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Escola Secundária C/ 3º Ciclo de Augusto Gomes

Apelo à suspensão do sistema de avaliação docente

1- Consideramos a avaliação de desempenho um instrumento de promoção da qualidade do trabalho


docente e do desenvolvimento profissional.
2- O modelo de avaliação do desempenho definido no Decreto Regulamentar nº 2/2008 é criador de
injustiças, é excessivamente burocrático, não favorece a qualidade educativa e é estrangulador de
um ambiente de trabalho colaborativo, de partilha e socialmente favorável.
3- Este modelo de avaliação de desempenho foi criado de forma desorganizada, com as instruções e
procedimentos publicados de forma intermitente. Foi aprovado e publicado depois de ter iniciado o
primeiro biénio de avaliação (2007/2009).
4- A maioria dos docentes não teve qualquer formação específica sobre este modelo de avaliação,
particularmente sobre a definição de objectivos mínimos, relatório de auto-avaliação e
procedimentos gerais de avaliação.
5- A avaliação por pares assenta numa divisão artificial dos professores, após a realização de um
concurso para professore titular criador de injustiças entre os docentes, ao basear-se apenas nos
últimos sete anos de serviço.
6- Este modelo de avaliação de desempenho é excessivamente burocrático, obrigando ao
preenchimento de um grande número de parâmetros e de fichas, à organização e disponibilização de
documentos diversos e a uma grande complexidade de indicadores. É, em vários aspectos, um
atentado à legalidade, colidindo com normativos consignados no Código do Procedimento
Administrativo, no Desp. Normativos nº 1/2005 e 10/2004 (avaliação dos alunos do Ensino Básico
e Ensino Secundário) e no próprio ECD.
7- Este modelo de avaliação de desempenho está a implicar uma grande mobilização de recursos
económicos e humanos, não deixando o espaço de conforto necessário para o desenvolvimento e
acompanhamento do trabalho docente com os alunos.
8- É particularmente desajustado um modelo de avaliação que prevê: periodicidade bienal;
observação de aulas a todos os professores; responsabilização dos professores pelo abandono e pelo
sucesso/insucesso; desenvolvimento de actividades e projectos não integradas em PEE, PCT ou
PAA; Cumprimento do serviço sem ter em conta as faltas legalmente consignadas como
equivalentes a trabalho efectivo; desenvolvimento de actividades diversas (actividades lectivas,
apoio aos alunos, substituições e permutas, relação com a comunidade, projectos e actividades
extracurriculares, projectos de inovação e desenvolvimento educativo,
etc...)
9- É um modelo de avaliação que traz um trabalho acrescido à já extensa lista de actividades e
funções atribuídas ao professor, consignadas no ECD, em que, algumas delas, são autênticas
actividades lectivas, porque são trabalho com alunos e exigem planificação.
10- Este modelo de avaliação não constitui um instrumento de melhoria da escola pública, não
discrimina positivamente, está submetido a uma lógica penalizadora, separa artificialmente
professores com igual competência.

Os professores abaixo assinados solicitam ao Conselho Pedagógico a suspensão dos procedimentos


relacionados com a avaliação docente, na defesa dos professores e da qualidade de ensino desta
escola, sob pena de sair prejudicado o trabalho com os alunos. Solicitam que os órgãos de gestão da
escola exerçam pressão no ME, retratando a realidade criada por este modelo de avaliação docente.
Matosinhos, 20 de Outubro de 2008.