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1Foucault faz a abertura do capítulo

1. Corpos dóceis fazendo uma abordagem sobre o corpo do soldado. Segundo ele, a
representação da força e da valentia representada no corpo do soldado do século XVII
contrasta –se com a figura do soldado do século XVIII em que, o soldado com seu corpo
inapto, tornou – se um corpo que se fabrica conforme as necessidades. Segundo Foucault, na
época clássica o corpo foi descoberto como objeto e alvo de poder e, através da Disciplina
pode ser modelado e controlado . Através da disciplina que manipula, que treina e que
controla temos um Corpo dócil. Ou, como diz Foucault: “a disciplina fabrica assim corpos
submissos e exercitados, corpos ‘dóceis’”. (FOUCAULT, 1995, p.127. Essa disciplina que
“produz” corpos dóceis é uma forma de dominação. Refere – se a uma arte do corpo em que
“o corpo humano entra numa maquinaria de poder que o esquadrinha, o desarticula e o
recompõe. Uma ‘anatomia política’, que é também igualmente uma ‘mecânica do poder’”
(FOUCAULT, 1995, p. 127) , tornando este corpo tanto mais obediente quanto útil. Por meio
desses métodos “coercitivos” disciplinares obtém – se assim o controle minuncioso das
operações corporais, sujeitando o indivíduo a uma espécie de relação de docilidade e
utilidade. Dessa forma, quanto mais dócil, mais útil o torna.

Na disciplinarização dos indivíduos, as forças devem se fundirem. Para isso, é necessário que
todos os indivíduos conheçam e obedeçam os mesmos
1. sinais da disciplina para que haja uma articulação dos corpos e, consequentemente, uma
harmonia dos gestos e uma eficiência da ação final. Foucault nos da como exemplo de fusão
de forças de comando a harmonia da marcha de uma tropa militar após receber uma ordem de
comando por sinais. Neste sentido, diz Foucault que ; “o corpo singular torna-se um elemento,
que se pode colocar, mover, articular com outros” e, assim “o soldado cujo Corpo foi treinado
para funcionar peça por peça para operações determinadas deve por sua vez formar elemento
num mecanismo de outro nível. As forças se fundem e, torna-se, assim, portador de um
corpo dócil e disciplinado.
O horário tem um papel importante no controle disciplinar. O tempo “
1. penetra” o corpo e os mecanismos de poder ficam mais exacerbados. As disciplinas
atendem a necessidade de reduzir o dispêndio de tempo, capitalizando –o e tornando- o mais
produtivo. Assim, o tempo é colocado em forma de seqüência de movimentos,
determinando uma seqüência temporal para cada tarefa exercida, tanto nas escolas, nos
quartéis, quanto nas fábricas. O horário como forma de controle compõe-se de três grandes
processos: estabelecer as censuras, regulamentar os ciclos de repetição e obrigar a ocupações
determinadas. Foucault afirma que “as disciplinas, que analisam o espaço, que decompõem e
recompõem as atividades, devem ser também compreendidas como aparelhos para adicionar e
capitalizar o tempo.” (FOUCAULT: 1995, p. 142 – 3). Segundo Foucault; pela elaboração
temporal do ato, constrói-se um programa, que divide o tempo em fases, e o comportamento
corporal, que passa a ser minunciosamente controlado em função do tempo. Com isso, “o
tempo penetra o corpo, e com ele todos os controles minunciosos do poder” (FOUCAULT:
1995, p. 138) que objetiva controlar as ações dos sujeitos e/ou indivíduos.