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UNIVERSIDADE ESTADUAL DO SUDOESTE DA BAHIA – UESB


ESPECIALIZAÇÃO EM CIÊNCIAS AMBIENTAIS
CAMPUS DE VITÓRIA DA CONQUISTA

A SERRA DO PERIPERI IMPACTADA PELA AÇÃO HUMANA.

IGUARACI SANTOS DA SILVA

VITÓRIA DA CONQUISTA - BA
NOVEMBRO, 2007
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UNIVERSIDADES ESTADUAL DO SUDOESTE DA BAHIA – UESB


ESPECIALIZAÇÃO EM CIÊNCIAS AMBIENTAIS
CAMPUS DE VITÓRIA DA CONQUISTA

A SERRA DO PERIPERI IMPACTADA PELA AÇÃO HUMANA.

IGUARACI SANTOS DA SILVA

ORIENTADOR(a): ANA MARIA DOS SANTOS ROCHA

Co–orientador(a): AVALDO DE OLIVEIRA SOARES FILHO

Monografia apresentada à Universidade


Estadual do Sudoeste da Bahia – UESB,
Campus de Vitória da Conquista – Ba,
para obtenção do título de Especialista
em Ciências Ambientais.

VITÓRIA DA CONQUISTA – BA
NOVEMBRO, 2007
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UNIVERSIDADE ESTADUAL DO SUDOESTE DA BAHIA – UESB


ESPECIALIZAÇÃO EM CIÊNCIAS AMBIENTAIS
CAMPUS DE VITÓRIA DA CONQUISTA

A SERRA DO PERIPERI IMPACTADA PELA AÇÃO HUMANA.

IGUARACI SANTOS DA SILVA

Aprovado por:
_______________________________________
Profa. Dra. Ana Maria dos Santos Rocha
DCN – UESB
(Orientadora e Presidente)

_______________________________________
Prof. Dr. Valdemiro da Conceição Júnior
DFZ – UESB

_______________________________________
Prof. M.Sc. Eugênio Borges de Jesus
DCN – UESB

VITÓRIA DA CONQUISTA - BA
NOVEMBRO – 2007
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AGRADECIMENTOS

Agradeço a Deus por ter iluminado os meus caminhos, dando-me forças e


competência para concluir este trabalho. Aos mestres, amigos, colegas e
familiares que me estimularam a levar adiante esta pesquisa, em meio a
dificuldades de toda ordem. A Valdemiro da Conceição Junior, por todas as suas
lições metodológicas e até mesmo de vida; a Avaldo de Oliveira Soares Filho,
Ana Maria dos Santos Rocha e Eugênio Borges de Jesus, pelo apoio, estímulo
constante e atenção dedicada; as colegas e amigas Fernanda Ramos Lacerda
Michelle Pereira Souza e Pollyane Silva Sousa, pelos incentivos cotidianos e
espiritualidade, aos amigos Jelton Avelar e Isaque Lopes de Carvalho, pela
solidariedade, carinho e companheirismo.
Agradeço também a todo o pessoal da Secretaria Municipal do Meio Ambiente
de Vitória da Conquista que me acolheram muito bem, em especial ao Gerente
de Estudos, Viabilização de projetos e Promoção Iragildo Silva Pereira; ao
Secretário da Coordenação Geral do Meio Ambiente Genival Lima da Silva; ao
motorista Jaaziel Dias Torres e a Marcondes Sousa Barbosa; ao pessoal da
SEMARH em nome do Coordenador Regional José Carlos Barreiros; e ao
IBAMA em nome do Sr. José Reinaldo de Jesus Analista Ambiental e Chefe
Substituto e, sobretudo aos moradores dos bairros da área em estudo, que,
com toda simplicidade, muito me ajudaram através das entrevistas.
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SUMÁRIO

LISTA DE ABREVIATURAS.................................................................................v

LISTA DE FIGURAS.............................................................................................vi

RESUMO.............................................................................................................vii

1.0 INTRODUÇÃO..............................................................................................01

2.0 REFERENCIAL TEÓRICO............................................................................03


2.1 A Serra do Periperi Impactada pela Ação Humana.......................................03

3.0 PROCEDIMENTOS METODOLÓGICOS......................................................11

4.0 RESULTADOS E DISCUSSÕES..................................................................13


4.1 Aspectos Históricos.......................................................................................13
4.2 Clima, Litologia e Geomorfologia..................................................................15
4.3 Característica Pedológicas............................................................................18

5.0 A ACÃO ANTRÓPICA NA SERRA DO PERIPERI.......................................20


5.1 O Homem e o Usofruto da Serra do Periperi................................................20
5.2 A Visão dos Orgão Ambientais......................................................................31

6.0 CONSIDERAÇÕES FINAIS..........................................................................37

7.0 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS.............................................................40

8.0 ANEXOS........................................................................................................42
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LISTA DE ABREVIATURAS

BA - Bahia
CEFET/BA – Centro Federal de Educação Tecnológica da Bahia.
CRA – Centro de Recursos Ambientais
IBAMA - Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais
Renováveis.
MEA – Módulo de Educação Ambiental.
MST – Movimento dos Sem Terras
SEMARH - Secretaria de Meio Ambiente e Recursos Hídricos.
SEMMA – Secretaria Municipal do Meio Ambiente.
SFC – Superintendência de Biodiversidade Florestais e Unidade de
Conservação.
SISNAMA – Sistema Nacional de Meio Ambiente
UESB – Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia.
V/C – Vitória da Conquista
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LISTA DE FIGURAS

Figura 01 – Perfil Esquemático da Vegetação da Serra do Periperi


Figura 02 – Latossolo Vermelho-Amarelo Álico da Serra do Periperi – V/C
Figura 03 – A Invasão da Expansão Urbana na Serra do Periperi – V/C
Figura 04 – Tempo de moradia na Serra
Figura 05 – Renda Salarial dos moradores da área em estudo.
Figura 06 – Percentual de Moradores com fogão de lenha em casa.
Figura 07 – Morador do bairro Pedrinhas em V/C Carregando lenha
proveniente da Serra do Periperi
Figura 08 – Criança transportando galho no Bairro N.S.ª Aparecida – Serra do
Periperi – V/C
Figura 09 – Moradores com fogão de lenha em casa
Figura 10 – Uso do fogão à lenha no cotidiano periférico de V/C, Bairro N.S.ª
Aparecida
Figura 11 – Paisagem Urbano-Rural no alto do Periperi – V/C
Figura 12 – Processo erosivo da extração de areia – V/C
Figura 13 – Extração Mineral na Serra do Periperi – V/C
Figura 14 – Corte Verticla da Serra do Periperi no anel viário – V/C
Figura 15 – Usina de Asfalto na Serra do Periperi – V/C
Figura 16 – Impacto Ambiental acelerado pela infra-estrutura V/C
Figura 17 – Importância da preservação da Serra do Periperi – V/C
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RESUMO

Na contemporaneidade as questões sobre o meio ambiente se apresentam


como um dos problemas mais urgentes a serem resolvidos sendo foco de
discussão em todas as cúpulas mundiais de desenvolvimento humano,
educação e saúde. Tal preocupação é fonte de trabalho de autores renomados
como Drew (1994), Sacarrão (1991), Walter (1986) entre outros autores que
influenciaram a desenvolver no município de Vitória da Conquista uma pesquisa
acerca da Serra do Periperi Impactada pela Ação Humana. Assim este trabalho
teve por objetivo detectar os tipos de impactos que estão ocorrendo com a
Serra, bem como analisar os problemas que estes podem causar para a
comunidade local e até mesmo para a população de Conquista como um todo.
Foram realizadas entrevistas juntos aos órgãos ambientais que atuam no
município, além de aplicação de questionários para os moradores dos bairros
no entorno da área em estudo, cujas respostas foram tabuladas, e
transformadas em gráficos com o recurso do programa excel. Também foram
utilizadas fotografias que corroboram as informações do texto. Com auxilio
dessas, os problemas ambientais detectados foram agrupados em dois tipos, os
da ordem de sobrevivência: retirada de lenha para o abastecimento do fogão,
retirada da vegetação para criação de gado, e os de ordem comercial: retirada
de vegetação para dar lugar às pistas do anel viário e o uso do espaço físico
onde encontra-se assentada a usina de asfalto da Prefeitura. Por sua vez, este
desmatamento causa transtornos como deslizamento de terra, surgimento de
voçorocas e inundação no centro da cidade no período de chuva. Diante deste
quadro os órgãos competentes juntamente com a população conquistense
vêem-se desafiados a buscarem caminhos alternativos para o desenvolvimento
sócio-econômico da população da área em estudo, os quais respeitem o padrão
de sustentabilidade da natureza.

Palavras – chave: Vegetação – Impactos – Sustentabilidade.


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1.0 INTRODUÇÃO

Os impactos ambientais são causados por modelos de


desenvolvimento, tanto o capitalista como o socialista, que encaram a natureza
apenas como inesgotáveis fontes de energia e de matérias-primas e como
receptáculo dos dejetos produzidos por sua cidades, indústrias e atividades
agrícolas. Todos esses impactos foram provocados porque a natureza era vista
apenas como fonte de matérias-primas e de lucros.
A partir da década de 1970, com a realização da conferência de
Estocolmo, a humanidade passa a ter uma conscientização ecológica
preocupando-se com os danos que os impactos ambientais podem causar a
Terra.
Tal preocupação não tange apenas a questão da preservação da
natureza, por razões de civilidade e altruísmo planetário, mas, sobretudo, pela
própria sustentabilidade do planeta e no seu bojo, da civilização humana a fim
de que a vida do homem na face da Terra seja preservada saudável, digna e
produtiva.
A leitura destas questões realizada hoje em dia pela perspectiva da
ciência revela e destaca o aspecto das avarias e danificações físico-químicas
sobre a natureza por interferência inadvertidas e até impensadas do ser
humano.
Nota-se que a ação do homem sobre a natureza tem sido discutida
por vários estudiosos entre eles: Drew (1994), Guerra (1996), Odum (1986) de
diversas áreas do conhecimento, fazendo com que aguçasse a originalidade
10

para desenvolver uma pesquisa acerca da Serra do Peripeiri impactada pela


ação humana no município de Vitória da Conquista – Ba.
Neste trabalho foram coletados dados na área de estudo, por meio
de observações realizadas em campo, imagens fotográficas da área, pesquisas
bibliográficas e em documentos da Secretaria Municipal de Meio Ambiente –
SEMMA, além das informações obtidas por meio da aplicação de questionário
aos moradores dos bairros que circundam a região em estudo.
A constatação de certos problemas ambientais tais como:
crescimento desordenado do Município de Vitória da Conquista – Ba,
devastação das matas, extração de areia, falta de saneamento báscio e outros,
levaram à algumas indagações:
Por que a Serra do Periperi é palco de tantos problemas ambientais?
Quais são as principais conseqüências trazidas para esta região em
função da ação antrópica realizada nesta localidade?
De que maneira a destruição da cobertura vegetal tem influenciado na
estrutura sócio-econômica da população da área em estudo?
Quais medidas as autoridades locais vem tomando para sanar os
problemas de impactos ambientais existentes na serra?
Diante dessas questões, faz-se necessária que se cumpra os objetivos
desta monografia, averiguando os tipos de impactos que a Serra do Periperi
vem sofrendo em função da ação humana sobre a mesma, além de analisar os
problemas que os impactos ambientais que ocorrem na Serra do Periperi
podem causar para os moradores dos bairros que circundam a serra bem como
à população conquistense.
Mediante esta analise a população residente no entorno da área em
estudo, bem como a sociedade conquistense juntamente com as autoridades
locais, vêem-se desafiados a buscar caminhos alternativos para encontrar uma
forma de desenvolvimento econômico e social para o entorno de Serra do
Periperi, que diferentemente do padrão atual interfira de modo responsável na
natureza.
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2.0 REFERENCIAL TEÓRICO

2.1 A Serra do Periperi Impactada pela Ação Humana.

Na atualidade os estudos ambientais estão em evidência, pois há uma


necessidade em saber lidar adequadamente com o meio ambiente. Sabe-se
que as civilizações mais antigas viam a natureza como sinônimo de Deus, pois
estes adoravam a mesma deixando-a praticamente inalterada, o que difere do
homem atual que muitas vezes racionalmente, fazem o uso da natureza de
forma inadequada.
Estudiosos como Drew(1979), Guerra(1996), Rawitscher(1979),
Rizzini(1976), Odum(1986), Walter(1986) dentre outros que se destacam por visões
analítica e bibliográfica consagradas enfocam aspectos do ambiente, como
ecossistemas, vegetação, flora e modificações ambientais a nível mundial e do
Brasil. Alguns destes estudiosos contribuíram para despertar o interesse no
esclarecimento de questões sobre a dinâmica no espaço físico e do
ecossistema, abordados por alguns ecológos, geógrafos e demais profissionais
das ciências afins. Sendo assim, estes autores foram utilizados nos estudos
referentes a Serra do Periperi impactada pela ação humana. Desta forma, faz-
se necessário tecer comentários a despeito das metamorfoses que o espaço
habitado vem sofrendo em função da atuação humana.
Espaço habitado e ecúmeno são sinônimos. Essas expressões fazem
parte da linguagem da geografia e das outras disciplinas que estudam o
território, mas já invadiram o vocabulário do homem comum.Como já dizia há
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anos,o grande geográfico Maximilien Sorre , “o fato capital é a ubiqüidade do


homem” capaz de habitar e explorar os mais recônditos lugares do planeta.
Poder-se-á, sem dúvidas, lembrar as viagens interplanetárias e o passeio do
homem sobre a Lua, como conquistas recentes do gênio da espécie. Mas a
Terra segue sendo a morada do homem.
A Questão do espaço habitado pode ser abordada segundo um ponto
de vista biológico, pelo reconhecimento da adaptabilidade do homem como
indivíduo, às mais diversas altitudes e latitudes, aos climas mais diversos, às
condições naturais mais extremas. Uma outra abordagem é a que vê o ser
humano não mais como indivíduo isolado, mas como um ser social por
excelência. Pode-se assim, acompanhar a maneira como a raça humana se
expande e se distribui, acarretando sucessivas mudanças demográfica, raciais
e ambientais em cada continente (mas também em cada país, em cada região e
em cada lugar). O fenômeno humano é dinâmico e uma das formas de
revelação desse dinamismo está exatamente, na transformação qualitativa e
quantitativa do espaço habitado.
As cidades, por exemplo, refletem, expressam e reproduzem
(ampliadamente) as contradições da sociedade de quem as constroem.
Segundo Milton Santos(1997, p.42), o meio urbano é cada vez mais um meio
artificial, fabricado com restos de natureza primitiva crescentemente encobertos
pelas obras dos homens. Ele ainda diz que: pela produção o homem modifica a
natureza primeira, a natureza bruta, a natureza natural, socializando, dessa
forma, aquilo que Telhard de Cliardim(1997, p.163), chamava de ecossistema
selvagem. É por essa forma que o espaço é criado como natureza segunda,
natureza transformada. Essas transformações dão-se muitas vezes em
condições ambientais ultrajantes que podem causar agravos á saúde física e
mental das populações. Deixa-se de entreter a natureza e cria-se a natureza
hostil.
O exame do que significa, em nossos dias, o espaço habitado, deixa
entrever, claramente, que atingiu-se uma situação limite, além da qual o
processo destrutivo da espécie humana pode torna-se irreversível.
O espaço habitado se tornou um meio geográfico completamente
diverso do que fora na aurora dos tempos históricos. Não pode ser comparado,
qualitativa ou estruturalmente, ao espaço do homem anterior à Revolução
Industrial. Neste período o quadro orgânico natural, foi então substituído por
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uma vasta anarquia mercantil. Agora o fenômeno se agrava, na medida em que


o uso do solo se torna especulativo e a determinação do seu valor vem de uma
luta sem trégua entre os diversos tipos de capital que ocupam a cidade e o
campo.
Segundo Sewell(1978, p.48), os habitantes urbanos têm testemunhado
a marcha inexorável dos subúrbios para as outrora férteis fazendas, florestas e
terras pantanosas. Estradas, “centros de compras”, fábricas e prédios de
escritório tem proliferado juntamente com o desenvolvimento habitacional. Tais
fatores podem contribuir para a alteração do solo e da vegetação de uma
determinada região.
O solo é um recurso natural básico e fundamental, este levou milhões
de anos para se formar. Ele é o resultado do processo de desintegração e
decomposição das rochas devido ao intemperismo - a ação de agentes físicos
(calor/frio; gelo/degelo), químico (água) e biológicos ou orgânicos (animais e
vegetais).
As transformações nas rochas continuam até hoje, mas tão lentas que
nem percebemos, pois são necessários séculos para que se forme um
centímetro de solo. No dizer de Dukoutchaiev, solo é:
...um corpo natural completamente diferente do mundo mineral,
vegetal e animal, sendo no entanto um mundo vivo, pois um solo
pode ser jovem (incompleto na sua formação), adulto (bem formado),
velho e morto (fóssil) (In Guerra 1980, p.398).
Dessa forma, entre os fatores responsáveis pela formação do solo
incluem-se o clima, a rocha matriz, os elementos orgânicos, além da topografia,
ou seja, a inclinação do terreno. Conforme o local, alguns desses fatores podem
ter maior ou menor influência na formação dos solos. É justamente essa
variação na influência dos fatores que ocasionam a diversidade dos tipos de
solo.
No lento processo de formação do solo vão surgindo camadas com
características diferentes: são os horizontes do solo. O conjunto dos horizontes
do solo, desde a superfície até a rocha matriz que lhe deu origem ou rocha não
alterada é denominado perfil do solo. Os solos maduros ou bem desenvolvidos
apresentam basicamente quatro horizontes, identificados por letras maiúsculas
onde o horizonte O é representado pelas camadas de restos orgânicos; o
horizonte A pelas perdas de argilas, ferro ou alumínio; o horizonte B é o de
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acumulação; o horizonte C pela rocha matriz fragmentada e finalmente o R pela


rocha mãe.
Dado o seu caráter altamente genérico e às amplas variações
existentes nos tipos de solos, estes necessariamente foram classificados em
categorias distintas:
... zonais que compreendem aquele que o principal elemento
responsável é o clima; ... intrazonais que correspondem àqueles
cujas características indicam as influências preponderantes do relevo
local ou da rocha de origem; e azonais que referem àquelas cujas
características não apresentam bem desenvolvidas..." (COELHO,
1992 p.44).

O homem ainda não conseguiu alterar conjuntos completos de grupos


de solos zonais, a ponto de ser impossível reconhecê-los, como fez com a
vegetação. No entanto, alterar a vegetação para fins agrícolas ou florestais,
com a conseqüente mudança no micro e macro clima, leva inevitavelmente à
modificações nas propriedades do solo, em face da estreita relação causal dos
três aspectos
A ação do homem tem de ser acrescida à lista de fatores que
determinam o caráter do solo, visto que ela assume, pelo menos a nível local,
maior significado que todos os demais fatores em conjunto.
A erosão parcial ou total é indubitavelmente o mais negativo dos efeitos
do homem sobre o solo. Em ambiente de equilíbrio delicado é muito mais fácil
ocorrer erosão catastrófica, pois o solo é facilmente erodível. Ao promover a
erosão, o homem está efetivamente encurtando a duração geomorfológica e
acelerando um processo natural. O uso de fertilizantes químicos, tem afetado a
sua composição química embora sejam usados na tentativa de conservação ou
melhora da fertilidade da terra. Logo, pode-se afirmar que: "se aplicarem
fertilizantes por muito tempo, a química do solo fica muito simplificada" (DREW,
1994, p.51). Sendo assim, há de se contribuir para o desencadeamento de
mudanças na estrutura do solo e conseqüentemente de sua paisagem vegetal.
Cada região é caracterizada pelo aspecto e pela composição de sua
vegetação onde podemos reconhecer traços que são comuns e outros que se
distinguem em diferentes áreas. O conjunto das espécies que constituem as
grandes formações de vegetação é distinta dos diferentes continentes. Existem
certas espécies ou gêneros, ou mesmo famílias que são específicas para certas
regiões, países ou continentes, faltando em outros. Tais especificidades
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serviram de subsídio para que alguns botânicos e fitogeógrafos realizassem


uma divisão em regiões fitogeográficas tais como:
Holártica, corresponde às superfícies de continentes e ilhas das zonas
temperadas e frias do hemisfério norte, aproximadamente do paralelo 30º N até
o pólo. Estão presentes aí florestas de coníferas, caducifólias, pradaria, tundra
e semideserto, onde destacam-se as famílias: betalácea, salicácea,
ranunculácea, saxifragácea, apiácea, primulácia e campanulácia, dentre outros.
Em função das estreitas relações existentes entre América do Norte, Europa e
Norte da Ásia durante o Terciário, gêneros e espécies desta Região Holártica
apresentam certa uniformidade sobre todo este extenso território.
Paleotropical, refere-se às tropicais do velho mundo, onde se destacam
as florestas tropicais, de monção (estacionais), bosques xerofíticos e savanas.
Encontram-se aí famílias pantropicais como arecácea (palmeiras), arácea,
zingiberácea, lourácea, mirtácea, melastomatácea, euforbiácea, piperácea,
asclepediácea, e as endêmicas pandanácea e depterocarpácea.
Neotropical, possui quanto ao clima e formação vegetais,
características semelhantes à Paleotropical e a flora está representada pelas
famílias pantropicais citadas anteriormente e pelas endêmicas cactácea,
bromeliácea e canácea.
Capense, é a menor de todas as regiões em extensão, restringe-se ao
Cabo da Boa Esperança, costa africana, que apresenta vegetação arbustiva
esclerófila, totalmente distinta do restante do continente e onde se destacam as
famílias proteácea, aizoácea, mirtácea, e o gênero Erica com mais de 450
espécies.
Australiana, é caracterizada por um grande deserto na porção central
do continente, com estepes ao norte e formações lenhosas esclerófilas ao sul,
ocorrendo ainda florestas tropicais ao norte e a leste. São freqüentes as
famílias mirtácea, cujo gênero Eucalyptus apresenta mais de 500 espécies.
Outras famílias também encontradas são proteácea e casuarinácea.
Antártica, envolve terras do sudoeste da América do sul, com bosques
montanos úmidos, ricos em musgos, fetos e turfeiras, ilhas subantárticas,
Antártida e por alguns estudiosos também a Nova Zelândia. Sua flora apresenta
disjunções interessantes, indicando que no passado foi muito mais rica e que
estendia-se circumpolarmente até outras latitudes e tem nos gêneros
Nothofagus (fagácea) e Azorella (umbelífera) seus principais representantes.
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Oceânica, refere-se aos oceanos em geral dando ênfase à flora


macroscópica (algas) e aos fitoplânctos.
Vale ressaltar que o termo vegetação não deve ser confundido com
flora, pois vegetação trata-se de agrupamento de vegetais reunidos em uma
área como por exemplo: Floresta Ombrófila Densa, Savana - Estépica, etc.
Enquanto flora refere-se aos indivíduos que compõem a vegetação, como
sapucaia, mandacaru e outros.
Os vegetais não vivem isolados, mas em comunidades, que podem ser
agrupadas em arbóreas ou florestas, herbáceas ou campestres, de regiões
alagadas ou palustres e a vegetação dos desertos com adaptações xerófitas.
As formações vegetais que se desenvolvem nas diversas regiões do
planeta recebe influências das condições climáticas (temperatura, umidade, luz
solar), condições pedológicas (solo), da altitude e da forma do relevo. Portanto,
diante da diversidade dos tipos climáticos, das formas de relevo e dos solos que
a superfície terrestre apresenta, sua paisagem vegetal será também bastante
variada. Cada espécie vegetal absorve elementos distintos do solo, suas raízes
atingem profundidades diferentes, umas são ricas em amidos e proteínas,
outras em celuloses e ligninas, pobres ou ricas em cálcio, acumulam ou não
determinados minerais, são mais ou menos exigentes quanto as condições
ambientais, desenvolvem-se com um mínimo de substâncias nutritivas ou não,
ciclo de vida curto ou longo. A manutenção e perpetuação dos vegetais
depende de alguns fatores e de agentes polinizadores (transportadores de
grãos de pólen) como o vento e os animais, e entre estes, principalmente os
pássaros, insetos e morcegos.
As plantas podem mudar as condições locais de um ambiente, ou seja,
após a derrubada, a vegetação primitiva é descaracterizada. Dessa forma o
ambiente é logo modificado. O solo desnudado dará origem a uma sucessão
vegetal que terá etapas diferentes de acordo com o tempo. A vegetação
secundária que surge reflete sempre, e de maneira bastante uniforme, o
parâmetro ecológico do ambiente. Dessa forma, nas palavras de
Rawitscher(1976, p.357) observa-se que:
... primeiramente crescem árvores de luz depois da derrubada de
matas. Essas árvores de luz preparam a sombra e o húmus
necessários para o crescimento das plantinhas mais exigentes que
vão recompor a mata definitiva” (1976, p. 357).
17

Assim estabelecem-se primeiro as associações de plantas de luz que


em seguida são substituídas por plantas de sombra. Tal substituição por outras,
é denominada sucessão vegetal. Esta sucessão obedece a um ritmo de
recuperação do solo degradado pela ação predatória do homem. A sucessão
vegetal passa por quatro ou mais fases até chegar ao clímax, o que dificilmente
ocorre, devido a ação antrópica, mas deve-se ressaltar que este estágio ocorre
em algumas regiões.
A vegetação e os solos fazem parte de conjuntos de elementos vivos e
não vivos que se interrelacionam e dão origem ao que chamamos de
ecossistema.
Dentro do ecossistema os elementos vivem em uma simetria
característica da própria natureza, onde cada ser possui sua função e a sua
respectiva importância, de modo que a relação aí existente é fundamental para
manter o equilíbrio. Sendo assim, considera-se o ecossistema como a unidade
funcional básica na qual incluí-se tanto os organismos viventes como o
ambiente não vivente, sendo que cada qual influenciando nas propriedades do
outro, e ambos necessários para a manutenção da vida tal como a temos no
mundo. Nas palavras de Sacarrão (1998, p.32/33), temos:
... ecossistema é uma comunidade de seres vivos em íntima
interação entre si e com o ambiente em que vivem... o termo
ecossistema radica-se num ponto de vista holístico, segundo o qual
todos os seres vivos e o ambiente físico funcionam como um todo
obedecendo as leis físicas e biológicas bem definidas (1998,p.
32/33).
Num ecossistema existe um relativo equilíbrio de fatores naturais
entendidos como catástrofes; e outros entendidos como antrópicos, podendo
estes acontecerem na perspectiva de conservação ou degradação. Para tanto
considera-se que os ecossistemas menos ricos em espécies são mais fáceis de
serem desequilibrados.
Os desequilíbrios de elementos que compõem o ecossistema como o
solo e a vegetação podem se dar por meio de lixiviação, erosões, movimentos
de massa e cheias, que podem ocorrer com ou sem a intervenção humana.
Dessa forma:
... ao se caracterizar processos físicos, como degradação ambiental,
deve-se levar em consideração critérios sociais que relacionam a
terra com seu uso, ou pelo menos, com o potencial de diversos tipos
de uso" (GUERRA, 1996, p. 342).
O estudo da degradação ambiental não deve ser realizada apenas sob
o ponto de vista físico. Na realidade, para que o problema possa ser entendido
18

de forma global, integrada, holística, deve-se levar em conta as relações


existentes entre a degradação ambiental e a sociedade causadora dessa
degradação que, ao mesmo tempo, sofre os efeitos e procura resolver,
recuperar, reconstruir as áreas degradadas.
Alterações prejudiciais ao ambiente resultantes das atividades
humanas acabaram por redundar na atual concepção "ecológica", na qual o
homem não passa de um mero componente do ecossistema geográfico. Hoje
em dia a relação do homem com o meio está chegando a uma situação crítica
na medida em que as mudanças por ele realizadas talvez se tornem
irreversíveis.
Quando o homem provoca uma alteração no seu ambiente, visa
normalmente um fim imediato e obvio como é o caso da construção de uma
casa. Mas a mudança não se resume a isso. A construção irá alterar
parcialmente o clima circundante, e o clima modificado alterará o caráter do
solo e da vegetação vizinha e por sua vez a mutação do solo e da vegetação
redunda em alterações posteriores do clima local.
No entanto, a natureza das mutações que o homem impõe à superfície
da Terra está condicionada por vários fatores que operam em equilíbrio
dinâmico. À medida que a sofisticação política-econômica e tecnológica
aumenta, cada vez menos se torna previsível o comportamento do homem em
relação ao ambiente em termos de fatores "naturais".
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3.0 PROCEDIMENTOS METODOLÓGICOS

Para a realização desta pesquisa, foi utilizado o acervo bibliotecário da


Uniervsidade Estadual do Sudoeste da Bahia – UESB, além de consultas na
internet, ao mesmo tempo em que foram aplicados em campo questionário a
fim de coletar informações sobre a área em estudo.
Buscando melhor embasar o trabalho, foi utilizado o Projeto
RADAMBRASIL(1981), onde foram retiradas informações pedológicas,
geológicas, geomorfologicas e fitogeográficas da Serra do Periperi. Nesta parte
da pesquisa foram utilizados os mapas deste projeto na escala de 1:25.000
referentes aos temas citados, daí foram extraídas informações acerca da
vegetação.
Vale ressaltar que para analisar a ação antrópica nesta localidade foi
necessária a observação e interpretação da paisagem da referida área. Neste
momento da pesquisa foram aplicados 20(vinte) questionários para a população
residente no local com o objetivo de conhecer que tipo de atividades estas
pessoas desenvolvem na serra, renda familiar, o nível de conscientização
ambiental dentre outros.
Ainda foram realizadas, com os órgãos que trabalham com questões
ambientais em Vitória da Conquista, entrevistas com o objetivo de obter
informações sobre medidas coercitivas bem como preventivas que estão sendo
aplicadas e até mesmo implantadas neste município. Assim foram entrevistados
os seguintes órgãos: SEMMA, SEMARH e IBAMA.
20

Os dados coletados na pesquisa de campo e na entrevista com os


órgãos ambientais foram agrupados, trabalhados estatisticamente e
transformados em gráficos e/ou tabelas, com auxilio do programa excel. Os
dados foram cruzados e comparados, além disso, foram utilizadas fotografias
para corroborar os fatos relatados nas entrevistas, questionários com as
observações feitas in loco.
21

4.0 RESULTADOS E DISCUSSÃO

4.1 Aspectos Históricos

“O Município de Vitória da Conquista está localizado na região


Sudoeste da Bahia
, tendo como coordenadas geográficas 14° 50’ 53” de latitude sul e 40°
50’ 53” de longitude oeste. Segundo IBGE – Censo 2000, possui uma extensão
territorial de 3.204 km², destacando-se como a terceira maior cidade em
extensão territorial da Bahia.
No seu aspecto histórico, sua ocupação territorial iniciou-se no final do
século XVIII, de acordo com os interesses dos colonizadores provenientes da
Coroa Portuguesa. Serviu como elo de ligação entre o litoral e o sertão, e o
crescimento da cidade aconteceu no sentido norte/sul, onde se observa, o
processo de desflorestamento de vegetação nativa, para atender ao
assentamento das primeiras famílias (Ferraz, in plano de manejo do Parque
Municipal da Serra do Periperi – V/C), que no decorrer do tempo apropriaram
dos recursos naturais existentes na encosta da Serra do Periperi; incluindo os
recursos hídricos oriundos da nascente do rio Verruga, na utilização para o
abastecimento da então Vila da Vitória.
Ao longo do processo de desenvolvimento da cidade, os recursos
naturais foram explorados de forma aleatória de acordo com os moldes do
sistema capitalista, com intensa exploração, em nome do crescimento sócio-
econômico.
22

Segundo Silva e Santos (1998, p.139), no que tange a Serra do


Periperi, objeto de estudo desta pesquisa localiza-se no Planalto de Vitória da
Conquista o qual em sua maior parte é coberto pela Floresta Estacional
Decidual. As cotas altimétricas, de 300 a 1.000 m de altitude, variam
consideravelmente desde residuais, correspondendo ao topo dos planaltos, até
fundo de vales que se encontra quase no mesmo nível da depressão. Este
planalto apresenta relevo muito movimentado, resultante da intensa dissecação
que esculpiu a vertente do mesmo. As vertentes são íngremes, com inclinação
de 30º a 45º. Toda a área da unidade apresenta expressa camada de alteração
da rocha.
A vegetação primitiva de mata foi retirada. Seus remanescentes só
podem ser observadas nos topos, enquanto as encostas transformadas em
pastos, são recobertas apenas por gramíneas.
A região do Planalto de Vitória da Conquista apresenta clima variado,
podendo destacar a presença de áreas com o clima sub-úmido à semi-árido. No
que se refere a vegetação dessa região, existe uma variação onde áreas
apresentam predominância da caatinga e outras de matas tropicais formando
ecossistemas distintos.
Pode-se observar que o Planalto apresenta solos diferentes, como:
latossolo vermelho-amarelo distrófico, podzólico vermelho-amarelo eutrófico,
fragmentos rochosos de areia quartzosa.
"Estes solos acumulam grande quantidade de água
durante a época das chuvas, razão pela qual não
chegam a secar completamente durante o período
de seca. É esta a condição essencial que possibilita
o crescimento das floresta de folhas caducas..."
(WALTER, 1986:74).
Estes tipo de florestas é predominante no Planalto de Vitória da
Conquista, cujas características são semelhantes aos da Floresta
Semidecidual, variando o período seco que é maior e, consequentemente, a
percentagem da decidualidade foliar dos seus indivíduos dominantes passa a
ser de 50% ou mais na época desfavorável. A submata é também decidual, e o
número de formas biológicas terófitas, geófitas e hemicriptófitas é grande,
principalmente a quantidade de plantas graminóides. Essa formação é
caracterizada principalmente pela Cavanillesia Sp e Goniorrhachis marginata
que possuem ampla dispersão.
23

4.2 Clima, Litologia e Geomorfologia

Na região do Planalto de Vitória da Conquista, atuam três sistemas de


circulação atmosférica: sistema de circulação de onda de leste, sistema de
circulação da frente polar e sistema de circulação oeste.
De acordo com Silva e Santos (1998, p.139), o sistema de leste é
representado por correntes de perturbação que caminha de leste para oeste.
São típicas de zonas tropicais atingidas pelos alísios. Embora esse fenômeno
não seja suficientemente estudado para dele ter um conhecimento mais exato,
sabe-se no entanto, que eles ocorrem no seio dos anticiclones tropicais sob a
forma de pseudo frentes, ou seja, pequenas depressões frontais causadas por
chuvas mais ou menos abundantes.
O sistema de sul é representado por invasões de frentes. Tais
descontinuidades barométricas, oriundas da oposição entre os ventos
anticiclones de massa polar e da massa tropical, poucas vezes consegue
ultrapassar o Trópico de Capricórnio durante a primavera e o verão, quando
consegue, o fazem ao longo do litoral, raramente ultrapassando o paralelo de
15º de latitude sul, (id).
Ainda de acordo com estes autores o sistema de oeste é representado
por "linhas" de Instabilidade Tropicais (IT), formadas por alongadas depressões
barométricas induzidas em dorsais de altas tropicais. No seio de uma linha de
IT o ar em convergência acarreta geralmente, chuvas e trovoadas, por vezes
granizo e ventos moderados a fortes, com rajadas que atingem 60 a 90
km/hora. Sua origem parece estar ligada ao movimento ondulatório que se
verifica na frente polar ao contato com ar quente da zona tropical.
Conforme estudo realizado nesta cidade: A Relação Solo/Vegetação no
Planalto e nas Encostas de Vitória da Conquista, no que diz respeito às
condições climáticas nas áreas em estudo, estas apresentam variações. A
temperatura média anual na Serra do Periperi está em torno de 20ºC. A
temperatura máxima absoluta em todas as áreas oscilam de 36º à 38ºC,
enquanto que a temperatura mínima absoluta variam de 4º a 8ºC. No que tange
à precipitação anual, oscila entre 750 e 1.000 mm. Devido as características
apresentadas infere-se que o clima da Serra do Periperi é classificado como
clima tropical subquente semi-úmido, cuja duração do período seco é de 4 a 5
meses.
24

Através de levantamentos bibliográficos na UESB pode-se observar


que a formação geológica da área em estudo é basicamente composta por
coberturas detríticas.
A unidade de coberturas detríticas é constituída por terrenos tabulares,
com textura lisa dispostas discordantemente sobre unidades litoestratigráficas
pré-cambrianas, mesozóicas e cenozóica (formação barreiras).
O material terrígeno que forma os platôs elevados, como por exemplo,
de Vitória da Conquista, não pode ser designado com precisão como
sedimentos pois não apresenta quaisquer evidências dos mecanismos
formadores, sejam hidro ou pneumodinâmicos. (RADAMBRASIL, 1981:122).
As coberturas existentes no Planalto de Vitória da Conquista, segundo
Ghignome in PROJETO RADAMBRASIL (1981, p.122), que apresentou estudos
dos sedimentos fanerozóicos do Estado da Bahia menciona que:
"as coberturas que ocupam grandes
áreas do interior do estado, notadamente os
extensos planaltos terrígenos de Vitória da
Conquista, Poções e outros, necessitam de um
melhor estudo para se conhecer sua idade exata".

As coberturas representativas desta unidade, encontram-se bem


expostas nos Planaltos de Vitória da Conquista e Maracás, bem como
associados à Chapada Diamantina, notadamente a que se desenvolve no
centro da Anticlinal de Seabra. A unidade TQd, litologicamente, e variável,
dependendo do local onde esteja situada. Na região da Chapada Diamantina,
estes depósitos são essencialmente arenosos de granulação média e em geral
subarredondadas. As coberturas sobre os calcários formam às vezes espessas
camadas sílticas argilosas, amarelas ou vermelhas com freqüentes termiteiros.
Nas demais áreas encontra-se representada por uma capa de material
amarelado conglomerático, detrítico mal consolidado, contendo lentes finas de
arenitos e conglomerados quartzosos, horizontalmente estratificados. Depósitos
residuais e coluvionares sílico-ferruginosos, também ocorrem associados, com
espessura variável. Localmente, na parte basal, são observados seixos
angulosos e subangulosos de quartzo e feldspatos com dimensões em torno de
2cm, em uma camada de 10 a 20cm de espessura, aumentando para o topo as
dimensões dos seixos e a uniformidade no tamanho (op. cit).
No que se refere à geomorfologia da área de estudo, nos Planaltos
Inumados integram-se relevos tabuliformes desenvolvidos sobre áreas de
depósitos continentais detrítico-sedimentares do Cenozóico, os quais
25

sotopõem-se e mascaram feições estruturais típicas de outros domínios


correspondendo neste estudo a áreas da Serra do Periperi.
A vegetação da Serra do Periperi faz parte da Floresta Estacional
Decidual Montana, predomina uma vegetação secundária bastante alterada
pela ação antrópica, sendo ocupada por construções. É importante frisar que
grande parte da Serra do Periperi constitui um ecótono entre a floresta
estacional decidual e a savana (cerrado) (RADAMBRASIL 1981, p.122).

1.000

600

100
10
0
1- Aluvial 2-Terra 3-Submontanhas 4- Montanha Ilustração de Regina Julianele
Figura 01 – Perfil Esquemático da Vegetação da Serra do Periperi

A floresta estacional decidual é caracterizada por árvores que guardam


maior distância entre si. Os troncos, de menor altura, tem cascas geralmente
mais grossa que a floresta ombrófila densa e sustentam ramos robustos e mais
ou menos retorcidos; as copas revelam-se amplas, ralas e esgalhadas,
ramificando-se no tronco, muitas vezes, desde baixo. Ocorre também duas
estações climáticas bem demarcadas, uma chuvosa seguida de longo período
biologicamente seco. Apresenta na forma de disjunções florestais um estrato
dominante macro ou mesofanerofítico predominantemente caducifólio, com
mais de 50% dos indivíduos despidos de folhagem no período desfavorável. A
estratificação da comunidade não costuma ir além de três camadas. Abaixo do
andar superior, descontinuo, há uma submata arbóreo-arbustiva bastante densa
e, sob esta, um estrato herbáceo pobre. Na região, esta floresta é conhecida
como “mata de cipó”. É composta de mesofanerófitas parcialmente caducifólias
e dominadas por ecótipos da família leguminosae, destacando-se o genero
parapiptadenia. A maior parte dos ecótipos formadores desta disjunção,
regularmente, são envolvidos por linhas lenhosas com folhagem sempre verde
26

que conferem a esta formação uma falsa aparência na época


desfavorável(ibid).

4.3 Características Pedológicas

A partir de pesquisas e análises cartográficas realizadas pôde-se


constatar que na Serra do Periperi há o predomínio de solos do tipo latossolo
vermelho-amarelo álico (figura 02), bem como em todo planalto cujo relevo é
predominantemente plano com suaves ondulações.

Figura 02. Latossolo vermelho-amarelo álico da Serra do Periperi - V/C

Morfologicamente apresenta cor amarelada homogênea em


profundidade e pode apresentar textura média ou argilosa ou muito argilosa
(Silva 1998, p.139). Onde ocorre relevo plano ou suavemente ondulado
permite facilmente a mecanização agrícola, embora há limitações de ordem
química em profundidade que restringem o desenvolvimento do sistema
radicular. Em geral apresenta baixa quantidade de água disponível às
plantas e além do mais, em condições naturais constata-se baixos teores de
fósforo. Outra limitação, refere-se à compactação, não só se a textura for
27

média e especialmente se o teor de areia fina for alto. Ocorre também nesta
área a presença subdominante do solo Latossolo Vermelho-Amarelo
distrófico, com horizonte A moderado de textura argilosa em relevo
suavemente ondulado.
28

5.0 A AÇÃO ANTRÓPICA SOBRE A SERRA DO PERIPERI.

5.1 O Homem e o Usufruto na Serra do Periperi

É reconhecido que o crescimento e o desenvolvimento econômico


alteram os sistemas naturais, embora não se deva por em risco tais
sistemas, como a atmosfera, a água, os solos e os seres vivos.
Na Serra do Periperi localizada no município de Vitória da
Conquista, a ação antrópica pode ser vista de forma bem diversificada e
muito acentuada ao longo de toda a extensão territorial que compõe a
mesma. Nesta parte da cidade, o homem não poupou esforços para agir
sobre a natureza, quer seja por uma questão de sobrevivência ou pela
ganância comercial. As marcas do usufruto neste espaço ainda estão
impregnadas.
No que tange o aspecto sobrevivência pode-se começar citando que
é justamente no entorno da Serra do Periperi que se localizam bairros
periféricos que abarcam uma grande concentração de pessoas de baixa
renda. Assim como nas grandes capitais e nos grandes centros do Brasil as
condições de moradias da periferia estão atreladas ao crescimento urbano
desordenado o qual consequentemente provoca muitos danos.
A expansão urbana em Vitória da Conquista vem “engolindo” a Serra
do Periperi de forma avassaladora como pode-se observar na Figura 03.
29

Figura 03: A invasão da expansão urbana na Serra do Periperi – V/C

Fica claro na figura 03 que a paisagem nesta localidade esta sendo


modificada cada vez mais em função de construções de casas em direção ao
topo da serra, Vale lembrar que muitas destas são construções recentes, mas
há aquelas que datam de décadas atrás como pode ser comprovado a seguir
na Figra 04, de tempo de moradia dos habitantes dos bairros em torno da Serra
do Periperi.

31%
Menos de 10 anos
10 à 20 anos
50%
30 à 40 anos
19%

Figura 04 – Tempo de moradia na Serra.


30

Independente do tempo de moradia destes habitantes da serra, pode-


se perceber que a população desta área exerce atividades profissionais as
quais se encaixam no grupo denominado de subemprego. Como pode ser visto
no quadro 01.

Quadro 01: Atividades profissionais desenvolvidas pelos moradores do entorno


da Serra do Periperi.
ATIVIDADES PROFISSIONAIS VALORES (%)
Pedreiro 18,75%
Doméstica 6,25%
Reciclador 6,25%
Dono de Boteco 6,25%
Desempregado 12,5%
Carroceiro 18,75%
Aposentado 18,75%
Extrator de areia 12,5%

Estas atividades, geram rendas baixíssimas não dando condições da


pessoa viver com o mínimo de dignidade com as atividades profissionais por
eles desenvolvidas. Repare na figura 5 que muitos profissionais não
conseguem obter mensalmente valores que possam suprir se quer suas
necessidades básicas como alimentação.

6% 6% 19%

19%

25%
25%

Menos de R$ 50,00 Entre R$50,00 e R$100,00


Entre R$ 100,00 e R$ 200,00 Entre R$300,00 e R$400,00
Entre R$400,00 e R$ 500,00 Entre R$ 500,00 e R$ 600,00

Figura 05 - Renda salarial dos moradores da área em estudo.


Estes dados corroboram a situação econômica dessa população que
vive a margem da miserabilidade, tais fatos fazem com que os moradores desta
região busquem meios alternativos para sobreviver. Justifica-se daí o fato da
31

maioria destes habitantes possuírem em casa fogão a lenha como pode ser
vislumbrado na figura 06.

19%
Possue fogão a lenha

Não possue fogão a


lenha
81%

Figura 06- Percentual de moradores com fogão de lenha em casa.

Os usuários de fogão a lenha usufruem de lenha proveniente da


vegetação da serra como pode ser observado na Figura 07.

Figura 07 – Morador do Bairro Pedrinhas em V/C carregando lenha proveniente da Serra do


Periperi.

Os feixes de lenha geralmente são conduzidos pelos adultos, mas as


crianças não são poupadas desta atividade (Figura 08), sempre que possível,
32

ou quando acham galhos no chão às crianças levam para casa com o objetivo
de ser queimado a posteriori no fogão.

Figura 08 – Criança transportando galho no Bairro N.S.ª Aparecida – V/C.

Segundo os entrevistados, eles não fazem uso da vegetação da serra,


porém no período da pesquisa realizada na área em estudo, por diversas vezes
foram flagrados pessoas com feixes de lenhas nas costas, carrinhos de mão e
até em carroças.
O uso desta lenha é utilizada por boa parte da população da área em
estudo durante o cotidiano, como pode ser analisado na figura 09.

60,00%
50,00%
50,00%

Diariamente
40,00%
Fim de semana
30,00% 25% mensalmente
18,75% Não uso lenha
20,00%
só quando falta gá

10,00% 6,25%
0,00%
0,00%
1

Figura 09 – Moradores com fogão de lenha em casa.


Embora o consumo de lenha seja diário, este não é feito de forma
exorbitante, pois a população usufrui desta matéria-prima não com fins
33

lucrativos, mas como forma de conter despesas uma vez que o botijão de gás
torna-se caro pelo seu padrão de vida. Assim, a lenha é usada para cozimento
de alimentos (Figura 10) como o feijão que é duro e demora em cozinhar,
enquanto que nas casas que possuem o fogão a gás, este é utilizado para fazer
o café, cozimento de arroz e etc. De qualquer forma, o fogão a lenha nunca é
descartado, exceto pela pequena população que possui um padrão de vida
melhor do que a maioria dos entrevistados.

Figura 10 – Uso do fogão à lenha no cotidiano periférico de V/C, Bairro N.S.ª


Aparecida.

A depender do ângulo em que se observa a Serra do Periperi pode-se


surpreender com uma paisagem urbano-rural, pois a luta por uma vida melhor
fez com que um dos moradores construísse em frente ao seu casebre um curral
(Figura 11). Além de ter devastado a área para construir o curral, o pisoteio do
gado sobre o solo pode vir a impactar o mesmo, sem contar que o referido
rebanho alimenta-se da vegetação ali existente.
34

Figura 11 - Paisagem Urbano-Rural no alto do Periperi – V/C.

Saindo da questão sobrevivência e adentrando nos aspectos de


âmbito econômico, pode-se começar citando a questão da extração mineral
sobre a serra que deixou danos irreparáveis como pode ser analisado na
Figura 12.

Figura 12 - Processo erosivo fruto da extração de areia.

Segundo a Secretaria municipal do Meio Ambiente de Vitória da


Conquista – SEMMA, há atualmente 113 trabalhadores com licença provisória
para exercerem atividade de extração mineral sobre a Serra do Periperi, tal
35

atividade é exercida fora do perímetro do Parque Municipal da Serra do


Periperi.
Deve-se lembrar que além dos trabalhadores que são cadastrados, há
aqueles que fazem à extração mineral de forma ilegal. Quanto a estes, não há
como saber a quantidade de areia que os mesmo extraem, já quanto aqueles
estima-se que cada trabalhador extraia 2 (duas) caçambas de areia por semana
(Figura 13), que por sua vez dará uma média mensal em torno de 964
(Novecentos e Sessenta e Quatro) caçambas para todos aqueles que são
cadastrados.

Figura13: Extração Mineral na Serra do Periperi – V/C.

Se forem mantidos os atuais níveis de exploração mineral (areia), em


pouco tempo poderá faltar esta matéria-prima ou até mesmo a serra poderá
desaparecer. Além do mais para este tipo de atividade é necessário a
devastação da vegetação local, comprometendo a sobrevivência da fauna que
faz parte do seu ecossistema. Um outro problema é o não reflorestamento da
área degradada, a qual ficou exposta aos agentes erosivos (Figura 12 e 13)
aumentando os danos ambientais.
Um outro ponto a ser abordado refere-se à infra-estrutura urbana de
Vitória da Conquista que em parceria com o Governo Federal, trabalharam
juntos com o intuito de melhorar o sistema de escoamento de mercadorias na
região, para isto foi inevitável fazer um grande corte na Serra do Periperi por
onde passa o anel viário municipal. Para a efetivação desta obra fez-se
necessário a impermeabilização do solo na referida área o que
36

consequentemente acabou por abalar a estrutura do funcionamento deste


ecossistema, como pode ser observado na Figura 14.

Figura 14 – Corte Vertical da Serra do Periperi no anel viário –V/C.

Pode-se ver ainda na foto que o local por onde passa a rede viária do
anel não foi reflorestado, deixando o solo exposto ao intemperismo. Todavia, é
bom lembrar que o reflorestamento por si só não recupera o habitat natural,
mas ameniza os danos ambientais que ali podem ser causados.
Averigou-se nesta área ao menos um ponto positivo, como o homem
não tem retirado a vegetação que faz margem com a pista do anel, esta vem se
recompondo naturalmente como pode ser reparado na Figura anterior.
Por outro lado, a falta de senso ecológico dos motoristas faz com que
estes joguem detritos e restos de alimentos na mata, que margeiam a pista.
Além disso, há os ruídos dos veículos que ali circulam, todos estes fatores
agregados certamente comprometem o metabolismo da fauna, bem como o
desenvolvimento da flora desta região.
Constata-se também na Serra do Periperi o funcionamento de uma
usina de asfalto a qual é de propriedade da Prefeitura Municipal de Vitória da
Conquista.
A usina está assentada em uma área que foi devastada para o seu
funcionamento, como pode ser corroborado pelo vislumbramento da Figura 15.
37

Figura15: Usina de Asfalto na Serra do Periperi. V/C.

Nesta área há ainda o uso de máquinas pesadas impactando o solo


desta região e para finalizar as atrocidades cometidas, a usina expele
diariamente na atmosfera conquistense fumaça que contribui para a poluição do
ar. Este é o “belo” exemplo ambiental que a Prefeitura Municipal vem dando aos
moradores de Conquista em uma localidade que ao invés de ser degradada
deveria sim, ser preservada.
Deve-se frisar também, que é papel da infra-estrutura urbana fornecer
os seguintes serviços: água encanada, saneamento e esgoto, coleta e
destinação do lixo e etc. Caso estes serviços sejam oferecidos de forma
inadequada pode causar transtornos para a população de uma cidade ou de
bairros específicos como é o caso daqueles que se localizam nas proximidades
da Serra do Periperi.
Se por um lado os moradores destes bairros sentem-se satisfeitos com
o serviço de coleta de lixo o qual é diário, por outro estão insatisfeitos com as
voçorocas provocadas com a instalação da rede fornecedora de água. O fato
desta área ter sido desmatada com o crescimento desordenado da cidade, bem
como a falta de assistência adequada nesta região, faz com que os impactos
sejam sentidos não só nesta localidade mas, também por outros moradores de
Vitória da Conquista, conforme mostra o quadro a seguir.

Quadro 02: Conseqüências da retirada da vegetação na Serra do Periperi.


38

TIPO DE PROBLEMA CAUSADO PORCENTAGEM (%)


Deslizamento de terra na serra 25%
Surgimento de barrocas 18,75%
Falta de chuvas em Conquista 12,5%
Desabamento de casas no alto da serra. 6,25%
Aumento da temperatura em Conquista 12,5%
Aumento do volume da enxurrada no
18,75%
centro da cidade
A retirada da vegetação não provoca
6,25%
danos

Com a retirada da vegetação o solo fica muito mais exposto ao impacto


da chuva, formando ravinas, processo erosivo inicial das voçorocas, que por
sua vez tem acelerado o seu processo de formação (Figura 16) com a abertura
de valetas para encanação do fornecimento de água e para tubulações da rede
de esgoto, estas valetas não foram fechadas após o serviço feito. Estes fatos,
aliados à falta de absorção do solo, faz com que a velocidade do escoamento
da água da chuva seja mais rápida, por isto o tamanho da voçoroca cresce, o
deslizamento de terra aumenta e o volume da enxurrada que desce da serra
acaba alagando o centro da cidade causando outros transtornos.

Figura 16 - Impacto Ambiental acelerado pela infra-estrutura – V/C.


E por fim, coloca-se em cheque o abandono do objeto em estudo, pois
detecta-se entulhos de construções proveniente de diversos bairros de Vitória
39

da Conquista. O entulho é jogado ao meio da devastação da Serra do Periperi,


misturando-se aos pés de mamona que estão crescendo nesta área.
Diante deste quadro, os moradores deste perímetro acreditam que a
vegetação da serra deva ser preservada pelos aspectos mostrados no gráfico
da figura 17.

35,00% 31,25%
30,00%
25,00%
18,75%
20,00%
15,00% 12,50% 12,50%
10,00% 6,25% 6,25%
5,00%
0,00%
1

A natureza fica mais bonita;


Desmatar prejudica a natureza;
Acha importante mas não soube responder;
A serra deve ser cuidada, pois assim o Cristo não fica abandonado;
A natureza fica bonita, mas tem o problema da bandidagem;
A serra não deve ser preservada, pois aumenta o matagal e a bandidagem.

Figura 17 – Importância da preservação da Serra.

Estas expressões foram transcritas na integra, mostrando os


sentimentos dos moradores desta região. Há aqueles que têm medo dos
bandidos que muitas vezes escondem-se dentro da capoeira, mas apenas
6,25% foram incisivos a responder que a Serra não deve ser preservada por
causa da criminalidade (Figura 17).

5.2 A VISÃO DOS ÓRGÃOS AMBIENTAIS

Foram realizadas com os órgãos públicos ambientais que atuam no


município de Vitória da Conquista, entrevistas com o intuito de saber quais
medidas vem sendo tomadas por estes em relação aos problemas ambientais
que ocorrem na Serra do Periperi.
O primeiro deles a ser entrevistado foi a SEMMA, órgão municipal que
atua tanto de forma preventiva como também de modo coercitivo, neste caso
em parceria com a Policia Militar e o Ministério Público.
40

Uma das medidas preventivas tomada pela SEMMA foi a criação do


Parque da Serra do Periperi com uma estrutura que contempla a própria
Secretaria do Meio Ambiente, onde funciona o Módulo de Educação Ambiental
– MEA, cuja finalidade é desenvolver um programa de educação ambiental
visando a sensibilização, mobilização e conscientização da comunidade local,
estabelecendo como prioridade o contingente de professores e alunos da rede
municipal de ensino, principalmente das escolas localizadas nas vizinhanças do
Parque. Deve-se ressaltar que o MEA desenvolve atividades teóricas e práticas
não só com as escolas municipais, mas também com os colégios das redes
estadual e privada, além de entidades civis locais e regionais.
Na sede da SEMMA funciona também o projeto Sala Verde e o projeto
Coletivos Educadores. Ainda sob a tutela desta entidade funciona o Herbário
Sertão da Ressaca, o qual abriga um Viveiro Experimental, onde são realizados
testes de germinação e produção de mudas de essências nativas para uso de
reflorestamento de áreas degradadas. No Herbário estão depositadas cerca de
400 exsicatas de material botânico da Serra em processo de identificação.
Segundo o Senhor Iragildo Silva Pereira, Gerente de Estudos,
Viabilização de Projetos e Promoção da SEMMA, esta realiza a defesa e
fiscalização ambiental do município, desempenha um trabalho em defesa da
fauna e da flora nativas, principalmente no Parque Municipal da Serra do
Periperi coibindo a caça e captura de animais, a retirada de madeira nativa, a
extração de pedra, cascalho e areia, o descarte de lixo e entulho e as tentativas
de invasão e ocupação da Serra. Realiza também a vistoria de
empreendimentos e atividades potencialmente poluidoras a concessão e
licenciamento de alvarás e licenciamento ambiental.
No que tange à penalidade atribuída para aqueles que são flagrados
praticando atividades ambientais ilegais no âmbito do Parque, são tomadas as
seguintes medidas: Notificação da gravidade do problema, a qual é enviada
para os órgãos competentes quando necessário e, de acordo com a sentença
atribui-se a penalidade. Ressaltando que esta funcionalidade ainda não é
executada pelo SEMMA, pois o Código Municipal do Meio Ambiente encontra-
se em trâmite.
Uma das problemáticas encontradas por este órgão em nível de
fiscalização é o seu contingente de fiscais, o qual é insuficiente para o tamanho
do parque, uma vez que a demanda da fiscalização é constante e não uniforme,
41

envolvendo problemas diversos os quais devem ser abarcados pelos 5 (cinco)


fiscais existentes no parque entretanto torna-se difícil tomar conta de toda esta
região, pois 3(três) fiscais são fixos no Poço Escuro e 2(dois) são itinerantes.
A falta de um número maior de fiscais atuando em órgãos ambientais
não é um caso isolado no município de Vitória da Conquista, é uma realidade
brasileira, o que acaba por gerar uma atuação insatisfatória por parte destas
entidades. Mas, na visão do Senhor Iragildo Pereira, a eficácia primeiramente
não advem apenas do Poder Público dos órgãos ambientais, perpassa pelo
coletivo e pela educação ambiental.
Em campo e corroborado pela entrevista, pôde-se vislumbrar que
muitas medidas foram tomadas não só no perímetro do Parque, mas até
mesmo em áreas que pertencem a particulares na serra, além dos bairros que
circundam a mesma, contudo muitos problemas ainda são gerados inclusive
pelos próprios moradores da região do objeto em estudo, podendo ser citado o
acúmulo de lixo, bem como a sua queima a céu aberto entre outros. Segundo o
Senhor Iragildo Pereira são aplicados medidas coercitivas e, sobretudo
preventivas, mas infelizmente estas vão se mesclando aos costumes e perfil da
comunidade, que por sua vez tem grande procedência da zona rural e ainda
soma-se a miserabilidade em que vivem e acabam por não introjetaram os
princípios da educação ambiental. Este ainda frisa que nem sempre os recursos
disponíveis são satisfatórios para tomar as medidas de prevenção.
O segundo órgão a ser entrevistado foi a Secretaria de Meio Ambiente
e Recursos Hídricos – SEMARH, o qual possue em sua estrutura dois órgãos
em funcionamento o Centro de Recursos Ambientais – CRA, e a
Superintendência de Biodiversidade Florestais e Unidade de Conservação –
SFC. O primeiro tem como função fiscalizar e conceder licenciamento ambiental
de empreendimento de potencial poluidor como por ex. mineração, postos de
combustível, indústria de transformação e etc. já o segundo tem como
incumbência autorizar a supressão de vegetação, desenvolvimento florestal e
também o monitoramento das áreas em que está sendo cultivado o eucalipto.
De acordo com o Sr. José Carlos Barreiros, o Coordenador Regional da
SEMARH, a atuação do CRA e da SFC se dá em toda a região Sudoeste, para
isto estes órgãos contam com apenas 7(sete) profissionais dos quais 3 (três)
são fiscais, este numero é insuficiente para atuar com eficácia, mas segundo o
Sr. Barreiros, a SEMARH ainda esta sendo estruturada, pois com a
42

transferência da gestão florestal do IBAMA para o governo do estado houve um


aumento de demanda, de modo que esta secretaria está se organizando para
melhor atender. E para isto, este órgão está fazendo um resgate do serviço
público estadual em Vitória da Conquista, pois este município ficou muito tempo
sem estes serviços, de modo que houve um descaso ao atendimento público.
Barreiros citou que: A SEMARH de Jequié conta com prédio próprio com a sede
na Casa de Recursos Naturais, enquanto em Conquista atua precariamente em
um subsolo de um prédio cedido pela UESB – Universidade Estadual do
Sudoeste da Bahia, com o resgate do serviço público estadual a tendência é
melhorar, não só esta secretaria como também outros órgãos públicos do
estado.
Ainda, segundo o Coordenador Regional desta instituição o Sistema
Nacional de Meio Ambiente – SISNAMA prevê uma repartição entre os entes;
União, Estado, Distrito Federal e Município, a questão da responsabilidade da
gestão ambiental de modo a descentralizar a mesma. Daí justifica-se a atuação
deste órgão em nível do Sudoeste, pois em Vitória da Conquista já foi
implantada a SeMMA, que atua a nível municipal.
No momento a SEMARH, vem desenvolvendo alguns projetos,
sobretudo no sentido de prevenção ambiental, podendo ser citado o projeto
Jovens Ativistas, o qual é direcionado para alunos na faixa etária entre 14 e 16
anos das escolas públicas do Município e do Estado. Estes jovens serão
capacitados e posteriormente atuarão como multiplicadores nas suas
respectivas comunidades.
Os facilitadores do projeto já foram aprimorados e, neste momento o
mesmo já esta em andamento. Este é um Projeto Piloto, que tem início em
Vitória da Conquista e a posteriori será desenvolvido em toda a Bahia. Aqui no
município foram selecionadas 18 escolas, sendo que 16, são colégios
localizados em áreas onde há conflito sócio-ambiental, salve a exceção do
CEFET – Centro Federal de Educação Tecnológica, as outras 2(duas) escolas
foram incluídas no projeto por serem uma voltada para a cultura afro localizada
no Simão, e a outra por atender filhos de família de assentados do MST –
Movimento dos Sem Terras, localizada em Cagussú. O ápice do projeto será
culminado com o lançamento de um Atlas Sócio-ambiental do Município de
Vitória da Conquista.
43

Ainda dentro do aspecto preventivo, esta entidade atua fazendo


palestras para colégios da rede pública e privada, para universidades e
municípios da região Sudoeste. Já no que tange a questão da Serra do Periperi,
Barreiros diz que: a própria população conquistense é quem sofre com o
problema da Serra, pois quando chove, a areia é carreada do alto do Periperi
para o centro da cidade, onde os bueiros são entupidos e deixam a mesma toda
suja, além do mais, por falta da vegetação nativa a água da chuva não é
infiltrada na serra, de modo que acaba inundando o centro de Vitória da
Conquista, fato que foi dito anteriormente pelo autor do projeto.
O ultimo órgão entrevistado foi o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e
dos Recursos Naturais Renováveis – IBAMA, o qual atua na Região Sudoeste
atendendo 64 municípios baianos, este órgão conta com 8 agente fiscais, os
quais atuam também quando necessário em outros estados.
Segundo o Analista Ambiental do IBAMA, o Sr. José Reinaldo, o qual no
momento está atuando como chefe substituto, o número de agentes fiscais não
é o suficiente. Em sua opinião este contingente deveria ser ampliado para 20,
mas apenas isto não bastaria, seria necessário também aumentar os recursos
financeiros bem como os recursos humanos que servem de suporte para
realizar a fiscalização.
Ainda, de acordo com o Sr. José Reinaldo, não há nenhum trabalho
específico voltado para a Serra do Periperi, pois esta é de jurisdição municipal,
o que implica em dizer que a SeMMA é responsável pela mesma.
Um outro fator, refere-se a transferência da gestão florestal para o
Estado, de modo que restou para o IBAMA, apenas a função de fiscalizador.
Desta forma, este órgão não desenvolve nenhum trabalho específico na Serra,
mas tem realizado campanhas preventivas no Sudoeste Baiano em duas
épocas do ano. Uma no São João – Junho – para evitar soltar balões, bem
como a queima de madeira com fogueiras juninas.
A outra campanha é realizada no período de seca prolongada, nos
meses de agosto, setembro e outubro, período em que os fazendeiros fazem
queimadas nos pastos, assim o IBAMA faz o alerta para que não haja esta
prática neste período para não haver maiores transtornos.
Este trabalho preventivo é feito via rede de comunicação e folder’s, mas
segundo o Sr. José Reinaldo esta campanha é muito pouco para o IBAMA. Este
44

também vislumbra como solução para os problemas ambientais, não só da


serra mas em todo o Sudoeste Baiano, a educação ambiental.
45

6.0 Considerações Finais

No estudo “A Serra do Periperi Impactada pela Ação do Homem” pôde-se


constatar que está ocorrendo transformações tanto a nível mundial quanto local
e estas se devem aos fatores naturais e antrópicos.
Na área estudada em Vitória da Conquista - Ba, as transformações
provocadas pelo homem foram profundas, de tal modo que se tornaram
irreversíveis em alguns pontos. Estas transformações ocorrem, sobretudo em
função de dois aspectos: sobrevivência e fins comerciais.
Percebe-se que a paisagem na Serra do Periperi está sendo
modificada cada vez mais por uma questão de sobrevivência, podendo ser
citado o crescimento urbano desordenado, o qual está invadindo a base da
serra em direção ao seu topo com casebres geralmente sem o mínimo de infra-
estrutura.
O fato dos moradores da área em estudo possuírem renda baixa fez
com que 93,75% dos entrevistados optassem por ter em casa fogão a lenha.
Justifica-se daí um dos motivos pelos quais os moradores retiram madeira da
Serra.
A luta pela sobrevivência, ainda fez com que o homem urbano desse a
Serra do Periperi um ar de zona rural, pois pode-se encontrar nesta região um
curral. O gado deste curral, juntamente com os jegues e burros, em suas
pastagens diárias, pisoteiam o solo desta localidade, impactando o mesmo e
impedindo o ressurgimento vegetal.
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Fruto do Capital, detecta-se os dois maiores vilões da degradação


ambiental no objeto em estudo: as empreiteiras de cascalho e a Prefeitura
Municipal de Vitória da Conquista com a usina de asfalto, ambas causaram
danos irreversíveis para a Serra, quer seja no passado e/ou no presente e, as
poucas áreas que podem ser reflorestadas, caso isto aconteça, demorarão
décadas para se recomporem.
O Alto índice de retirada de cascalho no Periperi, coloca em risco a
existência da mesma em anos vindouros.
Pode-se mencionar também, que a infra-estrutura urbana é a grande
causadora de voçorocas nos bairros que circundam a Serra, pois com o
fornecimento de água, bem como, da rede de esgoto às vezes, são abertas
valetas as quais não são fechadas com o termino do serviço, ainda que fossem
tapadas estas valetas, a falta da vegetação carreia a terra no período de chuva.
Um outro problema detectado refere-se a construção do anel viário, o
qual provocou distúrbios ecológicos para a fauna e flora da região, além do
mais, até hoje não foi cumprida a promessa de reflorestamento da área
desmatada.
A falta da vegetação nativa no Periperi, não é um problema ambiental
que afeta apenas os moradores do entorno desta localidade e, sim a toda
população conquistense, sobretudo no período chuvoso, alagando o centro da
cidade.
No que tange aos órgãos ambientais que atuam em Vitória da
Conquista, a eficácia em nível de fiscalização deixa a desejar, por falta de um
número mais expressivo no contingente de agentes fiscais.
A pouca severidade na aplicação das Leis Ambientais para quem é
pego cometendo alguma infração, contribui para que os problemas ambientais
aumentem cada vez mais.
Todos os órgãos ambientais que atuam em Vitória da Conquista,
vislumbram o mesmo caminho para sanar os problemas que foram detectados,
esta trilha é o investimento na educação ambiental, que ao conscientizar os
jovens, proporcionará a estes oportunidades de multiplicar o conhecimento
adquirido, alertando a sociedade para a importância de viver em um mundo
coerentemente sustentável.
É lamentável encontrar áreas verdes com efeitos oriundos da ação
antrópica. O que ameniza um pouco mais esta situação, é saber que o homem
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começa a ter um despertar ecológico e que a natureza tem o poder de


regeneração, ou seja, em alguns anos, se não houver a intervenção do homem,
parte desta vegetação e do ecossistema se recuperará. Em outras palavras, o
solo será reconstituído através de uma sucessão vegetal que ali surgirá,
assumindo caracteres similares ao da vegetação nativa, existente ali outrora.
Assim, se o homem não interferir sobre esta sucessão, a própria natureza se
incumbirá de dar condições para que tal vegetação atinja o clímax. Desta forma,
o ambiente que fora degradado será inserido num ciclo inerente da própria
natureza, onde à vegetação terá a função de proteger o solo dos agentes
intempéricos e as folhas, galhos e frutos caídos dos vegetais irão humificar a
terra dando condições para que as plantas sejam viçosas, encerrando assim,
um ciclo natural.
Faz-se necessário que outras pesquisas em áreas afins sejam feitas
para complementar os estudos realizados, fazendo parte de um todo. Tais
estudos servirão de suporte para realização de projetos, com o intuito de sanar
os problemas detectados, bem como poderão auxiliar na elaboração de projetos
que visem a preservação e conservação da área em estudo, ou ao menos a
ampliação da área do Parque da Serra do Periperi.
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7.0 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

BRASIL, Ministério das Minas e Energia. Secretaria-geral. Projeto


RADAMBRASIL, folha SD. 24, Salvador; Geologia, Geomorfologia, Pedologia,
Vegetação e Uso Potencial da Terra; RJ, 1981.

COELHO, Marcos Amorim. Geografia Geral: o espaço natural e sócio-


econômico. 3ed. São Paulo: Moderna, 1992.

DREW, David. Processos interativos homem-meio ambiente. 3ed. Rio de


Janeiro: Bertrand Brasil, 1994.

GUERRA, Antonio José Teixeira. Geomorfologia e meio-ambiente. Rio de


Janeiro: Bertrand Brasil, 1996.

ODUM, Eugene P. Ecologia. São Paulo: Pioneira, 1986.

RAWITSCHER, Félix. Elementos básicos de botânica: introdução ao estudo de


botânica. 8ed. São Paulo: Nacional, 1979.

RIZZINI, Carlos Toledo. Tratado de fitogeografia do Brasil: aspectos ecológicos.


São Paulo: Hucitec, 1976.
49

SACARRÃO, Germano F. Ecologia e biologia do ambiente. V.I. A vida e o


ambiente. Men Martins: Europa-América, 1991.

SANTOS, Milton. Por uma geografia nova. São Paulo: Hucitec, 1996.

_______. Milton. Metamorfose do espaço habitado. São Paulo: Hucitec, 1997.

SEWELL, Granville Hardwick. Administração e controle da qualidade ambiental;


Tradução e Adaptação Gildo Magalhães dos Santos Filho – São Paulo: EPU:
Ed. Da Universidade de São Paulo: CETESB, 1978.

SILVA, Iguaraci Santos da & SANTOS, Tayse Morais. A Relação


Solo/Vegetação nas Encostas e no Planalto de Vitória da Conquista, XI
Encontro Nacional de geógrafos, Comunicações Livres e Pôsteres, Volume I,
Ed. UESB, 1998.

WALTER, H. Vegetação e zonas climáticas. São Paulo: EPU, 1986.


50

8.0 ANEXOS
51

Questionário para Entrevista

Órgão Público – Secretaria Municipal de Meio ambiente – SEMA

1 – Há na Serra do Periperi trabalhadores que exercem atividades extrativistas de forma


legal?
Sim ( ) Não ( )

1.1 – Quantos são cadastrados?

2- Há na Serra do Periperi pessoas trabalhando com atividades extrativas de forma


ilegal?
Sim ( ) Não ( )

2.1- Que tipo de extração?

3 – Há fiscalização sobre a Serra?


Sim ( ) Não ( )

4 - A SEMA conta com quantas pessoas para exercer a fiscalização na Serra?

5 – Esse número é o suficiente?

Sim ( ) Não ( )

5.1 – por quê?

6 – Que tipo de medidas este órgão vem tomando para combater a ação antrópica na
Serra do Periperi?

7 – Legalmente falando, que penalidade é dada para quem é encontrado praticando a


retirada da vegetação nativa no município de Vitória da Conquista-Ba?

8 – Muitas vezes, a eficácia dos órgãos ambientais não atuam de modo a satisfazer a
população. O que você sugere para que a eficácia seja satisfatória?
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9 – Percebe-se que nos bairros entorno da Serra do Periperi há aqueles que tem parte da
Serra conservada, enquanto outros encontra-se degradado com vestígios de lixos
misturados com a vegetação, currais no alto da Serra, entre outras atrocidades que são
detectadas. Por que não são tomadas medidas cabíveis para a conservação destas áreas?

10 – A SEMA tem desenvolvido alguma atividade e/ou projeto de reflorestamento das


áreas degradadas da Serra do Periperi?

11 – A SEMA vem desenvolvendo algum tipo de atividade de conscientização ambiental


junto à comunidade conquistense?

12 – A Prefeitura Municipal de Vitória da Conquista tomou diversas medidas para coibir


a ação antrópica sobre a Serra do Periperi, como se justifica encontrar cravada na serra
uma usina de asfalto em pleno funcionamento a serviço da própria prefeitura?

Questionário para entrevista


53

Moradores do entorno da área (e/ou trabalhadores da Serra)

1 – Há quanto tempo você mora nesta localidade?


( ) menos de 10 anos ( ) de 10 a 20 anos ( ) de 20 a 30 anos
( ) de 30 a 40 anos ( ) de 40 a 50 anos ( ) de 50 a 60 anos
( ) de 60 a 70 anos ( ) de 80 a 90 anos ( ) de 90 a 100 anos

2 - Quais atividades profissionais são desenvolvidas pela família?

______________________________________________________________________
3 - Qual a média da renda obtida com estas atividades?
( ) menos de R$ 50,00 ( ) entre R$ 50,00 e R$100,00
( ) entre R$ 100,00 e R$ 200,00 ( ) R$ 200 a R$ 300
( ) R$ 300,00 a R$ 400,00 ( ) R$ 400,00 a R$ 500,00
( ) R$ 500,00 a R$ 600,00 ( ) R$ 600,00 a R$ 700,00
( )R$ 700,00 a 800,00 ( )R$ 800,00 a R$ 900,00
( ) R$ 900,00 a 1 000,00

4 - Possui em casa algum desses aparelhos?


( ) geladeira ( ) ferro elétrico ( ) ferro a carvão
( ) fogão a gás ( ) fogão a lenha ( ) liquidificador

5 – Com qual freqüência usa o ferro a carvão e / ou fogão a lenha:


( ) diariamente ( ) fim de semana
( ) mensalmente ( ) para festejos como: São João, Natal etc.

6 – Possui hortaliças no quintal?


( ) sim ( ) não

7 – Com qual finalidade?


( ) subsistência ( ) comercial

8 - Os moradores deste bairro tem feito algo para trazer benefícios para a comunidade
local ou para Serra? Como por exemplo:
( ) Saneamento básico ( ) Pavimentação das ruas
( ) Projeto de área de lazer no parque ( ) Projeto de preservação da Serra
( ) Outros

9 – A retirada da vegetação da Serra causa algum tipo de problema para os moradores do


bairro ou para Vitória da Conquista? Tais como:
( ) Deslizamento de terra na Serra ( ) Desabamento de casas aqui no bairro
( ) Surgimento de barrocas ( ) Aumento de temperatura
( ) Falta de chuva em Conquista ( ) Aumento do volume da água da enxurrada no (
) Outros centro de Conquista

10 – Em sua opinião é importante a preservação da Serra?


( ) sim ( ) não
11 – Por que?
______________________________________________________________________
ANEXO 03
54

MAPA DE VEGETAÇÃO

41º 40º
14º

15º

41º 
40º
LEGENDA

Região de Estepe (caatinga)


cobertura vegetal natural
Região de Estepe (caatinga)
cobertura vegetal antrópica
Contato Estepe Floresta Estacional

Contato Savana - Floresta Ombrófila

Região da Floresta Estacional Decidual

Região da Floresta Estacional Semidecidual

Região de Floresta Ombrófila Densa

 Serra do Periperi
55

Escala
1: 1.000.000
Fonte: RADAMBRASIL, 1980
ANEXO 04

MAPA GEOMORFOLÓGICO

41º
40º
14º

15º

41º
40º

LEGENDA

Domínio dos Planaltos Inumados

Domínio dos Planaltos cristalinos

Domínio das Depressões Interplanálticas


56

 Serra do Periperi

ESCAL
A 1: 1.000.000

Fonte: RADAMBRASIL, 1981