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Guia Básico de Poções

Introdução

No preparo desta obra, tive em mira este alvo principal: ser útil.

Dada a constante indagação do povo venho, de há tempos, sentindo a necessidade


de publicar um livro prático, orientador, bem explicativo, fácil de entender, sobre o
uso das diversas substâncias no preparo de poções.

Para que você possa entender o presente livro, deverá estudá-lo desde o começo, e
não somente ler algumas partes que, à primeira vista, pareçam interessá-lo.
Qualquer poção que você queira fazer, com substâncias está intimamente
relacionada com a orientação dada na primeira parte do livro; para você entender a
descrição das substâncias, deve ler e entender sobre noções de herbologia.

Gostaria de acrescentar que esta obra está intimamente ligada ao uso de


substâncias naturais.

Finalizando, reiteramos nosso desejo de que esta obra preencha, também para com
você, a finalidade para a qual foi elaborada: que lhe seja realmente útil.
O autor

Preparo e aplicação de substâncias em poções


O uso de qualquer substância em demasia pode causar envenenamento, contudo o
uso adequado de substâncias naturais em poções pode até salvar vidas. No reino
natural há abundância de virtudes, venenosas ou não, próprias para as
necessidades humanas.

Para que as plantas não percam seu valor nas poções, devem ser colhidas quando
não estão molhadas de orvalho. Secam-se à sombra, porque os fortes raios solares
tiram das plantas, depois de arrancadas, uma parte de suas substâncias, que se
evaporam ao Sol.

As raízes devem ser bem lavadas e picadas em pedacinhos antes de serem postas
a secar.

Quando já secas as ervas examinam-se e separam-se as partes estragadas.


Conserva-se somente o que é bom. As folhas, flores, talos, raízes picados guardam-
se então em caixas, em lugar seco.

De vez em quando é bom tornar a examiná-las, a ver se estão apanhando umidade,


caso em que é necessário secá-las de novo. As que cheiram a mofo devem ser
substituídas.
Deve-se naturalmente anotar, em cada caixa, cuidadosamente, o tipo de erva
contido, para evitar confusão.?
Deste modo cada qual pode ter seu próprio kit de substâncias para o preparo de
poções.
As substâncias podem ser aplicadas de diversas formas, e é muito importante que
toda pessoa que pretenda aprofundar-se no preparo de poções conheça seus vários
modos de aplicação.

Citamos os seguintes:

Chás
De várias maneiras se prepara um chá, a saber:

a) Como tisana – Põe-se água a ferver e, quando estiver fervendo, acrescentam-se


as substâncias. Cobre-se. Deixa-se ferver mais uns cinco minutos, e tira-se do fogo.
Deixa-se repousar alguns minutos, bem coberta, coa-se e pronta está a tisana.

b) Por infusão – Esta forma consiste em despejar água fervendo sobre as


substâncias, num caldeirão ou outro recipiente, e deixá-las repousar assim, bem
cobertas, durante uns dez minutos. Para este preparo são mais apropriadas as
folhas e flores. Os talos e raízes também podem preparar-se por infusão, mas
devem ser picados bem finos e ficar em repouso, depois deitar água fervente em
cima, uns vinte ou trinta minutos.

c) Por decocção – Deitam-se as substâncias num caldeirão e verte-se água fria em


cima. A duração do cozimento pode variar entre cinco e trinta minutos, dependendo
da qualidade das substâncias empregadas. Partes duras, como sejam: raízes,
cascas, talos, picam-se em pedacinhos e cozinham-se quinze a trinta minutos. Tira-
se do caldeirão e conserva-se em recipiente coberto durante alguns minutos mais;
depois coa-se. Esta forma é mais recomendável para as cascas, raízes e talos.

d) Por maceração – Põe-se de molho as substâncias em água fria, durante dez a


vinte e quatro horas, segundo o que se emprega. Folhas, flores, sementes e partes
tenras ficam dez a doze horas. Talos, cascas e raízes brandos, picados, dezesseis a
dezoito horas. Talos, cascas e raízes duros, picados, vinte duas a vinte e quatro
horas. Coa-se. O método da maceração oferece a vantagem de que os sais minerais
e as vitaminas das ervas são aproveitados.

2. Sucos

Se os chás são eficazes, muito mais são os sucos crus das ervas. Infelizmente, nem
sempre podemos obtê-las frescas. A estação do ano ou o lugar em que mormos ou
estamos muitas vezes só nos permitem obter inúmeras delas em estado seco, da
provisão que temos. Mas, sempre que possível, devemos usá-las frescas.

O suco se obtém facilmente triturando as ervas com um pilão ou moendo-as em


máquinas de moer. Passa-se em seguida por um coador.

3. Sopas e caldos

Muitas ervas silvestres podem ser também preparadas em forma de sopas ou


ensopados.

As poções de ervas em forma de sopas ou ensopados, além de salutares têm a


vantagem de serem simples de preparar.

4. Cataplasmas

As cataplasmas se empregam de vários modos, a saber:

a) Ervas frescas, ao natural – Podem aplicar-se diretamente à parte dolorida,


inchada ou ferida.

b) Ervas secas em saquinhos – Frias ou quentes, conforme o caso, usam-se para


cãibras causadas por feitiços de paralisar ou de impedimento.
c) Em forma de pasta – Socam-se as plantas, formando uma papa que se coloca
sobre o lugar dolorido, diretamente ou entre dois panos. Quando não se têm ervas
frescas para este fim, podem-se utilizar também ervas secas. Neste caso se deita
água fervente em cima das ervas, num caldeirão, tanta quanto necessária para
formas uma pasta uniforme.

As cataplasmas têm efeito calmante sobre os inchaços, nevralgias, contusões,


furúnculos, supurações, etc.

No preparo das mesmos não deve-se usar colheres de metal, especialmente as de


alpaca, mas sim de madeira, pois as primeiras poderiam provocar envenenamento
se permanecessem muito tempo na massa.

d) Compressas – Usam-se, para este fim, panos bem limpos, brancos e finos.
Cozinham-se as ervas em dose forte, isto é, usa-se, para um litro de água, duas,
três ou quatro vezes mais erva que para um chá. Coa-se. No cozimento mergulha-
se o pano, torce-se bem e aplica-se sobre a parte dolorida ou afetada.

5. Inalações

Põem-se ervas em água, num caldeirão ou outro recipiente, a ferver. Quando


levantar fervura, aproveita-se o vapor, aspirando-o por meio de um funil (pode ser
de papel). O cuidado que aqui se deve ter é de não escaldar, porque o bafo da
fervura é muito quente.

6. Ungüentos

Podem também se preparar ungüentos de certas substâncias. Tomam-se diversas


ervas frescas, como calêndula, arnica, hipericão, barna, etc., e trituram-se,
misturadas, com um pilão, ou passa-se por uma máquina de moer. O suco que se
obtém, mistura-se à gordura vegetal. Aquece-se sobre o fogo até derreter. A isto se
pode acrescentar um pouco de cera de abelha, para formar ungüento mais espesso.

7. Azeites

Ao azeite também podem misturar folhas, sementes e flores de ervas – por


exemplo: camomila, alfazema – para se tornar um bom óleo. Tampa-se bem a
garrafa que contenha a mistura e expõe-se diariamente ao Sol, durante quinze dias.
Coa-se depois. O óleo assim preparado serve para diversos fins, (de acordo com a
substância utilizada) interno e externo.

Sobre a Utilização da Água em Poções


Uma vez que as substâncias podem ser utilizadas em chás, sucos, compressas, etc.,
não posso deixar de dedicar um capítulo à hidroterapia.

Por hidroterapia entende-se o tratamento pela água sob suas diversas formas e
temperaturas variáveis.

A água ingrediente básico e um veículo de calor ou frio para as poções.

Aplicada ao corpo, opera nele modificações que atingem, em primeiro lugar, o


sistema nervoso, o qual, por sua vez age sobre o aparelho circulatório, produzindo
efeitos sobre a regularização do calor animal. As reações da aplicação da água são,
portanto, três: 1ª) nervosa, 2ª) circulatória, 3ª) térmica.
Água Fria

A água fria excita fortemente a sensibilidade periférica, e a excitação


experimentada é levada, por via centrípeta, até os centros corticais, produzindo
diversos reflexos, dos quais para nós os mais interessantes ocorrem na periferia,
nos vasos superficiais e nos órgãos subjacentes, na pele. Quando a água fria toca a
pele, os vasos periféricos se contraem, o coração retarda momentaneamente suas
batidas e a pressão arterial aumente. Ao cabo de alguns segundos, graças ao
relaxamento dos vasos periféricos, a pele se torna mais corada. Baixa a pressão
arterial e o coração acelera suas batidas.

Na aplicação de água fria verificam-se, pois, duas fases: em primeiro lugar a


vasoconstrição (reflexo de defesa destinado a diminuir a perda de calor) e
hipertensão; em segundo lugar a vasodilatação e hipotensão. Logo em seguida, a
circulação volta, nos indivíduos normais, ao seu estado habitual.

Água Quente

A água quente produz, como a água fria, a excitação da sensibilidade periférica e


determina quase igual a série de reflexos. A principal diferença é que a água fria é
mais tônica e sedativa que a água quente. Outrossim, a aplicação demasiadamente
longa desta última é deprimente.

Com a água quente também se verificam as duas fases já mencionadas: 1ª)


vasoconstrição com hipertensão; 2ª) vasodilatação com hipotensão.

A princípio há, com a aplicação de água quente, produção de muito calor. Depois a
defesa orgânica contra a elevação da temperatura interna se efetua por meio de
uma vasodilatação periférica enérgica, e por transpiração, se a aplicação é de
duração suficiente.

As aplicações hidroterápicas frias ou quentes têm, em seus efeitos sobre o corpo


humano, a pele como intermediário. Da superfície da parte a impressão sensitiva
que constitui a reação da sensibilidade, o reflexo vasomotor que provoca a reação
circulatória, e reflexo térmico que regula, por meio dos vasomotores, o gasto de
calor periférico.

A hidroterapia utilizada como estudo para a eficácia do efeito de poções é uma


grande aliada, uma vez que a ação das substâncias, basicamente, necessita de um
agente condutor.