Peritonite Meconial

A peritonite meconial constitui uma reação exsudativa inflamatória peritoneal de origem química, secundária a uma perfuração intestinal, sendo o íleo o local mais freqüente. Incide em 1 de cada 30.000-35.000 nascimentos, descrevendo-se, em geral, uma relação sexo masculino/feminino de 1,5/1. As perfurações intestinais intra-útero podem ser decorrentes de obstruções intestinais (atresias, má-rotação intestinal com vólvulo, íleo meconial, hérnia interna, bridas e acidentes vasculares mesenteriais) e, também, de perfurações espontâneas (apêndice cecal, divertículo de Meckel, duplicação intestinal, úlcera duodenal, ou perfuração iatrogênica devido a amniocentese). Nos últimos anos o diagnóstico pré-natal da peritonite meconial tem sido mais comum, devido à presença de achados ultrassonográficos de polidrâmnio, ascite fetal, dilatação de alças intestinais e calcificações. O diagnóstico diferencial deve ser feito com hidropisia fetal, linfangioma cístico, ascite urinosa, teratoma e tumores vasculares. A peritonite meconial pode ser generalizada quando a perfuração ocorre poucos dias antes do nascimento, causando reação inflamatória recente na cavidade abdominal, com ascite volumosa misturada ao mecônio extravasado das alças perfuradas, aderências frouxas e, raramente, calcificações finas e escassas; pode ser fibroadesiva, a mais comum, quando a perfuração ocorre em uma fase precoce da vida intrauterina e, portanto, a reação peritonial é mais intensa, apresentando alças intestinais aglutinadas, com aderências fibrosas, formando carapaças com calcificações grosseiras e volumosas, sendo o local da perfuração dificilmente identificado; finalmente, pode ser cística quando o orifício da perfuração intraútero não é bloqueado ou cicatrizado e, portanto, o mecônio continua sendo extravasado da alça para a cavidade. Formam-se pseudocístos ao redor da coleção de mecônio, sendo suas paredes formadas por alças intestinais aderidas, revestidas por densa fibrose, delimitando uma área cistica e deixando o restante da cavidade livre. O quadro clínico varia, conforme o tipo de peritonite meconial. É freqüente o diagnóstico passar despercebido, pois, em alguns casos, o orifício da perfuração se cicatriza e a mãe auxilia a criança a resolver, adequadamente, a peritonite causada intra-útero e, portanto, não existe reação peritonial importante envolvendo alças ou mesmo o trânsito intestinal. Tardiamente, os sintomas podem aparecer quando aderências ou bridas obstruem o trânsito intestinal, ou mesmo em achado ocasional, quando da realização de exame radiológico de abdome, mostrando calcificações finas depositadas nas bordas hepáticas ou seguindo as paredes abdominais. Ao nascer, o RN pode apresentar estado geral satisfatório, principalmente quando a perfuração é mais precoce, embora apresente distensão abdominal muito grande, especialmente, nos casos de ascite peritonial e pseudocisto. Pode haver eritema e edema de parede abdominal, dependendo do comprometimento das alças e da reação inflamatória provocada. Geralmente, nos casos de perfuração tardia, próximo ao parto, o estado geral pode estar seriamente comprometido, principalmente, quando há contaminação da peritonite estéril, nas primeiras horas de vida. O diagnóstico precoce da perfuração intra-útero é de fundamental importância e pode evitar a formação de peritonite plástica.

Nas operações em que se ligam dois segmentos intestinais. Por exemplo. . A menos que a contaminação seja muito persistente. Normalmente. na bexiga ou no intestino. a cirurgia exploratória é o método diagnóstico mais fiável. No entanto. Se se tratar duma crise de inflamação do pâncreas (pancreatite aguda) ou duma doença inflamatória pélvica (nas mulheres). Em consequência. capítulo 123) favorece com frequência o desenvolvimento duma peritonite. podem aparecer complicações graves. A peritonite também pode dever-se a uma irritação sem que exista infecção. a inflamação do pâncreas (pancreatite aguda) pode provocar peritonite. renal ou hepática e uma coagulação intravascular disseminada. Do fluxo sanguíneo também passa líquido para a cavidade peritoneal. Para isso. A peritonite é normalmente provocada por uma infecção propagada a partir dum órgão do abdómen. no ureter. A menos que a peritonite seja tratada de imediato. como as que provocam a gonorreia e as infecções por clamídias) estende-se pelo interior da cavidade abdominal. O peritoneu é bastante resistente à infecção. Por vezes. Tratamento Normalmente. obtêm-se radiografias com o paciente deitado e de pé. A causa habitual é uma infecção que abre passagem através dos drenos colocados no abdómen. Uma lesão na vesícula biliar. é utilizada uma agulha para extrair líquido da cavidade abdominal. sobretudo quando parece provável uma apendicite. Podem formar-se um ou mais abcessos e a infecção pode deixar cicatrizes em forma de faixas de tecido (aderências) que podem acabar por provocar uma obstrução intestinal. pode-se escapar conteúdo intestinal através dos pontos de sutura. como insuficiência respiratória. Desaparece o peristaltismo (os movimentos intestinais) e os líquidos ficam retidos no intestino delgado e no grosso. Da mesma forma. normalmente não se faz uma intervenção cirúrgica urgente. rapidamente se desenvolvem complicações. São causas frequentes as perfurações do estômago. com o fim de enviar uma amostra para o laboratório para identificar os microrganismos infecciosos e analisar a sua sensibilidade a diversos antibióticos. tem febre alta e um abdómen doloroso. do intestino. Em consequência duma intervenção cirúrgica pode-se desenvolver uma peritonite por várias razões. Desenvolve-se uma grave desidratação e perdemse electrólitos. Na insuficiência hepática ou cardíaca. ou peritónio é uma membrana fina e transparente que reveste todos os órgãos intra-abdominais e a face interna das paredes do abdómen. A doença inflamatória pélvica em mulheres sexualmente activas é uma causa frequente de peritonite. Uma infecção do útero e das trompas de Falópio (que pode ser causada por vários tipos de bactérias. o peritoneu tem tendência para se curar com o tratamento. a pessoa vomita.Peritonite A peritonite é a inflamação do revestimento da cavidade abdominal (peritoneu) provocada geralmente por uma infecção. durante uma intervenção. uma perfuração duma úlcera péptica ou uma diverticulite. Sintomas Os sintomas duma infecção do peritoneu dependem em parte do tipo e da extensão da infecção. Diagnóstico É fundamental estabelecer um diagnóstico rápido. a primeira medida é a cirurgia exploratória de urgência. podem acumular-se líquidos no abdómen (ascite) e produzir-se uma infecção. O peritoneu. o talco ou o amido das luvas do cirurgião podem provocar uma peritonite sem infecção. da vesícula biliar ou do apêndice. não se desenvolve peritonite. Nelas pode observar-se a presença de gás livre no abdómen (fora do intestino). pode disseminar bactérias pelo abdómen. A diálise peritoneal (um tratamento para a insuficiência renal) (Ver secção 11. o que indica uma perfuração.

São administrados antibióticos imediatamente. em geral vários de cada vez. Também se pode colocar uma sonda pelo nariz até ao estômago ou ao intestino para drenar líquidos e gases. . Também podem ser administrados líquidos e electrólitos por via endovenosa para repor os que se tenham perdido.

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