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Universidade do Estado do Pará Centro de Ciências Biológicas e da Saúde Curso de Licenciatura Plena em Educação Física

Camila de Almeida Ferreira

Plena em Educação F í sica Camila de Almeida Ferreira POR ENTRE PELADAS, CORPOS E CULTURALIDADE:

POR ENTRE PELADAS, CORPOS E CULTURALIDADE: a formação humana pela via do esporte de periferia do Tenoné.

Belém – PA

2009

Camila de Almeida Ferreira

POR ENTRE PELADAS, CORPOS E CULTURALIDADE: a formação humana pela via do esporte de periferia do Tenoné.

Trabalho de Conclusão de Curso apresentado como requisito parcial para obtenção do grau de Licenciatura Plena em Educação Física, da Universidade do Estado do Pará.

Orientador: Profª. MSc. Vera Solange Pires Gomes de Sousa.

Belém – PA

2009

Camila de Almeida Ferreira

POR ENTRE PELADAS, CORPOS E CULTURALIDADE: a formação humana pela via do esporte de periferia do Tenoné.

Trabalho de Conclusão de Curso apresentado como requisito parcial para obtenção do grau de Licenciatura Plena em Educação Física, da Universidade do Estado do Pará.

Orientador: Profª. MSc. Vera Solange Pires Gomes de Sousa.

Data de aprovação:

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Banca Examinadora

- Orientador

Profª. Msc. Vera Solange Pires Gomes de Sousa Mestrado em Mestrado Acadêmico em Educação. Universidade do Estado do Pará, UEPA, Brasil.

- Examinador

Proª. Dr. Joelma Cristina Parente Monteiro Alencar Doutorado em Educação Universidade Federal do Rio Grande do Norte, UFRN, Brasil.

DEDICATÓRIA

“Nós somos responsáveis por nós mesmos.” (Excerto de uma entrevista desta pesquisa)

Este trabalho é dedicado aos garotos,

moradores de periferia, que “batem uma

pelada” no seu cotidiano e sonham em ser

jogadores de futebol. Que esses garotos

sejam, através de duas atividades corporais e

culturais, formadores de opiniões.

AGRADECIMENTOS

Palavras, por vezes, não são o suficiente para expressar sentimentos tão sinceros e tão representativos na vida de alguém. Tento nestas páginas transformar a dimensão dos meus sentimentos em verbos, de forma simplória, porém com a mais pura sinceridade. Para as pessoas que não tiverem seus nomes citados aqui, não significa menos importância. Todos ligados direta ou

indiretamente a mim e a minha pesquisa possuem uma representatividade significante, pois, um dado importante que pude confirmar com esse trabalho foi

a influência do ambiente social, especificamente das pessoas ao redor, as quais assumem um papel importante na formação humana de cada indivíduo. Além das pessoas em si, existiram fatores abstratos que de alguma forma me passavam segurança e tranqüilidade. Refiro-me as energias positivas ao meu redor, que para mim se convergem e são atribuídas a Deus. Agradeço a todos os meus familiares que contribuíram de alguma forma para a minha formação, em especial as pessoas do meu convívio familiar.

A minha mãe (Laura), por toda a sua coragem e experiência de vida que

sempre me darão inspiração e força de viver, além de todo o amor e carinho

dedicados a mim com tanta transparência e sinceridade. Ao meu pai (Newton), o qual me proporcionou desde o início da minha

vida, momentos felizes, fortes e de muito aprendizado, além da prestatividade e

o amor ímpar dedicados a mim. Ao meu padrasto (Augusto) que guardo um imenso carinho e admiração.

A minha irmã (Mariana), ou simplesmente, minha maninha. Minha amiga

confidente e companhia para todas as horas. Agradeço pela paciência e compreensão ao deixar eu “monopolizar” o computador, pela cumplicidade de toda a vida e pelo carinho, amor e jeito tão especial comigo. Não posso deixar de agradecer a uma pessoa que fez parte da minha vida, mas por destino ou qualquer outro motivo, não se encontra mais entre nós, meu irmão (Ângelo). Com ele, mesmo por poucos anos na minha vida, aprendi que para ter êxito, é necessário levar a vida com senso de humor, defendendo seus direitos e as pessoas que amamos. Aos meus amigos, todos. Aos amigos de infância, aos amigos de adolescência, aos amigos que mesmo distantes, sabem da imensa importância

deles na minha vida. Enfim, aos amigos de todas as fases da minha vida. Aqueles que passam aqueles que ficam, mas que em cada momento vivido são amigos. Em especial, a minha pequena Yza, minha menina tudo Raquel, minha melhor risada Lorena, minha confidente Aline (Bitty), minha jogadora Larissa e malinha mãe Carol. Aos meus colegas e grandes amigos de curso, com os quais pude vivenciar momentos hilários, estressantes, construtivos, fundamentais e inesquecíveis dentro e fora da Universidade. Nossas festas, nossas reuniões, nossos jogos, nossas brigas, nossas conversas, nossas risadas, nossas quedas, nossas subidas, nossas confraternizações, nossas fases e nossos momentos, sempre nossos, porque sempre fomos nós, um grupo, uma turma, amigos. Em especial, agradeço a Bruna (Lôra), Bruno (meu moreno), Leilane (a Leila), Luana (a forrozeira), Raphael (Rafinha, meu amor) e Renata (Renatinha, a risadinha) pela enorme paciência com as minhas chatices tão corriqueiras, pelo companheirismo e pela linda amizade durante esses quatro anos que eu espero perdurar por muitos na minha vida. Aos meus professores, sem exceção, desde o jardim de infância até os professores da Universidade, pois todos contribuíram na minha formação acadêmica e de ser humano. Em especial a duas professoras de fases distintas na minha vida, mas de similar importância. A Ana Claudia (minha professora de alfabetização) foi também professora dos meus irmãos e, com seu jeito meigo e respeitoso de tratar os alunos, ela marcou significativamente minha vida no meu primeiro momento de formação escolar, a alfabetização, e ainda a tenho como exemplo de excelente professora. A Vera Solange Pires Gomes de Sousa, a Sol, minha orientadora nesse trabalho, que me proporcionou momentos de grande aprendizado e contribuiu de maneira decisiva da minha formação acadêmica como professora de Educação Física. Eu preencheria infinitas páginas de agradecimentos para tentar demonstrar em palavras o quanto sou grata por todas as pessoas que fazem ou fizeram parte da minha vida e que de alguma forma contribuíram para esse momento tão especial na minha formação enquanto profissional e mais, enquanto ser humano. A todos

Muito Obrigada

“O pensamento pode ter elevação sem ter elegância, mas na proporção em que não tiver elegância, perderá a ação sobre os outros.”.

(Fernando Pessoa)

RESUMO

FERREIRA, Camila de Almeida. Por entre peladas, corpos e culturalidade: a formação

Universidade do Estado do Pará. Belém,

2009. Orientador: Profª. Msc. Vera Solange Pires Gomes de Sousa.

humana pela via do esporte de periferia do Tenoné

Este estudo surgiu a partir do interesse em analisar a formação humana de uma forma diferenciada. Uma análise realizada através da Educação Física pela via do esporte de periferia considerando as “peladas” praticadas no campo do Clube Tenoné no bairro do Tenoné, Belém - PA, como referência da

pesquisa. Com a íntima relação – estreitada pela mídia – do povo brasileiro com

o futebol, este estudo buscou fazer uma análise da influência que o “futebol da

mídia” tem sobre a prática das “peladas” do Tenoné para compreender de que maneira se dá a formação humana pela via do esporte de periferia praticado nesse bairro. A pesquisa perpassa pela compreensão de cultura corporal através da análise da culturalidade em um contexto antropológico do princípio da

alteridade, transita por questões socioespaciais da periferia, resgata a origem e

a popularização das “peladas” a partir do futebol, discute a relação da mídia com

o esporte de periferia e enfoca o estudo na formação humana com os elementos significativos de educação e esporte nas “peladas” do Bairro do

Tenoné. A pesquisa teve caráter qualitativo e observacional, além de considerar

a etnometodologia, a qual possui como objeto de estudo os procedimentos

subjetivos que as pessoas na sua cotidianidade empregam para compreender a realidade. O caso em estudo são as práticas das “peladas” como esporte de periferia no bairro do Tenoné e suas eventuais relações com a formação humana dos praticantes dessa atividade no contexto social e da cultura corporal existente. A pesquisa de campo deu-se do período de 16 de abril a 30 de abril de 2009, no bairro do Tenoné, Belém – PA. Compreender a relação da cultura corporal com a formação do ser humano por meio da prática corporal como “esporte de periferia” no bairro do Tenoné converge no objetivo da pesquisa.

Palavras-chave: formação humana, esporte de periferia, cultura corporal.

ABSTRACT

This study emerged from the interest in analyzing the human formation in a differential form. An analysis conducted by the Physical Education through the sport of periphery by considering as a reference of the research, the "peladas" practiced in the soccer field of Tenoné Club, in the neighborhood of Tenoné, Belém - PA. With the intimate relationship - narrowed by the media - of the Brazilian people with soccer, this study sought to analyze the influence that the “soccer of the media” has on the practice of “peladas” in Tenoné in order to understand how does the human formation takes place through the sport of the periphery that is practiced in that neighborhood. The research involves the understanding of culture through analysis of body culture in an anthropological context of the principle of alterity, passing through the sociogeographic issues of the periphery, rescues the origin and popularization of the “peladas” from soccer, discusses the media's relationship with the sports of periphery and focuses the study on human formation with the significant elements of education and sport in the “peladas” of Tenoné District. The research had qualitative character and observacional, besides considering the etnometodology, which possesses as study object the subjective procedures that the people in his/her day-to-dayness use to understand the reality. The case in study is the practices of the "skinned" ones as sport of periphery in the neighborhood of Tenoné and their eventual relationships with the apprentices' of that activity human formation in the social context and of the existent corporal culture. The field research felt from the period of April 16 to April 30, 2009, in the neighborhood of Tenoné, Belém - PA. Understanding the relationship of body culture with the formation of the human being through the corporal practice of “sports of periphery” in the Tenoné District converges in the objective of the research.

Keywords: human formation, sports of periphery, body culture.

SUMÁRIO

INTRODUÇÃO

11

Capítulo 1. AS “PELADAS” COMO ESPORTE DE PERIFERIA

15

1.1. ORIGEM E POPULARIZAÇÃO DAS “PELADAS”

15

1.2. A FORMAÇÃO SOCIOESPACIAL DA PERIFERIA DOS GRANDES

CENTROS URBANOS

19

1.3.

A MÍDIA E O ESPORTE DE PERIFERIA

28

Capítulos 2. A FORMAÇÃO HUMANA VIA CULTURA CORPORAL E CULTURALIDADE

33

2.1. SOBRE CULTURA E CULTURALIDADE

33

2.2. SOBRE FORMAÇÃO HUMANA

40

Capítulo 3. AS “PELADAS” COMO ESPORTE DE PERIFERIA NO BAIRRO

DO TENONÉ

47

3.1.

A PERIFERIA DO TENONÉ E AS “PELADAS”

47

3.2 CORPO, CULTURA, MÍDIA E FUTEBOL PARA OS “PELADAEIROS” DO

“BOCA JUNIORS TENONÉ”

56

CONSIDERAÇÕES FINAIS

62

REFERÊNCIAS

64

APÊNDICES

ANEXOS

INTRODUÇÃO

Este estudo surgiu a partir do interesse em analisar a formação humana de uma forma diferenciada. Uma análise realizada através da Educação Física pela via do esporte de periferia considerando as “peladas” praticadas no bairro do Tenoné, Belém – PA, como referência da pesquisa, especificamente no Clube Tenoné, por garotos entre 12 a 15 anos de idade e pertencentes ao time “Boca Juniors”, o qual existe há sete anos.

A relação pessoal com o tema escolhido vem de uma afinidade de

infância com a prática das “peladas” e do interesse no decorrer da vida acadêmica em realizar um estudo de relevância social.

A importância social da pesquisa se evidencia por dois aspectos. O

primeiro por ter a prática das “peladas” como foco de análise, as quais são

referentes ao esporte de maior popularidade no Brasil, o futebol. O segundo pela opção do campo de pesquisa, repleto de significados sociais, a periferia do Tenoné.

A interação da Educação Física enquanto área de pesquisa com os

espaços periféricos, se mostra carente no que diz respeito a estudos acadêmicos relacionados a formação ou construção do ser humano num contexto social. Por isso, se considera pertinente a intenção de contribuir academicamente através da tese de conclusão de curso como acréscimo de conhecimento e estímulo para novas pesquisas relacionadas ao tema. Outra relação de interesse com o presente estudo está voltada para a linha de pesquisa da Cultura Corporal e Culturalidade da sociedade. Este trabalho aglutina a importância social do tema, a vivência na prática das “peladas” e, uma área de conhecimento ainda recente na Educação Física, a relação da formação humana e a Cultura Corporal. No primeiro momento, há uma descrição da origem das “peladas” através de um breve histórico sobre o futebol para compreender a popularização dessa atividade no Brasil e, consequentemente nas periferias. Em seguida, o trabalho

descreve a formação socioespacial das periferias do Brasil e de Belém e relaciona essa formação com a popularização das “peladas” como esporte de periferia a partir da mídia.

No segundo momento, este estudo perpassa didaticamente pela compreensão de corpo, cultura e cultura corporal, elucidando conceitos a fim de relacioná-los com a formação do ser humano enquanto sujeito. Assim, o trabalho também permeia pela compreensão de formação humana de acordo com teóricos do assunto. A compreensão da formação humana está vinculada ao estudo do corpo como construção cultural e sede de signos sociais (DAÓLIO, 1995). A sociedade redige significados entre seus membros por meio dos seus corpos, tais significados definem o que é corpo de diversas formas.

( )

por meio de diferentes corpos, porque se expressa diferentemente como

corpo é expressão da cultura, portanto cada cultura vai se expressar

cultura. (Kofes, 1985 apud DAÓLIO, 1995).

Nesse sentido, se assumiu uma noção de cultura entendida a partir do movimento e da interação conotativa de sujeitos, os quais são portadores de cultura e diversidade de contextos. Através de comportamentos e atitudes do ser humano por meio de uma dinâmica relacional, a idéia da culturalidade se faz significativa na medida em que facilita o conhecimento de processos culturais e elementos educacionais e esportivos (GONÇALVES, 2006 p.114). Considerando a culturalidade e os elementos significativos de educação e de esporte, se entende a cultura corporal como parte essencial da formação humana. Baseado nisso, há um interesse de compreensão dessa formação humana pela via do esporte de periferia do Bairro do Tenoné, Belém - PA. A construção socioespacial do que é periferia e da culturalidade existente em locais ditos periféricos, mais especificamente no Bairro do Tenoné, são assuntos pertinentes ao entendimento contextual do objeto da pesquisa:

“peladas” praticadas por garotos entre 12 e 15 anos de idade do referido bairro. A pesquisa é impulsionada pela transformação espacial sofrida no bairro do Tenoné, onde era uma área rural e atualmente se identifica como área urbana. Há a intenção de analisar a relação dessa transformação com o corpotamento dos “peladeiros”, especificamente a relação de culturalidade das antigas “peladas” com a nova possível significação que tal atividade introduz nos corpos enquanto cultura.

As “peladas” fazem parte de um cotidiano juvenil brasileiro. São consideradas “esporte de periferia” por serem comuns entre os moradores dessas localidades. A “pelada” faz referência ao futebol – esporte popular no Brasil – que se enraizou e se confunde com a própria história do país. O futebol tem íntima relação com o povo brasileiro. Essa relação é estreitada pela mídia quando evidencia jogadores de origem de baixa renda que hoje são bem sucedidos. E este estudo busca fazer uma análise da influência que o “futebol da mídia” tem sobre a prática das “peladas” do Tenoné para compreender de que maneira se dá a formação humana pela via do esporte de periferia praticado nesse bairro. Compreender a relação da cultura corporal com a formação do ser humano por meio da prática corporal como “esporte de perferia” no bairro do Tenoné converge no objetivo da pesquisa. O processo de formação humana se compreende através das relações do homem entre si e com o meio em que vive, configurando um ser individual e social. Assim, existe uma individualidade do homem que é caracterizada por um conjunto de atividades, as quais definem a vida cotidiana de cada ser humano. As “peladas” do Tenoné são atividades cotidianas e, podem ser entendidas como manifestações corporais e culturais e, portanto, passíveis de análises sobre a formação humana, por exemplo. Além disso, o bairro do Tenoné está localizado numa área considerada periférica regada de muitos significados e sentidos culturais e sociais, os quais se convergem na constiuição da natureza humana, ou ainda, na formação enquanto ser humano dos indivíduos que o cercam. No último momento, há uma descrição da pesquisa de campo realizada através de observações do ambiente social e físico, bem como de entrevistas com os sujeitos da pesquisa – os “peladeiros” – com o intuito de compreender a relação da cultura corporal e culturalidade com a formação do ser humano através da prática das “peladas” como esporte de periferia. Então, diante de fatores sociais, corporais e culturais, esse trabalho pretende abordar os temas: origem e popularização das “peladas”, formação socioespacial da periferia – Brasil e Belém –, relação da mídia e o esporte e diálogos sobre o corpo, a cultura e a cultura corporal para analisar a formação humana dos “peladeiros” do Tenoné.

A Educação Física dá suporte a pesquisa na medida em que insere um novo olhar através do corpo, da cultura, de aspectos sociais e dos conteúdos dessa área de conhecimento para a compreensão da formação do homem via esporte de periferia.

Capítulo 1. AS “PELADAS” COMO ESPORTE DE PEREFERIA.

1.1. ORIGEM E POPULARIZAÇÃO DAS “PELADAS”

Em primeira instância, para suscitar a origem e a popularização das “peladas”, se faz pertinente transitar pela história do futebol, visto que a prática dessa atividade faz referência a esse esporte. Sendo assim, vale afirmar que existem muitos estudos sobre a origem do futebol. Achados arqueólogos afirmam que na antiguidade já existiam jogos de objetos esféricos com o pé. Na Idade Média também há relatos de jogos rudimentares que antecedem o futebol e, pesquisas comprovam que foi na Inglaterra, por volta do século XVII, que o futebol passa a ser estabeliecido como esporte 1 . No Brasil, muitos consideram Charles Müller – paulistano que viajou para

a Inglaterra aos nove anos – o precursor do futebol no país, pois voltou ao Brasil século XIX com bolas, camisas, chuteiras e um conjunto de regras na bagagem. O esporte foi disseminado primeiramente entre jovens da elite paulistana, no meio aristocrático como hábitos de lazer e considerado um elemento de modernização (RODRIGUES, 2003). A história do futebol no Brasil se confunde com a própria história política e social do país e, para LEVINE (1982, apud RODRIGUES, 2003) pode ser dividido em fases. Nas primeiras fases, herdando uma concepção aristocrática,

o futebol excluía os negros, mulatos e brancos pobres da prática desse esporte.

No início do século XX o futebol começa a se popularizar e ser considerado entre as classes sociais baixas um instrumento de emancipação e ascenção social, visto que, nos anos 1930, no governo de Getulio Vargas, o futebol foi regulamentado como profissão. Surge assim, o futebol-espetáculo de massa e a fase de modernização, a qual inlcui grandes recursos financeiros e midiáticos. Assim, o futebol torna-se um esporte universal e ajusta o interesse econômico a realidade cultural. Um exemplo disso está nas famosas marcas esportivas, as quais se voltavam ao basquete americano ou outros esportes, e tiveram que se incorporar ao “império do futebol”. Império este, que o Brasil se mostra como potência hegemônica, exportando futebolistas para vários países,

logo, aparece como uma contraposição a hegemonia política e econômica norte-

americana. O futebol portanto, vai além de interesse econômico e midiático, e especialmente no Brasil, esse esporte foi resignificado como um jogo que

fazendo-o coletivo e individualista,

pragmático e artístico, útil e inútil, supreendente e belo, carnavalesco e trágico.”

(WISNIK , 2008, p. 20). Dentro desse contexto do que foi e do que é o futebol, esse esporte “[

]

não se estrutura como uma bateria de provas decisivas de performance”, e sim

uma língua geral que acontece numa zona limiar entre tempos

culturais que se entremeiam”, fazendo do futebol “[

diálogo polêmico e não verbal entre populações do mundo inteiro”, o que o identifica com a vida (idem, 2008). Concomitante ao processo histórico do futebol está a origem e a popularização das “peladas”, pois a procedência do termo “pelada” retoma os jogos rudimentares de bola com o pé jogados na antiguidade. Etimologicamente a palavra é originária de “péla” – bola de couro ou borracha – derivada do latim vulgar pilella (HOUAISS, 2001). Num segundo sentido, o conotativo, o termo pelada faz alusão a nudez, pois os locais da prática costumam ser em “terrenos desnudos” (sem grama) e os praticantes atuam de pés descalços. Além disso, é comum um dos times jogar sem camisa para se diferenciar do outro. (SILVA; CHAVEIRO, 2007). Nesse segundo sentido, é possível observar a simplicidade de praticar essa atividade, o que contribuiu na popularização entre as classes sociais baixas e consequentemente nas localidades de moradia periférica, a dita periferia. A origem das “peladas” tem um caminho semelhante com a história do futebol, no que diz respeito ao sentido de sua prática quando constitui um fenômeno sociocultural (SILVA; CHAVEIRO, 2007). O significado e o sentido de “bater uma pelada” se insere nos hábitos de lazer e nas manifestações corporais de cada praticante, expressando assim, a culturalidade existente em cada ambiente, ou ainda, em cada indivíduo.

um campo hospitaleiro ao

como “[

oferece desocupação estrutural, “[

]

]

]

WISNIK (2008, p. 32), faz um auto relato de como as “peladas” se organizavam em São Vicente 2 , explicitado nesse trecho:

O modo de organização dessa cultura lúdica era simples: quem chegava

à praia e se aproximava de um grupo já reunido em torno de uma bola,

no momento da formação dos times entrava no jogo a partir do par-ou- ímpar de dois representantes apontados para escolher os demais. Quem se apresentava para um jogo em andamento, de preferência em dupla, era geralmente admitido na forma do um-para-cada-lado, até o limite númerico do generosamente razoável. Esse regime de inclusão me parecia tão natural como a própria natureza, o mar e o morro.

Nesse sentido, o jogo se compreende como um substrato lúdico, promovendo sociabilização, mas que se repleta de significados e manifestações sociais. SILVA e CHAVEIRO (2007) seguem a análise das “peladas” como fenômeno sociocultural dizendo:

As peladas constituem-se num fenômeno sociocultural muito presente na periferia dos centros urbanos. Os atores das peladas, ou seja, os peladeiros apropriam-se, mesmo que temporariamente, de determinado espaço para prática do futebol (não-profissional), construindo assim os territórios das peladas.

Esse contexto das “peladas” surge com todo o teor simbólico adquirido e a rápida difusão do futebol no Brasil, o qual só pode ser compreendido com uma abordagem antropológica, pois, para DAOLIO (2005) essa prática se tornou parte integrante da vida dos brasileiros com a mesma representação de outros fenômenos nacionais, como o carnaval, por exemplo. Outra análise das peladas como fenômeno sociocultural é a ideia do princípio da alteridade 3 da antropologia, pois aborda a cultura futebolística como parte do conhecimento de si e diferenciação do outro, o que afirma o contexto social e cultural inseridos nas “peladas”.

Os peladeiros territorializam-se temporariamente num determinado espaço, imprimindo as marcas de sua cultura futebolística. Entende-se como cultura futebolística do peladeiro toda uma gama de práticas materiais ou simbólicas que permite a ele que se conheça e seja conhecido como diferente do outro (SILVA & CHAVEIRO, 2007).

2 Baixada Santista, no litoral de São Paulo, em São Vicente, nasceu José Miguel Wisnik. Ver

José Miguel Wisnik, Veneno remédio: o futebol e o Brasil. São Paulo: Companhia das Letras,

2008.

3 Princípio da Alteridade é a concepção que parte do pressuposto básico de que todo o homem social interage e interdepende de outros indivíduos (http://pt.wikipedia.org/wiki/Alteridade).

Sendo assim, existe o sentido da territorialidade que, ao mesmo tempo em que as “peladas” são populares e massificadas nas periferias, há uma individualidade impressa em cada localidade onde se pratica essa atividade. Através da individualidade impressa culturalmente por cada “peladeiro” no ambiente social em que vive, o corpo cria sentido e significação de ser humano por meio da expressividade corporal ao “bater uma pelada”. As periferias são os locais onde mais se “batem peladas”, as quais são utilizadas para designar o futebol periférico ou amador e que na gíria de torcedores é uma partida profissional de baixa qualidade técnica/tática 4 . Assim, as peladas fazem referência ao futebol jogado de forma amadora, ou seja, jogos realizados em qualquer hora e lugar como ruas, terreno baldio, quadras, ginásios, sem regras oficiais. Também não há limitação de faixa etária ou gênero para praticar, e comumente, os praticantes fazem das peladas seu cotidiano de fim de tarde.

praticantes fazem das peladas seu cotidiano de fim de tarde. Foto: Campo do Clube Tenoné (ano

Foto: Campo do Clube Tenoné (ano 2009) Crédito: Alice Maneschy

Foto 2: “Arena” do Clube Tenoné (ano 2009). Crédito: Alice Maneschy Logo, retomando o processo

Foto 2: “Arena” do Clube Tenoné (ano 2009). Crédito: Alice Maneschy

Logo, retomando o processo histórico, WITTER (1982, apud DAOLIO, 2005) afirmou que a história do futebol – amador e profissional – se entrelaça com a do povo brasileiro, na medida em que permite a expressão e vivência de problemas nacionais (DAMATTA, 1982, 1994), ou ainda, de problemas sociais, como o caso do período da industrilaização e urbanização das cidades, formando as periferias.

1.2.

A

CENTROS URBANOS

FORMAÇÃO

SOCIOESPACIAL

DA

PERIFERIA

DOS

GRANDES

A formação socioespacial da periferia perpassa por momentos históricos

e

a origem está na Idade Antiga, nas cidades gregas, as quais tendiam a manter

o

cidadão tanto como agentes de periferia quanto de centro, a partir de posses

de lotes na periferia e no centro, ou seja, a definição de periferia seria apenas geométrica (CHAVEIRO e ANJOS, 2007).

Mas há uma fragilidade nessa definição geométrica, pois existe a relação entre distância espacial e distância social, cujo teor está no fato de que se excluíam as pessoas que não eram consideradas cidadãos – escravos, mulheres, crianças – que participavam dessa dinâmica espacial (idem, 2007). Portanto, desde a Idade Antiga, o significado de periferia se constitui num contexto social. Quanto a esse contexto, LIMONAD (1999, p. 81) analisa algumas premissas de SOJA (1993), dentre elas está o espaço social de caráter dialético como produto de uma sociedade, pois é meio das ações e relações sociais.

A constituição do espaço socialmente produzido é plena de contradições

e lutas, muitas rotinizadas no cotidiano, decorrentes do caráter dialético de sua produção, através da atividade social e econômica, por ser simultaneamente suporte, meio, produto e expressão da reprodução das relações sociais de produção em escala ampliada, o que confere a estas relações um caráter espacial necessário (LIMONAD, 1999, p. 81).

Diante disso, as relações sociais se inserem no fenômeno da urbanização diante da divisão social e territorial do trabalho já existente na Idade Antiga. A urbanização se modifica no decorrer do processo histórico quanto a qualidade e significado conforme se transforma o caráter espacial (LIMONAD, 1999 p. 79). E ainda, a urbanização pode se configurar como uma forma de estruturação do território, o qual varia historicamente de acordo com os processos sociais,

]

econômicos, políticos e culturais, tornando a rede urbana uma expressão “[

cristalizada de diferentes estruturações do espaço em diferentes tempos históricos” (idem, p. 82). O arqueólogo V. Gordon Childe (1973, 1981 apud SOUZA, 2003, p. 44), por exemplo, considerou o período de proliferação das cidades subsequentemente à Revolução Agrícola do neolítico 5 uma “Revolução Urbana”,

5 “As primeiras cidades fazem seu aparecimento na esteira chamada Revolução Agrícola ou,

também, ‘Revolução Neolítica’, por ter ocorrido no período pré-histórico conhecido como Idade

É, com efeito, na Idade da Pedra Polida que se inicia a

prática da agricultura, e graças a isso irão surgindo, aos poucos, assentamentos sedentários, e depois as primeiras cidades. Levando-se em conta que, até então, a subsistência do homem pré- histórico, normalmente nômade, era garantida pela caça, pela pesca e pela coleta vegetal, o domínio da agricultura representou um salto extraordinário, uma mudança radical. Com a

agricultura, tornou-se possível alimentar populações cada vez maiores, gerando-se inclusive, um

excedente alimentar [

A cidade, em contraposição ao campo, que é de onde vinham os

da Pedra Polida ou período neolítico [

].

].

alimentos, foi se constituindo, paulatinamente, como um local onde se concentravam os grupos e classes cuja existência, enquanto pessoas não - diretamente vinculadas às atividades

que pode ser assim entendida se for considerada como um processo de passagem da produção de subsistência para uma produção visando o comércio externo e provocando a expansão da população. O fenômeno urbano, portanto, se desenvolveu em locais e em momentos diferentes. A urbanização no Brasil se desenvolveu numa relação de espaço social e espacial a partir do século XVIII quando se iniciou uma inversão quanto ao lugar de residência da população brasileira e, consequentemente, ocorreu o aumento da população nas cidades. Mas foi no século XIX que a urbanização atingiu a maturidade e, a expansão da agricultura comercial e a exploração mineral ampliaram a vida de relações e o surgimento de novas cidades. A partir da produção do café, São Paulo tornou-se pólo dinâmico do país abrangendo mais estados ao sul, com implantação de estradas e meios de comunicação, porém ainda era uma integração limitada, pois se tratava apenas de uma parcela do território nacional. Com o fim da Segunda Guerra Mundial, a criação de atividades industriais ampliou a formação do mercado nacional, ultrapassando o nível regional. Essa ampliação impulsionou a vida de relações e ativou o processo de urbanização com um alto crescimento demográfico (SANTOS, 2005, p. 29). O momento atual é marcado pelo meio técnico-científico-informacional, no qual a presença da ciência, da técnica e da informação remodela o território e, facilita a circulação, manifestando um modelo de capitalismo maduro (idem, p.

38).

Anteriormente a todo esse processo, no período da industrialização, ocorreu o encolhimento do espaço mais afetado pela modernização, estimulando o movimento de descentralização, o que caracteriza uma ocupação periférica. Quanto a isso, o período histórico da industrialização – a partir de fins do século XVIII – vigorando a urbanização no âmbito capitalista, compõe um quadro de segregação social. Sobre esse período CHAVEIRO e ANJOS (2007) analisam a proposta de LEFEBVRE (1991, p.21) composta por três fases:

( )

favor do econômico-industrial; uma segunda fase em que a cidade entra

primeiro a invasão industrial, em que o social-urbano é negado a

em colapso autodestrutivo em função dessa industrialização; e, finalmente, a cidade é reinventada com o nascimento (ou renascimento) da reflexão urbanística, ao que sucede um urbanismo sem reflexão, em que a segregação será considerada algo normal, visando apenas o lucro do capital, num movimento urbanístico vendedor de ilusões.

De acordo com CHAVEIRO e ANJOS (2007) quando cita a afirmação de VILLAÇA (2001), a segregação social de classes sociais é um processo que tende a concentrar diversas camadas sociais em diferentes regiões ou conjunto de bairros das metrópoles, revelando que a estruturação dos espaços urbanos se configura em desigualdades sociais. Além disso, a ideia de que apenas as classes de baixa renda ocupam espaços periféricos é inválida:

(

rigorosamente verdadeiro que o preço da terra determina a distribuição

os terrenos mais caros são ocupados

pelas camadas de alta renda, pois na periferia de metro quadrado barato a alta renda ocupa terrenos grandes ou, em se tratando de condomínios

a classe média também

espacial das classes sociais [

não é

)

a alta renda também ocupa terra barata na periferia [

]

]

]

verticais, grandes quotas ideais de terreno [

ocupa terra cara no que se refere ao preço do metro quadrado de

terreno, consumindo pouca terra per capita ou por família ( 2001, p. 146-147 apud CHAVEIRO e ANJOS, 2007).

). (VILLAÇA,

Assim, o sentido de morador de periferia é relativo, pois depende do cotidiano, da estrutura espacial e das condições de moradia de cada habitante. Outra questão pertinente é a estruturação dos territórios que depende da interação das relações de produção do espaço social e espacial, as quais protagonizam a produção do próprio arranjo dos territórios e formação das desigualdades das classes sociais e das atividades produzidas, contribuindo para um desenvolvimento desigual e combinado numa relação de dominação (LIMONAD, 1999, p. 81-82). Segundo SILVA (2003), essa relação se configurou fortemente no Brasil após a Segunda Guerra Mundial com o aumento demográfico significante e a intensa urbanização pela qual passaram a cidades brasileiras, visto que as implicações não se deram apenas no âmbito da configuração urbana, mas também no acirramento da pobreza e das desigualdades sociais. Os espaços de pobreza não estão uniformemente dispersos, mas localizados em áreas

específicas e se configuram “[

por meio de um amplo processo de produção

fundiária e habitacional que surgiram à margem das leis, dos códigos e planos urbanísticos, estando relacionados com a construção ilegal da cidade

]

contemporânea” (idem, p. 11), caracterizando a expansão periférica das

cidades. A periferia no Brasil se constitui em meio ao crescimento demográfico intenso e a falta de planejamento das cidades, ocasionando na segregação tanto espacial – distância entre moradias – quanto social – distância de condições de acesso em relação ao transporte e aos serviços públicos. A segregação espacial diz respeito a especulação imobiliária que privilegia pontos estratégicos contendo os serviços básicos como saneamento e transporte, habitados por pessoas de maior poder aquisitivo em detrimento das classes mais baixas que buscam lugares acessíveis a sua renda, os quais são distantes do centro e/ou desprovido de condições básicas de habitação, conduzindo para a periferização da população mais pobre pelo déficit de residências, caracterizando a segregação social. De acordo com SANTOS (2005, p. 106), “as carências em serviços alimentam a especulação, pela valorização diferencial das diversas frações do território urbano”, acarretando em maior número de áreas periféricas e no aumento do tamanho urbano de forma desordenada, o que favorece as desigualdades sociais. Mas como já foi citado anteriormente por VILLAÇA (2001, p. 146-147 apud CHAVEIRO e ANJOS, 2007), as áreas periféricas não são habitadas somente pelas classes mais baixas, uma nova alternativa de moradia surge para as pessoas de maiores recursos financeiros que buscam se alojar em lugares mais convenientes, configurando outra forma de segregação social, os condomínios fechados e privados. A busca de lugares convenientes com as

modo que as diversas parcelas da cidade ganham

exigências funcionais é o “[

ou perdem valor ao longo do tempo.” (SANTOS, 2005, P. 107). Assim, a área urbana aumenta e, mais um processo se configura na realidade brasileira, chamado por SANTOS (2005, p.73) de urbanização das áreas rurais, repartindo o Brasil em espaço agrícola e espaço urbano 6 . Esse processo com validade generalizada e não ainda aprofundada, indica uma

expansão do capitalismo assumindo maturidade, mas sem deixar de assinalar a periferia sob suas estruturas e condições socioespaciais.

]

6 Ver Milton Santos (2005, p. 73-76).

Em Belém – PA, a formação da periferia sofre influências do processo

histórico de urbanização e da geografia da cidade. Desse modo, os espaços periféricos de Belém são formados num contexto social e histórico do período de industrialização e urbanização – final do século XIX – no rush da borracha. Nessa fase ocorreu a implantação de serviços públicos como: serviços de esgoto, limpeza urbana, calçamento de ruas e avenidas, entre outros. Assim, Belém se ampliou de maneira geográfica e urbana rumo ao bairro do Marco, com a atual Avenida Almirante Barroso e vias adjacentes (PINHEIRO et al. 2007), acarretando na conurbação com municípios de Ananindeua, Marituba e Benevides, e formando a Região Metropolitana de Belém (RMB). A partir da decadência da extração e do comércio da borracha, ocorreu uma relativa estagnação no crescimento populacional, pois Belém vivia um período de base econômica fundada na agricultura, mas com o fim da Segunda Guerra Mundial, o processo de urbanização e da divisão do trabalho se modificou, ampliando o crescimento demográfico e os investimentos econômicos atomizados (SANTOS, 2005, p. 28) Outra influência para a urbanização de Belém foi a construção da rodovia Belém-Brasília na década de 1960, a qual aproximou a economia

como primeiro eixo de

regional do sul e sudeste do país, se estabelecendo “[

penetração rodoviário para a região” (VICENTINI, 2004 apud BARROS et al., 2008). De acordo com PINHEIRO (et al. 2007), esse fato favoreceu o

crescimento demográfico da RMB com novos núcleos urbanos e aumentou o fluxo migratório. Essa análise segue com ênfase no processo de verticalização

e ocupação nos terrenos de terra firme, os quais se concentraram “nas mãos de

pessoas com maior poder aquisitivo”. (idem, 2007), ficando as áreas mais baixas

– as baixadas – sujeitas a inundações mais freqüentes, com a população de

baixa renda. Tal fato favoreceu a especulação imobiliária nos centros e gerou

uma “[

ocupação desordenada das baixadas, sem infra-estrutura, por uma

população de baixo poder aquisitivo que tem convivido com a degradação

ambiental nesses espaços.” 7 (SILVA, S.l.: s.d.).

]

]

7 Ver cidades e suas orlas. Disponível em: http://www.ufpa.br/projetomegam/anais/Grupo01.pdf

Gráfico 1: Evolução da população de Belém. Fonte: IBGE apud BARROS et. al 2008. A

Gráfico 1: Evolução da população de Belém. Fonte: IBGE apud BARROS et. al 2008.

A

questão

geográfica

de

Belém

marca

o

processo

da

formação

socioespacial das periferias da cidade, exposto nesse trecho:

O município de Belém possui um relevo similar ao da Região Amazônica, onde se verifica a presença do igarapé, várzea e terra firme. Toda a área urbana está coberta por uma extensa rede de cursos d’água, porque o município se localiza na confluência da Baía do Guajará com a foz do Rio Guamá. Esses fatores tiveram grande importância no processo de ocupação urbana da RBM, na medida em que as áreas de terra firme foram sendo ocupadas pelas camadas de maior renda, restando somente as áreas alagadas para a população

pobre [

Essas características geográficas têm papel fundamental na

forma como as questões socioespaciais estão imbricadas nas questões habitacionais, bem como na forma como a população de baixa renda busca suprir suas necessidades de moradia na cidade. (PINHEIRO et al.

2007).

].

A seguir, está destaque a bacia hidrográfica do Tenoné, foco desta pesquisa:

Figura 1: Bacias hidrográficas no Município de Belém. Fonte: PMB/SEGEP apud PINHEIRO et al 2007

Figura 1: Bacias hidrográficas no Município de Belém. Fonte: PMB/SEGEP apud PINHEIRO et al 2007

Na tentativa de suprir suas necessidades de moradia, as populações de baixa renda protagonizam a problemática da periferização em Belém com o Estado e o capitalismo imobiliário impulsionando esse processo. O Estado, como principal controlador da valorização do espaço, tem a função de definir:

as diferentes formas de uso e ocupação do solo, atuando,

principalmente, através de ações infra-estruturais, que podem ser entendidas de diversos modos, ora parecendo atender aos anseios da sociedade, ora parecendo estar a serviço da reprodução do capital.

( )

Assim, o Estado tanto atraiu pessoas para áreas valorizadas, quanto afastou outras de menor poder aquisitivo, sujeitas a economia de especulação. Surge então a necessidade da implantação de políticas públicas para atender a demanda da população (BARROS et al., 2008, p. 4).

BARROS (et al., 2008) chamaram atenção para uma área de expansão da cidade de Belém 8 , derivada da especulação imobiliária e da imigração advinda do interior do estado. Estes imigrantes, na década de 1970, encontraram Belém com altos preços nos imóveis – como os bairros de Nazaré, Batista Campos, Reduto, Comércio e Umarizal – e as periferias já consolidadas – como os bairros periféricos do Guamá e Terra-firme, e consequentemente, ocuparam áreas que se afastavam gradativamente do centro. Nesse sentido, o Estado implantou uma política habitacional, visando o aterramento e saneamento das áreas alagáveis e construindo conjuntos habitacionais ao longo das rodovias, consolidando a Região Metropolitana de Belém – RMB. Na década de 1980 e 1990, ocorreu um processo de verticalização no centro de Belém, se estendendo ao longo dos eixos rodoviários. RODRIGUES (2000, p.123 apud BARROS et al., 2008 p. 4), diz:

Realiza-se uma veloz expansão horizontal para além e por dentro do “cinturão institucional” que se constitui em torno da linha que marca os limites da primeira légua patrimonial do município de Belém. O sentido deste espraiamento dá-se principalmente obedecendo dois vetores: o corredor da Rodovia Augusto Montenegro e o da BR-316 (consolidação da antiga estrada e ferrovia Belém- Bragança) onde o município de Ananindeua apresenta-se conurbado a Belém e outros, como Benevides, já começaram a funcionar como pertencesse a Região Metropolitana.

O crescimento do tamanho urbano também ocasionou na construção de condomínios fechados, distantes do centro, caracterizando ainda mais uma segregação social e espacial em Belém. Nessas relações sociais, a periferização se intitula em nível de desigualdades sociais, refletindo para as populações de baixa renda, tanto na dificuldade de acesso a moradias adequadas, quanto na falta de oportunidade de emprego no mercado formal, partindo para a informalidade, comuns em centros urbanos e áreas periféricas (BARROS, et al., p. 6). O problema da periferização, portanto, é a questão habitacional, no que concerne a ocupação desorganizada dos espaços nos centros urbanos, principalmente das metrópoles brasileiras.

8 “[

Guanabara e alguns outros mais que passam a fazer parte da dinâmica de periferização que

envolve a cidade de Belém e seu entorno.” (BARROS et al., p. 7). Disponível em:<

bairros da chamada área de expansão, como: Benguí, Cabanagem, Mangueirão, Tapanã,

]

Diante disso, é válido enfatizar dois aspectos que discriminam o quadro socioespacial das metrópoles: urbano real x urbano virtual (MARICATO, 1996 apud CHAVEIRO e ANJOS, 2007). Esses aspectos sugerem de um lado uma realidade não dissimulada, do outro uma realidade escondida por uma força ideológica de acordo com a população que habita um determinado espaço. Porém, existe uma realidade construída por uma cultura de massa, a qual pode atingir a população sem delimitação de espaços.

1.3.

A MÍDIA E O ESPORTE DE PERIFERIA

A mídia 9 de acordo com uma vertente crítica pode ser designada como

um conjunto de meios de comunicação de massa ou de empresas que

produzem e mercadorizam “[

funcionando como o principal braço operacional da Indústria Cultural.” (PIRES, G. L. & HACK, C. 2004, p. 162 e 163 apud HACK, 2005).

A sociedade atual se caracteriza como uma sociedade de consumo de

massa, a qual se vale da capacidade da mídia de “[

autorizar hábitos e comportamentos” na formação do sujeito (HACK, 2005, p. 80), para impor uma espécie de dominação, ou ainda deformação do significado dos meios de comunicação. Significado este que compõe a Indústria Cultural. A Indústria Cultural mercantiliza a cultura e entende o indivíduo apenas como consumidor, reduzindo a humanidade sob as condições de seus interesses (idem, p. 81). Dessa forma, o ser humano passa por um “processo de fragmentação do conhecimento, e consequentemente uma distorção da realidade” – a alienação 10 (BRITO, 1977, p. 344 apud SANTOS, 2007, p. 51), que se reflete no cotidiano do indivíduo, incluindo o lazer e os espaços públicos nessa realidade como formas

criar, circular, massificar e

]

bens culturais banalizados para o consumo,

]

9 “Palavra aportuguesada do inglês Media, adotando a sua pronúncia. Origina-se do latim Media, forma plural de Medium = meio. Aplicada ao campo da comunicação social, é associada ao fenômeno de massa, sendo portanto também uma simplificação da expressão original em inglês mass media, ou meios de comunicação de massa.” (PIRES, G. L. & Hack, C. Verbete Mídia In: GOMES, C. L. (org.) Dicionário Crítico de Lazer. Belo Horizonte: Autêntica: 2004 apud HACK, 2005). 10 “Na sociedade, o homem é ‘alienado’ ou ‘se aliena’, além do aparelho, a alguém que dirige o aparelho ou que dele tira vantagem. Para desalienar, é necessário compreender a estrutura do aparelho e a estrutura dos poderes intersubjetivos a que serve.” (PERROUX, 1970, p. 76 apud SANTOS, 2007).

de consumo não-materiais (SANTOS, 2005, p. 41), formando uma relação de influências da mídia no cotidiano. Anteriormente, na relação de consumo não-material, sem desconsiderar a alienação, existia um vínculo entre os espaços públicos de lazer, especificamente na prática de esportes, e as empresas no período da industrialização com características alienantes, que mais tarde, no período técnico-científico-informacional se mantém, tendo a mídia como meio dessa relação. Sobre o período industrial e os espaços de lazer, RODRIGUES (s.d) explica:

o crescimento dos centros urbanos e industriais e a conseqüente

chegada de levas de migrantes e imigrantes fez com que a cidade se

expandisse e necessitasse de uma área habitacional para [ trabalhadores. Sem um planejamento adequado ao montante populacional que chegava

]

( )

[ ]

geralmente longe dos centros e ao longo das ferrovias que cortavam as

cidades à época, criando dessa forma, bairros periféricos.

operários instalavam-se em locais de pouco interesse imobiliário,

Com a escassez de espaços públicos para os trabalhadores, as próprias empresas desse período, com visões de lucro, consideraram o entusiasmo em atividades de lazer e passaram a criar espaços de lazer para os funcionários praticarem esportes, pois observou que isso era uma forma de aumentar a produção nas fábricas, ação essa de caráter alienante e dominador 11 . No período atual, de sociedade de consumo, as empresas se aliam a mídia. Um

percepção das

]”

através do esporte. (CAPRARO; JUNIOR [s.d.] apud AGOSTINO, 2002). A mídia permite através dos meios de comunicação de massa (televisão, internet, jornais, rádio, revista), se comunicar com qualquer pessoa que tenha acesso direta ou indiretamente a esses meios (BETTI, 1997, p. 33). Sendo assim, ao considerar que o espaço e o meio social em que cada sujeito está inserido interagem com a sociedade como um todo independentemente da

exemplo disso está na publicidade quando há uma “[

empresas capitalistas sobre a possibilidade de divulgação das suas marcas [

]

11 “A percepção do espaço é parcial, truncada e, ao mesmo tempo em que o espaço se mundializa, ele nos aparece como um espaço fragmentado, e tal como nos diz A. Frémont (1976, p. 194), temos diante de nós um espaço humanamente desvalorizado, reduzido a uma

função. [

ainda que eles apareçam como se estivessem juntos.”

A capacidade de utilizar o território não apenas divide como separa os homens,

]

distância espacial existente, a periferia como ambiente socioespacial também

sofre influências da mídia. Nesse contexto, existe um fenômeno que se insere na relação de influências da mídia com o cotidiano, o esporte e, conseqüentemente o esporte de periferia. O esporte de periferia se compreende no esclarecimento sobre a formação socioespacial da periferia urbana e a relação das manifestações do esporte como um fenômeno heterogêneo (MARQUES, et al. 2007) no contexto contemporâneo da mídia. Quanto as manifestações do esporte, existem dois sentidos: alto rendimento e atividade de lazer (BRACHT, 1997 apud MARQUES et al. 2007),

pode se apresentar tanto como uma prática

nos quais o segundo “[

influenciada por normas do ambiente profissional, como de uma maneira re- significada.” (MARQUES et al. 2006).

Portanto, o esporte pode ser entendido de diversas formas. E ainda seguindo nessa análise, Marques (2007) diz:

]

As alterações no seu sentido se dão pela interpretação dos participantes, que deriva de suas características sócio-culturais. Dessa forma, a prática é transformada e caracterizada de acordo com os sujeitos envolvidos e o ambiente em que ela ocorre “efeito de apropriação” (BOURDIEU, 1990). Por esse motivo, o esporte pode ser caracterizado como um fenômeno heterogêneo em processo de constituição, que apresenta, numa perspectiva histórica, continuidades e transformações que o afirmam como um objeto passível de interpretações à luz de diferentes olhares (MARCHI Jr., 2002).

Nesse contexto, o esporte de periferia se constitui aglutinando olhares e culturalidade de acordo com a formação socioespacial desses espaços, os quais hoje, tendem a se caracterizar diante da globalização, do meio técnico-científico- informacional e da mídia contemporânea. Assim, o esporte de periferia recebe influências do esporte-espetáculo midiatizado, especialmente do futebol – esporte mais popular no Brasil – que se tornou um tipo de língua geral local em contato com populações que o consomem e o praticam, substituindo as culturas locais, pelas relações consumistas (WISNIK, 2008, p. 17). Nessa relação de consumismo a mídia dita valores e princípios que contribuem para a descaracterização da personificação de corpo de cada indivíduo, o que insere um caráter uniformizante de imitação de corpos, representando no esporte, especificamente no esporte de periferia, a influência

midiática na expressão corporal e na busca de um estilo de vida padrão quando, essa mídia, enaltece atletas de performance esportiva bem sucedidos, com status social e financeiro. Em contrapartida, WISNIK (2008) capta uma visão, atentando para expressão extremada da indústria cultural e da sociedade espetáculo que

diminuem o esporte de periferia, especialmente o futebol por ser o mais popular

destituindo-o de qualquer relevância cultural” (idem, p. 16). No

contexto de relevância cultural e ainda considerando o futebol como esporte de periferia mais popular no Brasil, o futebol, se constitui na forma de identidade

nacional em âmbito lúdico, pois associado a arte,ou seja, com dimensões artísticas, funciona escoando a manifestação de diferença e diluindo estereótipos, em oposição a tendência uniformizante, o que caracteriza um “remédio” para aliviar a frustração da sociedade (idem, p. 396-397). Diante dessa interpretação, há quem diga que o futebol se caracterizou

de forma alienante, principalmente no final do século XX com a capitalização intensiva da sociedade contemporânea, interligada com a midiatização do

isso não quer dizer que a dimensão criativa e

a liberdade não se façam presente no jogo, embora comprimidas por uma restrição de seus horizontes que tem paralelo com as condições da própria arte contemporânea.”. Nesse sentido, o esporte de periferia e a mídia parecem estar intimamente ligados no que diz respeito a expressão cultural quanto a cotidianidade e expressão corporal, convergindo na formação do sujeito. E também perante o esporte de periferia sob a linha de pesquisa da cultura corporal, a educação física, como área de estudo nesse contexto, parece ativar um olhar diferenciado para a compreensão da formação humana.

esporte. Mas WISNIK (2008) “[

no Brasil, “[

]

]

Foto 3: CEJU (ano 2009). Crédito: Coord. Campeonato Suburbano Esse estudo se concretizou na periferia

Foto 3: CEJU (ano 2009). Crédito: Coord. Campeonato Suburbano

Esse estudo se concretizou na periferia do bairro do Tenoné, onde são praticadas as “peladas”, as quais diante de uma periferia de urbano real e permeada pela mídia foram analisadas e destacaram a formação humana sob a cultura corporal via esporte de periferia. Os itens sobre formação humana e cultura corporal são discorridos a seguir.

Capítulo

CULTURALIDADE.

2.

A

FORMAÇÃO

HUMANA

VIA

CULTURA

CORPORAL

E

2.1. SOBRE CULTURA CORPORAL E CULTURALIDADE

A compreensão de cultura corporal e culturalidade perpassa pelos conceitos de cultura, integração cultural e corporal, vinculada a contemporaneidade de entender o ser humano enquanto corpo de acordo com a integração entre grupos, identidade e experiência existencial de cada indivíduo. Quanto ao corpo é importante perceber a abrangência de sua análise sem precisar defini-lo, pois o corpo que entendemos para si, nem sempre é o mesmo entendido pelo outro (TAVARES, 2003). Sendo assim, o corpo pode ser afirmado como totalidade e de acordo com a percepção com o mundo, que se modifica e constitui o suporte do senso de subjetividade do homem.

o corpo apresenta-

se como a interface entre a individualidade no que tem de mais singular, e o grupo, mas igualmente entre a biologia e o social.”. Esse pensamento reafirma o

que MAUSS (1974 apud PAIM; STREY, 2004) diz sobre o corpo do ser humano,

o qual historicamente “[

no interior das sociedades [

que podem se concretizar em movimentos,

sempre foi alvo de manipulações físicas e simbólicas

Para DÉTREZ (2003 apud PAIM; STREY, 2004) “[

]

]

]”

posturas, experessões, higiene, práticas sexuais e esportivas. Além disso, o corpo copia e armazena dados (SERRES, 2004 p. 76 apud RIGO et al p. 143)

que configuram:

( )

o centro do plano configurado as formas históricas culturais de exercitar,

excitar e manifestar publicamente o corpo (

uma espécie de memória dos modos do viver corpóreo que traz para

).

(RIGO et al p. 142).

Então, é possível afirmar segundo DAÓLIO (95, p. 25) e HEILBORN (1997 apud PAIM; STREY, 2004) que o corpo não é apenas uma entidade natural, ou seja, biológica e fisiológica, mas também social e cultural, pois o significado do corpo varia de acordo com a sociedade e o contexto cultural existente. E ainda, no sentido social, cultural e simbólico, o corpo remete a antropologia enquanto interação e interdepêndencia do homem com outros indivíduos.

De acordo com SANT’ANNA (2004, p. 3), o corpo pode revelar a subjetividade e filosofia de um indivíduo e ao mesmo tempo ocultá-las. O corpo é, também:

finito, sujeito a transformações nem sempre desejáveis ou

previsíveis. Ao longo dos anos mudam suas formas, seu peso, seu funcionamento e seus ritmos. Talvez, por isso mesmo, não seja certo que todos os seres humanos não estejam completamente habituados e satisfeitos com seu desenvolvimento. (SANT’ ANNA, 2004, p. 4).

( )

A subjetividade do corpo passível de transformações nem sempre satisfatórias para o indivíduo, adiquire uma vontade consciente ou não de manter o próprio corpo sob controle e, a partir disso assume significados diferentes ao longo da história (RODRIGUES, 1983 apud PAIM; STREY, 2004). Na Grécia antiga, o corpo era valorizado pela capacidade atlética, saúde mental – prevalecia em Atenas –, saúde física – se destacava em Esparta – e

fertilidade. Na Idade Média evidenciou-se a dicotomia corpo e alma, na qual o

estava acima dos desejos e

corpo necessitava de purificação e, a alma “[

prazeres da carne e, portando, acima dos aspectos materiais.” (PAIM; STREY, 2004). Assim, o controle sobre o corpo exigia um controle sobre a sexualidade, características essas presentes no contexto cultural da época, as quais, com o cristianismo, pretendiam se tornar verdades universais (SANT’ ANNA, 2004, p.

]

16).

No Renascimento, século XVIII e XIX, acontece a redescoberta do corpo, no sentido de entendê-lo como um objeto técnico, de códigos genéticos. Um corpo reproduzido através das artes, como as de Michelangelo e Da Vinci, com uma visão bissexuada e formação de indivíduos mais ativos e livres 12 . Já no século XX, no périodo da Industrialização, o corpo se atrela ainda mais ao técnico e à tecnologia, porém de forma análoga ao maquinário e sem atribuição de liberdade e expressividade. Na atualidade, com o meio técnico-científico-informacional, os meios de comunicação de massa passaram a reproduzir e representar o corpo de modo

12 “(

visão bissexuada do corpo e a redefinição da natureza feminina. O corpo feminino torna-se uma criatura totalmente diferente do masculino, introduz-se a questão binária e esses fatos levam ao aparecimento da identidade sexual, o que ocasiona o aparecimento da identidade de gênero (mulher/homem) nas convenções sociais, políticas, culturais, artísticas.” (LAQUEUR, 1990; NICHOLSON, 2000; MEDEIROS, 2003 apud PAIM; STREY, 2004).

emerge um outro modelo de diferenciação sexual: o modelo dos dois sexos, ou seja, a

)

que atingisse um grande número de pessoas, através da televisão, fotografia, cinema, internet. A disseminação da representatividade do corpo pela mídia no contexto do meio técnico-cientifico-informacional gerou um padrão de beleza voltado para o consumo. De acordo com GOLDENBERG (2006) a mídia dita valores e princípios que contribuem para a descaracterização da personificação de corpo de cada indivíduo, o que insere um caráter uniformizante. Dessa forma, GOLDENBERG (idem) destaca, ainda, a análise de LIPOVETSKY (2000) de que os corpos modelos assumem um poder normalizador, o qual confronta com o ideal

individualista e a personalização de sujeitos, porém, de maneira contraditória,

“[

quanto mais se impõe o ideal de autonomia individual, mais se aumenta a

exigência de conformidade aos modelos sociais de corpo.”. Essa contradição foi o que FREYRE (2002 apud GOLDENBERG, 2006) chamou de “equilíbrio de antagonismos”. Um exemplo disso está no corpo feminino, o qual se emancipou das antigas servidões – sexuais e procriadoras – mas atualmente parece “escravo” das cirurgias plásticas, academias de ginástica e implantes de silicone. Portanto, seguindo a análise de GOLDENBERG (2006), o mundo vive um

momento de “equilíbrio de antagonismos”. Momento esse de maior independência e liberdade de comportamento, mas também uma imposição do

alto grau de controle em relação ao corpo e da aparência física. Essa análise

é constituída

evidencia que a “[

por fragilidades e potências, expressando especificidade e generalidades

culturais.” (SANT’ ANNA, 2004, p. 4). Então:

]

]

vontade de manter o corpo sob controle, [

]

O corpo é uma síntese da cultura, porque expressa elementos

específicos da sociedade da qual faz parte. O homem, através do seu corpo, vai assimilando e se apropriando dos valores, normas e costumes

Mais do que um

sociais, num processo de incorporação [

aprendizado intelectual, o indivíduo adquire um conteúdo cultural, que

se instala no seu corpo, no conjunto de suas expressões. (DAÓLIO, 95,

p. 25).

].

A partir disso, é pertinente compreender, mesmo de maneira simplória, o conceito de cultura. DaMATA (1981, p. 1), abordou didaticamente o conceito de cultura quando apontou os sentidos da palavra pelo senso comum e apresentou noções sobre a cultura não apenas como uma simples palavra, mas como uma

categoria intelectual, um conceito antropológico para melhor compreender e

interpretar a vida social. No senso comum existem dois sentidos mencionados por DaMATTA (idem). O primeiro usa a palavra cultura equivalente a sabedoria ou sofisticação no sentido educacional restrito, ou seja, a capacidade de organizar certos dados,

a quantidade de leitura, de determinadas informações e títulos universitários. O segundo senso comum sobre cultura diz respeito ao desconhecido, isto é, considerar atrasada ou inferior uma sociedade diferente da qual o indivíduo pertence, como os índios ou determinados povos orientais. DaMATTA (idem, p. 2) segue a análise afirmando que a cultura não pode ser classificada hierarquicamente pelas diferenças existentes, mas sim entendida

como “[

classificam, estudam e modificam o mundo e a si mesmas.” Entretanto:

]

um código através do qual as pessoas de um dado grupo pensam,

( )

está dentro e fora de cada um de nós, como as regras de um jogo de futebol, que permitem o entendimento do jogo e, também, a ação de cada jogador, juiz, bandeirinha e torcida. Quer dizer, as regras que formam a cultura (ou a cultura como regra) é algo que permite relacionar indivíduos entre si e o próprio grupo com o ambiente onde vivem. (DaMATTA, 1981, p. 2).

a cultura não é um código que se escolhe simplesmente. É algo que

Tais códigos e regras não impedem a renovação de emoções a cada situação ou contexto social e, em analogia com o futebol, a cada jogo existe uma nova emoção vivenciada. Assim DaMATTA (idem, p. 3) explica:

as regras apenas indicam os limites e apontam os elementos e suas combinações explícitas. O seu funcionamento e, sobretudo, o modo pelo qual elas engendram novas combinações em situações concretas é algo que só a realidade pode dizer. Porque embora cada cultura contenha um conjunto finito de regras, suas possibilidades de atualização, expressão e reação em situações concretas, são infinitas.

(

)

A compreensão e interpretação de GEERTZ (1978, p. 15) corroboram

com o sentido de possibilidades e situações infinitas de atuação da cultura, pois

o homem tece teias de significados como uma ciência interpretativa à procura

desses significados, os quais são entrelaçados simbolicamente e interpretáveis

como um sistema contextual, ou seja, os acontecimentos sociais, os comportamentos, as instituições e os processos podem ser descritos

dinamicamente com densidade e não de forma casual (GEERTZ, 1978 apud

BERGER, 2006). O sentido antropológico de cultura defende a descrição de um contexto social de forma densa, pois existe uma diversidade cultural entre as sociedades, que são compostas de costumes, crenças e regras inseridos em cada ambiente de determinado grupo social. Assim, as diferenças biológicas e geográficas não são aceitas pelos antropólogos como determinantes das diferenças culturais e,

não existe correlação

significativa entre a distribuição dos caracteres genéticos e a distribuição dos

Além disso, existe diversidade cultural localizada

em um mesmo ambiente físico e, portanto, qualquer ser humano recém nascido pode ser educado em qualquer cultura se for submetido desde o início a situações convenientes de aprendizado. Dessa forma, o fator cultural na educação e na formação do ser humano assume uma dinâmica de diversidade e interculturalidade. GONÇALVES (2006) admite o termo dinâmica intercultural referente a interação entre grupos, indivíduos e identidades e, a noção de culturalidade fortalece essa dinâmica na

comportamentos culturais [

para KEESING (1961 apud LARAIA, 2001 p. 17) “[

]

]”.

medida em que é entendida como “[

diversidade de todos e não uma educação para os ‘culturalmente diferentes’.”.

Então, a diversidade cultural é representada através da culturalidade, a qual pressupõe um olhar sobre o indivíduo inserido na cultura. Nesse sentido, existem duas definições de cultura assumidas por PRETCEILLE (1999, p. 48 apud GONÇALVES, 2006), que se convergem na

noção de culturalidade: “[

uma ontológica, que permite ao ser humano

uma proposta de educação para e na

]

]

significar-se a si mesmo e aos outros; outra instrumental, que facilita a adaptação aos meios ambientes novos, produzindo comportamentos e atitudes

[ ]”

troca de aprendizagem, na comunicação e nas relações humanas, portanto, a culturalidade se entende preferencialmente na diversidade cultural. A diversidade cultural presente nas sociedades contemporâneas assume

e, é na interação e adaptação com o meio que ocorre a reciprocidade e a

a noção de cultura entendida “[

]

como movimento, dinâmica e processo de

interação simbólica de sujeitos [

]”

(GONÇALVES, 2006, p. 114), os quais são

produtores e portadores de cultura. Essa dinâmica intercultural alcança uma proposta de educação e formação humana, a qual esclarece a cultura não

apenas no significado do termo, mas na representatividade para cada indivíduo. (idem, p. 115). Diante dessa concepção de cultura, faz-se pertinente retomar ao conceito de corpo para atingir uma discussão acerca da Educação Física no que diz respeito a linha de pesquisa da Cultura Corporal. Assim:

corpo é expressão da cultura, portanto cada cultura vai se expressar

por meio de diferentes corpos, porque se expressa diferentemente como cultura. (Kofes, 1985 apud DAÓLIO, 1995).

Valores, normas e costumes sociais são assimilados num processo de incorporação (idem, 1995), ou seja, o homem aprende a cultura por meio do seu corpo. Não basta saber que os corpos se expressam de maneiras diferentes porque representam culturas distintas. Existem símbolos culturais (valores, princípios e normas) representados nos corpos que precisam ser compreendidos, pois é através destes símbolos que os corpos se manisfestam

de determinada forma. É a partir das manifestações corporais e culturais que há

a possiblidade de compreender a cultura corporal e culturalidade alicerçada no

olhar antropológico direcionado a Educação Física. No período aristocrático, as manifestações corporais e culturais se originavam de relações cotidianas de festas populares, espetáculos de circos e de rua como passatempo. Nessas práticas corporais – lúdicas e de lazer – se faziam presentes a disciplina e o autoconhecimento corporal, porém, no século

XIX essas práticas se restringiram ao aspecto utilitário sob a ótica evolucionista

e mecanicista e sob a pressuposição científica, técnica e política, em que a preservação da saúde, força e caráter se baseavam nos fundamentos da anatomia e fisiologia. Tal processo reduzia a concepção de ser humano no âmbito físico e natural e desconsiderava os aspectos sociais, culturais, ideológicos e afetivos, o que caracterizava a dicotomia corpo-alma (COSTA,

2003).

No entanto, no momento atual, as expressões corporais/culturais são

( )

tratadas numa dimensão antropológica, isto é, “[

um ser biologicamente cultural, o que implica o fato de que toda expressão e produção humana se dá a partir de um contexto cultural.” (COSTA, 2003, p.1). A educação física assume o novo paradigma de entender as práticas corporais

enfocam o ser humano como

]

como representações recodificadas ao longo do tempo, as quais expressam diversos contextos da cultura humana, constituindo a cultura corporal. Nesse sentido, é significativa a idéia de culturalidade através de comportamentos e atitudes do ser humano numa dinâmica relacional, na medida em que facilita o conhecimento de processos culturais e elementos educacionais e de esporte (GONÇALVES, 2006 p.114). Esporte esse, trabalhado pela educação física como fruto de um longo processo histórico, social e cultural (DAÓLIO, 2004). Seguindo nessa análise, DAÓLIO (2004 apud COLETIVO DE AUTORES, 1992) sob uma abordagem crítico-superadora

inspirada no materialismo histórico-dialético de Karl Marx, compreende a cultura

corporal como objeto de estudo da educação física. Então, “[

as várias

manifestações corporais humanas, em vez de serem tomadas como conteúdos

tradicionais estanques da área [

devem ser vistas como construções

históricas da humanidade”. (DAÓLIO, 2004, p. 22). Assim, a cultura corporal é entendida como área de conhecimento constituída a partir de atividades corporais – jogos, brincadeiras, dança ginástica, lutas, esporte e outras – edificadas historicamente ao longo da existência humana, assim como os símbolos do andar, da postura, das técnicas esportivas são como os símbolos religiosos ou morais que podem ser sistematizadas ou não e passadas de geração para geração (TAFFAREL, 2005, p. 19).

TAFFAREL (2005) dialoga sobre a cultura corporal como fruto do

desenvolvimento do homem, pois a cultura é produto da relação do homem com a natureza, consigo e seus semelhantes e, portanto, construída social e historicamente pela humanidade. E ainda, defende que a origem dos conteúdos da educação física é materializada na forma de atividade prática do homem –

das relações múltiplas

criativas ou imitativas – no sentido da práxis humana, “[

de experiências ideológicas, políticas, filosóficas e outras, subordinadas às leis histórico-sociais.” (TAFFAREL, 2005, p. 27). Diante disso, MARX (1985 apud TAFFAREL, 2005, p. 19) identifica o

modo de produção capitalista e assume o trabalho como mediador da construção da cultura de um povo com dois aspectos: fundamental para a

]

],

]

constituição do ser humano e alienante “[

]

dentro do ordenamento da produção

através da propriedade privada dos meios de produção.” 13 .

às relações da produção

econômica, conferindo a ela algumas particularidades que serão determinadas

pelas relações do homem com o meio em que vive.” (TAFFAREL, 2005, p. 20).

As relações do homem com o meio em que vive possibilitam a construção e transformação do próprio homem e da natureza. Ao incluir os meios de produção, a política, a cultura e a ciência, por exemplo, essas relações podem ser entendidas como relações sociais, da qual a cultura corporal faz parte, pois é a partir da interação entre indivíduos que o homem se percebe enquanto corpo,

o qual se distingue dentre outros e, em conseqüência se expressa

diferentemente como cultura. Dessa forma, a cultura corporal possibilita a compreensão do processo

de construção do conhecimento historicamente determinada pela relação que o

homem constrói sob o aspecto de produção de sua existência (TAFFAREL, 2005, p. 21). De acordo com DAÓLIO (2004, p. 22 apud COLETIVO DE AUTORES, 1992, p. 40) a cultura corporal:

Portanto, a cultura corporal está submetida “[

]

( )

solidariedade substituindo individualismo, cooperação confrontando a

disputa, distribuição em confronto com apropriação, sobretudo enfatizando a liberdade de expressão dos movimentos -a emancipação - , negando a dominação e submissão do homem pelo homem.

desenvolve uma reflexão pedagógica sobre valores como

Portanto, surge a necessidade de compreender o homem enquanto ser humano e sua formação. Sendo assim, o primeiro ato histórico que difere os indivíduos vivos dos animais não é apenas o pensar, mas também o de produzir

pela sua organização

seus meios de vida, os quais são determinados “[

corporal, o que depende da natureza, dos meios de vida já encontrados e que tem que reproduzir (MARX ,1999, p. 27 apud TAFFAREL, 2005, p. 24).

]

2.2. SOBRE FORMAÇÃO HUMANA

13 Para aprofundar a discussão sobre meios de produção e território referentes a cultura corporal e formação curricular de educação física, ver: Cultura corporal e território: uma contribuição ao debate sobre reconceptualização curricular. Disponível em:<

O processo de formação humana se compreende através das relações do ser humano com a natureza e com outros homens e mulheres, constiuindo

relações econômicas e sociais (RAMOS, 2006). O ser humano se configura como sujeito individual e social que, em sua particularidade, reúne em si “o

como uma

totalidade de exteriorização de vida humana.” (MARX, 1978 p.10 apud RAMOS, 2006 p. 12). RAMOS (2006) segue a análise afirmando que por meio das relações que o ser humano constitui:

modo de existência subjetivo da sociedade pensada e sentida [

]

a individualidade isolada amplia-se para uma individualidade

socialmente constituída, de modo que as subjetividades individuais – aquilo que se constitui como características próprias de cada indivíduo – constroem-se no âmbito de subjetividades sociais, como características humanas socialmente e historicamente determinadas. Esse é o processo de formação humana.

( )

Como espécie, os humanos são seres biológicos, mas o ato da formação

resulta de um ato intencional, que

transforma a criatura biológica em um novo ser, um ser de cultura.” (RODRIGUES, 2001). Além disso, a formação humana está vinculada a corporalidade, pois a primeira situação constatada na história da humanidade é a organização corporal dos indivíduos e suas relações entre eles e a natureza 14 . Partindo dessa premissa e entendendo a cultura corporal como parte integrante das relações sociais, é possível afirmar a existência de uma formação humana via esporte de periferia, o qual, aglutina culturalidade e expressão corporal quanto a sua prática e contexto social. Desse modo, faz-se necessário perpassar pela compreensão do desenvolvimento da humanidade enquanto formação de ser humano, histórica e

humana ultrapassa conceitos biológicos e “[

]

social. A construção histórica e social do homem se originou a partir das necessidades concretas e básicas como saltar, comer, correr, vestir-se. O homem começou a intervir na natureza e a se estabelecer em territórios,

14 “(

humanos vivos que, a partir de sua organização física, interagem com a natureza pela atividade prática; e o primeiro ato histórico, a produção dos meios para satisfazer as necessidades humanas como condição sine qua non para que os homens possam “fazer a história”.”

(TAFFAREL, 2007, p. 4).

premissas da concepção materialista da História, quais sejam: a existência de indivíduos

)

expandindo a ocupação do planeta (TAFFAREL; ESCOBAR, 2006 apud TAFFAREL, 2007). Concomitante a esse processo de construção histórica e social do homem

e ocupação de território ocorreu as apropriações privadas e conseqüentemente

a organização da sociedade em classes e a divisão social do trabalho, o que

fragmentou e alienou o homem. A alternativa para modificar esse processo seria

a formação do homem omnilateral, a qual considera o ser humano como uma

totalidade de matéria e cultura 15 . Outra opção seria a compreensão da consciência humana como produto social, ou seja, a formação do ser humano

por meio das interações sociais passadas de geração a geração constrói historicamente um ser consciente e, ao considerar que o homem possui consciência como um produto social (MARX e ENGELS, 1979, p. 56 apud LORIERI et al, 2007, p. 6). Sob a ótica de SEVERINO (2002, p. 185 apud LORIERI et al, p. 7) a formação humana:

( )

nos formamos quando nós nos damos conta do sentido de nossa existência, quando tomamos consciência do que viemos fazer no

planeta, do porque vivemos”. (

dimensão subjetiva que exige o desenvolvimento de sensibilidades que a constituem: a sensibilidade epistêmica, a sensibilidade aos valores morais (consciência ética), a sensibilidade aos valores estéticos (consciência estética) e a sensibilidade aos valores políticos (consciência social).

tomada de consciência denominada de

é o desenvolvimento das pessoas como “pessoas humanas”: “Nós

)

De acordo com MARX (1996 apud TAFFAREL, S.d), as condições de

existência são sustentadas pela História, a qual possui o critério de teoria e prática, pautado em categorias como população, classe, capital e trabalho com mediações reais, ou ainda, com a transformação do concreto, ou seja, de fatos.

Assim, “[

o homem se forma à medida que se apropria de ferramentas de

análise, ao passo em que apreende o movimento do real pelo pensamento,

tornando-se ‘concreto pensado’ [

]

]”

16 (TAFFAREL, S.d, p. 5).

15 Sobre isso TAFFAREL (2007, p. 2) comenta: “ao nos referirmos à formação humana utilizamos a referência de Manacorda (1991, p. 81), onde desenvolvimento da formação humana omnilateral deve ser entendida como “o chegar histórico do homem a uma totalidade de capacidades e, ao mesmo tempo, a uma totalidade de capacidades de consumo e gozo, em que se deve considerar sobretudo o usufruir dos bens espirituais (plano cultural e intelectual), além dos materiais.” 16 Para Marx (2000, p. 1) “os homens fazem a sua própria história, mas não a fazem como querem, não a fazem sob condições escolhidas por ele, mas pelas condições legadas pelo

O contexto de teoria e prática implica na via central de formação dos homens: o processo de educação, o qual para MARX e ENGELS (1992 apud idem) se projeta em três vértices: ontológico 17 , social e político. No plano ontológico, a educação se deve orientar no trabalho e na produção material, buscando o desenvolvimento integral do homem. No âmbito social, deve constituir uma relação dinâmica entre a Escola e a sociedade. Por fim, no plano político, a educação deve ser pública e gratuita com o Estado restringido ao financiamento e não ao controle do ensino. Nessa análise, MOGILKA (2006) defende a concepção de sujeito baseado na pedagogia humanista através de três campos da formação humana – cognitivo, afetivo, político – nas condições sociais vividas no Brasil – divisão de classes, desigualdades sociais, problemática da educação 18 . Sendo assim, as condições sociais são intimamente relacionadas com o processo de formação humana na medida em que revela a vivência subjetiva indissociável das circunstâncias histórico-sociais bem como da constituição do sujeito numa relação de pessoa para pessoa (MORIN, 2005, p. 78 apud LORIERI et al, 2007, p. 8).

Nesse sentido o convívio e o contato são permeados pela cultura, constituindo o indivíduo através da tradição, da linguagem oral e corporal. MORIN, idem) ainda acrescenta afirmando que as atividades biológicas mais elementares como comer, dormir, correr, pular, beber são interligadas com os valores e símbolos, ou seja, características culturais. O sentido da cultura na formação humana pode ser entendido a partir dos significados do próprio verbo formar: constituir, instruir, educar, criar, fundar, desenvolver. Assim, no caso de seres humanos pensa-se em dar uma forma no conjunto das relações humanas e, portanto um processo de vir a ser humano, cujo agente só pode ser o próprio sujeito. (SEVERINO, 2006, p. 2 apud LORIERI, p. 9).

aponta limites à ação dos homens, não determinações e impossibilidades

de movimento. Segundo Saviani (2004, p. 26), a forma dialética de pensar implica em apreender que as circunstâncias determinam o homem ao tempo em que são determinadas por ele.” TAFFAREL, 2007, p. 5).

passado”. “(

)Marx

17 A ontologia parte da filosofia que trata ser enquanto ser, do ser concebido como tendo uma natureza comum e inerente a todos e a cada um dos seres. (HOUAISS, 2001). 18 Para aprofundar a noção básica da educação no Brasil. Ver: os desafios da educação no

(SCHWARTZMAN, 2004). Disponível em:<

Brasil

A partir disso, é possível refletir sobre formas diferenciadas de processos

educativos, isto é, de formação de sujeitos autônomos não somente na relação pedagógica pessoal e escolar, mas também no âmbito da relação social coletiva. E ainda, a partir das relações sociais, o processo formativo assume o sentido de fazer-se e construir-se no que diz respeito a dois papéis da cultura na formação

humana: “[

papel de indicadora e possibilitadora de trilhas ou de trampolim de humanização.”. (DI GIORGI, 1980 apud, LORIERI et al, p. 12). Com a intenção de facilitar a compreensão do sentido da cultura na formação humana, DI GIORGI (1980, p. 75 apud idem, p. 13) utiliza a metáfora do banho:

e o

]

o papel de ‘conformação’ ou de estabelecedora de limites, (

)

Mais importante talvez que o primeiro banho de água, foi o banho que o tornou Homem, isto é, o banho no universo do símbolo. Isto é, o banho da cultura, e de que nós permanecemos perpetuamente úmidos, que toalha nenhuma enxuga, e se enxugados reverteríamos à mera biologia que nos anularia como seres humanos. Isto é, nós somos seres humanos porque fomos banhados pela cultura.

Sendo assim, existe uma concepção simbólica de cultura que faz parte da formação do sujeito. Logo, existem também significações simbólicas de cultura, as quais permitem produzir interpretações sobre as ações humanas como meio de expressão corporal e comunicação entre indivíduos e, tal processo se alarga

no plano esportivo, fazendo com que “[

aos signos sociais representados pelas condutas e comportamentos dos integrantes dos diversos segmentos do esporte.” (PIRES 2005, p. 2). Diante da breve compreensão de cultura e de corpo realizada neste capítulo e considerando as análises sobre o esporte como fenômeno heterogêneo no contexto contemporâneo no capítulo anterior, pode-se tentar uma aproximação com esses temas para construir preliminarmente um conceito de cultura esportiva (PIRES, 2000 - 2005). O conceito de cultura esportiva se anuncia em suma como:

sejam atribuídos sentidos simbólicos

]

O conjunto de ações, valores e compreensões que representam o modo predominante de ser/estar na sociedade globalizada, em relação ao seu âmbito esportivo, cujos significados são simbolicamente incorporados através, principalmente, da mediação feita pela indústria da comunicação de massa. (PIRES, 2000, p.15).

Tal conceito elucida as compreensões que representam o modo de ser/estar na sociedade globalizada, as quais implicam na formação humana através de símbolos e por meio da Indústria de maior representatividade no cotidiano de quem a consome, a Indústria Cultural de massa. Indústria essa, que transmite e “vende” o esporte através de seus meios de comunicação. Essas implicações se refletem no corpo do homem, no sentido global, ou seja, nas expressões corporais, na linguagem e nas manifestações culturais. Assim:

Refletir sobre a formação humana significa admitir que, para cada ser humano existe um percurso singular. Pelas diferenças e nas diferenças deflagra-se tudo aquilo que é particular, que se revela na expressão de linguagens também pertinentes a cada sujeito: verbal, visual, corporal, musical, dentre outras. (FREITAS, 2007).

Nesse sentido, existe uma particularidade na formação humana de cada indivíduo sujeita a uma análise antropológica através do princípio da alteridade. Portanto, existe uma individualidade do homem que é caracterizada por um conjunto de atividades, as quais definem a vida cotidiana de cada ser humano. A definição do que é cotidiano para HELLER (1982 apud FERRAZ, 2002-2003) está naquilo que é espontâneo e natural. A formação humana se relaciona diretamente com as atividades cotidianas. Dessa forma, ainda nessa análise, FERRAZ (2002-2003, p. 122) diz que HELLER (1970) considera:

( )

que o homem na sua cotidianidade manifesta todos os aspectos de

sua individualidade e de sua personalidade. Colocam-se “em funcionamento” todos os seus sentidos, todas as suas capacidades intelectuais, suas habilidades manipulativas, seus sentimentos, paixões,

idéias e ideologias. O homem, na sua vida cotidiana, é atuante e fluidor,

ativo e receptivo (

).

Para FERRAZ (2002-2003), além da espontaneidade, existem outras

características da vida cotidiana, dentre elas está a imitação que FERNANDES

(s.d, p.1) conceitua como sendo “[

indivíduo age sob a influência do outro, porém, assimila o saber conforme o nível de desenvolvimento em que se encontra, permitindo que o ser humano entre em

contato com a cultura existente [

Nesse contexto, a presente pesquisa analisa uma formação humana influenciada via esporte de periferia, o qual, de acordo com os temas elucidados

uma atividade intelectual em que o

]

]”,

fazendo parte assim, da formação humana.

anteriormente – origem das “peladas”, formação socioespacial da periferia, mídia, cultura corporal e formação humana – sofre alterações de significado. Essas modificações podem ser compreendidas através do comportamento dos indivíduos baseados na imitação (GOLDENBERG, 2006) por influência da mídia em localidades periféricas (BETTI, 1997), pelo contexto socioespacial inserido na periferia brasileira contemporânea (SANTOS, 2005) e pelo teor cultural do esporte como fenômeno heterogêneo, especificamente o futebol (WISNIK, 2008). Tais considerações compõem o processo de formação humana analisado como pesquisa no âmbito da cultura corporal com os “peladeiros” do time Boca Juniors Tenoné, no Clube Tenoné, descrito no próximo capítulo.

Capítulo 3. AS “PELADAS” COMO ESPORTE DE PERIFERIA NO BAIRRO DO TENONÉ.

3.1. A PERIFERIA DO TENONÉ E AS “PELADAS”

O bairro do Tenoné pertence a Icoaraci 19 – distrito de Belém. Havia uma estrada de ferro – Estrada de Ferro de Bragança – que ligava Icoaraci a Belém e, o Tenoné era uma das principais estações. Na década de 1930 a 1960, o Tenoné era um bairro predominantemente rural, com chácaras, sítios e poucas casas de moradores, onde não havia energia elétrica. O futebol se fazia muito presente já em 1930, quando foi fundado, em meio a área rural, o Clube Tenoné. Esse clube era um dos times existentes no bairro, os quais realizavam torneios suburbanos entre si. O Clube Tenoné possui sua sede na Rua Alacid Nunes, próximo a Rodovia Augusto Montenegro e, contém um pequeno galpão e um campo de futebol, ambos atualmente com estrutura física precária.

futebol, ambos atualmente com estrutura física precária. Foto 4: Sede do Clube Tenoné (ano 2009). Crédito:

Foto 4: Sede do Clube Tenoné (ano 2009). Crédito: Alice Maneschy.

19 Para mais informações sobre Icoaraci, ver:< http://pt.wikipedia.org/wiki/Icoaraci>

Foto 5: Sede do Clube Tenoné (ano 2009). Crédito: Alice Maneschy. Na década de 1960,

Foto 5: Sede do Clube Tenoné (ano 2009). Crédito: Alice Maneschy.

Na década de 1960, no governo do presidente JK (Juscelino Kubitschek) com o chamado Plano de Metas, o qual objetivava investir fortemente nas áreas de alimentação, indústria de base, educação, energia e transporte, foi criada a rodovia Belém-Brasília, o que favoreceu o crescimento demográfico de Belém e regiões próximas com novos núcleos urbanos e intenso fluxo migratório (SANTOS, 2005). Nesse contexto, o bairro do Tenoné foi se caracterizando como periferia, no sentido urbano/social e não apenas geográfico 20 . No mandato do governador do Pará Alacid Nunes (1966 – 1971), foram feitas instalações elétricas no Tenoné e a principal rua do bairro foi asfaltada, a qual foi denominada com o próprio nome do governador. Alguns antigos moradores participaram de construções de casas, lugares públicos e condomínios financiados por construtoras ou famílias de classe alta, e mais ainda, trabalharam na retirada dos trilhos da Estrada de Ferro, existente até meados da década de 1960 e na construção de ruas de acesso ao bairro, mas atualmente esses moradores continuam morando em casas de locais sujeito a inundação – áreas ainda

20 Ver o Capítulo 1 desta tese no item que aborda a formação socioespacial da periferia.

comuns nesse bairro pela característica do solo, enquanto tais construções feitas são usufruídas hoje apenas pelos financiadores 21 . Na década de 1980, aumentaram as condições de acesso ao bairro com instalação de linhas rodoviárias de itinerários por dentro do bairro e, nessa mesma década começaram a ser construídos condomínios verticais, bem com a chegada de alguns importantes órgãos governamentais, o que atualmente vem ampliando a importância do bairro e dinamizando o seu comércio. A partir disso, mais terrenos no bairro passaram a ser ocupados, mas a maioria de forma desordenada e sem saneamento, configurando as chamadas áreas de invasão. Esse fato define uma paisagem cadê vez mais urbana.

Nas imediações do bairro, estão o Palácio dos Despachos do Estado do Pará, a Secretaria de Educação do Estado do Pará - SEDUC, o Centro de Processamento de Dados do Governo do Pará - PRODEPA, e o Centro Operacional das Centrais Elétricas do Pará - CELPA. O bairro também abriga o único campo de golfe da cidade de Belém, mantido pela comunidade nipônica, o Clube Recreativo Português também mantém uma extensa área verde em sua sede no bairro, a Ordem dos Advogados do Brasil - OAB, é outra associação a ter no bairro do Tenoné a sua Sede Social. 22

Concomitante ao processo de crescimento e urbanização do bairro, as “peladas” continuam sendo praticadas como uma atividade corriqueira, mas recebendo reflexos da nova configuração do espaço e do meio em que são realizadas até os dias atuais, esses, referentes ao meio técnico-científico- informacional. A pesquisa de campo do presente trabalho deu-se no Bairro do Tenoné, especificamente no campo do Clube Tenoné na Av. Alacide Nunes nº 1, onde é realizado uma atividade social – sem financiamentos – com garotos de 10 a 20 anos de idade. A atividade dá-se da seguinte forma: o Clube Tenoné cede o campo de futebol para o treinador do time “Boca Juniors Tenoné” realizar treinos de futebol três vezes por semana – terças, quintas e sextas-feiras – a partir de 14hs, com garotos moradores ou não do bairro dentro da faixa etária citada. As equipes formadas participam de campeonatos suburbanos, dentre eles a Copa da Juventude – transmitida pela RBA.

21 Informação obtida através de observações do local e do relato de Nego Santos, morador desde 1947 do bairro.

Nesse contexto, a prática das “peladas” assume um papel importante na formação de ser humano desses “peladeiros”, os quais fazem dessa atividade, algo cotidiano quando participam regularmente dos treinos e almejam se profissionalizar no futebol. Diante disso, a presente pesquisa – baseada na Cultura Corporal como linha de estudo da Educação Física – objetivou compreender a relação da cultura corporal e culturalidade com a formação do ser humano através da prática das “peladas” como esporte de periferia do Tenoné. A amostra foi constiuída por 11 sujeitos do sexo masculino, com idade de 12 a 15 anos –

classe social baixa, freqüentam entre 5ª e 8ª séries do ensino fundamental , os quais praticavam a “pelada” a partir de 14:00hs no local da pesquisa, e eram integrantes das equipes sub-13 e/ou sub-15 do “Boca Juniors Tenoné”. Um roteiro de entrevista foi elaborado após as primeiras observações para a coleta de dados realizada in loco com enfoque na problemática da pesquisa 23 , voltado para a realidade social e para a análise da relação do esporte de periferia na formação humana. materiais utilizados para a coleta de dados da análise foram:

gravador de voz, câmera fotográfica, bloco de anotações, caneta, pastas e grampeador. A pesquisa teve caráter qualitativo, observacional e utilizou recursos de entrevistas com os 11 “peladeiros” de um total de aproximadamente 30 jogadores que compõem as equipes do sub-13 e sub-15 e realizou um registro fotográfico do local e da prática da atividade. Além disso, considerou a

etnometodologia, a qual possui como objeto de estudo “[

intersubjetivamente construídos que as pessoas na sua cotidianidade empregam

para compreender e edificar suas realidades.” (GARFINKEL apud MACEDO,

os procedimentos

]

2006).

A pesquisa de campo foi desenvolvida do período de 16 a 30 de abril de 2009, no campo do Clube Tenoné, Belém – PA com 7 sessões (dias) de observação e 3 horas por dia. Inicialmente, foi realizado um contato com pedido de autorização para os responsáveis dos sujeitos investigados. Antes de submeter cada sujeito à

23 De que forma as prática das “peladas” como esporte de periferia do Tenoné influencia na formação humana através do corpo e da culturalidade?

análise, foram colhidas as assinaturas dos sujeitos e dos responsáveis, com um

termo de consentimento livre e esclarecido informando aos sujeitos investigados dados acerca da relevância da pesquisa, seus objetivos e metodologia com a garantia de anonimato, isenção de qualquer dano, bem como uso dos dados somente para fins científicos. Conforme preconiza a Resolução 196/96 CNS/MS. A coleta de dados foi realizada de acordo com Chizzotti (2006) e sua obra: Pesquisa em ciências humanas e sociais. Esta aborda a pesquisa qualitativa partindo do fundamento da existência de uma relação dinâmica entre

o sujeito e o objeto, afirmando que esse objeto possui “[

relações que sujeitos concretos criam em suas ações.”. A primeira sessão foi realizada no dia 16 de abril (quinta-feira). As observações conservaram a discrição do observador e os objetivos da pesquisa a fim de experienciar e compreender a dinâmica entre os “peladeiros” e a “pelada” praticada, descrevendo as ações no contexto natural em que acontecem. Um registro fotográfico foi realizado no local de análise com fins científicos e com autorização dos sujeitos e moradores da proximidade garantindo a privacidade de cada um. As entrevistas foram realizadas aos sujeitos da pesquisa em dias aleatórios com o intuito de colher informações cotidianas fidedignas do contexto em que eles se inserem, considerando o esporte de periferia, a eventual influência da mídia e a culturalidade e, revelando singularidade e historicidade dos atos. As entrevistas aplicadas e a observação realizada tiveram seus dados coletados a partir das interações verbais e não- verbais e da compreensão do contexto, conduzindo a pesquisa para a possível elucidação do problema e/ou confirmação das hipóteses 24 . Os dados são, aqui apresentados, de forma descritiva de acordo com as entrevistas e observações realizadas. A partir desse momento do texto farei uso da linguagem na primeira pessoa do singular, me enfatizando como autora do trabalho para possibilitar uma maior aproximação do leitor a minha pesquisa, pois iniciarei a fase de descrição e análises da pesquisa em si relacionada com os temas já discorridos.

significados e

]

24 As práticas das “peladas” como esporte de periferia do Tenoné influencia na formação humana através do corpo e da culturalidade e, o “futebol da mídia” influencia na prática atual das “peladas” como esporte de periferia do Tenoné.

No primeiro contato com o local da pesquisa, o ambiente físico foi o que mais me chamou a atenção por confirmar a relação do jogo de futebol amador com o ambiente em que comumente é praticado. As “peladas”, as quais fazem referência ao futebol amador são geralmente jogadas em em qualquer hora e lugar como ruas, terreno baldio, quadras, ginásios, sem regras oficiais. Isso se confirma no terreno do Clube Tenoné, onde o time Boca Juniors treina, pois nessa área o campo de futebol – se assim puder ser considerado – quase não possui gramado e as delimitações da área de jogo são demarcadas por estacas fincadas ao solo e por muros que cercam o terreno. Nesse campo é onde ocorre o treino – comandado pelo treinador Mailson – com os garotos do time, mas existe também um local – chamado por eles de “arena” ou caixa de areia – junto ao campo, onde os garotos “batem uma bola” após ou durante o intervalo do treino.

“batem uma bola” após ou durante o intervalo do treino. Foto 6: Campo do Clube Tenoné

Foto 6: Campo do Clube Tenoné (ano 2009). Crédito: Alice Maneschy.

Foto 7: “Arena” do Clube Tenoné (ano 2009). Crédito: Alice Maneschy. Essa área onde ocorre

Foto 7: “Arena” do Clube Tenoné (ano 2009). Crédito: Alice Maneschy.

Essa área onde ocorre o treino do Boca Juniors é um espaço de lazer da periferia do Tenoné garantido pelos próprios moradores do bairro, os quais o construíram e o mantém através de aluguel do campo ou apoio da comunidade próxima. O tabalho social realizado com os “peladeiros” também segue a mesma estrutura de permanência, ou seja, através da solidariedade de alguns [poucos] que cedem algum material, como os uniformes, ou o espaço, como o terreno do Clube Tenoné – cedido ao treinador para a realização de treinos. Essa condições retomam o processo de formação socioespacial da periferia, o qual com a urbanização em crescimento desordenado se refletiu na periferização e acirramento das desigualdades sociais. Essas inclusive, por constatação da observação, fazem parte diretamente do ambiente físico e social dos garotos pertencentes a equipe do Boca Juniors, pois se enraizam no cotidiano deles. Ao citar o cotidiano, descrevo aqui uma característica que pude notar com frequência no decorrer das observações. Há uma diferença de comportamento dos garotos entre o jogar no campo e o jogar na “arena”. Durante o tempo do treino no campo de futebol, os “peladeiros” seguem as orientações do treinador, realizando as atividades de maneira disciplinar obedecendo as regras propostas. Nota-se introsamento entre o grupo com expressões faciais de seriedade e movimentos corporais controlados, convergindo num interesse de melhorar a performance. Quando termina o treino das equipes sub-13 e sub-15, alguns

“peladeiros” dessas categorias ainda permanecem no Clube para “bater uma pelada” na “caixa de areia” e, nesse local o jogo é organizado pelos prórpios garotos, os quais sorriem diversas vezes e falam muito entre si. A respeito dessa diferença, não estou classificando como mais divertido ou mais prazeroso uma ou outra atividade, ao contrário, ambas são de aspectos lúdicos e se caracterizam como atividade de lazer 25 por fazerem parte do tempo disponível dos garotos que as praticam e, apesar da intencionalidade de aperfeiçoar a perfonmance no treino – interesse comum no esporte de alto rendimento –, os garotos não perdem a criatividade e liberdade de experessões, tão expostas no “bater a bola” deles. (WISNIK, 2008).

tão expostas no “bater a bola” deles. (WISNIK, 2008). Foto 8: “Arena” do Clube Tenoné (ano

Foto 8: “Arena” do Clube Tenoné (ano 2009). Crédito: Alice Maneschy.

O “bater uma bola” retoma a ideia de cotidianidade, pois é um dos elementos que compõem a vida cotidiana dos garotos do “Boca”, os quais

25 Lazer pode ser entendido como: “cultura vivenciada no tempo disponível das obrigações profissionais, escolares, familiares e sociais, combinando o aspecto tempo e atitude.”. Para aprofundar a compreensão de lazer, ver: MARCELLINO, Nelson Carvalho (org). Lazer e cultura. Campinas, SP: Alínea, 2007.

praticam regularmente as “peladas” no Clube Tenoné. Considero a partir disso, o esporte popular, especificamente o futebol, proporcionador de sociabilização e lazer (WISNIK, 2008), e se, a prática das “peladas” – como esporte popular de periferia – fazem parte do cotidiano dos garotos do time do “Boca Juniors”, então, esses vivenciam também uma sociabilização entre eles. Além disso, existe uma invididualidade de cada “peladeiro” inserida no conjundo de atividades cotidianas e portanto, inseridas na prática das “peladas”. Diante dessas considerações, faz-se pertinente compreender essas relações na ideia de cultura coporal e culturalidade, no sentido de expressões

culturais dos “peladeiros” – baseados no esporte e no cotidiano –, pois envolvem o meio social – historicamente construído – e a corporalidade – meio relacional entre os indivíduos. Esses, de acordo com análises antropológicas (MAUSS, 2003), se formam na relação entre si e o meio em que vivem como ser social e individual, considerando o aspecto socio-histórico de cada um. Dessa forma, as “peladas” se incluem no processo de formação humana na medida em que configuram a particularidade e a sociabilização dos garotos que a praticam.

A individualidade viabiliza a espontaneidade nos indivíduos no cotidiano,

fomando-os seres humanos, mas há também outras características da vida cotidiana que se incluem no processo de formação humana: o processo de

imitação, o qual FERNANDES (s.d, p.1) conceitua como sendo “[

uma

atividade intelectual em que o indivíduo age sob a influência do outro, porém, assimila o saber conforme o nível de desenvolvimento em que se encontra,

permitindo que o ser humano entre em contato com a cultura existente [

Nesse sentido, as “peladas” – como esporte de periferia – e os peladeiros no processo de imitação de corpos e performances de atletas, por exemplo, podem ser caracterizadas no contexto contemporâneo da mídia, a qual dita valores que descaracteriza a personificação do corpo do indivíduo, pois insere um caráter uniformizante. Mas diante das observações e entrevistas realizadas nesse trabalho, não há a afirmação de que a influência da mídia possui exclusivamente fatores maléficos.

A prática das “peladas” analisadas nessa pesquisa absorve todas essas

relações citadas anteriormente: os aspectos culturais, corporais, sociais e midiáticos, os quais convergem na formação humana via esporte de periferia.

]

]”.

Esses aspectos foram confirmados através das observações e das entrevistas analisadas no próximo ítem.

3.2. CORPO, CULTURA, MÍDIA, FUTEBOL E SER HUMANO PARA OS “PELADAEIROS” DO “BOCA JUNIORS TENONÉ”

As compreensões de corpo, cultura, mídia, futebol e ser humano estão diretamente relacionadas ao esporte de periferia praticado no Clube Tenoné pelo time “Boca Juniors”. Nesse momento faço uma retomada a alguns conceitos já dialogados nesse trabalho com o intuito de relacioná-los com o esporte de periferia. O corpo é uma totalidade do homem de acordo com a percepção com o mundo e, conotativamente armazena dados de maneira corpórea adquiridos pela vivência na sociedade, os quais se manifestam na forma histórica e cultural de, por exemplo, posturas, expressões e práticas esportivas (MAUSS, 1974 apud PAIM; STREY, 2004).

Corpo é movimeno.No futebol tem a ginga, que acho que é da cultura brasileira. No dibre, tu ginga pra um lado e vai pro outro. Fazem muito isso aqui!.

Nesse relado, o garoto conceitua o que é corpo para ele e relaciona com a cultura, no sentido de manifestações corporais ao que ele considera comum no meio em que vive. As manifestações do corpo entendidas como atividades humanas de modos de produção, fazer, ser, interagir e representar, produzem socialmente os símbolos que interpretam a maneira pela qual a vida social se desenvolve, constituindo uma noção de cultura ampliada (VALLE, 1982 apud MARCELLINO,

2007).

Nesse sentido, as expressões corporais dos “peladeiros” tanto individuais, quanto na interação com o grupo, refletem a culturalidade e o contexto social em que esses corpos [dos garotos] estão inseridos.

Periferia são bairros mal visto pelo pessoal bem sucedido. Aqui é

abandonado, mas eu gosto de morar aqui, da minha casa, da escola e

também gosto de jogar futebol aqui com meus amigos desde pequeno, isso é a minha cultura. E pra poder ficar mais perto aqui do campo.

A noção de cultura para esse garoto de 13 anos que fez o relato acima envolve o ambiente social em que ele vive – periferia e suas condições sociais –, a historicidade e cotidianidade do “jogar futebol”. Se para o garoto essa atividade é prazerosa e o acompanha no seu processo de desenvolvimento motor/corporal, então, o “jogar futebol desde pequeno” no meio social em que

ele se insere faz parte da cultura corporal desse garoto, pois esta, é parte integrante das relações sociais. E ainda, todo esse contexto integra o “peladeiro” na sua formação enquanto ser humano, na medida em que o processo de formação humana se compreende nas relações do homem com a natureza – o meio em que vive. Ainda analisando o relato do garoto de 13 anos, quando ele diz: “[

gosto de jogar futebol aqui com meus amigos desde pequeno [

que esse “jogar futebol” não se trata do futebol como esporte profissional e sim

da prática de “peladas” cotidianas como esporte de periferia. Seguindo essa análise, faz-se pertinente citar a popularidade do futebol e, consequentemente das” peladas”, pela facilidade e disseminação de sua prática por diversas classes sociais. Na história do futebol consta que na antiguidade existiam práticas de jogos com o pé, utilizando objetos esféricos. No Brasil, é inevitável falar de Charles Müller, pois muitos o consideram o precursor do futebol no país, visto que, quando Müller voltou da europa (século XIX) trouxe na bagagem, bolas, chuteiras e um conjunto de regras. O futebol foi primeiramente disseminado entre as elites como um moderno habito de lazer e só foi popularizado entre as classes mais baixas a partir da regulamentação desse esporte como profissão, ato feito no governo de Getúlio Vargas nos anos 1930. A partir dessas condições, o futebol se configurou um instrumento de ascenção social entre os praticantes e ativou o setor econômico e midiático, pois o futebol tornou-se o “futebol-espetáculo”, o esporte de massa. Atualmente, a mídia designada como um conjunto de meios de comunicação de massa ou de empresas que produzem e mercadorizam (PIRES, G. L. & HACK, C. 2004, apud HACK, 2005), divulga o futebol – esporte de maior

]”, fica implícito

]

popularidade mundial – e interfere na representatividade desse esporte para a população e consequentemente, influencia no cotidiano de muitos indivíduos que tem algum tipo de relação com o futebol na sua vida cotidiana. Portanto, a prática das “peladas” no Tenoné sofre influência da mídia, a qual é refletida no comportamento e nas expressões corporais dos “peladeiros”, visto que, essa prática é regular e faz parte do cotidiano desses garotos.

Na televisão e no youtube, que tem vídeo também, passa um monte de coisa que se a gente gosta, a gente imita. Tipo as novelas, o futebol.

É, eu vi um dia um vídeo que um amigo meu me mostrou o gol mais

bonito que eu já vi até agora e eu ainda não consegui fazer fazer amanhã no jogo. Ah, e eu gosto de vê o Kaka jogar!

vou tentar

Nesses relatos, dois garotos, um de 14 anos e outro de 15 respectivamente, abordam a influência da mídia em seus cotidianos e em suas expressões corporais quando tentam refazer num processo de imitação, valores, comportamentos ou atitudes vistas na televisão ou internet. Nesse sentido, a mídia impõe modelos de corpos uniformizantes, os quais influenciam indivíduos também no que diz respeito ao esporte, na expressão corporal e na busca de um estilo de vida padrão, na medida em que enaltece atletas de performance esportiva bem sucedidos, com status social e financeiro. Sobre o processo de imitação, Goldenberg (2006) analisa as afirmações de Marcel Mauss (1974):

é através da ‘imitação prestigiosa’ que os indivíduos de cada cultura

constroem seus corpos e comportamentos. Para Mauss, o conjunto de hábitos, costumes e tradições que caracterizam uma cultura também se refere ao corpo. Assim, há uma construção cultural do corpo, como uma valorização de certos atributos e comportamentos em detrimento de outros, fazendo com que haja um corpo típico para cada sociedade. Esse corpo, que pode variar de acordo com o contexto histórico e cultural, é adquirido pelos membros da sociedade por meio da ‘imitação prestigiosa’. Os indivíduos imitam atos, comportamentos e corpos que obtiveram êxito e que viram ser bem sucedidos.

( )

Portanto, a formação do sujeito enquanto ser humano, especificamente

os “peladeiros”, sofre influência da mídia nesse processo de imitação, o qual forma hábitos e costumes que caracterizam uma cultura refletida no corpo.

o gol mais bonito que eu já vi até agora e eu ainda não tentar fazer amanhã no jogo.”, torna possível a

Quando o garoto diz: “[

consegui fazer

]

vou

interpretação de que o garoto ainda não teve êxito, mas vai continuar buscando, ou seja, tornou-se algo cotidiano e estimulante. A estimulação através da mídia, das relações sociais do grupo entre si e com o treinador, o qual mantém uma relação de sociabilização e respeito com os “peladeiros”, tornou-se uma questão crucial na prática das “peladas” no Tenoné – região periférica –, pois alimenta os sonhos e objetivos de vida desses garotos.

Eu quero ser jogador de futebol porque gosto de jogar e porque eu quero ganhar dinheiro pra ajudar minha família, mas tem que ir pra time grande, fora daqui, porque aqui não dão valor.

A diferença dentro do esporte entre regiões valorizadas ou não, pode ser explicada no diálogo que TAFFAREL (2005) faz a respeito da centralidade do

território na cultura corporal, pois o esporte enquanto conteúdo da educação física e componente da cultura corporal pode ser identificado em suas

enquanto prática educativa, de lazer, de competição, de nas diferentes regiões do Brasil.

manifestações “[

espetáculo [

]

]”

A região concentrada (São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Espírito Santo, Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul) como o próprio nome diz, apresenta as condições mais adequadas para o desenvolvimento das práticas corporais e esportivas, condições essas de infra-estrutura, de profissionais, e de condições de financiamento. (TAFFAREL, 2005, p. 26)

Sobre essa diferença de regiões, as condições de financiamento e infra- estrutura são ainda maiores nos times da Europa, os quais exportam jogadores brasileiros com freqüência. Esse comércio [lucrativo] se concretiza entre os times, empresas e o empresário dos jogadores selecionados, alimentando-os dos seus sonhos de fama e fortuna. Nesse contexto, o futebol-espetáculo por influência da mídia pode não ser benéfico para os jovens garotos se não houver um comprometimento por parte dos profissionais envolvidos com a formação de ser humano.

Nós somos responsáveis por nós mesmos.

Pra ser bom jogador, tem que ir pra escola, respeitar os colegas, respeitar a família pra ser respeitado.

Diante disso, baseada nas observações e entrevistas realizadas na pesquisa, pude constatar uma relação de benefícios entre as “peladas” do Tenoné, o esporte de periferia – futebol – a cultura corporal e a mídia com a formação humana, pois apesar da estrutura física precária, existe um ambiente social proveitoso para os garotos do “Boca Juniors” por conta do comprometimento do treinador e da sociabilização inserida. É nessa condição que o “Boca Juniors Tenoné” coleciona títulos de campeonatos suburbanos há aproximadamente 7 anos, como o da Copa da Juventude – transmitida pela RBA – e, ajuda na formação de sujeito dos garotos. Essa constatação foi evidenciada durante a observação da final do Campeonato Suburbano (abril de 2009), a qual o “Boca Juniors Tenoné”, na categoria sub-13, conseguiu mais um título de campeão. Nessa observação ficou evidente a união do grupo desde a chegada do time no local do jogo até a comemoração final.

chegada do time no local do jogo até a comemoração final. Foto 9: Campeonato Suburbano no

Foto 9: Campeonato Suburbano no CEJU – Centro esportivo da juventude. (ano 2009). Crédito: Coord. Campeonato Suburbano.

Portanto, em relação aos sujeitos da pesquisa, foi possível concluir que a mídia uniformiza e dita valores e comportamentos que descaracterizam o ser humano enquanto ser individual, mas ao mesmo tempo em que ocorre uma

espécie de camuflagem na formação humana de consciência ética, estética e

social, também instiga o indivíduo a querer se tornar um ser humano – jogador

de futebol ou não – de êxito e de caráter.

O futebol é um esporte popular com dimensões criativas e livres presentes no jogo e proporciona liberdade de movimentos corporais, os quais se refletem no comportamento diário, ou seja, na capacidade de ter atitudes na vida cotidiana que favoreçam a liberdade e criatividade de expressão de cada indivíduo, tornando-o consciente de suas ações. Os “peladeiros” se estimulam com as informações e transmissões dos meios de comunicação em relação ao futebol e seus ídolos expostos na mídia. A influência midiática nas práticas das “peladas” do Tenoné pode não ser prejudicial se houver como principal objetivo a formação do sujeito, pontuando a importância das manifestações corporais/culturais de indivíduo integral e consciente, e ainda, indivíduos com capacidade de decisão. Diante dessa análise, a educação física se relaciona com a prática das “peladas” do Tenoné, na medida em que possui como um de seus conteúdos, o esporte e, como linha de pesquisa, a cultura corporal, diretamente ligados ao futebol e sua popularidade na identidade cultural brasileira e ao contexto social presente na periferia. Assim, pode proporcionar estudos com embasamento teórico nessa área, visando contribuir para a formação do sujeito na prática em si.

Além disso, faz-se necessário o apoio a projetos sociais como o trabalho realizado no Tenoné de maneira responsável, eficaz e multidisciplinar, ou seja, com uma equipe de profissionais nas áreas de Educação Física, Pedagogia,

Nutrição, Psicologia e Serviço Social, por exemplo, para contribuir e aprofundar

o desenvolvimento enquanto ser humano dos jovens da periferia e,

especificamente nas práticas das “peladas” por ser tão popular e histórica no Brasil.

CONSIDERAÇÕES FINAIS

No decorrer da pesquisa que deu origem ao presente trabalho por meio de uma sustentação teórica e um olhar diferenciado da Educação Física, buscou-se como objetivo geral compreender a relação da cultura corporal e culturalidade com a formação do ser humano através da prática das “peladas” como esporte de periferia do Tenoné. O embasamento teórico perpassou pela origem das “peladas”, a formação socioespacial da periferia, a relação da mídia com o esporte de periferia e por um diálogo sobre o corpo, a cultura e a formação humana. Diante desses assuntos pertinentes para a composição do trabalho, foi possível realizar uma pesquisa de campo baseada em observações e entrevistas que resultou numa contribuição acadêmica, no que diz respeito a linha de pesquisa da cultura corporal na Educação Física. A cultura corporal sustentou a compreensão da formação humana pela via do esporte de periferia. Nas análises da pesquisa, a prática das “peladas” foi considerada parte integrante da formação dos sujeitos que a praticam. Essa consideração partiu da relação de expressões culturais e corporais quanto a popularidade das “peladas” e ainda, quanto a cotidianidade de suas práticas. Além disso, foi dialogado o papel da mídia nessa prática. A mídia através dos meios de comunicação de massa, expõe diariamente modelos de corpos bem sucedidos com valores e princípios ditados, os quais descaracterizam a personificação do sujeito, mas em relação as “peladas” do tenoné, esse fato não parece prejudicial aos “peladeiros”, pois o principal objetivo dessas “peladas” [ainda] é a formação do ser humano, ou seja, a relação dos indivíduos entre si e com o meio em que vive. Essa afirmação foi baseada na sociabilização existente na prática das “peladas”. A sociabilização – relação dos “peladeiros” entre si, com o treinador e o espaço físico-social – foi um ponto crucial nessa análise, pois possibilitou a percepção das manifestações corporais de maneira lúdica, bem como a percepção da influência da mídia numa perspectiva de estimulação para os “peladeiros”. Portanto, a compreensão da formação humana pela via das “peladas” do bairro do Tenoné depende do ambiente social em que o sujeito vive e da cultura

corporal em que se manifesta, ou seja, no caso específico dos sujeitos analisados, o ambiente social foi favorável – apesar das condições físicas

precárias – e as manifestações corporais/culturais se adaptaram ao contexto contemporâneo do “futebol da mídia”, mas não perderam o fator da capacidade

– individual e grupal – criativa e consciente.

Por fim, a presente pesquisa pretendeu fomentar o conhecimento na área da Educação Física, no sentido de compreender a formação do ser humano de forma diferenciada, mas fica evidente a necessidade de ampliar e aprofundar as análises para de alguma forma contribuir na atuação de trabalhos sociais como

o que despertou interesse nessa pesquisa.

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APÊNDICES

Apêndice (a)

TERMO DE CONSENTIMENTO LIVRE E ESCLARECIDO-TCLE

TERMO DE CONSENTIMENTO LIVRE E ESCLARECIDO.

TÍTULO DA PESQUISA: POR ENTRE PELADAS, CORPOS E CULTURALIDADE: a formação humana pela via do esporte de periferia do Tenoné.

ESCLARECIMENTO DA PESQUISA

A pesquisa citada é um estudo de TCC (Tese de Conclusão de Curso) do

tipo qualitativo e observacional, desenvolvido como pré-requisito para obtenção

do título de Graduação no Curso de Licenciatura Plena em Educação Física da

UEPA (Universidade do Estado do Pará) e tem como objetivo compreender a relação da cultura corporal e culturalidade com a formação do ser humano (como o ser humano é constituído) através da prática das “peladas” como esporte de periferia do Tenoné. Para se incluir na pesquisa, o sujeito deverá praticar a “pelada” no bairro do Tenoné a partir de 14:00hs, ter entre 12 e 15

anos de idade, ser do sexo masculino e integrante das equipes sub-13 e/ou sub- 15 do bairro referido. A pesquisa tem a possibilidade de beneficiar a comunidade

do bairro do Tenoné e a sociedade como um todo, pois avança nos estudos

relacionados a periferias, dando visibilidade e uma possível intervenção no

espaço pesquisado, no sentido de melhoria para a população através de políticas públicas voltadas para as “peladas” praticadas. O sujeito que colaborar com este estudo participará de entrevistas relacionadas a prática das “peladas”, que ficarão registradas de forma escrita e auditiva no gravador de voz. No local

da análise serão tiradas fotografias utilizadas como registro fotográfico com fins

científicos e com autorização dos sujeitos e moradores da proximidade garantindo a privacidade de cada um. Os dados serão utilizados apenas para a finalidade da pesquisa e os resultados serão apresentados na UEPA e outros possíveis eventos científicos e/ou publicados. Na transcrição do material não serão divulgados nomes que possam identificar os sujeitos. O sujeito terá

acesso à transcrição do material e também ao resultado da análise, beneficiando-se deste resultado para servir de reflexão sobre suas ações e ações da comunidade analisada. Neste estudo não há possibilidade de danos de dimensão física, psíquica, moral, intelectual, social, cultural ou espiritual do ser humano, em qualquer fase desta pesquisa. A pesquisa garante o total segredo dos dados obtidos e o repasse a sociedade, preservando a dignidade desta pesquisa. As entrevistas e as observações serão realizadas de forma apenas para retratar a realidade em que os sujeitos vivem. Os sujeitos terão liberdade para participar ou para se retirar da pesquisa a qualquer momento, sem nenhum pagamento financeiro. Além disso, os sujeitos não sofrerão nenhuma penalidade

e poderão procurar os pesquisadores para tirar dúvidas ou outros esclarecimentos sobre a pesquisa.

A pesquisadora é a aluna Camila de Almeida Ferreira – orientanda – que

pode ser encontrada na Avenida Magalhães Barata 979, Bairro São Braz e pelo

telefone (91) 82053233 ou (91) 32290922. Caso não seja localizada, a pesquisadora poderá ainda ser contatada por

Vera Solange Pires Gomes de Sousa, Profª. Ms., orientadora desta pesquisa, que pode ser encontrada na Avenida Augusto Montenegro. Quinta linha do Tenoné. Conj, Tenoné 2ª associação dos moradores e pelo telefone (91)

32486062.

Caso haja dúvidas sobre a ética da pesquisa, entre em contato com o Comitê de Ética em Pesquisa do Curso de Educação Física (Av. João Paulo II, 817 – Marco – Belém – PA), e-mail cep_cedf@hotmail.com.

CONSENTIMENTO LIVRE E ESCLARECIDO

Eu,

, expedida pelo Órgão

, responsável pelo menor participante

, por me

considerar devidamente informado (a) e esclarecido (a) sobre o conteúdo deste

portador da Carteira de identidade nº

termo e da pesquisa a ser desenvolvida, livremente expresso meu consentimento para inclusão.

Assinatura do Responsável pelo Menor Participante

Em:

/

/

2009.

Assinatura do voluntário

Assinatura do Responsável pelo Estudo

Apêndice (b) ROTEIRO DE ENTREVISTAS

Corpo

O

que os “peladeiros” entendem por corpo?

O

que são expressões corporais?

Cultura

O

que os “peladeiros” entendem por cultura?

O

que são expressões culturais?

Formação humana e o Cotidiano

O

que os “peladeiros” entendem por ser humano?

O

que entendem por formação humana?

O

que ou quem é responsável pela formação de um ser humano?

Quais os objetivos de vida dos “peladeiros”?

Como é o cotidiano do “peladeiro”?

Qual a motivação do “peladeiro” em jogar futebol?

A família apóia a prática do futebol?

Quais os lugares que o “peladeiro” atividade física?

Periferia, esporte e mídia.

O

que os “peladeiros” entendem por periferia?

O

“peladeiro” gosta do local onde mora?

O

que o “peladeiro” entende por esporte de periferia?

Os “peladeiros” assistem jogos de futebol?

Qual a relação do jogo assistido para o jogo praticado?

O que os “peladeiros” aprendem durante um jogo praticado?

ANEXOS

GRÁFICO/FIGURA

GRÁFICO/FIGURA Gráfico 1: Evolução da população de Belém. Fonte: IBGE apud BARROS et. al 2008. Figura

Gráfico 1: Evolução da população de Belém. Fonte: IBGE apud BARROS et. al 2008.

população de Belém. Fonte: IBGE apud BARROS et. al 2008. Figura 1: Bacias hidrográficas no Município

Figura 1: Bacias hidrográficas no Município de Belém. Fonte: PMB/SEGEP apud PINHEIRO et al 2007

MATÉRIA EM JORNAL

MATÉRIA EM JORNAL ornal “Diário do Pará”. Quarta-feira, Belém – PA, 13/05/2009. Crédito: Agência UNAMA. J

ornal “Diário do Pará”. Quarta-feira, Belém – PA, 13/05/2009. Crédito: Agência UNAMA.

Belém – PA, 13/05/2009. Crédito: Agência UNAMA. J Jornal “Diário do Pará”. Segunda-feira, Belém –

J

Jornal “Diário do Pará”. Segunda-feira, Belém – PA, 20/04/2009.

REGISTRO FOTOGRÁFICO

REGISTRO FOTOGRÁFICO Foto 1: Campo do Clube Tenoné (ano 2009). Crédito: Alice Maneschy. Foto 2: “Arena”

Foto 1: Campo do Clube Tenoné (ano 2009). Crédito: Alice Maneschy.

Campo do Clube Tenoné (ano 2009). Crédito: Alice Maneschy. Foto 2: “Arena” do Clube Tenoné (ano

Foto 2: “Arena” do Clube Tenoné (ano 2009). Crédito: Alice Maneschy.

Foto 3: Campeonato Suburbano no CEJU – Centro esportivo da juventude (ano 2009). Crédito: Coord.
Foto 3: Campeonato Suburbano no CEJU – Centro esportivo da juventude (ano 2009).
Crédito: Coord. Campeonato Suburbano.

Foto 4: Campo do Clube Tenoné (ano 2009). Crédito: Alice Maneschy.

Foto 5: Sede do Clube Tenoné (ano 2009). Crédito: Alice Maneschy. Foto 6: Campo do

Foto 5: Sede do Clube Tenoné (ano 2009). Crédito: Alice Maneschy.

Sede do Clube Tenoné (ano 2009). Crédito: Alice Maneschy. Foto 6: Campo do Clube Tenoné (ano

Foto 6: Campo do Clube Tenoné (ano 2009). Crédito: Alice Maneschy.

Foto 7: “Arena” do Clube Tenoné (ano 2009). Crédito: Alice Maneschy. Foto 8: “Arena” do

Foto 7: “Arena” do Clube Tenoné (ano 2009). Crédito: Alice Maneschy.

do Clube Tenoné (ano 2009). Crédito: Alice Maneschy. Foto 8: “Arena” do Clube Tenoné (ano 2009).

Foto 8: “Arena” do Clube Tenoné (ano 2009). Crédito: Alice Maneschy.

Foto 9: Campeonato Suburbano no CEJU – Centro esportivo da juventude. (ano 2009). Crédito: Coord.

Foto 9: Campeonato Suburbano no CEJU – Centro esportivo da juventude. (ano 2009). Crédito: Coord. Campeonato Suburbano.

(ano 2009). Crédito: Coord. Campeonato Suburbano. Foto 10: Campo do Clube Tenoné (ano 2009). Crédito: Alice

Foto 10: Campo do Clube Tenoné (ano 2009). Crédito: Alice Maneschy

Foto 11: Campo do Clube Tenoné (ano 2009). Crédito: Alice Maneschy Foto 12: Campo do

Foto 11: Campo do Clube Tenoné (ano 2009). Crédito: Alice Maneschy

Campo do Clube Tenoné (ano 2009). Crédito: Alice Maneschy Foto 12: Campo do Clube Tenoné (ano

Foto 12: Campo do Clube Tenoné (ano 2009). Crédito: Pedro Azevedo.

Foto 13: Campo do Clube Tenoné (ano 2009). Crédito: Pedro Azevedo. Foto 14: Campo do

Foto 13: Campo do Clube Tenoné (ano 2009). Crédito: Pedro Azevedo.

Campo do Clube Tenoné (ano 2009). Crédito: Pedro Azevedo. Foto 14: Campo do Clube Tenoné (ano

Foto 14: Campo do Clube Tenoné (ano 2009). Crédito: Alice Maneschy.

Foto 15: Campo do Clube Tenoné (ano 2009). Crédito: Alice Maneschy. Foto 16: Campo do

Foto 15: Campo do Clube Tenoné (ano 2009). Crédito: Alice Maneschy.

Campo do Clube Tenoné (ano 2009). Crédito: Alice Maneschy. Foto 16: Campo do Clube Tenoné (ano

Foto 16: Campo do Clube Tenoné (ano 2009). Crédito: Alice Maneschy.

Foto 17: Campo do Clube Tenoné (ano 2009). Crédito: Alice Maneschy. Foto 18: “Arena” do

Foto 17: Campo do Clube Tenoné (ano 2009). Crédito: Alice Maneschy.

Campo do Clube Tenoné (ano 2009). Crédito: Alice Maneschy. Foto 18: “Arena” do Clube Tenoné (ano

Foto 18: “Arena” do Clube Tenoné (ano 2009). Crédito: Alice Maneschy.

Foto 19: “Arena” do Clube Tenoné (ano 2009). Crédito: Alice Maneschy. Foto 20: “Arena” do

Foto 19: “Arena” do Clube Tenoné (ano 2009). Crédito: Alice Maneschy.

do Clube Tenoné (ano 2009). Crédito: Alice Maneschy. Foto 20: “Arena” do Clube Tenoné (ano 2009).

Foto 20: “Arena” do Clube Tenoné (ano 2009). Crédito: Alice Maneschy.

88

Foto 21: “Arena” do Clube Tenoné (ano 2009). Crédito: Alice Maneschy. Foto 22: Campeonato Suburbano

Foto 21: “Arena” do Clube Tenoné (ano 2009). Crédito: Alice Maneschy.

do Clube Tenoné (ano 2009). Crédito: Alice Maneschy. Foto 22: Campeonato Suburbano no CEJU – Centro

Foto 22: Campeonato Suburbano no CEJU – Centro esportivo da juventude (ano 2009). Crédito: Coord. Campeonato Suburbano.

Foto 23: Campeonato Suburbano no CEJU – Centro esportivo da juventude (ano 2009). Crédito: Coord.

Foto 23: Campeonato Suburbano no CEJU – Centro esportivo da juventude (ano 2009). Crédito: Coord. Campeonato Suburbano.

juventude (ano 2009). Crédito: Coord. Campeonato Suburbano. Foto 24: Campeonato Suburbano no CEJU – Centro esportivo

Foto 24: Campeonato Suburbano no CEJU – Centro esportivo da juventude (ano 2009). Crédito: Coord. Campeonato Suburbano.

Foto 25: Campo do Clube Tenoné (ano 2009). Crédito: Alice Maneschy. Foto 26: Campo do

Foto 25: Campo do Clube Tenoné (ano 2009). Crédito: Alice Maneschy.

Campo do Clube Tenoné (ano 2009). Crédito: Alice Maneschy. Foto 26: Campo do Clube Tenoné (ano

Foto 26: Campo do Clube Tenoné (ano 2009). Crédito: Pedro Azevedo.

91

Foto 27: “Arena” do Clube Tenoné (ano 2009). Crédito: Alice Maneschy. Foto 28: Final do

Foto 27: “Arena” do Clube Tenoné (ano 2009). Crédito: Alice Maneschy.

do Clube Tenoné (ano 2009). Crédito: Alice Maneschy. Foto 28: Final do Campeonato Suburbano.

Foto 28: Final do Campeonato Suburbano. Vestiário/Concentração CEJU - Centro esportivo da juventude (ano 2009). Crédito: Coord. Campeonato Suburbano.

Foto 29: Treino no Campo do Clube Tenoné. Crédito: Agência UNAMA. Foto 30: “Arena” do

Foto 29: Treino no Campo do Clube Tenoné. Crédito: Agência UNAMA.

Treino no Campo do Clube Tenoné. Crédito: Agência UNAMA. Foto 30: “Arena” do Clube Tenoné. Crédito:

Foto 30: “Arena” do Clube Tenoné. Crédito: Alice Maneschy.

Foto 31: Campo do Clube Tenoné. Crédito: Alice Maneschy. 94
Foto 31: Campo do Clube Tenoné. Crédito: Alice Maneschy. 94
Foto 31: Campo do Clube Tenoné. Crédito: Alice Maneschy. 94
Foto 31: Campo do Clube Tenoné. Crédito: Alice Maneschy. 94
Foto 31: Campo do Clube Tenoné. Crédito: Alice Maneschy. 94
Foto 31: Campo do Clube Tenoné. Crédito: Alice Maneschy. 94

Foto 31: Campo do Clube Tenoné. Crédito: Alice Maneschy.