Você está na página 1de 5

O Cavaleiro, a Pomba e a Madrasta Espantando com a sua beleza, ficou a admirá-la.

Reparou que ela tinha uma maçã mágica, uma maçã


que só deveria comer se estivesse gravemente
ferido. Ofereceu-a ao cavaleiro e disse-lhe também
Era uma vez, um nobre cavaleiro, ligeiramente que, se olhasse para o céu com o seu binóculo, ela
desastrado, separado dos pais desde os seus dez apareceria. Despediram-se e o cavaleiro continuou o
anos, vindo do Reino dos Contos. Ao passar pela seu caminho.
Encruzilhada das Cigarras encontrou um estranho
binóculo. Parou, e com ele olhou para o céu. Viu
então uma pomba majestosa, que desceu e foi ter
com o Cavaleiro.

1 2
A dada altura ouviu uns pássaros e um rio. Ela explicou que tinha de viver com a Madrasta,
Como tinha sede, parou para beber e, numa árvore pois a sua mãe tinha adoecido no ano passado.
ali perto, encontrou pendurados um casaco e umas Como o pai a sua mãe também iam procurar a cura
botas.Então, pegou neles e vestiu-os. naquela luz, nenhum deles regressara. Ouvindo esta
triste história, o cavaleiro prometeu-lhe que a
Perto do rio, encontrou uma rapariga a chorar,
ajudaria e ela, comovida, levou-o para sua casa.
e ele, muito humildemente perguntou-lhe o que se
passara. Ela, chorando, respondeu-lhe que o seu pai A Madrasta, assim que a viu, começou aos
estava doente e que, todos os dias, mergulhava a berros com a pobre criança por ter estado tanto
numa luz que ali estava ao fundo, e sempre que o tempo fora de casa. Serviu o jantar, comeram e a
fazia, sentia-se logo melhor. Contudo, naquele dia madrasta acompanhou o cavaleiro ao seu quarto.
não tinha voltado.

3 4
Ele preparou-se para Enquanto procurava uma saída, viu uma
dormir, retirou o casaco, a vassoura muito estranha e umas chaves
armadura e as botas, penduradas. De repente, lembrou-se do casaco, das
guardando tudo na mochila. botas e do relógio. Tirou-os da mochila e vestiu logo
Mas ao deitar-se, bateu com a as roupas.
cabeça num livro. Abriu-o e
De repente, ouviu uma porta a ranger, era a
começou a folheá-lo.
madrasta que tinha entrado e que queria o relógio.
Mencionava-se um relógio que
O cavaleiro usou-o para parar o tempo, mas
podia parar o tempo!
tropeçou numa pedra que havia no chão. Foi então
O cavaleiro pousou o livro que ele descobriu que com o casaco podia
e foi a correr procurar o atravessar paredes! Pegou nas chaves e começou a
relógio. Quando o encontrou, foi ao quarto guardá- correr, ainda mais depressa do que corria, graças à
lo na mochila, mas quando estava a fazer isto, a magia das botas.
madrasta entrou de rompante, viu o que ele estava
a fazer e prendeu-o num túnel debaixo da casa.

5 6
Quando começou a ver a saída (um belo rio com Virou a ampulheta e, de repente, os pássaros
uma ponte de pedra), olhou para trás e viu uma continuaram a cantar e tudo voltou ao normal, a
bruxa a voar na estranha vassoura que há pouco rapariga apareceu de rompante e viu o cavaleiro, a
avistara. Correu ainda mais depressa e, ao fazê-lo, mãe e a majestosa pomba. Cheia de alegria, foi a
tropeçou num búzio. A bruxa correr ter com a mãe mas desatou a chorar pois, ao
ultrapassou-o, contudo, vê-la tão branca, pensou que a mãe estava morta.
bateu numa árvore e caiu à O cavaleiro tendo acalmá-la mas sem resultado.
água. Infelizmente, como
Foi então que se lembrou da maçã e deu-a de
não sabia nadar, morreu
comer à mãe da rapariga. Como por magia, ela
afogada!
acordou!
O cavaleiro olhou em
redor, viu o rio e, cheio de
sede, bebeu água e avistou
uma mulher desmaiada no
chão. Como não sabia o que fazer, pegou no
telescópio, e com ele olhou para o céu, à espera de
ver a pomba aparecer. Ela lá veio e carregava uma
luz. Essa luz era uma ampulheta! Aí, ele apercebeu-
se que a mulher era a mãe da rapariga.

7 8
A pomba pediu também ao cavaleiro que
pusesse a chave no búzio e que a rodasse. Ele
assim o fez e o búzio transformou-se no pai da
rapariga. Quando a madrasta chegou, foi “expulsa”
da família.

Estava o cavaleiro pronto para partir, quando


reparou que, na mochila do pai da rapariga, havia
uma imagem deles e de um rapaz igualzinho a ele!
Mais: aquela mochila era igual a uma que ele
também tinha! Foi então que ele percebeu que
aqueles dois pais eram a sua família.

O cavaleiro ficou a viver com eles e viveram


felizes para sempre!!

Miguel Soares e Vanessa Godoi, 7º B

Ilustrações de:

Casey Weeks (1,2,4,6); Robert M Place (7)

Artista Desconhecido (3,5,8)