IIEste é o ii o I-Uinn /.IUn- /. 1114 e. eol-U 4t4 /.s -Uptes, d4 cont4 o ,!IU e i.p il-Uentou enc seu e pe Í.eu n4 p1,óp /.

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QUANDO O CORPO CONSENTE
Marie Bertherat Thérese Bertherat e Paule Brung

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Tradução ESTELA DO SANTOS ABHEU

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o o gin t ente e cês co o titulo , po Édiliol1s du uil. is, /996 Co iglit © Édiliol1s du euil. e o /996 Co ght © i tins ontes Edito .. uto, 1997. para li prcscn«: l di Slill l' edição gosto de 1997 Tradução DO

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Sumário

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Consultoria técnica DI . Edson J. io - ncu oci gi e o ge! - especi li e e úbli b ll - ginecolog e obstet Revisão gráfica Cecíl d s Prorl ução gráfica Ge o es Paginação/Fotolitos tudio 3 Dese ol ento Edito i l Capa II l Laub

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Dados Internacionais de Catalogação na Publicação (CIr) (Câmara Brasileira do Livro, SI', Brasil) Bertherat. Marie Quando o corpo consente I Marie Berthcrar. Thérêse Bcrthcrat c Paulc Brung : tradução Esteja dos Santos Abreu. - São Paulo: Martins Fontes, 1997.
Tüulo original: A

Primeiro mês 13 Segundo mês 15 Terceiro mês 27 Quarto mês 41 Quinto mês 49 Sexto mês 57 Sétimo mês 95 Oitavo mês 107 ano mês 117 Trê s m s depois ... Movimentos 135
Referências bibliog

131

corps consenrant.

Bibliografia.

ISBN 85-336-0652-4
I. Bebês - Desenvolvimento 2. Cuidados pré-narais 3. Gravidez 4. Miie e bebê I. Bcnhcrat. Thércsc. 11. Brung. Paule. 111.Título.

161

97-2601

COI)-618,24

Índices para cal:íloJ.!() :-;i",tcllllilicn: I. Cuidados ri é-natni-, : Obstctrícin I>18,24 2. Grnvidc/ : Pl'cpmnÇno 1111\'11 nascimento : (I Oh,tCll'fcin () 18,24 3, Pr pnruçüo (l puno: OlhlclI íclll (,18,2-1

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Introdução

Este é o diário de minha filha Marie. Com palavras simples, cheias de bom-senso e sinceridade, ela conta o que experimentou em seu corpo e percebeu na própria carne. Durante nove meses. Para lhe transmitir isso, ela prosseguiu sua pesquisa com inteligência e rigor. Sempre de forma generosa e com a doçura obstinada que é o seu jeito de ser. Mas, que não haja equívoco. Esses nove meses de in-' certeza, de alegria, de ansiedade, de triunfo que a tornaram mãe não devem ser vistos como convite à caminhada fácil; nem estímulo para o comportamento condescendente e a atitude submissa. Com a força de sua experiência e de sua busca, Marie lhe diz:" ão se deixe tapear." Dar à luz é uma aventura pessoal. Diante das normas consensuais da medicina, não renuncie à sua autonomia; se sua gravid z não apre enta sinai de patologia, não se deixe irnpr ssionar .orn o aparato do "progresso", sem I r pronto a int .rf rir ..Telas de ultra-sonografia, uniforrn 'S bran 'OS, luvas de látex, perfusões, seringas ... E I ;ISSiSI i :1 :t1gll ns I artos. Difícil de esquec r. A erno<::10, ;1 illlvl1Sitl;1 I· 10 mom nto. O suor, o sangue. Além til' umn ('(li,,,; I .1 111;lis. Na sala toda branca, sob a luz fos1()lI'SI'I'IIII', () 'nrrl' algo que vem da noite dos tempos. P()I ('11111' I), npurclhos niquelados, laqueados, cremad()'" 11.1 11111.1 t'SIK' .ic de magia. E isso costuma aconte7

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QUANDO O COlU'O CONSENTE

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INTRODUÇÃO

cer sempr no mesmo momento: no momento em que as contrações ão mais fortes, um pouco antes de aparecer a cabeça da criança e seu rosto coberto de secreções, como o de uma minúscula estátua velada. É aí que surge a magia. Chamo isso de magia, por não achar outra palavra melhor. Uma energia que não tem forma nem cor perpassa a sala. Vinda de onde? De dentro da mulher que lá está dando à luz? Energia que, por um breve instante, é palpável. Um instante muito rápido. Algo de selvagem, grandioso, violento como a vida e a morte. Mesmo quem tem o couro duro não fica insensível. a opinião das parteiras mais calejadas que conheço, a rotina não consegue apagar de todo essa impressão de estranheza. Não é surpreendente que se procure amordaçar e cercear essa força que brota de um corpo de mulher; tal força é quase intolerável para quem não estiver ali intimamente envolvido. Subjugar uma mulher grávida não é difícil. im, eis o paradoxo. Nesses momentos, ao lado de tanta força virtual, há muitos temores secretos. Muitas dCIViIas perguntas que ficaram sem respo ta. As mudanças [u 'S P r b m no corpo e as outras, mais profundas, que o Ih não ê. O embrião, oculto ao olhar, está tão pres .nt i quã ausente. O hábito de confiar em nossos olhos, e ap 'na n I s, nos deixa desconcertadas, preocupadas om aqui! qu é chamado o Mistério da Vida e que se passa dentro, na escuridão de nosso orpo. Torna-se então muito fácil sujeitar-s ,entregar-se às autoridades. É muito fácil confiar tod s os poder s a quem supostamente abe, mai do qu nós, o qu stá acontecendo conos o. Um médi o, um spccialista, um aparelho de ultra-sonografia, um exame de sangu , um exam ' de urina, qualqu r oisa nos inspira mais confiança 10 que nós m esmas. Enquanto isso, d ixamos scapar o essencial... Não r len 10 nos fiar em nossos sentidos, privadas de nos8

sos s entidos, passivas e submissas, optamos por deitar, desistir, d ixar-nos adormecer e ane tesiar. E, no ntanto, a natureza fez tanta coisa para transmitir a vida! Não m de esforços para produzir milhões de esperrnatozóid s cheios de audácia para se propulsarem e uma incansável seqüência de óvulos. Com prodigiosa força de atração, ela lança machos e fêmeas uns ao encontro dos outros. Prepara o corpo da mulher do modo mais engenhoso, a fim de facilitar o contato. Sua solicitude chega até a mergulhar o embrião num líquido salgado, muito parecido com as águas do oceano primitivo. Como para propiciar a vida, cujo despontar se deu nesse elemento. Depois dis o e de tantas outras façanhas destinadas a preservar nossa reprodução, como imaginar que, na última etapa, ela vá sabotar todo esse seu projeto? Como imaginar que o corpo dos mamíferos humanos não seja capaz de dar passagem ao fruto admiravelmente cultivado durante meses? Como imaginar que a natureza tenha justamente esquecido de prever a saída? "Todos nós somos belos e bem feitos" é o que reitero em meus livros. E o corpo da mulher é adequado para dar passagem ao feto que ele formou e carregou. Paule, uma parteira muito entendida no assunto, com quar nta anos de ofício, explicou a Marie como é feito o seu corpo e como preparar-s . Como deixar a criança passar pela via estreita. Facilitar a passagem, dar à luz com um corpo que consente, eis o segredo de Paule. Também a você, ela vai contar seu segredo. Escute essa mulher muito especial, profissional até a ponta dos longos dedos, que nem por isso deixa de ser calorosa e que fala com a ousadia de tantos anos de sucesso. Se acaso você estiver preocupada e sentir necessidade - posso imaginar - de uma palavra encorajadora, de uma explicação prática, deixe-se levar por Marie e Paule. Ela sabem do que estão falan 10. Vão ajudá-Ia a desco9

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amado. Por trás da fachada. o bem-nascido. que muitas vezes se contradizem. a mulher tem mais do que nunca o sexto sentido que lhe dá acesso ao próprio corpo. um pouco surpresa. é preciso que você concentre todo o seu ser. qu você m havia ensinado. Ela pressente que precisa se concentrar para. do qual as pessoas nada sab m. ouvi essas palavras várias vezes. fez questão ele dar-lhe o nome de "Eugênio". A musculatura do corpo é feita de duas partes conflitantes. Essas mulheres nasceram para si mesmas na hora em que lhes nascia o filho. Desejado. que bloqueia a passagem de todos os outros. dois hemisférios. mas não apenas para aqueI em questão. Para muita gente. Como ignorar o interior qu se impõe a cada momento? É impossível adiar para outro momento. você precisa estar disponível a suas próprias ensações. "Ser é nunca parar de nascer". Sua mãe. Para sentir mais estabilida10 de e ficar menos vulnerável. existem as sensações e emo õ s enterradas dentro do corpo. O momento é já. Os próprios sentidos estão subjugados por um deles. a fachada. dos quais sab m muito pouco. ser é apenas uma fachaela. sonhado mas. depois. a compreender como facilitar o parto. sem jamais ter pensado em prepará-Ias para o parto. Para coabitar com outro ser num mesmo corpo. o físico e o psíquico. se separar. Não é fácil sentir no próprio corpo a presença de um corpo estranho. é preciso tomar consciência da profundidade que existe atrás da fachada. eu as ajudara a dar à luz eI modo natural. E também todo o trabalho com o corpo. a força e a fraqueza. Também eu vou lhe falar do trabalho que você pode efetuar em seu corpo e seus sentidos. Para a mulher grávida. E todas as jovens mulheres que haviam sido minhas alunas acabaram me ensinando por que. A cabeça ignora o corpo. O milagre é que as mulheres são capazes de reunir corpo e espírito. moldada d eI ntro. Permitir o nascimento é o oposto da submissão cega. uma linda jovem de peI muito clara. Para tornar-se disponível à viela desse outro ente pequenino. muda e se transforma. Meu trabalho era de fato uma prepara ão para o nascimento. a visão. isto é. "Foi minha boca que me ajudou de fato a ter um parto feliz. Quando engravida.QUAl DO O COlU'O CONSENTE INTRODUÇÃO brir as potencialidade que há em você. é êse tbe 11 . e a organização dos músculos. Desde então. apesar de tudo. Fiquei emocionada. e1isse-m certa vez uma delas. Ajudá-Ia a ser você mesma. mas ainda não compreendia. estranho. Durante nove meses." O menino que acabava de nascer quando ouvi essas palavras pela primeira vez deve ter hoj vinte e cinco anos. e a cabeça contém dois cérebros. Não é indispensável estar grávida para ter a sensação de conter em si dois estranhos. a natureza lhes oferece este presente: apagar a dualidade de seu ser e tomar consciência de sua unidade.

Mas. mas de tanto impacto que torno a me levantar para conferir a fita do teste de gravidez. 'ela está grávida'. Além disso. "Filha" me é bem mais próxima. como se fosse uma cerca. Pés encostados na parede. Só quero continuar deitada com esta revelação no meu ventre e saborear sua presença. investida do quê. há um jogo de palavras com o vocábulo enceinte. é "re imo": "o que delimita um espaço. (N. Nunca eu havia pro. olhos abertos. traço leves círculos em torno do umbigo enquanto olho o teto. estou grávida. ocê est g . Então. Leio a bula de novo: ece u lin no q da t s nte. Eu já conhecia 'você está grávida'. anta) i sein (seio). pouso as mãos em minha barriga. Investida. segundo o dicionário Petit Rob rt. e impede o acesso a e e espaço". A palavra "mãe" soa para mim estranhamente abstrata. de bruços. Seja como for. na incrível temeridade dos bebês que decidem crescer num ventre de mulher. Estou grávida.PRIMEIRO MES "'- • I~ de novembro Esta manhã o céu está todo azul. como se houvesse recebido uma missão. muito luminoso. não consigo pensar. a autora faz aproximações com inte (. Olhos fechados. um azul de inverno. não sei. Penso na audácia deste bebê. por homofonia. sinto-me em estado de secreta defesa". De costas. G mais do que em "estado de gravidez". Olho o sol que faz desenhos no teto. quase ofuscante. da T) . Estendida na cama. cujo primeiro sentido. a cabeça mais baixa.nunciado ou escrito "estou grávida". Fran- • No original. Nem consigo imaginar. Frase banal. estou eufórica.

mas particularmente agora. De minha capacidade de ser mãe. náusea de mãe ansiosa. e isso me dá coragem. ) uma das salas de espera. Levo alguns segundos para perceber uma pequena senhora. que ainda não estou preparada.J ) é neutra. O pequeno ser que ocupa meu corpo e minha mente nem chega a constituir uma imagem. Um grande aparelho munido de tela oferece um halo luminoso. a forma. Esta manhã acabou-se O consultório de minha obsessão: tenho primeira ultra-sonografia. () • 28 de novembro Esta presença invisível me inebria.. Tenho a impressão de que o pequeno ser que habita em mim tem uma vontade de ferro. é porque acha que eu sou capaz. Ela a hora marcada para a ) imagens "reais". Hoje readquiri confiança. A ansiedade continua presente. Não a respeito dele. Que determinação! Ao mesmo tempo. a mulher eleita. sento-me em . na incrível batalha que um espermatozóide e um óvulo travaram para se implantar no meu útero. atocaiada num canto. mas eu a mantenho à distância enquanto olho as nuvens que correm pelo céu. Dirijo-me ) ta entreaberta. Esse bebê não passa de uma euforizante obsessão. A ansiedade me aperta o coração. No entanto. Disse a mim mesma que. Eu poderia consultar um manual. Nem o nenê bochechudo que ele ainda não é. cinzenta como 14 15 ) . Gosto de ser a mãe escolhida por meu bebê. "Doutora M:' indica a placa no alto da porta. "Senhora Bertherat!" A voz é imenso. nem o preocupante embrião que deve ser. mas de mim. Fico pensando no dia de sua concepção. mesmo assim para uma por- não sei de onde ela vem.. não consigo deixar de ter dúvidas. Náusea de mulher grávida. sua realidade ainda me escapa. de onde parece vir o som. A sala está às escuras.() () () j) ( ( QUAl'<DO o CORPO CO SENTE çoise Dolto dizia que os bebês escolhem seus pais. Fecho os olhos e não veJo nada. mais sinto meu bebê decidido .. não em geral. Há horas em que me digo que não vou conseguir nunca. SEGUNDO MÊS () () • 27 de novembro Quanto mais os dias passam. profissional. mas não estou J ) ) • I~ de dezembro A medicina moderna prefere oferecer-Ihes imaterialidade não gosta do imaginário das mães. apesar de minhas tentativas. E me vira o estômago . conhecer-lhe com vontade. se ele está aqui na minha barriga. Entro. calcular sua altura e seu peso. mas.

A cavalgada desenfreada ressoa por toda a sala. Estes usam os ultra-sons para se situar dentro da água. "Pode se vestir:" A ratinha volta a sentar-se à sua mesa e me pergunta a data de minha última menstruação. ao encontrar um obstáculo. (. A ultra-sonografía obstétrica utiliza o mesmo princípio. Os ultra-sons recebidos são imediatamente traduzidos em imagens na tela e mostram. Por que ela não fala? O que há de errado? Para completar o suspense. levanta-se . pergunto como uma tola: "Tão pequeno e já tem coração?" A ratinha não se digna a responder: O coração deve ser o que aparece em primeiro lugar: Sem coração não há vida. bam. os morcegos ou o golfinhos. a Ora. nele e refletem e retomam. "H um! . ou melhor.tenho. ela liga o som: bam. desse modo.meu embrião não é normal. mostre-me o bebê na tela. Não sou dada a me lembrar desse tipo de data. "Tire as meias e deite-se aí!" diz ela mostrando-me com um gesto do queixo a mesa de exames. parece mesmo um ratinho. pergunto procurando controlar o tremor de minha voz. há vida. Compreendo que ela não quer me tranqüilizar: Só me resta voltar para casa e disfarçar os olhos cheios de lágrimas. "O que devo fazer?". Arrisco 30 de setembro. chamado sonda. é uma coisa que me tranqüiliza. por causa do focinho pontudo. Em compensação. Logo.Aliviada. Passa-se sobre a barriga da mãe um emissor-receptor de ultra-sons.QUANDO O CORJ)O CO SENTI'. bam. tenho quase certeza do dia em que fizemos esse bebê. M. mas por certos animais como os cães. A tela defronte fica cheia de pontos impossível decodificar a imagem. se há coração. É absolutamente que lembra depressões anticiclônicas: por mais que eu arregale os olhos. "Não se pode fazer nada. Foi em I I de outubro! Tenho certeza. u in cujo nece l ento nõo ui o de oito di de à doto su- o que é a ultra-sonografía? A ultra-sonografia é um exame baseado no princípio dos ultra-sons. sinalizando assim aos golfinhos a presença de um banco de peixes ou d um rochedo. Está muito pequeno. Não me enganei de porta. sentada à mesa." No relatório da ultra-sonografia. Muito agudos.em pé. Em geral. Eu já gosto tanto deste meu embrião. não vejo nada que se pareça com um bebê ou com um pedaço de bebê. embrião". meu bebê tem coração. o que se passa no útero. mas não diz nada. esses sons não são percebidos pelo ouvido humano. Bem. é o coração dele. Um o quê? Um machucado? Será que eu esbarrei nele sem querer? Que mãe desastrada. Emitem vibrações sonoras que. não é? "Por favor.Isso não combina com o tamanho do embrião. registra: id in Meu bebê. não. SEGUNDO MÊS um ratinho. porque .. Está absort na sua papelada. M. corrige ela secamente e. . A ratinha observa a tela. A Ora. é bom sinal. Seu silêncio é uma tortura.. pega uma espécie de caneta de ponta achatada e passa-a pela minha pele. luminosos. Com um rápido movimento circular. gosto muito deles.diz a ratinha.1 que grudou no 17 16 . "Esses batimentos. _ Bebê. me comunica que há "descolamento das membranas com hematoma no pólo inferior do ovo". Esta envia ultra-sons em dir ção ao útero e dele receb um eco. Pai"que não está crescendo direito? O que eu fiz de errado? A ratinha não tem piedade. mas esse coração deve ter um corpo. ela besunta minha barriga com um creme frio." Ufa! a ratinha falou. ao mesmo tempo. É só esper I~" Mas esperar o quê? Minha língua está tão céu da boca.

a nuca tensa como e estivesse lutando para manter a cabeça fora da água. considerá-los dentro das cat gorias estatísticas. Go taria de soprar esse conhecimento vindo do corpo. ão é de admirar que fiquem machucados. só faz um gesto com a cabeça. os monstros são muito mais terríveis. Um exame. tem uma tela no lugar dos olhos. mas o queixo começa a tremer. orno 'li gO. e vejo seu queixo espetado para o alto. para alimentar-se. O teu bebê acaba de viver umas semanas agitadas. você está em contato permanente m o interior e o exterior. há tantos anos.111 i:1 do ela se machucava. pelos olhos. para agarrar-se no interior de t u útero. Agora. e u sopra :1 \11. sãc os seus . a boca que mais parece um'] 'slr 'il:\ linh:1 :11'1'0xeada.justamente porqu . quando ela tinha um pesadelo. ti s . ouvidos e olfato.1.. "Os primeiros tempos do embrião de bebê não são nada fáceis. um profissional. quer sorrir. flexíveis e muito resistentes. em meio a restos de células e de serosidades sanguinolentas. . Pela pele. Entretanto. Eu gostaria de soprar minha t irnura. tantas mulheres desesperadas. só deixa entrever sinais cabalísticos. levando-as a tocar a realidade mais tranqüilizadora: a do próprio corpo. grudado no aparelho. mas que não perde a noção do mundo exterior. lábios. a humildade e a paciên ia d tantas gerações de mulheres ant s d Ia ant s d mim.Mas o exame.um universo fechado em i mesmo. como qualquer mancha roxa. Iunca com as técnicas do meu ofício. meu ofício .11 de poder soprar e aconchegá-Ia no 010. a sabedoria. do meu para o orpo I 'Ia. na realidade causa pânico.consiste apenas em ajudar as pessoas a desfazerem seus monstros. o aparelho. se forem grandes ou pequenos demais. Resolvo trabalhar os músculos dos maxilares. Um hematoma é coisa corriqueira. na realidade calma de seu quarto e de nossas vozes na penumbra." Ela aperta os lábios. gostaria d soprar e transmitir. cujas mucosas e tão todas congestionadas. do coração. coração sereno.) ) ) TI-TÉRESE QUANDO O COlU'O CONSENTE SEGUNDO MÊS j ) ) I I I I \) I I~ I I I Ela me dizia "sopra". respiração fluida. batalhando. Quando se diz 'um ovo'. Tratei tanta gente. junto com sua placenta gêmea. sob um aspecto tão banal que ninguém desconfia da carga de angústia que eles podem provocar. Eles batem e apanham. Perceber diretamente as informações da musculatura confere à pessoa uma confiança em si tão profunda que nada mais poderá usurpá-Ia. desfazer os monstros. eu conseguia.acabo de compreender agora . Mas não é isso.tO fundos. pensa-se em algo inerte dentro de uma casca que quebra. deita-se de costas. s us n rvo são mensageiros através do labirint I corpo. Antigamente. um aparelho. em desacordo com a norma. feito para mostrar. '01110:ll1ti. Os ovos humanos são irrequietos. Em nenhum outro momento é tão necessário habitá-I o com conforto: maxilares relaxados.. o técnico. músculos flexíveis da cabeça até a ponta dos pés. ou excluí-los.\ mente. 19 .não há nada de mais onfiávcl do qu a rapid 'Z a pr cisão d bilhões de 'lulas para garantir sua segurança bem-estar. Gerar uma criança torna o corpo muito alerta . "Vamos tentar 'trabalhar'?" Ela não responde. fica bom sozinho. 18 nao tem ouvidos para escutar e só pensa numa coisa: faz 'r a triagem dos embriões. que supostamente deve dar segurança. Vejo seus olhos que de r pente S' tomaram (. Nunca tratei minha filha.gurança.

na hora do nas imento. 21 / 20 . e o e cheg l bios. os punhos se apertam. Não no momento exato. Nem uma palavra. é ele que contrai o útero. E mais nada. nunca esquece nada. Ou estacar. Nosso cérebro.spiração. os pulmões respiram. Todos os outros movimentos propost S stão reunidos no fim do livro. tinentes. que el ocupe todo o ço e e e . não consegue fazê-Ia porque não sabe o que aconteceu com o corpo. que representa sua obra pr ciosa. N m um rito. Obse co o t pi se n c ep nd Por que a boca? Por causa de todas a palavras que ficaram presas em tua língua. Neste exato momento. . nem 1. Atacar se forem fortes. g . ficase horas e horas ruminando tudo o que se queria ter dito. os músculos se contraem e. mãos úmidas. O corpo está a toda. d lt p u n boc . Ele fica atento dia e noite para pres rvar em nó a vida. ou pé. para que tudo aconteça perfeitamente dentro de teu corpo. lima r . entre os dentes. nem um olhar. Frear é tudo o que ele pode fazer. boc . fugir se forem fracos sempre foi a forma de reagir dos seres vivos. acaba-se esquecendo. agitação não dependem dele. Mais tarde. as palavras gaguejadas não são per. ficam à espera de uma ordem que não chega. pedir contas. De língu l g -se. p t nto do eito do esque en no de e c po uns segundos. e que e edeç . nada que seja vivo. podes no ch que é lh . é c sudos l . nosso corpo freiou com todos os músculos. Dependem de uma r de de nervos paral Ia. o ritmo e a duração das contrações. Os·animais se fing m de mortos quando acuados. para poder relaxar-se. chamada sistema neurovegetativo. Formular palavras em pensamento é possível. o oração dispara no peito. Os olhos ficam marejados. é to. e ece s lguns segundos.QUANDO O CORPO CONSENTE SEGUNDO MÊS Mouimento' Este i sico sol os los dos l fazê-tos te eocue ou pouco . o l o e o e o o supe . Detido em seu movimento. O homem também. Emitir palavras é o nosso modo de defesa como animal humano. Sair correndo não se faz. dosa-os e os distribui. e c língu be g . o teu coração está batendo. como fazer isso? Muitas vezes. Por fim. cerrar os dentes. É o responsáv 1pelo teu bebê. Só líng ic sec . Desse modo. Não deixar nada passar para fora. não encontramos as palavras. j que os il os. Depois. porém. determina amam nto. e não precisas querer. e e os os. O embrião do teu bebê aninhou-se em teu ventre graças a ele. Mas. nem mesmo ter conhecimento disso. Ele dispõe os hormônios n cessários. a garganta apertada. Refaz o ento ou d s s. Coração disparado. dizer palavras com a boca também . trabalho este que nosso cérebro consciente tem muita dificuldade de analisar e compreender. sent . bloquear a respiração. se ecis en-se. tent ndo sol es pel s in g .propor perguntas. toldar o olhar. expressar dor e cólera. -os is ol co molar. atropelam-se umas às outras. Nosso corpo. bater no próximo não se faz. o sangue circula. que deveria dar essa ordem.

Para que I' se acalme. os ela língua 'os los ma ilar 'S. beijas. Sal 'r lislinguir Cl1t r ' os 111l1SCIII()s lu. inúmeras tensões qu nem chegas a perceber. as articulaçõ s fora (I' prumo. Um oríficio lembra o outro. nossa boca é também fronteira entr o con ciente e o inconsciente. Dr.J ) J Ele faz um trabalho vital e magnífico.i bio . sensorial. língua e maxilares. muito sensível. porque os maxilares e os ouvidos têm nervos em comum. O corpo é um todo. ou escancará-las a seu bel-prazer. S mpre à frente desde o primeiro instante de nossa vinda ao . emoções demais e. em proporção a seu tamanho. sorris. aliás. a musculatura também não relaxa. Começa. E violenta. fala . O conhecimento da boca solicita o conhecimento da vagina. ão é surpreendente. p. Soly Bensabat.11 ' :1 st ess. obs rvo que quem teme e tipo de acidente costuma t r os maxilares atarraxa tos por tensões. Aprender a soltá-Ios. Quando contraídos. l. não deve ser deixado ozinho.laxar-sc.J ) . exagere um pouco. temos de harmonizar nosso cérebro consciente com o sistema nervoso involuntário. E. e o da vagina solicita o do útero. os I robkmns elo. contrações exageradas dos músculos. e o ato ele apertar os maxilares enfraquec nossa capacidade de escuta: nada consegue air e nada consegue entrar. uma sensação num orifício da cabeça provoca sensações no orifício genital. a parte superior com a inferior. musculosa. por ons 'guintc. das costas ou das pernas será vítima dessas contrações e terá grande dificuldade para soltar-se. E em suas fibras eles guardam. os maxilares se fecham com uma pressão de oitenta quilos.ulos. sem teu conhecimento. a musculatura do pescoço. costuma ocorrer que um fluxo de palavras se liber . ela prende.) QUANDO O COJU'O CONSENTE SEGUNDO MÊs ) ) . 1989. beija.gu '11'1 r . In pulsos demais. como uma abertura não se mexe sem a outra. eles exercem nos dentes um peso médio de dois quilos. se contraem. profere palavras.li '"cios. total Iluid '7. eles exercem nos dentes . 44. por exemplo. Sugiro movim 'nlos minus . Se a boca não relaxar. uma vasta rede nervosa. e os músculos de tua boca fazem uma porção de movimentos dos quais não tens consciência.1 ser '111 r 'pl'lith . Le o fundo. Os músculos dos maxilares são.nundo. a interior com a exterior. Não estou sugerindo que a pessoa desloque os maxilares. é muito suave. A boca pode condenar todas as portas de teu corpo. Ela detém a chave do equilíbrio neuromuscular do corpo todo. Fronteira entre o ext: rior e o interior. .saparc . Antes de poder expressar a própria dor. 2. X r uns c outros s para lament . antes de encontrar as palavras adequadas. Como? Apr ndendo a conhecer os músculos que. não te dás conta do que fazes com os lábios. 111'1 ilar 's I .como deglutimos com freqüência mesmo durante o sono. nssim que os mús ulos cons . conseguindo III '. com sua . sensual. É uma porta. e. Após tais movimentos. tanto a visão como a audição também melhoram. Se os maxilares se trancarem. a primeira. Não precisas fazer um curso de anatomia. é preciso conseguir soltar os dentes. muito exatos ' I . 'IS vczes. '111. os mais fortes do corpo.um peso de quatro toneladas no espaço de vinte e quatro horas'. come. e. Cada vez que engolimos saliva. c'est Ia Paris: Fixot. Devolver à musculatura da boca a amplidão fi iológica de seus movimentos. literalmente. pr ruo para o exagero.' aprender a situá-los e a senti-los. Embora. bem apertadas. Tudo se completa. Reage com d rnasiada força. A boca é forte. suga. pela boca. é tudo ao mesmo tempo. com isso.e em todo o nosso corpo . comes. A tomada de consciência de uma cavidade desperta a consciência de outra cavidade. a sua liberdade. a que está mais no alto..

invencíveis..'() II. o coração já não bate disparado. O útero é inquietante. em grego. seu amor materno já não basta para me consolar. causa preocupação: houve quem pensasse que ele viajava pelo corpo da mulher e.QUANDO O COHPO CO SENTE SEGUNDO MÊS boca oferecida. Por mais que se perscrute com precí.I~. Há dias em que eu acredito nisso. o mistério das crises permanecia inexplicável. 2 e 3. vasos e nervos. Fiquei tão desorientada com a ultra-sonografia feita sem delicadeza! Movimentar meus maxilares ajudou-me a pôr para fora minha raiva: consigo respirar melhor. É de útero.11'111). estavam presentes as forças de vida pujantes. s -ja irrc jui to. Depois de ter lutado tanto para existir. Os h 'I ês S:IO r('sisl '11 tes e as mã s têm n"SS'1 OC:ISitlCl 'IV:1. que se usou o termo no século passado. incapacidade e incoerência? Durante séculos.1. continua 1 re ente. Então.IIVl'1:IIT.onunua a I ( I ) .mxi '(\:1<1' . foi preciso chegar a minha vez de preparar-me a ser mãe para que eu pedisse à minha mãe algo mais que seus braços aconchegantes e carinhosos. a que ela oferece há muitos anos a seus pacientes.. com ou sem hematoma. elas abortavam. meu bebê vai conseguir se agarrar. até há pouco. Talvez eu tenha me enganado na data .o que se refere à gravidez pode ser traduzi 10 m números estatísticos.i. Porque paira uma dúvida sobre o fato de teu bebê estar de acordo com as normas estatísticas. Histeria.1 irn:. enios • 6 de dezembro boc n 1. e agora só restaria ruptura. através de movimentos precisos. força. o útero está sob controle. ele tomará conta do bebê com todas as fibras de seus músculos. Conta-s' qu na (I '(':\ 1.\() IlIO ()C]IIt'xc-ntimcntos ambíguos? Mesmo ('ltlIIIIIII. mas por mais que se e tudassem os trajetos nervosos. Como querer (pie' I'. se intumesça de vida . Desde qu foi descoberto. Pelo menos. omo a água dos céus o fogo dos vulcões. pp.(".\(1. 139 143. pediam que elas ngravi lasscm: <11110111 te um tempo desenvolviam-se nelas os horrnónios V:-'pl' cíficos da gravidez que aumentavam sua força muscular.contém nada menos que dezessete músculos . caso chegasse à cabeça.. Depois. nove me.. liberar a respiração. e aceito sua ajuda como terapeuta. talvez penses que teu corpo te traiu. mentiu ou errou. Mas isso não impede que ele continue sus1 ito. sabe-se "tri <111\'11. 24 Uma bioquímica extraordinária se estabelece em torno do embrião de teu bebê. :1rc-clon 1 'Z 'a suavi lad xterna. 11111.'.IIlC'lcla I. em outros não. A das mulheres. Os lábios da boca lembram os lábios do sexo. mude d volume e de forma. de energia incalculáveis. :1 . sob controle óptico. A língua tão musculosa . O ventre da mulher tornou-s transparente.<lI . Hoje.com suas perturbadoras contrações e retrações pode con eguir.1dI' KO os treinadores soviéticos. a concepção evocou os ritos mágicos e o temor daquilo que é incontrolável. . tudo .ou quase tudo . como também a do pessoal médico. (1(.10 l\li TOl11ilil11 a o que cresce dentro dele. e feminino. Volto a confiar no meu bebê corajoso. Os conhecimentos em neurologia já estavam bem adiantados. Na hora certa. convulsões. porém. Afinal. para aumentar o ICSl'lIlpl'ltllll de suas atletas. Teu corpo inteiro está voltado para a vida. Hoje. com ou sem descolamento.. essa boca se abrirá para deixar passar com naturalidade a cabeça do bebê. TI-IÉRESE Ele vai conseguir. Agora. provocaria um desastre.II. crises. wllllI'it':I. A ansiedade. os músculos da nuca e os das costas. rt'.

Dirigime à maternidade R.. pp. ou não quis. Preenchidas as formalidades administrativas. encaminharam-me para uma saleta onde uma moça de uniforme branco me explicou o funcionamento da casa. não sei o que se pode esper-ar de uma maternidade. Wilhelm Reich. Cheguei com a bexiga cheia . perguntoume o que eu esperava da mater-nidade R. prejudica decerto a confiança em si."tome um litro de água antes de vir".J ser ansiedade. cuja fama atrai todas as gestantes do bairro." O fato de descartar o sentido do tato e da audição. a que está sozinha senta-se bem er-eta."É facultativo. uma após a outra. Ver não as tranqüiliza. cria. Elas não estão conectadas a esses aparelhos. de nariz espetado. três mulheres dão à luz.que a Dra. eu nunca pensara nisso.) ) QUANDO O COIU'O CONSENTE ) ) ) . de confinar a visão ao contorno de uma tela. nem seus suspiros nem seus sorrisos são para nós. Somos treze: seis casais e uma mulher sozinha. mas o filme é tão bonito . "Qualquer perturbação da capa idade de sentir plenamente o próprio corpo preju lica a onfiança em si e a unidade do sentimento corporal. M. Três mulheres inacessíveis. sentados num tapete no chão. 143 e 144.Pelo jeito.. Ou seja. Já havia seis pessoas na sala de espera quando cheguei! Uma hora de espera com a bexiga prestes a estourar. as consultas médi as obrigatórias e os exames a fazer. Afuuçáo rio O!'/!. a necessidade de compensação. • 1 O de dezembro desco os sculos lo - ) ) Segunda ultra-sonografia.que é conhecida pelo atendimento caloroso e atento. tudo entrou nos eixos. Não tão racional quanto qu 'f . Seu conhecimento é infinitamente mais rico e mais profundo.. Em certo momento. • 17 de dezembro -t 3. dissera-me a secretária quando telefonei para marcar hora. Sua pergunta me pegou desprevenida. Uma semana inteira de aflição à toa.Assistimos a um filme sobre o parto numa sala da maternidade R. mas encontra uma compensação nas pró teses mágicas da aparelhagem tecnológíca. porque não é pelo olhar que elas estão ligadas ao filho. Respondi que desejava que meu parto fosse feliz.Você não é obrigada a vir. explicou a senhora das fichas. O veredito dos ultra-sons foi muito apaziguador: o desenvolvimento do bebê é perfeito. O que estarão pensando? Sentindo? Jamais sabere27 I 26 . alé m disso. Nunca tive um bebê. Po."Na tela. minha resposta não satisfez. As mulheres estão grávidas e seguram a mão do marido. A bexiga cheia achata as circunvoluções do intestino e ajuda a destacar o útero na ultra-sonografia. o descolamento tornou-se um "minidescolamento" e o hematoma um "rnini-hematorna".. mas eu não sabia o que acrescentar. escolher melhor suas palavras ao interpretar a primeira ultra-sonografia? Fiz minha inscrição no serviço de pré-natal Já não havia vaga no hospital V.ClSJ?/O. São Paulo: Brasiliense.m fazê-Ia parecer. mas valeu a pena. TERCEIRO MÊS • 15 de dezembro ) ento n9 4 es. Exceto para as mulheres. olho fixo na televisão ao alto da parede. 1995. não soube.

Martin não hesita. dentro delas. Mas a comunicação entre nós não é direta. Mas. Por causa da intrusão em sua intimidade e.. tudo isso não pode ser percebido pelo olhar. serei de fato uma gestante? E terei de revelar um segredo tão íntimo a um desconhecido? Desejo que minha barriga comece a crescer e fique logo evidente! • 3 de janeiro As férias já vão longe. acolhê-lo dentro de si. repleto. fazê-lo na cer. o pai revelado faz questão de explicar que não "está blefando". l 'lIS 'r28 • 24 de dezembro É noite de Natal. antes ou depois do parto. THÉRESE Por que as mulheres na tela não falavam. Quando assistem a um filme sobre o parto. Ninguém vai se dar ao trabalho de olhar para um corpo em si. Usurpação de título: minha barriga não aparece. Então. recortado. pela necessidade de unidade de seu corpo. fotografado. que filmem o nascimento. as imagens precisam ser cada vez mais espetacular s. n '111 10 das outras mulheres. Deixam que lhes sondem a barriga. Mas deve submeter-se às leis da imagem. Dás à luz orn lll. Os do bebê ainda não funcionam. mas o oxigênio parisiense que estou respirando é o mesmo que circula em seu corpo e lhe irriga os órgãos. Não sei como vou conseguir viajar de pé até Valence. em zonas do ser inacessíveis ao olhar. O que leva ao estereótipo. também. que o visor da câmera fique entre suas pernas. O espectador recebe choques visuais. arte. que nos deixa perplexas. Em tempos comun . é verdade que o corpo é mostrado. elas aceitam sem problema. agora as incomoda. Filme mudo. É como se recebessem mizalhas resI:> sequidas. explica ele a um rapaz sorridente. E classificado de acordo com certas categorias. sexo. moda.rg nas raízes da humanidade. filmado. barriga e costas. Quem precisa ser convencido da autenticidade de nosso bebê? O rapaz sorridente ou nós. a estação de Lyon está cheia de gente e o trem. 29 . é isso. A realidade se passa fora do campo visual. "Minha mulher está grávida". os pais? Fico vermelha e sem graça até a partida do trem. Nem do pré prio parto. Nenhuma fala. Ele tem de caber numa rubrica esporte. que supervisiona e organiza todos os nossos contatos. Elas acabam de viver algo que não podemos compreender.QUANDO O CORPO CONSENTE TERCEIRO MÊS mos. Ele será forçosamente achatado. os futuros pais ficam com lágrimas nos olhos: pela grande sinceridade e pela intensidade do mistério. Sem jeito e com vontade de rir. A leitura dos manuais para gestantes me revelou a presença de um espantoso intermediário entre meu bebê e mim: a placenta. exibido. Para prender o olhar do espectador. Será o que me espera? Talvez. Ocorre algo pr fun 10 que te irn . O que. que sem perder o sorriso cede-me o lugar Diante de tanta boa-vontade. colaboram. O ar puro do campo deixou definitivamente meus pulmões. ou por que ficaste apenas olhando? Desejar um filho. seguidos de aneste ias pelas quais tudo lhe parece uma mistura uniforme. concordam. Mas a mulher não onscgue s 'r -spc ta lora quando espera um filho. e há mulheres que concordam em ver o filme.' pele. as imagens conseguem atravessar a tela e tocar-lhes o coração. em tempos comuns. O quê? Não sei. As mulheres não criam problema. o alimento que como é que lhe permite desenvolver-se. algo não se afina com o espetáculo. Do mesmo modo. gãos. enquadrado..

.J ) fundo uterino ---- cordão umbilical placenta uma veia duas artérias ---- - . no seu primeiro ano de vida.) e o oxigênio de que o bebê n ces ita.ncarr 'ga de todos os vaivéns entre o feto e a mãe. nossos dois organismos nem se tolerariam. ) ---. deixando judiciosamente passar seus anticorpos. O rebento não é rejeitado.nta recolhe no sangue materno as moléculas nutri rucs (glicose para a energia.J ) . A placenta assemelha-se a uma árvore cheia de sangue ou. sangue de meu sangue". A placenta é um excelente antídoto para o clichê que designa o bebê como "carne de minha carne. O mais espantoso é que. vergônteas e milhares de raminhos chamados vilosidades. por determinado motivo. m contato du-eto com o da mãe: a troca anguínea se dá s mpr através das pare les das vilosidades. me1110r. Aliás. As vilosidades estão ~mersas em pequenos lagos cheios de sangue materno. o bebê não pode viver. isto é. A placenta também é produtora. o fim da gravidez. A I lac . a placenta é comparada a um grande bolo. . Por quê? Porque a placenta identifica os assassinos e faz com que trabalhem para ela. e as copas cheias de vilosidades voltarn-s para a parede do útero. Ora. diferente de mim. Isto é. depoi. e protetora: serve de filtro para a maioria das bactérias presentes no sangue materno.) ) QUANDO O CORPO CO SE TE TERCEIRO MÊS --------- - ) Qual -. Eis o que ocorre: o organismo da mãe identifica a presença do corpo estranho e desencadeia o conhecido processo de autodefesa. sem placenta.J ) J ) . o vocábulo placenta. suas células. fabrica uns vime hormônios indispensáveis ao feto. ela o purifica do gás carbônico dos resíduos. uma espécie de excrescência ventral. não foi meu organismo que fabricou essa placenta. Em geral. metade do pai. graças aos quais o bebê fica imunizado contra doenças. 1( vagina __ -\-_ 30 31 . ela atinge vinte cenSem ela. a fun 'ao Sem a placenta. produz células assassinas e anticorpos. hastes. O conhecimento desse fabuloso mecanismo e da função da placenta me traz uma incrível serenidade. mas é um ser em si. portanto. como aliás as do cordão umbilical. feITOpara os glóbulo verm lhos. a placenta não desempenhar seu papel de defensora do ovo. o bebê não poderia d . da placenta? tímetros de diâmetro e dois ou três centímetros de espessura.incrustar-se na mucosa uterina. É a prova de que meu bebê não é um pedaço de mim. provêm do ovo. quer dizer bolo. cálcio para os ossos . líquido arnniótico colo cio útero -----4--4 . metade da mãe ..corpo estranho . As raízes dessas árvores estão situadas do lado do cordão umbilical.bonlco. a um punhado de árvores frondosas cujos troncos se dividem em inúmeros galhos. É a placenta que permite ao ovo . J . É o intermediário indisp nsáv 'I qu 'se . Se. em latim. Mas estes ficam completamente ineficazes.scnvolv 'r se no ull' ro da mãe.J . O sangue do bebê nunca está. o qual e renovado uunterruptamente E assim que o bebê se abastece: cada vilosidade contém uma artél!a para transportar o sangue r~ovo e uma v~la par~ livrar o bebe do sangue carregado de resíduos e de gas ca1'. ocorre um aborto chamado "de origem imunológica".

disse-me certa vez uma encantadora e inconsciente senhora. as crianças ficavam parecidas com sua ama-de-leite. que se espalha no sangue sob o golpe da emoção boa ou má. Sabe-se também que os horrnónios maternos são produzidos sob o controle do cérebro. que se chama hipotálamo. pass 'i a gostar.também somos animais . Desse modo. Qual dos dois começou? Nada prova que o fet~ nã? seja capaz de comunicar ele mesmo suas emo~oe~ a mãe e indicar-lhe quais são seus desejos e preferenClas. ão dos hormônios vitais a s u desenvolvimento.QUANDO O COIU'O CONSENTE TERCEIRO MÊS membrana ---. a criação de animais .oAssim. 247.rn uma grande autonomia em rela ão à mãe: lc mesmo regula a produ. deixa passar a adrenalina.-----:T'-:?"'-- artérias . Aliás. e um bezerro for levado a mamar numa vaca que acabou de parir uma novilha . ra engraçado.mpr n mesmo lugar . a partir da placenta. THERESE A placenta. . mas do mais arcaico e mais animal. o f to ou a placenta . tem uma composição diferente'. o bebe e a mae estao continuamente imersos no mesmo sumo emocional. toda mulher -produz um leit que não lhe pertence e que. qu o f to t ." I ão ' fácil explicar como se dá a passagem dos hormônio . mas com a ama. d . ainda se conh ce muito pouco a respeito do saber do poder dos bebês. Não de nosso cérebro consciente.a mãe. Dessa forma. Sab s . Ce que /se Doi/o. ora. O que ele faz escapa quase totalmente ao controle do córtex.os pr cluz. Paris: Fayard. ess bezerro macho nunca será um bom reprodutor. como o leite de uma ama. c ntudo. o de coisas com sal e a querer viajar. ~omo é. E com a raça humana? Seria interessante saber. porque não se sab ao certo qual do três habitant s . que está empoleirado por cima dele. sua ação oculta é conhecida há relativamente pouco tempo p Ia pesqui1. bem antes de nascer. em certos casos pela vida afora. que eu sei? Durante a gravid z. influenciar de dentro os zostos e comportamentos maternos durante a gestação.pois <lu ' nasc ste. Não se pareciam com a empregada. aI orear doce o fundo. pode influir nesta criança. Essa substância.~-- / t Superfície fetal da placenta. "Antigamente. eles mesmos preparam o leite da mãe. por exemplo. p. feito para o filho que ela carregou no ventre e dado a outra criança para a qual não era destinado. Madeleine Chapsal. o cérebro moderno. de filho para filho. os dois sentidos. atravessa com facil~dade a ?lacer:ta. que não deixa passar as bactérias. 1994. voltei a meus gostos pessoais: fi ar sonhando s .foi constatado que. e uma novilha mamando o leite destinado a um jovem touro nunca será uma boa vaca leiteira. já preferias o salgado ~ adoravas viajar. Antes de nascer. 33 . .

Como? O hipotálamo está em ligação constante com a boca. Meus seios aumentam. de dia. Li que é um dos efeitos da progesterona. procura acalmar e refazer nos a energia ameaçada. Torno a sentir-me uma estranha. Há mulheres que contam mais com o an stesista. mas nunca tanto quanto os neurônios funcionando num corpo saudável. à força de anestésico . E também do bem-estar. que palha a adrenalina no sangue. teu sistema nervoso torn. Podes contar com a competência de teu sistema nervoso. Aqui estou eu. todo os receptores dos sentidos que ficam na fronteira do interior com o exterior de teu corpo. T CI ois ele 1 'r atraído irresistivelmente dois ser" ele 1'r fundido :1 ('('lula !TIélS ulina com a feminina. é o senhor da fome. as narinas. O sono. podes enviar através da musculatura rnensag ns para serenar os gânglios simpáticos. Os meus dias de mulher grávida têm a mesma indolência. pp. com pequenas bolas de cortiça que costumo usar. mas palpita sem parar. Não é como o esgotamento do atleta depois da prova: mais parece o torpor intermitente da adolescência. a prova a enfr-entar- ) ) é do mesmo calibre: sair de um estado para tornar-se outrem. 145 147. horrnônio produzido em grande quantidade durante a gravidez. encontram-se as conexões da rede de células nervosas. a pele. Estas conexõ s ão qual bebê que preci a ele carinho para acalmar o choro: têm necessidade de contato. um se antecipa ao outro. os olhos. • 12 de janeiro Cansaço e moleza. fecho os olhos e durmo. exceto dormir e continuar a dormir. ' ele que comanda os movimentos do útero. qual teia de aranha que impede as mães de se agitar-em. Para o bem-estar teu e do bebê. Agora começa tudo de novo. já o nar-iz fica no mesmo lugar.) ) ) QUANDO O COlU'O CONSENTE TERCElRO MÊS ) ) ) ) ) ) j ) ) ~ ) ) J ) J . a barriga cresce. Ao longo da coluna vertebral. sensível ao mínimo eflúvio. Aos treze anos. os quadris se alargarem e o nariz indeciso se achatar no meu rosto. só tenho vontade de uma coisa: deitar de novo. Ontem. O hipotálamo é o granel' manda huva da vida. É também o S nhor por excelência do na cirn "'n10. Contanto que não o adormeçam artificialmente. sujeita à for-ça hormo- nal De novo. O hipotálamo. sa científica. Aqueles dias glaucos em que tudo parecia inútil. o outro. ão percas tempo buscando sua localização exata. o "parassimpático". Quando trabalhas a boca. Assim que me deito. 35 ) . os ouvidos. da sede e do s xo. vi meus seios crescerem. o sono parecendo a grande escapatória. Por meio de leves pressões. Podes ajudá-los a se porem de acordo. Sentia-me uma estranha. que sabe tanta coisa. isto é. do prazer. é ele que acelera as contrações do coração e do vasos. T '!TI às suas ore dens dois sistemas que dispõem d a õcs diferente complexas. E sabe mesmo. Já vou explicar como trabalhar os olhos. o corpo foge ao meu controle e faz o que bem entende. como na adolescência. Ao me levantar. um pouco assustada. O outro. e nosso organismo se desregula. Digamos que um empurra e o outro freia. que comanda a vida. Um está de plantão de preferência à noite. as conexões neurais. pois as mensagens circulam com facilidad ao longo das costas. O que é chamado de "simpático" stimuIa nas situações de estresse. é indispensável o bom entendimento desses dois sistemas. le l r amadurrci 10 () fruto não tem cabi- mento pensar que ele cai no sono na hora da vinda ao mundo.a-se mais estável e confiante. Adolescente ou mãe em botão. Às vezes. Mouimentos n":' 5 e 6 espi cost .

isto é.. Dentro em breve. o ritmo do bebê é o mesmo que o teu. feita de células muito parecidas que já pulsavam e respiravam. em total verdade . em dado momento. Por nquanto. ou então não deixa que as duas células reunidas consigam se implantar. carregá-Io dentro de si. salivação e outras mazelas de mãe . A mulher grávida. O teu sistema nervoso poderia ter impedido o encontro. vertigem. As pessoas fazem de tudo para barrar a intrusão d 'L as s nsacões "vegetativas" isto é " " que pertencem ao sist . a boca eca ou repleta de saliva. ele vai escolher um ritmo próprio. no seu quarto mês de embrião. Mas nem todas as mulheres são assim! Esperar um filho. as células dos músculos as do órgãos fazem um ince sante movimento vibratório e rítmico. Às vezes. e ela não consegue reprimir essas manifestações. quando as moções . ela é o próprio corpo.e também os . os livros não explicam direito as causas fisiológicas de minhas alterações internas. ma .onflitos .QUANDO O CORl'O CO SENTE TERCEIRO MÊS era deixar a infância pela incerteza da adolescência. Lá estavas. respirar é inchar-se e contrair-se. Reprimir as manifestações do corpo é enrij c r os músculos. ao animar ada um de nossos órgãos . porque estão na base da própria vida. Juntas. Ela está no seu corpo. É desse modo que nos habituamos a recalcar nas profundezas do corpo todas as emoções. A linguagem do corpo é isso também. Seu sistema nervoso se expressa. uma espécie de amora microscópica. A energia. Como o ritmo das ondas faz a força do oceano. a vida está a caminho. Procura ajustar-s e adaptar-se da melhor maneira. em total inconsciência .e aconteceu. é deixar a liberdade de adolescente pela responsabilidade materna. Seria bom que não houvesse conflito. há centenas de bilhões de células que estão pulsando e respirando com ritmo. vômitos. O ritmo de tuas células é que dá energia a teu corpo. para não sentir as descargas vegetativas que-as acompanham.fabricá-I o. Para a célula. Nosso organismo nunca esquece seus primórdios. Gosto mesmo é da explicação popular: o que a mulher prenhe vomita é a sua ansiedade. já que ele existe. hoje. Mas. Hoje. a 'mórula'. em julho .estão devidamente consignados nos manuais de gravidez. pode haver reviravolta maior? Será então de estranhar que. e que são mais importantes para ambos que os movimentos da respiração ou da circulação cio sangu . Pulsar e respirar é típico da vida.. aspirar os líquidos do corpo e expulsá-los. distinto do teu. Além disso. teu orpo e o do bebê vibram m movimentos ínfimos e fortes que não percebes. ele não deixa os espermatozóides amadurecerem e os óvulos se formarem. Há também quem diga que os distúrbios aparecem apenas em mulheres divididas. O que é ótimo. no teu caso. não.ma n urov getativo. 37 . O teu sistema nervoso tateia. é verdade. Transição por águas turvas. caso a situação seja de estresse. o que de certa maneira tranqüiliza. as que oscilam entre o desejo e a rejeição da gravidez. Já não gosto muito da análise culpabilizante segundo a qual só as mulheres que rejeitam a gravidez sentem mal-estar. Assim. Infelizmente. o fato de bloquear as manifestações corporais significa bloqu ar o corpo todo. é formar barreiras. No mais tardar. em teu corpo. é o fator de nossa unidade e circula em nosso corpo dcsd o instante da concepção até o da morte.são muito fortes.também eles em movimento -. imaginar sua criação. foi ele quem decidiu. quando era uma bolinha minúscula. Ninguém gosta de sentir náusea. os distúrbios da gestante náusea. Acho que tudo vai acabar bem. a futura mãe se pergunte se estava certa ao lançar-se em tal aventura? THÉREsE Teu bebê não esperou que lhe desses o consentimento de tua razão.

É claro que ninguém tem consciência ele estar fazendo força. dos quais pretendo logo I ' Ialar. eu continuava falando daquilo que era a minha paixão . Aliás. mais spessa. Falam de Irigid .J ) I I I I I) I A pulsação de todas as nossas élulas harmonizadas produz em nós uma incrível força en rgélica. certas mulheres . Gerar e dar à luz ão atos intensos.quando peço que projetem o púbis. onuru . com o ritmo interrompido. invertemos suas potencialidades e os destinamos à impotência.11l1\)VII1 1":11. Aparecem edemas e celulit . na cozinha. da nuca ao calcanhar s. na hora de um conflito. As fibras musculares imobilizadas estão rígidas e contraídas. Costumamos empregar a força de nossas costas contra nós mesmos. A mulher grávida não pode desp rdiçar com bloqueios nem uma migalha de sua energia.rnr s .. e as mulheres. forrnidáv I pod r de contração. os é)rg. Concretamente é possível ver e tocar nos lugares em que a energia se acumula. quase sempre. No lado d cI . a energia. r pre enta ao mesmo tempo nossa força e nossa fraqueza.e homens também . que era fluida. como solidificada. em todos os músculos. Às vezes. sereno e muito alerta . Vou explicar omo a potência de nossos mús ulo posterior s. aliás. entre duas pessoas. tão congestionados. muitas vezes senti ao toque dos d dos essas zonas. todos os animais. pernas estão em desacordo entre si. Com a região lombar arqueada. porque e tão r 'Ia .) . Mas. da pélvis e da parte inferior Ia ostas.us tormento superficiais. Todos os seres humanos. T~'l11. 39 . não há literalmente contato dentro de nós mesmos. e nossos braços. estás certa. Se não encontra m um jeito de se relaxar. que chamo de zonas mortas. em qualquer lugar da casa. iH Pensas que estou fugindo do assunto.nita is estã sofridos. ao longo de dias e anos o organismo vai armazenando cansaço no músculos. E sempre em determinados lugares do corpo. na profundeza da bacia.. e coisas nos parecem hostis e em interesse . Não há reme emagrece dor que dê jeito. nossos músculos se contraem.ioria los à man 'ira '01110 CSL:l S' formando o eml rião d t u b bê.1111 (I()s iorm mtos profundos. Os mús ulos post 'rim 'S elo rpo têm um. Dessa forma. e todo o nosso corpo está em desacordo com o mundo que o cerca. No instante em que ocorre um golpe físico ou psíquico. uma for a in rível.J ) . A pele. Há uma perda considerável de energia quando se mantêm os músculos contraídos. Invertemos em sentido próprio. todos os seres vivos têm uma vibração universal que os une.ntro. os órgãos das zonas correspond nt e. o púbis contraído. minha filha? Já me conheces e sabes como antigam nte meu trabalho era minha preocu pação constante.. Em vez de fazermos os músculos funcionarem para nosso bem-estar. I 'I ilitl:ldv. ror motivos anatômi 'os -Tisiolàgicos bem precisos.los ) . Um organismo sadio deveria conseguir aproximar sem dificuldade os dois pólos originais: a boca e o sexo. o nosso caso. prende-se às camadas musculares subjacentes.) ) ) QUANDO O CORPO CO SENTE TERCEmo MÊS J ) . costuma-se dizer. depois (\ . todas as plantas. a cul t nada mais é que o indício externo do bloqueio dos músculos ias coxas.J ) ) ) . ':llv dl' v. Durante meu trabalho. Nossa cabeça está em desacordo com nosso corpo. E eu não te deixava em paz. vamos voltar ao único assunto que te interessa. costas. quase mpr ' 1. em atitude de recusa. meu girassol. Acentuam ainda mais o arqueamento da região lombar e comprimem o sexo entre as pernas. porém. porém. sentimo-nos esgotados. o ovário. Mas a pessoa se sente esgotada. não entendem e qua e sempre projetam o umbigo. se cristaliza.. pois pessoas. "Não há contato". o út rc. nem fora. À mesa. Essa força não se traduz pela nece sidade de agitação: ficamos de acordo com todo o nosso ser. N5 .

de ventre e coração atados.provavelmente o inofensivo hidratante que eu tive a infeliz idéia de pasi os nõo isso! sar. uma aluna disse-me ter tido na hora do nascimento de seu primeiro filho uma sensação de gozo parecida com a do orgasmo. "Veja o pé direito!" Espero. a ocitocina . a boca e o ânus". B. 148 e 149. B. No terceiro mês. diria Françoise Dolto.do útero na hora do parto. a inferior escancarando-se como uma "cornucópia". o prazer ocorre por uma excitação das faces laterais do hipotálamo. e é por ele que pode ser dissolvida. o umbigo . O sermão fica registrado.QUA DO O COlUJO CO SENTE A mulher que dá à luz sem se violentar aproxima essas duas aberturas. O esquecimento de meus preciosos óculos deixa-me entregue. Segundo Reich-. Dócil. A cnrálisc do () . Há alguns anos. Por que falar aqui de orgasmo? Porque o orgasmo e o parto são parentes próximos e inquietantes. Wilhelm R i h. Durante o orgasmo e durante o parto. pp. o corpo é invadido pela mesma substância hormonal .gigantescas . "É mesmo??? ento de nQ 7. há ainda uma ultra-sonografia: obrigató- "É a i po que e ntu is . afinal. "O bacinete direito é duas vezes maior que o esquerdo. pelo aparecimento do esquerdo. "durante o orgasmo. reclama do meu creme "antiestrias'' . O Dr. As pulsações do orgasmo vaginal prenunciam as pulsações . a respiração involuntariamente bloqueada em meus pulmões. 2. o diâmetro do crânio." A chamada à ordem é como um soco no meu estômago. mas em falta: o Dr. . mede tudo o que vê: os ossos.. informou-me o médico do pré-natal Qual mãe teria a co- is do ragem de evitá-Ia? Isso nem me passou pela cabeça. No orgasmo. "Ah! Esse tal de creme! Não consigo enxergar o outro. QUARTO MÊS • 19 de janeiro A vida de grávida tem códigos e itens considerados rios. nõo . 41 . ao veredicto do médico. o corpo aproxima dois órgãos particularmente importantes do ponto de vista embriológico. impaciente. arrastada pelo fluxo de uma pulsação serena. ão Paulo: Martins Fontes. E no parto? Onde está inscrita a memória do medo? o corpo todo. que se libera em grande quantidade pelo sistema nervoso. . 1989.. bem antes da hora de dar à luz.Tudo parece normal. e os ombros sobem de novo até perto das orelhas.Aí está ele!" Solto. Meus ombros começam a desprender-se das minhas orelhas. de tudo.

po que é u l c o ssô ic co g d ence licos." Decididamente. mas. sinais.11 tlL'. o sexo.) ) ) ) ) ) I QUANDO O CORJ'O CONSENTE QUAKfOMÊS . . eu cut u esent Como amor'.que não conhecem as regras e não estão a fim de jogar .'V ('(lI11'1111(lill. essas palavras que não dizem nada ou dizem demais. irresponsável. É uma graça. um b bê irreconhecível . Eu gosto muito de você.. capazes de destrambelhar o corpo e a mente. um rim . e imagino como fica cheio de si quando descobre na tela uma inédita. O trabalho do técnico é o inverso. nada mais é para ele do que um momento de potencial má-formação. B. bi o esul dos t teiperfeitamente oi detect que est ultra-sonografia E 10 de l ei o. Para alguns técnicos. A senhora deve estar comendo muito açúcar".É o rim. uma "pra valer". solta ele enquanto redige o relatório. cabeça bem r donda.· Então o consolo de teus olhos é um pedaço de papel. resmunga o Dr. Uma aluna escreve-me da Itália: cujo lltu nuc espess de e did dos fêrnures e inferior à no .não é capaz de estabelecer uma ligação entre essas representações de pedaços de feto em preto-e-branco vagando por uma tela e o teu bebê bem vivo. Exceto para as mulheres. Que sorte: assim não preciso ver meu rosto no espelho: nariz vermelho. Os olhos das jovens mães.1THÉRESE rada dos utros SCI11i(I().Hum . o período de formação do embrião. que veio comigo. que faz um esforço para parecer forte. minha qu rida.. . uma meninona".lill \1111' 43 . A ultra-sonografia não foi inventada para dar tranqüilidade à futura mãe. "Ah! É? Então deve ser o metabolismo do açúcar. • os olhos só te serviram para -honu . E no entanto não gosto de açúcar. lugar-comum da ultra-sonografia do terceiro mês: "A senhora quer saber o sexo da criança?" Troco um olhar com o pai.É grave?? . A organogenesia. o jogo de busca é uma espécie de ideog e. um jogo só deles e do qual as mulh res . pelas noites em claro e pela angústia. Tenho a impressão de ser uma mãe horrível. lágrimas caindo. ol u i '.:IO. Cinco di depois.I. Odeio essas frases curtas. é sempre sim. '1'11:1 VLo. Conseguem dar corpo a traçados. sCI .1(1:1 a ficar sozinha e a tomar a di. que nenhum de seus colegas encontrou ainda. "Há um excesso de líquido amniótico. números.. rll) 1('111.I. Ainda tenho direito a uma última proposta. uma abstração de bebê. meu consolo é olhar o retrato colorido de nossa filhona.estão excluídas. boca retorcida. Enterro tudo isso no ombro do futuro pai. isto é. '1'11:1 L"I.É grave? . eu ginecologis disse.e te t l ente éss o ognóstico.. Sim. diz em tom de censura. não tem jeito. O elevador está com defeito. Chegando em casa. Ele desencarna os corpos. "Menina. Nada de corpo. não têm conseqüências.. . como no jogo. O seu negócio é a máformação: vive em busca de uma. Articulo um "até a próxima. Os enganos? ão são raros e às vezes podem chegar a enormidades. doutor" só para dizer alguma coisa e saio depressa. que passam pelas lágrimas.'.. e o di nóstico é de tiuo C o! e dos c sos.1111VÍl. seu coração e seu cérebro são na certa superdotados.um pé. . Esmera-se para colocar direitinho uma cruz nos quadrados previstos..pode voltar ao normal sozinho". :11('1'1:1. É melhor não dar importância. Narizinho arrebitado.O que é o bacinete? .

Por muito tempo pensou-se que o cérebro esquerdo tinha a exclusividade da palavra e que o direito era silencioso. alheio ao sofrimento de seu gêmeo. Agora. as emoções. não há consciência do corpo e são poucas as percepções corporais. lcfinha.10.que comporta dois hemisférios. Como é que as mulheres conseguem. sobretudo as submissas. Refiro-me ao córtex. pode ser.utir \. a mú ica. v. Domina e nos retira metade do nosso ser. Aliás. sem ele. 45 . o direito e o esquerdo. O centro da linguagem encontra-se no cérebro esquerdo. mesmo incompetentes.. o hemi fé ri dir it . Eu conseg os . Este existe em todo ser humano. converte a realidade em abstração. É. é porque vem de outro lugar. T c 1. ei . Além disso. mas só com meio cérebro. É verdade. vou te contar o que talv z ainda não saibas e que recentemente agitou uma part da munidade científica: as mulheres têm a particularida I de falar tanto com o cérebro direito quanto com o squerdo.isava que o deixassem desenvolver-s . Saibam que podem sentir. não cons gue ajudá-lo a descarregar em palavras coerentes o excesso de dor. Agora.1 p. mais sensível. o intuitivo e sensível. d sd o ini io Já estava ele com todas as suas possibilida I. o cérebro numerador também é falante. o cérebro direito fí a . de fonte oficial. sabe-se que na mulher ele fala. . De tal modo que domina com facilidade. Ou e do p elh Porque está cheia de ternura e não pode admitir um dano causado por pessoas. . privado de alimento. a imaginação. é -sonog nesse ô do t se ne l de esp arnnios tipo de o - e que milagre? acrescenta ela. Talvez seja esse o motivo por que a maioria das pessoas atingidas por violenta emoção não encontra palavras: não ocorre a ligação entre os dois hemisférios . Nature. ("li rim: I ). indício de l ô .ola primária: a hi- pertrofia do cérebro numerador e classificador em detrimento do outro. nosso cérebro especificamente humano . levar a termo corajosamente a gravidez? Porque têm uma vantagem imensa: a cabeça no lugar. minha cara. é claro. .mbotudo.1(. aquele que analisa com frieza. Se a palavra da mulher é diferente. É preciso que as mulheres saibam disso. pensar e falar com toda a cabeça. Passa por seu corpo e coração. o hipotálamo .um sofr .QUANDO O COIU)O CONSENTE QUARTO MÊS do íntese ne se ç síntese e espe e defazer e dois e . as que pensam que não sabem nada.'1 . e dois de indesc el. segmenta. porque seus dois hemisférios cerebrais estão em ligação direta com o corpo. Apenas o hemisfério esquerdo se desenvolveu. um "crânio". mas I r' . 16 de ço. o calor humano competem ao outro. O contato com o corpo e a consciência desse contato lhes dão 1. 373. em transposições. Que diferença faz? O cérebro direito está em contato com o corpo. com a barriga cheia de medo. eu e no o tudo . na mulher.1. o centro da linguagem encontrase nos dois hemisférios'. em códigos. 16 de fevereiro de 1995.situado na cabeça acima do arcaico. A visão global dos seres e das situações. corre uma deformação bem conh 'i 1. que não entendem de nada. quem presta atenção percebe: essa palavra é mais concreta. pode alguém ser especialista em números.J '. e o outro.

mas sem perder o ânimo? E verdade que também existe a Antoinette. Ameaçadores icebergs flutuando para cá. Elas se atropelam. Por que não consigo me livrar desta ansiedade desde o dia em que apareceu a linha azul no quadradinho do teste? Por que não sou como a gorduchona Mathilde. outra. 15 de outubro é um domingo em que eu tinha quatro anos. De perfil. chorei. Hoje...io por v I i1l1j()'. senti i s inúmeras v 'Z . ou vou continuar assim.11111111111'11 1)(. A minha talvez esteja ligada a esse sofrimento da infância. cujo sol é o ventre ocupado por outro ser? Mulher em trânsito. Muitas e muitas vezes.) ) ) ) J QUANDO O CORPO CO SENTE QUARTO MÊS ) I abedoria. Um desses icebergs parece uma coincidência: será de fato coincidência? É a data de 15 de outubro. Meu inconsciente. me diz Martin carinhoso. O dia que a ultra-sonografia assinalou como presumível data da concepção do bebê. e ele foi "produzido" num 15 de outubro.Iv 1I1. Por dentro. 11'11'.1 Im1 <.111 1. acho que não foi acaso. '. algumas explícitas.11. por mais forte que ele seja. Na hora. O dia em que perdi meu pai. já que não consigo descobrir outro responsável.qu gu rda..1 11I'. só se vê uma barriguinha. Para mim. Quem é essa mulher? Serei eu? Mais do que eu? Eu que não me conhecia? Liberada do jugo do mundo. não chorei..11IIII'IIICl'. como se eu tiv s comido demais.lIt'l lleJo. depois. )11.u .111111. 1)11~1. O que m é imp ssível fazer por ti. diferente? Mes mo quando o bebê tiver nascido .1'. 1I I "p.' ama. para me acalmar. 149 e 150.111. . vais fazê-lo sozinha. (' 1111111C1 I1 1111111". Mas a angústia da morte não se apaga com um ímpeto de vida. ) • 25 de janeiro Falar com o cérebro direito é formidável. grávida de três meos sõo elos.ip.u". 11. para lá.rr () xohin: '1110 cio (IIIV 11. quando cheguei à idade das expressões burocráticas..1 II 'l'llhl~ESF N:le) dvr de quem ..11. I' m0111. pela vida. que espera-o terceiro filho com os 9utros dois agarrados à barra da saia. pronuncio "papai" baixinho. tenho a impressão de que a gravidez é uma tempestade que faz subir à tona pedaços de vida. Há horas em que me pergunto se isso é normal. As lágrimas brotam e não consigo segurar. mas não deixa de ser cansativo! A palavra que passa pelo corpo e pelo coração é a porta aberta a todas as perguntas sem resposta.A metamorfose apenas com çou. centrada.. Nem nos dias seguintes.) I 8.) Todos nós temos nossos fantasma . v 1.('11'"MIIIII)'. estabilidade e resistência. toda corada e feliz? Ou como Clara.lIe)f ~()IIIII\('l1le) c: it. e você é . Até hoje. será uma cura.( I (1)1 igd iIH'viLIV<'111)('111I' 01 voll. Também não foi premeditação: meu filho pertence à categoria dos bebês desejados mas inesperados.tI 1'11 Ile . grávida de seis meses.s.. Quando estou só. outras nebulosas.I'. Mai que uma proteção. que tem pesadelos toda noite.1() po Ir 46 47 . Mas. decidiu fazer brotar a vida no lugar da morte. "no exercício de suas funções". E ag ira lu vai' cons . Morto com uma bala no coração. concentrada. como ouvi mais tarde. porque também me fez falta poder dizer essa palavra.Idll" ) P cllI 1. dos olhos ri? realismo e amor . espero meu primeiro filho. Sei lá.. elas já têm d nascen a. são dois corações que batem m I voroço. Afinal. A inquietação persiste.IClIid I ('ltlC)(IOI1. pp.11) pc ado.1I . E que othilde contou tud . ri. Ou será menos que eu? Uma mulher girassol. ses.guir. Às vezes. Dar ri viela .

Tínhamos escolhido uma igrejinha oriental com cheiro de incenso. bci jar muita gente e segurar o meu coque. Foi mesmo um casam nto muito ngl acadoí 49 .Aliás. mas o padre era belga. foi mesmo um casamento atabalhoado! Comovente. Ao entrar na igreja.tio de Martin. comprado na véspera por minha mãe naTati. que ia perel nelo o grarnpos um a um. Posso imaginar como ela correu de um lado para outro até encontrar um agasalhoque servisse.Casamento com chuva. eu estava com um bolero branco de pele sintética. casamento de ventura. uma tarefa e tanto me aguardava:responder aos apertos de mão.QUINTO MÊS • 27 de fevereiro Casamento. mas confuso. Nada a ver com o que se imagina numa redação do tipo "Conte o dia de seu casamento". Pensando bem. segurando com uma mão o véu meio frouxo e com a outra o buquê de noiva. Chegou a nevar! Para não sentir frio na igreja. Não sei como cheguei ao altar Nem como voltei p Ia nave no fim da cerimônia. nós nos casamos. minhas pernas se puseram a tremer e meus olhos ficaram embaçados. Foi o ar gelado da rua que me recompôs as idéi s. • 28 de fevereiro Pois é.O coro era levantino: enormes tenores barbudos que cantavam em árabe e em latim.

Eu estava negando sua participação no caso. seu "pedido" de casamento me perturbou. disso estou certa. ficou semelhante às criaturas semi-aquáticas e serniterrestres provenientes do oceano primitivo. o bebê existe. e por todas as suas formas. com o aco vitelinico nutriz sobre a barriga. antes. • I? de março Ele se mexeu. e nenhum outro homem interferiu na minha educação. quieta. Há um mês. Como um sinal de reconhecimento. Feições pálidas. meio animal. a lanugem . Compreendo o desassossego de Martin. bastava que nos disséssemos nosso amor e estávamos em condições de igualdade amorosa. houve hesitação em se reconhecer o feto como membro da família humana . tenho certeza. Achei que ele passava da conta: não tinha o direito de me propor casamento a pretexto de eu estar grávida.. Agora.. ele não tinha rosto de gente? Antes.) ) . Mas Martin entendia com clareza. fizemos tilintar nossas alianças. Não entendia porque o fato de esperar uma criança tinha de levar ao casamento. Sei que é o início de um maravilhoso diálogo. pelo menos até o bebê nascer Como é então que vão assumir o papel de pai? Aos próprios olhos e aos olhos dos outros? Quando se tratava apenas de amar a dois. Pela primeira vez. barriga vazia. foi "ele". Seu primeiro sinal. a natur za r faz I modo compa to SU'l obra d quinh nt milhõ s dano d transformação. não fazem muita coisa. Ao completar dezoito semanas. e os homens não carregam o bebê na barriga. Isso quer dizer que.era tido como um ser híbrido. as mãos e os pés estão perfeitos . Por que iria eu achar legítima a pretensão de um homem embora amado e pai de meu filho . v ntre da rnulh r ' um plan ta qu o mundo m seu secr to r constrói ind finidarncnt mini-oceano. quando de repente eu o senti. Mas era ele. Eu estava sentada. Embora seja de ambos. a cabeça dele? Não sei. O prédio todo deve ter ouvido. Tanta certeza como se ele tivesse me cochichado ao ouvido.) ) ) QUANDO O CORVO CONSENTE QUINTO MÊS ) ) ) ) ) ) ) ) ) ) ) . Por que fiquei tão furiosa diante de um projeto afinal muito gentil e quase banal. à noite. o joelho. Martin me disse "Vamos nos casar". Em nov meses. Não lamento o casamento às pressas. Minha mãe criou sozinha meu irmão e eu desde a morte de meu pai. próprias para berçários? Porque. o casamento era o único meio de apropriar-se de nosso bebê. Ni10 foi um gorgulho de _. Somos dois. As duas primeiras células do ser humano trazem em si a memória de inúmeros antepas ados de a pecto cambiant . ao completar quatro s manas d vida. T u lindo b bê tornou-se peixe. ele passou por todas as figuras dos antepassados de nossa humanidade. com uma espécie de pelúcia recobrindo todo o corpo. casacas cinzentas e vestido branco feito para barriga meio volumosa.de partilhar a responsabilidade por esse bebê? Levei tempo para dizer sim. durante séculos. mas só está em mim. parecia um jovem alevino. Ele é homem. uma contra a outra . Até eu me ouvia e tinha a impressão de estar louca. há um mês. Com uns arremedos de membros.. Por que estou te contando uma coisa que diverge das historinhas infantis. teu bebê THERESE tem rosto de gente. Ele e não eu. em todas as formas cambiantes desses corpos desde a noite dos tempos. não o fazem crescer. neste momento é mamífero. 'i0 . dei um grito. Não naquele momento. há uma peça mestra de sua estrutura que 51 -. sem gritar não por dentro. Para ele.. meio criatura sem alma. embora as estatísticas digam que os franceses se casam cada vez menos? Eu não queria me casar. sozinhos e rindo. Fugidio. Talvez seja por causa dessas metamorfoses inquietantes que. Quando. coloquei minhas mãos sobre esse corpinho encafuado na minha carne. bebês e filhos eram negócio de mulher. De fato. O que ficou de melhor recordação foi quando. quase imp IC ptív I. Para mim. Seria a mão.

Então. Dessa maneira. força sobre-humana. o equilíbrio. Dominam constant m nt . no ntanto. o peito. lutam abertamente." Ninguém tem costas fracas. estás lembrada. numerosos. primitiva. a qualidade e a força de no sos movim int s. Determina também o ix ânt r -posterior. o da futura coluna vertebral. e incitou as outras células a se "diferenciarem". porque não sabemos o que temos nas costas.QUANDO O CORPO CO SENTE QUI TO MÊS permaneceu praticamente intacta. Pode-se dizer que a córdula tomou o poder e modificou profundamente toda a organização do pequeno corpo. Os primitivos. De cada lado d nossa coluna. e essas metades. 53 . mais antigo que os membros. a barriga. menos numerosos que os primitivos de que já falei. nenhum mamífero. A parte anterior tem músculos diferentes. e ela responde: "Por que tenho as costas fracas. de cada lado do eixo vertebral: eram as futuras vértebras e seus futuros músculos. a coluna vertebral e seus músculos. Parecem desconhecer que temos p ma' continuam num bloco único de uma extremida I 'à utra. a face anterior das pernas. como já pude constatar muitas vezes com meus dedos durante o trabalho corporal. e a córdula se formou. isto é. d 'l rm inam a forma d nosso corpo. por se desconhecerem. det rmina o ixo do mbrião da cabeça à cauda.u] s pa sam pelas per'i2 nas e continuam seu percurso por todo o corpo. Forte demais em relação ao resto da musculatura. nossa metade mais recente. fazê-Ia nascer. pele ou órgãos. apertados. Todos nós. era uma bolinha de células iguaizinhas. Nas costas. mais antigo que o sexo. É verdade que p rd rn s nossa auda de embrião. O primeiro a se formar em nossa história de vertebrados. A córdula é um minúsculo cordão de células que se diferenciaram das outras. o bem-estar. Outras células se alinharam. mais mole e vulnerável. basta relacionar entre si as informações que ela nos oferece. estamos sob o comando de músculos específicos que. feixes de músculos bem apertados pr nd . Somos feitos de dua metades. os m(15 . com naturalidade. e o primeiro de nossa história individual. vinda dos primeiros vertebrados. acostumados ao pod r. A coluna e seus músculos foram delineados prioritariamente no corpo do embrião de teu bebê. Esses rnús 'uIas primeiros. a dianteira do corpo. sem exceção. não dava para perceber quais se transformariam em cabeça. Insisto nessa particularidade da formação de teu bebê porque ela ajuda a compreender tua própria organização muscular: como és constituída e como te mexes. A ór lula. e como consegues trazer em ti um bebê. Ela lhe forneceu um eixo. por assim dizer. Ele estava com três semanas. fibrosos. uma força bruta. Tens de contar com esse par para deixar nascer teu bebê: é um par mais antigo que o cérebro. organizados num só bloco de uma até a outra ponta do corpo. Algumas se alinharam ao longo do eixo na forma de um minúsculo tubo: era o esboço do sistema nervoso. por que dói? Justamente porque é forte demais. e que mudou tudo. em pequenos blocos simétricos. instala uma linha divisória ntr as part s diant ira e traseira do corpo. a maioria das pessoas nem sabe situar. Pergunta a qualquer pessoa que sente dor nas costas o motivo dessa dor. a que expomos à nossa frente desde que ela deixou de estar protegida entre as quatro patas quando nos erguemos nos dois pés: a garganta. como se fôssemos peixes ou répt i . da nuca aos calcanhares. Somo' né qu permitimos isso. os de aparência frágil têm de fato uma resistência surpreendente. da abeça aos pés. mas isso não quer diz r na h. temos uma herança. mesmo humano. nenhum vertebrado. desde nossa origem como embrião e por toda a vida. O que é o resto? Nossa parte anterior. a temos. não o largam nunca. A natureza é muito coerente.mda cabeça à cauda.

Que falta de respeito para com a própria estrutura muscular.. perna.J ) ) ) ) ) ) ) ) estão sempre se contraindo. Os horm ~ni p cíficos. Ia nuca. podes alongar os músculos da nuca. para carregá-Ia no ventre.' e a barriga. na parte inferior das costas. :1 inl(·ligt'I\(·iíl. desse modo. Ia mo Ia Iuga». As pes oa imaginam que os rnú eulos das costas são fracos: se pudes em ver os nós que têm na nuca. É preciso reconciliar ão.. podes tonificar os músculos da barriga. to 10.105pós. as leis da fisiologia estarão a teu favor. Ainda não entendeste? Se a região lombar estiver contraída. a barriga nada pode fazer.. Mas ver é justamente o que não podem fazer: os olhos estão voltados para a frente. Se eles se alongarem. entre os ombros.lj:lI\1. não é nada complicado. os músculos da barriga podem trabalhar. que lhes parecem moles . a mínima emoção de nossa parte.) ) QUANDO O CORPO CONSE TE QUINTO MÊS J ) -. Começa com o lado direito do corpo. sem transpíração. E assim. o mínimo rnovim ruo. posíruo til' c xoras.. sem esfalfamento. I pé. para que ela trabalhe para ti e não contra ti. Eles contra !TI até o can aço. se os músculos lombares se contraem.I. Pode oferecer um contato firme e tranqüilizador a teus músculos com uma dessas bolinhas qu costumo utilizar no meu trabalho. pela face posterior das pernas.' .J ) ) j ) .ou na nu 'ti. está certo? Ficam inibidos. seus antagonistas se contraem. agitadas.':I() soli 1:11iox. suas fibras se encurtam. Por isso concluem que todos os músculos do corpo são moles. videz torna a musculatura mais flexível e as idéias menos rígidas.J ) . Para pôr uma criança no mundo.se acostuma também a perceber as sensações de teu corpo.t(· rior 5' alongu '111? I )csll'rtan 10 111. Entendes o equívoco? Patético. Fico desolada guan 10 v 'jo o qu certas mulheres grávidas fazem p n an 10 lU lh '5 faz bem: respiração. também ama iam o spírito. é preciso o acordo das duas partes. porque 55 ) . Se os músculos lombares estiverem inibidos. Liberas a respiração.. E. teu cérebro esquerdo . a posterior e a anterior. h. Não estarás fazendo trabalhar apenas os músculos da barriga.que comanda o lado direito . afastadas. No mesmo instante. podes alongar a região lombar. Tud Ih s s rvc d ' I ret xto para a contração. boceja (cf. braços estendido para o tI r. I or exempl . O trabalho é bem mais amplo: leva à união de todas as fibras de tua musculatura. dos ml ros. Assim. só vêm a barriga e a frente das pernas. para com a inteligência do corpo! Só uma coisa deve ser feita: permitir que os músculos dominantes se alonguem. As leis da fisiologia proíbem qualquer ação a um músculo enquanto eu "antagonista" estiver contraído. destinados a amaciar o corpo. Podes . A região lombar é cava. comprimem as vértebras e deformam o corpo. Os antagoni tas dos abdominais são os músculos lombar s. infor- mações circulam bem d pr ssa .'I:1 trabalhar um 1(111) prc -iso pílra que os outros 1'(. os músculos da barriga não pod m trabalhar enquanto os lombares estiverem contraídos. e. é porque do outro lado a região lombar é dura. Se eles se alongarem. a arcaica e a moderna. (:()II\() de uma a outra ' t r 'midílcl . E não às futili Ia I. sem embrutecimento.p los músculo dos pés. inclinada. É um jogo sutil de todos os músculos do corpo que ob decem à intemporais I i fisiológi as da nat 1Ir za. desenho).. até o esgotamento.I S' alongar '111 (111"15 das coxas. a intensidade das contraturasl . iodos os lominanu-x 1:1 ('. Se a barriga é mole. não podem mais se contrair.1 I larua <. A graa força e a fraqueza. orno p rrnitir qu ' os músculos Ia regiílo lombar..onvcncê los .I<ll'in P(). ou 'lI" 11. na frente.. joelhos dobrado. se abaixam o nariz.

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o diafragma está intimamente ligado aos rnús .ulo: c.la costas. Logo adiante vou explicar isso. Ch ga à gra a natural de todos os teus gestos, à forma perfeita de teu corpo. ento nQ 9, pp. 150 e 151.

SEXTO MÊS

• 2S de março
Hoje é o dia de meu aniv-rsário, faço trinta anos. Mas podia estar fazendo cinco ou seis, ou menos ainda. Minha percepção das coisas voltou à infância, ao tempo em que eu era bebê. Quando um cheiro agradável e calmante, como o odor de minha mãe, me dilatava as narinas de prazer. Quando o calor me fazia engasgar. quando um golpe de ar deixava meu corpo gelado e o barulho me fazia estremecer. Meus sentidos de bebê, tenros, tinham uma acuidade que perdi bem depressa. Conforme fui crescendo, eles ficaram embotados, contidos, educados. O convívio social me ensinou que pegar com a mão era sujo, que fungar era falta de educação. Coisa primitiva. Aprendi a olhar. A visão, sentido racional, tornou-se meu sentido predominante. Mas, agora, meu estado de mulher grávida apaga trinta anos de aprendizagem do uso correto dos sentidos. Eu me flagro aspirando, farejando. Numa mistura de prazer-desprazer. alguns cheiros me extasiam, outros me enjoam. O olfato passou a ser meu guia: é ele, em vez da visão, que me informa, me consola ou desorienta. Quando olho, não chego a ver; aliás, a vista fraqueja, como se os olhos não quisessem ir além da minha barriga. Meus ouvidos tornaram-se exigentes. Já não agüentam os sons muito fortes. Será que é porque sei que não estou sozinha nessa escuta? Meu bebê já tem o ouvido aguçado, reage aos sons violentos dando uns bons pinotes. Meu paladar também ficou estranhamente seletivo. Adoro certos alimentos, sobretudo frutas; outros me dão ânsias. Quando como, lembro-me de meu hóspede. O

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sabor de minha comida passa para o líquido amniótico que cl suga, engole e inspira. O paladar dele está se formando, aprcnd a conhecer e a gostar do que eu gosto.

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THÉRESE

É costume dizer que a mulh r grávida regríde, nada mau se, para Ia, r gredir sig-

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nifica voltar no tempo e reencontrar a vivacidade de seus sentidos. O nascimento da criança é um novo nascimento para a mãe, um co-nascimento". Já se registraram casos de mães deprimidas, doentes, que, de olhar fixo nos olhos de seu recém-nascido, voltaram a viver. De fato, todo recém-nascido é capaz de despertar na mãe reziões até então adormecidas, às quais ela nunca I::> tivera acesso. Reencontrar sentidos mais despertos e aguçados é, para a mulher, uma preparação ao nascimento que vem de dentro, ensinada pelo próprio corpo, ditada por seu sistema nervoso. De todas, é a preparação mais natural, mas tão discreta que, às vezes, nem dá para perceber seus sinais miúdos e frágeis. ão vem descrita em nenhum manual de obstetrícia. Quando os percebem, certas mulheres ficam atrapalhadas e consideram um contra-senso as mensagens exatas de seus sentidos. A natureza que faz tanta coisa para dar a vida, que orzaniza tão bem a fusão das duas primeiras células mao cho e fêmea, a secr ção d todas as sub tâncias vitais para o embrião, uas tran: f rrnações, sua maturidade, e tudo isso com grand m >ti ulo: idade, quer fazer ainda mais. Coloca no corpo Ia mulher uma segurança suplementar , uma prot cão. Mo lifica-lb ' ;1Spercepções sen, soriais e emocionais, I ara IlI':1 Ti;II1<;;I projeto amaem
• No original, cos nce, qut' mófono

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dur ça com serenidade. Decerto isso deve vir de muito longe, dos primórdios da humanidade. Era preciso defender-se, ter o instinto de sobrevivência, todos os sentidos a postos. O ruído de folhas pisadas podia ser indício de um predador, era preciso ter o ouvido alerta; e o nariz também, para ninguém se envenenar com uma planta da floresta e, assim, aniquilar toda a futura descendência; o tato das patas rugosas precisava ser mais delicado, para abraçar o filhote quando ele viesse se aninhar. Se tua visão ficou mais fraca, deve ser uma proteção arcaica que te obriga a limitar os passos. Já não precisas percorrer a floresta em busca de caça e de alimento e, por isso, não precisas limitar o olhar para liminuir as andanças. As representantes d zên r humano já não precisam parir no fun I l urna 'IV rna, l' S 'lIS recém-nascidos não orr 111 risco lc ser '111 o dt'vm:)(los IICl por animais carnív ros, () ;11111l'l1t q 1Il' vl;ls ('()Ill [11.1111 i () supermercado " 111I rinrr] io, 11:lolnxi('(): 1),1.(;1(Pll' leiam as etiquetas 'I miem disj xusnr () ()ILII(), 1':I1IIl'LlllI0, fi a-nos no fun I ) do corpo l'.">S 'impulso los S -ntidos, mais ág is à me li Ia qu ' diminui no ssa mobilidade. Arcaísmo qu na Ia tem d Iam ntável. Se a visão é menos penetrante, o olhar torna-se mais carinhoso. Menos totalitária, a visão cede sua esmagadora preponderância (oitenta por cento de nossas percepções sensoriais são habitualmente percepções visuais) aos outros sentidos. À audição, por exemplo. Mais aguçado, o ouvido torna a voz mais calorosa. As vibrações das vozes, da música, chegam a ti na íntegra, e não amputadas de algumas de suas modulações, como acontece com a maioria das pessoas. Essas vibrações estimulam teu sistema nervoso, fornecem-te energia. As modulações que teu ouvido percebe podem ser reproduzidas com facilidade por tua voz. A voz muda nesse período, e teu bebê, através do líquido amniótico, pode ouvi-Ia calorosa e sere59

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na, ela o acalenta e lhe faz bem. Quase s rn] r a mulher grávida fica com voz mais potente, e certa cantoras atingem, na gestação, desempenhos mai esplendorosas do que nunca. É uma questão de ouvido mais atilado e de porte de cabeça mais elegante. O sentido do tato está em todo o nosso corpo, e não apenas na ponta dos dedos, como se imagina. O órgão do tato nos envolve completamente, em todas as partes em que nossa pele vive e respira. A gestante tem, em geral, a pele brilhante, sinal externo da saúde de eu sentido do tato. Teu invólucro de pele torna-se sedoso para acalmar as saudades do recém-nascido, arrancado à tepidez de seu universo líquido. Ela se torna mais receptiva às vibrações sonoras que te cercam. Tua pele escuta e ouve. Nossa voz não é apenas a emissão das cordas vocais, mas é a emissão de todo o nosso corpo. Costumam dizer que os olhos são o espelho da alma. assa voz nos traduz e nos trai, corpo e alma. Ela deixa ouvir nossos estados de alma - não apenas as emoções momentâneas, mas as profundas, que formam nosso caráter - e o estado de nosso corpo. Se certas zonas do corpo estiverem rígidas e bloqueadas, não conseguem vibrar ao som de nossa voz. Certas pessoas só conseguem falar entredentes, e outras só falam com a garganta; o som de suas vozes pára aí, nenhuma outra parte do corpo lhe faz eco. Mas, se os rnú culos de tuas costas - os dominantes - estão flexív i , tua voz vibra ao longo da coluna vertebral e faz cantar orpo inteiro. Costas, barriga, pescoço, diafragma, r SlO, ra ão, sexo: cada uma das partes de nosso corpo pode .antar como cantam juntos todos os instrum nt si' um" or [u stra. Por que a voz da mulher grávida fi "I (lirt rCI1Il'?Porque a posição de sua coluna vertebral se modilk». Os mÚ5 ulos posteriores do corpo são olidários, l'Slns kll1hra Ia. Da nuca aos
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calcanhares, eles reagem como um único e grand músculo. Quando ficas grávida, a região lombar se arqueia, e a barriga se projeta irresistivelmente. Os músculos de tuas costas e da região lombar são praticamente o únicos a promover o beb ~; om ou m gravidez, faz parte da natureza deles s mpre qu r r int rf rir em todos os nossos movimentos. D· s m do, les s contraem mais ainda na região lombar. Tal contração na bas das costas t m a vantag 111 de Iib rar a nuca el suas costumeiras c ntraç Õ '5. S a nu a não tiver contraída, pode rt para a tua voz! A alongar-s . E, d '5S • modo, que laringe, qu cJ ixa d s r mpurrada para a frent ,p I achegar-se à coluna cervical, o som das cordas vo ais faz vibrar tuas vértebras e todo o teu corpo, até nde a flexibilidade elos músculos o permitir. Com toda a sua pele e seus ouvidos, o bebê está à escuta das vibrações benfazejas de tua voz; ela nutre seu sistema nervoso, seu cérebro, seus sentidos e sua memória tanto quanto as substâncias da placenta. ento i 10, e

pp. 151

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• 2 de abril

É domingo. Sentada à sombra de uma cerejeira, ergo a cabeça, o céu está azul, o vento balança devagar os galhos da árvore. Faz um pouco de frio. Minha barriga dura e redonda empina a minha camiseta. De uns dias para cá, tudo mudou. Eu vivia com os olhos e o nariz colados na vigia do meu ventre, o olhar sempre esbarrando neste meu recinto fechado, minha fortificação materna. Agora, estou largando as amarras. Sinto-me como passagem, trilha cheia de vegetação, riacho piscoso, oceano amniótico. Ele vai sair; isso é uma certeza prazerosa. Levanto-me, e minha cabeça roça nos galhos mais baixos. É uma expedição incrível. 61

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) • 4 de abril .J

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Parto. Em sentido figurado, o dicionário Petit Robert o define como "elaboração árdua, difícil".Em sentido próprio, o que é? Leio as páginas sobre "preparação para o parto" dos manuais de gravidez. Meus olhos pulam de um para outro método: sofrologia, ioga, haptonomia, piscina, canto, parto sem dor: Há para todos os gostos. Cabe perguntar se é um método ou uma mulher que dá à luzi Talvez valha a pena ir além dessas linhas lidas sem muita convicção? Inscrevi-me no curso de preparação para o parto, organizado pelo pré-natal. Hoje é a primeira aula.Tento os exercícios de "relaxamento"; aperte-soltei aperte-soltei O cheiro de suor e de mofo que os tapetes do chão exalam me lembra as aulas de ginástica no colégio. Depois temos uma aula teórica sobre o parto. É uma médica que dá a aula. Sentamo-nos em cadeiras dispostas em círculo. Faço força para prestar atenção, mas não consigo. Será o bebê-manequim desmontável, que a médica empurra numa velha bacia, a causa da minha fraca compreensão? Ou serão as outras mulheres? Algumas já estão com um barrigão enorme, dá para perceber que elas têm muita dificuldade em ficar sentadas naquelas cadeiras escolares. Não param quietas um instante. Algumas levantam o dedo para fazer perguntas. "Como se pode de que o o O que se se o bolso o solo de Fico aliviada ao perceber que não sou a única em dúvida. Quando a aula termina, bem que eu gostaria de prosear com minhas "colegas", mas todo mundo vai embora depressa. É pena.

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É uma mulher ou é um método que dá à Tr-rÉR.ESE luz? Uma mulher, é claro, mulher que neste momento está v tida de vermelho. Mulher suave e flamejante, de p rt . ob rb . Mulher com perguntas e dúvidas, mai autê nti 'as e er nas do que um otimismo 62

artificial que traria, subjacente, a angústia silenciosa e cada vez mais profunda . Algo muda em ti, em mim, entre nós. Lembro-me do dia em que, pela primeira vez, bem equilibrada nas tuas perninhas de bebê, largaste minha mão. ão sei ao certo se estavas com um ano ou um ano e três meses, mas me lembro bem de teus gritos de triunfo, C de meu espanto. Tenho a impressão de que uma força irresistível leva a ti e à criança. Largas minha mão, algo acontece conosco, continuamos próximas, mas o que eu podia te dar, já tens contigo agora e para sempre. Tua unidade está se constituindo e, junto com ela, tua autonomia. E a autonomia nã onsistírá ai nas m int ra r O pr' pri r? Harrn nizar I assa I), <lu' n , I LlX8 I ara Ir;Ís, COI11 pr nt, <1 fim til' ('OIlS 'gllir ri ';\1' ri 1'111, I, pv. l ln rmu nizar as luas 111 lati 'S (i;} I J'(l!l'i:1 1I11f.'(·III.IIIIf'.I' ,I ,1I<.t1 ca, qu fi 'a 'ITI nossas 'OSI:I,', c: ;1 <!tIlI.I, <lI\(' li<,\ 11,1 11<'11 te, qu não I arccc ('.'01;11 IVllllil1.1 1.1. 111.1.0., <l'I(' < ,III<',~,I nos a pr iosas ,ilX'rlllr:ls Jl.\I,1 () 1I111tHI!) (>, ()IIHl, , " boca, as narinas, que sao ';IP,I/.('S dl' 1()11I;11' '(.!tIl', Ic emitir reccl r, c os ouvi 10.'0, <lu ' 'li cnas r' .eb m, mas que são capazes I' se r .har, lc não mais querer ouvir. E se a autonomia .onsisuss também m poder emitir e receper sem ter me 10 do que se carrega dentro de si, e sem ter medo de ferir-se? Dar à luz é também emitir, pôr no mundo um ser vivo, tirá-Ia do fundo do próprio corpo. ão se dá à luz apenas com o útero e o sexo; dá-se à luz com os olhos. As pulsações de nossa energia provêm do alto do corpo. Os olhos, ouvidos, nariz, boca, pescoço, diafragma, barriga, pélvis são outros tantos níveis pelos quais a energia consegue passar; e essas pulsações suaves e contínuas imprimem a teu corpo o ritmo natural da contração e descontração. Mas, por vezes, os níveis são ciladas para a energia que aí se esgota; a primeira armadilha está nos olhos. Os

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atrapalhado. Movimentar os olhos pode mexer com todos os upos de sofrimento da primeira infância. após nove meses de imersão num claro-escuro tranqüilo. os níveis abaixo lei '5 fi~am privados de energia: a barriga e a pé Ivi L m os movimentos presos. a part SLI pcrior com iça a sofrer. devem ser lágrimas antigas. O que chega primeiro é nossa cabeça. Se os olhos nao (li! se movimentam com liberdade. mais tarde. Há pessoas que têm. A i ento dos olhos nQ 11) pp. eles estão quase sempre sem mobilidade. Durante rnuito tempo acreditou-se que os bebês nasciam cegos.upo na borda das pálpebras. e bem concretamente. Para a g stantc. mas. A depressão que atinge o psiquismo atinge o corpo. mas não cegos. mas o rejeitam. por meio delas. Mas ao m S111 t mpo. Os movimentos que proponho são muito simples. estou vendo".. os olhos ':. de todos os encontros. o tecido dos olho stão rígi I " incapazes de aceitar as vibrações de n sa própria nergia. é o mundo que nos cai na cara. Se sentimos os olh?s úridos. mas também o modo como elas foram recebidas. obsoletas e sem motivo. à espera durante toda a vida de que algo lhes aconteça. de que alguém as liberte. endurecido. Nem é preciso ter consciência disso: nossO sistema nervoSO está atento e manda que os mantenhamos fixos para evitar o sofrimento. Apenas uma imperceptível rigidez da testa. Na hora do parto.do or] o perder brus~amente ua n rgia. Seus olhos estão pregados num passado que poderia machucar se fosse feito algum movimento. Ficamos meio cegos. das têmporas.s~inadas aos olhos.nt s qu poderiam nos ~ev_ar~ cura. Que sofrimento? Não apenas o do ofuscamento dos olhos do primeiro instante. A n rgia s b subitamente para o alto do corpo que. elas olham. o recém-~ascido as fecha com força para proteger-se. e continuam a sentir medo de todas as passagens. quem fica deprimido tem o contorno dos olhos e das temporas congestionado. Ver! Um terço de nossas vias nervosas são mesmo de. "Estou vendo. 153 e 154. teus olhos estarão bem abertos' teu corpo será como um arco cuja corda corresponde ao olhar estendido de teus olhos à pélvis. eles ficam ofuscados pelas luzes das salas de parto. É uma velha história que começa quase sempr no momento de nossa chegada a este mundo. talvez por sua e~~rema sensibilidade. dizemos a toda hora e a respeito de tudo. O relaxamento arti~i~ial bru o ela p quena bacia altera o equilíbrio energeuco. na hora do parto. ou melhor.QUANDO O COJU'O CONSE TE SEXTO MÊS músculos. um amigo psiquiatra orn ntava qu o nas estado de depres ão pé s-parto ra mai fr qüent mulheres que haviam r it a p ridural. se a part inf ri r . já não consegue superar a desordem. das pálpebras indica uma inibição dos músculo~ e um sofrimento tão secreto que nunca chegou ao nível da consciência. ' Um feto com vinte e oito semanas já pode abnr as pálpebras. surdos e mesmo assim conseguimos. mas nao veem. Em sentido inverso. não podem fazer mal a ninguém. Há pessoas que parecem nunca se acostumar. já que a superfície da cabeça fica dolori~a. agora. ssa rigidez nos impede de fazer os ~rimeir s movim . como foram olhadas e amamentadas. 65 . E melhor deixá-Ias cair e.bert. como se estiv~ssem sempre do outro lado. Há anos. () trabalho c m os olhos e tao lmpc:rtante quanto os movim '1'1105 Ia bacia. escoar serenamente o fluxo de energia que carrega a rigidez e a dor que temos atravessadas no corpo.?s para o mundo. paradas há muito te. os nervos.

percebi qu a antiginásti 'a I () li:1 ir nkn: d.nsar no trajctc do bebê que e tã para nas 'r. Compr endi qu a obstetrícia tradicional havia descrito minu io arncnt t dos os aspectos do percurso. 0111 i a trabalhar o r laxarn -nto dos olhos. 'ra I rinr-ipnlnu-nt ' i.. ~ssa parteira fez com que toda a nossa equipe lesse o livro. um entrave. mas também muito pudicas. até o dia em que. para o que podia ser o movimento da bacia. Do entusiasmo à iniciativa. que já não me agradavam tanto. como o percebíamos. fiquei espantada COl-r: ~ sem~lhança.ab '. Uma parteira da maternidade onde eu trabalhava havia descoberto O t su o seu primeiro livro. na casa dos sessenta. durante uma sessão. mas a realidade atual parece bem diferente. Marie e Therese sao muito chegadas.t. d qu iix . e compreendi que havia um jeito de favorecer o bebê com um trajeto mai direto.'.. o co~eç?. Thérese nos pediu que.. Comecei a dar indicações nesse sentido a minhas pacientes. a maternidade. Dar a vida a uma criança é tornar-se mãe. comecei a fazer um trabalho paralelo e deixei de lado alguns cursos tradicionais de preparação para o parto. MEU ENCONTRO PAULE COM A ANTIGINÁSTICA ) ) Eu não sabia que Thérese tinha uma filha. trabalhei a respiração. Por vezes.IV. da língua. de falar com ela. da nuca até o cóccix . O relacionamento mãe e filha me toca muitíssimo. deitadas no chão. I kp()is. encostássemos bem a coluna.~ra P~ra nosso bem-estar pes oal. A tradição popular as considera muito ligadas ao parto. Na 61 () '(I. Eu estava na pista certa. logo me cativou. talvez eu fosse a mais reticente. o mesmo jeito amavel e decidido.laxar suprimir () nu-do. por vezes.. A seguir. Todas as mulheres dão à luz pensando na própria mãe.1 supr 'SS. Quando conheci Marie.llll bem mais à vontad . Ambas têm o mesmo olhar. Começamos a refazer juntas o que Thérese nos ensinara. 18 . os obstáculo mus ular s ósseos a transpor. tive contato com algumas que nunca se referiram à sua função e. por isso. foi então que compreendi que aquele tipo de trabalho podia ajudar muito as mulheres que eu preparava e . Logo os partos ficaram mais rápidos.acompanhava até o parto. mas I go n v 1 a íd Ia de 111tegrar alguns de seus conhc irn nios nos ur o d~ preparação para o parto as irn 01110 na hora I nas irnen- to. . o que me entusiasmou e incentivou. Ela chamava a atenção para a bacia. Conheci Thérese no início da década de 80.IO do medo: facilitar parto.d: do :elaC1~namento entre a mãe e a filha. Até conhecer Paule Brung. 67 . mas que ela nunca os havia observado junto nem havia percebido como interag m uns com os outros. Ficamos com vontade de conhecer Thérêse. COIllCC 'i a P . no istrcit aminho que o traz ao mundo. Examinei as mulheres e constatei que os bebês estavam bem imersos na bacia. menos tortuoso. hoje de manhã. S nti que as mull vrt's n '. l:tI '0f)10 Thérese nos ensinara. onseguimos encontráia e participamos de seus grupos. é uma força. Tudo depen. Meu ofício é sempre uma história de mãe e filha. viva e simpática. Foi o que fiz à luz do ensino de Thé r' se. e é também voltar a ser a filha de sua mãe. Durante os cursos de preparação para o parto.QUANDO O CORPO CONSENTE SEXTO MÊS • 5 de abril As ri1ulheres que acabam de dar à luz sempre falam de seu médico obstetra. e quase nunca da parteira. Os partos tornaram-se deveras fáceis e muito bonitos . abandonando todos os exercícios clássicos. "parteira" era para mim apenas uma palavra. Esta mulher. Do nosso gru pinho de parteiras. () o que eu buscava: r . uma respeita a outra. vértebra por vértebra.

Ao terminar os estudos. a dilatação. Na União Soviética. intrigado com a calma reinante na sala. Não havia sala reservada para isso nem parteira: o médico interno dava plantão em todas as seções e fazia os partos sozinho. as parteiras tinham de fazer tudo: os partos e os cuidados pós-parto. As mulheres tinham o direito ao aborto e o dever de dar à luz sem gritar. de acordo com as proporções do atendimento. Em 1952. as mães se levantavam no oitavo dia e. como aquele onde Paule trabalhava. o Dr. Quando Paule perguntou o que era uma parteira. Lamaze ficou fascinado: de retorno a Paris. De vez em quando. Consistia antes de tudo. falaram do método psicoprofilático. Lamaze. inspirado na teoria do reflexo condicionado descrita por Ivan Pavlov. diretor da maternidade da Casa de Saúde dos Metalúrgicos onde Paule trabalhava. as maternidades melhoraram. quem passava pelo corredor dava uma olhadela pela porta. chegava até a servir as refeições às parturientes. em contar às mulheres o que ocorria durante a gravidez e o parto. Dizia-se que as "beatas" que pariam aos gritos deviam ser descartadas. foi trabalhar num hospital parti ular m Paris. começava uma nova vida muito promissora. é a palavra adequada: esse método. ão ocorria mais cesariana por anomalia de encaixe ou de dilatação.!" A pergunta sem resposta a intrigou por muito tempo. Nessa época. dois ou trações. sua mãe adiou a explicação para depois: "Quando você crescer. nenhuma complicação que sirva de treino para a gente! Havia quem dissesse: "Paule é uma artista!" Dava para perceber uma ponta de admiração. e era a primeira vez que isso era feito. fez um estágio num pequeno hospital de província. • 6 de abril Por que Paule escolheu ser parteira? Seria por causa de sua velha vizinha e amiga que. era-Ihes explicado o apagamento do colo. segurando-lhe as mãos. renegava todo o passado. nenhuma episiotomia a costurar. Naquela época as parteiras faziam todos os pc11 to . Não dá para aprender nada. nenhum fórceps para puxar. era um fato revolucionário. o encaixe do bebê. Os po tos contou-me Paule. ensinou o método do parto psicoprofilático. Pouco a pouco. as crianças ainda eram trazidas pela cegonha. vai ficar sabendo . Queria refletir bem. que não gritavam e aparentemente não sentiam dor.QUANDO O CORPO CO SE TE SEXTO MÊS o chefe da seção intere sou-se. no fim da década de 50. fora à União Soviética onde havia assistido ao parto silencioso de mulheres soviéticas.. As dores do parto eram uma invenção ancestral para manter a mulher sob opressão. antes de escolher um ramo da medicina ou da paramedicina. Foi lá que Paule assistiu ao primeiro parto. os o util co o o oci os e os l o nós as e as os de e Em alguns hospitais. entrou na escola de parteiras d Bord aux. Para a época..e controlava com a mão e o relógio a intensidade e a duração das conlongos. atraída pela medicina. As episiotomias ficaram rara . Era um bom recurso para diminuir o medo que elas 69 . explica Paule: pessoal da puericultura. mas acima de tudo muita incompreensão. E foi então que Paule se decidiu: ia s r parteira Aos dezenove anos. O Dr. Tom i-rn a part ira d s partos sem complicação. E um dia. logo rebatizado de "parto sem dor". atendentes e enfermeiras vieram juntar-se às parteiras. O m dico só era chamado em ca()H so de cirurgia. Aos dezoito anos. Paule verificava o ritmo cardíaco do bebê pelo estetoscópio . e saía murmurando: "É formidável!" Aos poucos. No decurso do trabalho.não existia aparelho de monitorização . os estudantes de medicina já sabiam pelos colegas: os plantões com Paule não têm graça. no décimo. Aliás. Paule era também encarregada da higiene dos bebês e das mamadas. os fórce~s viraram exceção. deixavam o hospital. afirmou: "Você tem mãos de parteira"? Paule tinha então cinco anos! Isso foi há mais de meio século.

Também Ihes era . IHlI 11111. feito para dar à luz.\ ções.i. mUItos tabus foram derrubados.IIIl() t'. Mostrou como movimentar-me para lhe tornar o caminho mais fácil. Leboyer teve grande impacto. explicou-m p. barulho dos instrumentos d s vozes. Pôr uma criança no mundo voltou a ser o ato simples e natural para o qual o corpo da mulher foi naturalmente feito.-me ela. de dominação da mulher. certos médicos C?nSlderam que a contração reforçada artificialmente atraves da ocitocina intética pode ser prejudicial ao bebê.li'. Como relaxar meus músculos para o consendeixar aberta a porta de minha bacia. "você passa por isso e depois esquece". Falou-se de amestramento. Se suo i . disse. como o muro de Berlim. Aprendiam a respirar de determinada forma. ) ) ) A ocitocina é um hormônio secretado pela hipófise. o fato é que. até o dia em que encontrou minha mãe.u« t' pCJli. '')('1 '11.\" PI1l111'11." 'I1Il' Vt'111I '. ) • 9 de abril Para que serve a ocitocina? Paule voltou a minha casa hoje cedo e conversamos durante horas." Paule também estudou muito a questão da dor. mais direto. Seja como for. "O seu tir.ll/oIllt!O. em 1973.1t' ( ((lI!.o que Irritou murtos ginecologistas. feito "cachorrinho".\ cio pequena cabeça qu d p0l11. ((lIlll. Pode ocorrer que.J ) ) .lI eI(' '.lIdVI 01'.\'.1'Jd cl o tumadas às pergun as d 5COll 'XII Ias rnulh t s gr ávidas..) QUANDO O COlU'O CONSENTE SEXTO MÊS ) .(ltVt'11 . Meus lábios formul vam por quês e comos s m I rar r li queria saber e enL nd I~Desta v 7. pense. graças ao parto sem dor. É mesmo sistemático. o bebê s com ilidode. sem saber como. E o i notu /. ( ) que Paule me contou. Houve mulheres que ousaram dizer que não tinham gostado daquele parto chamado "sem dor". a fim de reforçar as contrações. io uma pressão t explica . escrevia Leboycr: luz forte demais nas salas de parto.. Eu havia lido e ouvido: "provação a ultrapassar". a Farturiente receba sob a forma de perfusão. oCltocma sinteuca. sua função. e ó hospitois o mesmo. PauI 111 f. Chegou-se ate a alguns exageros. dtl 'qlldcld'. Paule falou-me de meu corpo. era o inverso do que havia Sido proclamado. o d s IlV IV1l1H'111ll II. quando a mulher recebe a peridural Contudo.lltl c!(".Paule. mo( (lde po~isiense do rua dos esses onde (((//)(/111<'1 (/ p(// Iir c/c 1972. ul . . ui i otenç o às condições de ecepç o do bebê. cheio de pcrit (iels. Familiarizouse com a acupuntura e a utilizou durante os partos.J sentiam. foram atribuídas notas: ótimo. s 70 71 . tudo ruiu. Dar a vida a um ser tornou-se um magnífico percurso iniciático.mostrado. isso aliviava muito as parturientes. Também aprendeu a massagear os pés. um belo dia. Ela me explicou como acompanhar meu bebê na hora do nascimento. Frédéric Leboyer publicou seu livro Po~r ) une noissonce sons iolence. dos ont e do ocitocino. cordão umbilical cortado muito depr ssa O livro do Dr. Deixou-se um pouco de lado a mae ) J J e passou-se a olhar para o nascituro. Depois. ) ) J Mas. agitação.Também ele sofre a violência do nascimento. eram receitados rernécíos po o . Segundo ela. o qual provoca as contrações. como eram constituídos seus órgãos genltals .tlJ. Em certas clínicas. é de fato bem diferente do que pud ouvir ou ler sobre o nascimento. regular. rápida e superficial. Mas ela pressentia que podia avançar ainda mais no trabalho sobre a dor..ll li 10 pdl 10: ('li tinha a impressão d Lir OLIVill 10 um I om. Ao mesmo bom. pala vras que desatam os medos estabelecem a confiança. com p. Enfim. eram s s os . As mulheres deviam preparar-se bem: "O parto s~m dor tem de 'ser merecido!" era o que se ouvia.

ao passo que um alto do bebê é muito mais localizado. Um dia. a nossa vida. é simples: a contração endurece toda a barriga. As flechas externas indicam a tração do colo em direção ao fundo uterino para seu apagamento e dilatação.1I11 o colo do útero para o nascimento. No decur Ia gr'lvi I . a fim de viver um momento único que prepara para a vida.~.:i:l-fd---l- útero promontório bexiga reto ---\-~'\-tcóccix ânus vulva períneo orifício vaginal púbis meato urinário barriga de repente endurece e depois volta ao seu jeito macio. ( Llt 1"0 se preparou cuidadosamente para ssc j )go I' . retada no fim da gravidez pela a prostaglandina produzihipófise da mã do f to. que não costumam ser dolorosas.oruração-descontração: a 72 A contração uterina se dirige do fundo uterino para o colo (flechas internas). no qual se encontra o bebê. ao contrário da estriada. O cansaço. placenta ---f--l. Para não haver engano..A. da pelo próprio út ro. as emoções violentas podem desencadear as contrações.. A flecha do alto mostra a contração em seu ponto máximo. se contrai e descontrai. elas d sparc .m . Pode ocorrer que a mamãe confunda uma contração com um movimento do bebê. E sas contraçõ s pr 'IXlr. Durante a gravidez. No fim da gravidez. ] OGO DE MÚSCULOS PAUL E Dar à luz é apenas acompanhar o nascimento de seu bebê. Esse músculo cavo. O útero se contrai pela ação de duas substâncias hormonais: a ocitocina.QUANDO O COlU'O CO SENTE SEXTO MÊS líquido amniótico ~~ ••• . como os músculos abdominais ou os do períneo. talvez . dand s rnpr a irnpr 'SS2 I qu o parto é irnin nt . as ontraçõ s podem durar hora e repetirse nos dias seguint 5. D poi . É adaptar o corpo ao ritmo do nascimento. a qual assim permanece por alguns segundos. I ri ra r 'aparecer no dia guinte. E se pensarmos que talvez seja o feto quem detona o sinal e ordena o nascimento! O ritmo do parto é dado por um músculo: o útero. 73 . A alternância não é comandada pela vontade da mãe: mesmo que ela quisesse. o automóvel. A musculatura lisa não recebe ordens. não o conseguiria. a alternância contração-descontração é anárquica e apar ce em ritmo espaçado.

J 3em A entrada na dança ocorre com maior ou menor rapidez de acordo com a mulher e com o tipo de útero. As contrações começam e não param mais.tI \' '. I 75 I ) .1 I cl. fi 'anel mais LI menos fechado ao orif il interno. mais ou menos espaçadas e de intensidade variável. mais ou menos longas.IIII ('11111 ) ~ ) 4 em 5 em 6em inicio da dilatação 7 em ) 8em 9 em J Progressão 10 em da dilatação do '01 til' lura: 1(' () 11.t1llCl j)<1rIO. Vão abrir progressivamente o colo que fecha o útero e empurrar o bebê para o túnel formado pela bacia.1 do bebê vai ap lar-se IlO col() . períneo e vulva.t11. Empurra 1. o fundo do útero é empurrado para baixo. Há duas fases: o trabalho preparatório chamado "pré-trabalho" e o verdadeiro trabalho. Impressionada.·.ls ('()t1II':I~·()l'. :1 (·. O pré-trabalho caracterizase por contrações irregulares. que tem de três a quatro centímetros de comprimento nas mulheres que estão no primeiro parto. Descida do bebê pelo canal pélvieo. situado no fundo da vagina. A perda desse tampão mucoso que obstrui o colo é o primeiro indício do processo de parto. t'1111:11' \'111 \'UIII.) SEXTO MÊS ) ) QUANDO O CORPO CO SENTE ) ) perceba que está perdendo uns líquido viscosos e sanguinolentos. Mas tem mais. Esse colo. ao passo que o colo. telefona para a maternidade e diz: estou sangrando! A parteira vai explicar que talvez seja a perda do tampão mucoso e pedirá que você vá fazer um exame. o útero se recolhe. Sob o feito dessas contrações. ' puxado para cima. J 1 em r---l ) . diz-s qu 1 s apaga. às vezes indolor s. vai portanto se encurtar lentamente até d saparecer.

pronta para o encaixe. às vezes ainda espaçadas. vai air. O períneo é formado por um conjunto de músculos que constituem o assoalho da bacia e estende-se do ânus às partes genitais. d:t vulva. processo que redunda num nascimento mais rápido. três orifícios: uretra. isto é. forma-se-um pequeno balão que se insinua no colo: é a bolsa de água. vagina e ânus. Serve também para proteger o bebê contra as infecções microbiana. Se estes estiverem contraídos. o colo se abre.ua assim que passa a contração. O verdadeiro trabalho é uma fase muito int nsa.vinte. ~ . por fim. a cab a avança. a criança prossegue seu caminho. tem de terminar a o que é o períneo? o períneo é um músculo importante.QUANDO O COUPO CONSENTE SEXTO MÊS a bacia. O bebê. depois dez. Quando o colo está completamente dilatado. O intervalo entre duas contrações vai portanto diminuindo. a dilatação do colo. As contrações tornam-se regulares. que o quer expulsar. embora ainda possa voltar atrás.t -xpulsão. r' . sua pressão ajuda o colo a se abrir. quarenta segundos . Apresenta. A cada contração. As contrações tornam-se também cada vez mais prolongadas . mais s guidas. Por que faz tanta coisa? Porque é mais fácil! A bacia é feita de tal jeito que é mais fácil transpor sua entrada numa linha oblíqua. é que começa o verdadeiro trabalho. A cada contração. É com I lU bebê se defrontará quando for empurrado pejo útero. m rgulha na bacia e se encaixa para parti ipar 1<1 dilatacã completa do colo. E. depende de cada mulher. o colo quase sempre desaparece ao mesmo tempo em que se abre. O parto chega à ter ira Ias ':. I ara tal. A cabeça do bebe substitui então a bolsa I' água. Para isso. o caminho rá longo. às vezes muito próximas. ua ruptura provoca um aumento d~ contrações. D pai de entrar na bacia da mãe. ele participa de modo positivo da passagem do bebê. as contrações começam com intervalos de quinze minutos.{- ânus 77 .\ . As contrações uterinas também provocam o aumento da pressão do líquido amniótico no qual o bebê ainda está imerso. trinta. três e. Se as membranas que cercam e protegem o bebê ainda não s romperam. cinco. da v'lgin. mais fort s. É por isso que é tão importante aprender a relaxá10: quando flexível. El começa virando 7() a abeça para a direita ou para a esquerda e a inclina para baixo.e chegam a sessenta e a oitenta segundos no fim do trabalho. sua abertura tem dez centímetros.-c1itóris meato urinário . Em geral. até amam nto m qu Ia fica parada. que procura descer e sair das vias genitais. Sofre fortes pressões no momento do nascimento por causa da passagem da cabeça do bebê. 'k I 'v' transpor os museulos do períneo. Essa bolsa funciona como dilatador. enc~ixado na bacia. o bebê 1 r ci a sair. Somente quando o colo está completamente apagado e a cabeça do bebê afunda. O avanço é lento: a bacia é forrada de rnú culos muito fechados: os músculos do períneo. Tas mulheres que já tiveram um parto. A dilatação se processa de um a dez centímetros.--orifício vaginal ~~~~7. aparecem a cada minuto. portanto. o espaço fica maior. depois de percorrer esse túnel.

. trazê-Ia para fora da VUIV.!o I 11 .11 l "U .lll ) s. depois o o~tro. ele está na altura cI ) I" uhigo. É incrível.. Aparece o rosto. Começa então a surgir a cabeça. lI. muito simples. Se o bebê suga.ti li. em cima da mesa da sala. Ele a havia inclinado para transpo. Mas a principal dificuldade é evidente. ele esboça uns movim 1111)S de reptação e há bebês que procuram o seio.. articulando a nuca com o púbis. Chega a hora do delivramento.Ich" pC! Cjll<' O'. Como o út ro l' r _ trai após a saída do bebê. A parteira ajuda-o um pouco.lO ptl I'tI . olha para ele I h ' Iala.. o occipício na frente. Os obstáculos são inúmeros . Um ombro se liberta.] l11d('.. cheguei a fazer um levantam nto.1. Tudo a alma.) QUANDO O COlU'O CONSENTE SEXTO MÊs de seu coração. Mas o trabalho que fiz com Thérêse e tantos ano de prática e observação me levaram a "ver" muitas outras coisas no desenrolar dos acontecimentos.ll '1'111111'..u. IH'11I LI'! I" 11111111:'. com ternura. por exemplo I Quando percebi essa evidência. uma pequena bo~a de cabelos. escuta o batim nto tão -onh 'Ciclo 'tranqüilizador (V 'ldll~rI It ) ) .ti li.1'. O rn 'dicll ou a parteira podem tirá-Ia.111. a placenta s descola mais dl'1 >11 .( 111.I. p ga-o por baixo braços.. agora ele a ergue para transpor a salda do estreito inferior. todas as outras dificuldades tornaram-se menores e superáveis.J ) ) = ) ' ares pei t desse roteiro tradicional do nas .! r/ll!' ri 11. EJ está m '1<:1 10. molhado~ la o a~aricia. A mã pele junto à pel . A mãe pode estender as mãos para pegar o bebe.irn 'nLO. E comovente e 10 "I b bê sobre a barriga. a cabeça um pouco virada.. I 111r!111'.r 11111111111 I I r. . mas infelizmente as evidências nem sempre são vistas! É como quando se quer ocultar um tesouro: o melhor esconderijo é sempre o lugar mais à vista.1111('.!1 Ijlll' I1 111.. que vem naturalmente e desliza devagar para fora.1 :1'1.1I1t111 11111111 J I 111 111111.1111 11.!'.! " '. a e com muito rneno risco d hemorragia.'. o bebê deve transpor a bacia materna.J ) • 10 de abril Ou 1"01 il o] i' (tI'. A principal dificuldade para o bebê a caminho cio mundo externo é fato de o PAUl E lJM U\MINII() I (li!" li )~() '1'0(\ () mun ti () c: 1I11<l n i111 ) 7H 79 ) ) .btllh. tência rotação da cabeça. EI ' scgu ra ~I ma peja Cintura.111 rllll·I. Para sair do útero. De~a-se que ela sala suavemente.!'.uiv 1I. com uma mão apoiada no fundo do útero a outra S(Wlrando o cordão. ~ .: '. 111.1 11111 111111 \'111 ) ) ) ) p. Às vezes.111 ( 1.a entrada da bacia. tira-o todo do corpo da mãe..

1 I' 11)1 ':1< líI :1 (ornar-s acolhedora e ir ao encon1111 c1111H'IH' () I'Sp:1 '() :I\) lominal no qual se situa o úte1II c1I1I1IIIIII. porque o peso do bebê empurra a barriga para a frente.I I I. Esse arqueamento materno é um nó. O trabalho torna-se longo e doloro.QUANDO O CORPO CONSENTE SEXTO MÊS trajeto não ser retilíneo. Na hora das contrações. I 01" 111. I P.'1 linha r ta p rmitir que o bebê mergulhe c111<\1() Il:II:1 :1 S. aumenta a entrada do canal p 'Ivic(). O bebê deve d cer e depoi ubir. Por con111"1111 LI. I I I li I 11 'I I II '111 q li • 111 rg III ha r. I' . ao se aproximar do 1II11higl). que basta suprimir o arqueamento \1. mas torna-se mais estreita.\. vi mães que se arqueavam ainda mais. como fazem os cavalos .1 ('\H' ':11' . 1\1 roxirnando-se o púbi do umbigo..H 1.1 1115 'para o bebê. por isso. () p:ll'a . se aproxima do osso do púbis. o encaixe da cabeça. olhos fechados. ter dificuldade ba ia. O que acontece? O "promontório". promontório e. A cabeça do bebê pode ~~------------------.também é uma forma conhecida de reação à dor.() I' sta um lugar: a saída.Il(' o promontório se aproxima do púbis e diminui a entrada do canal pélvico.l.111 I>l'!l(' .11.lnl 111 qu a bacia vem para I I" 1111 .II \. . e as mulheres grávidas mais ainda. Por quê? Porque ele segue o arqueamento lombar da mãe. -sharrar ncs na k: -ntrar 80 HI ---I .ou empinar. que é a parte da coluna vertebral situada na junção do sacro com as últimas vértebras lombares. assim. afasta o promontório e fa ilit. O fato de se arquear . Qual é a causa? Muitas mulheres (e homens também) têm a parte inferior das costas arqueada. O resultado é imediato: a entrada do canal pélvico diminui. A imagem tradicional da mulher que sente dor: punhos cerrados. C()l1slal( i. costas cavadas. o peso do corpo dividido entre as nádegas e os ombros.IIIII do il1sl. Essa lordose obriga o bebê a seguir um caminho muito tortuoso: ele não está no eixo da descida. o púbis. O pior de tudo é que a passagem não é apenas angulosa.

Mas de que adianta. dos maxilares e da nuca que ela pode ser restabelecida. Isto é. Sem o acorelo dos músculos dominantes. mas o útero. é por meio dos músculos das costa . é sempre na inspiração. em casa. no entanto.: que vi . "Não sei' respirar". A a H2 respiração é uma função natural como a circulação do sangue ou o crescimento dos cabelos. esse longo e forte movimento de toelo o corpo. vital na h ra 10 pa no. o trabalho dos maxilares. não é um ato voluntário. porque a grande preocupação é com as contrações do útero. Sua posição central ngana: t m. Também el I! in I' (!. Esses vizinhos estão mancomunados com a musculatura posterior do corpo. e muitas vezes à quarta vértebra lombar. da cintura ao fundo das costa . quando peço à mulher que movimente a bacia para diminuir o arqueamento. da décima segunda à terceira vértebra dorsal. O diafragma. Por isso é preciso combinar o trabalho da região lombar. entre outros. Por isso. como o ato de afivelar o cinto de segurança no carro! THÉlU~sE ) Tu dás à luz com a pele. Felizm nt . 1)11\:1 jl. à coluna vertebral. nervos vem de nosso SiSIl'I1l. Ele se prende. o hospital. Que se torne um reflexo. É desagradável em qualquer momento da vida e insuportável para quem está dando à luz. o que não é de admirar.) ) ) QUANDO O CORl)O CONSENTE SEXTO MÊS ) ) ) ) ) J ) Mas não é nada fácil desfazer uma lordose. misturando suas fibras às dos músculos traseiros da coluna v rtebral. com toelos os órgãos e músculos.'a irn] r SS. façam o exercício de mexer com a bacia. inguém dá atenção a eles. s u consentimento não é difícil de ser obtido. separando e unindo a parte superior e a inferior. O parto.lIlll'll te para tornar a r spira 'ao muls livn-. no momento 111 qu nos f rmamos como embrião. alguns médicos acham que basta pôr a mulher sentada ou de cócoras para que a lordose desapareça. Às vezes. depende estreitamente dos vizinhos. que libera a abertura da 83 ) . como sabes. que alonga os músculos e libera os movimentos do diafragma.1ncr ()S() ximp. l'lv l'SI:1sol) . o diafragma torna vassalo I I s. O liafragma prende-se transversalmente ao corpo. ela levanta as nádegas.\O 1<. falar de três parceiros que têm um papel determinante nesse momento. É exatamente o que impede a saída natural do recém-nascido.1 inllu '\lci:1 da nuca porqu foi . Quando o diafragma se bloqu ia. o 'tu 111111 Ii/. Não' a I qu I 'vemos nos diril'ir diWl.I musculatura po terior. não está isolado no meio do corpo. "UIll I seus parceiros.ssoas. I fato.IIIV til' . É muito importante que esse movimento se torne fácil e natural. com. tem plenos pod r S c. c alguns de seus n rvos nasc '111 ntr as vértebra c rvicais. já que esta prevalece e impõe sua marca em todas as circunstâncias. ao passo que as costas arqueadas impedem qualquer movimento do diafragma. i.u uo.lÍ que 'OIl1l''ou sua xis: ~'ncia. nada pode ser feito com facilidad . é claro. quero. 'I' ~st:í sol C()I1SI:tlllvill fluência. Tud o qu eles querem é ser reconhecidos como mestres ab lutos I todos os nossos movimentos. para que estejam preparadas no dia do parto. () .r conheço que ela costuma se bloquear por vários motivos de ord rn íntima -. só depois é que ele migra para baixo.l'1' tIS P . levando consigo seus nervos e vasos. Se a respiração se bloqueia . É aí que. o esboço do diafragma s ncontra no pescoço. se elas continuam arqueadas? Peço às mulheres que. ão basta sentar a pessoa ou pô-la em posição semideitada."'t·ll~. a expiração seguinte fica sempre incompleta e o pulmões cheios de ar. tema involuntári . não escapa a sua autoridade. fazem o parto em posição semi-sentada. AI"Ill clisxo.

\ a observar e compreend r. O promontório . encontra-se comprimido pela pressão dos músculos contraídos da região lombar. não tem nenhuma da virtudes que lhe são atribuídas.orpo+é perineo. nada disso . eles são espessos. Se eles se alongam. Mas isso não significa forçar o afastamento das coxa . A região lombar é o território dos músculos dominantes: é o lugar onde eles são mais potentes.tI()Ili'.. Outrora. Fiquei meio espantada. ensinar-lhes a serenidade. fibrosos.1 rtTi:!o 84 lombar tornar flexíveis os músculos da face interna das coxa . Eles são revestidos de tecidos delicados. os músculos lombares se contraem. eram chamados músculos da virgindade. e e long os ento n 12p lo pp. Fazer o quê? Antes do parto. Mas. em direção à saída.•. A mobilidad do diafragma permite a mobilidade do períneo. como dar à luz sem afastar as coxas? Poderia ocorrer a idéia de que nesse ponto a natur za é mal feita e que. um irrnãozinho. Se afastas as coxas. também transversal ao . Aliás.1 <lI!\' Il()S :ljU(\. o alongamento. Mas. São chamados de "adutores". na qual não se entra ilegalmente. "É 85 .. • II de abril "Respire com a vulva". porque sentem na região lombar dores mais fortes do que em qualquer outro ponto do corpo. as pernas em X.. que é grosso como um polegar. que navega com a cabeça à frente. Naturalmente. O nervo ciático. cercando o sexo. Sua função deveria ser a de alongar-se.a borda superior do sacro . t) . Logo. A face interna das coxas com seus músculos fortes é um outro parceiro. se recobrem e se reforçam. mas é qual mão de ferro em luva de veludo. Sua linguagem é mais sutil. Os problemas de "ciática" estão ligados à posição das coxas afastadas.. depois de ter preparado tudo.ros não afa tam as patas para parir. mais a região lombar fica comprimida.1I . de estirar-se docilmente para deixar o útero agir. A mobilidade da musculatura das costas permite a mobilidade do diafragma. porque fibras que vêm da nuca e que vêm das costas aí se cruzam. Se a parte inferior das costas se arqueia.à d bípede. Presos aos ossos do púbis. Talv z eja um r squício lc nossa animalidade que não teve tempo I' s' :1jllsl:lr :1 11()V:I con li .QUANDO O CORPO CO SE TE SEXTO MÊS vagina. Têm tanta força que querem mandar no parto. e a pele é bem fina entre as coxas.. disse-me Paule hoje cedo. Ü I r '('i. Músculos fortes num lugar que dá a impressão de fraqueza. É claro que. isto é. prepará-Ios para ficarem quietos.. porque têm a função de cerrar as coxas para dentro. formam um time com a musculatura posterior. Uma sociedade com leis e costumes firmados desde a noite dos tempos. Tomam conta de movimentos do corpo com os quais não têm nada a ver. Não sabia que se pode respirar por esse lugar. nos ossos do fêmur. o "promontório" se projeta. A posição sentada no chão como Buda. uma junto à outra. o diafragma r m um homé I g no orpo.•atril L11)s lc nossa espécie.é o obstáculo a ser vitado pelo bebê. mas a parte inferior das costas se arqueia. quanto mais as coxas estão afastadas. os músculos do interior das coxas se alongam. com a int 'li!'('IH'1. 154 156 úsculos Há mulheres que chegam a falar de parto "pelos rins".. é pr isc "Ir fi luz ('()Ill (). Os urros mamíf . se enrolam em volta das coxas e acabam se prendendo atrás. no intuito de alongar os músculos adutores. la d para no fim om um obstáculo imprevisto. Um não se mexe sem o outro.

é um recurso fantástico para r laxar os músculos da bacia. ão se deve ter pressa quando se examina uma mulher. As contrações não serviram para nada. É normal. No momento em que o ar sai. () ur 'ro que: se -ontrai '010. Distender os músculos do períneo. A nuca deve ficar bem alongada. L mbro-m I urna pa i ente que era trapezista. Ao inspirar. Não é o que pretendo. mas isso depende da capacidade respiratória de cada mulher. apenas um fio de ar. Na expiração. para descer ele precisa encontrar descontraídos os músculos da bacia pela qual tem de passar. No hospital. mas correspondc uma sensação real:' De fato. e a coluna também. No fim do parto. Ela não s distraiu um só it sl. como se a vulva olhasse para o teto.) ) QUANDO O COlU'O CONSE TE SEXTO MÊS J ) ) uma comparação. mas sem fazer força. os médicos se habituaram a me mandar as pacientes que eles não conseguiam examinar. a fim de que elas conseguissem relaxar a vulva e o períneo. conserve a coluna bem apoiada na cama. imagine que o ar entra pelos seus pés. são cinco respirações para uma contração de sessenta segundos. Ao inverso. houve até quem pensasse que eu estava zombando deles! Minhas pacientes. Para que a contração tenha eficácia. Em geral. sobe pelas pernas e pela coluna vertebral. Muitas vezes fiz minhas pacientes tentarem essa experiência quando vinham à consulta. protund. os músculos feito um doid para abrir da bacia que se r tra m om a d r.J . J . o colo precisa estar relaxado. acho que a mulher precisa estar muito concentrada no qu faz no mom nto lo parto. 10 outro. ão encha as bochechas como Louis Amstrong! 1\.spiração deve ser uma resposta à int 'nsi(I:ldc c!n -ontra 8. porém.(llIns I'()!' ças contraditória: d-' um Ia 1o. tal como Thérese indicou. r . No momento em que você mexe a bacia. cujo objetivo era desviar a atenção das mulheres. Peço às gestantes que respirem com a vulval A expressão já provocou riso em mais de um médico. o púbi avança naturalmente para o umbigo. isso não aju Ia na Ia. Observei também que uma respiração apropriada ajuda muito a relaxar. Costumo p nsar n s . explicou Paule rindo. respire com mais força. que nem se sabe bem onde ficam. r pir com suavidade.uliad : cmpat '.II1IC I' seu proce so d parto. R . 'I ês cnlal:tc!os -ntrc. Há quem não suporte os exames vaginais e os espéculos. Se você estiver semi-sentada. Não é preciso pressa para retomar a respiração Só inspire de novo quando o corpo reclamar.0: durante uma pequena c ntra 'ao.uucntr-. de acordo com as explicações de Thérese. relaxe a nuca e solte o ar pela vulva. 1\ r .0 c intrário. r spire com a boca aberta e os maxilar s r 'I<lx" los. aliá . É exaustivo e doloroso. tenha medo e reaja contraindo-se. 87 ). não adianta soprar com força.J ) PAUlE o RELAXAME TO DA BACIA J ) J ) ) ) ) ) ) ) Mesmo que o bebê esteja com o caminho livre. pode sentir uma ligeira contração dos abdominais: não é mau sinal. sempre confiaram em mim: é uma coisa que precisa ser sentida! Fique em pé ou deite-se com a cabeça e os ombros recostados em travesseiros. quando as contrações tornam-se fortes. No início da contração. ) . Todas as mulheres a quem ensinei a respirar com a vulva obtiveram esse precioso relaxamento. r 'spil(' <Iv I{' v.splr . Eu as ensinava a respirar com a vulva ou a alargar a língua na boca. não é brincadeira. Consegui ótimos resultados por meio do trabalho com a língua e os maxilares. ido. pois isso reforça a eficácia das contrações. e o trabalho dura horas porque o útero deve redobrar o esforço. para não s ansar. A respiração pela vulva não tem nada a ver com a de tipo "cachorrinho". qu r i h '111 r:í. duraru uma contração mais fort .

e é isto que conta... tome um banho. embora os dOISpartos tenham sido rápidos e sem complicações. Paule cstev I rc sente.. não é o mesmo bebê.além disso. Como os músculos estão relaxados.('1('111 . Ensinava-as a respirar com a vulva. hoje. l ei de ç o.QUANDO O COHPO CONSENTE SEXTO MÊS o que pode fazer o pai durante o parto? Houve uma época em que os pais eram proibidos de entrar na sala de parto. junto com elas consegui fazer com que o parto fosse normal! Enquanto era preparada a sala .de operação. Odile conta duas histórias muito diferentes. elas relaxavam e dava~ à luz ~almamente. Ent o to b . Ela pediu a Odile que escrevesse umas notas sobre o nascimento das filhas. il s .I/.. IlClI I.. con nci de que o início de um longo. Odile conta o nascimento das filhas: que me à ç qu penso no de hilde.'>11\)111 'tidas a uma cesariana porqu o Irílh:t1llo. Mesmo assim. As contrações sã mais 'fie. que faz o púl is se aproximar d vagar da barriga. O pai eleve estar atento a isso e afastar-se discretamente . se isso não lhes causar angústia.. Constatei com surpresa que. Esses nascrnentos estão entre as mais belas lembranças de Paule. que isso. não gostam de ser tacadas nesse momento. mesmo que seja com amor. Todas as que eu atendi por anomalia de dilatação ou de encaixe evitaram a cesariana. A maioria ficava contentíss~ma de ter uma última chance de escapar à cirurgia. o que as leva a embalar b h ~ P r m io do movimento da bacia. te te po . ao invés das doze horas habituais nas primíparas. Paule costuma pedir que o pai fique por trás da cabeça da mãe e coloque as mãos de leve sobre os ombro dela. pode ajudá-Ia a entrar de novo no ritmo do parto. mas em cada parto ela pode estar com uma disposição diferente e sobretudo . cada contração tem efeito. Não acho que seja uma boa idéia. ei coi sei eu do de que l endo. Há quem diga às parturientes em processo de parto: leia um livro. 'S '. • 12 de abril Odile tem duas meninas. ento que se ent e . às vezes três ou quatro. sua presença pode ser positiva e estimulante.e. porém.dl. l u nh . Nenhum nascimento é igual a outro. Prefiro pedir-Ih s qu r spírern com a vulva. A mãe terá assim um estímulo para se concentrar na contração. latação do colo. do 23 me o ogo penho . Nos dois partos. espécie de sei que. que podí ir dei e que no seguinte gente . Já tive casos de mulh r s rI' ll1(ílS p:1101 . i s Eu ntin guAs Durante o parto. o t b lho de to i e l de ule e do que eu lido. Deixa de haver força contrária para se opor ao trabalho do útero. Algumas mulheres. cesso Eu i um o. Cada vez que ela retoma a respiração antes de uma contração. com uma pressão das mãos no momento em que ela solta o ar. e b longo. talvez estejam sendo obrigados a assistir a um acontecimento no qual não passam de espectador forçado.l C!(' di88 89 . em compensação. eu ia perguntar-lhes se desejavam evitar a cesariana. todas as mulheres a quem pedi que respirassem com a vulva e alargassem a língua chegaram à dilatação completa do colo em menos de seis horas. dê uma v Ita... A mãe pode ser a mesma. en i . não avançava . é um excelente modo de ir habituando ílS c-ont ra 'Õ s finais que são bem mais fort s doloridas. o pai.

Eu que que elo l eu engordara uito. C/uc ctc/clc/(' V('I/(O o de seda. Às 7h20 eu estava no solo de às 7h40 ilde t n scido.seguido c/ c/Ol 1(/11 1/1(1/]((' 1/0 1'/(' o. Eu estou me nascer o O de horas e vinte tos.J J ) ) ) ) como me ensi e o nos semanas. ~(' lcl c/ corrente do oto de o bebê uito g Ito prsoc]o ou c/ ( os pés em do Ou i l nte lC lie os con(l(/ nte o po to. eu estava sentindo um ço.) ) ) j QUANDO O CORPO CONSENTE SEXTO MÊS ) . com lo tarde do sob os eo . Concentrado nesse nto. esse arranco . Eu estava com medo de que le sse embora ch ndo que o po i p o di seguinte. ções eram di entes dos que senti O nascimento de ise um ento . hilde de ter mãe à de que n inho e pouco disposto o com elo. um gulho em mesmo.tornava di cil o té do o b ci do do como eu durante "os eu n o consegui b ios . Às cinco do como o intensidade e o i dos con ções e acordei e juntos cronometramos o l so de o entre os contrações e o d de d . A contração. o . ou e do . eu quis de maca nem de el que só de olh me i o pé até o ndo . elo p ion com o mão to o meu osso pu o. di i Icí ((I Ull1vendo o beça. Elo disse u coisa muito do vamos ch o bulón n o dá t o. de ente. eu ido esol eu avisar . E stiu d nte todo o i to. que elo inho . mos eu n q ser ecipit . o c podi "descer" bem i mesmo tão ido que ise qu n no ed a solo de t lho e o 91 ) 90 ) . no do pul . Os s de minutos do noscmento. No o ento do cont is intenso e 00 n do e . que veio logo e me e inou. qu l trulO nu co// /C I/CI. em que e(l SO(l/J(IS~(. se trator de pn o po to. inh() cl l1hccic o! As pessoas em t de mim me encorajavam. ss . E . com todo o no sofá. mos isso sem nem e. e io me depois do almoço. Eu senti ço s p ecndcn( .me lí io. eu coc . A único cois em que eu n o dei de penem sar era no ç . eu um pouco de o que me ocou v6mito. ient de ce to o o ento de scul do bacia e li ndo o ar que me restava nos pulmões. no sentido euo do l fora do que me era o . Qu l desses ele entos o deton O é que cont gurante ob igou. Eu tinh vontade de p e. me mentar no i ora. uns nutos. bebi um copo de uo e saímos. os eu ti CJ /ll1/l/ /O c/( qll(1 (/quilo n o ia nunc e que eu n o i consegu/I "h'l/(o /)(/1(/ c 01/(1/1(1(1/ CI r pi undo. estava que o l ate seguinte. eu n tinh o idéio de como i essa sensação. senti dores p os com os que se te em caso de di sentado ou de cócoras .. Para . ou três vezes. o posi centrado no i ento de ul do b i . pelos seis do tarde. c I I 1II'}'ClII (I Para ise. có nos pe e epios.eu e ito conss hora. os sugestões e os no solo de po to me eci distração i nte. No hospi l. eu solt os va o b . A ponto de um certo com os que me cer. dus c so dessa ço Inc l que C/c cio no meu n p causo des o que ist em .e o deit . eu un nte e sol o ar de que. O int era de cinco minutos. De vez . pelo n eu sentira contrações. tudo i COITH'Ç c 1/. o caso de u go. era ciso que eu nel que eu o domasse do sp ç o po isso.. Embora esse o termo que me vem n gosto dele estou dos sem de do do indo à que do exterior à mãe e 00 bebê. o que me dei sossegado.. (/ c IIc1/ te. bou. se eu sentindo o se rnovdo. .Vamos espe ! Às seis horas. O de ou má. i o do Uns cinco e no . E aí.devese ch de do o é o te que me ocorre à . de todo o meu o de conheci Durante t inutos. dos c o encostavam-se o no assento do sofá. mesmo se no ho eu ti dito .. E i que e o fora. bem intenso. A es de le me uito.

junto equipe. de l .IH'I de ."Super-ótimo?" Não é a primeira vez que ouço mães que passaram pelo trio peridural-episiotornia-fórceps empregarem palavras no superlatrvo. t nto. Aliás. Como se o encadeamento fosse tão banal que não houvesse motivo para queixas ou para reclamações. Já que o bebê está são e salvo. I. cabelhe o direito de estar aborrecida ou triste. cho que esco é ntes de tudo só co um o no undo. oi.. um msdois dois tos em i e um curto. É duro viver com uma dor que nem se ousa enunciar. É que que só conheço um todo de que esse com conlho nh escol no de Use. de corpo alegre. mas evasivas. Entretanto. Isso me que o em Se o e . (' Inr: judou l i n i do sci ento e conscrwn (I ((/11110. l me nos Eis . É o to i l e raro e Eu n tinh o ínimo desejo de consi . não consigo entender como os fórceps ou a episiotomia podem ser vividos de coração alegre. que u o d i descoque o e é l. deu à luz ontem.b l.nQ ho do p to. Tanto melhor. /)(i . Mesmo que Maud não tenha sentido nada.QUANDO O CORPO CON ENTE SEXTO MÊS me gesto erguio bebê que de . com se enid que u i SS('S 1l1()1I1('/l/()~. Mas logo acrescentou que não sentira nada porque lhe deram a peridural e haviam feito uma episiotomia. Eu me pergunto que palavra Maud teria empregado para descrever seu parto se não tivesse sido necessário o uso de fórceps . t e t li nte que l vra de ulhe . de e lico e epet co o ento de eu bebé. De to. o e de l de Use.. seria chocante. do corpo cuja integridade foi espezinhada. independente do do édico. ule se i o ui v / S o processo que cul i co e. nto. de u i. é pena que todo mundo se contente com disfarçar ou adormecer a dor aparente e deixe de lado a outra. ela não ousa expressar sentimentos negativos. E nu em que os elo à lu em que. A carga do não-dito pesa muito no coração e no corpo das mães. o segundo contou com .o u mero dico. o curto que o ego p ieu de l nõo sido p l. mais profunda e difícil de levar em conta: a dor da alma magoada. ou tanto pior? Em todo caso. Dunte noss s sessões de t lho.. E a amnésia pós-parto.. Não ia ficar bem. em geral ela já nem sabe bem o que aconteceu com ela. Mas são sentimentos que uma jovem mãe não se permite. gu ei i el de que se ho à dente e que nestesi pe idu l em espec do i ci cunst6nci s u que com que me se do de i t i nos dois obstetras inteligentes e de ser que. esse étodo de concent c/c (/(()/11f>CI/1/1CI/1H'I1/0 do c n em seu pe do co/po c/I( (//111/1'( ('I. perdoa tudo quando tem seu bebê nos braç~s. el p iênci de inh . 92 93 . que ti de que eu começo desses com hoje como • 13 de abril Maud. minha vizinha ruiva. aquela que eu encontrava na escada subindo com dificuldade seu barrigão até o quinto andar. in is n épo em que isso é qu e u op o. do to é ou l p i l pode. Elo COIl/ClVO o exl iênci que is h i codo su i como p / !i. nem ao menos para lamentar. A jovem mãe esquece tudo. o é um to nódino. Quando lhe perguntei se tudo tinha corrido bem respondeu com voz fraquinha: "Ótimo!" Depois disse que foi preciso usar fórceps.

11111 111"1.IIIIIIIIII.lprov'il.1.1(1(li in- 94 ..111111<. mOIIlI1.' 'isei ÉTKMO MÊS ) ) ) ) ) ) ) . depois retiram-se as colh r s 'o h .IIIII11()(IIIl'111.rni 1. 1/1/1'////1" I 1III001ItlII I 1111/''.().1 111. v:-.11\1 11.I.1 I1WI . O que vejo: uma barriga que está fOI .\.i\I<I.111. t • 15 de abril Não tenho espelho grande em Cc Sc1.. Iljlllll 1111I111( 111/11111 (JlI<' .I. pode-se ajudar a mulh 'r a r .11.11111 IIIIIH. 1IIII'(I.l (xplll"dl "In IlI/('.11I11.1111(".uicam nte chamados para os partos 'ujo heh~' l'sli t""SV vm posição sentada.Ir 11111111 IIIIIIIVIIIU 1111I 11111l1lll.1.(1'1(' (H.I (11111. Garbosa e inexorável.\11 I 11<'(1".l ('()III 11 111111.1'.IO 11111111 1111.11/1/1/11/ 11//11I I 1/11/11.1 () I)t'\)(' " !1.I LI( I.11i\..11111111)111'. eu estava brincando! Humor negro de mulh: 'I ~'. Ela mantinha UII1 \)0111 ritmo de respiração e os rnovirncnt .li.(111.tI( .'.1 1111 .11.'"t1H'I.1'.1111111111 l"II.1)('11' no 011.1 ti V('I Meu umbigo está saltado. não. ficou em posição s sntada cn: r ' '1 'til ima consulta e o parto.o'.l'.1/1 I 11 II ti 1. sem necessidade d ir bus .111.111>11 11()V. ab 'rl(). como se a cabeça do bebê arar' . da bacia.I ( I.smo que 'I' s ja grande ou esteja em posição senta Ia.l . PAIII I PU!. Continuo a obSCI'VélÇ3 l' c 1I'.I banheira.ra o primeiro filho.11)(.á-lo.III1V.( 111 () (11 li 1(' todo o meu corpo é solidário com essa nova b 1II'ig..() sanitário para me enxergar inteira no esp Ih 'lu' Ilr. quando ão usados fór ' 'I s e porque os músculos da bacia estão tão ontraídos que o bebê não consegue virar a cabeça para transpor () -su 'ilO inf 'rior da bacia e sair. -ss ' pl im 'it()! r > • I 7 dr ahr I )11'. Em geral. I'lcllll/I/I. braços e coxas se arredondaram por amli'rlcll' .1 11'1111 h 11111111.IIHc!('p.11 () 1H'lit'. I 1<'I I'.I<1()(OIPO.1I111 11 11111li 1111111111"' 111111111111. Quando a jovem mã ' ch 'gou .1t1.) ) ) ) ) PAULE QU/\NDO o CORPO CONSENTE É POSSÍV1:L EV1TAR OS FÓRCEPS Com o meu m 'todo.111 ce.de.I' '.I(I N 11 I 11'111111 c1111.'. se for iLO um trabalho 01'1" lO a tempo. (I\' (' i':IZ 'I'..laxar a bacia 'o h -bê desce.1VI(J. . J I{I lOUCO I '11110.ldv. ponto de junção de 111 111101 tical escura recérn-surgida.bê sai naturalmente.ps.11' 1!l11:.1.(' dt' cll'i :1-10 sair . c\('ll().III" !10111\('1 .\IHI 111111111111.I( I corte.I 11111111. Orl'l (Ido pelo prr grama do PI(' 11011..1I'.I:IV:1 pnlll to para ser usado. O estojo dos íórc ..1111.1 I/.. /\1 (' meus quadris se inibiram para deixá-Ia espalhar-s . rn . quas • IlUIlC.Id(.( I( 111 1111I 111(I'. Acho qu .1I" 1'1.IIII'I!C 'IJIII 111\1 11111'011'lllll1llldl Jldl.lIr1('mpUr rat c!11I11I1I 11 11II1 I .LO NIIIII 11"\1111'1<' l'IIIjIIIIlI'1I1 1'(1111'11 11.1 :. egura-se ntão com duas '0111 'r s a cabeça cio bebê para faz r 0111 que '1~1 fique no 'i 'o da saída.11.Ir'l)cixv () 1111'111 1.. ) ) ) usar fórceps.11(l1:1 ('()1I10 IIIll 1)1 '011. Corte seguindo o pontilh.pois eram sisl -m. S iu I '1 ê. I 1'.j <111111r1: (' I II 111< 11. I 111 I 1II'" 1 '.11 1'111(".1 I(I() do 1('('111 ~ nas: 1(11.'.I CoIh('ld cio b bê ardl('(II'1I 111111111 I1111 111111111111111 c1(I/I'. mas a mãe d iu a luz SVIlI dilkllld. II.11111'..llll() S.1() rll! ( deld urna IJIII'I 1'111111111.1 rI. ajudei uma moça romena a clar à luz. o colo já estava com s t ccruím -tros I' libt.( ( ()Il'. As cont ra1 <:(H".11111(11/(' ('1(.l d . \1.10' o 1)('ll(': falt. \.1111111 111111'11.I.\. 11/111/1/1 til I 11u'dl( (I (1I1 doi I" o 11/11/111 pélll('II. I nho que' '.111111111111.1 do 111lI I .111<1 1':llllll. nru bros.\VI I 1111 P 1111'(I 1111111" 11 .1 I" 1111 I 11.111111111111111'111/1('IIIIl/II/IIIIII/II( 1I('«'~)(III()!"rstcí aílll.11 I I I .I IltI.11/\"~:( '.I.Ie 1111.rdo. Alii<>. acho I 11l1J. ) l1lúli '() dt> plantão e o anest si ta já estavam 1<'1.10 e '1 bolsa de água bem distendida. .

declara o Guio dos IIlolcrnidades e. Puxa! Mas. .Iolomlas aumentou de mais de um terço. Ao empurrar. <sou-me. Eis o que você pode fazer na hora da expulsão. o número total de epi'. contraem o períneo. Não tenho a 1I11111ma vontade de deixar que me cortem a vagina para eu fazer I''/1 I da estatística de uma maternidade.lId. procure empurrar erguendo a vulva para o alto. como durante o trabalho. O tempo é precioso. é tudo ser rápido.' g stação. pode ser aceito de modo tão passivo pelas lill ilhcrcs? Sei que Ihes é dito ser indispensável para evitar o rorn1)1111 nto do períneo. de fato. deve-se com antecedência procurar um entendimento às claras. I li -m mais precioso que a integridade do corpo da mulher. a xpulsão torna-se mais longa.\ do bebê? Qual a necessidade. hospitais modernos. se o parto transcorre normalmente.. • 22 de abril acaba de sair: "154 maternidades VISitadas..llica bem arbitrária. querer apressar tanto a . o que aumenta o risco da necessidade de fórceps.\ folhear o guia. mas com mais força. após nove meses de pacienI. de precipitar o curso natural dos acontecimentos? Certa parteira de uma grande maternidade parisiense conI. comparadas. A regra. são calmas e muito espertas. 65%. sempre com a vulva. respire também com a vulva no momento em que a contração aparece. Foi constatado.15 maternidades quase não a praticam? E nem por isso nessas ur.1era uma questão de cronograma hospitalar. Encontro índices assustadores de episiotornias: em certos estabelecimentos. pode responder a essa necessidade. Cuide des te és.. no espaço de dez anos. Que estranha associação de idéias! Empurrar por imposição também pode ser traurnatizante. Se não sentir vontade de empurrar. Se for possível encontrar gente compreensiva. Há duas situações quando a cabeça do bebê esbarra no períneo: ou você sente uma vontade irrefreável de empurrar o bebê. Como esse costume 11 ' isso que parece. 40% dos casos.10. que o empurrar pode provocar o rompimento do períneo. Constatei que as crianças que nascem desse jeito. sem violência. a expulsão será feita com serenidade.QUANDO O oro-o CONSENTE SÉTIMO MÊS desejável! Costumam diz r às parturientes que empurrem como "se fossem evacuar".u tunentes na França fazem episiotomia. que não atormente a parturiente. lamentando visivelmente. Compro um (' folheio. que a escolha da episiotoI' 11. Já que sua freqüência varia não em função rk s casos mas em função das maternidades e dos hospitais! Não I" -t ndo entregar meu sexo a essa arbitrariedade. não é surpreendente que as parturientes contraiam os músI I dos. -m outros. com uma tal espada de Dâmocles sobre o sexo! dos maternidades' 1)( o Guio I. Então. acho uma maternidade onde o índice é de IO'Yo. omo se explica tal variação? A episiotomia deve ser uma C 11I. É 1110 também que a episiotomia apressa a saída do bebê. En1. ou não tem vontade de empurrar. são sistemáticas para os primeiros partos. 1994-1995. nos granI Ii". 96 97 . se não houver jeito de escapar às injunções do médico ou da parteira. ora. continuan10 . quando dizem à mãe para empurrar. Hoje. Aliás. anuncia a capa. Será a verdadeira razão? Por que então algu111. A criança escorregará progressivamente para fora de você.. mas não empurrando e sim respirando. algumas mulheres se entem culpadas porque não conseguem fazer isso. ao empurrar. Se você sentir vontade de empurrar. chegam a 85%. Mas POIIlll'. observei que há mulheres que. esse músculo precisa estar absolutamente flexível para deixar sair o bebê. Em ambos os casos. Paris: Enfanrs magazine. Ademais. comentadas". 60% das p. é costum colocarem a mão sobre a cabeça do bebê para evitar que ele saia depressa demais e haja rompimento do períneo.uunções ocorrem mais rompimentos do que nas outras .

se cI scola com mais facilidade. Tempo tempo do nascimento. sobretudo se a incisão for grande. Se a mãe gosta de legumes. é de todo inútil. Quando se efetua antes da fase de expulsão. só há quatro indicações reais para a episiotomia: quando é preciso diminuir o sofrimento do feto. A episiotomia é realizada no momen~ to de uma investida. levar até meses. Preferiu ao 99 I ) .'() .vitar rom] . gur<: () seu lx-l x-!" 1':1.II. 111.) ) ) ) J QUANDO O COIU'O CO ENTE SÉTIMO MÊS o que é a episiotomia? É uma incisão feita na parte inferior da vulva para aumentar-lhe o diâmetro e deixar passar a cabeça da criança no momento da expulsão.d)() in: rl':lIiz:IIHlo l)(llIIIIIIS. um pouco de tempo . Tornou-se uma prática rotineira.('. Cheguei a encontrar mulheres que sofreram a vida toda por causa de uma episiotomia mal costurada.I. o qu o faz p 'reler a clasti . A costura é feita em três planos separados: vaginal. . porque são bem raros os rompimentos completos. uma incisão na vulva que alarga o orifício vaginal. aliás.1<" qu. É pena.I P. E ninguém costuma falar das dificuldades sexuais provocada pelo perineo seccionado e costurado. Corta-se ao mesmo tempo a parede vaginal e o músculo. não quis correr o do tempo".in .(' nem pr '('iso I ()I' :1 111:11) sol lI' . Evitam-se assim a manobras de pressão. É efetuada pelo médico ou pela parteira.I ('. disse-me a parteira de uma O tempo das mães. é preciso que lhe dê em uma chance. por qu não tentar? A episiotornia não é um ato s m conseqüências. 98 ) PA LE COMO EV1TAR A EPISIOTOMIA? riga. impedir o rebaixamento do assoalho pélvico. quase sempre com a ajuda de uma tesoura.I (1.1 mcnt S' poc a sugar () s . I)i. ljllllll . anos. A epi iotomia é costurada após o delivramento (a expulsão da placenta). É muitíssimo melhor.nta. Até o precioso Jeanne. Primeiro. uma bela mulher de trinta e oito risco do tempo escamoteado. • 23 de abril "Somos as guardiãs pequena maternidade.II\( li) -nios.11 Para prevenir os rompimentos durante a expulsão. muitos médicos praticam a episiotomia. r' "111 nascid() 1'l'SI ii.(lI li!' . Esta.I 1).1111:1~.. ) . o que torna a intervenção quase indolor.'I)ill'lll 1'(1111 a vulva. () I 1'. porque a sucção dos mamilos ativa a expulsão. De fato. a incontinência urinária ou o rompimento do esfíncter ana1.J ) J Todo o trabalho de parto. O tempo dos bebês em geral tão maltratado.I~" . A incisão pode ser mediana.1I1l10 l' qu.1111. Tanto mais que o períneo é feito para deixar passar o bebê e que a vulva tem perfeita elasticidaele. quando a pressão da cabeça da criança provoca uma espécie de aneste ia fisiológica. Mas.'. essa humilhante brutalidade que consiste em apertar a barriga da mulher para retirar-lhe a placenta.ida I'.I '.II. pode ser dada a anestesia local. A P '10 r~ll() (1(' sug 'rir :IS I anuri '1111'S<1111'I '. Senão.1 I II.1. tanto para o bebê quanto para a mãe.'-.io.1.: C. . leva o períneo a se descontrair: o vaivé m da cabeça do beb ma sageía e se músculo. até para mulheres cujos músculos estão bem relaxados. Constatei também que a alimentação vegetariana em fim de gravidez ajuda a tornar eis tecidos ma is fl xíveis. ainda pr '50 a plac .1111 t' 1'()IIlI .. para isso. há a cicatrização que pode ser dolorosa e demorada. entre a vulva e o ânus ou médio-lateral em direção à nádega. muscular e cutâneo. que vão nascer. aliás.is ' im« li.dH' 1'I)i~IIIIIIlIII.

ti uitos poso do . Sou uma ficha que 101 . A o centí e A po que eu me b nquinho e me deA dil ntou. Elo de que. o. elo io-noite. . o à ni o t lho tinh . O que s me i o to de sol o o cont o e de e o l in io como é ese me ensin os eu n o líng con o e uito o tes. un sibilid des nestes i os meses de isos esc n os e chi eio como do todo di com o. Eu vel de . aliás. un n ceu no seu it 23 de ço. nunconsegui cont ol i . o bolso de uo se romuç sse o peu. de suspen 00 pescoço de e: de lodo. os médicos se revezam e se parecem. gente p so viver o g i todos os de é com o o e o . e continuei o o n nhe de quente. A judo do po ei com que eu i e o pe idu l. O pedi só veio no seguinte po o in com idode.E o você dent o em Um beijo. decid os i p no noite do o e ni . chegou o cho . s d nte o d tem t lid que. como que do su eso. de que. Elo p opôs que coso. Depois. As co pensei que pudesse ter tont. o que me p l. que ele o A e em pé. o te de conhece e ecebe com o nosso i que elo icou sob i bo go. Jeanne me escreveu uma bela carta de mãe. Será a sua profissão de arqueóloga que lhe incutiu esse respeito pelo passar do tempo? Sua filhinha Luna nasceu. . é te o onde o gente se sinto bem e encon 00 que se desejo. E conhece o t e o que t lho. bem devagar. do eu sol o p onunci o l "be/J{\" é 11m ento do logi 100 de que e de que eu A o o . A po te o desse bl ie ido. soube depois que ele pequeneo e. p oc ou o seio e c eçou o sug . De noite. Os entos idos com h me e i o episioto i e po sibilit ido ecu dos sculos do pe eo.no io i l to o lho do A po tei disse que eu colo com dil de qu cen os.. do e como u njo. n .o o ço. Estou lug elo te p pelos ceps e me ido u p ocesso de po to o longo. o E ndo. Viver d cont u o necesside n o beM ojuclou() sup t tudo. sinto que todo o ho de ntigin que du o me udo o à o I em suo pe l i como no odo de to e de . dei que nós três os inhos um tempo. se n o tiro cochilo nos o entos em que elo i no sono. em out o todo o do. enho h 00 do bolso de e me dei inte à noite.QUANDO O couro CO SE TE SÉTIMO MÊS hospital universitário onde seu pai é um grande professor uma pequena maternidade do interior. depois oluiu 6 do h . lá ela sabia que lhe dariam o tempo de que ela e o bebê necessitavam. eu n güento! i inei que u pudesse i tontos po tos em i e me t nto e doç .. posso di em e sossego. nne • 25 de abril No pré-natal. lhe de o . no . de com seu . u no 25 de às 4-h32. u c ento As cont ções co eç ito bonito. Eu i nte.. Com del . Eu tin escolhido bem pequeno po que b que ni op os n iço .. te o que estou lhe escrever. E é p eciso que o e me l. mas nenhum me conhece nem conheço nenhum. Depois.

O estetoscópio de Pinard. as letras foram riscadas. Perguntei o que queria dizer. quando ela está pousada na mesa do médico.1() l'll uhra. O bam-bam do coraçãozinho ressoa na sala. telefono para a médica e lhe comunico a boa notícia. podem ajudar a detectar o estado do feto. O que. "Vou medir de novo. Volto daqui a dez minutos. A bem da verdade. barulh nto e perturI ador. ) transita de mão em mão e que leio de cabeça para baixo." Lá estou eu sozinha.. O bam-bam fica mais acelerado. Essa trapalhada me deixou preocupada: haveria algum outro erro na minha ficha? Na consulta do sétimo mês. Sinto o sangue bater nas veias.Por quê? . Espero. Entorto o pescoço e a cabeça para seguir pelo gráfico os movimentos oscilatórios dos batimentos. ele retoma o ritmo de costume. não choro.1 r. menos pesadas e menos coercitivas. () LISO tio t'slt'los('(lpio tI(' Ilil1. Chegando em casa. é isso mesmo. ' um pequeno aparelho de alumínio que a ! arteira ou o médico 010 a obre a barriga da mil '. ele a obriga a ficar amarrada na cama. Desta vez. porém. Por prudência. vai fazer subir a pressão.1 I1l<1l' 'I '111 . Desta vez. com medo de tirar do lugar os receptores colocados à altura do ombro do bebê. 102 tos ardíacos do r '[o. Considerada como a panacéia do controle. Pouco confortáv I. Responderam que se tratava do meu IVG.lI) • 26 de abril O controle feito na Iarmá ia nao me dispensou das sessões de monitorização. impede-a d concentrar-se. Qual IVG???Ah! Então a senhora nunca teve? Sem a mínima hesitação. "Pronto. com certeza. a esta hora devem estar se amofinando. prendo a respiração. nem na rua. a pressão está muito alta. Faz o exame ginecológico e me anuncia que o colo está perfeito. vou sair um pouco. Se não tiveram a idéia de verificar a pressão num outro lugar. Outras técnicas.st lOSC(l! io 1 . Antes de voltar para casa. é utilizado de modo quase si temático durante os partos. Estendo o braço direito para ela medir a pressão. a monitorização não deixa. Um coração de bebê bate muito depressa: 120. Parece espantada. A voz suave me pede que volte no dia seguinte para uma sessão de monitorização. Um dia. Sento-me na saleta reservada da farmácia para colocar o aparelho: 13-8. O aparelho pode ser mais uma fonte de estresse para a mãe.) QUANDO O CORPO CONSENTE SÉTIMO MÊS ) . É muito.. Em certas clínicas.J vcrifirar os IJ:1I i1111 '11 11. começo a ter minhas dúvidas.J . A senhora está com 15 de pressão. ao . por exemplo.É perigoso? ) . --------O que é a monitorização? l I O rnonitor é um aparelho que capta os batimentos do coração do feto e os retransmite. Ela me responde que já sabia. Ba:. a médica quis mantê-Ias. O aparelho me aperta o bíceps.11 . A médica torce a boca.1 . às vezes 140 pulsações por minuto.1I'<1 causa d sconforio .A pressão voltou ao normal. de olhos elaros e voz suave. vi um sinal parecido com IVG +. Nem na frente da médica.Isso mostra que ele não está muito bem no lugar onde está. que me atende.1<l 1..É.Não é bom para o bebê." Não consigo pensar onde ele poderia estar a não ser no lugar onde está. Os dez minutos me parecem muito longos. nem ao sair do consultório.Coitadas. O nosso palpita de 60 a 75. I30.1 VoIlll. foi uma parteira que me atendeu e amarrou na minha barriga um cinto equipado com receptores que iriam "escutar" os batimentos do coração do bebê. passo pela farmacêutica que conheço há muito tempo e peço-lhe que verifique a minha pressão.la 1'1 ostar o ouvid . .IMI d. () <llll' (' () (. Não me mexo. 103 .on para () 1 'he'. é uma moça baixa. de ter inconvenientes. Percebeu que o seu tensiómetro não estava funcionando: todas as gestantes que passaram depois de mim pela consulta estavam com 15 de pressão .lgl'lll til' 1l.1 1IICIIIil()lil'.

Sua teoria ficou confirmada. Para ele. O que será que ele vai achar. Minha barriga tornou-se uma zona de risco. embora a ciência médica demonstre que nem todos eles são de necessidade absoluta..mas não desconhecido de todo..para a frente. o bebê era tão pequeno que devia custar muito a percorrer todo o seu espaço. com as duas. [. Sua percepção dos lugares foi-se aguçando aos poucos. Sou o exemplo perfeito do que descreve Marsden Wagner. Sei que a parteira só está cumprindo ordens. minha barriga é seu campo de esportes. essa tecnologia seja usada. calome mais uma vez. . sinto-me espionada e torturada. em conseqüência. Vai chegar o dia em que ele vai ter vontade de explorar esse mundo ainda invisível. o estresse nunca foi o melhor método de prevenção. Laurence Pernoud. Ouviu vozes ou música.inade~ quado. fora de seu mundo. De fato. Na hora em que estou deitada e que Martin e eu podemos observá-Io e acariciá-Io à vontade. Mergulho para trás. que ele tem menos lugar para se esconder. entrei num círculo vicioso. talvez até tenha percebido a luz. Segundo essa maneira de ver. Não me sinto protegida. Em meus pesadelos. com uma só mão. Uma coisa é certa.. cl~nte de seu diagnóstico e que não precisaria recorrer tanto as rnaqur- nas para compensar suas lacunas. O número de exames praticados durante a gravidez e cada dia maior. Depois. chego a ver um tatu cavando. com respeito." Acho que é a gota d'água que faz o vaso transbordar. cavando . enfim. Mesmo quando tudo está normal. principalmente para a gestante. em quase todos ~s casos. com um sorriso.. Cada exame exige outro. principalmente. na qual fosse atendida sempre pela mesma pessoa. Fico contente de vê-Ia de volta." . queda em parafuso. salto duplo .Tem preferência por certas horas. acompanho com os olhos e com as mãos o acrobata pela superfície da minha barriga: pequena saliência à esquerda. que não se entrega a qualquer um.\... Se eu lhe perguntar o motivo de um novo exame. Seu oceano amniótico devia parecer-lhe infinito. sobretudo à pobre mãe inexperiente. Mas. um longo bocejo de leãozinho. Compreendeu que existia algo do lado externo. região de alta segurança. Volte daqui a três dias para outra sessão. Ela dá uma olhada rápida no gráfico. Paris: Stock- 105 . a um tratamento . oles de sages-fenuues.. "Está tudo bem. Ao tocar nas paredes do seu antro ovóide. todo nascimento e patológico ou comporta um risco patológico. os passos da parteira no corredor. ! I I 'I 2. Fascinada. ou então a barriga do pai que me enlaçava. grande saliência à direita . afinal.Tanto mais agora. deve ter percebido que o mundo tinha um limite e era fechado. equilíbrio com duas mãos e. Talvez eu devesse ter escolhido uma pequena maternidade. 1992.] O risco é a pressão exercida para assustar as mulheres e os responsáveis po!íticos ~a saúde. de noite. Querem me mostrar que gerar um filho é assunto sério. sem insistir. as pequenas instiluições já são raras e vão tornar-se cada dia mais raras. responsável pelo setor de saúde mãe/filho na Organização Mundial de Saúde: "Internar as gestantes em hospitais hiperequipados de material tecnológico acarreta o risco de que.QUANDO O CORl'O CONSENTE SÉTIMO MÊS Escuto. Mas. !. Tal utilização pode levar a um diagnóstico inoportuno e. meu útero parece ter encolhido nestes últimos tempos. No começo. Mesmo assim. d(). mesmo que a parturiente nao tenha necessidade de tanto.\ir'I~ t la iss uce. Que solução adotar? Abster-se de todo controle seria pueril e provavelmente perigoso. repete-se o exame. Infelizmente. de preferência POI" uma parteira experlen:e.. caso deseje ficar quieto. ela vai me sair com um rol enorme de argumentos peremptórios. veio o dia em que ele sentiu o afago de minha mão. • 2 de maio Mas quem é este bichinho que cresce na minha barriga? Dá pulos de gafanhoto ou de carpa. para concluir a sessão.

Olhe a h continuou acaba do de ela levantando o pulôver. . ficou quietinho no cesto. cheio de rugas e escarificações!" Por enquanto. a minha vizinha cheia de olheiras por causa de seu recém-nascido.J J ) ) ) ) ) ) ) ) ) ) .J ) ) J ) ) ) J ) 106 \ ) ) . costuma o explicou-me ela com um sorriso cansado. Muito séria.) ) ) ) • 3 de maio Convidei para vir aqui em casa Maud. Seus movimentos chegavam a mexercom meu vestido. dava pulos para todos os lados. minha ditosa hereditariedade ainda me poupa das marcas brancas das estrias. Maud me lastima. Para não desmentir a mãe. ela tem muito orgulho de seus estigmas. QUANDO O COlU'O CONSENTE . o rosto de um ch de . Maud me predisse marcas indelévocê dentro e isso veis: "O bebê toma conto de você. Meu bebê estava impossível. de mãozinhas cerradas em torno de seus sonhos.

! jld I 11 111111 VoIO c/ I'.I. 'II/r 11 . Mesmo e assim. c/o hospital l.1/111''1111' () I) 1 bô não iel(·I.í 11('( 'S .l tivo.i/clllnpt' 111. clínica na qual para <lI< I I 111/1111I 11 I' 111.dllllllh"c/cl ou nervosa.ld.1110ulllc1-sonograflasaindanão cheio daqui bast.!III>~.11 1111'01' . 11 VI 111 I 1.írio? 1)('1. /111111.111111/( lI.MÊ • 17 de lU •• o 11.1' .! "!>'.( 'I • .111/1):1/111\ :011.()II()i~1 dnd 10 111/ . icul /íqUIr/o pouc () V()III/ 11/111 .i/pdçiio Paule da dissemelll'/I"I de barriga mude 111011'.1/111 I I1111I111. Ninrig. S u objeme 11.! tl5i1(c!c. sert o a " 'li r " /lI I' 111di 1111111. 11111111 1 111.'. '1I1V1H . .'1.d.111'...11.1'.11 minha angústia e minha gUl-III raiv.1/ c/I) I/()'.l um estão de- 1111 1111 111 I 1/11I I li 01I' 111 11111 I.1'.11/1'.I'pouco '.! dlclIlO particular a mesc/v (lld. 11 I ."11 I' 11111 I . I 11 I I 1i li' linha oul: .Og anota em dasIH·I.' oit IVO III 'S. Meu barcontinua deserto..'/ C//ll/lltlllI/f1 '/r I.11111.1'1110111 I.'//1 11111 I/ I 1". \ /1'11/ /1/11/ 11'f 111/ IIIIIII/C// / 11/11 1'1 I11 (./. 1." 'C/ ()/ N I VClÇÕO '.1 li' 1111."!lI/II!.I •.\d1'II'.1 I 11 11 I .111 dCl I)(·!>(\ '1111' 11 dI0l1:1111'.li flllll '11'I.1 1. d.1101 11111.1 ( I 1111( 11If) I .111 /111 I I (ljlOI? Ullld sessão de superali1 m 111.11.unr l a [1(". I 111 c/11 li 11 I'. /I" I) I'" .dlllllll.pilrll 1111 '1'/1/11 111 1"1.1 .. ma/UIH bem silênCl(l •.! 111111111/1\111111/1111111 1/1 1111.lIblinhddo).1111I 1"lIh· .1 p. /o /'" /111 c/'/lI'I/ .1.\d"II"I/lIIII'II" I l(ll"...1..!Cl ti "1(1.l() 111 "I 11111111'I I 11111'11.1 111111111111111111 11.Ilu v.\11111 rlll '.i 107 .!I.IIII( 1/ f I1 .1""1111 /1. I 11"1 .: (' IIr I' r'll ".111/111' I)." I c/III I '.I "VII 1///1/.1 I .1 111'01.I '.1. 11111111'11 111111I'III'(OllllnU.!'.IIJ/ll'.11.111111.

destinado a determinar o termo da gravidez.\:IICS me telefonou para avisar que está grávida..11111 rl anestesia peridural. ao pincel dos ultra-sons que o amolava". 1<1'> I Ir111'r.1'I IOt ri: nõo se sente I I'TH li'. 1. "É o típico abuso gerado pela tecnologia médica: o aparelho inventado pai-a responder <Inecessidades reais (o diagnóstico precoce de certas más-formações) é empregado para outros fins. o grupo dos "muito acompanhados" tinha em média um peso inferior de vinte e cinco gramas em relação ao outro grupo de recém-nascidos. Obstetras australianos resolveram avaliar os efeitos de ultra-sonografias sistemáticas e freqüentes durante a gravidez. Ficaram muito surpresos ao constatar que.1c1'.419 mães só tinham feito um. 1Ili ".I :'1 li)'. Eram chamadas de molengas I "111.. não é a senhora que decide!" Eu seguro um "e por que não?" e refiro-me ao desconforto e estresse causados ao bebê. O avental branco se refaz e decide dar uma grande estocada."ll1pre como uma panacéia. para os médicos. afirma o diretor do de11. 1. no segundo. 9 de outubro de 1993.1 11I. Sei muito bem que não me levariam a sério. A ultra-sonografia deveria detectar anomalias. decidido.111'lnidadeda região.(Iri gente pode . Mas disso ninguém fala.. atrás. do parto sem dor. A hipótese inicial dos obstetras era que o controle intensivo devia ser benéfico. a o 11111" I' 1<. Compararam dois grupos de recém-nascidos: no primeiro. Paris: Robert Laffont.QUANDO O CORPO CONSENTE OITAVO MÊs • 18 de maio Noite agitada mas boa conselheira. IOH 109 /" . segundo as palavras da mãe. 'I. I'cor :IIIII(~i ~ onde ela vai dar à luz. pesaram muito' . 1111 ri tli/lculdade para consegui-Ia.1'. ao inverso de toda expectativa. Parece comprovado que esta "escotilha" mágica tenha seus limites e que o seguro total contenha efeitos perversos. será que a quinta ultra-sonografia é mesmo necessária? Como o senhor escreveu que o líquido é 'abundante sem exagero' . É incrível como a moda é ins" 1111111101 I I " . Espera o 111 1111 '11'0filho para daqui a um mês. às vezes para suprir a incompetência clínica de seus utilizadores". respondeu que irá para a peque11.415 mães tinham feito uma série de cinco exames completos com ultra-sons (imagem por ultra-sonografia e fluxornetria Doppler). Em Paris.11 Lamento de medicina neonatal do hospital Port -Royal. É verdade que há muita coisa escri1. profes'. Artigo publicado na revista cicnulicn The ela se generalizou de tal modo que se tornou a resposta para todas as perguntas. "cí em di l . Agnés casou-se com um car1l11)11'111) e mora há dois anos num vilarejo perdido na montanha. oito entre dez mulheres são subrneI I I. Desligo e desisto de falar do bebê de Maud. na 18~ semana de gravidez. " '11 1'11'1'" L IlL'licr.I "lli". se possível em silêncio.1'. ~.\1 a agüentar o sofrimento." Silêncio estupefato ao telefone. • 22 de maio !\.1I uwcrso." Agora a voz está fora de si. Os ginecologistas a utilizam cada vez mais. 1993. I \1 I cscentou que está preocupada porque não vai receber . "Alô. as gestantes que pediam essa anestesia ainda 1I1 I. doutor. por favor.II'"ia peridural. a vinte e cinco quilômetros da casa dd.IIIÚ.01 [can-Pierre Relier". revistas e médicos a propõem I' r I'1. "Minha senhora. até para confirmar o diagnóstico de gravidez. As mulheres apresentadas ' (11111(1 ""'mplo nos jornais costumam usar esta expressão entu. o pai-to sob anestesia peridural é novidade do kit-gravidez. e nt qu 'il n isse. Conta que ouviu falar muito dessa ""I".'-'. não usaríamos o procedimento. que mostrava o traseiro em todas as ultra-sonografias "dando as costas. 1. 1 cei. É preciso matar a revolta no ovo.1(> que o e.. "Que idéia! Se houvesse algum inconveniente. Alguns gramas a menos que.II'fol" e que lamenta não "ter direito" a ela: "É injusto que .

fui visitá-Ia na maternidade e perguntei o que havia sentido durante o nascimento. Nascer. ~reocupa. A Jovem mae deve esquecer a provação do nascimento. "É que tudo se nos acrescentou ela. voltar a ser depressa. Então.Ambo IC'1nck 'c' tllllq:rll ('Irl '>Ij{'!leio pOI um ao ntual técnico. a fusão da dor com a alegria o mrsténo mexem com nossos parâmetros.1 moc. meio em dúvida. dizem à parturiente: e preciso o Acho . Os moti ~os expllclt~s sa~ os mesmos: segurança. Por C]lI l II. refazer a vida. Esquecer. A vida é dada do mesmo modo como se morre: se~ ousa~ sentir nada.em comum o silêncio e o não-dito que o: cercam. eu se sob o e no deles. De fato. desde já o fato de não "poder recebê-Ia". Infelizmente a engrenagem médica não perde tempo com conversa inútil. Como a morte. 111 . . gritos. ela fez a mesma pergunta à parteira da maternidade que respondeu. As parturientes que a desdenham complicam a rotina hospitalar. porém ' "ue na~.A maioria das grandes maternidades já está preparada para fazer partos sob anestesia peridural. Artigo de Philippc Thomine: Péridu- rale. .. higiene. Um nascimento desconcerta. Seja para sair de férias ou para dar à luz. é? D hi ulico. apagar tudo. Lembro-me ainda de suas palavras desiludidas: "Paro o segundo o. propiciar o nascimento. d~ sua ao sei hosprtalíz do. esse tipo de parto disciplinado é muito tranqüilizador: Não há irritação. nasornento e a morte têm. A revista mensal ion indica em seu l10 número de abril de 1994 o uso de pressões especialmente convln centes para levar a parturiente a aceitar o pai-to sob peridu3 ral . no no do bebê. Ia nouvclle donne. Nas outras regiões. Os sobreviventes do mor~o: os parentes e amigos também devem atingir a mesma amnesra. aliás. lhe. falou-me de sua frustração: teve a impressão de haver sido completamente alijada do nascimeno . Brigitte. O consenso a respeito da última técnica em destaque era geral. a percentagem é bem menor por falta de equipamento ou de pessoal competente.\ ("Id.Talvez também seja o caso de Agnes que lamenta.ml du cuo . como para muitas outras. que mora em Paris. Mas será essa a verdadeira expectativa da mulher? Para Brigitte. leu inúmeros artigos sobre essa anestesia e conversou com o ginecologista."Se for 00 pelo Quando a mulher resiste aumentam a dos: de ocitocina na perfusão. I que momento ou para scrnpi 1). que "tiveram direito" à peridural. Mudar logo de casa.10sao mais nada? Ao dar entrada na maternidade. Com o é o coiso. a mãe ntrcga sua identidade como o agonizante ab~lca. Antes do parto. e. voltar ao trabalho. Aliás. Brigitte é documentalista. mas percebeu que não tinha escolha. Ele lhe deu esta curiosa resposta: você um corro -quil e todo o co . hurn". dar ou perder a Vida. tentam a arma fatal: a culpabilização . é ito s você qu sent dor ou q a nesrindo: tesio idu l Brigitte fez "hum. agitação: o corpo não sofre. e sua ~ro~na mOI L . n. Prcfession sage-femme. Depois. Pouco importa quem são ou fOIam. ' 'cJ .é feito o impossível para trazê-Ias de volta ao bom caminho.lncnv:lmente parecidos: muito medicalizados. Afinal' a mãe e d espos III " CIo ptll 10 (O!l10 o !l1OI tlHlllclo (1 ed . so Interessa a parur de então o ato para o qual se preparam. teve o parto sob anestesia. o silêncio perdura.QUAl'\jDO o COlU'O CO SENTE OITAVO MÊS tidas a essa anestesia. ou morrer ~eve ser um mero parêntese na "verdadeira" vida. Brigitte faz parte dessas mulheres. o que acelera de I-e~ pente as contrações e as dores. A força emocional. a moça que ela era. ~ Na mae. Os moi ivos omi dos tambem sao os mesmos: cn obrir a desordem 1. sem palavras. bem depressa. Os rituais modernos do início e do término da Vida sao. de abril de 1994. cada dia mais numerosas.io ( e da dor. Fico surpresa com o pouco que tem a contar sobre o fato as mães que deram à luz sob aneste- O I I I' 3. O to do filho. estou certa de que o resultado não satisfaz. Primeiro. porém. air-bag e eios A5S. so por motivos organizacionais que q -" . ela nunca faz nada que não esteja programado. "É como se eu eo nte o onestésico e o os contrações. Quando seu filho nasceu. sem lágrimas. as maternidades Incitam a anestesia. E tudo Surpresa.

e sem nunca se manifestar • 23 de maio Agnes me telefonou ontem à noite . O mistério do nascimento. é uma maldição herdada de mãe para filha. por enquanto toda misteriosa. Encafuada em algum lugar da memória do corpo. É o do que mos dent o de nós. a sensação dolorosa das contrações é intolerável. perguntou-me. Entendo sobretudo porque elas estão se preparando para dar à luz em lugares frios e impessoais. A dor do parto não será uma dOI-imposta. Só se ~ue o sO de nós. não estou com medo. inclusive a conhecer seu propno nascimento. acho que está muito certo. o medo da emoção. Não a do nascimento.o ~o corpo. sim. nas pernas. Para elas. o susto do corpo todo são muito parecidos com? que observo às vezes no meu trabalho. houve com certeza emoção. Nunca ouvi nada parecido. avilta.QUANDO O CORPO ONSE TE OJTAVOMÊS sia.mãe. dia após dia. Esta merece ser anestesiada.mtc 11'1 IlC)ra Id. Não quero. que ele es em nós tudo lto os ode Deixara própri~ dor manifestar-se pode ser indispensável. Eu as entendo. Seja qual for a forma. Ouvi muitas mulheres falarem das dores do parto como de um sofrimento imposto. Tr'[ÉRESE 112 113 . Elos se debote com o . uma parte do nusterío. nos órgãos. Entretanto. cntr as p 'mas p~r to~o o corpo que está moldado p Ia nossa história' a sorvId~ gota a gota. para sair do corpo e da alma enquanto o recém-nascido avança irresistivelmente ' d Os tremores. Não tem nada a ver com a dor do corpo machucado ou ferido. destrói.consegue en SI e que elos se en g e o di . o medo de sei. o medo de ser responsável por um outro ser Sel-á que a anestesia consegue aliviar esses medos? Não há muito tempo. claro! E você?" Não. ejo os lh ~tondo consigo . mas. que vai ter a minha dor. Segundo ela. talvez seja isso: uma energia violenta que atravessa o corpo de alto a baixo.Estou. re?r~sada por muito tempo. Não é para bancar a corajosa que digo não sentir medo de algo que está em mim. Mas não será um engodo? Por trás da fala anti-dor das mulheres não haverá outra coisa? O medo do desconhecido. ano após ano.in.ela que só costumava escrever uma vez por ano! O fato de estarmos na mesma situação nos aproxima.Você está? . porque ISS?ajuda a mae a se conhecer melhor. nos braços. intuitivamente. uma passagem compulsória e inaceitável na era em que a farmacopéia permite sua isenção. Nascer outra vez ao dar a vida. uma parteira formidável me contou o que sua experiência lhe ensinou a respeito da dor do parto.o parto . A_dor ntran 1 . Só quonem com o que em o . Calar essa dor parece-Ihes vital. .iada no corpo. ela será minha. Para fugir? Com certeza para fugir. quano os músculos repletos de emoções acabam cedendo ~ quando a memória. o corpo se revela em sua nudez integral. O que o co lo é o s ento "\ do p óp o . o é o contração que dói. na pe e. Como tu I~ se selar ! Ü a dor qu trazmos m nos que surg . o inicio do lho de . sobe o fund. nos quais todo mundo só fala de dor a suportar ou de anestésicos milagrosos que podem dar alívio. "E você não está com medo de sentir dor?. O teste da verdade é fulmídosr» A dor desenfreada galopa através dos músculos e os nervos. no coraçao. ' . enfraquece. 01 . Esta. lan . e já é minha. oculto. ' Sacudido por uma tempestade inédita.

J . Cai-se num círculo vicioso. A endorfina adormece a dor e proporciona bem-estar. de pô-Ia no mundo? Tem medo da separação? Todo parto remete ao próprio nascimento. A mulher COI1l medo tem contrações exageradas elos músculos. a mãe revive o trauma de SU. Sv 11. ) A ) ) RESPEITO DA DOR ) . os pés e os dedos dos pés podem ajudar.ISl' M'Il1 pre o medo e a angústia que provocam . Ao respirar com a vulva durante as contrações. mas continua consciente . disse que iam para a "sala de torturas". Algumas se contorcem de dor. O ambiente. você estará relaxando esses músculos-chave. terá medo de cesariana. Se o relacionamento do pessoal da maternidade com a mãe for calmo e apaziguador. I': 11111:1('(] \ ria antiga. Ela deseja ou tem.I. cito A esse propósito. Como enfrentar as contrações. mesmo em casos de cesariana usa-se a periclural. principalmente na região lombar e na bacia. os maxilares. o número de anestesias durante o trabalho de parto diminui ao mesmo tempo em que cresce a proporção de partos normais e naturais. mais longas e mais dolorosas. ela controlava muito bem as contrações até que a enfermeira. mas sem experimentar as sensações tão fortes e poderosas da vinda ao mundo? Todo o trabalho de antiginástica com a língua. estava sorridente e tranqüila. ele tem suas defesas próprias. a confiança que ela tem. os olhos.) QUANDO O CORPO CONSENTE OITAVO MÊS ) o que é a anestesia peridural? ) .. o meio no qual a mulher dá à luz. Quando chegou à maternidade. o organismo materno secreta um horrnônio chamado endorfina. O trabalho caminhava rapidamente. que já não é quase utilizada. em si mesma. deixou de controlar as contrações. Era a única frase que não poderia ter sido dita. os lábios. va: ter medo cios r{lrccj)s.l' \ I por cesariana. Orn . No momento do nascimento. Um estudo feito na Inglaterra oles de s gese citado por jeannette Bessonard em femmes' mostra que. A parturiente deixa de sentir a barriga. o útero precisa redobrar esforços para superar o obstáculo muscular. Não fica totalmente desacordada. lembro-me da Sra. um produto que insensibiliza os nervos da cintura para baixo e alivia assim a dor física. Thérese já explicou a ligação entr essas partes do corpo e os músculos da bacia. as contrações serão mais fortes. É um analgésico semelhante à morfina. ao levá-Ia para a sala de parto e achando que fazia uma piada. op. como torná-las suportáveis e como dominar a dor? Como conservar a calma e viver intensamente. ou não. os tornozelos. O bebê se encaixa mal. A Sra. I. e o bebê será naturalmente levado pela contração uterina em direção ao canal que ele deve transpor para nascer. a secreção de endorfina aumenta. 4.J ) PAOLE As mulheres não reagem da mesma maneira à dor do parto.1 dOI. Nosso corpo não está inerte diante da dor. ao contrário da anestesia geral. D. Por diversas razões fisiológicas e psicológicas."(.J A anestesia peridural consiste em injetar. As contrações não 115 114 I k . Se nasccu com a ajuda de fórceps. I I I. quando as mulheres conhecem a parteira que as assiste. inserida entre duas vértebras.J ) . receio de soltar o filho. na parteira e no médico influem muito no modo como ela vai sentir dor. ficou subjugada pela dor e tivemos muita dificuldade para fazê-Ia retomar o trabalho correto.I chegada ao mundo. oles de sages-fentmcs. c: <j1l. A dor também não é estranha à história emocional da mulher. Ao dar à luz. D. outras não sentem nada ou quase nada. que verifico a cada nascimento. o sexo e as pernas. a bacia. por meio de uma agulha de ponta côncava.

qu li po que decidi o bebê em ou cont o n sci ento de oé ie. NONO MÊS • 21 de junho A história de Francine é um sinal. Vai viver o parto em toda a sua plenitude. pois sabia que a tachariam de doida. tem de enfre?tar sozinho as contrações. da vida. Acaba-se esquecendo que quem dá à luz é a mãe. uma menina. mas 37% conseguem ter o filho em casa. quem decio de tudo. Na Holanda. Dez por cento dessas mulheres têm de ir para o hospital durante o trabalho de parto. de ser cortadas.~ral as releza a um papel técnico. Dizem que estão fartas de ser levadas de qualquer jeito. É seu segundo filho: a primeira. oi cinco nos. ancstesiadas. E o médico .Aliás. Que . Preocupados. Incapaz de partIClP:-r. Se você ainda não optou pela anestesia peridural e a deixou de lado como um coringa a ser usado caso a dor se torne insuportável. on ento . impotente e submissa. nasceu na maternidade. ( . já que as patunentes / r:ao dão trabalho. Eu n que ia o eu p to podi quel tei . à interve~ção médica efet~ada na parte inferior. quase 50% das mulheres escolhem dar à luz em casa. amarradas. quanto ao bebe. QUANDO O CORPO CO SENTE duram para sempre porque todas elas são efi~az~s: A dor existe mas dá para suportar. e n~o o médico ou a parteira! A anestesia cria uma separaçao entre a mulher e seu corpo no momento em que ela mais tem necessidade de saber. O este me t ! tes. nos t tos uto. O hospit l era . Nasceu em casa. e e i do em que a de o chegou a 120 i oi 117 I i U/ sse n u! i e. Dizem que a hipermcdicalização é a era glacial. Não a era da maternidade. o que está acontecendo. Francine acaba de ter um menino. Outras. não seguem juntos o mesmo percurso. é provável que nem venha a precisar dela. pregada numa cama durante todo o trabalho. Sinal de alarme. sem a possibilidade de fiar-se em suas sensações . p to nto de l e. porém. A mãe é forçada a abandona-Io em plena tormenta. de cont como de Ul sse. ela nem chegou a contar aos pais. A mãe fica imobilizada. gostam da anestesIa. g d cli de edo e soli o. Não sentirá vontade nem necessidade de ser anestesiada. Ela só obedece à ordens do médico e sujeita-se a suas intervenções. A parte superior do corpo assiste. famr1iae amigos fizeram de tudo para que ela desistisse da idéia. Mulheres reclamam. po é . a mulher !Ica ~onde nada a suportar. Isso revela um novo estado de esptrl~o. isso Vivi p e ho l ente se qu lque t nqüil . porque o bebe sairá logo. e sobretudo de sentir. As parteiras costumam dizer e a ~n~stesia peridt. Os c sos do p é. porque_ a função delas fica mais fácil.t l nun me ulos. Querem mudar.-'. de não ser escutadas nem respeitadas.que praticamente deixam de existir.

J solo. . que era lug e. Eu consegui desc n vivia de o com o do hospi l. ei ndo à lu . en118 n iam vai ter sei foi que o de o em De fato. o i/ COll n l u uic Con. Eu com e. que à em o endereço de em .... O co to entre nós e ito o. os os un espondidos pelos po com si plici . ieti ito nisso c o(ho que u. Qu ndo cheguei l . licou "O em lto do pescoço n é bl . . c ecei o ten nos ntes do te cont ções.. depois. gué cortou o co o e dei o bebê no solo 00 lodo. Ind uei cho que pode do 119 ) ) ) . s el e fui me inscrever em outro p é. eu nõo te te A te chegou. Meio jeito. c cei tudo do s jeito. H seis . sto o po to..J ) ) ) ) ) ) ) ) .. guntei se eu podi co el disse eu como quisesse. e b ocontin me de u pe que e sem espost era ele comigo d nte o noite. e ~co que ele su e. t do glnec~logi co p em to o dele. . nos os tinh solu . est hospit supe equip . foi t o ples qu eu pen . A elo co todo o sco p o ion l. el em que o nunc é desque é o elho p e enç o pos l./( (/o.e o .) ) ) QUAl'lOO o CORPO CONSE TE NONO MÊS ) ) ) ) ) . Encontrei o ginecologis is qu pos. Qu dor ne do.. os no tel . espons bili . . lo prim 1m . e eu. )(/! . era I ci v /. e dep es l no e . diriam os cheguei à à disseram-me que era tarde o i O colo ito Insistido comigo p eu n vir cedo . bei tendo no ginecologist Ele nunca se deu conta do eu des lento. que o n l que po tos no ndo intei . . verificação do t dos ndentes. puse -lhe uns tubos no n . I todos ocu dlssl Ui bld pe o e me mostrou o coso. os n b po me t ê-to. Io úituno II/ . iquei todos u a do o obso um de l se no dos po te . Eu com qu COI. todo o l p que inh g e e o to se p be . no começo. . bé n o consegui co l ê n acredite. O acontecimento o senti . eu de ito le t . . ou Eu tin coragem de nd ne mim . nõo . eu me e In l o moruEm de me concen nos cont iquei ndo o en est no inh lho junto com todo undo. coloc -no. lei e e consegUi lOU I Qu ndo o bebê iu. Elo oi uito b sei é i el. nos gestos que te de os n o o sco que be à e. Fiquei se no e I l solio eu cont com o bebe. E s de 1 es 00 o p 00. c o p te . unc de c o espost te l elho. El me IIol1qOlildoc/c nun usou de te ll o . em Cl de l/~n. s iquei g do segundo.!)OI 110 ut l (/ po t 110' co endou pou que eu !)OIlCO so. osso el ion ento o tinh n do o com o c/i istenc do e d e. odos os c ic que lê que elos h i enco o. olh ndo. untei se eu podi um pouco com o bebe. Elo disse que se e suge que eu to sse um . est ine .CIr IlI () !)/() 1I/ I cJ I Eu i O gosto pelo gl(I / c u ( t icu/d( el c/ ( I cJI I/ o ( ( II l. ei ç pens que.. ei o. Elo nun me espondeu I 50 o licou o que ço isto .. uei . . Eu me un o que oconrec n e o beb~ ch ntes do oo .. elos ito os. t -se os du se o t ês. que era Igu l inho 00 . eu era contra. li un l 110 nlllh() ongustlos. Eu sentir mim.. de que esse tipo de ui a . o edo e escUl Gostei. o gente ti Se do es. os eCi ~ue era só po que todo undo diz que e po o bebe em ~ do e . Eu Is que n qu e ei n o oe p o beb~ me i ess quel incisão' elo jeito. .. U noite. Fiquei contente ter esc do o eplsloto ~ .J ) ) . prei istos. . Às sete do nhõ. t o que sentindo o eu ondo. era que os coide tudo que ~ ones.

os juntos. Ia esquecendo. não adianta. Elo n o se eteu. i muito sse c eçou o su . O que ainda me serve são os sapatos de pano chineses. com a mesma segurança com que o Sol desponta no planeta. que o de l sob e o e de um do Eu o cae que. eu tin como o do bebê o . Elo disse que não. espicho para baixo.QUANDO O COlU'O CONSENTE NONO MÊS só I I I' . nos e um pouco o mó so. um pouco de batom. combinam muito bem! o Todo mundo vive preocupado com as másformações no embrião do tamanho de uma semente. Com ou sem meias. O de igênio. Os ombros arredondados de mulher grávida são bonitos.sou-lhe g esse gesto. viro de frente para trás. os com Elo me disse que ti me escutou i . desejo de todo o co que o de seu bebê de e . num cinema. ie olhou o bebê. o p c tou o c o. Estou descalça. Eu só penme i O bebê . É eio d o de co mos consegui s. o todo nós. eu me eu ciso o bebê . sei q te po i os . nisso. sem e . con nho. ou os têm o do c de no . o resultado é sempre o mesmo: não há sapato raso nem sandália que caiba nos meus pés inchados. Visto um camisão de seda de flores rubras e verdes. Entretanto. A do disse é um . A p tei n o disse .. vasculho meu armário à procura de uma roupa que me sirva. com A me o bebê e deu um posso . Existem páginas e páginas nos manuais sobre as anomalias do feto. A cerimônia começa daqui a meia hora. ne nos tou l que s em to no de um ecé -n ido. Experimento. o de que pude os i ele se no te . Tudo está apertado. Nem uma linha sobre a perfeição dos recém-nascidos. in be de todos os lodos. Consigo enfiá-Ia como um tomara-que-caia. a amiga de sempre..1 r· Elo o que é que . que se u120 de do Elo disse sob e o ho um que dei o ento .. Acabo achando um vestido tubinho de malha preta .. dois fanáticos pela 7~Arte. A pl iu logo em seguido. que . curto demais. A po tei me ou. seres 121 TI-IÉRESE . ponho uma echarpe verde-escura. o com o cheio de Depois elo chegou to o bebê. oi o qu to del . o de no i los o n o nos l .. cou-se de que ele e nos o sós. eu senti dor. ele i no A ltou no seguinte e só elo os e lou do bebê. E liquei eu g e i que tudo jó po que o seu susto tenho sido um ito do em que nõo. o eleito de seu coração. eijo do ncine • 22 de junho Garance. é i ilho se elo i po o o coso do ipe guntei o n i inho. E o b dos hi s. São chinelos. que ocê i à em coso. Cinderela de pés inchados. Depois. os bebês cobertos de Isso os muito. Mas estes chinelos são pretos. a natureza repete seu prodígio milhões e milhões de vezes. eitei o co o com l pode io senA po tei u . casam-se hoje . o sangue i i l etc. Há dois dias. e Etienne. o lust oso que o e ch ie.

O hallux valgus. A noite foi longa. Virar só para a esquerda e pronto. algo que não seja enfiar os pes nos sapatos e tentar esquecê-Ios. Será que isso nã vai na Ia? ao vale a pena ser compreendido? Será cabível imaginar um bebê. E. 157 • 29 de junho J ) I. que fica do outro lado.) ) ) ) QUANDO O CORPO CONSENTE NONO MÊS ) ) ) ) . ento dos to no elos 11. soltar os ombros.J j cujo corpo é organizado de acordo com um planc: I 'rfeito vêm ao mundo. virar para a direita. não há nada a fazer. a ansiedade. como neste momento precisas ficar bem firme no chão. om pés pontudos. a fim de não comprimir com o peso do bebê a vela cava. Penso no rosto do bebê. elas erguem os dedos. • 7 de julho A expressão "vou ter um filho" assume sua dimensão total. eles suportam todas as tensões e dores de nosso corpo. confessa tudo sobre nossas mazelas ocultas: a respiração bloqueada. os movimentos como que parcelados. Meus gestos sao cada vez mais lentos. há poucas semanas. da barriga. Ele está aqui e não está. no seu sorriso imerso no líquido amniótico.do pe hurr:ano. Um trabalho sobre os pés ajuda a circulação sanguínea e linfática. O corpo não é feito só de músculos. talvez seja para tentar abafar o que os pes tem a dizer. mais estreitos no calcanhar que nos dedos. não estou dizendo que teus pes estão deformados. pilares e s~us vinte e seis ossinhos interdependentes. então. aos pés. Virar para a esquerda. ou joanete. Como esquecê-Ias. quando começam a inchar : já não entram no lugar onde. Mas. Q 74. Durante a gravidez. de bruços. A forma de nossos pés não consegue mentir. abóbada. Com dois travesseiros. das pernas. as cicatrizes de intervenções cirúrgicas no abdome. se ar:lnhavam tão bem? Não. existem estes horrívei pilões cuja forma nem de longe lembra os pés que há algumas d' cadas nasceram perfeitos? "É a vida. os partos difíceis. escondê-los. Eu me adapto a seu ritmo. Vindas de cima. . e suas bordas retilíneas. um dia deve parecer uma eternidade para o feto. quando se começa a ensaiar os primeiros passos. pp." Sei. dizem. e assim permanece alguns meses após o parto. podes muito bem. quando chegam ao fim da cadeia muscular. por xcrnplo. é um exemplo característico do bloqueio do diafragma. como tudo se articula no corpo. Dormir de preferência para o lado esquerdo. a musculatura fica fi xível rnaleável. apenas deve surgir a arcada. no seu corpo. com arcadas. A meia-volta há meses não é praticada. aliás. J 56 e 757. do pescoço. não consigo respirar. é a vida. comprimem e deformam as articulações. mas só os músculos dão f~rma a_nosso corpo. ao longo da musculatura. Tenho vontade de pegar nos braços meu filho. pela base. ento dos pés nQ 73. A forma que tem na hora do nascimento. as tensões pros eguem muito devagar durante meses e anos. 122 Se aforma dos calçados femininos não se parece com a . impondo-lhe um limite arbitrário evitamos ver a expressão torturada de sua forma autêntica. . traz estabilidade e bemestar. as dores do ciático. isto é. Sonhei com um relógio perdido. O tempo me parece suspenso. a vida difícil. soltar teu diafragma. Os 123 . Sei que não estão. nunca deveriam mudar. dedinhos entortados e hcios le calos? Por que. De fato. vou te lembrar que a arquitetura de nossos pés é um milag~"ede perfeição. de _dar-lhe um beijo. Uma semana é um tempo Infinito para a criança. as repressões e compressões de todo tlP?· Mas é possível fazer algo.

Na noite de 10 d '. os conn em coso. Natacha resolveu esar. mas o O . ou já expirou o termo previsto (e. a mãe se mostra quase sempre hiperpossessiva depois do parto. mas o médico saía de férias no dia 5. 9 horas. Mas. considera a responsabilidade do bebê.. cabeça tinha resolvido. fizeram-lhe uma perfusão de ocitócitos para provocar s contrações. Entretanto. ós s seis ho en~ o caneta. E. u us este me' p Duas folhas com uma letr d 10 ora me co c . co ocar as pala. marcaram o parto para o dia I~. o corpo das mães resiste à intrusão do ritmo médico. e abril. h I pe eltamente normal e com bebês se estudo mostram que a~ ~en _ uma anomalia. mas não têm certeza quanto aos mecanismos que induzem sua síntese.QUANDO O COlU'O CONSENTE NONO MÊS cientistas procuram saber o que desencadeia o nascimento. h r.Isso me um blot . Antes das férias e feriados. Há q março. consigo +'01 . . Cf oles de - es. No dia I? de abril o 'b beA devdlada! a luzia pelo dia 23 de ' e e am a nao se t h 'fi O termo estava atrasado de m a rnaru estado. maior uso dne auçaol.. Na realidade. ela ainda constatou que. ucos osprtais teriam crever. uma cesariana . O processo de indução fracassa. dois seres Uma parteira me explicou que isso significa se que nõo t o te po que tin p juntos . quando esse prazo não é respeitado. o escon ecido.artifiCial acarreta um trabalho .Sonia não teve a cora racas: FOI preCiso fazer va de acordo com a ind . ercentagem de também o caso de Natacha re~em-nasCldo~ men~s favorável. fi uçao. Uma terceira tese. e é melhor assim. cont to com esse bu n de inh I o slgnlll queio tot l. ho depois d I o Id . edo edo d deI sair. a prostaglandina. d N . " eu nõo. na geslcos maior p cesarianas e um Apgar dos' '. mas não estacorpo não Ele fioI' . 125 . Segunes o que o bebê onto do ela. mlca. Mais uma vez. o parto pré-programado é cada vez mais freqüente. e e ilho i nõo têm est s ciente alcançar o de Aliás. o mistério permanece. sofre. Boa providência. o ritmo natural do nascimento é desprezado. O bebê não av ncou I il Iarn nova perfusão. que Ia fazer o parto a dom' rt: .. é preciso verificar se não houve engano na previsão). O rim do feto secretaria uma substância que intervém na produção das prostaglandinas. isso traz conseqüências: isic ente. rn o u ilh 'Ç. para garantir que o médico escolhido vai estar presente. é por pura conveniência que se induzem os partos. por exemplo. " ona re onda para" I vras . a decisão de separar-se só pode ser tomada quando ambos se sentirem maduros para enfrentá-Ia.. Espera- ramoAs contrações continuaram muito fi . mais recente. . Sonia chegou à matcrnid d . outros pensam que é a mãe que toma a iniciativa. e p s ceu o 1. na maioria das vezes. ainda assim. É uma "vantagem" que várias maternidades oferecem agora à clientela apressada. se for pela necessidade de tirar o feto de uma situação desfavorável: o bebê não consegue avançar. caso de Sonia não duzentas e quare~t:~~~hPartelras belgas fez um estudo I sobre eres cura graVidez foi rfi . e me dele edo d d h nõo sei do o espeito de h . an o que . ICIIIO.. ac. otei no pel o .. Uma e ui . Alguns pesquisadores acham que tudo se passa no âmbito da placenta. mais orte que a quí' e exceção. uma semana A parte . De comum acordo. cit. Sonia devia dar à luz no dia 10 de abril. O ln o ige e esqueci tudo o que m~ conteceu no in nci Del . procedido assim. Ira e atacha. eu 11 o nto Qu entend p que eu nõo o. resolveu espera h d d evra haver alguma co. . Conhecem a substância hormonal que provoca o trabalho de parto. explicou-me ela . As conclusões do mais longo.A gem de dizer. op. Isa nesse atraso Po . no dia em que já não tolera em seu organismo a presença do feto. Talvez haja acordo tácito entre mãe e filho? Após nove meses de uma ligação fusional. O útero quase não reagiu. Às vezes.

Estou centrada e concentra127 ) ) • 13 de julho ) . nem com nada que eu possa ter imaginado. 1 . E mais uma vez as coisas se acalmam. Mas não por muito tempo: uma nova contração me apanha. teste leva em COI1 _ . conclui a parteira. d e se ouvem a rua. sobe quase até a nuca. Pelas buzina as qu .J ) ) ) . Logo eu. como eu nunca fizera na vida. Tudo novo.J . M' tos depois. h . percebido tanto os para e epipe _ . Os movimentos ensaiados em casa são como balizas na tempestade.do recem-nasClC10 a' vida extra-uterma um c medir a adaptação . a 2: o grito. Cada movimento. T~lve~a~i~~=1g~~egar à maternidade . de seis profissionais vestidos de azul-marin o. . O que estou sentindo não se compara com nada imaginável. até o peito. "O colo está com dilatação de dois centímetros. maca. Mas a trégua é curta.-' o e dez rrunu os d O minuto. ) ) . A parteira de plantão que eu nunca tinha visto me recebe distraída e me deita na mesa estreita de exames. faço de novo os movimentos. Tudo recomeça com mais força Durante três horas. A rebentação por fim se acalma. 'esplraçao a co ma . c . o vaivém das contrações toma conta de meu corpo.J 126 ) ) . . em ouço nada: estou t d engarrafamento nao vejo n gente can an o. Algo pal"ecido Com um animal de patas musculosas está agarrado à minha barriga É o útero que se contrai. incontroláveis de minha barriga. solto o ar.J ) ) "Dá para andar? A I . Sigo na maca e de elevador até as salas de parto. cinc itéri S q' te recebem notas e ta cinco CriellO. tória da ambulância clareia a escuriDá.varnos e vessar o Sena.Inu . mas a equipe I r . Deitada na . Entramos dão da ruela que escapa a balbu. que achava que as primeiras contrações deveriam ser calmas. Pega-me a barriga e o peito. As minhas não são. o ar vai subindo pelos pés. Quer tomar um banho para relaxar?" A maternidade acaba de reformar as salas de parto. Vou me levantar. subir ate a_ . concentrada nos movimentos b I' 'a pára na frente da rnater. Procuro me concentrar. Meu útero descansa. cada respiração me aproxima do objetivo. Na minha b~rnga tam oarto iminente. Que força é esta que toma conta de minha barriga? Eu inspiro. Vinte rnmu o . uz g~ra irdia do 14 de julho.. tapo' s o nascimento. Fico de olhos abertos. tres. ção o tônus e os batírnen. nós os pais. não sinto falta de mergulhos. a Virzinia Apgar validou há A anestesista norte-amencadn " scDorede Apgar" a fim de teste chama o e . Apóio bem as costas na cama e mexo a bacia seguindo o ritmo da contração. Esse . . Os intervalos de minhas contrações ficam mais curtos. e chegaram para da igreja vizinha. . o animal de patas musculosas está domado. Sou uma atleta em plena competição.. . para não afundar na dor. -ne manda ficar quieta. " L' ~ ra Paris está em festa. Uma cnança em de entre 9 e 10 pontos . "Não dá tempo de tomar banho". nidade. Com a impressão de estar sendo levada por uma torrente. todos na carruone e. Foguetes. I' Nunca eu havia 'd mortecer os saco eJos. t s depois a am u anCl . A grande banheira decorada com mosaicos é o orgulho das parteiras: foi uma delas que desenhou os motivos coloridos. quarenta anos um . mas devagar. . te muito tempo para atrade engarrafamentos. equipe" . Está na hora.' b adaptada chega a um Apgar tos cardíacos.) '" ) ) ) ) ) QUANDO O CORPO CONSENTE NONO MÊS o que é o escore de Apgar? ) ) J J . bate à porta uma ter que chamar a ambulância. ar~m~çou o baile. a o 'b Ih abafado dos fogos e a as janelas fechadas. a I '. ele desce pela coluna vertebral e sai pela vagina. . O relógio do corredor indica meia-noite. obriga-me a uma concentração e a um esforço enormes. ergo as na egas pa~a Ia dos das ruas de Paris. para diminuir o arqueamento da coluna vertebral. Martin me encoraja com o olhar e a voz. Mesmo com Começa a anortecei . ouvimos ~. . a dor diminui aos poucos. Já chegaram música. . as contrações que Indicam ~ lo valer: Soam onze horas no re ogd a cidade deve estar cheia . Acho ótimo. ao longo das pernas. . t· os seis da equipe e .

essa resistência. Agora faz três horas que ele avança. essa convicção? A parteira não fica presente o tempo todo. Sou todas es~ a mae.Essas horas de caos e . Dá uma olhada rápida e faz uma volta estratégica para junto do rosto concentrado da mãe. Transmiti a vida. Um deslizar progressivo para o mundo. . minha Sou a mulher arcaica. Aguardo a contração e solto o ar com força. O corpo viscoso do bebê escorrega de meu sexo. os punhos fechados. disseram-me. que Jamais vivi. aqui está a cabeça". Olho mas não acredito. nua e suada' sou .Tudo vai bem. os olhos inchados. passa a confiar em mim. O bebê prossegue seu caminho. QUANDO O CORPO CONSENTE ONOMÊS da em mim mesma. avo. diz a parteira. "É uma menina!". '!. as pernas e os pés. é ela mesmo. Não se deve beber durante o parto. Dá certo. Acho que ela tem coisa melhor a fazer na sala de plantão. Bom-dia. Eu sinto a cabeça. Suas rápidas visitas servem sobretudo para que ela examine o colo e me informe a progressão: quatro centímetros de dilatação. E a estou sentindo para valer. "A cabeça. minha bisavó. não vou empurrar.nha mãe. para mim. Nem me reconheço. encostada em meu coração. Julie! Ela está em cima de minha barriga. . empurrado por meu útero batalhador. O último gesto de um longo corpo a corpo. Solto o ar mais uma vez. Nossa filha. é evidente. a queda da Bastilha. bastante força." Eu já contava com a ordem. É uma medida preventiva. E de algumas horas para sair de 128 dentro de rni1m. Minha filha. oonantes. Vão saindo os ombros. "É agora. De onde vêm essa força." O senhor pai mal tem coragem de ver. as nádegas. A • - . o tronco. exclama a parteira. VIO encia sao as mais em 0Olho . diz a parteira que. ela precisou de nove meses para tornar-se este pequeno ser independente. Dilatação de dez. u er orte. Imagino que está festejando com os 'colegas. Dilatação de seis: a parteira segura o altímetro. "Estou vendo a cabeça". Martin pulveriza umas gotas de água em minha língua. A última simbiose. empurre. icas. Agora não dá para explicar que. O trabalho caminha. Nove meses. Esta cabecinha. I . Sinto sede. por sugestão de Paule. caso seja necessário receber anestesia. como se deve. O colo está perfeitamente aberto. Sou a m lhas fimulheres forjadas pela vida. as mais fantást' . "O senhor venha ver.-'. Dilatação de oito.

passados três meses. Será que as crianças nascem como são. Falei no meu diário daquela parteira que explicava que a dor sentida durante o parto é a dor que trazemos dentro de nós. na hora do nascimento de minha filha. Entendo essa selvagem chegada ao mundo. Foi essa dor que senti de novo. que aconteceu durante aquelas horas uma coisa muito perturbadora e decerto vital. Seu nascimento me fez nascer. Já contei como foi a dor das contrações fulgurantes. Aquelas horas de violento corpo a corpo nos aproximaram mais do que os nove meses de íntima coabitação. Como se o ato de deixar que minha filha siga em fi-ente... Agora uma mulher dá a vida. Sei agora. Além do caráter petulante de minha filha. na força vital de nós duas. na intensa felicidade de ter acompanhado meu bebê em direção à vida. expressava-se a história de outra menina. arraigada nas profundezas do meu ser. forte. porque incapaz de se comunicar. se tivesse revelado. E a confiança em minha filha. Havia uma menina ferida. de separar-me dela para lhe dar a vida. Quando me lembro de seu nascimento. Julie está com três meses. Ela é literalmente borbulhante. Menina que um dia perde o pai para sempre. rápido. Ela estava certa. Aumentou muito minha autoconfiança. A emo131 f Ilr . fosse prova de amor maior que o fato de carregá-Ia em mim durante nove meses. como vivem? Penso muitas vezes nesse parto. Não poderia ser de outro jeito. vinte e seis anos depois. inimagináveis. É como se uma reserva de força. impronunciáveis. acho que é parecida com ele. Sua dor é brutal e muda. violento.) • Três meses depois.

das quais ela apaga a memória. É preciso ir atrás delas. nada. Confiança em si. Cada vez mais. Faça isso por você e seu bebê. ção do nascimento arrancou a tampa cuidadosamente apertada sobre a minha dor infantil. nenhum gesto médico. Mas todas sabem que esse caminho para um nascimento mais livre. Algumas preferem ter o filho em casa.. sei que não é o costume. eu a vi pouco. e não me propôs. O que esperamos. fugir.. O parto estimulou zonas de minha memória até então inacessíveis. nenhumrecurso tecnológico me foi imposto. da T. você vai adquirir confiança em si. Discretamente. nem nesse hospital nem em outras maternidades parisienses. • Cf.. precisa ser descoberto pela própria interessada.Talvez melhor do que qualquer tratamento psicanalítico. pensando que é o melhor"alhures" possível. O saber e a experiência dessas profissionais são insubstituíveis. (N. Ao descobrir a mais segura realidade . mulheres que foram sobretudo feridas ou frustradas pelos partos sem respeito começam a procurar outra coisa. Este livro também pode ajudar você.QUANDO O COJU'O CONSE TE TRÊS MESES DEPOIS . Não com um machado. Vai descobrir que seu corpo foi feito para dar a vida. Acho que não teria sido a mesma mãe para minha filha se eu não tivesse refeito esse percurso e tratado minha dor.que eu teria achado indiscreta . Ele tinha de participar para pôr meu bebê no mundo. defender-se. como eu mesma consegui durante nove meses. de redirnir-sel Mas é uma via que não está traçada de antemão. Reviver a emoção da morte na hora de dar a vida torna a dor bem mais suportável. E ninguém veio dar uma olhadela . Gostei muito disso. mais 'responsável. Que pena não aproveitar essa fantástica oportunidade de renascer. mas com confiança. 58. no meio que a cerca. que a técnica amordaça. É o que espero. Penso muito nas mulheres que a química consegue calar. minha mãe e eu. Nenhum anestésico. Porque meu corpo não podia tapear.. Outras procuram pequenas maternidades onde existe calor humano.) 132 133 . no bebê. ela quase não me falou. Que pena perder uma terapia tão formidável como a do parto! .na sala. um co-nascimento*: seu relacionamento futuro será melhor e mais confiante. A parteira era totalmente "discreta". Decerto percebeu que eu preferia assim. nora à p. Paule. nem impôs. a própria história. interferiu nessa hora de chegada ao mundo.a de seu corpo -. em todo caso. Seria por causa dos festejos do 14 de julho? Seria o meu jeito confiante e decidido? Seria porque tudo se passou bem e depressa? Ninguém. parteiras atentas desejam ouvi-Ias e ajudá-Ias. É um nascimento a dois.

i ) I ) ) .J ) ) I ) ) ) ) ) ) ) ).. ) ) .) I J ) ) ) ) ) MOVIMENTOS ) ~) ) : ) ..

a da frente responde à de atrás. São rápidos e não exigem grande preparação. . faça diariamente os que mais lhe agradam. mexer os olhos. Com um pouco de concentração. sati feito. Entretanto. fisicamente. 137 . que você pode fazer com o pai de seu filho. uma cavidade reage à outra. por assim dizer. não sinta mais necessidac1. um "programa" que é preciso cumprir e vencer a todo ust . respirar e despertar a inteligência profunda de seu corpo. e peta-se que eles se tornem mais flexíveis e alongados. é absorvida em pequenas porções por suas células. é isso que você vai constatar e assim. se depois de trabalhar o pé direito ou a perna. sentir como tudo está ligado dentro de seu corpo: a parte de baixo está sob a dependência da de cima. Seu ponto alto é a extrema precisão e os surpreendentes resultados obtidos. a cada dia. no ônibus. Quantas vezes por dia ou por semana é para fazer? Só o seu corpo pode saber. ninguém imagina que também o olho direito fique mais aberto e a face direita mais relaxada. à revelia de todo mundo. Só você pode perceber como esses movimentos vão modificando aos poucos o seu modo de relaxar os maxilares. Mais do que "exercícios". são qual água benfazeja que. Surpreendentes porqu . ão se trata c1. você consegue fazer alguns deles numa sala de espera. Se sentir necessidade.Eis a descrição dos catorze movimentos já anunciados e mais outros dois. São "movimentos imóveis". até o momento em que o corpo. por exemplo.

1. e sua vontade de dar à luz será poderosa. sozinhos. contínuos e profundos dos nossos órgãos dos sentidos. a percepções do corpo. siga d .squ rda. m contudo se separarem um do outro. mas ti 'i c os lábios fc . T nte um Jev 'sorri e descubra. d preferência descalça e com os pés bem apoiados no hã . As mãos b m soltas de palma para cima. Mas sua língua e respiração vão tornar. jou o edi abril de 1995. o ntorno d )$ lábios 'n 'o 'lados. Com ce faz n I. Com a ponta da língua. virar de cabeça para baixo".laxa 10. Solte os maxilar '5. boca e respectivos movimentos representam um papel muito importante: embora por sua situação fiquem longe. arnudos macios. desse modo. os músculos flexíveis e dóceis. citado em ho- Este movimento ajuda a distinguir os músculos da boca que têm o costume de fazer juntos uma porção de 139 138 . Percepções preciosas para que você permaneça em contato e harmonia com seu beb durante toda a gravidez. são parentes próximos do útero e do sexo. Sabemos muito pouco a respeito dos movimentos ínfimos. oitenta e um se viraram espontaneamente após as mães serem submetidas a sessões de hipnose destinadas ao relaxamento. p . pod '111 les . que estava impedindo a criança de encaixarse normalmente. os movimentos de todo o seu corpo prestes a se abrir para o nascimento. o sistema neurovegetativo. assim como para reconhecer e aceitar sem medo. sim. pelo lado de dentro. "Os movimentos devem ser feitos na hora do parto?". Se lhe vierem à cabeça. Estão fortemente ligados ao seu sistema nervoso involuntário'. po do céu bo os l os Este movimento da boca pode ser feito com você sentada numa cadeira. Seus olhos. en o tando=s . ( n (jAMA). logie. I> um Ia 10 para o outro. somente vinte e seis bebês conseguiram. por exemplo. mas decorrem estreitamente das emoções. Um recente estudo norte-americano mostrou que.magin I que seus lábios se alargam. No grupo-controle. sempre de dentro. o ç língu 1. elas descontraíram a parte inferior do útero. D scubra as comissura à dír ita . Esses movimentos não dependem da vontade.ansar s )hr'" as r rnas. aos olhos ou aos dedos do pé.) . inguém vai pensar em soletrar letra por letra as palavras' de uma arrebatada declaração de amor na hora em que está sendo feita. sempre com suavidad . O medo e o estresse podem contrair as pupilas de seus olhos tanto quanto contraem os músculos de seu útero. são como elementos de um alfabeto indispensável para discernir os movimentos. Pode aguçar as percepções dos mú culos que não são comandados voluntariamente como. os do útero. 2. qual a forma de s u s rriso.. costumam perguntar minhas alunas.licadarn nte.hados. t ntando descobrir com a ponta da língua a forma qu tem sua boca de lábios f chados.QUANDO O CORPO CO SENTE MOVIMEN'roS Você pode até melhorar a velocidad a precisão das ordens nervosas entre seu cér bro mC1 ulos.':>. d I V" 0111os rnús ulos r . 2. cujas mães não fizeram hipnose.e suaves. Pas i a língua. E preciso que a cadeira tenha a altura ad quada às suas p rnas. de cem parturientes cujos bebês estavam em posição sentada.qu 'nos "sim" om a cab 'a. de dentro e de fora. à boca. isto é. quando chegar a hora. A Para mim.

Ap6i '-IiC no ('otOVl't<l 1>. pernas flexionadas. no momento de soltar o ar. Enrijeça a língua e procure empurrar a palma da mão . As coxas e tão juntas. Observe. antes de começar. Distinguir os movimentos que vêm dos maxilares. Agora. Relaxe na hora da inspiração. procure apoiar a ponta da língua na palma da mão." cos. pode ficar sentada. 2. 'I' int ' contrair a língua dentro da boca. Passiva. você já tiver alongado os músculos da face interna das coxas. Faça isso durante um ou dois minutos. como já foi explicado no movimento nº 2. para a gengiva dos incisivos centrais. Observe como você respira e. sobre a gengiva dos molares superiores e volte lentamente para o meio. para o lado. Agora. ó estã trabalhando os masseteres.111 111111\1. 3.11. Relaxe agora a face interna das coxas. o ritmo de sua respiração.hada. pés encostados e pousados no chão. é melhor fazer este movimento estando deitada no chão'. Com a ponta da língua bem à vontade. com calma. encoste-a no céu da boca.' 11. Sente-se ou deite-se de costas no chão. Os músculos dos lábios também devem ficar passivos. sozinha. O u go do céu 110 :-.\'1111)1(' e ainda deitada. Agora. Deixe a língua voltar ao seu lugar na boca e recomece. os músculos do maxilar. Procure não contrair nem afundar a nuca. em conseqüência. A língua deve estar pontuda. pousada dentro da boca. Na primeira vez. saber difer nciá-los e comandá-I os pode ajudar a relaxar as fortíssimas tensões musculares da boca e. quando estiver habituada. deix a l o 'a Ie . os maxilares encostados. Não contraia os lábios nem feche os maxilares após cada pressão. Faça isso duas ou três vezes. leve a língua para a direita. Deite-se de costas. o quanto possível. . os que vêm da língua e os que vêm dos lábios.cada vez com mais força. Pois é. Contrair esses músculos conscientemente é a melhor maneira de conseguir que eles se alonguem e relaxem. Abra e feche a boca como um peixinho de aquário.I 11'/:1. quando sente qu vai soltar o ar. Faça com que este trabalho seja um puro movimento da língua. Sempre com a nuca bem alongada.QUANDO O CORPO CONSENTE MOVIMENTOS movimentos automáticos.. Ao terminar os movimentos rt"ito~ dl'HI. Faça isso por um minuto. Só se atenha ao maxilar 141 140 . executado de modo preciso na hora da expulsão do ar. Tente perceber como ela.11 de sentar-se. Percorra em todos os sentidos a parte rígida da abóbada palatina. embora o conhecimento tátil e sensorial da própria boca pos a ajudar você a ocupar seu espaço interior. esse é um movimento da boca.111. VIII' '. I ou IU»).1<1 possui só I ara 'Ia dezess te músculos. devagar. no assoalho da boca. a livrarse das tensõe nos maxilares e a facilitar o vaivém do ar aos pulmões. Depois.1 Coloque com suavidade a palma de sua mão direita sobre a boca.1 "II\'\('I ~. encoste bem uma coxa na outra. sem pro urar alt rá-lo. Entreabra os maxilar s e. sem fazer nenhum movimento hru:ic<l ("<lII 1 . A região lombar.' <lt"v:lgrlr .sempre na hora de soltar o ar . Que será ainda mais eficaz. mas não c rra los. Relaxe a pressão ao inspirar. sem tapar as narinas. Vá com calma. encostada no chão. tentando deixar a língua muito grande. não deixe um milímetro sem ser examinado. em forma de cone. com a ponta da língua. rígida.se. tateie a palma da mão. Bem forte.I Como é o interior de sua boca? Quase ninguém sabe. tem força para afastar a palma de sua mão. as do corpo todo.

1/):llIl. até o véu. tente seguir-lh o contorno. ir além dos molares.. situado nessa crista. Como um berço Para este movimento.1forma . se você se s ntir à vontade nesse movimento. aos 1!j2 brônquios e aos . e o polegar esquerdo à esquerda do céu da boca. um dir ito e um esquerdo.1. Pare nesse miniumbígo. é um o so de forma triangular no fim da aluna. umas dez vezes. pernas flexionadas.om (. você vai encontrar como que uma linha divisória. Volte para a parte rígida e para a gengiva.rdo. o movimento pode ser feito com os braços estendidos ao longo do 143 . Cuidado para não contrair o ombro ou o braço .1 '('01) v xa do lado Ias .ula-sc '0111 os ossos Ia h:lci:1 ' orn '1 úluma vórt hra lombar.ostas ' 'ônc.IIa-s' . 'óc~ . É claro que suas unha d vem estar curtas.1rri '. Pressione.ltl.1 h. quando sentir vontade de soltar o ar. quase no alto da arcada. pelo meio. Na época em que o tamanho do útero dificultar esse movimento. pressione o céu da boca com o polegar. Coloque a ponta da língua sobre a gengiva dos incisivos centrais. Por isso. aos maxilares. a diferença de temperatura dentro de sua boca. procure o cóccix bem no fim da coluna . no rego das nádegas. lentamente.l V. Retire o polegar. sobre o púbis e o sexo. Com os dedos. Em . que separa dois céus da boca. Preste atenção na respiração e. Percorra essa região em todos os sentidos. Afaste ligeiramente as pernas e coloque a palma da mão direita entre as pernas. desse modo. Deite-se no chão de costas. E suba lentamente a arcada do céu da boca. não insista. forma lima 'SI "'i' I berço onde ficam aninhado o útero c a barriga. Ou mais ainda. mesmo que esse dente já tenha sido extraído ou nunca tenha apontado. SlI. Agora. Encoste a polpa digital do polegar direito no lado direito do céu da boca.ix. Ajuda os músculos lombares a se descontraírem. ornpare suas sensações quanto ao s i s n. o sacr a n i . Não precisa apertar. Apóie nele a língua no momento em que você solta o ar. os dois dentes da frente. Relaxe a pressão quando você inspira. Tente.nada. 4. Siga delicadamente essa crista que separa seus dois palatos. VacA vai encontrar com a língua uma espécie de pequeno "umbigo". mas elas precisam mesmo estar ~paradas I ara a chegada do bebê. do tamanho de um pequeno melão. depois. Depois. como dizem os livros de anatomia. leve a ponta da língua para cima.rior arti 1. firme mas sem violência. Compare o lado direito com o esquerdo. Sempre com a maior precisão e leveza da mão. Ele está situado bem mais abaixo do que se costuma imaginar.pulmões. para o véu palatino. Vá apalpando o contorno dos ossos da bacia. durante umas dez respirações serenas.ls. ornpare o espaço interno do céu da boca direito om o squ . os ossos dos "quadris" como se diz usualmente. em dir ção à gengiva do dente do siso superior direito. você precisa de uma bola bem mole. encoste de novo o polegar direito à direita do céu da boca.J ) ) i) superior. a ponta inf .ima. Tente sentir com a ponta da língua a diferença de relevo. a parte flexível do céu da boca. parando um instante sobre a raiz de cada dente. coloque a palma da mão esquerda sobre a mão direita. As "cristas ilíacas" . você stá 1 rnbra ta. O sacro.. Faça pressão.1is.I 10 lado 1.v. ) ) QUANDO O COlU>O CONSE 'TE MOVIMENTOS ) ) ) ) ) ) . D scans '. Faça o mesmo percurso para o lado esquerdo. a se alongarem. Os pés devem ficar um junto ao outro e bem encostados no chão. Ao toque da língua. Faça esse percurso interno vária vezes. Vá apalpando eu sacro. quando vo ê 'SlÚ I .

como se os músculos concordassem de um lado para recusar do outro. Pod m 144 145 . É provável que ele se ponha aos pinotes. e os ombros bem encostados no chão. sacro.ix) c já não nc sta no chão. não faça nada: isso é o mais difícil. à altura do sacro e da cintura. mas sem forçar. se afundam como um berço.ento. e tente relaxar os músculos "adutores" do interior das coxas. ficam prontas para receber sua barriga. seu útero. Deixe a região lombar apoiar-se no chão com suavidade. Depoi . Desde que você perceba os movimentos do bebê. Tente manter a nuca calma e alongada.v ~ t nha duas ou três bolinhas de dois c ntímetros de liâm tro... talvez você sinta a nuca se arquear e encurtar. Procure observar contra suas mãos a força dos músculos (os adutores) que ficam na face interna das coxas. Costumo usar bolinhas de cortiça porque é um material suave e agradável ao tato.se encostam no chão. ossos da bacia . três centímetros se você suportar b m. é pr iso qu . Tire a bola. Tente perceber sua forma seu entorno a partir do contato com o chão. sua placenta e seu querido bebê. Deite-se de costas. p rnas flexionadas. pés encostados um no outro. seus líquidos. 5. feliz por ficar à vontade nesse espaço que você lhe oferece. À medida que a parte inferior das costas se alonga. do c s e . Depois. e coloque a bola sob o sacro e o cóccix. Con entre a at nção no sacro. Descanse de leve as mãos na barriga e saboreie o conforto e a segurança do sacro encostado no chão. ão 'I ponta inferior perto 10 Ó' .coluna vertebral. no máximo. Preste atenção à respiração.QUANDO O COlU'O CONSENTE MOVIMENTOS corpo. ser de até. aperte uma coxa contra a outra. por um jogo de compensações. como no movimento nº 4. vai sentir também suas reações no exato momento em que você conseguir alongar as costas. Todas as partes ósseas. descanse as mãos ao longo do corpo. Obs rve Olll rr isão o lugar on Ic I começa a erguers (em lir '. Repita isso durante umas trê ou quatro respirações tranqüilas. densas fort s da face posterior do corpo . Para ste movim. Os pontos correspondcm aos lugares onde devem ser colocadas as bolinhas. e quando sentir vontade de soltar o ar. Repouse os braços ao longo do corpo. Conserve encostadas as pernas e também os pés. e contraia o interior das coxas.

fazendo uma ligeira massagem no útero quando o ar pa sar. não erga as costas para fazer isso.sto simples. mas dos lados você não sente nenhum osso nesse espaço. encoste a cintura no chão.. 6.a ele suas .. faça também uma leve pressão sobre as bolas. dos ombros. dentro de um ritmo r no. Fique atenta ao ritmo da respiração. esvaziar. mais para a direita. j onha-a mais afastada do sacro.ou mais. Ao fim de um minuto . depois estique as p ma I V'lg~1r.1 . deixe os pés encostados um no outro e bem apoiados no chão. Cuidado. isto é. Depois. Mesmo que o contato seja leve.J ) j ) . coloque a bolinha à direita da cintura. encoste a cintura no chão. perto do cóccix. bem para o lado de fora. isto é. já está bem. Quando se sentir à vontade. sem fazer nenhuma contorção.J . coxas juntas. ficam as duas bolas de cada lado do sacro. poderá num outro dia passar para o seguinte. quanto mais dói. no lugar onde você sente que ele com :a as' ara tar do chão. não faça nada. Ao retirar as bolinhas. ou para baixo.ostas.J ) ) ) ) Pegue uma das bolinhas de cortiça loqu '-. sem erguê-los nem mexer com as costas. da nuca. Co o pequeno pul o ent e seus ou idos . isto é. cl i- xando escorregar os calcanhares no chão. e apr ci a'hrgu ':t. simetricamente. Observe esse contato. você tivesse dois minúsculos pulmões anexos que também quis s m respirar. Assim que o lado direito entende esse contato com um corpo estranho. Se for. relaxe as costas. você se sentir bem -. Respire com calma em direção às bolinhas. da barriga. mas p . É claro que o corpo ainda deve ficar em contato com ela. Quando sentir vontade de soltar o ar.[ dir 'ita do sacro. Deite-se de costas. melhor.. fique descansando um pouco. Pegue a bola macia. Em seguida. como se os pulmões se alongassem até a cintura. do tamanho de um melãozinho . os calcanhares na mesma linha cios joelhos para 147 j ) ) . Tente descobrir na linha da cintura o espaço entre o osso da bacia (crista ilíaca) e as costelas. Abra a boca e deixe a língua alargar-se lá dentro. Encost 0111 I elica I za as mãos na barriga. coloque outra bolinha à esquerda.. Deite-se de costas. Quando você tiver dominado bem esses movimentos. imetricamente. Com calma. D 's ans ' o ( 'I11j)O qu ' pu ler. Deixe os pés caír m à vontade e saboreie o apoio confortável da barriga das pernas.IJ os a ou tra. desde os ombros até o sacro. as eventuais reações de suas costas. Não no osso do acro. preste atenção na respiração. os ombros. coloque a outra bolinha à esquerda. das coxas encostadas no chão. ficam as vértebras lombares. Não acredite que. . ma que não S eja mu ito dolorido. procure fazer uma leve pressão com o corpo sobre as bolinhas.rto d ' sua I orda. os pés encostados e bem apoiados no chão. 7. bem à direita para qu o contato fique mais perceptível e sem doer. e observe com cuidado como se encostam no chão a cintura. O movimento é interno e muito leve. quando sentir vontade de inspirar.) ) ) ) QUANDO O COlU)O CO SENTE MOVIMENTOS ) ) ) ) ) ) ) ) ) ) ) . tensões da região lombar.. S u orpo fica pousado na bola. as costas. você sente o contato. Abra a boca. com as pernas ainda flexionadas. Encher. Depois. Faça como se. e como você percebe sua re piração. na mesma altura. tire as bolinhas c m um g . é preciso mudar a bola d lugar.. Atrás. UI1l:1 . co t espi de . de cada lado do sacro. Tente soltar a. Assim.J .

xo qu ' S' nchc 'se svazia levemente ao ritm de SU. procure desfazer a crispação. os olhos i . Depois. Deitada. faça est movimento leitada no chão. a língua bem larga e à vonA 149 . Procure acalmá-lo e mexa só os olhos. Estique devagar as pernas. que se oferece à pas agem do ar.mbai o Ia cab ça é uma espécie de pulmão an . à altura dos olho bem abertos. tente fazer uma leve pressão na bola. Deixe a língua alargar-se na boca entreaberta.. são os olhos. Abra a boca. Tente fazer pequenos "não" com a cabeça.I r('sl ira '. Não é ele que deve se esforçar para ver o teto. Os maxilares continuam soltos. descansado. coxas juntas. dirija o olhar para a bolinha qu está à sua dir ita. 8. não embaixo da nuca. Se a nuca quiser se contrair. d cada lado do seu rosto.ntos dos olhos mais livr '5. o rosto se afa ta u se aproxima ligeiramente dele. tornar O' movim . por dua ou três vezes... quando você sentir vontade de soltar o ar. Várias vezes. ão precipite o ritmo da respiração. Tente não erguer a cintura nem mexer com a nuca. nem barulho com a garganta. mas só com a parte diant ira 10]1 scoço quando você aperta a bola com a cab ça. Respire devagar. Talvez você sinta uma grande diferença de movimentos entre um lado e o outro. Para isso. ou a Iíngua. Bata os cílios umas dez vezes. procure de novo o seu ponto de referência no teto. no momento em que solta o ar. mas abra bem os olhos. Refaça o movimento várias vezes. atravé s <. Talvez você sinta o maxilar. mas para o alto da cabeça. Coloque as duas bolinha no chão. apenas aberta e relaxada. Agora. a uma distância que corresponda ao comprimento de s us braços. faça os olhos irem de uma bolinha para a outra. sem erguê-Ia do chão. Descanse os braços ao longo do corpo. sem parar m nenhum dos lados nem no meio. Procure fazer pequenos "sim" com a cabeça. encoste a cabeça no chão. querer também ir para a direita. Agora. S'I TO a' ostas são como uma base firme. E olha um ponto do teto. Descanse as pernas ainda flexíonadas. Relaxe a pressão quando inspirar. deixando os calcanhares escorregarem um depois cio outro.1 st trabalho. Se con eguir. N(lO é pre iso faI H zcr barulho com a boca. Coloqu as mãos entre as pernas e aperte uma coxa na outra. Cuidado. sem mexer a cabeça. com os pé s encostados um no ou tro e bem apoiados no chão. A bola g~~111(1' . Procure localizar com cuidado onde a sua cabeça e apóia no chão. Sinta como a cabeça e os ombros se apóiam no chão. sem fechar a boca.10. Repita umas dez vezes. relaxe ssa pressão na hora de inspirar. Retire a bola. Coloque a bola grande e ma ia sob a cabeça. tente não tirar os olhos do ponto de referência no teto. e volte para o centro. e o pescoço. como se fosse um travesseiro. na 1 ral ele cansam o peito e a barriga. deixe a língua bem alargada. A cabeça continua bem encostada na bola. Procure alongar a nuca. pr gada no hão. de faz r a rigi lei': "IS iniI i . Abra a boca e relaxe a língua. Apenas com os olhos.QUANDO O COIU'O CONSENTE MOVIMENTOS que a cintura encoste bem no chão. Concentre a atenção na nuca e nos ombros. Abra bem o olho e olhe para o teto na direção de seu rosto. É possível. não empurre a cabeça para trás. Descanse os braços ao longo do corpo. como uma folha de nenúfar. Agora. Agora. Nas prirn iras 2 s. tente voltar o olhar para a bolinha à esquerda.~e' que vo nem perc Dia c qu fazem part da sua hi tória quase desde o seu prim iro clia ele vicia. De acordo com a respiração. a nuca e o pescoço se habituem e consigam largar seu peso em cima da bola. entre as orelhas. Espere que a cabeça.

à altura dos olhos.. Volt para o centro na hora de in pirar. s vibrações c!' suas cordas vocais podem faz r a coluna vert bral . eles procuram com o nariz. descanse os braços ao longo do corpo. Sente-se numa cadeira na qual os pés toquem bem o chão. provisoriamente. eu o recomendo agora para melhorar a flexibilidade de sua nuca. as costas. Alongar a nuca não é nada fácil. siga delicadamente o contorno do pavilhão auditivo (antes você deve ter tirado os brincos. À mínima emoção. flexione le novo as pernas e repita tudo com o lado esquerdo. fibrosos. entre os dedos. Se não for desagradável. com os maxilares relaxados a máximo. do lado direito. procurando manter a cabeça no centro. Depois. um pouco afastados e bem apoiados no chão. você fizer este movimento sentada. A perna direita talvez esteja agora mais comprida que a outra. Com vagar. esse movimento não deve ser rápido. a respiração livr . foi a fontanela que viu a luz em primeiro 151 . A voz materna. Depois. o col ue teb l . volte ao centro. bata os cílios bem depressa. role-a para a direita . pernas flexionadas. É uma ligeira depressão no alto da caixa craniana. porque ela é revestida de músculos curtos. pés e pernas encostados. Sente. Aqui. o l c beç c u ecé ido . se puder. paralelos e ligeiramente afastados. continue o movimento durante dois ou três minutos. os pés paralelos. o lóbulo da orelha. Apenas os olhos. as mãos soltas e estendidas com as palmas para cima. Faça com a cabeça alguns "sim" tentando olhar para o peito e para a barriga.e num banquinho. lcsd o s xto mês. o bebê escuta com os ouvidos e. a nuca se retrai e se esconde entre os ombros. do lado esquerdo.. agora. Toque com o dedo sua fontanela posterior..I ) ) QUANDO O COIU)O CONSE TE MOVIMENTOS tade. 9. Esse movimento arcaico. Agora. Depois. tudo orncça na nu a. Continue assim durante dois ou três minutos. Se. São encurtados por natureza e p Ia acontecimentos da vida. Descanse as pernas flexionadas e. e sobretudo não vir a cabeça para eles. em precipitar a respiração. estenda lentamente as pernas. e propagam até a bacia. no lugar onde os ossos se juntam.sem erguê-Ia . Virar a cabeça para um lado e para o outro é um dos primeiros movimentos dos recém-nascidos. toque com os dedos a orelha direita. tente sentir qual dos dois lados parece mais leve. que seja por menos tempo. as pernas. apertados. livre e cheia de harmonia. pelo olfato. que sentir vontad de soltar o ar. o enche de bem-estar. É uma lembrança de seu nascimento: se você nasceu naturalmente. nos dias seguintes. o seio nu triz da mãe. volte o rosto para a frente e recomece. procure rolar a cabeça para a dir ira p usar a orelha.como para pousar a orelha no chão. deixando os calcanhares escorregar m no chão. que também você já fez se lhe deram tempo para tanto. na qual. perceba as sensações de s u rosto.. é claro) e aperte de leve. devagar. Role a cab ça para a direita e para a esquerda. estenda as pernas.antar " desse modo. no momento em l'iO 10. bem como a respiração.. Depois. As coxas ligeiramente afastadas e bem na direção dos quadris. Preste atençã no ritm da re piração. provavelmente bem antes.. que estão s mpre se contraindo. mais alerta e mais flexível. Deite-se de costas. Escolha pontos de referência de cada lado do rosto. c m toda a pele.

deixe as pernas ap nas juntas. Depois. íntima. repita o movimento por dois ou três minutos. Tente abaixar só a nuca. é melhor. feche os olhos. Acaricie a nuca de leve. Procure ntil' o volume. Várias vezes. no peito. que fica em cima da cabeça. Depois. deix os I raços s [tos ao longo 10 orpo e pro . nos lábios. sob as pálpebras abaixadas. retome o movim nto n? 4. Sempre de olhos fechados. comece a olhar no teto um ponto real ou inventado. Continue assim por um ou dois minutos. Que seja apenas uma vibração interna. Depois. retire a bola e deixe as co ta bem pousadas no chão. o Deite-se de costas. acaricie o ombro direito. sempre em busca do mesmo ponto. coloque a mão esquerda obre a direita. Com a mão direita. r '1. se não lhe custar esforço. Afaste um pouco as coxas e coloque a mão direita entre as pernas. imagine que ela tem um olho. mas com um som sempre sutil. Agora. unca faça o movimento seguinte sem antes retirar a bola.' a costas resistirem. Depois. Se sentir que dá para continuar.. com a mão desc ndo. devagar.rtar.. a língua bem alargada dentro da boca e os lábios sem se mexer. que ficam na face interna das coxas. mudando às vezes de tom. não insi ta. Erga a cabeça e repita várias vezes. i to -.. pernas flexionadas.QUANDO O COlU'O CONSENTE MOVIMENTOS I: lugar. Se o tamanho da barriga lificultar ssa 010 ação da mão entre as pernas. dos lábios ao períneo.ur 'lJ errar as coxas lima na outra.. respirando naturalmente. Depois. " /1. tente manter a fontanela para cima e avance um pouco os lábios como e fosse dar um beijo. Em seguida. descans um momento deitada de costas. Os braco estendidos ao longo do corpo. acompanhe seu arredondado com a palma da mão. vez mais para baixo. acaricie o ombro esquerdo. cada vez que soltar o ar. e olhe d novo para o umbigo." cia desse som no seu corpo. da cabeça para os ombro . Procure fazer com que a boca continue passiva e a respiração livre. no qual e coloca uma bola mole sob o sacro durante alguns minutos. Deixe a boca entreaberta.1xando a pr ssão quand vo inspira. incline um pouco a cabeça para que ela possa "ver" o que se pas a diante de você. De pe to e de longe ou qu os olhos j de n . deixe passar um som por entre os lábios estendidos: "Mmma. Depois. não as costas. feche os olhos e. basta fazer isso quatro ou cinco vezes. mmma. erga os olhos para o teto.. com a palmas voltadas para cima. no nariz. movimente os olhos rapidamente em todos os A 152 153 . em erguer a cabeça. a parte carnuda e a suavidade le seus lábios. Abra a boca. l11lTIJua Procure perceber a ressonân. Procure encost. estenda sobre as pernas suas mãos soltas. Em seguida. s '111 a p . d prefcrê nia om a palmas voltadas para o alto. concentre a atenção na fontanela posterior. Fixe-o durante alguns segundos. Com a mão esquerda. na nuca. sem bloquear o ar. Depois. sobre o púbis e o sexo. Sem roupa para atrapalhar. Não confunda com a fontan Ia ant rior. traga bruscamente o olhar para a barriga. tentando perceber as vibrações de sua voz cada . aperte uma coxa na outra com os músculo "adutores". Continue esse vaivém várias vezes. com os olhos bem abertos.ar b m no chão. pés encostados e bem apoiados no chão.

Faça isso com delicadeza. concentre sua atenção nas pernas que estão estendidas. Em seguida. Mantenha assim o maxilar aberto. pés bem apoiados. e não em cima dos dentes. bem como por razões ligadas à história pessoal. tentando olhar para o peito e a barriga. De modo algum lhe parece que você esteja alongando algo em sua musculatura. Enfie os dedos indicador e médio da mão direita na boca e pressione a base do maxilar inferior. Espere que a região lombar. p gue a bola grande e macia. como já vi 155 .rnas l'st{'nditl:ls. ri . pois. Ao tentar aproximar os tornozelos sem erguer os joelhos. Ouando aface interna das coxa . procur p rceb r a t mperatura de seu sopro que pas a sobre a língua a ada r spiração. na hora do nascimento elo b bê. sem erguer as costas nem compensar de qualquer outra maneira. sem erguê-Ias do chão. mas não se trata disso: são os músculos das pernas que estão encurtados e repuxam as articulações dos joelhos. Se mesmo assim as costas se arquearem. Fique com as pernas estendidas e faça alguns "sim" com a cabeça. depois. se você não conseguir encostar de todo os tornozelos as bordas internas dos pés. retire a bola e descanse . se possível.J ) ) Deite-se de costas. ) ) 12. afastar as coxas à força.1 vez. você vai precisar da absoluta flexibilidade desses músculos. coloque os dedos no osso da mandíbula. I . Por isso. h '111 curto. [) 'ite-se de novo de costas. e bem devagar tente aproximar os tornoz los. O pouco que você fizer já ajuda a alongar a musculatura. o que pode lhe parecer quase impossível. perto do s xo. Depois. como você faz quando está dorrnin 10 'sonha. perna f1exionadas. Entretanto. sem torcer os pés. mas eles estão tão acostumados a permanec r contraídos que se tornam impotentes. as costas e a nuca se acalmem e fiquem bem encostadas no chão. é claro. como no movimento nº 4. que não devem erguer-se. ligeiramente puxado para o pescoço. estão contraídos na maioria das pessoas.. coloque-a sob o sacro. Out 1'. homens e mulheres. e a respiração mais s rena. a fim de alongar os músculos adutores..J . que seus músculos "adutores". talvez você esteja sentindo que precisa fazer muita força entre as coxas. Preste at nção em sua 110 a.. .. mas solte o ar devagar pela boca. Sem forçar a abertura. l'ilÍ procure olhar o peito e a barriga. Alargue a língua. Convém logo esclar er qu . Continue a in pirar pelo nariz. vire-se d lad para (I 'SCIIlS. depois st nda o braço ao longo do corpo. sem erguer a cabeça. você está pedindo a eus músculos "adutor s" qu façam aquilo para que foram feitos: aproximar as coxas. Depois desse movimento q I ' (. estique as pernas com cuidado. Talvez você tenha a impressão de que os joelhos são "muito grandes". As fibras contraídas não têm mais capacidade para desempenhar sua função natural. sem contrair o ombro nem o braço.xione as pernas. t nte p rceber se os maxilares estão mais soltos. entre as coxas.J ) . não se preocupe.lr um I oucx . da nuca aos calcanhares.) ) ) ) ) QUANDO O COHPO CONSENTE MOVIMENTOS sentidos. por razões anatômicas e fisiológicas específicas. Saiba. estenda devagar a p mas ' cI 's ans . Depois. na altura da raiz dos dentes. não desanime. Por enquanto. sem deixá-los "envesgar" para dentro. !TI in S rrados. para ex cutar bem ess movimento. Durante um minuto.. Sentar-se em posição de Buda. sem dobrar a nuca para trás.. todos os músculos posteriores do corpo precisariam estar flexíveis e soltos. Várias vezes. Continue assim por um ou dois minutos. ão é tão fácil as im . escorregue os calcanhares para não abaular as costas.

que vem do tornozelo e repuxa a face posterior da perna e da coxa. Você se surpreenderá com a rapidez e a qualidade dos resultados obtidos.. com par os apoios do pé direito com os do esquerdo. 13. O melhor modo de alongar a face interna das coxas e a parte inferior das costas é tentar aproximar seus tornozelos com suavidade e firmeza durante alguns segundos. descansá-los e alongar a musculatura.. QUANDO O COlU'O CONSENTE MOVIMENTOS fazerem com gestantes. você não consegue ver seu pé se mexendo. Repita várias vezes. Concentre a atenção no pé direito.. flcxione a I erna esquerda.vc o P " na bolinha no.v 'Zl'S. sente-se numa cadeira. Porque... É normal: quando um grupo de músculos se alonga. para que o pé esquerdo encoste no chão. sem erguer o joelho nem torcer a perna. s o pé tivesse cintura. depois de bem deitada no chão. procure empurrar o calcanhar para longe de você.io diferente do olhar. . no meio. tente abaixar o 157 . o que é excelente para desenvolver percepções outras que a visão. Deixe as mãos pousadas nas coxas. relaxe a pressão ao inspirar. imagine que você respira pela planta elo pé tanto quanto pelos pulmões .. nspir. sem erguer o joelho. Prepare as bolinhas de cortiça. Pro . tente percebê-lo por um rn . você sente a contração na face anterior da coxa. apoiando bem todo o dedos no chão. Sente-se e faça a mesma coisa com o pé esquerdo . Esse pequeno movimento. Depois. concentre toda a atenção na perna direita que continua estendida.' <!('<!o. as ostas e os jo 'lhos...'. pode ser difícil.mu-r (l. Este movimento é um entre muitos que você pode fazer para aliviar os pés. os "quadríceps". ão precisa olhar para ele. e forçar os músculos só pode provocar um reflexo inconsciente que leva a contrair a região lombar.intura. En ost ao máximo no chão a nu a. com as palmas viradas para cima. para isso. Dos pés à se on beç ou qu ndo s cost pelos t n los . momento m qu ' vo('~' v:li soltar o ar. procure afastar o dedinho mínimo para fora. aponte de novo os dedos do pé para o teto e. vo ê já conhece esse movimento. Você precisa mesmo é alongar a face posterior da coxa e. mant n 10 o I ' no seu eixo • isto é • sem desviar para o lado.I 'n p(. As leis da fisiologia muscular não aceitam isso. Fa a isso uu mx (Io/. Depois.. Refaça esse movimento diariamente por alguns s gundos. a cintura ou a nuca.i ' d ' I . mas deixe a perna bem pousada e no eixo.' 'stvl1di los mas sem contraí-los. fique de pé. necessita da força dos músculos ant riorcs da coxa. Tente aproximar d vagar s tornozelos. pés descalços um pouco afastados e bem paralelos. Abra a I () '. alongue a nuca e leve bem ao alto sua fontanela posterior. é um logro e pod r p rigoso para a região lombar. esforço esse que deve ser feito no momento de soltar o ar. Não apert s maxilares. se a face posterior da coxa está se alongando.m Dite-se de costa. Ademais. procure deixá-los alongados. do com bastante calma. Agora. • p ma estendidas. o que não é desejado. como está explicado nos movimentos anteriores. 14.oloquc Lima ela. no lugar on I ' fi '~Iritl'l . procure sentir em qual dos pés você se sente mais segura. b m ao lado do joelho direito.. porque eles fraquejarn. Evite retorcer os dedos do pé. bolinhas sob o pé. de boca aberta e língua alargada . os antagonistas se contra m. feche os olho. ndo pl nt dos pés espi . Erga o pé direito para que todos os dedos do pé olhem para o teto.urc m.

estenda devagar a perna esquerda e compare .rior dos j elhos? das coxas? da cintura? . curiosamente.sempre com os tornozelos juntos . com ternura e respeito por você mesma.. forças e calor. com as duas pernas estendidas. I "i H Continue durante um ou dois minutos se pud r.. O menino que ele foi.J ) ) ) pé direito para o chão. O máximo possível.IS 0111°1 lal. como a menina que você foi. não se pode n . vocês podem preparar-se para ver com mais liberdade. com os dedos apontados para o teto. se preferirem. Ou. o bebê e o pai do bebê. É um movimento de contato dos corpos reunidos. Não se preocupe. Seu companheiro também se senta com os joelhos flexionados. também ele pode fazer os movimentos com a boca e com os olhos. Pode sentir esse movim nto na parte I ost . ambos começam a perceber que as costas se entendem e se ajudam. com todo o corpo. nem a cintura. Para conceber. Depois descanse. pés apoiados no chão. depois deixe cair os pés à vontad e descanse. tentando deixar estendidos todos os dedos do pé. Deixe os tornozelos juntos. e recomece.QUANDO O COlU'O CONSENTE MOVIMENTOS () .ls? .. bem devagar. Observ o ritmo da respiração. Agora.abaixe lentamente os dois pés.1'l mus ulatura. as coxas um pouco afastadas e os pés bem pousados no solo. Não se espante se houver uma liferença entre os tornozelos. outra vez estenda os dedos. Para que a respiração do pai se torne mais viva e mais solta. Juntos.ostar os dedos no chão se as pernas ficam estendida . Em seguida. os pontos de apoio do corpo no hão. porque a perna direita aumentou e os tornozelos não se encontram . com os joelhos flexionados. invadir seu território. Tente descobrir se.ma continu nessa direção.. afinal. Momento precioso quando. Abra a boca e tente dar a esses movimentos um ritmo que se harmonize bem com sua respiração. não se esqueça de virar b m d vagar para o lado. para escutar. com os dedos alongados o máximo possível. Deixem que o contato seja com159 . Cost de ulhe cont cost de h e udo con . dê alguns pa sos pela sala e perceba como se apóiam seus pés. Um momento delicado em que. os quadris. Ele aproxima as costas das suas e. imagine qu vo ~ vai pousar o dedão em primeiro lugar. e como as coxas. e erga os dois pés encostados.. a três: você. Faça várias tentativas diferentes. Depois. tente enco tar os tornozelos. você prefere soltar o ar ou inspirar.. de costas para você. viver a seu modo a gestação do bebê. um pode achar que o outro vai pesar nele. explicados anteriormente. mantenha as pernas estendidas. Imagine que você vai esticar os músculos da cabeça aos calcanhares. Para sentar-se. a boca e os ouvidos para o seu ambiente. da fontanela posterior aos calcanhares. Empurre os calcanhares para longe de você. a perna esquerda vai logo imitar a direita. Sente-se no chão. Este movimento se faz a dois: seu companheiro e você.. O pai também pode. Repita isso umas dez vezes. nem os ombros. ao empurrar os calcanhares... que funde suas sensibilidades. do corpo que se mexem e Tente perceber as regíõe se alongam de acordo com o m virnento dos tornozelos. e sempre mantendo os tornozelos encostados. ou o mais próximo possível um do outro. tocar . vai se encostando. Recomece lentamente esses dois movimentos: uma vez empurre os calcanhares. tente perceber a continuida I' I S1. nem a nuca. sofreu por não poder abrir livremente os olhos. as costas e a nuca se colocam e se movimentam ao andar.. sempre sem erguer os joelhos. suba o pé em ângulo reto.ntrc . Depois .

1995. Wilhelm. a cabeça. Paris: Ergo Press. 1989. Fontes. costas contra o peito.. e st . Coletivo. procurem com calma acertar o ritmo de suas respirações. o sacro. ( -' . Dolto. u est l g ge. Sente-se nesse espaço. c est Paris: Fixot. oit. ) Seu companheiro senta-se com joelhos flexionados e afastados. São Paulo: Brasiliense. Reich./ ) I ) 160 161 ( J ) 'í . Quase imperceptível. Soly. Ce Morin. como se fosse segurar o bebê nas mãos. Bem de leve. 1994. Chapsal. Depois. 1992. Madeleine. Sem forçar. Histo es de Tomatis. procure diminuir o arqueamento da cintura para que sua região lombar fique bem em contato com a barriga dele. com as costas perto do peito dele. ois dis. entre os ombros e. região lombar. entrar no máximo contato possível com o peito e a barriga dele. es dossie s de s nce. Lucien. Paris: Seuil. Françoise-Edmonde. Paris: Gallimard. is çoise Dolto. coloque as palmas das mãos embaixo da barriga. oles de sages-femmes. Abram a boca. os ombros. Também é maravilhoso para que entre vocês três circule o calor. e de vida. Ce que Paris: Fayard. Abram ambos a boca e. Fiquem atentos ao ritmo da própria respiração e ao ritmo da respiração do outro. perto do púbis. Paris: Stock-Laurence Pernoud. como para segurar o bebê. ____ o lise do c do t São Paulo: Martins .. Israel. 1989. Françoise. Coloque de leve as mãos embaixo da barriga. sem fazer peso com as mãos. a ternura e o sopro da vida. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS Bensabat. Procure. én t le. Paris: Plon.QUANDO O CORPO CONSENTE pleto: cintura. . Co de peito de co . Vocês constatarão que suas costas respiram e se transmitem mutuamente uma rara sensação de segurança calorosa. Um ligeiro. Ce 1995. os ombros e o sacro. com as costas. se possível. Seu companheiro estende os braços e também coloca as mãos sobre as suas. 1985. uche. Seu companheiro também coloca a palma das mãos embaixo da barriga dele. Esse movimento é benéfico porque ajuda você a alongar os músculos das costas. uie sr) ( 1995. Você pode oscilar ligeiramente da frente para trás. etit nuel de gué l ge desfemmes enceintes. ligeiríssimo balanço. Alfred. 1989.

Andréa Cardoso Rua Laerte Assunção. 303-406 22410-001 Rio de Janeiro RJ Tel.: (011) 985-5425 853-2340 .Réjane Benaduce Rua Visconde de Pirajá. . 467 Jardim Paulistano 01444-040 São Paulo SP Tel.Endereços no Brasil das terapeutas madas por Thérese Bertherat.: (021) 247-6728 de antiginástica for- ) ) ) ) J .

nn.te si se ue ~tissiio e c~nti4-n 4- e COIúe t.4es stes« en« ocê. oU 4. - ( ( ( Copo Projeto gráfico Foto "UiIiOO 10:1') I:iidll I ~105...1 tic4-1úCOIúOé túto o seu 1 COIúO e 4 4. esc Í..-se. 4.sce seu tit4~ tt ente. 444.seios4- .e eci4-t 4- u iincl4- . ..seu l . 4-uto 4 e t. COIUO ~ci l Iú4. -s 4-05 ês encont 4-lú. os ~estos e 4-05 4-t4 1 -s s.4-05 ~tenci4. e UIú4- ocê esti eu Áe UIú4-t4e t.ê.1 c4. eolúo p4-ute ~. 1 . nicn« ue I) c ue c~nsente. Ikgl!fIIlfJ j ) . isso.4. 74é e. iene en« { es -íses.iio c4-.to - 0 eé4. t e 4-1ú Ulú c40 td -.e t.o e lúut4e s tilú 4.e e.se u e -t é tt t~i I/{) 1 ut4-. 4.

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