dividindo simplesmente o volume do cone pelo caudal volumétrico de entrada Exemplo 5.hh2 d h = 2 3 dt H 2t 3 H VC # tdV = 22t # tr. resulta: # # ^H . r ^H .hh d h = 1. Calcule: d. h = H. e. O caudal de alimentação QA. Substituindo na equação de conservação de massa.5 Um tanque quadrado (10mx10m) de elevada capacidade está inicialmente vazio. Campos ANÁLISE INTEGRAL EM VOLUMES DE CONTROLO FINITOS 2 2t VC # t d V = 22t : lim / trr 3 dzi " 0i = 1 2 i dzi D = 2 2t h # trr 0 2 dz em que h representa a altura de água dentro do VC num dado instante. Numa das faces do tanque há uma “janela/descarregador” com a forma de um triângulo equilátero tal como mostra a figura.zh d z = 2 h O caudal de entrada é dado no enunciado: # v . Num dado instante.2 = 0 H . 67 tr10 r H 2 2 0 2 trr 0 H = 880 min 5 # 10 .zh E dz = trr H H h 2 0 0 2 0 2 2 2t 0 # ^H . O tempo que a superfície livre do tanque demora a atingir o nível do vértice superior do descarregador. resulta: 2 2t 2 2 trr 0 2 1 ^ .hh 2 dt H Integrando entre o instante inicial em que não há água no cone e o tempo t ao fim do qual o cone está cheio.hh3 + 1 H 3 E = trr20 ^H .H .1. n d A = . a um caudal QA. 67 # 10 .1. .113 NOTAS PARA O ESTUDO DA MECÂNICA DE FLUIDOS João M. O tempo que a superfície livre do tanque demora a atingir o nível da aresta inferior (contida num plano horizontal) do descarregador . o nível de água no tanque é de 3. O valor de r varia linearmente com z: r= r0 ^H . o tanque passa a ser alimentado com água.

O caudal de alimentação QA é igual ao caudal de descarga através de um descarregador triangular (Capítulo 4). que continua a ser alimentado. bem como o caudal de descarga que é função deste nível.z2) + v 1 O caudal de descarga através de um elemento infinitesimal de altura z2 que dista z2 da base do triângulo é dado por: Q = v2A = v2b z2 .0 m de água dentro do tanque a. Substituindo na equação de Bernoulli: v2 = 2 2g (H . continua a descarregar. Esta igualdade observa-se para uma altura de 3. O nível de água no tanque continua a aumentar. p2 = patm em que H representa a altura de água acima da aresta do descarregador.0 m 1.0 m Vista de frente Solução O tanque começa a encher.5 m 3. e até a superfície livre atingir o plano da aresta inferior do descarregador só entra água no tanque. No estado estacionário. obtém-se: p1 1 2 p2 1 2 + gz1 + v 1 = + gz2 + v 2 t 2 t 2 Recordando as hipóteses formuladas no estudo dos descarregadores e de acordo com a figura: p1 = patm + g(H – z1). não há acumulação e a massa que entra no tanque por unidade de tempo tem de ser igual à que sai por unidade de tempo.114 NOTAS PARA O ESTUDO DA MECÂNICA DE FLUIDOS João M. agora através de toda a “janela”. Após o nível de água atingir o vértice superior. o tanque. QA QA HD δz2 z2 2 z2 1 z1 H Vista de frente Vista lateral (corte) Aplicando Bernoulli entre um ponto 1 longe do descarregador a uma cota z1 e um ponto 2 à saída do descarregador a uma cota z2 (referência a base do triângulo). De seguida. Campos ANÁLISE INTEGRAL EM VOLUMES DE CONTROLO FINITOS QA 0. começa a descarregar para a atmosfera a um caudal que depende do nível de água no interior do tanque. até que este caudal iguale o caudal de entrada.

n d A = 0 VC AC "" # VC tdV = 2 2t h # tA d z = At d h dt 0 3-H # AC "" t v . só há alimentação ao tanque. Cada um dos termos da equação de conservação de massa é analisado de seguida. A expressão para o cálculo do caudal simplifica-se: HD QA = QD = 0 # 2g (H . b. a área da secção normal ao escoamento é muito elevada (30 m2).z2) + v 1 c1 - z2 m dz2 HD z2 m d z2 HD Estendendo a toda a área do descarregador: HD QD = 0 # 2 2g (H . Campos ANÁLISE INTEGRAL EM VOLUMES DE CONTROLO FINITOS em que b representa a largura da tira infinitesimal. h Vista lateral (corte) O VC está desenhado na figura. Mas b varia linearmente com z2 sendo a respectiva equação: b = 1z2 HD em que HD representa a altura do triângulo. 5 + 3 2 . n d A = . QA o caudal de alimentação calculado na alínea anterior e H = 0.115 NOTAS PARA O ESTUDO DA MECÂNICA DE FLUIDOS João M.Hh Q t A em que A representa a área da base do tanque. QA V. dQ = 2 2g (H . O caudal de alimentação foi calculado na alínea anterior. é muito baixa (desprezável na soma das duas parcelas).z2) c1 - z2 m d z2 HD Em que QA representa o caudal volumétrico de alimentação ao tanque. . pelo que a velocidade do fluido. v1.C. De acordo com o enunciado HD = 3 2 e H = 0. onde h representa a altura de água no tanque num dado instante. 2 2t 2 2t # t d V + # t v.tQA A dh = QA " A dt 0 # d h = QA 0 # d t " t = A^3 .z2) + v 1 c1 - A montante do descarregador. 5 + 3 2 . Durante o tempo que o nível da água demora a atingir a aresta inferior do descarregador.

O caudal de alimentação foi calculado na alínea anterior.z2) c1 - z2 m dz2 HD No caso da cota da superfície livre variar. Substituindo cada termo na equação de conservação de massa obtém-se: h At dh + dt 0 HD #t h 2g (h . O caudal de descarga vai aumentando e a velocidade de subida da superfície livre vai diminuindo até se atingir o estado estacionário. também vai aumentando.z2) c1 - z2 m d z2 + QA HD = 0 # dt em que t representa o tempo que a superfície livre demora a ir da aresta inferior do descarregador até ao vértice.z2) c1 dh z2 m d z2 .116 NOTAS PARA O ESTUDO DA MECÂNICA DE FLUIDOS João M. além de haver alimentação.QA t = 0 HD t A 0 # 0 # 2g (h . n d A = . Campos ANÁLISE INTEGRAL EM VOLUMES DE CONTROLO FINITOS c. . já foi calculado na alínea a: HD QD = 0 # h 2g (H . função da cota da superfície livre. quando a superfície livre se encontra a 3.z2) c1 - z2 m d z2 HD em que h representa a altura da superfície livre relativamente à aresta do descarregador. Durante o tempo que o nível da água demora a atingir o vértice do descarregador. n d A = 0 VC AC h "" # AC dh 2 tdV = tA d z = At dt 2t VC 0 "" t v . O tempo total é a soma dos tempos calculados nas alíneas b e c.tQA + tQD # # O caudal de descarga. O caudal de descarga aumenta por duas razões: porque a área de descarga vai aumentando e porque a velocidade de descarga.0 m da base. QA V. o tanque está a descarregar para a atmosfera. 2 2t 2 2t # t d V + # t v. a dedução pode ser refeita e conclui-se que: QD = 0 # 2g (h . h QD Vista lateral (corte) Cada um dos termos da equação de conservação de massa é analisado de seguida.C.

5 m v/2 5.5 mm 0.3 Água entra num dos extremos de um tubo (1.2 Água entra num canal de secção recta quadrada tal como mostra a figura a uma velocidade de 1.5 m/s 2 .3. 6 m/s v/2 v 0.1 Água em escoamento numa conduta circular tem um perfil de velocidade dado pela equação v = 4_1 .r 2 1i . Calcule a velocidade e a aceleração do pistão menor.117 NOTAS PARA O ESTUDO DA MECÂNICA DE FLUIDOS João M. A descarga através da parede é bem aproximada por um perfil de velocidade linear.4 Na figura.4 m de diâmetro. sendo a secção de descarga quadrada com 50 mm de aresta. Calcule a velocidade média da água na conduta de 0.3.4 m r d=2m x 5. Calcule a velocidade média de saída e o respectivo caudal mássico. Se o escoamento for estacionário calcule a velocidade v de descarga.5 m/s. contudo a velocidade nesta secção mantém a direcção horizontal.6 m/s e uma aceleração de 1. A secção de descarga faz um ângulo de 30º com a vertical.2 m de diâmetro) com a parede lateral perfurada a uma velocidade de 6 m/s. com v expresso em m/s. Campos ANÁLISE INTEGRAL EM VOLUMES DE CONTROLO FINITOS 5. d = 100 mm Óleo d = 12. o pistão maior tem uma velocidade de 0.6 m/s 1. d = 0.5 m/s2. O canal converge. 50 mm 100 mm 50 mm 100 mm 30º 5. Exercícios propostos de aplicação 5.

Diga qual é a taxa de variação da altura de água dentro do tanque. Campos ANÁLISE INTEGRAL EM VOLUMES DE CONTROLO FINITOS 5. Estime o caudal mássico de fuel que é alimentado ao motor.558 m2. Calcule o caudal mássico e a velocidade máxima de descarga nos dois seguintes casos: a. estão separados por uma distância b. de largura 2L. O prato superior desloca-se verticalmente a uma velocidade constante v. 30 cm /s 300 cm /s 3 3 5.5 O êmbolo de uma seringa tem uma face de área 500 mm2.6 m 1.6 Um tanque está a ser alimentado com água a um caudal constante de 1 l/min.8 Um avião desloca-se a uma velocidade de 971 km/hr. Perfil de velocidade de saída parabólico. 0.5 m 5. Fuel Admissão de ar Gases de exaustão . v y x b 2L 5.7 Dois pratos muito compridos. Se o líquido for injectado a um caudal constante de 300 cm3/s qual a velocidade a que o êmbolo avança? O espaço entre o corpo da seringa e o êmbolo permite a passagem de um caudal de líquido que é 10% do caudal que sai pela agulha. Um observador estacionário (colocado na Terra) estimou a velocidade de saída dos gases de exaustão como sendo 1050 km/hr. A área de saída dos gases de exaustão ( = 0.5 m 0. b.736 kg/m3) é de 0. A área frontal do motor a jacto por onde é admitido o ar ( = 0. Perfil de velocidade de saída uniforme. O espaço entre os pratos está cheio com um líquido que é removido à medida que o prato superior “avança”.80 m2.118 NOTAS PARA O ESTUDO DA MECÂNICA DE FLUIDOS João M.515 kg/m3) é de 0.

119 NOTAS PARA O ESTUDO DA MECÂNICA DE FLUIDOS João M. No fundo do tanque há um orifício de diâmetro d0 = 5 mm. entre a entrada e a saída em qualquer instante.x m sen v0 t L0 2L0 L0 r 2 t $ 0 / 0 # x # L 0 v02 sendo x a distância ao longo do eixo do tubo e v0 uma velocidade de referência conhecida. desloca-se dentro do tanque concentricamente a uma velocidade v. v d D 5. qual a velocidade v2 à saída ? Há um aumento de 9% na largura da chapa. O aço ao sair é 10% mais denso do que ao entrar.9 Um tanque vertical cilíndrico fechado no fundo e de diâmetro D está cheio com um líquido incompressível.2 m/s.0 m de diâmetro. Calcule o tempo necessário para que o óleo e a água escoem. 5. v1 v2 10 mm 30 mm 5. Água Óleo 3m 3m . óleo = 1200 kg/m3). Suponha que não há dissipação de energia mecânica no orifício. Se a velocidade de alimentação for v1 = 0. contém água e óleo tal como mostra a figura (H2O = 1000 kg/m3. Determine a velocidade média do líquido relativamente ao fundo do tanque e relativamente ao pistão. Um pistão cilíndrico de diâmetro d.10 A densidade de um gás em escoamento num tubo de secção recta A e comprimento L0 varia de acordo com a seguinte equação: t = t0 c1 .11 Chapas de aço a elevada temperatura passam por um “moinho de rolos” tal como mostra a figura.12 Um tanque cilíndrico com 1. O líquido entre o pistão e as paredes do tanque desloca-se no sentido ascendente. Determine a variação de caudal mássico. Campos ANÁLISE INTEGRAL EM VOLUMES DE CONTROLO FINITOS 5.

0 m de aresta. O caudal de água que é necessário alimentar ao tanque para manter o nível da superfície livre. Na junção das duas placas há uma “fenda” ao longo da calha com 2.120 NOTAS PARA O ESTUDO DA MECÂNICA DE FLUIDOS João M. 1.13 Uma torneira descarrega água para um tanque cilíndrico com um orifício no fundo. Derive uma expressão para calcular o tempo que demora a baixar o nível de água no tanque de H1 até H2. 5.0 m 0.5 m. Quanto tempo demorará o nível a baixar 0.5 m se a alimentação for cortada? 1. Campos ANÁLISE INTEGRAL EM VOLUMES DE CONTROLO FINITOS 5.0 m calcule o tempo que demora o nível a baixar até 0. Com a torneira totalmente aberta e o orifício de descarga tapado.14 Uma calha é formada por duas placas inclinadas e contém água tal como mostra a figura. diâmetro D.5 mm de espessura.5 m 5. o tanque esvazia em 32 minutos.5 mm 5. . Qual a altura que a água atingirá se a torneira estiver totalmente aberta e o orifício no fundo estiver destapado? Suponha que não há dissipação de energia mecânica no orifício.0 m 90º 2.5 m 20 min 32 min h 5.16 Um tanque cilíndrico.5 m. o tanque enche em 20 minutos até uma altura de 0. contém água e descarrega para a atmosfera através de um orifício lateral de diâmetro d (d<<D) que dista h da base. tem numa das faces um orifício semicircular de diâmetro 1.15 Um tanque de base quadrada. Se a altura inicial de água na calha for 1. Se nesse instante se fechar a torneira e destapar o orifício.0 m 5.0 m tal como mostra a figura. 0. Calcule: a. b.

o nível de água começa a baixar. Cortando a alimentação. Quanto tempo demorará a deixar de sair água do tanque? .17 Um tanque aberto no topo tal como mostra a figura está cheio de água.19 Uma vala rectangular com 10 m de largura. Suponha que além do caudal constante de 10 l/s está a entrar um caudal de água proveniente das chuvas igual a 2 l/(s m2 de vala com água).18 Uma cisterna hemisférica com 4 m de diâmetro está totalmente cheia de água. Quanto tempo demora o tanque a descarregar ? Suponha que não há dissipação de energia mecânica no orifício. O trapézio é isósceles. a. Quanto tempo demorará a cisterna a descarregar através de um orifício de diâmetro 80 mm. quanto tempo demora a superfície livre a subir de 1.0 m até 1. de modo a manter o nível de água no tanque constante. 5. tem uma inclinação de 15º na base. tem 2. Qual o caudal de água de alimentação? b.2 m ? c.20 Um tanque de secção quadrada (5 m x 5 m) tem água até 2 m de altura. situado no “fundo”.5 m 5.0 m de aresta inferior.0 m? b. a.5 m ? c.0 m de aresta superior e 1.2 m ? Q 15º h 5. Simultaneamente. Suponha que não há dissipação de energia mecânica no orifício. o tanque é alimentado com um caudal igual ao de descarga. Numa das faces do tanque há uma “janela” trapezoidal. tal como mostra a figura. Quanto tempo demora a superfície livre a subir de 1.0 cm2. na direcção perpendicular ao plano do papel. 1. Qual o valor de dh/dt quando h = 1.0 m até 1. Quanto tempo demorará a baixar 0. Campos ANÁLISE INTEGRAL EM VOLUMES DE CONTROLO FINITOS 5. Nesta nova situação.0 m de altura. Na base há um orifício de área 9. 3m 3m 6m 1. Destapando a janela inicia-se a descarga de água. Água está a ser despejada na vala a um caudal de 10 l/s.121 NOTAS PARA O ESTUDO DA MECÂNICA DE FLUIDOS João M.

122 NOTAS PARA O ESTUDO DA MECÂNICA DE FLUIDOS João M. e. Campos ANÁLISE INTEGRAL EM VOLUMES DE CONTROLO FINITOS 5. é dada pela soma da energia interna u. A energia por unidade de massa do sistema. todas por unidade de massa: e = u + 1 v 2 + gz 2 A 1ª lei da termodinâmica aplicada ao sistema.4.1 Dedução da equação da energia Se e representar energia por unidade de massa. “diz” que: D Dt (5. e WSist a energia adicionada ou retirada do sistema por unidade de tempo sob a forma de trabalho (trabalho realizado sobre ou pelo sistema).4 Equação da Energia. com a energia cinética e a energia potencial do sistema. a entrada no volume de controlo é tida com uma saída com sinal negativo (produto interno negativo).n d A AC " " Representa a energia que sai do volume de controlo através da área de controlo na unidade de tempo.18) Significado de cada termo: D # et d V Dt Sist Representa a variação de energia no sistema na unidade de tempo.19) # et d V = /Qo Sist Sist + o /W Sist (5.1ª lei da Termodinâmica 5. o teorema de Reynolds permite escrever: " " 2 D # et d V = 2t # et d V + # etv. # etv. / / . 2 2t # et d V VC Representa a variação de energia no volume de controlo na unidade de tempo.n d A Dt Sist VC AC (5.20) o em que QSist representa a energia adicionada ou retirada do sistema o por unidade de tempo sob a forma de energia térmica.

veios rotativos. σx O trabalho realizado por unidade de tempo (potência) pela força das o tensões normais que actuam num elemento de fluido. pistões etc. V.. resulta a chamada 1ª lei da termodinâmica aplicada a um volume de controlo: 2 2t o vv # et d V + # etv . e o trabalho que os elementos de fluido na fronteira realizam sobre o volume de controlo.123 NOTAS PARA O ESTUDO DA MECÂNICA DE FLUIDOS João M.18)-(5. Campos ANÁLISE INTEGRAL EM VOLUMES DE CONTROLO FINITOS Por convenção considera-se positivos a energia térmica transferida dos arredores para o sistema e o trabalho realizado pelos arredores sobre o sistema. O trabalho realizado sobre o volume de controlo pelas forças associadas ao escoamento na fronteira vai ser expresso recorrendo ao escoamento de um fluido num tubo (figura). turbinas. τx τr σr V.21) s o /W Sist o o /W .v (5.22) No instante de tempo t o sistema e o volume de controlo coincidem./Qo e e s (5.24) VC Há duas formas de realizar/fornecer trabalho ao volume de controlo: o chamado trabalho ao veio resultante da acção de pás.C.23) Combinando as equações (5./W (5. é calculado pelo produto interno da força pelo vector velocidade do elemento. O VC exclui as paredes do tubo onde a condição de não deslizamento é observada.C. e negativos a energia térmica transferida do sistema para os arredores e o trabalho realizado pelo sistema sobre os arredores: /Qo Sist = = /Qo . dWp .23). logo: o o o o `/ Q + /W jSist = `/ Q + /W jVC (5.C.25) . σx τx σr τr V. v v o dWp = dFp .n d A = `/Qo + /W j AC VC (5.

n é nulo em toda a superfície lateral do volume de controlo representado na figura.2 Casos particulares da equação da energia Estado estacionário: 2 2t p o vv # et d V = 0 " # cu + t + v + gz m tv .n d A = Qo + W 2 2 AC veio (5. Campos ANÁLISE INTEGRAL EM VOLUMES DE CONTROLO FINITOS A força de tensão normal é expressa pelo produto da tensão normal v = .v (5.n d A AC (5.n d A = Qo + W 2 2 AC veio (5.124 NOTAS PARA O ESTUDO DA MECÂNICA DE FLUIDOS João M. o vector da tensão tangencial é perpendicular ao vector velocidade.pv . a velocidade é nula em todo o perímetro molhado do tubo. condição de não deslizamento. Após estas considerações. dWx .pndA " dWp = . não o sendo nas secções de entrada e saída.29) e após rearranjo: 2 2t p o vv # et d V + # cu + t + v + gz m tv .ndA (5. O trabalho realizado por unidade de tempo (potência) pela força das o tensões tangenciais que actuam num elemento de fluido. é dado pelo produto interno da força pelo vector velocidade do elemento: v v o dWx = dFx . enquanto que nas secções de entrada e saída.31) VC . a 1ª lei da termodinâmica é expressa por: 2 2t o vv # et d V + # etv .ndA = Qo + W VC AC veio - vv # pv .n d A AC (5. o trabalho realizado pela força das tensões tangenciais é nulo em toda a AC.27) Se a velocidade só tiver componente horizontal.30) VC 5. Assim.4.26) Estendendo a todas os elementos do volume de controlo resulta: o Wp = vv # . o produto interno vv v .pn em que n representa o versor normal ao elemento de fluido v v ( “apontando” para “fora do elemento”) pela área do elemento em que a força actua: v v v vv dFp = .pv .28) No volume de controlo seleccionado.

os caudais mássicos de entrada e saída são iguais e: 2 2 o o o . a equação da energia toma então a seguinte forma: cu + 2 p v2 p o o o o + + gz m ms .125 NOTAS PARA O ESTUDO DA MECÂNICA DE FLUIDOS João M. Para sistemas abertos: h = u+ p t (5.n d A = t 2 AC (5. 150 m 2 Lago Solução Aplicando a equação da energia ao volume de controlo esboçado na figura resulta: .34) em que h representa a entalpia por unidade de massa.hs . Determine a elevação de temperatura associada a esta queda de água .he + v s .cu + + + gz m me t 2 t 2 s e # o o em que ms e me representam respectivamente o caudal mássico de saída e o caudal mássico de entrada no volume de controlo.v e + g^zs .C. em estado estacionário. Muitas vezes aparece escrita em termos da propriedade termodinâmica entalpia.cu + + v + gz m me = Q + Wveio t 2 t 2 s e (5. Se houver trabalho ao veio fornecido/efectudo ao/pelo sistema. 1 Lago V. pode-se escrever: 2 p vv cu + + v + gz m tv .32) p v2 p v2 o o = cu + + + gz m ms .6 Na figura está representada um esboço de uma queda de água de altura 150 m.35) Exemplo 5.33) Esta é a equação da energia nas condições de escoamento uni-direccional. Campos ANÁLISE INTEGRAL EM VOLUMES DE CONTROLO FINITOS Se as propriedades dentro do parêntesis forem uniformes ao longo das superfícies de entrada e de saída do volume de controlo. com propriedades distribuídas uniformemente nas secções de entrada e de saída do volume de controlo. Se não houver acumulação de fluido dentro do volume de controlo.zehE m= Q + Wveio 2 (5.

T1 = 0. Logo T2 . que não há trocas de calor entre o (5. da equação da energia resulta: hs = he Turbinas e Compressores Uma turbina ou máquina de expansão é um dispositivo que permite extrair trabalho de um fluido em escoamento. bombas. Campos ANÁLISE INTEGRAL EM VOLUMES DE CONTROLO FINITOS 2 2 o p p u2 . Se o escoamento for adiao bático.4. Compressores. que a diferença de nível entre a entrada e a saída é desprezável.126 NOTAS PARA O ESTUDO DA MECÂNICA DE FLUIDOS João M. a variação de energia interna por unidade de massa é dada por: u2 – u1 = Cp(T2 – T1) em que Cp representa a capacidade calorífica do líquido a pressão constante. etc. ventiladores e pás com eixo rotativo. Q = 0 . através de uma válvula de expansão de um frigorífico.c m + v2 . Supondo que o escoamento é estacionário e horizontal.z1h = Q o t 2 t 1 2 m A pressão à entrada e saída do volume de controlo é atmosférica e a variação da carga cinética desprezável comparativamente com a variação de energia potencial (a saída do volume de controlo está longe da queda de água). através de uma fenda num contentor de armazenagem de gás comprimido.v1 + g^z2 . 35 cC Cp 5. resulta: u2 – u1 = g(z1 – z2) Sendo um sistema aberto.T1 = g^ z1 .36) . pelo contrário fornecem trabalho ao fluido.3 Aplicação da equação da energia a algumas máquinas simples Estrangulamento Adiabático O chamado estrangulamento adiabático representa razoavelmente o escoamento de um fluido através de uma válvula parcialmente aberta. Supondo que o escoamento é estacionário.u1 + c m .z2h " T2 . que as velocidades de entrada e saída do volume de controlo são iguais e que não há calor transferido do ou para o volume de controlo (adiabático).

37) No caso de uma turbina é retirado trabalho do volume de controlo (por convenção negativo hs < he).7 Vapor entra numa turbina com uma velocidade de 30 m/s e uma entalpia de 3350 kJ/kg.800 kJ/kg 2 O trabalho por unidade de caudal mássico é negativo porque é fornecido pelo V.38) . com propriedades uniformes nas superfícies de entrada e saída e sem trabalho ao veio. Note que a variação da energia cinética é desprezável comparativamente com a variação de entalpia.ve o o + g^ zs .C. A corrente de saída é uma mistura de vapor e líquido com uma velocidade de 60 m/s e uma entalpia de 2550 kJ/kg.C. resulta: o m .h1 + 2 2 v s . 5.4.he + .4 Comparação entre a equação da energia e a equação de Bernoulli Em estado estacionário.h2 . . que os caudais mássicos de entrada e saída do volume de controlo são iguais. Trabalho ao veio fornecido aos arredores pelo V. Campos ANÁLISE INTEGRAL EM VOLUMES DE CONTROLO FINITOS volume de controlo e os arredores. Aplicando a equação da energia ao V. Exemplo 5. determine o trabalho fornecido. no caso de um compressor está a ser fornecido trabalho ao volume de controlo (por convenção positivo hs > he).zehE = Q + Wveio 2 A diferença de cota é desprezável e o escoamento adiabático donde: 2 2 v2 .C. hs .127 NOTAS PARA O ESTUDO DA MECÂNICA DE FLUIDOS João M. pela turbina aos arredores.h o = s e m (5.C. a equação da energia apresenta a seguinte forma: cu + 2 p v2 p o o o + + gz m ms .v1 E = wveio " wveio . Solução O volume de controlo seleccionado está a tracejado na figura.cu + + v + gz m me = Q t 2 t 2 s e (5. Turbina a vapor s e V. aos arredores. e que a variação de energia cinética entre a entrada e a saída é desprezável. Se o escoamento na turbina for adiabático e as variações de cota desprezáveis. da equação da energia resulta: o Wveio h . por unidade de massa de vapor.

46) em que o wveio = Wveio o m (5.q . 0 (5.47) .ue .ue .perdas t 2 t 2 (5.43) Este termo representa a energia mecânica degradada por resistência viscosa: us .128 NOTAS PARA O ESTUDO DA MECÂNICA DE FLUIDOS João M.q = perdas (5.39) em que: o q= Q o m (5.44) A equação da energia é muitas vezes apresentada na seguinte forma 2 2 ps v s pe ve + + gzs = + + gze . pelo que: us . Campos ANÁLISE INTEGRAL EM VOLUMES DE CONTROLO FINITOS rearranjando para o caso de : 2 2 ps v s pe ve + + gzs = + + gze .ue .42) A resistência viscosa promove degradação de energia mecânica.^us .40) A equação de Bernoulli é aplicada ao longo de uma linha de corrente e foi deduzida pondo a hipótese de não se desenvolverem tensões de corte no fluido (não “haver”resistência viscosa ao escoamento): 2 2 ps v s pe ve + + gzs = + + gze t 2 t 2 (5.qh t 2 t 2 (5.ue .q 2 0 (5.41) conclui-se que para “não haver” resistência viscosa ao escoamento tem que se verificar a seguinte condição: us .41) Comparando as equações (5.45) Quando há trabalho ao veio 2 2 ps v s pe ve + + gzs = + + gze + wveio . passagem irreversível de energia mecânica a térmica.39) e (5.perdas t 2 t 2 (5.

A eficiência do processo de ventilação é: o h = 72m = 75.C. Estime a eficiência do processo de ventilação. com a energia mecânica fornecida pelo trabalho ao veio é igual à soma da energia mecânica que sai do V.perdas " wveio .` j + s e + g^ z2 .C. 0 resulta: 2 v2 . wútil. 8m O caudal mássico foi calculado considerando ar = 1. A potência útil será dada por: ol o o l Wutil = wutil # m = 72m A eficiência do processo de ventilação é por definição: h= l t potencia util } l t potencia fornecida as pas A potência fornecida às pás. a soma da energia mecânica que entra no V.23 kg/m3. 2% o 95. Determine a % do trabalho fornecido pela ventoinha que tem aplicação útil. supondo que não há perdas por atrito nas partes mecânicas do ventilador. z2 -z1  0 e ve . Exemplo 5. Esta energia que permanece no fluido sob a forma de energia térmica não tem aplicação mecânica e designa-se por energia degradada (perdas). com a energia mecânica degradada (estas energias são todas referenciadas à unidade de massa).` j .perdas = 72 J/kg 2 Vamos chamar ao termo wveio – perdas. 0. é: o o o W = 400 = w # m = 95. Campos ANÁLISE INTEGRAL EM VOLUMES DE CONTROLO FINITOS A equação 5.4 kW de potência.6 m Solução Parte da energia fornecida pelas pás vai degradar-se devido ao atrito entre o fluido e as pás do ventilador. v = 0 m/s v = 12 m/s Motor V.C. energia útil por unidade de massa. Aplicando a equação da energia ao volume de controlo representado na figura.8 Uma ventoinha de fluxo axial trabalha acoplada a um motor que debita 0.perdas p t s p t 2 2 e 2 2 Sabendo que ps = pe =patm. s E = wveio .46 pode ser enunciada de uma forma simples: em estado estacionário. 8m . As pás da ventoinha produzem um escoamento de ar axial com uma velocidade de 12 m/s que é “sentido” num tubo circular com 0.6 m de diâmetro.z1hE = wveio . O escoamento a montante da ventoinha tem uma velocidade desprezável. resulta: v -v .129 NOTAS PARA O ESTUDO DA MECÂNICA DE FLUIDOS João M.

Escoamento turbulento s 30 mm e 60 mm Escoamento laminar . Distribuição de velocidade uniforme em ambas as secções.4. perfil de velocidade parabólico. Exemplo 5.48) AC Para um escoamento com velocidade não uniforme nas entradas e saídas do VC define-se: vv o # v tv .9 Uma ventoinha montada num secador de cabelo. Distribuição parabólica na secção de entrada e uniforme na de saída.n d A 2 o r m ve 2 2 2 (5.n d A = m c a2vr 2 2 s 2 s AC r2 . e se o escoamento for uniforme o seu valor é  =1. o diâmetro do tubo é de 60 mm e na saída de 30 mm.1 kg/min.130 NOTAS PARA O ESTUDO DA MECÂNICA DE FLUIDOS João M.5 Aplicação da equação da energia a escoamentos nãouniformes No caso da velocidade não ser uniforme nas secções de entrada e saída tem que se ter atenção à evolução do integral.50) A equação da energia toma então a seguinte forma: ps as v s pe ae ve r2 gz r2 gz w + + s= + + e + veio .14 W.49) r em que  representa o coeficiente de energia cinética e v a velocidade média na respectiva secção. O coeficiente  é definido pelas seguintes equações: vv # v tv . b.51) Se o escoamento for laminar. calcule as perdas assumindo: a. Na entrada.perdas t t 2 2 (5.ae ve m 2 (5.1 kPa e a potência fornecida pela ventoinha ao ar 0. vv # v tv.n d A 2 2 o r m vs 2 2 as = As e ae = Ae vv # v tv .  = 2. Se o aumento de pressão estática através do secador for de 0.n d A 2 2 (5. tal como mostra a Figura. Campos ANÁLISE INTEGRAL EM VOLUMES DE CONTROLO FINITOS 5. movimenta ar a um caudal mássico de 0.

A pressão relativa nas secções de entrada (sucção) e de saída (descarga) da bomba é respectivamente -350 Pa e 5500 Pa. 479 m/s ^60 # 10. 23r 4 A variação da massa volúmica devido ao aumento de pressão é muito pequena.c p2 . Se os diâmetros internos dos tubos de sucção e de descarga forem respectivamente 0. pelo que se consideram iguais massas volúmicas à entrada e à saída do VC.05 m e 0.23 kg/m3) é: o r ve = m = tA1 0. por meio de uma bomba centrífuga. a.a2 v2 = 0.p1 r2 r2 m + a2 v2 .0053 m3/s.as v s t 2 2 A velocidade média na secção de saída (ar = 1. 1 60 = 0.3h2 1. 975 J/kg t 2 2 Perfil parabólico à entrada e uniforme à saída: 1 = 2  2 = 1 perdas = wveio .perdas + w r2 + 2 e veio t t 2 2 Tomando z2 – z1  0 resulta: perdas = wveio . 14 = 84 J/kg o 0.131 NOTAS PARA O ESTUDO DA MECÂNICA DE FLUIDOS João M.pe r2 r2 m + ae ve .4.21 Óleo ( = 920 kg/m3) é bombeado entre dois níveis a um caudal de 0. 1 = 2 = 1 perdas = wveio . 1 m 60 A velocidade média na secção de entrada (ar = 1.a1 v1 = 0.p1 r2 r2 m + a1 v1 .c em que: o wveio = Wveio " wveio = 0.3h2 1. Perfis uniformes à entrada e saída. Campos ANÁLISE INTEGRAL EM VOLUMES DE CONTROLO FINITOS Solução Aplicando a equação de energia ao volume de controlo obtém-se: ps as v s r2 + gz = pe + ae v e + gz . 940 J/kg t 2 2 5. calcule . 92 m/s ^30 # 10.c b.076 m. p2 . 23r 4 ps .6 Exercícios propostos de aplicação 5. 1 60 = 1.23 kg/m3) é: o r vs = m = tA2 0.

0 m acima da superfície livre do tanque inferior.5 m 1 15 cm 15 cm 2 Mercúrio 5. As perdas de energia por unidade de massa entre as secções 1 e 2. calcule o caudal de descarga bem como a energia degradada entre a entrada e a saída da bomba. Determine: a. As secções de entrada e saída da bomba estão no mesmo plano horizontal.23 Água está em escoamento descendente num tubo inclinado tal como mostra a figura. b. A energia mecânica degrada-se. Despreze as perdas por dissipação viscosa no fluido. 1.0 m de água. Campos ANÁLISE INTEGRAL EM VOLUMES DE CONTROLO FINITOS a potência eléctrica fornecida à bomba admitindo que esta tem uma eficiência de 75%. e o caudal bombeado Q está representada no gráfico da figura. Se KL=20 e o diâmetro do tubo for 25 mm qual o caudal de água que está a ser bombeado? 30 m H (m água) 60 30 0 0. Os diâmetros internos dos tubos de sucção e descarga são respectivamente 100 mm e 50 mm. A relação entre o aumento de carga do fluido quando passa na bomba . no tubo de descarga é 25 vezes a carga cinética nesse tubo e na saída do tubo de descarga para o tanque é igual à carga cinética no tubo de descarga. A perda de carga no tubo de sucção é 2 vezes a carga cinética nesse tubo. A diferença de nível entre as superfícies livres dos tanques é de 30 m. H. Nestas condições.132 NOTAS PARA O ESTUDO DA MECÂNICA DE FLUIDOS João M. devido à dissipação viscosa.3 0. sendo 80 m a diferença de nível entre as respectivas superfícies livres. Quando a potência fornecida pela bomba ao fluido é 40 kW.22 Água é bombeada de um tanque para outro.6 3 Q (m /s) . 6. A perda de carga por atrito r na conduta é dada por KL v2 /2g em que KL é um coeficiente de perdas considerado constante.24 Uma bomba transfere água de um reservatório para outro a uma cota superior como mostra a figura. A diferença de pressão p1 – p2. a carga de pressão na entrada da bomba é 3. 5. 5.

5.5 Equação da Quantidade de Movimento 5.ndA AC Representa a quantidade de movimento que sai através da área de controlo na unidade de tempo.5 m3/s. . Campos ANÁLISE INTEGRAL EM VOLUMES DE CONTROLO FINITOS 5.133 NOTAS PARA O ESTUDO DA MECÂNICA DE FLUIDOS João M.25 Determine a potência de saída da turbina representada na figura quando circula um caudal de água de 0.20 m 0. a entrada no volume de controlo é tida como uma saída com sinal negativo (produto interno negativo).58) Representa a variação da quantidade de movimento no sistema na unidade de tempo 2 2t v # v tdV VC Representa a variação da quantidade de movimento no volume de controlo na unidade de tempo v vv # v tv . (Exame 2003) 0. o teorema de Reynolds permite escrever: D # vtdV = 2 # vtdV + # vtv. A turbina tem uma eficiência de 90%.ndA v v v v v 2t VC Dt Sist AC Significado de cada termo da equação D Dt v # v tdV Sist (5.1 Dedução da equação da quantidade de movimento No caso da propriedade intensiva b ser a quantidade de movimento por unidade de massa.15 m Turbina V2 0.50 m Mercúrio 5.

Algumas indicações importantes para aplicar correctamente a equação 5. pode-se escrever: v /F Sist = v /F VC (5.58). o volume de controlo coincide com o sistema. A equação por ser vectorial. Contudo. 2. Se o volume de controlo englobar as superfícies sólidas estas forças de reacção já não são consideradas.59) Esta equação mostra que a variação da quantidade de movimento na unidade de tempo no sistema é igual à soma vectorial das forças externas que sobre ele actuam. desdobra-se num número de equações algébricas que depende do tipo de problema: unidimensional. pois são forças internas ao volume de controlo.ndA = / F VC AC VC (5.61) Esta é a equação vectorial da quantidade de movimento que se aplica a volumes de controlo indeformáveis. positivo se a força está dirigida no sentido positivo do eixo coordenado e negativo no caso contrário. fixos ou móveis. bidimensional ou tridimensional. as forças que mantêm as superfí- . fixo ou em movimento uniforme.60) Combinando as equações (5. As forças externas têm sinal algébrico associado. O referencial de coordenadas é sempre inercial.60) resulta: 2 2t v v v vv # v tdV + # v tv.61. neste último caso. Somente forças exteriores ao volume de controlo devem ser consideradas. Como.(5. as forças de reacção das superfícies sólidas em contacto com o fluido têm de ser consideradas. Se o volume de controlo englobar somente o fluido.  Indicações respeitantes ao termo v /F VC 1.134 NOTAS PARA O ESTUDO DA MECÂNICA DE FLUIDOS João M. num dado instante t. Campos ANÁLISE INTEGRAL EM VOLUMES DE CONTROLO FINITOS Aplicando a 2º lei de Newton ao sistema resulta: D Dt v v # v tdV = / F Sist Sist (5. e as forças envolvidas são forças de superfície ou forças à distância.

o cálculo do integral é facilitado. então o valor algébrico do termo é negativo.n é sempre negativo. então o valor algébrico do termo é positivo. na entrada e na saída de fluido do volume de controlo deve-se considerar pressões relativas. Se o sentido do eixo coordenado escolhido para positivo coincidir com o sentido do vector velocidade à entrada. caso contrário é negativo. vv Na saída de quantidade de movimento o produto interno v . então as forças de superfície exercidas pelo fluido exterior sobre o volume de controlo são somente forças normais de pressão. a força resultante da acção da pressão atmosférica na área de controlo é nula e não necessita de ser considerada. caso contrário é positivo. o caso de não ser será discutido com um exemplo ilustrativo. 4. Se as superfícies de entrada e saída do fluido no volume de controlo forem seleccionadas de forma a serem perpendiculares à direcção de escoamento. O sinal algébrico (+ ou -) associado à quantidade de movimento que atravessa a superfície de controlo tem que ser cuidadosamente analisado: Na entrada de quantidade de movimento o produto interno vv v .  Indicações respeitantes ao termo 2 2t v # vt d V VC 1. Quando o perfil de velocidade é uniforme nas secções de entrada e saída do volume de controlo. tem que se ter em conta as forças tangenciais de corte.  Indicações respeitantes ao termo Se o escoamento for estacionário a variação com o tempo da quantidade de movimento no volume de controlo é nula. Em alguns casos. 3.n é sempre positivo.135 NOTAS PARA O ESTUDO DA MECÂNICA DE FLUIDOS João M. Como resultado. e em particular se o volume de controlo seleccionado englobar superfícies sólidas. Campos ANÁLISE INTEGRAL EM VOLUMES DE CONTROLO FINITOS cies sólidas no “sítio” são exteriores ao volume de controlo e têm de ser consideradas. Se o sentido do eixo coordenado escolhido para positivo coincidir com o sentido do vector velocidade à saída. 2. Caso as superfícies não sejam escolhidas desta forma. - .

O volume de controlo seleccionado está representado na figura. Assumindo perfis uniformes de velocidade nas secções 1 e 2.C.5.p2 A2 em que Rx representa a força de reacção do tubo sobre o ar em escoamento e p1 e p2 as pressões absolutas à entrada e à saída de fluido do VC.p2 A2 Considerando o ar um gás perfeito.5.8 atm T1= 27 ºC Rx y x V. 1 v1 p1 A1 1’ p1 = 6.Rx + p1 A1 .2. À entrada a pressão é p1 e a temperatura T1 e à saída a pressão é p2 e a temperatura T2.v1h .p2 A .v1h = .n d A = / F AC VC = .9 Um caudal mássico de ar está em escoamento num tubo de diâmetro interno D. Campos ANÁLISE INTEGRAL EM VOLUMES DE CONTROLO FINITOS 5.25 atm T2= -21 ºC 2 v2 p2 A2 Solução Pretende-se conhecer a força de reacção do tubo sobre o ar em escoamento. 2’ p2 = 1. obtém-se: + v1 1(–v1A1) + (v2) 2(v2 A2) = – Rx + p1A1 – p2A2 Recorrendo à equação da continuidade: o m = t1 A1 v1 = t2 A2 v2 Combinando as duas equações anteriores: o m^v2 . Assumindo uma distribuição uniforme de velocidade nas secções 1 e 2 calcule a força que o tubo exerce sobre o ar em escoamento. Da aplicação da componente axial da equação da quantidade de movimento resulta: v vv # v tv . as velocidades de entrada e de saída no volume de controlo são dadas por: o v1 = m t1 A com o v2 = m t2 A t2 = p2 RT2 t1 = p1 RT1 O valor de Rx calcula-se através das equações anteriores: o Rx = p1 A .1 Força de atrito na parede de tubos Exemplo 5. exclui a parede do tubo e nas secções de entrada e saída de fluido a área da secção recta é normal ao vector velocidade.m^v2 . pelo que se deve escolher um volume de controlo em que esta força apareça como exterior.136 NOTAS PARA O ESTUDO DA MECÂNICA DE FLUIDOS João M.Rx + p1 A1 .2 Aplicações da equação da quantidade de movimento 5.

pelo que se deve escolher um volume de controlo em que esta força apareça como exterior.R + p A + p A x x 1 1 2 AC 2 em que p1 e p2 representam a pressão absoluta nas secções de entrada e de saída do volume de controlo e Rx a força de reacção do cotovelo sobre o fluido segundo a direcção x. e a velocidade média da água é v.2 Força exercida num cotovelo Exemplo 5. A área da secção recta do tubo é constante.10 Água está em escoamento num tubo com um cotovelo de 180º. Campos ANÁLISE INTEGRAL EM VOLUMES DE CONTROLO FINITOS 5.Rx " Rx =+ A1 p1 + A2 p2 + m^v2 + v1h o Rx = A^ p1 + p2h + 2mv . pelo que a equação da quantidade de movimento nesta direcção se reduz a: vv # v tv . As pressões absolutas à entrada e à saída do tubo são respectivamente p1 e p2. O volume de controlo seleccionado está representado na figura e exclui a parede do cotovelo. Calcule as componentes horizontal e vertical da força exercida pelo cotovelo sobre o fluido.A2 p2 .137 NOTAS PARA O ESTUDO DA MECÂNICA DE FLUIDOS João M.. v1 p1 A y x z v2 p2 A Rz Ry Rx Solução a. A componente da velocidade segundo a direcção y é nula. resultando Ry = 0. i. Assumindo perfis de velocidade uniformes à entrada e saída do volume de controlo: (+ v1) 1(–v1A1) + (–v2) 2(v2 A2) = p1A1 + p2A2 – Rx Da equação da continuidade resulta: o m = t1 A1 v1 = t2 A2 v2 Combinação as duas últimas equações: o o .e. a.n d A = R y AC y em que Ry representa a componente segundo y da força de reacção no tubo. Nas secções de entrada e saída a pressão não tem componente segundo y. Equação da quantidade de movimento segundo a direcção x: vv # v tv . A.5.m^v2 + v1h = A1 p1 .2. Igual conclusão se obtém aplicando a equação da quantidade de movimento segundo a direcção z. Rz = 0. b. tanto na secção de entrada como na de saída do VC. Calcule as componentes horizontal e vertical da força exterior necessária para manter o cotovelo no “sítio”. Pretende-se a força de reacção do cotovelo sobre o líquido em escoamento.n d A = .

pelo que o volume de controlo tem de englobar o tubo. conclui-se que esta força é nula em qualquer das direcções.C. nas áreas projectadas.138 NOTAS PARA O ESTUDO DA MECÂNICA DE FLUIDOS João M. Considere-se na entrada e saída do V. patm + p 1* patm patm patm + p 2* patm Equação da quantidade de movimento segundo a direcção do eixo dos x: vv # v tv .ndA = . F que mantém o tubo no “sítio”. v1 p1 A y x z v2 p2 A Fz Fy Fx Recorde-se que as componentes da força de pressão sobre uma superfície curva podem ser calculadas projectando a área onde a força actua nas direcções perpendiculares às das componentes e integrando.F + p x x AC * 1 * A1 + p 2 A2 em que p1* e p2* representam a pressão relativa nas secções de entrada e de saída do volume de controlo e Fx a força exterior segundo x necessária para manter o cotovelo no “sítio”. a pressão total como a soma da pressão relativa com a pressão atmosférica. O volume de controlo seleccionado está representado na figura. Pretende-se conhecer a força exterior que se tem de exercer para manter no “sítio” o cotovelo. Campos ANÁLISE INTEGRAL EM VOLUMES DE CONTROLO FINITOS b.. Assumindo perfis de velocidade uniformes à entrada e saída do volume de controlo: (+ v1) 1(–v1A1) + (–v2) 2(v2 A2) = p1*A1 + p2*A2 – Fx Da equação da continuidade resulta: o m= t1 A1 v1 = t2 A2 v2 Combinação as duas últimas equações: * * o Fx = A (p 1 + p 2) + 2mv Comparando as soluções das alíneas a e b facilmente se concluí que: Fx = Rx – 2Apatm . Aplicando o método das projecções para calcular a força da pressão atmosférica sobre o volume de controlo. a respectiva pressão. As forças exteriores são a pressão atmosférica e a força.

ndA = 1 tgH 2 x 2 AC . Em qual das posições é maior a força que se tem de aplicar para manter a comporta no “sítio”? 1 H V.n d A = 1 tgH 2 x 2 AC . 2 Fx z x 1 V. pelo que se escolheu um volume de controlo que engloba a comporta.Fx 2 . na direcção perpendicular ao plano do papel.3 Força exercida por um líquido em escoamento numa comporta Exemplo 5. A acção da pressão atmosférica é nula sobre o volume de controlo e deve-se usar pressões relativas.11 Uma comporta móvel de um metro de comprimento. Comporta aberta Integrando a pressão relativa ao longo da secção de saída do fluido (2): Fh2 = AC # pdA = # tgzLdz = tg h 2 0 h 2 Aplicando a equação da quantidade de movimento segundo x: vv # v tv . H h v1 F h1 Fa Fx 2 v2 F h2 Solução Mais uma vez se coloca o problema que volume de controlo se deve seleccionar. Comporta fechada Integrando a pressão relativa ao longo da secção 1 resulta: Fh = AC # p d A = # tgzL d z = 1 tgH 2 0 H 2 Representando Fh a força hidrostática. é igual à intensidade da força hidrostática. Aplicando a equação da quantidade de movimento segundo x: vv # v tv .5.Fx = 0 " Fx = 1 tgH 2 2 (1) A intensidade da força exercida para manter a comporta no “sítio”.V.C.2. Pretende-se a força que mantém a comporta no “sítio”. Campos ANÁLISE INTEGRAL EM VOLUMES DE CONTROLO FINITOS 5.C.139 NOTAS PARA O ESTUDO DA MECÂNICA DE FLUIDOS João M.Fa . Fh C.1 tgh 2 . Fx. está esquematizada na figura nas posições de fechada e aberta.

Projectando a área de controlo em planos perpendiculares à direcção dos eixos coordenados e integrando nas áreas projectadas. pela pressão atmosférica.1 tgh 2 .4 Força exercida por um jacto sobre uma superfície Exemplo 5. tem duas componentes Rx. em que é pedida a força de reacção do prato sobre o fluido. Considerando perfis de velocidade uniformes à entrada e à saída: ^+ v1h t1 ^.140 NOTAS PARA O ESTUDO DA MECÂNICA DE FLUIDOS João M. seleccionou-se um volume de controlo que não engloba o prato. e segundo o eixo dos y é igual ao produto da área do prato. e Ry. devido à elevada razão entre as áreas das secções rectas normais ao escoamento: Fx = 1 tgH 2 . Campos ANÁLISE INTEGRAL EM VOLUMES DE CONTROLO FINITOS em que Fx representa a força que se tem de exercer sobre a comporta para a manter no sítio e Fa a força de atrito que o solo exerce sobre o fluido no volume de controlo.Fx .2. A pressão à superfície do prato é diferente da pressão atmosférica. .Fa 2 2 Tomando v1 << v2.5. reacção à força de atrito. conclui-se que segundo o eixo dos x a força resultante da pressão atmosférica é nula. reacção do prato à força de pressão do fluido. Calcule as componentes da força que o prato exerce sobre o fluido. há conversão de energia cinética em energia de pressão e forma-se uma zona estagnada de elevada pressão. Ap. No embate do jacto. 5.12 Um jacto de água incide num prato inclinado como mostra a figura.v1 Hh + ^+ v2h t2 ^v2 hh = 1 tgH 2 .tv22 h 2 2 (2) Comparando as equações (1) e (2) conclui-se que a força que se tem de exercer sobre a comporta para a manter no “sítio” é maior no caso de ela estar fechada. A2 v1 A1 A3 v3 3 Rx θ Ry v2 4 x y Solução Neste caso. Esta pressão “em excesso” vai ser “gasta” em movimentar.1 tgh 2 . Despreze a força de atrito entre a água e o prato. patm patm patm patm A força de reacção que o prato exerce sobre o volume de controlo.Fa . A pressão atmosférica actua na área de controlo seleccionada tal como mostra a figura seguinte.

tv A h + ^v h^tv A h + ^.n d A = . por combinação das equações anteriores obtém-se: v2(–A1cos + A2 – A3) = 0  A2 = A3 + A1 cos Se A1 for conhecido. esta força é dada por: Fy = – (v1sen)(–v1A1) . o valor de A2 é superior ao de A3.p1 2 2 g^ z2 .v 1 h = 0 t + 2 Considerando desprezável a variação de energia potencial: v1 = v2 = v2 = v Aplicando a equação da continuidade: A1v = A2v + A3v  A1 = A2 + A3 Se a força de atrito for desprezável. Rx = 0. Campos ANÁLISE INTEGRAL EM VOLUMES DE CONTROLO FINITOS na direcção tangencial ao prato. Aplicando a equação da quantidade de movimento segundo a direcção do eixo dos y: vv # v tv . Na figura o sentido de Rx é arbitrado.ndA = (v seni)^. para a componente y da força de reacção: Ry = – (v1sen)(–v1A1) + patmAp Se se pretender a força externa que deve ser exercida sobre o prato para o manter no “sítio”.tv A h y 1 1 1 CA Resultando. De acordo com a equação.n d A = + p y AC atm Ap . vv # v tv . Aplicando a equação de Bernoulli entre 1 e 2 ao longo de uma linha de corrente obtém-se: p2 . Aplicando a equação da quantidade de movimento segundo a direcção do eixo dos x: vv # v tv .Ry em que Ap representa a área do prato.ndA = (v cos i)^. Este ângulo é igual ao que o prato faz com o plano horizontal.v h^tv A h x 1 1 1 2 2 2 3 3 3 em que  é o ângulo que o vector velocidade faz com o versor segundo x na entrada do volume de controlo.R x AC x AC vv # v tv .141 NOTAS PARA O ESTUDO DA MECÂNICA DE FLUIDOS João M. o fluido em redor da zona estagnada.z1h + 1 ^v 2 . das duas últimas equações obtêm-se os valores de A2 e A3.

v 1 . Pretende-se calcular a força de reacção da conduta sobre o fluido devido à expansão e a energia mecânica degradada.142 NOTAS PARA O ESTUDO DA MECÂNICA DE FLUIDOS João M.n d A = + p A . Seja Rx a força de reacção da conduta sobre o volume de controlo na zona da expansão.5.5 Energia degradada numa expansão súbita Exemplo 5. Campos ANÁLISE INTEGRAL EM VOLUMES DE CONTROLO FINITOS 5. é bem aproximada pela pressão a montante. A área da secção recta do jacto sofre um alargamento lento. pelo que a pressão.perdas tg 2g . Desprezar a força de atrito na parede do tubo.p2h A2 = m^v2 .2.v1h Aplicando a equação da energia ao volume de controlo representado na figura obtém-se: 2 2 p2 p1 v 2 . 2 1 p1A1 Rx p2A2 y x Rx Solução O volume de controlo seleccionado neste caso não engloba a parede da conduta já que se pretende calcular a força que esta exerce sobre o fluido devido à expansão. A região entre o jacto e a parede da conduta é ocupada por fluido em recirculação. Equação da quantidade de movimento segundo x: vv # v tv .p A + R x 1 1 2 2 CA x em que p1 e p2 representam a pressão absoluta nas secções de entrada e saída do fluido no VC.n d A = (p . Combinando as duas últimas equações: vv # v tv .13 No início de uma expansão o fluido sai em jacto. Esta recirculação causa turbulência e consequente degradação de energia mecânica. pelo que o aumento da área da secção recta normal ao escoamento dá-se de uma forma gradual. no início da expansão.p ) A x 1 2 CA 2 (+ v1) 1(–v1A1) + (+v2) 2(v2 A2) = (p1 – p2)A2 Aplicando a equação da continuidade: o m= t1 A1 v1 = t2 A2 v2 Substituindo na equação anterior: o ^p1 .tg + = . Esta aproximação permite escrever: Rx = p0(A2 – A1)  p1(A2 – A1) em que p0 é a pressão do fluido no início da expansão.

formação da chamada venacontracta.v 2 .v 1 perdas tg .143 NOTAS PARA O ESTUDO DA MECÂNICA DE FLUIDOS João M. com fluido em recirculação entre esta zona e a conduta (semelhante ao escoamento através de um orifício).v 2 c 1 . v2 " 0 & perdas = v 1 2g o que significa que se degrada toda a carga cinética com que o fluido vinha animado antes da expansão. Campos ANÁLISE INTEGRAL EM VOLUMES DE CONTROLO FINITOS Combinando as duas últimas equações resulta: 2 2 v ^v .p1 v 2 1 ( 1) tg = g Cc - Aplicando a equação da energia: 2 2 p2 p1 v 2 .6 Energia degradada numa contracção súbita Exemplo 5.v h ^v .2 1 2 = 1 2 g 2g 2g 2 Quando há uma expansão para um reservatório de grande diâmetro 2 A2 " 3.2. sendo Cc o chamado coeficiente de contracção. Solução Aplicando a equação da quantidade de movimento segundo x ao VC seleccionado: 1 2 y x vv # v tv . 5.5.1m = v 2 c 1 . Nesta zona de recirculação há degradação de energia mecânica devido à turbulência que se gera.v h perdas = v 1 .ndA = + p A .14 Após a contracção dá-se um estreitamento do jacto.v 2 . Aplicando a equação da continuidade: o m= A1 t1 v1 = A2 t2 v2 resulta: 2 p2 .1m g Cc 2g 2g Cc 2 .p A x 1 1 2 CA 2 (+v1)( – v1A*1) + (+v2)(v2A2) = (p1 – p2)A2 em que A*1 = CcA2.tg + 2g = - Combinando as duas últimas equações: 2 2 2 2 perdas = v 1 .

Determine a força que a água exerce no tubo curvo bem como a força que a água exerce nas paredes do tanque. O tubo de descarga é constituído por um troço curvo logo após um troço horizontal (junção em A).patm .2. Campos ANÁLISE INTEGRAL EM VOLUMES DE CONTROLO FINITOS 5. Para tal selecciona-se um volume de controlo que não inclui a parede do tubo.p2 1 v 2 ^ z z h " p p . Aplicando a equação de Bernoulli ao longo de uma linha de corrente entre um ponto à superfície do tanque (1) e um à saída do tubo (3) obtém-se: p1 1 v 2 p3 z 1 v2 z tg + 1 + 2g 1 = tg + 3 + 2g 3 2 (p1 .144 NOTAS PARA O ESTUDO DA MECÂNICA DE FLUIDOS João M.^ z .1 tv 2 tg^ z .2 2 Pretende-se saber qual a força exercida pelo líquido no tubo curvo.5.patm) 1 v 2 p1 . P0 v3 1 A 4m 2 Água 2m 3 45º 3m Solução Antes de aplicar a equação da quantidade de movimento é necessário conhecer a velocidade em diversos pontos do tubo curvo. y x p2 v2 Ry c patm v3 45º c Rx Aplicando a equação da quantidade de movimento segundo x ao volume de controlo seleccionado resulta: . calcula-se a pressão na secção (2): p1 1 v 2 p2 z 1 v2 z tg + 1 + 2g 1 = tg + 2 + 2g 2 p1 .z h 2 = 1 2 + 1 2 tg = 2g 2 . O troço horizontal tem 10 cm de diâmetro interno.1 .7 Exemplos de aplicação diversos Exemplo 5.2g^ z3 . enquanto que o diâmetro do troço curvo vai diminuindo até à saída (8 cm à saída).z1h 3 = 3 1 3 = tg t 2g A equação da continuidade permite relacionar a velocidade média na secção do tubo que contém o ponto (2) com a velocidade média à saída (3): 2 v3 A3 = v2 A2 " v2 = v3 A3 = v3 d3 2 d2 A2 Aplicando de seguida a equação de Bernoulli entre um ponto na superfície do tanque (1) e um ponto antes do cotovelo (2).z h " v . nomeadamente nos pontos assinalados por (2) e (3) na figura.15 A figura mostra um tanque de base quadrada (2m x 2m) a descarregar por um tubo para a atmosfera.

Desta assimetria resulta a chamada força do jacto. escolhe-se um volume de controlo que englobe todo o dispositivo. desprezando o peso do líquido no interior do VC. Aplicando a equação da quantidade de movimento segundo x ao VC: t o ^mh^v2h = R x . Campos ANÁLISE INTEGRAL EM VOLUMES DE CONTROLO FINITOS c o o ^. resulta: c o ^mh^v3 cos 45h = -^ patm cos 45h A1 + R y c o R y = ^ patm cos 45h A1 + ^mh^v3 cos 45h Para determinar a força que o jacto exerce ao sair sobre as paredes do tanque.^mh^v3 cos 45h + p2 A2 .^ patm cos 45h A1 .mh^v2h + ^mh^v3 cos 45h = p2 A2 .R x .^ patm cos 45h A1 c em que R x é a reacção do tubo à força do líquido no cotovelo na direcção x.^ patm cos 45h A1 = ^mh^v3 cos 45h t c o Fy = R y + R y .R x c o o R x = -^.145 NOTAS PARA O ESTUDO DA MECÂNICA DE FLUIDOS João M. Aplicando a equação da quantidade de movimento segundo y ao VC resulta: Ryt = Pliq em que Pliq representa o peso do líquido no interior do VC.^ patm cos 45h A1 = ^mh^v3 cos 45h + Pliq . Caso se pretenda conhecer a força exterior necessária para manter o dispositivo no “sítio”. 3 atm y x 2 Ry t Rx t p2 v2 A diferente distribuição de pressão nas paredes do tanque é consequência do aumento de velocidade do líquido na zona de saída do tanque.p2 A2 t o R x = ^mh^v2h + p2 A2 t em que R x representa a reacção do tanque à saída do jacto. Aplicando a equação da quantidade de movimento segundo y ao VC seleccionado. que tende a deslocar o tanque no sentido negativo do eixo dos x. incluindo o tanque e a tubagem. com a consequente diminuição da pressão (equação de Bernoulli).mh^v2h . escolheu-se o VC representado na figura. A acção da pressão atmosférica anula-se em toda a área do VC e o resultado da aplicação da equação da quantidade de movimento é: t c o Fx = R x .

O jacto segue o trajecto B.C. Entra e sai água do VC.F x1 Da equação da quantidade de movimento segundo y. Comece-se por analisar o volume de controlo que engloba o tanque. Para calcular a força exterior que se deve exercer para manter o tanque no “sítio”. Aplicando a equação da quantidade de movimento segundo x. obtém-se: o o ^. b.mh = F y1 Considere-se agora o VC que contém o dispositivo de mudança de direcção: 60º F2y F2x V. Calcule a componente horizontal da força exterior que se tem de exercer para que o tanque permaneça parado nos seguintes caso: a. a bomba e o tubo de elevação de água. y x 120º 60º A B Água Solução a. y x .mh = . obtém-se o ^. e tanto na entrada como na saída a área de controlo é normal ao vector velocidade.v h^mh + ^v cos 60h^. y B A x V. Campos ANÁLISE INTEGRAL EM VOLUMES DE CONTROLO FINITOS Exemplo 5. considerem-se separadamente dois volumes de controlo.C. F1y F1x Água A pressão é atmosférica em toda a superfície de controlo.146 NOTAS PARA O ESTUDO DA MECÂNICA DE FLUIDOS João M.16 Um tubo com um cotovelo de 90º roscado à saída de uma bomba colocada no interior de um tanque direcciona um jacto de água de encontro a um dispositivo que muda a direcção do jacto. O jacto segue o trajecto A.v sen 60h^. tal como mostra a figura. Considere que o jacto tem 5 cm de diâmetro e uma velocidade de 9 m/s.

17 Um carro tanque com o topo aberto para a atmosfera desloca-se da esquerda para a direita a uma velocidade uniforme de 4. Se o carro se encontra em movimento. O caso do trajecto B é semelhante.mh + ^v cos 60h^.147 NOTAS PARA O ESTUDO DA MECÂNICA DE FLUIDOS João M. obtém-se: o ^v sen 60h^mh = F y2 A resultante da força exterior que se tem de exercer sobre todo o dispositivo.F x2 Aplicando a equação da quantidade de movimento segundo y.vm .5 m/s. o percurso do jacto será visto de diferente forma conforme o observador se encontre parado. O respectivo vector velocidade é dado por : . Campos ANÁLISE INTEGRAL EM VOLUMES DE CONTROLO FINITOS Aplicando a equação da quantidade de movimento segundo x. b. Se o observador se deslocar no interior do carro.10 m e 10 m/s de velocidade. Qual a força exercida no tanque pelo jacto de água? 45º 4.vm = v cos 60m o Segundo y: Fy = v sen 60m Exemplo 5. As componentes da resultante da força exterior sobre o dispositivo. ou em movimento no interior do carro. são: o o o o Segundo x: Fx = + vm + v cos 60m .v cos 60m + vm + v cos 60m = 0 o o o Segundo y: Fy = vm sen 60 + vm sen 60 = 2vmsen60 O valor da componente segundo y é diferente de zero já que exteriormente ao volume de controlo. pela acção da força de gravidade. o jacto muda de direcção. é: o o o o Segundo x: Fx = . não considerando o peso do líquido. excepto não haver entrada de quantidade de movimento no primeiro VC seleccionado. Num dado instante (representado na figura) o tanque passa por baixo de um jacto de água estacionário de diâmetro 0.mh = . obtém-se o o ^.v h^.5 m/s Água Solução O volume de controlo seleccionado está representado na figura. não considerando o peso do líquido. a direcção em que ele vê o jacto entrar no tanque é a que está representada na figura .

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NOTAS PARA O ESTUDO DA MECÂNICA DE FLUIDOS João M. Campos

ANÁLISE INTEGRAL EM VOLUMES DE CONTROLO FINITOS

v v v v r = v - vVC = 10 cos 45v - 10 sen 45v - 4, 5v = ^10 cos 45 - 4, 5h v - 10 sen 45v i j i i j
B (Móvel) A (Fixo) 4,5 m/s

vr 10 m/s Ry Rx V.C.

A equação escalar de quantidade de movimento segundo x toma a seguinte forma: o ^10 cos 45 - 4, 5h^- mh = - Rx em que Rx é a força de reacção que o tanque exerce sobre o volume de controlo segundo a direcção x. No volume de controlo escolhido, a força exercida pela pressão atmosférica é nula. O caudal mássico é dado por: o m = 10tA j resultando: Rx = 10  Aj (10 cos45 – 4,5) (1)

A equação da quantidade de movimento segundo y , desprezando o peso do líquido no volume de controlo, toma a seguinte forma: Ry = 10  Aj (10 sen45 ) (2)

As componentes da força exercida pelo líquido no tanque têm sentidos contrários às respectivas reacções calculadas nas equações (1) e (2).

5.5.3 Exercícios propostos de aplicação 5.26 Uma pessoa com 50 kg de peso deixa-se cair, em pé, de uma altura de 3,2 m. Determine a força média a que a pessoa está sujeita no embate admitindo que: a. Não dobra os joelhos ao bater no chão e por isso pára em 0,1 s. b. Estava preparada para a queda e amorteceu o embate dobrando os joelhos, demorando 1,0 s a parar (desde que toca no chão).
50 kg

3,2 m

Δt = 0,1 s

Δt = 1 s

149

NOTAS PARA O ESTUDO DA MECÂNICA DE FLUIDOS João M. Campos

ANÁLISE INTEGRAL EM VOLUMES DE CONTROLO FINITOS

5.27 Determine as componentes x e y da força exterior que se tem de exercer numa pá estacionária que, tal como mostra a figura, desvia um jacto de água de 7×10-5 m3/s e velocidade 8 m/s.
8 m/s 30º

8 m/s

5.28 Um orifício circular com 4 cm de diâmetro descarrega água na vertical, para baixo, a um caudal de 0,263 l/s. A água cai livremente sem atrito e pretende-se saber: a. A forma do jacto de água , i.e., como é que o diâmetro do jacto varia com a altura. b. a força que o jacto exerce ao embater numa chapa horizontal colocada a 0,5 m do orifício de descarga. c. A força que o jacto exerce ao embater numa chapa horizontal colocada a 2,0 m do orifício. 5.29 Um tubo vertical cónico com 1,5 m de altura alarga de 0,3 m (diâmetro) na base até 0,6 m no topo. Calcule a intensidade e o sentido da força que a água em escoamento ascendente a um caudal de 0,28 m3/s exerce sobre a parede do tubo. A pressão na base do tubo é de 207 kPa. Assuma que a perda de energia no alargamento é dada por:
0,6 m

2

V.C.

1,5 m

1

0,3 m

5.30 Um fluido ao percorrer um tubo cilíndrico de raio R em regime laminar tem um perfil de velocidade dado por
2 v = vmax c1 - r 2 m R

em que r representa a distância ao eixo.

150

NOTAS PARA O ESTUDO DA MECÂNICA DE FLUIDOS João M. Campos

ANÁLISE INTEGRAL EM VOLUMES DE CONTROLO FINITOS

No extremo do tubo, ao sair para a atmosfera, o jacto afila e fica com perfil de velocidade uniforme v sobre toda a secção recta. Com base na equação da quantidade de movimento determine a relação entre a e b. Despreze o efeito da força da gravidade.
2a 2b v

5.31 A figura mostra um motor a jacto. Ar ( = 1,29 kg/m3) entra no motor a uma velocidade de 90 m/s. A massa de fuel consumido representa 1% da massa de ar que entra no motor. Ar e gases provenientes do fuel consumido saem a uma velocidade de 274 m/s. As área das secções rectas de entrada e de saída são 1,0 m2 . Nestas condições calcule o sentido e a intensidade do impulso a que o motor está sujeito. Considere o ar incompressível
v2 = 274 m/s v1 = 91 m/s

Fuel

5.32 Na queda de água representada na figura, observa-se a formação de uma zona estagnada junto à parede com altura H. A velocidade e a altura do fluido no canal (de largura constante) são respectivamente v e h. Por aplicação da equação da quantidade de movimento, determine H em função de , v, h. Escolha o volume de controlo de modo a poder desprezar a componente horizontal da quantidade de movimento do fluido à entrada. Despreze as perdas de energia mecânica.
Ar v H h

5.33 Uma caixa cúbica fechada, excepto nas “entradas” A e B, é percorrida por água a um caudal Q. As pressões na entrada e na saída são respectivamente: PA = 3 atm e PB = 2 atm. a. Qual o caudal de água, sabendo que a única perda de carga entra A e B corresponde ao alargamento súbito em A, onde toda a energia cinética é perdida? Dados: de = 70 mm; ds = 50 mm b. As juntas do tubo em A e B são flexíveis de modo que não transmitem nenhuma força horizontal. Toda a força a que a caixa está

151

NOTAS PARA O ESTUDO DA MECÂNICA DE FLUIDOS João M. Campos

ANÁLISE INTEGRAL EM VOLUMES DE CONTROLO FINITOS

sujeita é suportada pela base. Qual o valor da componente horizontal da força a que a caixa está sujeita, quando é percorrida pelo caudal calculado na alínea a).
Fole Q pA Fole pB Q

5.34 Jactos de água saem de dois tanques e encontram-se a uma determinada cota como mostra a figura. Despreze a energia mecânica dissipada e determine: a. A altura h sabendo que o ponto A representado na figura é um ponto de estagnação (velocidade nula). b. Se à cota do ponto A fosse colocada uma placa muito delgada, qual seria a intensidade sentido e direcção da força exterior que teria de se exercer para a manter no “sítio”.
Água 2,5 m 5 cm h Jactos livres A

2,0 atm Ar

6,0 m 0,5 m 2 cm

2,5 m Água

5.35 Um novo tipo de elevador está esquematizado na figura. Por regulação do caudal de água é possível elevar o elevador até à altura desejada. Assumindo que o caudal mássico máximo do jacto é 220 kg/s e a velocidade à saída da mangueira 60 m/s, qual a relação entre o peso do elevador e a altura a que o jacto eleva o elevador?

Jacto de água livre

5.36 Num rio em que a velocidade da água é 1,5 m/s, um barco a motor desloca-se contra a corrente à velocidade de 9,0 m/s (ambas as velocidades têm como referencial a margem). O barco é impulsionado

29 kg/m3. A velocidade é 1. O ângulo entre o plano da porta e a direcção do jacto é 30º. A água entrar pela parte lateral. O pipo (tubo pequeno de enchimento) tem 6. Determine a força propulsora do barco e a eficiência do sistema de propulsão se: a. O valor de h. A2=1. Campos ANÁLISE INTEGRAL EM VOLUMES DE CONTROLO FINITOS por um motor (a jacto de água) que aspira água do rio a um caudal de 0. Considere A1 a área do tanque e A2 a área do orifício e determine: a. 5. e a força no cabo.8 m/s F 30º Dobradiça 5.  = 1.8 m/s e o jacto “atinge “ a porta no centro. impedindo o seu movimento. Um cabo rígido AB prende o tanque a uma parede. 5.25 m . O orifício de descarga é destapado no instante t = 0. b.152 NOTAS PARA O ESTUDO DA MECÂNICA DE FLUIDOS João M.15 m3/s e a descarrega pela parte de trás à velocidade de 18 m/s relativamente ao barco (direcção do movimento do barco mas em sentido contrário). v = 1. c.38 Um jacto “circular” de água com 50 mm de diâmetro é lançado contra uma porta quadrada. Desprezando o atrito calcule o caudal mássico de saída de ar no instante inicial em que a aceleração do balão é 15 m/s2.37 Um balão de 86g de massa está cheio com ar.0 cm2 e h0= 6. perpendicularmente ao movimento do barco. Desprezando a força de corte entre o fluido e a porta calcule a força normal F que se tem de aplicar na extremidade superior da porta para a manter em equilíbrio.2 m de lado. com a mesma direcção que o movimento do barco.0 m2. com 1. A água entrar pela proa (frente). O motor consome 21 kW. Uma expressão para a força exercida pelo cabo AB no tanque em função do tempo. Na extremidade inferior da porta existe um apoio de rotação (dobradiça).39 Um tanque cilíndrico colocado sobre rodas está cheio com água até uma altura h0 acima do orifício circular de descarga. do caudal de descarga. Dados: A1=2. 30 s após o orifício ter sido destapado. Uma expressão para o nível de água no tanque em função do tempo.0 mm de diâmetro e está dirigido na vertical para baixo no instante em que o balão é “solto”. b.

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NOTAS PARA O ESTUDO DA MECÂNICA DE FLUIDOS João M. Campos

ANÁLISE INTEGRAL EM VOLUMES DE CONTROLO FINITOS

A

B

h0

5.40 A figura representa esquematicamente um sistema automático de enchimento de recipientes de água. O recipiente de 1 kg e 5 litros de capacidade, é colocado sobre uma balança eléctrica. Um controlador gera um sinal de comando que fecha uma electroválvula, situada na tubagem de alimentação, quando o valor medido na balança atinge o limite ajustado no controlador. a. Se o controlador for regulado para actuar quando a balança detecta uma massa de 60 kg (água e recipiente), observa-se que os recipientes não ficam completamente cheios. Comente adequadamente o que se passa. b. Faça o cálculo da correcção a introduzir no controlador, tendo em conta que o caudal de enchimento é de 0,5 l/s e o diâmetro da tubagem é 15 mm.
0,5 l/s Electroválvula

Controlador

Balança

5.41 Uma placa tapa o orifício de um reservatório. O orifício tem a forma de um triângulo equilátero com 15 cm de altura. A placa é mantida no ”sítio” através da força de um jacto livre de água que sai de um outro reservatório e sobre ela incide. Determine o valor máximo de H para que não ocorra perda de água pelo orifício. Despreze a força de atrito entre o jacto e a placa e considere que a placa é muito leve.
0,5 atm (relativas)

3,0 m 10 cm 60º

H

15 cm

60º

Vista lateral

5.42 Água sai de um tubo sob a forma de um jacto livre e vai embater num prato plano circular. A geometria do escoamento é simétrica tal como mostra a figura. Determine o caudal e a leitura H do manómetro. Determine a força exterior que se tem de exercer para manter o prato no “sítio”. Despreze a acção das forças viscosas.

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NOTAS PARA O ESTUDO DA MECÂNICA DE FLUIDOS João M. Campos

ANÁLISE INTEGRAL EM VOLUMES DE CONTROLO FINITOS

0,1 m H 0,4 mm v v

0,2 m

Q 0,01 m

5.43 A figura representa um reservatório com um tubo de descarga de diâmetro D e comprimento L, articulado em A. a. Supondo o tubo fixo na horizontal através do tirante T, determine a altura h de água no tanque. Na extremidade do tubo colocou-se um tubo de Pitot para medir a velocidade de descarga. b. Se o tirante for retirado, o tubo de saída estabilizará numa determinada posição definindo um ângulo  com a horizontal. Determine a relação h(). Considere que o material do tubo é muito leve e despreze a força de atrito no tubo.
Água

h 1m

A
e ant Ti r 200 mm

h

θ

100 mm

Hg (13600 kg/m3 )

c. Se acoplar um convergente na saída do tubo, ver pormenor da figura, como acha que se alteraria a relação h()? Justifique
D1

D2

5.44 Água está a sair em jacto de um tanque aberto para aatmosfera através de um orifício circular com 13 cm2 de área, sendo 1,5 m a altura de água no tanque (1,0 m acima do orifício). O jacto ao sair do tanque embate numa pá curva que lhe muda a direcção de um ângulo de 30º. Determine a força, intensidade e sentido, a que está sujeito o cabo de aço horizontal que segura o carro sobre o qual está pousado o tanque e a pá curva.
1,5 m

Jacto Água

30º Cabo de aço

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NOTAS PARA O ESTUDO DA MECÂNICA DE FLUIDOS João M. Campos

ANÁLISE DIMENSIONAL, SEMELHANÇA E MODELOS

6 ANÁLISE DIMENSIONAL, SEMELHANÇA E MODELOS
6.1 Introdução
Embora muitos problemas de Mecânica de Fluidos possam ser resolvidos analiticamente por resolução das equações que descrevem o fenómeno, outros há que só podem ser resolvidos experimentalmente ou por combinação de resultados analíticos com experimentais. Neste capítulo vão ser estudadas algumas técnicas que permitem planear, executar, compreender e correlacionar dados experimentais. Outro dos objectivos deste capítulo é aprender como devem ser extrapolados dados obtidos em laboratório para sistemas semelhantes mas à escala “industrial”- os chamados estudos de semelhança. Para introduzir o estudo da análise dimensional recorre-se ao problema de escoamento de um fluido Newtoniano, incompressível e em estado estacionário, num tubo circular horizontal de secção recta constante. Pretende-se conhecer a perda de pressão por unidade de comprimento de tubo, resultante da acção das forças viscosas. O primeiro passo para planear o estudo é decidir quais as variáveis que afectam a perda de pressão por unidade de comprimento do tubo. A experiência diz que o diâmetro do tubo, D, a densidade do fluido, a viscosidade do fluidoe a velocidade média do fluido, v , são as variáveis que afectam a perda de pressão. Esta dependência é traduzida matematicamente por: Dp = f ^D, t, n, v h l (6.1)

Contudo, desconhece-se a natureza da função, sendo o principal objectivo do estudo experimental determiná-la. As experiências devem ser realizadas de uma forma sistemática, pelo que a melhor opção será medir a perda de pressão em séries de experiências. De série para série altera-se o valor de uma das variáveis e mantêm-se as outras constantes. Deste estudo resultam gráficos do tipo que a figura seguinte mostra. A tarefa de construir estes gráficos não é simples, é necessário realizar muitas experiências algumas delas de difícil execução. Por exemplo, encontrar fluidos de igual massa volúmica mas de diferente viscosidade é difícil, mesmo impossível se for necessário realizar várias experiências nestas condições. Igualmente, pela análise destes gráficos, não é possível, de uma forma simples, conhecer a função que a equação (6.1) sugere.

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NOTAS PARA O ESTUDO DA MECÂNICA DE FLUIDOS João M. Campos

ANÁLISE DIMENSIONAL, SEMELHANÇA E MODELOS

Δp l

D, ρ, μ constantes

Δp l

v, ρ, μ constantes

v Δp l Δp l

D

D, v, μ constantes

D , ρ, v constantes

ρ

μ

Para ultrapassar estas dificuldades recorre-se muitas vezes à Análise Dimensional. De uma forma breve refira-se que esta análise permite agrupar as variáveis em grupos adimensionais, o que facilita muito o estudo dos experimentalistas. No exemplo da perda de pressão num tubo, a análise dimensional permite concluir que: D Dp l = z c tvD m n tv 2

(6.2)

Ao realizar experiências, em vez de cinco variáveis em estudo passa a haver somente dois grupos adimensionais. Assim, para construir um gráfico da perda de pressão por unidade de comprimento sofrida por um fluido em escoamento num tubo, só é necessário variar tvD n e determinar os correspondentes valores de DDp ^ tv2 lh . O resultado é expresso por uma curva universal tal como mostra a figura. As experiências podem ser realizadas num tubo qualquer, com um fluido qualquer, desde que a velocidade do escoamento se altere.
Δp D l ρ v2

ρvD μ

De seguida demonstra-se que estes grupos são efectivamente adimensionais. D Dp 2 2 l = L 6M ^L T h@ = L0 M0 T0 ^M L3h^L2 T2h tv 2

3 tvD ^M L h^M Lh^L h 0 0 0 = =M LT n M ^LTh

…. u2.4) (6. a equação que relaciona as k variáveis: u1 = f(u1. Estas três dimensões foram seleccionadas como fundamentais ou básicas. Para a larga maioria dos problemas de Mecânica de Fluidos. Campos ANÁLISE DIMENSIONAL.Uma equação dimensionalmente homogénea que envolve k variáveis pode ser "transformada" numa relação entre k-r grupos adimensionais independentes.1 Teorema de  Buckingham Teorema de  Buckingham . Com base no teorema de  Buckingham. k-r) (6. Devem ser incluídas as variáveis que descrevem a geometria do sistema (diâmetro e comprimento do tubo). Uma equação dimensionalmente homogénea é aquela em que as dimensões do lado direito da equação são iguais às do lado esquerdo. SEMELHANÇA E MODELOS em que M representa a dimensão massa. 3. T a dimensão tempo e L a dimensão comprimento.2. depende do conhecimento do experimentalista sobre as leis físicas que regem o fenómeno. as que definem as propriedades físicas do fluido (viscosidade.157 NOTAS PARA O ESTUDO DA MECÂNICA DE FLUIDOS João M. 6. qualquer variável pode ser expressa recorrendo às dimensões fundamentais L (comprimento). em que r representa o número mínimo de dimensões fundamentais necessárias para descrever as variáveis.…. massa volúmica e tensão superficial) . Os grupos adimensionais são geralmente designados pelo símbolo i.2 Análise Dimensional 6. T (tempo) e M (massa).3) Determinação dos termos i  Passo I – Listagem das variáveis envolvidas no problema Este é o passo mais difícil e também o mais importante. uk) pode ser rearranjada e apresentada na seguinte forma: 1 = (2.

Tem de se ter o cuidado das variáveis seleccionadas não formarem elas próprias. Contudo. por exemplo. ela não deve ser listada a par com o diâmetro da tubagem.  Passo IV – Seleccionar um número de variáveis igual ao das dimensões fundamentais Da lista de variáveis selecciona-se um número igual ao das dimensões fundamentais.  Passo III – Determinar o número de termos i necessários O número de termos i necessários. Pode haver casos (raros) em que as dimensões fundamentais podem ser apresentadas sob uma forma combinada diminuindo r. já que são duas variáveis dependentes. L. a massa. F (força) e T.158 NOTAS PARA O ESTUDO DA MECÂNICA DE FLUIDOS João M. g. segundo o teorema de Buckingham. Campos ANÁLISE DIMENSIONAL. se num dado problema a área da secção recta de escoamento for importante. É importante que as variáveis listadas sejam independentes. M e o tempo T ou alternativamente L. Estas variáveis vão ser repetidamente combinadas com as restantes para formar grupos adimensionais. em alguns problemas poderão ter de ser incluídas variáveis que não se encaixam facilmente nestas três categorias. SEMELHANÇA E MODELOS e as que traduzem o efeito das forças exteriores ao sistema ( aceleração da gravidade e a perda de pressão por atrito na parede do tubo). por combinação.  Passo V – Formar termos i multiplicando uma das variáveis não seleccionadas pelo produto das variáveis seleccionadas cada . Igualmente se a massa volúmica do fluido e o peso volúmico forem importantes. um grupo adimensional. em que k representa o número de variáveis listadas para descrever o fenómeno e r o número de dimensões fundamentais necessárias para descrever as variáveis. é igual a k-r. Quando se está interessado em estudar uma dada variável (variável dependente) ela não deve ser seleccionada.  Passo II – Exprimir cada variável em termos das dimensões fundamentais Na grande maioria dos problemas de Mecânica de Fluidos as dimensões fundamentais com as quais se exprimem todas as variáveis são: o comprimento. elas não devem ser listadas conjuntamente com a aceleração da gravidade.

159 NOTAS PARA O ESTUDO DA MECÂNICA DE FLUIDOS João M. u1.2. 6.1 Escoamento em tubagens Para ilustração. Campos ANÁLISE DIMENSIONAL. num tubo circular horizontal.….2. Passo VIII – Exprimir na forma final a função entre os termos i. u2 e u3 as variáveis seleccionadas e ai. Passo VII – Verificar se todos os termos i são adimensionais. bi e ci os expoentes a determinar de forma a que o produto seja adimensional. Como já foi dito as variáveis envolvidas no problema são:  Passo I Dp = f ^D. k-r) No primeiro grupo deve aparecer em numerador a variável dependente que se pretende estudar. A relação funcional entre os grupos adimensionais deve ser determinada através da experimentação. t. incompressível. Pretende-se determinar a perda de pressão devida ao atrito por unidade de comprimento de tubo. n.2 Aplicação do teorema de  Buckingham 6. vai-se aplicar o teorema de  Buckingham ao exemplo do escoamento de um fluido Newtoniano. SEMELHANÇA E MODELOS uma elevada a um dado expoente.2. i i i  Passo VI– Repetir o passo V para todas as variáveis não seleccionadas . L e T) . 3. em estado estacionário.   1 = (2. v h l  Passo II Exprime-se as variáveis em termos das unidades fundamentais (M. O valor do expoente tem de ser determinado de forma a que o produto seja adimensional. a b c Cada grupo adimensional será formado por ui u1 u2 u3 em que ui representa uma das variáveis não seleccionadas.

 Passo V Formação dos grupos adimensionais. Começa-se pelo grupo que envolve Dp l . número igual ao das dimensões fundamentais. Optou-se por escolher D.2 l D0L  0 ML-3  0 ML-1T-1 v 0 LT-1  Passo III Há 5 variáveis (k = 5) e é necessário utilizar 3 (r = 3) dimensões fundamentais para as descrever dimensionalmente. De acordo com o teorema de Buckingham formam-se 2 grupos adimensionais.  Passo IV Seleccionam-se 3 variáveis. b = -2 e a = 1. Não se deve seleccionar Dp l já que é a variável que se quer estudar (variável dependente) e não deve aparecer repetida.160 NOTAS PARA O ESTUDO DA MECÂNICA DE FLUIDOS João M. v e . P1 = Dp a b c Dv t l (MT-2L-2)(L)a(LT-1)b(ML-3)c = M0L0T0 1+c=0 (M) –2 – b = 0 (T) –2 + a + b – 3c = 0 (L) A solução deste sistema algébrico de equações é c = -1. As variáveis escolhidas não devem formar por combinação um grupo adimensional. logo: Dp D P1 = l 2 tv .2 L. Campos ANÁLISE DIMENSIONAL. SEMELHANÇA E MODELOS Dp 0 MT.

3 ) (L2 T. logo: P2 = n tvD  Passo VII Verifica-se se os grupos são efectivamente adimensionais Dp D (ML.1h n 0 0 M0 L0 T0 tvD (ML.2 ) tv P2 = ^ML.2 T .161 NOTAS PARA O ESTUDO DA MECÂNICA DE FLUIDOS João M.3 ) (LT.1 ) (L)  Passo VIII O resultado é expresso na forma: Dp D n l m = fc 2 tvD tv Cada grupo adimensional pode ser rearranjado (invertido ou multiplicado por outro grupo adimensional). como é o caso de 2. Campos ANÁLISE DIMENSIONAL.1 T . b = -1 e a = -1. P2 = n tvD * " P2 = tvD n . SEMELHANÇA E MODELOS  Passo VI O procedimento vai agora ser repetido para a variável : P2 = nDa vb tc (ML-1T-1)(L)a(LT-1)b(ML-3)c = M0L0T0 1+c=0 (M) –1 – b = 0 (T) – 1 + a + b – 3c = 0 (L) A solução deste sistema algébrico de equações é c = -1.2 ) (L) P1 = l 2 0 0 M0 L0 T0 (ML.

A escolha de variáveis é feita no enunciado: Fa = f(w. Dp D l = f ^Reh 2 tv 6. l. SEMELHANÇA E MODELOS Este é o grupo adimensional “mais famoso” da Mecânica de Fluidos e é conhecido por número de Reynolds. variável dependente. Assume-se que a força que o fluido faz sobre o prato (força de arrasto.2. pelo que se vão formar 3 grupos adimensionais. μ. Pretende-se determinar os grupos adimensionais convenientes para estudar experimentalmente este problema. Começa-se por Fa . . Para variáveis principais escolhe-se w. Fa ) é uma função de w e l. . v. Campos ANÁLISE DIMENSIONAL.2.2 Escoamento em torno de objectos imersos Um prato pouco espesso de comprimento l e largura w está colocado paralelamente à direcção do escoamento de um fluido. da viscosidade e da massa volúmica do fluido. v) As dimensões das variáveis são: Fa = MLT-2 w=L l=L  = ML-3  = ML-1T-1 v = LT-1 O número de variáveis é k = 6 e de dimensões necessárias para exprimir as variáveis é r= 3.  e  e da velocidade de aproximação do fluido ao prato. v e  as quais são independentes.162 NOTAS PARA O ESTUDO DA MECÂNICA DE FLUIDOS João M. já que cada uma incluí uma nova dimensão.

163 NOTAS PARA O ESTUDO DA MECÂNICA DE FLUIDOS João M. logo: P2 = l w O procedimento vai agora ser repetido para a variável . Campos ANÁLISE DIMENSIONAL. b = 0 e a=-1. b = -2 e a = -2. logo: P1 = Fa tv 2 w 2 O procedimento vai agora ser repetido para a variável l 2 = lwavbc (L)(L)a(LT-1)b(ML-3)c = M0L0T0 c=0 b=0 1 + a + b -3c = 0 (M) (T) (L) A solução deste sistema algébrico de equações é c = 0. SEMELHANÇA E MODELOS 1 = Fawavbc (MT-2L)(L)a(LT-1)b(ML-3)c = M0L0T0 1+c=0 –2 – b = 0 (M) (T) 1 + a + b – 3c = 0 (L) A solução deste sistema algébrico de equações é c = -1. 3 = wavbc (ML-1)(L)a(LT-1)b(ML-3)c = M0L0T0 1+c=0 (M) .

1h n P3 = 0 0 M0 L0 T0 tvw ^ML.1h^L h O resultado final é expresso na forma: n 1 Fa . logo: P3 = n tvw Verifica-se se os grupos são efectivamente adimensionais. m = zc tvw w tv 2 w 2 Cada grupo adimensional pode ser rearranjado n tvw * " P3 = " 2Fa2 = { ` w . Veja-se o exemplo da perda de pressão num tubo: .3 Algumas notas sobre Buckingham a aplicação do Teorema de  A escolha das variáveis.164 NOTAS PARA O ESTUDO DA MECÂNICA DE FLUIDOS João M. b = -1 e a = -1. é aleatória desde que respeite as condições já enunciadas: não seleccionar a variável em estudo e as variáveis escolhidas combinadas não formarem um grupo adimensional. Rej l tvw n wvt P3 = 6.2.3h^LT. Pelo facto da escolha ser “aleatória” resultam grupos adimensionais diferentes. Campos ANÁLISE DIMENSIONAL.2h Fa 0 0 M0 L0 T0 2 2 -3 ^ML h^L2 T . SEMELHANÇA E MODELOS –1 – b = 0 (T) –1 + a + b – 3c = 0 ( L) A solução deste sistema algébrico de equações é c = -1. P1 = ^MLT . em número igual às dimensões fundamentais.2h^L2h tv w ^L h P2 = l 0 0 M0 L0 T0 w ^L h ^ML. resultando uma solução única.1 T . Mas estes grupos adimensionais podem ser combinados entre si.

3 Grupos adimensionais na Mecânica de Fluidos Número de Reynolds – mede a razão entre as forças de inércia e as forças viscosas que actuam sobre um elemento de fluido: Re = l2 v2 t lvt = lvn n O número de Reynolds crítico permite distinguir entre escoamentos laminares e turbulentos em tubos. Dp Dp 2 D D n l . O 1º termo da primeira solução pode ser obtido por combinação dos dois termos da segunda. a acção das forças viscosas sobrepõe-se à das forças de inércia e o escoamento dá-se em regime laminar. escoamentos abertos para a atmosfera. escoamentos em rios ou canais. SEMELHANÇA E MODELOS 1. Campos ANÁLISE DIMENSIONAL. l = 2 Dvt nv tv 6. Para números de Reynolds maiores do que o crítico. . tais como. Se as variáveis seleccionadas forem D. Para números de Reynolds menores do que o crítico. a acção das forças de inércia sobrepõe-se à das forças viscosas e o escoamento é turbulento. Número de Froude – mede a razão entre as forças de inércia e a força da gravidade que actuam sobre um elemento de fluido Fr = l2 v2 t v2 = = v gl tgl3 gl É um grupo importante em escoamentos com superfície livre.165 NOTAS PARA O ESTUDO DA MECÂNICA DE FLUIDOS João M. contudo a função é diferente. Se as variáveis seleccionadas forem D. escoamentos em torno de barcos. v e obtém-se: Dp D tvD l m = {c nv n Ambos os resultados estão correctos. em camadas limite ou em torno de objectos. v e obtém-se: Dp D tvD l m = zc 2 n tv 2.

6. Quando o número de Mach é pequeno (menor que 0. Ca = l 2 tv 2 " Ma = v c l 2 tc 2 A variável c representa a velocidade do som.166 NOTAS PARA O ESTUDO DA MECÂNICA DE FLUIDOS João M. We = l 2 t v 2 lt v 2 = vl v Este grupo é importante em escoamentos tais como bolhas de gás e gotas em ascensão num líquido. . Número de Weber – mede a razão entre as forças de inércia e as forças de tensão superficial que actuam num elemento de fluido e é particularmente importante quando há uma interface no escoamento.4 Correlação de dados experimentais A correlação de dados experimentais vai ser ilustrada com um exemplo. Esta mudança é muito significativa quando o número de Mach é superior a 1 e o escoamento é supersónico (este grupo é frequentemente utilizado em aerodinâmica). Campos ANÁLISE DIMENSIONAL. SEMELHANÇA E MODELOS Número de Euler – mede a razão entre as forças de pressão e as forças de inércia que actuam sobre um elemento de fluido Eu = l2 p p 2 2 = tv l tv 2 Muitas vezes o número de Euler é escrito em termos de diferença de pressão Eu = Dp 1 tv 2 2 O número de Euler apresentado nesta forma é usualmente designado por coeficiente de pressão.3) as forças de inércia não são suficientemente elevadas para causar qualquer mudança significativa na massa volúmica do fluido. Número de Mach e de Cauchy – medem a razão entre as forças de inércia e as forças de compressão que se exercem sobre um elemento de fluido.

a variação de pressão foi medida num tubo liso com 1.89 1. =1000 kg/m3).76 p (Pa) 300 740 1460 5154 15560 32210 56760 81830 Pretende-se determinar uma relação funcional entre a perda de pressão por unidade de comprimento e as outras variáveis.0175 tvD n 4 000 6 700 v (m/s) 0. O fluido utilizado foi água a 25 ºC (= 1 cP.167 NOTAS PARA O ESTUDO DA MECÂNICA DE FLUIDOS João M.16 7.5 m de comprimento e 15 mm de diâmetro interno.78 3. No laboratório.11 8. n. v h l e pelo teorema de  Buckingam: D Dp = z c tvD m n tv 2 l Com os dados da tabela podem ser calculados estes dois grupos adimensionais. Os ensaios foram realizados variando a velocidade do fluido.36 0. Como já foi analisado: Dp = f^D. v (m/s) 0.4 5.36 0. SEMELHANÇA E MODELOS Perda de pressão num fluido em escoamento num tubo horizontal Determinou-se experimentalmente a relação entre a perda de pressão por unidade de comprimento num tubo circular horizontal de secção recta constante com parede lisa e as variáveis que a afectam.60 Δp (Pa) 300 760 . D Dp tv 2 l 0. t.60 0.0195 0. Campos ANÁLISE DIMENSIONAL.

0155 0. 6. 150 c tvD m 2 n tv Blasius (1883-1970) com base num estudo semi-empírico concluiu que: D Dp .0089 tvD n 10 000 20 000 38 100 58 000 80 000 98 500 Representando graficamente (log-log) verifica-se que um bom ajuste aos resultados experimentais é dado pela equação : D Dp .p.5.11 8.p = (2. A relação obtida é válida na gama do número de Reyolds 4000 a 100000. SEMELHANÇA E MODELOS v (m/s) 0. 25 l = 0.0. dinâmica e geométrica Um problema pode ser descrito em termos de uma funcionalidade entre grupos adimensionais: 1.89 1.16 7.40 5.0113 0.0. 25 l = 0..168 NOTAS PARA O ESTUDO DA MECÂNICA DE FLUIDOS João M.0101 0. 3.0132 0.0094 0.p.76 Δp (Pa) 1 460 5 154 15 560 32 210 56 760 81 830 D Dp tv 2 l 0...p) .5 Teoria dos modelos 6. n..1 Semelhança cinemática.78 3. Campos ANÁLISE DIMENSIONAL. 1582 c tvD m n tv 2 Esta equação é muito semelhante à obtida com base na análise dimensional e na experimentação.

. a variável em estudo no protótipo pode ser conhecida pela medição do seu valor no modelo. SEMELHANÇA E MODELOS Se a equação anterior descrever o comportamento de um dado protótipo.m = n.. já que o problema em estudo é o mesmo. n.p conclui-se que: 1. que o modelo seja uma representação à escala do protótipo.p Traduzindo por palavras o que foi analiticamente descrito..m = 3.169 NOTAS PARA O ESTUDO DA MECÂNICA DE FLUIDOS João M. está-se a impor semelhança geométrica entre o modelo e o protótipo..m = 2. Semelhança Geométrica – Quando se iguala grupos adimensionais que representam relações geométricas..m. i...e.m) A função é a mesma.. Campos ANÁLISE DIMENSIONAL...p ... número de Reynolds) está-se a impor semelhança dinâmica entre o modelo e o protótipo.. n..m = 1. Semelhança Dinâmica – Quando se iguala grupos adimensionais que representam razões entre forças (ex.e..m. se os grupos adimensionais importantes para descrever o fenómeno em estudo forem numericamente iguais no modelo e no protótipo..... está-se a garantir semelhança cinemática. Se o estudo no modelo se realizar de forma a serem respeitadas as seguintes condições: 2..m = (2.. i.p 3. . 3. a garantir que a razão entre as velocidades é igual à razão entre as acelerações em todo o campo de escoamento. Quando se garante semelhança geométrica e dinâmica entre o modelo e o protótipo.. uma relação semelhante pode ser escrita para descrever o comportamento de um modelo à escala: 1...

l . apresentam uma certa rugosidade.170 NOTAS PARA O ESTUDO DA MECÂNICA DE FLUIDOS João M. l . f = p " fm = Dm & lm = fm = Dm = m = Dm Dp lp Dp Dm Dp fp Dp lp fp Dp m . da análise dimensional resulta: Dp f . tvD m = } f . 6.1 Escoamento em tubagens Quando se estabelece por análise dimensional os grupos importantes para estudar a perda de pressão por unidade de comprimento num tubo horizontal de secção recta constante. D D n tv 2 O grupo adimensional representado no lado esquerdo da equação é usualmente designado por coeficiente de atrito: Cf = Dp 1 tv 2 2 (6. Definindo por  a altura média dos elementos rugosos da superfície. conclui-se que: D Dp l = z c tvD m = z^Reh n tv 2 Se o problema fosse equacionado em termos de perda de pressão num comprimento l do protótipo resultaria: Dp tvD m = { ` l .2 Aplicação da teoria dos modelos 6. a qual é determinante para a perda de pressão. Re `D D j 2 = }c D D n tv (6.2.5.5) Na maioria dos casos os tubos não são lisos. Rej = {c l . Campos ANÁLISE DIMENSIONAL. dinâmica e consequentemente cinemática.6) Para que haja semelhança geométrica entre o modelo e o protótipo é necessário que: f lp lm " lm = Dm . SEMELHANÇA E MODELOS Para que haja semelhança entre o modelo e o protótipo é necessário que haja semelhança geométrica.5.

No caso de escoamentos incompressíveis (Ma< 0.171 NOTAS PARA O ESTUDO DA MECÂNICA DE FLUIDOS João M. Neste caso: Dp = z` f . o que por vezes se torna complicado de realizar. já que não é fácil construir modelos com uma rugosidade muito reduzida.2 Escoamento em torno de objectos Muitos modelos foram construídos para estudar escoamentos em torno de objectos. 6. Fa. esta condição é muitas vezes difícil de respeitar. aplicando a análise dimensional às variáveis que quantificam a força de arrasto exercida pelo fluido sobre o objecto. Quando o fluido é o mesmo no modelo e no protótipo.3).2. pontes. SEMELHANÇA E MODELOS Quando o factor de escala é << 1. aviões. Campos ANÁLISE DIMENSIONAL. resulta: . etc.5. resulta: Dp p = tp v p 2 ` j Dpm tm vm não havendo qualquer restrição à razão das velocidades. é o de um escoamento turbulento perfeitamente desenvolvido. para respeitar as condições de semelhança geométrica e dinâmica é necessário que: Dp p = tp v p 2 ` j Dpm & Dpp = m2 Dpm tm vm Um caso particular de interesse. edifícios. por exemplo em torno de automóveis. l j D D tv 2 Se as condições de semelhança geométricas forem respeitadas. em que o valor da perda de pressão é independente de Re (voltar-se-à a este assunto no capítulo 8). Da semelhança dinâmica resulta: n t D tm Dm vm tp Dp vp " vm = m $ p $ p = vp nm np np tm Dm Quando se usa o mesmo fluido no modelo e no protótipo: vm Dp 1 = = vp Dm m Nesta situação e para qualquer factor de escala < 1. a velocidade no modelo é superior à velocidade no protótipo.

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ANÁLISE DIMENSIONAL, SEMELHANÇA E MODELOS

tvl1 Fa l m = zc 2 , f , 1 tv 2 l 2 l1 l1 n 2 em que l1 e l2 representam dimensões características do objecto. O grupo adimensional representado no lado esquerdo da equação é usualmente designado por coeficiente de arrasto: CD = Fa 2 1 tv 2 l 1 2 (6.7)

Da semelhança geométrica resulta: fp l1,m l1,p " l1,m l2,m , f " fm = l1,m = l2,m = m = = = l2,m l2p l1,p l2,p l1,m l1,p fp l1,p l2,p
m

Da semelhança dinâmica resulta: tm vm l1,m tp vp l1,p = nm np Se as semelhanças geométrica e dinâmica forem respeitadas: CD = CD "
m p

Fp Fm = 2 2 1 tm vm l1,m 1 tp vp l1,p 2 2

Quando o fluido é o mesmo no modelo e no protótipo, resulta: vm l1,p 1 = = vp l1,m m No caso da escala ser de 1:10 (= 0,1), a velocidade no modelo terá que ser 10 vezes superior à velocidade no protótipo, o que, como já foi referido, em muitos casos é difícil de realizar experimentalmente. Igualmente, para velocidades elevadas, e no caso do fluido ser ar, as condições de escoamento no modelo poderão ser tais que as forças de compressão se tornem importante (Ma>0,3), o que não permite extrapolar os resultados do modelo para o protótipo. Em alguns casos usam-se fluidos diferentes no modelo e no protótipo (fluidos menos viscosos e/ou mais densos no modelo) de maneira a reduzir a razão das velocidades. Na figura seguinte está representada (representação log-log) a variação do coeficiente de arrasto com o número de Reynolds, no caso do objecto imerso ser uma esfera. Como se pode observar na figura, a

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ANÁLISE DIMENSIONAL, SEMELHANÇA E MODELOS

partir de Re > 1000 o coeficiente de arrasto torna-se independente do número de Reynolds. Para valores de Re < 1 o valor do coeficiente de arrasto é dado por: CD = 24 Re
CD 24/Re Coeficiente de arrasto Para uma esfera Laminar

Transição 0,4 1 1000 Turbulento

Re

6.5.2.2.1 Força de arrasto e velocidade terminal
Exemplo 6.1 Pequenos grãos esféricos de pólen de diâmetro 0,04 mm e massa volúmica 800 kg/m3 caem do topo de um pinheiro com 20 m de altura. Se houver uma brisa de ar na direcção horizontal com intensidade 1 m/s, determine a que distância da árvore o grão cai. Assuma que a velocidade horizontal do grão é igual à do ar. Solução As forças verticais que se exercem no grão durante a queda são: o seu peso, W, a força de impulsão I, e a força de arrasto, FD, exercida pelo ar sobre o grão (resultante da integração das forças tangenciais). Durante os instantes iniciais da queda, a velocidade relativa do grão (referencial com velocidade igual à do ar) aumenta rapidamente, aumentando FD. Após estes instantes o somatório das componentes verticais das forças anula-se e os grãos entram em queda livre com velocidade uniforme , a chamada velocidade terminal. W – I = FD O peso de cada grão e a força de impulsão são dadas respectivamente por: W = pgD3/6 I = argD3/6 A força de arrasto é função de Reynolds, tal como foi demonstrado pela análise dimensional: tar vD FD m = CD = z c nar 1 tar v2 r D2 2 4

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ANÁLISE DIMENSIONAL, SEMELHANÇA E MODELOS

em que v representa a componente vertical da velocidade relativa entre o grão e o ar. Neste exemplo, assume-se que a velocidade do ar não tem componente vertical, pelo que v representa a velocidade de queda do grão de pólen. Como se pode ver na figura anterior, no caso de Re <1 (o diâmetro das partículas é reduzido pelo que é provável que o valor do número de Reynolds seja inferior a 1, mas esta hipótese será confirmada) o valor do coeficiente de arrasto é dado por: CD = 24 Re pelo que:
2 2 nar FD = 1 tar v2 r D CD = 1 tar v2 r 24D = 3rnar vD 2 4 2 4 tar vD

Estabelecendo o balanço de forças e resolvendo em ordem a v resulta: v=
^ tp - tarh gD2

18nar

Em condições de pressão (1 atm) e temperatura (20 ºC) normais: ar = 1,79¬10-5 Pa.s e ar = 1,23¬10-5 kg/m3. Calculando o número de Reynolds obtém-se, Re = 0,107 < 1. Conhecida a velocidade de descida do grão de pólen, calcula-se o tempo que o grão demora a percorrer os 20 m que separam o topo do pinheiro do solo, bem como a distância percorrida pelo grão na horizontal durante a queda t = h " d = tvar = hvar = 514 m v v em que , representa a componente horizontal da velocidade do ar.

Exemplo 6.2 Uma pequena gota de água esférica com 0,1 mm de diâmetro está na atmosfera a uma altura de 1500 m. Será que a gota sobe ou desce se o vento soprar na direcção vertical (para cima) a uma velocidade de 1,5 m/s ? E no caso da velocidade do vento ser 0,1 m/s? Solução Supõe-se, tal como no exemplo anterior, que o tamanho da gota é suficientemente pequeno pelo que Re <1. Aproveitando o resultado do problema anterior: v=
^ tp - tarh gD2

18nar

em que v representa a velocidade relativa entre a gota e o ar. Supondo que a 1500 m as condições de pressão e temperatura são 20 ºC e 1 atm (ar = 1,23¬10-5 kg/m3 e ar = 1,79¬10-5 Ns/m2), calcula-se a velocidade, v= 0,3 m/s. Por definição de velocidade relativa: v v v v rel = v ar - v g v em que a velocidade v rel é a velocidade “vista” por um observador que se move à velov v cidade do ar e v g, v ar por observadores estacionários.

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ANÁLISE DIMENSIONAL, SEMELHANÇA E MODELOS

Se a gota e o ar se deslocarem em sentidos contrários o valor absoluto da velocidade relativa tem de ser maior que o valor absoluto da velocidade do ar. No caso de se deslocarem no mesmo sentido, o valor absoluto da velocidade relativa tem de ser menor que o valor absoluto da velocidade do ar. Assim, no caso do ar ter uma velocidade de 1,5 m/s, a gota desloca-se para cima a uma velocidade de 1,2 m/s. No caso do ar ter uma velocidade de 0,1m/s, a gota desloca-se para baixo a uma velocidade 0,2 m/s.

6.5.2.3 Escoamentos com superfície livre Escoamentos em rios, canais, quedas de água e em torno de barcos e submarinos são exemplos de escoamentos com superfície livre. Neste tipo de escoamentos as forças de inércia e as forças viscosas são importantes, tal como as forças de gravidade e eventualmente as de tensão superficial. Assim de uma forma geral: tl v tv2 l1 P1 = z e l2 , f , 1 , v , o l2 l1 n gl1 v Para que haja semelhança, os números de Froude têm de ser iguais no modelo e no protótipo: vm = gl1,m vp & vm = vp gl1,p l1,m = m l1,p

e igualmente os números de Reynolds têm que ser iguais: t l n Re m = Re p & vm = p 1,p m tm l1,m np vp Combinando as relações obtidas, resulta: nm tp = m3 2 np tm Geralmente o fluido no protótipo é água (eventualmente salgada) e o factor de escala  é <<1. Para se realizarem as experiências no modelo teria que se arranjar um fluido muito denso e muito pouco viscoso, fluido esse que na maioria das situações não existe. O problema torna-se ainda mais complicado se a força de tensão superficial desempenhar um papel importante. Se os números de Weber têm de ser iguais: vm tp m2 = vp tm

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ANÁLISE DIMENSIONAL, SEMELHANÇA E MODELOS

Neste caso, ainda seria mais difícil arranjar fluidos para respeitar iguais números de Froude, Reynolds e Weber. Felizmente em muitos problemas de superfície livre, os efeitos das forças de tensão superficial e os das forças viscosas são pequenos e consequentemente a semelhança entre os números de Reynolds e entre os números de Weber não é determinante.

6.6 Exercícios de aplicação propostos
6.1 A velocidade v que um corpo de massa m em queda livre atinge ao fim de uma altura h é função de: m , h , g, e da velocidade inicial, v0. Mostre que a relação entre v e estas variáveis é da forma: v = z v0 c m gh gh Determine a natureza da função por comparação com a solução cinemática. R: v = gh
c

v0 2 2 m + gh

6.2 A perda de pressão ao longo de um tubo horizontal de secção recta constante por onde escoa um fluido viscoso, depende do caudal de escoamento, do diâmetro do tubo, da viscosidade do fluido e do comprimento do tubo a. Exprima a relação entre as variáveis por análise dimensional b. Sabendo que a perda de pressão é proporcional ao comprimento que mais pode concluir. R: Dp = C1 Qnl D4

6.3 Mostre através da análise dimensional que a força de arrasto Fa exercida sobre uma esfera de diâmetro D, que se move a uma velocidade constante v num fluido parado de massa volúmica e viscosidade , pode ser expressa por: CD = tvD Fa m = zc n 1 tv 2 r D 2 2 4

Observou-se que uma bola de aço ( = 7750 kg/m3) de 2,5 mm de diâmetro, cai com uma velocidade uniforme de 5 mm/s num líquido de den-

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NOTAS PARA O ESTUDO DA MECÂNICA DE FLUIDOS João M. Campos

ANÁLISE DIMENSIONAL, SEMELHANÇA E MODELOS

sidade 830 kg/m3. Sabendo que a função (z) = 24/z para qualquer z, calcule a viscosidade do líquido. R:  = 4,7 Pa.s 6.4 Para movimentar grandes caudais de gás usam-se frequentemente ventiladores. O caudal volumétrico de ar (Q) é função da massa volúmica do fluido (), do diâmetro do ventilador (D), da velocidade de rotação das pás (N) e da potência (P) fornecida ao ventilador. Dispõe-se de um ventilador para bombear ar com 1m de diâmetro, accionado por um motor de 5 CV e com N =1500 rpm. Foi construído um modelo à escala 1/5 com motor de 1 CV para bombear água. a. Qual a velocidade de rotação a usar no modelo de modo a poder relacionar os caudais no modelo e no protótipo? R: N= 1374 rpm b. Com a rotação calculada em a), qual o caudal de água no modelo se no protótipo se observarem as condições da figura? As perdas de pressão na entrada do tubo e no próprio tubo são desprezáveis. R: Q= 0,093 m3/s
Ar Ar

30 mm

Água

6.5 Para efectuar uns cálculos, pretende-se saber a velocidade de subida de uma bolha de ar de volume 5,0 x 10-8 m3 num líquido, muito dispendioso, = 2100 kg/m3, = 0,0044 Pa.s e = 0,040 J/m2. Não havendo possibilidade de adquirir o líquido resolveu-se fazer testes num modelo utilizando soluções aquosas de glicerina. A partir dos dados da tabela, calcule qual a concentração da solução de glicerina que se de deve utilizar bem como o volume da bolha. Por que factor se deve multiplicar a velocidade observada no modelo para se obter a a velocidade pretendida. A bolha de ar pode ser tomada como esférica. Concentração (v/v)  (J/m2) (kg/m3) (Pa.s)

20% 0,0747 1080 0,002

40% 0,0765 1180 0,0062

60% 0,0785 1290 0,057

R: 40%, V = 3,14 ¬ 10-7 m3/s, vmod/vprót = 1,36.

178

NOTAS PARA O ESTUDO DA MECÂNICA DE FLUIDOS João M. Campos

ANÁLISE DIMENSIONAL, SEMELHANÇA E MODELOS

6.6 Para determinar a perda de pressão num sistema de tubagens de uma estação de bombagem de água, pretende-se fazer um ensaio num modelo reduzido à escala de 1:5. Dispõe-se de ar a 27 ºC e 105 Pa de pressão absoluta. (ar =1.8 x 10-5 Pa.s) No protótipo irá circular água a 15 ºC numa tubagem com 40 mm de diâmetro à velocidade de 0,5 m/s. Determinar a velocidade do ar e o caudal necessário, bem como a forma de calcular a perda de pressão no protótipo a partir da perda medida no modelo. 6.7 A força exercida por um fluido sobre um cilindro com diâmetro da base igual à altura foi estudada em modelos de vários tamanhos com líquidos diferentes, mas sempre com a mesma orientação do cilindro em relação ao escoamento. Os resultados obtidos estão representados na Tabela. D (m) 0,10 0,20 0,20 0.10 0.10 v (m/s) 1 1 4 2 2  (kg/m3) 1000 1000 800 800 900  (Pa.s) 0,001 0,001 0,003 0,003 0,004 F (N) 1,96 7,86 100,5 6,27 7,06

Em face destes resultados, os experimentadores concluíram que a viscosidade não tinha influência sobre a força exercida pelo fluido sobre o cilindro. a. Acha a conclusão acertada? b. Como compara esta situação com a da força exercida sobre uma esfera? 6.8 A perda de carga por atrito em duas tubagens exactamente iguais transportando líquidos A e B é proporcional a v1,8 em que v é a velocidade média do líquido no tubo. A massa volúmica de B é 1,5% superior à de A e a viscosidade de B 25% superior à de A. Para a mesma velocidade qual será a razão entre as perdas de carga? 6.9 Um modelo á escala 1: 4 de um submarino, que se desloca à velocidade de 15 m/s, vai ser testado num túnel de vento (ar) a 5 atm, para determinar a força de arrasto. O modelo tem 3 m de comprimento. Qual

quando suspenso num túnel de ar (condições PTN) sofre uma força por parte do ar (ar= 1.2 m/s.s).354 m3/s. Esta partícula é lançada. Assumindo o ar parado e escoamento laminar da partícula.378 0.11 Um corpo em forma de diamante. (Exame 2003). e da porosidade do filtro (volume  de poros sobre volume total).1 18.56 8.1 mm de diâmetro. b. p (m água) Q (m /s) 3 0.87 v (m/s) 9. Os dados seguintes foram obtidos com ar a 1 atm e 20ºC.06 m/s. Campos ANÁLISE DIMENSIONAL. F (N) 5. . da espessura do filtro H.02 21.40 24.472 0.s) 6.566 Use os dados e determine a queda de pressão no mesmo filtro se a espessura for 60 mm e o caudal volumétrico 0. mas com dimensão característica 380 mm.8¬10-5 Pa.68 13.1 11. SEMELHANÇA E MODELOS a velocidade do ar a usar no teste do modelo e qual a razão entre as forças de arrasto para o modelo e para o protótipo nessas condições? (ar= 1.071 0. do alto de uma torre.10 Uma partícula de poeira de forma esférica (= 200 kg/m3) tem 0.032 0.6 17. R: vt = 0.189 0. estime: a.1 6.283 0.197 0.6 14. a velocidade terminal.12 A queda de pressão p sofrida por um caudal de ar ao passar num filtro depende do caudal volumétrico Q.285 0.44 18. 6.8 x 10-5 Pa. através de um filtro com 30 mm de espessura e uma porosidade de 45%. da massa volúmica .126 0.008 0.094 0. o espaço que tem de percorrer para atingir 98% da sua velocidade terminal. partindo do repouso.6 20. quando suspenso num túnel de água a 20 ºC em escoamento à velocidade de 2. h = 3 mm. a qual se encontra tabelada em função da velocidade.179 NOTAS PARA O ESTUDO DA MECÂNICA DE FLUIDOS João M. Use os dados da tabela para prever a força de arrasto num corpo de forma semelhante. de dimensão característica 230 mm. 35 m acima do nível do mar.

.

Aumentando o caudal. o que se entende por caudal suficientemente baixo para se observar regime laminar ou suficientemente elevado para se observar regime turbulento? Em regime laminar são as forças viscosas que “comandam” o escoamento enquanto que em regime turbulento são as forças de inércia. muito bem definida com manchas muito ténues na fronteira. Para caudais elevados. consiste na injecção quase pontual de uma tinta colorida num fluido e na observação do rasto provocado pelo escoamento. o rasto passa a ser uma mancha colorida esbatida. a velocidade tem também componentes nas direcções normais ao eixo. o fluido está em escoamento em regime laminar. o fluido está em escoamento em regime de transição.181 NOTAS PARA O ESTUDO DA MECÂNICA DE FLUIDOS João M. embora a componente principal. não estacionária. muito simples. O grupo adimensional Reynolds representa a razão entre estas forças. Laminar Tinta Transição D Rasto de tinta Turbulento A experiência. de tempos a tempos e sem localização definida. para o que utilizou a instalação que está esquematizada na figura. Para caudais baixos observa-se uma linha recta colorida. Em regime turbulento. seja ao longo do eixo. pelo que o seu valor permite saber quando é que . Campos ESCOAMENTOS LAMINAR E TURBULENTO 7 ESCOAMENTOS LAMINAR E TURBULENTO 7. No escoamento em regime laminar num tubo. observam-se pequenas manchas de tinta. e. que ocupa toda ou quase toda a secção recta do tubo. a velocidade tem somente uma componente ao longo do eixo. o fluido está em escoamento em regime turbulento. Mas. muito ténue nos pontos mais afastados da injecção. a linha colorida deixa de ser recta e torna-se ligeiramente sinuosa.1 Introdução Osborne Reynolds (1814-1912) foi o primeiro a mostrar as diferenças entre um escoamento em regime laminar e um escoamento em regime turbulento.

A ponteado na figura está representado um elemento de fluido. No instante t.182 NOTAS PARA O ESTUDO DA MECÂNICA DE FLUIDOS João M. Entre estes dois limites. num tubo de secção recta circular.2. centrado no eixo de um tubo circular de diâmetro interno D. Na . pelo que o perfil de velocidade se mantém constante ao longo desta direcção. 2v = 0 . Devido a esta variação de velocidade. diferente da velocidade de uma partícula em r+r. v dv = vx 2vx v = 0 . Para o elemento de fluido não sofrer aceleração. que são planos no instante t. nenhuma partícula de fluido é acelei 2x rada ao longo de x. os topos do elemento de fluido. apresentam-se deformados no instante t +t (elemento de fluido representado a traço ponto). e perfeitamente 2t v v desenvolvido. o regime é laminar quando o número de Reynolds é inferior a 2100 e é turbulento quando é superior a 4000. desde que não haja perturbações ao escoamento. Esta variação de velocidade resulta de o fluido ser viscoso e haver tensões de corte entre as partículas em posições adjacentes. Estes valores limites variam conforme a geometria do tubo confinante. Campos ESCOAMENTOS LAMINAR E TURBULENTO uma delas se “sobrepõe” ou “domina” a outra. este elemento é cilíndrico de comprimento l e raio r. t t+δ t D v(r) r l As trajectórias das partículas de fluido são paralelas entre si e paralelas à parede.2 Escoamento Laminar 7. o regime é de transição. v Quando o escoamento é estacionário. 7. sendo contudo a velocidade de uma partícula em r. em particular são função da dimensão característica escolhida para definir o número de Reynolds.1 Equação de Poiseuille Dedução da equação de Poiseuille por aplicação da 2ª lei de Newton a um elemento de fluido. é necessário que o somatório vectorial das forças que sobre ele actuam seja nulo. Por observações experimentais concluiu-se que.

Na parede do tubo.n dvx dr Combinando as equações (7. a tensão de corte é máxima já que é onde se observa a maior variação de velocidade.2) e (7.183 NOTAS PARA O ESTUDO DA MECÂNICA DE FLUIDOS João M. Admitindo que o fluido tem comportamento Newtoniano: x = . com l No eixo do tubo.5) . As forças que se desenvolvem são forças de pressão. podem-se escrever as seguintes condições fronteira: r = 0   = 0  r = R   = R em que R representa a tensão de corte na parede do tubo. cuja intensidade vai diminuindo no sentido do escoamento. e considerando a pressão uniforme em cada uma das faces de topo. Desprezando o efeito da gravidade.2) Dp constante ao longo de x e independente de r. o perfil de velocidade parabólico apresenta um máximo pelo que a tensão de corte é nula (relembrar definição de fluido Newtoniano).4) (7.3) É preciso conhecer a tensão de corte na parede e para tal o perfil de velocidade.1) Rearranjando a equação anterior obtém-se: D p 2x l = r (7. da aplicação da 2ª lei de Newton ao elemento de fluido resulta: Fx = max = 0  p1r2 – (p1 – p)r2 – 2rl = 0 2πrlτ p1 π r2 r l (p1 . aplicadas nas faces de topo do elemento. Aplicando estas condições à equação (7.2) obtém-se: Dp 4xR l = D (7. Assim. Campos ESCOAMENTOS LAMINAR E TURBULENTO parede lateral do elemento actuam forças tangenciais de corte com sentido contrário ao escoamento. pelo que têm que se desenvolver outras forças na direcção do escoamento que se oponham às forças de corte.Δ p) π r2 (7.5) resulta: (7.

c 2r m F = vmax <1 . resulta: Q= # vx ] r g d A = 0 # vx ]r g2rr d r = 2rvmax R 0 r # <1 . vx = 0 para r = R.7) Pelo facto de o fluido ser viscoso.c 4l m r 2 + C1 (7.184 NOTAS PARA O ESTUDO DA MECÂNICA DE FLUIDOS João M.10) Integrando. pelo que: C1 = Dp D 2 l 16 (7.c R m Fr d r R 2 (7.9) é a já conhecida equação do perfil de velocidade parabólico para um escoamento em regime laminar num tubo de secção recta circular.d Dp n r dr = 2nl Integrando ao longo do raio: (7.6) # dv x =- Dp 2l # rdr " v x p = . Para determinar o caudal volumétrico de escoamento no tubo. obtém-se: . considere-se a coroa infinitesimal de área 2rr representada na figura. na qual a velocidade pode ser considerada uniforme desde que se tome o limite r  0. r δr O caudal volumétrico que passa na coroa infinitesimal é dado por: Q = vx(r)A = vx(r)2rr Dividindo a área da secção recta num número infinito de coroas infinitesimais e adicionando o caudal que passa em cada uma.8) O perfil de velocidades toma então a seguinte forma: vx ] r g = c com vmax = Dp D 2 l 16 2 2 Dp D 2 m <1 . observa-se a condição de não deslizamento na parede. Campos ESCOAMENTOS LAMINAR E TURBULENTO dvx .c r m F l 16 D R (7.9) A equação (7.

é função da velocidade média do fluido. forças viscosas. com f (ou Cf ) = 64 D Re 2 (7. num escoamento em regime laminar num tubo de secção recta circular. logo: 2 r v = Q = rR vmax 1 2 = vmax A 2 rR 2 (7. carga de pressão.11) A velocidade média é a razão entre o caudal volumétrico e a área da secção recta de escoamento. A equação de Poiseuille aparece frequentemente na literatura sob outra forma: Dp = ou r Dp = f (ou Cf ) 1 tv 2 l .12) e (7. num escoamento em regime laminar em que as forças viscosas se sobrepõem às de inércia.12) Para determinar a queda de pressão num comprimento l de tubo. Dedução da equação de Poiseuille com base na análise dimensional A perda de carga.13) resulta: Dp 32n r v l = D2 ou 4 Dp Q = rD 128 l (7.4). e da viscosidade do fluido: . recorre-se às equações (7.5) e (7.185 NOTAS PARA O ESTUDO DA MECÂNICA DE FLUIDOS João M. x E = n 4vmax " dr r = R D l = D2 l = D Combinando as equações (7. (7.15) Esta equação é conhecida pela equação de Poiseuille e permite determinar a perda de carga.16) 2 r D 1 tv 2 1 tv 2 r r 2 2 em que Cf é designado por coeficiente de atrito e f por factor de Fanning.13) (7. provocada pelo atrito. do diâmetro e comprimento do tubo.9): Dp 4xR Dp 16nvmax dv (r) e xR = .n . carga de pressão.14) (7. Campos ESCOAMENTOS LAMINAR E TURBULENTO 2 Q = rR vmax 2 (7.17) r _32nlv D 2i r Dp 32nlv n l 64 l " = = 64 b tvD lb D l = Re b D l (7.

 = 900 kg/m3.) Aplicando o teorema de  Buckingham resulta: DD p zc l m r nv = D (7.s. Exemplo 7.5 m 4 mm 1 Óleo 45º Óleo h Mercúrio . A queda de pressão é medida por meio de um manómetro de mercúrio. Qual o caudal volumétrico quando h = 30 mm? c.186 NOTAS PARA O ESTUDO DA MECÂNICA DE FLUIDOS João M. qual o desnível no manómetro se fosse alterada a inclinação dos tubos? 1. pelo que a perda de carga é proporcional ao comprimento do tubo. Este valor pode ser obtido com base em resultados experimentais. sendo o desnível observado h. l/D: z c l m = C1 l D D Logo: r Dp DD p nv nl " Dp = 4C1 C l " C1 Q r nv = 1 D rD 4 l = D2 (7.19) Embora a análise dimensional não dê qualquer informação. Campos ESCOAMENTOS LAMINAR E TURBULENTO p = (v. Para o mesmo caudal.18) (7.20) Comparando esta equação com a equação deduzida a partir da 2º lei de Newton conclui-se que C1= 32. os tubos são percorridos por um óleo viscoso de propriedades físicas. Considerando regime de escoamento laminar e desprezando a perda de carga na junção dos tubos. diga: a.0 m l 2 3 mm 1. sabe-se que o escoamento é perfeitamente desenvolvido.1 Na instalação representada na figura.21) (7. Qual o sentido em que o fluido se desloca quando h = 30 mm? b.D.1 Pa.  = 0. l.  = 13600 kg/m3.

tHg h h20 tóleo b. Em qualquer dos casos a diferença corresponde à carga dissipada. p2 p1 r2 r2 d t g + z1 + a v 1 n . a conclusão é que o escoamento é ascendente. Campos ESCOAMENTOS LAMINAR E TURBULENTO Solução: a. o escoamento é ascendente. Assim. tanto em 1 como em 2. A perda de carga . Se a diferença entre a carga total em 1 e a carga total em 2 for positiva. em que as secções de entrada e de saída do fluido estão assinaladas na figura pelos números 1 e 2 respectivamente. que não englobe o tubo. V(patrito) = l(Q)R. sentido de 1 para 2. sentido de 2 para 1.187 NOTAS PARA O ESTUDO DA MECÂNICA DE FLUIDOS João M. Assim.p2 l sen 45 tóleo g Por leitura no manómetro é possível conhecer a diferença de pressão entre as secções de entrada e saída do volume de controlo: p1 – p2 = Hggh + óleoglsen45 – óleogh Combinando as duas equações anteriores resulta : tHg h h tóleo Como Hg > óleo. Se a diferença for negativa. A perda de pressão por atrito em regime laminar é dada pela equação de Poiseiulle: Dpatrito = 1284l Q tD Esta equação mostra que a perda de pressão por atrito é proporcional ao caudal de escoamento. que de acordo com a equação de Poiseuille é dada por: R = 1284l tD . o escoamento é descendente. Seleccione-se um volume de controlo. quando comparada com as outras cargas em jogo (esta hipótese tem de ser verificada no fim da resolução). na tubagem é dada por: Dpatrito tHg h h tóleo .d t g + z2 + a v 2 n óleo óleo 2g 2g Em escoamento laminar a carga cinética é muito baixa pelo que pode ser desprezada. define-se uma resistência ao escoamento laminar. carga de pressão. por analogia com circuitos eléctricos. qualquer que seja o desnível do manómetro desde que h > 0 .= tóleo g em que patrito representa a perda de pressão por atrito devido às tensões de corte que se desenvolvem no fluido. a diferença entre as cargas totais simplifica-se: p1 .

. a. excepto num comprimento desprezável junto ao tubo onde a temperatura sobe de 20 ºC a 40 ºC.2 Num tubo de diâmetro 5. (40 ºC) = 806 kg/m3e μ(40 ºC) = 8 × 10-3 Pa.tóleo h = obtém-se: Q= tHg . O caudal/intensidade de corrente é o mesmo nos dois tubos e a perda de carga total/diferença de potencial é a soma das perdas de carga em cada tubo. conclui-se que para um dado caudal Q.s/m3  Q = 5. Req = 128n l1 l2 4 4 r <D1 + D2 F Recorrendo ao resultado da alínea a): tHg h . Campos ESCOAMENTOS LAMINAR E TURBULENTO No exemplo em estudo. por exemplo.188 NOTAS PARA O ESTUDO DA MECÂNICA DE FLUIDOS João M. Pretende-se determinar o caudal. e R2 a resistência no tubo de 3 mm. Se por fecho de uma válvula.1 × 10-8 m3/s Depois de calcular Q tem de se verificar se efectivamente a carga cinética é ao não desprezável quando comparada. por ser uma associação em série.1 m r1 = # # t leo g = 2g c.42 × 1010 Pa. Dados (20 ºC) = 826 kg/m3 . uma em cada tubo. observou-se um desnível h = 63 mm. a circulação de líquido for interrompida. Compare os dois últimos resultados com os que obteria se a temperatura do óleo fosse a mesma no tubo e no manómetro. a leitura do manómetro é sempre a mesma. a v 2 1. As secções de entrada e saída do VC estão assinaladas na figura respectivamente por 1 e 2. Analisando a equação (*).6 m / Dpatrito 4.s Solução a. Com um caudal Q de óleo a percorrer o tubo.tóleo gh Req (*) Dpatrito QReq g = g Req = 7. Exemplo 7. há duas resistências ao escoamento associadas em série. com a perda de carga por atrito. Qual o caudal de líquido e o seu sentido se h = 0 ? d. a resistência equivalente é igual à soma das resistências individuais: Req = R1 + R2 em que R1 representa a resistência ao escoamento no tubo de 4 mm. Qual o caudal e em que sentido se desloca o fluido? b. Logo. a partir do conhecimento do desnível h entre os dois ramos de um manómetro igualmente com óleo.0 mm circula óleo a 40 ºC. 65 10 . O volume de controlo seleccionado não inclui o tubo. qual o valor de h que se observará ? c. qualquer que seja a inclinação do tubo. O óleo no manómetro encontra-se a 20 ºC. 5 10 .

A diferença entre as cargas totais. Recorrendo à equação deduzida na alínea a) e substituindo h = 0 obtém-se: . Em regime laminar. resulta: 2.2.ht^20 t^40 Ch 0 0 0 Ch = 128…l Q rD 4 t^40 Ch g 0 Resolvendo em ordem a Q: Q = <2. 0 2. 0t^20 Ch . 0t^20 0 Ch .ht^20 Ch rD 4 t^40 Ch g F t^40 Ch 128…l 0 0 0 0 Q = 113 mm3/s b. 0 t^40 Ch g 0 Combinando as equações anteriores. 0 2. 0t^40 t^20 Ch 0 0 Ch = 48mm c. 0t^20 Ch .0(20 ºC)g – h(20 ºC)g Combinando as duas últimas equações resulta: h= 2. o escoamento dá-se no sentido descendente. Se a circulação for interrompida. Pretende-se saber o caudal e o sentido de circulação quando h = 0. é igual à perda de carga por atrito no tubo.2.0.0(20 ºC)g – h(20 ºC)g Ar 20º 5 mm h 2 2m 1 Óleo 40º Óleo 20º A diferença entre as cargas totais nas secções 1 e 2 é dada por: p1 .ht^20 t^40 Ch 0 0 0 Ch .0(40 ºC)g A diferença de pressão lida no manómetro é dada por: p1 – p2 = 2.189 NOTAS PARA O ESTUDO DA MECÂNICA DE FLUIDOS João M. 015 1 0 (*) Sendo negativa a diferença entre as cargas totais (1-2). 0t^20 Ch . Campos ESCOAMENTOS LAMINAR E TURBULENTO Por leitura do manómetro obtém-se: p1 – p2 = 2. a diferença de pressão é igual ao peso da coluna de líquido entre as secções 1 e 2: p1 – p2 = 2. 0 = .p2 2. esta perda de carga é dada pela equação de Poiseille: 2.

para Q = 0 a diferença de altura h seria também igual a 0. O fluido passa num conjunto de tubos capilares e é descarregado para a atmosfera.0 m 2 mm 1.0 m A C B 2 mm 4 mm 1. 0 = 50mm 2 0 t^40 Ch 0 0 Logo o escoamento é ascendente (1-2). Calcule: a. O caudal de descarga se só a válvula A estiver aberta? b. Campos ESCOAMENTOS LAMINAR E TURBULENTO 2. O caudal de descarga se estiverem abertas as válvulas A e B? Dados:  = 0. O escoamento nos capilares é laminar. e as diferentes resistências ao escoamento vão ser referenciada de acordo com a figura seguinte.0 m 2 mm 6 mm 1. Válvula A aberta Neste caso há duas resistências associadas em série. 0F t^40 Ch 128nl 0 0 0 Q = 375 mm3/s d. 0t^20 Ch 2.1 Pa. já que os tubos têm o mesmo comprimento e o mesmo diâmetro. o percurso do líquido é seleccionado por intermédio de um conjunto de válvulas tudo ou nada. tal como mostra a figura. O caudal de descarga se estiverem abertas as válvulas A e C? c. A resistência equivalente é então dada por: .5 atm. R1 e R2. Se a temperatura fosse igual no manómetro e no tubo. P = 1. Exemplo 7. O caudal é dado por: Q =< rD 4 t^40 Ch g 2.s e  = 103 kg/m3 P = 1.5 atm 1.3 Um líquido viscoso está em escoamento de um reservatório cuja pressão sobre a superfície livre é mantida a 1. 0t^20 Ch 2.5 atm A R1 R3 B R2 R4 C R5 R6 a.0 m Solução Os tubos são capilares de diferentes comprimentos e diâmetros associados em série e em paralelo. por sinal de igual valor.190 NOTAS PARA O ESTUDO DA MECÂNICA DE FLUIDOS João M. Nos capilares.

p2 ^ Dpatrito z zh tg + 1 .0 m.5 atm e à saída do tubo “equivalente” 1 atm. resulta: p1 .191 NOTAS PARA O ESTUDO DA MECÂNICA DE FLUIDOS João M.2 = tg p1 .5 atm e à saída do tubo equivalente 1 atm. comparativamente com os outros termos. as cargas cinéticas à superfície livre do tanque e à saída do tubo. a diferença de cotas é de 3.p2 ^ Req Q z zh tg + 1 . as perdas de carga têm de ser iguais. O valor do caudal é dado por: 4 Q = 8 # 10 = 157mm 3 /s Req b. 4 Q = 7 # 10 = 31mm 3 /s Req .2 = tg (1) A pressão à superfície do tanque é 1. Aplicando a equação da energia entre a superfície do tanque e a saída de cada tubo.p2 ^ Req Q z zh tg + 1 . a diferença de cotas é de 3. obtém-se: p1 a v 2 p2 z a v 2 Dpatrito r r z tg + 1 + 2g 1 = tg + 2 + 2g 2 + tg com patrito = ReqQ Considerando desprezável. R1 R2 R5 R6 128n l1 l2 m c r D14 + D24 128n l5 l6 m 2 c R eq = R5 + R6 = r D54 + D64 1 1 1 = + Req R 1eq R 2eq 1 R eq = R1 + R2 = Aplicando a equação da energia ao volume de controlo e fazendo considerações iguais às da alínea anterior resulta: p1 . conclui-se que sendo desprezáveis as energias cinéticas à superfície e saída dos tubos. Campos ESCOAMENTOS LAMINAR E TURBULENTO R1 R2 Req = R1 + R2 = 128n l1 l2 m c r D14 + D24 Aplicando a equação da energia a um volume de controlo entre a superfície livre do tanque e a saída de um tubo com uma resistência igual à equivalente.p2 ^ Dpatrito z zh tg + 1 . Válvulas A e C abertas Neste caso há dois pares de resistências em série.2 = tg A pressão à superfície do tanque é 1.2 = tg p1 . R1 com R2 e R5 com R6.0 m. Assim as resistências equivalentes dos pares acima referidos podem ser associadas em paralelo.

Assim.p2 ^ Dpatrito z zh tg + 1 .2.2.0 m. o fluido é considerado incompressível e Newtoniano.Escoamento laminar entre dois tubos concêntricos O fluido vai circular no espaço anelar entre dois tubos concêntricos de raio respectivamente R1 e R2. a resistência equivalente de R3 com R4 em paralelo com R2 e a equivalente desta associação em série com R1. R3 com R4. Campos ESCOAMENTOS LAMINAR E TURBULENTO c. o perfil de velocidade vx = f(r) é constante ao longo da direcção x.5 atm e à saída do tubo “equivalente” 1 atm. pelo que a aceleração dos elementos de fluido é nula.2 = tg p1 .2 = tg A pressão à superfície do tanque é 1. Válvulas A e B abertas Neste caso há duas resistências associadas em série. a diferença de cotas é de 3. 4 Q = 8 # 10 = 21mm 3 /s Req 7.192 NOTAS PARA O ESTUDO DA MECÂNICA DE FLUIDOS João M. R1 R 1eq = R3 + R4 = R3 R4 128n l3 l4 m c r D34 + D44 R2 1 1 1 = + R 2eq R 1eq R2 Req = R1 + R 2eq Aplicando a equação da energia ao volume de controlo e fazendo iguais considerações às da alínea anterior resulta: p1 . e as forças tangenciais de corte que se desenvolvem no fluido são “contrariadas” por um decréscimo das forças de pressão no sentido do escoamento. Tal como no escoamento num tubo circular. não há efeitos de entrada nem de saída. O escoamento está em estado estacionário e é perfeitamente desenvolvido. r x δx δr R1 R2 Na figura está representado um elemento de fluido infinitesimal de comprimento x e de espessura r.p2 ^ Req Q z zh tg + 1 . Aplicando a 2ª lei de Newton a este elemento resulta: .

dp/ dx é constante e igual a –patrito/l ao longo da direcção x. que actuam no elemento infinitesimal em forma de anel. 2rr a área infinitesimal da secção recta de escoamento.1 c r + C1 ln r + C2 4n l (7. resulta: Dpatrito m C1 ] g n d vx r = .23) em que rx representa a tensão de corte que actua segundo x e é normal à direcção r. 2rx a área lateral interior do anel e 2(r + r)xa área lateral exterior do anel.27) Combinando as duas equações anteriores. pelo que. da integração da equação anterior. resulta: xrx = .28) .29) (7. Simplificando e rearranjando a equação (7.22) As forças de corte e de pressão.26) Por se tratar de um fluido Newtoniano: xrx = n d vx r dr ] g (7.25) Sendo o escoamento horizontal e perfeitamente desenvolvido. Campos ESCOAMENTOS LAMINAR E TURBULENTO Fx = Fx(pressão) + Fx(corte) = max = 0 (7. por separação de variáveis.px ^xrxhr + dr ^r + dr h . estão representadas na figura seguinte: τrxr+δr τrxr px px+δx px(2πrr) – px+x(2πrr) – (rx)r(2πrx) + (rx)r+r[2π(r + r)x] = 0 (7.^xrxhr r + =0 dx dr (7.24) Tomando o limite quando x e r  0. e com base na definição de derivada resulta: -r dp d ^ h rxrx = 0 dx + dr (7.193 NOTAS PARA O ESTUDO DA MECÂNICA DE FLUIDOS João M.23) obtém-se: -r px + dx .r c + r dr l 2 integrando: Dpatrito m 2 vx ] r g = .r c 2 Dpatrito m C1 + r l (7.

3 Escoamento laminar numa coluna de parede molhada Uma “cortina” de líquido cai sob a acção da gravidade ao longo de uma parede plana de largura H (direcção perpendicular ao plano do papel).R2 4l * f 2ln c R1 m p> f 2R12 ln c R1 m pH4 R2 R2 (7. . 7.r + ln R2 ln c R1 mH 4n l R1 O valor e posição radial da velocidade máxima é determinada derivando o perfil de velocidade em ordem a r e igualando a 0.R22h " Q = ^R 2 R 2h2 rDpatrito 4 R1 .1 .ln R1 .2.R12 2 ln R2 R1 (7.R22 ln c R2 m p R1 2 R1 (7.2 8 nl f p ln c R2 m R1 (7. o que permite determinar o valor das constantes. obtendo-se: r^v maxh = x 1 R22 .dvx(r)/dr = 0. Substituindo o valor das constantes na equação anterior obtém-se o perfil de velocidade do escoamento: Dpatrito m ^ 2 2h R22 . a velocidade é nula tanto para r = R1 como para r = R2.32) O valor da velocidade média é calculado integrando a velocidade na área de escoamento: Dpatrito R14 .R12 r (7.R24 R12 .R22 r r v x = 1 # v x 2rr d r " v x = AR 8l f R12 .31) O valor da velocidade máxima é dado pela seguinte expressão: v max = x 2 2 Dpatrito 2 R12 .R24 .30) vx (r) = 1 c > R1 .33) O caudal volumétrico é dado por: r Q = vx r^R12 .34) Esta expressão relaciona a perda de pressão por atrito com o caudal de líquido que percorre o espaço entre os tubos concêntricos.R22 R1 1 . Campos ESCOAMENTOS LAMINAR E TURBULENTO Devido à condição de não deslizamento.194 NOTAS PARA O ESTUDO DA MECÂNICA DE FLUIDOS João M.

195 NOTAS PARA O ESTUDO DA MECÂNICA DE FLUIDOS João M. obtém-se: gxl – (xz)x+xl + (xz)xl = 0 (7. a partir de uma dada cota z. pelo que da integração da equação anterior resulta: . tal como nos exemplos anteriores de escoamentos internos. Campos ESCOAMENTOS LAMINAR E TURBULENTO x z δx Ar τxz x+δx δW δ τxz x Pelo facto de a pressão na interface ar/líquido ser constante. não se desenvolve qualquer variação de pressão. para contrariar a acção das forças tangenciais de corte.  Para estudar este escoamento laminar selecciona-se um elemento de fluido de espessura x e comprimento l.37) Tomando o limite quando x  0 e por definição de derivada. a tensão de corte na interface gas-líquido (x = 0) pode ser considerada desprezável. obtém-se: d x tg xz dx = (7.^xxzhx dx = tg (7. Aplicando a segunda lei de Newton ao elemento de fluido representado na figura.36) em que xz representa a tensão de corte que actua segundo z e é normal à direcção x. Assim. nem radial nem axial. Rearranjando a equação anterior: ^xxzhx + dx . resulta: W + Fz(corte) = 0 (7. observa-se um escoamento perfeitamente desenvolvido e uma cortina de líquido de espessura constante. A acção das forças de corte que se desenvolvem no fluido é contrariada pela acção da força da gradidade. por unidade de largura da parede.35) em que W representa o peso do elemento infinitesimal de fluido.38) Sendo a viscosidade do ar reduzida. De acordo com a figura.

n 2 2 tgd2 dvz (x) c1 .2.196 NOTAS PARA O ESTUDO DA MECÂNICA DE FLUIDOS João M. Assim.39) Segundo esta equação.x2 m = tgx " vz (x) = dx 2n d d (7. obtém-se o perfil de velocidade: xxz = . 7.39).41) Combinando as duas equações anteriores obtém-se uma relação entre a velocidade média e a velocidade máxima: r vz = 2 vmax 3 (7. Por observações experimentais o escoamento é laminar para Re < 1200. o número de Reynolds para este escoamento é expresso da seguinte forma: Re = r 4tdvz 4t2 gd3 n = 3n2 (7.4 Escoamento laminar numa coluna de parede molhada inclinada Esta situação é muito semelhante à estudada na secção anterior sendo a única diferença a inclinação da parede.44) em que 4 representa o diâmetro hidráulico. Campos ESCOAMENTOS LAMINAR E TURBULENTO xz = gx (7. seguindo o mesmo raciocínio obtém-se uma expressão para o perfil de velocidade: .40) tgd2 2n Conhecido o perfil de velocidade.43) Por definição de diâmetro hidráulico.42) O caudal volumétrico por unidade de largura da parede é dado por: r Q = vz d = tgd3 3n (7.x2 m = vmax c1 . é possível calcular o valor da velocidade média: em que vmax = tg 2 r d vz = 1 # vz (x) dA = AA 3n (7. que será dada no capítulo seguinte. Recorrendo à definição de fluido Newtoniano e à equação (7. a tensão de corte varia linearmente com x e tem um valor máximo na parede.

3. Considere um tubo circular de grande comprimento. e alguns dos seus aspectos ainda não são totalmente conhecidos.3 Escoamento turbulento 7. . Considere que este aumento se dá de uma forma lenta. a velocidade aumenta e por conseguinte o número de Reynolds. o número de Reynolds é baixo e o escoamento é laminar. A velocidade média no escoamento é dada por: tgseni 2 r d vz = 1 # vz ] x gdA = AA 3n O caudal por unidade de largura da parede é dado por: Q= tgsenid3 3n (7. inicialmente cheio de líquido parado. Campos ESCOAMENTOS LAMINAR E TURBULENTO x z Ar δx τxz x τxz x+δx δW θ δ vz ] x g = 2 tgd2 seni c1 . Com o accionar de uma bomba hidráulica e o abrir de uma válvula reguladora. Num período inicial. Na figura está representada a evolução da velocidade ao longo do tempo num ponto fixo do escoamento. quer no regime turbulento é bastante complexo. Esta transição termina para Reynolds superior a 4000.197 NOTAS PARA O ESTUDO DA MECÂNICA DE FLUIDOS João M. pelo que a este nível do curso só vão ser feitas considerações básicas. o líquido é posto em movimento.45) em que  é o ângulo que a parede faz com o plano horizontal.46) 7.47) (7. Á medida que se abre a válvula. Quando Reynolds atinge um valor próximo de 2100 começa a dar-se a transição de laminar para turbulento.1 Descrição do escoamento turbulento O padrão de escoamento quer no regime de transição laminar-turbulento.x2 m 2n d (7.

vxh d t = 1 f Dt t0 + Dt t0 + Dt # r vx d t . Estas flutuações ocorrem nas três componentes do vector velocidade. y. t) .49) Como é evidente.198 NOTAS PARA O ESTUDO DA MECÂNICA DE FLUIDOS João M.51) . z. Seja vx(x. z. bem como na pressão e nas tensões de corte.vx (7. ao qual é adicionado uma parcela de r flutuação. th d t x (7. Estas variáveis podem ser descritas em termos do seu valor médio. t) = vx (x.48) v’ x vx vx t A parcela de flutuação é dada por: r v ’x (x. define-se o valor médio das flutuações num dado ponto do escoamento por: ^v h = 1 Dt ’ 2 x t0 + Dt t0 # ^v h d t 2 0 ’ 2 x (7.vx t0 t0 # d tp = (7.50) Pelo facto da parcela de flutuação tomar valores positivos ou negativos conforme o valor da velocidade é superior ou inferior ao valor médio.Dtvxh = 0 Dt r ^vx . t) a componente da velocidade segundo x e vx o seu valor médio no intervalo de tempo t (ver figura seguinte) t0 + Dt r vx = 1 Dt t0 # v ^ x. Campos ESCOAMENTOS LAMINAR E TURBULENTO v Turbulento Re 4000 Transição 2000 Laminar t O regime turbulento é caracterizado pela natureza irregular e aleatória do vector velocidade em cada ponto do escoamento. y. o valor médio da parcela de flutuação em ordem ao tempo é zero: t0 + Dt r v ’x = 1 Dt # t0 r r = 1 ^Dtvx .

53) Segundo esta maneira de descrever o escoamento turbulento.tv ’x v y = xla min ar + xturbulento dy (7. enquanto que longe da parede se dá o inverso.199 NOTAS PARA O ESTUDO DA MECÂNICA DE FLUIDOS João M. num tubo. perto da parede. Com base nesta visão simplista define-se a tensão de corte aparente em regime turbulento por: ’ x = n d vx . há uma fina camada onde a tensão de corte laminar se sobrepõe à contribuição turbilionária. enquanto em regime turbulento é visível movimentos macroscópicos turbilionários sobrepostos ao próprio escoamento. pelo facto da origem da tensão de corte em regime turbulento ser diferente da origem em regime laminar. maior é a amplitude das flutuações.52) Quanto maior o nível de turbulência. Uma maneira simplista de descrever um escoamento turbulento é considerá-lo como um escoamento laminar com turbilhões tridimensionais aleatórios “sobrepostos”. v’ ou (v’ ) 2 (v’ ) v’ 2 (v’ ) > 0 2 0 t v’ = 0 A tentativa de extrapolar o conceito de tensão de corte definida para um fluido viscoso dx = n dvx n para um fluido em escoamento turbulento. R τ lam r R τturb Sub-camada viscosa Camada intermédia Camada exterior τ τ(r) τw 0 0 vx . Campos ESCOAMENTOS LAMINAR E TURBULENTO O nível de turbulência ou a intensidade de turbulência é definido através deste valor médio das flutuações: ^v ’xh2 I= r vx = 1 > Dt t0 + Dt t0 # ^v h d t H ’ 2 x 1 2 r vx (7. Destes movimentos resultam tensões de corte adicionais entre os elementos de fluido. Em regime laminar a tensão de corte dá-se ao nível molecular. dy r por simples substituição de vx por vx não deu resultado.

Prandlt propôs que o escoamento turbulento fosse visto como o transporte aleatório de pacotes de partículas ao longo de uma certa distância – comprimento de mistura. camada exterior longe da parede onde as tensões de origem turbulenta são dominantes e camada intermédia. Prandtl concluiu que a viscosidade turbulenta é dada por: r 2 h = tl m d v x dy e a tensão de corte por: r 2 xturb = tl m c d vx m dy 2 (7.56) O problema passa agora a ser a determinação do comprimento de mistura o qual não é constante ao longo do escoamento. Na sub-camada viscosa o perfil de velocidade é dado por: r vx ^ yh yv * = o v* válida para 0# yv * #5 o (7. Com base neste conceito.2 Perfil de velocidade em escoamento turbulento Como já foi referido. e após algumas considerações. o perfil turbulento pode ser dividido em três zonas de acordo com a distância à parede: sub-camada viscosa junto à parede onde as forças viscosas são dominantes.54) O facto desta viscosidade ser função tanto das propriedades do fluido como das condições de escoamento torna o seu uso difícil. lm – de uma região com uma dada velocidade para outra com velocidade diferente.200 NOTAS PARA O ESTUDO DA MECÂNICA DE FLUIDOS João M. o = e v * = ^xw th1 2 (a chamada velocidade de t atrito) Na camada intermédia o perfil de velocidade é dado por: .57) n em que y = R – r. Campos ESCOAMENTOS LAMINAR E TURBULENTO Uma forma alternativa de definir e quantificar a tensão de corte em escoamento turbulento é através do conceito de viscosidade turbulenta. “eddy viscosity”: r x = h d vx dy (7.3.55) (7. 7.

Qual a direcção de escoamento do líquido? Qual o caudal volumétrico nas condições da figura? Despreze as perdas de carga localizadas. Uma correlação empírica que ajusta bem os dados experimentais em todas as zonas.6 m. 1 r vx ^ r h = `1 . estão ligados por um tubo muito fino ( = 2.s.r jn vc R (7. 0.5 mm) e comprido tal como mostra a figura.4 Exercícios propostos de aplicação 7. 5 ln c * o v Na camada exterior o perfil de velocidade é dado por: r vc .3 m. b.vx ^ yh = 2.5 m B 0.6 m A 1. O tempo que demora as superfícies livres dos tanques a ficarem a uma distância de 0. 7.1 Dois tanques de base quadrada.201 NOTAS PARA O ESTUDO DA MECÂNICA DE FLUIDOS João M. R: Sentido de A para B. cheios com água. excepto muito perto. Campos ESCOAMENTOS LAMINAR E TURBULENTO r vx ^ yh yv * m + 5.58) (7. A pressão do ar sobre a superfície livre do tanque A é 34.60) O expoente n é função do número de Reynolds. quer da parede quer do centro do tubo.9 × 10-6 m3/s . sendo o valor n = 7 usado numa gama alargada do número de Reynolds. é a designada lei da potência para o perfil de velocidade. 0 = 2. No instante inicial o desnível entre os dois tanques é de 0.0 m 2.5 kPa (pressão relativa). Q = 6. Calcule: a. A velocidade de descarga no instante inicial. O líquido na instalação é água.  = 1000 kg/m3 e  = 8 × 10-4 Pa.2 Um tubo capilar de diâmetro interior 6 mm liga o tanque A (fechado) a um tanque B (aberto) tal como mostra a figura.59) em que vc representa a velocidade no eixo do tubo. 5 ln c R m y v* (7.5 mm 7.5 m 7.

0 m A 45º 7.4 Uma película de água com espessura  = 5 mm escorre ao longo de uma parede plana sob a acção da gravidade.4 m 0.20 m) qual o tempo que demora o tanque A a ficar reduzido a metade do seu conteúdo inicial? Considere que o tanque B tem uma altura suficiente para não transbordar. a correia “arrasta” uma película de líquido de espessura . R.202 NOTAS PARA O ESTUDO DA MECÂNICA DE FLUIDOS João M. o caudal de escoamento? Despreze as perdas de carga na entrada do tubo capilar bem como na saída .3 Água a 40 ºC  = 992 kg/m3. Este arrastamento é contrariado pela acção da gravidade.t  4 horas 0. Devido às forças viscosas. a.08 m B 7. encontre uma expressão para o perfil de velocidade. 7.4 m A 1 mm 0. e perfeitamente desenvolvido(a velocidade vz é função de x e não depende de z). Considere a viscosidade do ar desprezável e admita outras hipóteses que julgar conveniente.1 × 10-7 m3/s b. O escoamento é estacionário (a espessura da película é constante). nas condições da figura. R. Determine uma expressão para a velocidade média .4 m B L=4.5 Uma correia muito comprida (plano normal à folha de papel) passa através de um recipiente contendo um líquido muito viscoso de propriedades físicas  e . Através de um balanço de forças a um elemento infinitesimal de fluido. Calcule a velocidade média do escoamento e relacione-a com a velocidade máxima. Se os tanques tiverem igual diâmetro (D = 0. Campos ESCOAMENTOS LAMINAR E TURBULENTO 1.s. A correia move-se verticalmente com uma velocidade v0.  = 6. Determine.3 m 34. a. b.Q = 6.56 × 10-4 Pa. está em escoamento do tanque A para o tanque B.5 kPa 1.

estacionário (a espessura da película é constante ao longo de z). Campos ESCOAMENTOS LAMINAR E TURBULENTO da película de líquido que é arrastada. Admita que o escoamento é laminar. v0 δ z x Ar .203 NOTAS PARA O ESTUDO DA MECÂNICA DE FLUIDOS João M. e perfeitamente desenvolvido (a velocidade vz é função de x e não depende de z).

.

No diagrama de Moody deve-se observar e reter os seguintes pontos:   em regime laminar o factor de atrito é independente da rugosidade relativa.205 NOTAS PARA O ESTUDO DA MECÂNICA DE FLUIDOS João M.5) O factor de atrito pode ser obtido no diagrama de Moody em função do número de Reynolds e de /D. ) (8.4) em que f ou Cf. D. e é função do número de Reynolds e da rugosidade relativa. μ. a perda de pressão é proporcional ao comprimento do tubo. a perda de pressão sofrida por um fluido incompressível em escoamento estacionário num tubo horizontal de secção circular de diâmetro D é função de: patrito =  (v.3) = l z Re. m = zc n D D 1 tv 2 2 (8.1) Demonstrou-se que. é designado por factor de atrito ou coeficiente de atrito. aplicando o teorema de  Buckingham.2) No caso do escoamento ser perfeitamente desenvolvido. . Campos ESCOAMENTO EM TUBAGENS 8 ESCOAMENTO EM TUBAGENS 8.Gráfico de Moody Como foi referido na análise dimensional. logo: Dpatrito (8. . existe uma funcionalidade entre os seguintes grupos adimensionais: Dpatrito tvD l f . l. .1 Perdas de carga em tubagens. f j 1 tv 2 D ` D 2 A expressão anterior aparece muitas vezes na literatura na seguinte forma: tv 2 Dpatrito = f^ou C fh l D 2 ou 2 Dpatrito =h= 1f l v tg 2 D g (8. /D: f (ou Cf ) = z`Re. em regime laminar f = 64/Re. f j D (8.

Campos ESCOAMENTO EM TUBAGENS   para 2100 < Re < 4000 o regime tanto pode ser laminar como turbulento.06 103 104 105 Re = ρVD μ .015 0.03 0.015 0. para elevados valores do número de Reynolds.004 0.025 0.1 0.0008 0.009 0. escoamento perfeitamente turbulento.02 f 0.0002 0. e D 0.regime de transição.01 0.05 0.206 NOTAS PARA O ESTUDO DA MECÂNICA DE FLUIDOS João M.01 0.008 0.0006 0.0004 0.04 0.09 0.04 0.008 0.006 0.002 0.0001 0.001 0.02 Wholly turbulent flow 2(105) Smooth 2(104) 4 6 8 Transition range Laminar flow 2(103) 4 6 8 0.08 0.00005 0.00001 2(107) 2(106) 4 6 8 106 4 6 8 107 4 6 8 0.07 0. o valor de f é independente do número de Reynolds. sendo o valor de f indefinido .03 0.05 0.

2 Características das tubagens No dia a dia. a qual permite calcular f com um erro inferior a 10%: 1 = . a cada diâmetro nominal corresponde um diâmetro interno efectivo. Campos ESCOAMENTO EM TUBAGENS Para regime turbulento Colebrook apresentou uma expressão de ajuste às diversas curvas do diagrama de Moody. As tabelas seguintes mostram a relação entre o diâmetro nominal e o diâmetro interno efectivo. 0 log f d + 2.207 NOTAS PARA O ESTUDO DA MECÂNICA DE FLUIDOS João M. e no caso de regime laminar podem ser comprovadas por inspecção da equação de Poiseuille. 51 e 3. as tubagens são referidas conforme o seu diâmetro nominal. é importante reter as principais dependências funcionais descritas na tabela seguinte. 7 o f Re f (8. .6) Após apresentar as correlações e gráficos que permitem determinar a perda de carga num tubo circular. Regime turbulento desenvolvido Qv Q  patrito1/2 Q  -1/2 independente Q  D5/2 patrito  l patrito = f() Regime Laminar Velocidade média Queda de pressão Massa volúmica Viscosidade Diâmetro do tubo Comprimento do tubo Rugosidade do tubo Qv Q  patrito independente Q  -1 Q  D4 patrito  l independente 8. A rugosidade dos tubos depende do material de que são feitos e por vezes do seu diâmetro interno. Estas dependências decorrem das considerações feitas sobre o diagrama de Moody. tanto em regime laminar como em regime turbulento. e valores típicos da rugosidade para alguns materiais mais comuns usados no fabrico de tubagens.2.

0005 0.00015 Riveted Rusted Iron Cast.068 4. Campos ESCOAMENTO EM TUBAGENS Diâmetros nominais para tubos normalizados Tubos de aço inox.250 21.020 12.71 291.73 182.250 17.000007 Commercial.364 0. new Galvanized. new Asphalted cast Brass Plastic Glass Draw.864 2. tubos de carbono e ligas de aço.65 233. new 0.15 0.01 0.00016 Stainless.007 0.002 0. new 0. Diâmetro nominal (in) 1/2 3/4 1 1 1/2 2 3 4 5 6 8 10 12 14 16 18 20 22 24 Diâmetro interno (in) 0.12 0.610 2. new 0.73 20.000007 0.533 0.000 15.356 7.89 50.981 10.047 6.824 1. new Wrought.046 0. new Draw tubing — 0.250 23.065 7.85 113.26 0.05 0.208 NOTAS PARA O ESTUDO DA MECÂNICA DE FLUIDOS João M.0 0.393 12.0015 Smooth Uncertainty.250 Área da secção recta interior (in2) 0.000005 Smooth .66 424.56 Rugosidade típica de alguns materiais  Material Steel Condition ft mm 0.026 5.067 3.00015 0.046 3.04 354.049 1.01 28.002 0.250 19.0 2.036 3.00085 0.000 13.03 78. %  60  50  30  70  50  50  20  40  50  50  60 Sheet metal.1041 0.0004 0.1 132.

. Outra forma de exprimir as perdas de carga localizadas é através do comprimento equivalente de tubagem. para regime turbulento perfeitamente desenvolvido. são referidas como perdas localizadas. estão inventariados alguns valores para o coeficiente de perdas em cotovelos.  Material Concrete Condition Smoothed Rough Rubber Wood Smoothed Stave ft 0.5  40 (tabela retirada do Munson. O gráfico seguinte permite determinar o coeficiente de perdas para um cotovelo a 90º.0 0. Young e Okiishi) 8.007 0.00013 0. O método mais utilizado para determinar estas perdas é através do coeficiente de perdas K.8) Na tabela. uniões. ramificações etc. entradas e saídas. cotovelos.04 2. 2 l 2 h = K v = f eq v D 2g 2g (8. válvulas e ramificações. .7) em que h representa a perda de carga e K = (Re.3 Perdas de carga localizadas em tubagens Perdas de carga em válvulas.0016 0. geometria) Na maioria dos casos de utilidade prática o escoamento é perfeitamente turbulento e K não depende do número de Reynolds. Campos ESCOAMENTO EM TUBAGENS cont. %  60  50  60 0. em função da geometria.209 NOTAS PARA O ESTUDO DA MECÂNICA DE FLUIDOS João M.000033 mm 0. raio de curvatura. expansões súbitas. o qual é definido por: K= 2 Dpatrito " Dpatrito = K 1 tv 2 " h = K v 1 tv 2 2 2g 2 (8. comprimento de tubagem necessário para se obter uma perda de carga por atrito igual à perda de carga localizada. uniões. e da rugosidade relativa do tubo.01 Uncertainty.

flanged 180 º return bend.2 0.2 0. Union.0 v v d. 3 closed 10 2 0.1 17 2  0.5 210 (tabela retirada do Munson. 180 º return bends 180 º return bend. flanged Regular 45 º.210 NOTAS PARA O ESTUDO DA MECÂNICA DE FLUIDOS João M.26 2.4 e = 0.15 0.0 2. threaded c. 4 closed 1 closed Gate. flanged Line flow. threaded Long radius 45 º. fully open Angle.4 0. fully open 1 Gate.002 0. 3 closed 4 Swing check. threaded * 0.0 b Separated flow 0.08 v e.9 1.5 0. 3 closed 2 Ball valve. flanged Branch flow.5 v v 0. threaded Long radius 90 º. Young e Okiishi) .7 0. flanged Long radius 90 º. Tees Line flow. threaded Branch flow.2 0.001 0 0 0 2 4 6 R/D Primary flow R a Secondary flow b 8 10 12 (gráfico retirado do Munson. forward flow Swing check. fully open Gate. Valves Globe. flanged Regular 90 º. threaded KL v 0. Campos ESCOAMENTO EM TUBAGENS Component a.8 a D 0.Elboows Regular 90 º. threaded b.2 1.05 5.3 1.2 0. Young e Okiishi) 1.6 90 º KL 0. 2 Gare. fully open 1 Ball valve. backward flow Ball valve.01 D 0.

são exemplos em que o resultado pode ser obtido analiticamente.  Perda de carga numa expansão súbita 2 1 p1A1 Rx p2A2 y x Rx Tal como se demonstrou no capítulo 5. v2 " 0 & h = v 1 e K = 1 2g 1.2 0 A1 A2 hL=KL v12 2g 0 0. Campos ESCOAMENTO EM TUBAGENS As perdas de carga numa expansão súbita e numa contracção.6 KL 0. Estes casos foram estudados no capítulo 5 e em seguida são transcritas as conclusões desses estudos. exemplos de aplicação da equação da quantidade de movimento.4 A1/A2 0.A1 l = K v 1 v1 A2 2g 2g 2g com 2 K = b1 . a perda de carga numa expansão súbita é dada por: 2 2 2 2 2 h = v 1 a1 .8 1.6 0.211 NOTAS PARA O ESTUDO DA MECÂNICA DE FLUIDOS João M.A1 l A2 Quando há uma expansão para um reservatório de grande diâmetro: 2 A2 " 3.v2 k = v 1 b1 .0 0.8 0. Young e Okiishi) .4 0.2 0.0 (gráfico retirado do Munson.

v 2 b 1 .1 0 D 0 0.6 A1 0.1l = v 2 b 1 .25 (gráfico retirado do Munson.2 A2 hL=KL v22 2g 0 0 0.1l = K v 2 g Cc 2g 2g Cc 2g com K = b 1 .212 NOTAS PARA O ESTUDO DA MECÂNICA DE FLUIDOS João M.v 2 .3 KL 0. Young e Okiishi) .5 r 0.15 0. Young e Okiishi)  Perda de carga na saída de um tanque entrada num tubo 0.0 (gráfico retirado do Munson.1 r D 0.2 0.1l Cc 2 0.6 0.8 1.4 0.2 0.4 A1/A2 0.20 0. Campos ESCOAMENTO EM TUBAGENS  Perda de carga numa contracção súbita 1 2 y x A perda de carga numa contracção súbita é dada por (ver capítulo 5): 2 2 2 2 2 2 h = v 1 .05 0.4 KL 0.

D1 r _D2 + D1i  Escoamento numa conduta rectangular b a Dh = 4ab 2ab = 2a + 2b a + b  Escoamento num sector de círculo α D Dh = D >1 + sen _2ai H 2 _r .escoamento entre tubos D2 2 2 2 2 A = rD 2 . Campos ESCOAMENTO EM TUBAGENS 8.4.D 1 i 4 4 4 D1 Pmolhado = πD2 + πD1 = π(D2 + D1) 2 2 4 r _D 2 . 4 vezes a razão entre a área da secção recta de escoamento e o perímetro molhado: Dh = 4 A Pmolhado (8.rD 1 = r _ D 2 .D 1 i Dh = 4 = D2 .ai  b Escoamento num tubo de secção triangular Dh = = 2b sen a G _1 + sen a + cos ai α .1 Exemplos  Tubos concêntricos.9) 8.213 NOTAS PARA O ESTUDO DA MECÂNICA DE FLUIDOS João M.4 Perdas de carga em tubagens não circulares Para condutas não circulares define-se o diâmetro hidráulico como.

Incluindo as perdas de carga localizadas. c. 65 m/s A rD Q v2 = = 42Q = 5.. no 2º andar.0015 mm. 0 # 10 4 n Re 2 2100 " a1 = a2 = 1 (Nota: as propriedades físicas foram retiradas das tabelas em apêndice) a. através de uma tubagem de cobre. 10 m v1 = Q = 4Q2 = 2. b.75 l/s.2g + 2 . 10 ft 10 ft 10 ft Válvula de globo aberta 2 k =2 5 ft 1 Q 15 ft 10 ft Cotovelos roscados a 90º Nota: O coeficiente de perdas à saída da torneira é baseado na velocidade de escoamento no tubo. A saída.0 mm a um caudal Q = 0. Sem perdas de carga Substituindo os valores anteriores e sabendo que h = 0. Campos ESCOAMENTO EM TUBAGENS 8. 6 m tg = 2g .z1 = 6. obtém-se: 2 2 p1 v 2 v 1 z z 7.1 = p1 = 7. Determine a pressão no ponto 1 da figura nas seguintes situações: a. 90 m/s A rD torneira tv D Re (tubo) = 1 = 5. Considerando somente as perdas de carga na tubagem.7 mm.5 Exercícios resolvidos sobre perda de carga em tubagens Exercício Tipo I: Determinação da perda de carga numa instalação Água a 20ºC circula num edifício.4 × 104 Pa (pressão relativa) . Pelos dados do problema: z2 . da cave para o 2º andar. Solução O volume de controlo escolhido exclui a tubagem. Aplica-se a equação da energia entre as secções de entrada e de saída do volume de controlo (1 e 2): 2 2 p1 p2 a v1 z a v2 z h tg + 1 2g + 1 = tg + 2 2g + 2 + em que h representa as perdas de carga na tubagem e as perdas de carga localizadas. rugosidade 0. Não considerando qualquer tipo de perda de carga. dá-se através de uma torneira com diâmetro de saída 12.214 NOTAS PARA O ESTUDO DA MECÂNICA DE FLUIDOS João M. de diâmetro interno 19.

5 m 2g 2 # 9.2g + 2 . haver conversão de energia de pressão em energia potencial. pelo que além da perda de energia localizada. 5 = 21.2g + 2 . Por leitura nas respectivas tabelas dos valores dos coeficientes de perdas nos cotovelos de 900 roscados (“threaded”). 9 8 5 4 3 1 2 6 7 10 11 12 13 . obtém-se: 2 2 hlocal = / k v 1 = 84 _cotovelosi # 1. válvula de globo aberta (“globe valve.215 NOTAS PARA O ESTUDO DA MECÂNICA DE FLUIDOS João M. Com perdas de carga na tubagem e localizadas. 0215 D A perda de carga na tubagem é dada por: 2 h = f l v 1 = 7. Campos ESCOAMENTO EM TUBAGENS b. além da perda de pressão por atrito. 65 = 6. Na saída. Com perdas de carga na tubagem. A rugosidade relativa do tubo é: f 8 10 . Rek " f = 0. 5 m tg = 2g . 5 + 10 + 2B 2. A linha de pressão apresenta dois tipos de rectas que diferem no declive: as de maior declive resultam de no trajecto do fluido. 4 m D 2g Substituindo na equação da energia: 2 2 p1 v 2 v 1 z z h 15. 8 Substituindo na equação da energia: 2 2 p1 v 2 v 1 z z h 15. o diâmetro da torneira diminui. 0 m tg = 2g .7 × 104 Pa (pressão relativa) c.5 = # D Por leitura do gráfico de Moody: f = z a f . há conversão de energia de pressão em energia cinética. as de menor declive resultam de no trajecto do fluido só haver perda de pressão por atrito.1 + = p1 = 21 × 104 Pa (pressão relativa) A figura seguinte mostra a pressão relativa ao longo da tubagem (linha a cheio). fully opened”) e torneira. 0 + 6.1 + = p1 = 14. A tracejado está representada a pressão relativa no caso de as perdas de carga não serem contabilizadas.

por unidade de comprimento de tubo é constante: h f v2 = l 2gD A perda de carga na tubagem. Admita que na saída se perde toda a carga cinética e que na entrada K = 0. As perdas de carga localizadas aparecem através de um salto descendente da linha de energia. Campos ESCOAMENTO EM TUBAGENS 1 2 3 Pressão relativa 4 5 7 9 1 3 11 5 7 9 6 8 10 12 12 13 Distância ao longo do tubo A figura seguinte mostra a linha de energia do fluido.8. num ponto da tubagem.4.s.20 mm.0 × 10-3 Pa.  = 998 kg/m3 e  = 1. O diâmetro do tubo é 50 mm e a sua rugosidade  = 0.13 m 0. sendo proporcional ao comprimento do tubo.07 m 50 mm 2 Solução Aplicando a equação da energia a um volume de controlo cujas entrada e saída coincidem com as superfícies livres (pontos 1 e 2) obtém-se: 2 2 2 2 p1 v 1 p2 v 2 z z fl v Kv tg + 2g + 1 = tg + 2g + 2 + D 2g + / 2g . aparece na linha de energia através de rectas de declive constante. é bombeada por meio de um sifão ao longo de uma distância de 1.Determinação do caudal Água a 20 0C.8 m 1 0. carga total. h. 1. Declive constante H [m H 2O] Sem perdas Distância ao longo do tubo Exercício Tipo II .8 m. O coeficiente de atrito em cada cotovelo é K = 0. A perda de carga na tubagem. Determine o caudal de circulação.216 NOTAS PARA O ESTUDO DA MECÂNICA DE FLUIDOS João M. No caso de não serem contabilizar as perdas: H= p v2 z constante tg + 2g + = em que H representa a energia total.

f. Arbitrando f. 8 + 70. 8 (1) Sabe-se ainda que: Re = tvD 49800v n = (2) f 0.5 e em cada um dos seis cotovelos de 900 regulares e roscados K = 0. 6i v 2 0. o processo iterativo termina. na saída do tanque A K = 0. opta-se por arbitrar f considerando o escoamento turbulento e desenvolvido. Determine o diâmetro da tubagem.13 m Kcotovelo = 0.0 m A 2 L = 20 m B D Solução Aplicando a equação da energia a um volume de controlo cujas entrada e saída coincidam com as superfícies livres (pontos 1 e 2). v = 0. 05 2 # 9. 8 + 2 (0. Campos ESCOAMENTO EM TUBAGENS Do enunciado e tabelas sabe-se que: v1 = v2 = 0. e que não engloba a tubagem.828 m/s Exercício Tipo III: Determinação do diâmetro da tubagem Água a 10 ºC.0.307 × 10-6 m2/s está em escoamento de um tanque A para um tanque B.  = 0.5. 13 = (f 1.0 m de comprimento. a um caudal de 2 l/s.8. 4) + 1A2 v " 2. Kentrada = 0.4. caso contrário toma-se o último valor de f e faz-se nova iteração até o processo convergir.031. para o que se vai usar um processo iterativo. 55 = _36f + 2.26 mm. Estas relações permitem calcular três incógnitas. Neste regime f é independente do número de Reynolds.  = 1. Como é difícil ter uma primeira estimativa para v. Se este valor coincidir com o arbitrado.0 Substituindo na equação da energia: 2 0. 20 0. calcula-se v pela equação (1) e Re pela equação (2). com 20.217 NOTAS PARA O ESTUDO DA MECÂNICA DE FLUIDOS João M. Ksaída = 1. 1 2. Recorrendo a este processo iterativo obtém-se: Re = 41300. Com os valores de Re e /D consulta-se o diagrama de Moody e obtém-se novo valor de f. f = 0. 004 = = D 50 Para o cálculo há três relações: duas equações (1) e (2) e uma curva no diagrama de Moody correspondente ao valor da rugosidade relativa. p1 – p2 = 0. Na entrada do tanque B o valor do coeficiente de perdas é K = 1. através de um tubo de ferro galvanizado. z1 – z2 = 0. obtém-se: . Re e v.

Re. Com estas duas últimas variáveis consulta-se o diagrama de Moody e obtém-se um novo valor de f. Pode-se desenvolver o processo iterativo em torno da variável f. 0 = v2 20 ' f + 73. caso contrário arbitra-se novo valor de D e continua-se o processo iterativo. a equação anterior simplifica-se: 2 z1 . Esta associação baseia-se na analogia entre circuitos eléctricos e hidráulicos. três equações (1). Campos ESCOAMENTO EM TUBAGENS 2 2 2 2 p2 v 2 p1 v 1 z fl v Kv z tg + 2g + 1 = tg + 2g + 2 + D 2g + / 2g Sabendo que à superfície dos tanques a pressão é atmosférica e que as cargas cinéticas são desprezáveis. Estas relações permitem calcular quatro incógnitas. De seguida são resolvidos exemplos de escoamentos em tubagens múltiplas em regime turbulento.0. 0 + 0. f = 2. Kcotovelos = 0. e é aplicável a regime laminar porque a perda de carga é proporcional ao caudal de escoamento (equação de Poiseulle).6 Perda de carga em tubagens múltiplas No capítulo anterior estudou-se a associação de resistências ao escoamento em regime laminar. 8 D (1) Sabe-se ainda que: 3 -4 Re = vD = 1. Em escoamentos turbulentos a perda de carga é proporcional ao quadrado do caudal de escoamento e um tratamento análogo ao de circuitos eléctricos não é aplicável. Se os valores de f coincidirem o processo está terminado. Kentrada = 1. 8.20f = 0 2 # 9. 95 # 10 . Estima-se D e calcula-se f (equação 1). . D e /D. 5 + 1A1 " 6. 0 # 10 6 D 5 . através de um processo iterativo. Re (equação 2) e a rugosidade relativa (equação 3). resulta: 2.5 × 6 Substituindo na equação da energia. contudo a complexidade da equação (1) sugere que o processo seja em torno da variável D.4. tal como em circuitos eléctricos a diferença de potencial é proporcional á intensidade da corrente. f.z2 = v bf l + / K l 2g D Dos dados do problema obtém-se: -3 v = Q = 4Q2 " v = 2. (2) e (3) e uma curva no diagrama de Moody correspondente ao valor da rugosidade relativa. A solução do presente problema é D  40 mm. 55 #2 10 D A rD Ksaída = 0. 5D .218 NOTAS PARA O ESTUDO DA MECÂNICA DE FLUIDOS João M. 6 # 10 v D D D (2) e (3) Há quatro relações para efectuar os cálculos.5.

as perdas de carga localizadas são desprezáveis.02. Pelo facto da razão comprimento/diâmetro dos tubos ser elevada.4 Três reservatórios com água estão ligados por três tubos tal como mostra a figura. A perda de carga total é igual à soma das perdas de carga individuais. D1 m1 D2 m2 D3 m3 o o o o m = m1 + m2 + m3 h = h1 = h2 = h3 Exemplo 8. só para simplificar o problema. que o diâmetro dos tubos é 1ft e o coeficiente de atrito para todos os tubos é 0. Campos ESCOAMENTO EM TUBAGENS  Associação de tubos em série Quando dois ou mais tubos com diâmetros diferentes são colocados em série. O caudal mássico total é igual à soma dos caudais mássicos individuais. Admita. A perda de carga é a mesma em cada um dos tubos. verificam-se as seguintes condições: 1. .219 NOTAS PARA O ESTUDO DA MECÂNICA DE FLUIDOS João M. 2. verificam-se as seguintes condições: 1. D1 v1 v2 D2 v3 D3 o o o m1 = m2 = m3 htotal = h1 + h2 + h3  Associação de tubos em paralelo Quando dois ou mais tubos com diferentes diâmetros são colocados em paralelo. Determine o caudal que chega ou que parte de cada reservatório. O caudal mássico que passa em cada um deles é o mesmo. 2.

4v3 (2) com v1 e v3 expressos em ft/s. Por hipótese. zC = 0 Substituindo na equação da energia resulta: 2 2 zA = f1 l1 v1 + f3 l3 v3 D 2g D 2g 2 2 322 = v1 + 0. e entre o nó e a superfície do tanque C obtém-se: 2 pB vB p * ^v *h2 l v2 + + zB = + + z * + f2 2 2 tg 2g tg 2g D 2g 2 p * ^v *h2 pC vC l v2 + + z* = + + zC + f3 3 3 tg 2g tg 2g D 2g 2 2 pB vB pC vC l v2 l v2 + + zB = + + zC + f1 1 1 + f3 3 3 tg 2g tg 2g D 2g D 2g . vA = vC = 0.220 NOTAS PARA O ESTUDO DA MECÂNICA DE FLUIDOS João M. considere-se que o sentido é de B para C. Aplicando a equação da continuidade a um fluido incompressível: o o o m1 + m2 = m3 " v1 + v2 = v3 (1) Aplicando sucessivamente a equação de energia aos volumes de controlo entre a superfície do tanque A e o nó (*) e entre o nó e a superfície do tanque C obtém-se: 2 pA v A p * ^v *h2 l v2 + + zA = + + z* + f1 1 1 2g D 2g tg 2g tg 2 p * ^v *h2 pC vC l v2 + + z* = + + zC + f3 3 3 tg 2g tg 2g D 2g 2 2 pA v A pC vC l v2 l v2 + + zA = + + zC + f1 1 1 + f3 3 3 tg 2g tg 2g D 2g D 2g Dos dados do problema sabe-se que: pA = pC = 0. Campos ESCOAMENTO EM TUBAGENS A 80 ft 1 1000 ft 500 ft B 2 3 400 ft 20 ft C Solução Não é evidente o sentido do escoamento no tubo de ligação ao tanque B. Aplicando de seguida a equação de energia aos volumes de controlo entre a superfície do tanque B e o nó (*).

Q2 = 2. 4v3 (3) com v2 e v3 expressos em ft/s. 4 = 0.221 NOTAS PARA O ESTUDO DA MECÂNICA DE FLUIDOS João M. Q3 = 10. parte entra no tanque C.5 ft3/s. Aplicando a equação da continuidade o o o m1 = m3 + m2 " v1 = v3 + v2 (1*) A equação (2). vB = vC = 0. Aplicando a equação da energia ao fluido em escoamento de A para B resulta: 2 pA v A p * ^v *h2 l v2 + + zA = + + z* + f1 1 1 2g D 2g tg 2g tg p * ^v *h2 pB v2 l v2 + + z* = + B + zB + f2 2 2 tg 2g tg 2g D 2g 2 pA v A pB v2 l v2 l v2 + + zA = + B + zB + f1 1 1 + f2 2 2 tg 2g tg 2g D 2g D 2g Dos dados do problema sabe-se que: pA = pB = 0. Resolvendo conjuntamente as equações (1). o que significa que a hipótese de o fluido se deslocar do tanque B para o tanque C não é possível. continua a ser válida. vA = vB = 0 Substituindo na equação da energia resulta: 2 2 zA .zB = f1 l1 v1 + f2 l2 v2 D 2g D 2g 2 2 258 = v1 + 0.26 ft3/s. zC = 0 Substituindo na equação da energia resulta: 2 2 zB = f2 l2 v2 + f3 l3 v3 D 2g D 2g 2 2 64. pondo a hipótese que o fluido que sai do tanque A. 5v2 (3*) com v1 e v2 expressos em ft/s. Vai-se reformular o problema. 5v2 + 0. e outra parte no tanque B. Campos ESCOAMENTO EM TUBAGENS Dos dados do problema sabe-se que: pB = pC = 0.2 ft3/s . (2) e (3) conclui-se que o sistema não tem solução real positiva. (2) e (3*) obtém-se: Q1 = 12. Resolvendo as equações (1*). resultante do escoamento de A para C.

Medindo a diferença de pressão entre as duas zonas é possível conhecer o caudal volumétrico ou mássico através da equação de Bernoulli. Há uma contracção do jacto. turbulento. Definiu-se então um coeficiente de contracção Cc. uma forma de medir o caudal de um fluido em escoamento num tubo é colocar no seu trajecto algum tipo de restrição de forma a provocar a formação de duas zonas: uma de baixa velocidade e alta pressão.222 NOTAS PARA O ESTUDO DA MECÂNICA DE FLUIDOS João M. Esta dificuldade levou a que se definisse um coeficiente de descarga C0. os valores deste coeficiente são dados na literatura em função da geometria do orifício. o chamado efeito da vena contracta. cujo valor é igual à razão entre a menor área do jacto.b A2 l F A1 (8.7 Medidores de caudal Como se estudou no capítulo 4.p1i 2 t <1 . área na vena contracta. Entre o jacto e a parede forma-se uma zona com fluido em recirculação onde o escoamento é. o qual tem em conta. o que conduz a uma perda de energia mecânica. O medidor de orifício e o medidor de Venturi foram dois exemplos dados para medir caudais. e a área do orifício.11) Falta contabilizar as perdas de energia mecânica por efeitos viscosos. Quando as linhas de corrente “acompanham” os bordos do orifício a contracção é mínima e vice-versa. o diâmetro do jacto não coincide geralmente com o diâmetro do orifício como foi referido no capítulo 4. e outra de alta velocidade e baixa pressão. tanto o efeito de diminuição de .b A2 l F A1 1 (8.p1i 2 t <1 . a qual não pode ser calculada teoricamente.10) 2 Contudo. O caudal volumétrico de saída é então expresso por: Q = Cc A2 2 _ p2 . Campos ESCOAMENTO EM TUBAGENS 8. As expressões para cálculo do caudal foram deduzidas supondo que o diâmetro do jacto coincidia com o diâmetro do orifício e que não havia perdas de energia mecânica por efeitos viscosos: Q = A2 2 _ p2 . na maioria dos casos. A contracção do jacto é maior ou menor conforme a forma como as linhas de corrente contornam o orifício. Como já foi referido.

2 0.5 atm.58 104 105 106 Re = ρvD/μ 107 108 (gráfico retirado do Munson. 0.5 × 10-2 m3/s e a pressão relativa imediatamente antes da válvula 0.4 0. .8 Exercícios propostos de aplicação 8.7 D 0. Young e Okiishi) 8.5 0.60 0. como a diminuição de pressão por efeitos viscosos na zona de recirculação do fluido: Q = C0 Qideal = C0 A2 2 _ p2 .12) Este coeficiente de descarga depende da razão entre o diâmetro do orifício e o diâmetro do tubo e do número de Reynolds.1 Uma rede de abastecimento de água é constituída genericamente por um reservatório e 450 m de tubo liso de 180 mm de diâmetro interno.p1i 2 t <1 .223 NOTAS PARA O ESTUDO DA MECÂNICA DE FLUIDOS João M.62 β= d = 0. A perda de carga nos cotovelos é nove vezes superior à carga cinética na tubagem. Quando a válvula está parcialmente fechada o caudal é 7.64 D v d CD 0. Campos ESCOAMENTO EM TUBAGENS pressão devido ao estreitamento e aceleração do jacto. aplica-se ao medidor de Venturi. No gráfico seguinte apresentam-se curvas que permitem determinar o coeficiente de descarga em função dos parâmetros citados.6 0. Há normas precisas estabelecendo a correcta localização das tomas de pressão. O tubo contém vários cotovelos e uma válvula à saída.b A2 l F A1 (8.66 D D 2 0. O que foi exposto para o caso do medidor de orifício.

0 m B 3 cm 2. Dado: Para tubo liso e escoamento turbulento f = 0. Apresente as expressões e diga o método de cálculo. Se a pressão em A for 2. d.0 m 6. Campos ESCOAMENTO EM TUBAGENS a.13 × 10-6 m/s.0 m A 1. a. Se v = 1. Considere um fluido muito viscoso em escoamento na instalação = 1200 kg/m3.3 Um caudal de 170 l/s sai do tanque A para o tanque B. c. Se a eficiência da bomba for de 65% diga qual a potência consumida pela bomba. instalada entre A e B. b. Recalcule o caudal de água no circuito nas condições da alínea a). qual o diâmetro da secção horizontal da tubagem? . Calcule a diferença de nível entre a superfície do reservatório e a saída do tubo.  = 10-1 Pa. Note que a perda de carga na expansão pode ser desprezável face à perda de carga na tubagem e comece por calcular a “resistência equivalente” . Qual a pressão em A se o caudal mássico na instalação for 1/3 do calculado na alínea a).2 O tanque representado na figura tem uma entrada em B e uma saída em C.224 NOTAS PARA O ESTUDO DA MECÂNICA DE FLUIDOS João M. Continue a considerar que o fluido é água mas pretende ser mais “rigoroso” e contabilizar as perdas de carga na tubagem além da perda de carga na expansão.4 atm e a pressão em D atmosférica calcule o caudal de água no circuito. Calcule a componente horizontal da força que o fluido exerce sobre as paredes do tanque.0 m 1. diga qual a potência que uma bomba.0 m D 8.s. e.079Re-1/4 8. C 4 cm 3. O caudal quando a válvula estiver totalmente aberta. Mantendo a pressão em A. b. se se pretender aumentar o caudal de 20%. teria que fornecer ao fluido. Comece por considerar que o fluido que circula é água e que a única perda de carga em toda a instalação é na expansão em B onde o fluido perde toda a carga cinética com que vinha animado.

Despreze perdas menores.7 atm 3.01. Qual deverá ser o diâmetro do tubo se o caudal volumétrico for 3400 l/s ? 1.5 atm Ar k= 1 3m 12 m Ar 9m Tubo de aço comercial (60 cm de diâmetro) k = 0.225 NOTAS PARA O ESTUDO DA MECÂNICA DE FLUIDOS João M.5 Qual a força exercida pela água no tubo na direcção horizontal ? A água sai do tubo em jacto livre. Determine o caudal de água que sai do tanque 1 quando a válvula C está: a. e 80 mm de diâmetro interno. Qual o caudal Q que circula na instalação representada na figura? Qual a potência eléctrica da bomba? As características da bomba estão representadas no gráfico em anexo.5. b. 120 m 30 m 30 cm Tubo de aço comercial 30 m 8.4 65 m k = 0. Fechada. . Campos ESCOAMENTO EM TUBAGENS 35 m k = 0.6 Na instalação esquematizada na figura os tubos são todos de ferro fundido.4 k = 0.9 150 mm 35 m k=1 A 16 m B 8.4 a. rugosidade relativa 0.9 150 m 150 m 100 100 80 80 ΔH η 60 ΔH [ft] 60 η 40 40 20 20 20 60 100 140 180 Q [ft /s] 3 8. Aberta com K = 0. b.

Campos ESCOAMENTO EM TUBAGENS Considere que na expansão do tubo para o tanque 2. 30 m 100 m 50 m 10 m Tanque 1 C 70 m Tanque 2 30 m .226 NOTAS PARA O ESTUDO DA MECÂNICA DE FLUIDOS João M. o fluido perde toda a sua energia cinética e despreze as perdas na saída do tanque 1 para o tubo e na bifurcação.

Por sua vez. além das forças de corte tangenciais actuam forças normais de pressão. mas para a definir é necessário saber a partir de que valor próximo de U se considera que o fluido . retardando-o. com uma intensidade atenuada.2. e o número de Reynolds. O perfil de velocidade e a espessura desta camada limite vão depender de vários factores. sendo os mais importantes a geometria e orientação do objecto. com um perfil de velocidade uniforme U. Campos CAMADA LIMITE E FORÇAS SOBRE OBJECTOS SUBMERSOS 9 CAMADA LIMITE E FORÇAS SOBRE OBJECTOS SUBMERSOS 9. A toda a zona em que o fluido é retardado pela presença da placa chama-se camada limite de quantidade de movimento. a tensão de corte é máxima. a chamada condição de não deslizamento. este vai retardar outro elemento adjacente. Este retardar dos elementos de fluido propaga-se.2 Camada limite laminar numa placa plana imersa num fluido 9. 9. até que a alguma distância da placa. À zona onde este perfil se desenvolve dá-se o nome de camada limite de quantidade de movimento. a tensão de corte diminui e a velocidade tende para a velocidade do fluido antes de ser perturbado pela presença do objecto.227 NOTAS PARA O ESTUDO DA MECÂNICA DE FLUIDOS João M. e passa a exercer uma força de corte tangencial sobre o elemento de fluido mais próximo.1 Conceito de camada limite Suponha um fluido em escoamento não confinado. o fluido vai encontrar uma placa plana muito delgada de comprimento infinito colocada paralelamente à direcção de escoamento. a acção das forças de corte deixa de se fazer sentir. No seu trajecto.1 Introdução Sempre que um fluido em escoamento encontra um objecto sólido imerso. A partir desta distância. Quando o fluido encontra a placa. Ao longo da direcção normal à superfície. esta exerce uma força tangencial de corte sobre o elemento de fluido adjacente. e a velocidade tangencial do fluido é nula. Sobre a superfície. Esta camada tem uma espessura. Este elemento não desliza. Sobre a superfície. a velocidade do fluido volta a ser U. pára. na direcção normal. há desenvolvimento de tensões de corte na camada adjacente ao objecto. Estabelece-se assim um perfil de velocidade na camada adjacente ao objecto.

Assim. Para Rel = 0. a espessura será somente função de Rex. quanto maior a intensidade das forças viscosas comparativamente com a intensidade das forças de inércia. e. Rel = Ut l n (9. as propriedades físicas são as do fluido e a dimensão característica é a distância x ao longo da placa. maior será a espessura da camada limite em qualquer ponto ao longo da placa. O escoamento na camada limite começa por ser laminar mas a partir de um dado x. Se a distância x for tomada como dimensão característica para definir o número de Reynolds.2) em que U é a velocidade do escoamento exterior.99U (9. de um dado valor de Rex. quando atinge 99%. é função da distância x ao seu ponto de formação.e. i. Este valor de transição para uma placa plana é da ordem dos Rex = 2¬105 a 3¬106 dependendo da rugosidade da superfície e da intensidade de turbulência do escoamento exterior.3) Na figura seguinte está esboçada a camada limite que se desenvolve em torno da placa para três valores de Reynolds diferentes. embora seja costume considerar-se que a camada limite acaba quando se atinge uma velocidade que é 1% inferior à velocidade exterior. i. Campos CAMADA LIMITE E FORÇAS SOBRE OBJECTOS SUBMERSOS não está perturbado. começa a observar-se a transição de regime laminar para regime turbulento. No caso do comprimento da placa não ser infinito. ou quando atinge 99. 99%: y = 99% quando u = 0. A espessura é também função da razão entre as forças de inércia e as forças viscosas que actuam no fluido.228 NOTAS PARA O ESTUDO DA MECÂNICA DE FLUIDOS João M.e. a espessura da camada limite começa por ser muito fina e vai aumentando ao longo do seu comprimento. Será quando a velocidade na camada limite atinge 95% de U.1) No início da placa. do número de Reynolds. i. Re x = Ut x n (9.9%? É uma questão de definição. começando a fazer-se sentir a presença da placa ainda antes do fluido entrar em contacto com ..1 a espessura da camada limite é elevada. define-se o número de Reynolds tomando para dimensão característica o comprimento l da placa.

o perfil de velocidade é uma expressão da velocidade transversal em função da coordenada normal à placa y: u = f_ yiBx (9. x. U Efeitos viscosos importantes Re = U l/υ = 0. (Figura retirada do Munson.solução de Blasius A análise e resolução das equações diferenciais de escoamento na camada limite estão fora do âmbito desta disciplina.229 NOTAS PARA O ESTUDO DA MECÂNICA DE FLUIDOS João M.2.99 U U y l x Linhas de correntes deflectidas consideravelmente U Re = 10 Efeitos viscosos desprezáveis Efeitos viscosos importantes U y v < 0. Contudo. Young e Okiishi) 9. Num dado ponto da placa.1 v < 0.4) . pode-se estabelecer relações que permitem o cálculo da sua espessura. Através da adimensionalização dos perfis de velocidade que se estabelecem na camada limite laminar ao longo da placa conclui-se que eles são semelhantes.99 U x Linhas de correntes um pouco deflectidas U Re = 10 7 l y Efeitos viscosos importantes U Região da esteira Efeitos viscosos desprezáveis δ << l Camada limite x Linhas de correntes ligeiramente pouco deflectidas Figura 9.1 Camada limite para diferentes valores de Rel. usando argumentos muito simples. Campos CAMADA LIMITE E FORÇAS SOBRE OBJECTOS SUBMERSOS a superfície. Para Rel = 107 a acção das forças viscosas só se faz sentir no início da placa e a sua espessura é pequena em qualquer ponto ao longo de x.2 Espessura da camada limite numa placa plana.

0000 0 0.4 2. obtém-se: u E g c h y mG = U x= d x (9.1328 0.8 1.5) Ao adimensionalizar os perfis ao longo de x obtêm-se perfis sobrepostos.6 4.6 2. Tabela 9. Campos CAMADA LIMITE E FORÇAS SOBRE OBJECTOS SUBMERSOS Adimensionalizando a velocidade u pela velocidade U do escoamento exterior e y pela espessura da camada limite.2 3. Blasius analisando os termos da equação diferencial de quantidade de movimento concluiu que: u g = h b U l2 y G (9.9943 0.8761 h=bU l y ox 1 2 u U 0. é possível uma só curva para representar todos os perfis ao longo da camada limite laminar. perfis idênticos.7) . nesse ponto x.9759 0.. Assim.2647 0.e.4 4.9916 0.8115 0.0 5. . O próximo passo é conhecer a função g( = y/).8 5.2 5.3938 0.9555 0.230 NOTAS PARA O ESTUDO DA MECÂNICA DE FLUIDOS João M.9990 1. i.6) = vx U= 1 e determinou a funcionalidade g() apresentando os resultados em forma de tabela (solução de Blasius).6 6.9878 0.9233 0.1 Escoamento laminar ao longo de uma placa plana (solução de Blasius) h=bU l y ox 1 2 u U 0 0.9975 0. a velocidade no interior da camada limite atinge 99% da velocidade do escoamento exterior para um valor de  Assim.8 3. segundo Blasius.0 ∞ Como se pode ver na tabela.7290 0.5168 0.0 2.0 4.6298 0.4 0. o que significa que há similaridade dos perfis ao longo do comprimento da placa. o valor da espessura da camada limite pode ser calculado pela seguinte equação: d=5 ou ox U (9.2 1.

l Df = b 0 #x w dx (9. Na maioria dos casos. À componente responsável pelo deslocamento do objecto ao longo da .231 NOTAS PARA O ESTUDO DA MECÂNICA DE FLUIDOS João M. esta força resultante provoca o deslocamento do objecto. sendo por isso necessário referenciá-las à unidade de área. Para um prato plano de comprimento l e largura b. Na maioria dos casos estas forças variam sobre a superfície. Campos CAMADA LIMITE E FORÇAS SOBRE OBJECTOS SUBMERSOS d x= 5 Re x (9. a força de atrito exercida pelo fluido em escoamento.11) 9.9) É de salientar que num escoamento laminar desenvolvido a tensão de corte na parede é proporcional a U. Segundo Blasius este coeficiente é dado por: f Df 1. enquanto que na camada limite laminar em desenvolvimento é proporcional U3/2.3.1 Introdução Quando um objecto está imerso num fluido em escoamento vão-se exercer dois tipos de forças sobre a superfície do objecto: forças de corte e forças de pressão. 328 CD = 1 tU 2 bl = Re l 2 f (9.8) Com o conhecimento do perfil de velocidade é possível (Blasius apresentou igualmente em tabela a 1ª e a 2ª derivada de g()) determinar a tensão de corte na parede: xw = n 2u 2y = 0. 332U 3 2 y=0 tn x (9.3 Forças de arrasto e de sustentação sobre um objecto imerso 9.10) Esta força de atrito ao longo do prato é geralmente expressa pelo coeficiente de arrasto induzido pelo atrito C D . é dada pela integração da tensão de corte ao longo do comprimento do prato. Ao integrar estas tensões ao longo de toda a superfície do objecto. forças distribuídas. Df. obtém-se a força resultante da acção do fluido em escoamento sobre o objecto. tensões de corte e pressão.

O conhecimento das distribuições de pressão e tensão de corte sobre a superfície de um objecto é em muitos casos difícil.13) As forças de arrasto e de sustentação sobre o objecto são dadas pela integração. chama-se força de arrasto. Assim. são dadas por: Fx = (pA)cos + (wA)sen Fy = -(pA)sen + (wA)cos (9. como também conhecer as distribuições de p e de w ao longo da superfície do objecto.e. θ para cada posição (x. L.15) = . sobre toda a superfície. i.232 NOTAS PARA O ESTUDO DA MECÂNICA DE FLUIDOS João M.  = 90º. e aplicar técnicas experimentais ou numéricas para conhecer os valores destes coeficientes para cada geometria.2 Forças que se exercem num elemento infinitesimal de área A As componentes segundo as direcções x e y da força que o fluido em escoamento exerce sobre o elemento de área infinitesimal. enquanto que à componente responsável pelo deslocamento do objecto na direcção normal ao escoamento chama-se força de sustentação. das forças elementares definidas nas duas equações anteriores. uma alternativa é definir coeficientes adimensionais. só a tensão de corte na parede contribui para a força de arrasto. e só a pressão contribui para a força de sustentação. Campos CAMADA LIMITE E FORÇAS SOBRE OBJECTOS SUBMERSOS direcção do escoamento.12) (9.# pseni d A + cos i d A Para levar a cabo as integrações necessárias para calcular a força de arrasto e de sustentação sobre o objecto é necessário não só conhecer a forma do objecto. No caso de um prato plano colocado paralelamente à direcção de escoamento. . D. Considere-se um elemento infinitesimal de área A. 9. colocado numa posição oblíqua relativamente à direcção de escoamento. y). D= L= # dF # dF y x = # p cos i d A + # x #x w w seni d A (9.14) (9. y U pδA τw θ δA θ x Figura 9.3.2 Forças de arrasto e sustentação.

16) e o coeficiente de sustentação por: CL = L 1 tU 2 A 2 (9. A funcionalidade entre o coeficiente de arrasto e o número de Reynolds pode ser dividida em três categorias de acordo com o regime de escoamento na camada limite: (1) números de Reynolds muito baixos. Os efeitos da força de inércia são desprezáveis e a força de arrasto é função das seguintes variáveis: D = f^U.233 NOTAS PARA O ESTUDO DA MECÂNICA DE FLUIDOS João M. já que.3 Coeficiente de arrasto em função do número de Reynolds O coeficiente de arrasto para um dado objecto vai depender do número de Reynolds. (9. (2) números de Reynolds moderados (camada limite laminar). (3) números de Reynolds elevados (camada limite turbulenta). a camada limite onde se exercem as tensões de corte vai depender deste parâmetro adimensional.17) em que A representa a área do objecto projectada num plano normal à direcção do escoamento.3. Aplicando os conhecimentos de análise dimensional é fácil concluir que: D = CnlU onde C é uma constante que depende da forma do objecto.  Números de Reynolds muito baixos (Re < 1) Para números de Reynolds muito baixos o escoamento é dependente do balanço entre as forças de pressão e as forças viscosas. l. 9.18) em que l é a dimensão característica do objecto.19) . Campos CAMADA LIMITE E FORÇAS SOBRE OBJECTOS SUBMERSOS O coeficiente de arrasto é definido por: CD = D 1 tU 2 A 2 (9. nh (9.

faz a força de arrasto aumentar. quando a variação da forma do objecto não é suave. o coeficiente de arrasto devido ao atrito tende a diminuir moderadamente quando se aumenta o número de Reynolds. o valor de CD é muito próximo de constante. Na figura seguinte estão representados os valores do coeficiente de arrasto para uma esfera e para um cilindro com superfícies lisas (não-rugosas). . tais como esferas e cilindros. Contudo. como no caso da esfera e do cilindro. na gama 103 < ReD < 105 (ver figura seguinte). observa-se. A contribuição da força de corte na parede. Esta diminuição tem a ver com alterações da pressão nas zonas de fluido em recirculação. e tal como se concluiu para uma placa plana. n No caso de uma esfera o valor de C é 12 e a área projectada num plano normal ao escoamento é A = D2/4. CD  Re-1/2. Campos CAMADA LIMITE E FORÇAS SOBRE OBJECTOS SUBMERSOS O valor do coeficiente de arrasto é então dado por: CD = 2CnlU 2C D 1 tU 2 l 2 = tU 2 l 2 = Re 2 (9. A equação 9.  Números de Reynolds elevados Em regime turbulento o comportamento depende muito da forma do objecto. o escoamento na camada limite é laminar. na transição. pode haver um decréscimo súbito da contribuição da força de pressão para a força de arrasto.11 mostra que para uma placa plana.21)  Números de Reynolds moderados Para valores moderados do número de Reynolds.20) tUl . resultando: em que o número de Reynolds é definido como Re = C D esfera = 24 Re e D = 3rUnD (9. um decréscimo no coeficiente de arrasto quando se inicia a transição (ver figura seguinte). Do balanço entre a diminuição da parcela respeitante à força de pressão e o aumento respeitante à força de corte.234 NOTAS PARA O ESTUDO DA MECÂNICA DE FLUIDOS João M. Para objectos com variações de forma não suaves.

que já foram abordados no capítulo 6.1 0. determine a que distância da árvore o grão cai. Se houver uma brisa de ar na direcção horizontal com intensidade 1 m/s. Young e Okiishi) 9. Após estes instantes o somatório das componentes verticais das forças anula-se e os grãos entram em queda livre com velocidade uniforme .235 NOTAS PARA O ESTUDO DA MECÂNICA DE FLUIDOS João M.4 Força de arrasto e velocidade terminal De seguida são dados dois exemplos sobre o cálculo da velocidade terminal de uma esfera. Durante os instantes iniciais da queda. a velocidade relativa do grão (referencial à velocidade do ar) aumenta rapidamente.4 0. W.04 mm e massa volúmica 800 kg/m3 caem do topo de um pinheiro com 20 m de altura. a chamada velocidade terminal. Campos CAMADA LIMITE E FORÇAS SOBRE OBJECTOS SUBMERSOS 400 200 100 60 40 A 20 10 6 4 2 1 0. W-I=D O peso de cada grão é dado respectivamente por: W = pgD3/6 I = argD3/6 A força de arrasto é função de Reynolds tal como foi demonstrado pela análise dimensional: .06 10 -1 CD CD = 24 Re B C Smooth cylinder D Smooth sphere E 10 0 10 1 10 4 10 7 10 2 10 3 Re = ρUD μ 10 5 10 6 Figura 9. (Gráfico retirado do Munson. Assuma que a velocidade horizontal do grão é igual à do ar.1 Pequenos grãos esféricos de pólen de diâmetro 0.6 0.2 0. Solução As forças verticais que se exercem no grão durante a queda são: o seu peso. Exemplo 9. a impulsão I e a força de arrasto exercida pelo ar sobre o grão D.3 Coeficiente de arrasto para uma esfera e para um cilindro em função do número de Reynolds. aumentando D.

 = 1. Aproveitando o resultado do problema anterior: v= _tp . Como se pode ver na figura. Exemplo 9. bem como a distância percorrida na horizontal durante a queda t = h " d = tvar = hvar = 514 m v v em que var. Supondo que a 1 500 m as condições de pressão e temperatura são 1 atm e 20º C (ar = 1. Calculando o número de Reynolds obtém-se.23 kg/m3 e  = 1. representa a componente horizontal da velocidade do ar.2 Uma pequena gota de água esférica com 0.5 m/s? E no caso da velocidade do vento ser 0.tar i gD 2 18nar A 1 atm e 20 ºC. Por definição de velocidade relativa: v v v v rel = v ar .107 < 1. calcula-se a velocidade. Conhecida a velocidade de descida do grão de pólen.tar i gD 2 18nar em que v representa a velocidade relativa entre a gota e o ar.1 mm de diâmetro está na atmosfera a uma altura de 1500 m.236 NOTAS PARA O ESTUDO DA MECÂNICA DE FLUIDOS João M. Campos CAMADA LIMITE E FORÇAS SOBRE OBJECTOS SUBMERSOS tar vD D = CD = z d nar n 1 t v 2r D 2 ar 4 2 em que v representa a componente vertical da velocidade relativa entre o grão e o ar.23 kg/m3. Neste exemplo.1 m/s? Solução Supõem-se. assume-se que a velocidade do ar não tem componente vertical. no caso de Re < 1 (pelo facto do diâmetro das partículas ser muito reduzido.3 m/s.79×10-5 Ns/m2).v g . calcula-se o tempo que ele demora a percorrer os 20 m que separam o topo do pinheiro do solo. pelo que v representa a velocidade da queda do grão de pólen. o valor do coeficiente de arrasto é dado por: CD = 24 Re pelo que: 2 2 nar D = 1 tar v 2 r D CD = 1 tar v 2 r 24D = 3rnar vD 4 4 tar vD 2 2 Estabelecendo o balanço de forças e resolvendo em ordem a v resulta: v= _tp . v = 0. mas esta hipótese tem que ser confirmada). Será que a gota sobe ou desce se o vento soprar na direcção vertical (para cima) a uma velocidade de 1. tal como no exemplo anterior. que o tamanho da gota é suficientemente pequeno pelo que Re < 1.79×10-5 Ns/m2 e ar = 1. Re = 0. é provável que o valor de Re seja inferior a 1.

aviões. a gota desloca-se para cima a uma velocidade de 1.2 m/s. à velocidade do ar e v v Se a gota e o ar se deslocarem em sentidos contrários o valor absoluto da velocidade relativa tem de ser maior que o valor absoluto da velocidade do ar. v ar por observadores estacionários. Young e Okiishi) . 9. Assim. Para isso fazem-se testes em modelos ou à escala em túneis de vento e túneis de água. a gota desloca-se para baixo a uma velocidade 0.5 Valores típicos do coeficiente de arrasto para sistemas a duas e três dimensões Um dos objectivos de quem projecta automóveis. no caso do vento ter uma velocidade de 1. Tabela de coeficientes de arrasto para objectos bi-dimensionais ( Munson. As tabelas seguintes mostram valores de coeficiente de arrasto para vários objectos bi-dimensionais e tri-dimensionais. No caso de o vento ter uma velocidade de 0. No caso de se deslocarem no mesmo sentido.1m/s.237 NOTAS PARA O ESTUDO DA MECÂNICA DE FLUIDOS João M.2 m/s. o valor absoluto da velocidade relativa tem de ser menor que o valor absoluto da velocidade do ar.5 m/s. pontes e muitas outras estruturas é de reduzir o valor do coeficiente de arrasto. Campos CAMADA LIMITE E FORÇAS SOBRE OBJECTOS SUBMERSOS v em que a velocidade v rel representa a velocidade “vista” por um observador que se move vg. para determinar a forma dos objectos para a qual a força de arrasto é mínima.

Campos CAMADA LIMITE E FORÇAS SOBRE OBJECTOS SUBMERSOS Tabela de coeficientes de arrasto para objectos tri-dimensionais ( Munson. Young e Okiishi) .238 NOTAS PARA O ESTUDO DA MECÂNICA DE FLUIDOS João M.

Campos CAMADA LIMITE E FORÇAS SOBRE OBJECTOS SUBMERSOS Tabela de coeficientes de arrasto para diferentes objectos ( Munson. Young e Okiishi) .239 NOTAS PARA O ESTUDO DA MECÂNICA DE FLUIDOS João M.