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Teorias da comunicação

1 Primeira Fase 1.1 Teoria Hipodérmica + 1.1.1 Modelo de Lasswell 1.2 Teoria da Persuasão 1.3 Teoria Empírica de Campo (Teoria dos Efeitos Limitados) 1.4 Teoria Funcionalista 1.5 Teoria Crítica 1.6 Teoria Culturológica 2 Segunda Fase o 2.1 Teoria do Agendamento o 2.2 Gatekeeper o 2.3 Newsmaking

Teoria Hipodérmica
Resumo: Também conhecida como "Teoria dos Efeitos Ilimitados", a Teoria Hipodérmica estudou o fenômeno da mídia a partir de premissas behavioristas. Seu modelo comunicativo é baseado no conceito de "estímulo/resposta": quando há um estímulo (uma mensagem da mídia), esta adentraria o indivíduo sem encontrar resistências, da mesma forma que uma agulha hipodérmica penetra a camada cutânea e se introduz sem dificuldades no corpo de uma pessoa. Daí o porquê de esta teoria também ser conhecida como "Teoria da Bala Mágica", pois a mensagem da mídia conseguiria o mesmo efeito "hipodérmico" de uma bala disparada por uma arma de fogo. O conceito de "massa" é fundamental para se compreender a abordagem da teoria hipodérmica. Segundo os estudiosos desta corrente, a massa seria um conjunto de indivíduos isolados de suas referências sociais, agindo egoisticamente em nome de sua própria satisfação. Uma vez perdido na massa, a única referência que um indivíduo possui da realidade são as mensagens dos meios de comunicação. Dessa forma, a mensagem não encontra resistências por parte do indivíduo, que as assimila e se deixa manipular de forma passiva.

Teoria Hipodérmica é um modelo de teoria da comunicação, também conhecido como Teoria da Bala Mágica. Segundo este modelo, uma mensagem lançada pela mídia é imediatamente aceita e espalhada entre todos os receptores, em igual proporção. Os conceitos foram elaborados pela Escola Norte-Americana, nos anos 30. Seu principal objetivo foi fornecer bases empíricas e científicas para a elaboração de sistemas de comunicação, com ênfase nos efeitos da comunicação sobre o comportamento da população. Muitos dos cientistas foram contratados pelo exército, a exemplo de Carl Hovland, como parte do esforço de guerra, durante a II Guerra Mundial. A concepção de comunicação que embasa este modelo parte do princípio da sociedade organizada em massa, ou seja, "cada elemento do público é pessoal e diretamente atingido pela mensagem" (Wright Mills, 1975, 79) e " Cada indivíduo é um átomo isolado que reage isoladamente às ordens e às sugestões dos meios de comunicação de massa". Deste modo, o modelo foi considerado, posteriormente, excessivamente simplista pois, em seu modelo não se considerava o papel das diferenças de ordem social, como a pertença a grupos de identificação, e o papel de lideranças de opinião. Por outro lado, a concepção de "massa" enquanto magma indistinto de sujeitos "atômicos", cada um atingido diretamente pela comunicação, favorecia os cálculos estatísticos e mensuração dos efeitos da comunicação de modo que muitas técnicas de pesquisa e modelos explicativos utilizados atualmente por veículos de comunicação, institutos de pesquisa de mercado e agências de publicidade originam-se neste período. A Teoria Hipodérmica, também chamada de Teoria da bala mágica ou, ainda "mass communication research" coincide, historicamente, com o período do entre-guerras (entre a primeira e segunda guerras mundiais). Responde sobretudo à interrogação: que efeito eles produzem numa sociedade de massa? Além disso, pode-se descrever o modelo hipodérmico como sendo uma teoria da propaganda e sobre a propaganda, compreendendo o termo "propaganda" em sentido muito amplo, ou seja, a difusão de concepções, idéias, valores e atitudes através dos sistemas de comunicação de massa (rádio, jornal, TV, cinema, revista). Trata-se de uma concepção mais ampla de "propaganda", que não se restringe ao que conhecemos por "comerciais", mas a própria difusão de idéias em espaços editoriais, informacionais, educativos e de entretenimento. Para compreender melhor a Teoria Hipodérmica, é fundamental definir o conceito de sociedade de massa. A massa é constituída por um conjunto homogêneo de indivíduos que, enquanto seus membros são considerados iguais, indiferenciáveis, mesmo que provenham de ambientes diferentes, heterogêneos, e de todos os grupos sociais. É composta por pessoas que não se conhecem, que estão separadas umas das outras no espaço e que têm pouca ou nenhuma possibilidade de exercer uma ação ou influência recíprocas.(Blumer, 1936 e 1946). O isolamento do indivíduo na massa é o pré-requisito da primeira das teorias das comunicações. Contexto

* Lasswell também apresenta três funções dos sistemas de comunicação: 1) Vigilância-denunciando o que afete os valores de uma sociedade 2) Coesão entre os membros do grupo social 3) Transmissão e intensificação dos valores naquela sociedade . os meios de comunicação não manipulam.Em 1914-18. mas sim influenciam os membros da sociedade em que atuam). A Teoria Hipodérmica surge nesse período. uma herança. Aspectos Importantes * A palavra-chave para esta teoria é "Manipulação da massa" * Todo membro do público de massa é pessoal e diretamente "atacado" pela mensagem. manipulada. simultaneamente. Isso os faz indefesos e passivos diante da comunicação. * Se uma pessoa é apanhada pela propaganda. meio e efeitos. separados e atomizados. * Segundo Bauer (1964). anônimos. levada a agir. As mensagens midiáticas ganharam o status de "balas mágicas" com o poder de atingir toda uma população de maneira uniforme. Modelo Lasswell * Em 1948. como paradigma científico e empirista dos estudos dos efeitos da comunicação A Teoria Como consequência do que se viu no período. os efeitos não são estudados. Na medida em que os países se comprometiam politicamente. Populações heterogêneas das sociedades industriais não estavam unidas em torno de um sentimento que mantém o cidadão como membro de uma totalidade. pois são dados como previstos. quando a propaganda de guerra conseguiu unir nações inteiras em torno de um ideal comum. a propaganda de massa começa a ser utilizada como estratégia de guerra e as pessoas despertam para os seus efeitos no totalitarismo. passou-se a acreditar na mídia como capaz de direcionar as pessoas para praticamente qualquer direção desejada pelo comunicador. Lasswell cria um modelo que representa. surgia a necessidade mais do que urgente de se forjar elos entre o cidadão e a pátria. tornava-se indispensável despertar nos cidadãos o sentimento de ódio contra o inimigo e de ânimo diante de tantas privações. As pessoas são altamente influenciadas (do contrário do senso comum. entre as duas Guerras. conteúdo. audiência. * A massa engloba indivíduos isolados. uma evolução e uma superação da teoria hipodérmica: o Modelo dos cinco "Q"s Quem → Diz o quê → Em que canal → A quem → Com que efeito. pode ser controlada. Na Bullet Theory. Este modelo organizou a communication research. Cada uma destas variáveis define e organiza um setor específico da pesquisa: emissor.

considerava que as relações informais entre as pessoas eram irrelevantes e que não influenciava no resultado de uma campanha publicitária. Os papéis Comunicador/Destinatário são isolados e independentes das relações sociais. A audiência era concebida como um conjunto de classes etárias. dava pouca atenção às relações informais. A comunicação é intencional e tem por objectivo um efeito já determinado (manipulação). O esquema de Lasswell organizou a "communication research" em torno de dois temas centrais e de maior duração: . 1982).Modelo Lasswell Suas premissas para descrever o processo de comunicação de massa eram: Processos assimétricos com um emissor activo. isolados" . que produz o estímulo e uma massa passiva que reage ao estímulo. etc.. ("os efeitos dizem respeito a destinatários atomizados. situacionais e culturais. de sexo. Lasswell observou que a teoria hipodérmica ignorava até então o contexto no qual ocorria a comunicação * Paul Lazarsfeld observa que não se levam em consideração as variáveis intervenientes no processo comunicativo .Schulz.análise dos conteúdos Críticas * Ao criar seu modelo.análise dos efeitos .

acrescido de processos psicológicos que determinam a resposta. Persuadir os destinatários é possível se a mensagem se adequa aos fatores pessoais ativados pelo destinatário ao interpretá-la. 1970. também chamada de Teoria Empírico-experimental. se todos ou apenas parte dos argumentos estão presentes. Dessa maneira. Portanto.( De Fleur. estabelece-se uma estrutura lógica. Em relação à audiência. a Teoria da Persuasão afirma que a mensagem da mídia não é prontamente assimilada pelo indivíduo.122) Ou seja.Guerra Fria / Comercialização ( Poder ilimitado da mídia) Aspectos Importantes * Estuda os fatores que provocam o sucesso e o insucesso do processo comunicativo tomando por base mensagem e audiência. o indivíduo até mesmo distorcerá o conteúdo das mensagens recebidas. que interagem de maneira diferente de acordo com os traços específicos da personalidade do destinatário. desenvolve-se a partir dos anos 40 e conduz ao abandono da Teoria Hipodérmica. A Teoria da Persuasão. O modelo comunicativo desta teoria é bastante semelhante ao behaviorista – porém. os efeitos que se procurava obter não foram conseguidos. não mais como indivíduo isolado * A mensagem deve ser adequada às características do grupo que se quer persuadir * Existem intervenientes psicológicos no público que influem nos efeitos da mensagem * O foco desta teoría é a mensagem e o destinatário * Esta Teoria tem orientação sociológica Hyman e Sheatsley determinam em seu ensaio processos intervenientes ou algumas razões pelas quais as campanhas de informação falham. Contam também a maneira como os argumentos são distribuídos. Em algumas ocasiões. muito semelhante ao modelo mecanicista da Teoria Hipodérmica: CAUSAS -> PROCESSOS PSICOLOGICOS INTERVENIENTES -> EFEITOS Contexto Segunda Grande Guerra . além disso. de forma a adequá-las à sua forma de entender a questão. A mensagem contém características particulares do estímulo. tenderá a consumir as informações com as quais esteja de acordo. Fatores relativos à audiência . o indivíduo a consumirá de acordo com o grau de prestígio e de confiança que depositar naquele que a transmite (o comunicador). * A massa é vista como grupo. e o grau de envolvimento do indivíduo com o assunto. Consiste na revisão do processo comunicativo entendido como uma relação mecanicista e imediata entre estímulo e resposta. frequentemente. o avanço consiste em que a teoria passa a levar em conta as diferenças individuais do público. mas de persuasão. Em relação à mensagem.Teoria Empírico-experimental Resumo: Diferente da abordagem hipodérmica. Oscila entre a idéia de que é possível obter efeitos relevantes se as mensagens forem adequadamente estruturadas e a certeza de que. Tais processos psicológicos são relativos à audiência e à mensagem.Teoria da persuasão . o indivíduo ficará interessado pelos assuntos aos quais estiver mais exposto. sendo submetida a vários filtros psicológicos individuais. paralelamente à Teoria Empírica de Campo. a exposição implícita ou explícita das intenções da mensagem. os efeitos da mídia não seriam de manipulação.

* Exposição seletiva: Campanhas fazem mais efeito para os que já concordam com o tema. isso se acentua. * Efeito Recency: apresenta-se os argumentos a que se quer dar ênfase no final. Com o passar do tempo da exposição. Principais autores * Karl Hovland * Harold Lasswell . * Percepção seletiva: O destinatário interpreta a mensagem e a adapta a seus valores. às vezes entendendo-a até de forma oposta à original. Fatores relativos à mensagem * Credibilidade do comunicador * Integralidade da argumentação: estudar o impacto que causa a apresentação de um único aspecto ou ambos aspectos de um tema controverso * Ordem da argumentação: * Efeito Primacy: apresenta-se os argumentos a que se quer dar ênfase no início. * Memorização seletiva:' A audiência memoriza mais os argumentos com os quais concorda. * Explicitação das conclusões: se é mais eficaz deixar as conclusões explícitas ou implícitas.* Interesse em obter a informação.

família. Antes. Em síntese. que consiste em associar os processos comunicativos de massa às características do contexto social em que estes se realizam. partido político etc). Dessa forma. da Teoria da persuasão.Teoria Empírica de Campo . e mais significativa. também conhecido como Teoria dos Efeitos Limitados. Nesta teoria. Na dinâmica que gera a formação da opinião pública. Portanto. a Abordagem Empírica de Campo abandona a relação direta de causa e efeito entre a mensagem e o comportamento do indivíduo. Aspectos Importantes         Este ponto de vista completa a revisão crítica da Teoria Hipodérmica A palavra-chave desta teoria é influência Os estudos de campo explicitam a escassa relevância dos mass media em confronto com os processos de interação social Lazarsfeld propõe que o público é capaz de fazer suas próprias escolhas Existem variações do consumo de comunicações de massa segundo as características do público Descobre-se os líderes de opinião e a Two Step Flow ou Fluxo de Comunicação a Dois Níveis Pessoas que pertencem a um mesmo grupo tendem a possuir opiniões parecidas sobre determinados assuntos Primeiro a informação chega às pessoas bem informadas e que inspiram confiança e através delas chegariam a todo o público . é possível distinguir duas correntes: a primeira diz respeito ao estudo da composição diferenciada dos públicos e dos seus modelos de consumo da comunicação de massa. em que participam também os mass media. estabeleceu três processos diferentes para se saber o que um programa significa para o público. concluindo que a mídia cumpre papel limitado no jogo de influência das relações comunitárias. Em outras palavras. da rede de interações que une as pessoas umas às outras. os efeitos destes. de orientação sociológica. compreende as pesquisas sobre a mediação social que caracteriza esse consumo. enfatiza a influência indireta que a mídia exerce sobre o público tal como faria qualquer outra força social (igreja. coloca em vantagem a influência pessoal. o meio seleciona o seu público e só posteriormente exerce a sua influência sobre esse público. O alcance das mensagens midiáticas depende do contexto social em que estão inseridas. 1. A teoria dos efeitos limitados. A Pesquisa de Lazarsfeld sobre o consumo dos mass media Em 1940. Paul Lazarsfeld. ficando sujeitos aos demais processos comunicativos que se encontram presentes na vida social. A segunda . o resultado global não pode ser atribuído aos indivíduos considerados isoladamente.Características dos ouvintes 3. limitando assim. em relação à eficácia dos mass media.Estudos sobre as satisfações A este propósito. em suma. Teoria Empírica de Campo é um modelo de teoria da comunicação. mas da influência mais geral das relações sociais. da qual os mass media são apenas uma parte. os filtros individuais pelos quais as mensagens passam seriam de origem muito mais social do que psicológica. Neste caso. uma vez que é apenas parte desta. diz respeito a todos os mass media do ponto de vista da sua capacidade de influência sobre o público e da influência mais geral das relações sociais. É difícil separar completamente esta teoria. Trata de influência e não apenas da que é exercida pelos mass media.Análise de conteúdo 2.Teoria dos Efeitos Limitados Resumo: A Teoria Empírica de Campo ou Teoria dos Efeitos Limitados (nome dado como resposta à Teoria dos Efeitos Ilimitados de Lasswell) baseia suas pesquisas na sociologia. no seio de determinadas comunidades. Dessa forma. deixa de salientar a relação causal direta entre propaganda de massas e manipulação da audiência para passar a insistir num processo indireto de influência e formação de opinião. deriva. cujo desenvolvimento ocorreu de forma paralela. a mídia é apenas mais um instrumento de persuasão na vida social. Lazarsfeld fala de efeitos pré-seletivos e de efeitos posteriores Em primeiro lugar.

Lazarsfeld relaciona três efeitos: o Efeito de ativação: transforma tendências latentes em opiniões efetivas o Efeito de reforço: preserva decisões tomadas o Efeito de conversão: mais limitado porque os mais informados são menos flexíveis e os mais indecisos..  No que diz respeito a assuntos diferentes. Dentro da dinâmica de formação de opiniões. desde quando foi. são menos informados pela mídia. porque o líder de opinião é aquele legitimado pela audiência por fazer a ponte entre o meio de comunicação (que detém as mensagens) e a audiência.. influenciados e influentes podem trocar reciprocamente de papéis. .

A questão de fundo já não são os efeitos.   À medida que a abordagem funcional se enraíza nas ciências sociais. Blumler. A palavra-chave desta teoria é função A lógica que regulamenta aos fenômenos sociais é constituída por relações de funcionalidade que visam à solução de quatro problemas fundamentais. Empírico-Experimental e de Efeitos Limitados por não estudar a mídia em casos excepcionais. em termos funcionais. mas as funções exercidas pela comunicação. as ligações complexas que existem entre os mass media e a sociedade. Dessa forma. A função é entendida como conseqüência objetiva da ação. Schramm. Seus métodos de pesquisa distanciam-se dos métodos da teoria Hipodérmica. Em lugar de pesquisar o mero comportamento do indivíduo.Teoria funcionalista Resumo: A Teoria Funcionalista estuda as funções exercidas pela mídia na sociedade. resumidamente. Wright. que todo sistema social deve enfrentar: 1) A Manutenção do modelo e o controle das tensões 2) A adaptação ao ambiente 3) A perseguição do objetivo 4) A integração  No que diz respeito ao problema da manutenção do esquema de valores. C. como o receptor são parceiros ativos As funções das comunicações de massa Wright apresenta em Milão. De Fleur. Contexto * Pós Segunda Grande Guerra Principais autores Merton. o subsistema das comunicações de massa é funcional. Lasswell.Endrigo Aspectos Importantes    O equilíbrio e a estabilidade do sistema. Katz. A teoria funcionalista aborda globalmente os meios de comunicação de massa no seu conjunto. Max Webber. provêm das relações funcionais que os indivíduos e os subsistemas ativam no seu conjunto. ou imperativos funcionais. a Teoria funcionalista representa uma importante etapa na crescente e progressiva orientação sociológica da communication research. estuda-se a sua ação social enquanto consumidor de valores e modelos que se adquire comunitariamente. na medida em que desempenha parcialmente a tarefa de realçar e reforçar os modelos de comportamento existentes no sistema social. e não os seus efeitos. São elas: Relativa à sociedade: . As funções podem ser diretas ou indiretas. mas em situações corriqueiras e cotidianas. em 1959. como campanhas políticas. latentes ou manifestas. um ensaio pelo qual descreve-se uma estrutura conceitual que deveria permitir inventariar . em definir a problemática dos mass media a partir do ponto de vista do funcionamento da sociedade e da contribuição que os mass media dão a esse funcionamento. Consiste. o que a distancia das teorias precedentes. os estudos sobre os efeitos passam da pergunta "O que é que os mass media fazem às pessoas?" para a pergunta " O que é que as pessoas fazem com os mass media?"   Os mass media são eficazes na medida em que o receptor experimenta satisfaçoes a suas necessidades Tanto o emissor.

as trocas econômicas Relativas ao indivíduo:     Atribuição de posição social e prestigio às pessoas que são objeto de atenção dos mass media O reforço do prestígio por ser um cidadão bem informado O reforço das normas sociais. Gurevitch e Haas (1973 distinguem cinco classes de necessidades que os mass media satisfazem:      Necessidades cognitivas: aquisição e reforço de conhecimentos e de compreensão Necessidades afetivas e estéticas: reforço da experiência estética. emotiva Necessidades de integração a nível social: reforço dos contatos interpessoais Necessidades de integração a nível da personalidade: segurança. com a satisfação da necessidade Os mass media competem com outras fontes de satisfação das necessidades Muitos dos objetivos da utilização dos mass media podem conhecer-se através de dados fornecidos pelos destinatários Devem suspender-se os juízos de valor acerca do significado cultural das comunicações de mass A hipótese dos usos e satisfações implica um deslocamento da origem do efeito do conteúdo da mensagem. na medida em que é o receptor que estabelece se existirá. A atividade seletiva e interpretatva do destinatário. 1974). Melvin De Fleur salienta a função que particulariza a capacidade de resistência dos mass media aos ataques As disfunções das comunicações de massa   O fato do fluxo informativo dos mass media circular livremente pode ameaçar a estrutura fundamental da própria sociedade A exposição a grandes quantidades de informação pode provocar a chamada "disfunção narcotizante" A hipótese dos "Usos e Gratificações" Mesmo que diferenciemos as necessidades das funções. caráter ético. Katz. denunciando seus desvios à opinião pública. abrandamento das tensões e dos conflitos Esta hipótese articula-se em cinco pontos fundamentais:      A audiência é concebida como ativa Depende da audiência relacionar a escolha do mass media. como por exemplo. confirmando as normas sociais. é possível conceber.  Alerta os cidadãos contra perigos e ameaças Fornece instrumentos para se exercitar certas atividades. formando uma dos seus componentes não elimináveis. para todo o contexto comunicativo. pelo menos. valores ou comportamentos do público é invertida. baseada sociologicamente na estrutura das necessidades do indivíduo. em termos funcionais. a satisfação das necessidades sentidas pelos indivíduos (Wright.  É neste quadro. estabilidade emotiva Necessidade de evasão. passa a constituir parte estável do processo comunicativo. que toda a hipótese do efeito linear do conteúdo dos mass media sobre as atitudes. um processo comunicativo real. Os mass media não são a única fonte de satisfação dos vários tipos de necessidades sentidas pelos indivíduos  .

símbolos e formatos são obtidos a partir de mecanismos de repetição e produção em massa. A Teoria Crítica é comumente associada à Escola de Frankfurt. será difícil explicar como grupos diversos possam vir a fazer "uso" de conteúdos idênticos para todos e deles derivarem alguma "satisfação". É o que foi denominado indústria cultural. como se dava a organização e a consciência dos trabalhadores industriais. Foi utilizada. Por isso. a mídia padroniza a arte como faria a um produto industrial qualquer. ou seja. Caracterização Um dos principais objetivos do Instituto de Pesquisas Sociais era o de explicar. aponta como um elemento essencial dos seus pressupostos uma percepção da audiência como um conjunto activo e diversificado. contrapondo-se à Teoria Tradicional. a principal mudança de perspectiva a que se assistiu com os usos e gratificações consiste no pressuposto segundo o qual “mesmo a mensagem do mais potente dos mass media não pode influenciar um indivíduo que não faça uso dela no contexto sócio-psicológico em que vive”. Críticas Esse modelo teórico está próximo a um funcionalismo psicológico ao supor que a mídia existe para suprir necessidades. incorporar ao pensamento tradicional dos filósofos uma tensão com o presente. a Teoria Crítica parte do pressuposto das teorias marxistas e investiga a produção midiática como típico produto da era capitalista. que tornam a arte adequada para produção e consumo em larga escala. Com efeito. de tipo cartesiano. Teoria Crítica da Sociedade é uma abordagem teórica que. Nesta. os . A Teoria Crítica da Sociedade tem um início definido a partir de um ensaio-manifesto. historicamente. Se esse modelo influenciar demandas sociais.Os Usos e Gratificações Pretende-se identificar o tipo e grau satisfação alcançado por um determinado meio de comunicação e as consequências que este representa para os valores e as condutas desse grupo. criticada e superada por diversos pensadores e cientistas sociais. Trata-se de um modelo que refuta a hipótese informacional protagonizado pela transmissão unilateral de dados. que tem capacidade de escolha e de interpretação das mensagens. publicado por Max Horkheimer em 1937. busca unir teoria e prática. Assim. O esforço de refletir e pensar sobre a obra é dispensado: a obra "pensaria" pelo indivíduo. de acordo com necessidades e desejos particulares que espera satisfazer através dos meios de comunicação. Entretanto. intitulado "Teoria Tradicional e Teoria Crítica". em face de sua própria construção como teoria. que é autocrítica por definição. o aspecto artístico da obra é perdido. O indivíduo consome os produtos de mídia passivamente. Desvendam assim a natureza industrial das informações contidas em obras como filmes e músicas: temas. Teoria Crítica Resumo: Inaugurada pela Escola de Frankfurt. O imaginário popular é reduzido a clichês.

e da Psicanálise para explicar a formação do indivíduo. a Psicologia. fazendo uma crítica à economia política. por exemplo). o Direito. se veêm obrigados a deixar a Alemanha Nazista. Para eles. todos ficam submetidos à razão instrumental (o próprio status quo) e acabam por desempenhar uma função de manutenção das normas sociais. buscando uma investigação analítica dos fenômenos estudados. Desta forma. negando a sua própria condição de indivíduo ativo no corpo social. A preocupação. Assim. em entender a cultura como elemento de transformação da sociedade. os pesquisadores de Frankfurt propõem o conceito de Indústria Cultural em substituição ao conceito de Cultura de Massa. buscando aproximar os conceitos do Funcionalismo com o da Teoria Crítica. estes pesquisadores acompanham o surgimento do que os funcionalistas chamam de "Cultura de Massa" com o desenvolvimento de novas tecnologias de comunicação. Ainda nos anos 1940. entre outras. entre outros. Como o Instituto era patrocinado com recursos judeus.a sociedade entendida como sistemas e subsistemas). principalmente. a Teoria Crítica utiliza-se de pressupostos do Marxismo para explicar o funcionamento da sociedade e a formação de classes. há uma severa crítica à fragmentação da ciência em setores na tentativa de explicar a sociedade (ordens funcionais . as ciências sociais que "reduzem" seus estudos à coleta e classificação de dados (como acontece com a pesquisa . Partindo deste pressuposto. seria produzida pela própria massa. Já nos Estados Unidos. visando não permitir a reprodução constante desta dominação (na verdade. entre elas a Comunicação Social.pressupostos teóricos da Escola de Frankfurt se estenderam a diversas áreas das relações sociais. Entretanto. a proposição de Indústria Cultural e de Cultura de Massa estavam distantes demais. etc. relacionando estes fenômenos com as forças sociais que os provocam. a Antropologia. Os pensadores da Escola de Frankfurt contestam o conceito de Cultura de Massa. propõem a dialética como método para entender a sociedade. Neste sentido. Em resumo. A dialética se dá no sentido de entender os fenômenos estruturais da sociedade (como a formação do capitalismo e a industrialização. como crítica ao Funcionalismo). Pensadores como Adorno e Lazarsfeld chegaram a desenvolver pesquisas em conjunto. propondo. principalmente o Rádio. com o Nazismo e o Fascismo na Europa. fugidos da perseguição de Hitler. Um dos principais questionamentos se dava no sentido de entender como os indivíduos se tornavam insensíveis à dor do autoritarismo. pautada pela organização dos trabalhadores. Eles entendiam que a razão era o elemento de conformidade e de manutenção do status quo. buscando na divisão de classes os elementos para explicar a concepção do contexto social (como o desemprego. o militarismo. Propostas da Teoria Crítica Ela propõe a teoria como lugar da autocrítica do esclarecimento e de visualização das ações de dominação social. a Teoria Crítica visa oferecer um comportamento crítico nos confrontos com a ciência e a cultura. enquanto elemento que compõe o corpo social. Neste sentido. a Filosofia. apresentando uma proposta política de reorganização da sociedade. o terrorismo. então. uma reflexão sobre esta racionalidade. há uma tentativa de interpretar as relações sociais a fim de contextualizar os fenômenos que acontecem na sociedade. de modo a superar o que eles chamavam de "crise da razão" (nova crítica ao Funcionalismo). assim. as disciplinas setoriais desviam a compreensão da sociedade como um todo e. no sentido de que ele seria uma maneira "camuflada" de indicar que ela parte das bases sociais e que. ou seja. portanto. além de sua explícita linha marxista de análise. está centrada. Esta postura se fortalece.). esta formação crítica a que se propõem os pensadores de Frankfurt pode ser entendida como um alerta à necessidade do esclarecimento da sociedade quanto às ordens instituídas). os pesquisadores como Max Horkheimer (diretor) e Theodor Adorno. A teoria parte do princípio de uma crítica ao caráter cientificista das ciências humanas. de uma crítica da crença irrestrita na base de dados empíricos e na administração como explicação dos fenômenos sociais (por exemplo. principalmente.

que conduzem (por vezes) à passividade.[1] particularmente associada com o Instituto para Pesquisa Social da Universidade de Frankfurt. mas percebe acadêmicos da área como ideólogos. Marcuse. porque estariam ignorando as intervenções que constantemente ocorrem no contexto social. inspiradora de reflexões sobre nós e o mundo. A incapacidade de resolução viável dos problemas apresentados. Ela não adota uma postura anti-management. a cultura de massa não impõe a padronização dos símbolos. Ou seja. Löwenthal. em que todos possam contribuir e desenvolver-se. Perspectiva macrossocial. Pollock. usualmente em defesa dos ortodoxos partidos comunistas. Expoentes Horkheimer. Teoria Culturológica Resumo: A Teoria Culturológica parte de uma análise à Teoria Crítica e desenvolve assim um pressuposto diferente das demais teorias. religiosa ou humanística. Críticos tanto do capitalismo e do socialismo da União Soviética. como pretende as demais teorias. do qual os meios de comunicação em massa são uma parte. Pontos positivos/contribuições Visão estrutural. A Teoria Crítica tem uma agenda clara. Quadro conceitual fornece elementos de crítica à sociedade de modo geral e às relações de dominação. servindo aos interesses de grupos dominantes. No lugar de pesquisar os efeitos ou as funções da mídia. Adorno. Entretanto.norte-americana) estariam vedando a si próprias a verdade. Sua meta maior é criar sociedades e organizações livres da dominação. Pontos negativos Elitismo cultural – crença excessiva no potencial da alta cultura. mas parte integrante da cultura nacional. as suas escritas apontaram para a possibilidade de um caminho alternativo para o desenvolvimento social. procura enxergar além das aparências. mas utiliza a padronização desenvolvida . procura definir a natureza da cultura das sociedades contemporâneas. que procura vislumbrar a complexidade do sistema. Walter Benjamin. muitos desses teóricos experimentaram que a tradicional teoria marxista não poderia explicar adequadamente o turbulento e inesperado desenvolvimento de sociedades capitalistas no século vinte. radicalidade crítica. Habermas Escola de Frankfurt Escola de Frankfurt (em alemão: Frankfurter Schule) refere-se a uma escola de teoria social interdisciplinar neo-marxista. A escola inicialmente consistia de cientistas sociais marxistas dissidentes que acreditavam que alguns dos seguidores de Karl Marx tinham se tornado "papagaios" de uma limitada seleção de ideias de Marx. Exercício do raciocínio dialético e da complexidade analítica. Pessimismo analítico. Conclui assim que a cultura de massa não é autônoma.

ou seja. Esta teoria parte de uma análise da teoria crítica. a ausência de atitudes preconceituosas e o espírito aberto em relação à indústria da cultura” (Idem. Ou seja. p.. Segundo eles. Mas para que isso fique mais evidente falaremos um pouco sobre os principais estudiosos da escola européia e das suas contribuições na análise dessa nova forma de cultura. ser algo significativo. O que mais atraia as atenções dos estudiosos europeus eram as produções culturais que atraiam um grande público. A sua principal característica foi a abordagem dada aos produtos da indústria cultural. Este movimento artístico conseguiu despertar a atenção dos teóricos culturologistas pelo fato de eles terem uma visão aberta em relação às produções culturais industrializadas. Por um lado.espontaneamente pelo imaginário popular. 126) Como você deve ter percebido. por outro. cumpre a padronização industrial exigida pela produção artística. Mais A teoria culturológica foi desenvolvida pelos teóricos da Escola Sociológica Européia. já de algum modo imerso naquele ambiente complexo e. os produtos da indústria cultural faziam parte do dia a dia do homem moderno. A teoria culturológica é uma teoria da comunicação criada na década de 1960. Os culturólogos. Edgar Morin . podendo ser considerada. mereceria a atenção daqueles pesquisadores. p. Aquilo que mais eles tinham em comum era “(. segundo a qual os mídia seriam o veículo para a alienação das massas. “A culturologia corrige a teoria crítica.) o entusiasmo. principalmente a partir da obra de Edgar Morin "Cultura de massa no século XX: o espírito do tempo". Para os culturologistas. o perfeito domínio de uma escrita. polêmico. principalmente ao verificarmos os apontamentos que os frankfurtianos fizeram a esse respeito. por seu lado. fornecendo às massas aquilo que elas desejam: uma informação transformada por imagens de grande venda e uma arte produzida na óptica da indústria. Seus estudiosos tinham uma percepção diferente daquela desenvolvida pelos frankfurtianos. A cultura de massa atende assim a uma demanda dupla. do ponto de vista do público. utilizavam em suas obras imagens que já haviam se disseminado graças a sua exposição feita pelos meios de comunicação. os culturologistas davam mais atenção aos produtos da indústria cultural do que aos meios de comunicação. massificada e vendida pelos mídia como se fosse uma imagem da realidade em que as pessoas vivem. 2003. criando fantasias a partir de fatos reais e transmitindo fatos reais com formato de fantasia. ao situarse no âmbito da antropologia cultural e da análise estrutural. 203. vêem a cultura como uma fabricação dos mídia.. sob certos aspectos. seus precursores. a cultura nasce de uma forma de sincretismo. precursora de um modelo teórico recepcional” Polistchuck e Trinta. corresponde à exigência por individualização por parte do espectador. Andy Warhol e Roy Lichtenstein. ao mesmo tempo. É o que se define como sincretismo. Os produtos da mídia transitam entre o real e o imaginário. 126). Podemos afirmar que os estudos desenvolvidos pelos culturologistas foram impulsionados pelas repercussões em torno da Pop Art. juntando a realidade com o imaginário.

Morin começou a se interessar pela imensa quantidade de imagens. símbolos. mas é espantosamente exitosa em dizer aos leitores sobre o que pensar" (pág. ofuscar ou ignorar outros tantos. Segunda Fase Teoria do Agendamento Resumo: A Teoria do Agendamento estuda o poder de agenda dos meios de comunicação. A mídia teria papel importante no fornecimento e geração destas imagens e na configuração deste pseudoambiente.Podemos afirmar que a sua grande contribuição. Ao estudarem a forma como os veículos de comunicação cobriam campanhas políticas e eleitorais. no início dos estudos culturológicos. Shaw e McCombs constataram que o principal efeito da imprensa é pautar os assuntos da esfera pública. História As ideias básicas da Teoria do Agendamento podem ser atribuídas ao trabalho de Walter Lippmann. Contexto e Fundamentos A teoria explica a correspondência entre a intensidade de cobertura de um fato pela mídia e a relevância desse fato para o público. Com este trabalho. investiga a importância da mídia como mediadora entre o indivíduo e uma realidade da qual este se encontra distante. aquelas veiculadas pelo cinema. foi formulada originalmente por Bernard Cohen em 1963: "Na maior parte do tempo. [a imprensa] pode não ter êxito em dizer aos leitores o que pensar. principalmente. 1972). Para isso. Agendamento A Teoria do Agendamento ou Agenda-setting theory. Ainda em 1922. De acordo com este pensamento. agenda) para a opinião pública ao destacar determinados temas e preterir. um proeminente jornalista estadunidense. em inglês. O Agenda Setting é referido como uma "hipótese" devido às dificuldades metodológicas impostas por suas premissas e conclusões. entretanto.13). foi da com a publicação do livro “Cultura de Massas no Século XX”. Geralmente se refere ao agendamento como uma função da mídia e não como teoria (McCombs & Shaw. mas "em que pensar". no original. ou seja. . é uma teoria de Comunicação formulada por Maxwell McCombs e Donald Shaw na década de 1970. a mídia determina a pauta (em inglês. Demonstrou-se que esta correspondência ocorre repetidamente. ideologias e mitos que faziam parte das produções da indústria cultural. Lippmann propôs a tese de que as pessoas não respondiam diretamente aos fatos do mundo real. a capacidade que estes possuem para evidenciar um determinado assunto. A premissa básica da teoria em sua forma moderna. dizendo às pessoas não "o que pensar". mas que viviam em um pseudo-ambiente composto pelas "imagens em nossas cabeças".

tem-se um conceito do poder que o jornalismo [leia-se também que a mídia] exerce sobre a opinião pública. Este conceito remete à hipótese do agenda setting.apresentação de conteúdo de forma a orientar sua interpretação em certas linhas predeterminadas * Time-lag ou Intervalo temporal . o primeiro estudo foi desenvolvido pelos pesquisadores Maxwell McCombs e Donald Shaw em 1972.no agendamento. * Framing ou Enquadramento ..questões discutidas na mídia 2. partindo deste conceito e percorrendo caminhos que levam a um breve histórico dos estudos e o funcionamento do processo de agendamento. na medida em que escolhem o que noticiar e o que ignorar. Media Agenda (Agenda Midiática) . É a hipótese segundo a qual a mídia. surge nos anos 70 a investigação da hipótese do agenda setting. deixando passar algumas e barrando outras. em grande parte. disposição e . um produto do gatekeeping midiático. A função de agendamento é um processo de três níveis: 1.questões que gestores públicos consideram importantes Um dos debates entre pesquisadores são as questões de causalidade: é a agenda midiática que pauta a agenda da sociedade. espera-se obter uma compreensão deste conceito assim como de suas características e limitações.controle sobre a seleção do conteúdo exercido pela mídia e pela imprensa * Priming .questões discutidas e pessoalmente relevantes para o público 3. embora sua essência tenha sido indicada no ano de 1922 por Walter Lippmann em sua obra clássica Public Opinion.Acredita-se que o agendamento ocorra porque a imprensa deve ser seletiva ao noticiar os fatos. Esta linha de pesquisa propõe uma nova etapa de investigação sobre os efeitos da comunicação de massa. a clareza da apresentação e a posição eram todos determinantes da importância dada a uma matéria de jornal. Com origem americana. Public Agenda (Agenda Pública ou da Sociedade Civil) . O presente artigo pretende apresentar uma revisão teórica e uma análise crítica da hipótese do agenda setting. Policy Agenda (Agenda de Políticas Públicas) . um tipo de efeito social da mídia. Profissionais de notícias atuam como gatekeepers (porteiros) da informação.o período que decorre entre a cobertura informativa dos meios de comunicação de massa e a agenda do públlico (variável dependente). Com isso. disposição e incidência de notícias sobre os temas que o público falará e discutirá. pela seleção. O que o público sabe e com o que se importa em dado momento é.. A Hipótese Do Agenda Setting Dentro do contexto dos estudos sobre os efeitos dos meios de comunicação na sociedade. Entretanto. A corrente de investigação que estuda sobre o quê e como os assuntos devem ser pensados é a hipótese do agenda setting. Conceitos importantes * Gatekeeping . Mais: hipótese do agenda setting é um tipo de efeito social da mídia que compreende a seleção. a questão de se há influência da agenda pública na agenda midiática continua aberta a questionamentos. ou é vice-versa? Iyengar e Kinder estabeleceram uma relação de causalidade com um estudo experimental no qual identificaram que o priming. Desta maneira. a ideia de que a mídia atrai atenção para alguns aspectos da vida política em detrimento de outros (Baran & Davis. 2000). que em definição simples é ".

p. pioneiros na apresentação da hipótese do agendamento. A audiência cada vez menos passiva e mais participativa deixa a figura do mesmo menos centralizada. Gatekeeper Resumo: Os estudos sobre os gatekeepers ("guardiões do portão") analisam o comportamento dos profissionais da comunicação. ou melhor. vindo a ser incluído no mercado da comunicação. de acordo com critérios editoriais. A decisão de publicar algo ou não publicar depende principalmente dos acertos e pareceres entre os profissionais. apontando para o público receptor sobre o quê se deve estar informado. constantemente uma enxurrada de informações que são selecionadas e dispostas de maneira que algumas notícias recebem uma ênfase maior. O processo de gatekeeping na atualidade . de forma a investigar que critérios são utilizados para se divulgar ou não uma notícia. a função do gatekeeper tem sofrido alterações. confirmam que a mídia tem a capacidade de influenciar a projeção dos acontecimentos na opinião pública. Gatekeeper também pode ser entendido como o "porteiro" da redação. pois se tem. Na perspectiva dos autores. Com a efervescência e até um certo modismo da prática do jornalismo colaborativo. A mídia é apresentada como agente modificador da realidade social. Os pesquisadores Maxwell McCombs e Donald Shaw. A essência do conceito não está muito longe da realidade. sendo selecionado como alimento. A metáfora do gatekeeping A metáfora do gatekeeping surgiu a partir de uma comparação feita por Kurt Lewin acerca da escolha entre o que vai ou não para a mesa. seja veiculada na mídia. E que não raro exclui o contato com o público. Gate keeper é aquele que define o que será noticiado de acordo como valor-notícia. como é o caso das notícias que aparecem na capa dos jornais. que estão subordinados a uma cultura de trabalho ou uma política empresarial e ainda aos critérios de noticiabilidade. É aquela pessoa que é responsável pelo filtragem da notícia. 169). revistas. ela vai definir. Gatekeeping é um conceito jornalístico para edição. ao tratar deste tema. estabelecendo um pseudo-ambiente fabricado e montado pelos meios de comunicação. a sociedade. Observa-se uma convergência na conceitualização dos autores sobre a hipótese do agenda setting. 2001. telejornais. Isso porque estes profissionais atuariam como guardiões que permitem ou não que a informação "passe pelo portão". vem determinar os temas sobre os quais o público falará e discutirá" (Barros Filho. esta construção configura-se como um poder que os meios de comunicação exercem sobre a opinião pública. linha editorial e outros critérios. ou seja. mas sem perder a importância na estrutura da construção da notícia.incidência de suas notícias. o que vai ser veiculado. e o que deve ser ou não considerado como notícia.

em âmbito mundial. Seus contornos foram traçados na década de 1950. Críticas à Teoria do Gatekeeper De uma forma geral. apesar dos pressupostos de objetividade do jornalismo.A expressão gatekeeping apareceu pela primeira vez relacionada ao contexto da comunicação em 1947. A diferença básica entre este e aquele tempo é. muito tem se discutido sobre o trâmite de informações nas novas redes de relacionamento. sabe-se que a Teoria do Gatekeeper é uma das primeiras a surgir na literatura específica do jornalismo. E desse modo seria importante repensar as atitudes da mídia. um edior não identificado. atitudes e expectativas. partindo da ação pessoal do profissional da área: o jornalista – mais especificamente na função de editor. gatekeeping é agora uma busca coletiva. Para o jornalismo. em última instancia. White descreveu que o jornalista baseia-se em seu próprio conjunto de experiências. E que o editor. já que. decidindo arbitrariamente o que seria ou não publicado. White chegou à conclusão de que o processo de escolha é extremamente subjetivo. o povo só conhece o mundo de forma indireta. segundo Bill Kovach e Rosenstiel [2]. A seleção e a construção das informações Em entrevista para à Nieman Foundation. essa popularização da tecnologia pode ter até redefinido as regras do ofício. O pesquisador acompanhou a rotina do “Mr. a dimensão que essas escolhas tomaram. "Ele mudou do "nós" para "eles". mas também do conteúdo dos outros. Só por essa definição já podemos notar claramente que a teoria repousa sobre o processo de produção e seleção de notícias. Para ele os cidadãos são como espectadores de teatro que "chegam depois do terceiro ato e vão embora antes da última cortina. Em termos acadêmicos. através de "imagens que forma em sua cabeça". por David Mannig White. o analista de notícias Ken Doctor disse acreditar que o papel dos gatekeepers sofreu grandes transformações com a era digital. como veículo informacional. mas "eles" inclui uma versão em letras minúsculas de "nós". e na "Era darwiniana do conteúdo" ele acredita que um editor não é editor apenas de seu próprio conteúdo. Ou seja. Mais: O termo Gatekeeper significa “Guardião do portal”. os princípios e a finalidade do jornalismo ainda têm sido designados por algo mais elementar: “a função exercida pelas notícias na vida das pessoas”. já que a figura do Gatekeeper mostra um agente que decide o que se transformará efetivamente em fato ou acontecimento noticiado. [1] Com a popularização do uso da internet. segundo Walter Lippmann. representa um funil que seleciona as notícias. ou se serásimplesmente descartado. Isso porque. Gate”. Para Ken Doctor. dessa forma – apesar das teorias atuais não negarem a subjetividade da profissão – as análises do Gatekeeper não consideram fatores externos que influenciam nas decisões do profissional. entretanto. para entender como se dava os critérios de noticiabilidade e entender porque as noticias são como são. mas ainda no século XXI é aplicável à realidade da seleção de notícias. mas. . inclusive". ficando no local apenas o tempo suficiente para decidir quem é o herói e quem é o vilão". sites de pesquisa e empresas que veiculam conteúdo online. as críticas dos estudiosos da área recaem na visão limitada de White em querer analisar todo o jornalismo simplesmente a partir da figura do editor ou jornalista.

uma catástrofe natural. maior a probabilidade dele se transformar em notícia. bem como daquelas que serão manchetes. Abandona-se a Teoria do Espelho para entender que. é um jornalismo que serve aos interesses do capital e é produzido para reproduzir comportamentos e não para informar. Isto porque quem mantém um jornal é sempre alguém que é um grande proprietário ou alguém em débido com o governo e/ou com as elites econômicas. fotógrafos. Assim. grau de noticiabilidade. busca-se entender a cultura profissional do jornalista. vai selecionar de acordo com a seleção já determinada pelas agências de notícias. tendo incorporado os critérios universais de seleção daquilo que distingue fatos de acontecimento. A Teoria do Newsmaking avalia uma série de critérios: valoresnotícias. editores. ou o jornalismo produzido pela indústria cultural. de fato.fabrica o que vai ser notícia. O editor que é um gatekeeper ao selecionar . a organização do trabalho e os processos produtivos dentro da empresa de uma comunicação. etc. etc. relações pessoais dentro da organização (empresa que fabrica a notícia). o conceito de newsmaking diz respeito ao profissional jornalista que dentro da empresa atua como editor. A partir da interação constante das pessoas especializadas em comunicação (jornalistas. Tal atividade deixa de ser encarada como passiva e torna-se ponto de partida para transformação do cotidiano. um jogo de futebol.) surge a notícia. Dentro desta avaliação. É um sujeito que fabrica a realidade porque. Tal teoria avalia. o jornalismo ajuda a construir a realidade. Espiral do silêncio História . não sendo mero reprodutor dessa realidade.Newsmaking Resumo: Segundo Mauro Wolf. uma denúncia de corrupção. O jornalismo de massa. Mais: Trata-se de teoria bastante presente nas discussões a cerca da rotina de produção do jornalismo. É aquele que é responsável pela configuração final da página (quando no jornal impresso) ou da sequência das notícias. fantástico e diferente o fato social. em que grau de aparelhamento se avalia a noticiabilidade e o valor-notícia de um evento – um acidente. um atentado terrorista. rotinas de produção da reportagem. no sentido que esperava-se do jornalismo. quanto mais inédito. portanto. dentre outras.

a calar as minorias (na verdade. Aqui. doze anos depois da primeira apresentação. O conceito da Teoria da Espiral do Silêncio surgiu pela primeira vez em 1972. Seria o senso comum? A opção pelo silêncio. Nesse congresso. vários intelectuais participaram com papers. a sociedade exigir uma certa conformidade com o tema em discussão. No entanto.Estudos sobre a Espiral do Silêncio começaram na década de 60. em Tóquio. pois que os indivíduos são influenciados pelo que os outros dizem como também pelo que imaginam que eles poderiam dizer. enquanto as outras opiniões são rejeitadas ou evitadas por todos. E é esta alternância cíclica e progressiva que Noelle-Neumann chamou de Espiral do Silêncio (LAGE. veio a público somente nos Estados Unidos em 1984. talvez por medo do fator isolamento. em geral. pode até esconder desejos de mudança presentes na maioria silenciosa. diz a pesquisadora alemã. principalmente pelo estudante de jornalismo. isto pelo fato de. 16). dos eleitores. Esses desejos são sufocados pela espiral do silêncio. no 20º Congresso Internacional de Psicologia. porque o pensamento é hegemônico e linear. diz Noelle-Neuman. os eleitores buscavam se aproximar das opiniões que julgavam dominantes. p. artigos. De acordo com seus estudos. já que os agentes sociais têm aguda percepção do clima de opinião. é causada pelo medo da solidão social. de afastamento do convívio social. dessa forma. debates e diversas mesas. Existe uma tendência de acompanhar a opinião da maioria das pessoas. Isso significa dizer que o isolamento das pessoas.Nesse sentido. Para Noelle-Neuman. em forma de livro e intitulado Espiral do Silêncio. A mudança. pois ambas as teorias defendem que a tal prioridade é causada pela facilidade de acesso de uma minoria privilegiada (fontes institucionais) aos veículos de informação. mas isso demora muito a acontecer. baseado no senso da maioria. É um livro * que precisa ser lido. 1998. a maioria silenciosa não se . pois que depende da mídia. Observe o que a autora diz sobre essa questão:O resultado é um processo em espiral que incita os indivíduos a perceber as mudanças de opinião e a segui-las até que uma opinião se estabelece como atitude prevalecente. prefere o silêncio à solidão. com medo de não ser receptivo. as pessoas tendem a esconder opiniões contrárias à ideologia majoritária (que ajuda a manter o status quo) e dificulta na mudança de hábitos. a teoria da espiral do silêncio aproxima-se da teoria dos definidores primários. à exceção dos duros de espírito. Este cenário tem a finalidade de manter-se um mínimo de unidade para garantir coerência. Uma das participantes foi a pesquisadora alemã Noelle-Neuman que apresentou o paper Return to the concept of powerful mass media. afirma Noelle-Neuman. A mídia privilegia as opiniões dominantes consolidando-as e ajudando-a. na reta final do processo de eleição. Na Alemanha. maiorias) isoladas. durante as campanhas eleitorais Noelle-Neumann percebeu uma súbita mudança de opinião. ao mudar de opinião. acaba sendo a mola mestra que aciona o mecanismo do fenômeno da opinião pública.Cada vez que alguém se vê com opinião contrária do grupo em questão. algumas vezes. A idéia central desta teoria situa-se na possibilidade de que os agentes sociais possam ser isolados de seus grupos de convívio caso expressem publicamente opiniões diferentes daquelas que o grupo considere como opiniões dominantes. Essa teoria foi proposta epecificamente a partir das pesquisas da alemã Elisabeth Noelle-Neumann sobre os efeitos dos meios de comunicação de massa. Studies of broadcasting 9. interpretado e discutido pela maioria dos discentes. só ocorre se houver um sentimento de que ela já é dominante. Propus o termo espiral do silêncio para descrever este mecanismo psicológico. entre 1965 e 1972. que se propaga em espiral e.

diz Noelle-Neuman. irão prejudicar a reportagem ou notícia. vista como um direito do cidadão. Isso significa que nem mesmo a sua forma de ver o mundo. Daí o princípio histórico do jornalismo em ser imparcial. com seus conceitos de bom e mal. A Teoria da Espiral do Silêncio defende que os indivíduos buscam a integração social por meio da observação da opinião dos outros e procuram se expressar dentro dos parâmetros da maioria para evitar o isolamento. como um profissional honesto. Muitas vezes. as notícias de um bom jornalismo representam a realidade em sua forma fiel. deve ser bom e merece ser eleito. aqui. Ou seja. reproduzir a verdade como um todo. a “verdade” é algo construído ao longo da existência de uma sociedade através de sua cultura. de que o conceito de opinião pública é totalmente distorcido. O que isso significa? Para a Teoria do Espelho. será que a forma de ver o mundo para um trabalhador é a mesma forma de ver o mundo para um empresário? A resposta é simples: não. 3) Ubiqüidade: presença da mídia em todos os lugares. que a “verdade” não é algo tão simples.expressa e nem é ouvida pela mídia. como um espelho reproduz a imagem. 2) Consonância: forma semelhante como as notícias são produzidas e veiculadas. mas é decisiva para consolidar os valores da classe dominante e formar a percepção da realidade. que juntos influenciam a mídia sobre o público. Para Felipe Pena (2006)**. um “comunicador desinteressado”. pois a maioria entende que se ele está à frente é porque deve ter preferência da maioria e. ela acredita que o bom jornalismo consegue transmitir a realidade perfeitamente. A Teoria do Espelho De acordo com esta teoria. os estudos de mídia e jornalismo mais recentes mostram ser impossível que os jornalistas consigam. o jornalista não deixará que suas paixões políticas e toda a sua formação cultural interfiram na comunicação. . é vista como completamente possível. Os mecanismos são: 1) Acumulação: excesso de exposição de determinados temas na mídia. A imparcialidade. Isso porque a “verdade” pode variar de acordo com o conjunto de crenças culturais e valores sociais em que se encontra. portanto. A Teoria do Espiral do Silêncio trabalha com três mecanismos condicionantes. A Teoria do Espelho parte da própria formação da sociedade capitalista democrática. portanto. de fato. que não chega a ser tão absoluta como na teoria hipodérmica. pois crê que o jornalista é. sem distorcer a verdade. onde o princípio de imparcialidade sempre foi visto como fundamental para a livre circulação da informação na sociedade. Contestações No entanto. um exemplo típico de espiral do silêncio encontra-se no período de eleições: os candidatos que estão à frente tendem a receber mais votos. então? Podemos perceber. Onde está verdade. se conter aos fatos. Por exemplo. o que leva à conclusão. será que a verdade para um muçulmano é a mesma para um cristão? Será que a verdade para um capitalista é a mesma para um socialista? Ou melhor.

Por isso. . cada vez mais. a Teoria do Espelho é rejeitada pelos estudiosos da área. já que ela chega a ser inocente em sua crença.

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