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DIREITO COMERCIAL I

Ano lectivo de 2009/2010 Regente: M. NOGUEIRA SERENS

é claro. não existe firma. mas decisiva.º.º 4. o registo como firma de um sinal desprovido do referido carácter — e será esse o caso.PRINCÍPIOS REITORES DA CONSTITUIÇÃO DAS FIRMAS DAS SOCIEDADES COMERCIAIS * 1. arts. necessariamente. 33.º. que vale em matéria de marcas (cfr. Coimbra. M.º 3. in: Volume Comemorativo do 75. CPI 1). 10.. A monopolização da 1 * . “Aspectos do princípio da verdade da marca”. CSC e art. para poder ser firma. Desta sorte. e também em matéria de logótipos Texto de apoio às aulas. sobre a origem da mesma teoria. Cfr. A aceitação da teoria do secondary meaning. NOGUEIRA SERENS. 2003. Questão diferente é a de saber se esta invalidade pode ser sanada. NOGUEIRA SERENS. de ser o único. de que não há sinal distintivo. pela razão simples. Capacidade distintiva Um sinal. n. e 265. n. faltando este. vide M. 238. 581 s.º 3. técnica ou produto. dos sinais “constituíd[os] exclusivamente por vocábulos de uso corrente que permitam identificar ou se relacionem com actividade.º Tomo do Boletim da Faculdade de Direito.º.º. n. inválido. RNPC) — é. bem como topónimos e qualquer indicação de proveniência geográfica” (art. tem de ter carácter distintivo. n. p.º 2. que não tem.

304. 907-914 e 1057-1060. n. n. é dizer. 33. mas também com referência ao período posterior ao próprio registo. Nogueira Serens (cfr. n. importa. ou com designações de instituições notoriamente conhecidas” — princípio da novidade. arts. “as firmas e as denominações devem ser distintas e não susceptíveis de confusão ou erro com as registadas ou licenciadas no mesmo âmbito de exclusividade. 2. Manifestação deste mesmo prin- concorrência e a (re-)emergência da tutela da marca.2 M. Princípio da novidade Nos termos do art.º-Q. 2007. mas.º-H. no caso de se aceitar a teoria do secondary meaning com a amplitude acabada de referir. conduzirá necessariamente a esse resultado. esse registo erá nulo. salientar o seguinte: ocorrendo o registo como firma de um sinal desprovido de carácter distintivo.º 2.º 1. é claro. mesmo quando a lei permita a inclusão de elementos utilizados por outras já registadas. não apenas com referência ao período anterior à data do (pedido de) registo. . ao titular do registo do sinal em causa). o sinal já tiver adquirido carácter distitivo. Mais do que desenvolver aqui este ponto. à data em que sobre ela cumpre decidir. sim. RNPC. já se tiver tornado uma firma (esta prova caberá. CPI). Almedina. e 304. p.º. a competente acção poderá ser julgada improcedente se.º 2. Coimbra.

o seu domicílio ou sede.º 2 do art. sentida foi também a necessidade de a lei assegurar o seu exclusivismo) — o nosso legislador foi mais longe e indicou alguns critérios. para aquilatar da confundibilidade das firmas e denominações. importará acentuar que as várias formas (ou tipos) de sociedade (cfr.º. que “os juízos sobre a distinção e a não susceptibilidade de confusão ou erro devem ter em conta o tipo de pessoa. que são outros tantos índices. n. RNPC 2). da “fluidez” do princípio da novidade. 33. com efeito. diríamos.M. Apercebendo-se. 2 . cuja possibilidade de aplicação se encontra expressamente salvaguardada no art.os 2 e 3.º. Dispõe. porquanto logo que se pôs o problema da tutela dos sinais distintivos. pela sua reconsagração. 37. o nosso legislador não se ficou pela consagração desse princípio (ou. nas respectivas firmas ou denomi- “As firmas das sociedades comerciais e das sociedades civis sob forma comercial devem ser compostas nos termos previstos no Código das Sociedades Comerciais e na legislação específica sem prejuízo da aplicação das disposições do presente diploma no que se não revele incompatível com a referida legislação”. 1. melhor. art. a afinidade ou proximidade das suas actividades e o âmbito territorial destas”. CSC. Aliás.º. o n.º RNPC.º 2. n. em certo sentido.º 10. n.º 1. CSC) são. pessoas de “diferente tipo” — precisamente no sentido que supomos ser aquele que foi tido em vista na norma transcrita. Nogueira Serens 3 cípio (também ele nuclear em matéria de sinais distintivos) encontramo-la já no art. a) Quanto ao primeiro critério.

º 1. se preferirmos. CSC) e pela “expressão ‘sociedade anónima’ ou pela abreviatura ‘S. ou não interessa ou interessa pouco se se negoceia. A. A capacidade diferenciadora ou distintiva destes vários elementos é. CSC). firma-mista ou firma-denominação). muito ténue.º 1.º. por ser assim. porém.º. abreviado ou por extenso. do ponto de vista dos adquirentes de certo bem ou dos utilizadores de um determinado serviço — ou. respectivamente. e a firma da sociedade por quotas e a da sociedade anónima (independentemente de se trartar de firma-nome. n.º.º. n. ‘e Companhia’ ou qualquer outro que indique a existência de outros sócios” (art.º 1. assim. concluirão pela “‘palavra Limitada’ ou pela abreviatura ‘L. 177. CSC). 200. com uma sociedade anónima ou com uma sociedade por quotas. para a clientela actual e/ou potencial não interessa sobremaneira a estrutura jurídica da empresa e.’” (art. por outras palavras. ‘em Comandita por Acções’ ou ‘& Comandita por Acções’ (art. só interessa a um número relativamente restrito de pessoas: os seus credores actuais ou potenciais. Nogueira Serens nações é mister evidenciar essa diferença. coisa que. esse círculo de pessoas . só diferenciam as firmas e as denominações porque caracterizam juridicamente os seus titulares.4 M.da’” (art. por exemplo. porque unidireccional — os “elementos infalíveis”. n. a firma da sociedade em nome colectivo não pode deixar de incluir “o aditamento. do mesmo jeito que a firma da sociedade em comandita terá de integrar “o aditamento ‘em Comandita’ ou ‘& Comandita’. Com efeito. nas relações a jusante da actividade da empresa —.º 1. n. CSC). que também podem ser apelidados de personalísticos ou subjectivos. verdadeiramente. 467. 275.

estamos já a ver os embaraços com que se depararia. por quotas.da” não obedecia ao princípio da novidade.A.M. por causa disso. Sabemos que não é assim — e não é assim. a sociedade por quotas que decidisse transformar-se em anónima: impondo em tal hipótese a alteração do aditamento da respectiva firma ou denominação.A. escapa àqueles menos . “ENI — Electricidade Naval e Industrial.I. por conseguinte. no qual se decidiu que a denominação “I. duas denominações de sociedades de tipo diferente e.L. poder-se-á citar o acórdão do Supremo Tribunal de Justiça. anteriormente registada. Em causa estavam. exactamente porque os “elementos infalíveis” das firmas e das denominações não tocam a generalidade do público. compostas com diferentes aditamentos: “S. esta aparecesse aos olhos da generalidade do público como nova.L. De resto. “L. L. sendo confundível com a denominação.da”. — Instrumentação. aspecto que não pode ser ignorado no juízo sobre a confundibilidade. de novo o dizemos.A. num caso. S. se não fosse assim.” . diferentes uma da outra.L. pois. se.R. no outro. nessa medida. Automação Naval e Industrial. embora sirvam e sejam até obrigatórias para identificar a sociedade como anónima ou de responsabilidade limitada. por via de regra. e para sufragar as opiniões expostas. Nogueira Serens 5 não é estimulado para reter as diferenças impostas por lei para esse efeito. o nosso mais alto tribunal disse: “A apreciação feita nas referidas denominações sociais das iniciais ‘S.R.”. Encarando a questão.da’. o goodwill condensado na “anterior” perder-se-ia ou ficaria necessariamente diminuído.A. No plano jurisprudencial. de 19 de Junho de 1984. acontece que.R. tornando-as.’ ou ‘L. por exemplo.N.

apesar de o art. no juízo sobre a confundibilidade das 3 Cfr. por exemplo. terá sentido fazer intervir no juízo sobre a confundibilidade entre esses sinais distintivos. BMJ. n. teremos de confessar que algumas dúvidas nos apoquentam.º 2. 37. RNPC. Nogueira Serens conhecedores ou menos avisados e que representam a maioria entre o público” 3 b) Olhemos agora para os outros critérios ou índices. a serem tidos em conta. todos esses critérios. tiver a sua sede em Coimbra e explorar uma empresa de âmbito regional. “o seu domicílio ou sede” e “o âmbito territorial” das actividades. RNPC que o âmbito geográfico da exclusividade das firmas e denominações das sociedades comerciais é todo o território nacional.º 338 (1984). que se propõe exercer uma actividade concorrente. já o local da sede das sociedades.º. ao olharmos para esses critérios. além do “tipo de pessoa”. já o âmbito terrirorial das actividades por elas desenvolvidas? Interrogando(-nos) de um outro modo: se uma sociedade por quotas. 441. 33. mas no Porto. . n. RNPC referir. Dizendo-se no art. n. por exemplo.º 2.º. para aquilatar da confundibilidade das firmas e denominações. E.º. pode o juízo sobre a novidade da denominação de uma qualquer outra sociedade. 33.º 2. n.6 M. ser influenciado pelo facto de esta outra sociedade não ter sede em Coimbra. p. e ainda pelo facto da respectiva empresa actuar só nessa outra região do país? Em nossa opinião. indicados pelo legislador no art.

aparecendo organizada sob a forma jurídica de sociedade comercial.ª do art. estendendo-o a todo o território nacional só pode significar esta coisa: independentemente do lugar onde a sociedade tenha a sua sede. mobiliza meios de algum porte —. 36. Na perspectiva do nosso legislador. delimitado pela área geográfica do país. 27. mas a área da conservatória onde devia ser feito o registo (cfr. pela definição do âmbito geográfico de protecção das firmas e denominações. no sentido de darem consistência à solução a que se haja chegado pela (correcta) aplicação de critérios outros. a área georgáfica do exclusivismo da firma-nome não era todo o território nacional. art. pois. nos termos em que o fez. 162. só o podem ser de modo adjuvante. ou seja. que.º CCom. não se poderá excluir. como acontecia com a firma-denominação. dada a pequena dimensão geográfica do país.º do revogado Regulamento do Registo Comercial) —. Nogueira Serens 7 firmas e denominações das sociedades comerciais (e também das sociedades civis sob forma comercial). essa mesma empresa. que essa(s) mesma(s) actividade(s) — é dizer. estes sim verdadeiramente decisivos. do âmbito geográfico de protecção das firmas e denominações das sociedades comerciais — e de uma pura opção se tratou: na vigência do art. dizíamos. por uma ou por outra razão. o mercado em termos geográficos de qualquer sociedade comercial é. seja qual for o âmbito terrirorial da(s) actividade(s) por ela desenvolvida(s) em determinado momento.M. por força da condição 4. a opção do nosso legislador.º CCom. venha(m) a adquirir dimensão nacional. . É que a opção do nosso legislador pela definição.

a denominação não registada de uma pequena sociedade comercial.8 M. mais extensa. que são necessariamente diferentes dos que se exigem para a defesa do sinal no quadro do respectivo direito (cfr. a tutela das firmas e das denominações das sociedades comerciais — a tutela das firmas e da denominações que tenham sido objecto de registo. cuja actividade se cinja a uma determinada região do país.º. Suponhamos que há registo da denominação “SEARA – Comércio de carnes. a procuremos explicar de uma maneira mais impressiva. uma específica aplicação em matéria daqueles outros sinais distintivos do chamado “princípio da especialidade”. porque não condicionada pelo objecto das respectivas empresas. sempre que esteja em causa a medida da tutela a conceder à respectiva firma ou denominação — ou se.da”. 4 . pelo princípio da relatividade da tutela. art. o que supõe a necessidade de se ter em conta o objecto da empresa explorada pela sociedade. por assim dizer. Nogueira Serens c) Mas se. condicionada pelo âmbito territorial de actuação (ou exercício) da(s) respectiva(s) empresa(s). Por exemplo. se não houver registo. se estiver em causa o recurso á disciplina da concorrência desleal. é dizer. lhes cabe um tipo de tutela. A importância desta questão recomenda que. L. à maneira das marcas — fazendo-se. alínea a). ao invés. pertencente a uma Obviamente que. a denominação só pode lograr tutela pela disciplina da concorrência desleal. entre nós. verificados os respectivos pressupostos. como acabamos de ver. não será tutelada em todo o território nacional. acrescente-se 4 — não é. recorrendo a exemplos. pois. será essa tutela limitada em termos merceológicos? Agora o que está em causa é a questão de saber se as firmas e as denominações registadas apenas logram tutela. 317. CPI).

L.da”. L. pelo menos em tese. nos termos do respectivo contrato (art.da”. será. explorar uma actividade (ou empresa) de âmbito regional não obsta a que a denominação em causa seja tutelada em todo o território nacional. e “CEARA – Cerâmica Artista de Almada. exactamente o comércio de carnes — na região Centro. com sede em Almada. pois. Nogueira Serens 9 sociedade (por quotas.da”. A denominação “CEARA – Cerâmica Artista de Almada. não é protegida senão no âmbito do princípio da especialidade. pela razão simples.º CSC).da”). L. dizendo de outro modo. e que exerce a sua actividade — que é. e cujo objecto é a produção e comércio de artigos de cerâmica. L. L. uma de duas: se se entender que a denominação de uma sociedade comercial. do mesmo modo que a marca. de que ambas as sociedades exploram actividades diferentes ou. nova e.da”. Posteriormente vem a ser “constituída” (as aspas pretendem significar que o respectivo contrato ainda não foi formalizado) uma sociedade por quotas. e que pretende adoptar a denominação “CEARA – Cerâmica Artista de Almada. Deste modo.da”. então não se torna necessário averiguar da susceptibilidade de confusão entre os sinais “SEARA – Comércio de Carnes. diferente . Obedecerá esta denominação ao princípio da novidade? Já vimos que o facto de a sociedade “SEARA – Comércio de Carnes. 11. mas o entendimento das coisas. por conseguinte. pode ser este outro: o facto de as sociedades exercerem uma actividade diferente — e se a actividade é diferente. pode coexistir com a denominação anteriormente registada (“SEARA – Comércio de Carnes. L. que tem sede em Coimbra.M. não exploram actividades idênticas ou similares. mas decisiva. já se vê).

que reza assim: “A firma da sociedade constituída por denominação par- . o que vem a significar que as sociedades não são concorrentes —. tidos em vista pela lei. se esta norma aponta para a primeira das soluções que referimos. 33. segundo o art. Comecemos pelo art. RNPC indica-se como critério para aquilatar da confundibilidade das firmas-denominações (continuemos a falar só delas).º 1.º. Todavia.º. L. CSC. e para realmente sabermos o modo como o nosso ordenamento jurídico concebe a tutela da denominação destas pessoas jurídicas. por si só. No art. é preciso voltarmo-nos para esse outro diploma legal. n. sem mais. “a afinidade ou a proximidade das (…) actividades”. n. n. não afasta os perigos de confusão. no sentido que foi exposto. essa denominação podia ser confundida com aquela outra “SEARA – Comércio de Carnes. 37. RNPC. Assim. Pois bem.º 3.º. o facto de estarmos em presença de duas sociedades que não são concorrentes não implicava. com referência à diligência normal do homem médio. revertendo ao nosso exemplo. qual seja.da”.10 M. É que.º 2. Nogueira Serens é o objecto da empresa. L. a novidade da denominação “CEARA – Cerâmica Artista de Almada. a sua importãncia poderá não ser tão decisiva como parece à primeira vista. a de a denominação da sociedade comercial só ser tutelável no quadro do princípio da especialidade. 10. as disposições deste diploma só são aplicáveis à composição das “firmas das sociedades comerciais e das sociedades civis sob forma comercial” na medida em que se não revelem incompatíveis com as disposições do Código das Sociedades Comerciais sobre esta matéria.da” — necessário seria ainda averiguar se.

M. ou por tal forma semelhante que pudesse induzir em erro. da Lei de 11 de Abril de 1901.º. não pode ser idêntica à denominação registada de outra sociedade.º CCom 5 — é inócua. que a denominação há-de ser nova —. ou se essa denominação é tutelável mesmo em face de denominações idênticas ou semelhantes adoptadas por sociedades que se propuserem exercer actividades diferentes (sociedades não concorrentes. ou por tal forma semelhante que possa induzir em erro”.ª do art. pois). que a denominação de uma sociedade comercial. para isso. § 5. quer integre ou não o nome de pessoas. quer inclua quer não inclua o nome de Dispunha essa norma que a sociedade anónima só se podia constitiir definitivamente se houvesse adoptado denominação social que não fosse idêntica à de outra já existente. não podemos contar com a ajuda da referida norma do Código das Sociedades Comerciais — é se a denominação registada de uma sociedade é tutelável face a denominações idênticas ou semelhantes adoptadas por sociedades que se proponham exercer a mesma actividade ou uma actividade similar (sociedades concorrentes. 5 . é coisa já sabida. havendo denominação. Para sabermos isso. Convenhamos que. 162. esta norma — norma que reproduz a doutrina da (revogada) condição 4. Com efeito. ou por tal forma semelhante que possa induzir em erro — de outra maneira dito. urge começar por lembrar que. em si mesma. 3. portanto). essa norma era também aplicável à constituição de sociedade por quotas que houvesse adoptado denominação social.º. O que falta saber — mas. Por força do art. Nogueira Serens 11 ticular [firma-denominação ou firma-objecto] ou por denominação e nome ou firma de sócio [firma-mista] não pode ser idêntica à firma registada de outra sociedade.

a denominação da sociedade comercial só é tutelada em face das denominações das sociedades que se apresentem como suas concorrentes. siglas. possam ser susceptíveis de se confundir. 162.º CSC. de muito difícil verificação. porventura. se não inverificável. embora não possa excluir-se que apresentem alguns elementos em comum — os chamados “elementos subjectivos ou personalísticos”. por força do princípio da verdade. se duas sociedades têm objectos diferentes (art. poderíamos convocar a lei para corroborar esta nossa ideia. Atraver-nos-íamos a dizer que o modo como a nossa lei disciplina a constituição do sinal condiciona. não pode ela deixar de particularizar o objecto da sociedade que individua(liza). acrónimos. no seu núcleo vivo e vital. —. sendo assim. por certo. distinguindo entre firmas compostas por uma denominação particular (incluam ou não o nome ou firma de sócio) e as firmas compostas só com nomes de pessoas. para esta segunda hipótese não vale o n. por nexo lógico infrangível. deixar de lhes fazer referência. esses elementos. e uma vez que as respectivas denominações não podem. 11.º CCom. mas o n. e.º CSC).º 3 do art. nomes geográficos. Certamente que não foi por acaso que o legislador “enunciou” o (sentido do) princípio da novidade em dois preceitos diferentes.12 M. que é o que verdadeiramente importa. Nogueira Serens pessoas. etc. Com efeito. não se vê como essas denominações.º 2 do . e que corresponde à (revogada) condição 4. há pouco transcrito. 10. Se necessário fosse. o modo da sua tutela: efectuado o registo. a hipótese de haver rsico de confusão entre as denominações de duas sociedades que exercem actividades diferentes (ou não concorrentes) é.ª do art. quando menos.

As sociedades dos dois primeiros tipos. a ideia do anonimato era levada até às últimas consequências. disciplinavam-se três tipos de sociedades comerciais: as sociedades em nome colectivo. 27.º CCom. já estatuía que “a firma que cada comerciante adoptar deve ser completamente distinta das que já se acharem registadas na respectiva circunscrição”. No Código Comercial. uma expressão que desse a conhecer. se referia às firmas. de 3 de Fevereiro.M.º. Quanto às sociedades anónimas. do mesmo modo que os comerciantes em nome individual.º 42/89. Também com esta norma o legislador de 86 não disse nada de novo — o art.º 19 638. na terminologia alemã). de 21 de Abril de 1931). deve ser completamente distinta das que já se acharem registadas”.º CCom). que só foi revogado pelo Decreto-Lei n.º e 22. mas sim uma denominação particular. 27. não lhes sendo permitido usar firma. o objecto social (“Sachfirma”. 20. que era da sua essência incluir o nome de pessoas. quanto possível. ou seja. só podiam constituir as respectivas firmas com nomes de pessoas (arts. como é sabido. as sociedades em comandita (simples e por acções) e as sociedades anónimas. no qual se dispõe: “Quando a firma da sociedade for constituída exclusivamente por nomes ou firmas de todos. que nunca sofreu qualquer alteração. Nogueira Serens 13 mesmo artigo.º CCom. Deste modo. além dos comerciantes em nome individual. se o citado art. 21. Que esta norma só era aplicável às firmas compostas só com nomes de pessoas é coisa de fácil prova. algum ou alguns sócios. e na versão originária do Código (scilicet: até à publicação do Decreto n. só resta concluir que ele não era aplicável às .

n.º 2. 162.º. Sendo esta distinção antiga.º. art.º. a norma aplicável era a do 27. Com a promulgação em 1901 da Lei das Sociedades por Quotas.º. da referida Lei). valia a norma do art.º. condição 4. no primeiro caso. no caso de a sociedade por quotas optar por uma denominação aplicar-se-ia o art.ª. a principal consequência é a de o princípio da novidade se ter de conceber de modo diferente. para além de novas regras de procedimento quanto ao registo. que a actual distinção para efeitos de tutela entre firmas compostas só com nomes de pessoas e denominações (incluam ou não nomes de pessoas) — art. condição 4.º). 37. 3. em segundo lugar. CSC — tem tradição entre nós. § 5º. n. que o direito actual. 162.º 2. Não em termos geográficos.os 2 e 3. Em nossa opinição.º CCom. é claro. CSC) — a todo o território nacional (cfr. pois que. Nogueira Serens denominações. 3. restará agora saber quais as consequências que dela emergem. 10. Para os sinais distintivos desta espécie a que só podiam recorrer as sociedades anónimas.º. d) Este excurso pelo direito antigo permite-nos concluir duas coisas: em primeiro lugar. CCom. também já transcrito. limitou-se a alargar a área do exclusivismo das firmas — expressão que agora usamos para referir apenas os sinais distintivos de destinação subjectiva compostos só com nomes de pessoas (art. tendo-se permitido que as sociedades desse tipo adoptassem uma firma só com nomes ou uma denominação particular (art. n. 10.ª CCom (art. como já . RNPC). continuou a distinguir-se entre uma e outra para efeitos de tutela.14 M.

consoante se trate de firma ou de denominação. é de outra índole — é uma diferença em termos merceológicos. com sede no Porto. P. registo feito por uma sociedade (por quotas. por força da lei (sociedade em nome colectivo e sociedade em comandita). também hoje a sociedade comercial que. L. L. e que se propusesse explorar um restaurante. adoptasse uma firma que fosse susceptível de se confundir com a firma anteriormente registada. por força do princípio da novidade a sociedade em causa podia obstar a que uma outra sociedade. Essa diferença no modo de conceber o princípio da novidade. mesmo que não fosse sua concorrente. no caso de a sociedade ter adoptado uma firma-nome. Efectuado o registo da firma “António Costa. que é o nosso exemplo. a tutela desta será mais extensa. ou por opção (sociedade por quotas e sociedade anónima). o problema do princípio da novidade) com as denominações de outras sociedades se estas se propuserem exercer a mesma actividade ou uma actividade similar àquela que é exercida pela sociedade titular dessa denominação (primeiramente registada). podia impedir que outra sociedade. Nogueira Serens 15 dissemos.da”.M. porque não concionada pelo objecto da empresa. Contrariamente ao que acontece com a denominação registada. o que vai dar ao mesmo.da”. P. Castro. E dizemos que a sociedade “António Costa. é claro) com sede em Coimbra. em relação à qual só se põe a questão da confundibilidade (ou. Um exemplo mais. e cujo objecto fosse o “comércio de ferragens. usasse e/ou registasse uma firma . adopte uma firma composta só com nomes tem direito ao uso exclusivo em todo o território nacional. tintas e seus derivados”. Castro. por exemplo.

À luz dessa norma do Código das Sociedades Comerciais mantêm. Esta norma carece.] “Por outro lado — continuamos a citar Ferrer Correia —. Procurando delimitar o significado do princípio da novidade.º 2. que a (nova) firma seja completamente distinta das que já se acharem registadas.16 M. que os problemas suscitados pela homonímia.º. e não. por exemplo. uma firma nova nunca poderia incluir elementos comuns a outra já registada (‘A firma.. a constituição de firmas novas (pense-se. porquanto é isso que postula o princípio da novidade. 10. pois. escreveu: “Segundo o teor literal do art. podendo na realidade existir. a permitir a terceiros a fácil identificação dos . de certa correcção.º. Nogueira Serens susceptível de criar riscos de confusão. deve ser completamente distinta das que já se acharem registadas. nas suas Lições.. nenhum interesse digno de protecção se tutelaria com tal entendimento. em frequentes casos tornar-se-ia muito difícil. nos casos de homonínia). o Mestre de Coimbra. [Não deixaremos de acrescentar. CSC. se fariam sentir com bem maior intensidade no que respeita à constituição da firma do comerciante em nome individual do que no respeitante à constituição das firmas da sociedades: a existência (quando menos em regra) de. 27. A valer naqueles termos.º CCom. no mínimo. 27. Destina-se. quando não impossível. dois sócios e o recurso aos patronímicos implica um alargamento das possibilidades de constituição do sinal..’). no entanto. como se lê no art. plena actualidade as observações de Ferrer Correia sobre o revogado art. por nossa conta. por outras palavras. O princípio da novidade destina-se a assegurar às firmas a sua função diferenciadora.. n.

as respectivas firmas serem completamente iguais. isto é. na sua essência. reprint. P. mesmo nos casos em que as firmas contenham elementos comuns. tintas e seus derivados”.da”. p. o princípio da novidade das firmas e denominações. e há-de ser aferida em relação ao conteúdo global da firma” 6. Novidade significa. L. a impressionar. aparecer em condições de adoptar uma firma idên6 Cfr. Sem que ocorresse violação do princípio da verdade. não obstante. “conjuntos nominativos” que particularizam a actividade exercida pelos seus titulares. Lições de direito comercial. não será despiciendo questionarmos o sentido de uma tal solução.. Voltemos ao exemplo da sociedade por quotas. cujo objecto dissemos ser “o comércio de ferragens. Ora é evidente que esta identificação continua a ser possível. 161. Uma vez demonstrado que a nossa lei concebe de modo diferente. 1994. que se propusesse explorar um restaurante. e como já tantas vezes dissemos. os mais adequados a perdurar na memória do público. pois. O que se impõe é que estes elementos comuns não sejam os prevalentes. o mesmo que inconfundibilidade. o problema da sua eventual confundibilidade só tem sentido se as sociedades que elas individua(liza)m exercerem uma actividade concorrente. Outro tanto não acontece em relação às firmas: duas sociedades podem ter objectos completamente diferentes e. seria perfeitamente pensável a hipótese de outra sociedade. e que adoptava a firma “António Costa.M. em termos merceológicos. Porque as denominações são. . Castro. Nogueira Serens 17 comerciantes com quem pretendem entrar em relações negociais. Lex. Lisboa.

lhes viessem a ser erradamente imputados. o sinal não desempenharia uma das suas principais funções. Terminaremos sobre este ponto. à sociedade que explora o restaurante. permitir a cada um deles desfrutar da sua própria reputação no mercado. por causa da similitude das firmas. ou então em quanto essa mesma sociedade poderia ser prejudicada se. recorrendo de novo ao saber de Ferrer Correia: “É controvertido o problema de saber se o princípio da novidade deverá valer para os comerciantes que o sejam de ramos diferentes. que ainda aqui a diferenciação das . Nogueira Serens tica ou confundível. Sendo inquestionável que quem quisesse adquirir tintas não se dirigiria. tão pouco seria crível que um consumidor de tintas ao dar a sua preferência àquela sociedade o fizesse por saber da existência de uma (reputada) sociedade com firma igual que explora um restaurante.18 M. execuções ou sequestros. deverá nestes casos considera-se legítimo o registo de firmas idênticas ou confundíveis (se olhadas em si mesmas). porque não haveria aí ‘possibilidade de interferência entre a esfera em que opera uma e aquela em que opera outra’. Se a lei não alargasse a tutela da firma de modo a evitar erros desse tipo. ainda assim. haveria a possibilidade de riscos de confusão. no entanto. Pois bem. mas. tudo dependeria — mas dependeria só disso — dos nomes dos respectivos sócios. que é. Pense-se nos prejuízos que poderiam advir para uma sociedade se a correspondência que lhe era dirigida fosse (sistematicamente) entregue a outrem. possibilitando a distinção entre diferentes empresários (pessoas humanas ou jurídicas). Cremos. que a lei não pode deixar de esconjurar. Segundo alguns autores. eventuais protesto de letras.

M. não podendo conter elementos susceptíveis de falsear ou de provocar confusão. apresentar uma conteúdo puramente arbitrário. se para o público — os clientes — pode não haver perigo de confusão. Princípio da verdade a) Em matéria de marcas. 3. sem qualquer referência. porém. para os bancos. cit. de facto. p. Ora o princípio da novidade não se destina a proteger apenas o titular da firma registada mas ainda todos os terceiros que possam vir a ter relações negociais com a empresa” 7. quer quanto à identidade do empresário (tratando-se de comerciante em nome individual). quer quanto à identidade dos sócios (tratando-se de uma empresa colectiva). o princípio da verdade não tem manifestações positivas necessárias — a marca pode. pode dizer-se que a marca. às qualidades ou características (lato sensu) dos respectivos produtos. . Em matéria de constituição de firmas as coisas são. Cfr. diferentes — para ser verdadeira. cit.. 153. para os fornecedores de matérias primas.. esse perigo continua a subsistir. Nogueira Serens 19 firmas se impõe. ob. É que. 162 (sublinhados acrescentados). ob. quer ainda 7 8 Cfr. só precisa de não ser enganadora. por exemplo. directa ou indirecta. p. a firma (e como também dizia o Professor Ferrer Correia 8) deverá corresponder à situação real a que respeita. etc. para ser verdadeira. Por ser assim.

O n. 275. cfr. os 2 e 3. de actividade diferente da que constitui o objecto social. cujo n.º 4 do art.º 1 reza assim: “Os elementos componentes das firmas e das denominações devem ser verdadeiros e não induzir em erro sobre a identificação. 10 Os n. CSC (firma da sociedade anónima 10).20 M. 10.os 2 e 3. 200. CSC (firma da sociedade por quotas 9) e do art. corresponde.º 2 do art. por assim dizer.º. alínea a). 9 . nota anterior.º CSC. 32. 200. 200. CSC: “Da denominação das sociedades não podem fazer parte expressões que possam induzir em erro quanto à caracterização jurídica da sociedade. o texto dos n.º 1 do art. a doutrina que emerge do art.os 2 e 3 do art.os 2 e 3 do art. desde logo. b) O princípio da verdade da firma. ipsis verbis. a alteração do objecto deve ser simultaneamente acompanhada da modificação da firma”. assim entendido. está hoje consagrado. acrescentando o n. grosso modo.º CSC reproduzem.º. n. que proíbe o recurso a elementos que sugiram o exercício. natureza ou actividade do seu titular”. Isto diz o n.º 2 desse mesmo preceito. n.º 3 o seguinte: “No caso de o objecto contratual da sociedade ser alterado.º. ao n. designadamente expressões usadas na designação de orga“Na firma não podem ser incluídas ou mantidas expressões indicativas de um objecto social que não esteja especificamente previsto na respectiva cláusula do contrato de sociedade”. Por seu turno.º. por banda da sociedade (falemos só desta espécie de comerciantes). n. 10.º RNPC.º 5. 32. a alínea a) do n.º RNPC recobre a proibição decorrente do art.º CSC. Ambos os preceitos condensam. no art. Nogueira Serens quanto à natureza da sociedade e à índole ou ao âmbito do próprio estabelecimento. deixando de incluir actividade especificada na firma. 275.

etc.da”. ou “Insituto Óptico. se. a firma ou denominação é um sinal distintivo de destinação subjectiva.º. 177.º 1.º CSC. seguradoras. exactamente pela responsabilidade pessoal que todos ou alguns deles assumem pelas dívidas sociais.º 5 do art. [O uso da palavra “Instituto” no conjunto “Instituto Óptico.º 2. CSC. sem possibilidade de equívoco.A. quando se negoceia com uma sociedade em nome colectivo ou com uma sociedade em comandita. a)). Segundo o art. Nogueira Serens 21 nismos públicos ou pessoas colectivas sem finalidade lucrativa”. 175. e o n. estão a negociar com uma sociedade em nome colectivo ou com uma sociedade por quotas — e é precisamente disso que cuida a referida alínea do n. L. e que por isso mesmo se destina a actuar primacialmente a montante — em relação. S.M. Por outro lado. n. por exemplo. o conhecimento das pessoas dos sócios assume importância relevante (porventura.”. ficará sujeito à responsabilidade imposta aos sócios no art. pode ser aqui apontado como um exemplo de clara violação deste preceito. “a firma da sociedade em nome colectivo deve. à luz do qual se tem de compreender a infalibilidade de certos elementos das firmas e denominações. 11 . pelo menos. consoante o tipo da respectiva sociedade (cfr. Donde a firma de tais sociedades só poder integrar o nome ou firma de sócios 11. quando não individualizar todos os sócios. n. decisiva).º”. pois.º 2 acrescenta: “Se alguém que não for sócio da sociedade incluir o seu nome ou firma na firma social. o nome ou firma de um deles (…)”.] Como antes dissemos. conter. A tutela dos interesses destes intervenientes no tráfico exige que eles saibam. supra. 10. aos seus financiadores. aos fornecedores de bens ou de serviços à sociedade.

em relação aos actos outorgados com aquela firma. ou o estranho à sociedade. sendo certo que. nota 1.º. o princípio da verdade sofre entorse 12 —. ob. RNPC: “Quando. embora com nuances — nuances que. a não ser que demonstrem que a desconheciam e não tinham o dever de a conhecer”. são verdadeiras aberrações. 25. cuja doutrina. O sócio comanditário. se a firma pode continuar a integrar o(s) nome(s) do(s) ex-sócio(s) — e porque é assim. Os nomes dos sócios comanditários não podem figurar na firma da sociedade sem o seu consentimento expresso e. A firma da sociedade é formada pelo nome ou firma de um. em tais hipóteses. cfr. 160. 3. Se o sócio comanditário ou alguém estranho à sociedade consentir que o seu nome ou firma figure na firma social fica sujeito. por qualquer causa. 2. aplica-se o disposto nos números seguintes. p.22 M. e que deixam transparecer uma concepção profundamente arcaica da natureza do direito à firma (sobre o ponto. Ficam sujeitos à mesma responsabilidade. 5. dos sócios comanditados e o aditamento ‘em Comandita’ ou ‘& Comandita’. salvo se demonstrar que tais terceiros sabiam que ele não era sócio comanditado. se encontra hoje plasmada no art. sendo-o.º CCom. 12 Já era posta em evidência por FERRER CORREIA. pelo menos.º 5. 4. Nogueira Serens excepção feita para o caso de mutações no substrato pessoal. o art. estes sabiam que ele não era sócio comanditado. cit. deixe de ser associado ou sócio pessoa singular cujo nome figure na firma ou . responde em iguais circunstâncias pelos actos praticados em nome da sociedade sem uso expresso daquela firma irregular. à responsabilidade imposta aos sócios comanditados. excepto se demonstrar que a inclusão do seu nome na firma não era conhecida dos terceiros interessados ou que.º CSC dispõe o seguinte: “1. a lei cuidava de Quanto às firmas das sociedades em comandita. perante terceiros.. ‘em Comandita por Acções’ ou ‘Comandita por Acções’. todos os que agirem em nome da sociedade cuja firma contenha a referida irregularidade. em bom rigor. n. 32. a propósito do (hoje revogado) art. nos termos previstos nos números antecedentes. neste caso. o texto “Direito das firmas das sociedades comerciais”) —. 467.

n. Num certo sentido. religiosa ou ideológica” (alínea c)). alínea h). 3. são também “ilícitas”). quer o princípio da verdade (as firmas deceptivas são “ilícitas”).. nem “expressões incompatíveis com o respeito pela liberdade de opção política. Princípio da licitude Como acontece com quaisquer actos ou factos que aspiram à tutela jurídica. sujeitando a registo (art. deve tal firma ou denominação ser alterada no prazo de uma ano. pode dizer-se que o princípio da licitude recobre. as firmas. para serem válidas.º 4.º. personalidades. a não ser que o associado ou sócio que se retire ou os herdeiros do que falecer consintam por escrito na continuação da mesma firma ou denominação". Todavia.] 4. entretanto.M.. 32. épocas ou instituições cujo nome denominação de uma pessoa colectiva [do tipo de sociedade ou outro].º. nessa medida. 3. nem “expressões que desrespeitem ou se apropriem ilegitimamente de símbolos nacionais. revogada. [A referida alínea do art. CRegCom) a autorização para que se mantivesse no firma social o nome ou apelido do sócio que se retirasse ou falecesse. c) e d). Nogueira Serens 23 arredar a possibilidade de enganos. . não é nesse sentido amplo que costuma falar-se do princípio da licitude. alíneas b). O verdadeiro conteúdo desse princípio é o que se encontra fixado no art. Terá sido por engano?. quer o princípio da novidade (as firmas que não são novas são insinceras e. hão-de ser lícitas. RNPC: “Das firmas e denominações não podem fazer parte expressões proibidas por lei ou ofensivas da moral ou dos bons costumes” (alínea b)).º CRegCom foi.

científicas. institucionais. alínea b). culturais ou outras atendíveis” (alínea d)).24 M. Nogueira Serens ou significado seja de salvaguardar por razões históricas. 10. CSC. o mesmo princípio tem expressão no art. . que reza assim: “Da denominação das sociedades não podem fazer parte expressões proibidas por lei ou ofensivas da moral ou dos bons costumes”. n. patrióticas. mas nem por isso menos eficaz.º 5.º. De uma forma bem mais sóbria.