UFAM - UNIVERSIDADE FEDERAL DO AMAZONAS FT – FACULDADE DE TECNOLOGIA FT01 – ENGENHARIA CIVIL

DEPARTAMENTO DE CONSTRUÇÃO FTC115 – MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO I

MANAUS – AM

UFAM - UNIVERSIDADE FEDERAL DO AMAZONAS FT – FACULDADE DE TECNOLOGIA FT01 – ENGENHARIA CIVIL

PEDRO HENRIQUE DA SILVA CRISÓSTOMO 20815029

DEPARTAMENTO DE CONSTRUÇÃO FTC115 – MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO I PEDRAS NATURAIS
Trabalho solicitado pelo Prof° Rui de Sá, ministrante da disciplina FTC-115 Materiais de Construção I, para obtenção de nota parcial para o período 2010/2.

SETEMBRO – 2010

SUMÁRIO

INTRODUÇÃO............................................................................................... 1 ESTUDO DAS PEDRAS NATURAIS.......................................................... 2 1. MINERAIS............................................................................. 2 1.1. Propriedades Físicas dos Minerais.................................. 3 1.1.1. Brilho..................................................................... 3 1.1.2. Cor......................................................................... 4 1.1.3. Traço...................................................................... 4 1.1.4. Clivagem................................................................ 4 1.1.5. Fratura.................................................................... 4 1.1.6. Dureza.................................................................... 4 1.1.7. Tenacidade............................................................. 5 1.1.8. Magnetismo........................................................... 6 1.1.9. Peso Específico...................................................... 6 1.2.Classificação Química dos Minerais................................. 6 1.2.1. Silicatos..................................................................6 1.2.2. Carbonatos............................................................. 7 1.2.3. Sulfatos.................................................................. 7 1.2.4. Halóides................................................................. 7 1.2.5. Óxidos................................................................... 8 1.2.6. Sulfetos.................................................................. 8 1.2.7. Fosfatos.................................................................. 8 1.2.8. Elementos Nativos................................................. 8 2. ROCHAS................................................................................. 9 2.1.Ciclo das Rochas................................................................10 2.2.Petrologia........................................................................... 12 2.3.Classificação das Rochas................................................... 13 2.3.1. Rochas Magmáticas ou Ígneas............................... 13 2.3.2. Rochas Sedimentares............................................. 16 2.3.3. Rochas Metamórficas............................................ 17

3. PEDRAS NATURAIS............................................................ 21 3.1.Resistência Mecânica das Pedras Naturais........................ 21 3.1.1. Resistência à Compressão......................................21 3.1.2. Resistência ao Funcionamento.............................. 22 3.1.3. Resistência a Flexão, Tração e ao Corte................ 22 3.1.4. Resistência ao Desgaste......................................... 22 3.1.5. Resistência ao Esmagamento................................. 23 3.1.6. Resistência ao Choque........................................... 23 3.2.Características Físicas........................................................ 23 3.2.1. Estrutura e textura.................................................. 23 3.2.2. Fratura.................................................................... 24 3.2.3. Homogeneidade..................................................... 24 3.2.4. Dureza.................................................................... 25 3.2.5. Aderência aos ligantes........................................... 26 3.2.6. Densidade.............................................................. 26 3.2.7. Compacidade......................................................... 27 3.2.8. Porosidade..............................................................28 3.2.9. Permeabilidade...................................................... 29 3.2.10. Higroscopicidade................................................... 29 3.2.11. Gelividade.............................................................. 30 3.2.12. Baridade................................................................. 31 3.2.13. Condutibilidade Térmica....................................... 31 3.3.Características Químicas................................................... 31 3.4.Usos e Aplicações das Pedras Naturais............................. 32 3.5.Obtenção de Pedras Naturais............................................. 33 4. PATOLOGIA DAS PEDRAS NATURAIS.......................... 34 4.1.A Ação da Água................................................................ 36 4.2.A Ação do Sais Solúveis....................................................38 4.3.A Ação do Vento............................................................... 39 4.4.A Ação da Temperatura..................................................... 39 4.5.A Ação dos Agentes Biológicos........................................ 40

4.6.A Ação da Poluição Atmosférica...................................... 41 4.7.A Ação do Fogo................................................................ 41 4.8.A Ação Humana................................................................ 42 4.9.Patologia de Pedras Naturais em Revestimento................ 43 5. ROCHAS ORNAMENTAIS.................................................. 46 CONCLUSÃO................................................................................................. 49 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS........................................................... 50

................. 14 TABELA 3: Rochas Ígneas mais comuns........ 17 FIGURA 6: Maciço de rochas metamórficas deformadas................ 44 FIGURA 9: Evidências dos Pontos de Cola................................................. 26 TABELA 6: Densidade aparente de algumas rochas................. mostrando as estalagmites e estalactites..................... a densidade e a resistência à compressão das pedras calcárias............................. 3 FIGURA 3: Ciclo da Rocha ou Ciclo Litológico................... 15 FIGURA 5: Aspecto de uma gruta numa formação calcária.......................................................................................................... 15 TABELA 4: Rochas Metamórficas comuns........................ 5 TABELA 2: Composição química das rochas Ígneas mais comuns... 46 TABELA 9: Matérias primas minerais utilizadas na construção de uma casa........................................................................................................................................... 28 TABELA 8: Modo de comercialização das rochas Ornamentais calcárias.............................................................................................. 2 FIGURA 2: Amostra de alguns minerais............................................. 27 TABELA 7: Relação entre a dureza............. 20 FIGURA 7: Esquema de Extração à Britagem de Pedras Naturais........................................ 10 FIGURA 4: Formação característica dos maciços graníticos (Serra da Estrela)....................... 19 TABELA 5: Escala EPC – e a correspondente classificação dos calcários........... 33 FIGURA 8: Evidências do estado da cola no suporte depois de retirada das placas de pedra natural que mostravam colagem deficiente..... 45 LISTA DE TABELAS TABELA 1: Escala de Dureza de Mohs..............LISTA DE FIGURAS FIGURA 1: Estrutura cristalina de um cristal de sal (NaCl).................................................. 48 .............................

Por se tratar de um tema primordial. há predominância de Arenito. Engenharia Civil e outras. na sua forma natural (pedra britada. trabalha-se com uma grande variedade de tipos rochosos. como a Geologia. na Engenharia. As rochas. feldspato e mica. muitas vezes catastróficos. tornam-se importantes por serem a fundamental fonte de nutrientes para as plantas. O último tópico tratar-se-á das Pedras Ornamentais e suas reais funções para a Engenharia Civil. e os minerais da rocha. sempre foram material de estudo de diversas áreas. como escorregamentos. galerias. textura. Para uma melhor compreensão do tema em questão. Nestas obras. Geografia. Química. cada tipo tem características intrínsecas (mineralogia. formadoras em essência da crosta terrestre. dividiu-se o trabalho em cinco partes principais. Entretanto. devido a rocha ser o material de origem da maioria dos solos (sedimentares). etc. focar-se-á as Pedras Naturais. assoreamento e outros. Sabe-se que as rochas constituem os elementos onde são instaladas as obras de engenharia (fundações. erosão. pontes. teremos uma breve explanação sobre os minerais e suas propriedades. exige que alguns conceitos relativos a sua resistência sejam dados. O terceiro tópico será norteado pela temática das Pedras Naturais e suas características. etc. que é uma rocha formada por quartzo. estrutura. são ainda utilizados como material de construção. cuja utilização em obras. resultando na melhoria da qualidade final do trabalho realizado. Já o famoso Granito. será abordada com exclusividade no quarto capítulo deste trabalho. o assunto predominante serão as rochas e sua classificação. a Patologia das Pedras Naturais. Rochas também são os materiais envolvidos em fenômenos naturais. especialmente como agregado do concreto. beneficiada (rochas para revestimento) ou. Assim. é composto pelos minerais de quartzo. No segundo capítulo. industrializada (cimento).) ou mineiras.) que devem ser conhecidas para que as obras sejam planejadas e executadas com menor custo e maior segurança.INTRODUÇÃO Estudar as Rochas sempre foi valorizado. Paleontologia. Por exemplo. No primeiro tópico. saibro). a diferenciação está na aplicação. na região amazônica. Neste trabalho. 1 . ainda. Todavia. túneis.

Um ou mais elementos químicos podem constituir os minerais. Minerais não amorfos ocorrem como cristais. pela recristalização em estado sólido ou. consequentemente. Fonte: Wikipédia. A cristalização se dá quando os átomos. propriedades físicas distintas. limitados por faces. carbono. por exemplo. Este último forma dois polimorfos. além da forma externa do cristal. são atraídos por forças eletrostáticas e distribuídos ordenadamente no espaço. os minerais se formam por cristalização. arranjadas de maneira regular e relacionadas com a orientação da estrutura atômica. que são corpos com forma geométrica. etc. Alguns minerais são amorfos – não tem forma própria – por não apresentarem estrutura interna definida. como produto de reações químicas entre sólidos e líquidos. MINERAIS Mineral é uma substância sólida natural. íons ou grupos iônicos. Os minerais formados por um só elemento são menos comuns e pertencem à classe dos elementos nativos. Figura 1: Estrutura cristalina de um cristal de sal (NaCl). em proporções definidas. ouro. Na natureza. determinada pela disposição dos átomos na estrutura do mineral. mas com estrutura cristalina e. como. cobre. 2 . a clivagem. a partir de líquidos magmáticos ou soluções termais.ESTUDO DAS PEDRAS NATURAIS 1. ainda. outras propriedades físicas como a dureza. que possui composição química definida e estrutura atômica característica. A menor unidade desta rede tridimensional. minerais de mesma composição química. o diamante e a grafita. enxofre. é conhecida como cela unitária (retículo cristalino) e pode condicionar. inorgânica e homogênea. etc.

fosco. vítreo. geralmente a maioria dos compostos orgânicos é excluída. que formam uma série isomórfica onde a variação do conteúdo de Sódio e Cloro na estrutura cristalina determina uma variação de espécies minerais. ao refletir a luz incidente. os minerais são compostos químicos resultantes da associação de átomos de dois ou mais elementos. o gás natural e outros compostos orgânicos formados em ambientes geológicos sejam minerais. Muitas vezes. quais sejam: 1. úteis para sua determinação macroscópica. mesmo que idênticas em composição e estrutura a algum mineral. sedoso. em estado puro ou quase puro. adamantino. fenômeno apresentado por substâncias que possuem estrutura cristalina semelhante e composição química distinta. perláceo. É o caso dos plagioclásios. Os minerais variam na sua composição desde elementos químicos. Embora em sentido estrito o petróleo. exibem isomorfismo. Brilho Aspecto apresentado pela superfície de fratura recente do mineral. e sais simples a silicatos complexos com milhares de formas conhecidas.1. 3 . etc.Em sua grande maioria. oconcreto eos diamantes artificiais).1. O brilho pode ser metálico. por exemplo. produzidas pela atividade humana (como. Também são excluídas as substâncias. resinoso ou graxo. Propriedades Físicas dos Minerais A estrutura cristalina e a composição química dos minerais são responsáveis por diversas propriedades físicas dos minerais. Figura 2: Amostra de alguns minerais Fonte: USGS 1.1. contudo. O estudo dos minerais constitui o objeto da mineralogia.

1. citrino (amarelo-queimado). que consta dos seguintes minerais de referência (ordenados por dureza crescente): 4 . Nos minerais opacos de brilho metálico (óxidos e sulfetos). correspondendo as variedades denominadas ametista (lilás).1.3. A determinação desta propriedade é referida a uma escala padrão de dez minerais. no geral. 1. 1. como. podendo ser do tipo irregular ou concóide. Dureza Resistência do mineral de ao risco ou abrasão. O tipo da estrutura cristalina determina a presença ou ausência de plano de clivagem. paralela a uma face real ou possível do cristal.2. É qualificada como perfeita. Clivagem Superfície de fratura plana.1. Cor Está relacionada com defeitos estruturais. 1. boa. Traço É a cor do pó mineral que se observa quando este risca uma superfície áspera de porcelana branca e dura. independente do plano de clivagem. esta é uma das propriedades diagnósticas para a identificação da espécie.6.1. esta última igual a do vidro.1. por exemplo. é variável para um mesmo mineral. composição química ou impurezas contidas no mineral.5.1. 1. distinta e imperfeita. Fratura Superfície de quebra do mineral. conhecida como escala de Mohs. etc. O quartzo pode apresentar ampla variação de cores. segundo uma ou mais direções. Pode ser característica de um determinado mineral. Mas. a cor amarelolatão da pirita.4. É medida pela resistência que a superfície do mineral oferece ao risco por outro mineral ou por outra substância qualquer.

voltar à sua forma original. por exemplo. mas tenacidade relativamente baixa. etc. os feldspatos e a calcita são quebradiços.7. Maleável – o mineral. ao corte. voltando à sua forma original quando o forçamento cessa. utilizando uma linguagem padronizada:       Quebradiço ou frágil – o mineral parte-se ou é pulverizado com facilidade. A tenacidade não reflete necessariamente a dureza. por impacto. Séctil – o mineral pode ser cortado por uma lâmina de aço. possui dureza muito elevada (é o termo mais alto da escala de Mohs). Tenacidade Resistência que os minerais oferecemà flexão. o gipso e a serpentina são sécteis. O talco. Elástico – o mineral pode ser curvado. A tenacidade dos minerais é expressa em termos qualitativos. no entanto. Dúctil – o mineral pode ser estirado para formar fios.1. Os minerais do grupo das Micas são flexíveis e elásticos. 5 . Flexível – o mineral pode ser curvado sem. antes sendo dela geralmente independente: o diamante.Escala de Dureza 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 MineraisPadrão Talco Gipsita Calcita Fluorita Apatita Ortoclase Quartzo Topázio Corindo Diamante ReferênciasRelativas Riscam-se com a unha Risca-se com objeto de cobre Riscam-se com o canivete ou com o canto do vidro Risca o vidro com dificuldade Riscam o vidro Riscam o vidro com facilidade Tipos de Minerais Moles Semiduros Duros Tabela 1: Escala de Dureza de Mohs Fonte: ABGE 1. ao esmagamento. O quartzo. pode ser transformado em lâminas. já que quebra facilmente se submetido a um impacto.

sendo assim calculado: O valor é constante para cada espécie.1. Os que são fortemente atraídos pelo ímã são chamados ferromagnéticos. Os exemplos mais comuns são a pirrotite e outros com elevado teor de metais que podem ser magnetizados após aquecimento. as piroxenas.1.1. são denominados pesados.9. as granadas e as micas. normalmente. têm peso específico entre 2 e 4. Magnetismo Os minerais que contém o elemento ferro são afetados pelo campo magnético. como é o caso da magnetita (Fe3O4). o ferro e o cálcio. Os diamagnéticos são repelidos e os paramagnéticos são atraídos pelo ímã. como o manganês. 1.1. 1. as olivinas. Os minerais. Classificação Química dos Minerais Os minerais podem ser classificados de acordo com sua composição química e são listados abaixo na ordem aproximada de abundância na crosta terrestre. 6 .2. sendo compostos principalmente por silício e oxigênio. Quando acima de 4. Silicatos O grupo dos silicatos é de longe o maior grupo de minerais. pois tem relação com a composição e a estrutura cristalina. Peso Específico Corresponde ao peso do material em relação ao peso de igual volume de água.2.8. o níquel e o titânio. com a adição de cátions como o magnésio. 1. Alguns dos mais importantes silicatos constituintes de rochas comuns são o feldspato. o quartzo.

Os sulfatos formam-se geralmente em ambientes evaporíticos. por exemplo. como. com águas límpidas e quentes.2. sulfetos. a dolomita (carbonato de magnésio e cálcio) e a siderita (carbonato de ferro).2. como os sulfatos. Sulfatos Todos os sulfatos contêm o ânion sulfato na forma SO4. Os halóides. cloretos e iodetos. A classe dos carbonatos inclui ainda os minerais de boratos e nitratos. Utah) e em ambientes de karst. a celestita (sulfato de estrôncio) e o gesso (sulfato hidratado de cálcio). por exemplo. em mares tropicais e subtropicais. 1. Os carbonatos são geralmente depositados em ambientes marinhos pouco profundos. teluratos e tungstatos.e inclui a calcite e a aragonita (carbonatos de cálcio). 7 .2. isto é regiões onde a dissolução e a precipitação dos carbonatos conduziu à formação de cavernas com estalactites e estalagmites.3. Os carbonatos encontram-se também em rochas formadas por evaporação de águas pouco profundas (os evaporitos.4. onde águas de alta salinidade são lentamente evaporadas. molibdatos. são encontrados geralmente em ambientes evaporíticos. Os sulfatos mais comuns são a anidrita (sulfato de cálcio). Carbonatos O grupo dos carbonatos é composto de minerais contendo o ânion (CO3)2. como. 1.1.2. tais como lagos do tipo praia e mares fechados (por exemplo nas margens do Mar Morto). a halite (sal comum) e o sal amoníaco (cloreto de amônia). incluindo a fluorite. os existentes no Great Salt Lake. permitindo a formação de sulfatos e de halóides na interface entre a água e o sedimento. Nesta classe incluem-se também os minerais de cromatos. Também ocorrem em sistemas de veios hidrotermais sob a forma de minerais constituintes da ganga associada a minérios de sulfetos. selenatos. Inclui os minerais de fluoretos. Halóides O grupo dos halóides é constituído pelos minerais que formam os sais naturais.

Ocorrem geralmente como precipitados em depósitos sitos próximo da superfície. O fosfato mais comum é a apatite. os bismutinetos e ainda os sulfossais. grafite e enxofre). fosfinos (hidretos de fósforo). São também incluídos nesta classe os minerais de hidróxidos. como o electrum (uma liga natural de ouro e prata). Esta classe inclui os minerais de fosfatos. como produtos de oxidação de outros minerais situados na zona de alteração cerca da superfície ou ainda como minerais acessórios das rochas ígneas da crusta e do manto. 1. Óxidos Os óxidos constituem um dos grupos mais importantes de minerais por formarem minérios dos quais podem ser extraídos metais. Sulfetos Muitos sulfetos são também economicamente importantes como minérios metálicos.7.2. antimonetos. semi-metais e não-metais (antimônio. ou seja óxido de hidrogênio).6. Fosfatos O grupo dos fosfatos inclui todos os minerais com uma unidade tetraédrica de AO4 onde A pode ser fósforo. arsênio ou vanádio. a qual constitui um importante mineral biológico. Este grupo inclui também ligas naturais. Elementos Nativos O grupo dos elementos nativos inclui os metais e amálgamas intermetálicas (como as de ouro. nitritos e carbetos (que geralmente são só encontrados em alguns raros meteoritos).5. 1. antimônio. incluindo-se entre os mais comuns a calcopirita (sulfeto de cobre e ferro) e a galena (sulfeto de chumbo).8.1. um componente comum do manto) e o gelo (de água. teluretos. arsenietos. arseniatos e antimonatos. A classe dos sulfetos também inclui os minerais de selenetos. vanadatos. 1.2. prata e cobre). Os óxidos mais comuns incluem a hematite (óxido de ferro). a espinela (óxido de alumínio e magnésio. encontrado nos dentes e nos ossos de muitos animais. 8 .2.2. bismuto.

já a crosta oceânica é composto predominantemente de rochas de natureza basáltica. em média. À medida que se dá a fusão das rochas preexistentes. sedimentares e metamórficas. Uma mudança nas condições do ambiente. 9 . com o decorrer do tempo geológico. Também podem ser corpos de material mineral nãocristalino. é de 35 km nas regiões continentais. Por exemplo. mediante as novas condições. As rochas são estáveis no seu ambiente e refletem as características termodinâmicas do mesmo. As rochas geradas num determinado ambiente geológico são estáveis enquanto permanecem nesse mesmo ambiente. evidenciando o caráter cíclico e dinâmico da formação das rochas. Podemos dizer que as rochas dependem umas das outras e que.2. A parte da crosta continental da litosfera é constituída predominantemente de rochas graníticas ricas em Si e Al. podem ser sujeitas a novas condições termodinâmicas. arranjados segundo as condições de temperatura e pressão existentes durante sua formação. deixam de ser estáveis. mais ou menos lentas. de modo a que as rochas se adaptem e fiquem estáveis nessas condições. As principais alterações são as da sua textura e a criação de novos minerais de acordo com onovo ambiente. ficam instáveis e tendem a adaptar-se aos novos parâmetros de pressão e temperatura. dando origem a outros minerais que vão participar na formação de rochas sedimentares. alteram-se quando chegam à superfície. dando lugar ao diferentes tipos litológicos1 ou petrográficos. ricas em Si e Mg. resultante de um processo geológico determinado. alcançando até 60 km nas regiões de montanhosas. Estas rochas. de acordo com seu modo de formação. também. como mostrado na figura 3. originando rochas metamórficas e mesmo magmáticas quando há fusão do material. como o carvão. constituem três grandes grupos: ígneas. a partir da destruição de outros que. ROCHAS Rocha é um corpo sólido natural. muitos dos minerais das rochas que se formam em zonas profundas da litosfera. sua espessura varia entre 10 km e 13 km nas regiões oceânicas e. formado por agregados de um ou mais minerais. ao longo do tempo se transformam umas nas outras. Uma vez sujeitas a outro ambiente. induzem a transformações. todos os seus componentes minerais são 1 A Litosfera é uma camada formada essencialmente de rochas. como o vidro vulcânico (obsidiana) e materiais sólidos orgânicos. As rochas.Estes grupos rochosos se inter-relacionam. cada qual com características peculiares.

1. cristais de novos minerais desenvolvem-se e formam novas rochas magmáticas. sob a forma de uma elevada cordilheira montanhosa à medida que uma secção da crosta terrestre se torna enrugada e deformada. 10 .destruídos e os seus elementos químicos são homogeneizados nos líquidos resultantes. Figura 3: Ciclo da Rocha ou Ciclo Litológico Fonte: Baseada na teoria deste trabalho. Ciclo das Rochas As rochas ígneas que se formam nas fronteiras de placas em colisão. 2. A este processo que começa com a colisão das placas e termina com a formação de montanhas chamamos de orogenia. Quando o magma se resfria. então. juntamente com rochas sedimentares e metamórficas associadas ascendem.

silte e outros sedimentos formados de material dissolvido. Qualquer tipo de rocha (metamórfica. A rocha ígnea. está sempre a operar a diferentes fases e em diferentes partes do Mundo. Estes sedimentos depositados no oceano. Algumas substâncias. formando e erodindo montanhas num lugar e depositando e afundando os sedimentos erodidos em outro lugar. começam a transformar-se em novos minerais mais estáveis àquelas condições de temperatura e pressão mais elevadas. criando material solto que a erosão retira. como os minerais de argila. por fim. pode dar-se a fusão das rochas e formação de um novo magma a partir do qual novas rochas ígneas irão cristalizar recomeçando o ciclo novamente. longe do seu local de nascimento. Continuando com o aquecimento. ser meteorizada e erodida. Muitos dos detritos rochosos são transportados por cursos de água até aos rios e. Este é o processo de metamorfismo. no interior quente da Terra. como os feldspatos. A meteorização da rocha ígnea produz fragmentos rochosos de variados tamanhos e tipos que são levados pela erosão. tal como o carbonato de cálcio das conchas. meteorizam gradualmente (essa meteorização é um processo natural de decomposição ou desintegração de rochas e solos. Os minerais de alta temperatura. ela torna-se mais quente. formando novos sedimentos. são enterrados debaixo de sucessivas camadas de sedimento onde gradualmente se litificam em rocha sedimentar. sedimentar ou ígnea) poder sofrer levantamento durante uma orogenia. os minerais presentes na rocha. por ação dos efeitos químicos. podem “enferrujar” formando óxidos de ferro. o qual transforma as anteriores rochas sedimentares em rochas metamórficas. podem transformar-se em minerais de baixa temperatura. expondo a rocha ígnea à superfície. O ciclo litológico é eterno. tal como as piroxenas. físicos e biológicos que resultam da sua exposição ao ambiente). as rochas da crosta sobrejacentes às rochas ígneas que sofreram ascensão. Quando a rocha sedimentar litificada afunda cada vez mais na crosta. onde se depositam formando estratos de areia. As rochas que constituem a Terra sólida são continuamente recicladas.A seguir à elevação. tal como aqueles depositados pela água ou pelo vento nos continentes. agora num ambiente mais frio e úmido. Os minerais de ferro. também meteoriza e alguns dos seus minerais também experimentam mudanças químicas. até aos oceanos. e seus minerais constituintes. ainda sólida. podem dissolver-se completamente à medida que a chuva se precipita sobre elas. por exemplo. Quando a profundidade exceder os dez quilômetros e a temperatura exceder os 300ºC. 11 .

Prospecção de Recursos Minerais. nos forçando a deduzir a reciclagem da crosta profunda e do manto através de provas indiretas e suposições.Petrogênese. estrutura e conteúdo mineralógico. estratificação. visto que os processos físico-químicos 12 . No estudo das rochas uma habilidade é absolutamente essencial: a cuidadosa observação do detalhe. a palavra textura refere-se ao grau de cristalização. no campo. Mesmo assim. exige um esforço concentrado e prática contínua até que se torne hábito. não obstante a diversidade de suas metas. Assim o estudo de qualquer rocha começa no local onde ela é coletada. Assim. 2. Estes aspectos texturais dão informações importantes sobre as condições de formação das rochas. Vulcanologia. Petrologia Petrologia é o estudo sistemático das rochas. Igualmente devem ser observados e considerados. o termo estrutura refere-se aos aspectos de grande escala identificados no campo. Em geral. ao tamanho dos grãos ou granulação e às relações recíprocas entre os constituintes das rochas. Os afloramentos e outras exposições de rochas revelam dados muito importantes e que não podem ser obtidos através do simples exame de amostras isoladas. Qualquer profissional que se dedique a um dos ramos da Geociências.e procura explicar a sua origem e transformações posteriores a sua formação . básica de qualquer ciência natural. começa suas investigações com o arcabouço rochoso da Terra. Estes dados estão relacionados a feições estruturais tais como: juntas. o conhecimento das rochas constitui o núcleo de cada problema geológico e proporciona um ponto de encontro aos vários ramos da Geologia. tais como a disposição em camadas. os efeitos do intemperismo e outros agentes de transformação das rochas. Para o estudo e reconhecimento das rochas três parâmetros são de fundamental importância: textura. Ela inclui a descrição e identificação das rochas . A Petrologia é uma ciência auxiliar da Geologia e está intimamente ligada a Mineralogia e a Geoquímica. abordando problemas de Estratigrafia. Tectônica. Por outro lado.mas podemos ver apenas as fases superficiais do ciclo. não se adquire rápida e facilmente. xistosidade e outras estruturas planares e lineares.Petrografia . Esta ferramenta. nunca se está livre do perigo de passar por cima de um ponto significativo. pois dão detalhes que um material inalterado nem sempre consegue fornecer. Paleontologia.2.

permite delimitar unidades rochosas espacialmente homogêneas do ponto de vista geotécnico. arranjo textural e granulometria. originam-se em condições de pressão e temperatura limitadas. IAEG (1981) propôs os principais critérios utilizados na descrição e classificação de rochas para fins de Engenharia. cada qual com maior importância relativa conforme o tipo de rocha. Sua classificação petrográfica (usualmente determinada em estudos microscópicos) é obtida com base na mineralogia.envolvidos imprimem nos minerais. com origem aprofundidades até 200 km no interior da Terra. 2. atualmente exibidas pela rocha. todos confinados no magma pela pressãodas rochas confinantes. sabe-se que muitos deles. envolvendo forma de ocorrência.3. As modificações demoram geralmente períodos de tempo que ultrapassam na maior parte doscasos a escala humana de tempo. Classificação das Rochas Ao estudar as características dos três tipos de rochas é importante ter sempre em consideração ociclo das rochas. compõe-se de elementos encontrados nos minerais dotipo silicatos e de alguns gases.3. Esta rocha fundida. O conteúdo mineralógico também é respeitável. 2. Como a massa magmática é menos densa que os maciços de rochascircundantesforça o seu movimento em direção à superfície podendo escapar-se de modo 13 . a determinação da natureza das rochas é feita através das observações realizadas nos trabalhos de campo. refletem os efeitos combinados da sua origem e subseqüente história evolutiva. O conjunto destes parâmetros define o comportamento mecânico das rochas. Estas podem parecer que são grandes massas imutáveis quando na realidade não osão. sobretudo vapor de água. Seu conhecimento. determinando assim o ambiente de formação das rochas. que inclui os processos de alteração. aliado aos resultados de ensaios mecânicos. porque além do fato de permitir classificar a rocha em função dos seus minerais. o modo pelo qual eles agem. estruturas. Rochas Magmáticas ou Ígneas As rochas ígneas formam-se quando o magma arrefece e cristaliza. tipos rochosos associados e outros.1. Em suma. Deve-se ressaltar que os critérios propostos se baseiam no princípio de que as propriedades físicas.

aerupção pode gerar o derrame de grandes quantidades de lava. 2006. mas sem a maior parte dos componentes gasosos. Tabela 2: Composição química das rochas Ígneas mais comuns Fonte: ZEFERINO. das quais o granito é o exemplo mais abundante. MARTINS. cuja composição é semelhante à domagma. A rocha resultante da solidificação da lava é classificada como extrusiva ou vulcânica. as rochas resultantes designam-se por hipoabissais (exemplo do dolerito). A velocidade do arrefecimento do magma vai originar cristais de diferentes tamanhos. originando explosões por vezes muito violentas. Quando o arrefecimento é extremamente rápido não há formaçãode cristais formando-se uma matéria sólida sem estrutura cristalina (matéria amorfa). As rochas ígneas produzidas deste modo são chamadas intrusivas ou plutônicas. produzindo uma erupção vulcânica. Artur. Materiais de Construção I – Pedras Naturais. e só aparecem à superfície após a atuação de movimentos tectônicos e a ação de processos de erosão das camadas derochas superiores. Umarrefecimento lento produz cristais de grandes dimensões enquanto que um arrefecimento rápido iráoriginar uma massa rochosa formada por cristais de pequenas dimensões. Acompanhando a projeção de blocos rochosos.formando filões. sendo o basaltoo exemplo mais conhecido. Quando a solidificação do magma se verifica em profundidades intermédias. num processo bastante mais lento formando uma massa sólida decristais imbricados entre si. 14 . 4ª Edição. João Guerra. O material expelido durante uma erupção vulcânica pode ser acompanhado pela libertação de gases devido à diminuição de pressão à superfície.violento. por vezes impossíveis deobservar sem meios de ampliação. Quando o magma não alcança a superfície pode eventualmente solidificare cristalizar em profundidade.

pedras para muros e meio-fios. paralelepípedos e pedras irregulares para pavimentação. Fonte: Internet 15 . Uma delas é a utilização do Granito e do Basalto na Construção Civil .Grandes blocos para pedestal de monumentos. etc. brita para concreto. lavabos.As Rochas Ígneas possuem diversas aplicações. Tabela 3: Rochas Ígneas mais comuns Fonte: ABGE Figura 4: Formação característica dos maciços graníticos (Serra da Estrela). placa polidas para revestimento de paredes. pias.

É composta essencialmente pelo mineralcalcite e pode ser formada por processos tanto inorgânicos como orgânicos.2. Os geólogos estimam que as rochas sedimentares constituem apenas 5% dacamada exterior de 16 km de espessura da Terra. O petróleo e o gás natural são tambémencontrados em associação com outras rochas sedimentares tais como.Quando poucos cimentados ou trabalhados por agentes geológicos. A maioria de formações rochosas àsuperfície são de natureza sedimentar (cerca de 75%) o que está relacionado com o fato dos sedimentos se acumularem à superfície da terra. O segundo grande grupode origem dos sedimentos corresponde aos materiais produzidos por precipitação química. as rochas sedimentares podem dar origem a 16 . Rochas Sedimentares Os materiais resultantes dos processos erosivos constituem a base para a formação das rochassedimentares. A palavra sedimentar ilustra a natureza destas rochas uma vez que significa oresultado do processo de deposição dos sedimentos em suspensão ou transportados por um fluido. normalmente a água. é classificado como uma rocha sedimentar.3. Os materiais que se acumulam como sedimentos têm duas origens principais. sendo estes últimos osmais comuns. o sal-gema. As rochas sedimentares são neste caso chamadas de detríticas. porexemplo. calçadas. Ex: arenito de Botucatu. O carvão. por exemplo. meios fios. São as chamadas rochas sedimentares químicas. de origeminorgânica ou orgânica.É de referir que muitas rochas sedimentares têm uma grande importância econômica. No entanto a importância deste grupo de rochas émuito maior do que aquela que esta percentagem poderia indicar. Os sedimentos podemser acumulações de materiais resultantes dos processos erosivos e transportados na forma departículas. O calcário é a rocha sedimentar química mais comum. A origem orgânica da maior parte dos calcários pode não ser tão evidente porque amaior parte das conchas sofre processos consideráveis de transformação antes de se constituíremem rochas. Como as rochas sedimentares têm a sua origem na deposição sucessiva de camadas horizontais desedimentos apresentam-se normalmente em estratos cuja inclinação varia consoante a ação de movimentos tectônicos ao longo da vida geológica das formações.2. As rochas sedimentares bem cimentadas podem se constituir em bom material para blocos de fundação e de alvenaria. etc.

Mesmo o interior estável continental. pressão e fluidos quimicamente ativos. tem como base rochas metamórficas. O metamorfismo pode ocorrer com um grau de baixa intensidadefazendo com que por vezes seja difícil distinguir a rocha original da final.pt/index. http://domingos.3. com imensa utilização na construção civil. sedimentar ou mesmo metamórfica. Os agentes de transformação ou demetamorfismo incluem o calor.home. Figura 5: Aspecto de uma gruta numa formação calcária. na fabricação de tijolos e cerâmicas.depósitos de areias e pedregulhos ou de lamitos. os primeiros no concreto e os últimos. Fonte: Terra planeta “vivo”.geralmente coberto por rochas sedimentares. Outras formações de rochas metamórficas constituemuma parte importante de muitas cadeias de montanhas. partessignificativas da crusta terrestre são compostas por rochas metamórficas associadas com rochasígneas. que podeser ígnea.html. De fato. características estruturais tais como planos de estratificação. que produzem modificaçõesde textura e composição mineral.sapo. Noutros casos atransformação é tão intensa que não é possível identificar a rocha de origem. principal formação dos granitos).3. No metamorfismo degrau elevado. 17 . O metamorfismo (mudança de forma) constitui a transformação de uma rocha preexistente. mostrando as estalagmites e estalactites. 2. Rochas Metamórficas Grandes áreas de rochas metamórficas estão expostas em todos os continentes em regiõesrelativamente planas conhecidas por escudos. Em todas estasformações as rochas metamórficas apresentam-se geralmente muito deformadas e com penetraçãode grandes massas ígneas (exemplo dos batólitos.

A formação de rochasmetamórficas ocorre em zonas completamente inacessíveis ao contrário de muitas rochassedimentares e algumas ígneas. que poderiam existir na rocha original são completamente destruídas. O metamorfismo pode ser de três tipos: o metamorfismo regional ocorre na formação de cadeias demontanhas quando grandes quantidades de rochas são submetidas a tensões de elevada intensidadee altas temperaturas associadas com os grandes níveis de deformação. em zonas de falhas. finalmente ometamorfismo dinâmico ou cataclástico ocorre quando a rocha é submetida pressões muito elevadase bruscas como. É importantereferir que durante os processos de metamorfismo de grau elevado a rocha mantém-se sempre noestado sólido porque uma vez atingida a fusão desta entra-se num processo de natureza ígnea.  correspondentes a sucessivos graus crescentes de metamorfismo (InstitutoGeológico e Mineiro). onde as altastemperaturas são a causa primária das transformações das rochas encaixantes. Quando as rochas são submetidas a ações intensas de calor e pressão direcional comportam-se demodo plástico donde resultam dobras por vezes de aspecto intrincado. Sequência Argilosa . A rocha começa então a sofrer transformações até atingirum estado de equilíbrio com o novo ambiente. gabros. Considera-se como sequência metamórfica o conjunto de rochas derivadas de mesmo tipo derocha original.Originada a partir de argilitos ou de siltitos é representada pela sucessão: ARDÓSIA  FILÁDIOS MICAXISTOS GNAISSES Sequência Básica .fósseis e espaços vaziosvesiculares.Originada a partir de basaltos. por exemplo. o metamorfismo de contatosucede quando a rocha fica perto ou em contacto com uma massa de magma. O processo de metamorfismo inicia-se quando uma rocha é submetida a condições diferentesdaquelas em que se formou originalmente. Estas modificações ocorrem a profundidades a partir de alguns quilômetros até próximo da fronteira entre a crusta e o manto. donde resulta o seu estudo ser mais difícil. É representada pela sucessão: XISTOS VERDES ANFIBOLITOS 18 . etc.

as rochas xistosas não são apropriadas para material de brita. Revestimento de pisos e paredes – o mármore. o mármore (dureza 2) em pouco tempo estará totalmente riscado pelos fragmentos de areia (dureza 7). Pedra britada – aproveitam-se os gnaisses. quartzitos e os mármores.Com inicio nos calcários. por sua beleza quando polido e pelo seu preço acessível é sempre bastante requisitado. é representada por: ANTRACITE GRAFITE Tabela 4: Rochas Metamórficas comuns Fonte: ABGE A utilização de rochas metamórficas na Construção Civil dependerá de sua composição mineralógica e grau de metamorfismo. Devido a tendência de formar fragmentos lamelares. CALCÁRIOS MÁRMORES Sequência Carbonácea .Originada a partir de rochas graníticas e riolíticas. Sequência Quartzo-feldspática .Desenvolvida a partir de carvões fósseis. Os engenheiros devem estar atentos para o fato de que. mostra os seguintes termos: GNAISSES MIGMATITOS   Sequência Carbonatada . seja para concreto. combinado com a imensa variedade 19 . A presença de micas na grande maioria das rochas metamórficas confere-lhes um brilho de grande beleza que. seja para asfalto. em pisos de prédios públicos. evolui para mármores.

20 .de cores e a facilidade com que desagregam em plaquetas. fazem delas requisitados materiais de revestimento de fachadas e paredes internas. Fonte: (ISRM). Coberturas – a facilidade de separarem-se em placas confere às ardósias a possibilidade de serem utilizadas como telhas ou como lajotas de revestimento de calçadas. Figura 6: Maciço de rochas metamórficas deformadas.

Assume o seu conhecimento particular importância. Na verdade. a mais importante. 3. ouque se desejam. as pedras apresentamcaracterísticas bem diferentes que permitem a sua distinção e determinam a sua posteriorutilização em obra. Abordam-seseguidamente estas características particularizando o seu estudo em certos casos de maiorinteresse. podendo atingir o valor de 10. de resistir a compressão e ao desgaste. PEDRAS NATURAIS Dada a sua origem e o modo de formação bastante diverso. quer para uma correta seleção nas suas utilizações.3.1.1. que quanto mais geladiça 2 for a pedra menor é aresistência. Resistência à Compressão É. nos calcários. passando-se a expor apenas as mais significativas. o papel dapedra na construção é. Resistência Mecânica das Pedras Naturais As propriedades de resistência a f1exão. Muito embora a aplicação das pedras naturaisser cada vez mais ornamental. 2 Diz-se da pedra. ao corte e à tração para uma pedra têm poucaimportância e consideram-se geralmente nulas. Assim.1. Caso dos calcários. embora muitas sejam as propriedades que as pedras naturais possuem.Também esta resistência depende do grau de umidade.Em regra. pelo que outras características vão sobressaindo. 1913] 21 .(De gelar)[Dicionário Candido de Figueiredo. podendo-se para a mesma pedra encontrarvalores distintos devido a este fator. quanto mais densa é a pedra maior é a sua resistência à compressão. 3. pelas razões já apontadas.Essa resistência varia com o efeito de cintagem. que absorve facilmente a água e que por isso é rejeitada para construções nas regiões frias.Essas características são de três tipos: mecânicas. sobretudo.Interessam essencialmente as resistências à compressão e ao desgaste. Por isso é que se utilizam altos coeficientes desegurança para as pedras. físicas e químicas. quer para as operações de extração etransformação. Existindo umafórmula que relaciona a resistência com a densidade aparente. Quanto mais saturada está a pedramenor é a sua resistência.

Resistência ao Desgaste A resistência ao desgaste tem particular importância para as pedras aplicadas na fabricação de concreto e em locais de circulação intensa.1. Resistência a Flexão.A área tende a expandir-se lateralmente. se este quociente for menor que 1.6 a pedra considera-se geladiça. A resistência ao corte e à tração é cerca de 5% da resistência a compressão. este quociente também caracteriza o grau de geladicidade da pedra. ficando assim sujeitas a solicitações de 22 . Assim.10.Por outro lado.Portanto. Tração e ao Corte A resistência a f1exão é da ordem de 15% da resistência à compressão. 3.1.Por exemplo as pedras fissuradas não podem suportar tais esforços.05 a 1.3. há ainda a considerar a resistência ao corte do provete. Se comprimirmos um provete numa área reduzida a tensão de rotura é maior do que se ocomprimirmos em toda superfície. a resistênciavem nesse ponto muito aumentada em relação a resistência da pedra quando a força é exercidaem toda a área (quase triplicada). 3.Estas três resistências são muito pequenas e podem mesmo não se chegarem a desenvolver.2. temos: Resistênciaseca / Resistênciaúmida No caso dos calcários. Essa expansão estáimpedida e aumenta assim a resistência.num granito a Resistênciaseca / Resistênciaúmidavaria de 1.Com fórmula que pretende aferir do índice de qualidade da pedra a este fator. Por exemplo. Resistência ao Funcionamento Tomemos um provete e coloquemos sobre ele uma pastilha de aço a que se aplica uma força. 3.1. Devido a isto na práticaescolhem-se formas construtivas adequadas apenas ao exercício de esforços de compressão.Se uma pedra está nestas condições podemos dar-lhe um coeficiente de segurança mais baixo. pois está sendo comprimida.4.

às dimensões forma e arranjo dosmateriais constituintes e à existência ou não de matéria vítrea (donde os tipos fundamentais detextura: holocristalina e vítrea).5. etc. como na manutenção doseu brilho e mesmo visibilidade da sua matriz decorativa. Associada diretamente a grandezas como a fratura. 3.abrasãofreqüente. a estrutura refere-se essencialmente ao sistema. Resistência ao Choque Trata-se de uma importante propriedade a ser quantificada nas pedras naturais. contam-se: 3. enquanto que a textura diz respeito.6. sendo um parâmetro essencial naaferição de desempenho de uma pedra natural. lajetas de pavimentos. Estrutura e textura Estas propriedades. como ladrilhos. sendo medida pela quantidade de material friável. como o trânsito deviaturas e mesmo pessoas. a resistência ao choque é de primordialimportância em elementos sujeitos a ações externas com significados. dado que asmesmas estão freqüentemente sujeitas a ações dinâmicas.Assim. 3.1. Resistência ao Esmagamento É a propriedade que mede a dificuldade em esmagar uma pedra natural por ação de forçastransversais à mesma.1. sendo bem distintas. 3. ainda que baixa intensidade.2.2. são correntemente confundidas de modo incorreto.1. 23 . como material de construção. cobertores de degraus. principalmente. Entende-se porpartículas friáveis aquelas que se esmagam quando apertadas entre os dedos. Características Físicas Dentre as características físicas que maior relevância apresentam na análise duma pedranatural.O desgaste influi não só na perda de espessura/peso dos elementos.

2. contar com a mesma resistência mecânica em todos os pontos. também. bemcomo o extrair as ilações daí resultantes.da pedra. Assim se classificam por exemplo osgranitos em grão fino. médio. estratificada.Todavia somente uma longa prática de laboratório permite a classificação adequada. por exemplo.3. podemos contar com as mesmas propriedades qualquer que seja a zona em estudo e se não houver homogeneidade. homogeneidade. etc). 3. formado pelas diacláses e juntas do maciço rochoso (dando. colunar. dado que anteriormente se referiu. clivagem e/ou fratura. no seu estado natural. O exame destas superfícies permite reconhecer os constituintes dapedra e a sua forma de agregação.mais oumenos ordenado. Se uma pedra for homogênea. não podemos. É uma característica estreitamente ligada às anteriores e considera-se inútil mencionar as suasclassificações.2. O granito grão fino é fácil de trabalhar e adere bemàs argamassas. As estruturas e a textura das pedras são propriedades deveras interessantes uma vez quepermitem uma avaliação preliminar das restantes propriedades. 3.normalmente obtidapor percussão . etc. Fratura A fratura refere-se ao aspecto que apresentam as superfícies de rotura . pode ser observada na imagem). ser indispensável uma larga prática delaboratório para o seu conhecimento e correto emprego. em bancos. Está relacionada com o aspecto granular da pedra. crostas ou geodes (cavidades preenchidas com matéria cristalizada. porosidade. Por exemplo. Homogeneidade A homogeneidade é uma característica importantíssima do ponto de vista da utilização da pedra como material construtivo. temos que uma pedra é de boa qualidade quando a sua rotura (por 24 . então. etc. bem ainda como o grau de dificuldade da sua lavra. dado que influi sobre asqualidades de resistência mecânicas.Dando-nos. lugar aostipos de estrutura: laminar. uma idéia sobre a trabalhabilidade da pedra e sua aderência àsargamassas. Uma pedra homogênea não deve apresentarveios (fissuras delgadas preenchidas por matéria mole). grosso.2.

a deixar-se penetrarou riscar por outros. embora sem rigorcientífico – não é fruto de qualquer expressão matemática que relacione a dureza dosmateriais – permite a sua classificação relativa. uma lâmina de canivete 5 a 6. o vidro 5(ou pouco superior). Tendo em vista este objetivo decorre do processo prático de trabalho a seguinte classificação quanto à dureza das pedras: Brandas – quando se cortam com uma lâmina de aço.2.4. torna-se necessário para atender à sua gama extremamente variada uma escala mais “ fina “. esta propriedade mede a resistência mecânica das pedras acompressões pontuais. Como tal. Mediamente duras – quando se cortam com uma lâmina de aço atuando com jatode água e areia. Utiliza-se normalmente para a sua avaliação a escala de Mohs que.O conhecimento da dureza das pedras é também muito importante para a seleção dosinstrumentos de corte a utilizar. No caso particular das pedras calcárias. Dureza Define-se como a resistência que opõem os corpos. Daí que em certos países seja corrente outra escala – Escala EPC – e a correspondente classificação dos calcários: 25 . 3. Para análise expedita da dureza das pedras segundo esta escala. ela será de má qualidade caso se desfaça em pequenos grãos. Duras – quando só podem ser cortadas com uma lâmina de aço atuando com jato de água e esmeril. pode recorrer-se a substânciascorrentes e com classificação conhecida. Duríssimas – quando só se cortam com Carborundum ou serras diamantadas. As substâncias de dureza 1 são untuosas ao tato. Por exemplo. um pedaço de feldspato tem dureza 6. um alfinete de latão (ou uma moeda decobre) cerca de 3. um pedaço de quartzo (pontiagudopara se poder riscar com ele) tem dureza 7. em virtude da coesão.percussão com o martelo) se dá com projeção de suas partículas. a unha um pouco mais que 2.

agregados parapavimentação.Tabela 5: Escala EPC – e a correspondente classificação dos calcários Fonte:ABGE 3.Esta propriedade tem. Nos primeiros. 3. Na verdade. oendurecimento processa-se em presença da água. etc.2. Quando se utilizam os primeiros as pedras têm que se molhar. os hidráulicos. Uma pedra pode ter boa aderênciapara um tipo de ligantes e não ter para outro.5. Aderência aos ligantes A aderência aos ligantes não é característica intrínseca das pedras. aaderência é feita a quente. 26 . embora deveras importante. no entanto.6. os hidrocarbonados. não é a causa única. nos segundos. surgem normalmente situações em quea aderência das pedras aos ligantes é bastante diferente consoante se trate de liganteshidrófilos (hidráulicos) ou hidrófobos (hidrocarbonatos). importa considerar no estudo das pedras a densidade absoluta e a densidadeaparente. Densidade Em geral. pois dá origem a uma aderência emescala macroscópica.).A rugosidade da superfície. apenas interesse na utilização sob a forma fragmentada epara a formação de materiais compósitos (inertes para argamassas e concretos. uma vez que dependetambém da natureza do ligante.quando utilizamos os segundos convém aquecer a pedra.2.

A densidade aparente das pedras varia.) variam. 27 . para as diferentes pedras. sendo assim lícito deduzir que nestas condições a resistênciamecânica seja uma função crescente da densidade aparente. feldspato. e a massa de umvolume de água a 4ºC.calcite. na generalidade. geralmente.7. A densidade aparente das pedras é sempre inferior ao valor numérico do peso específicomédio dos seus componentes. Compacidade Se atendermos a que as massas específicas dos seus constituintes (quartzo. Essa grandeza é a compacidade e exprime-se: Retira-se da expressão anterior que para uma pedra da mesma natureza a densidade aparente éproporcional à compacidade. de 2600 a 3200 Kg /m3 constata-se o interesse doconhecimento da grandeza que relaciona a densidade aparente (γa) com a densidade absoluta(γ).2. igual ao volume da pedra sem vazios. dado a sua constituição estrutural incluir sempre um certovolume de vazios.Tabela 6: Densidade aparente de algumas rochas Fonte: ABGE A primeira é a relação entre a massa da pedra. micas. 3. etc. a temperatura determinada. A segunda é a relação entre amassa da pedra e a massa de igual volume de água a 4ºC.

Porém. Na tabela 6 adapta-se. pois para pedras com densidades iguaismas de natureza distinta são diferentes as suas resistências mecânicas. o estabelecimento dessa função para a generalidade das pedras não temsido conseguido devido à grande dispersão nos resultados obtidos. mas sim arelação entre o volume máximo possível de água absorvida e o volume total. É óbvio que o conceito inicialmente referido não é mais que o limite para que tende esteúltimo.2. Porosidade Define-se correntemente porosidade como a relação entre o volume de vazios e o volumetotal. no estudo das pedras não é aquele o conceito com mais interesse. designando-se assim aquele por porosidade absoluta e este por porosidade relativa ouaparente (também designado coeficiente de embebição).Esta escala é todavia somente aplicável aos calcários. isto é.densidades aparentes e tensões de rotura à compressão de pedras calcárias. Contudo.8.Embora desejável. as relações entre durezas. 28 . Tabela 7: Relação entre a dureza. da forma francesa AFNOR B 10.001. o grau desaturação dos poros do material. foi possívelestabelecê-la para uma mesma família de pedras – os calcários – que têm um papelpreponderante na construção. a densidade e a resistência à compressão das pedras calcárias Fonte: Instituto Geológico e Mineiro 3.

basta para isso que tenha fraturas. do seu teor em impurezas ou materiais em suspensão. Dependerá ainda de uma elevação de temperatura (que aumentará o diâmetro dos poros ediminuirá a viscosidade do líquido).Uma pedra pode ser inteiramente compacta. Há. Geralmenteconfunde-se porosidade com volume de vazios. segundo certas condições. diferentes. esmagá-la e depois medir o volume real. a porosidade será o número de vazios por unidade de volume. que ter em atenção possíveis fraturas nas pedras usadas. Nas pedras geralmente o fluído é a água e define-se como a quantidade de água que aatravessa numa hora e a uma dada pressão. e serpermeável.Para determinarmos a porosidade usa-se um ensaio que consiste em determinar o volumeaparente da pedra. pois essas fraturas são ou podem ser zonas permeáveis. Normalmente não é assim que se procede: embebemos a pedra em água e calculamos o pesode água absorvida pela pedra (avaliação do coeficiente de absorção de água). da comunicação entre os seus poros e dos diâmetros destes. Esta propriedade depende. e no caso particular da permeabilidade à água. mas permeabilidade e porosidade não são a mesma coisa.etc. mas estes conceitos são. portanto.2. Claro que osdois processos não conduzem ao mesmo resultado. porém. Permeabilidade A permeabilidade é a propriedade que os materiais têm de se deixarem atravessar pela água. pois no segundo ensaio há vazios que nãosão preenchidos pela água.ou outros fluidos.Para as pedras. ou de uma variação de pressão. ( ) Portanto.É também certo que a porosidade depende das dimensões dos vazios e da sua quantidade.É também corrente a definição do coeficiente de embebição como o acréscimo de peso de umprovete saturado de água em relação ao correspondente no estado seco e o peso do mesmoprovete neste último estado.9.Geralmente uma pedra porosa é permeável. ter porosidade nula. fundamentalmente. 3. 29 . esta também dependerá damaior ou menor agressividade da água. daporosidade do material.

10.2. A água por efeito da tensão superficial sobe na pedra por capilaridade. A água dos alicercessobe assim pelas paredes dos edifícios. assim. isto é. As pedras. no caso presente – têm deabsorver e reter a água por sucção capilar. sobe com a água equando esta se evapora deposita-se nas paredes. da parte seca e molhada. por ação de um abaixamento de temperatura. É assim a manifestação. usasseum material hidrófugo (repelente à água) que pode ser.2. que não têm tal inconveniente. paraimpermeabilizar as construções. Higroscopicidade A higroscopicidade é a faculdade que os materiais – as pedras. face à água. alumínio. geralmente. entreoutros. água absorvida ou mesmo de sucção capilar.Como se sabe. 3. cujos vasoscapilares são hidrófilos e contém. A higroscopicidade ainda é proporcional ao peso da água absorvida num dado tempo. principalmente no granito. Uma conseqüência deste fato é o aparecimento demanchas de salitre. Daí a necessidade de evitar a higroscopicidade. a água que contém nos seus poros solidifica comconseqüente aumento de volume. Também nos calcários tem o seu efeitonefasto. A água que sobe por capilaridade quandosujeita a temperaturas baixas gela e provoca tais fenômenos. da água ou da própria pedra. pode levar a fenômenos de geladicidade. Gelividade A gelividade de uma pedra é a característica que ela apresenta de se fragmentar quando. Sobre este assunto falaremos mais tarde com mais pormenor. Nas pedras homogêneas a elevação de água é proporcional ao quadrado do tempo. que uma pedra nestas condições 30 . ataca e destrói a pedra. a capilaridade depende da tensão superficial do líquido em questão e dapossibilidade de molhagem das paredes do material pelo líquido.Para evitar a infiltração de água nas paredes. horizontal (lei de Darcy).3. sendo alinha de separação. mas o calcário reagia com este e dava origem ao salitre(silicato de cálcio) de modo que foi substituído por fluorsilicatos de potássio. o asfalto.são molháveis pela água não o sendo facilmente por líquidos oleosos. por exemplo. de umfenômeno geral para os líquidos – a capilaridade. Conclui-se.11.O salitre que se forma. assim como ageladicidade. Há processos de conservação destas pedras: primeiro utilizou-se a pintura com vidro solúvel(silicatos de sódio ou potássio). estas podem ainda ser hidrofugadas. O salitre provém da terra.

12. Devemos usar um material de condutibilidade térmica pequena. Condutibilidade Térmica O coeficiente de condutibilidade térmica é a quantidade de calor que passa através de umasuperfície com uma unidade de área. Baridade A baridade define-se como o quociente da massa da pedra pelo volume por esta ocupado emdadas condições de compactação. Esta característica é comum aos calcários a aos grés.13. a parede e só depois esta é revestida de material isolante. pois absorve água e não resiste ao acréscimo devolume devido à congelação. Isto encarecebastante as construções.O coeficiente de condutibilidade térmico é tanto mais baixo quanto mais leve é o material.Este coeficiente tem muito interesse no que diz respeito ao conforto de habitação e norespeitante a isolamentos térmicos como. O xisto se não reagir com o concreto é um material excelente para este fim. se for 1 cm a espessura da parede.Contudo. por exemplo. Normalmente não há cuidado de fazer esta escolha prévia econstrói-se primeiro. na construção de câmaras frigoríficas. higroscópica e de fraca resistência. pois tem fracacondutibilidade térmica. 31 . quando o gradiente térmico entreduas superfícies é de 1ºC. 3. deixa-se geralmente as pedras aotempo durante um Inverno após a sua extração e antes de serem trabalhadas.A baridade varia de pedra para pedra. Até na mesma pedra a baridade é muito variável. para evitar que haja trocas decalor entre o interior e o exterior.Normalmente nos granito e calcários a resistência aumenta com a baridade.2.seráporosa. na unidade de tempo e. Como medida expedita de verificar a sua aptidão de uso. este fenômeno que assume grande importância em climas muito frios e acentuadaamplitude térmica diurna (caso dos países nórdicos. No calcário a baridade é muito mais baixa que nobasalto por exemplo. por exemplo) não é entre nós. 3. acentuado –salvo em regime de altitude.2. fragmentando-se os primeiros – quandofriáveis – em lamelas e esboroando-se os segundos.

cerâmica. É importante considerar o tipo de ambiente (interior ou exterior).4. mas também de engenharia e arquitetura. quer mesmo noutros materiais deconstrução que poderão reagir com as pedras naturais. do vidro. mas necessitam de cuidados na aplicação. 3. o material é mais utilizado em prédios comerciais. se quisermos fazer idéia da maior ou menor alteração duma pedraque se vai utilizar numa dada localidade. os agentes agressivos encontram-se quer na chuva(acentuadamente ácida). Efetivamente. onde se concentram cerca de 60 a 70% do comércio de pedras naturais. por se entender que esta classificação é a que melhor caracteriza as matériasprimasem causa. Dai. dado que como estão datadas. Usos e Aplicações das Pedras Naturais Os dados de produção das substâncias comerciais serão apresentados por tipo de indústriaconsumidora. fazemos urna visita ao cemitério e analisamos aslajes.3. revestimentos cerâmicos e com pedras dominam o mercado imobiliário residencial. por razões culturais. As pedras naturais podem ser utilizadas em numerosos sectores da atividade econômica. Hoje. A utilização dessas pedras é uma questão de escolha.nomeadamente nas indústrias da construção civil e obras públicas. nos dão uma boa indicação da sua alteração. No Nordeste e em algumas regiões do litoral brasileiro. que o conhecimento do ambiente que a pedra vai encontrar seja de essencial para a suaescolha. o grau de poluição atmosférica da região. de transformação de rochasornamentais. a baixa sensibilidade à agressividade química é cada vez mais influente na seleção de uma pedra natural. Características Químicas Dentre as características químicas a que assume maior importância é a estabilidade. do papel. Já no Estado de São Paulo. dos abrasivos. quer nos produtos de limpeza. do cimento. a distância que a obra se encontra do litoral e o local de uso (piso ou 32 . Existem cerca de 550 tipos de granitos e 60 tipos de mármores disponíveis no mercado. condicionada pela região onde se está por razões logísticas (existência de jazidas próximas) e até culturais.3. As pedras naturais valorizam a estética dos empreendimentos e têm longa vida útil. química. Como exemplo.

a poluição. seja de rocha ou outro material. é importante ter um critério mais rigoroso na escolha da rocha. Obtenção de Pedras Naturais Abaixo segue um esquema da extração das Pedras Naturais até a obtenção da pedra britada: Figura 7: Esquema de Extração à Britagem de Pedras Naturais Fonte: ABGE 33 . As dilatações e contrações devidas ao calor do sol podem provocar fissuras em algumas pedras. Para tanto. demandando lavagens periódicas. Nas fachadas. O efeito estético que valoriza a edificação pode ser aliado à grande durabilidade da fachada. as chuvas e a deposição de fuligem são agentes que mudam o pH da superfície do revestimento. o engenheiro calculista deve considerar todas as cargas atuantes na estrutura. Ao realizar o projeto de uma estrutura (seja de concreto ou aço). As fezes dos pássaros. inclusive do revestimento. onde a pedra está exposta às intempéries.fachada) para otimizar o desempenho do revestimento e evitar prejuízos e patologias. As vantagens obtidas quando se utilizam pedras naturais como revestimento são muitas. 3. devem ser programadas manutenções preventivas com o decorrer do tempo.5.

nas pedras com feldspatos. pelas suas possibilidades de caulinização. o bicarbonato deposita-se novamente soba forma de carbonato. pássaros e micro organismoscomo algas. pelo contrário. fungos e líquenes (que vivem em sítios sombrios e alimentam-se de saisdas pedras e de matéria orgânica nelas existente). que 34 . sob a qual se encontra uma zona dematerial desagregado e pulverulento. dando origem. a uma camada superficial dapedra constituída por uma crosta exterior endurecida. eventualmente desagregações de lamelas superficiais semalteração da sua composição química ou mineralógica ou. Via física – temperatura.Na MEMÓRIA Nº.Não havendo soluções gerais para estes problemas. assumem pequena importância. gelo. componente natural do ar. ao fim de ciclos sucessivos. O dióxido enxofre resulta da combustão dos compostos sulfurosos presentes noscombustíveis. cada caso deve ser analisadopontualmente. como os granitos. dilatações. construídos em pedra calcária. Ação de organismos vivos – o homem. Causas de Alteração:    Via química – por ação de agentes da atmosfera ou outros específicos dospróprios materiais ou do solo. de um modogeral. pela sua enorme susceptibilidade aos ácidos e.165 do LNEC é aconselhado o uso de técnicas de conservação em vez dedesvirtuar a autenticidade da obra recorrendo a obras de reconstrução ou de renovação. desdeque a pedra seja de boa qualidade. penetra nas pedras arrastado pelas águas dachuva e facilita a dissolução do carbonato de cálcio dos calcários.As primeiras ações caracterizam-se por processos físicos de destruição das pedras e. a ações que lhes podem produzir apenas desgastesnas arestas e ângulos salientes. PATOLOGIA DAS PEDRAS NATURAIS As pedras naturais estão sujeitas.As segundas caracterizam os processos químicos de destruição que revestem particularimportância nas pedras calcárias. em obra.4. Estas alterações são particularmente graves nos monumentos e edifícios de interesse históricoe artístico. dando origem a umasolução de bicarbonato de cálcio. a ações queintroduzem nestas uma alteração profunda. dando origem à sua destruição. ventos carregando abrasivos. por evaporação da umidade.Quando a pedra seca. pombas. Combinando-se com a água da chuva origina o ácido sulfuroso. O dióxido de carbono.

normalmente. nos casos em que se dá uma evaporação rápida das soluções salinas. Então. ficando. 35 . Quando os sais se depositam à superfície basta lavar a pedra para elas desaparecerem. o que origina tensões da parte do sulfato. se a evaporação é lenta. nas argamassas deassentamento. sendo suficientes uma lavagem corrente para eliminar os seus efeitos. ou criptoflorescências se aquela se dá no interior da pedra. O coeficiente de dilatação do sulfato de cálcio é muito maior (cerca de 150 vezes) do que o docarbonato de cálcio. pois nãopode dilatar-se livremente. retraem-se.quando esta se evapora constitui as conhecidas por eflorescências. os saiscristalizam imediatamente sob a superfície. quando a cristalização sedá junto à superfície. dissolvem-se. exceto o mau aspectoquando superficiais. para uma qualquer diferença de temperatura existe uma variaçãode volume diferente para cada composto. nos metais empregues nas suas ligações. ou mais interiormente se aevaporação for rápida. Assim. e em casos particulares de exposição em atmosfera salina. eles têm uma ação desgastadora sobre a rocha. através das fundações.assim. deixando os sais depositados na pedra formando o chamado salitre. exercendo tensões sobre o calcário. uma camada deste composto (facilmente solúvel na água e permitindo a erosão dapedra por dissolução). etc. podendo até originar roturas no calcário. ou nacomposição dos produtos usados na limpeza ou conservação das construções. como produto final.Este por sua vez oxida e.As criptoflorescências apresentam estes inconvenientes no interior das pedras. transforma-se em sulfato de cálcio. os agentes agressivos sais solúveis que cristalizam quando arrastadospela água que penetra nas paredes.Também a água das chuvas pode dissolver sais da própria pedra. Ficar a pedra menos rica em calcário. já que com asvariações das condições físicas do meio. do queresulta:    Acentuado aumento de volume. estes sais dilatam-se. induzindo esforços mecânicos de desagregação daobra.reagindocom o carbonato de cálcio dá o sulfito de cálcio. por higroscopicidade. nos materiais que estão em contacto com alvenarias de base. Quandoa deposição é no interior. Também no solo. Este sulfato hidratando-se constitui o gesso que cristaliza. Estadepositação pode ser à superfície. etc. Ao chegar à superfície estaságuas evaporam-se. Existem outros agentes químicos capazes de deteriorar as pedras e que estarão na sua própriacomposição.Sendo. Dando origem à desintegração mecânica e ao seu enegrecer. no seu interior. Contudo.As eflorescências não revestem normalmente efeitos prejudiciais.

etc. nutrindo-se.Tradicionalmente. Também é de assinalar a ação demicroorganismos. o inimigo número um das pedras em edificações. podendo o mecanismo pelaqual atuam ser físico. por assim dizer. químico ou biológico e mesmo a combinação dos mesmos. A Ação da Água A água é.Estas se desenvolvem na superfície das pedras. ou sob elas. e vegetações parasitárias. os erros técnicos de conservação e manutenção. sendo umas naturais (como a ação da água. como por exemplo o granito.) e outras ligadas à ação do homem (como apoluição. pois sem água nenhum dos agentes químicos de alteração reagecom os componentes da pedra à temperatura ambiente. O feldspato é um mineral resultante da associação de dois ou três silicatos. a suapresença está ligada à maior parte dos processos de deterioração e pode atuar por ummecanismo físico ou químico.A alteração dos feldspatos assume particular importância uma vez que este mineral é um dosconstituintes principais das rochas eruptivas. etc. por vezes. um silicato dealumínio ao qual se encontra associado um outro silicato alcalino ou alcalino – terroso. etc. normalmente tendo em solução gás carbônico. Como produtos hidrófugos podemos citar oasfalto ou uma argamassa rica em ligante e em finos.) e outras ligadas à ação do homem (como apoluição. Por ação da água das chuvas. 4. os silicatosanidros associados de alumínio e do metal alcalino hidratam-se. 36 . dos sais ematérias orgânicas que extraem do material a que se afixam. é controversa a ação das bactérias na corrosão das pedras. etc. sendo umas naturais (como a ação da água. A esta operação chama-se tambémserzitamento.1. não parecendo de qualquer forma muitoimportantes. os erros técnicos de conservação e manutenção. Deve-se considerar também a corrosão química provocada pelo depósito de dejetos de animais. químico ou biológico e mesmo a combinação dos mesmos. separando-se. Com efeito.da temperatura e dos organismos vivos. podendo o mecanismo pela qual atuam ser físico.). No entanto.da temperatura e dos organismos vivos.São muitas as causas de deterioração das pedras. para evitar a penetração das águas usa-se um produto hidrófugo.). que éaplicado em todo o perímetro da construção. tais como bactérias nitrificantes e sulfurosas. nomeadamente de pássaros e pombos. São muitas as causas de deterioração das pedras.

A alternância das chuvas e do tempo seco que levam a repetidas variações do teor em água. nestas circunstâncias. causados por variações do teor em água. aumentando de volume e encontrandoseconfinada nos poros da pedra praticamente saturada.Fenômenos como a evaporação do cloreto de sódio. são uma das causas principais da formação de crostas. por vezes de dimensões consideráveis. Nos climas frios o congelamento da água e os ciclos sucessivos de gelo e degelo são outracausa possível de alteração. com efeito. a formação de nevoeiro. A água infiltra-se através dos poros da pedra e penetra do exterior para ointerior. correspondementão ciclos de expansão e retração desses materiais. A chuva. a condensação de umidade atmosférica. As tensões internas assim geradas podem originar fissuras microscópicas. origina tensões que podem levar à rotura.em ciclos de molhagem e secagem. o gelo .degelo. a secagem subseqüente pode levar à que se destaquem fragmentoscorrespondentes a zonas de menor coesão. ese cobre de eflorescências. como o cloreto de sódio (o mais quantificável). A água da chuva pode também ter uma ação mecânica de erosão. a saturação. Devido ao fato de certas pedras conterem materiais expansivos (argilas. como por exemplo o calcário. ou mesmo macroscópicas. A chamada água de pedreira pode também ser causa de deterioração. 37 . o nevoeiro e a conservação da umidade atmosférica são outras fontes de umidadenos edifícios. por exemplo) e aosseus sucessivos ciclos de molhagem.A água que existe no solo sobe por capilaridade para o interior dos materiais arrastandoconsigo sais.forem utilizadas em obra. A sua conseqüência mais simples é a dissolução de certas pedras quando expostas ásintempéries. nomeadamente quando cai sob a forma desaraiva. que pode mesmo levar à rotura e desagregação das pedras. Nos climas frios também podem ocorrer fraturas pela ação de congelação da água de pedreira que. que se tornarão em outrastantas vias de acesso para outros agentes de deterioração. as pedrasrecém extraídas da pedreira encontram-se muito saturadas de água e se. Comefeito. a água ao congelar aumenta aproximadamente um décimo do seu volume e pode gerartensões internas quando contida num espaço confinado. que dão lugar à deterioração darocha (sobretudo calcárias) que se destaca em lascas. sendo estes fenômenos de particular importância. dando lugar a fenômenos periódicos de dissolução ecristalização de sais. não são mais que diferentesmanifestações da água.

Os materiais utilizadosnas juntas. Conforme a natureza destas origens varia a composição dos sais. porexemplo. Também a água da chuva pode dissolver sais da própria pedra. como o cimento portland ou argamassas de cal hidráulica. por higrospicidade. quando a evaporação se faz com certa lentidão e asimples exposição à chuva (a chamada lavagem natural) leva ao seu desaparecimento(também se poderá recorrer a lavagem artificial). no que se refere. sendo os mais freqüentes ossulfatos os cloretos. da alvenaria de base quando a pedra é utilizada como revestimento do solo. já que comas variações das condições físicas do meio estes sais dilatam-se. etc. retraem-se. onde osníveis de poluição são elevados. Resultarem de da alteração dos minerais que a constituem. Assim:  •  Podem encontra-se presentes na pedra antes desta ser aplicada. que não é mais do que acombinação dos agentes proliferadores de poluição atmosférica e a água existente nas nuvens. da atmosfera e até ainda de produtos usados na limpeza ou em tratamentos de conservação. está a ser levado a cabo. cuja deposição se deu sob a água do mar. à União Européia. se bem que o controlo sobrea poluição. são fontes externas desais de metais alcalinos (carbonatos ou sulfatos de sódio ou potássio) que podem originareflorescências. nas rochas sedimentares. A cristalizaçãodos sais pode dar-se à superfície formando eflorescências (salitre) ou no interiorcriptoflorescências. carbonatos e nitratos. dissolvem-se. 4.A chuva ácida é um fenômeno causado pela poluição atmosférica.Quando a deposição é no interior. eles têm uma ação desgastadora sobre a rocha. por exemplo. podemencontrar-se cloretos de metais alcalinos destes proveniência. A Ação do Sais Solúveis A água que penetra nas pedras. As eflorescências formam-se.2.É pois necessário deixar que o material perca a água de pedreira antes de ser utilizado emobra. 38 . através das fundações pode conter saisdissolvidos. A tendência ainda é para piorar. Provirem de pontos externos tais como: dos materiais das juntas. Também a decomposição dosminerais que constituem a rocha dão lugar a sais de origem interna.Os sais de origem interna resultam por vezes do próprio processo de formação da rocha. Os sais solúveis podem ser de origem externa quer interna.Combinação essa que assume particular importância nas cidades industrializadas. em geral.

não são eficazes. vir a depositar-se na pedra. porexemplo. fissuras e esfoliações. os sais contidos nos tijolos podem.É também um agente erosivo.4. um dos lado poderá estar exposto ao sol e o outro não. a temperatura pode não ser igual em toda a espessura da pedra.Também por vezes se constroem paredes de tijolo externamente revestidos por pedra e. 4.Similarmente certos produtos usados na limpeza de cantaria podem originar deterioraçõesimportantes. conseqüentemente.incrementa-se a cristalização dos sais que contem em solução. 4. Mas. que podem causar deterioração. isto é particularmente agravado quando existamjá alterações produzidas por outras causas tais como crostas. como o cloreto de sódio (principalmente em zonasmarítimas).O vento também influência na cristalização dos sais. Estes são tanto mais perigosos quanto os seus efeitos funestos não são imediatos. que por sua vez pode provocarroturas no bloco. geralmenteformam-se na pedra cavidades características que podem atingir profundidades apreciáveis(corrosão eólica). Este bloco éconstituído por elementos diferentes com coeficientes de dilatação diferentes. Neste caso o material é aindamais susceptível ao aparecimento de roturas. nestecaso. por efeito da umidade. Temos ainda outros tipos de sais. especialmente quando transporta areia.Imaginemos que as variações de temperaturas em todo o bloco são uniformes.Contudo.É de 39 . As tentativas de neutralizaçãolavando com ácidos fracos. por vezes. quando é o fator determinante. A Ação do Vento O vento exerce uma ação puramente mecânica e. A Ação da Temperatura Um dos efeitos da temperatura (ciclos de gelo e degelo) já foi examinado a propósito da água. na realidade. pois quando a sua velocidade aumentatambém acelera a velocidade de evaporação da água contida nos poros e. sóaparecendo os resultados desastrosos algum tempo depois.3. como o vinagre. exemplo disso são a soda cáustica e certos álcalis que têm. sidousados. o que originavariações de volume variáveis de um elemento para outro. as variações térmicas podem ainda produzir outras ações mecânicas deletérias.

ígneas e os grés.As plantas que encontramos nos edifícios indicam uma fraca conservação e são mais oresultado do que a causa da deterioração. uma importanteumidade dos materiais de construção. Todavia. usualmente. que a temperatura tem ainda influência no que diz respeito ao teor deágua nas pedras. Oseu desenvolvimento é complexo e a ação destruidora dos líquenes nos monumentos éampliada nos climas tropicais. Encontram-se estas plantasperto dos tubos de queda e nas partes da base do edifício molhadas pela subida de água dosolo. Portanto. ou detodas as construções de pedra em geral.Nos sítios onde se encontram algas as paredes têm uma umidade que é muitas vezes acimado teor de água em equilíbrio. O seu papel na deterioração dos materiais porosos é menosevidente.notar. A Ação dos Agentes Biológicos As árvores e as ervas têm alguma importância sobre a deterioração dos monumentos.As árvores e as plantas que crescem nos edifícios indicam. Os cogumelos presentes nos materiais de construção porosos tornam-nos feios e podemprejudicar as pinturas dos muros. a umidade numa construção.As rochas silicatadas que contenham uma população bacteriológica tem tendência adesagregar-se muito lentamente no princípio. as partes externas da parede encontram-se em taiszonas bem protegidas.Os prejuízos são principalmente devidos a freqüentesumidificações e secagens da pedra. inofensivas mas algumas vezes asraízes podem acentuar as deteriorações da alvenaria. o que indica sempre uma grande umidade em obra. São. adeposição de sais.5. em regra. Os líquenes não podem tolerar a fuligem eos sulfatos não atacam as construções e os monumentos nas zonas urbanas industriais. se elas crescem em cima ou perto das construções. Independentemente das deteriorações mecânicas. Os edifícios são muitas vezes cobertos localmente de algas e organismos com elasaparentados. naszonas limítrofes e nas partes internas da parede a deterioração é importante. as algas e os líquenes contribuem tambémpara a deterioração química das pedras calcárias. rapidamente. 4. masnoutros lugares podem ter um efeito destruidor sobre as rochas calcárias. porque o número de ciclos secos e úmidos é pequeno. conseqüente. pois que este processo ao fim de algum tempo 40 . Quanto maior for a temperatura maior é a evaporação e. A presença das algas pode ajudar a localizar. também.

Além deste efeito deobscurecimento. portanto.mais agressiva. como os pombos. pois transporta ácidos e saissolúveis susceptíveis de alterar a pedra. 4. Os microorganismos podem contribuir para a degradação da pedra.Os excrementos fornecendo matéria orgânica introduzem uma ação bacteriológica queproduz ácidos orgânicos. Ela terá aniquilado ou danificado em menos demeio século mais obras-primas do que as duas guerras mundiais”. 41 . A Ação do Fogo O efeito do fogo é sobretudo causado pela rapidez da variação de temperatura. Referindo-se a ela na conferência de Bruxelas. A Ação da Poluição Atmosférica Este tipo de poluição representa nos nossos dias uma causa terrível de deterioração daspedras. O ácido nítrico e clorídrico podem. contribui também para alteração química. A fuligem adere tenazmente às pedras originando umacamada escura de sujidade que desfigura os monumentos.6. são o dióxido decarbono e os gases sulfurosos. Por esta razão as rochas de silicatos atingidas por bactérias não são recomendadasno emprego do exterior. mas os excrementos das aves. mas a sua ação é comparativamente pouco importante. A chuva que cai sobre a construção torna-se mais ácida e. Os prejuízos devidos aos insetos interessam sobretudo às matérias orgânicas como amadeira.A poluição causada pelos produtos sólidos resultantes da combustão do carvão e de outrosmateriais é igualmente considerável. Tambémexcrementos de morcegos podem ser responsáveis por certos casos da degradação. existir em menor quantidade. o Prof. Lamaire afirmou: “Asulfatação das pedras terá destruído em menos de duas gerações numerosas obras-primas quemuitas outras admiraram de forma intacta. também. Esta situação contribui extraordinariamente para a desintegração de certaspedras. Os agentes químicos presentes no ar poluído que mais afetam as pedras e.7. 4. em particular.éacelerado. em 1996.oscalcários ou o carbonato de cálcio (por vezes contido noutros tipos de pedra). contendo nitratos deterioram apedra e tornam as fachadas feias e com uma espessa camada de fuligem. dado a sua degradação ser muito rápida desde que tenha começado.

As partesexteriores das pedras envolvidas pelas chamas aquecem rapidamente e sofrem uma bruscavariação do volume. asfissuras favorecem a penetração de água. mas umcaso especial é o das pedras que contêm forte percentagem de quartzo como. apontar alguns aspectostécnicos de construção e de conservação cuja não observância é uma origem freqüente dedeterioração. Camadas brandas. porvezes. por outras palavras. 4. O aquecimento provocado pelo fogo é acompanhado.É conveniente colocar as pedras em obra de modo que as cargas se apliquemperpendicularmente ao seu leito natural. Fissuras. A Ação Humana Existem ainda certas causas de deterioração que se prendem com a escolha. Este fenômeno é geral em todas as pedras.A escolha da qualidade do material é importante. etc. Assim.colocação e conservação do material em obra. têm uma estrutura laminada e a separaçãopor camadas é por vezes fácil. criam-se então tensões que ultrapassam a resistência do material e placas esegmentos destacam-se. tais como: • • • • Heterogeneidades. As camadas brandas são mais facilmente erodíveis. por exemplo. 42 . Todas estas singularidades constituem pontos de menor resistência às causas de alteração edão lugar a um ataque preferencial. como. por exemplo.8. De fato. O quartzo sofre a 575ºc uma mudança de estrutura acompanhada de brusca dilatação(4. Diferenças de estrutura.5%) que faz estalar a pedra. utilização. é freqüente encontrarem-se deteriorações pelo fato dapedras ter sido colocada com o leito paralelo à superfície de exposição. como a transmissão de calor para o interior não se faz com a mesmavelocidade. as rochas sedimentares devido ao seu modode formação por deposição de camadas sucessivas. osgranitos. por mudanças de coloração da pedra que são susceptíveis de fornecer indicações aosarqueólogos. sucessivamente. em relação aos incêndios na acrópole de Atenas. pois certas deteriorações podem provir dedefeitos naturais da pedra.

A associação inconveniente dos materiais pode também ocasionar alterações físicas ouquímicas. mas o chumbo também ele mesmoàs vezes é atacado quando em contacto com o calcário. o movimento daágua é extremamente reduzido e quase que não há secagem através desta. Comefeito. Para evitar este perigo é indispensável o emprego demetais ou ligas resistentes à corrosão (como o cobre ou níquel). ao nível dos equipamentos de corte. tendia a acumular-se (devido a diferenças de porosidade dos doismateriais) ocasionando a sua alteração. argamassa ou madeira. que quandoempregados isoladamente resistiam muito bem ao ataque pelos gases sulfurosos dasatmosferas poluídas. Por exemplo. 43 . as fendas e fissuras que seencontram no material envolvente do ferro são explicadas facilmente por este fato.9. mas também se observa a mesma coisa emmeio alcalino e. Como o volume daferrugem é 6 a 8 vezes maior do que o ferro que a formou. 4. como já se referiuapropósito dos sais solúveis. Patologia de Pedras Naturais em Revestimento Os revestimentos de pedra natural em fachadas assumem grande importância no Brasil. resultante do ataque do calcário. sobretudo.Também quando uma junta é preenchida com argamassa demasiado densa. tem-se observado que certos grés de cimento silicioso. Normalmenteuma corrosão importante tem lugar em meio ácido. apresentaram mau comportamento quando associados a calcários. veio acentuar os desgastes. o sulfato de cálcio. Então a evaporaçãodá-se pela pedra adjacente. a indústria transformadora de rochas ornamentais tem conseguido fornecer ao mercado brasileiro placas pétreas de grandes formatos com espessuras cada vez menores (10 a 20 mm). o ferro é algumas vezes envolvido por chumbo. por argamassas muitodensas. Neste caso não há proteção do ferro contra a corrosão. Com a evolução tecnológica. O emprego de argamassas impróprias pode ser outra causa de alteração. transportado pela água da chuvaou através dos poros. onde a cristalização dos sais origina deteriorações. quando há cloreto de sódio ou magnésio. O uso de ferros cravados na pedra é outra causa de deterioração das pedras. Paraevitar isto. Casos se têmdado em que reparações de monumentos com refachamento das juntas.

2002. O desconhecimento das propriedades dos cimentos-cola de elevadas prestações.As manchas nos revestimentos de pedra natural têm como efeito principal os danos estéticos que causam às fachadas dos edifícios. Figura 8: Evidências do estado da cola no suporte depois de retirada das placas de pedra natural que mostravam colagem deficiente. No entanto. As patologias mais comuns que se encontram em fachadas revestidas com pedra natural são os desprendimentos e as manchas nas superfícies expostas das placas. podem gerar-se pressões devido à cristalização dos sais originando o desprendimento das 44 . das propriedades das pedras naturais. Esta técnica é muito utilizada fazendo a colagem da placa de pedra com um cimento-cola. Os desprendimentos de elementos fixos diretamente em fachadas é particularmente preocupante uma vez que coloca em risco pessoas e bens. com idades inferiores a 5 anos. quando muitas vezes ainda não foram habitados. se houver deposição de sais na interface entre o tardoz das placas coladas e a cola.No nosso país a técnica mais utilizada para aplicar revestimento de pedra natural em fachadas é a fixação direta. conjugados com uma deficiente qualidade da mão-de-obra disponível nos dias de hoje. Fonte: CORREA. originam diversas patologias em edifícios jovens. Algumas destas patologias manifestam-se ainda na fase final da construção dos edifícios.

Figura 9: Evidências dos Pontos de Cola. Fonte: CORREA.placas do revestimento. Esta mesma pressão de cristalização na superfície de placas pétreas pode originar a degradação da superfície destes materiais de revestimento. 2002. 45 .

Propriedades. Geologia. (1998) Minerais Industriais. Mais apropriadas às áreas internas (como salas e sanitários). mastambém muito usadas em exteriores (fachadas e pavimentos). onde estão incluídas as rochas ornamentais e industriais. os produtos ou materiais que satisfaçam os requisitos impostos por uma qualidadede vida caracterizada por uma melhoria que se pretende cada vez melhor" [GOMES. esponteirado e bujardado): utilizando martelo e ponteira. Tabela 8: Modo de comercialização das rochas Ornamentais calcárias. os minerais e as associações de minerais utilizadas para fins industriais.. Produções e Mercados]. Especificações. Apicotamento (escacilhado.. Aplicações.VELHO J. C.5. de modo a podercom eles.. ficando quase sem brilho e com boa aderência superficial (não é escorregadio). Esta opção que torna a rocha 46 . e ROMARIZ. fabricar por processos tecnológicos simples oucomplexos. Serrado: O material é serrado e semi-polido. deixa a superfície rugosa e antiderrapante..". ou com compostos deles derivados. C. ROCHAS ORNAMENTAIS Entende-se por minerais industriais. Fonte: Instituto Geológico e Mineiro São diversas as possibilidades de tratamento que visam explorar o potencial de brilho evalorizar texturas e cores.Tratamentos. temos as seguintes situaçõesmais comuns: • • • Bruto: sem nenhum tipo de acabamento.

• Lustradas . dispensando assim tal tratamento. pois estas propriedades são. partindo da granulometria mais grossa até chegar à mais fina. assim como a previsão do seu desempenho emserviço. resultando uma superfície áspera. tem o objetivo de torná-lo áspero.ferramenta própria para desgastar pedras . já para o granito é usada uma mistura de chumbo e óxido de estanho. são obtidas através de análises e ensaios executados. normalizados por entidades nacionais. sendo o objetivo fechar qualquer porosidade.de menor potencia abrasiva. Este processo. Já aquelas usadas em seu estado natural são permeáveis e devem ser impermeabilizadas com resina à base de poliéster. usa-se o ácido oxalático . contudo. As características tecnológicas das rochas. o apicoamento é um processo manual ou mecânico que utiliza o picão . pode-se ou não lustrar a peça. químicas e mecânicas além dos aspectoscromáticos e texturais. Impermeabilizadas . mais que a extração e sua transformação emformas e/ou elementos adequados aos usos projetados. que se aplica exclusivamente ao granito. pedras polidas não apresentam porosidades. indispensável oconhecimento das suas características petrológicas.antiderrapante. em última análise. para a caracterização tecnológica das rochasornamentais. Em seguida. Torna-se. realçando brilho e capacidade de impermeabilização. para impedir o crescimento de matérias orgânicas e o conseqüente comprometimento de sua resistência e estética. 47 . • • Levigadas . para o seu emprego. segundo procedimentosrigorosos. São submetidas a processos sucessivos de abrasão. • Polido: Alisado com abrasivos e depois lustrado com produtos químicos. No caso do mármore.para conferir um aspecto com relevo (picado). Consiste na queima da pedra para que ocorra o desprendimento alguns cristais. • Flameado ou flamejado: quando submetido a maçarico tornando-o ondulado e antiderrapante. de acordo com o brilho desejado. As rochas não precisam.De modo geral.quando as peças são desbastadas por abrasivos de granulometria grossa e não recebem mais nenhum tratamento. as diretrizes básicasque norteiam e determinam seu emprego.O lustro é feito de forma diferenciada para cada pedra.

porém respeitando-se as características tecnológicas dos materiais. pelo menos em parte. construtores e consumidoresfinais. O entendimento das principais variáveis tecnológicas dos diferentes tipos de rocha constituifator de proteção e garantia para fornecedores. face aos atuais problemas de poluição. verifica-se que os grandes monumentoshistóricos edificados com rochas carbonáticas tem. maiordurabilidade e resistência frente aos mármores. Tabela 9: Matérias primas minerais utilizadas na construção de uma casa Fonte: adaptado de Gomes et al. sofrido uma destruiçãocom taxas bem superiores às restantes da sua total existência. 1998. especificadores. 48 . nos últimos anos.. determinado por sua beleza. observando-se o efeitoestético desejado.Parece que o crescimento recente da participação relativa dos granitos no sector de rochasornamentais e de revestimento. foi. além de representar a forma mais efetiva de valorização das rochas como materiaisadequados e duráveis em revestimentos da construção civil. A melhor medida preventiva para patologias de aparecimento de manchas e corrosão dasrochas é a sua correta especificação para os ambientes objetivados. Também.

entre outros usos. química e mecânica. 49 . aperfeiçoamento e uso primordial no Concreto. E enquanto houver necessidade de aprimoramento. Cada pedra natural tem sua particularidade. Por ser abundante em sua forma natura. acordando a sua funcionalidade nas diversas obras. pavimentos entre outras tecnologias de construção. haverá pesquisa acerca dessas pedras naturais e de materiais alternativos. Por isso o surgimento de estudo das patologias dessas pedras. fundações. afinal. e por ser de uso comum. Outro aspecto importante é a análise dos minerais que compõem essas rochas. traz benefícios a humanidade.CONCLUSÃO A utilidade de Rochas e Pedras Naturais na Engenharia Civil é indiscutível. característica física. muitos estudos são feitos mundo afora. eles são cruciais para caracterização da mesma. nas diversas áreas como concreto. Estão ligadas à ornamentos e a parte estrutural de qualquer edificação. Esse estudo propõe um avanço da ciência e da engenharia civil em geral. já que sua trabalhabilidade exige qualidade. E sabe-se o quanto essas propriedades influenciam no futuro dessa pedra quando for trabalhada. Sabe-se que a extração dessas pedras se dá por meio de explosão e futuramente a britagem para a utilização nas diversas obras de engenharia. barragens. Desde assentamento de Fundações. inserção de infraestrutura de transportes (pavimentos) melhor trabalhada.

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