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FIGURA 1: Mapa da Bahia- Fonte www.facom.UFBA.

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A cidade de Salvador, localizada no Estado da Bahia foi fundada há quatro


séculos e meio, ela faz parte de um primeiro momento de “mundialização”, afirma
Vasconcelos, ele diz também que a cidade se iniciou com a expansão comercial e
colonial européia no século XV, Foi sede do primeiro governo geral, além de
apresentar questões específicas relacionadas à situação geográfica única, com uma
extensão de orla marítima de 104,03km, com características do sítio próprio, tipo de
economia regional e população descendente; europeus, africanos e ameríndios.
Em 1945 aproximadamente alguns aspectos foram destacados neste momento
da história de Salvador: Implantação dos primeiros transportes coletivos, da ferrovia,
modernização e ampliação do porto, implantação de uma série de avenidas com os
estudos de planejamento urbano, implantação de parques industriais nos municípios
periféricos de salvador, eixo viário monumental e construção do centro
administrativo.
Atualmente considera-se que a cidade de Salvador é uma metrópole com sérios
problemas de urbanização, visto que não foi uma cidade com crescimento
planejado, e a necessidade de expansão territorial, juntamente com a exploração
dos recursos aqui existentes foram fatores de constituição da cidade. Milton Santos
conceitua configuração territorial como um conjunto dos complexos naturais. Milton
fala que o espaço é formado por um conjunto indissociável solidário e também
contraditório de sistema de objetos e sistema de ações, Salvador possui uma
paisagem que varia de acordo com o conjunto de fixos e fluxos. Os fixos permitem
ações que modificam o próprio lugar e os fluxos são resultado direto ou indireto das
ações, que se que se instalam em fixos. Este movimento ocorre de acordo com o
calendário social da cidade.
A configuração territorial de Salvador, que constitui um conjunto de coisas
arranjadas em sistemas, formado por recursos naturais e criado pelo homem,
delimita a cidade em cidade alta e cidade baixa. A cidade baixa, especificamente o
subúrbio de Salvador, possui uma área de 2684 hectares e uma população com
cerca de 600 mil pessoas, segundo IBGE.
Esta região abrange um total de aproximadamente 22 bairros entre a Calçada e
Paripe.

O Subúrbio-Grandezas no passado.

FIGURA 2- Mapa do subúrbio de Salvador.Fonte www.facom.UFBA.br

O subúrbio ferroviário como é chamado, no início de sua história era formado


por várias fazendas, que hoje levam os nomes de bairros como Coutos, Paripe,
Periperi e Lobato. No século XVII os grandes proprietários de terras, estabeleciam
suas casa para veraneios nesta região, devido a grande beleza natural que se
estendia por toda extensão territorial.

FIGURA 3 - Foto da praia do bairro de escada


Atualmente o cenário mudou as praias impróprias para o banho, não mais atrai
as pessoas. Apesar de ser utilizada por muitos moradores, que ignoram o grau de
perigo que as águas poluídas, oferecem para a saúde.
Palco de várias lutas sociais, manifestações populares, o subúrbio anseia por
atendimento satisfatório às demandas de infra-estrutura, principalmente em relação
a saneamento básico, saúde e educação. Várias Organizações não governamentais
contribuem para o desenvolvimento social do Subúrbio, entre elas o Sofia, Cipó e
outros.
Diante deste cenário surgem as ocupações espontâneas que continuam
crescendo e com elas outros problemas de ordem socioeconômica. Em especial,
destacaremos o bairro do Rio Sena, objeto deste estudo.

A comunidade do Rio Sena.

Historicamente o bairro do Rio Sena surgiu a partir de um grande loteamento,


afirma dona Cecília moradora antiga do bairro, tendo como proprietário Ademar
Peixoto um grande latifundiário. Os loteamentos surgiram na década de 60.
Os lotes eram definidos por um corretor, que vendiam e delimitavam os
terrenos. Não havia infra-estrutura; água luz, saneamento básico. Em 1960 surgiram
os primeiros moradores, eram doze famílias, dentre elas um morador que resolveu
vender artigos diversos (fumo de corda, charutos, cachaça, fifo, querosene, etc.) aos
homens que passavam de cavalo em uma estrada de terra que ligava o bairro de
Periperi a Pirajá. Grande era a beleza deste lugar, que atraiu a atenção de pessoas
que buscavam tranqüilidade era o ano de 1966/67.
Na década de 70 ocorreu um grande temporal desabrigando um grande
número de família de diversos lugares, e essas famílias foram abrigadas na escola
Cidade de Itabuna que na época só tinha duas salas de aulas. Um seminarista
visitou este local e a partir desta visita formou-se um grupo religioso que cresceu e
assim nasceu a primeira igreja do bairro. Comunidade Nossa Senhora do Perpetuo
Socorro. Surgem neste período as ocupações espontâneas (invasões) de terra. Em
Pobreza Urbana, Milton Santos destaca que “existem fatores diversos que fazem um
determinado grupo ocupar uma área de forma desordenada”. (Santos, 1978). As
pessoas que não tinham recursos financeiros para adquirir seus títulos de terra,
invadiam e delimitavam seus territórios trazendo consigo toda uma riqueza cultural.
O nome Rio Sena surgiu a partir de um baixo assinado liderado por dona
Cecília moradora e fundadora da comunidade católica. Ela que queria homenagear a
freira Joana D’arc. Que teve suas cinzas jogadas no Rio Sena, na França, todos os
moradores concordaram e assim a prefeitura oficializou o nome Rio Sena. È
pertinente afirmar que naquela época a população era na sua grande maioria
católica. E atualmente o cenário continua com uma grande porcentagem de pessoas
que se dedicam a participar de algum tipo de religião, contudo a sua grande maioria
é composta por “cristâ”. Como pode ser comprovado com os dados coletados na
pesquisa.
A delimitação espacial do bairro compreende a localização entre o bairro de
Ilha Amarela, Alto da Terezinha e Periperi. Atualmente, o bairro foi incluído no mapa
de Salvador, coisa que antes não havia. Sua população atual é de aproximadamente
vinte e dois mil habitantes.
As transformações sofridas pelo espaço geográfico da área são de grande
relevância, o desmatamento para construção de moradias, adentrou a reserva de
mata Atlântica, que abriga uma das barragens que abastece a cidade. Esta
barragem faz parte da Bacia do Cobre protegida por decreto estadual (anexo). As
ações de melhoria e organização do espaço geográfico ocorreram lentamente.
Foram vários baixo assinados, para que o transporte coletivo fizesse parte da
paisagem do Rio Sena. A moradora conta que, três ônibus da empresa Ipiranga
foram destinados para o bairro, no ano de 1982, vinte e dois anos depois do
surgimento do bairro. Foi uma grande festa para a comunidade. Neste período ainda
não havia asfalto e a dificuldade era imensa. Assim, juntos, os moradores liderados
por dona Cecília foram à busca do asfalto. Que chegou três anos após o inicio do
transporte coletivo.
FIGURA 4-Transporte coletivo

10%

satisfatório
insatisfatório

90%

De acordo com a pesquisa realizada o serviço público atual de transporte, do local é


insatisfatório, um índice de 90% de reprovação, pois o transporte não supre as
necessidades dos moradores. São apenas três linhas de ônibus: Lapa, Ribeira,
Pituba e um número reduzido de transporte alternativo (Vans) com inicio na Baixa do
Fiscal.
Com o transporte e o asfalto, o bairro desenvolveu-se e hoje possui um
comércio variado, composto por: mercados, armarinhos, farmácias, açougues,
padarias ,assim como uma rádio comunitária , um posto policial, dois postos
médicos, seis escolas públicas, sendo duas delas estadual, e quatro municipais, dois
campos de futebol, uma praça, várias escolas particulares, comunitária, Associações
de moradores, alguns atuando ativamente como a associação Criança e Família que
faz um bom trabalho social, sua estória acontece paralela ao crescimento do bairro.
E no seu site podemos encontrar a seguinte informação:

FIGURA -5. foto arquivo antigo da Assoc. Criança e Família

“Em 1980, os moradores da Comunidade São Jorge, situada numa invasão da periferia
de Salvador no bairro do Alto da Terezinha juntaram-se com alguns membros de uma
pequena fraternidade católica da França e construíram uma escolinha num barraco de
madeira. Tentando também responder ás necessidades urgentes da comunidade, viver e
transmitir os valores que os animam: opção prioritária para os mais pobres, excluídos,
respeito e valorização do potencial de cada um, partilha e interajuda, promoção das
pessoas e das famílias do bairro. Assim nasceram sucessivamente vários projetos, com e
para as famílias do bairro.”

Continuando, nos informa que:

A Associação « Criança e família » tem como finalidade apoiar,


encorajar, criar com as famílias carentes, atividades do tipo sócio-
educativas, culturais, desportivas e de saúde, visando a melhoria da
qualidade de vida das crianças, dos jovens e de seus familiares, diminuindo
assim os riscos de exclusão social e marginalização.

FIGURA-6 Foto arquivo atual da Assoc. Criança e Família

O presente trabalho retrata o bairro do Rio Sena, que faz fronteira com o Alto da
Terezinha, a Associação acima citada, beneficia vários moradores de diversos
bairros, como: Ilha Amarela, Rio Sena, Itacaranha, Mirantes de Periperi e outros.
Em uma pesquisa feita nos dias 5,6 e 7 de maio de 2008,foram entrevistados
,dez moradores,coletando informações de âmbito social ,econômico e cultural,sob
forma de entrevistas, através de um questionário aplicado com os moradores do
local. Foi constatado que o nível salarial da população é em torno de um salário
mínimo. A desigualdade social, presente no país, destaca-se na região do Rio Sena.
Um povo que sobrevive com um mínimo de condições para sobreviver. São em sua
maioria trabalhadores informais e que apresenta baixa escolaridade, o que agrava
sua posição na relação com a sociedade. No gráfico abaixo a visualização da faixa
salarial que predomina no bairro.
FIGURA 7-Base salarial

20%
um salário

1 a 2 salários

20% 60%
m ais de 3
salários

Segundo PEREC o corpo é o nó vital, imediato visto pela sociedade como fonte de
suporte de toda cultura. Este trabalho permitiu que se pudesse obter um perfil da
população atual do bairro, sua estrutura atual assim como seu sentimento de
identidade para com o bairro. A importância deste trabalho é de promover a
disseminação do relato histórico, garantindo uma preservação da identidade do
bairro.

3 - CONSIDERAÇÕES FINAIS.

O resgate histórico do bairro do Rio Sena, despertou um sentimento de


territoriedade, de busca de identidade, em seus moradores que participaram deste
trabalho. O processo abriu caminho para uma reflexão sobre a origem do bairro,
suas transformações e organização espacial, Os problemas estruturais, e sociais,
apesar de serem muitos, não foram os centros de atenção dos moradores, eles
falavam com emoção sobre a paisagem social, a inter-relação existente. Eram
relatos de um cotidiano permeado de características próprias. A elaboração deste
projeto foi baseada em relatos e entrevista, uma coleta de dados para um
mapeamento social da região. As condições econômicas e sociais do bairro
confirmam que a desigualdade social é fruto de uma herança cultural. Enfim, a
ocupação do solo de forma desordenada, no inicio da colonização do Brasil, deixou
uma herança de segregação social. Os bairros que compõem o subúrbio de
Salvador anseiam por um conjunto de intervenções por parte dos órgãos públicos,
para sanar as grandes dificuldades, que o processo de desterritorializaçao
provocou ao povoar o país de forma desordenada.

Referências:

APARECIDA, Maria Adélia de Souza. O lugar de todo mundo. A geografia da

solidariedade: (texto)

ALMEIDA, Pedro de Vasconcelos. Salvador: Os agentes de seu

desenvolvimento. (texto)

FANI, Ana Alessandri Carlos. O lugar e as práticas cotidianas.

SANTOS, Milton. Metamorfoses do espaço habitado. São Paulo : Hucitec, 1988.

http//Criançaefamilia.org

http//www.facom.UFBA.br

Trabalho realizado por: Ednalva Pereira Silva. Estudante em graduação de


Pedagogia Gestão Escolar.