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A Genética - o seu início

Pedro Vitória

Gregor Mendel
O primeiro geneticista
As leis da hereditariedade
‹ A procriação permaneceu um mistério até ao fim do século XIX
‹ Especialmente porque se observava o «paradoxo da manutenção da
variação».
‹ As características variavam de indivíduo para indivíduo.
‹ Uma parte desta dispersão dever-se-ia seguramente às condições de vida,
a outra à herança biológica recebida pelos pais.
‹ Por exemplo, um pai grande e uma mãe pequena teriam um filho de
dimensão média. A longo prazo, este processo iria conduzir à redução da
dispersão, numa dada população.
‹ Continuando com o exemplo da altura, os indivíduos aproximar-se-iam
progressivamente da estatura média. Ou seja, a variação deveria reduzir-se
de geração para geração.
‹ Mas, do que observamos, isto não acontece. Era preciso ter outra explicação.
0 primeiro a fazê-lo foi um monge chamado Mendel.
As leis da hereditariedade
‹Gregor Mendel (1822--1844), monge e professor austríaco, formulou um relato
preciso da forma como se transmitem as características genéticas de uma
geração para a seguinte.

‹Teve a noção de que as espécies de plantas e


animais diferiam consideravelmente em
características como o tamanho, a forma e a cor.

‹Decidiu-se a descobrir o que determinava as


características das espécies e o modo como eram
herdadas.
‹ Para objecto de investigação, escolheu a ervilha-de-cheiro.

‹ Estudou sete das características da planta, cada uma das quais se


apresentava de duas formas distintas: os caules, por exemplo, ou eram
compridos ou curtos.
Sete pares de características

‹ Mendel estudou ervilhas-de-cheiro para determinar o processo pelo qual


se herdam determinadas características.

‹ Das sete que considerou:

‹ as que designou de dominantes são apresentadas à esquerda dos pares;

‹ enquanto as características correspondentes, e que designou de


recessivas, se apresentam à direita dos pares.
Sete pares
de
caracteres
As leis da hereditariedade

‹ Num processo que designou de criação de exemplares puros;

‹ Mendel estabeleceu estirpes de ervilhas para cada uma das


características que pretendia estudar.

‹ Assim, conseguiu uma estirpe de plantas altas e outra de plantas


curtas.

‹ Em seguida, cruzou plantas pertencentes a estirpes puras


diferentes
As leis da hereditariedade

‹ Cruzou uma planta


alta com uma
planta baixa
As leis da hereditariedade
‹ E cruzou uma planta
que produzia sementes
redondas
com uma que produzia
sementes enrugadas
As leis da hereditariedade
‹Mendel descobriu que os descendentes destes cruzamentos — designados
de híbridos — nunca apresentavam uma mistura das características.

‹Em vez disso, caracterizavam-se por, apenas ter uma dessas


características;

‹Por exemplo, eram altos todos os descendentes dos cruzamentos entre


plantas altas e plantas baixas;

‹E todos os descendentes de cruzamentos entre plantas com sementes


redondas e sementes enrugadas produziam sementes redondas;

‹Mendel designou como «dominantes» as características persistentes,


caso dos caules altos e das sementes redondas;

‹E como «recessivas» as características que pareciam haver


desaparecido, como era o caso dos caules curtos e das sementes enrugadas.
As leis da hereditariedade

‹Em seguida, Mendel lançou


mão das plantas “híbridas”
produzidas na primeira
geração, através de
cruzamentos, e cruzou-as
entre si.

‹ Os descendentes desta
segunda geração de
cruzamentos repartiam-se por
dois padrões notáveis.
As leis da hereditariedade

‹Em primeiro lugar, alguns


dos descendentes
apresentavam a
característica recessiva,
como os caules curtos e as
sementes enrugadas, que não
haviam aparecido na primeira
geração.

‹ Em segundo lugar, para


cada um dos descendentes
com a característica
recessiva (o caule curto),
havia três plantas com a
característica dominante (o
caule alto).
As leis da hereditariedade
‹ Ilustram-se seguidamente as experiências de Mendel com a
"hereditariedade em plantas de caules altos e caules curtos”.

‹ Cada uma das características que havia estudado tinha sido


determinada pela acção recíproca de um par de factores — a que
mais tarde se deu o nome de genes — que se podem revestir de uma
de duas formas.

‹ Mendel referiu-se às formas alternantes dos factores que


determinavam o comprimento do caule como L, para os caules
I
longos, e , para os caules curtos.

‹ Determinou ele que, se ambas estivessem presentes numa planta,


uma delas.— L — é dominante e oculta o efeito da outra, que é
recessiva — I.
As leis da hereditariedade
As leis da hereditariedade
‹ As plantas altas de estirpe pura têm os factores LL e as
plantas baixas de estirpe pura têm o factor II.
‹ Os descendentes da primeira geração de cruzamentos
eram todos LI , mas, em virtude de o factorLser dominante, as
plantas tinham todas caules longos. Cada planta transmite
apenas um dos seus dois factores a cada descendente.

‹ Quando a primeira geração de híbridos foi cruzada entre si,


uma média de cerca de um em cada quatro descendentes
herdou
I
o factor recessivo de ambas as plantas-mãe e, por conseguinte,
tinha caule curto;
‹ Os restantes herdaram pelo menos um factor dominante L, o
que lhes proporcionava caules longos.
As leis da hereditariedade
PORQUE FORAM IMPORTANTES AS ERVILHAS DE
MENDEL?

Em resultado das suas experiências, Mendel estabeleceu os


seguintes princípios fundamentais da hereditariedade:

As características fundamentais de um organismo vivo são


determinadas por factores distintos — actualmente designados de
genes — que se transmitem de uma geração para a seguinte.

Muitas das características dos organismos são determinadas


pela acção recíproca de um par de factores hereditários.
PORQUE FORAM IMPORTANTES AS ERVILHAS DE
MENDEL?

Os factores que determinam uma característica num dado par


podem ser iguais ou diferentes.
Quando são diferentes, a forma dominante oculta o efeito da outra,
que se designa de recessiva.

Os organismos com características específicas são produzidos


de uma geração para outra em números previsíveis, de acordo
com regras estatísticas.

As leis de Mendel constituem a base da ciência da genética


e da forma como entendemos a transmissão hereditária das
características individuais.