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ADMINISTRATIVO – CURSO REGULAR PROFESSOR GUSTAVO BARCHET

AULA 08: DISPOSIÇÕES CONSTITUCIONAIS SOBRE OS AGENTES PÚBLICOS

1.

INTRODUÇÃO

Antes de iniciarmos a análise das disposições constitucionais sobre os agentes públicos, é necessário apresentarmos o conceito de agente público, e a partir daí, as modalidades em que eles se subdividem. Podemos definir agente público como toda pessoa física que exerce, de forma gratuita ou remunerada, permanente ou transitória, por qualquer forma de investidura ou vínculo, mandato, cargo, emprego ou função pública. O primeiro ponto digno de nota é que agentes públicos é conceito aplicável somente às pessoas físicas. Desse modo, não devemos assim considerar, por exemplo, uma autarquia, mas sim os empregados e servidores públicos que nela atuam. Em segundo lugar, não importa, para o enquadramento como agente público se a atuação se dá a título gratuito ou remunerado. Algumas das categorias de agentes públicos, como veremos a seguir, tem a atuação remunerada como parte de suas características, mas é indevida sua generalização para todos os agentes públicos. Da mesma forma, o vínculo que prende a pessoa física pode ter caráter permanente, no sentido de que não se pode definir, já no início do vínculo, até que momento ele será mantido; ou transitório, quando, no início do vínculo, já há como se definir, se não o momento exato, ao menos a época aproximada em que o vínculo cessará. Com base nessas considerações, podemos sintetizar a definição acima proposta, e definir agente público como toda pessoa física que exerce função pública. Dois são, pois, os requisitos básicos para a caracterização do agente público: um, de caráter objetivo, que é a natureza pública da função desenvolvida; outro, de caráter subjetivo, que é a investidura de uma pessoa natural na referida função. Agentes públicos, enfim, são todas as pessoas físicas aptas a transmitir, em função de algum tipo de vínculo jurídico, a vontade do Estado. No conceito estão incluídos desde os chefes de Poder, a exemplo do Presidente da República, até os agentes que exercem atividades meramente executivas, seja qual for a esfera de Governo (União, Estados, Distrito Federal e Municípios) ou o Poder (Executivo, Legislativo e Judiciário) em que executem suas funções. Incluem-se, ainda, particulares que desempenham alguma função pública, como os agentes delegados, honoríficos e credenciados. São agentes públicos quanto às funções públicas que exercem, apesar de não integrarem a estrutura formal da Administração Direta ou Indireta.

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Passemos agora à análise das principais categorias de agentes públicos, segundo a ótica de dois de nossos maiores doutrinadores. 2. CLASSIFICAÇÃO DOS AGENTES PÚBLICOS

A doutrina não apresenta uma classificação uniforme para os agentes públicos. Há, na verdade, um sem número de classificações elaboradas por nossos doutrinadores, a exemplo da construída por Bandeira de Mello, autor que subdivide os agentes públicos em (1) agentes políticos, (2) servidores estatais e (3) particulares em atuação colaboradora com o Poder Público. Adotaremos inicialmente a classificação apresentada por Hely Lopes Meirelles, que classifica os agentes públicos em cinco espécies: agentes administrativos, agentes políticos, agentes delegados, agentes honoríficos e agentes credenciados. Ao final, apresentaremos rapidamente a classificação proposta por Celso Antônio Bandeira de Mello. São essas as duas classificações que devemos conhecer para fins de concurso. 2.1. CLASSIFICAÇÃO DE HELY LOPES MEIRELLES 2.1.1. AGENTES ADMINISTRATIVOS Agentes administrativos são todos aqueles que exercem um cargo, emprego ou função pública com vínculo empregatício e mediante remuneração, estando sujeitos à hierarquia funcional do órgão ou entidade no qual exercem suas funções. Três são, portanto, as características dos agentes administrativos: 1) exercem suas funções a título de profissão, pois firmam uma relação empregatícia com o Poder Público; 2) não atuam de forma gratuita, mas mediante o pagamento de remuneração; 3) atuam sob uma relação de subordinação, estando sujeitos à hierarquia do órgão ou entidade em que atuam. Nessa categoria se incluem os servidores públicos, titulares de cargos efetivos ou em comissão, os empregados públicos e os contratados temporários em virtude de necessidade de excepcional interesse público. Dentre tais agentes duas espécies se destacam: os servidores públicos e os empregados públicos. Em sentido estrito, servidor público é expressão utilizada para designar os agentes administrativos ocupantes de cargos efetivos ou em comissão, estando sujeitos a regime estatutário, de natureza eminentemente legal e, portanto, passível de alteração por ato unilateral, desde que respeitados os direitos adquiridos do servidor. Integram os quadros da Administração Direta, das autarquias e das fundações públicas de direito público. Alguns institutos jurídicos, a exemplo da estabilidade, só se aplicam a esses agentes públicos (mais precisamente, aos servidores ocupantes de cargo efetivo, que ingressam mediante aprovação em concurso público).

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todavia. ADMINISTRATIVO – CURSO REGULAR PROFESSOR GUSTAVO BARCHET Até a EC 18/98 os militares também estavam incluídos nesse grupo. a expressão funcionário público. ressalvadas as funções típicas de Estado. Dessa forma. em Direito Penal. essa designação encontra-se em franco desuso. eleição. Empregado público. ocupam em caráter permanente um emprego público. devendo ser utilizado simplesmente o termo “militares”. voltaremos à matéria após a apresentação das demais modalidades de agentes públicos. Com a publicação da emenda os militares passaram a formar uma categoria à parte. uma vez que dessa categoria. mas apenas em “servidores públicos”. Apenas os auxiliares imediatos dos chefes de Executivos não gozam de independência funcional. até então largamente utilizada pela doutrina. não sendo passível de alteração por ato unilateral. art. para o exercício de atribuições constitucionais”. www. o que significa que seu vínculo com a Administração tem natureza contratual. para nos referirmos a esta categoria de agentes públicos. 2. mandatos ou comissões.pontodosconcursos. é expressão mediante a qual identificamos os agentes administrativos que. devendo cada uma ser utilizada em seus respectivos ramos jurídicos. não haver diferença significativa entre eles e os servidores civis. bem como por diversos diplomas legais. no que concerne ao Direito Administrativo. uma vez que são hierarquicamente subordinados ao respectivo chefes do Poder. Os agentes administrativos são a mais importante categoria de agentes públicos para fins de Direito Administrativo. equivale à expressão agente público em Direito Administrativo. atualmente. apesar de. 327). Assim. não devemos falar em “servidores públicos civis”. Nessa ampla conceituação estão incluídos. não obstante a diversidade de funções. sob a rubrica de “servidores militares”. emprego ou função pública (CP. exerce cargo.1. indiscutivelmente agentes políticos. Dessa forma. também os membros da Magistratura.CURSOS ON-LINE – DIR. por sua vez. são “os componentes do Governo nos seus primeiros escalões. seus auxiliares imediatos e os parlamentares.2. Estão regrados pela Consolidação das Leis Trabalhistas (CLT). quando tratou da Administração Pública. funções. investidos em cargos. conceitualmente. designação ou delegação. para Hely Lopes Meirelles. AGENTES POLÍTICOS Agentes políticos. é tecnicamente errado fazer uso. Da mesma forma. embora transitoriamente ou sem remuneração. do Ministério Público e dos Tribunais de Contas. dois são os critérios para definirmos os agentes públicos: a previsão de suas competências na própria Constituição e a independência funcional a eles outorgada para exercê-las. considera-se funcionário público todo aquele que. No Direito Penal. Todos os órgãos da Administração Direta e todas as entidades da Administração Indireta podem preencher seus quadros mediante a contratação de empregados públicos.com. É necessário ressaltar que a Constituição de 1988. da expressão “servidores militares”. não fez uso da expressão funcionário público.br 3 . Desse modo. os militares estão excluídos em virtude da alteração constitucional. além dos chefes do Poder Executivo. por nomeação. Na perspectiva do Autor. atualmente. também após aprovação em concurso público.

apenas os agentes públicos que exercem funções propriamente políticas. como agentes políticos devemos considerar. que adota uma definição mais restrita de agentes políticos. ADMINISTRATIVO – CURSO REGULAR PROFESSOR GUSTAVO BARCHET Desde já destacamos a posição de Celso Antônio Bandeira de Mello. os Ministros e Conselheiros. não aplicáveis aos agentes públicos em geral. distritais e municipais. Sua função é de formadores da vontade superior do Estado”. Secretários estaduais. seus auxiliares imediatos (Ministros e Secretários estaduais e municipais) e os membros do Poder Legislativo (senadores. Entendemos correta a posição do Professor Bandeira de Mello. 5) os membros de Tribunais de Contas. Para o autor. seja qual for a instância jurisdicional: aqui se enquadram desde os magistrados que atuam na primeira instância judiciária até os Ministros dos Tribunais Superiores e do Supremo Tribunal Federal. pela mera condição de suplentes. seriam agentes políticos apenas os chefes do Executivo (Presidente da República. a saber. Prefeitos. do Ministério Público e dos Tribunais de Contas não exercem funções tipicamente políticas. em nossa opinião. Do contrário. Desempenham indubitavelmente funções extremamente relevantes. Governadores de Estado e do Distrito Federal. Governadores e Prefeitos).1. devemos considerar predominante. AGENTES DELEGADOS www.pontodosconcursos. nessa definição mais restrita. Ministros de Estado. tanto da esfera federal como da estadual. 2. Os membros da Magistratura.deputados estaduais. 2) os membros do Poder Legislativo: senadores. pois não estando exercendo qualquer função pública. uma vez que as regras básicas aplicáveis a esses agentes públicos estão postas na Constituição. peculiaridade principal de seu regime jurídico. elaborando leis e demais atos normativos de igual hierarquia. portanto. De se ressaltar que os eventuais suplentes só serão considerados agentes políticos quando estiverem no efetivo da função parlamentar. É importante ressaltar que diversos aspectos do regime jurídico dos agentes políticos não são regulados pelo Direito Administrativo. que justifica o gozo de certas prerrogativas funcionais. mas pelo Direito Constitucional. o esquema fundamental do poder. o entendimento de Hely Lopes Meirelles. não se alocam entre os agentes públicos. para nossos objetivos. 3) os membros do Poder Judiciário. Todavia. deputados e vereadores).br 4 . Realmente. assim considerando apenas “os titulares dos cargos estruturais à organização política do país. de formação da vontade superior do Estado. na matéria.com. isto é. Assim.CURSOS ON-LINE – DIR. compõem a categoria agentes políticos: 1) os chefes de Poder Executivo e seus auxiliares imediatos: Presidente da República. tais como a vitaliciedade. os ocupantes dos cargos que compõem o arcabouço constitucional do Estado e. traçando as diretrizes e planos de ação do Estado. deputados federais. As prerrogativas funcionais. pois é o adotado pelo Supremo Tribunal Federal.3. deputados distritais e vereadores. são exemplo disso. 4) os membros do Ministério Público.

em regra. ao passo que os agentes delegados. não são agentes administrativos. pois não executam suas atividades de forma subordinada. prestam transitoriamente serviços públicos de caráter relevante. quem está multando o particular pelo descumprimento da legislação tributária. os que prestam serviço militar obrigatório (os conscritos) e os membros de conselhos em geral. os convocados para o serviço eleitoral. 2. Tal como os agentes honoríficos. e somente eles. um agente delegado corre o risco de suportar prejuízo no exercício da função.pontodosconcursos. É a entidade política. mas são considerados funcionários públicos para fins penais. Note-se que a inexistência de vínculo profissional e a ausência de remuneração são regras gerais. são atualmente remunerados na maioria dos Estados brasileiros. São. Em geral não mantém qualquer relação profissional com o Estado nem são remunerados pelo desempenho de suas funções. AGENTES HONORÍFICOS Agentes honoríficos são aqueles que. os agentes credenciados são aqueles convocados ou convidados para representar o Poder Público em determinada solenidade ou para desempenhar uma tarefa específica. pratica os atos relacionados às suas funções públicas em seu próprio nome. entre outros. Os conscritos. São duas as particularidades desta categoria de agentes públicos: 1) atuação em nome próprio: os demais agentes públicos atuam em nome do Poder Público. Enquanto um agente administrativo. têm legitimidade passiva para responder em mandado de segurança e estão sujeitos às regras de responsabilização objetiva. bem como os concessionários. por ele não respondendo o Poder Público. Os membros de Conselho Tutelar. não mantêm vínculo profissional com o Poder Público. mediante delegação do Poder Público.5. por exemplo. possuem relação de emprego com o Poder Público. atuam em seu próprio nome: um Auditor-Fiscal da Receita Federal. obra ou serviço público em nome próprio e por sua conta e risco. ao lavrar uma multa estará assim procedendo em nome da União. São os leiloeiros. designação ou nomeação. por meio de requisição. AGENTES CREDENCIADOS Por fim. Como se nota. os jurados. por exemplo.4. não absolutas. tem assegurada sua remuneração mensal. em regra são remunerados pelo www. e são remunerados pelo exercício de suas funções. a título de munus público (desencargo de um dever na condição de cidadão). Contudo. na condição de agente delegado. 2.com. na condição de agente administrativo.1. entre outros. permissionários e autorizatários de serviços públicos.br 5 . 2) atuação por sua conta e risco: os agentes delegados assumem o riso de ter prejuízo no exercício da função pública. e não do ente que lhes conferiu a delegação.CURSOS ON-LINE – DIR.1. a exemplo do Conselho Tutelar. já um intérprete. da mesma forma. e não seu agente. mas. ADMINISTRATIVO – CURSO REGULAR PROFESSOR GUSTAVO BARCHET Os agentes delegados são os particulares que executam determinada atividade. tradutores e intérpretes públicos. ao contrário deles.

com. (2) os servidores empregados da Administração Direta e de todas as entidades da Administração Indireta. Exemplificativamente.pontodosconcursos. podemos citar um agente administrativo convocado para representar o país em determinada solenidade internacional ou um eminente jurista convidado para presidir uma comissão encarregada da elaboração de certo projeto de lei. ainda. não na legislação ordinária.br 6 . “esta categoria de agentes é composta por sujeitos que.CURSOS ON-LINE – DIR. como um advogado famoso contratado para fazer sustentação oral de um caso perante Tribunais. autárquica e fundacional de direito público. segunda a classificação de Hely Lopes Meirelles. e tem grande parte de seu regime jurídico previsto na própria Constituição. ainda que às vezes apenas em caráter episódico”. (3) os contratados por locação civil de serviços. exercida como munus público. a saber: 1º) agentes políticos: são os titulares de cargos que compõe a estrutura constitucional do Estado. Os agentes delegados. Também são considerados funcionários públicos para fins penais. apenas os chefes de Poder Executivo. mediante contraprestação pecuniária. (3) os servidores titulares de cargos públicos na Administração Direta. como os “gestores de negócios públicos”. (2) os que sponte propria assumem algum encargo público frente a situações anormais que exigem a adoção de medidas urgentes. e (3) os contratados temporariamente para atender à necessidade transitória de excepcional interesse público. CLASSIFICAÇÃO DE BANDEIRA DE MELLO O eminente autor divide os agentes públicos em três categorias. como os jurados. os mesários nas eleições. como os diretores de Faculdades particulares reconhecidas. 2. ADMINISTRATIVO – CURSO REGULAR PROFESSOR GUSTAVO BARCHET exercício de suas funções. honoríficos e credenciados. exercendo suas funções de forma subordinada. Aqui se enquadram. são todos enquadrados nessa última categoria da classificação do Professor Bandeira de Mello. os indivíduos que praticam certos atos dotados de força jurídica oficial. os recrutados para o serviço militar obrigatório. de pessoas alheias à intimidade do aparelho estatal (com exceção única dos recrutados para serviço militar) – exercem função pública. 2º) servidores estatais: são todos que se vinculam à Administração Direta ou Indireta sob vínculo trabalhista. seus auxiliares imediatos e os parlamentares. sem perderem sua qualidade de particulares – portanto. O vínculo que prende tais agentes ao Estado é de natureza política. 3º) particulares em colaboração com o Poder Público: nas palavras do autor. segundo a terminologia do autor. constituindo-se em formadores da vontade superior estatal.2. bem como os delegados de função ou ofício públicos (os titulares de serventias de Justiça não oficializadas) e. 3. na concepção do Autor. Aqui se enquadram. e (4) os concessionários e permissionários de serviços públicos. Na categoria estão incluídos (1) os requisitados para a prestação de alguma atividade pública. REGIMES DE PESSOAL: ESTATUTÁRIO E CELETISTA www.

um terceiro regime. 61. o regime de contratação temporária. É passível de adoção. por sua vez. como podemos concluir. ainda. cabe relembrar que regime jurídico é o conjunto de normas e princípios que regulam certa relação jurídica. é a pluralidade normativa. Ao contrário do regime estatutário. como demonstraremos logo a seguir. da CF.com. aplicável às demais esferas da federação. a grosso modo. que será visto no decorrer dessa unidade. por analogia. autárquica e fundacional de direito público. São dois os principais regimes. Como estamos tratando do pessoal que exerce funções em nome da Administração. ADMINISTRATIVO – CURSO REGULAR PROFESSOR GUSTAVO BARCHET Como ressaltamos acima. portanto. regra que deve ser. a matéria aqui adota a denominação de regimes de pessoal da Administração. é constituído pelas regras que regulam a relação jurídica entre os empregados públicos e a Administração Direta e Indireta. o regime estatutário e o regime celetista. O regime estatutário é o conjunto de regras legais que disciplina a relação entre os servidores públicos e a Administração direta. o Direito Administrativo volta-se precipuamente para a categoria dos agentes administrativos. e as administrativas. pois o diploma básico que rege os empregados públicos é a Consolidação das Leis do Trabalho (Decreto-lei nº 5. Outra diferença importante entre os regimes é que o contratual é caracterizado. as legais. O regime celetista. que traçam os aspectos principais do regime. essencialmente. O regime estatutário a que estamos referindo-nos aqui é. que serão agora abordados. podendo ser adotado por pessoas de direito público e de direito privado.452/43). passemos às duas principais diferenças entre esses regimes de pessoal www. aquele tratado em lei de cada pessoa política. como a própria denominação indica. eminentemente legal. Há três níveis de normas que regulam a situação jurídica dos servidores públicos: as constitucionais.pontodosconcursos. Nesse ponto. como explicaremos abaixo. é marcadamente bilateral. Outro ponto que marca esse regime é sua natureza essencialmente legal (estatutária). ou seja. II. somente por pessoas jurídicas de direito público. Uma primeira característica desse regime.br 7 . O art. com observância das regras constitucionais.CURSOS ON-LINE – DIR. embora sejam inúmeras as categorias de agentes públicos. c. o regime contratual. Há. que abrange todas as esferas da Federação. a circunstância de que cada pessoa política tem autonomia para editar as regras legais para seus respectivos servidores. as duas principais espécies de agentes integrantes dessa categoria. Isto posto. apresentaremos as características básicas do regime jurídico dos servidores públicos e do regime jurídico dos empregados públicos. estatui que é competência do Presidente da República a elaboração do projeto de lei tratando do regime jurídico dos servidores da União. pela unicidade normativa. que tratam de alguns aspectos organizacionais relativos aos servidores de dada pessoa jurídica. que constituem o diploma específico dos servidores de determinado ente federado. Inicialmente. § 1º.

pois constituem direito adquirido do servidor. do agente sob regime estatutário. Esta garantia. os 07 anos transcorridos entre 1990 e 1997.112/90 em 1997. e os empregados públicos em particular. como nenhuma outra. Para estes. não tem direito adquirido à imutabilidade do regime jurídico. para o que é indispensável a anuência do empregado. Este é um ponto em que os empregados em geral. uma vantagem pecuniária pela qual o servidor. Apenas se este fosse alterado. Sua lei de regência é a Lei 8. só admite alteração na posição jurídica do empregado com sua anuência. fazia jus a um aumento na sua remuneração na ordem de 1% do seu vencimento. e as leis estatutárias não são exceção. a força normativa do regime contratual advém diretamente do contrato. pois a natureza de seu vínculo é bilateral. continuaria o empregado a ter direito à referida vantagem. Toda lei é passível de alteração. Imaginemos um servidor que tenha ingressado na Administração direta federal em 1990. simplesmente não há mais direito à ampliação da sua remuneração a este título. embora tivesse sido ela revogada da CLT. no caso. de modo que lei superveniente (ato unilateral) não poderá modificar a relação jurídica. De forma diversa.112/90 o adicional por tempo de serviço. tal vantagem foi revogada da Lei 8. protegidas pela garantia do direito adquirido. e esta é a segunda diferença digna de relevo. ele automaticamente perde o direito a qualquer aumento de sua remuneração a título de adicional por tempo de serviço. embora recentemente alterada pela EC 19/98. pois impede sua dispensa www. ADMINISTRATIVO – CURSO REGULAR PROFESSOR GUSTAVO BARCHET O regime contratual. ao passo que a situação jurídica do servidor. assegura aos servidores estatutários ocupantes de cargos efetivos uma relativa autonomia no desempenho de suas atribuições. que. Qualquer modificação legal atingirá unilateralmente apenas contratos futuros. Pois bem. contudo. salvo se com a alteração concordarem o empregado e o empregador (ato bilateral). antes da sua revogação. em 1997. são previstos alguns direitos sem similar no regime trabalhista comum. são lhe assegurados a título de direito adquirido. e se.112/90. Pois bem. eventual alteração legislativa não influenciaria sua situação jurídica. E isso porque todos os aspectos jurídicos concernentes ao vínculo estatutário decorrem diretamente da lei.com.br 8 .pode sofrer alteração independente da sua anuência. O servidor. os direitos cujos suportes fáticos foram integralmente preenchidos sob a égide da disposição revogada. a cada ano de efetivo exercício de suas funções. se esta for alterada. Daí para a frente. Qual a conseqüência desta revogação para o servidor? Desde a data da revogação.pontodosconcursos. quando de seu ingresso. previa a Lei 8. e lá permaneça até hoje. como já o pronunciou diversas vezes o STF. sendo sua fonte normativa imediata e primeira o contrato de trabalho. em virtude de sua natureza essencialmente bilateral. Caso contrário. ressalvadas as situações já definitivamente consolidadas. Devem ser respeitados.CURSOS ON-LINE – DIR. Os adicionais relativos aos períodos já completados. dentre os quais sobressai a estabilidade. ele constasse no contrato de trabalho)? Simplesmente. perderia ele o direito ao adicional. o Estatuto dos servidores federais. automaticamente aqueles também o serão. levam vantagem sobre os servidores estatutários. entretanto. Aproveitando a mesma situação. portanto. em função disso. em 1990. fosse um empregado público (imaginando que a CLT contemplasse também o direito ao adicional e.

agora. assim como aos estrangeiros. (b) prevê alguns direitos sem similar no regime celetista. Inicialmente. 39. ressalvadas as funções típicas de Estado e (d) é caracterizado pela unicidade normativa. que visam a conferir ao servidor um mínimo de autonomia funcional no exercício de suas funções. precisamente. é assegurado apenas o direito à percepção de verbas indenizatórias em decorrência da despedida imotivada. É em função da estabilidade e dos institutos dela decorrentes (reintegração. 37. impondo alterações na situação funcional do servidor independentemente de sua anuência. I. das principais regras dos artigos 37. sintetizar as principais características de cada regime: 1) o regime estatutário (a) decorre diretamente de lei.pontodosconcursos. (c) pode ser adotado por pessoas jurídicas de direito público ou privado. a exemplo da atividade de regulação e da polícia administrativa. uma vez que não impede a dispensa sem justa causa. mesmo sem justa causa por parte do empregado.br 9 . (d) é obrigatório para as funções típicas de Estado e (e) é caracterizado pela pluralidade normativa. como posto na CLT. ressaltar a estabilidade. 38. Podemos. vamos adentrar na análise das disposições constitucionais referentes aos agentes públicos. uma vez que cada ente político goza de autonomia para editar o estatuto de seus servidores. emprego e função pública. devendo-se. aproveitamento e disponibilidade) que o regime estatutário é obrigatório para as funções típicas de Estado. uma vez que a relativa autonomia funcional que ele assegura ao servidor público é condição indispensável para um eficiente desempenho de suas atribuições. Cargos públicos. (b) não prevê qualquer direito que vise a assegurar autonomia funcional ao empregado no exercício de suas funções. aplicável a todas as esferas de Governo. com o que só permite alterações na situação jurídica do empregado com sua expressa anuência. “são as mais simples e indivisíveis unidades de competência a serem expressadas por 4.CURSOS ON-LINE – DIR. recondução. pois tem por lei básica a Consolidação das Leis do Trabalho. não prevê garantia similar. da Constituição. 4. (c) somente pode ser adotado por pessoas jurídicas de direito público. O regime contratual. ACESSO A CARGOS. aqui. A este. na definição de Bandeira de Mello. 40 e 41 da Constituição Federal. mas sua fonte normativa imediata é o contrato de trabalho. EMPREGOS E FUNÇÕES PÚBLICAS Reza o art. 2) o regime celetista (a) tem como diploma legal básico a Consolidação das Leis do Trabalho (CLT).1. ACESSIBILIDADE A BRASILEIROS E ESTRANGEIROS www. na forma da lei.com. cabe procedermos à diferenciação entre cargo. tratando. empregos e funções públicas são acessíveis aos brasileiros que preencham os requisitos estabelecidos em lei. na redação dada pela EC 19/98: I – os cargos. o que significa que nele não há norma que impeça o rompimento do vínculo laboral por ato unilateral do empregador. ADMINISTRATIVO – CURSO REGULAR PROFESSOR GUSTAVO BARCHET sem justa causa. Apresentadas as principais características dos regimes celetista e estatutário.

indistintamente. As exceções constitucionais a essa regra estão previstas no art. que têm uma individualidade própria.pontodosconcursos. existem atribuições exercidas por servidores públicos. o dispositivo em apreço só previa o direito de acesso para os brasileiros. I do art. com o intuito de possibilitar às universidades e às instituições de pesquisa científica e tecnológica a admissão de professores técnicos e cientistas estrangeiros. que relaciona os cargos acessíveis apenas aos brasileiros natos. chefia e assessoramento. 207 da CF. da CF. foi estender tal possibilidade a todos os cargos. V.. empregos e funções públicas. 37. observados os requisitos legais.br 10 . na ordem constitucional vigente são previstos dois tipos de função pública: as de caráter permanente. quando são declarados em lei de livre nomeação e exoneração pela autoridade competente. e por estrangeiros. somente as pessoas de direito público. I. que deu nova redação ao art. quando são providos mediante concurso público. estabelecendo tal direito também para os estrangeiros. por brasileiros natos e naturalizados. Titularizam cargos públicos apenas os denominados servidores públicos. Segundo a Autora. A Constituição já havia sofrido anteriormente uma alteração nesse assunto. Fala-se. passemos à análise propriamente dita do inc. definida em lei. 37 da CF. então. suas autarquias e fundações públicas de direito público. que agora podem ser ocupados. Vistas estas noções conceituais de cargo. Empregos públicos são. que se destinam às atribuições de direção. da CF. 37. natos ou naturalizados. a exemplo dos cargos públicos. ADMINISTRATIVO – CURSO REGULAR PROFESSOR GUSTAVO BARCHET um agente.CURSOS ON-LINE – DIR.”. sob a regência da Consolidação das Leis do Trabalho. só podem ser exercidas por servidor titular de cargo efetivo. Na sua redação original. com denominação própria. que são criadas para atender a necessidade temporária de excepcional interesse público. a saber: Presidente e Vice-Presidente da República. retribuídas por pessoas jurídicas de Direito Público e criadas por lei. previstas em número certo. unidades de competência a serem exercidas por um agente administrativo. em função dandose-lhe um conceito residual: é o conjunto de atribuições às quais não corresponde um cargo ou emprego”. ao alterar o art. O que a EC 19/98 fez. podem preencher seus quadros com agentes estatutários. ou de provimento em comissão. por força da Emenda 11/96.com. nesse caso denominado empregado público. Presidente da Câmara dos www. e o vínculo que liga o empregado público à Administração é de natureza contratual. IX.. e as de caráter transitório. Como pondera o Autor. “ao lado do cargo e do emprego. as pessoas políticas. afirma a Professora Di Pietro que. A diferença consiste no fato de que há empregos públicos tanto em pessoas jurídicas de direito público como de direito privado. nos termos do art. agentes administrativos submetidos a regime estatutário. mas sem que lhe corresponda um cargo ou emprego. com base na prescrição contida no art. ou seja. 12. Os cargos podem ser de provimento efetivo. Acerca das funções públicas. § 3º. e que. A EC 19/98 veio ampliar a previsão. da CF. 37. emprego e função pública.

origem. de matriz constitucional. autárquica e fundacional federal 4. o princípio da isonomia. a exemplos dos decretos e portarias. I do art. que limita aos brasileiros os cargos de direção nas agências reguladoras.112/90. faz-se necessária a edição de lei ou ato normativo de igual hierarquia. o inc. pois o exercício do direito. Para os estrangeiros. www.com. Os editais se prestam a minudenciar o procedimento de seleção. mas o mesmo admite restrição por força da legislação infraconstitucional. pois a legislação infraconstitucional tem idoneidade para estabelecer diferenças entre brasileiros e estrangeiros. Não se conclua daí que restrições dessa natureza sofrem uma vedação absoluta. empregos e funções públicas. não para estabelecer condições e requisitos para o acesso ao serviço público. vedar aos estrangeiros acesso a determinados cargos na Administração. A Lei 8. por exemplo. a Lei 9. I do art. ferem. oficial das Forças Armadas e Ministro de Estado da Defesa. instrumentos idôneos para tal finalidade. 37 da CF. Para tanto.2. Restrições relacionadas à raça. como afirmado. mas não podem ainda exercê-lo. que deve nortear o ingresso no serviço público. acatando posicionamento doutrinário dominante. por exemplo. todavia. os estrangeiros têm o direito de acesso. não sendo os editais de concursos públicos. A jurisprudência. entre outras. podendo exercê-lo desde a entrada em vigor da Constituição de 1988. É o que faz. Mas a mera previsão em lei não é suficiente para se concluir pela validade de determinada exigência para o acesso aos quadros públicos. Sem tal complementação.pontodosconcursos.br 11 . sem relação com o cargo ou emprego público a ser preenchido. os únicos cargos que não podem ser ocupados pelos brasileiros naturalizados (nem pelos estrangeiros) são os arrolados acima. Isto. está condicionado à elaboração da legislação infraconstitucional. não se aplica aos estrangeiros. pois. Como a Constituição é o único instrumento apto a estabelecer diferenças entre brasileiros natos e naturalizados. sendo vedada a ampliação do rol pela legislação infraconstitucional. como consta expressamente no inc. Ministro do Supremo Tribunal Federal. Já para os brasileiros trata-se de norma constitucional de eficácia contida: os brasileiros (natos e naturalizados) têm o direito de acesso a cargos. REQUISITOS PARA O ACESSO A CARGOS OU EMPREGOS PÚBLICOS Mais uma das aplicações do inc. Presidente do Senado Federal.CURSOS ON-LINE – DIR. incoerentes. religião. ADMINISTRATIVO – CURSO REGULAR PROFESSOR GUSTAVO BARCHET Deputados. sexo. 37 da CF é a necessidade de que o estabelecimento de condições e requisitos para o ingresso no serviço público seja feito diretamente por lei. I do art. necessitando de complementação pela legislação ordinária para a produção da plenitude de seus efeitos. 37 é uma norma constitucional de eficácia limitada. podendo. idade.986/2000. membro da carreira diplomática. pois a lei não pode instituir restrições discriminatórias. é o diploma legal que estabelece os requisitos s serem satisfeitos para a ocupação de cargos da Administração direta. em linhas gerais. ou outros atos normativos infralegais.

cujas funções não exigem uma estrutura corpórea mínima para serem adequadamente desempenhadas. o qual não pode ser equiparado a um concurso público. que exigem. da Constituição. para se considerar válidas determinadas exigências legais. para o acesso aos cargos da carreira militar.br 12 .CURSOS ON-LINE – DIR. 37 da CF: II . Por exemplo. sendo. é bom que se frise. concomitantemente. idade e constituição física. 4. indispensável ao adequado desempenho de suas atribuições. na forma prevista em lei. a restrição justifica-se perante o princípio da razoabilidade. constitucional. as consequências da sua nãorealização.3. pois pode eventualmente não exigir www. O concurso público é procedimento de adoção obrigatória para o preenchimento de cargos e empregos públicos de provimento efetivo. e os casos de contratação por tempo determinado para atender a necessidade temporária de excepcional interesse público. e o princípio da isonomia. 7º. um porte físico mínimo.a investidura em cargo ou emprego público depende de aprovação prévia em concurso público de provas ou de provas e títulos. ADMINISTRATIVO – CURSO REGULAR PROFESSOR GUSTAVO BARCHET considera válidas. da CF. No primeiro caso. tendo editado recentemente a Súmula 683. seriam tidas por inconstitucionais. podendo ser combatida por meio dos instrumentos processuais próprios. que a partir de sua criação por lei são de livre provimento para a Administração. § 2º. já que todos os que preencherem os requisitos legais concorrem segundo os mesmos critérios no certame. quando possa ser justificado pela natureza das atribuições do cargo a ser preenchido. É instituto que satisfaz. dois princípios basilares da Administração: o princípio da eficiência.pontodosconcursos. Não estão sujeitos a concurso os cargos em comissão. sejam condizentes com a natureza e a complexidade das atribuições do cargo ou emprego. com fulcro no princípio da razoabilidade. XXX. Assim. estabelecendo o art. ressalvadas as nomeações para cargo em comissão declarado em lei de livre nomeação ou exoneração. é de se considerar razoável que lei exija. desde que. EXIGÊNCIA DE CONCURSO PÚBLICO Reza o inciso II do art. em regra. a uma primeira análise.com. de acordo com a natureza e o grau de complexidade do cargo ou emprego. exigências ligadas principalmente a sexo. quando obrigatória: punição da autoridade responsável e declaração de nulidade do ato de provimento. as quais. em vista da natureza as atribuições dos cargos. não. ao assegurar que os agentes administrativos detenham um nível de desenvolvimento intelectual mínimo.O limite de idade para a inscrição em concurso público só se legitima em face do art. O mesmo não se justifica se a exigência for relativa ao cargo de técnico judiciário. com o seguinte teor: 683 . O STF tem esposado tal entendimento sobre o assunto. no segundo. apenas um processo seletivo simplificado. 37. pois. faz-se uma interpretação do princípio da isonomia à luz do princípio da razoabilidade.

que. Poderemos ter. Entre as diversas provas a que pode ser submetido o candidato. será possível a realização de provas exigindo habilidades diversas. a exigência de títulos em certames públicos deve ser restrita aos cargos que exigem efetivamente conhecimento específico em determinado campo. Face à recente inserção desta regra em nosso sistema constitucional. ao alterar o art. de provas ou de provas e títulos. 198 da Constituição. editou o STF a seguinte súmula: www. Na matéria. que em regra são desenvolvidos em quatro etapas. de digitação. de um teste de conhecimentos para se aquilatar o preparo do candidato a uma vaga na Administração.br 13 . ou seja. mas apenas em “processo seletivo simplificado”. aí se incluindo provas orais.CURSOS ON-LINE – DIR. Mas desde já podemos afirmar que a Constituição está autorizando o preenchiments de cargos públicos de caráter permanente sem necessidade de aprovação em concurso público. como se observa nos certames para os cargos da magistratura. duas ou mesmo mais fases. físicas. Além disso.pontodosconcursos. que serão posteriormente analisadas. discursivas. também não demandam concurso público. vale-se frisar a inovação trazida pela EC 51/2006. que já se submeteram a concurso quando do seu ingresso na Administração. A realização de prova. concursos realizados em uma. A Constituição não exige um procedimento específico para a realização dos concursos públicos. é exigência que não pode ser superada. ADMINISTRATIVO – CURSO REGULAR PROFESSOR GUSTAVO BARCHET qualquer teste de conhecimentos. fase obrigatória dos concursos públicos (de provas ou de provas e títulos). entre outras. portanto. autorizou o preenchimento dos cargos de agente comunitário de saúde e de agente de combate às endemias mediante processo seletivo simplificado. oferta ao candidato da possibilidade de recorrer contra eventual resultado desfavorável. abre-se a possibilidade de serem valorados também os títulos dos candidatos. Entende o STF que a realização de tais testes é admissível. os certificados por meio dos quais eles comprovam seu conhecimento na área específica do concurso. mas apenas quando observadas três condições: previsão legal da exigência. determinando apenas que a forma eleita para o certame seja fixada por lei e guarde conformidade com a natureza e a complexidade do cargo ou emprego. cabe um comentário específico sobre os testes psicotécnicos. nem mesmo em tais hipóteses poderiam ter os títulos caráter eliminatório. Em nossa opinião. a doutrina ainda está discutindo alguns pontos básicos da matéria. Os concursos podem ser de duas espécies. Quanto à primeira das condições acima elencadas. Além disso. em linhas gerais. O motivo da dispensa é bastante simples: elas só podem ser exercidas por ocupantes de cargo efetivo. estabelecimento de critérios objetivos de caráter reconhecidamente científico para a avaliação do candidato. limitando-se os seus efeitos para fins de classificação dos candidatos que tivessem logrado aprovação nos testes de conhecimento. a nosso ver.com. As funções de confiança. como seria o caso de um concurso para o cargo de engenheiro da Petrobrás. Para aqueles cargos e empregos que requerem maior conhecimento técnico ou científico.

A seguir. sendo pois. o tempo de serviço já prestado ao órgão ou entidade onde se dará o provimento do cargo ou emprego. em 2005 a Primeira Turma do STF decidiu que a análise da conformidade do conteúdo das questões com o conteúdo programático definido no edital é questão de legalidade. Sobre o tema. ex) ou mesmo arbitrariedades da parte dos examinadores. Se não há vício de legalidade. editou o STF a súmula 684. comentamos sumariamente mais alguns pontos importantes relativos ao tema. É oportuno ressaltar que. É indispensável que o candidato seja informado do motivo específico que impediu a aceitação de sua inscrição. www. mesmo não constatada qualquer irregularidade. por exemplo. por exemplo. sendo questão de mérito os critérios de avaliação dos examinadores. Analisando o assunto. como forma de verificar se não foram cometidos erros materiais (de cálculo. que há duas opções conformes à lei. podendo a Administração desistir da realização do certame por motivos de mérito. atribuindo os pontos dela ao candidato.Só por lei se pode sujeitar a exame psicotécnico a habilitação de candidato a cargo público. baixadas através de edital de concurso. Se o candidato recorre de uma questão com múltipla escolha. não é competente o Judiciário. a vedação ao pedido de vista ou à interposição de recurso do resultado da seleção psicológica. e comprova. segundo o STF. podemos estender suas conclusões também às provas de conhecimento. p. tem considerado inconstitucionais. entende-se que os candidatos inscritos em determinado concurso não têm direito adquirido à sua realização. para fins de classificação. as previsões de vantagens para algumas categorias de pessoas ou mesmo de agentes públicos. de editais de concurso que consideram título. pode o Judiciário anular a questão.É inconstitucional o veto não motivado à participação de candidato a concurso público. A jurisprudência pátria. passível de fiscalização pelo Poder Judiciário. de um modo geral. 2) aspectos das provas passíveis de controle judicial: o Judiciário só pode avaliar aspectos de legalidade relacionados à correção. com base em critérios sem qualquer relação com a natureza ou as atribuições do cargo. Ademais.br 14 . vazada nos seguintes termos: 684 . em virtude do não preenchimento dos requisitos legais. assim se pronunciou o STJ: É injustificável o comportamento da Administração. deve ser devidamente motivado.pontodosconcursos.com. Ainda de acordo com nossa jurisprudência. ADMINISTRATIVO – CURSO REGULAR PROFESSOR GUSTAVO BARCHET 686 . o veto à participação do candidato em determinado concurso. Apesar da decisão mencionar somente a prova psicológica. É o caso.CURSOS ON-LINE – DIR. fazendo inserir nas instruções normativas. a partir da obra de José dos Santos Carvalho Filho: 1) direito à vista das provas: o princípio da moralidade e o da publicidade impõem à Administração o dever de propiciar aos candidatos a oportunidade de terem acesso à sua prova. por afronta ao princípio da isonomia. não sendo válida sua exclusão do certame sob alegações genéricas de que “não foram preenchidos os requisitos legais”.

www. 4) a possibilidade de a classificação nos concursos públicos seja feita por regiões ou por áreas de especialização: o STF entende que essa sistemática de classificação não fere o princípio da isonomia. 5) anulação do concurso: segundo José dos Santos Carvalho Filho. e não na inscrição para o concurso público. 37. O STJ inclusive. Os requisitos para o cargo só podem ser exigidos quando do momento da posse do mesmo. III e IV do art. o qual pode ser prorrogado uma vez. e inicia-se o prazo de validade do concurso. a autoridade competente. Esse é o posicionamento do STF e do STJ. Tal prazo é contado não da realização das provas ou da nomeação dos candidatos. pode fazêlo sem abrir chance aos prejudicados com a invalidação de defenderem a lisura do certame. Tal prorrogação só pode ser feita uma única vez.pontodosconcursos.br 15 . ADMINISTRATIVO – CURSO REGULAR PROFESSOR GUSTAVO BARCHET 3) possibilidade de as questões incorretas serem deduzidas das questões corretas para fins de definição da nota: O STF considera legal o procedimento. no momento da inscrição. O prazo de validade do concurso refere-se ao período dentro do qual a Administração poderá nomear os aprovados no certame. III do art. e por prazo idêntico ao inicialmente fixado. Não é possível prorrogar-se o prazo do concurso mais de uma vez. Segundo o inc. mas da homologação do resultado do concurso. é de até dois anos o prazo inicial de validade do concurso público.4 PRAZO DE VALIDADE DO CONCURSO E DIREITO À NOMEAÇÃO Os inc. pacificou seu posicionamento sobre o tema na Súmula nº 266. usualmente adotado pelo CESPE. 4. portanto. a abertura de um concurso com prazo de validade de um dia. a prorrogação será também por um ano. Se este foi de um ano. mas máximo. por período igual ao inicial. Por homologação entende-se o ato administrativo por meio do qual a autoridade competente atesta que o certame foi validamente realizado.com. da sua prorrogação e da possibilidade de abertura de novo concurso dentro do prazo de validade do concurso anterior. A partir da publicação do ato homologatório torna-se possível a nomeação dos candidatos aprovados. É legítima. se a anulação ocorreu após a posse dos candidatos aprovados. A norma não fixe um prazo de validade mínimo. pode decidir pela prorrogação do prazo de validade inicial. 37 da CF tratam do prazo de validade do concurso.CURSOS ON-LINE – DIR. de 2 anos. se a Administração anular o concurso antes da posse dos candidatos. vazada nos seguintes termos: O diploma de habilitação legal para o exercício do cargo deve ser exigido na posse. ou por prazo inferior ou superior ao inicial. ela só é válida se foi ofertada aos empossados a possiblidade de exercerem o contraditório e a ampla defesa. Como afirmado acima. praticando aqui um ato discricionário. ex. p. 6) diferença entre requisitos para a inscrição no concurso e requisitos para a investidura no cargo: a Administração pode exigir do candidato. a documentação comprobatória necessária apenas para a própria participação no certame (como cópia do documento de identidade ou do comprovante de pagamento da inscrição)..

é aberto um outro certame para os mesmos cargos ou empregos públicos. www. e não direito adquirido à nomeação ou à celebração do contrato. terão direito de preferência na convocação em relação aos novos aprovados. A esse respeito dispõe o art. Desrespeitada essa ordem de convocação. que a Administração poderia optar também por nomear ou contratar candidatos em número inferior ao de vagas oferecidas. faculdade existente apenas durante seu prazo de prorrogação. poderá ela convocar cinquenta. IV. sem que houvesse qualquer possibilidade dos candidatos anteriormente aprovados pleitearem administrativa ou judicialmente seu ingresso no serviço público. nesse caso. mas assegura-se aos aprovados no concurso anterior que. firmou-se o entendimento de que o “prazo improrrogável” a que ele se refere é o prazo de prorrogação do certame. na carreira. nos casos em que o candidato é classificado dentro do número de vagas oferecido inicialmente no edital. desde que todos os candidatos tenham obtido a nota mínima de aprovação. pois os candidatos aprovados no concurso anterior (todos aqueles que tiram a nota mínima exigida). até pouco tempo atrás. ou mesmo não chamar nenhum candidato aprovado e. Em decisões recentes. ainda dentro do prazo de validade do concurso. da CF. Assim. seu direito de ingresso na Administração Pública.CURSOS ON-LINE – DIR. decidindo-se a Administração pela convocação.pontodosconcursos. Situação diversa é a que se apresenta quando. 37. Ocorre que. durante o prazo improrrogável previsto no edital de convocação. há outra restrição constitucional. pois a aprovação num concurso geraria tão somente expectativa de direito para o candidato. Como se nota. ao menos no que concerne aos concursos que são abertos já com previsão inicial de cargos ou empregos a serem providos. p. Num concurso para cinquenta vagas. nos seguintes termos: IV. enquanto não decorrido o prazo final de validade de seu concurso. cujo prazo de prorrogação ainda não expirou. deverão ser eles chamados em primeiro lugar. é expressamente vedada a abertura de um novo concurso dentro do prazo inicial de validade do concurso anterior. a Corte acena com a possibilidade real de alterar seu posicionamento na questão. independente do número de vagas. dentro do número de vagas preenchidas. Não se proíbe a realização do novo concurso ou sua homologação. uma vez encerrado o prazo de validade do concurso (o original ou sua prorrogação). Embora a redação do dispositivo dificulte a sua compreensão.br 16 . imediatamente abrir um novo concurso visando ao preenchimento das mesmas vagas. Entendia-se pacificamente.com. o STF tem se referido à existência de um direito subjetivo à nomeação. setenta e cinco. cem candidatos. ADMINISTRATIVO – CURSO REGULAR PROFESSOR GUSTAVO BARCHET Dentro desse prazo poderá a Administração nomear ou contratar candidatos aprovados em número superior ao de vagas inicialmente oferecidas. os candidatos anteriormente aprovados poderão pleitear. ex. aquele aprovado em concurso público de provas ou de provas e títulos será convocado com prioridade sobre novos concursados para assumir cargo ou emprego.

Aqui não há qualquer dessemelhança entre o prazo inicial e o prazo de prorrogação da validade do concurso. 4. traz norma de conteúdo diverso. é de se aceitar uma interpretação que entenda possível a abertura de novo concurso mesmo durante prazo de validade inicial do primeiro. Ambos têm que estar encerrados ou. www. 37 da Constituição assim prescreve: VIII – a lei reservará percentual dos cargos e empregos públicos para as pessoas portadoras de deficiência e definirá os critérios de sua admissão. suas autarquias e fundações públicas. Observe-se que é tal norma.5. mesmo não encerrados. 37 da CF. a princípio. 37. da CF. Nesse caso deve-se ter por lícita a abertura de novo concurso. que apresenta a seguinte redação: Dentro do prazo de validade do concurso. a norma perde sua razão de ser. que rege os servidores da Administração Direta federal. expressamente proíbe a abertura de concurso público enquanto houver candidato aprovado em concurso anterior com prazo de validade não expirado. seja porque nenhum deles logrou aprovação no certame. ADMINISTRATIVO – CURSO REGULAR PROFESSOR GUSTAVO BARCHET Essa é a regra válida. não pode haver mais candidatos aprovados. que se tenha expirado tanto seu prazo original como o de prorrogação. já que exige. A referida lei. até porque de outra forma as vagas oferecidas no primeiro ficariam por mais tempo impedidas de serem preenchidas. a acatar-se uma interpretação teológica do art. seja porque já foram todos nomeados. § 2º. Ocorre que a Lei 8. RESERVA DE PERCENTUAL DE CARGOS E EMPREGOS AOS PORTADORES DE DEFICIÊNCIAS O inciso VIII do art. para toda a Administração Pública. quando o cargo for preenchido sem observância da classificação. Em verdade. Por outro lado. Nesse caso.pontodosconcursos. os candidatos que se classificaram dentro do número de vagas preenchidas podem pleitear com sucesso seu ingresso no serviço público. em seu art. desde que neste não exista nenhum candidato aprovado.br 17 . para a abertura de novo concurso.com. por um lado. mais restritiva que a constitucional. IV.CURSOS ON-LINE – DIR. Há outra hipótese em que o aprovado em concurso para determinado cargo adquire direito à nomeação: quando a Administração convoca candidatos com infração à ordem de classificação. para só então poder ser reaberto outro concurso. 12. Em não havendo quaisquer candidatos que satisfaçam essa condição – aprovação -. em havendo ainda candidatos aprovados no antecedente. o candidato aprovado tem o direito à nomeação. em virtude da inexistência de candidatos aprovados. ela permite a abertura de novo concurso mesmo dentro do prazo de validade inicial do anterior: para isso basta que não existam mais candidatos aptos à convocação.112/90. O STF trata do assunto na Súmula 15. A norma tem a finalidade de proteger contra a abertura de um novo certame candidatos aprovados em concurso anterior. uma vez que é essa a amplitude do art.

37 da CF.6. estados avançados do mal de Paget (osteíte deformante). as vagas reservadas não preenchidas. FUNÇÕES DE CONFIANÇA E CARGOS EM COMISSÃO O inc. § 1º. da CF. apesar de sua deficiência. previstas em lei. cuja classificação é insuficiente para o preenchimento de uma das vagas reservadas. Após a previsão do percentual em lei. a Lei 8. num primeiro momento. com base na medicina especializada. e outras a serem indicadas por lei. aprovado. Há determinadas doenças que impedem o ingresso na Administração Pública. a análise da parte final do dispositivo. mesmo que estes venham a não preenchê-la por inteiro. I.CURSOS ON-LINE – DIR. alterado pela EC 19/98. podemos facilmente inferir que ele diferencia nitidamente as funções de confiança. A comprovação da deficiência e a análise de sua compatibilidade com as atribuições do cargo ou emprego são de responsabilidade de uma junta médica oficial. paralisia irreversível e incapacitante. Na esfera federal. alienação mental.br 18 . mas não para o preenchimento de uma das vagas em geral. que serão exercidas apenas por servidores www. a serem preenchidos por servidores de carreira nos casos. ou seja. o direito de impugnar a decisão. nefropatia grave. V do art. doença de Parkinson. são preenchidas pelos candidatos as vagas em comum. ressalvado a este. 40. Deixando de lado. cegueira posterior ao ingresso no serviço público. como reza o art. cardiopatia grave. condições e percentuais mínimos previstos em lei. hanseníase. ou a existência de deficiência incompatível com as atribuições do cargo ou emprego. ADMINISTRATIVO – CURSO REGULAR PROFESSOR GUSTAVO BARCHET É importante ressaltar que a norma não está dispensando os deficientes da realização de concurso para ingresso na Administração Pública. chefia e assessoramento. deverá ser-lhe reconhecido o direito a preencher uma destas. espondiloartrose anquilosante. Esta. deverá excluir o candidato do concurso. Se há candidato nessas condições. Síndrome de Imunodeficiência Adquirida – AIDS.com. e os cargos em comissão. mas apenas determinando que lei de cada esfera de Governo que disciplinar o assunto reserve para essas pessoas um percentual das vagas a serem futuramente providas mediante concurso. São as denominadas doenças graves. exercidas exclusivamente por servidores ocupantes de cargos efetivos. É de se ressaltar que a reserva de vagas nunca poderá resultar em prejuízo para o deficiente. se a mesma se comunica às vagas em geral ou segue restrita aos deficientes. destinam-se apenas às atribuições de direção. seja pela ausência de interessados. neoplasia maligna.pontodosconcursos. apresenta atualmente a seguinte redação: V – as funções de confiança. que dão direito à aposentadoria por invalidez permanente. O mais comum é que haja comunicação de vagas. esclerose múltipla. 4. o edital de cada concurso definirá a sistemática da reserva. se verificar a inexistência de deficiência que justifique a disputa em separado. seja pela sua aprovação em número inferior ao oferecido.112/90 assim considera as seguintes doenças: tuberculose ativa. judicial ou administrativamente.

Outra diferença com relação às funções de confiança é que os cargos em comissão podem ser ocupados por alguém que não seja possui qualquer vínculo funcional com a Administração. para cujo desempenho não é necessária a titularização de um cargo específico. podendo cumulá-las também com o exercício de determinada função de confiança. não se podendo considerá-las. A última parte do dispositivo. apenas retorna ao exercício das atribuições regulares de seu cargo efetivo. que serão preenchidos livremente pela autoridade competente. conforme for definido em lei. 37 as funções de confiança são exercidas apenas por ocupantes de cargos efetivos. o que significa que seu ocupante pode perder o vínculo com o serviço público. II do art.com. O servidor é. deverão ser preenchidos por servidores de carreira. O servidor é nomeado para determinado cargo em comissão. chefia e assessoramento. tais cargos ocupam um lugar na estrutura organizacional da Administração Pública. para o qual não se exige investidura específica. Ao contrário das funções de confiança. Apesar disso. só podem ser exercidas por servidores ocupantes de cargo efetivo. nos casos. A alteração tem por finalidade. ou exercer temporariamente apenas as atribuições relativas à função de confiança. acrescentada a ele pela EC 19/98.pontodosconcursos. a possibilidade de existirem funções sem um cargo a elas vinculado. Tais funções podem ser consideradas apenas como um feixe de atribuições administrativas. segundo o inc. 37 da CF. como dissemos acima. Os cargos de comissão.br 19 . portanto. pois. São também de livre exoneração. de livre escolha no mesmo grau que os cargos em comissão. investido em seu cargo para desempenhar as atribuições que lhe são próprias. ressalvando-se um percentual mínimo a ser preenchido por servidores de carreira. condições e percentuais mínimos previstos em lei. se não impedir. As funções de confiança. A utilização do verbo “exercer” para as funções de confiança deixa implícito um entendimento que já predominava em seio doutrinário antes mesmo da EC 19/98. Ademais. uma vez exonerado o servidor de determinada função (também por decisão discricionária). sua principal característica é justamente serem eles de livre nomeação pela autoridade competente. ele não perde seu vínculo com a Administração. isto é. Ele jamais dá direito à estabilidade. V do art. caracterizam-se por serem declarados em lei de livre nomeação e exoneração. dos cargos em comissão. Nos termos do inc. mediante exoneração.CURSOS ON-LINE – DIR. ao passo em que é designado para o exercício de uma função de confiança. determina que as funções de confiança e os cargos em comissão destinamse apenas às atribuições de direção. concursados. independentemente do tempo que ele seja exercido pelo servidor. por decisão discricionária da autoridade que o nomeou. ao menos dificultar a criação de funções de confiança e cargos em comissão sem qualquer motivo www. mesmo que esteja desempenhando a contento suas atribuições. qual seja. O provimento em cargo em comissão é sempre feito a título precário. portanto. ao contrário. ADMINISTRATIVO – CURSO REGULAR PROFESSOR GUSTAVO BARCHET ocupantes de cargo efetivo. de forma que o desempenho de suas atribuições exige prévia investidura específica.

ambos caracterizados pela pluralidade normativa. IX. o qual apresenta. pois não são regidos pela Consolidação das Leis do Trabalho. A Lei 8. A principal diferença. estabelecendo apenas o requisito material da contratação: necessidade temporária de excepcional interesse público. E este o diploma que regula os contratos temporários na Administração direta. os requisitos para a contratação temporária em seu âmbito.br 20 . www. em regra somente um processo seletivo simplificado. sendo necessário. em termos previdenciários. em termos de acesso. e que permitem a contratação de pessoal por tempo determinado. editar suas próprias legislações sobre a matéria. pois não tem suas regras prescritas nos estatutos de servidores editados pelas diferentes unidades da Federação. não havendo um diploma legal de caráter nacional tratando do tema. afirmando que ela “não revela qualquer vínculo trabalhista disciplinado pela CLT”. em lei própria.7. No caso de cargos em comissão. 4. CONTRATAÇÃO TEMPORÁRIA Dispõe o art. abrange apenas a esfera federal.745/1993. de forma autônoma. uma vez que cada ente federado é competente para editar sua lei na matéria. não se aplicando às empresas públicas e sociedades de economia mista instituídas pela União. autárquica e fundacional federal. ao contrário do que ocorre no regime celetista. enumera as hipóteses que podem ser enquadradas como caracterizadoras da necessidade temporária de excepcional interesse público. inserem-se os contratados temporários num regime de pessoal próprio.pontodosconcursos.667/2003. IX. em obediência ao mandamento constitucional.com. da CF: IX – a lei estabelecerá os casos de contratação por tempo determinado para atender a necessidade temporária de excepcional interesse público. não há como se fazer afirmações genéricas quanto aos requisitos para a contratação temporária. podemos entender que exercem uma função temporária. enquadradando-se. sua criação indiscriminada caracteriza evidente burla à exigência do concurso público. O STJ já teve oportunidade de pronunciar sobre a contratação temporária. de um lado. Neste ponto. Na verdade.745/93. Enfim. uma vez que a Constituição é silente a respeito da matéria. ADMINISTRATIVO – CURSO REGULAR PROFESSOR GUSTAVO BARCHET legítimo. se desejarem se valer do art. por outro lado. 37. para tanto. Apesar de haver certa discussão na doutrina. não são estatutários. Esta lei. o fato de não apresentar necessariamente um teste de conhecimentos. 37. como já dito. é que a contratação temporária não exige aprovação em concurso público.849/1999 e pela Lei nº 10. também não são celetistas. devendo os demais entes federativos. no Regime Geral da Previdência Social. por alguns denominado terceiro regime. como principal diferença do concurso público.CURSOS ON-LINE – DIR. Cabe a cada unidade federada disciplinar. aproxima-se o terceiro regime do regime estatutário. A contratação temporária corresponde ao terceiro regime de pessoal da Administração. Os contratados temporários. com as alterações promovidas pela Lei no 9. Em âmbito federal a contratação temporária é regulada pela Lei 8.

e admite que ele seja feito pela mera análise curricular. A Lei estabelece os prazos máximos de duração dos contratos.br 21 . mesmo que a atividade seja de caráter permanente. Como a Lei silencia nas demais hipóteses de contratação temporária. infere-se que para elas se exige alguma espécie de teste de conhecimentos. finalísticas do Hospital das Forças Armadas. mas o STF. pesquisadores visitantes estrangeiros. em algumas hipóteses. pode ter caráter regular.com. com base de critérios objetivos. podemos citar as seguintes: 1) assistência a situações de calamidade pública. admitindo-a. entre outras. no âmbito de projetos voltados para o alcance de objetivos estratégicos previstos no Plano Plurianual. desenvolvidas no âmbito dos projetos do Sistema de Vigilância da Amazônia – SIVAM e do Sistema de Proteção da Amazônia – SIPAM.CURSOS ON-LINE – DIR. ou. Segundo a Lei 8. dentro de certos parâmetros. Alguns doutrinadores entendem que tanto a função a ser exercida como a situação em que se dará seu exercício devem ser excepcionais e transitórias. A Lei 9.849/99 aumentou as hipóteses de contratação temporária. de análise e registro de marcas e patentes pelo INPI. passando-se a considerar como hipótese de contratação temporária as atividades técnicas especializadas. ADMINISTRATIVO – CURSO REGULAR PROFESSOR GUSTAVO BARCHET Em termos teóricos. sem haver tempo suficiente para a realização de um concurso público. 2) combate a surtos endêmicos. transitória. visa a Lei 8. Em regra. prevendo seu uso também para as seguintes atividades: de identificação e demarcação desempenhadas pela FUNAI. que dispensa qualquer processo seletivo em caso de calamidade pública. selecionar os mais aptos para a contratação temporária. quando se tratar da contratação de professores visitantes nacionais ou estrangeiros. em si mesma. ou pelo simples transcurso do seu período www.667/2003 mais uma vez ampliou o rol. Dentre as hipóteses arroladas na Lei. será necessário algum tipo de teste de conhecimentos. 3) realização de recenseamentos e pesquisas de caráter estatístico realizadas pela Fundação Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística – IBGE. firmou o entendimento de que a situação que exige a contratação deve ser transitória e caracterizar excepcional interesse público. a pedido do contratado. permanente. por mais simples que seja. 5) admissão de professor e pesquisador visitante estrangeiro. Tal conclusão decorre da interpretação das disposições da Lei. em meados de 2004. prescreve a impossibilidade de sua prorrogação como regra geral. na esfera federal a contratação temporária não se dá mediante concurso. Além disso. mas por processo seletivo simplificado. mas a função.pontodosconcursos. 4) admissão de professor substituto e professor visitante. por sua própria natureza. A Lei 10. em situações excepcionais que exijam o imediato desempenho de determinada função. e alguns outros profissionais. Os contratos temporários podem ser encerrados antes do decurso de seu prazo.745/93. sejam de duração efêmera.745/93 a instrumentalizar a Administração Federal nos casos de atividades que. que permita.

mediante a edição de lei específica. e o Presidente. exercida mediante lei. 6º) os cargos da Câmara e do Senado são criados. e levando-se também em consideração as inovações ao texto constitucional promovidas pela EC 19/98. IV e 52. compete ao Presidente da República “prover e extinguir os cargos públicos. www. 5º) a organização e funcionamento da Administração federal.com. Ainda. mas neste caso indenizará o contratado em valor correspondente à metade do que lhe caberia se o contrato fosse cumprido integralmente. 2º) a extinção de funções ou cargos públicos vagos é competência do Presidente da República.pontodosconcursos. 84. qual seja uma resolução (embora a fxação da remuneração seja matéria de lei). na esfera federal. empregos e funções públicas é competência exclusiva do Congresso Nacional. 5. na forma da lei”.CURSOS ON-LINE – DIR. XXV. A extinção de empregos públicos. mediante lei. COMPETÊNCIAS RELACIONADAS À ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA A EC 32/2001 alterou as normas referentes à competência para a disciplina da: criação. a rescisão dá-se sem ônus para qualquer das partes. mesmo quando vagos. Em ambos os casos. ADMINISTRATIVO – CURSO REGULAR PROFESSOR GUSTAVO BARCHET de duração. 4º) a criação e extinção de autarquias e de fundações públicas de direito público é de competência do Congresso. ou seja. a teor do art. e criação e extinção de órgãos e ministérios. da CF.br 22 . que será de iniciativa privativa do Presidente da República quando se tratar de cargos. o Legislativo. A Administração também poderá rescindir o contrato antes do prazo. disciplinará as condições para tanto. por lei. por decreto. que a exercerá mediante lei de iniciativa privativa do Presidente da República. A criação e extinção das demais entidades da Administração Indireta é competência do Presidente da República. segundo o art. extintos e transformados por ato próprio da Casa respectiva. exercida por meio de decreto autônomo. XII. praticará os atos concretos de provimento e exoneração. estruturação e estabelecimento de atribuições no serviço público. quando não implicar aumento de despesa nem criação ou extinção de órgãos públicos é competência do Presidente da República. por decreto. transformação e extinção de cargos. funções ou empregos públicos na Administração Direta e autárquica. exercida por meio de decreto autônomo. 3º) a criação e extinção de ministérios e órgãos da Administração Pública compete ao Congresso Nacional. Após a referida Emenda. continua sendo de competência do Congresso. 51. podem ser assim sintetizadas: 1º) a criação. após autorização em lei específica. extinção e transformação de cargos e funções públicos. as regras sobre algumas das principias competências em matéria administrativa.

II. do inc. b. DIREITO DE ASSOCIAÇÃO SINDICAL Reza o inc. a necessidade de lei para estabelecer os requisitos de acesso a cargos. empregos e funções públicas advém da necessidade de lei para a criação dos mesmos. A partir da EC 32/2001. aos Tribunais Superiores e aos Tribunais de Justiça apresentar ao Poder Legislativo respectivo projetos de lei que disciplinem “a criação e a extinção de cargos e a remuneração dos seus serviços auxiliares e dos juízos que lhe forem vinculados. De acordo com o autor. inclusive dos tribunais inferiores. têm direito de greve assegurado no art. autárquica e fundacional federal são resolvidos perante a Justiça Federal. Para os militares a disciplina é exatamente a oposta. antes transcrito.pontodosconcursos. em dispositivo também auto-aplicável. Ainda. 127. 8º da CF. uma vez que passou a ser de competência privativa do Presidente da República. onde houver” (redação dada pela EC 41/2003). VI do art. uma vez que o art. devemos anotar que houve uma mitigação deste princípio.com. também passou a ser de competência privativa desta autoridade a extinção de cargos e funções públicas. distrital ou municipal são decididos pela Justiça Estadual. a política remuneratória e os planos de carreira. DIREITO PÚBLICOS DE GREVE DOS SERVIDORES E EMPREGADOS www. 7. Aqueles envolvendo os servidores da Administração estadual. por sua vez. Os empregados públicos. quando não implicar aumento de despesa nem criação ou extinção de órgãos públicos. Até a publicação da referida emenda tais atribuições eram de competência do Congresso Nacional. Segundo o Professor Hely. I do art. 8º) nos termos do art. sendo tais regras também aplicáveis aos Tribunais de Contas. por decreto autônomo. decorre o princípio da organização legal do serviço público. 6. compete ao Procurador-Geral de cada ramo do Ministério Público propor ao Legislativo respectivo projeto de lei tratando da criação e a extinção de seus cargos. da Carta. IV. 142. Os litígios entre os servidores públicos e a Administração direta. 37 da Constituição: VI – é garantido ao servidor público civil o direito à livre associação sindical. ADMINISTRATIVO – CURSO REGULAR PROFESSOR GUSTAVO BARCHET 7º) segundo o art. A norma é auto-aplicável. § 2º.CURSOS ON-LINE – DIR. compete ao STF. veda-lhes o direito à sindicalização e à greve. 96. da CF. mediante lei.br 23 . 37 da CF. bem como a fixação do subsídio de seus membros e dos juízes. a disciplina da organização e funcionamento da Administração federal. garantindo por si só aos servidores públicos civis o direito à livre associação sindical. quando vagos. E cabe à Justiça do Trabalho o julgamento das causas trabalhistas envolvendo os empregados públicos de qualquer esfera de governo.

art. Até lá. 37. uma lei ordinária que só trate da referida matéria (CF. 9º da CF. 9º da CF e não as do art.CURSOS ON-LINE – DIR. www. 37. o mesmo deve ser exercido nos termos e limites a serem definidos em lei específica. ADMINISTRATIVO – CURSO REGULAR PROFESSOR GUSTAVO BARCHET Apesar de a Constituição reconhecer aos servidores o direito de greve. pois. VII. em dispositivo auto-aplicável. A partir desse posicionamento da Corte. não podem os servidores deflagrar qualquer movimento grevista. autárquica e fundacional também têm direito à greve e podem imediatamente exercê-lo. enquanto não editada a lei. Trata-se. sendo-lhes aplicáveis as disposições do art. assegura-lhes o direito de greve e seu imediato exercício. ao contrário da norma que prevê o direito de associação sindical. já tendo o STF decidido que. uma vez que o art. VII). no caso.pontodosconcursos. Aos empregados das empresas públicas e sociedades de economia mista aplica-se disciplina distinta. independentemente da edição de qualquer lei sobre a matéria.com.br 24 . mas seu exercício está condicionado à lei requerida pela Constituição. Na próxima aula daremos continuidade à matéria. o qual poderá ser limitado pela legislação ordinária (norma constitucional de eficácia contida). de norma constitucional de eficácia limitada: os servidores têm o direito de greve. são legítimas medidas como o corte do ponto de servidores em paralisação. Os empregados públicos da Administração direta. restritas aos servidores públicos.