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Universidade Estadual Vale do Acaraú – UVA

CLE – Língua Portuguesa


Teoria da literatura
Professor Fernando Braga

Análise do conto
A Casa do Morro Branco - Rachel de Queiroz

Por,
Maria Angelúcia Silveira
Maria Cleonice Andrade
Maria Eliane Silveira da Costa
Luzia Elsa Araújo

Julho - 2008
Cruz/Ce
APRESENTAÇÃO

O trabalho a ser descortinado é uma breve análise de um dos maravilhosos contos


tecidos pelas mãos da ilustríssima Rachel de Queiroz: A Casa do Morro Branco. Nele,
a autora faz uma análise literária em seus aspectos políticos e pessoais. Contextualiza
fatos históricos, como: A Confederação do Equador e a Coluna Prestes, além de deixar
nas entrelinhas questões sócio-culturais e religiosas, como: botijas, catolicismo,
paganismo, escravidão, maçonaria, francesismo, latinismo, etc.

ENREDO

A obra apresenta enredo linear do princípio ao fim, logo, os fatos vão acontecendo
no desenrolar da narrativa.
Tudo começou com a chegada de um pernambucano, possível fugitivo da
Confederação do Equador. Trazia consigo uma besta de montaria, um moleque e um
cargueiro de bagagem, um bacamarte, e um saquinho de couro cheio de dobrões de ouro
e prata. O vilarejo logo questiona quem é o novo vizinho. Ele mente, diz ter matado um
homem que desonrara sua sobrinha. Isso para que não houvesse possibilidade de
assuntos políticos surgirem. Assim, aluga um casebre enquanto constrói a sua fazenda,
com criação e matagal – mas, não bobo, constrói do outro lado do rio. Lá as terras erram
mais baratas, e, economizava seus dobrões. Obviamente procurou conhecer a nova terra,
e, ao passear na vila passa defronte uma igreja – que o faz lembrar da igreja de Voltaire,
esquece, momentaneamente, alcunhas de Pernambuco e declara chamar-se por
Francisco Maria Arouet. Bem se nota que era homem de conhecimentos.
Porém, escolhe uma negra, sem muitos traços de beleza, e casa-se. Engravida
cinco vezes, e, somente o último sobrevive. Para batizar o filho, o pai entrou em
discussão com o vigário local, que argumentava não ser nome de santo e por isso não
batizaria. O reverendo discursou em latim com Chico Aruéte, que respondeu à altura.
Decidiram, enfim, batizar a criança por José Spartacus. Um simples nome que foi
motivo para falatórios, que nessa altura não eram poucos. Diziam que o fazendeiro tinha
pacto com o Satanás. Entre pequenas ações diferentes dos costumes da região; não se
benzia ao passar defronte a igreja, não havia imagem de santo ou outros na fazenda, não
tinha partido com política, o nome do filho, a união fora dos preceitos religiosos, a
musica triste que tocava em sua flauta nas madrugadas, o fato de um dia ter dito se
chamar bode fez o povoado entender que era o próprio bode-preto, o filho passa a
acreditar no demonismo do pai, as mortes e os enterros na fazenda, enfim. Sobre o fato
de ter matado um homem, a vila já entende que Chico Aruéte havia matado um padre.
Mais um motivo de falatório.
Mesmo assim, sua fazenda aos poucos prospera, pois moleque – um escravo forro,
como todos da região – o auxiliava. Trouxeram gados e outros de Minas e São Paulo.
Embora prósperos, a família era estranha. A mãe não dormia com o esposo. Um dia,
inexplicavelmente, morre Francisco Arouet.
O filho, José Spartacus, constrói um monjolo próximo ao rio. Também prospera.
Já homem, casa três vezes. A primeira esposa morre de parto do primeiro filho. É
enterrada no mato, junto ao avô.
A fazenda entra em declínio. O gado vai morrendo e tudo seca.
Casa novamente. A garota era filha de fazendeiro nortense. Deu ao marido três
filhos. Sinhá Carola, uma outra e um outro. O menino varão chama-se Francisco Arouet
– como o avô – logo, Chiquinho. Uma dor mata a segunda esposa de Spartacus.
Rumores na vila dizem que foi veneno pra casar com a terceira que carregou de seu pai.
No entanto, Pataco, como o povo o chamava, morreu cedo e repentinamente, numa
emboscada. O tiro veio por trás dos túmulos da fazenda. A besta que o carregava se
assustou e correu para a fazenda arrastando o corpo que ficou agarrado pelos estribos. A
esposa chora, porém, encontra rapidamente consolo na casa dos pais, depois de procurar
no cinturão do falecido marido as chaves do baú onde guardava os dobrões. Não
encontrando, diz ter sido roubada pelos enteados, que venceram a madrasta por maioria.
Se o pai de Chiquinho, Spartacus, não sabia muito sobre leituras, tão pouco sabia
Chiquinho, que não quer saber de discutir temas e nem de casar. Basta Sinhá Carola
com fama de bruxa, puxou a avó, Cunhã. Os irmãos se estranhavam dentro de casa. Ele
não cuidava da herança e a plantação de milho, feijão, arroz, mandioca estava
decadente... Só dava para o sustento.
Sinhá Carola, já de velha morre e Chiquinho fica só. Não saia de casa.
Nessa altura dos fatos, já havia comentário em toda vila de uma possível botija,
enterrada por um dos três; Avô, Filho ou Neto.
Na vila, chegam uns cavaleiros, que se diziam vir revoltosos da Coluna Prestes, e
sondam moradores. Querem ficar. Então alguém fala das botijas e, sem mais nem
menos, os cavaleiros somem. Noutro dia surgem urubus sobrevoando a fazenda. Junto
ao mal-cheiro vindo de lá, chama atenção dos provincianos. Encontraram no telhado o
corpo de Chiquinho, morto já de três dias. No chão da sala, poças de sangue e um
enorme buraco, assim como em outros cômodos, inclusive nas três covas do Morro
Branco, que já era considerado um pequeno cemitério. Evidentemente, procurando a
botija.
Mas o que ninguém sabe é se o dinheiro apareceu. Pois, se o acharam, os bandidos
sumiram com ele que não iam contar a ninguém.

CONTEXTO HISTÓRICO

Confederação do Equador  Foi um movimento revolucionário que eclodiu em


Pernambuco em dois de julho de 1824, no nordeste do Brasil. Representou uma reação
contra o absolutismo e a política centralizadora do Governo de D. Pedro I. gerando
protestos em Pernambuco, Paraíba e Ceará.
Cipriano Barata e Frei Caneca foram os líderes dessa revolução, que tinha como
objetivo formar um novo estado, completamente separado do império; cujas bases era
um governo republicano, garantindo autonomia das províncias confederadas.
D. Pedro impôs severas penas para os revoltosos. Frei Caneca foi condenado a
forca e muito dos seus companheiros receberam a mesma punição, outros tiveram mais
sorte e conseguiram fugir.
Mesmo com o fim da Confederação do Equador as insatisfações contra o
absolutismo continuava a crescer cada vez mais.

Abolição da escravatura  Na época que os portugueses começaram a colonizar


o Brasil, não existia mão-de-obra para a realização de trabalhos manuais. De início
queriam usar o trabalho dos índios, mas essa escravidão não foi adiante pois os
religiosos se colocaram em defesa deles condenando essa escravidão. Assim os
portugueses foram em busca de negros na África para submetê-los ao trabalho escravo,
eles eram trazidos em navios negreiros.
Essa escravidão, mentirosamente, teve fim em 13 de Maio de 1888 através da Lei
Áurea assinada pela Princesa Isabel dando liberdade aos negros. No entanto, até hoje
ainda existe esse tipo de trabalho escravo.

Coluna Preste  Foi um movimento tenentista político-militar que entre 1925-


1927, que se deslocou pelo interior do país, pregando reformas políticas sociais e
combatendo o governo do então presidente Artur Bernardes e posteriormente
Washington Luís.
Eram insatisfeitos com a República Velha, exigiam voto secreto, defendiam o
ensino público entre outros.
Com o sucesso da marcha a coluna Prestes ajuda a abalar ainda mais o prestígio da
República Velha. Projeta a figura de Carlos Prestes que posteriormente no Partido
Brasileiro.

Maçonaria  É uma associação de carácter universal, cujos membros cultivam a


filantropia, justiça social, aclassismo, humanidade, os princípios da liberdade,
democracia e igualdade, aperfeiçoamento intelectual e fraternidade, é assim uma
associação iniciática, filosófica, filantrópica e educativa. Os Maçons estruturam-se e
reúnem-se em células autónomas, designadas por oficinas, ateliers ou (como são mais
conhecidas e correctamente designadas) Lojas, "todas iguais em direitos e honras, e
independentes entre si".

PERSONAGENS

Os três principais personagens eram: O Avô, O Filho e o Neto.

Avô - Francisco Maria Arouet (Chico Aruéte) - Foi o homem que construiu a
casa do Morro Branco, ele veio de Pernambuco para o interior, fugindo das
perseguições que se seguiram da Confederação do Equador. Conseguiu escapar com sua
besta de montaria, um moleque e com um saquinho de dobrões de ouro e prata. Era
homem de leitura e por amor delas se metera na Confederação. Ao invés de pedir moça
branca para se casar, arranjou para viver consigo uma cunhã das redondezas. Teve cinco
filhos e só um sobreviveu, este foi chamado de José Spartacus.

Filho – José Spartacus – Pataco por alcunha – Tinha medo do pai, e de noite, na
cama se benzia quando escutava o granido da flauta. Ele nunca aprendeu nem metade
do que sabia o velho, não era capaz de ler livros em francês e nem se interessou pela
flauta. Pataco herdou da Cunhã o gênio de pouca fala e os modos sonsos. Casou-se três
vezes, a primeira esposa morreu de parto, a segunda lhe deu três filhos e morreu com
um dor de repente. Pataco morreu de um tiro que ninguém sabe de onde veio. Os três,
Pataco e as duas esposas foram enterrados na casa do Morro Branco.

Neto – Francisco Maria Arouet Neto (Chiquinho) – Recebeu o nome do avô,


filho de Pataco com a segunda esposa no qual surgiram brigas de madrasta e enteado
por causa dos dobrões de ouro que o avô Chico Aruéte tinha enterrado. Chiquinho
herdou o gênio esquisito de Pataco seu pai. Também não tivera se quer a pouca criação
do pai, quanto mais a do avô. Nunca se casou. Aos poucos foi morrendo todos que
moravam no Morro Branco e Chiquinho ficou sem ninguém. Ele foi morto e ao que
tudo indica pelos revoltosos da Coluna Prestes que estava atrás dos dobrões de ouro
enterrados.

Moleque – Um escravo alforriado que acompanhava o avô – Francisco Maria


Arouet.

Cunhã – É o tipo de personagem tipo e típico.

Sinhá Carola – Irmã de Spartacus (Filho) - secundário

FOCO NARRATIVO

Apresenta inicialmente uma narração homodiegética/secundária, isto é, na


primeira pessoa. Nota-se no trecho: “Só conheço o lugar de vista. Como disse, tem um
morro. (...)” (VER ANEXO VI). Em seguida o foco narrativo muda, tornando-se um
narrador heterodiegético, pois passa para a terceira pessoa, como se fosse um
observador. Vejamos o trecho: “O homem que fez aquela casa era vindo de
Pernambuco, e, pelo que se contava chegara fugido das perseguições que se seguiram
á Confederação do Equador”. (VER ANEXO VI)
Portanto, conclui-se que o conto apresenta narração cambiante.

ESPAÇO

O conto deu-se no interior de Pernambuco em três tempos, digo, três gerações. O


primeiro inicia em 1824 e a partir de então vai se desenvolvendo os demais.
O vilarejo apresenta formação rochosa, e, muito calcário – por isso, o morro é
chamado de branco.
Um rio dividia a vila em duas. Do lado mais alto ficava a fazenda.

COMENTÁRIO CRÍTICO E REFLEXIVO

A autora intitula o Conto por Morro Branco, mas não fica claro seu desejo de
comparar à praia de Morro Branco.
Morro, por apresentar estrutura rochosa. Branco, por apresentar de longe a cor
branca no solo, atribuída ao calcário ali presente nessas bandas de sertão Pernambucano.
Vale ressaltar – a respeito da narrativa acontecer no interior desse Estado – o fato
de ele ter sido escrito quando a escritora estava no Rio Janeiro.
Ao longo dos acontecimentos percebe-se que a fazenda foi construída do outro
lado do rio que cortava o vilarejo. Assim foi, para economia de Chico Aruéte, ao
comprar a terra em que construiu a fazenda.
A casa – mal-assombrada – tem assim fama, devido aos muitos fatos estranhos
àquela gente de costumes diferentes de seu proprietário. Indubitavelmente, muitos de
nós tivemos já ouvido falar em casa mal-assombrada. Seja por morte de alguém ou por
esquisitices noturnas.
De pavor, aqueles circunvizinhos, não tinham coragem para atrevimentos do tipo –
questionar sobre possível botija – já falada em todo vilarejo. Principalmente depois de
morrer José Spartacus.
Sabe-se sobre botijas, que em diversos municípios do interior do estado de
Pernambuco há um mito em relação ao ouro escondido pelos avarentos. Tal mito
converge simbolicamente a diversos aspectos encontrados no imaginário dos
garimpeiros. O ouro que atormenta, fomenta a busca. Tendo como matéria que informa
e se deforma as narrativas sobre botija e sua relação com aspectos de dois extremos do
país, tem-se a chance de rever a forma esfumaçada a qual o mito opera. Isto nos permite
observar aspectos universais a partir de uma desconstrução metafísica do mito no seio
da antropologia cultural. As narrativas não podem se constituir em momentos de
suspensão fenomenológicos aos moldes de Husserl, outrossim, devem se constituir em
regimes de fascinação de nossa mundanidade cotidiana. É sobre esta velha postura que
diversos autores repousaram: como se o mito fosse impregnado pela narrativa em seu
modelo estrutural.
Sem contar que no conto aparece o Francesismo e o Latinismo, percebe-se logo no
Capítulo II – O Filho – Na questão de seu batismo. Ainda também, em se falar da igreja
local, que o faz lembrar de Igreja de Voltaire. A origem de seu nome, enfim.
O conto apresenta um modelo de família, condenado na época – a questão do
concubinato. Porém não se pode esconder que já existia. Hoje é bem mais aceito.
Essa questão estrutural familiar levanta questões do tipo: por que o avô não
ensinara nada a seu filho? Sabia idiomas e muitos livros de có. Os filhos do primeiro
casamento desentender-se com a madrasta e vice-versa. A falta de comunicação entre
eles. A solidão, ou a reserva do avô altas horas a tocar flauta.
O fato dele – O avô – ter-se declarado mação, diz muito sobre seu comportamento.
Esse tipo de comportamento acaba por refletir nos demais, certa curiosidade, ou
estranhamento. Sem dúvidas, pessoas que agem dessa maneira geram comentários nem
sempre agradáveis.
No interior, parece ser costume do povo, os falatórios e distorção dos fatos. Bem,
no conto analisado, fica mais do que esclarecida essa questão. Constantemente a autora
fala que “... na vizinhança já se falava que...”. Situação típica da vida provinciana.
ANEXOS
ANEXO I

Maragogi, terra das botijas.

Severino Carvalho
Repórter

Desde que o mundo é mundo, histórias de tesouros escondidos mexem com o


imaginário das pessoas. E não foi diferente em Maragogi, a 127 km de Maceió. Uma
botija encontrada enterrada no meio de uma rua, em pleno centro da cidade, na sexta-
feira (23) não só atraiu a curiosidade das crianças, como também, a cobiça de adultos,
entre nativos, colecionadores e turistas. Estes, nesta época do ano, lotam os hotéis e
pousadas do município e levaram, além das belas paisagens em fotografias, parte da
lembrança histórica de Maragogi, simbolizada nas moedas da época do Brasil-reino, que
estavam na botija.
Operários trabalhavam na escavação de uma vala, nas obras de saneamento do
município, quando encontraram o tesouro, acondicionado numa caixa metálica. Ao
toque da pá da retroescavadeira, o baú quebrou-se e mais de 500 moedas foram
espalhadas por todos os lados. E o corre-corre foi grande. A meninada, de pés descalços,
fez a festa. Ao invés de uma só pessoa ficar com todo o tesouro, como muitas vezes
acontece, o caso fortuito tratou de dividir, digamos, “socializar” as moedas com
crianças, operários, nativos e turistas. Problema para a polícia, que agora, por força do
Ministério Público (MP), instaurou inquérito para reavê-las, consideradas patrimônio
histórico do município.
ANEXO II

Espártaco

Espártaco, em latim Spartacus, (ca. 120 a.C. – ca. 70 a.C.) foi um gladiador de
origem trácia, líder da mais célebre revolta de escravos na Roma Antiga.
A origem de Espártaco e a Revolta dos Escravos.
De acordo com vagas referências de autores romanos (Apiano, Floro e Plutarco),
Espártaco era de origem trácia e, por ter desertado de uma tropa auxiliar do exército
romano, foi capturado e reduzido à escravidão. Devido à sua força física, foi comprado
por um mercador a serviço do lanista, Lêntulo Batiato, e levado para a escola de
gladiadores de Cápua, na Campânia (Itália).

Sobre ele, dizem os autores antigos:


• Plutarco: "Era um homem inteligente e culto, mais helênico do que bárbaro"
• Floro: "... mercenário da Trácia, admitido em nosso exército, soldado desertor,
bandido promovido a gladiador por sua força"
ANEXO III

O BODE NA MAÇONARIA
Ir. Jose Castellani

Dentro da organização, muitos desconhecem o apelido de bode. A


origem desta denominação data do ano de 1808. Porém, para saber do seu
significado faz-se necessário voltar-se no tempo. Por volta do III ano d.C.
vários Apóstolos saíram para o mundo a fim de divulgar o cristianismo.
Alguns foram para o lado judaico da Palestina. E lá, curiosamente, notaram
que era comum ver um judeu falando ao ouvido de um bode, animal muito
comum naquela região. Procurando saber o porquê daquele monólogo foi
difícil obter resposta. Ninguém dava informação, com isso aumentava ainda
mais a curiosidade dos representantes cristãos, em relação aquele fato. Até
que Paulo, o Apóstolo, conversando com um Rabino de uma aldeia, foi
informado que aquele ritual era usado para expiação dos erros. Fazia parte
da cultura daquele povo, contar alguém da sua confiança, quando cometia,
mesmo escondido, as suas faltas, ficaria mais aliviado junto a sua
consciência, pois estaria dividindo o sentimento ou problema.

Mas por que bode? Quis saber Paulo. É porque o bode é seu
confidente. Como o bode nada fala, o confesso fica ainda mais seguro de
que seus segredos serão mantidos, respondeu-lhe o Rabino. A Igreja, trinta e
seis anos mais tarde, introduziu, no seu ritual, o confessionário, juntamente
com o voto de silêncio por parte do padre confessor - nesse ponto a história
não conta se foi o Apóstolo que levou a idéia aos seus superiores da Igreja, o
certo é que ela faz bem à humanidade, aliado ao voto de silêncio, o povo
passou a contar as suas faltas.

Voltemos em 1808, na França de Bonaparte, que após o golpe dos


18 Brumários, se apresentava como novo líder político daquele país. A
Igreja, sempre oportunista, uniu-se a ele e começou a perseguir todas as
instituições que não governo ou a Igreja. Assim a Maçonaria que era um
fator pensante, teve seus direitos suspensos e seus Templos fechados;
proibida de se reunir. Porém, irmãos de fibra na clandestinidade, se
reuniram, tentando modificar a situação do país. Neste período, vários
Maçons foram presos pela Igreja e submetidos a terríveis inquisições.
Porém, ela nunca encontrou um covarde ou delator entre os Maçons.
Chegando a ponto de um dos inquisidores dizerem a seguinte frase a seu
superior: - “Senhor este pessoal (Maçons) parece BODE, por mais que eu
flagele não consigo arrancar-lhes nenhuma palavra”. Assim, a partir desta
frase, todos os Maçons tinham, para os inquisidores, esta denominação:
“BODE” - aquele que não fala, sabe guardar segredo.
ANEXO IV
ANEXO V

*Transparência 1

SEMINÁRIO
Teoria da Literatura - 26/07/08
Professor: Fernando Braga

Análise do conto: A casa do Morro Branco


Rachel de Queiroz

EQUIPE

1. Apresentação: Luzia Elsa


2. Enredo: Cleo Andrade
3. Contexto histórico: Angelúcia Silveira
4. Personagens: Eliane Costa
5. Foco narrativo e espaço: Luzia Elsa
6. Comentário crítico e reflexivo: Equipe
ANEXO VI

*Transparência 2

A casa do Morro Branco – Rachel de Queiroz

Trechos a serem analisado em diferentes aspectos*

1. “Só conheço o lugar de vista. Como disse, tem um morro. (...)”.

2. “... não um grande morro alto, desses aqui do Rio que mais parecem montanhas de
verdade – e pensando bem, são realmente montanhas. O de lá era antes uma colina,
ou isso que nós no Nordeste chamamos de “alto”, ou “cabeço”. Mas por morro
ficou, tanto que a fazenda era conhecida por “Morro Branco” – sendo o branco
devido ao calcário rasgado nos caminhos e que, visto de longe, chegava a dar a
ilusão de neve.”.

3. “O homem que fez aquela casa era vindo de Pernambuco, e, pelo que se contava
chegara fugido das perseguições que se seguiram á Confederação do Equador. O
verdadeiro nome dele nunca se conheceu. Era pedreiro-livre ou, como se dizia na
época, mação”.

4. “A vila onde se escondera era, em verdade, um bom porto para o perseguido;


povoada de gente amistosa, banhada por um rio que a dividia em duas...”.

5. “(...) Sendo – é claro – homem de leituras adiantadas, que só por amor delas se
metera na Confederação, quando viu aquela igreja consagrada ao Padre Eterno,
lembrou-se da Igreja de Voltaire, dedicada ao mesmo santo; e abandonando para
sempre os velhos apelidos pernambucanos, declarou-se chamar Francisco Maria
Arouet. O povo logo traduziu para “Chico Aruéte”.

6. “... Alguns viram passar defronte a uma igreja sem tirar o chapéu...”.

7. “(...) E o pai, sempre diferente de todo mundo, em vez de dar a criança nome de
santo, quis que ele se chamasse Spartacus. Houve discussão com o padre na hora
do batizado; mas o pernambucano teimou, o vigário se saiu com um relaxo em
latim, seu Chico traçou no latim igualmente, e acabaram chegando a um acordo: o
menino foi batizado por José Spartacus...”.

8. “... no Morro Branco só trabalha gente forra; era outra das manias de Chico
Aruéte: dizia que não acreditava em cativeiro e não possuía gado de dois pés.
Negro de seu, não tinha nem o Moleque que o acompanhava à chegada; há muito
lhe dera carta de alforria (...)”.

9. “... E foi ai que apareceu, sem saber de onde, um bando de cavaleiros


desconhecidos, que se diziam revoltosos da Coluna Prestes...”.