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UNIVERSIDADE FEDERAL DE ALAGOAS CENTRO DE EDUCAÇÃO CURSO DE PEDAGOGIA IRENE MYRELLE CAVALCANTE TORRES SISTEMATIZAÇÃO

UNIVERSIDADE FEDERAL DE ALAGOAS CENTRO DE EDUCAÇÃO CURSO DE PEDAGOGIA

IRENE MYRELLE CAVALCANTE TORRES

SISTEMATIZAÇÃO DE AVALIAÇÃO

MACEIÓ

2011

UNIVERSIDADE FEDERAL DE ALAGOAS CENTRO DE EDUCAÇÃO CURSO DE PEDAGOGIA IRENE MYRELLE CAVALCANTE TORRES SISTEMATIZAÇÃO

UNIVERSIDADE FEDERAL DE ALAGOAS CENTRO DE EDUCAÇÃO CURSO DE PEDAGOGIA

IRENE MYRELLE CAVALCANTE TORRES

SISTEMATIZAÇÃO DE AVALIAÇÃO

Trabalho para ser apresentado a disciplina de Avaliação, com o objetivo de análise de conteúdo e obtenção de nota.

Profª. Drª. Suzana Barrios

MACEIÓ

2011

SUMARIO

Introdução ----------------------------------------------------------------------------------------04 Capítulo 1: O campo da avaliação: evoluções, enfoques, definições ------------05 Capítulo 2: Das avaliações exigidas às avaliações necessárias ------------------09 Capítulo 3: A ambigüidade do processo de avaliação escolar da aprendizagem ---------------------------------------------------------------------13 Conclusão ------------------------------------------------------------------------------------------ Anexo ---------------------------------------------------------------------------------------------19 Referências --------------------------------------------------------------------------------------21

INTRODUÇÃO

Apresentaremos nesse trabalho, assuntos como o fracasso escola, as políticas de avaliação em larga escala, e para começar os períodos do desenvolvimento dos estudos sobre avaliação. Avaliação, nosso tema principal. Pois, analisaremos como essa ciência, participa do mundo escolar, e o que a ele leva. Se o prejudica ou o ajuda. E a partir desse ponto, observar o que têm por trás da tão temida avaliação e dos processos de ensino-aprendizagem. Essa analise sucinta, foi feita a partir de estudos, feitos em sala de aula, do terceiro período do curso de pedagogia da UFAL. E para se dá essa análise, faremos essas abordagens através de três vozes. A voz relacionada com o texto, discussões em sala de aula e por ultimo a opinião da autora. Além de esclarecer os principais enfoques abordados nos textos, discutiremos aqui, meios de melhoramento, dando opiniões sinceras e ate mesmo um pouco ingênua sobre alguns desses assuntos, e comentando como foram às visões da turma em relação a alguns pontos.

Capítulo 1: O campo da avaliação: evolução, enfoques, definições

Na leitura de um pequeno livro infantil Admirável mundo novo, de Ruth Rocha – nos deparamos com a história “Quando a escola é de vidro”. No primeiro momento, quando ouvimos uma leitura infantil, não a vemos por uma visão crítica, mas sim por um olhar inocente. Entretanto, avaliar o cotidiano dos alunos da “escola de vidro”, por meio de uma discussão em sala de aula, amadureceu a idéia de que se tratava de uma escola em termos “igualitários”, mas não se tratando de igualdade de direitos, mas uma igualdade que não vê a importância da diferenciação dos desejos, interesses e necessidades de cada aluno. Uma escola tradicionalista, onde o aluno não tinha liberdade de expressar-se, somente pensava como os professores ensinavam. Aí vem a idéia do vidro, onde passa a ser uma simbologia de um sistema seriado, sistema esse que, os testes, impõem: a reprovação e decoração de conteúdos, sem precisar dominá-los, criando-se uma avaliação seletiva, classificatória e autoritária. Mas, com tudo isso, o que seria essa avaliação feita? Como poderíamos, assim, classificá-la? Em primeiro momento, vamos esquecer a avaliação-teste, as provas do colégio, mas olharemos o termo avaliação, como sendo o que os testes deveriam fazer, as características das provas; para isso, vamos contar com a ajuda de José dias Sobrinho, para reconhecer a avaliação como uma prática política pedagógica, além de ter de tornar-se, enfim, um campo de estudos. Por diversas vezes, achamos que avaliar é regular, selecionar, hierarquizar quem tirou nota maior, ou quem tirou uma menor nota. Mas avaliar é saber o porquê das notas baixar, o motivo pelo qual o aluno não dominou o assunto ou em qual assunto essa dificuldade apareceu, e daí tomar providencias que o ajude a compreender o determinado conteúdo. Mas antes de adentrarmos nos enfoques avaliativos, precisamos conhecer os períodos de estudo, sobre avaliação. Tivemos então cinco períodos:

O primeiro, foi chamado de pré-Tyler (Tyler foi o pai da avaliação educacional), teve com paradigma principal o positivismo, que irá caminhar por todos os outros períodos. Foi um momento onde deram importância maior à

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aplicação às elaborações de testes, às práticas de mensuração, às avaliações técnicas. Foi nesse período que a avaliação e a medição se misturaram deixando uma tendência quantitativa. Obtendo assim, algum tempo mais tarde,

a influência da psicologia junto com a mensuração, fazendo surgir a

psicométria, influenciando todo o período. No Segundo momento, nomeado como Avaliação educacional, teve o comportamentalismo como objetivo, e a aprendizagem se dando de maneira empirista, concreta, palpável, de acordo com o paradigma positivista. Seu parâmetro parte dos objetivos comportamentais, para que ele fosse totalmente visível ao ser atingido (objetivo avaliação), preocupando-se em criar tecnologias para aprimorar os testes, pois visavam à aprendizagem de tudo que fosse ensinado. A Era da inocência, foi o terceiro período, e teve essa denominação, por que foi construída no período da Segunda Guerra Mundial, onde surgiram especulações de uma sociedade sem escola. A partir daí a escola surgiu de forma mais liberta, e obtiveram a continuação do segundo momento. Já no Realismo, procuravam-se enfoques qualitativos, fenomenológicos (naturalistas). A presença positivista continuava e a avaliação tornava-se a preocupação para a eficiência, o meio para chegar à “perfeição”. Todavia eles

garantiam detiveram nesse período uma preocupação muito grande com a avaliação de sistemas, pois dizia que era mais importante avaliar as organizações, as estruturas especificas, e tomar uma decisão a partir da avaliação feita da estrutura organizacional; “o processo interno é muito importante e as decisões de mudanças podem ser tomadas durante o desenvolvimento.”(SOBRINHO,2003; p.23) Na discussão que os alunos de pedagogia do terceiro período tiveram, a Professora Suzana Barrios, lembrou de que para Tyler, por mais que ele quisesse que não fosse somente dessa maneira, a avaliação era a preocupação de se atingir o objetivo, mas em real a avaliação deve se levar a uma tomada de decisão. E por ultimo, o período do Profissionalismo ou Negociação. Foi daí que teve

o avanço mais teórico da discussão sobre avaliação, surgindo-a como julgamento de valor político, e aprendizagem do aluno. Foi nesse momento que surgiu a avaliação da negociação, os sujeitos começaram a fazer parte da

do aluno. Foi nesse momento que surgiu a avaliação da negociação, os sujeitos começaram a fazer
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avaliação (escolha dos métodos, questões, intenções da avaliação), melhorando a comunicação a qualificação dos avaliadores. Com isso, veio também a criação da Meta-avaliação, que antes de todo o processo de aplicação, eles eram avaliados. No entanto, continuou com a presença positivista, e teve como preocupação o objetivo e a meritocracia, e a excessiva atenção a técnica. Agora que já avaliamos os períodos, podemos chamar atenção para alguns enfoques avaliativos e faze a ligação com os períodos, com o enfoque de Análise de Sistemas, que atenua-se na preocupação em medir resultados por meio de pontuações, que visa dessa maneira dados quantitativos e técnicas estatísticas. Onde junta os objetivos do primeiro período, com a preocupação da medição, e o segundo período com a necessidade dos dados quantitativos. E se prestarmos atenção ainda encontramos muito desse enfoque avaliativo, ainda hoje, em diversas escolas. Outro enfoque é o da Revisão Profissional, ode avalia a capacidade de uma instituição que forma profissionais, e até a formação que esse profissional está recebendo. Lembra-nos do quinto período, onde a avaliação não era dona de todo saber, ela era avaliada antes de ser aplicada (meta-avaliação). E por ultimo, mais não o último, o enfoque de Casos ou Negociação, que busca saber a visão, o entendimento dos sujeitos que estão dentro de um programa, usa uma metodologia de caráter qualitativo, com entrevistas e negociações. Reportamo-nos de imediato ao segundo período, ao falar do caráter qualitativo, e para o quinto período, quando falávamos de negociação. Ao falar de avaliação, o mundo imaginário do pensamento nos volta ao nosso passado de experiências com testes, provas, simulados, mas ao estudarmos sobre o que ela deve, em si, representar, meu pensamento leva a um julgamento imediato, de que não fui avaliada de maneira correta, como muitos estudantes ainda não são. Prezar por notas, e porcentagens mínimas de aprovação, não são as melhores formas de avaliar um indivíduo, principalmente quando a ele não se pergunta o seu ponto de vista, suas dificuldades, e quando estás não são levadas em consideração. Avaliar é notar como o aluno se comporta em relação a um método avaliativo, é perguntar e perceber sua realidade étnica, política, social; é

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prestar atenção no histórico qualitativo desse aluno e notar a sua aprendizagem em relação ao conteúdo passado, ou se em determinado conteúdo ele não deve ter outra oportunidade de aprendê-los, de absorver, sem a pressão da recuperação instantânea.

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Capítulo 2: Das avaliações exigidas às avaliações necessárias

Tivemos como base para esse capítulo, o texto de Ângela Imaculada Loureiro de Freitas Dalben, onde o texto problematiza o campo das práticas de avaliação escolar, identificando assim, os confrontos vividos hoje, por causa de duas políticas de avaliação contraditórias. Sabemos que a avaliação é ambígua, complexa, “subjetiva”, e tudo isso a torna mais desafiadora ao professor, que deve aprender a lidar de maneira clara e especifica. Mais como fazer isso, se de um lado temos a avaliação como processo e de outra a avaliação como resultado; de um lado o estado provedor, de outro o estado avaliador; de um lado o apoio dos sistemas de ciclo e de outro o apoio do sistema seriado. Então paremos para pensar, na sala de aula da Universidade Federal de Alagoas, quando discutimos sobre isso fomos levados a considerar a história da avaliação e sua cultura. Primeiramente, olhando o lado Antropológico sabemos que o processo de avaliação é representado de maneira diferente, dependendo de seu âmbito social e cultural, entretanto, ao geral, temos sempre experiências de alunos que sofreram com a pressão desse processo, professores que usaram desse meio para prejudicar os alunos; como foi o caso do nosso amigo Nivan, que comentou que quando ainda cursa o ensino fundamental II, ao passar de bicicleta por uma poça, terminou molhando a sua professora, e essa para se vinga do aluno, o fez repetir o ano dando notas mínimas para as suas provas. Usou, assim, a avaliação como instrumento de poder, para exercer uma autoridade e castigar o aluno com a reprovação, símbolo de quem não aprendeu os conteúdos mínimos durante o ano, e que foi comprovado pelos testes. Com isso, e o grande índice de reprovação, evasão escolar e a escola fracassando no seu papel universalizante, as políticas de avaliação tiveram de ter uma nova visão junto com as propostas educativas. Trazendo cada vez mais conflitos, porque não preza pela permanência nos processos de escolarização. Para a LDB a avaliação, direciona o Estado a se tornar o monitor, credenciador e oferecer indicadores para o ensino no país. Com isso passaram

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a se pensar nas Políticas de avaliações em larga escala; exemplos dela são o ENEM, SAEB, Provinha Brasil, ENAD. Onde avalia os alunos, os professores, a instituição pública e também os cursos de graduação das universidades. Ela vem com o interesse de servir as diretrizes em busca de uma melhor qualidade SOS sistemas escolares, para distribuir mais adequadamente recursos, desenvolvimento e monitoramento. Já para os professore, vem com a intenção de tentar mostrar uma realidade, com novas informações, além da que ele vê em seu cotidiano. Mas vamos falar sobre o conflito das avaliações como processo e como resultado. A primeira, avaliação processual, tenta possibilitar um processo educativo mais rico, com mais dinamicidade, sempre pensando no crescimento dos sujeitos. Tornando-se uma avaliação que leva o sujeito a pensar, refletir, a julgar sobre os posicionamentos. Levando, o professor a um autoconhecimento, do aluno e do professor entre sim e com os conhecimentos da realidade. Sempre pensando e levando em conta o processo de desenvolvimento e aprendizagem. Leva em conta assim, o processo do aluno, até chegar à aprendizagem. Ao contrário dessa aplicação, vem a avaliação como resultado, que tem com critério de comprovação de um determinado produto ou aprendizado, a nota. Avaliando como o próprio nome já diz o resultado obtido pelo aluno. Levanto a muitos a serem excluídos do campo educacional, por que acaba por selecionar alunos devido a critérios de nota. Querendo ou não esse tipo de avaliação se assemelha muito com as políticas de avaliação em larga escala, pois essas avaliam situação de escolas, alunos e professores, não através de como a prova foi feita, ou considerando e analisando os erros e acertos, mas sim, através da nota tirada. Contudo, isso não parece errado nos termos da lei. Pois, ao discutimos em sala sobre toda essa problemática, notamos que no art.9º da LDB, o problema se encontra interiorizado, como: a avaliação torna-se instrumento de controle, poder e seletividade, por que continua a provar e reproduzir, assim como a escola, a estrutura social existente, e ainda recai sobre o rendimento dos alunos, em uma visão positivista (Augusto Comte) e em uma visão tecnicista (2º período dos estudos do desenvolvimento da avaliação). E segundo a professora Suzana Barrios, seu exemplo para explicar o por que do tecnicismo,

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deixou bem claro: “para os professores o teste se torna a forma mais fácil e confiável de fazer uma avaliação”. Então, como a avaliação se tornou o principal mecanismo da “burocracia escolar”, ligando-se a idéia de currículo e tempo, e de espaço definido para cada saber, entramos nos sistemas de avaliação. Continuando, com as contradições, exemplificaremos dois sistemas que explicam melhor essas avaliações: sistema Seriado e de Ciclos. Em primeiro momento, temos um sistema educacional que preza pela reprovação, e com um tempo definido de um ano para que cada aluno tenha uma aprendizagem mínima, marcada pro notas, de um determinado assunto. Por isso é criticado, o sistema seriado. Chamado de tradicionalista. Entretanto se o professor não aplica uma prova, valendo uma nota e com risco de recuperação, dizem que o processo é para “corrigir fluxo” (BOAS, 2001. p.19). Por que o processo de sistema de ciclos corresponde a não-reprovação, e aumentava o tempo de um ano do sistema seriado, acabando com o mesmo, e com os pré-requisitos para a aprovação que este trazia em sua bagagem., surgindo dessa maneira a chamada progressão Continuada ou Progressão automática, por que não havia a avaliação dos conhecimentos, como no “antigo sistema” e passava-se os aluno mesmo sem entenderem ou aprenderem algum dos conteúdos. E foi pó isso que o sistema de ciclos não deu certo. Como a aluna Sara comentou, dentro da sala de aula, que o motivo do sistema ter dado errado foi porque os professores não entenderam o objetivo real do sistema, que não era para eliminar as provas, e sim para deixar de usá-las como critério de aprovação e passá-las a usar como critério de análise, real, do aluno para ajudá-lo a melhorar. Com esse erro no entendimento, os professores passaram a respeitar demais o tempo de o aluno aprender e esqueceu-se de interferir no processo quando necessário. Por que, como vemos na matéria de Desenvolvimento e Aprendizagem, Vygotsky afirmava que para uma boa realização do processo o professor deve explicar a atividade proposta, juntamente com seus objetivos, e intervir na sua realização quando for necessário, ao processo de desenvolvimento. Querendo ou não, a população pode não entender, mas compreende que algo está errado. Tudo isso surge doas políticas do Estado provedor ou do

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Estado Avaliador. Que usa a avaliação como mecanismo de poder, seletividade

e controle.Pois o estado avaliador, tem como objetivo investir nas pesquisar para juntar grupos com diferentes posições político-pedagógicas, para ter

várias visões sobre o assunto. Ele tenta enxugar os planos para a educação, saúde e as políticas do bem-estar social. Ele é regulado, definindo regras para

o marcado, e os indivíduos tem de dar um jeito para se sustentar nesse mercado criado por ele.

E sobre isso o comentário da sala foi que o Estado avaliador, falha

igualmente à avaliação, pois ele deveria avaliar a sua sociedade, e enxugar as

políticas de acordo com a necessidade da sua comunidade. Mas igual às avaliações ele excluí, seleciona, e continua a projetar uma sociedade, ainda mais capitalista.

Já o Estado Controlador, afirma diretamente as avaliações com resultado,

porque o seu papel é fornecer uma avaliação real da educação no país. Investindo e financiando esses processos de avaliação. Mas como já sabemos, desenvolver processos de medida não quer dizer que desenvolve um processo pedagógico. Olhando por esse lado, sabemos que vem do Estado Controlador

o apoio as políticas de avaliação em larga escala. Que, avalia, dá notas e não cresce em nada, por que não ajuda, não contribui e não aumenta as verbas

para que melhore o ensino. Ele só taxa, com notas baixas ou altas.

O Estado avalia o desempenho da escola com a Provinha Brasil, avalia o

aluno com o Enem, mas nenhum avalia o governo, com os mesmos critérios de avaliações postas aos alunos, por que é dele que vem o suporte para o trabalho do professor e o desenvolvimento e progresso do aluno.

Capítulo 3: A ambigüidade do processo de avaliação escolar da aprendizagem

Um aspecto que é relevante é a atuação docente na sala de aula e o processo de avaliação. Por que é o resultado desse processo, que afirma e/ou determina o fracasso ou sucesso escolar do aluno. Essa avaliação pode se tronar instrumento de exclusão do aluno da sala de aula, ou até de exclusão social. Por que a construção desta, tenta ampliar a eficiência e a eficácia do sistema que se insere por isso a exclusão social.

“A avaliação vai se distanciando do processo ensino/aprendizagem, ressaltando sua função de

controle social mediado pela prática pedagógica. A dimensão ideológica é fundamental neste processo, entendendo-se ideologia como um conjunto

estruturado de representações e normas (

o objetivo de universalizar uma imagem peculiar,

produzindo sua identificação (

(ESTEBAN, 2001.

p.102)

como

)

)”

Isso afirma que a avaliação, aplicada de maneira errada, com está sendo, só propagou a sociedade desigual e sua ideologia, e não avalia ou procura a qualidade escolar universal. E como já falamos, esse é um aspecto relevante da atuação do professor, que acaba por proporcionar dentro do ambiente escolar discriminações escolares, étnicas e raciais, aplicadas pelos alunos de maneira direta e pelos professores de maneira indireta, através até das programações de aula, como as de educação física, que sempre são voltadas para os meninos e as de matérias exatas, que também são sempre voltadas para o publico masculino, por causa da tradicionalidade. Temos também um exemplo bem comum dado pela aluna Juliana, que ao fazer as observações para a disciplina de Projetos Integradores III, notou que a professora brigava com alguns alunos, mais com outros até mais indisciplinados, ela não chamava a atenção, por medo, de uma represália mais tarde.

Só confirma, assim, os tratamentos desiguais, somados ao desinteresse de ambas as partes, ausência de profissionais, que levam ao fracasso escolar, por contribuírem para o desinteresse e para o desestimulo dos alunos. Hoje, ouvimos muitos docentes dizerem que o fracasso escolar vem do aluno, e nos já sabemos que não parte só desses indivíduos. Mas como esses professores avaliariam diferentes, se a avaliação que eles aprenderam, não irá se modificar, por que o currículo também não é modificado. Entretanto há quatro tipos de abordagem que tentam explicar o fracasso escolar. A abordagem biologicista, vem entender o fracasso como sendo natural daquele que o sofre. Existiria, assim, a raça inferior e a superior, hoje dividida em etnias. É como se a criança que nasce na “raça inferior” fosse fisiológica e biologicamente pronta, marcada para o fracasso. Já a abordagem psicológica, liga o fracasso a problemas psicológicos, tendo duas vertentes: a psíquica emocional -, e a cognitiva problemas de déficit intelectual, dislexia, síndromes -; para essa abordagem, todo aluno que não obtém sucesso, deve ter problemas psicológicos. Alguns alunos da sala do terceiro período, observou que essa abordagem dever ser levada em consideração, não em sua totalidade, entretanto, diversos alunos que sofrem com o fracasso escola passou por problemas no âmbito pessoal, no decorre da sua escolarização. Já a Culturalista, os alunos que não possuem capital cultural, ou seja, que não são originários de uma classe dominante é aqueles que sofreram com o fracasso no âmbito educacional. Explica-se, assim, que aquele que tem o déficit cultural, não conseguirá acompanhar a escola, por que essa é instrumento de reprodução da cultura dominante. Até aí, todos os alunos de pedagogia, acharam a visão coerente, até sabermos que essa abordagem culpa o aluno pelo seu déficit cultural, e não culpa a escola por valorizar uma só cultura. É a questão da linguagem cultura x educação, quem não detém a linguagem formal, não detém a cultura e não terá sucesso escolar. Questão da seletividade.

quem não detém a linguagem formal, não detém a cultura e não terá sucesso escolar. Questão
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Fracasso escolar Déficit cultural = Sem capital Culpa do aluno cultural
Fracasso escolar
Déficit cultural
=
Sem capital
Culpa do aluno
cultural

Já a última abordagem é a Antropológica, ela afirma que o fracasso escolar tem origem nas práticas pedagógicas. Diz que a falha está na escola e nas suas práticas, e não só no aluno. Pois o pesquisador passou a entrar no cotidiano das aulas e acompanhar os processos, na prática e observou que existe mecanismos que contribui para esse fracasso. O primeiro mecanismo é o metodológico, que lembra a relação autoritária, onde o p0rofessor manda e o aluno abedesse, e recorda a passividade do aluno e claro os meios de avaliação. O segundo é o ideológico, fala sobre quando se impõe uma ideologia no aluno, negando a que ele carrega em sua história cultural, passando a ter tratamentos discriminatórios com ele, por meio dos relacionamentos. O terceiro mecanismo é o infra-estrutural, que é a falta de tudo na escola, desde os materiais didáticos, passando pela merenda, até a estrutura física. E por ultimo o institucional, que séria a falta de participação dos estudantes e dos pais, nas decisões da escola, criando-se assim um clima ostensivo entre pais e professores, entre comunidade e escola. Ao fim dessa explicação a Prof.ª Suzana Barrios, perguntou se sabíamos qual era a melhor abordagem que explicava esse fracasso, e muitos disseram que nenhuma é completa, côo foi também minha opinião. Pois de analisarmos, cada uma deixa de observar um ponto de maneira coerente. Por exemplo a ultima abordagem, a Antropológica, e seu mecanismo institucional, cobra a participação dos pais e da comunidade nas decisões da escola, mas como cobrar de indivíduos que não tiveram formação escolar nenhuma? Na concepção de cada um, eles não sabem que devem participar dessas decisões. A avaliação vai além do processo ensinar e aprender, ela tem a função de controle social. Tendo assim, três características, que é ser disciplinadora, quando usada para castigar o aluno; terminal, quando é o ultimo estágio da escolarização (primeiro ensina, segundo avalia); e classificatória, quando

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usada, como hoje, para classificar os alunos em bons e ruins, classificando desse modo os que irão fracassar. As escolas se baseiam em dicotomias, do erro e acerto, do conhecimento e da ignorância, do saber e não saber.

“A estreita relação estabelecida entre exame, a qualificação atribuída por seu intermédio e a promoção do/a aluno/a fortalece a competição no interior da vida escolar. A questão fundamental subjacente ao debate sobre avaliação parece ser quem irá adquirir o conhecimento socialmente produzido e valorizado e o que significa possuí-lo (ou não).”(ESTEBAN, 2001. p.104)

No contexto escolar, os professores não valorizam o erro e prezam pelo acerto, mesmo através das promoções (só ganhará isso, se acertar essa questão). O acerto ou o erro indicam os saberes, os caminhos pelo qual o aluno raciocinou, e os processos de aprendizagem usados para entender uma questão. Eles, professores, não levam em conta a riqueza contida em um erro, assim como não observa à contida no acerto. Por tanto deve-se assim, perguntar e prezar pelo porque que ele escreveu ou leu, ou pensou daquela maneira, o que ele quis fazer, o seu raciocínio, e assim, o docente verá a importância do erro, do dicente. E quando este erra, e o professor o faz analisar como ele chegou aquele acerto, ele usa o que chamamos de processo metacognitivo. Contudo, quando isso não é realizado, a exclusão do aluno é feita pela auto- eliminação, que é realizada de maneira Adiada, quando ele não se sente capaz e termina procurando escolas menos valorizadas, ou de maneira Sem Exame, que acontece por causa do medo de uma futura reprovação e o aluno abandona a escola, sem antes passar por exames. Alguns até não abandonam a escola por causa da Esperança Subjetiva, que é quando o aluno tem disposição em relação à escolarização, por isso necessitamos oferecer boas condições, para que esses alunos não se evadam ou sofram com o fracasso escola.

Entretanto, para contraria a visão e afirmar o papel do exame, surge a Pedagogia do Exame que reafirma, como a abordagem Culturalista, que a responsabilidade pelo fracasso é do aluno. Ela aplica testes que se dizem homogêneos, mas faz com que alunos percam, fracassem, e isso é culpa deles. Por que um aluno vai bem e outro não? Essa avalia cão não observa isso, só afirma que aquele se não obteve bons resultados, foi por que não estudou o suficiente. E essa é a culpa da escola, não analisa o porquê do resultado negativo. A exacerbação do exame justifica a técnica para o fracasso, não contemplando o processo de aprendizagem, apenas o resultado, dando ênfase assim na demonstração do que se sabe, do que a ênfase no domínio do conhecimento. Lavando a mais um ponto, para a desvalorização do erro. Que classificado desse modo, e posto-se assim na cultura, continuará a afirmar que o fracasso escolar, é culpa dos indivíduos que fracassam.

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CONCLUSÃO

Para alguns da sala do terceiro período do curso de pedagogia, a dúvida pairou, ao estudar esses textos. Mas a partir do momento que entramos em contato com o livro da Maria Teresa Esteban, passamos a entender e fazer as ligações para o mundo real, com as explicações do Estado Avaliador e Provedor, com os períodos da avaliação, e até mesmo as abordagens para entender o fracasso escolar. Muita coisa precisa ser mudada. Pois a ambigüidade caminha junto ao sistema educacional. Mas o que aprendemos em sala e podemos colocar em prática, é a certeza de que nem tudo está errado. Como por exemplo, a recuperação como meio de castigo, aí sim está errado; mas como oportunidade de mais aprendizagem, quando necessária, não se está por completa errada. Ou como podemos ver ao longo do processo da Sistematização, a avaliação, seletiva, hierarquizada, classificatória, transformada em instrumento de poder e acima de tudo como critério para aprovação, sim, se encontra equivocada. Mas quando usada para detequitar déficits, dificuldades ou quando aplicada por meio dos interesses do aluno, não, ela não está equivocada. E assim como a avaliação, a escola e o sistema educacional não deveriam, mas são os mais responsáveis pelo fracasso escolar, junto à desigualdade social existente, a qual a escola faz questão de ser reprodutora. Cheguei assim, a conclusão de que a educação só deixará de ser excludente, quando a sociedade não for mais desigual e ela passar a aplicar os conceitos de universalização cultural previsto em suas leis.

REFERÊNCIAS

ESTEBAN, Maria T. A ambigüidade do processo de avaliação escolar da aprendizagem. In: ESTEBAN, Maria T. O que sabe quem erra? Reflexões sobre a avaliação e o fracasso escola. Rio de Janeiro: Dp&A, 2001

FREITAS DALBEN, Ângela Imaculada Loureiro de. Das avaliações exigidas às avaliações necessárias. BOAS, Benigna Maria de Freitas V.(org). In: Avaliação:

políticas e práticas. Campinas: Papirus, 2001

SOBRINHO, José Dias. O campo da avaliação: evolução, enfoques, definições. In: SOBRINHO, José Dias. Avaliação: Políticas educacionais e reformas da educação superior. São Paulo: Cortez, 2003

ANEXO

Universidade Federal de Alagoas - Centro de Educação Disciplina: Avaliação Professora: Suzana Barrios

Atividade para ser desenvolvida em grupos de até 04 (quatro) alunas da

turma do 3º. Período de Pedagogia

Leiam a seguinte SITUAÇÃO DE AVALIAÇÃO e façam uma análise crítica,

considerando as discussões anteriores sobre avaliação e fracasso escolar

(avaliação classificatória, papel do exame, papel do erro, desigualdade de

condições de escolarização etc.), bem como as discussões sobre as

políticas de avaliação em larga escala (texto de Ângela Dalben) e sobre os

períodos da avaliação que influenciam a prática avaliativa da professora.

Após essa análise, discutam como vocês agiriam se estivessem na mesma

situação da professora:

“A professora Sílvia ensina no 2º. ano do ensino fundamental de uma

escola pública da periferia de Maceió. Seus alunos, oriundos da comunidade

em que a escola está localizada, vêm de famílias pobres, que trabalham como

serventes, empregadas domésticas, pedreiros, biscateiros, comerciários etc.

Ao iniciar o ano letivo, Sílvia encontrou uma turma bastante

heterogênea: alguns alunos tinham passado pela educação infantil e já

estavam em processo de alfabetização, uns estavam freqüentando a escola

pela primeira vez e outros estavam repetindo a série, alguns inclusive pela

segunda vez.

A escola obteve, como resultado do IDEB (Índice de Desenvolvimento

da Educação), a média 2,7. Esse resultado preocupa não só à professora, mas

à escola como um todo.

A professora percebeu logo de início que muitos alunos não iriam

acompanhar o trabalho. Fez seu planejamento considerando os parâmetros

curriculares propostos nacionalmente e os que o município estabelecia; definiu

os objetivos, os conteúdos, os procedimentos de ensino e de avaliação, bem

como organizou o material.

Durante todo o ano letivo, desenvolveu seu trabalho pedagógico considerando o que havia planejado, pois estava de acordo com os parâmetros para o 2 o ano. No entanto, sentia muitas dificuldades de fazê-lo, pois considerava seus alunos muito fracos: não conseguiam se expressar direito, não se adequavam às atividades escolares, apresentavam muitos erros, não tinham vontade de estudar, não sabiam nem manusear o livro. Com os alunos que já estavam em processo de alfabetização, era mais fácil, eles conseguiam aprender, tinham sucesso nas atividades e, mesmo assim, ela não podia avançar muito porque eles eram muito pobres culturalmente.

Os outros alunos não conseguiam aprender muito; chegaram ao final do ano sem saber ler e escrever, nem fazer as operações de soma e subtração, não sabiam desenhar e pintar de forma organizada como ela ensinava, fora os conteúdos de história, geografia e ciências que ela nem trabalhava muito porque eles não sabiam ler. Nas provas, que ela fazia de acordo com os objetivos que tinha planejado e a partir do que tinha ensinado, esses alunos se saíam muito mal, constatando o que ela já previa: que eles não conseguiam atingir os objetivos. Ela se sentia impotente, não podia fazer muita coisa pois os alunos “não querem nada com a vida e os pais não ajudam em nada” e, além disso, eles não tinham mesmo muitas perspectivas de vida. “Ao final do ano letivo, dos trinta e três alunos, quatro alunos desistiram, oito foram aprovados de início, vinte e cinco foram para a recuperação e, destes, apenas seis seriam aprovados com condições, mas a professora e a escola aprovaram todos.”

Análise Crítica do acontecimento à cima

A partir desta situação avaliativa podemos tomar como base a avaliação e o fracasso escolar que os educadores e o sistema de ensino estão proporcionando para nossos alunos. A professora abordada usou durante o ano letivo, meios que ajudou a avaliar seus alunos. Sua prática avaliativa teve influência do quarto período da avaliação chamado de Realismo, onde a avaliação é realizada para a eficiência procurando apenas melhorar o rendimento escolar. No texto, a professora mesmo percebendo que os seus

alunos não iriam acompanhar o ano letivo realizou seu planejamento de acordo

os parâmetros curriculares propostos nacionalmente, mesmo sabendo que eles

não iriam ter sucesso na aprendizagem, pois sua maior preocupação e da escola era que seu IDEB estava muito baixo. Este período trás essa prática num largo alcance mostrando que as escolas seriam culpáveis pelos baixos rendimentos, sendo assim, independente da situação dos alunos o que as escolas queriam era elevar o rendimento tomando a decisão que foi relatada no texto, onde a professora aprovou todos os alunos mesmo sabendo que eles não tinham condições. Com isso surge a política de avaliação em larga escala que a principio era muito tímida, porem desde 1996 a união faz análise e o controle do sistema educacional, os testes de avaliação para o desempenho dos alunos causando assim muitas críticas entre os professores. Não existe escola sem avaliação e como exemplo, podemos citar: ENEM, ENADE, provinha Brasil, vindo assim com o intuito não de controlar ( mesmo vindo do estado controlador), mas de avaliar para onde será encaminhado os recursos. A escola na qual leciona, tem um histórico relacionado com o fracasso escolar em que vários fatores contribuem para esse problema. Um deles é a desigualdade de escolarização, pois alguns alunos acompanhavam com êxito o seu ensino, já outros eram mais lentos. No entanto, ao invés da docente dar mais atenção a essas crianças, ela usou o método de avaliação classificatória , julgando logo de início que muitos não iriam acompanhar seu trabalho, considerando fracos. Aplicou o método do exame, que vem com o objetivo de ser homogêneo, mais faz com que alunos adquiram esse fracasso escolar. E com a exacerbação do exame, veio a desvalorização do erro, em que professores não enxergam que em cada erro do aluno, há uma quantidade enorme de riquezas. Desse modo, a docente errou nesse aspecto, pois ao perceber que seus alunos não estavam acompanhando o processo, não parou

para interferir e ver a grandeza de cada erro e acerto do aluno, e assim, ajudá-

lo em sua aprendizagem. Pois, para o aluno chegar a um erro ou acerto, ele

raciocinou para isso, e o dever do professor é entender esse raciocínio e ajudar

seu aluno, pois é errando que ele consegue ser corrigido e a organizar a lógica do acerto dentro de sua cabeça. No entanto, a professora não soube lidar com

a realidade do fracasso escolar, a falta de políticas, que infelizmente é presenciada em várias escolas e por conta do sistema, dos docentes

desqualificados e do governo, as crianças, principalmente as das camadas inferiores, são prejudicadas e acabam se acostumando com a falta de direitos que só é visto no papel.

No lugar da professora, usaríamos métodos diferentes de avaliação no processo de ensino daquelas crianças. Ao se deparar com a cultura desvalorizada da camada inferior, daríamos mais atenção a essas crianças, buscando alternativas para melhorar sua aprendizagem, como realizar trabalhos em grupo para interagir com outras crianças, fazer com que façam as tarefas mesmo sabendo que não irá valer nota, tentar reunir os pais para saber um pouco sobre suas vidas, proporcionar aulas mais dinâmicas com a participação de todos, trazer para salas de aula temas atuais que despertem sua atenção, e procurar observar qual a real necessidade desses alunos, para que assim possam compreender o que estar sendo transmitido e obter sucesso em sua vida.