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UNIVERSIDADE FEDERAL DO PARÁ CENTRO TECNOLÓGICO PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO EM ENGENHARIA QUÍMICA (PPEQ) PROG. DE

UNIVERSIDADE FEDERAL DO PARÁ

CENTRO TECNOLÓGICO

PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO EM ENGENHARIA QUÍMICA (PPEQ)

PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO EM ENGENHARIA QUÍMICA (PPEQ) PROG. DE DOUTORADO EM ENGª DE REC. NATURAIS DA

PROG. DE DOUTORADO EM ENGª DE REC. NATURAIS DA AMAZÔNIA (PDERN)

ENERGIAS RENOVÁVEIS

Módulo IV: Biodiesel

Análise Técnica e Econômica da Construção de uma Planta Produtora de Biodiesel (B100), a partir do Óleo Refinado de Soja, com Capacidade de Produção de 30 ton/dia.

Prof. Dr.: L. F. França Aluno: Reimar Lourenço Matheus Braga Jefferson Batista

Data:

Belém – PA

1-INTRODUÇÃO

1.1-Considerações Iniciais

A produção do biodiesel em escala industrial é recente no mundo. A Alemanha foi o primeiro país a dar início a um processo de produção em escala (1988), seguido pela Áustria e França. No Brasil e nos Estados Unidos, a produção em escala data de três anos (2003). Segundo Reis e colaboradores (2007), as tecnologias empregadas nos processos produtivos conhecidos tendo como insumo básico o óleo vegetal/animal são de natureza química, a esterificação ácida e a transesterificação alcalina; de natureza bioquímica, a transesterificação enzimática; e as de natureza termoquímica, o craqueamento catalítico e o hidrocraqueamento. Os processos em maior utilização são os de craqueamento catalítico e transesterificação e suas derivações. No processo de craqueamento térmico, ou pirólise, pode- se usar um catalisador, razão da denominação craqueamento catalítico. O hidrocraqueamento deu origem ao H-Bio (patente da Petrobras). O processo de transesterificação pode adotar a rota etílica (etanol) ou a metílica (metanol). Por serem processos recentes, estão em contínuo aperfeiçoamento. Estudos recentes apontam que o processo de transesterificação com a presença de enzimas provenientes de microorganismos (transesterificação enzimática) pode ser mais eficiente. Em qualquer dos processos adotados é importante observar que a matéria-prima vegetal utilizada precisa estar com o mínimo de umidade e acidez possíveis. Outra observação é a de que os processos de produção podem ser contínuos, semi-contínuos ou por batelada (batch)/descontínuo, o que vai depender do processo de produção escolhido (REIS et al,2007). É preciso mencionar que várias experiências tecnológicas de produção do biodiesel estão em processo de aperfeiçoamento, como é o caso do processo de “transesterificação em solvente supercrítico” e a “transesterificação in situ”, cujos resultados do ponto de vista técnico apresentam avanço, mas não apresentam, ainda, resultados econômicos (custo de produção) (REIS et al,2007).

1.2-Objetivo

O presente trabalho tem por objetivo fazer uma análise da viabilidade técnica e econômica da construção de uma planta produtora de biodiesel (B100) com capacidade de produção de 30 ton/dia, a partir do processo, em regime contínuo, da transesterificção do óleo de Soja refinado em metanol usando um catalisador básico homogêneo (líquido).

2-BIODIESEL

2.1-O que é o Biodiesel

O conceito de biodiesel é ainda bastante discutido, sendo por isso fonte de confusões e más interpretações. Algumas definições apenas consideram que o biodiesel é uma mistura de óleo vegetal e diesel mineral, enquanto outras especificam a porcentagem de cada um desses elementos, considerando-o como uma mistura de 90% de óleo vegetal e 10% de álcool. A definição adotada no âmbito do Programa Brasileiro de Biocombustíveis, contudo, conceitua biodiesel como “Combustível obtido a partir de misturas, em diferentes proporções, de diesel e éster de óleos vegetais” (MEIRELLES, 2003). Tecnicamente, o biodiesel é definido como um éster alquílico de ácidos graxos, obtidos da reação de transesterificação de qualquer triglicerídeo (óleos e gorduras vegetais ou animais) com álcool de cadeia curta (metanol ou etanol). A transesterificação consiste na reação química de um óleo vegetal com um álcool, que pode ser etanol ou metanol, na presença de um catalisador ácido (HCl – ácido clorídrico) ou básico (NaOH - hidróxido de sódio). Como resultado, obtém-se o éster metílico ou etílico (biodiesel), conforme o álcool utilizado, e a glicerina. Portanto, a transesterificação nada mais é do que a separação da glicerina do óleo vegetal. Durante o processo, em que ocorre a transformação do óleo vegetal em biodiesel, a glicerina, que compõe cerca 20% da molécula de óleo vegetal, é removida, deixando o óleo mais fino e reduzindo sua viscosidade, e substituída pelo álcool proveniente do etanol ou metanol. A glicerina, subproduto da produção de biodiesel, pode ser utilizada como matéria- prima na produção de tintas, adesivos, produtos farmacêuticos, têxteis etc, aumentando a competitividade do produto (MEIRELLES, 2003).

2.2-O Biodiesel e a Agricultura

O Biodiesel é um combustível renovável produzido a partir de óleos vegetais e álcool. Desta maneira, sua produção baseia-se na agricultura sustentável. Esquematicamente, a reação para a obtenção do biodiesel (transesterificação) pode ser representada da seguinte forma:

pode ser representada da seguinte forma: Figura 1. Processo de obtenção de biodiesel (REIS et al,

Figura 1. Processo de obtenção de biodiesel (REIS et al, 2007).

Para identificar a concentração de biodiesel na mistura com óleo diesel é comum a utilização de uma nomenclatura específica, definida como BX, onde X refere-se à percentagem em volume do biodiesel. Assim, B5, B20 e B100 referem-se, respectivamente, aos combustíveis com uma concentração de 5%, 20% e 100% de biodiesel (puro). As alternativas para o fornecimento de óleo vegetal são diversas e podem ser obtidas conforme as espécies cultivadas em cada região. No Brasil, a soja é uma das poucas oleaginosas com escala suficiente para a produção imediata de Biodiesel, uma vez que cerca de 90% da produção brasileira de óleo provém dessa leguminosa. Porém, existem muitas culturas alternativas que podem ser utilizadas como fonte de óleo vegetal, inclusive com maior rendimento que a soja, tais como girassol, amendoim, algodão, dendê, coco, babaçu, mamona, colza, entre outros.

Como fonte de álcool, a opção preferencial tem sido o etanol, produzido nacionalmente em larga escala, a partir da cana-de-açúcar e a custos altamente competitivos, enquanto o metanol, além de ser tóxico, necessita ser importado. O biodiesel pode ser utilizado como combustível puro, na forma de mistura, como complemento ao diesel extraído de petróleo, ou em baixas proporções como aditivo (de 1% a 4%). Uma das grandes vantagens do biodiesel é sua adaptabilidade aos motores do ciclo diesel. Enquanto o uso de outros combustíveis limpos, como o gás natural ou biogás, requer adaptação dos motores, a combustão de biodiesel pode dispensá-la, configurando-se em uma alternativa técnica capaz de atender a frota movida a diesel. A seguir será apresentado na Figura 2 um mapa com as espécies oleaginosas com potencial para a produção de biodiesel e consumo de diesel no Brasil, por Região.

de biodiesel e consumo de diesel no Brasil, por Região. Figura 2- Espécies oleaginosas com potencial

Figura 2- Espécies oleaginosas com potencial para a produção de biodiesel e consumo de diesel no Brasil.

A Tabela 1 mostra o rendimento de alguns vegetais na produção de óleo.

Tabela 1- Rendimento de alguns vegetais na produção de óleo

1- Rendimento de alguns vegetais na produção de óleo Enquanto a produtividade de dendê é de

Enquanto a produtividade de dendê é de 20 a 25 toneladas, resultando numa produção de 4 a 5 toneladas de óleo por hectare, a soja produz de 200 a 500 Kg de óleo por hectare.

2.3-Vantagens e desvantagens do biodiesel

O biodiesel é um combustível renovável e, portanto uma alternativa aos combustíveis

tradicionais, obtidos através do petróleo. Sua utilização traz uma série de vantagens ambientais, econômicas e sociais. Em termos ambientais, uma das mais expressivas vantagens trazidas pelo biodiesel refere-se à redução da emissão de gases poluentes. Estudos realizados pela Universidade de São Paulo1 demonstram que a substituição do óleo diesel mineral pelo biodiesel resulta em reduções de emissões de 20% de enxofre, 9,8% de anidrido carbônico, 14,2% de hidrocarbonetos não queimados, 26,8% de material particulado e 4,6% de óxido de nitrogênio. Os benefícios ambientais podem, ainda, gerar vantagens econômicas. O País poderia enquadrar o biodiesel nos acordos estabelecidos no protocolo de Kyoto e nas diretrizes dos Mecanismos de Desenvolvimento Limpo (MDL), já que existe a possibilidade de venda de cotas de carbono através do Fundo Protótipo de Carbono (PCF), pela redução das emissões de gases poluentes e também créditos de “seqüestro de carbono”, através do Fundo Bio de Carbono (CBF), administrados pelo Banco Mundial. Outra vantagem econômica é a possibilidade de redução das importações de petróleo e diesel refinado.

Segundo estatísticas da Agência Nacional do Petróleo (ANP), o consumo brasileiro de óleo diesel apresentou um crescimento acumulado de 42,5%, no período de 1992 a 2001. Para suprir a demanda crescente, foi necessário aumentar o volume importado do combustível, de 2,3 milhões de m3, em 1992, para 6,6 milhões de m3, em 2001. É importante destacar que, em 1992, 8,5% do consumo brasileiro de óleo diesel eram supridos via importações. Em 2001, essa participação já havia saltado para 16,5% (Tabela 2). De acordo com a ANP, cada 5% de biodiesel misturado ao óleo diesel consumido no País representa uma economia de divisas de cerca de US$ 350 milhões/ano.

Tabela 2. Produção, importação, exportação e consumo de óleo diesel no Brasil.

exportação e consumo de óleo diesel no Brasil. Fonte: Agência Nacional do Petróleo. O aproveitamento

Fonte: Agência Nacional do Petróleo.

O aproveitamento energético de óleos vegetais e a produção de biodiesel é benéfico para a sociedade, pois gera postos de trabalho, especialmente no setor primário. O biodiesel apresenta, ainda, uma série de vantagens de ordem técnica, como, por exemplo, o baixo risco de explosão, que lhe confere grande facilidade de transporte e armazenagem, pois necessita de uma fonte de calor superior a 1500°C. Outro aspecto positivo de sua utilização refere-se ao aumento da oferta de espécies oleaginosas, que são um importante insumo para a indústria de alimentos e ração animal, além de funcionarem como fonte de nitrogênio para o solo. Com relação às desvantagens, pode-se mencionar a maior viscosidade do biodiesel em relação ao diesel mineral, o que pode causar problemas na injeção do combustível. Outra desvantagem relaciona-se a alterações na potência dos motores. Estudos da Petrobrás indicaram uma redução de 4% na potência de um motor de quatro cilindros. No entanto, esse estudo foi realizado com biodiesel produzido a partir de álcool metílico. Pesquisadores da USP de Ribeirão Preto afirmam que as misturas B5 a B50

produzidas a partir de álcool etílico não apresentam essa desvantagem e, inclusive, podem aumentar a potência e reduzir o consumo de combustível dos motores. Outra possível desvantagem refere-se ao custo de produção do biodiesel em relação ao óleo diesel. Segundo a Associação da Indústria de Óleos Vegetais (ABIOVE), o custo do biodiesel produzido a partir de etanol e óleo de soja pode variar entre R$ 1,25 e R$ 1,76. Atualmente, o preço médio ao consumidor final do óleo diesel mineral é de R$ 1,45/litro, no estado de São Paulo. No entanto, ainda são necessários mais estudos de viabilidade econômica do biodiesel, considerando diferentes matérias-primas e as especificidades regionais (MEIRELES, 2003).

3-PROJETO TÉCNICO

Esta etapa do projeto será dividida em 3 partes distintas e terá o objetivo de determinar o tipo de processo a ser adotado, os custos necessários à construção da usina de biodiesel, bem com os custos anuais de produção do combustível.

3.1-Processo de produção

O processo escolhido para a produção de biodiesel foi o da transesterificação do óleo de soja com metanol, catalisado por metóxido de sódio (NaOCH 3 ), em escala contínua de produção. O processo foi modelado por Haas e colaboradores (2005). De uma forma geral dois reatores de transesterificação são utilizados. O primeiro reator, por exemplo, opera continuamente com óleo de soja e uma solução de 1,78% (w/w) de NaOCH 3 e metano comercial. A glicerina, subproduto do processo de produção do biodiesel, é separado e, como dito anteriormente, pode ser utilizada como matéria-prima na produção de tintas, adesivos, produtos farmacêuticos, têxteis, dentre outras, aumentando a competitividade do produto. O Metanol é reciclado e reaproveitado no processo que opera de forma contínua.

A Figura 3 mostra o fluxograma do processo de produção do biodiesel a partir do óleo de soja refinado.

produção do biodiesel a partir do óleo de soja refinado. Figura 3- Fluxograma de produção de

Figura 3- Fluxograma de produção de biodiesel a partir do óleo de soja refinado.

3.2-Custos de Construção da Fábrica

Baseado nos dados obtidos de Haas e colaboradores (2005) foi possível estimar os custos necessários a construção de uma usina de biodiesel com capacidade de produção de 30 ton/dia. A seguir é apresentada uma tabela com os custos em dólar americano e em Reais para cada equipamento necessário, além de outros custos habituais de construção. O custo total para construção da planta produtora de biodiesel com capacidade de produção de 30 ton/dia ficou estimado na ordem de sete milhões de reais (R$ 7.081.150,00).

Tabela 3- Custo de construção de uma planta para produção de Biodiesel (30 ton/dia)

Ítem

Custo (US$ x1000)

Custo (US$ x1000)2

Custo (R$ x1000)

INSTALAÇÕES DE ARMAZENAGEM

30 (Ton/dia)

30 (Ton/dia)

Tanque armazenagem Óleo

506

$161,92

R$ 315,74

Tanque armazenagem Biodiesel

447

$143,04

R$ 278,93

Tanque armazenagem Glicerol

22

$7,04

R$ 13,73

Estação de carga/descarga

50

$16,00

R$ 31,20

Bombeamento e/ou Armazenagem

22

$7,04

R$ 13,73

Subtotal instalações de armazenagem

1047

$335,04

R$ 653,33

EQUIPAMENTOS

Tanque armazenagem Metanol/Etanol

24

$7,68

R$ 14,98

Tanque Metóxido de sódio

25

$8,00

R$ 15,60

Tanque de mistura Álcool/Catalisador

7

$2,24

R$ 4,37

Pré-aquecimento Reator#1

3

$0,96

R$ 1,87

Reator#1

70

$22,40

R$ 43,68

Separador Glicerol/biodiesel#1

311

$99,52

R$ 194,06

Pré-aquecimento Reator#2

9

$2,88

R$ 5,62

Reator#2

61

$19,52

R$ 38,06

Separador Glicerol/biodiesel#2

315

$100,80

R$ 196,56

Misturador Biodiesel/HCl

7

$2,24

R$ 4,37

Tanque lavagem Biodiesel

35

$11,20

R$ 21,84

Separador água de lavagem/Biodiesel

328

$104,96

R$ 204,67

Pré-aquecimento remoção de água Biodiesel final

9

$2,88

R$ 5,62

Trocador de calor remoção de água Biodiesel final

2

$0,64

R$ 1,25

Tanque Flash remoção de água Biodiesel final

15

$4,80

R$ 9,36

Sistema vácuo remoção de água Biodiesel final

75

$24,00

R$ 46,80

Tanque Glicerol/álcool

6

$1,92

R$ 3,74

Pré-aquecedor torre de destilação álcool

4

$1,28

R$ 2,50

Torre de destilação álcool

95

$30,40

R$ 59,28

Caldeira do destilador

5

$1,60

R$ 3,12

Condensador do destilador

13

$4,16

R$ 8,11

Separador ácido graxo/glicerol

174

$55,68

R$ 108,58

Tanque armazenagem ácido graxo

10

$3,20

R$ 6,24

Alimentador mixer NaOH

5

$1,60

R$ 3,12

Tanque mix Glicerol/NaOH

6

$1,92

R$ 3,74

Torre de destilação Glicerol

16

$5,12

R$ 9,98

Caldeira do destilador Glicerol

26

$8,32

R$ 16,22

Condensador do destilador Glicerol

2

$0,64

R$ 1,25

Pós-condensador do destilador Glicerol

13

$4,16

R$ 8,11

Bombas (12)

62

$19,84

R$ 38,69

Equipamentos adicionais do processo

433

$138,56

R$ 270,19

Subtotal

2166

$693,12

R$ 1.351,58

EQUIPAMENTOS UTILIZADOS

Sistema Torre de resfriamento

174

$55,68

R$ 108,58

Sistema Geração de vapor

104

$33,28

R$ 64,90

Sistema ar

25

$8,00

R$ 15,60

Sistema de distribuição elétrica

100

$32,00

R$ 62,40

Sub-Total equipamentos utilizados

403

$128,96

R$ 251,47

Custo total dos equipamentos

3616

$1.157,12

R$ 2.256,38

OUTROS CUSTOS

Instalação dos equipamentos

7232

$2.314,24

R$ 4.512,77

Diversos

500

$160,00

R$ 312,00

Total Outros Custos

7732

$2.474,24

R$ 4.824,77

Custo Total

11348

$3.631,36

R$ 7.081,15

3.3-Custos de Operação da planta

Também, baseado nos dados obtidos por Haas e colaboradores (2005) foi possível estimar os custos de produção da planta de biodiesel com capacidade de produção de 30 ton/dia. A tabela 4 mostra o custo anual de produção, incluindo gastos com insumos, mão-de- obra, impostos, depreciação do sistema, dentre outros.

Tabela 4- Custos anuais de produção do Biodiesel.

Descrição

Produto

Custo(US$ x1000/ano)

Custo(R$ x1000/ano)

INSUMOS

(ton/ano)

Óleo de Soja

10763,13

5602,24

R$ 10.924,37

Metanol/Etanol

1077,30

309,12

R$ 602,78

Metóxido de Sódio (NaOCH3)

134,55

131,84

R$ 257,09

Ácido Clorídrico (HCl)

76,78

10,24

R$ 19,97

Hidróxido de Sódio (NaOH)

53,56

32,96

R$ 64,27

Água

359,68

0,128

R$ 0,25

Subtotal Insumos

6086,528

R$ 11.868,73

SERVIÇOS

Gás Natural

102,72

R$ 200,30

Tratamento de efluentes

16

R$ 31,20

Eletricidade

16

R$ 31,20

Subtotal Serviços

134,72

R$ 262,70

MÃO-DE-OBRA

Operacional

63,36

R$ 123,55

Manutenção

14,4

R$ 28,08

Supervisão

40,32

R$ 78,62

Outros benefícios

47,36

R$ 92,35

Subtotal Mão-de-obra

165,44

R$ 322,61

SUPRIMENTOS

Operacional

12,8

R$ 24,96

Manutenção

36,16

R$ 70,51

Subtotal Suprimentos

48,96

R$ 95,47

GENERALIDADES

Administração

18,24

R$ 35,57

Impostos

3,52

R$ 6,86

Seguro

17,92

R$ 34,94

Subtotal Generalidades

39,68

R$ 77,38

DEPRECIAÇÃO

10% Custo capital/ano

361,6

R$ 705,12

Subtotal Depreciação

361,6

R$ 705,12

Subtotal Custos Operacionais

6836,928

R$ 13.332,01

CREDITO SUBPRODUTO

80% Glicerol

412,16

R$ 803,71

Custos Operacionais Totais

6424,768

R$ 12.528,30

Os custos operacionais totais para produção de 10.800,00 ton/ano de biodiesel foram estimados na ordem de doze e meio milhões de reais (R$ 12.528.300,00). No Brasil está sendo desenvolvidos muitos estudos sobre a utilização do biodiesel, não se tendo ainda uma referência acurada quanto ao preço final do produto. Um dos estudos, que está sendo feito pela Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais – ABIOVE

apontou um custo final muito próximo ao custo do óleo diesel. Os estudos foram realizados com óleo de soja, considerando a utilização de álcool metílico e etílico (MEIRELES, 2003). Para este trabalho considerou-se o preço de venda do Biodiesel na porta da fábrica na ordem de R$ 1,20/litro. Com isso pode-se estimar o faturamento anual bruto com a venda do produto que foi estimado na ordem de quatorze e meio milhões de reais (R$ 14.663.951,12). O Quadro 1 mostra uma projeção do faturamento bruto anual da empresa.

Quadro 1- Faturamento anual do projeto

Preço Biodiesel na indústria

R$ 1,20 / litro

Produção Anual (Ton)

10800

Produção Anual (litros)

12219959,27

Faturamento Anual (R$)

R$ 14.663.951,12

Com isso pode-se realizar uma análise de viabilidade econômica do projeto.

4-ANÁLISE DE VIABILIDADE ECONÔMICA

A Tabela 5, abaixo, mostra um resumo da análise de viabilidade econômica do projeto frente aos métodos de decisão de investimento. Para este projeto foram considerados: taxa de juros = 15% (a.a.), período anual e um horizonte de 20anos.

Tabela 5– Resumo da análise econômica.

PROJETO

INVESTIMENTO

VPL

PAY-BACK*

TIR

B/C

Biodiesel

7.081.150,00

6.286.611,30

3,32

30%

1,1

*Tempo de Retorno não descontado.

Através dos índices de decisão de investimento é possível inferir que o projeto é viável posto que o VPL do projeto foi positivo. Além disso, o tempo de retorno de capital “PAY- BACK” foi muito bom sendo estimado em 3anos aproximadamente. A taxa interna de retorno TIR, foi estimada em torno de 30%, o que representa o dobro da taxa de atratividade aplicada nesta análise (i=15%). A relação Benefício/Custo ficou compreendida próximo da situação de indiferença de investimento no projeto (B/C=1), porém, levando-se em consideração todas as vantagens que um projeto dessa natureza pode proporcionar, ainda assim, recomenda-se o investimento.

5-CONCLUSÕES

Há uma grande perspectiva de aumento do consumo mundial de biodiesel em

função, por exemplo, do crescimento da preocupação com as questões ambientais. No

Brasil, a produção de biodiesel irá provocar, entre outras coisas, uma expansão da produção

agrícola e geração de postos de trabalho no campo. Além disso, o biodiesel representará o

desenvolvimento de mais um mercado para os óleos vegetais e álcool etílico/metílico, o que

irá provocar maior estabilidade a essas cadeias produtivas, principalmente quanto aos

preços.

Há também, a necessidade de investimentos na pesquisa e produção de biodiesel a

partir de oleaginosas pouco exploradas, porém com bom rendimento de óleo e grande

potencial de produção. Nesse sentido é fundamental a realização de estudos mais

aprofundados para avaliação da viabilidade econômica da produção e do consumo do

biodiesel, bem como a aplicação de políticas públicas para a implementação efetiva de

projetos de biodiesel, dentre os quais:

Carga tributária diferenciada, para estimular a competitividade;

Implementação de programas de incentivo ao uso de combustíveis limpos;

Garantia de desempenho dos motores alimentados a biodiesel;

Assegurar a regulamentação da produção do biodiesel, visando padronização e garantia de qualidade;

Estímulo à pesquisa para o desenvolvimento de novos usos e mercados para os subprodutos da produção do biodiesel, como farelos e glicerina;

A regulamentação do biodiesel no Brasil deve contemplar as atividades ligadas à

agricultura familiar sem, com isto, excluir as atividades empresariais e a premissa de que o

sucesso dos projetos de biodiesel a serem implementados dependerá de consistência e

viabilidade técnico-econômica.

6-REFERÊNCIAS BIBLLIOGRÁFICAS

HAAS, M. J.; McALOON, A. J. YEE; W. C., FOGLIA, T. A.; “A Process Model to

Estimate Biodiesel Production Costs”, Bioresource Technology, 97 (2006) 671–678.

MEIRELLES, F. S., “O Biodiesel no Brasil e os seus Impactos sobre a Agricultura”, Federação da Agricultura do Estado de São Paulo, São Paulo, 2003.

MEIRELLES, F. S., “Biodiesel”, Brasília, 2003.

REIS, R. F.; COSTA, F. A. G.; MACHADO, I. L.; “Biodiesel para Investidores”, Sistema

FIEG/SENAI, Goias, 2007.

VAN GERPEN, J.; SHANKS, B.; PRUSZKO, R.; CLEMENTS,D.; KNOTH,

“Biodiesel Production Technology”,NRL, 2004.

G.;

ANEXO

Tabelas de Cálculo para Análise Econômica do Projeto

Análise do Valor Presente Líquido

   

Oleaginosa

Soja

   

Especificação

B100

VPL =

BxFVP-I-CxFVP

Benefícios

14663951,12

Investimento

7081152

   

Produto

Biodiesel

Custos

12528297,6

FVP

6,259331474

VPL=

R$ 6.286.611,30

Horizonte (n) =

20

Taxa de juros_i (%) =

15

 

Período (ano) =

1

Análise do Tempo de Retorno Não Descontado (Pay -Back)

   

TR=

I/(B-C)

Produto

Biodiesel

TR=

3,32

Análise Benefício / Custo (B/C)

   

B/C =

BxFVP/(I+CxFVP)

Produto

Biodiesel

B/C =

1,1

Análise da Taxa Interna de Retorno (TIR)

   

Invest. (R$)

Benefício anual (R$)

Custo Anual (R$)

Taxa_i (%)

Período (n)

FVP (i,n)

VPL (R$)

B/C

7081152

14663951,12

12528297,6

10

20

8,514

R$ 11.100.870,33

1,1

7081152

14663951,12

12528297,6

30

20

3,316

R$ 235,25

1,0

7081152

14663951,12

12528297,6

50

20

1,999

-R$ 2.811.129,46

0,9

7081152

14663951,12

12528297,6

70

20

1,429

-R$ 4.030.293,47

0,8

7081152

14663951,12

12528297,6

90

20

1,111

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