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Pág 8 - 07 de dezembro de 2011 salvador do sul O céu não é o

salvador do sul

O céu não é o limite

possui três línguas. Mas também toparia trabalhar em empresas nacionais. Com a chegada de eventos internacionais ao país, como a Copa do Mundo, as seleções para comissários estão ainda mais exigen- tes, e, segundo ela, estão praticamente eliminando quem não tem fluência em inglês.

Sopro de lembranças

Encontros, desencontros, turbulências, sorrisos, surpresas, gente. Tudo que remete às pessoas, em lidar todo o dia com centenas delas, do mundo todo, só pode gerar histórias inesquecíveis. Não é diferen- te para as três comissárias Liviane, Fabiane e Rena- ta. Para Renata, um encontro fez com que ela defi- nisse esse como o seu vôo mais marcante, inesque- cível. “Em um vôo encontrei a minha mãe, Romilda Rosa de Oliveira, e a minha tia, Maria Terezinha Leidens, que estavam a bordo. Para mim foi uma honra poder atendê-las”, recorda. E as surpresas dentro do avião são de todas as modalidades. Liviane, no primeiro dia de trabalho, recebeu uma homena- gem que a deixou embaraçosa. Ela conta que estava nas últimas horas de instrução, realizando serviço de bordo quando foi surpreendida pela voz do piloto anun- ciando aos passageiros. “Senhoras e Senhores, um minuto de sua atenção por favor. Gostaria de em nome da Gol e de toda essa tripulação parabenizar a Comissária Liviane, essa alemãzinha de olhos azuis que os está atendendo, pois acaba de ingressar em nosso Time de Águias, a ela desejamos muito suces- so na carreira e uma salva de palmas”. Depois disso todos aplaudiram. “Foi emocionante. Foi aí que caiu minha ficha que eu havia conseguido chegar lá, tive que me conter para não chorar”, relembra Livi. A vida nos ares proporciona conhecer muitos lugares no mundo, por isso muitas culturas também. Essa oportunidade transforma cada viagem em uma história particular, que sempre será lembrada. “To- dos os vôos são marcantes. São passageiros diferen- tes, os colegas de trabalho nunca são os mesmos. Isto faz com que tudo seja sempre novo”, resume Fabiane Mendel. Ela define bem quando afirma que a vida das comissárias, apesar do intenso trabalho e rotina, proporciona prazer e satisfação profissional, item extremamente importante e valorizado atualmen- te. “A nossa rotina não é tão difícil como as pessoas imaginam. É possível ter família, casar, ter filhos, ter uma vida tranquila. Consigo conciliar além dos voos, as aulas de inglês, a faculdade de Direito, cuidar da casa, ir para academia; é possível ter uma vida muito boa”, explica Fabiane. Ou seja, além da procura pelo sucesso profissional, as pessoas precisam escolher aquilo que irá lhe proporcionar qualidade de vida, e as comissárias aqui revelam que é possível.

Turbulência

Nem tudo corre às mil maravilhas, já diria o dito popular. Aos leitores que se estremecem só de pensar em entrar em um avião com medo do que pode acontecer, podem relaxar, porque o transporte aéreo é um dos meios mais seguros de se locomover.

Alcançar o topo é o sonho de todo profissional, em qualquer área. Mas a metáfora se aplica direta- mente àqueles que trabalham nos céus. Todos os dias, comissários de bordo e pilotos de avião, profissões que geram deslumbramento, permeiam nossos ares,

e tem a possibilidade de conhecer o mundo inteiro, e ainda encontram a satisfação no desejo do ser hu- mano em voar. Em Salvador do Sul, esse desejo tem entrado na vida de muitos jovens, que perseguem o sonho e tem na profissão a sua realização pessoal.

Liviane, Renata e Fabiane são exemplos de paixão pela profissão, e, filhas do município, levam o jeitinho salvadorense para todas as partes do mundo. “Iden- tifiquei-me muito com a profissão, amo o que faço e não pretendo deixar essa vida louca tão cedo”, reve- la aos risos Liviane Körbes, 30 anos, natural de Tunápolis, Santa Catarina, mas morou em Salvador do Sul por três anos. Renata Elisa de Oliveira, de 31 anos, afirma que em 2005 resolveu fazer o curso para comissária de bordo por influência de uma amiga, no entanto, hoje afirma que ama o que faz. “Além de ter desco- berto isso um pouco tarde, tenho uma vida que sem- pre quis. Um trabalho tranquilo, sem rotina, com ho- rários diferentes e sempre trabalhando com pessoas diferentes. Esse é o diferencial”, diz Renata. E esse diferencial fascina a comissária Fabiane Mendel, de 35 anos, que nasceu em Salvador do Sul. Ela afirma que a profissão traz um crescimento pessoal, huma- no e profissional. “Sem dúvida, ser comissária de bordo é muito mais do que eu esperava para minha vida no momento em que decidi sê-lo”, sintetiza.

E para alcançar esse sonho, é necessária uma

formação em um curso com duração de cerca de quatro meses. Nele aprende-se sobre regulamenta- ção, conhecimentos gerais de aeronaves, sistema de aviação civil, primeiros socorros, sobrevivência na

selva, mar, gelo e deserto e até mesmo etiqueta. Após,

é necessário que seja feita uma prova na Agência

Nacional de Aviação Civil, ANAC. “É imprescindí- vel que o comissário de bordo fale outro idioma, es-

pecialmente inglês”, avisa Fabiane.

A busca por se tornar comissária de bordo às

vezes é uma oportunidade que aparece no caminho, outras é um sonho de infância. Mas para Fabiane Werner, 23 anos, salvadorense, como ela mesma de- finiu, a profissão é juntar o útil ao agradável. “Viajar,

conhecer pessoas, culturas, o curso de comissária por ser um curso rápido, poderá trazer um bom re- torno financeiro e promete uma carreira promisso- ra”, elucida. Fabi Werner morou por dois anos na Alemanha, aprendeu alemão, inglês e ao voltar ao Brasil em fevereiro, resolveu fazer o curso para ae- romoça. “Os conhecimentos adquiridos e com certe- za a formatura, foi o momento que todo estudante espera. Ver ali, naquele simples canudo, o teu pró- prio esforço”, diz. Fabiane Werner ainda não traba- lha como comissária, mas diz que tem aspirações em trabalhar em empresas do exterior, uma vez que já

Por dia, três milhões de pessoas viajam pelo mundo,

e se comparado a um carro, o avião é onze vezes

mais seguro. O que nem sempre corre bem são os possíveis acontecimentos com os passageiros. As comissárias lembram hoje de situações inusitadas que enfrentaram, como Liviane, que cometeu uma gafe, como ela mesma definiu. “Um casal com uma certa idade,uns 45 ou mais, pelo menos o homem aparen- tava ter um pouco mais, embarcou com uma criança de mais ou menos 2 anos. Eu como gosto de criança estava brincando com ela quando disse: Vai com o vovô que agora eu preciso trabalhar. De repente ouvi:

não é o vovô, é o papai. Pedi desculpas mas eu não sabia onde me enfiar”, conta ela, aos risos. Fabiane conta uma história, que, segundo ela, ocorreu em um voo de Brasília a São Paulo. Ela disse que derrubou sem querer um copo de suco de laranja em cima de um passageiro, após assustar quando uma colega apareceu repentinamente atrás dela para lhe entregar gelo. Com o susto, ela acabou derrubando o líquido na cabeça do passageiro. Segundo Fabiane, todos ficaram nervosos em atender o passageiro, para limpar e garantir que tinha sido um acidente. O que ela não esperava era a reação inusitada do passageiro. “Ele permaneceu imóvel, olhando para frente, assistindo à programação de entretenimento disponí- vel aos passageiros durante o vôos. Até o seu desem- barque, o passageiro não pronunciou uma palavra, tampouco questionou o que acontecera. Apesar do sufoco, a situação acabou sendo muito engraçada, porque imaginamos que o passageiro pensava ser nor- mal, que durante o voo, a comissária o banhasse com suco de laranja” relembra.

Rotina

Ao lembrar sobre a rotina de quem trabalha com aviação, sempre se imagina que se trata de uma vida sem disponibilidade de horários, que não existe feria- do, sequer conseguem compor família. Mas a idéia não passa de ilusão, segundo as três aeromoças. “Às vezes, temos vários dias de folgas juntas e assim fica fácil matar a saudade da família e dos amigos”, diz Renata. Renata lembra ainda que é possível também constituir a sua família, mesmo que sendo com pes- soas do seu círculo de trabalho. “Tudo é possível. Hoje moro com o meu namorado e ele também é da aviação, como é do mesmo ramo, ele entende e está costumado. Como trabalhamos na mesma empresa temos o benefício de folgas juntas”, explica. Fabiane Mendel afirma que é possível sim e reite-

ra sobre a durabilidade dos relacionamentos. Segundo

ela, tem tempo de namorar, casar, e mais, manter relaci- onamentos duradouros. “Digo isto por causa da sauda-

de que bate quando estamos fora de casa.Tanto você sente muita saudade como a pessoa que está com você. Então, quando chego de vôo, o que menos quero fazer é criar caso com a pessoa amada”, comenta Fabi. Liviane porém, lembra que nenhum dia é igual ao outro quando se trabalha na aviação, e diz que ela tem oito folgas mensais, sendo que por mês os tripulantes não podem

ultrapassar 85 horas de vôo. Mesmo assim, tem semanas que ela trabalha seis dias corridos. E mes- mo assim tem tempo para lazer, família, namorado? “Com certeza, exige um pouco mais de dedicação, tolerância e muito companheirismo de ambas as partes. Mas nada é impossível. O amor move montanhas não é?”, finalizamuitobemLiviane.

O amor move montanhas não é?”, finalizamuitobemLiviane. Renata (com sua mãe e tia), Liviane e Fabiane

Renata (com sua mãe e tia), Liviane e Fabiane - Comissárias falam sobre suas realizações e sonhos

Renata (com sua mãe e tia), Liviane e Fabiane - Comissárias falam sobre suas realizações e
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