Direito Processual Penal II – Aspectos Gerais

Bel Jéferson Botelho
• • • • • • Professor de Direito Penal I e III do Instituto de Ensino Superior Integrado – IESI/FENORD; Professor de Direito Processual I do Instituto de Ensino Superior Integrado – IESI/FENORD; Professor de Direito Penal I, II e IV - Faculdades Doctum – Teófilo Otoni-MG Professor de Instituições de Direito Público e Privado, do Instituto de Ensino Superior Integrado – IESI/FENORD; Doutorando em Ciências Jurídicas e Sociais pela Universidade de Buenos Aires – Argentina; Pós-Graduado em Direito Penal e Processo Penal – pela Faculdade de Direito do Vale do Rio Doce em Governador Valadares-MG; • Delegado de Polícia – Classe Especial, Titular da Divisão de Tóxicos e Entorpecentes em Teófilo Otoni-MG.

Dedicação: Como professor, dedico essas primeiras linhas aos meus alunos; como aluno, dedico à minha mãe Júlia Botelho, minha professora de Direito e da vida.

A você, meu encanto de mulher, musa dos meus sonhos.

Agradecimentos: A Deus, pela luz, sabedoria, pela luta constante, pelo amor e pela vida. Aos meus professores: • • • • • • • • • • Professor Waldemar Rodrigues; Professor Geraldo Barbosa; Professor João Francisco; Professor Péricles Gannen; Professor Carlos Antônio: Professora Sônia: Professor Ranufo; Professor Márcio Rogério: Professor Francisco Willian; Professor Joaquim; • Professor Waldemiz Vieira Santos; • Professora Márcia Turetta; • Professor Nairton Magalhães; • Professor Geraldo Pacífico; • Professor Rubens Gabriel Soares; • Professora Darcilene. Aos quais devo o exemplo de dedicação, abnegação e admiração pela Ciência Jurídica.

procuramos apresentar conhecimentos e noções gerais sobre matéria probatória. contribuindo. destarte. citações e intimações e sentença.Apresentação: O Direito Processual Penal é o ramo do ordenamento jurídico responsável pela definição das normas de aplicação do direito penal. anotações acerca do instituto da prisão e da liberdade provisória. estabelecendo um processo ético e civilizado a quem tenha praticado um fato definido como crime.Teófilo Otoni/MG. Sucesso! . despertando em todos a motivação em investigar esse instigante ramo do Direito. sem nenhuma intenção de esgotar os temas. Neste ensaio. Um abraço a todos. sujeitos processuais. mas com o escopo precípuo de orientar o estudo dos ilustres acadêmicos do 8º Período do Instituto de Ensino Superior Integrado – IESI/FENORD . para a construção de uma formação sólida de conhecimentos. atos processuais.

serei obrigado a soltar” (Ministro do STF – Gilmar Mendes). mas exemplificativa. Considerações gerais Para que o juiz declare a existência da responsabilidade criminal e imponha sanção penal a uma determinada pessoa. por vez que admite-se em nosso direito as chamadas provas inominadas. arts. arrumarem provas frágeis e produzirem acusações inconsistentes ou infantis. é necessário que adquira a certeza de que foi cometido um ilícito penal e que seja ela a autora. ou seja. 155 a 250 ) não é exaustiva.Teoria Geral da Prova: “Toda vez que a Polícia e o Ministério Público forem incompetentes na investigação. A previsão legal das provas (CPP. aquelas não previstas expressamente na legislação. .

inadmissíveis no PROVA: Conceito: “É o instrumento usado pelos sujeitos processuais para comprovar os fatos da causa.690/2008. 156 e 157 do CPP. 155. (Edílson Mougenot Bonfim – Curso de Processo Penal – pág. repetíveis processo. com nova redação determinada pela a Lei 11. isto é. ressalvadas antecipadas. . praticamente orientando sobre a não fundamentação da decisão e em elementos provas e exclusivamente cautelares também não sobre informativos. aquelas alegações que são deduzidas pelas partes como fundamento para o exercício da tutela jurisdicional”.As disposições gerais em matéria probatória foram tratadas em três artigos. desentranhamento de provas ilícitas. 289).

como ator detentor de poderes instrutórios. da falsidade ou veracidade de uma afirmação” (Fernando Capez – Curso de Processo Penal – pág. 249 ) “ são todos os atos realizados pelas partes.“Do latim probatio. 259) “Conjunto de atos praticados pelas partes. e não um mero expectador do drama processual. com o fim de aplicar a verdadeira justiça no caso concreto”. (Professor Jeferson Botelho) Objeto da prova: É toda circunstância. por terceiros e até pelo juiz para averiguar e formar a convicção deste último” ( Mirabete – Processo Penal – pág. ou até mesmo pelo juiz. pelo juiz e por terceiros destinados a levar ao magistrado a convicção acerca da existência ou inexistência de um fato. e que precisam . é o conjunto de atos praticados pelas partes. fato ou alegação referente ao litígio sobre os quais pesa incerteza. visando estabelecer a verdade material dos fatos.

Dispensa o exame cadavérico interno. . Ex. pois a causa morte é evidente. Fatos notórios são aqueles cujo conhecimento faz parte da cultura de uma sociedade.: Não precisa provar que a água molha e o fogo queima e que a moeda do País desde 1994 é o real. Ex.: Um ciclista é atropelado por uma carreta e seu corpo é dividido em pedaços. A evidência nada mais é do que um grau de certeza que se tem dos conhecimentos sobre algo.ser demonstrados perante o juiz para o deslinde da causa. Não é preciso provar que 7 de setembro comemora-se o dia da Independência e que o Cruzeiro é o melhor time do Brasil. não precisam – ou não podem – ser provados: Os fatos notórios: Aplica-se o princípio do notorium non eget probatione – o notório não precisa de prova. 1) 2) Fatos axiomáticos ou intuitivos: aqueles que são evidentes. Alegações excluídas da atividade probatória: Não processo penal.

3)

Presunções legais: São conclusões decorrentes da
própria lei, podendo ser absolutas (júris et de jure) ou relativas (juris tantum). Ex.: a acusação não poderá provar que um menor de 18 anos tinha capacidade plena de entender o caráter criminoso do fato, pois a lei presume sua incapacidade de modo absoluto. Alguém que pratica um crime em estado de embriaguez completa, provocada por ingestão voluntária de álcool, não poderá provar que no momento da infração não sabia o que estava fazendo, pois a lei presume sua responsabilidade sem admitir prova em contrário (actio libera in causa – a sua ação foi livre na causa).

4)

Fatos inúteis: São os fatos, verdadeiros ou não, que
não influenciam na solução da causa, na apuração da verdade real. Ex.: a testemunha afirma que o crime se deu em momento próximo ao jantar e o juiz pergunta quais os pratos que foram servidos durante a refeição.

Fatos que dependem de prova:

Todos os fatos restantes devem ser provados, inclusive o fato admitido ou aceito (também chamado fato incontroverso, porque admitido pelas partes). Nesse caso, diferente do que ocorre no processo civil, existe a necessidade da produção probatória porque o juiz pode questionar o que lhe pareça duvidoso ou suspeito, não estando obrigado à aceitação pura e simples do alegado uniformemente pelas partes.

Para a produção das provas necessita-se que a prova seja:
Admissível: É toda aquela permitida pela lei ou
costumes judiciários. Também conhecida como prova genética.

a)

b)

Pertinente ou fundada: É aquela que tem relação
com o processo, contrapondo-se à prova inútil.

c)

Concludente: É aquela que visa esclarecer uma
questão controvertida.

d)

Possível de realização: Há de ser juridicamente
possível.

Prova do Direito:
O direito, em regra não carece de prova, na medida em que o magistrado é obrigado a conhecê-la, segundo o brocardo jurídico: “iure novit cúria”, ou seja, o juiz conhece o direito. Porém, toda vez que o direito invocado for estadual, municipal, alienígena ou o consuetudinário, caberá à parte alegante a prova do mesmo.

Classificação das provas:
Inúmeras são as classificações da prova: O professor

Fernando Capez apresenta a seguinte:

1)

Quanto ao objeto:

Direta: quando por si demonstra um fato, dando a
certeza dele por meio de testemunhas, documentos.

. • Pessoal: São aquelas que encontram a sua origem na pessoa humana. os depoimentos ). 2) valor: • Quanto ao efeito ou Plena: É aquela completa. 3) causa: • Quanto ao sujeito ou Real: São as provas consistentes em uma coisa externa e distinta da pessoa. como arresto. • Não plena ou indiciária: uma probabilidade de procedência da alegação. convincente ou necessária para formação de um juízo de certeza no julgador. como as realizadas através de declaração ou narração do que se sabe ( interrogatório. suficiente para medidas preliminares. seqüestro.• Indireta: quando alcança o fato principal por meio de um raciocínio lógico-dedutivo. consistente em afirmações pessoais e conscientes. arma. o cadáver. e que atestam dada afirmação (o lugar. prisão preventiva. .

Sistemas de apreciação: . A prova da alegação (ônus probandi) incumbe a quem a fizer (CPP. pelos meios admissíveis. da culpabilidade e da punibilidade.: 1) Cabe ao MP: provar a existência do fato criminoso. • • Documental: produzida por meio de documentos. a prova dos elementos subjetivos – dolo ou culpa.4) aparência: • Quanto à forma ou Testemunhal: resultante do depoimento prestado por sujeito estranho ao processo sobre fatos de seu conhecimento pertinentes ao litígio. 2) Cabe ao acusado: as causas excludentes da ilicitude. corpo de delito etc ) Ônus da prova: É o encargo que têm os litigantes de provar. caput ). vistorias. Ex. físico ou biológico ( ex. Material: obtida por meio químico.: exames. a verdade dos fatos. a autoria. 156.

estando o juiz limitado a prova perícia. não se admitindo prova testemunhal. art. da verdade formal ou tarifado: a lei impõe ao juiz o rigoroso acatamento a regras preestabelecidas.: art. 155. • Sistema da íntima convicção – certeza moral do juiz: a lei concede ao juiz ilimitada liberdade para decidir como quiser. nem a confissão do acusado supre a falta do ACD. 158 .. não deixando nenhuma convicção pessoal ao magistrado na valoração do contexto probatório. Vigora entre nós como exceção. as quais atribuem de início o valor da prova. nas decisões proferidas pelo júri. Somente vigora como exceção: Ex. todos do CPP. . da verdade legal – certeza moral do legislador. sem necessidade de fundamentação. nas quais o jurado profere seu voto. • Sistema da prova legal. estado de pessoas somente se prova através de certidão. não fixando qualquer regra de valoração de provas. Parágrafo único. quando a infração deixar vestígios.Com a evolução da justiça penal sofreram profundas alterações dos sistemas de apreciação das provas.

Não pode o juiz buscar como fundamento elementos estranhos aos autos (quod neon est in actis non est in mundo).”. não estando preso a qualquer critério legal de prefixação de valores probatórios.• Sistema da livre convicção – verdade real ou livre convencimento – ou princípio da persuasão racional: O juiz tem liberdade para formar a sua convicção. Essa liberdade não é absoluta.. É o sistema adotado pelo CPP. sendo necessária devida fundamentação.. O juiz decide livremente de acordo com sua consciência. artigo 155. Princípios da prova: A doutrina majoritária costuma apontar alguns princípios que regem a matéria probatória: . mas deve explicitar motivadamente as razões de sua opção. que dispõe: “O juiz forma sua convicção pela livre apreciação da prova produzida em contraditório judicial.

4) Princípio da oralidade: deve haver a predominância da palavra falada (depoimentos. as provas produzidas servem a ambos os litigantes e ao interesse da justiça. erro ou atos intencionais. As provas.1) Princípio da auto-responsabilidade das provas: as partes assumem as conseqüências de sua inatividade. 5) Princípio da concentração: como conseqüência do princípio da oralidade. não sendo admissível a produção de uma delas sem o conhecimento da outra parte. decorrem outros dois subprincípios. na realidade pertencem ao processo. alegações). o da imediatidade do juiz com as partes e com as provas e o da concentração. até porque são destinadas à formação da convicção do órgão julgador. 3) Princípio da aquisição ou comunhão: Não campo penal. busca-se concentrar toda a . não há prova pertencente a uma das partes. 2) Princípio da audiência contraditória: toda prova admite a contraprova. quais sejam. Como colorário desse princípio. debates.

6) Princípio da publicidade: os atos judiciais (e portanto. a produção de provas) são públicos. A prova que se achar em território fora da jurisdição competente para o julgamento da demanda deverá ser produzida no local em que se encontrar. logo. de 20 de junho de 2008 e art. § 2º. admitindose somente como exceção o segredo de justiça. o julgador tem liberdade de apreciação. limitando apenas aos fatos e circunstâncias constantes nos autos.689. § 1º. Prova fora da terra: É aquela que deve ser produzida em território sob jurisdição diversa da do juiz da causa. 411. de 09 de junho de 2008. da Lei 11. São condições de existência da prova de fora da terra: • a) a que o sujeito da prova se encontre em território fora da jurisdição do juiz da causa.719.produção da prova na audiência. Art. 7) Princípio do livre convencimento motivado: as provas não são valoradas previamente pela legislação. da Lei 11. . 400.

quando se demonstrar o perigo do demora natural do processo principal. objetivando prevenilo de conseqüências futuras. Pode ser feita: preventivamente: como simples medida • assecuratória de um direito. . Prova antecipada: É aquela produzida antes do momento destinado à instrução processual.• que a prova seja admissível e não possua caráter protelatório. providência em face da preparatória. • cautelarmente: desaparecimento da como evidência.

Além de confessar a autoria de um delito. ou que vai viajar. pois não foi produzida sob o crivo do contraditório empréstimo. ao ser interrogado em juízo ou ouvido na polícia. igualmente atribui a um terceiro a participação como seu comparsa. mas que ainda não atingiu a fase instrutória.: uma testemunha enferma. deve ser encarada com reserva pelo juiz. pois estes fatos ameaçam perder seu depoimento.Ex. para ser ouvida antes da audiência.• medida cautelar incidental: como medida cautelar incidental a uma ação já em andamento. que a que tomou passe por pelo desde contraditório e ampla defesa. Prova emprestada: É a prova trasladada de um processo para outro. do É processo válida. Delação: Consiste na afirmativa feita por um acusado. . Embora atenda aos reclamos da economia processual.

Lei 9.807/99: art. possibilitando seu desmantelamento.“nos crimes praticados em organização criminosa.034/95: art. quando a colaboração espontânea do agente levar ao esclarecimento de infrações penais e sua autoria”. parágrafo único – “o participante e o associado que denunciar à autoridade o bando ou quadrilha. terá a pena reduzida de 1(um) a 2/3 (dois terços)”. O instituto da delação premiada vem previsto nas seguintes leis: 1) Lei 8. 8º. preenchidos os requisitos legais. a pena será reduzida de um a 2/3 (dois terços). 6º . 14 – “o indiciado ou acusado que colaborar voluntariamente com a investigação policial e o processo criminal na identificação dos demais co-autores ou partícipes . é contemplado com o benefício da redução obrigatória da pena. 2) 3) Lei 9.072/90: art.O delator.

o co-autor ou partícipe que através de confissão espontânea revelar à autoridade policial ou judicial toda a trama delituosa terá sua pena reduzida de 1(um) a 2/3(dois terços)”. direitos e valores objeto do crime”. Lei 8. no caso de condenação. terá sua pena reduzida de 1(um) a 2/3(dois terços)”. 5) . parágrafo único – “nos crimes previstos nesta Lei. na localização da vítima com vida e na recuperação total ou parcial do produto do crime. co-autor ou partícipe prestando colaborar com as que autoridades. § 5º . conduzam à esclarecimentos 4) apuração das infrações penais e de sua autoria ou à localização dos bens.“a pena será reduzida de 1(um) a 2/3 (dois terços) e começará a ser cumprida em regime aberto.137/90: art. cometidos em quadrilha ou co-autoria. podendo o juiz deixar de aplicá-la ou substituí-la por pena restritiva de direitos. 1º. se o autor. Lei 9. 16.613/98: art.do crime.

do Código Penal Brasileiro: “Se o crime é cometido o em à concurso. terá pena reduzida de um terço a dois terços”. Art. 159. terá sua pena reduzida de um a dois terços”. § 4º.343/06: art. sendo esta a única oportunidade de se manifestar a respeito dos fatos a ele imputados. A delação. não foi regulamentada pelo nosso CPP. o único ato processual em que pode ser feita e o interrogatório judicial. Desse modo. 7) facilitando a liberação do seqüestrado. a despeito de se encontrar disciplinada nos diversos diplomas mencionados.6) Lei 11. . o concorrente que denunciar autoridade. 41 – “o indiciado ou acusado que colaborar voluntariamente com a investigação policial e o processo criminal na identificação dos demais co-autores ou partícipes do crime e na recuperação total ou parcial do produto do crime. no caso de condenação.

de 09 de junho de 2008. Exame de corpo de delito e perícias em geral: Base legal: art. Classificação das infrações: 1) Há infrações que deixam vestígios: delicta facti permanentis.690. Não se restringe aos vestígios relativos ao corpo físico da vítima do delito. 158 e ss do CPP. nada impede seja a delação levada em conta para fundamentar a sentença condenatória. 2) Há infrações que não deixam vestígios: delicta facti transeuntis: . com nova redação determinada pela Lei 11.Quanto ao seu valor probatório. O que se entende por Corpo de Delito? Conjunto de vestígios materiais deixados pelo crime.

artigo 158 do CPP.“Quando a infração deixar vestígios. o exame será realizado: • portadores de diploma de curso superior. Realização do exame: curso superior. • prestação de compromisso de bem e fielmente desempenhar o encargo. perito oficial portador de Ausência de perito oficial: • duas pessoas idôneas. Ausência do exame: nulidade absoluta: artigo 564. não podendo supri-lo a confissão do acusado” . será indispensável o exame de corpo de delito. do CPP. III. b. Modalidade de exames . • preferencialmente na área específica. direito ou indireto.

só poderá ser feita após decorridas 6 horas do óbito. tanatopsia ou autópsia consiste inicialmente no exame exterior realizado em cadáver (indumentária e eventuais objetos nele presentes). em seu artigo 77. Exame Necroscópico: A necropsia. para em seguida efetivarse o exame de suas partes internas a fim de estabelecer a causa mortis e outros elementos pertinentes ao fato.Exame de corpo de delito e a Lei 9. Em regra.099/95. não houver infração penal que apurar. . o que 1) nos casos de morte violenta. dispensa o exame de corpo de delito para o oferecimento da denúncia quando a materialidade do crime estiver aferida por boletim médico ou por prova equivalente.099/95. § 1º. salvo se os peritos justificadamente consignação no respectivo auto. Poderá ser dispensado o exame interno do cadáver sempre que: entenderem possível o exame antes do decurso desse lapso temporal. A Lei 9.

168 . Exumação: Se o cadáver já foi sepultado e houver necessidade de se proceder a exame cadavérico. 168 e parágrafos do CPP: Art. para a constatação da causa mortis.Em caso de lesões corporais. do ofendido ou do acusado. a fim de suprir-lhe a deficiência ou retificá-lo. os peritos terão presente o auto de corpo de delito. se o primeiro exame pericial tiver sido incompleto. de ofício. o exame. proceder-se-á à sua exumação. ou a requerimento do Ministério Público. ao desenterramento do cadáver. a seguir. Exame complementar: Assim dispõe o art. § 1º .2) quando as lesões externas permitirem precisar a causa da morte e não houver necessidade de exame interno para a verificação de circunstância relevante. . externo ou interno. proceder-se-á a exame complementar por determinação da autoridade policial ou judiciária. realizando-se. ou de seu defensor. isto é.No exame complementar.

Exame grafotécnico – exames dos escritos: Também chamado de exame caligráfico e. contado da data do crime. 177 .No exame por precatória. I. porém. 129. do Código Penal. O procedimento para a realização desse exame vem traçado no artigo 174 do CPP. deverá ser feito logo que decorra o prazo de 30 (trinta) dias. Exames por precatória: O procedimento é tratado no artigo 177 do CPP. § 3º . de exame de reconhecimento de escritos por comparação de letras. § 1º.Se o exame tiver por fim precisar a classificação do delito no art. Tem por fim a identificação do autor de determinado documento pela busca de idiossincrasias caligráficas na comparação entre um escrito e outros escritos de autoria comparada. a nomeação dos peritos far-se-á no juízo deprecado.§ 2º .A falta de exame complementar poderá ser suprida pela prova testemunhal. Havendo. in verbis: Art. no CPP. no caso de ação .

Para o efeito de exame do local onde houver sido praticada a infração. providenciando para que não se alterem o estado e conservação das coisas. a autoridade policial deverá: I . até a chegada dos peritos criminais. as conseqüências dessas alterações na dinâmica dos fatos. Exame do local do crime: É disciplinado no artigo 6º. desenhos ou esquemas elucidativos. Parágrafo único . 169 .dirigir-se ao local.Logo que tiver conhecimento da prática da infração penal. I. Art. as alterações do estado das coisas e discutirão. . a autoridade providenciará imediatamente para que não se altere o estado das coisas até a chegada dos peritos. no laudo. c/c artigo 169 e Parágrafo único do Código de Processo Penal. que poderão instruir seus laudos com fotografias. Parágrafo único .privada. acordo das partes. essa nomeação poderá ser feita pelo juiz deprecante.Os peritos registrarão. 6º . no relatório.Os quesitos do juiz e das partes serão transcritos na precatória. Art.

170 . 171 . além de descrever os vestígios.Nos crimes cometidos com destruição ou rompimento de obstáculo a subtração da coisa. o perigo que dele tiver . ou por meio de escalada.No caso de incêndio.Perícia de laboratório: Art.Se impossível a avaliação direta. Art. desenhos ou esquemas.Nas perícias de laboratório. à avaliação de coisas destruídas. deterioradas ou que constituam produto do crime. Sempre que conveniente. Art. os peritos. 172 . ou microfotográficas. Avaliação de coisas: Art. os peritos verificarão a causa e o lugar em que houver começado. 173 . por que meios e em que época presumem ter sido o fato praticado. os peritos procederão à avaliação por meio dos elementos existentes nos autos e dos que resultarem de diligências. os laudos serão ilustrados com provas fotográficas. Parágrafo único . os peritos guardarão material suficiente para a eventualidade de nova perícia. quando necessário. indicarão com que instrumentos.Proceder-se-á.

Para APF e denúncia do MP. . verificado por um perito que não fica impedido de funcionar no laudo definitivo. bem como o estado em que se Exame de toxicidade e – exame de constatação definitivo: químico-toxicológico Vem previsto na nova Lei sobre Drogas. O definitivo é realizado por dois peritos. sua aptidão para produzir o resultado. Lei 11. sendo imprescindível para o decreto condenatório. suas qualidades e características.resultado para a vida ou para o patrimônio alheio. Perícia dos instrumentos do crime: Os instrumentos do crime deverão ser submetidos a perícia para que se lhes possa verificar: a) a natureza. encontrava. ou seja.343/06. b) a eficiência. basta o laudo de constatação da natureza do produto e quantidade. a extensão do dano e o seu valor e as demais circunstâncias que interessarem à elucidação do fato. isto é.

Interrogatório do acusado: Previsão legal: arts.792/2003. com nova redação determinada pela Lei 10. no processo. no qual . na forma da Lei 9296/96.Transcrição e degravações: Atualmente verificadas em conversas telefônicas autorizadas pelo Poder Judiciário. na forma da Lei 9296/96. ou autoridade policial. Identificação fonográfica de locutor – Perícia Atualmente verificadas em conversas telefônicas autorizadas pelo Poder Judiciário. Conceito: É o ato processual conduzido pelo juiz. no Inquérito Policial. 185 a 196.

b) Interrogatório é meio de defesa: acusação. deles se defenda. Nele o acusado expõe a sua versão dos fatos. o interrogado. podendo se valer do direito constitucional do silêncio. deixando em segundo plano a função do interrogatório como meio de autodefesa do acusado. Se. atribuindo ao interrogatório natureza mista.o acusado ou indiciado é perguntado acerca dos fatos que lhe são imputados. que não pode ser tomando como prova contra o acusado/indiciado. Quanto à natureza. Exposição de motivos do CPP – item VII. contestando a c) Interrogatório defesa: é meio de prova e Concilia as duas anteriores. estará exercendo sua defesa. a doutrina se divide em três posições: a) Interrogatório é meio de prova: Dessa forma fornece ao Juiz elementos de convicção. abrindo-se oportunidade para que. é inegável que suas afirmações fornecerão . Essa é a opção do legislador ao tratá-lo no capítulo referente à prova. querendo. ao expor suas alegações. por um lado.

acabou por flexibilizar a judicialidade do interrogatório.792/03. A Lei 10. deve ser ele conduzido à vista de todos. Porque a presença do réu não pode ser substituída. da verdade. em que for aconselhável a decretação do sigilo. Características: É ato público: a) Salvo em algumas ocasiões. b) Personalíssimo: procuração. A nova lei conferiu caráter de contraditório. pois tornou obrigatória a presença do advogado. Conteúdo: É realizado em duas partes: . inexistindo o interrogatório por c) Oral: a manifestação do réu deverá ser reduzida a escrito por escrivão judicial.elementos que influirão na apuração. pelo julgador. d) Judicialidade: contato direto entre o juiz e o acusado.

vida pregressa. meio de vida e profissão. b) Interrogatório de mérito: será perguntado sobre: na segunda parte I – ser verdadeira a acusação que lhe é feita: II – não sendo verdadeira a acusação. VI – se conhece o instrumento com que foi praticada a infração. ou qualquer objeto que com esta se relacione e tenha sido apreendido. qual o juízo do processo. . se houve suspensão condicional ou condenação. e quais sejam. qual a pena imposta. IV – as provas já apuradas. V – se conhece as vítimas e testemunhas já inquiridas ou por inquirir. se conhece a pessoa ou pessoas a quem deve ser imputada a prática do crime. se foi preso ou processado. e desde quando. e se com elas esteve antes da prática da infração ou depois dela. caso positivo. se a cumpriu. lugar onde exerce sua atividade.a) Interrogatório de classificação: Refere-se à pessoa do acusado: sobre residência. III – onde estava ao tempo em que foi cometida a infração e se teve notícia desta. e se tem o que alegar contra elas. e outros dados familiares e sociais. se tem algum motivo particular a que atribuí-la. oportunidades sociais.

• Se o interrogando não souber falar a língua nacional. • Antes do ato o réu tem direito de entrevistar-se com seu advogado. do CPP. • Se o interrogando não souber escrever. III. Confissão: . não puder ou não quiser assinar. de ofício ou a pedido fundamentado de qualquer das partes. VIII – se tem algo mais a alegar em sua defesa. em virtude da obrigatoriedade do ato. e. Noções gerais: • A todo tempo poderá o juiz proceder a novo interrogatório. • A doutrina tem entendido que cabe condução coercitiva do réu para o interrogatório. 564. art. tal fato será consignado no termo.VII – todos os demais fatos e pormenores que conduzam à elucidação dos antecedentes e circunstâncias da infração. o interrogatório se dará por meio de intérprete. • Tramitando o processo com a presença do réu. a falta do interrogatório constitui causa de nulidade. muito embora tenha direito ao silêncio.

d) Verossimilhança da confissão. repudiando a parte que reputar inverossímil. da imputação que lhe feita. Características da confissão: O art. g) Coincidência entre o conteúdo da confissão e os demais elementos de prova existentes nos autos. causas e os fatos confessados. e) Clareza e existência de coerência entre os motivos. c) Pessoal. f) Persistência. 200 do CPP determina que a confissão será: • Divisível: traduz na possibilidade de que o juiz aceite a confissão parcialmente. . Para que seja reconhecida a confissão deverá ser: a) espontânea ou voluntária: b) Expressa. pelo indiciado ou acusado.É o reconhecimento.

a confissão era conhecida como regina probationum (rainha das provas). oferecendo nova versão dos fatos. • Extrajudicial: quando produzida em sede diversa. desdizendo o que foi dito. Quanto aos efeitos. pode ser: . a confissão poderá ser: judicial: • quando feita em juízo. Modalidades de confissão: Quanto à sede em que ocorra. Valor probatório: No tempo da prova legal.• Retratável: implica que o confitente a qualquer momento possa se retratar. valendo como prova plena da imputação.

mas apresenta em seu favor circunstâncias que excluam ou atenuam sua responsabilidade (p. Vale lembrar: Se o réu. a) quando realizada por inequívoca afirmativa de concordância com a imputação. implícita ou ficta: quando decorrer de presunção legal. poderá ser beneficiado com o perdão judicial ou diminuição da pena. mas alega tê-lo feito em legítima defesa) Quanto à forma. O processo penal brasileiro não admite a confissão tácita. . ex. será: expressa ou explícita: oralmente ou por escrito. b) qualificada: quando o réu reconhece a acusação.: admite que matou. vigendo a presunção de inocência e dispondo expressamente que o silêncio do acusado não importará em confissão. confessando o crime.a) simples: quando o confitente simplesmente admite a imputação que lhe é feita. b) Tácita.

A proteção à vítima vem disciplina na Lei 9. Conceito: Ofendido é a vítima. Prova testemunhal: 202 ao 225 do CPP. Perguntas ao ofendido: matéria disciplina no artigo 201 do CPP. mas apenas declarações. não comente o crime de falso testemunho. poderá determinar a condução coercitiva e responder pelo crime de desobediência.807/99. A matéria é disciplinada pela artigo 13. Por isso. Lei nº 9. Matéria disciplinada no artigo Testemunha: Conceito: É a pessoa estranha a processo – isto é. que não seja parte – chamada a juízo para narrar fatos dos quais . Importante: Não presta depoimento. Se regularmente intimado.São hipóteses de delação premiada. o sujeito passivo da infração penal. ou seja.807/99. não comparecer.

c) Numerárias número legal. que se apresentem relevantes para a causa. As testemunhas podem ser classificadas: Diretas ou indiretas: a) conforme deponham sobre fatos que tenham presenciado ou narrem fatos dos quais tiveram ciência por meio de terceiros. b) Próprias ou impróprias: impróprias as instrumentárias conforme deponham ou fedatárias. Nos termos do art. cuja ou não sobre fato objeto do processo. quando julgar necessário. .tenha tomado conhecimento. por ordem do juiz. caput. do CPP. ou ou extranumerárias: tenham sido ouvidas conforme tenham sido arroladas pelas partes. o juiz poderá ouvir outras testemunhas. dentro do independentemente de prévio arrolamento. além das indicadas pelas partes. São testemunhas presença em determinados atos os torna legítimos. 209.

ser prestado por escrito (art. Existem algumas exceções à regra da oralidade: • o Presidente e Vice-Presidente Senado Federal. É necessário que a oitiva se faça pelo próprio juiz.CPP. da da República. § 1º. breve consulta a apontamentos. em regra. 209. 204 do CPP).d) Informantes: Referidas: são aquelas que não prestam compromisso com a verdade. Caracteres: Judicialidade: 1) Somente constitui prova testemunhal aquele depoimento prestado perante o juízo. Não será vedada à testemunha. Câmara os dos Presidentes do . sem qualquer mediação. e) são aquelas indicadas no depoimento prestado por outra testemunha – art. 2) Oralidade: O depoimento testemunhal não pode. entretanto.

4) Retrospectividade: O depoimento da testemunha deve restringir-se aos fatos pretéritos. não lhe sendo próprio fazer prognósticos. evitando fazer apreciações pessoais. já ocorridos. 3) Objetividade: A testemunha deverá limitar-se a narrar os fatos de forma objetiva. Número de testemunhas: No procedimento do júri: a) na fase de instrução pode a acusação e a defesa arrolar até no máximo 8 testemunhas – até no máximo de 5 testemunhas para depoimento em plenário – arts. as respostas serão escritas. 406 e 422 do CPP. . • Tratando-se de mudo ou surdo-mudo.Deputados e do Supremo Tribunal Federal poderão optar pela prestação de depoimento por escrito.

c) No procedimento comum sumário: Podem ser arroladas até 5 testemunhas pela acusação e pela defesa – art. 401 do CPP. É. segundo a definição legal. § 1º.099/95. 207 do CPP. Contradita: art. e) No procedimento da Lei sobre Drogas – Lei 11. segundo . Quem pode depor: A regra geral. Compromisso: É o ato que precede a prestação do depoimento. sob palavra de honra. 214 do CPP. 532 do CPP. determinada no art. As testemunhas arroladas por cada uma das partes poderão ser impugnadas pela parte contrária. a promessa feita pela testemunha. de dizer a verdade do que souber e lhe for perguntado. é no sentido de que toda pessoa poderá ser testemunha. da Lei 9.b) No procedimento comum ordinário: Podem ser arroladas até 8 testemunhas pela acusação e pela defesa – art. 202 do CPP.343/06: até 5 testemunhas. d) No procedimento comum sumaríssimo: até no máximo 5 testemunhas – artigo 78. Exceções: art.

Integram esse rol as autoridades relacionadas no art. serão inquiridas onde estiverem. 221 do CPP: Art. . exceções ao dever de compromisso: • as pessoas impossibilitadas. entretanto. os ministros de Estado. do Distrito Federal. os ministros e juízes dos Tribunais de Contas da União. obrigada comparecer a juízo para prestar depoimento. bem como os do Tribunal Marítimo serão inquiridos em local. dia e hora previamente ajustados entre eles e o juiz.Dever de comparecimento: a testemunha será Uma vez a regularmente intimada.O Presidente e o Vice-Presidente da República. dos Estados. os prefeitos do Distrito Federal e dos Municípios. os secretários de Estado. • as pessoas enumeradas no art. por enfermidade ou por velhice. 221 serão inquiridas em local. dia e hora previamente ajustados entre elas e o juiz. os deputados às Assembléias Legislativas Estaduais. Existem. os membros do Poder Judiciário. 221 . os senadores e deputados federais. os governadores de Estados e Territórios.

625/93. “intimada a defesa da torna-se desnecessária intimação da data da audiência no juízo deprecado”. • a testemunha que mora fora da comarca em que se desenvolva o processo. .Também gozam dessa prerrogativa os Membros do Ministério Público – artigo 40 da Lei 8. sua oitiva deverá ocorrer na comarca em que residir. que deverá ser inquirida pelo juiz da comarca em que residir. Oitiva por carta precatória: Se a testemunha residir em comarca diversa daquela em que tramita o processo. Súmula 155 do STF: - “É relativa a nulidade do processo criminal por falta de intimação da expedição de precatória para inquirição de testemunha”. por meio de carta precatória (art. por meio de carta precatória. intimando-se as partes da referida carta. 222). intimando-se as partes a comparecer ao depoimento. Súmulas pertinentes: Súmula 273 do STJ: expedição da carta precatória. a fim de possibilitar seu comparecimento ao depoimento.

203 do Código de Processo Penal. b) verificação de vínculo com as partes. É o ato através do qual uma pessoa verifica e confirma a identidade de uma pessoa ou coisa que lhe é Art. pode-se identificar quatro fases a) identificação da testemunha. d) inquirição dos fatos da causa de que tenha conhecimento. Reconhecimento de pessoas e coisas: matéria disciplina do artigo 226 do CPP. c) advertência das penas cominadas ao crime de falso testemunho. Conceito: apresentada. proceder-se-á pela seguinte forma: .Fases do depoimento: no depoimento da testemunha: Do que determina o art.Quando houver necessidade de fazer-se o reconhecimento de pessoa. 226 .

Parágrafo único . proceder-se-á com as cautelas estabelecidas no artigo anterior. por efeito de intimidação ou outra influência. IV do ato de reconhecimento lavrar-se-á auto pormenorizado. Art. Il . pela pessoa chamada para proceder ao reconhecimento e por duas testemunhas presenciais. não diga a verdade em face da pessoa que deve ser reconhecida. evitando-se qualquer comunicação entre elas.a pessoa. cada uma fará a prova em separado. 228 . subscrito pela autoridade.se houver razão para recear que a pessoa chamada para o reconhecimento.No reconhecimento de objeto. . 227 . convidando-se quem tiver de fazer o reconhecimento a apontá-la. a autoridade providenciará para que esta não veja aquela.Se várias forem as pessoas chamadas a efetuar o reconhecimento de pessoa ou de objeto. ao lado de outras que com ela tiverem qualquer semelhança.O disposto no nº III deste artigo não terá aplicação na fase da instrução criminal ou em plenário de julgamento. no que for aplicável.I . Art. cujo reconhecimento se pretender. será colocada. se possível. III .a pessoa que tiver de fazer o reconhecimento será convidada a descrever a pessoa que deva ser reconhecida.

b) acusado e testemunha. Prova documental: . e) pessoas ofendidas. c) testemunhas. a fim de que expliquem os pontos de divergência. 229 do CPP que a acareação será admitida entre: a) acusados. Poderá ser realizada tanto na fase de investigação policial quanto na instrução criminal. careação ou confrontação) é o ato pelo qual se colocam frente a frente duas ou mais pessoas cujas declarações sobre fatos ou circunstâncias relevantes sejam conflitantes. d) acusado ou testemunha e a pessoa ofendida. Determina o art.Acareação: Conceito: A acareação (acareamento.

O conceito amplo. públicos ou particulares. é mais abrangente do que aquele adotado pelo CPP. Quanto ao conteúdo: • quando componham prova literal de determinado fato. • quando contêm a idéia ou o fato representado por sinais gráficos. que faz referência apenas a escritos. Os documentos classificam-se: a) Escritos: gráficos: desenho. 231 ao 238 do Código de Processo Penal. o . uma certidão. adotado pela doutrina majoritária. é todo material que condense em si a manifestação de pensamento ou um fato. instrumentos e papéis. Documento: Conceito: Em sentido amplo. reproduzindo-o em juízo. por exemplo.A matéria vem disciplinada no art. como a pintura.

em Originais ou Cópias: Dá-se à cópia autenticada. d) Quanto à originalidade. • são aqueles que transmitam diretamente o fato representado. quando digam respeito a fatos dos quais inferência dedutiva. 232. entretanto. • Quanto ao autor: • São aqueles expedidos por funcionários Privados: São aqueles elaborados por particulares c) Quanto ao grau de referência ao fato probando: Diretos: filmes. como ocorre no caso de fotografias. • Indiretos: se possa. concluir pela por existência do fato relevante. .b) Públicos: públicos. parágrafo único). o mesmo valor conferido ao documento original (art.

por se referir a ponto relevante aventado pela acusação ou pela defesa. Os documentos em língua estrangeira deverão. . de ofício. A indução parte do particular para o geral. A medida não impede a imediata juntada do documento aos autos. mediante raciocínio lógico. Findo o processo. a partir da qual. Indícios: Conceito: É toda circunstância conhecida e provada. desde que não haja motivo relevante a justificar sua manutenção nos autos. ou. dever-se-à oferecer oportunidade para que ambas as partes sobre ele se manifestem. se necessário. 231 do CPP).Apresentação: Ressalvados os casos expressos em lei. pelo método indutivo. ser traduzidos por tradutor público. por pessoa idônea nomeada pela autoridade. os documentos originais poderão ser restituídos à parte que os produziu. Se o documento for juntado pelo juiz. na sua falta. os documentos poderão ser apresentados em qualquer fase do processo (art. obtém-se a conclusão sobre um outro fato.

também conhecida como prova circunstancial. ou apreensão sem busca (a coisa é apresentada à autoridade que lavra o auto de exibição ou apreensão). Poderá haver busca sem apreensão (quando não se encontrar o objeto procurado). constituem fenômenos distintos. Trata-se da prova dita indireta. em que a premissa maior contém uma regra ou máxima de experiência e a premissa menor é o fato conhecido e provado. . Há julgados que sustentam a possibilidade de condenação por prova indiciária (RT. Busca e apreensão: Embora se encontrem intimamente ligadas. que. prova crítica ou prova artificial. considera-se indício a circunstância conhecida e provada. autorize. concluir-se a existência de outra ou outras circunstâncias. tendo relação com o fato. 239 do CPP. por indução.Indício é o sinal demonstrativo do delito: signum demonstrativum delicti. Nos termos do art. É uma forma lógica de silogismo. 395/309-10).

A busca e apreensão não está adstrita à instrução do processo penal. Apreensão é o ato pelo qual há apossamento e guarda da coisa ou de pessoa. a natureza da busca e apreensão é de providência acautelatória. Poderá realizar-se: 1) antes da instauração do Inquérito Policial. Embora o Código de Processo Penal as considere como meios de prova. 2) durante o Inquérito Policial. ou mesmo de medida de obtenção de elementos probatórios.Busca é o ato destinado a procurar e encontrar a pessoa ou coisa. 4) na execução penal. ou ordenado por este mediante representação do Delegado de Polícia. 3) durante a instrução criminal. . A busca será realizada pessoalmente pelo juiz.

Poderá ser determinada de ofício pelo juiz ou a requerimento de qualquer das partes. 240 . A busca domiciliar somente pode ser determinada em fundadas razões. 246 do CPP c/c artigo 150. O Código prevê duas modalidades de busca: • a busca domiciliar. • a busca pessoal.A busca será domiciliar ou pessoal. e terá por objetivo (artigo 240. § 1º. . § 4º. do CPP): Art. Busca domiciliar: Conceito de domicílio: art. do CP.

quando haja suspeita de que o conhecimento do seu conteúdo possa ser útil à elucidação do fato. g) apreender pessoas vítimas de crimes.Proceder-se-á à busca pessoal quando houver fundada suspeita de que alguém oculte consigo arma proibida ou objetos mencionados nas letras b a f e letra h do parágrafo anterior. e) descobrir objetos necessários à prova de infração ou à defesa do réu. c) apreender instrumentos de falsificação ou de contrafação e objetos falsificados ou contrafeitos.§ 1º . quando fundadas razões a autorizarem. § 2º . instrumentos utilizados na prática de crime ou destinados a fim delituoso. b) apreender coisas achadas ou obtidas por meios criminosos.Proceder-se-á à busca domiciliar. f) apreender cartas. abertas ou não. . h) colher qualquer elemento de convicção. d) apreender armas e munições. para: a) prender criminosos. destinadas ao acusado ou em seu poder.

243 do CPP): . § 1º. A busca pessoal não depende de mandado: a) o caso de prisão.A doutrina considera taxativo rol do art. porquanto a busca representa medida de exceção que atinge garantia fundamental do indivíduo. salvo se importar retardamento ou prejuízo à diligência. b) quando houver fundada suspeita de que a pessoa esteja na posse de arma proibida ou de objetos ou papéis que constituam corpo de delito. c) quando a medida for determinada no curso de busca domiciliar. A busca em mulher será feita por outra mulher. 240. Mandado de busca: O mandado de busca deverá conter ( art.

I .ser subscrito pelo escrivão e assinado pela autoridade que o fizer expedir. ou.indicar. a casa em que será realizada a diligência e o nome do respectivo proprietário ou morador. assim entendidas as obtidas em violação a normas constitucionais ou legais. o nome da pessoa que terá de sofrê-la ou os sinais que a identifiquem. Se houver ordem de prisão. 5º. no processo. 157 do CPP – com nova redação determinada pela Lei 11. no caso de busca pessoal. inciso LVI da CF/88: “São inadmissíveis. as provas ilícitas. as provas obtidas por meios ilícitos”.690/2008: “São inadmissíveis. . devendo ser desentranhadas do processo. II . Provas ilegítimas e ilícitas.mencionar o motivo e os fins da diligência. Art. Art. o mais precisamente possível. constará do próprio texto do mandado de busca. III .

próprios da investigação ou instrução criminal. salvo quando não evidenciado o nexo de causalidade entre umas e outras. § 3º Preclusa a decisão de desentranhamento da prova declarada inadmissível.§ 1º São também inadmissíveis as provas derivadas das ilícitas. esta será inutilizada por decisão judicial. a) . dividem os autores as provas em: Provas ilícitas: as que contrariam as normas de direito material: confissão mediante tortura. A doutrina costuma-se conceituar prova proibida “toda vez que caracterizar violação de normas legais ou de princípios do ordenamento de natureza processual ou material”. seria capaz de conduzir ao fato objeto da prova. Com fundamento nessa conceituação. ou quando as derivadas puderem ser obtidas por uma fonte independente das primeiras. § 2º Considera-se fonte independente aquela que por si só. facultado as partes acompanhar o incidente”. seguindo os trâmites típicos e de praxe.

pois “contaminadas” pelo vício de ilicitude do meio usado para obtê-las. Neste caso. criada pela Suprema Corte norte-americana. Prova ilícita por derivação: Trata-se da prova que.b) Provas ilegítimas: as que contrariam normas de direito processual: Suprimento do ACD pela confissão do acusado. Exceções da teoria da árvore envenenada: na verdade. Assim. as provas ilícitas por derivação devem ser igualmente desprezadas. são desdobramentos lógicos criados pela Suprema Corte dos EUA: São elas: . conquanto isoladamente possa ser considerada lícita. decorra de informações provenientes da prova ilícita. os Tribunais vêm aplicando a teoria dos fruits of the poisonous tree.

Princípio da proporcionalidade.teste alemão. Direito à inviolabilidade – à dignidade da da intimidade pessoa e das comunicações telefônicas versus direito à vida. Relativização da vedação à prova ilícita. que exclui a ilicitude. Ex.• doutrina da fonte independente. • doutrina da inevitável descoberta. que traduz hipótese de legítima defesa. • doutrina da conexão atenuada. predomina na doutrina o entendimento de que seja possível a utilização de prova favorável ao acusado. também conhecido por proibição de excesso: colisão de princípios – balanceamento de princípios – empate na mesma topografia hierárquico-constitucional – tabela móvel de valores – princípio da razoabilidade ou interesse predominante . Assim.: gravação de conversa telefônica em caso de extorsão). . Prova ilícita “pro reo”: A proibição da prova ilícita é uma garantia individual contra o Estado. à liberdade humana.

Não

unanimidade

na

doutrina

quanto

ao

fundamento legal do princípio da proporcionalidade: São encontradas as seguintes posições: Art. 1º fórmula política do Estado

1)

Democrático de Direito;
2)

Art. 1º, III – Proteção da dignidade humana no Estado Democrático de Direito; Art. 5º - Princípio da Igualdade; Art. 5º, XXXV – Princípio da inafastabilidade do controle jurisdicional; Art. 5º, LIV – Princípio do Devido Processo Legal; Art. 6º - Direito Social à Segurança.

3) 4)

5)

6)

Doutrinariamente, discute-se, a natureza jurídica do princípio da proporcionalidade, ou seja, sua validade como verdadeiro princípio, no sentido de ser uma norma-princípio de necessária aplicação. Entende não ser apenas um “princípio”, tal como estes são tradicionalmente concebidos, mas um

princípio

mais ou

importante, um

um

“princípio

dos

princípios”,

“superprincípio”,

porque,

enquanto todos os demais princípios jurídicos são relativos (não absolutos) e admitem flexibilizações ou balanço de valores, o princípio da proporcionalidade é um método interpretativo e de aplicação do direito para a solução do conflito de princípios – metáfora da colisão de princípios – e do balanço dos valores em oposição, não se flexibilizando, configurando-se assim um princípio absoluto.

O

“teste e

alemão”

(adequação, em

necessidade

proporcionalidade

sentido estrito). A atuação do Estado deve ser proporcional, mas uma proporcionalidade obtida através de um método científico. A proporcionalidade, assim, consubstancia-se em três subprincípios – também chamados de teste alemão – que devem ser concomitantes ou sucessivamente

atendidos:

adequação,

necessidade

e

proporcionalidade em sentido estrito. A adequação consubstancia-se em medida apta a alcançar o objetivo visado. É uma relação de meio e fim. Assim, decreta-se a prisão preventiva para evitar que o réu ou indiciado turbe a instrução criminal. A necessidade ou exigibilidade estabelece uma relação custo/benefício. Na proporcionalidade em sentido estrito, faz-se um balanceamento de bens e valores em conflito, promovendo-se a opção. Proibição de infraproteção ou proibição de proteção deficiente – a outra vertente do princípio de proporcionalidade:
Uma vez que o Estado se compromete pela via constitucional a tutelar bens e valores fundamentais, de fazê-lo obrigatoriamente na melhor medida possível.

partes. Na lição do professor Mirabete.Desse modo. testemunhas. Podem ser: Sujeitos principais: Acusador – Juiz – Acusado. Sujeitos Processuais: São todas as pessoas que atuam no processo: Juiz. etc. se desenvolve e completa a ralação jurídico-processual. assegura-se não somente uma garantia do cidadão perante os excessos do Estado na restrição dos direitos fundamentais (princípio da proibição do excesso) – a princípio da chamada um proteção amparo vertical – na medida em que os cidadãos têm no proporcionalidade constitucional contra o poder do Estado – mas também uma garantia dos cidadãos contra agressões de terceiros – proteção horizontal. 1) . são pessoas entre as quais se constitui. Processo Penal. auxiliares da Justiça.

as pessoas enumeradas no artigo 31 do CPP. 2) Terceiros desinteressados: testemunhas. peritos. Atividade de natureza processual: Prover à regularidade do processo. Órgãos Jurisdicionais: Juiz – Tem função essencialmente dinâmica: caracterizada pela decisão imparcial de conflitos jurídicos concretos.2) Sujeitos secundários: a) Órgãos b) Terceiros: auxiliares: escrivão. • Estes podem ser: Terceiros interessados: ofendido. 1) representante legal ou seus herdeiros. contador. • porteiro. intérpretes. oficial de justiça. a) . tradutores. Funções do Juiz no Processo Penal – artigo 251 do CPP. distribuidor.

para o exame. inclusive requisitar a força pública. adequação e proporcionalidade da medida: II – determinar. observar-se-á o seguinte: III . sendo. se o primeiro exame pericial tiver sido incompleto. requisitará. ou de seu defensor. Art. 168 . ou a requerimento do Ministério Público. 174 . por comparação de letra. os documentos que existirem em arquivos ou estabelecimentos .No exame para o reconhecimento de escritos. observando a necessidade. ou antes de proferir sentença. facultado ao juiz de ofício: I – ordenar.Em caso de lesões corporais. porém. a produção antecipada de provas consideradas urgentes e relevantes. podendo. Art. A prova da alegação incumbirá a quem a fizer. quando necessário. do ofendido ou do acusado. a realização de diligências para dirimir dúvida sobre ponto relevante. proceder-se-á a exame complementar por determinação da autoridade policial ou judiciária. 156 .a autoridade. Poderes do Juiz: Determinar.b) Atividade de natureza administrativa: manter a ordem no curso dos respectivos atos. de ofício. de ofício diligências para • dirimir dúvidas sobre ponto relevante: Art. no curso da instrução. mesmo antes de iniciada a ação penal.

providenciará.Os quesitos do juiz e das partes serão transcritos na precatória. acordo das partes. § 1º .Se o juiz tiver notícia da existência de documento relativo a ponto relevante da acusação ou da defesa. poderá ouvir outras testemunhas. mas em lugar certo. 177 . se daí não puderem ser retirados. para sua juntada aos autos. essa nomeação poderá ser feita pelo juiz deprecante. Art.A todo tempo. 234 . se possível. 209 . Art. serão ouvidas as pessoas a que as testemunhas se referirem. Havendo.O juiz. em que se consignarão as palavras que a pessoa será intimada a escrever. Art. ou nestes realizará a diligência. 196 . Art. § 2º . além das indicadas pelas partes.públicos.Se ao juiz parecer conveniente.quando não houver escritos para a comparação ou forem insuficientes os exibidos. no caso de ação privada. o juiz poderá proceder a novo interrogatório ou a pedido fundamentado de qualquer das partes.No exame por precatória.Não será computada como testemunha a pessoa que nada souber que interesse à decisão da causa. Parágrafo único . IV . esta última diligência poderá ser feita por precatória. a autoridade mandará que a pessoa escreva o que Ihe for ditado. Se estiver ausente a pessoa. • Poderes de coerção: . quando julgar necessário. independentemente de requerimento de qualquer das partes. a nomeação dos peritos far-se-á no juízo deprecado. porém.

e condená-la ao pagamento das custas da diligência. sem ele. 201 .Em qualquer fase do inquérito policial ou da instrução criminal. de ofício. Parágrafo único . que poderá solicitar o auxílio da força pública. a testemunha deixar de comparecer sem motivo justificado. Art. a requerimento do Ministério Público. 218 . a autoridade poderá mandar conduzi-lo à sua presença. Art. regularmente intimada. deixar de comparecer sem motivo justo. reconhecimento ou qualquer outro ato que. intimado para esse fim. 453.O quebramento da fiança importará a perda de metade do seu valor e a obrigação. por parte do réu. sem prejuízo do processo penal por crime de desobediência. não possa ser realizado. Art. 219 . 311 .Se o acusado não atender à intimação para o interrogatório. tomando-se por termo as suas declarações.Se. 343 .Os atos de coerção podem ser observados nos seguintes dispositivos: Art. o juiz poderá requisitar à autoridade policial a sua apresentação ou determinar seja conduzida por oficial de justiça.Se. de recolher-se à prisão. ou mediante representação da autoridade policial. . Art. o ofendido será qualificado e perguntado sobre as circunstâncias da infração. Art. ou do querelante.O juiz poderá aplicar à testemunha faltosa a multa prevista no art.Sempre que possível. quem seja ou presuma ser o seu autor. caberá a prisão preventiva decretada pelo juiz. o ofendido poderá ser conduzido à presença da autoridade. 260 . as provas que possa indicar.

à sua revelia. o juiz indagará das partes se restou algum fato para ser esclarecido. com a presença do defensor. tomando-se por termo as suas declarações.prosseguindo-se. não admitindo o juiz aquelas que puderem induzir a resposta. • Poderes de disciplina: Art. fará a inquirição por videoconferência e. deixar de comparecer sem motivo justo.Salvo o caso de exame de corpo de delito. 212 . 201 . 217. não tiverem relação com a causa ou importarem na repetição de outra já respondida. enquanto não for preso. temor. no processo e julgamento. prosseguindo na inquirição. de modo que prejudique a verdade ao depoimento. quando não for necessária ao esclarecimento da verdade. o juiz poderá complementar a inquirição. Parágrafo úncio. 184 . § 1º . Art 188 – Após proceder ao interrogatório. somente na impossibilidade dessa forma. ou sério constrangimento à testemunha ou ao ofendido. o juiz ou a autoridade policial negará a perícia requerida pelas partes. Art. as provas que possa indicar. Art. Sobre os pontos não esclarecidos. o ofendido será qualificado e perguntado sobre as circunstâncias da infração.Se. determinará a retirada do réu. formulando as perguntas correspondentes se o entender pertinente e relevante. o ofendido poderá ser conduzido à presença da autoridade. entretanto. intimado para esse fim.As perguntas serão formuladas pelas partes diretamente à testemunha. Art. . Se o juiz verificar que a presença do réu poderá causar humilhação.Sempre que possível. quem seja ou presuma ser o seu autor.

que esteja presente. 264 . 265 . expedir-se-á precatória à autoridade do lugar onde resida a testemunha ausente. a fim de que se complete a diligência. Se subsistir a discordância. que poderá solicitar o auxílio da força pública. regularmente intimada. Art. ainda que motivada.Se ausente alguma testemunha. a prestar seu patrocínio aos acusados. Art. a esta se darão a conhecer os pontos da divergência. não serão admitidas em juízo.O juiz não permitirá que a testemunha manifeste suas apreciações pessoais.As cartas poderão ser exibidas em juízo pelo respectivo destinatário. consignando-se no auto o que explicar ou observar. o juiz poderá requisitar à autoridade policial a sua apresentação ou determinar seja conduzida por oficial de justiça.A falta de comparecimento do defensor.Salvo motivo relevante. interceptadas ou obtidas por meios criminosos. para a defesa de seu direito. ainda que não haja consentimento do signatário. nos pontos em que divergirem. sob pena de multa de cem a quinhentos mil-réis.Se. 218 . os advogados e solicitadores serão obrigados. transcrevendo-se as declarações desta e as da testemunha presente. sob pena de multa de cem a quinhentos mil-réis. salvo quando inseparáveis da narrativa do fato.Art. 233 . a critério do juiz. Art. a testemunha deixar de comparecer sem motivo justificado. pela mesma forma estabelecida para a testemunha presente. quando nomeados pelo Juiz. ouvindo-se a testemunha ausente.As cartas particulares. Art. 230 . cujas declarações divirjam das de outra. 213 . Parágrafo único . bem como o texto do referido auto. Art. Parágrafo único . não determinará o adiamento de ato algum do . Esta diligência só se realizará quando não importe demora prejudicial ao processo e o juiz a entenda conveniente.O defensor não poderá abandonar o processo senão por motivo imperioso.

V . mantida a incomunicabilidade dos jurados. Vlll . podendo. § 2º A recusa injustificada ao serviço do júri acarretará multa no valor de 1(um) a 10(dez) salários mínimos. a critério do juiz.regular a polícia das sessões e prender os desobedientes. II . 497 . Art. neste caso. dissolver o Conselho e designar novo dia para o julgamento. Art.nomear defensor ao réu. que não dependam de pronunciamento do júri.São atribuições do presidente do Tribunal do Júri.processo. IV . § 1º (omissis). além de outras expressamente referidas neste Código: I . o qual prosseguirá sem a sua presença.interromper a sessão por tempo razoável.O serviço do júri é obrigatório. ainda que provisoriamente ou para o só efeito do ato. que ficará sob sua exclusiva autoridade. para proferir sentença epara repouso ou refeição dos jurados.suspender a sessão pelo tempo indispensável à realização das diligências requeridas ou entendidas necessárias.mandar retirar da sala o acusado que dificultar a realização do julgamento. com nomeação ou a constituição de novo defensor. III – dirigir os debates. Vll . de acordo com a condição econônica do jurado. quando o considerá-lo indefeso.resolver as questões incidentes. Vl . O alistamento compreenderá os cidadãos maiores de 18(dezoito) anos de notória idoneidade. 436 . intervindo em caso de abuso. devendo o juiz nomear substituto. excesso de linguagem ou mediante requerimento de uma das partes.requisitar o auxílio da força pública. .

• Destinatário de notitia criminis: art. quando a outra estiver com a palavra. podendo conceder até 3 (três} minutos para cada aprate requerido. • Exercer a função de fiscal do princípio da obrigatoriedade: art. 28 do CPP. que serão acrescidos ao tempo desta última. de oficio ou a requerimento das partes ou de qualquer jurado. 39 do CPP. no Processo Penal.IX – decidir.resolver as questões de direito suscitadas no curso do julgamento. Xl – determinar. durante os debates. de ofício. ou a requerimento de qualquer destes. as diligências destinadas a sanar qualquer nulidade. 40 do CPP. a arguição de extinção da punibilidade. a intervenção de uma das partes. 5º. DO ACUSADOR: Quem exerce. ou a suprir falta que prejudique o esclarecimento da verdade. ouvidos o Ministério Público e a defesa. X . XII – regulamentar. Outras atribuições: • Requisitar instauração de IP: art. • Levar ao MP notitia criminis: art. do CPP. II. o papel de acusador? .

• Ação Penal Pública: 1)Ministério Público: artigo 129. 2)Ofendido/Representante CPP. porém não são necessárias para que o processo exista: ASSISTENTE DE ACUSAÇÃO. I. Quanto à importância processual. . as partes se de iniciativa Privada: legal: se o MP não oferecer a Denúncia no prazo legal – artigo 29 do Ofendido/Representante legal: jus persequendi in distinguem em: • Necessárias: são aquelas partes sem as quais não pode existir o processo: ACUSADOR E ACUSADO • Contingentes: São aquelas cuja constituição está permitida por lei. • Ação judicio. da CF/88.

é o sujeito processual em relação a quem se pede a autuação do Direito Penal. 403 do CPP.DO IMPUTADO: Acusado ou réu. . estando enfermo o imputado. o MP ou o querelante poderá apontar os esclarecimentos pelos quais se possa identificá-lo. 227 a 229 do CPC. apesar de não ser indispensável. Identidade do imputado: Não sendo possível identificar o imputado. o Oficial de Justiça procederá à citação com hora certa. Presença do imputado: A presença do imputado no curso do processo é necessária. na forma estabelecida nos arts. o Juiz poderá transportar-se ao local onde ele se encontrar (na sede do Juiz processante). 41 do CPP. e aí proceder à instrução. Tão importante é a sua presença que. segundo a regra do art. Se o réu se oculta para não ser citado. nos termos do art.

salvo se for condenado (art. § 1º. O acusado preso será requisitado para comparecer ao interrogatório. Da revelia: Se o acusado. O juiz nomeia-lhe um defensor e o processo prossegue. 399. Não sendo encontrado o acusado. 392 do CPP). devendo o poder público providenciar sua apresentação – art. Se for citado por edital. não atender o chamamento nem constitui advogado: não se aplica mais o artigo 366 do CPP que foi revogado. não atender ao chamado. Direitos do imputado: • Direito de não responder as perguntas que lhe forem formuladas. do CPP. aplica-se a pena de revelia. . fará a citação por edital.O Processo terá completada a sua formação quando realizada a citação do acusado. seja pela Autoridade Policial. seja pela Autoridade Judicial. regularmente citado. art. 367 do CPP. Nesse caso não mais será ele intimado para qualquer ato do processo.

ou por ordem escrita e fundamentada da autoridade judiciária. desde que prevista a via impugnativa. quando prestada a fiança. • Direito de não ver contra si uma prova colhida ilicitamente.• Direito de ser citado. de ser notificado. • Direito de não ser submetido à identificação criminal. • Direito de não ser considerado culpado até o trânsito em julgado de sentença penal condenatória. quando civilmente identificado. . nos crimes afiançáveis. • Direito de ser intimado. • Direito de recorrer de toda e qualquer.salvo naquelas hipóteses previstas em lei. • Direito de não ser recolhido à cadeia. • Direito à ampla defesa. • Direito de não ser preso. senão em flagrante delito. • Direito de não ser privado de sua liberdade sem o devido processo legal.

Capacidade processual: Somente a pessoa humana viva. DO DEFENSOR: Defesa é toda atividade da parte acusada de oposição à atuação da pretensão punitiva. 2) 1) Específica ou técnica: promovida por pessoa especializada. quando preso. Espécies de defesa: Genérica ou material: levado a efeito pela própria parte. com 18 anos cumpridos. Daí se segue que Defensor é o sujeito que realiza os atos em que consiste a defesa. Importância da defesa: . sendo-lhe assegurada a assistência da família e de advogado.• Direito de ser informado. é que pode ser sujeito passivo da pretensão punitiva. de seus direitos. mediante atos constitutivos de ações ou omissões.

ausente. preceitua o art. Necessidade da defesa: A presença do defensor é imprescindível. além de proclamar no art.. Pouco Pouco importa seja esteja ele o acusado Assim. LV .”. 261 do CPP: . e aos acusados em geral são assegurados o contraditório e ampla defesa. é indispensável à administração da Salienta no art.Tão imprescindível é a defesa que a nossa Carta Magna. importa revel. 133 que “o advogado justiça. 5º da Constituição Federal de 1988: LIV .ninguém será privado da liberdade ou de seus bens sem o devido processo legal. em processo judicial ou administrativo.. com os meios e recursos a ela inerentes.aos litigantes.

261. fala-se tecnicamente em “Procurador”. ainda que ausente ou foragido. Natureza jurídica da função do defensor: . do CPP. procurador e curador. 266 do CPP. c. III. será processado ou julgado sem defensor”. ou indicado por ocasião do interrogatório. O não-cumprimento desse preceito acarreta a nulidade do processo. Quando o defensor for constituído pelo imputado. como se vê pela leitura dos arts.“Nenhum acusado. deverá o juiz nomear-lhe um. 564. por meio de instrumento procuratório. ex vi do art. nos termos do art. Fala-se em “defensor”. • • Se o imputado não constituir e nem indicar no interrogatório. Defensor – Procurador – Curador. 262 e 577. O CPP distingue as figuras do defensor. nos termos do artigo 263 do CPP.

DO ASSISTENTE: Noções gerais: Assistente da acusação é a vítima. • Parágrafo Único. O Poder Público pode funcionar no processo penal como assistente da acusação? O professor Fernando da Costa Tourinho Filho entende que não. apenas. é a de assistir tecnicamente ao réu e a de representá-lo no processo. A sua função. qualquer uma das pessoas referidas no artigo 31 do CPP. do art.492/86. . no caso de morte. ensina Frederico Marques. representante do imputado. art. algumas situações podem ser verificadas: • § 1º. seu representante legal ou. 26 da Lei 7.O defensor é. Mas em embargo. 2º do Decreto-lei nº 201/67.

• Art. . do CP e 63 do CPP.• Art. 91. 80 do CDC. a função repousa na influência decisiva que a sentença da sede penal exerce na sede civil. Na ação privada. e. I. Função do assistente: O professor Frederico Marques ensina que a função do assistente não é a de defender um direito seu e sim a de auxiliar a acusação. entende diferente. 530-H do CPP.695/2003. não é possível sua intervenção como assistente em tal caso. o ofendido figura como parte necessária. Segundo ele. A propósito o art. Inconcebível ser assistente de si próprio. 935 do CC/2002 e os arts. O professor Fernando da Costa Tourinho Filho. assim. com nova redação determinada pela Lei 10. Em que hipótese se admite o assistente? A interferência do assistente só é possível em ação penal pública.

o pedido é dirigido ao . Em que fase processual se admite a intervenção do assistente? Nos termos do art. 268 do CPP. nada impede sua intervenção. as contravenções penais. Assim. poderá o ofendido ou seu representante legal habilitar-se no processo como “assistente”. Contudo.O assistente nas Contravenções Penais: Hoje. se for instaurado o procedimento sumaríssimo. integrando um rol das infrações de menor potencial ofensivo. desde o recebimento da denúncia e enquanto não transitar em julgado a sentença. deverá requerer sua habilitação com 3 dias de antecedência. subordinam-se às regras do Juizado Especial Criminal. conforme dispõe o parágrafo único do art. 447 do CPP. na fase preliminar da transação. Nos processos de competência do júri: se o assistente quiser intervir no plenário de julgamento. Habilitação do assistente: Nos processos da competência do juiz singular. não haverá assistente. 268 do CPP. a teor do art.

nos termos do artigo 272 do CPP. Após. Ouvida o Ministério Público: O Juiz. pois este será o juiz de instrução. Nos processos de competência dos Tribunais Superiores. 273 do CPP. não caberá recurso. o pedido deverá ser dirigido ao relator. com atribuições que o Código confere aos Juízes singulares. ouvir o MP. ao receber o requerimento e antes de se pronunciar sobre o pedido. ou não. admitindo ou não a intervenção do assistente. entretanto. do despacho que admitir. .Mirabete.próprio juiz. dará o seu despacho. o assistente. deverá. constar dos autos o pedido e a decisão. No Tribunal do Júri. a quem estiver a frente do processo. Admitem que cabe Mandado de Segurança: Tribunal de Justiça de São Paulo – Vicente Greco e Guilherme de Souza Nucci . Recurso: Nos termos do art. devendo. o juiz seja qual for o parecer.

Há entendimento pelo cabimento de reclamação ( denominação da correição parcial em alguns Estados. • Requerer reperguntas às testemunhas. de busca sobre e a apreensão. pouco importando se arroladas pela acusação ou pela defesa. 271 do CPP. • Não poderá arrolar testemunhas. tendo. das provas reconhecimento. • Aditar o libelo. por força do comando normativo do artigo 41 do CPP. as atividades processuais do assistente consistirão em: • Propor meios de provas. o disposto no art. tais como exames perícias. deverá o Juiz ouvir o MP. Atividades do Assistente: Uma vez habilitado no processo e dependendo da fase processual em que ocorrer sua intervenção. Qual o prazo? No silêncio do Código. aplicar-se-á. juntada de documentos. por analogia. segundo preceitua o § 1º do art. 420. realização acareações. como o do Rio de Janeiro. o assistente o prazo de 2 . assim. Antes decidir requeridas pelo assistente.

3)quando houver sentença absolutória. seja da competência do Juiz singular. entretanto. 271. De acordo com o art. seja da competência do Tribunal do Júri. Prazo para recurso do assistente: Há dois tipos de recursos: recurso em sentido estrito e apelação ( artigo 584. • Participar dos debates orais. o assistente poderá recorrer em três casos: 1)quando o Juiz julgar extinta a punibilidade. • Aditar as alegações finais do MP. a ação penal fosse por ele intentada (arts. • Arrazoar os recursos interpostos pelo órgão do MP. • Contra-arrazoar defesa. vale dizer.dias. o mesmo prazo a que teria direito se porventura. Se o assistente habilitou-se no processo. 29 e 420). fluindo. § 1º e 598 do CPP). • Arrazoar os recursos por ele próprio interpostos. quando se esgotar o prazo os recursos interpostos pela . seu prazo é o mesmo do MP. 2)quando o Juiz impronunciar o réu.

Co-réu: Segundo a regra do art. DISPOSIÇÕES GERAIS Existem no Direito brasileiro várias espécies de prisão.daquele. 270. a regra é a do parágrafo único do artigo 589 do CPP. Notificação e intimação: Uma vez habilitado no processo. quando da notificação do assistente este deixar maior. Prisões Processuais: Uma visão panorâmica. como prescreve o § 2º do artigo 271. prosseguirá independentemente de nova notificação. A intimação e a notificação se fazem nos termos do § 1º do art. deverá o assistente ser notificado para os atos processuais. de comparecer devidamente a qualquer dos o atos da processo instrução ou do julgamento. o co-réu no mesmo processo não poderá intervir como assistente da acusação. 370 do CPP. Todavia. . sem motivo de força comprovado. Do contrário.

5) Prisão temporária (lei 7960/89). 3) Prisão resultante de pronúncia (arts 282 e 413. 2) Prisão preventiva (arts 311 a 316 CPP). do CPP). 4) Prisão resultante de sentença penal condenatória (art 393. incluindo: 1) Prisão em flagrante (arts 301 a 310 CPP). civil.Falam-se em prisão-pena(penal) e a prisão sem pena (processual penal. administrativa e disciplinar). A prisão penal é claramente repressiva. “A prisão civil do depositário infiel não mais se compatibiliza com os valores supremos assegurados . em sentido amplo. A prisão processual. § 3º. se dá quando após o trânsito em julgado é proferida uma sentença condenatória em que se impõe uma pena privativa de liberdade. 6) Prisão civil (decretada em casos de devedor de alimentos e de depositário infiel).I). também conhecida como prisão provisória é no dizer de MIRABETE uma prisão cautelar.

I. a doutrina costuma definir prisão em flagrante como a detenção do indivíduo no momento em que este está praticando o crime. • Deslocamento: saída do local de abordagem para uma Unidade de Polícia Judiciária. abrasador. § 3º.par. MOMENTOS DO FLAGRANTE: • Captura: É o momento em que a pessoa que se encontra em uma das situações de flagrância previstas em lei é apreendida. • . Lavratura do auto: O auto de prisão em flagrante constitui verdadeiro título da custódia provisória – Artigo 301 e SS do CPP. 8) Prisão decorrente de estado de defesa. Faremos breves comentários sobre cada uma das modalidades de prisão processual: PRISÃO EM FLAGRANTE : Em razão da etimologia do termo flagrante. da CF/88. que queima).2 ). LXI e 142.pelo Estado Constitucional” (Gilmar Mendes – Ministro do STF) 7) Prisão disciplinar permitida na própria constituição para as transgressões militares crimes propriamente militares (art 5º. artigo 136. do latim flagrare (queimar) e flagrans (ardente.

. Assim. ou. O flagrante impróprio. segundo a lei cuida do caso em que alguém é perseguido. da surpreendido instante prática infração.flagrante perfeito.• Custódia: recolhimento ao cárcere. afirma que de acordo com o nosso Direito atual. também conhecido como quase flagrante ou imperfeito. em em sentido sentido próprio – real ou flagrante impróprio. 3. O flagrante presumido é previsto em lei como sendo a hipótese de ser o autor encontrado com instrumentos. flagrante presumido ou ficto. quando o agente é surpreendido no na infração mesmo penal. existem três modalidades ou espécies de flagrantes : 1. em situação que faça presumir ser ele o autor da infração. CLASSIFICAÇÕES: TOURINHO FILHO. 2. por qualquer pessoa. da isto é. então quando acaba de cometê-la. logo após. diz-se flagrante no sentido próprio.

QUANTO ÀS CIRCUNSTÂNCIAS EM QUE SE EFETUA A PRISÃO EM FLAGRANTE. Súmula 145 do STF. causando a sua prisão. PODE-SE CLASSIFICÁ-LA EM: 1) FLAGRANTE PREPARADO OU PROVOCADO: Ocorre quando a autoridade instiga a prática de um crime. II. aguardando a sua execução. QUEM PODE SER PRESO EM FLAGRANTE: .343/2006 – Lei sobre Drogas.034/95 – Lei do Crime Organizado. quando a pessoa for encontrada logo depois da prática do delito com coisas que ensejem indícios da autoria ou participação no crime. DIFERIDO OU PROTELADO: Artigo 2º. 3) FLAGRANTE FORJADO. da Lei 11. dispondo-os de maneira a induzir a autoridade em erro. Lei 9. Também o artigo 53. URDIDO. ou seja. com intuito de incriminar determinada pessoa. de maneira que este é cometido preponderantemente em razão de sua atuação. 4) FLAGRANTE RETARDADO.armas. informada da possibilidade de ocorrer um delito. II. FABRICADO OU MAQUIADO: Ocorre nas hipóteses em que a polícia ou terceiros forjam elementos probatórios. 2) FLAGRANTE ESPERADO: O flagrante é válido quando a polícia. dirige-se até o local. objetos ou papéis que façam presumir ser ele o autor da infração.

Em geral qualquer pessoa que seja surpreendida na prática de um delito penal poderá ser captura em flagrante. nos casos de acidentes de trânsito – artigo 301 da Lei 9. o Presidente da República – conforme estabelece o art. § 2º. segundo a Lei 8. entretanto. Nos crimes inafiançáveis. poderão ser presos em flagrante: • os senadores e deputados federais – artigo 53. • os diplomatas estrangeiros – por força de tratados e convenções ratificados pelo Brasil. • • • o autor de infração de menor potencial ofensivo – quando for encaminhado ao JEC ou assumir o compromisso de a ele comparecer – artigo 69. § 3º. 86.ficam sujeitos às medidas socioeducativas ou medidas de proteção. os deputados estaduais – conforme a Constituição de cada Estado.099/95. • . algumas exceções: • os menores de 18 anos: . A lei estabelece. da CF/88. da CF/88.503/97. uma vez que inexiste a modalidade de flagrante por apresentação. parágrafo único da Lei 9. • todo aquele que apresentar à autoridade policial após o cometimento do delito – independentemente do prazo de 24 horas. o Condutor de veículo que prestar socorro à vítima .069/90.

É a prisão processual.906/94.737/65. cautelar. 40. B) Ordem econômica. 7º. II. III. os advogados – Art. A fundamentação da prisão preventiva está no art. • • • PRISÃO PREVENTIVA A prisão preventiva determina a prisão antes do trânsito em julgado da sentença. Prisão de qualquer eleitor: 5 dias antes e 48 horas depois do encerramento das eleições. da LOMN. 33. chamada de provisória no código penal(art 42). C) Conveniência da instrução criminal. para resguardar os interesses sociais de segurança. da Lei 8.• os membros do Ministério Público – Art. salvo em flagrante delito por crime inafiançável ou em virtude de sentença criminal condenatória por crime inafiançável – artigo 236 da Lei 4. D) Assegurar a aplicação da lei penal: . 312 do CPP que diz que ela poderá ser decretada como: A) Garantia de ordem pública. § 3º. os Magistrados – Art. da LONPM. Em sentido restrito trata-se de medida cautelar decretada pelo juiz durante inquérito em face da existência de pressupostos legais.

Quanto à proibição da decretação da prisão preventiva ressalta-se a posição de TOURINHO FILHO. Fala-se também em pressupostos objetivos da Prisão Preventiva: 1) Quando houver prova da existência do crime: 2) Existência de indícios suficientes de autoria. no decorrer do processo. temos os pressupostos subjetivos de admissibilidade. provas que o convençam de que o réu agiu em legítima defesa própria ou de terceiro. que diz que se o juiz encontrar nos autos do inquérito ou mesmo do processo. não pode decretar seu encarceramento provisório. em estado de necessidade. a previsão legal de sua revogação está no artigo 316 que dispõe que o juiz poderá revogar a prisão preventiva se. em estrito cumprimento do dever legal ou no exercício regular de um direito. quando preso o acusado. A prisão preventiva poderá ser revogada conforme o estado da causa.034/95. A única exceção em nossa legislação encontra-se na lei 9. que cuida das ações praticadas por organizações criminosas cujo artigo 8º estabelece o prazo de 81 dias para o encerramento da instrução criminal. PACELLI lembra que o CPP não prevê prazo expresso para a duração da prisão preventiva. verificar a falta de motivo para que subsista. .Assim.

absolvição sumária e impronúncia. pronunciando-o estamos diante de uma decisão interlocutória o que também é verdadeiro quando decide pela desclassificação. Haverá sentença quando o juiz resolve o meritum causae pela impronúncia ou absolvição sumária. desclassificação. que por sua vez é uma decisão interlocutória em que o magistrado declara a viabilidade de acusação por se convencer da existência do crime e de indícios de que o réu seja o seu autor. tratando-se de acusado solto. sobre a necessidade da decretação da prisão ou . Dispõe o CPP em seu parágrafo 3º do artigo 313 que “o juiz decidirá. motivadamente. faz questão de chamar a atenção quanto à diversidade da natureza dos diferentes atos decisórios prolatados pelo juiz. esta é a posição de RENÉ DOTTI. no caso de manutenção. revogação ou substituição da prisão ou medida restritiva de liberdade anteriormente decretada e. Para DELMANTO JUNIOR o ato decisório do juiz que manda o acusado a júri é a pronúncia stricto sensu. Quando o juiz determina o julgamento do réu pelo tribunal do júri.PRISÃO DECORRENTE DA DECISÃO DE PRONÚNCIA ROBERTO DELMATO JUNIOR. considerada em sentido amplo: o envio do acusado para o julgamento popular – pronúncia stricto sensu. no momento da “pronúncia”.

ou se não prestar fiança. para não se confundir com punição antecipada. que condenado o réu. salvo se for primário e de bons antecedentes. há que se fundamentar na necessidade de preservar o bom andamento da instrução criminal. o eminente professor. assim reconhecido na sentença condenatória. 594 do CPP tem a seguinte redação : “O réu não poderá apelar sem recolher-se à prisão. JOÃO GUALBERTO GARCEZ RAMOS.imposição das medidas previstas no Título IX do Livro I deste Código”. tem que ser cautelar. ou seja. .” De pronto se verifica que esta modalidade de prisão afronta as garantias constitucionais da presunção de inocência e o duplo grau de jurisdição. embora apele da sentença. deverá ser preso se o crime for inafiançável. enquanto não prestar fiança. se já estiver preso. Ratifica.sendo esta permitida. PRISÃO DECORRENTE DE SENTENÇA CONDENATÓRIA RECORRÍVEL O art. ou condenado por crime de que se livre solto. Toda prisão provisória. quando afiançável. Por outro lado se apresenta longe do razoável e é desproporcional. ou prestar fiança. conservando-se na prisão.

trinta dias prorrogáveis por mais trinta. . PRISÃO TEMPORÁRIA A prisão temporária é uma espécie de prisão provisória ou cautelar. daí porque não se pode pensar na sua aplicação quando já instaurada ação penal. livrando o órgão acusador de prová-la. durante o inquérito policial. Para MIRABETE trata-se de medida acauteladora. de restrição da liberdade de locomoção por tempo determinado.ROBERTO DELMANTO JUNIOR. demonstra sua contrariedade com tal preceito legal ao asseverar que “aceitar-se que a lei presuma a necessidade de prisão. ou seja. incumbindo ao acusado evidenciar que essas presunções não têm cabimento. A prisão temporária difere da preventiva porque dirige-se exclusivamente à tutela das investigações policiais. O tempo de duração da prisão temporária é de cinco dias prorrogáveis por mais cinco. bem como o juiz de efetivamente demonstrá-la. que se afastem da realidade. destinada a possibilitar as investigações a respeito de crimes graves. ou seja. exceto para crimes hediondos e outros delitos mais graves que o prazo é mais dilatado. importa submeter a defesa a verdadeira “probatio diabólica” “.

A lei não permite sua decretação de ofício pelo juiz, só a permitindo em face de representação da autoridade policial ou de requerimento do Ministério Público. A lei 7.960 dispõe que caberá prisão temporária quando imprescindível para as investigações do inquérito policial, visa aparar eventuais arestas que impeçam o esclarecimento apropriado do fato criminoso, suas circunstâncias e sua autoria. O art. 1º da Lei 7.960/89, prevê assim, a prisão temporária: Caberá prisão temporária: I - quando imprescindível para as investigações do inquérito policial; II - quando o indiciado não tiver residência fixa ou não fornecer elementos necessários ao esclarecimento de sua identidade; III - quando houver fundadas razões, de acordo com qualquer prova admitida na legislação penal, de autoria ou participação do indiciado nos seguintes crimes: a) homicídio doloso (art. 121, caput, e seu § 2º);

b) seqüestro ou cárcere privado (art. 148, caput, e seus §§ 1º e 2º); c) roubo (art. 157, caput, e seus §§ 1º, 2º e 3º); d) extorsão (art. 158, caput, e seus §§ 1º e 2º); e) extorsão mediante seqüestro (art. 159, caput, e seus §§ 1º, 2º e 3º); f) estupro (art. 213, caput, e sua combinação com o art. 223, caput, e parágrafo único); g) atentado violento ao pudor (art. 214, caput, e sua combinação com o art. 223, caput, e parágrafo único); h) rapto violento (art. 219, e sua combinação com o art. 223, caput, e parágrafo único); i) epidemia com resultado de morte (art. 267, § 1º); j) envenenamento de água potável ou substância alimentícia ou medicinal qualificado pela morte (art. 270, caput, combinado com o art. 285); I) quadrilha ou bando (art. 288), todos do Código Penal;

m) genocídio (arts. 1º, 2º e 3º da Lei nº 2.889, de 1º-10-1956), em qualquer de suas formas típicas; n) tráfico de drogas (art. 12 da Lei nº 6.368, de 21-10-1976); o) crimes contra o sistema financeiro (Lei nº 7.492, de 16-061986). 3 - O ATO PRISIONAL A prisão poderá ser feita por mandado ou por carta precatória. Será por mandado quando a pessoa que deva ser presa se encontrar dentro do território jurisdicional do juiz expedidor da ordem. Será, a prisão, solicitada por precatória quando a pessoa que deva ser presa esteja fora da jurisdição do juiz que expediu a ordem e este expedirá uma carta precatória para a autoridade competente do lugar onde se presuma estar o capturando para que efetue a prisão do mesmo. Segundo o art 283 do CPP a prisão poderá ser efetuada em qualquer dia e a qualquer hora, respeitados as restrições relativas à inviolabilidade do domicílio. Sendo assim, ressalta PACELLI, o art 5º,XI, da CF/88 que garante ser inviolável o domicílio,nele somente podendo adentrar,de dia,por ordem

cita ainda. O citado dispositivo relaciona as seguintes pessoas com direito a prisão especial: . por serviços prestados etc. denuncia a seletividade do nosso sistema prisional observando que os estabelecimentos prisionais estariam reservados para classes sociais menos favorecidas. pela função que desempenham. através de previsão legal. PACELLI. 4 .PRISÃO ESPECIAL X PRINCÍPIO DA IGUALDADE PERANTE A LEI: Previsão Legal: • Artigo 295 do CPP: Certas pessoas.escrita da autoridade judiciária competente. por seu grau de instrução. Já PACELLI. onde o preso não divide a mesma cela com outros presos ficando em celas especiais. uma corrente mais crítica que afirma ser o nosso sistema prisional seletivo no sentido da exclusão social dirigindo-se mais e mais aos autores que aos fatos por eles praticados. Nesse sentido poderíamos questionar se tais prisões especiais não estariam ferindo o preceito constitucional de que todos são iguais perante a lei? MIRABETE é um dos doutrinadores que defendem a tese de que não fere o preceito constitucional. gozam de prerrogativa denominada de prisão especial.à noite em caso de flagrante delito ou com o consentimento do morador.ou.

os diplomados por qualquer das faculdades superiores da República.os cidadãos que já tiverem exercido efetivamente a função de jurado. X . seus respectivos secretários. III . quando sujeitos a prisão antes de condenação definitiva: I . os prefeitos municipais.os ministros de Estado. Art.os cidadãos inscritos no "Livro de Mérito". VIII . do Conselho de Economia Nacional e das Assembléias Legislativas dos Estados.Serão recolhidos a quartéis ou a prisão especial. à disposição da autoridade competente.os governadores ou interventores de Estados ou Territórios. os vereadores e os chefes de Polícia.os ministros de confissão religiosa. o prefeito do Distrito Federal. V . salvo quando excluídos da lista por motivo de incapacidade para o exercício daquela função. IX .Art. § 2º. II . ativos e inativos.os oficiais das Forças Armadas e do Corpo de Bombeiros. XI .os magistrados.os ministros do Tribunal de Contas. VI .os delegados de polícia e os guardas-civis dos Estados e Territórios. 84. VII . 295 . IV . da Lei 7210/84: .os membros do Parlamento Nacional.

doutrinariamente. “terá cabimento contra os remissos ou omissos em entrar para os cofres públicos com os dinheiros a seu cargo. Nesse caso a prisão administrativa será solicitada ao juiz pelo cônsul do país a que pertença o navio.Caberá ainda “contra estrangeiros desertos de navio de guerra ou mercante. . Na opinião de MIRABETE a lei adota um conceito amplo de prisão administrativa como prisão extrapenal. Assim dispõe o artigo 319 do CPP.PRISÃO ADMINISTRATIVA Para MIRABETE. A prisão administrativa tem cabimento contra aqueles que retardam a entrega do que é seu dever de ofício recolher aos cofres públicos e àqueles que não os entrega. era funcionário da administração da Justiça criminal ficará sem dependência separada” .“O preso que. ao tempo do fato. surto em porto nacional. que se divide em duas espécies: a prisão administrativa em sentido restrito e a prisão civil.por motivo de ordem administrativa e com finalidade administrativa.a fim de compeli-los a que o façam”. 5 . tem-se conceituado a prisão administrativa como aquela determinada por autoridade administrativa.

CONCLUSÃO Aqui foi apenas uma pauta para imprimir uma melhor dinâmica às aulas de Processo Penal aos nobres colegas do Instituto de Ensino Superior Integrado – IESI – FENORD – Teófilo Otoni-MG. A prisão provisória é uma amarga necessidade de proteção da sociedade. pela autoridade policial. numa forma de antecipação da execução penal. por ordem do juiz. por força do arigo 42 do CP. como o da prisão administrativa em sentido estrito deve ser computado na pena imposta em processo penal pelo mesmo fato.LXVII da CF/88). só se aplica em duas hipóteses: a)no inadimplemento voluntário e inescusável de pensão alimentícia e b)na hipótese de depositário infiel(art 5º. A prisão civil é efetuada. ressaltar a opinião de PACELLI de que para ele não há no cenário brasileiro. a não ser no Direito Militar. que é uma das espécies de prisão administrativa é utilizada como meio de compelir alguém ao cumprimento de uma obrigação. que trata da detração penal. aqui. Vale. Ou se prende o cidadão.A prisão civil. ficando o preso à disposição daquele. MIRABETE ressalta que o tempo da prisão civil. sem . atualmente qualquer prisão administrativa.

mas é preciso acreditar que um dia tudo isso vai mudar. com ou sem fiança”. a submissão aos movimentos desumanos dos Direitos Humanos. cujos atributos são a morosidade. ou a sociedade fica muito vulnerável diante de bandidos que a todo o momento desafiam a Justiça. quando a lei admitir a liberdade provisória. TOURINHO FILHO.a formação de um título executivo final. da CF/88 – “ninguém será levado à prisão ou nela mantido. Será? Liberdade provisória: Fundamento: Artigo 5º. mesmo porque conhecemos uma Justiça verdadeiramente cega. conceitua a liberdade provisória como o instituto que substitui a custódia provisória decorrente de flagrante. provisória É uma como sendo em que a o medida réu ou intermediária entre a prisão provisória e a liberdade situação . Conceito: MIRABETE. a conveniência. LXVI. decisão de pronúncia ou sentença condenatória recorrível. coloca a imagem interessante de liberdade completa.

independentemente de . Ex.investigado não fica preso nem desfruta de plena liberdade. HIPÓTESES DE CABIMENTO: A doutrina costuma referir a existência de três espécies de liberdade provisória: Liberdade medida for provisória simplesmente permitida: autorizada em será lei a) permitida a liberdade provisória quando essa preenchidos os requisitos legais.: artigo 321 do CPP: livrar-se solto. Liberdade provisória obrigatória: será b) obrigatória a concessão de liberdade provisória nas hipóteses em que a lei determina que o réu deva fiança.

– se à infração a lei penal não comina, isolada, cumulativa ou alternativamente, pena privativa de liberdade; - quando a pena cominada, embora seja privativa, não ultrapassar a 3 meses. Liberdade provisória proibida: Será proibida a concessão do benefício da liberdade provisória, tal como nas hipóteses em que estiverem presentes os requisitos que autorizam a prisão preventiva. Não será concedida liberdade provisória aos agentes a quem sejam imputados: a) Intensa e efetiva participação na organização

c)

criminosa, no caso de ilícitos vinculados ao crime organizado – art. 7º, da Lei 9.034/95; b) Crimes de lavagem ou ocultação de bens, direitos e valores, previstos na Lei 9.613/98; c)Crime de porte ilegal de armas de fogo de uso permitido, sem registro em nome do agente – disparo de arma de fogo – posse ou porte de

arma de fogo de uso restrito – comércio ilegal de arma de fogo – tráfico internacional de arma de fogo. CLASSIFICAÇÕES: A liberdade provisória pode ser concedida, liberdade a depender da existência fiança de certos ser requisitos, com ou sem a exigência de fiança. A provisória sem poderá vinculada ou não vinculada, dependendo de haver ou não a imposição de deveres a serem cumpridos como condição para que se mantenha em vigência o benefício da liberdade. A liberdade mediante fiança será sempre vinculada. 1.Liberdade provisória vinculada sem fiança: Poderá ser concedida a liberdade provisória sem que seja necessário prestar fiança. Permite a concessão de liberdade provisória até mesmo nos crimes inafiançáveis, mas sem a fiança. Será concedida mediante termo de compromisso firmado pelo indiciado ou réu de comparecer a todos os atos do processo, sob pena de revogação.

Caberá nas seguintes hipóteses: • Se o juiz verificar pelo APF que o agente praticou o fato sob o manto de causa de excludente de ilicitude (art. 310, caput, do CPP); • Se o juiz verificar pelo APF a inocorrência de qualquer das hipóteses que autorizam a prisão preventiva, previstas nos arts. 311 e 312 (art. 310, parágrafo único);

Nos casos em que couber fiança, o juiz verificar a impossibilidade de o réu prestá-la, por motivo de pobreza, sujeitando-o às obrigações previstas nos arts. 327 e 328 (art. 350).

A lei prevê ainda situações em que não será o agente preso em flagrante, nem será exigida fiança: • ao condutor de veículo, no caso de acidente de trânsito de que resulte vítima, se lhe prestar pronto e integral socorro (Lei 9.503/97 – Código de Trânsito Brasileiro, art. 301 ); • ao autor de infração de menor potencial ofensivo que, após a lavratura do termo, for

cominada pena privativa de liberdade. sem fiança. isolada. b) Nos crimes dolosos punidos com pena privativa de liberdade. ou quando o máximo da pena privativa de liberdade. I e II).Liberdade vinculação: provisória sem fiança e sem São as hipóteses em que o réu se livra solto. 69. cumulativa ou alternativamente cominada. Devem ser preenchidos dois requisitos: a) Tratar-se de infração. art. não exceder a 3 (três) meses (art. isolada. a que não for.imediatamente ao Juizado ou assumir o compromisso de a ele comparecer ( Lei 9. e sem que reste vinculado a condições para que seja mantido o benefício da liberdade. 2. 321. não haver o réu condenado por outro . parágrafo único ). cumulativa ou alternativamente.099/95.

crime doloso. . V . em sentença anteriormente transitada em julgado ou. em qualquer caso. c/c art. III . III e IV. que provoquem clamor público ou que tenham sido cometidos com violência contra a pessoa ou grave ameaça. 59 e 60 da Lei das Contravenções Penais. Preferiu indicar os crimes considerados inafiançáveis.nos crimes punidos com reclusão. é vedada a concessão de fiança: Art. II . se houver no processo prova de ser o réu vadio. IV .Liberdade provisória mediante fiança: O legislador brasileiro não indicou expressamente quais os crimes afiançáveis.Não será concedida fiança: I . se o réu já tiver sido condenado por outro crime doloso. 3.nos crimes dolosos punidos com pena privativa da liberdade. De acordo com o art.nas contravenções tipificadas nos arts. em sentença transitada em julgado.em qualquer caso. não houver no processo prova de ser o réu vadio (art. 321 do CPP).nos crimes punidos com reclusão em que a pena mínima cominada for superior a 2 (dois) anos. 323 . 323 do CPP.

no mesmo processo.ao que estiver no gozo de suspensão condicional da pena ou de livramento condicional. qualquer das obrigações a que se refere o art. 324 do CPP. III .em caso de prisão por mandado do juiz do cível. 350. prevê o citado dispositivo: Art. igualmente. IV . Assim.Confifuram também hipóteses de inafiançabilidade as situações descritas no art. de prisão disciplinar. II .aos que. São ainda considerados crimes inafiançáveis pela Constituição e pela legislação ordinária: . sem motivo justo. 324 . administrativa ou militar. concedida fiança: I . 312).Não será. salvo se processado por crime culposo ou contravenção que admita fiança. tiverem quebrado fiança anteriormente concedida ou infringido.quando presentes os motivos que autorizam a decretação da prisão preventiva (art.

31 da Lei 7492/86. 2º. tráfico ilícito de entorpecentes e drogas afins e os crimes hediondos (art. 5) os crimes de lavagem ou ocultação de bens. 5º. Finalmente. da CF/88 e art.826/03. estatuto do Desarmamento – Lei 10. com ou sem fiança. ao agente . 2) 3) a ação de grupos armados. a Lei 9. da Lei 9. XLIII. 5º. XLIV. 5º. II. 6) Porte ilegal de arma de fogo.034/95 estabelece a proibição da concessão de liberdade provisória. da CF/88).613/98). XLII. da CF/88). os crimes de tortura. da Lei 8072/90). punidos com reclusão (art. previstos pela Lei da Lavagem de Dinheiro( art. direitos e valores. civis e militares.1) o crime de racismo (art. 3º. contra a ordem constitucional e o Estado Democrático (art. 4) os crimes contra o sistema financeiro.

para garantir o pagamento de custas processuais e ônus a que estiver sujeito o réu. independente. Conceito de fiança: A raiz do termo “fiança” é a mesma que origina o vocábulo “confiança”.que tiver intensa e efetiva participação na organização criminosa (art. federal. Tratavase de início de uma garantia pessoal. um compromisso firmado por pessoa tida por confiável. aparentando etimologicamente a precaução. por sua vez. Tratase de garantia real. Atualmente. ou . constituindo uma caução – termo. secundariamente. objetos ou metais preciosos. consistente na entrega de bens ao Estado. no sentido de que pagaria determinada quantia caso o afiançado se evadisse. estadual ou municipal. e. da idoneidade de quem a presta. a natureza da fiança é diversa. pedras. com o fim de assegurar a liberdade do indiciado ou réu durante a persecutio criminis. títulos da dívida pública. Objeto da fiança: A fiança consistirá no depósito de dinheiro. 7º). portanto.

que somente será cientificado depois de concedida ( art. a prévia manifestação do Ministério Público. enquanto não transitar em julgado a sentença . nos casos de infração punida com detenção ou prisão simples (art. neste caso. durante o Inquérito. dentro de 24 horas do requerimento. independentemente de requerimento: a) pela autoridade policial. 333). ou alguém por ele. o preso. Concessão: A fiança será concedida. 322).em hipoteca inscrita em primeiro lugar (art. A fiança poderá ser prestada a qualquer tempo. poderá prestá-la por petição dirigida ao juiz competente. 330 do CPP). não sendo necessário. salvo quando se tratar de crime contra a economia popular ou sonegação fiscal. Caso haja recusa ou demora da Autoridade Policial. que decidirá (art. 335). b) pelo juiz.

187. no grau máximo. 334). Poderão prestar fiança o próprio indiciado ou rei oi terceira pessoa. até 2 (dois) anos.77 e mínima de R$ 1.O valor da fiança será fixado pela autoridade que a conceder nos seguintes limites: a) de 1 (um) a 5 (cinco) salários mínimos de referência.11 – máxima R$ 5. 325 . 325 estabelece os limites do valor da fiança: Art. o art. Mínima: R$ 1. com pena privativa da liberdade.condenatória (art. Em se tratando de atos processuais. Mínima R$ 296. Valores da Fiança: Em se tratando de ato da autoridade policial. . 57 – superior a 4 anos.77 – para até dois anos. quando se tratar de infração punida.935. os valores são determinados pelo Aviso 01/SGPC/2007 – 26/03/2007: Valores: Mínima de R$ 59.187. 11 – até 4 anos.35 e mínima de R$ 296.

Nos casos de prisão em flagrante pela prática de crime contra a economia popular ou de crime de sonegação fiscal. nos limites de dez mil a cem mil vezes o valor do Bônus do Tesouro Nacional . até 4 (quatro) anos.reduzida até o máximo de dois terços. devendo ser observados os seguintes procedimentos: I .a liberdade provisória somente poderá ser concedida mediante fiança.aumentada. Il . c) de 20 (vinte) a 100 (cem) salários mínimos de referência.o valor de fiança será fixado pelo juiz que a conceder.BTN. da data da prática do crime.b) de 5 (cinco) a 20 (vinte) salários mínimos de referência. a fiança poderá ser: I . até o décuplo. § 1º Se assim o recomendar a situação econômica do réu. quando o máximo da pena cominada for superior a 4 (quatro) anos. o limite mínimo ou máximo do valor da fiança . pelo juiz.se assim o recomendar a situação econômica do réu. quando se tratar de infração punida com pena privativa da liberdade. no grau máximo. III . 310 e parágrafo único deste Código. por decisão do juiz competente e após a lavratura do auto de prisão em flagrante. II . § 2º . não se aplica o disposto no art.

A fiança tomada por termo obrigará o afiançado a comparecer perante a autoridade. 328 . Obrigações do afiançado: Os arts. 327 . Quando o réu não comparecer.poderá ser reduzido em até nove décimos ou aumentado até o décuplo.Para determinar o valor da fiança. sob pena de quebramento da fiança. mudar de residência. Art. todas as vezes que for intimado para atos do inquérito e da instrução criminal e para o julgamento. de as sua condições pessoais de fortuna e vida pregressa do acusado. 326 .O réu afiançado não poderá. a autoridade terá em consideração a natureza da infração. ou ausentar-se por . sem prévia permissão da autoridade processante. as circunstâncias indicativas periculosidade. bem como a importância provável das custas do processo. 327 e 328 do CPP estabelecem as obrigações a que se deverá sujeitar o beneficiário da liberdade provisória para assegurar seu estado de liberdade: São elas: Art. Art. a fiança será havida como quebrada.

não for reforçada. fiança insuficiente. na conformidade deste artigo. do ofendido. III .A fiança ficará sem efeito e o réu será recolhido à prisão. ou durante o Inquérito Policial. Reforço da fiança: Quando o valor prestado se mostrar insuficiente. deverá a fiança. por engano. sem comunicar àquela autoridade o lugar onde será encontrado. O art. de fiança inidônea. 340 .Será exigido o reforço da fiança: I .mais de 8 (oito) dias de sua residência. Quebramento: Considera-se quebrada a fiança quando seu beneficiário deixa de cumprir certas . ser reforçada. ou depreciação dos metais ou pedras preciosas. quando. II . chamada nesse caso.quando for inovada a classificação do delito. 340 enumera as hipóteses de reforço da fiança: Art.quando houver depreciação material ou perecimento dos bens hipotecados ou caucionados. Parágrafo único . de ofício ou a requerimento das partes.quando a autoridade tomar.

328 . sem provar. diversamente o que diz o texto da lei -. motivo justo. a fiança. na vigência da fiança. sem prévia permissão da autoridade processante. a quem quer que a tenha prestado. legalmente intimado para ato do processo. Cassação: Será cassada a liberdade provisória – e não. 341 .obrigações que lhe são impostas como condição para que se mantenha livre. Art. quando: .O réu afiançado não poderá. restituindo-se integralmente o valor da fiança prestada. propriamente. sem comunicar àquela autoridade o lugar onde será encontrado. ou ausentar-se por mais de 8 (oito) dias de sua residência. Quebrará a fiança o beneficiário que: Art. mudar de residência. incontinenti. deixar de comparecer. ou quando.Julgar-se-á quebrada a fiança quando o réu. praticar outra infração penal. sob pena de quebramento da fiança. em qualquer fase do processo.

350. b) for por se a tratar existência de de de crime delito na inafiançável(338). concedendo-lhe liberdade provisória vinculada apenas às obrigações previstas nos arts. 327 e 328 ( art. caberá recurso em sentido estrito da decisão que conceder.a) o juiz reconhecer que não poderia ter sido prestada. negar. caput. Perda: Haverá perdimento (ou perda) do valor da fiança se. sendolhe impossível prestar fiança. . parágrafo único). 340. 344 do CPP). c) seja determinado o reforço da fiança. arbitrar. condenado. 581. sem que o réu cumpra a determinação (art. inciso V. o réu não se apresentar à prisão (art. Dispensa da prestação: Se o réu for pobre. o juiz poderá dispensálo de prestá-la. do CPP) Recurso cabível: De acordo com a determinação do art. caso inovação classificação do delito(339). reconhecida no inafiançável. do CPP.

cassar ou julgar inidônea a fiança ou conceder liberdade provisória. Se relevante para o Direito. uma escritura. Os atos são obra do homem. DOS FATOS E ATOS PROCESSUAIS: Fatos e atos processuais: da Fatos Tudo são os acontecimentos naturais vida. tudo. Introdução conceitual: Atos processuais são os atos jurídicos praticados no processo pelos sujeitos da relação processual. a neblina na estrada. são acontecimentos naturais. ato jurídico: uma carta. serão fatos jurídicos. quanto acontece é um fato: o choque de um veículo. a faísca elétrica. O ato é uma conduta humana. se não. Se eles são relevantes para o Direito. a publicação de um livro. . um depoimento. uma denúncia. fatos naturais. tudo são fatos.

: jurídicos processuais”.: alegações das partes. e não pela palavra). non verbis (pelo fato. os dispositivos: Referem-se ao direito material “negócios em litígio. 1) 2) 3) 4) . Ex. São denominados Ex. os reais: São aqueles que se caracterizam por se manifestarem re.: Denúncia – queixa – Defesa prévia – requerimento para substituição de testemunha.Atos das partes: Costumam os autores distinguir. Ex. pelo objeto. nos atos da parte: os Postulatórios: São aqueles que visam a obter do Juiz um pronunciamento sobre o meritum causae ou uma resolução de mero conteúdo processual. os instrutórios: São aqueles que se destinam a convencer o Juiz da verdade da afirmação de um fato. pela coisa.

Atos dos juízes: Os atos praticados pelo Órgão Jurisdicional classificam-se em: 1) Decisórios: • decisões. • atos de documentação. Atos dos auxiliares da Justiça: Destacam-se: • atos de movimentação. • despachos.desistência – transação – submissão – renúncia – perdão – perempção. • atos de execução. 2) Instrutórios: 3) Documentação. .

de um só órgão – monocrático ou colegiado. 31 do CPP. Atos processuais complexo: quando. Quanto ao terceiros interessados: o terceiro de boa-fé em poder de quem a coisa foi apreendida – o fiador do indiciado ou réu – o ofendido e as pessoas enumeradas no art. Espécies de atos: os atos processuais se apresentam em: Atos processuais simples: É aquele que resulta da manifestação de vontade de uma só pessoa. no mesmo ato. temos ainda os praticados por terceiros (interessados ou desinteressados). . tal como ocorre na audiência e na sessão. Outros exemplos: os atos do perito. O testemunho é um ato processual praticado por terceiro desinteressado. observa-se uma policromia de atos. intérpretes. tradutores.Atos de terceiros: Ao lado de todos esses atos.

Quando tal acontece. Termo de conclusão: o escrivão testifica a remessa dos autos ao Juiz. o escrivão entrega os autos à parte a quem foi aberta vista. ou peças de informações. ou a queixa.Termos: Os termos dizem respeito aos atos de movimentação praticados pelos auxiliares da Justiça. Entre eles destacam-se: Termo de autuação: o escrivão atesta que foi iniciado o processo e que lhe foram apresentados a denúncia. e os autos do Inquérito. quando o prazo corre em cartório (é o caso do prazo comum). . 3) 4) Termo de vista: o escrivão atesta que os autos estão à disposição de uma das partes. os autos ali permanecem à disposição da parte. Outras vezes. que a instruíram. embora com vista aberta. para a deliberação que entender conveniente. 2) 1) Termo de juntada: o escrivão dá a sua fé de que foi juntado determinado documento nos autos.

este ou aquele documento.Conceito Em decorrência do princípio da ampla defesa. 2. Formas de Intimações e Notificações. Citações: 1 . ou. Citação por Edital. Intimações e Notificações. 3. é imprescindível que sejam os . assegurado pela Constituição Federal. esta ou aquela peça. Classificação e Efeitos. Termo de desentranhamento: o escrivão atesta que desentranhou dos autos por determinação do Juiz. Citação por Precatória. Intimações – 1. que a parte já se pronunciou e os devolveu.5) Termo de recebimento: o escrivão certifica que os autos retornaram a cartório. Conceito. Termo de apensamento: o escrivão afirma terem sido apensados outros autos. 4. aos autos principais. 5. 6) 7) CITAÇÕES E INTIMAÇÕES Citações – 1. ou peças de informações. Citação por Mandado. 2. quando dele não saíram.

ver-se processar e fazer sua defesa”. imposição categórica de garantia constitucional. 564. no dizer. Ninguém pode ser processado ou condenado sem que tenha ciência da acusação que se lhe faz. e das intimações e notificações. portanto. não existe no inquérito policial. por ser citado. Essa ciência é feita através da citação. A citação é feita ao denunciado ou querelado sobre o ingresso da ação penal e. e na palavra de Espínola Filho. Não a dispensa o fato de o acusado tomar conhecimento da imputação antes de ser citado. Só o acusado. por ser o único sujeito passivo da pretensão punitiva. se dá ciência ao acusado de que contra ele se movimenta essa ação. das provas produzidas e das decisões exaradas nos autos.acusados cientificados da existência do processo e de todo o seu desenvolvimento. e sua falta é causa de nulidade absoluta do processo (art. como ocorre nas hipóteses . III. de José Frederico Marques. das alegações da parte acusadora. A citação é o chamado a juízo para que o acusado se defenda da ação. É. em que se lhe comunicam os atos do processo passado e futuro. “o ato oficial pelo qual. no início da ação. “e”). manda-o vir a juízo. em que se cientifica o acusado da imputação. A citação é ato essencial do processo. “o ato processual com que se dá conhecimento ao réu da acusação contra ele intentada a fim de que possa defender-se e vir integrar a relação processual”.

514 a 518). e a ciência específica da acusação formalizada é outra. 558 a 560). “estará sanada. e 572). a citação para a execução das penas ou medidas de segurança. IV. resultando sanada se não for argüida nas alegações finais. 2ª. quando reconhecer que a irregularidade poderá prejudicar direito da parte” (art. A falta ou nulidade da citação. porém. 564. 2 . Quando não se trata de falta de citação. embora declare que o faz para o único fim de argüi-la” (art. não elide a nulidade por falta de citação pessoal. em regra. Fica afastada a falta ou defeito da citação. 570. ou de processos originários dos Tribunais (arts. há omissão de formalidade que constitui elemento essencial do ato (art. desde que o interessado compareça antes de o ato consumarse. todavia. Parte).de crimes de responsabilidade de funcionários públicos. 564. Parte). mas de citação incompleta. VI. 571. No processo penal não se exige. pelo comparecimento do réu em juízo. a suspensão ou o adiamento do ato. assim. quando afiançáveis (arts. mas a nulidade deixa de ser absoluta para se tornar relativa. “O juiz ordenará. Mesmo o ingresso do acusado no processo.Classificação e Efeitos A citação pode ser: . 570. ainda que se trate de acusado preso. nos termos do art. 1ª. sendo interrogado. pois o conhecimento da ação penal que contra ele foi instaurada é uma coisa. IV). através de procurador que constituiu. do CPP (arts.

por mandado. 2) Ficta (presumida). é a citação por mandado. I). no processo penal. Dá-se a primeira quando realizada na pessoa do próprio acusado.1) Real (ou pessoal. tem como efeito completar a instância. no processo penal. quando o réu estiver no território sujeito a jurisdição do juiz que a houver ordenado”. é a realizada através de editais. 358) e aquela a ser realizada em legação estrangeira (art. A citação ficta. em primeiro lugar. 368). ou seja. a relação jurídica processual. A citação. in faciem). tendo ele conhecimento de fato de seu chamamento. 3 . Excetuam-se dessa regra a citação do militar (art. requisição. Também é necessário que conste “o nome do querelante nas ações iniciadas por . precatória. que ocorre quando se presume que tenha o acusado tido conhecimento da imputação. Cita o dispositivo. com o surgimento da figura do “réu’. naturalmente presumindo-se que se mencione o cargo ocupado pelo autor da ordem. rogatória ou carta de ordem. Explica o artigo 352 os requisitos intrínsecos do mandado de citação.Citação por Mandado A regra. Determina o artigo 351: “A citação inicial far-se-á por mandado. “o nome do juiz” (inc.

esclarecimentos indispensáveis para que o acusado tome conhecimento de . III). ou se for desconhecido. que sempre será o Ministério Público. VI). seu representante legal ou sucessor.queixa”(inc II). deve constar do mandado “o juízo e o lugar. Evidentemente. Não se exige a menção daquele que subscreve a denúncia. que será o ofendido. pois o que exige. Não foi o legislador feliz na redação do dispositivo ao se referir a réu “desconhecido”. ou. ainda. eventualmente. Dispõe-se. são os sinais característicos do acusado quando se desconhece seu nome e qualificação. que deve constar “o fim para que é feita a citação” (inc. houver divergência entre a capitulação da denúncia e a capitulação legal do lícito. esclarecimentos sobre o teor da denúncia ou queixa que formalizam a imputação. se for conhecida” (inc. IV). os seus sinais característicos” (inc. É ainda necessário que conste do mandado “a residência do réu. V). É necessário que o réu saiba quem o acusa. Os “sinais característicos” mencionados são aqueles referidos na denúncia ou queixa e que servem para individualizar a pessoa do acusado embora se desconheça seu nome e qualificação. Deve ainda ser mencionado “o nome do réu . inexistindo portanto qualquer caráter pessoal na ação. O fato de não ser conhecido o endereço do acusado não exclui a necessidade de ser ele procurado na comarca ou de ser citado ainda que encontrado em outro local. Já decidiu o STF que não há nulidade se. ou seja. o dia e a hora que o réu deve comparecer” (inc. na verdade. por acaso.

VII). pois o oficial de justiça possui fé pública. Assim. acarretará a nulidade do mandado e. que deve ser realizada pelo oficial de justiça. Mas a fé pública dessa certidão abrange apenas os fatos consignados expressamente pelo meirinho e não aqueles em cuja menção se houver omitido a despeito da clara exigência contida no artigo 357. formalidades . Ao contrário do que ocorre com as intimações e notificações. II). nos termos do artigo 370. se for o mandado omisso quando a leitura do mandado ou a entrega da contrafé e sua aceitação ou recusa. Prevê o artigo 357 os requisitos extrínsecos da citação. assinada pelo oficial da diligência. a citação não pode ser efetuada pelo escrivão. A contrafé é a cópia integral do mandado. A ausência de qualquer dessas indicações. “leitura do mando ao citando” e a “entrega da contrafé. ou o equívoco a respeito de qualquer delas. Essa certidão é a prova da realização do ato. o oficial deve “certificar a entrega da contrafé e sua aceitação ou recusa” (inc. Por fim. em primeiro lugar. II. na qual se mencionarão dia e hora da citação”(inc. Lido o mandado e entregue a contrafé. da citação. assim. deve constar no mandado também “a subscrição do escrivão e a rubrica do juiz” (inc.que é regular a citação e saiba exatamente quando e em que local deve comparecer para atender o chamamento judicial a ser interrogado. que só pode ser afastada por robusta prova em contrário. I). Deve o oficial proceder. sinais que conferem a autenticidade do documento citatório.

Embora não haja dispositivo expresso a respeito. A citação pode ser feita em qualquer dia e em qualquer hora. Isto porque é natural que o citando necessite de certo prazo para atender outros afazeres e obrigações e tomar as precauções necessárias para chegar ao local à hora marcada. assim. pode ser realizada aos domingos e feriados e durante o dia ou à noite. já se tem considerado válida a citação efetuada mais de 24 horas antes da data designada. deve consignar tal fato na certidão. há nulidade do ato de chamamento. isto é. realizar a citação. Caso o oficial de justiça não encontre o citando na sua residência ou em qualquer outro endereço constante no mandado. mas obtenha informações sobre seu paradeiro. fazendo constar da certidão que exarar tal circunstância. . deverá procurá-lo nos limites do território da circunscrição do juiz processante e. declarando o acusado em lugar “incerto e não sabido” (como é praxe forense).essenciais à citação. a ausência do seu “ciente” não configura nulidade. exigência da assinatura do citando no original do mandado e. porém. se o encontrar. Na hipótese de não encontrá-lo nos endereços constantes do mandado ou obtidos nas diligências. não se tem admitido a citação no mesmo dia marcado para o interrogatório. juntamente com as informações que tiver colhido durante a diligência. De outro lado. Não há na lei.

mesmo porque pode ser ele desconhecido do juiz deprecante ou haver substituição do magistrado durante o prazo que medeia entre a remessa e a entrega da carta precatória. como. I). respectivamente. determina o inciso II. ou seja.Citação por Precatória Quando o réu estiver fora do território da jurisdição do juiz processante. embora não expresso na lei. impondo que o juiz processante solicite ao juiz do lugar onde se encontre o acusado para que o mande citar. Evidentemente. na ausência deste. ao se referir a “sede da jurisdição de um e de outro” (deprecado e deprecante). o dia e a hora em que o réu deverá comparecer”(inc. que seja mencionado o nome do juiz deprecado. aliás. Deve ela indicar. em primeiro lugar “o juiz deprecado e o juiz deprecante”(inc. o juiz que deve receber a precatória e expedir o mandado e o juiz que a expede. É o que dispõe o artigo 353.4 . Os requisitos intrínsecos da carta precatória de citação estão previstos no artigo 354. ou. É bastante. Deve ainda mencionar a precatória “o fim para que é feita a citação. III) e “o juízo do lugar. IV). as indicações pelas quais ele possa ser . deve ser citado por precatória. São requisitos indeclináveis a que possa proceder regularmente a expedição do mandado e a citação pessoal. a indicação do cargo e da comarca a qual o instrumento é enviado. da precatória deve constar o endereço do citando situado no território do juiz deprecado. Não é indispensável. na realidade. portanto. com todas as especificações” (inc.

Haveria. Verificado. pela ação do autor da infração de mudar de residência ou ocultar-se ao meirinho encarregado da citação. uma presunção de que . 5 . expedindo-se então competente mandado. ao juiz de dada a impossibilidade de ser atendido o chamamento. caput).Citação por Edital A citação por edital (ficta) é realizada quando não é possível localizar o citando a fim de se integrar a relação processual. Cumprida a precatória ela devolvida origem. entretanto. 355. então. com a certidão que conste tal informação. Certificado pelo oficial de justiça. a este remeterá o juiz deprecado os autos para efetivação da diligência. independentemente de translado (art. que o réu se encontra em território sujeito a jurisdição de outro. que o réu se oculta para não ser citado. É pacífico que não é válida a citação realizada na mesma data marcada é para o interrogatório. 355. desde que haja tempo para fazer-se a citação (art. Recebida a precatória. Se o acusado retornou ao território do juiz deprecante. Foi ele instituído para impedir que. §1º. 362 do CPP. ficasse impedida a ação repressiva do Estado.encontrado. a ser cumprido com todos os requisitos inerentes a essa forma de citação. a precatória será devolvida a este. É o que se denomina precatória itinerante. o juiz deprecado exara o “cumpra-se”.). a precatória deve ser devolvida para o fim previsto no art.

Intimações e Notificações Ninguém pode ser condenado sem que tenha ciência não só das acusações que se lhe faz. pela citação. a infração inafiançável. como também das alegações. ao ato já praticado. c) quando é inacessível o lugar onde se encontra. dia e hora de um ato processual a que deve comparecer. provas e decisões produzidas nos autos. no processo. ou. se o for. Refere-se ao futuro. porque é através dela que o acusado toma conhecimento da imputação que lhe é feita.o acusado passasse a Ter conhecimento do processo com a publicação do edital. despacho ou sentença. da prática de um ato. A falta de intimação para . Denomina-se notificação à comunicação a parte ou outra pessoa. Refere-se ela. Chama-se intimação à ciência dada à parte. ao passado. b) o acusado se oculta para não ser citado. portanto. Como a citação é uma das mais importantes garantias processuais. distintas. deve ser realizado por edital apenas quando baldados todos os esforços e esgotados os meios para a efetivação do chamamento pessoal. Intimações 1 . ao ato que vai ser praticado. e) quando o citando estiver no estrangeiro em lugar não sabido. Nos termos da lei ela só pode ocorrer quando: a) o réu não é encontrado. Embora. do lugar. a notificação e a intimação por vezes são confundidas na lei processual penal. d) quando é incerta a pessoa que tiver de ser citada.

das testemunhas e demais pessoas que devem tomar conhecimento de qualquer ato. porém.. No caso de notificação de funcionário público deve ser comunicada a expedição do mandado de condução ao chefe da repartição. em seu § 1º. assim. será observado. o disposto no Capítulo anterior”. Quanto ao advogado constituído. no que for aplicável.271. de 17-04-96. passível de ser corrigida por meio de habeas corpus. às regras previstas para a citação por mandado. porém. na nova redação dada ao artigo 379. Entende-se. que é o seu comparecimento. referindo-se. 2 .atos processuais constitui nulidade por cerceamento de defesa. Não há. nulidade na intimação e notificação do servidor quando o chefe da repartição não é cientificado desta. que não há nulidade na falta de requisição do militar. ao advogado do querelante e do assistente prevê a lei. que devem ser eles intimados para os atos do processo pela imprensa. com a redação que lhe foi dada pelo artigo 1º. se o ato atingiu o fim.Formas de Intimações e Notificações Dispõe o artigo 370. caput do CPP. da lei 9. . especificamente pelo órgão incumbido da publicação dos atos judiciais da comarca. que nas “intimações dos acusados.

que pode ser ela feita por mandado. o Ministério Público. no caso de intimação pessoal. evidentemente observando-se o que é disposto no capítulo anterior. o defensor público ou equivalente. o nome completo das partes e de seus procuradores. Além de prever a intimação pelo escrivão. dispõe o §2º. aliás. Na ausência de órgão incumbido de publicações judiciais a intimação desses procuradores será efetuada na formas dos §§ 2º. É o que decorre do §3º. Assim. Inovando amplamente na matéria. modalidade não aceita na legislação anterior. não bastando a citação do prenome ou do número de inscrição na OAB. do mesmo artigo. pode também o escrivão intimar o acusado. do artigo 370. a lei nova permite também a intimação por via postal com comprovante de recebimento (carta ou telegrama “AR”). A omissão ou erro que não permita identificá-lo claramente é causa de nulidade. os peritos etc. Como intimação que é.Formalidade essencial dessa publicação é que ela conste o nome do acusado. Como se trata. Podem ser eles intimados diretamente pelo escrivão. e a finalidade da intimação de modo que o destinatário tenha ciência exata do despacho do juiz. as testemunhas. ao dispor que a intimação pessoal do escrivão dispensará a aplicação a que alude o §1º. o advogado do querelante e do assistente podem ser cientificados por . e 3º. a publicação pela imprensa deve conter o número da ação penal. o defensor constituído.

pode ocorrer nulidade do ato.271/96). fax. seja a cientificação realizada por telegrama. 8. exigindo-se. para a validade da intimação que se tomem as cautelas devidas para a identificação do destinatário e que este tenha ciência exata da comunicação (dia. a intimação pessoal. É possível. que devem tomar conhecimento do ato processual.. porém. quando se trata do réu. através da entrega dos autos com vista. nos escaninhos destinados aos advogados. exige-se a intimação pessoal em qualquer processo e grau de jurisdição.carta que deve ser entregue pessoalmente. não possibilita a intimação por via postal ou outro meio idôneo. Evidentemente. 9. aliás. hora e local da audiência) eis que.625/93 (LONMP). 370 §4º. meios não aceitos pela jurisprudência quanto a legislação anterior. O dispositivo. 41. A intimação do Ministério Público e do defensor nomeado será pessoal (art. colhendo o entregador dos Correios a assinatura do destinatário. radiograma ou telefone. da Lei nº. de testemunha ou demais pessoas. como acontece em inúmeras comarcas. tal como dispõe o art. nesses casos. Quanto ao Ministério Público. A intimação não se coaduna com o simples fato de se colocar o processo sobre a mesa do representante do Mistério Público ou. Necessário e . pois. computador. havendo falha na comunicação. IV. telex. Prevê ainda que a lei que a intimação se faça por qualquer meio idôneo. é necessária. com redação que lhe foi dada pela Lei nº.

ou não. dia e hora para seu prosseguimento. a averbação do “ciente” do Ministério Público quando intimado seu representante. dispõe ainda a lei que “adiada. lerá a petição à pessoa a ser notificada ou intimada. 372). porém. Assim. Pode a notificação ou intimação ser feita também no próprio requerimento em que foi pedida. o juiz marcará desde logo. da contrafé pelo cientificado. por qualquer motivo.” Nessa hipótese. entregar-lhe-á. do que lavrará termos nos autos” (art. o oficial. as partes “saem cientes”. Dispõe o artigo 371:”Será admissível a intimação por despacho na petição em que for requerida. NOÇÕES BÁSICAS SOBRE SENTENÇA: .imprescindível é que o escrevente ou o próprio escrivão dê ao interessado ciência do ato processual que deve conhecer. como se diz na praxe forense. ao invés do mandado. observando o disposto no artigo 357. Não se exige. bastando que se certifique nos autos a sua cientificação. contrafé. a instrução criminal. Por fim. e lançará no verso da petição certidão do cumprimento da diligência e da recusa. como no mandado. na presença das partes e testemunhas. bem como o despacho proferido. do ato processual a ser praticado em outra oportunidade.

V. Não são recorríveis.É importante estabelecer a classificação dos atos jurisdicionais para melhor entendimento acerca do tema: Sentença. vista as partes. 2) Decisões em Sentido Amplo: Podem ser: a) Decisão Interlocutória Simples: vão além de uma mera movimentação do processo. designação audiência.: Recebimento denuncia deferimento/indeferimento revogação Prisão Preventiva. do CPP.. nos quais inexiste julgamento por parte da parte do Juiz.: Requisição FAC. Ex. Ex. todavia. A doutrina costuma apresentar a seguinte classificação: 1) Despachos de Mero Expediente ou Despachos Ordinatórios: São atos de simples movimentação dos processos. Quando não . pois trazem um pronunciamento decisório do juiz. exceto naquelas situações que causam inversão tumultuaria no processo. Então cabe CORREIÇÃO PARCIAL. etc. disposição expressa = 581. salvo. Também não são recorríveis. sem exame de mérito da causa..

houver recurso expressamente previsto. encerram em etapa do procedimento ou a própria relação processual. rejeição denúncia (rese). a) Terminativas de Mérito: encerram a relação processual.1) Não terminativa: encerram apenas uma etapa do procedimento Ex: pronuncia desclassificada (rese) b. Ex: extinção da punibilidade (rese). julgando o mérito. impronúncia. total ou parcialmente.2) Terminativa: encerra a relação processual. Apelação c) Absolutória: não acolhem a pretensão punitiva . julgam o mérito. mas não absorvem ou condenam. mas sem julgar o mérito. a decisão deve ser atacada por HC (recebimento inicial. b) Decisões Interlocutórias Mistas: São decisões com força definitiva. b. a pretensão punitiva. 3) Sentenças em Sentido Estrito: solucionam a lide. b) Condenatória: acolhem. deferimento PP) e MS (indeferimento do pedido assistência MP) ou correição parcial.

deve demonstrar que seu bem jurídico foi rompido por alguém. não se admite a autotutela e a autocomposição como resolução de conflitos de interesse. Quanto ao órgão prolator: * Subjetivamente simples * Subjetivamente plúrima * Subjetivamente complexa Como se sabe. a solução dos conflitos humanos em sociedade é função Estatal. Desse modo. Apelação. à parte que se sentir lesada no seu direito. visto que a vingança privada não traz benefícios ao progresso do corpo social. invocando a tutela jurisdicional que julgará a lide e aplicará o constante no Ordenamento Pátrio. Foi diante deste fato que o Estado criou o processo com o escopo de estabelecer tratamento uniforme as partes e evitar insegurança nas relações sociais conflituosas. Face a esta oposição de litigantes verifica-se a figura do juiz que é órgão instituído pelo Estado para dirimir as .Própria = sem ônus Imprópria = com ônus para o réu = medida de segurança. Desta feita. Sendo assim a solução adequada para as lides reside no exercício do Direito de Ação disponibilizado a todo aquele que possui capacidade e legitimidade para agir.

prolata o juiz uma Sentença que traduz a manifestação humana devidamente documentada. Destarte. tem ele. bem como de elementos de prova arrazoados pelas partes. conforme a ordem jurídica vigente. sendo-lhe cabível. por esta razão. como ato declaratório do direito aplicável à matéria controversa. todo um conjunto probatório resultante de material colhido pessoalmente durante a instrução. bem como ato resultante do exercício da função jurisdicional invocada pela parte lesada em seu direito. Neste diapasão.contendas entre aqueles. Diante do julgamento final da ação penal que lhe foi objeto de apreciação. o fato controvertido. o papel de apurar. mediante persecução regular. o julgamento do juiz é um ato de soberania que tem como fim único estabelecer a paz social. portanto. CONCEITO E CLASSIFICAÇÕES Importa observar que o Código de Processo Penal não definiu Sentença. de maneira a convencer-se de quem é o Direito deduzido em juízo. tornou-se clássico o .

por meio de seus órgãos jurisdicionais. NATUREZA JURÍDICA A sentença. é o ato pelo qual o juiz encerra em primeiro grau a Jurisdição. no artigo 162. sentença é uma manifestação intelectual lógica e formal emitida pelo estado. qualificado por uma pretensão resistida.uso do conceito adotado pelo Código de Processo Civil. Assim. é uma declaração de vontade emitida pelo juiz. por sua natureza. quando não for possível estabelecer initio litis a relação processual ou dar-lhe prosseguimento por inobservância dos pressupostos legais. sentença é o ato por meio do qual o juiz decide a lide. No dizer de Fernando Capez. em suma. 267 e 269 desta lei”. pondo fim ao processo com o julgamento do mérito. mediante a aplicação do ordenamento legal ao caso concreto. bem como é o ato que extingue o processo sem julgamento de mérito. mediante a procedência ou improcedência do pedido. o qual dispõe. § 1°: “ Sentença é o ato juiz que implica alguma das situações previstas nos arts. com a finalidade de encerrar um conflito de interesses. em que ele exprime uma ordem .

2) Motivação (ou fundamentação). do CPP. tendo-se por escopo extinguir juridicamente a controvérsia. . o relatório. as indicações necessárias. consiste ele no histórico do que ocorreu nos autos. visto que só se faz coisa julgada entre partes determinadas nos autos. Por este motivo.que derivará da lei e será aplicada ao caso concreto. que se determina que sejam citados os nomes das partes. descrevendo a marcha procedimental e seus incidentes mais relevantes. 3) Conclusão (ou parte dispositiva . incisos I e II. Os requisitos formais ou partes intrínsecas da sentença desdobram-se: 1) Exposição (ou relatório ou histórico). REQUISITOS FORMAIS DA SENTENÇA É de se ressaltar que a sentença. deve ser formulada de modo a respeitar os requisitos formais estabelecidos pela lei. Observa-se no inciso I. É requisito do artigo 381. e na impossibilidade. a exigibilidade de individuação das partes.decisão). para ter existência como pronunciamento da vontade emitida pelo juiz.

Embora. Em síntese. depreende-se que está o magistrado obrigado a apreciar toda a matéria levantada pelo acusado e pelo ofendido. Desta feita. no seu artigo 81. sendo assim inexiste a necessidade do magistrado expor fatos irrelevantes no seu relatório. sendo assim depreende-se que livre convencimento não significação falta de motivação legal. Cumpre ressaltar que a Lei n. do CPP. dispensa o relatório na sentença que forem casos de sua competência.099/95. de modo a demonstrar a pretensão de cada uma delas. do qual infere-se que o juiz está obrigado a indicar os motivos de fato e de direito que levaram-no a tomar determinada decisão. sob pena de nulidade se não o fizer. desta feita deve o juiz apreciar circunstâncias . A motivação está elencada no artigo 381. a fundamentação abrange matérias jurídicas e de fato.O juiz deve fazer uma exposição sucinta das alegações das partes. amparado pelo princípio do “livre convencimento”. deve o juiz exteriorizar o desenvolvimento de seu raciocínio. que dispõe acerca dos Juizados Especiais Criminais. 9. pois a conclusão será a aplicação do direito ao caso concreto. fornecendo as razões que levaram-no a tomar determinada decisão. visto que é garantia constitucional de que os julgamentos dos órgãos do Poder Judiciário são públicos e fundamentados sob pena de nulidade. § 3°. inciso III.

Conforme dispõe o artigo 381. o magistrado deverá examinar todas as matérias suscitadas pela acusação e pela defesa. EMBARGOS DECLARATÓRIOS . com o escopo de corrigir os erros materiais. como dispõe o artigo 382. o magistrado deverá mencionar a indicação dos artigos e de leis aplicados e o dispositivo. incisos IV e V. isto é. Neste desiderato. ou sujeitas a embargos de declaração. depreende-se que a sentença deve estar completa. SENTENÇA SUICIDA É aquela denominada por alguns autores italianos como a sentença em e a que há uma contradição de modo entre que o tais dispositivo fundamentação. Ela se encerra com a data e a assinatura do juiz. na qual o magistrado julga o acusado após a fundamentação da sentença. A conclusão é a decisão propriamente dita. sendo esta a autenticidade da sentença.juridicamente relevantes descritas na denúncia ou mencionada na defesa. sentenças são nulas.

ainda. Caso a sentença não esteja em consonância com o exposto. quando opostos contra acórdão. 9. “qualquer das partes. Difere também. os efeitos. observada a nova redação determinada pela Lei n.8. pedir ao juiz que declare a sentença.099/95. suspensivo ou interruptivo. como dispõe o artigo 83 e parágrafo da Lei n.Como visto. sempre que nela houver obscuridade. Apesar do CPP não ter disposto expressamente. Diante do exposto. ambigüidade. Salienta-se. aplicando-se analogicamente o consignado no artigo 538 do CPC. contradição ou omissão”. caberão embargos de declaração no prazo de 05(cinco) dias. no prazo de 02(dois) dias. que nas infrações de competência dos Juizados Especiais Criminais. dos 02(dois) dias. poderá. explicita-se que os embargos de declaração interrompem o prazo do recurso. a sentença deve constituir-se numa peça completa. quando interpostos da sentença.950/94. contados da intimação da sentença. não tendo qualquer efeito. . como elenca o artigo 382 do CPP. ao invés. que o magistrado através dos embargos de declaração de sentença de primeiro grau. de modo que haja um entendimento claro e preciso advindo da mesma. visto que os embargos suspenderão (e não interromperão) o prazo para o recurso. Importa observar. infere-se que o prazo para o pedido de declaração será de 02(dois) dias.

bem como será encaminhado para a câmara onde ele se encontra. EFEITOS DA SENTENÇA Num primeiro momento. Importa observar que. o esgotamento do poder jurisdicional do magistrado que prolatou a sentença. Salienta-se. a sentença. segundo consignado no artigo 382 do CPP. bem como não poderá anular a sentença que proferiu.poderá complementar ou esclarecer alguma obscuridade na mesma. bem como a proferida quando . tendo por rito uma petição da parte interessada. como também. uma vez prolatada a sentença cria impedimento do juiz que a proferiu de oficiar no processo quando em instância recursal. verifica-se entre os principais efeitos da sentença. É de se ressaltar que é efeito da sentença a saída do juiz da relação processual. se houver recurso o órgão jurisdicional competente passa a ser o tribunal ad quem. a não ser a correção de erros materiais. no processo penal. sendo assim o impedimento é automático. em que se verifica a presença do Ministério Público. não podendo o mesmo praticar qualquer ato jurisdicional. deverá a relação ser extinta. visto que o processo estará com juiz de superior instância. que não produz efeitos a sentença proferida por juiz destituído de jurisdição. uma vez transitada em julgado.

portanto desvincular-se da inicial acusatória. não podendo. . sendo assim verifica-se que este princípio é garantidor do direito de defesa do acusado. de modo que ele não poderá julgar o réu por fato de que não foi acusado. este ocorre quando a decisão estatui uma pena que permite a decretação da prescrição retroativa. depreende-se que deve haver uma correlação entre o fato descrito e o fato pelo qual o réu será condenado. sendo assim está o juiz vinculado à denúncia. PRINCÍPIO DA CORRELAÇÃO Cumpre ressaltar que a sentença deve ter uma relação com a denúncia e a queixa. de modo a descrever o fato criminoso e as suas circunstâncias e decidir sobre quem recairá esta imputação. visto que estas são inexistentes. A doutrina destaca ainda a existência do chamado “efeito autofágico da sentença”. Desta feita. Importa observar que o magistrado não poderá julgar o acusado extra petita.o juiz estava de férias ou logo após sua promoção para outra comarca. visto que é nesta que se expõe ao Estado – Juiz a pretensão punitiva. ficando a partir deste momento com seus efeitos afetados pela causa extintiva de punibilidade. ultra petita ou citra petita. trazendo em seu interior um elemento que a autodestruirá.

deve a sentença ser explícita. na hipótese de imputação de dois ou mais delitos. Por ocasião do mesmo. o qual reza: . EMENDATIO LIBELLI Num primeiro momento. visto que o acusado se defende do fato criminoso que lhe é imputado e não dos artigos da lei com que ele é classificado na exordial. o qual dispõe que o juiz que conhece o direito e. verifica-se o princípio do jura novit cúria (princípio da livre dicção do direito). Além do princípio exposto. pelo qual se entende que o réu não se defende da capitulação dada ao crime na denúncia e sim da sua descrição fática narrados na referida peça acusatória. permitindo que a sentença possa considerar na capitulação do delito dispositivos penais diversos dos expostos na denúncia. na configuração de cada um deles.Isto posto. portanto. assim. salienta-se que O CPP não adotou de modo absoluto o princípio da mutatio libelli (alteração do libelo). vigora o princípio da narra mihi factum dabo tibi jus (narra-me o fato e te darei o direito). ele que cuida do mesmo. descrevendo-lhes os aspectos fáticos e jurídicos que ensejaram sua convicção. Importa observar o que dispõe o artigo 383 do CPP. ressalta-se que a análise judiciária deverá abarcar com toda a acusação. em concurso.

infere-se que houve uma mera emenda na acusação. Neste desiderato. mesmo que imponha pena mais severa. Salienta-se que não há qualquer limitação para a aplicação da emendatio libelli em segunda instância. podendo o magistrado emendar a acusação para dar-lhe a classificação que julgar mais pertinente. isto é. verificou-se que pode o juiz condenar o acusado pelo delito segundo a definição jurídica (classificação do crime) que entende cabível e não por aquela disposta na denúncia. consistente na alteração da sua classificação legal. (Nova redação determinada pela Lei 11. poderá atribuir-lhe definição diversa. . desde que comprovados os fatos e as circunstâncias narradas na peça vestibular. depreende-se que o que é relevante é a correta descrição do fato. na hipótese de recurso exclusivo da defesa. em conseqüência. sem modificar a descrição do fato contida na denúncia ou queixa.719/2008 ) Desta feita. tenha que aplicar pena mais grave”. somente se o Tribunal der nova definição jurídica que implique em prejuízo ao réu. uma simples corrigenda da peça acusatória. ainda que.“O juiz. visto que afrontaria o princípio da reformatio in pejus. Sendo assim.

quando se fala de mutatio libelli. no prazo de 5(cinco) dias. desconhecida ao tempo da ação penal. aplica-se o art. 383 e 384 do CPP. determinada pela Lei 11. Sendo assim. infere-se que a mutatio libelli implica o surgimento de uma prova nova. ou seja. .MUTATIO LIBELLI Importa observar. Desta feita.719/2008. que encerrada a instrução probatória. inicialmente. em respeito ao princípio da mutatio libelli. em conseqüência de prova existente nos autos de elemento ou circunstância da infração penal não contida na acusação. se entender cabível nova definição jurídica do fato. Não procedendo o órgão do Ministério Público ao aditamento. constituindo. 28 do CPP. tal que não pode a sentença ser proferida de imediato. refere-se a mudança na acusação. o Ministério Público deverá aditar a denúncia ou queixa. tudo conforme determina a nova redação dos art. levando assim a uma readequação dos fatos expostos na queixa ou na denúncia. se em virtude desta houver sido instaurado o processo em crime de ação pública. reduzindo-se a termo o aditamento. quando feito oralmente. em modificação da descrição fática constante da inaugural. portanto alteração da narrativa acusatória.

Salienta-se que essa indicação é relevante para se definir a repercussão civil da sentença. a) Absolvição Como visto. bem como exige a prova categórica de que o acusado não foi o autor da infração. quando a melhor opção seria a do inciso I. que fique comprovado que houve inexistência de nexo causal entre a conduta do acusado e o resultado. Importa observar que o artigo 386 não é taxativo. Diz-se. materializa-se na hipótese em que resta provado que o acusado não foi autor do fato típico (sendo que esta possibilidade não se encontra elencada no corpo do artigo) e o magistrado o absolve com base no inciso VI. depende a sentença. o . com o escopo de se mudar o fundamento legal da sua absolvição. tendo em vista as repercussões civis do ato. impõe-se a absolvição. Assim.SENTENÇA ABSOLUTÓRIA Cumpre observar que a sentença será absolutória quando o magistrado expõe as razões da improcedência da acusação. Desta feita. fundamentado no artigo 386 do CPP. ainda. que o réu pode apelar da própria sentença absolutória. uma vez tendo ficado comprovado que o fato imputado ao acusado não ocorreu.

deste modo infere-se que o legislador . também. visto o diferente grau de cognição e convencimento numa outra esfera. isto é. ou seja. inciso V. inciso III). O acusado será absolvido. Também há lugar a absolvição quando o juiz reconhece não haver prova da existência do fato (artigo 386. Outra hipótese que comporta a absolvição é a exposta no artigo 386. visto que o que não configura-se como ilícito penal pode ser ilícito civil. nesta hipótese verifica-se a existência do fato. só que este não é típico. inciso II). segundo dispõe o inciso I do artigo 386. Porém. mas não se esclareceu devidamente a sua existência. não se constitui ilícito penal.magistrado concluirá neste sentido quando estiver convencido de que o fato não ocorreu. Pode a absolvição se dar pela inexistência de prova de que o réu tenha concorrido para a infração (artigo 386. ou seja. se não ficar evidenciado que o acusado tenha executado ou participado dele inexiste a prova de autoria ou participação. Ressalta-se que a dúvida que impede a condenação penal pode não impedir a indenização civil. salienta-se que há possibilidade de haver indenização civil. o fato criminoso pode ter ocorrido. inciso IV). o que enseja a sua absolvição do mesmo. a qual dispõe que o acusado será absolvido quando existir circunstância que exclua o crime ou isente o réu de pena. quando o fato não constituir infração penal (artigo 386.

Por fim. salvo se este for o culpado pela situação de perigo. portanto. subsistindo a responsabilidade do autor de indenizar o prejudicado. desta feita este inciso será aplicado quando houver dúvida quanto à existência de causas excludentes da ilicitude ou da culpabilidade alegadas e que. porque nega no caso concreto.fez alusão as causas excludentes da antijuridicidade ou ilicitude. depreende-se que embora haja o reconhecimento de que o réu agiu sob a égide de uma causa excludente de ilicitude o fato faz coisa julgada no juízo cível. b) Efeitos da sentença absolutória É notório que a sentença absolutória tem natureza declaratório-negativo. produz ela. inciso VI). a existência do jus puniendi do Estado. como também as causas excludentes de culpabilidade. Estes efeitos consignam-se no artigo 386. parágrafo único. Sendo assim. observa-se que se não existir prova suficiente para a condenação será o réu absolvido (artigo 386. pôr o réu em liberdade. . se for o caso. levam ao princípio do in dúbio pro reo. embora não comprovadas. o qual dispõe que: I – Mandará. os efeitos que serão determinantes para que o juiz tome as providências no caso concreto.

A fiança deve ser restituída (artigo 337). III. do CP. Uma vez transitada em julgado a sentença. se cabível. . Essa decisão impede ainda que se argua a exceção da verdade nos crimes contra a honra (artigo 138. culminando imprópria. SENTENÇA CONDENATÓRIA a) Conceito: É aquela em que o juiz julga procedente a pretensão punitiva deduzida na peça acusatória. Ressalta-se que a medida de segurança só poderá ser executada após o trânsito em julgado da sentença e a expedição da guia pela autoridade judiciária. e artigo 523. do CPP).II- Ordenará a cessação das penas acessórias provisoriamente aplicadas. bem como salienta-se que é inaplicável aos crimes o dispositivo II. Importa observar que a apelação da sentença absolutória não impede que o réu seja posto em liberdade. deve ser levantada a medida assecuratória consistente no seqüestro (artigo 125) e na hipoteca legal (artigo 141).Aplicará medida de segurança. visto que não estão mais previstas penas acessórias na legislação penal e por fim observa-se que será aplicada a medida de segurança nas hipóteses do em que seja na reconhecida absolvição inimputabilidade acusado. III. §3°.

Código Penal.mencionará as circunstâncias agravantes ou atenuantes definidas no Código Penal.mencionará as outras circunstâncias apuradas e tudo o mais que deva ser levado em conta na aplicação da pena. de acordo com essas conclusões. fundamentadamente. e cuja existência reconhecer.209/84. O juiz decidirá.reconhecendo a responsabilidade do réu e lhe aplicando uma pena.aplicará as penas. 387 .O juiz. se for o caso. sobre a manutenção ou. Obs. 387): Art. considerando os prejuízos sofridos pelo ofendido. b) Efeitos da sentença condenatória: A sentença condenatória produz os seguintes efeitos: . II . de acordo com o disposto nos arts.: Os incisos IV. ao proferir sentença condenatória: I . deverá o juiz (art. sem prejuízo do conhecimento da apelação que vier a ser interposta. III . Parágrafo único. Na sentença. imposição de prisão preventiva ou de outra medida cautelar. IV – fixará valor mínimo para reparação dos danos causados pela infração. V e VI foram revogados com o advento da Lei nº 7. 59 e 60 do Decreto-Lei nº 2848. que substitui intergalmente a Parte Geral do Código Penal. de 7 de desembri de 1942 .

393). 91. §º. • Com o trânsito em julgado gera a reincidência (art. de concessão em de sursis ao reincidente crime doloso. • Deverá continuar preso. 63 do CP). lança-se o nome do réu no rol dos culpados. I. • Perda em favor da União dos instrumentos ou do produto do crime (art. art. 91. • • A interrupção da fluência do prazo prescricional (art. I. 586. do CP). ou estando solto. IV. II. A certeza da obrigação de reparar o dano decorrente da infração (art. . • Impossibilidade condenado 77. art. do CP. ressalvada a hipótese do apenado em multa (art. 117. do CPP). do CP). do CP).• Acarreta preclusão dos vícios existentes na peça acusatória. • Com o trânsito em julgado da sentença condenatória. deverá ser preso se presentes os requisitos de qualquer modalidade de prisão cautelar (art. 63 do CPP.

por crime culposo ou contravenção. a pena privativa de liberdade ou restritiva de direitos (art. • Revogação do livramento condicional ao liberado condenado a pena privativa de liberdade. I. ensina o Professor José Frederico Marques. 81. § 1º. do CP). e sim trabalho particular do juiz. 86 do CP).• Revogação do sursis ao beneficiário condenado por sentença irrecorrível. do CP). • Possibilidade de revogação do sursis ao beneficiário condenado em sentença irrecorrível. em sentença irrecorrível (art. que lavrará nos autos o respectivo termo. • Efeitos extrapenais específicos: perda do cargo. por crime doloso (art. A sentença antes da publicação não é ato processual. . função pública ou mandato eletivo. A sentença adquire caráter público quando juntada aos autos. 81. c)Publicação: Estabelece o artigo 389 do CPP que a sentença será publicada em mão do escrivão.

Os arts. na presença das partes e de todos os que estiverem presentes ao ato. a infração.ao defensor constituído pelo réu. ou. Art. 392 . afixado no lugar de costume. dará conhecimento da sentença ao órgão do Ministério Público. 390 . regulam a matéria em apreço.O escrivão. II .O querelante ou o assistente será intimado da sentença. Se nenhum deles for encontrado no lugar da sede do juízo.ao réu. ou ao defensor por ele constituído. pessoalmente ou na pessoa de seu advogado. Art. dentro de 3 (três) dias após a publicação. Uma vez publicada a sentença. afiançável. 390. pessoalmente. pessoalmente. expedido o mandado de . e sob pena de suspensão de 5 (cinco) dias. ou não. quando o juiz dita ao escrivão e este reduz a termo. 391 . III . a intimação será feita mediante edital com o prazo de 10 (dez) dias. 391 e 392.A intimação da sentença será feita: I . quando se livrar solto.A sentença pode alcançar a publicidade quando prolatada em audiência. Art. d) Intimação: É o ato processual pelo qual se dá partes partes de ser que a decisão de foi seu ciência deverão às as prolatada. sendo afiançável a infração. se estiver preso. se este. Senão vejamos. tiver prestado fiança. intimadas conteúdo.ao réu.

do CPP): a) o órgão do Ministério Público. for feita a intimação por qualquer das outras formas estabelecidas neste artigo. e assim o certificar o oficial de justiça. Observações: • Para que ocorra o trânsito em julgado da sentença condenatória.mediante edital.mediante edital. . na hipótese de réu foragido. no curso deste. é necessário que o defensor dativo seja intimado pessoalmente da decisão. se o réu e o defensor que houver constituído não forem encontrados. não for encontrado. se tiver sido imposta pena privativa de liberdade por tempo igual ou superior a 1 (um) ano. e assim o certificar o oficial de justiça. 5º. 370. se o réu. nos casos do nº II. § 1º . Deverão ser intimados pessoalmente da sentença ( art. b) o defensor nomeado. VI . e assim o certificar o oficial de justiça. nos outros casos. IV . nos casos do nº III. e assim o certificar o oficial de justiça.O prazo do edital será de 90 (noventa) dias. V . conforme art. § 5º. não tendo constituído defensor. § 4º. não tiver sido encontrado. salvo se. § 2º . e de 60 (sessenta) dias. da Lei 1060/50. se o defensor que o réu houver constituído também não for encontrado.mediante edital.prisão.O prazo para apelação correrá após o término do fixado no edital.

• As intimações dos acórdãos serão realizadas por meio de publicação na imprensa oficial. que para que haja caracterização da coisa julgada há exigibilidade de que figure a tríplice identidade de partes. dela constando os nomes das partes e de seus advogados. aplicando-se assim o princípio ne bis in idem. Importa observar. não poderá ele sofrer a mesma imputação. . se não for interposto recurso no prazo legal à decisão ora prolatada torna-se definitiva. COISA JULGADA a) Conceito Sabe-se que uma vez proferida a sentença e intimadas as partes. visto que se um sujeito já foi condenado por determinado crime. com o escopo de que o imperativo jurídico contido no seu corpo tenha força de lei entre as partes. o pedido e o fundamento. inalterável. como também se torna imutável a sentença que foi objeto de recurso e esgotadas as vias para o reexame da mesma. Disto depreende-se que coisa julgada é a imutabilidade da sentença ou de seus efeitos. A coisa julgada se baseia na justiça e na segurança jurídica.

Em suma. uma vez tornada imutável a sentença. que é a mesma inalterabilidade face ao conteúdo do julgamento e de seus efeitos. A coisa julgada será material quando nas sentenças de mérito estiverem esgotados os recursos. desta feita depreende-se que coisa julgada material é a imutabilidade da sentença ou de seus efeitos não só no mesmo processo porque extinguiram-se as vias recursais. é a imutabilidade da sentença como ato processual. b) Coisa Julgada formal e coisa julgada material Diz-se que coisa julgada formal é aquela que se perfaz quando estão esgotados todos os recursos cabíveis. infere-se que a coisa julgada formal impede o reexame da decisão dentro do processo enquanto . isto é todas as decisões terminativas fazem coisa julgada formal quando extintas as vias recursais. como ato processual. Neste desiderato. visto que contra esta não admite-se revisão. mas também acarretando a proibição de outra decisão sobra a mesma causa em outro eventual processo. operando-se somente dentro da relação processual em que a decisão foi prolatada. a coisa julgada formal será condição prévia da coisa julgada material. salienta-se que a coisa julgada encontra sua atuação mais completa no tocante a sentença absolutória. Cumpre ressaltar que.Além do exposto.

c) Coisa julgada e documento falso Importa observar que o Supremo Tribunal Federal já tem decidido que a sentença que declara a extinção de punibilidade não faz coisa julgada quando baseada em documento falso. JURISPRUDÊNCIA .que a coisa julgada material torna imutável a decisão fora do processo. restaurar-se a relação processual. esta materializa-se no não andamento da marcha processual. Como se sabe. a legislação brasileira não faz exceção ao princípio da impossibilidade da revisão pro societate. CRISE DA INSTÂNCIA A crise da instância é a crise processual ou crise do procedimento. apesar da proibição de se rescindir sentença transitada em julgado em desfavor do réu. na hipótese de fundar-se a decisão em documento falso. visto a alguma ocorrência que o impede de prosseguir até a sentença final. sendo assim recomenda-se à adoção de regra de exceção para que possa. ensejando a exceção de coisa julgada.

Celso de Mello. 1°T. 1996.. DJU. 13 dez.50166). (STF. afeta a legitimidade jurídica do ato decisório e gera. precisamente por traduzir grave transgressão de natureza constitucional.SENTENÇA. de maneira irremissível. da Carta Política. a conseqüente nulidade do pronunciamento judicial”. HC 74. NECESSIDADE DE MOTIVAÇÃO: “A fundamentação dos atos decisórios qualifica-se como pressuposto constitucional de validade e eficácia das decisões emanadas do Poder Judiciário. rel. p. A inobservância do dever imposto pelo artigo 93. IX.Min.351 –0/RJ. .

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