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DOS DIREITOS REAIS DE GARANTIA

Introdução e disposições gerais (CC, arts. 1.419 a 1.430)

Do penhor (CC, arts. 1.431 a 1.437)
Do penhor rural (CC, arts. 1.438 a 1.446)
Do penhor industrial e mercantil (CC, arts. 1.447 a 1.450)
Do penhor de direitos (CC, arts. 1.451 a 1.457)
Da caução de títulos de crédito (CC, arts. 1.458 a 1.460)
Do penhor de veículos (CC, arts. 1.461 a 1.466)
Do penhor legal (CC, arts. 1.467 a 1.472)
Da hipoteca (CC, arts. 1.473 a 1.505)
Da anticrese (CC, arts. 1.506 a 1.510)


INTRODUÇÃO AOS DIREITOS REAIS DE GARANTIA

HISTÓRICO
Conforme relata Maria Helena Diniz (Curso de direito civil brasileiro), nos primórdios da civilização, o devedor
respondia, moral e fisicamente, com sua pessoa pelas suas dívidas.
Entre os egípcios, adjudicava-se ao credor a própria pessoa do devedor.
Entre os hebreus, tornava-se ele escravo do seu credor.
Entre os romanos, o credor podia prender o devedor, vendendo-o em três feiras sucessivas, ou ainda, matá-lo,
como permitia a Lei das XII Tábuas.
Foi apenas no ano 326 a.C. que, com a Lex Paetelia Papiria, se transferiu a patrimônio material do devedor a
garantia do adimplemento das suas obrigações, se as mesmas não proviessem de ato ilícito.
A partir daí, a idéia de garantia da dívida ligou-se ao patrimônio ou aos bens do devedor, deixando de
responder com sua vida e sua liberdade.
Todavia, essa garantia genérica foi insuficiente, dando origem a fraudes e simulações.
Para corrigir esses defeitos surgiram duas espécies de garantia:
1) pessoal ou fidejussória (Uma pessoa, alheia à relação obrigacional, obrigava-se a pagar o débito, caso o
devedor principal não o solvesse. Desta espécie são a fiança e o aval, que perduram até hoje.)
2) real (O próprio devedor, ou alguém por ele, destinava todo ou parte de seu patrimônio para assegurar o
cumprimento da obrigação contraída.)
A primeira garantia real que surgiu na história foi a fidúcia, pela qual o devedor transmitia ao seu credor o
domínio de um bem, que seria devolvido quando o débito fosse resgatado. Essa garantia, todavia, não
amparava o devedor, pois não lhe assegurava receber seu bem de volta.
Surge, então, o pignus, que conferia ao credor, como garantia, não a propriedade, mas a posse da coisa.
Todavia, o credor não ficava completamente amparado, pois não podia dispor da coisa. Ao mesmo tempo, o
próprio devedor podia ser prejudicado por não ter a posse de um instrumento de seu trabalho, por exemplo.
Os romanos adotaram então a hipoteca, pela qual a posse do bem ficava com o devedor.
Distinguiu-se, outrossim, o pignus (próprio para bens móveis) da hipoteca (própria para bens imóveis).
Surge, por fim, a anticrese, pela qual o credor podia utilizar da coisa pertencente ao devedor, retirando dela
todos os seus frutos como compensação de seu capital que estava em poder do devedor. Deste modo, o credor
usufruía todas as utilidades econômicas da coisa até pagar-se do capital emprestado ao devedor.

DIREITOS REAIS DE GARANTIA NO CÓDIGO CIVIL
Atualmente, em nosso ordenamento jurídico, há 4 formas de garantia real:
1) o penhor
2) a hipoteca
3) a anticrese
4) a propriedade fiduciária
O código civil brasileiro contempla as três primeiras modalidades como garantia real e trata da última como
modalidade da propriedade.
A garantia real é bem mais eficaz do que a garantia pessoal, visto que aquela vincula determinado bem do
devedor ao pagamento da dívida.
Havendo impontualidade do devedor, o bem dado em garantia pode então ser penhorado e levado à hasta
pública.

DIFERENÇA ENTRE OS DIREITOS DE GARANTIA E OS DIREITOS DE GOZO
"Os direitos reais de garantia não se confundem com os de gozo ou de fruição. Estes têm por conteúdo o uso e
fruição das utilidades da coisa, da qual o seu titular tem posse direta, implicando restrições ao jus utendi e
fruendi do proprietário. Nos direitos reais de garantia há vinculação de um bem, pertencente ao devedor, ao
pagamento de uma dívida, sem que o credor possa dele usar e gozar.¨ (Carlos Roberto Gonçalves, Direito das
coisas)

EFEITOS DOS DIREITOS REAIS DE GARANTIA
O principal efeito das garantias reais consiste no fato de o bem, que era segurança comum a todos os credores
e que foi separado do patrimônio do devedor, ficar afetado ao pagamento prioritário de determinada obrigação.
Daí decorrem os seguintes efeitos:
1) direito de preferência
2) direito de seqüela
3) direito de excussão
4) indivisibilidade
Vejamos cada um deles.

DIREITO DE PREFERÊNCIA
O credor hipotecário e o pignoratício têm preferência, no pagamento, a outros credores:
"Art. 1.422. O credor hipotecário e o pignoratício têm o direito de excutir a coisa hipotecada ou empenhada, e
preferir, no pagamento, a outros credores, observada, quanto à hipoteca, a prioridade no registro.¨

DIREITO DE SEQÜELA
O credor hipotecário e o credor pignoratício têm o direito de perseguir e reclamar a coisa dada em garantia, em
poder de quem quer que se encontre, para exercer sobre ela seu direito.
Outrossim, quem adquire imóvel hipotecado, por exemplo, está sujeito a vê-lo levado à hasta pública, para
pagamento da dívida que está a garantir.

DIREITO DE EXCUSSÃO
Os credores hipotecário e pignoratício têm o direito de excutir a coisa, ou seja, de promover a sua venda em
hasta pública, por meio de processo judicial, estando a obrigação vencida:
"Art. 1.422. O credor hipotecário e o pignoratício têm o direito de excutir a coisa hipotecada ou empenhada, e
preferir, no pagamento, a outros credores, observada, quanto à hipoteca, a prioridade no registro.¨

INDIVISIBILIDADE
Estabelece o art. 1.421 do Código Civil:
Art. 1.421. O pagamento de uma ou mais prestações da dívida não importa exoneração correspondente da
garantia, ainda que esta compreenda vários bens, salvo disposição expressa no título ou na quitação.
Percebe-se, pois, que o pagamento parcial de uma dívida não acarreta a liberação da garantia na proporção do
pagamento efetuado, salvo se o contrário for convencionado.

NOÇÕES BÁSICAS E PRINCIPAIS CARACTERÍSTICAS
PENHOR
"É um direito real que consiste na tradição de uma coisa móvel ou mobilizável, suscetível de alienação,
realizada pelo devedor ou por terceiro ao credor, a fim de garantir o pagamento do débito.¨ (Maria Helena
Diniz)
Caracteres:
-Direito real de garantia
-Direito acessório
-Recai sobre coisa móvel
-Exige alienabilidade do objeto
-O bem deve ser de propriedade do devedor (ou do terceiro garantidor)
-É direito real uno, indivisível e temporário

HIPOTECA
"É direito real de garantia de natureza civil que grava coisa imóvel ou bem a que a lei entende por hipotecável,
pertencente ao devedor ou terceiro sem transmissão de posse ao credor, conferindo a este o direito de
promover a sua venda judicial, pagando-se preferentemente, se inadimplente o devedor¨ (Maria Helena Diniz)
Caracteres:
-Direito real de garantia
-Requer a presença de dois sujeitos: credor e devedor
-O devedor continua na posse do imóvel
-É indivisível e acessório

ANTICRESE
"É direito real sobre imóvel alheio, em virtude do qual o credor obtém a posse da coisa a fim de perceber-lhe os
frutos e imputá-los no pagamento da dívida, juros e capital, sendo porém, permitido estipular que os frutos
sejam, na sua totalidade, percebidos à conta de juros.¨ (Clóvis Beviláqua)
Caracteres:
-Direito real de garantia
-O credor só pode aplicar as rendas auferidas com a retenção do bem de raiz, no pagamento da obrigação
garantida
-Requer escritura pública e registro


DO PENHOR

CONCEITO
"Direito real que consiste na transferência efetiva de uma coisa móvel ou mobilizável, suscetível de alienação,
realizada pelo devedor ou por terceiro ao credor, a fim de garantir o pagamento do débito.¨ (Maria Helena
Diniz, Curso de direito civil brasileiro: direito das coisas)

SUJEITOS
Devedor pignoratício: pode ser tanto o sujeito passivo da obrigação principal como terceiro que ofereça o ônus
real. Contrai o débito e transfere a posse do bem empenhado, como garantia ao credor. Sendo assim, deve ser
proprietário do objeto onerado, devendo ter a livre disposição de seus bens, bem como o poder de alienar
livremente o bem dado em garantia.
Credor pignoratício: é aquele que empresta o dinheiro e recebe o bem empenhado, recebendo, pela tradição, a
posse deste.

CARACTERÍSTICAS
Direito real de garantia
"Há uma vinculação do bem empenhado ao pagamento do débito, pressupondo a existência de um crédito a ser
garantido. Com a entrega da coisa efetuada pelo devedor ou alguém por ele, ao credor, este não recebendo o
pagamento da quantia que é devida, poderá proceder à execução, fazendo recair a penhora sobre o bem
onerado. Realizada a venda judicial, em hasta pública, terá o credor, no produto alcançado, direito de prelação
para obter o integral pagamento de seu crédito, excluindo os demais credores, que só concorrerão às sobras
que, porventura, houver. Estabelecido por contrato registrado no Cartório de Títulos e Documentos (CC, art.
1.432), nasce em proveito do credor um direito real, que opera erga omnes, estando munido de ação real e de
seqüela.¨ (Maria Helena Diniz, op. cit.)
Direito acessório
Sendo um direito real de garantia, é acessório da obrigação que gera a dívida que visa garantir. Logo, segue o
destino da obrigação principal.
Depende de tradição
Por ser o penhor um contrato real, que não se ultima com o simples acordo entre as partes, requer a entrega
real da coisa. Perfaz-se com a posse do objeto pelo credor (CC, art. 1.431). Não admite a tradição simbólica,
nem o constituto-possessório. Essa tradição faz com que o penhor se revista de publicidade. Essa exigência,
porém, não é absoluta, pois em alguns casos, como no penhor rural (agrícola ou pecuário), industrial, mercantil
e de veículos, dispensa-se a posse do bem pelo credor, continuando ele em poder do devedor, que o deve
guardar e conservar.
Recai sobre coisas móveis
Em geral, o penhor recai sobre coisa móvel, seja ela singular ou coletiva, corpórea ou incorpórea. Se incidir
sobre coisa fungível, deverá ser ela individuada. Recaindo sobre bem fungível, sem individuação, ter-se-á o
"penhor irregular", não ficando o credor adstrito à conservação e restituição da coisa recebida, mas de coisa do
mesmo gênero e quantidade, recebendo também a denominação de "caução" ou "depósito em caução", para
garantia de débitos futuros ou eventuais. Há, porém, penhores especiais que incidem sobre coisas imóveis por
acessão física ou intelectual, como o penhor rural e industrial, e sobre direitos.
Alienabilidade
O penhor exige alienabilidade do objeto, pois esse direito real de garantia visa assegurar a solução do débito,
mediante a alienação do bem empenhado, pagando-se o credor com o produto dessa venda.
Bem de propriedade do devedor
O bem empenhado deve ser de propriedade do devedor, pois se o objeto pertencer a outrem que não o
devedor, será nulo, salvo o caso de domínio superveniente (CC, art. 1.420, § 1.º) e garantia dada por terceiro
(CC, art. 1.427).
Vedado pacto comissório
De acordo com o art. 1.428, é nulo o pacto comissório. Portanto, não poderá o credor pignoratício se apropriar
do bem empenhado.
Direito uno e indivisível
O penhor é um direito real uno e indivisível, mesmo que a obrigação garantida ou a coisa onerada seja
divisível. A amortização não libera parcialmente o bem empenhado, salvo se o contrário se estipulou no título
ou na quitação; o ônus real permanece indivisível até que se pague o débito por inteiro.
Temporário
O penhor é temporário, não podendo ultrapassar o prazo estabelecido.

MODOS DE CONSTITUIÇÃO
O penhor pode constituir-se:
1) Por convenção (Credor e devedor estipulam a garantia pignoratícia, conforme seus próprios interesses. Deve
ser feito por instrumento particular ou público, sendo, portanto, um contrato solene. Para valer contra
terceiros, precisa ser levado a assento no Registro de Títulos e Documentos).
2) Por lei (Ocorre quando, para proteger certos credores, a própria norma jurídica lhes confere direito de tomar
certos bens como garantia até conseguirem obter o total pagamento das quantias que lhes devem. É o que
sucede: a) com os hospedeiros ou fornecedores de pousada ou alimento, sobre as bagagens, móveis, jóias ou
dinheiro que os seus consumidores ou fregueses tiverem consigo nas respectivas casas ou estabelecimentos
pelas despesas ou consumo que aí tiverem feito; b) com o dono do prédio rústico ou urbano, sobre os bens
móveis que o rendeiro ou inquilino tiver guarnecendo o mesmo prédio, pelos aluguéis ou renda.)

DIREITOS DO CREDOR PIGNORATÍCIO
• Investir-se na posse da coisa empenhada (1433, I).
• Manter a posse da coisa empenhada, para guardá-la como garantia.
• Reter o objeto empenhado até o implemento da obrigação.
• Reter o objeto empenhado até ser reembolsado das despesas devidamente justificadas não ocasionadas
por sua culpa (1433, II).
• Ressarcir-se de qualquer dano ou prejuízo que venha a sofrer em virtude de vício do objeto gravado
(1433, III).
• Excutir o bem gravado, i.e., promover sua venda judicial (1433, IV).
• Providenciar a venda amigável se lhe permitir expressamente o contrato (1433, IV).
• Apropriar-se dos frutos da coisa empenhada que se encontra em seu poder (1433, V).
• Promover venda antecipada, mediante prévia autorização judicial, quando houver receio fundado de
que a coisa se perca ou se deteriore (1433, VI).
• Ser pago, preferencialmente, com o produto alcançado na venda judicial.
• Exigir o reforço da garantia se a coisa empenhada se deteriorar ou perecer.
• Receber o valor do seguro dos bens ou dos animais empenhados, no caso de seu perecimento.
• Receber indenização a que estiver sujeito o causador da perda ou deterioração.
• Exigir do devedor a satisfação do prejuízo sofrido por vício ou defeito oculto da coisa.
• Receber o preço da desapropriação ou requisição dos bens ou animais, em caso de necessidade ou
utilidade pública.
• Não ser constrangido a devolver a coisa gravada, ou parte dela, antes de ser integralmente pago,
podendo o juiz, a requerimento do proprietário, determinar a venda de um dos bens, ou parte do bem
empenhado, suficiente para o pagamento do credor (1434).

DEVERES DO CREDOR PIGNORATÍCIO
• Custodiar e conservar o bem gravado com diligência e cuidados normais de um proprietário (1435, I).
• Não usar a coisa, visto que não passa de depositário.
• Defender a posse da coisa empenhada de ataques de terceiros, dando ciência ao devedor das
circunstâncias que se tornaram necessárias para o exercício das ações possessórias.
• Responder por perdas e danos decorrentes de ataques à posse da coisa, no caso de omissão.
• Restituir o bem gravado, uma vez paga a dívida, com os respectivos frutos e acessões (1435, IV).
• Ressarcir ao dono a perda ou deterioração de que for culpado.
• Imputar o valor dos frutos de que vier a se apropriar nas despesas de guarda e conservação, nos juros
e no capital da obrigação garantida, sucessivamente (1435, III).
• Aceitar a coisa oferecida em substituição.
• Entregar o que sobeje do preço, quando a dívida for paga.

DIREITOS DO DEVEDOR PIGNORATÍCIO
• Não perder a propriedade da coisa que der em penhor, bem como dos respectivos frutos e acessões.
Conservar a posse indireta do bem empenhado, apesar de o transferir ao credor.
• Impedir que o credor faça uso da coisa gravada.
• Ser informado de ataques à posse da coisa.
• Ser indenizado por perdas e danos resultantes da omissão do credor.
• Reaver o objeto dado em garantia, quando pagar o seu débito.
• Utilizar os meios processuais adequados quando o credor se recusar a devolver a coisa depois de a
dívida ter sido paga.
• Exigir do credor o ressarcimento dos prejuízos que vier a sofrer com a perda ou deterioração da coisa
por culpa deste.
• Ter abatido da dívida os frutos que tiver percebido o credor.
• Impedir a venda antecipada, substituindo-a, ou oferecendo outra garantia real idônea.
• Receber o remanescente do preço na venda judicial.

DEVERES DO DEVEDOR PIGNORATÍCIO
• Proceder à tradição da coisa empenhada ao credor.
• Não molestar o credor no exercício de suas prerrogativas.
• Não requerer a devolução do objeto empenhado até que pague totalmente o débito.
• Pagar todas as despesas feitas pelo credor com a guarda, conservação e defesa do bem gravado.
• Indenizar os prejuízos que o credor houver sofrido por vício ou defeito da coisa.
• Não procrastinar o deslinde da questão.
• Não obstaculizar a venda amigável, uma vez permitida.
• Não impedir a percepção dos frutos por parte do credor, ao longo do tempo em que a coisa estiver na
posse deste.
• Não criar embaraços à venda, se não tiver como oferecer outra garantia, nem substituir a coisa
empenhada.
• Pagar a dívida e exibir todos os bens empenhados, na execução do penhor, sob pena de sujeitar-se à
prisão administrativa.
• Reforçar o ônus real, nos casos em que isso for necessário.
• Indenizar o credor de todos os prejuízos causados por vícios ou defeitos ocultos da coisa empenhada.
• Não exigir a restituição da coisa empenhada, ou de parte dela, antes de ser inteiramente solvida a
dívida.

EXTINÇÃO DO PENHOR
De acordo com o art. 1.436 do Código Civil, extingue-se o penhor:
I - extinguindo-se a obrigação;
II - perecendo a coisa;
III - renunciando o credor;
IV - confundindo-se na mesma pessoa as qualidades de credor e de dono da coisa;
V - dando-se a adjudicação judicial, a remissão ou a venda da coisa empenhada, feita pelo credor ou por ele
autorizada.
Segundo dispõe o § 1.º, presume-se a renúncia do credor quando consentir na venda particular do penhor sem
reserva de preço, quando restituir a sua posse ao devedor, ou quando anuir à sua substituição por outra
garantia.
O § 2.º, por seu turno, estabelece que se operando a confusão tão-somente quanto a parte da dívida
pignoratícia, subsistirá inteiro o penhor quanto ao resto.
Por fim, o art. 1.437 acrescenta: "Produz efeitos a extinção do penhor depois de averbado o cancelamento do
registro, à vista da respectiva prova.¨


DO PENHOR RURAL

CONCEITO
Penhor rural é o "vínculo real por meio do qual agricultores e criadores sujeitam suas culturas ou animais ao
cumprimento de obrigações, ficando como depositários desses ou daquelas; distinguindo-se em penhor agrícola
e penhor pecuário, conforme a natureza da coisa dada em garantia.¨ (Academia brasileira de letras jurídicas,
Dicionário jurídico)

CONSTITUIÇÃO
Constitui-se o penhor rural mediante instrumento público ou particular, registrado no Cartório de Registro de
Imóveis da circunscrição em que estiverem situadas as coisas empenhadas (art. 1.438, caput).

ESPÉCIES
A Lei 492/37, sob a rubrica "penhor rural", previu tanto o penhor agrícola (art. 6.º) como o pecuário (art. 10),
o mesmo fazendo o novo Código Civil, ao reger o penhor agrícola nos arts. 1.442 e 1.443 e o pecuário nos arts.
1.444 a 1446.
Esclarece Fabrício Zamprogna Mattielo: "Enquanto o penhor agrícola recai exclusivamente sobre animais do
serviço ordinário de estabelecimento destinado à agricultura, o penhor pecuário tem por objeto animais que
integram a atividade pastoril, pecuária propriamente dita ou de lacticínios.¨ (Código civil comentado).

PRAZOS
Segundo estabelece o art. 1.439 do Código Civil, o penhor agrícola somente pode ser convencionados pelo
prazo máximo de três anos; e o pecuário, pelo prazo máximo de quatro anos, ambos prorrogáveis, uma só vez,
até o limite de igual tempo.

PENHOR AGRÍCOLA
"O penhor agrícola é o vínculo real que grava a cultura, para facilitar o crédito agrícola e desenvolver a
agricultura.¨ (Maria Helena Diniz, Código civil anotado)
Em harmonia com o que preceitua o art. 1.442 do Código Civil, podem ser objeto de penhor agrícola:
I - máquinas e instrumentos de agricultura;
II - colheitas pendentes, ou em via de formação;
III - frutos acondicionados ou armazenados;
IV - lenha cortada e carvão vegetal;
V - animais do serviço ordinário de estabelecimento agrícola.
A propósito, ensina Marco Aurélio Bezerra de Melo: "Os objetivos desta modalidade de penhor rural são os bens
que guardam relação com a atividade agrícola e que vão permitir ao agricultor obter financiamento para a
produção de insumos agrícolas. São máquinas e instrumentos de agricultura os tratores, os arados, manuais e
automotores, os caminhões e também as enxadas, as pás, entre outros instrumentos típicos do trabalho no
campo.¨ (Novo código civil anotado)
Como dispõe o art. 1.443, o penhor agrícola que recai sobre colheita pendente, ou em via de formação,
abrange a imediatamente seguinte, no caso de frustrar-se ou ser insuficiente a que se deu em garantia. Explica
Maria Helena Diniz:
"A lei permite que o penhor agrícola possa recair sobre colheita pendente ou ainda não existente, ou melhor,
em via de ser formada, possibilitando, assim, que o devedor dê como garantia coisa futura.
Conseqüentemente, diante da aleatoriedade do ônus real e do risco assumido pelo credor, tal penhor abrangerá
a colheita seguinte, se vier a frustrar-se ou se for insuficiente a dada em garantia.¨ (Código civil anotado)
De acordo com o parágrafo único do art. 1.443, se o credor não financiar a nova safra, poderá o devedor
constituir com outrem novo penhor, em quantia máxima equivalente à do primeiro, sendo que o segundo
penhor terá preferência sobre o primeiro, abrangendo este apenas o excesso apurado na colheita seguinte.
De fato, frustrada parcial ou totalmente a primeira safra, apresenta-se como natural o receio do credor em
financiar a seguinte, haja vista a potencial iminência de novo revés. Diante disso, ocorrendo negativa em
financiar, "o devedor pode constituir novo penhor com outro agente, mas tem de limitar o valor do
financiamento à quantia máxima do primeiro. Com isso, evita-se que a dívida contraída supere aquela já
anteriormente constituída, dificultando a solução de ambas e pondo em risco os respectivos créditos,
especialmente o mais antigo.¨ (Fabrício Zamprogna Mattielo, Código civil comentado)

PENHOR PECUÁRIO
"O penhor pecuário é o vínculo real que grava animais, tendo por objeto, portanto, os animais que se criam
para indústria pastoril, agrícola ou de laticínios.¨ (Maria Helena Diniz, Código civil anotado)
É tratado nos arts. 1.444 a 1.446 do Código Civil de 2002. Dispõe o art. 1.444: "Podem ser objeto de penhor os
animais que integram a atividade pastoril, agrícola ou de lacticínios.¨ O dispositivo "enumera os animais que
podem ser objeto de penhor pecuário, somando aos animais do serviço ordinário de estabelecimento agrícola os
que integram a atividade pastoril ou de laticínios.¨ (Ricardo Fiúza, Novo código civil comentado).
A respeito da norma, expressa Marco Aurélio Bezerra de Melo: "Esta modalidade de penhor rural recai sobre
semoventes, mas não se realiza a tradição dos animais, posto que os devedores pignoratícios permanecerão na
posse direta dos bens a ele pertencentes. Podem figurar como objeto do penhor pecuário todos os animais de
quaisquer espécies pertencentes ao devedor criador ou a terceiro que garanta, no âmbito do direito real, a
dívida de outra pessoa. Podem servir de objeto do penhor pecuário todos os animais utilizados na produção de
laticínios, de lã, assim como sobre animais de corte ou consumo¨ (Novo código civil anotado)
O contrato, público ou particular, deve ser registrado no Cartório de Imóveis, como determina o art. 1.438,
devendo ainda ser realizada a perfeita especialização da dívida e dos animais que a garante, onde os mesmos
podem ser encontrados e o destino que o devedor pretende dar aos animais onerados.
Conforme estabelece o art. 1.445, o devedor não poderá alienar os animais empenhados sem prévio
consentimento, por escrito, do credor. O parágrafo único adverte que, quando o devedor pretende alienar o
gado empenhado ou, por negligência, ameace prejudicar o credor, poderá este requerer se depositem os
animais sob a guarda de terceiro, ou exigir que se lhe pague a dívida de imediato, hipótese em que se operará
o vencimento antecipado da dívida.
De acordo com o art. 1.446, os animais da mesma espécie, comprados para substituir os mortos, ficam sub-
rogados no penhor. Havendo tal substituição, será preciso que se acrescente esse fato no contrato, averbando-
o, para que este tenha eficácia perante terceiros (cf. parágrafo único).


DO PENHOR INDUSTRIAL E MERCANTIL

DO PENHOR INDUSTRIAL
Segundo dispõe o art. 1.447, podem ser objeto de penhor máquinas, aparelhos, materiais, instrumentos,
instalados e em funcionamento, com os acessórios ou sem eles; animais, utilizados na indústria; sal e bens
destinados à exploração das salinas; produtos de suinocultura, animais destinados à industrialização de carnes
e derivados; matérias-primas e produtos industrializados.
De acordo com o parágrafo único do art. 1.431, no penhor rural, industrial, mercantil e de veículos, as coisas
empenhadas continuam em poder do devedor, que as deve guardar e conservar. Com efeito, "de que valeria ao
industrial mobilizar crédito com a garantia de máquinas e matéria-prima, se com a tradição delas ao financiador
tivesse de paralisar a indústria?¨ (Maria Helena Diniz, Curso de direito civil brasileiro: direito das coisas)
Constitui-se o penhor industrial mediante instrumento público ou particular, registrado no Cartório de Registro
de Imóveis da circunscrição onde estiverem situadas as coisas empenhadas (art. 1.448).
Prometendo pagar em dinheiro a dívida, que garante com penhor industrial, o devedor poderá emitir, em favor
do credor, cédula do respectivo crédito, na forma e para os fins que a lei especial determinar (art. 1.448,
parágrafo único). Trata-se do Decreto-lei 413/69, que é a lei especial que trata da matéria.
O art. 1.490 proíbe que o devedor, sem autorização do credor, aliene os bens dados em garantia: "O devedor
não pode, sem o consentimento por escrito do credor, alterar as coisas empenhadas ou mudar-lhes a situação,
nem delas dispor.¨ (art. 1.449, 1.ª parte) Na hipótese de o credor autorizar a venda do bem empenhado, o
devedor deverá substituí-lo por outro de mesmo valor: "O devedor que, anuindo o credor, alienar as coisas
empenhadas, deverá repor outros bens da mesma natureza, que ficarão sub-rogados no penhor.¨ (art. 1.449,
2.ª parte)
O art. 1.450 inova ao dar ao credor o direito de verificar o estado das coisas empenhadas, inspecionando-as
onde se acharem, por si ou por pessoa que credenciar.

DO PENHOR MERCANTIL
Como expressa Venosa, "o penhor mercantil guarda perfeita similitude com o penhor civil, e sua diferenciação é
atualmente despicienda. Diverge apenas no tocante à natureza da dívida. Disciplinado pelo Código Comercial,
supletivamente se aplicam os princípios do Código Civil. Nada impede que o bem permaneça em poder do
devedor, como ocorre na prática.¨ (Sílvio de Salvo Venosa, Direito civil: direitos reais)
De fato, essencialmente não há nenhuma diferença entre o penhor mercantil e o civil. Distinguem-se apenas
pela natureza da obrigação: este é de natureza civil; aquele, comercial. Comenta Maria Helena Diniz: "Essa
espécie de penhor é muito aplicada no comércio, principalmente na vida bancária.¨ (Curso de direito civil:
direito das coisas)
Segundo a autora, o penhor mercantil apresenta as seguintes características:
1) Recai sobre coisa móvel (p. ex., mercadorias, produtos, máquinas etc.), que ficará sujeita ao
pagamento do débito. Não pode incidir sobre estabelecimentos comerciais, que são imóveis, e marcas
de fábrica, que são impenhoráveis.
2) Não requer a tradição da coisa empenhada ao credor, nos termos do art. 1.431.
3) Trata-se de contrato acessório que se liga à obrigação principal, que visa garantir.
4) É indivisível, porquanto submete o objeto empenhado à integral solução da dívida.
5) Deve constar de instrumento público ou particular, que devem conter, segundo o art. 1.421: I - o valor
do crédito, sua estimação, ou valor máximo; II - o prazo fixado para pagamento; III - a taxa dos juros,
se houver; IV - o bem dado em garantia com as suas especificações.
6) Deve ser registrado no Cartório Imobiliário onde estiverem situadas as coisas empenhadas, para valer
contra terceiros.
7) Requer, se o devedor prometer pagar em dinheiro a dívida garantida com penhor, que ele emita em
favor do credor cédula daquele crédito, na forma determinada por lei especial.
8) Requer consentimento escrito do credor para alteração do bem empenhado, para mudança de sua
situação e para sua alienação. O devedor que, anuindo o credor, alienar as coisas empenhadas, deverá
repor outros bens da mesma natureza, que ficarão sub-rogados no penhor (art. 1.449, 2.ª parte).
9) Concede ao credor o direito de verificar o estado das coisas empenhadas, inspecionando-as onde se
acharem, por si ou por pessoa que credenciar (art. 1.450).

DO PENHOR DE DIREITOS
O penhor não incide somente em coisa, mas também em direitos. Assim, ao lado dos bens móveis corpóreos,
podem ser gravados com ônus pignoratício os bens incorpóreos.
Determina o art. 1.451 que podem ser objeto de penhor direitos, suscetíveis de cessão, sobre coisas móveis.
Conforme dispõe o art. 1.452, o penhor de direito constitui-se mediante instrumento público ou particular,
registrado no Registro de Títulos e Documentos. Acrescenta o parágrafo único que o titular de direito
empenhado deverá entregar ao credor pignoratício os documentos comprobatórios desse direito, salvo se tiver
interesse legítimo em conservá-los.
O art. 1.453 estabelece que o penhor de crédito não tem eficácia senão quando notificado ao devedor; por
notificado tem-se o devedor que, em instrumento público ou particular, declarar-se ciente da existência do
penhor.
Segundo o art. 1.454, o credor pignoratício deve praticar os atos necessários à conservação e defesa do direito
empenhado e cobrar os juros e mais prestações acessórias compreendidas na garantia.
Em harmonia com o art. 1.455, deverá o credor pignoratício cobrar o crédito empenhado, assim que se torne
exigível. Se este consistir numa prestação pecuniária, depositará a importância recebida, de acordo com o
devedor pignoratício, ou onde o juiz determinar; se consistir na entrega da coisa, nesta se sub-rogará o
penhor. O parágrafo único acrescenta que, estando vencido o crédito pignoratício, tem o credor direito a reter,
da quantia recebida, o que lhe é devido, restituindo o restante ao devedor; ou a excutir a coisa a ele entregue.
Determina o art. 1.456 do Código Civil que, se o mesmo crédito for objeto de vários penhores, só ao credor
pignoratício, cujo direito prefira aos demais, o devedor deve pagar; responde por perdas e danos aos demais
credores o credor preferente que, notificado por qualquer um deles, não promover oportunamente a cobrança.
O art. 1.457, por fim, estatui que o titular do crédito empenhado só pode receber o pagamento com a
anuência, por escrito, do credor pignoratício, caso em que o penhor se extinguirá.


DO PENHOR DE TÍTULOS DE CRÉDITO

CONCEITO
Penhor de crédito é a "modalidade de garantia de direito real operada pela tradição do título representativo do
crédito, pelo penhorante ao credor pignoratício.¨ (Academia Brasileira de Letras Jurídicas, Dicionário Jurídico)
O atual Código Civil regula o penhor dos títulos de crédito nos arts. 1.458 a 1.460. O diploma anterior utilizava
a expressão "caução¨, em vez de "penhor¨, para melhor expressar, segundo Clóvis Beviláqua, a idéia de que
não há uma transferência de posse, por se tratarem os créditos de bens incorpóreos.

OBJETO
"O objeto do penhor de titulo de crédito é o próprio título em que se documenta o direito. O direito de crédito
materializa-se ao incorporar-se no documento, sendo, portanto, seu objeto o documento representativo do
crédito (coisa corpórea) e não os respectivos direitos (coisas incorpóreas), caso em que se teria [...] o penhor
de direitos. Com isso não se tem um penhor de coisa, porque seu objeto não deixa de ser o direito de crédito
corporificado no título.¨ (Maria Helena Diniz, Curso de direito civil brasileiro: direito das coisas).

CONSTITUIÇÃO
Em conformidade com o art. 1.458 do Código Civil, o penhor que recai sobre título de crédito constitui-se
mediante instrumento público ou particular ou endosso pignoratício, com a tradição do título ao credor.
Constituição por escrito
"Será reduzido a escrito, em documento público ou particular, observando-se o que edita o art. 1.424 do
diploma civil. [...] O contrato será levado ao Cartório de Títulos e Documentos, como está no art. 127, III da
Lei dos Registros Públicos. [...] O credor pignoratício não é titular do crédito contido na cártula, recebendo-o
como garantia da obrigação principal.¨
Endosso pignoratício
"O art. 918 do Código Civil dispõe a respeito do penhor pignoratício, na disciplina do título à ordem, dizendo
que, lançado no endosso, ele confere ao endossatário o exercício dos direitos inerentes ao título. O
endossatário é tido como credor pignoratício do endossador observados os fins previstos o art. 1.459 do Código
Civil.¨ (Marco Aurélio S. Viana, Comentários ao novo código civil)

DIREITOS DO CREDOR
1) Conservar a posse do título (art. 1.459, I), empregando,na sua guarda, a diligência exigida por sua
natureza.
2) Recuperar a posse do título contra qualquer detentor, inclusive o próprio dono, podendo, para tanto,
empregar todos os meios processuais admissíveis para assegurar os seus direitos e os do credor do
título empenhado: ações, recursos etc. (art. 1.459, I e II)
3) Fazer intimar ao devedor do título empenhado, que não pague ao seu credor, enquanto durar o penhor
(art. 1.459, III), para que possa exercer seu direito de receber diretamente tal importância.
4) Receber a importância consubstanciada no título caucionado e os respectivos juros, se exigíveis, e
restituindo-o ao devedor, quando este solver a obrigação por ele garantida (art. 1.459, IV)
5) O credor num título de crédito que, depois de o ter caucionado, quitar o devedor, ficará, por esse fato,
obrigado a saldar imediatamente a dívida, em cuja garantia se constituir o penhor; e o devedor que,
ciente de estar caucionado o seu título de débito, vier a pagar ao seu credor, responderá
solidariamente, com este, por perdas e danos, perante o credor pignoratício. Maria Helena Diniz fornece
o seguinte exemplo: "A é devedor de B, por meio de notas promissórias que emitiu, vencíveis a 180,
240 e 300 dias. Portanto B é credor de A. B, de posse daqueles títulos, procura C e com este cauciona
ditas promissórias, dando-as em penhor pelo empréstimo. Ora, se B der quitação de qualquer daquelas
promissórias em seus vencimentos, ou mesmo fora deles, estará obrigado, por lei, a liquidar a dívida
para com C, garantida pela caução, porque sua atitude implicou a extinção do direito creditório de C
(credor caucionante). E A, ciente de que seus títulos de débito - as notas promtssorias - se achavam
caucionadas a C, não deveria resgatá-las com B e se assim o fez, agiu de má fé, pelo que a lei lhe
impõe a solidariedade passiva, isto é, passa a ser solidário com B pelo ressarcimento ou pagamento a C
do valor da dívida contraída por B ao caucionar os títulos a que nos referimos. Essa medida põe a salvo
os direitos daquele com quem se realiza a caução de títulos de crédito pessoal.¨ (Curso de direito civil
brasileiro: direito das coisas).


DO PENHOR DE VEÍCULOS

OBJETO, EFICÁCIA E REGISTRO
De acordo com o art. 1.461 do Código Civil, podem ser objeto de penhor os veículos empregados em qualquer
espécie de transporte ou condução. Tal penhor constitui-se mediante instrumento público ou particular,
registrado no Cartório de Títulos e Documentos do domicílio do devedor, e anotado no certificado de
propriedade (art. 1.462). Explica Caio Mário:
"O penhor de veículos apresenta características que lhe são próprias, distinguindo-o de coisas em geral.
Guardando similitude com o penhor comum, constitui-se por instrumento público ou particular, registrado no
Cartório de Títulos e Documentos do domicílio do devedor. Completa-se, todavia, a sua realização por ser
anotado no certificado de propriedade (art. 1.426, caput). Desta forma, em qualquer circunstância, terceiros
terão sempre meios de saber que se encontra empenhado ao adquirir o veículo, ou efetuar qualquer negócio
que o tenha por objeto, à simples inspeção ocular do documento, sem necessidade de recorrer à certidão
passada pelos cartórios.¨ (Caio Mário da Silva Pereira, Instituições de direito civil: direitos reais)
O devedor, prometendo pagar em dinheiro a dívida garantida com o penhor, poderá emitir cédula de crédito, na
forma e para os fins que a lei especial determinar (art. 1.462, parágrafo único).

REALIZAÇÃO DE SEGURO
"Como o veículo empenhado representa a garantia da dívida, e tendo em vista sua mobilidade e vicissitudes
que enfrenta, o art. 1.463 impõe que esse penhor somente se torna possível desde que previamente os
veículos estejam segurados contra furto, avaria, perecimento e danos causados a terceiros.¨ (Sílvio de Salvo
Venosa, Direito civil: direitos reais) Ocorrendo sinistro, "a indenização sub-rogar-se-á no veículo, se este for
destruído, furtado ou roubado, bem como no caso de ser parcialmente danificado até que o proprietário
promova a sua reparação.¨ (Caio Mário, op. cit.)


DIREITO DE INSPEÇÃO
Como todo penhor no qual a coisa não permanece como credor, tem este o direito a verificar o estado do
veículo empenhado, inspecionando-o onde se achar, por si ou por pessoa que credenciar (art. 1.464). Com
efeito, "é inegável o interesse do credor na conservação e adequada manutenção do bem, pois toda
depreciação ou minoração do conteúdo econômico será prejudicial e afetará a extensão prática da garantia.¨
(Fabrício Zamprogna Mattielo, Código civil comentado)

VENCIMENTO ANTECIPADO DO CRÉDITO
O devedor pignoratício não pode alienar ou mudar o veículo empenhado sem antes dar ciência disso ao credor.
Sendo assim, se o devedor vier a alienar ou trocar o veículo empenhado, sem antes comunicar o credor a
respeito, ocorrerá a antecipação do vencimento do crédito empenhado (art. 1.465).

PRAZO
Conforme estabelece o art. 1.466, o penhor de veículos só se pode convencionar pelo prazo máximo de dois
anos, prorrogável até o limite de igual tempo, averbada a prorrogação à margem do registro respectivo.


DO PENHOR LEGAL

CONCEITO
"Penhor legal é garantia instituída pela lei para assegurar o pagamento de certas dívidas, que, por sua
natureza, reclamam tratamento especial. Esse penhor independe de convenção, resultando, exclusivamente, da
vontade expressa do legislador.¨ (Washington de Barros Monteiro, Curso de direito civil: direito das coisas)
O penhor legal, outrossim, é aquele que não deriva da vontade das partes, mas da própria lei. Não é gerado
por um contrato, mas pela determinação do legislador. "Este, no propósito de proteger pessoas em
determinadas situações, busca, através do instituto, assegurar o resgate de certas dívidas, de que referidas
pessoas são credoras. Embora o interesse diretamente protegido seja o do credor, pode-se verificar que,
indiretamente e de modo geral, há na concessão da garantia em causa um interesse social a ser preservado.¨
(Silvio Rodrigues, Direito civil: direito das coisas)

CASOS EM QUE OCORRE O PENHOR LEGAL
O Código Civil, no art. 1.467, estabelece serem credores pignoratícios, independentemente de convenção:
I - os hospedeiros, ou fornecedores de pousada ou alimento, sobre as bagagens, móveis, jóias ou dinheiro que
os seus consumidores ou fregueses tiverem consigo nas respectivas casas ou estabelecimentos, pelas despesas
ou consumo que aí tiverem feito;
II - o dono do prédio rústico ou urbano, sobre os bens móveis que o rendeiro ou inquilino tiver guarnecendo o
mesmo prédio, pelos aluguéis ou rendas.
A propósito, explica Fabrício Zamprogna Mattielo:
"Em determinadas situações, interessa ao ordenamento jurídico que o credor tenha seus interesses econômicos
protegidos através da incidência de penhor legal sobre coisas pertencentes ao sujeito passivo e que estejam em
seu poder. Na realidade, são os únicos itens patrimoniais imediatamente passíveis de submissão à garantia da
dívida contraída. O direito real em questão independe de acordo de vontades que o constitua, pois decorre
exclusivamente da previsão da lei, tendo como suporte básico a verificação da existência do contexto fático
mencionado na norma.¨ (Código Civil Comentado)
No inciso I, concede o Código aos fornecedores de pousada, estalajadeiros e hospedeiros, nestes
compreendidos os hoteleiros e os donos de pensões, penhor legal sobre bagagem, móveis, jóias e dinheiro, que
hóspedes e clientes consigo tragam, ou levado tenham para o interior de um daqueles estabelecimentos. "Se
deixam de pagar as despesas de hospedagem ou de consumo, assiste a referidos credores o direito de tomar
posse dos questionados objetos, a fim de requererem depois ao juiz competente homologação do penhor legal.
Aliás, de acordo como art. 176 do Código Penal, constitui infração o tomar refeição em restaurante, alojar-se
em hotel ou utilizar-se de meio de transporte sem dispor de recursos para efetuar o pagamento.¨ (Washington
de Barros Monteiro, Curso de direito civil: direito das coisas)
Já o inciso II confere esse direito real de garantia ao dono do prédio rústico ou urbano, sobre os bens móveis
que o rendeiro ou inquilino tiver guarnecendo o mesmo prédio, pelos aluguéis ou rendas. A respeito comenta
Barros Monteiro: "Na interpretação desse dispositivo, surgiram duas correntes: para a primeira, o penhor legal
circunscreve-se exclusivamente à mobília que o inquilino tenha no prédio alugado (alfaias e utensílios
domésticos). Para a segunda, a garantia abrange não apenas esses bens, mas todos os móveis,
indistintamente, que se encontrem no interior do prédio locado.¨ O autor defende o acolhimento da segunda,
visto que o penhor legal compreende não somente móveis destinados à comodidade e uso da habitação, como
também todos os demais efeitos, sem distinção, que guarneçam o prédio.

HOMOLOGAÇÃO JUDICIAL DO PENHOR LEGAL
Permite o art. 1.470 que os credores, façam efetivo o penhor, antes de recorrerem à autoridade judiciária,
sempre que haja perigo na demora, dando aos devedores comprovante dos bens de que se apossarem.
O art. 1.471 complementa: "Tomado o penhor, requererá o credor, ato contínuo, a sua homologação judicial.¨
A esse respeito, já dispunha Código de Processo Civil:
Art. 874. Tomado o penhor legal nos casos previstos em lei, requererá o credor, ato contínuo, a homologação.
Na petição inicial, instruída com a conta pormenorizada das despesas, a tabela dos preços e a relação dos
objetos retidos, pedirá a citação do devedor para, em 24 (vinte e quatro) horas, pagar ou alegar defesa.
Parágrafo único. Estando suficientemente provado o pedido nos termos deste artigo, o juiz poderá homologar
de plano o penhor legal.

PENHOR LEGAL E DIREITO DE RETENÇÃO
A respeito do tema, comenta Marco Aurélio Bezerra de Melo: "A similitude entre as situações é inegável,
ensejando ambas a manifestação do exercício da autotutela como técnica de incrementar o recebimento do que
é devido ao credor. Pelo direito de retenção, a lei assegura ao credor que retenha o bem até ser regiamente
indenizado, conforme sucede com o depositário em que a lei permite o exercício do referido direito para que se
assegure a este o recebimento da retribuição devida ou o líquido valor das despesas ou dos prejuízos
ocasionados em decorrência do contrato (art. 644). É igualmente deferido o direito de retenção ao possuidor de
boa-fé até que seja indenizado pelas benfeitorias necessárias e úteis que tiver realizado no imóvel (art. 1.219).
A jurisprudência tem entendido que o plantador e o construtor de boa-fé também possuem direito de retenção,
por analogia como que ocorre nas benfeitorias (art. 1.255). Já o penhor legal incidirá sobre bens móveis e
sempre decorrerá de uma postura positiva do credor que na defesa de seu crédito se apossa dos bens do
devedor para depois requerer a homologação do penhor e poder receber o seu direito, respeitada a prioridade
no recebimento da dívida e a possibilidade de execução, fatos que bem demonstram estarmos diante de um
autêntico direito real de garantia especial. Note-se que a conduta do titular do direito de retenção é apenas
passiva no atinente à cobrança do que lhe é devido, o que não sucede com o titular do penhor legal.¨ (Novo
Código Civil anotado)





HIPOTECA

CONCEITO
"A hipoteca é um direito real de garantia que grava coisa imóvel ou bem que a lei entende por hipotecável,
pertencente ao devedor ou a terceiro, sem transmissão de posse ao credor, conferindo a este o direito de
promover a sua venda judicial, pagando-se preferentemente, se inadimplente o devedor.¨ (Maria Helena Diniz,
Código civil anotado)

OBJETO
De acordo com o art. 1.473, com a redação dada pela Lei n.º 11.481/07, podem ser objeto de hipoteca:
I - os imóveis e os acessórios dos imóveis conjuntamente com eles (ou seja, o solo e os bens imóveis por
acessão, como as casas, os edifícios ou construções de qualquer espécie, bem como as árvores, os frutos
pendentes, as fontes, e tudo o que estiver incorporado ao solo; estão incluídas também as benfeitorias; em
regra, não estão incluídas as pertenças, salvo se a escritura expressamente as incluir, pois embora permitam
melhor utilização do bem, uma vez dele separadas gozam de autonomia jurídica);
II - o domínio direto (pois na enfiteuse se permite que o direito do senhorio direto possa ser objeto de hipoteca,
mesmo sem anuência do enfiteuta);
III - o domínio útil (ou seja, o poder que tem o foreiro de usufruir o bem e de transmiti-lo por ato inter vivos ou
causa mortis, podendo, portanto, hipotecá-lo);
IV - as estradas de ferro (que são imóveis que se aderem ao solo, compreendendo trilhos assentados, oficinas,
estações, linhas telegráficas, locomotivas, vagões e carros, passíveis de serem hipotecados; seu registro deve
ser feito no cartório de registro de imóveis da primeira estação);
V - os recursos naturais a que se refere o art. 1.230, independentemente do solo onde se acham (ou seja, o
direito de lavra sobre as jazidas, minas, pedreiras e demais recursos minerais, potenciais de energia hidráulica,
monumentos arqueológicos);
VI - os navios (pois se vinculam por registro a um porto, devendo a hipoteca ser registrada, portanto, no porto
de origem);
VII - as aeronaves (pois, embora não constituam bens imóveis, são individualizáveis pela marca, prefixo,
subordinadas a critérios preestabelecidos e a matrícula; o registro da hipoteca deve ser feito no aeroporto sede
onde está matriculado a avião);
VIII - o direito de uso especial para fins de moradia (inciso incluído pela Lei nº 11.481, de 2007; esse direito é
previsto numa medida provisória, ligada ao estatuto da cidade, que diz que as pessoas que ocupam há mais de
5 anos imóvel público, de até 250 m², para fins de moradia, sendo o único que elas possuem, podem pedir ao
Poder Público esse direito de uso especial; o inciso em consideração permite que o direito especial de uso, e
não o imóvel, seja dado como garantia hipotecária; se a dívida não for paga, o que vai à hasta pública não é o
imóvel, mas o direito de nele morar);
IX - o direito real de uso (inciso incluído pela Lei nº 11.481, de 2007; esse direito real de uso não é o uso
previsto no Código Civil, o qual não pode ser dado em hipoteca, pois não pode ser levado à hasta pública,
sendo intuito personae; refere-se ao direito real de uso de bem público, que pode ser transferido e, assim,
pode ser dado em hipoteca);
X - a propriedade superficiária (inciso incluído pela Lei nº 11.481, de 2007, refere-se à hipoteca do direito de
superfície; uma vez que o superficiário pode dispor de seu direito, pode dá-lo em hipoteca, sendo tal direito
plenamente compatível com a hipoteca).
Acrescenta o § 1.º que a hipoteca dos navios e das aeronaves reger-se-á pelo disposto em lei especial (Lei
2.180/54 e Código Brasileiro de Aeronáutica)
E o § 2.º (incluído pela Lei nº 11.481, de 2007) determina que os direitos de garantia instituídos nas hipóteses
dos incisos IX e X do caput deste artigo ficam limitados à duração da concessão ou direito de superfície, caso
tenham sido transferidos por período determinado.
O art. 1.474 estabelece que a hipoteca abrange todas as acessões, melhoramentos ou construções do imóvel,
salientando que subsistem os ônus reais constituídos e registrados, anteriormente à hipoteca, sobre o mesmo
imóvel. Ou seja, se antes da inscrição da hipoteca já tiver sido registrado algum outro direito real sobre o
mesmo imóvel (usufruto, anticrese, servidão etc.), os titulares desses direitos reais terão direito de preferência
sobre o credor hipotecário na execução.

CARACTERES
Maria Helena Diniz, em seu Curso de direito civil brasileiro, apresenta os seguintes caracteres jurídicos da
hipoteca:
1) DIREITO REAL DE GARANTIA: Vincula imediatamente o bem gravado, que fica sujeito à solução do
débito, sendo oponível erga omnes, e gerando para o credor hipotecário o direito de seqüela e a
excussão da coisa onerada, para se pagar, preferencialmente, com sua venda judicial.
2) NATUREZA CIVIL: Pela sua estrutura e efeitos, percebe-se que pertence à seara do Direito Civil,
disciplinada pelo Código Civil, pouco importando a qualificação das pessoas do devedor ou do credor e a
natureza (civil ou comercial) da dívida que se pretende garantir.
3) PRESENÇA DE DOIS SUJEITOS: O sujeito ativo, que é o credor hipotecário, cujo crédito está garantido
por hipoteca, e o passivo, que é o devedor hipotecante, que dá o bem como garantia do pagamento da
dívida.
4) OBJETO DE PROPRIEDADE DO DEVEDOR OU DE TERCEIRO: O próprio devedor, ou terceiro em seu
benefício, dá imóvel seu para garantir a obrigação contraída.
5) POSSE COM O DEVEDOR: Continua o devedor hipotecante na posse do imóvel onerado, exercendo
sobre ele todos os seus direitos, podendo perceber-lhe os frutos. Só perde a posse por ocasião da
excussão hipotecária, se deixou de cumprir sua obrigação. (Pelo art. 1.428, é nula a cláusula que
autoriza o credor pignoratício, anticrético ou hipotecário a ficar com o objeto da garantia, se a dívida
não for paga no vencimento.)
6) INDIVISÍVEL: O ônus real grava o imóvel em sua totalidade. Enquanto não liquidar toda a obrigação, a
hipoteca subsiste, por inteiro, sobre a totalidade da coisa onerada.
7) ACESSÓRIO: A hipoteca é acessório de uma dívida, cujo pagamento pretende garantir. É um direito real
que assegura a eficácia de um direito pessoal.

REQUISITOS DA HIPOTECA

REQUISITOS OBJETIVOS
- A hipoteca recai, em geral, sobre bens imóveis alienáveis pertencentes ao devedor.
Excepcionalmente, pode incidir sobre certos bens móveis.
- Podem ser objeto de hipoteca (CC, art. 1.473): os imóveis e seus acessórios, as acessões, o
domínio direto e o útil, estradas de ferro, minas e pedreiras, navios, aeronaves e gasodutos. (Cf.
Maria Helena Diniz, Curso de direito civil brasileiro: direito das coisas)
- A exceção referente aos aviões e aos navios justifica-se pelo fato de que estes bens são suscetíveis
de identificação e individuação, tendo registro peculiar e podendo ser especializados e inscritos. (Cf.
Silvio Rodrigues, Direito civil: direito das coisas)

REQUISITOS SUBJETIVOS
- Requer capacidade de alienar do devedor (afinal, se o débito não for pago, o imóvel onerado será
vendido em hasta pública).
- Pode ser constituída pelo dono do imóvel, pessoalmente ou por meio de procurador especial, sendo
nula se este mandatário não tiver poderes especiais expressos.
- Os casados necessitam de outorga uxória ou marital para constituir hipoteca, salvo se o regime de
bens for o da separação absoluta, ou se, não o sendo, houver recusa injustificada ou
impossibilidade de obtê-la, caso em que o juiz poderá suprir a falta.

REQUISITOS FORMAIS
- Hipoteca convencional: acordo de vontade entre os interessados; presença de testemunhas
instrumentárias; escritura pública contendo especialização ou instrumento particular; e registro.
- Hipoteca legal: sentença de especialização e registro.
- Hipoteca judicial: carta de sentença ou mandado judicial (contendo especialização) e registro.

Os títulos constitutivos devem conter a especialização, indicando:
- os nomes das partes, identificando o patrimônio de quem foi destacado e em favor de quem o foi;
- o total do débito garantido;
- a descrição dos bens gravados, abrangendo todos os elementos de identificação necessários para
individualizá-los.
Obs.: o título e a especialização são elementos preparatórios desse ônus real, pois o momento culminante
da hipoteca é o registro, sem o qual não nasce o direito real, valendo o título apenas inter partes, e não
erga omnes. Como elemento da publicidade, o registro dá conhecimento a todos os interessados da
existência de uma hipoteca sobre o imóvel.

EFEITOS
Como bem salienta Maria Helena Diniz, o principal efeito da hipoteca "é o de vincular um bem imóvel ao
cumprimento de uma obrigação; porém, por outro lado, produz a hipoteca efeitos em relação ao devedor, ao
credor, à relação jurídica em si mesma, a terceiros e aos bens gravados.¨ (Curso de direito civil brasileiro:
direito das coisas) A autora apresenta, então, a seguinte classificação dos efeitos da hipoteca:

EFEITOS EM RELAÇÃO AO DEVEDOR
- Passa a sofrer limitações nos seus direitos sobre o bem onerado.
- Não poderá praticar atos que desvalorizem, deteriorem ou destruam o objeto.
- Não poderá alterar a substância do bem onerado.
- Não poderá constituir outro direito real sobre o móvel hipotecado.
- Poderá alienar o bem gravado (mas isso poderá resultar, dependendo do que fora estipulado, o
vencimento do crédito hipotecário).
- Com a ação executiva, perderá o devedor o direito de alienar e de perceber seus frutos. O imóvel é
retirado de suas mãos, para ser vendido judicialmente e entregue ao depositário judicial.
- Poderá defender sua posse contra o credor ou terceiros que a molestarem.
- Poderá constituir sub-hipoteca.
- O credor sub-hipotecário poderá remir a primeira hipoteca, conforme prescreve o art. 1.478 e
parágrafo único, do Código Civil.
- Tem direito a libertação do bem gravado, mediante o cumprimento da obrigação.
- Poderá antecipar o pagamento da sua divida (Dec. n. 22.626/33, art. 7.º §§.

EFEITOS EM RELAÇÃO AO CREDOR
- Poderá exigir a conservação do bem gravado.
- Tem direito apenas potencial antes do executivo hipotecário, pois seu direito de execução pressupõe
a exigibilidade da dívida, ou seja, seu vencimento e inadimplemento. (O imóvel será executado por
meio de ação de execução, iniciando-se com a penhora do bem gravado, a fim de vendê-lo
judicialmente.)
- CC, art. 1.501 (Não extinguirá a hipoteca, devidamente registrada, a arrematação ou adjudicação,
sem que tenham sido notificados judicialmente os respectivos credores hipotecários, que não forem
de qualquer modo partes na execução.); CPC, art. 698 (Não se efetuará a praça de imóvel
hipotecado ou emprazado, sem que seja intimado, com 10 (dez) dias pelo menos de antecedência,
o credor hipotecário ou o senhorio direto, que não seja de qualquer modo parte na execução.)
- Pode pedir o reforço da garantia hipotecária, se ela se reduzir, sob pena de o vencimento ser
antecipado.
- A fim de não lesar o credor, o Decreto-lei n. 7.661/45, art. 52, III, considera sem efeito hipotecas
celebradas em período de falência ou a instauração do concurso de preferência (CC, art. 163, e
CPC, arts. 748 e s.).

EFEITOS QUANTO À RELAÇÃO JURÍDICA EM SI MESMA
- Hipoteca convencional pode ser estipulada por qualquer prazo; a legal perdura indefinidamente,
enquanto se prolongar a situação jurídica que visa garantir (CC, arts. 1.424, II, e 1.485).
- Reconhece-se a preferência ao credor hipotecário.
- Cria-se um vínculo real, oponível erga omnes, entre o credor e o imóvel gravado.

EFEITOS EM RELAÇÃO A TERCEIROS
- A hipoteca produz efeitos em relação a terceiros, uma vez que é oponível erga omnes.
- É lícita a alienação de imóvel hipotecado a terceiro, que o recebe juntamente com o ônus que o
grava.
- Não poderá um outro credor promover, validamente,a venda judicial do imóvel, sem notificar o
credor hipotecário (CC, art. 1.501: "Não extinguirá a hipoteca, devidamente registrada, a
arrematação ou adjudicação, sem que tenham sido notificados judicialmente os respectivos
credores hipotecários, que não forem de qualquer modo partes na execução.¨).
- A cessão de crédito poderá ser feita sem o consentimento do devedor, investindo o cessionário nas
mesmas garantias e preferências que acompanham o crédito cedido, mesmo em relação aos
credores anteriores à cessão.
- É possível sub-rogação (dá-se por meio da substituição do credor satisfeito por aquele que paga o
débito ou fornece o numerário).

EFEITOS QUANTO AOS BENS GRAVADOS
- A hipoteca adere-se ao imóvel (acompanha-o em todas as mutações subjetivas, até que se opere
sua extinção).
- Perecendo o bem hipotecado, desaparece o ônus real. (Se, porém, houver qualquer indenização
pelo causador do dano, pela companhia seguradora, tem-se a sub-rogação real.)
- Se houver reconstrução do prédio sinistrado pelo segurador ou responsável, o credor não poderá
exigir o preço.
- A hipoteca estende-se às benfeitorias ou acessões trazidas ao bem gravado, por ato humano ou
acontecimentos naturais.
- Assegura o cumprimento das obrigações acessórias, ou seja, dos juros, multas, custas judiciais e
despesas de fiscalização.

REMIÇÃO DA HIPOTECA
O que é remição da hipoteca?
"A remição ou o resgate da hipoteca é o direito concedido a certas pessoas de liberar o imóvel gravado,
mediante pagamento da quantia devida, independentemente da anuência do credor.¨ (Maria Helena Diniz,
Código civil anotado)
Obs.: o Código Civil fala em "remissão¨ (art. 1.481, § 2.º), mas na realidade quer dizer "remição¨. (Remissão
significa perdão, desistência, renúncia. Remição diz respeito ao pagamento e resgate do bem dado em
garantia). Daí a proposta de alteração presente no Projeto de Lei 6.960/02.
Trata-se do direito de resgatar o imóvel hipotecado, conferido pela lei:
1) ao segundo credor hipotecário (desde que esteja vencida a primeira hipoteca, e se o devedor não se
oferecer para pagá-la, conforme dispõe o art. 1.478).
2) ao adquirente do imóvel hipotecado (pois, visto que um dos efeitos da hipoteca é o direito de seqüela
do credor, fazendo com que o ônus se vincule ao imóvel, se o adquirente desejar, autoriza-lhe a
norma jurídica que libere o bem adquirido, mediante a remição - cf. art. 1.481).
3) ao devedor da hipoteca ou aos membros de sua família (oferecendo, quando da realização da praça,
preço igual ao do maior lance oferecido ou quantia igual à da avaliação, se não tiver havido licitante -
cf. art. 651 do Código de Processo Civil: "Antes de arrematados ou adjudicados os bens, pode o
devedor, a todo tempo, remir a execução, pagando ou consignando a importância da dívida, mais
juros, custas e honorários advocatícios¨
4) à massa falida (cf. art. 1.483: "No caso de falência, ou insolvência, do devedor hipotecário, o direito
de remição defere-se à massa, ou aos credores em concurso, não podendo o credor recusar o preço da
avaliação do imóvel.)¨

ESPÉCIES DE HIPOTECA
Maria Helena Diniz, em seu Curso de direito civil, alista do seguinte modo as principais espécies de hipoteca:
1) hipoteca convencional (que se constitui por meio de um acordo de vontade credor e do devedor da
obrigação principal).
2) Hipoteca legal (que é a que a lei confere a certos credores, que, por se encontrarem em determinada
situação e pelo fato de que seus bens são confiados à administração alheia devem ter uma proteção
especial (CC, arts. 1.489, 1.490, 1.491, 2.040, 1.781 e 1.745, parágrafo único, e Leis n. 4.200/63, art.
16, e 7.565/86).
3) Hipoteca judicial (aquela que a lei empresta a todo julgamento que condena um devedor a executar sua
obrigação - CPC, art. 466, parágrafo único). Requisitos: sentença condenatória proferida pelo Poder
Judiciário; liquidez dessa sentença; trânsito em julgado; especialização; inscrição no registro
imobiliário.
4) Hipoteca cedular (A cédula hipotecária consiste num título representativo de crédito com este ônus real,
sempre nominativo, mas transferível por endosso e emitido pelo credor. Admitida nas operações
alusivas ao sistema financeiro de habitação e nas hipotecas que aproveitam uma instituição financeira
ou companhia seguradora (Dec.-lei n. 167/67, arts. 20, I a IX, 21, 23 e 24; Dec.-lei n. 413/69, arts. 19
e 26; CC, art. 1.486).

EXTINÇÃO DA HIPOTECA
De acordo com o art. 1.499 do Código Civil, a hipoteca extingue-se:
I - pela extinção da obrigação principal;
II - pelo perecimento da coisa;
III - pela resolução da propriedade;
IV - pela renúncia do credor;
V - pela remição;
VI - pela arrematação ou adjudicação.
Transcrevemos a seguir, por oportunos, os comentários constantes de Washington de Barros Monteiro, em seu
Curso de direito civil, atualizado por Carlos Alberto Dabus Maluf:
¨a) pela extinção da obrigação principal (n. 1). Por mais de uma vez já se insistiu nessa mesma idéia: hipoteca
é direito acessório, criado em garantia de obrigação principal. Desaparecendo esta, aniquila-se o acessório.
Assim, paga a obrigação principal, extingue-se o direito real de garantia. Mas se declarado nulo o pagamento,
revive a hipoteca, que prevalecerá a partir do novo registro. Igualmente, prescrita a dívida, desaparece a
hipoteca, a segunda não sobrevive à primeira, a ação real sucumbe com o extermínio da ação pessoal;
b) pelo perecimento da coisa (n. II). O perecimento da coisa deixa a hipoteca sem objeto, tornando-lhe
impossível a execução. Sobreleva notar que o art. 102, letra a, da Lei n. 2.180, de 5-2-1954, dispõe que se
extingue a hipoteca naval cancelando-se a inscrição respectiva, pela perda da embarcação. A desapropriação da
coisa hipotecada equivale à sua destruição, mas a quantia paga pelo poder expropriante passa a representar a
garantia da dívida hipotecária (Dec.-lei n. 3.365, de 21-6-1941, art. 31). Se o perecimento se deve a culpa de
terceiro, compelido a ressarcir o dano, sobre a indenização paga transferir-se-á o direito preferente do credor,
o mesmo acontecendo no caso de indenização solvida por companhia seguradora (art. 1.425, § 1.º do Cód.
Civil de 2002). Se parcial apenas o perecimento, continua o vínculo sobre o remanescente da coisa;
c) pela resolução da propriedade (n. III). A resolução da propriedade, pela verificação do termo ajustado ou
pelo implemento da condição, acarreta a extinção do ônus real (Cód. Civil de 2002, art. 1.359). No caso,
porém, de resolução da propriedade por causa superveniente, como, por exemplo, no de doação revogada por
ingratidão, subsiste o vinculo hipotecário anterior (art. 1.360 do Cód. Civil de 2002);
d) pela renúncia do credor (n. IV). A renúncia tácita geralmente não se compadece com a extinção da hipoteca.
Existem legislações que repelem expressamente, como a alemã e a argentina, esse modo extintivo. O Supremo
Tribunal Federal já se manifestou, certa feita, a respeito de caso em que se argüia renúncia tácita do credor
hipotecário por ter este comparecido como testemunha à escritura de venda do imóvel que lhe fora
anteriormente hipotecado e em que se consignava estar ele livre e desembaraçado de qualquer ônus. Decidiu
nossa mais alta corte de justiça que não existe renúncia involuntária, não se podendo inferi-la baseado em
circunstâncias que não demonstrem como absolutamente certa a vontade de renunciar. Renúncia deve resultar
de inequívoca manifestação de vontade. De concluir, entretanto, pela renúncia do credor, como adverte
CLÓVIS, se o mesmo, juntamente com o devedor, requer cancelamento da hipoteca. Comumente, porém, a
renúncia deve exteriorizar-se de forma expressa, clara e insofismável, independendo, todavia, da anuência do
devedor, visto constituir ato unilateral, não subordinado ao consentimento de quem quer que seja;
e) pela remição (n. V). A causa extintiva, de que ora se trata, não é a remissão da dívida (extinção dela sem
pagamento, art. 386 do Cód. Civil de 2002), mas o resgate do imóvel hipotecado pelo próprio devedor, pelo
credor da segunda hipoteca e pelo terceiro adquirente (arts. 1.478 e 1.481). Efetuado tal resgate, ocorre
obviamente a causa de extinção do ônus real prevista no inciso V do art. 1.499;
f) finalmente, extingue-se a hipoteca pela arrematação ou adjudicação (n. VI). Dúvidas têm surgido acerca
desse preceito legal, entendendo alguns que a lei só se refere à arrematação ou adjudicação efetuada na
própria execução hipotecária, sustentando outros que a extinção também se verifica ainda que aludidos atos
judiciais se dêem noutros processos, contanto que se haja notificado o credor hipotecário. O art. 1.499, n. VI,
do Código Civil de 2002 deve ser entendido, porém, em consonância com o art. 1.501; mas se o credor
hipotecário, apesar de notificado da venda judicial, não comparece para dizer de seu direito, válida será a
arrematação feita em execução promovida por credor quirografário, que assim produzirá a extinção da
hipoteca. De modo idêntico, a arrematação levada a efeito pelo primeiro credor hipotecário extingue a garantia
do segundo, cujo crédito se transforma em quirografário.¨







DA ANTICRESE

CONCEITO
"A anticrese é o direito real, oriundo de um contrato, que se estabelece pela entrega de um imóvel frugífero ao
credor, que fica autorizado a retê-lo e a perceber-lhe os frutos, imputando na dívida, e até o seu resgate, as
importâncias que for recebendo.¨ (Silvio Rodrigues, Direito civil: direito das coisas.)
Obs.: frugífero: que dá, produz frutos; frutífero (Houaiss, Dicionário da Língua Portuguesa)
"Anticrese é o direito real sobre imóvel alheio, em virtude do qual o credor obtém a posse da coisa, a fim de
perceber-lhe e imputá-los no pagamento da dívida, juros e capital, sendo, porém, permitido estipular que os
frutos sejam, na sua totalidade, percebidos à conta de juros.¨ (Clóvis Beviláqua, Código civil comentado)

FINALIDADE
A anticrese tem por finalidade garantir o credor, que, retendo em mãos o imóvel alheio, conta com a
possibilidade de pagar-se por suas próprias mãos, através da exploração daquele imóvel.
Ao mesmo tempo, visa estimular o devedor a cumprir a obrigação, a fim de obter mais depressa a devolução
daquilo que lhe pertence.

UTILIZAÇÃO
Diante dos inúmeros inconvenientes que a anticrese apresenta, sua utilização tem sido rara. Expressa Caio
Mário da Silva Pereira: "Nota-se na atualidade a tendência a suprimi-la, como se observa no Projeto Brasileiro
de 1965, e ainda no Código Português de 1966, ou a retirar-lhe o caráter de direito real como fez o Código
Italiano de 1942, nos arts. 1.960 e seguintes. A razão de seu desprestígio é criar entraves à circulação dos
bens.¨ (Instituições de direito civil: direitos reais). O Projeto de 1975, que resultou no novo Código Civil,
todavia, manteve o instituto.

ANTICRESE NO CÓDIGO CIVIL DE 2002
A anticrese é regulada no novo Código Civil nos arts. 1.506 a 1.510, aplicando-se também a ela as disposições
gerais pertinentes dos arts. 1.419 a 1.430.
Estabelece o art. 1.506: "Pode o devedor ou outrem por ele, com a entrega do imóvel ao credor, ceder-lhe o
direito de perceber, em compensação da dívida, os frutos e rendimentos.¨ O § 1.º permite estipular que os
frutos e rendimentos do imóvel sejam percebidos pelo credor à conta de juros. Todavia, se o seu valor
ultrapassar a taxa máxima permitida em lei para as operações financeiras, o remanescente deve ser imputado
ao capital. O § 2.º, por seu turno, determina que, quando a anticrese recair sobre bem imóvel, este poderá ser
hipotecado pelo devedor ao credor anticrético, ou a terceiros, assim como o imóvel hipotecado poderá ser dado
em anticrese.
De acordo com o art. 1.507, o credor anticrético pode administrar os bens dados em anticrese e fruir seus
frutos e utilidades, mas deverá apresentar anualmente balanço, exato e fiel, de sua administração.
Estabelece o § 1.º do art. 1.507 que, se o devedor anticrético não concordar com o que se contém no balanço,
por ser inexato, ou ruinosa a administração, poderá impugná-lo, e, se o quiser, requerer a transformação em
arrendamento, fixando o juiz o valor mensal do aluguel, o qual poderá ser corrigido anualmente. O § 2.º do
mesmo artigo reza: "O credor anticrético pode, salvo pacto em sentido contrário, arrendar os bens dados em
anticrese a terceiro, mantendo, até ser pago, direito de retenção do imóvel, embora o aluguel desse
arrendamento não seja vinculativo para o devedor.¨
Pelo art. 1.508, o credor anticrético responde pelas deteriorações que, por culpa sua, o imóvel vier a sofrer, e
pelos frutos e rendimentos que, por sua negligência, deixar de perceber.
Art. 1.509 permite ao credor anticrético vindicar os seus direitos contra o adquirente dos bens, os credores
quirografários e os hipotecários posteriores ao registro da anticrese. O § 1.º ressalta, porém, que, se executar
os bens por falta de pagamento da dívida, ou permitir que outro credor o execute, sem opor o seu direito de
retenção ao exeqüente, não terá preferência sobre o preço. O § 2.º dispõe que o credor anticrético não terá
preferência sobre a indenização do seguro, quando o prédio seja destruído, nem, se forem desapropriados os
bens, com relação à desapropriação.
Por fim, o art. 1.510 preceitua que o adquirente dos bens dados em anticrese poderá remi-los, antes do
vencimento da dívida, pagando a sua totalidade à data do pedido de remição e imitir-se-á, se for o caso, na sua
posse.

NATUREZA JURÍDICA
A anticrese é um direito real de garantia que recai sobre bem imóvel, aderindo-se à coisa dada em garantia e
perseguindo-a onde quer que se encontre.
O credor anticrético tem direito de seqüela e ação real. Outrossim, se a coisa for alienada, pode ir buscá-la nas
mãos do adquirente, para colher-lhe os frutos e pagar-se de seu crédito.

CARACTERES
São alguns caracteres da anticrese:
- é direito real de garantia
- requer capacidade das partes
- requer escritura pública e registro no cartório imobiliário

DIREITOS E OBRIGAÇÕES DAS PARTES
OBRIGAÇÕES DO DEVEDOR:
- entregar a coisa ao credor, transferindo-lhe a posse da mesma
- ceder ao credor o direito de perceber os frutos
- solver o débito, deixando que o imóvel fique com o credor até que se lhe complete o pagamento
DIREITOS DO CREDOR:
- permanecer com a coisa até a extinção do débito
- ter a posse do imóvel, para dele usar e gozar
- administrar o imóvel
- de preferência
- defender sua posse
- pagar-se com a renda do imóvel, até a liquidação do débido
DIREITOS DO DEVEDOR:
- permanecer como proprietário do bem gravado
- exigir a conservação do prédio
- ressarcir-se das deteriorações ocasionadas por culpa do credor
- pedir contas da gestão
- resgatar a anticrese, liquidando a dívida
- reaver seu imóvel, liquidado o débido
OBRIGAÇÕES DO CREDOR:
- administrar a coisa
- guardar e conservar o imóvel
- prestar contas dos valores recebidos
- responder pelas deteriorações ocorridas por sua culpa
- dar quitação quando da extinção da dívida
- restituir o imóvel, findo o prazo contratado ou liquidado o débito

EXTINÇÃO DA ANTICRESE
Extinguem a anticrese:
- a eliminação integral da dívida
- o término do prazo legal (i.e., decorridos 15 anos de seu registro imobiliário)
- a renúncia do credor
- o perecimento do bem
- a desapropriação
- a excussão de outros credores quando o anticrético não opuser seu direito de retenção
- pelo resgate feito pelo adquirente do imóvel gravado







OBSERVAÇÕES FINAIS

O Código Civil foi modificado em maio de 2007, pela Lei 11.481, que prevê medidas voltadas à regularização
fundiária de interesse social em imóveis da União.
Como revela sua exposição de motivos, a Lei teve por foco os assentamentos de baixa renda, e tem o propósito
de regularizar tais ocupações, consolidando a decisão do Governo Federal de dar um tratamento especial à
população carente, com ênfase no direito de moradia, garantido pela Constituição Federal.
O art. 10 da referida lei alterou os arts. 1.225 e 1.473 do Código.
No art. 1.225, foram acrescentados mais dois direitos reais:
XI - a concessão de uso especial para fins de moradia;
XII - a concessão de direito real de uso.
No art. 1.473 (em harmonia com os dois novos direitos reais criados pela Lei 11.481/07 e com o direito real de
superfície), foram acrescentados mais três objetos da hipoteca:
VIII - o direito de uso especial para fins de moradia;
IX - o direito real de uso;
X - a propriedade superficiária.




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