INSTITUTO FEDERAL DE EDUCAÇÃO, CIÊNCIA E TECNOLOGIA UNIDADE DE ENSINO DESCENTRALIZADA DE LAGARTO

Apostila de Máquinas Elétricas: Transformadores e Máquinas de Corrente Contínua

Prof. Buzinaro

   

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LISTA DE FIGURAS

Fig. 1. 1 ‐ Transmissão de energia elétrica, desde a geração até o consumidor final. ............................................ 2  Fig. 1. 2 ‐ Transformador monofásico. .................................................................................................................... 3  Fig. 1. 3 ‐ Efeito da indução mútua. ......................................................................................................................... 8  Fig. 1. 4 ‐ Curva de M vs. H de um material ferromagnético. ................................................................................ 11  Fig. 1. 5 ‐ Banco de transformadores monofásicos. .............................................................................................. 13  Fig. 1. 6 ‐ Ligação triângulo (Δ). ............................................................................................................................. 15  Fig. 1. 7 ‐ Ligação em estrela (Y). ........................................................................................................................... 16  Fig. 1. 8 ‐ Triângulo das potências. ........................................................................................................................ 18  Fig. 1. 9 ‐ Chapas de aço‐silício. ............................................................................................................................. 21  Fig. 1. 10 ‐ Transformador de núcleo aberto. ........................................................................................................ 22  Fig. 1. 11 ‐ Transformador de núcleo envolvido. ................................................................................................... 22  Fig. 1. 12 ‐ Transformador de núcleo envolvente.  ................................................................................................ 23  . Fig. 1. 13 ‐ Enrolamentos concêntricos. ................................................................................................................ 24  Fig. 1. 14 ‐ Enrolamentos com bobinas alternadas ou de discos.  ......................................................................... 25  . Fig. 1. 15 ‐ Comutador do tipo painel de posições. ............................................................................................... 26  Fig. 1. 16 ‐ Óleo isolante. ....................................................................................................................................... 27  Fig. 1. 17 ‐ Dobras nas paredes de um tanque. ..................................................................................................... 29  Fig. 1. 18 ‐ Resfriamento natural. .......................................................................................................................... 29  Fig. 1. 19 ‐ Sistema de refrigeração forçada. ......................................................................................................... 30  Fig. 1. 20 ‐ Transformador de distribuição. ........................................................................................................... 31  Fig. 1. 21 ‐ Placa de identificação. ......................................................................................................................... 34  Fig. 1. 22 ‐ Partes de um transformador de distribuição. ...................................................................................... 37  Fig. 1. 23 ‐ Circuito equivalente de um transformador ideal. ................................................................................ 38  Fig. 1. 24 ‐ Circuito equivalente de um transformador real. ................................................................................. 40  Fig. 1. 25 ‐ Circuito equivalente de um transformador real referido ao primário. ................................................ 41  Fig. 1. 26 ‐ Circuito equivalente de um transformador real referido ao secundário. ............................................ 42  Fig. 1. 27 ‐ Circuito equivalente de um transformador para teste a vazio. ........................................................... 44  Fig. 1. 28 ‐ Circuito equivalente reduzido de um transformador para teste a vazio. ............................................ 44  Fig. 1. 29 ‐ Circuito equivalente de um transformador para teste em curto‐circuito. .......................................... 46  Fig. 1. 30 ‐ Circuito equivalente reduzido de um transformador para teste em curto‐circuito. ........................... 47 

Fig. 2. 1 – Classificação das máquinas elétricas. .................................................................................................... 49  Fig. 2. 2 – Representação dos pólos magnéticos. .................................................................................................. 49  Fig. 2. 3 – Representação de graus elétricos. ........................................................................................................ 50  Fig. 2. 4 – Detalhes de uma bobina. ...................................................................................................................... 51 

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Fig. 3. 1 – Estator da máquina de corrente contínua. ........................................................................................... 53  Fig. 3. 2 – Enrolamento de campo. ........................................................................................................................ 54  Fig. 3. 3 – Corte transversal do comutador. .......................................................................................................... 56  Fig. 3. 4 – Enrolamento imbricado. ....................................................................................................................... 57  Fig. 3. 5 – Enrolamento imbricado com pólos e escovas. ...................................................................................... 58  Fig. 3. 6 – Detalhes da bobina. .............................................................................................................................. 58  Fig. 3. 7 – Esquema simplificado do enrolamento.  ............................................................................................... 59  . Fig. 3. 8 – Enrolamento ondulado com pólos e escovas.  ...................................................................................... 61  . Fig. 3. 9 – Esquema simplificado do enrolamento.  ............................................................................................... 61  . Fig. 3. 10 – Enrolamento imbricado equalizado. ................................................................................................... 63  Fig. 3. 11 – Bobinas múltiplas. ............................................................................................................................... 64  Fig. 3. 12 – Bobinas múltiplas conectadas do comutador. .................................................................................... 64  Fig. 3. 13 – Representação da indução magnética e força magnética. ................................................................. 65  Fig. 3. 14 – Esquema de ligação de um motor elétrico de CC. .............................................................................. 67  Fig. 3. 15 – Esquema de ligação de um gerador elétrico de CC. ............................................................................ 69  Fig. 3. 16 – Esquema de ligação de uma máquina CC com excitação independente. ........................................... 70  Fig. 3. 17 – Esquema de ligação de uma máquina CC com excitação paralela. ..................................................... 70  Fig. 3. 18 – Esquema de ligação de uma máquina CC com excitação série. .......................................................... 71  Fig. 3. 19 – Esquema de ligação de uma máquina CC com excitação composta (paralelo longo) [long shunt]. ... 71  Fig. 3. 20 – Esquema de ligação de uma máquina CC com excitação composta (paralelo curto) [short shunt]. .. 72  Fig. 3. 21 – Máquina CC com Pólos e Interpólos. .................................................................................................. 72 

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LISTA DE TABELAS

Tabela 1. 1 ‐ Tabela das potências nos sistemas monofásicos e trifásicos.  .......................................................... 19  .

Tabela 3. 1 ‐ Tabela de verificação de defeitos em máquinas CC.......................................................................... 75 

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.............. 17  1.................................................12........................2................................................................ Partes que Compõem um Transformador ...................................................... 6  1......................................7........... 39  1............................... 21  1..5........................................8.....................................................................13............................................. Circuito referido ao primário ..........................9..................... Condições Especiais de um Transformador ................. 30  1.. Potência nos Transformadores ......................................10....................... Transformador monofásico ideal .1........................................................13..........................................3............2.............................................................. Pintura ................................................................................... 38  1................................................ Bobinas ... 4  1..7.................8...............4................................ Perdas no Transformador  ........... 17  1.................................................................... 41    Prof........................................6............................................. Comutador .... 1  1............................. Buchas ......... 1..... Sistema de refrigeração  .......................................................... 1............................................................................................................ Tanques .............................. 30  1........5.............................................. Circuitos Equivalentes ..............................3... Acessórios ..... 10  1...8..........................1..............................1....... Transformador monofásico real ...................... 13  1.. Perdas no material dos enrolamentos .... 14  1.................................................................................................................................................... 26  1......................................................9......................... 28  ................ TRANSFORMADORES ............................12................... Transformadores com Derivações no Secundário ......12...............................................7............ Placa de identificação ........... Tipos de Transformadores ...................................11...........1 Ligação triângulo ou delta (Δ) .............................................................................12................. Princípio de Funcionamento . 1......................................... Introdução  ... 10  ..............12.....................................................................................4...............................12.......7.....................................12............................................ 38  1.......................................................................................................................v  SUMÁRIO  1......................................... 16  ....................12.....................................6.............. Buzinaro      ............. 3  1............ Perdas no ferro do núcleo magnético .. 3  1................................................. 35  1.............12...................2........................................................................ 1................... 33  1............................... 32  1.............................. 26  1........................................................................ 7  1......................................... Óleo isolante ............................................................................................................... 23  1.........................................................................................................12.. 21  1.........................13................10. 1  ...................13......................... Núcleo ......................................2......11...................... Juntas de vedação ......8......................................................................... 11  1................................................. Princípio de Construção de um Transformador 1Ø .........3............... 20  1................................................. 31  1...........................2 Ligação estrela (Y)  .......... Tipos de Ligação dos Enrolamentos Trifásicos ......... Objetivo ........................................12...............................1..........................12.............. Símbolos dos Transformadores ......

................................................................. 50  2...........4.................................................................................8............................................................................................ Classificação das Máquinas Elétricas ........................................................ 66  3...14............................ Testes em Transformadores .5.............. 3.............................. 49  .................. 50  2............. Reação da Armadura. 71  3............. 71  3....6...........4............................................................................. 51  2..... 56  3......................................................... 73  ......5....................................................................5. ............................................................................................................ 2.............................................4..................... Eficiência das Máquinas Elétricas CC (Rendimento).. MÁQUINAS ELÉTRICAS .......................................... 42  1........ 43  ..................................................................................... 3...........3...14... 48  2............. Tipos de Conecções das Máquinas CC.................................................................................5......................................1.......................... Controle de Velocidade do Motor CC............3........................................................7... 69  3...................................................3................... 52  .............. 69  3.........................................................3................... Descrição Física e Características Construtivas................................3......................... Excitação composta ..................................... MÁQUINAS DE CORRENTE CONTÍNUA ...... 66  3............................................... 52  3. Bobina .......... Motor ....................................................... 48  ...............................2................. Introdução  ......................................... Conceitos Básicos  .......................................................... Excitação paralela (shunt)  .. 3....................3............. Rotor (induzido) .............................................................................................................. Relação entre grau elétrico e grau mecânico ................ Circuito referido ao secundário ................................ Montagem das bobinas .........................................6.............. 52  3............vi  1.................................. Gerador ...........................................................1.......4.................1............... 74  3...................4.................................................................. 75    Prof................................................ ....................................................7...................................................................... Excitação série .................... Perdas nas Máquinas CC.............. Introdução  .....................................................................13........................... Princípio de Operação .............. 55  3.........................................1....................2................................... Pólos magnéticos ...... 65  3.......................... 1........................................................ Excitação independente ....................... Passo da bobina .......................1. 2............... 70  ..................... 68  3.............2........................................3.......... 43  1........................ 51  3.............................................................................. Estator .................5.. Buzinaro      .......................2..3....................................1.......14......................... 52  3.......................................................... Grau elétrico e radiano elétrico .... Testes em curto-circuito..................................................................2................ 48  2.................2................................................... 50  2.......2... Enrolamento da armadura da máquina CC ..................................................................... Testes de circuito aberto  ..2..................................................................... 49  2..........4...................... 72  3......9..  ....2....................... Tabela para Eliminação de Defeitos – Máquinas CC .........................2...................................9.................... 51  2................... ..........3.......1.................5. 45  2.................................................... .........................................................................3....................... 74  3.......3...................................................... Espira ............................................ Torque (ou Conjugado) Desenvolvido na Armadura .....................3...............................

de construção simples e rendimento elevado. que em certos casos atinge a centenas de milhares de volts. de transporte e de distribuição. eleva-se a tensão a um valor oportuno com um transformador elevador. Estas realizações são possíveis em virtude de a corrente alternada poder ser transformada facilmente de baixa para alta tensão e vice-versa. Por motivos econômicos e de construção. o que torna necessária a limitação da intensidade das correntes nas mesmas. reduz a tensão ao valor necessário para a utilização. que é o transformador. as linhas deverão ser construídas para funcionar com uma tensão elevada. em geral situadas muito longe de centros de aproveitamento. Buzinaro  . Podem então ser escolhidas as três tensões.Transformadores 1. isto é.000 volts. por meio de uma máquina estática. TRANSFORMADORES 1. isto é.   Prof. Surge assim a necessidade de transporte da energia elétrica por meio de linhas de comprimento notável. Na chegada da linha. Os geradores instalados nas usinas geram a energia elétrica com a tensão aproximada de 6. dando-se a cada uma o valor que se apresenta mais conveniente. as seções dos condutores destas linhas devem ser mantidas dentro de determinados limites. com plena liberdade. Assim sendo.1. Para efetuar o transporte desta energia. sem partes móveis. pois devem utilizar a energia hidráulica dos lagos e rios das montanhas. outro transformador executa a função inversa. de geração.1  Capítulo 1 . INTRODUÇÃO As exigências técnicas e econômicas impõem à construção de grandes usinas elétricas.

 Buzinaro  . deve ficar inalterada. 1. 1 .Transformadores Naturalmente.   Prof. nestas transformações o valor da intensidade de corrente sofrerá a transformação inversa à da tensão. pois o produto das mesmas. isto é. desde a geração até o consumidor final. potência elétrica.Transmissão de energia elétrica.2  Capítulo 1 . Fig.

como é destinado a canalizar um fluxo alternado. é necessário que estes estejam enrolados sobre um núcleo magnético de pequena relutância (pode ser imaginada como um análogo em circuitos magnéticos à resistência de circuitos elétricos).2.3  Capítulo 1 . PRINCÍPIO DE CONSTRUÇÃO DE UM TRANSFORMADOR 1Ø O funcionamento do transformador baseia-se nos fenômenos de Indução Mútua entre dois circuitos eletricamente isolados. Buzinaro  . tendo como função principal transformar níveis de tensão ou corrente para níveis desejados. 1. Para que a ligação magnética entre os dois circuitos mencionados seja a mais perfeita possível. em outras palavras.   Prof.3. não funcionará com corrente contínua e constante. mas magneticamente ligados.Transformadores 1. 1. 2 . Fig.2. Por motivos de construção este núcleo possui a forma indicada na fig. OBJETIVO Um transformador tem funcionamento “dinâmico”. Este núcleo deverá ter elevada permeabilidade (é o grau de magnetização de um material em resposta a um campo magnético) e por isso seus entreferros devem ser muito reduzidos. logo deve ser construído por um pacote de lâminas de aço-silício oportunamente isolados. 1.Transformador monofásico. funcionando apenas quando a corrente elétrica que percorre seu enrolamento primário sofre alterações em função do tempo.

T. e os de grandes potências apresentam comumente 95 a 99% de rendimento.T. e pelo contrário como abaixador ou redutor de tensão quando se alimenta o enrolamento A. . bastando alimentar um ou outro. 1. chama-se enrolamento secundário. portanto nenhuma distinção pode ser feita entre o circuito primário e secundário. o enrolamento com menor número de espiras. Os transformadores são máquinas de grande eficiência. TIPOS DE TRANSFORMADORES a) Quanto ao número de fases • • •   Prof. Como se sabe.4. pois os dois enrolamentos podem funcionar indiferentemente como primário ou secundário.T.) o que tem maior número de espiras e enrolamento de baixa tensão (B. Trifásicos – Primário alimentado com três fases e neutro ou três fases. ou seja. O transformador funcionará como elevador de tensão quando se alimenta como primário o enrolamento de B.Transformadores Aplicando nos extremos de qualquer destes enrolamentos a tensão alternada que se quer transformar V1. O enrolamento alimentado pela tensão V1 que se quer transformar chama-se enrolamento primário e o outro que fornece a tensão transformada V2. Construtivamente os enrolamentos são denominados: enrolamento de alta tensão (A.4  Capítulo 1 .) o que tem menor número de espiras. Buzinaro  Monofásicos – Primário alimentado com uma fase e neutro.T. os fenômenos de mútua indução são reversíveis. As correntes I1 e I2 que atravessarão os dois enrolamentos constituem respectivamente a corrente primária e secundária do transformador. A relação entre estas duas tensões chama-se relação de transformação do transformador. Analogamente as tensões V1 e V2 são denominadas comumente de tensão primária e secundária. Bifásicos – Primário alimentado com duas fases e neutro ou fase e fase. gera-se nos extremos do outro a tensão transformada V2.

Seu núcleo é feito com chapas de açosilício. 75 e 112. que tem baixas perdas.   Prof. é muito eficiente.8 kV ou maior. fornecendo a tensão secundária de 220V. A corrente é medida por um amperímetro ligado ao secundário do TC. por isto.Sua função é isolar eletricamente o operador do sistema elétrico. é muito eficiente. 45. variando apenas a escala de leitura do amperímetro e o número de espiras do TC. É especificado pela relação de transformação de corrente do primário. em baixas frequências. Seu núcleo também é com chapas de aço-silício. 13. para alimentar os dispositivos de controle da cabine . motores e outros. Buzinaro  . • Transformador de Corrente (TC): Usado na medição de corrente em cabines de entrada de energia e painéis de controle de máquinas. O núcleo é de chapas de aço-silício. em baixas frequências. c) Quanto ao Uso Específico • Transformador Elevador: É usado nas subestações elevadoras de energia (subestação de geração). por isto.5 kVA. Podendo ser de 15. tem a função de elevar o nível de energia para a transmissão. Podem ser mono ou trifásicos. Seu núcleo é feito com chapas de aço-silício. A tensão do primário é alta. e pode ser monofásico ou trifásico (três pares de enrolamentos). • Transformador de Distribuição: Encontrado nos postes e entradas de força em alta tensão (industriais). em geral.Transformadores b) Quanto a Relação entre as Tensões do Primário com Secundário • • • Transformador Elevador – VP < VS / NP < NS / IP > IS Transformador Abaixador – VP > VS / NP > NS / IP < IS Transformador de Isolação (*) – VP = VS / NP = NS / IP = IS * .relés de mínima e máxima tensão (que desarmam o disjuntor fora destes limites). que tem baixas perdas.5  Capítulo 1 . 30. • Transformador Abaixador: É usado nas subestações abaixadoras e de distribuição de energia. com a do medidor sendo esta padronizada em 5A. • Transformadores de Potencial (TP): Encontra-se nas cabines de entrada de energia. iluminação e medição. com a função de abaixar o nível de energia para a distribuição.

para eliminar interferências. • Transformador de RF: Empregam-se em circuitos de rádio-frequência (RF. A elevada tensão no secundário e o fluxo magnético poderá danificar totalmente o TC e colocará em risco a vida dos operadores. Sua potência em geral é baixa.5. será desenvolvida uma alta tensão no secundário e não haverá f.Transformadores • Autotransformador: Possui estrutura magnética semelhante aos transformadores normais. 20 a 20. • Transformador de Áudio: Usado em aparelhos de som à válvula e certas configurações a transistor.c. não é perfeitamente plana. pois desta forma. diferenciando-se apenas na parte elétrica..6  Capítulo 1 . mesmo usando materiais de alta qualidade no núcleo. 1. no acoplamento entre etapas dos circuitos de rádio e TV. Cuidado: O Transformador de Corrente nunca deverá permanecer com o seu secundário em aberto enquanto o seu primário estiver energizado. SÍMBOLOS DOS TRANSFORMADORES • Transformador Monofásico: ou   Prof. o que limita seu uso. que se mantém em altas frequências (o que não acontece com chapas de aço-silício). Costumam ter blindagem de alumínio. pode ser abaixador ou elevador. Sua resposta de frequência dentro da faixa de áudio. A relação entre a tensão superior e inferior não deve ser superior a 3. inclusive de outras partes do circuito. por aquecimento. este se caracteriza por ter alta permeabilidade. no entanto haverá um aumento de fluxo causando uma perda excessiva no núcleo.000 Hz. Buzinaro  .e. acima de 30 kHz). e os enrolamentos têm poucas espiras.m. É reversível. no acoplamento ente etapas amplificadoras e saídas ao alto-falante. O núcleo é de ferrite.

6.3 . PRINCÍPIO DE FUNCIONAMENTO O fenômeno da transformação é baseado no efeito da indução mútua. – fig.7  Capítulo 1 .   Prof.Transformadores • Transformador Trifásico: ou • Autotransformador: ou • Transformador de Corrente: ou 1. Buzinaro  .onde temos um núcleo constituído de lâminas de aço prensadas e dois enrolamentos. 1.

m.Efeito da indução mútua.Transformadores Fig. Buzinaro  .e. N1 = número de espiras do primário.8  Capítulo 1 . 3 . Enunciaremos agora a lei de Lenz. A maior parte desse fluxo ficará confinado no núcleo. num sentido tal que seu efeito magnético se oponha à variação que a produziu. I2 = corrente no secundário.m.e.)   Prof. 1. E1 = tensão induzida no primário. N2 = numero de espiras do secundário. A lei de Lenz diz o seguinte: Em todos os casos de indução eletromagnética uma força eletro-motriz (f. uma vez que é este o caminho de menor relutância. que é de fundamental importância para o perfeito entendimento dos fenômenos eletromagnéticos. E2 = tensão induzida no secundário. Esse fluxo originará uma força eletro-motriz (f. I1 = corrente no primário. V2 = tensão nos terminais de saída (secundário).) induzida fará com que a corrente circule em um circuito fechado. Onde: V1 = tensão aplicada nos terminais da entrada (primária). Portanto se aplicarmos uma tensão V1 alternada ao primário circulará por esse enrolamento uma corrente I1 alternada que por sua vez dará condições ao surgimento de um fluxo magnético também alternado.

Exemplo 1: Se a tensão de entrada for 115 VRMS. ou seja.9  Capítulo 1 .e. tornando um fenômeno reversível. Chama-se de primário o enrolamento que recebe energia e secundário o enrolamento que alimenta a carga.m.e.Transformadores E1 no primário e E2 no secundário proporcional ao número de espiras dos respectivos enrolamentos. Cabe ainda fazer nota que sendo o fluxo magnético proveniente de corrente alternada. segundo a relação E1 N1 = = a E2 N2 onde a é a razão de transformação ou relação entre espiras. Caso contrário terá um transformador elevador de tensão.8 VRMS V2 N2 V2 1   Prof. Qual a tensão no secundário em valores de pico a pico? E a corrente elétrica no primário? Solução: V1 N1 115 9 = → = → V2 = 12. As tensões terminal de entrada e saída (V1 e V2) diferem muito pouco das f. podemos aplicar uma tensão em qualquer dos enrolamentos que teremos a f.m. Baseando-se neste princípio. a corrente de saída de 1. Quando a tensão do primário V1 é superior a do secundário V2 temos um transformador abaixador. este também será alternado. I2 = corrente no secundário. Buzinaro  . no outro. induzidas (E1 e E2) e para fins práticos podemos considerar: V1 N1 = = a V2 N2 Podemos também provar que as correntes obedecem a seguinte relação: N1 I = 2 = a N2 I1 Onde: I1 = corrente no primário.5 ARMS e a relação de espiras 9:1. qualquer dos enrolamentos poderá ser primário ou secundário.

PERDAS NO MATERIAL DOS ENROLAMENTOS a) Perdas no cobre São perdas que surgem pela passagem de uma corrente (I) por um condutor de determinada resistência (R).167 ARMS 1 N2 I1 I1 Obs. podendo ser calculada como descrita abaixo: PP = PS → VP x I P = VS x I S → 115 x 0.167 = 12.7. nos condutores das bobinas. 5 = 2 → = → I1 = 0.   Prof. b) Perdas parasitas no condutor dos enrolamentos São perdas produzidas pelas correntes parasitas induzidas.5 = 19.10  Capítulo 1 . são perdas que dependem da corrente (carga). PERDAS NO TRANSFORMADOR 1.8 x 2 → VP = 18 V VPP = 2 x VP → VPP = 36 V N1 I 9 1.1.7. 2 W 1. do carregamento elétrico e da geometria dos condutores das bobinas.: A potência elétrica de entrada e de saída num transformador ideal monofásico é igual. Buzinaro  . pelo fluxo de dispersão.8 x 1. estas perdas são representadas pela expressão R I 2 e dependem da carga aplicada ao transformador.Transformadores VP = 12.

H de um material ferromagnético.Transformadores 1. como mostrado na fig.2. e foi chamada de perda por histerese magnética.11  Capítulo 1 . Essa energia.Curva de M vs. PERDAS NO FERRO DO NÚCLEO MAGNÉTICO Estas perdas são as perdas calculadas com o transformado a vazio. Se gasta energia para alinhar os domínios magnéticos e inverter o alinhamento. mas há um retardo por parte dos domínios magnéticos.7. 1.4.Bm e deste novamente para + Bm. sendo a potência perdida proporcional à área do ciclo. Fig. o alinhamento magnético do núcleo também é invertido. Buzinaro  . não disponível no secundário. 1. a) Perdas por histerese Qualquer núcleo magnético sujeito a magnetizar-se percorre um ciclo de histerese todas as vezes que o campo magnetizante varia de + Bm a . Em outras palavras. Esta perda foi interpretada como sendo necessária para vencer os atritos entre os magnetos elementares de que o núcleo se compõe. podemos dizer que: quando o sentido da corrente é invertido. 4 . corresponde às perdas por histerese. Alguns transformadores que   Prof.

expressa em ciclos por segundos. o que reduz consideravelmente o valor das correntes parasitas e a correspondente perda de potência. A perda de potência produzida pelas correntes parasitas é expressa em watts pela seguinte equação WP = 10−12 . estas são proporcionais ao quadrado da indução. f . S μ 8ρ   Prof. São diretamente proporcionais ao quadrado da indução e da frequência. o valor da f. μ . π2 . b) Perdas por correntes parasitas ou de foucault Perdas por correntes parasitas vêm a ser o consumo de energia pela corrente que é induzida no ferro do transformador pelo alternamento do fluxo que o atravessa. Bm . Buzinaro  . Assim como no caso das perdas parasitas no material condutor dos enrolamentos. o fluxo indutor variável induz no ferro forças eletromotrizes que por sua vez farão circular correntes parasitas em circuitos elétricos fechados. As perdas dependem do quadrado da espessura da chapa. Β2 . Bm valor máximo da indução à qual o núcleo é solicitado.Transformadores funcionam em altas frequências (telecomunicações) geralmente utilizam núcleo de ferro pulverizado (ferrite) para reduzir essas perdas. por cuja razão estas perdas fixam valores limites para a indução magnética.m. l . δ 2 . A fim de se reduzir esta perda de potência é necessária construir-se o núcleo com lâminas de ferro. A potência em watts perdida por efeito da histerese pode ser calculada pela fórmula 1. V é o volume do material expresso em centímetros cúbicos. f 2 .12  Capítulo 1 . não permitindo usar valores elevados. produzida em cada lâmina é pequeno e atua sobre um circuito elétrico de pequena seção. Com esta construção. V onde: μ é o coeficiente que depende da natureza do material.6 Wh = 10−7 .e. motivo este que exige que esta seja a menor possível. f é a frequência de variação do fluxo.

e qualquer corrente adicional não aumenta o fluxo. e para aumentar o fluxo seria necessário um aumento do núcleo. mesma relação de transformação e tensões defasadas de 120°). 1. pode ser utilizada uma bancada de transformadores monofásicos (de mesma potência em KVA.Banco de transformadores monofásicos.   Prof.S) é o volume em cm3 das lâminas. dizemos que o núcleo está saturado. (l. δ é a espessura em mm das lâminas. 5 . esta perda não costuma ser evitada.13  Capítulo 1 . aumenta o fluxo no núcleo. c) Perdas por saturação À medida que aumenta a corrente no primário. sendo assim. 1. mas sim minimizada. um núcleo maior.5. como indicado na fig. TIPOS DE LIGAÇÃO DOS ENROLAMENTOS TRIFÁSICOS Para transformar a tensão de uma fonte trifásica. é atingido um limite. Buzinaro  . Finalmente. Fig. ou seja. 1. Quando isto acontece.8. Na maioria das vezes este aumento do núcleo não é realizado devido a questões construtivas.Transformadores onde: ρ é a resistividade do material das lâminas em micro-ohms-centímetro. f é a frequência da variação do fluxo. BM é o valor máximo da indução nas lâminas.

vê-se que: • A tensão de linha VL é a própria tensão do sistema monofásico. 1. If = 1. como veremos nas figs. e o sistema trifásico ficará reduzido a três fios A. Examinando o esquema da fig. pois a presença do condutor “neutro”. 1. usado na prática. A corrente em qualquer um dos fios chama-se corrente de linha (IL). • A corrente em cada fio de linha. Os transformadores trifásicos podem ser encontrados com dois tipos de ligação: estrela (Y) e/ou triângulo (Δ) com as diversas combinações no primário e no secundário. é preferível usar-se o sistema agrupado. é o transformador com o primário ligado em triângulo e o secundário ligado em estrela. A tensão de qualquer destes três fios chama-se tensão de linha (VL = VAB = VBC = VCA). lembrado que esta soma deverá ser fasorialmente. já com o sistema agrupado será necessário 3 ou 4 condutores. Em primeiro lugar devemos observar que o aproveitamento com as fases separadas requer 6 condutores. If .14  Capítulo 1 . permite a utilização de dois níveis de tensões para atender o consumidor. 1. Buzinaro  3 . Tal sistema de aproveitamento não é. podemos eliminar três fios. também chamado de tensão nominal. Temos assim um sistema triângulo (Δ).7. indicados por Vf e If.1 LIGAÇÃO TRIÂNGULO OU DELTA (Δ) Se ligarmos os três sistemas monofásicos entre si. entretanto. ou corrente de linha é a soma das correntes das duas fases ligadas a este fio. ou seja.Transformadores Chamamos “tensões e correntes de fase” as tensões e correntes de cada um dos três sistemas monofásicos considerados.8.6 e 1. No entanto. deixando apenas um em cada ponto de ligação. como indicado na fig. 1.6. 732 . Em módulo: IL =   Prof. que é a tensão nominal do sistema trifásico.6. o mais comum nos sistemas de distribuição. B e C. pois. VL = Vf. .

 Buzinaro  . 1. Ligando a este sistema uma carga trifásica composta de três cargas iguais ligadas em triângulo. qual a tensão e a corrente ligada em cada uma das cargas? Temos: V f = VL = 220 V → Entre duas fases quaisquer I L = 1.577 x I L = 0. 732 x I f I f = 0.577 x 10 = 5.Transformadores Fig.Ligação triângulo (∆).15  Capítulo 1 . 77   Prof. 6 . Onde: IL = IA = IB = IC VL = Vf = VAB = VBC = VCA Exemplo: Em um sistema trifásico equilibrado em Δ de tensão nominal 220 V. a corrente de linha medida é de 10 A.

e o ponto comum forma o neutro. 1. Em módulo: VL = 3 . forma-se um sistema trifásico em estrela. como indicado na figura 1. Vf = 1. observa-se que: A corrente em cada fio da linha.16  Capítulo 1 . A tensão de linha é a tensão nominal do sistema trifásico. Examinando o esquema da fig. sendo elas feita para ser ligada a uma tensão de Vf = 220V.2 LIGAÇÃO ESTRELA (Y) Ligando um dos fios de cada sistema monofásico a um ponto comum aos três restantes. Buzinaro  .Ligação em estrela (Y). O quarto fio é ligado ao ponto comum às três fases.Transformadores 1. Qual a tensão nominal do sistema trifásico que alimenta esta carga em suas condições normais (220V e 5.7. ou corrente da linha é: IL = If. e a corrente de linha é a corrente em qualquer um dos fios. 732 .7. A tensão entre dois fios quaisquer do sistema trifásico é a soma fasorial das tensões de duas fases às quais estão ligados os fios. 7 .8. 1. Vf . Exemplo: Três cargas iguais. absorvendo 5. Fig.77A) e qual a corrente de linha?   Prof.77A.

como indicado na fig.17  Capítulo 1 .8.10.   Prof. ativa e reativa.Transformadores Temos: V f = 220 V → em cada uma das cargas VL = 1. Estas potências estão intimamente ligadas de tal forma que constituem um triângulo. a tensão é a soma das tensões nos enrolamentos. Quando os enrolamentos ligados em série se opõem. Buzinaro  . 732 x 220 = 380 V I L = I f = 5. 1. o chamado triângulo das potências. Em certas ocasiões é desejável a ligação em série dos enrolamentos secundários. para que a tensão seja aumentada ou diminuída. TRANSFORMADORES COM DERIVAÇÕES NO SECUNDÁRIO Parece evidente que um transformador pode ter mais de um enrolamento secundário. POTÊNCIA NOS TRANSFORMADORES Em um sistema elétrico. Quando os enrolamentos ligados em série se ajudam mutuamente. 1. a tensão é a diferença entre as tensões dos mesmos. temos três tipos de potência: potência aparente. 77 A 1.9. Algumas vezes usa-se um ponto ou marca semelhante para indicar os terminais de mesma fase.

cos Ф = 0. Q = Potência reativa.Aparelho 1 .5 P 1. cos Ф = 0.000 VA S 0. Um transformador é dimensionado pela potência aparente (S). e por aí nota-se a importância da manutenção em um fator de potência elevado em uma instalação elétrica. Exemplo: Cálculo da potência aparente requerida por dois equipamentos com fator de potência. Aparelho 1 Aparelho 2 Conclusão: cos φ = cos φ = P 1. 8 . P = Potência ativa. requer apenas 1. P = 1. . expressa em VA (volt-ampére).000 VA de potência aparente. que possui o maior fator de potência. enquanto que o equipamento 1 requer 2. transformadores.Triângulo das potências. que define o dimensionamento dos condutores.000 W.92 Verificamos que o equipamento 2.). como mostrado no exemplo abaixo.087 VA. equipamentos de proteção e de manobra.000 W.p.087 VA S 0.Transformadores Ø Fig. 1. Buzinaro  . Potência Aparente é a soma vetorial da potência ativa e a reativa.5.000 = = 2.18  Capítulo 1 .   Prof.Aparelho 2 P = 1. expressa em Var (volt ampére reativo). Ø = ângulo que determina o fator de potência (f. expressa em W (watt).000 = = 1. Onde: S = Potência aparente.92.

s e n(φ ) S = P2 + Q2 Q = 3 .I Fator de Potência S = 3 . cos(φ ) 3 . p. portanto a relação: Potência Primária = Potência Secundária. Buzinaro  . s e n(φ ) P = 3 . Por serem máquinas estáticas os transformadores apresentam ótimos rendimentos (95% a 99%). I L . motivo pelo qual são estudados como máquinas ideais. dizemos que o transformador está trabalhando a vazio. cos(φ ) Q = V . p. quando não há carga no secundário e o primário está alimentado. 1 .   Prof. No entanto. VF . sen(φ ) Q = Potência Aparente (VA) S = P2 + Q2 S = V . I L . valendo. anteriormente citadas para um transformador real. = cos(φ ) = P S Tabela 1. Considerando-se as perdas. teremos: PP = PS + PPERDAS (determinada com o transformador a vazio). cos(φ ) P = Potência Reativa (Var) 3 . I . Já os de maior potência são determinados em Volt-Ampères (VA) ou Kilovolt-Ampères (kVA). Quando o transformador está fornecendo sua potência máxima dizemos que ele está à plena carga. VF .Transformadores As potências de um transformador monofásico e de um trifásico esta mostrado na tabela 1. VL . VL . I L φ = arctg (Q P ) f . VF . Nos pequenos transformadores a potência é expressa em Watts (W). VL . I F = 3 . = cos(φ ) = P S φ = arctg (Q P ) f . Transformador Monofásico Potência Ativa (W) Transformador Trifásico P = V . I F .1. I F . I .Tabela das potências nos sistemas monofásicos e trifásicos.19  Capítulo 1 .

h) Possibilidade de submersão em água. CONDIÇÕES ESPECIAIS DE UM TRANSFORMADOR São consideradas condições especiais de serviço. ou com forma de onda distorcida. vapores. i) Exigência de redução dos níveis de ruído e/ou de rádio-ruído.11. e que devem ser levadas ao conhecimento do fabricante.000 m. ou com tensões desequilibradas.Transformadores 1. d) Exposição a materiais explosivos na forma de gases ou pós. são condições especiais as seguintes: a) Instalações em altitudes superiores a 1. Dentre outras. l) Dificuldade de manutenção. ar excessivamente salino. transporte e instalação. ou cuidados especiais de transporte. c) Exposição à sujeira ou pós prejudiciais. instalação ou operação do transformador. ou revisão de alguns valores nominais. tais como. em regime ou frequência não usuais. b) Exposição à umidade excessiva. k) Necessidade de proteção especial de pessoas contra contatos acidentais com partes vivas do transformador.   Prof. j) Exigências especiais de isolamento. g) Limitação de espaço na sua instalação. as que podem exigir construção especial. Buzinaro  .20  Capítulo 1 . e) Sujeição a vibrações anormais. m) Funcionamento em condições não usuais. gases ou fumaças prejudiciais. f) Sujeição a condições precárias de transporte e instalação.

O núcleo pode ser:   Prof.ACESITA.Chapas de aço-silício. 1. é constituído por um material ferromagnético.12. NÚCLEO O núcleo é a parte do transformador por onde vai fechar-se o circuito magnético. Buzinaro  . Porém. como indicado na fig.12. é um material com grande permeabilidade magnética e baixa Fig.21  Capítulo 1 . No Brasil a fábrica mais importante de chapas para núcleos de transformadores é a Cia. Sendo o material do núcleo de grande permeabilidade magnética consequentemente as perdas do núcleo serão pequenas. este material é condutor e estando sob a ação de um fluxo magnético alternado. 1. PARTES QUE COMPÕEM UM TRANSFORMADOR 1. o núcleo. que contém em sua composição relutância. ou seja. o silício. Aços Especiais Itabira . ao invés de ser uma estrutura maciça. dá condições de surgimento de correntes parasitas. é construído pelo empilhamento de chapas finas.Transformadores 1. Para minimizar este problema. 9 . que lhe proporciona características excelentes de magnetização.1.9.

1.   Prof.Transformador de núcleo aberto. como mostrado na fig. pois o primário e o secundário são enrolados sobre um núcleo cilíndrico. Parte do circuito magnético é constituída pelo núcleo. Buzinaro  . o acoplamento magnético é diminuído. b) Envolvido O núcleo envolvido. O transformador com núcleo aberto é. Fig. 1. Como o ar se opõe ao campo magnético. 11 . 1.Transformadores a) Aberto Este tipo de núcleo é o mais barato. e outra parte pelo ar.Transformador de núcleo envolvido.10. Fig.22  Capítulo 1 .11. 1. portanto ineficiente e nunca é usado para transmissão de energia. ver fig. melhora a eficiência do transformador por oferecer mais ferro e menos ar ao campo magnético. 10 . aumentando assim o acoplamento magnético.

T.   Prof. pois proporciona dois caminhos magnéticos paralelos.Transformadores c) Envolvente O núcleo envolvente aumenta ainda mais o acoplamento magnético..Transformador de núcleo envolvente. pois uma grande parte do fluxo gerado pelo enrolamento primário se fecha no ar sem chegar a concatenar-se com o secundário. é possível dispor o enrolamento de A. Buzinaro  . sobre uma coluna e enrolamento B. Conforme a posição relativa em que são dispostas as bobinas A. Fig. 1. ver fig. portanto a eficiência do transformador. permitindo assim.) da mesma fase são em geral colocados sobre a mesma coluna.2. e. T.23  Capítulo 1 . Nos transformadores industriais há várias maneiras de se disporem as bobinas a fim de se diminuir a dispersão magnética. obtem-se os tipos de enrolamentos que são: bobinas concêntricas ou tubulares e de bobinas alternadas ou de discos. 1. e B. Nos transformadores monofásicos de colunas. não é aplicado pelo fato de dar origem a dispersões magnéticas notáveis.T. porém. sobre outra. BOBINAS Qualquer que seja o tipo de construção do transformador. Este critério. 1.12.) e baixa tensão (B.T.12. 12 . o máximo acoplamento entre o primário e o secundário. os dois enrolamentos de alta tensão (A.T.T.

13 . separado da mesma por meio de um tubo de material isolante. 1.Enrolamentos concêntricos. Esta disposição diminui consideravelmente a dispersão. com várias bobinas de comprimento axial pequeno (discos) e sobrepondo-se as bobinas de A.13.Transformadores a) Enrolamentos concêntricos ou tubulares Esta construção realiza-se dispondo sobre cada coluna os dois enrolamentos de A.. e B. concêntricos. enquanto o enrolamento de B.T.T.T. porém. b) Enrolamentos com bobinas alternadas ou de discos Esta construção é realizada executando-se ambos os enrolamentos de A. Os enrolamentos adquirem a forma indicada na fig. Para maior segurança. na qual os enrolamentos de A. separados entre si por meio de material isolante.T.b.T.T. o enrolamento B.13. Às vezes.T. 1..T.a. e B. 1. Buzinaro  . são divididos em várias bobinas sobrepostas e devidamente distanciadas. é geralmente constituído em forma de um solenóide contínuo. como indicado na fig. alternadamente. perto da coluna coloca-se sempre o enrolamento de B. Fig.24  Capítulo 1 .T. é subdividido em dois solenóides concêntricos.T. e B.T. dispondo-se um deste próximo da coluna e o outro externamente ao enrolamento de A. como indicado na figura   Prof.

14.. Para condutores em barra usa-se algodão em duas ou três camadas. Para tornar mais fácil o isolamento contra a cabeça do núcleo. Estes condutores devem possuir isolamento próprio.T. papel ou cadarço de algodão. Para diminuir a dispersão. O enrolamento A. Para fios redondos usa-se em geral um isolamento de esmalte ou algodão em duas camadas.   Prof.T. as bobinas são divididas de maneira que as extremas pertençam ao enrolamento de B.T. No A. enquanto o enrolamento B. Os enrolamentos de A. Para seções de até 10mm2 empregam-se fios redondos. tem em geral elevado número de espiras com seção relativamente pequena. O isolamento entre as bobinas sobrepostas é obtido com a interposição de coroas isolantes. surgem dificuldades de execução.T. quando é necessário empregar condutores com seção muito grande.Transformadores 1. 1.T.T.. enquanto no B. o problema fundamental é o do isolamento.. Fig.T. pelo contrário. e B. requerem uma técnica de construção diferente. 14 . interpondo-se entre as espiras contíguas diafragmas de papel.T. Buzinaro  . proporcional à tensão induzida em cada espira..25  Capítulo 1 .Enrolamentos com bobinas alternadas ou de discos. estas duas bobinas devem possuir metade da espessura das bobinas B. Os condutores de seção muito grande são enrolados geralmente nus. para seções maiores empregam-se condutores com seção retangular. tem poucas espiras com grande seção.

16. conforme projeto e tipo construtivo. dentro do tanque. O óleo tem como objetivo atender duas finalidades: garantir um   Prof. 1. instalados junto à parte ativa. o enrolamento primário é dotado de derivações (taps).12. Buzinaro  . 1.4.15.Comutador do tipo painel de posições. na maioria dos transformadores de baixa potência.12.3. COMUTADOR Para adequar a tensão primária do transformador à tensão de alimentação e fornecimento. que podem ser escolhidos mediante a utilização de um painel de ligações ou comutador. como indicado na fig. 15 .Transformadores 1. conforme mostrado na fig. deve ser manobrado com o transformador desconectado da rede de alimentação. 1. 1. Este aparato.26  Capítulo 1 . ÓLEO ISOLANTE a) Objetivos Todos os transformadores de potência acima de 20 kVA e tensão acima de 6 kV são construídos de maneira a trabalhar imerso em óleos isolantes. Fig.

O óleo deve ser testado quanto aos seguintes aspectos: • Comportamento químico: O óleo deve ser testado em condições as mais parecidas possíveis com as de trabalho. envelhecimento. • Ponto de inflamação e ponto de combustão: Aquecendo-se o óleo até uma determinada temperatura. este é o ponto de combustão. Se a temperatura for elevada até outro valor determinado. que são obtidos da refinação do petróleo.Óleo isolante. ele se inflama em presença de uma chama. 1.27  Capítulo 1 . Fig. Justifica-se esse ensaio pelo fato de o comportamento químico do óleo ser alterado por condições externas.   Prof. o óleo se inflamará espontaneamente em contato com o ar. este é o ponto de inflamação.Transformadores perfeito isolamento entre os componentes do transformador. assim como do núcleo. Buzinaro  . ele deve ser testado e apresentar boas condições de trabalho. tais como. e dissipar para o exterior o calor proveniente do efeito Joule nos enrolamentos. Para que o óleo possa cumprir satisfatoriamente as duas condições acima. Esses óleos podem ser conseguidos com uma grande gama de variação em suas propriedades físicas. oxidação. etc. b) Generalidades Os óleos usados em transformadores correspondem aos minerais. aquecimento. 16 .

etc. 1.. em transformadores submersos em óleo. formam-se produtos lamacentos escuros. A quantidade perdida deve ser nula ou a menor possível. • Perdas por evaporação: Visa determinar o quanto de óleo escapa do transformador em forma de gás. SISTEMA DE REFRIGERAÇÃO As perdas que se produzem no ferro e no cobre de um transformador geram calorias que provocam a elevação de temperatura das partes ativas do aparelho. O volume do transformador não aumenta linearmente com a potência. pois da viscosidade depende a capacidade de circulação do óleo. o óleo vai perdendo suas qualidades isolantes. porque a natural é insuficiente. Para aumentar a superfície de contato com o ar. Analisador de rigidez dielétrica é o nome do aparelho utilizado para medir a rigidez dielétrica do óleo isolante. para seu resfriamento.28  Capítulo 1 . que em lugar de ter forma cilíndrica ou prismática   Prof. dentro do transformador.5. Os transformadores de grande potência requerem geralmente refrigeração adicional. Buzinaro  . elevadas temperaturas. devido a seu aquecimento. retenção de umidade. Geralmente. Vale dizer que. • Rigidez dielétrica: Todos os ensaios anteriores devem ser feitos periodicamente nos transformadores em uso. como indicado na fig. 1. por razões geométricas. sendo que o faz em menor escala.Transformadores • Viscosidade: É um teste importante. conhecidos por lama. mas facilmente pode-se notar que a importância e a necessidade do teste de rigidez dielétrica são bem grandes. sob o efeito de oxidação. que alteram as propriedades do óleo.12.17. costuma-se dobrar as paredes do tanque. A superfície exterior do núcleo e enrolamentos aumenta menos ainda.

Resfriamento com ventilação forçada – SVF.LN –ACF. com o que se melhora a transmissão por convecção e por radiação. Resfriamento por circulação natural do líquido isolante e ventilação forçada sobre o tanque e radiadores . Fig.Resfriamento natural.   Prof.LN – VF – fig. Refrigeração em óleo com serpentina de água interna . Fig.19.18.LCF – ACF.29  Capítulo 1 . 1. 1. 1. Resfriamento por circulação natural do líquido isolante – LN – figs.18. 18 . 1. 17 .Transformadores regular.Dobras nas paredes de um tanque. Abaixo citamos os tipos de resfriamento de um transformador: • • • • • • Resfriamento Natural – SN – figs. Consegue-se desta maneira aumentar muito a superfície de contato com o ar exterior.17e 1. Buzinaro  .17 e 1. 1. Refrigeração em óleo com serpentina de água externa . adquirem assim um aspecto aleteado.

1.Transformadores Fig. 1. 1. da tensão entre bornes. à ação da umidade e dos raios solares. No caso de transformadores para intempéries devemos considerar os efeitos das chuvas. etc.20. Seu tamanho e tipo dependem da tensão de trabalho do enrolamento.6.30  Capítulo 1 . O tipo de bucha difere muito em transformadores para uso em interior de locais e para intempéries. ou mais corretamente. Buzinaro  . 19 . JUNTAS DE VEDAÇÃO Devem ser feitas de elastômero resistente à do óleo aquecido à temperatura de 105 °C. neves.Sistema de refrigeração forçada.   Prof.. BUCHAS As buchas aos que se sujeitam os terminais de conexão estão sobre a tampa do transformador e em sua lateral (nos transformadores de distribuição).12. como indicado na fig.12. Nestes casos se especifica a tensão que deve suportar o isolador em função da tensão de serviço em V (volts).7. 1.

O tanque não deve apresentar impurezas superficiais. A NBR rege que: • •   Prof. como indicado na figura 1. além de ser o recipiente que contém as partes ativas. a oval e retangular para os transformadores de médias e grandes potências. o calor produzido pelas perdas.8.20.31  Capítulo 1 . 1. TANQUES O tanque do transformador. Buzinaro  O tanque e a respectiva tampa devem ser de chapas de aço. 20 .Transformador de distribuição. laminadas a quente. .12. 1. e óleo. os transformadores têm o tanque liso. isoladores.Transformadores Fig. Os radiadores podem ser tubulares ou em forma de câmara plana. nervurado ou equipado com radiadores. é o elemento que transmite para o ar. De acordo com a quantidade de calor que deve ser liberada. O formato do tanque varia de redondo para os transformadores de distribuição de baixa potência.

Resistir a óleo isolante. • A tinta de fundo deve preencher as seguintes condições: Ter boa adesão à superfície metálica. de natureza ácida ou alcalina. A escolha de tintas para pintar transformadores não é tarefa das mais fáceis. Ao selecionar as tintas. O meio ambiente pode ser úmido.32  Capítulo 1 . tipos de tinta de fundo e acabamento adequados para cada situação.9. e conter substâncias abrasivas que são lançadas sobre o transformador pelos ventos. deve-se ter em mente: • A agressividade do meio ambiente em que está o transformador. Resistir a uma temperatura de 90 C. e condições econômicas. o • A tinta de acabamento deve ter as seguintes qualidades: Resistência a água.12. métodos e mão-de-obra de aplicação. Resistência à poluição marítima.   Prof. PINTURA O serviço de pintura de transformadores é uma especialidade que exige bons conhecimentos sobre: preparo da superfície a ser pintada. Ser compatível com a tinta de acabamento.Transformadores • As superfícies internas do tanque devem receber um tratamento que lhes confira uma proteção eficiente contra a corrosão e o material utilizado não afetar nem ser afetado pelo óleo. agressividade do meio em que se encontra o transformador. Ter boa dureza. Ter resistência química adequada. Resistência a ácidos. álcalis e solventes. 1. Buzinaro  . Resistência ao óleo isolante.

como indicado na fig. em posição visível. Número de série de fabricação. Tensões nominais do primário e secundário. Frequência nominal. pois a parte inferior do transformador em operação tem uma temperatura mais baixa que sua parte superior. A placa de identificação deve conter. à prova de tempo. Designação e data da norma brasileira (especificação). Número de fases.Transformadores Resistência a temperatura de 90 C. Designação do método de resfriamento. o 1. e essas temperaturas são variáveis. Tanto a tinta de fundo como a de acabamento devem resistir às variações de temperatura.21. Buzinaro  A palavra "Transformador" ou "Autotransformador" ou "Transformador de reforço" ou "Transformador regulador". . PLACA DE IDENTIFICAÇÃO O transformador deve ser provido de uma placa de identificação metálica. etc. Diagrama de ligações dos enrolamentos do primário e secundário com identificação das derivações. Tipo (segundo a classificação do fabricante). Nome do fabricante e local de fabricação. Retenção de brilho e cor. Muito boa aderência e dureza. Correntes nominais do primário e secundário. Mês e ano de fabricação. sempre que possível do lado de baixa tensão.33  Capítulo 1 .12.10. 1. as seguintes informações: • • • • • • • • • • • • •   Prof. no mínimo. Potência ou potências nominais em kVA.

 Buzinaro  . Volume total do liquido isolante em litros ou peso em kilogramas. em quilogramas.34  Capítulo 1 . Massa total aproximada. Fig. em percentagem.Placa de identificação.Transformadores • • • • Polaridade ou diagrama fasorial. 21 .   Prof. Impedância de curto-circuito. 1.

máximo e a 25°C. •   Prof. • Meios de ligação para filtro: Deve ser feita por meio de um tubo.12. um dispositivo de material não ferroso ou inoxidável que permita fácil ligação a terra. ganchos. uma ou mais tampas auxiliares na tampa principal. etc.Transformadores 1.11. Todas as válvulas de drenagem do óleo devem ser providas de bujão.35  Capítulo 1 . • Meios de aterramento do tanque: Devem ter na parte exterior do tanque. inclusive com óleo. Deve ter referência para os níveis de óleo mínimo. • Meios para suspensão da parte ativa: Os transformadores devem dispor de meios (alças. para permitir o desligamento dos terminais internos para as buchas. • Dispositivo para a retirada de amostra do óleo: Deve ser colocado na parte inferior do tanque. olhais. localizado na parte superior da parede do tanque ou na tampa. mudanças de derivações e inspeção. para transformadores imersos em óleo. provido de bujão. quando necessário. sempre que possível perto do fundo. ACESSÓRIOS • Indicador externo de nível do óleo: Deve ser colocado em local visível no transformador. • Válvula de drenagem do óleo: Deve ser colocada na parte inferior da parede do tanque. • Abertura para inspeção: Os transformadores devem ter.) para seu levantamento completamente montado. Buzinaro  Apoios para macacos: .

Transformadores Podem ser feitos sob a forma de ressaltos ou de alojamentos. devendo ser adequados tanto para a colocação como para o acionamento de macacos.36  Capítulo 1 . • Provisão para a instalação de termômetro para óleo: Consiste de um alojamento estanque. E o manovacuômetro.19): Alguns transformadores são constituídos de radiadores mais um conjunto de ventiladores. mede pressão e vácuo. • Dispositivo para alívio de pressão: Deve operar de maneira que o valor de sobrepressão não ultrapasse o valor máximo admissível. como base própria para arrastamento ou rodas orientáveis.   Prof. Buzinaro  . • Meios de locomoção: Os transformadores devem dispor de meios de locomoção. • Manômetro e Manovacuômetro: O manômetro é um instrumento utilizado para medir a pressão interna do tanque de óleo. Esses ventiladores podem ser acionados manualmente ou automaticamente por um sistema digital. 1. • Sistema de Ventilação Forçada (fig. funcionando como um desumidificador de ar do transformador. Em transformadores pequenos (menor que 5 MVA) pode ser usado o termômetro de óleo. • Secador de ar de Sílica Gel: O secador de ar de sílica gel é usado nos transformadores providos de conservador de óleo. para a instalação de um termômetro e colocado em posição que forneça a temperatura mais elevada do óleo.

37  Capítulo 1 .   Prof. 1. Buzinaro  .Partes de um transformador de distribuição.Transformadores Fig. 22 .

13. Não há dispersão de fluxo magnético – todo o fluxo Ø esta confinado no núcleo e é concatenado com ambas as bobinas. CIRCUITOS EQUIVALENTES 1. Fig. I 2 são fasores.13. TRANSFORMADOR MONOFÁSICO IDEAL Hipóteses: • • • Não há perdas ôhmicas – a resistência dos enrolamentos é nula.Circuito equivalente de um transformador ideal.23. 1. Tensões e correntes são senoidais Relações: V1 N1 I = = 2 = a V2 N2 I1 V 1 .38  Capítulo 1 . V 2 . • • • • Onde: a   Prof. Um circuito equivalente de um transformador monofásico ideal é mostrado na fig. Não há perdas no núcleo – não há histerese nem correntes parasitas.Transformadores 1. 23 .1. 1. I 1 . Buzinaro  relação de espiras. .

A resistência interna do enrolamento primário e secundário é representada por R1 e R2. TRANSFORMADOR MONOFÁSICO REAL Um transformador real. O fluxo disperso do secundário. I 2 Pois não há perdas (potência de entrada é igual à potência de saída).24. que têm certa resistência.39  Capítulo 1 .2. I1 = V2 . o enrolamento primário e secundário são constituídos de condutores de cobre. de núcleo de ferro. é representado na fig. Um circuito equivalente de um transformador monofásico real é mostrado na fig. φ1. φ2. Corrente de magnetização. produz uma reatância indutiva primária XL1. respectivamente. Portanto são consideradas: • • • • Perdas ôhmicas nos enrolamentos. produz uma reatância indutiva secundária. XL2. Além disto. Buzinaro  .   Prof. uma pequena porção de fluxo disperso é produzida nos enrolamentos primário e secundário φ1 e φ2. Embora hermeticamente acoplado pelo núcleo de ferro.24.Transformadores Potências: S1 = S2 = V1 . Dispersão de fluxo. 1. Perdas no núcleo (histerese e correntes parasitas). respectivamente.13. 1. φM. 1. O fluxo disperso do primário. além do fluxo mútuo.

respectivamente. O por isso são representadas por R0. Corrente no primário. Buzinaro  Razão de espiras.Circuito equivalente de um transformador real. respectivamente. . Resistência do enrolamento do secundário.Transformadores Fig. Tensão induzida no secundário. As correntes de Foucalt e de histerese são provocados no núcleo e A reatância esta no modelo devido à corrente magnetizante Iμ. ramo que contem esta bobina é percorrido por esta corrente que será necessária para criação do fluxo e em nada conta para a alimentação da carga. a V1 V2 E1 E2 I1 I2 R1 R2 X1 X2 R0 X0   Prof. 24 . Tensão terminal no primário. Resistência do enrolamento do primário. Corrente no secundário. 1. Tensão induzida no primário. Resistência para levar em conta as perdas no núcleo. Tensão terminal no secundário. Onde: R1 e R2 X1 e X2 R0 X0 Resistências que representam as perdas ôhmicas nos Reatâncias que representam à dispersão de fluxo no primário e enrolamento (perdas no cobre) primário e secundário. Reatância de magnetização.40  Capítulo 1 . Reatância de dispersão do primário. Reatância de dispersão do secundário. secundário.

vem: • l • V2 * •l Z2 = I2 • l • N2 2 2 • • l • l • ⎛ N1 ⎞ N1 N2 → Z2 = Z2 * 2 → Z2 = Z2 * ⎜ ⎟ N1 N1 ⎝ N2 ⎠ * N2 Z 2 = Z 2 * a2   Prof.13. Buzinaro  . CIRCUITO REFERIDO AO PRIMÁRIO Fig.Transformadores 1.3. 25 . 1.Circuito equivalente de um transformador real referido ao primário.41  Capítulo 1 . Como: Z2 = • • V2 •            (1) I2 e •l • V2 • = N1 N2 = I2 •l           (2) V2 I2 Logo: V2 = V2 * e • •l N2   N1         (3) I2 = I2 * • •l N1   N2         (4) Levando (3) e (4) em (1).

42  Capítulo 1 . CIRCUITO REFERIDO AO SECUNDÁRIO Fig.Transformadores Para a tensão e corrente referenciada ao primário. Neste caso: •l • Z1 •l Z1 = 2 a • V1 e V1 = a I1 = I1 * a •l •   Prof. Buzinaro  . de (2) vem: V2 = V2 * •l • • l • • l • N1 → V2 = a * V2  N2 •   e  I2 = I2 •l N I2 * 2 → I2 = N1 a 1. 26 .Circuito equivalente de um transformador real referido ao secundário.4. 1.13.

 Buzinaro  . corrente (I0) e potência (P0) no lado em que foi aplicada a tensão. TESTES EM TRANSFORMADORES Os parâmetros do circuito equivalente são determinados. Relação de transformação (a).14.1. como mostrado na fig. A tensão no outro lado deve ser medida também e com esta determinamos a relação de espiras. O ensaio é feito da seguinte maneira: • • • Um lado do transformador é alimentado e outro fica em aberto.43  Capítulo 1 . Impedância do ramo magnetizante (ZM). A alimentação é feita com tensão e frequência nominal. Corrente a vazio (Io).Transformadores 1.27. Para tensão e frequência nominal são levantados: tensão (V0). 1. • Supondo a alimentação pelo primário. utilizar o circuito referido ao primário. ou pelos dados de teste.14. TESTES DE CIRCUITO ABERTO O ensaio a vazio de transformadores tem como finalidade a determinação de: • • • • Perdas no núcleo (PH + PF).   Prof. Os dois testes mais comuns são os seguintes: 1. ou pelos dados do projeto.

Transformadores Fig.Circuito equivalente de um transformador para teste a vazio. 27 . 1. A impedância equivalente no ramo paralelo (RC e XM) é muito maior que a impedância equivalente em série (R1 e X1) parâmetros série. Não há queda de tensão em R2 e X2. 1. 1.   Prof.Circuito equivalente reduzido de um transformador para teste a vazio. 28 .44  Capítulo 1 . O circuito equivalente para o transformador em vazio fica como mostrado pode-se desprezar os na fig.28: Fig. Em vazio: • • • I2 = 0 I2’ = 0. Buzinaro  .

14. é interessante aplicar a tensão de teste ao enrolamento que tiver uma tensão nominal igual àquela da fonte de potência disponível. Nos transformadores elevadores de tensão. terra. Cuidados então devem ser tomados para isolar os terminais deste enrolamento. de P0. cos ϕ I M = I 0 . Impedância. Buzinaro  . algumas vezes até muito elevada. podemos determinar: cos ϕ = P0 P = S V0 .: Usualmente. isto significa que a tensão de circuito aberto do segundo enrolamento será maior do que a tensão aplicada. I C I C = I 0 . a qual é usualmente pequena e pode ser desprezada em muitos casos.Transformadores Com as medidas de I0. I0 e V0 são: a potência. A perda de potência a vazio é igual à leitura no Wattímetro neste teste.2. TESTES EM CURTO-CIRCUITO O ensaio em curto-circuito permite a determinação de: • • • Perdas no cobre. sen ϕ a = V0 V2 Obs. quanto para prevenir que estes terminais não se fechem por meio de outros circuitos elétricos.45  Capítulo 1 . tanto para segurança do pessoal que executa o teste. então a perda no núcleo será dada por: PC = P0 − I 02 . V0 e P0. Assim. I 0 RC = XM = V0 IC V0 IM 2 P0 = RC . instrumentos. R1 1. resistência e reatância percentuais. Queda de tensão interna.   Prof. etc. a corrente e a tensão de entrada. a perda do núcleo é obtida subtraindo-se desta leitura as perdas ôhmicas no primário.

pois a corrente cresce rapidamente. 29 . X1. Em Curto-Circuito: • • A tensão terminal secundária (V2 = 0). A alimentação é feita com a tensão partindo do zero até atingir a corrente nominal (este aumento de tensão aplicada deve ser vagarosamente. e X2). 1. como mostrado na fig. logo pode-se desprezar os parâmetros referentes ao núcleo.Circuito equivalente de um transformador para teste em curto-circuito. sendo esta tensão aplicada um valor baixo). logo V2' = 0 . • • Quando atinge a corrente nominal são levantados: tensão (Vcc). A corrente que circula pelas impedâncias (RC e XM) é muito menor que a corrente que circula pelas impedâncias em série (R1.Transformadores O ensaio é feito da seguinte maneira: • • Um lado do transformador é alimentado e outro fica em curto-circuito. 1.29. R2.30. Fig. Supondo a alimentação pelo primário.46  Capítulo 1 . utilizar o circuito referido ao primário. corrente (Icc) e potência (Pcc) no lado em que foi aplicada a tensão. • O circuito equivalente para o transformador em CC fica como mostrado na figura 1. Buzinaro  .   Prof.

Com as medidas de ICC.47  Capítulo 1 .Circuito equivalente reduzido de um transformador para teste em curto-circuito. 30 . R2 = X CC = X 1 + a 2 . VCC e PCC. usando as formulas anteriores. 1. OBS.Transformadores Fig. cuidados devem ser tomados registrando-se qual enrolamento está curto-circuitado. X 2 = 1 X CC 2 Mais uma vez. isto é: X1 = a2 . pode ser calculado R2. Entretanto.   Prof.: A potência medida pelo wattímetro (Pcc) corresponde aproximadamente à potência dissipada nos enrolamentos. Normalmente é admitido que a reatância de dispersão é dividida igualmente entre o primário e o secundário. a escolha do enrolamento a ser curto-circuitado é normalmente determinado pelos equipamentos de medição disponíveis para uso no teste. Buzinaro  . podemos determinar: Z CC = VCC I CC PCC 2 I CC 2 2 Z CC − RCC RCC = R1 + a 2 . A tensão medida pelo voltímetro (Vcc) corresponde aproximadamente à queda de tensão interna. Seja o secundário curto-circuitado e a tensão reduzida aplicada no primário. porque isto indicará o enrolamento de referência para se expressar as componentes de impedância obtidas por este teste. X 2 = Dado R1 e a (relação de espiras).

Se a máquina converte energia mecânica em energia elétrica ela é chamada de gerador elétrico. Buzinaro  . CLASSIFICAÇÃO DAS MÁQUINAS ELÉTRICAS A seguir é a apresentada a classificação das maquinas elétricas:   Prof. vento. dos ventiladores.48  Capítulo 2 – Máquinas elétricas 2. gasolina ou óleo diesel ou por um motor elétrico. Se a máquina converte energia elétrica em energia mecânica ela é chamada de motor elétrico. Os motores são responsáveis pelo funcionamento das máquinas de lavar. dos condicionadores de ar e da maioria das máquinas encontradas na indústria.1. MÁQUINAS ELÉTRICAS 2. isto é. vapor. INTRODUÇÃO Máquina elétrica é qualquer dispositivo que realiza a conversão eletromecânica de energia. A energia mecânica é fornecida por uma quedad´água.2. ela pode operar como motor e gerador. 2. Toda máquina elétrica é reversível.

CONCEITOS BÁSICOS 2. 1 – Classificação das máquinas elétricas.3. Fig. 2 – Representação dos pólos magnéticos. 2.1.   Prof.49  Capítulo 2 – Máquinas elétricas Fig. 2. 2. Convencionou –se: Chamar de “pólo norte do estator” a região do entreferro na qual o fluxo magnético vai do estator para o rotor. Buzinaro  .3. Chamar de “pólo sul do estator” a região do entreferro na qual o fluxo magnético vai do rotor para o estator. PÓLOS MAGNÉTICOS É uma região do entreferro na qual o fluxo magnético tem dado sentido.

3.3. Fig. 2. Como cada pólo corresponde a 180º elétricos.2. numa máquina de P pólos teremos: 360o mec = P . Isto é feito assim porque o que ocorre sob um par de pólos da máquina repete-se sob os pares de pólos seguintes. 2.   Prof. GRAU ELÉTRICO E RADIANO ELÉTRICO Definição: A um par de pólos magnéticos associamos 360 graus elétricos ou 2π radianos elétricos.3. 180o eletr o mec = P 2 o eletr 2. Buzinaro  .4.50  Capítulo 2 – Máquinas elétricas 2. RELAÇÃO ENTRE GRAU ELÉTRICO E GRAU MECÂNICO Qualquer que seja o número de pólos da máquina ela tem 360º mecânicos. 3 – Representação de graus elétricos.3. ESPIRA É uma volta completa de um fio ou de uma barra condutora.

Com isso. 2. o outro lado dessa bobina deve ficar no topo da outra ranhura.3. b) Testas das bobinas. formando um enrolamento de dupla camada.3. servem apenas como ligações elétricas entre os lados úteis da bobina. São as partes da bobina que ficam no ar. 4 – Detalhes de uma bobina. principalmente em nº de ranhuras. Pode ser expresso em centímetro.5. MONTAGEM DAS BOBINAS Normalmente montamos dois lados de bobina em cada ranhura. PASSO DA BOBINA É a distância entre os lados úteis da bobina.51  Capítulo 2 – Máquinas elétricas 2. Buzinaro  .3. grau elétrico e. todas as bobinas resultam de mesmo tamanho e o enrolamento resulta magneticamente equilibrado. c) Terminais (M e N). BOBINA Conjunto de espiras superpostas. São os dois lados úteis da bobina que ficam imersos no material ferromagnético. Fig.6.   Prof. 2.7. 2. A bobina tem as seguintes partes: a) Lados úteis da bobina. fora do circuito magnético. Se um lado de uma bobina ocupa o fundo de uma ranhura.

3.2. as máquinas DC são usadas frequentemente em aplicações que necessitam de uma gama razoável de velocidades de rotações ou controle preciso do desempenho. Devido à simplicidade com que podem ser controladas. Rotor: parte móvel onde se processa a conversão de energia. 3. ESTATOR O estator é constituído por:   Prof. INTRODUÇÃO As máquinas DC são caracterizadas pela sua versatilidade. Buzinaro  .2.1. MÁQUINAS DE CORRENTE CONTÍNUA 3. A seguir é apresentada a descrição física das máquinas CC bem como o princípio de funcionamento e os tipos de configurações possíveis.1. DESCRIÇÃO FÍSICA E CARACTERÍSTICAS CONSTRUTIVAS A máquina de corrente contínua é constituída por duas partes fundamentais: Estator: parte fixa destinada a criar o fluxo indutor. através das possibilidades de ligações do enrolamento de excitação (enrolamento de campo). Podem ser projetadas para desempenhar uma grande variedade de características volt-ampère ou velocidade-binário em regime dinâmico ou permanente.52  Capítulo 3 – Máquinas de corrente contínua 3.

Interpólos Enrolamentos e Escovas. Pólos físicos. a) CARCAÇA A carcaça tem a forma de uma coroa cilíndrica e tem a função de criar e conduzir um campo magnético elevado. bem como suportar toda a massa da máquina. Também deve possuir uma resistência mecânica elevada de modo a suportar a máquina sem deformações nem vibrações sensíveis. conforme mostrado na fig. o fluxo magnético é constante (em regime permanente o campo magnético é invariante no tempo) não ocorrendo às perdas de Histerese e Foucault. 1 – Estator da máquina de corrente contínua. Fig. Outra característica que deve possuir é a permeabilidade magnética elevada. 3. A carcaça é confeccionada em ferro fundido. Buzinaro  . ocorrendo saturação com elevados valores de campo.53  Capítulo 3 – Máquinas de corrente contínua • • • • • Carcaça. 3. O circuito magnético do estator é formado pela carcaça e pelos pólos físicos.   Prof. Os pólos físicos tem o núcleo e a sapata polar. pois nela.1.

percorridas por corrente contínua destinada a criar um campo magnético elevado. Buzinaro  Terminais do enrolamento de campo (Fields). Para máquinas de pequeno porte (até 50 kW) o núcleo e a sapata polar são feitos juntos pela superposição de laminas de aço silício. São colocadas de modo a obter alternadamente um pólo norte e um pólo sul. também chamado de “excitação da máquina” e tem a finalidade única de magnetizar o circuito magnético da máquina e permitir a conversão elétrica mecânica de energia no rotor. 3. Fig. F1. Devem apresentar reduzidas perdas magnéticas.54  Capítulo 3 – Máquinas de corrente contínua b) PÓLOS FÍSICOS OU PÓLOS INDUTORES Os pólos físicos são compostos pelo núcleo e pela sapata polar. 2 – Enrolamento de campo. c) ENROLAMENTO DE CAMPO (INDUTOR) O enrolamento de campo da máquina. Estes têm por funções criar um elevado campo magnético e suportar as bobinas do enrolamento indutor. Normalmente. F2   Prof. todas as bobinas são ligadas em série e percorridas pela mesma corrente de forma a produzir fluxo de sentidos opostos nos pólos adjacentes. Estas bobinas são constituídas por espiras de fio de cobre isolado. Este enrolamento é formado por bobinas em torno do núcleo dos pólos físicos. Para máquinas de maior porte o núcleo dos pólos é maciço de ferro fundido (fofo) e a sapata polar é feita com laminas de aço silício. . operando com pequena corrente (menor ou igual a 5% da corrente de armadura). e elevada permeabilidade magnética para atingir a saturação com elevados valores de campo. Cada bobina possui um elevado número de espiras (milhares).

Comutador ou coletor. servindo de ligação elétrica entre os terminais do enrolamento do rotor – que são soldados nas torres dos segmentos do comutador – e circuito externo do rotor. Enrolamentos. Em cada portas-escovas há um a mola que pressiona a escova contra o comutador (200 g/cm2). e suportar mecanicamente o enrolamento deste. Os portas-escovas são fixados no estator. Assim as escovas são fixas e sob elas o comutador gira solidamente ao rotor. a) NÚCLEO DO INDUZIDO É construído em material ferromagnético. É através das escovas que a corrente do enrolamento induzido circula para o circuito exterior. Os porta-escovas são isolados do estator. As escovas estão em contato com as pistas do comutador. Em máquinas de grande porte existe uma treliça de aço (chamada de aranha) entre o eixo e a coroa cilíndrica de aço-silício. se apóiam na pista do comutador.   Prof. Geralmente são constituídas por um aglomerado que incluí grafite e carvão.2. devendo ser macias para permitir um desgaste mínimo. Deverá permitir obter um fluxo intenso através do induzido.2. Buzinaro  . Nas máquinas de pequeno porte a coroa cilíndrica de aço-silício é pressa diretamente no eixo por atrito ou por uma chaveta. possuindo para tal permeabilidade magnética elevada. em cuja periferia são abertas cavas no sentido longitudinal onde é montado o enrolamento do induzido.55  Capítulo 3 – Máquinas de corrente contínua d) ESCOVAS As escovas são montadas em portas escovas. Deve também apresentar pequenas perdas magnéticas. ROTOR (INDUZIDO) O rotor é constituído de: • • • Núcleo. 3.

eles são completamente diferentes. 3. c) COMUTADOR OU COLETOR O comutador tem o formato de uma coroa cilíndrica. isolados. Cada segmento possui uma torre na qual são soldados os dois terminais da bobina do enrolamento do rotor. meio ondulado. Ondulado. 3 – Corte transversal do comutador. Fig. Existe também um tipo de enrolamento. meio imbricado. Construtivamente a única diferença entre um enrolamento imbricado e um enrolamento ondulado esta na maneira com que os terminais de cada bobina são soldados no comutador.2.   Prof. denominado perna de rã (Frag Leg). é formado por um grande número de segmentos (peças cônicas de cobre) sendo que cada um dos segmentos é isolado dos segmentos adjacentes e do eixo. ENROLAMENTO DA ARMADURA DA MÁQUINA CC Há dois tipos básicos de enrolamentos para a armadura da máquina CC: Imbricado.56  Capítulo 3 – Máquinas de corrente contínua b) ENROLAMENTOS DO INDUZIDO É constituído por condutores de cobre.3. Eletricamente. É montado no eixo da máquina. colocados nas cavas do núcleo e ligados às lâminas do comutador (coletor). Buzinaro  . 3.

Pbob. contendo 24 ranhuras e 24 segmentos no comutador. Os terminais da bobina número 2 são soldados nos segmentos de número 2 e 3 do comutador e assim segue.5.57  Capítulo 3 – Máquinas de corrente contínua a) ENROLAMENTO IMBRICADO SIMPLES (LAP SIMPLEX) Neste tipo de enrolamento os dois terminais de uma bobina são soldados em segmentos adjacentes do comutador. As bobinas devem ter passo polar. conforme mostrado na fig. Vamos desenhar. Fig.4. Buzinaro  . esquematicamente um enrolamento imbricado para a armadura de uma máquina de corrente contínua de 4 pólos. 3. os pólos e as escovas. Cálculo do passo da bobina. como mostrado na fig. O enrolamento resulta fechado sobre si mesmo. Vamos desenhar também. os terminais da bobina número 1 são soldados nos segmento de número 1 e 2 do comutador. 3. pois a bobina deve ter passo polar. Pbob = 180° elétricos. Os terminais da bobina N (última) são soldados nos segmento número N (última) e 1 do comutador. 3. 4 – Enrolamento imbricado. ou “reentrante”. 24 ranhuras Pbob → 4 pólos → → 4 x 180° elétricos 180° elétricos Pbob = Logo: 180 x 24 = 6 ranhuras 180 x 4 Pbob = 6 ranhuras   Prof. Assim.

A largura das escovas varia desde 1. 6 – Detalhes da bobina. As escovas devem ser colocadas exatamente no centro dos pólos.Linha neutra geométrica é a posição de separação de 2 pólos distintos . Fig.58  Capítulo 3 – Máquinas de corrente contínua Fig.   Prof. 3. 3. Buzinaro  .0 vezes a largura de cada segmento do comutador.5 até 3. LNG . 5 – Enrolamento imbricado com pólos e escovas.Nessa posição não há fluxo magnético (numa máquina ideal).

c) Todos os caminhos paralelos têm o mesmo número de bobinas em série e essas bobinas estão simetricamente colocadas em relação aos pólos da máquina. quanto maior a for à potência da máquina maior deve ser o número de pólos. Cada escova opera com corrente 2 Ia a . Corrente por escova acima desse valor causa sérios problemas na comutação. Foi observada a existência de um limite prático para o valor da corrente em cada escova da máquina (da ordem de 250 A). 7 – Esquema simplificado do enrolamento. A partir deste esquema concluímos que: a) As escovas colocam as bobinas momentaneamente em curto-circuito (a. b) Para a máquina de 4 pólos. 3. Assim se a máquina estiver magneticamente equilibrada (todos os pólos produzindo fluxos magnéticos iguais) teremos tensões induzidas iguais em todos os caminhos paralelos. s estão curto-circuitadas) Porém essa bobina tem os seus lados úteis nas linhas neutras (onde B=0). d) Todas as bobinas de cada caminho paralelas têm os seus lados úteis localizados sob um mesmo par de pólos.59  Capítulo 3 – Máquinas de corrente contínua Fig. tal que esse limite de corrente seja observado. g. Buzinaro  . onde “Ia” é a corrente total de armadura e “a” é o número de caminhos paralelos da armadura.   Prof. nesse instante. Cada bobina recebe a corrente i = Ia a . m. formam-se 4 caminhos paralelos na armadura. Por essa razão.

Se por alguma razão (curto-circuito parcial entre espiras dos enrolamentos de campo. O passo das bobinas será: 23 ranhuras Pbob   Prof. Para esse tipo de enrolamento é impossível se ter bobina de passo polar. O passo do comutador será Y = 11 segmentos. no entanto. uma limitação séria ao uso do enrolamento imbricado.60  Capítulo 3 – Máquinas de corrente contínua Existe. Então se um terminal de uma bobina for soldado no segmento número 1 do comutador. N = 23 ranhuras. Por exemplo. Os terminais de cada bobina do enrolamento devem ser soldadas em segmentos do comutador distantes Y = C −1 segmentos. E ela está ligada ao fato de se ter todas as bobinas de cada caminho paralelo da armadura sob um mesmo par de pólos. se ocorrer uma assimetria magnética na máquina todos os circuitos paralelos da armadura serão igualmente afetados. o que não ocorre no imbricado. assim. Assim. O passo do comutador "Y" deve ser um número inteiro. a eficiência da máquina e a sua vida útil. Vamos desenhar um enrolamento ondulado simples com P = 4. Provoca também desgastes prematuros no comutador e nas escovas). b) ENROLAMENTO ONDULADO SIMPLES A idéia básica para a construção desse enrolamento é fazer com que as bobinas de todos os seus caminhos paralelos resultem distribuídas sob todos os pólos da máquina. provocando o aquecimento da armadura e afetando. se C = 23 e P = 4 resulta Y = 11. C= 23 segmentos. Onde “C” é o número P/2 total de segmentos do comutador e “P” é o numero de pólos. mas isso não é problema. Buzinaro  → 4 pólos ← 1 pólo . desgaste dos mancais) ocorrer um desequilíbrio magnético aos diversos caminhos paralelos da armadura será diferentemente afetados. e isso provocará a circulação de correntes elétricas intensas na armadura e escovas – (Sem que essas correntes passem ao circuito externo da armadura da máquina. outro terminal dessa bobina deverá ser soldado no segmento número 12 (1 + 11) do comutador.

Fig.52° elétricos 23 4 3 Fig. teremos: 23 4 ranhuras 5 ranhuras → 180° elétricos → Passo Passo = 5 x 180 20 = x 180 = 156.61  Capítulo 3 – Máquinas de corrente contínua Pbob = 23 20 + 3 3 ranhuras = = 5 + 4 4 4 Adotamos o passo das bobinas igual a 5 ranhuras (é necessário que seja um número inteiro) em graus elétricos. Buzinaro  . 3.   Prof. 9 – Esquema simplificado do enrolamento. 8 – Enrolamento ondulado com pólos e escovas. 3.

62  Capítulo 3 – Máquinas de corrente contínua Observe no diagrama planificado que as bobinas curto circuitadas pelas escovas (a. idealmente. k. f (9 bobinas) 2 ⇒ l. v. Vamos desenhar um enrolamento imbricado de 16 ranhuras. o. m. h. Isto ocorrerá sempre independente do numero de pólos. j. Observe que existem apenas dois caminhos paralelos na armadura. nas máquinas com o enrolamento ondulado na armadura. A equalização pode ser completa (100%) ou parcial. A limitação ao uso do enrolamento ondulado está no fato de não se ter boa comutação quando a corrente ultrapassa o limite prático de 250A por escova. Buzinaro  . b. c) CONEXÕES EMBRICADOS) EQUALIZADORAS (PARA ENROLAMENTOS As conexões equalizadoras são ligações elétricas de baixa resistência. Observe que as bobinas que formam os 2 caminhos paralelos (considerando que as escovas com linhas tracejadas foram retiradas): 1 ⇒ b. i. g. r. Observe que um dos caminhos paralelos tem uma bobina a mais que o outro. mas isso não chega a ser um problema porque essa bobina a mais tem os seus lados em ranhuras onde o fluxo magnético é nulo (linha neutra magnética). e. tem o mesmo potencial. Se for completa todas as bobinas são equalizadas. n. x. p. 4 pólos.   Prof. passo polar e vamos equalizá-lo. Assim este tipo de enrolamento tem o seu uso limitado às máquinas de até 250A (o que atende a grande maioria das máquinas de corrente contínua produzidas). g) tem os seus o lados úteis exatamente na LGN ou em ranhuras adjacentes à LGN. dupla camada. Atualmente. Para máquinas de corrente superior a 250 A emprega se o enrolamento imbricado equalizado. c. empregam se apenas duas escovas. Observe no esquema simplificado que o enrolamento não se altera se retirarmos as escovas desenhadas com linhas pontilhadas. d. t. s. s (10 bobinas) estão distribuídas sob os 4 pólos da máquina. montadas fora do circuito magnético da máquina (nas testas das bobinas) que interligam pontos que. u.

63  Capítulo 3 – Máquinas de corrente contínua Fig. Se ocorrer desequilíbrio magnético na máquina. Buzinaro  . aparecerá ddp entre os pontos que deveriam ter o mesmo potencial. 10 – Enrolamento imbricado equalizado. Essa ddp fará circular corrente através das bobinas e conecções equalizadas.   Prof. 3. as tensões induzidas nos diversos caminhos paralelos da armadura imbricada não serão iguais. mas não no comutador e nas escovas. reequilibrando assim a maquina magneticamente falando. Essas correntes reforçam o fluxo magnético nos pólos onde o fluxo é menor e enfraquecem o fluxo nos pólos onde o fluxo é maior. isto é. O inconveniente nas conecções equalizadoras é o alto custo e aumento no peso da armadura.

que é igual ao número de ranhuras. Fig. 3 ou 4 condutores. Buzinaro  . obtidas enrolando-se. porém que existe um limite prático (da ordem de 15 volts) para a ddp entre os segmentos adjacentes do comutador. 11 – Bobinas múltiplas.   Prof. resultar uma ddp maior que 15 volts entre os segmentos adjacentes do comutador. 2. 3. Resultam então. simultaneamente.64  Capítulo 3 – Máquinas de corrente contínua d) ENROLAMENTOS COM BOBINAS MÚLTIPLAS Até agora consideremos que o número de bobinas no enrolamento da armadura igual ao número de segmentos do comutador. 3. para cada bobina múltipla 4 terminais (bobina dupla) ou 6 terminais (bobina tripla) ou 8 terminais (bobina quádrupla). Assim ao invés de 1 bobina com N espiras teremos 2 (ou 3) (ou 4) bobinas com N/2 (N/3) (N/4) espiras cada uma. usam-se bobinas múltiplas. Se ocorrer de um projeto de um enrolamento. 12 – Bobinas múltiplas conectadas do comutador. Ocorre. respectivamente. O comutador deverá ter 2N (ou 3N) (ou 4N) segmentos. Fig. para bobinas duplas (triplas) (quádruplas) onde N é o número de bobinas.

com corrente elétrica contínua “Ia”.   Prof. 3 ou 4 vezes menor que aquela que se teria com bobinas simples. Bm . teremos o conjugado resultante: C = Z . r = Bm . l . Buzinaro  Ia a . l . l . i . r Ou C ≅ Z . Seja “Bm” o valor médio da indução magnética no entreferro da máquina (esse campo magnético é produzido pela corrente de campo que passa nas bobinas do estator). 3. Em cada condutor da armadura atua a força média: f m = Bm . Em cada condutor a corrente será “i=Ia/a”. r . Bm . i . Seja “r” o raio do rotor e “l” o comprimento útil dos condutores (comprimento axial do rotor). c ≅ Z . 3. r Como são “Z” condutores. O conjugado dessa força vale: c ≅ f m . 13 – Representação da indução magnética e força magnética.3. l . “a” caminhos em paralelo.65  Capítulo 3 – Máquinas de corrente contínua Empregando bobinas múltiplas a ddp entre os segmentos adjacentes do comutador resulta 2. i ( Bm ⊥ l ) Fig. TORQUE (OU CONJUGADO) DESENVOLVIDO NA ARMADURA Consideremos uma armadura com “z” condutores ativos.

66  Capítulo 3 – Máquinas de corrente contínua

Mas:
Bm ≅ P .φ 2.π .r .l

C ≅ Z.
C ≅

I P .φ .l .r . a 2.π .r .l a

P .Z . φ . Ia 2.π .a

Introduzindo um fator de correção “fc” vem:
C = fc . fc . P .Z . φ . Ia 2.π .a

P .Z = K 2.π .a

Logo:
C = K . φ . Ia

Como se vê, o conjugado na máquina CC depende diretamente de três fatores: (1) Do fluxo por pólo, “Ø”; (Logo depende diretamente da corrente de excitação, “If”); (2) Da corrente de armadura, “Ia”; (3) Da constante dependendo da construção da máquina, “K”.

3.4. PRINCÍPIO DE OPERAÇÃO

3.4.1. MOTOR

A máquina elétrica esta mecanicamente acoplada a uma carga mecânica (bomba, ventilador, triturador, etc). Eventualmente poderá não ter nenhuma carga mecânica acoplada ao motor.

  Prof. Buzinaro 

67  Capítulo 3 – Máquinas de corrente contínua

Uma fonte de corrente contínua alimentará a armadura da máquina elétrica e uma fonte de corrente contínua alimentará o enrolamento de campo da máquina. A mesma fonte CC que alimenta a armadura pode alimentar o campo. A corrente de campo magnetiza o circuito magnético da máquina produzindo um fluxo Ø por pólo. Quando circula corrente na armadura aparece o torque eletromagnético C = K . Ø . Ia. Se esse torque for maior que o torque resistente (da carga acoplada e as perdas por atrito e ventilação) o motor acelera de acordo com a equação:
Telet − Tresist = J dω dt

Onde J é o momento de inércia total da massa girante (rotor do motor e rotor da carga mecânica acoplada) e ω é a velocidade em rad mec/s. À medida que o motor ganha velocidade cresce a voltagem induzida na armadura. Ea = K . Ø . ω. O crescimento de Ea provoca um decrescimento na corrente de armadura Ia , pois:
Ia = Vt − Ea Ra

A fig. 3.14 mostra o esquema de ligação de um motor elétrico de corrente contínua alimentado por fontes CC.

Fig. 3. 14 – Esquema de ligação de um motor elétrico de CC.

O decrescimento da corrente Ia provoca um decrescimento no conjugado eletromagnético:
Telet = C . K . I a
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68  Capítulo 3 – Máquinas de corrente contínua

Quando esse conjugado decrescente se igualar ao conjugado resistente resulta:
dω = 0 dt

Isto é, ω = cte. Estabiliza-se a velocidade do motor, assim como a tensão induzida na armadura e a corrente de armadura. Termina o processo transitório de partida e o motor passa operar em regime. A tensão induzida na armadura do motor é contrária à tensão da fonte de alimentação. Ea é a força contra-eletromotriz. O torque eletromagnético que aparece no rotor do motor tem sentido oposto ao do torque resistente e impõe o sentido da rotação. Este também é chamado de torque motriz.

3.4.2. GERADOR

A máquina elétrica estará mecanicamente acoplada a uma máquina motriz (turbina hidráulica, turbina a vapor, motor de explosão, motor elétrico, etc.). A máquina motriz é responsável pelo movimento do rotor do gerador. O enrolamento de campo do gerador deverá ser alimentado com corrente contínua por uma fonte. Os terminais da armadura deverão estar em aberto. A corrente de campo magnetiza o circuito magnético da máquina criando um fluxo Ø por pólo. Na armadura do gerador é induzida uma voltagem Ea = K . Ø . ω. Com os terminais da armadura em aberto temos a chamada condição de “gerador em vazio”, na qual: Ia = 0 e Vt = Ea. Observe que nesta condição de gerador em vazio o único torque resistente é o torque de perdas, pois o torque eletromagnético Telet = C = K . Ø . Ia , é nulo. Assim, deve-se ter um torque motriz igual ao torque de perdas apenas, senão a máquina dispara em velocidade.

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69  Capítulo 3 – Máquinas de corrente contínua

Fig. 3. 15 – Esquema de ligação de um gerador elétrico de CC.

Quando se coloca carga na máquina (fechando a chave S), circula corrente na armadura no mesmo sentido de Ea. Ai aparece o torque eletromagnético resistente Telet = C = K . Ø . Ia. É preciso aumentar o torque motriz (aumentando a vazão na turbina, por exemplo) para manter a armadura com velocidade constante ω. Com o gerador em regime (corrente de carga constante Ia e velocidade constante ω) tem-se:
Tmotriz = Telet ( c arg a ) + Tperdas Vt = Ea - Ra . I a

No gerador a tensão induzida na armadura é a força eletromotriz. É ela quem impõe o sentido da corrente. No gerador o conjugado eletromagnético desenvolvido na armadura é resistente, contrário ao movimento.

3.5. TIPOS DE CONECÇÕES DAS MÁQUINAS CC.

3.5.1. EXCITAÇÃO INDEPENDENTE
O enrolamento de campo é ligado a uma fonte de alimentação independente da armadura.
  Prof. Buzinaro 

2. A desvantagem esta na necessidade (custo) de se ter esta fonte de alimentação. 17 – Esquema de ligação de uma máquina CC com excitação paralela. b) O controle da corrente de campo deve necessariamente ser realizada através se um reostato de campo (Rf) e nele há perdas. As desvantagens deste tipo de conecção são: a) A corrente de campo não é independente da armadura sendo afetada tanto pela velocidade ω da armadura quanto pela tensão terminal Vt.5. 3.70  Capítulo 3 – Máquinas de corrente contínua A vantagem deste tipo de ligação é que o controle da corrente de campo é totalmente independente do que acontece na armadura. 3. EXCITAÇÃO PARALELA (SHUNT) A vantagem deste tipo de conecção é que não se precisa dispor de uma fonte de alimentação exclusiva para o enrolamento de campo (menos custo).   Prof. 3. Buzinaro  . Fig. Fig. 16 – Esquema de ligação de uma máquina CC com excitação independente.

  Prof.3. Raramente emprega-se a máquina série operando como gerador. EXCITAÇÃO COMPOSTA Devemos ter obrigatoriamente Øf e Øs de mesmo sentido (aditivos).4.71  Capítulo 3 – Máquinas de corrente contínua 3. 3. Buzinaro  . Fig.5. O enrolamento de campo série deve ser dimensionado para conduzir a própria corrente da armadura (no enrolamento shunt ou independente a corrente é menor ou igual a 5% da corrente da armadura). Fig. 18 – Esquema de ligação de uma máquina CC com excitação série. EXCITAÇÃO SÉRIE O enrolamento de campo série não é o mesmo empregado nas conecções independente e shunt. 19 – Esquema de ligação de uma máquina CC com excitação composta (paralelo longo) [long shunt].5. 3. 3.

 Buzinaro  . 3. 3. 20 – Esquema de ligação de uma máquina CC com excitação composta (paralelo curto) [short shunt]. O campo total resultante desloca o plano neutro.   Prof. 3.6.72  Capítulo 3 – Máquinas de corrente contínua Fig. REAÇÃO DA ARMADURA. Fig. A corrente no enrolamento da armadura gera um campo magnético perpendicular ao dos pólos do campo do gerador. 21 – Máquina CC com Pólos e Interpólos.

  Prof.73  Capítulo 3 – Máquinas de corrente contínua Para corrigir o deslocamento do plano neutro. mas com polaridade oposta ao campo 3. PERDAS NAS MÁQUINAS CC. pode-se utilizar três formas: a) Deslocamento dos porta-escovas para o novo plano neutro. Na máquina CC existe ainda uma perda de potência (dissipação de energia) no contato das escovas com o comutador. porém obediente a Lei Joule (RI2). b) Enrolamentos Compensadores da mesma.21. Esta perda não é. Nas máquinas CC temos as seguintes perdas: a) Perdas ôhmicas nas resistências da armadura e dos enrolamentos de campo conhecido como perdas no cobre. c) Perdas mecânicas devido ao atrito nos mancais e ao atrito nas partes girantes da máquina como o ar. Buzinaro  . b) Perdas no ferro devido a Histerese e as correntes induzidas na massa de ferro. As perdas no ferro ocorrem nos pontos onde existe fluxo magnético variável. As perdas por atrito nos mancais e por ventilação são também chamadas de “perdas mecânicas”. c) Interpólos pequenos pólos são adicionados entre os pólos principais para produzir um campo oposto ao campo da armadura. Esta última parcela é conhecida como “perdas por ventilação” e o seu valor é proporcional ao cubo da velocidade (Pvent α 103). Esta última conhecida como perdas Foucalt. Para a maioria das máquinas essa perda vale aproximadamente 2 x Ia . como mostrado na figura 3. que ocasiona a presença de centelhas nas escovas que poderão danificar as mesmas e a armadura.7. adicionados na superfície dos pólos. conduzem a corrente da armadura. onde Ia é a corrente da armadura.

um aumento no fluxo do campo provoca uma diminuição na velocidade do motor. Se um motor puder manter uma velocidade praticamente constante para diferentes cargas. EFICIÊNCIA DAS MÁQUINAS ELÉTRICAS CC (RENDIMENTO). Buzinaro  Potência elétrica de saída do gerador Potência mecânica de entrada do gerador Pelet (saída) Pmec (entrada) ( x 100 % ) .74  Capítulo 3 – Máquinas de corrente contínua 3. isto é. ao contrário. diz-se que o motor apresenta uma boa regulação de velocidade. costuma-se empregar uma forma conveniente de se controlar a velocidade variando o fluxo do campo através do ajuste da resistência no circuito do campo. Isto pode ser feito manualmente ou automaticamente. Devido à grande influência da carga na velocidade dos motores de CC série.9. “A velocidade é dada pelo número de rotações do eixo com relação ao tempo e é expressa em unidades de rotações por minuto (rpm). o rendimento do motor é calculado através da expressão: η = Potência mecânica no eixo do motor Potência elétrica de entrada do motor η = Pmec (saída) Pelet (entrada) ( x 100 % ) GERADOR: Da mesma forma temos: η = η =   Prof. com uma resistência em série com o campo ‘shunt’. Uma redução no fluxo do campo do motor provoca um acréscimo na sua velocidade. Aumentando-se a resistência do circuito do campo ‘shunt’ aumentase a velocidade. Ou. CONTROLE DE VELOCIDADE DO MOTOR CC. MOTOR: O rendimento (η) na conversão de energia elétrica em energia mecânica.8. neste geralmente torna-se inviável o controle de velocidade.” Pelo fato de a velocidade do motor variar com a excitação do campo. 3.

folga. Mancais quentes. . Tabela 3. Centelhamento no comutador. 4. Superaquecimento das partes 2. b) Mancais defeituosos. d) Eixo empenado ou não balanceado.75  Capítulo 3 – Máquinas de corrente contínua 3. Corrente de excitação muito intensa (campo quente). 1. O motor não dá partida. 3. c) Grande sobrecarga elétrica. a) Corrente de campo baia (alta). 6. Sobrecarga (todas as partes quentes). a) Falta de lubrificação ou mancais sujos. e) Carga imprópria – muito pequena (ou excessiva). c) Posição incorreta das escovas ou enrolamentos de comutação com defeito. d) Enrolamento da armadura aberto ou em curto. b) Ligações incorretas. Ruído. O gerador não desenvolve a tensão b) Circuito de campo aberto.9. a) Sem energia (circuito aberto). d) Enrolamento da armadura em curto. 3. Enrolamento da armadura em curto (armadura quente). mancais e comutador. de saída. 7. 1 . d) Controlador defeituoso. a) Sobrecarga. Buzinaro  elétricas. d) Saída em curto. 5. c) Mau alinhamento ou mancais muito justos. 1. c) Magnetismo residual insuficiente. 4. c) Regulador defeituoso. b) Contato entre armadura e as peças polares. Escovas e comutador desalinhados ou gastos (escovas e comutador quentes). O motor gira muito rápido (ou muito lento). vibração excessiva. a) Corrente de campo elevada (baixa). b) Mau contato das escovas. c) Armadura não balanceada. b) Campo aberto (curto parcial). comutador com superfície irregular.Tabela de verificação de defeitos em máquinas CC. 2. TABELA PARA ELIMINAÇÃO DE DEFEITOS – MÁQUINAS CC Sintomas Causas Prováveis a) Velocidade muito baixa ou sentido invertido. Tensão do gerador muito alta (ou baixa).   Prof. a) Mancais em mau estado. e) Corrente de excitação inadequada. c) Ligações incorretas. b) Acionamento muito rápido (lento). 8.

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