DIREITO EMPRESARIAL II

SOCIEDADES EMPRESARIAIS

Paulo Nevares 2009

Paulo Nevares

1- CONCEITOS.....................................................................................................................6
1.1- Sociedade...............................................................................................................................6 1.2- Empresa.................................................................................................................................6 1.3- Associações............................................................................................................................7 1.4- Fundações .............................................................................................................................7

2- CLASSIFICAÇÃO DAS SOCIEDADES DE ACORDO COM A LEI N°. 10.406/02....8
2.1.1- Sociedades Não Personificadas (art.(s) 986 a 996, CC/02)..............................................9 Sociedade em comum (art. 986 a 990 CC/02).............................................................................9 Sociedade em conta de participação (art. 991 a 996 CC/02).....................................................9 Sociedade de pessoas e de capitais............................................................................................15

3- MODELOS DE SOCIEDADE EMPRESÁRIA.............................................................16
3.1- Limitada (art. 1052 a 1087 do CC/02)..............................................................................16 3.1.2- Conceito, Natureza jurídica e Características...............................................................16 3.1.3- Capital Social e Patrimônio ( art. 5°, Lei 3708/19)........................................................17 Conceito......................................................................................................................................17 Formação...................................................................................................................................17 3.1.4- Sócio Quotista..................................................................................................................18 Responsabilidade........................................................................................................................18 Dever de lealdade dos sócios......................................................................................................18 Menor como sócio quotista.......................................................................................................19 Sociedade entre Cônjuges..........................................................................................................19 Sócio Remisso............................................................................................................................20 Direitos dos associados ..............................................................................................................21 - Gerência....................................................................................................................................21 Responsabilidade do gerente....................................................................................................22 Cessão de Quotas .....................................................................................................................23 Cessão de sócio para sócio........................................................................................................24 Cessão à própria sociedade (art. 8º do Decreto Lei 3708/19)..................................................24 Cessão de quotas a terceiros......................................................................................................24 Possibilidade de penhora..........................................................................................................25 Assembleia e quorum de instalação..........................................................................................25 Assembleia..................................................................................................................................25 Quorum de instalação................................................................................................................26 Convocação da reunião ou assembleia de sócios:.....................................................................27

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Formalidades da Convocação:..................................................................................................27 Espécies de quorum...................................................................................................................27 Matérias e respectivos quoruns de deliberação:......................................................................28 Ata da assembleia ou reunião ...................................................................................................29 Fiscalização da gestão da empresa ...........................................................................................29 Comandita simples....................................................................................................................30 Sociedade em nome coletivo.....................................................................................................31 Sociedade anônima (S/A)..........................................................................................................32 Conceito, natureza jurídica, características............................................................................32 Características:..........................................................................................................................32 Natureza jurídica:......................................................................................................................33 Aspectos gerais:..........................................................................................................................34 A Lei nº. 10.303/2001.................................................................................................................34 Constituição da companhia.......................................................................................................35 Formalidades complementares (lei 6404/76, art. 94 a 99).......................................................36 Capital social..............................................................................................................................36 Funções do capital social............................................................................................................37 Variações do capital social.........................................................................................................37 Aumento de capital social .........................................................................................................38 Redução do capital social ..........................................................................................................39 Valores mobiliários....................................................................................................................39 Conceito de ação........................................................................................................................39 Natureza jurídica.......................................................................................................................41 Valor das ações...........................................................................................................................42 Ações com valor nominal...........................................................................................................42 Ações sem valor nominal...........................................................................................................43 Preço de emissão.........................................................................................................................45 Classificação..............................................................................................................................45 Quanto à espécie.........................................................................................................................45 Quanto à classe..........................................................................................................................46 Quanto à forma..........................................................................................................................46 Conceito de debêntures e finalidade........................................................................................47 Diferença entre ações e debêntures...........................................................................................48 Emissão e forma.........................................................................................................................49 Partes beneficiárias....................................................................................................................49

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Bônus de subscrição...................................................................................................................50 Alienação das cotas e das ações.................................................................................................50 Os livros sociais .........................................................................................................................51 Escrituração do agente emissor e das ações escriturais...........................................................52 Exibição dos livros sociais .........................................................................................................52 Dos acionistas.............................................................................................................................53 Direitos........................................................................................................................................53 Obrigações do acionista............................................................................................................54 O acionista remisso...................................................................................................................54 Acionistas majoritários e minoritários.....................................................................................54 O Direito de voto........................................................................................................................55 Exercício e abuso de poder........................................................................................................56 O acionista controlador.............................................................................................................56 Responsabilidades do controlador............................................................................................57 Acordo de acionistas (Lei nº. 6.404, art. 118)...........................................................................57 Suspensão do exercício dos direitos..........................................................................................58 Direito de recesso.......................................................................................................................59 Órgão sociais...............................................................................................................................60 Assembleia geral........................................................................................................................60 Assembleia geral ordinária........................................................................................................61 Assembleia geral extraordinária...............................................................................................62 Assembleias especiais.................................................................................................................62 Assembleia de constituição........................................................................................................63 Conselho de administração........................................................................................................63 Diretoria......................................................................................................................................63 Conselho fiscal...........................................................................................................................64 As auditorias independentes......................................................................................................64 Responsabilidade dos administradores....................................................................................65 Lucros reservas e dividendos.....................................................................................................65 Lucros.........................................................................................................................................65 Reservas......................................................................................................................................65 Dividendos..................................................................................................................................67 Dividendos obrigatórios.............................................................................................................68 Dividendos prioritários..............................................................................................................68 Exercicio social...........................................................................................................................69

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........................................................................................................................80 Cisão...................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................74 Subsidiária integral..........................................................................................73 Sociedade controlada e controladora................................................................................................................................................................................................78 Transformação........75 OPERAÇÕES SOCIAIS.....................................................................................................80 Direito Empresarial II – Sociedades Empresariais 5 .......72 Capital autorizado..........................................77 Extinção................................................................... Fusão e Cisão.............................................................................................................................Paulo Nevares Demonstrações financeiras....................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................74 Sociedade em comandita por ações...................................................................................................................................76 Partilha.............................................76 Liquidação.................71 O mercado de balcão.78 Incorporação...................................................................................................................................................................................................................................................79 Incorporação............................76 Dissolução...............73 Sociedade coligada....69 MERCADO DE CAPITAIS....................................70 As bolsas de valores......................................................................77 Apuração de haveres.......................76 A extinção da sociedade....................................................................74 Grupos de sociedades e consórcios .........................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................69 Comissão de valores mobiliários (CVM)......................................................................79 Fusão.........................72 SOCIEDADES DE ECONOMIA MISTA....................

existia o conceito econômico que serviu de amparo ao estudo. mas da identificação da pessoa jurídica como o agente econômico organizador da empresa.CONCEITOS 1. correspondente a sociedade de empresários.Empresa Não havia um conceito jurídico de empresa. entre as quais a “sociedade empresarial”. ou seja. em caráter profissional.Paulo Nevares 1. atividade negocial e fim lucrativo. Atente-se que a adjetiva “Empresária” conota ser a própria sociedade a titular da atividade econômica.1. com efeito. Sociedade empresarial é a pessoa jurídica que explora uma empresa. pois. Possui três aspectos jurídicos significativos: a) O empresário (perfil subjetivo) b) O estabelecimento (perfil objetivo ou patrimonial) Direito Empresarial II – Sociedades Empresariais 6 . são pessoas distintas dos sócios. conceito este: “estrutura fundada na organização dos fatores de produção para criação ou circulação de bens e serviços. poderá haver sociedades sem empresa (ausência de estrutura organizacional). As sociedades empresárias são sempre dotadas de personalidade jurídica.2. A realização de investimentos comuns para a exploração de atividade econômica pode revestir várias formas jurídicas. titularizam seus próprios direitos e obrigações. O que mais diferencia as sociedades empresariais umas das outras é a forma de responsabilidade de seus sócios. contudo. conforme os tipos de sociedade respondem eles ou não com os seus bens particulares pelas obrigações sociais. com patrimônio próprio. exercido pelo empresário (antigo comerciante).Sociedade A sociedade constitui-se através de um contrato entre duas ou mais pessoas. descreve empresa como: “Atividade econômica. bem como empresa sem sociedade (empresário individual que conta com estrutura organizacional)”. Outro ponto de distinção entre os diversos tipos de sociedade empresariais é a formação dos nomes. organizada de produção e circulação de bens e serviços para o mercado. de sociedade empresarial. Segundo Waldírio Bulgarelli na sua obra Tratado de Direito Empresarial. Não se trata. que se obrigam a combinar esforços ou recursos para atingir fins comuns. através de um complexo de bens”. 1.

§ 2º. C. esportivas./02) aplicam-se subsidiariamente as sociedades. Os fins a que visam tais entidades devem ser necessariamente de natureza altruística.ONG É um grupo social organizado.C. caracterizado por ações de solidariedade no campo das políticas públicas e pelo legítimo exercício de pressões Direito Empresarial II – Sociedades Empresariais 7 . por conseguinte. entre outros. C. ou exercício da atividade empresarial). constituído formal e autonomamente. ora realizando finalidades filantrópicas. que pode ser uma pessoa natural ou pessoa jurídica. 1. religiosas. 62. caput.C. torna-se importante.Fundações São pessoas jurídicas de direito privado sem fins lucrativos. etc. caritativas. a estas inaplicáveis. as regras sobre associações (art. De acordo com o novo Código Civil. culturais. de acordo com o novo Código Civil. estabelece a sua criação mediante dotação de bens e declaração de fins. Com isso.3. prestando serviços aos associados.44. art.5. diferente das sociedades.Paulo Nevares c) A empresa (aspecto funcional. artística e literária. O seu instituidor. Exemplo: APAE – Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais. comunidades. é preciso ainda a declaração do seu modo de funcionamento e a aprovação do estatuto pelo Ministério Público. 1./02). este se destinará à manutenção dos fins sociais. sem fins lucrativos. São constituídas pela destinação de um patrimônio para a execução de determinados fins. não obstante algumas destas normas sejam totalmente incompatíveis com os preceitos próprios das sociedades e. Para ser atribuída personalidade jurídica à fundação. o conhecimento das normas básicas sobre associações (art. terceiros. que visam o lucro. Ainda que se apure resultado financeiro positivo. destinam-se a desenvolver atividades recreativas. para o direito societário. 1. ora estimulando a cultura e investigação científica.4.Associações São sociedades sem fins lucrativos e econômicos.53 a 61.

ou seja. em seu nome. não poderão acionar seus membros nem terceiros. pelas disposições contidas nos arts. A edição das Leis nº 9.985 do CC/02). figurar como parte em contrato de compra e venda de imóvel. e no que for compatível pelas normas da sociedades simples. Logo. querendo e satisfazendo certas condições. de 23 de março de 1999.406/02 2. que dispõe sobre a qualificação de entidades como organizações sociais (OS).986 a 990 do CC. mas um simples contrato de sociedade que se regerá pelos arts. prestadora de serviço público”. mas estes poderão responsabilizá-las por todos os seus atos. Não há norma legal que obrigue ou condicione o funcionamento das ONGs. mas não estão obrigadas a isso.CLASSIFICAÇÃO DAS SOCIEDADES DE ACORDO COM A LEI N°. salvo na hipótese de operação com recursos públicos. Nessa sociedade sem personalidade jurídica prevalece o principio que só quem for sujeito de direito é que poderá possuir bens. podem tornar-se OS ou OSCIP. e nº 9.637. Mas também pode ser definido. 2.1. como propõe Domingos Bernardo Sá. As sociedades não personalizadas. sem fins lucrativos.Paulo Nevares políticas em proveito de populações excluídas das condições da cidadania.790. não há uma definição pacífica sobre o conceito de ONG. Em suma. a sociedade de fato não pode. 997 a 1038 do referido diploma legal.1089 do CC/02). de 15 de maio de 1998. em compromisso ou promessa de cessão de direitos. exceto se tratar de sociedade por ações em organização que se disciplinará por lei especial (art. que trata da qualificação de pessoas jurídicas de direito privado como Organizações da Sociedade Civil de Interesse Público (OSCIP). movimentar contas bancárias e praticar outros atos extrajudiciais que impliquem alienações de imóveis. porque o registro imobiliário não procederá o registro. não se terá uma pessoa jurídica.Sociedades Despersonificadas Enquanto o ato constitutivo da sociedade não for levado a registro (art. reconhecendo a existência de fato para esse efeito. Direito Empresarial II – Sociedades Empresariais 8 . uma “pessoa jurídica de direito privado. 10. não alterou esse quadro característico. por não serem pessoas jurídicas. As ONGs.

ou outros. ficando um ou mais sócios em posição ostensiva e outro.Sociedades Não Personificadas (art. 986 a 990 CC/02) Caracterizam-se por não terem seus atos constitutivos registrados perante o órgão competente. Por não ter personalidade jurídica. E assim sendo. em uma ou mais operações empresariais. Exemplo: Fundos de Investimento Imobiliário. ainda que registrados seus documentos de constituição. Não possui razão social. CC/02) Sociedade em comum (art. Os sócios ostensivos. desta forma. 991 a 996 CC/02) Reunião de 2 ou mais pessoas sem firma social. mas terceiros poderão prová-la de qualquer forma em Direito admitida. em se tratando de responsabilidade pessoal.1. A sociedade em conta de participação é disciplinada pelos arts. É o sócio ou sócios ostensivos — estes em conjunto ou separadamente — que assumem. seja por seu caráter de sociedade secreta. Os sócios só podem provar por escrito sua existência. a firma é o próprio nome do sócio ostensivo.1. respondem ilimitadamente Direito Empresarial II – Sociedades Empresariais 9 .(s) 986 a 996. possuindo características excepcionalmente próprias no cenário das sociedades do direito brasileiro. Quando duas ou mais pessoas se associam para um empreendimento comum. Sociedade em conta de participação (art. Seus sócios possuem responsabilidade solidária e ilimitada. poderão fazê-lo na forma de sociedade em conta de participação. a sociedade em conta de participação não assume em seu nome nenhuma obrigação. seja por sua despersonalização.Paulo Nevares 2. não há de se falar de subsidiariedade ou limitação. sendo uma sociedade de pessoas. CC/02). Seus sócios são: ostensivo e oculto. 991 a 996 do CC. para lucro comum. as obrigações da sociedade. Esta classificação existe apenas para eles não para terceiros. também poderá ser regrado subsidiariamente pelas normas da sociedade simples.986. Poderão ser aplicadas as regras atinentes às Sociedades Simples (art. como obrigação pessoal. Trata-se de uma sociedade sem personalidade jurídica. em posição oculta (estes sócios denominam-se participantes).

Este tipo societário. falindo o participante. ou seja. o contrato entre os sócios. Os bens empregados no desenvolvimento da empresa compõem um patrimônio especial. com uma situação menos onerosa. sob o ponto de vista do direito tributário. assumirem para o desenvolvimento do empreendimento comum. Direito Empresarial II – Sociedades Empresariais 10 . contudo. segundo as regras dos contratos bilaterais. além de despersonalizada. não pode ser registrado no Registro das empresas. Isto porque sua renda não sofria tributação por força da despersonalização que a caracteriza. em regresso. os participantes não podem demandar os devedores da sociedade. em nome próprio. Nada impede. permitia aos empresários a exploração em sociedade de determinada atividade. não relacionadas com o desenvolvimento do empreendimento da sociedade em conta de participação. não adotará nenhum nome empresarial. Falindo o sócio ostensivo. a sociedade em conta de participação deve ser liquidada. Se os credores do sócio ostensivo têm conhecimento da existência da sociedade em conta de participação. que deu início à conjugação de esforços no desenvolvimento de empresa comum. poderão voltar-se contra os participantes. As obrigações pessoais do sócio ostensivo. ostensivos os quais. contudo. A sociedade em conta de participação é. e nas condições do contrato. mas. os direitos decorrentes do contrato de sociedade em conta de participação podem integrar a massa. no que diz respeito ao imposto de renda. para melhor resguardo dos interesses dos contratantes. Destaca a lei que. de acordo com o previsto no contrato firmado entre eles. somente poderão ser satisfeitas com execução desta parte de seu patrimônio se o respectivo credor ignorava a existência da sociedade. Em 1986. este ato registrário não confere à sociedade em conta de participação personalidade jurídica.Paulo Nevares pelas obrigações que. também secreta. Do mesmo modo. posto que este reside não no desconhecimento que o meio empresarial tenha da associação. em relação aos demais tipos. na proibição do registro na Junta Comercial. Estes credores devem demandar o sócio. por conseguinte. sim. o registro do ato constitutivo da sociedade em conta de participação no Registro de Títulos e Documentos. o direito tributário passou a equipará-la aos demais tipos societários. até 1985. limitada ou ilimitadamente. Sendo uma sociedade despersonalizada e secreta. ou seja. Os sócios participantes não mantêm qualquer relação jurídica com os credores por obrigações decorrentes do empreendimento comum. não haverá quebra do seu caráter secreto. Já os sócios participantes não respondem senão perante os ostensivos e na forma do que houver sido pactuado. A sua natureza despersonalizada. ou os sócios. por legislação específica.

em sua forma típica somente poderá ser utilizada para as atividades não empresariais. mais. a empreendimentos destituídos de qualquer estrutura organizacional. inclusive: nome. objeto lícito e forma prescrita ou não defesa em lei. do que.982 do CC/02).1.Paulo Nevares permanece íntegra. como uma espécie de sociedade comercial. que o legislador resolveu denominar por "sociedade". 2. para os efeitos de direito comercial. A sociedade simples é um tipo societário introduzido no direito brasileiro pelo código civil de 2002 e que. ao lenocínio. firmado por todos os sócios. objeto social. bem assim. São as peculiaridades deste tipo societário. A exigência de objeto lícito significa compatibilidade com a ordem jurídica. CC/02). que seria preferível entendêlo. propriamente. onde se exige. por exemplo. como uma espécie de contrato de investimento. Esse ato constitutivo deverá ser arquivado no registro de empresas.Sociedades Personificadas A mesma se subdivide em sociedades simples (art. cotas de cada sócio. forma de administração. resumindo o seu campo de abrangência aos pequenos negócios a serem definidos em lei. não se admitindo sociedade que se proponha. Direito Empresarial II – Sociedades Empresariais 11 . domicílio. 2. Tratando-se de um ato jurídico. A sociedade simples. capital social.O Ato Constitutivo da Sociedade e sua Natureza Procede-se a constituição da sociedade através de um instrumento público ou particular.2. no qual se declaram as condições básicas da entidade. para a disciplina das relações jurídicas entre os sócios e seus credores cíveis.997 a 1038. A forma é a do instrumento público ou particular para as sociedades em geral e. para essa pratica agente capaz. vale dizer. a da ata de assembleia-geral ou a do instrumento público.104 do Código Civil. para as sociedades por ações.2. as atividades rurais. a sociedade limitada com a vigência do novo código civil tornar-se-á mais complexa e menos flexível a tendência no que concerne aos pequenos negócios será a adoção da forma típica da sociedade simples. de alguma maneira substitui a antiga sociedade civil regida pelo código civil revogado. prazo de existência e processo de liquidação. ao exercício de profissão de natureza intelectual e. ao jogo de azar ou tráfico de entorpecentes. Considerando que. aplica-se o disposto no art. e sociedades empresariais (art.

A capacidade jurídica implica em: 1. mas ela não é portadora da capacidade jurídica. Capacidade é a aptidão das pessoas de exercerem atos por si mesmos. o registro na Junta Comercial. Capacidade de representação ativa e passiva. Na prática. Registrada. 1022 do CC/02). Deste modo. pode ser demandada. Capacidade patrimonial. a empresa transforma-se em outro ser. Assim. não os havendo. o cheque assinado por um menor não terá valor. 3. Há de se lembrar. uma declaração unilateral de vontade. a criança é provida da personalidade civil que a lei confere a todos os cidadãos. mas não pode demandar. a empresa sequer obterá a licença para funcionar. Uma sociedade não registrada na Junta Comercial é irregular.Paulo Nevares Os sócios serão em número de dois ou mais e o ato constitutivo apresentará natureza contratual. pela falta de sua capacidade de representação. Ocorrendo a exclusão de qualquer desses itens. vida e morte. não poderá haver o pleno exercício da atividade empresarial ou mercantil. a diferença entre capacidade e personalidade jurídica. Tornando-se insolvente. 2. ter-se-á como ato constitutivo. portanto. pois. não poderá exercer seus direitos por si mesmo pela falta de capacidade de representação ativa. será diferente dos seus componentes. que confere personalidade jurídica. por meio de administradores com poderes especiais. assume obrigações e procede judicialmente. Direito Empresarial II – Sociedades Empresariais 12 . não sendo registrada. se torna obrigatório. Nas hipóteses especiais de sociedade com um único sócio. 2. dir-se-ia que se trata de um novo ser vivente que reconhece nascimento.2. Sendo irregular.Personalidade Jurídica A Sociedade empresarial ou mercantil adquire personalidade jurídica através do arquivamento de seu registro na Junta Comercial. possuindo patrimônio e decisões próprias. “a sociedade adquire direitos. Deste modo.2. ou. Capacidade contratual. por intermédio de qualquer administrador” (art. não será dotada de capacidade de representação ativa. e sem o registro.

2.1. uma sociedade por quotas de responsabilidade limitada poderá ser transformada em uma sociedade anônima.1.1. A sociedade tem domicílio diverso dos sócios. § único e 997 a 1038 CC/02) Foi criada em substituição a sociedade civil. Qualquer um dos sócios poderá exercer a administração. 2. Sociedade de pessoa. CC/02) O traço distintivo dessa espécie de sociedade é a responsabilidade ilimitada e solidária dos sócios com terceiros. A personalidade adquirida é individual. Ela poderá modificar o tipo de sociedade adotada. São dedicadas à profissão intelectual. e esse domicílio denomina-se sede social.1.(s) 1045 a 1051. c. 1039 a 1044.Paulo Nevares 2. No cumprimento das obrigações. A sociedade torna-se sujeito de direitos e obrigações. São sociedades de pessoa. podendo. 997 a 1141 CC/02) 2.2. 966. acionar e ser acionada. Empresária é. 2. CC/02).1Sociedade simples (art.1- Efeitos da personalidade jurídica: a.2• Sociedades empresárias: Sociedade em nome coletivo (art. CC/02) Direito Empresarial II – Sociedades Empresariais 13 .983. de sorte que os sócios não são considerados empresários. não são empresários (art. subsidiariamente utiliza as normas da sociedade simples (art. Seu patrimônio não se confunde com o patrimônio pessoal de seus sócios. judicialmente. literária ou artística. d.1040. inicialmente. Assim. b. A firma social é formada pelo nome civil de qualquer sócio acrescido da expressão Cia.Espécies de Sociedade Personificada (art. o patrimônio da sociedade é que responde por suas obrigações. a sociedade.CC/02) • Sociedade em comandita simples (art. e. de natureza científica.2.3. portanto.

abertas (grandes) -------------. Ilimitadas e Mistas: A regra no direito societário brasileiro é a da subsidiariedade da responsabilidade dos sócios pelas obrigações sociais. O objeto social explorado sem empresarialidade. sem profissionalmente organizar os fatores de produção.Distinção entre Sociedade Simples e Empresária A distinção entre sociedade simples e empresária não reside no que diz respeito ao lucro. Responsabilidade Mista.fechadas (pequenas) 2. 596.4. CC /02).1. Sociedade de pessoas. todo o seu patrimônio nos negócios que realizam.Classificação das Sociedades Quanto a Responsabilidade dos Sócios Limitadas. respondem sempre ilimitadamente pelas obrigações assumidas envolvendo.1046. subsidiariamente utiliza as normas da sociedade em nome coletivo (art. 1024. CPC) e no Código Civil (art.3. O que irá determinar suas distinções na verdade será a exploração do objeto. sendo que o contrato deverá discriminar a natureza de cada um deles. naturalmente. A regra da subsidiariedade encontrava-se já no Código Comercial.2. Apenas na sociedade em comum o sócio que atuar como representante legal responde diretamente.Paulo Nevares Caracteriza-se pela associação de pessoas para fim empresarial.2. Sociedade anônima Espécies: -------------. CC/02). Direito Empresarial II – Sociedades Empresariais 14 . obrigando-se uns como sócios solidariamente responsáveis (sócio comanditados – sempre pessoas físicas) e outros como simples prestadores de capitais. enquanto a exploração empresarial do objeto social caracterizará a sociedade como empresária.32. 2. isto é. confere à sociedade o caráter de simples.1. As sociedades.1. obrigando-se somente até o valor de suas quotas (sócios comanditários). e é reproduzida na legislação processual (art. Somente os comanditados podem exercer a gerência.

Mista: Em que determinada parte dos sócios tem responsabilidade ilimitada e outra parte tem responsabilidade limitada. Nestas. hoje pelo CC/02. e nas ilimitadas todos os sócios respondem ilimitadamente. CPC e art.2. Em um terceiro grupo de sociedades alguns dos sócios têm responsabilidade ilimitada e outros não (art. que é a sociedade em nome coletivo (N/C)./02).1. todos os sócios respondem limitadamente. de tal modo que apenas alguns respondem ilimitadamente.1. os credores somente poderão alcançar os patrimônios particulares num determinado limite. além do qual o respectivo saldo será perda que deverão suportar. de forma ilimitada.C. a sociedade com sócios de responsabilidade limitada.5.1.).1024 C.2. O direito contempla um só tipo de sociedade desta categoria. Em outras sociedades.1.Classificação das Sociedades de Acordo com a Natureza Jurídica Sociedade de pessoas e de capitais Direito Empresarial II – Sociedades Empresariais 15 . 2. a enorme aceitação da sociedade limitada no meio empresarial deve-se a dois fatores que determinaram seu surgimento na Europa em fins do século XIX. enquanto suportarem os patrimônios particulares dos sócios. a alusão é. o saldo passivo poderá ser reclamado dos sócios. Se o patrimônio social não for suficiente para integral pagamento dos credores da sociedade.1.3. 2. arts. em algumas sociedades.Limitada: Todos os sócios respondem de forma limitada pelas obrigações sociais. As sociedades de responsabilidade mista apresentam sócios de diferentes condições. São desta categoria a sociedade limitada (LTDA) e a anônima (S. na verdade. os credores poderão saciar seus créditos até a total satisfação. 3708/19.1.Paulo Nevares Quando se fala em sociedade de responsabilidade limitada.1.A.Ilimitada: Em que todos os sócios respondem de forma ilimitadamente pelas obrigações sociais. em que os sócios diretores têm responsabilidade ilimitada pelas obrigações sociais e os demais acionistas respondem limitadamente. 2. ou seja. 2. 1052 e 1087. São desta categoria as seguintes sociedades: Sociedade em Comandita por Ações. Antes regida pelo dec. 596.

por influência do Direito Português e Alemão. Neste decreto.999. porquanto as cotas sociais somente podem ser transferidas com o consentimento dos demais sócios (art. ao objetivo das sociedades por quotas. seus dispositivos estão mal articulados. O que ganha relevância nessa categoria de sociedades é a aglutinação de capitais para um determinado empreendimento. enquanto na sociedade de pessoas o quadro social deve manter-se constante. 3. uma vez que não serão admitidas normas estatutárias que impeçam a negociação das ações. Nas sociedades de capitais inexiste esse personalismo. Natureza jurídica e Características Conceito É aquela que formada por duas ou mais pessoas. a fim de que não ingresse um estranho na sociedade.C. Desse modo. na sociedade de capitais a mutabilidade dos sócios é a regra.1. com precisão.2. por isso existem constantes discussões doutrinarias.1. As cotas são intransferíveis. 3.1. As sociedades de pessoas têm no relacionamento entre os sócios a sua razão de existir. responsabilidade solidária pelo total do capital Direito Empresarial II – Sociedades Empresariais 16 ./02). c/c art. 3878/19 Foi feito no Brasil. C.1. A cada um dos sócios é indiferente a pessoa dos demais. tem o mérito de dirimir algumas questões relevantes. de forma subsidiária.Análise do Decreto nº. A vinculação entre os sócios funda-se no.1003. na confiança que cada um dos sócios deposita nos seus pares.MODELOS DE SOCIEDADE EMPRESÁRIA 3.36 da lei 6404/76). (art. não atendendo. trata-se de um decreto com algumas imperfeições. não há um conceito sobre sociedade por quotas de responsabilidade ficando a cargo dos doutrinadores.Conceito. As sociedades de responsabilidade ilimitada ou mista e a sociedade simples são todas de pessoas.Limitada (art. 1052 a 1087 do CC/02) 3.Paulo Nevares Essa classificação que alguns consideram destituída de interesses e prática. intuitu personae. ou seja. A sociedade anônima é uma sociedade de capitais. assumindo todas.

comprometem-se a integralizá-las transferindo à sociedade dinheiro ou bens que lhe correspondam.1. Ao nome deve ser acrescida LTDA. Lei 3708/19) Conceito É a cifra correspondente ao valor dos bens que os sócios transferiram ou se obrigaram a transferir à sociedade. por duas ou mais pessoas do mesmo modo que se constituem as sociedades contratuais. o capital não se altera dia-a-dia. trazendo. isto é. as quotas são. As forças da sociedade se medem pelo patrimônio.3. Nas sociedades anônimas as frações do capital são denominadas ações.Capital Social e Patrimônio ( art. que serão distintas. O novo Código Civil regula essas sociedades denominandos-as simplesmente de “limitadas”. seja por documento público ou particular. Cada sócio pode possuir quotas de valor diverso dos demais.Paulo Nevares social. Poderão essas sociedades usar de uma firma social. necessariamente. Natureza jurídica e Características Seus sócios possuem responsabilidade limitada. Formação A parte de cada sócio será denominada por quota. e não pelo capital. O patrimônio encontra-se sujeito ao sucesso ou insucesso da sociedade. o patrimônio é real e dinâmico e o capital social é formal e estático. trata-se de uma cifra contábil. Os sócios ao subscreverem suas cotas. nas sociedades por quotas são denominadas quotas. Só poderá ser modificado o capital social mediante alteração contratual. pelo menos o nome de um dos sócios. nominativas. como acontece com as sociedades anônimas. limitada ou sociedade de responsabilidade limitada. O capital é a garantia dos credores. Direito Empresarial II – Sociedades Empresariais 17 . 5°. 3. O patrimônio da empresa é diferente de capital social. neste caso. ou uma denominação particular. podendo ser constituídas.

Desse modo. /02) poderá ser excluído da sociedade mediante decisão judicial provocada pela maioria dos demais sócios. mesmo integralizada o capital da sociedade se.1085:” ressalvado o disposto no art. diverge assim essa responsabilidade limitada da responsabilidade dos sócios nas sociedades anônimas.4. apenas em relação aos gerentes. Muitas decisões judiciais têm sido proferidas sobre a responsabilidade fiscal dos sócios.1030.Sócio Quotista Responsabilidade De acordo com a lei brasileira. faz-se necessário o provimento judicial para exclusão de sócio fundamentada em falta grave ou incapacidade superveniente ao seu ingresso. 2º DL 3708/19)... nas sociedades por quotas a responsabilidade dos sócios é pelo total do capital social (art. entender que um ou mais sócios estão pondo em risco a continuidade da empresa em virtude de atos de inegável gravidade. A maioria da jurisprudência tende a admitir esta responsabilidade. O sócio. é sempre pelo total do capital social e.997. O Código Civil estabelece em seu art. for desfalcado os sócios poderão ser compelidos solidariamente a completá-lo.1030. respondem ou não subsidiariamente pelas obrigações sociais.C. no Brasil. importa observar que o CC/2002 dispõe: Direito Empresarial II – Sociedades Empresariais 18 . “. O contrato social deverá indicar se os sócios (art. CC/02). representativa de mais da metade do capital social. A limitação da responsabilidade dos sócios ao total do capital social deve ser consignada obrigatoriamente no ato constitutivo da sociedade.Paulo Nevares 3. quando eles praticam atos com abuso ou excesso de poder. VIII. em que cada acionista responde apenas pela parte com que entra para a sociedade. quando a maioria dos sócios. Dever de lealdade dos sócios Os sócios têm o dever de lealdade para com a sociedade e os demais sócios. assim. que é inerente à affectio societatis e se insere como condição básica para a realização do objeto social. C. A esse respeito.1. Enquanto não for modificada a lei brasileira a responsabilidade dos sócios. inclusive o majoritário desde que tenha incorrido em falta grave no cumprimento de suas obrigações ou por incapacidade superveniente (art. posteriormente.

1. entre si ou com terceiros. 977 veda a contratação de sociedade entre cônjuges casados no regime da comunhão universal ou separação obrigatória. 308 do Código Comercial a este tipo de societário. desde que Direito Empresarial II – Sociedades Empresariais 19 . não nos parece ser o entendimento mais adequado. ainda que após morte de um dos sócios. estando o capital integralizado. todavia. que responde por perdas e danos o sócio que. tendo em alguma operação interesse contrário ao da sociedade.Paulo Nevares I – em seu art. assim dispõe o art. § 3º. por falta grave no cumprimento de suas obrigações. de certa maneira. sendo assim será impedida a sua participação. os administradores dos bens dos menores não poderão ultrapassar a simples administração e nem contrair obrigações em nome deles.V e 1690 do CC/02. Com efeito. Menor como sócio quotista O decreto 3708/19. Não estando o capital integralizado.030. é um fiador dos demais. que regulou as sociedades por cotas de responsabilidade limitada. nada impede a participação do menor. Pode-se. A redação do dispositivo poderia levar o intérprete a concluir que as sociedades formadas antes da nova lei e ainda existentes após seu advento não teriam solução de continuidade.010. não se aplica o art. não poderá exercer função de gerência. o que. Sociedade entre Cônjuges A regra do art. afirmar que. com seus bens particulares. A fiança e as situações a ela assemelhadas fogem ao conceito de “simples administração”. não contém disposição alguma que vede a participação de menor nessas sociedades. De acordo com os art. 1. salvo se emancipado. 1634. participar da deliberação que a aprove graças ao seu voto. Cada sócio. apenas no caso do capital não estar integralizado. por conseguinte. O menor. II – em seu art. 977 do Código Civil: “Faculta-se aos cônjuges contratar sociedade. mediante iniciativa da maioria dos demais sócios. que o sócio pode ser excluído judicialmente. todos os cotistas respondem solidariamente pela integralização de todo o capital social. já que tal ilação esbarraria no óbice do ato jurídico perfeito. as cotas dos demais sócios. não fazendo distinção entre herdeiros maiores e menores para caso de continuação da sociedade. 1691. qualquer cotista poderá ser chamado a integralizar. ou seja. Sendo assim.

pela atual lei só é permitida a constituição de sociedade entre marido e mulher. e Rosa Maria Andrade Nery são categóricos ao afirmar que tais sociedades deverão se adaptar ao novo regramento. já que a titularidade das quotas do capital de cada cônjuge na sociedade não estaria patrimonialmente separada no âmbito da sociedade conjugal. da Lei de Introdução ao Código Civil). vem Pablo Stolze Gagliano. embora critique acidamente a postura do legislador. 2. Não há na doutrina um consenso sobre o assunto. considerando que o ato jurídico perfeito é aquele já consumado segundo a lei vigente ao tempo em que se efetuou (artigo 6º. Ao debruçar-se sobre o assunto. que esclarece: a lei não prejudicará o direito adquirido. Em outras palavras. separação parcial (artigo 1. No mesmo sentido. a propósito.” É preciso reconhecer. que procederá normalmente ao registro das alterações dos contratos sociais das sociedades existentes antes da nova lei.916 obedece às suas disposições. a questão deve ser analisada à luz do art. alterando os respectivos contratos sociais. da Constituição.658) ou participação final nos aqüestos (artigo 1. que. parágrafo 1º. ou no da separação obrigatória. Já no que tange ao regime da separação obrigatória. adaptando-se às exigências da nova lei. reconhece que a única saída aos sócios cônjuges seria a modificação do regime de casamento. assim como a orientação seguida pela Junta Comercial do Estado de São Paulo. assim como tendo em mente que o atual art. pelo qual se decidiu que a proibição do artigo 977 do Código Civil não se aplicaria às sociedades entre cônjuges formadas antes do Código de 2002 em respeito ao ato jurídico perfeito. Patrícia Barreira Diniz Soares apresentou a posição do Departamento Nacional de Registro do Comércio.035 dispõe que a validade dos atos jurídicos constituídos sob a égide do Código Civil de 1. seria ilógico as partes contratarem sociedade se a lei não lhes permite misturar seus patrimônios no âmbito do casamento.687). antes de tudo. que a vedação legal tem razões óbvias. No primeiro caso — o da comunhão universal — a sociedade seria uma espécie de ficção. Sócio Remisso Direito Empresarial II – Sociedades Empresariais 20 . Nelson Nery Jr.672). 5º. o ato jurídico perfeito e a coisa julgada.Paulo Nevares não tenham sido casados no regime da comunhão universal de bens. Todavia. sem analisar o regime de bens dos sócios. quando forem casados sob o regime da separação total de bens (artigo 1. XXXVI. ou entre ambos e um terceiro.

preferência na subscrição de aumentos de capital.1004. a par de obrigações e responsabilidades. mediante a subscrição ou aquisição de quotas do capital social. e externamente. devem restituir ao remisso as entradas feitas. função de confiança dos sócios e podem. dependendo de alteração contratual a destituição e substituição de um ou mais deles. ou expulsá-lo. São por outro lado nomeados no contrato social. deduzidas às quantias correspondentes aos juros ou indenização pela mora. pela maioria societária. IV . Eles exercem. CC/02) podendo a maioria dos demais sócios preferir a sua exclusão ou a redução de sua cota ao montante já realizado.fiscalização da gestão da empresa.participação nas deliberações sociais. Direitos dos associados Quando contratam a constituição de uma sociedade limitada ou ingressam em uma sociedade preexistente. Responde por perdas e danos (art. os sócios. assim. Nesta última hipótese. por isso. V . A sociedade pode cobrar-lhe o devido. Os gerentes são escolhidos. II . em juízo. do ato constitutivo da sociedade.retirada da sociedade. integrado por uma ou mais pessoas físicas cuja atribuição é. Apenas se previsto em contrato a escolha poderá depender da manifestação de sócios representativos de percentual maior do capital social. podendo de acordo com o art. cláusula essencial ao arquivamento pela Junta. manifestar a vontade da pessoa jurídica. administrar a empresa. passam a ser titulares de uma série de direitos. tais como: I . lembre-se. A identificação e qualificação dos gerentes são. sendo os limites e condições para o exercício desses direitos pactuados entre eles e definidos no contrato social. 7º da lei 3708/19 ser excluído pelos sócios. Importa observar que os sócios gozam desses direitos pelo simples fato de participarem do capital social. serem destituídos ou substituídos a qualquer tempo. . Direito Empresarial II – Sociedades Empresariais 21 .Paulo Nevares É aquele que não integralizou as cotas que se obrigou dentro do prazo determinado.Gerência É o órgão da sociedade limitada.participação nos resultados sociais. III . no plano interno. em regra.

Se descumprir seus deveres. na condição dos negócios sociais. por ser ele o seu representante legal. os preceitos da tecnologia da administração de empresas fazendo o que esse conhecimento recomenda. O paradigma do gerente diligente é o administrador com competência profissional. nenhum problema existindo nessa prática. portanto. os sócios não têm ação contra o gerente. na Junta sem a assinatura do majoritário. sofrer prejuízo o gerente será responsável pelo ressarcimento dos danos. porque a alteração contratual necessária ao ato não poderá ser arquivada. se o próprio sócio majoritário exerce a gerência. Responsabilidade do gerente Os deveres de diligência e lealdade aplicáveis a qualquer pessoa incumbida de administrar bens ou interesses alheios. o gerente deve observar. na melhor das hipóteses haverá menos resultado social para distribuir como lucro. pelo majoritário. Quando o gerente. em nome próprio o ressarcimento dos danos. em ato de má administração não é o próprio sócio majoritário. decorrentes de exercício abusivo dos direitos de sócio. deve estar provado que o dinheiro Direito Empresarial II – Sociedades Empresariais 22 . em vez de destiná-lo a distribuição entre os sócios. No processo. Note-se que. por deficiência do gerente. Pelos danos indiretos. em curso. não é necessário ter concluído o curso superior de administração de empresa e encontrar-se inscrito no conselho profissional respectivo. contudo. os membros do órgão devem ser diligentes e leais. Além disso. Para cumprir o dever de diligência. os sócios naturalmente sofrem um dano indireto na medida em que. a sociedade certamente não promoverá a ação de indenização contra o sócio majoritário. Em primeiro lugar. os parâmetros de afeição do desempenho dos gerentes da limitada. As atribuições da gerência no plano interno são as de administrar a empresa. a situação é bem diversa. só ela é titular do direito a indenização. em razão disso. Mas.Paulo Nevares Nas grandes empresas exploradas por limitadas. provavelmente será destituído e responderá a ação indenizatória proposta pela sociedade. O sócio minoritário demanda. inclusive é comum chamar de “DIRETORES” os gerentes. Tais deveres representam. a lei não o exige. sua destituição pelos sócios minoritários é impraticável. inclusive porque a maioria societária pode deliberar e reinvestir todo o valor da indenização na empresa. e deixando de fazer o que ele desaconselha. e a sociedade. Se os danos são da sociedade. para exercer a gerência da limitada. Quando a sociedade empresária tem prejuízo.

a transmissão intervivos de quotas dependeria da concordância dos sócios. os atos do gerente apenas obrigam a sociedade não os alcançando pessoalmente. Para segunda corrente. a gerência é ato pessoal. Há quem entenda que. utilizando-se o vocábulo gerente para o administrador das demais sociedades. O administrador da sociedade é o gerente ou diretor . Nada impede. O gerente social. Havendo sócios menores. Cessão de Quotas A cessão de quotas foi omitida na lei 3708/19. apenas servindo para a sua responsabilização interna.Paulo Nevares correspondente aos danos derivados da má administração poderia ser distribuído entre os sócios. obviamente. terá direito a parte desse numerário proporcional a sua cota. que se atribua ao gerente o título de diretor. onde se cria uma controvérsia se para esta cessão dependeria ou não da autorização dos sócios. exceto os que lhe forem expressamente retirados. um empregado com atribuições de direção na hierarquia da empresa. Os emancipados. sem prejuízo do regular funcionamento da empresa. Na hipótese de uma prática normal. têm condições de exercê-la. estarão estes impedidos de exercer a gerência ainda que púberes.1172 do CC/02). Os sócios gerentes respondem individualmente sempre que agirem em desacordo com o contrato social ou a lei. A designação de diretor é própria das sociedades anônimas. O gerente social ou sócio gerente deverá pertencer aos quadros da sociedade se o contrato silenciar sobre quais os sócios que detém poderes de gerência todos os terão. porém.Na primeira corrente. O mandatário não gera a vontade. O Código Civil reserva a palavra ”gerente”. nem mesmo as restrições contratuais aos poderes dos gerentes têm eficácia externa. O mandatário tem apenas os poderes que lhe forem expressamente outorgados. como participação nos lucros. de que estamos tratando não se confunde com o gerente administrativo. estando equiparados aos maiores. O sócio em minoria. que é um mero preposto. ou seja.é aquele que faz atuar a empresa. apenas a transmite conforme as instruções do mandante. não comportando as figuras da representação ou da assistência. mas sem condição de órgão da sociedade. o órgão tem todos os poderes. para a figura do gerente administrativo (art. trata-se Direito Empresarial II – Sociedades Empresariais 23 .

se foi no contrato social prevista a continuação com os herdeiros. reserva patrimonial que possibilite a aquisição. Cessão de quotas a terceiros Para esta cessão deve-se observar duas situações distintas: Direito Empresarial II – Sociedades Empresariais 24 . Quotas liberadas. II. para tanto. Fundos disponíveis. Cabe ressaltar que. Cessão à própria sociedade (art. solução adequada até mesmo nos casos de omissão de contrato social. III. a morte de um dos sócios não acarreta. no seu artigo 1003. ou seja. a dissolução da sociedade. tal como ocorre nas sociedades anônimas. integralizadas pelos respectivos sócios. em manifestação da maioria. mas sim credores nos limites de seus respectivos quinhões. não sendo sócio se não desejar. Sendo assim. Deverá após apuração dos haveres do de cujus (sócio falecido) receber o correspondente. que não pode ser atingido pela transação. IV.Paulo Nevares de uma sociedade de capital. Acordo dos sócios. isto é. pois as quotas permaneceriam nas mãos dos sócios que integram a atual sociedade não nas mãos de estranhos. 8º do Decreto Lei 3708/19) Analisando o artigo se faz necessário à existência de dos seguintes requisitos: I. Sem ofensas do capital. Já o Código Civil de 2002. tal cláusula torna-se obrigatória para os sócios sobreviventes. Não poderão os herdeiros propor dissolução e respectiva liquidação da empresa para saldar interesses pessoais. a cessão independeria de qualquer manifestação dos demais sócios. perante nosso direito. prevê que a cessão de cotas depende da concordância dos demais sócios e. por si só. No caso de cessão intervivos cabe ressaltar três tipos: Cessão de sócio para sócio É a preferida. Aos herdeiros sim. não podendo nenhum deles recusar o ingresso dos herdeiros na sociedade. é facultada a recusa de fazer parte da sociedade. se estiverem de acordo promoverão a competente alteração contratual.

085 do NCC. Para tratar dessas matérias e de outras que o contrato social pode estipular. Entretanto. em relação a determinadas matérias. Também é de se considerar a situação em que o cotista assim se constituiu através de empréstimos. nesse caso. os sócios relacionam-se entre si e com terceiros. dada sua importância para a sociedade e repercussão nos direitos dos sócios e de terceiros. elencados.C./02. 2) Cessão decorrente de exclusão de sócio remisso (é aquele que não integralizou as cotas a que se obrigou . conforme também estabelecido no contrato social. Na segunda hipótese. tomando várias deliberações.). dispensam quaisquer formalidades. Os demais cotistas poderão. a exclusão do sócio resulta da concordância plena dos demais. Assembleia e quorum de instalação Assembleia No dia-a-dia da sociedade./02). Não tendo estes cotistas outros bens para pagamento de seus credores justa será sua penhora. Possibilidade de penhora O credor de dívida particular de um sócio poderá penhorar suas cotas de uma sociedade como garantia? A maioria dos autores é acorde pela afirmativa desde que o contrato social o permita. basicamente. Omissivo a respeito do assunto. nos artigos 1. Por outro lado. que. prevalecerá o acordado no contrato social. dissolverem a sociedade. adquirir a cota do credor. C. 7º do Decreto Lei 3708/19). pagando assim pela má escolha de um sócio (art. ou então usarem de seu direito de recesso ou ainda.1026. nenhum obstáculo poderão opor os sócios exceto quando inquestionavelmente o adquirente for o inidôneo.1026. sendo Direito Empresarial II – Sociedades Empresariais 25 .Paulo Nevares 1) Cessão decorrente da vontade de um dos sócios. Estabelecida a restrição.art. manifesta a necessidade de concordância prévia dos demais sócios. devem os sócios reunir-se em conclave (reunião ou assembleia). em regra. C.071 (cuja enumeração não é exaustiva) e 1. nada impede que essa penhora recaia sobre os lucros decorrentes dessas mesmas cotas (art. parágrafo único. a lei impõe alguns procedimentos.C.

nos casos omissos no contrato. obrigatoriamente.079 do NCC). Ou seja. com qualquer número (art. por exemplo. que. funcionamento e assentamento. É órgão deliberativo. a regra do parágrafo 3º do artigo 1. 75% do capital social e. ao quorum legalmente previsto para validade da decisão que tomarem.074 do NCC. para instalar-se. a começar pelo modo de sua convocação (vide. em se tratando de reunião. o que. O conclave (assembleia ou reunião de sócios) é. que. é órgão interno. A diferença entre as duas modalidades de encontro não está só na designação. de titulares de. E mais. tem como efeito a exclusão da competência da administração sobre as matérias nele previstas. 1. combinado com o artigo 1.075 do NCC. neste aspecto. O sócio pode ser representado na assembleia por outro sócio. ou por advogado. na prática.074 do CC/2002). supremo e soberano. Quorum de instalação A assembleia dos sócios se instala com a presença.O artigo 1. O mesmo não se diga em relação à assembleia. no mínimo. Instala-se uma vez por ano (artigo 1. não há necessidade de serem. rigorosamente. ao lado da administração e do Conselho Fiscal.152 do NCC). não seria conveniente. principalmente. obedecendo. do NCC) órgão da sociedade. devendo suas deliberações serem executadas pela administração. Já. em segunda convocação. livremente. pode o contrato social estabelecer.072 e 1. Ressalte-se que toda sociedade limitada.072 do NCC). O conclave não é órgão permanente. poderá adotar o regime da assembleia. quando regularmente convocado (artigo 1.078 do NCC) ou a qualquer tempo.073 do NCC).Paulo Nevares em assembleia. com liberdade. seguidas as regras dos artigos 1. É importante observar que se aplicam às reuniões dos sócios.071 do NCC estabelece o regime de competência privativa da comunhão dos sócios. tratar desses assuntos. que é órgão de representação da sociedade.072). mediante outorga de mandato com especificação dos atos Direito Empresarial II – Sociedades Empresariais 26 . mesmo que constituída com menos de 10 (dez) sócios. no tocante à reunião. quando a sociedade for composta por mais de 10 (dez) sócios (parágrafo 1º do artigo 1. se este existir (artigo 1. podendo o contrato social. deve observar a regra do artigo 1. sendo a assembleia muito mais formal do que a reunião. dado o seu maior formalismo. em primeira convocação. a sua instalação.074 e 1. as regras atinentes à assembleia (parágrafo 6º do artigo 1.072.066 e segs. além de irrevogável e indelegável (exceto na hipótese do parágrafo 4º do artigo 1.

para as posteriores. • por titulares de mais de um quinto do capital. quorum de unanimidade (significa a aquiescência de 100% do capital social no atendimento a uma questão discutida). Direito Empresarial II – Sociedades Empresariais 27 . A publicação do aviso convocatório deverá ser feita no órgão oficial da União ou do Estado. por mais de sessenta dias. Dispensam-se as formalidades de convocação quando todos os sócios comparecerem ou se declararem. data. Formalidades da Convocação: O anúncio de convocação da reunião ou assembleia de sócios será publicado por três vezes. juntamente com a ata da assembleia ou reunião. devendo o instrumento ser levado a registro. 2.075 do CC/2002). quando não atendido. quorum qualificado de ¾ ( significa dizer que a aprovação deve ser de pelo menos ¾ da totalidade do capital social). adotou para as deliberações sociais cinco espécies de quorum. • por sócio. Convocação da reunião ou assembleia de sócios: A reunião ou assembleia de sócios será convocada. por escrito. com indicação das matérias a serem tratadas. hora e ordem do dia.708/1919. 1. a saber: 1. se a diretoria retardar por mais de trinta dias a sua convocação anual. quando os administradores retardarem a convocação. cientes do local. 3. Espécies de quorum O NCC. • pelo conselho fiscal.Paulo Nevares autorizados. ao menos. nos casos previstos em lei ou no contrato: • pelos administradores. pedido de convocação fundamentado. para a primeira convocação. e de cinco dias. conforme localização da sede e em jornal de grande circulação. se houver. no prazo de oito dias. ao contrário do Dec. ou sempre que ocorram motivos graves e urgentes. o prazo mínimo de oito dias. devendo mediar. A assembleia será presidida e secretariada por sócios escolhidos entre os presentes (art. entre a data da primeira inserção e a da realização da assembleia.

quando feita em ato separado. Matérias e respectivos quoruns de deliberação: Os sócios deliberarão sobre as seguintes matérias. além de outras previstas na lei ou no contrato. f) incorporação. art. Administrador não sócio: (art. 1. nomeado no contrato social • dois terços do capital social. fusão e dissolução da sociedade. Administrador sócio. se o capital estiver totalmente integralizado: Administrador sócio (inciso II. e) modificação do contrato social. 1. 1.076 CC/2002) • mais da metade do capital social.071 do CC/2002: a) aprovação das contas da administração. se o capital social não estiver totalmente integralizado.Paulo Nevares 3. salvo disposição contratual diversa (§ 1º. ou Três quartos do capital social. art. • dois terços do capital social. quorum de maioria absoluta ( significa que a deliberação dever ser de 50% mais 1 da totalidade do capital social).063. 1. art.076 CC/2002). sócio ou não. designado em ato separado • mais da metade do capital social (inciso II. se o contrato não exigir maioria mais elevada (inciso III. art. d) o modo de remuneração dos administradores.061 CC/2002) • unanimidade dos sócios. 1. quorum de maioria simples ( significa que a aprovação deve ser de 50% mais 1 do capital social dos presentes na votação). QUORUNS c) destituição dos administradores. 1. Maioria de capital dos presentes. salvo nas matérias sujeitas a quorum diferente (inciso I. Administrador. 4. Três quartos do capital social (inciso I.076 CC/2002). b) designação dos administradores. observados os respectivos quoruns: MATÉRIAS Matérias previstas no art. quorum qualificado de 2/3 ( significa que a aprovação deve ser de pelo menos 2/3 da totalidade do capital social).076 CC/2002). 1. art. 1. CC/2002) Mais da metade do capital social (inciso II. no mínimo.076 CC/2002).076 CC/2002). Direito Empresarial II – Sociedades Empresariais 28 . 5. art. art. quando não estabelecido no contrato. 1.

que a solicitar. art. mas no caso de sociedade com até dez sócios. Ao sócio. 1. salvo se prevista no ato constitutivo (art. o estado da caixa e da carteira da sociedade. Outras matérias previstas no Código Civil 2002 Exclusão de sócio . independentemente da sua participação no capital social. 1. ele poderá ser feito a qualquer tempo.076 CC/2002) Ata da assembleia ou reunião Dos trabalhos e deliberações da assembleia ou reunião será lavrada uma ata. Totalidade dos sócios. deverá ser entregue cópia autenticada da ata.085 CC/2002). Maioria do capital dos demais sócios (parágrafo único do art. Fiscalização da gestão da empresa O art.075. art. dispondo que. Portanto. 1. o contrato social pode determinar época própria para os sócios examinarem os Direito Empresarial II – Sociedades Empresariais 29 . 1. no prazo de 20 dias (art. A ata deve ser lavrada em livro específico. devendo cópia dela ser levada a arquivamento na Junta Comercial.justa causa Exclusão de sócio remisso Transformação Mais da metade do capital social.021 do CC/2002 concede ao sócio. h) pedido de concordata. do CC/2002). o direito de examinar os livros e documentos. 1. Mais da metade do capital social (inciso II. se o contrato não exigir maioria mais elevada (inciso III. 1.Paulo Nevares a cessação do estado de liquidação.114 CC/2002) Maioria de capital dos presentes. g) nomeação e destituição dos liquidantes e o julgamento das suas contas.004 CC/2002). se permitida a exclusão por justa causa no contrato social (art. 1. salvo estipulação no contrato que determine época própria para esse exame. se o contrato social previr que as deliberações serão tomadas em reunião dos sócios pode também dispensar a existência desse livro. § 2º.076 CC/2002).

exercer esse direito.caso seja instalado o conselho fiscal. mas.além de outras atribuições determinadas na lei ou no contrato social. d) denunciar os erros. respondem limitadamente por essas obrigações. Somente os sócios comanditados podem ser administradores. 1. eleitos em assembleia ou reunião anual dos sócios. e outros. por escrito. Comandita simples É o tipo societário em que um ou alguns dos sócios. pelo menos trimestralmente. III . observado o seguinte (arts. a instalação de conselho fiscal. e o nome empresarial da sociedade só poderá valer-se de seus nomes civis. no mínimo. nas sociedades limitadas. os sócios "comanditários". devendo os administradores ou liquidantes prestar-lhes as informações solicitadas. c) exarar no mesmo livro e apresentar à assembleia anual dos sócios parecer sobre os negócios e as operações sociais do exercício em que servirem. os membros dos demais órgãos da sociedade ou de outra por ela controlada.069 do CC/2002): I . podem eleger. compondo-se esse órgão de.Paulo Nevares livros e documentos. três membros efetivos e seus suplentes. fraudes ou crimes que descobrirem. sugerindo providências úteis à sociedade. se não o fizer. pessoas Direito Empresarial II – Sociedades Empresariais 30 . os deveres seguintes: a) examinar. portanto.066 e 1. tomando por base as demonstrações financeiras. b) lavrar no livro de atas e pareceres do conselho fiscal o resultado dos exames referidos na letra “a”. no mínimo. Até trinta dias antes da data marcada para a realização da assembleia ou reunião dos sócios para a prestação anual de contas. separadamente. individual ou conjuntamente. os livros e papéis da sociedade e o estado da caixa e da carteira. a qualquer tempo. com mandato até o ano seguinte. necessariamente. os sócios podem. denominados "comanditados". os sócios minoritários que representarem. têm responsabilidade ilimitada pelas obrigações sociais. os empregados de quaisquer delas ou dos respectivos administradores e o cônjuge ou parente destes até o terceiro grau.não podem ser membro do conselho fiscal: as pessoas legalmente impedidas de fazer parte da administração de sociedades empresárias. É facultado. aos membros do conselho fiscal incumbem. a prestação de contas e as demonstrações contábeis relativas ao exercício anterior. II . os administradores devem colocar à disposição dos sócios não administradores. 20% do capital social. devem ser. um membro do conselho fiscal e o respectivo suplente.

Não há de se olvidar que. bem como tomar parte das deliberações sociais e fiscalizar a administração dos negócios da sociedade. Sua principal característica é a responsabilidade ilimitada e solidária dos sócios perante terceiros.044 do Código Civil. em princípio.045. para se evitar a possibilidade de. estão sujeitos às restrições específicas que lhes reserva a lei: não poderão praticar atos de gestão da sociedade. Os sócios comanditários. aos quais cabe indicar um representante (CC. Varia. salvo se o contrato dispuser em contrário.039 a 1. os sobreviventes poderão liquidar as quotas do comanditário falecido. entre os comanditários. dá-se a dissolução parcial da sociedade. Esta continuará com os sucessores. Poderão. art. pelos débitos contraídos em nome da sociedade. 1. 997 do citado Código. agindo em nome dela. é"de capital". receber poderes especiais de procurador na realização de negócios determinados. estes sempre pessoas físicas. no tocante às consequências da morte de sócio: entre os comanditados. serem tomados por administradores e sócio de responsabilidade ilimitada. de acordo com a espécie de sócio falecido. Para essa responsabilidade. ela é "de pessoas". a menos que o contrato social expressamente estipule o ingresso dos sucessores (CC. I). art. diante da própria pessoa jurídica da qual fazem parte. lembrando que o patrimônio dos sócios somente serão tocados se os bens da sociedade não forem suficientes para saldar as obrigações contraídas. cada sócio se responsabiliza pessoalmente pela parcela do capital social adquirido. não há solidariedade entre eles.Paulo Nevares físicas. quando se for atribuir responsabilidade por débitos sociais diante de credores Direito Empresarial II – Sociedades Empresariais 31 . 1. a sociedade. De contra partida. Disciplinam a sociedade em comandita simples os arts.1. Apenas se previsto de modo expresso no contrato. Os comanditários têm.028. Se falecer comanditário. a natureza personalística ou capitalista da sociedade. esta sociedade é constituída por contrato escrito. e. não se dissolve.050). a menos que disposto em sentido diverso no contrato. e suas cláusulas essenciais estão contidas no art. assim.051 do C. contudo. Essa é regra geral aplicada a todos os tipos sociais. Sociedade em nome coletivo É regulado pelos arts. direito de participar da distribuição dos lucros proporcionalmente às suas quotas.C. Morrendo sócio comanditado./02. 1. ao menos enquanto este não for integralizado. 1. assim como os comanditados. público ou particular. que podem ser pessoas físicas ou jurídicas.

características Sociedade Anônima é a sociedade em que o capital é dividido em ações. Características: A sociedade anônima é uma sociedade de capital. 1o). limitando-se a responsabilidade do sócio ao preço de emissão das ações subscritas ou adquiridas. já que nenhum contrato liga os sócios entre si. Sociedade anônima (S/A) Conceito. o ingresso de nenhuma pessoa no quadro associativo. por conseguinte. o acordo necessitaria de aprovação unânime. Essas sociedades têm um modo de constituição próprio e o seu funcionamento está condicionado às normas estabelecidas na lei ou no estatuto. b) É sempre empresária. Seus sócios são denominados acionistas. natureza jurídica. porém este somente seria eficaz entre os mesmos. e eles respondem pelas obrigações sociais até o limite do que falta para integralização das ações que sejam titulares. Nesta hipótese. art. aí sim. não se confunde com o valor nominal ou de negociação.Paulo Nevares que efetuaram negócios com a sociedade. Preço de emissão registre-se. até mesmo para não descaracterizar o próprio tipo social. As sociedades anônimas em regra são reguladas por leis especiais. Nenhum dos acionistas pode impedir. Por outro lado. É possível existir um acordo de limitação da responsabilidade dos sócios. caso não tivesse sido efetuado no ato constitutivo. será sempre possível a penhora da ação em execução promovida contra o acionista. Ou dizendo o mesmo com expressões usadas pelo legislador: o acionista responde pelo preço de emissão das ações que subscrever ou adquirir (LSA. São consideradas sociedades institucionais ou normativas e não contratuais. Direito Empresarial II – Sociedades Empresariais 32 . Os títulos representativos da participação societária (ação) são livremente negociáveis. aplica-se a regra da responsabilidade solidária. A sociedade anônima oferece as seguintes características básicas: a) É sociedade de capitais. não atingindo terceiros.

36). Natureza jurídica: As ações das sociedades anônimas são. sem que a sociedade seja em nada afetada. em regra. transferíveis. até diariamente. evidentemente. sem que esse fato acarrete nulidade para a mesma. devendo.Paulo Nevares c) O seu capital é dividido em ações transferíveis pelos processos aplicáveis aos títulos de crédito. por extenso ou abreviadamente. não importando a pessoa dos sócios. d) Possibilidade da subscrição do capital social mediante ao apelo público. o que ganha relevância é a aglutinação de capitais. sendo essa. quando aquela for empregada. os mesmos. que são fundamentais para a existência e continuidade da sociedade. que apenas assumem compromisso de integralizar as importâncias relativas às ações que adquirem ou subscrevem. poderá o estatuto impor limitações a transferências. d) a responsabilidade dos acionistas é limitada ao preço de emissão das ações subscritas. Esses capitais têm. assim. Em certas situações. de igual valor nominal. sempre ser acrescido as palavras sociedade anônima. não respondendo. dispensável. f) Possibilidade de pertencerem à sociedade. antecedendo a denominação social é sinônima da locução sociedade anônima. por natureza. perante os terceiros. de capitais. Na sociedade anônima. A palavra companhia. menores ou incapazes. titulares que poderão variar constantemente. Direito Empresarial II – Sociedades Empresariais 33 . e) Uso de uma denominação ou nome fantasia para nome comercial. desde que não impeça a negociação (art. As sociedades anônimas no direito brasileiro distinguem-se dos demais tipos de sociedade pelas seguintes características essenciais: a) Divisão de capital social em partes. assim. A responsabilidade dos sócios é limitada. A cada sócio é indiferente à pessoa dos demais sócios. c) Livre sensibilidade das ações por parte dos sócios. contudo. na verdade. Essas partes do capital são denominadas ações. não afetando à estrutura da sociedade a entrada ou retirada de qualquer sócio. A associação é. não havendo entre si o chamado “intuito personae”. pelas obrigações assumidas pela sociedade. b) Responsabilidade dos sócios é limitada apenas ao preço de emissão das ações subscritas ou adquiridas.

ao contrário das demais formas societárias. O capital da sociedade anônima divide-se em ações. no Brasil. através da mensagem nº 204/76 e esse finalmente. posteriormente pela Lei nº 10303/2001. constitui-se em Projeto (Projeto de Lei nº 2559/76) do poder executivo. em lei. tal como os títulos de crédito. enviado ao Congresso. a constituição e o funcionamento das sociedades anônimas.982. a sua retirada do organismo social não o influencia. Direito Empresarial II – Sociedades Empresariais 34 . que obtém seus recursos dos próprios acionistas. Trata-se de uma classificação em razão da forma. Essas ações têm capacidade de circulação autônoma.303/2001 O Código Comercial regulava nos artigos 295 a 299. O anteprojeto de autoria dos professores Alfredo Lamy Filho e José Luis Bulhões Pedreira. Desde que entrou em vigor o Código Comercial. tomando assim para base de suas operações apenas o patrimônio da sociedade. por força e efeito da Lei no 6404/76. que teve o número 6404/76 alterada pela Lei nº 9457/97 e. art. 10. a sociedade levará o título de empresária. Assim. a que dava o sinônimo de companhias. pela CVM (Comissão de Valores Mobiliários). art 2º. não contam com garantias subsidiarias por parte dos acionistas. por exemplo. como. Por outro lado. a circulação destas se operava sem que a sociedade nem mesmo tivesse conhecimento das transferências efetivadas. com várias modificações no texto original. A Lei nº. que capta recursos junto ao público e é fiscalizada. parágrafo único do CC. agricultura.Paulo Nevares Os terceiros que contratam com a sociedade. Há duas espécies de sociedades anônimas: • a companhia aberta (também chamada de empresa de capital aberto). pois a sociedade se constitui em função do capital. nas quais se materializa a participação dos sócios. Quando existiam ações ao portador. Aspectos gerais: A sociedade anônima é sempre empresária. que poderão ser ou não. ainda que se destine a uma atividade não empresária. várias leis modificaram os dispositivos relativos às sociedades anônimas. cumprida a obrigação principal dos sócios de concorrer com sua parte para o capital. • a companhia fechada (também chamada de empresa de capital fechado).

das seguintes providências: a) subscrição. O significado da palavra subscrição é (1. de 3/05/1978. para que a S/A seja constituída. independentemente de qualquer apelo ao público. de 10%. cuja realização inicial não pode ser inferior a 50%(Lei4595/64. o Direito Empresarial II – Sociedades Empresariais 35 . como o próprio nome diz. 2. Ato ou efeito de subscrever(se). A subscrição terá que ser feita por pelo menos 2 ( duas pessoas. Os dois tipos diferem entre si.art. há necessidade do cumprimento de “requisitos preliminares” que estão enumerados nos artigos 80 e 81 da Lei 6. Esclareça-se que existem S/A em que a legislação especial exige realização inicial de parte maior de capital social. 251 da Lei das S/A) b) realização. mas em ambos os casos. etc. pelo menos por duas pessoas. 2. pagar as ações subscritas. é processada entre determinadas pessoas. terá que realizar. obra meritória. os organizadores ou fundadores da S/A necessitam obrigatoriamente obter subscritores para todas as ações em que se divide o capital social fixado no estatuto. pagar a entrada.” No caso da S/A a subscrição é o ato através do qual uma pessoa física ou jurídica (subscritor) assume o compromisso de realizar. no mínimo. Assim sendo. autoriza todos os Bancos Comerciais). homenagem. que será correspondente ao que for estipulado pelos fundadores e não poderá jamais ser inferior a 10% do preço de emissão das ações. cada subscritor. no Banco do Brasil ou em qualquer outro estabelecimento bancário autorizado pela Comissão de Valores Mobiliários (Ato Declaratório n. da parte do capital realizado em dinheiro.404/76. no ato da subscrição. ao qual as ações serão oferecidas. do preço de emissão das ações subscritas em dinheiro. c) depósito.Paulo Nevares Constituição da companhia A Constituição de uma S/A pode ser feita por SUBSCRIÇÃO PARTICULAR ou por SUBSCRIÇÃO PÚBLICA. A subscrição particular.27). a constituição de um S/A depende. como as instituições financeiras. Este depósito deverá ser feito pelos fundadores no prazo de 5 (cinco) dias contados do recebimento. Já a subscrição pública se operará através de apelo ao público investidor. Compromisso de contribuição com certa quantia para empresa. nos termos pactuados. de todas as ações em que se divide o capital social fixado no estatuto. exceto na hipóteses de subsidiária integral (WHOLLY OWNED SUBSIDIARY – art. inicialmente. Logo. como entrada. De acordo com os dispositivos legais citados.

Companhia constituída por Assembleia (art. Mas. do preço de emissão das ações subscritas em dinheiro e deposito. Já que Direito Empresarial II – Sociedades Empresariais 36 . como capital social. o capital um dado da maior importância na sociedade anônima. de todas as ações eu que se divide o capital social fixado no estatuto. é imutável.. pelo menos por duas pessoas. no Banco do Brasil S. iniciando pela exigência de subscrição. no art.A.94). Caso contrário. e para que aquela seja considerada válida deverá este firmar o boletim ou lista de subscrição e pagar a entrada. pois. no mínimo. 80. se a S/A for legalmente constituída no prazo de 6 (seis) meses a contar da data do depósito. nesse sentido. (art. poderá sacar o montante do depósito e transferi-lo para a conta de movimento. contudo. Cumpridos estes requisitos preliminares.98) Responsabilidade dos primeiros administradores (art.A. ao montante dos bens que os subscritores conferiram à sociedade ao integralizar. Já o patrimônio (conjunto de bens da sociedade) é mutável e sujeito às contingências da vida social (amplia-se com o lucro e reduz-se com os prejuízos).. Capital social Dispõe a Lei das S. Companhia constituída por Escritura Pública (art. em princípio. a realização. art. Publicação e Transferência de bens (art. Registro do Comercio (art. o Banco em que a quantia foi depositada a restituirá diretamente aos subscritores. não podendo o subscritor dela desistir. 81.Paulo Nevares qual se fará em nome do subscritor e a favor e vinculada à sociedade em formação – pessoa jurídica futura.99). ou em outro estabelecimento bancário autorizado pela Comissão de Valores Mobiliários. como entrada. Representa. é uma medida do desempenho social. parágrafo único) Finalmente. constando do estatuto como uma cifra formal. somente é alterado quando uma decisão. de 10%. que a constituição da sociedade anônima depende do cumprimento de vários requisitos. for tomada pela sociedade.97). da parte do capital realizado em dinheiro. é importante se esclarecer que a subscrição é irretratável. 94 a 99) 1) 2) 3) 4) 5) 6) Arquivamento e Publicação (art.96). 95). Formalidades complementares (lei 6404/76. O capital social corresponde.

• A de garantia. demonstrando a origem e a evolução dos recursos empregados. nem sempre a totalidade da contribuição dos acionistas se dirigirá da formação do capital social. que diz respeito à situação do acionista em face da porcentagem que possua do capital social. (art. Entretanto. Variações do capital social As S. § 2º e 14. que deve ser feita com observância de determinadas regras. 8°). Direito Empresarial II – Sociedades Empresariais 37 . parágrafo único). mas sim de incorporação de reservas ou lucros. periodicamente. eis que uma parte poderá ser destinada à constituição de reserva de capital. em quantia ao menos igual à que é expressa pelo capital. bem como os lucros e prejuízos acumulados na exploração da respectiva atividade econômica. bens ou créditos. pode ser integralizado pelo acionista em dinheiro (hipótese mais comum). a fazer-se com bens dos acionistas (subscrição). art. fixadas em Lei (LSA. por meio de exercício da atividade compreendida no objeto social. de que é titular. os resultados obtidos. obrigam-se a levar a público. 13. pode o aumento de capital não ter sido gerado da contribuição dos acionistas. ou com recursos gerados pela própria sociedade (incorporação de reservas ou lucros). que se revela na obrigação imposta pela lei de que o valor real dos bens e direitos que integram o patrimônio ativo da companhia supere o total das dividas e obrigações que o gravam. Vale ressaltar que. O aumento desse fundo de atuação importa no aumento de capital. Funções do capital social São três as funções básicas do capital social: • Da sua produtividade. Por outro lado. • A da determinação da posição do sócio. dependendo a distribuição de dividendos da existência desse excesso. como ocorre com as demais sociedades comerciais. como fator patrimonial para a obtenção de lucros. o número de votos de cada acionista decorre da parcela do capital (número de ações). Para a integralização do capital em bens é necessário se realizar a avaliação destes.Paulo Nevares apenas será lucrativa a sociedade cujo patrimônio líquido exceder o capital social.A. O capital social de uma sociedade anônima.

até o limite de 20% do capital social. a capitalização poderá ser efetivada sem modificação do numero de ações. sendo. mas também pela obtenção de novos recursos (emissão de novas ações). como fim social. Aumento de capital social O aumento decorrente da correção monetária se processa em dois tempos. sendo que. a emissão de ações faz com que haja efetivo ingresso de noves recursos no patrimônio social. um mecanismo quase automático. A redução do capital é caso excepcional. o aumento ocorre por meio da emissão de novas ações.Paulo Nevares O período de apuração dos resultados é denominado exercício financeiro. que importará em alteração do valor nominal das ações ou distribuição de ações novas. a correção é levada à reserva. mediante deliberação da assembleia geral ordinária. podendo somente ser utilizada para compensar prejuízos ou aumentar o capital. sendo que. Sua finalidade é assegurar a integridade do capital social. devendo corresponder ao lapso de doze meses. para aumentá-lo faz-se não apenas através de ajustes patrimoniais (correção monetária anual. onde. sem necessidade de alteração estatutária. O capital pode ser aumentado ou reduzido. Ainda com a emissão de novas ações. averbando-se no registro do comércio. sendo que. nos limites do capital autorizado. onde o lucro. As demonstrações financeiras registrarão a destinação dos lucros segundo a proposta dos órgãos da administração. O exercício de cada sociedade deve estar no respectivo contrato ou estatuto. submetendo-a a aprovação da assembleia geral. Para a captação de novos recursos. 5% serão aplicados na constituição da reserva legal. do lucro apurado. temos os valores mobiliários. no caso de capitalização de lucros ou de reservas. O aumento poderá ser deliberado pela assembleia geral ou do conselho de administração. e tratando-se de ações em valor nominal. a conversão de debêntures ou partes beneficiárias conversíveis Direito Empresarial II – Sociedades Empresariais 38 . e posteriormente se incorpora ao capital. portanto. Também assim. e ocorre quando haja perda substancial ou quando o capital seja considerado excessivo em relação ao objeto social. e. significa o resultado da aplicação do capital e outros recursos na atividade produtiva no período de tempo considerado. capitalização de lucros e reservas. conversão de obrigações em ações). correspondentes ao aumento. Exercício social é o período de tempo que se destaca da vida da sociedade para verificação do resultado econômico e financeiro de sua atividade. para aferição do resultado do fim social.

quando todas as ações são dessa modalidade. e irrealidade do capital social. sendo a primeira o “excesso do capital social. em princípio de valor nominal. cada ação dá direito a um voto. não como acionista. quando houver prejuízo patrimonial4”. o exercício dos direitos conferidos por bônus de subscrição ou opção de compra. o seu capital em partes de igual valor nominal.Paulo Nevares em ações e. Valores mobiliários A fim de captar recursos. há respaldo legal aos interesses dos credores da companhia. a companhia recorre a expedientes como empréstimos feitos pelo controlador. Cabendo aos acionistas apenas fixar o valor das ações. porém as demais espécies de sociedade podem dividir. portanto. Direito Empresarial II – Sociedades Empresariais 39 . Essa divisão tem a finalidade de dar a todos os que possuírem ações de uma mesma classe direitos idênticos. confere-se às sociedades por ações o direito de emitir e alienar títulos no mercado. partes beneficiárias e bônus de subscrição. mas como credor. em princípio. sendo. Esses papéis constituem verdadeiros instrumentos na canalização de numerário necessário à realização do projeto empresarial. responsabilidade do acionista controlador. Esse fato é uma das características desse tipo de sociedade. quando se constata o seu superdimensionamento. contrai um mútuo com a sociedade. no caso de o capital ser ostensivamente inferior ao necessário para o desenvolvimento do objeto social. para apresentar-se. Para obter recursos faltantes. se não integralizadas. Este. Redução do capital social Ulhoa afirma que a Lei considera duas causas que permitem redução. seus novos adquirentes passam a titularizar direitos frente à empresa. em caso de falência desta. Conceito de ação O capital das sociedades anônimas é dividido em partes denominadas ações. Uma vez negociados. São quatro os tipos de papéis: ações. debêntures. também. Quando há redução do capital social com restituição aos acionistas. já que.

se autorizado pela assembleia geral. Ocorre quando ela adquire tais títulos para permanência em tesouraria. • ações em tesouraria – é outra forma de a sociedade negociar com suas próprias ações. circula autonomamente. • amortização – é o adiantamento feito a acionista participante do acervo social cujas ações. a lei nega a possibilidade de a companhia adquirir dos sócios suas próprias ações. por conseguinte. trata-se de uma distribuição de quantias em favor dos acionistas a título de antecipação. • reembolso – é a operação pela qual a sociedade adquire ações de sócio que esteja praticando o direito de recesso. os acionistas não forem substituídos. Muitos a consideram um título de crédito. na verdade. ordinárias ou preferenciais. exceto a legal e.A. neste período. posto que a sociedade. o acionista não pode opor-se a ele. e como tal. a finalidade é reduzir a pulverização do capital social. Se. mas sim as próprias ações. Na realidade. Nesta condição. são substituídas pelas de gozo ou fruição. a seu titular. do qual resultam direitos e deveres perante a sociedade. Não há qualquer óbice ao direito de o acionista vender suas ações. à sociedade proíbe-se negociar com ações por ela emitidas. No entanto. A ação investe o proprietário no estado de sócio. A ação é uma coisa móvel. Em outras palavras. a sociedade adquire ações pertencentes aos sócios. Quem transfere ações não cede direitos. uma fração do capital.Paulo Nevares Cada ação é. não é essa sua natureza. ou até tornar a companhia fechada. começa a pagar aos sócios valores que somente seriam devidos quando partilhassem o acervo social. estudadas adiante. 44 e 45 da Lei das S. se a sociedade for fechada. atributiva. a fim de retirá-las definitivamente de circulação. desde que já se encontre com um percentual mínimo de 30% de integralização. Esse ato possui natureza impositiva. observando disciplinamento do estatuto. ou 10%. em se tratando de companhia aberta.. mas. exceto em algumas situações muito especiais previstas nos arts. prevendo sua futura liquidação. com recursos provenientes dos lucros ou reservas. reduz-se o capital social. um valor mobiliário. nesse caso. pelo menos na regra geral. tais como voto na assembleia e recebimento de dividendos. da condição de acionista. senão vejamos: • resgate – através dessa operação. Direito Empresarial II – Sociedades Empresariais 40 . O valor do reembolso poderá ser pago à conta de lucros ou reservas. suprimem-se direitos inerentes ao titular das ações. não pode haver redução do capital social. como ocorre em uma cessão de cotas. Aqui. posto que. com redução ou não do capital social. Para essa operação. destas emergem os direitos de acionistas. as ações reembolsadas ficarão em tesouraria pelo prazo máximo de cento e vinte dias.

não se encontram todas as condições da operação. vez que. por sua vez.663/66 (Lei Uniforme de Genebra) e artigo 13 da Lei 7. da qual decorrem direitos e obrigações. Luiz Emygdio da Rosa Júnior. são complexo de direitos e obrigações de caráter patrimonial e não pessoal. Ainda. os valores mobiliários não podem possuir natureza jurídica de título de crédito. Logo. Ação também já foi entendida como a unidade do capital social das sociedades. não possuem os mesmos requisitos que eles. 57. as ações já foram consideradas como complexo de direitos e obrigações de seu possuidor. qual seria a natureza jurídica das ações. pois não conferem aos sócios um crédito. como demonstrado. pois a exemplo das debêntures. Fábio Ulhoa Coelho e Wilson de Souza Campos Direito Empresarial II – Sociedades Empresariais 41 . o princípio da cartularidade não lhes são aplicáveis. aplicáveis aos títulos de crédito. Rubens Requião. Francesco Ferrara Júnior. e tem como características principais a cartularidade. Tal posicionamento destoa com o estabelecido pelo artigo 7º do Dec. o princípio da autonomia também não se encontra nos valores mobiliários. Francesco Galgano e Túllio Ascareli entendiam que ação teria natureza jurídica de título de crédito com condição de títulos corporativos. De outro lado. que se detalham em instrumento apartado. Logo.Paulo Nevares Natureza jurídica Muito se discute na doutrina. o vício comprometedor da regularidade do primeiro ato estende-se também ao segundo. não são documentos necessários ao exercício dos direitos pelos respectivos titulares. e esta a aliena a outra. Segundo Fábio Ulhoa Coelho. entendimento que não é o mais acertado pois. mas uma posição. Os valores mobiliários. Entretanto. o princípio da literalidade também não se aplica aos valores mobiliários. os títulos de crédito são documentos que representam uma obrigação creditícia e se caracterizam pela negociabilidade e executividade. na verdade. Rubens Requião e Fran Martins chegaram a afirmar que os valores mobiliários seriam espécies de título de crédito. denominado escritura de emissão. De igual forma. autonomia e literalidade. De forma simplista. Egberto Lacerda Teixeira afirmava que a ação seria um título de crédito imperfeito. Trajano de Miranda Valverde.357/85 (Lei de Cheque). WALDÍRIO BULGARELI7 afirma que as ações são títulos de crédito com contornos próprios. pois se por ato viciado é transmitida uma ação a pessoa determinada. Este posicionamento também não é o mais adequado pois as ações representam bens indivisíveis em relação à sociedade e não entre acionista e terceiro.

que assim se profere:”Trata-se de simples operação matemática. valor mobiliário é a forma de captação dos recursos por parte da companhia e de investimento por parte daquele que o titulariza. Sendo assim. Parece-nos mais correta esta posição. o valor nominal será de R$ 1. é proprietário quem estiver assim inscrito nos livros da companhia9 ou nos extratos de ações escriturais nas instituições financeiras.” Argumentam os doutrinadores que as ações com valor nominal são de maior garantia frente ao mercado.385/76. nele mencionado. As ações com valor nominal são aquelas que estabelecido o capital social. Se o capital social é. estabelecido pelo estatuto da companhia que a emitiu. por exemplo.000. e o número de ações emitidas 5. Newton de Lucca está correto quando diz que as ações não poderiam ser títulos de crédito porque falta-lhes o elemento essencial consistente na cartularidade. Observa-se. Ademais. que as ações são valores mobiliários de acordo com artigo 2º. É de se concluir. pelo qual o vício de uma obrigação no título não afeta as demais (independência das obrigações cambiais).000. não têm literalidade. Direito Empresarial II – Sociedades Empresariais 42 . em que o montante em reais do capital social é dividido pelo número de todas as ações de emissão da sociedade (independentemente de espécie ou classe).00. menciona que é vedada a emissão de ações por preço inferior ao valor nominal. Nas ações. Logo. O artigo 13. as ações foram tomando diversas formas como. ou seja. de R$ 5. O artigo 887 do CC de 2002 fala que o título de crédito é o documento necessário para o exercício do direito literal e autônomo.00.000. as ações são valores mobiliários.000. Não atendem ao princípio da autonomia.404/76. pois dependem da variação do mercado. que a teor da legislação vigente (art. 11. da lei 6. Com o decorrer dos tempos. este é dividido pelo número de ações emitidas pela sociedade anônima. I da Lei 6. a ação seria um título que representa direitos e obrigações dos acionistas.Paulo Nevares Batalha entendem que as ações não são títulos de crédito. Para melhor entendimento usamos exemplo de Fábio Ulhoa Coelho. Valor das ações Ações com valor nominal Refere-se a Ação que tem um valor impresso. também. assim. são escriturais (virtuais). por exemplo os planos de opções de compras de ação previstos na Lei das Sociedades Anônimas.

pergunta-se: Afinal. têm ou não valor nominal. em seu artigo 14. isso significa que desta forma não pode haver a redução do capital relativo às ações já adquiridas ou subscritas. Para saber se as ações de uma sociedade anônima. calculado pela fórmula Pl = Pf – Pi (patrimônio líquido = Patrimônio final menos patrimônio inicial). 14.404/76. Trata-se de Ação para a qual não se convenciona valor emissão. O valor patrimonial é calculado dividindo-se o patrimônio líquido pelo número de ações sendo que o valor encontrado não pode ser inferior ao valor mínimo estabelecido pela CVM. contudo.Paulo Nevares § 3º da lei 6. Denota-se. a lei veda a emissão de ações com preços reduzidos conforme descrito acima. o que é uma ação sem valor nominal. na emissão de ações preferenciais com prioridade no reembolso do capital. consolida no direito brasileiro a ação sem valor nominal. é necessário somente a verificação do estatuto constitutivo da empresa. Desta forma. esse tipo de ação não tem valor? Tem valor sim.404/76) o valor nominal das ações de companhia aberta não poderá ser inferior ao mínimo fixado pela Comissão de Valores Mobiliários. O preço de emissão pode ser fixado com parte destinada à formação de reserva de capital. Direito Empresarial II – Sociedades Empresariais 43 . posto que uma das características da Sociedade Anônima é ter fim lucrativo. Ações sem valor nominal Existindo as ações com valor nominal. nos seguintes termos: Art. Parágrafo único. na constituição da companhia. Ainda. somente a parcela que ultrapassar o valor de reembolso poderá ter essa destinação. pois se não tivesse valor não teria como ser a empresa uma sociedade anônima. A lei 6. parágrafo único. mas ao contrário das ações nominais este tipo de ação apenas não recebe um valor pré-fixado. § 2º). que a função da ação com valor nominal é exatamente estabelecer ao acionista uma garantia contra a diminuição do seu patrimônio. prevalecendo o preço de mercado por ocasião do lançamento. portanto. pela assembleia-geral ou pelo conselho de administração (artigos 166 e 170. o cálculo pode ser feito com base no patrimônio líquido da sociedade. uma sociedade de capitais. que poderia ser motivada pela emissão de novas ações com preços inferiores. O preço de emissão das ações sem valor nominal será fixado. e no aumento do capital. pelos fundadores. o que é feito de nos próprios estatutos. mantém o capital social de acordo com a participação de cada um.

11. dentre as quais. Consultando-se o estatuto. um valor. as ações sem valor nominal assim são denominadas quando no seu texto não se faz contar o valor nominal. sem se fazer constar o valor nominal elas podem aumentar ou diminuir de acordo com o mercado.Paulo Nevares Sobre esse tipo de ação Rubens Requião consegue em sua obra esclarecer perfeitamente o que ela representa na sociedade anônima a teor do que abaixo é citado. porém. o que acarretaria a responsabilidade dos administradores e controladores. possui efetivamente um valor. Concebe-se que no Brasil as ações sem valor nominal são pouco utilizadas pelos motivos acima expostos. valor nominal.ao se dizer que a ação "não tem valor nominal". havendo provas de fraude em relação às mesmas sobrevém a responsabilidade contra a atitude na pessoa do fraudador. 11. “. evita as chamadas bonificações. Ela representa uma fração do capital social e. Observa-se.” Na verdade. quando descreve: Art. O estatuto fixará o número das ações em que se divide o capital social e estabelecerá se as ações terão. que amparadas por um valor préfixado. quando da sua negociação o preço é determinado pelo valor de mercado. § 1º. nunca podem ser inferiores ao valor mínimo fixado pela Comissão de Valores Mobiliários. § 1º Na companhia com ações sem valor nominal. advém bonificações para os acionistas que não podem ficar no prejuízo. como ocorre nas ações com valor nominal. motivo pelo qual. ou não represente um valor correspondente à fração do capital social. ainda. no seu texto. Denota-se em relação a essas ações a preocupação dos doutrinadores referente a segurança jurídica e contábil do investimento. Ressalta-se. Direito Empresarial II – Sociedades Empresariais 44 . ou não. que o valor dessas ações é flutuante. segundo Modesto Carvalhosa: a)O da falta de critérios adequados para o cálculo do número de ações que devem ser emitidas na hipótese de aumento de capital mediante incorporação dos lucros e reservas. portanto... Diante da flexibilidade que podem sofrer essas ações em consideração ao capital social. a teor do art. b)Não se exclui a possibilidade de manobras fraudulentas em detrimento dos demais acionistas. não se quer significar que ela não tenha. que uma mesma sociedade anônima pode emitir ações com valor nominal e sem valor nominal ao mesmo tempo. o estatuto poderá criar uma ou mais classes de ações preferenciais com valor nominal. Apenas não se expressa nominalmente. e qual o valor relativo a essa fração tendo em vista a quantidade de ações emitidas. sobrevindo o aumento dessas ações. saber-se-á que o capital social foi divido em frações. contudo.

Não há sociedade anônima sem ações dessa espécie. Preço de emissão O preço de emissão das ações. também as ações preferenciais com valor nominal. na mesma medida. São ações de emissão obrigatória. Classificação Classificam-se as ações segundo três critérios distintos: espécie. classe e forma. Direito Empresarial II – Sociedades Empresariais 45 . 2 – resultado da divisão do patrimônio líquido pelo número total de ações (valor patrimonial).em ocorrendo isso. ou depois. a diluição atingiria.. Não se confunde com qualquer outro valor atribuído às ações. 4 – montante estipulado por analistas de mercado. em assembleia geral ou reunião do conselho de administração. no próprio estatuto social. nos seguintes termos: ". Quanto a esta disposição sobrevém uma crítica de Fábio Ulhoa Coelho. tornando-se inoperante a garantia que o estatuto pretendeu conferir aos seus titulares".. 3 – quantia acordada entre vendedor e comprador das ações (valor negocial). uma vez que dela decorrem apenas. por sua vez. como: 1 – resultado da divisão do capital social pelo número total de ações emitidas (valor nominal). baseado em observações econômicas (valor econômico ou de mercado). os direitos normalmente concedidos aos sócios da sociedade anônima. se referindo sobre a diluição do valor das ações preferenciais com valor nominal em caso de diluição das ações sem valor nominal. a sociedade poderia emitir novas ações ordinárias a preço inferior.Paulo Nevares Ocorrendo disposição no estatuto de que o capital da sociedade anônima dispõe de ações da espécie ordinária nominativa sem valor nominal e da espécie preferencial nominativa. 5 – valor fixado pela própria sociedade (preço de emissão). O estatuto não precisará disciplinar esta espécie de ação. Quanto à espécie A) Ordinárias – aquelas que conferem aos seus titulares os direitos que a lei reserva ao acionista comum. é fixado quando da fundação da companhia. É que estas podem ser valoradas de variadas formas.

as ações serão nominativas ou escriturais. O seu titular estará sujeito às mesmas restrições ou desfrutará das mesmas vantagens da ação ordinária ou preferencial amortizada. ou seja. a prioridade na distribuição de dividendos ou no reembolso do capital. quanto à forma em: nominativas. endossáveis. No entanto. O critério de diferenciação entre uma forma e outra leva em conta o ato jurídico que opera a transferência de titularidade da ação. Com a nova redação que aquele diploma conferiu ao art.Paulo Nevares B) Preferenciais . C) De fruição . em separado. exigência de nacionalidade brasileira do acionista ou direito de eleger. a maneira pela qual são transmissíveis. Direito Empresarial II – Sociedades Empresariais 46 . nos termos dos estatutos. segundo este critério.20 da LSA. salvo se os estatutos ou a assembleia geral que autoriza a amortização dispuseram em sentido distinto.são aquelas atribuídas aos acionistas cujas ações foram totalmente amortizadas. As ações ordinárias das companhias abertas não poderão ser divididas em classes. Portanto. a Lei possibilita aos estatutos da companhia fechada a previsão de classes de ações ordinárias. com ou sem prêmio etc. em função de sua conversibilidade em ações preferenciais. Quanto à classe As ações preferenciais se dividem em classes de acordo com o complexo de direitos ou restrições que. foram extintas as formas ao portador e endossáveis. em tese. Para serem negociadas no mercado de capitais os direitos diferenciados das preferenciais devem ser pelo menos um de três definidos na LSA (art. forem conferidos aos seus titulares.§ 1º). como por exemplo.ações que conferem aos seus titulares um complexo de direitos diferenciado. As ações ordinárias. ao portador ou escriturais. não deveriam ser divisíveis em classe. membros dos órgãos de administração. as ações eram classificadas. Quanto à forma Anteriormente à Medida Provisória que deu origem a Lei nº 8021/90. na medida em que se conceituam justamente por conferirem um mesmo conjunto de direitos aos seus titulares.17.. além das ações preferenciais poderem ou não conferir direito de votações seus titulares.

a uma primeira apreciação de sua natureza. sendo títulos mantidos em conta de depósito. facilitar a circulação . A transferência entre titulares exige o expresso consentimento do acionista vendedor e a inscrição do acionista comprador no Livro de Transferência de Ações Nominativas. A propriedade da ação escritural é presumida pelo registro na conta de depósito de ações. A principal vantagem para o adquirente da debênture é o recebimento de juros pagos pela companhia. Esses poderão ser fixos ou variáveis. O título representa desse modo um direito de crédito contra a sociedade o que se distingue da ação que documenta um direito de participação na sociedade. Dessa forma. nas condições constantes da escritura de emissão. a prazos longos e juros mais baixos. Ações Escriturais : não são representadas por certificados. suas garantias e demais cláusulas e condições da emissão e suas características. cada debênture representando. O empréstimo é uma só. em nome de seus titulares. poderão as debêntures conferir aos seus titulares uma participação nos lucros da sociedade ou um prêmio no reembolso.Paulo Nevares • • Ações Nominativas : são aquelas cujos certificados identificam seu titular. também inscrito no Livro de Registro de Ações Nominativas. despertaria a idéia de associá-la a uma promissória. com atualização monetária e Direito Empresarial II – Sociedades Empresariais 47 . as sociedades por ações têm à sua disposição as facilidades necessárias para captação de recursos junto ao público. Para emitir debêntures uma empresa tem que ter uma escritura de emissão. como esta. podendo assim circular obedecidas às restrições impostas pela sociedade. Esta modalidade de ação objetiva difundir a propriedade de ações nominativas. e eliminar os custos com a emissão de certificados. consubstanciando uma promessa de pagamento em dinheiro. Conceito de debêntures e finalidade É um título de crédito representativo de empréstimo que uma companhia faz junto a terceiros e que assegura a seus detentores direito contra a emissora. onde estão descritos todos os direitos conferidos pelos títulos. Além dos juros. assim. pois. apenas uma parcela do mesmo. A debênture. na instituição financeira que o estatuto da empresa designar. Debêntures constituem títulos de crédito impróprios. também incorpora uma declaração universal de vontade. Tudo de acordo com as condições já insertas no próprio.proporcionada pela transferência mediante ordem à instituição financeira e registro dessa transação -. da totalidade dos títulos emitidos.

prêmio. Diferença entre ações e debêntures A empresa. atuarão como um meio de tomar um empréstimo ao público. de dívida que a sociedade tem a prerrogativa de criar. tendo como responsabilidade assegurar que a emitente cumpra as cláusulas contratuais. condições de conversibilidade. condições de amortização. entre outras. de capital fechado ou aberto. no comum dos casos. A captação de recursos no mercado de capitais. podem efetuar emissões públicas de debêntures. a propiciar a empresa emitente recursos de longo prazo. com registro na CVM – Comissão de Valores Mobiliários. destinando-se. cláusula de aquisição facultativa e/ou resgate antecipado facultativo. os direitos dos possuidores e os deveres da emitente. Esses papéis. A debênture é. O agente fiduciário é uma terceira parte envolvida na escritura de emissão. As debêntures prestam-se. sendo indicadas nos casos em que o mercado não se encontra predisposto à absorção de ações. Apenas as sociedades anônimas tem legitimação para emitir debêntures. a financiar investimento fixo. Entretanto. em regra. quantidade de títulos e o valor nominal unitário. Os debenturistas tem proteção legal por meio da escritura de emissão e do agente fiduciário. data de emissão. simplesmente cria papéis. pois. as seguintes condições: montante da emissão. A escritura de emissão é um documento legal que especifica as condições sob as quais a debênture foi emitida. Direito Empresarial II – Sociedades Empresariais 48 . pode ser feita por Sociedade por Ações (S. Trata-se de documento extenso contendo cláusulas padronizadas. espécie. restritivas e referentes à garantia. estando as demais sociedades impedidas de fazê-lo. via emissão de debêntures. somente as companhias abertas. No entanto. ou ainda quando os antigos acionistas não convenham aumentar o capital próprio bem como nas hipóteses em que um lançamento vultoso de ações seja julgado inconveniente dados os reflexos negativos que poderia operar sobre sua cotação em bolsa de valores. normalmente. É uma alternativa para aumento de um capital.Paulo Nevares resgates a prazo fixo ou mediante sorteio. qualquer outra finalidade legalmente admissível servirá para fundamentar a sua colocação. conforme suas necessidades para melhor adequar o seu fluxo de caixa. Da escritura constam. juros. data de vencimento. forma. ao emitir uma série de debêntures. um título abstrato. remuneração.).A.

a debênture possibilita a subdivisão da emissão pretendida em inúmeros títulos. Cada série será composta por debêntures necessariamente iguais. e cada emissão poderá ser divida em séries. Partes beneficiárias Constituem outra categoria de títulos emitidos pelas sociedades anônimas de capital fechado. As partes beneficiárias podem ser alienadas pela companhia. acionistas (como vantagem adicional de Direito Empresarial II – Sociedades Empresariais 49 . Se a sociedade não apresentar resultado positivo. com intuito de amealhar recursos para seu caixa. nos termos da legislação. A companhia poderá efetuar mais de uma emissão de debêntures. seu proprietário simplesmente não terá valor a reclamar. o direito de um titular desse título é contra parcela de lucro da companhia (não se permite comprometimento de percentual superior a 10% no pagamento de partes beneficiárias). desde que canceladas. ou seja. O valor total da emissão de debêntures não poderá ultrapassar o capital social. para devida subscrição. No entanto. serão consideradas extintas permitindo-se desse modo que a companhia possa colocar outras séries ou até mesmo promover nova emissão. salvo nos casos de obrigação que. compõem uma série única de debêntures ou um grupo de séries. permite-se sua conversão em ação. Proíbe-se ao seu titular exercer direito privativo de acionista.53. desde que previsto no estatuto e mediante capitalização de reserva criada para esse fim.Paulo Nevares Emissão e forma Por emissão de debêntures entende-se o ato de por a sociedade as mesmas a disposição do público. Esses títulos. que elas terão igual valor nominal e que conferiram a seus titulares os mesmos direitos. As debêntures ou séries não colocadas. Cada nova série da mesma emissão será objeto de aditamento na escritura de emissão. em seu conjunto. Como título fracionário que é. O valor nominal das debêntures deve ser expresso em moeda nacional. estando previsto no parágrafo único do art. Caracterizam-se por ser estranhas ao capital social e por conferir aos seus proprietários direito de crédito apenas eventual contra a companhia. ou podem ser atribuídas gratuitamente a fundadores. Se a emissão corresponder a várias séries a negociação de cada série dependerá também da colocação integral da anterior. possa ter o pagamento estipulado em moeda estrangeira. desde que autorizada pela assembleia geral. Uma nova emissão somente poderá ser efetuada depois de colocadas todas as debêntures da emissão anterior.

A deliberação para sua emissão compete à assembleia geral. Apesar de não ser uma faculdade restrita aos acionistas. contudo. até determinado limite de autorização). assim como é a deliberação a respeito de debêntures e partes beneficiárias. portanto. Desse modo. Bônus de subscrição Esse título pode ser emitido toda vez que a sociedade resolver lançar novas ações no mercado. seu adquirente deverá desembolsar o preço fixado.Paulo Nevares classes de ações) ou a prestadores de serviços (por retribuição de trabalhos realizados). ele será apresentado simultaneamente ao pagamento do percentual mínimo do preço de emissão das ações. Uma ou outra são bens do patrimônio do sócio (ou acionista). de competência privativa da assembleia. estes gozam do direito de preferência para adquirir o bônus. se o estatuto não atribuir tal aptidão ao conselho de administração. o seu titular. Desta forma. Não se trata. garante-se o direito de veto ao ingresso de terceiro estranho do quadro associativo. Normalmente é alienado pela companhia. Naquelas sociedades em que as características subjetivas dos sócios podem comprometer o sucesso da empresa levada a cabo pela sociedade. É de uso exclusivo das companhias de capital autorizado (aquelas em cujo estatuto já consta previsão para futuro aumento do capital subscrito. o sócio. é uma forma de seu titular garantir prioridade na aquisição de novas ações. a de uma sociedade institucional e denominada “ação”. Na verdade. mas pode ser atribuído gratuitamente como vantagem adicional a titulares de debêntures. O adquirente de uma cota ou ação torna-se sócio da sociedade e passa a exercer os direitos que esta condição lhe confere. 46. Alienação das cotas e das ações A participação societária de uma sociedade contratual e denominada “cota” (que se pode grafar também “quota”). a alienação da participação societária condiciona-se á anuência dos demais. Se alienado. parágrafo 4o). haver mais de uma classe ou série de partes beneficiárias (art. pode dispor da participação societária. alienando-a. Direito Empresarial II – Sociedades Empresariais 50 . ações ou partes beneficiárias. a exemplo da disponibilidade que tem dos demais bens de sue patrimônio. Proíbe-se. Por ocasião da subscrição das novas ações. não pertencem á sociedade. quando se tratar de adquirente não sócio.

outros livros especiais. ou de sua aquisição pela companhia. 100: 1) Os livros de "Registro de Ações Nominativas" e "Registro de Ações Endossáveis". d) resgate. dividem-se as sociedades. revestidos das mesmas formalidades legais. de uma em outra forma. incondicionada á concordância dos demais sócios.Paulo Nevares Já naquelas sociedades em que não influem. espécie ou classe. A companhia deve manter além dos livros obrigatórios. Na sociedade. reembolso e amortização das ações. os atributos subjetivos de cada sócio. b) entradas ou prestações do capital realizado. Os livros sociais A sociedade anônima possui. Direito Empresarial II – Sociedades Empresariais 51 . para inscrição. próprios do empresário comercial. além dos livros comerciais comuns. enquanto as contratuais podem ser “de pessoas” ou de “capital”.em que os sócios têm direito de vetar o ingresso de estranho no quadro associativo. reembolso e amortização das ações. para a escrituração de suas contas. na realização do objeto social. f) mutações operadas pela alienação ou transferência de ações. os seguintes. como dispõe o art. na sociedade anônima (S/A) e em comandita por ações (C/A) os acionistas não têm o direito de impedir o ingresso de terceiro não – sócio. espécie ou classe. Nestas sociedades. assegurando o principio da livre . que registram a vida social. anotação ou averbações de: a) nome do acionista e do número das suas ações. Assim. e) resgate. as ações são sempre penhoráveis por divida de sócio e a morte não autorizada à dissolução parcial. b) Sociedade de capital – em relação ás quais vigem o princípio da livre circulabilidade da participação societária. As sociedades institucionais são sempre “de capital”. c) conversões de ações. Em vista desse quadro.circulação das ações (LSA. a circulação da participação societária é livre. art.36º). no tocante ás condições da alienação da participação societária nas seguintes categorias: a) Sociedades de pessoas . seja a pedido dos sobreviventes ou dos sucessores.

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g) penhor, usufruto, fideicomisso, alienação fiduciária em garantia ou de qualquer ônus que grave as ações ou obste sua negociação. 2) O livro "Transferência de Ações Nominativas", para lançamento dos termos de transferência, que deverão ser assinados pelo cedente e pelo cessionário ou seus legítimos representantes. 3) O livro de "Registro de Partes Beneficiárias Nominativas" e o de "Transferência de Partes Beneficiárias Nominativas", se tiverem sido emitidos, observando-se em ambos, no que couber nos itens 1 e 2. 4) Os livros de "Registro de Partes Beneficiárias Endossáveis", de "Registro de Debêntures Endossáveis" e "Registro de Bônus de Subscrição Endossáveis", se tiverem sido emitidos pela companhia, observando-se, no que couber, o disposto sobre o livro de "Registro de Ações Endossáveis". 5) O livro de "Atas das Assembleias Gerais". 6) O livro de "Presença dos Acionistas". 7) Os livros de "Atas das Reuniões do Conselho de Administração", se houver, e de "Atas das Reuniões da Diretoria"; o livro de "Atas e Pareceres do Conselho Fiscal".

Escrituração do agente emissor e das ações escriturais Sabe-se da possibilidade de a companhia atribuir a uma instituição, devidamente autorizada pela Comissão de Valores Mobiliários, a tarefa de emitir as ações e manter os seus registros, descartando-se ela própria dessa organização. O agente emissor se encarrega profissionalmente dessas atribuições. Ora, a fim de melhor desempenhar essa atividade, o art. 101 permite que o agente emissor se descarte dos livros de registro individuais de valores mobiliários de cada companhia sua cliente, adotando registros gerais em escrituração própria. Ainda o art. 102 regula o registro das ações escriturais, pela instituição financeira depositária dessa forma de ações.

Exibição dos livros sociais O art. 105 refere-se à essa exibição no âmbito das sociedades anônimas.

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A exibição por inteiro dos livros da companhia pode ser ordenada judicialmente sempre que, a requerimento de acionistas que representem, pelo menos, 5% do capital social, sejam apontados atos violadores da lei ou do estatuto, ou haja fundada suspeita de graves irregularidades praticadas por qualquer dos órgãos da companhia. Essa faculdade se insere entre os direitos essenciais dos acionistas, pois constitui o de fiscalizar a gestão dos negócios sociais.

Dos acionistas O acionista é todo aquele, pessoa física ou jurídica, que é titular de ações de uma sociedade anônima. Dentre os acionistas há os que se envolvem na vida da sociedade, participando de suas assembleias e os que se põem a distancia tendo nas ações meros instrumentos de renda, ou de especulação bursatil. Direitos Da condição de acionista resultam complexo de direitos a serem exercidos perante a sociedade. Esses direitos distribuem-se em duas categorias: a dos direitos essenciais e a dos direitos modificáveis. Os direitos essências são inerentes a titularidade acionaria, não cabendo ao estatuto ou a assembleia geral excluir qualquer acionista do seu âmbito de incidência. Os direitos modificáveis ora decorrem da Lei, ora doe estatuto, podendo estender-se a todas as ações ou ter algumas classes excluídas, pelo estatuto de sua incidência como costuma acontecer com o direito de voto relativamente às ações preferências. A Lei das sociedades anônimas, Art.109 enumera os direitos essenciais que são os seguintes: direitos de participar dos lucros; direito de participar do acervo social, no caso de liquidação; direito de fiscalização; direito de preferência para a subscrição de ações, partes beneficiárias conversíveis em ações, debêntures conversíveis em ações e bônus de subscrição; direito de recesso. Os direitos modificáveis são todos os demais, vale dizer, todos aqueles que não estejam arrolados como essenciais. Os direitos essenciais não apresentam, contudo, a rigidez que seria de esperar. O acionista para exercer os seus direitos deverá cumprir os seus direitos; a assembleia geral tem competência (art.120) para suspender o exercício dos direitos do acionista que descumprir as obrigações que lhe são impostas pela Lei ou pelo estatuto.

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A suspensão abrangerá não apenas os direitos modificáveis como igualmente os essenciais, pois suspender não significa privar, tanto que o acionista, uma vez cumprida a obrigação recupera com efeitos ex tunc, os direitos que estavam suspensos. A suspensão funciona como medida suasoria, destinando-se a estimular o acionista ao cumprimento do dever. Obrigações do acionista A principal obrigação do acionista é pagar a sociedade, as ações subscritas ou adquiridas; a esse pagamento se dá o nome de integralização, sendo ações integralizadas aquelas cujo preço total foi pago á sociedade. O pagamento é feito de acordo com o previsto no estatuto ou no boletim de subscrição: pode a integralização se realizar por ocasião da subscrição ou de modo parcial, denominando-se chamada os momentos marcados pela sociedade para o pagamento das parcelas para o que a sociedade em regra faz um chamamento dos acionistas através de avisos publicados pela imprensa. Não sendo efetuado, da maneira estabelecida no estatuto ou no boletim de subscrição, o pagamento pelo acionista, fica ele constituído em mora, de pleno direito, sujeitando-se, portanto, ao pagamento de juros, da correção monetária e da multa que o estatuto determinar que não possa ser superior a 10% do valor da prestação devida. Verificada a mora do acionista, pode a sociedade propor contra ele ação executiva para a cobrança das importâncias devidas ou mandar vender as ações por conta e risco do acionista devedor. O acionista remisso Considera-se remisso o acionista que incorrer em mora, inadimplindo sua obrigação de integralizar as ações subscritas ou adquiridas. Diante da inadimplência, coloca a lei á disposição da sociedade, á sua opção exclusiva, duas providências alternativas: a) Executar o acionista remisso; b) Mandar vender as ações em bolsa de valores. Acionistas majoritários e minoritários As sociedades comerciais podem ter como elementos formadores pessoas físicas ou jurídicas. Em se tratando de pessoas físicas, deverão essas possuir capacidade, pois segundo a lei civil, a validade do ato jurídico requer: agente capaz (Código Civil, art.82), donde serem

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considerados nulos os atos praticados por pessoas absolutamente incapazes e anuláveis os praticados por pessoas relativamente incapazes. Quando uma pessoa jurídica integra a formação de uma sociedade, os atos referentes á mesma devem ser praticados pelos seus representantes legais. No quadro ativo, às vezes verifica-se uma homogeneidade de posicionamento. Outras vezes, esse quadro se divide em dois grupos um majoritário que passa a comandar a sociedade e outro minoritário que se coloca como dissidente numa espécie de oposição. Quer integrado do grupo ativo, quer entre os ausentes, o proprietário de ações, ainda que sem voto, mantém a condição de acionista. O Direito de voto O direito de voto, conforme já assinalado, não e direito essencial, posto existirem ações que não o conferem a seus titulares. A lei disciplina o exercício do direito de voto, e coíbe o voto abusivo e o conflitante. Voto abusivo e aquele em o acionista têm em vista causar dano á companhia ou a outro acionista, ou obter, para si ou para outrem, vantagem indevida e da qual resulte ou possa resultar prejuízo para a sociedade ou outro acionista. O acionista responde, civilmente. Pelos danos que causar com voto abusivo. Já o voto conflitante, pela caracterização dispensa qualquer elemento subjetivo, vem elencado em lei. O acionista não pode votar nas deliberações sobre o laudo de avaliação de bens com os quais pretende integralizar suas ações, nem na aprovação de suas contas como administrador, nem nas questões que possam beneficiá-lo de modo particular ou nas que tiver interesse conflitante com o da companhia (art.115, § 1º). A decisão tomada em função de voto conflitante é anulável, sem prejuízo da responsabilidade civil do acionista por eventuais danos decorrentes. Ao adquirir ações o acionista passa a participar da sociedade, e assim a gozar dos vários direitos oriundos dessa situação. Um dos mais importantes direitos conferidos ao acionista é o de votar nas deliberações sociais, sendo regra que a cada ação ordinária cabe um voto nas deliberações da assembleia geral. O estatuto, entretanto, pode fazer limitações a esse direito. No silêncio do estatuto, todas as ações terão direito de voto, inclusive as preferenciais. Permite-se, no entanto (art.111), que o estatuto retire as ações preferenciais, ou a uma classe destas, o direito

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Às vezes um grupo de acionistas se organiza. Uma outra forma de restrição seria a atribuição do voto apenas a um determinado bloco de ações. a deliberação tomada em decorrência de voto do acionista que tem interesse conflitante com a sociedade é anulável. parágrafo 1º. art(s) . contudo. A constituição do grupo de controle encontrará no “acordo de acionistas” o instrumento de sua formalização. 87.136. art. fundar-se a exclusivamente em uma situação de fato. Ora. Por isso. passando a exercer em conjunto o controle da sociedade. faça-o com restrições. parágrafo 2º. por exemplo. como no minoritário. o poder assim ordenado tanto poderá resultar no controle majoritário. Ocorrem. respondendo o acionista pelos danos causados e sendo obrigado a transferir para companhia as vantagens que houver auferido (Lei nº. para cada grupo de cinco ações preferenciais um voto.Paulo Nevares de voto. escolhendo seus administradores e definindo as linhas básicas de sua atuação. Como por exemplo: art. fixando-se. cabendo ao acionista que reunir. Exercício e abuso de poder Finalmente. basta que alguns acionistas se articulem. será considerado abusivo o voto exercido com o fim de causar dano a companhia ou aos outros acionistas ou de obter o acionista votante para si ou para outra vantagem a que não faz ou de que resulte ou possa resultar prejuízo para a companhia ou para os outros acionistas. ou ainda que. em muitos casos.109 e 115). algumas hipóteses nas quais mesmo sem voto as ações preferenciais por determinação legal votarão como qualquer outra ação. em função de determinados interesses comuns para que acumule o poder de fogo conseqüente à conjugação de suas ações. estabelecendo matérias ou situações em que essas ações não votarão. metade dessas ações mais uma o domínio das assembleias. mais. tem-se ai o chamado controle majoritário. devendo o acionista exercer o direito de voto no interesse da sociedade. Direito Empresarial II – Sociedades Empresariais 56 . art. parágrafo 4º. embora o admitindo. 6404.161. “a”. em sua titularidade. Além do controle majoritário e do controle minoritário alude à doutrina ao controle gerencial e ao controle externo. O controle se exerce a partir das ações com voto. O acionista controlador Controla uma sociedade quem datem o poder de comandá-la.

enumera várias práticas que caracterizam exercício abusivo do poder. 9457/97 acrescenta a essa enumeração.116. A enumeração não é exaustiva tanto que vem rotulada sob a rubrica “modalidades”. 6. art. para os fins do art. dos empregados e da comunidade em que atua a empresa. Qualquer desvio do acionista controlador que venha a significar a utilização do poder para atender a fins pessoais em prejuízo da sociedade ou dos demais interesses que tem o dever de preservar importará na prática de abuso de poder. desenvolvendo toda a sua ação no sentido de servir a sociedade e promover os interesses dos acionistas em geral. 118) A sociedade anônima é a estrutura societária mais adequada. A pulverização da titularidade do capital.117. A atual Lei das sociedades anônimas supera a ilusão de uma assembleia geral. que é exemplificativa. mais uma hipótese explícita de abuso de poder. junto com os novos Direito Empresarial II – Sociedades Empresariais 57 . Acordo de acionistas (Lei nº. e em conseqüência. Responsabilidades do controlador O acionista controlador deve conduzir-se de acordo com os padrões éticos e jurídicos que informam a atividade empresarial.170. o abuso de poder poderá ser identificado em qualquer ato contrário ao interesse social e seus desdobramentos. parágrafo 1º.404. destaca a figura do acionista controlador reconhecendo os enormes poderes de que se encontra investido art. ao mesmo tempo. através da dispersão das ações de emissão de uma companhia traz. acarretando a obrigação de indenizar perdas e danos. A Lei nº.Paulo Nevares O controle gerencial será a detida por administradores. a concentrar capital e dispersar sua titularidade. art. Dessarte. democrática. qual seja: subscrever ações. o que lhes permitiria através da obtenção de procurações perpetuarem-se na direção da sociedade. A Lei das sociedades anônimas. com a realização em bens estranhos ao objeto social da companhia. basicamente credor da sociedade ou dos acionistas controladores as quais por forca de cláusula contratual se asseguraria o poder de influir em certas deliberações da sociedade. face extrema pulverização do capital. O dinheiro representa o instrumento comum de realização de capital por quanto considerada a sua natureza de meios de pagamento atenderá em qualquer circunstância ao interesse da sociedade. O controle externo caberia a entidades estranhas ao capital social.

Direito Empresarial II – Sociedades Empresariais 58 . Seu regramento jurídico é aquele dos contratos civis e comerciais em geral. Diante da análise do art. são também direitos essenciais assegurados a todos os acionistas da companhia: a) o direito de participar do acervo líquido da companhia. devem ser disciplinados de forma a se evitar e regular eventuais conflitos. à parte daqueles referentes diretamente aos negócios societários. poderá o acionista remisso ter o exercício de seu direito de participar dos lucros sociais suprimidos por deliberação da assembleia geral? Os direitos essenciais são instrumentos indispensáveis à estabilização das relações de poder internas à companhia. apesar de convergentes quanto à constituição. c) o direito de preferência para subscrição de novas ações. Em outros termos. O acordo de acionistas é o instrumento utilizado para disciplinar muitos desses interesses. 120 da Lei n.404/76 permite à assembleia geral suspender o exercício dos direitos do acionista que deixar de cumprir obrigação imposta pela lei ou pelo estatuto social. torna-se inevitável a indagação sobre a possibilidade ou não da suspensão dos direitos essenciais do acionista que deixar de cumprir obrigação imposta pela lei ou pelo estatuto social. como estatuto social e atas de assembleias. do acionista remisso. por exemplo. 120 da Lei n. conjugada à leitura do art.Paulo Nevares acionistas. em caso de liquidação. bônus de subscrição e outros valores mobiliários conversíveis em ações. apesar de ter diversos reflexos no campo societário. nos termos previstos na Lei n. É o caso. 6. 6. os interesses individuais dos sócios. pois é distinto dos documentos societários da companhia. por não cumprir com a sua obrigação de contribuir para a formação do capital social nas condições previstas no estatuto social ou no boletim de subscrição. 109 da mesma Lei. não sendo assim admitido que os acionistas possam ter esses direitos suprimidos. Este tipo de acordo é um contrato “parassocial”. b) o direito de fiscalizar a gestão dos negócios sociais.404/76. 6. Assim é que.diversos interesses que. constituído em mora. notadamente nas sociedades anônimas dada sua vocação para dispersão societária. participação e objeto da sociedade. podem ser diferentes ou até mesmo divergentes quanto a outros aspectos. de pleno direito.404/76. Suspensão do exercício dos direitos O art. o direito de recesso. Ao lado do direito de participar dos lucros sociais.

6.404/79. Essas conseqüências serão o desfazimento do vínculo social e o reembolso das quotas ou ações. deve estar pronta para as enfrentar. que alega não haver abuso. mas um direito titularizado pelo sócio. e sim a submissão da sociedade à vontade do sócio de reembolsar o valor correspondente ao seu direito. cessando tão logo cumprida a obrigação. não faltaram críticas ao direito de recesso apontando-o como incentivador da má-fé e da ganância dos acionistas. de modo a impedir a adoção de medidas ligadas ao desenvolvimento da comunidade acionária. está previsto no artigo 137 da Lei 6. Este se justifica no affectio societatis. por isso. É considerado por parte da Doutrina. no momento que toma uma decisão. como um remédio frente aos abusos da maioria. delimitado pelo objeto social. firma-se uma posição contrária. ou também chamado direito de recesso. não haverá negociação. Assim. Por outro lado. O direito de retirada é assegurado a todos os sócios de uma sociedade e tem por fundamento a natureza contratual do mecanismo societário.404/76 não prevê a possibilidade da supressão dos direitos essenciais. Logo. Direito de recesso O direito de retirada não é um acordo para com a sociedade. que amálgama a reunião de pessoas (físicas ou jurídicas) na execução de um empreendimento lucrativo comum. O direito de recesso foi concebido como mecanismo destinado à preservação da empresa e simultaneamente a possibilitar a retirada dos sócios discordantes das deliberações da assembleia. Direito Empresarial II – Sociedades Empresariais 59 . A esta crítica.Paulo Nevares Efetivamente. fundamentada na justificativa que a maioria. o art. sabe quais serão as conseqüências e. mas sim a suspensão temporária do exercício deles. conhecida como a Lei das Sociedade Anônimas. A minoria também sabe que o direito de recesso pode apresentar vantagens e desvantagens. quando configurada a hipótese disciplinada em lei como pressuposto do direito de recesso. além de causar-lhe prejuízos. o dissidente apenas impõe à sociedade as conseqüências jurídicas da declaração unilateral de vontade. que deles se valem para atrapalhar a vida societária. 120 da Lei n°. O direito de retirada.

Quando a assembleia se reúne. São as seguintes às matérias de competência privativa da assembleia geral: a) Reforma do Estatuo Social . como qualquer pessoa jurídica. Efetivada a destituição caberá a assembleia Direito Empresarial II – Sociedades Empresariais 60 . dos quais apenas o primeiro e o terceiro são de funcionamento obrigatório em todas as sociedades anônimas. de natureza deliberativa. não lhe competindo a prática de atos executivos os quais estão reservados á diretoria. A assembleia não obriga a sociedade perante terceiros apenas autoriza essa obrigação a ser assumida se o for pela diretoria. a diretoria e o conselho fiscal. participam porque integram o órgão. Os órgãos da sociedade anônima são a assembleia geral. sendo o prazo do mandato um referencial que não assegura a permanência no cargo. cujos preceitos não poderão subsistir quando conflitantes com aquelas. A deliberação que introduz no estatuto uma norma ilegal apresenta objeto ilícito. na sua totalidade. os acionistas.o estatuto. quando um órgão social se pronuncia é a própria sociedade que esta emitindo o pronunciamento. A deliberação em si é. eis que praticado por uma só pessoa. todavia.os administradores e fiscais poderão ser eleitos ou destituídos a qualquer tempo. manifesta-se através de órgãos aos quais compete produzir a vontade social. o conselho de administração. Atente-se porem. poderá o estatuto criar outros órgãos com funções técnicas ou de aconselhamento (art.Paulo Nevares Órgão sociais Assembleia geral A sociedade anônima. Não importa o número de pessoa que participam da formação do ato. b) Eleição ou Destituição de Administradores e Fiscais .160). com voto ou sem voto. a sociedade. para ela são convocados. tem-se uma pluralidade de pessoas. uma vez que nela reside a fonte maior de todo o poder. a debater e a decidir sendo coletivo o processo de tomada de decisão. As atribuições da assembleia geral são. um ato unitário. Além desses. o que a fulmina com a sanção de nulidade. como ato regra é a lei interna da sociedade correspondendo à atribuição de reformá-lo a uma espécie de poder legislativo. Compõe-se a assembleia de todos os acionistas que. para a hierarquia que se deve colocar entre as normas legais imperativas e o estatuto. A assembleia geral é o órgão supremo da sociedade. Assim.

e assembleia especial. eleição dos Direito Empresarial II – Sociedades Empresariais 61 . a realizar-se quando houver necessidade. destinando-se a apreciar qualquer matéria de interesse da sociedade. deliberação sobre a destinação do lucro. incorporação. é aquela que ocorre rotineiramente devendo ser realizada todos os anos dentro dos quatro meses que se seguem ao termino do exercício social. transformação. exaustivamente declinados em lei. Assembleia geral ordinária A assembleia geral ordinária (AGO). como o próprio nome sugere.Paulo Nevares eleger substituto para a conclusão do mandato do administrador ou fiscal destituído. a avaliação dos bens destinados a f) Deliberar sobre integralização de capital. Tem a assembleia geral ordinária propósitos específicos. c) Tomar as contas dos administradores e deliberar sobre as demonstrações financeiras . para deliberar sobre a emissão de debêntures simples sem garantia real. nesse item funções típicas de um tribunal de contas. que se compõe de classe determinada de acionistas tendo por objeto apreciar questões de seu interesse especifico. fusão e cisão. h) Deliberar sobre liquidação. quais sejam: apreciação das contas e demonstrações financeiras. g) Autorizar a emissão de partes beneficiárias. i) Autorizar os administradores a confessar falência e pedir Recuperação Judicial. fixando inclusive os dividendos a serem distribuídos. Nas sociedades que tem conselho de administração a assembleia elege os conselheiros cabendo a estes eleger os direitos. assembleia geral ordinária. d) Autorizar a emissão de debêntures . As assembleias gerais poderão ser de três espécies distintas.a assembleia exerce. com época predeterminada de realização e com destinação prevista em lei. assembleia geral extraordinária.ressalvada à competência do conselho de administração nas companhias abertas. e) Suspender os direitos do acionista inadimplente.

Paulo Nevares administradores e fiscais. § 3º.136º. A nova redação do art. alterando a proporção de ações preferenciais ou as suas características ou criando nova classe mais favorecida. podendo-se convocá-la a todo tempo. para apreciar qualquer matéria. As mais importantes são as previstas no § 1º do art. Exige a Lei nº. A assembleia especial será convocada e instalada semelhante as demais somente se considerando acolhida à proposta de deliberação que obtiver a aprovação de titulares de mais de metade das ações que compõem a classe interessada. e aprovação da correção da expressão monetária do capital. as quais tem por finalidade obter uma manifestação dos acionistas preferenciais na forma de previa aprovação ou de ratificação de decisão a ser tomada pela AGE.136. A assembleia especial se circunscreve às classes prejudicadas. isto é. Alguns assuntos incluídos entre as atribuições da AGE foram especialmente destacados pelo art. aquelas que de alguma maneira são sacrificadas pela deliberação. Assembleia geral extraordinária A assembleia geral extraordinária (AGE) tem competência ampla. simultaneamente uma assembleia geral extraordinária (AGE) já que a ordinária tem pauta limitada. Direito Empresarial II – Sociedades Empresariais 62 . Anote-se. Elimina-se assim uma das garantias maiores dos acionistas minoritários. 10303/012. § 2º permite que a CVM com relação às companhias abertas possa reduzir para efeito de assembleias especiais o quorum de aprovação de pelo menos metade das ações que compõem a classe interessada.136 e seus incisos afetam as próprias bases da relação social. dever-se-á convocar. art. em face de nova expressão resultante da correção monetária. todavia a desnecessidade de AGE para a pura e simples alteração do artigo do estatuto que trata do capital social. Assembleias especiais As assembleias especiais reúnem os acionistas de classe determinada de ações.135. Se várias forem às classes interessadas varias serão as assembleias uma para cada classe. Havendo outros assuntos a tratar. que os documentos pertinentes ás matérias que serão deliberadas sejam postos á disposição dos acionistas quando do primeiro anúncio de convocação.

Paulo Nevares Assembleia de constituição Encerrada a subscrição de todo o capital. 3. os fundadores podem dar os primeiros passos para a constituição da sociedade. Verifica-se dessa forma que o conselho assume atribuições que normalmente seriam da assembleia. e secretaria por um subscritor aclamado na ocasião será lida a certidão do deposito das entradas em estabelecimento bancário bem como discutido e aprovado o estatuto. Em segunda convocação a instalação ocorrerá com qualquer numero. porém por outro lado de encargos típicos de diretoria. Uma outra atribuição do conselho de administração da maior importância e que se encontra consignada no inciso VIII do art. Alienação de bens do ativo permanente.8º. 2. Conselho de administração O conselho de administração.142. é a que concerne ao poder de autorizar os seguintes atos: 1. incumbindo-se. O estatuto pode conferir ao conselho poder para dentro do limite do capital autorizado deliberar sobre a emissão de ações e bônus de subscrição. Presidida por um dos fundadores. Os anúncios de convocação mencionarão. na estrutura orgânica da sociedade coloca-se em posição intermediária entre a assembleia e a diretoria. pois lhes compete a direção da sociedade. e deliberar sobre a constituição da companhia. Prestação de garantias a obrigações de terceiros. Constituição de ônus reais. sendo seus membros os detentores exclusivos da representação social. A assembleia de constituição convocada pelos fundadores instalarse-á em primeira convocação com a presença de subscritores que representam metade no mínimo do capital social. dia e local da reunião e serão inseridos nos jornais em que houver sido feita a publicidade da oferta de subscrição. Diretoria A diretoria compõe o corpo executivo da sociedade. em todos os planos: desenvolvimento dos Direito Empresarial II – Sociedades Empresariais 63 . Os diretores vivem o dia-a-dia da empresa. Eleitos pela assembleia geral os conselheiros tem competência para eleger e destituir os diretores a qualquer tempo. Cabe-lhes a convocação da assembleia de constituição que devera promover a avaliação dos bens se for o caso segundo as normas do art.

O próprio conselho fiscal tem poderes para determinar a contratação de uma empresa de auditoria.177. programação financeira. adoção de novas técnicas. conquista de mercados.Paulo Nevares negócios. Direito Empresarial II – Sociedades Empresariais 64 . comando dos empregados. As auditorias independentes Na verdade. O sucesso de uma sociedade depende fundamentalmente da competência e dinamismo dos diretores posto que sejam estes os verdadeiros senhores do comando empresarial direto. com a especificação inclusive de áreas de atuação determinadas sendo freqüente a própria outorga de denominação aos cargos: diretorpresidente. Em paralelo. residentes no Brasil. § 2º. fraudes ou crimes que descobrirem. Os membros do conselho fiscal deverão ser pessoas físicas. Os diretores são eleitos e destituídos a qualquer tempo pela assembleia geral ou se houver pelo conselho de administração. foram se afirmando as auditorias independentes as quais são obrigatórias apenas nas companhias abertas (art. As companhias fechadas podem também contratar auditoria independente. concessão de credito. diretor-financeiro. diretor-técnico. Para o exercício de suas funções faculta-se ao conselho fiscal a prerrogativa de solicitar aos administradores esclarecimentos e informações cabendo-lhe ademais denunciar por qualquer desses membros ao conselho de administração ou a assembleia geral os erros. O estatuto ou o conselho de administração poderá disciplinar os poderes dos diretores estabelecendo as atribuições de cada um. art. exigindo-se ainda que não sejam membros de órgãos de administração ou empregados da companhia ou de sociedade controlada ou do mesmo grupo.143. § 3º). etc. diretor-comercial. em nossa prática societária jamais funcionou efetivamente o conselho fiscal tendo-se inclusive cogitado de sua extinção quando das discussões em torno do projeto da atual lei das sociedades anônimas. o que às vezes fazem por injunção de bancos credores ou ate por conveniência dos grupos que compõem a sociedade. Conselho fiscal O conselho fiscal é também um órgão da sociedade tendo por qualquer de seus membros função fiscalizadora sobre os administradores. com nível universitário ou experiência mínima de três anos como administrador de empresa ou conselheiro fiscal.

A companhia pode promover a responsabilização judicial de seu administrador. Somente após todas essas reduções. Direito Empresarial II – Sociedades Empresariais 65 . regulou a CVM o exercício da atividade de auditoria independente estabelecendo norma e procedimentos deveres e responsabilidades alem de penalidades administrativas. É o que proclama o art. 216/94. pelas reservas de lucros e pela reserva legal. havendo prejuízo no exercício. este será absorvido pelos lucros acumulados. estabeleceu que. De outra forma. por prejuízo que este lhe tenha causado mediante previa deliberação da assembleia geral. chega-se ao lucro líquido do exercício. prevê o art.158 da LSA. 190 a necessária dedução das participações estatutárias de empregados. A deliberação poderá ser tomada em assembleia ordinária ou se constar da ordem do dia ou tiver relação direta com a matéria em apreciação pela assembleia extraordinária. Reservas As reservas são justamente a parcela do lucro líquido do exercício não distribuída aos acionistas. Isso acontece por várias razões.A. pelos prejuízos que causar. Responsabilidade dos administradores O administrador não é responsável pelas obrigações assumidas por ato regular de gestão. nessa ordem. Lucros reservas e dividendos Lucros O art. mas respondera por ato ilícito seu. serão deduzidos os prejuízos acumulados e a provisão para Imposto de Renda. ainda que dentro de suas atribuições ou poderes ou com violação da lei ou do estatuto. Do que sobrar após a feitura dessa equação. parágrafo único). nessa ordem (art. com culpa ou dolo. 189. antes de qualquer participação.Paulo Nevares As companhias abertas somente poderão contratar auditores registrados na CVM. Através da Instrução nº. Em qualquer caso o administrador será destituído do cargo de administração e substituído nos termos estatutários. 189 da Lei das S. administradores e partes beneficiárias. do resultado do exercício. á qual compete expedir normas sobre os relatórios e pareceres a serem elaborados. base para a constituição das reservas e pagamento de dividendos aos acionistas.

Para tanto. a exemplo da reserva destinada ao pagamento de debêntures. somado com as reservas de capital referidas no parágrafo 1o do art. 182. têm previsão na lei. por proposta dos órgãos de administração e. 202. explicitando natureza e modo de criação. A reserva legal tem por fim assegurar a integridade do capital social. senão vejamos: a) reserva legal. f) reserva de capital. o parágrafo 1o. será revertida. c) reservas para contingências. 193 a 200. cujo valor possa ser estimado. de que trata o art. Constitui-se com a destinação obrigatória de 5% do lucro líquido. Apesar da faculdade conferida. Originam-se na conformidade das necessidades da companhia. mas a criação é feita por meio do estatuto social. e) reserva de lucros a realizar. em exercício futuro. A criação dessa reserva é feita pela assembleia geral. As reservas para contingências são criadas para compensar. As reservas estatutárias. é uma atitude prudente por parte da sociedade. depende de Direito Empresarial II – Sociedades Empresariais 66 . 193 permite a não-constituição da reserva legal naquele exercício em que o seu saldo.Paulo Nevares conforme a natureza da reserva. Sendo a soma superior ao capital social em 30%. o art. Por lado. no exercício em que deixarem de existir as razões de sua criação ou que ocorrer a perda. 198 limita a formação desse tipo de reserva. No entanto. pelo menos até não prejudicar a distribuição de dividendos obrigatórios aos acionistas. É por essa razão que somente pode ser usada para compensar prejuízos ou aumentar o capital social.A. da Lei das S. a diminuição do lucro decorrente de perda julgada provável. conforme o nome sugere. Portanto. do art. será este último montante o seu limite máximo. se o produto da aplicação desse percentual sobre o lucro líquido ultrapassar o valor equivalente a 20% do capital social. está a companhia desobrigada de destinar parte do lucro para a reserva legal. Os arts. por ocasião de futuros prejuízos. a fim de evitar abalo em sua saúde financeira. d) retenção de lucros. basta somar o saldo de ambas as reservas constantes do patrimônio líquido e comparar o montante com o capital social. antes de qualquer outro encaminhamento. A sociedade pode proceder à retenção de lucros para investimentos. trazem as formas de reservas a serem constituídas por companhia. exceder em 30% o capital social. b) reservas estatutárias. Na verdade.

da reserva de lucros ou. b) no resgate. Desta forma. seria temerário à sociedade distribuí-los a partir de recursos que efetivamente ainda não deram entrada. Desta forma. 197 que a companhia pode constituir esse tipo de reserva naqueles exercícios em que o dividendo mínimo obrigatório for superior à parcela realizada do lucro.. serão solidariamente responsáveis administradores e membros do conselho fiscal. se previstas tal vantagem no estatuto social. As reservas de lucros a realizar são aquelas formadas em função de lucros que. se coniventes. Desta forma. 201. parágrafo 1º. claro. prevê o art. sejam todos destinados à formação das reservas de capital. por proposta dos órgãos de administração e. Por fim. 201 determina que somente pode haver pagamento de dividendos à conta do lucro líquido. c) prêmio recebido na emissão de debêntures. parágrafo 5º. 17. Dividendos Podem ser conceituados como a parcela do lucro líquido da companhia que será destinada ao pagamento dos acionistas. somente irão ingressar no caixa da sociedade em exercícios futuros. que os recursos que ingressarem na companhia a título de: a) ágio na emissão de ações. conforme dispõe o art. embora contabilizados. previu o art. dispõe o art. possuem alguma relação com ele. proporcionalmente ao investimento realizado por cada um na sociedade. 200 que somente podem ser utilizadas: a) na absorção de prejuízos que ultrapassarem os lucros acumulados e as reservas de lucros. Se o fizerem. não pode prejudicar o pagamento dos dividendos mínimos obrigatórios. não podem os administradores determinar o pagamento de dividendos naqueles exercícios nos quais a sociedade apresente prejuízo e não disponha daquelas reservas previstas no caput do art. sem prejuízo da ação penal Direito Empresarial II – Sociedades Empresariais 67 . apesar de não integrarem o capital social da sociedade. d) incorporação ao capital social. e) pagamento de dividendo a ações preferenciais. Desta forma. O art. da Lei das S. A diferença entre um e outro valor será a soma da reserva. 202. à conta das reservas de capital. da mesma forma que as reservas estatutárias. devendo repor ao caixa social a importância distribuída.Paulo Nevares deliberação da assembleia geral. d) doações recebidas e subvenções para investimento. que são formadas por contas que. reembolso ou compra de ações. Uma vez constituídas as reservas de capital. 182. de lucros acumulados. b) produto na alienação de partes beneficiárias e bônus de subscrição. nos termos do art. em se tratando de ações preferenciais. as reservas de capital.A. apesar de obrigada ao pagamento do dividendo legal aos acionistas. c) resgate de partes beneficiárias.

desde que não haja oposição de nenhum acionista presente. (+) reversão das reservas de contingência formadas em exercícios anteriores. porém. 202. São elas: a) sendo a companhia aberta ou fechada. reduzir-lhes seu valor. c) se a companhia for aberta. mas o destino da quantia retida tem que ser para captação de recursos por debêntures não convertidas em ações. pressupõe-se a má-fé quando a distribuição tenha sido feita sem o levantamento de balanço ou em desacordo com os resultados desse. por deliberação da assembleia geral. 202 determina a destinação para pagamento de dividendos de metade do lucro líquido do exercício. a serem fixados no estatuto da companhia. se a assembleia geral pretender promover alteração estatutária no sentido de fixar os dividendos obrigatórios. a lei criou os dividendos obrigatórios. se os órgãos de administração informarem à assembleia geral ser o pagamento incompatível com a sua situação financeira (art. Na hipótese de tal pagamento consumir todo o lucro líquido apurado. 201. estes não poderão ser inferiores a 25% do mesmo lucro líquido ajustado. Pelo parágrafo 2o do art. o art. Caso. igualmente por deliberação unânime da assembleia geral. deduzido apenas da reserva legal. Dividendos obrigatórios A fim de preservar o interesse dos acionistas minoritários contra abusos dos que detêm o poder de controle na companhia. prioritários são os dividendos pagos aos acionistas preferenciais. 203. b) em se tratando de companhia fechada. há hipóteses nas quais a companhia pode deixar de pagar os dividendos obrigatórios ou.Paulo Nevares cabível. mesmo. parágrafo 4o). conforme a exegese do art. os acionistas Direito Empresarial II – Sociedades Empresariais 68 . Já os acionistas que os tenham recebido de boa-fé não são obrigados à devolução. na omissão do estatuto. Dividendos prioritários Os acionistas preferenciais gozam de prioridade na distribuição de dividendos. diminuído ou aumentado dos seguintes valores: (-) importância destinada à formação da reserva legal. Entretanto. A base de cálculo para pagamento dos dividendos prioritários ou preferenciais é o lucro líquido do exercício. De outra forma. que podem ser fixos ou mínimos. Pois bem. quando comparados com os titulares de ações ordinárias. citado no parágrafo antecedente. não haja tal previsão no estatuto. (-) importância destinada à formação da reserva para contingência.

empréstimos convencionais e no segundo a colocação de títulos de crédito e valores mobiliários. demonstrando a origem e a evolução dos recursos empregados. podendo somente ser utilizada para compensar prejuízos ou aumentar o capital. ao passo que os prioritários mínimos são em percentual sobre o valor pago aos acionistas ordinários. 5% serão aplicados na constituição da reserva legal. adquirindo cambiais. quando necessitam de recursos recorrem aos mercados financeiros e de capitais. para aferição do resultado do fim social. O período de apuração dos resultados é denominado exercício financeiro. O exercício de cada sociedade deve estar no respectivo contrato ou estatuto. Exercicio social Exercício social é o período de tempo que se destaca da vida da sociedade para verificação do resultado econômico e financeiro de sua atividade. ou em percentual do patrimônio líquido. e. no primeiro. periodicamente.Paulo Nevares ordinários simplesmente ficam sem receber seus dividendos. como fim social. Essa regra se sobrepõe à dos dividendos obrigatórios. os resultados obtidos. onde o lucro. Fixos são os dividendos prioritários determinados em valores absolutos. do lucro apurado. significa o resultado da aplicação do capital e outros recursos na atividade produtiva no período de tempo considerado. submetendo-a a aprovação da assembleia geral. As pessoas e instituições que dispõem de capitais poderão destinálos ao mercado de títulos e valores mobiliários. Sua finalidade é assegurar a integridade do capital social. As S. obrigam-se a levar a público.A. Demonstrações financeiras As demonstrações financeiras registrarão a destinação dos lucros segundo a proposta dos órgãos da administração. até o limite de 20% do capital social. devendo corresponder ao lapso de doze meses. bem como os lucros e prejuízos acumulados na exploração da respectiva atividade econômica. obtendo. MERCADO DE CAPITAIS As empresas e entidades governamentais. Direito Empresarial II – Sociedades Empresariais 69 .

por conseguinte. A função registraria compreende basicamente duas modalidades de registro: O registro da empresa e o registro da emissão. fraudes e praticas não eqüitativa. O mercado de capitais se compõe. Obrigações (títulos federais. que. consultiva e de fomento. tem na ao invés disso restrito e especifica. 265/97). pois somente estas podem recorrer ao mercado. A função fiscalizadora objetiva a coibir abusos. acionistas controladores e intermediários do mercado que tenham agido de forma incorreta. O registro da empresa tanto poderá se fazer para negociação na bolsa como para negociação no mercado de balcão. Direito Empresarial II – Sociedades Empresariais 70 .inciso I. que são as instituições financeiras em geral. com funções especificamente correlacionadas ao mercado de títulos emitidos pelas sociedades anônimas. dos que precisam capitar recursos e dos que tem recursos a oferecer. especialmente os bancos de investimento. No exercício dessas funções poderá a CVM realizar inquéritos e punir administradores. A CVM tem funções fiscalizadora. Entre uns e outros se situam os intermediários do mercado. para negociação em bolsa ou no mercado de balcão organizado exige-se registro especifico. sem que a recíproca seja verdadeira. as sociedades distribuidoras e os bancos chamados múltiplos. a sociedades corretoras. observadas algumas exceções. A CVM não tem uma competência regulamentar geral. regulamentar. sendo assim. ações. Comissão de valores mobiliários (CVM) A comissão de valores mobiliários é uma autarquia federal.da Lei nº 6385/76). sendo. portanto.8. Ressalva-se o caso específico das sociedades beneficiarias de incentivos fiscais. em vicio de competência. A função regulamentar envolve a expedição de atos normativos (instruções) disciplinadores de “matérias expressamente previstas nesta Lei e na Lei de sociedades por ações” (art. encontram-se sujeitas a um registro especial na CVM (Instrução nº. registraria. debêntures etc.Paulo Nevares CDB. mesmo sendo fechadas. que não esteja expressamente prevista incorrerá.. ilegítima toda e qualquer ingerência sua em companhias fechadas. juridicamente inexistente. ou seja. por conseguinte. vinculada ao Ministério da Fazenda. sendo que o registro para bolsa vale para o mercado de balcão. obrigações estaduais e municipais). bem como promover um fluxo permanente e correto de informações aos investidores.. A atuação da CVM encontra-se restrita as companhias abertas. Qualquer regulamentarização.

com o Direito Empresarial II – Sociedades Empresariais 71 . cumprindo-lhe estimular e promover o desenvolvimento do mercado de valores mobiliários. abrangendo apenas problemas de mercado ou sujeitos a sua regulamentação. As bolsas de valores As bolsas de valores são entidades de natureza privada. A bolsa de valores é. que exerce o serviço público. um mercado secundário. bem como das noticias divulgadas sobre o desempenho das sociedades. em período horário pré-determinado. As bolsas de valores operam sobre a supervisão da comissão de valores mobiliários. A função consultiva é exercida junto aos agentes do mercado e investidores. que as revendem na bolsa. os preços das ações flutuam em função da Lei da oferta e da procura. os quais devem limitar-se as questões concernentes às matérias de competência da própria CVM. Durante o pregão. Como em todo mercado. realizam-se diariamente operações com valores mobiliários. ou qual dependerá de providencias especiais. Ao registrar a empresa ou a emissão. A CVM tem ainda funções de fomento. Caso a empresa não esteja registrada. Não é a sociedade anônima emissora que coloca as suas ações na bolsa. verificando-se o chamado pregão. No seu recinto. mas não para a bolsa. suas perspectivas. Somente sociedades registradas na CVM. as corretoras atuam em nome de seus clientes. desde que registrada passa a ser tida como companhia aberta. basicamente ações. pois em seu recinto não são negociadas ações novas. resultantes da associação de sociedade corretoras. mas sim ações já do domínio de acionistas. o registro da emissão implicará automaticamente no seu registro para o mercado de balcão. seminários.Paulo Nevares A empresa. deverá a CVM verificar se encontram atendidas as exigências legais. para este fim. através dos chamados pareceres de orientações. O lançamento público de valores mobiliários exigirá. seus balanços. o registro da respectiva emissão. contudo. A bolsa de valores é uma entidades privadas. porém. poderão ter as suas ações admitidas à negociação na bolsa de valores. são os acionistas titulares dessas ações. para tanto encetando campanhas. vendendo e comprando ações. estudos e publicações. funcionando sobre a forma de associação e tendo por sócias sociedades corretoras. A bolsa de valores mais importante do Brasil é a bolsa de valores de São Paulo.

O mercado de balcão é formado pelos intermediários do sistema com a atuação fora da bolsa. A companhia aberta pode estar registrada na CVM para ter os seus valores mobiliários negociados somente no mercado de balcão ou neste e na bolsa. com exclusividade. terá que contratar uma instituição ou um conjunto de instituições (pool) para a colocação de seus papéis. Os intermediários do sistema. A colocação primaria de títulos é promovida. agencias e pontos de vendas dessas instituições. Na Lei atual de forma muito mais adequada. Mercado de balcão compreende toda a operação relativa a valores mobiliários realizados fora da bolsa de valores. o que se fará através das lojas. Capital autorizado No regime da Lei nº. a sua elevação impõe ordinariamente a alteração da cláusula estatutária que a disciplina. sua criação depende de autorização do banco central e seu funcionamento é controlado pela CVM. apenas se cuida (art. operada fora da bolsa de valores.4728/65 (Lei do mercado de capitais). A sociedade anônima ao deliberar uma emissão publica de ações. e ainda os agentes autônomos e sociedades que exerçam a mediação na negociação desses títulos. são as instituições financeiras e sociedades que tenham por objeto a distribuição ou compra para revenda de valores mobiliários.168) de sociedades anônimas cujos estatutos contem autorização para aumento do capital social independentemente de reforma estatutária. mas através dos intermediários próprios do sistema de distribuição.Paulo Nevares monopólio territorial. no mercado de balcão. Como o capital social consta do estatuto. As entidades que integram o mercado de balcão sujeitam-se a fiscalização da CVM. Direito Empresarial II – Sociedades Empresariais 72 . é considerada realizada no mercado de balcão. A autorização para o aumento de capital expressa tão somente que ate o limite estabelecido pelo próprio estatuto e sem emendá-lo. que compõe o mercado de balcão. como se tratasse de uma modalidade de sociedade anônima. O mercado de balcão Toda negociação com valores mobiliários. facultase a ascensão do capital social. por sociedade corretora e instituição financeira ou sociedade intermediarias autorizadas. falavase da “sociedade anônima de capital autorizado”.

As demonstrações financeiras de uma coligada devem conter notas explicativas sobre investimento relevante (é aquele cujo valor individualmente considerado é igual ou superior a 10% do patrimônio líquido da investidora. a sociedade de economia mista pode participar de outras sociedades. ou mais. desde que autorizadas por lei. quando também se submetem à disciplina da Lei no 8. são-lhes aplicados dispositivos da Lei no 6. sem controlá-la. Direito Empresarial II – Sociedades Empresariais 73 . conforme dispõe o art. entendendo-se como tal a aquisição. ou aplicando imposto de renda em investimentos para o desenvolvimento regional ou setorial. Em se tratando de instituições financeiras. da CF. Por serem sociedades anônimas. para permanência em tesouraria ou cancelamento (ultrapassado aquele limite. quando maior que 30% do patrimônio líquido da investidora. sendo que o conselho fiscal terá funcionamento permanente. Os deveres e as responsabilidades de seus administradores assemelham-se aos administradores da companhia aberta.excluída a legal. Já a pessoa jurídica que controla a sociedade tem os deveres e responsabilidades do acionista controlador das demais sociedades anônimas.404 de 1976 (arts. o prazo para alienação das excedentes é de seis meses). ou quando a soma em mais de uma coligada ou controlada é igual ou superior a 15% do patrimônio líquido da companhia) em outra. Sociedade coligada Ocorre quando uma empresa participa com 10%. desde que aberta a companhia. Neste caso. 37.Paulo Nevares SOCIEDADES DE ECONOMIA MISTA São sociedades constituídas com a maioria de seu capital social com direito a voto sob a titularidade do Poder Público. Seu objeto somente pode ser aquele previsto na lei que autorizou sua criação. A lei veda a participação recíproca entre coligadas. em combinação com o art. 236 da Lei no 6.404/76. a fim de reprimir a prática de atos de improbidade administrativa. 235 a 240).429/92. Podem participar de outras sociedades. XIX. salvo a possibilidade de negociar com as próprias ações. Sua criação depende de prévia autorização legislativa. quando obedecidas normas estabelecidas pelo Banco Central. do capital social da outra. sem prejuízo de disposições especiais. Terão obrigatoriamente conselho de administração. até o limite do saldo das reservas. as demonstrações financeiras de ambas serão publicadas de forma consolidada.

além de dívidas trabalhistas (CLT. inciso IX). § 2o) e nas licitações (Lei no 8. A sociedade de controle deverá ser brasileira e cada uma conservará personalidade e patrimônio próprios.884/94. cuja totalidade das ações. § 3o). de modo permanente. 2o. Grupos de sociedades e consórcios Os grupos de sociedades são as sociedades sob relação de controle ou de coligação podem constituir grupos. terá designação em que constem as palavras grupo de sociedades ou grupo. 17) Ocorre consórcio quando mais de uma empresa une-se para executar um empreendimento comum. inciso V). ou por sanções decorrentes de infração à ordem econômica (Lei no 8. podem elas formar um consórcio. Direito Empresarial II – Sociedades Empresariais 74 . apesar de não possuir personalidade jurídica própria. Para o grupo ser considerado nacional. só pode ser cobrada nas obrigações com os consumidores (Lei no 8. 33. Quanto à solidariedade pelas obrigações sociais. a depender de estarem ou não formalizados na Junta Comercial. art. com o seguinte acréscimo: se a sociedade controlada adquirir ações da controladora. art. além de possuir sede e administração no país. Informações a respeito do investimento relevante.Paulo Nevares Sociedade controlada e controladora É controlada a sociedade na qual a controladora. só existe nas dívidas trabalhistas (CLT. à execução de seus respectivos objetos. art. Com relação à solidariedade por obrigações sociais. art. O grupo. Podem ser de fato ou de direito.212. seja de propriedade de uma outra pessoa jurídica. Caracteriza esta forma de ligação societária a inexistência de participação no capital social entre as consorciadas. 28. além de um só objetivo. Subsidiária integral É a sociedade anônima (única sociedade unipessoal nãotemporária prevista no Direito brasileiro). seja titular de direitos de sócio que lhe assegurem. basta a sociedade de controle ser constituída sob as leis brasileiras. preponderância nas deliberações sociais e o poder de eleger a maioria dos administradores. assim como limitações para a participação recíproca. não necessariamente constituída sob a forma de uma sociedade anônima. art. 30. mas brasileira.078/90.666/93. simplesmente. aproveitam os mesmos comentários do parágrafo antecedente. visando à realização de objetivos comuns ou. com ou sem poder de voto. art. estas terão suspenso o direito de voto. § 2o) e previdenciárias (Lei no 8. diretamente ou através de outras controladas. 2o.

as normas da Lei das sociedades anônimas que tratam especificamente da matéria. apenas modificadas por alguns dispositivos que dão a característica diferencial desse tipo de sociedade. com pequenas variações. com as modificações especiais constantes do mesmo diploma legal. respondendo os acionistas apenas pelo valor das ações subscritas ou adquiridas. Esta. não fez se não repetir.280 a 284). como já ficou dita. da firma constando apenas os nomes dos sócios diretores ou gerentes. dando cada ação direito a um voto nas deliberações sociais. Os princípios da Lei das sociedades anônimas são comuns as em comandita por ações. nos artigos 1090 a 1092. As sociedades comanditas por ações na possuem estatuto próprio. Hoje esse tipo societário inexiste. As sociedades comanditas por ações se caracterizam por possuírem sócios de responsabilidade limitada e sócios que.Paulo Nevares Sociedade em comandita por ações É aquela em que o capital é dividido em ações. sendo nomeados no estatuto. Poderão essas sociedades usar firma ou denominação. diferenciando-as dos demais tipos societários. Direito Empresarial II – Sociedades Empresariais 75 . em virtude da função que ocupam assumem responsabilidade ilimitada e solidária pelas obrigações sociais. ao dispor sobre as sociedades em comanditas por ações. Essas sociedades poderão usar firma ou denominação. A constituição das sociedades em comanditas por ações se fará da mesma maneira por que são constituídas as sociedades anônimas. As sociedades em comanditas por ações não têm natureza contratual e sim institucional. pelas obrigações sociais. O capital das sociedades comanditas por ações será dividido em ações. mas essa responsabilidade é subsidiária. sem limitação de tempo. mas no primeiro caso. mas tendo os diretores ou gerentes responsabilidade subsidiária ilimitada e solidária. as regras constantes dos dispositivos especiais da Lei das sociedades por ações (art. pelas obrigações da sociedade. não havendo responsabilidade subsidiária pelas obrigações da sociedade. da firma só constarão os nomes dos acionistas que ocuparem as funções de gerentes ou diretores. o novo código civil. só têm a caracterizá-las. solidária e ilimitadamente. Apenas os que forem gerentes ou diretores respondem. As sociedades comanditas por ações são regidas pelas normas estatuídas para as sociedades anônimas. Os acionistas respondem apenas pela integralização dessas ações. sendo reguladas pelas normas gerais estabelecidas para as sociedades anônimas. Somente os acionistas poderão administrar a sociedade.

hipótese que somente determina a dissolução se esse fato constatado em uma assembleia geral ordinária prolongar-se ate a do ano seguinte. desse modo que a sociedade anônima é dada a permanecer por mais de um ano na condição de sociedade unipessoal sem considerar naturalmente a subsidiaria integral na qual a unipessoalidade é permanente. Verifica-se. mantidos em vigor pelo art. Muitas são as obrigações do liquidante. irregularidade capaz de anular a constituição da sociedade e inviabilidade da empresa. pagar o passivo. em que os próprios órgãos da companhia nomeiam o liquidante e supervisionam a sua atuação. Existem três modalidades de liquidação: liquidação ordinária. A dissolução por decisão judicial verifica-se nos casos de falência. b) por decisão judicial. liquidação judicial á qual se aplica à legislação processual (arts. realizar o ativo.206 da Lei 6404/76. face ao Banco Central do Brasil. A dissolução por decisão administrativa acontece quando a autoridade governamental tem o poder de determinar a liquidação extrajudicial da sociedade. inciso VII. Liquidação Durante a liquidação realiza-se o ativo se paga o passivo e rateia-se o saldo apurado entre os acionistas. e liquidação extrajudicial sob a responsabilidade do Banco Central do Brasil. ou outros órgãos administrativos que inclusive tem a prerrogativa de nomear o liquidante. por exemplo. levantar balanço patrimonial. em três categorias segundo a maneira como operam: a) de pleno direito. Entre as causas de dissolução de pleno direito merece destaque a concernente á redução do quadro social a um único acionista. do CPC). 665 e seguintes do Decreto 1608/38.Paulo Nevares OPERAÇÕES SOCIAIS A extinção da sociedade Dissolução Os atos e fatos que determinam a dissolução foram agrupados pelo art. partilhar o saldo patrimonial entre os Direito Empresarial II – Sociedades Empresariais 76 . cumprindo ressaltar as seguintes: arquivar e publicar a ata ou sentença que decidir a liquidação. c) por decisão administrativa.1218. ultimar negócios pendentes. cabendo ao juiz nomear o liquidante. o que sucede. com as instituições financeiras.

Apuração de haveres Há uma série de situações em que se impõe a liquidação das cotas de determinados sócios. Direito Empresarial II – Sociedades Empresariais 77 . bem como para deliberar sobre os demais interesses da liquidação. Nesses rateios deverão ser atendidos em primeiro lugar os acionistas que tiverem prioridade no reembolso do capital. os rateios serão dirigidos aos demais acionistas até que estes também se reembolsem do capital correspondente a suas ações. ocorrendo então a apuração de seus haveres. o liquidante apresentara a assembleia geral a sua prestação de contas e aprovadas estas a companhia estará extinta. A partir de então. A ata respectiva devera ser arquivada no registro do comercio e em seguida publicada. eis que esta já se encontra extinta. arquivar e publicar a ata da assembleia de encerramento da liquidação. Nessas assembleias todos os acionistas terão direito de voto. Além disso.Paulo Nevares acionistas. Partilha Uma vez pagos todos os débitos da sociedade. A liquidação ao contrario da falência não produz o vencimento antecipado das dívidas da sociedade. Ao longo da liquidação deverão ser convocadas assembleias gerais destinadas a apreciar os relatórios e balanços periódicos produzidos pelo liquidante. Para efeito de liquidação qualquer divida social poderá ser paga antecipadamente. Tratando-se de liquidação judicial as assembleias serão convocadas por ordem do juiz competente. se for o caso submeter suas contas finais a assembleia geral. Liquida-se a cota do sócio que se despediu (a apuração de haveres) e mantém-se a sociedade com os sócios remanescentes. vale dizer. a taxa média praticada pelos bancos nas operações de desconto. independentemente das características de suas ações ate mesmo para votar eventual proposta de destituição do liquidante. poder-se-á passar. que as presidirá. Completando o rateio do ativo remanescente. O credor eventualmente não satisfeito durante a liquidação não mais poderá agir contra a sociedade. conforme o deliberar a assembleia á partilha entre os acionistas mediante rateios dos valores que forem sendo realizados. cumpridos os respectivos valores inclusive o premio se houver. impõe-se ao credor por força da antecipação a efetivação de um desconto em nível equivalente às taxas bancárias. se ainda existirem valores a partilhar os rateios se processarão de forma igualitária.

considerar que a dissolução é o processo que leva a liquidação enquanto a apuração de haveres é o processo que leva a liquidação de determinadas cotas permanecendo integra a sociedade. Transformação Quando a sociedade passa de uma espécie a outra se opera como que uma metamorfose. Completado o rateio do ativo remanescente. Alguns autores vêm na apuração de haveres uma dissolução parcial da sociedade. os créditos e os débitos. mediante rateios dos valores que forem sendo realizados.1031). A ata respectiva deverá ser arquivada no registro do comercio e em seguida publicada. ou senão. o patrimônio. Não se verifica na transformação. A transformação muda-lhe as características. conforme o deliberar a assembleia à partilha entre os acionistas. no prazo de noventa dias (art. o liquidante apresentará a assembleia geral a sua prestação de contas e. Extinção Uma vez pagos todos os débitos da sociedade poder-se-á passar. 1031. O credor eventualmente não satisfeito durante a liquidação não mais poderá agir contra a sociedade es que esta já se encontra extinta.Paulo Nevares Com o novo código civil consagra-se em Lei a regra da continuidade da empresa mediante previsão expressa da liquidação da cota do sócio falecido (art. compridos os respectivos valores. Concluída a apuração de haveres terá o ex-sócio ou seus herdeiros conforme o caso um crédito contra a sociedade a ser resgatado nos prazos convencionados no contrato. A apuração de haveres destina-se a calcular qual a parcela do patrimônio da sociedade que corresponde às cotas do ex-sócio. Cumpre. mas não a individualidade que permanece a mesma mantendo-se íntegros a pessoa jurídica. porem.1028) ou de alguma forma despedido da sociedade (art. A partir de então se ainda tiverem valores a partilhar os rateios se processarão de forma igualitária. a extinção da sociedade para a criação de outra por quanto à sociedade transformada representa a Direito Empresarial II – Sociedades Empresariais 78 . os rateios serão dirigidos aos demais acionistas ate que estes também se reembolsem o capital correspondente a suas ações. o quadro de sócios. aprovadas estas a companhia estará extinta. Nesses rateios deverão ser atendidos em primeiro lugar os acionistas que tiverem prioridade no reembolso do capital. se houver. § 2º do CC/02). inclusive o prêmio.

Paulo Nevares continuidade da pessoa jurídica pré-existente apenas com uma roupagem jurídica. O processo de incorporação. servindo as duas primeiras à concentração e a última à desconcentração societária. Incorporação Uma sociedade absorve a outra. para que da conjugação dos vários patrimônios surja uma nova sociedade. Direito Empresarial II – Sociedades Empresariais 79 .220 e 222) aplicavam-se a todas as espécies societárias não apenas a S. na fusão duas ou mais sociedades se extinguem.1113 a 1115). completando-se com as aprovações das respectivas assembleias gerais ou reunião de sócios. A incorporação se processa mediante duas assembleias na incorporadora e uma assembleia em cada uma das incorporadas. o fenômeno da sucessão. Os preceitos da Lei das sociedades anônimas sobre a transformação (art. Incorporação. Fusão e Cisão A incorporação. pois que ninguém pode ser sucessor de si próprio. Sempre que houver criação de sociedade deverão ser observadas no que couber ás normas concernentes à respectiva constituição. As assembleias da incorporadora destinam-se a primeira a provar o protocolo e a nomear os peritos que avaliarão o patrimônio líquido das sociedades a serem incorporadas. por conseguinte.A. a fusão e a cisão desempenham destacado papel como técnica de reorganização empresarial. fusão ou cisão começa com a elaboração de um protocolo (art.224). Não ocorre. firmado pelos órgãos de administração ou sócio gerente das sociedades interessadas. as demais sociedades passam a contar com uma regulação própria semelhante a da sociedade anônima. com o novo Código Civil (art. a sociedade permanece com todos os créditos e débitos anteriores exatamente porque eram e continuam sendo de sua responsabilidade. Os bens que constituem o patrimônio social não serão objeto de transmissão uma vez que não mudaram de titular cumprindo promover nos registros de propriedade uma mera averbação do novo nome da sociedade. e a segunda a aprovar o laudo dos peritos e a efetivação da incorporação. na cisão a sociedade se subdivide dando lugar a novas sociedades ou a integração das partes separadas em sociedades existentes. ou outras que para tanto se extinguem.

preservada estará a primitiva sociedade com o capital naturalmente reduzido na proporção do patrimônio liquido transmitido. As ações representativas desse capital serão entregues. sendo este também um caso de sucessão universal. Se a cisão importar na completa transferência do patrimônio. Cisão A sociedade se fragmenta. Diversamente da incorporação e da fusão que são fenômenos de aglutinação a cisão opera por cissiparidade. pois todo processo se desenvolverá no âmbito interno da sociedade cindida. No segundo como as parcelas patrimoniais serão incorporadas por outras sociedades. No primeiro caso. a realização de assembleia geral em cada uma das sociedades incluídas na operação. a sociedade cindida se extinguirá. remanescendo uma parcela do patrimônio em seu poder. O capital da nova sociedade corresponde à soma dos patrimônios líquidos das sociedades fusionadas. Os direitos dos credores na fusão. em uma primeira fase. dividindo-se em duas ou mais parcelas. Fusão Exige. aos sócios das varias sociedades extintas em virtude da fusão. Essas parcelas patrimoniais tanto poderão originar novas sociedades como se integrar em sociedades existentes.Paulo Nevares A assembleia da incorporada tem pro objetivo aprovar o protocolo e autorizar seus administradores a subscreverem o capital da incorporadora mediante a versão do seu patrimônio liquido. Direito Empresarial II – Sociedades Empresariais 80 . por terem tratamento idêntico foram objeto de exame no atinente a incorporação. Com a fusão a nova sociedade sucede as sociedades fusionadas em todos os direitos e obrigações. com o fito de aprovar o protocolo e nomear os peritos que avaliarão o patrimônio das outras companhias. entre estas e a cindida celebrar-se-á o protocolo. observadas as devidas proporções. não haverá protocolo.

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