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Capítulo 9 Neste capítulo 1. Estrutura da matéria 2. Física quântica 3. A Física das
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Capítulo 9 Neste capítulo 1. Estrutura da matéria 2. Física quântica 3. A Física das

Capítulo

9

Neste capítulo

1. Estrutura da matéria

2. Física quântica

3. A Física das partículas elementares

4. Física nuclear

A Física das partículas elementares 4. Física nuclear A Física do “muito pequeno” Registro de experimento

A Física do “muito pequeno”

4. Física nuclear A Física do “muito pequeno” Registro de experimento com feixe de partículas interagindo

Registro de experimento com feixe de partículas interagindo em um meio superaquecido, parcialmente líquido e parcialmente gasoso. Esse experimento possibilita a visualização de uma sequência de pequenas bolhas, como se fosse um rastro, que torna perceptível a trajetória de uma partícula atômica. Trata-se, portanto, da evidência indireta de fenômenos atômicos, uma vez que não existe nenhum tipo de equipamento que possibilite a observação direta de átomos.

Debate inicial

1. A imagem é resultado de um experimento no qual um campo magnético atua na direção perpendicular à do plano da fotografia. As linhas observadas correspondem às trajetórias de partículas lançadas na direção do plano da folha. Em sua opinião, essas partículas têm carga elétrica? Por quê?

2. Utilizando argumentos físicos, explique as diferentes trajetórias descritas por essas partículas.

3. As estrelas são imensas massas de gases de composição já conhecida. Em sua opinião, como os cientistas fazem para determinar a composição química desses corpos celestes?

4. Prótons, elétrons e nêutrons são os componentes elementares do átomo. Você concorda com essa afirmação? Em sua opinião, há partículas ainda menores que constituem essas três citadas?

5. O ENIAC foi o primeiro computador eletrônico, construído no século XX. Pesava 30 toneladas e consumia cerca de 150 kW. Quais avanços da ciência permitiram reduzir o tamanho, o peso e o consumo dessas máquinas a ponto de reduzi-las ao tamanho dos microcomputadores atuais?

Primeiras anotações

Considere as respostas obtidas no debate acima e responda no caderno.

1. Em sua opinião, as partículas elementares identificadas no debate acima se- riam as últimas partículas do átomo ou elas também são formadas por outras partículas ainda menores?

2. Como é possível detectar a existência de átomos, prótons, nêutrons ou outras partículas elementares?

3. Com tantos problemas importantes para serem resolvidos, como fome, epide- mias, miséria, etc., você acha que vale a pena investir em pesquisas sobre a estrutura da matéria? Justifique.

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1. Estrutura da matéria

Desde a Antiguidade busca-se compreender a origem e evolução do Uni- verso. Faz parte dessa busca tentar entender o que compõe a matéria, como ela é organizada, de que maneira ocorrem as interações entre os diferentes ti- pos de objetos, materiais, substâncias e elementos.

Já na Grécia antiga, por exemplo, defendia-se a ideia de que todas as coisas

que constituem o mundo físico seriam formadas por átomos, que seriam a me- nor divisão possível da matéria.

O átomo de Dalton

A retomada da ideia do átomo, ainda no Renascimento, pelo filósofo fran-

cês Pierre Gassendi (1592-1655), e o desenvolvimento da ciência moderna, após o Renascimento, contribuíram para a formulação da teoria atômica, por John Dalton (1766-1844), em 1808 (leia o boxe ao lado). Os estudos de Dal-

ton são considerados a primeira evidência consistente do modelo da matéria feita de átomos.

O átomo de Thomson

Também por meio de experimentos, Joseph John Thomson (1856-1940) propôs que os átomos constituintes da matéria seriam diferentes do modelo que havia sido proposto por Dalton. Ao longo do século XIX, com o desenvolvimento tecnológico, houve a cons- trução dos tubos de Crookes, que eram tubos de vidro selados, dos quais o ar era extraído. Seu funcionamento tinha como base a aplicação de alta tensão en- tre duas placas metálicas – o anodo e o catodo – colocadas em seu interior. No tubo, quando não era retirado todo o ar, o anodo brilhava com uma cor esverdeada; quando havia vácuo, era possível ver um feixe brilhando entre o ca- todo e o anodo, mostrando que havia corrente elétrica nessa região. Esse feixe foi chamado de raio catódico, uma vez que partia do catodo.

alta voltagem

�
luz visível �
luz visível

anodo

bomba de vácuo

catodo

Tubo de Crookes fun- cionando: visualização de feixe entre o catodo e o anodo.

Thomson realizou esse experimento e, além disso, submeteu o feixe à ação de um campo magnético e de um campo elétrico. Observou, então, que na pre- sença desses campos, a trajetória do feixe era desviada. Sabia-se, à época, que somente era possível um corpo interagir com campos elétricos e magnéticos se houvesse carga elétrica. Assim, Thomson deduziu que havia partículas porta- doras de carga elétrica no feixe. Mais ainda: de acordo com seus experimentos, concluiu que o sinal das cargas envolvidas no feixe era negativo. Por fim, calcu- lou a razão carga/massa dessas partículas. Como o feixe saia do catodo e chegava no anodo, Thomson concluiu que havia partículas negativas no catodo. Ocorre que este estava neutro antes do lançamento do feixe, de modo que essa neutralidade somente era possível porque havia cargas positivas também no anodo. Thomson propôs um novo modelo para o átomo, afirmando que era cons- tituído por fluido contínuo com carga positiva em cuja superfície flutuavam cargas negativas. Esse modelo, que ficou conhecido como “pudim de passas”, passou a ser o mais aceito, porque propunha uma explicação para os raios ca- tódicos que o modelo de esferas indivisíveis de Dalton não explicava.

Ligado ao tema A tabela de Dalton Dalton criou uma tabela que relacionava cada elemento
Ligado ao tema
A tabela de Dalton
Dalton criou uma tabela que
relacionava cada elemento conhe-
cido na época com um símbolo di-
ferente e mostrava ainda algumas
combinações entre elementos, as
quais, segundo ele, formavam
as substâncias conhecidas.
Segundo Dalton, as substân-
cias podiam ser compostas por
dois elementos (binário), três ele-
mentos (terciário), e assim por
diante. A ideia de molécula, por-
tanto, começava a se sedimentar.
Simples
1
2
3
4
5
6
7
8
9
1 0 11
12 13 14 15
16
1
2
C
L
17
18 19
20
S
P
G
Binário
21
22
23
24
25
Te rciário
26
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28
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Quaternário
30
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32
33
Quinquenário
Sextagenário
34
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Heptagenário
36
37
Representação de modelos de átomo
em livro publicado por Dalton no ano
de 1808. Cada esfera representava
um tipo de átomo. A junção de alguns
desses átomos formava as substâncias.
Essas junções podiam ser binárias,
terciárias, etc.
1 1
2
2
1
1
1
1
1
2
2
1
2
1
1

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Modelo de átomo proposto por Thomson após seus experimentos.

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A Física do “muito pequeno” 310 Para refletir ` Na experiência de Rutherford apresentada nesta

A Física do “muito pequeno”310 Para refletir ` Na experiência de Rutherford apresentada nesta página, seria possível prever também

310

Para refletir ` Na experiência de Rutherford apresentada nesta página, seria possível prever também a
Para refletir
` Na experiência de
Rutherford apresentada
nesta página, seria possível
prever também a existência
do nêutron? Justifique sua
resposta.

O átomo de Rutherford

Após as descobertas de Thomson, cientistas de vários países propuseram e realizaram vários experimentos para compreender o mundo atômico. Entre o final do século XIX e o início do século XX, os resultados desses experimentos divergiam das teorias da Física, incluindo as leis de Newton. Um dos principais cientistas da época foi Ernest Rutherford (1871-1937), que havia sido aluno de Thomson na Inglaterra. Ele não somente descobriu alguns desses resultados que não eram explicados pela Física da época, como também chegou a propor um novo modelo atômico para explicá-los. Um dos resultados inesperados descobertos por Rutherford (1871-1937), está relacionado à própria estrutura do átomo. Rutherford e seus colegas físi-

cos, o alemão Hans Geiger (1882-1945) e o britânico Ernest Marsden (1889- -1970), faziam experimentos sobre o espalhamento de partículas nos quais bom- bardeavam um alvo fixo, uma finíssima folha de ouro, com um feixe de partículas alfa. Ao redor da folha foi colocado um detector para verificar o desvio das par- tículas. O resultado esperado da experiência, realizada em 1911, considerando- -se o modelo atômico proposto por Thomson, era que as partículas alfa atravessa- riam o alvo, sofrendo um desvio de apenas alguns poucos graus em sua trajetória por causa da interação elétrica com as cargas (sabia-se, à época, que partículas alfa tinham carga elétrica positiva e que eram capazes de atravessar essas finas pelícu- las de alguns materiais). Algumas partículas alfa, porém, foram ricocheteadas ao atingirem partes dos átomos e sofreram grandes desvios.

feixes transmitidos

dos átomos e sofreram grandes desvios. feixes transmitidos lâmina de ouro raio de partículas alfa cápsula
lâmina de ouro raio de partículas alfa cápsula de chumbo
lâmina de ouro
raio de partículas alfa
cápsula de chumbo

tela fluorescente

feixes refletidos

fonte de partículas alfa

lâmina de sulfeto de zinco

Figura 1. Esquema simplificado do arranjo experimental de Rutherford em 1911.

núcleo atômico

paparrtíctículasulas aallfafa átomos da folha de ouro átomos da folha de ouro
paparrtíctículasulas aallfafa
átomos da folha de ouro
átomos da folha de ouro

Figura 2. Átomos interagindo com o feixe de partículas alfa, segundo o modelo de Rutherford. No esquema, podem-se perceber feixes ricocheteando em algumas partes internas dos átomos. Esquema sem escala e com cores-fantasia.

núcleo elétrons Figura 3. Modelo atômico proposto por Rutherford. Esquema sem escala e com cores-fantasia.
núcleo
elétrons
Figura 3. Modelo atômico proposto por
Rutherford. Esquema sem escala e com
cores-fantasia.

Os desvios observados não podiam ser explicados pelo modelo de Thom- son. Para explicar a causa desses desvios, Rutherford, por meio de seguidos arranjos experimentais e cálculos, propôs que toda a carga positiva do átomo e grande parte de sua massa estavam concentrados em uma pequena região do seu interior, a qual ele chamou de núcleo. Assim, Rutherford propôs um outro modelo atômico que substituiu o de Thomson. Segundo esse modelo, as partículas de carga negativa (os elétrons) orbitariam ao redor do núcleo em um movimento contínuo, sem que aconte- cesse nenhum choque entre eles, e haveria regiões vazias (vácuo), sem a pre- sença de nenhuma partícula em grande parte do átomo. Contudo, o modelo proposto por Rutherford não respondia a algumas ques- tões, como o fato de os elétrons se moverem ao redor do núcleo em um mo- vimento circular com aceleração centrípeta (devido à força coulombiana). Se- gundo a teoria eletromagnética de James Clerk Maxwell (1831-1879), cargas elétricas aceleradas emitiriam radiação. Contudo, se os elétrons emitissem ra- diação, perderiam energia, e consequentemente, velocidade, o que faria com que eles colapsassem e colidissem com o núcleo, o que não era observado.

Exercícios resolvidos
Exercícios resolvidos

1. Uma das maneiras de representar a interação en- tre átomos em Química é por meio da fórmula eletrônica, representada abaixo.

Na 1 1 C º Na 1 1 C º 2
Na 1 1 C º
Na 1 1 C º 2

a) Identificar o modelo de átomo utilizado.

b) Descrever o que essas representações mos- tram em relação aos elétrons.

Resposta

a) O modelo de átomo utilizado considera os elé- trons como pequenas esferas separadas do núcleo atômico. Trata-se, portanto, do modelo de Rutherford.

b) A representação evidencia que o sódio (Na) transfere um elétron ao cloro (Cº), realizando a ligação iônica. Nesse caso, estão representados somente os elétrons que participam da ligação.

2. Considerando-se os modelos atômicos apresen- tados, fazer o que se pede a seguir.

a) Diferenciar o modelo de Thomson do modelo de Rutherford.

b) Identificar questões não solucionadas ou sus- citadas pelo modelo de átomo de Rutherford.

Resposta a) No modelo de Thomson, o átomo era com- posto por uma esfera maciça positiva, na qual estavam incrustados os elétrons, de carga ne- gativa. Assim, não havia espaços vazios no in- terior do átomo. Já no modelo de Rutherford, toda a carga po- sitiva estava concentrada em um núcleo no interior do átomo, que também continha a maior parte de sua massa. Os elétrons orbi- tavam o núcleo, sem colidirem entre si. Nes- se modelo, entre o núcleo e os elétrons havia espaços vazios. b) Quando Rutherford propôs seu modelo, ele não explicou por que os elétrons não cairiam no núcleo devido à atração eletromagnética, e também não explicou como os elétrons se mo- vimentavam em órbitas sem colidirem e sem haver perda de energia.

e também não explicou como os elétrons se mo- vimentavam em órbitas sem colidirem e sem
em órbitas sem colidirem e sem haver perda de energia. Responda a todas as questões em
Responda a todas as questões em seu caderno.
Responda a todas as questões em seu caderno.

Exercícios propostos

3. Em Química, uma das maneiras de representar a in- teração entre dois átomos é

H

de representar a in- teração entre dois átomos é H H a) Descreva o que essa

H

a) Descreva o que essa representação mostra em relação aos elétrons. b) Identifique o modelo de átomo utilizado na re- presentação.

4. A fotografia a seguir é de cristais de sal de cozi- nha (NaCº ), e o modelo ao lado dela é da estrutura desse sal.

º ), e o modelo ao lado dela é da estrutura desse sal. C º �

C

º

Na

Identifique e descreva o modelo atômico utilizado no esquema do NaC º .

5. Julgue se a Química adota um único modelo para elaborar suas explicações, justificando sua resposta.

6. Frequentemente, o modelo de Rutherford é descri- to como um “modelo planetário do átomo”. Opine a respeito, justificando seus argumentos.

7. Um resultado observado no experimento de Rutherford foi que algumas partículas atravessavam o alvo sem sofrer nenhum desvio em relação ao feixe inicial.

partículas alfa
partículas alfa

núcleo atômico

átomos da folha de ouro

Explique o que esse resultado experimental eviden- cia a respeito da estrutura do átomo.

8.

A experiência de Rutherford esclareceu dúvidas sobre o peso de diferentes substâncias. Explique por que um átomo de prata pesa cerca de 137 ve- zes mais que um átomo de hidrogênio, embora o

átomo de prata não seja 137 vezes maior que o de

hidrogênio.

9.

Julgue se o núcleo do átomo poderia ser conside- rado negativo no modelo de Rutherford. Justifique sua resposta, com base nos resultados da experiên- cia de Rutherford.

10.

Explique o sentido da frase “A matéria é feita em grande parte de espaços vazios”.

11.

O

filósofo grego Demócrito, muitas vezes conside-

rado o pai do atomismo, considerava que os átomos

tinham diferentes formas geométricas, e associava

a essas formas as propriedades de cada elemento.

Hoje, o modelo proposto por Demócrito foi supera- do. Julgue se a contribuição de Demócrito foi rele- vante para a ciência, justificando seus argumentos.

supera- do. Julgue se a contribuição de Demócrito foi rele- vante para a ciência, justificando seus

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