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UNIVERSIDADE TECNOLÓGICA FEDERAL DO PARANÁ

RODRIGO TECCHIO

APS

PROJETO DE UMA CALANDRA

PATO BRANCO

2011

RODRIGO TECCHIO

APS

PROJETO DE UMA CALANDRA

Trabalho apresentada à disciplina de Elementos de Máquinas ,como requisito parcial de avaliação

Professor: Robson Trentin

PATO BRANCO

2011

Sumário

1. INTRODUÇÃO

4

2. Dimensionamento do motor da calandra

4

3. Dimensionamento das engrenagens

5

4. Dimensionamento do eixo

13

5. Dimensionamento dos mancais

17

6. Dimensionamento da Chaveta

20

1.

INTRODUÇÃO

O seguinte trabalho tem como finalidade projetar um eixo arvore de uma calandra na qual o mesmo terá que ter uma rotação constante de 350 RPMs, e um torque de 150 N.m e terá que suportar uma carga P de 350 Kg. Para o eixo será considerado um fator de segurança de 2.5, os mancais terão que suportar 20000h, também será calculado as engrenagens que acionarão o eixo e as chavetas para fixação das mesmas. O mesmo também contará com um memorial de todos os cálculos realizados e os desenhos dos itens projetados.

2. Dimensionamento do motor da calandra

Como a calandra necessita de um torque constante no eixo de 150 N.m (15,3 Kgf.m) e a rotação máxima será de 350 RPMs, e por o motor ser de 4 pólos teremos uma rotação máxima de 1750 RPMs. Sendo assim será necessário uma relação de 5:1 para que a rotação da engrenagem do eixo se mantenha em 350 RPMs. Para essas condições foi utilizado um catalogo de motores WEG e pela fórmula abaixo determinou-se o motor que atenderá a essas especificações.

Para a potência do motor em CVs:

Para esse motor de 7,5 CVs 4 pólos 60 Hz :

a potência do motor em CVs: Para esse motor de 7,5 CVs 4 pólos 60 Hz

Figura 1: Características do motor utilizado

3.

Dimensionamento das engrenagens

Para dimensionamento da engrenagem utilizaremos uma rotação de 1740 RPMs sendo essa a mesma rotação do pinhão. Para obter-se o torque necessário no eixo da calandra e a rotação de 350 RPMs será utilizado uma relação de 5:1 . O passo diametral utilizado é de = 6,35 que equivale ao módulo 4 , o ângulo de pressão será de 20°, o número de dentes do pinhão será = 21 e número de dentes para a coroa será:

Sendo que a as rotações do pinhão e da coroa são conhecidos podemos determinar a

relação de engrenamento

:

Portanto o numero de dentes da coroa é:

Para

engrenamento.

um

passo

diametral

Passo circular de referência:

=

6,35.

É

possível

Passo de base na circunferência de base:

determinar

vários

dados

do

Os diâmetros de referência (diâmetros primitivos) e os raios do pinhão e engrenagem são:

Distância entre centros C :

A altura do dente é definida pelo adendo (a) e o dedendo (b) que são encontrados pelas equações abaixo:

Com a soma do adendo e o dedendo temos a profundidade total

:

A folga é definida como o intervalo entre dentes engrenados medida ao longo da circunferência do círculo de referência. Sendo a mesma a diferença entre o dedendo e o adendo:

O diâmetro externo de cada engrenagem é o diâmetro de referência mais dois adendos:

A razão de contato é:

Número de dentes em contato:

Forças que atuam na engrenagem

Devido ao ângulo de pressão existente entre as engrenagens teremos duas forças agindo na mesma, um tangencial e uma radial. No pinhão teremos um torque de 3,08 Kgf.m originado pelo motor e pela relação de 5:1 teremos um torque na coroa de 15,8 Kgf.m que equivale a 1336,66 Lbf.in.

A força tangencial será:

A força radial será:

Calculo da tensão de flexão na engrenagem:

Determinação dos fatores K

Fator de aplicação Ka: torques e forças variando com o tempo temos Ka = 1.

Fator dinâmico Kv: leva em conta as cargas de vibrações geradas pelo impacto de dentes contra dentes, e a velocidade da linha de passo.

Considerando-se um índice de qualidade da engrenagem é possível estimar o valor de Kv.

, e a partir da figura 2

possível estimar o valor de Kv. , e a partir da figura 2 Figura 2: Fator

Figura 2: Fator dinâmico Kv

Fator de ciclo de carga KI: para engrenamentos com varias engrenagens Ks= 1,42 e para engrenagem não solta (pinhão e coroa), Ks= 1. No nosso caso como se trata de um engrenamento coroa e pinhão Ks= 1.

Fator de espessura da borda Kb: 1

Fator temperatura Kt: temperatura ambiente Kt=1

Fator de confiabilidade Kr: para uma confiabilidade de 99% Kr=1

Fator geométrico J:determinado apartir da uma tabela e leva em consideração o ângulo de pressão e o número de dentes da engrenagem.

Largura da face F: a primeira aproximação pode ser estimada como uma função do

passo diametral. Tomando o valor médio do intervalo recomendado

; o

qual ficou estabelecido F = 1,5.

 

A tabela a seguir trás os valores dos fatores adotados.

 

Fator

KS

KB

KV

KA

KI

KM

Jp

Jc

Valor

1

1

0,76

1

1

1,6

0,34

0,42

Com os fatores determinados é possível calcular as tensões de flexão

no pinhão

e

na coroa

.

Calculo das tensões superficiais

Para determinar as tensões superficiais precisamos do coeficiente elástico . Para o material do pinhão e da coroa um aço o coeficiente de poison e o módulo elasticidade do material é 30 psi.

Alem do coeficiente elástico necessitamos do Fator geométrico de crateração I

onde leva em conta os raios de curvatura dos dentes da engrenagem( ângulo de pressão

Raios de curvatura

e

) e o

Fator geométrico de superfície:

Tensão de superfície entre pinhão e coroa

fatores K de flexão.

. Os fatores C de superfície são iguais aos

O fator de fadiga de flexão é estimado através da figura 3 a qual estimou-se grau 2 e dureza 250 HB então.

Figura 3: Fator de fadiga de flexão Ainda nos resta calcular os coeficientes K l

Figura 3: Fator de fadiga de flexão

Ainda nos resta calcular os coeficientes K l K t K r para o calculo da tensão corrigida. A vida estimada é de:

O fator

e determinando por

2,17

ciclos.

,

Os fatores K t e K r tem o valor igual a 1 pois a temperatura considera é a ambiente e a confiabilidade é de 99%, respectivamente.

Calcula-se agora o fator de fadiga superficial estimado através da figura 4 abaixo com grau 2 e dureza 250HB:

Figura 4: Fator de fadiga superficial e o pinhão são de mesma dureza os demais

Figura 4: Fator de fadiga superficial

e o pinhão são de mesma dureza os demais

coeficientes são iguais ao e como mencionados acima. O fator de superfície C l é determinado pela equação abaixo a partir da figura 5.

O fator

= 1 pois a engrenagem

abaixo a partir da figura 5. O fator = 1 pois a engrenagem Figura 5 :

Figura 5 : Fator de vida e superfície

0,883

Onde N l é o número de ciclos que a engrenagem é submetida durante 10 anos, que já foi determinado anteriormente.

O coeficiente de segurança contra falha de flexão é encontrada comparando a resistência

de flexão corrigida com a tensão de flexão para cada engrenagem no engrenamento.

O coeficiente de segurança contra falha de superfície deve ser encontrado comparando a

carga real à carga que produziria uma tensão igual à flexão corrigida do material.

4.

Dimensionamento do eixo.

Para determinar as forças existentes sobre o eixo, sabemos que o torque existente no eixo é constante de 1336.66 Lb, além do torque o eixo esta sob ação de uma força P de 771,88 Lb, conforme a Figura 2.

ação de uma força P de 771,88 Lb, conforme a Figura 2. Figura 6: eixo a

Figura 6: eixo a ser dimensionado

As força tangencial existente na engrenagem é determinada a partir do torque e de seu diâmetro primitivo.

A força tangencial no dente da engrenagem é:

Devido a engrenagem possuir um ângulo de pressão de 20°, a mesma terá a ação de uma força radial no dente.

As forças de reação nos planos XY e YZ usando , para as dimensões do eixo são:

e

e

e

A partir das equações acima podemos encontrar as forças que resultam sobre as reações R 1 e R 2 :

Agora é possível determinar a carga de cisalhamento e o momento fletor atuantes no eixo.

Plano YZ

de cisalhamento e o momento fletor atuantes no eixo. Plano YZ Para a seção 1 0

Para a seção 1

0

Para a seção 2

11.8

Para a seção 3

Plano XZ

Plano XZ Para a seção 1 0 Para a seção 2 Magnitude dos momentos Para a

Para a seção 1

0

Para a seção 2

Magnitude dos momentos

Para a região entre os mancais onde a carga P é aplicada

=

= 4431.73

Para a região entre o mancal dois e a engrenagem.

=

= 813.00

No ponto onde a engrenagem está a magnitude dos momentos é zero.

Material utilizado para fabricação do eixo

O aço utilizado para fabricação do eixo é o SAE 1045 laminado a frio, que possui uma elevada resistência mecânica e alta temperabilidade que possibilita um aumento dessa resistência por meio de tempera se necessário.

Resistência de escoamento em tração Sy = 77 Kpsi , resistência máxima em tração Sut = 91 Kpsi.

Com o material para fabricação determinado é possível determinar a resistência

a fadiga com as equações abaixo. Devido ao eixo estar sob ação de forças de que

causam flexão e torção , o coeficiente de carga C carreg = 1 considerando que o eixo terá um diâmetro de 2in o C tamanho = 0,869d -0,097 que resulta em um C tamanho = 0,81. Como a temperatura em qual o eixo atuara é a ambiente o C temp = 1. Para uma confiabilidade de 99% temos um C conf =1. O eixo também será usinado portanto C superf = 0,77.

Se’= 0.5* Sut

Se’= 45,5 Kpsi

Se = C carreg * C tamanho * C superf * C temp * C conf * Se’

Se = 23,09 Kpsi

A sensibilidade ao entalhe é determinada pela a equação abaixo, onde os fatores q para

flexão é 0,5 e para torção é 0,57. O fator geométrico de concentração Kt foi considerado 3,5 para flexão e 2 para torção, critério já estipulado pelo professor.

Para flexão:

K f = 1+q( Kt -1 )

K f = 1+0,5( 3.5 -1 ) = 2,25

Para torção:

K fs = 1+q( Kts -1 )

K fs = 1+0,57( 2 -1 ) = 1,57

Como K fs = K fsm podemos determinar o diâmetro d 2 do eixo ou seja o diâmetro onde ficará o mancal 2. Para o eixo será adotado um coeficiente de segurança Nf= 2,5

D2

D2

(

(

D2= 2,23 in

Para o ponto onde o mancal 1 estará o momento fletor é menor , mas os fatores de concentração de tenções em fadiga K f eK fs devem ser calculados também. Considerando o K t nessa região igual a 4 temos:

Para flexão:

K f = 1+0.5( 4 -1 ) = 2.5

Para torção;

K f = 1+0.57( 4 -1 ) = 2.7

Para a segunda região do eixo teremos d1:

D1

(

D1= 1,35 in

Para o ponto onde a engrenagem será acoplada teremos

D engr

(

D engr = 1 in

5. Dimensionamento dos mancais

Os mancais a serem dimensionados como pode ser visto na figura 3 são dois, sendo que os mesmos estão submetidos a forças radiais e tangenciais, portanto utilizou- se a magnitude das mesmas para devido dimensionamento afim de se obter uma vida útil de no mínimo 20000 horas.

afim de se obter uma vida útil de no mínimo 20000 horas. Figura 7: mancais Para

Figura 7: mancais

Para o mancal 2: diâmetro encontrado para o eixo é 34,5 mm, e o rolamento comercial mais próximo para esse diâmetro é o que possui um diâmetro interno de 35 mm. As forças que agem sobre o mesmo são:

Carga radial = 452,66 Lb

Carga tangencial = 194,11 Lb

A magnitude das forças sobre o mancal 2 é de 492.24 Lb que equivale a 2189.6 N. Para

uma vida mínima de 20000 horas teremos:

C³ =

= 27986 N

Para essa carga e para o diâmetro do eixo de 35mm, seguintes características:

temos o rolamento 6307 tem as

Carga nominal dinâmica C = 33500 N

Carga nominal estática C 0 = 19200 N

Encosto mínimo = 43 mm

Encosto máximo = 47 mm

Largura do rolamento = 21 mm

Diâmetro externo do rolamento = 80mm

Mancal 1: Carga radial (P) = 374.17 Lb, Carga tangencial = 32,35Lb, temos uma magnitude da força que atua sobre o mancal de 375.56 Lb que equivale a 1670,574 N.

Para esse rolamento que e de esferas,

temos:

L =

para uma vida (L) mínima

C³ =

= 21348,7 N

de 20000 horas

Com o valor da carga nominal dinâmica é possível encontrar um rolamento que suporte essa força sobre o mesmo. Para essa carga dinâmica encontrada temos os seguintes rolamentos que satisfazem: 63/28 NSK, 6306,6207, 6307. Devido ao mancal 2 utilizar O rolamento 6307 utilizaremos o mesmo também para o mancal 1 lembrando que o mesmo terá uma vida útil de mais de 500000 horas. Esse rolamento foi adotado com a finalidade de precisar ter em estoque apenas o rolamento especifico.

O rolamento 6307 tem as seguintes características:

Carga nominal dinâmica C = 33500 N

Carga nominal estática C 0 = 19200 N

Encosto mínimo = 43 mm

Encosto máximo = 47 mm

Largura do rolamento = 21 mm

Diâmetro externo do rolamento = 80mm

Conforme o fabricante do rolamento o ajuste utilizado para esses rolamentos será a P6 e para o eixo J6, as devidas tolerâncias podem ser observadas na figura 8. Para determinar o ajuste utilizei de um recurso que a SKF traz em seu site.

Figura 8: tolerâncias do eixo e ajustes resultantes

Figura 8: tolerâncias do eixo e ajustes resultantes

6.

Dimensionamento da Chaveta

Para fixação da engrenagem no eixo será utilizado uma chaveta quadrada, que possui uma largura padrão tabelada para cada diâmetro de eixo . A figura 6 mostra a largura da chaveta, sendo que o que será calculado é o comprimento da mesma. Como o eixo onde a engrenagem será acoplada possui um diâmetro de 1in a largura da chaveta será de 0,250 in.

diâmetro de 1in a largura da chaveta será de 0,250 in. Figura 6 : larguras de

Figura 6 : larguras de chavetas padronizadas

Para determinar o comprimento necessário para que a chaveta suporte a força que será exercida sobre a mesma, será necessário saber a componente média e alternante, da força devido ao torque transmitido.

Para inicio de calculo, será considerado o comprimento da chaveta igual ao à largura da engrenagem, ou seja, 1.5 in e calcula-se as tensões de cisalhamento média e alternante.

Como a força média e alternante são iguais a tensão de cisalhamento média será igual a alternante.

Em seguida é necessário determinar as as tensões equivalentes de Von mises para cada componente afim de encontrarmos o coeficiente de fadiga por cisalhamento.

= 12263.8 Psi

= 12263.8 Psi

Para a chaveta será utilizado um aço SAE 1020 laminado a frio com as seguintes propriedades Sy = 57 Kpsi, Sut = 65 kpsi, para determinar o fator de segurança em fadiga será precisamos do fator de fadiga corrigido o qual considera alguns fatores como: carregamento, temperatura, o tipo de forças que agem sobre a chaveta, o acabamento do material etc.

Se’= 0.5* Sut

Se’= 0.5* 65= 37,75 Kpsi

Se = C carreg * C tamanho * C superf * C temp * C conf * Se’

Se = 27,97 Kpsi

O fator de segurança em fadiga será:

Na chaveta também pode sofrer esmagamento sendo essa força de compressão. Ela é calculada usando a força máxima na chaveta:

o coeficiente de segurança para falha por esmagamento será de :

Para fixar o pinhão ao motor será utilizado uma chaveta retangular de 8 X 7 mm e o

comprimento do rasgo pelo fabricante.

no eixo do motor de 45 mm. Esses valores são recomendados

Considerações finais.

DADOS DO PROJETO

MOTOR

POTÊNCIA

RPMs

DIAM. EIXO (mm)

CHAVETA (mm)

7.5 CVS

1740

28

8 X 7

EIXO

COEF. SEGURANÇA

(Nf)

DIAM

EIXO (D-E)

DIAM EIXO (MANCAL 2)

DIAM EIXO ( MAN 2- ENG)

2.5

VALORES CALCULADOS

56.64 mm

34.3 mm

25.4 mm

VALORES UTILZADOS

60 mm

35 mm

25 mm

MANCAIS

 

ROLAMENTO

ENCOSTO

AJUSTE

INTERFÊNCIA MÉDIA

M1

6307

5 mm

J6

8 µm

M2

6307

5 mm

J6

8 µm

ENGRENAGENS

 

COEF. SEG

 

MÓDULO

N° DE DENTES (Z)

LARGURA (mm)

COEF. SEG ( FLEXÃO)

(SUPERFICIE)

PINHÃO

4

21

38.1

9,13

1,86

COROA

4

105

38.1

11,27

1,86

CHAVETAS

 

TIPO

DIMENSÕES (mm)

COEF. SEG (FADIGA)

COEF. SEG (ESMAGAMENTO)

PINHÃO

RETANGULAR

8 x 7

COROA

QUADRADA

6.35 x 6.35

1.6

2

REFERÊNCIAS

NORTON, Robert L. Projeto de Máquinas: Uma abordagem integrada. 2° Edição. Porto Alegre, Bookman,2004.

Ajuste nos rolamentos. Disponível em <

http://www.skf.com/portal/skf/home/products?lang=pt&maincatalogue=1&newlink=1_

1_8> Acesso em 15. Jun 2011.

Catálogo de rolamentos. Disponível em < http://www.nsk.com.br/cat_digital/Catalogo.html> > Acesso em 15. Jun 2011.