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QUÍMICA INORGÂNICA TEÓRICA

APRESENTAÇÃO

Este texto foi elaborado com o objetivo de proporcionar ao aluno de Educação a Distância uma melhor compreensão dos assuntos referentes a cada capítulo constante do programa da disciplina Química Inorgânica Teórica. A Química Inorgânica é uma ciência que se ocupa da investigação experimental e interpretação teórica das propriedades e reações de todos os elementos e seus compostos exceto os hidrocarbonetos e muitos de seus derivados. Para garantir o domínio e a abrangência do assunto, este texto está focado nas tendências em reatividade, estrutura e propriedades dos elementos e seus compostos em relação à sua posição na tabela periódica. Essas tendências periódicas gerais são à base do entendimento inicial. Os compostos inorgânicos variam dos sólidos iônicos, que podem ser descritos pelas aplicações simples da eletrostática clássica, aos compostos covalentes e aos metais, que são mais bem descritos pelos modelos que têm sua origem na mecânica quântica. Para a racionalização e a interpretação da maioria das propriedades inorgânicas, usamos os modelos qualitativos baseados na mecânica quântica, como as propriedades dos orbitais atômicos e seu uso para formar orbitais moleculares. Dois tipos de reações fundamentais ajudam a sistematizar a química inorgânica. As reações de ácidos e bases resultantes da transferência de um próton ou compartilhamento de pares de elétrons e aquela que ocorre pela oxidação e pela redução. Os complexos metálicos, nos quais um único átomo central metálico ou íon está rodeado por vários átomos ou íons, têm um papel importante em química inorgânica, especialmente para os elementos do bloco d. No final de cada capitulo você encontrará uma lista de exercícios, os quais servem para consolidar o seu entendimento. Procure o seu Tutor local para dúvidas e esclarecimentos. Finalizando esta apresentação vejamos o que Shriver e Atkins (2003) relatam sobre o desenvolvimento da química inorgânica.

áreas da química inorgânica permanecem inexploradas, assim

compostos inorgânicos novos e incomuns estão constantemente sendo sintetizados. A síntese inorgânica exploratória continua a enriquecer o campo com compostos que nos fornecem perspectivas novas sobre estruturas, ligação e reatividade. A indústria química é fortemente dependente da química inorgânica. Esta é essencial para a formulação e o melhoramento de materiais modernos, como catalisadores, semicondutores, guias de luz, dispositivos ópticos não lineares, supercondutores e materiais cerâmicos avançados. O impacto ambiental da química inorgânica também é imenso. Nesse contexto, a função abrangente dos íons de metal em plantas e animais conduz à rica área da química bioinorgânica

“Grandes

APRESENTAÇÃO

SUMÁRIO

1

ESTRUTURA DO ÁTOMO

5

1.1

Origem dos Elementos

6

1.2

Átomos Hidrogenóides

19

1.3

Átomos Poliatômicos

32

1.4

Parâmetros Atômicos

40

1.5

Exercícios

53

2

LIGAÇÕES QUÍMICAS E ESTRUTURAS

57

2.1

Teoria da Ligação de Valência

67

2.2

Teoria do Orbital Molecular

71

2.3

Propriedades das Ligações

81

2.4

Exercícios

84

3

SÓLIDOS INORGÂNICOS SIMPLES

86

3.1

O modelo de Empacotamento de esferas

86

3.2

Metais

94

3.3

Sólidos Iônicos

101

3.4

Exercícios

115

4

ÁCIDOS E BASES

117

4.1

O conceito de Arrhenius

117

4.2

O conceito de Bronsted – Lowry

118

4.3

O conceito de Lewis

133

4.4

Ácidos e bases duros e moles

136

4.5

Solventes ácidos e básicos

140

4.6

Alguns solventes não aquosos

142

4.7

Exercícios

146

5

OXIDAÇÃO E REDUÇÃO EM SISTEMAS INORGÂNICOS

149

5.1

Conceitos Fundamentais

149

5.2

Obtenção de Elementos

150

5.3

Semi-reações Redox

152

5.4

Potenciais Padrão

153

5.5

Fatores Cinéticos

162

5.6

Estabilidade Redox em água

163

5.7

Diagramas de Representação dos Potenciais

169

5.8

Exercícios

178

6

INTRODUÇÃO A COMPOSTOS DE COORDENAÇÃO

180

6.1

Número de Coordenação e Geometria

193

6.2

Isomeria em Compostos de Coordenação

200

6.3

Formulação e Nomenclatura de Complexos

208

6.4

Ligação Química em Compostos de Coordenação

211

6.5

Exercícios

225

7

INTRODUÇÃO A ORGANOMETÁLICOS

228

7.1

Introdução

228

7.2

Definição, Formulação e Nomenclatura

230

7.3

Ligação Química em Organometálicos

232

7.4

O Ligante CO

236

7.5

Exercícios

243

REFERÊNCIAS

244

ANEXO 1: A Tabela Periódica

245

ANEXO 2: Configurações dos elementos e algumas propriedades eletrônicas

246

ANEXO 3: Respostas dos Exercícios

247

5

CAPÍTULO 1- ESTRUTURA DO ÁTOMO

Neste capitulo, abordaremos o conceito atual da origem e natureza da matéria em nosso sistema solar e veremos como nosso conhecimento da estrutura atômica pode ajudar a explicar e correlacionar muitas propriedades químicas e físicas dos elementos.

A observação de que o universo está em expansão conduziu à visão atual de que cerca de 15 bilhões de anos atrás ele estava concentrado em uma região semelhante a um ponto que explodiu. Um evento chamado Big Bang. Mas o que vem a ser o Big Bang?

Big Bang: uma grande explosão na qual uma agregação incrivelmente pequena de massa e energia começou a expandir-se.

De acordo com esse modelo e com base na equação de Einstein, E = mc 2 , praticamente toda massa-energia estaria presente na forma de radiação.

Com a temperatura inicial depois da explosão de cerca de 10 9 K, as partículas fundamentais produzidas, tem também muita energia cinética para se unirem nas formas que conhecemos hoje. Entretanto, o universo esfriou à medida que expandiu, as partículas moveram-se mais lentamente, e, então logo começaram a aderirem umas às outras sob a influência de uma variedades de forças. Dentre essas forças podemos citar:

A Força forte, uma força atrativa poderosa, mas de curto alcance (1 femtometro

(fm) correspondendo 10 -15 m), entre nucleons (prótons e nêutrons),uniu essas

partículas dentro do núcleo.

À força eletromagnética, uma força relativamente fraca, mas de longo alcance,

entre cargas elétricas, ligaram elétrons ao núcleo para formar átomos.

Os 110 elementos formados a partir dessas partículas subatômicas são diferenciados por seu

Número atômico, Z, o número de prótons no núcleo de um átomo do elemento, que é por sua vez, igual ao número de elétrons situados em torno do núcleo.

6

Número de massa, A, o número total de prótons e nêutrons no núcleo. É também algumas vezes denominado mais apropriadamente “número de núcleons”.

Muitos elementos apresentam vários isótopos, os quais são átomos com mesmo número atômico, mas com massas atômicas diferentes.

Por exemplo, o hidrogênio, possui três isótopos. Em cada caso Z = 1, indicando que o núcleo contém um próton.

O isótopo mais abundante tem A = 1, simbolizado por 1 H: seu núcleo consiste

somente de um próton.

O isótopo menos abundante é o deutério, com A = 2. Esse número de massa

indica que, além de um próton, o núcleo contém um nêutron. A designação

formal do deutério é 2 H, mas ele é normalmente simbolizado por D.

O terceiro é o isótopo radioativo do hidrogênio, de vida curta, o trítio ( 3 H, ou

T). Seu núcleo consiste de um próton e dois nêutrons.

Assim os três isótopos do hidrogênio são simbolizados por

1

1

H

2

1

H

3

1

H

As propriedades das partículas subatômicas que necessitamos considerar na química estão resumidas na Tabela 1.

1.1 Origem dos elementos

Se as visões atuais estão corretas, cerca de duas horas após o início do universo a temperatura havia caído tanto que a maioria da matéria estava na forma de átomos de hidrogênio (89%) e de átomos de hélio (11%). Entretanto as reações nucleares formaram uma grande coleção de outros elementos e têm imensamente enriquecido a variedade de matéria no universo.

7

Tabela 1.1.

Partículas subatômicas de relevância à química

 

Partícula

Símbolo

Massa/u*

 

N o massa

Carga/e†

Spin

Elétron

 

-

5,486x10 -4

 

0

-1

½

 

e

Próton

 

p

 

1,0078

 

1

+1

½

Nêutron

 

n

1,0087

 

1

0

½

Neutrino

 

0

0

0

½

Pósitron

 

e

+

5,486x10 -4

 

0

+1

½

Partícula

 

Núcleo

de

4

+2

0

4

2 He 2+

Partícula

 

e -

expulso

do

0

-1

½

núcleo

Fóton

 

Radiação eletromagnética do núcleo

0

0

1

* Massas expressas em unidades de massa atômica, u, com 1u = 1,6605 x 10 -27 Kg † A carga elementar e é 1,602 x 10 -19 C Fonte: Química Inorgânica - Shiver e Atkins 3ª Ed.

Vejamos como se originaram os elementos de números atômicos até 26.

Esses elementos foram formados dentro das estrelas. Tais elementos são

produtos do evento de fusão nuclear, chamado de “Queima nuclear”. A reação

de queima (que não pode ser confundida com combustão química) envolve

núcleos de Hidrogênio, Hélio e um ciclo de fusão complicado catalisado por

núcleos de carbono.

Numa reação de “queima” energia é liberada quando núcleos leves

fundem-se para originar elementos de números atômicos mais elevados.

As reações nucleares são muito mais energéticas do que as reações

químicas normais, porque a força de ligação é muito mais forte do que a força

eletromagnética que liga os elétrons aos átomos.

Como se representa uma reação nuclear? Através de uma equação, como

por exemplo, a equação 12 6 C + 4 2 16 8 O + (Esta reação libera 7,2 Mev).

Esta equação representa a reação nuclear na qual uma partícula (alfa) se funde

com um núcleo de carbono 12 para originar um núcleo de oxigênio 16 e um fóton

de raios (gama)

Note que, numa equação nuclear balanceada,

o valor da soma do número de massa dos reagentes é igual à do

número de massa dos produtos ( 12 + 4 = 16).

8

As estrelas que são formadas no primeiro estágio de evolução do universo

são carentes de núcleos de carbono e as reações de queima do hidrogênio não

são catalisadas. Quando a queima do hidrogênio se completa e o colapso do

núcleo estrelar aumenta a densidade para 10 8 Kg m -3 e a temperatura para 100

MK (1MK = 10 6 K) a queima do hélio pode ser viável.

4

8

2

4

He

Be

4 2 He

+

+ 4 2 He

8 4

Be

12 6 C ( estável )

Levando-se em conta que a estrela ainda contém núcleos de hélio, essas

reações continuaram formando núcleos de elementos que são múltiplos do hélio,

tais como: 16 8 O, 20 10 Ne

Com a presença do carbono, começa a operar o ciclo do carbono,

formando nitrogênio. Algumas das mais importantes reações nucleares no ciclo

são:

40 20 Ca.

Captura de próton (p) por C-12:

12 6 C

+

1 1 p

13 7 N

+

Decaimento do pósitron acompanhado por emissão de neutrino ( ):

13 7 N

13 6 C

+

e +

+

Captura de próton por C-13:

13 6 C

+

1 1 p

14 7 N

+

Captura de próton por N - 14:

14 7 N

+

1 1 p

15 8 O

+

Decaimento de pósitron acompanhada por emissão de neutrino:

15 8 O

15 7 N

+

e +

Captura de próton por N – 15:

15 7 N

+

1 1 p

12 6 C

+

4 2

O resultado líquido dessa seqüência de reações nucleares é a conversão de 4

prótons em uma partícula alfa:

4 1 1 p

4

2

+

2e +

2

+

3

Podem ocorrer também, processos tais como, a queima do carbono:

12 6 C

12 6 C

12 6 C

+

+

+

12 6 C

12 6 C

12 6 C

24 12 Mg

23 11 Na

20 10 Ne

+

+

+

1 1 p

4

2

9

E a queima do oxigênio 16 8 O + 16 8 O

16 8 O

+

16 8 O

31 16 S

31 15 P

+

+

1 0

n

1 1 p

Produzindo núcleos que não são múltiplos do hélio. Elementos também podem ser produzidos por reações nucleares, tais como, captura de nêutrons acompanhada de emissão de prótons:

14 7 N

+

1 0 n

14 6 C

+

1 1 p

Esta reação ainda continua em nossa atmosfera como resultado do impacto dos raios cósmicos e contribuem para estabelecer o estado de concentração do C-14. Há processos de queima de outros elementos leves, além do C e O, porém, ocorrem somente a temperaturas mais elevadas e assim na fase final da evolução estrelar, seguindo este processo para formar elementos com Z até 26. Assim, podemos concluir que:

Os elementos mais leves originaram-se de reações nucleares nas estrelas, formadas de hidrogênio e Helio primitivos. Os elementos mais pesados são produzidos por uma variedade de processos que consomem energia. Esses processos incluem a captura de nêutrons livres, e emissão de elétrons formando núcleos dos elementos com

Z>26.

68 30 Zn

+

69

31 Ga +

1 0 n

1 0 n

69 30 Zn

70 31 Ga

69 31 Ga

70 32 Ge

+

+

e -

e -

( - )

( - )

Após isso, a temperatura torna-se tão alta que núcleos estáveis podem dissociar- se em muitas partículas:

56 26 Fe

+

h

28 14 Si

+

6 4 2 He

+

4 1 0 n

Isto produz uma reação em cadeia muito rápida, com liberação de energia

e elementos mais leves dentro da estrela, criando uma supernova (a explosão de

uma estrela). Em seu interior, devido ao fantástico fluxo de nêutrons, pode ocorrer

a captura de vários nêutrons por um único núcleo, antes que um decaimento

beta (emissão de elétrons do núcleo) possa ocorrer. Este é um processo rápido

que aumenta o número atômico dos núcleos conforme nêutrons são

10

progressivamente adicionados aos núcleos e parcialmente convertidos para prótons. O processo lento pode construir núcleos com Z até 83 (bismuto) e o processo rápido até os mais pesados elementos conhecidos. Muitos isótopos de núcleos maiores que o bismuto são instáveis à fissão, quebrando-se em dois núcleos aproximadamente iguais. Isto algumas vezes aumenta a abundância dos elementos com Z entre 30 e 60 em tais estrelas. Assim, nuclídeos mais pesados são formados em processos que incluem a captura de nêutrons seguida por decaimento .

Abundância dos elementos

No Universo

No mundo físico existem uns 110 elementos químicos que podemos reconhecer, medir e pesar. Aproximadamente a metade, destes, é importante na estrutura da terra e apresentam importâncias biológicas, geológicas e comerciais. O restante dos elementos apresenta-se em quantidades diminutas, são instáveis e muito raros. Se a teoria do “Big bang” está correta, os elementos foram formados a milhares de milhões de anos a partir de prótons, nêutrons e elétrons, mediante reações nucleares que tiveram lugar à temperatura de milhões de graus dentro do sol e das demais estrelas, havendo sobrevivido os dotados de estruturas nucleares mais estáveis. Observando-se o gráfico de abundância dos elementos no universo (Figura 1.1), nota-se que, suas abundâncias seguem três regras simples:

Os elementos leves são em geral mais abundantes que os pesados.

Os elementos que possuem números pares de prótons ou nêutrons (ou ambos) são amplamente predominantes sobre os demais.

Os elementos que apresentam núcleos com camadas nucleares completas de acordo com um esquema mecânico-quântico são especialmente dominantes.

11

11 Figura 1.1. Abundância dos elementos no universo. Referem-se ao número de átomos de cada elemento

Figura 1.1. Abundância dos elementos no universo. Referem-se ao número de átomos de cada elemento em relação ao Si, considerado 10 6 . Fonte: Química Inorgânica - Shriver e Atkins 3ª Ed.

Isso sugere que os núcleons podem ser emparelhados no núcleo, de modo semelhante ao emparelhamento de elétrons nos orbitais atômicos e moleculares. As camadas nucleares completas contêm 2, 8, 20, 28, 50, 82 e 126 núcleons (nêutrons ou prótons). Estes números mágicos correspondem ao He, O 2 , Ca e Ne. Existem também subcamadas completas para 6, 14, 16 e 26 núcleons que correspondem ao C, Si, S e Fe. A estabilidade de um núcleo depende do número de prótons e nêutrons presentes. Assim, entre os núcleos mais abundantes e mais estáveis o A = 2Z. Logo, Z=N e N/P = 1. Elementos com números atômicos maiores são mais estáveis se tiverem um pequeno excesso de nêutrons, pois isso aumenta a força de atração e diminui a repulsão entre os prótons. Assim a relação N/P aumenta progressivamente até cerca de 1,6 no elemento Z = 92 (urânio). Em elementos com números atômicos ainda maiores, os núcleos se tornam tão grandes que sofrem fissão espontânea. Os núcleos com números excessivos de nêutrons (relação N/P alta) realizam o ajuste desta relação, aumentando a sua carga nuclear, através de:

12

Emissão beta ( ): um nêutron é convertido num próton, um elétron e um

neutrino ( ) e é representada pela equação:

1 0 n

1 1 p ++++

+

Obs: O neutrino ( ) é uma partícula de carga zero e massa zero e é formulada

para garantir o equilíbrio de spins.

A perda de um elétron pelo núcleo, da maneira descrita, provoca a

diminuição da relação N/P. Desse modo, um núcleo ao sofre um decaimento beta

seu número de massa permanece inalterado, mas a carga nuclear aumenta em

uma unidade. Logo,

Exemplo: 14 6 C

Z

Z + 1

14 7 N ++++

++++

Emissão de nêutrons ( 1 0 n): faz o número de massa (A) diminuir de uma unidade. Logo:

A

A – 1

Essa forma de decaimento é rara e só ocorre com núcleos altamente energéticos.

Isto porque a energia de ligação nuclear do nêutron no núcleo é elevada, cerca de

8 Mev. Um dos poucos exemplos envolve o 87 36 Kr, que pode sofrer decaimento

por emissão de nêutron ou por decaimento beta.

Exemplo de emissão de nêutron: 87 36 Kr 86 36 Kr + 1 0 n

Os núcleos com números excessivos de prótons (relação N/P baixa)

realizam o ajuste, desta relação, por perda de carga positiva da seguinte maneira:

Emissão de pósitron (e + ): resulta da transformação de um próton em um

nêutron e é representada pela equação:

1 1 p

1 0 n + e + ++++

Desse modo ocorre um aumento da relação N/P e uma diminuição do número atômico de uma unidade. Logo,

Exemplo: 19 10 Ne

Z

Z - 1

 

19 9 F

+

e +

+

13

Captura de elétrons orbitais ou elétrons K: O núcleo captura um elétron da camada mais próxima, a camada K, e assim converte um próton em nêutron, com a emissão de um neutrino:

1 1 p + e

-

1 0 n +

Um elétron de um nível energético mais elevado recua para preencher a lacuna assim surgida na camada K, ocorrendo a emissão de uma radiação característica de raios X.

Exemplo: 7 4 Be + e

-

7 3 Li

+

Os núcleos que possuem massas excessivas reajustam suas massas através da emissão de partículas alfa ( 4 2 ). A emissão desta partícula faz diminuir o número de massa de 4 unidades e o número atômico de 2 unidades.

Exemplo: 238 92 U

234 90 Th

+ 4

2

Em todos os átomos, com exceção do átomo de hidrogênio, a massa do átomo é menor que a soma das massas dos prótons, nêutrons e elétrons constituintes. A diferença é chamada de perda de massa (defeito de massa, m).

m = m núcleons – m núcleo

A perda de massa está relacionada à energia de ligação, que mantêm unidos no núcleo os prótons e nêutrons. Energia de ligação: energia equivalente a perda de massa proveniente da síntese de qualquer núcleo a partir de suas partículas componentes. Um núcleo estável deve ter menos energia que as partículas constituintes, caso contrário ele não se formaria. Quanto maior for a energia liberada para formar um núcleo, menor será o conteúdo de energia do núcleo e, portanto, maior será sua estabilidade (Figura 1.2). Haverá liberação de energia quando:

Os núcleos mais pesados se cindirem; Os núcleos mais leves se fundirem. Energia e massa se relacionam entre si pela equação de Einstein, E = mc 2 , onde, E é a energia liberada, m a massa e c a velocidade de luz (3 x 10 8 m s -1 ).

14

14 Figura 1.2. Energias de ligação nuclear. Quanto maior a energia de ligação, mais estável é

Figura 1.2. Energias de ligação nuclear. Quanto maior a energia de ligação, mais estável é o núcleo. O nuclídeo mais estável é 56 26 Fe. Fonte: Química Inorgânica - Shriver e Atkins 3ª Ed.

O defeito de massa pode ser calculado e convertido em energia de ligação nuclear através da equação: E ligação = mc 2 . Para se calcular a energia de ligação em Mev utiliza - se a seguinte relação

simplificada:

E ligação = 931 m

Para se comparar a estabilidade de núcleos de elementos diferentes, calculamos a energia de ligação nuclear média por nucleon. A energia de ligação por núcleon é expressa dividindo-se a energia de ligação total pelo número de núcleons. Exemplo: Calcular a energia de ligação por núcleon em Mev para o 4 2 He? Dados:

m He = 4,0028u ; m p = 1,0078u ; m n = 1,0087u. Resposta: O núcleo do hélio é formado por dois prótons e dois nêutrons.

Assim, m núcleons = (2 x 1.0078) + (2 x 1,0087) = 4,033u. Como, m = m núcleons – m núcleo = 4,033 – 4,0028 = 0,00302u, sua energia de ligação será:

E ligação = 931 m = 931 x 0,00302 = 28,1162 Mev

E ligação/núcleon = E ligação / n o de núcleons = 28,1162/ 4 = 7,03 Mev.

15

Nas Estrelas O Sol é constituído de 80% de H 2 , 19% de He e 1% de outros. As demais estrelas são constituídas predominantemente de H 2 e He. Se formam também grandes quantidades de C, N, Ne, Mg, Si e Fe, conjuntamente com quantidades menores de outros elementos.

Na Terra De todas as hipóteses sobre o começo da Terra, a mais certa postula uma época quando sua substância era uma massa homogênea de matéria cósmica. A origem desta matéria tem duas hipóteses:

Fragmentos vindo do sol ou estrelas semelhantes.

A dificuldade mecânica na geração de um sistema planetário a partir de uma estrela já formada e o começo sob a forma de um fragmento enorme de matéria incandescente eliminaria os dados sobre a concentração relativa de elementos na terra e no universo, onde a quantidade de voláteis é grande nos materiais cósmicos (estelares).

Nuvem de gás com partículas diminutas dispersas (Material cósmico

ou Planetesimais) Partindo desta hipótese e supondo ser a nuvem inicialmente fria, dá condições aos planetesimais de reterem os gases. Desde então a Terra começou a aquecer devido ao surgimento de energia cinética e radioativa dos materiais originais, e devido a pouca atração gravitacional os gases mais leves se desprenderam e os planetesimais se aglomeraram. Com o crescimento do planeta

o calor foi sendo retido, uma vez que as rochas não são boas condutoras de calor,

a temperatura foi crescendo continuamente. Com o resfriamento das camadas externas, a Terra sofreu divisões e como critério de classificação tomou-se por base a composição química e física:

Núcleo ou Nife - fundido e composto de ferro e níquel. Manto: Inferior - líquido e composto de sulfeto e óxido Superior - líquido e composto de magnésio, ferro e silício. Crosta: Inferior ou Oceânica ou Sima - sólida e composta de rochas basálticas, caracterizadas pelos elementos silício e Magnésio.

16

Superior ou Continental ou Sial - sólido e composto de rochas

graníticas, caracterizadas pelo elemento silício e alumínio.

O cálculo da constituição química da crosta faz-se com base no

conhecimento da composição e volume (com base no diâmetro atômico) de

diferentes rochas.

Autores como CLARK e WASHINGTON calcularam a média ponderada de

numerosas análises:

Tabela 1.2. COMPOSIÇÃO QUÍMICA DA CROSTA TERRESTRE EM % E VOLUME.

ELEMENTO

%

VOLUME

Oxigênio (O)

46,6

91,77

Silício (Si)

27,7

0,80

Alumínio (Al)

8,1

0,76

Ferro (Fe)

5,0

0,68

Cálcio (Ca)

3,6

1,48

Sódio (Na)

2,8

1,60

Potássio (K)

2,6

2,14

Magnésio (Mg)

2,1

0,56

Total

98,5

99,87

Estes oitos elementos básicos perfazem 98,5 % do peso da crosta. A

maioria dos metais úteis ao homem ocorre apenas em lugares onde são

enriquecidos (jazidas) graças a diferentes processos geológicos, como:

diferenciação magmática, hidrotermalismo, sedimentação, decomposição química

diferencial e outros.

Se analisarmos as abundâncias dos elementos sobre a Terra,

diversas generalizações são possíveis:

Os elementos pesados são mais abundantes na terra que no universo. Isto

indica que a matéria da terra teria passado pelos diversos ciclos: formação

de estrela, evolução e morte, antes de atingir a presente composição.

Os elementos formados por fusão nos ciclos de estágio de queima do He,

C, N e O são mais abundantes que aqueles com Z>26 que são formados

por processos de captura de nêutrons relativamente raros.

O hidrogênio e os gases nobres se encontram em proporções

notavelmente baixa na lista dos elementos da terra. Os gases nobres,

porque não são reativos, foram perdidos para o espaço durante o processo

de condensação.

17

O argônio é mais abundante que os outros gases nobres, porque é produzido por decaimento do potássio-40 já depois da formação da terra.

40 19 K

capturaK

40 18 Ar

Unicamente o hidrogênio combinado, presente na água ou nos minerais hidratados ou em forma de petróleo ou carvão permanece na terra.

Como o hélio não forma compostos, nos abandonou há muito tempo a não ser no que se refere as pequenas quantidades contidas no gás natural e nos minerais radioativos.

O oxigênio é o elemento mais abundante da terra. Participa da formação de quase todos os materiais que constituem o mundo, inclusive nós. Uma enorme quantidade de átomos de oxigênio e silício forma o embasamento da terra. Na hidrosfera está presente na forma de oxigênio combinado (oceanos, lagos e rios). Na atmosfera, está presente na forma de oxigênio molecular gasoso.

No Corpo Humano Os seres vivos se encontram na biosfera de forma organizada, em que das células formaram-se os tecidos; destes tecidos formaram-se os organismos e os indivíduos.

Célula

Tecido

Organismo Indivíduo
Organismo
Indivíduo

Neste mosaico, os elementos químicos estão presentes como:

integrantes, transportadores, coparticipadores e excretores etc Como tudo isso se organizou é ainda matéria de investigação. É tão antiga a curiosidade do homem neste assunto, que as explicações filosóficas baseadas no misticismo (a geração espontânea) até a comprovação científica da fotossíntese, muitas gerações se passaram e a indagação ainda persiste. Como já sabemos a atmosfera primitiva não continha oxigênio havendo, entretanto, abundância em H 2 O, HCl, NH 3 , CH 4 , CO, CO 2 , H 2 S e SO 2 . Experiências realizadas por S. L. MILLER em 1953, mostraram que:

18

As descargas elétricas (como os raios) e a luz ultravioleta (como a presente na luz solar) ao atuar sobre uma atmosfera redutora como a descrita, dão origem à formação de aminoácidos, hidroxoácidos, uréia e açucares simples.

Dentro dessa mistura, aquecida e diluída, formada por tais substâncias orgânicas dissolvidas em água, pode chegar a desenvolverem-se organismos com capacidade para autoduplicar-se e é provável que se desenvolva.

Estes organismos eventualmente puderam dar origem à vida vegetal simples dos oceanos e a vida dos vegetais terrestres, menos extensas, porém mais desenvolvida.

A ação de luz solar fez com que as plantas liberassem oxigênio por fotossíntese e gradualmente se desenvolveu uma atmosfera oxidante em que o amoníaco foi oxidado a nitrogênio e o metano deu origem a água e anidrido carbônico (que por sua vez é consumido pelas plantas) .

É evidente que os primeiros organismos vivos são os produtores de matéria prima (elementos autrotóficos). São indispensáveis para alimentar todos os outros seres vivos. É daí que parte a cadeia alimentar trófica. Os elementos indispensáveis ao metabolismo orgânico são classificados

em:

Macronutrientes: assim chamados pela necessidade de grandes quantidades a serem absorvidos, são: O 2, C, H 2 , Ca, Mg, P, K, N 2 e S. Micronutrientes: assim chamados pela necessidade de pequenas quantidades a serem absorvidos, são: Cl 2 , Cu, Zn, Co, Na, etc O homem expira CO 2 para atmosfera (resultado da excreção celular) através dos pulmões. Os demais elementos, quando em excesso, são eliminados principalmente pelos rins. O excesso ou a falta desses elementos acarreta o desequilíbrio homeostático do organismo e as reações são manifestadas por sinais e sintomas clínicos.

19

Tabela 1.3. COMPOSIÇÃO DO CORPO HUMANO

ELEMENTO

%PESO

Oxigênio

65

Carbono

18

Hidrogênio

10

Nitrogênio

3

Cálcio

2

Fósforo

1

Traços outros elementos

1

Tabela 1.4. FUNÇÃO CLÍNICA DOS ELEMENTOS (NUTRIENTES) NO ORGANISMO HUMANO.

ELEMENTO

FUNÇÃO

Nitrogênio

Faz parte da composição protéica e de outros compostos como a uréia.

Fósforo

Faz parte da composição de ácidos nucléicos (ADN e RNA) ATP (Adenosina Trifosfato), e também é fornecedor de energia ao processo metabólico.

Potássio

Fundamental na descarga energética das células nervosas e cardíacas. É abundante no interior das células (metabolismo).

Sódio

Participante na manutenção do equilíbrio hídrico do SER e no processo de despolarização da célula nervosa e cardíaca.

Enxofre

Algumas proteínas e vitaminas o têm nas suas composições

Cálcio

Influencia na permeabilidade da membrana celular.

Ferro

Presente na hemoglobina - muito importante no carregamento do oxigênio no sangue.

Zinco

Necessário para síntese de substâncias, para o crescimento (sua ação é no nível de Sistema Nervoso Central).

Iodo

Compõe os hormônios tireodianos.

1.2 Átomos Hidrogenóides

Como foi visto anteriormente os 110 elementos formados a partir das

partículas subatômicas são diferenciados pelo seu:

Número atômico Z = Número de prótons

Número de massa A = Z + N.

Assim o núcleo sempre contém prótons, e todos os núcleos mais pesados

que o hidrogênio(H) também contém nêutrons. Juntos prótons e nêutrons

constituem a maior parte da massa do átomo.

O número de cargas positivas no núcleo é exatamente equilibrado por igual

número de elétrons circundantes, cada um dos quais possui uma carga negativa.

20

O elétron (e - ) é relativamente mais leve – possui cerca de 1/1832 da massa do

próton.

O Hidrogênio é o primeiro e mais simples dos elementos. É constituído por

um núcleo contendo um próton e tem, portanto, uma carga positiva, que é

contrabalançada por um elétron circundante contendo uma carga negativa. Sendo

assim, podemos definir átomos hidrogenóides como sendo:

Átomos Hidrogenóides átomos que possuem somente um elétron e assim estão

livres de efeitos complexos como repulsão elétron-elétron. São positivamente

carregados e normalmente referidos como íons. Exemplos: H, He + , Li 2+ , etc

Utilizaremos o conceito que estes átomos introduzem para construir uma

descrição aproximada das estruturas dos átomos multieletrônicos, que são

átomos com mais de um elétron.

A teoria planetária da estrutura atômica proposta por Rutherford e

Bohr descreve o átomo como um núcleo central circundado por elétrons situados

em certas órbitas. O elétron é, pois, considerado como uma partícula. Na década

de 1920, mostrou-se que partículas em movimento, como os elétrons,

comportavam-se em alguns aspectos como ondas.

Como a estrutura eletrônica dos átomos deve ser expressa em termos da

mecânica quântica, necessitamos revisar alguns conceitos e terminologias.

Um conceito fundamental da mecânica quântica é que a matéria possui

propriedades iguais a de uma onda. Este atributo não é normalmente evidente

em objetos macroscópicos, mas ele domina a natureza das partículas

subatômicas, como o elétron.

Um elétron é descrito por uma função de onda, (psi), que é uma

função matemática das coordenadas de posição x,y e z e do tempo t.

Interpretamos a função de onda usando a interpretação de Born, na qual

a probabilidade de encontrar a partícula numa região infinitesimal do espaço

é proporcional ao quadrado da função de onda, 2 .

De acordo com essa interpretação, há uma alta possibilidade de encontrar uma

partícula onde 2 é grande, e a partícula não será encontrada onde 2 é zero

21

A quantidade 2 é denominada densidade de probabilidade da partícula. Esta

densidade significa que o produto de 2 e o elemento de volume infinitesimal d =

dxdydz é proporcional à probabilidade de encontrar o elétron naquele elemento

de volume.

A probabilidade é igual a 2 d se a função de onda é normalizada,

ou seja:

2 d

= 1

Esta expressão simplesmente exprime que a probabilidade total de encontrar o

elétron em algum lugar deve ser 1.

total de encontrar o elétron em algum lugar deve ser 1. Figura 1.3. A interpretação de

Figura 1.3. A interpretação de Born da função de onda é que seu quadrado é uma densidade de probabilidade. Há densidade de probabilidade zero no nódulo. Na parte inferior da ilustração, a densidade de probabilidade é indicada pela densidade da sombra. Fonte:Química Inorgânica – Shriver e Atkins 3ª Ed.

Igual a outras ondas, as funções de onda em geral possuem regiões de

amplitude positiva e negativa. O sinal da função de onda é de importância

crucial quando duas funções de onda propagam na mesma região do espaço.

duas funções de onda propagam na mesma região do espaço. Figura. 1.4. (a) Interferência construtiva. (b)

Figura. 1.4. (a) Interferência construtiva. (b) Interferência destrutiva. Fonte: Química Inorgânica – Shriver e Atkins 3ª Ed.

Interferência construtiva ocorre quando uma região positiva de uma função de

onda pode se juntar a uma região positiva de outra função de onda para originar

uma região de amplitude máxima (Figura 1.4a). Isto significa que, quando dois

22

átomos estão próximos o suficiente para formar uma ligação, pode haver um significativo aumento da probabilidade de encontrar as partículas naquela região.

Interferência destrutiva ocorre quando uma região positiva de uma função de onda pode ser cancelada por uma região negativa de uma segunda função de onda. Este tipo de interferência reduz muito a probabilidade de uma partícula ser encontrada naquela região (Figura 1.4b).

A interferência de funções de onda é de grande importância na explicação das ligações químicas.

Orbitais Atômicos são as funções de onda de um elétron em um átomo hidrogenóide. São fundamentais para a maioria das interpretações da química inorgânica e vamos nos deter na descrição de suas formas e significado.

A função de onda para uma partícula é encontrada resolvendo-se a equação de Schrödinger, uma equação diferencial parcial proposta por Ervin Schrödinger em 1926. A equação de Schrödinger, para sistema tridimensional é:

-(h 2 /2m e )( 2 / x 2 + 2 / y 2 + 2 / z 2 )

+

V

= E

Quando esta equação é resolvida para uma partícula livre, descobre-se que não há restrições em energia, assim, ela pode existir com todas as energias possíveis. Entretanto, quando a equação é resolvida para uma partícula que está confinada a uma região pequena do espaço ou está ligada a um centro atrativo, igual um elétron em um átomo, soluções aceitáveis podem ser obtidas somente para determinadas energias. Falamos de energia como sendo quantizada, significando que está confinada a valores discretos. Esta quantização é da maior importância em química no que se refere aos átomos e moléculas, e determina as ligações que podem formar. As funções de onda obtidas pela resolução da equação de Schrödinger para átomos hidrogenóides são especificadas por valores de três números, denominados números quânticos. Esses números quânticos são: n, e m

23

n, número quântico principal, indica a quantidade de energia - termo gráfico, número quântico do volume orbital. Pode ter qualquer valor de 1 a•••• . Em átomos hidrogenóides todos os orbitais de mesmo valor de n são degenerados (mesma energia). n determina as energias permitidas. E =- hcRZ 2 /n 2 , onde n = 1,2,3, R = constante de Rydberg = 1,097 x 10 5 cm -1 ou 13,6 eV. A energia igual à zero corresponde à situação onde o elétron e o núcleo, estão bastante separados e fixos; as energias dadas por esta expressão são todas negativas, significando que os átomos têm uma energia menor do que o elétron e o núcleo, bastante separados um do outro. A dependência da energia com 1/n 2 conduz a uma rápida convergência dos níveis de energia para os valores de energia mais altos, isto é, menos negativos (Figura 1.5) O zero de energia, que ocorre quando n=•••• corresponde à separação de um núcleo fixo e um elétron, e, portanto, à ionização de um átomo. Acima deste zero de energia, o elétron não está ligado e pode viajar a qualquer velocidade e deste modo possui qualquer energia (Figura 1.5).

e deste modo possui qualquer energia (Figura 1.5). Figura 1.5. Níveis de energia quantizada de um

Figura 1.5. Níveis de energia quantizada de um átomo de H(Z=1) e um íon He + (Z=2). Os níveis de energia dos átomos hidrogenóides são proporcionais a Z 2 . Fonte: Química Inorgânica - Shriver e Atkins 3ª Ed.

24

, número quântico do momento angular orbital, indica o momento angular

orbital quantizado - termo gráfico, número quântico da forma orbital. Para um

valor de n, pode adotar qualquer valor de zero até (n-1).

m , número quântico magnético, indica a orientação quantizada do momento

angular - termo gráfico, número quântico da orientação orbital, o qual pode

apresenta um total de 2+ 1 valores; tomando qualquer valor inteiro de - até + .

Além dos três números quânticos requeridos para especificar a distribuição

parcial de um elétron em um átomo hidrogenóide, mais dois números quânticos

são necessários para definir completamente o estado de um elétron, o seu spin

(do inglês que significa girar)

O spin é descrito por dois números quânticos, s e m s .

s, momento angular spin, está restrito a um único e invariável valor igual a ½.

m S , número quântico de spin magnético, está relacionado com o momentum

angular intrínseco do elétron. Pode somente ter 2 sentidos: horário e anti-horário,

que são designados por +½ e -½. É um valor característico da partícula e não

pode ser alterado. Os dois estados são freqüentemente representados por duas

setas (“spin para cima”, m S = +½) e (“spin para baixo”, m S = -½).

Níveis, Subníveis e Orbitais.

Nível energético: conjunto de funções de onda com um dado valor do número

quântico principal, n.

Subnível energético: definido pelas combinações permitidas de n e . São

constituídos pelas funções de onda com certo valor de n, mas com diferentes.

O exame de todas as soluções permitidas para a equação de onda mostra

que os orbitais se classificam em grupos.

No primeiro grupo de soluções, o valor da função de onda , e, portanto,

a probabilidade de encontrar um elétron 2 , depende somente da distância r ao

núcleo, que é a mesma em todas as direções.

= f(r)

Esse fato leva a um orbital esférico, e ocorre quando o número quântico

secundário é igual a zero. Esses orbitais são chamados de orbitais s. Quando

= 0, o número quântico magnético m = 0, de modo que só existe um orbital deste

tipo para cada valor de n.

25

depende tanto

da distância ao núcleo, como da direção no espaço (x, y e z). Orbitais desse tipo ocorrem quando o número quântico secundário = 1. Esses orbitais são chamados de orbitais p e existem três valores para o numero quântico magnético (m = -1, 0, +1). Existem, pois três orbitais idênticos em energia, forma e tamanho, que diferem somente em sua orientação no espaço. Essas três soluções para a equação de onda podem ser escritas:

No segundo grupo de soluções da equação de onda,

x = f(r). (x) y = f(r). (y) z = f(r). (z)

O terceiro grupo de soluções da equação de onda depende da distância ao núcleo r e de duas direções no espaço, por exemplo:

Tal grupo de orbitais possui = 2, e são chamados de orbitais d. Há cinco soluções, correspondentes aos valores de m = -2, -1, 0, +1, +2, todas de igual energia. Ocorrem, portanto, cinco orbitais degenerados d para cada um dos valores de n = 3, 4, 5 Outra série de soluções ocorre quando = 3, sendo os orbitais em questão

chamados de orbitais f. Existem sete valores de m = -3, -2, -1, 0, +1, +2, +3,

formando-se sete orbitais f degenerados quando n = 4, 5, 6 As letras s, p, d e f provêm dos termos espectroscópicos sharp, principal, diffuse e fundamental que são usados para descrever as linhas nos espectros atômicos.

= 0, 1, 2, 3, 4 s, p, d, f ,g Para a maioria dos propósitos em química, necessitamos considerar somente as subníveis s, p, d e f. Exemplo: Quais são os subníveis associados ao nível n=3? Resposta: Para n = 3, temos: 3s(= 0), 3p(= 1), 3d (= 2). Pelo fato de o potencial Coulômbico do núcleo apresentar simetria esférica (proporcional a Z/r e independe da orientação relativa ao núcleo), os orbitais são melhores expressos em termos das coordenadas esféricas polares definidas na figura 1.6. Nessas coordenadas, todos os orbitais têm a forma:

= f(r). f(x). f(y)

26

= R n (r)Y m ( , ) Que expressa a idéia simples de que o orbital hidrogenóide pode ser escrito como produto de uma função R do raio e a função Y das coordenadas angulares. A função de onda radial, R, determina a variação do orbital com a distância do núcleo e tem a forma:

nm

R n (r) = f(r) (Z/a o ) 3/2 e - /2

Onde a o é o raio de Bohn (0,53Å) e = 2Zr/na o .

a o é o raio de Bohn (0,53Å) e = 2Zr/na o . Figura 1.6. Coordenadas

Figura 1.6. Coordenadas polares esféricas: r é o raio,

azimute. Fonte: Química Inorgânica – Shriver e Atkins 3ª Ed.

o

a

co-latitude,

e

A função de onda angular, Y, expressa a forma angular do orbital e é definida pela equação:

Y m ( , ) = (1/4 ) 1/2 y( , ) Pelo fato dessas fórmulas e seus valores parecerem complicados, usaremos aqui representações ilustradas e não expressões. As variações da função de onda com o raio são mostradas na figura 1.7 e

1.8.

As regiões onde a função de onda radial passa pelo zero são chamadas de nódulos ou nós radiais. Os planos nos qual a função de onda passa pelo zero são chamados nódulos angulares ou planos nodais. Um orbital s tem uma amplitude não-nula no núcleo, todos os outros orbitais (aqueles com >0) tendem a zero no núcleo.

27

27 Figura 1.7. Funções de onda dos orbitais hidrogenóides 1s, 2s e 3s. Observe que o

Figura 1.7. Funções de onda dos orbitais hidrogenóides 1s, 2s e 3s. Observe que o número de nós radiais é 0, 1 e 2, respectivamente. Cada orbital tem uma amplitude não-nula no núcleo (para r = 0); as amplitudes foram ajustadas para igualar-se em r = 0.

0); as amplitudes foram ajustadas para igualar-se em r = 0. Figura 1.8. Função de onda

Figura 1.8. Função de onda radial dos orbitais hidrogenóides 2p e 3p. Observe que o número de nós radiais é 0 e 1, respectivamente. Cada orbital tem amplitude nula no núcleo (para r = 0). Fonte das figuras: Química Inorgânica – Shriver e Atkins 3ª Ed.

A probabilidade de encontrar o elétron em uma camada esférica de raio r e

espessura dr é a integral de 2 d dt em todos os ângulos. Este resultado é escrito normalmente como Pdr e, para uma função de onda esférica,

P

2

= 4 r

2

A função P é chamada de função de distribuição radial e fornece a probabilidade de um elétron ser encontrado numa dada distância do núcleo, independentemente da direção (Figura 1.9).

do núcleo, independentemente da direção (Figura 1.9). Figura 1.9. Função de distribuição radial de um orbital

Figura 1.9. Função de distribuição radial de um orbital hidrogenóide 1s. O produto de 4 r 2 (o qual aumenta com o aumento de r) e 2 (o qual decresce exponencialmente) passa pelo máximo em r = a o /Z. Fonte: Química Inorgânica – Shriver e Atkins 3ª Ed.

Pelo fato de um orbital 1s decrescer exponencialmente com a distância do núcleo, e r 2 aumentar, a função de distribuição radial de um orbital 1s atinge um máximo.

28

Desse modo, há uma distância na qual o elétron pode ser mais facilmente

encontrado. Em geral esta distância decresce à medida que a carga nuclear

aumenta (porque o elétron é atraído mais firmemente para o núcleo) e aumenta

com o aumento em n porque, sendo a energia maior, mais facilmente o elétron

será encontrado longe do núcleo.

A distância mais provável de um elétron estar do núcleo no estado de menor

energia de um átomo hidrogenóide é no ponto onde P é mínimo. Para um

elétron1s, num átomo hidrogenóide de número atômico Z, este máximo ocorre

em:

r max = a o /Z Percebemos que a distância mais provável de um elétron 1s decresce com o

aumento do número atômico.

Exemplo: A Figura 1.10 mostra as funções de distribuição radial para os orbitais

hidrogenóides 2s e 2p. Qual orbital permite ao elétron ter maior probabilidade de

se aproximar do núcleo?

Resposta: A função de distribuição radial do orbital 2p aproxima-se de zero no

núcleo mais rapidamente do que a do elétron 2s. Esta diferença é conseqüência

do fato de que o orbital p possui amplitude zero no núcleo em razão de seu

momento angular orbital. Assim, o elétron 2s tem a maior probabilidade de

aproximar-se do núcleo.

2s tem a maior probabilidade de aproximar-se do núcleo . Formas de representação dos orbitais Figura

Formas de representação dos orbitais

Figura 1.10. Funções de distribuição radial de orbitais hidrogenóides. Embora o orbital 2p esteja em média mais próximo ao núcleo (observe onde seu máximo se encontra), o orbital 2s tem uma probabilidade alta de estar próximo ao núcleo por causa do máximo interno. Fonte: Química Inorgânica – Shriver e Atkins 3ª Ed.

Os orbitais podem ser representados graficamente de diversos modos.

Principais tipos de representação:

29

Diagramas de superfície limite

Gráficos de e 2 em função da distância ao núcleo

Diagramas de nuvens de densidade eletrônica

Mapas de densidade eletrônica constante.

Diagramas de superfície-limite

Superfície-limite de um orbital indica a região dentro da qual o elétron é

mais facilmente encontrado; orbitais com números quânticos possuem

planos nodais.

Provavelmente o meio mais usado para a representação gráfica dos

orbitais.

mais usado para a representação gráfica dos orbitais. Figura 1. 11. Superfície- limite esférica de um

Figura 1. 11. Superfície- limite esférica de um orbital s.

Figura 1. 11. Superfície- limite esférica de um orbital s. Figura 1.12. Superfície-limite dos orbitais p.

Figura 1.12. Superfície-limite dos orbitais p. Cada orbital tem um plano nodal cortando o núcleo. Por exemplo, o plano nodal do orbital p z é o plano xy. O lóbulo amarelo tem uma amplitude positiva; o laranja é negativo.

30

30 Figura 1.13. Uma representação das superfícies-limite dos orbitais d. Quatro dos orbitais têm dois planos

Figura 1.13. Uma representação das superfícies-limite dos orbitais d. Quatro dos orbitais têm dois planos nodais perpendiculares que cruzam a linha que passa pelo núcleo. No orbital dz 2 , a superfície nodal forma dois cones que se encontram no núcleo.

nodal forma dois cones que se encontram no núcleo. Fig.1.14 Uma representação das superfícies-limite dos

Fig.1.14 Uma representação das superfícies-limite dos orbitais f. Fonte das figuras de 11 a 14: Química Inorgânica – Shriver e Atkins 3ª Ed.

31

Gráficos de e 2 em função da distância ao núcleo

As expressões matemáticas das funções de onda são complicadas. Como

exemplo, a mais simples delas, para o orbital 1s, é a seguinte:

1s = (1/÷ ) e -r

Para se traçar o gráfico, calcula-se os ‘s para uma série de valores de r, e

desenha-se a curva (figuras 1.15 a e 1.15 b).

Diagrama de nuvens de densidade eletrônica (figura 1.15 c).

Permitem visualizar os orbitais mais facilmente.

São semelhantes aos diagramas de superfície limite na medida em que

dão as formas dos orbitais.

São mais informativos, pois mostram como a densidade de probabilidade

varia no espaço em torno do núcleo.

Quanto mais escura uma região, maior a densidade de probabilidade.

mais escura uma região, maior a densidade de probabilidade. Figura 1.15. a) Gráfico de   x

Figura

1.15.

a)

Gráfico de

 

x

r

para os orbitais 1s

2s

e

3s.

b)

Gráfico de 2 x r para os orbitais 1s 2s e 3s. c) Gráfico de nuvens de densidade eletrônica para os orbitais 1s 2s e 3s.

Mapas de densidade de probabilidade constante (figura 1.16).

Mapas quantitativamente precisos.

Apresentam um conjunto de linhas que unem os pontos que têm uma

mesma densidade de probabilidade.

32

32 Fi gura de nsidade pr obabilidade pa ra o orbital 2pz do C 1.16. de

Fi gura

de nsidade

pr obabilidade

pa ra o orbital 2pz do C

1.16.

de

de

constante

Mapa

1.3 Átomos Polieletrônico s

São átomos com m ais de um elétron. Como exemplo, po demos citar o

átomo de He, com dois

polieletônico ou multieletrô nico. A equação de Sch rödinger só foi resolvida exatamente

para espécies

contendo um elétron, isto p or que, a solução exata dessa equação para um átomo com N elétrons seria um a função de 3N coordenadas de todo s os elétrons, gerando com isso dificulda des matemáticas para sua resolução.

aproximados e evidências espectroscó picas indicam,

todavia, que espécies poli atômicas possuem orbitais análogos a o do átomo de

mais elevadas

hidrogênio, sendo, porém

que aumentam a atração e letrostática núcleo-elétron.

elétrons no orbital 1s, é tecnicame nte um átomo

Contudo, cálculos

menores, devido às cargas nucleares

Aproximação Orbital Utilizada pelos quím icos inorgânicos para explicar as forma s aproximadas dos átomos polieletrônicos.

Considera que ca da elétron ocupa um orbital que rel embra aquele encontrado nos átom os hidrogenóides.

supondo que a

Trata a repulsão ent re os elétrons de maneira aproximada,

carga eletrônica está

Assim, cada elétron desta distribuição de

esfericamente distribuída ao redor do n úcleo.

se move em um campo atrativo do nú cleo acrescido carga repulsiva média.

33

O campo que surge da distribuição de carga elétrica esférica é equivalente

ao campo gerado por uma carga pontual única no centro da distribuição.

Esta carga reduz a carga nuclear Z e para uma carga nuclear efetiva Z ef .

Esta redução é chamada de blindagem e o parâmetro de blindagem, δ,

é uma correção para uma carga nuclear verdadeira:

Z ef = Z e δ

Como a carga nuclear efetiva varia com a distância do núcleo, as funções

radiais serão marcadamente diferentes daquelas dos átomos

hidrogenóides e suas formas e energias responderão de forma complexa à

troca na população de elétrons.

Conhecida a carga nuclear efetiva podemos escrever formas aproximadas

dos orbitais atômicos e começar a fazer estimativas de sua extensão e

outras propriedades.

J.C.Slater, foi o primeiro a estabelecer uma série de regras para se estimar

o valor da Z ef para um determinado elétron em um átomo e, empregando

os valores descrever os orbitais atômicos aproximados.

Valores com cálculos mais precisos do que os obtidos por Slater estão

colocados na tabela 5, abaixo.

Tabela 1.5. Carga nuclear efetiva Z ef de alguns elementos da tabela periódica.

 

H

He

Z

1

2

1s

1,00

1,69

Li

Be

B

C

N

O

F

Ne

Z

3

4

5

6

7

8

9

10

1s

2,69

3,68

4,68

5,67

6,66

7,66

8,65

9,64

2s

1,28

1,91

2,58

3,22

3,85

4,49

5,13

5,76

2p

2,42

3,14

3,83

4,45

5,10

5,76

 

Na

Mg

Al

Si

P

S

Cl

Ar

Z

11

12

13

14

15

16

17

18

1s

10,63

11,61

12,59

13,57

14,56

15,54

16,52

17,51

2s

6,57

7,39

8,21

9,02

9,82

10,63

11,43

12,23

2p

6,80

7,83

8,96

9,94

10,96

11,98

12,99

14,01

3s

2,51

3,31

4,12

4,90

5,64

6,37

7,07

7,76

3p

4,07

4,29

4,89

5,48

6,12

6,76

Fonte: Química Inorgânica – Shriver e Atkins 3ª Ed.

34

Dos valores apresentados nesta tabela, alguns comentários merecem ser feitos:

Nota-se que através de cada período a carga nuclear efetiva dos elétrons de Valência aumenta com o aumento do número atômico.

A carga nuclear efetiva para um elétron em um orbital de Valência s é maior que para o correspondente orbital p do mesmo átomo.

A carga nuclear efetiva para os elétrons de Valência dos elementos do período três são apenas um pouco maior que aquelas para os elementos do período dois, embora a própria carga nuclear seja consideravelmente maior.

O princípio de Pauli No máximo dois (2) elétrons podem ocupar um único orbital e, se os dois ocupam o mesmo orbital, seus spins devem estar emparelhados.

Na notação usual “emparelhado” significa que um elétron deve ter spin , o outro e o par . Outra forma de expressar este princípio vem da observação de que:

Um elétron em um átomo é descrito por quatro (4) números quânticos e, assim, dois (2) elétrons não podem possuir os quatro números quânticos iguais. Configuração do estado fundamental de um átomo: é a seqüência de ocupação dos orbitais por seus elétrons no estado fundamental. Estado Fundamental: estado de menor energia. Podemos investigar, agora, a questão da configuração eletrônica dos átomos de cada elemento no estado fundamental. O que se faz sistematicamente, organizando as configurações na ordem crescentes dos números atômicos. Nessa construção deve-se respeitar o princípio da exclusão, e cada elétron deve ir para o orbital de mais baixa energia que não estiver ainda ocupado. Assim, o segundo elétron do hélio pode ir para o orbital 1s, dando 1s 2 . Isto porque, de acordo com a aproximação orbital, supõe-se que ambos os elétrons ocupam um orbital atômico que teria a mesma forma esférica do orbital hidrogenóide 1s, porém com uma forma radial mais compacta: a carga nuclear efetiva é + 1, 69, e

35

assim os elétrons são atraídos para mais próximo do núcleo do que o único elétron no átomo de hidrogênio. Passando para o Li (Z=3), a configuração eletrônica do estado fundamental deveria ser 1s 3 , mas não é. Isto porque, esta configuração é proibida por uma característica fundamental conhecida como Princípio da Exclusão de Pauli. Portanto, o terceiro elétron do Li deve ocupar a camada seguinte de maior energia, a camada com n = 2. A questão é, qual orbital o terceiro elétron do Li ocupará, o orbital 2s ou o orbital 2p? Para responder a esta questão, necessita-se examinar as energias das duas subcamadas, porque embora elas possuam a mesma energia nos átomos hidrogenóides isto não é verdade para átomos polieletrônicos. A razão básica da separação entre os orbitais de diferentes tipos, com o mesmo n é sempre a mesma; entendida num caso particular, as outras serão entendidas também, pelo menos em princípio.

Penetração e Blindagem Para um determinado elétron em um átomo, quanto mais próximo do núcleo ele puder penetrar, maior será o valor da Z ef que ele sentirá. No caso do Li, se considerarmos o elétron 2s externo a dois elétrons 1s de uma camada interna, ele (o elétron) experimentaria uma carga nuclear centrossimétrica líquida de 3e - 2e = +e; isto é, Z ef seria igual a 1. Mas, a Z ef do elétron 2s é de 1,28 , o que sugere que o elétron 2s não permanece totalmente fora da camada dos elétrons 1s. Podemos observar através da figura1.17, que existe uma probabilidade maior que zero de o elétron 2s penetrar a camada 1s, e experimente a carga nuclear total. Um elétron 2p não penetra na camada interna tão efetivamente porque ele possui um plano nodal no núcleo; deste modo, está mais blindado a partir do núcleo pelos elétrons mais internos.

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36 Figura 1. 17. A penetração de um elétron 2s na camada interna é maior do

Figura 1. 17. A penetração de um elétron 2s na camada interna é maior do que a de um elétron 2p porque o último cai a zero no núcleo. Deste modo, elétrons 2s são menos blindados do que elétrons 2p. Fonte: Química Inorgânica – Shriver e Atkins 3ª Ed.

Podemos concluir que um elétron 2s tem uma energia menor (esta ligado mais firmemente) do que o elétron 2p, e desse modo à configuração eletrônica do estado fundamental do Li é: 1s 2 2s 1 . Como resultado do efeito de penetração e blindagem, a ordem de energia para átomos polieletrônicos é normalmente:

ns<np<nd<nf. A variação da energia dos orbitais através da Tabela Periódica está mostrada na figura 1.18. Como pode ser observado, os efeitos são bastante sutis e a ordem de energia dos orbitais depende muito do número de elétrons presentes no átomo.

s
s

Figura 1.18. Uma representação mais detalhada dos nívei de energia de átomos polieletrônicos na tabela periódica. Fonte: Química Inorgânica – Shriver e Atkins 3ª Ed.

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Por exemplo, os efeitos de penetração são muito pronunciados para os elétrons 4s no K e no Ca e nestes átomos os orbitais 4s tem uma energia menor que os orbitais 3d. Contudo, do Sc até o Zn os orbitais 3d no átomo neutro tem energia muito próxima, porém menor, que a energia dos orbitais 4s; por isso, os 10 elétrons seguintes entram nos orbitais 3d, na seqüência de elementos. Do átomo de Ga (Z=31) para frente, a energia dos orbitais 3d se torna muito menor que a energia dos orbitais 4s, e os elétrons mais externos são, sem dúvida, aqueles das subcamadas 4s e 4p. Nestes elementos os orbitais 3d não são considerados orbitais de Valência.

O princípio da Edificação ou Aufbau É um procedimento que pode conduzir a uma plausível configuração do estado fundamental. Estabelece que no processo mental de “construção” de um átomo a partir do átomo de hidrogênio, adicionam-se próton ao núcleo e elétrons aos orbitais de acordo com as energias crescentes desses e respeitados o princípio de Pauli e a regra de Hund. A seqüência para o preenchimento dos subníveis é:

1s, 2s, 2p, 3s, 3p, 4s, 3d, 4p, 5s, 4d, 5p, 4f, etc Esta ordem de energia é determinada em parte pelo número quântico principal (n) e em parte pela penetração e blindagem. A cada orbital, de acordo com o princípio da exclusão de Pauli, é permitido acomodar dois (2) elétrons. Assim, uma subcamada p pode acomodar seis (6) elétrons e uma subcamada d dez (10) elétrons. Quando mais que um orbital estiver disponível para ser ocupado, tal como quando os orbitais 2p estão começando a serem preenchidos, como nos átomos de B e C, adota-se a seguinte regra:

Regra de Hund: Quando se tem mais de um orbital com a mesma energia, os elétrons ocupam orbitais separados e possuem spins paralelos.

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Explicação:

O preenchimento de orbitais separados pode ser entendido porque as interações repulsivas entre os elétrons que ocupam diferentes regiões do espaço são menores que aqueles onde os elétrons se encontram na mesma região do espaço.

A necessidade dos elétrons que ocupam diferentes regiões do espaço terem spins paralelos é conseqüência de um efeito mecânico-quântico conhecido como correlação de spin. Correlação de spin: dois elétrons com spins paralelos tendem a se afastarem mutuamente, e por isso repelindo-se em menor extensão.

Configuração eletrônica do estado fundamental dos elementos

Algumas nomenclaturas

Orbitais de valência: orbitais mais externos ocupados de um átomo.

Camada de valência: contém os orbitais de valência.

Exemplo: Li 1s 2 2s 1 . Orbitais de valência = 2s; camada de valência = 2

Camadas internas: camadas anteriores a de valência do átomo.

Orbitais internos: orbitais das camadas internas dos átomos.

Exemplo: Para o Li. Camada interna: 1. Orbital interno: 1s. Como a camada interna do Li tem configuração 1s 2 , a mesma do He, ela é algumas vezes referida como [He] A configuração do Li pode ser escrita: [He] 2s 1 . Este tipo de representação abreviada, usando-se o caroço (cerne) do gás inerte mais próximo, é chamado de configuração espectroscópica simplificada.

Camada interna fechada: Quando todos os elétrons internos estão emparelhados.

Assim, seguindo o princípio da edificação, podemos fazer a distribuição eletrônica dos elementos.

H

1s

1

He

1s

2

Li

[He] 2s 1

Be

[He] 2s 2

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O preenchimento do primeiro orbital p é arbitrário. É comum adotar-se a

ordem p x , p y , p z .

Continuando:

C

[He] 2s 2 2p 2

N

[He] 2s 2 2p 3

:

Ne [He] 2s 2 2p 6

Na [Ne] 3s 1

:

Ar [Ne] 3s 2 3p 6 .

:

Desde que os orbitais 3d são muito mais energéticos, esta configuração é

afetivamente uma configuração de camada fechada. Continuando:

K

[Ar] 4s 1

Ca

[Ar] 4s 2

Sc

[Ar] 3d 1 4s 2 em vez de 4s 2 3d 1 . Isto, porque, os níveis de energia

apresentados na seqüência energética são para orbitais atômicos individuais e

não levam em consideração as repulsões intereletrônicas.

a maior parte dos elementos do bloco d, as determinações

espectroscópicas dos estados fundamentais (juntamente com cálculos

detalhados) mostraram que é vantajoso ocupar o orbital de maior energia que

vem a seguir (o orbital 4s p.ex.). Isto, porque, o preenchimento de orbitais de

energia mais elevada pode resultar em uma repulsão entre os elétrons, menor

do que a que ocorreria se os orbitais 3d, de menor energia, fossem ocupados.

Em alguns casos, a menor energia total pode ser obtida pela formação de

subcamadas d preenchidas ou semiprenchidas à custa de um elétron s.

Para

Assim:

Cr [Ar] 3d 5 4s 1 e não 3d 4 4s 2

Cu [Ar] 3d 10 4s 1 e não 3d 9 4s 2 .

Um efeito similar ocorre no bloco f onde os orbitais f estão sendo

ocupados.

Por ex., a configuração do Gadolínio (Gd) é: [Xe] 4f 7 5d 1 6s 2 e não [Xe]4f 6

5d 2 6s 2 .

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1.4 Parâmetros Atômicos

Os 110 elementos estão listados na tabela periódica (anexo 1) em termos de número atômico, Z. As listas horizontais da tabela são chamadas de Períodos, que são em número de sete (7). As colunas verticais são chamadas de Grupo, que são em número de dezoito (18). Desde 1990 a União Internacional de Química Pura e Aplicada (IUPAC, sigla em inglês) recomenda a utilização do sistema de numeração, na qual os grupos são numerados com algarismos arábicos de 1 a 18. A forma moderna da tabela periódica reflete a estrutura eletrônica fundamental dos elementos. Sendo assim, podemos observar que:

O número do período é o valor do número quântico principal, n, da camada que está sendo corretamente preenchida.

O número do grupo está relacionado com o número de elétrons na

camada de valência. No sistema de numeração recomendado pela IUPAC, a relação adequada depende do Número G do grupo. Assim temos:

Bloco

s, d

p

Nº de e - de valência

G

G -10

Fonte: Química Inorgânica – Shriver e Atkins 3ª ED.

Fonte: Química Inorgânica – Shriver e Atkins 3ª ED.

Nesta expressão, elétrons de valência dos elementos do bloco d incluem os elétrons dos orbitais d e os elétrons mais externos. Desse modo, a tabela periódica está dividida em 4 blocos:

Bloco s

ns

Elementos do grupo

Bloco p

ns

2 , np

principal

Bloco d

(n-1)d, ns 2

Metais de transição

Bloco f

(n-2)f, (n-1)d o ,ns 2

Metais de transição interna

Certas propriedades características dos átomos, particularmente seus tamanhos e as energias associadas com a remoção e a adição de elétrons mostram variações periódicas com o número atômico. Estas propriedades

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atômicas são de considerável importância para explicar algumas propriedades

químicas dos elementos. O conhecimento da variação permite aos químicos

organizar observações e predizer o comportamento químico e estrutural sem

recorrer a uma tabela de dados para cada elemento

Raio Atômico e Raio Iônico

Uma das propriedades atômicas mais úteis de um elemento é o volume de

seus átomos e íons.

A teoria quântica do átomo não produz valores precisos de raios atômicos

ou iônicos, porque a função de distribuição radial diminui exponencialmente com o

aumento da distância ao núcleo. Apesar desta falta de valores de raios precisos,

podemos esperar que átomos com muitos elétrons sejam maiores do que átomos

que possuem poucos elétrons. Tais considerações têm permitido aos químicos

propor uma variedade de definições de raio atômico, com base em considerações

empíricas.

Raio Atômico: conjunto de raios metálicos e covalentes.

Raio metálico de um elemento metálico e definido como a metade da distância

determinada entre os núcleos dos átomos vizinhos próximos em um sólido

Contudo encontra-se que esta distância

geralmente aumenta com o número de

que esta distância geralmente aumenta com o número de NC Raio relativo 12 1,00 8 0,97

NC

Raio relativo

12

1,00

8

0,97

6

0,96

4

0,88

coordenação (NC) do retículo.

Em um estudo extensivo da separação

internuclear em uma grande variedade de

elementos Goldschimidt, encontrou que o

raio relativo médio varia conforme a tabela

ao lado.

É necessário colocar todos os elementos nas mesmas condições para que

se possam comparar tendências em suas características, assim, ajustaram-se

todos os raios para NC igual a 12.

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Raio covalente: metade da separação internuclear de dois átomos vizinhos de um mesmo elemento em uma molécula.

dois átomos vizinhos de um mesmo elemento em uma molécula. As tendências periódicas nos raios podem

As tendências periódicas nos raios podem ser observadas na tabela1. 6 A análise desses dados mostram que o raio atômico:

Aumenta ao se descer nos grupos e diminui da esquerda para a direita nos períodos Interpretação em termos da estrutura eletrônica dos átomos:

Ao se descer nos grupos, os elétrons de valência são encontrados em orbitais com números quânticos sucessivamente maiores ocupando, assim orbitais maiores.

Através do período, os elétrons de valência são adicionados em orbitais de mesma camada; contudo, o aumento na carga nuclear efetiva através do período atrai os elétrons e resulta em átomos cada vez mais compactos.

Tabela 1.6. Raios Atômicos (em A°)

Li

Be

                   

B

C

N

O

F

1,57

1,12

                   

0,88

0,77

0,74

0,66

0,64

Na

Mg

                   

Al

Si

P

S

Cl

1.91

1,60

                   

1,43

1,18

1,10

1,04

1,14

K

Ca

Sc

Ti

V

Cr

Mn

Fe

Co

Ni

Cu

Zn

Ga

Ge

As

Se

Br

2,35

1,97

1,64

1,47

1,35

1,29

1,27

1,26

1,25

1,25

1,28

1,37

1,53

1,22

1,21

1,04

1,14

Rb

Sr

Y

Zr

Nb

Mo

Tc

Ru

Rh

Pd

Ag

Cd

In

Sn

Sb

Te

I

2,50

2,15

1,82

1,60

1,47

1,40

1,35

1,34

1,34

1,37

1,44

1,52

1,67

1,58

1,41

1,37

1,33

Cs

Ba

Lu

Hf

Ta

W

Re

Os

Ir

Pt

Au

Hg

Tl

Pb

Bi

   

2,72

2,24

1,72

1,59

1,47

1,41

1,37

1,35

1,36

1.39

1,44

1,55

1,71

1,75

1,82

   

Os valores são referentes ao NC 12.

Fonte: Química Inorgânica – Shriver e Atkins 3ª Ed.

.

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Modificações importantes nas tendências gerais

Pode-se observar através da tabela 1.6, que o raio metálico dos elementos do terceiro período do bloco d (período 6) são muito similares aqueles do segundo período, e não maiores, como seria de se esperar com base no fato do número de elétrons ser consideravelmente maior. Exemplo: Mo raio metálico = 1,40 Ǻ W raio metálico = 1.41 Ǻ

A redução do raio chama-se contração lantanídica. Explicação:

Os elementos do terceiro período do bloco d são precedidos pelos elementos do primeiro período do bloco f, os lantanídeos, nos quais os orbitais 4f estão sendo ocupados. Estes orbitais possuem uma pequena capacidade de blindagem e os elétrons, adicionados ao longo do período 4f, sentem uma carga nuclear efetiva maior.

Contração similar é encontrada nos elementos posteriores aos do bloco d. Exemplo: Embora haja um substancial aumento no raio atômico do B (0,88 Ǻ) para o Al (1,43 Ǻ), o raio atômico do Ga (1,53 Ǻ) é somente pouco maior que o do Al. Este efeito pode ser entendido em termos da pobre capacidade de blindagem dos elementos que o antecede no período.

de blindagem dos elementos que o antecede no período. Figura 1.19. Variação dos raios atômicos através

Figura 1.19. Variação dos raios atômicos através da tabela periódica. Fonte: Química Inorgânica – Shriver e Atkins 3ª Ed.

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Raio Iônico: está relacionado com a distância entre os núcleos de cátions e ânions vizinhos.

Torna-se, assim, necessário dividir uma única separação internuclear de íons vizinhos entre duas espécies diferentes (p.ex., um íon Na + e um íon Cl - em contato).

(p.ex., um íon Na + e um íon Cl - em contato). A forma mais direta

A forma mais direta para resolver este problema é determinar arbitrariamente o raio de um íon e, então, utilizá-lo para determinar os raios de todos os outros íons.

O íon escolhido foi o O 2- , por ter a vantagem de poder se combinar com a maioria dos elementos e ser pouco polarizável, e assim seu volume não varia muito em função da troca do cátion que o acompanha.

R (O 2- ) = 1,40 Ǻ

Da mesma forma que o raio atômico, o raio iônico, aumenta com o número de coordenação. Assim, ao se comparar raios iônicos deve-se também observar se eles têm o mesmo NC. Os valores normalmente empregados referem-se ao NC igual a seis (6), o NC mais comum. Uma característica comum ao se comparar o raio atômico com o iônico é:

Todos os ânions são maiores que os átomos que lhes deram origem e todos os cátions são menores. Explicação:

O aumento do raio do ânion em relação ao átomo é o resultado da maior

repulsão elétron-elétron que ocorre no ânion, quando comparado com o átomo neutro.

O menor raio do cátion, comparado com o elemento que lhe deu origem, é

uma conseqüência da diminuição da repulsão elétron-elétron, devido a perda de

elétron. As tendências gerais para os raios iônicos são semelhantes a dos raios atômicos, assim:

O raio iônico aumenta ao se descer em um grupo.

Li + < Na + < K + < Rb + < Cs +

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