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APOSTILA DE PROCESSOS 4

EMC 5744

PARTE 1: FUNDAMENTOS DE REOLOGIA DE MATERIAIS POLIMÉRICOS

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PROFESSOR: GUILHERME BARRA
SUMÁRIO
1.1 DEFINIÇÃO DE REOLOGIA 1.2 FUNDAMENTOS DE POLÍMEROS 1.3 DEFORMAÇÃO E MÓDULO PARA MATERIAL SÓLIDO 1.4 DEFORMAÇÃO EM FLUIDOS IDEAIS 1.5 FENÔMENOS NEWTONIANOS E NÃO NEWTONEANOS 1.5.1 Fenômenos Newtonianos 1.5.2 Fenômenos não Newtonianos 1.5.2a Fenômenos Não Newtonianos Independentes do tempo 1.5.2b Fenômenos Não Newtonianos Dependentes do tempo 1.5.2c Fenômenos Não Newtonianos Observados em Polímeros 1.6 REOMETRIA E VISCOSIMETRIA 1.6.1 MEDIDAS REOMÉTRICAS 1.6.2 REÔMETROS DE CONE-PLACA E PLACA-PLACA 1.6.3 REÔMETRO DE TORQUE REVISÃO CONSIDERAÇÕES FINAIS REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

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CAPÍTULO 1 FUNDAMENTOS DE REOLOGIA
1.1 DEFINIÇÃO DE REOLOGIA

A palavra Reologia é derivada do vocabulário grego, que significa: Rheo = Deformação Logia = Ciência ou Estudo De uma maneira geral a Reologia, pode ser definida como a ciência que estuda o escoamento da matéria. Entretanto, a forma mais conveniente e completa de defini-la seria como a ciência que estuda a deformação e o fluxo da matéria. A Reologia é uma área da física que analisa as deformações ou as tensões de um material provocadas pela aplicação de uma tensão ou deformação. O material pode estar tanto no estado líquido, gasoso quanto no estado sólido. A deformação de um sólido pode ser caracterizada por leis que descrevem a alteração do volume, tamanho ou forma, enquanto que o escoamento de um fluido que pode estar no estado gasoso ou líquido, é caracterizado por leis que descrevem a variação contínua da taxa ou grau de deformação em função da tensão aplicada. Em Reologia, a classificação entre um material sólido, líquido ou gasoso é determinada pelo número de Deborah (De). Este número estabelece a relação entre tempo de relaxamento do material, λr, e o tempo de duração da aplicação de uma deformação ou tensão, t.

De =
Onde:

λr
t

(1)

→ λr (tempo de relaxamento) - tempo necessário para ocorrer algum movimento molecular; → De (Número de Deborah) - relação entre as forças elásticas e viscosas que atuam no material; → t (tempo do experimento) - tempo de aplicação da tensão ou deformação.

Normalmente. o que leva ao emaranhamento (entanglements) e desemaranhamento entre elas. porque o tempo do processo de deformação é muito rápido (t → 0) e portanto o material não terá tempo suficiente realizar movimentos moleculares. por exemplo valores de λr. Este fato pode ser observado para óleos lubrificantes passando por entre engrenagens.2 FUNDAMENTOS DE POLÍMEROS Polímeros são materiais constituídos de macromoléculas (moléculas longas de alto peso molecular) compostas por muitas unidades de repetição denominadas de meros. Líquidos com valores menores de λr podem comportar-se como sólidos em processos de deformação muito rápidos.4 Os sólidos elásticos apresentam De →∞ e os fluidos viscosos possuem De→0. 1. Analisando a equação 1. as cadeias ficam mais retilíneas. Materiais poliméricos apresentam ∞ < De < 0. e o sistema se torna mais ordenado. dependendo de sua Massa Molar. Em um estado sem tensões. porque t >> λr. enquanto que a água possui λr próximo de 10-12 s-1. isto é. as cadeias poliméricas estarão em uma conformação aleatória ou enovelada. quando essas engrenagens estão em movimento o material comportar-se-á como um sólido (t<<λr). em que o t<<λr. tornandose mais alinhadas. quando as engrenagens estão paradas o material escoa como um fluido viscoso. devido à aplicação de uma tensão. pode-se concluir que um dado material pode ter características de um sólido por duas razões: i) ii) porque seu λr → ∞ ou. No caso de soluções poliméricas diluídas o valor de λr = 10-3s-1. À medida que um polímero é deformado. que também é denominada de “randon coil”. os polímeros em solução (sem agitação) ou no estado fundido (sem fluxo) apresentam esse tipo de conformação. Uma vez retirada esta . que é uma medida do grau de desordem no interior de um sistema. variando entre 1 e 1000s. porém. Este estado é determinado por um parâmetro termodinâmico chamado entropia. O elevado peso molecular das macromoléculas faz com que estas adquiram várias conformações. a entropia aumenta quando há um aumento na desordem. os polímeros fundidos apresentam.

sim. já que as macromoléculas estão em contínuo movimento. Os pesos moleculares médios mais comuns são: Mn = ∑ Ni M i ΣNi (2) . ou seja. Ou seja. uma distribuição de pesos moleculares (DPM). (B) conformação alongada (menor entropia).5 tensão. levando-se em consideração a massa molar de cada molécula e o número delas. a cadeia do polímero tende a retornar ao seu estado de equilíbrio termodinâmico que neste caso é a conformação emaranhada. A Figura 1 ilustra a conformação de uma cadeia polimérica. dando origem a diferentes medidas de peso molecular médio. já que as macromoléculas sempre tenderão voltar ao seu estado de equilíbrio. e sim dinâmico. A intensidade e a duração desses emaranhados determinará o tempo de relaxação do material após a aplicação de uma tensão ou deformação. O peso molecular médio pode ser determinado experimentalmente. adquirir conformações aleatórias. Esse emaranhamento não é um processo estático e permanente. Figura 1 – Ilustração do estado não perturbado (A) conformação enovelada de uma cadeia polimérica amorfa (maior entropia). no estado não perturbado e perturbado. Além de possuírem elevados pesos moleculares. os polímeros apresentam pesos e tamanhos diferentes entre si. os materiais poliméricos não possuem um único peso molecular e.

A Figura 2 ilustra uma curva característica de distribuição de peso molecular de um polímero.6 ∑ N i M i2 Mw = ΣN i M i Onde: (3) Ni → representa o número de moléculas i de peso molecular Mi. Mw → é o peso ponderal médio. Por exemplo. O peso molecular e sua distribuição influenciarão a quantidade de emaranhamentos possíveis que as moléculas formam entre si. quanto maior a DPM. Portanto. . menor essa probabilidade. A razão Mw/Mn é conhecida como índice de polidispersividade e é um indicativo da distribuição de peso molecular do polímero. Mn → peso molecular numérico médio.Curva característica de distribuição de peso molecular de um polímero. esses parâmetros influenciarão o desenvolvimento das tensões e das deformações durante uma aplicação de tensão ou deformação. Figura 2 . maior será a probabilidade de ocorrer emaranhamentos. quanto maior o peso molecular.

torna-se necessário recordar alguns conceitos básicos sobre deformações de materiais sólidos. em função da deformação sofrida pelo material. Tipo de Deformação Tração σ = F/AB σs = F/AB ε = ΔC/C γ = Δx/C = tanθ εc = -ΔV/Vo Elasticidade E = σt /ε Cisalhamento Cisalhamento G = σs/γ Compressão P = F/A K = P/ε Tensão Deformação Módulo . Os três modos principais pelos quais o material está sujeito a uma deformação são: Tração Cisalhamento Compressão Estes três modos estão demonstrados na figura 3 e Tabela 1. (b) cisalhamento e (c) compressão. Figura 3 – Deformação por (a) Tração. Tabela 1 Tipos de módulo.3 DEFORMAÇÃO E MÓDULO PARA MATERIAL SÓLIDO Antes de apresentar um pouco mais sobre os fundamentos da Reologia em Polímeros.7 1. uma vez que o material a ser analisado está sujeito a uma deformação.

os módulos estão relacionados entre si pela seguinte equação (4).2 a 0.5. a área de seção da reta varia. por isso. υ tende para 0.5. Assim. E = 2 G (1 + υ ) = 3 K (1 − 2υ ) Onde: → υ é a razão de Poisson (4) Quando um material é estirado.8 Observe que cada tipo de deformação dá origem a um tipo de módulo designado por letras distintas. se o volume do material permanece constante quando estirado. ⇒ E = Tração ⇒ G = Cisalhamento ⇒ K = Compressão Para materiais isotrópicos. Para os elastômeros e líquidos. a razão de Poisson é 0.5. .5. os materiais aumentam de volume quando submetidos à tensão e. Para a maioria dos materiais. a razão do Poisson encontra-se na faixa entre 0. ΔC/C → variação no comprimento por unidade de comprimento. A razão de Poisson (υ) é a constante que relaciona essas mudanças nas dimensões do corpo de prova durante a deformação. uma vez que os valores de módulo variam em função do tipo de deformação aplicada ao material. υ < 0. a razão de Poisson pode ser descrita na equação 5. υ= Onde: ΔA / A ΔC / C (5) ΔA/A → variação na largura por unidade de largura. Em geral. Pode ser demonstrado que. assim como o seu comprimento.

O aumento do peso molecular acarretará no aumento do número de emaranhamento “entanglements” do polímero (maior quantidade de contatos intermoleculares). . A restrição a esta movimentação contribui para o aumento do módulo e resistência mecânica. sua resistência mecânica e seu módulo também aumentam. Esse aumento é acentuado para faixa de baixo peso molecular e aproxima-se de um valor constante à medida que a massa molar atinge um valor crítico. à medida que o peso molecular de um polímero aumenta. O emaranhamento atua como pontos que ancoram a movimentação molecular. Figura 4 – Variação das propriedades com o aumento do peso molecular. aproximando-se de um valor constante à medida que a massa molar atinge um valor crítico. conforme ilustrado na figura 4.9 Fatores que afetam o Módulo de Elasticidade e Deformação de Polímeros no Estado Sólido Efeito do Peso Molecular ou Massa Molar de Polímeros Efeito da Temperatura Efeito da Velocidade do Ensaio Efeito da Cristalinidade Efeito das Ligações Cruzadas Efeitos Plastificantes ⇒ Efeito do Peso Molecular ou Massa Molar de Polímeros Em geral.

temperatura de transição vítrea e cristalina. o módulo decresce rapidamente com o aumento da temperatura. etc. a partir de uma temperatura próxima a Tg. A influência do tempo e temperatura no módulo de elasticidade dos plásticos advém das suas baixas forças de atração intermolecular e da flexibilidade das cadeias poliméricas. líquidos agressivos. permeabilidade a líquidos ou gases. As propriedades mecânicas dos polímeros são mais dependentes da temperatura e da taxa de deformação do que as propriedades dos metais. A deformação elástica é proveniente do estiramento da cadeia do polímero. Região I . A partir do momento em que um ponto da cadeia se liberta dos emaranhados. por exemplo. as cadeias poliméricas apresentam maior liberdade de movimentação. Os principais fatores que podem influenciar os resultados obtidos nos ensaios mecânicos são os fatores externos.O escorregamento entre pequenos segmentos da cadeia polimérica torna-se possível aumentando-se a temperatura pouco acima de Tg. Esta região representa o comportamento viscoelástico de polímeros.) e a propriedade intrínseca do polímero como. Er é medido através de ensaios de relaxação de tensão (Mascia. A propriedade mecânica medida é o módulo de relaxação (Er). cristalinidade.Abaixo de Tg (100oC) existe pouca movimentação molecular. que lhes atribui um comportamento mecânico denominado de viscoelasticidade. torna-se mais fácil para que as regiões vizinhas da cadeia também se libertem. tais como: tempo. Este é um processo auto-acelerado para polímeros amorfos. Acima de Tg. 6 (a)). Desta maneira. devido à quebra de ligações secundárias (Figura 6 (b)). 1982). etc. A Figura 5 apresenta variações do comportamento mecânico com a temperatura para poliestireno.10 ⇒ Efeito da Temperatura Os polímeros podem sofrer mudanças estruturais que mudam suas propriedades físicas e mecânicas. o escorregamento entre as cadeias torna-se progressivamente mais fácil para polímeros amorfos sem . (Fig. Região III . de maneira que possa escorregar.Com o aumento da temperatura. temperatura e condições ambientais do teste (umidade. O polímero age como um sólido frágil semelhante ao vidro. Região II .

. Para polímeros semicristalinos a movimentação molecular torna-se mais fácil. enquanto que para o poliestireno é de 90oC. Os valores de Tg variam muito de polímero para polímero. Região I (B) Módulo de relaxamento (lb/pol2) Região II (A) Região III Figura 5 – Variação do módulo de relaxação do poliestireno para diferentes estruturas poliméricas (A) polímero amorfo. para o polietileno Tg é igual à aproximadamente -120oC. (C) Polímero amorfo com ligações cruzadas. porque abaixo da temperatura de transição vítrea. a movimentação molecular das cadeias é dificultada pelas ligações cruzadas. 68 e 86oC mostram um comportamento elástico frágil. provocando concentração de tensão em determinadas regiões. baixa tendência de se deslizarem umas em relação às outras. onde ocorre a fusão dos cristais (Figura 7(b)). Este polímero é amorfo e sua Tg é de aproximadamente 100oC.11 reticulação (Figura 7 (a)). quando submetido a ensaios de tração. O polímero comporta-se como um fluido viscoso. e o material não irá se comportar como um fluido viscoso. até acima de Tm. as moléculas do polímero apresentam pouca mobilidade e portanto. No caso de polímeros amorfos com ligação cruzadas. (B) Polímero semicristalino. Isto ocorre. Por exemplo. A Figura 7 apresenta curvas de tensão x deformação para o poli(metacrilato de metila) (PMMA). As curvas de tensão x deformação nas temperaturas de 40.

Tensão.40 C 68 C 86 C 104 C 122 C 140 C 0 0 0 0 0 2 0 Deformação.Representações esquemáticas dos tipos de deformação de polímeros com cadeias longas (Eisenstadt. 1948). sendo mais pronunciado a temperaturas mais elevadas. À medida que a temperatura de ensaio aumenta. % Figura 7 – Comportamento mecânico sob tração de amostras de PMMA submetido a diferentes temperaturas (Alfrey. lb/pol . Desta forma. o módulo de elasticidade e a resistência a tração . o fluxo molecular é incrementado. as ligações secundárias são quebradas e as tensões são aliviadas. O início de um comportamento dúctil (escoamento descontínuo) pode ser notado a 104oC. 1971).12 Deformação elática (A) Deformação plástica (B) Figura 6 .

Neste caso. . o fluxo molecular diminui e consequentemente o módulo de elasticidade e a tensão de escoamento aumentam.1 5 2 = V (mm/min) Deformação. MPa 1 0. 1970). À medida que a velocidade do teste de tração aumenta. as moléculas começam a movimentar uma em relação às outras. ⇒ Efeito da Velocidade do Ensaio No caso do ensaio de tração. 5 à 122oC e 140oC é resultante da propagação de uma região estriccionada (região de deformação localizada) ao longo do comprimento da amostra. A Figura 8 apresenta a influência da velocidade de ensaio em função da tensão de escoamento de amostras de resina epoxídica. a velocidade do teste também exerce forte influência nos resultados obtidos. O fenômeno do escoamento descontínuo mostrado pela Fig. % Figura 8 – Curva de ensaio de tração até o limite de escoamento de amostras de resina epoxi submetidas ao teste de tração por diferentes velocidades de ensaio (Ishau. O efeito da velocidade do ensaio é oposto ao da temperatura. ocorrendo uma deformação plástica (permanente). A temperatura de transição é aproximadamente a Tg.5 0.13 decrescem com o aumento da temperatura do ensaio. Pode-se notar que existe uma transição dúctil-frágil mais acentuada com o decréscimo da temperatura. 20 10 Tensão.

conforme pode ser observado pela Figura 10. os mesmos são pontos que restringem a movimentação molecular. as ligações cruzadas inibem o escoamento das moléculas. conforme pode ser observado pela Figura 9. quanto maior o grau das ligações cruzadas maior será o módulo e menor a deformação do material. a ação das ligações cruzadas é semelhante ao grau de cristalinidade e peso molecular. a resistência ao escoamento e a dureza também aumentam. por menor que seja a sua concentração. Isto é. atingindo um pico máximo.14 ⇒ Efeito da Cristalinidade Considerando-se um mesmo polímero. O efeito do grau de cristalinidade atua da mesma forma que os emaranhamentos (“entanglements” das moléculas). Inicialmente. O efeito da ligação cruzada na tensão de tração de polímeros é bastante peculiar. ocorre um decréscimo rápido da tensão. Figura 9 – Curva de tensão x deformação em tração para o PEAD e PEBD. o módulo elástico. ⇒ Efeito das Ligações Cruzadas Nos polímeros. . ou seja. à medida que o grau de cristalinidade aumenta. e posteriormente. Esse efeito pode ser observado ao se comparar as propriedades mecânicas do polietileno de alta densidade PEAD e o polietileno de baixa densidade que tem graus de cristalinidade diferentes. a resistência à tração aumenta à medida que a quantidade de ligações cruzadas é incrementada. Desta forma.

Assim. todas as deformações envolvem algum tipo de escoamento irreversível entre as moléculas ou entre as camadas. Uma das propriedades medida na deformação de fluidos é a viscosidade. alterando fortemente seu comportamento mecânico. A diferença entre um sólido e um fluido ideal está justamente na resposta ou comportamento de ambos quando submetidos a um esforço. Os plastificantes diminuem a interação intermolecular das cadeias. Estes aditivos são adicionados a um polímero para reduzir a dureza no produto acabado. nos fluidos ideais.4 DEFORMAÇÃO EM FLUIDOS IDEAIS Nos fluidos podem ocorrer formas de deformações semelhantes aos que ocorrem nos sólidos. O tipo mais comum de deformação nos fluidos é por cisalhamento simples. que assim como o módulo (para sólidos) é um fator determinante para o uso e aplicações dos materiais fluidos. Além de ser uma medida direta da qualidade do fluido em serviço. resultando na diminuição do módulo e aumento da deformação plástica.15 Figura 10 – Efeito da concentração de ligações cruzadas na resistência à tração de polímeros. que gera um escoamento caracterizado pelo movimento relativo das moléculas do fluido devido à ação de uma força externa. a viscosidade pode fornecer importantes . 1. Este é um caso típico do PVC com plastificante. diferentemente dos sólidos ideais. Estes plastificantes diminuem o módulo e aumentam a deformação do material. ⇒ Plastificantes Em alguns polímeros são acrescentados aditivos também conhecidos como plastificantes.

Quanto maior a força imposta na placa móvel. Considere. Figura 11 apresenta as forças atuantes no fluido.é a força por unidade de área cisalhante.s e inglês. nos sistemas internacional. À medida que a placa móvel é deslocada. necessária para manter o escoamento do fluido e é expressa segundo a equação 6. A viscosidade pode ser definida como sendo a resistência ao movimento do fluir de um material. . uma fixa e outra móvel. cisalhado por uma força aplicada na placa móvel. Figura 11 – Fluido viscoso entre placas. As unidades usuais são: N/m2 ou pascal (Pa). c. Tensão de cisalhamento . após a força de cisalhamento aplicada à placa móvel.16 informações sobre variações estruturais que ocorrem durante a aplicação de uma deformação ou tensão. maior será o gradiente de velocidade do fluido. dina/cm2 e lbf/ft2. gera-se um gradiente de velocidade do fluido que vai desde zero na interface com a placa fixa até o valor máximo na interface da placa móvel. respectivamente. então um fluido entre duas placas. para que se possa entender melhor o conceito físico e matemático da viscosidade. A → área exposta ao cisalhamento. A discussão dos conceitos de tensão de cisalhamento e taxa de cisalhamento tornam-se importantes. τ= F A (6) Onde: F → Força necessária para provocar um deslocamento na chapa (para o fluido escoar).g.

A dimensão da taxa de cisalhamento é t-1 e sua unidade mais comum é s-1. τ =η Onde: ∂v ∂y ou τ = ηγ (8) → η .s) ou Pa. por definição. matematicamente pela equação 7.17 Taxa de cisalhamento – é o deslocamento relativo das partículas ou moléculas do fluido. apresentam comportamento distinto do previsto por Newton. g/(cm. a viscosidade do fluido. respectivamente.s) ou dina. onde a constante de proporcionalidade é. 1. existem materiais que sob escoamento dirigido por cisalhamento. Esta equação descreve o comportamento de fluidos viscosos ideais.a viscosidade. Em alguns fluidos. ∂y → distância entre as camadas/moléculas/partículas. a tensão de cisalhamento é proporcional à taxa de cisalhamento. cuja unidade é expressa em Kg/(m. a viscosidade deixa de ser uma . conforme a equação 8.s. e inglês. nos sistemas SI. Para estes fluidos. c.s.s/ft2.s/cm2 (poise) e lbf.g. γ= Onde: ∂v ∂γ = ∂y ∂t (7) ∂v → variação da velocidade entre as moléculas/partículas ou camadas do fluido. ∂γ/∂t → variação da deformação em função do tempo. a viscosidade pode ser descrita através da experiência realizada por Newton em que um fluido é cisalhado entre duas placas (uma móvel e outra estacionária).5 FENÔMENOS NEWTONIANOS E NÃO NEWTONIANOS A Lei de Newton para a viscosidade se restringe para um determinado número de fluidos. a viscosidade depende do cisalhamento aplicado ou do tempo de sua aplicação. A taxa de cisalhamento também pode ser denominada de grau de deformação ou gradiente de velocidade e pode ser descrita. Entretanto. Matematicamente.

5. mel. Exemplos: ar.18 constante para se tornar uma propriedade dependente das condições em que o fluido é deformado ou sob tensão. sendo esta denominada como viscosidade absoluta. Este comportamento envolve a relação entre a resposta da viscosidade frente à taxa ou tempo de cisalhamento. . Entretanto. A representação gráfica de um fluido Newtoniano está apresentado nas Figuras 12 e 13. sua viscosidade não varia com o aumento da taxa ou tensão cisalhante. os fluidos viscosos podem ser classificados em função do seu comportamento de fluxo ou reológico. água. Neste caso. Desta forma. Portanto. os fluidos podem ser classificados como: Newtonianos Não Newtonianos 1. etc. Figura 12 – Representação gráfica do fluido Newtoniano (A) curva de tensão de cisalhamento x taxa de cisalhamento e (B) curva de viscosidade x taxa de cisalhamento.1 Fenômenos Newtonianos Os fenômenos Newtonianos são aqueles em que sua viscosidade é afetada pela temperatura e pressão. glicerina. solução salina. óleos “finos” e seus derivados. a viscosidade do fluido passa a ser denominada de “Viscosidade Aparente”.

(B) óleo e (C) glicerina.5. Os fluidos observados por Ostwald apresentavam uma relação entre a tensão de cisalhamento (τ) x taxa de deformação (γ) não linear. Desta forma. Os fluidos que obedecem este modelo são conhecidos como fluidos da Lei das Potências.2 FENÔMENOS NÃO NEWTONIANOS Os fenômenos não Newtonianos são divididos em três grandes classes: Independentes do Tempo Dependentes do Tempo Viscoelásticos 1. .2 a – Fenômenos Não Newtonianos Independentes do Tempo ⊗ Fenômeno da Potência ⊗ Fenômeno da Dilatância ⊗ Fenômeno da Pseudoplascitidade ⊗ Fenômeno da Viscoplasticidade ou Fluidos de Binghan ⇒ Fenômeno da Potência Ao examinar determinados fluidos sob escoamento cisalhante.19 Figura 13 – Comparação de fluidos Newtonianos: (A) água. Ostwald propôs um modelo que pode ser descrito matematicamente pela equação 9. 1. Ostwald verificou que estes exibiam comportamentos diferentes dos previstos por Newton.5. Quanto maior a inclinação do gráfico tensão x taxa de cisalhamento maior será a viscosidade do material.

acarreta na aproximação das partículas. Figura 14 – Curvas de Fluxo de fluidos da potência 1 . conforme pode ser ilustrado pela Figura 15.Pseudoplástico. desde que uma delas seja constituída de partículas grandes e assimétricas. Em situação de repouso as partículas estão bem separadas uma das outras. Segundo Reynolds. resultando no aumento da resistência ao fluxo. mesmo sob elevadas taxas de deformação. P/ n>1 → fluido dilatante 1 P/ n=1 → fluido Newtoniano 2 P/ n<1 → fluido pseudoplástico 3 A figura 14 representa o comportamento do fluido das Leis de Potência. Exemplo: suspensões concentradas de PVC misturadas com líquidos plastificantes. que dificultam o empacotamento. A dilatância é manifestada em sistemas com mais de uma fase. ⇒ Fenômeno da Dilatância O fluido dilatante apresenta comportamento de viscosidade aparente crescente com o aumento da taxa de cisalhamento. . 2 Newtoniano e 3 .20 τ = η aγ n Onde: (9) ηa → é a viscosidade aparente e n é o índice da lei das potências.Dilatante. o aumento da taxa de cisalhamento.

a pseudoplasticidade acorrerá com maior frequência em polímeros no estado fundido ou borrachoso. Nestes fluidos a viscosidade aparente diminui com o aumento da taxa de deformação. como representado na Figura 16. escoamento descontrolado de pastas. reduzindo assim. Quando estas partículas são forçadas a se deslocarem (fluírem) em uma direção. espumas. sua resistência a este escoamento. De acordo com o proposto por Brydson (1981). elas assumem uma orientação preferencial na direção do escoamento. etc. petróleo. Figura 16 – Pseudoplascticidade em sistemas de partículas assimétricas.21 Figura 15 – Hipótese de Reynolds para a dilatância. . pasta de dente. espalhamento rápido de tintas. ⇒ Fenômeno da Pseudoplasticidade Este é o fenômeno da Lei de Potência que ocorre com maior frequência. O comportamento pseudoplástico pode ser explicado por três razões: 1 – Partículas assimétricas no repouso estão orientadas de forma aleatória e bem próximas uma das outras.

para uma altamente orientada na direção do escoamento. As moléculas têm as camadas de solvatação destruídas pela ação do cisalhamento. conforme ilustrado pela Figura 17. Figura 18 – Redução da viscosidade de sistemas poliméricos devido ao aumento da taxa de cisalhamento. ⇒ Viscoplasticidade ou Fluidos de Bingham Fluidos caracterizados pela existência de um valor de tensão residual de cisalhamento que deve ser excedida para que o material apresente um fluxo viscoso. Figura 17 – Esquema ilustrativo da diminuição de viscosidade causada pelo aumento da taxa de cisalhamento (destruição da camada solvatada). 3 – Determinados sistemas poliméricos no estado fundido passam de uma estrutura altamente enovelada (enrolada) no repouso. Exemplo: sistemas com alta concentração em que a interação . assumindo a forma linear (Figura 18).22 2 – Existência de moléculas que em repouso se encontram altamente solvatadas.

Modelo de Bingham τ = τ y + η pγ Onde: τ → tensão residual: ηp → viscosidade plástica. como pode ser observado pela equação 11. o termo de tensão residual é somado ao produto K(γ)n da lei de potência no lugar de ηp(γ). No modelo matemático de Herschel e Bulckley. τ = τ y + η pγ n (11) . significando que o sistema possui uma viscosidade infinita. Modelo de Kerschel e Bulkley Herschel e Bulckley modificaram o modelo de Bingham com o objetivo de explicar o comportamento de compósitos particulados de alta concentração.23 partícula-partícula exerce um papel fundamental → lama e polpa de fruta. Figura 19 – Curvas de fluxo dos fluidos Newtoniano e de Bingham. não existe escoamento. quando τ > τy. A equação 10 descreve o modelo matemático proposto por Bingham. (10) De acordo com a equação 10 e Figura 19.

o sistema volta à sua conformação original. Este fenômeno é isotérmico e reversível sendo consequência da destruição gradual da “estrutura” construída pelas partículas da fase dispersa. Para estes materiais.Curvas de fluxo de diferentes fluidos.2 b – Fenômenos Não Newtonianos Dependentes do Tempo ⊗ Fenômeno da Tixotropia ⊗ Fenômeno da Reopexia ⊗ Fenômeno da Viscoelasticidade Fluidos dependentes do tempo são materiais em que a viscosidade varia em função do tempo a uma dada taxa de cisalhamento. recuperando novamente a sua viscosidade aparente inicial. 1. existirá um tempo necessário para a . Figura 20 . cuja força de ligação não resiste à ação do cisalhamento imposto.24 A Figura 20 apresenta um resumo gráfico do comportamento de fluidos independentes do tempos. Após a retira da força cisalhante. ⇒ Tixotropia Fluidos tixotrópicos são aqueles caracterizados pela diminuição da viscosidade aparente do líquido com o tempo de aplicação a uma dada taxa de deformação. qualquer que seja a taxa de cisalhamento aplicado.5.

A Figura 21 apresenta o comportamento da viscosidade em função do tempo de cisalhamento. O tempo necessário para que a viscosidade aparente se mantenha constante é denominado de “tempo de estabilização” (Te). 1. Figura 21 – Curvas de fluxo para fluidos reopéxicos e tixotrópicos.2 c – Fenômenos Não Newtonianos Observados em Polímeros: ⊗ Efeito de Weissenberg ⊗ Viscoelasticidade . Importante: Todo fluido tixotrópico é pseudoplástico. ⇒ Reopexia Os fluidos que apresentam comportamento oposto aos fluidos tixotrópicos são denominados de Reopéxicos. e este é dependente da taxa de cisalhamento imposta ao fluido.5. mas nem todo fluido pseudoplástico é tixotrópico. Estes fluidos apresentam um aumento da viscosidade aparente com o tempo a uma dada taxa de cisalhamento.25 viscosidade cair e depois manter-se constante.

as moléculas exercem uma tensão na camada de fluido próxima a elas. No caso de fluidos poliméricos.26 ⇒ Efeito de Weissenberg Este efeito pode ser observado quando gira-se um bastão no interior de um recipiente contendo um polímero fundido ou em solução. Esta propriedade é conhecida como “Viscoelasticidade”. observe o exemplo a seguir. é observado um abaixamento no nível do fluido na região adjacente ao bastão. estando associado à orientação molecular imposta pelo fluxo anelar. conforme apresentado na Figura 23. Figura 22 – Efeito Weissenberg: (A) Fluido Newtoniano e (B) Polímero. Para entender melhor este fenômeno. Considere uma situação em que é utilizada uma prateleira de polímeros. Como o polímero possui a tendência de retornar ao seu estado de equilíbrio (conformação enovelada). como ilustrado na Figura 22. só ocorre em sistemas poliméricos. contra o bastão. devido à força centrífuga. ocorre um deslocamento do material para o centro do recipiente e. No caso de um fluido Newtoniano. ao contrário dos demais fenômenos. fixada em duas extremidades para sustentar alguns livros. Este fenômeno é chamado de efeito Weissenberg e ocorre devido ao surgimento de diferenças de tensões normais. . consequentemente. o fluido sobe pelo bastão. fundidos ou em solução. apresentam ao mesmo tempo características tanto de materiais sólidos como de fluidos. Os materiais poliméricos em estado sólido. ⇒ Viscoelasticidade A viscoelasticidade é um fenômeno dependente do tempo que.

Mesmo que o conjunto livro/prateleira seja mantido a uma temperatura constante. (A) conformação das moléculas no estado não perturbado (conformação enovelada). a estrutura emaranhada é deformada. a prateleira irá se deformar. se os livros forem retirados dessa prateleira. Em nível molecular. como possuidora de cadeias enoveladas ou emaranhadas (Randon Coil).27 Figura 23 – Esquema ilustrativo da deformação com o tempo de uma prateleira sujeita a uma força imposta pelo peso dos livros. A recuperação parcial ou total da prateleira será dependente do tempo. ou seja. . a conformação enovelada. A Figura 24 ilustra o esquema. No entanto. ou seja. Sob influência contínua da tensão aplicada com o tempo. as moléculas exercem uma resposta retrativa a esta tensão para manter sua conformação mais estável (enovelada). Desta forma. a prateleira tenderá a ceder. passando para uma conformação alongada. Após a remoção da tensão aplicada ao material. observa-se que a mesma não voltará imediatamente à sua posição original (não deformada). tendem a voltar ao seu estado termodinâmico mais estável. as cadeias deslizam umas em relação às outras. Portanto. suas moléculas que estão em uma conformação alongada. (B) sob tensão (confomação alongada) e (C) após a retirada a tensão (recuperação parcial da conformação enovelada). este processo pode ser descrito da seguinte forma: a massa polimérica pode ser vista no seu estado não deformado. o material tende a retornar à sua dimensão original. devido à ação de uma força constante (peso dos livros). sofrendo uma deformação com o tempo. Quando esta estrutura emaranhada é sujeita à uma tensão constante.

Estas associações recebem o nome de modelos mecânicos ou analogias mecânicas. Modelo de Viscoelasticidade Linear Para representar fisicamente o comportamento viscoelástico de um polímero. (A) antes do carregamento (estado de equilíbrio. os átomos voltam às suas posições originais em relação aos seus vizinhos e o material recupera suas dimensões originais. . Desta forma. os átomos são deslocados de suas posições originais (de equilíbrio) pela aplicação de uma tensão externa. (B) durante o carregamento (conformação alondada) e (C) após o descarregamento (recuperação parcial da conformação alongada). quando esta tensão é retirada. Porém. Analogia Mecânica Os materiais apresentam diferentes tipos de deformações quando é aplicada uma força externa. Quando a deformação é de natureza elástica. a tensão de tração. conformação enovelada). A deformação elástica é reversível e desaparece quando a tensão é removida. Os sólidos ideais apresentam deformação completamente elástica após a aplicação de uma força de tração.28 Figura 24 – Esquema ilustrativo das cadeias nas diferentes conformações. a viscoelasticidade pode ser representada por associações de molas e amortecedores. foram desenvolvidos modelos que podem ser tratados matematicamente. como por exemplo.

Por sua vez. Esta situação pode ser matematicamente descrita através da equação 12. a mola recuperará imediatamente suas dimensões originais. a deformação sofrida pela mola é diretamente proporcional à tensão aplicada. ε → deformação. o pistão está imerso em um fluido viscoso dentro de um cilindro . (12) E → módulo de elasticidade ou de Young. ou seja. Se este peso for retirado. pode ser melhor interpretado através do modelo de um amortecedor hidráulico (pistão). Neste caso. tal como uma mola. Este peso vai gerar uma deformação (ε) na mola. Figura 25 – Deformação (ε) de uma mola (elemento elástico ideal com módulo (E) como resposta a uma solicitação do tipo tensão (σ) na forma de onda quadrada). conforme ilustrado na Figura 26. conforme apresentado na figura 25.E Onde: σ → tensão. a deformação permanente de fluidos ideais quando submetidos a uma tensão. Este modelo tem comportamento Hookeano.29 O comportamento de um sólido elástico ideal pode ser descrito através de um modelo simples. Imagine que uma das extremidades desta mola está fixada na parede. enquanto que a outra extremidade está presa em um peso. σ = ε .

Este modelo tem um comportamento de fluidos viscosos ideais que obedecem a Lei de Newton. enquanto que a outra extremidade está presa em um peso. imagine que uma das extremidades deste amortecedor está fixada na parede. Se este peso for retirado. adquirindo novas posições permanentes com respeito aos seus vizinhos. Figura 26 – Deformação (ε) de um amortecedor (elemento viscoso ideal com fluido Newtoniano de viscosidade η) como resposta de uma solicitação do tipo tensão (σ) na forma de onda quadrada. dε/dt → variação da deformação em função do tempo. os modelos mecânicos de molas servem para melhor representarem o caráter reversível da deformação de sólidos elásticos ideais. . Agora. o pistão não recuperará suas dimensões originais. σ → tensão aplicada. ∂ε ∂t (13) Onde: η → viscosidade do fluido. os modelos de amortecedores representam o caráter irreversível da deformação viscosa de fluidos ideais. Dessa maneira. porque seus átomos se movimentam dentro da estrutura do material. Esta situação pode ser matematicamente descrita através da equação 13. permanentes. Este peso vai gerar uma deformação no pistão. isto é. Os fluidos viscosos apresentam deformações plásticas. σ = η.30 obedecendo à Lei de Newton. enquanto que.

Nesse modelo. mola e amortecedor. a deformação resposta desse elemento à uma tensão aplicada é: 1 – Deformação elástica instantânea. Figura 27 – Modelo de Maxwell com elementos em série de mola e amortecedor. Assim. Maxwell sugeriu que este pudesse ser representado por uma associação de uma mola e um amortecedor. como mostrado na figura 27. 4 – Recuperação plástica residual irrecuperável. obtém-se uma deformação (ε) que é dependente das características da mola (E) e do amortecedor (η). Ao se aplicar uma tensão durante . a associação de amortecedor e mola é realizada em paralelo. Modelo de Voigt Outra maneira de compor os dois elementos básicos. A curva resposta da deformação com o tempo é a soma do comportamento individual de cada um dos componentes. referente à mola.31 Modelo de Maxwell Como um fluido viscoelástico apresenta por definição os dois componentes da deformação. referente ao amortecedor. 2 – Deformação plástica dependente do tempo. um elástico e um plástico. é a proposta de Voigt. referente à mola. referente ao amortecedor. Ao se aplicar uma tensão constante (τ) durante um intervalo de tempo (t). 3 – Recuperação elástica instantânea.

o pistão começa a fluir transferindo parte da carga para a mola.32 um certo intervalo de tempo. isto porque a mola não pode se deformar instantaneamente. Neste modelo. Ao aplicar uma tensão constante por um certo intervalo de tempo. Modelo de Maxwell – Voigt Como cada um dos modelos acima. obtém-se como resposta. conforme na Figura 28. 2 – Recuperação elástica retardada pelo mesmo componente viscoso anterior. . de modo individual. uma curva da variação da deformação com o tempo. sugeriuse uma associação dos dois em série. a deformação resposta desse elemento à uma tensão aplicada é: 1 – Deformação elástica retardada por um componente viscoso. a amostra retorna. como demonstrado na Figura 29. a sua forma original. Figura 28 – Modelo de Maxwell com elementos em série de mola e amortecedor. Retirada a tensão. Sob influência da tensão constante. a tensão total é iniciada no pistão. obtém-se como resposta uma curva de variação da deformação com o tempo. não representa bem todos os casos de comportamento real dos fluidos viscoelásticos. Assim.

4 → Recuperação elástica retardada pelos componentes elásticos. cada porção da curva resposta (ε x t) é a função da ação conjunta dos dois elementos. Esta dependência pode ser observada através dos seguintes ensaios: ⊗ Fluência ⊗ Relaxação de Tensão ⊗ Ensaio Dinâmico-Mecânico → Ensaio de Fluência: Neste ensaio a amostra é submetida a uma tensão constante e a deformação é medida em função do tempo.33 Figura 29 – Modelo de Maxwell-Voigt e curva resposta. Nesse caso. 2 → Deformação elástica retardada por dois componentes viscosos. Onde: 1 → Resposta instantânea da mola. Este teste . 3 → Recuperação elástica instantânea da mola. Ensaios que Caracterizam a Manifestação Viscoelástica de Polímeros Uma das características mais marcantes dos polímeros é a dependência de suas propriedades mecânicas com o tempo.

(B) Compressão e (D) Cisalhamento. A Figura 30 ilustra os diferentes tipos de testes de fluência. a amostra é rapidamente deformada até uma determinada deformação. → Ensaio de Relaxação de Tensão: Neste ensaio. A Figura 31 mostra os testes de relaxação de tensão. Figura 31 – Testes de Relaxação de tensão sob (A) Traça e (B) Compressão. e a tensão para manter esta deformação constante é medida em função do tempo. ⊗ Solução Matemática para Relaxação de Tensão e Fluência em Polímeros . tais como: tensão de tração. Figura 30 – Testes de Fluência sob (A) Tração. cisalhamento e compressão.34 pode ser realizado sob diferentes tipos de solicitações mecânicas.

. resultando em um aumento contínuo da deformação com o tempo. A solução para a equação diferencial (17) é: ε = (1 − exp( − )t ) τ 1 (18) A Figura 32 ilustra a resposta deste modelo no ensaio de fluência. Neste caso. Para a visualização do fenômeno de fluência em polímeros. tem-se: (15) Logo a equação geral para a deformação do modelo de Voigt é: ∂ε ∂t (16) No caso de fluência σ(t) = σo e dividindo a equação (16) pela σ 0 E ε ∂ε = + η η ∂t (17) A relação entre o módulo (E) e a viscosidade (η) é definida como tempo de retardamento (τ).35 1) Ensaio de Fluência (dσ/dt = 0). a associação dos elementos feitos em paralelo fica submetida a uma mesma tensão (σ). é conveniente utilizar o modelo de Voigt. isto é: σ total = σ m + σ a (14) ε total = ε m = ε a σ (t ) = E ε (t ) + η . ou seja τ = η/E. viscosidade (η). No ensaio de fluência as moléculas escoam uma sobre às outras devido à sua mobilidade natural.

Portanto. 2) Ensaio de Relaxação de Tensão (dε/dt = 0) No ensaio de relaxação de tensão. em razão da relaxação individual das moléculas. Para este ensaio é mais conveniente usar o modelo de Maxwell. ou seja. a descrição matemática para a deformação total do modelo de ∂ε ∂σ 1 σ 0 = + ∂t ∂t E η Para a relaxação de tensão dε/dt = 0. como descrito pela equação 19. a deformação total do sistema será igual a soma desses elementos. então temos: (21) 0= ∂σ 1 σ 0 + ∂t E η (22) Reorganizando a e equação (22) temos: . ε total = ε m + ε a (19) (20) σ total = σ m = σ a Maxwell é representada pela equação (21). a tensão necessária para manter uma mesma deformação diminui com o tempo. Neste caso os elementos mola e amortecedor são colocados em série.36 Figura 32 – Curva de fluência descrita segundo o modelo de Voigt.

Neste caso. existem modelos mais complexos que se aproximam das condições mais reais das deformações destes materiais.Relaxação de tensão analisada a partir do modelo de Maxwell. Os modelos são: ⊗ Modelo Generalizado de Maxwell-Weichert ⊗ Modelo Generalizado de Voigt ⇒ Modelo Generalizado de Maxwell – Weichert Este modelo pode representar de maneira adequada o fenômeno de relaxação de tensão.37 ∂σ σ0 =− E η ∂t (23) A relação entre o módulo (E) e a viscosidade (η) é definida como tempo de relaxação. Neste modelo. 1 (24) A Figura 33 ilustra a resposta do modelo de Maxwell para o ensaio de Figura 33 . Estes modelos são simples e não são adequados para representar o comportamento deformacional de polímeros. A solução para a equação diferencial (23) será: σ (t ) = σ 0 exp( − )t λ relaxação de tensão. ou seja λ = η/E. . vários elementos de Maxwell são distribuídos de acordo com a Figura 34.

38 Figura 34 – Modelo generalizado de Maxwell. Nesse modelo. ⇒ Modelo Generalizado de Voigt Este modelo pode representar de maneira adequada o fenômeno de fluência. desmembrando o módulo em dois componentes: a contribuição elástica e . Figura 35 – Modelo generalizado de Voigt. → Ensaio Dinâmico – Mecânico: Este ensaio é capaz de fornecer informações a respeito do comportamento viscoelástico do sistema. vários elementos de Voigt são acoplados de acordo com a Figura 35.

como mostra a equação (26). faz um movimento de “vai e vem”. normalmente senoidal com uma frequência angular ω (= 2πf). Para melhor compreender o significado da deformação senoidal. Figura 36 – Representação do movimento realizado durante um ensaio de tração (A) estático e (B) dinâmico. Suponha que o equipamento aplique uma deformação senoidal do tipo γ = γ0 sen (ωt) e meça a tensão resposta como uma função da variação da temperatura ou da frequência. o corpo é deformado uma única vez e a tensão ou deformação é medida. Neste tipo de experimento. a tensão resposta também será senoidal e estará em fase com a deformação. σ = σ 0 sen( ω t ) como: (26) . a tensão ou a deformação é uma função oscilatória. é possível acompanhar como as informações a respeito das contribuições elástica e viscosa do material. o ponto móvel representado pela Figura 36-b. é submetida a uma deformação do tipo: γ = γ 0 sen( ω t ) (25) onde. Matematicamente.39 viscosa. conforme demonstrado na Figura 36-A. Esta tensão resposta irá depender do comportamento do material. tal como uma mola. Em um ensaio de tração dinâmico. compare o movimento que ocorre em ensaio estático e dinâmico para uma deformação tipo tração. No ensaio de tração estático. γo é a amplitude máxima de deformação. Se um corpo de comportamento elástico ideal.

estará a 900 fora de fase com a deformação. isto é: γ = γ 0 sen( ω t ) então: (33) σ = σ 0 sen( ω t + δ ) (40) . a tensão resposta será do tipo senoidal e estará defasada da deformação por um certo ângulo (0 ≤ δ ≤ π/2). a tensão e a taxa de deformação estão relacionadas entre si pela viscosidade: η= então. Para este tipo de material. σ γ (29) σ = ηγ (30) Como a deformação aplicada é γ = γ 0 sen( ω t ) . tal como um amortecedor.40 E= σ0 γ0 (27) então a deformação resposta pode ser descrita como: σ = E γ 0 sen( ω t ) (28) Para um corpo com comportamento viscoso ideal. a tensão resposta também será tipo senoidal. então: (31) γ = ∂γ = ωγ 0 cos( ω t ) ∂t e a tensão resposta é: σ = ηωγ 0 cos( ω t ) (32) Para um corpo de comportamento viscoelástico linear. porém.

obtêm-se dois componentes em termos de módulo: E´ = σ 0 sen( ω t ) cos δ γ 0 sen( ω t ) σ 0 cos( ω t ) sen δ γ 0 sen( ω t ) (42) E '' = (43) O módulo oriundo da componente da tensão resposta em fase com a deformação. E’. então: σ = σ 0 sen( ω t ) cos δ + σ 0 cos( ω t ) sen δ componentes: (41) A equação 41 mostra que a tensão resposta pode ser resolvida em duas σ 0 sen( ω t ) cos δ σ 0 cos( ω t ) sen δ .que é a componente 90o fora de fase com a deformação e está relacionada à energia viscosa dissipada. E’’. é denominado módulo de perda. é denominado de módulo de armazenamento.41 A equação da tensão resposta pode ser desenvolvida aplicando-se a regra de sen (A+B) = senA x cosB + senB x cosA. . Assim um material viscoelástico será caracterizado por dois valores de módulo E’ e o E’’. Matematicamente é comum representar o módulo do sistema de E*. E o módulo oriundo da componente de tensão resposta 90o fora de fase com a deformação. .que é a componente em fase com a deformação e está relacionada à energia elástica armazenada. Dividindo-se cada um desses componentes da tensão resposta pela deformação senoidal aplicada. como um número complexo composto por duas componentes: E * = E '+ iE ' ' (44) onde a parte real do número complexo constitui-se do módulo de armazenamento e a parte imaginária do módulo de perda.

define uma grandeza denominada tangente de perda. do mesmo modo. é a razão entre a energia dissipada por ciclo e a energia potencial máxima armazenada durante o ciclo. isto é: tan δ = E'' E' (45) A tangente de perda ou fricção interna ou amortecimento. .Representação das funções senoidais da deformação aplicada (γ) e da tensão resposta (σ) para materiais (a) elásticos ideiais. (b) viscosos lineares e (c) viscoleásticos. tanδ. A Figura 37 representa as funções senoidais da deformação aplicada e da tensão resposta para materiais (a) elásticos lineares. Esta relação é muito útil na caracterização de sistemas poliméricos. E’. Assim. materiais mais flexíveis irão apresentar valores de tanδ maiores. materiais mais rígidos irão apresentar valores de tanδ menores e. e o módulo de armazenamento. Figura 37 . E’’.42 A razão entre os valores de módulo de perda. (b) fuidos viscosos lineares e (c) viscoelásticos.

O ensaio seja ele estático ou dinâmico. como por exemplo. sem a necessidade de se realizar ensaios em longos períodos. Isto acontece mesmo quando são solicitados esforços cíclicos onde os resultados são mais rapidamente obtidos do que os ensaios estáticos. em determinadas temperaturas. Em alguns casos. relaxação e dinâmico-mecânico é. conhecidos como “Princípios de Superposição”. Para a construção da curva-mestra. Os valores do módulo em função do tempo são armazenados. é realizado a uma temperatura fixa em um tempo hábil (pré-determinado). Estes ensaios são repetidos várias vezes com temperaturas diferentes e por isso são realizadas várias curvas em função do tempo. . por muitas vezes. uma temperatura de referência é escolhida e o fator de deslocamento (at) de cada curva a uma dada temperatura (T) e um dado tempo (t) é calculado graficamente ou matematicamente. a variação do módulo de relaxação com o tempo para uma dada temperatura. tornou-se possível a construção de curvas capazes de mostrar claramente a dependência do módulo em função do tempo ou da temperatura.A variação acentuada do valor de módulo em função do tempo está intimamente relacionado à Tg do material.43 Princípio da Superposição Tempo – Temperatura A caracterização experimental dos princípios da viscoelasticidade representados pelos ensaios de fluência. O princípio da superposição para a construção de uma curva-mestra é bastante útil para projetos que levem em consideração o desempenho do material ao longo do tempo. A partir do desenvolvimento de métodos analíticos.Curvas de módulo em função da temperatura são semelhantes às curvas de módulos em função do tempo. demanda muito tempo para a obtenção de uma curva desejada. 2. Construção da Curva-Mestra A construção da curva-mestra é baseada em dois princípios: 1. Tais curvas são denominadas de “Curvas-Mestra”. um trabalho demorado e complexo. sob diversos estágios de carregamento.

at = exp Δ H r (1 / T − 1 / T0 ) (49) Onde: ΔH → a entalpia de ativação da relaxação. O fato essencial é que a medida que a temperatura aumenta. de modo que todos os efeitos viscoelásticos ocorrem mais rapidamente. tanto amorfos como semicristalinos. Em princípio. a superposição permite a realização de experimentos em tempos curtos de análise. a uma temperatura elevada. de Willian. a uma temperatura mais baixa poderiam requerer muito tempo para serem medidas. para fornecer informações sobre as propriedades de um material as quais. Landel e Ferry (WLF).44 Para polímeros amorfos o fator de deslocamento (at) é calculado matematicamente pela equação 46. A equação de Arrhenius é usada para calcular o fator de deslocamento de uma variedade de polímeros.303 f g (47) β → é uma constatnte e fg é o volume livre fracional na Tg C2 = Onde: fg αt (48) αt → coeficiente de expansão térmica do volume livre fracional acima da Tg do polímero. o valor do tempo de relaxação naquela temperatura diminui. R → a constante dos gases. A Figura 38 ilustra a construção de uma curva mestra para o Poliestireno. log at = Onde: − C1 (t − t 0 ) C 2 (t − t 0 ) (46) C1 = Onde: β 2. .

O parâmetro de medida principal é a deformação. e fluido. estão em fase. ♦ Memória Falha ♦ Sem Memória O parâmetro principal de O parâmetro de medida pode medida é a taxa de ser tanto a taxa de cisalhamento ou gradiente de cisalhamento com a velocidade.45 Figura 38 – Representação da construção de uma curva mestra. a tensão e deformação para o modelo de amortecedor (fluido ideal) estão fora de fase de um ângulo de δ = 90º Existem vários modelos matemáticos que descrevem a equação de estado ou fluxo/tensão. a tensão e deformação. ♦ Memória Perfeita. elástico deforma permanentemente. o ângulo de defasagem entre as curvas de tensão e deformação com o tempo está entre 0º < δ <90º . Tabela 2 Resumo das Características e Equações de Estado Elástico Fluido Viscoso Ideal Sólido Elástico Ideal O material sob tensão se deforma elasticamente. do modelo mola (sólido ideal). o material recupera suas dimensões originais. deformação ε = ΔL/Lo Equação Tensão de Estado γ=dv/dy=dγ/dt ou Equação de Estado ou Fluido σ = Eε Em testes oscilatórios. isto é δ = 0 τ = ηγ Em testes oscilatórios. Em testes oscilatórios. A Tabela 2 mostra um resumo das características e as equações de estado elástico fluido viscoso ideal. dissipando energia e calor. Fluido Viscoso Material Viscoelástico A tensão aplicada induz a Material com comportamento deformação do fluido que se simultâneo de sólido. Após a retirada da tensão.

2. as moléculas ou camadas de fluido se deslocam através de linhas de corrente. sem apresentar deslocamento relativo no centro.Regime Permanente ou Estado Estacionário: o escoamento é perfeitamente estável e a velocidade pontual do fluido não varia com o tempo. sendo máxima na parede e nula no centro.Regime Transiente ou Transitório: o escoamento apresenta uma velocidade pontual variável com o tempo. mas a região central do fluido se move como se fosse um corpo sólido. A velocidade é máxima no eixo axial e nula na parede do tubo. conforme pode ser observado pela Figura 39. Fluxo Laminar No fluxo laminar. O . 1. Sabe-se que a distribuição de velocidades é a parabólica no interior de tubos circulares.46 Regimes de Escoamento de Fluidos Na teoria clássica do escoamento de fluidos. Figura 39 – Ilustração da distribuição (A) de velocidades e (B) de tensões em fluxo laminar no interior de tubo circular de seção uniforme. A distribuição de tensão é linear ao longo da seção do tubo. Nesse escoamento. são conhecidos dois regimes: o regime “Permanente” e o regime “Transiente ou Transitório”. no qual não existe deslizamento relativo entre as camadas ou moléculas do fluido numa certa região. Fluxo Tampão O fluxo tampão é um caso particular de escoamento laminar. existe deslocamento relativo próximo às paredes do recipiente.

A Figura 41-A apresenta um esquema ilustrativo do fluxo turbulento através de um conduto cilíndrico. . Desta maneira. como a amplitude das oscilações das partículas é pequena e o deslocamento macroscópico se dá em uma direção definida. Fluxo Turbulento O fluxo turbulento caracteriza-se pelo deslocamento caótico de massas ou partículas do fluido ao longo do canal de fluido. A Figura 40 ilustra o fluxo tampão de um fluido no interior de um duto circular.47 escoamento tampão normalmente ocorre em fluidos não ideais que possuem uma tensão limite para iniciar o cisalhamento. as velocidades pontuais mudam de valor e direção. Entretanto. as partículas ou massas do fluido se movem ao acaso e através de trajetórias acentuadamente curvas. enquanto que a Figura 41-B ilustra a variação da velocidade em um ponto em função do tempo e esboça uma curva que representa o cálculo da velocidade média. o fluxo turbulento pode ser considerado como permanente em média. Neste tipo de fluxo. Esse deslocamento turbulento provoca uma mistura entre as moléculas ou camadas. Figura 40 – Esquema representativo da distribuição de (A) de velocidade e (B) de tensões de cisalhamento.

no interior de tubo circular de seção uniforme. geralmente acontece quando o número de Reynolds é menor que 2100. A relação que define o regime de fluxo é conhecida como “Número de Reynolds”. isto é. Nr = Onde: ρ DV méd η (50) ρ → massa específica do fluido. A Tabela 3 mostra o número de Reynolds praticados no escoamento de fluidos usuais da indústria de petróleo. A transição do fluxo laminar para o turbulento ocorre para o número de Reynolds no intervalo de 2100 a 3000. (B) Variação da velocidade pontual. ou se a viscosidade do material diminui. Esta relação independe dos sistemas de unidades. . conforme pode ser observado pela equação (50). ela é adimensional. conclui-se que o escoamento tende a ser turbulento quando a velocidade do fluxo aumenta. em função do tempo para o fluxo turbulento. o regime é turbulento. o fluxo tenderá a ser turbulento se a dimensão do canal de fluxo aumentar. vméd → velocidade média de fluxo.48 Figura 41 – (A) Perfil das velocidades médias em fluxo turbulento. Acima de 3000. D → dimensão do canal de escoamento. O escoamento laminar para fluidos Newtonianos através de tubos lisos. Para uma determinada velocidade e viscosidade. Da equação 50.

é o fato de que a maioria das propriedades reológicas de polímeros é obtida experimentalmente através de medidas em equipamentos com geometria simples. como por exemplo o reômetro capilar e de cone com placas Fluxo de um fluido Newtoniano através de um tubo Escoamento Laminar A figura 42 mostra o esquema de um modelo adotado para fluxo laminar através de um tubo longo de seção circular de raio R e comprimento L. em canais de alimentação de um molde de injeção e capilar de um reômetro. Figura 42 – Esquema ilustrativo do fluxo laminar de um fluido no interior de um tubo cilíndrico longo com seção circular. o fluxo desenvolvido pelo polímero nestes equipamentos também é bastante complexo. na maioria dos casos.49 Tabela 3 Perfil das Velocidades Médias em Fluxo Turbulento Número de Reynolds crítico no escoamento dos fluidos. Entretanto. por exemplo. Essa situação pode ser encontrada. em equipamentos de geometria complexa. Outro fator adicional para a necessidade de estudar casos mais simples. . como é o caso da extrusão e da injeção. Nº de Reynolds Crítico 100 2100 3000 3000 – 8000 Tipo de Fluxo Tampão Laminar Turbulento Turbulento Tipo de Fluido Não Newtoniano Newtoniano Newtoniano Não Newtoniano Escoamento no interior de tubos O processamento de materiais poliméricos é realizado. normalmente são realizadas aproximações dessas situações complexas para situações mais simples. Desta maneira.

50 A análise do fluxo laminar é de amplo domínio da matemática e bastante abordado nos livros de mecânica dos fluidos. dentro de um tubo cilíndrico de seção circular. o perfil de velocidade é gerado pela aplicação de um gradiente de pressão externa ΔP no fluido. ΔP → diferença de pressão que provoca o deslocamento. (51) Resistência do Fluido A resistência viscosa do fluido ao fluxo. ♦ O escoamento é permanente. é descrita pela equação (52). resulta em uma força expressa por: F c = ( P2 − P1 )π r 2 = Δ P π r 2 Onde: Fc → a força cisalhante. Para o escoamento. Suponha que a pressão P1 > P2 o fluido irá se movimentar com uma dada velocidade (V). A pressão diferencial que atua numa camada de fluido da Figura 42. Em contraposição a ação da pressão aplicada existirá uma tensão de cisalhamento que ocorre devido a resistência do fluido ao escoamento. ♦ O fluido é Newtoniano. devido a tensão cisalhante que atua através da área superficial da camada do fluido. r → raio a uma distância qualquer do centro. ♦ O fluido incompreensível. . Para que haja escoamento na geometria mostrada na Figura 42 é necessária a aplicação de uma pressão externa numa dada direção. Fluxo de Pressão O fluxo de pressão é aquele em que um gradiente de pressão é aplicado ou imposto ao sistema. são realizadas as seguintes considerações: ♦O fluxo laminar. ♦ A velocidade do fluxo na parede do tubo é zero. Para descrever o fluxo do fluido em cada ponto.

τmáx. se igualam resultando em: τr = Δ Pr 2l (53) Considerando que a diferença de pressão uniforme ao longo do comprimento do duto (L). o cisalhamento é nulo e que nas paredes do tubo a tensão de cisalhamento assume seu valor máximo. R → raio interno do tubo. No equilíbrio dinâmico. . r → raio a uma distancia qualquer do fluido. τr → tensão cisalhante a uma distância r. varia linearmente com a posição radial. onde o escoamento se encontra perfeitamente desenvolvido . então: τr = Δ Pr 2L (54) A equação 54 fornece o perfil de cisalhamento para o escoamento no duto circular. l → comprimento da camada do fluido.51 Fc = τ r 2π rl Onde: (52) Fr → força viscosa resistente do fluido. A partir deste perfil é possível afirmar que no centro do tubo. dado por: τ máx = Onde: Δ PR 2L (55) τmáx → tensão de cisalhamento máxima na parede do tubo. as duas forças (Fluxo de pressão e Resistência do Fluido). em qualquer ponto. A equação 55 mostra que a tensão de cisalhamento. sendo nula no centro e máxima na parede do duto. L → comprimento do tubo.

tem-se: (57) ΔPπR 4 η= 8 LQ (58) Para fluidos não Newtonianos a solução da equação 56 será: γ máx = ( 3n + 1 4Q )( 3 ) 4n πR (59) Δ PR 3n + 1 n 4Q n = ηa ( ) ( 3) 2L 4n πR Onde: ηa →viscosidade aparente do fluido. Q → vazão do fluxo. tem-se: τ máx η= como: γ máxc Substituindo (57) em (56).52 A taxa de cisalhamento ou gradiente de velocidade na parede de um condutor é dada pela seguinte equação: γ máx = ( Onde: ∂V 4Q )w = 2r πR 3 (56) dV/dr → gradiente de velocidade do fluido. (60) . Para Fluidos que obedecem a Lei de Newton.

1 MEDIDAS REOMÉTRICAS Quando se medem propriedades reológicas em laboratório. Mede-se a força exercida pelo pistão sobre o fluido. fala-se que estão realizando ensaios de reometria. (C) Pistão. (D) célula de carga. Db diâmetro no barril. (B) Barril.53 1. A Figura 43 ilustra o reômetro capilar. Figura 43 – Esquema ilustrativo de um reômetro capilar: (A) Capilar. . e Dc é o diâmetro do capilar.6 REOMETRIA E VISCOSIMETRIA 1. Reometria Capilar A reometria capilar é a técnica mais utilizada para o estudo das propriedades reológicas de polímeros fundidos. Princípio de medida de vazão por um Reômetro Capilar: O polímero fundido é forçado a atravessar um orifício capilar de área transversal circular.6. para que este escoe a uma velocidade constante. A vazão do fluido também é calculada. Estes ensaios são realizados em equipamentos que permitem investigar o comportamento reológico sob condição de fluxo pleno e determinar o comportamento viscoelástico de um certo fluido. Esta técnica mede a vazão em um tubo em função da pressão e é realizada em um reômetro capilar.

54

O fluxo que ocorre em um capilar é o mesmo apresentado anteriormente, para condutos de seção circular. No reômetro capilar é considerado que o fluxo está em regime permanente de cisalhamento, então, as equações (55), (58), (59) e (60) são válidas para este caso. Lembre que as equações (59) e (60) apresentam a solução matemática de fluxo de vazão para Fluidos Não Newtonianos (polímeros).

γ máx = (

3n + 1 4Q )( 3 ) 4n πR

(59)

Δ PR 3n + 1 n 4Q n = ηa ( ) ( 3) 2L 4n πR

(60)

Se fizermos um gráfico de log linha reta, cuja interseção e

Δ PR 4Q n ) obteremos uma versus ( 2L πR 3
permitirá calcular ηa e n,

inclinação

respectivamente.

Correção de Rabinowitsch Quando é realizado um experimento em um reômetro capilar, utilizando fluidos que não obedecem a Lei das Potências e a Lei de Newton, a curva de fluxo do log

Δ PR 4Q n ) não segue um comportamento linear versus ( 2L πR 3

(Figura 44). Para este caso utiliza-se um fator de correção, chamado de correção de Rabinowitsch. Desta maneira, a taxa de cisalhamento na parede do capilar, para fluidos que não seguem a Lei das Potências, é calculada a partir da equação 61.

γ

máxcorrigi

da

= (

4Q 3 + b )( ) πR 3 4

(61)

Onde: b → está relacionado com o raio do capilar, comprimento do capilar e fluxo de vazão do fluido.

55

Figura 44 – Curva de tensão de cisalhamento da parede do capilar x taxa de cisalhamento aparente para (a) Fluido Newtoniano, (b) fluido Não Newtoniano que obedece a Lei das Potências e (c) fluido Não Newtoniano que não obedece a Lei das Potências. Correções na entrada do capilar A queda de pressão teórica através de um capilar pode ser expressa pela equação (62).

Δ P = Pb − Pc
Onde: Pb → pressão no barril,

(62)

Pc → pressão na saída do capilar.

A equação (62) é válida para um fluido Newtoniano, de baixo peso molecular e o fluxo está plenamente desenvolvido. Porém na prática, quando as propriedades reológicas de polímeros fundidos são medidas, observa-se uma queda da pressão na entrada do capilar. Assim, torna-se necessário corrigir esta diferença na pressão de entrada, já que seu valor afetará diretamente no valor de τmáximo e na viscosidade, η.

56

Correção de Bagley A correção de Bagley é um procedimento utilizado para corrigir a diferença de pressão da entrada do capilar, que consiste em calcular o comprimento do capilar necessário para obter um fluxo completamente desenvolvido. Assim pode-se expressar a tensão de cisalhamento corrigida na parede do capilar, segundo a equação (63). A Figura 45 ilustra a pressão de um capilar de comprimento de (Lc + eRc).

τ máxc .corrigida =
Onde:

Δ PR c 2 ( Lc − eR c )

(63)

O produto eRc→ representa o comprimento do tubo capilar necessário para obter fluxo plenamente desenvolvido, com uma queda de pressão igual à queda de pressão extra resultante dos efeitos da entrada do capilar, Rc → raio do capilar, Lc → comprimento do capilar.

Figura 45 – Pressão através de um tubo capilar.

Experimentalmente, e é calculado, através da utilização de vários capilares com diâmetros 2Rc similares, mas com comprimentos Lc diferentes.

as tensões e as taxas de cisalhamento são calculadas a partir das seguintes expressões: τ máxc . . D b2 2 = ( ) v xh ( 3 ) 15 D (65) F → força exercida pelo material no pistão (Kgf). Db = 2Rb → diâmetro do barril (cm). Logo. na entrada do capilar é então determinada por extrapolação dessas curvas até pressão igual a zero. A correção de Bagley. e o polímero exerce uma força F contra o pistão. o pistão desce a uma velocidade constante Vxh. isto é. a interseção das retas com o eixo horizontal corresponde ao valor de e. Procedimento para determinação da viscosidade em um reômetro capilar Em um reômetro capilar. Figura 46 – Curvas para determinar a correção de Bagley. Dc = 2Rc → diâmetro do capilar (cm). Onde: D F = ( 2 )( c ) D b π Lc (64) e γ máxc . Vxh → velocidade de descida do pistão (cm/min). conforme ilustrado pela Figura 46.57 São construídas curvas de ΔP em função de Lc/Rc.

. muito pequeno.Calcula-se o valor da viscosidade (η) = τmáx/ γmáx (interseção com o eixo y). então corrige-se a taxa de cisalhmanento(γmáx) utilizando a equação 59.Calculam-se as tensões e taxas experimentais de acordo com as equações 64 e 65. calcula-se a sua inclinação a qual corresponderá ao valor de n.Se necessário. Figura 47 – Esquema do reômetro tipo (A) cone-placa e (B) placa-placa. Caso a curva seja uma reta e n>1 ou <1. 2. o fluido é Newtoniano e nenhuma correção precisa ser feita. A Figura 47 apresenta o esquema dos reômetros: (A) cone-placa e (B) placa-placa.2 REÔMETROS CONE-PLACA E PLACA-PLACA O Reômetro cone-placa é constituído por um corpo de forma cônica e outro de plano em forma de placa circular. em geral. Se n=1. O ângulo do corpo cônico é. isto é.0174 rad (α=1o). deve-se também fazer a correção de Bagley obtendose a tensão de cisalhamento corrigida (τmáx). 3. deve-se fazer a correção de Rabinowistsh para a obtenção da taxa de cisalhamento corrigida. menor que 0. Caso os dados experimentais não produzam uma linha reta.58 Após a obtenção de F em função de Vxy é adotado o seguinte procedimento para calcular a viscosidade e a taxa de cisalhamento: 1.Faz-se um gráfico dos dados experimentais de log τmáx x γmáx. segundo a equação 61. 1. Se o gráfico obtido for uma linha reta. de acordo com a equação 63.6. 4.

59 A tensão de cisalhamento no reômetro pode ser calculada pela seguinte expressão: τ. = Onde: 3Tq 2π rc3 (66) Tc → tensão de cisalhamento no cone. Rc → raio externo do cone ou da placa circular. a equação 66 pode ser reescrita como: τ c . rp → raio da placa circular. Tq → torque a ser medido Considerando o raio definido. ω → velocidade angular. e → distância entre as placas. A taxa de cisalhamento do reômetro de placa-placa é dependente do raio externo da placa rotatória. = b1Tq cone-placa é: (67) A expressão que calcula a taxa de cisalhamento para o Reômetro de γ cp = Onde: ω π =( )N tg (α ) 30α (68) γcp → taxa de cisalhamento do fluido no reômetro cone-placa. N → velocidade de rotação. N → velocidade de rotação. . desta maneira a expressão que calcula a taxa de cisalhamento para este equipamento será: γ pp =( πrp 30 e )N (69) Onde: γpp → taxa de cisalhamento do fluido no reômetro placa-placa. α → ângulo do cone.

. (70) Logo. etc.). O torque necessário para fundir. obtém-se um gráfico de torque x tempo. e no reômetro placa-placa. O reômetro de torque é constituído por um misturador interno de pás giratórias. Desta forma. as geometrias dos equipamentos usados industrialmente e aproxima-se das condições reais de processamento. Figura 48 – Curva de torque obtida em um reômetro de torque.60 Considerando que no reômetro cone-placa. Nesse reômetro. Assim. utilizando um sistema misturador. o fator (rp/e) é constante. Também podem ser obtidas curvas de temperatura x tempo. o ângulo do cone é constante. a amostra é colocada dentro do misturador a uma velocidade pré-determinada. em escala menor. é recomendável medir as propriedades como a viscosidade. nas condições mais próximas ou similares das condições de processamento.6. A temperatura dentro do sistema é continuamente controlada. DPM.3 REÔMETRO DE TORQUE No processamento de polímeros. a viscosidade para os reômetros Cone-Placa e Placa-Placa é η = b( Tq N ) (71) 1. misturar e homogeneizar a amostra é então medido. as propriedades reológicas dependem dos parâmetros operacionais (temperatura. pressão. vazão) e estruturais (peso molar. O reômetro de torque é um equipamento que reproduz. tem-se que: γ = b2 N expressa pela equação (71).

quando a taxa de cisalhamento é muito elevada o polímero pode votar a apresentar um comportamento Newtoniano. como extrusão e moldagem por injeção. as moléculas moléculas do polímero estão completamente orientadas e a viscosidade do material não é mais afetada pelo aumento da taxa de cisalhamento. como moldagem por compressão. Nesta figura também é possível observar que. decrescendo à medida que esta aumenta. Na figura 49. o polímero poderá ter um comportamento Newtoniano ou não-Newtoniano. No processamento de injeção. Neste estágio. O aumento da taxa de cisalhamento.61 REVISÃO Parâmetros que Afetam a Viscosidade dos Polímeros Taxa de Cisalhamento Efeito da Temperatura Efeito da Massa Molar e Distribuição Grau de Ramificação Pressão ⇒ Taxa de Cisalhamento Alguns polímeros quando fundidos podem ter um comportamento de um fluido da Lei da Potência. enquanto em outros. dependendo da magnitude da taxa de cisalhamento do processo. mas não o único. as taxas de cisalhamento são baixas. pode-se observar que a viscosidade de um determinado polímero fundido é uma função da taxa de cisalhamento. ocorre a diminuição da viscosidade do material (fluido pesudoplástico). acarreta na orientação das moléculas. o material apresenta um comportamento Newtoniano. reduzindo assim a resistência do fluido ao fluxo. Assim. em alguns processos de transformação de polímeros. as taxas de cisalhamento são altas. Para baixas taxas de cisalhamento. isto é. . Este é um comportamento típico destes materiais. como é no caso de moldagem por compressão.

quando fundidos. Figura 49 – Curva de viscosidade x taxa de cisalhamento para um polímero fundido a uma dada temperatura. Figura 50 – Curva de viscosidade x taxa de cisalhamento para vários polímeros fundidos a uma dada temperatura. De uma forma geral. .62 A Figura 50 apresenta a influência da viscosidade com o aumento da taxa de cisalhamento para alguns polímeros. ⇒ Efeito da Temperatura A viscosidade dos materiais também sofre alterações com a variação da temperatura. o aumento da temperatura irá promover um incremento na movimentação molecular que acarretará uma diminuição da viscosidade do material.

Figura 51 – Influência da temperatura na viscosidade de alguns polímeros. a viscosidade η a uma dada temperatura (T). está relacionada com a viscosidade.025 αf = 4.63 A Figura 51 mostra a influência da temperatura na viscosidade de alguns polímeros. em que Tg é a temperatura de transição vítrea. esse volume livre aumentará linearmente com o aumento da temperatura. Essa teoria assume que a uma dada temperatura To≅ (Tg . um coeficiente de expansão do volume livre αf. Na Tg. pode ser descrito como: f = f g + α f (T − T g ) Onde: (72) F é o volume livre e fg volume livre na tg fg = 0. porém. não existe volume livre entre as macromoléculas. Landel e Ferry (WLF).8 x 10-4 Pela Teoria de Willians.52ºC). A dependência da viscosidade em relação à temperatura pode ser explicada pela teoria do volume livre em polímeros. Assim. o volume livre assumirá um valor finito a fg. na temperatura de transição vítrea ηg pela seguinte relação: .

o polímero estará preferencialmente emaranhado. (76) T → temperatura absoluta.6 2. normalmente a dependência de η à temperatura pode ser expressa por uma relação do tipo Arrehnius η = ae − b / T Onde: a → constante. se a taxa de cisalhamento é pequena.303 (75) No caso de polímeros fundidos.64 C1r (T − T g ) η + T − T g (73) log( ) = ηg C 2g onde C1 e C2 são: C1g = e 1 f g = 17 . Considerando uma determinada temperatura. Para o melhor entendimento do efeito da temperatura nas propriedades dos polímeros é necessário lembrar que a viscosidade também varia com a taxa de cisalhamento. . B pode ser expressa por: b= Onde: Ea R (77) Ea → energia de ativação de fluxo (barreira energética que dever ser vencida para que haja escoamento).303 (74) C 2g = 1 C 1g α f = 51. R → Constante dos gases T → temperatura em absoluto. 44 2.

ocorre o aumento da movimentação molecular. A relação de Mark-Howlink expressa a dependência da viscosidade com Mw.5. . chamado Mc. Quase todos os polímeros lineares como o HDPE.65 Em temperaturas mais elevadas.4 e 3. a viscosidade também é influenciada pelo peso molecular (PM). a é igual a 1. O aumento do PM aumenta a viscosidade do polímero devido ao aumento dos “entanglements” emaranhamentos. o PP e o PS podem ter sua viscosidade η relacionada ao peso molecular. teoricamente. equivale ao peso molecular no qual os emaranhamentos moleculares começam a exercer efeitos significantes na viscosidade. e resultando em um desemaranhamento das cadeias. A figura 52 mostra o efeito do peso molecular médio na viscosidade de um polímero. a varia entre 3. O desemaranhamento molecular resultará na diminuição das forças intermoleculares (pontos de contato) e.000 e. conseqüentemente a viscosidade diminui. Esse valor corresponde à aproximadamente Mc=15. ⇒ Efeito da Massa Molar e Distribuição Assim como o módulo. acima desse valor. Esta relação é conhecida como “Relação de Mark-Howlink”: a η 0 = KM w (78) Onde: K e a → são as constantes para um dado polímero Até um valor crítico de Mw.

Isto ocorre porque as moléculas menores atuarão como lubrificantes diminuindo a força intermolecular entre as moléculas maiores. Figura 53 – Curva de viscosidade x taxa de cisalhamento. menor será a resistência do polímero frente ao fluxo. Quanto mais larga a DPM. A distribuição de peso molecular também exerce forte influência na viscosidade do material. . mostrando a influência de Mw na viscosidade. A Figura 53 mostra a influência de Mw nas curvas de viscosidade x taxa de cisalhamento. mostrado o peso molecular crítico. A Figura 54 apresenta a dependência da distribuição de peso molecular em uma cura da viscosidade x taxa de cisalhamento.66 Figura 52 – Curva de viscosidade x peso molecular médio.

. A variação de viscosidade com a pressão é um fator importante na Reometria. Como a viscosidade depende das distâncias entre as moléculas e com o aumento de pressão esta distância é diminuída. da taxa de cisalhamento e do peso molecular. mostrando a influência de Mw na viscosidade. portanto.67 Figura 54 – Curva de viscosidade x taxa de cisalhamento. Contudo nem todos os polímeros têm este comportamento. maior será o volume livre molecular (volume não ocupado pela molécula) e. ⇒ Grau de Ramificação Quanto maior o grau de ramificação. o PS por sua vez diminui sua viscosidade com o aumento da pressão. geralmente. o silicone possui. 107 vezes a viscosidade a 1 atm. ⇒ Pressão Além da temperatura. principalmente na moldagem por injeção. conclui-se que η. como também no processamento de polímeros. Por exemplo. menor será a viscosidade do polímero. aumentará com o aumento da pressão. a 10000 atm. a viscosidade de um polímero depende da pressão.

Mark J. E. 6 ed. Editora Interciência. então que o estudo do estudo da reologia de materiais poliméricos tem fundamental importância no processamento desses materiais. Morton. F. 2002.. Chapman & Hall.. S. 1988. Caracterização de Polímeros: Determinação de Peso Molecular e Análise Térmica. 2002. Soares. Machado. LTC. Munic.Obter condições ideais dos processos de transformações de polímeros. B. R. E. E. 2 ed. B. London.. pois permite: 1 – Prever o comportamento de polímeros durante o processamento. Caxias do Sul. V. S.. 3 – Formular equações constitutivas para aplicação na modelagem e simulação do processamento desses materiais. 1 ed. 2 . epapers. Ciência e Engenharia de Materiais: Uma Introdução. New York.Science and tecnology of Rubber. D. J. Erman.A. São Paulo. . Polymer Processing.. V. Morton-Jones D.. H. A. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS Bretas. 1994. Academic Press. J. Brydson. 2002. Navarro. Oswald T. A Polymer Processing Fundamentals. E. Ciência dos Polímeros: um texto básico para tecnólogos e engenheiros. 1966. M. 1993. Fundamentos de Reologia de Polímeros. Ltda. Reologia e Escoamento de Fluidos: ênfase na indústria do petróleo. Canevarolo Jr. Lucas. Editora da UFSCar. 2001. Monteiro. D´Ávila. London. W. Rio de Janeiro. Rio de Janeiro. E. Jr.and Eirich. Rubber Recnology. M. 1994.. R.Reologia de Polímeros Fundidos. F.68 CONSIDERAÇÕES FINAIS Podemos concluir. Hanser Publishers. 2000. Callister. Rio de Janeiro. C. M. 1997.. Artliber. Elsevier Applied Science. London.. Chapman & Hall. São Carlos. Educ. G.