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Classificação de bacias sedimentares: mecanismos de subsidência e contexto tectônico - Bacias sedimentares: áreas da

Classificação de bacias sedimentares: mecanismos de subsidência e contexto tectônico

- Bacias sedimentares: áreas da superfície terrestre que sofrem ou sofreram subsidência continuada.

- Subsidência – resposta a uma mudança de estado na crosta ou na litosfera.

- Principal agente das mudanças de estado: Tectônica Global.

- A aula de hoje descreve os principais mecanismos de subsidência e sua relação com os principais ambientes tectônicos.

Estrutura e Dinâmica interna da Terra Para entendermos os processos relacionados à dinâmica interna da

Estrutura e Dinâmica interna da Terra

Para entendermos os processos relacionados à dinâmica interna da Terra, vamos rever sua estrutura interna. Há duas formas principais de se descrever a estrutura interna do planeta: com base na variação, em profundidade, da composição ou do comportamento mecânico.

a estrutura interna do planeta: com base na variação, em profundidade, da composição ou do comportamento
Subdivisão composicional Crosta – é a porção mais superficial da Terra sólida, formada por rochas

Subdivisão composicional

Crosta – é a porção mais superficial da Terra sólida, formada por rochas de composição variada, porém com grande predomínio de silicatos. Dois tipos de crosta apresentam composições, espessuras médias e história geológica distinta.

Crosta Oceânica – tem composição basáltica, mais rica em Fe e Mg (contidos em silicatos e óxidos) com densidade de cerca de 3 g/cm3, menor variação composicional e idade limitada a menos de 180 Ma. A crosta oceânica é formada essencialmente por rochas ígneas geradas por fusão do manto sob as cadeias meso- oceânicas. Sua espessura é de cerca de 5 km.

Crosta Continental – tem composição muito variada, refletindo complexa história geológica, com predomínio de rochas formadas principalmente por silicatos ricos em Al, K e Na, com densidade média próxima a 2,7 g/cm3. A crosta continental é formada por um complexo arranjo de rochas de diferentes idades (de mais de 5 Ga até o recente, de origem ígnea, metamórfica e sedimentare. Sua espessura varia de cerca de 15 km até mais de 70 km.

Subdivisão composicional Manto – Localizado abaixo da crosta, formado por rochas mais densas (de 3.25

Subdivisão composicional

Manto – Localizado abaixo da crosta, formado por rochas mais densas (de 3.25 a 3.4 g/cm3) compostas por silicatos ainda mais ricos em Fe e Mg e mais pobres em Si que aqueles da crosta oceânica. Com o aumento da profundidade, passam a predominar óxidos. Tem seu topo na descontinuidade de Moho e vai até aproximadamente 2900 km abaixo da superfície.

Núcleo – A cerca de 2900 km de profundidade, ocorre uma mudança abrupta de composição e comportamento mecânico, marcando o início do núcleo. Sua composição é supostamente dominada por ligas de Fe-Ni, com alto conteúdo de elementos do grupo da platina.

Subdivisão mecânica Litosfera – Porção rígida superficial, fragmentada em placas tectônicas. Inclui a crosta e

Subdivisão mecânica

Litosfera – Porção rígida superficial, fragmentada em placas tectônicas. Inclui a crosta e a porção superior do manto. A litosfera continental tem profundidades de até 120 km, enquanto a oceânica de até 65 km.

Astenosfera – Porção plástica do manto superior, vai até a profundidade de cerca de

200 km. Perde calor por convexão.

Mesosfera – Porção inferior, rígida, do manto. De 200 km até 2900 km. Por volta de

600 km ocorre mudança de fase mineral.

Núcleo externo – Porção líquida do núcleo, de 2900 a 4700 km.

Núcleo interno – Porção interior e sólida do núcleo.

Resposta da crosta a mudanças de estado: Isostasia - Compensação isostática 1. Tipo Pratt (variação

Resposta da crosta a mudanças de estado: Isostasia

- Compensação isostática

1. Tipo Pratt (variação dedensidade)

2. Tipo Airy (variação de espessura)

Isostasia - Compensação isostática 1. Tipo Pratt (variação dedensidade) 2. Tipo Airy (variação de espessura)
Na base das duas colunas as forças igualam-se: Espessuras e densidades da crosta, manto astenosférico

Na base das duas colunas as forças igualam-se:

Na base das duas colunas as forças igualam-se: Espessuras e densidades da crosta, manto astenosférico e
Na base das duas colunas as forças igualam-se: Espessuras e densidades da crosta, manto astenosférico e

Espessuras e densidades da crosta, manto astenosférico e manto litosférico.

Relevo relativo entre dois blocos continentais adjacentes: Relevo adjacentes: relativo entre dois blocos continentais Se

Relevo relativo entre dois blocos continentais adjacentes:

Relevo

adjacentes:

relativo

entre

dois

blocos

continentais

Se Z é preenchido por água (densidade=1.0 g/cm 3 ):

Massa da coluna 1 = Massa da coluna 2

30*2,8+90*3,4=Z*1,0+15*2,8+45*3,4+(60-Z)*3,3

390=Z+42+153+198-3,3Z

3,3Z-Z=393-390

2,3Z=3

Z=1,3 km

Se Z é preenchido por ar (densidade ~0 g/cm 3 )

3,3Z=3

Z=0,9 km

Se Z é preenchido por sedimento (densid.=2,3 g/cm 3 )

Z=3 km

por ar (densidade ~0 g/cm 3 ) 3,3Z=3 Z=0,9 km Se Z é preenchido por sedimento
da crosta passar da condição da da Se uma porção para a coluna 1 coluna

da

crosta passar da condição

da

da

Se

uma

porção

para

a

da crosta passar da condição da da Se uma porção para a coluna 1 coluna 2,

coluna 1

coluna

2,

ocorre

subsidência.

Esse

tipo

de

subsidência por afinamento crustal ou litosférico é denominado subsidência mecânica.

A subsidência

ocorre

em

sujeitas

a

mecânica

regiões

tectônica distensiva.

A espessura inicial da crosta ou litosfera sobre a espessura após a distensão determina o
A espessura inicial da crosta ou litosfera sobre a espessura após a distensão determina o
A espessura inicial da crosta ou litosfera sobre a espessura após a distensão determina o

A espessura inicial da crosta ou litosfera sobre a espessura após a distensão determina o fator .

Como distensão da litosfera implica em ascensão de astenosfera, o gradiente térmico aumenta.

O aquecimento da litosfera pode ser rápido se houver adição de magma, e com isso a densidade diminui e a subsidência é reduzida.

Quando a distensão termina, a litosfera esfria lentamente e ganha volume com a transformação de astenosfera quente em litosfera mais fria.

Esse

resfriamento

é

acompanhado por

aumento

de

densidade

subsidência termal ou térmica.

e,

portanto

de densidade subsidência termal ou térmica . e, portanto Para cada fator beta há uma curva
de densidade subsidência termal ou térmica . e, portanto Para cada fator beta há uma curva

Para cada fator beta há uma curva exponencial de subsidência termal.

A subsidência total é mesma calculada para a compensação isostática sem os efeitos termais, apenas a curva é modificada.

sag rift
sag
rift
sag rift Como a crosta inferior e a apresentam comportamento dúctil com a deformação, a área

Como a crosta inferior e a

apresentam

comportamento dúctil com a deformação, a área de ascensão astenosférica é maior que a de distensão crustal.

litosfera

Assim, a subsidência termal (sag basin) afeta uma área maior que a subsidência mecânica por ela responsável.

O ovo ou a galinha?

O ovo ou a galinha? Pelo modelo acima descrito, a distensão causa subsidência que causa ascensão

Pelo modelo acima descrito, a distensão causa subsidência que causa ascensão de Astenosfera (aumento de gradiente geotérmico).

Mas qual a causa da distensão?

1- Tensões de borda e placa.

2- Colapso distensional

Uma

sobrecarga

(e.g.

cavalgamento, edifício vulcânico) também causará compensação isostática.

a litosfera fosse

formada por blocos separados com movimento vertical independente, essa compensação não causaria subsidência, pois não haveria abatimento da superfície.

Se

Na realidade a crosta tem uma rigidez que implica em abatimento por flexura de áreas adjacentes à sobrecarga.

Esse

denominado

flexural.

abatimento

é

subsidência

em abatimento por flexura de áreas adjacentes à sobrecarga. Esse denominado flexural . abatimento é subsidência
em abatimento por flexura de áreas adjacentes à sobrecarga. Esse denominado flexural . abatimento é subsidência
A distância a partir da área de sobrecarga afetada pela subsidência e a profundidade dessa
A distância a partir da área de sobrecarga afetada pela subsidência e a profundidade dessa

A distância a partir da área de sobrecarga afetada pela subsidência e a profundidade dessa subsidência dependem da rigidez flexural da crosta.

área de sobrecarga afetada pela subsidência e a profundidade dessa subsidência dependem da rigidez flexural da
Assim, os três principais mecanismos de formação de bacias sedimentares podem ser utilizados para classificar

Assim, os três principais mecanismos de formação de bacias sedimentares podem ser utilizados para classificar as bacias em:

- Bacias de subsidência mecânica

- Bacias de subsidência termal

- Bacias de subsidência flexural.

Muitas bacias são formadas por mais de um desses processos.

Outros mecanismos influenciam ou promovem a subsidência em bacias sedimentares e serão discutidos em aulas posteriores.

Um outro tipo de classificação, muito utilizado, agrupa as bacias sedimentares de acordo com seu
Um outro tipo de classificação, muito utilizado, agrupa as bacias sedimentares de acordo com seu

Um outro tipo de classificação, muito utilizado, agrupa as bacias sedimentares de acordo com seu contexto na Tectônica da Placas.

Em uma divisão maior, as bacias podem ser classificadas em:

- Bacias relacionadas a limites convergentes de placas

- Bacias relacionadas a limites divergentes de placas

- Bacias relacionadas a limites transformes de placas

- Bacias intra-placa

Em cada um desses contextos ocorre uma série de tipos de bacias.

Os principais tipos serão apresentados na aula de hoje, seguindo a classificação de Ingersoll & Busby (1995), modificada.

Estudos militares do fundo oceânico:

Estudos militares do fundo oceânico: Trincheiras e cadeias meso-ocêanicas. Pares de faixas de anomalia magnética

Trincheiras e cadeias meso-ocêanicas. Pares de faixas de anomalia magnética paralelos às meso-oceânicas.

Juntando as evidências: a teoria de Vine, Matthews, and Morely.

de anomalia magnética paralelos às meso-oceânicas. Juntando as evidências: a teoria de Vine, Matthews, and Morely.
Se os oceanos se espalham, com criação de nova litosfera, tem de haver consumo de

Se os oceanos se espalham, com criação de nova litosfera, tem de haver consumo de litosfera em algum lugar – zonas de Benioff e trincheiras oceânicas.

Combinando as evidências de formação nas meso-oceânicas, deriva dos continentes e consumo de litosfera nas zonas de subducção, surge a teoria da Tectônica de Placas.

deriva dos continentes e consumo de litosfera nas zonas de subducção, surge a teoria da Tectônica
Limite transforme entre meso- oceânicas Limite transforme em crosta continental
Limite transforme entre meso- oceânicas Limite transforme em crosta continental

Limite transforme entre meso- oceânicas

Limite transforme entre meso- oceânicas Limite transforme em crosta continental

Limite transforme em crosta continental

Mecanismo causador da Tectônica de Placas: correntes de convexão na astenosfera e na litosfera (
Mecanismo causador da Tectônica de Placas: correntes de convexão na astenosfera e na litosfera (

Mecanismo causador da Tectônica de Placas: correntes de convexão na astenosfera e na litosfera (ridge push e slab pull).

causador da Tectônica de Placas: correntes de convexão na astenosfera e na litosfera ( ridge push

1. Bacias de contextos divergentes:

- Rifts intra-continentais: subsidência mecânica

- Rifts intra-continentais: subsidência mecânica - Bacias proto-oceânicas: subsidência mecânica +

- Bacias proto-oceânicas: subsidência mecânica + subsidência termal

- Rifts intra-continentais: subsidência mecânica - Bacias proto-oceânicas: subsidência mecânica + subsidência termal
Rifts ativos X Rifts passivos

Rifts ativos X Rifts passivos

Rifts ativos X Rifts passivos
Distensão por cisalhamento simples

Distensão por cisalhamento simples

Distensão por cisalhamento simples
Distensão por cisalhamento simples

Bacias intra-placa:

- Margens Passivas: subsidência termal

Bacias intra-placa: - Margens Passivas: subsidência termal - Bacias Intracratônicas: mecanismo incerto (termal,

- Bacias Intracratônicas: mecanismo incerto (termal, flaxural,

topografia

dinâmica)

- Bacias Oceânicas ativas: subsidência termal

- Bacias Oceânicas inativas: subsidência termal

- Rifts Intra-placa: subsidência mecânica

Margens passivas Porções mais distais da plataforma apresentam menor espessura de crosta após a distensão

Margens passivas

Margens passivas Porções mais distais da plataforma apresentam menor espessura de crosta após a distensão =
Margens passivas Porções mais distais da plataforma apresentam menor espessura de crosta após a distensão =

Porções mais distais da plataforma apresentam menor espessura de crosta após a distensão = maior fator beta = maior taxa de subsidência termal.

plataforma apresentam menor espessura de crosta após a distensão = maior fator beta = maior taxa

Bacias de contextos convergentes:

Bacias de contextos convergentes: - Trincheiras de subducção: subsidência termal + flexural - Bacias de flanco

- Trincheiras de subducção: subsidência termal + flexural

- Bacias de flanco de trincheira: subsidência mecânica + termal

- Bacias de ante-arco: mecanismo incerto (subsidência flexural

+

?)

- Bacias de backarc: subsidência mecânica

- Bacias de intra-arco: subsidência mecânica

- Bacias de antepaís de retroarco: subsidência flexural

- Bacias periféricas de antepaís: subsidência flexural

- Bacias de colapso de orógeno: subsidência mecânica

G

S

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5

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Bacias de ante-arco

Bacias de ante-arco
Bacias de ante-arco

Bacias de backarc

Bacias de backarc Distensão passiva: colapso da margem continental e rollback da subducção.
Bacias de backarc Distensão passiva: colapso da margem continental e rollback da subducção.

Distensão passiva:

colapso da margem continental e rollback da subducção.

Bacias de backarc Distensão passiva: colapso da margem continental e rollback da subducção.

Bacias de antepaís de retroarco

Bacias de antepaís de retroarco
Bacias de antepaís de retroarco

Bacias periféricas de ante-país

Bacias periféricas de ante-país
Bacias periféricas de ante-país
Bacias de contextos transformes: - Bacias transtrativas - Bacias transpressivas - Bacias transrotacionais

Bacias de contextos transformes:

- Bacias transtrativas

- Bacias transpressivas

- Bacias transrotacionais

Bacias de contextos transformes: - Bacias transtrativas - Bacias transpressivas - Bacias transrotacionais