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br PERSONALIDADE JURÍDICA: A noção de personalidade tem uma conotação psicológica, mas para a teoria do direito civil, exige-se um conceito técnico: personalidade é aptidão genérica para se titularizar direitos e contrair obrigações; ou seja, é a qualidade para ser sujeito de direitos. É o caso da pessoa física ou natural e da pessoa jurídica. Pessoa física ou natural: É denominada ente de existência visível segundo Teixeira de Freitas. Em que momento a pessoa física adquire personalidade? A polêmica é profunda. Aparentemente, a resposta se encontra na primeira parte do art. 2º do CC: a partir do nascimento com vida (funcionamento do aparelho cardiorespiratório) a personalidade jurídica é adquirida. Obs.: o sistema brasileiro, a luz do princípio da dignidade da pessoa humana não exige, para efeito civil, na aferição do nascimento com vida a forma humana e o tempo de sobrevida. Conceito e teorias explicativas do nascituro: Conceito: nascituro é o ente concebido, mas ainda não nascido. É diferente de prole eventual pois nessa não houve concepção. O nascituro tem vida intrauterina. Teorias explicativas do nascituro: 1. Natalista: Eduardo Spínola, Sílvio Rodrigues, Vicente Ráo. A personalidade só seria adquirida a partir do nascimento com vida, de maneira que o nascituro não seria considerado pessoa, gozando de mera expectativa de direitos. (banca mais tradicional). 2. Concepcionista: Teixeixa de Freitas, Silmara Chinellato. Nascituro é pessoa. Sob influência do direito francês, os adeptos da linha concepcionista afirmam que o nascituro é pessoa, ou seja, adquire personalidade desde a concepção, inclusive no que tange a certos direitos patrimoniais. Ainda os concepcionistas afirmam que, quanto ao direito a herança não há consolidação desse direito, exigindo-se o nascimento (se abortar não haverá transmissão) 3. Teoria da personalidade formal ou condicional: sustenta que o nascituro gozaria formalmente de personalidade, no que tange a direitos personalíssimos, mas direitos
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Direito Civil – Pablo Stolze patrimoniais em geral só seriam consolidados sob a condição de nascer com vida (seria uma semi-pessoa). Ex. Washington de Barros. *Qual teoria adotada pelo CC? Independentemente da teoria adotada, o nascituro goza de tutela jurídica em diversos pontos do sistema (ver quadro esquemático no material de apoio). Segundo Clóvis Beviláqua, em sua obra Comentários ao Código Civil dos Estados Unidos do Brasil, Ed. Rio, 1975, p. 98, o legislador teria adotado a teoria natalista “por ser mais prática”. Mas, em diversos pontos do sistema é sentida a influência concepcionista, na medida em que o nascituro é tratado como se pessoa fosse. Assim, cada vez mais, a teoria concepcionista está se fazendo presente. Questões especiais envolvendo o nascituro: 1. A jurisprudência do TJRS já havia apontado no sentido de reconhecer ao nascituro, como se pessoa fosse, o direito patrimonial aos alimentos (AI 7000.642.9096), tendência esta consolidada pela Lei dos Alimentos gravídicos – Lei 11.804/08. 2. O STJ já admitiu, em mais de uma oportunidade, a possibilidade de se reconhecer direito a indenização em favor do nascituro que houver sofrido dano moral (Resp 931.556/RS; Resp 399.028/SP). Ex. Morte do pai em acidente – não pôde reconhecer o filho. Obs.: O natimorto tem proteção jurídica? Natimorto é o nascido morto. Segundo o En. 1 da 1ª Jornada de Direito Civil, o natimorto respeitada sua condição mereceria a tutela de alguns direitos da personalidade, tais como nome, imagem e sepultura. ___________________________________________________________________________________ CAPACIDADE Desdobra-se em capacidade de direito e capacidade de fato (de exercício). A soma de ambas é a capacidade civil plena, que em geral se adquire aos 18 anos. 1. Capacidade de direito: é a capacidade jurídica genérica que toda pessoa tem. Diz Orlando Gomes que a capacidade de direito se confunde com a personalidade, nos dias atuais. 2. Capacidade de fato: é a capacidade de exercer, por si, os atos da vida civil. Nem todos têm e é a que gera a incapacidade quando ausente. Obs.: qual a diferença entre capacidade e legitimidade? A legitimidade, segundo pensamento de Calmon de Passos, traduziria a pertinência subjetiva para a prática de determinado ato. Vale dizer, uma pessoa pode até ser capaz, mas estar impedida de praticar determinado ato, sob pena de invalidade. Falta-lhe, no caso, legitimidade. Ex. art. 1521, IV, CC; art. 496, 1647, CC. Incapacidade Absoluta: art. 3º - Representação:
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Os atos praticados por absolutamente incapazes são nulos de pleno direito, não decorrendo deles qualquer efeito jurídico. São absolutamente incapazes: a) Menores de 16 anos: entre 0 e 16 anos incompletos. São os menores impúberes. b) Aqueles que não tiverem o necessário discernimento para prática de atos da vida civil, seja por enfermidade ou deficiência mental: no que se refere a essa disposição, vale lembrar, nos termos dos artigos 1177 e ss. do CPC, a incapacidade derivada de enfermidade ou deficiência mental deve ser aferida no bojo de procedimento de interdição. A partir da sentença, qualquer ato praticado pelo interditado é nulo de pleno direito (se não estiver representado), ainda que praticado em momento de lucidez. Obs.: qual o tratamento jurídico deverá ser dispensado às pessoas naturalmente incapazes ainda não interditadas e que praticam ato que lhes seja prejudicial? O CC é omisso quanto a este problema. Segundo Orlando Gomes, amparado na doutrina italiana, o ato praticado por incapaz ainda não interditado poderá ser invalidado se concorrerem três requisitos:  Incapacidade anterior;  Prejuízo ao incapaz  Má-fé da outra parte (esta má-fé poderá ser investigada segundo as circunstâncias do caso). c) Aqueles que mesmo por causa transitória não puderem exprimir sua vontade: esta pessoa não é doente mental e sim vítima de uma causa exógena. Ex. boa noite cinderela. É incapacidade absoluta, ainda que seja transitória sua causa. Ex. coma. Obs.: o CC 16 dizia que o surdo-mudo que não tinha habilidade para manifestar sua vontade e o ausente eram absolutamente incapazes. Uma hermenêutica básica capacita a inclusão daqueles acometidos da surdo-mudez que não tenha habilidade para se manifestar no inciso III do art. 3º do CC, já o ausente, conforme será abordado é tratado no Novo CC, segundo o art. 6º, como morto por presunção. Incapacidade Relativa: art. 4º - Assistência: a) Maiores de 16 anos e menores de 18 anos: menores púberes; b) Ébrios habituais, viciados em tóxicos, ou aqueles que por deficiência mental tenham discernimento reduzido. Se é total, qualquer desses casos gerará incapacidade absoluta. Ex. embriaguez patológica. Vale observar que, com base na teoria da Actio libera in causa, de possível aplicação também no direito civil (ver a obra Culpa e Risco de Alvino Lima) que não haverá isenção de responsabilidade civil em favor da pessoa que voluntariamente se coloca em estado de incapacidade c) Excepcionais sem desenvolvimento mental completo.
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Cite-se: Art. 4º. nomeação de curador para assisti-lo em atos de disposição ou repercussão patrimonial. nos termos do parágrafo único do art. o próprio governo federal havia publicado nota no SAJ nº 42/03 – JMF no sentido de não permitir cancelamento de pagamento de benefício previdenciário sob o argumento de redução da maioridade no CC. CC). em uma perspectiva constitucional. Obs. Segundo Washington de Barros Monteiro.Direito Civil – Pablo Stolze d) Pródigos: o pródigo. se o menor tiver dezesseis anos completos. quando a pessoa fica habilitada à prática de todos os atos da vida civil. ou de um deles na falta do outro. IV . (art. em sua obra O Estatuto Jurídico do Patrimônio Mínimo afrima que.: O professor Luiz Edson Fachin. Intensivo I LFG Página 4 . IV terá em seu favor. o STJ já pacificou entendimento (HC 55606/SP) no sentido de que ao atingir a maioridade civil. *Tratamento jurídico do índio: no CC/02. 5o A menoridade cessa aos dezoito anos completos. as normas civis devem sempre resguardar a cada pessoa. 03 da 1ª Jornada de Direito Civil). o credor não poderá ter cancelada automaticamente a pensão alimentícia (paga. É tutelado pela FUNAI. em geral até a conclusão dos estudos). No que tange ao direito de família. Obs. 1782. nos termos do parágrafo único do art.pela colação de grau em curso de ensino superior. 358. STJ.: ver no material de apoio questão especial sobre o tema Restitucion in Integrum. ouvido o tutor. independentemente de homologação judicial. III . Cessará. salvo se demonstrar consciência e discernimento. Parágrafo único. uma vez que deveria ser respeitado o limite etário da Lei Previdenciária Especial (ver En. Efeitos da redução da maioridade civil nos âmbitos do direito previdenciário e família: No campo previdenciário. 4º.pela concessão dos pais. 5º. II . Para o pródigo se casar deve haver assistência somente quanto ao regime de bens eleito. Já quanto a opção pelo casamento o pródigo não precisa ser assistido. mediante instrumento público. mesmo antes dos 18 anos. mediante emancipação. a capacidade do índio é remetida ao tratamento da Lei especial (ver art. a maioridade é atingida no primeiro instante do dia em que se completa os 18 anos. ou por sentença do juiz. Emancipação: Aos 18 anos completos é atingida a maioridade civil Le a capacidade civil plena. para os menores. 8º da Lei 6.001/73). para que tenha vida digna. no bojo do procedimento de interdição. a incapacidade: I .pelo exercício de emprego público efetivo. o mínimo de patrimônio. relativamente incapaz nos termos do art.pelo casamento. a capacidade civil poderá ser antecipada. Mas. garantindo-se sempre o contraditório para que possa demonstrar a necessidade dos alimentos – Súm.

Intensivo I LFG Página 5 . 2ª parte: É aquela concedida pelo juiz ouvido o tutor. restituindo-se as partes ao estado anterior. A doutrina brasileira (Silvio Venoza) assim como a jurisprudência (RTJ 62/108. em geral. exigindo-se até os 18 anos. a emancipação persiste. conforme veremos na aula de família. na falta do outro. A tutela dá-se na ausência dos pais (falecidos) ou quando forem destituídos do Poder familiar. c) Legal – art. a emancipação ocorreria. Espécies de emancipação – Código Civil: a) Voluntária – art. em caráter irrevogável. p. a emancipação perderá efeitos. I. A questão é polêmica. independentemente de homologação judicial. cabe ao outro deliberar acerca da emancipação. desde que o menor tenha 16 anos completos. ún. ressalvada a hipótese de casamento putativo (Zeno Veloso. 5º. b) Judicial – art. o art. II a V: No que tange a emancipação legal. Mesmo que haja separação ou divórcio. p. RT 494/92) já apontaram no sentido de que para evitar situações de injustiça. *Exercício de emprego público efetivo: deveria se falar em função pública – cargo e emprego. p. desde que. existe mais de uma hipótese. Tendo ambos os pais. ou pela existência de relação de emprego. desde que o menor tenha pelo menos 16 anos completos. I. o ato emancipatório é conjunto.: no caso de invalidade do casamento. mediante instrumento público. 1ª parte: É aquela concedida por ato dos pais. 5º. no entanto. ou por um deles. Pode acontecer nos caos de carreiras militares que se iniciam aos 17 anos. 1520 do CC admite excepcionalmente o matrimônio em caso de gravidez ou para evitar imposição ou cumprimento de pena criminal. Flávio Tartuce). exigem 18 anos completos. uma vez que seus efeitos são para o futuro. a emancipação não seria atingida (ver Orlando Gomes). em função deles. senão vejamos: *Casamento: a regra quanto a idade núbil para homens e mulheres no CC é de 16 anos. também nesses casos. o menor com dezesseis anos completos tenha economia própria. ún.pelo estabelecimento civil ou comercial. Refere-se ao menor sob tutela e é efetivada por meio de procedimento de jurisdição voluntária. autorização dos pais ou do juiz (suprimento de consentimento). Partindo da linha de pensamento de autores que projetam os efeitos da sentença de invalidade para o futuro. 5º. É muito raro de acontecer pois os editais. a emancipação persiste? A questão é controvertida. Obs.Direito Civil – Pablo Stolze V . ún. na letra fria da lei. No entanto. E na falta de um. a emancipação voluntária não exclui a responsabilidade dos pais por ilícito cometido por menor emancipado até que complete 18 anos. Abaixo dos 16 anos. seguindo a linha de pensamento segundo a qual os efeitos da sentença de invalidade são retroativos inclusive para cancelar o registro de casamento.

a fim de permitir. Morte Presumida – Hipóteses: Intensivo I LFG Página 6 . 4º. a melhor aplicação da norma ao caso concreto. Fala-se em emancipação dada pela lei. O óbito deve ser declarado por médico ou. O CC não fala da exigência de sentença judicial declarando a emancipação. 6º do CC: “A existência da pessoa natural termina com a morte. Obs. A emancipação civil não importa emancipação penal. E mesmo que venha a perder o emprego não retornará a situação de incapacidade. Luiz Flavio Gomes entende que o menor pode sofrer prisão civil em sendo antecipado. segundo a professora Maria Helena Diniz é a parada cardíaca prolongada e a ausência de respiração. O emancipado comete ato infracional na forma do ECA. ou seja. permeado por conceitos indeterminados e cláusulas gerais. comercial ou relação de emprego. tenha economia própria:  Estabelecimento Civil ou  Estabelecimento comercial ou 16 anos completos = Economia própria  Relação de emprego Ex.: O que se entende por economia própria? Partindo-se da ideia de que o nosso sistema civil é aberto. nos termos do art. presume-se esta. REs.Direito Civil – Pablo Stolze *Colação de Grau em Curso de Ensino Superior: é bastante raro. *Estabelecimento civil. a luz do princípio da operabilidade. mas pode ocorrer em casos excepcionais. nos casos em que a lei autoriza a abertura de sucessão definitiva. Isso traduz o princípio da operabilidade. para efeito de transplante o critério mais seguro é a morte encefálica por ser irreversível (art. temos que “economia própria” traduz um conceito vago. alimentos.” A noção comum de morte. Todavia. Menor emancipado deve respeitar norma administrativa específica: o art. caso não haja. ** Princípios do CC: a) operabilidade b) socialidade (função social) c) Eticidade. 77 da Lei de Registros Públicos. se o menor com 16 anos tem uma barraca na feira.: 1. I do CTB estabelece que a imputabilidade penal é condição para ser condutor de veículo. duas testemunhas que possam fazêlo. com 16 anos completos. Extinção da Pessoa Natural: A morte marca o fim da pessoa natural. a ser fixado em cada atividade hermenêutica (depende da análise do caso concreto). Art. desde que o menor. 140. Obs. O registro é feito no livro de óbito. 1480/97 – do Conselho Federal de Medicina). quanto aos ausentes. 2. Ex. em função deles.

esta última significa a morte precedente de uma das partes. 6º e no art. pois. nas hipóteses do art. há fundado indício de que houve a morte. 7º do CC. *Hipóteses:  Se for extremamente provável a morte de quem estava em perigo de vida. mediante procedimento de justificação.: não se pode confundir comoriência (morte simultânea) com premoriência. para a realização de determinados fins. Premoriência = pré-morte. 7º estabelece duas situações de morte presumida: a primeira decorrente da ausência e a segunda sem que haja o procedimento da ausência.Direito Civil – Pablo Stolze O CC Brasileiro. abrem-se cadeias sucessórias distintas. A metade de casa um é transmitida para seus herdeiros. considerar-se-ão simultaneamente mortas. se duas ou mais pessoas falecerem na mesma ocasião sem que possa precisar se qualquer delas precedeu a outra. na 2ªparte do art. A sentença proferida. a partir do art. com personalidade jurídica própria. noção oriunda da sociologia. Vale dizer. Nesses casos. Teorias explicativas da pessoa jurídica: Intensivo I LFG Página 7 . O CC. o ausente é reconhecido presumidamente morto. A sentença de ausência – abertura da sucessão definitiva não é registrada em livro de óbito. 8º do CC. mas não há cadáver. cancelando-se o registro. Obs. criado na forma da lei. podemos em um primeiro momento. nos termos do art. que indicará data provável da morte (procedimento de justificação) será registrada no livro de óbito normal. Comoriência: A comoriência traduz a situação jurídica de morte simultânea. Tal princípio só será aplicado se não houver a ordem cronológica das mortes e as pessoas que faleceram forem herdeiras entre si. 22. Ex. sem declaração de ausência. Haverá morte presumida também. Caso seja reconhecida a simultaneidade das mortes. PESSOA JURÍDICA Partindo-se do “fato associativo”. de maneira que um comoriente não herda do outro. o presumidamente morto deve entrar com ação para reconhecer estar vivo. É grupo humano personificado pelo direito em sua essência. mas sim em livro especial no registro civil de Pessoas Naturais. situações de guerra. definir pessoa jurídica como um grupo humano. estabelece um procedimento de transmissibilidade dos bens: aberta a sucessão definitiva. A ausência (ver apostila) traduz a situação da pessoa que desaparece de seu domicílio sem deixar notícias ou representante que administre seu patrimônio.  Se alguém desaparecido em campanha ou feito prisioneiro não for encontrado até dois anos após a guerra Caso retorne.

A teoria da ficção reconhecia a pessoa jurídica como um ente abstrato. mas sim organismo vio com existência social. apresentando três distintas vertentes: 2. 2. Ficção: Saviny. Brinz. Todavia. Em geral.1. Mas a pessoa jurídica integra relações sociais – negócios jurídicos. En. pela ausência da dimensão psicológica da pessoa jurídica (Wilson Melo da Silva. Planiol. fruto da técnica jurídica pura. Entendia a pessoa jurídica como ente abstrato.Direito Civil – Pablo Stolze 1.: A pessoa jurídica pode sofrer dano moral? É firme na jurisprudência brasileira (Súm. 45 do CC. Negativista: negava o reconhecimento da pessoa jurídica como sujeito autônomo. se dano moral é lesão a direito da personalidade. Ele entendia a pessoa jurídica como ficção. mas tem atuação social.3. Ela integra relações sociais. Ex. baseada no organicismo sociológico. realiza negócios. Obs. 227.2. entendia que a pessoa jurídica não seria mera criação do Direito. 2. tem realidade própria e existência social. 2. mas não nega sua atuação social. o próprio artigo 52 do CC admite que a pessoa jurídica possa titularizar tais direitos. Já a teoria da realidade técnica. Afirmativista: aceitava e reconhecia a autonomia da pessoa jurídica como sujeito de direitos. Alguns diziam ser patrimônio coletivo. que não podia se relacionar socialmente. Intensivo I LFG Página 8 . Ag Rg Resp 865. o registro público competente para o qual é levado o ato constitutivo para criar a pessoa jurídica ou é a Junta Comercial ou o Cartório de Registro Civil das Pessoas Jurídicas. enquanto o registro da pessoa natural é declaratório. A teoria da realidade objetiva. Foi a teoria que prevaleceu. STJ. observamos que a pessoa jurídica só se constitui a partir do registro de seu ato constitutivo (contrato social ou estatuto) no registro público competente. Realidade técnica: Hugo Ferrara – É criada pelo direito.658/ RJ) o entendimento segundo o qual pessoa jurídica pode sofrer dano moral. Essa corrente é oposta a de Savigny. A pessoa jurídica só passa a ter existência legal com o registro no órgão competente de seu ato constitutivo. Surgimento da Pessoa Jurídica: A pessoa jurídica é constituída a partir de sua inscrição no registro competente. Realidade objetiva: oganicista ou sociológica – Clóvis Bevilaqua. ser condomínio ou ainda um grupo de pessoas físicas reunidas. Aliás. Nos termos do art. 45 do CC é a mais equilibrada uma vez que reconhece que a pessoa jurídica seja personificada pela técnica do direito. criticando o reconhecimento desse tipo de dano. há quem sustente o contrário. Considerava a Pessoa Jurídica como organismo vivo fruto da sociologia pura. 286 da 4ª Jornada de Direito Civil). que no entender do professor foi adotada pelo art.

além do registro.  partidos políticos A disciplina autônoma das organizações religiosas e partidos políticos. Ex. 44. têm capacidade processual. Principais Espécies de Pessoa jurídica no Direito Privado: O Código Civil.Direito Civil – Pablo Stolze Obs.: Algumas pessoas jurídicas. Trata-se de uma exceção. a afetação de um patrimônio. despersonificada. a doutrina visualiza sanções: a) impossibilidade de obtenção do crédito bancário. mediante a manifestação de vontade do instituidor para a realização de fins ideais. Não havendo o devido registro do ato constitutivo no registro público competente. bancos – autorização do Banco Central. explica-se pela necessidade de “blindá-las” da norma impositiva de adaptação ao CC prevista no art. Fundações: Conceito: A fundação não resulta da união de indivíduos. precisam. ** O que se entende por entes despersonificados ou de personificação anômala? Existem entidades que. 986 do CC e com possível responsabilidade pessoal de seus membros. o item 09. nos termos do art. Requisitos para constituição de uma fundação: Intensivo I LFG Página 9 . nos termos do art. observando-se quanto a este último que. em face de sua importância. A fundação não pode ter fins lucrativos e só pode ser criada por escritura pública ou testamento. referente ao art. 62 do Código Civil. 44 estabelecia três espécies básicas de pessoas jurídicas de direito privado:  associações.  sociedades  fundações. CC). Para aqueles que não se adaptaram. existirá uma mera sociedade irregular ou de fato. Tal autorização / aprovação é exigida sob pena de inexistência (Caio Mario). 2031. 2. b) impossibilidade de participação em licitação. no art. que se personifica. na redação original do art. a despeito de serem associações. mas sim. a exemplo da massa falida. acrescentaram-se dois incisos para incluir:  organizações religiosas. a possível responsabilidade pessoal dos sócios ou administradores. posto tecnicamente não devam ser consideradas pessoas jurídicas. a teor do art. 12 do CPC. de autorização especial advinda do Estado.031 (ver no material de apoio 02. possui CNPJ por ficção tributária. Na redação atual. c) dado o funcionamento irregular. do espólio e até mesmo do condomínio. são essencialmente associações.

Fundação que acaba: O patrimônio será incorporado em outra fundação de fim igual ou semelhante. Registro público da fundação no Registro Civil das Pessoas Jurídicas. Velará pelas fundações. 66. Alteração do Estatuto: O Estatuto da Fundação pode ser alterado nos termos dos artigos 67 e 68 do CC. os administradores a submeterão ao MP e solicitarão ciência da minoria vencida para impugnar em 10 dias. Havendo razão e justificativa. nos termos do art. se o MP elabora o estatuto. b) Não contrariar ou desvirtuar a finalidade da fundação. §2º fala que cabe ao MPFederal. desde que preenchidos os seguintes requisitos: a) Quórum de 2/3. Distrito Federal o art. Territórios Mas referido parágrafo 2º foi declarado inconstitucional pelo STF na ADI-2794-8. Obs. elaboração do estatuto – a luz do art. instituição por escritura pública ou testamento.: quando não houver unanimidade. 66 do CC. Sociedades: Conceito: Intensivo I LFG Página 10 . O papel do MP: Vale salientar a precípua função fiscalizatória do MP. o Ministério Público do Estado onde se situarem. cabe ao MP de cada estado correspondente. salvo disposição em contrário. fiduciariamente (em confiança) por terceiro ou subsidiariamente pelo MP (se não for feito no prazo colocado pelo instituidor ou não havendo prazo. o estatuto da fundação poderá ser elaborado pelo próprio instituidor. o MPF também poderá ter atribuição fiscalizatória. c) Aprovação pelo MP (pode ser suprida pelo Juiz). aprovação do Estatuto: regra geral. quem o aprova é o MP: “em norma esquisita – art. devendo ser lido no sentido de reconhecer ao MP do DF e não ao MPF (Procuradoria da República) a atribuição precípua de fiscalizar a fundação situada no DF.Direito Civil – Pablo Stolze      afetação ou destacamento de bens livres do instituidor. o juiz deverá aprová-lo”. 65 do CC. 1202 do CPC – está estabelecido que. a exemplo da percepção de verba federal. Se estender-se por mais de um estado. se não efetivado no prazo de 180 dias).

dotadas de personalidade jurídica própria e instituídas por meio de contrato social visam à finalidade econômica – art. Faltando qualquer desses requisitos. É necessário observar que no que tange a sociedade entre cônjuges. diferentemente das sociedades simples. não são atingidas pelo Novo CC. consoante firmado pelo próprio DNRC – Departamento Nacional de Registro do Comércio – parecer 124/2003. Ex. b) Empresária: o conceito de empresa é mais amplo que o de comércio. Atividade empresária + registro. CC. 982) a sociedade anônima é sempre considerada empresária e a cooperativa é sempre considerada sociedade simples (ver AgRg no Resp 808. Intensivo I LFG Página 11 . a luz do art. associação de bairro. CC). para ser empresária. em geral. que são marcadas pela pessoalidade. Ademais. Associações: Conceito: As associações são formadas pela união de indivíduos com propósito de realizarem fins não econômicos (art. 966) e um requisito formal (necessário registro na Junta Comercial). em respeito ao princípio do ato jurídico perfeito. 53. Sociedades anteriores ao novo Código Civil. o art. 982. uma sociedade deve conjugar um requisito material (exercício da atividade típica de empresário. matéria prima e tecnologia).241/SP . Não há finalidade de partilha de lucro. clubes. corresponde a antiga sociedade civil. Por isso. sindicatos. do art. são prestadoras de serviços técnicos. 982) = Novo sistema tipológico: a) Simples: em geral. uma vez que os seus sócios atuam simplesmente como articuladores de fatores de produção (capital. científica. trabalho.Direito Civil – Pablo Stolze As sociedades. Exerce atividade técnica. a atividade desenvolvida. STJ). Nos termos do art. por exclusão. pessoas jurídicas de direito privado. a exemplo de uma revenda de automóveis. Tal entidade visa lucro. b) Mercantil: realizava atos de comércio e perseguia lucro. têm registro obrigatório na Junta Comercial. a sociedade é simples. artísticos ou científicos e seu registro é feito no CRPJ. As sociedades empresárias. a exemplo de uma sociedade de médicos ou advogados. essencialmente. Obs.: Por força de lei (p. CC/2002 – Sociedade (art. filhas diletas do capitalismo são marcadas pela impessoalidade. 977 do CC a proíbe se forem casados em comunhão universal ou separação obrigatória de bens. uma vez que os seus sócios realizam ou supervisionam pessoal e diretamente. CC/16 – sociedade a) Civil: perseguia lucro mas não praticava atos de comércio. ún. 981.

a exemplo do que se dá no procedimento de falência. ** Em regra. No Brasil. estadual ou federal de fins iguais ou semelhantes. Os requisitos do estatuto estão no art. garantindo-se ampla defesa e recurso. Art. Recentemente. 1. Desconsideração da Personalidade jurídica: Disregard doctrine – Rolf Serick. VII. O estatuto será registrado no CRPJ – Cartório de Registro de pessoas Jurídicas. Se houver justa causa pode ser o associado excluído. mas os associados de uma mesma categoria não podem ser discriminados entre si. julgando o Resp 976. quem sustentou a teoria inicialmente foi Rubens Requião. o seu patrimônio será atribuído a entidades de fins não econômicos designadas no estatuto. CPC que remete ao rito do CPC de 1939. 57 do CC. Assembléia geral: É órgão mais importante da Associação. Obs. Tem atribuições de destituir administradores e modificar o estatuto.Direito Civil – Pablo Stolze Ato normativo: Estatuto e não contrato social. 59. Conceito: Intensivo I LFG Página 12 . um clube. b) Administrativa: resulta da cassação da autorização específica de constituição e funcionamento da pessoa jurídica. 61 do CC. pode haver categorias diferentes de associados. CC. c) Judicial: é aquela que se opera por meio de sentença. ou. omisso esse à instituição municipal. por exemplo.218. 54 do CC. Obs.: Em uma associação. Exclusão de associados: Art.: Entidades não sujeitas a falência podem ter a sua dissolução judicial regulada pelo art. Tal artigo não se aplica ao condomínio vez que este não é associação. a luz do art. o STJ também aplicou o CPC/39 para decidir sobre divisão de bens com múltiplas penhoras. É mais comum para as sociedades (Distrato). Justa causa – conceito aberto. Extinção da Pessoa Jurídica: Fundamentalmente existem três formas de extinção da pessoa jurídica: a) Convencional: os próprios sócios ou administradores deliberam a extinção da pessoa jurídica. dissolvida a associação.522.

deve ser decretada pelo juiz. Requisitos da desconsideração: O CC/16 não trouxe norma específica acerca da matéria. Excepcionalmente. a extinção da própria pessoa jurídica e o cancelamento de seu registro.  Abuso em razão do desvio de finalidade  Abuso em razão da confusão patrimonial Inspirando-se na doutrina do prof. Por meio dessa teoria. A luz do art. Fábio Konder Comparato ( O Poder de Controle da S. Ex. a situação em que uma controladora atua fraudulentamente por meio Intensivo I LFG Página 13 .: Como vimos acima. não se pretende o simples afastamento temporário de personalidade. ou seja. que tem requisitos próprios com a responsabilidade tributária subsidiária de sócio / administrador. 1095 do CC. Segundo o professor Edmar Andrade. ressalvado o direito do trabalho. portanto. a própria doutrina (Gustavo Tepedino) e a jurisprudência (RMS 15. a matéria é tratada em seu art. no art. a desconsideração da personalidade jurídica pressupõe:  Descumprimento de obrigação (insolvente). Ed. a desconsideração com a Teoria Ultra vires societatis. 28. que o credor demonstre a intenção ou o dolo específico do sócio no cometimento do ato ilícito. mas sim. Desconsideração X Despersonificação: Na despersonificação. A sociedade. todavia. considera-se nulo o ato praticado pelo sócio que extrapolou os poderes conferidos pelo contrato social.A.Direito Civil – Pablo Stolze A doutrina da desconsideração pretende o afastamento temporário da personalidade de uma pessoa jurídica para permitir que seus credores possam satisfazer seus direitos no patrimônio pessoal do sócio ou administrador que cometera o ato abusivo. garantindo o contraditório. a primeira lei a tratar da desconsideração foi o CDC. Não se deve confundir a desconsideração da personalidade jurídica.. Também pode caracterizar abuso por confusão de patrimônio apto a permitir a desconsideração. No âmbito das relações privadas. a desconsideração é matéria “sob reserva de jurisdição”. como se deu em face de algumas torcidas organizadas no país.166/BA) têm admitido a desconsideração administrativa em caso de greve e de fraude. No CC/2002. para efeito de desconsideração. Forense) o sistema jurídico brasileiro não exige. 50 do CC. Obs. 50. não responde pelo ato praticado. de origem anglo-saxônica e regulada no art. lavagem de dinheiro. o abuso pode se caracterizar por um desvio de finalidade ou pela confusão patrimonial. Não se pode confundir também.

273/ SP. Nesse tipo de desconsideração. 920. É provisória.602/DF. 279.Direito Civil – Pablo Stolze de outra empresa do mesmo grupo. Morada: é simplesmente o lugar em que a pessoa física se estabelece temporariamente. O melhor entendimento doutrinário (En. Ocorre muito no direito de família. DOMICÍLIO Do latim. Não altera nem modifica o domicílio e a residência. 283 da 4ª Jornada admite esse tipo de desconsideração. Nesse caso. Intensivo I LFG Página 14 . 33453/01. TJSP. Se não sabe quem cometeu o ato. enfrentada pioneiramente pelo prof. 3. 07 da 1ª Jornada) é no sentido de que a desconsideração pressupõe requerimento específico em face do sócio ou administrador que cometeu o ato abusivo ou dele se beneficiou. Teorias Maior e Menor da Desconsideração da Personalidade Jurídica: Indaga-se qual a diferença entre teoria maior e teoria menor da desconsideração da personalidade jurídica. atinge-se a própria pessoa jurídica detentora de bens e valores para se alcançar a pessoa física que está por trás. Questões Especiais: 1. Fábio Comparato. 50. Residência: pressupõe estabilidade – é o lugar em que a pessoa física se estabelece habitualmente. Obs. exige também a demonstração do abuso do sócio caracterizado pelo abuso (desvio de finalidade/confusão patrimonial). domus. em situações jurídicas especiais. CC. Entretanto. É estável. opera-se uma desconsideração indireta – desconsidera-se a empresa controlada e atinge a controladora. garantido o contraditório – Resp. O que é desconsideração inversa? Ag. É o que se dá no CDC. ver jurisprudência no material de apoio – Resp. adota-se a teoria menor que se contenta simplesmente com o descumprimento da obrigação ou da insolvência. cabe inversão do ônus da prova. Art. Em mais de uma oportunidade o STJ tem afirmado que a regra geral no âmbito da desconsideração é a teoria maior que.: O En. além da insolvência da pessoa jurídica. A respeito dessa diferença. habitual. para facilitar a satisfação do direito. É firma a jurisprudência do STJ no sentido de que é cabível a desconsideração em se de execução. 2. É sede estável da pessoa.

: O domicílio da pessoa jurídica é regulado no art.Direito Civil – Pablo Stolze Domicílio: é o conceito mais abrangente. 70 do CC estabelece residência com ânimo definitivo. Especial ou de eleição: regulado nos artigos 78 do CC. Se tem atividade em mais de um lugar cada um deles será seu domicílio. Não se trata de domicílio geral. em seu art. nos termos do art. No que se refere a mudança de domicílio.  Marítimo (marinha mercante) – onde o navio estiver matriculado. pode ter mais de um domicílio. parágrafo único do CPC.  Militar do exército – onde servir. Legal: arts. Art. 72.  Militar da aeronáutica ou marinha – sede de seu comando. Obs. para pessoas que não têm domicílio certo. 74 do CC. considera-se domicílio o local em que forem encontradas. *Domicílio Aparente ou ocasional: trata-se de uma ficção jurídica baseada na teoria da aparência. Convencional ou voluntário: é o mais comum.  Servidor público – onde exerce função permanente. Na linha do CC de Portugal. A luz do art. Caso a pessoa tenha mais de uma cidade / lugar como centro de sua vida jurídica. consagra PARA DETERMINADOS EFEITOS UM DOMICÍLIO PROFISSIONAL. a nulidade de cláusula de eleição de foro.  Preso – onde cumprir pena (sentença) Intensivo I LFG Página 15 . A natureza jurídica do ato de fixação de domicílio é de ato jurídico em sentido estrito ou não negocial.  Incapaz – de seu representante. fixado por simples ato de vontade. 2. 73 do CC. o CC Brasileiro. a matéria é tratada no art. especial – profissional: quanto as relações concernentes à profissão. sem necessidade de exceção de incompetência. 75 do CC. CC. especialmente em contratos de consumo pode ser declarada de ofício pelo juiz. Obs. Conceito: O art. como circenses. segundo a autonomia privada. Espécies de Domicílio: 1. As questões jurídicas mais profundas devem ser vistas na grade de processo. Trata-se de domicílio escolhido pelas próprias partes no contrato.: A luz do princípio da função social. 71. 112. mas sim. 3. convertendo-o em centro principal de sua vida jurídica. 76 e 77 do CC. uma vez que traduz o lugar em que a pessoa física se estabelece com ânimo definitivo (Animus manendi).

*Bem X coisa: A despeito da polêmica. Obs. na linha do direito germânico.: Inspirando-se na doutrina dos direitos da personalidade. Modernamente. *Patrimônio jurídico: a doutrina clássica afirmava ser o patrimônio “a representação econômica da pessoa”. Em sala de aula. vida privada. imagem. BENS JURÍDICOS: Conceito: Bem jurídico é toda utilidade física ou ideal.Direito Civil – Pablo Stolze Obs. São eles: Intensivo I LFG Página 16 . a súmula 383 do STJ estabelece que “a competência para processar e julgar ações conexas de interesse do menor é. o professor destacou como mais importantes os seguintes aspectos acerca da classificação dos bens jurídicos: *Imóveis por força de lei: esta figura se encontra disciplinada no art. Observe-se que há bens jurídicos que não são coisas: liberdade. o patrimônio de afetação visa a imprimir maior segurança jurídica nas relações do mercado imobiliário ao vincular bens aos custos do empreendimento. etc). em princípio. Há patrimônio afetado para a garantia da construção. Carlos Alberto Bittar. *Patrimônio de afetação: consagrado na lei 10. direta ou indiretamente. Assim. com influência do direito brasileiro (Orlando Gomes). coisa é conceito mais restrito pois se refere apenas a utilidades materiais ou corpóreas. imagem. A despeito dessa regra.931/04. Já o conceito de bens abrange coisas corpóreas (bens materiais) e incorpóreas (bens imateriais). que uma pessoa titulariza seu patrimônio moral (honra. Acrescenta ainda que a obtenção de simples licença não altera o domicílio legal. integridade moral. vida. 80 do CC no qual o próprio legislador determina a natureza imobiliária. reconhecem ainda.” *** Lembra a professora Maria Helena Diniz que o servidor público tem domicílio obrigatório no lugar em que exerce sua função permanente e não comissionada. preocupam-se mais os autores em fixar a sua natureza jurídica: universalidade de direitos e obrigações. do foro do domicílio do detentor de sua guarda. objeto de um direito subjetivo.: Incapaz – representante. autores do quilate de Wilson Melo da Silva. honra. A lei não exige ainda que já tenha passado pelo estágio probatório. destaca-se um patrimônio específico independente da incorporadora para a garantia da obra. Classificação dos bens jurídicos: Comprometo-me a fazer a leitura do tópico “revisão de conceitos básicos” no material de apoio.

justapõem-se ou acoplam-se a ela para servi-la. É o tipo de bem que se acopla ao principal mas não integra sua estrutura. salvo se separados apenas momentaneamente e estiverem aguardando para serem reinseridos. observando-se que a ausência de consentimento do cônjuge torna o ato anulável. Obs. c) Pertenças: as pertenças. Art. É utilidade que não se renova. uma classificação de bens. carvão. pedras de uma pedreira.: O En. de acordo com o princípio da Gravitação Jurídica. segundo alguns autores (Francisco Cahali) de outorga uxória / marital. são utilidades não renováveis cuja percepção esgota a coisa principal. árvore. ao serviço e ao aformoseamento do bem. Acessório: é bem que pressupõe a existência do principal. a exemplo da exigência de escritura pública e. para efeito de se reclamar por vício de qualidade. Autores como Flávio Tartuce negam tal Intensivo I LFG Página 17   . cadeiras de uma sala de aula. 66.   Principal: é bem que existe por ele mesmo. o legislador cerca de formalismos a sua transparência.  Oriundos de demolição: readquirem a qualidade de móvel.: Ao considerar de natureza imobiliária o direito a herança. fruto. b) Produtos: os produtos. 93. Ex. não consagrada no CC fazendo a distinção entre bens duráveis e não duráveis. Ex. Direito a sucessão aberta (herança): ainda que sejam apenas móveis os bens a serem inventariados. petróleo.Direito Civil – Pablo Stolze Direitos reais sobre imóveis e as ações que os assegurem. que não são partes integrantes da coisa principal. O rádio do carro pode ser uma pertença – se pode ser retirado. 11 da 1ª Jornada de Direito Civil ao não reconhecer mais a categoria de bem imóvel por acessão intelectual tem sido combatido pela doutrina. por sua vê. São bens acessórios: a) Fruto: é uma utilidade renovável que a coisa principal produz periodicamente e cuja percepção não diminui a sua substância (ver no material de apoio a classificação dos frutos). o bem acessório segue o bem principal. *Bens reciprocamente considerados: merece especial atenção o critério classificatório dos bens reciprocamente considerados que os divide em principal e acessório. *O artigo 84 do CC cuida dos bens móveis empregados em construção:  Enquanto não empregados: permanecem com a qualidade de móveis. ar condicionado. se não puder ser retirado é parte integrante. *Bens duráveis e não duráveis: o CDC adota em seu art. A ideia do legislador é para que a transmissão da herança seja cercada de solenidades. As pertenças servem ao uso. CC. Observe-se que. As reclamações devem ser efetivadas dentro de 30 dias para bens não duráveis e dentro de 90 dias para bens duráveis. Obs. Ex. Ex.

----------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------Bem de família: Histórico: Lei Texana de 1839 – Homestrad Act: nessa época. feita pelo homem. uma vez que poderia fraudar pessoas. alargamento de uma porta – benfeitoria útil. A sua característica principal é a instituição por ato de vontade e registro. A escada é pertença. Impenhorabilidade relativa 2. CC. Efeitos jurídicos – quando houver o registro: 1. 96/97. A benfeitoria (art. Uma pessoa insolvente pode ter impugnado o registro de seu bem de família. da entidade familiar ou de terceiro. colocação de uma piscina em uma residência – benfeitoria voluptuária. CC) é toda obra realizada pelo homem na estrutura de uma coisa com o propósito de conservála (benfeitoria necessária).Direito Civil – Pablo Stolze enunciado. d) Benfeitorias: toda benfeitoria é artificial. mas não deixará de ser imobilizada por acessão intelectual do proprietário. é uma reforma feita na estrutura principal do bem. Inalienabilidade relativa Intensivo I LFG Página 18 . É o que entende a melhor doutrina. havia uma crise tamanha nos Estados Unidos. Em geral. Daí que se decidiu tornar impenhorável o bem de família com vistas a encorajar os empreendedores.: Se houver construção com aumento de volume da coisa principal traduz acessão artificial e não benfeitoria. colocação de uma escada de incêndio. Acessão dá ideia de união de uma coisa a outra com aumento de volume da coisa principal. colocação de uma viga na casa – benfeitoria necessária. Ex. com várias empresas quebradas. Espécies: a) Voluntário – art. Ex. 1. b) Legal – Lei 8009/90. Bem de família voluntário: Conceito: é aquele constituído por ato de vontade do casal. mediante registro no Cartório de Imóveis.711. Obs. o que contraria o enunciado. melhorar sua utilização (benfeitoria útil) ou proporcionar prazer (benfeitoria voluptuária). O enunciado entende que o CC não reconhece mais a acessão intencional feita pelo proprietário.

segundo o STJ pode ser aplicada até mesmo em face de penhoras anteriores a sua vigência (Súm. mediante registro em ato cartorário.643/DF). Intensivo I LFG Página 19 . A proteção não é mais ampla e completa. Obs. CC) – rendas e mobiliários podem ser afetados conjuntamente ao bem de família. 1º tem admitido desmembramento do imóvel para efeito de penhora (Resp 515. p. área de lazer da residência. Nesse caso. obras de arte e adornos suntuosos. *** A dissolução da sociedade conjugal não extingue o bem de família. o bem de família tem outras duas características que merecem destaque:  O valor do bem de família não pode ultrapassar o teto de 1/3 do patrimônio líquido dos instituidores. A lei do bem de família. A lei fala que excluem-se da impenhorabilidade veículos de transporte. Obs.) e despesas de condomínio relativas ao prédio. 2º da lei é lacônico no que tange a que tipos de bens móveis estariam protegidos pela impenhorabilidade legal. por exemplo na hipótese do art. O bem de família é alugado. Ex. ** A administração do bem de família voluntário está regulada no art. independentemente de escritura pública ou registro cartorário. ún. desde que quitados. abrangendo plantações. havendo mais de um imóvel.Direito Civil – Pablo Stolze Esses dois efeitos são relativos nos termos dos artigos 1715 e 1717 do CC. Extensão da impenhorabilidade legal: a proteção legal do bem de família é ampla e completa. móveis e instrumentos profissionais.122/RS. salvo se o outro imóvel houver sido registrado como bem de família voluntário. 205) – este tipo de bem de família traduz uma proteção automática da lei (impenhorabilidade do imóvel residencial). 5º.: Diferente é a situação em que o casal é compelido a alugar o seu imóvel residencial para sobreviver com base na renda do aluguel.ex. 975. Resp 510. Bem de família legal: Consagrado pela Lei 8009/90 – que. A impenhorabilidade não atinge dívidas oriundas de tributos relativos ao imóvel (IPTU.858/SP). A inalienabilidade é reduzida: exige autorização de interessados e oitiva do MP. havendo incapazes. O STJ. Características: Além do fato de ser fruto de ato de vontade. 1722. irá proteger o de menor valor. benfeitorias.  Poderão também integrar a instituição do bem de família voluntário. A lei 8009/90 não estabeleceu limite de valor do patrimônio tido como bem de família. mitigando o alcance hermenêutico do parágrafo único do art. a família vai para casa de parentes e o aluguel é fonte de subsistência do casal. valores mobiliários e rendas (art. 1720 do CC e a sua extenção no art.: Poderá haver interesse na inscrição do bem de família voluntário. 1712. da Lei 8009/90. o STJ tem decidido pela impenhorabilidade desse bem (AgRg Resp. p. *Bens móveis quitados: o art.

070) no sentido de que a impenhorabilidade só é possível se a vaga não tiver registro e matrícula próprios. ITR: observe-se que. 364) no sentido de que o devedor solteiro também goza da proteção do bem de família (direito a moradia). a despeito de não ser tributo. ar condicionado e freezer e até mesmo do teclado musical (REsp 218.546/DF tem admitido que o devedor que haja indicado bem de família a penhora possa posteriormente voltar atrás. Vejamos as exceções. usufrutuário.940-4/SP firmou o entendimento no sentido da constitucionalidade da penhora do imóvel residencial do fiador da locação.  Bem adquirido por produto de crime ou para ressarcir a vítima ou para execução de pena ou perdimento de bens.Direito Civil – Pablo Stolze A jurisprudência brasileira já decidiu reconhecendo a proteção para o televisor. a impenhorabilidade do bem de família se refere aos móveis que guarnecem a residência. 644. Ex.822/SP). Financiamento da Caixa Econômica Federal.733/SC entendeu que trabalhadores meramente eventuais como diaristas.058. vagas afastadas do prédio. Obs.: O STJ já sumulou o entendimento (Súm. mas a questão ainda não alcançou a jurisprudência. eletricistas e pintor não podem se valer da exceção em questão. o STJ já firmou entendimento (Ag Rg no Ag 1. Exceções legais a proteção ao bem de família: Art. 3º.  Credor de pensão alimentícia  Cobrança de impostos. IPTU. etc. a exemplo do que se lê no Ag Rg no Resp 813.003/SP) já firmou entendimento no sentido de que a cobrança de despesa condominial também excepciona a proteção do bem de família. especificadamente:  Créditos de trabalhadores da residência e contribuições previdenciárias respectivas (domésticos): o Min. Luiz Fux. julgando o RE 352.  Execução da hipoteca sobre o imóvel oferecido como garantia real pelo casal ou pela entidade familiar: o STJ. taxas ou contribuições devidas em função do imóvel. julgando o Resp. No que concerne a vaga de garagem. Lei 8009/90 – há quem diga que tais exceções podem ser aplicadas ao bem de família voluntário. Ex. Ex. No que tange ao locatário. Para que um fato seja jurídico segundo o professor Agustinho Alvim deve ter relevância para o direito. FATO JURÍDICO Conceito: Fato jurídico é todo acontecimento natural ou humano apto a criar. em mais de uma oportunidade. o próprio STF (RE 439. modificar ou extinguir relações jurídicas.  Cobrança de obrigação decorrente de fiança concedida em contrato de locação: o plenário do STF.  Crédito decorrente do financiamento para aquisição ou construção do bem. Intensivo I LFG Página 20 .

furação no litoral de Salvador. Já as ações humanas lícitas se enquadram na ideia de ato jurídico. ordinário. o nascimento de uma criança. Pode ainda ser extraordinário. Ex. cujos efeitos jurídicos estão previamente determinados na lei.Direito Civil – Pablo Stolze Fato Jurídico em sentido estrito Ordinário Extraordinário Fato Jurídico Ato Fato Lícitas = ATO JURÍDICO Ato Jurídico em sentido estrito Negócio Jurídico Ações Humanas Ilícitas = ATO ILÍCITO Fato jurídico em sentido Estrito: Seja ordinário ou extraordinário é todo acontecimento natural deflagrador de efeitos jurídicos. Seus efeitos estão delineados na lei. Ato jurídico em sentido estrito: *Conceito: ato jurídico em sentido estrito. Intensivo I LFG Página 21 . liberdade de escolha dos efeitos jurídicos alcançados. O que se entende por ações humanas ilícitas está na categoria dos atos ilícitos prevista no CC. mas há divergência na doutrina. Chuva de verão – que faz desabar uma casa. corriqueiro. A despeito da polêmica. Ações Humanas Lícitas: 1. Ações Humanas: Sejam lícitas ou ilícitas são espécies de fato jurídico. Ex. também denominado de ato não negocial. não havendo liberdade de escolha quanto aos efeitos. voluntário e consciente. O ato jurídico em sentido amplo subdivide-se em duas espécies: a) Ato jurídico em sentido estrito b) Negócio jurídico. Pode ser comum. Não existe aqui. decurso do tempo = são fatos jurídicos em sentido estrito – são comuns e deflagram efeitos na órbita do direito. traduz um simples comportamento humano. É acontecimento alheio a vontade do homem. posicionamo-nos no sentido de considerar o ato jurídico “a ação humana lícita deflagradora de efeitos jurídicos na órbita do direito” (Zeno Veloso). Até porque o ato ilícito é tratado como categoria separada na própria parte geral do CC (Título III).

112 do CC. embora derive do homem é desprovido de vontade consciente na sua realização e na projeção dos efeitos jurídicos realizados. testamento (ainda que limitado pela legítima. contrato. o destacamento do fruto de uma árvore em zona permitida gera efeito imediato de tornar o agente proprietário do fruto. segundo o CC. Obs. b) Teoria da declaração: (Erklarungstheorie) – afirmava que o núcleo essencial do negócio jurídico seria a vontade externa. mas não as pode tirar: aí alegaria que o negócio jurídico não é eficaz. Negocio jurídico: O negocio jurídico. Já o professor Junqueira de Azevedo diz que tais teorias se complementam o que é declarado deve se compatibilizar com a intenção do agente. 2. *Teorias explicativas fundamentais do negocio jurídico: a) Teoria voluntarista ou da vontade: de origem alemã (Willinstheorie) – afirmava que o núcleo essencial do negócio jurídico seria a vontade interna do declarante. XIX essa doutrina sustentava que um negocio jurídico somente seria considerado válido e eficaz se a certeza subjetiva do declarante não se modificasse ao longo da sua execução.: O que é teoria da pressuposição? Elaborada por Windscheid em meados do Séc. pela qual o declarante. Há Intensivo I LFG Página 22 . Aquele que especifica coisa (transforma matéria bruta em obra final) traz para si a propriedade do bem: comportamento consciente com efeito automático dado pela lei: é também ato jurídico em sentido estrito. Ex.Direito Civil – Pablo Stolze É como se o ato jurídico em sentido estrito apenas realizasse o pressuposto da norma. o protesto e a intimação também são atos jurídicos em sentido estrito. o CC teria sido influenciado pela teoria da vontade em respeito ao art. a vontade declarada. O mesmo ocorre com a caça. a intenção. por sua vez. bancário alugou casa de veraneio hoje pressupondo que em janeiro teria férias. não é um simples comportamento humano. não há autonomia). nos limites da função social e da boa-fé objetiva visa a atingir efeitos jurídicos escolhidos e possíveis. Ex. *Conceito: o ato fato é aquele comportamento que. Ex. Segundo Eduardo Spínola. mas sim uma declaração de vontade emitida segundo o princípio da autonomia privada. pesca em áreas permitidas e com as res nullius (coisa de ninguém). No negócio jurídico há autonomia que não existe no ato jurídico em sentido estrito. Ato fato: Pontes de Miranda diz que há situações que se enquadram entre o fato da natureza o ato humano voluntário. A notificação.

1. Intensivo I LFG Página 23 . Assim. ----------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------Negócio jurídico O CC de 2002 adota um sistema jurídico dualista que prevê. em regra. mas e se a criança tem 04 anos de idade? O prof. apesar de produzir efeitos não tem consciência da vontade. dentro do ato jurídico. Jorge Ferreira diz que a criança realiza ato fato jurídico uma vez que. Havendo coação física não há vontade e via de consequência não haverá negócio jurídico. Obs. Ex. O silêncio pode ser entendido como manifestação da vontade para efeito de reconhecimento da existência do negócio? Segundo o professor Caio Mário em sua obra Instituições de Direito Civil. vol. o absolutamente incapaz em tenra idade que compra um doce subsume sua conduta mais a categoria de ato fato que de NJ dada a ausência da necessária consciência do ato que pratica. Planos de caracterização do Negócio Jurídico Existência Negócio Jurídico Validade Eficácia Existência: Não foi adotado no CC e alguns autores dizem que não deve ser considerado. o ato jurídico em sentido estrito e o negócio jurídico. É plano substantivo do Negócio Jurídico em que se estudam os pressupostos existenciais do negócio: elementos constitutivos do negócio sem os quais não existirá.. cidadão foge de hospital psiquiátrico e manuseia uma argila fazendo obra em plena crise. mas não há vontade consciente e ainda assim gera efeitos. Ele irá adquirir a propriedade do bem que será gerido por seu representante. o que não deve prevalecer. o silêncio é a ausência de manifestação da vontade e por isso não produz efeitos jurídicos. São pressupostos de existência do negócio jurídico:  Manifestação da vontade: se não há vontade não há NJ.: Criança absolutamente incapaz que compra um doce na mercearia: qual seria a natureza jurídica desse ato? Há quem diga que seja NJ nulo socialmente aceitável.Direito Civil – Pablo Stolze comportamento. Criança que incorpora algo de valor ao patrimônio da família.

Ex. no caso da doação pura (sem encargo – art. Todavia. termo e encargo.  Objeto lícito. Forma: Vicente Ráo reconhece a forma como elemento existencial do negócio. 107 do CC o princípio da liberdade da forma. é pessoa física ou jurídica. Bem jurídico ou prestação. O plano de validade estuda os pressupostos do NJ que conferem ao NJ existente. é sempre exigida. os negócios jurídicos têm forma livre. merece ressaltar que vigora no Brasil. o art. a própria lei (art. Objeto: sobre o qual incide o negócio. 104. Há. mas há quem diga. contrato de mútuo sem $ não é contrato. 108. que seja incompleto tal dispositivo. em regra. pois. A forma é o meio pelo qual a vontade se manifesta (escrita. CC) pode exigir forma prescrita par efeito de prova do NJ (Negócio Ad Probationem). CC) o silêncio do donatário traduz aceitação. e. Em regra. No que tange a forma. determinado ou determinável. verbal. Frances e alemão. Validade: O Código Civil começa a disciplina do negócio a partir do plano de validade: art. na linha dos direitos belga. CC que traz os pressupostos de validade do Negócio Jurídico. temos um negócio Ad solemnitatem. CC): nesse caso.  Agente capaz e legitimado. Para que o NJ seja válido. Além disso. 111 do CC reconhece efeitos jurídicos ao silêncio. 539.  Forma livre ou prescrita em lei. a complementação dos pressupostos de existência para que seja considerado válido o NJ.Direito Civil – Pablo Stolze Ocorre que. pode-se exigir forma também como requisito de validade do próprio negócio (art.   Agente: emissor da vontade. -------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------Defeitos do Negócio Jurídico Intensivo I LFG Página 24 . possível. quais sejam: condição. mímica) e excepcionado o caso do silêncio. a aptidão para gerar efeitos. 227. inclusive o professor. Ex. Eficácia: É estudada junto aos elementos que interferem na eficácia do Negócio Jurídico. deve conter:  Vontade livre e de boa-fé.  A ideia de que a existência não deve ser levada em conta não pode prevalecer já que se inexistente o Negócio Jurídico não poderá se falar em validade do negócio. excepcionalmente. nos termos do art. A forma é o revestimento exterior da vontade.

A parte imagina estar celebrando um contrato e é outro. desde Clóvis Bevilaqua sustenta que o erro. desde que não traduza intencional recusa ao império da lei. Obs. Nessa linha. imagina que é comodato. b) Negócio: incide na própria estrutura do negócio jurídico (ataca a causa do negócio). do CC. Já a doutrina moderna. se equivoca e leva o relógio de cobre.Direito Civil – Pablo Stolze Erro: Art. Ex. de diligência normal também cometeria tal erro – porque a lei não tutela os negligentes). compra estátua comum achando que era de marfim. É irrelevante o fato de ser ou não escusável o erro.  Ser essencial ou substancial. III. ao celebrar o negócio. compra relógio de ouro e ao sair. 138. para invalidar o negócio jurídico deve conjugar dois requisitos:  Ser escusável ou perdoável. Ex. nos termos dos arts. O CC fala em erro ou ignorância e há quem faça distinção entre ambos. Ou seja. alguns autores como Eduardo Spínola. CC). Ex. Ex. Observe-se que o erro sobre a pessoa tem especial aplicação no direito de família (art.: Qual é o tratamento jurídico dado ao erro de direito? Clóvis Bevilaqua não aceitava a teoria do erro de direito. incorrendo em erro de direito (art. Carvalho Santos e Caio Mário sustentaram a admissibilidade da teoria. 138 e ss. já a ignorância traduz um estado de espírito negativo. 138 e ss. (Enunciado 12 da 1ªJornada) interpretando o complexo e criticável art. O erro é defeito invalidante do NJ. celebra negócio com irmão gêmeo. a parte pode interpretar equivocadamente norma jurídica. Dolo Intensivo I LFG Página 25 . Sucede que. negócio ou pessoa (art. 138 do CC não exige mais a prova da escusabilidade do erro para efeito de invalidação do negocio. para invalidar o NJ seria necessário demonstrar que o erro ataca a substância do negócio e que seja perdoável (o homem médio. 139. Na teoria. 1556 e 1557) uma vez que permite a anulação do casamento. Espécies / tipos de erro – Roberto de Ruggiero: O erro fato pode ser sobre o objeto. erro traduz um comportamento positivo equivocado (a falsa percepção da realidade). do CC. CC): a) Objeto: é aquele que incide na natureza ou características do objeto do negócio. uma ausência de conhecimento ao celebrar o negócio. mas se trata de locação. achando que se tratava do outro. razão pela qual o CC16 não o consagrava. c) Pessoa: é aquele que incide nas características pessoais ou identidade da outra parte. A doutrina clássica.

Direito Civil – Pablo Stolze É defeito invalidante do negócio que o anula. 150). 2. ou reclamar indenização. A parte que é vítima do dolo é vítima de um erro provocado. Venda de um carro com características inexistentes – o dolo é principal. assim como o erro. celebra o negócio. 146). vício invalidante do NJ. 148. Obs. O dolo tem uma carga de má-fé que o erro não tem. porém. nenhuma pode alegá-lo para anular o negócio. não obstante não ter meios para tanto – o dolo é acidental e só merece perdas e danos. se for simplesmente acidental não o invalida. 1. enganada. em caso contrário. mas aumentar ou dizer aquilo que não exista caracteriza-se a publicidade enganosa. caracteriza-se pelo artifício malicioso imposto a uma das partes que. Ex. Pode também ser anulado o negócio jurídico por dolo de terceiro. Art. Já se está a parte beneficiária de boa-fé o negócio permanece e o terceiro responderá pelas perdas e danos. Ex. gerando apenas perdas e danos (art. Art. Obs. se a parte a quem aproveite dele tivesse ou devesse ter conhecimento. o terceiro responderá por todas as perdas e danos da parte a quem ludibriou. Se ambas as partes procederem com dolo. nos termos do art. *Dolo negativo: a luz do princípio da boa-fé objetiva. 149) e dolo bilateral (art. Pablo e Luiz. A parte deveria informar algo. A denominada “mensagem subliminar” é aquela que não captada diretamente pela faculdade cognitiva humana é absorvida pelo inconsciente e induz o sujeito a comportamento não desejado. 150. É necessário salientar que tramitam no Congresso Nacional dois projetos de lei coibindo a prática da mensagem subliminar. o negócio só será invalidado se o beneficiário soubesse ou tivesse como saber do dolo de terceiro. O dolo do representante legal de uma das partes só obriga o representado a responder civilmente até a importância do proveito que teve. dolo invalidante é o principal. 145 do CC. Venda de um carro com características próprias mas promete entregá-lo em outra cidade. mas. Lembrar: Areta. Art. dolo negativo. Nos termos do art. mediante alteração do CDC (PL 4068/08 e PL 4825/2009).: Ver no Código Civil: dolo de representante (art. *Dolo de Terceiro: O dolo de terceiro está regulado no art. o negócio é celebrado com um intermediador e se o beneficiário souber ou tiver como saber do dolo de terceiro o negócio será anulado e poderá até caber perdas e danos a serem pagas na proporção da culpa de cada um. o representado responderá solidariamente com ele por perdas e danos. 148. Já o dolus bonus é aceito socialmente em questões publicitárias. o dolo for do representante convencional. Coação – vis compulsiva: Intensivo I LFG Página 26 . deve ficar claro que. Nos termos do art. 148 do CC. Ex. 147 do CC traduz o silêncio ou a omissão intencional de informação. O dolo. vedada pelo ordenamento jurídico.: O dolo que invalida o negócio jurídico é o dolus malus. mas não o faz. ainda que subsista o negócio jurídico. foto de sanduiche: realçar as características é permitido. invalidante do negócio jurídico. aquele que ataca a própria causa do negócio. se. 149. ou seja.

Obs. 154/155) tem disciplina semelhante a dolo de terceiro.: Estando diante de negócio celebrado na vigência do CC/16 que não previa a matéria da lesão. 6º. no direito anterior. no Resp 434. A coação de terceiro (arts. a lesão enorme era aquela cujo preço praticado no contrato fosse superior a metade do preço justo. o que poderia ser feito? O STJ. vício invalidante do negócio jurídico. A coação deve ser analisada em concreto. Se de boafé. Lesão: Para o Direito Romano. eclesiástica. ou assina o contrato ou sequestro seu filho. que pode ser acadêmica. já tendo o nome negativado sofre outra inscrição indevida. Ex. (art. Se o beneficiário soubesse ou devesse saber da coação. 151. Há desequilíbrio entre as partes pelo abuso de poder econômico. Saliente-se que não configura coação a ameaça de exercício regular de um direito nem tampouco o simples temor reverencial. Seria enormíssima se superior a 2/3 do preço justo.: Vale lembrar que a recente Súmula 385 do STJ nega o direito a reparação por dano moral aquele que. *Requisitos doutrinários para ocorrência da lesão: A doutrina tradicionalmente reconhece um requisito matéria ou objetivo da lesão e um imaterial ou objetivo. Era forma de abuso em geral da questão econômica. V. c. quem irá responder é apenas o terceiro. de acordo com as condições pessoais do coacto e não de acordo com o homem médio. militar.c 51. diferencia-se na medida em que a vítima poderá exigir indenização do beneficiário e do terceiro em solidariedade passiva.687/RJ firmou entendimento de que. caracteriza-se pela violência psicológica apta a influenciar a vítima a realizar negócio jurídico que lhe é prejudicial. responde solidariamente. *Conceito: A lesão. caracteriza-se pelo prejuízo resultante da desproporção existente entre as prestações do negócio em face do abuso perpetrado em razão da necessidade premente ou da inexperiência de uma das partes.Direito Civil – Pablo Stolze A coação. vício invalidante do negócio jurídico. V – sendo que nesse caso é considerada causa de nulidade absoluta do negócio jurídico. todavia. Obs. Temor reverencial é o respeito pela autoridade instituída. Pontes de Miranda diz que se houver um plus de ameaça. V c.c 39. o negócio jurídico com lesão deveria ser considerado nulo por ilicitude do objeto a teor do CC/16. *Coação de Terceiro: o terceiro coage outrem para que celebre um negócio com o beneficiário. CC). Foi tratada pela primeira vez pela Lei 1521/51 (Economia Popular) que tipificava a usura como crime. *** A matéria lesão foi também tratada no CDC – art. cabe anulação. Intensivo I LFG Página 27 .

bastando a necessidade ou inexperiência e a desproporção entre as prestações (que será analisada segundo os valores vigentes à época da celebração do negócio). As duas partes se unem para prejudicar um terceiro ou fraudar a lei.: O direito Brasileiro não exige o dolo de aproveitamento na lesão (art. O enunciado 294 da 4ª Jornada traz uma informação de clareza meridiana: uma vez que a simulação é causa de nulidade absoluta. 167 prevê que a simulação é causa de nulidade absoluta do negócio jurídico. compra e venda para encobrir uma doação feita a uma amante (proibida). doa para A o bem para que este o passe para o amante. declarada de ofício pelo juiz poderá também ser alegada pelos simuladores. b) Relativa: (dissimulação): As partes criam um negócio destinado a encobrir outro negócio de efeitos jurídicos proibidos – há uma camuflagem – ex. Imaterial / subjetivo: necessidade ou inexperiência da parte prejudicada e o dolo de aproveitamento da parte que se beneficia. O CC/16 dizia que se os simuladores brigassem não poderiam alegar a simulação em juízo uma vez que se tratava de causa de anulabilidade. Já o CC/02 no art. Ex. mas que em verdade não pretende atingir o efeito que juridicamente deveria produzir. *Espécies de Simulação: a) Absoluta: as partes criam o NJ destinado a não gerar efeito algum. Ex. Não cabe a alegação de eventual simulação inocente. 157). qualquer dos simuladores pode alegá-la. O CC 16 tratava a simulação como defeito capaz de anular o negócio jurídico. Obs. Intensivo I LFG Página 28  . mas no CC é de simples anulabilidade que não será declarada se:  For oferecido complemento  For aceito abatimento pelo beneficiário. Simulação: Não há vítima dentro do negócio. ** A Lesão do CDC é causa de nulidade absoluta. Já no CC/02 por ser causa de nulidade absoluta. celebra NJ com outrem para guardar patrimônio até o divórcio. A simulação relativa pode se dá ainda por interposta pessoa.Direito Civil – Pablo Stolze  Material / objetivo: é a desproporção entre as prestações do negócio (sempre presente). celebra-se um negócio jurídico com aparência normal. *Conceito: Na simulação.

É situação de desespero em que. resguardando o íntimo propósito de não cumprir a finalidade projetada. doação simulada em compra e venda para companheira estando ainda casado. O estado de perigo é defeito invalidante do negócio jurídico (causa anulação do NJ). vício invalidante do NJ. Estado de Perigo: É uma aplicação do estado de necessidade na teoria do negócio jurídico. 918. uma vez que externada a reserva e dela tomando conhecimento a outra parte. caso não seja celebrado o negócio.355-7/SP e Resp. psicológico) a si próprio ou a pessoa próxima. Caio está se afogando e Tício se oferece para ajudar sob a condição de lhe dar metade de seu patrimônio.: O art. Na jurisprudência.392/RN). Todavia. Fraude contra credores: Intensivo I LFG Página 29 . 156. *Conceito: o estado de perigo. mas vale frisar que o CC.Direito Civil – Pablo Stolze Vale observar que. CC).903/SP. *Contrato de vaca-papel: é um negócio simulado que encobre a título de parceria pecuária. empréstimo a juros extorsivos ou ilegais. a luz do princípio da conservação e nos termos da segunda parte do art. parte da doutrina defende a invalidade do negócio por dolo ou simulação. A reserva mental. Obs. 110) dispõe que manifestada a reserva. Ex. *Exemplos: 1. Perfeita aplicação da teoria do estado de perigo refere-se a situação de emissão de cheque caução como condição de internamento hospitalar de emergência. Resp. na linha de pensamento do Ministro Moreira Alves (art. 167. *Reserva mental: A reserva mental (reticências) se configura quando o agente emite declaração de vontade. o negócio simulado é nulo. mas separado de fato. 441. configura-se quando o agente. o negócio tornase inexistente. enquanto encerrada na mente do agente não tem repercussão jurídica. diante de situação de perigo de dano conhecido pela outra parte assume obrigação excessivamente onerosa para salvar-se ou a pessoa de próxima (art. A parte que se beneficia deve ter conhecimento da situação de perigo. ver Ap833. ocorrerá dano existencial (vida. 2. 156 ao referir o conhecimento do perigo pela outra parte traduz a existência do dolo de aproveitamento. mas o negócio dissimulado poderá ser aproveitado se não ofender a lei ou prejudicar terceiro (En. Observe-se que a Resolução 44 da Agência Nacional de Saúde disciplina a possibilidade de representação a Procuradoria Geral da República em caso de exigência de caução para atendimento médico-hospitalar. 153 da 3ª Jornada). na simulação relativa.

CC). 242. sede adequada para discussão da fraude. 163. inclusive terceiros de má-fé. CC). há prejuízo dos dois anteriores. defeito do negócio jurídico. CC) – o devedor opta por pagar sem seguir a ordem dos créditos. A fraude diferencia-se da simulação não apenas por não existir um necessário disfarce. uma vez que já existe contra o devedor. e) Na outorga fraudulenta de garantia de dívida (art. a má-fé dos envolvidos. Eventus damni. *Hipóteses Legais de fraude contra credores: a) Negócios fraudulentos de transmissão gratuita de bens (art. CC. hipoteca um bem ao terceiro credor. Art. caracteriza-se por meio da prática de um ato negocial que diminua o patrimônio do devedor (insolvente) prejudicando o credor préexistente. 158.: A fraude à execução mais grave do que a contra credores desrespeita a própria administração da justiça. mas também pela vítima da fraude ser específica – credor pré-existente. CC. inclusive aquele com garantia. por exemplo. demanda capaz de reduzi-lo a insolvência. 159. especialmente no caso de doação fraudulenta. o prejuízo do credor. 162. que não pode ser analisada no bojo de embargos de terceiros (Súm. b) Remissão fraudulenta de dívida (art.151/MG). Para requerer a desconstituição do negócio fraudulento a ação específica é a pauliana. Obs. Intensivo I LFG Página 30   . quando o credor prejudicado demonstrar que a insolvência do devedor era notória ou havia motivo para ser conhecida pela outra parte (o devedor vende o bem pro um preço e na verdade recebeu quantia a parte para se beneficiar) Art. 684. STJ – em sede de embargos de terceiro não cabe discussão da fraude). Resp. A legitimidade ativa para a propositura da ação pauliana é do credor pré-existente. *Elementos da fraude contra credores: Consilium fraudis. CC) – se. 158. 158.925/RS. No que se refere ao consilium fraudis a doutrina (Maria Helena Diniz) costuma dispensar a sua prova uma vez que pode derivar das próprias circunstâncias do negócio. c) Negócios fraudulentos onerosos. ou seja. d) Antecipação fraudulenta de pagamento de dívida (art. §1º. A ação pauliana deve ser proposta contra o devedor insolvente em litisconsórcio com todas as pessoas que participaram do ato fraudulento. 195.Direito Civil – Pablo Stolze A fraude contra credores. se esta se tornar insuficiente. (ver Resp. *Ação Pauliana: É ação pessoal com prazo decadencial de quatro anos para sua propositura. ou seja. Trata-se de uma ação específica.

caso em que se invalida o negócio jurídico. É possível que haja a revogação da doação se o encargo for descumprido. A luz do princípio da boa fé. a sentença na pauliana apenas declara a ineficácia relativa do negócio em face do credor prejudicado (REsp. 165 do CC (Nelson Nery.512/MS). doação da fazenda sob o encargo do donatário efetivar a doação de cinco cestas básicas para uma creche. Alexandre Câmara. --------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------Plano de eficácia do Negócio Jurídico: Nesse plano vamos estudar elementos que interferem na eficácia do negócio jurídico. por exemplo). mais tradicional. *Natureza Jurídica da Sentença proferida na ação pauliana: em uma primeira corrente. A Devedor insolvente B (fraudador) Vende o bem C . é sustentado que a sentença na pauliana é desconstitutiva anulatória do negócio jurídico. 137 diz que considera-se não escrito o encargo ilícito ou impossível (ir para a lua. B e o Terceiro estarão no pólo passivo da demanda. durante doze meses. Intensivo I LFG Página 31 . salvo se constituir o motivo determinante da liberalidade. O art. 506. desde que demonstrado o seu estado de inocência quando da efetivação da compra. mais arrojada (Yussef Said Cahali. Frederico Pinheiro) sustenta que.Terceiro de Má-fé. baseada no art. São elementos acidentais do negócio:  Condição  Termo  Encargo Modo ou encargo: O encargo é uma determinação acessória típica dos negócios jurídicos gratuitos por meio da qual é imposto a parte um ônus em prol de um benefício maior. A regra é de que o encargo não suspende a aquisição nem o exercício do direito. o encargo é disciplinado em apenas dois artigos: 136 e 137. em verdade.Direito Civil – Pablo Stolze Credor A. Ex. Uma segunda corrente. o terceiro a quem se transmitiu o bem em fraude poderá mantêlo consigo. Estando o terceiro de boa fé ele ficará com o bem e caberá ao credor buscar outros meios para se ver ressarcido. Moreira Alves). No CC.

Direito Civil – Pablo Stolze Nos termos do art. 137, pois, o encargo ilícito ou impossível, em regra é considerado não escrito; mas, se for interpretado como a própria causa ou finalidade do negócio, todo este será invalidado. Condição: Condição, elemento acidental do negócio jurídico, consiste no acontecimento futuro e incerto que suspende ou resolve a eficácia jurídica do negócio. Toda condição tem duas características:  Futuridade: fatos passados não importam  Incerteza: toda condição é incerta quanto a sua ocorrência. Observe-se que a cláusula que estipula condição é sempre convencionada pelas próprias partes (art. 121), não podendo a cláusula ser determinada por lei (condiciones iuris). Obs.: A morte é uma condição? A morte, em regra, não é condição por conta certeza de sua ocorrência; mas, estabelecido um prazo dentro do qual deva ocorrer, já não se tem mais certeza, de maneira que poderá ser considerada condição. *Classificação da Condição: 1. Quanto ao modo de atuação: 1.1. Suspensiva: a condição suspensiva é o acontecimento futuro e incerto que suspende o início da eficácia jurídica do negócio. Ex. doarei um carro quando casar. 1.2. Resolutiva: resolve ou desfaz, quando implementada, os efeitos jurídicos até então produzidos pelo negócio. A sua disciplina, na parte geral, é feita nos arts. 127 e 128 do CC. Ex. receberá uma renda até que passe em um concurso. Obs.: Nos termos do art. 125 do CC está claro que enquanto a condição suspensiva não se implementar, as partes, ainda não adquirem os direitos e obrigações decorrentes do negócio. Uma vez que a condição suspensiva “suspende” a própria aquisição de direitos e obrigações decorrentes do negócio, a antecipação do pagamento, salvo liberalidade ou previsão contratual, é indevida, cabendo restituição do que se pagou. 2. Quanto a origem: 2.1. 2.2. Causal: refere-se a um acontecimento da natureza. Ex. se chover. Potestativa: é que se refere a vontade de uma das partes.

2.3. Mista: é que depende da vontade de uma das partes e de um fato de terceiro. Ex. vou lhe doar R$10.000,00 se você constituir sociedade com meu irmão.
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3. Quanto a licitude: 3.1. Lícitas: a luz do art. 122 do CC é a condição que não for contrária à lei, à ordem pública e aos bons costumes. 3.2. Ilícitas: contra a lei, ordem pública ou bons costumes. Ex. matar alguém. É também considerada ilícita a condição perplexa e a condição puramente postestativa. Condição perplexa é aquela contraditória em seus próprios termos, privando o negócio jurídico de efeitos. Ex. locação sob a condição de não morar no imóvel. A condição puramente potestativa, ilícita, é aquela que depende do exclusivo arbítrio ou capricho de uma das partes. Ex. “pagarei se quiser” como cláusula. Observe-se que a condição SIMPLESMENTE potestetiva, por outro lado, é lícita uma vez que, posto derive da vontade de uma das partes, mitiga-se por conta de fatores circunstanciais que retiram o caráter arbitrário da vontade. Ex. Irá receber 1 milhão se for eleito melhor jogador (depende da vontade, mas não é arbitrária). Obs.: excepcionalmente não haverá ilicitude em situação de prevalência da vontade exclusiva de uma das partes, quando o próprio ordenamento assim admitir, a exemplo do prazo de reflexão do art. 49 do CDC. *Condição Promíscua: trata-se da condição que nasce simplesmente postestativa e se impossibilita por um fato superveniente tornando o negócio jurídico sem efeito. Ex. se no caso do jogador que receberia 1 milhão se fosse eleito o melhor jogador, mas acaba quebrando a perna. Atenção! A luz dos artigos 123, II e 166, VII do CC, a condição ilícita invalida todo o negócio jurídico – nulidade absoluta. Termo: O termo, diferentemente da condição é o acontecimento futuro e certo que interfere no início ou fim da eficácia jurídica do negócio. Art. 131, CC. *Classificação do termo: a) Convencional: estipulado pela vontade das partes. b) Legal: determinado pela lei. Ex. obrigação tributária. c) Judicial ou de graça: fixado pelo juiz. *Características do termo:  Futuridade
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Direito Civil – Pablo Stolze  Certeza quanto a sua ocorrência. *** Em geral, o termo é uma data – se para dar início a eficácia é chamado termo inicial, se para finar efeitos: é chamado termo final. *Art. 131, CC: O termo inicial suspende o exercício do direito, mas não a sua aquisição. Diferentemente da condição, o termo suspende a exigibilidade mas não a aquisição do direito e da obrigação correspondente, razão pela qual, o pagamento antecipado é como regra, possível, a critério do devedor. Obs.: Tarifa de Liquidação Antecipada: O Banco Central por meio da resolução 3516 do Conselho Monetário Nacional proibiu a partir de dezembro de 2007, a cobrança de TLA em operações de crédito e arrendamento mercantil financeiro pactuadas com pessoas físicas, microempresas e empresas de pequeno porte. --------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------Finalidade do Negócio Jurídico: O reconhecimento da invalidade de um ato é uma forma de defesa do ordenamento jurídico. É o que dizem Dinamarco, Ada Pelegrine e Antonio Cintra na obra Teoria Geral do Processo. Invalidade é um conceito genérico do qual se desdobram:  Nulidade absoluta  Nulidade relativa (anulabilidade) Princípio da conservação: A regra é tentar salvar o negócio. A luz do princípio da conservação, o intérprete deve tentar como diretriz de sua atividade hermenêutica, sempre que possível, conservar o negócio jurídico inválido, a exemplo do que se dá por meio de sua redução (art. 184, CC). Na redução, o juiz decota a cláusula inválida e mantém as demais, que são válidas. Art. 184, CC: a invalidade da obrigação principal importa na da acessória, mas a recíproca não é verdadeira. Nulidade absoluta: Como regra geral, as nulidades não se presumem, mas decorrem da Lei. As bases da nulidade absoluta no CC estão nos artigos 166 e 167. O art. 167 disciplina a simulação, que já foi analisada. Resta agora a análise do art. 166 do CC: é nulo o negócio jurídico quando: 1. Celebrado por pessoa absolutamente incapaz; 2. Por ilícito, impossível, ou indeterminável seu objeto; 3. O motivo determinante, comum a ambas as partes for ilícito (refere-se a finalidade ou causa do negócio).
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Página 35 Intensivo I LFG . 166. A nulidade relativa é menos grave. III. quando constatamos ser nulo o negócio jurídico de causa ou finalidade ilícita. 7. há prescrição. 496. quanto aos efeitos patrimoniais. por óbvio. 4. com propriedade. É conceito aberto. Características da nulidade absoluta:  A nulidade absoluta. art. resistindo ao pensamento de autores como Domat. não podendo o juiz reconhecer de ofício a anulabilidade (art. A nulidade absoluta não admite confirmação nem convalesce com o decurso do tempo (art. 168. já a finalidade é ilícita e o negócio jurídico é nulo. No caso da nulidade absoluta do casamento (art. CC): além dos casos expressamente declarados em lei é anulável o negócio jurídico:  Por incapacidade relativa do agente. dolo. 1449.  Vício resultante de erro. CC). compra e venda de imóvel exige-se escritura pública. 177. Não revestir a formar prescrita em lei – ex. estado de perigo. Porthier e Cariota Ferrari. 6. For preterida solenidade que a lei considere essencial para a validade do ato – ex. 171 do CC. CC) autores como Tartuce e Simão. Características da nulidade relativa  A nulidade relativa deverá ser arguida por meio de ação anulatória proposta por quem tenha interesse jurídico. A sentença declaratória de nulidade absoluta opera efeitos retroativos (ex tunc) para fulminar o negócio nulo na sua origem. 5. empresa off share criada para lavar dinheiro.   Nulidade relativa: A sua base se encontra no art. pelo MP (quando lhe couber intervir) podendo inclusive ser reconhecida de ofício pelo juiz (art. CC). Dispõe o art. coação. lesão ou fraude contra credores. percebe-se a influência da teoria da causa no art. CC). devendo ter ação proposta para tanto. efeitos em face de terceiros de boa fé.Direito Civil – Pablo Stolze Obs. A arguição da nulidade pode ser feita a qualquer tempo. A lei taxativamente o declarar nulo ou proibir-lhe a prática sem cominar sanção. Observe-se que essa imprescritibilidade (não tem prazo para ser arguida) refere-se a declaração de nulidade absoluta e não aos eventuais efeitos patrimoniais que são prescritíveis. Não se pode confirmar o negócio nulo e nem existe prazo para ser declarada sua nulidade. dada sua gravidade poderá ser arguida por qualquer interessado. Ex. 171 do CC (cujo rol é exemplificativo – ex. É a chamada fraude à lei. respeitados. casamento de portas abertas. Mas.: A despeito de Clóvis Bevilaqua haver sido anticausalista. locação de imóvel com a finalidade de se instalar uma casa de prostituição: objeto é lícito – locação. 169. Ter por objetivo fraudar a lei imperativa. pelo juiz. observam a impossibilidade do reconhecimento de ofício. bastante amplo – ex.

Para que haja a conversão do negócio é necessário o aproveitamento dos elementos materiais do negócio inválido (requisito objetivo) e também que fique demonstrado que caso as partes houvessem previsto a nulidade teriam desejado o negócio convertido (requisito subjetivo). 182 do CC. Até que a ação seja julgada. o art. CC). 179: Se a lei não estabelece prazo: será de dois anos contados da celebração do negócio (conclusão do ato). o negócio produz efeitos. *Art. posto desconstitutiva gera efeitos retroativos (ex tunc). reintegração de posse convertida em manutenção de posse pelo juiz. 170 do CC regula o instituto para o negócio nulo – pois quanto a estes há mais utilidade. o negócio celebrado em erro pode ser confirmado. As partes devem ser colocadas em estado anterior de coisas.Direito Civil – Pablo Stolze  Diferentemente do negócio nulo. Prazos decadenciais: *Art. com base no art. compra e venda sem ser por instrumento público cujo valor é superior a 30 salários mínimos transmuda-se em promessa de compra e venda (não há valor).   Por ser menos grave. A despeito de a doutrina admitir a conversibilidade tanto para o negócio nulo quanto para o anulável (Marcus Bernardes de Melo). o que se convencionou chamar eficácia interimística (Pontes de Miranda). na linha de pensamento do professor Humberto Teodoro Jr. *Conversão substancial do Negócio Jurídico: essa ideia é nova para o direito civil. entendemos. Ex. A despeito da polêmica. O ato será atacado em sua origem. convertendo-o em outro negócio válido e de fins lícitos. CC). o negócio anulável gera efeitos jurídicos. lesão. se a ação não é proposta o NJ convalece. Intensivo I LFG Página 36 . inclusive com a devolução da quantia indevidamente recebida. Até que seja proferida sentença anulatória. não podendo se falar aqui em imprescritibilidade (arts. No direito civil. O art. 178 e 179. o negócio anulável submete-se a prazo decadencial para o reconhecimento do vício. 182 reforça a eficácia retroativa da sentença que invalida o NJ. Não tem sentido falar em efeitos apenas para o futuro. O art. mas. estado de perigo e fraude contra credores: da realização do negócio jurídico c) Incapazes: dia em que cessar a incapacidade. deve-se salientar que. Aproveita-se o que pode do NJ e o recategoriza (Rachel Campini) em um negócio válido e de fins lícitos. revogou a súmula 494 do STF referente a venda de ascendente a descendente – ver também Enunciado 368 da 4ª Jornada de Direito Civil. 178: 04 anos = contados a) Coação: dia em que esta cessar. 179 ao estabelecer o prazo decadencial de dois anos para a propositura da ação anulatória quando não haja sido previsto prazo. Ex. trata-se de medida sanatória por meio da qual são aproveitados os elementos materiais de um negócio inválido. mas para o processo civil já era usada. mas nada impede a aplicação para o negócio anulável. dolo. b) Erro. que a sentença anulatória. Ex. a nulidade relativa admite confirmação expressa ou tácita (arts. 172/174.

nada tem haver com o direito a prestação. 189. nos prazos dos artigos 205 e 206 do Código Civil.00 Vencimento V 23/03 23/04 Fredie violou o direto a prestação. pois não pagou a dívida: nasce a pretensão Prescrição P 05 anos (ação de cobrança) Ações não prescrevem!! Haverá direito de ação independentemente de ter ocorrido a prescrição. Art. mas sim a pretensão do credor. a qual se extingue pela prescrição. muito menos. Por influência do Direito Alemão. entenda-se o poder de coercitivamente exigir-se o cumprimento da prestação inadimplida. Clóvis Beviláqua e Silvio Rodrigues sempre afirmaram que a prescrição seria a perda da ação. Não é correto o entendimento da doutrina clássica segundo o qual “a prescrição extingue a ação” uma vez que o moderno direito de ação (direito abstrato constitucional de se pedir ao Estado uma prestação jurisdicional. Decadência refere-e a direitos potestativos. Mas. Prescrição: Autores tradicionais como Carvalho Santos. nascida da violação de seu direito a uma prestação. Por pretensão. não prescreve nunca).Direito Civil – Pablo Stolze PRESCRIÇÃO E DECADÊNCIA A essência da prescrição e da decadência está no decurso do tempo. 189 do CC. Ex. essa concepção não mais pode prevalecer. por óbvio. o art. apesar de ainda existir jurisprudência equivocada nesse sentido.000. nasce para o titular a pretensão. Decadência: A decadência. Por direito Intensivo I LFG Página 37 . NJ Pablo (credor) Fredie (devedor) 23/03 – celebração 23/04 – Termo de pagamento Prestação R$1. CC: Violado o direito. refere-se a pretensão. Segundo tais autores prescrição é a perda da ação que defende o direito. também chamada de caducidade. nem. A partir de Agnelo Amorim Filho (1960) foi percebido que a ação não prescreve. deixa claro que o que prescreve não é o direito de ação.

A mesma causa poderá ser suspensiva se o prazo já teria começado a correr. Obs. CC).000. a interrupção da prescrição só pode ocorrer uma vez. quando verificadas. não cabendo convenção entre as partes. 197. Marido Esposa Enquanto vigente a sociedade conjugal não corre a prescrição um contra o outro (causa impeditiva) Direito de Crédito Pablo Jenifer Prestação R$1. 206: traz inúmeros prazos especiais. CC). Ex. art. começa a correr a prescrição. Para evitar abusos. 202. 205: traz prazo geral de 10 anos. divórcio. basta recordar que os prazos prescricionais estão em apenas dois artigos do Código Civil:  Art. no NCC.  Art. Ex. Desfeita a sociedade conjugal. A causa suspensiva paralisa o prazo. o prazo para se anular um Negócio Jurídico é decadencial (178/179. Ex. os prazos decadenciais podem ser legais ou convencionais (avençados pelas partes).: Se na hora da prova der branco e eu não me lembrar a diferença entre prescrição e decadência. de modo que. Os prazos prescricionais sempre são legais. finda a causa.00 Já devia antes do casamento: Na constância do casamento há suspensão do prazo prescricional. As causas impeditivas ou suspensivas dos prazos prescricionais estão nos artigos 197 e 199 do CC. suspensivas e impeditivas da prescrição: A causa impeditiva impede o início do prazo. É o direito de interferência. o prazo prescricional recomeça a contar do zero (art. sem o conteúdo prestacional interfere na esfera jurídica alheia sem que essa pessoa nada possa fazer. As causas interruptivas são de grande temor para os devedores. O prazo não começa a correr. uma vez que. I – não corre a prescrição entre cônjuges na constância da sociedade conjugal. renúncia ao mandato. Diferentemente dos prazos prescricionais que sempre estão previstos em lei. o prazo volta a correr de onde parou. *Hipóteses de interrupção da prescrição:  Despacho do juiz que ordena a citação (ainda que feita por juiz incompetente) Intensivo I LFG Página 38 . Existem direitos potestativos com e sem prazo e sempre que o um direito potestativo tiver prazo para seu exercício este prazo será decadencial. Causas interruptivas.Direito Civil – Pablo Stolze potestativo entenda-se aquele que.

191. A decadência pode ser reconhecida inclusive de ofício (art. uma mera notificação extrajudicial não interrompe o prazo prescricional. A prescrição pode ser alegada pela parte interessada em qualquer grau de jurisdição. Já os decadenciais. A despeito da polêmica em doutrina estando curso processo com pretensão prescrita. CDC. se forem convencionais. Em regra. CC e Enunciado 295. Art. ainda que extrajudicial que importe no reconhecimento da dívida pelo devedor. 210 e 211 do CC).  Apresentação do título em juízo de inventário ou concurso de credores (habilitação). A súmula 153 do STF foi revogada diante dessa hipótese. abrir prazo para que as partes se manifestem: o credor poderá. como regra. pondo por terra o art. Obs. colmo a paralisação é atribuída ao próprio judiciário.: Não deixar de ler artigo no material de apoio que trata da contagem de prazo (art.  Ato judicial que constitua o devedor em mora. da 4ª Jornada) deverá o juiz. *Reconhecimento de ofício da prescrição pelo juiz: é possível? Inovando. a ser estudado na grade processo civil. o devedor pode renunciar a prescrição. 1228. confissão extrajudicial de dívida feita em cartório. Prescrição intercorrente: O tema prescrição intercorrente. Mas.909/PE. Obs. e respeitando a faculdade conferida ao devedor de renunciar a prescrição (art. no processo civil em geral.Direito Civil – Pablo Stolze Protesto (medida cautelar). a melhor ideia seria submeter às partes. 219. não se submetem a tais causas. antes de pronunciar a prescrição. por exemplo. há uma tendência no não conhecimento da referida tese.280/06. o juiz pronunciará de ofício a prescrição. querendo. STJ Ag Rg Ag 618. a lei 11. 22.: Prazos decadenciais. Assim. Ex. por óbvio poderão. O projeto de lei 3293/2008 pretende incluir este tipo de notificação como causa interruptiva da prescrição. uma vez silentes as partes. Intensivo I LFG Página 39   . e na letra fria do CC. 194 do CC alterou a redação do art. ** Notificação por AR: não interrompe a prescrição de acordo com a Lei. Características da prescrição e da decadência: Os prazos prescricionais por serem regulados por lei não podem ser alterados pelas partes (art. embora existam exceções no sistema. CC). traduz a situação da prescrição que se consuma dentro de um processo já existente. A rigor. §2º. a questão. Mas o CC diz que. à luz do princípio da cooperatividade.  Ato inequívoco. demonstrar que o prazo não se consumou e o devedor poderá renunciar a sua defesa. 192). Protesto cambial (de título de crédito). §5º do CPC para dispor: O juiz pronunciará de ofício a prescrição.

mas de 03 anos. por ser propter rem em face da hipoteca que gravava o imóvel. Obr. ramo do direito civil. acompanhando-a. O STJ no noticiário de 17/09/09 fixou que o prazo prescricional para se formular pretensão indenizatória para se formular pretensão indenizatória contra a Fazenda Pública não é de 05. obrigação de pagar taxa de condomínio: acompanha sempre a coisa (IPTU e IPVA são impostos também têm essa natureza. 8º da Lei do Inquilinato informa que se o contrato for averbado no Registro de Imóveis e se alienado o bem. 846. Pablo alugou apartamento para Adriano – uma relação obrigacional os une mas isso não impede que o bem seja alienado. *Obrigação com eficácia real: A obrigação com eficácia real é aquela que. em recente julgado (Ag Rg no Resp 1. A obrigação passa a ter eficácia contra todos – erga omnes. Trata-se de uma obrigação de natureza híbrida uma vez que posto vincule pessoas.Direito Civil – Pablo Stolze Prescrição contra a Fazenda Pública: Para formular a pretensão: 03 anos. Ex. Sujeito Dir. obrigação locatícia levada a registro imobiliário – art. Dir. é o conjunto de normas que disciplina a relação jurídica pessoal entre credor e devedor. mediante registro. ob rem ou mista situa-se na zona cinzenta entre o direito das obrigações e o direito das coisas. DIREITO DAS OBRIGAÇÕES: Conceito: O direito das obrigações. o terceiro adquirente deverá respeitar o prazo da locação. Resp. passa a ter eficácia erga omnes (ex. apesar de se tratar de obrigação tributária). Distinções Terminológicas Relevantes: Intensivo I LFG Página 40 . Mas o art.187/SP. em virtude da qual este último compromete-se a satisfazer uma obrigação de dar. A decisão baseou-se no fato de a obrigação de pagar a taxa de condomínio é para a própria conservação e utilização do bem. fazer ou não fazer. adere a uma coisa.117/SP) afirmou a preferência do crédito condominial. STJ – se refere a taxa de condomínio. 8º da Lei do Inquilinato).039. O STJ. Reais Credor Relação Obrigacional Devedor Coisa *Obrigação propter rem: A obrigação propter rem.

A classificação clássica de Gaio subdivida as fontes em: a) Contrato. promessa de recompensa. Esse sistema de Gaio não é mais utilizado.  Atos Não-negociais: fato material da vizinhança – o fato de ser vizinho importa na existência de obrigações que nada tem haver com ato negocial. ainda que de forma temporária. ativa ou passiva. Subjetivo: sujeitos determinados ou ao menos determináveis.  Em sentido estrito: débito assumido. em um sentido amplo. b) Quase contrato. modernamente. cria a relação obrigacional. dívida e haftung quer dizer responsabilidade. O mesmo ocorre com o título ao portador. A indeterminabilidade subjetiva. em sentido estrito é o próprio débito assumido. Assim. promessa de recompensa – o credor é indeterminado. pode traduzir a própria relação obrigacional vinculativa do credor ao devedor. autorizada pelo ordenamento. Gláucia e Unidade do LFG – os sujeitos são individualizados. Intensivo I LFG Página 41 . Lembra-nos Guilherme Nogueira da Gama que o fiador tem responsabilidade (Haftung) embora a dívida (Schuld) seja de outro. quase contrato: promessa de recompensa (se perdeu um cachorro e oferece recompensa). c) Delito d) Quase delito. Fontes das Obrigações: Embora a lei seja a fonte primária das relações jurídicas em geral. O delito para Gaio seria o ilícito doloso e o quase delito seria o ilícito culposo. por fonte das obrigações deve-se entender o fato jurídico que.  Estrutura e requisitos da relação obrigacional: Fundamentalmente são três requisitos da estrutura da relação obrigacional: Ideal ou imaterial: o elemento ideal ou imaterial ou espiritual segundo Alvaro Vilaça é o próprio vínculo jurídico abstrato que une o credor ao devedor. superada a classificação de Gaio. são fontes das obrigações  Atos negociais: contrato. Assim:  Em sentido amplo: relação que une credor ao devedor. Ex. é sempre temporária ou relativa. concretizando o preceito normativo. Ex. Não devemos confundir os termos Schuld e Haftung: Schuld significa débito. por exemplo. determinados.Direito Civil – Pablo Stolze A palavra obrigação. Ex. Ato ilícito: colidir um veículo.

satisfativa do crédito. imediato da obrigação e nós conhecemos como prestação. atua especialmente o princípio da boa-fé objetiva para determinar um comportamento leal e harmônico entre as partes. É chamado tecnicamente de objeto direto. *** Lembra-nos Emílio Betti. Objetivo: é o mais importante dos elementos. a doutrina costumam reconhecer a natureza patrimonial ou econômica da prestação. um comportamento omissivo do devedor. não construir acima de determinada altura. Todavia. é difícil encontrarmos exemplo de obrigação não patrimonial. fazer ou não fazer. O objeto da relação obrigacional será sempre a prestação o que deve ser analisado é se a obrigação é de dar. Observe-se que esse tipo de obrigação em que os sujeitos podem mudar.: Toda prestação no direito das obrigações deve ter cunho patrimonial? Em geral. em sua clássica obra Teoria Geral das Obrigações. Por meio dessa figura jurídica impõe-se ao próprio credor o dever de não agravar a situação do devedor (Dever de mitigar). a existência de uma nítida “crise de cooperação entre credor e devedor” com uma acentuada vocação opressiva da autonomia privada. ou ao menos determinável. Paulo Lobo e Silvio Venoza reconhecem algumas obrigações não patrimoniais a exemplo da obrigação que o testador impôs de se enterrado de determinada maneira. ou seja. A prestação deve ser lícita. Intensivo I LFG Página 42 . autores como Pontes de Miranda. ainda que em situações especiais. a exemplo do que se dá por meio do instituto jurídico “duty to mitigate”. Nesse contexto. Classificação básica das Obrigações: Coisa Certa Dar Positiva (+) Obrigação Negativa (-) Fazer Não Fazer Coisa Incerta Obrigação Negativa de não fazer: A obrigação de não fazer tem por objeto uma prestação negativa. Prestação é a atividade do devedor. denomina-se também obrigação ambulatória (circular). fazer ou não fazer. podendo ser de dar. Obs. obrigação de não concorrência. possível e determinada. Ex.Direito Civil – Pablo Stolze O devedor poderá também ser indeterminado o que ocorre na obrigação propter rem de pagar taxa de condomínio. Até porque.

Caso a obrigação de fazer seja descumprida por culpa do devedor. Refere-se a atividade do devedor. Vale lembrar que a obrigação de fazer é infungível ou personalíssima quando só interesse a atividade do próprio devedor. 251. dar o carro em virtude de compra e venda. 233 do CC. É obrigação intuito personae. Intensivo I LFG Página 43 . Ex. CC). Ex. 248. sem preço ou perdas e danos. *Obrigação de Dar Coisa Certa: A obrigação de dar coisa certa é disciplinada a partir do art. 248 e 249 do CC. A luz do art. A obrigação de não fazer extingue-se se por imperativo superior for necessária a realização do ato (sem culpa). 250. b) Dar no sentido de entregar a posse da coisa. é cabível a sua responsabilidade civil por perdas e danos. Ex. sem prejuízo de o credor optar pela tutela jurídica específica (art. 250 e ss. cabe a devolução do preço mais perdas e danos. * Não efetivada a entrega (perecimento da coisa antes da entrega):  Sem culpa: o negócio é resolvido. um cantor para uma festa de formatura. CC). CC). CC. tem por objeto a prestação de um fato. Obrigação positiva de dar: Obrigação de dar é aquela que tem por objeto a prestação de uma coisa. deixa o veículo no estacionamento do shopping – há obrigação de devolução.  Com culpa: se a coisa se perde. sem prejuízo da tutela específica (art. 247 e 249. salvo se o contrário resultar do contrato ou das circunstâncias do caso. é óbvio que se o devedor de uma obrigação de não fazer for obrigado a atuar (exemplo: for notificado pela prefeitura) a obrigação é simplesmente extinta sem perdas e danos. nada mais é que uma obrigação de não fazer registrada no cartório do Registro de Imóveis. Ex. a relação obrigacional é extinta sem perdas e danos (art. *Arts. por sua vez. Podemos observar que a servidão de não construir. A regra é que o acessório acompanha o principal. locação c) Dar no sentido de devolver a coisa. se culposamente o devedor descumpre a obrigação de não fazer poderá ser civilmente responsabilizado. Obrigação Positiva de Fazer: A obrigação de fazer. Mas.Direito Civil – Pablo Stolze A obrigação de não fazer pode ser temporária. podendo se estender juridicamente o verbo dar em três sentidos básicos: a) Dar no sentido de transferir propriedade. Caso a obrigação de fazer seja descumprida sem culpa do devedor. nos termos do art.

perdas e danos. nos termos da lei brasileira (arts. enquanto não for feita a escolha.CC). sem prejuízo das perdas e danos. 244 e 245. Álvaro Vilaça diz que o melhor seria falar-se em espécie pois a palavra gênero é muito aberta. d) De meio e de resultado Obrigações solidárias: Intensivo I LFG Página 44 . regra geral. CC). O projeto de reforma do CC em sua redação original adverte que se o gênero for limitado na natureza. *Obrigação de Dar Coisa Incerta: A obrigação de dar coisa incerta. veremos os mais importantes: a) Obrigações solidárias. -------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------Classificação Especial das Obrigações: No material de apoio. por princípio especialmente aplicado na obrigação de dar coisa certa o credor não está obrigado a receber prestação diversa da que lhe é devida. enquanto ainda for incerta a obrigação. mas impossibilitada por culpa do devedor. cabendo em ambos os casos. 246. devendo ser feita a necessária escolha da quantidade da coisa para ser efeito de pagamento (art. Vale observar que. é feita a análise de cada tipo de classificação especial e. assim. CC) é aquela indicada apenas pelo gênero e pela quantidade. o legislador estabeleceu a fórmula segundo a qual . c) Divisíveis e indivisíveis. em sala de aula. entregar 10 (quantidade) cabeças de gado (gênero) Mas a incerteza não é perpétua. 243/346. a escolha da coisa é feita pelo devedor (concentração do débito ou da prestação devida). b) Alternativas e facultativas. sendo que referida escolha é feita pela média: não se pode dar coisa pior. sendo individualizada quando do pagamento. na teoria das obrigações. Nos termos do art. nem será obrigado a prestar a melhor. alegar caso fortuito ou força maior. Obs. Vale lembrar que. para se eximir.  Com culpa: pode exigir o preço ou receber a coisa abatido o preço. ou seja. Logicamente. impossibilitada a obrigação sem culpa do devedor ela será extinta sem perdas e danos. CC). 313. uma vez que “o gênero não perece jamais”. tradicional regra do direito brasileiro. aí sim poderá o devedor eximir-se da sua obrigação. este poderá ser compelido a devolver o preço equivalente. 246. a indeterminabilidade desse tipo de obrigação é temporária. ainda que mais valiosa (art.Direito Civil – Pablo Stolze * Deteriorada a coisa:  Sem culpa: devedor pode resolver o negócio ou receber o bem.: Em geral. Ex. abatido o preço. (art. não poderá o devedor.

Saliente-se que são raros os exemplos de solidariedade ativa legal. se o credor nº 1 receber os R$300. D R$300. dois deles podem. este poderá cobrar R$100. A obrigação pecuniária é.: Qual a diferença entre obrigação solidária e obrigação in solidum? Alguns autores. fracionária e divisível. mas não há solidariedade entre eles.Direito Civil – Pablo Stolze Conceito: nos termos do art. posto vinculados ao mesmo fato. não mantém vínculo de solidariedade entre si.00 repassará a quota dos demais credores. cada um com direito ou obrigado a toda dívida.00 – Solidariedade Ativa Se algum deles fizer a cobrança e receber mais que sua quota. Pode haver ainda a solidariedade passiva que ocorre entre os devedores: D1 D2 Se o devedor paga toda a dívida terá direito de regresso contra os demais devedores. C1 C2 C3 Todos podem cobrar. Uma vez que solidariedade não se presume.000. C D3 R$300. fez um seguro de casa contra incêndio. o Intensivo I LFG Página 45 . 12 da Lei 209/48.00 – Solidariedade Passiva Jamais esquecerei. Obs. repassando a quota dos demais credores. Ex. *Solidariedade Ativa: Lembra-nos João de Matos Antunes Varela a principal característica da solidariedade ativa: qualquer dos credores poderá exigir do devedor a prestação por inteiro. à luz do dogmático artigo 265 do CC que. na mesma obrigação. A disciplina da solidariedade ativa é feita a partir do art. existe solidariedade quando. por natureza. ou ainda apenas um. solidariedade NÃO SE PRESUME: resulta da lei ou da vontade das partes. uma vez que a solidariedade não se presume. 264 do CC. ou seja. quanto a solidariedade ativa. O imóvel é incendiado por João. O proprietário pode demandar o agente causador do dano (João) e a seguradora. Se a questão disser apenas que existem 3 devedores que devem R$300.00 a um credor.000. concorre uma pluralidade de credores ou devedores. a exemplo de Guilherme Borda e Silvio Venosa visualizam tal diferença afirmando que. pois estão vinculados ao mesmo fato. por outro lado. deverá repassar a quota dos demais. 267 do CC. tomemos os seguintes exemplos: art.00 de cada um. resultando da lei ou da vontade das partes. na obrigação in solidum os devedores. 2º da Lei do Inquilinato e art.

quanto a solidariedade passiva por força de lei. 708. uma vez que estes se encontram em solidariedade passiva em face do referido credor. quanto ao idoso há benefício: uma solidariedade passiva em face dos devedores (parentes). CC D1 = pode opor exceção pessoal sua ou exceção pessoal comum. 577. ver art. São fundamentos do pedido de alimentos o parentesco. se o credor dos alimentos for idoso poderá pedir alimentos a qualquer dos prestadores legitimados. Art. Obs. 275. vincula-se solidariamente ao devedor pelo pagamento da dívida. Essa é a regra. Assim. Credor D2 Não pode opor exceção pessoal de outro devedor. Quando ambos correntistas devem movimentar conjuntamente a conta. CC. Entre as partes há uma ordem de pagamento: pais → avós (complemento) → irmãos. sob o argumento de que o proprietário do veículo deve ser solidariamente responsável pela reparação do dano como criador do risco de seus semelhantes. casamento ou a união estável. resultando da lei ou da vontade das partes. podendo inclusive haver complementação do valor a pagar.Direito Civil – Pablo Stolze contrato de abertura de conta-corrente conjunto em gera traduz bom exemplo de solidariedade ativa convencional (Resp.: No que se refere às defesas do devedor.902/DF). bem como defesas comuns a todos os devedores (exemplo: prescrição da dívida). Como estabelecer a diferença entre remissão (perdão) e renúncia a solidariedade? A Página 46   Intensivo I LFG . 775. qualquer dos devedores poderá opor ao credor defesa pessoal sua (exemplo: alegar ter sido vítima de coação). no âmbito da solidariedade passiva convencional. Vale acrescentar ainda que o art. 281. renunciando ao benefício de ordem. (Resp. *Solidariedade Passiva (é mais comum): Na solidariedade passiva. inclusive.612/RO). na obrigação solidária.765/SP). D3 Questões especiais envolvendo solidariedade:  A obrigação de pagar alimentos é conjunta segundo uma ordem de prestadores nos termos da Lei de família. Observe-se que. Esta haverá se cada um puder movimentar de forma isolada a conta. mas não poderá opor defesa pessoal de outro devedor. o poder de perdoar integralmente a dívida. 932. um tradicional exemplo é encontrado nos contratos de locação residencial quando o fiador. não há solidariedade ativa. Considerando que a solidariedade não se presume. qualquer dos devedores poderá ser compelido a pagar toda a dívida. a teor do art. O STJ tem admitido solidariedade passiva entre proprietário e condutor do veículo (Resp. 272 do CC dá a qualquer dos credores.

O Enunciado 349 estabelece que. entrega carro e pode prestar outra (subsidiária). a faculdade de substituição da prestação devida. Há duas obrigações ou mais que se excluem. Ex. de objeto múltiplo. do mesmo. Obrigações Divisíveis e indivisíveis Intensivo I LFG Página 47 . O credor não pode exigir a prestação subsidiária nem quando se perder o principal.00 R$300.00 Renúncia da Solidariedade D1 Perdão D1 = 100. tendo havido renúncia da solidariedade em face de um dos devedores. com a peculiaridade de estabelecer em FAVOR DO DEVEDOR. *Pluralidade de optantes: não havendo acordo UNÂNIME entre eles.00 (em solidariedade) R$300. A renúncia da solidariedade importa que o credor cobrará apenas a quota daquele devedor. Em geral. impedindo apenas que o credor possa cobrar-lhe mais que sua quota. já a mera renúncia a solidariedade em favor de um dos devedores não o exonera da dívida.: Ver no material de apoio quadro esquemático referente ao tratamento jurídico da impossibilidade da prestação na obrigação alternativa. exonerando-se o devedor ao cumprir apenas uma delas. o credor não pode exigir a prestação subsidiária. tem objeto único e simples. Não poderá o devedor obrigar o credor a receber parte da prestação de um. 252.00 D3 200.00 C D2 C D2 D3 200. CC.Direito Civil – Pablo Stolze remissão em favor de um dos devedores libera-o completamente da dívida. 277 e 282. diferentemente da alternativa. na obrigação facultativa. Orlando Gomes observa ainda que. são aquelas com duas ou mais prestações. *Obrigação Facultativa: A obrigação facultativa.00 O perdão exonera o devedor de sua parte. Obrigações Alternativas e Facultativas *Obrigações Alternativas: As obrigações alternativas. decidirá o juiz. bem como em havendo impossibilidade da prestação devida a facultativa não remanesce. CC. permanecendo os demais devedores. *Prestações periódicas: pode ser realizada a escolha em cada período. o credor poderá cobrar dos outros devedores solidários o remanescente da dívida. nos termos do art. Obs. 100. e parte de oturo. solidariamente vinculados pelo resto. Arts. a escolha da prestação devida é feita pelo devedor.

caso haja pluralidade de credores. atuando em intervenção estética. não havendo espaço para o reconhecimento de solidariedade alguma. Derivada da própria lei – indivisibilidade legal: ex. embora judicialmente inexigível. já as obrigações indivisíveis só podem ser cumpridas por inteiro (art. A doutrina reconhece que. Dentre outras diferenças. 814 do CC. o devedor vincula-se ao resultado proposto que deve garantir. entrega de um animal.a por cada um dos devedores. segundo a própria jurisprudência do STJ (Ag Rg Ag 1. ***Ainda no caso da obrigação indivisível. dívida de jogo. convertida uma obrigação indivisível em perdas e danos. o devedor se desobriga pagando a todos conjuntamente. ou. Derivada da vontade das partes – indivisibilidade convencional: as partes podem convencionar que o objeto será indivisível. Se impossibilita a prestação. Diferentemente. art. Além disso. Se for uma cirurgia para reparar queimaduras: não se trata de cirurgia estética. será devido o preço mais perdas e danos na medida da cul. 259. 2. a obrigação natural gera o efeito da soluti retentio (retenção do pagamento): o credor não pode cobrar a dívida. assume obrigação de resultado. paga duas vezes”? Nos termos do art. Ex. 260 do CC. a indivisibilidade é assim classificada: 1. caso pretenda pagar a um só dos credores. Observe-se que o cirurgião plástico. 3.743/RS). pelo que constituirá obrigação de meio. ela será fracionada na medida da culpa de cada devedor. *Obrigação Natural: Obra: A Obrigação natural: elementos para uma possível teoria. este lhe apresente documento de “caução de ratificação” dos outros credores. na obrigação de resultado.132. caso haja pluralidade de credores. médico. reparatória. Na doutrina. Obs. Intensivo I LFG Página 48 . também considerada “imperfeita” é aquela desprovida de exigibilidade jurídica. CC: Obrigação Indivisível – qualquer dos devedores se obriga por inteiro. 257 e 258. Caso tenha sido prevista também a solidariedade ativa este documento é logicamente desnecessário. Obrigações de Meio e de Resultado: Obrigação de meio é aquela em que o devedor se obriga a empreender uma atividade sem garantir o resultado final. advogado. mas se receber o pagamento poderá retê-lo. de Sérgio Covello. Pela natureza da coisa: ex.: A despeito da semelhança. a quem o devedor deverá pagar para não incorrer no adágio “quem paga mal. não se deve confundir solidariedade com indivisibilidade da obrigação.Direito Civil – Pablo Stolze As obrigações divisíveis são aquelas que admitem cumprimento fracionado da prestação. dívida prescrita. A obrigação natural. módulo rural. a indivisibilidade refere-se ao objeto e solidariedade aos sujeitos. Ex. mas sim. CC). *Art.

Essa teoria tem específica aplicação nos contratos de seguro. Requisitos ou Condições do Pagamento: Condições Subjetivas Pagamento Condições Objetivas quem deve pagar a quem se deve pagar lugar objeto prova tempo Intensivo I LFG Página 49 . posto não haja sido perfeita. Caio Mario) sustenta que o pagamento tem natureza jurídica negocial.971/SP. --------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------TEORIA DO PAGAMENTO Conceito: Pagamento consiste no adimplemento ou cumprimento voluntário da obrigação. ou. A teoria também foi aplicada em um caso de alienação fiduciária em que havia sido pago 95% do valor do bem. à luz dos princípios da função social e da boa-fé objetiva não se deve considerar resolvida a obrigação quando a atividade do devedor. na quinta e última prestação do prêmio o beneficiário se esquece de pagar o boleto no dia do vencimento e o carro é furtado. em interpretação mais beneficia que seja pago o valor da indenização deduzido o valor da última prestação. o que explicaria a incidência dos vícios do negócio jurídico. 415. Ex. No caso concreto já se decidiu. Respeitável parcela da doutrina (Roberto de Ruggiero.577/SC). aproxima-se consideravelmente do seu resultado final. 469. permitindo sua invalidação. em determinadas situações a presente teoria (Resp. por exemplo.Direito Civil – Pablo Stolze *Cirurgia de Miopia a Laser: a jurisprudência (ver revista consultor jurídico de 25/06/2007) aponta que cirurgia para correção de miopia encerra obrigação de meio e não de resultado: o médico não pode garantir como resultado final. Resp. a acuidade visual perfeita. *Inadimplemento substancial – Substantial perfomance: A doutrina do adimplemento substancial sustenta que. A letra fria do CC diz que o atraso de um único dia acarreta o não pagamento da indenização. que tendo sido pagas 4 de 5 parcelas deve ser recebido o equivalente a 4/5 da indenização. mas a jurisprudência tem entendido que a depender do caso concreto será paga a indenização com base na teoria do adimplemento substancial. O STJ tem aplicado.

se o terceiro interessado paga. bem com a lei reconhece essa legitimidade em favor do terceiro interessado ou não. Em tal caso. *A quem se deve pagar: Na vereda dos artigos 308 e 309. Fiador Se o fiador que é terceiro interessado irá C penhor D substituir o credo. segundo o princípio da Intensivo I LFG Página 50 . 309. concluímos que quem tem legitimidade para o pagamento é o devedor (ou seu representante). Assim. *Credor aparente ou putativo: art. o pagamento deverá ser feito ao credor (ou ao seu representante) admitindo ainda a lei brasileira. duas situações podem ocorrer: a) Se paga em seu próprio nome. com as garantias que foram instituídas. fundamentadamente. terá. direito ao reembolso do que pagou. *Oposição ao pagamento feito pelo terceiro: nos termos do art. caso o pagamento seja feito por um terceiro não interessado. Se feito por terceiro somente valerá após ratificado e se provar que o valor reverteu em proveito do credor. que o pagamento possa ser feito ao terceiro. a exemplo do fiador. a teor do art. *Art. 306 do CC. Com base na teoria da aparência. nas seguintes situações: a) Se o credor ratificar o pagamento ou houver prova de que reverteu em seu proveito. apresentar oposição ao pagamento feito pelo terceiro. 308. fará jus não apenas ao direito ao reembolso. Em uma perspectiva civil constitucional em respeito ao princípio da dignidade da pessoa humana. b) Na hipótese do credor aparente ou putativo. CC: o pagamento deve ser feito ao credor ou a quem lhe represente. o pagamento feito de boa-fé a um terceiro que aparentava ser credor.Direito Civil – Pablo Stolze Condições Subjetivas: *Quem deve pagar: A luz dos artigos 304 e 305. 309 do CC. terá direito ao ressarcimento do que pagou e ainda levará para si a garantia real. b) Se paga em nome do próprio devedor. é razoável entender-se que a preservação dos direitos da personalidade do devedor justifica a oposição ao pagamento. Terceiro interessado é a pessoa na qual o inadimplemento obrigacional poderá repercutir. CC. Esse terceiro não tem a amplitude de poderes do terceiro interessado. mas também se sub-rogará na própria posição de credor. Situação diferente ocorre quando o terceiro não tem interesse jurídico direto na relação. pelo menos. não terá direito a nada. o devedor pode.

razão pela qual o credor pode se recusar a receber cheque. cartão de crédito ou de débito. CC). por partes. a sua recusa indevida pode gerar dano moral (Resp. *Princípio do Nominalismo: o art. Ex. GPM. O que não se pode fazer é. Condições objetivas: *Tempo do pagamento: Regra geral. se admitido o pagamento por meio de cheque. (arts. existe norma específica (art. concluímos que a moeda nacional (Real) tem curso forçado no território brasileiro. Se não convencionado juros.: analisar o art. 313 do CC estabelece uma regra básica: o credor não está obrigado a receber prestação diversa. 592. não havendo vencimento certo. 317 será estudado em Teoria da Imprevisão. será paga a mesma quantidade de moeda. Obs. 313/316 do CC. 315 ainda consagra o vetusto princípio do nominalismo segundo o qual. noticiado no daí 15/04/2010).  Se sujeito a condição suspensiva: quando essa se implementar. Este princípio do nominalismo não pode ser tratado com caráter absoluto por conta da natural desvalorização econômica da moeda.583/STJ. *Objeto do Pagamento: Art. 315 cita a expressão “valor nominal”. CC – o inciso II fala que se for $ será de 30 dias o prazo). se assim não se convencionou.  Regra: vencimento.  Se não tem vencimento: pode ter exigência imediata. Obs. O art. 981. salvo norma especial em contrário. o art. se a obrigação não tiver vencimento certo. Ex. é exigível de imediato pelo credor. ou seja. Ex. O art. índices de correção monetária existem para atualizar o poder aquisitivo da moeda. o pagamento deve ser efetuado por ocasião do vencimento da dívida. 315. 333: hipóteses de antecipação do vencimento de uma dívida. Por isso. 314 adota como regra a indivisibilidade do pagamento. o devedor se libera pagando a mesma quantidade de moeda prevista no título da obrigação.Direito Civil – Pablo Stolze confiança. ** CUIDADO! No caso do mútuo. nem correção. Intensivo I LFG Página 51 . Na linha do art. discriminar o devedor – consumidor. poderá ter eficácia jurídica. admitindo o cheque. Juros: remuneração Correção monetária: atualização da moeda. Conforme já vimos. 331 e 332.: Apesar de não ser de aceitação obrigatória. Mas. não pode o credor ser obrigado a receber nem o devedor a pagar. João empresta a Pablo $ e fixa-se o vencimento daqui a um ano. ainda que mais valiosa. se sempre pagava a determinado preposto e esse é dispensado mas continua cobrando: o pagamento feito a ele será perfeitamente válido. O art.

 assinatura do credor ou representante.377/SP nos dá a exata dimensão da importância da matéria. *Requisitos para uma quitação: art.Direito Civil – Pablo Stolze *Correção Monetária: o tema correção monetária. Intensivo I LFG Página 52 . dependerá da análise matemática do caso concreto.  lugar do pagamento. tem o seu referencial histórico na lei 6. O STJ (ver noticiário de 21/09/09) tem adotado uma posição de neutralidade. 319 e 320. Mário Delgado sustenta que o art. A despeito da polêmica.988/SP. tal artigo é abusivo uma vez que traduz a possibilidade de aumento progressivo das prestações. amparada em precedentes do próprio STF (Re 274.899/71 que estabeleceu a incidência da correção nos débitos decorrentes de decisão judicial. 320. O recibo é o instrumento da quitação. A tabela é atacada pelas entidades de defesa do consumidor alegando anatocismo enquanto as instituições traduzem sua viabilidade. Caso o credor se recuse a dar quitação poderá o devedor ingressar com ação de consignação em pagamento. embora incorpore juros ao pagamento devido. 7º. *Salário mínimo como índice de correção: nos termos do art. com propriedade. defende Maria Berenice Dias.  nome do devedor  ou quem por este pagou. IV da CF estabeleceu-se a regra de que não se pode vincular o salário mínimoa esse tipo de finalidade (ver também súmula vinculante 4.br o artigo A Tabela Price é ilegal? de Luiz Scavone Jr e Pedro Gomes). Já para Pablo Stolze. 494.jus. mantém a homogeneidade das prestações (ver no www. STF). O Resp. 316 (artigo de redação confusa). trata-se de um complexo cálculo de matemática financeira frequentemente utilizado em financiamentos que. Vale lembrar que apenas por exceção a variação cambial é admitida como índice de correção monetária (Ver Ag Rg no Ag 845. STJ). CC). se a tabela price é ou não ilegal. a ser visto em outra grade. A fixação em salário mínimo em casos de pensão alimentícia tem fundo social: saber o que está pagando e recebendo. *Tabela Price: Também conhecida como sistema francês de amortização. em verdade. *Prova do Pagamento: A quitação é o ato jurídico que prova o cumprimento de uma obrigação (arts. nada mais faz que albergar os critérios da correção monetária.  tempo do pagamento. ou seja. CC: (sempre pode ser dada por instrumento particular)  valor e espécie da dívida quitada.897) a possibilidade de utilização do salário mínimo como critério de correção de pensão alimentícia.

Art.  Se paga o capital. 347 do CC. temos que. por exceção. 327. Intensivo I LFG Página 53 . 347 – a sub-rogação depende do acordo de vontades. CC. Formas especiais de pagamento: 1. 346 – a sub-rogação decorre da lei. O art. Nessa hipótese o credor pode provar em 60 dias que não foi efetivado o pagamento.Direito Civil – Pablo Stolze Ainda sem os requisitos estabelecidos neste artigo valerá a quitação se de seus termos ou das circunstâncias resultar haver sido paga a dívida. O CC.  Entrega do título ao devedor firma presunção do pagamento. É presunção relativa. Esta regra. em respeito ao princípio da confiança. 346 do CC traduz forma de cumprimento da obrigação pela qual se opera substituição de sujeitos no pólo ativos da relação jurídica. ele se sub-roga nos direitos do credor originário que já teve seu crédito satisfeito. Se o fiador paga. 330 do CC é frequentemente citado como exemplo de aplicação da regra proibitiva do venire contra factum proprium. No entanto. presume-se pagos os juros. nas hipóteses de sub-rogação convencional a mudança de credores depende de um ajuste de vontades. nos artigos 322/324 estabelece especiais situações de presunção relativa do pagamento em favor do devedor:  Pagamento de prestações periódicas: a última paga conduz a presunção do pagamento das anteriores. desdobramento da boa-fé objetiva. o pagamento deve ser efetuado no domicílio do devedor (dívida quesível ou quérable). O parágrafo único diz que designados dois ou mais lugares. b) Convencional: art. O pagamento com sub-rogação regulado a partir do art. cabe ao credor escolher entre eles. Pagamento por sub-rogação: A palavra sub-rogação dá ideia de substituição. Pagamento com sub-rogação é pagamento com substituição de credores. Se o pagamento consistir em entrega do imóvel ou a prestações relativas a ele será efetivado onde situado o bem. *Lugar do Pagamento: Nos termos do art. *Espécies: a) Legal: art. proíbe que uma parte adote comportamentos incompatíveis ou contraditórios. a dívida será portável ou portable. se o próprio devedor tiver de se deslocar para efetuar o pagamento no domicílio do credor. 329. Nos termos do art. regra geral.

uma vez que tem regras próprias e a cessão de crédito poderá até ser gratuita.00 Devedor Obs. O terceiro assume o posto de credor. I. sub-rogando-se em seu lugar. ações e privilégios e garantias do credor primitivo em relação à dívida contar o devedor principal e fiadores. Credor Terceiro Devedor – não está conseguindo pagar a dívida. A nova obrigação.000. mitigando o alcance do art.: A luz do princípio da autonomia privada é razoável sustentar-se que na sub-rogação convencional. mas daí não se conclua que os institutos do “pagamento com sub-rogação” e da “cessão de crédito” são a mesma coisa. não podendo. se o do devedor está no cadastro de proteção ao crédito.00 e se sub-roga nos direitos do credor R$10. 2. 347. 349 do CC. Obs. afirma que a sub-rogação operada transfere ao novo credor todos os direitos. nos termos do art. o novo credor poderá abrir mão de determinada garantia. Se o terceiro paga valor a menor ao credor originário. Opera-se a novação quando. o pagamento com sub-rogação convencional ali delineado confunde-se com a própria cessão de crédito.Direito Civil – Pablo Stolze Ex. CC. A novação legal é uma aberração legal). A contrato X A Contrato Y Nova obrigação que exclui (substitui e liquida) a anterior. cobrar a integralidade da dívida. O CC. O terceiro empresa $ ao devedor para que solva sua dívida desde que acordado que este terceiro (mutuante) sub-rogue-se nos direitos do credor. Novação: A palavra novação dá ideia de algo novo. 349. é fruto da autonomia privada. as partes criam uma obrigação nova destinada a substituir e extinguir a obrigação anterior (depende sempre de ser determinada em contrato. por meio de uma estipulação negocial.000. pois.000. 350 do CC estabelece que na sub-rogação legal o novo credor só poderá cobrar do devedor o que efetivamente desembolsou.: é o mesmo que cessão de crédito? Na hipótese prevista no art. o art. poderá cobrar a integralidade? Na linha do art. Credor R$ 9. Ex.00 Terceiro O terceiro solicita transferência do crédito de R$10. deve ser retirado Página 54 B Intensivo I LFG B . com novos prazos. 593 do Código de Portugal.

é preciso ainda investigar se as partes tiveram a intenção de novar. 367. o juro.2215) exigem a intenção expressa de novar. Serpa Lopes. a doutrina diverge profundamente a respeito da possibilidade de se novar obrigação natural. 360. esta intenção poderá resultar do comportamento das próprias partes e das circunstâncias do caso (comportamento conludente). iniciará novo cálculo e o nome do devedor não poderá permanecer negativado. Caso configurada a novação. Caso a obrigação primitiva seja natural. não poderá ser novada. 2. Criação da obrigação nova substancialmente diversa da primeira (ou seja. com elemento novo – aliquid novi). Nogueira da Gama admitem a tese. significa haver sido criada uma obrigação nova que substituiu e liquidou a obrigação anterior. Marcel Planiol.Direito Civil – Pablo Stolze **Renegociar a mesma obrigação ≠ novação (nova obrigação) *** Apenas analisando o caso concreto é que poderá se dizer se de fato houve a novação. que se a obrigação anterior for nula ou extinta. Intenção de novar – animus novandi. Intensivo I LFG Página 55 . também chamada de novação real (Eduardo Spínola). Silvio Rodrigues. a prescrição recomeçará a contar. o que exige a análise do caso concreto. poderá – quando há anulabilidade esta pode ser sanada. mas se for simplesmente anulável. regulada no art. Em nosso pensar. *Espécies de novação: a) Objetiva: a novação objetiva. nos termos do art. §1º do CC. mas autores como Barros Monteiro e Clovis Bevilaqua negam a possibilidade. a exemplo do CC Mexicano (art . Existência de obrigação anterior: Vale lembrar. 814. 3. a tese favorável deverá prevalecer. *Requisitos da Novação: 1. Para que possamos concluir ter havido novação. caso previsto. I do CC é aquela em que as mesmas partes da relação obrigacional criam obrigação nova para substituir e extinguir a obrigação anterior. No Brasil. mormente pelo que dispõe o art. de maneira que os prazos serão zerados. Eduardo Spinola lembra que poucos códigos no mundo. mais conhecida de todos.

na mesma linha. sugere ao credor realizar prestação diversa da que lhe é devida.  Vale observar ainda que. CC). tendo afirmado ainda. 360. 358.117/DF. Existem duas maneiras de se operar a mudança de sujeitos na novação subjetiva passiva: por delegação ou por expromissão. 4. se. por sua vez. considera-se criada obrigação nova. cabendo ao credor aceitar ou não: o consentimento do credor é requisito necessário. Dação em pagamento: A dação em pagamento é também conhecida como datio in solutum. *Dação em pagamento de coisa e obrigação alimentícia: o próprio STJ já admitiu.930/SC) e Súmula 286 do STJ “A negociação ou a novação da obrigação constituída não impede a revisão judicial do contrato anterior”. após uma renegociação ou novação da dívida uma cláusula abusiva for mantida. a exemplo da entrega de títulos de crédito emitidos por terceiros.Direito Civil – Pablo Stolze b) Subjetiva: A novação subjetiva opera uma mudança de sujeitos na relação obrigacional de maneira a considerar constituída a obrigação nova quando o novo sujeito integra a relação: poderá ser ativa (art. Vale dizer. A própria função social do contrato justifica o acerto da jurisprudência do STJ no sentido de permitir a impugnação da cláusula abusiva. poderá ser impugnada não se podendo falar em incidência da regra proibitiva do venire contra factum proprium. com o ingresso do novo credor. o devedor (animado pelo animus solvendi) no bojo da mesma relação jurídica. na mesma relação jurídica obrigacional o credor aceita receber prestação diversa da que lhe é devida. o antigo devedor não participa do ato novatório. segundo jurisprudência já consolidada pelo STJ (Ag Rg no Ag 801. *Dação pro solvendo: a dação pro solvendo. (art. que este tipo de dação não implica adiantamento da legítima. com o ingresso do novo devedor. Na dação em pagamento. Na expromissão. regulada nos artigos 356 a 359 pela qual. Resp 629. II) Na novação subjetiva ativa. em sede de HC (HC 20317/SP) a possibilidade de dação de imóvel em pagamento de pensão alimentícia. 362. Na delegação. Trata-se de uma forma especial de pagamento. também conhecida de “dação por causa ou em função do pagamento” não satisfaz imediatamente o interesse do credor. é considerada constituída obrigação nova. mesmo após a renegociação ou novação da dívida. Na novação subjetiva passiva. o antigo devedor aquiesce participando do ato novatório. Questões especiais na jurisprudência do STJ envolvendo novação:  O STJ no AgRg nos Edcl no Resp 726.893/RS asseverou que a inserção no Refis importa novação. em recente julgado. Intensivo I LFG Página 56 . III) ou passiva (art. a luz do art. 360.

A aliena um carro para B que ao trafegar e ser parado em uma blitz tem sue carro perdido considerando que o bem era furtado e na realidade o carro pertencia a um terceiro. 5. opor a compensação contra o credor. Intensivo I LFG Página 57 . resolvendo-se em perdas e danos. R$1. Art. credora e devedora. C. 359 do CC. Isso porque. CC):  Reciprocidade dos débitos – para que haja compensação. *Requisitos da Compensação Legal (art. A compensação legal não pode ser declarada de ofício pelo juiz. as partes devem ser. quando reunidos. Nos termos do art. Observe-se que tal requisito é mitigado pela regra do art. b) Compensação legal: trata-se de compensação cujos requisitos estão previstos no Código Civil (art.00 Não posso confundir a compensação com a confusão P1 P2 (ver apostila). uma mesma pessoa aglutina as qualidades de credor e devedor. por decisão. mesmo não sendo parte recíproca na obrigação. Ex. Caso haja. na confusão. se não houver prejuízo a terceiro. 21. determinam ao juiz a sua declaração. regulada a partir do art. segundo Eduardo Spínola. uma da outra.000. independentemente de provocação. Há reciprocidade de crédito e débito. mediante provocação do interessado. Compensação: A compensação. Evicto é quem perde a coisa em virtude do direito anterior de terceiro (adquirente). 359. c) Compensação convencional: ou. que permite ao fiador. Art. a obrigação primitiva não poderá restabelecer. 369). independentemente dos requisitos da lei.00 *Espécies de Compensação: a) Compensação judicial ou processual: é aquela em que o juiz. CPC. caso o credor venha a perder a coisa dada em pagamento por evicção. 371 do CC.000. como se sabe. credora e devedora uma da outra. opera a compensação de créditos recíprocos entre as próprias partes do processo. os quais. será restabelecida a obrigação primitiva. ao mesmo tempo. R$1. 368 do CC é uma forma de extinção da obrigação em que as partes são. compensação facultativa: trata-se daquela compensação ajustada pelas próprias partes. CC. segundo a autonomia privada. ao mesmo tempo. 369.Direito Civil – Pablo Stolze *Evicção da coisa dada em pagamento: vale lembrar que ocorrer a evicção quando o adquirente de um bem perde a sua posse e propriedade em virtude de decisão judicial ou ato administrativo que reconhece direito anterior de outrem.

não caberá compensação. ou dívida vencida com dívida não vencida. Mas. inclusive no que tange a qualidade da coisa (art. admitem-se três formas básicas de transmissão obrigacional: cessão de crédito. vale lembrar. Ex. mediante acordo de vontade. 982. ressalvadas as importantes exceções previstas no art. a exemplo do Resp. fora revogado pela Lei 10. para evitar enriquecimento sem causa. b) Se uma se originar de comodato. podem as partes. a causa do débito recíproco não interfere na compensação. 19 da 1ª Jornada de Direito Civil *Hipóteses de Impossibilidade de Compensação: Regra geral. Regra geral. as dívidas recíprocas devem estar vencidas para haver compensação legal. lembrando o grande Eduardo Spínola.291/RS assentou a ideia de não poder o Banco apropriar-se automaticamente do salário do cliente como forma de compensação. Obs. furto ou roubo. só se pode compensar por força de lei. ------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------TRANSMISSÃO DAS OBRIGAÇÕES: O crédito e o débito podem ser cedidos.677/03. afastar os requisitos da compensação legal.  Vencimento das dívidas – ou seja. c) Se uma for de coisa não suscetível de penhora. * O art. 370. CC). gado com café. Há possibilidade de movimentação das obrigações. Cessão de crédito: Intensivo I LFG Página 58 P1 $ 50 Credor . compensando. 1. dívidas da mesma natureza. nos termos inclusive do En. dívidas certas e líquidas. Ex.  Homogeneidade dos débitos – vale dizer.Direito Civil – Pablo Stolze F1 $50 – relativo a crédito do devedor contra o credor P2 Devedor (não paga) $50  Liquidez das dívidas – só se podem compensar legalmente.: Sob influxo do princípio da autonomia privada. observe que essa compensação é facultativa. cessão de débito e cessão de contrato. depósito ou alimentos. ressalvada excepcional situação admitida pelo STJ. se qualquer dos débitos provier de alimentos. Obs. 374 do CC.: O Ag Rg no Resp 353.857 do RJ. 373 do CC: a) Se provier de esbulho. salário. por exemplo. Por conta da dinâmica típica da relação obrigacional (anunciada por Couto e Silva na clássica obra A Obrigação como um processo). não cabe a compensação se um deve 10 cabeças de gado Nelore e outro deve 10 cabeças de gado Holandês.

a partir do momento em que toma conhecimento da cessão. Até porque. se a isso não opuser:  A natureza do próprio crédito. deverá sempre ser expressa. a cessão do crédito abrange todos os seus acessórios. 286 do CC regula a cessão de crédito. derivado da boa fé objetiva. o devedor poderá opor as suas defesas ao novo credor. na esteira do art.000. em respeito ao dever anexo ou colateral de informação. 1474 do CC Argentino. art. 1749. 2. se também assumir a responsabilidade pelo pagamento do devedor (o que dependerá do seu consentimento) a cessão será pro solvendo. estabelece que. R$900. A cessão de crédito consiste em um negócio jurídico pelo qual o credor (cedente) transmite total ou parcialmente seu crédito a um terceiro (cessionário) mantendo-se a mesma relação obrigacional com o devedor (cedido).00 – vencimento dia 04/06/10 Devedor Relembrando a última aula. Questão de prova: O devedor. na cessão de crédito. posto o devedor não precise autorizar a cessão de crédito.  Cláusula pactuada expressamente pelas próprias partes (pacto de non cedendo) Vale reiterar. para vincular terceiros. 286.00 Credor Terceiro R$1. precisará autorizá-la? Na vereda do art. que a cláusula proibitiva de cessão. III – proíbe que o tutor adquira crédito contra o tutelado. Ex. a cessão de crédito aproxima-se do pagamento com sub-rogação convencional. O art. 287 do CC estabelece que. A luz do art. salvo disposição em contrário. alimentos. mas.  A lei. Intensivo I LFG Página 59 . deverá ser comunicado até mesmo para que surta efeitos em sua esfera jurídica (art. O art. 290. em respeito ao princípio da boa fé objetiva. nos termos e nas condições dos artigos 295/297 do CC. Cessão de débito: É também chamada assunção de dívida. *Responsabilidade pela Cessão de crédito: O cedente deve garantir o crédito que cedeu? Regra geral. confundindo-se com este instituto.Direito Civil – Pablo Stolze Era a única prevista no CC/16. o cedente deverá responder pela existência do crédito que cedeu (cessão pro soluto). CC). Ex. 290. a regra geral é no sentido de que todo crédito possa ser cedido. o nosso artigo 294.

299 é interpretado como uma recusa a cessão de débito. Obs. nos termos do parágrafo único do art. a cessão da posição de um contrato opera-se como um todo. A celebração de um negócio jurídico entre cedente e cessionário. no bojo da mesma relação obrigacional. A cessão dá-se de forma global. a anuência da outra parte é requisito necessário para a cessão de contrato. a cessão de contrato realiza a forma mais completa de substituição de sujeitos na relação obrigacional. que a melhor teoria explicativa é a unitária. b) Teoria Unitária: Autores como Pontes de Miranda. *Teorias explicativas da Cessão de Contrato: a) Teoria atomística ou fragmentária: Zerlegungskonstruktio – doutrina da decomposição: essa primeira teoria sustenta que a cessão de contrato implicaria uma múltipla cessão de créditos e débitos ao mesmo tempo. Cessão de contrato: Não está prevista no CC.: Como vimos acima. o seu débito. Silvio Rodrigues sustentam. uma vez que por meio de um único ato. excepcionalmente. por sua vez. um novo sujeito assume integralmente um dos pólos da relação processual. fato este desconhecido pelo credor. Segundo Emílio Betti. Antunes Varela. transmite a um terceiro. em sua festejada obra dedicada a Teoria das Obrigações. a lei autoriza uma cessão de contrato independentemente da Intensivo I LFG Página 60 . Integralidade da cessão (cessão global) 3. Credor (consente expressamente) Devedor Terceiro Exonera-se. 299. Todavia. via de regra. A cessão de contrato. 3. (art. Observe-se que o silêncio do credor. segundo a qual. 2. CC).Direito Civil – Pablo Stolze A cessão de débito ou assunção de dívida consiste em um negócio jurídico pelo qual o devedor com expresso consentimento do credor. *Requisitos para a cessão do contrato: 1. Anuência expressa da outra parte. mais abrangente do que a simples cessão de crédito ou de débito operase quando o cedente transfere a sua própria posição contratual a um terceiro (cessionário) com a anuência da outra parte. de maneira uniforme. A parte final do art. 299 estabelece que o devedor primitivo poderá reassumir a dívida se o novo devedor for insolvente.

31. a lei 10. a exemplo do art. por meio de contrato de gaveta (Ag Rg no Resp 838. mais comum e conhecida. Existem basicamente dois tipos de mora: a) Mora do credor / credendi / accipiendi b) Mora do devedor / debendi / solvendi O CC disciplina a matéria a partir do art.150/2003. 1. 394.180. Resp. a despeito da notificação enviada pelo credor. Todavia. Vale acrescentar.397/RJ. nos termos e nas condições de seu art. lugar e forma convencionada.127/DF) ------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------TEORIA DO INADIMPLEMENTO: *Inadimplemento relativo Mora – conceito: ocorre a mora quando o pagamento não é feito no tempo. Segundo a doutrina de Clóvis Bevilaqua há requisitos da mora do devedor. 20.389/RO. d) Viabilidade do cumprimento tardio da obrigação Intensivo I LFG Página 61 . segundo o adágio dies interpellat pro homine. Resp.534/GO). segundo a teoria da cessão de contrato é no sentido de que a instituição financeira. Há prazo certo para pagamento e não sendo efetuado o pagamento. caso não haja vencimento certo ou exista previsão legal específica. Só haverá mora do devedor se houver fato imputável a ele (art. b) Vencimento da dívida. dia 15 de abril) a mora opera-se automaticamente. todavia que. ocorre quando o sujeito passivo retarda culposamente o cumprimento da obrigação. quais sejam: a) Existência de uma dívida líquida e certa. 783. o credor deverá interpelar o devedor para constituí-lo em mora (mora ex persona). tendo vencimento certo (ex. admitiu a cessão sem anuência da outra parte. a mora na alienação fiduciária deriva automaticamente do vencimento. 396. opera-se a mora automaticamente. ou seja. (A mora.757/CE). O STJ já pacificou entendimento no sentido de que. nesse caso é denominada mora ex re).Direito Civil – Pablo Stolze anuência da parte adversa. especialmente no âmbito do SFH – Sistema de Financiamento Habitacional – deverá anuir quanto a cessão (Resp 1. Mora do devedor: A mora do devedor. §1º da lei 6766/79 (esse tipo de cessão é denominado cessão legal ou imprópria).102. é ex re (Ag Rg no Ag 997. ** A regra geral. No que se refere ao vencimento da dívida. CC). vale lembrar que. c) Culpa do devedor. por exceção.

uma vez que a obrigação estará completamente inadimplida. deverá ser aferida objetivamente. raio que caiu em prédio e a TV era emprestada por um condômino a outro – queimaria do mesmo jeito. se viabilidade não houver. resolvendo-se em perdas e danos. ela se impossibilitaria do mesmo jeito. o devedor responde pela impossibilidade da prestação ainda que esta resulte de caso fortuito ou força maior.400 do CC: a) Subtração do devedor isento de dolo à responsabilidade pela conservação da coisa: o devedor se exime da obrigação de conservar a coisa. de interdependência entre as prestações. CC. Obs.Direito Civil – Pablo Stolze Não posso me esquecer de que a mora do devedor pressupõe ainda haver viabilidade no cumprimento tardio da obrigação principal. ún. mas em sua defesa o devedor poderá provar que não teve culpa na mora ou que ainda houvesse oportunamente desempenhado a prestação. Mora do Credor: O Credor poderá estar em mora quando recusa injustificadamente o recebimento da obrigação. Os efeitos da mora do credor estão previstos no art. Ex. por exemplo. consoante o princípio da boafé e a manutenção do sinalagma. se o devedor quis adimplir e não estava o credor em casa. A isenção de culpa se dá.: O Enunciado 162 da 2ª Jornada dispõe que: “A inutilidade da prestação que autoriza a recusa da prestação pro parte do credor. p. 399. A responsabilidade persiste ainda que pereça a coisa por caso fortuito ou força maior se durante o prazo da mora. Se o devedor não puder cumprir a obrigação (não é interesse do credor) restará inexistente a mora. 395 do CC. Marco fixado efetiva entrega Fredie Pablo Receber dia 10. com preço desse dia dia 10 dia 18 $80 $120 $100 Intensivo I LFG Página 62 . Art. salvo se a perde se deu não por culpa do devedor ou se ocorreria pelo uso normal que seria feito pelo credor. b) Obrigação do credor em ressarcir as despesas coma conservação da coisa. 395. (Sinalagma remete a ideia de equilíbrio recíproco entre as prestações. isso porque. Art. Existe ainda um segundo efeito que é a responsabilidade pela integridade da coisa devida durante a mora (perpetuatio obligationis). e não de acordo com o mero interesse subjetivo do credor”. c) Sujeita o credor a receber a cosia pela estimação mais favorável ao devedor se o $ oscilar entre o dia estabelecido para o adimplemento e o da efetiva entrega da coisa. nos termos do caput do art. Regra geral. *Efeitos da Mora do devedor: A mora do devedor gera a sua responsabilidade civil pelo prejuízo causado ao credor. CC. significa ter havido descumprimento absoluto da obrigação.

Se o prejuízo do credor for superior ao valor da cláusula penal é cabível a indenização complementar? O parágrafo único do art. 416 do CC estabelece que se o prejuízo do credor exceder ao previsto na cláusula penal. na linha do art. 1152 do CC da Espanha a execução da cláusula penal compensatória afigura-se como uma alternativa ao credor. 410. 2. uma vez que ele pode optar em exigir o específico cumprimento da obrigação principal. A função primária da cláusula penal é compensatória e segundo alguns. Ex. É bom que se diga ainda que a cláusula penal é regulada a partir do art. Obs. No exemplo. compensam-se proporcionalmente. 410. O art. Já a multa tem caráter eminentemente punitivo. o $ de uma cláusula penal não poderá ultrapassar o $ da obrigação principal – art. previamente. 413 do CC admite hipótese de redução da cláusula penal equitativa feita pelo juiz se a obrigação tiver sido parcialmente satisfeita ou se o valor for manifestamente excessivo. só será possível indenização suplementar se houver sido convencionada – deve haver previsão contratual expressa. sob pena de multa diária). O juiz poderia.50. a função secundária. de ofício. dessa forma. CC: O credor pode tanto executar a cláusula penal ou ajuizar ação específica (exigir devolução da coisa. o Enunciado 356 da 4ª Jornada estabelece a possibilidade de o juiz reduzir. segundo Washington de Barros Monteiro e Maria Helena Diniz.Direito Civil – Pablo Stolze Será pago o maior valor do dia de mercado existente entre o dia marcado e o dia de efetiva entrega. reduzir o valor da cláusula penal? Sob o influxo do princípio da função social do contrato. havendo mora recíproca. Por princípio. aluguel de Beca de formatura constando que se não for entregue integralmente deverá ser pago 75% do $ de uma nova. 3. de ofício o $ da cláusula penal (em casa. Nos termos do art. para cada Sushi deixado no prato será pago o valor de R$1. ler os enunciados 355/359 bem como artigo Intensivo I LFG Página 63 . 408 do CC. consiste em um pacto acessório pelo qual as partes fixam. por exemplo. Cláusula Penal A cláusula penal. especialmente para se evitar enriquecimento sem causa. também denominada pena convencional. Obs. bem como para o caso de total inadimplemento da obrigação principal (cláusula penal compensatória). seria $120. do credor e devedor. Ex.: art. intimidatória (Cristiano Chaves e Orlando Gomes).: Pode acontecer em uma relação obrigacional que credor e devedor estejam em mora? É possível que ocorra a mora de ambas as partes. 412 do CC> Questões especiais: 1. a indenização devida em caso de mora ou descumprimento de alguma cláusula específica do contrato (cláusula penal moratória).

Aquele que. a responsabilidade civil pode ser de duas espécies: a) Contratual – quando a norma agredida tiver natureza negocial – arts. “Art. Para restar configurada a responsabilidade civil necessário se faz que haja norma jurídica anterior prevendo o comportamento danoso e a consequente obrigação de indenizar. todavia. processual.608/PR. nesse ponto. esse tipo de cláusula. penal. a doutrina se digladiou tentando cunhar a diferença entre ilícito civil e ilícito penal. REsp. a luz do caso concreto.” Intensivo I LFG Página 64 . deriva da transgressão de uma norma civil pré-existente. 186. todavia. e a depender da natureza dessa norma violada. A responsabilidade civil não esgota a responsabilidade jurídica. Sistema Positivo de Responsabilidade Civil: A despeito de o Código Civil não conter tipos especiais como no direito penal. estabeleceu o divisor de águas ao permitir a aplicação do CDC em face de contratos celebrados após a sua vigência com o fito de impugnar. Conceito: a responsabilidade civil. 435. negligência ou imprudência. A responsabilidade civil pressupõe a violação de uma norma civil anterior. A cláusula penal que preveja a perda de todas as prestações pagas ou cheques emitidos é abusiva? O STJ. Obs. No direito civil não há tipificação como ocorre no código penal. espécie de responsabilidade jurídica. 187 e 927 do CC. todos do CC. 4. RESPONSABILIDADE CIVIL Segundo José de Aguiar Dias. ainda que exclusivamente moral. uma vez que a responsabilidade jurídica abrange a responsabilidade civil. etc. toda manifestação humana traz em si o problema da responsabilidade. um sistema normativo de responsabilidade calcado em três artigos fundamentais: art. comete ato ilícito.: Durante anos. violar direito e causar dano a outrem. 186. Na linha de pensamento de autores como Miguel Fenech e Aguiar Dias podemos concluir que a diferença está basicamente na carga sancionatória estatal e na tipicidade exigida para a responsabilidade penal. por ação ou omissão voluntária. consagrou. 186/187 e 927. 389 e ss e 395 e ss.Direito Civil – Pablo Stolze jurídico a respeito do reconhecimento de ofício de cláusula abusiva em contrato bancário). tributária. A responsabilidade civil é uma espécie de responsabilidade jurídica. conforme a sua clássica obra “Da Responsabilidade Civil”. CC. contratos anteriores ao CDC são mais facilmente mantidos em havendo esse tipo de previsão. impondo-se ao causador do dano a consequente obrigação de indenizar. b) Extracontratual ou aquiliana – quando a norma agredida tiver natureza legal – arts. havendo apenas a norma genérica dispondo acerca da responsabilidade civil.

razão pela qual. ou quando a atividade normalmente desenvolvida pelo autor do dano implicar. não é um elemento obrigatório da responsabilidade civil. Intensivo I LFG Página 65 . há também o reconhecimento da ilicitude objetiva (art. por ato ilícito (arts. exigindo o elemento volitivo. Art. Haverá obrigação de reparar o dano. 186 do CC ao definir o ato ilícito. O mero aborrecimento não se indeniza.Direito Civil – Pablo Stolze “Art. na linha de pensamento de Rafael Boulos (Abuso de Direito no Código Civil – Ed. O art. a ninguém é dado causar prejuízo a outrem. O art. não se analisa culpa ou dolo. não se poderá haver responsabilização. se não houver. senão a própria finalidade do agente (se ultrapassou ou não os limites ditados pelo fim social ou econômico. b) Nexo de causalidade. Em verdade. Se faltar voluntariedade ou consciência. Elementos da Responsabilidade Civil: a) Conduta humana. independentemente de culpa. 187. Obs. como sabemos. causador do resultado danoso. em nosso direito convivem dois tipos de responsabilidade: subjetiva e objetiva. 186 consagra uma ilicitude subjetiva (baseada na culpa ou no dolo). 927. pela boa-fé ou pelos bons costumes. Aquele que. O que pode haver é a responsabilidade sem a necessidade de prova do dano em juízo. Assim. mas não há responsabilidade sem efetivo prejuízo. ao lado desta ilicitude. Obs. conduta humana não haverá. Também comete ato ilícito o titular de um direito que. A ilicitude prevista no art. traduz um comportamento humano positivo ou negativo voluntário e consciente. 1383 e 1383) e também do Código Civil de 1916. 186 do CC é subjetiva. A conduta humana. pela boa fé ou pelos bons costumes). causar dano a outrem. risco para os direitos de outrem. fica obrigado a repará-lo. mas finalístico ou teleológico. 187 prevê hipótese de responsabilidade objetiva já que ao prever o abuso de direito nada menciona acerca da culpa ou do dolo. O art. o que não ocorre mais.: A Culpa. excede manifestamente os limites impostos pelo seu fim econômico ou social. existe responsabilidade civil sem análise da culpa. por sua natureza. primeiro elemento da responsabilidade civil. 187. uma vez que. nos casos especificados em lei. consagra uma regra geral de responsabilidade civil complementada pelos artigos 187 (que define o abuso de direito) e 927 do CC. Todavia. a) Conduta humana: Houve um tempo em que os animais eram responsabilizados. Método) consagrou uma ilicitude objetiva uma vez que para a aferição do abuso. em atenção ao princípio no neminem laedere (segundo o qual. tal sistema visa a coibir comportamentos danosos. c) Dano ou prejuízo = não há o que se falar em responsabilidade civil sem dano. o art. Parágrafo único. 186 e 187). O critério utilizado não foi subjetivo de culpa ou dolo. 187 e 927). ao exercê-lo. base da responsabilidade do Código Civil da França (arts.

é aquela que for mais apropriada a determinar o resultado. Ex. mas somente aquela hábil a produzir o resultado. o proprietário da outra deve tolerar a passagem. nascente ou porto. e em virtude deste. b) Nexo de Causalidade: Conceito: o nexo de causalidade. Desapropriação – trata-se de ato lícito. considerando que poderia se regressar ao infinito. O dono do prédio que não tiver acesso a via pública. mediante pagamento de indenização cabal. a fábrica de armas seria causa. seria considerado causa. Ex. se necessário. para aqueles que acreditam. causa é apenas o antecedente que. Essa teoria não é seletiva. segundo um juízo abstrato de probabilidade. Obs. É necessário lembrar ainda que pode haver responsabilidade civil decorrente de ato lícito. Windscheid. autorizado pela lei e que gera responsabilidade para o Estado. causa para a teoria da Causalidade Adequada. traduz o liame ou vínculo jurídico necessário que une o agente ao resultado danoso. não estando o proprietário deste constrangido. não haveria diferença entre os antecedentes de um resultado danoso: tudo aquilo que concorresse para o resultado. adotada por grande parte dos penalistas é mitigada pela teoria da imputação objetiva. excepcionalmente – o art. § 3 Aplica-se o disposto no parágrafo antecedente ainda quando. mas ao exercê-lo acarreta um dano. Excepcionalmente. se há coação física há exclusão da conduta. depois.285. a compra de uma arma não é a causa mais Intensivo I LFG Página 66 . deve indenizar. 1. CC – passagem forçada (direito de vizinhança) “Art. foi criada a teoria da imputação objetiva. aquele que vendeu a arma e assim por diante. Essa teoria. Sob o prisma do direito penal. Essa conduta humana pode ser positiva (ação) ou negativa (omissão). em um homicídio com arma de fogo. § 1 Sofrerá o constrangimento o vizinho cujo imóvel mais o natural e facilmente se prestar à passagem. chegando-se a “Adão e Eva”.” O proprietário tem o direito de passagem forçada. Teoria da Causalidade Adequada: foi desenvolvida pelo filósofo Von Kries. nascente ou porto. Para esta segunda teoria. pode. de modo que uma das partes o perca o acesso a via pública. Cavalieri Filho diz que. antes da alienação. constranger o vizinho a lhe dar o passagem. também requisito da responsabilidade civil. existia passagem através de imóvel vizinho. Teorias explicativas do nexo de causalidade: 1. 2. Teoria da Equivalência de Condições ou da Conditio sine qua non: foi desenvolvida por um jurista alemão chamado Von Buri. Mas essa teoria é criticada. Ex. Para esta teoria. 1285. Paulo Lobo). § 2 Se ocorrer alienação parcial do prédio. 186 não é regra absoluta. seja apto ou idôneo a determinar o resultado danoso. a dar uma outra. ela não seleciona condições. poderá haver responsabilidade civil derivada de um ato lícito (tese sustentada por diversos autores a exemplo de Garcez Neto. Causa não é qualquer condição anterior. art. cujo rumo será judicialmente fixado.Direito Civil – Pablo Stolze Ex. segundo um juízo de experiência de vida.

entende que o Código Civil adotou a teoria da causalidade adequada. Violação de um interesse jurídico: para que haja dano. a teoria adotada foi a da causalidade direta e imediata. a causa mais apropriada para causar o resultado morte. 3. Assim. um dia antes do casamento. 403 do CC. no REsp 686. Requisitos do dano indenizável: 1. nem todo dano gera responsabilidade civil. Para esta terceira teoria. A subsistência do prejuízo: tal requisito é lembrado por Maria Helena Diniz. causa é o antecedente que determina o resultado danoso. Se o dano já foi reparado. Essa teoria é adotada no Direito Argentino. causa é apenas o comportamento segundo um vínculo necessário. é sim. as perdas e danos só incluem os prejuízos efetivos e os lucros cessantes por efeito dela direto e imediato. bem como o é Carlos Roberto Gonçalves. patrimonial ou moral. sem prejuízo do disposto na lei processual”. é necessário que haja interesse tutelado pelo direito violado. Por outro lado. v. direto e imediato. Teoria da causalidade direta e imediata: especialmente desenvolvida no Brasil pelo prof. Em nosso pensar. ano 2. A indenização decorrente da responsabilidade civil deve decorrer direta e imediatamente da conduta danosa. mais objetiva do que as anteriores. afirmando que muitas vezes são confundidas as teorias da causalidade adequada e da causalidade direta. como consequência sua direta e imediata. É feita a análise abstrata quanto às causas aptas a produção do resultado. é pois.: Todavia. Agostinho Alvim. todavia.208/RJ e no Noticiário Especial do STJ de 04 de maio de 2010. se une ao resultado danoso. por si só não gera dano algum.Direito Civil – Pablo Stolze apropriada para causar a morte de alguém. Conceito: dano traduz a lesão a um interesse jurídico tutelado. Ex.6/01). o que encontra reforço inclusive. Nem todo dano é indenizável. c) Dano ou prejuízo Nem todo dano é indenizável. ardoroso defensor dessa terceira teoria (RTDC – Revista Trimestral de Direito Civil. Gustavo Tepedino. esta matéria está longe de ser pacífica. não há o que indenizar. o término de um namoro. O que será analisado é se houve imediatidade entre o evento anterior e o resultado danoso. Ex. uma pessoa que estava Intensivo I LFG Página 67 . Obs. razão pela qual defendem ter sido esta a teoria adotada pelo Código Civil em seu artigo 403. Grande parte da doutrina a exemplo de Cavalieri Filho e Romualdo dos Santos. deflagrar os tiros. ou seja. 2. Essa teoria é amplamente defendida por Gustavo Tepedino em um artigo sobre Responsabilidade Civil. a despeito da dicção do art. “Ainda que a inexecução resulte de dolo do devedor.

* Na Jurisprudência do STJ merece especial referência o REsp 788. ou que perde prazo de contestação em matéria favorável ao seu cliente. Ex. é outra questão. o participante saberia eventual resposta. Sérgio Novaes Ed. e apesar de que não se sabe se. Conceito: dano reflexo é aquele que atinge a vítima indireta.Direito Civil – Pablo Stolze passando quebra o bolo.: Mitiga esse terceiro requisito a Teoria Francesa “Da perda de uma chance”. pelo que não há o que indenizar. No dano reflexo têm-se. ainda que reflexas. a certeza do dano. uma atingida diretamente. não aquele direto. Obs. pelo que houve indenização. Ex. e outra atingida reflexamente. ligada à vítima direta da atuação ilícita. Não se pode indenizar danos abstratos. uma pessoa jurídica tem um título indevidamente protestado – a pessoa jurídica sofre um dano. mas um atenuado. Ocorre nos casos em que se retira da vítima a provável oportunidade de melhorar a sua situação atual. Exemplos no Direito Brasileiro: o advogado que não prepara um recuso julgado deserto. Não se indenizam meras hipóteses de dano. mas ninguém contraria o fato de que tenha sofrido dano de forma reflexa já que o filho está umbilicalmente ligado ao pai. criminoso deflagrou um tiro que atingiu a vítima João. não existe. Pedro. Exemplo: Pablo comprou um cavalo manga Intensivo I LFG Página 68 . mas pode ser que o sócio tenha sofrido dano em virtude desse título indevidamente protestado ao tentar financiar um bem o que lhe foi negado em razão do referido protesto. Não se pode indenizar mero aborrecimento. não podem ficar ao léu. 3. Obs. a indenização a ser paga não é a igual aquela obtida caso fosse certo o dano. Devo tomar cuidado para não confundir este dano reflexo (em que há uma vítima primária e outra secundária) com o que alguns autores chamam de danos indiretos (Fernando Gaburri). Não há dano material algum a ser reparado. caso em que a mesma vítima sofre uma cadeia de prejuízos. pois. LTR). Nesse caso. Mas João tem um filho de oito anos de idade. O filho. Se houve mero dissabor. (sobre a perda de uma chance e a atividade do advogado. neste caso. Quanto ao dano moral. mas é sim. ver a obra do prof. mas se reconhece nele um nexo causal.459/BA em que se reconheceu a perda de uma chance por impropriedade de pergunta formulada em programa de televisão = dentre as alternativas não havia resposta certa. fatalmente. Questões especiais envolvendo o dano: a) O que se entende por dano reflexo ou em ricochete? Essa ideia mitiga um pouco a questão do nexo causal. cabível a indenização. Giselda Hironaka tem uma tese que diz que as vítimas. a perda de uma chance pode ser indenizável por afastar uma legítima expectativa de favorecimento ao lesado. Mas o bolo é consertado. perdeu a chance de poder acertar. duas vítimas. Pedro não foi atingido pelo tiro. Segundo o professor Fernando Gaburri. Certeza do dano: só podem ser indenizados danos certos.

em face do reconhecimento do risco como justificativa para uma responsabilidade tão somente objetiva. não sendo necessária prova efetiva do dano. Diz-se que a responsabilidade objetiva no Brasil entrou “pela janela”. §6º. 37. já que. Origem histórica da responsabilidade objetiva no Brasil A primeira lei brasileira a tratar do tema foi o famoso decreto 2681/1912 que tratava da responsabilidade objetiva das estradas de ferro – companhias ferroviárias. CF – responsabilidade objetiva do Estado em virtude de ato comissivo. dano moral – transcrição indevida em cadastro de proteção ao crédito – o dano moral é de prova presumida.Direito Civil – Pablo Stolze larga. b) O que se entende por dano in re ipsa? Esta expressão remete-nos a ideia do dano que pela sua gravidade ou reiteração. Não sendo comunicado previamente. De lá para cá várias leis especiais trataram da responsabilidade civil objetiva. dispensa prova em juízo (ver REsp 775. considerando que o CC/1916 não consagrava tal responsabilidade. “Cabe ao órgão mantenedor de cadastro de proteção ao crédito a notificação do devedor antes de proceder à inscrição”. o afastamento da noção da culpa como premissa única da responsabilidade. Ex. O dano in re ipsa é aquele que por sua gravidade ou reiteração não mais exige prova em juízo. já que o CC/16 não consagrava a responsabilidade objetiva no Brasil. 2. in re ipsa. Ex. pela gravidade da situação resta presumido. Responsabilidade Civil objetiva em atividade de risco: O desenvolvimento tecnológico típico do Século XX.404/RJ). 1. descaso e negligência da empresa seguradora em autorizar uma cirurgia. consolidando a visão profética do sociólogo Durkhein no sentido do crescente aumento da complexidade das relações sociais determinou. Súm. Exemplos de leis especiais que consagraram a responsabilidade objetiva:  Lei 6194/1974 – DPVAT – Essa lei consagrou a responsabilidade civil objetiva  CDC  Normas de responsabilidade do Estado – art. O dano é também considerado in re ipsa quando é muito gravoso.766/PR e REsp 357. paulatinamente. 359. mas ao chegar na Fazenda restou detectado que o cavalo estava doente – além do prejuízo relativo ao valor do cavalo. ou seja. o dano também será presumido. ficando a vítima durante seis horas sentido dores – o dano moral não precisa ser comprovado em juízo. tem entendido grande parte da jurisprudência que. Pablo sofreu o dano relativo ao fato de terem sido infectados os demais animais ali presentes. Responsabilidade Objetiva no Novo Código Civil: Intensivo I LFG Página 69 . STJ.

afirmando que haverá responsabilidade objetiva: a) Nos casos especificados em leis especiais. Para que seja o agente responsabilizado objetivamente a atividade por ele desenvolvida deve ser habitual e objetivar a obtenção de lucro. Mas também com base no CC seria possível enquadrar o taxista na responsabilidade objetiva considerando que a atividade desenvolvida é habitual.Direito Civil – Pablo Stolze O Código Civil de 2002. nos casos especificados em lei. Ex. o caminhão toma sobre uma casa na estrada – a responsabilidade. Intensivo I LFG Página 70 . por ato ilícito (arts. Haverá obrigação de reparar o dano. O art. habitualmente exercida. Empresa Mineradora usa estrada para escoamento de seu produto. não é toda atividade de risco que gera a responsabilidade objetiva. Assim. CC: “Aquele que. Art. nesse caso. expondo a vítima a uma probabilidade de dano maior do que a outras pessoas da comunidade. ou algum proveito. Aqui. que a atividade que justifica a responsabilidade objetiva traduz uma ação reiterada. com base no pensamento de Alvino Lima (Da Culpa ao Risco). por sua natureza. 186 e 187). sob pena de se encartar todo e qualquer comportamento em atividade de risco. O art. Lembra-nos o jurista Roger Aguiar. Haverá atividade de risco. e ao realizar sua atividade habitual. Parágrafo único. remetendo-se aos artigos 186 e 187 do CC. é objetiva considerando que a atividade normalmente desenvolvida por si só gera risco. É muito difícil se ter atividade desenvolvida sem que haja risco possível. 186 do CC ao definir ato ilícito consagrou hipótese de ilicitude subjetiva. 927 do CC aglutina as duas ideias. ou quando a atividade normalmente desenvolvida pelo autor do dano implicar. taxista – sua atividade enseja a responsabilidade objetiva? Usando o CDC seria possível enquadrar na responsabilidade objetiva quanto ao passageiro. fica obrigado a repará-lo. Mas não é qualquer tipo de atividade de risco que enseja a responsabilidade objetiva. O art. com potencialidade danosa maior para a vítima em relação as outras pessoas. independentemente de culpa. 937. em sua bela obra “Responsabilidade Civil Objetiva”. portanto. quando a atividade desempenhada for reiterada. habitual e normalmente desenvolvida. risco para os direitos de outrem”. causar dano a outrem. diferentemente do de 1916 (acentuadamente subjetivista). consagrou as duas formas de responsabilidade (subjetiva e objetiva). 927. Assim. conforme podemos ver em seu art. 927 do CC deixa claro que foi adotada a responsabilidade civil objetiva (que independe de culpa) e também a responsabilidade subjetiva (que depende de culpa). risco para os direitos de outrem. por sua natureza. logo da leitura de tais artigos percebe-se que foram consagradas ambas as espécies de responsabilidades – objetiva e subjetiva. é preciso que se tenha cuidado hermenêutico redobrado. visa lucro e tem potencialidade danosa. concluímos que o autor do dano realiza a atividade de risco visando a obtenção de determinado proveito. Além disso. Já o artigo 187 do CC que define o abuso de direito refere-se a ilicitude objetiva. Ex. b) Quando a atividade normalmente desenvolvida pelo autor do dano implicar.

No caso do inciso II. ainda que tenha atuado em estado de necessidade. primeira parte e II do CC). ou a lesão a pessoa. “Art. contra este terá o autor do dano ação regressiva para haver a importância que tiver ressarcido ao lesado. Giselda afirma que. Em seu pensar. uma vez que toda vítima merece ser indenizada por um dano injusto que sofreu.” Ex. deve ser indenizada. ao excluírem a ilicitude da conduta. Art. esta doutrina reformula as bases da responsabilidade civil em respeito a dignidade da pessoa humana. Obs. nos termos dos art. se a vítima sofreu um dano INJUSTO.: Vale lembrar. A mesma ação competirá contra aquele em defesa de quem se causou o dano (art. Se a pessoa lesada. 188. O sistema jurídico brasileiro. o Estado de Necessidade e a Legítima Defesa (art.1. inciso I). indeniza-se a vítima. ao realizar a atividade atingiu terceiro inocente. Se há dano INJUSTO (antijurídico. se um agente ao trafegar.a deterioração ou destruição da coisa alheia. I. vê uma criança no meio da via. a fim de remover perigo iminente. Estrito cumprimento do dever legal: Intensivo I LFG Página 71 . Art. os pais da criança que a deixaram sozinha no local. afastam também a responsabilidade civil. ou risco da atividade. Causas excludentes da Responsabilidade Civil 1. contrário ao direito). “Art. No caso do inciso II do art. no caso do inciso II do art.: O que se entende por responsabilidade pressuposta? Fruto da tese de livre docência da professora Giselda Hironaka.Direito Civil – Pablo Stolze Obs. Estrito cumprimento do dever legal e exercício regular de direito 2. 188. Parágrafo único. ao analisar a situação diz que se deve preocupar mais com a vítima do que com o réu. valorizando mais a vítima do que o réu. se o perigo ocorrer por culpa de terceiro. se o agente atingir um terceiro inocente deverá indenizá-lo. Parágrafo único. 188. Não constituem atos ilícitos: I . 929. cabendo ação regressiva contra aqueles responsáveis – no caso. não forem culpados do perigo.os praticados em legítima defesa ou no exercício regular de um direito reconhecido. 188.” De regra. 930. II . o ato será legítimo somente quando as circunstâncias o tornarem absolutamente necessário. Para se responsabilizar alguém devem ser construídos os elementos da responsabilidade. 188. deteriorando o patrimônio alheio. cabendo ação regressiva contra o verdadeiro culpado. Mas nessa teoria. ou o dono da coisa. assistir-lhes-á direito à indenização do prejuízo que sofreram. atuando em estado de necessidade ou legítima defesa. a legítima defesa e o estado de necessidade isentam a ilicitude. deve indenizar o terceiro. dolo. perderia importância a tradicional distinção entre responsabilidade subjetiva e subjetiva. Haveria um fundamento geral de responsabilidade além da concepção de culpa e da concepção de risco. 2. 188. e ao desviar dela bate em uma casa.s 929/930 que. Estado de Necessidade e Legítima Defesa: Como se sabe. sobretudo processual. e a autora. cria todos os mecanismos de facilitação da situação do réu. sem perquirir a existência de culpa. não excedendo os limites do indispensável para a remoção do perigo. independentemente da culpabilidade do réu ou do risco da atividade desenvolvida.

é o acontecimento marcado pela imprevisibilidade (ex. havendo ainda quem refira haver uma sinonímia (Sílvio Rodrigues). entendemos que a força maior é o acontecimento inevitável. Arriscamos dizer ter sido esta a razão de o Código Civil apenas regular expressamente o referido exercício regular de direito. e portanto. Ex. em regra. oficial de justiça que cumpre mandado de imissão na posse. 2. a teor do art. sequestro relâmpago). Intensivo I LFG Página 72 . porta giratória em banco. ainda que previsível (ex. Caso Fortuito e Força Maior Em doutrina. De nossa parte. guarda-volumes de supermercado. 622. Na mesma linha. Quem atua no exercício regular do direito atua em contramão do abuso de direito.Direito Civil – Pablo Stolze Também quem atua no estrito cumprimento de um dever legal. Exercício regular do direito: O exercício regular de direito. não sujeita o denunciante a responsabilidade de indenizar material ou moralmente pelos danos sofridos pelo acusado. composições antagônicas (Maria Helena Diniz. e o caso fortuito. por sua vez. O grande Frederico Marques observa que a noção de estrito cumprimento do dever legal está compreendida na ideia de exercício regular do direito. uma vez que o autor atua no exercício regular de direito (AgRg no Ag 1. reconhecendo ter havido excesso – empregada doméstica suspeita de furto é trancada no apartamento. O STJ não acatou a tese do exercício regular do direito no REsp 164. e esta cai da janela – suspeita de suicídio = foi considerada a abusiva a conduta dos empregadores ao tolherem a liberdade da empregada em face da suspeita de furto praticado pela mesma. 188. um terremoto). está isento de responsabilidade civil.391/RJ.: o STJ em julgado de 13 de abril de 2010 assentou que a instituição financeira que presta informação sigilosa à Receita Federal atua em estrito cumprimento do dever legal (REsp.030. desde que não haja excesso. segunda parte.: * O Código Civil Brasileiro. Obs. Observe-se que em geral os exemplos envolvendo o estrito cumprimento do dever legal envolvem agentes públicos.: O STJ já pacificou entendimento de que a apresentação de notícia crime. Ex. bombeiro que arromba uma porta para salvar pessoas.872/RJ). Obs. traduz exercício regular de um direito (Edcl no REsp 914.365/RJ). não sendo admitido o exercício regular do direito. I.2. já decidiu o STJ que o mero ajuizamento de ação judicial não gera dano moral. corretamente. 393 adotou posição de neutralidade ao referir caso fortuito ou força maior simplesmente como um “fato necessário”. policial que realiza busca e apreensão. do CC também exclui a responsabilidade civil.336/RS). Álvaro Villaça). 3. em seu parágrafo único do art. existe acesa polêmica a respeito da diferença entre caso fortuito e força maior. Obs.

em situações especiais.Direito Civil – Pablo Stolze “Art. O fortuito interno é aquele que integra o próprio processo de elaboração do produto ou execução do serviço. tornando-o potencialmente lesivo.259/MG . mas também no próprio Direito Administrativo e do Consumidor. Da mesma forma. É bem verdade que alguns tribunais inferiores. não eximindo a responsabilidade civil do réu.” Fortuito externo X Fortuito interno: Especialmente no âmbito do direito do consumidor. A culpa exclusiva da vítima é uma das principais causas de exclusão da responsabilidade. pelo que. têm entendido haver previsibilidade e consequente responsabilidade da empresa viária (Apelação Cível 0. Obs. 4. Parágrafo único. Ex. se o avião não pode embarcar em virtude de situações climáticas. não exime a empresa da indenização. havendo um atropelamento. por sua vez. Culpa exclusiva da vítima: A culpa exclusiva da vítima. a regra é que não haja indenização nas situações de caso fortuito ou força maior. costuma a doutrina diferenciar fortuito externo de fortuito interno (Cavalieri Filho.2001. o agente trafega na BR local em que existe passarela e as pessoas transitam pela BR – oportunidade em que ocorre um atropelamento – há culpa exclusiva da vítima. (AgRg no Resp 620. isentando o réu da responsabilidade civil. é interno e ocorreu dentro da fabricação do produto o que não isenta a responsabilidade civil do réu. em caso de assalto constante. poderá isentá-lo da responsabilidade civil. Ex. O fortuito externo. se um motorista sofre uma síncope na direção e causa um acidente – apesar de ninguém ter culpa. se expressamente não se houver por eles responsabilizado. O caso fortuito ou de força maior verifica-se no fato necessário.“O assalto configura causa de excludente de responsabilidade de empresa transportadora por tratarse de fato de terceiro inteiramente estranho à atividade de transporte – fortuito externo. efeitos não era possível evitar ou impedir. já que deveria ter analisado quando do controle de qualidade. Ex. poderá excluir o nexo jurídico de causalidade. na mesma linha.761-8/TJRO). Esse fortuito externo rompe o nexo causal pelo que não há o que se falar em indenização. não só no Direito Civil. 393. O fortuito. estes não poderiam trafegar pela via de trânsito rápido. Intensivo I LFG Página 73 . restará configurada a culpa exclusiva da vítima. O devedor não responde pelos prejuízos resultantes de caso fortuito ou força maior. A jurisprudência entende que.: O STJ já consolidou o entendimento de que a assalto em coletivo é fortuito externo e isenta a empresa de responsabilidade civil. caso o condutor esteja desenvolvendo velocidade compatível com a pista e há passarela ou faixa de pedestres. É questão de segurança pública. O STJ não pensa assim e Pablo tem suas dúvidas acerca desta posição uma vez que a empresa não tem autonomia para cancelar a linha.”). por se alheio ou exógeno à própria atividade do réu. nesse caso. Posição como esta também é encontrada no Tribunal de Justiça de Minas Gerais. desde que devidamente comprovada. empresa fabricante do celular – houve abalo de proporções leves durante a fabricação do produto que influenciou o produto. cujos Assim. Carlos Roberto Gonçalves). A seguradora é exceção que prevê indenização do segurado ainda que haja caso fortuito ou força maior.

Resp. em doutrina. 945. é correto o entendimento segundo o qual o veículo atingido e involuntariamente lançado contra outrem não justifica a responsabilidade do seu condutor que alegará em sua defesa fato de terceiro (em face da pessoa que o atingiu). Teoria do Corpo Neutro (tradução do fato de terceiro). Intensivo I LFG Página 74 . O carro foi involuntariamente lançado e a defesa será a do fato de terceiro. Na hipótese de tentar desviar. 54. Assim. não havendo. a indenização será reduzida em percentual a ser fixado pelo juiz. pois atua como um simples projétil ou um corpo neutro (Nesse sentido. em caso de engavetamento. e atinge um terceiro. para a qual o veículo atingido e lançado à frente é isento de responsabilidade. um tabelamento prévio na lei. Costuma-se também denominar. sequer se faz necessário que o que foi abalroado indenize o dano e mova ação de regresso. e deflagrados tiros. situações em que as condutas são voluntárias. A responsabilidade deve ser imputada àquele que colocou as balas na arma. muito comum na jurisprudência. CC – “Se a vítima tiver concorrido culposamente para o evento danoso. Ex. Em razão de ser conduta voluntária. No caso do engavetamento não pode ser responsável o carro que sofre o abalroamento não pode ser responsabilidade considerando que também foi vítima da atuação causal. Obs.: Não posso confundir a culpa exclusiva (causa de exclusão de responsabilidade) com a culpa concorrente da vítima que apenas reduz a indenização devida (art. Teoria do Corpo Neutro: Ex. O Supremo Tribunal Federal já assentou entendimento (Súmula 187 – “A responsabilidade contratual pelo acidente com passageiro não é elidida por culpa de terceiro contra a qual tem ação regressiva” ) no sentido de que por ACIDENTE COM PASSAGEIRO a responsabilidade do transportador não pode ser afastada por fato de terceiro. já que tal hipótese ocorre nos casos de legítima defesa e estado de necessidade. ou como querem alguns. a sua indenização será fixada tendo-se em conta a gravidade de sua culpa em Havendo culpa concorrente. a “Teoria do Corpo Neutro”. portanto. A redução indenizatória é feita pelo juiz. A lei não dispõe qual é o percentual a ser reduzido.444/SP). confronto com a do autor do dano”. Engavetamento no trânsito – o carro do meio é lançado em virtude de ser atingido por outro.Direito Civil – Pablo Stolze A culpa exclusiva da vítima também resta configurada no caso em que nos fios de eletrodomésticos consta aviso em “caixa alta” avisando não ser possível ligar o aparelho em 220wolts e assim atua a vítima. faleceu um ator. trata-se de estado de necessidade. 5. a despeito de existir controvérsia (RT 437/127). acidente do avião da empresa Gol com o Jato da Infraero – a Gol deve indenizar as famílias da vítima com ação regressiva contra a Infraero. Fato de Terceiro O fato de terceiro traduz o comportamento causal do verdadeiro agente físico e jurídico do dano. caso na filmagem do filme O Corvo em que foram colocadas balas e ao ser filmada a cena. que deverá assumir a responsabilidade civil. Ex.

não era admitido. A jurisprudência brasileira. na Súm. não obstante a solidariedade não ser presumida. e a norma legal nada dizer a respeito. considerando que é feita anotação no documento do veículo.024. No início do século XX raríssimos julgados admitiam a tese (a exemplo do acórdão do STF de 13 de dezembro de 1913. d) Vale lembrar também. o agente comunique tal fato no Detran resguardandose. V e X: “ é assegurado o direito de resposta. pelos danos por este causados a terceiros. disponível na RT ano 3. em um primeiro momento na história de nosso direito. não se admitia a reparação jurídica do dano moral. b) No caso de infrações administrativas. assegurado o direito a indenização pelo dano material ou moral decorrente de sua violação. a despeito de não haver proibição no CC 16 a reparação autônoma do dano moral em nível jurídico só ocorreu após a Constituição Federal de 1988 (art.11. haver o STJ entendido que “quem permite que terceiro conduza o seu veículo é responsável solidariamente pelo dano causado” (Resp. É DO NOVO PROPRIETÁRIO E NÃO DO ANTIGO. Tradicionalmente. Entendiase que conceder ao juiz a possibilidade de fixar valor de dano moral era dar muito poder aquele. É cauteloso que.são invioláveis a intimidade. a honra e a imagem das pessoas. 343.” c) O STF. no uso do carro locado”) estabeleceu que a empresa locadora de veículos é solidariamente responsável com o locatário por dano causado a terceiro. No momento em que o carro é entregue a concessionária opera-se a tradição. mas é verdade.Histórico: Como se sabe. 492 (“A empresa locadora de veículos responde. com o locatário. Observese que. trata-se de entendimento jurisprudencial sumulado. A RESPONSABILIDADE CIVIL.649/MG) Dano Moral 1. v. civil e solidariamente. proporcional ao agravo. Como bem observa Yussef Said Cahali em sua clássica obra Dano Moral. (AgRg no Resp 1.”) Intensivo I LFG Página 75 . POR CONTA DA TRADIÇÃO OPERADA. a vida privada.632/RS) “Alienado o veículo sem que se faça o registro ou ao menos a comunicação da transferência. segundo Pedro Lessa somente começou a admitir a tese da reparação do dano moral com juízes mais modernos. em caso de ausência de registro no Detran. permanecem solidários o alienante e o novo proprietário. 5º.Direito Civil – Pablo Stolze Questões especiais envolvendo veículo: a) Nos termos da Súmula 132 do STJ EM CASO DE ACIDENTE QUE ENVOLVA VEÍCULO ALIENADO CUJA TRANFERÊNCIA NÃO HOUVESSE SIDO FEITA AINDA NO DETRAN. considerando que o dano moral é incerto e não poderia ser fixado pelo juiz. É surpreendente. oportunidade em que é transferida eventual responsabilidade. nº1). além da indenização por dano material. O recibo de entrega do documento de transferência isenta o alienante da responsabilidade ainda que a transferência não seja efetivada no Detran. moral ou à imagem. o STJ tem entendido haver solidariedade entre o alienante e o novo proprietário. X .

STJ “A indenização por dano moral não está sujeita à tarifação prevista na lei de imprensa” 4. Doutrinariamente. Quantificação do dano moral: Esse é um dos grandes problemas acerca do moral. Conceito de Dano Moral: Dano moral é lesão a direito da personalidade.124/2002. Ronaldo Andrade e amplamente consagrado em nossa jurisprudência: segundo este sistema. com reflexos em alguns julgados da jurisprudência do STJ (Resp.defendido por autores como Carlos Alberto Bittar. Nessa linha de entendimento.705/DF. oriunda do instituto do “punitive damages” do Direito Norte-americano.: Vale lembrar que o tema “Dano Moral e Pessoa jurídica” fora visto em parte geral. Tal sistema pretende o tabelamento da indenização devida por dano moral na própria lei (ver. Obs.Direito Civil – Pablo Stolze O CC 2002 em seu artigo 186. teoricamente é traduzida no que se convencionou chamar Teoria do Desestímulo. bem como o PLS114/2008). a doutrina brasileira (Salomão Resedá . Resp 910. Vale ler o noticiário de 13/09/2009 a respeito de parâmetros de quantificação do dano moral. 3. “Art. na linha da Constituição Federal. 2. a respeito da quantificação. caberá ao juiz. direito da personalidade). fixar o valor indenizatório devido. Súmula 281. 860. Obs. a função pedagógica ou de desestímulo em face do próprio réu. assim como ocorre na França faz referência expressa a autonomia do dano moral.764/RJ). por ação ou omissão voluntária. na sentença. a teor da súmula 362 do STJ que “A correção monetária do valor da indenização do dano moral incide desde a data do arbitramento” b) Sistema do Tarifamento Legal: é sistema diverso de quantificação do dano moral. Aquele que. mas sim.A Função Social do Dano Moral).: Vale lembrar. Intensivo I LFG Página 76 . no material de apoio. ainda que exclusivamente moral. por arbitramento. Natureza Jurídica da reparação por dano moral: Atualmente. negligência ou imprudência. É por isso que é também conhecido como dano extrapatrimonial (não atinge patrimônio.” O Brasil. 186. existem dois sistemas básicos: a) Sistema livre ou aberto . violar direito e causar dano a outrem. PL 7. seria inconstitucional o arbitramento legal Obs. tem reconhecido também. portanto.: O próprio STJ já teve oportunidade de reconhecer a inconstitucionalidade do tarifamento legal existente na vetusta Lei de Imprensa. comete ato ilícito. Esta segunda função punitiva. ao definir o ato ilícito faz expressa menção ao dano moral. além da natureza compensatória da vítima.

parte da quantia seria destinada a vítima com caráter compensatório. a súmula obriga que nessa parcela sejam incluídos o dano moral e material. no valor.: Dada a ausência de norma legal específica. e normalmente é mais benéfico para as grandes entidades permanecer prejudicando os consumidores e pagar a indenização posterior. algum fundo de proteção ao consumidor. na relação de consumo.ao sofrer uma colisão. acidente de veículo = a vítima pede danos materiais e morais e se na apólice se encontra o termo “danos pessoais”. Assim. de R$100. em sede de tutela individual. 388.mas a indústria percebeu que seria mais barato indenizar as vítimas que modificar a linha de montagem. respectivamente. Dano Moral e Prescrição: Vale lembrar que. além dos julgados acima mencionados. esta mais vultosa. por exemplo.496/2007 pretende deixar claro que. na forma do Código Civil ou do Código de Defesa do Consumidor. 7. e parte seria destinada. 5. lembremo-nos do Enunciado 379 da IV Jornada de Direito Civil. 385 e 370. ver farta e atualizada jurisprudência. Os EUA disciplinam isso há muitos anos. uma vez que as indenizações são brandas.Direito Civil – Pablo Stolze O que a doutrina moderna sustenta atualmente é de que a indenização pelo dano moral teria função dúplice . a pretensão reparatória de responsabilidade civil prescreve em três ou cinco anos. Obs. Intensivo I LFG Página 77 . deveria ser aplicada com mais rigor a teoria em questão. ao fixar a indenização.000. 27 do CDC. Dano Moral e a Jurisprudência do STJ: No material de apoio. embasando a teoria naquele país a partir de do seguinte caso: uma indústria construiu um carro muito famoso que tinha um problema . No Brasil. em caráter punitivo destinada a. deve estabelecer um valor compensatório da vítima e um valor punitivo. 2) além disso. Por fim. o prazo prescricional para formular pretensão reparatória é de três anos. 402. o caráter punitivo da indenização por dano moral ainda não é amplamente abraçado pela jurisprudência. que reforça a função dúplice da indenização por dano moral.00. 6. pelo que a Corte Superior resolveu fixar a indenização de forma partitiva . 387. Dano Moral e Imposto de Renda: A indenização recebida a título de dano moral será tributável? Não. Ex. o PL 2. por exemplo. inclusive as novas súmulas sobre o tema. O dano pessoal na apólice de seguro engloba o dano moral.compensatória e de desestímulo. explodia . se o dano diz respeito a esfera civil. a exemplo da 420. o juiz. vale citar dois projetos de lei: 1) o projeto de reforma do CC. Já na seara consumerista. Todavia. que agirem com base na boa fé. segundo o art. pretende assentar que a indenização deve compensar a vítima e “desestimular o lesante”. caso seja sofrido dano como consumidor o prazo prescricional será de cinco anos. em sua redação original.

ainda que não haja culpa de sua parte. mesmo para fins de educação. pelos seus hóspedes. Responsabilidade Civil por Ato de Terceiro Diferentemente do CC 16.os donos de hotéis. mas sim na objetivação da responsabilidade do representante em relação aos atos do representado. “Art. ou em razão dele. 933. em caso de acidente de trânsito. Ação regressiva contra representado: Caso seja efetivado o pagamento da indenização pelo representante. contra o empregado haverá ação de regresso. no que tange à responsabilidade por ato de terceiro (art. ver o art. no fato específico. CC). o empregador não possa alegar ausência de culpa na escolha do empregado. 934. ressalvada a hipótese de o representado ser descendente. Art. casas ou estabelecimentos onde se albergue por dinheiro. Já em relação ao filho. IV .os que gratuitamente houverem participado nos produtos do crime.o empregador ou comitente. O fato é analisado à época do cometimento do ilícito. o Novo Código Civil. 933.521 e 1. poderá perfeitamente. noticiário de 17/10/2008). São também responsáveis pela reparação civil: I . III . ainda quando completar 18 anos. até a concorrente quantia. Ex. O entendimento é correto já que a indenização se limita a recompor o dano sofrido pela vítima. o representante não terá ação de regresso.Direito Civil – Pablo Stolze Existe entendimento no STJ (Resp. Aquele que ressarcir o dano causado por outrem pode reaver o que houver pago daquele por quem pagou. o curatelado não teve culpa. 932.387. V . Ex.o tutor e o curador. 963. Intensivo I LFG Página 78 . Obs. responderão pelos atos praticados pelos terceiros ali referidos”. 932. Assim. moradores e educandos. por seus empregados. Pablo é curador de Joaquim (interditado) e responde objetivamente pelos atos praticados pelo curatelado. absoluta ou relativamente incapaz do representante que efetuou o pagamento a vítima. salvo se o causador do dano for descendente seu. O empregador não pode alegar que não tem culpa em face da eleição do empregado.: O fato de a relação interna entre representante e representado haver sido objetivada (art. é possível ação regressiva em face do representado? No que tange à ação de regresso. que se acharem nas mesmas condições.os pais. descendente. mas pode afirmar que. que consagrava presunções de culpa (artigos 1. II . Não mais se fala mais na presunção da responsabilidade pela culpa pela escolha e pela fiscalização. hospedarias. pelos pupilos e curatelados.523). pelos filhos menores que estiverem sob sua autoridade e em sua companhia. afirmar que o seu empregado não teve culpa. no sentido de não incidir Impostos de Renda sobre a indenização por Dano moral. a título de exemplo. no exercício do trabalho que lhes competir. consagrou a responsabilidade objetiva do representante pelo seu representado. 934 do CC: “Art. absoluta ou relativamente incapaz”. serviçais e prepostos. CC) não significa que nunca se possa discutir culpa na relação entre o representado e a vítima: por isso. vale dizer que a ação de regresso é em regra possível. mas pode aduzir que seu empregado não teve culpa no acidente. As pessoas indicadas nos incisos I a V do artigo antecedente.

absoluta e relativamente. a doutrina afirma que há uma solidariedade passiva entre essas pessoas. se o representante não tiver condição econômica ou obrigação de indenizar a vítima. HAVERÁ RESPONSABILIDADE SUBSIDIÁRIA DO PRÓPRIO INCAPAZ. rompendo com o sistema anterior. A medida é.os pais. É muito importante frisar que o CC/2002. A indenização prevista neste artigo. se as pessoas por ele responsáveis não tiverem obrigação de fazê-lo ou não dispuserem de meios suficientes. O incapaz responde pelos prejuízos que causar. pelos pupilos e curatelados. poderá o Juiz da Infância fixar “medida reparatória”. educativa sob o ângulo do menor. pelos filhos menores que estiverem sob sua autoridade e em sua companhia. e não por seus pais. pela letra fria da lei. sempre. em favor da vítima. não terá lugar se privar do necessário o incapaz ou as pessoas que dele dependem. que deverá ser eqüitativa. Intensivo I LFG Página 79 . Ainda que os pais não tivessem patrimônio e o menor absolutamente incapaz tivesse. a indenização não seria paga. de forma subsidiária.: *Na sistemática do Estatuto da Criança e do Adolescente. Ex. admite a responsabilidade civil do incapaz. Obs. 932 do CC quanto ao termo “estiverem sob sua autoridade e em companhia”. pois o absolutamente incapaz era completamente irresponsável.):   segundo a norma. O relativamente incapaz era tratado de forma distinta do absolutamente incapaz. quer seja a incapacidade absoluta ou relativa. 928 do CC (“Art. se a guarda pertence a mãe e na escola o menor lesiona outrem. II . no bojo de ação sócio-educativa. salvo se privá-lo do necessário para viver. nos termos do art. que se acharem nas mesmas condições. Já o NCC não faz distinção entre o relativa e o absolutamente incapaz. excepcionado o caso da guarda da compartilhada. Já o relativamente incapaz era equiparado ao maior e seria solidariamente responsável pelos danos causados (juntamente com seus pais).  Essa matéria sofreu mudança radical do CC 16 para o NCC. I . O juiz pode fixar que com a “mesada” que receba deva comprar uma tinta e pintar o referido muro. além de reparatória da vítima. * Merece atenção ainda o que dispõe o art. o adolescente pichou o muro de outrem. apenas o guardião responderá pelos atos do menor. Se a guarda pertence a um dos cônjuges. Afirmava que o absolutamente incapaz era sempre irresponsável.Direito Civil – Pablo Stolze Hipóteses de responsabilidade civil por ato de terceiro: Comentários ao artigo 932 do Código Civil: Art. que deverá ser cumprida pelo próprio incapaz. respondendo o incapaz. São também responsáveis pela reparação civil:  Nesse ponto. 928. quando em companhia deste. que não têm a obrigação de fazê-lo. Ex. 932. uma vez que no CC16 havia tratamento diferenciado entre filhos menores incapazes.o tutor e o curador. Parágrafo único.

que não estava na companhia da menor. o inc. hospedarias. a empresa. construção civil .se um dos empregados da construção civil causar danos a terceiro. entretanto. e até mesmo escolas são responsáveis objetivamente por eventuais danos causados pelo hóspede. motéis. ao disponibilizar o veículo cria para si um risco e por ele irá responder. se o hóspede se embriaga e lesiona terceiro. ficará responsável o empregador = embora não tenha sido no trabalho. casas ou estabelecimentos onde se albergue por dinheiro.459/RS). Por isso. muitas vezes aquele que não tem a guarda tem maior autoridade sobre ele. serviçais (palavra equivocada) e prepostos.74.937/MA). entende-se que a responsabilidade pode ser estendida ao não guardião. I do art. que nesta hermenêutica. Vale anotar.o empregador ou comitente (preposto que não tem subordinação jurídica). mas não o pai. considerando-se que o próprio STJ em julgado mais recente levando em conta que o dever de educar é de ambos os pais não afastou a responsabilidade daquele que não detinha a guarda (Resp. casas.os donos de hotéis. Mas a obrigação de educar. esse terceiro pode demandar o hotel. Intensivo I LFG Página 80 . considerando que o empregado não estava no trabalho nem em razão dele. na oportunidade do ato danoso (Nesse sentido já decidiu o STJ no Resp. 932 que o representante responde pelo ato do representado. ou em razão dele. ou exercendo o direito de visitas.  O empregador responde pelos atos do empregado no exercício do trabalho e em razão dele. Mesmo porque. em uma interpretação literal. por seus empregados. Assim. pelos seus hóspedes. Mas normalmente. Ex. 540. o empregador não irá responder objetivamente. Já se o empregado utiliza o carro da empresa em atividade particular. o empregador responde pelos atos do empregado. o juiz irá condenar a empresa sob o argumento de que. 1. Ex. mas nesse caso o empregado está em seu intervalo intrajornada e lesiona terceiro: o empregador continuará respondendo uma vez que agiu em razão da atividade desempenhada. no exercício do trabalho que lhes competir. hospedarias. III do art. se causa dano a terceiro. a matéria é polêmica. “no exercício do trabalho que lhe competir ou em razão dele”. Outra hipótese é quando o empregador fornece o carro para o empregado e este causa dano a terceiro enquanto se desloca para o trabalho. mesmo para fins de educação. III .   IV . a teor do inc. o dano foi causado em razão dele. e não somente do guardião.Direito Civil – Pablo Stolze somente a mãe responderá. Assim. moradores e educandos. albergues. que se o empregado está com o carro da empresa deslocando-se para o trabalho.  Os donos de hotéis. 932 eximiria de responsabilidade o genitor que não tivesse o filho em sua companhia. de supervisionar é de ambos os pais.

O CC não limitou a responsabilidade pelo fato do animal ao dono.  A matéria é analisada especificamente no processo penal.527) admitia que o réu alegasse ausência de culpa in vigilando. a concessionária que a explora responde objetivamente. por óbvio a responsabilidade é do Estado).710/RJ).831/RS). poderá resultar na responsabilidade civil por omissão dos estabelecimentos educacionais.: No que tange ao acidente no animal na pista. até a concorrente quantia. em seu artigo 936 a responsabilidade civil objetiva do dono ou detentor do animal. se a rodovia é pedagiada. humilhação e eventual agressão física que um educando causa ao colega caracterizando o que se convencionou chamar bullying. com base no CDC (REsp. ou detentor. em linhas gerais. 936. se o animal está sob a vigilância de empresa de adestramento – foi transferido o poder de comando. V . A situação de intimidação. o STJ já decidiu poder haver responsabilidade subjetiva do Estado por omissão. deverá recair no seu guardião: por guardião entenda-se a pessoa que exerce poder de comando sobe a coisa ou o animal (o proprietário é o guardião presuntivo). Obs. A responsabilidade não é sempre do dono. em virtude da negligência pela falta de fiscalização e sinalização na rodovia (REsp 438. CC: “O dono. 1.os que gratuitamente houverem participado nos produtos do crime. Obs. Responsabilidade pelo fato do animal: O CC16 (art. do animal ressarcirá o dano por este causado.Direito Civil – Pablo Stolze  Lembra-nos José de Aguiar Dias na clássica obra “Da Responsabilidade Civil” que o dever de segurança justifica a responsabilidade dos donos de hotéis e congêneres. já o CC 2002. IV do art.: Donos de Escolas: o mesmo inc. Ex. educandos maiores ou menores. 647. quer sejam neste caso. Art. 932 do CC estabelece a responsabilidade dos donos de escolas pelos seus educandos menores (se a escola é pública. Responsabilidade pelo fato da coisa (em caso de ruína ou de objetos lançados / caídos): Intensivo I LFG Página 81 . se não provar culpa da vítima ou força maior”. Responsabilidade Civil pelo fato da coisa e do animal: Sob influência da doutrina francesa. mas. já que tais situações podem levar até mesmo ao suicídio daquele que sofre a agressão. podendo ser do detentor. especialmente pelo risco da atividade lucrativa desenvolvida. temos que a responsabilidade civil pelo fato da coisa e do animal. Mas a conclusão é óbvia no sentido de que aquele que concorre para os produtos do crime deve responder até a concorrente quantia. consagra.

a responsabilidade pela ruína (ex. *Objetos lançados do prédio: Art. ou parte dele. Art. toda construção é atividade de risco. Ex. excluindose logicamente os blocos ou fachadas de onde seria impossível o arremesso (RT 530/213). que. Ademais. quanto aos habitantes do bloco do fundo não haverá responsabilização em face da impossibilidade fática. Obs. Se o dano aconteceu. Pode ser o proprietário. Quanto ao advogado há recomendação bibliográfica: Responsabilidade Civil do Advogado pela perda de uma chance – Prof. o locatário. admitiu a responsabilidade do dono. na forma do art. Observe-se que. cuja necessidade fosse manifesta”. se o arremesso de deu pela frente do prédio. V. não houve a reparação de eventual defeito. Pablo entende que não deveria se perquirir culpa nesse caso tendo em vista que todo o sistema do código civil caminha para a responsabilização objetiva.: Denomina-se actio de effusis et dejectis a demanda proposta pela vítima de um objeto lançado ou caído (o prazo prescricional.Direito Civil – Pablo Stolze *Ruína: No que se refere à responsabilidade civil pela ruína de edifício ou construção. CC: “O dono de edifício ou construção responde pelos danos que resultarem de sua ruína. se esta provier de falta de reparos. 937. Fernando Simão) é objetiva. Sérgio Martins. o CC 2002. placa de cimento que cai – não precisa ser todo o prédio) é do dono. do CC. Trata-se de visão abrangente – imputabilidade mais genérica. CC: “Aquele que habitar prédio. Mutatis mutandis o que será estudado aqui poderá ser aplicado a responsabilidade civil do cirurgião dentista. *Caso não se possa identificar a unidade habitacional de onde partiu o projétil. será de 03 anos). Responsabilidade Civil Médica: Houve brusco aumento de recursos especiais relativos à responsabilidade civil médica. segundo Cavalieri. Pode-se demandar o dono e solidariamente a construtora. a demanda poderá ser proposta. o usufrutuário. segundo a doutrina (Flávio Tartuce. com base na teoria da causalidade alternativa. 937. do advogado. mas quem é está em primeiro plano respondendo pela ruína é o dono. 206 §3º. responde pelo dano proveniente das coisas que dele caírem ou forem lançadas em lugar indevido. O STJ em notícia veiculada no dia 04/05 afirmou que. no que se refere ao regramento do CC. contra todo o condomínio. 938 do CC também é objetiva de quem habita o prédio.” A responsabilidade prevista no art. Conceito de erro médico: Intensivo I LFG Página 82 . 938. sem nexo de causalidade não há responsabilidade civil médica. em seu art.

ainda que seja respeitada a liberdade de crença e adotada a primeira corrente. nos termos do art. §4º. existem duas correntes doutrinárias. disponíveis pela medicina para evitar uma reação alérgica mas não poderá nunca evitar todas as possibilidades de reações possíveis. 949 e 950 aplica-se ainda no caso de indenização devida por aquele que. e não de resultado. diante das variáveis científicas imperscrutáveis pela medicina. 1.: Segundo o professor Jurandir Sebastião. a responsabilidade do fornecedor é objetiva. mas não se obriga a garantir referido resultado. O anestesista vai realizar os exames possíveis. na jurisprudência tem prevalecido. o anestesista tem autonomia técnica e profissional que outros médicos da equipe cirúrgica não tem. apta a justificar a necessária intervenção médica (ver antiga Res. a responsabilidade civil do médico. No caso de incapazes. traduz uma obrigação de meio. Ele deve empreender os melhores meios para alcance do resultado. com base no princípio da proporcionalidade. se um médico atende alguém que passa mal em avião tendo-se uma relação civil. Questões especiais: 1. No que tange ao erro médico enquanto profissional liberal deve-se partir da ideia de culpa profissional. deverá prevalecer o direito a vida. Obs. será subjetiva a responsabilidade. agravar-lhe o mal. o anestesista. imprudência ou imperícia. §4º do CDC.Direito Civil – Pablo Stolze O erro médico é o dano imputável ao exercente da medicina apurado mediante culpa profissional. CDC trata de exceção a regra prevista no CDC considerando que. por exemplo. Art. à luz da dignidade da pessoa humana e do princípio da liberdade de consciência e crença. Diferentemente do chefe da equipe cirúrgica que poderá responder pela sua equipe. por sua vez. da mesma forma. Pablo não tem dúvidas sobre isso. CC: “O disposto nos arts. Uma segunda corrente doutrinária. ou inabilitá-lo para o trabalho. O art. em relação civil é subjetiva. causar-lhe lesão. Quando se fala em obrigação de meio. É uma questão de posição doutrinária. Quer faça análise pelo CC ou pelo CDC chegar-se-á a hipótese de culpa profissional. no exercício de atividade profissional. por negligência. 14. defende a supremacia do direito à vida. Uma primeira corrente (Gustavo Tepedino). A responsabilidade do médico é uma responsabilidade subjetiva baseada na culpa profissional. No que se refere à delicada situação da transfusão de sangue como único meio terapêutico para salvar a vida de paciente adepto da religião Testemunhas de Jeová. 951. Mas nos termos do referido artigo. via de regra. realizando-se a intervenção necessária. mas garanti-lo não poderá fazê-lo. 951 do CC e art. quem a realiza deve invitar todos os meios para garantia do resultado. Quando se realiza a relação médico-paciente essa relação é uma relação de consumo. resultam na ideia de que a sua obrigação também é de meio. salvo no caso do cirurgião plástico estético. causar a morte do paciente. mormente no campo das reações alérgicas. no direito do consumidor. os profissionais liberais respondem com base na culpa profissional. O que se entende por termo de consentimento informado? Intensivo I LFG Página 83 . 948.” Vê-se pois que a responsabilidade civil do médico.021 de 1980 do CFM – Conselho Federal de Medicina e também a Apelação Cível 123. Como se sabe.430-4 do TJSP). afirma que a vontade contrária do paciente deverá ser respeitada. via de regra e mesmo que não seja. 14. a segunda corrente.

não isentando o médico da responsabilidade civil. Intensivo I LFG Página 84 . até no campo da medicina particular o acesso aos hospitais e estabelecimentos médicos é difícil. Assim. a paciente chega ao hospital com dores abdominais e o médico apenas a ausculta. É possível aplicar a Teoria da Perda de uma chance no âmbito da medicina? A perda de uma chance se dá não quando o agente tenha sofrido um dano efetivo. Mas o paciente também deverá ter ciência das possibilidades e eventuais consequências que podem advir da cirurgia / tratamento médico ministrado. Se houve erro médico deverá ser apurada a responsabilidade. poderia o médico ter tomado outras providências.Direito Civil – Pablo Stolze Ninguém pode se submeter a tratamento médico forçado. Nos casos em que possa haver a perda de uma chance. Se uma pessoa é vítima de erro médico e este integra o corpo clínico de um hospital. 2. como a realização de ultra-som. Com base no artigo 15 do CC. A indenização será reduzida mas há possibilidade de aplicação da Teoria da Perda de uma Chance. termo de consentimento informado ou esclarecido consiste na declaração firmada pelo paciente pela qual expressamente toma ciência dos efeitos e consequências da intervenção médica. O Código de Defesa do Consumidor prevê a responsabilidade objetiva para o fornecedor de serviços. Ex. o termo será de grande valia para fins de provar que o paciente foi devidamente informado. há possibilidade de aplicação da Teoria da Perda de uma chance. salvo a hipótese de necessidade em caso de vida ou morte. A exemplo do entendimento do grande professor Miguel Kfouri Neto. que poderia melhorar a situação do paciente. É comum que se entregue ao paciente o termo de consentimento informado. o termo de consentimento informado não é um salvo-conduto. No entanto. Observe-se que a indenização será equitativa. a responsabilidade seria objetiva. excepcionando apenas o profissional liberal. No caso. e em respeito ao dever de informação derivado da boa-fé objetiva. quanto ao hospital enquanto pessoa jurídica exploradora de atividade econômica e exercente de atividade de risco. mas não o hospital. mas quando deixa de se favorecer. Lembra-nos Julio Gomes que. Ex. O termo de consentimento serve para os casos em que o paciente possa alegar que não tinha consentimento das eventuais consequências ou efeitos colaterais de eventual cirurgia ou tratamento. diante da possibilidade de melhor a de sua situação. se o advogado perde prazo para recorrer e o entendimento corrente no Tribunal seria favorável. Responsabilidade civil dos Hospitais: Atualmente. a responsabilidade do médico é subjetiva baseada na culpa profissional. a perda de uma chance pode se dar na área médica quando o profissional deixa de adotar determinado procedimento possível.

. pessoa jurídica.: No que se refere a infecção hospitalar. Resp 908. assim como não há previsão de ser objetiva a responsabilidade. o STJ tem estendido esta responsabilidade subjetiva também em favor do próprio hospital. 258. No concurso. mas essa posição não está exarada no voto.Direito Civil – Pablo Stolze A jurisprudência do STJ. dentre outras notícias.284/RJ Responsabilidade das Operadoras de Planos de Saúde e Erro Médico: Sendo vítima de erro médico sendo o médico filiado a Plano de Saúde é possível demandar o Plano de Saúde também. a responsabilidade seria objetiva.br. Resp. Se demandado o hospital. veiculou que o STJ. 629. a responsabilidade civil é subjetiva.359/SC.533 e Resp 268. Súmula 145.212/RJ) ** É necessário observar ainda que o STJ decidiu ainda que. 686. 14 estabelecer em norma excepcional a responsabilidade subjetiva do profissional liberal (inclusive o médico). a responsabilidade é objetiva – Resp. e apenas nesse. A única exceção que tem sido prevista pelo STJ é no sentido de serviços anexos ao do hospital. Ex. TEORIA GERAL DO CONTRATO: Intensivo I LFG Página 85 . se demandado o médico. há responsabilidade do motorista se este atuou com dolo ou culpa grave. STJ: “No transporte desinteressado de simples cortesia. a responsabilidade será subjetiva. aceitou o seguinte: “O condomínio só responde por furto ocorrido em área comum se isto estiver expressamente previsto na convenção”.com.669/SP. pois decorreria do fato da internação e não da atividade médica em si (REsp. Nesse caso.jus. muito embora no sentir do professor equivocada. ver o noticiário do STJ de 10/05/2009 que. no que tange aos hospitais que realizam atendimento emergencial. se a maca se fechou com o paciente. o regramento é semelhante ao do médico. jurisprudência envolvendo responsabilidade no transporte aeronáutico pelo acidente com o carona. conforme Resp 618.875/RJ) reconheceu que empresa de seguro de saúde pode ser responsabilizada pelo erro do médico credenciado. entende que a responsabilidade do hospital também é subjetiva. se a comida estava estragada. já entendeu o STJ que a responsabilidade do hospital é objetiva. Quanto a responsabilização. valendo conferir o texto de Ricardo Zart no site www. Caso seja adotada a teoria idêntica a do hospital. a despeito do §4º do art. *No material de apoio. a responsabilidade também é subjetiva. Obs.. ver também. O STJ em recente julgado (Ag Rg no Ag 682. não há posicionamento firmado nos tribunais superiores acerca do tipo de responsabilidade.389/SP. Assim.]” *Finalmente. ainda no material de apoio. o transportador só será civilmente responsável se agir com culpa grave ou dolo [. No que tange ao carona. Dicas finais envolvendo a responsabilidade civil: *No que tange a responsabilidade civil do cirurgião dentista.

em observância aos princípios da função social e da boa-fé objetiva. na perspectiva de um dirigismo contratual ditado por valores socialmente relevantes.: Georges Ripert. o que não significa que em outras eras não havia contrato. a base da relação contratual exigiu um novo pensamento. segundo Pablo. mas o efetivo desenvolvimento somente se deu naquela época. pela qual os contratantes perseguem efeitos jurídicos possíveis. A par do importante desenvolvimento atribuído ao Direito Romano. na monumental obra “A regra moral nas obrigações civis”. Judite Martins Costa afirma que a autonomia privada que se manifesta em um contrato é uma autonomia solidária. Nesse contexto. Ao ser efetivada uma compra e venda simples também há processo formativo. Conceito: Trata-se de uma declaração negocial de vontade. observando inclusive a necessidade de se conter os abusos de poder econômico derivados da autonomia privada nos contratos por adesão. a teoria clássica do contrato. ainda assim existe procedimento formativo do contrato e referido procedimento fica claro quando o contrato é mais complexo. A Teoria do Contrato só pode ser entendida levando-se em conta os regimes capitalistas de produção. por exemplo ao ser celebrado o contrato serem violadas regras do direito ambiental. em que houve várias mudanças inclusive quanto as bases geopolíticas mundiais. A ideologia do contrato partia da ideia de que o contrato tinha como fundamento a igualdade entre as partes e a obrigatoriedade do cumprimento das cláusulas avençadas – pacta sunt servanda. observa Orlando Gomes que. A autonomia privada manifestada no contrato é limitada. Ao longo do século XX fatores de ordem sócio-econômica e política. Um contrato para se formar demanda um procedimento. XX. determinaram a reconstrução da teoria do contrato. emitida segundo o princípio da autonomia privada. Obs. O Séc. Intensivo I LFG Página 86 . em sua concepção moderna só se explica a luz da ideologia típica dos regimes capitalistas de produção. afirmando-se que a igualdade entre as partes anterior não passava de hipocrisia. foi o século mais importante da humanidade. Por mais que seja celebrado um contato rapidamente. mas sim limitada a ditames superiores: função social e boa-fé.Direito Civil – Pablo Stolze Histórico: Não se pode precisar. mormente sob o influxo da técnica do contrato por adesão (Rayomond Saleilles). Formação do contrato: Ver no material de apoio o tópico referente a classificação dos contratos. na linha do tempo. a origem do contrato. A autonomia privada manifestada em qualquer contrato não é absoluta. A prof. O contrato é fruto puro da autonomia das partes e durante muito tempo o Estado não influiu na relação contratual. traça um detido panorama da evolução do contrato no século XX. não podendo.

a doutrina. Ex. já a contratação entre ausentes é aquela em que as partes não mantêm um contrato simultâneo a exemplo da contratação por correspondência epistolar (carta). CC: “A proposta de contrato obriga o proponente. com adições ou modificações. tiver decorrido tempo suficiente para chegar a resposta ao conhecimento do proponente. 428. ou das circunstâncias do caso. promessa de compra e venda. na fase preliminar de discussões ou tratativas iniciais. 431 do CC estabelece a sua descaracterização se a referida aceitação ocorrer fora do prazo.” *Exceções a obrigatoriedade da proposta: Art. tornando-se aceitante ou oblato. Art. IV se. Mas esse contrato preliminar – contato promessa não é obrigatório. Consentimento P 1 proposta /oferta aceitação P2. A proposta de contato nos termos do CC. diante da oferta que foi feita pode aceitá-la. É uma fase em que as partes realizam negociações preliminares. não tiver sido expedida a resposta dentro do prazo dado. mas. se o contrário não resultar dos termos dela. inclusive por telefone ou chat na internet). reconheceu uma importante etapa denominada de Fase de Puntuação ou Punctação (Darcy Bessone). II . em regra obriga o proponente. dirigida ao aceitante ou oblato. CC: Art. as partes se reúnem. admite situações em que a proposta deixa de ser obrigatória (no âmbito do CDC. da natureza do negócio. o próprio código. nos termos dos artigos 427 e ss. 428. redigem minuta (rascunho) do contrato. a obrigatoriedade da proposta é muito mais severa. A proposta final também é chamada policitação. Obs.Direito Civil – Pablo Stolze Para que o contato se forme. ou simultaneamente. Todavia. contratação pessoal. quanto a aceitação da proposta que o art. A Parte 2. é necessária a proposta e a aceitação. chegar ao conhecimento da outra parte a retratação do proponente. para entender o referido artigo é preciso ter em conta o seguinte: pessoas presentes são aquelas que mantêm contato direto e simultâneo (ex. III . 428 do CC complementa o rol de situações em que a proposta deixa de ser obrigatória.se. Para a formação do contrato. Apesar da polêmica. feita sem prazo a pessoa presente. Considera-se também presente a pessoa que contrata por telefone ou por meio de comunicação semelhante.: Vale lembrar. feita a pessoa ausente. Pablo entende que a contratação feita por e-mail é efetivada entre ausentes. Deixa de ser obrigatória a proposta: I . É possível nessa fase ser celebrado um contrato de promessa. feita sem prazo a pessoa ausente. O at. fazem estudos. 427. antes dela. A regra do CDC é distinta uma vez que se no campo do direito do consumidor o que foi proposto deve ser cumprido. não foi imediatamente aceita. culminando no consentimento.se.se. A proposta de contrato é a declaração de vontade feita pelo proponente ou policitante. Intensivo I LFG Página 87 . do CC. pois em tal caso haverá nova proposta.

III . Não basta a expedição da resposta considerando a possibilidade de arrependimento (retratação). Ex. segundo tal teoria só se forma quando o proponente recebe a proposta e a lê b) Teoria da Agnição: tal teoria prevê que não se faz necessário que o proponente tome conhecimento da resposta. poderíamos concluir ter sido adotada a teoria da expedição. mas. 433.: Qual dessas subteorias fora adotada pelo Código Civil Brasileiro? Existe acesa polêmica na doutrina brasileira acerca de qual subteoria é a adotada em nosso sistema.se o proponente se houver comprometido a esperar resposta. não obstante ter expedido a aceitação. em uma interpretação literal do art. existem duas teorias fundamentais: a) Teoria da Cognição: segundo a qual o contrato só se forma quando o proponente toma conhecimento da resposta. Intensivo I LFG Página 88 . concluímos que a melhor teoria é a da recepção. 433 impõe que o contrato não se forma coma expedição uma vez que. Aviso de Recebimento recebido. ou concomitante a ela não será considerada a aceitação. Ex.2) Da expedição: o contrato se forma quando a resposta é expedida. 173 da 3ª Jornada de Direito Civil). a teoria que melhor explica nosso direito é a da recepção (ver inclusive o En. na vereda de Carlos Roberto Gonçalves. interpretando sistematicamente os artigos 433 e 434.se ela não chegar no prazo convencionado. 433. O contrato entre pessoas ausentes. 434 do CC. 434. CC: “Os contratos entre ausentes tornam-se perfeitos desde que a aceitação é expedida.3) Da recepção: o contrato se forma quando a resposta é recebida pelo proponente. II . Mas tal teoria é fraca considerando que é difícil provar qual o efetivo momento da aceitação. Essa teoria se encontra em desuso. em verdade. não importando se o proponente o leu ou não. se o arrependimento exarado chegar antes da aceitação. se antes dela ou com ela chegar ao proponente a retratação do aceitante. Seguindo o pensamento de Clóvis Beviláqua. o contrato só se forma quando a resposta é recebida pelo proponente sem retratação. Daí que a melhor teoria é a da recepção – o contrato só se forma com o recebimento da aceitação SEM arrependimento. Art. b. A subteoria da recepção diz que o contrato só se forma quando da recepção da resposta. ** Analisando o art. concluímos que. Por isso. exceto: I no caso do artigo antecedente. CC: “Considera-se inexistente a aceitação.Direito Civil – Pablo Stolze *Formação do contrato entre ausentes: No que tange a essa matéria.1) Da declaração propriamente dita: afirma que o contrato se forma quando o aceitante declara que aceitou. Tal teoria subdivide-se em três subteorias: b. b. ao redigir a resposta. No momento em que foi expedida a resposta pelo correio é considerado formado o contrato.” O art. Obs.” Art.

desequilibrando a base econômica do negócio. sendo contida por princípios constitucionais.Direito Civil – Pablo Stolze Principiologia: 1. a autonomia privada que se manifesta no contrato implica uma autoresponsabilidade. Se há situação imprevisível que acarrete obrigação excessivamente onerosa. desenvolvendo a partir daí. Otávio Luiz Rodrigues Junior. Intensivo I LFG Página 89 . Durante muito tempo esta cláusula permaneceu esquecida até que o Direito Francês a fez ressurgir (Lei Falliot de 1918). e com auxílio da jurisprudência. 2. a denominada “Teoria da Imprevisão”. A noção de autonomia privada. mas há situações em que há necessidade de alteração do contrato. Todavia. A essência do contrato é a autonomia privada. *Conceito: Trata-se da doutrina que admite a revisão ou resolução do contrato em virtude de circunstância superveniente e imprevisível que. mas a autonomia privada não é absoluta. Teoria da imprevisão: O próprio Código de Hamurab já trazia a ideia da imprevisão (Othon Sidou). impõe a uma das partes obrigação excessivamente onerosa. não existe contrato). ainda que mínima. é na cláusula rebus sic stantibus do Direito Canônico que encontramos o referencial histórico mais importante: esta cláusula admitia a revisão de um contrato quando houvesse desequilíbrio na sua execução. cabe a revisão contratual. O que foi avençado deve ser cumprido. No direito contratual a autonomia privada é erigida como um princípio basilar traduzido na liberdade de contratar (sem liberdade negocial mínima. que tem raiz na Escola Jusnaturalística. Princípio da autonomia privada: Alguns autores denominam princípio da autonomia da vontade. é dotada de uma amplitude segundo Pietro Perlinguieri (Perfis de Direito Civil Constitucional) com aplicação inclusive na seara das relações existenciais. na media em que toda autonomia e liberdade contratual devem ser limitadas por elementos constitucionais de contensão: o princípio da função social dos contratos e o da boa-fé objetiva. Massimo Bianca dia que. O contrato pressupõe uma liberdade contratual. Princípio da Obrigatoriedade dos Contratos É também chamado princípio da pacta sunt servanda e traduz a ideia de que o contrato se torna lei entre as partes. Um autor que trabalha muito bem isso é o prof. referido princípio não é absoluto. sendo elativizado pela denominada Teoria da Imprevisão. No entanto. A teoria da imprevisão parte da ideia de que a força obrigatória do contrato é algo relativo. É óbvio que o contrato deve ter força entre as partes.

3. uma vez que pressupõe contrato válido que posteriormente perde sua validade em razão de fato superveniente. Os artigos 478 a 480 é mais abrangente que o que prevê o art. nasce com o próprio contrato. O contrato somente pode ser revisado se o réu quiser (normalmente banco). A lesão. pressupõe contrato válido que se desequilibra depois. 317 do CC. com extrema vantagem para a outra (elemento acidental. 478. 317 e artigos 478 a 480). Se no contrato as obrigações couberem a apenas uma das partes. referindo-se a eficácia do contrato. não precisará demonstrar a imprevisibilidade do acontecimento que desequilibrou o negócio. Obs. A resolução poderá ser evitada. referir a extrema vantagem da outra parte como elemento da teoria. Art. por motivos imprevisíveis. quanto possível. o valor real da prestação. V) a doutrina aplicável é mais favorável ao consumidor. tal princípio consagra a ideia de que um contrato só poderá gerar efeitos obrigacionais entre as próprias partes contratantes. que pode ou não ocorrer (Enunciado 365 da 4ª Jornada). causa de invalidade do negócio jurídico (art. trata-se. oferecendo-se o réu a modificar eqüitativamente as condições do contrato. de modo que assegure. 2. 157). mas é necessário observar que não poderá ficar a opção somente a alvedrio de uma das partes). a pedido da parte. já a Teoria da Imprevisão. 478 deverá conduzir sempre que possível a revisão judicial do contrato e não à sua resolução contratual. Intensivo I LFG Página 90 . 479 do CC para efeito de revisar o contrato. Não posso confundir lesão com teoria da imprevisão. A superveniência de um acontecimento imprevisível. em seu art. razão porque nesta seara é melhor denominar a teoria de Teoria da Onerosidade Excessiva. A onerosidade excessiva imposta a uma das partes. Art. 479. a fim de evitar a onerosidade excessiva. 480. Um contrato não tem eficácia erga omnes mas apenas inter partes. consagra um sistema mais complexo de aplicação da Teoria da Imprevisão (art. 478.: A despeito de o Código Civil. 317. poderá o juiz corrigi-lo. 3. não poderá o juiz ficar adstrito nos termos do art. A alteração da base econômica objetiva do contato. 6º. ou alterado o modo de executá-la. Art. Princípio da relatividade dos efeitos do contrato: Conceitualmente. A luz do princípio da função social. poderá o devedor pedir a resolução do contrato. Perceba que a Teoria da imprevisão nada tem haver com a invalidade. Vale lembrar que. se a prestação de uma das partes se tornar excessivamente onerosa. O Código Civil. uma vez que para que ele obtenha revisão do contrato. de um aspecto meramente acidental. Enunciado 176 da 3ª Jornada de Direito Civil diz que o art. no CDC (art. Os efeitos da sentença que a decretar retroagirão à data da citação. Art. sobrevier desproporção manifesta entre o valor da prestação devida e o do momento de sua execução. não é exigido sempre) em virtude de acontecimentos extraordinários e imprevisíveis. Nos contratos de execução continuada ou diferida. por sua vez.Direito Civil – Pablo Stolze *Elementos da Teoria: 1. poderá ela pleitear que a sua prestação seja reduzida. em verdade. Quando.

165). 467. visando a protegê-lo da interferência indevida de terceiros. Um dos mais importantes princípios do direito contratual é o princípio da função social do contrato. trata-se de uma promessa de prestação de fato de terceiro. que assumirá os direitos e obrigações decorrentes do negócio. vale diferenciar conceito aberto e cláusula geral. ou seja. 1. não está assentado em artigo específico do Código Civil (diferentemente do Código do da Espanha. para além do próprio contrato. Pablo compra um apartamento e consta no contrato que no futuro. é dotada de uma maior força normativa. c) Bystander – art.257 e do Código da França. um terceiro (filho) poderá assumir o contrato caso queira. 467. uma vez que existem situações de inequívoca eficácia transubjetiva do contrato. não podendo o contrato ficar imune a esta perspectiva. no dizer de Intensivo I LFG Página 91 . Não se confunde com a cessão de crédito considerando que o contrato com pessoa a declarar a estipulação já consta do contrato desde o início da contratação. Princípio da Função Social do Contrato: O direito moderno caracteriza-se pela socialização dos institutos privados fundamentais. A cláusula geral. não se está estatizando o contrato. posto presente em nosso sistema. A função social não que dizer atendimento a interesse Estatal. Como exemplo de situações que mitigam esse dogma. uma vez que direciona e limita a própria atividade do juiz. embora contenha um conceito indeterminado. a exemplo dos conceitos fluídicos de justa causa. CC) – esse contrato é figura que escapa da regra que o contrato gere efeito apenas para as próprias partes. Antonio Junqueira de Azevedo de Tutela Externa do Crédito – e o que seria este instituto jurídico? A tutela externa do crédito mitiga o princípio da relatividade dos efeitos do contrato para reconhecer uma dimensão eficacial transindividual. 17. CDC: é o terceiro equiparado ao consumidor. d) Situação denominada pelo prof. Caso do Zeca Pagodinho – não poderia ter havido contratação posterior considerando a ética que deve permear o contrato. caso aceite a indicação constante no contrato (Cláusula Pro amico ellgendo). da empresa. Fala-se em função social da propriedade. todavia não é absoluto. temos: a) Estipulações em favor de terceiro (como o seguro de vida) b) Contrato com pessoa a declarar (art. nem tampouco de extermínio da autonomia da vontade. risco. Ex. art. O primeiro traduz simplesmente um conceito vago ou indeterminado a ser preenchido pelo juiz no caso concreto. Ex. Observe-se que ao ser defendido o princípio da função social. da família e também deve ser aplicada a função social do contrato. 4. família. a exemplo da propriedade. podendo ser conceituado da seguinte forma: regulado a partir do art.Direito Civil – Pablo Stolze Este princípio. Tal princípio. Há uma proteção externa do contrato para impedir que terceiro interfira indevidamente na contratação. *Cláusula geral e conceito aberto: Preliminarmente. Uma cláusula geral. artigo 1.

” A função social é princípio limitativo. nas perspectivas intrínseca e extrínseca. Ex. Art. Princípio da Boa-fé objetiva: Deve-se ao Direito Alemão (BGB. reconstruindo a noção romana de “Bona Fides” a consagração da boa-fé como regra objetiva de conduta (Treu und glauben). Segundo Paulo Roberto Nalin. de contenção. a doutrina. regulada no art. sustenta a possibilidade de o juiz reduzir de ofício o valor da cláusula penal abusiva. a boa-fé subjetiva traduz uma noção individual e psicológica de um estado de inocência.Direito Civil – Pablo Stolze José Assenção. 5. impondo ao juiz uma conduta auto-responsabilizante. diante da violação de valores socialmente objetivados. 476. STJ: “É abusiva a cláusula contratual que limita no tempo a internação hospitalar do segurado”. possuidor de boa-fé. projetada no âmbito interno da relação contratual. há visual afronta. por exemplo. concessionária de veículos contrata empresa publicitária para fazer publicidade enganosa – o contrato. um contrato.: Com base na função social. e conexão com a boa fé impõe lealdade recíproca e equivalência material entre as partes contratantes (o justo equilíbrio entre as prestações contratadas) e em uma dimensão extrínseca. A Ministra Nancy Andrigh reduziu multa de 10% para 2% em contrato de instituição de ensino. Observe-se que é farta a jurisprudência do STJ (ver material de apoio) no que tange a aplicação do princípio da função social. cláusula geral de natureza principiológica. Ex. Outro exemplo é um contrato para instalação de fábrica que viole leis ambientais – o contrato está desrespeitando valores sociais. Mas no plano extrínseco. Vale lembrar que. §242). (ver a título de exemplo o Resp. como vetor limitativo da liberdade contratual. se afrontar valores socialmente objetivados a exemplo das defesas dos consumidores ou do meio ambiente. intrinsecamente é válido. Obs. na medida em que equilibra o impacto do contrato em face da própria sociedade.649/SP e a súmula 302 do STJ). Já no plano extrínseco. *Conceito de função social: Esse conceito não é completo. a função social projeta-se em uma dimensão intrínseca na medida em que. perfeito e possui todos os requisitos. considerando que a função social do contrato somente pode ser realmente observado perante o caso concreto. 302. A cláusula geral tem peso de norma. A função social do contrato. A função social é um princípio limitativo da autonomia privada. credor de boa-fé. Súm. Intensivo I LFG Página 92 . ainda que intrinsecamente perfeito deverá ser invalidado (Paulo Nalin). 421 do CC atua. 421. CC: “A liberdade de contratar será exercida em razão e nos limites da função social do contrato. terceiro de boa-fé. Tem um escopo teleológico (finalístico). O contrato deve guardar a justa proporcionalidade entre as prestações. tem peso muito maior que o simples conceito aberto.

cujo descumprimento. recebeu duras criticas da doutrina (Antonio Junqueira de Azevedo) uma vez que não considerou a necessária incidência do princípio nas fases pré (negociações preliminares – puntuação) e pós contratual (pós-eficácia) Art.” Ex. existe dimensão ética que deve ser preservada. Obs. Rui Rosado de Aguiar – caso dos tomates. pela qual se consagra uma regra de conteúdo ético e exigibilidade jurídica. *Funções da Boa-fé objetiva: a) Interpretativa e colmatadora de lacunas: a boa fé objetiva orienta a interpretação do juiz e serve para preencher lacunas. uso de segredos da empresa do qual se desvincula. Não é apenas clausula geral do direito contratual.  Dever de confidencialidade. *Desdobramentos da boa-fé objetiva (figuras parcelares ou funções reativas): Intensivo I LFG Página 93 . de guarda (estacionamentos de shoppings centers). Alguns exemplos de deveres que derivam da boa-fé objetiva:  Dever de assistência. fase pré-contratual: Prof. decidiu referida empresa não celebrar o contrato. Em um ano.  Dever de informação. no RS uma grande indústria de extrato de tomates incentivavam os agricultores a plantar e colher os tomates. (colmatar é preencher). resulta na responsabilidade objetiva do infrator.  Dever de zelo. Ex. mas de todo o direito. como em sua execução. assim na conclusão do contrato. contrapropaganda por artista famoso. os princípios de probidade e boa-fé. Referida regra impõe a lealdade e a confiança recíprocas entre as partes contratantes.  Dever do advogado e do médico de dar ciência ao cliente dos riscos da atividade. O art. o que foi reformado pelo TJRS considerando a quebra da boa-fé e da confiança depositadas. b) Delimitativa da autonomia privada: a boa fé objetiva limita a autonomia privada de contratação.: A grande obra sobre o tema boa-fé objetiva (Ed. c) Constitutiva de deveres anexos ou colaterais ou de proteção: a boa fé objetiva. impositiva da lealdade recíproca entre os contratantes. 422 do CC a despeito de consagrar o princípio de consagrar o princípio da boa-fé objetiva.Direito Civil – Pablo Stolze Já a boa fé objetiva consiste em uma cláusula geral de natureza principiológica. na perspectiva de deveres constitutivos de proteção remete-nos ao necessário reconhecimento de determinadas obrigações implícitas. 422 do CC: “Os contratantes são obrigados a guardar. dada a sua gravidade. Fase pós-contratual: (pós-eficácia) – mesmo que o contrato acabe. e depois assinavam o contrato. Almedina) é do professor Antonio Menezes Cordeiro. segundo o Enunciado 24 da 1ª Jornada.

nas relações entre os Estados. seu filho adotivo Tu quoque Brutos? Intensivo I LFG Página 94 .539/SP. A regra proibitiva do venire visa a impedir comportamento contraditório. considerando que. O Venire contra factum proprium serve de base para os institutos que serão estudados abaixo. Resp. A supressio traduz a perda de um direito ou faculdade não exercido ao longo do tempo.687/AM. Cláusula de Stoppel No direito internacional. temos farta jurisprudência sobre o tema. via surrectio. É a mesma ideia do venire. condomínio – se for autorizado o uso de área de garagem sem pagamento do aluguel – o condomínio perde o direito pela surrectio enquanto o condômino adquire o direito através do surrectio. Era uma regra proibitiva. ou seja. resultando na correspondente aquisição. advertência feita por Aldemiro Rezende.” Se o contrato dizia que o devedor pagaria em Campinas. todavia. mas desde o início do contrato ele paga em SP e o credor aceita. Ex. 605. a exemplo do Resp 95. é comum a regra proibitiva do venire. no sentido de não se aplicar a regra proibitiva do venire se o segundo comportamento for justificado. receber a roupagem de cláusula de Stoppel: a ideia básica da cláusula em questão se refere a aplicação da regra do venire em relações entre Estados – para que não possuam comportamentos contraditórios com base na confiança. de direito correspondente.Direito Civil – Pablo Stolze Venire contra factum proprium: O Venire contra factum proprium também é chamado em teoria dos atos próprios. Supressio / Surrectio São conceitos que têm íntima conexão com o venire contra factum proprium. enquanto o condômino poderia até alegar usucapião da área. há decisões de tribunais nesse sentido. com os glosadores.: No material de apoio. Um artigo do CC que ilustra a aplicação do venire é o art. visa a impedir que uma mesma pessoa ao longo do tempo adote comportamentos incompatíveis violando os princípios da boa-fé e da confiança. segundo Menezes Cordeiro. *Vale lembrar. Saber se o segundo comportamento é justificado é alcançado através da hermenêutica. há presunção da renúncia do credor aquilo previsto no contrato. Resp 953.389/SP. A raiz dessa regra dá-se na idade média. Seria possível que o condomínio notificasse o condômino para daqui em diante. sendo desdobramentos dele. deixasse de utilizar a área. Tu quoque É uma partícula de uma expressão clássica que foi dita por Julio Cesar ao ser apunhalado por Brutos. A expressão significa: “vir contra fato que lhe é próprio”. 330: “O pagamento reiteradamente feito em outro local faz presumir renúncia do credor relativamente ao previsto no contrato. Obs.

Vício redibitório: Vício redibitório é o defeito oculto que diminui o valor da coisa ou prejudica a sua utilização. Vício redibitório é vício oculto. colhida de surpresa. consiste em uma defesa indireta de mérito oposta pela parte que. em defesa. Parágrafo único. é subjetivo. mas não há previsão legal para tanto. Não há na lei previsão da garantia do vício para quem adquira o bem em leilão. *Exceção de contrato não cumprido A exceção de contrato não cumprido – “Exceptio non admimpleti contractus” – regulada nos artigos 476 e 477. que a tornem imprópria ao uso a que é destinada. contrato de empreitada – contratante contrata empreiteira para realizar a obra ficando consignado que o contratante se compromete a fornecer os materiais. visa a impedir o ineditismo na relação jurídica. nada tem haver com o subjetivismo do agente. caso estipulada. uma vez que. denomina-se Cláusula solve et repete aquela que traduz uma exceção à defesa indireta de mérito vista acima. uma vez que se encontra encerrado na dimensão psicológica do próprio agente. tem a sua prestação exigida sem que a parte adversa houvesse previamente cumprido a sua obrigação. Já se a primeira prestação for cumprida de forma defeituosa (material insuficiente ou de máqualidade). uma vez que é objetivo por se situar na própria coisa. *Cláusula solve et repete: Observe-se que. já o vício redibitório. O juiz pode até aceitar. a exceção poderá ser oposta sob o título de exceptio non rite adimpleti contractus. umbilicalmente ligado aos princípios da boa-fé e da confiança. vício invalidante do negócio. Intensivo I LFG Página 95 . Ex. a parte cobrada deverá cumprir sua obrigação mesmo que a parte adversa não haja previamente cumprido a sua. *Vicio redibitório X erro: O erro. mas não o faz e ajuíza ação cobrando a obra da empreiteira que. Vício aparente não é vício redibitório.Direito Civil – Pablo Stolze O instituto do tu quoque. em franco prejuízo a uma das partes. aduz a exceção de contrato não cumprido considerando que o contratante não cumpriu a prestação prévia que lhe incumbia. Art. Referida cláusula é corrente no Direito Administrativo – lembrar do prazo de 90 dias previsto na lei de licitações em que o contratado deve continuar cumprido o contrato. 441. ainda que inadimplente a administração pública. É aplicável a disposição deste artigo às doações onerosas (com encargo)”. É uma defesa contra o comportamento surpresa – o comportamento que tolha uma das partes de surpresa. CC: “A coisa recebida em virtude de contrato comutativo pode ser enjeitada por vícios ou defeitos ocultos. em virtude de um contrato comutativo. ou lhe diminuam o valor. oportunizando a propositura de uma das ações edilícias (redibitória ou quanti minoris).

redibindo o contrato (art.” Se o alienante conhecia o vício restituirá o preço + perdas e danos. Se houve vício. 441). no Código de Defesa do Consumidor. mas em uma prova discursiva é possível afirmar a possibilidade de aplicação do dispositivo em relação a ação quanti minoris. apenas restituirá o preço e as despesas correspondentes. mais as despesas do contrato. se o não conhecia. Obs. Esse artigo pune a má-fé do alienante. Nessa linha é razoável o entendimento no sentido de se pleitear maior abatimento em sede de ação quanti minoris. o CDC estabelece sistema efetivo e amplo de tutela do consumidor. *Ação redibitória e quanti minoris: No âmbito do Código Civil. O vício redibitório é defeito oculto na coisa. Assim. se atuando de má-fé sabia do defeito. 26. 443: “Se o alienante conhecia o vício ou defeito da coisa. e se a coisa porta defeito oculto – há vício redibitório (diminui o valor da coisa ou prejudica a sua utilização). Mas nada impede que o adquirente do bem peça o abatimento do preço por meio da ação estimatória. Já se não sabia do defeito. A cumulação de pedidos (uma e outra) é impossível. sendo que a reclamação deve se dar no prazo de 30 para bens não duráveis e de 90 dias para bens não duráveis. restituirá o preço mais perdas e danos. *Prazos (de garantia) para a propositura das ações edilícias previstos no Código Civil: Tais prazos decadenciais para propositura da ação redibitória ou quanti minoris estão previstos no art. restituirá o que recebeu com perdas e danos. E se o defeito só surge depois.: O sistema de garantia do adquirente da coisa com vício de qualidade. em havendo vício redibitório. Art. Art. não há erro. tão-somente restituirá o valor recebido. O CDC não preocupa muito se o vício é redibitório ou aparente. Quando o agente adquire aquilo que quer. pode o adquirente reclamar abatimento no preço. É necessário observar que a disposição se refere apenas a ação redibitória. há proteção. dissolvido o contrato. considerando que os pedidos são incompatíveis entre si. 443. nos termos do art. e apesar de ser difícil a dilação probatória acerca da matéria há previsão nesse sentido no CC. 442: “Em vez de rejeitar a coisa. Adquirindo produto defeituoso.Direito Civil – Pablo Stolze O erro está na mente do agente. o adquirente deverá propor a ação redibitória ou a ação quanti minoris (ação estimatória). é mais amplo é benéfico. os prazos legais de garantia (por vício aparente ou redibitório). mas. o prazo somente começará a correr após a ocorrência do defeito. a teor do art. restituirá o preço + as despesas do contrato. é de 30 ou 90 dias. CC (tenho que memorizar): Intensivo I LFG Página 96 .” – Na ação redibitória há desfazimento do contrato e devolução do preço. valendo lembrar. que. se o alienante não sabia do defeito. oportunidade em que ficará com o bem. 445. na relação de consumo.

em se tratando de bens móveis. O adquirente decai do direito de obter a redibição ou abatimento no preço no prazo de trinta dias se a coisa for móvel. sob pena de decadência”. Obs. e de um ano. e de um ano se for imóvel. já o conhecia e poderia saber do vício. *Garantia legal X Garantia contratual: O artigo 446. em conclusão que o STJ julgando o Ag Rg no Resp 639. até o prazo máximo de cento e oitenta dias. mero agente de financiamento da casa própria. 445 do CC. na falta desta. Art. por sua natureza.193/DF admitiu que a Caixa Econômica Federal. não tem sentido que aquele que comprou o bem ter o prazo contado pela metade se já estava na posse do bem há apenas 1 semana. aponta no sentido de que a perda da metade do prazo só haverá se o adquirente estivesse na posse da coisa por tempo razoável. os prazos de garantia por vícios ocultos serão os estabelecidos em lei especial. estabelece que o prazo legal não corre na constância da garantia contratual. em respeito a boa fé objetiva. aplicando-se o disposto no parágrafo antecedente se não houver regras disciplinando a matéria. para os imóveis. reduzido à metade. em face da segunda parte do art. ou seja. o § 2 Tratando-se de venda de animais. O contratante tem o dever de mitigar: se não comunicar o defeito irá perder a garantia. 445. ou. contado da entrega efetiva.  O prazo será reduzido a metade: isso porque se o adquirente já estava na posse do bem. surgindo o defeito. Prazos gerais – contado da entrega efetiva:  30 dias – bem móvel  01 ano – bem imóvel Se o adquirente já estava na posse do bem:  O prazo será contado da efetiva alienação. considerando que agiu de má-fé.Direito Civil – Pablo Stolze Art.: uma hermenêutica razoável. o prazo conta-se da alienação. o adquirente deverá comunicar em trinta dias sob pena de perder a proteção legal. pelos usos locais. de possível aplicação supletiva na relação de consumo. Se o vício somente puder se conhecido mais tarde:  O prazo conta-se do momento da ciência e será de:  180 dias: no caso de bens móveis  01 ano: se for imóvel. Evicção: Intensivo I LFG Página 97 . se já estava na posse. mas o adquirente deve denunciar o defeito ao alienante nos trinta dias seguintes ao seu descobrimento. fosse ré em ação redibitória promovida pelo mutuário. mas. Vale anotar. o prazo contar-se-á do momento em que dele tiver ciência. só puder ser conhecido mais tarde. 446: “Não correrão os prazos do artigo antecedente na constância de cláusula de garantia. o § 1 Quando o vício.

Se o bem é móvel a hasta pública é um leilão. CC. Fredie Didier). devendo buscar os bens para satisfazer o crédito relativo ao bem arrematado. 450.à indenização pelas despesas dos contratos e pelos prejuízos que diretamente resultarem da evicção. 447. em caso de a evicção se operar em face de bem arrematado em hasta pública. 450. a responsabilidade recairia no próprio credor-exequente. além da restituição integral do preço ou das quantias que pagou: I . estando andando com o veículo é parado em blitz e perde o carro em virtude de ato administrativo considerando que o carro era furtado. Mas se o credor não puder ressarcir o arrematante.às custas judiciais e aos honorários do advogado por ele constituído. II . perda de um imóvel por ter sido efetivada a venda a non domino. Art. Essa posição. quando o bem é imóvel.: Assim. O sistema jurídico da evicção envolve três figuras: alienante. em última ratio a responsabilidade poderá recair no Estado. Há quem sustente. que recebeu o preço. nos termos da lei. em último plano. quem irá responder por eventual evicção relativa a bem adquirido em hasta pública é o devedorexecutado. Obs. adquirente (evicto) e o terceiro (evictor). Hasta pública. 447 do CC que. além do pagamento do preço. essa garantia subsiste ainda que a aquisição do bem se tenha realizado em hasta pública. a responsabilidade do próprio Estado por haver permitido a hasta pública (Araken de Assis. Ex. E o adquirente irá responsabilizar o alienante. na doutrina que o se o executado não tem bens para ressarcir o arrematante. no art. por haver recebido indevidamente o preço pago. tem direito o evicto. Intensivo I LFG Página 98 . com respeitável doutrina que visualiza. Traz a noção de perda. todavia. se for insolvente. Nesse ponto é necessário observar que. sustentada inclusive por Fredie Didier não é compartilhada pelo professor. o alienante responde pela evicção. nos termos do art. Observe-se que. quem irá responder pelo valor é o credor do executado. Art. Não concordamos. dá-se pela praça. III . CC. é um desdobramento da execução civil. é razoável o entendimento de que o devedor-executado responderá pela evicção operada e. *Direitos do evicto contra o alienante: Há previsão. A evicção traduz a perda da posse e propriedade da coisa alienada.Direito Civil – Pablo Stolze Evicção vem de uma raiz latina evincere. CC: “Nos contratos onerosos. podendo se valer da denunciação da lide. Ex. e pertencia a terceiro (direito anterior). em virtude de um ato judicial ou administrativo que reconhece direito anterior de outrem. A ideia fundamental é aprender a noção de que a evicção se dá com a perda do bem em razão do reconhecimento de direito anterior motivado em ato judicial ou administrativo. de direitos que assistem ao evicto. há quem entenda que. “Salvo estipulação em contrário. Subsiste esta garantia ainda que a aquisição se tenha realizado em hasta pública”. Wilar de Castro. o alienante vende um carro para o adquirente que. todos sabem. O adquirente sofre a perda da evicção em virtude do reconhecimento de direito anterior de terceiro.à indenização dos frutos que tiver sido obrigado a restituir.

Já se a cláusula prevê a ciência do adquirente da evicção e este assume o risco formalmente (loucura!!).: Assim. um contrato poderá ser extinto de três maneiras: por resolução. não terá o adquirente o direito a receber o preço. se o contrato disser que o alienante disser apenas: o alienante não responde pela evicção – o evicto tem pelo menos o direito de receber de volta o preço que pagou. Essa matéria varia um pouco de autor para autor. 457. se compra um carro sabendo que não é do alienante.Direito Civil – Pablo Stolze Parágrafo único. se contrato diz que o alienante não responde pela evicção e o adquirente assume o risco da evicção (é informado. em seu artigo 448. assumir formalmente o risco de perder a coisa. mas. Uma das partes não cumpre a sua obrigação. Ex. tem direito o evicto a receber o preço que pagou pela coisa evicta. na época em que se evenceu. Intensivo I LFG Página 99 . por cláusula expressa. que. CC: “Podem as partes.) – Nessa hipótese. não terá direito a nada. diminuir ou excluir a responsabilidade pela evicção. se esta se der. dele informado. e proporcional ao desfalque sofrido. comprou assumindo o risco e não poderá demandar pela evicção. além disso. diminuída ou até mesmo excluída por meio do contrato. se esta se der. a despeito da existência de uma cláusula excludente da garantia da evicção. admite que. não o assumiu.” Essa cláusula que exclui a responsabilidade da evicção merece aprofundamento detido. admite que a garantia da evicção pode ser reforçada. seja a evicção total ou parcial. ou. de constitucionalidade duvidosa. na perspectiva do princípio da função social. resilição e rescisão.” *Modificação /Exclusão da garantia através do contrato: O Código Civil brasileiro. se. ou dele sabia). Ex. O preço. Exclusão legal da garantia (art. ou se sabia que sob ele pendia litígio. 2. 449 do CC. reforçar. é necessário observar que o art. será o do valor da coisa. CC: “Não obstante a cláusula que exclui a garantia contra a evicção. Resolução: A resolução traduz forma de dissolução contratual em caso de inadimplemento (artigos 474 e 475). CC: “Não pode o adquirente demandar pela evicção. se sabia que a coisa era alheia ou litigiosa”) – Essa exclusão é óbvia e não causa problemas. se não soube do risco da evicção. terá pelo menos o direito ao preço pago. Art. Exclusão convencional da garantia (art. A exclusão da garantia da evicção. Obs. em nosso sentir. a expressão técnica a ser utilizada é a resolução contratual. na relação civil em geral é admitida em dois níveis: 1. havendo mitigação feita pelo CC. Extinção do Contrato: Basicamente. no caso de evicção parcial. 449. pelo que não terá direito sequer ao preço que pagou. na relação de consumo é abusiva. é como se estivesse o adquirente adquirindo coisa litigiosa. 448.

Direito Civil – Pablo Stolze Em havendo cláusula resolutiva expressa, a resolução do contrato opera-se de forma automática, razão pela qual, a sua estipulação é de grande utilidade processual. Art. 474, CC: A cláusula resolutiva expressa opera de pleno direito; a tácita depende de interpelação judicial. Art. 475, CC:A parte lesada pelo inadimplemento pode pedir a resolução do contrato, se não preferir exigir-lhe
o cumprimento, cabendo, em qualquer dos casos, indenização por perdas e danos.

Rescisão: A palavra rescisão costumeiramente é usada no mesmo sentido de resolução, mas, vale observar, que a doutrina clássica, a exemplo de Serpa Lopes e Orlando Gomes, amparada na doutrina de Francesco Messineo, sustentava que, o termo rescisão tecnicamente significaria invalidação de um contrato viciado pela lesão. Resilição: Resilição nada tem haver com inadimplemento. Não é sempre que é possível a resilição, e quando for possível se dará pelo exercício do direito potestativo das partes, ou de uma delas. A resilição, que tanto pode ser bilateral (art. 472) como unilateral (art. 473) traduz, quando possível, especialmente nos contratos de atividade (como a prestação de serviços) a dissolução do contrato por simples manifestação de vontade. Art. 472: “O distrato faz-se pela mesma forma exigida para o contrato”. Art. 473, CC: “A resilição unilateral, nos casos em que a lei expressa ou implicitamente o permita, opera
mediante denúncia notificada à outra parte. Parágrafo único. Se, porém, dada a natureza do contrato, uma das partes houver feito investimentos consideráveis para a sua execução, a denúncia unilateral só produzirá efeito depois de transcorrido prazo compatível com a natureza e o vulto dos investimentos.”

Mas apesar da possibilidade de resilição, há possibilidade de fidelização perpetrada pelo contratante. Ex. empresas de telefonia. A previsão legal consta do parágrafo único do art. 473 do CC. -----------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------ARRAS: Conceito: As arras consistem na cláusula negocial que estipula a entrega de dinheiro ou outra coisa a outra parte, visando a assegurar o negócio pactuado. Em geral quando se estuda arras, temos outra denominação, que o “sinal dado em pagamento”. A primeira função que as arras têm é tornar o contrato seguro. Mas existe espécie de arras em que se tem a segurança do contrato, mas também há o direito de arrependimento. Arras confirmatórias: São as mais conhecidas.

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Direito Civil – Pablo Stolze Conceito: as arras confirmatórias traduzem início de pagamento e não admitem direito de arrependimento. Ex. Fulano pagou o sinal do apartamento dele. Se existentes essas arras confirmatórias não é possível voltar a atrás. Se for financiado bem o dinheiro inicial dado, em geral, trata-se de arras confirmatórias. Art. 417, CC: “Se, por ocasião da conclusão do contrato, uma parte der à outra,
a título de arras, dinheiro ou outro bem móvel, deverão as arras, em caso de execução, ser restituídas ou computadas na prestação devida, se do mesmo gênero da principal.”

Referidas arras marcam o início da execução do contrato. Nos termos do art. 418 do CC, nas arras confirmatórias, o sinal pago poderá indenizar a parte que não cumpriu o contrato. Art. 418, CC: “Se a parte que deu as arras não executar o contrato, poderá a outra
tê-lo por desfeito, retendo-as; se a inexecução for de quem recebeu as arras, poderá quem as deu haver o contrato por desfeito, e exigir sua devolução mais o equivalente, com atualização monetária segundo índices oficiais regularmente estabelecidos, juros e honorários de advogado.”

Obs.: o artigo 419 do CC: (“A parte inocente pode pedir indenização suplementar, se provar maior prejuízo,
valendo as arras como taxa mínima. Pode, também, a parte inocente exigir a execução do contrato, com as perdas e danos, valendo as arras como o mínimo da indenização”),

para as arras confirmatórias, admite indenização

suplementar em favor da parte inocente. Arras Penitenciais Conceito: as arras penitenciais, diferentemente, reguladas no art. 420 do CC, embora tenham função indenizatória, garantem o direito de arrependimento, de maneira que, a parte que se arrepende, embora perca o valor do sinal, não pode ser compelida a pagar indenização suplementar. Art. 420, CC: “Se no contrato for estipulado o direito de arrependimento para qualquer das partes, as arras ou
sinal terão função unicamente indenizatória. Neste caso, quem as deu perdê-las-á em benefício da outra parte; e quem as recebeu devolvê-las-á, mais o equivalente. Em ambos os casos não haverá direito a indenização suplementar.”

As arras confirmatórias não permitem o arrependimento e quem se arrepende é considerado inadimplente, cabendo inclusive indenização suplementar se as arras não suprem as despesas. Já as arras penitenciais permitem o arrependimento, não sendo cabível indenização suplementar e não havendo o que se falar em inadimplência. Há perda apenas do sinal. Obs.: O STJ, julgando o Resp 761.944/DF, assentou que se o pagamento inicial do contrato representa substancial adimplemento da dívida, não se trata de um mero sinal, mas sim, do cumprimento quase total da obrigação principal. Se o valor pago inicial é vultoso, não se trata de mero sinal, mas sim de adimplemento substancial do contrato. DIREITOS REAIS / DIREITOS DAS COISAS: Conceito: Até o início do século XX preferia-se a expressão “direitos das coisas”. Os direitos reais ou direitos das coisas traduzem o conjunto de normas reguladoras das relações jurídicas referentes às coisas suscetíveis de apropriação pelo homem, segundo uma finalidade social. No campo dos direitos reais, antes de ingressarmos na propriedade, é necessário explicar a posse.
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Direito Civil – Pablo Stolze POSSE: Teorias explicativas da posse: a) Teoria Subjetiva de Savigny: Savigny partia da ideia de que a posse se baseava em dois elementos: animus (intenção de ter para si o bem) e o corpus (apreensão sobre o bem – poder sobre a coisa). Para Savigny a posse consistiria no poder exercido sobre a coisa, com a intenção de têla para si. Para tanto, Savigny decompôs a posse em dois elementos: animus (a intenção de ter a cosia para si) e corpus (o poder material ou físico sobre a coisa). b) Teoria Objetiva de Ihering: Ihering por sua vez, parte da ideia de que, para ser possuidor basta o exercício de um dos poderes da propriedade, comportando-se como se fosse proprietário, considerando que há possibilidade de que situações possessórias não sejam baseadas em ambas as premissas. A análise da posse é apenas objetiva. Possuidor, simplesmente, é aquela pessoa que está exercendo poderes como se proprietário fosse. Para esta segunda teoria a posse não exigiria a sua decomposição em dois elementos. Objetivamente, se o sujeito exerce poderes de proprietário, comportando-se como se assim o fosse e imprimindo destinação econômica à coisa, será considerado possuidor. São poderes que integram o conceito de propriedade: usar, fruir, dispor e reaver. Ex. se empresto um celular a um amigo, e este a usa – o amigo será possuidor, considerando que exerce um dos poderes da propriedade. Observe-se que ainda que armado, se um bando invade uma fazenda tomando-a para si, e expulsando o proprietário trata-se de possuidor. A discussão se é posse justa ou injusta é outra questão. Frise-se que, inclusive há possibilidade de obtenção da propriedade através da usucapião extraordinária. Opção do legislador: Analisando o art. 1.196 do CC, em cotejo com nosso sistema constitucional, podemos concluir que a matriz do direito brasileiro adota a Teoria Objetiva de Ihering, reconstruída na perspectiva sociológica (Saleilles / Hernandez Gil) em face da necessária incidência do princípio da função social. Art. 1.196, CC: “Considera-se possuidor todo aquele que tem de fato o exercício, pleno ou não, de algum dos
poderes inerentes à propriedade.”

Mas, muito embora a matriz seja baseada em Ihering não se pode esquecer uma visão sociológica nascida, impondo a necessidade de atenção à função social. Natureza jurídica da posse: Direito real ou situação de fato protegida pelo direito? O rol de direitos reais é taxativo e tem previsão no art. 1.225 do CC, não estando inclusa a posse em referido rol. Assim, a simples leitura do dispositivo conduz a ideia de que a posse seja situação de fato protegida pelo direito que pode gerar direitos reais. Mas há divergência.
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Direito Civil – Pablo Stolze Segundo o professor Moreira Alves, em seu monumental Tratado da Posse, há quem diga que a posse seria um direito real (na linha de pensamento de Ihering e Teixeira de Freitas). Há quem diga ainda que a posse seria ao mesmo tempo fato e direito (Savigny), mas melhor é o entendimento no sentido de que a posse é uma situação de fato protegida pelo ordenamento e constitutiva de direitos reais. Ex. usucapião. É a posição do prof. Geraldo Vilaça. Quanto a posse, ler os artigos do Código Civil, especialmente o 1.205 (quem pode adquirir posse) e o 1.223 (modos de perda da posse). *Diferença entre Jus possidendi e jus possessionis: Jus possidendi consiste no direito à posse derivado de um título. Ex. comprou um carro – tem a posse razão da compra. O Jus possissionis, por sua vez, caracteriza o direito resultante do exercício da posse. Ex. inquilino tem o direito de possuir e proteger a coisa. É direito que deriva da posse. *Posse de Direitos: Seria mais técnico dizer que titulariza direitos, possuir, possui-se a coisa. A ideia de posse de direitos surgiu quando inexistia o mandado de segurança, alegando-se a parte que era possuidora de direitos e solicitando a tutela do judiciário para tanto. Com o surgimento do Mandado de Segurança, indaga-se se ainda existe a posse de direitos. Com base no entendimento de Arruda Alvim, o correto é falar em posse de coisas. E quanto aos direitos, devem ser titularizados. No campo do direito autoral e propriedade intelectual devem ser observadas as regras especiais e não a tutela do direito a posse prevista no CC. No entanto, excepcionalmente poderá ser aplicada a teoria da posse em relação a direitos. Na linha do direito alemão (§90 do BGB), Menezes Cordeiro, na monumental obra “A posse: perspectivas dogmáticas atuais”, afirma que a posse só surge no âmbito das coisas corpóreas podendo ser aplicada em outras áreas apenas em situações excepcionais (no Brasil, é exemplo da excepcional situação da posse de um direito o enunciado da súmula 193 do STJ: “O direito de uso de linha
telefônica pode ser adquirido por usucapião.”

Classificação da posse: 1. Quanto ao seu exercício: Quanto ao exercício a posse pode ser direta e indireta. Art. 1.197: “A posse direta, de pessoa que
tem a coisa em seu poder, temporariamente, em virtude de direito pessoal, ou real, não anula a indireta, de quem aquela foi havida, podendo o possuidor direto defender a sua posse contra o indireto.”

a) Direta: na forma do art. 1.197, é aquela em que o possuidor tem contado direto com coisa. Ex. locatário, usufrutuário, comodatário. b) Indireta: o possuidor indireto, embora exerça poderes não possui contato direto com a coisa. Ex. locador
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Direito Civil – Pablo Stolze

O possuidor direto pode proteger a sua posse inclusive contra o possuidor indireto. Obs: O que é composse? A composse, nos termos do art. 1.199 do CC (Se duas ou mais pessoas possuírem
coisa indivisa, poderá cada uma exercer sobre ela atos possessórios, contanto que não excluam os dos outros compossuidores.),

traduz a situação em que duas ou mais pessoas simultaneamente exercem posse sobre a mesma coisa. Ex. há um único imóvel objeto da posse e da propriedade de três pessoas. Composse é semelhante ao condomínio, mas no condomínio há compropriedade. E na composse há simultaneidade de exercício de posse. Se porventura esses compossuidores resolverem dividir a área entre eles para melhor exploração da terra, a composse passa a se chamar composse pro diviso. Trata-se de uma divisão entre eles, mas todos são compossuidores do todo. Não havendo essa divisão interna, será chamada composse pro indiviso. 2. Quanto a existência de vício a posse pode ser: A posse pode ser justa ou injusta na forma do art. 1.200 do CC: a) Justa: a definição está no art. 1.200 do CC: “É justa a posse que não for violenta, clandestina ou
precária.”

b) Injusta: posse injusta é a violenta, clandestina ou precária. Ex. imagine que no dia 10/04 o Pablo proprietário e possuidor de uma fazenda lá estava, oportunidade em que o tem sua fazenda invadida ali permanecendo durante cinco dias – durante esses cinco dias houve atos de violência pelo invasor e de legítima defesa da possa por parte do proprietário. No prazo em que são perpetrados atos de violência não há posse. Mas em data posterior a esses cinco dias o proprietário sofre esbulho de posse, atuando o invasor como se proprietário fosse – exerce atos de posse, mas essa é uma posse injusta uma vez que deriva da violência. Se o invasor entra escondido e, por exemplo, troca as fechaduras da casa, trata-se de posse clandestina. Posse injusta é posse. Exercida a posse injusta, o proprietário esbulhado pode ajuizar ação de reintegração de posse e não sendo aviada tal ação no prazo de ano e dia não haverá perda da tutela possessória, mas sim da liminar no rito especial da possessória, o que não impede que seja pedida antecipação de tutela. O que o proprietário esbulhado perde se não ajuizar possessória no prazo de ano e dia perde a possibilidade de pleitear pedido liminar da tutela possessória (rito especial). Obs.: Assim, não posso me esquecer de que se o proprietário esbulhado ou turbado deixa transcorrer o prazo de ano e dia para a defesa de sua posse, posto ainda faça jus à proteção possessória, perde o direito a liminar do rito especial, uma vez que o réu passa a ter sobre a área “posse velha” (mas, transcorrido esse prazo de ano e dia, nada impede que a possessória possa ser intentada pelo rito ordinário com pedido de antecipação dos efeitos da tutela jurisdicional). ** O que é posse precária? A matéria padece nesse ponto, de um equívoco interpretativo. A depender da interpretação dada pode-se chegar a conclusões díspares. Mas analisando a questão sob a ideia de Clóvis Beviláqua temos que há uma diferença entra a posse precária lícita e a
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Parágrafo único. A posse de boa-fé só perde este caráter no caso e desde o momento em que as circunstâncias façam presumir que o possuidor não ignora que possui indevidamente. sob o critério psicológico possuidor de má-fé é aquele que tem ciência do vício que inquina a sua posse (a jurisprudência entende que se dá com a citação em ação possessória).: A despeito de uma visão mais conservadora dos Direitos Reais entender que justo título deve ser um documento formal (como uma escritura pública ou um formal de partilha). a doutrina moderna. 113 do Código Civil.1. no momento em que o possuidor. tornando-se uma posse precária injusta. O formal de partilha vale como justo título. empréstimo de casa para que possa ficar em uma temporada de verão – por meio de comodato está-se cedendo o uso da coisa.203. tem relativizado corretamente este entendimento (ver Enunciados 302 e 303 da 4ª Jornada de Direito Civil – Enunciado 302: Art. a concessão da posse precária (entendida como aquela deferida a título de favor como no comodato) é perfeitamente lícita. Considera-se justo título para presunção relativa da boa-fé do possuidor o justo motivo que lhe autoriza a aquisição derivada da posse. salvo prova em contrário. Aqui a posse se torna injusta pela quebra da confiança. Compreensão na perspectiva da função social da posse. No entanto. Quanto ao elemento psicológico: No que tange ao elemento psicológico (arts.) Exemplos: Intensivo I LFG Página 105 . Ex. Art.201. Na linha de pensamento de Clóvis Beviláqua. b) De boa-fé: o possuidor de boa-fé é aquele que desconhece o vício que macula a sua posse. se o possuidor ignora o vício.201. Obs. e. recusa-se a devolver o bem como se proprietário fosse (interversão da posse – En. poderia configurar um justo título tendo em vista a função social da posse. Art. ou quando a lei expressamente não admite esta presunção.201/1. haverá presunção relativa desta boa-fé em seu favor. portanto. se recebeu como herança uma fazenda. 1. Esse tipo de posse precária é perfeitamente lícito. em nítida quebra de confiança. Posse precária é posse concedida a título de favor. Pode ser considerado justo título para a posse de boa-fé o ato jurídico capaz de transmitir a posse ad usucapionem.) a posse pode ser: a) De má-fé: Em linhas gerais.214. configurando-se a posse injusta.1. O possuidor com justo título tem por si a presunção de boa-fé. 1. 1. e não apenas uma escritura pública ou formal de partilha viciados. 3. Trata-se de posse instável. na perspectiva da função social da posse. recusando-se a entregar ou devolver o bem. mas lícita e concedida a título de favor. Os autores mais modernos entendem que até mesmo um recibo.200 e 1. observado o disposto no art. A posse do comodatário é posse de favor.Direito Civil – Pablo Stolze precariedade que gera a posse injusta. CC: Art. Ex. 237 da 3ª Jornada) surge o vício da precariedade. Salvo prova em contrário. de seu avô e este tinha esbulhado e falsificado o registro anteriormente. em havendo um justo título. esteja ou não materializado em instrumento público ou particular. 1. ou o obstáculo que impede a aquisição da coisa. posse precária e a qualquer tempo o proprietário pode requerê-la. Enunciado 303: Art. A posse precária se torna injusta no momento em que o proprietário requer a posse ao possuidor precário e este quebra confiança nele depositada.202. entende-se manter a posse o mesmo caráter com que foi adquirida.203. É de boa-fé a posse.

O que é patrimônio de afetação? Consagrado pela lei 10. não sendo possuidor. Ex. esta posse que me foi transmitida é injusta.: se a operação for contrária. 1. Aquele que começou a comportar-se do modo como prescreve este artigo. se a sua intenção é usucapir o imóvel está de má-fé. aquele que possuía em seu próprio nome passa a possuir em nome de outrem. bibliotecário. exercido segundo o princípio da proporcionalidade em duas situações previstas no §1º do art. O que é fâmulo da posse ou gestor ou servidor da posse? É o caso do detentor. aquele que possuía em nome alheio passar a possuir em nome próprio. No entanto. os atos de defesa. até que prove o contrário. Ex. observe-se que. 1. Possuía o bem em nome próprio e passarei a possuí-lo em nome alheio. mas. conserva a posse em nome deste e em cumprimento de ordens ou instruções suas. Vale dizer. ou esbulhado. Obs. uma vez que destaca patrimônio específico da construtora. o elemento subjetivo transmuda-se. por exemplo um carro roubado. não podem ir além do indispensável à manutenção. O que é constituto possessório? Trata-se da operação jurídica que muda a titularidade na posse. contanto que o faça logo. restituído no de esbulho.198. 4. CC: Considera-se detentor aquele que. detentor é aquele que. o  3. Questões especiais de concurso: 1. que tenha por objeto. sou proprietário do meu apartamento e vendo-o para Fredie. o patrimônio de afetação visa a imprimir maior segurança jurídica no mercado imobiliário. mas de boa fé. em relação ao bem e à outra pessoa. § 2 Não obsta à manutenção ou reintegração na posse a alegação de propriedade. vinculando-o ao empreendimento. em defesa do possuidor (comprador) de determinado imóvel.Direito Civil – Pablo Stolze  Posse injusta e de boa-fé: A herança traz a posse com a origem objetiva: se era injusta é assim transmitida. de maneira que. se eu recebo uma herança. achando-se em relação de dependência para com outro. É o contrário do constituto possessório. ou de desforço. Assim. se eu desconhecia é também de boa-fé. presume-se detentor. e segurado de violência iminente. segue instruções do proprietário ou legítimo possuidor (art. Art. motorista particular. 1. o instituto denomina-se traditio brevi manu. Posse justa de má-fé: esse exemplo é dado por Flávio Tartuce: o locatário exerce posse justa. ou seja. 2.931/2004. A chamada cláusula constituti documenta o constituto possessório. Nesse ponto. a posse injusta é de má-fé e a posse justa é de boa-fé. em geral. § 1 O possuidor turbado. ou restituição da o posse. ou de outro direito sobre a coisa. Parágrafo único. O que é autotutela da posse? Trata-se de um legítimo meio de autodefesa. ). se tiver justo receio de ser molestado.210. CC: O possuidor tem direito a ser mantido na posse em caso de turbação. podendo a posse do herdeiro ser injusta. Intensivo I LFG Página 106 . mas.210: Legítima defesa e desforço incontinente. caseiro. mas no contrato há cláusula que permanecerei como inquilino no imóvel. poderá manter-se ou restituir-se por sua própria força.

bem como a sua classificação (recordando. ao passo que o produto. para efeito de se proteger o possuidor de boa-fé que extraiu produtos da coisa principal. inspirada em Clóvis Beviláqua. 1. couberem a outrem”) . Citem-se os dispositivos: Art. desde o momento em que se constituiu de má-fé. O possuidor de boa-fé não responde pela perda ou deterioração da coisa. percebidos são do possuidor. bem como pelos que. 1. 1.214 (acima citado).216 do CC referem-se à percepção de frutos.216. sendo indenizado pelas despesas que teve. devendo responder pelos frutos colhidos e percebidos e os que por sua culpa deixou de perceber. concluímos que o legislador protege o possuidor de boa-fé.Direito Civil – Pablo Stolze Efeitos da posse: Percepção de frutos e produtos: Revisar no caderno de parte geral a diferença entre frutos e produtos. sustenta que o possuidor de boa-fé ou de má-fé deverá indenizar o proprietário pelo produto extraído. mas e se a questão na prova envolver produtos? Uma primeira linha de raciocínio. deixou de perceber. Os frutos pendentes ao tempo em que cessar a boa-fé devem ser restituídos. os civis reputam-se percebidos dia por dia.232 (“Os frutos e mais produtos da coisa pertencem.214 / 1. 1. Art.217 e 1. enquanto ela durar.218 do CC tratam de forma mais gravosa o possuidor de má-fé. Já o possuidor de má-fé tem direito apenas às despesas da produção e custeio. Obs. Citem-se os dispositivos: Art.214. ainda quando separados. tendo produzido. A matéria é eminentemente teórica e não se encontra consolidada nenhuma das posições na jurisprudência. por preceito jurídico especial. Os frutos naturais e industriais reputam-se colhidos e percebidos. por culpa sua.217. devem ser também restituídos os frutos colhidos com antecipação. 1.: Os artigos 1. Os colhidos antecipadamente e os pendentes serão restituídos.215. Responsabilidade Civil pela Perda ou Deterioração da coisa: Na mesma linha do tópico anterior. 1. Ex. depois de deduzidas as despesas da produção e custeio. salvo se. Como estava de boa-fé os frutos colhidos. uma segunda linha de pensamento. Intensivo I LFG Página 107 . quanto a perda ou deterioração da coisa. fruto é uma utilidade que se renova. à luz do art. os artigos 1. aos frutos percebidos. Parágrafo único. logo que são separados. ao seu proprietário.214/1. a matéria está tratada especialmente nos artigos 1. recebida uma herança consubstanciada em uma fazenda. por dois anos uma plantação é citado em ação de reintegração de posse considerando que o registro se encontrava viciado. No que se refere à posse. tem direito às despesas da produção e custeio. respeitando o próprio princípio da boa-fé.216: da leitura das normas. na falta de regulamentação específica. O possuidor de boa-fé tem direito. a que não der causa. não). O tratamento da lei para o possuidor de má-fé é bastante duro. O possuidor de má-fé responde por todos os frutos colhidos e percebidos. Art. sustenta a aplicação analógica do art.

Ex. o possuidor de boa-fé. Também aqui a boa ou a má-fé do possuidor interfere na percepção ou não das benfeitorias realizadas (matéria tratada a partir do art.217. 1.222.221. salvo se provar que de igual modo se teriam dado.219. Ex. gozar e fruir.218. Indenização pelas benfeitorias realizadas e direito de retenção: Existem três tipos de benfeitorias: necessárias. e poderá exercer o direito de retenção pelo valor das benfeitorias necessárias e úteis. Autores como Carlos Roberto Gonçalves e Arnold Wald. Tendo o agente todas as faculdades será considerado proprietário pleno. consistente em um direito real na coisa própria. O possuidor de má-fé responde pela perda. Ao possuidor de má-fé serão ressarcidas somente as benfeitorias necessárias.228 do CC. tem o direito de optar entre o seu valor atual e o seu custo. Art. pois. é tratado de forma severa. compreensivo das faculdades reais de: usar. poderá levantá-las (jus tollendi). quanto às voluptuárias. Art. O proprietário é denominado nu-proprietário uma vez que fica despido de poderes. a levantá-las. estando ela na posse do reivindicante. desde que não prejudique a coisa principal. O reivindicante. O possuidor de boa-fé tem direito à indenização das benfeitorias necessárias e úteis. se não lhe forem pagas. A propriedade tem capacidade de constituir outros direitos reais. caso não lhes sejam pagas. 1. quanto às voluptuárias. 1. ou deterioração da coisa. e. úteis e voluptuárias. não lhe assiste o direito de retenção pela importância destas. 1.218. ao possuidor de boa-fé indenizará pelo valor atual. Já o possuidor de má-fé só terá direito de indenização pelas benfeitorias necessárias. nos termos do art. poderá ser compelido a indenizar o legítimo proprietário. Intensivo I LFG Página 108 . Já o possuidor de má-fé. usufruto – passa as faculdades de uso e fruição para o usufrutuário. segundo uma função social. bem como. 1. e só obrigam ao ressarcimento se ao tempo da evicção ainda existirem. As benfeitorias compensam-se com os danos.219 do CC).Direito Civil – Pablo Stolze Art. regulado a partir do art. dispor e reivindicar a coisa. 1. queimada para se fazer pasto – o fogo se alastra e atinge toda a fazenda: o possuidor deu causa a danificação da coisa principal por culpa e deverá indenizar o proprietário. se danificar ou perder a coisa terá responsabilidade civil objetiva (responde pela perda ou deterioração ainda que acidentais). ainda que acidentais.220. 1. Merecem destaque: Art. 1. Assim. obrigado a indenizar as benfeitorias ao possuidor de má-fé. quando o puder sem detrimento da coisa. O possuidor de boa-fé tem o direito de ser indenizado pelas benfeitorias úteis e necessárias (fazendo jus inclusive ao direito de retenção). Art. se deu causa à perda ou deterioração da coisa. nos termo s do art. DIREITO DE PROPRIEDADE Conceito: Trata-se de um direito real complexo. sem o direito de retenção da coisa. nem o de levantar as voluptuárias. afirmam que “dar causa” significa agir com culpa ou dolo. 1.

e os limites ordinários de tolerância dos moradores da vizinhança. Tais direitos de vizinhança podem ser entendidos como obrigações propter rem.” Intensivo I LFG Página 109 . exercendo uma finalidade passiva (deveres de abstenção do proprietário) e uma finalidade ativa (condutas comissivas necessárias do proprietário). o “infeliz” §2º do art. *No CC. Ed. os direitos de vizinhança visam a regular conflitos de concorrência entre os vizinhos. Caso o proprietário ou possuidor exerça o seu direito de forma abusiva.: Ver no material de apoio. além de atuar como um título justificativo (Pietro Perlingieri) é vetor limitativo da propriedade. sendo que em sala abordaremos os mais importantes para concursos. Proíbem-se as interferências considerando-se a natureza da utilização.277 traz dispositivos que regulam o uso da propriedade. Os direitos de vizinhança impõem condutas positivas e negativas. a localização do prédio. DIREITOS DE VIZINHANÇA: Conceito: Segundo o professor Santiago Dantas. 1. Método). encontramos um roteiro com o rol de direitos de vizinhança e os seus artigos correspondentes. ao sossego e à saúde dos que o habitam.Direito Civil – Pablo Stolze Obs. inadvertidamente exige a prova desta intenção. CC: “O proprietário ou o possuidor de um prédio tem o direito de fazer cessar as interferências prejudiciais à segurança.230 quanto à extensão da propriedade. No material de apoio. ao tratar do abuso da propriedade (ato emulativo). na medida em que aderem à coisa. Deveres de fazer e não fazer. atendidas as normas que distribuem as edificações em zonas. ao definir o abuso de direito. sem perder a sua essência. especialmente a elasticidade (Orlando Gomes – Direitos Reais): a propriedade é elástica na medida em que pode ser distendida ou contraída. Art. ** O art. não importando quem seja o proprietário ou possuidor.228. visto na grade de responsabilidade civil. ver o Abuso de Direito no Novo Código Civil de Daniel Boulos. tendo em vista a harmonia social. 1. o que deve ser desconsiderado segundo a melhor doutrina (para aprofundamento.277. as características do direito de propriedade. segundo a finalidade social do imóvel. para formar outros direitos reais. não exigiu a prova da intenção de prejudicar. Trata-se do conjunto de regras que disciplina a convivência harmônica entre os vizinhos. ver artigos 1. Parágrafo único. provocadas pela utilização de propriedade vizinha. quais sejam: Uso anormal da propriedade: O CCB em seu artigo 1. magistralmente desenvolvida León Duguit na Clássica obra As Transformações Gerais do Direito Privado.229/1. poderá ser civilmente responsabilizado. A função social da propriedade. 187 do CC.

CC: “O proprietário ou o possuidor tem direito a exigir do dono do prédio vizinho a demolição. a dar uma outra. A servidão normalmente é constituída por contrato. Servidão é direito real na coisa lei. existia passagem através de imóvel vizinho. nascente ou porto. mediante pagamento de indenização (art. Art. mediante pagamento de indenização cabal. antes da alienação.285. Mas essa teoria não se aplica mais uma vez que a solução deve levar em conta o planejamento urbano. à luz do interesse social (art. bem como que lhe preste caução pelo dano iminente. mas os institutos não são idênticos. não é razoável solucionar-se o conflito entre vizinhos segundo a prioridade da construção (Teoria da Pré-ocupação). *Teoria da Pré-ocupação: razão assistiria a quem teria ocupado primeiramente o solo. Intensivo I LFG Página 110 . Nada impede que seja construída servidão de passagem que terá a mesma finalidade. 1. Art. Dano infecto refere-se a caução relativa ao dano iminente. não estando o proprietário deste constrangido. Passagem forçada é direito de vizinhança. o o proprietário da outra deve tolerar a passagem. depois. é criada. ou a reparação deste. constranger o vizinho a lhe dar passagem.285.280. constituída. 1. pode. uma vez que no caso de necessidade de demolição deveria ser ajuizada ação demolitória. mas sim segundo a própria localização do prédio e os zoneamento urbano.Direito Civil – Pablo Stolze O proprietário tem o direito de fazer cessar o uso abusivo da propriedade perpetrada pelo vizinho. Assim. A passagem forçada decorre diretamente da lei e tem natureza de direito de vizinhança. 1.280 do CC. § 1 Sofrerá o constrangimento o vizinho cujo imóvel mais natural e facilmente se prestar à passagem.§ 3 Aplica-se o disposto no parágrafo antecedente ainda quando. CC). cujo rumo será judicialmente fixado. Passagem forçada: Passagem forçada não se confunde com a servidão.277. Observe-se ainda que poderá ser feita representação perante o Ministério Público para que seja ajuizada ação coletiva. único – acima citado).” É ação que protege o proprietário ou possuidor que está com medo de que a casa do vizinho desabe em cima da sua. 1. CC: O dono do prédio que não tiver acesso a via pública. som alto e perturbador – pode pedir que seja colocado isolamento acústico. p. 1. de modo que uma das partes perca o acesso a via pública. derivando diretamente da lei. Conceito: A passagem forçada consiste no direito que assiste ao dono do prédio encravado de reclamar do vizinho que lhe deixe passagem. nascente ou porto. com o propósito de salvaguardar o proprietário ou possuidor que esteja ameaçado pela ruína do prédio vizinho. quando ameace ruína. se o o necessário. Questão de concurso: O que é ação de dano infecto ou iminente? Trata-se da demanda proposta com base no art. § 2 Se ocorrer alienação parcial do prédio. Ex.

Obs. 1. Art. não poderão ser abertas a menos de setenta e cinco centímetros. CC. O proprietário construirá de maneira que o seu prédio não despeje águas. Se essa abertura. o § 2 As disposições deste artigo não abrangem as aberturas para luz ou ventilação. Visa não violar direitos da personalidade. salvo o direito dos vizinhos e os regulamentos administrativos. a doutrina já aponta no sentido de que o encravamento do imóvel é conceito relativo: se existir uma passagem inadequada ou inóspita. sobre o prédio vizinho.301. A proibição não é para a porta. Observe-se que os vizinhos podem constituir servidão. 1. mediante contrato. A passagem forçada será exigida do vizinho cujo terreno mais facilmente se preste a passagem. Se vendido trecho de terra em que acarreta a exclusão da passagem. 1. As portas podem ser abertas.285 (acima citado). se o encravamento resultar de uma alienação. A passagem forçada tem íntima relação com a função social do contrato. Obs. É defeso abrir janelas. que a água da calha despeje no terreno vizinho. sacado.  Não se pode construir de maneira. 1.: As pequenas aberturas para luz e ar podem ser abertas a menos de metro e meio. Art. 1. CC. o adquirente deverá suportar a passagem.  Em zonas rurais. é permitida uma vez que não é devassada personalidade. O que se proíbe é colocação de janela. (art. todavia for tipo de janela que não abre cujo vidro é translúcido.303. Art. ou fazer eirado. caso queiram. atém mesmo porque a porta é colocada na altura do muro.336/MS). bem como as perpendiculares. Direito de construir: O direito de construir encontra-se regulado a partir do art. terraço ou varanda. Mas não se faz necessária uma vez que a lei autoriza que seja imposta a passagem forçada (que é ato lícito) mediante indenização do proprietário que sofra a passagem. não se pode construir há menos de três metros do terreno vizinho. a menos de metro e meio do terreno vizinho. o § 1 As janelas cuja visão não incida sobre a linha divisória. 1.299.  O proprietário pode construir em seu terreno aquilo que lhe aprouver e o que os regulamentos administrativos não o proibirem. Página 111 Intensivo I LFG .301. ** Desde Carvalho Santos. O proprietário pode levantar em seu terreno as construções que lhe aprouver. o direito de passagem forçado deve ser suportado pelo adquirente. para o alienante.299. CC) Essa proibição de construir com certa distância se dá considerando a intimidade. 316. uma vez que se o proprietário do terreno não tem passagem não poderá escoar sua produção. o proprietário tem o direito de exigir nova passagem forçada (ver Enunciado 88 da 1ª Jornada e Resp.: Nos termos dos §§ 2º e 3º do artigo 1. se respeitarem as dimensões do §2º do art.300. diretamente.Direito Civil – Pablo Stolze Estando o terreno encravado deve ser efetivada a passagem forçada. por exemplo. não maiores de dez centímetros de largura sobre vinte de comprimento e construídas a mais de dois metros de altura de cada piso.

a todo tempo. madeirando na parede divisória do prédio contíguo. ou aberturas para luz.302. 1. seja qual for a quantidade. levantar a sua edificação. O confinante. 1. pelo risco a que expõe a construção anterior. caberá ação demolitória no prazo decadencial de ano e dia. nem impedir. o dono de um terreno pode nele edificar. se o vizinho adquirir meação também na parte aumentada. 1. a obra já foi concluída. ou obras semelhantes. 1. não será permitido levantar edificações a menos de três metros do terreno vizinho. Na zona rural. Indaga-se se a abertura for perpendicular com visão frontal é permitida. deve ser ajuizada ação de nunciação de obra e nova. fornos ou quaisquer aparelhos ou depósitos suscetíveis de produzir infiltrações ou interferências prejudiciais ao vizinho. O condômino da parede-meia pode utilizá-la até ao meio da espessura. o vizinho poderá. Intensivo I LFG Página 112 . mas terá de embolsar ao vizinho metade do valor da parede e do chão correspondentes. Qualquer dos confinantes pode altear a parede divisória. aparentemente entra em rota de colisão com a Súmula 414. 311. Art.304. vilas e povoados cuja edificação estiver adstrita a alinhamento. O CC não apenas regulou essa matéria como também derrubou uma súmula do STF. do STF. Parágrafo único.013/RS admitiu a conversibilidade entre os procedimentos de nunciação de obra nova e demolitória.    Verificando o proprietário (possuidor) que o seu vizinho está realizando uma abertura ou obra irregular. Art. O proprietário pode. na parede-meia. fogões. Em se tratando de vãos. correspondendo a outras. não poderá este fazer-lhe alicerce ao pé sem prestar caução àquele. Estando concluída a obra. eirado ou varanda a menos de metro e meio do prédio de outrem.Direito Civil – Pablo Stolze  Sabendo que não podia abrir a janela com visão frontal o vizinho abre janela no telhado com visão oblíqua. com prejuízo para o prédio vizinho. 1. Não é lícito encostar à parede divisória chaminés. sacada. Art. ou com metade.305. julgando o Resp 851. se ela suportar a nova construção. não pode sem consentimento do outro. que primeiro construir. a janela oblíqua somente não pode ser aberta se com distância menor que 75cm. inclusive de conservação. armários. Art. sem perder por isso o direito a haver meio valor dela se o vizinho a travejar. e não tiver capacidade para ser travejada pelo outro. da mesma natureza. Nas cidades.” Nos termos do CC. A disposição anterior não abrange as chaminés ordinárias e os fogões de cozinha.308. poderá embargá-la por meio de uma ação de nunciação de obra nova. para suportar o alteamento. ou contramuro. ou dificultar. exigir que se desfaça janela. não pondo em risco a segurança ou a separação dos dois prédios. Se a parede divisória pertencer a um dos vizinhos. Art. todavia.507/AL). altura e disposição. Enquanto a obra está sendo feita.303. fazer. terraço ou goteira sobre o seu prédio. ainda que lhes vede a claridade.301 do CC. “Não se distingue a visão direta da oblíqua na proibição de abrir janela. edificar sem atender ao disposto no artigo antecedente. por sua vez. no lapso de ano e dia após a conclusão da obra. ao regular abertura de janela que permite mera visão oblíqua ou indireta. pode assentar a parede divisória até meia espessura no terreno contíguo. Parágrafo único. 1. o escoamento das águas da goteira. escoado o prazo. Parágrafo único.307.306. ou fazer terraço. já feitas do lado oposto. 1. Art. se necessário reconstruindo-a. abre-se o prazo decadencial de ano e dia para a propositura de ação demolitória (Resp. se. caso em que o primeiro fixará a largura e a profundidade do alicerce. arcará com todas as despesas. O §1º do art. 1. O STJ. e avisando previamente o outro condômino das obras que ali tenciona fazer. não poderá. Art.

276 do CC aparentemente padece de inconstitucionalidade. quando indispensável à reparação. tendo natureza inclusive negocial.276.309. a água do poço. *Renúncia: a renúncia é expressa.275/1. 1. Art. poderá ser arrecadado. goteiras. O proprietário do prédio vizinho tem direito a ressarcimento pelos prejuízos que sofrer. e que se não encontrar na posse de outrem. mediante prévio aviso. O proprietário ou ocupante do imóvel é obrigado a tolerar que o vizinho entre no prédio. construção. Art.por perecimento da coisa. Art. Parágrafo único. 1. em face do artigo 150. Não é permitido fazer escavações ou quaisquer obras que tirem ao poço ou à nascente de outrem a água indispensável às suas necessidades normais. É necessário que se lavre documento para ser efetivada. abandonado nas mesmas circunstâncias.por abandono. a elas preexistentes. à propriedade da União. IV da CF (ver Enunciado 243 da 3ª Jornada de Direito Civil: “A presunção de que trata o §2º do art. o § 2 Presumir-se-á de modo absoluto a intenção a que se refere este artigo. poços e nascentes e ao aparo de cerca viva. IV da Constituição da República”) Intensivo I LFG Página 113 .275.310. como bem vago. 1. poderá ser impedida a sua entrada no imóvel. Modos de perda da propriedade imóvel: Art. 1.: O §2º do art. 1.dele temporariamente usar. 1.276.311. Não é permitida a execução de qualquer obra ou serviço suscetível de provocar desmoronamento ou deslocação de terra. não obstante haverem sido realizadas as obras acautelatórias. São proibidas construções capazes de poluir. com a intenção de não mais o conservar em seu patrimônio. para uso ordinário. CC: Art. três anos depois. Além das causas consideradas neste Código. Caso seja abandonado Obs. IV . o § 3 Se do exercício do direito assegurado neste artigo provier dano. 1. 1. quando. 150. o § 1 O imóvel situado na zona rural. simplesmente o agente deixando de exercer os poderes sobre a propriedade. cessados os atos de posse. se se achar nas respectivas circunscrições. 1. formal. ou que comprometa a segurança do prédio vizinho. respondendo por perdas e danos. Parágrafo único.Direito Civil – Pablo Stolze Art. ou inutilizar. onde quer que ele se localize. Todo aquele que violar as proibições estabelecidas nesta Seção é obrigado a demolir as construções feitas.312. O imóvel urbano que o proprietário abandonar. para: I . aparelhos higiênicos.pela renúncia.apoderar-se de coisas suas. inclusive animais que aí se encontrem casualmente. Art. 1.313.276 não pode ser interpretada de modo a contrariar a norma-princípio do art. II . II . *Abandono: o abandono é informal. Art. três anos depois. o § 1 O disposto neste artigo aplica-se aos casos de limpeza ou reparação de esgotos. deixar o proprietário de satisfazer os ônus fiscais.por alienação. Nos casos dos incisos I e II. reconstrução ou limpeza de sua casa ou do muro divisório. e passar. poderá ser arrecadado. senão após haverem sido feitas as obras acautelatórias. V . os efeitos da perda da propriedade imóvel serão subordinados ao registro do título transmissivo ou do ato renunciativo no Registro de Imóveis. ou nascente alheia. perde-se a propriedade: I .por desapropriação. e passar. como bem vago. à propriedade do Município ou à do Distrito Federal. III . o § 2 Na hipótese do inciso II. uma vez entregues as coisas buscadas pelo vizinho. terá o prejudicado direito a ressarcimento.

§ 2 Enquanto não se promover. Cancelado o registro. se o contrário ocorrer. 2. Transfere-se entre vivos a propriedade mediante o registro do título translativo no Registro de Imóveis.ª Maria Helena Diniz).253 e seguintes extrai-se uma regra geral: o dono do solo adquire a propriedade da construção ou plantação. 1. independentemente da boa-fé ou do título do terceiro adquirente.245. excepcionalmente. Art. art. além do título exige a solenidade do registro. o sistema Romano (Orlando Gomes) segundo o qual a aquisição da propriedade imobiliária. poderá o interessado reclamar que se retifique ou anule.247.246. Parágrafo único. 1. Se o teor do registro não exprimir a verdade. o adquirente continua a ser havido como dono do imóvel.253. 1. a exemplo do parágrafo único do art. 1. mas. b) Natural: existem formas de acessão natural. Intensivo I LFG Página 114 . 1. e seguintes do CC). CC).Direito Civil – Pablo Stolze Modos de aquisição da propriedade imobiliária: Os modos de aquisição da propriedade imobiliária são. o § 1 Enquanto não se registrar o título translativo. O registro é eficaz desde o momento em que se apresentar o título ao oficial do registro. e o respectivo cancelamento. e este o prenotar no protocolo. três: 1. Conceito: trata-se de um modo natural ou artificial de aquisição da propriedade imobiliária regulado a partir do art.245.248 e que se opera mediante a união física de uma coisa à outra. Acessão Ver no caderno de parte geral a diferença entre acessão e benfeitoria. uma vez que terceiros eventualmente podem impugnar o domínio (§2º. 1. o Obs. por meio de ação própria.: O sistema Brasileiro firma uma presunção relativa de propriedade decorrente do registro. 1.245 do CC e correspondentes artigos da LRP. Registro: O direito brasileiro adota. aumentando o volume da coisa principal. consoante se pode ver da leitura do art. o Registro Torrens regrado nos artigos 277/288 da Lei de Registros Públicos para imóveis rurais firma presunção absoluta da propriedade (ver doutrina no material de apoio). vale lembrar. mas. fundamentalmente. o alienante continua a ser havido como dono do imóvel. poderá o proprietário reivindicar o imóvel. 1. a decretação de invalidade do registro. Espécies de acessão: a) Artificial: plantações e construções (arts. Art.255 do CC fala-se que há uma acessão invertida (vale consultar a doutrina da Prof. Da leitura dos artigos 1. Art.

252. Quem usucape é chamado prescridende da área. na proporção da testada de cada um sobre a antiga margem”. 1.Direito Civil – Pablo Stolze As formas de acessão natural são as seguintes: * Formação de ilhas: art. suspendem ou interrompem a prescrição. mediante o exercício da posse mansa. * Álveo abandonado: art. CC: “Estende-se ao possuidor o disposto quanto ao devedor acerca das causas que obstam. as causas impeditivas. Recusando-se ao pagamento de indenização. 1. entendendo-se que os prédios marginais se estendem até o meio do álveo”. sem indenização. CC: “Quando. II . na proporção de suas testadas. Intensivo I LFG Página 115 . o dono deste adquirirá a propriedade do acréscimo. CC: “Os acréscimos formados. Requisitos da usucapião da propriedade: a usucapião pressupõe três requisitos fundamentais: a) Coisa suscetível de ser usucapida: ex. Parágrafo único. contínua e segundo o período de tempo estipulado na lei. 1.as que se formarem pelo desdobramento de um novo braço do rio continuam a pertencer aos proprietários dos terrenos à custa dos quais se constituíram. se indenizar o dono do primeiro ou. uma porção de terra se destacar de um prédio e se juntar a outro. Obs. ou pelo desvio das águas destas. III . que se formar em frente de prédios de proprietários diferentes. pertencem aos donos dos terrenos marginais.as que se formarem entre a referida linha e uma das margens consideram-se acréscimos aos terrenos ribeirinhos fronteiros desse mesmo lado. as quais também se aplicam à usucapião”.as que se formarem no meio do rio consideram-se acréscimos sobrevindos aos terrenos ribeirinhos fronteiros de ambas as margens. sem que tenham indenização os donos dos terrenos por onde as águas abrirem novo curso. não se pode usucapir bens públicos. CC: “As ilhas que se formarem em correntes comuns ou particulares pertencem aos proprietários ribeirinhos fronteiros. 3.244 do CC. 1. O terreno aluvial. 1. por força natural violenta. As águas estão retraindo por causa do aquecimento global e a margem está aumentando. dividir-seá entre eles.244. Parágrafo único. por depósitos e aterros naturais ao longo das margens das correntes. sem indenização. até a linha que dividir o álveo em duas partes iguais. em um ano.” * Aluvião: art. CC: “O álveo abandonado de corrente pertence aos proprietários ribeirinhos das duas margens. razão pela qual também é conhecido como uma forma de prescrição aquisitiva de direitos reais (inclusive. Usucapião: O tempo é o fundamento deste instituto. Conceito: A usucapião é modo originário de aquisição de adquirir propriedade (ou outros direitos reais). 1.249. suspensivas e interruptivas do prazo prescricional lhe são aplicadas). ninguém houver reclamado. a teor do art.251. o dono do prédio a que se juntou a porção de terra deverá aquiescer a que se remova a parte acrescida”. se. sucessiva e imperceptivelmente. * Avulsão: art. observadas as regras seguintes: I .: Denomina-se aluvião imprópria o aumento da propriedade imobiliária por meio da retração de águas dormentes.250. Art.

a qual servirá de título para o registro no Cartório de Registro de Imóveis. 1. adquire-lhe a propriedade. ou realizado investimentos de interesse social e econômico. 1. CC: “Aquele que. por quinze anos. bem como a própria doutrina (Pontes de Miranda. CF).243 admite a soma de posses para efeito de usucapião (acessio possessionis) c) Decurso do tempo: Principais formas de usucapião no Código Civil: 1. possuir como seu um imóvel. O prazo estabelecido neste artigo reduzir-se-á a dez anos se o possuidor houver estabelecido no imóvel a sua moradia habitual.416/RS). Art.” A hipótese do parágrafo único é o que o prof.: As formas de usucapião rural e urbana posto previstas nos artigos 1. 2. b) É a posse mansa. CC: “Adquire também a propriedade do imóvel aquele que. Parágrafo único. Intensivo I LFG Página 116 . Parágrafo único. *Usucapião especial urbano de apartamento: vale anotar posição favorável do Ministro Marco Aurélio no que tange a subsunção da prescrição aquisitiva de um apartamento ao instituto da usucapião constitucional urbano (art.” Obs. contínua e incontestadamente. desde que os possuidores nele tiverem estabelecido a sua moradia. pacífica e com animus domini. Apelação Cível 1900127-99). ou nele realizado obras ou serviços de caráter produtivo.240 do CC. 1. Art. cancelada posteriormente. até mesmo o criminoso que exercera uma posse injusta. com justo título e boa-fé.001/73). em favor do índio que exerça posse sobre terra de até 50 hectares. Usucapião Extraordinária: Está prevista no art. traduzem a reprodução das normas constitucionais (artigos 183 e 191 da Constituição Federal).Direito Civil – Pablo Stolze Obs.238 do CC e é aquela que independe de justo título ou boa-fé. 1. onerosamente. o possuir por dez anos. pode. em seu favor. com base no registro constante do respectivo cartório. Miguel Reale chamava de posse trabalho. Desde que a ação penal esteja extinta. Obs. *Usucapião Indígena: é modalidade prevista no art. nem oposição. basicamente. Será de cinco anos o prazo previsto neste artigo se o imóvel houver sido adquirido. RE 305. extraordinariamente usucapir. podendo requerer ao juiz que assim o declare por sentença.238. Usucapião Ordinária: A usucapião ordinária é aquela em que o possuidor tem. (STF. sem interrupção. independentemente de título e boa-fé. justo título e boa-fé.: Vale lembrar que o art. Raul Chaves) admitem a possibilidade de se usucapir coisa obtida por meio de crime. 33 do Estatuto do Índio (Lei 6.: a Jurisprudência brasileira (Resp 247. 183.242.239 e 1.345/MG.

Não se levava em conta família que não fosse constituída fora da sociedade conjugal consubstanciada no casamento. Pablo Stolze). No CC o casamento era o standart legitimador da família. mas. em conjunto ou separadamente. a indenização deve ser paga pelos próprios possuidores da área. A concepção de família era uma concepção eminentemente baseada no casamento. atípica de usucapião rural.Direito Civil – Pablo Stolze Comentários aos §§4º e 5º do art. §§4º e 5º do Novo Código Civil) deve ser arguida pelos réus em ação reivindicatória. 1. o juiz fixará a justa indenização devida ao proprietário.228. Enunciado 84: “A defesa fundada no direito de aquisição com base no interesse social (art. era considerada a única forma legítima de família. o Há quem denomine esse instituto de desapropriação judicial (Monica Aguiar). tendo-se a ideia a partir de que a família se baseara no casamento. Já na idade média houve redução dos laços afetivos.228. se forem de baixa renda. durante muito tempo. aplica-se a orientação do Enunciado 84 da I Jornada de Direito Civil” DIREITO DE FAMÍLIA: Introdução e Constitucionalização do Direito de Família: No direito Romano havia uma concepção política do direito de família. 1. eles próprios responsáveis pelo pagamento da indenização. Somente em 1949 que os filhos havidos fora do casamento começaram a ser tutelados e somente com a CF 1988 todos os filhos foram tratados com isonomia Intensivo I LFG Página 117 . pago o preço. e estas nela houverem realizado. o § 5 No caso do parágrafo antecedente. família fora do casamento. Não sendo os possuidores de baixa renda. Os possuidores embora realizem a função social somente adquirem a propriedade do imóvel caso paguem indenização ao proprietário do imóvel. A despeito da constitucionalidade duvidosa dos referidos parágrafos (ver artigo a respeito no material de apoio). Nos primórdios do Sec. Mas aqui se indaga quem irá pagar a indenização ao proprietário.228 do CC: § 4 O proprietário também pode ser privado da coisa se o imóvel reivindicado consistir em extensa área. e outros afirmam que incumbe ao poder público. Seria uma forma especial. 1. Enunciado 308: “A justa indenização devida ao proprietário em caso de desapropriação judicial (art. §5º) somente deverá ser suportada pela Administração Pública no contexto das políticas públicas de reforma urbana ou agrária. obras e serviços considerados pelo juiz de interesse social e econômico relevante. por mais de cinco anos. em regra. outros afirmam se tratar de forma especial de usucapião (Eduardo Cambi. valerá a sentença como título para o registro do imóvel em nome dos possuidores. em se tratando de possuidores de baixa renda e desde que tenha havido intervenção daquela nos termos da lei processual. XX e início do Sec. Alguns autores dizem que quem deve pagar é quem possui a área. XIX não se concebia. os Enunciados 84 e 308 das Jornadas de Direito Civil tentam solucionar o problema: em regra. entendendo-se que o casamento era a tradução da família uma vez que a concepção católica realizada era de que a família confundir-se-ia com o casamento. de considerável número de pessoas. A família casamentária no Brasil. assumirá a responsabilidade a própria administração pública. na posse ininterrupta e de boa-fé.

Direito Civil – Pablo Stolze O direito de família foi um ramo do direito civil amplamente modificado com a Constituição Federal concebendo-se várias formas de família (monoparental. E o conceito que será dado não é determinado. elevando a família ao status de base da sociedade. afirma que a constituição traz um conceito aberto pelo que é possível uma interpretação ampliativa no sentido de que sejam reconhecidas outras formas de família. Paulo Lobo. o Direito de Família. mas por se tratar de sistema poroso são permitidas novas formas de família. conservadora a exemplo de Álvaro Vilaça de Azevedo. por influência da Igreja. Cristiano Chaves. alguns autores de uma linha mais comedida. inclusivo e não discriminatório (Luiz Roberto Barroso). Família é uma pessoa jurídica? Já houve na doutrina quem afirmasse ser a família uma pessoa jurídica (Savatier. irmão mais velho com irmão mais novo – tais situações formam família muito embora não estejam previstas na Constituição de forma explícita. Giselda Hironaka. a CF amplia o rol colocando famílias para além do simples casamento. Pablo: O CC/16. mas prevalece o entendimento (Dabin) no sentido de que a Intensivo I LFG Página 118 . O art. O núcleo entre pessoas do mesmo sexo é sim núcleo familiar. Com a promulgação da Constituição Federal de 1988 a noção de família experimentaria profunda mudança. mas sim aberto.: Corrente Doutrinária mais progressista (Maria Berenice Dias. aponta no sentido de que a Constituição Federal adotou um sistema de família aberto. Ex. Obs. Mazeaud. Se em um primeiro momento o CC16 diz que família é casamento. como o único stantard legitimador do conceito de família. Maria Berenice Dias. como a família homoafetiva. Resumindo . 226 da CF fala que a família é a base da sociedade e nos parágrafos seguintes foram reconhecidas as formas de família: advinda do casamento. Luiz Edson Fachin). Carbonnier). união estável e núcleo monoparental. Nelson Ronsevald. consagrava o casamento. fazem análise interpretativa mais comedida. tendo-se um sistema aberto. Paulo Lobo. embasada por Giselda Hironaka. Conceito de família: Cada família é única. uma madrinha que cria afilhado. inclusivo e não discriminatório de família. Afirmam que o sistema constitucional não poderia tratar de todas as formas de família. o que é normalmente seguido pela jurisprudência. além do casamento. As profundas mudanças sócio-econômicas e culturais ocorridas ao longo do século XX forçaram a reconstrução deste sistema (Guilherme de Oliveira). Já outra corrente. traduzindo família a união estável e o núcleo monoparental.. reconheceram-se também a união estável o núcleo monoparental. Atualmente. a exemplo da união homoafetiva. e tais autores fazem apenas essa análise – literal. admitindo assim outras formas de arranjos familiares não previstas expressamente na norma. refletindo a sua época. tem suas vicissitudes.. na medida em que. até mesmo porque não seria possível a Constituição estabelecer conceitos absolutos na seara do Direito de Família. união estável).

Não cabe ao Estado elencar o que entende por família e proibir outras formas de família. *Anaparental: a anaparentalidade traz a ideia de que podem integrar a noção de família pessoas que não guardem estrito vínculo técnico de parentesco (ver art.565.Direito Civil – Pablo Stolze família não tem personalidade jurídica. estando ligada pela afetividade. Características do conceito de família: O conceito de família tem três características básicas: *Sócioafetivo: a socioafetividade é a matriz da noção de família: o núcleo formado pressupõe a potencial relação de afeto que une os seus integrantes. §2º CC: “O planejamento familiar é de livre decisão do casal. vedado qualquer tipo de coerção por parte de instituições privadas ou públicas. E eventual pedido não refletido pode ser revisto. 5º. 1. Quem trata muito bem dessa matéria é Rodrigo da Cunha Pereira. base da sociedade. inclusive as ligadas esporadicamente. já que a decisão cabe ao casal.513 do CC: “É defeso a qualquer pessoa.” Casamento: Intensivo I LFG Página 119 . *Eudemonista: o caráter eudemonista família. conectado com a sua função social. visa a permitir que os seus integrantes realizem-se enquanto indivíduos. casando-se novamente. cujo núcleo é moldado pelo vínculo da sócioafetividade. Outra aplicação do princípio da intervenção mínima está no art. interferir na comunhão de vida instituída pela família. de direito público ou privado. A Lei Maria da Penha contribuiu muito para ampliação do conceito de família já que coloca a proteção na unidade doméstica tida como unidade de convívio entre pessoas com e sem vínculo familiar. sendo integrado por pessoas vinculadas pelo sangue ou não. I da Lei Maria da Penha).” Especificamente no que tange ao planejamento familiar tem-se o art. podendo ser pleiteado o divórcio a qualquer tempo. na busca da sua felicidade pessoal. Questão de concurso: O que é Princípio da intervenção mínima do direito de família? Este princípio consagra a regra segundo a qual o Estado. não pode invadir ou sufocar a esfera privada do núcleo familiar. Isso tem haver com o caráter eudemonista da família que prega que cada integrante da família deve buscar sua felicidade pessoal. 1. competindo ao Estado propiciar recursos educacionais e financeiros para o exercício desse direito. ao regular o direito de família. A PEC do divórcio facilita o divórcio na medida em que acaba com a separação e com o prazo do divórcio direto. Trata-se de um ente despersonalizado. Família não é pessoa jurídica é entidade protegida pelo direito.

firmando uma plena comunhão de vida. Natureza jurídica do casamento: Esse tópico não pode constar de prova objetiva considerando que se trata de matéria polêmica na doutrina. envolvendo responsabilidade. O casamento é considerado um contrato especial e o noivado é como um compromisso prévio de casamento. com base na igualdade de direitos e deveres dos cônjuges. AC 7000. na perspectiva da socioafetividade e da igualdade de direitos.” Aqui se tem a eficácia horizontal dos direitos fundamentais (igualdade) no âmbito privado. a depender do caso. mas há situações de abuso de direito).822. considerando a concretização do divórcio. popularmente conhecida como “noivado”.0634). Mas para o direito brasileiro. formalmente constituída. causando dano moral ou material a outra parte. afirmando que o casamento seria uma dinstituição de direito público em virtude da participação do Juiz. a obrigação de indenizar. por não ter a dimensão jurídica do noivado. 1. Essa corrente não convence e o fato de o casamento ser regulado por normas cogentes e de ordem pública não conduz a natureza jurídica de direito público. não sendo como a união estável que se liga por situação fática. Dentro desta corrente privatista. Já a ruptura de namoro. considerando que houve quebra da boa-fé objetiva (todos têm o direito de não querer casar. rompido o vínculo.511. embora seja regulado por normas de direito público é uma instituição de direito privado. O casamento seria um ato administrativo. Obs. autor clássico. desde 1977 não é mais uma união eterna. não tem justificado a responsabilidade civil (TJRS.511 do CC. b) Corrente Privatista: o casamento. CC: “O casamento estabelece comunhão plena de vida. será obrigatória a indenização. abrem-se duas vertentes: Intensivo I LFG Página 120 . Conceito: Na linha do art.689/RJ) impondo ao noivo que injustificadamente rompeu o compromisso. baseado na igualdade de direitos. Art. 251. No momento em que se cria uma expectativa legítima e fundada. 1. Existem duas correntes doutrinárias acerca da natureza jurídica do casamento: a) Corrente Publicista: é uma corrente de direito público. O casamento é um vínculo formal. Existem no Brasil diversas decisões (a exemplo do Resp. dizia que o casamento seria uma “união eterna com promessa recíproca de fidelidade”. e.Direito Civil – Pablo Stolze Lafayette Rodrigues Pereira.: O que se entende por esponsais? Trata-se da promessa de casamento. período anterior ao matrimônio em que é firmado o compromisso de realização do ato nupcial. o casamento traduz a união do homem e da mulher.

ou um Bombeiro. A celebração por autoridade materialmente competente: há quem diga que a incompetência da autoridade conduza à invalidade do casamento. 1. mas. ** Há quem defenda que o contrato de casamento seria de adesão. Ao ser reconhecida a natureza contratual do casamento este não pode ser comparado a uma compra e venda. o casamento. não será admitido a retratar-se no mesmo dia. mas sim um acordo (Orlando Gomes). Parágrafo único. Contratualistas: o casamento é instituto de direito privado. Consentimento: ausente o consentimento. Assim. II . O nubente que. Nelson Rosenvald. uma pergunta como essa deve ser discursiva. em um concurso.: Essa questão é eminentemente teórica. Assim.2. o que não deve ser defendido. Nesses exemplos. A manifestação do juiz confirmatória do juiz declara o consentimento dos nubentes. (Art. tratando-se de um contrato. Juiz Federal ou Delegado de Polícia celebrando um casamento. Ao ter-se em mente a ideia de que o casamento tem natureza contratual é mais fácil afirmar a possibilidade de sua invalidação por vícios. Havendo silêncio.declarar que esta não é livre e espontânea.Direito Civil – Pablo Stolze b. etc. não sendo discutida na jurisprudência. Silvio Rodrigues. este deve ser interpretado como recusa.538. por algum dos fatos mencionados neste artigo.manifestar-se arrependido. em verdade. É preciso que sejam feitas ponderações. o casamento seria um contrato especial de Direito de Família. celebrado por um Delegado de Polícia ou por uma pessoa que se disfarçou de Juiz de Paz é inexistente. entre outros). por exemplo. Os nubentes são chamados contraentes (ideia de contrato). se a autoridade é materialmente incompetente. Outros dizem que o casamento é um negócio complexo. não há o que se falar que o silêncio possa gerar efeitos. Deverá pois. o casamento sequer terá existido. Mas. se se tratar de incompetência meramente Intensivo I LFG Página 121 .1. Obs. der causa à suspensão do ato. factoring. Não-contratualistas: o casamento é instituto de direito privado mas não se trata de contrato. 2. Clóvis Bevilaqua. é mais razoável dizer-se que o casamento é inexistente. Pressupostos existenciais do casamento: O casamento tem três pressupostos de existência fundamentais: 1. b. Aqui. III . o consentimento ser livre e explícito. Para essa vertente contratualista. mas há uma tendência em se afirmar que o casamento é um contrato especial de direito de família (Pablo Stolze. o casamento é inexistente uma vez que a autoridade que o celebrou é desprovida de qualquer competência. Ex. ou que seria uma instituição (Maria Helena Diniz). mas não se pode deixar de afirmar que o casamento consubstancia-se no consentimento que característica específica dos contratos. CC: A celebração do casamento será imediatamente suspensa se algum dos contraentes: I recusar a solene afirmação da sua vontade.

Direito Civil – Pablo Stolze relativa ou territorial.517.”). O casamento se realiza no momento em que o homem e a mulher manifestam. e em virtude da difundida ideia da diversidade de sexos como pressuposto existencial. A diversidade de sexos: no Brasil. não existe uma norma proibitiva ou regulamentadora explícita.) Obs.por incompetência da autoridade celebrante”). nessa qualidade.. sem possuir a competência exigida na lei.: A luz do Princípio da Boa-fé Objetiva. já se admite a união entre pessoas do mesmo sexo. 1. admite o aproveitamento do casamento celebrado por autoridade sem competência legal. e em virtude das normas codificadas que referem às núpcias entre homem e mulher (art. tiver registrado o ato no Registro Civil. se alguém se disfarça de Juiz. não obstante inexistir norma proibitiva no CC. VI. considerando que a união estável é fato da vida. Caio Mário diz que essa proibição é principiológica e a união homoafetiva é tida como pacto civil. perante o juiz.550. e esse formalismo é tão acentuado que é modificado o estado civil não mais o contraente voltando a ser solteiro. dificilmente será possível a existência de um casamento entre pessoas do mesmo sexo considerando que principiologicamente o casamento impõe a diversidade de sexos. já o NCC não faz essa diferenciação.: Atualmente. com lastro na Teoria da Aparência. por conta do formalismo típico do casamento. exigindo-se autorização de ambos os pais. tal proibição é principiológica e encontra assento no formalismo típico do casamento (ausente na união estável). Todavia.514. Obs. defender-se a tese da união estável homoafetiva é mais fácil do que defender-se o casamento dessa forma. o casamento seria apenas inválido (art. Enquanto não houver lei autorizadora. Esse aproveitamento dá-se em razão da boa-fé dos noivos. 1. não é ato formal típico. como se dá no art. de maneira que a admissibilidade da união estável de pessoas do mesmo sexo é possível. Ex.517. a sua vontade de estabelecer vínculo conjugal. enquanto não atingida a maioridade civil. As normas formais para o casamento pressupõem a diversidade dos sexos como pressuposto existencial Resumindo . 1. Assim. Pablo: Assim. CC = Art. 3. em situações excepcionais. 1. 1. ainda não se admite o casamento entre pessoas do mesmo sexo.514. o art.. O casamento é um ato formal. exercer publicamente as funções de juiz de casamentos e.554 do CC (“Subsiste o casamento celebrado por aquele que. O homem e a mulher com dezesseis anos podem casar. 1. CC: “É anulável o casamento: VI . e o juiz os declara casados. senão vejamos: Intensivo I LFG Página 122 . 1. aí sim. Capacidade para o casamento: O CC 16 colocava diferenciação entre homens e mulheres para a idade núbil.628 do CC Português. o casamento civil homoafetivo recomendaria a aprovação de uma lei. ou de seus representantes legais. a exemplo da Lei Espanhola de 1º de julho de 2005. Art. No que tange a união estável.

Art. No que tange a autorização para casamento para evitar imposição ou cumprimento de pena criminal.520 do CC (“Art. aplica-se o disposto no parágrafo único do art. o casamento poderá ocorrer abaixo da idade núbil mediante autorização do juiz. 1.Direito Civil – Pablo Stolze CC/16 CC/2002 (Art. até o dia do casamento pode haver a revogação da autorização data.631.”. CC: os impedimentos eram classificados O CC/2002 tratou a matéria de forma em: distinta.: O artigo 1.517.015/2009 que reformou o Código Penal. trata-se de crime de ação penal pública incondicionada. quando injusta. 1. 1. Nos termos do art. Os antigos impedimentos a) Absolutamente dirimentes ou de ordem absolutamente dirimentes. 1517). Gravidez. Parágrafo único.518 do CC. após a aprovação da Lei 12. Isso porque. Excepcionalmente. Intensivo I LFG Página 123 . pública (incisos I a VIII) são tratados como Impedimentos e estão b) Relativamente dirimentes ou privados previstos no art. manifestação favorável dos pais. segundo dispõe o art.520. Quando injusta a denegação do consentimento pode ser suprida pelo juiz. Tudo dependerá da análise do caso concreto. Até à celebração do casamento podem os pais. 1. 1.519. tornando crimes sexuais contra vítima menor de 18 anos ou vulnerável. em duas hipóteses: 1. exigindo-se autorização de ambos os pais. Impedimentos Matrimoniais CC/16 CC/2002 Art. mutatis mutandis. Impedimentos Matrimoniais: *Conceito: trata-se dos requisitos que interferem na validade e eficácia do matrimônio. enquanto não atingida a maioridade civil. tornou-se mais complicada. tutores ou curadores revogar a autorização. (incisos IX a XII) Havendo violação desses impedimentos. 1. excepcionalmente. em situações excepcionais. Obs.517. ou de seus representantes legais. 1. havendo interesse no casamento.) estabelece que.519. será permitido o casamento de quem ainda não alcançou a idade núbil (art.518. 1. para evitar imposição ou cumprimento de pena criminal ou em caso de gravidez”. a c) Impedientes ou proibitivos (incisos XIII a XVI) consequência será a nulidade do casamento. 2. Citemos tais dispositivos: Art. bem como demonstrada a maturidade psicológica da noiva. A denegação do consentimento. Todavia. CC: “O homem e a mulher com dezesseis anos podem casar. No CC16 os impedimentos matrimoniais eram tratados de forma distinta. talvez seja o caso de se afastar a justa causa para a ação penal. CC) 18 anos de didade 16 anos de idade 16 anos de idade 16 anos de idade Até os 21 anos precisariam de Até os 18 anos precisam de autorização para casar autorização para casar Homens Mulheres Autorização Art. Para evitar imposição ou cumprimento de pena criminal. 1. Se houver divergência entre os pais. pode ser suprida pelo juiz.521 do CC. 183. CC.

O casal irá sofrer uma sanção de ordem econômica (submissão ao regime de separação legal de bens). (quem é casado não pode se casar novamente ainda) VII . (Ex.550. e demais colaterais. 1. (trata-se de impedimento de ordem pública).521 do CC acarretam a nulidade do casamento.as pessoas casadas. 1. Não podem casar: (IMPEDIMENTOS – NULIDADE DO CASAMENTO) I .os irmãos. desde que exista parecer médico favorável.o adotado com o filho do adotante. casar o pai com a ex-esposa do filho adotado) IV . mas sim a imposição do regime da separação obrigatória de bens. não há invalidade. tia e sobrinho). enquanto os relativamente dirimentes estariam em escala mediana e os impedimentos proibitivos seriam menos graves.200/41. 1. 1. sogro e nora.523. II . Nesse caso. *Análise do art.: Desapareceu do NCC a antiga proibição de os cônjuges adúlteros casarem entre si. Irmãos entre si. O casamento é válido mas irregular. mas observe-se que poderá configurar ilícito civil *Análise do art. os impedimentos absolutamente dirimentes eram os mais graves. V . CC: As causas suspensivas do art. tio e sobrinha. padrasto e enteada. Merece destaque a citação de tais impedimentos.os ascendentes com os descendentes. Obs. 1.o adotante com quem foi cônjuge do adotado e o adotado com quem o foi do adotante. mormente porque deixou de ser ilicitude penal.521. unilaterais ou bilaterais (germano – por parte de pai e de mãe). 1. sogra e genro).: A doutrina tradicionalmente no Brasil flexibiliza a proibição de casamento entre colaterais de terceiro grau (ver Enunciado 98 da 1ª Jornada). Analisando em escala de gravidade.os afins em linha reta. 1. CC).521. CC: As hipóteses de impedimentos previstos no art.o cônjuge sobrevivente com o condenado por homicídio ou tentativa de homicídio contra o seu consorte. no NCC são tratados como causas de anulação do casamento (art. III . (são irmãos) VI . Art. (Ex. até o terceiro grau inclusive.Direito Civil – Pablo Stolze No que se refere aos antigos impedimentos relativamente dirimentes. Intensivo I LFG Página 124 . (Ex. Os antigos impedimentos proibitivos ou impedientes são tratados como causas suspensivas do casamento (art. com as observações pertintentes.523 não acarretam nulidade. CC). à luz do Decreto Lei 3. seja o parentesco natural ou civil. Obs.523.

1. provando-se a inexistência de prejuízo.realizado pelo mandatário. Obs. SENDO APENAS IRREGULAR – IMPÕEM O REGIME DA SEPARAÇÃO OBRIGATÓRIA DE BENS. no caso do inciso II. enquanto não houver sido homologada ou decidida a partilha dos bens do casal. quando não autorizado por seu representante legal.o tutor ou o curador e os seus descendentes.523. impondo deveres de observância obrigatória.) I . Nesse ponto. III . ou a mulher cujo casamento se desfez por ser nulo ou ter sido anulado. para o herdeiro. de modo inequívoco. caso esteja a mulher grávida. III . O casamento constitui uma sociedade qualificada pelo Direito de Família e essa sociedade cria um plexo de deveres recíprocos. Parágrafo único. até dez meses depois do começo da viuvez. É anulável o casamento: (IMPEDIMENTOS MENOS GRAVES – ANULAÇÃO DO CASAMENTO) I . III e IV deste artigo. (isso se dá com a finalidade de se evitar a confusão de patrimônio – caso case.: Art. com a pessoa tutelada ou curatelada. ascendentes. enquanto não cessar a tutela ou curatela.566. constitui a denominada sociedade conjugal. cunhados ou sobrinhos. 1. e não sobrevindo coabitação entre os cônjuges. sem que ele ou o outro contraente soubesse da revogação do mandato. VI .do menor em idade núbil.a viúva. enquanto não fizer inventário dos bens do casal e der partilha aos herdeiros.565 e 1. respectivamente. II . o consentimento. ou da dissolução da sociedade conjugal.por incompetência da autoridade celebrante. IV . 1. e não estiverem saldadas as respectivas contas. É permitido aos nubentes solicitar ao juiz que não lhes sejam aplicadas as causas suspensivas previstas nos incisos I. ou inexistência de gravidez. (dá-se essa hipótese para evitar confusão patrimonial). para o ex-cônjuge e para a pessoa tutelada ou curatelada. Parágrafo único. na fluência do prazo. II . nos termos dos arts. na forma dos artigos 1.por vício da vontade.o divorciado.Direito Civil – Pablo Stolze Art.556 a 1. irmãos. (essa hipótese é para se evitar o que se chama de confusão de sangue – turbatio sanguinis – a lei quer evita que.o viúvo ou a viúva que tiver filho do cônjuge falecido. Deveres do Casamento (Matrimoniais): O casamento. V . tem-se a separação obrigatória de bens). IV . Equipara-se à revogação a invalidade do mandato judicialmente decretada. Não devem casar: (CAUSAS SUSPENSIVAS DO CASAMENTO – O CASAMENTO É VÁLIDO.550.do incapaz de consentir ou manifestar.558. sob pena de descasamento. que não haja dúvida sobre quem é o pai da criança).de quem não completou a idade mínima para casar. (caso haja o casamento. a nubente deverá provar nascimento de filho. passemos a análise dos dispositivos: Intensivo I LFG Página 125 . deverá ser adotado o regime da separação obrigatória).

senão vejamos: Art.  O caput do art. Questões especiais envolvendo infidelidade: 1. querendo. homem e mulher assumem mutuamente a condição de consortes. São deveres de ambos os cônjuges: I . Denomina-se adultério inocente ou “de seringa” a situação em que um dos cônjuges realiza inseminação artificial heteróloga (com material genético de terceiro) sem a anuência do outro. II . haverá adultério que pressupõe “conjunção carnal com pessoa estranha ao casamento”. a exemplo do que dispõe o art. O art.: No Brasil. desde que expressamente requerido pelo cônjuge inocente e se a alteração não acarretar: I . 1.566 do CC prevê especificamente os deveres dos cônjuges. 2. mas de acordo com a letra da lei. afagos e beijos sem o ato sexual. posto em regra. Com isso. Nesse ponto. com o fim do matrimônio. Essa regra. 1. a jurisprudência é flexível no sentido de se alterar do nome do cônjuge que não alterasse a identificação própria e a identidade dos filhos. Em havendo o ato sexual. em situações especiais. III . conforme visto na última aula exterioriza o Princípio da Intervenção Mínima do Estado no Direito de Família. tecnicamente. vedado qualquer tipo de coerção por parte de instituições privadas ou públicas.” § 2 O planejamento familiar é de livre decisão do casal. uma vez que este último em uma acepção sentimental e sexual mais restrita.Direito Civil – Pablo Stolze Art.566.fidelidade recíproca. ele poderá ser mantido. 1. e isso vale para qualquer dos nubentes. perde-se o nome de casado. 1.dano grave reconhecido na decisão judicial. o qual consiste na relação espúria pela via eletrônica. na situação em que há carícias. Obs.565 traduz o Princípio da isonomia bem como a eficácia horizontal dos direitos fundamentais.manifesta distinção entre o seu nome de família e o dos filhos havidos da união dissolvida.  A lealdade é conceito mais abrangente que o de fidelidade. O adultério precoce ocorre quando um cônjuge abandona o outro logo em seguida ao casamento. somente poderá ser acrescido o sobrenome. Vale dizer que a infidelidade poderá se caracterizar por meio do chamado “Quase adultério”.: A jurisprudência brasileira mais recente tem admitido responsabilidade civil pela infidelidade no casamento. companheiros e responsáveis pelos encargos da família. CC: “ O cônjuge declarado culpado na ação de separação judicial perde o direito de usar o sobrenome do outro. § 1 Qualquer dos nubentes. é reforçada a tese segundo a Intensivo I LFG Página 126 . 1. que melhor seria denominado de “infidelidade virtual” (por não haver contato físico). o  Esse §2º cuida de regra que esta insculpida na CF. Pelo casamento.565. Há ainda o denominado “adultério virtual”. inclusive no âmbito virtual ou eletrônico. competindo ao Estado propiciar recursos educacionais e financeiros para o exercício desse direito. o  Princípio da Isonomia – ao se casar. Obs.578.evidente prejuízo para a sua identificação. é possível acrescer ao seu o nome do nubente. 3. poderá acrescer ao seu o sobrenome do outro.

a doutrina brasileira também faz a leitura do dever de coabitação como o Debitum conjugale (dever de prestação sexual). A assistência também tem um aspecto moral. Seria obrigação sui generis.vida em comum. A medida cautelar de separação de corpus – quer seja para autorizar a saída. mas caso seja afirmado isso. Assim. que já justificou inclusive pedido de divórcio em Estado Europeu (ver texto do professor Lourival Serejo no Boletim IBDFAM nº 54). o mal-tratar são formas de quebra da boa-fé e violam os deveres do casamento. Comentários ao artigo 1. É o dever de alimentos. Há jurisprudência no sentido de se após o casamento a esposa se recusa a manter relações sexuais de forma veemente. o que deve ser afirmado perante uma banca mais conservadora. A frieza. CC: Intensivo I LFG Página 127 . III . não admitindo as medidas coercitivas para que seja cumprido. Tradicionalmente.  Cristiano Chaves e Nelson Rosenvald afirmam que esse dever não decorre apenas do casamento. Mas. II . caso tenha havido o acordo entre os cônjuges e um deles decide deixar o lar. Se o casal decidir em casas separadas por razões profissionais não haverá quebra do dever. A doutrina clássica afirma que o debitum conjugale é um dever decorrente do casamento. quer seja para determinar a retirada compulsória de um dos cônjuges – suspende a eficácia do dever de coabitação. repercute na medida em que autoriza medidas legais de descasamento.respeito e consideração mútuos. dever especial ou sui generis decorrente do casamento que.sustento. tem-se o abandono. embora não comporte execução coativa.647. mas sim do estado de pai e de mãe. guarda e educação dos filhos. Ex. a exemplo do modelo propiciado pelo Programa Second Life.    É o chamado dever de coabitação.  Entende-se que é o dever de assistência material a esposa ou ao marido. é necessário afirmar que não se trata de dever jurídico comum. justificadamente. Os alimentos recíprocos têm base nesse dispositivo. arriscamos dizer. o reconhecimento feito pela doutrina de espaços virtuais para constituição de relações afetivas eletrônicas: há quem reconheça a existência de “famílias virtuais”. no caso de violência doméstica. mas sim especial. V . no domicílio conjugal. IV . não se trata de um dever jurídico comum (razão pela qual talvez alguns autores prefiram evitar a expressão “dever”). mas sim de um efeito típico ou.mútua assistência. há manifesto descumprimento do dever do casamento sendo cabível a separação judicial – a separação é a consequência jurídica do descumprimento desse dever especial ou efeito jurídico do casamento. Não é dever só no âmbito matrimonial.Direito Civil – Pablo Stolze qual a indenização poderia cobrir um dano existencial ou afetivo (ver noticiário no Consultor Jurídico referido no artigo Direitos da Amante) ** É digno de nota também diante do grande avanço tecnológico.

podendo o outro cônjuge pleitear-lhe a anulação.649 do CC. Esta súmula dispõe que as pessoas que casarem em separação obrigatória de bens (legal). trata-se de questão contratual. ou sem suprimento do juiz. Obs.pleitear. segundo a lei. 1.163. nenhum dos cônjuges pode. salvo no regime da separação convencional de bens (não importando se o bem saiu do patrimônio pessoal ou comum). ou particular. para a prática dos atos ali descritos.Direito Civil – Pablo Stolze Art. tornará anulável o ato praticado. 1. têm direito a meação. Possibilita-se ao outro cônjuge pleitear a anulação no prazo de dois anos. 1.648. quando necessária (art.647.647 do Código Civil. A aprovação torna válido o ato.” ----------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------Formas Especiais de Casamento: Intensivo I LFG Página 128 . nos casos do artigo antecedente. sem autorização do outro.649. Aqui se tem uma separação absoluta de bens. Atente-se que não se faz necessária autorização conjugal para aquisição de bens imóveis. o ato será anulável. ou dos que possam integrar futura meação. exceto no regime da separação absoluta (Leia-se convencional): I . como autor ou réu. sem consentimento. nos termos do art.647 do CC. São válidas as doações nupciais feitas aos filhos quando casarem ou estabelecerem economia separada. Parágrafo único. ressalvada a situação em que os cônjuges estejam submetidos ao regime de separação absoluta de bens. Observe-se que a expressão “separação absoluta” deve ser entendida. A decretação de invalidade dos atos praticados sem outorga. Nelson Nery. A falta de autorização. posição esta recentemente confirmada pelo STJ (Resp. Ex. Caso seja exigida pelo banco. autenticado. Assim. só poderá ser demandada pelo cônjuge a quem cabia concedê-la.648. Ressalvado o disposto no art. 1. dada a não incidência da Súmula 377 do STF. de bens comuns. 1.prestar fiança ou aval. 1.: A Súmula 332 do STJ firmou o entendimento segundo o qual a fiança prestada sem autorização conjugal é totalmente ineficaz: “A fiança prestada sem autorização de um dos cônjuges implica a ineficácia total da garantia. se doa uma garrafa de vinho a um médico que atendeu a família). ou por seus herdeiros. as pessoas casadas em separação convencional de bens não precisam de autorização conjugal para a prática de atos do art. mas o regime de bens utilizado.074/PB). quando um dos cônjuges a denegue sem motivo justo. A autorização conjugal é exigida.alienar ou gravar de ônus real os bens imóveis. 1. III . II . acerca desses bens ou direitos. pelo que será necessária a outorga conjugal. não suprida pelo juiz. Cabe ao juiz. desde que feita por instrumento público. suprir a outorga. não sendo remuneratória (em atenção a serviços prestados. Não sendo colhida a autorização e não sendo esta suprida pelo juiz. Art. Já na separação convencional (que é a mais rigorosa) não há o que se falar em direito a meação. 1.fazer doação. até dois anos depois de terminada a sociedade conjugal. ou lhe seja impossível concedê-la. A lei não utilizou como critério a origem do patrimônio. Art. como separação convencional de bens. IV . Art. segundo o Prof. nos termos do art. 1.647). se vierem a constituir patrimônio comum.650. 1. Parágrafo único.

mas. 1. sendo urgente. CC).515 e 1. 1. Art. ainda que à noite. Observe-se que a procuração tem prazo de 90 dias. qualquer dos consorciados houver contraído com outrem casamento civil. perante duas testemunhas. for registrado.Direito Civil – Pablo Stolze As formas básicas de casamento são amplamente conhecidas: casamento civil (art. O casamento pode celebrar-se mediante procuração. Art. Art. Quando algum dos contraentes estiver em iminente risco de vida (risco de morte). nomeado pelo presidente do ato.516. 1.512. No casamento civil quem celebra é o juiz de paz ou juiz de direito. 1. será registrado no respectivo registro dentro em cinco dias. 1. a requerimento do casal.532. e a do oficial do Registro Civil por outro ad hoc. por instrumento público. 1. que atender às exigências da lei para a validade do casamento civil. o § 1 O registro civil do casamento religioso deverá ser promovido dentro de noventa dias de sua realização. 1. CC) Art. Parágrafo único. CC): Art.516. perante duas testemunhas que saibam ler e escrever. A habilitação para o casamento. no registro civil. Existem ainda formas especiais de casamento: a) Casamento por procuração (art. É possível que. 1. o § 3 Será nulo o registro civil do casamento religioso se. O casamento é civil e gratuita a sua celebração.539. o § 3 A eficácia do mandato não ultrapassará noventa dias. a qualquer tempo. terá efeitos civis se. desde que haja sido homologada previamente a habilitação regulada neste Código. sob as penas da lei. até segundo grau. Após o referido prazo. CC): Art. o § 1 A falta ou impedimento da autoridade competente para presidir o casamento suprir-se-á por qualquer dos seus substitutos legais. lavrado pelo oficial ad hoc. o § 2 O casamento religioso. desde que registrado no registro próprio. seja chamado o presidente da celebração para que seja o casamento realizado. Já o casamento religioso é celebrado pela autoridade religiosa. não obtendo a presença da autoridade à qual incumba presidir o ato.512. antes dele. 1. o registro dependerá de nova habilitação. que com os nubentes não tenham parentesco em linha reta. o § 2 O nubente que não estiver em iminente risco de vida poderá fazer-se representar no casamento nuncupativo. na colateral. com poderes especiais. equipara-se a este. c) Casamento Nuncupativo: in extremis / in articulo mortis (art. o § 2 O termo avulso. celebrado o casamento sem que o mandatário ou o outro contraente tivessem ciência da revogação. 1.539. nem a de seu substituto. 1. poderá o casamento ser celebrado na presença de seis testemunhas. ou por iniciativa de qualquer interessado. mediante prévia habilitação perante a autoridade competente e observado o prazo do art.542. 1.515. para as pessoas cuja pobreza for declarada. o § 4 Só por instrumento público se poderá revogar o mandato. o presidente do ato irá celebrá-lo onde se encontrar o impedido.540. Intensivo I LFG Página 129 . produzindo efeitos a partir da data de sua celebração. o registro e a primeira certidão serão isentos de selos. ou. O casamento religioso. responderá o mandante por perdas e danos. CC) e casamento religioso com efeitos civis (arts. o § 1 A revogação do mandato não necessita chegar ao conhecimento do mandatário. em caso de moléstia grave. No caso de moléstia grave de um dos nubentes. emolumentos e custas. b) Casamento em caso de moléstia grave (art. O registro do casamento religioso submete-se aos mesmos requisitos exigidos para o casamento civil.540.542. mediante comunicação do celebrante ao ofício competente. ficando arquivado. celebrado sem as formalidades exigidas neste Código.

o § 1 A união estável não se constituirá se ocorrerem os impedimentos do art. contínua e duradoura e estabelecida com o objetivo de constituição de família. A palavra concubinato tinha uma raiz histórica pejorativa. duas leis de família regulariam o tema – Lei 9. não se aplicando a incidência do inciso VI no caso de a pessoa casada se achar separada de fato ou judicialmente.” Somente após a promulgação da Constituição Federal de 1988 (art.Direito Civil – Pablo Stolze É necessário que o casamento seja celebrado na presença de seis testemunhas que não sejam parentes dos cônjuges. ----------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------UNIÃO ESTÁVEL Histórico: O direito Brasileiro. é cabível a sua dissolução judicial. embora o nosso direito civil permanecesse insensível a esta necessária mudança. 226) a união informal não matrimonializada (união estável) receberia merecido tratamento do Direito Constitucional de Família (posteriormente. reconhecer um mero direito à indenização por serviços domésticos prestados e. STF: “Comprovada a existência de uma sociedade de fato entre os concubinos. de maneira que. 1. sob nítida influência religiosa. O CC 16 reconhecia o concubinato mas tratava a concubina para negar-lhe direitos. a qual. em um segundo momento. tratando-a de forma discriminatória. direito à partilha do patrimônio amealhado pelo sociedade de fato. as testemunhas devem confirmar esse casamento o que está disposto nos artigos seguintes do Código. Paulatinamente. Obs.: Qual a religião autorizada no Brasil a chancelar um casamento? O Brasil é um Estado laico. em um primeiro momento. a matriz legal da união estável se encontra a partir do art. em tese. XX já se processava na Europa.723 do CC: Art. o Direito Privado Brasileiro começa a ceder para. ou seja. em um primeiro momento. qualquer culto ou corrente religiosa organizada poderá celebrar o matrimônio (inclusive há precedente do TJBA no que tange ao casamento espírita cardecista (MS 34739-8/2005). configurada na convivência pública. 1. O Direito Previdenciário foi pioneiro no tratamento jurídico protetivo da companheira. Posteriormente. caracterizando uma união não matrimonializada. não tem religião oficial. com a partilha do patrimônio adquirido pelo esforço comum. 1. relegou a relação de concubinato a um verdadeiro limbo jurídico. Súmula 380. Intensivo I LFG Página 130 . Conceito Legal de União Estável Embora existam vários projetos de lei tramitando acerca da matéria.723. É reconhecida como entidade familiar a união estável entre o homem e a mulher. especialmente na França. Nesse caso não há a presença de celebrante algum.871/94 e Lei 9.278/96).521. na primeira parte do séc. A união estável (concubinato puro) somente recebeu tratamento de família na Constituição Federal de 1988 (entidade familiar).

mas. 1. O STJ acaba de decidir (noticiário de 23/06/2010) que a separação obrigatória de bens aplica-se a sexagenário que viveu em união estável. a par de reconhecer a união estável entre eles.523 não impedirão a caracterização da união estável. União estável putativa: Trata-se de possibilidade embasada na Teoria da Aparência. 1.s 1. 1. Art. o regime da comunhão parcial de bens. aplica-se às relações patrimoniais. 1. Para o reconhecimento da União estável.724 e 1. Não posso confundir este contrato de convivência (que regula efeitos patrimoniais da união estável reconhecida) com o denominado contrato de namoro pelo qual os declarantes pretendem exatamente o contrário: declarar a instabilidade da relação para afastar o regramento legal da união estável. 1. salvo contrato escrito entre os companheiros. As relações pessoais entre os companheiros obedecerão aos deveres de lealdade. Obs. o regime de comunhão parcial de bens entre os companheiros. impedidos de casar. constituem concubinato”).723 do CC.725. concluímos que. O direito em vigor estabelece (art. resguardando-se a uma segunda companheira os direitos. Na união estável. Art. a exemplo do regime de bens. justificaria os direitos da amante? Intensivo I LFG Página 131 . a relação de concubinato entre pessoas impedidas. bem como também não são indispensáveis prole comum e coabitação (Súmula 382. STF). também entre pessoas casadas desde que separadas de fato (estas últimas). disciplina aspectos patrimoniais da união. além de deflagrar efeitos sucessórios. O STJ julgando o Resp 789. o elemento mais importante é o finalístico: o objetivo de constituição de família (a aparência fundada no casamento).293/RJ não admitiu a tese da união estável putativa.: Nos termos do §1º do art. O reconhecimento da relação estável. o Obs. produz efeitos de família equiparáveis ao do casamento (art. não se exige tempo mínimo de convivência. Os tribunais brasileiros tendem a abraçar a monogamia e por esse motivo não foi admitida referida tese. e de guarda. no que couber. 1. a união estável poderá se constituir entre pessoas desimpedidas e.: Denomina-se contrato de convivência (ver a excelente obra de Francisco Cahali) a declaração negocial conjunta firmada entre os companheiros que.725). sustento e educação dos filhos.724. salvo contrato escrito em contrário. Esses requisitos reunidos ou isoladamente considerados reforçarão o reconhecimento da tese.727 do CC (“As relações não eventuais entre o homem e a mulher.Direito Civil – Pablo Stolze § 2 As causas suspensivas do art.725). companheira esta que desconhecia união estável anterior. Direitos da Amante: A luz do art. respeito e assistência.

II – saúde e segurança. objetivamente. 303. o § 5 ) e. especialmente de assistência material e moral.583. em situação excepcional. por sua vez.584.604). de dissolução de união estável ou em medida cautelar. de divórcio. A regulamentação da guarda dá-se nos artigos 1. concernentes ao poder familiar dos filhos comuns. Intensivo I LFG Página 132 . ou por qualquer deles. o § 4 (VETADO).Direito Civil – Pablo Stolze No NCC a (o) “amante” é chamada (o) concubina (o). o § 3 A guarda unilateral obriga o pai ou a mãe que não a detenha a supervisionar os interesses dos filhos. A guarda. que a concubina poderia ter direito pelo menos a uma indenização por serviços prestados (Resp. poderá ser: I – requerida. O Superior Tribunal de Justiça já decidiu. 1. em ação autônoma de separação. III – educação. para evitar enriquecimento sem causa. aceitando a participação de terceiros no próprio núcleo afetivo. decorrência do poder parental. Conceito: A guarda. As decisões mais recentes do STF. Alguns autores. 1.727 faz breve referência à relação de concubinato. O Código Civil Brasileiro em seu artigo 1. -----------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------GUARDA DE FILHOS Aqui se analisa a guarda de filhos relativa ao poder familiar dos pais. e não a guarda relativa ao Estatuto da Criança e do Adolescente. Poliamorismo: O denominado poliamorismo. por guarda compartilhada a responsabilização conjunta e o exercício de direitos e deveres do pai e da mãe que não vivam sob o mesmo teto. o § 1 Compreende-se por guarda unilateral a atribuída a um só dos genitores ou a alguém que o substitua (art. pelo pai e pela mãe. Nesse julgado o STJ analisou caso em que o homem conviveu com sua esposa e com a concubina pelo prazo de 36 anos pelo que foi consagrada a possibilidade de indenizar a concubina pelos serviços domésticos prestados. objeto de estudo da psicologia caracteriza a relação de casamento ou união estável aberta em que o casal.584. têm negado a proteção jurídica à concubina (Re 590. Art. mais aptidão para propiciar aos filhos os seguintes fatores: I – afeto nas relações com o genitor e com o grupo familiar. por decisão conjunta. o § 2 A guarda unilateral será atribuída ao genitor que revele melhores condições para exercê-la e. sem que haja um escopo protetivo. O concubinato. flexibiliza o dever de fidelidade recíproca.779/ES). ainda que no campo previdenciário.584 do CC. 1.583 e 1. tecnicamente é a relação entre pessoas impedidas de casar. A guarda será unilateral ou compartilhada. unilateral ou compartilhada. Citem-se: Art. por consenso. todavia. vão mais além admitindo a tutela do próprio direito de família (Maria Berenice Dias). traduz um plexo de obrigações e direitos em face do menor.

o § 5 Se o juiz verificar que o filho não deve permanecer sob a guarda do pai ou da mãe. Trata-se de guarda em que apenas um dos pais. Intensivo I LFG Página 133 . Alternada: muitos falam em guarda compartilhada. A guarda alternada não deixa de ser exclusiva. poderá basear-se em orientação técnico-profissional ou de equipe interdisciplinar. de preferência. o § 2 Quando não houver acordo entre a mãe e o pai quanto à guarda do filho. mas não se pode fazer essa confusão. cabendo ao outro direito de visitas. ou em razão da distribuição de tempo necessário ao convívio deste com o pai e com a mãe. Neste tipo de guarda. sempre que possível. 3. Unilateral ou exclusiva: é a modalidade mais difundida no Brasil. unilateral ou compartilhada. No entanto. tendo ainda. considerados. características da alternada.Direito Civil – Pablo Stolze II – decretada pelo juiz. 1. exerce a função de guardião.583. deferirá a guarda à pessoa que revele compatibilidade com a natureza da medida. inclusive quanto ao número de horas de convivência com o filho. O domicílio do menor será o domicílio do guardião. se intercala. Enquanto a primeira modalidade (guarda unilateral) o guardião fica com o menor exclusivamente e o outro tem direito de visitas. §1º. CC. o § 4 A alteração não autorizada ou o descumprimento imotivado de cláusula de guarda. Guarda Compartilhada: o CC foi modificado em 2008 para explicitamente prever essa modalidade de guarda. É também chamada guarda conjunta. Guarda alternada é aquela em os pais revezam ou alternam períodos exclusivos de guarda. a doutrina apresenta quatro espécies de guarda: 1. 2. a sua importância. na guarda alternada há revezamento de guardas exclusivas. poderá implicar a redução de prerrogativas atribuídas ao seu detentor. o § 3 Para estabelecer as atribuições do pai e da mãe e os períodos de convivência sob guarda compartilhada. o grau de parentesco e as relações de afinidade e afetividade. 4. com caráter de exclusividade. esta modalidade de guarda determina que fique no mesmo domicílio do casal enquanto casados. Essa guarda é muito próxima da guarda compartilhada. Espécies de Guarda: O CC trata de apenas dois tipos de guarda. Aninhamento ou nidação: para evitar que a criança fique indo de uma casa para outra. será aplicada. A criança fica na mesma casa em que era criada. em atenção a necessidades específicas do filho. não há exclusividade: tanto o pai quanto a mãe detém-na. e os pais saem.583 do CC). mas é exclusiva que se alterna. a similitude de deveres e direitos atribuídos aos genitores e as sanções pelo descumprimento de suas cláusulas. 1. coresponsabilizando-se por ele (§1º do art. o juiz informará ao pai e à mãe o significado da guarda compartilhada. de ofício ou a requerimento do Ministério Público. cabendo ao outro correspondente direito de visitas. o juiz. o § 1 Na audiência de conciliação. Art. e os pais se revezam em sua companhia. cabendo ao próprio casal disciplinar a vida do seu filho. a guarda compartilhada.

IV . quando não há acordo. O reconhecimento pode preceder o nascimento do filho ou ser posterior ao seu falecimento.por escritura pública ou escrito particular.Direito Civil – Pablo Stolze Obs.609 do CC. pode o juiz determinar obrigatoriamente. como matriz do reconhecimento voluntário de filhos previsto no art. a guarda compartilhada. será aplicada. pois.por manifestação direta e expressa perante o juiz.: A guarda compartilhada. Esse projeto estabelece sanções que vão da admoestação até a perda do poder parental. 1. na hipótese de serem casados. Em geral. por causar menos dano psicológico ao menor. a guarda compartilhada. Mas não sendo esta hipótese. nesse dispositivo. § 2 Quando não houver acordo entre a mãe e o pai quanto à guarda do filho. sempre que possível. O legislador. se ele deixar descendentes. Art. *Formas de reconhecimento de filho: a) No registro de casamento: é a forma mais comum de reconhecimento de filhos. de pouca aplicação prática. III .por testamento. ainda que incidentalmente manifestado. Parágrafo único.609.584 do CC. *Guarda compartilhada obrigatória: O §2º do artigo 1. considerando que. c) Por testamento: observe-se que apesar de o testamento ser ato revogável a cláusula de reconhecimento de filho não o é. e em situações excepcionais. b) Por escritura pública ou escrito particular arquivado em cartório de registro civil. tende a evitar a Síndrome da Alienação Parental – SAP: a indevida interferência psicológica promovida por um dos genitores para que repudie o outro (PL 4053/2008). Tem-se atualmente. e sendo possível. ainda que o reconhecimento não haja sido o objeto único e principal do ato que o contém. II . Intensivo I LFG Página 134 . o Filiação: Reconhecimento voluntário de filhos: Alguns autores denominam o reconhecimento voluntário de filhos de perfilhação. A lei 8. essa síndrome. quis relevar situações em que não há casamento. somente se afigura viável em situações excepcionais em que não haja risco para integridade do menor. a criança está em risco. ao permitir que o Juiz obrigue o casal à guarda compartilhada. Mas o NCC derrogou parcialmente essa lei. O reconhecimento dos filhos havidos fora do casamento é irrevogável e será feito: I .560/1992 tratava a matéria. a ser arquivado em cartório. há presunção de paternidade do marido. É necessário observar que a guarda compartilhada incentiva o entendimento evitando. 1.no registro do nascimento.

se o filho é rico. ação investigatória de maternidade (é difícil. por meio de escritura pública. indaga-se se há necessidade de fundamentação da negativa. a possibilidade de reconhecimento de filho falecido se este deixou descendentes. Em geral. como demorou tanto tempo para o reconhecimento o filho maior não aceita o consentimento. O ato de reconhecimento voluntário de filho. 1. Nesse ponto.: O STJ. é além de solene. O filho maior não pode ser reconhecido sem o seu consentimento. Ex. ação reivindicatória de paternidade. Intensivo I LFG Página 135 . nos quatro anos que se seguirem à maioridade. Obs. STJ). o tratamento jurídico do reconhecimento de filho feito por absoluta ou relativamente incapaz. mas pode ocorrer). Não sendo dado o consentimento para o reconhecimento. *Ação Investigatória de Paternidade: Trata-se de ação imprescritível até mesmo por se tratar de declaratória. Ex. Há ainda. A lei não explicita como deve ser feita a negativa de conhecimento. 601.: Há possibilidade de reconhecimento do filho antes mesmo de seu nascimento. a primeira ideia que se vem é a ação de investigação de paternidade.614 do CC estabelece que o filho maior não pode ser reconhecido sem o seu consentimento e o menor poderá impugnar o reconhecimento nos quatro anos que se seguirem à maioridade ou à emancipação. 1. Obs. julgando o Resp. irrevogável e personalíssimo.Direito Civil – Pablo Stolze d) Manifestação direta e expressa perante o juiz. anulatória de registro de nascimento (Resp. Reconhecimento Judicial de Filhos Ao se falar em reconhecimento judicial. Art. ou à emancipação.997/RS entendeu que este direito de impugnar o reconhecimento seria imprescritível.614. a fim de se evitar reconhecimento interesseiro posterior a morte do filho. *Legitimidade ativa: esta legitimidade é do alegado filho e do Ministério Público (legitimação extraordinária). ainda que o reconhecimento não haja sido objeto único e principal do ato que o contém. 878. mas é necessário observar que esta não é a única ação. é importante ver no material de apoio. *Reconhecimento de filho maior: O art. e o menor pode impugnar o reconhecimento. se não houve reconhecimento do filho e na audiência de reconhecimento de união estável há afirmação voluntária da paternidade.954/RS. Ex.

826.013/MG que disciplina a admissibilidade do teste de DNA em confronto com as demais provas produzidas. *Ficada: Resp. não será feito novo exame. salvo se as partes acordarem. Obs. A despeito de tradicionalmente o nosso direito reconhecer o caráter personalíssimo para a propositura da ação investigatória (art. Obs. de que o marido é presumidamente pai do filho da sua esposa. Busca-se a verdade genética. dos seus herdeiros. mas sim. A paternidade/maternidade biológicas não esgotam a o real conceito de paternidade. julgada procedente a investigação de paternidade. que a recusa injustificada ao exame de DNA gera uma presunção relativa de paternidade. se a investigatória for post mortem. 226.Direito Civil – Pablo Stolze Observe-se que. 300. biológica. quase absoluta. Em um primeiro momento. Obs. *Legitimidade passiva: a legitimidade passiva é do suposto pai ou. pai confunde-se com genitor.698/MS) que. 1.365/RO: houve conceituação da “ficada”.084/GO. Nesta última hipótese não é o espólio o legitimado passivo considerando que o espólio é a massa de direitos e obrigações.: o STJ já decidiu (Ag Rg no Ag. Etapas da paternidade no Brasil: A paternidade no Brasil passou por três fases. proposta a ação de investigação e falecido o suposto filho. CC). Embora o exame de DNA seja de grande importância para afirmar a paternidade oficial. há possibilidade de seus descendentes habilitarem no processo. 942. conforme dito. A doutrina inclusive defende isso.: a Súmula 277 do STJ estabelece que.154/RS). dos herdeiros.004/2009. 604. mas a ciência diria a palavra final. Quando há confronto entre mais de um exame de DNA realizado. na doutrina e na jurisprudência (Resp.606. 557. ausente o exame de DNA e julgado o pedido na investigatória.436/PR. Não se pode haver pretensões patrimoniais nem tampouco relativas a paternidade considerando que “pai é quem cria”. Emblemático é o Resp 397. o STJ já flexibilizou esse entendimento para permitir que os próprios netos possam diretamente investigar a relação avoenga (Resp. Intensivo I LFG Página 136 . os alimentos são devidos a partir da citação. já está assentado. A segunda fase é chamada fase da paternidade biológica ou científica.352/SP) que a pessoa adotada não é impedida de propor a investigatória para conhecer a sua verdade biológica. a sentença não transita em definitivo materialmente em julgado. Já está pacificado (Súmula 301 do STJ). vivia-se a fase da paternidade legal ou jurídica: o CC 16 e o Direito da época firmaram uma presunção.: Em direito processual civil. Lei 12. a paternidade biológica não corresponde à paternidade afetiva. efetivando-se o julgamento com base nas outras provas produzidas nos autos. Em tal fase. Não mais o legislador.

pelos motivos previstos no artigo antecedente. se a relação de afeto estiver devidamente construída e fundamentada ao longo de toda uma vida. 1. mas sim a afetividade existente e o vínculo emocional que envolve as partes. uma paternidade afetiva deve prevalecer sobre aquela. João Batista Vilela trouxe a ideia da desbiologização do Direito de Família. 1. há certas peculiaridades no que se refere ao direito de família e à invalidade do casamento. Nulidade relativa do casamento: Intensivo I LFG Página 137 . como inclusive já admitiu o STJ consoante o noticiário de 19/11/2009. *Pai X Genitor: se a paternidade biológica não tiver a necessária fundamentação do afeto. trazendo a ideia de que a paternidade não pode se esgotar no conceito biológico da paternidade. atualmente vivida é a da paternidade sócio-afetiva. interpreta-se no sentido de ser necessária ação de nulidade para que esta seja reconhecida quanto ao casamento.520.pelo enfermo mental sem o necessário discernimento para os atos da vida civil. por qualquer interessado. Assim.549 cuidam do casamento nulo – nulidade absoluta. O CC não diz que o juiz declarar a nulidade de um casamento. A decretação de nulidade de casamento. A terceira etapa. Não se leva em conta o lapso temporal ou outro requisito objetivo. CC) e no caso de enfermidade mental há absoluta nulidade do casamento. Embora a matriz da invalidade do casamento seja a própria matriz geral da teoria geral do direito civil.por infringência de impedimento. Importa no caso da paternidade sócio-afetiva a afetividade existente. o que é previsto na parte geral quanto aos negócios jurídicos. que merece maiores considerações. Art. 1. Quando houver violação de impedimento (art.548 e 1. É nulo o casamento contraído: I . independentemente da verdade biológica. Art.548. pode ser promovida mediante ação direta. A decretação de nulidade de casamento pode ser requerida mediante ação direta por qualquer interessado ou pelo Ministério Público. Observe-se que se há o cometimento de um crime (caso Pedrinho) retirando a oportunidade dos pais biológicos de criarem o vínculo afetivo não há como reconhecer a paternidade sócio-afetiva. ou pelo Ministério Público.Direito Civil – Pablo Stolze Em 1979. Nulidade absoluta do casamento: Os artigos 1.549. *Paternidade Sócio-afetiva: *Conceito: esta teoria admite o reconhecimento do vínculo filial. II . _______________________________________________________________________________ INVALIDADE DO CASAMENTO A nulidade do casamento se desdobra em nulidade e anulabilidade.

só poderá ser anulado se a ação for proposta em cento e oitenta dias. 1. torne insuportável a vida em comum ao cônjuge enganado. O menor que não atingiu a idade núbil poderá.556 a 1. o § 2 Não se anulará o casamento quando à sua celebração houverem assistido os representantes legais do incapaz. Art. A anulação do casamento dos menores de dezesseis anos será requerida: I . se houve por parte de um dos nubentes. sem possuir a competência exigida na lei. ou de moléstia grave e transmissível. o casamento é inexistente.556 a 1. quando não autorizado por seu representante legal. Art. ou com suprimento judicial. anterior ao casamento.555.558 do Código Civil. III . o § 1 O prazo estabelecido neste artigo será contado do dia em que cessou a incapacidade. 1. Nesse ponto. Art.do menor em idade núbil. no segundo.do incapaz de consentir ou manifestar.realizado pelo mandatário. Art. se necessária. nos termos dos artigos 1.a ignorância. II . sem que ele ou o outro contraente soubesse da revogação do mandato. que. Não se anulará. por sua natureza. erro essencial quanto à pessoa do outro. senão vejamos: Art. pode ser anulado por vício de vontade. III .550 do Código Civil. V . nos termos dos arts. a nulidade é relativa. por motivo de idade. de modo inequívoco. o consentimento.a ignorância. no primeiro caso. de defeito físico irremediável. 1. No caso de ser absolutamente incompetente a autoridade celebrante.por vício da vontade. ou tiverem. 1.o que diz respeito à sua identidade. Vícios da vontade podem resultar na invalidade do negócio. pelo contágio ou herança.557. Art.por seus ascendentes. exercer publicamente as funções de juiz de casamentos e. nessa qualidade.556. sua ou de seus familiares. O casamento pode ser anulado por vício da vontade. da morte do incapaz. anterior ao casamento. Subsiste o casamento celebrado por aquele que. É anulável o casamento em virtude de coação. É necessário observar que o casamento. Obs. anterior ao casamento. 1. de seus representantes legais ou de seus herdeiros necessários. depois de completá-la. Art.Direito Civil – Pablo Stolze A matriz relativa a anulabilidade do casamento está prevista no art.558. IV . Parágrafo único. confirmar seu casamento. Já se é relativamente incompetente. Considera-se erro essencial sobre a pessoa do outro cônjuge: I . Intensivo I LFG Página 138 .: Fazer a leitura do código. 1.552. II . 1.550.por seus representantes legais. por sua natureza. O casamento do menor em idade núbil. torne insuportável a vida conjugal. manifestado sua aprovação.558. sua honra e boa fama. de doença mental grave que. com a autorização de seus representantes legais. 1. II .554. capaz de pôr em risco a saúde do outro cônjuge ou de sua descendência. a partir do casamento. É anulável o casamento: I . especialmente dos artigos que se referem aos prazos de anulação. VI . Equipara-se à revogação a invalidade do mandato judicialmente decretada.pelo próprio cônjuge menor. IV . por iniciativa do incapaz. sendo esse erro tal que o seu conhecimento ulterior torne insuportável a vida em comum ao cônjuge enganado. e não sobrevindo coabitação entre os cônjuges. 1. quando o consentimento de um ou de ambos os cônjuges houver sido captado mediante fundado temor de mal considerável e iminente para a vida. ao deixar de sê-lo. a saúde e a honra.por incompetência da autoridade celebrante. observem-se os dispositivos pertinentes: Art. tiver registrado o ato no Registro Civil. no terceiro.551. quando não autorizado por seu representante legal. III . e. 1.a ignorância de crime.de quem não completou a idade mínima para casar.553. por qualquer modo. o casamento de que resultou gravidez. 1. Art. ao consentir.

*** A sentença que declara a nulidade do casamento. possui conduta amoral. etc. 7. existência de moléstia grave.): melhor é a corrente que sustenta a retroatividade dos efeitos até porque o registro do casamento é cancelado e as partes voltam ao status quo ante.: Nos termos do inciso III do art. *Casamento putativo: indaga-se o que se entende por casamento putativo. Isso ocorre no caso em que a causa torna impossível a convivência em comum. Já se a impotência ocorre após o casamento pode ensejar a separação ou divórcio. o casamento putativo é casamento inválido. Pablo Stolze e Rodolfo Pamplona entendem que o juiz de ofício pode reconhecer a putatividade do casamento considerando que a boa-fé é cláusula geral do direito. a doutrina diverge no que se refere à retroatividade ou não da sentença que anula o casamento (Orlando Gomes versus Zeno Veloso. 1. As hipóteses de invalidade são relativas a fatos anteriores ao casamento trazidos para ele. produz todos os efeitos até o dia da sentença anulatória.561 do CC de um casamento nulo ou anulável contraído de boa fé por um ou ambos os cônjuges e cujos efeitos jurídicos são preservados.6425). em relação a estes como aos filhos. como no caso da impotência coeundi (TJRS Emb. Já no que tange a sentença que anula o casamento. Observe-se que é necessário que a causa seja anterior ao casamento e que a cônjuge somente tenha conhecimento desse erro após o casamento.557 do CC. 1. Cite-se o dispositivo em questão: “Art. se dois irmãos se casam sem que saibam desse fato. ________________________________________________________________________________ REGIME DE BENS: Conceito: Intensivo I LFG Página 139 . § 2 Se ambos os cônjuges estavam de má-fé ao celebrar o casamento. Trata-se. nos termos do artigo 1. Ex. o casamento.561. Há uma obra bem importante do mestre Yussef Said Cahali acerca da matéria. A impotência para o ato sexual que o cônjuge já portava e o outro somente soube após o casamento pode gerar a nulidade do casamento. caso seja homossexual. § 1 Se um dos cônjuges o estava de boa-fé ao celebrar o casamento. **Observe-se que a hipótese do artigo 1. pode gerar a sua anulabilidade. os seus efeitos civis só aos filhos aproveitarão. mas diante da boa-fé de um ou ambos os cônjuges são preservados os efeitos do mesmo até a sua declaração de nulidade. Fernando Simão. Inf. os seus efeitos civis só a ele e aos filhos aproveitarão. Se por exemplo o cônjuge for um criminoso.” o Assim.103.558 do CC se refere a coação moral. sem dúvida alguma deve ter efeitos ex tunc. concluímos que o defeito físico irremediável descoberto após o casamento.Direito Civil – Pablo Stolze O erro essencial quanto a pessoa do outro pode gerar a invalidade do casamento. Se o que levou a pessoa a incorrer em erro foi circunstância anterior ao casamento é possível que haja anulação do casamento. Há conexão com a chamada Teoria da Aparência. Embora anulável ou mesmo nulo. defeito físico irremediável há possibilidade de anulação do casamento. cujo título é Do Casamento Putativo. se contraído de boa-fé por ambos os cônjuges. Obs. O casamento putativo nada mais é do que um casamento nulo ou anulável contraído de boa fé por um ou ambos os cônjuges.

pelo qual os nubentes escolhem o regime de bens do casamento. É obrigatório o regime da separação de bens no casamento: I . antes de celebrado o casamento. variabilidade e mutabilidade (art. II . quanto aos seus bens. 1. a depender da situação há possibilidade de mudança de regime de bens embasado no inciso III do artigo retro citado. na linha de autores como Sérgio Pereira. o Regime de bens supletivo é o da comunhão parcial de bens. para casar. 821. CC).da pessoa maior de sessenta anos. o Denomina-se pacto antenupcial o negócio jurídico solene. segundo dispõe súmula do STF. regido pelos princípios da Liberdade de escolha.: o TJRS julgando o Recurso 7.3891. estipular.” Intensivo I LFG Página 140 . Desde 1.977 – Lei do Divórcio – (e o artigo 1.661. 1.641 do CC estabelece situações em que é imposto o regime de separação obrigatória ou legal de bens. maior de 60 anos e golpe do baú. comunicam-se os adquiridos na constância do casamento. Em geral o que o legislador quis ao impor a separação obrigatória de bens foi proteger um dos cônjuges. O NCC admite a mudança de regime de bens no curso do casamento. o que lhes aprouver. mitigando a dureza do Regime de separação legal ou obrigatória. § 1 O regime de bens entre os cônjuges começa a o vigorar desde a data do casamento. STF: “No regime de separação legal de bens. Antes da Lei do Divórcio o regime da comunhão universal de bens era o regime supletivo.640 é na mesma linha). se os cônjuges não optam por outro regime de bens será adotado o regime da comunhão parcial de bens. Luiz Felipe Brasil. ou seja. Obs.). Obs. 1.639.546/MG) que a mudança de regime de bens pode ser pleiteada por pessoas casadas antes do Código Civil de 2002. considerando que após a maioridade há fundamento para a mudança. 1. condicionado ao casamento.das pessoas que o contraírem com inobservância das causas suspensivas da celebração do casamento. Pablo entende que. Resp.807/PR. desde que não haja prejuízo a terceiros. Na separação obrigatória de bens (art. § 2 É admissível alteração do regime de bens.: a Súmula 377 do STF. Observe-se que essa disposição se refere a separação legal ou obrigatória de bens e não quanto a convencional em que os cônjuges assumem o risco. É o chamado regime de separação legal de bens.de todos os que dependerem. Súmula 377.” O inciso II é rechaçado pela doutrina que aduz a sua inconstitucionalidade uma vez que o maior de sessenta anos possui entendimento suficiente para optar por seu regime de bens.641. mediante autorização judicial em pedido motivado de ambos os cônjuges. É bom que se diga que o art. afirmou a retroatividade da sentença que altera o regime de bens.Direito Civil – Pablo Stolze Trata-se do estatuto patrimonial do casamento. ** O STJ já pacificou (ver por exemplo o Resp. atentando-se para o fato de que o pedido de mudança de regime de casamento deve ser feito a partir de mútuo acordo entre os cônjuges de forma fundamentada e somente será deferido se não houver prejuízo para terceiros.639. CC: Art. “ Art. se houver patrimônio comum esse patrimônio pode ser partilhado. admite a comunicabilidade dos bens adquiridos na constância do casamento. 730. o que traduz no princípio da mutabilidade.642. Ex. de suprimento judicial. apurada a procedência das razões invocadas e ressalvados os direitos de terceiros. 1. É lícito aos nubentes. III .

comunicam-se os bens que sobrevierem ao casal. 1. VI .771/SP em que o STF firmou entendimento de que a comunicação dos bens e dívidas deve cessar com ruptura da vida em comum (separação de fato). IV . Entram na comunhão: I . No entanto. 1. por doação ou sucessão. No regime de comunhão parcial. com as exceções dos artigos seguintes. Aparentemente. 1. O mesmo ocorre quanto aos bens que foram sub-rogados no valor que se tinha antes. no sentido de ser pessoal o provento ou fruto do trabalho de cada cônjuge. A ideia básica do regime da comunhão parcial é a comunicabilidade dos bens aquestos. Espécies de regimes de casamento: 1. CC. Ex. tem admitido a partilha de verba rescisória e até mesmo saldo de FGTS. O que a esposa adquire. Intensivo I LFG Página 141 . ainda que só em nome de um dos cônjuges. Art.: o STJ. e os sub-rogados em seu lugar. tem por princípio a comunicabilidade dos bens adquiridos a título oneroso. III . no curso do casamento. o que o marido adquire e o que os cônjuges adquirem na constância do casamento comunica-se entre ambos. A comunhão é para o futuro.: o que se tinha antes de casar é exclusivo. meios-soldos.Direito Civil – Pablo Stolze **Merece destaque. VII .668. Obs. Obs. aqueles adquiridos na constância do casamento. nesse ponto. 781. Art.660. as decisões são contra legem. montepios e outras rendas semelhantes.821/RS. salvo reversão em proveito do casal. Art.os proventos do trabalho pessoal de cada cônjuge. Excluem-se da comunhão: I . a despeito do que dispõe os artigos 1. mas sim de direito a meação (ver Resp. regra geral no sistema brasileiro. O patrimônio anterior ao casamento é pessoal e exclusivo de cada cônjuge.659. haverá comunicabilidade considerando que se presume o esforço comum dos cônjuges para completar o valor da troca.658.384/RS). Observe-se que não se trata de alimentos. V . Resp. 555.os bens adquiridos na constância do casamento por título oneroso.659.658. Ford Ka X Mercedes. os livros e instrumentos de profissão.as pensões. Ford Ka X Celta. regulado a partir do art. V.as obrigações provenientes de atos ilícitos. na constância do casamento. o Resp. Se os valores são diferentes. assim como o que for adquirido por doação ou herança.os bens adquiridos com valores exclusivamente pertencentes a um dos cônjuges em sub-rogação dos bens particulares. e os que lhe sobrevierem. II . com ou sem o concurso de trabalho ou despesa anterior.os bens adquiridos por fato eventual. 1.os bens de uso pessoal. 421. VI e 1. Comunhão parcial de bens: Conceito: O regime de comunhão parcial de bens. é o que tem sido decidido. ou seja.os bens que cada cônjuge possuir ao casar. Os bens recebidos a título gratuito não se comunicam. II . por um ou ambos os cônjuges.as obrigações anteriores ao casamento. na constância do casamento. É o mais justo.

No regime da comunhão parcial.667 do CC. A incomunicabilidade dos bens enumerados no artigo antecedente não se estende aos frutos.: O art. cessará a responsabilidade de cada um dos cônjuges para com os credores do outro. 3.661 estabelece a incomunicabilidade dos bens cuja aquisição tiver por título uma causa anterior ao casamento (a exemplo da promessa de compra e venda inteiramente cumprida antes do matrimônio). 1. III . 1. e efetuada a divisão do ativo e do passivo. Já se parte das prestações forem pagas após o matrimônio há presunção do esforço comum.662. Regime de Participação final nos aquestos: Intensivo I LFG Página 142 . presumem-se adquiridos na constância do casamento os bens móveis. ou pendentes ao tempo de cessar a comunhão. percebidos na constância do casamento. comunicam-se. São excluídos da comunhão: I .668. Art. Obs. Comunhão universal de bens: Conceito: Neste regime. ou reverterem em proveito comum.661.Direito Civil – Pablo Stolze III . Art. com as exceções do artigo seguinte. ou dos particulares de cada cônjuge. mais abrangente do que o regime anterior. São incomunicáveis os bens cuja aquisição tiver por título uma causa anterior ao casamento. que impliquem cessão do uso ou gozo dos bens comuns. 1.as doações antenupciais feitas por um dos cônjuges ao outro com a cláusula de incomunicabilidade.667. quanto à administração dos bens. Aplica-se ao regime da comunhão universal o disposto no Capítulo antecedente. O regime de comunhão universal importa a comunicação de todos os bens presentes e futuros dos cônjuges e suas dívidas passivas. o juiz poderá atribuir a administração a apenas um dos cônjuges. 1. 1. 1.670. herança ou legado. Art. Art. Art. contraídas por qualquer dos cônjuges na administração de seus bens particulares e em benefício destes.Os bens referidos nos incisos V a VII do art.663. salvo as exceções da lei. o § 2 A anuência de ambos os cônjuges é necessária para os atos. 1. II . salvo se provierem de despesas com seus aprestos. Art. a título gratuito. IV . 2. quando se percebam ou vençam durante o casamento. salvo convenção diversa em pacto antenupcial. Art.as dívidas anteriores ao casamento.669. V . V . Ex. adquiridos a título gratuito ou oneroso. e os do outro na razão do proveito que houver auferido. 1. 1. o § 3 Em caso de malversação dos bens. não obrigam os bens comuns.as benfeitorias em bens particulares de cada cônjuge. IV .665. regra geral.os bens gravados de fideicomisso e o direito do herdeiro fideicomissário. se o cidadão solteiro pagou todas as prestações do contrato promessa de compra e venda e somente lavrou a escritura após o casamento. às despesas de administração e às decorrentes de imposição legal. Art. 1. devendo haver direito de meação proporcional do cônjuge. 1. em favor de ambos os cônjuges. quando não se provar que o foram em data anterior. A administração do patrimônio comum compete a qualquer dos cônjuges. o § 1 As dívidas contraídas no exercício da administração obrigam os bens comuns e particulares do cônjuge que os administra. Art. As dívidas. antes de realizada a condição suspensiva. 1.664. Os bens da comunhão respondem pelas obrigações contraídas pelo marido ou pela mulher para atender aos encargos da família.671. 1. Extinta a comunhão. Art. os bens anteriores e posteriores ao matrimônio. Art.659.os frutos dos bens comuns. A administração e a disposição dos bens constitutivos do patrimônio particular competem ao cônjuge proprietário. regrado a partir do artigo 1.os bens doados ou herdados com a cláusula de incomunicabilidade e os sub-rogados em seu lugar.os bens adquiridos por doação.666.

678. 1. computar-se-á o valor das doações feitas por um dos cônjuges. 1. contraídas por um dos cônjuges.676. posteriores ao casamento.682. apurar-se-á o montante dos aqüestos. Sobrevindo a dissolução da sociedade conjugal. de difícil aplicação e para que desse certo deveria haver contabilidade diária do casal. 1. ou de seus herdeiros. 1.680. Art. de os reivindicar. Parágrafo único. Se um dos cônjuges solveu uma dívida do outro com bens do seu patrimônio. presumem-se adquiridos durante o casamento os bens móveis. apurar-se-á. que exigiria uma contabilidade constante (Maria Berenice Dias). na constância do casamento. cada cônjuge possui patrimônio próprio. individuais. Art. Art. caberá ao cônjuge proprietário provar a aquisição regular dos bens.673. o patrimônio adquirido pelo casal a título oneroso.677.683. 1. Art. Integram o patrimônio próprio os bens que cada cônjuge possuía ao casar e os por ele adquiridos. Art. 1. o patrimônio do marido e da esposa. 1. 1. à meação do outro cônjuge. a qualquer título. deferindo-se a herança aos herdeiros na forma estabelecida neste Código. cessível ou penhorável na vigência do regime matrimonial. na época da dissolução da sociedade conjugal. se não houver preferência do cônjuge lesado.684. segundo as específicas regras do regime. Art. Art. Incorpora-se ao monte o valor dos bens alienados em detrimento da meação. se forem móveis. presumem-se do domínio do cônjuge devedor. somente este responderá. mediante autorização judicial.as dívidas relativas a esses bens. verificar-se-á a meação do cônjuge sobrevivente de conformidade com os artigos antecedentes. verificar-se-á o montante dos aqüestos à data em que cessou a convivência. o valor do pagamento deve ser atualizado e imputado. à época da dissolução da sociedade conjugal. Art. 1.675. Citem-se os dispositivos pertinentes ao regime ora estudado: Art. disciplinado a partir do art. Art. e a massa de bens adquiridos de forma comum e onerosa. Se não for possível nem conveniente a divisão de todos os bens em natureza. III . Intensivo I LFG Página 143 .681.672. Neste confuso regime (o que afirmado pela doutrina). No regime de participação final nos aqüestos. Na dissolução do regime de bens por separação judicial ou por divórcio.Direito Civil – Pablo Stolze Conceito: Segundo Maria Berenice Dias o regime é muito confuso.672 do CC. sem a necessária autorização do outro. Seria necessário juntar nota fiscal de tudo que foi adquirido na constância do casamento. Parágrafo único. cada cônjuge possui patrimônio próprio (como na separação de bens). 1. o bem poderá ser reivindicado pelo cônjuge prejudicado ou por seus herdeiros. Art. Os bens imóveis são de propriedade do cônjuge cujo nome constar no registro. 1. nesse caso. Art. mas. excluindo-se da soma dos patrimônios próprios: I . em benefício do outro. Não se podendo realizar a reposição em dinheiro. A administração desses bens é exclusiva de cada cônjuge. consoante disposto no artigo seguinte. terá cada um dos cônjuges uma quota igual no condomínio ou no crédito por aquele modo estabelecido. na constância do casamento. em face de terceiros. na partilha é necessário que sejam computadas cinco massas de bens: o patrimônio do marido e da esposa anteriores ao casamento. salvo se o bem for de uso pessoal do outro. direito à metade dos bens adquiridos pelo casal. por valor equivalente ao da época da dissolução. e lhe cabe.674. que os poderá livremente alienar. Na dissolução da sociedade conjugal por morte. na data da dissolução. para efeito de meação. Art. parcial ou totalmente. Parágrafo único. calcular-se-á o valor de alguns ou de todos para reposição em dinheiro ao cônjuge não-proprietário. 1. serão avaliados e. As coisas móveis.685. Ao determinar-se o montante dos aqüestos. 1. No caso de bens adquiridos pelo trabalho conjunto. ou declarado no monte partilhável.os bens anteriores ao casamento e os que em seu lugar se sub-rogaram.679. salvo prova de terem revertido. Parágrafo único. Pelas dívidas posteriores ao casamento. Art. Salvo prova em contrário. Impugnada a titularidade. alienados tantos bens quantos bastarem. O direito à meação não é renunciável. Nesse regime. a título oneroso. II .os que sobrevieram a cada cônjuge por sucessão ou liberalidade. 1. 1.

4. que adotar o regime de participação final nos aqüestos. não obrigam ao outro.656 do CC estabelece que no pacto antenupcial que adota o regime de participação final nos aquestos poder-se-á convencionar a livre disposição dos bens imóveis.: o art. Art.687 e 1. ou a seus herdeiros. Entre cônjuges e companheiros não há relação de parentesco.686.687. quando superiores à sua meação. Art. desde que particulares.688.656. É necessário observar que o cálculo para apuração da partilha dos cônjuges é bastante complexo e de difícil elaboração o que torna o regime inaplicável na prática e de difícil cobrança em prova de concurso. Art. poder-se-á convencionar a livre disposição dos bens imóveis. Estipulada a separação de bens. ------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------PARENTESCO Conceito: Com base no pensamento de Maria Helena Diniz. desde que particulares. salvo estipulação em contrário no pacto antenupcial. mas sim que há possibilidade de convenção a disposição livre dos bens imóveis. quais sejam: Intensivo I LFG Página 144 . 1. o parentesco consiste na relação vinculatória que une pessoas descendentes de um mesmo tronco comum ou unidas pela colateralidade. salvo se vier cópia do CC. que os poderá livremente alienar ou gravar de ônus real. As dívidas de um dos cônjuges. Marido e mulher não são parentes. estes permanecerão sob a administração exclusiva de cada um dos cônjuges. No pacto antenupcial. Regime da Separação de Bens (Convencional): Conceito: A separação convencional de bens é aquela estabelecida segundo a autonomia da vontade do casal.Direito Civil – Pablo Stolze Art. Ambos os cônjuges são obrigados a contribuir para as despesas do casal na proporção dos rendimentos de seu trabalho e de seus bens. Isso não quer dizer que haja dispensa da outorga uxória. 1. 1. Espécies de parentesco: A doutrina brasileira trabalha com três tipos de parentesco.688 do CC. Obs. 1. no pacto antenupcial. assim como é a relação travada entre um dos cônjuges ou companheiros e os parentes do outro. conforme os artigos 1. 1.

1.) o O parentesco por afinidade na linha reta vai até o infinito e não se desvincula. Art. ascendentes e descendentes. as pessoas provenientes de um só tronco. o parentesco consangüíneo vai até o infinito. descendentes de um mesmo tronco comum ou unidas pela colateralidade (artigos 1. Já o parentesco por afinidade na linha colateral (cunhados) há desvinculação quando da separação. § 2 Na linha reta. Ex. Para o Direito Civil. Sistemas sucessórios: Intensivo I LFG Página 145 . CC: Art.) Na linha reta. considerando que não há relação de parentesco entre os parentes por afinidade. tratando-se de direito fundamental previsto na Constituição Federal.Direito Civil – Pablo Stolze 1.595. e descendo até encontrar o outro parente. quando há uma aceitação de uma inseminação artificial heteróloga (com material de terceiro) há parentesco civil. subindo de um dos parentes até ao ascendente comum. considerando que deve ser levado em conta o ascendente comum. § 1 O parentesco por afinidade limita-se aos ascendentes. Parentesco consangüíneo ou natural: é a relação que vincula umas pessoas às outras. na linha reta. Na mesma linha. São parentes em linha colateral ou transversal. a afinidade não se extingue com a dissolução do casamento ou da união estável. o direito das sucessões é o conjunto de normas e princípios. 3. conforme resulte de consangüinidade ou outra origem. Obs. 1. e. São parentes em linha reta as pessoas que estão umas para com as outras na relação de 2. Parentesco por afinidade: é aquele travado entre um dos cônjuges ou companheiro e os parentes do outro (art. não há o que se falar em concunhado. CC: Art. na colateral. até o quarto grau. O fundamento do direito sucessório é a própria propriedade. aos descendentes e aos o irmãos do cônjuge ou companheiro.592. Art. 1. cessando-se o impedimento.592.594. 1. sem descenderem uma da outra. Contam-se. adoção. Ex.591. Parentesco Civil: o chamado parentesco civil tem matriz na norma legal.: o STJ (noticiário de 05/01/2009) entendeu que parentes colaterais de terceiro grau – tio e sobrinho – não tem obrigação de alimentos recíprocos. 1. _________________________________________________________________________________ DIREITO DAS SUCESSÕES: Conceito: Segundo Clóvis Beviláqua. No que tange a linha colateral. descendo posteriormente.593. atingindo até o quarto grau. Para o Código Civil Brasileiro não há parentesco colateral além do quarto grau. 1. esta parte de um tronco comum. sempre haverá um impedimento de casamento entre a sogra e o ex-genro. O parentesco é natural ou civil. Art. os graus de parentesco pelo número de gerações. Cada cônjuge ou companheiro é aliado aos parentes do outro pelo vínculo da afinidade.591 e 1. Até por isso que não é cabível alimentos entre parentes por afinidade. segundo o qual se realiza a transmissão do patrimônio de alguém depois da sua morte. Os irmão são parentes de segundo grau. Há regresso ao infinito.595. também pelo número delas.

por exemplo. A meação diz respeito ao regime de bens. Já a herança se refere a partilha de bens dos herdeiros. a herança era concentrada em um único herdeiro. *Meação versus Herança: meação é um direito próprio do cônjuge que nada tem haver com a herança. Tinha-se o chamado Benefício da primogenitura. Sistema da concentração obrigatória: segundo o qual. em havendo herdeiros necessários (descendentes. 1. Se o viúvo terá ou não direito a herança já é outra questão. O direito brasileiro resguarda a legítima não se permitindo ao autor da herança doar mais de 50% de seu patrimônio para. Sistema da divisão necessária: é o sistema adotado no Brasil. e não se refere à herança. 3. ascendentes ou cônjuges) o testador somente poderá dispor de metade da herança. observando-se que o cônjuge é herdeiro necessário.789 do CC que estabelece que. Pablo entende que resguardar a legítima nos casos de filhos maiores e capazes a preservação da legítima pode acarretar infinitas brigas entre os familiares. 2.Direito Civil – Pablo Stolze Existem basicamente três sistemas sucessórios no mundo: 1. estando previsto no art. Era muito comum em sociedades mais antigas. instituições de caridade. Intensivo I LFG Página 146 . Sistema da Liberdade testamentária: permite ao testador fazer o que quiser de sua herança.

em situação excepcional. Alguns autores. decorrência do poder parental. e não a guarda relativa ao Estatuto da Criança e do Adolescente.604). vão mais além admitindo a tutela do próprio direito de família (Maria Berenice Dias). especialmente de assistência material e moral. ainda que no campo previdenciário. por sua vez. por decisão conjunta.584 do CC. justificaria os direitos da amante? No NCC a (o) “amante” é chamada (o) concubina (o). para evitar enriquecimento sem causa. sem que haja um escopo protetivo. O Código Civil Brasileiro em seu artigo 1. que a concubina poderia ter direito pelo menos a uma indenização por serviços prestados (Resp.Direito Civil – Pablo Stolze O STJ julgando o Resp 789. traduz um plexo de obrigações e direitos em face do menor. a relação de concubinato entre pessoas impedidas. têm negado a proteção jurídica à concubina (Re 590. flexibiliza o dever de fidelidade recíproca. O Superior Tribunal de Justiça já decidiu. A regulamentação da guarda dá-se nos artigos 1. aceitando a participação de terceiros no próprio núcleo afetivo. impedidos de casar. Direitos da Amante: A luz do art. objeto de estudo da psicologia caracteriza a relação de casamento ou união estável aberta em que o casal.727 do CC (“As relações não eventuais entre o homem e a mulher. Os tribunais brasileiros tendem a abraçar a monogamia e por esse motivo não foi admitida referida tese. Conceito: A guarda. As decisões mais recentes do STF. O concubinato. tecnicamente é a relação entre pessoas impedidas de casar.583 e 1. Citemse: Intensivo I LFG Página 147 . Nesse julgado o STJ analisou caso em que o homem conviveu com sua esposa e com a concubina pelo prazo de 36 anos pelo que foi consagrada a possibilidade de indenizar a concubina pelos serviços domésticos prestados.727 faz breve referência à relação de concubinato. 303. todavia. constituem concubinato” ). 1. Poliamorismo: O denominado poliamorismo.779/ES). ----------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------GUARDA DE FILHOS Aqui se analisa a guarda de filhos relativa ao poder familiar dos pais.293/RJ não admitiu a tese da união estável putativa.

II – saúde e segurança.584. poderá implicar a redução de prerrogativas atribuídas ao seu detentor. poderá basear-se em orientação técnico-profissional ou de equipe interdisciplinar. Guarda alternada é aquela em os pais revezam ou alternam períodos exclusivos de guarda. § 3o Para estabelecer as atribuições do pai e da mãe e os períodos de convivência sob guarda compartilhada. Art. O domicílio do menor será o domicílio do guardião. § 2o Quando não houver acordo entre a mãe e o pai quanto à guarda do filho. ou em razão da distribuição de tempo necessário ao convívio deste com o pai e com a mãe. §1º. § 5o) e. Espécies de Guarda: O CC trata de apenas dois tipos de guarda. § 5o Se o juiz verificar que o filho não deve permanecer sob a guarda do pai ou da mãe. considerados. CC. em ação autônoma de separação. Enquanto a primeira modalidade (guarda unilateral) Intensivo I LFG Página 148 . poderá ser: I – requerida. cabendo ao outro direito de visitas. A guarda alternada não deixa de ser exclusiva. a sua importância. unilateral ou compartilhada. 2.Direito Civil – Pablo Stolze Art. § 1o Na audiência de conciliação.583. Alternada: muitos falam em guarda compartilhada. Unilateral ou exclusiva: é a modalidade mais difundida no Brasil. a guarda compartilhada. o grau de parentesco e as relações de afinidade e afetividade. § 1o Compreende-se por guarda unilateral a atribuída a um só dos genitores ou a alguém que o substitua (art. III – educação. exerce a função de guardião. de dissolução de união estável ou em medida cautelar. 1. II – decretada pelo juiz. o juiz. 1. § 2o A guarda unilateral será atribuída ao genitor que revele melhores condições para exercêla e. unilateral ou compartilhada. ou por qualquer deles. sempre que possível. concernentes ao poder familiar dos filhos comuns. § 4o (VETADO). pelo pai e pela mãe. por consenso. de ofício ou a requerimento do Ministério Público. o juiz informará ao pai e à mãe o significado da guarda compartilhada. inclusive quanto ao número de horas de convivência com o filho. mais aptidão para propiciar aos filhos os seguintes fatores: I – afeto nas relações com o genitor e com o grupo familiar. de divórcio. deferirá a guarda à pessoa que revele compatibilidade com a natureza da medida. § 3o A guarda unilateral obriga o pai ou a mãe que não a detenha a supervisionar os interesses dos filhos. cabendo ao outro correspondente direito de visitas. § 4o A alteração não autorizada ou o descumprimento imotivado de cláusula de guarda. 1. se intercala. No entanto. Art.583. a similitude de deveres e direitos atribuídos aos genitores e as sanções pelo descumprimento de suas cláusulas. Trata- se de guarda em que apenas um dos pais. A guarda será unilateral ou compartilhada.584. com caráter de exclusividade. 1. mas é exclusiva que se alterna. de preferência. por guarda compartilhada a responsabilização conjunta e o exercício de direitos e deveres do pai e da mãe que não vivam sob o mesmo teto. objetivamente. em atenção a necessidades específicas do filho. mas não se pode fazer essa confusão. será aplicada. A guarda. a doutrina apresenta quatro espécies de guarda: 1.

§ 2o Quando não houver acordo entre a mãe e o pai quanto à guarda do filho. A criança fica na mesma casa em que era criada. 1. na guarda alternada há revezamento de guardas exclusivas. tendo ainda. Intensivo I LFG Página 149 . e os pais se revezam em sua companhia. Esse projeto estabelece sanções que vão da admoestação até a perda do poder parental. sempre que possível. 3.Direito Civil – Pablo Stolze o guardião fica com o menor exclusivamente e o outro tem direito de visitas. É necessário observar que a guarda compartilhada incentiva o entendimento evitando. Tem-se atualmente. Mas não sendo esta hipótese. Neste tipo de guarda. como matriz do reconhecimento voluntário de filhos previsto no art. Em geral. e em situações excepcionais. será aplicada. *Guarda compartilhada obrigatória: O §2º do artigo 1. somente se afigura viável em situações excepcionais em que não haja risco para integridade do menor. pode o juiz determinar obrigatoriamente. Obs.583 do CC). não há exclusividade: tanto o pai quanto a mãe detém-na.584 do CC.609 do CC. de pouca aplicação prática. Aninhamento ou nidação: para evitar que a criança fique indo de uma casa para outra. 1.560/1992 tratava a matéria. tende a evitar a Síndrome da Alienação Parental – SAP: a indevida interferência psicológica promovida por um dos genitores para que repudie o outro (PL 4053/2008). esta modalidade de guarda determina que fique no mesmo domicílio do casal enquanto casados. Essa guarda é muito próxima da guarda compartilhada. a guarda compartilhada. É também chamada guarda conjunta. a guarda compartilhada. a criança está em risco. características da alternada. ao permitir que o Juiz obrigue o casal à guarda compartilhada.: A guarda compartilhada. coresponsabilizando-se por ele (§1º do art. Guarda Compartilhada: o CC foi modificado em 2008 para explicitamente prever essa modalidade de guarda. 4. Filiação: Reconhecimento voluntário de filhos: Alguns autores denominam o reconhecimento voluntário de filhos de perfilhação. cabendo ao próprio casal disciplinar a vida do seu filho. A lei 8. quando não há acordo. e os pais saem. Mas o NCC derrogou parcialmente essa lei. pois. essa síndrome. por causar menos dano psicológico ao menor. e sendo possível.

como demorou tanto Intensivo I LFG Página 150 . O reconhecimento pode preceder o nascimento do filho ou ser posterior ao seu falecimento.por escritura pública ou escrito particular. III . d) Manifestação direta e expressa perante o juiz. O legislador. Em geral. O filho maior não pode ser reconhecido sem o seu consentimento. 1. é além de solene. 1. O reconhecimento dos filhos havidos fora do casamento é irrevogável e será feito: I .por testamento. ou à emancipação. por meio de escritura pública. O ato de reconhecimento voluntário de filho.: Há possibilidade de reconhecimento do filho antes mesmo de seu nascimento. Parágrafo único.614.614 do CC estabelece que o filho maior não pode ser reconhecido sem o seu consentimento e o menor poderá impugnar o reconhecimento nos quatro anos que se seguirem à maioridade ou à emancipação. se não houve reconhecimento do filho e na audiência de reconhecimento de união estável há afirmação voluntária da paternidade.609. e o menor pode impugnar o reconhecimento. b) Por escritura pública ou escrito particular arquivado em cartório de registro civil. c) Por testamento: observe-se que apesar de o testamento ser ato revogável a cláusula de reconhecimento de filho não o é. na hipótese de serem casados. se o filho é rico. a ser arquivado em cartório.no registro do nascimento. Ex. 1. IV . a fim de se evitar reconhecimento interesseiro posterior a morte do filho.Direito Civil – Pablo Stolze Art.por manifestação direta e expressa perante o juiz. ainda que o reconhecimento não haja sido objeto único e principal do ato que o contém. a possibilidade de reconhecimento de filho falecido se este deixou descendentes. o tratamento jurídico do reconhecimento de filho feito por absoluta ou relativamente incapaz. considerando que. nos quatro anos que se seguirem à maioridade. Não sendo dado o consentimento para o reconhecimento. *Reconhecimento de filho maior: O art. irrevogável e personalíssimo. *Formas de reconhecimento de filho: a) No registro de casamento: é a forma mais comum de reconhecimento de filhos. quis relevar situações em que não há casamento. nesse dispositivo. Ex. Obs. há presunção de paternidade do marido. ainda que incidentalmente manifestado. Há ainda. é importante ver no material de apoio. II . se ele deixar descendentes. Art. Nesse ponto. ainda que o reconhecimento não haja sido o objeto único e principal do ato que o contém. indaga-se se há necessidade de fundamentação da negativa.

a primeira ideia que se vem é a ação de investigação de paternidade.: o STJ já decidiu (Ag Rg no Ag. CC). a sentença não transita em definitivo materialmente em julgado. *Legitimidade ativa: esta legitimidade é do alegado filho e do Ministério Público (legitimação extraordinária).954/RS. A lei não explicita como deve ser feita a negativa de conhecimento. Busca-se a verdade genética. ausente o exame de DNA e julgado o pedido na investigatória. mas é necessário observar que esta não é a única ação.352/SP) que a pessoa adotada não é impedida de propor a investigatória para conhecer a sua verdade biológica. Ex. dos herdeiros.084/GO. Observe-se que.: O STJ. Reconhecimento Judicial de Filhos Ao se falar em reconhecimento judicial. biológica. mas pode ocorrer). *Ação Investigatória de Paternidade: Trata-se de ação imprescritível até mesmo por se tratar de declaratória. 300. há possibilidade de seus descendentes habilitarem no processo.698/MS) que. ação reivindicatória de paternidade. STJ).: Em direito processual civil. se a investigatória for post mortem. julgando o Resp. Intensivo I LFG Página 151 . Obs.154/RS). 226. 1.Direito Civil – Pablo Stolze tempo para o reconhecimento o filho maior não aceita o consentimento. proposta a ação de investigação e falecido o suposto filho. ação investigatória de maternidade (é difícil. 826. mas sim.606. 878. Obs. A doutrina inclusive defende isso. anulatória de registro de nascimento (Resp.997/RS entendeu que este direito de impugnar o reconhecimento seria imprescritível. o STJ já flexibilizou esse entendimento para permitir que os próprios netos possam diretamente investigar a relação avoenga (Resp. conforme dito. A despeito de tradicionalmente o nosso direito reconhecer o caráter personalíssimo para a propositura da ação investigatória (art. Nesta última hipótese não é o espólio o legitimado passivo considerando que o espólio é a massa de direitos e obrigações. Não se pode haver pretensões patrimoniais nem tampouco relativas a paternidade considerando que “pai é quem cria”. Obs. dos seus herdeiros. 601. *Legitimidade passiva: a legitimidade passiva é do suposto pai ou. já está assentado. 942. na doutrina e na jurisprudência (Resp. 604.436/PR.

557. Em um primeiro momento. independentemente da verdade biológica. Embora o exame de DNA seja de grande importância para afirmar a paternidade oficial. se a relação de afeto estiver devidamente construída e fundamentada ao longo de toda uma vida. atualmente vivida é a da paternidade sócio-afetiva. mas sim a afetividade existente e o vínculo emocional que envolve as partes. Obs. Em tal fase. Etapas da paternidade no Brasil: A paternidade no Brasil passou por três fases. vivia-se a fase da paternidade legal ou jurídica: o CC 16 e o Direito da época firmaram uma presunção. Intensivo I LFG Página 152 .013/MG que disciplina a admissibilidade do teste de DNA em confronto com as demais provas produzidas. a paternidade biológica não corresponde à paternidade afetiva. trazendo a ideia de que a paternidade não pode se esgotar no conceito biológico da paternidade. julgada procedente a investigação de paternidade. João Batista Vilela trouxe a ideia da desbiologização do Direito de Família. como inclusive já admitiu o STJ consoante o noticiário de 19/11/2009.004/2009. A segunda fase é chamada fase da paternidade biológica ou científica. Não mais o legislador. Importa no caso da paternidade sócio-afetiva a afetividade existente. Lei 12. de que o marido é presumidamente pai do filho da sua esposa. Emblemático é o Resp 397. A paternidade/maternidade biológicas não esgotam a o real conceito de paternidade. efetivando-se o julgamento com base nas outras provas produzidas nos autos. salvo se as partes acordarem. mas a ciência diria a palavra final. não será feito novo exame.365/RO: houve conceituação da “ficada”. A terceira etapa. que a recusa injustificada ao exame de DNA gera uma presunção relativa de paternidade. quase absoluta.Direito Civil – Pablo Stolze Já está pacificado (Súmula 301 do STJ). Em 1979. *Paternidade Sócio-afetiva: *Conceito: esta teoria admite o reconhecimento do vínculo filial.: a Súmula 277 do STJ estabelece que. que merece maiores considerações. Quando há confronto entre mais de um exame de DNA realizado. Não se leva em conta o lapso temporal ou outro requisito objetivo. *Ficada: Resp. os alimentos são devidos a partir da citação. pai confunde-se com genitor.

552. A anulação do casamento dos menores de dezesseis anos será requerida: I . senão vejamos: Art.por vício da vontade.558.549. O CC não diz que o juiz declarar a nulidade de um casamento.pelo próprio cônjuge menor. Não se anulará. ou pelo Ministério Público. 1.Direito Civil – Pablo Stolze Observe-se que se há o cometimento de um crime (caso Pedrinho) retirando a oportunidade dos pais biológicos de criarem o vínculo afetivo não há como reconhecer a paternidade sócio-afetiva. há certas peculiaridades no que se refere ao direito de família e à invalidade do casamento. 1. Nulidade absoluta do casamento: Os artigos 1.550. por motivo de idade. Parágrafo único.551. o casamento de que resultou gravidez. Art. quando não autorizado por seu representante legal. uma paternidade afetiva deve prevalecer sobre aquela.do incapaz de consentir ou manifestar. Quando houver violação de impedimento (art.por incompetência da autoridade celebrante. *Pai X Genitor: se a paternidade biológica não tiver a necessária fundamentação do afeto. 1. II .548 e 1.550 do Código Civil.de quem não completou a idade mínima para casar. _______________________________________________________________________________ INVALIDADE DO CASAMENTO A nulidade do casamento se desdobra em nulidade e anulabilidade.548. IV . É nulo o casamento contraído: I . Art.do menor em idade núbil. Embora a matriz da invalidade do casamento seja a própria matriz geral da teoria geral do direito civil. III . A decretação de nulidade de casamento. V . 1. Art. 1. interpreta-se no sentido de ser necessária ação de nulidade para que esta seja reconhecida quanto ao casamento. 1. VI .549 cuidam do casamento nulo – nulidade absoluta. 1. Art. Nulidade relativa do casamento: A matriz relativa a anulabilidade do casamento está prevista no art. CC) e no caso de enfermidade mental há absoluta nulidade do casamento. Assim. sem que ele ou o outro contraente soubesse da revogação do mandato. o que é previsto na parte geral quanto aos negócios jurídicos. o consentimento.556 a 1.520. Equipara-se à revogação a invalidade do mandato judicialmente decretada. Intensivo I LFG Página 153 .realizado pelo mandatário. II . por qualquer interessado. pelos motivos previstos no artigo antecedente. pode ser promovida mediante ação direta. nos termos dos arts. 1.pelo enfermo mental sem o necessário discernimento para os atos da vida civil. A decretação de nulidade de casamento pode ser requerida mediante ação direta por qualquer interessado ou pelo Ministério Público.por infringência de impedimento. É anulável o casamento: I . de modo inequívoco. e não sobrevindo coabitação entre os cônjuges.

o que diz respeito à sua identidade. a saúde e a honra. capaz de pôr em risco a saúde do outro cônjuge ou de sua descendência. Subsiste o casamento celebrado por aquele que. III . de doença mental grave que. Obs. da morte do incapaz. por qualquer modo. O casamento do menor em idade núbil. tiver registrado o ato no Registro Civil.558 do Código Civil. Art. no terceiro. ou com suprimento judicial. Art. existência de moléstia grave. Intensivo I LFG Página 154 . a nulidade é relativa.Direito Civil – Pablo Stolze II . anterior ao casamento. § 2o Não se anulará o casamento quando à sua celebração houverem assistido os representantes legais do incapaz. Considera-se erro essencial sobre a pessoa do outro cônjuge: I . no primeiro caso. depois de completá-la. ao deixar de sê-lo.a ignorância. possui conduta amoral. Vícios da vontade podem resultar na invalidade do negócio. torne insuportável a vida em comum ao cônjuge enganado. especialmente dos artigos que se referem aos prazos de anulação. por sua natureza. defeito físico irremediável há possibilidade de anulação do casamento. sem possuir a competência exigida na lei. exercer publicamente as funções de juiz de casamentos e.554.por seus ascendentes. torne insuportável a vida conjugal. anterior ao casamento. 1. IV . confirmar seu casamento.558. Isso ocorre no caso em que a causa torna impossível a convivência em comum. Já se é relativamente incompetente. III . de seus representantes legais ou de seus herdeiros necessários. 1. Se o que levou a pessoa a incorrer em erro foi circunstância anterior ao casamento é possível que haja anulação do casamento. sendo esse erro tal que o seu conhecimento ulterior torne insuportável a vida em comum ao cônjuge enganado. É anulável o casamento em virtude de coação. O erro essencial quanto a pessoa do outro pode gerar a invalidade do casamento. ou tiverem. anterior ao casamento. no segundo. Art.: Fazer a leitura do código. a partir do casamento. e. No caso de ser absolutamente incompetente a autoridade celebrante. com a autorização de seus representantes legais. pode ser anulado por vício de vontade.por seus representantes legais. nos termos dos artigos 1.556 a 1. caso seja homossexual.a ignorância de crime. quando o consentimento de um ou de ambos os cônjuges houver sido captado mediante fundado temor de mal considerável e iminente para a vida. Nesse ponto. pelo contágio ou herança. erro essencial quanto à pessoa do outro.556. 1. sua honra e boa fama. se houve por parte de um dos nubentes. O menor que não atingiu a idade núbil poderá. nessa qualidade. 1. É necessário observar que o casamento.557. II . por sua natureza. ou de moléstia grave e transmissível. Art. O casamento pode ser anulado por vício da vontade. quando não autorizado por seu representante legal. 1. que. ao consentir.a ignorância. § 1o O prazo estabelecido neste artigo será contado do dia em que cessou a incapacidade. Art. sua ou de seus familiares. Se por exemplo o cônjuge for um criminoso. por iniciativa do incapaz. só poderá ser anulado se a ação for proposta em cento e oitenta dias.555. de defeito físico irremediável. 1. observem-se os dispositivos pertinentes: Art. se necessária. manifestado sua aprovação.553. o casamento é inexistente.

Direito Civil – Pablo Stolze Observe-se que é necessário que a causa seja anterior ao casamento e que a cônjuge somente tenha conhecimento desse erro após o casamento. Já se a impotência ocorre após o casamento pode ensejar a separação ou divórcio. produz todos os efeitos até o dia da sentença anulatória. Cite-se o dispositivo em questão: “Art. 1. A impotência para o ato sexual que o cônjuge já portava e o outro somente soube após o casamento pode gerar a nulidade do casamento. Embora anulável ou mesmo nulo. mas diante da boa-fé de um ou ambos os cônjuges são preservados os efeitos do mesmo até a sua declaração de nulidade. 1. *** A sentença que declara a nulidade do casamento. nos termos do artigo 1.: Nos termos do inciso III do art. a doutrina diverge no que se refere à retroatividade ou não da sentença que anula o casamento (Orlando Gomes versus Zeno Veloso. *Casamento putativo: indaga-se o que se entende por casamento putativo. cujo título é Do Casamento Putativo. o casamento putativo é casamento inválido. Inf. pode gerar a sua anulabilidade. **Observe-se que a hipótese do artigo 1. § 1o Se um dos cônjuges estava de boa-fé ao celebrar o casamento. se contraído de boa-fé por ambos os cônjuges. os seus efeitos civis só a ele e aos filhos aproveitarão.” Assim.6425).103. como no caso da impotência coeundi (TJRS Emb. Fernando Simão.558 do CC se refere a coação moral. em relação a estes como aos filhos. concluímos que o defeito físico irremediável descoberto após o casamento. Obs. Ex. § 2o Se ambos os cônjuges estavam de má-fé ao celebrar o casamento. 7. As hipóteses de invalidade são relativas a fatos anteriores ao casamento trazidos para ele.561 do CC de um casamento nulo ou anulável contraído de boa fé por um ou ambos os cônjuges e cujos efeitos jurídicos são preservados. Já no que tange a sentença que anula o casamento. Trata-se. Pablo Stolze e Rodolfo Pamplona entendem que o juiz de ofício pode reconhecer a putatividade do casamento considerando que a boa-fé é cláusula geral do direito. sem dúvida alguma deve ter efeitos ex tunc. os seus efeitos civis só aos filhos aproveitarão. se dois irmãos se casam sem que saibam desse fato. etc.): melhor é a corrente que sustenta a retroatividade dos efeitos até porque o registro do casamento é cancelado e as partes voltam ao status quo ante.557 do CC. O casamento putativo nada mais é do que um casamento nulo ou anulável contraído de boa fé por um ou ambos os cônjuges.561. Há uma obra bem importante do mestre Yussef Said Cahali acerca da matéria. o casamento. Há conexão com a chamada Teoria da Aparência. ________________________________________________________________________________ REGIME DE BENS: Conceito: Intensivo I LFG Página 155 .

O NCC admite a mudança de regime de bens no curso do casamento. § 1o O regime de bens entre os cônjuges começa a vigorar desde a data do casamento. se houver patrimônio comum esse patrimônio pode ser partilhado.640 é na mesma linha). “Art. CC). atentando-se para o fato de que o pedido de mudança de regime de casamento deve ser feito a partir de mútuo acordo entre os cônjuges de forma fundamentada e somente será deferido se não houver prejuízo para terceiros. É bom que se diga que o art. Obs. II . Em geral o que o legislador quis ao impor a separação obrigatória de bens foi proteger um dos cônjuges. ** O STJ já pacificou (ver por exemplo o Resp.” O inciso II é rechaçado pela doutrina que aduz a sua inconstitucionalidade uma vez que o maior de sessenta anos possui entendimento suficiente para optar por seu regime de bens. Pablo entende que. ou seja.3891. mediante autorização judicial em pedido motivado de ambos os cônjuges. § 2o É admissível alteração do regime de bens.639.641.546/MG) que a mudança de regime de bens pode ser pleiteada por pessoas casadas antes do Código Civil de 2002. o Regime de bens supletivo é o da comunhão parcial de bens. na linha de autores como Sérgio Pereira. Luiz Felipe Brasil. variabilidade e mutabilidade (art. Na separação obrigatória de bens (art. 1.807/PR.: o TJRS julgando o Recurso 7. Resp. 1. apurada a procedência das razões invocadas e ressalvados os direitos de terceiros.639.977 – Lei do Divórcio – (e o artigo 1. o que lhes aprouver. É obrigatório o regime da separação de bens no casamento: I . regido pelos princípios da Liberdade de escolha. III . de suprimento judicial. Desde 1. É o chamado regime de separação legal de bens. desde que não haja prejuízo a terceiros. maior de 60 anos e golpe do baú.642. se os cônjuges não optam por outro regime de bens será adotado o regime da comunhão parcial de bens. Ex. Antes da Lei do Divórcio o regime da comunhão universal de bens era o regime supletivo.661. 730. o que traduz no princípio da mutabilidade. 1. estipular. afirmou a retroatividade da sentença que altera o regime de bens. CC: Art.Direito Civil – Pablo Stolze Trata-se do estatuto patrimonial do casamento.641 do CC estabelece situações em que é imposto o regime de separação obrigatória ou legal de bens. condicionado ao casamento. considerando que após a maioridade há fundamento para a mudança. pelo qual os nubentes escolhem o regime de bens do casamento. quanto aos seus bens. antes de celebrado o casamento.das pessoas que o contraírem com inobservância das causas suspensivas da celebração do casamento. 821. Denomina-se pacto antenupcial o negócio jurídico solene. É lícito aos nubentes. 1. para casar. Intensivo I LFG Página 156 . segundo dispõe súmula do STF. 1.).da pessoa maior de sessenta anos. a depender da situação há possibilidade de mudança de regime de bens embasado no inciso III do artigo retro citado.de todos os que dependerem.

É o mais justo. ou seja. comunicam-se os bens que sobrevierem ao casal. No regime de comunhão parcial. tem por princípio a comunicabilidade dos bens adquiridos a título oneroso.” **Merece destaque. O patrimônio anterior ao casamento é pessoal e exclusivo de cada cônjuge. assim como o que for adquirido por doação ou herança. Intensivo I LFG Página 157 . Art. O que a esposa adquire. VI . Ford Ka X Celta. V . regra geral no sistema brasileiro. admite a comunicabilidade dos bens adquiridos na constância do casamento. STF: “No regime de separação legal de bens. Se os valores são diferentes. 1. Comunhão parcial de bens: Conceito: O regime de comunhão parcial de bens. salvo reversão em proveito do casal. regulado a partir do art. Ford Ka X Mercedes. nesse ponto.os bens de uso pessoal. Observe-se que essa disposição se refere a separação legal ou obrigatória de bens e não quanto a convencional em que os cônjuges assumem o risco. no curso do casamento. 1. o Resp. Súmula 377. na constância do casamento. Espécies de regimes de casamento: 1. Os bens recebidos a título gratuito não se comunicam. os livros e instrumentos de profissão. mitigando a dureza do Regime de separação legal ou obrigatória.: a Súmula 377 do STF. e os sub-rogados em seu lugar. A ideia básica do regime da comunhão parcial é a comunicabilidade dos bens aquestos. II . Obs.as obrigações anteriores ao casamento. A comunhão é para o futuro. comunicam-se os adquiridos na constância do casamento.Direito Civil – Pablo Stolze Obs. III .659. 555.: o que se tinha antes de casar é exclusivo. 1.os proventos do trabalho pessoal de cada cônjuge.os bens adquiridos com valores exclusivamente pertencentes a um dos cônjuges em subrogação dos bens particulares. haverá comunicabilidade considerando que se presume o esforço comum dos cônjuges para completar o valor da troca. Ex. IV . aqueles adquiridos na constância do casamento. CC. Art. com as exceções dos artigos seguintes. o que o marido adquire e o que os cônjuges adquirem na constância do casamento comunica-se entre ambos. Excluem-se da comunhão: I . e os que lhe sobrevierem.os bens que cada cônjuge possuir ao casar.658. O mesmo ocorre quanto aos bens que foram subrogados no valor que se tinha antes.as obrigações provenientes de atos ilícitos.658. por um ou ambos os cônjuges.771/SP em que o STF firmou entendimento de que a comunicação dos bens e dívidas deve cessar com ruptura da vida em comum (separação de fato). por doação ou sucessão. na constância do casamento.

São incomunicáveis os bens cuja aquisição tiver por título uma causa anterior ao casamento. A administração do patrimônio comum compete a qualquer dos cônjuges. devendo haver direito de meação proporcional do cônjuge. Comunhão universal de bens: Conceito: Intensivo I LFG Página 158 . quando não se provar que o foram em data anterior.as pensões. montepios e outras rendas semelhantes. Art.821/RS. IV . em favor de ambos os cônjuges.668. mas sim de direito a meação (ver Resp. com ou sem o concurso de trabalho ou despesa anterior. percebidos na constância do casamento. meios-soldos. que impliquem cessão do uso ou gozo dos bens comuns.665. Já se parte das prestações forem pagas após o matrimônio há presunção do esforço comum.661 estabelece a incomunicabilidade dos bens cuja aquisição tiver por título uma causa anterior ao casamento (a exemplo da promessa de compra e venda inteiramente cumprida antes do matrimônio). A administração e a disposição dos bens constitutivos do patrimônio particular competem ao cônjuge proprietário.384/RS). 1. Resp. § 3o Em caso de malversação dos bens.664. As dívidas.as benfeitorias em bens particulares de cada cônjuge. presumem-se adquiridos na constância do casamento os bens móveis.662. ou dos particulares de cada cônjuge. Ex. é o que tem sido decidido. No regime da comunhão parcial. Art.663.: o STJ. 1.os bens adquiridos por fato eventual. salvo convenção diversa em pacto antenupcial. Entram na comunhão: I . 1. e os do outro na razão do proveito que houver auferido. a despeito do que dispõe os artigos 1. tem admitido a partilha de verba rescisória e até mesmo saldo de FGTS. 1. ou pendentes ao tempo de cessar a comunhão. III .: O art. V. V . 1.666. No entanto. se o cidadão solteiro pagou todas as prestações do contrato promessa de compra e venda e somente lavrou a escritura após o casamento.os bens adquiridos por doação. Art. VI e 1. Art. 2.os bens adquiridos na constância do casamento por título oneroso.Direito Civil – Pablo Stolze Obs. Os bens da comunhão respondem pelas obrigações contraídas pelo marido ou pela mulher para atender aos encargos da família. o juiz poderá atribuir a administração a apenas um dos cônjuges. Observe-se que não se trata de alimentos. II . VII . § 2o A anuência de ambos os cônjuges é necessária para os atos. Art.os frutos dos bens comuns. 1. ainda que só em nome de um dos cônjuges. Art. às despesas de administração e às decorrentes de imposição legal. 421. Obs. § 1o As dívidas contraídas no exercício da administração obrigam os bens comuns e particulares do cônjuge que os administra. 1. a título gratuito.661. Aparentemente. as decisões são contra legem. Art. 1. no sentido de ser pessoal o provento ou fruto do trabalho de cada cônjuge.660. contraídas por qualquer dos cônjuges na administração de seus bens particulares e em benefício destes.659. herança ou legado. 781. não obrigam os bens comuns.

direito à metade dos bens adquiridos pelo casal. a qualquer título. se forem móveis. Art. de difícil aplicação e para que desse certo deveria haver contabilidade diária do casal. os bens anteriores e posteriores ao matrimônio. regra geral. antes de realizada a condição suspensiva. individuais. cessará a responsabilidade de cada um dos cônjuges para com os credores do outro. comunicam-se.674. 1. Intensivo I LFG Página 159 . A incomunicabilidade dos bens enumerados no artigo antecedente não se estende aos frutos. ou reverterem em proveito comum.671. e lhe cabe. na época da dissolução da sociedade conjugal.669. que os poderá livremente alienar. Art. Art. posteriores ao casamento. que exigiria uma contabilidade constante (Maria Berenice Dias). segundo as específicas regras do regime. quando se percebam ou vençam durante o casamento. na constância do casamento.os bens doados ou herdados com a cláusula de incomunicabilidade e os sub-rogados em seu lugar. com as exceções do artigo seguinte. e efetuada a divisão do ativo e do passivo.673. quanto à administração dos bens. consoante disposto no artigo seguinte. adquiridos a título gratuito ou oneroso. 1. Art. V .659. 1. 1. salvo as exceções da lei.Os bens referidos nos incisos V a VII do art. Regime de Participação final nos aquestos: Conceito: Segundo Maria Berenice Dias o regime é muito confuso. Art. No regime de participação final nos aqüestos. cada cônjuge possui patrimônio próprio (como na separação de bens).668. a título oneroso. Integram o patrimônio próprio os bens que cada cônjuge possuía ao casar e os por ele adquiridos. III . cada cônjuge possui patrimônio próprio. regrado a partir do artigo 1. Citem-se os dispositivos pertinentes ao regime ora estudado: Art. 1.670.as doações antenupciais feitas por um dos cônjuges ao outro com a cláusula de incomunicabilidade. Sobrevindo a dissolução da sociedade conjugal. Neste confuso regime (o que afirmado pela doutrina).667 do CC. e a massa de bens adquiridos de forma comum e onerosa. A administração desses bens é exclusiva de cada cônjuge. O regime de comunhão universal importa a comunicação de todos os bens presentes e futuros dos cônjuges e suas dívidas passivas. 1. IV . o patrimônio do marido e da esposa. II . 1. na constância do casamento. 1. excluindo-se da soma dos patrimônios próprios: I .os bens gravados de fideicomisso e o direito do herdeiro fideicomissário. Parágrafo único. para efeito de meação.os bens anteriores ao casamento e os que em seu lugar se sub-rogaram. Art.as dívidas anteriores ao casamento. disciplinado a partir do art. à época da dissolução da sociedade conjugal. salvo se provierem de despesas com seus aprestos.672. mas. mais abrangente do que o regime anterior. o patrimônio adquirido pelo casal a título oneroso. 3. 1. Art.672 do CC.667.Direito Civil – Pablo Stolze Neste regime. Extinta a comunhão. na partilha é necessário que sejam computadas cinco massas de bens: o patrimônio do marido e da esposa anteriores ao casamento. Nesse regime. São excluídos da comunhão: I . 1. Aplica-se ao regime da comunhão universal o disposto no Capítulo antecedente. apurar-se-á. apurar-se-á o montante dos aqüestos. Seria necessário juntar nota fiscal de tudo que foi adquirido na constância do casamento.

por valor equivalente ao da época da dissolução. quando superiores à sua meação. 1. verificar-se-á a meação do cônjuge sobrevivente de conformidade com os artigos antecedentes. alienados tantos bens quantos bastarem. 1. mediante autorização judicial. Obs. É necessário observar que o cálculo para apuração da partilha dos cônjuges é bastante complexo e de difícil elaboração o que torna o regime inaplicável na prática e de difícil cobrança em prova de concurso. Não se podendo realizar a reposição em dinheiro. de os reivindicar. na data da dissolução. 1.682.680.685. Parágrafo único. Art. 1.os que sobrevieram a cada cônjuge por sucessão ou liberalidade. Art. à meação do outro cônjuge. presumem-se do domínio do cônjuge devedor. contraídas por um dos cônjuges. o bem poderá ser reivindicado pelo cônjuge prejudicado ou por seus herdeiros. No caso de bens adquiridos pelo trabalho conjunto. poder-se-á convencionar a livre disposição dos bens imóveis. Art. As coisas móveis. salvo se vier cópia do CC.678. 1. Parágrafo único. 1.675. Incorpora-se ao monte o valor dos bens alienados em detrimento da meação. somente este responderá. 1.686.676. Regime da Separação de Bens (Convencional): Conceito: Intensivo I LFG Página 160 .Direito Civil – Pablo Stolze II . Art. desde que particulares.656. Isso não quer dizer que haja dispensa da outorga uxória. 1. Parágrafo único. mas sim que há possibilidade de convenção a disposição livre dos bens imóveis. Na dissolução do regime de bens por separação judicial ou por divórcio. caberá ao cônjuge proprietário provar a aquisição regular dos bens. serão avaliados e.as dívidas relativas a esses bens. Art. calcular-se-á o valor de alguns ou de todos para reposição em dinheiro ao cônjuge nãoproprietário. O direito à meação não é renunciável. que adotar o regime de participação final nos aqüestos. deferindo-se a herança aos herdeiros na forma estabelecida neste Código. Pelas dívidas posteriores ao casamento. Salvo prova em contrário. cessível ou penhorável na vigência do regime matrimonial. ou a seus herdeiros. terá cada um dos cônjuges uma quota igual no condomínio ou no crédito por aquele modo estabelecido. Impugnada a titularidade.656 do CC estabelece que no pacto antenupcial que adota o regime de participação final nos aquestos poder-se-á convencionar a livre disposição dos bens imóveis. computar-se-á o valor das doações feitas por um dos cônjuges. salvo prova de terem revertido. As dívidas de um dos cônjuges. 1. em face de terceiros.677.684. 1. salvo se o bem for de uso pessoal do outro. Art. em benefício do outro. não obrigam ao outro. Art. Art. nesse caso. III . Art. ou declarado no monte partilhável. sem a necessária autorização do outro. Art. verificarse-á o montante dos aqüestos à data em que cessou a convivência. 4. No pacto antenupcial.683.: o art. Se não for possível nem conveniente a divisão de todos os bens em natureza. parcial ou totalmente. 1. Ao determinar-se o montante dos aqüestos. 1. Na dissolução da sociedade conjugal por morte. 1. Art. o valor do pagamento deve ser atualizado e imputado. Art. Os bens imóveis são de propriedade do cônjuge cujo nome constar no registro. desde que particulares. ou de seus herdeiros. presumem-se adquiridos durante o casamento os bens móveis. 1.679. Art. se não houver preferência do cônjuge lesado.681. Se um dos cônjuges solveu uma dívida do outro com bens do seu patrimônio.

atingindo até o quarto grau. Intensivo I LFG Página 161 . Contam-se. Espécies de parentesco: A doutrina brasileira trabalha com três tipos de parentesco. São parentes em linha colateral ou transversal. na linha reta. conforme resulte de consangüinidade ou outra origem. conforme os artigos 1.591 e 1. e descendo até encontrar o outro parente. salvo estipulação em contrário no pacto antenupcial. Ambos os cônjuges são obrigados a contribuir para as despesas do casal na proporção dos rendimentos de seu trabalho e de seus bens. 1. 1.688 do CC. 2. os graus de parentesco pelo número de gerações.687. Art.594. sem descenderem uma da outra.Direito Civil – Pablo Stolze A separação convencional de bens é aquela estabelecida segundo a autonomia da vontade do casal. esta parte de um tronco comum. considerando que deve ser levado em conta o ascendente comum. o parentesco consangüíneo vai até o infinito. também pelo número delas. e. 1. São parentes em linha reta as pessoas que estão umas para com as outras na relação de ascendentes e descendentes. O parentesco é natural ou civil. descendentes de um mesmo tronco comum ou unidas pela colateralidade (artigos 1. No que tange a linha colateral. Art.687 e 1. quando há uma aceitação de uma inseminação artificial heteróloga (com material de terceiro) há parentesco civil. Marido e mulher não são parentes.591. Art. o parentesco consiste na relação vinculatória que une pessoas descendentes de um mesmo tronco comum ou unidas pela colateralidade. no pacto antenupcial. as pessoas provenientes de um só tronco. 1. até o quarto grau. quais sejam: 1.592. Há regresso ao infinito. Entre cônjuges e companheiros não há relação de parentesco. -----------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------PARENTESCO Conceito: Com base no pensamento de Maria Helena Diniz. CC: Art. assim como é a relação travada entre um dos cônjuges ou companheiros e os parentes do outro.592. adoção. Na mesma linha. estes permanecerão sob a administração exclusiva de cada um dos cônjuges. Estipulada a separação de bens. Ex. 1.688. Art. que os poderá livremente alienar ou gravar de ônus real. Parentesco consangüíneo ou natural: é a relação que vincula umas pessoas às outras. Art. Parentesco Civil: o chamado parentesco civil tem matriz na norma legal. subindo de um dos parentes até ao ascendente comum. na colateral. Os irmão são parentes de segundo grau. 1.593.) Na linha reta.

Até por isso que não é cabível alimentos entre parentes por afinidade. tratando-se de direito fundamental previsto na Constituição Federal. aos descendentes e aos irmãos do cônjuge ou companheiro. cessando-se o impedimento. Sistema da divisão necessária: é o sistema adotado no Brasil. Cada cônjuge ou companheiro é aliado aos parentes do outro pelo vínculo da afinidade. _________________________________________________________________________________ DIREITO DAS SUCESSÕES: Conceito: Segundo Clóvis Beviláqua. Parentesco por afinidade: é aquele travado entre um dos cônjuges ou companheiro e os parentes do outro (art. em havendo herdeiros Intensivo I LFG Página 162 .595. Ex. 1. 3. Era muito comum em sociedades mais antigas. 1. a afinidade não se extingue com a dissolução do casamento ou da união estável. 1. sempre haverá um impedimento de casamento entre a sogra e o ex-genro. § 1 o O parentesco por afinidade limita-se aos ascendentes. estando previsto no art. 3.) O parentesco por afinidade na linha reta vai até o infinito e não se desvincula. Tinha-se o chamado Benefício da primogenitura. 2. CC: Art.789 do CC que estabelece que.595. segundo o qual se realiza a transmissão do patrimônio de alguém depois da sua morte. Sistema da Liberdade testamentária: permite ao testador fazer o que quiser de sua herança. Sistema da concentração obrigatória: segundo o qual. a herança era concentrada em um único herdeiro. O fundamento do direito sucessório é a própria propriedade. Para o Direito Civil. o direito das sucessões é o conjunto de normas e princípios. Já o parentesco por afinidade na linha colateral (cunhados) há desvinculação quando da separação. não há o que se falar em concunhado.Direito Civil – Pablo Stolze descendo posteriormente. Para o Código Civil Brasileiro não há parentesco colateral além do quarto grau. Obs. Sistemas sucessórios: Existem basicamente três sistemas sucessórios no mundo: 1. § 2o Na linha reta. considerando que não há relação de parentesco entre os parentes por afinidade.: o STJ (noticiário de 05/01/2009) entendeu que parentes colaterais de terceiro grau – tio e sobrinho – não tem obrigação de alimentos recíprocos.

Se o viúvo terá ou não direito a herança já é outra questão. Pablo entende que resguardar a legítima nos casos de filhos maiores e capazes a preservação da legítima pode acarretar infinitas brigas entre os familiares. A meação diz respeito ao regime de bens. O direito brasileiro resguarda a legítima não se permitindo ao autor da herança doar mais de 50% de seu patrimônio para. Já a herança se refere a partilha de bens dos herdeiros.Direito Civil – Pablo Stolze necessários (descendentes. ascendentes ou cônjuges) o testador somente poderá dispor de metade da herança. observando-se que o cônjuge é herdeiro necessário. *Meação versus Herança: meação é um direito próprio do cônjuge que nada tem haver com a herança. Intensivo I LFG Página 163 . por exemplo. instituições de caridade. e não se refere à herança.

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