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ORGANIZAÇÃO E MÉTODO DE MIXAGEM

Escrito por João Paulo Lacerda. Aluno do quarto período do curso de Gravação e Produção fonográfica. Universidade Estácio de Sá

25/05/2007

1º Passo

Escutar bem a música que se vai trabalhar mesmo ela não estando mixada. Conhecer bem seu estilo, escutar os instrumentos detalhadamente, mesmo já conhecendo a música.

2º Passo

Definir os parâmetros. Decidir quais instrumentos precisará de tal compressão, de certa equalização, GATES, REVERBS, efeitos e tratamento em geral.

3º Passo

Organização da mixagem. Neste passo é que traçamos nossos objetivos na mixagem, ou seja fazemos a mixagem acontecer, com começo meio e fim.

Criar os canais Auxiliares para os diferentes REVERBS, neste caso usará quatro tipos de REVERBS, cada um com sua função. Efeitos como DELAY, CHORUS, FLANGER, PHASER, ECO etc. São adicionados na sessão da mesma forma que os REVERBS serão adicionados, criando canais auxiliares e endereçando-os aos tracks desejados.

CANAL AUXILIAR DO REVERB DA BATERIA

aos tracks desejados. CANAL AUXILIAR DO REVERB DA BATERIA Inserir o PLUGIN de REVERB no INSERT

Inserir o PLUGIN de REVERB no INSERT do canal auxiliar e endereçar o input do mesmo para o BUS desejado. Neste caso no 1-2. Para bateria aconselha-se usar um REVERB com configurações de PLATE.

CANAL AUXILIAR DO REVERB DOS INSTRUMENTOS HARMÔNICOS

PLATE. CANAL AUXILIAR DO REVERB DOS INSTRUMENTOS HARMÔNICOS Inserir o PLUGIN de REVERB no INSERT do

Inserir o PLUGIN de REVERB no INSERT do canal auxiliar e endereçar o input do mesmo para o BUS desejado. Neste caso no 3-4. Para Instrumentos harmônicos aconselha-se usar um REVERB com configurações de simulações de ambiência, como HALL, CHAMBERS, CHURCH.

CANAL AUXILIAR DO REVERB DA VOZ

como HALL, CHAMBERS, CHURCH. CANAL AUXILIAR DO REVERB DA VOZ Inserir o PLUGIN de REVERB no

Inserir o PLUGIN de REVERB no INSERT do canal auxiliar e endereçar o input do mesmo para o BUS desejado. Neste caso no 5-6. Para voz aconselha-se usar um REVERB com configurações de PLATE, mas uma configuração diferente da bateria.

CANAL AUXILIAR DO REVERB DOS BACKING VOCALS

CANAL AUXILIAR DO REVERB DOS BACKING VOCALS Inserir o PLUGIN de REVERB no INSERT do canal

Inserir o PLUGIN de REVERB no INSERT do canal auxiliar e endereçar o input do mesmo para o BUS desejado. Neste caso no 1-2. Para backing vocals aconselha-se usar um REVERB com configurações de PLATE mas uma configuração diferente da voz principal e da bateria.

Criados os auxiliares de REVERB e efeitos adicionais, o próximo passo é trabalhar os instrumentos individualmente, nesta ordem que se segue.

CANAL DO BUMBO

individualmente, nesta ordem que se segue. CANAL DO BUMBO No canal do bumbo inserir um equalizador

No canal do bumbo inserir um equalizador para timbrar o instrumento, um compressor, para dar corpo e o ultimo PLUGIN deve ser o LIMITER para não deixar q uma parte mais alta do bumbo venha distorcer, mas cuidado pois o LIMITER se não for configurado corretamente, pode atenuar demais

o ataque do bumbo. Criar um SEND para o canal auxiliar com o REVERB da bateria, neste caso utiliza-se a mandada de BUS 1-2 e adicionar o mínimo de efeito só para “arredondar” o timbre do bumbo. Dicas para Timbrar o bumbo:

Para aumentar a maceta, um ganho de 2 a 4 Khz. Ressonância entre 50 e 100 Hz, cortar se necessário de

200 a 800 Hz (achar o ponto ótimo).

CANAL DA CAIXA

de 200 a 800 Hz (achar o ponto ótimo). CANAL DA CAIXA Na caixa inserir primeiramente

Na caixa inserir primeiramente um PLUGIN de GATE para atenuar vazamentos do hi hat, tornando assim um som “mais limpo”, apos configurar o GATE, inserir um equalizador para timbrar a caixa e um compressor para encorpar a caixa e um LIMITER para não “clipar” qualquer sinal mais alto.

Criar um SEND para o canal auxiliar com o REVERB da bateria, neste caso utiliza-se a mandada de BUS 1-2 e adicionar um pouco mais de efeito em relação à bateria toda. Dicas para timbrar a caixa:

Dar um “brilho” entre 3 a 5 Khz, “peso” de 200 a 400 Hz, “estalo” de

500 a 700 Hz.

CANAIS DOS TONS E SURDO

CANAIS DOS TONS E SURDO Nos Tons e surdo, primeiro faz-se a configuração de PAN (L
CANAIS DOS TONS E SURDO Nos Tons e surdo, primeiro faz-se a configuração de PAN (L
CANAIS DOS TONS E SURDO Nos Tons e surdo, primeiro faz-se a configuração de PAN (L

Nos Tons e surdo, primeiro faz-se a configuração de PAN (L e R) procurando respeitar o setup da bateria gravada, e logo após fazer a limpeza dos tracks, eliminando tudo àquilo que não faz parte do instrumento, como por exemplo vazamento de caixa, hi hat, e overs. Para fazer isso podemos usar o STRIP SILENCE do Pro Tools, ou editar manualmente essas partes indesejáveis da região. Feito isso inserir um equalizador para timbrar o instrumento, um compressor para dar um “corpo” e um LIMITER para evitar algum tipo de distorção em um ataque mais forte dos instrumentos. Dicas para timbrar os Tons:

Ganho para dar um peso de 150 a 300 Hz, baqueta entre 2Khz e 4Khz. Atenuar de 400 a 800Hz, e se necessário atenuar entre 1 e 1.8 Khz, e no surdo, quase o mesmo do que nos tons, mas é bom dar um brilho a mais nas médias altas e a ressonância é um pouco mais grave.

CANAL AUXILIAR DOS TONS E SURDO

é um pouco mais grave. CANAL AUXILIAR DOS TONS E SURDO É aconselhável criar um canal

É aconselhável criar um canal auxiliar estéreo para os Tons e surdo, para otimizar a inserção do REVERB, criado este canal auxiliar, endereçar os tons e surdo para este canal, neste caso utiliza-se a mandada de BUS 9-10. Após endereçar os tons e surdo para este canal, cria-se um SEND para o canal auxiliar com o REVERB da bateria, neste caso utiliza-se a mandada de BUS 1-2 e adicionar o efeito só para “arredondar” e dar uma sala no timbre dos tons e do surdo.

CANAL DO HI HAT

CANAL DO HI HAT No hi hat, inserir um equalizador para timbrá-lo somente. Regular o PAN

No hi hat, inserir um equalizador para timbrá-lo somente. Regular o PAN (L e R) entre 40 e 70 para a direita (R). Dicas para timbrar o Hi Hat:

Atenuar bruscamente freqüências abaixo de 1.5Khz e se necessário dar um “brilho” entre 8 e 12Khz.

CANAL DOS OVERS

dar um “brilho” entre 8 e 12Khz. CANAL DOS OVERS CANAL DO BAIXO Nos overs inserir

CANAL DO BAIXO

Nos overs inserir um equalizador para timbrar o instrumento e um compressor para “encorpá-lo” se necessário. Criar um SEND para o canal auxiliar com o REVERB da bateria, neste caso utiliza-se a mandada de BUS 1-2 e adicionar o efeito para dar sala nos Overs, mas cuidado com exageros, que podem acabar “embolando” toda a bateria. Dicas para timbrar os overs:

Cortar freqüências abaixo de 800 a 1.6Khz, quando freqüências média- baixas não forem necessárias, e dar um brilho se necessário entre 6 e

8Khz.

necessárias, e dar um brilho se necessário entre 6 e 8Khz. No Baixo inserir um equalizador

No Baixo inserir um equalizador para timbrá-lo, um compressor para dar um “corpo” e um LIMITER para não deixá-lo distorcer. Criar um SEND para o canal auxiliar com o REVERB da bateria, neste caso utiliza-se a mandada de BUS 1-2 e adicionar o mínimo de efeito só para “arredondar” o timbre do baixo, pode ser a mesma quantidade usada no bumbo. Dicas para timbrar o baixo:

Ganho na pegada entre 700hz a 1Khz, e nas fundamentais entre 60 e 80Hz se necessário, atenuar em 300Hz, e dar um ganho de 2 a 5Khz para aumentar a definição, fazer o baixo “cantar”. Eliminar ruídos de paleta e execução atenuando entre 4 e 5Khz.

CANAL DO TECLADO

CANAL DO TECLADO CANAL DE VOZ No teclado inserir um equalizador para timbrá-lo, a compressão fica

CANAL DE VOZ

CANAL DO TECLADO CANAL DE VOZ No teclado inserir um equalizador para timbrá-lo, a compressão fica

No teclado inserir um equalizador para timbrá-lo, a compressão fica ao critério do profissional. Equilibrar o PAN (L e R) com algum outro instrumento harmônico. Se não houver outro, deixá-lo no centro, ou escolher um lado que ele se encaixa melhor na música. Criar um SEND para o canal auxiliar com o REVERB dos instrumentos harmônicos, neste caso utiliza-se a mandada de BUS 3-4 e adicionar a quantidade de efeito desejado. Dicas para timbrar teclados:

Como isso depende do timbre que foi usado no teclado, escutá-lo no meio da música e se estiver conflitando com algum outro instrumento atenuá-lo na região onde ele está embolando, se isso não adiantar, refaça o arranjo. Colocá-lo num plano ao fundo da música.

Na voz se necessário utiliza-se um PLUGIN para afinação da voz, como MELODYNE, AUTO-TUNE e TUNE PRO. Após a voz afinada inserir um equalizador para a timbragem, um compressor para encorpar e timbrar e um LIMITER para evitar q a voz “clipe” em certas passagens mais altas. Criar um SEND para o canal auxiliar com o REVERB da voz, neste caso utiliza-se a mandada de BUS 5-6 e adicionar a quantidade de efeito desejada. Dicas para timbrar a voz:

Cortar PUFFS abaixo de 80Hz, profundidade entre 120 e 250Hz, se necessário atenuar de 400 a 700Hz, ganho entre 3 e 5Khz para dar nitidez e “brilho” entre 7.5 a 10Khz.

CANAIS DE BACKING VOCALS

CANAIS DE BACKING VOCALS Nos backing vocals primeiramente faz-se a configuração de PAN (L e R)

Nos backing vocals primeiramente faz-se a configuração de PAN (L e R) balanceando as vozes entre si. Depois de feito o balanceamento dos tracks, e aconselhável criar um canal auxiliar para esses vocais, utilizando assim os mesmos PLUGINS e configuração para todos os backings, poupando tempo e processamento do computador. Ao criar o canal auxiliar estéreo endereçar os tracks dos Backing Vocals para este canal auxiliar, que neste caso utiliza-se a mandada de BUS 11-12. Após este processo inserir um equalizador e um compressor para a timbragem das vozes. Criar um SEND para o canal auxiliar com o REVERB dos backing vocals, neste caso utiliza-se a mandada de BUS 7-8 e adicionar a quantidade de efeito desejada. Dicas para timbrar os backing vocals:

Cortar freqüências baixas para não conflitar com a voz principal e colocar as vozes num plano atrás da voz principal.

CANAL DOS INSTRUMENTOS DE DETALHE

atrás da voz principal. CANAL DOS INSTRUMENTOS DE DETALHE Nos instrumentos q fazem somente detalhes na

Nos instrumentos q fazem somente detalhes na música, muitas vezes guitarras, teclas, sopors, primeiramente inserir um equalizador e um compressor para timbragem e depois de timbrado(s) o(s) instrumento(s), balanceamos o PAN (L e R) entre eles se tiver mais de um instrumento fazendo os detalhes. Se não tiver escolhemos o lado que ele melhor se encaixar na música. Criar um SEND para o canal auxiliar com o REVERB dos instrumentos harmônicos, neste caso utiliza-se a mandada de BUS 3-4 e adicionar a quantidade de efeito desejada. Colocar esses instrumentos, num plano entre a voz e os instrumentos q faz a harmonia da música.

CANAL DA GUITARRA

CANAL DA GUITARRA Na guitarra inserir um equalizador para timbrá-lo, e um compressor para dar “peso”.

Na guitarra inserir um equalizador

para timbrá-lo, e um compressor para dar “peso”. Equilibrar o PAN (L

e R) com algum outro instrumento

harmônico. Se não houver outro, deixá-la no centro, estereofonizar, ou escolher um lado que ele se encaixa melhor na música. Criar um SEND para o canal auxiliar com o REVERB dos instrumentos harmônicos, neste caso utiliza-se a mandada de BUS 3-4 e adicionar a quantidade de efeito desejado. Dicas para timbrar a guitarra:

“Peso” de 180 a 500Hz, atenuar se necessário médios de 800Hz a 1.6Khz. Ganho de 2 a 5Khz, bom para os solos, mas cuidado para não “embolar” com a voz.

CANAL DE INSTRUMENTOS SOLO

não “embolar” com a voz. CANAL DE INSTRUMENTOS SOLO CANAL VIOLÃO No instrumento de solo, inserir

CANAL VIOLÃO

com a voz. CANAL DE INSTRUMENTOS SOLO CANAL VIOLÃO No instrumento de solo, inserir um equalizador

No instrumento de solo, inserir um equalizador e um compressor para timbrá-lo, PAN (L e R) no centro.

Criar um SEND para o canal auxiliar com o REVERB da voz, neste caso utiliza-se a mandada de BUS 5-6 e adicionar a quantidade de efeito desejado. Dicas para timbragem desse

instrumento:

Timbrá-lo de acordo com seu perfil,

e colocá-lo no mesmo plano que a voz principal na música.

No violão inserir um equalizador para timbrá-lo, e um compressor

para dar “peso”. Equilibrar o PAN (L

e R) com algum outro instrumento

harmônico. Se não houver outro, deixá-la no centro, estereofonizar, ou escolher um lado que ele se encaixa melhor na música. Criar um SEND para o canal auxiliar com o REVERB dos instrumentos harmônicos, neste caso utiliza-se a mandada de BUS 3-4 e adicionar a quantidade de efeito desejado. Dicas para timbrar o violão:

Atenuar ressonância indesejável no tampo em 180Hz, retira excessos entre 150 e 300Hz, dar um “brilho” se necessário entre 2 e 5Khz. Se for violão base, valorizar mais as médias-altas do que o resto.

CANAIS DE PERCUSSÃO

CANAIS DE PERCUSSÃO CANAL MASTER Nos instrumentos de percussão a configuração é praticamente a mesma para

CANAL MASTER

Nos instrumentos de percussão a configuração é praticamente a mesma para as peças da bateria, primeiro faz-se a configuração de PAN (L e R) procurando respeitar o setup da percussão gravada, e logo após inserir um equalizador para timbrar o instrumento, e um compressor para dar um “corpo” onde necessário. Criar um SEND para o canal auxiliar com o REVERB da bateria, neste caso utiliza-se a mandada de BUS 1-2 e adicionar o efeito de acordo com os instrumentos semelhantes aos da bateria. Dicas para timbrar a percussão:

Vai depender da qualidade do instrumento, mas geralmente usam- se as mesmas configurações dos instrumentos semelhantes que se encontram na bateria.

dos instrumentos semelhantes que se encontram na bateria. Criar um canal MASTER para que seja feito

Criar um canal MASTER para que seja feito o BOUNCE, neste caso usa-se a saída 1-2 da placa de som. Configurar o volume para o máximo possível sem “clipar” o áudio. Não inserir nenhum PLUGIN neste canal, nem o DITHER, pois estamos na etapa de mixagem e não masterização e fazer o BOUNCE em 24 Bits levando-se em conta que os instrumentos foram gravados nessa configuração, para que no futuro possa fazer a masterização com o arquivo na sua qualidade original.

Na arte de mixar não existem regras, mas você pode usar estes conceitos como um ponto de partida em seus trabalhos. Um abraço e boas mixagens. João Paulo Lacerda.