Planejamento e

Elaboração de Material
didático impresso para
Educação a Distância
Cristine Costa Barreto
Sonia Rodrigues
Roberto Paes de Carvalho
Carlos Otoni Rabelo
Ana Paula Abreu Fialho
José Meyhoas
Curso de Formação da UAB
para a Região Sudeste 1
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Fernando Haddad
Ministro da Educação
Carlos Eduardo Bielschowsky
Secretário de Educação a Distância
Celso Costa
Coordenador Geral da UAB
P712p
Planejamento e elaboração de material didático impresso para educação a distância /
Organizadora Cristine Costa Barreto; autores, Sônia Rodrigues; Roberto Paes de Carvalho;
Carlos Otoni Rabelo; Ana Paula Abreu Fialho; José Meyhoas. – Rio de Janeiro : Fundação
CECIERJ, 2007.
291p.; 19 x 26,5 cm.
Curso de Formação da UAB para a Região Sudeste 1.
ISBN: 978-85-7648-390-8
1. Educação a distância. 2. Desenho instrucional. 3. Aprendizagem. 4. Linguagem. 5. Prática de
ensino. 6. Arquitetura da informação. 7. Produção de material didático (EAD). I. Rodrigues, Sônia.
II. Carvalho, Roberto Paes de. III. Rabelo, Carlos Otoni. IV. Fialho, Ana Paula Abreu. V. Meyhoas,
José. VI. Título.

CDD: 371.35
Cristine Costa Barreto
Coordenação de Desenvolvimento
Instrucional e Revisão
Organizadora do Volume
Tereza Queiroz
Editora
José Meyohas
Revisor
Crsitina Freixinho
Elaine Bayma
Patrícia Paula
Revisão Tipográfica
Jorge Moura
Coordenador de Produção
Katy Araujo
Projeto Gráfico, Diagramação e Capa
Jefferson Caçador
Sami Souza
Ilustração
Referências Bibliográficas e catalogação na fonte, de acordo com as normas da ABNT.
Copyright © 2007, Fundação Cecierj / Consórcio Cederj
Nenhuma parte deste material poderá ser reproduzida, transmitida e gravada, por qualquer meio
eletrônico, mecânico, por fotocópia e outros, sem a prévia autorização, por escrito, da Fundação.
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Por onde começar?
Como parte do programa inter-institucional de capacitação em Educação a Distância, este
módulo tem sua origem na necessidade de se fundamentar os elementos instrucionais
associados a materiais impressos como recursos didáticos. Visa a desenvolver orientações para
você, professor, elaborar aulas que difiram de suas aulas presenciais, mas que, de alguma forma,
levem você ao aluno que estuda a distância, que o provoquem tanto quanto você o faria, que o
permitam navegar, ser autônomo e se apropriar mais de sua aprendizagem.
A Educação a Distância, nos termos em que a discutimos hoje, ainda é uma novidade para a qual
buscamos evolucionar. É preciso apurar os sentidos para trocarmos o falar/ouvir síncrono pelo
ler/escrever assíncrono; evocar nosso sentido “número seis”, nossa intuição pedagógica, para
transpormos nossa experiência como professores, da sala de aula para o papel, ou para a tela
do computador, ou para o rádio, ou para a televisão... Essa transformação, na verdade, não pára
nunca, evolui no tempo, emerge como propriedades de um sistema vivo.
O conceito de propriedades emergentes é um dos mais belos conceitos biológicos existentes:
propriedades não possuídas pelos indivíduos, que somente aparecem quando a comunidade é
o foco de atenção. Assim como um bolo, cuja textura e sabor não são previsíveis apenas pela
inspeção dos ingredientes da receita. Propriedades emergentes são imprevisíveis, irredutíveis,
que surgem porque o todo é maior do que a soma das partes. Porque decorre da interação entre
elas. Assim entendo o conceito por trás de nossas comunidades da Educação a Distância, por trás
de um projeto educacional em nível nacional: somar, interagir, recriar e exceder.
Creio que estejamos todos engajados em um tal processo, em que experiências anteriores
subsidiam a criação de outras novas, em que parcerias acadêmicas, pedagógicas, técnicas e
de gestão facilitam o estabelecimento de novos padrões, em que, coletivamente, podemos dar
mais suporte a cada uma de nossas comunidades e resistir a fatores que regulam nosso sistema
negativamente, sejam eles econômicos, políticos, circunstanciais, logísticos ou de qualquer outra
natureza restritiva.
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Gostaria que a experiência dos professores que redigiram esse módulo pudesse ser compartilhada
com você, que algumas trilhas pudessem ser aproveitadas, de forma a facilitar seu caminho,
suas escolhas. Espero que as informações disponíveis o instiguem a reviver a perplexidade
do aprendiz, renovar a inspiração para suas práticas como professor, levar seus estudantes a
modificar permanentemente o sistema educacional de que fazem parte. Esse parece ser um
bom começo para nos engajarmos na empreitada da aprendizagem cooperativa e para nossos
estudantes assumirem um papel mais ativo na investigação do saber, numa verdadeira simbiose
com seus propósitos como educador.
Aceita um conselho? Encare esses fatos como um desafio e pense que você pode estar iniciando
um processo transformativo em suas práticas educacionais; que seu confortável sentimento de
segurança e previsibilidade como professor está dando lugar à incerteza do novo e à beleza do
encontro de soluções para problemas que começarão a emergir.
Cristine Costa Barreto
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Quem somos?
Cristine Costa Barreto
Desde meu ingresso no curso de Ciências
Biológicas da UFRJ, em 1984, me divido entre
atividades de pesquisa e educação. Além da
docência nos programas de graduação, mestrado
e doutorado do Instituto de Biologia, coordenei
projetos em Educação Ambiental, voltados
para os ensinos fundamental e médio. O pós-
doutorado realizado no Centre for Population
Biology (Imperial College, Londres) consolidou
meu perfil de pesquisa em ecologia teórica,
onde me dediquei ao estudo da importância da
complexidade espacial do habitat na diversidade
das comunidades associadas. Simultaneamente,
atualizei minha formação como educadora
por meio da extensão em áreas voltadas para
concepção de ambientes virtuais de aprendizagem,
tecnologia da informação, ensino interativo e
aprendizagem baseada na resolução de problemas.
Ao retornar ao Brasil, em 2003, iniciei minhas
atividades no CEDERJ que culminaram com
a coordenação do Setor de Desenvolvimento
Instrucional, onde tenho a oportunidade de
reunir minha experiência na Educação ao
desenvolvimento de projetos de pesquisa
centrados no permanente aprimoramento do
desenho instrucional de nosso material didático.
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Sonia Rodrigues
Sou escritora, jornalista, doutora em Literatura
pela PUC-RJ, com larga experiência em combinar
pesquisa e desenvolvimento de produtos, pesquisa
e desenvolvimento de metodologia de ensino.
Nos últimos anos, tenho participado de projetos
com esse escopo junto a instituições públicas e
privadas. Atualmente sou pesquisadora da FAPERJ,
desenvolvendo, na Universidade Federal Fluminense,
o projeto Poesia para Físicos, ou, como usar o
modelo narrativo para ensinar o pessoal das exatas
e engenharias (professores e alunos) a promover
a leitura, a pesquisa e a produção de texto. E para
que serve na EAD? Serve, entre outras coisas, para
desenvolver jogos e/ou para aumentar a competência
de escrita e leitura. A nossa e a dos alunos.
Foto: Bel Pedrosa.
Roberto Paes de Carvalho
A linguagem sempre desempenhou um importante
papel em minha vida. Minhas primeiras lembranças da
infância, no que se refere aos processos de reflexão e
conscientização, remetem a questionamentos sobre
o significado das palavras e os contextos em que elas
eram inseridas. “Por que isso significa aquilo e não
aquilo outro...”.
E esse tipo de reflexão, felizmente, dura até hoje. Daí
ter caminhado para a Lingüística, ciência que me
inquieta mais do que esclarece.
Atualmente estou concluindo o doutorado em Estudos
Lingüísticos e atuo como elaborador de material
didático para EAD no CEDERJ, com ênfase à produção
de texto auto-instrucional e à capacitação de autores.
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Carlos Otoni Rabelo
Sou Publicitário, formado pela Universidade
Federal Fluminense e trabalho no CEDERJ
como Designer Instrucional desde agosto 2005.
Sempre fui fascinado pela linguagem e desde a
graduação tenho me aventurado pelo mundo da
escrita, inclusive contribuindo com uma coluna
semanal no Jornal Dois Estados, jornal da minha
querida cidade natal Miracema. Freqüentemente
sou questionado sobre a afinidade entre minha
formação e a EAD. Embora elas pareçam bem
diversas, costumo dizer que “convencer” alguém
a usar determinado produto ou serviço é como
“convencer” o aluno de EAD a vencer obstáculos,
superar desafios, e aprender!
Ana Paula Abreu Fialho
Cursei Ciências Biológicas, na UFRJ. Prestes a ingressar
no mestrado em Bioquímica, na mesma instituição,
participei de um curso para professores de Ensino Médio
que os colocava em laboratório para responderem
experimentalmente às suas curiosidades sobre um
determinado tema. Ali, senti estar “fazendo diferença”
para a formação de alguém. Mais, senti querer isso. Um
ano depois, em 2004, conheci a EAD, através do CEDERJ.
Encantei-me pelo Design Instrucional de materiais
didáticos impressos para formação de professores. Minha
afinidade com essa área foi tão grande que larguei os
tubos de ensaio. Hoje, estou terminando meu doutorado,
estudando o papel do Design Instrucional para a
aprendizagem de Bioquímica. Além disso, supervisiono, no
CEDERJ, a produção de materiais para cursos de formação
inicial de trabalhadores.
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José Meyohas
Comecei minhas atividades profissionais,
como professor, ainda antes de concluir
minha graduação/licenciatura em Letras
(Português/Inglês _Literaturas) na Faculdade
de Letras da UFRJ. Isso foi lá pelos idos de
1970, quando tive, pela primeira vez, registro
de professor em carteira profissional. De lá
para cá, não mais parei. Fiz toda espécie de
curso que vi pela frente, desde que na área
de significação na linguagem. É, como se
diz, “a minha praia”. Desenvolvi as funções
de assessor de treinamento e de analista de
comunicação no The Chase Manhattan Bank
N.A., ao mesmo tempo em que ministrava
aulas à noite no Colégio Paulo VI, que ajudei a
montar... Aulas sempre e sempre... Atualmente,
sou servidor público estadual ativo, professor
de Língua Portuguesa e Literatura Brasileira,
além de Supervisor de Linguagem do Setor de
Desenvolvimento Instrucional do CEDERJ, onde
redijo, reviso,faço copidesque, etc.
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Índice
Aula 1
Material impresso como recurso educacional: isso é história? ......................................................... 11
Cristine Costa Barreto
Aula 2
Desenho instrucional em materiais didáticos impressos – boa idéia! ............................................. 31
Cristine Costa Barreto
Aula 3
Objetivos de aprendizagem................................................................................................................................ 51
Carlos Otoni Rabelo e Roberto Paes de Carvalho
Aula 4
Linguagem: significado e funções................................................................................................................... 73
Sonia Rodrigues
Aula 5
O uso da linguagem. Por que tanta preocupação e tanto cuidado?................................................. 91
Ana Paula Abreu Fialho e José Meyhoas
Aula 6
Atividades – Praticando a boa prática ...................................................................................................... 115
Cristine Costa Barreto
Aula 6 – Apêndice
A bússola e o remo............................................................................................................................................. 139
Cristine Costa Barreto
Aula 7
Ajudando sua inspiração: modelos de atividades – Parte 1 ............................................ 149
Cristine Costa Barreto
Aula 8
Ajudando sua inspiração: modelos de atividades – Parte 2 ............................................................. 181
Cristine Costa Barreto
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Aula 7 e 8 – Apêndice
A bússola e o remo... novamente... ........................................................................................................... 207
Cristine Costa Barreto
Aula 9
Arquitetura da informação ............................................................................................................................ 217
Roberto Paes de Carvalho, Carlos Otoni Rabelo e Ana Paula Abreu Fialho
Aula 10
Etapas de produção de material didático impresso para EAD:
compartilhando uma experiência ............................................................................................................... 243
Cristine Costa Barret
Anexo 1
Parâmetros de avaliação de elementos instrucionais de uma aula .............................................. 271
Anexo 2
Cronograma de Produção de Material Didático Impresso................................................................ 277
Anexo 3
Questionário para avaliação de aula por alunos e tutores ............................................................... 285
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Material impresso
como recurso
educacional:
isso é história?
Cristine Costa Barreto
1
Aula
11
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12
Planejamento e elaboração de material didático impresso para EAD - elementos instrucionais e estratégias de ensino
Meta
Discutir os principais aspectos instrucionais relacionados à
utilização de materiais impressos na Educação a Distância
(EAD).
Objetivos
Ao final desta aula, você deverá ser capaz de:
1. Detectar elementos históricos e culturais relacionados
à importância de materiais impressos na Educação.
2. Identificar as vantagens e limitações da utilização de
materiais instrucionais impressos.
3. Determinar processos que contribuem para uma baixa
proficiência leitora e avaliar suas implicações para as
práticas de EAD baseadas em materiais impressos.
4. Detectar a aplicação de diferentes elementos visuais
para favorecer a aprendizagem em materiais impressos
voltados para EAD.
5. Relacionar a utilização de diferentes elementos gráficos
às especificidades de disciplinas de diferentes áreas.
Pré-requisitos
Antes de você iniciar o estudo desta aula, vá até sua
estante de livros, em casa ou no trabalho, e escolha um
livro-texto clássico de sua área de ensino ou pesquisa.
Mantenha esse livro ao seu lado, enquanto estuda.
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Aula 1 – Material impresso como recurso educacional: isso é história?
Era uma vez...
Você não está vendo que não podemos mais alimentar nossos filhos? Não tenho
coragem de vê-los morrer de fome diante dos seus olhos e estou resolvido a levá-los
amanhã à floresta e deixá-los lá, perdidos, o que não é difícil de fazer, pois enquanto
eles se distraírem catando gravetos, nós fugimos sem que eles percebam.
- Ai, Ai - gemeu a lenhadora - você será capaz, você mesmo, de abandonar os seus
filhos na floresta?
Não adiantou o marido mostrar a ela como era grande a sua miséria, ela não podia
consentir naquela idéia. Ela era pobre, mas era a mãe dos meninos. Contudo, depois de
refletir como seria doloroso ver os filhos morrerem de fome, ela acabou consentindo, e
foi-se deitar chorando.
(Trecho de “João e Maria” – Hans Christian Andersen)
Contos populares, segundo muitos estudiosos, surgiram como uma tentativa
de entender e explicar o mundo natural e o espiritual. Sua tradição oral fez com
que as histórias fossem disseminadas, absorvidas e modificadas pelas mais variadas
culturas. Uma vez surgidos, os contos eram espalhados, de país em país, por soldados,
marinheiros, mulheres roubadas de suas tribos, escravos, prisioneiros de guerra,
comerciantes, menestréis, músicos, monges, estudiosos e jovens viajantes. Dessa
maneira, as histórias se descolavam de seus contextos originais e subsistiam como uma
espécie de “energia social”, (re)produzindo e (re)propondo modelos sociais e culturais.
Essas práticas seculares foram modificadas de forma irrevogável pela invenção da escrita.
O conto oral, de tradição popular, converteu-se, assim, em um tipo de discurso literário,
com o objetivo de nutrir costumes, práticas e valores de certa época. Surgiam as primeiras
formas de educar a distância, informações trazidas de longe, antes pelos próprios contadores
de história, depois pelos manuscritos, para entusiasmar ouvintes e leitores de maneira
atemporal, ora retratando a realidade de forma cômica, ora sombria, ora fantasiosa.
Não precisamos entrar demasiadamente em detalhes históricos para reconhecer
que a Educação a Distância tem suas raízes mais profundas no meio impresso, no
que antes chamávamos cursos por correspondência. A despeito da emergência de
alternativas tecnológicas poderosas e atraentes, materiais impressos continuam a
exercer um importante papel nessa modalidade educacional. Por quê? Em parte, pelo
mesmo motivo que faz com que os contos populares permaneçam entre as formas de
literatura favoritas de crianças, jovens e adultos. Desde muito cedo a humanidade ouve,
conta, lê e escreve histórias.
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Planejamento e elaboração de material didático impresso para EAD - elementos instrucionais e estratégias de ensino
Registros escritos são o cimento da sociedade. A própria História surge como um
gênero literário no seio da narrativa literária grega, a começar por Hecateu de Mileto e sua
“historicização do mito”. Os historiadores antigos eram antes literatos
que cientistas, a História era concebida como opus oratorium p .
Er will bloss zeigen wie es eigentlich gewesen,
“Ele <o historiador> quer claramente mostrar como, na realidade, aconteceu...”
(Histórias dos povos românicos e germânicos. Von Ranke, 1826)
http:wwwunicamp.br/nee/arqueologia/arquivos/historia_antiga/filosofia.html
Para não nos restringirmos ao passado, o próprio jornalismo moderno é um esforço
para seguir a lógica de uma narrativa, para informar, para contar uma história de um
modo coerente, sem erros factuais. Ou seja, há séculos estamos acostumados a processar
informações na forma escrita, a partir de seu armazenamento, transmissão, combinação
e comparação. É natural a importância que permanece associada a materiais impressos na
Educação, em qualquer modalidade em que se apresente, a distância ou presencial.
Espero que, de alguma maneira, quando ensinar, você evoque seu lado contador
de histórias, “aquele que diz e, por isso, precisa saber bem o que irá dizer. Precisa
ter dúvidas, certezas, conhecimentos, estudo e talento. Talento de sedução. Contar
histórias é revelar segredos, é seduzir o ouvinte e convidá-lo a se apaixonar... pelo livro...
pela história... pela leitura. E tem gente que ainda duvida disso” (Grupo Morandubetá
de Contadores de História).
opus oratorium
= obra oratória
Visite o site http:www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttex&pid=s0101-32621998
00020006#back e leia mais sobre contos populares e conheça o trabalho da
Professora Anete Abramowicz, do Departamento de Metodologia de Ensino da
Universidade Federal de São Carlos.
Multimídia
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Aula 1 – Material impresso como recurso educacional: isso é história?
H
ecateu - Historiador, geógrafo e mitógrafo grego de Mileto, cidade destruída
(494 a. C.) por Dario (550-486 a.C.). Introduziu sensíveis modificações nos
mapas geográficos de Anaximandro (611-547 a. C.). Com seu livro Viagem ao redor do
mundo tornou-se um pioneiro da Geografia. Precursor de dois notáveis e brilhantes o
historiadores, Heródoto (484-425 a. C.) e Tulcídides (471-399 a.C.), escreveu quatro
livros denominados Histórias sobre genealogias ou mitologias, nos quais submeteu os
mitos e lendas gregas a um novo enfoque crítico. Uma pseudo-história que, apesar da
credulidade do autor, tornou-se precursora e protótipo das obras de história posteriores.
Com este escrito, inaugurou a análise das sociedades humanas em bases mais
sistemáticas do que as utilizadas até então. Provavelmente morreu também em Mileto.
Fonte: http://www.dec.ufcg.edu.br/biografias/cateu0.html
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Quais as vantagens de um material
didático impresso?
Antes de passarmos a uma discussão objetiva acerca das vantagens associadas
à utilização de materiais didáticos impressos na Educação a Distância, convido-o a
realizar uma atividade de forma que você incorpore as idéias apresentadas na seção
anterior à sua própria percepção acerca do valor dessa mídia nas práticas de ensino.
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Planejamento e elaboração de material didático impresso para EAD - elementos instrucionais e estratégias de ensino
Atividade 1
Atende aos objetivos 1 e 2 j
Materiais educacionais impressos: os prós
Analise as imagens e informações textuais a seguir:
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Fonte: www.sxc.hu/193035
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Fonte: www.sxc.hu/653159
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Fonte: www.sxc.hu/566956
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Fonte: www.sxc.hu/575203
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Aula 1 – Material impresso como recurso educacional: isso é história?
Buckminster Fuller – arquiteto, engenheiro, r designer, professor e rr
autor, inventor do domo geodésico, um dos visionários mais respeitados
do mundo, dirigiu suas previsões para a educação do futuro. Em um
discurso realizado em abril de 1961, comentou que “a maior parte do
sistema educacional atual tem como meta responder à pergunta: Como
vou conseguir um emprego? Eu preciso ganhar o meu sustento. Esse é
o item prioritário sob o qual trabalhamos todo o tempo – a idéia de que
necessitamos nos sustentar”.
4
“A Educação a Distância e suas variantes têm o potencial
de prover eqüidade de acesso ao conhecimento em
diversos níveis”.
Extraído do livro Educação a Distância ao redor do mundo
(Brown & Brown, 1994)
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Fonte: www.sxc.hu
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Planejamento e elaboração de material didático impresso para EAD - elementos instrucionais e estratégias de ensino
Agora relacione as informações que você analisou com o conteúdo da seção “Era uma
vez...”. A partir daí, enumere algumas das razões que, a seu ver, fazem do material
impresso um importante meio para a disponibilização de conteúdo na Educação a
Distância. No quadro a seguir, comecei enunciando uma dessas razões. Inclua, pelo
menos, outras duas.
Por que material didático impresso?
1. É um meio familiar aos leitores.
2. ________________________________________________________________
3. ________________________________________________________________
Resposta comentada
As informações textuais e visuais que você analisou provavelmente suscitaram muito mais
que apenas duas idéias. Imagino ainda que uma mesma imagem deve ter feito você pensar
em mais de um aspecto. Tentei reunir a seguir as principais idéias envolvendo a utilização
de materiais didáticos impressos. É possível que você tenha pensado ainda em outras. Se
isso aconteceu, aproveite o espaço Fórum Livre – Aula 1, na Plataforma, para trocar outras
impressões com os demais alunos da turma.
1. Começando pelo exemplo que dei, materiais impressos nos são bastante familiares, além
de razoavelmente bem compreendidos e aceitos pelos leitores.
2. Além disso, o estudo de um texto é um processo cujo ritmo é inteiramente ditado pelo
aluno. Se, à primeira leitura, algum conceito lhe escapou à compreensão, ele pode retomar
a passagem quantas vezes quiser.
3. Ao contrário do que pode parecer, materiais impressos podem perfeitamente ser
percorridos de forma não linear, desde que exista uma arquitetura da informação que
3
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Fonte: www.sxc.hu/707409
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Aula 1 – Material impresso como recurso educacional: isso é história?
assim o possibilite. Como em um jornal, em que podemos facilmente passar da seção de
Economia à de Turismo, à dos Classificados, conforme nos convier.
4. Não é necessário que se estabeleça um horário ou local para que o conteúdo seja
disponibilizado.
5. A leitura de um texto impresso não requer qualquer equipamento especial. Pode-se dar
em qualquer local ou circunstância, especialmente porque se trata de um recurso de fácil
transporte.
6. Materiais impressos são de fácil marcação, o que facilita as estratégias de estudo de
cada aprendiz e também as estratégias de revisão de um material previamente estudado e
marcado.
7. Um dos aspectos mais importantes associados ao uso de materiais impressos na Educação
a Distância é seu potencial de inclusão social. Hoje, embora o desenvolvimento tecnológico
possibilite uma miríade de experiências extremamente sofisticadas, a grande maioria da
população da América Latina, e mesmo mundial, não tem acesso à internet. A mídia digital,
portanto, não pode garantir de fato a democratização da informação em todos os níveis
sociais, embora a barreira tecnológica nesse sentido há muito tenha sido derrubada.
8. Materiais impressos tradicionalmente são usados para a oferta de grandes quantidades
de conteúdo, como é necessário a cursos de graduação, por exemplo, independente da
modalidade, presencial ou a distância. O ambiente digital e sua multimodalidade devem
ser explorados com a finalidade de promover experiências unicamente possíveis por
meio daquela mídia e contribuir para a aprendizagem do aluno de forma diferenciada
daquela do material impresso. Isso não inclui a disponibilização de um grande volume de
informações em aulas baseadas na web.
9. A tecnologia envolvida na elaboração de um texto é bastante familiar e razoavelmente
conhecida tanto por desenhistas instrucionais quanto pelos especialistas responsáveis
pela elaboração do conteúdo. Diagramadores experientes contribuem para um design
adequado a um texto cuja substância decorre da experiência de profissionais do ensino ou
da pesquisa que eles acumularam em anos de prática em publicações variadas, tais como
livros-texto e artigos científicos.
10. O custo de preparação e replicação de materiais impressos é relativamente baixo
quando comparado a outras mídias, tais como aulas baseadas na web, TV ou em
formato de vídeo.
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Planejamento e elaboração de material didático impresso para EAD - elementos instrucionais e estratégias de ensino
E viva a diferença!
A despeito das muitas vantagens associadas ao uso de materiais impressos para
a Educação a Distância, naturalmente você deve considerar as limitações em sua
utilização, especialmente se tem ou teve contato com recursos tecnológicos que, se bem
explorados, podem contribuir muito para facilitar a aprendizagem do aluno. Iniciamos
esta seção com uma nova atividade.
Figura 1.1: Atualmente, os recursos tecnológicos possíveis
abrem portas para uma aprendizagem mais versátil e criativa.
Fonte: www.sxc.hu (Carl Dwyer)
Atividade 2
Atende ao objetivo 2 j
Materiais educacionais impressos: os contras
Em sua opinião, qual a principal restrição associada a materiais didáticos impressos? Faça
um esforço antes de escrever no espaço a seguir o que, para você, realmente é o maior
problema associado a essa mídia.
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_________________________________________________
Fonte: www.sxc.hu/544853
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Aula 1 – Material impresso como recurso educacional: isso é história?
Resposta comentada
Novamente, diversas limitações podem ter passado por sua cabeça. Se sua principal
preocupação for diferente das listadas a seguir, não deixe de compartilhar sua percepção e
suas inquietudes com o restante do grupo participando do Fórum Livre – Aula 1.
1. Por mais realistas que sejam os recursos imagéticos encontrados em materiais impressos,
a realidade é sempre representada de maneira indireta. A leitura de um texto, a análise
de uma tabela, e mesmo a ilustração de maior qualidade requerem sempre o exercício
da analogia por parte do leitor, que deverá transpor aquela informação e associá-la,
mentalmente, ao domínio real.
2. Diretamente relacionado ao item acima, o fato de que em materiais impressos não se pode
fazer uso do recurso do movimento é uma limitação amplamente superada na mídia digital;
3. O uso da cor, se necessário, representa um investimento caro.
4. A limitação do tipo de feedback e interação possíveis de serem proporcionados por meio
dos materiais impressos é freqüentemente uma preocupação dos educadores a distância.
De fato, as possibilidades de interação com pares são incomparavelmente maiores no meio
digital. Mas atenção: um bom texto associado às imagens certas é capaz de provocar mais
o leitor do que o uso da tecnologia com fins meramente atrativos, sem que haja substância
pedagógica ou de conteúdo por trás da mágica digital.
5. A eficácia da aprendizagem por meio de materiais impressos depende da capacidade
leitora dos alunos. Infelizmente, uma proficiência leitora comprometida é uma lacuna
observada em diversas realidades sociais e culturais.
6. Associado à questão da dependência da capacidade leitora está, em minha opinião
particular, o aspecto mais difícil de abordar quando optamos pelo uso de textos em
processos educacionais. A maioria de nossos alunos foi altamente exposta à mídia
televisiva e cresceu provavelmente mais acostumada a decodificar informações sob o
formato de programas de TV que sob o de um livro.
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Planejamento e elaboração de material didático impresso para EAD - elementos instrucionais e estratégias de ensino
Letramento no Brasil
O
gráfico a seguir sintetiza os principais resultados de uma pesquisa realizada em 2001 sobre
as condições de letramento dos jovens e adultos brasileiros. Os dados foram recolhidos
em uma amostra representativa da população entre 15 e 64 anos, à qual foram aplicados um
teste de leitura e um questionário, visando levantar informações sobre histórico educacional,
usos da linguagem escrita em diferentes contextos, além do julgamento das pessoas sobre suas
capacidades e disposições quanto à leitura e à escrita.
Um exame cuidadoso dos itens listados na resposta comentada da Atividade 2
mostra que as limitações identificadas nos itens 1 a 3 não são realmente limitações,
mas simplesmente características do meio impresso que, para muitas situações educa-
cionais e instrucionais, podem não ter qualquer relevância. Ou seja, quando o uso de
movimentos ou a representação em cores, por exemplo, não forem essenciais para a
compreensão de um determinado tema (conforme freqüentemente é o caso), o material
impresso não é desvantajoso.
O mesmo não podemos dizer acerca dos itens 4 a 6, mais preocupantes porque
podem realmente interferir na aprendizagem no momento em que esperamos de
nossos alunos proficiência leitora para a compreensão dos conteúdos oferecidos.
O boxe “Letramento no Brasil” apresenta resultados interessantes acerca dos níveis
de alfabetismo dos jovens e adultos brasileiros. Uma proporção significativa dos
aprendizes não sabe fazer um uso ótimo de materiais impressos e está mais adaptada
à informação visual. Particularmente, esse é o tema que mais me preocupa quanto à
utilização de materiais impressos, e me parece tão nevrálgico que gostaria de discuti-lo
de forma mais detalhada na próxima seção.
%% 2% 2% 2%
1% 11%
0% 50%
38%
%%% 2%% 2%
44% 44%
43% 43%
12% 12%
42% 42%
44% 44%
3% 13%
%%%%% 55%
30% 30%
% 66%
100%
90%
80%
70%
60%
50%
40%
30%
20%
10%
0%
Alfabetismo segundo o grau de escolaridade
Até 3ª série (447) De 4ª a 7ª série
(764)
Ensino Fundamental
Completo e Médio
incompleto (384)
Ensino Médio
completo ou mais
(405)
Alfabetismo Nível 3
Alfabetismo Nível 2
Alfabetismo Nível 1
Analfabetismo
M
a
i
s
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Aula 1 – Material impresso como recurso educacional: isso é história?
Analfabetismo
A maioria das pessoas classificadas como analfa-betas não acertou nenhum dos itens do teste. Algumas,
entretanto, conseguiram responder a um ou dois itens mais simples, que não exigiram decifração das
letras, como, por exemplo, apontar o nome da revista na capa da publicação utilizada para a testagem.
Nível 1 de alfabetismo
As pessoas que acertaram de 3 a 9 itens do teste foram classificadas no nível 1 de alfabetismo. Esse
grupo consegue localizar informações explícitas em textos muito curtos e também ler títulos bem
destacados.
Nível 2 de alfabetismo
O nível 2 de alfabetismo corresponde às pessoas que acertaram de 10 a 15 itens do teste. Conseguem, com
grande freqüência, localizar informações explícitas em textos curtos. Muitas conseguem também localizar
informações em textos de extensão média, mesmo que não estejam explícitas.
Nível 3 de alfabetismo
Foram classificadas no nível 3 de alfabetismo as pessoas que acertaram de 16 a 20 itens do teste. Essas
pessoas demonstraram capacidade de ler textos mais longos, podendo orientar-se pelos subtítulos,
além de localizar nos textos várias informações de acordo com as condições estabe-lecidas, estabelecer
relações entre as partes do texto, comparar dois textos e realizar inferências e sínteses.
Trechos extraídos da pesquisa realizada por Vera Masagão Ribeiro, Claudia Lemos Vóvio e Mayra Patrícia Moura, da
ONG Ação Educativa – Assessoria, Pesquisa e Informação.
Disponível em <http://www.cedes.unicamp.br>
Figura 1.2:
Em 1973, chegava
à nossa TV o Vila Sésamo,
versão brasileira da série educativa
norte-americana Sesame Street.
Garibaldo, Ênio, Beto e só um probleminha
com a Vila Sésamo
Sou capaz de arriscar que, mesmo se você for o
professor mais jovem do grupo, terá assistido, em
sua infância, a algum episódio ou fita de vídeo do
programa de TV Vila Sésamo. Além dos personagens
mais famosos, lembro-me claramente de elementos
que capturavam minha atenção de forma quase
magnética! Seqüências de números associadas
a figuras do dia-a-dia (...cinco cachorros... seis
carrinhos... sete lâmpadas...), uma espécie de
montanha-russa percorrida por uma bolinha
que ultrapassava diversos obstáculos, situações-
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Planejamento e elaboração de material didático impresso para EAD - elementos instrucionais e estratégias de ensino
Vale a pena conferir o endereço abaixo e relembrar
a seqüência do programa Vila Sésamo que mostra
uma bolinha trafegando em complexo sistema que
lembra uma montanha russa. Quem se recorda?
Não se esqueça de que o espaço Fórum Livre
– Aula 1 está disponível na Plataforma também
para você compartilhar as influências de seus
hábitos de infância, da sua criação, na formação
de seu perfil como aluno, como professor .
problema gravíssimas como a falta de luz bem na hora em que Ênio ia para o banho, sem
ter conseguido achar seu patinho de borracha... Eram imagens que falavam comigo!
E eu cresci associando números a quantidades, deixando-me impregnar da idéia de sistemas
complexos e aprendendo a resolver problemas junto com uma ave azul de três metros de
altura, um sapo com jeito introspectivo que inspirava terapia, um sem-número de fantoches
com nomes tão esquisitos quanto Gugu, Funga-Funga e Come-Come, além de alguns seres
humanos para contrabalançar, é claro! Tudo isso enquanto almoçava calmamente em
frente à TV, assistindo a um programa educativo e divertido como há muito tempo não se
vê por aí.
http://www.youtube.com/watch?v=ewalHF0T0GY
Nós (se você me permite o plural), da geração Vila Sésamo, crescemos acostumados
a decodificar informações cujo apelo visual exercia um papel fundamental. Da mesma
forma, nossos estudantes foram criados na era televisiva. Programas de formatos variados
trazem, cada vez mais, informações já pensadas, concluídas e, não raramente, com menor
comprometimento educacional do que aquele sob o comando do Garibaldo.
Quando passamos à educação formal e ao conseqüente convívio, cada vez maior,
com materiais impressos tais como livros didáticos e paradidáticos, contamos com uma
figura decisiva ao nosso lado: o professor. Eventuais lacunas em nossa proficiência
leitora talvez tenham sido menos percebidas dada a presença constante do mestre em
sala de aula.
Multimídia
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Aula 1 – Material impresso como recurso educacional: isso é história?
Quando consideramos a educação a distância, em que alunos dependem da
conceituação de conteúdos textuais para procederem à sua aprendizagem, precisamos
ser capazes de resolver um problema mais grave do que a simples falta de luz na hora do
banho do Ênio. Como retomar o processo de concepção e conceituação de informações
a partir de um texto, como faziam mais freqüentemente nossos pais e avós ao lerem
contos populares? Como caminhar na contramão de quem está mais acostumado a
produzir a partir da imagem, cinética ou não?
Em materiais didáticos concebidos para ambientes digitais, a potencialidade do
elemento visual é naturalmente mantida. Digo potencialidade porque, curiosamente,
enquanto nos debatemos para superar as limitações de materiais impressos relativas à
impossibilidade de veiculação de movimento, som e interação, um número preocupante
de materiais didáticos digitais se atêm demasiadamente ao elemento textual. Parece
paradoxal que o consenso, quase global, ao redor das promessas tecnológicas como um
meio que finalmente possibilite romper paradigmas educacionais seja freqüentemente
acompanhado da criação de produtos digitais que em muito estão circunscritos às
ofertas cognitivas de um livro-texto convencional.
Antes de tudo, e principalmente, você é um educador. De cursos técnicos ou do
ensino superior, por meio de instrução formal ou informal, de jovens ou adultos: seu
propósito principal no contexto dessa capacitação é produzir bons materiais textuais
para instrução, sejam eles os materiais que você distribui em sala de aula, manuais de
atividades práticas em laboratório ou aulas para cursos a distância. Tornar a leitura
mais fácil para o leitor e, especialmente, para a sua aprendizagem, deve ser a maior
preocupação do educador.
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Planejamento e elaboração de material didático impresso para EAD - elementos instrucionais e estratégias de ensino
Matemática
Atividade Final
Atende aos objetivos 3, 4 e 5 j
Imagem e aprendizagem
Como fazer um uso equilibrado e potencializador do elemento imagético, de forma a
criar condições que favoreçam a aprendizagem? Observe páginas extraídas de diferentes
livros didáticos: Biologia, Matemática e Pedagogia. Tente detectar, em cada uma delas,
pelo menos um elemento gráfico que atenda mais eficazmente à aprendizagem de
conteúdos em uma dessas áreas.
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Aula 1 – Material impresso como recurso educacional: isso é história?
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Planejamento e elaboração de material didático impresso para EAD - elementos instrucionais e estratégias de ensino
Resposta comentada
A Matemática é uma ciência difícil de ensinar. A formalidade de uma linguagem própria
associada à freqüente necessidade do raciocínio lógico e abstrato fazem da Matemática
um desafio para alunos e professores. O elemento imagético é particularmente importante
na representação espacial, da perspectiva geométrica, contribuindo para a visualização de
conceitos. No entanto, ensinar Matemática contando histórias, contextualizando situações,
utilizando-se da linguagem escrita, é uma prática a que poucos professores devotam
atenção. No exemplo dado, repare a diagramação arejada valorizando a representação de
retas e planos, mas note também que há informações textuais, inclusive uma biografia que
traz a ciência para o mundo real. Some isso à comparação entre elementos geométricos
e uma figura humana e teremos bons pontos de conexão com o aluno. Possivelmente,
haveremos de ter mais chances de sucesso no ensino de Matemática.
Ensinar Biologia a partir de imagens é uma estratégia que prescinde de explicações. Fotos,
ilustrações, esquemas e diagramas são recursos que podem ser utilizados tanto quanto
sua criatividade e seus recursos de produção permitirem. É comum que os textos de aula
nessa área sejam excessivamente descritivos, longos, esgotando a capacidade analógica
do aluno em situações em que a imagem poderia ser mais eficazmente utilizada. Mesmo
com o farto uso de ilustrações, elementos periféricos adicionais, tais como verbetes e boxes
explicativos, contribuem para um design gráfico mais agradável e para aliviar um pouco o
peso do corpo do texto principal.
Se, por um lado, as ciências humanas são mais facilmente relacionáveis ao nosso cotidiano,
por outro, requerem mais inventividade para o uso de elementos imagéticos nos processos
de ensino e aprendizagem. É comum que as informações textuais nessas áreas sejam densas
e extensas, como um reflexo da necessidade natural de se exporem conteúdos sob forma
de descrição, reflexão e discussão. Um investimento diferenciado na diagramação, com o
texto “se movimentando” ao redor da imagem, associado ao uso de boxes, verbetes e demais
elementos periféricos contribui muito para facilitar a apreensão da informação, que fica mais
limpa, destacando-se no suporte impresso em que é veiculada. O uso de analogias, nesse
caso, é particularmente valioso, pois permite conexões com situações, contextos e demais
áreas do saber que em muito contribuem para o aluno expandir seu horizonte cognitivo.
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Aula 1 – Material impresso como recurso educacional: isso é história?
No exemplo, os professores propõem aos alunos “uma viagem pelas terras dos
Fundamentos da Educação”, em que um trem, ilustrado desde a capa do volume, simboliza
um meio de percurso pelas estações e temas da disciplina.
Em qualquer dos exemplos discutidos, não se esqueça de que, ao ensinar qualquer
disciplina, você pode sempre usar a imagem para ilustrar melhor a história que está
contando e, assim, envolver mais seus leitores/alunos com o conteúdo, com você, com a
aprendizagem em si.
Resumo
A
s práticas seculares de ouvir e contar histórias fazem parte das
razões pelas quais os materiais impressos exercem um importante
papel na Educação a Distância. Além de serem bastante familiares,
compreendidos e aceitos pelos leitores, a utilização desses materiais
está associada a vantagens, tais como a flexibilidade de estudo no
tempo e no espaço, as diferentes rotas de navegação decorrentes
de uma arquitetura de informação bem articulada, sua adequação
para a oferta de grandes quantidades de conteúdo e, especialmente,
seu incomparável potencial de inclusão social. Limitações como a
impossibilidade de representação de movimento e a menor interação
entre pares devem ser consideradas quando da elaboração de aulas
voltadas para a mídia impressa. Restrições relativas à baixa capacidade
leitora e ao hábito associado à informação visual são questões de
relevância primordial ao se considerar, especificamente, a educação
a distância. Nesse sentido, elementos imagéticos podem contribuir
bastante para maior eficácia na aprendizagem, especialmente se
utilizados de acordo com as especificidades de cada área ou disciplina
a que se destinem.
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Planejamento e elaboração de material didático impresso para EAD - elementos instrucionais e estratégias de ensino
Leituras Recomendadas
Infelizmente, a literatura em português acerca de materiais didáticos impressos não é vasta.
Para complementar sua leitura nos temas que serão abordados no Módulo II, é importante
explorar materiais em língua estrangeira. Caso você tenha interesse em se aprofundar nos temas
abordados nessa primeira aula, recomendo a leitura de duas publicações:
MISANCHUCK, E.R. 1994. Preparing instructional text – Document design using desktop
publishing. Educational Technolgy Publications In: Willis, B (ed) Distance Education: Strategies
and Tools. Englewood Cliffs, New Jersey.
MERRIL, MD, 1994. Instructional Design Theory. 1ed. New Jersey: Educational Technology yy
Publications, Inc.
Bibliografia consultada
Burns, D., Venit, S. and Hansen, R. 1988. The electronic publisher. New York: Brady.
Clark R. E. 1984. Research on student thought processes during computer-based instructions.
Dick, W. & Carey, L. 1990. The systematic design of instruction. Glenview, I.L.: Scott, Foresman.
Felici, J. & Nace, T. 1987. Desktop publishing skills: a primer for typesetting with computers and
laser prints. Reading, M.A.: Addison-Wesley.
Misanchuck, E.R. 1994. Preparing instructional text – Document design using desktop
publishing. Educational Technolgy Publications
Englewood Cliffs, New Jersey. 307 pp.
Shushan, R. & Wright, D. 1989. Desktop publishing by design. Redmond, W.A.: Microsoft
Press.
West, S. 1987. Design for desktop publishing. In The Waite Group (J. Stockford, Ed.), Desktop
publishing bible (pp. 53-72). Indianapolis, IN: Howard W. Sams.
Zipes, J. 1986. Les contes de fées et k’art de ka sybersion. Payot, Paris.
Abramowicz, A. 1998. Contos de Perrault, imagens de mulheres.
http:wwwscielo.br/scielo.php?script=sci_arttex&pid=S0101-32621998000200006#back
Informações para a próxima aula
Na Aula 2, teremos a oportunidade de discutir aspectos gerais do desenho instrucional de materiais
didáticos impressos para EAD. Na verdade, você vai perceber, ao longo do módulo, que todas as
aulas se voltam para este mesmo tema central, buscando facilitar nosso trabalho como educadores:
priorizar a máxima eficácia instrucional como elemento supremo de nosso trabalho.
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Desenho instrucional
em materiais
didáticos impressos
– uma boa idéia!
Cristine Costa Barreto
2
Au
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Planejamento e elaboração de material didático impresso para EAD - elementos instrucionais e estratégias de ensino
Meta
Discutir os principais aspectos educacionais que subsidiam
a concepção de projeto instrucional para materiais didáticos
impressos na Educação a Distância (EAD).
Objetivos
Ao final desta aula, você deverá ser capaz de:
1. Identificar os níveis em que o desenho instrucional opera
em materiais educacionais.
2. Determinar as limitações envolvidas na decodificação
das informações e comportamentos típicos do ensino
presencial para a linguagem da Educação a Distância.
3. Definir estratégias que contribuem para essa
decodificação.
4. Relacionar a linguagem escrita ao desenvolvimento de
elementos que favoreçam a aprendizagem do aluno a
partir de suas capacidades cognitiva, motivacional e
emocional.
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Aula 2 – Desenho instrucional em materiais didáticos impressos – uma boa idéia!
O que é desenho instrucional?
Boa pergunta; você provavelmente está pensando... Mas antes de começarmos a
conversar sobre o tema, peço que observe a imagem a seguir. Essa é a fotografia de
um tipo de vegetal chamado repolho-romanesco, tão comum à mesa de europeus e
americanos quanto é a couve-flor à nossa. Agora responda: qual parte desse repolho
se assemelha a uma estrutura cônica? Enquanto observa a imagem e tenta responder à
pergunta, aproveite e pense também sobre o que é desenho instrucional e o que essa
comida caseira tem a ver com o conceito.
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:

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a
n

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Atividade 1
Atende ao objetivo 1 j
Um jantar geométrico
Fonte: www.sxc.hu/722018
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Planejamento e elaboração de material didático impresso para EAD - elementos instrucionais e estratégias de ensino
E o que isso tem a ver com desenho instrucional? Aparentemente, não muito.
Mas assim como um exercício menos usual nos permite enxergar cones em repolhos
e formas geométricas no jantar, se prosseguirmos com a criatividade trabalhando a
nosso favor, podemos fazer uma analogia entre geometria fractal e processos de criação
de elementos instrucionais na Educação, só para começar. Não sabe bem o que é
geometria fractal? Então, dá uma olhada no boxe “Qual o tamanho do repolho?” antes
de passar à próxima seção, para continuarmos a conversa.
Resposta comentada
Se você é um bom observador, provavelmente detectou estruturas cônicas em, pelo
menos, três níveis do repolho-romanesco da foto. O repolho inteiro tem aspecto cônico,
mas é constituído de estruturas que parecem pequenas árvores de Natal que também se
assemelham a cones. Olhando ainda mais atentamente, cada “árvore” é constituída de
estruturas mais delicadas que, da mesma forma, possuem aspecto cônico. A foto sugere
que essa repetição de padrões cônicos se
dê, pelo menos, em mais uma escala de
observação, mais detalhada, e provoca
a imaginação que nos desafia a pensar
até aonde vai a auto-similaridade do
repolho-romanesco.
Auto-similaridade
Qualidade de um objeto que exibe uma
mesma aparência em diversas escalas de
observação; cujas partes são similares
ao todo e umas às outras.
Qual o tamanho do repolho?
D
iferentemente da geometria euclidiana, que aprendemos na escola, a geometria fractal
não trata de formas regulares como um quadrado ou um cone. Fractal é o nome dado
a uma forma geométrica irregular que pode ser subdividida em partes, e cada parte será uma
cópia reduzida da forma do todo. De modo simplificado, podemos dizer que é um objeto que se
apresenta igual aos nossos olhos por mais que nos aproximemos ou nos afastemos dele, algo
como um essencial quadro dentro de um quadro, dentro de um quadro, infinitamente. Uma das
características de um objeto fractal é ter comprimento infinito. Seu comprimento ou área (ou o
tamanho) são crescentes conforme tentamos medi-los com maior precisão, ou seja, conforme
vamos incluindo cada vez mais detalhes de suas formas na nossa medição. Um dos exemplos
mais famosos é o Floco de Neve de Koch:
M
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i
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Aula 2 – Desenho instrucional em materiais didáticos impressos – uma boa idéia!
Na natureza, poucas formas são consideradas
fractais de fato, embora possamos dizer que
algumas apresentem um padrão essencialmente
auto-similar, como é o caso do repolho-roma-
nesco. Dentro de uma certa escala, a estrutura
cônica do repolho se repete e, se fôssemos tentar
medir sua superfície com precisão cada vez maior,
levando em consideração cada vez mais detalhes
geométricos, perceberíamos que podemos ter
para o jantar um prato de tamanho infinito e que
nem por isso engorda mais!
Ensinar: a forma mais elevada de compreensão
O trabalho do professor apenas é conseqüencial no momento em que é compreendido
pelos estudantes... Ensinar tanto educa quanto seduz futuros estudantes... Grandes
professores estimulam a aprendizagem ativa, não a passiva, e encorajam seus alunos a
serem críticos, pensadores criativos, com a capacidade de prosseguir aprendendo... De
fato, como Aristóteles disse, “Ensinar é a forma mais elevada de compreensão”
(BOYER, 1990).
Se tivesse de responder a você, objetivamente, o que é desenho instrucional, eu
diria que é uma boa idéia que encontrou caminhos para fazer diferença na vida de
alguém que está tentando aprender alguma coisa. Para que esses caminhos sejam
encontrados, uma série de etapas devem ser cuidadosamente planejadas e executadas,
antes de termos certeza de que, como educadores, tivemos de fato uma idéia que
contribuiu para ensinarmos melhor. Há muitas definições para o termo desenho
instrucional. Basta você entrar com o termo em qualquer site de busca, para se deparar
com milhares de resultados possíveis. Uma conceituação que me agrada, especialmente
por sua abrangência, é descrita no boxe “Conceituando Desenho Instrucional”.
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Planejamento e elaboração de material didático impresso para EAD - elementos instrucionais e estratégias de ensino
No que se refere à Educação, o desenho instrucional é um processo que ocorre
em vários níveis. De forma geral, está voltado para assegurar a qualidade da instrução
em materiais que pretendam ensinar algum conteúdo ou procedimento. Mas para
assegurar essa qualidade em uma aula para EAD, por exemplo, o processo inteiro inclui
a análise das demandas de aprendizagem em um determinado contexto educacional,
o desenvolvimento de um sistema que atenda a essas demandas, a concepção de
estratégias e materiais instrucionais que reflitam as especificidades das diversas
modalidades de ensino e das diversas áreas de saber, além de mecanismos que nos
permitam testar e avaliar a eficácia das diretrizes estabelecidas em todos os níveis de
uma proposta político-pedagógica.
Por mais que os níveis sejam considerados, todos evidenciam e repetem um mesmo
padrão: a busca por melhor ensino e melhor aprendizagem. Uma espécie de sistema
auto-similar em que cada nível reproduz, em termos de princípios educacionais, uma
mesma estrutura global, como os cones do repolho-romanesco. Freqüentemente
precisaremos ir e vir, de um nível para o outro, de forma sistemática, para garantir
que todas as etapas sejam cumpridas, para aperfeiçoá-las de acordo com a evolução
das descobertas, resultados de avaliações, surgimento de novas demandas, mudanças
em cenários políticos, econômicos ou sociais, garantindo a integridade de cada parte e
abrindo caminhos seguros para cada uma das boas idéias que tivermos. Esse processo
é dinâmico, de movimentos incessantes, de um nível instrucional para o outro, para
facilitar a aprendizagem de grandes e pequenas unidades de conteúdo em níveis de
complexidade altos e baixos. Isso é o que garante a qualidade do material educacional.
Isso é o que define um bom desenho instrucional.
Conceituando Desenho Instrucional
D
esenho Instrucional é o desenvolvimento sistemático de materiais e processos educativos visando à alta
qualidade do aprendizado. Fundamenta-se em teorias comportamentais, cognitivas e construtivistas, a
fim de solucionar problemas relacionados à capacitação e educação.
Envolve etapas de análise de necessidades, análise dos objetivos educacionais, análise das condições
ambientais sob as quais o aprendizado deve ocorrer, bem como a avaliação de materiais educativos,
processos e resultados. Pode ser aplicado ao planejamento e desenvolvimento de cursos, materiais e
atividades didáticas através de diferentes mídias.
Fonte: http://www.idprojetoseducacionais.com.br/home.php
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Aula 2 – Desenho instrucional em materiais didáticos impressos – uma boa idéia!
A essa altura, você pode estar pensando que essas idéias até fazem algum
sentido, mas é difícil compreendê-las, combiná-las e aplicá-las a um contexto específico,
que seja útil para você, como professor desafiado a escrever uma aula (na verdade,
várias!) para um curso na modalidade de Educação a Distância. Tem razão. Então,
vamos ajustar nosso foco e falar de desenho instrucional em um dos níveis mais
importantes do nosso sistema: a aula.
Uma boa aula não termina em silêncio!
Naturalmente, as estratégias que asseguram a qualidade na Educação, presencial ou
a distância, diferem dependendo do nível que estejamos considerando. Embora, como
educadores, nos caiba a difícil tarefa de manter um olho na árvore e o outro na floresta
(sem ficarmos tontos!), no Módulo II estaremos mais voltados para os elementos que
compõem um bom desenho instrucional no nível de uma aula. Essa é uma opção que
nos garante abordagem mais pragmática e maior eficácia para transpormos juntos a
distância entre o que você já sabe e o que você precisa saber para elaborar aulas que
integrem materiais impressos para a Educação a Distância.
Na maior parte das vezes em que me deparei com livros voltados para a capacitação na
elaboração de aulas e outros materiais didáticos para a EAD, tive a estranha sensação de
que diferentes sistemas instrucionais eram representados por meio de uma infinitude de
diagramas e fluxogramas que me pareciam, freqüentemente, vazios. Não vazios, de fato.
Mas que informavam que atividades são um aspecto distintivo e imperativo para a EAD,
e diziam pouco acerca de como criá-las e em que contexto utilizá-las. Que insistiam na
necessidade de uma linguagem dialógica, sem de fato darem subsídios para a organização
mental que nos permitiria escrever adequadamente para nossos alunos. Que chamavam a
atenção para a importância de o material didático atender a diferentes interesses e perfis
cognitivos dos estudantes, como se esse fosse um cenário facilmente traduzido em ações
e bons resultados. Que repetiam, quase como um mantra, a necessidade de se estimular
a autonomia do aluno, como se fosse fácil não confundir autonomia com uma tremenda
carga de trabalho associada a muitas contradições.
As poucas vezes em que tive ajuda relevante nessa direção, senti-me como um
náufrago que tem um bote para salvá-lo e que, de repente, ganha o remo e a bússola que
faltavam para poder remar na direção certa de um porto seguro. Gostaria de preencher
alguns desses diagramas e fluxogramas vazios, tentando explicar como e por que fazer
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38
Planejamento e elaboração de material didático impresso para EAD - elementos instrucionais e estratégias de ensino
um bom desenho instrucional em uma aula de EAD, em vez de meramente dizer seu
significado. Gostaria de privilegiar a natureza mais prescritiva das teorias de instrução
em vez da natureza mais descritiva das teorias de aprendizagem. E, acredite, vamos ter
bastante trabalho para fazermos tudo isso no nível de uma aula apenas. Que nosso
heróico bote venha com remo e bússola!
Figura 2.1: Sem as diretrizes, exemplificações e orientações
adequadas, é difícil para nós, professores, nos orientarmos
no sentido correto, em meio a um oceano de dúvidas, ao
escrevermos uma aula para EAD que faça diferença na vida de
quem está tentando aprender o que temos para ensinar.
Fonte: www.sxc.hu
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o
Um ponto de partida para escolher para que lado começar a remar é se dar conta
de que, se você estiver escrevendo uma aula do mesmo modo que escreveu aquele
maravilhoso capítulo daquele fantástico livro-texto muito importante na sua área, você
está remando na direção errada! Isso porque uma aula na Educação a Distância deve
tentar fazer tudo que você faria pessoalmente, em sala de aula, com seus alunos, e não
apenas dar a conhecer o conteúdo de que você é especialista e, certamente, domina tão r
bem. Assim como você, sua aula deve ser capaz de ensinar!
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Aula 2 – Desenho instrucional em materiais didáticos impressos – uma boa idéia!
Atividade 2
Atende ao objetivo 2 j
Na minha sala de aula...
a. Pense em uma coisa que você costuma fazer em suas aulas no ensino presencial e que
acredita que não seria capaz de fazer por meio de uma aula impressa.
b. Agora reflita: por que essa impossibilidade? Pense um pouco em como contorná-la,
antes de ler a resposta comentada a seguir.
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Fonte: www.sxc.hu
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Planejamento e elaboração de material didático impresso para EAD - elementos instrucionais e estratégias de ensino
Respostas comentadas
a. Você há de concordar comigo: uma das limitações mais difíceis de serem contornadas
em um material textual é a menor possibilidade de interação que oferece. Provavelmente,
o que quer que você tenha pensado deve ter relação com essa limitação. Em sala, você não
mostra apenas o que sabe, mas se revela como uma pessoa real, capaz de olhar em volta,
conhecer o ambiente e os alunos, gerar estímulos motivacionais com sua movimentação,
olhar e voz; incitar em vez de responder. É a pessoalidade de que tanto se ressentem os
alunos de EAD. Por outro lado, você pode estar em sala de aula e seus alunos darem tanta
atenção a você quanto a alguém que esgota um conteúdo enquanto lê um livro-texto em
voz alta.
b. Há estratégias que favorecem a interação em materiais impressos (veja alguns exemplos
em seguida da atividade). Em grande medida, essas estratégias consistem na formalização
e codificação de informações normalmente comunicadas de outras maneiras – algumas
vezes não verbais – a um estudante típico, em uma sala de aula presencial. Ou você acha
que algum aluno seu precisou de mais de 30 segundos, após você entrar em sala pela
primeira vez, para se engajar em um festival de cálculos na tentativa de responder quem
é esse professor, qual seu estilo, o que posso esperar dessa aula hoje e durante todo o
ano? Isso, claro, sem você abrir a boca! Portanto, dar as boas-vindas pode ser uma boa
estratégia para se antecipar aos seus alunos. Afinal, mesmo em seus primeiros dias como
professor, você jamais pensaria em entrar em sala de aula e começar a ensinar sem antes
se apresentar a uma turma de novos alunos, certo? O mesmo em relação ao assunto da sua
disciplina. Pois quando estiver elaborando sua aula impressa para EAD, você não deveria
fazer menos que isso. Mais ainda, prover informações a seu respeito, como acadêmico ou
indivíduo, dá o tom para que se estabeleça um diálogo entre você e seus alunos. E alunos
são sempre alunos; uma aula é sempre uma aula e deve dar sempre o que falar.
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Aula 2 – Desenho instrucional em materiais didáticos impressos – uma boa idéia!
Você pode ter considerado outras estratégias, além das boas-vindas, para reproduzir
um pouco o clima da sua sala de aula, aumentar o potencial de interação nas aulas
impressas, dialogar e atender mais às expectativas dos alunos. Algumas possibilidades
estão descritas a seguir. Se você pensou em outras opções, aproveite o espaço Fórum Livre
– Aula 2, na Plataforma, para trocar outras impressões com os demais alunos da turma.
Esclareça suas metas e critérios de avaliação.
Em um curso presencial, as metas de sua disciplina (em termos
bastante gerais) são comunicadas aos alunos de uma série de maneiras
ao longo de um considerável período de tempo, usualmente todo um
semestre letivo. Você certamente faz comentários formais e informais
que ajudam ao seu aluno saber o que você considera importante
como resultados a serem atingidos, o que privilegiar ao se preparar
para uma avaliação etc.
Em um curso fortemente baseado em materiais impressos, essas oportunidades,
especialmente as que envolvem a comunicação informal, naturalmente são mais restritas.
É importante que as metas de sua disciplina – e de cada aula – sejam explicadas de forma
clara e completa no início, de forma a permitir que os alunos saibam, antecipadamente,
em que processo estão se envolvendo. Mapas conceituais, índices de conteúdo, objetivos
de aprendizagem, são elementos convenientes para comunicar a estrutura e o escopo de
uma disciplina ou de uma aula. Além disso, os alunos devem saber exatamente o que
será esperado deles em termos das tarefas a serem submetidas, quantas avaliações haverá,
em que momento e local se realizarão, de que natureza serão (prova discursiva, prova de
múltipla escolha, trabalhos individuais ou em grupo), como serão avaliados etc.
Abuse dos exemplos e analogias.
Uma lacuna extremamente freqüente em materiais impressos é o
fato de não proverem exemplos suficientes. Isso pode não preocupar o
professor presencial porque, ao surgir a necessidade, no momento certo,
frente à dúvida levantada por seus alunos, ele será sempre capaz de
evocar um exemplo ou dois para ilustrar um ponto em que perceba que
os alunos estejam apresentando dificuldade. Na Educação a Distância, é especialmente
importante que a freqüência e qualidade dos exemplos seja uma preocupação antecipada.
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O mesmo se aplica ao uso de analogias, um importante instrumento para assistir os
alunos na incorporação de novas idéias ao seu conhecimento anterior. Uma vez que a
detecção de dificuldades de aprendizagem é difícil na Educação a Distância (pode ser
atrasada muito tempo), é melhor fazer um esforço consciente para prover analogias desde
o início. Nesta aula, por exemplo, usei o repolho-romanesco como uma imagem a partir
da qual você pudesse compreender que o desenho instrucional é uma estratégia que deve
ser aplicada em vários níveis educacionais.
Processamento aplicação: pratique a prática.
A prática é uma contribuição importante para a eficácia da
instrução. A “má prática da prática” e a trivialização das atividades
propostas aos alunos, mesmo no ensino presencial, nos mostra
que a maioria de nós poderia contribuir mais para a provisão de
processamentos mentais e aplicações de novos conhecimentos. Em
parte, porque nós professores estamos acostumados a pensar em avaliação (que é
estritamente ligada à prática) apenas muito depois de a instrução ocorrer. É necessário
um esforço consciente para assegurar que o conhecimento apresentado em uma aula,
em blocos de tamanho adequado, seja imediatamente seguido de alguma estratégia que
promova a reflexão (processamento) e a aplicação (prática) do conhecimento.
Veja lá como fala!
O tipo de linguagem utilizada em materiais impressos para a Educação a Distância
tem importância decisiva. Tão decisiva que resolvi falar desse tema em uma seção à
parte. Quando utilizada adequadamente, a linguagem pode persuadir os aprendizes a
experimentar interatividade, mesmo quando confinados a um meio de comunicação
largamente unidirecional.
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Atividade 3
Atende aos objetivos 3 e 4 j
Incitação
Leia atentamente o texto transcrito do livro História, do grego Heródoto de Halicarnasso,
citado por Ryszard Kapuscinski em “Minhas viagens com Heródoto - Entre a história e o
jornalismo”:
Os indianos são o mais numeroso povo que conhecemos
Esses indianos têm relações em público com as mulheres, como os animais.
São todos da mesma cor, que muito se aproxima da dos etíopes. O líquido
seminal, entre eles, não é branco, como acontece entre os outros homens,
mas negro como a sua própria pele e também semelhante ao dos etíopes.
Sem parar muito para pensar, escreva abaixo de uma a três coisas que você sentiu ao ler
o trecho de Heródoto.
1. ________________________________________________________________
2. ________________________________________________________________
3. ________________________________________________________________
Resposta comentada
Difícil seria imaginar todos os efeitos causados pela leitura do trecho anterior. Indignação?
Repulsa? Surpresa? Comicidade? Desprezo? Perplexidade? Estranhamento? Incompreensão?
A verdade é que o sentimento em si importa menos do que a percepção de que alguns
textos dificilmente nos passam despercebidos e têm a capacidade de nos provocar, seja
por seu conteúdo, seja pela forma como são escritos. É essa capacidade de envolvimento e
provocação que devemos buscar com a redação de nossas aulas.
Recentemente, uma amiga me mostrou um livro cujo conteúdo julgou fosse me
interessar para um projeto voltado para perspectivas de letramento e desenvolvimento
de estratégias para aumentar a capacidade leitora em alunos de Educação a Distância.
Ao folhear o livro com olhos e mente curiosos, deparei-me com uma passagem que
acabou me fazendo pensar na questão que discutimos agora. O autor diz que leitura é:
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Planejamento e elaboração de material didático impresso para EAD - elementos instrucionais e estratégias de ensino
Reorganizar entrelinhas e especular o não-dito que deixou um rastro mínimo na
penumbra de alguma frase de suma importância. Um quebra-cabeça que exige
inteligência, sensibilidade e atenção. Às vezes acontece de um tema ou de um arranjo
de palavras mexer muito conosco; aí temos mais é de colocar o marcador naquele
instante e ir tomar um ar, procurar outra atividade para fazer.
Jonas Ribeiro (Colcha de leituras - s Unindo amores. Alinhavando leitores). s
Perspicazes palavras! Em que pese textos instrucionais não tenham sido feitos
para dar margem a muitas especulações ou entrelinhas, têm a palavra escrita como
um enorme trunfo a favor de sua capacidade de persuasão, envolvimento, motivação
e provocação. Quantos filmes ou peças de teatro foram capazes de te arrebatar os
sentidos e te fazer levantar para tomar um ar? Agora me diz: quantas vezes você precisou
pousar o marcador dentro de um livro, pelo mesmo motivo?
Esses sentimentos, típicos da leitura opcional, são os que devemos tentar associar
à leitura como parte de nossa formação educacional. Um prazer que muitos de nós
perdemos no momento da nossa formação, em que deixamos de ler gratuitamente
e passamos a ler para atender a uma forma de cobrança acadêmica. O propósito por
trás da preparação de qualquer texto é a comunicação – fazer chegar uma mensagem
do emissor ao leitor, com o mínimo de distorção possível. Mas podemos fazer isso de
forma prazerosa e eficaz a um só tempo. Se você é um leitor incansável, já tem boa parte
do caminho andado!
O tripé do desenho instrucional para EAD
A obtenção de atenção e a motivação são fundamentais em materiais instrucionais
para a Educação a Distância. A importância desses elementos se torna especialmente
clara se considerarmos que, na educação presencial, eles estão essencialmente associados
à presença do professor. Essa responsabilidade não recai, principalmente, sobre os textos
instrucionais.
O desenho instrucional dos materiais didáticos para EAD é o que permite que as
aulas sejam envolventes, motivantes e relevantes, para além de substanciais. Uma vez
bem-feito, o desenho instrucional é imperceptível (ou invisível). Ou seja, o aprendiz ou o
leitor geralmente não se aperceberão de um desenho bem-feito. Eles serão transparentes.
O aprendiz/leitor pode se concentrar somente na informação enviada pelo autor, que se
lhe aparecerá de forma mais clara, mais evidente.
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Aula 2 – Desenho instrucional em materiais didáticos impressos – uma boa idéia!
Figura 2.2: As características distintivas
de materiais didáticos para EAD podem ser
representadas por um tripé que sustenta
o desenho instrucional de cada aula: (1)
objetivos de aprendizagem claros e precisos,
(2) linguagem cuja forma e significado sejam
claros e contextualizados, associada a uma
arquitetura da informação bem articulada,
(3) aprendizagem centrada em atividades que
incentivem a construção do conhecimento e a
resolução de problemas.
Fonte: www.sxc.hu/582105
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Apenas quando o desenho instrucional é pobre, o
aprendiz irá notar que alguma coisa está interferindo na
recepção da mensagem. E vai percebê-lo inequivocamente.
O uso dos princípios do desenho instrucional é mais
significativo na determinação da eficácia do material
didático do que a mídia (televisão, web, material
impresso) escolhida. Instrução mal desenhada não pode
ser resgatada nem pelo tratamento visual mais criativo.
Mas instruções bem desenhadas podem suportar um
considerável abuso de layout e design.
Embora tenhamos falado de forma mais genérica sobre
desenho instrucional nesta aula, daqui para frente passaremos
a considerar o desenho instrucional do material didático
impresso no que se refere aos elementos instrucionais que
constituem o tripé que alicerça nossas aulas: plane-jamento,
linguagem e atividades.
Nas aulas que se seguem, procuraremos abordar cada
componente do tripé de forma bastante objetiva, de
maneira descritiva e prescritiva, compartilhando com você, de forma prática e pragmática,
as estratégias e aplicações diretas dos conceitos que discutirmos na elaboração de nossas
aulas. Dessa forma, esperamos deixar claro que desenho instrucional é uma espécie de
quebra-cabeça, com peças obtidas a partir de variados níveis educacionais. Na Educação,
presencial ou a distância, o trabalho do professor depende de uma peça central para definir
a imagem de sucesso no ensino e aprendizagem. Essa peça, quem coloca é o aluno... Essa
peça é o aluno. é
Figura 2.3: Um bom desenho instrucional representa
peças de um quebra-cabeças que, uma vez reunidas,
favorecem a aprendizagem e podem contribuir para
a formação de estudantes autônomos, orientados de
forma predominantemente interna.
Fonte: www.sxc.hu/713537
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Atividade Final
Atende aos objetivos 3 e 4 j
Aos mestres com carinho
Os diálogos a seguir são traduções livres que fiz de trechos do roteiro de três filmes
em que a figura de um professor é central e decisiva. Leia os diálogos e, a partir deles,
pense, em pelo menos, uma coisa que cada professor retratado fez para contribuir para a
aprendizagem de seus alunos.
Filme: Ao mestre com carinho
Mark Thackeray: [entrando na sala e vendo fumaça] Todos
vocês, rapazes, fora. Moças, vocês fiquem onde estão. For
[fecha a porta]
Mark Thackeray: Estou cansado da sua linguagem
horrorosa, seu comportamento rude e seus modos
indignos. Há certas coisas que uma mulher decente deve
guardar para si, e que apenas uma desocupada, largada,
faria. Aquelas que a encorajaram são igualmente
desprezíveis. Eu não quero saber quem fez – para mim,
vocês são todas responsáveis. Agora, eu vou sair da sala
por cinco minutos e, nesse tempo, é melhor que aquele
objeto repugnante seja eliminado e as janelas abertas
para dissipar o mau cheiro. Se vocês querem jogar
esses jogos repugnantes, façam isso em suas casas, não em minha
sala de aula.
Filme: Sociedade dos poetas mortos
John Keating: Feche os olhos - cerrados! Feche-os! Agora,
descreva o que você vê.
Todd Anderson: Eu... Eu fecho meus olhos, e essa imagem
flutua ao meu lado.
John Keating: Um maluco suado e desdentado.
Todd Anderson: Um maluco suado e desdentado com um
olhar que encurrala meu cérebro.
John Keating: Ah, isso é excelente! Agora dê a ele alguma
ação – faça-o fazer algo!
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Aula 2 – Desenho instrucional em materiais didáticos impressos – uma boa idéia!
Todd Anderson: Ele estica as mãos e me estrangula.
John Keating: Isso! Maravilhoso, maravilhoso!
Todd Anderson: E todo o tempo ele está resmungando.
John Keating: O que ele está resmungando?
Todd Anderson: Resmungando a verdade... A verdade é como um cobertor curto... Sempre
deixa seus pés com frio.
John Keating: [alguns na sala começam a rir] Esqueça-os, esqueça-os! Se concentra no r
cobertor. Me fala sobre esse cobertor!
Todd Anderson: V-você empurra, estica, não é nunca suficiente. Você chuta-o, bate, e
ele não vai nunca cobrir nenhum de nós. Do momento em que entramos chorando até o
momento em que saímos morrendo, ele vai cobrir somente a sua cabeça, enquanto você
lamenta e chora e grita!
Filme: Escola de rock
Dewey Finn: [continua a falar sobre “O Cara”] Sim ”
você não pode apenas dizer isso. Você tem que se
isso no seu sangue e nas suas entranhas! Se você
quiser o rock, você tem que quebrar regras. Você kk
que ficar possesso com O Cara! E bem agora, eu s
O Cara. Isso mesmo, eu sou O Cara, e quem vai te
peito de me demitir? Hein? Quem vai me demitir?
Freddy: Cala o diabo da boca!
Dewey Finn: É isso aí, Freddy, é isso aí! Quem vai
superá-lo?
Alicia: Cai fora daqui, seu idiota.
Dewey Finn: Sim, Alicia!
Summer Hathaway: Você é uma piada, você é o
professor que eu já tive!
Dewey Finn: Summer, isso é demais! Gostei da fala porque eu senti a sua raiva!
Summer Hathaway: Obrigada.
Lawrence: Você é um gordo perdedor e seu corpo fede.
Dewey Finn: ...Ok, ok! Todo mundo feliz e com raiva agora?
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Planejamento e elaboração de material didático impresso para EAD - elementos instrucionais e estratégias de ensino
Você é capaz de, no espaço abaixo, sintetizar o que mais o impressionou no compor-
tamento desses professores?
Resposta comentada
Você pode ter pensado em muitas coisas. Todos os professores provocaram seus alunos,
os fizeram sair do lugar-comum. Todos usaram de emoção, a sua própria e a dos alunos.
Todos mostraram pessoalidade. Todos tentaram provocar rompimentos de conceitos. Todos
deixaram clara a posição de mestre. Todos deixaram na mão do aluno a chance de colocar
uma peça no quebra-cabeça. Algo mais? Provavelmente, você percebeu coisas que para
mim chamaram menos a atenção.
E como você percebeu isso? Vendo o filme? Creio que não. Somente os diálogos, sem
absolutamente nenhum outro elemento explicativo, e pouquíssimas rubricas, deixaram
claros os comportamentos e as emoções por trás deles. Você se emocionou ao ler algum
desses trechos?
Você não está vendo o filme e eu não estou ao seu lado agora.
Fonte: www.sxc.hu/544853
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Aula 2 – Desenho instrucional em materiais didáticos impressos – uma boa idéia!
Leitura Recomendada
KAPUSCINSKI, R. Minhas viagens com Heródoto - Entre A história e o jornalismo. Companhia das
Letras. 2006, 312 pp.
Informações sobre a próxima aula
Na próxima aula, daremos início ao estudo de cada um dos principais elementos instrucionais
que sustentam materiais didáticos impressos para Educação a Distância. Nosso primeiro passo
será parar e planejar: como elaborar objetivos de aprendizagem?
Resumo
D
esenho Instrucional é o desenvolvimento sistemático de materiais
e processos educativos visando à alta qualidade da aprendizagem.
No que se refere à Educação, o desenho instrucional é um processo que
ocorre em vários níveis, desde a análise das demandas de aprendizagem
em um determinado contexto educacional até a elaboração de uma
aula, todos evidenciando e repetindo um mesmo objetivo: a busca
por melhor ensino e melhor aprendizagem. Uma das limitações de
materiais textuais é a menor possibilidade de interação que oferece.
Estratégias que favorecem a interação em materiais impressos
consistem, em grande medida, na formalização e codificação de
informações normalmente comunicadas de outras maneiras a um
estudante típico, em uma sala de aula presencial. Esclarecer metas
e critérios de avaliação, usar de exemplos e analogias, incentivar o
processamento e a aplicação dos conhecimentos são algumas dessas
estratégias. O tipo de linguagem utilizada em materiais impressos para
a Educação a Distância tem importância decisiva e pode favorecer ao
aluno a interatividade, o envolvimento e a provocação.
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Objetivos de
aprendizagem
3
Au
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Roberto Paes de Carvalho
Carlos Otoni Rabelo
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Planejamento e elaboração de material didático impresso para EAD - elementos instrucionais e estratégias de ensino
Meta da aula
Apresentar os elementos de organização prévia de
uma aula/curso e sua importância na produção
de aula para EAD, com ênfase à elaboração de
objetivos precisos.
Objetivos
Ao final desta aula, você deverá ser capaz de:
1. determinar elementos de organização prévia
numa aula;
2. definir objetivos de aprendizagem;
3. redigir objetivos de aprendizagem de forma
precisa.
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Aula 3 – Objetivos de aprendizagem
A flecha e o alvo
Os esportes olímpicos representam ideais de superação, precisão técnica e
espírito competitivo, dentre outros. Além disso, somente em jogos olímpicos
temos contato com atividades esportivas pouco comuns à nossa realidade, como
ginástica rítmica, nado sincronizado e arco-e-flecha, por exemplo. Particularmente
este último servirá de referência para iniciarmos esta aula.
No arco-e-flecha, o atirador se coloca a uma determinada distância do alvo,
formado por dez círculos concêntricos. O círculo central, também denominado
“mosca”, vale dez pontos; cada círculo seguinte perde um ponto em valor. Para
vencer, o competidor tem de somar o maior número possível de pontos enquanto
se empenha em lançar uma flecha no círculo central. Portanto, quando o jogador
não acerta na mosca, suas chances de sair vitorioso são notadamente menores.
Para alcançar seus objetivos, o arqueiro deve praticar uma série de atividades
– elaboradas e controladas pelo técnico – a fim de lograr êxito em seu desempenho.
O arqueiro só poderá considerar-se pronto
para uma competição à medida que domina
as técnicas e os fundamentos do esporte e os
executa com precisão.
Agora imagine uma relação entre esse esporte
e o Ensino a Distância (EAD). Nele, o arqueiro
corresponderia ao aluno, o técnico ao professor
e a mosca ao(s) objetivo(s) de uma sessão de
aprendizagem. A seqüência de atividades desen-
volvidas (o treinamento) seria a aplicação do
conhecimento adquirido pelo estudante. Afinal,
quem disse que o arqueiro – ou qualquer outro
atleta – também não é um estudante?
É a partir dessa comparação que iniciamos esta
aula que se propõe a apresentar, de forma breve,
alguns fundamentos teóricos acerca da impor-
tância da utilização de objetivos em materiais
impresso, bem como orientam sua utilização na
aprendizagem a distância.
Figura 3.1: No arco-e-flecha, assim como :
na EAD, os objetivos são valiosos e determi-
nantes para o êxito.
Fonte: www.sxc.hu/photo/602810
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Figura 3.2: Acertando na mosca.
Fonte: www.sxc.hu/photo/393663
mosca
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Planejamento e elaboração de material didático impresso para EAD - elementos instrucionais e estratégias de ensino
Um “pingo” de teoria: planejamento dos elementos
de organização prévia
Um princípio fundamental do desenho instrucional de material didático voltado
para EAD é o planejamento cuidadoso que deve preceder o desenvolvimento de
qualquer curso, independente da mídia. Do seu ponto de vista, como professor,
considere alguns aspectos tais como:
• É necessário antecipar como os futuros aprendizes – que podemos jamais vir a
encontrar! – irão se relacionar com o material didático e, portanto, é necessário
redigir antecipadamente todas as explicações necessárias à compreensão do conteúdo,
explicações que daríamos quase de forma inconsciente, se estivéssemos em sala de
aula com nossos alunos.
• O que antes era uma comunicação transitória e privada entre professor e alunos,
dentro de sala de aula, agora é compreendido, registrado e publicado em um
material que pode ser examinado e avaliado por alunos e colegas.
• Uma vez desenvolvidos e produzidos, o custo reformulação dos materiais pode ser
proibitivo para garantir modificações em um curto prazo.
Tais fatores parecem nos pressionar na direção de uma meta inevitável: garantir
que o material didático que produzimos seja tão eficaz quanto possível, antes de finali-
zarmos sua elaboração.
Do ponto de vista do aluno, é fundamental garantir um ambiente de aprendizagem
em que ele possa exercer todo o seu potencial autônomo de forma a realmente se
beneficiar de um sistema de aprendizagem flexível, no tempo, no espaço e em outras
dimensões de aprendizagem. Essa segurança pode ser oferecida em todos os níveis de
um sistema educacional, inclusive em uma aula.
Mais pragmaticamente, imagine, por exemplo, uma aula prática de Química em
EAD. Se o autor pretende fazer um ou mais experimentos, não seria interessante
alertar previamente o aluno sobre a necessidade de ele ter em mãos, antes de iniciar
a instrução, materiais necessários à aula em questão? Caso fosse uma aula de Biologia
Aquática, por exemplo, não seria necessário ao aluno saber quais conceitos prévios da
Biologia Geral precisam estar em mente para entender o novo conteúdo que segue?
Os elementos de organização prévia, do inglês advanced organizers, são as
informações trazidas no início da aula, que orientam o aluno acerca dos materiais e
conceitos que ele utilizará durante a aprendizagem. Aprofunde seus conhecimentos
lendo o boxe “Elementos de organização prévia”.
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Aula 3 – Objetivos de aprendizagem
Observe alguns exemplos destes elementos no quadro a seguir.
Quadro 3.1: Exemplos de elementos de organização prévia
Elementos de Organização Prévia (Advanced organizers) s
A
dvanced organizers é um conceito estabelecido e sistematicamente estudado por David s
Ausubel. A primeira aparição desse conceito se deu no artigo “O uso de elementos de
organização prévia no aprendizado e retenção de material verbal significativo” (The use of
advanced organizers in the learning and retention of meaningful verbal material - Journal of
Educational Psychology, nr. 51, 1960). yy
Influenciado pelas teorias de Jean Piaget, seu objetivo era provar, consistentemente, que
os advanced organizers facilitam o aprendizado. Tal posicionamento exerceu significativa s
influência no campo da Psicologia da Educação a partir da década de 1960.
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seja previamente disposta para o aluno.
Fonte: http://www.sxc.hu/photo/466348
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Planejamento e elaboração de material didático impresso para EAD - elementos instrucionais e estratégias de ensino
Atividade 1
Relacionada ao objetivo 1 j
Definindo elementos de organização prévia
Observe o seguinte experimento prático, de uma aula de Ciências, para aplicar o conceito
de tensão superficial:
No caso de uma atividade prática como essa, que propõe a realização de um experimento,
naturalmente os materiais que devem ser discriminados para o aluno antes do início do
seu estudo incluem um copo de vidro, água, detergente, agulha, conta-gotas e pinça.
Mas nem sempre as atividades que propomos são práticas, e mesmo se forem, pode
haver conceitos teóricos necessários à sua realização e compreensão que devem ser
Caracterizando tensão superficial
Esta atividade é um pouco diferente das demais que você
encontrou nesta aula pois é prática. Para realizá-la, você
precisará de alguns materiais bastante simples, como:
- 1 copo de vidro;
- água;
- 1 colher de sopa de detergente;
- 1 agulha (alfinete também serve);
- 1 conta-gotas;
- 1 pinça.
Tendo em mãos estes materiais, realize a seguinte seqüência
de procedimentos:
1. encha o copo com a água;
2. pegue a agulha com a pinça;
3. coloque cuidadosamente a agulha sobre a água;
4. com o conta-gotas, adicione lentamente o detergente ao
copo d’água. Observe o comportamento da agulha durante
suas adições.
O que aconteceu com a agulha depois de você adicionar deter-
gente ao copo d’água? Como você explicaria este fenômeno?
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Aula 3 – Objetivos de aprendizagem
destacados como pré-requisitos. Assim, materiais utilizados em um experimento bem
como elementos conceituais podem ser fundamentais para que uma atividade seja
realizada com sucesso.
Partindo deste modelo, imagine agora uma atividade qualquer, prática ou não, que você
possa propor em sua disciplina. Considere qualquer tema, de qualquer aula, pense em uma
pergunta que você faz comumente em sala de aula ou um experimento que faz parte de
seu conteúdo programático. Pense em um tema de que você goste. Pensou? Agora pense
quais os elementos de organização prévia que você deve informar ao seu aluno como pré-
requisito para a realização da atividade que você imaginou. Liste-os abaixo.
1. ______________________________
2. ______________________________
3. ______________________________
4. ______________________________
5. ______________________________
6. ______________________________
Resposta Comentada
Naturalmente não há apenas uma resposta para essa atividade. Esse foi apenas um
exercício para você praticar o conceito de elementos de organização prévia como pré-
requisitos à realização de uma atividade. Mas o importante mesmo é perceber que esses
elementos podem ser muito variados, e variam quanto à função que apresentam em
uma aula. Assim, além de pré-requisitos, informações preliminares tais como mapas
conceituais, orientações de estudo, leituras prévias, dentre outros, são comumente
apresentados no início de uma aula, unidade ou livro, de forma a oferecer ao aprendiz uma
idéia geral do que deve ser procedido para auxiliá-lo a organizar sua aprendizagem. Na
seção a seguir, vamos falar sobre um dos elementos de organização prévia mais relevantes
para a elaboração de materiais didáticos impressos para EAD.
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Planejamento e elaboração de material didático impresso para EAD - elementos instrucionais e estratégias de ensino
Metas e objetivos: poucas palavras,
muita importância
Imagine que você tem em mãos um livro didático para EAD. O título do livro é
O universo, a Terra, homem, evolução e origens. Imagine ainda que você começa a folhear
esse livro e se depara com os objetivos da primeira aula. Você lê, no topo da primeira
página, o seguinte objetivo:
• Fazer o estudante compreender a natureza e a composição do Universo e também
rastrear a origem da vida em geral bem como a origem e o desenvolvimento do
Homem, em particular.
Qual seria sua reação a esse objetivo? A situação que ilustrei foi transcrita
de um livro voltado para o design e a produção de materiais auto-instrucionais.
O autor segue a narrativa dizendo que a sua reação seria uma mistura de admiração
e incredulidade! Admiração pela abrangência da colocação. Incredulidade que isso
pudesse ser considerado um objetivo. E atribui a reação à possibilidade de diferentes
entendimentos acerca do que sejam metas e objetivos e sugere fortemente que um bom
tempo seja destinado a discussões entre colegas da mesma instituição para conceituar
esses termos.
No caso de nossas aulas, consideramos meta como uma descrição, em termos
bastante gerais, do que o professor pretende fazer ao longo de uma aula (ou de um
curso). Algumas características de uma meta de aula, conforme você poderá confirmar
ao longo de todo o Módulo II, são:
• Relacionar-se ao que o professor irá fazer naquela aula (as atividades dos estudantes
não são mencionadas explicitamente).
• Expressar a intenção do professor, sem especificações precisas do que será realizado.
A meta de uma aula define o conteúdo principal a ser abordado, de forma ampla,
situando-a em um contexto mais abrangente. Veja mais sobre a meta no boxe “Meta,
ementa ou conteúdo”.
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Aula 3 – Objetivos de aprendizagem
Meta, ementa ou conteúdo?
Diversos programas de EAD possuem formas distintas de apresentar a meta como elemento de
organização prévia, e essa variação segue critérios oriundos de linhas metodológico-editoriais
particulares.
No curso de pós-graduação a distância em Língua Portuguesa (2001), organizado pela UFRJ-
SEAD (em convênio com o Exército Brasileiro), por exemplo, adotou-se a divulgação do
conteúdo em vez de meta:
Conteúdo
- texto e discurso
- diferença entre coesão textual e coerência textual
- a coesão referencial
- a coesão seqüencial
- a coesão recorrencial
(In: Descrição do português à luz da lingüística do texto. OLIVEIRA,
H. F. Rio de Janeiro: CEP⁄SEAD, 2001)
Já no Curso de Aperfeiçoamento para Dirigentes Municipais (Gestão em Saúde), organizado
pela Escola Nacional de Saúde Pública (ENSP) da Fundação Oswaldo Cruz (FIOCRUZ), em
parceria com a UnB e com a FINATEC, foi adotada a ementa em vez de meta para designar a
composição dos módulos de ensino:
Ementa
O processo de saúde-doença: fatores de vida, adoecimento e morte das
pessoas. Apreciação histórica e cultural do processo saúde-doença e
das práticas de saúde correspondentes. Os fenômenos contemporâneos
de transição da estrutura populacional e da distribuição de doenças na
sociedade. Modelos de explicação do processo saúde-doença.
(In: Unidade I: formulação de políticas de saúde. Brasília: UnB, 1998)
M
a
i
s
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60
Planejamento e elaboração de material didático impresso para EAD - elementos instrucionais e estratégias de ensino
Dentre os elementos de organização prévia apresentados, merecem destaque os
objetivos, que são o foco principal desta aula.
Segundo o Dicionário Houaiss da língua portuguesa, objetivo quer dizer o que se quer
alcançar, sem rodeios, direto, funcional.
E de que forma tal definição nos ajuda a entender a importância da definição dos
objetivos em materiais impressos para a Educação a Distância? Fácil: os objetivos de
uma aula devem identificar claramente aquilo que você, professor, espera que o aluno
alcance ao final de uma aula. Se queremos saber se estamos ensinando corretamente,
devemos ter uma percepção clara do que deve ser atingido.
Em outras palavras, os objetivos estabelecem prioridades no conteúdo de uma
aula e definem exatamente o que o aluno deverá ser capaz de executar ao final de seu
estudo. Eles estão listados no início de cada aula, para que o aluno saiba quais pontos
são mais importantes.
O estabelecimento de objetivos contribui ainda para orientar o desempenho do
estudante, uma vez que norteiam a elaboração das atividades encontradas numa aula.
Explorando o conhecimento: como utilizar
tais elementos
Certas palavras (verbos ou locuções verbais, mais precisamente) concorrem para um
grau de maior ou menor eficiência e precisão e isso não é simplesmente uma questão
de gosto.
Selecionar uma palavra é, obrigatoriamente, abrir mão de outra, haja vista as imensas
possibilidades que existem em qualquer língua. Alguns verbos são mais precisos que outros
uma vez que definem exatamente o que o aluno deve executar ao final do seu estudo.
Antes de continuarmos a conversa, façamos um rápido exercício que vai ajudar a
compreender melhor a importância de escolher a palavra certa na redação de objetivos de
aprendizagem. Preencha o quadro a seguir respondendo à pergunta: Onde você mora?
Fonte: www.sxc.hu/544853
F
o
t
o
:

R
o
s
e

A
n
n
F
o
t
o
:
R
o
s
e
A
n
n
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Aula 3 – Objetivos de aprendizagem
Como você respondeu? Disse que morava no Brasil? Preencheu com o nome de seu
estado? Considerou apenas seu bairro ou optou por incluir o nome da rua, o número
do prédio etc? Provavelmente você teve dúvidas sobre o quão específico você deveria
ser. E se a pergunta fosse “Qual o seu endereço completo”?
Com certeza a variedade de respostas possíveis, nesse caso, é bem menor.
Ainda que você não tenha mencionado algum dado, como seu país por exemplo,
provavelmente anotou seu estado, cidade, bairro, rua, o número de seu prédio e
apartamento e talvez mesmo o CEP.
Isso revela que perguntas imprecisas provocam respostas variadas. Da mesma
maneira, alguns verbos denotam ações mais precisas que outros.
Observe as duas relações de verbos a seguir. Qual dos dois grupos indica
ações mais precisas?
Quadro 3.2: Verbos e seus graus de precisão
Lista A Lista B
Definir
Descrever
Listar
Distinguir
Aplicar
Comparar
Estabelecer
Identificar
Relacionar argumentos
Representar graficamente
Reconhecer
Ordenar
Exemplificar
Avaliar
Diferenciar
Compreender
Saber
Ter entendimento sobre
Apreciar
Ter noções de
Estar ciente de
Perceber
Perceber o significado de
Obter conhecimentos sobre
Acreditar em
Demonstrar
Familiarizar-se
Ter sentimento de
Informar-se
Dominar
Naturalmente, você respondeu que os verbos da lista A têm maior precisão. Mas
por que se preocupar tanto com isso na hora de redigir os objetivos de aprendizagem
de seu aluno? Simples: para ele saber exatamente o que você quer que ele saiba ou faça
ao final de cada aula.
Não podemos observar diretamente o acúmulo de conhecimento ou a aquisição de
habilidades estabelecidos nos objetivos, uma vez que são aspectos internos aos indivíduos.
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Planejamento e elaboração de material didático impresso para EAD - elementos instrucionais e estratégias de ensino
Mas podemos, no entanto, buscar evidências desses aspectos observando a maneira
como os estudantes se comportam. Por isso, objetivos de aprendizagem são estabelecidos,
tanto quanto possível, em termos do que os estudantes devem estar aptos a fazer ao final
do processo de aprendizagem.
Uma boa maneira de justificar a escolha pelos verbos do primeiro quadro é pensar
nas atividades que atenderão aos objetivos predefinidos. Por exemplo, imagine que um
dos objetivos de aprendizagem de sua aula seja:
• Perceber a importância das atividades em materiais didáticos para Educação a
Distância.
Que tipo de atividade você proporia ao seu aluno para que ele demonstrasse que
percebeu a importância das atividades em materiais didáticos para EAD? Difícil, não?
Isso porque o verbo perceber pressupõe um comando extremamente vago e é provável
que o aluno não saiba exatamente o que deve responder. Em contrapartida, imagine
que o objetivo de aprendizagem fosse:
• Definir três aspectos associados à importância das atividades em materiais didáticos
para Educação a Distância.
Definir a importância é um comando muito mais preciso. E na verdade, é isso
que você quer que ele faça para demonstrar que percebeu a importância do tópico em
questão. Além disso, é muito mais fácil pensar em uma atividade que permita ao aluno
atingir esse objetivo de aprendizagem, por exemplo a partir da análise de um texto, ou
de uma atividade em que ele tenha que integrar diferentes tipos de informações.
Vale a pena lembrar que objetivos de aprendizagem devem ser atingidos pelo aluno
e, portanto, sua redação deve representar uma ação, comportamento, capacidade, que
ele será capaz de atingir ao final do estudo.
Veja dois exemplos que ilustram melhor o emprego de verbos no estabelecimento
de objetivos.
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Aula 3 – Objetivos de aprendizagem
o
b
j
e
t
i
v
o
Meta da aula
Introduzir o estudo dos mecanismos
neuro-hormonais de regulação da
pressão arterial.
• definir as reações do aparelho cardiovascular a um
estado de hipotensão decorrente de uma hemorragia.
11
Pressão arterial A
U
L
A
(o que o aluno
deverá ser
capaz de fazer
após estudar a
aula)
(informações
que o professor
vai oferecer)
Curso de Ciências Biológicas
o
b
j
e
t
i
v
o
Meta da aula
Apresentar os elementos de uma
Demonstração do Resultado do
Exercício (DRE) e como construí-la.
calcular os elementos de uma DRE, incluindo:
a) a provisão para o Imposto de Renda;
b) as participações;
c) o lucro líquido por ações.
3
Demonstração do
– DRE A
U
L
A
(o que o aluno
deverá ser
capaz de fazer
após estudar a
aula)
(informações
que o professor
vai oferecer)
Curso de Administração de Empresas
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64
Planejamento e elaboração de material didático impresso para EAD - elementos instrucionais e estratégias de ensino
Um objetivo não é algo isolado, mas sim intimamente relacionado com compe-
tências, estratégias e habilidades. Lembre-se de que, ao estabelecer seus objetivos para
uma aula, você deverá ter em mente as competências que seus alunos deverão ter, as
habilidades que precisarão desenvolver e as estratégias que deverão ser utilizadas para
a construção de conhecimento. Leia mais sobre o assunto nos boxes “Competências e
habilidades” e “As competências no ENEM”.
Competências e habilidades
Existe uma discussão entre os conceitos de competências e habilidades. No texto a seguir,
destacamos um trecho do documento Construir competências é virar as costas aos saberes?, ?? de
Philippe Perrenoud, que acreditamos irá esclarecer suas dúvidas:
(...) a noção de competências remete a situações nas quais é preciso tomar
decisões e resolver problemas. Por que limitaríamos as decisões e os
problemas, ou à esfera profissional, ou à vida cotidiana ? As competências são
necessárias para escolher a melhor tradução de um texto em latim, levantar
e resolver um problema com o auxílio de um sistema de equações com
várias incógnitas, verificar o princípio de Arquimedes, cultivar uma bactéria,
identificar as premissas de uma revolução ou calcular a data do próximo
eclipse solar.
(Philippe Perrenoud, 1999)
Para ler o texto na íntegra, acesse o link:
http://www.patiopaulista.sp.gov.br/downloads/36/construircompetencias_perrenoud.doc
Multimídia
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65
Aula 3 – Objetivos de aprendizagem
As competências do ENEM
O ENEM, Exame Nacional do Ensino Médio, foi instituído em 1998 com o objetivo principal de
avaliar o desempenho do aluno ao término da escolaridade básica. Para tanto são utilizadas
competências e habilidades para avaliação dos alunos.
Se formos tomar a prova de Redação como exemplo, veremos que nela são exigidas cinco
competências, listadas a seguir. Isso exemplifica ações potenciais a serem desenvolvidas pelo
aluno em cada um dos quesitos propostos para sua avaliação.
Competência nº 1
Dominar a norma culta da língua portuguesa e fazer uso das linguagens matemática, artística
e científica.
Competência nº 2
Construir e aplicar conceitos das várias áreas do conhecimento para a compreensão de
fenômenos naturais, de processos histórico-geográficos, da produção tecnológica e das
manifestações artísticas.
Competência nº 3
Selecionar, organizar, relacionar e interpretar dados e informações representados de diferentes
formas, para tomar decisões e enfrentar situações-problema.
Competência nº 4
Relacionar informações, representadas de diferentes formas, e conhecimentos disponíveis em
situações concretas, para construir argumentação consistente.
Competência nº 5
Recorrer aos conhecimentos desenvolvidos na escola para elaboração de propostas de intervenção
solidária na realidade, respeitando os valores humanos e considerando a diversidade sociocultural.
Para saber mais, acesse o site do ENEM no link:
http://www.inep.gov.br/basica/enem/default.asp
Multimídia
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66
Planejamento e elaboração de material didático impresso para EAD - elementos instrucionais e estratégias de ensino
Atividade 2
Relacionada ao objetivo 2 j
Metas ou objetivos?
a. Defina, de forma direta, se as frases indicam um tema geral (meta) ou um objetivo.
1. ( ) Apresentar a 3ª Lei de Newton.
2. ( ) Introduzir o estudo dos acidentes geográficos.
3. ( ) Identificar cinco artistas que participaram da Semana de Arte Moderna de 1922.
4. ( ) Conceituar metas e objetivos de aprendizagem.
5. ( ) Explicar como elaborar um balanço patrimonial.
6. ( ) Listar três aspectos que definem uma política mercantilista.
b. Leia o texto a seguir:
Uma alimentação adequada contém água, proteínas, gorduras, carboidratos,
vitaminas e sais minerais. Esses nutrientes devem estar presentes de forma
balanceada e constante, sem que haja exagero ou carência de algum deles.
Carboidratos e gorduras são as principais fontes de energia para o corpo. Quando
consumidos em excesso, podem engordar. Mas eliminá-los do cardápio é privar-se
de importantes elementos energéticos.
As gorduras também não podem simplesmente ser banidas da alimentação.
Tanto quanto os outros nutrientes, elas também são essenciais. Assim como
os carboidratos (açúcares), os lipídeos (gorduras) que retiramos dos alimentos
podem fornecer energia às células. Quando consumimos mais energia do que
precisamos, nosso corpo reserva o excedente para as horas de necessidade.
Embora uma pequena parte da energia seja armazenada como glicogênio
(um tipo de carboidrato), a maior parte é acumulada permanentemente como
gordura.
BERTOLDI, O. G., Ciência &sociedade: a aventura do corpo, a aventura da vida, a aventura
da tecnologia. São Paulo, Editora Scipione, 2000.
Após a leitura do texto, que é parte integrante de uma aula de biologia, você deve
identificar que objetivos o texto permite que o aluno atenda. No quadro a seguir,
apontamos um objetivo; continue o preenchimento.
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Aula 3 – Objetivos de aprendizagem
1. identificar a importância dos carboidratos e gorduras para uma alimentação saudável
2. ______________________________________________________________
________________________________________________________________
3. ______________________________________________________________
________________________________________________________________
4. ______________________________________________________________
________________________________________________________________
Resposta Comentada
a. O que define, neste exercício, se as frases demonstram metas ou objetivos é, principalmente,
o grau de precisão (ou especificidade) conferido pelos verbos. Como você viu, a meta é
a definição de um tema de aula tratado de forma ampla, representando as intenções do
professor. Objetivos devem estabelecer prioridades em cada conteúdo, redigidos de forma
a revelar, de forma exata e inequívoca, o que o aluno deverá ser capaz de fazer ao final do
estudo de uma aula. Portanto a seqüência deve ser: 1. Meta; 2. Meta; 3. Objetivo; 4. Meta;
5. Meta; 6. Objetivo.
b. Enumeramos outros objetivos possíveis de serem atingidos a partir do conteúdo do
texto de Odete Bertoldi:
• definir qual a quantidade de carboidratos e gorduras ideal de ser consumida;
• identificar quando há o acúmulo de energia etc.
Caso você tenha apontado objetivos diferentes, acesse a plataforma e procure o Fórum
livre desta atividade. Lá você pode postar comentários e discutir com seu tutor e colegas
de turma.
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Planejamento e elaboração de material didático impresso para EAD - elementos instrucionais e estratégias de ensino
Conclusão
A determinação de metas e objetivos, apesar de parecer algo simples e de menor
importância, na verdade impõe um desafio ao conteudista: ser capaz de organizar o processo
de ensino de forma efetiva, clara e precisa. Objetivos, por exemplo, devem apresentar uma
nítida ligação com o(s) conceito(s) tratado(s); ambos (objetivos e conceitos), por sua vez,
devem apresentar uma nítida ligação com a(s) atividade(s) que procuram pôr em prática o
conteúdo explorado, constituindo, assim, uma integridade instrucional. Além disso, por se
tratar de material acadêmico voltado para EAD, elementos de organização prévia oferecem,
pelo menos, três benefícios que merecem ser destacados: a. antecipação às expectativas do
aluno em relação à aula e ao conteúdo, a partir da associação dos elementos de organização
prévia com os demais elementos instrucionais, que garantem a integridade instrucional de
uma aula; b. segurança para a autonomia do aluno a partir de informações precisas; e c.
maior sistematização dos estudos.
Atividade Final
Relacionada ao objetivo 3 j
Jogando beisebol...
Leia atentamente as informações a seguir:
O jogo
O beisebol é um jogo em que se utilizam um taco, uma bola e uma luva. Os fundamentos
do jogo são: arremessar, rebater e recuperar a bola. Logicamente, a execução dessas três
tarefas é algo mais complexo do que parece, e é esse desafio que obriga os jogadores de
beisebol a praticarem tanto.
Ao contrário da maioria dos jogos, um jogo de beisebol não é limitado pelo cronômetro.
Os dois times adversários, com nove jogadores cada, jogam durante períodos chamados
de entradas, ou innings, que correspondem aos sets do vôlei, por exemplo. Os jogos
profissionais e colegiais costumam ter nove entradas de duração.
A ação, em um jogo de beisebol, gira principalmente em torno de dois combatentes, um
de cada time: o arremessador e o rebatedor. No campo, o arremessador fica posicionado
sobre um monte alto de terra e o rebatedor fica em um dos lados da base principal,
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Aula 3 – Objetivos de aprendizagem
chamada de home plate, segurando o taco e encarando o arremessador. O time atacante
entra em campo com um jogador apenas: o rebatedor.
O time defensor entra em campo com seus nove jogadores: um arremessador e outros
oito jogadores, chamados defensores, que se posicionam na 1ª, 2ª e 3ª bases.
As regras básicas
A cada entrada o arremessador (time defensor) lança uma bola.
O rebatedor (time atacante) procura fazer pontos rebatendo a bola, com o bastão, para
fora do alcance dos defensores adversários, mas dentro dos limites do campo.
Ao acertar a bola, o rebatedor inicia a corrida pelas quatro bases, partindo da primeira
base, no sentido anti-horário. Se ele conseguir completar as quatro bases ganha 4
pontos. Essa corrida é chamada home-run.
Se os defensores conseguem recuperar a bola que foi rebatida, podem tentar interromper
a corrida do rebatedor de duas maneiras: tocando seu corpo ou lançando a bola para um
defensor, situado numa base seguinte, de modo que ela chegue àquela base antes do
rebatedor. Se isso acontece, o time atacante não marca nenhum ponto.
Uma entrada corresponde a três tentativas de acertar a bola pelo rebatedor de cada
time. Se errar nessas três tentativas, o time atacante perde um jogador e as posições se
invertem: o time defensor vira atacante e vice-versa.
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Planejamento e elaboração de material didático impresso para EAD - elementos instrucionais e estratégias de ensino
A partir da leitura do texto, você deverá destacar pelo menos dois objetivos do time
defensor e dois do time atacante usando verbos precisos.
• ______________________________________________________________
• ______________________________________________________________
• ______________________________________________________________
• ______________________________________________________________
• ______________________________________________________________
• ______________________________________________________________
Resposta Comentada
Verbos como vencer, ganhar e conquistar, por exemplo, são vagos, pouco esclarecedores
e não devem ser usados. Eles não refletem passos específicos que devem ser seguidos
pelos jogadores para alcançar a vitória. A seguir, listamos alguns verbos e objetivos mais
específicos:
Objetivos do time atacante:
• rebater a bola, dentro dos limites do campo, lançada pelo arremessador;
• correr o mais rápido possível por entre as bases;
• alcançar a base principal.
Objetivos do time defensor:
• impedir a marcação de pontos da equipe adversária;
• eliminar jogadores da equipe de ataque;
• capturar a bola rebatida pelo rebatedor;
• defender as regiões (bases).
Você pode ter mencionado objetivos que não estão explicitados aqui. Se isso aconteceu e
você ficou com dúvidas a respeito do que elaborou, vá até a plataforma, localize o fórum
livre desta aula e discuta com seu tutor e colegas.
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Aula 3 – Objetivos de aprendizagem
RESUMO
Q
ualquer material didático, em especial o auto-instrucional, necessita
de um planejamento consistente. Para tanto, os elementos de
organização prévia são uma ferramenta fundamental porque definem
quais elementos devem ser esclarecidos, no início de cada aula, para
orientar o aluno no estudo do conteúdo a ser estudado.
Objetivos são exemplos destes elementos. Eles dizem respeito ao
aluno e estabelecem prioridades no conteúdo de uma aula, definindo
exatamente o que o aluno deverá ser capaz de executar ao final de seu
estudo. Já os objetivos gerais, ou metas, dizem respeito às intenções do
professor e ao conteúdo apresentado.
Na definição dos objetivos, alguns verbos devem ser priorizados
porque conferem maior precisão aos comandos. Definir, listar,
avaliar, distinguir e analisar, por exemplo, são comandos claros e bem
definidos. Ao contrário, ter entendimento, acreditar e saber, entre
outros, são comandos imprecisos e pouco específicos.
Bibliografia consultada
LOCKWOOD, Fred. The design and production of self-instructional materials. Londres: Kogan Fage
Limited, 1998.
PERRENOUD, Philippe. Construir competências é virar as costas aos saberes? Faculdade de Psicologia e
Ciências da Educação, Universidade de Genebra, Genebra: 1999. Extraído do link: http://www.patiopau
lista.sp.gov.br/downloads/36/construircompetencias_perrenoud.doc; acesso dia 02/04/2007.
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Linguagem:
significado e
funções
Sonia Rodrigues
4
Aula
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74
Planejamento e elaboração de material didático impresso para EAD - elementos instrucionais e estratégias de ensino
Meta
Apresentar a importância do uso abrangente da Língua e
linguagens como condição para o ensino e aprendizagem
de qualquer disciplina, em especial na Educação a
distância.
Objetivos
1. Diferenciar os conceitos de Língua e linguagem.
2. Distinguir especificidades na linguagem matemática,
musical e escrita.
3. Identificar a importância de cinco elementos – clareza,
rapidez, precisão, consistência, multiplicidade de
conexões – de eficácia da linguagem escrita, funda-
mentais para o êxito dos processos de ensino e
aprendizagem de qualquer disciplina.
4. Analisar, em pelo menos dois casos, a contribuição
do autor para o bom ou mau uso dos elementos
de eficácia da linguagem escrita para utilização em
situações de EAD.
5. Produzir, a partir de uma seqüência específica de
procedimentos, trechos de aulas em que estejam
presentes os cinco elementos de eficácia da linguagem
escrita.
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Aula 4 – Linguagem: significado e funções
Para que serve a Língua?
Para a comunicação entre as pessoas. Para a expressão das idéias e sentimentos das
pessoas. Para a construção moral do mundo. Pretensioso demais o terceiro objetivo
dessa “ferramenta”? A Língua, o idioma, é ferramenta que começamos a adquirir no
primeiro ano de vida e que nos garante, no decorrer dela, conquistas tão distintas
quanto diplomas e títulos, aprovações em concursos públicos, escrever e contar
histórias, fazer inimigos e conquistar amores. Antes de começarmos a fazer uso da
Língua para conversarmos sobre um dos aspectos mais importantes na elaboração de
materiais didáticos impressos, vale a pena conferir as definições de Língua e Linguagem
fundamentais para você fazer. Em seguida, a primeira atividade desta aula:
Língua é o sistema de comunicação e expressão de um povo, nação, país, etc., que
permite a expressão e comunicação de pensamentos, desejos, emoções.
(Dicionário Caldas Aulete, Editora Nova Fronteira)
Linguagem é qualquer conjunto de símbolos usados para codificar ou decodificar
dados, é qualquer sistema de sinais ou signos, através dos quais dois ou mais seres
se comunicam entre si para transmitir e receber informações, avisos, expressões de
emoção ou sentimento.
(Idem)
Atividade 1
Atende aos objetivos 1 e 2 j
Falando sem palavras
Faça uma lista de três coisas possíveis de serem demonstradas sem o uso da linguagem
escrita.
1. ________________________________________________________________
2. ________________________________________________________________
3. ________________________________________________________________
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76
Planejamento e elaboração de material didático impresso para EAD - elementos instrucionais e estratégias de ensino
Resposta comentada
Você pode ter chegado a diversas conclusões, como, por exemplo, ter pensado em algo
semelhante a:
R ao cubo é proporcional a T ao quadrado (terceira Lei de Kepler).
Se pensou, você deve ter se dado conta de que é possível representar a cinemática
dos movimentos planetários de forma independente, usando a linguagem numérica, a
linguagem matemática.
Essa equação, no entanto, dependeu, para ser formulada, da comunicação presencial entre
Tyco Brahe e Kepler, e da comunicação a distância (no tempo e no espaço) entre Tyco
Brahe e Ptolomeu, Ptolomeu e Copérnico, Tyco Brahe e Kepler, e Kepler e Copérnico. Ou
seja, a definição dessa equação dependeu de comunicação e registros que passaram pelo
uso da linguagem escrita.
Você pode também ter escrito sobre o desempenho de Carlitos em Tempos modernos,
filme no qual ele representou, sem palavras, só com a linguagem corporal, a alienação do
homem pela máquina, uma importante conseqüência da Revolução Industrial. Ou talvez
tenha escrito a respeito de como a ocorrência de um assalto, usando o código Morse. Pode
ter pensado em uma aula de Química, usando Libras (Linguagem de sinais). Diferentes
tipos de emoção, condutas com base em sinais de trânsito, músicas a partir de partituras
são coisas que podem ter vindo à sua cabeça. Teve outras idéias? Compartilhe-as conosco
na plataforma, no espaço Fórum da Aula 4.
Figura 4.1: Muitas informações hoje em dia tão facilmente obtidas e discutidas
como, por exemplo, as fases da lua, dependeram de intensas discussões que se
deram no passado, presencialmente ou a distância entre os grandes físicos e
astrônomos que fizeram com que seja possível nos maravilharmos e compre-
endermos o movimento dos astros no céu que observamos todas as noites.
Fonte http://www.sxc.hu/484470
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Aula 4 – Linguagem: significado e funções
Figura 4.2: Não há dúvidas, para pedestre
ou motoristas, quanto ao significado de
uma luz verde em um sinal de trânsito.
Fonte http://www.sxc.hu/663648
Você terá observado que mesmo não usando a linguagem escrita ou
falada, nos exemplos anteriores, o pensamento traduz em palavras o
que está sendo visto. Porque o pensamento se constitui pela Língua,
pelo idioma. Porém – e esse porém é bastante importante –, em alguns
casos, a imaginação, o raciocínio lógico matemático, o repertório de
História jogam um papel importante para preencher os pontos de p
indeterminação ç .
Pontos de indeterminação
É uma expressão usada para caracterizar o que não
está dito numa determinada situação ou texto.
O que está em aberto, apenas sugerido ou indicado,
mas que depende da recepção para se concretizar
ou não.
Linguagens
A linguagem matemática pode ser a síntese, em determinado momento, de toda
uma trajetória de pesquisa. Mas, como já foi dito, a linguagem matemática só pode ser
a síntese se – antes de entrarem os números – uma série de pesquisadores, em tempo e
espaços distintos, tiver especulado, discutido, conversado sobre a discrepância entre a
observação da Natureza e o que a pesquisa dizia até aquele momento.
A linguagem musical é um exemplo diferente, porque é possível de se originar na
imaginação, sensações, sentimentos e prescindir da palavra na sua escritura.
Um exemplo:
mi mi fa sol sol fa mi re do do re mi mi re
mi mi fa sol sol fa mi re do do re mi re do
(início de “Ode à Alegria”, de Beethoven)
A linguagem musical também é uma construção/expressão autônoma do mundo, sem
vínculo obrigatório com a palavra. No entanto, para ser ensinada e absorvida pelo compositor,
foi preciso uma comunicação que passa pela língua. Alguém ensinou ao compositor (mesmo
um prodígio como Mozart) algo semelhante ao que Maria ensina às crianças no filme
A noviça rebelde. Você já assistiu ao filme? Num determinado trecho, fica clara a autonomia
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Planejamento e elaboração de material didático impresso para EAD - elementos instrucionais e estratégias de ensino
da linguagem musical, quando Maria propõe que elas
façam uma apresentação para a baronesa e as crianças
alegam não saber cantar.
Maria, então, explica que a gente aprende a ler com a,
b, c e a cantar com do, ré, mi.
As notas são, portanto, as chaves que a gente usa
para construir uma canção, as chaves que permitem ao
pensamento, à imaginação e à criatividade construir milhões
de músicas:
“When you know the notes to sing
You can sing most anything”.
Tente alugar esse clássico em sua locadora, preste
atenção na seqüência inteira e observe como o conceito
se aplica ao processo de ensino e aprendizagem de
qualquer disciplina.
Mesmo escrevendo sua aula sobre o suporte material
impresso, você poderá usar exemplos e elementos específicos
de outras linguagens, como eu fiz aqui.
Voltemos, então, à linguagem escrita como forma de
comunicação entre o estado da arte de um tema – em tempo e local determinados – somados
à inquietude de quem observa. Isso é o que provoca a inovação. Inclusive matemática ou
musical. A expressão dessa inquietude – em geral comunicada entre especialistas em um
tema – é o que permite o avanço do conhecimento. Esse avanço se representa pela língua e,
mentalmente, constrói outras hipóteses comprováveis (ou não) de mundo.
Figura 4.3: A noviça rebelde, um clássico do gênero
musical produzido em 1965, conta a história de Maria,
uma noviça que deixa o convento para trabalhar
como governanta na casa do Capitão Von Trapp, pai
de sete filhos educados em um esquema de disciplina
rígido. Maria acaba se apaixonando pelo capitão, mas
ele já está comprometido com uma rica baronesa.
Atividade 2
Corresponde ao objetivo 3 desta aula p j
Quem inventou mesmo??
Esta atividade será realizada na Plataforma Moodle, no espaço Fórum “Quem inventou
mesmo??”
Antes de fazer esta atividade, releia a resposta comentada da Atividade 1. Leu? Agora
vamos discutir a respeito, estamos te esperando no fórum.
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Aula 4 – Linguagem: significado e funções
Elementos fundamentais para a eficácia
da linguagem escrita no contexto de EAD
O material impresso voltado para EAD, nosso objeto de interesse aqui, depende,
para sua eficácia, de o professor conseguir produzir um texto com alguns elementos
fundamentais para a eficácia da comunicação escrita. Para isso, quem escrever tem de
considerar as aulas de EAD com uma particularidade:
A
educação a distância separa o momento
da produção (do professor) do momento
da recepção (do aluno). Costumamos dizer que
o maior problema que o professor enfrenta ao
escrever uma aula de EAD é o de que ele não
vai junto com a aula que escreve. Não vai junto,
não pode explicar de novo e não pode olhar para
o aluno e perceber que ele não entendeu.
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Fonte: http://www.sxc.hu/photo/181792
Como contornar esse problema? Compreendendo e privilegiando alguns elementos
quando estivermos redigindo nossa aula:
1. Buscando clareza no que se escreve. Um texto claro é aquele em que o tema e as
informações importantes são tratados com precisão.
2. É um texto que procura ser rápido na comunicação do conteúdo. Não basta, porém,
clareza e rapidez.
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Planejamento e elaboração de material didático impresso para EAD - elementos instrucionais e estratégias de ensino
3. O texto de EAD precisa ter consistência, o que significa transmitir informações
importantes ou sinalizar caminhos relevantes para a construção do conhecimento
de quem o lê.
4. Deve oferecer, sempre que possível, conexões entre o que apresenta e outros textos,
outras mídias, outras situações de forma a favorecer, a subsidiar a imaginação/
abstração do aluno. É a multiplicidade de conexões que vai permitir que o aluno
vá além do texto.
5. Essa multiplicidade é essencial para o diálogo. Quando se diz que um texto é
dialógico é porque ele traz pistas de outros textos, diferentes pontos de vista,
desdobramentos diversos ou tudo isso ao mesmo tempo.
Para estimular que o texto do aluno incorpore esses elementos – que podem ser
ensinados em qualquer disciplina -, é preciso que a atividade proposta pelo professor
tenha parâmetros bem definidos.
Esses cinco elementos de eficácia da comunicação escrita foram aprendidos por mim
nas seis propostas do escritor Ítalo Calvino para o próximo milênio que é exatamente este
no qual estamos vivendo.
Agora que você já sabe quais são esses cinco elementos da linguagem escrita,
leia de novo o enunciado da Atividade 2 e observe como o limite de palavras sugere
rapidez, o onde, quando, quem e estimula a clareza da informação e a consistência.
Os antecedentes forçam, por assim dizer, a multiplicidade de conexões e, de novo, a
consistência.
Rapidez se consegue com frases curtas, usando mais pontos do que ponto-vírgula.
Lendo em voz alta o que se escreve. Trocando palavras de lugar quando a leitura
em voz alta indica confusão/ambigüidade no que foi escrito, garantimos precisão e
consistência ao nosso texto. Não misturando perguntas/provocações com informações,
por mais que seja tentador fazer isso, teremos um texto claro.
O texto claro, preciso, rápido, múltiplo e consistente é aquele em que o aluno
visualiza os caminhos pelos quais pode expandir seu conhecimento, sua imaginação.
Um exemplo desse tipo de texto está reproduzido no próximo boxe. Confira antes de
continuarmos a análise desse material.
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Aula 4 – Linguagem: significado e funções
Noventa e oito palavras. Nesse trecho – extraído de um parágrafo um pouco mais
longo do livro Iniciação à literatura brasileira – Antonio Candido diz sobre o que
fala (literatura); quem é o autor Jorge Amado (alguém que começa com romances
proletários e evoluí para uma prosa comunicativa, popular, no Brasil e no mundo);
quando se desenvolve essa literatura e suas fases (1933, 1942, na maturidade do autor);
como se dá essa trajetória, primeiro com um traço ideológico demais e depois com
uma identificação afetiva com o povo; por que Jorge Amado foi importante, apesar das
falhas apontadas.
Trata-se de um texto claro, com a possibilidade de apreensão rápida do que é a literatura
de Jorge Amado com, pelo menos, duas conexões além do texto – o conceito de romance
proletário e a citação do livro Terras do sem fim – e, principalmente, é um texto consistente.
Por quê? Porque em 98 palavras, Antonio Candido deu informações que permitem ao leitor
uma entrada clara na literatura de Jorge Amado e provocam a vontade de saber mais.
Um pouco sobre Jorge Amado
“Jorge Amado (1912-2001) começou pelo que se chamava então
“romance proletário” (1933). Nesses livros, o negro entrou pela primeira
vez maciçamente na ficção brasileira, com sua poesia e sua pobreza, suas
lutas e suas crenças. Nesses romances, há um intuito ideológico ostensivo
demais... Isso se atenuou em livros posteriores, mais bem feitos, como
Terras do sem fim (1942), até desaparecer na obra madura, onde o ataque m
ideológico cedeu lugar a uma identi-ficação afetiva com o povo... numa
prosa generosa, comunicativa, que fez de Jorge Amado o romancista mais
popular do Brasil e o único a conquistar públicos apreciáveis no exterior.”
“Um pouco sobre Jorge Amado” é um trecho do livro do professor
Antonio Candido (USP), traçando um panorama da literatura brasileira.
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Atividade 3
Atende aos objetivos 3 e 4 j
O que funciona e o que não funciona
Antes de continuarmos a aula, é importante que você consiga um material fundamental
à compreensão adequada do tema sobre o qual discutimos. Procure, na sua área de
conhecimento, um texto de até 150 palavras que apresente elementos de eficácia da
linguagem escrita – clareza, precisão, rapidez, multiplicidade, consistência. Não importa
que o texto não tenha sido produzido com o objetivo de ser um texto de EAD. Todos os
textos de áreas específicas de conhecimento são passíveis de ser usados em situações
de ensino, e todos têm a produção separada da recepção (característica intrínseca à
linguagem escrita publicada).
Achou?
Agora encontre um outro texto, também na sua área, que seja importante, mas confuso,
impreciso, protelador do objetivo que o autor parece querer atingir, com um único ponto
de vista e sem consistência prática ou teórica.
Achou?
Mantenha esses dois textos perto de você durante todo o Módulo II e anote num diário
se até o final você mantém a mesma opinião sobre eles.
Fonte: //www.sxc.hu/712732
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Aula 4 – Linguagem: significado e funções
Linguagem e produção de texto: aula para EAD
Escrever é selecionar elementos da realidade e combinar esses elementos de forma
a produzir um efeito. Nesse sentido, todo texto escrito pressupõe um leitor real ou
imaginário. O autor pretende, com o que escreve, provocar um efeito nesse leitor.
Uma aula em EAD é produzida por alguém que domina um determinado conteúdo
e deseja que seu leitor/aluno aprenda esse conteúdo. O segredo está, portanto, em o
que selecionar e como combinar os vários itens selecionados para provocar um efeito
de sedução/convencimento que leve o aluno a aprender a partir do que foi escrito. Veja
o boxe “Família real”.
Família real
V
amos supor que sua aula seja sobre a vinda da família real para o Brasil. Você seleciona, por
exemplo, os seguintes itens como essenciais:
1. Antecedentes – Bloqueio continental empreendido pela França bonapartista, dependência
econômica de Portugal em relação à Inglaterra.
2. Repercussões da chegada da corte ao Brasil.
3. Primeiras medidas de D. João.
Como você vai combinar isso? Com um mapa da Europa e as razões da França e da Inglaterra
resumidas dentro de seus respectivos territórios? Com um texto corrido, sem ilustrações, com
destaque para os acontecimentos ordenados pelo tempo? Depende. Depende de quê? Do efeito
que você quer causar. Efeito não é objetivo. Efeito é o que permite que se alcance o objetivo.
É o que torna o texto eficaz e o objetivo alcançável.
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Um dos caminhos para produzir uma aula de EAD é fazer o seguinte roteiro antes
de escrever, como um rascunho para você mesmo:
Primeira etapa: Seleção
• Selecione os pontos essenciais do conteúdo que você pretende que o aluno
domine nessa aula; liste-os de maneira clara e precisa sob forma de objetivos de
aprendizagem.
• Selecione, entre esses pontos, quais se prestam a maior multiplicidade de
conexões.
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Planejamento e elaboração de material didático impresso para EAD - elementos instrucionais e estratégias de ensino
• Selecione quais pontos apresentam pré- requisitos, ou seja, para que o aluno entenda
um determinado item é preciso que ele tenha estudado no período anterior ou no
Ensino Médio conceitos ou técnicas, sem as quais ele não entenderá o que você
escreveu.
A questão dos pré-requisitos merece um pouco mais da nossa atenção. Vamos a
alguns pontos e exemplos importantes:
Indique o conceito que ele deverá retomar, conhecer. Quando o seu texto estiver
pronto, esse item será facilmente “cortado” e “colado” na seção destinada aos pré-
requisitos para o estudo de uma aula, de acordo com o projeto gráfico de sua instituição.
No caso de nossas aulas, os pré-requisitos são redigidos em forma de texto, na primeira
página: “para acompanhar este conteúdo, você deverá estudar ou rever os conceitos x,
y, z, que estudamos na aula anterior”.
Não se preocupe com isso na fase de rascunho.
Apenas selecione.
Coloque entre vírgulas, parênteses – ou qualquer
elemento com finalidade de destaque, como o travessão
que estou usando agora – palavras que podem ser
esclarecidas rapidamente, mas que seu aluno pode não
saber de antemão.
Observe os textos A e B e veja a diferença entre
esclarecer um conteúdo significativo através de um
parêntese explicativo ou através da determinação
dos pré-requisitos:
Texto A:
A situação econômica da colônia, naquele momento, prejudicava muito os mascates
– pequenos comerciantes que percorriam o sertão nordestino – a ponto de a
insatisfação destes preocupar as autoridades locais.
Por que, no exemplo acima, eu escrevi entre travessões a definição de mascates? Porque
o aluno pode não saber a que estou me referindo. É uma informação importante e fácil
de transmitir ou relembrar. Basta colocar entre vírgulas ou travessões. Se o aluno souber,
ótimo; se não souber, aprende na hora. Nesse caso, não é necessário incluir o conhecimento
do conceito de mascate como pré-requisito para a compreensão do texto apresentado.
O “rascunho” supre,
na linguagem escrita, a
maravilhosa característica da
linguagem falada equivalente
a “não foi bem isso o que
eu quis dizer”, quando
alguma coisa dá errado na
comunicação oral. Se você
fizer um rascunho roteirizado
de sua aula, começando
por selecionar pontos do
conteúdo, pré-requisitos
e redigindo textos a partir
dessa seleção, você mesmo
vai poder avaliar se “foi bem
isso exatamente o que você
quis dizer”.
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Aula 4 – Linguagem: significado e funções
Texto B:
A interseção entre os conjuntos A - dos jovens adultos pobres, brancos e desempre-
gados no Brasil, e B – jovens negros adultos, pobres e desempregados no Brasil está
no conjunto C dos jovens adultos pobres desempregados brasileiros.
É difícil identificar elemento de interseção entre dois conjuntos sem saber o
que são conjuntos. Isso demonstra que alguns conceitos não podem ser traduzidos
por palavras, trocados por palavras. É interessante estar atento para esse detalhe.
A definição de mascate pode ser colocada no texto, podemos, inclusive, optar pelo
recurso do verbete, caso pareça melhor deixar o texto com mais fluência, mas o aluno
precisa conhecer o conceito de Conjunto antes de ir adiante numa aula sobre esse tema.
Selecionar essas possibilidades no rascunho potencializa as qualidades da sua aula,
especialmente quando você temer que o aluno não consiga atingir os objetivos, fazer as
atividades, sem determinados pré-requisitos.
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ré-requisitos são conceitos e informações que os alunos precisam conhecer antes de
começar a estudar uma aula.
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Segunda etapa: Combinação
• Combine o conteúdo selecionado com um estilo de escrita no qual se sinta mais
confortável, mais criativo, dirigindo-se ao seu aluno imaginário.
Exemplos de estilo:
• mais coloquial, dirigindo-se diretamente ao aluno;
• claro, porém mais contido (não confundir com frio ou hermético);
• coloquial, usando exemplos tirados do noticiário ou com ênfase em conceitos
e argumentos, ou ainda contando histórias.
Enfim, a lista do que caracteriza um estilo é infindável. Escolha aquele em que você
se sente mais à vontade para escrever sobre o conteúdo que conhece bem, de forma a
ensinar alguém que você não conhece presencialmente.
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Planejamento e elaboração de material didático impresso para EAD - elementos instrucionais e estratégias de ensino
• Combine o conteúdo e o estilo do texto com
atividades, uma para cada objetivo listado,
buscando atender a cada uma das competências p
cognitivas g , sempre que possível.
Terceira etapa: Avaliação
• Neste momento, você terá a oportunidade de auto-avaliar seu desempenho como
professor de EAD.
• A aula ficou enorme?
• Há muito conteúdo e poucas atividades?
• Você não consegue imaginar atividades que levem o aluno adiante?
Reescreva.
Releia o que você reescreveu:
• O conteúdo está combinando com o estilo escolhido?
• As atividades combinam com os objetivos para essa aula?
Lembre sempre que o seu objetivo maior é provocar o efeito de entendimento, se
possível de prazer, para facilitar a aprendizagem de seu leitor/aluno. Todos os recursos
de linguagem devem ser claros, precisos, rápidos, conectados a outros conteúdos.
• Os comandos para as atividades estão claros e precisos e, sempre que possível,
conectados a outros conteúdos?
A maioria dos casos de ruído de comunicação entre professor e aluno está na
expressão de expectativas. Se eu espero que o aluno produza um texto rápido, claro,
consistente com um recorte do conteúdo, devo ser capaz de indicar, inequivocamente,
quais conceitos ele deve articular a partir do conhecimento recém-adquirido.
A
o definir seu estilo, lembre-se de que, em EAD, idealmente, o aluno deve ser capaz de “ouvir
a voz do professor saindo do papel” ( A ROWNTREE, 1988).
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As competências cognitivas
são as de identificar,
distinguir, comparar,
inferir, analisar, produzir,
sintetizar, criar, avaliar. Todas
fundamentais para o processo
de ensino e aprendizagem.
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Aula 4 – Linguagem: significado e funções
Exemplo de um trecho de aula e de proposta de atividade:
Texto A:
Diferença entre narrativa e dissertação
A narrativa se caracteriza por contar eventos e apresentar personagens, e a
dissertação por apresentar conceitos, discorrer sobre situações ou personagens
de forma argumentativa. No texto em prosa ou no texto em verso encontramos
exemplos de narrativa e de dissertação.
Atividade
As letras de “Faroeste Caboclo” de Renato Russo e “Faltando um pedaço” de Djavan
são exemplos de história contada e conceito apresentado de forma argumentativa.
Identifique três versos que indiquem eventos ocorridos, três versos que caracterizem
personagens, em uma, e três versos que caracterizem sentimento, em outra.
N
o exemplo de atividade proposto acima, precisamos considerar o que falamos acerca da
definição de pré-requisitos: será que o aluno tem internet em casa para pesquisar as letras
das músicas citadas? Será que conhece Renato Russo e Djavan? Não devemos partir do princípio
de que as respostas são afirmativas.
Quando você achar importante que o aluno pesquise, coloque o comando pesquise na atividade.
Se o mais importante for distinguir, inclua as letras das músicas na sua aula. Comandos são
verbos no imperativo como os que usamos para a redação de objetivos.
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Atividade Final
Atende aos objetivos 3, 4 e 5 j
Sistematizando o trabalho da escrita
Você fez todas as atividades da aula? Manteve os dois exemplos dos textos pesquisados
na Atividade 3 perto de você?
Leia mais uma vez seu rascunho. O rascunho apresenta um texto consistente e agradável
de ler? Não? Escreva-o novamente, se achar pertinente.
Depois de reescrever seu rascunho, pense: ele está claro, rápido, preciso, múltiplo,
consistente? Se for o caso, incorpore-o à aula quando for redigi-la, se não, inicie o
processo novamente.
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Planejamento e elaboração de material didático impresso para EAD - elementos instrucionais e estratégias de ensino
Resumo
A
Língua é o sistema de comunicação e expressão de um povo,
nação, país, etc., que permite a expressão e comunicação de
pensamentos, desejos, emoções. A linguagem é qualquer conjunto de
símbolos usados para codificar ou decodificar dados, qualquer sistema
de sinais ou signos, através dos quais dois ou mais seres se comunicam
entre si para transmitir e receber informações, avisos, expressões
de emoção ou sentimento. Embora seja possível representar idéias
usando as linguagens numérica, matemática e musical, dentre
outras, tais representações dependeram de intensas discussões, que
se deram presencialmente ou a distância, e que passaram pelo uso
da língua, falada ou escrita. O material impresso voltado para EAD,
em qualquer área de saber, depende, para sua eficácia, de o professor
conseguir produzir um texto com elementos fundamentais para a boa
comunicação escrita. Quem escreve aulas para EAD deve compreender
e privilegiar cinco elementos durante a redação do material didático:
um texto claro, em que o tema e as informações importantes
sejam tratados com precisão; um texto que procure ser rápido na
comunicação do conteúdo; um texto consistente, e que ofereça,
sempre que possível, conexões com outros textos, outras mídias,
outras situações de forma a favorecer, a subsidiar a imaginação/
abstração do aluno. Essa multiplicidade é essencial para a criação de
um texto dialógico, ou seja, que traz pistas de outros textos, diferentes
pontos de vista, e desdobramentos diversos. A produção de uma aula
impressa para EAD envolve selecionar os itens de interesse para o
tema em questão e, em seguida, combiná-los de forma a provocar
um efeito de sedução/convencimento que leve o aluno a aprender a
partir do que foi escrito. Após uma primeira seleção e combinação de
conteúdos, é fundamental a avaliação de acordo com os elementos
mencionados acima e sua reescrita, quando percebermos que o texto
produzido não atende às expectativas de um bom processo de ensino
e aprendizagem.
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Aula 4 – Linguagem: significado e funções
Informações sobre a próxima aula
Como tornar sua aula mais “legível”? Como fazer uso de recursos da língua para a elaboração de
aulas que sejam mais facilmente estudadas, sem comprometer em nada a formação de alunos de
Ensino Superior? A próxima aula será sobre recursos de legibilidade da língua escrita. Até lá!
Leituras recomendadas
KAPUSCINKSKI, Rysznard. Minhas viagens com Heródoto. São Paulo: Companhia das Letras, 2006.
LEE, Rupert. Eureka, as 100 descobertas científicas do século XX Rio de Janeiro, Ed. Nova Fronteira, 2006. XX
CALVINO, Italo. Seis propostas para o próximo milênio – Lições Americanas. Trad. Ivo Barroso. São
Paulo: Companhia das Letras, 1990.
Bibliografia consultada
CANDIDO, Antonio. Iniciação à literatura brasileira /. -- 4. ed. -- Rio de Janeiro: Ouro sobre azul, a
2004.135 p.
Aristóteles. Poética. Rio de Janeiro: Ediouro, s/d.
BORDINI, Maria da Glória & AGUIAR, Vera Teixeira. Literatura: a formação do leitor: alternativas
metodológicas. 2a ed. Porto Alegre: Mercado Aberto, 1993.
EAGLETON, Terry. Teoria da literatura: uma introdução. Trad. Waltensir Dutra. São Paulo: Martins
Fontes, 1983.
CALVINO, Italo. Seis propostas para o próximo milênio – Lições Americanas. Trad. Ivo Barroso. São
Paulo: Companhia das Letras, 1990.
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O uso da linguagem.
Por que tanta
preocupação e tanto
cuidado?
Ana Paula Abreu-Fialho
José Meyohas
5
Aula
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Planejamento e elaboração de material didático impresso para EAD - elementos instrucionais e estratégias de ensino
Meta
Apresentar meios e técnicas de como fazer uso adequado
da linguagem para EAD.
Objetivos
Ao final desta aula, você deverá ser capaz de:
1. introduzir elementos de pessoalidade em um texto;
2. substituir expressões por uma só palavra sem alterar
o sentido da frase;
3. detectar e substituir vocábulos inadequados a um
texto instrucional para EAD;
4. ordenar de maneira direta uma sentença;
5. usar perguntas retóricas em um texto;
6. construir sentenças curtas.
Pré-requisitos
Gostaríamos que você marcasse a que horas começou
a estudar. Além disso, manter ao seu lado um bom
dicionário talvez seja necessário...
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Aula 5 – O uso da linguagem. Por que tanta preocupação e tanto cuidado?
Prólogo
Indagando-se pode estar, acerca da relevância de unidades didáticas, um par delas,
relativas a conceituações e estratagemas endereçados à elaboração da escrita de um
determinado conteúdo, em volume impresso, para proceder ao ato pedagógico na
modalidade em que aquele que ensina e o outro, o que visa instruir-se, separados estão,
o leitor. A este, ministraremos, nos três parágrafos que se seguem, breve explanação.
Acredita-se que, de priscas eras, advenha, desde imemoriáveis tempos em que se
deu, pelo homem, a iniciação da implementação de ação continuada no sentido de
envolver-se em processos de transmissão e recepção de mensagens, para tanto, na
representação por signos e gráficos fiando-se, a basilar estimação pela elocução escrita.
Posto que, ainda, hodiernamente, não nos é factível prescindir, portanto improva-
velmente o será, de tal artifício da transmissão e recepção entre interlocutores
adjacentemente localizados ou temporalmente e espacialmente separados, com vistas a
estabelecer, de fato, entre as partes, a comunicação, mandatório nos é não deixarmos
de empenharmo-nos, no que à busca por fatores, recursos e elementos lingüísticos
alude, à culminação da não-obscuridade e ininterrupta objetividade de nossos escritos,
sob infortúnio de não se lograr a veiculação da expressão das acepções originais, da
semântica primeira, ambas que pelo autor da epístola foram intentadas.
Quando da apresentação de teores peculiares a cada campo de saber, no intuito
de realizar entre a realidade apresentada e o aprendiz não adjacentemente localizado,
conexões, além de possibilitar a apreensão eficiente e inequívoca do conteúdo em
questão, a utilização desta que se denomina linguagem é ferramenta de suma estimação,
para a qual é indubitavelmente imperativo o domínio por parte deste imediato leitor
e porvindouro autor.
Neste sentido, ficam clarificadamente as razões pelas quais o leitor desta deve ater-se
firme, dedicada e cuidadosamente a tais unidades didáticas expostas.
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Planejamento e elaboração de material didático impresso para EAD - elementos instrucionais e estratégias de ensino
Agora, sim: introdução
Imagine-se aluno de EAD e responda: gostou do “prólogo” que acabou de ler?
Aposto que sua resposta foi NÃO. Pois, nem nós... Aluno algum poderia ter gostado
de “coisa” tão imprecisa, cheia de expressões de efeito, sem objetividade, com falta de
clareza generalizada e – o que é pior – pedante. Afinal, haverá alguém que goste de não
entender aquilo que precisa entender? Ou que fique cheio de dúvidas sobre o assunto?
Ou que passe a ter mais dúvidas ainda do que as que já tinha?
Esse prólogo deu um enorme trabalho para ser escrito exatamente pelas características
(listadas no parágrafo anterior) que o fazem tão incompetente na transmissão de uma
mensagem. São 292 palavras e muito pouco significado... É justamente assim que não
se deve escrever, em especial para EAD.
Uma aula, uma conversa, nunca uma conferência!
ATIVIDADE 1
Mas as pessoas da sala de jantar...
Imagine que você foi convidado para um jantar por um casal de amigos. Você aceitou o
convite e, na data e hora combinados, você se dirigiu ao endereço que eles lhe deram. Ao
chegar, toca a campainha e...
1. é recebido pelo mordomo, que lhe encaminha à sala de estar; de lá, você pode ver a mesa
posta para a refeição: há dois pratos (um em cima do outro) apoiados em um suporte, três
taças (uma de cada tamanho), três garfos do lado esquerdo, três facas do direito e mais três
talheres de sobremesa na frente dos pratos; isso, claro, para cada pessoa;
2. é recebido pelo casal, que vai com você até a sala de estar; de lá, você pode ver a mesa
posta para a refeição: nada de incomum, exceto as lindas taças destinadas a um bom
vinho tinto; que, inclusive, já estão sendo abastecidas pelo seu amigo.
Diga: em qual situação você se sentiria mais confortável?
( ) 1 ( ) 2
Dê uma razão:
___________________________________________________________
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Aula 5 – O uso da linguagem. Por que tanta preocupação e tanto cuidado?
Uma das maiores dificuldades de nós, professores do ensino presencial, quando
vamos elaborar um material para Educação a Distância é entender que não estamos
redigindo capítulos de livros ou artigos científicos. É nos desprender da linguagem
rebuscada - com a qual estamos acostumados sem nos darmos conta.
Parece que, na hora em que nos sentamos para escrever, esquecemos de que quem
está “do outro lado” é um aluno como aquele que vemos em sala de aula. É um aluno
que não gosta de ler um texto frio e hermético tanto quanto um aluno que espera
que o professor entre em sala e dê aula não gosta de assistir a uma conferência. É um
aluno que, assim como o aluno presencial, provavelmente não entenderá boa parte da
conferência, embora possamos achar que ela esteja claríssima.
Você discorda? Pois vamos dar um exemplo de uma situação real que mostra como
nos enganamos a respeito da nossa capacidade de comunicação. Veja a história a seguir:
Resposta Comentada
São muito baixas as chances de você ter respondido que se sentiria mais confortável em
um ambiente com tamanha formalidade como o descrito na situação 1. Várias podem ter
sido as justificativas, e aqui listamos sete possibilidades:
1. é muito formal;
2. é um ambiente pouco acolhedor;
3. não sei comer com todos aqueles talheres, nem o que beber com cada taça;
4. não me sinto à vontade quando sou recebido pelo mordomo, e não pelos meus amigos;
5. o ambiente me pareceu frio e distante;
6. acho desnecessária esta ostentação diante da realidade atual do país;
7. parecia que chegava à casa do meu chefe, e não de amigos.
Todas essas justificativas se referem, no fundo, à formalidade que está por trás de uma
mesa posta com quantidades de pratos, taças e talheres que são, pelo menos, o triplo do
número de convidados. Isso para não falar no mordomo e nos amigos que não vieram
recebê-lo. Essa formalidade traz associada a si um distanciamento que não esperamos
encontrar quando vamos à casa de amigos.
Ao pegar seu material didático impresso para estudar, o aluno espera se sentir indo a uma
aula; em outras palavras, ele espera ser recebido pelo professor, sem formalidades que o
façam se sentir, de fato, a distância...
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96
Planejamento e elaboração de material didático impresso para EAD - elementos instrucionais e estratégias de ensino
Uma vez estava dirigindo, com minha sobrinha, então com uns
sete anos, no banco de trás. A certa altura, ela vira-se para mim e
pergunta:
- Tia, o que é maré?
Meu lado bióloga marinha estufou o peito, antecipando o
que certamente seria a consagração do meu maior momento
como professora.
- Maré, Nina? Ok, vamos lá! Sabe quando você está na praia e de
repente o mar vem e molha a toalha da gente?
A menina impaciente retruca:
- Tia, não perguntei o que é MAR, perguntei o que é MARÉ!
- Calma, Nina. Para saber o que é maré, primeiro tem que saber umas
coisas do mar!
Seguiu-se uma longa explicação, que para mim pareceu
absolutamente impecável dada a minha formação na área, minha
experiência em sala de aula, e a aluna que o orgulho genético só me
faria considerar brilhante.
- Entendeu?
- Tia, acho que eu estou ficando surda...
- Surda, Nina?
- É, tia. Quer ver? Por exemplo, me pergunta o que é lápis!
Já meio frustrada, entrei na onda da minha adorável aprendiz.
- Nina, o que é um lápis?
- Uma coisa de madeira, fina e pontuda. Entendeu?
Parei, pensei, e acabei percebendo que, de fato, não estava satisfeita
com a resposta.
- É, mas você poderia estar falando de um palito...
- É isso! Tá vendo, tia... Eu entendo o que você diz, só não entendo o
que você quer dizer!
Diálogo real, narrado por Cristine Barreto (coordenadora do módulo).
Aconteceu há sete anos, entre ela mesma e sua sobrinha que tinha
6 anos na época.
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97
Aula 5 – O uso da linguagem. Por que tanta preocupação e tanto cuidado?
Esse exemplo mostra o quanto podemos nos enganar em relação à nossa clareza.
A tia tinha certeza absoluta de que tinha dado a melhor das explicações sobre maré.
Não foi o que achou a sobrinha, que continuou sem saber o que havia perguntado.
Uma das maneiras de diminuir a dificuldade de os alunos entenderem um
determinado conteúdo é aproximá-lo deles. Isso pode ser feito de duas maneiras:
1. contextualizando, dando exemplos que concretizem conceitos abstratos;
2. fazendo com que o aluno se sinta de fato em uma aula, que ele sinta que há um
professor do outro lado do papel, preocupado em lhe ensinar aquele conteúdo.
Sobre a primeira maneira, você é o mais indicado para selecionar partes do
conteúdo em que valha a pena utilizar esta estratégia. Nós acabamos de fazer isso
mostrando o exemplo da conversa sobre maré.
Já sobre a segunda maneira, aí sim podemos contribuir mais.
Vemos em EAD que as aulas apresentadas em tom de conversa são sempre mais
atrativas e eficazes. Afinal, são aulas, e não conferências. Portanto, sugerimos que a
linguagem informal (mas cuidada!) e amigável seja a que você deva usar. Como fazer?
Que tal começar a descobrir, fazendo a Atividade 2?
Atividade 2
Objetivo 2 j
Chega mais, chega mais...
Uma linguagem mais amigável e informal é uma boa maneira de fazer o aluno se sentir
em uma aula, e das boas. Veja o trecho a seguir, retirado do prólogo desta aula:
“Neste sentido, ficam clarificadamente as razões pelas quais o leitor desta deve
ater-se firme, dedicada e cuidadosamente a tais unidades didáticas expostas.”
Agora você fará um exercício bastante direcionado:
a. Retire a palavra que explicita a que pessoa este texto se refere.
__________________________________________________________________
b. No contexto dessa aula, quem é essa pessoa?
__________________________________________________________________
c. O que você poderia escrever no lugar da que selecionou na letra a para trazer um a
pouco mais de pessoalidade ao texto?
__________________________________________________________________
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Planejamento e elaboração de material didático impresso para EAD - elementos instrucionais e estratégias de ensino
Resposta Comentada
a. Este texto está se referindo diretamente ao LEITOR...
b. ...que nesta aula é você, capacitando para a elaboração de material didático impresso
para Educação a Distância.
c. Trocar “leitor” por “você” já faz com que você se sinta mais próximo do autor do texto.
Afinal, ele estará se dirigindo diretamente a você, não é?!
A pessoalidade de um texto não passa só pela forma como se trata o aluno, mas
também pela maneira como o professor se coloca. Veja a diferença:
1- O autor apresentará a seguir os problemas que o aluno deverá identificar...
2- (eu) Vou apresentar a seguir os problemas que você deverá identificar...
No texto 1 há dois verdadeiros alienígenas tentando comunicação! Já no texto 2, há
uma relação explícita e direta entre duas pessoas.
Para alcançar esse tipo de linguagem mais intimista, use sempre pronomes pessoais
(eu, você, nós). Precisando usar pronomes que não permitam a imediata e clara
identificação do “quem” (ele ou eles; ela ou elas; nós; seu ou seus; sua ou suas; etc.)
esclareça no mesmo instante se se trata de eu e você, de eu e os outros professores, de
você, eu e os meus colegas especialistas etc.
C
uidado para não confundir informalidade com coloquialismo exagerado. O que buscamos
é uma linguagem pessoal, clara, objetiva e, quando possível, com tons humorísticos; no
entanto, não devemos nos descuidar em nenhum momento!
O uso de pra, pro, pras, pros não é aconselhável na nossa língua; muito menos será o uso
de contrações agramaticais, do tipo DA em vez de DE A (por exemplo: “O fato do aluno estar
distante” x “O fato de o aluno estar distante...”).
A
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n
ç
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o
Ainda nas características de um texto que converse com o aluno, não podemos
deixar de falar sobre as frases interrogativas – retóricas. Você saberia dizer o porquê?
Esse tipo de recurso lingüístico é capaz de instigar o aluno e, por conseqüência, o
mantém mais atento à aula e faz com que ele se encoraje a antecipar a resposta. (Se você
está estudando esta aula como um autêntico aluno, acabou de ser chacoalhado pela
pergunta do parágrafo anterior).
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Aula 5 – O uso da linguagem. Por que tanta preocupação e tanto cuidado?
Com o devido cuidado de não transformar sua aula num mero questionário,
faça perguntas introdutórias; saia da rotina de se limitar a conceituar e conceituar
indefinidamente; aproveite a chance de perguntar o que vai explicar depois e responder
com exemplos.
P
odemos (e devemos) ser sérios no ensino do conteúdo; no entanto, sem ser pedantes. Em
Educação a Distância, mais particularmente que na modalidade presencial, a linguagem
solene, professoral e acadêmica são sempre indesejadas, pois afasta o aluno do professor.
A linguagem simples, direta, precisa, objetiva, clara e concisa só faz aproximá-los. Não é
necessário dizer que tipo de “convivência” queremos ter, concorda?
A
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Cheio de nada? Nada bom...
Quando você escreve, o mundo de vocabulário que está armazenado em sua mente
fica inteiramente disponível para uso, não é verdade?
Todavia, quando você estiver escrevendo uma aula, você terá de fazer escolhas,
seleções, discriminações entre palavras, frases, expressões etc. Isso porque você não está
escrevendo para si, mas para o outro.
Um texto é mais consistente quando todas as suas palavras têm relevância para
o que ele se propõe a dizer. Assim, sugerimos que você corte tudo o que vai além do
essencial para passar sua mensagem.
Há frases e expressões que podem ser substituídas por uma ou duas palavras, e com
vantagem: seu receptor decodifica mais rápido, não se estressa, entende sem esforço,
não precisa mergulhar no dicionário, sente conforto na leitura...
Por que usar frases como ’’algo que não esteja aquém do mínimo esperado nem
além do que se consideraria o máximo”, se a gente pode usar “aproximadamente”?
Por que escrever “um extenso, inumerável montante de exemplares”, se podemos
simplesmente escrever “muitos” ou “muitíssimos”?
Sempre que possível, use a expressão que é mais objetiva, clara, simples, direta,
específica, dialógica. Evite tudo o que for vago, impreciso, abstrato, genérico (veja o
boxe “Fugindo do Vago...”); sob pena de seu aluno não entender ou – pior – entender
errado!
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Planejamento e elaboração de material didático impresso para EAD - elementos instrucionais e estratégias de ensino
Repare o exemplo:
“Perigo extremo pode estar associado ao uso operacional incorreto deste equipamento.”
A falta de precisão faz o aluno sentir-se como na areia movediça. Precisar ler três
vezes para entender algo que pode ser entendido de primeira é perda de tempo. E
tempo, lembre-se, é algo que o aluno NÃO tem para desperdiçar. Veja a diferença,
utilizando o mesmo exemplo:
“Mantenha distância ao operar esta máquina. Ela oferece grande risco.”
Fugindo do Vago...
Sugerimos que, para evitar o vago, você procure descartar expressões como:
Fatores Casos
Campos Tem conexão com
Geralmente Circunstâncias
A
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Atividade 3
Objetivo 3 j
Palavras, palavras...
Como você deve estar começando a perceber, o prólogo desta aula será a base dos nossos
trabalhos para aprender a construir um texto para uma aula em material impresso para
Educação a Distância. Releia o parágrafo a seguir:
Posto que, ainda, hodiernamente, não nos é factível prescindir, portanto
improvavelmente o será, de tal artifício [a escrita] da transmissão e recepção
entre interlocutores adjacentemente localizados ou temporalmente e espa-
cialmente separados, com vistas a estabelecer, de fato, entre as partes,
comunicação, mandatório nos é não deixarmos de empenharmo-nos, no que
à busca por fatores, recursos e elementos lingüísticos alude, à culminação da
não obscuridade e ininterrupta objetividade de nossos escritos, sob infortúnio
de não se lograr a veiculação da expressão das acepções originais, da
semântica primeira, ambas que pelo autor da epístola foram intentadas.
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Aula 5 – O uso da linguagem. Por que tanta preocupação e tanto cuidado?
De acordo com o que você acabou de ver nesta aula, deve estar fácil perceber que este
parágrafo está cheio de nada, não é? Então, sua tarefa será detectar as expressões
que “engordam” este texto desnecessariamente e substituí-las. Atenção: não estamos
falando dos termos que somente dificultam a leitura, mas das expressões que podem ser
substituídas por uma só palavra. Tente encontrar, pelo menos, três.
1. _______________________________________________
substituir por: ______________________________________
2. _______________________________________________
substituir por: ______________________________________
3. _______________________________________________
substituir por: ______________________________________
Resposta Comentada
Você provavelmente teve dificuldade em detectar e substituir as expressões que “engordam”
o texto porque, provavelmente, não está entendendo nada do que está escrito. Diríamos
que, a essa altura, você deva estar um pouco irritado... O texto do prólogo é realmente uma
obra de arte às avessas! É difícil pensar em melhorar algo que não se compreende. Demos
alguns exemplos a seguir. Você encontrou outros? Se encontrou, compartilhe conosco no
espaço Fórum da Aula 5.
1. artifício da transmissão e recepção entre interlocutores é exatamente como o dicionário
define COMUNICAÇÃO!
2. adjacentemente localizados é a mesma coisa que PRÓXIMOS, não?
3. fatores, recursos e elementos. Para que tanta coisa? Escolhamos 1: RECURSOS, por
exemplo!
4. não-obscuridade é um jeito esquisito de dizer CLAREZA.
5. lograr a veiculação da expressão... essa é demais! Por que não simplesmente EXPRESSAR?
Existe mais uma expressão que você pode ter detectado; na Atividade Final você vai
entender por que não a colocamos aqui...
No final das contas, sem grandes alterações, observe quanto mais conciso ele ficou:
Posto que, ainda, hodiernamente, não nos é factível prescindir, portanto impro-
vavelmente o será, da comunicação [escrita] entre interlocutores próximos
ou temporalmente e espacialmente separados, com vistas a estabelecer,
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Planejamento e elaboração de material didático impresso para EAD - elementos instrucionais e estratégias de ensino
de fato, entre as partes, comunicação, mandatório nos é não deixarmos de
empenharmo-nos, no que à busca por recursos lingüísticos alude, à culminação
da clareza e ininterrupta objetividade de nossos escritos, sob infortúnio e não se
expressar as acepções originais, a semântica primeira, ambas que pelo autor da
epístola foram intentadas.
Passamos, sem esforço, de 92 para 77 palavras! E se agora você olhar a nova versão desse
trecho, provavelmente encontrará mais algumas possibilidades de substituições. Ainda
não está bom? Também achamos que não...
“Hodiernamente” é coisa do passado!
Tudo de que não precisamos em um material instrucional para Educação a
Distância é de textos que o aluno não seja capaz de entender. Como você viu na seção
e atividade anteriores, textos mais enxutos contribuem expressivamente para a clareza;
no entanto, são apenas uma das componentes desse parâmetro.
De que adianta usar o número de palavras essencial para a sua mensagem, se as
palavras que se está utilizando são indecifráveis para quem está lendo?
Uma das vantagens do material impresso é o fato de ele ser de fácil transporte.
O aluno pode estudá-lo no ônibus, por exemplo, na volta do trabalho. Tendo isso em
mente, pense em algumas questões:
- Um texto como o que iniciou esta aula pode ser lido por um aluno sem um
enorme dicionário a seu lado?
- Quanto pesa um bom dicionário para ser carregado por aí?
- Qual é o prazer de ler tendo de consultar um dicionário a cada três palavras?
- Como é se sentir estrangeiro na sua própria língua, tentando, ao mesmo tempo,
aprender sobre marés, ou o que seja?
- Qual é o preço de fazer o aluno achar que está “surdo” (neste caso, “cego”)? Ele
fechar o livro e largar os estudos?
Com isso, queremos dizer: não sofistique o uso da linguagem na Educação a
Distância. Procure utilizar as palavras do conhecimento da maioria dos alunos, as
que lhes são familiares, corriqueiras. Sinônimos de palavras ”difíceis” serão sempre
bem-vindos.
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Aula 5 – O uso da linguagem. Por que tanta preocupação e tanto cuidado?
E
videntemente, estão excluídos da sugestão anterior os termos técnico-científicos indispen-
sáveis de colocação. Também não considere o conselho se sua intenção (ou eventual meta/
objetivo da aula) for o aprofundamento ou a análise de modos de falar e registros de linguagem
específicos, incomuns, não usuais.
A
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Atividade 4
Objetivo 4 j
A tonga da mironga do cabuletê...
Você continuará na saga de transformar o prólogo desta aula em algo legível por um
aluno... Sua tarefa é identificar e substituir - no trecho a seguir, retirado da resposta da
Atividade 3 - palavras que você imagine não serem de uso cotidiano de seu aluno, à luz
do que acabou de refletir sobre textos rebuscados:
“Posto que, ainda, hodiernamente, não nos é factível prescindir, portanto
improvavelmente o será, da comunicação [escrita] entre interlocutores próximos
ou temporalmente e espacialmente separados, com vistas a estabelecer,
de fato, entre as partes, comunicação, mandatório nos é não deixarmos de
empenharmo-nos, no que à busca por recursos lingüísticos alude, à culminação
da clareza e ininterrupta objetividade de nossos escritos, sob infortúnio de não
se expressar as acepções originais, a semântica primeira, ambas que pelo autor
da epístola foram intentadas.”
Empenhe-se em encontrar, pelo menos, 10 substituições.
1. ______________________________________________
substituir por______________________________________
2. ______________________________________________
substituir por______________________________________
3. ______________________________________________
substituir por______________________________________
4. ______________________________________________
substituir por______________________________________
5. ______________________________________________
substituir por______________________________________
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Planejamento e elaboração de material didático impresso para EAD - elementos instrucionais e estratégias de ensino
6. ______________________________________________
substituir por______________________________________
7. ______________________________________________
substituir por______________________________________
8. ______________________________________________
substituir por______________________________________
9. ______________________________________________
substituir por______________________________________
10. _____________________________________________
substituir por______________________________________
Resposta Comentada
Um vocabulário rebuscado é um grande inimigo do aluno na hora em que ele está
estudando um conteúdo. Isso porque, além de ter de aprender a equilibrar reações
químicas, compreender ciclos biogeoquímicos, resolver equações matemáticas, teorias da
educação, conceitos de contabilidade e empreendedorismo, características de estilos de
arte ou o que for conteúdo de seu curso, ele terá que, ao mesmo tempo, decifrar o que está
escrito (pense em como você se sentiu ao ler o prólogo desta aula...).
Se você quiser dar ao aluno a oportunidade de entrar em contato com novos termos - e
já fazemos isso com os termos técnicos – faça isso bastante moderadamente; escolha
momentos em que a aprendizagem dele não será sacrificada, caso ele não tenha em mãos
um dicionário na hora em que estiver lendo sua aula.
Vamos à resposta?
1. posto que já que
2. hodiernamente atualmente
3. com vistas a a fim de
4. as partes elas
5. mandatório necessário
6. culminação máximo
7. infortúnio pena
8. acepções significados
9. semântica sentido
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Aula 5 – O uso da linguagem. Por que tanta preocupação e tanto cuidado?
Simplificando e clarificando nossos textos
1. Não precisamos ir do Leme ao Pontal em uma só frase...
Materiais instrucionais impressos voltados para a Educação a Distância, como você
está vendo, possuem um gênero discursivo característico. Esse gênero é bem diferente
de artigos científicos, capítulos de livro e da literatura em geral (romances, poemas etc);
estarmos atentos a ele é fundamental para a aprendizagem do aluno.
Longos parágrafos com longos períodos de longas orações com longas palavras
demandam freqüentemente várias leituras para serem entendidos. É comum encontrar
alunos complexados com relação à sua capacidade de entendimento, embora quem
redigiu o texto seja o verdadeiro culpado!
10. epístola mensagem, texto
11. intentadas desejadas
Se você se preocupou muito com seu aluno, pode ter pensado em outras palavras que mereciam
ser substituídas para o texto se aproximar ainda mais da linguagem dele:
12. factível possível
13. prescindir abrir mão
14. Interlocutores pessoas
15. alude se refere
16. ininterrupta contínua
E depois dessas substituições todas, como ficamos? Veja:
Já que, ainda, atualmente, não nos é possível abrir mão, portanto improva-
velmente o será, da comunicação [escrita] entre pessoas próximas ou tempo-
ralmente e espacialmente separadas, a fim de estabelecer, de fato, entre elas,
comunicação, necessário nos é não deixarmos de empenharmo-nos, no que à
busca por recursos lingüísticos se refere, ao máximo da clareza e contínua objeti-
vidade de nossos escritos, sob pena de não de não se expressar os significados e
sentido originais, ambos que pelo autor da mensagem foram desejados.
E aí? Já está claro e fácil de ler?
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Planejamento e elaboração de material didático impresso para EAD - elementos instrucionais e estratégias de ensino
Frases simples, orações curtas, períodos rápidos de ler fazem com que você não se
perca na coesão textual, além de ser muito mais fácil detectar as incoerências come-
tidas involuntariamente. Com isso, queremos dizer que frases curtas são sempre mais
bem entendidas por serem sempre mais enfáticas. Quanto mais você usar pontos,
mais chances de parar para pensar sobre o que acabou de ler (se entendeu ou não, se
concorda ou não) você dará ao seu aluno.
C
uidado! Períodos curtos não significam que o texto deva ser tópico ou que seja fragmentado
demais, a ponto de ser monótono. Em geral, os períodos devem conter até vinte palavras.
Alguns podem exceder a isso, tendo de trinta a quarenta palavras. Se períodos mais longos
forem inevitáveis, tais parágrafos devem conter uma reduzida frase final, sintética, que ajude o
aluno na tarefa complexa de entender o que você escreveu. Em seguida, tente contrabalançá-los
com outros menos longos.
A
t
e
n
ç
ã
o
2. Não, não e mais não não são bem-vindos por aqui...
Outro ponto a que você deve estar atento é o uso das expressões de sentido negativo.
Há muitos alunos que sentem dificuldade em entender rapidamente as construções
desse tipo. Evite a dupla negativa como, por exemplo:
Não é possível duvidar de que as provas não sejam desprovidas de sentido.
Melhor dizendo:
Tenho certeza de que as provas são providas de sentido.
Ou, no máximo:
Não duvide de que as provas sejam providas de sentido.
Ou, ainda melhor:
As provas têm sentido.
O uso indiscriminado de negativas na linguagem faz com que o aluno duvide do
que entendeu, além de sentir-se cansado da leitura.
3. Encaixes precisos
As conjunções têm um papel importantíssimo na coesão e na coerência de um
texto. Usá-las sem o cuidado necessário pode acabar com uma idéia, pode levar o aluno
a uma grande confusão!
Freqüente é o uso de conjunções com sentido equivocado. Toda vez que escrever
“embora”, “no entanto”, analise se há mesmo idéia de concessão ou adversidade
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Aula 5 – O uso da linguagem. Por que tanta preocupação e tanto cuidado?
na sentença; se escrever “portanto”, “assim”, observe se há realmente relação de
conseqüência ou conclusão entre as orações.
Pode estar parecendo óbvio demais o que está no parágrafo anterior. Pode estar
parecendo que estamos gastando seu tempo com informações desnecessárias.
Pode ser que você esteja certo (e esperamos que, de fato, esteja). No entanto, uma
das imprecisões mais comuns de se encontrar ao analisar textos instrucionais (e de
diversas naturezas) é a do tipo narrado nos parágrafos anteriores.
Além da imprecisão no significado, temos de fugir do excesso de conjunções em
um texto. Use-as sem repetição exagerada e prefira as mais simples de cada espécie.
O contrário disso chama-se texto caótico!
4. Muitos adjetivos, muitos advérbios – para que isso tudo?!
Como já dissemos inúmeras vezes, um bom texto deve ser enxuto. Isso significa que,
assim como não é funcional termos expressões enormes que podem ser substituídas
por uma palavra, também não precisamos de adjetivos em excesso para explicar uma
mesma qualidade, estado ou situação. Do mesmo jeito, também não precisamos de
toneladas de advérbios. Quando alongamos as palavras colocando o “-mente” no final
delas para transformá-las em advérbios, a leitura se torna cansativa.
5. Verbos e suas vozes
O verbo é, sem dúvida, a palavra mais forte de qualquer
frase ou oração. A maneira de utilizar o verbo determina a
importância dos elementos em uma sentença e, portanto,
atribui peso e força ao que se quer dizer.
A voz ativa do verbo deve ser a opção na maior
parte dos casos, por ser mais direta e enfática. Estar
atento a esse detalhe pode ser um grande diferencial
entre escrever um trabalho científico e uma aula em
que se conversa com o aluno. Isso porque, nos textos
acadêmicos, é mais comum o uso da voz passiva p (pois
interessa mais o que foi feito, e não quem fez).
Voz ativa e voz passiva
Para você que não lembra
das aulas de português
dos tempos de colégio:
dizemos que houve o
emprego da voz ativa
quando o sujeito (agente)
tem maior ênfase do
que a ação. Por exemplo:
“O presidente assinou o
decreto” em vez de
“O decreto foi assinado
pelo presidente”. Na
segunda oração, o verbo
está em voz passiva (a
ação é mais importante
que o agente).
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Planejamento e elaboração de material didático impresso para EAD - elementos instrucionais e estratégias de ensino
6. Sobre termos técnicos...
Termos técnicos e científicos nem sempre podem (e nem devem!) ser omitidos
em uma aula. Os jargões também não podem ser desprezados, se as pessoas das áreas
de conhecimento especializado fazem uso deles freqüentemente. No entanto, todo
cuidado é pouco ao utilizá-los na linguagem de EAD! Eis algumas sugestões a respeito
de tais termos e jargões:
• Nunca use termos técnicos, a menos que você esteja certo de que o aprendiz
necessita deles.
• Explique o novo termo muito cuidadosamente quando for aplicado pela primeira
vez. Dê o significado, o propósito, o exemplo.
• Relembre o aluno do que se trata, quando voltar a usar um termo ou jargão depois
de muito conteúdo novo ou de aulas passadas.
• Use qualquer espécie de grifo, como a sublinha, as letras em CAIXA ALTA, o
negrito etc. Aproveite para inserir verbetes que contenham apenas a explicação do
sentido necessário para aquele momento.
• Não introduza mais que o número estritamente necessário de termos técnicos
novos no mesmo parágrafo.
• Não use termos técnicos alternativos para o mesmo conceito (microcomputador/
PC), a menos que você pretenda acostumar o seu aluno às variações dos termos.
Nesse caso, use uma variante de cada vez.
7. A palavra-de-ordem é palavra em ordem
Observe com cuidado como você está ordenando as palavras e/ou as orações do seu
texto. Em língua portuguesa, aluno novo não é o mesmo que novo aluno. Há ordens
de palavras que alteram completamente a mensagem. Casos clássicos são os do somente,
ou do apenas, por exemplo. Compare as três frases a seguir e veja se elas apresentam o
mesmo sentido:
Apenas o gato senta no sofá.
O gato apenas senta no sofá.
O gato senta apenas no sofá.
E aí? Na primeira, o gato é o único a sentar no sofá; na segunda; a única coisa que
o gato pode fazer no sofá é se sentar; na terceira, o gato não senta em nenhum outro
lugar além de no sofá.
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Aula 5 – O uso da linguagem. Por que tanta preocupação e tanto cuidado?
Outra questão relacionada à ordem das palavras em uma sentença é que, para
construir um texto claro, quanto menos inversões, melhor. Em outras palavras:
mantenha a ordem direta das palavras. Veja:
Ordem inversa:
Sobre elaboração de textos para Educação a Distância estudam os professores.
Ordem direta:
Os professores estudam sobre elaboração de textos para Educação a Distância.
8. Parênteses, travessões, vírgulas e ponto final
Pontuação tem a ver com norma gramatical e com o estilo de quem escreve. No
que se refere ao estilo, recomendamos apenas que não cometa exageros, especialmente
na aplicação das vírgulas de uso opcional. Entre o máximo e o mínimo de vírgulas
que uma oração pode conter, o que define o número adequado é a velocidade que
você deseja imprimir ao texto. Não voe nem ande quase parando; o aluno poderá não
acompanhá-lo ou esquecer-se de você. Veja aqui alguns casos em que pontuação se faz
necessária:
• Se você quiser que seu aluno faça uma pequena pausa, insira uma vírgula.
• Um ponto final leva a uma pausa maior.
• Se você deseja inserir um comentário (não muito extenso), faça o que acabamos de
fazer: coloque-o entre parênteses.
• Se você deseja unir pequenos períodos, use ponto-e-vírgula; isso dá uma pausa
maior que a vírgula e menor que o ponto.
• Se você deseja dar ênfase particular a uma palavra, sublinhe-a ou use negrito ou
LETRAS MAIÚSCULAS.
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Planejamento e elaboração de material didático impresso para EAD - elementos instrucionais e estratégias de ensino
Atividade final
Objetivos 4, 5 e 6 j
Construção
Não precisa ser nenhum especialista para perceber que o texto a seguir está bastante
truncado e mal escrito:
Já que, ainda, atualmente, não nos é possível abrir mão, portanto improva-
velmente o será, da comunicação [escrita] entre pessoas próximas ou temporal-
mente e espacialmente separadas, a fim de estabelecer, de fato, entre elas,
comunicação, necessário nos é não deixarmos de empenharmo-nos, no que
à busca por recursos lingüísticos se refere, ao máximo da clareza e contínua
objetividade de nossos escritos, sob pena de não se expressar os significados e
sentido originais, ambos que pelo autor da mensagem foram desejados.
Agora está na hora de consertá-lo de verdade, como provavelmente você está com vontade de
fazer desde o início da aula. Vamos parte a parte:
a. quantas sentenças há nesse parágrafo (definidas por pontos)?
__________________________________________________________________
__________________________________________________________________
b. qual é a expressão que apresenta uma negativa desnecessária, que retira objetividade
e clareza da frase? Como redigir a mesma expressão com mais objetividade?
__________________________________________________________________
__________________________________________________________________
c. identifique uma conjunção usada de maneira equivocada:
__________________________________________________________________
d. quantos advérbios você detecta facilMENTE entre as 25 primeiras palavras do texto?
Quais você substituiria (ajuste o texto, se for necessário)?
__________________________________________________________________
e. você encontra um verbo na voz passiva? Qual? Escreva o mesmo trecho colocando o
verbo na voz ativa.
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__________________________________________________________________
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Aula 5 – O uso da linguagem. Por que tanta preocupação e tanto cuidado?
f. detecte, pelo menos, duas inversões da ordem direta nesse trecho todo.
__________________________________________________________________
__________________________________________________________________
g. volte ao trecho que vai de “Já que” até “[escrita]”. Quantas palavras há neste trecho?
E quantas vírgulas? Qual é a velocidade do texto neste trecho (lenta, normal, rápida)?
__________________________________________________________________
h. identifique no texto um trecho que você colocaria entre parênteses (ou entre travessões).
__________________________________________________________________
i. agora que você já fez isso tudo, por que não reescreve o parágrafo? Fique à vontade:
corte as palavras que não contribuem para o significado do texto, troque as que achar
necessário.
Recomendações importantes: coloque pontos onde achar que deve (construa sentenças
curtas), retire vírgulas, reorganize as frases (privilegie a ordem direta), insira ao menos
uma pergunta retórica. Ah, e não se esqueça: seja fiel “à semântica primeira”!
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Resposta Comentada
Muito trabalho? Depois disso tudo, só conferindo as respostas:
a. inacreditavelmente, este parágrafo inteiro corresponde a uma única frase. Se isso é
absurdo, agora que ele já foi modificado por você duas vezes, imagina antes, quando ele
tinha 92 palavras (lembre-se de que recomendamos cerca de trinta por sentença).
b. “não deixarmos de empenharmo-nos” é o mesmo que empenharmo-nos, concorda? Para
que dar nó em pingo d’água? Isso é o que você poderia ter detectado na Atividade 3,
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Planejamento e elaboração de material didático impresso para EAD - elementos instrucionais e estratégias de ensino
mas que deixamos para falar somente agora que já apresentamos o efeito do excesso de
negativas na clareza de uma frase.
c. “não nos é possível abrir mão, portanto improvavelmente o será”. O “portanto” traz
uma idéia de conseqüência direta; neste caso, não existe este tipo de relação. De fato,
provavelmente nunca abriremos mão da comunicação escrita; no entanto, o motivo disso
não é o fato de que agora não podemos fazê-lo, mas o fato de ela permitir a comunicação
entre pessoas, por exemplo, separadas no tempo e no espaço!
d. facilmente você pode ter detectado 4 - os que apresentam “mente”: atualmente,
improvavelmente, temporalmente e espacialmente. Há mais, mas não os consideraremos
aqui.
Para substituir, você poderia escolher qualquer um deles. Possibilidades são:
- “Atualmente” nos dias de hoje;
- “improvavelmente o será” improvável que seja
- “temporalmente e
espacialmente separadas”
separadas no tempo e no
espaço.
e. “pelo autor da mensagem foram desejados” está valorizando o ato de desejar, e não
o autor. O agente não é o foco desta sentença e, por isso, dizemos que o verbo está em
voz passiva. Para passar para voz ativa: os significados e sentido originais, ambos, foram
desejados pelo autor da mensagem.
f. há várias inversões neste trecho: “não nos é possível abrir mão”, “estabelecer, de fato,
entre elas, comunicação”, “nos é não deixarmos de empenharmo-nos”, “no que à busca
por recursos lingüísticos se refere”, “que pelo autor da mensagem foram desejados”. Como
colocá-los em ordem direta? Vamos lá:
- não nos é possível abrir mão
não é possível a nós abrir mão, ou
não é possível abrirmos mão.
- estabelecer, de fato, entre
elas, comunicação
De fato, estabelecer comunicação
entre elas.
- nos é não deixarmos de
empenharmo-nos
É não deixarmos de nos
empenharmos, ou simplesmente,
nos empenharmos!
- no que à busca por recursos
lingüísticos se refere
no que se refere à busca por
recursos lingüísticos.
- que pelo autor da mensagem
foram desejados
que foram desejadas pelo autor da
mensagem.
g. 17 palavras e 5 vírgulas. Quase uma vírgula a cada três palavras. Isso faz a leitura lenta
e monótona.
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Aula 5 – O uso da linguagem. Por que tanta preocupação e tanto cuidado?
h. Três possibilidades:
- improvavelmente o será
- entre pessoas próximas ou temporalmente e espacialmente separadas
- no que à busca por recursos lingüísticos se refere
i. Quando você começou a ler esta aula deve ter pensado que nós éramos loucos e que
o prólogo não significava absolutamente nada. De fato, ele é o pior texto que já vimos:
uma quantidade enorme de palavras inúteis, de inversões desnecessárias, frases colossais,
clareza e objetividade nulas. Veja uma possibilidade de versão para o texto:
Ainda hoje, não é possível (e dificilmente será) abrir mão da linguagem escrita.
Por quê? Porque ela serve para nos comunicarmos com alguém que está
perto ou longe e para fazer registros que serão lidos no futuro. Para que isso
aconteça, é fundamental usar elementos lingüísticos que tragam para o nosso
texto mais clareza e objetividade; caso contrário, as chances de aquilo que
escrevemos ser compreendido por quem lê são baixas. (em 71 palavras).
Olhe as horas novamente. Há quanto tempo você está debruçado sobre esta aula?
Desconte uma parcela dedicada somente à leitura, 50% talvez? Ou seja, metade do tempo
que você passou estudando utilizou para decodificar um único parágrafo! Viu por que não
podemos descuidar da linguagem, especialmente para a Educação a Distância?
Epílogo...
Você pode estar se perguntando por que optamos por oferecer duas aulas sobre
linguagem voltada para material impresso para Educação a Distância. Vamos explicar
nos próximos parágrafos.
A importância da escrita vem de muito tempo, da época em que o homem começou
a se comunicar utilizando símbolos.
Ainda hoje, não é possível (e dificilmente será) abrir mão da linguagem escrita. Por
quê? Porque ela serve para nos comunicarmos com alguém que está perto ou longe e
para fazer registros que serão lidos no futuro. Para que isso aconteça, é fundamental
usar recursos lingüísticos que tragam para o nosso texto mais clareza e objetividade;
caso contrário, as chances de aquilo que escrevemos ser compreendido por quem lê
são baixas.
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Planejamento e elaboração de material didático impresso para EAD - elementos instrucionais e estratégias de ensino
A linguagem é uma ferramenta fundamental quando estamos ensinando um
conteúdo específico a distância. Se usada corretamente, permite ao professor fazer
conexões com o aluno e entre o aluno e o conteúdo.
É por isso que você deve estudar com tanto cuidado estas duas aulas sobre o tema!
162 palavras.
Reconheceu?
Resumo
A
o escrever a sua aula para EAD, faça uso da linguagem em tom
dialógico. Ponha-se no lugar do aluno. Não é mais agradável,
ao estudar uma aula, ler um texto que conversa com você? Fuja das
generalizações e das expressões vagas; use pronomes pessoais e frases
retóricas.
Tanto quanto possível, use palavras curtas, orações pequenas, períodos
curtos, parágrafos pequenos. Evite as duplas negativas. Prefira um
vocabulário familiar ao aluno. Opte pelos verbos ativos, pela ordem
direta, cuidando da ordenação de vocábulos. Ao mencionar temos
técnicos ou científicos, apresente-os aos poucos. De preferência, fuja
deles se puder.
A linguagem clara, objetiva, direta, amigável, simples e enxuta numa aula
faz com que o aluno a “ouça” e o estimula — ele ficará na boa expectativa
de “ouvir” a próxima.
Informações sobre a próxima aula
Na próxima aula você começará a estudar sobre as atividades em materiais instrucionais voltados
para Educação a Distância. Até lá!
Bibliografia Consultada
ROWNTREE, Derek. Teaching through self-instruction. 2ed. Londres: Kogan Page, 1994.
LOCWOOD, Fred. The design and production of self-instruction materials. 1ed. Londres: Kogan
Page, 1998.
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Praticando
a boa prática
Cristine Costa Barreto
6
Aula
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Planejamento e elaboração de material didático impresso para EAD - elementos instrucionais e estratégias de ensino
Meta
Discutir os principais aspectos relacionados à importância
de atividades autênticas em materiais impressos na
Educação a Distância (EAD).
Objetivos
Ao final desta aula, você deverá ser capaz de:
1. identificar a importância das atividades em materiais de
EAD para promover a aprendizagem a partir da utilização
dos conteúdos propostos;
2. conceituar atividade matemagênica;
3. identificar as dez características associadas a atividades
autênticas, conforme descrito na literatura;
4. detectar tais características em atividades voltadas
para materiais impressos de EAD.
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Aula 6 – Praticando a boa prática
Introdução
Eu ouço, e esqueço;
Eu vejo, e me lembro;
Eu faço, e compreendo.
– Confúcio
Se você me perguntasse qual o elemento instrucional mais difícil de ser assimilado por
quem começa a elaborar materiais didáticos impressos para EAD, eu responderia, sem
hesitar, que são as atividades. Se você me perguntasse por quê, eu diria que as atividades,
conforme devem ser concebidas na Educação a Distância, diferem muito da maneira
como as consideramos no ensino presencial. Essa educação não é tão marcante quando
se trata da linguagem, por exemplo. Sua experiência como leitor contribui para romper
as dificuldades relativas à redação de uma aula. É necessária a conquista de técnicas
adequadas e o estudo de diferentes modelos, é verdade. Mas um bom texto literário faz
parte do seu dia-a-dia, ainda que você não seja um escritor! Portanto, escrever é uma
prática de alguma maneira relacionada ao seu cotidiano de leitor.
Com as atividades, não é bem assim. O termo, em si, não tem nada de novo. Você
poderia, corretamente, definir atividade como qualquer coisa que o aluno faça, que não
seja apenas ouvir (ou ler), para aprender, aplicar, praticar, analisar, avaliar, dentre outras
respostas, um conteúdo oferecido. Então, antes de passarmos às especificidades das
atividades em EAD, vamos nos benefeciar de nossa própria experiência como professores.
Pense um pouco sobre suas aulas presenciais expositvas. Quando você está
apresentando novos conteúdos, por exemplo, que tipo de participação você solicita ou
espera de seus alunos?
Figura 6.1: Dependendo de como conduzimos
uma aula, nossos alunos podem participar de
maneiras variadas.
Fonte: www.sxc.hu
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Planejamento e elaboração de material didático impresso para EAD - elementos instrucionais e estratégias de ensino
Escreva, a seguir, as três primeiras coisas que lhe vieram à cabeça:
Imagino que você tenha incluído em sua lista a participação de seus alunos por
meio da colocação de dúvidas, do levantamento de questões, de respostas a perguntas
que você faz, da análise de recursos expositivos, de tarefas realizadas em grupo, de
apresentações de trabalho. Essas são maneiras, dentre várias, pelas quais, tenho certeza,
você busca manter um clima dinâmico, ativo, em sua sala de aula, fugindo de uma
exposição monológica longa e maçante enquanto garante que seus alunos atinjam os
objetivos propostos – maneiras que revelam sua boa prática como professor. Mas agora
gostaria de pedir a sua participação, como aluno, na realização da atividade a seguir.
Vamos lá?
Atividade 1
Atende ao objetivo 1 j
Problema, eu?
A seguir, estão listados a meta e os objetivos de aprendizagem de uma aula voltada
para doenças cardíacas que faz parte do conteúdo programático do curso de
Medicina oferecido por uma das mais conceituadas universidades da Inglaterra. Leia
atentamente.
Fonte: www.sxc.hu
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Aula 6 – Praticando a boa prática
Prof. Helen Hogan e Elizabeth Muir
Imperial College London
Mesmo que você não seja professor da área biomédica, pense em uma aula que permita a
um aluno atingir os objetivos propostos. Pense em como você incentivaria a participação
dos alunos. Pense em como engajar os alunos na aprendizagem do tema da aula e em
como você seria contributivo como professor que visa a formar profissionais de uma
determinada área (nesse caso, Medicina).
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Meta da aula
Avaliar o impacto do fumo na saúde, não só para
o indivíduo, mas para a sociedade como um todo.
Evidenciar de que forma a percepção de um indivíduo
acerca de sua própria saúde, bem como seu status
socioeconômico, influencia o sucesso de estratégias
para a promoção de hábitos de higiene e saúde.
Evidenciar conflitos éticos presentes na área de saúde.
Após esta aula, o aluno deverá ser capaz de:
1. identificar os efeitos físicos, fisiológicos e sociais
do fumo sobre o indivíduo e sua família (incluindo
aspectos tais como o vício e os efeitos do cigarro
para fumantes passivos);
2. relacionar fatores socioeconômicos ao hábito de
fumar;
3. detectar as causas que determinam o início do hábito
de fumar em crianças e adolescentes e quais fatores
contribuem para a manutenção do hábito e para o
abandono do vício;
4. distinguir entre prevenção primária, secundária e
terciária;
5. identificar os conflitos éticos inerentes a qualquer
programa de promoção de saúde;
6. explorar evidências do fumo como um fator de risco
para doenças cardíacas coronarianas.
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“O fumo e as doenças
do coração” A
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Planejamento e elaboração de material didático impresso para EAD - elementos instrucionais e estratégias de ensino
Pense um pouco antes de continuar estudando esta aula.
Resposta comentada
Você pode ter pensado em um sem-número de estratégias diferentes: o uso de fotos,
visitas a hospitais, análise de imagens radiográficas, entrevistas, pesquisas etc. Eu adoraria
que você compartilhasse comigo e com os outros alunos do curso suas idéias para esta
atividade. Deixe seu comentário na plataforma, no fórum da Aula 6. Mas antes de ir até
lá, dê uma olhada no texto seguinte, no qual foi baseada a aula original cujos objetivos
você leu anteriormente.
Jim Butler
Jim Butler é um operário de construção de 40 anos de idade, casado, com dois
filhos: um de dois e outro de cinco anos. Seu trabalho nem sempre é regular, o
que ocasionalmente causa problemas financeiros para a família. Jim gosta de
jogar futebol uma vez por semana e de ir a um bar encontrar com os amigos no
final de semana.
Jim é fumante e consome 20 cigarros por dia
há 20 anos. Depois de muita insistência de sua
esposa, ele concordou em fazer uma visita ao
posto de saúde e buscar aconselhamento do
médico de plantão acerca de como parar de
fumar. Esse médico é você. A esposa de Jim
acha que seria melhor para a saúde dele se ele
deixasse de fumar; recentemente ela mostrou
ao marido um panfleto informativo que
pegou na farmácia sobre doenças relacionadas ao fumo. Ela também acha que
isso os ajudaria a guardar algum dinheiro como reserva para as ocasiões em
que Jim estivesse sem trabalho.
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Fonte: www.sxc.hu Fonte: www.sxc.hu
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Fonte: www.sxc.hu
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Fonte: www.sxc.hu
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Fonte: www.sxc.hu
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Fonte: www.sxc.hu
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Aula 6 – Praticando a boa prática
Ele chega para uma consulta com você e diz: “Minha mulher me mandou aqui
hoje porque ela está preocupada com meu vício de fumar. Não sei por que
tanto estardalhaço, pois meu avô fumou 30 cigarros por dia durante toda a
sua vida e viveu até os 90 anos.
”Enquanto você conversa com Jim, ele revela que tanto seu pai quanto seu tio
morreram no início dos anos 50 em decorrência de “problemas no coração”.
Qual a melhor maneira de você ajudar Jim?
O caso anterior foi utilizado em uma dinâmica presencial de resolução de problemas,
mediada por um tutor (se você quiser saber mais sobre essa estratégia, leia o boxe
“Aprendizagem baseada na resolução de problemas”). A situação relatada pelo operário
Jim Butler é o núcleo a partir do qual todos os objetivos listados anteriormente devem
ser atingidos pelos alunos. Da maneira como essas dinâmicas são conduzidas, o aluno
aprende não apenas a resolver o problema específico proposto, mas se instrumentaliza
para a resolução de problemas em geral, a partir da aplicação de conceitos em contextos
reais e variados e da transferência dos conteúdos aprendidos para outros domínios.
Naturalmente, você poderia apresentar, em uma aula expositiva convencional, conteúdos
que permitissem aos alunos atingir os objetivos mencionados no início da atividade.
E você certamente faria isso com eloqüência, em uma aula bem ilustrada, fazendo uso das
estratégias que mencionou anteriormente, compartilhando com seus alunos toda a sua
experiência profissional. Você falaria de forma clara, e os alunos teriam acesso ao conteúdo
de forma muito mais rápida e objetiva do que por meio de discussões em grupo. Você
poderia fazer isso, obviamente. Mas diversos estudos indicam que a maioria dos estudantes
retém e utiliza pouco do que memoriza em situações de sala de aula.
Diferentemente, a aprendizagem baseada na resolução de problemas proporciona maior
significado, aplicabilidade e relevância ao conteúdo aprendido. É o extremo do que você pode
fazer em sala de aula, em que as participações de seus alunos, na verdade, sejam a própria
aula, já pensou nisso? Quando comparada à instrução tradicional, a adoção de problemas
úteis (significativos) e com alto grau de dificuldade motiva muito mais os aprendizes a
buscar soluções, proporcionando-lhes maior nível de compreensão e de desenvolvimento
de habilidades cognitivas e relacionais. Dessa forma, os alunos passam a utilizar idéias em s
vez de apenas ouvir (ou ler!) sobre elas. A constante aplicação de conceitos por meio das
atividades propostas é uma característica típica da Educação a Distância, que deveria ser, na
verdade, meramente um reflexo de nossas práticas em sala de aula no ensino presencial.
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Planejamento e elaboração de material didático impresso para EAD - elementos instrucionais e estratégias de ensino
Diferentemente dos livros-textos tradicionais, em que as atividades aparecem ao final
de cada capítulo como verificadoras de um aprendizado adquirido anteriormente, no caso
da Educação a Distância as atividades devem aparecer entremeadas no corpo do texto,
como parte integrante dos elementos instrucionais que promovem uma aprendizagem
eficaz. Representam um dos principais caminhos de interação entre o aluno e o material
didático, ao redor dos quais o processo de aprendizagem deve ser construído. Tudo
funciona como se você estivesse dando uma aula particular, para apenas um aluno...
De tempos em tempos, você solicita sua participação para se certificar de que ele está
acompanhando seu raciocínio, para que ele compartilhe de suas experiências, para que
ele pratique um conceito importante sobre o qual você acabou de falar. É esse ritmo que
você deve buscar ao elaborar uma aula impressa para EAD.
Figura 6.2: Enquanto elabora uma aula para Educação a Distância, pense
sempre em um aluno particular. Como você o interpelaria durante uma seção
de duas horas? Assim, você deve imaginar a freqüência com que deve oferecer
atividades para ele fazer.
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Mas você me disse que faz isso em sua sala de aula, não? Você busca a participação
de seus alunos de diversas maneiras. Assim como você, muitos professores tentam
romper com um modelo reproduzido há décadas, fortemente centrado na transmissão
de um vasto conteúdo que inunda o aluno com informações detalhistas; um sistema
que enfatiza exageradamente recuperação, reconhecimento, descrição ou comparação
de informações que foram memorizadas. Não é preciso ser um profissional da área
da Educação para deduzir que esse modelo gera muitos custos para o aprendiz e
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Aula 6 – Praticando a boa prática
exige pouco do professor, de forma que o balanço final é quase inevitavelmente a
massificação de alunos desestimulados com o conhecimento, com o processo de
aprendizagem e pouco autônomos no que se refere às suas capacidades de análise,
interpretação e decisão, dentre outras.
Se concentrarmos o foco das ações pedagógicas no aluno, inevitavelmente somos
levados a pensar no processo de aprendizagem de uma maneira inteiramente diferente,
com atividades educacionais que busquem integrar o aluno a um contexto aplicado,
refletindo as ações dos profissionais em um mundo real, onde menos tempo é gasto
freqüentando exposições teóricas do que na aplicação das informações apreendidas.
Ora, se todos somos capazes de detectar parâmetros educacionais que definem
sistemas eficazes, presenciais ou não, e distingui-los daqueles que claramente consideramos
inadequados, quer do ponto de vista pedagógico, quer do motivacional, por que então
a aprendizagem baseada em atividades ainda é percebida, por muitos professores, como
uma inovação e por que comecei a aula dizendo que é o elemento instrucional mais
difícil de ser assimilado e aplicado na elaboração de materiais de EAD?
Minha longa prática em sala de aula e minha experiência como pesquisadora
sugerem que, embora saibamos apreciar o bom material educacional e também detectar
aquele que nos desagrada, falta-nos a capacidade de mapear e formalizar os processos
técnicos e mentais que levaram este àquele. Novamente, por meio desta discussão,
espero contribuir para preencher alguns daqueles fluxogramas vazios a que me referi na
Aula 2 e ajudar você a criar boas atividades para suas aulas, para seus alunos.
Aprendizagem baseada na resolução de problemas
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aprendizagem baseada na resolução de problemas é uma estratégia pedagógica voltada
para a proposição de situações reais, significativas e contextualizadas ao mesmo tempo que
fornece recursos, orientação e instrução para os alunos adquirirem o conhecimento do conteúdo e
a habilidade de solucionar problemas. Diferentemente dos métodos de instrução tradicionais, com
freqüência conduzidos no formato de aulas expositivas, o ensino com base na resolução de problemas
normalmente ocorre com base em uma dinâmica de grupo de discussão facilitada por um tutor.
Originalmente, essa estratégia de ensino e aprendizagem foi utilizada, na área médica, para
aprimorar o desenvolvimento de habilidades de tomada de decisão dos estudantes. O modelo
médico original desdobrou-se em muitas variantes aplicáveis às demais áreas da ciência e,
atualmente, práticas de ensino com dinâmicas voltadas para a resolução de problemas são
utilizadas em diversos outros cenários.
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Planejamento e elaboração de material didático impresso para EAD - elementos instrucionais e estratégias de ensino
Dinâmicas de aprendizagem baseadas na
resolução de problemas (tutoriais) podem ser
conduzidas de diversas maneiras. Uma das
mais freqüentemente utilizadas é o processo
dos sete estágios, cujo formato pode ser
adaptado e/ou reduzido de diversas maneiras.
Os sete estágios de um tutorial típico podem
ser divididos da seguinte forma:
Estágio 1 g – Identificação e esclarecimento dos termos não-familiares apresentados nos
casos. O aluno eleito como escrevente relaciona aqueles que permanecerem inexplicáveis
após a discussão.
Estágio 2 g – Definição do problema ou dos problemas a serem discutidos. Os estudantes podem
ter diferentes visões acerca dos aspectos apresentados, e todas devem ser consideradas.
O escrevente registra uma lista de problemas conforme acordado entre os membros do grupo.
Estágio 3 g – Sessão de brainstorming para discutir os problemas, sugerindo possíveis
explicações com base no conhecimento prévio dos alunos. O grupo, como um todo,
beneficia-se do conhecimento prévio de cada membro individualmente e identifica áreas
de conhecimento que permaneceram incompletas. O escrevente registra todos os pontos
principais da discussão.
Estágio 4 g - Revisão dos estágios 2 e 3, e organização das explicações em termos de
possíveis soluções. O escrevente organiza as explicações e as reestrutura, se necessário.
Estágio 5 g - Formulação de objetivos de aprendizagem. O grupo chega a um consenso acerca
dos objetivos a serem atingidos. O tutor assegura que os objetivos definidos pelo grupo
sejam direcionados, atingíveis, compreensivos e apropriados. O grupo identifica as questões
que permaneceram sem explicação ou para as quais desenvolveram uma explicação parcial.
A primeira sessão, que dura em média 90 minutos, é concluída após este estágio.
Estágio 6 – Estudo individualizado. Todos os estudantes devem reunir informações relativas
a cada um dos objetivos de aprendizado definidos no estágio 5 e investigar as questões que
permaneceram total ou parcialmente sem solução.
Estágio 7 – Aproximadamente duas semanas após a conclusão do estágio 5, o grupo
se reencontra e compartilha dos resultados do estudo individualizado. Cada estudante
identifica sua fonte de aprendizado e expõe as informações obtidas. O grupo deve
concluir a resolução do caso. O tutor verifica que o aprendizado aconteceu, sendo possível
desenvolver algum tipo de estratégia de avaliação do grupo.
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Aula 6 – Praticando a boa prática
Comportamentos que dão origem à aprendizagem
Atividades são um aspecto característico de materiais didáticos para EAD. São vitais
para auxiliar o aluno a fazer inferências, relacionar suas próprias idéias e experiências
com o tópico em discussão, praticar os objetivos propostos, checar sua compreensão
e avaliar as implicações de sua aprendizagem. Mas qualquer atividade é capaz de
proporcionar tantas capacidades?
Um dos termos que refletem com maior beleza o desenvolvimento intelectual em
sua acepção mais legítima foi cunhado pelo pesquisador americano Ernst Rothkopf
(1970): matemagênico. A expressão deriva dos radicais gregos mathemain (aquilo que
é aprendido) e gignesthai (nascido). Comportamentos matemagênicos, portanto, são
comportamentos que dão origem à aprendizagem.
Naturalmente, as atividades de maior valor educacional, aquelas que nós,
educadores, devemos perseguir com avidez e reproduzir em larga escala, são as que
favorecem, nos alunos, o desenvolvimento de capacidades cognitivas que decorreram
de comportamentos analíticos e investigativos, pensamento crítico e criativo, resolução
de problemas, além da organização e reorganização de informações. Essas atividades
dão origem a um processo de aprendizagem eficaz, autêntico no que se refere às
possibilidades que oferece ao aluno. No que se refere a professores e tutores, a
elaboração de atividades matemagênicas estimula a utilização de seus conhecimentos e
potenciais criativos para irem além de seus próprios paradigmas educacionais.
Se temos motivos de sobra para desenvolver atividades que promovam o
engajamento e a aprendizagem de nossos alunos, as próximas perguntas a serem feitas
são: o que define uma atividade matemagênica? Que modelos e conceitos influenciam
seu formato? É possível criar padrões de atividades de alta qualidade instrucional e que
possam ser adaptados às diversas áreas de conhecimento científico?
Antes de retomarmos essas questões, proponho uma atividade importante para
orientar nossa discussão.
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Planejamento e elaboração de material didático impresso para EAD - elementos instrucionais e estratégias de ensino
Atividade 2
Atende ao objetivo 2 j
Como é que se aprende?
Leia os trechos abaixo extraídos de diversas fontes:
Aprender (Dicionário Novo Aurélio)
1. Tomar conhecimento de;
2. Reter na memória, mediante o estudo, a
observação ou a experiência;
3. Tornar-se apto ou capaz de alguma coisa,
em conseqüência de estudo, observação,
experiência, advertência, etc.
Não existe aprendizado no sentido de instrução, transferência de estruturas de fora do
organismo para dentro dele. A complexificação e produção de estruturas cognitivas novas é
sempre um processo de seleção de repertórios internos preexistentes. Por isso, desaconselho
que se continue a empregar o termo “aprendizagem” (learning).
Miriam Lemle, UFRJ
http://www.letras.ufrj.br/clipsen/aniela/skinner.pdf
Fonte: www.sxc.hu
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Instrutivismo é o processo de instrução direta por parte de um professor que se baseia em
planos de aula e objetivos de aprendizagem relacionados a uma grade curricular geral, a
fim de ensinar conteúdos específicos, usualmente sob a forma de aulas expositivas. No
instrutivismo:
• O conhecimento está em poder do professor.
• Há o ensino explícito de um corpo de conhecimento pré-acordado.
Learning and Teaching Centre
Staff Development Page
http://www.worc.ac.uk/LTMain/LTC/StaffDev/Constructivism
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Aula 6 – Praticando a boa prática
• O construtivismo privilegia o conceito de que toda a aprendizagem deve ser vista sob a estrutura
conceitual do aprendiz e de que novos aprendizados devem se acomodar a essa estrutura.
• É baseado na participação ativa do estudante na resolução de problemas e no pensamento crítico
no que se refere a uma atividade de aprendizagem que considere relevante e engajadora.
• Os alunos constroem seu próprio conhecimento testando idéias e abordagens,
baseados em seu conhecimento e exper
novas e integrando o novo conhecime
preexistentes.
Learning and Teaching Centre
Staff Development Page
http: //www. worc. ac. uk/LTMai n/LTC/StaffDev/
Constructivism/
“Meu filho foi comigo para a Inglaterra quando
tinha acabado de completar um ano de idade.
Aos dois, quando já falava português, começou a
freqüentar uma espécie de grupo de recreação em
que havia apenas crianças inglesas e lá permanecia
por apenas três horas ao dia. Era a única ocasião
em que era exposto à língua inglesa. Enquanto
estava na recreação, jamais falou qualquer palavra
em português e, aos três anos, falava inglês sem
qualquer sotaque, utilizando-se da estrutura
da língua tão bem como uma criança nativa e,
certamente, muito melhor do que eu.”
Relato pessoal;
uma experiência que vivi fora do país.
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Planejamento e elaboração de material didático impresso para EAD - elementos instrucionais e estratégias de ensino
Com base nos trechos lidos, pense em três características que uma atividade deve ter
para gerar uma aprendizagem matemagênica.
1. __________________________________________
2. __________________________________________
3. __________________________________________
Resposta Comentada
Você pode ter pensado em diversas características, provavelmente todas corretas. Pode
ter-se influenciado mais por um ou outro trecho para chegar às suas conclusões; não
importa. Atividades matemagênicas são, antes de tudo, uma boa idéia que ajuda o aluno
a desenvolver diversas capacidades enquanto contribui para a aprendizagem de um
conceito, de um conteúdo.
Tal como ocorreu na Biologia, a teoria do tipo instrutivista da aprendizagem cai por terra de
tal forma que leva a concluir que o aprendizado não é algo que a criança “faz”, e sim algo
que lhe “acontece”.
Miriam Lemle, UFRJ
http://www.letras.ufrj.br/clipsen/aniela/skinner.pdf
Treinar exaustivamente
Um conceito defendido por Carlos Alberto Parreiras
no livro de sua autoria Formando equipes vencedoras
é “treinar exaustivamente para lembrar do processo
que levou ao sucesso”. No livro, o autor conta uma
história ocorrida com Bernardinho, técnico da Seleção
Brasileira de vôlei masculino, que certa vez chegou
à Holanda num domingo e descobriu que não teria
quadra para treinar o time. Bernardinho não hesitou.
Levou o grupo a um estacionamento e fez o treino ali
mesmo. No final, o Brasil foi campeão e os jogadores
se lembraram daquele dia.
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Fonte: ww.sxc.hu
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Fonte: www.sxc.hu
Atividades matemagênicas contribuem para a autonomia do aluno, favorecem a colabo-
ração, promovem a reflexão, são baseadas na observação e análise de modelos, partem
do conhecimento e da experiência prévia do aluno, são significativas e contextualizadas,
favorecem a resolução de problemas, têm caráter experimental, permitem a aplicação e a
prática dos conteúdos aprendidos, contribuem para a quebra de paradigmas, permitem ao
aluno experimentar situações em vez de ser ensinado sobre elas. Mais alguma?
Em ambientes de aprendizagem construtivistas, as atividades dão significado à aprendi-
zagem, em um processo que prevê a orientação e o suporte de professores e tutores, além
da colaboração com outros alunos. Atividades dessa natureza podem ser complexas e
guiar a aprendizagem em um curso inteiro. Na verdade, as atividades são o próprio curso.
Dez características de atividades autênticas
Conforme a filosofia construtivista e os avanços tecnológicos impactam a teoria,
a pesquisa e o desenvolvimento educacionais, muitos estudos se voltaram para o
que atualmente chamamos de atividades autênticas (a meu ver, o termo é congênere
de matemagênicas; portanto, eu ficaria à vontade para utilizá-los indistintamente).
A partir da descrição de diversos autores, um estudo em particular identificou e reuniu
dez características de atividades autênticas referidas na literatura. Para nós, professores,
e para desenhistas instrucionais, tais características podem representar uma lista
valiosa!
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Planejamento e elaboração de material didático impresso para EAD - elementos instrucionais e estratégias de ensino
Quadro 6.1: Atividades autênticas e aprendizagem online (Authentic activities and online learning).
Thomas C. Reeves, Jan Herrington & Ron Oliver.
http://elrond.scam.ecu.edu.au/oliver/2002/Reeves.pdf
1. Relevantes para o
mundo real
Atividades correspondem, tanto quanto possível, a atri-buições
de profissionais em prática em vez de tarefas de sala de aula
descontextualizadas.
2. Pobremente
estruturadas
Os problemas propostos são pouco definidos em vez de facilmente
resolúveis pela aplicação de algoritmos existentes. Requerem que os
estudantes definam quais as tarefas e subtarefas necessárias para
completar a atividade.
3. Requerem
investimento de tempo
Atividades incluem tarefas complexas que devem ser
investigadas pelos estudantes ao longo de um período de
tempo. Devem ser concluídas em dias, semanas e meses, em
vez de em minutos ou horas. Além do tempo, requerem um
investimento significativo de recursos intelectuais.
4. Oferecem múltiplas
perspectivas de análise
Oferecem a oportunidade para os estudantes examinarem as
tarefas de diferentes perspectivas, teóricas e práticas, utilizando
uma variedade de recursos, em vez de apenas uma perspectiva
que os alunos devem reproduzir para serem bem sucedidos.
5. Oportunizam a
colaboração
A colaboração é parte integrante da tarefa, tanto no curso
quanto na situação real que simula.
6. Favorecem a reflexão
Atividades devem permitir aos estudantes realizar escolhas, além
de refletir quanto à sua aprendizagem individual ou em grupo.
7. Encorajam perspectivas
multidisciplinares
Atividades integram e são aplicadas a diferentes áreas e
possibilitam resultados para além daqueles referentes a domínios
determinados e específicos.
8. Integradas à avaliação
Atividades são integradas, de forma contígua, à avaliação que,
por sua vez, reflete processos avaliativos do mundo real. Não
pressupõem uma avaliação separada, artificial, desconectada da
natureza da atividade em si.
9. São, em si, um
produto
Atividades culminam com a criação de produtos valiosos em si,
em vez de servirem como preparação para se obter um outro
produto qualquer.
10. Permitem soluções
múltiplas
As atividades permitem um espectro e uma diversidade de
resultados abertos a soluções múltiplas, em vez de uma resposta
única obtida pela aplicação de regras e procedimentos.
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Aula 6 – Praticando a boa prática
Atividade final
Atinge os objetivos 3 e 4. g j
O Jogo de Casos
Uma das atividades mais criativas propostas em materiais didáticos do Consórcio CEDERJ
foi criada pela Profª Sonia Rodrigues, a partir de sua larga experiência no papel de jogos
na aprendizagem. O Jogo de Casos é uma atividade que incorpora o modelo narrativo
à aprendizagem baseada na resolução de problemas. Originalmente, a atividade foi
proposta para o ambiente digital, mas há também uma versão para materiais impressos.
A seguir, descrevo o Jogo de Casos conforme apresentado em sua versão para web, como
parte do conteúdo das aulas.
Apresenta-se ao estudante uma situação inicial, pouco definida, relacionada ao conteúdo
do curso. Por exemplo, no curso de Biologia, o caso do operário Jim Butler, descrito na
Atividade 1, ganhou a seguinte versão:
O aluno deve, então, escolher dois personagens de quatro que lhe são oferecidos.
Claudemir é pedreiro, casado, tem dois filhos,
fuma 20 cigarros por dia e seu pai e seu avô
morreram de problema no coração.
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Planejamento e elaboração de material didático impresso para EAD - elementos instrucionais e estratégias de ensino
O aluno deve, agora, criar um problema decorrente da situação inicial proposta e escrever
um diálogo entre os dois personagens que escolheu.
Em seguida, ele deve fazer um comentário final, sintetizando as idéias desenvolvidas no
diálogo. A seguir, um exemplo de comentário final em um Jogo de Casos do curso de
Administração:
Sra. Diga-me qual é
o problema, em que
posso ajudá-lo?
Diga-me uma coisa, ele
fuma muito?
Mas uma das principais
causas de doenças
cardíacas é o hábito de
fumar!
É o Claudemir, ele está com
muitas dores no peito.
Se ele fuma? Mas doutor,
eu não estou falando de
problema de respiração, tô
falando de coração!
Puxa, essa eu não sabia...
O Claudemir fuma feito
uma chaminé...
Mulher preocupada com dores no peito do marido
procura seu médico.
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Aula 6 – Praticando a boa prática
Depois de concluídos o diálogo e o comentário, o aluno submete o caso que criou
à apreciação do tutor e dos demais alunos. O tutor pode comentar um caso que
proponha um problema particularmente valioso para o conteúdo do curso. Os outros
estudantes também podem submeter suas impressões ao grupo que, por sua vez,
pode debater livremente os argumentos e questões levantados por cada participante.
Cada aluno pode jogar quantas vezes quiser, com a combinação de personagens que
quiser, e as discussões podem se dar durante o tempo em que uma aula estiver online
ou durante todo o semestre letivo, dependendo do interesse do professor. A idéia é de
que cada participação, criação de caso ou comentário seja recompensada com pontos e
incorporados a outras avaliações acadêmicas.
A partir da descrição do Jogo de Casos, tente definir quais das dez características de uma
atividade autêntica (conforme Reeves et al., 2002) fazem parte desta atividade.
Característica OK
1. Relevantes para o mundo real
2. Pobremente estruturadas
3. Requerem investimento de tempo
4. Oferecem múltiplas perspectivas de análise
5. Oportunizam a colaboração
6. Favorecem a reflexão
7. Encorajam perspectivas multidisciplinares
8. Integradas à avaliação
9. São, em si, um produto
10. Permitem soluções múltiplas
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Planejamento e elaboração de material didático impresso para EAD - elementos instrucionais e estratégias de ensino
Resposta comentada
Quando idealizava esta aula, especialmente a seção acerca das características de atividades
autênticas, tive dificuldades, logo de início, em conceber uma atividade voltada para esse
tema. Foi então que surgiu a idéia de propor a você que analisasse uma atividade qualquer
em função das características discutidas anteriormente. Pensei ainda que, de toda forma,
seria praticamente impossível imaginar uma atividade que reunisse as dez características
listadas. Mas o primeiro exemplo que me ocorreu foi precisamente o Jogo de Casos. Qual
não foi minha surpresa ao perceber que o Jogo de Casos atende a absolutamente todos
os quesitos de uma atividade matemagênica, de uma atividade autêntica. Concorda ou
discorda? Vamos conferir.
9 Relevantes para o mundo real: os casos propostos denotam situações problemáticas
idealizadas por cada aluno, com base no desenvolvimento do conteúdo, a partir da situação
inicial. Representam cenários contextualizados, possíveis de serem observados.
9 Pobremente estruturadas: a situação inicial é pouco definida, de forma a dar margem para
uma infinitude de problemas possíveis de serem idealizados.
9 Requerem investimento de tempo: ao longo de uma aula ou de um curso, a criação de
casos por cada aluno pode se dar de forma cada vez mais complexa e mais consistente.
A participação e o debate na comunidade virtual podem se dar por várias semanas.
9 Oferecem múltiplas perspectivas de análise: o fato de o aluno escolher dois personagens,
freqüentemente com posições antagônicas, é, por si, um exercício argumentativo em que
diversos pontos de vista são considerados durante a elaboração dos diálogos.
9 Oportunizam a colaboração: as possibilidades de discussão em grupo são incalculáveis.
9 Favorecem a reflexão: ao conceber o diálogo entre dois personagens e levar em
consideração aspectos variados acerca de um determinado tema a partir do conteúdo das
aulas, o aluno reflete, imediatamente, acerca das conseqüências de sua aprendizagem.
9 Encorajam perspectivas multidisciplinares: cada Jogo de Casos oferece, em si, a possibilidade
quase inevitável de se perpassar diversas áreas de ensino por meio dos argumentos do
médico, do operário, da dona de casa, do ministro etc.
9 Integradas à avaliação: intrinsecamente à avaliação do aluno nesta atividade, são consi-
derados seu potencial argumentativo - via personagens e via discussões em grupo -, sua
capacidade de análise e crítica, sua capacidade de elaborar um problema (fundamental na
investigação científica), sua percepção do conteúdo e sua capacidade de contextualização
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Aula 6 – Praticando a boa prática
Resumo
A
s atividades representam um dos principais caminhos de
interação entre o aluno e o material didático, ao redor das quais
o processo de aprendizagem deve ser construído. São um aspecto
característico dos materiais para EAD, vitais para auxiliar o aprendiz
a fazer inferências, relacionar suas próprias idéias e experiências com
o tópico em discussão, praticar os objetivos propostos, checar sua
compreensão e avaliar as implicações de sua aprendizagem. Ações
pedagógicas focadas no aluno associam o processo de aprendizagem
a atividades educacionais que busquem integrá-lo a um contexto
aplicado, refletindo as ações dos profissionais em um mundo real.
Atividades matemagênicas, ou autênticas, são aquelas que dão
e aplicação de conceitos. Esses são, sem exceção, aspectos fundamentais à prática
profissional em qualquer área do saber.
9 São, em si, um produto: cada caso proposto é, isoladamente, um resultado, um produto
finalizado. O mesmo em relação ao resultado das discussões.
9 Permitem soluções múltiplas: o número de personagens x o número de alunos em um
curso x o número de idéias que uma mente criativa pode ter = aprendizagem eficaz,
prazerosa e significativa, a partir de um número infinito de caminhos!
Quantos de nós seriam capazes de conceber uma atividade ao mesmo tempo
tão simples – do ponto de vista do que solicita ao aluno fazer – e tão complexa no
que se refere às possibilidades cognitivas que oferece? Poucos, eu diria. É verdade
que a interação, por meio da internet, foi fundamental para que o Jogo de Casos
abocanhasse, brilhantemente, todas as características apresentadas. Se considerarmos
estritamente o material impresso, o elemento colaborativo, naturalmente, é limitante.
Mas, a exemplo da criatividade do Jogo de Casos, podemos (e devemos!), todos, nos
esforçar em proporcionar aos nossos alunos tantas oportunidades quantas possíveis de
aprender por meio de atividades autênticas!
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Planejamento e elaboração de material didático impresso para EAD - elementos instrucionais e estratégias de ensino
Informações sobre para a próxima aula
Na próxima aula, continuaremos a conversar sobre atividades e discutiremos alguns modelos
que influenciam sua elaboração, para Educação a Distância.
Leitura recomendada
As três publicações a seguir são de imenso valor para quem está começando o processo de
escrever uma aula para Educação a Distância. Se tiver oportunidade, vale a pena conferir.
ROWNTREE, Derek, 1994. Teaching through self-instruction. 2ed. Londres: Kogan Page, 1994.
LOCKWOOD, Fred, 1998. The design and production of self-instruction 1ed. Londres: Kogan Page,
1998.
Lockwood, Fred, 1992. Activities in self-instructional texts. 1ed. Londres: Kogan Page, 1998.
Bibliografia Consultada
ALBANESE, MARK A.; MITCHELL, SUSAN MA., 1993. “Problem-based learning. A review of literature
on its outcomes and implementation issues”. Academic Medicine, 1993; 68 (1): 52-78. ”
ASPY, D.N.; ASPY, C.B.; QUIMBY, P.M., 1993. What doctors can teach teachers about problem-
based learning. Educational Leadership, 1993; 50 (7): 22-24.
LOCKWOOD, F., 1992. Activities in self-instructional texts. 1ed. Londres: Kogan Page, 1998.
LOCKWOOD, F., 1998. The design and production of self-instruction 1ed. Londres: Kogan Page,
1998.
MAYO, P.; DONELLY, M.B.; NASH, P.P.; SCHWARTZ, R.W., 1993. Student perceptions of tutor
effectiveness in a problem-based surgery clerkship. Teaching and Learning in Medicine, 1993; 5:
227-233.
ROTHKOPF, E.Z., 1970. The concept of mathemagenic activities. Review of educational research,
40 (3): 325-35.
origem a uma aprendizagem eficaz e significativa, que favorecem, nos
alunos, o desenvolvimento de capacidades cognitivas que decorrem
de comportamentos analíticos e investigativos, pensamento crítico e
criativo, resolução de problemas, além de organização e reorganização
de informações. A partir da descrição de diversos autores, dez
características de atividades autênticas são referidas na literatura.
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137
Aula 6 – Praticando a boa prática
VERNON, D.T.; BLAKE, R.L., 1993. Does problem-based learning work? A meta-analysis of
evaluative research. Academic Medicine, 1993; 68(7): 550-563.
WOOD, D.F., 2003. Problem based learning [Electronic version]. British Medical Journal, 2003; 326:
328-331.
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A bússola e o remo
Cristine Costa Barreto
Aula
6
Apêndice
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Aula 6 – Apêndice – A bússola e o remo
Logo que comecei a trilhar os caminh
nantes da Educação a Distância, sentia
conforme disse antes, como um náufrago
deriva em um bote salva-vidas sem rumo. Po
sorte, ainda no início do percurso, encontre
um livro que certamente foi o remo e
bússola de que precisava: Teaching through s
instruction – How to develop open learning m
(“Ensinando por meio da auto-instrução –
volver materiais para a aprendizagem abert
Rowntree.
Foi a primeira vez que consegui co
conceitos da Educação a Distância, por m
de informações pragmáticas e de uma
e analogias que finalmente me permiti
aqueles fluxogramas vazios em minha me
Um capítulo particularmente valioso se
referia ao que o autor chamava de aprendi-
zagem ativa. Dicas rápidas e objetivas acerca
de como provocar a participação de nossos
alunos por meio de materiais didáticos
impressos. Nesse apêndice, procurei extrair,
traduzir, adaptar e exemplificar os pontos
que me pareceram mais importantes do
capítulo “Promovendo uma aprendizagem
ativa” (Promoting active learning). Espero que gg
ajude você tanto quanto ajudou a mim.
Fonte: www.sxc.hu
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Planejamento e elaboração de material didático impresso para EAD - elementos instrucionais e estratégias de ensino
Um curso na Universidade Aberta do Brasil
pode ser gratuito... O tempo de seu aluno, não
Todos os indicadores de pesquisa existentes convergem no sentido de que
os benefícios proporcionados pelas atividades na Educação a Distância são
contrabalançados por um custo principal: o tempo de estudo que consomem. Se as
atividades não forem atraentes, prazerosas e eficazes, certamente o comportamento
esperado da parte de seu aluno seria o de alocação do tempo para outras tarefas dentro
do curso.
A seguir, reuni uma espécie de FAQ, com perguntas comuns da parte de quem está
começando a escrever uma aula impressa para EAD. Especialmente, perguntas acerca
da freqüência com que você deve propor uma atividade, de como conciliar a redação de
uma aula com a criação das atividades e de como variar seus formatos aparecem junto
com dicas do que fazer e do que não fazer quando o assunto é “atividades em EAD”.
Então, vamos lá!
Com que freqüência devo propor uma atividade em uma aula?
Quando ministramos uma aula particular, focamos nossas ações no aluno, sempre
criando possibilidades para que ele faça algo. Propomos as mais variadas atividades
desde uma simples pergunta até um exercício analítico mais complexo. Da mesma
maneira, atividades em materiais didáticos impressos devem estar entremeadas no
texto, de forma a ajudar o aprendiz a aprender! Em nossas aulas, você encontra
ainda uma atividade final, mais articuladora, que geralmente integra mais de um dos
objetivos propostos. Essa é uma boa maneira de amarrar uma seqüência de conteúdos
que você desenvolveu anteriormente.
Não há regras que definam o quão freqüentemente incluir uma atividade no texto
de uma aula. Depende do assunto, depende de você. Alguns conteúdos naturalmente
são mais propensos a atividades que outros. Em qualquer hipótese, me surpreenderia
se, após três, quatro páginas de texto escrito, por exemplo, não houvesse algo sobre
o que valha a pena perguntar ao seu aluno ou sobre a que propor uma atividade.
Se você passar mais que cinco ou seis páginas sem pedir que seu aluno faça algo,
talvez seja melhor esquecê-lo, provavelmente ele já terá ido embora. Embora seja
comum, em livros-texto tradicionais, que um questionário seja apresentado ao final de
cada capítulo, devemos fugir desse modelo. Afinal, você certamente não faz todas as
perguntas ao seu aluno particular no final da aula, certo?
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Aula 6 – Apêndice – A bússola e o remo
O que o aluno deve fazer para chegar à resposta de uma atividade?
Variar as maneiras pelas quais seu aluno deve chegar às respostas esperadas para
as atividades é uma ótima estratégia para motivá-lo, para imprimir um ritmo mais
dinâmico às suas aulas. Algumas atividades exigem pouco mais que parar e pensar,
por alguns segundos. Outras demandam a realização de um cálculo ou a confecção de
uma resposta escrita. Algumas podem solicitar que o aluno faça uma atividade prática
fora do texto por quinze minutos ou mais. Há várias possibilidades. Algumas idéias são
pedir que seu aluno:
• reflita acerca de uma leitura ou de uma experiência que teve;
• analise um texto (ou vídeo, imagem ou arquivo de som);
• analise um gráfico ou tabela;
• analise um problema;
• desenvolva uma equação;
• levante dados;
• realize uma entrevista com outros alunos ou com familiares;
• realize um experimento com materiais e equipamentos específicos, em casa ou no
laboratório;
• mantenha um diário de observações ao longo de algum período de tempo, em
relação ao desenvolvimento de algum processo que deva acompanhar;
• integre informações de naturezas diversas.
Como o aluno deve registrar a resposta?
Uma vez que seu aluno tenha chegado à resposta de uma atividade, é igualmente
importante variar as maneiras pelas quais ele vai registrá-la. Você pode pedir ao seu
aluno que:
• marque boxes em concordância ou discordância com uma série de afirmações,
solicitando, pelo menos, um motivo para justificar suas opiniões (nesse caso, em
um espaço adicional);
• responda a uma série de múltiplas escolhas;
• correlacione colunas;
• sublinhe passagens relevantes em um texto;
• complete um formulário ou questionário;
• escreva uma palavra ou frase em uma caixa ou espaço específico;
• escreva uma resposta mais longa no corpo do texto ou em um caderno de
exercícios;
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Planejamento e elaboração de material didático impresso para EAD - elementos instrucionais e estratégias de ensino
• complete um diagrama ou gráfico;
• desenhe um gráfico, mapa, fluxograma;
• produza algum artefato.
Você pode ter pensado ainda em muitas outras possibilidades. Quaisquer que
tenham sido suas idéias, lembre-se de três coisas importantes:
1. Toda atividade proposta em materiais voltados para EAD deve apresentar respostas
comentadas de forma a orientar o aluno em relação ao seu próprio progresso.
2. Mesmo uma atividade aparentemente simples, como correlação de colunas ou
múltipla escolha, pode exigir do aluno um alto grau de interpretação e análise.
Portanto, preocupe-se com os conteúdos trabalhados nas atividades e jamais se
restrinja a um simples gabarito quando for oferecer a resposta. Lembre-se de que os
conceitos e idéias por trás de uma atividade de correlação de colunas, por exemplo,
são fundamentais para que o aluno descubra os caminhos para chegar ao resultado
esperado.
3. Sempre disponibilize espaço para resposta. A maioria dos alunos com os quais
conversei dizem se sentir instigados a escrever no livro quando existe um espaço
específico para isso.
Quando devo pensar nas atividades?
Alguns professores conseguem pensar nas atividades mesmo antes de iniciar a
redação da aula! Na hora da redação, conseguem entremear essas atividades junto
com as exposições adequadas. Alguns autores preferem começar a redação do texto
e pensar nas atividades sempre que atingem um ponto crítico na construção do seu
argumento. Esse é o processo que sigo, mas estou convencida de que se trata de uma
opção que varia de acordo com cada um. Há ainda alguns professores que produzem
uma versão completa do texto, de uma vez só, e depois inserem as atividades, como um
processo mental posterior (você pode fazer isso, inclusive com materiais prontos que
não foram escritos por você). Para mim, particularmente, esta última abordagem é tão
difícil quanto colocar nozes em um brownie depois de pronto. O resultado pode ser
bom, claro, mas acredito que sua aula seria mais bem estruturada se você pensasse nas
atividades antes ou durante a redação.
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Aula 6 – Apêndice – A bússola e o remo
O que não devo esquecer de fazer?
Quaisquer que sejam os caminhos que você encontrar para conceber as atividades
de sua aula e os formatos que você escolher para apresentá-las:
• Tenha sempre em mente os objetivos de aprendizagem que você propôs no início de
sua aula; as atividades devem conduzir o aluno a esses objetivos.
• Considere idéias preconcebidas acerca dos conteúdos de sua aula. Faça atividades
em torno delas de forma a provocar uma discussão que possibilite ao aluno rever
conceitos.
• Relembre experiências que você viveu e que ajudaram na compreensão de
determinado tema. Tente recriar experiências comparáveis para seu aluno, mas
deixando-o criar as próprias rotas de entendimento.
• Identifique colocações de natureza mais geral ou mais abstrata que você tenha feito
em seu texto. Desenvolva um caso de estudo no qual o aprendiz possa concretizar as
idéias apresentadas. Idealmente, possibilite ao seu aluno exercer um determinado
papel. O Jogo de Casos, que você viu na Aula 6, é um excelente exemplo de como
fazê-lo.
• De gráficos, tabelas e ilustrações.
Não antecipe informações que seus alunos possam obter a partir da interpretação
desses. Faça uma atividade ao redor deles! Os alunos podem compartilhar da sua
opinião posteriormente, ao ler a resposta comentada.
• Tente não oferecer princípios, generalizações e interpretações importantes “de
bandeja”. As atividades são sempre um melhor caminho para isso.
Sempre que você se pegar escrevendo as seguintes frases:
– Portanto, segue-se que...
– A partir daí, podemos claramente deduzir...
– Aqui está uma síntese do que vimos até agora...
Tente, em vez disso, fazer perguntas:
– O que você esperaria que acontecesse como resultado?
– O que você pode deduzir, a partir daí?
– Quais foram as quatro principais idéias levantadas até agora?
Suas deduções e sumários podem sempre ser oferecidos como feedback na resposta
comentada, com os quais o aluno possa comparar suas próprias respostas.
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146
Planejamento e elaboração de material didático impresso para EAD - elementos instrucionais e estratégias de ensino
• Especifique o tempo que o aluno deve demorar em uma atividade mais aberta,
especialmente se ele não souber avaliar, de forma clara, o quão profundamente
deve se dedicar a uma tarefa. Você pode fazer isso simplesmente definindo o espaço
necessário à resposta.
• Equilibre atividades longas e breves, respostas escritas e reflexivas, respostas
fechadas e abertas, afim de evitar monotonia.
• De forma geral, coloque sua resposta comentada imediatamente após a pergunta.
Faz parte do nosso trabalho incentivar a autonomia e o controle por parte do
aluno de EAD. Tenha certeza de que, se ele quiser olhar a resposta, vai olhar, onde
quer que ela esteja. Respostas de cabeça para baixo, por exemplo, só vão irritar o
aluno, talvez a ponto de ele abandonar a atividade de vez. Se ele se sentir muito
tentado pela chance de olhar a resposta, pode facilmente colocar uma folha sobre
ela, enquanto resolve o exercício. Eu faço isso sempre que avalio aulas para EAD,
de forma a me colocar no lugar do aluno, enquanto, de fato, tento resolver uma
atividade. Você pode ainda utilizar paradores de leitura, como fiz na Atividade 1
da Aula 6. Esse é um recurso que cria uma distância física entre uma atividade
proposta e a leitura da resposta, que vem logo abaixo.
• A única exceção para oferecermos um feedback ao aluno no mesmo espaço de
uma atividade são os casos em que as respostas são gráficos ou diagramas muito
chamativos, de forma que seja difícil para o leitor evitar registrar seus aspectos mais
evidentes assim que se depara com a página.
• Esenvolva ao máximo em sua resposta comentada. Para alunos que trabalham
sozinhos, esta pode ser a única maneira de avaliar seu próprio progresso. A
relevância e a ajuda de seu feedback podem fazer toda a diferença em relação a
quão satisfatórias seus alunos acharão suas atividades e quão provavelmente irão
continuar a fazê-las (e a aprender com elas)!
O que nunca devo fazer?
• Não faça atividades vagas, que chamamos de pseudo-atividades:
Pense um pouco e escreva algumas de suas próprias idéias acerca de... O aluno,
provavelmente, e com razão, vai ignorar essas sugestões. A não ser que você
realmente ache que essa seria a melhor abordagem para o que quer ensinar a ele,
uma possibilidade é dizer: Marque quais dos seguintes pontos de vista, que revelam
visões divergentes acerca de..., são similares às suas próprias idéias.
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Aula 6 – Apêndice – A bússola e o remo
• Não proponha nenhuma atividade que não lhe garanta a confiança de que seu
aluno estará apto a fazer uma tentativa razoavelmente satisfatória para resolvê-la
(satisfatória para ele!). Isso envolve uma série de aspectos: ele tem o conhecimento
e as capacidades necessárias para tentar realizar a atividade? Você está pedindo uma
resposta longa para um aluno que tem fraca capacidade de exposição verbal escrita?
Você está se dirigindo a um público específico (p. ex.: homens, jovens, negros) sem
ter certeza de que todos os seus alunos pertencem a esse público?
• Não proponha atividades que não sejam relevantes para seu aluno e que não
compensem o investimento de tempo necessário. Os alunos rapidamente aprendem
a pular atividades que lhes pareçam triviais ou muito trabalhosas. Infelizmente, eles
podem estender o hábito para aquelas atividades que você realmente considera
cruciais.
Bibliografia consultada
ROWNTREE, Derek, 1994. Teaching through self-instruction. 2ed. Londres: Kogan Page, 342 pp.
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Ajudando sua inspiração: modelos
de atividades – Parte 1
Cristine Costa Barreto
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Au
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Planejamento e elaboração de material didático impresso para EAD - elementos instrucionais e estratégias de ensino
Meta
Apresentar modelos que influenciam o formato de atividades
em materiais impressos na Educação a Distância (EAD).
Objetivos
Ao final desta aula, você deverá ser capaz de:
Identificar os aspectos instrucionais que caracterizam os
seguintes modelos de atividade:
1. escondida no texto;
2. consulta e cálculo direto;
3. argumentativa;
4. integração de Informações.
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151
Aula 7 – Ajudando sua inspiração: modelos de atividades – Parte 1
Do Chapeuzinho Vermelho ao Darth Vader
A teoria da flexibilidade cognitiva sugere que os aprendizes compreendem a natureza
da complexidade mais prontamente quando têm contato com representações
múltiplas da mesma informação, em diferentes contextos. Por meio da observação
de múltiplas representações do mesmo fenômeno, os aprendizes desenvolvem o
arcabouço mental necessário para considerar novas aplicações, dentro do domínio do
conhecimento.
Duane Graddy
(Fonte: http://www.ipfw.edu/as/tohe/2001/Papers/graddy/graddy.htm)
Imagine que você está contando uma história para uma criança de cinco anos,
deitada na cama, pronta para dormir embalada pela sua voz. Vamos dizer que
você tenha escolhido a história de Chapeuzinho Vermelho. Você diz que a mãe da
Chapeuzinho mandou-a levar doces para a avó que morava do outro lado da floresta,
recomendou que ela não ficasse dando bobeira na estrada porque ali morava um lobo
mau, mas ela se distraiu, encontrou o lobo que a enganou e perguntou para onde
ela ia. Chapeuzinho entregou o jogo para o lobo, contou para onde ia, e ele correu
para casa da avó antes de ela chegar lá. O lobo comeu a avó, comeu a garota e, nas
versões mais modernas (se você não quiser aterrorizar a criança), surgiu um caçador
que abriu a barriga do lobo e salvou as duas. Muito bem, eu contei em 105 palavras,
você provavelmente faria o mesmo, esticando um pouco o assunto para dar tempo
de a criança adormecer. Agora experimenta contar a história de Guerra nas Estrelas.
O episódio 4, para simplificar. Por onde você começa? Explica quem é Luke Skywalker,
contextualiza a guerra intergaláctica, a aliança rebelde e o Império, conta que naquela
época tinha vários tipos de robôs, fala do Obi-Wan Kenobi logo depois de apresentar a
princesa Leia que se materializou do nada naquela mensagem que o R2D2 descobriu,
começa logo pela Estrela da Morte e o Darth Vader ou resolve que é melhor dizer que
era uma vez um vilarejo chamado Tatooine onde vivia um jovem órfão que morava com
os tios, consertava andróides e que acabou parando em um bar freqüentado por pilotos
meio malandros como o Hans Solo e criaturas estranhas – para dizer o mínimo – como
o Chewbacca? Isso só para começar, claro.
O que difere entre as duas histórias? Por que é mais difícil contar uma do que outra?
Pense em duas características que distingam a história de Chapeuzinho Vermelho e a
de Guerra na Estrelas. Anote suas impressões a seguir:
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Planejamento e elaboração de material didático impresso para EAD - elementos instrucionais e estratégias de ensino
Chapeuzinho Vermelho
Guerra nas Estrelas
Você provavelmente pensou que a história de Chapeuzinho Vermelho fosse mais
curta, mais claramente estruturada. Além disso, é uma história mais simples, com
menos cenários, menos personagens, menos ação, menos problemas, menos conexões.
Ou seja, dá para contar a história inteira de uma sentada só, de forma linear, sem
grandes dificuldades. Já Guerra nas Estrelas não. A complexidade do argumento e a
quantidade de referências internas tornam difícil a linearidade no relato sem correr
o risco de simplificarmos excessivamente a história. Talvez você tenha pensado ainda
que se trata de uma história para crianças um pouco mais velhas. Se você tivesse um
jeito de contar essa história usando uma espécie de narrativa hipertextual em que a
cabeça da criança pudesse abrir janelas para construir sucessões temporais e escolher
personagens, realizando saltos no tempo e no espaço com base em informações
referenciais, talvez você tivesse mais sucesso. E talvez você não tivesse mais criança...
Ou talvez ela não dormisse...
Assim como é mais difícil contar uma história complexa, é mais difícil ensinar
um conteúdo complexo, menos claramente estruturado, com muitas referências e
conexões internas, o que normalmente está associado a graus de dificuldade mais
altos, a níveis educacionais mais avançados como, por exemplo, o Ensino Superior.
Segundo Rand Spiro – professor de Aprendizagem, Tecnologia e Cultura na Michigan
State University – e seus colaboradores, as áreas de História, Medicina, Direito,
Literatura e Licenciatura são exemplos de domínios complexos em parte porque os
aprendizes devem ser capazes de aplicar o que aprenderam a situações novas e únicas.
Os pesquisadores afirmam ainda que a maneira pela qual os estudantes são ensinados
influencia de forma significativa os tipos de estrutura cognitiva criadas. Igualmente, a
maneira pela qual armazenam e estruturam o conhecimento adquirido determina, em
grande medida, o quão flexíveis serão quando precisarem utilizar tal conhecimento.
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Aula 7 – Ajudando sua inspiração: modelos de atividades – Parte 1
Métodos de instrução flexíveis ajudam os estudantes a aprender a complexidade
do material que estudam além de possibilitá-los a trabalhar com aquele conteúdo sob
diversas perspectivas. Informações apresentadas em uma variedade de formas, bem
como com uma variedade de propósitos, fazem parte de um ambiente de ensino flexível.
Imagino que você, como a maioria dos professores, tem consciência da necessidade de
variar o ensino, de forma a evitar que o mesmo se torne obsoleto, por meio de uma
prática repetitiva e previsível. Da mesma forma que você procura variar estratégias de
ensino nas aulas presenciais, é importante buscar a mesma variedade na Educação a
Distância. Um ótimo caminho para isso são as atividades! Quando apresentadas em
diferentes tipos, contribuem imensamente para aumentar a diversidade em sua aula,
tanto do ponto de vista do formato, quanto do ponto de vista intelectual.
E o mais interessante é que, assim como no ensino convencional, é possível criar
formatos novos de atividades (ou de práticas de ensino) sem que você conheça modelos
preconcebidos ou muitas teorias a esse respeito. Ou você alguma vez precisou reler
algum livro de didática, com o qual você não tinha contato desde a Licenciatura, para
inovar em sala de aula? Na Educação a Distância, é comum que a própria natureza da
atividade conduza a um formato diferente. Basta você confiar no seu taco de professor.
Mas mesmo assim, eu vou ajudar ainda mais sua criatividade apresentando alguns
modelos que vão inspirar você na hora em que estiver elaborando sua aula, com
atividades autênticas para ensinar conteúdos complexos. Quer apostar?
“A complexidade é uma parte inevitável do conhecimento avançado e um
problema particularmente espinhoso para o ensino e a aprendizagem.”
Rand Spiro
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Planejamento e elaboração de material didático impresso para EAD - elementos instrucionais e estratégias de ensino
Escondida no texto
Se você está estudando essa aula, é porque, de alguma forma, está relacionado
a práticas da Educação a Distância, quer como gestor, quer como professor, quer
como tutor. Imagino que você se debata com questões relativas às particularidades do
material didático e dos elementos instrucionais que o constituem, dentre os quais as
atividades merecem sempre atenção especial. Se eu pedisse agora que você pensasse
no formato instrucional do material que está elaborando, como você responderia a
questões tais como: que modelo de atividade aparece com mais freqüência em suas
aulas? Este modelo parece suficientemente atraente para provocar o aluno a fazê-las?
As atividades apresentam um grau de dificuldade compatível com o perfil dos alunos
a que se destinam? Você saberia dizer de que maneira os alunos de fato utilizam as
atividades propostas em aula? Você diria que eles fazem todas as atividades propostas?
Estas são perguntas para as quais, suspeito, muitos dos gestores, professores e tutores da
Educação a Distância não têm uma resposta clara. São perguntas que evidenciam – com
clareza cristalina – a necessidade imperativa de se investigar, de forma meticulosa, a maneira
pela qual os alunos percebem as atividades e interagem com elas. Mas este é um assunto que
retomaremos futuramente, em nossas discussões. Por ora, gostaria de perguntar se você se
deu conta do que eu acabei de fazer: além de falar um pouco acerca do terreno instável sobre
o qual caminhamos, escondi atividades no texto e deixei para você a decisão de responder
ou não às questões propostas. Espero que as questões tenham sido suficientemente
provocantes para fazê-lo refletir e identificar suas práticas educacionais voltadas para EAD
e compará-las às teorias que você eventualmente já conhece. Especialmente, quis mostrar
como é fácil esconder atividades no texto e levar os alunos à reflexão e à resposta mental
sem que seja necessário formalizar esta ação.
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o
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T
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C
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Figura 7.1: Atividades escondidas no texto são
importantes para garantir um exercício mental
permanente de seu aluno. É uma maneira
de assegurar que ele porá em prática alguns
conceitos, especialmente se você suspeitar
que o tempo de estudo é curto e que seu aluno
corre o risco de pular as atividades para alocar
o tempo para a leitura do texto em si.
Fonte www.sxc.hu
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Aula 7 – Ajudando sua inspiração: modelos de atividades – Parte 1
Naturalmente, nem todos os conteúdos permitem o uso de perguntas dessa
maneira. A maneira mais fácil de trazer atividades para dentro do texto é, novamente,
evocar, mentalmente, aquele seu aluno particular. Pense nas perguntas que você
faria ao longo da aula. Faça-as para seu aluno a distância. Algumas perguntas serão
feitas apenas para provocá-lo, para tirar seu aluno do lugar. Outras, você fará de fato
esperando uma resposta. No texto, sempre responda as que se incluem nesse último
caso. Vamos ver um exemplo?
Atividade 1
Atende ao objetivo 1 j
Alô?
O trecho a seguir foi retirado de uma aula da disciplina Corpo Humano I, parte do Curso
de Ciências Biológicas do CEDERJ. Leia o texto e procure:
1. identificar as perguntas feitas;
2. identificar aquelas para as quais houve resposta;
3. identificar aquelas para as quais não houve resposta.
Brincando de cabra-cega ao telefone ou do que preciso para me orientar?
Já brincou de cabra-cega? Não é do seu tempo? Nada de gracinhas, vamos
lá! Coloque um pano preto vedando a sua visão e, em seguida, peça a alguém
que posicione um telefone em algum local da sala, mas que você desconheça
essa localização. Então, alguém ligará para este telefone a partir de um outro
aparelho. Você atenderia ao telefone? Qual a diferença entre este experimento
e o que sugerimos no começo desta aula quando a sua visão estava livre?
Claro, esperamos que você seja capaz de atender. Se o som do telefone for
mantido, isto é, se ele ficar tocando todo o tempo, como você chegará até
ele? E se o som subitamente parar? Você seria capaz de encontrar o aparelho,
em completo silêncio? Estas questões mostram a importância dos órgãos dos
sentidos – visão e audição - nas formas pelas quais você moverá o seu corpo.
Nesse caso, você já percebeu que o som do telefone tocando o levará até ele.
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Planejamento e elaboração de material didático impresso para EAD - elementos instrucionais e estratégias de ensino
Neste contexto, convém lembrar que na execução correta dos movimentos,
a sensibilidade (isto é, a atuação dos sentidos) é de extrema importância.
No caso do telefonema, a função auditiva (percepção do som do telefone)
permitirá que você tenha uma noção da localização do aparelho, orientando o
seu corpo (movimento) na direção da mesa. O contato visual com o aparelho
daria ao cérebro a sua real localização. O contato da sua mão com o telefone
(tato) informará ao cérebro que uma parte do objetivo foi alcançada e que, a
partir de agora, começará o movimento de trazer o aparelho até a orelha. É
por esse meio que uma pessoa cega localiza e atende ao telefone. E como uma
pessoa completamente surda seria capaz de realizar essa atividade? Como
uma pessoa surda faz para saber que o telefone está tocando? Evidente que o
toque do telefone deve ser acompanhado, neste caso, de um sinal luminoso.
Você já pode antever que, em muitos casos, a impossibilidade de executar
movimentos estará relacionada a alguma deficiência nos órgãos dos sentidos
e não diretamente a problemas nos centros motores.
Prof. Adilson Sales
Resposta Comentada
No texto, o professor faz três perguntas às quais não responde:
• Já brincou de cabra-cega?
• Não é do seu tempo?
• Qual a diferença entre este experimento e o que sugerimos no começo desta aula quando
a sua visão estava livre?
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Fonte: www.sxc.hu
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Aula 7 – Ajudando sua inspiração: modelos de atividades – Parte 1
As primeiras perguntas foram usadas como uma provocação, para divertir um pouco o
aluno, falando de uma brincadeira de criança. A terceira pergunta não traz uma resposta
direta no texto, mas há informações que permitem ao aluno, sem grandes esforços,
relacionar a situação proposta aqui com aquela proposta anteriormente, na mesma aula
(embora você não esteja vendo a aula toda).
A seguir, transcrevo as perguntas para as quais houve resposta, seguidas das passagens
do texto que oferecem explicação para os questionamentos:
• Você atenderia ao telefone?
• Claro, esperamos que você seja capaz de atender.
• Se o som do telefone for mantido, isto é, se ele ficar tocando todo o tempo, como você
chegará até ele?
• Nesse caso, você já percebeu que o som do telefone tocando o levará até ele.
• No caso do telefonema, a função auditiva (percepção do som do telefone) permitirá que
você tenha uma noção da localização do aparelho, orientando o seu corpo (movimento) na
direção da mesa.
• E se o som subitamente parar?
• Você seria capaz de encontrar o aparelho, em completo silêncio?
• O contato visual com o aparelho daria ao cérebro a sua real localização.
• E como uma pessoa completamente surda seria capaz de realizar essa atividade? Como
uma pessoa surda faz para saber que o telefone está tocando?
• Evidente que o toque do telefone deve ser acompanhado, neste caso, de um sinal
luminoso.
Quando você opta por embutir atividades no texto, sob a forma de perguntas, lembre-se de
que é importante oferecer respostas aos alunos, ainda que você não o faça imediatamente
após os questionamentos. O único caso em que você pode prescindir de respostas é
quando as perguntas são feitas para provocar o diálogo com o aluno, de forma retórica,
sem que você esteja aludindo a um ponto importante para a compreensão do conteúdo
(Já brincou de cabra-cega? Não é do seu tempo?). ??
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Planejamento e elaboração de material didático impresso para EAD - elementos instrucionais e estratégias de ensino
Consulta direta/Cálculo simples
Em sua maioria, as atividades de consulta direta requerem do aluno simplesmente
voltar a alguma passagem da aula para chegar à resposta esperada, que normalmente
está incluída no texto. Não há um problema a ser resolvido pelo aluno. A resposta
comentada faz alusão à passagem específica do texto que atende à atividade.
Eventualmente, um grau mais alto de análise e interpretação é necessário.
Nessa categoria de atividade, incluem-se também exercícios de cálculo onde o aluno
é solicitado a realizar, por exemplo, uma operação matemática a partir da observação
de um modelo, de um exemplo resolvido. O aluno deve ser capaz de aplicar o modelo
a outras situações semelhantes disponíveis no exercício proposto.
Figura7.2: Atividades de cálculo simples são importantes para a prática de
conceitos e métodos.
Fonte: www.sxc.hu
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Qual a importância desse tipo de atividade? Normalmente, as atividades de consulta e
de cálculo simples favorecem a fixação de um conteúdo pela memorização, pela prática.
Atividades de consulta direta e cálculo simples são freqüentemente encontradas
em aulas para a Educação a Distância. Talvez porque reflitam o tipo de questão que
incluiríamos em uma avaliação, no ensino presencial. No caso das atividades de
consulta direta em que um grau mais alto de interpretação e análise é solicitado,
freqüentemente as questões propostas estão associadas a um nível de subjetividade
que impede que as respostas oferecidas pelos professores atendam satisfatoriamente a
grande variedade de soluções possíveis de serem dadas pelos alunos. Ou seja, em um
sistema que exige dos aprendizes a permanente verificação de seus progressos, os alunos
de EAD são lesados em uma de suas possibilidades mais nucleares – o controle sobre
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Aula 7 – Ajudando sua inspiração: modelos de atividades – Parte 1
sua própria aprendizagem – quando não são capazes de conferir adequadamente seu
desempenho nas atividades de aula. Esta perda se dá, não pela ausência da atividade
em si, mas pela inadequação e ineficácia de seu formato.
Naturalmente, queremos estimular a experiência individual dos alunos da
Educação a Distância por meio de atividades que não apresentem apenas um universo
circunscrito de respostas possíveis. Isso pode e deve ser feito, mas garantindo os
recursos pedagógicos necessários à autonomia do aluno. Retomaremos essa questão na
próxima aula, quando discutirmos o modelo mais adequado a esse tipo de objetivo.
Atividade 2
Atende ao objetivo 2 j
Consulta direta e cálculo simples
A seguir encontram-se algumas atividades de consulta direta e cálculo simples extraídas
de aulas de diversas áreas. Avalie as atividades propostas e critique-as levando em
consideração:
1. se o modelo é adequado para a proposta da atividade;
2. se a resposta comentada foi satisfatória;
3. o que poderia ser modificado, no caso de você não achar o modelo adequado ou da
resposta não lhe parecer satisfatória.
Exemplo 1
Calculando o pH de uma solução
Esta atividade é para você fixar a maneira de calcular o pH de uma
solução. Faça quantas vezes achar necessário até não ter mais nenhuma
dificuldade nesse procedimento!
Calcule o pH de uma solução cuja [H
+
] = 10
+ -2
M:
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Planejamento e elaboração de material didático impresso para EAD - elementos instrucionais e estratégias de ensino
Resposta comentada (Exemplo 1)
Como o passo a passo do cálculo do pH está bastante discriminado na
aula, nesta resposta você encontrará apenas a resolução do problema, sem
maiores explicações. Caso tenha dúvidas, volte ao texto da aula e compare,
etapa por etapa, o que você fez e identifique o ponto em que errou. Se
ainda assim não esclarecer todas as suas dúvidas, procure o tutor, pois
este assunto é muito importante na sua formação bioquímica e pode ser
aplicável a qualquer área de pesquisa pela qual você se interesse.
pH = - log [H
+
]
- log [H
+
] = pH
- log 10
-2
= pH
- (10
-2
) = 10
pH
- (-2) = pH →pH = 2
(Ana Paula Abreu-Fialho, Curso: Biologia, Disciplina: Bioquímica)
Exemplo 2
Instrumentos de política monetária
Como você já viu, a política monetária é o conjunto de medidas adotadas
pelo governo para controlar a oferta de moeda na economia para atingir
determinados objetivos. Contudo, para realizar esse tipo de política o
governo utiliza-se de alguns instrumentos. O que você deve fazer agora
é relacionar a maneira como o governo faz uso de cada instrumento ao
conseqüente incentivo às diferentes políticas econômicas:
Instrumento Política
Expansionista
Política
Contracionista
Compulsório
Redesconto
Operações de
mercado aberto
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Aula 7 – Ajudando sua inspiração: modelos de atividades – Parte 1
Resposta comentada (Exemplo 2)
Compulsório
O governo impõe aos bancos comerciais que guardem parte dos depósitos
à vista que eles receberam como reservas.
• Se o governo aumenta essa obrigatoriedade, os bancos comerciais terão
menos dinheiro para emprestar a outros correntistas (política contracionista);
logo, menos possibilidade de criação de depósitos à vista.
• Caso contrário, se o governo diminui essa obrigatoriedade, os bancos
terão mais dinheiro para emprestar (política expansionista); logo, maior
possibilidade de criação de depósito à vista.
Redesconto
O redesconto é o empréstimo que o Banco Central faz aos bancos
comerciais que precisam de reservas bancárias para fechar suas contas.
Para realizar esses empréstimos, quase sempre o Banco Central impõe uma
taxa de juros punitiva.
• Se o governo resolve aumentar essa taxa, maior será o custo dos bancos
comerciais ao recorrerem ao Banco Central (política contracionista); dessa
forma, mais cautelosos eles ficariam para fornecer empréstimos aos seus
clientes (menor possibilidade de depósito à vista).
• Em contrapartida, se o governo resolve diminuir essa taxa, menor será o
custo dos bancos para recorrerem ao Banco Central, menos cautelosos eles
ficariam para emprestar aos seus clientes (política expansionista).
Operações de mercado aberto
Operações de mercado aberto são operações de compra e venda de
títulos públicos feitas pelo governo.
• Caso o governo compre um título público que está em poder de algum outro
agente econômico, ele estará retirando desse agente o título e retornando
papel-moeda; logo, aumentando a base monetária da economia e, por
conseqüência, os meios de pagamento (política expansionista).
• Caso o governo esteja vendendo um título público, ele estará trocando
papel-moeda pelo título; dessa forma, diminui a base monetária da
economia (política contracionista).
(Roberto Paes de Carvalho, Curso: Administração, Disciplina: Macroeconomia)
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Planejamento e elaboração de material didático impresso para EAD - elementos instrucionais e estratégias de ensino
É no supermercado que o con
midor realmente percebe a no
de inflação ao deparar-se com
aumento generalizado de pre
Normalmente isso se reflete
quantidade de produtos que deix
de entrar no carrinho.
Fonte: www.sxc.hu
Exemplo 3
Más notícias no supermercado
José Ribamar é um chefe de família que recebe R$ 1.750,00 por mês com
seu emprego de bombeiro hidráulico. Ele é casado e tem dois filhos menores.
Todo dia 15 do mês, José Ribamar e sua esposa vão ao supermercado fazer
compras. Somando todos os itens que eles compram naquele período
(arroz, feijão, batata, iogurte, chocolate etc.), gastam R$ 150,00.
De uns meses para cá, José Ribamar e sua esposa perceberam que com
R$ 250,00 eles já não conseguem comprar as mesmas coisas que compravam
no início do ano. Eles perceberam também que houve um aumento nos
preços de vários itens da cesta de bens que eles compravam. Apesar de José
Ribamar não ter tido aumento de salário, seu gasto agora será de R$275,00
para comprar os mesmos produtos.
José Ribamar não consegue perceber, mas está ocorrendo inflação, isto é,
um aumento generalizado de preços. Ajude José Ribamar a calcular o valor
desta inflação.
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Aula 7 – Ajudando sua inspiração: modelos de atividades – Parte 1
Resposta comentada (Exemplo 3)
Para você calcular o valor da inflação, basta achar a variação entre o preço
final e o preço inicial e dividir esta variação pelo preço inicial. Em outras
palavras, você deve tomar o preço final (R$ 275,00) e diminuir o preço
inicial (R$ 250,00) e dividir esta diferença por R$ 250,00. Assim,
Inflação = (275 – 250) /250
Inflação = 0,1
Como a inflação está medida em termos nominais, basta você multiplicar
por cem para achar a inflação em termos percentuais. Assim,
Inflação = 10%
(Carlos Jaimovich, Curso: Administração, Disciplina: Macroeconomia)
Exemplo 4
A prática e a maturação
Responda às seguintes perguntas:
1. O que significa maturação?
2. Qual é o papel da prática no processo de maturação?
Resposta comentada (Exemplo 4)
1. Maturação se refere aos programas genéticos que produzem padrões
semelhantes de crescimento e mudanças. São instruções para o desdobra-
mento das seqüências do desenvolvimento.
2. O processo de maturação estabelece limites sobre o ritmo de crescimento
físico e desenvolvimento motor, mas o ritmo pode ser retardado pela
ausência de prática ou de experiências adequadas. Se você entendeu que
há alternâncias de influências genéticas, experiências e aprendizagens,
tanto específicas quanto acidentais, e que a maturação deve ser
entendida como uma disposição, torna-se mais flexível a importância do
ambiente no desenvolvimento, restringindo-se os momentos iniciais do
desenvolvimento ao âmbito do aspecto maturativo biológico.
(Maria Alice de Moura Ramos e Maria Ângela Monteiro Corrêa, Curso: Pedagogia,
Disciplina: Tópicos em Educação Especial)
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Planejamento e elaboração de material didático impresso para EAD - elementos instrucionais e estratégias de ensino
Resposta Comentada
Os dois exemplos de atividades de cálculo simples apresentados atendem aos objetivos
originalmente propostos na aula: o cálculo do valor do pH de uma solução (Exemplo 1) e
o cálculo da inflação (Exemplo 3). No primeiro exemplo, a autora foi bastante objetiva em
sua proposta, enquanto no exemplo 3 houve uma preocupação maior em criar um cenário
onde o aluno pudesse contextualizar a aplicação de um conceito. As respostas comentadas
são diretas, claras, atendendo satisfatoriamente ao tipo de atividade proposto.
Os Exemplos 2 e 4 são atividades de consulta direta. No primeiro caso, o autor procurou
criar uma atividade que articulasse vários conceitos vistos anteriormente na aula, e um
maior grau de análise esteve envolvido especialmente quando o aluno precisou definir
de que maneira a variação no uso de um mesmo instrumento poderia favorecer uma
ou outra política econômica. A resposta comentada, nesse caso, foi satisfatória, embora
provavelmente o aluno não fosse completar o quadro redigindo as respostas da maneira
como o autor fez. Talvez fosse mais interessante, nesse caso, um quadro em que os
diferentes usos dos três instrumentos fossem representados e ao aluno coubesse retomar
o tipo de política econômica esperado. Uma atividade mais simples, é verdade, mas que
talvez incentivasse mais o aluno a fazê-la e acabasse por atender igualmente ao objetivo
proposto no início da aula:
Instrumento Estratégia do governo Política esperada
Compulsório
Maior obrigatoriedade de depósito Contracionista*
Menor obrigatoriedade de depósito Expansionista*
Redesconto
Maior taxa de juros Contracionista*
Menor taxa de juros Expansionista*
Oper. Merc. Aberto
Compra títulos Contracionista*
Vende títulos Expansionista*
* Resposta esperada do aluno
No primeiro item do exemplo número 4, as autoras fazem uma pergunta direta, apenas
uma definição é solicitada e a resposta comentada é satisfatória. No segundo item,
aparentemente uma análise mais elaborada se faz necessário, embora a resposta seja
também bastante objetiva e se dê logo nas primeiras linhas do comentário: o processo
de maturação estabelece limites sobre o ritmo de crescimento físico e desenvolvimento
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Aula 7 – Ajudando sua inspiração: modelos de atividades – Parte 1
motor, mas o ritmo pode ser retardado pela ausência de prática ou de experiências
adequadas. Na aula original, as autoras discutem o papel da prática na maturação
relatando, por exemplo, pesquisas feitas com gêmeos e crianças filhas de índias hopis.
Essas passagens do texto poderiam ter sido incorporadas à pergunta, as autoras
poderiam ter pedido que o aluno emitisse sua opinião a respeito do papel da prática na
maturação e a resposta comentada poderia somar ao que foi especificamente perguntado
encaminhando a discussão do tema, em seguida, no corpo do texto. As autoras
responderam satisfatoriamente a pergunta que fizeram e, inclusive, ofereceram uma
resposta comentada rica, para além do necessário à questão em si. O tema destinado à
atividade (maturação) é bastante motivante mas seu formato, no entanto, pareceu pouco
incentivador e possivelmente não tenha estimulado o aluno a fazê-la.
Se você teve outras percepções acerca dessas atividades, não deixe de compartilhar sua
opinião comigo e com os outros participantes no Fórum da Aula 7.
Argumentativa
As atividades argumentativas são uma boa maneira de se tentar utilizar melhor os
conceitos apresentados na aula, fugindo um pouco das armadilhas das atividades de
consulta direta. Em vez de o aluno definir um conceito ou recuperar uma informação,
nas atividades argumentativas, o objetivo principal é que o aluno seja capaz de
desenvolver argumentos acerca de um determinado tema sem que necessariamente
chegue a uma resposta esperada. Nestes casos, a capacidade de análise e crítica é tão
importante quanto o conteúdo em si. Embora a capacidade argumentativa seja uma
habilidade valiosa, freqüentemente os professores não elaboram a atividade de forma
que o aluno tenha subsídios para interpretar seus resultados ou para compreender
que ele pode ter a opinião que quiser, sem demonstrar deferência pela resposta do
professor. Mais do que isso, o aluno fica com uma resposta que não é compartilhada e
normalmente o procedimento indicado pelo professor é de que ele vá ao pólo discutir
com o tutor. Isso sinaliza pouca estruturação e planejamento da parte do conteudista e
a tendência é o aluno deixar de fazer a atividade.
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Planejamento e elaboração de material didático impresso para EAD - elementos instrucionais e estratégias de ensino
Veja a seguir uma situação em que uma atividade argumentativa foi utilizada de
maneira criativa para consolidar o conceito de relações de poder.
Exemplo - “Divisão desigual de poder”
Imagine que você foi aprovado em uma universidade muito distante de sua casa, e
que precisará mudar-se de cidade para poder cursar a faculdade de sua escolha. Seus
pais não possuem recursos suficientes (não fazem parte da “nobreza”), portanto não
podem ajudá-lo(a) a alugar uma casa e também custear os seus estudos (compra de
livros, congressos etc.).
Antes de desistir da idéia de estudar tão longe, você leu no site da universidade que
há uma prática muito comum adotada por estudantes com poucos recursos: as
repúblicas. Nestas, os estudantes alugam uma casa comunitária. Cabe a cada um,
individualmente, e a todos, coletivamente, prover os recursos para manter o aluguel
(pagar as contas, conservar sua estrutura física etc.). Além disso, todos os moradores
têm direitos comuns (como o de usar a estrutura física da casa, por exemplo).
Depois de alguns meses morando nessa casa comunitária de oito habitantes, você
percebeu que o convívio entre pessoas diferentes não era nada fácil. Entretanto,
tudo corria bem, até que surgiu uma situação de desacordo generalizado...
A mais antiga moradora da república, Maria Antonieta, que ali já estava há dois anos,
decidiu impor uma ordem para todos: seria proibido fazer frituras na cozinha. Luis, seu
namorado (também morador da república), estava ao lado dela nessa decisão, já que
ambos entendiam ser a fritura responsável pela sujeira na cozinha e, por conseqüência,
na casa toda (pelo cheiro de óleo e pela fumaça que impregnava o ambiente).
“Se eu fosse nobre, seria tudo mais fácil.”
Fonte: www.sxc.hu
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Aula 7 – Ajudando sua inspiração: modelos de atividades – Parte 1
Porém, tanto Maria quanto Luís possuíam boas condições financeiras na família, e
quase sempre comiam em restaurantes. Todos os outros seis moradores, incluindo
você, preparavam a própria comida para diminuir os custos. Além disso, o contrato
do aluguel da casa estava em nome de Maria Antonieta, e por isso ela se julgava
detentora do poder de decidir as normas referentes à república.
“Ao vencedor, as batatas!”
Fonte: www.sxc.hu
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Diante dessa situação, você foi escolhido para representar os outros seis moradores
na reunião da república, que ocorre todo mês, na qual será confirmada (ou refutada)
a norma de não haver mais frituras.
Para fazer a defesa da maioria, você deve elaborar contra-argumentos que possam
“derrubar” os argumentos de Maria. Para tal, leia a seguir os pontos de vista dela e
posicione-se contrariamente, buscando mostrar suas incoerências e improbidades.
Elabore pelo menos dois argumentos contrários a cada uma das colocações de
Maria:
1. Eu não tenho culpa se
vocês querem cozinhar
em casa. O meu direito
começa onde termina o
de vocês!
2. Como o contrato está
em meu nome, eu tenho
o poder de estabelecer as
normas da casa!
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Planejamento e elaboração de material didático impresso para EAD - elementos instrucionais e estratégias de ensino
Resposta comentada (do exemplo):
A capacidade de argumentar – ou de criar argumentos que possam persuadir um
interlocutor – é essencial para a convivência social, pois possibilita expor razões que
podem mudar o ponto de vista acerca de um determinado assunto. A argumentação
propicia a apresentação de diversos posicionamentos e costuma representar a
forma de pensar de determinados indivíduos ou grupos. Em oposição, o conceito de
contra-argumento também é fundamental: é a partir da contra-argumentação que
se pode refutar um pensamento que parece inabalável.
Nessa atividade, há vários caminhos possíveis de contra-argumentação. Na
colocação 1, quando Maria diz que “não tem culpa...”, e que “meu direito começa
onde termina o de vocês”, você pode apontar que, como a república possui cozinha
– e esta faz parte da estrutura física comum da casa –, é óbvio que ela está ali para
ser usada. Além disso, a questão de um direito começar onde termina outro pode
levar a um caminho de hierarquia de direitos e de poder. Na verdade, o direito é
comum a todos, e não cabe sua posse a uma pessoa. Em outras palavras: ninguém
é detentor exclusivo de um direito, já que ele serve para todos. Se a casa possui
cozinha, e se cozinhar na casa é uma prática socialmente aceita pela república, essa
condição vale para todos.
No colocação 2, quando Maria diz ser “detentora do poder” por ter assinado o
contrato, você pode argumentar que isso é uma mera formalidade administrativa,
já que, se houver algum problema de qualquer ordem, todos os moradores são
responsáveis por sua resolução. Caso contrário, seria justificável não pagar o
aluguel, pois existiria um morador que seria o único responsável por essa taxa.
Pólo de São Fidélis.
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Obs.: Essa atividade não pretende resolver esse problema prático, pois você não
tem conhecimentos para tal, nem é advogado ou juiz. O que queremos é que você
estimule a prática da argumentação e da contra-argumentação com seus colegas,
e leve essa atividade para ser debatida no seu pólo, tendo por base a noção de
poder. Peça a seu tutor que exponha o caso novamente, tendo por mote esse novo
argumento de Maria: “Gordura faz mal à saúde e engorda, por isso há mais um
motivo para não haver frituras”. Todos os participantes devem construir um contra-
argumento para esse novo posicionamento de Maria. Divirta-se!
(Roberto Paes de Carvalho, Curso: Administração, Disciplina: Instituições de Direito Público e Privado)
Repare que, nessa atividade, o autor garantiu as condições necessárias para o aluno
fazer a atividade proposta sozinho, a partir da idealização de argumentos contrários a
duas colocações de Maria. No entanto, também abriu portas para que ele propusesse
ao seu tutor uma seção de discussão coletiva, a partir de colocações contrárias a um
novo argumento, dessa vez ainda mais polêmico: gordura faz mal à saúde e engorda.
Atividades argumentativas são uma boa alternativa para a aplicação de um conceito
de forma criativa, participativa e que favorecem o trabalho em grupo.
Atividade 3
Atende ao objetivo 3 j
Se eu não me mexer eu engatinho?
Depois de ter estudado essa seção e de ter analisado
um bom exemplo de atividade argumentativa, retorne
à Atividade 2 e releia o Exemplo 4 (a prática e a
maturação). A partir do trecho a seguir, extraído da
mesma aula, idealize uma atividade argumentativa que
possa ser realizada individualmente para a consolidação
do papel da prática na maturação. Se quiser, relate sua
idéia no Fórum da Aula 7.
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Fonte: www.sxc.hu
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2
3
Helen Bee e Sandra K. Mitchell, para ilustrar melhor a complexidade do processo de
maturação, fazem as seguintes perguntas: se uma criança for completamente imobilizada,
sem ter a oportunidade de praticar o ato de engatinhar, andar ou pegar objetos, essas
habilidades se desenvolveriam? O bebê precisa de oportunidade de experimentar a
coordenação dos ossos, músculos e sentidos?
Integração de informações
Vamos retomar uma atividade que você provavelmente já conhece. Analise as
informações abaixo e diga a que personalidade estou me referindo.
Personalidade 1
Sobre o amor...
“Que não seja imortal, posto que é chama
Mas que seja infinito enquanto dure”
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Anote aqui a sua resposta:
Fonte: www.sxc.hu
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Aula 7 – Ajudando sua inspiração: modelos de atividades – Parte 1
Personalidade 2
A comunicação humana é um processo que envolve a troca de
informações, e utiliza os sistemas simbólicos como suporte para este
fim. Estão envolvidos neste processo uma infinidade de maneiras de se
comunicar: duas pessoas tendo uma conversa face a face, ou por meio
de gestos com as mãos, mensagens enviadas utilizando a rede global
de telecomunicações, a fala, a escrita que permitem interagir com as
outras pessoas e efetuar algum tipo de troca informacional.
1
2
3
Anote aqui a sua resposta:
E aí? Descobriu? Você provavelmente não teve muita dificuldade em associar
Vinicius de Moraes às primeiras informações e Chacrinha às segundas, certo? Mas
como você fez isso? Pode parecer óbvio, mas vale a pena recuperar seus passos.
No caso de Vinicius, a fotografia mostrada é da praia de Ipanema, cenário de inspiração
para uma de suas canções mais famosas. A imagem do whisky provavelmente remeteu
você à particular predileção do poetinha pela bebida ou à sua frase “O whisky é o cão
engarrafado”. Ainda, o trecho de um de seus poemas mais conhecidos – “Soneto da
Fidelidade” – completou a charada.
Fonte: www.sxc.hu
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No caso do Chacrinha, a passagem que fala sobre comunicação é uma informação
e tanto para nos fazer lembrar do Velho Guerreiro e de sua máxima “quem não se
comunica se trumbica”, é ou não é? O abacaxi provavelmente te levou ao programa de
calouros mais famoso da TV brasileira e ao troféu recebido pelos participantes menos
gloriosos. Finalmente, o carro remeteu você à chacrete mais popular do programa: Rita
Cadillac.
Repare que, nos dois exemplos, as informações oferecidas não dizem respeito
diretamente à personalidade em questão. Eu não pedi que você adivinhasse quem era
a pessoa retratada em uma caricatura, por exemplo. Você precisou dar alguns passos
antes de conectar cada informação à personalidade, e só depois integrar todas para
chegar ao veredicto final, quer ver?
Praia de Ipanema → Garota de Ipanema → Autoria de Vinicius de Moraes
Whisky → Cão engarrafado → Autoria de Vinicius de Moraes
Trecho escrito →Soneto da Fidelidade →Autoria de Vinicius de Moraes
Trecho escrito →Quem não se comunica se trumbica →Autoria de Chacrinha
Abacaxi → programa de calouros → Comandado por Cacrinha
Cadillac → Rita Cadillac → Chacrete do programa do Chacrinha
Possivelmente você não tivesse sequer desconfiado da personalidade se visse apenas
a foto da Praia de Ipanema, ou do whisky, ou do abacaxi, ou do cadillac. Os trechos
escritos, especialmente o poema, são mais alusivos às personalidades em questão.
Você precisou das três informações. Em compensação, uma vez integradas, você
provavelmente não teve dúvidas de quem estava escondido nas charadas que propus.
Essa é a idéia por trás da atividade de integração de informações.
Nesse tipo de atividade, o aluno é levado a analisar e relacionar informações de
natureza variada (textos, gráficos, tabelas, ilustrações, notícias de jornal, etc.) para
deduzir a resposta esperada. A área de conhecimento enfocada pela atividade de
integração de informações é claramente identificável e é improvável que as respostas
difiram muito daquelas esperadas. Neste caso, as respostas comentadas são bastante
precisas e capazes de abranger satisfatoriamente o universo possível de resultados.
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Aula 7 – Ajudando sua inspiração: modelos de atividades – Parte 1
Atividades de integração de informações permitem que muitas capacidades
cognitivas sejam desenvolvidas simultaneamente. Retomando a teoria da flexibilidade
cognitiva do início da aula, o aluno aprende melhor quando obtém uma mesma
informação a partir de diversas fontes (formatos) diferentes. Ele tem mais trabalho para
chegar na mesma resposta que chegaria apenas por meio de uma atividade de consulta
simples. Mas os benefícios em termos das capacidades estimuladas não têm termo de
comparação. Esse tipo de atividade permite vários graus de dificuldade e sua utilização
deve ser balanceada, com o cuidado de manter uma proposta de acordo com o perfil e
o nível educacional de seu aluno.
Agora, como criar uma atividade de integração de informações? Parece uma charada
completamente indecifrável? De forma alguma... A chave para a elaboração desse tipo
de atividade é ser capaz de olhar o texto sob uma perspectiva diferente. Vamos tomar
como exemplo o caso do Chacrinha. Imagine uma aula sobre história da comunicação
brasileira, e uma seção voltada para a televisão. Certamente o Velho Guerreiro seria
figura de destaque. O texto da aula (que foi baseado em informações disponíveis na
Wikipédia) poderia ser assim:
José Abelardo Barbosa de Medeiros nasceu na cidade de Surubim, no agreste
pernambucano, em 20 de janeiro de 1916. Esse era o nome de um dos maiores
comunicadores de rádio que conhecemos e de um grande sucesso na TV dos anos
1950 aos 1980: Chacrinha.
Chacrinha chegou a iniciar a faculdade de Medicina, em Recife, para onde havia se
mudado com a família. Foi justamente dando uma palestra sobre alcoolismo, como
estudante da área médica, que teve o seu primeiro contato com o rádio.
Interrompeu os estudos e foi para o Rio de Janeiro, onde se tornou locutor na Rádio
Tupi. Em 1943, lançou na Rádio Fluminense um programa de músicas de Carnaval
chamado Rei Momo na Chacrinha, que fez muito sucesso. Passou então a ser
conhecido como Abelardo Chacrinha Barbosa. Nos anos 1950 comandaria o programa
Cassino do Chacrinha, no qual lançou vários sucessos da música brasileira como
“Estúpido Cupido” de Celly Campelo e “Coração de Luto”, do artista gaúcho Teixeirinha.
Em 1956 estreou na televisão com o programa Rancho Alegre, na TV Tupi, na qual
começou a fazer também a Discoteca do Chacrinha. Em seguida foi para a TV Rio e, em
1970, foi contratado pela Rede Globo. Chegou a fazer dois programas semanais:
A Buzina do Chacrinha (no qual apresentava calouros, distribuía abacaxis e perguntava
“-Vai para o trono, ou não vai?”) e Discoteca do Chacrinha. Dois anos depois voltou para
a Tupi. Em 1978 transferiu-se para a TV Bandeirantes e, em 1982, retornou à Globo.
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Planejamento e elaboração de material didático impresso para EAD - elementos instrucionais e estratégias de ensino
Os jurados ajudavam a criar o clima de farsa do programa de calouros. Outro elemento
para o sucesso dos programas para TV eram as chacretes - dançarinas, que faziam
coreografias bastante simples e ingênuas para acompanhar as músicas. Além da
coreografia ensaiada, as dançarinas recebiam nomes exóticos e chamativos como
Rita Cadillac, Índia Amazonense, Fátima Boa Viagem, Suely Pingo de Ouro, Fernanda
Terremoto etc.
Chacrinha era autor de frases muito citadas tais como “Na televisão nada se cria, tudo
se copia”, “Eu vim para confundir, não para explicar!” e “Quem não se comunica, se
trumbica!”.
Ora, antes de começar a falar do Velho Guerreiro, você poderia desafiar seu aluno
da área de comunicação com uma atividade que trouxesse informações que precisam
ser integradas para terem algum significado. Seria uma maneira descontraída, lúdica
de motivá-lo. Você proporia a charada que resolvemos juntos anteriormente, ofereceria
uma resposta comentada retomando os passos que provavelmente levaram seu aluno
à personalidade correta e, em seguida, você adaptaria o trecho anterior para continuar
falando do Chacrinha de forma a não repetir informações que você já tenha incluído
em sua resposta comentada. Um pouco de prática é suficiente para você perceber o
mecanismo por trás da criação de uma atividade de integração de informações e para
começar a dar seus próprios passos dentro do conteúdo de sua disciplina.
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Aula 7 – Ajudando sua inspiração: modelos de atividades – Parte 1
Atividade 5
Atende ao objetivo 5 j
Quanto custa mesmo?
Leia atentamente o trecho a seguir. O tema principal abordado é o conceito de
depreciação. Idealize uma atividade de integração de três informações ç de forma a ajudar
seu aluno a compreender melhor esse conceito. Você pode usar diversos recursos (figuras,
gráficos, tabelas, textos). Mas você não pode ultrapassar o número de 120 palavras, em
toda a atividade. Não se preocupe em fazer ilustrações precisas. Apenas faça um esboço
de sua idéia no espaço a seguir.
No ato de compra de um bem durável, é importante levar-se em consideração a
perda de valor que o tempo de uso acarretará ao produto adquirido, especialmente
se esse bem for mercadologicamente passível de transferência de propriedade.
Depreciação é isso. É o valor representativo da perda linear de eficiência de um
bem. Evidentemente, no momento de sua aquisição, logo após ser fabricado,
o bem tem depreciação nula, já que o equipamento é novo. Cabe considerar
que, mesmo sem uso constante ou com pouco desgaste devido a uma perfeita
manutenção, considera-se o valor originalmente pago pelo produto igual à
sua depreciação após o período estimado de sua vida útil, ou seja, o tempo
máximo previsto em que tal bem poderá gerar benefícios ao adquirente.
Bom exemplo de caso de depreciação é o dos automóveis. São tão variados os tipos,
marcas, qualidade de fabricação, finalidade de uso, que, variando entre esses dados,
encontram-se veículos iguais que têm vida útil média e depreciação diferentes.
Independentemente dos fatores anteriormente listados, determina-se a
depreciação de um bem sempre pelo tempo útil médio, em condições ideais.
Se se adquire um carro X, luxuoso, mas frágil, por exemplo, certamente seu
tempo de duração médio, em anos, será menor que o de um outro veiculo, o
Y, que é popular e resistente. Assim é, com tantos modelos de carros quanto
formos capazes de contar, no mercado automobilístico.
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Aula 7 – Ajudando sua inspiração: modelos de atividades – Parte 1
Resposta Comentada
Uma das possibilidades para transformar o trecho que você leu em uma atividade de
integração de informações está ilustrada a seguir. Você provavelmente chegou a outras
opções. Se quiser, vá até o Fórum da Aula 4 e discuta conosco suas idéias.
Observe as informações a seguir:
ATIVIDADE
Analise as informações 1, 2 e 3. Considerando que não há inflação, calcule
a depreciação acumulada em 31/12/2005 do veículo Andante, comprado
por João da Silva.
Resposta comentada (do exemplo proposto)
A depreciação anual é de R$ 2.000,00 (10.000/5). Do dia 1/7/2004 (data
explícita no recibo) a 31/12/2004 contamos seis meses. Então, temos de
calcular a depreciação mensal, que é de R$ 166,67. Logo, a depreciação
acumulada em 31/12/2004 será de R$ 1.000,00. É claro que você também
poderia resolver essa questão considerando que seis meses são equivalentes
a meio ano; então, a depreciação acumulada seria a metade da anual.
Ana Paula (Ativ.) José (Texto original)
Depreciação é um valor que representa
a perda de eficiência de um bem.
A depreciação de um equipamento
novo é nula; a depreciação do mesmo
equipamento após o período de sua
vida útil é igual ao valor pago por ele
originalmente.
1
Rio de Janeiro, 1º de julho de 2005
R$ 10.000,00
RECIBO
Recebi de João da Silva (CPF 098765432-10)
a quantia de R$ 10.000,00 (dez mil reais),
relativa à aquisição do automóvel ANDANTE®
modelo 2005, zero Km.
José de Souza
José de Souza
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5
Vida útil dos
automóveis
mais vendidos
(em anos)
6
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Planejamento e elaboração de material didático impresso para EAD - elementos instrucionais e estratégias de ensino
Um dos aspectos nucleares desse tipo de atividade é evitar oferecer informações,
procurando, em vez disso, deixar que o próprio aluno as deduza a partir da análise de
um gráfico, uma tabela etc. Você pode oferecer uma resposta comentada mais longa
que essa ou usar seu feedback para encaminhar o conteúdo que se seguirá no texto da
aula. Para criar uma atividade de integração de informações você deve ser capaz de
desconstruir seu próprio texto e de analisá-lo sob diferentes perspectivas. Uma questão
de treino e de criatividade. Você consegue, tenho certeza.
Resumo
M
étodos de instrução flexíveis ajudam os estudantes a aprender a
complexidade do material que estudam além de possibilitá-los
trabalhar com aquele conteúdo sob diversas perspectivas. Informações
apresentadas em uma variedade de formas fazem parte de um ambiente
de ensino flexível. Quando apresentadas em diferentes tipos, as atividades
contribuem imensamente para aumentar a diversidade em uma aula
voltada para a Educação a Distância. Há diversos modelos que influenciam
a elaboração de atividades em materiais didáticos impresso. Atividades
escondidas no texto são importantes para garantir um exercício mental
permanente de seu aluno. Atividades de consulta direta requerem do
aluno voltar a alguma passagem da aula para chegar à resposta esperada,
que normalmente está incluída no texto. Nessa categoria de atividade,
incluem-se também exercícios de cálculo simples, onde o aluno é
solicitado a realizar operações a partir da observação de um modelo,
de um exemplo resolvido. Nas atividades argumentativas, o objetivo
principal é que o aluno seja capaz de desenvolver argumentos acerca de
um determinado tema sem que necessariamente chegue a uma resposta
esperada. Nestes casos, a capacidade de análise e crítica é tão importante
quanto o conteúdo em si. No caso das atividades de integração de
informações, o aluno é levado a analisar e relacionar informações de
natureza variada (textos, gráficos, tabelas, ilustrações, notícias de jornal
etc.) para deduzir a resposta esperada. A área de conhecimento enfocada
pela atividade de integração de informações é claramente identificável
e é improvável que suas respostas difiram muito daquelas esperadas e
encontradas pelos demais alunos.
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Aula 7 – Ajudando sua inspiração: modelos de atividades – Parte 1
Informações sobre a próxima aula
Na próxima aula, continuaremos a estudar outros modelos de atividades.
Leitura Recomendada
LOCKWOOD, F. 1992. Activities in self-instructional texts. 1ed. Londres: Kogan Page, 1998.
Bibliografia Consultada
BOGER-MEHALL, S.R. Cognitive flexibility theory: implications for teaching and teacher education.
Fonte: http://www.kdassem.dk/didaktik/l4-16.htm.
ROWNTREE, D. Teaching through self-instruction. 2ed. Londres: Kogan Page, 1994.
LOCKWOOD, F. The design and production of self-instruction. 1ed. Londres: Kogan Page, 1998.
LOCKWOOD, F., 1992. Activities in self-instructional texts. 1ed. Londres: Kogan Page, 1998.
SPIRO, R. J., FELTOVICH, P. J., JACOBSON, M. J., & COULSON, R. L. (1992). Cognitive flexibility,
constructivism, and hypertext: Random access instruction for advanced knowledge acquisition in
ill-structured domains. In DUFFY, T. M. & JONASSEN, D. H. (Eds.) Constructivism and the technology
of instruction: A conversation (p. 57-76). Hillsdale, NJ: Lawerence Erlbaum Associates. n
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Ajudando sua
inspiração:
modelos de atividades
Cristine Costa Barreto
8
Aula
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182
Planejamento e elaboração de material didático impresso para EAD - elementos instrucionais e estratégias de ensino
Meta
Apresentar modelos que influenciam o formato de
atividades em materiais impressos na Educação a
Distância (EAD).
Objetivos
Ao final desta aula, você deverá ser capaz de:
• identificar os aspectos instrucionais que carac-
terizam os seguintes modelos de atividade:
a. transferência de domínio por resolução de
problema;
b. estudo de casos;
c. prática;
• distinguir, dentre os modelos propostos, ativi-
dades com respostas enumeráveis e atividades
com respostas não-enumeráveis.
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Aula 8 – Ajudando sua inspiração: modelos de atividades
Transferência de domínio por aplicação de modelo
Se eu dissesse que, ao longo de um curso, muito da aprendizagem poderia
se dar quando o aprendiz não estivesse de fato lendo o material de auto-
instrução, suspeito que você concordaria. Se eu dissesse que a maior parte
do tempo de estudo dedicado a um curso de Educação a Distância pode se
passar longe do material de auto-instrução, você poderia ainda concordar,
mas talvez menos prontamente. Se eu dissesse que, ao longo de um curso
de Educação a Distância, a natureza das atividades propostas pode ser tão
variada que seria extremamente difícil, ou mesmo impossível, predizer seu
resultado, suspeito que você começaria a se sentir desconfortável.
Com essas palavras, Fred Lockwood resume a essência do próximo modelo de
atividades que gostaria de apresentar a você: transferência de domínio por aplicação de
modelo. Nesse tipo de atividade, não há um conhecimento específico a ser desenvolvido
e a aprendizagem individual é encorajada.
Se por um lado as atividades de integração de informações exigem do aluno as
capacidades de análise, dedução e síntese no momento de integrar as informações
oferecidas, por outro, a estrutura do modelo conduz a uma pequena variação nas
soluções possíveis. Por isso eu posso enunciar uma resposta satisfatória, abrangendo
um pequeno universo de soluções.
Atividades de transferência de domínio abrem uma avenida de possibilidades de
resultados, na medida em que cada aluno pode explorar a área de conhecimento
apresentada de acordo com sua preferência, realidade cotidiana, disponibilidade e
interesse. Favorecem, dessa forma, a capacidade de transferência, para outros domínios,
de habilidades e conhecimentos adquiridos no material didático e incentivam a perda
da deferência pelo professor como a figura central, detentora de conhecimento, e
inquestionável provedor de informações a partir de quem o saber do aluno deve ser
construído. Esse modelo de atividade valoriza a incerteza da investigação científica e a
satisfação do encontro de soluções para os problemas.
Ora, mas a essa altura você deve estar pensando que concluí a última aula
declarando, de forma enfática, a inadequação da proposição de atividades em que
não é possível responder à variedade de soluções potencialmente associadas. De fato,
você está certo. Mas você deve se lembrar também, que mencionei a importância de
oferecermos experiências individuais para nossos alunos. Disse ainda que havia uma
maneira adequada para fazê-lo, na Educação a Distância. Pois bem, essa maneira é
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Planejamento e elaboração de material didático impresso para EAD - elementos instrucionais e estratégias de ensino
a atividade de transferência de domínio por aplicação de modelo. Nesse modelo,
embora não seja possível oferecer, a posteriori, soluções individuais satisfatórias para
as atividades, uma orientação antecipada garante ao aluno a segurança necessária para
realizá-las de forma independente, muitas vezes longe do material didático, em uma
situação de aprendizagem que exige pensamento crítico e reflexivo sobre suas próprias
ações. Por isso, se queremos que nossos alunos abusem de sua capacidade de pensar
sozinhos, excelente! Apenas devemos assegurar-lhes, de forma inequívoca, todas as
condições para que seu potencial criativo e de resolução de problemas não se perca
como um viajante que desbrava uma floresta sem bússola.
É comum que a orientação nas atividades de transferência de domínio seja oferecida
sob a forma de um modelo que se remete a todas as etapas para o seu desenvolvimento,
a partir do qual o aluno possa guiar suas práticas, comparando-as com as informações
providas antecipadamente.
Nesse tipo de atividade, as respostas podem (e devem) variar bastante de aluno
para aluno. Eles serão estimulados a fazer suas próprias investigações, levantar dados
e tirar conclusões de forma independente. A aprendizagem individual é fortemente
encorajada. A resposta comentada normalmente tem caráter de orientação, em que
seu aluno encontrará diretrizes para a realização do trabalho e para a interpretação
das informações obtidas. Atividades de transferência de domínio são fundamentais
para seu aluno desenvolver confiança, perder a deferência pela resposta do professor,
valorizar a própria experiência.
Naturalmente, você deve pensar bem antes de propor um atividade com essas
características. Como são atividades normalmente mais trabalhosas, se você não estiver
seguro de sua relevância e de sua adequação, talvez seja mais sensato optar por um
outro modelo. Além disso, devido ao fato de que seu aluno não irá dispor de uma
resposta comentada nos moldes em que discutimos para os outros modelos, você não
deve abusar de atividades de transferência de domínio e sua oferta não deverá constar
de todas as suas aulas.
Conteúdos próprios para esse modelo de atividades são aqueles que trazem uma
variabilidade intrínseca e múltiplas perspectivas de análise de um mesmo tema. Vamos
ver um exemplo?
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Aula 8 – Ajudando sua inspiração: modelos de atividades
Atividade 1
Atende ao objetivo 1 j
O Cliente
(Retirado de Thunhurst ,1990 - Front of house operations) s
O que os hóspedes desejam de um estabelecimento hoteleiro varia de acordo com as
razões pelas quais estão se hospedando naquele local. Freqüentemente, o primeiro
contato dos hóspedes em potencial é por telefone, quando perguntarão acerca das
facilidades e serviços disponíveis e a que preço. Uma resposta amigável e informativa
da parte da recepcionista pode significar a diferença entre um quarto ocupado ou vago.
Hóspedes pernoitando em um estabelecimento hoteleiro podem desejar:
• Quarto com banheiro privativo
• Quarto com cama de casal, com uma ou duas camas de solteiro
• Bar aberto durante toda a noite
• Café da manhã no quarto
• Filmes disponíveis em DVD
• Serviço de recebimento e transmissão de mensagens
• Pessoal treinado em recreação e cuidados infantis
• Acesso fácil ao quarto por hóspedes utilizando cadeiras de rodas ou bengalas
• Serviço para lavar, secar e passar roupas; serviços para lustrar sapatos
• Lavanderia com auto-atendimento
• Quarto com vista
• Colchão ortopédico
• Refeições disponíveis até tarde
• Telefone, rádio, televisão e DVD no quarto
• Limpeza e arrumação do quarto
• Serviço de despertador
• Opção de café da manhã continental
• Entrega de jornais no quarto
• Quarto familiar com berço e cama extra para crianças
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Planejamento e elaboração de material didático impresso para EAD - elementos instrucionais e estratégias de ensino
Veja alguns exemplos em que o tipo de estabelecimento hoteleiro é associado ao tipo de
serviço oferecido e ao tipo de cliente que potencialmente se hospedará:
Hotéis de turismo ou resorts
Hóspedes normalmente desejam relaxar e aproveitar o tempo; a maioria desses
estabelecimentos oferece suas próprias opções de lazer tais como piscinas e quadras de
esporte. Um serviço amigável e um ambiente descontraído não significam um serviço de
padrão mais baixo.
Motéis, ou hotéis de estrada
Principalmente procurados por pessoas que viajam de carro ao redor do país, a negócios.
Alguns dos hóspedes podem ser solitários e gostar de conversar, outros preferirão entrar
em seus quartos o mais cedo possível.
Hotéis de trânsito
Normalmente situados perto de uma estação ferroviária ou rodoviária, de aeroportos ou
regiões portuárias. Hóspedes podem fazer o check in e o check out a qualquer hora do t
dia. Recepcionistas devem ser hábeis para evitar situações que possam causar tensão, tal
como a necessidade de fazer o check out dos hóspedes rapidamente. t
Apart hotéis
Serviço de copa e de camareira para os hóspedes permanentes; uma atmosfera caseira
pode ser desejada.
Hotéis de negócios
Utilizados em sua maioria por executivos para pernoite, conferências ou encontros de
negócios. Um serviço rápido e eficiente com facilidades de comunicação, tais como
telefone, fax, e-mail e internet, pode ser exatamente o que os clientes procuram. A maioria
dos estabelecimentos é situada no centro da cidade, para onde o acesso é rápido.
TAREFA
Escolha um estabelecimento perto de sua residência ou local de trabalho para visitar. A seguir,
incluímos uma lista de estabelecimentos que podem facilitar sua escolha. Mas você não precisa
se prender a eles, pode optar por qualquer um. Descubra a partir dos folders de divulgação e
de entrevistas com os recepcionistas que tipos de facilidades e de serviços cada um oferece.
O que tais facilidades dizem acerca do tipo de cliente que utiliza o estabelecimento?
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Aula 8 – Ajudando sua inspiração: modelos de atividades
• Hospitais públicos
• Hospitais privados
• Residência de estudantes
• Condomínios
• Acampamentos
• Navios de turismo
• Barcas
• Trens
• Aviões
• Centros de treinamento de pessoal
• Locadoras de filmes
• Supermercados
Estabelecimento: ____________________________
Tipos do estabelecimento Serviços oferecidos Tipo de cliente
www.sxc.hu www.sxc.hu
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Planejamento e elaboração de material didático impresso para EAD - elementos instrucionais e estratégias de ensino
Resposta comentada
Qual estabelecimento você escolheu? Locadora de filmes? Supermercado? Algum outro?
É claro que não tenho como saber. Não resisto à idéia de contar para você, no entanto,
sempre que proponho essa atividade, secretamente, sempre escolho supermercado!
Mas isso não importa agora. O que importa é você se dar conta de que, naturalmente,
não existe uma resposta comentada que atenda a todas as possibilidades de
resultado associadas a esta atividade. Isso porque cada um de nós pode escolher um
estabelecimento diferente, visitar locais diferentes, conversar com pessoas diferentes e
levantar informações acerca de serviços diferentes. No entanto, espero que o modelo que
ofereci antes seja sólido o suficiente para ter permitido que você realizasse essa atividade
com segurança, mesmo que você não tenha uma resposta comentada que garanta ter
chegado a um resultado correto.
Claro que seu tutor estará devidamente avisado da existência de uma proposta como essa,
e seu aluno poderá recorrer à tutoria, presencial ou a distância, sempre que quiser. Mas
eu não esperaria, necessariamente, que ele assim o fizesse.
Você sentiu muita falta da resposta comentada da Atividade 3 da Aula 7? Espero que não.
Propus para você uma atividade de transferência de domínio por aplicação de modelo.
Atividades de transferência de domínio colocam seu aluno em uma situação nova
na qual ele deve aplicar um conceito recém-aprendido. Agora, pense comigo, isso não é
algo muito parecido com o que ele, aluno, irá vivenciar no momento em que se formar,
em que conseguir um emprego, em que precisar resolver um problema sem que tenha
um livro debaixo do braço dizendo: “Fulano, esse problema que você está enfrentando
agora se refere ao objetivo 3 daquela aula que vimos no terceiro período de seu curso.
Caso você não esteja certo de sua solução, consulte a resposta comentada daquela
atividade e fique tranqüilo quanto à decisão que tomou. Se tiver feito besteira, reveja
os passos 3 a 7 e tente novamente”.
Dada a baixíssima probabilidade de a situação descrita no parágrafo anterior
acontecer, parece ser uma boa idéia deixar seu aluno fazer tentativas, incorrer em erros
e acertos enquanto ele pode recorrer a você, ao tutor, aos colegas, para ganhar mais
independência profissional no futuro.
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Aula 8 – Ajudando sua inspiração: modelos de atividades
Ao propor uma atividade de transferência de domínio por aplicação de modelo,
certifique-se de que:
1. o tema proposto tem variabilidade intrínseca (não peça, por exemplo, para seu aluno
descobrir quantos gêneros sexuais existem nas diferentes instituições de trabalho);
2. você ofereceu um feedforward, como um exemplo detalhado do procedimento, de
forma que o aluno saiba exatamente o que fazer para obter seu resultado individual
e especialmente para conferi-lo;
3. você não está usando esse modelo excessivamente, de forma a desencorajar seu
aluno a fazer a atividade.
Estudo de caso
Não é novidade o fato de que alunos aprendem mais e melhor quando se envolvem na
aprendizagem de forma participativa. O estudo de casos é uma excelente opção para esse
tipo de abordagem, em que exemplos, simples ou complexos, permitem a compreensão
intuitiva do contexto de um problema, ao mesmo tempo que ilustram o núcleo conceitual
em questão. Demonstram conceitos teóricos em cenários aplicados, que incluem uma
variedade de situações, desde casos curtos para serem resolvidos individualmente até
atividades longas, para serem desenvolvidas em grupo. Existe uma grande sobreposição
entre o estudo de caso e a aprendizagem baseada na resolução de problemas.
Quando o aluno se vê diante de uma situação problemática, que precisa ser
analisada, e para a qual deve propor uma solução, ele interage com o material didático
em uma atividade que o expõe a questões do mundo real com as quais pode se deparar
em suas práticas profissionais. Isso normalmente aumenta a motivação dos alunos e
seu interesse nos temas de aula. O estudo de caso diminui a distância entre teoria e
prática, incentiva uma aprendizagem participativa, aumenta a satisfação do aluno com
o tópico estudado e, portanto, aumenta seu desejo de aprender.
Existem muitas maneiras de se propor um estudo de caso para seu aluno.
A atividade a seguir vai ajudar você a criar situações que possam ser utilizadas para isso.
Vamos lá?
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Planejamento e elaboração de material didático impresso para EAD - elementos instrucionais e estratégias de ensino
Atividade 2
Atende ao objetivo 2 j
Criando caso
Analise as duas atividades a seguir propostas em aulas das disciplinas Assistente
Administrativo e Bioquímica, respectivamente:
Exemplo 1
Caso Fundição Rio Negro
A Fundição Rio Negro é uma empresa de médio porte cujo ramo de atividade é o
a produção e venda de equipamentos para fundição. Seu diretor-presidente é
Alberto dos Santos Novaes, o diretor comercial, Júlio Siqueira Campos e o diretor
industrial, Marcos Roberto Magalhães.
Novaes é acionista majoritário da empresa, importando-se apenas com sua
situação financeira e com seu status social.
Campos está ligado ao setor de Vendas. Ficam a seu cargo as comissões sobre s
as vendas próprias e dos outros vendedores, no que tem demonstrado excesso
de interesse. Divide o número de ações com o terceiro diretor, Magalhães. Este é
voltado para a Produção, porém levando em consideração as condições de seus
subordinados. Constantemente, supervisiona a fábrica, porém, em alguns casos
de falha técnica, não respeita a autoridade do mestre, dirigindo-se diretamente
ao operário.
Cada um dos três diretores possui autoridade para contratar novos empregados e
despedi-los sem dar satisfação aos outros, não permitindo qualquer intervenção
em suas respectivas áreas.
O Departamento de Compras está sob a gerência de s Luiz Alves Macedo, que executa
suas tarefas sem planejamento algum ou controle e sem interesse pelo cargo que
ocupa, só funciona quando pressionado pelas circunstâncias. Seu procedimento
acarreta problemas para os demais setores da empresa, pois não se coordena
nem com o setor de almoxarifado. Falta-lhe técnica de compras e sua função é
independente, sem nenhum superior. Sua permanência dentro da empresa, apesar
desses problemas, é devida à estreita amizade com o diretor industrial. ll
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Aula 8 – Ajudando sua inspiração: modelos de atividades
O Departamento Técnico está subordinado ao o diretor industrial e apresenta sérias l
deficiências na elaboração de desenhos e projetos, erros nos cálculos, na escolha
dos materiais e colocação de materiais em lugar indevido no desenho e projeto.
O gerente, Manoel de Oliveira, não corrige os erros encontrados nos projetos para
não atrasar a produção, acarretando problemas para o Departamento de Custos
e para o Departamento de Produção, que corre o risco de produzir equipamentos
com defeitos, caso nenhum especialista localize o erro a tempo. Com todos esses
problemas, surgem atrasos na entrega dos equipamentos aos clientes e, às vezes,
devoluções em virtude de defeitos ou desvios de especificações.
Uma fundição efetuou diretamente a Campos a compra de um equipamento, s
com data marcada para a entrega. O pedido foi encaminhado ao departamento
competente, para as providências. Houve, porém, atraso na execução do pedido,
e intervenção direta e constante do diretor comercial na produção. Apesar da l
demora e da insistência o equipamento foi concluído e entregue, mas devolvido
depois por defeitos no funcionamento A compra só não foi cancelada devido à
necessidade que a firma compradora tinha de utilizar o equipamento.
A firma compradora provocou um conflito que atingiu os diretores da Rio Negro, os
gerentes, os supervisores e até mesmo os operários. Cada departamento apresenta
a sua desculpa, jogando a culpa sobre os demais, pois ninguém quis assumir a
responsabilidade do que aconteceu. O Departamento de Produção acusava o o
Departamento de Compras, que por sua vez acusava o Almoxarifado, e assim por
diante. Com os atrasos na entrega do equipamento e as devoluções causadas por
defeitos, a imagem da empresa estava se deteriorando no mercado.
(CHIAVENATO, Idalberto. Introdução à teoria geral da Administração. 2 ed. Campus. p. 70-71. p. 493).
O texto que você acabou de ler permite uma visão dos diversos setores
organizacionais de uma empresa. Sua tarefa deve ser feita em etapas, a
partir do conteúdo que você aprendeu nas últimas aulas. Essa atividade
faz parte do cronograma da tutoria presencial, portanto, você pode ler
e analisar o caso antes, mas somente deverá desenvolver as etapas a
seguir na presença de seu tutor, que vai organizar sua turma em grupos
de trabalho. Caberá ao seu grupo:
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Planejamento e elaboração de material didático impresso para EAD - elementos instrucionais e estratégias de ensino
1. citar possíveis atribuições do assistente administrativo;
2. marcar no texto quantos setores compõem a estrutura organizacional;
3. assinalar todos os seus departamentos e os seus responsáveis;
4. analisar o comportamento de cada um deles;
5. dar sua opinião, quanto à conclusão do caso;
6. elaborar um organograma de acordo com as informações do texto.
(Anna Paula José de Sara. Disciplina: Auxiliar de escritório)
Exemplo 2
Conceituando calor específico baseada em Chiavenato, 1990
Joana é mãe de um bebê de oito meses que se alimenta apenas de mingaus, os
quais recebe pela mamadeira.
Um dia, Joana, distraída, não se deu conta
do horário e se atrasou para preparar a
refeição de seu filho. A criança, com fome,
começou a chorar desesperadamente e
Joana não sabia o que fazer, pois mingau
era a única coisa que o bebê comia, e,
embora ela já tivesse acabado de preparar, o
alimento estava muito quente para ser dado
a seu filho.
Para esfriar o mingau, Joana começou a banhar a mamadeira em água corrente,
ao mesmo tempo que falava com uma amiga ao telefone perguntando por uma
sugestão de como resolver a situação mais rapidamente.
Emília, amiga de Joana, sugeriu que, em vez de banhar a mamadeira em água, ela o
fizesse em álcool, pois o álcool era mais refrescante e iria esfriar o mingau mais rápido.
Agora responda:
O que Joana deve fazer para ter o mingau de seu filho pronto mais
rapidamente: aceitar a sugestão da amiga ou continuar procedendo da
maneira que estava antes do telefonema (banhando a mamadeira em
água corrente)? Justifique sua resposta com base no que aprendeu nesta
aula (consulte a Tabela 2.1 para obter informações adicionais).
Fonte: www.sxc.hu
F
o
t
o
:

R
i
c
h
a
r
d

S
.
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Aula 8 – Ajudando sua inspiração: modelos de atividades
Resposta comentada (exemplo 2):
Conceituar calor específico é o primeiro objetivo que você deve alcançar
nesta aula, e você provavelmente o fez não apenas por esta atividade, mas
pela análise da Tabela 2.1 no texto da aula. Observando novamente esta
tabela, você pôde perceber que o calor específico da água é maior do que do
etanol. Significa que a água precisa de mais calor para ter sua temperatura
elevada do que a mesma quantidade de álcool necessita. Quando queremos
esfriar uma substância, é melhor a colocarmos em contato com outra que
absorva bastante calor e não sofra alteração de temperatura facilmente.
Por quê? A resposta é simples: colocar a mamadeira quente em contato
com o etanol iria rapidamente esquentar o álcool, e as trocas de calor de seu
interesse (passagem de calor da mamadeira para o álcool) iriam parar de
acontecer rapidamente. Já quando estamos utilizando uma substância como
a água, o equilíbrio térmico (temperatura igual para a mamadeira e para a
água) demora mais para acontecer e, enquanto isso, a água absorve bastante
calor da mamadeira, ajudando a esfriar o mingau da criança mais rápido.
Considerando, ainda, que Joana estava utilizando água corrente (sempre
saindo “fria” da torneira, isto é, não ficando mais aquecida pelo contato com
um material quente e permanecendo nesta situação), mais acertada ainda era
a maneira como estava procedendo. Portanto, ela não deve parar de colocar a
mamadeira na água para colocá-la para esfriar no álcool.
(Ana Paula Abreu-Fialho. Disciplina: Bioquímica)
Após ter lido os dois exemplos de atividade de estudo de caso, identifique pelo menos
dois aspectos que as diferenciem:
1. _______________________________________________________________
2. _______________________________________________________________
Fonte: www.sxc.hu
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Planejamento e elaboração de material didático impresso para EAD - elementos instrucionais e estratégias de ensino
Resposta comentada
Os casos propostos têm características muito diferentes. O primeiro exemplo propõe uma
situação muito mais complexa (a estrutura de uma empresa) e há um maior número
de problemas para o aluno resolver. Na verdade há, inclusive, problemas para o aluno
identificar! As tarefas propostas são de naturezas variadas: identificar setores, deduzir
atribuições, analisar comportamentos, emitir opinião, sintetizar graficamente. Claramente,
trata-se de uma atividade com maior grau de dificuldade e que, portanto, a professora
encaminhou para a realização na tutoria, em grupo. Note que, nesse caso, haverá uma
seção de tutoria especificamente dedicada ao estudo do caso e o tutor, naturalmente,
foi orientado pela professora nesse sentido. Para a realização dessa atividade, os alunos
deverão recorrer a mais de uma aula, articulando conteúdos entre si.
O segundo exemplo traz uma situação mais objetiva, que aplica um conceito bioquímico a
um contexto do dia-a-dia. Há um problema a ser resolvido, claramente proposto ao aluno:
O que Joana deve fazer para ter o mingau de seu filho pronto mais rapidamente? Para
isso, os conceitos apresentados na aula são suficientes para que ele resolva a situação
individualmente. Mas repare que o aluno teve de voltar à aula para integrar informações, r
tais como as apresentadas em uma tabela, e não apenas para fazer uma consulta direta ao
conteúdo que lhe ofereceria uma solução pronta para o problema.
Ao optar por uma atividade baseada no estudo de um caso, você pode propor uma
situação em que o aluno deva analisar um cenário profissional complexo, aplicando
conceitos discutidos anteriormente na aula, ou você pode simplesmente criar uma
situação problemática específica para ele resolver, também a partir dos conteúdos
apreendidos anteriormente. Em qualquer dos casos, certifique-se de que:
• o caso proposto atende a um ou mais pontos abordados em sua aula;
• o caso proposto traga um ou mais problemas para o aluno resolver;
• os problemas propostos são possíveis de serem solucionados pelos alunos com os
conhecimentos adquiridos até então;
• o caso proposto é pobremente estruturado de modo a permitir que o aluno faça
correlações com os conteúdos aprendidos para preencher lacunas que possibilitem
a resolução de um ou mais problemas;
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Aula 8 – Ajudando sua inspiração: modelos de atividades
• no caso de optar por materiais de outros autores, o caso proposto é claramente
relacionado ao conteúdo de suas aulas e atende aos objetivos de aprendizagem
propostos por você;
• você definiu claramente todas as tarefas que espera que seu aluno faça;
• você avaliou se o caso proposto é mais adequado ao trabalho em grupo ou
individual;
• seu feedback é amplo de forma a orientar o aluno quanto ao próprio progresso.
Novamente, para propor bons casos de estudo, você deve recorrer à sua experiência,
aos caminhos que levaram você a compreender determinados conceitos ou fenômenos,
à sua história como aluno, pesquisador e professor e, naturalmente, à sua criatividade.
Prática
A proposição de atividades práticas é particularmente comum em cursos tais como
os de Ciências Biológicas, Químicas e Físicas, e naqueles voltados para a instrumentação
de professores do Ensino Fundamental e Médio. No primeiro caso, o aluno deve realizar
experimentos que o possibilitem compreender determinados fenômenos ou conceitos de forma
mais completa do que o descrito no material impresso. No caso de cursos de instrumentação,
o objetivo é fornecer elementos teóricos e práticos que o professor em formação possa utilizar
de forma a ensinar seus alunos determinados fenômenos ou conceitos.
A razão pela qual estou chamando sua atenção para essa diferença é o fato de que,
freqüentemente, fazemos confusão entre os objetivos listados no início de uma aula e as
atividades práticas propostas, especialmente quando se trata de aulas de instrumentação
para o ensino de determinada ciência. O que ocorre é que, na maior parte das vezes, a
instrumentação se dá também a partir do aprofundamento de conceitos que não são
detalhadamente abordados nos cursos de licenciatura. Ora, o professor em formação
precisa, antes, aprender melhor um conceito, para posteriormente poder aplicar as
práticas que o ajudarão a ensiná-lo. Um curso de instrumentação deve promover os
dois processos, e os objetivos de cada aula devem atender, claramente, a ambos.
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Atividade 3
Atinge ao objetivo 3 g j
Professor ou aluno?
Leia a seguir a meta e os objetivos da primeira aula de uma disciplina que instrumenta
futuros professores de Ciências e de Biologia para o ensino de ambientes costeiros
marinhos e de água doce, bem como de suas comunidades biológicas. Como é uma
disciplina instrumental, o professor propõe diversas atividades que permitem ilustrar
fenômenos estudados ao longo das aulas e que podem ser facilmente utilizadas com
futuros alunos, mesmo que estejam a quilômetros da água salgada!
Disciplina: Instrumentação em Biologia Aquática.
Prof. Marcelo Vianna
A atividade final proposta na aula, que atende ao objetivo 3, é apresentada a seguir. Leia
cuidadosamente as orientações de procedimento e os comentários feitos pelo professor.
o
b
j
e
t
i
v
o
s
Meta da aula
Apresentar a diversidade estrutural dos ecossistemas
costeiros e demonstrar como fazer para identificá-los e
diferenciá-los.
Após esta aula, o aluno deverá ser capaz de:
· identificar alguns dos elementos fisiográficos
que compõem um ambiente de praia;
· apontar alguns fatores que influenciam
na visibilidade da água em um ambiente
de recife de coral;
· realizar experimento para simular a formação
de um ambiente costeiro.
1
Toda região costeira
é igual? A
U
L
A
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Aula 8 – Ajudando sua inspiração: modelos de atividades
ATIVIDADE FINAL
Agora você vai confeccionar um experimento que futuramente poderá
ser feito com seus alunos. Esta atividade simula o surgimento de uma
região costeira, maximizando os efeitos ambientais. Você vai precisar,
para fazer o experimento, de:
• uma bacia plástica (ou uma banheira de bebê, ou outro recipiente
qualquer largo e aberto em cima) com cerca de 40cm de diâmetro por
15cm de altura, que possa ser cheia de água e manuseada com pouco
risco de quebra;
• areia fina e limpa, equivalente à metade do volume da bacia;
• um ventilador pequeno;
• uma pedra qualquer de cerca de 15 x 10cm;
• um regador pequeno;
• uma luminária com lâmpada quente;
• água equivalente à metade do volume da bacia.
Procedimentos
1. Pegue a bacia plástica, cubra metade com areia limpa e complete com
água, deixando 5cm de areia à mostra.
2. Direcione o ventilador (ligado) para a água na bacia e deixe-o atuando
por uma hora.
Comentário
Após esse período, você vai verificar que a areia desceu, formando
uma região semelhante a uma praia, com os seus compartimentos.
3. Aumente o vento e poderá observar a formação de ondas quebrando
na praia. Verifique que as ondas chegam, no máximo, até um trecho da
areia (berma).
4. Coloque água em um regador e despeje-a lentamente na areia, em um
fluxo contínuo no meio da bacia.
Comentário
Veja como vai se formando uma baía semelhante a um estuário, no
qual a água do regador simula o aporte de água doce de rios.
A zona costeira apresenta uma grande diversidade estrutural de
ecossistemas litorâneos. Esses ecossistemas são característicos
das diferentes regiões do planeta e apresentam características
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Planejamento e elaboração de material didático impresso para EAD - elementos instrucionais e estratégias de ensino
fisiográficas particulares. Na costa (subdividida em praia, berma
e costa afora), temos ecossistemas que são compartimentos
de ambientes maiores, como a berma na praia. A costa abriga
ecossistemas importantes (como as lagoas costeiras, costões
rochosos, poças de maré, estuários, manguezais e recifes naturais)
que servem de habitat a espécies distintas de acordo com suas
feições fisiográficas. Existem também ecossistemas que, por estarem
em uma zona de transição entre o continente e o oceano, estão
continuamente em modificação, como um estuário originando uma
lagoa costeira.
5. Mude o ventilador de lugar, colocando-o na extremidade da bacia, e
perceba a criação de um cordão arenoso que tende a fechar o estuário e
originar uma lagoa costeira.
6. Pegue a pedra e coloque junto da areia, parte afundada e parte
emersa.
7. Ao lado da pedra, faça uma pequena poça e ligue uma luminária com a
lâmpada comum perto, com o foco direcionado para a poça.
Comentário
Cerca de 15 minutos depois, verifique como a temperatura da
água da poça e da pedra estão mais quentes do que o ambiente
ao redor, mostrando como um costão rochoso e uma poça de maré
são afetados pelo ambiente externo mais intensamente que o
ecossistema do entorno.
Em sua opinião, esta atividade foi proposta
para o futuro professor compreender melhor
as dinâmicas de uma região costeira ou como
um experimento que ele possa utilizar com seus
alunos em práticas futuras?
www.sxc.hu
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199
Aula 8 – Ajudando sua inspiração: modelos de atividades
Resposta comentada
Quando li esta atividade, tive dúvidas acerca de a quem ela se destinava. Há uma alusão
clara à prática de ensino no início do texto (agora você vai confeccionar um experimento
que futuramente poderá ser feito com seus alunos), no entanto, alguns dos comentários s
(confira o que se refere ao item 4) se dão em um nível condizente com um aluno do
Ensino Superior que está aprendendo, ele próprio, acerca de ecossistemas costeiros.
Naturalmente, há uma sobreposição entre esses dois aspectos, mas é importante, em uma
atividade prática, que fique claro a que objetivo ela atende. Nesse caso, o objetivo em
questão era:
• Realizar experimento para simular a formação de um ambiente costeiro.
Esse é um objetivo diferente de:
• Realizar experimento voltado para o Ensino Fundamental de Ciências para consolidar
a aprendizagem dos processos que conduzem à formação de um ambiente costeiro.
Mesmo que o professor também estivesse aprendendo acerca do tema (e estava, a julgar
pelo conteúdo da aula que você não teve chance de ver), era importante que, na atividade
prática, houvesse orientações acerca de possíveis dúvidas que um aluno do Ensino
Fundamental poderia apresentar, qual a maneira de respondê-las, que tipo de analogia
seria adequada para transpor o conteúdo para um nível adequado àquele aluno, como
solicitar a participação de cada aluno na realização do experimento etc. Essas decisões
foram deixadas para o professor em formação que teve acesso a uma excelente atividade
prática sem que pudesse apreciá-la inteiramente, tanto do ponto de vista de aluno quanto
do ponto de vista de professor.
Como você viu, nem sempre é fácil propor uma atividade prática que atenda aos
objetivos que temos em mente quando a idealizamos. As atividades podem ser simples
ou complexas, requerer o uso de materiais caseiros ou de equipamentos específicos,
ser realizadas em casa, no campo ou em laboratório. Você pode, em vez de propor
a atividade prática em si, utilizar protocolos de experimentos de forma a deixar o
aluno se sentir imerso em um laboratório de pesquisa. A melhor maneira de propor
uma atividade prática é fazer uso da sua experiência acumulada como professor e
pesquisador. Fica por conta da sua imaginação.
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200
Planejamento e elaboração de material didático impresso para EAD - elementos instrucionais e estratégias de ensino
Qualquer que seja o formato de uma atividade prática que proponha, você deve
saber exatamente o que pretende com ela. Se for ajudar seu aluno a compreender
um conceito, certifique-se de oferecer uma resposta comentada ampla, que articule
as diversas etapas do experimento de forma a ajudá-lo a construir o conhecimento
que você deseja. Se você quiser mostrar ao seu aluno, um futuro professor, qual
atividade prática pode ser mais adequada ou eficaz para ele utilizar com os próprios
alunos futuramente, então inclua em seus comentários possíveis perguntas que
seus alunos farão, questões desencadeadoras da discussão, quais os objetivos da
atividade, situações possíveis de serem exploradas etc. Práticas diferentes requerem
experimentos diferentes e orientações diferentes.
Respostas enumeráveis e não-enumeráveis
Até agora, você aprendeu acerca de diversos modelos que influenciam a elaboração
de materiais didáticos impressos para a Educação a Distância. Tudo sobre o que
conversamos se referia aos processos mentais e aos procedimentos envolvidos na
realização de cada atividade exemplificada. Mas, independentemente do modelo, as
atividades podem variar no que se refere ao tipo de produto gerado. Quando falo de
produto, estou indo além do que mencionei no apêndice da Aula 6, quando tratei
de diferentes formas de registro de respostas, você se lembra? Nesse caso, gostaria de
chamar sua atenção para dois tipos possíveis de resposta.
Atividades de respostas numeráveis são aquelas estruturadas de forma a conduzir
o aluno a uma (ou algumas poucas) resposta possível. Atividades de respostas
não-enumeráveis conduzem a um número imprevisível de respostas possíveis.
Naturalmente, alguns dos modelos de atividade que estudamos se prestam mais
a um tipo de produto do que a outro. Por exemplo, atividades de integração de
informações normalmente exigem muito do aluno na hora de interpretar e articular
dados, mas geralmente conduzem a um resultado bastante circunscrito. As respostas
comentadas atendem satisfatoriamente ao universo de resultados esperado a partir da
integração de um número limitado de informações específicas.
Atividades de transferência de domínio, por outro lado, favorecem, tipicamente,
respostas não-enumeráveis, por isso optamos por fazer um feedforward como um
comentário que orienta o aluno antecipadamente acerca dos procedimentos necessários
à sua realização. Atividades com respostas não-enumeráveis estão associadas a
experiências individuais e ações independentes da parte do aluno.
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201
Aula 8 – Ajudando sua inspiração: modelos de atividades
Atividade 4
Atende ao objetivo 4 j
Qual é a resposta?
Analise as atividades abaixo e indique se as respostas esperadas são numeráveis ou
não-enumeráveis:
Exemplo 1
DIAGRAMA DE ISHIKAWA NO COTIDIANO
Você poderá visualizar melhor esse tipo de diagrama adaptado a uma
situação da realidade cotidiana. Pense na seguinte situação-problema:
consumo excessivo de combustível por um carro. Em seguida, considere
os “tipos de causa”. O problema pode se originar, por exemplo, do modo de
dirigir (método), do próprio veículo, do motorista ou do material utilizado.
Observe o diagrama referente a esse problema (Figura 20.16 (( ). 6
Com base nesse exemplo, aplique o diagrama a um problema da sua
realidade cotidiana: em casa, no trabalho ou em outros espaços e
situações.
A seguir, você pode conferir três sugestões, mas certamente poderá
cogitar muitas outras situações com problema.
a) Aumento no valor de contas domésticas, como água, luz ou telefone.
b) Queda na produtividade no seu setor ou área de trabalho.
c) Baixo rendimento em alguma disciplina do seu curso.
(Solange Nascimento da Silva, Disciplina: História do Pensamento Administrativo)
Por que ocorre o problema?
MÉTODOS
Dirigir muito rápido.
Uso incorreto das marchas.
Falta de conhecimento.
Pouco treinamento.
MOTORISTA
Combustível fora da
especificação.
Lubrificação inadequada
MATERIAL
Alto consumo de
combustível.
VEÍCULO
Manutenção do motor.
Ajuste do carburador.
Diagrama de Ishikawa aplicado ao problema “alto consumo de combustível”.
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202
Planejamento e elaboração de material didático impresso para EAD - elementos instrucionais e estratégias de ensino
Exemplo 2
Desafio!
Uma das maneiras de monitorar a saúde do corpo de um indivíduo é
medir o pH dos seus líquidos corporais. É possível fazer isso provocando
a mudança do pH do líquido corpóreo (uma solução de pH desconhecido)
adicionando uma solução de pH de valor conhecido até alcançar a
neutralidade (pH = 7). Neste caso, de acordo com o volume utilizado da
solução conhecida, é possível inferir o valor do pH do líquido corpóreo.
Analise as informações 1, 2 e 3 e, em seguida, responda:
Sabendo que o técnico que analisou a amostra de suco gástrico gastou
2,5 ml de uma solução do estoque do laboratório para neutralizá-lo:
a. identifique a solução utilizada para reação de neutralização;
b. calcule quantos moles de OH- estão presentes nos 2,5 ml utilizados
para a neutralização do suco gástrico;
c. calcule a concentração (molar) de H+ no suco gástrico;
d. determine o pH do suco gástrico.
(Ana Paula Abreu-Fialho. Disciplina: Bioquímica)
Resposta comentada
Você não deve ter tido dificuldades em perceber que o exemplo 1 é uma atividade
que conduz a respostas não-enumeráveis enquanto o exemplo 2 conduz a respostas
1 3
Amostra Estoque de soluções do laboratório
Suco gástrico: secreção produzida pelas células da mucosa
estomacal, composta basicamente de ácido clorídrico (HCl)
e pepsina.
2
Definição
0,02 M 0,15 M 1 M 0,5 M
Paciente: 12321-0
Amostra: Suco gástrico
Hora da coleta: 6:00h (jejum)
Volume do frasco: 5ml
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203
Aula 8 – Ajudando sua inspiração: modelos de atividades
numeráveis. Repare que, no exemplo 1, mesmo havendo algumas sugestões de problemas
a serem representados no diagrama de Ishikawa, o aluno foi orientado a agir como
quisesse, inclusive ignorando as sugestões oferecidas (você pode conferir três sugestões,
mas certamente poderá cogitar muitas outras situações com problema). O diagrama
completo, no início da atividade, é a orientação de que ele precisa para aplicar o modelo
a uma outra situação. No exemplo 2, a resposta comentada (que eu omiti) é bastante
objetiva e atende ao resultado esperado. Você pode fazer um sem-número de combinações
entre processos e produtos associados a uma atividade que elabore. Divirta-se.
Considerações finais
Em uma ocasião, ao se aperceber da dificuldade que teria para manter seu aluno
de EAD engajado no estudo, um professor me disse, reflexivo: “O que vocês estão
me dizendo é que, na Educação a Distância, todos os alunos estão sentados naquela
cadeira que fica mais próxima da porta.” Sábia percepção. Cabe a nós impedi-los de
deixar a “sala de aula” com a mesma facilidade de quem está próximo da saída, de
quem fecha um livro, ou de quem desliga o computador.
As poucas oportunidades que tive de encontrar relatos que revelassem experiências
vividas por profissionais envolvidos na produção de materiais didáticos para o ensino
a distância foram extremamente valiosas para que eu pudesse definir minhas próprias
diretrizes de trabalho. Assim, nessas aulas de atividades, optei por compartilhar minha
experiência a partir de exemplos que permitissem a você concretizar conceitos, aplicar
métodos e encontrar seu próprio caminho no que se refere ao aspecto instrucional, a
meu ver, mais difícil de ser incorporado por quem começa a caminhada na Educação
a Distância.
Finalmente, por mais que nos esforcemos para desenvolver atividades de alto
nível instrucional para nossos alunos, é importante ter em mente que todos fazemos
parte de um sistema de aprendizagem flexível, no qual a distância é apenas uma das
dimensões que pode ser flexibilizada. O controle e a autonomia da parte do aprendiz
o fazem agente capaz de decidir acerca de que recursos utilizar, e em que momento,
na sua aprendizagem. Realizar algumas atividades e não outras, por exemplo, pode ser
consistente com o perfil efetivo e eficaz de um aprendiz. Muitos estudantes acreditam
que a seletividade é uma estratégia legítima de estudo e que o material didático oferece
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204
Planejamento e elaboração de material didático impresso para EAD - elementos instrucionais e estratégias de ensino
recursos acerca dos quais escolhas devem ser feitas. Há áreas em que a decisão deve
ser deixada para o aprendiz. Se queremos estimular a realização do maior número
de atividades possível da parte dos estudantes, então nos cabe refletir acerca do que
parece a melhor estratégia para tanto: oferecer ao aluno um banquete de atividades
variadas dentre as quais ele possa optar, ou selecionar um menor número de atividades
como o único caminho para que o aluno avalie seus progressos e verifique se atingiu
os objetivos específicos propostos pelo professor? Esta é uma pergunta central e difícil
de ser respondida, que certamente apresenta mais de uma solução, dependendo de
uma combinação de fatores que incluem o projeto pedagógico particular de cada
instituição educacional, o perfil dos estudantes envolvidos, a disponibilidade dos
conteudistas para reverem suas práticas de ensino e a potencialidade, quer em número,
quer em qualidade, do corpo técnico responsável pela capacitação e assessoramento
da competência acadêmica na elaboração de materiais de auto-instrução que atuem
de forma construtiva na conquista de conteúdos pelos alunos e que considere uma
metodologia de ensino que privilegie a atitude de pesquisa como princípio educativo.
Atividade final
Atende aos objetivos 1 a 4 da Aula 7, e 1 a 4 da Aula 8 j
Nas últimas duas aulas, apresentei sete modelos de atividades possíveis de serem
utilizados na Educação a Distância. Nessa atividade, gostaria que você incorporasse
todos os aspectos abordados anteriormente. Se você estiver redigindo aulas e elaborando
atividades, retome-as, pensando nos seguintes pontos:
• Identifique os aspectos apontados imersos em cada uma das atividades que você já
elaborou e que contribuem para sua eficácia de ensino.
• Tente avaliar o modelo em que se encaixam, fazendo as alterações que achar necessárias.
• Tente avaliar o tipo de resposta a que cada atividade conduz.
A classificação de atividades conforme você viu anteriormente foi criada pelo setor de
Desenvolvimento Instrucional do Consórcio CEDERJ e decorreu de nossa experiência
junto aos professores e de longas, calorosas e ricas discussões na equipe. A tabela a
seguir foi construída para facilitar nosso trabalho durante a análise das aulas. Tente
utilizá-la para a realização dessa atividade.
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205
Aula 8 – Ajudando sua inspiração: modelos de atividades
Classificação
Disc. Ativ. 1 Tipo de
resposta
Ativ. 2 Tipo de
resposta
Ativ. 4 Tipo de
resposta
Ativ. 5 Tipo de
resposta
Ativ. 6 Tipo de
resposta Aula___
Escondida no texto (não
confundir com dialogia)
Consulta / Cálculo /
Interpretação direta
Fórum
Prática para
compreensão de
conceito
Prática para ensinar a
ensinar um conceito
WebQuest/ Fórum
Virtual
Integração de
informações
Jogo
Resolução de problemas
Estudo de caso analítico
Estudo de caso aplicado
Transferência de
domínio pela aplicação
de modelo
Marque E para resposta enumerável e NE para resposta não-enumerável.
Resumo
A
tividades de transferência de domínio favorecem a capacidade
de transferência, para outros domínios, de habilidades e
conhecimento adquiridos no material didático. Nesse modelo, uma
orientação antecipada garante ao aluno a segurança necessária para
realizar a atividade de forma independente e a aprendizagem individual é
fortemente encorajada. A resposta comentada normalmente tem caráter
de orientação, na qual seu aluno encontra diretrizes para a realização
do trabalho. O estudo de casos é uma opção para envolver o aluno
na aprendizagem de forma participativa. Casos simples ou complexos,
para realização individual ou em grupo, demonstram conceitos teóricos
em cenários aplicados, que incluem uma variedade de situações.
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206
Planejamento e elaboração de material didático impresso para EAD - elementos instrucionais e estratégias de ensino
A proposição de atividades práticas é comum em cursos tais como
os de Ciências Biológicas, Químicas e Físicas e naqueles voltados para
a instrumentação de professores do Ensino Fundamental e Médio.
Ao propor uma atividade prática, é importante definir se o objetivo é
contribuir para a compreensão de um conceito ou indicar uma atividade
para ser utilizada pelo futuro professor, com seus próprios alunos.
Dependendo do caso, orientações diferentes devem ser oferecidas.
Atividades de respostas numeráveis são aquelas estruturadas de forma
a conduzir o aluno a uma (ou algumas poucas) resposta possível.
Atividades de respostas não-enumeráveis conduzem a um número
imprevisível de respostas possíveis. Alguns modelos de atividade se
prestam mais a um tipo de resposta do que a outro.
Leitura recomendada
Lockwood, Fred, 1992. Activities in self-instructional texts. 1ed. Londres: Kogan Page, 1998.
Bibliografia consultada
Boger-Mehall, S.R. Cognitive Flexibility Theory: Implications for Teaching and Teacher Education.
Fonte: http://www.kdassem.dk/didaktik/l4-16.htm.
ROWNTREE, Derek, 1994. Teaching through self-instruction. 2ed. Londres: Kogan Page, 1994.
LOCKWOOD, Fred, 1998. The design and production of self-instruction. 1ed. Londres: Kogan Page,
1998.
Lockwood, Fred, 1992. Activities in self-instructional texts. 1ed. Londres: Kogan Page, 1998.
Spiro, R. J., Feltovich, P. J., Jacobson, M. J., & Coulson, R. L. (1992). Cognitive flexibility,
constructivism, and hypertext: Random access instruction for advanced knowledge acquisition in
ill-structured domains. In T. M. Duffy & D. H. Jonassen (Eds.), Constructivism and the technology
of instruction: A conversation (pp. 57-76). Hillsdale, NJ: Lawerence Erlbaum Associates.
CHIAVENATO, Idalberto. Introdução à teoria geral da Administração. 2ed. Campus. 493 pp.
Thunhurst, A. 1990. Front of House operations. Macmillian Education, London.
Informações sobre a próxima aula
Na próxima aula, você vai aprender como oferecer ao seu aluno desdobramentos do conteúdo
central da aula. Até lá!
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A bússola e o remo...
novamente...
Cristine Costa Barreto
Aulas
7/8 /
Apêndice
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Aulas 7 e 8 – Apêndice – A bússola e o remo... novamente...
Fonte: www.sxc.hu
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:

D
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r
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Uma publicação fundamental para
consolidasse diversos aspectos relacionado
papel das atividades em materiais didátic
voltados para a Educação a Distânc
foi o livro Atividades em textos aut
instrucionais Activities in self-instruction
texts de Fred Lockwood. s
O pequeno volume traz informações va
as discute, magistralmente, em cinco capítu
a temas como a maneira pela qual as ativida
aprendizagem auto-instrucional; quais as ex
professores ao proporem atividades; qual
benefício, para os alunos, associada à realiz
propostas; dentre outros. Mais interess
discutidos à luz da pesquisa empírica e, os
amostrais nos permitem começar a avaliar
envolvidos na Educação a Distância, especialmente o aluno.
Em um dos capítulos mais interessantes
do livro – “o que os estudantes pensam das
atividades?” – o autor discute uma série de
aspectos que influenciam a realização das
atividades por parte dos alunos. Além do
tempo de estudo, foram apontados outros
cinco aspectos que influenciavam a decisão
de um aluno realizar ou não uma atividade
proposta e a maneira pela qual ele a realiza.
As seções a seguir sintetizam parte desse
capítulo e são da maior relevância para a
nossa prática como educadores a distância.
Os resultados mencionados e os depoimentos transcritos se referem a pesquisas
realizadas com base em diversos materiais didáticos da Open University, bem como em
entrevistas e questionários preenchidos pelos alunos de cursos variados. Procurei fazer
um comentário após cada seção de forma que pudesse contribuir para que você tenha
uma visão mais diversificada acerca dos temas discutidos.
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210
Planejamento e elaboração de material didático impresso para EAD - elementos instrucionais e estratégias de ensino
Posição relativa de uma atividade no texto
Imagino que, ao redigir suas aulas, você tenha a preocupação de propor atividades
ao seu aluno de forma regular, entremeadas no texto, atendendo a blocos de conteúdo
a intervalos razoavelmente constantes, certo? Você já parou para pensar se faz alguma
diferença para o seu aluno o fato de uma atividade estar no início, no meio ou no fim
de uma aula? Confesso que nunca havia feito essa reflexão, até me deparar com o livro
de Lockwood. Pois as pesquisas realizadas indicam que os alunos são mais diligentes ao
realizar tarefas no início da aula do que no final, quando a pressão do tempo começa
a ser mais determinante.
A
pesquisa baseada em materiais didáticos da Open University
revela que a proporção de atividades realizadas cai de 90-100%,
no início da aula, para 30-40%, conforme o texto se encaminha para
o final.
A
t
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n
ç
ã
o
Qual é a sua opinião a esse respeito? Como você se comportou ao longo do estudo das
aulas, até agora? Houve alguma diferença na sua determinação para realizar as atividades
que pudesse ser associada à posição que ocupavam no texto? Se eu fosse responder a
essas perguntas, arriscaria dizer que a posição das atividades não influenciaria minha
decisão acerca de realizá-las ou não. Pelo menos foi assim nas experiências que tive
com materiais de EAD. Mas nesse ponto, creio, resida uma questão importante: será
que você (assim como eu) é um aluno cujo perfil equivale àquele do aluno para quem
você redige suas aulas? Será que a pressão do tempo atuaria igualmente sobre nós, se
tivéssemos que nos dedicar à carga habitual de trabalho e ainda conciliar o tempo com
o estudo de 3-4 disciplinas por período, ao longo de 4-5 anos?
Eu tendo a achar que esses são elementos de influência. Mas sigo convicta de que
o aspecto determinante para a realização de uma atividade é sua relevância para a
aprendizagem e seu grau de persuasão do aluno, quer pela forma em que a apresentamos,
quer por seu conteúdo. Como aluna, eu realizaria uma atividade atraente, ao final de
uma aula. Talvez minha atitude fosse diferente se a disciplina em questão não fosse
de minha predileção, se as atividades propostas não me parecessem motivadoras, se o
conteúdo do texto não fosse coerente e coeso o suficiente para “armar” adequadamente
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211
Aulas 7 e 8 – Apêndice – A bússola e o remo... novamente...
A
tividades constituídas de muitas questões são mais frequentemente evitadas pelo aluno,
independente de sua posição na aula. Por exemplo, ler um texto, identificar os diferentes
significados de um determinado termo, comparar as diferentes definições desse termo. Nesses casos,
se o aluno não responde à primeira questão pode ser difícil, se não impossível, responder às demais.
A
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o momento exato de persuadir-me a fazer uma atividade. Esses são aspectos aos quais
devemos dedicar alguma reflexão antes de negligenciarmos o tempo, a dedicação e a
técnica necessários à elaboração de uma atividade para a Educação a Distância, não
importa se no início, meio ou fim de uma aula.
Presença ou ausência de espaço para resposta
Faz diferença para você que uma atividade ofereça um espaço específico para
registrar a resposta? Para mim faz. Seja uma linha, uma tabela para completar, boxes
para ticar, sempre me incentiva encontrar, em meu livro, um lugar para escrever,
realizar um cálculo, fazer uma marcação.
Essa também parece ser a opinião da maioria dos estudantes entrevistados, que
preferiu atividades que ofereciam espaço para resposta, e tenderam a realizá-la, mesmo
ao perceberem que se tratava de uma proposta com um grau de dificuldade mais alto:
Tem muito mais chance de eu fazer uma atividade se houver espaço no papel para eu
responder o que é pedido.
... quando você vai e tica determinadas coisas ou quando você faz pequenos
comentários [em lugares específicos]. Eu freqüentemente faço essas, porque tem um
espaço onde você pode realmente realizá-las.
Q
uando um espaço, uma lacuna ou uma grade foram oferecidos como local para
uma resposta simples (um tique, uma palavra, observações curtas), uma proporção
extremamente alta dos alunos – 80 a 100% – fez a atividade. No entanto, quando a atividade
solicitou a redação de uma resposta, mesmo curta, a proporção de alunos que fez a atividade
caiu dramaticamente para 30 a 50%, mesmo que houvesse espaço oferecido para isso.
A
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Planejamento e elaboração de material didático impresso para EAD - elementos instrucionais e estratégias de ensino
Particularmente, acho fundamental haver espaços específicos para respostas, de
preferência em diferentes formatos, e sugiro que você se empenhe em garantir esse
estímulo adicional ao seu aluno. Se for possível variar o tipo de registro que você
solicita, ótimo. Mas se a atividade que você elaborar for concebida de tal forma que
seja relevante registrar uma resposta sob forma de um trecho escrito, por exemplo, não
hesite em fazê-lo e jamais caia na armadilha de simplificar excessivamente a tarefa que
você decidiu propor ao seu aluno da educação superior.
O método de resposta solicitado
Em um conjunto de materiais impressos da Open University, havia muitas atividades
que solicitavam algum tipo de resposta mental ou de resposta escrita. A maioria delas era
similar entre si, o grau de dificuldade das atividades propostas era semelhante e não havia
espaço para respostas.
As atividades que solicitavam uma resposta mental foram mais frequentemente
respondidas que aquelas solicitando uma resposta escrita. Mesmo se, em uma única
atividade, houvesse uma parte da tarefa solicitando uma resposta mental e outra solicitando
uma resposta escrita, no primeiro caso, observou-se o dobro de participações.
E
ntre 70 e 80% dos alunos responderam às atividades que solicitaram uma resposta mental. Por
outro lado, apenas 30 a 50 % responderam a atividades que solicitaram uma resposta escrita.
Havia outras atividades que também sugeriam respostas mentais e que também não ofereciam
espaço para resposta. No entanto, suas demandas intelectuais eram maiores, requerendo
interpretação e análise em vez de apenas recuperação e compreensão. A proporção de alunos
que respondeu a essas atividades foi uma das mais baixas registradas em toda a pesquisa,
variando entre 10 e 40%.
A
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n
ç
ã
o
Um ponto interessante é que, para responder a uma atividade, não importa se
mentalmente ou de forma escrita, um aluno deve lê-la antes. Os resultados da pesquisa
indicam que o material textual que constitui a ativida1de invariavelmente é lido
mesmo se a tarefa proposta for ignorada. No entanto – e essa é uma informação da
maior relevância – na tentativa de economizar tempo de estudo, muitos aprendizes
simplesmente lêem as atividades e passam direto aos comentários fazendo pouco (ou
nenhum) esforço para realizá-las. Ao adotar essa estratégia, os alunos focam seu objetivo
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213
Aulas 7 e 8 – Apêndice – A bússola e o remo... novamente...
no produto da atividade em vez de no processo que ela compreende. Outra estratégia
comum é a simplificação da tarefa proposta, tornando-a menos demandante e menos
consumidora de tempo do que a proposta original. Em ambos os casos, os aprendizes
incorrem em um custo para seu estudo, a partir de um processo de degradação de uma
atividade proposta.
Eles pedem que você analise o argumento apresentado em um texto escrito – eu não
tenho tempo para isso, então eu apenas leio para ter uma idéia do que eles estão
dizendo e pensar um pouco a respeito antes de continuar a leitura da aula.
A atividade pede que você compare os diferentes pontos de vista, analisando os prós e
contras de cada um deles. Eu não me preocupo com isso. Apenas leio os argumentos e
decido quais têm mais a ver com minhas próprias percepções e por que.
As estratégias de estudo descritas anteriormente (preferência por respostas mentais
e degradação de atividades) permitem aos estudantes não só dar conta do curso, mas
também sobreviver a ele, de forma que a frustração decorrente do fracasso não os
conduza ao questionamento de suas habilidades e à reavaliação de suas expectativas
profissionais (Mathias, 1980).
Qual aluno vai optar por qual dessas estratégias é difícil de prever. Vale a
pena, no entanto, levar em consideração que a natureza das atividades que
propomos pode produzir custos educacionais e emocionais a nossos alunos, que
operam, permanentemente com uma análise de custo-benefício associada aos seus
comportamentos na Educação a Distância.
A resposta intelectual solicitada
...esse é o tipo de atividade que eu evito... parece um pouco complicado... é muito
difícil, então eu nem me preocupo.
Muitos alunos revelam uma certa relutância em se engajar em atividades que
demandam mais, intelectualmente, em comparação com aquelas que demandam
prioritariamente processos de recuperação e compreensão de conteúdos.
N
o material analisado [com atividades de alto grau de dificuldade], a presença de espaço
para resposta não pareceu influenciar a decisão do aluno [de realizar ou não a atividade].
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Planejamento e elaboração de material didático impresso para EAD - elementos instrucionais e estratégias de ensino
O ponto aqui me parece claro e simples. Não queremos banalizar nosso aluno da
Educação a Distância. Não há qualquer razão que me faça concluir que esses alunos
têm um potencial intelectual mais baixo que nossos alunos do ensino presencial.
A disciplina, a capacidade leitora e a capacidade interpretativa são diferenciais dos
alunos da Educação a Distância que contribuem para que eles tenham um desempenho
plenamente satisfatório ao longo de seus cursos superiores. A questão é nos perguntar,
sempre, se as atividades que propomos oferecem um grau de dificuldade compatível com
o curso, a disciplina e o conteúdo específicos, ou se estamos nos rendendo a algum tipo
de prática de tortura que deduz que alunos, do ensino presencial ou a distância, são
capazes de realizar atividades e aprender sozinhos conteúdos e processos extremamente
complexos, com um grau de autonomia para os quais não foram preparados.
Se suas práticas de ensino estiverem mais de acordo com a primeira opção, siga em
frente e tente oferecer a orientação e o suporte necessários para seu aluno transpor os
obstáculos que você considere indispensáveis à sua formação como profissional de uma
determinada área. Se estiverem mais de acordo com a segunda... bem, então sugiro que
você reveja suas práticas e que, talvez, considere o vodu como uma opção religiosa.
O tempo oficialmente alocado para a realização de
uma atividade
É comum, em muitos materiais, inclusive os da Open University, que se indique
o tempo necessário à realização de determinada atividade (por ex., 5 minutos, 15
minutos, 20 minutos). Em nossas aulas, nós não optamos por essa abordagem e o
limite do investimento que você deveria fazer em cada atividade foi estabelecido pelo
comando dado ou pelo espaço definido para você responder.
As opiniões dos estudantes a esse respeito são variadas e a informação acerca do
tempo foi utilizada de maneiras diferentes:
Eu não me oriento pelo tempo estimado porque ao longo dos cursos da Open
University eu percebi que essa estimativa é irreal... então, eu tendo a ignorá-la e a
gastar tanto tempo quanto achar necessário.
... o tempo alocado para cada atividade é provavelmente o fator decisivo para mim.
... se são [atividades] de cinco minutos, então eu faço, mas se são de quinze ou vinte
minutos, então não.
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Aulas 7 e 8 – Apêndice – A bússola e o remo... novamente...
Qual o objetivo de indicar, antecipadamente, o tempo que um aluno deve alocar para
a realização de uma atividade? Essa resposta me parece evidente: orientá-lo a não gastar
mais do que o tempo necessário, a fazer um investimento de acordo com o problema
e com suas expectativas como professor, antecipar situações difíceis. Que resultado
tem? Essa resposta, já não me parece tão óbvia. Assim como em dois dos comentários
anteriores, o aluno pode se guiar pelo tempo sugerido e fazer dessa informação um
elemento decisivo para sua estratégia de estudo. Pode acontecer também de um aluno
desistir porque se desestimulou ao olhar o tempo previsto, sem dar uma chance à
atividade (e a você!) de surpreendê-lo. Ou ele pode degradar a atividade, diminuindo
sua demanda intelectual, transformando-a em uma tarefa mais simples.
Uma vez escutei de um especialista inglês em arquitetura da informação que, até o
momento, o que ele vira em relação às práticas de Educação a Distância sobre as quais
discutíamos, eram tentativas de desconstrução do processo de ensinar, mas não do
processo de aprender. Essas foram palavras que marcaram minha vida como professora.
Como decidir quem vai gastar quanto tempo em que atividade? Como antecipar o
interesse de cada aluno por cada tema? Não há como controlar a relação de cada aluno
com o saber. Menos ainda quando falamos de Educação a Distância. Há como oferecer
possibilidades variadas de aprendizagem dentre as quais ele possa escolher, de acordo
com o que lhe interessar mais, o que lhe convier mais, o que ele puder mais! O melhor
que podemos fazer é abrir mão do poder de controle do professor, nos esforçar ao
máximo para elaborar atividades claras, variadas, relevantes, cujo contexto e comando
oferecidos sejam suficientes para orientar o aluno na direção que você quer, e deixar o
resto com ele. Pode ter certeza de que ele vai encontrar o próprio caminho dentre um
conjunto de rotas seguras que você ofereça a ele.
E agora, José?
Ao terminar de ler esse apêndice, talvez você esteja como uma sensação maior
de confusão que de clareza ou tranqüilidade. E provavelmente está se perguntando
– como se já não bastassem todas as demais questões que este módulo tenha lhe trazido
à cabeça até agora – se você deve deixar sua melhor atividade para o início ou fim da
aula, se você deve propor ao seu aluno uma atividade mental ou de resposta escrita, se o
grau de dificuldade deve ser alto ou baixo, se o espaço para registrar a resposta deve ser
uma linha, duas linhas, um boxe, uma lacuna, ou simplesmente uma área em branco.
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Planejamento e elaboração de material didático impresso para EAD - elementos instrucionais e estratégias de ensino
Isso para não falar em que tipo de modelo de atividade usar, com que freqüência, e
no tipo de resposta, enumerável, ou não, você deve privilegiar. Confuso? A princípio
sim, mas nem tanto. O importante é você considerar os aspectos que discutimos na
hora em que estiver elaborando uma atividade e, tenho certeza, você vai encontrar o
ponto de equilíbrio entre suas práticas de ensino, seu aluno, e as tarefas que propõe
em uma aula. Não é necessário fazer uma opção permanente ou definitiva por nenhum
conjunto de aspectos, em particular. Com o tempo, você vai conhecer mais seu aluno,
vai ficar mais à vontade para variar combinações de características em uma atividade,
vai conhecer melhor seu estilo de ensinar a distância. Divirta-se!
Bibliografia consultada
LOCKWOOD, Fred, 1998. The design and production of self-instruction 1ed. Londres: Kogan Page,
1998.
MATHIAS, H.S. 1980. Science Students approaches to learning. Higher Education 9: 39-51.
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Arquitetura da
informação
Roberto Paes de Carvalho Ramos
Carlos Otoni Rabelo
Ana Paula Abreu Fialho
9
Aula
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Planejamento e elaboração de material didático impresso para EAD - elementos instrucionais e estratégias de ensino
Meta da aula
Apresentar o conceito de Arquitetura da Informação
aplicado à elaboração de material didático impresso para
Educação a Distância.
Objetivos
Ao final desta aula, você deverá ser capaz de:
1. identificar em um texto conexões com outros conteúdos
correlatos;
2. utilizar os recursos para desdobramentos de conteúdo
apresentados nesta aula;
3. classificar desdobramentos de conteúdo de acordo
com os recursos apresentados para esse fim.
Pré-requisitos
Antes de começar a estudar esta aula, acessar o portal do
Ministério da Educação e entrar na página da Secretaria
de Educação a Distância (SEED) seria interessante... Após
chegar na página da SEED, feche o site e volte para a aula! e
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Aula 9 – Arquitetura da informação
E nós nem percebemos!
Embora esta seja uma aula voltada para capacitá-lo na produção de material didático
impresso, começamos propondo (nos pré-requisitos) que você acessasse a página da
Secretaria de Educação a Distância, no portal do Ministério da Educação.
Fizemos isso porque acreditamos que o bom desenho instrucional de uma aula, aquele
que passa sem ser percebido pelo aluno, deve despertar naquele que inicia o estudo um
sentimento acerca do que será aprendido. É esse sentimento que queremos lhe proporcionar!
No portal do Ministério da Educação, há uma enormidade de informações
disponíveis, por exemplo, todos os programas de melhoria da educação desenvolvidos
pelo governo, todas as secretarias e autarquias que compõem o ministério, matérias e
reportagens de divulgação das ações do MEC, entre outras tantas.
Você só consegue acessar estas informações todas porque a disponibilização delas foi
organizada, foi pensada para atender ao enorme público que visita o portal do MEC, que
possui maneiras diferentes de processar informações, de buscar informações, de acessá-las.
Chegamos a mais um ponto: não sabemos como você procedeu para chegar à página
da SEED a partir da página do MEC, mas posso dizer que há 75% de chance de ter sido
diferente da maneira como nós o fizemos. Isso porque, no portal do MEC, detectamos
quatro maneiras diferentes de chegar à página da Secretaria de EAD. Veja a figura a seguir:
Figura 5.1: Possíveis caminhos para acessar a página da Secretaria de Educação a Distância, pelo portal do MEC.
Você pode ter clicado em Educação a Distância, do lado esquerdo; em Mapa do Portal, na parte superior central;
digitado “SEED” na barra Pesquisa, no canto superior direito; ou, ainda, clicado em Estrutura, também do lado
direito da tela.
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Planejamento e elaboração de material didático impresso para EAD - elementos instrucionais e estratégias de ensino
O que está por trás da maneira como as informações são disponibilizadas e
podem ser acessadas/ consumidas por você, tanto em um site como em um material
didático impresso, é o tema da aula de hoje!
Afinal, o que é Arquitetura da Informação?
Quando se navega por qualquer página na Internet é possível perceber um
planejamento por trás da oferta daquele conteúdo: prioridade dada a certas
informações, estabelecimento de categorias de conteúdo, ordem e disposição na
página, por exemplo.
De maneira geral, podemos definir Arquitetura
da Informação como a organização estrutural da
informação a ser oferecida (produto) de acordo
com o meio pelo qual essa informação é veiculada
e o propósito a que se presta. Mais, a Arquitetura da
Informação é a combinação entre a organização do
conteúdo em categorias e a criação de uma interface
para permitir o uso de tais categorias.
Quando folheamos um livro, por exemplo,
é possível observar recursos padronizados de organização: a diagramação do livro,
número de páginas, sumário, índice, glossário etc. Se desejarmos ir diretamente a um
capítulo, provavelmente iremos observar o sumário e ali descobrir o número da página
em que este capítulo é iniciado, bem como consultar a bibliografia para ver a qual livro
se refere uma determinada citação. Há também, em determinados livros, glossários e
índices remissivos, que facilitam a busca de informações mais específicas (leia mais no
boxe Elementos organizacionais de um livro).
Interface
Segundo o dicionário Houaiss da Língua
Potuguesa, interface é um elemento que
proporciona ligação física ou lógica entre
dois sistemas ou partes de um sistema
que não poderiam ser conectados
diretamente. Ela deve ser facilmente
apreendida pelos sentidos (como visão
e audição) de modo que haja clareza e
objetividade no fluxo informativo.
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Aula 9 – Arquitetura da informação
A organização da informação, portanto, é fundamental para quem vai consumi-la.
No caso de materiais instrucionais, isso é mais fundamental ainda. Queremos oferecer
ao nosso aluno não apenas um conteúdo substancial, mas também o máximo de
possibilidades de desdobramento daquele conteúdo controlado por ele, valorizando e
orientando sua autonomia.
Elementos organizacionais de um livro
S
e você nunca percebeu esses elementos – o sumário, o número da página etc. – como
uma organização sistemática da informação, é porque eles já estão cristalizados em sua
experiência. Vejamos o que diz Pierre Lévy (1993:34):
“Estamos hoje tão habituados com esta
interface que nem notamos mais que
[ela] existe. Mas no momento em que foi
inventada, possibilitou uma relação com o
texto e com a escrita totalmente diferente
da que fora estabelecida com o manuscrito:
possibilidade de exame rápido do conteúdo,
de acesso não linear e seletivo ao texto,
de segmentação do saber em módulos, de
conexões múltiplas a uma infinidade de
outros livros graças às notas de pé de página
e às bibliografias.”
M
a
i
s
O
conteúdo não precisa ser oferecida em seu “estado puro”. Ele pode (e deve!) ser desdobrado,
permitindo sua interação com outras informações, sem destruir a fluidez da linha de
raciocínio principal.
A
t
e
n
ç
ã
o
As páginas amarelas, por exemplo, permitem uma
procura específica, de acordo com o interesse do
seu usuário.
Fonte: http://www.sxc.hu
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Planejamento e elaboração de material didático impresso para EAD - elementos instrucionais e estratégias de ensino
Atividade 1
Os bois...
Leia o texto e os quadros a seguir.
Você já ouviu falar emhemorragia, não é? O que talvez você nunca tenha se dado conta é de que a
perda de sangue promove queda da pressão arterial, o que afeta a homeostase do organismo. Por
esse motivo, o corpo deve rapidamente pôr em prática estratégias para contornar essa situação.
Imediatamente após uma hemorragia, há uma queda da pressão arterial, que tende a ser
restabelecida cinco minutos depois. Isso acontece também com o volume de sangue que é
ejetado do coração e com o volume que atravessa o cérebro. Isso porque, como o cérebro é uma
área nobre do nosso corpo, sua irrigação não pode ser comprometida.
1
Acho que vou desmaiar...
Você já ouviu alguém falar
“estou com pressão baixa?”.
Normalmente, essas pessoas
sentem tonteira, ficam pálidas
e, em alguns casos, desmaiam.
Sabe o porquê?
Diminuições na pressão de
circulação do sangue podem
privar o corpo de oxigênio
e de nutrientes, pois estas
substâncias fundamentais
são transportadas por
este líquido. O cérebro é
um dos órgãos afetados.
Sem oxigênio, perdemos a
consciência e desmaiamos.
Se a privação de oxigênio e
nutrientes for prolongada, os
danos cerebrais podem ser
irreversíveis.
5
Tum-tum, bate coração...
O coração é um músculo que
pesa 250 gramas, em média.
No ritmo normal, que é de 70
a 75 batidas por minuto, ele
chega a dar mais de 110.000
batimentos por dia; em caso
de pânico ou susto, pode
subir para 150 pulsações
por minuto. No corpo em
repouso, cinco litros de sangue
são bombeados por todo o
organismo em apenas um
minuto.
4
Manter a pressão arterial
é funda-mental para a
homeostase do organismo.
Alterações na pressão podem
acarretar, entre outras coisas,
danos em órgãos-chave para
o funcionamento do corpo,
como o cérebro.
2
Hemorragia é a perda
de sangue causada pelo
escoamento agudo deste para
fora dos vasos sanguíneos.
3
Embora não seja o único, o
cérebro é o principal centro
que concentra a percepção
e a resposta do organismo a
estímulos externos, ainda que
não percebamos.
Tudo é tão automático que
ninguém pensa quando vai
bocejar, com qual das mãos
escreverá uma carta, com o que
sonhará durante a noite. Mas o
cérebro está associado a cada
uma dessas atividades.
No livro O cérebro nosso de cada
dia - descobertas da neurociência
sobre a vida cotidiana, a
neurocientista Suzana
Herculano-Houzel explica, de
maneira bem-humorada e
simples, como os avanços feitos
na área da neurociência estão
relacionados com o dia-a-dia de
qualquer pessoa.
Vale a pena conferir o livro!
O cérebro nosso de cada dia
- descobertas da neurociência
sobre a vida cotidiana, Suzana
Herculano-Houzel Rio de Janeiro,
Vieira & Lent, 2002.
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223
Aula 9 – Arquitetura da informação
Agora responda mentalmente às seguintes questões:
Você percebeu que existem termos destacados no texto principal? Você leu todas as
informações adicionais (desdobramentos)? Quais chamaram à sua atenção?
Resposta comentada
A partir do pequeno trecho que você leu apresentamos cinco desdobramentos diferentes.
Cada um destes desdobramentos revela uma conexão com outros assuntos que, de
alguma forma, se relacionam e complementam o assunto principal.
Você provavelmente identificou, nestas pequenas caixas laterais, informações que julgou
como mais ou menos relevantes – e isso depende, exclusivamente, do seu interesse
pessoal. Um exemplo disso é a caixa que explica o que é hemorragia, termo bastante
conhecido que, muito provavelmente, deteve pouco tempo da sua atenção. Já a caixa
Tum-tum bate coração, em contrapartida, traz informações bastante curiosas e deve ter
despertado muito mais o seu interesse.
O seu futuro aluno se comportará da mesma maneira: você oferecerá as informações
adicionais, como desdobramentos do conteúdo, mas quem decide a quais quererá se ater
é ele, além de decidir também qual rota de estudo tomar!
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Planejamento e elaboração de material didático impresso para EAD - elementos instrucionais e estratégias de ensino
Assim como em um site como o do MEC existem diversas rotas de acesso à
informação, uma aula impressa deve buscar oferecer ao aluno o maior número de
rotas de estudo possíveis. Qual tomar cabe a ele! A nós, compete criar um texto com
multiplicidade de conexões, para que tenhamos o que desdobrar...
Você deve estar se perguntando, a esta altura, como transpor a versatilidade de um
ambiente informativo virtual para o meio impresso. Boa pergunta, e a resposta pode
começar a ser dada usando essas páginas que você acabou de ler como exemplo, e ficará
mais clara quando você chegar ao final desta aula.
Esta aula começou com uma introdução genérica; em seguida, apresentou o
conceito central desta aula, o que é Arquitetura da Informação. Além disso, três
informações relacionadas ao conteúdo que está sendo apresentado nesta aula não
foram apresentadas no corpo do texto principal: a definição de interface, a citação
de um autor sobre o tema e um reforço sobre a importância de desdobramentos do
conteúdo principal.
Tais informações foram deslocadas do texto principal, e isso corresponde a uma
estratégia para organizar as informações da aula de forma não linear e possibilitar mais
fluência ao texto principal. Sem que o aluno se dê conta, ele distingue claramente o
que é informação central e o que é adicional e, mais, tem à sua disposição um material
com mais de uma rota de estudo do conteúdo oferecido, e a oportunidade de montar
a aula da maneira que mais lhe for interessante.
A
possibilidade de organizar o material impresso de forma não linear é uma vantagem da
EAD em relação ao ensino presencial por duas razões. Primeiro, em uma aula presencial,
não é fácil sinalizar claramente para o aluno quando se está apenas contextualizando ou
complementando uma informação, e não apresentando o conteúdo nuclear. Para o aluno
da EAD, a hierarquia da informação é muito mais clara, desde que tenhamos um projeto
instrucional que valorize uma arquitetura da informação bem articulada. Segundo, no ensino
presencial você é quem decide a ordem em que o aluno vai ter acesso às informações; no ensino
a distância, quem está no comando é o aluno!
A
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ç
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o
E quem se responsabiliza por essa organização? É justamente o arquiteto da
informação, função que você irá desempenhar daqui para frente no papel de autor do
material didático impresso de sua disciplina.
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Aula 9 – Arquitetura da informação
Nesta aula, queremos, de maneira bastante pragmática, oferecer a você “instrumentos”
para atuar na organização de um conteúdo central de forma a disponibilizá-lo permeado
por informações adicionais – por intermédio do uso de recursos para desdobramento do
conteúdo.
É
preciso ter em mente que: 1) o conteúdo de aula é uma oferta informativa; 2) você é o
arquiteto da informação; 3) o material impresso é o produto; 4) diversos recursos podem ser
aplicados para desdobrar a informação; 5) o aprendiz é um usuário exigente do produto.
A
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e
n
ç
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o
Atividade 2
Atende aos objetivos 1 e 2 j
Tente e Invente!
Leia o texto a seguir e identifique dois termos que possibilitem conexões com outros
conteúdos correlatos. Em seguida, faça, nos espaços laterais disponíveis, dois pequenos
textos que sejam desdobramentos destes termos identificados por você.
“(...) Galileu Galilei teve um papel bastante expressivo tanto na astronomia
quanto na física. Ele validou as idéias de Copérnico através de observações
que fez, durante muitos anos, com os telescópios que construiu. Galileu foi o
primeiro a observar os anéis de Saturno e explicou os eventos que Copérnico
não havia interpretado ainda, tornando a Teoria Heliocêntrica mais aceitável.
(...)”
1 2
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Planejamento e elaboração de material didático impresso para EAD - elementos instrucionais e estratégias de ensino
Reposta comentada
Embora este trecho tenha 58 palavras apenas, ele possibilita uma grande quantidade
de conexões com informações diversas. Pedimos que você identificasse dois termos que
oferecessem possibilidades de desdobramento do conteúdo e, em seguida, escrevesse
sobre eles. A seguir, sugerimos algumas possibilidades:
• Galileu Galilei – você pode ter pensado em uma mini-biografia em contextualizar
historicamente suas descobertas (período do Renascimento), falar como a Inquisição
inibiu Galileu a assumir como verdadeiras as suas observações etc.
• Astronomia – você pode definir o termo, pode falar sobre descobertas recentes (como a
Plutão não ser mais planeta), sobre a diferença entre astronomia e astrologia etc.
• Física – você pode falar sobre as descobertas de Galileu nesta área, por exemplo, que a oscilação a
de um pêndulo apresenta uma freqüência constante dependendo da amplitude, etc.
• Copérnico – você pode ter pensado em uma mini-biografia; em comentar que ele é
polonês e que seu verdadeiro nome é Mikolaj Kopernik etc.
• Telescópios – você pode apresentar a definição e os usos destes equipamentos, falar
sobre o primeiro telescópio inventado, pode mencionar alguns telescópios atuais (como o
Telescópio Espacial Hubble) descrever algumas descobertas importantes realizadas através
dos telecópios etc.
• Anéis de Saturno – você pode apresentar as principais características desse planeta tão o
diferente dos demais, pode mencionar o fascínio pelos anéis de Saturno por parte dos
astrônomos e românticos, ilustrando com a música Desculpe o Auê da Rita Lee (por vc vou
roubar os anéis de saturno...)
• Teoria Heliocêntrica – você pode definir a teoria, mostrar a etimologia da palavra, remeter a
à teoria geocêntrica de Aristóteles e então falar de filósofos gregos, falar de Kepler, Tycho
Brahe etc.
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Aula 9 – Arquitetura da informação
Arquitetura da Informação e materiais
didáticos
Materiais voltados para EAD devem proporcionar uma leitura interativa. A
Arquitetura da Informação, nesse caso, deve permitir uma mudança do paradigma
acadêmico que vemos na maioria dos livros-texto tradicionais, que em geral obedecem a
um modelo centrado no conteúdo e proporcionam uma leitura linear não-interativa.
A Arquitetura da Informação, na Educação a Distância, é voltada para um modelo
de elaboração do conteúdo centrado no aluno, incentivando a participação dele na
aula. Um texto claro, dialógico, permeado por atividades e associado a uma arquitetura
da informação articulada, que organiza a distribuição do conteúdo, propicia essa
mudança de modelo.
Ao produzirmos um texto, estabelecemos informações contínuas que seguem
uma ordenação lógica (apresentação, desenvolvimento e conclusão). Entretanto,
percebemos que alguns termos ou tópicos mencionados nessa produção poderiam
somar informações ao conteúdo central. Esses tópicos representam latências no
conteúdo e atuam “abrindo uma porta” para a produção de um outro texto, adicional
ao texto central.
Em uma aula, as informações contínuas são os núcleos conceituais, que devem
estar explicados no corpo principal do texto, fornecendo ao aluno de maneira clara e
objetiva os conceitos que ele precisa estudar para, ao final da aula, alcançar os objetivos
listados no início da mesma.
Para não desestabilizar a ordenação lógica destas informações nucleares e garantir
fluência ao texto, entram em cena as informações periféricas. As informações
periféricas complementam o conteúdo nuclear apresentado, mas não são essenciais à
sua compreensão.
Ambos os tipos de informação precisam ser contemplados simultaneamente em
materiais didáticos para EAD, a fim de que não se desvincule o conteúdo de seus
contextos acadêmico, profissional e sócio-cultural.
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Planejamento e elaboração de material didático impresso para EAD - elementos instrucionais e estratégias de ensino
MOVIMENTO PARA FORA DA AULA
- links, sugestão de leitura, curiosidades
sobre o tema, filmes, jornais, letras de
música etc.
MOVIMENTO PARA DENTRO DA AULA
- relatos históricos, explicações mais detalhadas, resumo de
uma informação importante, cases, aplicações do conceito
no âmbito profissional, verbete etc.
DINÂMICA INFORMATIVA
Sobre informações periféricas...
Que tal entendermos melhor o processo
de disposição do conteúdo a partir da identi-
ficação de possíveis usuários do material
impresso? Vejamos o quadro ao lado.
Como você pode observar, há eixos, que
correspondem: a) ao tempo possível de o aluno
se dedicar ao estudo; e b) à sua vontade de
aprender (interesse).
É fundamental que o material produzido
atenda minimamente a todos os perfis
possíveis de usuário. Em outras palavras,
que contemple a diversidade do público - tanto aqueles que buscam uma informação
essencial, quanto aqueles que desejam usar a aula como um guia para orientar um
aprofundamento no conteúdo.
Vamos voltar ao quadro 1? O quadrado tracejado simboliza a totalidade de
possibilidades de uso do material, e é dividido em quatro quadrantes. Se você observar, verá
que o quadrante 4, por exemplo, representa um usuário de baixa disponibilidade de tempo
e baixo interesse; e assim por diante; cada quadrante representa um perfil específico.
O círculo central refere-se a uma Arquitetura da Informação eficiente, ou seja,
representa todos os elementos que devem ser oferecidos pela aula para atender a alunos
com perfis tão diferentes (naturalmente, perfis extremos não serão tão bem atendidos).
Um material didático impresso deve criar e utilizar recursos para permitir que todos os
aluno “naveguem” no texto, possibilitando assim uma interação própria do estudante
com o material, em oposição à simples transmissão direta de conteúdo. Vejamos como
isso funciona no quadro a seguir:
1
2
3
4
tempo
interesse
Quadro 1: tempo do aluno disponível para o estudo
x grau de interesse no conteúdo
O quanto um aluno irá se aproveitar das informações
disponíveis em uma aula é uma função que leva em
conta o tempo que ele tem disponível para estudar
e o grau de interesse que apresenta em determinado
conteúdo.
Quadro 2: INFORMAÇÕES PERIFÉRICAS
A
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229
Aula 9 – Arquitetura da informação
Texto-base

Compreender o comportamento do consumidor
já é bastante difícil para empresas que só operam
no mercado de seu país. Mas para empresas que
operam em muitos países, compreender e atender às
necessidades dos consumidores pode chegar a ser
assustador. Embora os consumidores dos diferentes
países possam ter coisas em comum, seus valores,
atitudes e comportamentos variam muito (...).
Os profissionais de marketing g precisam decidir
como irão adaptar seus produtos e programas de
marketing (...). Por um lado, devem padronizar suas
ofertas a fim de simplificar as operações e baixar
o custo. Por outro lado, adaptar os esforços de
marketing a cada país, resultando em produtos e
programas que satisfazem melhor as necessidades
dos consumidores locais.” (retirado de KOTLER, P.,
ARMSTRONG, G. Princípios de marketing. Rio de
Janeiro: LTC S/A, 1999, p. 113).
Os recursos para que o aluno “navegue” o texto são aqueles em que veiculamos as
informações adicionais de forma dinâmica. Como você viu no quadro 2, dependendo
da informação, o aluno pode aprofundar ou ampliar o seu conhecimento dentro da
aula ou sair dela para isso, visitando links, procurando livros, assistindo filmes, ouvindo
músicas. Quais são os recursos para desdobramento de conteúdo e como utilizá-los
para atender os diversos perfis de estudantes? É o que você verá a seguir!
Mãos à obra: desdobrando o conteúdo
Agora que você já teve uma perspectiva teórica acerca da Arquitetura da Informação
e uma primeira noção sobre as informações periféricas, vamos continuar esta aula
trazendo os recursos propriamente ditos que irão servir ao nosso propósito: materiais
sos para educação a distância. Para isso, é preciso que você leia
xto a seguir:
Marketing
Segundo o dicionário
Houaiss, uma das definições
de Marketing é: conjunto
de ações, estrategicamente
formuladas, que visam
influenciar o público
quanto a determinada idéia,
instituição, marca, pessoa,
produto, serviço etc.
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Planejamento e elaboração de material didático impresso para EAD - elementos instrucionais e estratégias de ensino
a) Caixa de ênfase
Em alguns momentos, na exposição de um conteúdo, é preciso pontuar aspectos
particulares de forma a alertar o leitor de que se trata de uma informação importante.
A caixa de ênfase permite atualizar a narrativa principal, pois ressalta parte do conteúdo
visto até aquele momento de forma sintética e reorienta a linha de raciocínio.
Em termos estruturais, ela deve ocupar um espaço central no corpo do texto e
transmitir uma informação precisa, pontual, em poucas linhas. Exemplos de seu uso
são: estabelecimento de um conceito geral, síntese de um conteúdo, a apresentação de
uma idéia importante, de um comentário essencial etc.
Sobre o texto base, teríamos:
D
eixar de atender às diferenças de costumes e comportamento de um país para outro
pode causar um verdadeiro desastre para o comércio dos produtos internacionais e seus
programas de marketing.
A
t
e
n
ç
ã
o
Como você viu nesse exemplo, a caixa de ênfase transmite uma informação
importante que relaciona o conteúdo da narrativa principal a um novo contexto.
b) caixa de explicação expandida
Em algumas situações, é preciso expandir a explicação contida no corpo
principal do texto com informações que contextualizam conceitos ou apresentam
situações de uso, entre outros, mas sem quebrar a fluência do texto principal. Isso
é feito utilizando-se a caixa de explicação expandida, de preferência apresentando
imagem e um título instigante. Seu texto não precisa ser curto, podendo satisfazer à
necessidade de conclusão de uma explicação sem sobrepor-se ao conteúdo nuclear, e
sim contextualizando a informação. Além disso, é importante haver uma chamada na
narrativa principal. Veja um exemplo de uso desta caixa em O que acontece na prática?
(lembre-se que o conteúdo da caixa faz relação com o texto-base).
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Aula 9 – Arquitetura da informação
c) caixa de dicionário
Esse recurso de desdobramento é usado para
estabelecer umverbete, ou seja, apresentar definições
de enciclopédias, dicionários ou redigidas pelo próprio
professor, oferecendo uma “definição padrão” que
não precisa estar necessariamente no corpo do texto
principal. Exemplos? Diferentes acepções de uma
palavra, acepções específicas relativas ao contexto
tratado na aula, pequenas biografias etc.
Em termos estruturais, a palavra a ser definida deve
estar presente no corpo do texto principal, e ser sinalizada para que o aluno saiba que
há um desdobramento de significado para aquele vocábulo (colocando a palavra a ser
destacada em negrito, por exemplo, como nas nossas aulas). O uso de imagens é comum
apenas quando se deseja criar um verbete do tipo enciclopédia, falando sobre uma
personalidade, por exemplo, com imagem do busto, data de nascimento e morte etc.
Este tipo de caixa, normalmente, é disposto à margem do texto. Se você voltar ao
texto-base, verá que a palavra marketing está destacada; ao lado dele, há sua definição.
O que acontece na prática?
H
á diferenças que são óbvias. Por exemplo,
nos Estados Unidos, onde grande parte
das pessoas come cereal diariamente no café da
manhã, o marketing da Kellogg’s concentra-se
em convencer os consumidores a escolherem a
marca Kellogg’s e não outra marca concorrente.
Na França, entretanto, a propaganda da Kellogg’s
tenta simplesmente convencer as pessoas a comer cereais no café da manhã. Neste país, na sua
embalagem, há instruções detalhadas sobre a forma de preparar o produto para aquela refeição.
M
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Verbete
De acordo com o dicionário
Houaiss, verbete significa
o conjunto das acepções,
exemplos e outras
informações pertinentes
contidas numa entrada de
dicionário, enciclopédia,
glossário etc.
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Valores culturais, como a alimentação, influenciam a
estratégia de marketing.
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Planejamento e elaboração de material didático impresso para EAD - elementos instrucionais e estratégias de ensino
Atividade 3
Atende ao objetivo 2 j
Dê um mergulho
Você acabou de aprender sobre três recursos para desdobramento do conteúdo: caixa de
ênfase, de explicação expandida e dicionário. Leia o trecho a seguir e escolha três termos
que possibilitem o uso de cada um destes recursos.
“Há cerca de uma década as pessoas perderam o hábito de escrever cartas
umas para as outras. Isso porque, com a Internet, as correspondências
eletrônicas ganharam espaço tanto pela praticidade quanto pelo imediatismo
a que correspondem.
O correio eletrônico é só uma das possibilidades trazidas pela Internet.
Atualmente há programas que possibilitam que, pela Internet, você converse
com pessoas que estão do outro lado do mundo, sem custo algum.
Proporcionar mais possibilidades de comunicação não é o único benefício
trazido pela grande rede.
Na era da informação, muito conhecimento é gerado e divulgado em grande
parte pela facilidade inerente ao meio digital. Qualquer pessoa que
possua acesso a um computador conectado à grande rede – mesmo que
por conexão discada – tem à sua disposição uma enorme quantidade de
informações sobre várias áreas do conhecimento. Precisa, para isso, apenas
saber utilizar um bom buscador ou escolher o portal certo de acordo com o
que procura.
O fluxo de informações de quaisquer naturezas e origens é tão alto que fica
praticamente impossível manter-se atualizado sobre um determinado assunto.
Levando isso em consideração, será que o papel do professor como aquele que,
majoritariamente, oferece o conteúdo para o aluno ainda é relevante?”
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Aula 9 – Arquitetura da informação
1
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Planejamento e elaboração de material didático impresso para EAD - elementos instrucionais e estratégias de ensino
Resposta comentada
Este texto oferece algumas possibilidades de desdobramento de conteúdo. Vamos
comentar um exemplo de cada. Caso você tenha pensado em alguma coisa diferente, vá
até o FÓRUM DA AULA 9 e exponha para seu tutor e colegas.
Tipos de conexão
B
asicamente, em sua casa, ao conectar o computador a Internet, você pode ter
dois tipos de conexão: discada e/ou banda larga.
A conexão discada é feita utilizando uma linha telefônica. Seu computador, através
de um aparelho chamado modem, realiza uma chamada telefônica para se conectar
a um provedor de Internet qualquer. Neste tipo de conexão, a velocidade de
transmissão de dados é lenta.
A conexão banda larga é o acesso à Internet em alta velocidade. Ele pode ser feito de
várias maneiras. Uma delas é através do aparelho chamado ADSL (Asymmetric Digital
Subscriber Line), que utiliza centrais telefônicas digitais para tráfego de dados. Outro
tipo de tecnologia usada nesta conexão é o acesso via rádio (radiofreqüência). Neste
tipo de conexão um aparelho de rádio é instalado no alto do prédio (ou casa) do
assinante para que possa haver comunicação com um provedor.
Nem tudo que reluz é ouro...
E
mbora a Internet seja uma aliada importante quando fazemos uma pesquisa, é
necessário estarmos atentos à fonte da informação. Na sua busca, se possível,
procure valorizar informações que venham de sites de universidades ou do governo,
por exemplo.
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Buscadores e portais
Buscador é o nome que se dá para um site
de busca, ou seja, que procura conteúdos
relacionados ao termo que você solicitou
(digitando na barra de busca) em outros sites.
Já um portal é um site que agrega vários links
e serviços, servindo como porta de entrada
ou ponto de partida para a navegação dos
internautas.
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235
Aula 9 – Arquitetura da informação
Até este momento você viu alguns recursos para desdobramento do conteúdo que,
de uma forma ou de outra, expandem a informação. Uma particularidade dos recursos
vistos até então (caixa de ênfase, explicação expandida e dicionário) é que o conteúdo
não apenas é complementar à informação central; ele também atua – de acordo com o
que você viu no quadro 2 – exclusivamente remetendo o aluno para “dentro” da aula o
tempo todo, sem a solicitar materiais externos para ampliar o conteúdo principal.
Agora, iremos ver outros dois recursos, cujas finalidades são as de instigar e permitir
uma navegação do aluno para fora da aula, funcionando como um despertador de
interesse e/ ou um guia de orientação para o uso de outras fontes informativas e
contextualizadoras. Isso, claro, sempre conservando a pertinência em relação ao
conteúdo ensinado. Vamos a eles.
d) caixa de informação avulsa ou de curiosidade
Se você voltar ao texto-base, verá que há possibilidades latentes de desdobrar o
conteúdo – como em seus valores, atitudes e comportamentos variam muito...
A caixa de informação avulsa ou de curiosidade busca integrar os conceitos
apresentados a um universo não circunscrito pela aula e, com freqüência, menos
acadêmico. Isso irá influenciar, inclusive, sua linguagem, que adotará uma narrativa
mais leve, com menos formalidades do que o texto principal. Em termos estruturais,
o uso de título e imagem é muito importante, sendo que ambos, preferencialmente,
devem funcionar como chamarizes, usando, por exemplo contextos humorísticos,
pitorescos etc. Veja o exemplo de emprego dessa caixa lendo Cada um com seu cada
qual...
Curiosidade
Cada um com seu cada qual...
E
m geral, as diferenças entre os mercados internacionais são mais sutis. Podem
resultar de diferenças físicas dos consumidores e de seu ambiente. Por exemplo,
a Remington faz barbeadores elétricos menores em função das mãos pequenas
dos consumidores japoneses; e faz barbeadores movidos a pilha para o mercado
britânico, onde poucos banheiros têm tomadas elétricas. Outras diferenças resultam
de costumes variados:
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236
Planejamento e elaboração de material didático impresso para EAD - elementos instrucionais e estratégias de ensino
- sacudir a cabeça de um lado para outro significa “não” na
maioria dos países, mas na Bélgica e no Sri Lanka significa “sim”;
- Na Noruega e na Malásia, é sinal de falta de educação deixar
resto de comida no prato. No Egito, é deselegante não deixar um
pouco no prato.
O vendedor porta-a-porta pode encontrar
dificuldades na Itália, onde é impróprio
um homem visitar uma mulher sozinha
em casa.
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e) caixa de conexão com outras mídias
Finalmente, temos a possibilidade de associar as informações contidas na aula com
outros meios, desdobrando não só o conteúdo como também sugerindo a interação
com outros universos (livros, filmes, seriados, documentários, sites etc.). Essa caixa
busca oferecer caminhos para outras informações que interagem, de uma forma ou de
outra, com a linha de raciocínio desenvolvida no texto.
Em termos estruturais, novamente sugerimos uma narrativa leve, mais próxima do
caráter jornalístico. O uso de título e imagem é muito importante, sendo que a imagem
deve fazer referência ao meio sugerido (capa de um filme ou livro, cartaz etc.). Veja um
exemplo de emprego desse recurso lendo A vida de um marqueteiro.
A vida de um marqueteiro
N
este momento da aula, resolvemos indicar uma “sessão pipoca” para relaxar. Que tal
uma sugestão de filme? Recomendamos para você Jerry Macguire: a grande virada.
Quer saber um pouco mais antes de ir à locadora? Pois bem, então leia um trecho da sinopse
do filme (adaptado da sinopse escrita por Luiz Carlos Merten – www.submarino.com):
Comédia dramática de Cameron Crowe, de 1996, com Tom Cruise, Cuba Gooding Jr., Renee
Zellweger e Kelly Preston, Jerry Macguire, a grande virada convenceu os críticos que o
astro Cruise sabia representar. O ator faz um agente de sucesso que vive um momento de
Multimídia
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Aula 9 – Arquitetura da informação
Atividade 4
Atende ao objetivo 2 j
Agora, dê um salto!
Na outra atividade você criou desdobramento do conteúdo circunscritos à aula. Agora,
você vai criar, a partir do mesmo texto, conteúdos periféricos que remetam o aluno para
fora da aula. Para isso, você utilizará os dois recursos que acabou de aprender: caixa de
curiosidade e caixa de conexão com outras mídias.
crise e perde todos os clientes, menos um, o atleta interpretado
ing Jr., numa criação tão carismática que lhe valeu
o de coadjuvante da Academia de Hollywood. O
vai além das receitas tradicionais porque o roteiro,
tado ao diretor, apresenta personagens sólidos e
imensionais. O conflito torna-se real e o público pode
creditar nele. Renee Zellweger faz a mulher que tem
um filho e apóia o herói. Ela também é ótima. Drama
com humor (você vai rir, com certeza), mas também
com cenas tocantes e responsáveis, junto com o
elenco, pelo sucesso de bilheteria.
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Planejamento e elaboração de material didático impresso para EAD - elementos instrucionais e estratégias de ensino
Resposta comentada
Mais uma vez vamos comentar um exemplo do uso de cada recurso. Caso você tenha pensado
em alguma coisa diferente, vá até o FÓRUM DA AULA 9 e exponha para seu tutor e colegas.
Curiosidade
Onde tudo começou?
F
oi entre as décadas de 1960 e 1970, durante a Guerra Fria, que o Departamento
de Defesa dos Estados Unidos criou uma forma de trânsito de informações entre os
computadores de uma base militar e de outra. Era a ARPANET, antecessora da Internet.
Ela se difundiu para as universidades e centros de pesquisa no início da década de 1990.
Com o passar do tempo, alterações no esquema técnico de transferência de dados
via computadores possibilitaram a Internet a que temos acesso nos dias de hoje!
Quem procura, acha!
F
icou curioso para saber como funciona um portal? Então visite a página do Ministério da
Educação, em www.mec.gov.br. Lá você verá como se concentram e são disponibilizados
diversos links relacionados a programas de educação desenvolvidos pelo governo, bem
como pode acessar qualquer outro site com domínio .gov.br.
Já sobre os buscadores, o mais utilizado é o Google, que foi criado por Larry Page e Sergey
Brin, em Stanford, nos EUA, em 1998. É muito provável que você já o tenha utilizado, mas,
caso não, se aventure pelo www.google.com.br.
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Aula 9 – Arquitetura da informação
Conclusão
A Arquitetura da Informação propicia a você, autor de um material instrucional
para Educação a Distância, estruturar a informação de acordo com diversos propósitos
educativos, ultrapassando o ambiente estritamente acadêmico e auxiliando a construção
do conhecimento, por parte do aluno, a partir de múltiplos desdobramentos do
conteúdo. Essa organização exige do professor mais planejamento e organização
dos conteúdos que deseja ensinar. Mais, exige também o desenvolvimento de novas
competências para exercer seu ofício em diferentes contextos, enriquecendo o seu
processo de ensino e, conseqüentemente, o de aprendizagem do aluno.
Atividade Final
Atende ao objetivo 3 j
Dando nome aos bois
Na Atividade 1, você teve contato, sem se dar conta, com os cinco tipos de
desdobramento de conteúdo que apresentamos durante a aula. Volte àquela atividade e,
no espaço em branco acima de cada caixa, classifique-os de acordo com a nomenclatura
que aprendeu.
Resposta Comentada
Se você saber formalmente a que se remetiam, aquelas caixas lhe explicaram porque
alguém pode desmaiar quando está com pressão baixa (1), contaram um dado curioso
sobre o funcionamento do coração (2), chamaram sua atenção para uma informação
importante no texto principal (3), definiram um termo (4) e ofereceram a possibilidade de
você continuar a desdobrar o conteúdo do texto lendo um livro (5). O conteúdo de cada
uma das caixas utilizou um recurso diferente para fazer isso. Veja quais foram:
1 – caixa de explicação expandida;
2 – caixa de dicionário;
3 – caixa de conexão com outras mídias;
4 – caixa de ênfase;
5 – caixa de curiosidade ou de informação avulsa.
E aí? Foi fácil dar nome àqueles bois?
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Planejamento e elaboração de material didático impresso para EAD - elementos instrucionais e estratégias de ensino
RESUMO
A
rquitetura da Informação é a organização estrutural da infor-
mação a ser oferecida (produto) de acordo com o meio pelo
qual essa informação é veiculada e o propósito a que se presta. Dessa
forma podemos dizer que ela é a combinação entre a organização do
conteúdo em categorias e a criação de uma interface para permitir o
uso de tais categorias.
A organização da informação é fundamental e no caso de materiais
didáticos, isso é mais fundamental ainda. Isto porque é necessário
oferecer ao aluno não apenas um conteúdo substancial, mas também
o máximo de possibilidades de desdobramento daquele conteúdo, para
que ele possa percorrer diversas rotas de estudo.
Para permitir que o aluno “navegue” pela aula, usamos alguns recursos
para disponibilizar informações adicionais ao conteúdo central:
• a caixa de ênfase permite atualizar a narrativa principal, pois ressalta
parte do conteúdo visto até aquele momento de forma sintética e
reorienta a linha de raciocínio.
• a caixa de explicação expandida é um “a mais” a respeito de alguma expli-
cação contida no corpo principal do texto, feita através de informações
que contextualizam conceitos ou que apresentam situações de uso.
• a caixa de dicionário é usada para apresentar definições de enciclo-
pédias ou dicionários.
• a caixa de informação avulsa ou de curiosidade busca integrar os
conceitos apresentados a um universo não circunscrito pela aula e,
com freqüência, menos acadêmico.
• a caixa de associação com outras mídias é associação entre as
informações contidas na aula e outras mídias, desdobrando não
só o conteúdo como também sugerindo a interação com outros
universos (livros, filmes, seriados, documentários, sites etc.)
A Arquitetura da Informação propicia, a partir de múltiplos desdobra-
mentos do conteúdo, estruturar a informação de acordo com diversos
propósitos educativos, ultrapassando o ambiente estritamente
acadêmico e auxiliando a construção do conhecimento.
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Aula 9 – Arquitetura da informação
Bibliografia Consultada
LÉVI, Pierre. As tecnologias da inteligência:o futuro do pensamento na era da informática (trad.
Carlos Irineu da Costa). Rio de Janeiro: Editora 34, 1993. 208 p.
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Etapas de produção de
material didático impresso
para EAD: compartilhando
uma experiência
Cristine Costa Barreto
10
Aula
11
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Planejamento e elaboração de material didático impresso para EAD - elementos instrucionais e estratégias de ensino
Meta
Apresentar as etapas envolvidas na produção do material
didático impresso do Consórcio CEDERJ.
Objetivos
Ao final desta aula, você deverá ser capaz de:
1. Discriminar os setores envolvidos na produção do
material didático impresso do Consórcio CEDERJ;
2. Identificar as ações do Setor de Desenvolvimento
Instrucional em sua parceria com professores
conteudistas;
3. Identificar o propósito da oficina de capacitação
dos professores conteudistas, bem como conhecer o
programa detalhado de seu desenvolvimento;
4. Discriminar o fluxo do material didático impresso do
Consórcio CEDERJ desde sua produção original, pelo
professor conteudista, até a entrega da versão final
para o aluno, nos pólos;
5. Diferenciar as ações exercidas pelo desenhista
instrucional daquelas exercidas pelo redator final;
6. Relacionar o tamanho de uma aula ao tempo
necessário para estudá-la;
7. Definir a contribuição de alunos e tutores avaliadores
na construção das aulas de cada disciplina;
8. Identificar as ações do Setor Editorial na produção
gráfica do material didático impresso do Consórcio
CEDERJ;
9. Discriminar alguns dos processos associados à
transposição de aulas impressas para aulas digitais,
bem como o papel dos profissionais dos Setores de
Web envolvidos na produção material didático do
Consórcio CEDERJ.
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Aula 10 – Etapas de produção de material didático impresso para EAD: compartilhando uma experiência
Comecei algo e agora não
I started something
I started something
Typical me, typical me
Typical me, typical me
I started something
And now I’m not too sure
(I started something I couldn’t finis
– The Smiths)
A tradução dos versos do pop rock lançado no final dos anos 80 pela banda inglesa
The Smiths poderia ser: “comecei algo - é a minha cara - comecei algo, e agora não
sei bem...” Outro dia, ouvia esses versos e me dei conta de que essa é uma sensação
comum a pessoas criativas: ter novas idéias, novas visões, às vezes em ritmo mais rápido
do que podem implementá-las ou mesmo registrá-las, descrevê-las... E, de repente, não
saber bem como fazer para colocá-las em prática, para concluir um projeto ou para
redigir uma aula, por exemplo.
A qualidade do nosso trabalho, como professores da Educação a Distância, reflete
também a capacidade de articularmos todas as informações que tivemos até agora,
transformá-las em boas idéias e executá-las em forma de aula impressa! O que pode
parecer confuso e desorganizado, na primeira vez, certamente se converterá em aulas
consistentes, claras e atraentes, com estilo próprio, na próxima tentativa.
Creio que a qualidade necessária à elaboração de materiais didáticos impressos esteja
para além da aula em si, quesito em que, naturalmente, você é figura fundamental.
Volto à idéia do Repolho Romanesco, discutida na Aula 2: educação de qualidade deve
ser o objeto de um projeto educacional contemplado em diversos níveis. Podemos dizer
que o primeiro nível começa em você, enquanto dedica tempo e atenção às teorias e
práticas que indicam um caminho possível para iniciar a redação de uma aula, de toda
uma disciplina.
Há outros níveis, no entanto. As diferentes etapas de produção de materiais didáticos
impressos ou digitais dependem de cada instituição, de cada projeto educacional. São
vários os caminhos possíveis, de acordo com demandas e possibilidades pedagógicas,
logísticas, financeiras, estruturais, políticas, dentre outras.
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Planejamento e elaboração de material didático impresso para EAD - elementos instrucionais e estratégias de ensino
Nesta última aula, que está mais para um bate-papo, novamente me proponho a
relatar uma experiência, desta vez com base na rotina de produção de aulas impressas
para as disciplinas oferecidas nos cursos de graduação do Centro de Educação Superior
a Distância do Estado do Rio de Janeiro - CEDERJ.
Todos os lados do cubo
Antes de começar a contar para você como se dão todas as etapas da produção do
material didático impresso do Consórcio CEDERJ, gostaria de apresentar os diferentes
setores envolvidos no processo.
A história toda começa no Setor de Desenvolvimento Instrucional, responsável pela
capacitação dos professores conteudistas e pelo acompanhamento da elaboração de
todas as aulas de todas as disciplinas de todos os cursos do CEDERJ. Ao mesmo tempo
em que o setor de desenvolvimento instrucional se dedica às aulas, outros setores se
integram ao processo desde o início, de forma que as disciplinas “nasçam” a partir da
experiência e das idéias de diversos profissionais, o que ajuda você a conceber materiais
didáticos ainda melhores.
Assim, cada curso de graduação, por exemplo, possui diferentes setores de Web
voltados para a criação das versões digitais das aulas. O Setor Editorial é responsável
por importantes etapas da construção do material impresso, como, por exemplo, a
ilustração e a programação visual. O Setor de Vídeos faz tomadas dos professores
Figura 10.1 A instituição de que você faz
parte, provavelmente, não reproduz a estrutura
concebida para atender ao projeto político-
pedagógico do Consórcio CEDERJ. Mas espero
que algumas das idéias que discutimos nesta
aula e nas anteriores ajudem você a continuar
o processo que iniciou com esta capacitação
e tragam mais certezas na hora de elaborar
materiais didáticos impressos de forma
harmônica, como uma composição única, de
sua autoria.
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Fonte: www.sxc.hu
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Aula 10 – Etapas de produção de material didático impresso para EAD: compartilhando uma experiência
apresentando suas aulas e produz seqüências curtas referentes a conteúdos que
integram o material digital. Há, ainda, o Setor de Direitos Autorais, que entra em
contato com autores de obras que precisam de autorização para serem utilizadas nas
aulas, e o Setor de Biblioteca, que se preocupa em colocar todas as referências e citações
bibliográficas no formato indicado pela ABNT.
A tramitação das aulas por entre todos os
setores, sem que se perca o controle de nenhuma
etapa do processo, é da responsabilidade do Setor
de Fluxo de Material Didático, que faz a ponte
entre você e todos os profissionais à sua disposição
para a elaboração de sua disciplina.
Com a colaboração de todos esses setores,
todos os lados do nosso Cubo de Rubik (veja o
boxe a seguir) estão completos, e fica ainda mais
fácil para cada professor mover peças e compor
todas as facetas de sua aula, sem que o processo
seja vivenciado de forma solitária, mas com uma
multiplicidade de caminhos que representam
soluções criativas para questões únicas de cada
disciplina.
ABNT
A Associação Brasileira de
Normas Técnicas (ABNT) é o órgão
responsável pela normalização
técnica no país, fornecendo a base
necessária ao desenvolvimento
tecnológico brasileiro. A ABNT é a
única e exclusiva representante,
no Brasil, das seguintes
entidades internacionais: ISO
(International Organization for
Standardization), IEC (International
Electrotechnical Comission); e
das entidades de normalização
regional COPANT (Comissão Pan-
americana de Normas Técnicas)
e a AMN (Associação Mercosul
de Normalização). Fonte: http:
//www.abnt.org.br
Cubo de Rubik
O
Cubo de Rubik é um quebra-cabeças
inventado em 1974 pelo escultor e
professor de arquitetura húngaro Erno Rubik.
Em 1980, a invenção ganhou o prêmio alemão
de jogo do ano (“Game of the Year” special
award for Best Puzzle) e é considerado por
alguns como o maior best-seller do mundo dos
brinquedos e quebra-cabeças. O cubo possui 9
facetas quadradas em cada um de seus lados.
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Fonte: www.sxc.hu
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Planejamento e elaboração de material didático impresso para EAD - elementos instrucionais e estratégias de ensino
Tipicamente, as facetas são cobertas por adesivos de 6 cores diferentes, uma para cada lado do
cubo. A articulação entre as peças que o compõem permite que, num piscar de olhos, as cores de
cada faceta se misturem. Quando o quebra-cabeças é solucionado, cada lado do cubo assume,
novamente, apenas uma cor. Você já tentou alguma vez brincar com esse cubo? Eu já, inclusive
recentemente. Diferentemente das tentativas da minha adolescência, confesso que, a certa altura,
tive vontade de descolar os adesivos e, depois, grudá-los novamente, cada cor no seu lugar! Mas
calma, nosso problema para a elaboração das aulas impressas certamente não é tão grave assim,
muito menos irá despertar em você tanta impaciência quanto o singelo brinquedo despertou em
mim. Isso eu garanto!
Setor de Desenvolvimento Instrucional
No Consórcio CEDERJ, o Setor de Desenvolvimento Instrucional tem um papel
central no que se refere à elaboração do material didático impresso. O desenhista
instrucional que integra essa equipe é responsável pelo desenvolvimento sistemático
de materiais e processos educativos visando à alta qualidade da aprendizagem. Além
disso, confere maior contextualização às aulas, está em contato direto e freqüente com
os conteudistas e com alunos avaliadores (veja o boxe a seguir), de forma a discutir e
estabelecer a metodologia de aprendizagem que integra o projeto político-pedagógico
da instituição.
Figura 10.2: O Setor de Desenvolvimento Instrucional do CEDERJ
tem um importante papel de articulação tanto com os professores
conteudistas quanto com os demais setores envolvidos na
elaboração do material didático impresso. Nesse sentido, é um setor
central ao consórcio.
Fonte: www.sxc.hu
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Aula 10 – Etapas de produção de material didático impresso para EAD: compartilhando uma experiência
Como não existe, no Brasil, um curso superior que forme profissionais de Desenho
Instrucional, o perfil desejado para o Setor de Desenvolvimento Instrucional é variado
e depende das capacidades de cada candidato ao cargo de desenhista, de sua visão
pedagógica, de seu potencial criativo, de sua percepção no que se refere à integridade
das informações veiculadas como parte do conteúdo de uma aula. Portanto, o
desenhista instrucional pode ter sua formação original em diversas áreas de saber, o
que faz com que você possa perfeitamente encontrar jornalistas, biólogos, pedagogos,
físicos, administradores, psicólogos e lingüistas dentre os profissionais que integram
esse setor. Em sua maioria, são profissionais com perfil acadêmico, de forma a tornar
mais rico o diálogo com os professores conteudistas.
P
ara Otto Peters, um renomado pesquisador da
Educação a Distância, a diferença mais óbvia
entre a tradição acadêmica e os processos
de ensino a distância é a substituição do
falar-ouvir síncrono pelo ler-escrever
assíncrono, um padrão de comunicação
relativamente novo e comparativamente
difícil. Nesse contexto, conciliar qualidade de
conteúdo com qualidade instrucional é uma
competência que, para ser desenvolvida, requer
estudo e prática, além de uma sólida parceria entre
todos os envolvidos na produção do material didático de
uma instituição de Educação a Distância (Peters 2002).
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Fonte://www.sxc.hu/photo
Figura 10.3: Em função do contato direto com
os professores, da cooperação na elaboração das
aulas, da necessidade de um perfil multifacetado e
dos prazos exíguos a que a equipe deve obedecer,
o Setor de Desenvolvimento Instrucional é visto, de
forma bem-humorada, como o “olho-do-furacão”
da instituição.
Fonte: www.sxc.hu
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Planejamento e elaboração de material didático impresso para EAD - elementos instrucionais e estratégias de ensino
Portanto, essa é uma equipe dinâmica, que privilegia discussões teóricas em
práticas sobre EAD, que se envolve em processos de capacitação internos voltados
para criatividade, mediação e aprendizagem flexível, além de definir, coletivamente,
parâmetros adotados na análise das aulas e que orientam o trabalho junto aos
professores conteudistas.
Mãos na massa: a oficina
Ao buscarmos um professor conteudista para elaborar aulas do CEDERJ, não
priorizamos - nem poderíamos - um conhecimento prévio em educação superior
a distância, mas o conhecimento em sua área de saber específica: Física, Biologia,
Pedagogia, Matemática, Administração etc.
Se, por um lado, sua riquíssima experiência como docente é a assinatura da
substância das aulas, por outro, a maior parte da sua produção textual provavelmente
se refere a artigos científicos, capítulos de livros ou mesmo materiais impressos de apoio
para seus cursos presenciais. Essa produção acadêmica não está no centro do processo
de ensino e aprendizagem na sala de aula presencial, onde motivar, informar, gerar
perguntas valiosas, antecipar dificuldades, estabelecer relações entre os participantes
e estimular a criação de vínculos são tarefas realizadas de forma síncrona, tipicamente
pelo professor, tipicamente por você.
Para cumprir o desafio de se colocar, assim como todos os seus atributos de
professor, dentro de uma produção textual, optamos por iniciar a parceria que se
forma, entre professores e técnicos do CEDERJ, por meio de uma oficina de um dia
inteiro – aproximadamente 8 horas de trabalho - com cada grupo de 10 a 15 novos
conteudistas.
Figura 10.4: No CEDERJ, é fundamental
a parceria formada entre professores
conteudistas e desenhistas instrucionais,
web-designers, roteiristas, ilustradores,
programadores visuais, entre outros
profissionais que integram o quadro
técnico do Consórcio.
Fonte: www.sxc.hu

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Aula 10 – Etapas de produção de material didático impresso para EAD: compartilhando uma experiência
Como esse intervalo de tempo é exíguo, definimos que o principal objetivo da
oficina é sensibilizar os conteudistas em relação aos principais temas discutidos
nas aulas anteriores e oferecer oportunidades de prática das técnicas instrucionais
necessárias aos primeiros passos na elaboração de um bom material impresso para
Educação a Distância. O restante do conhecimento é construído ao longo do
processo de elaboração das aulas e em reuniões com a equipe que integra o Setor de
Desenvolvimento Instrucional.
A seguir, o programa proposto para aproximadamente 8 horas de trabalho junto
dos professores:
Programa da oficina:
09:00 - 09:45 Apresentação do Projeto Político-Pedagógico do Consórcio CEDERJ.
Presidente da Fundação CECIERJ.
09:45 – 10:15 Dinâmica 1 (voltada para objetivos de aprendizagem e linguagem) -
Diálogos sucessivos de Bordenave & Pereira (1977), para sensibilizar
os conteudistas acerca da substituição do falar-ouvir síncrono pelo
ler-escrever assíncrono e da importância da clareza e precisão da
linguagem na compreensão de uma informação.
Equipe de Desenvolvimento Instrucional.
10:15 – 10:30 Intervalo.
10:30 – 11:00 Exposição de pressupostos teóricos acerca de objetivos de
aprendizagem claros e precisos.
Equipe de Desenvolvimento Instrucional.
11: 00 – 12: 00 Atividade 1 (voltada para objetivos de aprendizagem) – Prática de
elaboração de metas e objetivos de aula com base nas disciplinas
pelas quais os conteudistas são responsáveis.
Equipe de Desenvolvimento Instrucional.
12:00 – 13:30 Almoço.
13:30 – 14:15 Universidade Virtual - Apresentação da Plataforma CEDERJ e dos
recursos multimeios disponíveis para a elaboração das aulas na web.
Equipes das Webs, Equipe das Comunidades Virtuais e Equipe
de Vídeo.
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Planejamento e elaboração de material didático impresso para EAD - elementos instrucionais e estratégias de ensino
14:15 – 14:45 Atividade 2 (voltada para a linguagem) – Prática de redação de
uma instrução precisa a partir de uma situação-problema proposta
aos conteudistas. Revisão de um texto truncado de uma área
de conhecimento distinta daquelas em que os conteudistas são
especialistas.
Equipe de Desenvolvimento Instrucional.
14:45 – 15:10 Exposição de pressupostos teóricos acerca da redação clara dos
sistemas articulados de arquitetura da informação.
Equipe de Desenvolvimento Instrucional.
15:10 – 15:30 Formato diagramático e recursos imagéticos do material impresso.
Equipe de Diagramação, Equipe de Ilustração, Equipe de Direitos
Autorais.
15:30 – 15:50 Dinâmica 2 (voltada para a aprendizagem ativa) – Realização, pelos
conteudistas, de atividades propostas em dois formatos diferentes,
de forma a sensibilizá-los quanto à importância de um material
que promova o engajamento dos alunos e a aplicação de conceitos
e teorias.
Equipe de Desenvolvimento Instrucional.
15:50 – 16:15 Exposição de pressupostos teóricos acerca de dois modelos de
atividade para o material impresso.
Equipe de Desenvolvimento Instrucional.
16:15 – 17:00 Atividade 3 – Prática de elaboração de uma atividade de cada
modelo relacionada aos objetivos elaborados anteriormente.
Equipe de Desenvolvimento Instrucional.
17:00 – 17:30 – Instruções acerca de prazos e procedimentos. Fechamento da
oficina.
Equipe de Desenvolvimento Instrucional e Equipe de Fluxo de
Material Didático.
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Aula 10 – Etapas de produção de material didático impresso para EAD: compartilhando uma experiência
Ainda voltando às idéias de Otto Peters, as discussões decorrentes das dinâmicas e
práticas vivenciadas durante a oficina reforçam o quanto “falar e ouvir face a face (...) é
um padrão cultural universal e (...) transmite uma sensação de segurança a professores
e alunos”. A partir das atividades propostas, os conteudistas percebem, por exemplo,
que metas ou objetivos que julgavam claríssimos podem não estar tão claros para
outro professor que, não raramente, seja da mesma grande área de atuação. Da mesma
maneira, a prática de elaboração de atividades revela o quanto é necessário rompermos
com paradigmas educacionais que há décadas reproduzem um sistema educacional
centrado na transmissão de conteúdo e não em sua utilização. Os professores se
colocam, assim, na posição de alunos de um sistema de ensino a distância, favorecendo,
finalmente, de forma prática e pragmática, a mudança de foco tipicamente associada à
Educação a Distância.
Fluxo e divisão de trabalho
Após participar da oficina, cada professor tem prazo de uma semana para elaboração
da primeira aula da disciplina pela qual é responsável. Essa aula é encaminhada ao
Setor de Fluxo de Material Didático, que a distribui para todos os setores do Consórcio
CEDERJ envolvidos no processo (ver diagrama abaixo).
Conteudista Fluxo
Revisão
Fluxo
Reunião
A aula está pronta?
Produção gráfica
Não
Sim
Direitos
Avaliação
Biblioteca
Ilustração
Web/vídeo
Revisão
Ilustração Avaliação
Conteudista
Biblioteca
Direitos autorais
web/vídeo
O conteudista levará
uma cópia impressa
da aula para fazer as
alterações necessárias
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Planejamento e elaboração de material didático impresso para EAD - elementos instrucionais e estratégias de ensino
Após mais uma semana, dois desenhistas instrucionais se reúnem com o
conteudista para discutir as intervenções sugeridas no que se refere à linguagem,
atividades, arquitetura da informação etc. Esses desenhistas irão acompanhar o
desenvolvimento da disciplina, da primeira à última aula. No final dessa aula, o Anexo
I mostra a ficha completa utilizada como referência para a análise do material didático
pelos desenhistas instrucionais.
Na ocasião da reunião, os demais setores envolvidos na elaboração do material
didático comparecem e apresentam e discutem suas sugestões, levantando novas
questões e propondo soluções de abordagem para cada uma. Os desenhistas
instrucionais conduzem o processo junto com o professor, e uma nova versão é
proposta para a aula, a partir do trabalho colaborativo dos diversos profissionais.
Figura 10.5: Reunião entre desenhistas instrucionais e professores conteudistas.
Uma mesma aula pode demandar mais de uma reunião até que seja aprovada, em
caráter final, pelo conteudista e pela dupla de desenhistas instrucionais, antes de ser
encaminhada à produção gráfica.
A produção do material didático impresso de uma disciplina de 60 horas leva,
aproximadamente, 39 semanas, afora as 4 semanas necessárias à distribuição. Para
essa carga de produção, são envolvidos dois professores que dividem a elaboração do
conteúdo.
Cada disciplina conta com dois desenhistas instrucionais. Cada desenhista com
dedicação exclusiva ao setor pode arcar com até 6 disciplinas, em um fluxo normal de
produção, conforme o cronograma disponível no Anexo II, ao final desta aula.
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Aula 10 – Etapas de produção de material didático impresso para EAD: compartilhando uma experiência
Redação Final
Agora vou contar um “causo” para você. Uma vez fui chamada, de repente, para
uma reunião com meu diretor direto. Além de nós, havia um grupo de futuros parceiros
presentes, discutindo um projeto educacional conjunto, inclusive o material didático
impresso. Aconteceu de, por engano, uma aula que ainda estava em processo de análise
no Setor de Desenvolvimento Instrucional ser submetida à apreciação desses parceiros,
no formato em que havia sido entregue originalmente. Por uma peça que me pregou
o destino, era, talvez, a pior aula que passou por minhas mãos como coordenadora do
setor. Não havia muito tempo para contornar o problema, visto que chefe e parceiros
estavam visivelmente insatisfeitos com o que lhes havia sido apresentado como um
produto final. Fiz o que pude, deixando claro que havia algumas etapas para serem
cumpridas junto com os autores da aula, antes que pudéssemos apreciar uma versão
definitiva.
A certa altura, finda a reunião, fui novamente chamada à presença do diretor-
geral de material didático do CEDERJ, que me cobrou, para ontem, uma nova
versão daquela aula, a fim de que fosse outra vez submetida à apreciação de todos.
Não era minha área de saber específica. Era uma sexta-feira, final do dia. Não havia
como contactar os professores conteudistas. Sem muitas opções restantes, saí dali, fui
direto a uma livraria, comprei três livros introdutórios sobre o assunto em questão e
passei o fim de semana reformulando a aula, cujo conteúdo era bom, mas o formato
instrucional era de deixar qualquer aluno de cabelo em pé!
Resultado: inseri informações, reformulei as atividades propostas, pensei em uma
arquitetura da informação mais engendrada, criei caixas de explicação expandida e
caixas de conexão com outras mídias que estabeleciam relações com outros conteúdos,
selecionei imagens que ilustravam os tópicos discutidos na aula, fiz intervenções mais
expressivas que de costume e, no final, transformei duas aulas comprometidas em três
aulas mais integradas, mais estruturadas e mais interessantes. Diferentemente dos
desenhistas instrucionais, que trabalham em cima de arquivos impressos, trabalhei
diretamente em uma versão eletrônica da aula. Isso tudo, mantendo o conteúdo
originalmente proposto pelos autores.
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Planejamento e elaboração de material didático impresso para EAD - elementos instrucionais e estratégias de ensino
Essa foi uma situação de emergência. Não havia tempo para fazer diferente. Mas me
apercebi de que o processo que acabara de vivenciar poderia ser adotado em situações
em que, por exemplo, um professor demonstrasse grande dificuldade em produzir uma
aula que atendesse aos pré-requisitos instrucionais considerados fundamentais para
a proposta do CEDERJ. Ou quando o tempo urgisse, como sempre, e a necessidade
imperativa do cumprimento de prazos nos forçasse a uma solução para contornar os
gravíssimos problemas gerados quando um professor não respeita o cronograma de
produção de aulas previamente acordado.
Surgiu assim a figura do redator final, um desenhista instrucional com função
diferenciada que, com a anuência do professor, se encarrega de somar elementos
instrucionais à versão final da aula que ainda carece de intervenções mais
significativas.
Normalmente, o próprio professor conteudista é responsável por implementar as
sugestões decorrentes da parceria com os desenhistas instrucionais e demais técnicos
do Consórcio. Especialmente, após uma capacitação longa e detalhada como a
que você acabou de vivenciar. No entanto, em alguns casos, uma intervenção mais
significativa pode se fazer necessária para garantir aulas compatíveis com um projeto de
EAD concebido para apresentar um nível de qualidade alto.
Figura 10. 6: O redator final é um desenhista instrucional que exerce uma
intervenção mais expressiva nas aulas quando há necessidade de cumprimento de
prazos emergenciais ou quando a versão final de uma aula ainda requer atenção
e trabalho adicionais.
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Aula 10 – Etapas de produção de material didático impresso para EAD: compartilhando uma experiência
Qual o tempo de uma página?
No Consórcio CEDERJ, uma aula é prevista para ser estudada (não lida) em duas
horas. Normalmente, o número total de páginas fica entre 20 e 25, com tudo incluído,
desde o título até a bibliografia consultada.
Pedimos aos professores que trabalhem com fonte Arial 12, espaçamento de 1,5
linhas, de forma que o número de páginas do arquivo Word que nos enviam acabe
equivalendo ao número de páginas diagramadas.
Sempre lembramos que, nas aulas presenciais, não ultrapassamos o tempo
disponível para nossas disciplinas e que, da mesma forma, devemos obedecer à carga
horária planejada para o aluno que se inscreveu em um curso oferecido na modalidade
à distância.
Figura 10. 7: Seu tempo voa... O do aluno também. Atenção ao
planejar sua aula, o número de páginas e as informações que ela
contém. Lembre-se de que o aluno não é alguém que não tem
tempo para estudar. Ele tem. Mas é preciso que ele consiga dispor
desse tempo para aprender o que você tem para ensinar.
Fonte: www.sxc.hu
É fundamental termos disciplina para a seleção dos conteúdos que desejamos
incluir em cada aula e capacidade para optar por temas que ofereçam conexões,
manifestas ou latentes, com outras áreas de investigação, de forma a abrir portas para
o aluno continuar, autonomamente, sua aprendizagem, de acordo com seu tempo
disponível, possibilidade e interesse.
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Planejamento e elaboração de material didático impresso para EAD - elementos instrucionais e estratégias de ensino
Avaliação Discente
No CEDERJ, todas as aulas de todas as disciplinas de todos os cursos passam
pelo crivo de alunos e tutores que contribuem para a construção do material didático
impresso do Consórcio.
Cada disciplina é avaliada por, aproximadamente, 3 alunos e 2 tutores, que recebem
uma bolsa para analisar as aulas e, posteriormente, preencher um questionário semi-
quantitativo contendo questões acerca dos aspectos instrucionais considerados
relevantes em cada uma delas.
Os alunos selecionados são indicados pelos diretores de pólo em função de seu
desempenho no curso em que estão inscritos, sua assiduidade às atividades curriculares
e extra-curriculares propostas, além de sua facilidade de acesso diário a um endereço
eletrônico. Nesse momento, o foco é conceber uma aula que passou pelo olhar crítico
de um aluno atento e dedicado, com perfil diferenciado. Posteriormente, a totalidade
de alunos do CEDERJ participa da avaliação institucional do Consórcio, em todas as
suas dimensões, inclusive os materiais didáticos.
Figura 10. 8: Alunos avaliadores: um olhar fundamental no momento da construção das
aulas do Consórcio CEDERJ.
Fonte: www.sxc.hu
A participação dos tutores, presenciais ou a distância, traz uma contribuição de valor
inestimável. Sua experiência com os alunos do CEDERJ permite apontar aspectos
que podem suscitar dúvidas e que, portanto, merecem atenção especial. Fica mais fácil
antecipar e contornar problemas, uma prática importante para a Educação a Distância.
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Aula 10 – Etapas de produção de material didático impresso para EAD: compartilhando uma experiência
Alunos e tutores dispõem do mesmo tempo que os desenhistas instrucionais para
avaliar cada aula: uma semana. Ao final desse período, os questionários preenchidos
são devolvidos e as observações repassadas aos professores conteudistas, por ocasião
da reunião. Cada aluno ou tutor avalia de 4 a 6 disciplinas, em um ritmo normal de
produção.
Ao final desta aula, você encontrará o Anexo III com a cópia do questionário
repassado aos avaliadores.
Produção Gráfica
Considerado pronto, o material didático impresso vai para a produção gráfica,
última etapa antes de chegar ao aluno do CEDERJ.
No Setor Editorial, dentre outras atividades realizadas, uma equipe de ilustradores
se encarrega de desenhar figuras a partir de solicitações escritas ou de imagens de
referência apresentadas pelo professor, de forma a personalizar cada aula e incrementar
o papel do elemento imagético na aprendizagem.
Trecho da aula originalmente enviada pelo
conteudista:
“(...)
que preços cobrar sobre os produtos ou
serviços oferecidos;
-que descontos oferecer sobre os
produtos ou serviço da empresa;
- onde e quando anunciar;
- o que dizer aos clientes e como dizê-lo.
Enfim... É o motor que conduz todas as
atividades de uma Empresa.
Vendedores de porta em porta
Outdoors
Anúncios de revista
(...)”
Figura 10. 9: A partir de uma solicitação escrita feita
pelo professor conteudista, o ilustrador cria uma
imagem personalizada para a aula.
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Planejamento e elaboração de material didático impresso para EAD - elementos instrucionais e estratégias de ensino
Para agilizar o processo de ilustração das aulas, uma boa idéia é você investigar
alguns sites que oferecem imagens para uso livre, sem necessidade de concessão de
direitos autorais. Nem sempre isso é possível, pois, com freqüência, ao conceber
uma aula, você tem em mente uma imagem muito específica e, usualmente, as
fotos disponíveis não atendem ao objetivo. Daí é preciso, naturalmente, recorrer às
habilidades dos ilustradores.
De toda forma, uma boa fonte de busca é o site húngaro www.sxc.hu, onde fotos
de ótima qualidade são disponibilizadas e a única providenciar a tomar antes de usá-las
é garantir a autoria da imagem nos materiais impressos e enviar um e-mail de cortesia
para o fotógrafo, informando a utilização. A maioria das fotografias que você viu em
todas as nossas aulas foram obtidas a partir desse site. É só conferir a fonte.
Após o trabalho dos ilustradores ser concluído, uma equipe de profissionais
experientes confere às aulas uma programação visual elegante, arejada, adequada à
Educação a Distância, trazendo leveza ao material e facilitando o estudo.
originais.
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Aula 10 – Etapas de produção de material didático impresso para EAD: compartilhando uma experiência
Figura 10.11: O programador visual é responsável pela organização formal
dos elementos visuais e textuais. Deve dispor a informação de forma clara e
prazerosa.
4ELEMARKETINGn/QUE£ESTAFERRAMENTADEMARKETING
funcionava em
qualquer lugar,
pois as torres
de comunica-
ção telefônica
3AIBAMAIS
Na decada de 1990, com a expansão da telefonia no Brasil,
os contatos diretos começaram a se ampliar por meio dos famosos
e já quase extintos PAGERS.
Os PAGERSeram aparelhos que transmitiam mensa-
gens escritas (como um torpedo nos dias atuais).
sagens. Quando
alguem precisava
enviar a mensa-
gem, ligava para a
Central de Atendi-
mento da empresa
de
código do aparelho
para o qual pretendia mandar a mensagem e a ditava
para o operador que, automaticamente, enviava-a ao receptor.
3AIBAMAIS
Fonte: http://www.sxc.hu/photo/426032
Fonte: http://www.sxc.hu/photo/426032
4ELEMARKETINGn/QUE£ESTAFERRAMENTADEMARKETING
Aula 1

Existem dois tipos de marketing: o direto e o indireto.
Vamos saber um pouco mais sobre eles a seguir.
/
QUEÏM
ARKETINGDIRETO Diferentemente do que faziam os vendedores de antigamente
(que iam de porta em porta oferecer um produto), o marketing
direto e uma ferramenta de publicidade utilizada para produzir
lucro, sem ser necessário o contato pessoal. E uma opção que traz
vantagens como: baixo custo, relacionamento individual (apenas
um consumidor de cada vez), rapidez e, alem disso, escolha do
publico que se deseja atingir. O marketing direto utiliza vários tipos de comunicação
como, por exemplo:
·
jornais - usados diariamente por consumidores em geral, apre-
sentam maior volume de anuncios nas edições de domingo;
Fonte: http://www.sxc.hu/photo/418651
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Planejamento e elaboração de material didático impresso para EAD - elementos instrucionais e estratégias de ensino
Aula 2 )NSTALA½µESPREDIAISDEÕGUAFRIA
E como fazer isso se eu disser que, na obra de que estamos
falando, o piso ainda não está pronto?
Em uma situação como esta, você não poderá medir com o
metro a altura do piso ate o local onde a torneira será instalada.
Então, como assegurar que os pontos estarão na mesma altura?
E isso que você descobrirá nesta aula prática!
Você terá de utilizar uma mangueira de nível, que nada
mais e do que uma mangueira do tipo cristal, cheia de água, que
será utilizada como vaso comunicante. Para visualizar o papel da
mangueira neste experimento, volte à Figura 2.7. Você verincará
caso, aplicamos o princípio dos vasos comunicantes.
gua ao longo de toda mangueira, podemos considerar
resenta um vaso comunicante.
precisará tambem de um ajudante, que pode ser um
urso que fará essa prática com você no pólo. Veja passo
mo você deve proceder:
MEIROVOCãDEVESEPARARASFERRAMENTASDETRABALHO
as fotos da atividade foram feitas pelo fotógrafo Rauf,
pelo CEDERJ.
- Mangueira de nível tipo cris-
tal (com diâmetro de 7 a 15
milímetros). Nas obras, o com-
primento da mangueira varia
muito. Nessa prática, você usará
cerca de 5 metros de mangueira.
- Um lápis para marcar (recomenda-se usar lá-
pis de carpinteiro).
PARANDOAATIVIDADE
bre a mangueira ao meio
endo um U) e aproxime
extremidades lado a lado,
hadas.
)NSTALA½µESPREDIAISDEÕGUAFRIA
Aula 2

- Comece a encher a man-
gueira de água ate que
restem cerca de 50cm sem
água em cada extremi-
dade. Certin que-se de que
não há nenhuma bolha.
- Peça a seu ajudante que
n que segurando a man-
gueira pelas duas extremi-
dades enquanto você rea-
liza o passo seguinte.
C!GORAVOCãDARÕIN¤CIOÍSETAPASPARAFAZERATRANSFERãNCIA
DEN¤VEL
- Utilizando o lápis de
carpinteiro, marque na
parede o local exato
onde você quer instalar
o primeiro ponto de
utilização
(torneira),
fazendo uma linha de
aproximadamente 3cm.
Essa linha servirá de base para medir o outro ponto de ins-
talação.
- Pegue uma das extremidades
da mangueira de volta. Tampe
a extremidade com o dedo
polegar e recomende que seu
ajudante faça o mesmo.
- Encoste a extremidade da
mangueira que está com você
no lugar escolhido para o
primeiro ponto de instalação.
Figura 10. 12: Uma diagramação arejada traz elegância e facilita a leitura do
material impresso.
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Aula 10 – Etapas de produção de material didático impresso para EAD: compartilhando uma experiência
Além da ilustração e da programação visual, outros estágios envolvidos na produção
gráfica do material didático impresso do Consórcio CEDERJ incluem o copidesque,
a primeira etapa de revisão do texto, ainda nos originais, zelando pela clareza, coesão
e adequação do conteúdo e a revisão tipográfica, responsável pela última leitura do
livro. Nessa fase, são corrigidos erros gramaticais, verificada a clareza do texto e o
posicionamento de figuras, boxes e verbetes.
Após as etapas do copidesque e revisão tipográfica, o envio dos arquivos gerados
para impressão é responsabilidade do produtor gráfico, que acompanha ainda a
produção do material junto à gráfica, controla a qualidade da impressão e os prazos
de entrega, obedecendo ao cronograma em que permite ao aluno ter então, à sua
disposição, módulos com as aulas de cada disciplina que integra a grade curricular de
seu curso, no início de cada período letivo.
Aulas na Web
Embora a etapa de produção das aulas na web não faça parte da elaboração do
material didático impresso, os processos são, naturalmente, bastante relacionados.
Para começar, quanto melhor for a produção das aulas que passam pelo Setor
de Desenvolvimento Instrucional, maiores serão as chances de as equipes das
webs realizarem um trabalho de recriação em cima dos textos originais, de forma a
transcodificar, de fato, a linguagem escrita naquela própria do ambiente digital.
Essa transcodificação não é uma tarefa fácil. Não queremos, simplesmente, criar
um livro eletrônico e, assim, deixar de aproveitar os recursos únicos da mídia digital
para melhorar a qualidade da aprendizagem de nossos alunos. Em uma conversa com
a Profa. Sonia Rodrigues, discutindo precisamente essa questão, ela declarou, de forma
muito pertinente que, de saída, é preciso fazer algumas perguntas para garantir que as
aulas na web tenham linguagem própria:
• Que pontos de um determinado conteúdo se prestam à especificidade do meio
digital?
Normalmente, aqueles associados a movimentos, a diferentes ângulos de visão, ao
uso detalhado das cores, a recursos sonoros, dentre outros elementos representados e
explorados de forma realista em materiais didáticos digitais (ver caixa a seguir).
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Planejamento e elaboração de material didático impresso para EAD - elementos instrucionais e estratégias de ensino
A Vida Interna de uma Célula (The Inner Life of a Cell) é um filme de 8 minutos criado pela XVIVO,
uma empresa de animação científica americana que mostra mecanismos moleculares jamais
vistos. Particularmente impressionante é a possibilidade de visualizar processos desencadeados
desde dentro da célula como, por exemplo, a maneira pela qual nossas células brancas são
sensibilizadas e respondem a estímulos externos. Você não é da área biomédica? Assim mesmo,
no seu lugar, ia correndo conferir:
http://www.studiodaily.com/main/technique/tprojects/6850.html
Multimídia
• Quais partes do conteúdo permitem uma multiplicidade de conexões?
A idéia de conexões explorada na Aula 4 ganha potencialidade máxima em uma aula
concebida para o ambiente digital e para a internet. Recursos tais como hipertextos,
hiperlinks e inúmeros processos interativos estão a serviço de sua criatividade para
elaborar uma aula com vida própria.
• Quais partes do conteúdo permitem maior autoria do aluno em sua própria
aprendizagem?
Esse ponto é um importante desdobramento do item anterior (conexões). Uma
das maiores e melhores possibilidades associadas ao uso da internet na Educação é o
desdobramento do conteúdo controlado pelo aluno. Pelos alunos! Além de recursos
habituais, como fórum de discussão ou chats, há uma infinitude de maneiras de
garantir ao aprendiz autoria em sua própria aprendizagem. Jogos variados, praticados
individual ou coletivamente, são um excelente caminho para isso. Os próprios
hiperlinks representam janelas colocadas pelo professor à disposição do aluno, mas
podem ser exploradas de formas variadas e abrem novos e imprevisíveis caminhos a
partir dos quais o controle sobre nossos aprendizes rapidamente foge de nossas mãos.
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265
Aula 10 – Etapas de produção de material didático impresso para EAD: compartilhando uma experiência
Vale a pena conferir, na caixa a seguir, algumas idéias do sociólogo Marco Silva e
sua Pedagogia do Parangolé.
Pedagogia do Parangolé
“(...)
E
m nossos dias, mesmo ganhando maturidade teórica e técnica com o desenvolvimento
da internet e dos games, o termo interatividade sofre banalização quando usado como
“argumento de venda” em detrimento do prometido mais comunicacional. Basta ver a enxurrada
de aplicações do termo, desde xampu interativo e tênis interativo até mesmo a escola interativa,
nesse caso apenas por estar equipada com computador e internet e não por superar a velha
pedagogia da transmissão.
(...)
Vale a pena atentar para o sentido depurado do termo interatividade, que encontra seus
fundamentos na arte “participacionista” da década de 1960, definida também como “obra
aberta” por Umberto Eco. O “parangolé” do artista plástico carioca Hélio Oiticica é um exemplo
maravilhoso dessa arte.
O parangolé rompe com o modelo comunicacional baseado na transmissão. Ele é pura
proposição à participação ativa do “espectador” - termo que se torna inadequado, obsoleto.
Trata-se de participação sensório-corporal e semântica, e não de participação mecânica. Oiticica
quer a intervenção física na obra de arte, e não apenas contemplação imaginal separada da
proposição. O fruidor da arte é solicitado à “completação” dos significados propostos no
parangolé. E as proposições são abertas, o que significa convite à co-criação da obra. O indivíduo
veste o parangolé, que pode ser uma capa feita com camadas de panos coloridos que se revelam
à medida que ele se movimenta, correndo ou dançando.
(...)
Inspirado no parangolé, o professor propõe o conhecimento aos estudantes, como o artista
propõe sua obra potencial ao público. Isso supõe, segundo Thornburg & Passarelli, “modelar os
domínios do conhecimento como ‘espaços conceituais’, onde os alunos podem construir seus
próprios mapas e conduzir suas explorações, considerando os conteúdos como ponto de partida,
e não como ponto de chegada no processo de construção do conhecimento”. A participação do
aluno se inscreve nos estados potenciais do conhecimento arquitetados pelo professor, de modo
que evoluam em torno do núcleo preconcebido com coerência e continuidade. O aluno não está
mais reduzido ao olhar, ouvir, copiar e prestar contas. Ele cria, modifica, constrói, aumenta e,
assim, torna-se co-autor. Exatamente como no parangolé, ao invés de se ter obra acabada, têm-
se apenas seus elementos dispostos à manipulação.”
Fonte: Marco Silva, Sala de Aula Interativa
M
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266
Planejamento e elaboração de material didático impresso para EAD - elementos instrucionais e estratégias de ensino
• Que pontos de um determinado conteúdo são essenciais, sem os quais o aluno
não sobrevive?
Novamente aqui, selecionar é fundamental. Selecionar o que é decisivo para a
aprendizagem do aluno, selecionar o que é passível de ser explorado no ambiente
digital, selecionar o que é possível realizar com os recursos disponíveis, selecionar o
que é viável realizar no tempo disponível. Priorize os pontos nucleares, em vez de todo
o conteúdo de uma aula. Normalmente, não vale a pena, nem é possível, explorar todos
os temas em uma aula da web. Não é para isso que ela está ali. Está ali para trazer uma
possibilidade de aprendizagem diferenciada, que some àquela a partir de outras mídias,
que contribua, de forma própria, para a exploração do saber, feita pelo aluno.
Há outras perguntas que devemos nos fazer ao conceber uma aula digital em sua
plenitude. Mas isso é conversa para outra hora. Quis apenas trocar com você algumas
idéias que possam ser úteis, futuramente, para o seu trabalho. Então, vamos voltar ao
nosso material didático impresso?
Desvendando Enigmas
Muito mais desafiador que solu-cionar um quebra-cabeças mecânico é organizar
idéias, articular informações e concluir processos.
Por meio de cada etapa desse intrincado processo de produção, que se inicia em você,
procuramos garantir que todos os conteúdos acadêmicos e a abordagem pedagógica
sejam adequados aos objetivos metodológicos da instituição e ao perfil dos alunos.
Com o material impresso, procuramos garantir o acesso democrático ao conhecimento
e o atendimento às necessidades particulares dos estudantes. Estamos sempre atentos
aos resultados do trabalho, ao aproveitamento dos alunos, às estratégias didáticas, às
mídias; atentos ainda às demandas do mercado de trabalho na comunidade.
Procuramos, ao longo dessas dez aulas, mostrar caminhos possíveis, a partir dos
quais você pudesse fazer escolhas e criar novos rumos, somando ainda ao seu saber, à
sua experiência, as perspectivas propostas por outros autores.
Em vez de soluções, gostaria de trazer questões cujas respostas, espero, sejam uma
busca permanente em seu trabalho como educador:
• As inovações decorrentes da Educação a Distância estão avançando mais
rapidamente do que nossa compreensão acerca de suas aplicações práticas?
• Dominamos a pedagogia por trás da tecnologia?
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Aula 10 – Etapas de produção de material didático impresso para EAD: compartilhando uma experiência
• Estamos levando em conside-
ração as habilidades de nossos alunos
no uso da tecnologia?
• Podemos garantir que todos os
processos cognitivos são compatíveis
com a aprendizagem a distância
mediada exclusivamente por recursos
tecnológicos sem a intervenção da
presencialidade?
• Como criar ambientes para favo-
recer a aprendizagem?
• Como lidar com necessidades paradoxais como redução de custos e aumento do
acesso à educação superior e ao ensino e aprendizagem de qualidade?
• Como mudar de um modelo no qual decisões-chave são tomadas por professores
para outro em que um grande espectro de opções está nas mãos do aprendiz?
Essas são questões desafiadoras a que ainda não podemos responder completamente.
Creio que, em grande medida, a resposta a essas perguntas só poderá surgir da
combinação de diversas faces que investem no trabalho do educador como “arte”, onde
vocação e intuição pedagógica se somam à prática da Educação a Distância a partir de
um conjunto de técnicas que lhe são próprias, adequadas ao desenvolvimento natural
da aprendizagem nessa modalidade.
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Planejamento e elaboração de material didático impresso para EAD - elementos instrucionais e estratégias de ensino
Resumo
A
qualidade necessária à elaboração de materiais didáticos
impressos para Educação a Distância começa em você. No
Consórcio CEDERJ, há outros profissionais colaborando nesse
sentido. O Setor de Desenvolvimento Instrucional é responsável pela
capacitação dos professores conteudistas e pelo acompanhamento
da elaboração de todas as disciplinas do Consórcio. Desenhistas
instrucionais que integram a equipe têm perfil e formação variados,
onde visão pedagógica, potencial criativo e percepção da integridade
de informações são aspectos que indicam bons profissionais nessa
área. O redator final é um desenhista instrucional que exerce uma
intervenção mais expressiva nas aulas quando há necessidade de
cumprimento de prazos emergenciais ou quando a versão final de uma
aula ainda requer atenção e trabalho adicionais.
Alunos e tutores do CEDERJ trabalham como avaliadores “externos”
e contribuem para a construção das aulas do Consórcio por meio
da análise do material didático impresso e do preenchimento de um
detalhado questionário.
Os professores conteudistas do Consórcio CEDERJ participam de uma
oficina de capacitação, com um dia de duração, antes de iniciarem a redação
das aulas. O principal objetivo dessa oficina é sensibilizar os conteudistas
em relação aos principais temas relativos à EAD e oferecer oportunidades
de prática das técnicas instrucionais necessárias aos primeiros passos na
elaboração de um bom material impresso para Educação a Distância.
No Consórcio, uma aula é prevista para ser estudada em duas horas. O
número total de páginas de cada aula fica entre 20 e 25.
No Setor Editorial, uma equipe de ilustradores se encarrega de desenhar
figuras a partir de solicitações escritas ou de imagens de referência
apresentadas pelo professor. O programador visual é responsável
pela organização formal dos elementos visuais e textuais, garantindo
leveza e facilitando o estudo de cada aula. Outros estágios envolvidos
no Setor Editorial incluem o copidesque, a revisão tipográfica e a
produção gráfica das aulas.
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Aula 10 – Etapas de produção de material didático impresso para EAD: compartilhando uma experiência
Outras equipes que integram o processo desde o início fazem parte dos
setores de Web, Vídeo, Direitos Autorais, Biblioteca e Fluxo de Material
Didático. Este último é responsável pela tramitação das aulas entre
todos os setores, a fim de que não se perca o controle de nenhuma
etapa do processo.
Leitura recomendada
Silva, M. 2000. Sala de aula interativa. Editora Quartet, RJ. 232pp.
Peters, O. 2002. Distance Education in Transition. Oldenburg (Germany) Bibliotiks - und
Informationssystem der Universität Oldenburg.
Bibliografia consultada
Peters, O. 2002. Distance Education in Transition. Oldenburg (Germany) Bibliotiks - und
Informationssystem der Universität Oldenburg.
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Anexo 1
Parâmetros de
avaliação de elementos
instrucionais de uma aula
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272
Planejamento e elaboração de material didático impresso para EAD - elementos instrucionais e estratégias de ensino
A CRITÉRIOS ESSENCIAIS Sim Não OBS
A aula como um todo
1
Os objetivos da aula estão claros e
precisos: possuem verbos precisos não
são amplos e vagos, são mensuráveis por
uma atividade.
2
Os objetivos estão relacionados aos
núcleos conceituais.
3
Os objetivos estão relacionados às
atividades.
4
Os núcleos conceituais estão
organizados em diferentes seções.
5
A linguagem está clara: precisa,
objetiva, possui sentenças em ordem
direta, períodos curtos; não faz uso de
vocabulário excessivamente complexo; é
concisa; possui conectivos (conjunções
e preposições) que encadeiam as idéias
corretamente, clarificando a progressão
do conteúdo.
6
Há atividades entremeadas e com
respostas comentadas ou comentários
que explicam e justificam o acerto e
possíveis erros dos alunos.
7
Há atividades em número suficiente
para aplicação do volume de
informações oferecido na aula.
B. CRITÉRIOS DIFERENCIAIS Sim Parc Não OBS
B.1. Elementos de organização prévia
8
A meta esclarece o(s) conteúdo(s)
abordado(s) na aula.
9 Há pré-requisitos.
10
Os pré-requisitos explicitam
materiais necessários à realização de
experimentos.
11
Os pré-requisitos explicitam conceitos
necessários ao estudo da aula.
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273
Anexo 1 – Parâmetros de avaliação de elementos instrucionais de uma aula
B.2. Textos e Recursos Áudio-Visuais Sim Parc Não OBS
12
Os textos são claros e objetivos,
estimulam a leitura e a exploração
crítica dos assuntos; possuem conexões
com outros temas e estimulam a
busca de informações que ampliem o
conhecimento.
13
O texto estabelece ligação entre
princípios estudados e fenômenos
conhecidos por alunos.
14
O texto respeita o desenvolvimento
cognitivo do aluno;
15
O texto apresenta informações
suficientes para a compreensão dos
temas abordados;
16
O texto apresenta vocabulário específico
claramente explicado;
17
O texto sugere diferentes análises
e perspectivas para os mesmos
fenômenos, de forma a motivar a
curiosidade e desenvolver o espírito
crítico.
18 A linguagem é gramaticalmente correta.
19
Há uma introdução que estimula o aluno
à leitura da aula.
20
Possui resumo do conteúdo tratado na
aula.
21
Possui informações sobre a aula que virá
a seguir.
22
Apresentam sugestão de leituras
complementares para os alunos;
23 Possui referência bibliográfica.
24 Ilustrações transmitem idéias corretas.
25 As figuras são coerentes com os textos.
26 As figuras são isentas de estereótipos.
27 As figuras são isentas de preconceitos.
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274
Planejamento e elaboração de material didático impresso para EAD - elementos instrucionais e estratégias de ensino
28
As figuras possuem legendas e/ou
créditos e fontes de referência que
contribuam para sua compreensão.
B.3. Abordagem Pedagógica Sim Parc Não OBS
29
As experiências socioculturais e os
saberes do aluno aparecem como
elementos presentes e importantes,
dentro de seu contexto específico.
30
As experiências socioculturais e os
saberes do aluno aparecem sem
serem, de forma alguma, rotulados
pejorativamente.
31
As experiências socioculturais e os
saberes do aluno aparecem como ponto
de partida para o aprendizado.
32
As experiências socioculturais e os
saberes do aluno aparecem como
referência à realidade quando um
conhecimento científico for aplicado.
33
Existe algum exemplo em que um
saber popular, inadequado sob o
ponto de vista científico, tenha sido
desmistificado.
34
Existe algum exemplo de como um saber
popular tenha sido confirmado pelo
saber científico.
B.4. Atividades Sim Parc Não OBS
35
As atividades se apresentam em modelos
variados,
36
As atividades favorecem o
desenvolvimento cognitivo do aluno
37
A maioria das atividades é de cálculo ou
consulta simples
38
Há atividade que integre as informações
da parte da aula
39
As atividades propostas para
trabalho cooperativo são relevantes e
estruturadas, oferecendo orientações
claras para todas as suas etapas.
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275
Anexo 1 – Parâmetros de avaliação de elementos instrucionais de uma aula
B.5. Atividades Práticas Sim Parc Não OBS
40
Experimentos descritos são factíveis,
com resultados plausíveis, sem transmitir
idéias equivocadas de fenômenos,
processos e modelos explicativos.
41
Existem propostas de materiais
alternativos para a execução dos
experimentos;
42
As sugestões de experiências, se for o
caso, não trazem riscos para os alunos;
43
Os procedimentos de segurança, bem
como as devidas advertências sobre
periculosidade, são suficientes e estão
claramente indicados nas orientações
fornecidas aos alunos.
44
Apresentam algum tipo de articulação
com aulas anteriores e/ou outras
disciplinas a fim de tirar proveito de
conhecimentos e/ou habilidades já
adquiridas;
45
A execução dos experimentos /
demonstrações propostos é viável,
em termos da obtenção dos materiais
necessários;
46
Os experimentos e demonstrações
propostos são importantes e pertinentes
para compreender os fenômenos que
estão sendo discutidos.
B.6. Informações Periféricas Sim Parc Não OBS
47
Há informações periféricas que
expandem os núcleos conceituais da
aula com conteúdos relevantes ao tema
tratado.
48
Há informações periféricas que remetem
o aluno para outras mídias (sites, livros,
filmes etc).
49
Há informações periféricas que alertam
o aluno acerca de aspectos pontuais
importantes no conteúdo.
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276
Planejamento e elaboração de material didático impresso para EAD - elementos instrucionais e estratégias de ensino
50
Há informações periféricas que
oferecem curiosidades e/ ou analogias
relacionadas direta ou indiretamente ao
conteúdo da aula.
51
Informações periféricas estão
acompanhadas de recursos visuais.
B.7. Conteúdo Sim Parc Não OBS
52
Abordagem conceitual correta
predomina ao longo da aula
53
Informações factualmente corretas
predominam ao longo da aula.
54
Ausência de confusão terminológica
predomina ao longo da aula.
55
Existe coerência entre princípios e
pressupostos pedagógicos inerentes
ao modelo instrucional adotado pela
instituição e as práticas pedagógicas que
estimula.
56
Textos e ilustrações respeitam as
diferentes etnias, gêneros, classes
sociais, evitando criar estereótipos e
preconceitos prejudiciais à construção
da cidadania.
57
Há ausência de imprecisões conceituais,
desatualizações e pequenas incorreções
de informação na aula.
58
Utilizam vocabulário atualizado e
correto;
59
Existem propostas de experimentos que
utilizem materiais alternativos para sua
execução.
60
O tempo de estudo da aula pelo aluno
está adequado aquele determinado pela
coordenação do curso.
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Anexo 2
Cronograma de
Produção de Material
Didático Impresso
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278
Planejamento e elaboração de material didático impresso para EAD - elementos instrucionais e estratégias de ensino
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279
Anexo 2 – Cronograma de produção de Material Didático Impresso
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281
Anexo 2 – Cronograma de produção de Material Didático Impresso
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283
Anexo 2 – Cronograma de produção de Material Didático Impresso
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Anexo 3
Questionário para
avaliação de aula por
alunos e tutores
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Planejamento e elaboração de material didático impresso para EAD - elementos instrucionais e estratégias de ensino
Disciplina:____________________________________________________
Aula ________________________________________________________
Cod. Avaliador ________________________________________________
SOBRE ASPECTOS GERAIS E CONTEÚDO
1. Quanto do conteúdo da aula já era familiar para você?
( ) Tudo
( ) A maior parte
( ) Em torno da metade
( ) Uma pequena parcela
( ) Nada
2. Quão motivante lhe pareceu o conteúdo?
( ) Motivante
( ) Nem motivante nem desmotivante
( ) Desmotivante
( ) Bastante desmotivante
3. Em que medida você gostou desta aula?
( ) Gostei bastante
( ) Gostei
( ) Indiferente
( ) Não gostei
( ) Detestei
4. Quão difícil lhe pareceu a aula?
( ) Muito difícil
( ) Difícil
( ) Nem difícil nem fácil
( ) Fácil
( ) Muito fácil
5a. Durante a leitura da aula, você sentiu necessidade de consultar outras fontes de texto?
( ) Não senti necessidade
( ) Senti alguma necessidade
( ) informação para compreender o conteúdo do
( ) Senti muita necessidade
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287
Anexo 3 – Questionário para avaliação de aula por alunos e tutores
5b. Quais fontes você utilizou?
____________________________________________________________________
____________________________________________________________________
____________________________________________________________________
6. Tendo em vista o tempo utilizado no estudo desta aula, como você avalia o seu
aprendizado?
( ) Aprendi mais do que esperava
( ) Aprendi bastante
( ) Meu aprendizado foi razoável
( ) Aprendi pouco
( ) Aprendi menos do que esperava
7. Se o formato geral desta aula (seu grau de dificuldade, seu padrão de atividades
propostas etc.) fosse considerado um modelo para todas as aulas do curso, de que
maneira isto afetaria sua vontade de continuar o curso?
( ) Me sentiria bastante estimulado
( ) Me sentiria estimulado
( ) Não afetaria meu interesse
( ) Meu interesse diminuiria
( ) Meu interesse diminuiria bastante
8. Do que você GOSTOU netsta aula (você pode marcar mais de uma opção)?
( ) conteúdo
( ) atividades
( ) estilo de
( ) Resumo
( ) redação
( ) seqüência
( ) ilustrações
( ) auto-avaliação
( ) do conteúdo
9. Do que você NÃO GOSTOU nesta aula (você pode marcar mais de uma opção)?
( ) conteúdo
( ) atividades
( ) estilo de redação
( ) seqüência
( ) ilustrações
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Planejamento e elaboração de material didático impresso para EAD - elementos instrucionais e estratégias de ensino
( ) auto-avaliação
( ) do conteúdo
10a. Houve alguma parte da aula ou algum conceito que você tenha achado
particularmente difícil de entender ou que você considere mal explicado? Em caso
positivo, por favor, detalhe umpouco mais sua resposta.
____________________________________________________________________
____________________________________________________________________
____________________________________________________________________
10b. Nos casos descritos acima, o que poderia ter lhe ajudado a esclarecer as dúvidas?
____________________________________________________________________
____________________________________________________________________
____________________________________________________________________
SOBRE META(S), OBJETIVOS E ATIVIDADES
11. A aula conseguiu atingir a(s) sua(s) meta(s)? (Meta é o que o PROFESSOR pretende
atingir com a aula).
( ) Atingiu inteiramente
( ) Atingiu parcialmente
( ) Não cumpriu
12a. Os objetivos listados no início da aula deixam claro o que você deve aprender?
(Objetivo é o que o ALUNO deve alcançar durante e ao final da aula)
( ) Sim
( ) Parcialmente
( ) Não
12b. Quais objetivos deixaram dúvidas? Por quê?
_____________________________________________________________________
_____________________________________________________________________
_____________________________________________________________________
13. Os objetivos foram contemplados durante Inteiramente contemplados o
desenvolvimento do conteúdo?
( ) Contemplados em sua maioria
( ) Poucos foram contemplados
( ) Nenhum objetivo foi contemplado
13b. Quais objetivos não foram contemplados?
_____________________________________________________________________
_____________________________________________________________________
__________________________________________________________________(
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Anexo 3 – Questionário para avaliação de aula por alunos e tutores
14a. Realizando as atividades propostas você:
( ) Atingiu todos os objetivos listados da aula
( ) Atingiu parcialmente os objetivos da aula
( ) Não atingiu nenhum dos objetivos da aula
14b. Quais objetivos não foram atingidos pelas atividades?
_____________________________________________________________________
_____________________________________________________________________
_____________________________________________________________________
15. Ao término desta aula, em que medida você alcançou os objetivos listados?
( ) Tudo
( ) A maioria
( ) Uma pequena parcela
( ) Nada
16. As atividades propostas lhe pareceram motivadoras e incentivaram seu engajamento na
aula?
( ) Bastante motivadoras
( ) Motivadoras
( ) Indiferente
( ) Desestimulantes
17. Dentre as atividades propostas nesta aula, cite:
a. Aquela (s) que você MAIS gostou e explique por quê.
_____________________________________________________________________
_____________________________________________________________________
_____________________________________________________________________
b. Aquela(s) que você MENOS gostou e explique por quê.
____________________________________________________________________
_____________________________________________________________________
_____________________________________________________________________
18. Quão difíceis lhe pareceram as atividades propostas?
( ) Muito difíceis
( ) Difíceis
( ) Nem difícil nem fácil
( ) Fáceis
( ) Muito fáceis
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290
Planejamento e elaboração de material didático impresso para EAD - elementos instrucionais e estratégias de ensino
19. As atividades propostas lhe pareceram relevantes, ou seja, elas foram importantes para o
processo de aprendizado do conteúdo?
( ) Bastante relevantes
( ) Relevantes
( ) Indiferente
( ) Irrelevantes
( ) Bastante irrelevantes
20. Levando em consideração a sua rotina diária e o tempo que você tem disponível para
suas atividades acadêmicas, você diria que a realização das atividades propostas nesta aula
é viável?
( ) Sim, completamente factível
( ) Sim, mas com dificuldades
( ) As atividades não são factíveis
21. As atividades propostas foram claras no que se refere às instruções para o que você deve
fazer?
( ) Bastante claras
( ) Claras
( ) Pouco claras
( ) Obscuras
( ) Bastante obscuras
22. Você achou que as atividades propostas estavam bem distribuídas dentro do corpo da
aula, entremeadas no texto, facilitando o aprendizado de cada seção do conteúdo?
( ) Bem distribuídas
( ) Razoavelmente distribuídas
( ) Mal distribuídas
( ) Não havia atividades entremeadas
23. As atividades propostas foram suficientes para você praticar as idéias e o conteúdo da aula?
( ) As atividades foram excessivas
( ) As atividades foram satisfatórias
( ) As atividades foram insuficientes
24. Sabendo que esta aula foi planejada para um ensino semi-presencial, você acha que as
respostas das atividades propostas foram suficientemente discutidas na aula de forma a
orientar e contribuir para seu aprendizado?
( ) Foram amplamente discutidas
( ) A maioria foi discutida
( ) Poucas foram discutidas
( ) Nenhuma resposta foi discutida
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291
Anexo 3 – Questionário para avaliação de aula por alunos e tutores
SOBRE O ESTILO DE REDAÇÃO
25. Você achou o estilo de redação do texto agradável à leitura?
( ) Muito agradável
( ) Agradável
( ) Indiferente
( ) Pouco agradável
( ) Desagradável
26. Você achou que o estilo de redação do texto facilitou o aprendizado do conteúdo?
( ) Facilitou muito
( ) Facilitou
( ) Não facilitou nem dificultou
( ) Dificultou
( ) Dificultou muito
SOBRE AS ILUSTRAÇÕES
27. Você achou que as ilustrações da aula lhe ajudaram a compreender o conteúdo?
( ) Ajudaram bastante
( ) Ajudaram
( ) Indiferente
( ) Dificultaram
( ) Dificultaram bastante
28. Você achou que as ilustrações da aula estiveram presentes em número suficiente?
( ) Foram excessivas
( ) O número foi adequado
( ) O número foi pequeno
( ) Foram insuficientes
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Fernando Haddad Ministro da Educação Carlos Eduardo Bielschowsky Secretário de Educação a Distância Celso Costa Coordenador Geral da UAB

Cristine Costa Barreto
Coordenação de Desenvolvimento Instrucional e Revisão Organizadora do Volume

Tereza Queiroz
Editora

José Meyohas
Revisor

Crsitina Freixinho Elaine Bayma Patrícia Paula
Revisão Tipográfica

Jorge Moura
Coordenador de Produção

Katy Araujo
Projeto Gráfico, Diagramação e Capa

Jefferson Caçador Sami Souza
Ilustração

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P712p Planejamento e elaboração de material didático impresso para educação a distância / Organizadora Cristine Costa Barreto; autores, Sônia Rodrigues; Roberto Paes de Carvalho; Carlos Otoni Rabelo; Ana Paula Abreu Fialho; José Meyhoas. – Rio de Janeiro : Fundação CECIERJ, 2007. 291p.; 19 x 26,5 cm. Curso de Formação da UAB para a Região Sudeste 1. ISBN: 978-85-7648-390-8 1. Educação a distância. 2. Desenho instrucional. 3. Aprendizagem. 4. Linguagem. 5. Prática de ensino. 6. Arquitetura da informação. 7. Produção de material didático (EAD). I. Rodrigues, Sônia. II. Carvalho, Roberto Paes de. III. Rabelo, Carlos Otoni. IV. Fialho, Ana Paula Abreu. V. Meyhoas, José. VI. Título. CDD: 371.35
Referências Bibliográficas e catalogação na fonte, de acordo com as normas da ABNT.

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Por onde começar?
Como parte do programa inter-institucional de capacitação em Educação a Distância, este módulo tem sua origem na necessidade de se fundamentar os elementos instrucionais associados a materiais impressos como recursos didáticos. Visa a desenvolver orientações para você, professor, elaborar aulas que difiram de suas aulas presenciais, mas que, de alguma forma, levem você ao aluno que estuda a distância, que o provoquem tanto quanto você o faria, que o permitam navegar, ser autônomo e se apropriar mais de sua aprendizagem. A Educação a Distância, nos termos em que a discutimos hoje, ainda é uma novidade para a qual buscamos evolucionar. É preciso apurar os sentidos para trocarmos o falar/ouvir síncrono pelo ler/escrever assíncrono; evocar nosso sentido “número seis”, nossa intuição pedagógica, para transpormos nossa experiência como professores, da sala de aula para o papel, ou para a tela do computador, ou para o rádio, ou para a televisão... Essa transformação, na verdade, não pára nunca, evolui no tempo, emerge como propriedades de um sistema vivo. O conceito de propriedades emergentes é um dos mais belos conceitos biológicos existentes: propriedades não possuídas pelos indivíduos, que somente aparecem quando a comunidade é o foco de atenção. Assim como um bolo, cuja textura e sabor não são previsíveis apenas pela inspeção dos ingredientes da receita. Propriedades emergentes são imprevisíveis, irredutíveis, que surgem porque o todo é maior do que a soma das partes. Porque decorre da interação entre elas. Assim entendo o conceito por trás de nossas comunidades da Educação a Distância, por trás de um projeto educacional em nível nacional: somar, interagir, recriar e exceder. Creio que estejamos todos engajados em um tal processo, em que experiências anteriores subsidiam a criação de outras novas, em que parcerias acadêmicas, pedagógicas, técnicas e de gestão facilitam o estabelecimento de novos padrões, em que, coletivamente, podemos dar mais suporte a cada uma de nossas comunidades e resistir a fatores que regulam nosso sistema negativamente, sejam eles econômicos, políticos, circunstanciais, logísticos ou de qualquer outra natureza restritiva.

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Gostaria que a experiência dos professores que redigiram esse módulo pudesse ser compartilhada com você, que algumas trilhas pudessem ser aproveitadas, de forma a facilitar seu caminho, suas escolhas. Espero que as informações disponíveis o instiguem a reviver a perplexidade do aprendiz, renovar a inspiração para suas práticas como professor, levar seus estudantes a modificar permanentemente o sistema educacional de que fazem parte. Esse parece ser um bom começo para nos engajarmos na empreitada da aprendizagem cooperativa e para nossos estudantes assumirem um papel mais ativo na investigação do saber, numa verdadeira simbiose com seus propósitos como educador. Aceita um conselho? Encare esses fatos como um desafio e pense que você pode estar iniciando um processo transformativo em suas práticas educacionais; que seu confortável sentimento de segurança e previsibilidade como professor está dando lugar à incerteza do novo e à beleza do encontro de soluções para problemas que começarão a emergir.
Cristine Costa Barreto

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Quem somos?
Cristine Costa Barreto
Desde meu ingresso no curso de Ciências Biológicas da UFRJ, em 1984, me divido entre atividades de pesquisa e educação. Além da docência nos programas de graduação, mestrado e doutorado do Instituto de Biologia, coordenei projetos em Educação Ambiental, voltados para os ensinos fundamental e médio. O pósdoutorado realizado no Centre for Population Biology (Imperial College, Londres) consolidou meu perfil de pesquisa em ecologia teórica, onde me dediquei ao estudo da importância da complexidade espacial do habitat na diversidade das comunidades associadas. Simultaneamente, atualizei minha formação como educadora por meio da extensão em áreas voltadas para concepção de ambientes virtuais de aprendizagem, tecnologia da informação, ensino interativo e aprendizagem baseada na resolução de problemas. Ao retornar ao Brasil, em 2003, iniciei minhas atividades no CEDERJ que culminaram com a coordenação do Setor de Desenvolvimento Instrucional, onde tenho a oportunidade de reunir minha experiência na Educação ao desenvolvimento de projetos de pesquisa centrados no permanente aprimoramento do desenho instrucional de nosso material didático.

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pesquisa e desenvolvimento de metodologia de ensino. entre outras coisas. doutora em Literatura pela PUC-RJ. felizmente. tenho participado de projetos com esse escopo junto a instituições públicas e privadas. Roberto Paes de Carvalho A linguagem sempre desempenhou um importante papel em minha vida.”. no que se refere aos processos de reflexão e conscientização. modelo narrativo para ensinar o pessoal das exatas e engenharias (professores e alunos) a promover a leitura. A nossa e a dos alunos.Sonia Rodrigues Sou escritora. jornalista. na Universidade Federal Fluminense. ou. para desenvolver jogos e/ou para aumentar a competência de escrita e leitura. com ênfase à produção de texto auto-instrucional e à capacitação de autores. “Por que isso significa aquilo e não aquilo outro. E para que serve na EAD? Serve. 10:19:05 AM . desenvolvendo. Atualmente sou pesquisadora da FAPERJ.. como usar o Foto: Bel Pedrosa. com larga experiência em combinar pesquisa e desenvolvimento de produtos. Atualmente estou concluindo o doutorado em Estudos Lingüísticos e atuo como elaborador de material didático para EAD no CEDERJ.. Nos últimos anos. ciência que me inquieta mais do que esclarece. Daí ter caminhado para a Lingüística. dura até hoje. E esse tipo de reflexão. remetem a questionamentos sobre o significado das palavras e os contextos em que elas eram inseridas. a pesquisa e a produção de texto. iniciais. o projeto Poesia para Físicos. Minhas primeiras lembranças da infância.indd 6 10/10/2007.

Carlos Otoni Rabelo
Sou Publicitário, formado pela Universidade Federal Fluminense e trabalho no CEDERJ como Designer Instrucional desde agosto 2005. Sempre fui fascinado pela linguagem e desde a graduação tenho me aventurado pelo mundo da escrita, inclusive contribuindo com uma coluna semanal no Jornal Dois Estados, jornal da minha querida cidade natal Miracema. Freqüentemente sou questionado sobre a afinidade entre minha formação e a EAD. Embora elas pareçam bem diversas, costumo dizer que “convencer” alguém a usar determinado produto ou serviço é como “convencer” o aluno de EAD a vencer obstáculos, superar desafios, e aprender!

Ana Paula Abreu Fialho
Cursei Ciências Biológicas, na UFRJ. Prestes a ingressar no mestrado em Bioquímica, na mesma instituição, participei de um curso para professores de Ensino Médio que os colocava em laboratório para responderem experimentalmente às suas curiosidades sobre um determinado tema. Ali, senti estar “fazendo diferença” para a formação de alguém. Mais, senti querer isso. Um ano depois, em 2004, conheci a EAD, através do CEDERJ. Encantei-me pelo Design Instrucional de materiais didáticos impressos para formação de professores. Minha afinidade com essa área foi tão grande que larguei os tubos de ensaio. Hoje, estou terminando meu doutorado, estudando o papel do Design Instrucional para a aprendizagem de Bioquímica. Além disso, supervisiono, no CEDERJ, a produção de materiais para cursos de formação inicial de trabalhadores.

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José Meyohas
Comecei minhas atividades profissionais, como professor, ainda antes de concluir minha graduação/licenciatura em Letras (Português/Inglês _Literaturas) na Faculdade de Letras da UFRJ. Isso foi lá pelos idos de 1970, quando tive, pela primeira vez, registro de professor em carteira profissional. De lá para cá, não mais parei. Fiz toda espécie de curso que vi pela frente, desde que na área de significação na linguagem. É, como se diz, “a minha praia”. Desenvolvi as funções de assessor de treinamento e de analista de comunicação no The Chase Manhattan Bank N.A., ao mesmo tempo em que ministrava aulas à noite no Colégio Paulo VI, que ajudei a montar... Aulas sempre e sempre... Atualmente, sou servidor público estadual ativo, professor de Língua Portuguesa e Literatura Brasileira, além de Supervisor de Linguagem do Setor de Desenvolvimento Instrucional do CEDERJ, onde redijo, reviso,faço copidesque, etc.

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Índice
Aula 1
Material impresso como recurso educacional: isso é história? ......................................................... 11
Cristine Costa Barreto

Aula 2
Desenho instrucional em materiais didáticos impressos – boa idéia! ............................................. 31
Cristine Costa Barreto

Aula 3
Objetivos de aprendizagem................................................................................................................................ 51
Carlos Otoni Rabelo e Roberto Paes de Carvalho

Aula 4
Linguagem: significado e funções...................................................................................................................73
Sonia Rodrigues

Aula 5
O uso da linguagem. Por que tanta preocupação e tanto cuidado?................................................. 91
Ana Paula Abreu Fialho e José Meyhoas

Aula 6
Atividades – Praticando a boa prática ...................................................................................................... 115
Cristine Costa Barreto

Aula 6 – Apêndice
A bússola e o remo .............................................................................................................................................139
Cristine Costa Barreto

Aula 7
Ajudando sua inspiração: modelos de atividades – Parte 1 ............................................ 149
Cristine Costa Barreto

Aula 8
Ajudando sua inspiração: modelos de atividades – Parte 2 ............................................................. 181
Cristine Costa Barreto

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Aula 7 e 8 – Apêndice
A bússola e o remo... novamente... ........................................................................................................... 207
Cristine Costa Barreto

Aula 9
Arquitetura da informação ............................................................................................................................ 217
Roberto Paes de Carvalho, Carlos Otoni Rabelo e Ana Paula Abreu Fialho

Aula 10
Etapas de produção de material didático impresso para EAD: compartilhando uma experiência ...............................................................................................................243
Cristine Costa Barret

Anexo 1
Parâmetros de avaliação de elementos instrucionais de uma aula .............................................. 271

Anexo 2
Cronograma de Produção de Material Didático Impresso ................................................................ 277

Anexo 3
Questionário para avaliação de aula por alunos e tutores ............................................................... 285

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Aula

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Material impresso como recurso educacional: isso é história?
Cristine Costa Barreto

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Planejamento e elaboração de material didático impresso para EAD - elementos instrucionais e estratégias de ensino

Meta
Discutir os principais aspectos instrucionais relacionados à utilização de materiais impressos na Educação a Distância (EAD).

Objetivos
Ao final desta aula, você deverá ser capaz de: 1. Detectar elementos históricos e culturais relacionados à importância de materiais impressos na Educação. 2. Identificar as vantagens e limitações da utilização de
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materiais instrucionais impressos. 3. Determinar processos que contribuem para uma baixa proficiência leitora e avaliar suas implicações para as práticas de EAD baseadas em materiais impressos. 4. Detectar a aplicação de diferentes elementos visuais para favorecer a aprendizagem em materiais impressos voltados para EAD. 5. Relacionar a utilização de diferentes elementos gráficos às especificidades de disciplinas de diferentes áreas.

Pré-requisitos
Antes de você iniciar o estudo desta aula, vá até sua estante de livros, em casa ou no trabalho, e escolha um livro-texto clássico de sua área de ensino ou pesquisa. Mantenha esse livro ao seu lado, enquanto estuda.

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Aula 1 – Material impresso como recurso educacional: isso é história?

Era uma vez...
Você não está vendo que não podemos mais alimentar nossos filhos? Não tenho coragem de vê-los morrer de fome diante dos seus olhos e estou resolvido a levá-los amanhã à floresta e deixá-los lá, perdidos, o que não é difícil de fazer, pois enquanto eles se distraírem catando gravetos, nós fugimos sem que eles percebam. - Ai, Ai - gemeu a lenhadora - você será capaz, você mesmo, de abandonar os seus filhos na floresta? Não adiantou o marido mostrar a ela como era grande a sua miséria, ela não podia consentir naquela idéia. Ela era pobre, mas era a mãe dos meninos. Contudo, depois de refletir como seria doloroso ver os filhos morrerem de fome, ela acabou consentindo, e foi-se deitar chorando.
(Trecho de “João e Maria” – Hans Christian Andersen)

Contos populares, segundo muitos estudiosos, surgiram como uma tentativa de entender e explicar o mundo natural e o espiritual. Sua tradição oral fez com que as histórias fossem disseminadas, absorvidas e modificadas pelas mais variadas culturas. Uma vez surgidos, os contos eram espalhados, de país em país, por soldados, marinheiros, mulheres roubadas de suas tribos, escravos, prisioneiros de guerra, comerciantes, menestréis, músicos, monges, estudiosos e jovens viajantes. Dessa maneira, as histórias se descolavam de seus contextos originais e subsistiam como uma espécie de “energia social”, (re)produzindo e (re)propondo modelos sociais e culturais. Essas práticas seculares foram modificadas de forma irrevogável pela invenção da escrita. O conto oral, de tradição popular, converteu-se, assim, em um tipo de discurso literário, com o objetivo de nutrir costumes, práticas e valores de certa época. Surgiam as primeiras formas de educar a distância, informações trazidas de longe, antes pelos próprios contadores de história, depois pelos manuscritos, para entusiasmar ouvintes e leitores de maneira atemporal, ora retratando a realidade de forma cômica, ora sombria, ora fantasiosa. Não precisamos entrar demasiadamente em detalhes históricos para reconhecer que a Educação a Distância tem suas raízes mais profundas no meio impresso, no que antes chamávamos cursos por correspondência. A despeito da emergência de alternativas tecnológicas poderosas e atraentes, materiais impressos continuam a exercer um importante papel nessa modalidade educacional. Por quê? Em parte, pelo mesmo motivo que faz com que os contos populares permaneçam entre as formas de literatura favoritas de crianças, jovens e adultos. Desde muito cedo a humanidade ouve, conta, lê e escreve histórias.

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Planejamento e elaboração de material didático impresso para EAD - elementos instrucionais e estratégias de ensino

Multimídia Visite o site http:www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttex&pid=s0101-32621998 00020006#back e leia mais sobre contos populares e conheça o trabalho da Professora Anete Abramowicz, do Departamento de Metodologia de Ensino da Universidade Federal de São Carlos.

Registros escritos são o cimento da sociedade. A própria História surge como um gênero literário no seio da narrativa literária grega, a começar por Hecateu de Mileto e sua “historicização do mito”. Os historiadores antigos eram antes literatos
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p que cientistas, a História era concebida como opus oratorium.
opus oratorium = obra oratória

Er will bloss zeigen wie es eigentlich gewesen,
“Ele <o historiador> quer claramente mostrar como, na realidade, aconteceu...” (Histórias dos povos românicos e germânicos. Von Ranke, 1826) http:wwwunicamp.br/nee/arqueologia/arquivos/historia_antiga/filosofia.html

Para não nos restringirmos ao passado, o próprio jornalismo moderno é um esforço para seguir a lógica de uma narrativa, para informar, para contar uma história de um modo coerente, sem erros factuais. Ou seja, há séculos estamos acostumados a processar informações na forma escrita, a partir de seu armazenamento, transmissão, combinação e comparação. É natural a importância que permanece associada a materiais impressos na Educação, em qualquer modalidade em que se apresente, a distância ou presencial. Espero que, de alguma maneira, quando ensinar, você evoque seu lado contador de histórias, “aquele que diz e, por isso, precisa saber bem o que irá dizer. Precisa ter dúvidas, certezas, conhecimentos, estudo e talento. Talento de sedução. Contar histórias é revelar segredos, é seduzir o ouvinte e convidá-lo a se apaixonar... pelo livro... pela história... pela leitura. E tem gente que ainda duvida disso” (Grupo Morandubetá de Contadores de História).

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Aula 1 – Material impresso como recurso educacional: isso é história?

H

ecateu - Historiador, geógrafo e mitógrafo grego de Mileto, cidade destruída
(494 a. C.) por Dario (550-486 a.C.). Introduziu sensíveis modificações nos

mapas geográficos de Anaximandro (611-547 a. C.). Com seu livro Viagem ao redor do mundo tornou-se um pioneiro da Geografia. Precursor de dois notáveis e brilhantes o historiadores, Heródoto (484-425 a. C.) e Tulcídides (471-399 a.C.), escreveu quatro livros denominados Histórias sobre genealogias ou mitologias, nos quais submeteu os mitos e lendas gregas a um novo enfoque crítico. Uma pseudo-história que, apesar da credulidade do autor, tornou-se precursora e protótipo das obras de história posteriores. Com este escrito, inaugurou a análise das sociedades humanas em bases mais sistemáticas do que as utilizadas até então. Provavelmente morreu também em Mileto.
Fonte: http://www.dec.ufcg.edu.br/biografias/cateu0.html

Mais

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Quais as vantagens de um material didático impresso?
Antes de passarmos a uma discussão objetiva acerca das vantagens associadas à utilização de materiais didáticos impressos na Educação a Distância, convido-o a realizar uma atividade de forma que você incorpore as idéias apresentadas na seção anterior à sua própria percepção acerca do valor dessa mídia nas práticas de ensino.

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11:08:59 AM .hu/575203 aula1.sxc.indd 16 Foto: José A. Fonte: www.sxc.hu/209562 Foto: Danilevici Filip-E.sxc.elementos instrucionais e estratégias de ensino Atividade 1 Atende aos objetivos 1 e 2 j Materiais educacionais impressos: os prós Analise as imagens e informações textuais a seguir: Foto: Kristal Lindo 1 Fonte: www.hu/566956 Sergei Krassii Foto: Simona Dumitru 16 Fonte: www. Warletta 10/10/2007.hu/653159 Fonte: www.sxc.hu/193035 Fonte: www.sxc.Planejamento e elaboração de material didático impresso para EAD .

comentou que “a maior parte do sistema educacional atual tem como meta responder à pergunta: Como vou conseguir um emprego? Eu preciso ganhar o meu sustento. Foto: Katia Grimmer-Laversanne 4 aula1. designer. inventor do domo geodésico.sxc.hu Buckminster Fuller – arquiteto. engenheiro. professor e r r autor.indd 17 10/10/2007. Em um discurso realizado em abril de 1961. Esse é o item prioritário sob o qual trabalhamos todo o tempo – a idéia de que necessitamos nos sustentar”. um dos visionários mais respeitados do mundo. Extraído do livro Educação a Distância ao redor do mundo (Brown & Brown. dirigiu suas previsões para a educação do futuro.Aula 1 – Material impresso como recurso educacional: isso é história? “A Educação a Distância e suas variantes têm o potencial de prover eqüidade de acesso ao conhecimento em diversos níveis”. 1994) 2 17 3 Fonte: www. 11:09:03 AM .

materiais impressos podem perfeitamente ser percorridos de forma não linear. 3. a seu ver. ________________________________________________________________ 3. Por que material didático impresso? 1. além de razoavelmente bem compreendidos e aceitos pelos leitores. aproveite o espaço Fórum Livre – Aula 1. algum conceito lhe escapou à compreensão. A partir daí. Começando pelo exemplo que dei. na Plataforma. ele pode retomar a passagem quantas vezes quiser. Tentei reunir a seguir as principais idéias envolvendo a utilização de materiais didáticos impressos. No quadro a seguir.sxc. Se. Se isso aconteceu.. ________________________________________________________________ Resposta comentada As informações textuais e visuais que você analisou provavelmente suscitaram muito mais que apenas duas idéias. Além disso.”.hu/707409 Agora relacione as informações que você analisou com o conteúdo da seção “Era uma vez. É um meio familiar aos leitores. 1.Planejamento e elaboração de material didático impresso para EAD . outras duas. pelo 18 menos. o estudo de um texto é um processo cujo ritmo é inteiramente ditado pelo aluno.indd 18 Foto: Sanja gjenero 10/10/2007. 2. desde que exista uma arquitetura da informação que aula1. Imagino ainda que uma mesma imagem deve ter feito você pensar em mais de um aspecto. para trocar outras impressões com os demais alunos da turma. 11:09:08 AM . fazem do material impresso um importante meio para a disponibilização de conteúdo na Educação a Distância.. Inclua. materiais impressos nos são bastante familiares. 2. É possível que você tenha pensado ainda em outras. Ao contrário do que pode parecer. enumere algumas das razões que. à primeira leitura. comecei enunciando uma dessas razões.elementos instrucionais e estratégias de ensino 3 Fonte: www.

embora a barreira tecnológica nesse sentido há muito tenha sido derrubada. Hoje. Diagramadores experientes contribuem para um design adequado a um texto cuja substância decorre da experiência de profissionais do ensino ou da pesquisa que eles acumularam em anos de prática em publicações variadas. 6. A leitura de um texto impresso não requer qualquer equipamento especial. 11:09:12 AM . aula1. 4. em que podemos facilmente passar da seção de Economia à de Turismo. tais como livros-texto e artigos científicos. TV ou em 19 formato de vídeo. embora o desenvolvimento tecnológico possibilite uma miríade de experiências extremamente sofisticadas. A tecnologia envolvida na elaboração de um texto é bastante familiar e razoavelmente conhecida tanto por desenhistas instrucionais quanto pelos especialistas responsáveis pela elaboração do conteúdo. 9. presencial ou a distância. Um dos aspectos mais importantes associados ao uso de materiais impressos na Educação a Distância é seu potencial de inclusão social. Materiais impressos são de fácil marcação. à dos Classificados. 8. tais como aulas baseadas na web. por exemplo. Isso não inclui a disponibilização de um grande volume de informações em aulas baseadas na web. Materiais impressos tradicionalmente são usados para a oferta de grandes quantidades de conteúdo. portanto. a grande maioria da população da América Latina. conforme nos convier. 5. e mesmo mundial. Como em um jornal. como é necessário a cursos de graduação. A mídia digital.Aula 1 – Material impresso como recurso educacional: isso é história? assim o possibilite. O custo de preparação e replicação de materiais impressos é relativamente baixo quando comparado a outras mídias. o que facilita as estratégias de estudo de cada aprendiz e também as estratégias de revisão de um material previamente estudado e marcado. especialmente porque se trata de um recurso de fácil transporte. 10. O ambiente digital e sua multimodalidade devem ser explorados com a finalidade de promover experiências unicamente possíveis por meio daquela mídia e contribuir para a aprendizagem do aluno de forma diferenciada daquela do material impresso. não tem acesso à internet. independente da modalidade. Pode-se dar em qualquer local ou circunstância. 7. Não é necessário que se estabeleça um horário ou local para que o conteúdo seja disponibilizado. não pode garantir de fato a democratização da informação em todos os níveis sociais.indd 19 10/10/2007.

11:09:13 AM . F t Rose A Foto: R Ann Fonte: www.sxc. podem contribuir muito para facilitar a aprendizagem do aluno. especialmente se tem ou teve contato com recursos tecnológicos que.sxc. Fonte: www.indd 20 _________________________________________________ _________________________________________________ 10/10/2007. 20 Figura 1.Planejamento e elaboração de material didático impresso para EAD . se bem explorados.1: Atualmente. realmente é o maior problema associado a essa mídia. os recursos tecnológicos possíveis abrem portas para uma aprendizagem mais versátil e criativa. qual a principal restrição associada a materiais didáticos impressos? Faça um esforço antes de escrever no espaço a seguir o que. para você.hu/544853 aula1.hu (Carl Dwyer) Atividade 2 Atende ao objetivo 2 j Materiais educacionais impressos: os contras Em sua opinião. naturalmente você deve considerar as limitações em sua utilização. Iniciamos esta seção com uma nova atividade.elementos instrucionais e estratégias de ensino E viva a diferença! A despeito das muitas vantagens associadas ao uso de materiais impressos para a Educação a Distância.

3. em minha opinião particular. A eficácia da aprendizagem por meio de materiais impressos depende da capacidade leitora dos alunos. De fato. A leitura de um texto. mentalmente. a análise de uma tabela. se necessário. Diretamente relacionado ao item acima. a realidade é sempre representada de maneira indireta. e mesmo a ilustração de maior qualidade requerem sempre o exercício da analogia por parte do leitor. as possibilidades de interação com pares são incomparavelmente maiores no meio digital. 6.Aula 1 – Material impresso como recurso educacional: isso é história? Resposta comentada Novamente. 2.indd 21 10/10/2007. O uso da cor. Associado à questão da dependência da capacidade leitora está. 11:09:14 AM . 21 aula1. representa um investimento caro. A maioria de nossos alunos foi altamente exposta à mídia televisiva e cresceu provavelmente mais acostumada a decodificar informações sob o formato de programas de TV que sob o de um livro. Mas atenção: um bom texto associado às imagens certas é capaz de provocar mais o leitor do que o uso da tecnologia com fins meramente atrativos. Por mais realistas que sejam os recursos imagéticos encontrados em materiais impressos. que deverá transpor aquela informação e associá-la. ao domínio real. 4. uma proficiência leitora comprometida é uma lacuna observada em diversas realidades sociais e culturais. 5. A limitação do tipo de feedback e interação possíveis de serem proporcionados por meio dos materiais impressos é freqüentemente uma preocupação dos educadores a distância. o aspecto mais difícil de abordar quando optamos pelo uso de textos em processos educacionais. Infelizmente. 1. o fato de que em materiais impressos não se pode fazer uso do recurso do movimento é uma limitação amplamente superada na mídia digital. não deixe de compartilhar sua percepção e suas inquietudes com o restante do grupo participando do Fórum Livre – Aula 1. Se sua principal preocupação for diferente das listadas a seguir. sem que haja substância pedagógica ou de conteúdo por trás da mágica digital. diversas limitações podem ter passado por sua cabeça.

Os dados foram recolhidos em uma amostra representativa da população entre 15 e 64 anos. podem não ter qualquer relevância. quando o uso de movimentos ou a representação em cores. mas simplesmente características do meio impresso que. Ou seja. esse é o tema que mais me preocupa quanto à utilização de materiais impressos. Particularmente.Planejamento e elaboração de material didático impresso para EAD . visando levantar informações sobre histórico educacional. mais preocupantes porque podem realmente interferir na aprendizagem no momento em que esperamos de nossos alunos proficiência leitora para a compreensão dos conteúdos oferecidos. além do julgamento das pessoas sobre suas capacidades e disposições quanto à leitura e à escrita. usos da linguagem escrita em diferentes contextos. Letramento no Brasil O gráfico a seguir sintetiza os principais resultados de uma pesquisa realizada em 2001 sobre as condições de letramento dos jovens e adultos brasileiros.elementos instrucionais e estratégias de ensino Um exame cuidadoso dos itens listados na resposta comentada da Atividade 2 mostra que as limitações identificadas nos itens 1 a 3 não são realmente limitações. O boxe “Letramento no Brasil” apresenta resultados interessantes acerca dos níveis de alfabetismo dos jovens e adultos brasileiros. por exemplo. para muitas situações educacionais e instrucionais.indd 22 Mais 10/10/2007. não forem essenciais para a compreensão de um determinado tema (conforme freqüentemente é o caso). 11:09:14 AM . O mesmo não podemos dizer acerca dos itens 4 a 6. Alfabetismo segundo o grau de escolaridade 100% 90% 80% 70% 60% 50% 40% 30% 20% 10% 13% 3% 0% Até 3ª série (447) 2% % De 4ª a 7ª série (764) Ensino Fundamental Completo e Médio incompleto (384) 5% Ensino Médio completo ou mais (405) 44% 50% 0% 43% 66% % Alfabetismo Nível 3 Alfabetismo Nível 2 Alfabetismo Nível 1 Analfabetismo 30% 2% % 11% 1% 12% 42% 38% 44% aula1. Uma proporção significativa dos aprendizes não sabe fazer um uso ótimo de materiais impressos e está mais adaptada 22 à informação visual. à qual foram aplicados um teste de leitura e um questionário. o material impresso não é desvantajoso. e me parece tão nevrálgico que gostaria de discuti-lo de forma mais detalhada na próxima seção.

Muitas conseguem também localizar informações em textos de extensão média. lembro-me claramente de elementos que capturavam minha atenção de forma quase magnética! Seqüências de números associadas a figuras do dia-a-dia (.. Nível 1 de alfabetismo As pessoas que acertaram de 3 a 9 itens do teste foram classificadas no nível 1 de alfabetismo..unicamp. localizar informações explícitas em textos curtos.. Disponível em <http://www. podendo orientar-se pelos subtítulos. Conseguem. seis carrinhos. terá assistido. comparar dois textos e realizar inferências e sínteses.. aula1. Nível 2 de alfabetismo O nível 2 de alfabetismo corresponde às pessoas que acertaram de 10 a 15 itens do teste. Esse grupo consegue localizar informações explícitas em textos muito curtos e também ler títulos bem destacados. por exemplo. Ênio. situaçõesFigura 1. Claudia Lemos Vóvio e Mayra Patrícia Moura.2: Em 1973. entretanto. que não exigiram decifração das letras. Além dos personagens mais famosos. além de localizar nos textos várias informações de acordo com as condições estabe-lecidas. Pesquisa e Informação. Nível 3 de alfabetismo Foram classificadas no nível 3 de alfabetismo as pessoas que acertaram de 16 a 20 itens do teste. uma espécie de montanha-russa percorrida por uma bolinha que ultrapassava diversos obstáculos. versão brasileira da série educativa norte-americana Sesame Street.. Trechos extraídos da pesquisa realizada por Vera Masagão Ribeiro.Aula 1 – Material impresso como recurso educacional: isso é história? Analfabetismo A maioria das pessoas classificadas como analfa-betas não acertou nenhum dos itens do teste. apontar o nome da revista na capa da publicação utilizada para a testagem. mesmo se você for o professor mais jovem do grupo. estabelecer relações entre as partes do texto. sete lâmpadas. a algum episódio ou fita de vídeo do programa de TV Vila Sésamo. em sua infância. com grande freqüência. da ONG Ação Educativa – Assessoria.). chegava à nossa TV o Vila Sésamo... como.indd 23 10/10/2007. conseguiram responder a um ou dois itens mais simples. Algumas.cedes.cinco cachorros. Beto e só um probleminha com a Vila Sésamo Sou capaz de arriscar que. Essas pessoas demonstraram capacidade de ler textos mais longos. mesmo que não estejam explícitas.br> 23 Garibaldo.. 11:09:17 AM .

na formação de seu perfil como aluno.Planejamento e elaboração de material didático impresso para EAD . não raramente. assistindo a um programa educativo e divertido como há muito tempo não se vê por aí. Da mesma forma. Funga-Funga e Come-Come. http://www. um sem-número de fantoches com nomes tão esquisitos quanto Gugu. sem ter conseguido achar seu patinho de borracha. nossos estudantes foram criados na era televisiva. crescemos acostumados a decodificar informações cujo apelo visual exercia um papel fundamental. deixando-me impregnar da idéia de sistemas complexos e aprendendo a resolver problemas junto com uma ave azul de três metros de altura. Eventuais lacunas em nossa proficiência leitora talvez tenham sido menos percebidas dada a presença constante do mestre em sala de aula. com menor comprometimento educacional do que aquele sob o comando do Garibaldo. com materiais impressos tais como livros didáticos e paradidáticos. Programas de formatos variados trazem. um sapo com jeito introspectivo que inspirava terapia. aula1. Quem se recorda? Não se esqueça de que o espaço Fórum Livre – Aula 1 está disponível na Plataforma também para você compartilhar as influências de seus hábitos de infância. Multimídia Vale a pena conferir o endereço abaixo e relembrar 24 a seqüência do programa Vila Sésamo que mostra uma bolinha trafegando em complexo sistema que lembra uma montanha russa. 11:09:18 AM . contamos com uma figura decisiva ao nosso lado: o professor. além de alguns seres humanos para contrabalançar. Quando passamos à educação formal e ao conseqüente convívio. da geração Vila Sésamo. como professor ...indd 24 10/10/2007.com/watch?v=ewalHF0T0GY Nós (se você me permite o plural). informações já pensadas. cada vez mais. cada vez maior. da sua criação.youtube. Eram imagens que falavam comigo! E eu cresci associando números a quantidades.elementos instrucionais e estratégias de ensino problema gravíssimas como a falta de luz bem na hora em que Ênio ia para o banho. concluídas e. é claro! Tudo isso enquanto almoçava calmamente em frente à TV.

sejam eles os materiais que você distribui em sala de aula. 25 aula1. em que alunos dependem da conceituação de conteúdos textuais para procederem à sua aprendizagem. Tornar a leitura mais fácil para o leitor e. Antes de tudo. por meio de instrução formal ou informal. Como retomar o processo de concepção e conceituação de informações a partir de um texto.indd 25 10/10/2007. deve ser a maior preocupação do educador. Parece paradoxal que o consenso.Aula 1 – Material impresso como recurso educacional: isso é história? Quando consideramos a educação a distância. De cursos técnicos ou do ensino superior. manuais de atividades práticas em laboratório ou aulas para cursos a distância. quase global. um número preocupante de materiais didáticos digitais se atêm demasiadamente ao elemento textual. de jovens ou adultos: seu propósito principal no contexto dessa capacitação é produzir bons materiais textuais para instrução. cinética ou não? Em materiais didáticos concebidos para ambientes digitais. curiosamente. enquanto nos debatemos para superar as limitações de materiais impressos relativas à impossibilidade de veiculação de movimento. precisamos ser capazes de resolver um problema mais grave do que a simples falta de luz na hora do banho do Ênio. 11:09:19 AM . som e interação. ao redor das promessas tecnológicas como um meio que finalmente possibilite romper paradigmas educacionais seja freqüentemente acompanhado da criação de produtos digitais que em muito estão circunscritos às ofertas cognitivas de um livro-texto convencional. Digo potencialidade porque. como faziam mais freqüentemente nossos pais e avós ao lerem contos populares? Como caminhar na contramão de quem está mais acostumado a produzir a partir da imagem. para a sua aprendizagem. você é um educador. a potencialidade do elemento visual é naturalmente mantida. e principalmente. especialmente.

Tente detectar.elementos instrucionais e estratégias de ensino Atividade Final Atende aos objetivos 3. em cada uma delas. Matemática e Pedagogia. pelo menos um elemento gráfico que atenda mais eficazmente à aprendizagem de conteúdos em uma dessas áreas. 11:09:19 AM . 4 e 5 j Imagem e aprendizagem Como fazer um uso equilibrado e potencializador do elemento imagético. 26 Matemática aula1. de forma a criar condições que favoreçam a aprendizagem? Observe páginas extraídas de diferentes livros didáticos: Biologia.indd 26 10/10/2007.Planejamento e elaboração de material didático impresso para EAD .

Aula 1 – Material impresso como recurso educacional: isso é história? 27 aula1.indd 27 10/10/2007. 11:09:37 AM .

elementos instrucionais e estratégias de ensino Resposta comentada A Matemática é uma ciência difícil de ensinar. pois permite conexões com situações. associado ao uso de boxes. elementos periféricos adicionais. inclusive uma biografia que traz a ciência para o mundo real. Possivelmente. É comum que os textos de aula nessa área sejam excessivamente descritivos. Ensinar Biologia a partir de imagens é uma estratégia que prescinde de explicações. esgotando a capacidade analógica do aluno em situações em que a imagem poderia ser mais eficazmente utilizada. por um lado. da perspectiva geométrica. esquemas e diagramas são recursos que podem ser utilizados tanto quanto sua criatividade e seus recursos de produção permitirem. 28 haveremos de ter mais chances de sucesso no ensino de Matemática. reflexão e discussão. 11:10:00 AM .Planejamento e elaboração de material didático impresso para EAD . É comum que as informações textuais nessas áreas sejam densas e extensas. verbetes e demais elementos periféricos contribui muito para facilitar a apreensão da informação. repare a diagramação arejada valorizando a representação de retas e planos. tais como verbetes e boxes explicativos. O elemento imagético é particularmente importante na representação espacial. que fica mais limpa. por outro. No entanto. Some isso à comparação entre elementos geométricos e uma figura humana e teremos bons pontos de conexão com o aluno. contextualizando situações. utilizando-se da linguagem escrita. é uma prática a que poucos professores devotam atenção. Um investimento diferenciado na diagramação. com o texto “se movimentando” ao redor da imagem. ensinar Matemática contando histórias. contextos e demais áreas do saber que em muito contribuem para o aluno expandir seu horizonte cognitivo. destacando-se no suporte impresso em que é veiculada. Mesmo com o farto uso de ilustrações. Fotos. contribuindo para a visualização de conceitos. A formalidade de uma linguagem própria associada à freqüente necessidade do raciocínio lógico e abstrato fazem da Matemática um desafio para alunos e professores. é particularmente valioso. as ciências humanas são mais facilmente relacionáveis ao nosso cotidiano. ilustrações. longos. requerem mais inventividade para o uso de elementos imagéticos nos processos de ensino e aprendizagem. aula1. mas note também que há informações textuais. nesse caso. contribuem para um design gráfico mais agradável e para aliviar um pouco o peso do corpo do texto principal. como um reflexo da necessidade natural de se exporem conteúdos sob forma de descrição.indd 28 10/10/2007. Se. O uso de analogias. No exemplo dado.

Resumo A s práticas seculares de ouvir e contar histórias fazem parte das razões pelas quais os materiais impressos exercem um importante 29 papel na Educação a Distância. assim. Em qualquer dos exemplos discutidos. aula1. os professores propõem aos alunos “uma viagem pelas terras dos Fundamentos da Educação”.indd 29 10/10/2007.Aula 1 – Material impresso como recurso educacional: isso é história? No exemplo. a educação a distância. envolver mais seus leitores/alunos com o conteúdo. com a aprendizagem em si. elementos imagéticos podem contribuir bastante para maior eficácia na aprendizagem. sua adequação para a oferta de grandes quantidades de conteúdo e. com você. as diferentes rotas de navegação decorrentes de uma arquitetura de informação bem articulada. seu incomparável potencial de inclusão social. especificamente. ao ensinar qualquer disciplina. especialmente se utilizados de acordo com as especificidades de cada área ou disciplina a que se destinem. você pode sempre usar a imagem para ilustrar melhor a história que está contando e. a utilização desses materiais está associada a vantagens. 11:10:00 AM . não se esqueça de que. Além de serem bastante familiares. Nesse sentido. Restrições relativas à baixa capacidade leitora e ao hábito associado à informação visual são questões de relevância primordial ao se considerar. ilustrado desde a capa do volume. tais como a flexibilidade de estudo no tempo e no espaço. compreendidos e aceitos pelos leitores. simboliza um meio de percurso pelas estações e temas da disciplina. Limitações como a impossibilidade de representação de movimento e a menor interação entre pares devem ser consideradas quando da elaboração de aulas voltadas para a mídia impressa. especialmente. em que um trem.

E. que todas as aulas se voltam para este mesmo tema central. W. Foresman. Desktop publishing skills: a primer for typesetting with computers and laser prints. Misanchuck. W. Instructional Design Theory. Sams. R. J. 30 Clark R.). E. E. aula1. & Nace. Paris. 1994. J. Caso você tenha interesse em se aprofundar nos temas abordados nessa primeira aula. Desktop publishing bible (pp. imagens de mulheres.A. Stockford. Reading. Preparing instructional text – Document design using desktop publishing. Felici. http:wwwscielo. Abramowicz.br/scielo. R.: Scott. 1994. Research on student thought processes during computer-based instructions. MD. New Jersey. and Hansen. A. Englewood Cliffs. B (ed) Distance Education: Strategies and Tools. 1998. Bibliografia consultada Burns. S. Les contes de fées et k’art de ka sybersion. você vai perceber.php?script=sci_arttex&pid=S0101-32621998000200006#back Informações para a próxima aula Na Aula 2. Payot. teremos a oportunidade de discutir aspectos gerais do desenho instrucional de materiais didáticos impressos para EAD. L. Redmond. 1ed. ao longo do módulo.: Microsoft Press. Contos de Perrault. Dick. Para complementar sua leitura nos temas que serão abordados no Módulo II. D. Ed. 1990. 53-72). é importante explorar materiais em língua estrangeira. recomendo a leitura de duas publicações: MISANCHUCK.R. & Wright. West. 1987. Desktop publishing by design. I. 1994. buscando facilitar nosso trabalho como educadores: priorizar a máxima eficácia instrucional como elemento supremo de nosso trabalho. a literatura em português acerca de materiais didáticos impressos não é vasta. 1986. New York: Brady.. Educational Technolgy Publications Englewood Cliffs. The systematic design of instruction. The electronic publisher. D. In The Waite Group (J. T.L.: Addison-Wesley. New Jersey: Educational Technology y Publications. Zipes. 11:10:01 AM . Indianapolis. 1987. Inc.R. 1989. MERRIL.indd 30 10/10/2007. New Jersey. Glenview. 1984. 307 pp. & Carey. 1988. M. IN: Howard W. Design for desktop publishing. Shushan.Planejamento e elaboração de material didático impresso para EAD .A. Preparing instructional text – Document design using desktop publishing. Venit. Educational Technolgy Publications In: Willis. Na verdade. S.elementos instrucionais e estratégias de ensino Leituras Recomendadas Infelizmente.

9:54:07 AM .Au 2 Desenho instrucional em materiais didáticos impressos – uma boa idéia! Cristine Costa Barreto aula2.indd 31 10/10/2007.

3. motivacional e emocional. 9:54:07 AM .indd 32 10/10/2007.elementos instrucionais e estratégias de ensino Meta Discutir os principais aspectos educacionais que subsidiam a concepção de projeto instrucional para materiais didáticos impressos na Educação a Distância (EAD). Identificar os níveis em que o desenho instrucional opera em materiais educacionais. você deverá ser capaz de: 1.Planejamento e elaboração de material didático impresso para EAD . Relacionar a linguagem escrita ao desenvolvimento de elementos que favoreçam a aprendizagem do aluno a partir de suas capacidades cognitiva. Objetivos Ao final desta aula. aula2. 4. Determinar as limitações envolvidas na decodificação 32 das informações e comportamentos típicos do ensino presencial para a linguagem da Educação a Distância. 2. Definir estratégias que contribuem para essa decodificação.

Aula 2 – Desenho instrucional em materiais didáticos impressos – uma boa idéia! O que é desenho instrucional? Boa pergunta. Essa é a fotografia de um tipo de vegetal chamado repolho-romanesco. Atividade 1 Atende ao objetivo 1 j Um jantar geométrico Foto: Johan Bolhuis 33 Fonte: www. aproveite e pense também sobre o que é desenho instrucional e o que essa comida caseira tem a ver com o conceito. você provavelmente está pensando. tão comum à mesa de europeus e americanos quanto é a couve-flor à nossa. 9:54:08 AM .. peço que observe a imagem a seguir.hu/722018 aula2..indd 33 10/10/2007.sxc. Agora responda: qual parte desse repolho se assemelha a uma estrutura cônica? Enquanto observa a imagem e tenta responder à pergunta. Mas antes de começarmos a conversar sobre o tema.

D iferentemente da geometria euclidiana.elementos instrucionais e estratégias de ensino Resposta comentada Se você é um bom observador. a geometria fractal não trata de formas regulares como um quadrado ou um cone. pelo menos. em mais uma escala de observação. Não sabe bem o que é geometria fractal? Então. Olhando ainda mais atentamente. provavelmente detectou estruturas cônicas em. infinitamente. De modo simplificado. O repolho inteiro tem aspecto cônico. mas é constituído de estruturas que parecem pequenas árvores de Natal que também se assemelham a cones. Uma das características de um objeto fractal é ter comprimento infinito. e provoca a imaginação que nos desafia a pensar até aonde vai a auto-similaridade do repolho-romanesco. cada “árvore” é constituída de estruturas mais delicadas que. dentro de um quadro. Seu comprimento ou área (ou o tamanho) são crescentes conforme tentamos medi-los com maior precisão. podemos dizer que é um objeto que se apresenta igual aos nossos olhos por mais que nos aproximemos ou nos afastemos dele. pelo menos. Fractal é o nome dado a uma forma geométrica irregular que pode ser subdividida em partes.indd 34 10/10/2007. que aprendemos na escola. algo como um essencial quadro dentro de um quadro. podemos fazer uma analogia entre geometria fractal e processos de criação de elementos instrucionais na Educação. 9:54:09 AM Mais Qual o tamanho do repolho? .Planejamento e elaboração de material didático impresso para EAD . A foto sugere que essa repetição de padrões cônicos se dê. ou seja. só para começar. 34 Auto-similaridade Qualidade de um objeto que exibe uma mesma aparência em diversas escalas de observação. conforme vamos incluindo cada vez mais detalhes de suas formas na nossa medição. possuem aspecto cônico. para continuarmos a conversa. da mesma forma. E o que isso tem a ver com desenho instrucional? Aparentemente. Um dos exemplos mais famosos é o Floco de Neve de Koch: aula2. três níveis do repolho-romanesco da foto. cujas partes são similares ao todo e umas às outras. se prosseguirmos com a criatividade trabalhando a nosso favor. dá uma olhada no boxe “Qual o tamanho do repolho?” antes de passar à próxima seção. Mas assim como um exercício menos usual nos permite enxergar cones em repolhos e formas geométricas no jantar. mais detalhada. e cada parte será uma cópia reduzida da forma do todo. não muito.

. 9:54:10 AM . Basta você entrar com o termo em qualquer site de busca. levando em consideração cada vez mais detalhes geométricos. se fôssemos tentar medir sua superfície com precisão cada vez maior. aula2.. e encorajam seus alunos a serem críticos. eu diria que é uma boa idéia que encontrou caminhos para fazer diferença na vida de alguém que está tentando aprender alguma coisa. Se tivesse de responder a você. De fato. a estrutura cônica do repolho se repete e. Dentro de uma certa escala. “Ensinar é a forma mais elevada de compreensão” (BOYER. uma série de etapas devem ser cuidadosamente planejadas e executadas. como é o caso do repolho-romanesco. o que é desenho instrucional. tivemos de fato uma idéia que contribuiu para ensinarmos melhor. Uma conceituação que me agrada...indd 35 10/10/2007. pensadores criativos. como Aristóteles disse. é descrita no boxe “Conceituando Desenho Instrucional”. Para que esses caminhos sejam encontrados. como educadores. não a passiva. com a capacidade de prosseguir aprendendo. especialmente por sua abrangência. Grandes professores estimulam a aprendizagem ativa. antes de termos certeza de que. para se deparar com milhares de resultados possíveis. Ensinar tanto educa quanto seduz futuros estudantes. poucas formas são consideradas fractais de fato. Há muitas definições para o termo desenho instrucional. perceberíamos que podemos ter para o jantar um prato de tamanho infinito e que nem por isso engorda mais! 35 Ensinar: a forma mais elevada de compreensão O trabalho do professor apenas é conseqüencial no momento em que é compreendido pelos estudantes. objetivamente... embora possamos dizer que algumas apresentem um padrão essencialmente auto-similar.Aula 2 – Desenho instrucional em materiais didáticos impressos – uma boa idéia! Na natureza. 1990).

Por mais que os níveis sejam considerados. além de mecanismos que nos permitam testar e avaliar a eficácia das diretrizes estabelecidas em todos os níveis de uma proposta político-pedagógica. surgimento de novas demandas. para garantir que todas as etapas sejam cumpridas. garantindo a integridade de cada parte e abrindo caminhos seguros para cada uma das boas idéias que tivermos. Pode ser aplicado ao planejamento e desenvolvimento de cursos. Uma espécie de sistema auto-similar em que cada nível reproduz. Isso é o que garante a qualidade do material educacional. Mas para assegurar essa qualidade em uma aula para EAD.php No que se refere à Educação. mudanças em cenários políticos. Fonte: http://www. processos e resultados.Planejamento e elaboração de material didático impresso para EAD . de movimentos incessantes.idprojetoseducacionais. análise das condições ambientais sob as quais o aprendizado deve ocorrer. Freqüentemente precisaremos ir e vir. para aperfeiçoá-las de acordo com a evolução das descobertas.com. uma mesma estrutura global.elementos instrucionais e estratégias de ensino D esenho Instrucional é o desenvolvimento sistemático de materiais e processos educativos visando à alta qualidade do aprendizado. de um nível para o outro. a fim de solucionar problemas relacionados à capacitação e educação. Envolve etapas de análise de necessidades. de um nível instrucional para o outro. o desenho instrucional é um processo que ocorre em vários níveis. de forma sistemática. materiais e atividades didáticas através de diferentes mídias. econômicos ou sociais. para facilitar a aprendizagem de grandes e pequenas unidades de conteúdo em níveis de complexidade altos e baixos. bem como a avaliação de materiais educativos. Esse processo é dinâmico. Fundamenta-se em teorias comportamentais. 9:54:12 AM Mais Conceituando Desenho Instrucional . o processo inteiro inclui a análise das demandas de aprendizagem em um determinado contexto educacional. por exemplo. análise dos objetivos educacionais.indd 36 10/10/2007. como os cones do repolho-romanesco. está voltado para assegurar a qualidade da instrução 36 em materiais que pretendam ensinar algum conteúdo ou procedimento. a concepção de estratégias e materiais instrucionais que reflitam as especificidades das diversas modalidades de ensino e das diversas áreas de saber. resultados de avaliações.br/home. aula2. cognitivas e construtivistas. todos evidenciam e repetem um mesmo padrão: a busca por melhor ensino e melhor aprendizagem. Isso é o que define um bom desenho instrucional. o desenvolvimento de um sistema que atenda a essas demandas. em termos de princípios educacionais. De forma geral.

tive a estranha sensação de que diferentes sistemas instrucionais eram representados por meio de uma infinitude de diagramas e fluxogramas que me pareciam. como se esse fosse um cenário facilmente traduzido em ações e bons resultados. freqüentemente. mas é difícil compreendê-las. Não vazios. a necessidade de se estimular a autonomia do aluno. vamos ajustar nosso foco e falar de desenho instrucional em um dos níveis mais importantes do nosso sistema: a aula. de repente. Embora. como professor desafiado a escrever uma aula (na verdade. Uma boa aula não termina em silêncio! Naturalmente. tentando explicar como e por que fazer 37 aula2. como educadores. e diziam pouco acerca de como criá-las e em que contexto utilizá-las. você pode estar pensando que essas idéias até fazem algum sentido. Então. as estratégias que asseguram a qualidade na Educação. no Módulo II estaremos mais voltados para os elementos que compõem um bom desenho instrucional no nível de uma aula. como se fosse fácil não confundir autonomia com uma tremenda carga de trabalho associada a muitas contradições. ganha o remo e a bússola que faltavam para poder remar na direção certa de um porto seguro. senti-me como um náufrago que tem um bote para salvá-lo e que. Gostaria de preencher alguns desses diagramas e fluxogramas vazios. combiná-las e aplicá-las a um contexto específico. Que insistiam na necessidade de uma linguagem dialógica. sem de fato darem subsídios para a organização mental que nos permitiria escrever adequadamente para nossos alunos. presencial ou a distância. diferem dependendo do nível que estejamos considerando. 9:54:12 AM . As poucas vezes em que tive ajuda relevante nessa direção. Tem razão. nos caiba a difícil tarefa de manter um olho na árvore e o outro na floresta (sem ficarmos tontos!). Que chamavam a atenção para a importância de o material didático atender a diferentes interesses e perfis cognitivos dos estudantes.Aula 2 – Desenho instrucional em materiais didáticos impressos – uma boa idéia! A essa altura. de fato. Que repetiam. vazios. Mas que informavam que atividades são um aspecto distintivo e imperativo para a EAD. que seja útil para você.indd 37 10/10/2007. Na maior parte das vezes em que me deparei com livros voltados para a capacitação na elaboração de aulas e outros materiais didáticos para a EAD. várias!) para um curso na modalidade de Educação a Distância. quase como um mantra. Essa é uma opção que nos garante abordagem mais pragmática e maior eficácia para transpormos juntos a distância entre o que você já sabe e o que você precisa saber para elaborar aulas que integrem materiais impressos para a Educação a Distância.

Fonte: www. exemplificações e orientações adequadas.hu Um ponto de partida para escolher para que lado começar a remar é se dar conta de que.1: Sem as diretrizes.sxc. E.elementos instrucionais e estratégias de ensino um bom desenho instrucional em uma aula de EAD. em sala de aula. é difícil para nós. Assim como você. e não r apenas dar a conhecer o conteúdo de que você é especialista e. certamente. vamos ter bastante trabalho para fazermos tudo isso no nível de uma aula apenas. ao escrevermos uma aula para EAD que faça diferença na vida de quem está tentando aprender o que temos para ensinar. você está remando na direção errada! Isso porque uma aula na Educação a Distância deve tentar fazer tudo que você faria pessoalmente. com seus alunos. Gostaria de privilegiar a natureza mais prescritiva das teorias de instrução em vez da natureza mais descritiva das teorias de aprendizagem. nos orientarmos no sentido correto. 9:54:13 AM . se você estiver escrevendo uma aula do mesmo modo que escreveu aquele maravilhoso capítulo daquele fantástico livro-texto muito importante na sua área. domina tão bem. professores.indd 38 10/10/2007. em vez de meramente dizer seu significado.Planejamento e elaboração de material didático impresso para EAD . acredite. sua aula deve ser capaz de ensinar! aula2. Que nosso heróico bote venha com remo e bússola! Foto: Luis Brito 38 Figura 2. em meio a um oceano de dúvidas.

9:54:15 AM .indd 39 10/10/2007. Foto: Jessica Dreschel 39 Fonte: www. antes de ler a resposta comentada a seguir.sxc.hu Foto: Bartlomiej Stroinski Fonte: www.hu aula2. a. b. Pense em uma coisa que você costuma fazer em suas aulas no ensino presencial e que acredita que não seria capaz de fazer por meio de uma aula impressa.. Agora reflita: por que essa impossibilidade? Pense um pouco em como contorná-la.sxc..Aula 2 – Desenho instrucional em materiais didáticos impressos – uma boa idéia! Atividade 2 Atende ao objetivo 2 j Na minha sala de aula.

Pois quando estiver elaborando sua aula impressa para EAD. para se engajar em um festival de cálculos na tentativa de responder quem é esse professor. E alunos são sempre alunos. você pode estar em sala de aula e seus alunos darem tanta atenção a você quanto a alguém que esgota um conteúdo enquanto lê um livro-texto em voz alta. conhecer o ambiente e os alunos. É a pessoalidade de que tanto se ressentem os alunos de EAD. Em sala. sem você abrir a boca! Portanto. uma aula é sempre uma aula e deve dar sempre o que falar. mesmo em seus primeiros dias como professor. Mais ainda. qual seu estilo. após você entrar em sala pela primeira vez. em uma sala de aula presencial. como acadêmico ou indivíduo. o que posso esperar dessa aula hoje e durante todo o ano? Isso. incitar em vez de responder. olhar e voz. mas se revela como uma pessoa real. você não deveria fazer menos que isso. prover informações a seu respeito. dar as boas-vindas pode ser uma boa estratégia para se antecipar aos seus alunos.indd 40 10/10/2007. Afinal.elementos instrucionais e estratégias de ensino Respostas comentadas a. 9:54:18 AM . gerar estímulos motivacionais com sua movimentação. Há estratégias que favorecem a interação em materiais impressos (veja alguns exemplos em seguida da atividade). Por outro lado. o que quer que você tenha pensado deve ter relação com essa limitação. aula2. capaz de olhar em volta. Provavelmente. Em grande medida. dá o tom para que se estabeleça um diálogo entre você e seus alunos. você não mostra apenas o que sabe. claro.Planejamento e elaboração de material didático impresso para EAD . Você há de concordar comigo: uma das limitações mais difíceis de serem contornadas em um material textual é a menor possibilidade de interação que oferece. essas estratégias consistem na formalização 40 e codificação de informações normalmente comunicadas de outras maneiras – algumas vezes não verbais – a um estudante típico. certo? O mesmo em relação ao assunto da sua disciplina. b. Ou você acha que algum aluno seu precisou de mais de 30 segundos. você jamais pensaria em entrar em sala de aula e começar a ensinar sem antes se apresentar a uma turma de novos alunos.

Além disso. trabalhos individuais ou em grupo). frente à dúvida levantada por seus alunos. especialmente as que envolvem a comunicação informal. na Plataforma. as metas de sua disciplina (em termos bastante gerais) são comunicadas aos alunos de uma série de maneiras ao longo de um considerável período de tempo. objetivos de aprendizagem. é especialmente importante que a freqüência e qualidade dos exemplos seja uma preocupação antecipada. para trocar outras impressões com os demais alunos da turma. usualmente todo um semestre letivo. Na Educação a Distância. no momento certo. Abuse dos exemplos e analogias. quantas avaliações haverá. essas oportunidades. aproveite o espaço Fórum Livre – Aula 2. É importante que as metas de sua disciplina – e de cada aula – sejam explicadas de forma clara e completa no início. Foto: Quentin SMITH Em um curso presencial.Aula 2 – Desenho instrucional em materiais didáticos impressos – uma boa idéia! Você pode ter considerado outras estratégias. antecipadamente. Algumas possibilidades estão descritas a seguir. dialogar e atender mais às expectativas dos alunos. para reproduzir um pouco o clima da sua sala de aula. Esclareça suas metas e critérios de avaliação.sxc.hu os alunos estejam apresentando dificuldade. ele será sempre capaz de evocar um exemplo ou dois para ilustrar um ponto em que perceba que Fonte: www. ao surgir a necessidade. Mapas conceituais. os alunos devem saber exatamente o que será esperado deles em termos das tarefas a serem submetidas.indd 41 10/10/2007. de forma a permitir que os alunos saibam. Isso pode não preocupar o professor presencial porque. Foto: Piero Marsiaj Uma lacuna extremamente freqüente em materiais impressos é o fato de não proverem exemplos suficientes. são elementos convenientes para comunicar a estrutura e o escopo de uma disciplina ou de uma aula.sxc. como serão avaliados etc. aumentar o potencial de interação nas aulas impressas. aula2. de que natureza serão (prova discursiva. Fonte: www. em que momento e local se realizarão. Você certamente faz comentários formais e informais que ajudam ao seu aluno saber o que você considera importante como resultados a serem atingidos. 9:54:18 AM . além das boas-vindas. naturalmente são mais restritas. Se você pensou em outras opções. prova de múltipla escolha. índices de conteúdo.hu 41 Em um curso fortemente baseado em materiais impressos. o que privilegiar ao se preparar para uma avaliação etc. em que processo estão se envolvendo.

Foto: Alfonso Diaz A prática é uma contribuição importante para a eficácia da instrução. Em 42 Fonte: www. seja imediatamente seguido de alguma estratégia que promova a reflexão (processamento) e a aplicação (prática) do conhecimento. nos mostra que a maioria de nós poderia contribuir mais para a provisão de processamentos mentais e aplicações de novos conhecimentos. Nesta aula. por exemplo. mesmo quando confinados a um meio de comunicação largamente unidirecional. Tão decisiva que resolvi falar desse tema em uma seção à parte. É necessário um esforço consciente para assegurar que o conhecimento apresentado em uma aula.indd 42 10/10/2007.hu parte. Uma vez que a detecção de dificuldades de aprendizagem é difícil na Educação a Distância (pode ser atrasada muito tempo). Processamento aplicação: pratique a prática. porque nós professores estamos acostumados a pensar em avaliação (que é estritamente ligada à prática) apenas muito depois de a instrução ocorrer. A “má prática da prática” e a trivialização das atividades propostas aos alunos.elementos instrucionais e estratégias de ensino O mesmo se aplica ao uso de analogias. em blocos de tamanho adequado. 9:54:21 AM . Quando utilizada adequadamente.sxc. usei o repolho-romanesco como uma imagem a partir da qual você pudesse compreender que o desenho instrucional é uma estratégia que deve ser aplicada em vários níveis educacionais. um importante instrumento para assistir os alunos na incorporação de novas idéias ao seu conhecimento anterior.Planejamento e elaboração de material didático impresso para EAD . mesmo no ensino presencial. Veja lá como fala! O tipo de linguagem utilizada em materiais impressos para a Educação a Distância tem importância decisiva. a linguagem pode persuadir os aprendizes a experimentar interatividade. aula2. é melhor fazer um esforço consciente para prover analogias desde o início.

citado por Ryszard Kapuscinski em “Minhas viagens com Heródoto . seja por seu conteúdo. como os animais. entre eles. ________________________________________________________________ 2. Recentemente. como acontece entre os outros homens. mas negro como a sua própria pele e também semelhante ao dos etíopes. ________________________________________________________________ 43 Resposta comentada Difícil seria imaginar todos os efeitos causados pela leitura do trecho anterior. não é branco. 9:54:23 AM . Ao folhear o livro com olhos e mente curiosos. O autor diz que leitura é: aula2. São todos da mesma cor. que muito se aproxima da dos etíopes. Indignação? Repulsa? Surpresa? Comicidade? Desprezo? Perplexidade? Estranhamento? Incompreensão? A verdade é que o sentimento em si importa menos do que a percepção de que alguns textos dificilmente nos passam despercebidos e têm a capacidade de nos provocar. seja pela forma como são escritos. O líquido seminal. Sem parar muito para pensar. deparei-me com uma passagem que acabou me fazendo pensar na questão que discutimos agora. É essa capacidade de envolvimento e provocação que devemos buscar com a redação de nossas aulas. 1. uma amiga me mostrou um livro cujo conteúdo julgou fosse me interessar para um projeto voltado para perspectivas de letramento e desenvolvimento de estratégias para aumentar a capacidade leitora em alunos de Educação a Distância. escreva abaixo de uma a três coisas que você sentiu ao ler o trecho de Heródoto.indd 43 10/10/2007. do grego Heródoto de Halicarnasso.Entre a história e o jornalismo”: Os indianos são o mais numeroso povo que conhecemos Esses indianos têm relações em público com as mulheres. ________________________________________________________________ 3.Aula 2 – Desenho instrucional em materiais didáticos impressos – uma boa idéia! Atividade 3 Atende aos objetivos 3 e 4 j Incitação Leia atentamente o texto transcrito do livro História.

o aprendiz ou o leitor geralmente não se aperceberão de um desenho bem-feito. s s Perspicazes palavras! Em que pese textos instrucionais não tenham sido feitos para dar margem a muitas especulações ou entrelinhas.elementos instrucionais e estratégias de ensino Reorganizar entrelinhas e especular o não-dito que deixou um rastro mínimo na penumbra de alguma frase de suma importância. pelo mesmo motivo? Esses sentimentos. Mas podemos fazer isso de forma prazerosa e eficaz a um só tempo. mais evidente. o desenho instrucional é imperceptível (ou invisível). sobre os textos instrucionais.Planejamento e elaboração de material didático impresso para EAD . aula2. procurar outra atividade para fazer. O propósito por trás da preparação de qualquer texto é a comunicação – fazer chegar uma mensagem do emissor ao leitor. Um prazer que muitos de nós perdemos no momento da nossa formação. na educação presencial. principalmente. Se você é um leitor incansável. A importância desses elementos se torna especialmente clara se considerarmos que. são os que devemos tentar associar 44 à leitura como parte de nossa formação educacional. motivantes e relevantes. em que deixamos de ler gratuitamente e passamos a ler para atender a uma forma de cobrança acadêmica. Às vezes acontece de um tema ou de um arranjo de palavras mexer muito conosco. envolvimento. eles estão essencialmente associados à presença do professor. Uma vez bem-feito. Um quebra-cabeça que exige inteligência.indd 44 10/10/2007. típicos da leitura opcional. Essa responsabilidade não recai. Quantos filmes ou peças de teatro foram capazes de te arrebatar os sentidos e te fazer levantar para tomar um ar? Agora me diz: quantas vezes você precisou pousar o marcador dentro de um livro. Ou seja. Jonas Ribeiro (Colcha de leituras . sensibilidade e atenção. têm a palavra escrita como um enorme trunfo a favor de sua capacidade de persuasão. com o mínimo de distorção possível. 9:54:23 AM . O desenho instrucional dos materiais didáticos para EAD é o que permite que as aulas sejam envolventes. aí temos mais é de colocar o marcador naquele instante e ir tomar um ar. Alinhavando leitores). já tem boa parte do caminho andado! O tripé do desenho instrucional para EAD A obtenção de atenção e a motivação são fundamentais em materiais instrucionais para a Educação a Distância. O aprendiz/leitor pode se concentrar somente na informação enviada pelo autor. para além de substanciais.Unindo amores. que se lhe aparecerá de forma mais clara. motivação e provocação. Eles serão transparentes.

. Dessa forma. de 45 Figura 2. (2) linguagem cuja forma e significado sejam claros e contextualizados.sxc. web. o trabalho do professor depende de uma peça central para definir a imagem de sucesso no ensino e aprendizagem. Mas instruções bem desenhadas podem suportar um considerável abuso de layout e design. procuraremos abordar cada componente do tripé de forma bastante objetiva. presencial ou a distância. as estratégias e aplicações diretas dos conceitos que discutirmos na elaboração de nossas aulas. material impresso) escolhida.hu/582105 maneira descritiva e prescritiva. Na Educação. favorecem a aprendizagem e podem contribuir para a formação de estudantes autônomos. Figura 2. Essa peça é o aluno. 9:54:23 AM . com peças obtidas a partir de variados níveis educacionais. E vai percebê-lo inequivocamente. Essa peça.indd 45 10/10/2007.. Foto: Stefanie L. O uso dos princípios do desenho instrucional é mais significativo na determinação da eficácia do material didático do que a mídia (televisão.3: Um bom desenho instrucional representa peças de um quebra-cabeças que.hu/713537 aula2. quem coloca é o aluno. uma vez reunidas.Aula 2 – Desenho instrucional em materiais didáticos impressos – uma boa idéia! Foto: Leo Cinezi Apenas quando o desenho instrucional é pobre. (3) aprendizagem centrada em atividades que incentivem a construção do conhecimento e a resolução de problemas. linguagem e atividades. Embora tenhamos falado de forma mais genérica sobre desenho instrucional nesta aula. daqui para frente passaremos a considerar o desenho instrucional do material didático impresso no que se refere aos elementos instrucionais que constituem o tripé que alicerça nossas aulas: plane-jamento. associada a uma arquitetura da informação bem articulada. de forma prática e pragmática.sxc. Nas aulas que se seguem. Fonte: www. orientados de forma predominantemente interna. Fonte: www. o aprendiz irá notar que alguma coisa está interferindo na recepção da mensagem. Instrução mal desenhada não pode ser resgatada nem pelo tratamento visual mais criativo.2: As características distintivas de materiais didáticos para EAD podem ser representadas por um tripé que sustenta o desenho instrucional de cada aula: (1) objetivos de aprendizagem claros e precisos. compartilhando com você. esperamos deixar claro que desenho instrucional é uma espécie de quebra-cabeça.

indd 46 10/10/2007. em pelo menos. não em minha sala de aula. e que apenas uma desocupada. faria.. Todd Anderson: Eu. 9:54:28 AM . Se vocês querem jogar esses jogos repugnantes. rapazes.elementos instrucionais e estratégias de ensino Atividade Final Atende aos objetivos 3 e 4 j Aos mestres com carinho Os diálogos a seguir são traduções livres que fiz de trechos do roteiro de três filmes em que a figura de um professor é central e decisiva. Agora. John Keating: Um maluco suado e desdentado. Todd Anderson: Um maluco suado e desdentado com um olhar que encurrala meu cérebro. façam isso em suas casas. fora. seu comportamento rude e seus modos indignos. vocês são todas responsáveis. For [fecha a porta] Mark Thackeray: Estou cansado da sua linguagem 46 horrorosa. isso é excelente! Agora dê a ele alguma ação – faça-o fazer algo! aula2. Filme: Ao mestre com carinho Mark Thackeray: [entrando na sala e vendo fumaça] Todos vocês. Há certas coisas que uma mulher decente deve guardar para si. Filme: Sociedade dos poetas mortos John Keating: Feche os olhos . largada. é melhor que aquele objeto repugnante seja eliminado e as janelas abertas para dissipar o mau cheiro.cerrados! Feche-os! Agora.Planejamento e elaboração de material didático impresso para EAD .. a partir deles. Eu não quero saber quem fez – para mim. uma coisa que cada professor retratado fez para contribuir para a aprendizagem de seus alunos. Leia os diálogos e. eu vou sair da sala por cinco minutos e. John Keating: Ah. pense. nesse tempo. Eu fecho meus olhos. Moças. descreva o que você vê. Aquelas que a encorajaram são igualmente desprezíveis. e essa imagem flutua ao meu lado. vocês fiquem onde estão.

indd 47 10/10/2007.. Me fala sobre esse cobertor! Todd Anderson: V-você empurra. estica. esqueça-os! Se concentra no r cobertor. Sempre deixa seus pés com frio.. Você tem que se isso no seu sangue e nas suas entranhas! Se você quiser o rock. Do momento em que entramos chorando até o momento em que saímos morrendo. bate. Lawrence: Você é um gordo perdedor e seu corpo fede. Alicia! Summer Hathaway: Você é uma piada. John Keating: O que ele está resmungando? Todd Anderson: Resmungando a verdade. não é nunca suficiente. eu s O Cara.. e quem vai te peito de me demitir? Hein? Quem vai me demitir? Freddy: Cala o diabo da boca! Dewey Finn: É isso aí. Freddy. eu sou O Cara. Dewey Finn: Sim. isso é demais! Gostei da fala porque eu senti a sua raiva! Summer Hathaway: Obrigada. Você k que ficar possesso com O Cara! E bem agora.Ok. ele vai cobrir somente a sua cabeça. ok! Todo mundo feliz e com raiva agora? 47 aula2. 9:54:29 AM . você é o professor que eu já tive! Dewey Finn: Summer.... é isso aí! Quem vai superá-lo? Alicia: Cai fora daqui. Dewey Finn: . maravilhoso! Todd Anderson: E todo o tempo ele está resmungando. e ele não vai nunca cobrir nenhum de nós. A verdade é como um cobertor curto.Aula 2 – Desenho instrucional em materiais didáticos impressos – uma boa idéia! Todd Anderson: Ele estica as mãos e me estrangula. enquanto você lamenta e chora e grita! Filme: Escola de rock Dewey Finn: [continua a falar sobre “O Cara”] Sim ” você não pode apenas dizer isso. você tem que quebrar regras. seu idiota. John Keating: Isso! Maravilhoso. Você chuta-o. Isso mesmo. John Keating: [alguns na sala começam a rir] Esqueça-os.

aula2. sintetizar o que mais o impressionou no comportamento desses professores? Foto: Rose Ann Fonte: www.sxc.elementos instrucionais e estratégias de ensino Você é capaz de.hu/544853 Resposta comentada Você pode ter pensado em muitas coisas. Somente os diálogos. sem absolutamente nenhum outro elemento explicativo. Todos mostraram pessoalidade. 9:54:31 AM . Todos deixaram clara a posição de mestre. Todos tentaram provocar rompimentos de conceitos. Todos deixaram na mão do aluno a chance de colocar uma peça no quebra-cabeça. Algo mais? Provavelmente. Você se emocionou ao ler algum desses trechos? Você não está vendo o filme e eu não estou ao seu lado agora. e pouquíssimas rubricas.Planejamento e elaboração de material didático impresso para EAD . deixaram claros os comportamentos e as emoções por trás deles. Todos os professores provocaram seus alunos. Todos usaram de emoção. você percebeu coisas que para mim chamaram menos a atenção. 48 os fizeram sair do lugar-comum. a sua própria e a dos alunos. E como você percebeu isso? Vendo o filme? Creio que não. no espaço abaixo.indd 48 10/10/2007.

2006. em uma sala de aula presencial.indd 49 10/10/2007. Esclarecer metas e critérios de avaliação. daremos início ao estudo de cada um dos principais elementos instrucionais que sustentam materiais didáticos impressos para Educação a Distância. Companhia das Letras.Aula 2 – Desenho instrucional em materiais didáticos impressos – uma boa idéia! Resumo D esenho Instrucional é o desenvolvimento sistemático de materiais e processos educativos visando à alta qualidade da aprendizagem. Informações sobre a próxima aula Na próxima aula. No que se refere à Educação. O tipo de linguagem utilizada em materiais impressos para a Educação a Distância tem importância decisiva e pode favorecer ao aluno a interatividade. o desenho instrucional é um processo que ocorre em vários níveis. R. incentivar o processamento e a aplicação dos conhecimentos são algumas dessas estratégias. 49 Leitura Recomendada KAPUSCINSKI. 312 pp. Minhas viagens com Heródoto . todos evidenciando e repetindo um mesmo objetivo: a busca por melhor ensino e melhor aprendizagem. Nosso primeiro passo será parar e planejar: como elaborar objetivos de aprendizagem? aula2. Uma das limitações de materiais textuais é a menor possibilidade de interação que oferece. usar de exemplos e analogias.Entre A história e o jornalismo. em grande medida. desde a análise das demandas de aprendizagem em um determinado contexto educacional até a elaboração de uma aula. o envolvimento e a provocação. Estratégias que favorecem a interação em materiais impressos consistem. 9:54:31 AM . na formalização e codificação de informações normalmente comunicadas de outras maneiras a um estudante típico.

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indd 51 10/10/2007. 9:55:57 AM .Au 3 Objetivos de aprendizagem Roberto Paes de Carvalho Carlos Otoni Rabelo aula3.

9:55:58 AM . 3.Planejamento e elaboração de material didático impresso para EAD . você deverá ser capaz de: 1. Objetivos Ao final desta aula.elementos instrucionais e estratégias de ensino Meta da aula Apresentar os elementos de organização prévia de uma aula/curso e sua importância na produção de aula para EAD.indd 52 10/10/2007. aula3. redigir objetivos de aprendizagem de forma precisa. com ênfase à elaboração de objetivos precisos. determinar elementos de organização prévia 52 numa aula. definir objetivos de aprendizagem. 2.

Aula 3 – Objetivos de aprendizagem

A flecha e o alvo
Os esportes olímpicos representam ideais de superação, precisão técnica e espírito competitivo, dentre outros. Além disso, somente em jogos olímpicos temos contato com atividades esportivas pouco comuns à nossa realidade, como ginástica rítmica, nado sincronizado e arco-e-flecha, por exemplo. Particularmente este último servirá de referência para iniciarmos esta aula. No arco-e-flecha, o atirador se coloca a uma determinada distância do alvo, formado por dez círculos concêntricos. O círculo central, também denominado “mosca”, vale dez pontos; cada círculo seguinte perde um ponto em valor. Para vencer, o competidor tem de somar o maior número possível de pontos enquanto se empenha em lançar uma flecha no círculo central. Portanto, quando o jogador não acerta na mosca, suas chances de sair vitorioso são notadamente menores. Para alcançar seus objetivos, o arqueiro deve praticar uma série de atividades – elaboradas e controladas pelo técnico – a fim de lograr êxito em seu desempenho.
Foto: Aron Cody

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O arqueiro só poderá considerar-se pronto para uma competição à medida que domina as técnicas e os fundamentos do esporte e os executa com precisão. Agora imagine uma relação entre esse esporte e o Ensino a Distância (EAD). Nele, o arqueiro corresponderia ao aluno, o técnico ao professor e a mosca ao(s) objetivo(s) de uma sessão de aprendizagem. A seqüência de atividades desenvolvidas (o treinamento) seria a aplicação do conhecimento adquirido pelo estudante. Afinal, quem disse que o arqueiro – ou qualquer outro atleta – também não é um estudante? É a partir dessa comparação que iniciamos esta aula que se propõe a apresentar, de forma breve, alguns fundamentos teóricos acerca da importância da utilização de objetivos em materiais impresso, bem como orientam sua utilização na

Figura 3.1: No arco-e-flecha, assim como : na EAD, os objetivos são valiosos e determinantes para o êxito.
Fonte: www.sxc.hu/photo/602810 Foto: Colin Maykish

mosca

Figura 3.2: Acertando na mosca.
Fonte: www.sxc.hu/photo/393663

aprendizagem a distância.

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Planejamento e elaboração de material didático impresso para EAD - elementos instrucionais e estratégias de ensino

Um “pingo” de teoria: planejamento dos elementos de organização prévia
Um princípio fundamental do desenho instrucional de material didático voltado para EAD é o planejamento cuidadoso que deve preceder o desenvolvimento de qualquer curso, independente da mídia. Do seu ponto de vista, como professor, considere alguns aspectos tais como: • É necessário antecipar como os futuros aprendizes – que podemos jamais vir a encontrar! – irão se relacionar com o material didático e, portanto, é necessário redigir antecipadamente todas as explicações necessárias à compreensão do conteúdo, explicações que daríamos quase de forma inconsciente, se estivéssemos em sala de aula com nossos alunos.
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• O que antes era uma comunicação transitória e privada entre professor e alunos, dentro de sala de aula, agora é compreendido, registrado e publicado em um material que pode ser examinado e avaliado por alunos e colegas. • Uma vez desenvolvidos e produzidos, o custo reformulação dos materiais pode ser proibitivo para garantir modificações em um curto prazo. Tais fatores parecem nos pressionar na direção de uma meta inevitável: garantir que o material didático que produzimos seja tão eficaz quanto possível, antes de finalizarmos sua elaboração. Do ponto de vista do aluno, é fundamental garantir um ambiente de aprendizagem em que ele possa exercer todo o seu potencial autônomo de forma a realmente se beneficiar de um sistema de aprendizagem flexível, no tempo, no espaço e em outras dimensões de aprendizagem. Essa segurança pode ser oferecida em todos os níveis de um sistema educacional, inclusive em uma aula. Mais pragmaticamente, imagine, por exemplo, uma aula prática de Química em EAD. Se o autor pretende fazer um ou mais experimentos, não seria interessante alertar previamente o aluno sobre a necessidade de ele ter em mãos, antes de iniciar a instrução, materiais necessários à aula em questão? Caso fosse uma aula de Biologia Aquática, por exemplo, não seria necessário ao aluno saber quais conceitos prévios da Biologia Geral precisam estar em mente para entender o novo conteúdo que segue? Os elementos de organização prévia, do inglês advanced organizers, são as informações trazidas no início da aula, que orientam o aluno acerca dos materiais e conceitos que ele utilizará durante a aprendizagem. Aprofunde seus conhecimentos lendo o boxe “Elementos de organização prévia”.

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Aula 3 – Objetivos de aprendizagem

Observe alguns exemplos destes elementos no quadro a seguir.
Quadro 3.1: Exemplos de elementos de organização prévia

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seja previamente disposta para o aluno.
Fonte: http://www.sxc.hu/photo/466348

Elementos de Organização Prévia (Advanced organizers) s

A

dvanced organizers é um conceito estabelecido e sistematicamente estudado por David s Ausubel. A primeira aparição desse conceito se deu no artigo “O uso de elementos de

organização prévia no aprendizado e retenção de material verbal significativo” (The use of advanced organizers in the learning and retention of meaningful verbal material - Journal of Educational Psychology, nr. 51, 1960). y Influenciado pelas teorias de Jean Piaget, seu objetivo era provar, consistentemente, que os advanced organizers facilitam o aprendizado. Tal posicionamento exerceu significativa s influência no campo da Psicologia da Educação a partir da década de 1960.

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Mais
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Planejamento e elaboração de material didático impresso para EAD - elementos instrucionais e estratégias de ensino

Atividade 1
Relacionada ao objetivo 1 j

Definindo elementos de organização prévia
Observe o seguinte experimento prático, de uma aula de Ciências, para aplicar o conceito de tensão superficial:

Caracterizando tensão superficial Esta atividade é um pouco diferente das demais que você encontrou nesta aula pois é prática. Para realizá-la, você precisará de alguns materiais bastante simples, como: - 1 copo de vidro; - água;
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- 1 colher de sopa de detergente; - 1 agulha (alfinete também serve); - 1 conta-gotas; - 1 pinça. Tendo em mãos estes materiais, realize a seguinte seqüência de procedimentos: 1. encha o copo com a água; 2. pegue a agulha com a pinça; 3. coloque cuidadosamente a agulha sobre a água; 4. com o conta-gotas, adicione lentamente o detergente ao copo d’água. Observe o comportamento da agulha durante suas adições. O que aconteceu com a agulha depois de você adicionar detergente ao copo d’água? Como você explicaria este fenômeno?

No caso de uma atividade prática como essa, que propõe a realização de um experimento, naturalmente os materiais que devem ser discriminados para o aluno antes do início do seu estudo incluem um copo de vidro, água, detergente, agulha, conta-gotas e pinça. Mas nem sempre as atividades que propomos são práticas, e mesmo se forem, pode haver conceitos teóricos necessários à sua realização e compreensão que devem ser

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Aula 3 – Objetivos de aprendizagem

destacados como pré-requisitos. Assim, materiais utilizados em um experimento bem como elementos conceituais podem ser fundamentais para que uma atividade seja realizada com sucesso. Partindo deste modelo, imagine agora uma atividade qualquer, prática ou não, que você possa propor em sua disciplina. Considere qualquer tema, de qualquer aula, pense em uma pergunta que você faz comumente em sala de aula ou um experimento que faz parte de seu conteúdo programático. Pense em um tema de que você goste. Pensou? Agora pense quais os elementos de organização prévia que você deve informar ao seu aluno como prérequisito para a realização da atividade que você imaginou. Liste-os abaixo. 1. ______________________________ 2. ______________________________ 3. ______________________________ 4. ______________________________ 5. ______________________________ 6. ______________________________
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Resposta Comentada
Naturalmente não há apenas uma resposta para essa atividade. Esse foi apenas um exercício para você praticar o conceito de elementos de organização prévia como prérequisitos à realização de uma atividade. Mas o importante mesmo é perceber que esses elementos podem ser muito variados, e variam quanto à função que apresentam em uma aula. Assim, além de pré-requisitos, informações preliminares tais como mapas conceituais, orientações de estudo, leituras prévias, dentre outros, são comumente apresentados no início de uma aula, unidade ou livro, de forma a oferecer ao aprendiz uma idéia geral do que deve ser procedido para auxiliá-lo a organizar sua aprendizagem. Na seção a seguir, vamos falar sobre um dos elementos de organização prévia mais relevantes para a elaboração de materiais didáticos impressos para EAD.

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Incredulidade que isso pudesse ser considerado um objetivo. no topo da primeira página. Você lê. sem especificações precisas do que será realizado. a Terra. do que o professor pretende fazer ao longo de uma aula (ou de um curso).indd 58 10/10/2007. conforme você poderá confirmar ao longo de todo o Módulo II. Algumas características de uma meta de aula. • Expressar a intenção do professor. 58 O autor segue a narrativa dizendo que a sua reação seria uma mistura de admiração e incredulidade! Admiração pela abrangência da colocação. O título do livro é O universo. ementa ou conteúdo”. de forma ampla. o seguinte objetivo: • Fazer o estudante compreender a natureza e a composição do Universo e também rastrear a origem da vida em geral bem como a origem e o desenvolvimento do Homem. Qual seria sua reação a esse objetivo? A situação que ilustrei foi transcrita de um livro voltado para o design e a produção de materiais auto-instrucionais.Planejamento e elaboração de material didático impresso para EAD . consideramos meta como uma descrição. Imagine ainda que você começa a folhear esse livro e se depara com os objetivos da primeira aula. A meta de uma aula define o conteúdo principal a ser abordado. evolução e origens. homem. situando-a em um contexto mais abrangente.elementos instrucionais e estratégias de ensino Metas e objetivos: poucas palavras. em termos bastante gerais. são: • Relacionar-se ao que o professor irá fazer naquela aula (as atividades dos estudantes não são mencionadas explicitamente). aula3. E atribui a reação à possibilidade de diferentes entendimentos acerca do que sejam metas e objetivos e sugere fortemente que um bom tempo seja destinado a discussões entre colegas da mesma instituição para conceituar esses termos. muita importância Imagine que você tem em mãos um livro didático para EAD. Veja mais sobre a meta no boxe “Meta. 9:56:15 AM . em particular. No caso de nossas aulas.

texto e discurso . OLIVEIRA.a coesão seqüencial . (In: Unidade I: formulação de políticas de saúde. por exemplo. 1998) aula3. em parceria com a UnB e com a FINATEC. e essa variação segue critérios oriundos de linhas metodológico-editoriais particulares.diferença entre coesão textual e coerência textual . ementa ou conteúdo? Diversos programas de EAD possuem formas distintas de apresentar a meta como elemento de organização prévia. Apreciação histórica e cultural do processo saúde-doença e das práticas de saúde correspondentes.a coesão recorrencial (In: Descrição do português à luz da lingüística do texto.indd 59 10/10/2007.Aula 3 – Objetivos de aprendizagem Meta. Os fenômenos contemporâneos de transição da estrutura populacional e da distribuição de doenças na sociedade. organizado pela Escola Nacional de Saúde Pública (ENSP) da Fundação Oswaldo Cruz (FIOCRUZ). 9:56:15 AM . adoecimento e morte das pessoas. H. F. organizado pela UFRJSEAD (em convênio com o Exército Brasileiro). foi adotada a ementa em vez de meta para designar a composição dos módulos de ensino: Mais 59 Ementa O processo de saúde-doença: fatores de vida. No curso de pós-graduação a distância em Língua Portuguesa (2001). 2001) Já no Curso de Aperfeiçoamento para Dirigentes Municipais (Gestão em Saúde).a coesão referencial . Brasília: UnB. Modelos de explicação do processo saúde-doença. adotou-se a divulgação do conteúdo em vez de meta: Conteúdo . Rio de Janeiro: CEP⁄SEAD.

indd 60 Foto: Rose Ann 10/10/2007. 9:56:16 AM . objetivo quer dizer o que se quer alcançar. sem rodeios. Eles estão listados no início de cada aula. haja vista as imensas possibilidades que existem em qualquer língua. uma vez que norteiam a elaboração das atividades encontradas numa aula. para que o aluno saiba quais pontos 60 são mais importantes. direto. os objetivos estabelecem prioridades no conteúdo de uma aula e definem exatamente o que o aluno deverá ser capaz de executar ao final de seu estudo. Selecionar uma palavra é. merecem destaque os objetivos. Alguns verbos são mais precisos que outros uma vez que definem exatamente o que o aluno deve executar ao final do seu estudo.sxc.hu/544853 aula3. funcional. abrir mão de outra. façamos um rápido exercício que vai ajudar a compreender melhor a importância de escolher a palavra certa na redação de objetivos de aprendizagem. professor. Em outras palavras. Segundo o Dicionário Houaiss da língua portuguesa. Se queremos saber se estamos ensinando corretamente. Antes de continuarmos a conversa.Planejamento e elaboração de material didático impresso para EAD . espera que o aluno alcance ao final de uma aula. Preencha o quadro a seguir respondendo à pergunta: Onde você mora? Fonte: www. mais precisamente) concorrem para um grau de maior ou menor eficiência e precisão e isso não é simplesmente uma questão de gosto. devemos ter uma percepção clara do que deve ser atingido. E de que forma tal definição nos ajuda a entender a importância da definição dos objetivos em materiais impressos para a Educação a Distância? Fácil: os objetivos de uma aula devem identificar claramente aquilo que você. obrigatoriamente. que são o foco principal desta aula. O estabelecimento de objetivos contribui ainda para orientar o desempenho do estudante.elementos instrucionais e estratégias de ensino Dentre os elementos de organização prévia apresentados. Explorando o conhecimento: como utilizar tais elementos Certas palavras (verbos ou locuções verbais.

cidade. é bem menor. Da mesma maneira. o número do prédio etc? Provavelmente você teve dúvidas sobre o quão específico você deveria ser. aula3. você respondeu que os verbos da lista A têm maior precisão. Ainda que você não tenha mencionado algum dado. como seu país por exemplo. Isso revela que perguntas imprecisas provocam respostas variadas. bairro. provavelmente anotou seu estado. Observe as duas relações de verbos a seguir. Qual dos dois grupos indica ações mais precisas? Quadro 3. uma vez que são aspectos internos aos indivíduos.indd 61 10/10/2007. alguns verbos denotam ações mais precisas que outros. Mas por que se preocupar tanto com isso na hora de redigir os objetivos de aprendizagem de seu aluno? Simples: para ele saber exatamente o que você quer que ele saiba ou faça ao final de cada aula. E se a pergunta fosse “Qual o seu endereço completo”? Com certeza a variedade de respostas possíveis. 9:56:16 AM .Aula 3 – Objetivos de aprendizagem Como você respondeu? Disse que morava no Brasil? Preencheu com o nome de seu estado? Considerou apenas seu bairro ou optou por incluir o nome da rua.2: Verbos e seus graus de precisão 61 Lista A Definir Descrever Listar Distinguir Aplicar Comparar Estabelecer Identificar Relacionar argumentos Representar graficamente Reconhecer Ordenar Exemplificar Avaliar Diferenciar Lista B Compreender Saber Ter entendimento sobre Apreciar Ter noções de Estar ciente de Perceber Perceber o significado de Obter conhecimentos sobre Acreditar em Demonstrar Familiarizar-se Ter sentimento de Informar-se Dominar Naturalmente. o número de seu prédio e apartamento e talvez mesmo o CEP. rua. Não podemos observar diretamente o acúmulo de conhecimento ou a aquisição de habilidades estabelecidos nos objetivos. nesse caso.

tanto quanto possível. Que tipo de atividade você proporia ao seu aluno para que ele demonstrasse que percebeu a importância das atividades em materiais didáticos para EAD? Difícil. buscar evidências desses aspectos observando a maneira como os estudantes se comportam. Por exemplo.Planejamento e elaboração de material didático impresso para EAD . Vale a pena lembrar que objetivos de aprendizagem devem ser atingidos pelo aluno e. Por isso. Veja dois exemplos que ilustram melhor o emprego de verbos no estabelecimento de objetivos. no entanto. Definir a importância é um comando muito mais preciso. E na verdade. Além disso. imagine que o objetivo de aprendizagem fosse: • Definir três aspectos associados à importância das atividades em materiais didáticos para Educação a Distância. em termos do que os estudantes devem estar aptos a fazer ao final do processo de aprendizagem. 9:56:17 AM .indd 62 10/10/2007. é muito mais fácil pensar em uma atividade que permita ao aluno atingir esse objetivo de aprendizagem. Uma boa maneira de justificar a escolha pelos verbos do primeiro quadro é pensar nas atividades que atenderão aos objetivos predefinidos. comportamento. que ele será capaz de atingir ao final do estudo. portanto. objetivos de aprendizagem são estabelecidos. Em contrapartida. imagine que um dos objetivos de aprendizagem de sua aula seja: • Perceber a importância das atividades em materiais didáticos para Educação a Distância.elementos instrucionais e estratégias de ensino Mas podemos. por exemplo a partir da análise de um texto. é isso que você quer que ele faça para demonstrar que percebeu a importância do tópico em questão. ou de uma atividade em que ele tenha que integrar diferentes tipos de informações. capacidade. aula3. não? Isso porque o verbo perceber pressupõe um comando extremamente vago e é provável 62 que o aluno não saiba exatamente o que deve responder. sua redação deve representar uma ação.

9:56:17 AM . (o que o aluno deverá ser capaz de fazer após estudar a aula) aula3.Aula 3 – Objetivos de aprendizagem Curso de Ciências Biológicas Pressão arterial 11 Meta da aula AULA Introduzir o estudo dos mecanismos neuro-hormonais de regulação da pressão arterial. c) o lucro líquido por ações.indd 63 10/10/2007. (informações que o professor vai oferecer) objetivo • definir as reações do aparelho cardiovascular a um estado de hipotensão decorrente de uma hemorragia. incluindo: a) a provisão para o Imposto de Renda. (informações que o professor vai oferecer) objetivo calcular os elementos de uma DRE. b) as participações. (o que o aluno deverá ser capaz de fazer após estudar a aula) 63 Curso de Administração de Empresas Demonstração do – DRE Meta da aula 3 AULA Apresentar os elementos de uma Demonstração do Resultado do Exercício (DRE) e como construí-la.

Por que limitaríamos as decisões e os problemas. Leia mais sobre o assunto nos boxes “Competências e habilidades” e “As competências no ENEM”. ao estabelecer seus objetivos para uma aula.elementos instrucionais e estratégias de ensino Um objetivo não é algo isolado.patiopaulista. cultivar uma bactéria. de ? 64 Philippe Perrenoud. 9:56:19 AM . mas sim intimamente relacionado com competências. você deverá ter em mente as competências que seus alunos deverão ter. Lembre-se de que. estratégias e habilidades. No texto a seguir.br/downloads/36/construircompetencias_perrenoud. Multimídia Competências e habilidades Existe uma discussão entre os conceitos de competências e habilidades.. ou à vida cotidiana ? As competências são necessárias para escolher a melhor tradução de um texto em latim. 1999) Para ler o texto na íntegra. levantar e resolver um problema com o auxílio de um sistema de equações com várias incógnitas. destacamos um trecho do documento Construir competências é virar as costas aos saberes?.) a noção de competências remete a situações nas quais é preciso tomar decisões e resolver problemas..indd 64 10/10/2007.gov.Planejamento e elaboração de material didático impresso para EAD . (Philippe Perrenoud. acesse o link: http://www. que acreditamos irá esclarecer suas dúvidas: (. verificar o princípio de Arquimedes.sp.doc aula3. identificar as premissas de uma revolução ou calcular a data do próximo eclipse solar. ou à esfera profissional. as habilidades que precisarão desenvolver e as estratégias que deverão ser utilizadas para a construção de conhecimento.

da produção tecnológica e das manifestações artísticas.Aula 3 – Objetivos de aprendizagem Multimídia As competências do ENEM O ENEM. e conhecimentos disponíveis em situações concretas. Competência nº 2 Construir e aplicar conceitos das várias áreas do conhecimento para a compreensão de fenômenos naturais. veremos que nela são exigidas cinco competências. respeitando os valores humanos e considerando a diversidade sociocultural. Isso exemplifica ações potenciais a serem desenvolvidas pelo aluno em cada um dos quesitos propostos para sua avaliação. Exame Nacional do Ensino Médio. representadas de diferentes formas. listadas a seguir. Competência nº 4 Relacionar informações. para tomar decisões e enfrentar situações-problema.asp 65 aula3.gov.br/basica/enem/default.inep. 9:56:19 AM . relacionar e interpretar dados e informações representados de diferentes formas. Para tanto são utilizadas competências e habilidades para avaliação dos alunos. Se formos tomar a prova de Redação como exemplo. para construir argumentação consistente. Competência nº 5 Recorrer aos conhecimentos desenvolvidos na escola para elaboração de propostas de intervenção solidária na realidade. Para saber mais. de processos histórico-geográficos. organizar. Competência nº 3 Selecionar. foi instituído em 1998 com o objetivo principal de avaliar o desempenho do aluno ao término da escolaridade básica. artística e científica.indd 65 10/10/2007. Competência nº 1 Dominar a norma culta da língua portuguesa e fazer uso das linguagens matemática. acesse o site do ENEM no link: http://www.

( 4. O. podem engordar. proteínas.Planejamento e elaboração de material didático impresso para EAD . 66 b. ) Introduzir o estudo dos acidentes geográficos. que é parte integrante de uma aula de biologia. ( 2.. São Paulo. você deve identificar que objetivos o texto permite que o aluno atenda. elas também são essenciais. G. Defina. Quando consumimos mais energia do que precisamos. continue o preenchimento. os lipídeos (gorduras) que retiramos dos alimentos podem fornecer energia às células. ( 3. a aventura da tecnologia. Editora Scipione. Embora uma pequena parte da energia seja armazenada como glicogênio (um tipo de carboidrato). Mas eliminá-los do cardápio é privar-se de importantes elementos energéticos. No quadro a seguir. ( 5. ( ) Apresentar a 3ª Lei de Newton. Assim como os carboidratos (açúcares). apontamos um objetivo. a aventura da vida. As gorduras também não podem simplesmente ser banidas da alimentação. Quando consumidos em excesso. 9:56:19 AM . ) Identificar cinco artistas que participaram da Semana de Arte Moderna de 1922. ) Conceituar metas e objetivos de aprendizagem. nosso corpo reserva o excedente para as horas de necessidade. a maior parte é acumulada permanentemente como gordura. 1. 2000. Tanto quanto os outros nutrientes. ( 6. gorduras. Após a leitura do texto. Ciência & sociedade: a aventura do corpo. vitaminas e sais minerais.elementos instrucionais e estratégias de ensino Atividade 2 Relacionada ao objetivo 2 j Metas ou objetivos? a. Esses nutrientes devem estar presentes de forma balanceada e constante. Leia o texto a seguir: Uma alimentação adequada contém água. ) Explicar como elaborar um balanço patrimonial. aula3. de forma direta. se as frases indicam um tema geral (meta) ou um objetivo. Carboidratos e gorduras são as principais fontes de energia para o corpo. BERTOLDI. carboidratos.indd 66 10/10/2007. ) Listar três aspectos que definem uma política mercantilista. sem que haja exagero ou carência de algum deles.

9:56:19 AM . 5.Aula 3 – Objetivos de aprendizagem 1. Objetivo. o grau de precisão (ou especificidade) conferido pelos verbos. 2. Lá você pode postar comentários e discutir com seu tutor e colegas de turma. acesse a plataforma e procure o Fórum livre desta atividade. Caso você tenha apontado objetivos diferentes. b. o que o aluno deverá ser capaz de fazer ao final do estudo de uma aula. 6. • identificar quando há o acúmulo de energia etc.indd 67 10/10/2007. Portanto a seqüência deve ser: 1. Meta. Meta. ______________________________________________________________ ________________________________________________________________ 4. Objetivos devem estabelecer prioridades em cada conteúdo. de forma exata e inequívoca. principalmente. Objetivo. Meta. ______________________________________________________________ ________________________________________________________________ 3. redigidos de forma a revelar. Como você viu. 4. 3. 67 aula3. Meta. se as frases demonstram metas ou objetivos é. identificar a importância dos carboidratos e gorduras para uma alimentação saudável 2. Enumeramos outros objetivos possíveis de serem atingidos a partir do conteúdo do texto de Odete Bertoldi: • definir qual a quantidade de carboidratos e gorduras ideal de ser consumida. representando as intenções do professor. a meta é a definição de um tema de aula tratado de forma ampla. O que define. neste exercício. ______________________________________________________________ ________________________________________________________________ Resposta Comentada a.

No campo. constituindo. que garantem a integridade instrucional de uma aula. Leia atentamente as informações a seguir: O jogo O beisebol é um jogo em que se utilizam um taco. Os dois times adversários. Além disso. rebater e recuperar a bola.indd 68 10/10/2007. Os jogos profissionais e colegiais costumam ter nove entradas de duração. 9:56:20 AM . devem apresentar uma nítida ligação com o(s) conceito(s) tratado(s). a partir da associação dos elementos de organização prévia com os demais elementos instrucionais. ambos (objetivos e conceitos). por sua vez. Logicamente. por exemplo. elementos de organização prévia oferecem. pelo menos. e c. um jogo de beisebol não é limitado pelo cronômetro.Planejamento e elaboração de material didático impresso para EAD . jogam durante períodos chamados de entradas. clara e precisa. gira principalmente em torno de dois combatentes. um de cada time: o arremessador e o rebatedor. apesar de parecer algo simples e de menor importância. na verdade impõe um desafio ao conteudista: ser capaz de organizar o processo de ensino de forma efetiva.. 68 maior sistematização dos estudos. por se tratar de material acadêmico voltado para EAD. Ao contrário da maioria dos jogos. Atividade Final Relacionada ao objetivo 3 j Jogando beisebol. Objetivos. segurança para a autonomia do aluno a partir de informações precisas. a execução dessas três tarefas é algo mais complexo do que parece. antecipação às expectativas do aluno em relação à aula e ao conteúdo.. que correspondem aos sets do vôlei. assim. uma integridade instrucional. por exemplo. com nove jogadores cada. o arremessador fica posicionado sobre um monte alto de terra e o rebatedor fica em um dos lados da base principal. Os fundamentos do jogo são: arremessar. b. em um jogo de beisebol. aula3. uma bola e uma luva. devem apresentar uma nítida ligação com a(s) atividade(s) que procuram pôr em prática o conteúdo explorado. ou innings. e é esse desafio que obriga os jogadores de beisebol a praticarem tanto.elementos instrucionais e estratégias de ensino Conclusão A determinação de metas e objetivos. três benefícios que merecem ser destacados: a. A ação.

o time atacante não marca nenhum ponto. que se posicionam na 1ª. chamados defensores. Se isso acontece. Se errar nessas três tentativas. para fora do alcance dos defensores adversários. Essa corrida é chamada home-run. 2ª e 3ª bases. situado numa base seguinte. podem tentar interromper a corrida do rebatedor de duas maneiras: tocando seu corpo ou lançando a bola para um defensor.indd 69 10/10/2007. 69 Se os defensores conseguem recuperar a bola que foi rebatida. Ao acertar a bola. com o bastão. As regras básicas A cada entrada o arremessador (time defensor) lança uma bola. o rebatedor inicia a corrida pelas quatro bases. aula3. O time atacante entra em campo com um jogador apenas: o rebatedor. O rebatedor (time atacante) procura fazer pontos rebatendo a bola. Uma entrada corresponde a três tentativas de acertar a bola pelo rebatedor de cada time. no sentido anti-horário. partindo da primeira base.Aula 3 – Objetivos de aprendizagem chamada de home plate. segurando o taco e encarando o arremessador. 9:56:20 AM . de modo que ela chegue àquela base antes do rebatedor. mas dentro dos limites do campo. Se ele conseguir completar as quatro bases ganha 4 pontos. O time defensor entra em campo com seus nove jogadores: um arremessador e outros oito jogadores. o time atacante perde um jogador e as posições se invertem: o time defensor vira atacante e vice-versa.

Você pode ter mencionado objetivos que não estão explicitados aqui. localize o fórum livre desta aula e discuta com seu tutor e colegas. pouco esclarecedores 70 e não devem ser usados. • correr o mais rápido possível por entre as bases. por exemplo. lançada pelo arremessador. Se isso aconteceu e você ficou com dúvidas a respeito do que elaborou. A seguir. são vagos. 9:56:20 AM . listamos alguns verbos e objetivos mais específicos: Objetivos do time atacante: • rebater a bola. ganhar e conquistar. aula3. • ______________________________________________________________ • ______________________________________________________________ • ______________________________________________________________ • ______________________________________________________________ • ______________________________________________________________ • ______________________________________________________________ Resposta Comentada Verbos como vencer. Objetivos do time defensor: • impedir a marcação de pontos da equipe adversária. • defender as regiões (bases). • eliminar jogadores da equipe de ataque.Planejamento e elaboração de material didático impresso para EAD . você deverá destacar pelo menos dois objetivos do time defensor e dois do time atacante usando verbos precisos. dentro dos limites do campo. vá até a plataforma. Eles não refletem passos específicos que devem ser seguidos pelos jogadores para alcançar a vitória.elementos instrucionais e estratégias de ensino A partir da leitura do texto.indd 70 10/10/2007. • capturar a bola rebatida pelo rebatedor. • alcançar a base principal.

os elementos de organização prévia são uma ferramenta fundamental porque definem quais elementos devem ser esclarecidos. 9:56:21 AM . no início de cada aula.patiopau lista. PERRENOUD.doc. aula3. entre outros.sp. 1998.indd 71 10/10/2007. por exemplo. Construir competências é virar as costas aos saberes? Faculdade de Psicologia e Ciências da Educação. Definir. acreditar e saber. The design and production of self-instructional materials. Philippe. dizem respeito às intenções do professor e ao conteúdo apresentado. Fred.gov. 71 Bibliografia consultada LOCKWOOD. Genebra: 1999. Extraído do link: http://www. necessita de um planejamento consistente. Já os objetivos gerais. ter entendimento. listar. Universidade de Genebra.Aula 3 – Objetivos de aprendizagem RESUMO Q ualquer material didático. Londres: Kogan Fage Limited. acesso dia 02/04/2007. Eles dizem respeito ao aluno e estabelecem prioridades no conteúdo de uma aula. definindo exatamente o que o aluno deverá ser capaz de executar ao final de seu estudo. para orientar o aluno no estudo do conteúdo a ser estudado. em especial o auto-instrucional.br/downloads/36/construircompetencias_perrenoud. ou metas. Objetivos são exemplos destes elementos. Para tanto. distinguir e analisar. Ao contrário. Na definição dos objetivos. são comandos imprecisos e pouco específicos. são comandos claros e bem definidos. avaliar. alguns verbos devem ser priorizados porque conferem maior precisão aos comandos.

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Aula 4 Sonia Rodrigues Linguagem: significado e funções aula4. 9:58:02 AM .indd 73 10/10/2007.

multiplicidade de conexões – de eficácia da linguagem escrita. 4. 74 3. 5. Distinguir especificidades na linguagem matemática.Planejamento e elaboração de material didático impresso para EAD . em pelo menos dois casos. Identificar a importância de cinco elementos – clareza. Diferenciar os conceitos de Língua e linguagem.elementos instrucionais e estratégias de ensino Meta Apresentar a importância do uso abrangente da Língua e linguagens como condição para o ensino e aprendizagem de qualquer disciplina. trechos de aulas em que estejam presentes os cinco elementos de eficácia da linguagem escrita. a contribuição do autor para o bom ou mau uso dos elementos de eficácia da linguagem escrita para utilização em situações de EAD.indd 74 10/10/2007. Objetivos 1. 2. em especial na Educação a distância. Analisar. fundamentais para o êxito dos processos de ensino e aprendizagem de qualquer disciplina. Produzir. 9:58:03 AM . a partir de uma seqüência específica de procedimentos. precisão. consistência. aula4. rapidez. musical e escrita.

Editora Nova Fronteira) 75 Linguagem é qualquer conjunto de símbolos usados para codificar ou decodificar dados. no decorrer dela.. aprovações em concursos públicos. Pretensioso demais o terceiro objetivo dessa “ferramenta”? A Língua. 9:58:03 AM .Aula 4 – Linguagem: significado e funções Para que serve a Língua? Para a comunicação entre as pessoas. através dos quais dois ou mais seres se comunicam entre si para transmitir e receber informações. avisos. é qualquer sistema de sinais ou signos. Antes de começarmos a fazer uso da Língua para conversarmos sobre um dos aspectos mais importantes na elaboração de materiais didáticos impressos. que permite a expressão e comunicação de pensamentos.indd 75 10/10/2007. emoções. (Dicionário Caldas Aulete. vale a pena conferir as definições de Língua e Linguagem fundamentais para você fazer. ________________________________________________________________ 2. Para a expressão das idéias e sentimentos das pessoas. Para a construção moral do mundo. Em seguida. país. ________________________________________________________________ aula4. expressões de emoção ou sentimento. fazer inimigos e conquistar amores. desejos. escrever e contar histórias. conquistas tão distintas quanto diplomas e títulos. etc. (Idem) Atividade 1 Atende aos objetivos 1 e 2 j Falando sem palavras Faça uma lista de três coisas possíveis de serem demonstradas sem o uso da linguagem escrita. é ferramenta que começamos a adquirir no primeiro ano de vida e que nos garante. ________________________________________________________________ 3. a primeira atividade desta aula: Língua é o sistema de comunicação e expressão de um povo. o idioma. nação. 1.

ter pensado em algo semelhante a: R ao cubo é proporcional a T ao quadrado (terceira Lei de Kepler).sxc. 76 Figura 4. usando a linguagem numérica. sem palavras. a alienação do homem pela máquina. usando Libras (Linguagem de sinais). Ou seja. no espaço Fórum da Aula 4. aula4. para ser formulada. no entanto. e Kepler e Copérnico. Pode ter pensado em uma aula de Química.elementos instrucionais e estratégias de ensino Resposta comentada Você pode ter chegado a diversas conclusões.hu/484470 Você pode também ter escrito sobre o desempenho de Carlitos em Tempos modernos. presencialmente ou a distância entre os grandes físicos e astrônomos que fizeram com que seja possível nos maravilharmos e compreendermos o movimento dos astros no céu que observamos todas as noites. Ou talvez tenha escrito a respeito de como a ocorrência de um assalto. usando o código Morse. Tyco Brahe e Kepler. Diferentes tipos de emoção. 9:58:03 AM . e da comunicação a distância (no tempo e no espaço) entre Tyco Brahe e Ptolomeu. a linguagem matemática. Teve outras idéias? Compartilhe-as conosco na plataforma. as fases da lua. filme no qual ele representou.Planejamento e elaboração de material didático impresso para EAD . Essa equação.1: Muitas informações hoje em dia tão facilmente obtidas e discutidas como. como. dependeu. Fonte http://www. por exemplo. a definição dessa equação dependeu de comunicação e registros que passaram pelo uso da linguagem escrita. uma importante conseqüência da Revolução Industrial. só com a linguagem corporal. Se pensou. músicas a partir de partituras são coisas que podem ter vindo à sua cabeça. da comunicação presencial entre Tyco Brahe e Kepler. você deve ter se dado conta de que é possível representar a cinemática dos movimentos planetários de forma independente.indd 76 10/10/2007. por exemplo. Ptolomeu e Copérnico. dependeram de intensas discussões que se deram no passado. condutas com base em sinais de trânsito.

Alguém ensinou ao compositor (mesmo um prodígio como Mozart) algo semelhante ao que Maria ensina às crianças no filme A noviça rebelde. No entanto. a linguagem matemática só pode ser a síntese se – antes de entrarem os números – uma série de pesquisadores. mas que depende da recepção para se concretizar ou não. O que está em aberto. nos exemplos anteriores. foi preciso uma comunicação que passa pela língua. Mas. pelo idioma. quanto ao significado de uma luz verde em um sinal de trânsito. Um exemplo: mi mi fa sol sol fa mi re do do re mi mi re mi mi fa sol sol fa mi re do do re mi re do (início de “Ode à Alegria”. apenas sugerido ou indicado. para ser ensinada e absorvida pelo compositor. em alguns casos. tiver especulado. Porém – e esse porém é bastante importante –. sentimentos e prescindir da palavra na sua escritura.sxc. de toda uma trajetória de pesquisa. Você já assistiu ao filme? Num determinado trecho. a imaginação. discutido.hu/663648 Pontos de indeterminação É uma expressão usada para caracterizar o que não está dito numa determinada situação ou texto. o repertório de História jogam um papel importante para preencher os pontos de p indeterminação. para pedestre ou motoristas. Porque o pensamento se constitui pela Língua.Aula 4 – Linguagem: significado e funções Você terá observado que mesmo não usando a linguagem escrita ou falada. ç Figura 4. fica clara a autonomia aula4. sensações. de Beethoven) A linguagem musical também é uma construção/expressão autônoma do mundo.2: Não há dúvidas. como já foi dito. em tempo e espaços distintos.indd 77 10/10/2007. sem vínculo obrigatório com a palavra. conversado sobre a discrepância entre a observação da Natureza e o que a pesquisa dizia até aquele momento. A linguagem musical é um exemplo diferente. porque é possível de se originar na imaginação. Fonte http://www. o pensamento traduz em palavras o que está sendo visto. 77 Linguagens A linguagem matemática pode ser a síntese. em determinado momento. o raciocínio lógico matemático. 9:58:05 AM .

mas ele já está comprometido com uma rica baronesa. à imaginação e à criatividade construir milhões de músicas: “When you know the notes to sing You can sing most anything”. no espaço Fórum “Quem inventou mesmo??” Antes de fazer esta atividade.elementos instrucionais e estratégias de ensino da linguagem musical. Isso é o que provoca a inovação.indd 78 10/10/2007. como eu fiz aqui.3: A noviça rebelde. ré. à linguagem escrita como forma de comunicação entre o estado da arte de um tema – em tempo e local determinados – somados à inquietude de quem observa.Planejamento e elaboração de material didático impresso para EAD . A expressão dessa inquietude – em geral comunicada entre especialistas em um tema – é o que permite o avanço do conhecimento. explica que a gente aprende a ler com a. Tente alugar esse clássico em sua locadora. preste 78 Figura 4. Maria acaba se apaixonando pelo capitão. b. as chaves que a gente usa para construir uma canção. Mesmo escrevendo sua aula sobre o suporte material impresso. portanto. você poderá usar exemplos e elementos específicos de outras linguagens. constrói outras hipóteses comprováveis (ou não) de mundo. 9:58:07 AM . atenção na seqüência inteira e observe como o conceito se aplica ao processo de ensino e aprendizagem de qualquer disciplina. um clássico do gênero musical produzido em 1965. Atividade 2 Corresponde ao objetivo 3 desta aula p j Quem inventou mesmo?? Esta atividade será realizada na Plataforma Moodle. aula4. mi. as chaves que permitem ao pensamento. As notas são. então. estamos te esperando no fórum. releia a resposta comentada da Atividade 1. conta a história de Maria. Inclusive matemática ou musical. quando Maria propõe que elas façam uma apresentação para a baronesa e as crianças alegam não saber cantar. pai de sete filhos educados em um esquema de disciplina rígido. Leu? Agora vamos discutir a respeito. uma noviça que deixa o convento para trabalhar como governanta na casa do Capitão Von Trapp. Esse avanço se representa pela língua e. então. c e a cantar com do. Maria. mentalmente. Voltemos.

nosso objeto de interesse aqui.hu/photo/181792 Como contornar esse problema? Compreendendo e privilegiando alguns elementos quando estivermos redigindo nossa aula: 1. depende. 2. Não basta. Não vai junto.indd 79 10/10/2007. não pode explicar de novo e não pode olhar para o aluno e perceber que ele não entendeu. Um texto claro é aquele em que o tema e as informações importantes são tratados com precisão.sxc. quem escrever tem de considerar as aulas de EAD com uma particularidade: Foto: Oleksiy Petrenkor Atenção A 79 educação a distância separa o momento da produção (do professor) do momento da recepção (do aluno). Costumamos dizer que o maior problema que o professor enfrenta ao escrever uma aula de EAD é o de que ele não vai junto com a aula que escreve. porém. Buscando clareza no que se escreve. clareza e rapidez. aula4. 9:58:07 AM .Aula 4 – Linguagem: significado e funções Elementos fundamentais para a eficácia da linguagem escrita no contexto de EAD O material impresso voltado para EAD. É um texto que procura ser rápido na comunicação do conteúdo. de o professor conseguir produzir um texto com alguns elementos fundamentais para a eficácia da comunicação escrita. Fonte: http://www. Para isso. para sua eficácia.

garantimos precisão e consistência ao nosso texto. desdobramentos diversos ou tudo isso ao mesmo tempo. 9:58:10 AM . quem e estimula a clareza da informação e a consistência. múltiplo e consistente é aquele em que o aluno visualiza os caminhos pelos quais pode expandir seu conhecimento. o que significa transmitir informações importantes ou sinalizar caminhos relevantes para a construção do conhecimento de quem o lê. Quando se diz que um texto é dialógico é porque ele traz pistas de outros textos. sempre que possível. É a multiplicidade de conexões que vai permitir que o aluno vá além do texto. quando. Agora que você já sabe quais são esses cinco elementos da linguagem escrita. 4. teremos um texto claro. por assim dizer. Para estimular que o texto do aluno incorpore esses elementos – que podem ser 80 ensinados em qualquer disciplina -. a subsidiar a imaginação/ abstração do aluno. Deve oferecer. de novo. diferentes pontos de vista. o onde. outras mídias. Rapidez se consegue com frases curtas. a consistência.elementos instrucionais e estratégias de ensino 3. leia de novo o enunciado da Atividade 2 e observe como o limite de palavras sugere rapidez. O texto de EAD precisa ter consistência. Os antecedentes forçam. a multiplicidade de conexões e. Trocando palavras de lugar quando a leitura em voz alta indica confusão/ambigüidade no que foi escrito. preciso. Um exemplo desse tipo de texto está reproduzido no próximo boxe. Essa multiplicidade é essencial para o diálogo. usando mais pontos do que ponto-vírgula. aula4. 5. Não misturando perguntas/provocações com informações. conexões entre o que apresenta e outros textos.indd 80 10/10/2007.Planejamento e elaboração de material didático impresso para EAD . Confira antes de continuarmos a análise desse material. é preciso que a atividade proposta pelo professor tenha parâmetros bem definidos. sua imaginação. Lendo em voz alta o que se escreve. O texto claro. outras situações de forma a favorecer. Esses cinco elementos de eficácia da comunicação escrita foram aprendidos por mim nas seis propostas do escritor Ítalo Calvino para o próximo milênio que é exatamente este no qual estamos vivendo. rápido. por mais que seja tentador fazer isso.

Nesse trecho – extraído de um parágrafo um pouco mais longo do livro Iniciação à literatura brasileira – Antonio Candido diz sobre o que fala (literatura).” “Um pouco sobre Jorge Amado” é um trecho do livro do professor Antonio Candido (USP). apesar das falhas apontadas. Nesses livros. 81 Noventa e oito palavras.. numa prosa generosa. popular. o negro entrou pela primeira vez maciçamente na ficção brasileira. mais bem feitos. é um texto consistente. suas lutas e suas crenças. com a possibilidade de apreensão rápida do que é a literatura de Jorge Amado com. traçando um panorama da literatura brasileira. no Brasil e no mundo). Antonio Candido deu informações que permitem ao leitor uma entrada clara na literatura de Jorge Amado e provocam a vontade de saber mais. aula4. primeiro com um traço ideológico demais e depois com uma identificação afetiva com o povo. há um intuito ideológico ostensivo demais. duas conexões além do texto – o conceito de romance erras do sem fim – e. Isso se atenuou em livros posteriores... com sua poesia e sua pobreza. que fez de Jorge Amado o romancista mais popular do Brasil e o único a conquistar públicos apreciáveis no exterior. como se dá essa trajetória. Trata-se de um texto claro. onde o ataque ideológico cedeu lugar a uma identi-ficação afetiva com o povo. proletário e a citação do livro T Por quê? Porque em 98 palavras. Nesses romances. por que Jorge Amado foi importante. principalmente.Aula 4 – Linguagem: significado e funções Um pouco sobre Jorge Amado “Jorge Amado (1912-2001) começou pelo que se chamava então “romance proletário” (1933).indd 81 10/10/2007. quem é o autor Jorge Amado (alguém que começa com romances proletários e evoluí para uma prosa comunicativa. quando se desenvolve essa literatura e suas fases (1933. pelo menos. na maturidade do autor).. comunicativa. até desaparecer na obra madura. 1942. como Terras do sem fim (1942). 9:58:10 AM .

com um único ponto de vista e sem consistência prática ou teórica. também na sua área. na sua área de conhecimento. que seja importante. protelador do objetivo que o autor parece querer atingir. multiplicidade. impreciso. é importante que você consiga um material fundamental à compreensão adequada do tema sobre o qual discutimos.Planejamento e elaboração de material didático impresso para EAD .elementos instrucionais e estratégias de ensino Atividade 3 Atende aos objetivos 3 e 4 j O que funciona e o que não funciona Antes de continuarmos a aula. Foto: Sanja Gjenero Fonte: //www.hu/712732 Foto: Stefanie L.sxc. consistência.indd 82 10/10/2007. 9:58:11 AM . e todos têm a produção separada da recepção (característica intrínseca à linguagem escrita publicada). Todos os textos de áreas específicas de conhecimento são passíveis de ser usados em situações de ensino. 82 Achou? Agora encontre um outro texto. rapidez. um texto de até 150 palavras que apresente elementos de eficácia da linguagem escrita – clareza. Não importa que o texto não tenha sido produzido com o objetivo de ser um texto de EAD. Achou? Mantenha esses dois textos perto de você durante todo o Módulo II e anote num diário se até o final você mantém a mesma opinião sobre eles. mas confuso. Procure. precisão. aula4.

É o que torna o texto eficaz e o objetivo alcançável. por exemplo. Veja o boxe “Família real”. aula4. Um dos caminhos para produzir uma aula de EAD é fazer o seguinte roteiro antes de escrever. Nesse sentido. sem ilustrações. Antecedentes – Bloqueio continental empreendido pela França bonapartista. liste-os de maneira clara e precisa sob forma de objetivos de aprendizagem. João. quais se prestam a maior multiplicidade de conexões. os seguintes itens como essenciais: 1. Uma aula em EAD é produzida por alguém que domina um determinado conteúdo e deseja que seu leitor/aluno aprenda esse conteúdo. O segredo está. Você seleciona.indd 83 10/10/2007. como um rascunho para você mesmo: Primeira etapa: Seleção • Selecione os pontos essenciais do conteúdo que você pretende que o aluno domine nessa aula. Repercussões da chegada da corte ao Brasil. todo texto escrito pressupõe um leitor real ou imaginário. em o que selecionar e como combinar os vários itens selecionados para provocar um efeito de sedução/convencimento que leve o aluno a aprender a partir do que foi escrito. • Selecione. 2. Como você vai combinar isso? Com um mapa da Europa e as razões da França e da Inglaterra resumidas dentro de seus respectivos territórios? Com um texto corrido. 3. entre esses pontos. Família real Mais 83 V amos supor que sua aula seja sobre a vinda da família real para o Brasil. portanto. dependência econômica de Portugal em relação à Inglaterra. Efeito não é objetivo. 9:58:15 AM . Primeiras medidas de D. Depende de quê? Do efeito que você quer causar. com o que escreve.Aula 4 – Linguagem: significado e funções Linguagem e produção de texto: aula para EAD Escrever é selecionar elementos da realidade e combinar esses elementos de forma a produzir um efeito. Efeito é o que permite que se alcance o objetivo. provocar um efeito nesse leitor. O autor pretende. com destaque para os acontecimentos ordenados pelo tempo? Depende.

os pré-requisitos são redigidos em forma de texto.elementos instrucionais e estratégias de ensino • Selecione quais pontos apresentam pré. A questão dos pré-requisitos merece um pouco mais da nossa atenção. 84 y. eu escrevi entre travessões a definição de mascates? Porque o aluno pode não saber a que estou me referindo. 9:58:15 AM . Observe os textos A e B e veja a diferença entre esclarecer um conteúdo significativo através de um parêntese explicativo ou através da determinação dos pré-requisitos: Texto A: A situação econômica da colônia.requisitos. na linguagem escrita.indd 84 10/10/2007. no exemplo acima. aprende na hora. ou seja. No caso de nossas aulas. Apenas selecione. quando alguma coisa dá errado na comunicação oral. a maravilhosa característica da linguagem falada equivalente a “não foi bem isso o que eu quis dizer”. Basta colocar entre vírgulas ou travessões. se não souber. não é necessário incluir o conhecimento do conceito de mascate como pré-requisito para a compreensão do texto apresentado. como o travessão que estou usando agora – palavras que podem ser esclarecidas rapidamente. O “rascunho” supre. Nesse caso. parênteses – ou qualquer elemento com finalidade de destaque. você deverá estudar ou rever os conceitos x. esse item será facilmente “cortado” e “colado” na seção destinada aos prérequisitos para o estudo de uma aula. começando por selecionar pontos do conteúdo. prejudicava muito os mascates – pequenos comerciantes que percorriam o sertão nordestino – a ponto de a insatisfação destes preocupar as autoridades locais. você mesmo vai poder avaliar se “foi bem isso exatamente o que você quis dizer”. ótimo. Coloque entre vírgulas. que estudamos na aula anterior”. pré-requisitos e redigindo textos a partir dessa seleção. Se o aluno souber. Quando o seu texto estiver pronto. conhecer.Planejamento e elaboração de material didático impresso para EAD . naquele momento. Se você fizer um rascunho roteirizado de sua aula. Por que. mas que seu aluno pode não saber de antemão. Não se preocupe com isso na fase de rascunho. Vamos a alguns pontos e exemplos importantes: Indique o conceito que ele deverá retomar. aula4. z. para que o aluno entenda um determinado item é preciso que ele tenha estudado no período anterior ou no Ensino Médio conceitos ou técnicas. É uma informação importante e fácil de transmitir ou relembrar. de acordo com o projeto gráfico de sua instituição. na primeira página: “para acompanhar este conteúdo. sem as quais ele não entenderá o que você escreveu.

podemos. Segunda etapa: Combinação • Combine o conteúdo selecionado com um estilo de escrita no qual se sinta mais confortável.indd 85 Mais 10/10/2007. Escolha aquele em que você se sente mais à vontade para escrever sobre o conteúdo que conhece bem. aula4. 9:58:16 AM . sem determinados pré-requisitos. fazer as atividades. optar pelo recurso do verbete. pobres e desempregados no Brasil está no conjunto C dos jovens adultos pobres desempregados brasileiros. inclusive. caso pareça melhor deixar o texto com mais fluência. mais criativo. trocados por palavras. • claro. ou ainda contando histórias. É interessante estar atento para esse detalhe. Selecionar essas possibilidades no rascunho potencializa as qualidades da sua aula.dos jovens adultos pobres. A definição de mascate pode ser colocada no texto. usando exemplos tirados do noticiário ou com ênfase em conceitos e argumentos. porém mais contido (não confundir com frio ou hermético). Enfim.Aula 4 – Linguagem: significado e funções Texto B: A interseção entre os conjuntos A . e B – jovens negros adultos. a lista do que caracteriza um estilo é infindável. dirigindo-se ao seu aluno imaginário. de forma a ensinar alguém que você não conhece presencialmente. brancos e desempregados no Brasil. • coloquial. dirigindo-se diretamente ao aluno. 85 P ré-requisitos são conceitos e informações que os alunos precisam conhecer antes de começar a estudar uma aula. especialmente quando você temer que o aluno não consiga atingir os objetivos. Isso demonstra que alguns conceitos não podem ser traduzidos por palavras. É difícil identificar elemento de interseção entre dois conjuntos sem saber o que são conjuntos. Exemplos de estilo: • mais coloquial. mas o aluno precisa conhecer o conceito de Conjunto antes de ir adiante numa aula sobre esse tema.

produzir. avaliar. se possível de prazer. inferir. Se eu espero que o aluno produza um texto rápido. Releia o que você reescreveu: • O conteúdo está combinando com o estilo escolhido? • As atividades combinam com os objetivos para essa aula? Lembre sempre que o seu objetivo maior é provocar o efeito de entendimento.elementos instrucionais e estratégias de ensino A o definir seu estilo. para facilitar a aprendizagem de seu leitor/aluno. em EAD. devo ser capaz de indicar. analisar. • Os comandos para as atividades estão claros e precisos e. aula4. você terá a oportunidade de auto-avaliar seu desempenho como 86 professor de EAD. Terceira etapa: Avaliação • Neste momento. claro. Todas fundamentais para o processo de ensino e aprendizagem.indd 86 10/10/2007. Todos os recursos de linguagem devem ser claros.Planejamento e elaboração de material didático impresso para EAD . distinguir. 9:58:16 AM Mais . g As competências cognitivas são as de identificar. sempre que possível. buscando atender a cada uma das competências p cognitivas. criar. sintetizar. 1988). idealmente. lembre-se de que. • A aula ficou enorme? • Há muito conteúdo e poucas atividades? • Você não consegue imaginar atividades que levem o aluno adiante? Reescreva. quais conceitos ele deve articular a partir do conhecimento recém-adquirido. rápidos. precisos. uma para cada objetivo listado. • Combine o conteúdo e o estilo do texto com atividades. inequivocamente. conectados a outros conteúdos? A maioria dos casos de ruído de comunicação entre professor e aluno está na expressão de expectativas. consistente com um recorte do conteúdo. comparar. sempre que possível. o aluno deve ser capaz de “ouvir a voz do professor saindo do papel” (ROWNTREE. conectados a outros conteúdos.

Aula 4 – Linguagem: significado e funções Exemplo de um trecho de aula e de proposta de atividade: Texto A: Diferença entre narrativa e dissertação A narrativa se caracteriza por contar eventos e apresentar personagens. e a dissertação por apresentar conceitos. discorrer sobre situações ou personagens de forma argumentativa. Identifique três versos que indiquem eventos ocorridos. consistente? Se for o caso. se não. aula4. em uma.indd 87 Atenção 87 10/10/2007. 9:58:16 AM . Depois de reescrever seu rascunho. No texto em prosa ou no texto em verso encontramos exemplos de narrativa e de dissertação. O rascunho apresenta um texto consistente e agradável de ler? Não? Escreva-o novamente. preciso. N o exemplo de atividade proposto acima. Se o mais importante for distinguir. 4 e 5 j Sistematizando o trabalho da escrita Você fez todas as atividades da aula? Manteve os dois exemplos dos textos pesquisados na Atividade 3 perto de você? Leia mais uma vez seu rascunho. precisamos considerar o que falamos acerca da definição de pré-requisitos: será que o aluno tem internet em casa para pesquisar as letras das músicas citadas? Será que conhece Renato Russo e Djavan? Não devemos partir do princípio de que as respostas são afirmativas. Atividade Final Atende aos objetivos 3. pense: ele está claro. Quando você achar importante que o aluno pesquise. incorpore-o à aula quando for redigi-la. inicie o processo novamente. em outra. Comandos são verbos no imperativo como os que usamos para a redação de objetivos. inclua as letras das músicas na sua aula. múltiplo. três versos que caracterizem personagens. Atividade As letras de “Faroeste Caboclo” de Renato Russo e “Faltando um pedaço” de Djavan são exemplos de história contada e conceito apresentado de forma argumentativa. e três versos que caracterizem sentimento. rápido. coloque o comando pesquise na atividade. se achar pertinente.

avisos. falada ou escrita. outras situações de forma a favorecer. A produção de uma aula impressa para EAD envolve selecionar os itens de interesse para o tema em questão e. outras mídias. conexões com outros textos. combiná-los de forma a provocar um efeito de sedução/convencimento que leve o aluno a aprender a partir do que foi escrito. em seguida. Quem escreve aulas para EAD deve compreender e privilegiar cinco elementos durante a redação do material didático: um texto claro. para sua eficácia. que traz pistas de outros textos. qualquer sistema de sinais ou signos.elementos instrucionais e estratégias de ensino Resumo A Língua é o sistema de comunicação e expressão de um povo. e desdobramentos diversos. de o professor conseguir produzir um texto com elementos fundamentais para a boa comunicação escrita. país. Essa multiplicidade é essencial para a criação de um texto dialógico. matemática e musical. expressões de emoção ou sentimento. em que o tema e as informações importantes sejam tratados com precisão. Após uma primeira seleção e combinação de conteúdos.Planejamento e elaboração de material didático impresso para EAD . etc. através dos quais dois ou mais seres se comunicam entre si para transmitir e receber informações. que se deram presencialmente ou a distância. diferentes pontos de vista. a subsidiar a imaginação/ abstração do aluno. é fundamental a avaliação de acordo com os elementos mencionados acima e sua reescrita. emoções. depende. ou seja. e que passaram pelo uso 88 da língua. quando percebermos que o texto produzido não atende às expectativas de um bom processo de ensino e aprendizagem. e que ofereça. aula4. sempre que possível.. que permite a expressão e comunicação de pensamentos. desejos.indd 88 10/10/2007. nação. Embora seja possível representar idéias usando as linguagens numérica. 9:58:16 AM . A linguagem é qualquer conjunto de símbolos usados para codificar ou decodificar dados. um texto consistente. tais representações dependeram de intensas discussões. em qualquer área de saber. O material impresso voltado para EAD. dentre outras. um texto que procure ser rápido na comunicação do conteúdo.

Seis propostas para o próximo milênio – Lições Americanas. Teoria da literatura: uma introdução. Maria da Glória & AGUIAR. Terry. -. 2a ed. Bibliografia consultada CANDIDO.4. Italo. Vera Teixeira. Rupert. Italo. 2006. 9:58:17 AM . 1983. Aristóteles. Trad. Minhas viagens com Heródoto.indd 89 10/10/2007. s/d. X CALVINO. BORDINI. São Paulo: Companhia das Letras. Trad. 1990. ed. Até lá! Leituras recomendadas KAPUSCINKSKI. 89 aula4. 1990. Ed. São Paulo: Martins Fontes. Rysznard.Aula 4 – Linguagem: significado e funções Informações sobre a próxima aula Como tornar sua aula mais “legível”? Como fazer uso de recursos da língua para a elaboração de aulas que sejam mais facilmente estudadas.135 p. Waltensir Dutra. as 100 descobertas científicas do século XX Rio de Janeiro. Ivo Barroso. Literatura: a formação do leitor: alternativas metodológicas. Iniciação à literatura brasileira /. Rio de Janeiro: Ediouro. Eureka. São Paulo: Companhia das Letras. Antonio. 1993. LEE. Poética. Ivo Barroso.Rio de Janeiro: Ouro sobre azul. a 2004. Seis propostas para o próximo milênio – Lições Americanas. 2006. Porto Alegre: Mercado Aberto. Nova Fronteira. -. Trad. São Paulo: Companhia das Letras. CALVINO. sem comprometer em nada a formação de alunos de Ensino Superior? A próxima aula será sobre recursos de legibilidade da língua escrita. EAGLETON.

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indd 91 10/10/2007.Aula 5 O uso da linguagem. Por que tanta preocupação e tanto cuidado? Ana Paula Abreu-Fialho José Meyohas aula5. 10:00:01 AM .

substituir expressões por uma só palavra sem alterar o sentido da frase. Pré-requisitos Gostaríamos que você marcasse a que horas começou a estudar. Além disso. você deverá ser capaz de: 1. 2. 5. 4. Objetivos Ao final desta aula. 10:00:02 AM .Planejamento e elaboração de material didático impresso para EAD .. construir sentenças curtas.elementos instrucionais e estratégias de ensino Meta Apresentar meios e técnicas de como fazer uso adequado da linguagem para EAD. ordenar de maneira direta uma sentença. aula5. manter ao seu lado um bom dicionário talvez seja necessário.. 3. 6. usar perguntas retóricas em um texto. introduzir elementos de pessoalidade em um texto.indd 92 10/10/2007. detectar e substituir vocábulos inadequados a um 92 texto instrucional para EAD.

advenha. além de possibilitar a apreensão eficiente e inequívoca do conteúdo em questão. na representação por signos e gráficos fiando-se. não nos é factível prescindir. da semântica primeira. breve explanação. de priscas eras. para proceder ao ato pedagógico na modalidade em que aquele que ensina e o outro. pelo homem. a utilização desta que se denomina linguagem é ferramenta de suma estimação. para a qual é indubitavelmente imperativo o domínio por parte deste imediato leitor e porvindouro autor. de tal artifício da transmissão e recepção entre interlocutores adjacentemente localizados ou temporalmente e espacialmente separados. hodiernamente. dedicada e cuidadosamente a tais unidades didáticas expostas. um par delas. em volume impresso. Posto que. o leitor. no intuito de realizar entre a realidade apresentada e o aprendiz não adjacentemente localizado. A este. a iniciação da implementação de ação continuada no sentido de envolver-se em processos de transmissão e recepção de mensagens. o que visa instruir-se. Acredita-se que. conexões. Quando da apresentação de teores peculiares a cada campo de saber.Aula 5 – O uso da linguagem. a basilar estimação pela elocução escrita. de fato. ministraremos. acerca da relevância de unidades didáticas. ambas que pelo autor da epístola foram intentadas.indd 93 10/10/2007. com vistas a estabelecer. recursos e elementos lingüísticos alude. portanto improvavelmente o será. mandatório nos é não deixarmos de empenharmo-nos. a comunicação. ainda. para tanto. Por que tanta preocupação e tanto cuidado? Prólogo Indagando-se pode estar. relativas a conceituações e estratagemas endereçados à elaboração da escrita de um determinado conteúdo. entre as partes. 10:00:02 AM . desde imemoriáveis tempos em que se deu. no que à busca por fatores. à culminação da não-obscuridade e ininterrupta objetividade de nossos escritos. separados estão. 93 aula5. nos três parágrafos que se seguem. Neste sentido. ficam clarificadamente as razões pelas quais o leitor desta deve ater-se firme. sob infortúnio de não se lograr a veiculação da expressão das acepções originais.

1.indd 94 10/10/2007. exceto as lindas taças destinadas a um bom vinho tinto. Diga: em qual situação você se sentiria mais confortável? ( )1 Dê uma razão: ___________________________________________________________ ( )2 aula5. é recebido pelo casal. você se dirigiu ao endereço que eles lhe deram.. para cada pessoa. inclusive. três taças (uma de cada tamanho). 94 Uma aula. na data e hora combinados. com falta de clareza generalizada e – o que é pior – pedante. cheia de expressões de efeito. em especial para EAD. nunca uma conferência! ATIVIDADE 1 Mas as pessoas da sala de jantar. já estão sendo abastecidas pelo seu amigo. sem objetividade. que lhe encaminha à sala de estar. que vai com você até a sala de estar. claro. três garfos do lado esquerdo. nem nós. Imagine que você foi convidado para um jantar por um casal de amigos. Ao chegar. 10:00:03 AM . uma conversa..elementos instrucionais e estratégias de ensino Agora.. três facas do direito e mais três talheres de sobremesa na frente dos pratos. de lá. Você aceitou o convite e. toca a campainha e. 2. Pois. de lá. você pode ver a mesa posta para a refeição: há dois pratos (um em cima do outro) apoiados em um suporte. sim: introdução Imagine-se aluno de EAD e responda: gostou do “prólogo” que acabou de ler? Aposto que sua resposta foi NÃO. É justamente assim que não se deve escrever. Aluno algum poderia ter gostado de “coisa” tão imprecisa. isso. é recebido pelo mordomo... haverá alguém que goste de não entender aquilo que precisa entender? Ou que fique cheio de dúvidas sobre o assunto? Ou que passe a ter mais dúvidas ainda do que as que já tinha? Esse prólogo deu um enorme trabalho para ser escrito exatamente pelas características (listadas no parágrafo anterior) que o fazem tão incompetente na transmissão de uma mensagem. você pode ver a mesa posta para a refeição: nada de incomum... que..Planejamento e elaboração de material didático impresso para EAD . São 292 palavras e muito pouco significado. Afinal.

É um aluno que. Isso para não falar no mordomo e nos amigos que não vieram recebê-lo. e aqui listamos sete possibilidades: 1. 4. Parece que. Por que tanta preocupação e tanto cuidado? Resposta Comentada São muito baixas as chances de você ter respondido que se sentiria mais confortável em um ambiente com tamanha formalidade como o descrito na situação 1. 7. É um aluno que não gosta de ler um texto frio e hermético tanto quanto um aluno que espera que o professor entre em sala e dê aula não gosta de assistir a uma conferência.. pelo menos. e não de amigos. de fato. e não pelos meus amigos. Essa formalidade traz associada a si um distanciamento que não esperamos encontrar quando vamos à casa de amigos. 3. 10:00:03 AM . professores do ensino presencial. 6. 2. 5. parecia que chegava à casa do meu chefe. embora possamos achar que ela esteja claríssima. Várias podem ter sido as justificativas. Ao pegar seu material didático impresso para estudar. Todas essas justificativas se referem. esquecemos de que quem está “do outro lado” é um aluno como aquele que vemos em sala de aula.Aula 5 – O uso da linguagem. 95 Uma das maiores dificuldades de nós. o aluno espera se sentir indo a uma aula. Veja a história a seguir: aula5.indd 95 10/10/2007. quando vamos elaborar um material para Educação a Distância é entender que não estamos redigindo capítulos de livros ou artigos científicos. é um ambiente pouco acolhedor. não sei comer com todos aqueles talheres. o ambiente me pareceu frio e distante. em outras palavras. Você discorda? Pois vamos dar um exemplo de uma situação real que mostra como nos enganamos a respeito da nossa capacidade de comunicação.com a qual estamos acostumados sem nos darmos conta. é muito formal. É nos desprender da linguagem rebuscada . à formalidade que está por trás de uma mesa posta com quantidades de pratos.. não me sinto à vontade quando sou recebido pelo mordomo. nem o que beber com cada taça. a distância. sem formalidades que o façam se sentir. o triplo do número de convidados. ele espera ser recebido pelo professor. taças e talheres que são. provavelmente não entenderá boa parte da conferência. no fundo. acho desnecessária esta ostentação diante da realidade atual do país. na hora em que nos sentamos para escrever. assim como o aluno presencial.

tia.indd 96 10/10/2007. Entendeu? Parei. aula5. que para mim pareceu absolutamente impecável dada a minha formação na área. .Maré.É isso! Tá vendo. 10:00:03 AM ..É. me pergunta o que é lápis! Já meio frustrada. antecipando o que certamente seria a consagração do meu maior momento como professora. então com uns sete anos. Quer ver? Por exemplo.Tia.Planejamento e elaboração de material didático impresso para EAD ..Entendeu? . . com minha sobrinha. entre ela mesma e sua sobrinha que tinha 6 anos na época. minha experiência em sala de aula.Surda.. não perguntei o que é MAR. . perguntei o que é MARÉ! . o que é maré? Meu lado bióloga marinha estufou o peito. Eu entendo o que você diz. fina e pontuda.elementos instrucionais e estratégias de ensino Uma vez estava dirigindo.. vamos lá! Sabe quando você está na praia e de repente o mar vem e molha a toalha da gente? A menina impaciente retruca: . Nina. Nina? . . narrado por Cristine Barreto (coordenadora do módulo). Aconteceu há sete anos. primeiro tem que saber umas coisas do mar! 96 Seguiu-se uma longa explicação. de fato.Tia. tia. Para saber o que é maré. só não entendo o que você quer dizer! Diálogo real. .Tia. entrei na onda da minha adorável aprendiz. ela vira-se para mim e pergunta: .Uma coisa de madeira. e a aluna que o orgulho genético só me faria considerar brilhante.Calma.. pensei. não estava satisfeita com a resposta.Nina. acho que eu estou ficando surda. o que é um lápis? .. .É. Nina? Ok. no banco de trás. A certa altura. mas você poderia estar falando de um palito. e acabei percebendo que.

” Agora você fará um exercício bastante direcionado: a. contextualizando. aí sim podemos contribuir mais. Portanto. __________________________________________________________________ b. O que você poderia escrever no lugar da que selecionou na letra a para trazer um pouco mais de pessoalidade ao texto? __________________________________________________________________ aula5. Retire a palavra que explicita a que pessoa este texto se refere. retirado do prólogo desta aula: “Neste sentido. preocupado em lhe ensinar aquele conteúdo. Como fazer? Que tal começar a descobrir. Uma das maneiras de diminuir a dificuldade de os alunos entenderem um determinado conteúdo é aproximá-lo deles. quem é essa pessoa? __________________________________________________________________ c. Sobre a primeira maneira. Vemos em EAD que as aulas apresentadas em tom de conversa são sempre mais atrativas e eficazes. Veja o trecho a seguir. que continuou sem saber o que havia perguntado. sugerimos que a linguagem informal (mas cuidada!) e amigável seja a que você deva usar. fazendo a Atividade 2? 97 Atividade 2 Objetivo 2 j Chega mais. A tia tinha certeza absoluta de que tinha dado a melhor das explicações sobre maré. e das boas. Afinal. que ele sinta que há um professor do outro lado do papel.Aula 5 – O uso da linguagem. Já sobre a segunda maneira. No contexto dessa aula. Isso pode ser feito de duas maneiras: 1. são aulas. Por que tanta preocupação e tanto cuidado? Esse exemplo mostra o quanto podemos nos enganar em relação à nossa clareza. dando exemplos que concretizem conceitos abstratos.. Nós acabamos de fazer isso mostrando o exemplo da conversa sobre maré. dedicada e cuidadosamente a tais unidades didáticas expostas.. Não foi o que achou a sobrinha. e não conferências. 10:00:04 AM . ficam clarificadamente as razões pelas quais o leitor desta deve ater-se firme. fazendo com que o aluno se sinta de fato em uma aula. 2.indd 97 10/10/2007. Uma linguagem mais amigável e informal é uma boa maneira de fazer o aluno se sentir em uma aula. você é o mais indicado para selecionar partes do conteúdo em que valha a pena utilizar esta estratégia. chega mais.

há uma relação explícita e direta entre duas pessoas. de eu e os outros professores.. aula5. mas também pela maneira como o professor se coloca. clara.elementos instrucionais e estratégias de ensino Resposta Comentada a. nós). (Se você está estudando esta aula como um autêntico aluno. 2. Veja a diferença: 1. muito menos será o uso de contrações agramaticais. 10:00:04 AM Atenção . Você saberia dizer o porquê? Esse tipo de recurso lingüístico é capaz de instigar o aluno e.indd 98 10/10/2007. não podemos deixar de falar sobre as frases interrogativas – retóricas. Este texto está se referindo diretamente ao LEITOR. sua ou suas. não é?! A pessoalidade de um texto não passa só pela forma como se trata o aluno. Ainda nas características de um texto que converse com o aluno. pros não é aconselhável na nossa língua. por conseqüência. objetiva e. acabou de ser chacoalhado pela pergunta do parágrafo anterior). quando possível. c. seu ou seus.”). eu e os meus colegas especialistas etc. no entanto. Precisando usar pronomes que não permitam a imediata e clara identificação do “quem” (ele ou eles. ...que nesta aula é você. do tipo DA em vez de DE A (por exemplo: “O fato do aluno estar distante” x “O fato de o aluno estar distante. b. O que buscamos é uma linguagem pessoal.O autor apresentará a seguir os problemas que o aluno deverá identificar. etc.. Afinal. com tons humorísticos. ele estará se dirigindo diretamente a você. pro..(eu) Vou apresentar a seguir os problemas que você deverá identificar.. capacitando para a elaboração de material didático impresso para Educação a Distância. Para alcançar esse tipo de linguagem mais intimista. o mantém mais atento à aula e faz com que ele se encoraje a antecipar a resposta. use sempre pronomes pessoais (eu.. não devemos nos descuidar em nenhum momento! O uso de pra. de você... Trocar “leitor” por “você” já faz com que você se sinta mais próximo do autor do texto.Planejamento e elaboração de material didático impresso para EAD . ela ou elas.. 98 No texto 1 há dois verdadeiros alienígenas tentando comunicação! Já no texto 2.) esclareça no mesmo instante se se trata de eu e você. pras. nós. você. C uidado para não confundir informalidade com coloquialismo exagerado.

direta. use a expressão que é mais objetiva. Por que tanta preocupação e tanto cuidado? Com o devido cuidado de não transformar sua aula num mero questionário. Um texto é mais consistente quando todas as suas palavras têm relevância para o que ele se propõe a dizer. Não é necessário dizer que tipo de “convivência” queremos ter. Evite tudo o que for vago. Há frases e expressões que podem ser substituídas por uma ou duas palavras. A linguagem simples. e com vantagem: seu receptor decodifica mais rápido. objetiva. Assim. Por que usar frases como ’’algo que não esteja aquém do mínimo esperado nem além do que se consideraria o máximo”. aproveite a chance de perguntar o que vai explicar depois e responder com exemplos.. inumerável montante de exemplares”. precisa. quando você estiver escrevendo uma aula. você terá de fazer escolhas. específica. faça perguntas introdutórias. não é verdade? Todavia. frases. não se estressa.Aula 5 – O uso da linguagem. clara e concisa só faz aproximá-los. clara. sem ser pedantes. genérico (veja o boxe “Fugindo do Vago. professoral e acadêmica são sempre indesejadas. se podemos simplesmente escrever “muitos” ou “muitíssimos”? Sempre que possível.. mas para o outro. pois afasta o aluno do professor. a linguagem solene. sente conforto na leitura. concorda? Cheio de nada? Nada bom.”). entende sem esforço. direta.. expressões etc. 10:00:04 AM .. sob pena de seu aluno não entender ou – pior – entender errado! Atenção 99 aula5. simples. sugerimos que você corte tudo o que vai além do essencial para passar sua mensagem. não precisa mergulhar no dicionário. seleções. se a gente pode usar “aproximadamente”? Por que escrever “um extenso.indd 99 10/10/2007. impreciso. discriminações entre palavras. mais particularmente que na modalidade presencial. o mundo de vocabulário que está armazenado em sua mente fica inteiramente disponível para uso. dialógica. Em Educação a Distância. P odemos (e devemos) ser sérios no ensino do conteúdo. Isso porque você não está escrevendo para si.. Quando você escreve. no entanto. abstrato. saia da rotina de se limitar a conceituar e conceituar indefinidamente..

hodiernamente. você procure descartar expressões como: Fatores Campos 100 Casos Tem conexão com Circunstâncias Geralmente Atividade 3 Objetivo 3 j Palavras.” A falta de precisão faz o aluno sentir-se como na areia movediça. Veja a diferença. Releia o parágrafo a seguir: Posto que. com vistas a estabelecer.” Fugindo do Vago. mandatório nos é não deixarmos de empenharmo-nos. entre as partes. sob infortúnio de não se lograr a veiculação da expressão das acepções originais. Sugerimos que. portanto improvavelmente o será. utilizando o mesmo exemplo: “Mantenha distância ao operar esta máquina. Como você deve estar começando a perceber. para evitar o vago. da semântica primeira. recursos e elementos lingüísticos alude. ainda..elementos instrucionais e estratégias de ensino Repare o exemplo: “Perigo extremo pode estar associado ao uso operacional incorreto deste equipamento. lembre-se. aula5. palavras. comunicação. o prólogo desta aula será a base dos nossos trabalhos para aprender a construir um texto para uma aula em material impresso para Educação a Distância. Precisar ler três vezes para entender algo que pode ser entendido de primeira é perda de tempo. no que à busca por fatores. ambas que pelo autor da epístola foram intentadas. Ela oferece grande risco. não nos é factível prescindir.indd 100 10/10/2007. de fato. é algo que o aluno NÃO tem para desperdiçar. à culminação da não obscuridade e ininterrupta objetividade de nossos escritos.. de tal artifício [a escrita] da transmissão e recepção entre interlocutores adjacentemente localizados ou temporalmente e espacialmente separados.. 10:00:05 AM Atenção .Planejamento e elaboração de material didático impresso para EAD . E tempo..

não é? Então. hodiernamente. adjacentemente localizados é a mesma coisa que PRÓXIMOS. da comunicação [escrita] entre interlocutores próximos ou temporalmente e espacialmente separados. No final das contas. 10:00:05 AM .indd 101 10/10/2007. 1. por exemplo! 4.. sem grandes alterações. Atenção: não estamos falando dos termos que somente dificultam a leitura.Aula 5 – O uso da linguagem. _______________________________________________ substituir por: ______________________________________ 101 Resposta Comentada Você provavelmente teve dificuldade em detectar e substituir as expressões que “engordam” o texto porque. ainda. 1. compartilhe conosco no espaço Fórum da Aula 5. não-obscuridade é um jeito esquisito de dizer CLAREZA. _______________________________________________ substituir por: ______________________________________ 3. Você encontrou outros? Se encontrou. O texto do prólogo é realmente uma obra de arte às avessas! É difícil pensar em melhorar algo que não se compreende. artifício da transmissão e recepção entre interlocutores é exatamente como o dicionário define COMUNICAÇÃO! 2. Diríamos que. a essa altura. com vistas a estabelecer. lograr a veiculação da expressão.... não? 3. na Atividade Final você vai entender por que não a colocamos aqui. Por que tanta preocupação e tanto cuidado? De acordo com o que você acabou de ver nesta aula. não está entendendo nada do que está escrito. fatores. Tente encontrar. você deva estar um pouco irritado. _______________________________________________ substituir por: ______________________________________ 2. pelo menos. recursos e elementos. 5. três. essa é demais! Por que não simplesmente EXPRESSAR? Existe mais uma expressão que você pode ter detectado. observe quanto mais conciso ele ficou: Posto que. sua tarefa será detectar as expressões que “engordam” este texto desnecessariamente e substituí-las. mas das expressões que podem ser substituídas por uma só palavra. Demos alguns exemplos a seguir. Para que tanta coisa? Escolhamos 1: RECURSOS... aula5. não nos é factível prescindir. portanto improvavelmente o será. provavelmente. deve estar fácil perceber que este parágrafo está cheio de nada.

no que à busca por recursos lingüísticos alude. de 92 para 77 palavras! E se agora você olhar a nova versão desse trecho. são apenas uma das componentes desse parâmetro. no entanto. ou o que seja? . Sinônimos de palavras ”difíceis” serão sempre bem-vindos. se as palavras que se está utilizando são indecifráveis para quem está lendo? Uma das vantagens do material impresso é o fato de ele ser de fácil transporte. provavelmente encontrará mais algumas possibilidades de substituições.indd 102 10/10/2007. queremos dizer: não sofistique o uso da linguagem na Educação a Distância. corriqueiras. textos mais enxutos contribuem expressivamente para a clareza.Como é se sentir estrangeiro na sua própria língua. tentando.Qual é o prazer de ler tendo de consultar um dicionário a cada três palavras? . Como você viu na seção e atividade anteriores. 10:00:05 AM . sem esforço. Procure utilizar as palavras do conhecimento da maioria dos alunos. “cego”)? Ele fechar o livro e largar os estudos? Com isso. entre as partes. ambas que pelo autor da epístola foram intentadas. aula5. as que lhes são familiares. O aluno pode estudá-lo no ônibus. a semântica primeira. Tendo isso em mente. ao mesmo tempo. aprender sobre marés. De que adianta usar o número de palavras essencial para a sua mensagem. comunicação.elementos instrucionais e estratégias de ensino de fato. por exemplo. sob infortúnio e não se expressar as acepções originais.. à culminação da clareza e ininterrupta objetividade de nossos escritos. “Hodiernamente” é coisa do passado! Tudo de que não precisamos em um material instrucional para Educação a 102 Distância é de textos que o aluno não seja capaz de entender.Qual é o preço de fazer o aluno achar que está “surdo” (neste caso. Ainda não está bom? Também achamos que não. pense em algumas questões: . na volta do trabalho.Um texto como o que iniciou esta aula pode ser lido por um aluno sem um enorme dicionário a seu lado? .Quanto pesa um bom dicionário para ser carregado por aí? .. Passamos.Planejamento e elaboração de material didático impresso para EAD . mandatório nos é não deixarmos de empenharmo-nos.

não usuais. Por que tanta preocupação e tanto cuidado? E videntemente. Sua tarefa é identificar e substituir .. de fato. ainda. ______________________________________________ substituir por______________________________________ aula5.. entre as partes. da comunicação [escrita] entre interlocutores próximos ou temporalmente e espacialmente separados. 10:00:06 AM . ambas que pelo autor da epístola foram intentadas. ______________________________________________ substituir por______________________________________ 2. ______________________________________________ substituir por______________________________________ 4. ______________________________________________ substituir por______________________________________ 5. Atividade 4 Objetivo 4 j A tonga da mironga do cabuletê. ______________________________________________ substituir por______________________________________ 3. mandatório nos é não deixarmos de empenharmo-nos.” 103 Empenhe-se em encontrar. incomuns.no trecho a seguir..palavras que você imagine não serem de uso cotidiano de seu aluno. 1. à luz do que acabou de refletir sobre textos rebuscados: “Posto que. Você continuará na saga de transformar o prólogo desta aula em algo legível por um aluno.indd 103 Atenção 10/10/2007.. à culminação da clareza e ininterrupta objetividade de nossos escritos. a semântica primeira. estão excluídos da sugestão anterior os termos técnico-científicos indispensáveis de colocação. Também não considere o conselho se sua intenção (ou eventual meta/ objetivo da aula) for o aprofundamento ou a análise de modos de falar e registros de linguagem específicos. retirado da resposta da Atividade 3 . portanto improvavelmente o será. no que à busca por recursos lingüísticos alude. com vistas a estabelecer. 10 substituições. pelo menos. comunicação. não nos é factível prescindir. sob infortúnio de não se expressar as acepções originais. hodiernamente.Aula 5 – O uso da linguagem.

resolver equações matemáticas. ele terá que. ______________________________________________ substituir por______________________________________ 10. infortúnio 8. ______________________________________________ substituir por______________________________________ 7. semântica já que atualmente a fim de elas necessário máximo pena significados sentido aula5. caso ele não tenha em mãos um dicionário na hora em que estiver lendo sua aula. Se você quiser dar ao aluno a oportunidade de entrar em contato com novos termos . hodiernamente 3. culminação 7.. compreender ciclos biogeoquímicos.Planejamento e elaboração de material didático impresso para EAD . _____________________________________________ substituir por______________________________________ Resposta Comentada 104 Um vocabulário rebuscado é um grande inimigo do aluno na hora em que ele está estudando um conteúdo. Vamos à resposta? 1. acepções 9. Isso porque.elementos instrucionais e estratégias de ensino 6. além de ter de aprender a equilibrar reações químicas. com vistas a 4.e já fazemos isso com os termos técnicos – faça isso bastante moderadamente. as partes 5. escolha momentos em que a aprendizagem dele não será sacrificada. posto que 2. ______________________________________________ substituir por______________________________________ 8.).. mandatório 6. decifrar o que está escrito (pense em como você se sentiu ao ler o prólogo desta aula. ______________________________________________ substituir por______________________________________ 9. ao mesmo tempo.indd 104 10/10/2007. conceitos de contabilidade e empreendedorismo. 10:00:06 AM . características de estilos de arte ou o que for conteúdo de seu curso. teorias da educação.

Não precisamos ir do Leme ao Pontal em uma só frase. possuem um gênero discursivo característico. estarmos atentos a ele é fundamental para a aprendizagem do aluno. Longos parágrafos com longos períodos de longas orações com longas palavras demandam freqüentemente várias leituras para serem entendidos.indd 105 10/10/2007. Esse gênero é bem diferente de artigos científicos. factível 13. prescindir 14. como ficamos? Veja: Já que. atualmente. ainda. Interlocutores 15. não nos é possível abrir mão. 10:00:06 AM . a fim de estabelecer. comunicação. capítulos de livro e da literatura em geral (romances. como você está vendo. portanto improvavelmente o será. Por que tanta preocupação e tanto cuidado? 10.. intentadas mensagem. Materiais instrucionais impressos voltados para a Educação a Distância. alude 16. necessário nos é não deixarmos de empenharmo-nos. sob pena de não de não se expressar os significados e sentido originais. embora quem redigiu o texto seja o verdadeiro culpado! aula5. ao máximo da clareza e contínua objetividade de nossos escritos. ininterrupta possível abrir mão pessoas se refere contínua E depois dessas substituições todas. E aí? Já está claro e fácil de ler? 105 Simplificando e clarificando nossos textos 1. entre elas. epístola 11. no que à busca por recursos lingüísticos se refere. texto desejadas Se você se preocupou muito com seu aluno. de fato. É comum encontrar alunos complexados com relação à sua capacidade de entendimento. poemas etc). da comunicação [escrita] entre pessoas próximas ou temporalmente e espacialmente separadas. pode ter pensado em outras palavras que mereciam ser substituídas para o texto se aproximar ainda mais da linguagem dele: 12.Aula 5 – O uso da linguagem.. ambos que pelo autor da mensagem foram desejados.

períodos rápidos de ler fazem com que você não se perca na coesão textual.Planejamento e elaboração de material didático impresso para EAD . Toda vez que escrever “embora”. orações curtas. Encaixes precisos As conjunções têm um papel importantíssimo na coesão e na coerência de um texto. 10:00:07 AM Atenção . Outro ponto a que você deve estar atento é o uso das expressões de sentido negativo.. além de sentir-se cansado da leitura. que ajude o aluno na tarefa complexa de entender o que você escreveu.indd 106 10/10/2007. a ponto de ser monótono. pode levar o aluno a uma grande confusão! Freqüente é o uso de conjunções com sentido equivocado. ainda melhor: As provas têm sentido. tais parágrafos devem conter uma reduzida frase final. Em geral. mais chances de parar para pensar sobre o que acabou de ler (se entendeu ou não.. se concorda ou não) você dará ao seu aluno. Ou. 3. Com isso. Melhor dizendo: Tenho certeza de que as provas são providas de sentido. sintética. O uso indiscriminado de negativas na linguagem faz com que o aluno duvide do que entendeu. Ou. Usá-las sem o cuidado necessário pode acabar com uma idéia. Evite a dupla negativa como. 2. C 106 uidado! Períodos curtos não significam que o texto deva ser tópico ou que seja fragmentado demais. por exemplo: Não é possível duvidar de que as provas não sejam desprovidas de sentido. além de ser muito mais fácil detectar as incoerências cometidas involuntariamente. os períodos devem conter até vinte palavras. Se períodos mais longos forem inevitáveis. “no entanto”.elementos instrucionais e estratégias de ensino Frases simples. queremos dizer que frases curtas são sempre mais bem entendidas por serem sempre mais enfáticas. Alguns podem exceder a isso. Quanto mais você usar pontos. não e mais não não são bem-vindos por aqui. Não. Em seguida. no máximo: Não duvide de que as provas sejam providas de sentido. tendo de trinta a quarenta palavras. analise se há mesmo idéia de concessão ou adversidade aula5. tente contrabalançá-los com outros menos longos. Há muitos alunos que sentem dificuldade em entender rapidamente as construções desse tipo.

indd 107 10/10/2007. atribui peso e força ao que se quer dizer. O contrário disso chama-se texto caótico! 4. é mais comum o uso da voz p interessa mais o que foi feito. A maneira de utilizar o verbo determina a importância dos elementos em uma sentença e. temos de fugir do excesso de conjunções em um texto. nos textos passiva (pois acadêmicos. estado ou situação. o verbo está em voz passiva (a ação é mais importante que o agente). se escrever “portanto”. aula5.Aula 5 – O uso da linguagem. uma das imprecisões mais comuns de se encontrar ao analisar textos instrucionais (e de diversas naturezas) é a do tipo narrado nos parágrafos anteriores. Use-as sem repetição exagerada e prefira as mais simples de cada espécie. Voz ativa e voz passiva Para você que não lembra das aulas de português dos tempos de colégio: dizemos que houve o emprego da voz ativa quando o sujeito (agente) tem maior ênfase do que a ação. portanto. a leitura se torna cansativa. assim como não é funcional termos expressões enormes que podem ser substituídas por uma palavra. Pode estar parecendo que estamos gastando seu tempo com informações desnecessárias. observe se há realmente relação de conseqüência ou conclusão entre as orações. “assim”. esteja). a palavra mais forte de qualquer frase ou oração. Muitos adjetivos. 107 5. também não precisamos de adjetivos em excesso para explicar uma mesma qualidade. um bom texto deve ser enxuto. Isso porque. Na segunda oração. Isso significa que. por ser mais direta e enfática. Por exemplo: “O presidente assinou o decreto” em vez de “O decreto foi assinado pelo presidente”. Verbos e suas vozes O verbo é. Por que tanta preocupação e tanto cuidado? na sentença. A voz ativa do verbo deve ser a opção na maior parte dos casos. também não precisamos de toneladas de advérbios. Pode ser que você esteja certo (e esperamos que. Quando alongamos as palavras colocando o “-mente” no final delas para transformá-las em advérbios. sem dúvida. 10:00:07 AM . Pode estar parecendo óbvio demais o que está no parágrafo anterior. muitos advérbios – para que isso tudo?! Como já dissemos inúmeras vezes. de fato. No entanto. Do mesmo jeito. Além da imprecisão no significado. e não quem fez). Estar atento a esse detalhe pode ser um grande diferencial entre escrever um trabalho científico e uma aula em que se conversa com o aluno.

7. Dê o significado.indd 108 10/10/2007. Casos clássicos são os do somente. No entanto. a menos que você pretenda acostumar o seu aluno às variações dos termos. o 108 negrito etc. todo cuidado é pouco ao utilizá-los na linguagem de EAD! Eis algumas sugestões a respeito de tais termos e jargões: • Nunca use termos técnicos. as letras em CAIXA ALTA. • Explique o novo termo muito cuidadosamente quando for aplicado pela primeira vez. o gato não senta em nenhum outro lugar além de no sofá. como a sublinha. aluno novo não é o mesmo que novo aluno. Compare as três frases a seguir e veja se elas apresentam o mesmo sentido: Apenas o gato senta no sofá. • Não use termos técnicos alternativos para o mesmo conceito (microcomputador/ PC). Nesse caso. quando voltar a usar um termo ou jargão depois de muito conteúdo novo ou de aulas passadas.. na segunda. • Não introduza mais que o número estritamente necessário de termos técnicos novos no mesmo parágrafo. 10:00:07 AM . se as pessoas das áreas de conhecimento especializado fazem uso deles freqüentemente. E aí? Na primeira.. • Use qualquer espécie de grifo. Sobre termos técnicos.elementos instrucionais e estratégias de ensino 6. a única coisa que o gato pode fazer no sofá é se sentar. Aproveite para inserir verbetes que contenham apenas a explicação do sentido necessário para aquele momento. Termos técnicos e científicos nem sempre podem (e nem devem!) ser omitidos em uma aula.Planejamento e elaboração de material didático impresso para EAD . na terceira. o propósito. use uma variante de cada vez. Em língua portuguesa. o exemplo. A palavra-de-ordem é palavra em ordem Observe com cuidado como você está ordenando as palavras e/ou as orações do seu texto. Há ordens de palavras que alteram completamente a mensagem. por exemplo. a menos que você esteja certo de que o aprendiz necessita deles. ou do apenas. o gato é o único a sentar no sofá. aula5. O gato apenas senta no sofá. • Relembre o aluno do que se trata. O gato senta apenas no sofá. Os jargões também não podem ser desprezados.

quanto menos inversões. recomendamos apenas que não cometa exageros. • Se você deseja unir pequenos períodos. para construir um texto claro. faça o que acabamos de fazer: coloque-o entre parênteses. Veja: Ordem inversa: Sobre elaboração de textos para Educação a Distância estudam os professores. Não voe nem ande quase parando. • Um ponto final leva a uma pausa maior. • Se você deseja inserir um comentário (não muito extenso). Parênteses. • Se você deseja dar ênfase particular a uma palavra. travessões. o aluno poderá não acompanhá-lo ou esquecer-se de você. Veja aqui alguns casos em que pontuação se faz necessária: • Se você quiser que seu aluno faça uma pequena pausa. Em outras palavras: mantenha a ordem direta das palavras. 109 aula5. use ponto-e-vírgula. melhor. especialmente na aplicação das vírgulas de uso opcional.indd 109 10/10/2007. Por que tanta preocupação e tanto cuidado? Outra questão relacionada à ordem das palavras em uma sentença é que. vírgulas e ponto final Pontuação tem a ver com norma gramatical e com o estilo de quem escreve. o que define o número adequado é a velocidade que você deseja imprimir ao texto. isso dá uma pausa maior que a vírgula e menor que o ponto. Ordem direta: Os professores estudam sobre elaboração de textos para Educação a Distância. 8. insira uma vírgula. No que se refere ao estilo. 10:00:08 AM .Aula 5 – O uso da linguagem. sublinhe-a ou use negrito ou LETRAS MAIÚSCULAS. Entre o máximo e o mínimo de vírgulas que uma oração pode conter.

ainda. __________________________________________________________________ __________________________________________________________________ __________________________________________________________________ aula5. Vamos parte a parte: a. entre elas. de fato. identifique uma conjunção usada de maneira equivocada: __________________________________________________________________ d. se for necessário)? __________________________________________________________________ e. a fim de estabelecer. 5 e 6 j Construção Não precisa ser nenhum especialista para perceber que o texto a seguir está bastante truncado e mal escrito: Já que.Planejamento e elaboração de material didático impresso para EAD . atualmente. necessário nos é não deixarmos de empenharmo-nos. você encontra um verbo na voz passiva? Qual? Escreva o mesmo trecho colocando o verbo na voz ativa. no que à busca por recursos lingüísticos se refere. qual é a expressão que apresenta uma negativa desnecessária.elementos instrucionais e estratégias de ensino Atividade final Objetivos 4. que retira objetividade e clareza da frase? Como redigir a mesma expressão com mais objetividade? __________________________________________________________________ __________________________________________________________________ c. 110 Agora está na hora de consertá-lo de verdade. portanto improvavelmente o será. ambos que pelo autor da mensagem foram desejados.indd 110 10/10/2007. como provavelmente você está com vontade de fazer desde o início da aula. sob pena de não se expressar os significados e sentido originais. comunicação. 10:00:08 AM . quantas sentenças há nesse parágrafo (definidas por pontos)? __________________________________________________________________ __________________________________________________________________ b. da comunicação [escrita] entre pessoas próximas ou temporalmente e espacialmente separadas. ao máximo da clareza e contínua objetividade de nossos escritos. quantos advérbios você detecta facilMENTE entre as 25 primeiras palavras do texto? Quais você substituiria (ajuste o texto. não nos é possível abrir mão.

Recomendações importantes: coloque pontos onde achar que deve (construa sentenças curtas).indd 111 10/10/2007. agora que você já fez isso tudo. reorganize as frases (privilegie a ordem direta). volte ao trecho que vai de “Já que” até “[escrita]”. pelo menos. Por que tanta preocupação e tanto cuidado? f. este parágrafo inteiro corresponde a uma única frase. só conferindo as respostas: a. por que não reescreve o parágrafo? Fique à vontade: corte as palavras que não contribuem para o significado do texto. normal. detecte. __________________________________________________________________ __________________________________________________________________ g.Aula 5 – O uso da linguagem. duas inversões da ordem direta nesse trecho todo. inacreditavelmente. Quantas palavras há neste trecho? E quantas vírgulas? Qual é a velocidade do texto neste trecho (lenta. Ah. troque as que achar necessário. identifique no texto um trecho que você colocaria entre parênteses (ou entre travessões). imagina antes. b. Se isso é absurdo. rápida)? __________________________________________________________________ h. “não deixarmos de empenharmo-nos” é o mesmo que empenharmo-nos. agora que ele já foi modificado por você duas vezes. insira ao menos uma pergunta retórica. __________________________________________________________________ i. e não se esqueça: seja fiel “à semântica primeira”! __________________________________________________________________ __________________________________________________________________ __________________________________________________________________ __________________________________________________________________ __________________________________________________________________ __________________________________________________________________ __________________________________________________________________ __________________________________________________________________ __________________________________________________________________ __________________________________________________________________ 111 Resposta Comentada Muito trabalho? Depois disso tudo. retire vírgulas. 10:00:08 AM . quando ele tinha 92 palavras (lembre-se de que recomendamos cerca de trinta por sentença). concorda? Para que dar nó em pingo d’água? Isso é o que você poderia ter detectado na Atividade 3. aula5.

“temporalmente e espacialmente separadas” e. improvável que seja separadas no tempo e no espaço.nos é não deixarmos de empenharmo-nos . entre elas. Isso faz a leitura lenta e monótona.“Atualmente” 112 nos dias de hoje.elementos instrucionais e estratégias de ensino mas que deixamos para falar somente agora que já apresentamos o efeito do excesso de negativas na clareza de uma frase. mas não os consideraremos aqui. De fato. Quase uma vírgula a cada três palavras. comunicação”. 17 palavras e 5 vírgulas. Para passar para voz ativa: os significados e sentido originais. provavelmente nunca abriremos mão da comunicação escrita. que foram desejadas pelo autor da mensagem. O agente não é o foco desta sentença e. De fato.não nos é possível abrir mão . temporalmente e espacialmente. no entanto. 10:00:08 AM .no que à busca por recursos lingüísticos se refere . há várias inversões neste trecho: “não nos é possível abrir mão”. c.indd 112 10/10/2007. “nos é não deixarmos de empenharmo-nos”.“improvavelmente o será” . O “portanto” traz uma idéia de conseqüência direta. improvavelmente. entre elas. de fato.Planejamento e elaboração de material didático impresso para EAD . você poderia escolher qualquer um deles. ou simplesmente. de fato. estabelecer comunicação entre elas. nos empenharmos! no que se refere à busca por recursos lingüísticos. Há mais. . mas o fato de ela permitir a comunicação entre pessoas.que pelo autor da mensagem foram desejados não é possível a nós abrir mão. Para substituir. “estabelecer. facilmente você pode ter detectado 4 . Possibilidades são: . separadas no tempo e no espaço! d. “não nos é possível abrir mão. não existe este tipo de relação. dizemos que o verbo está em voz passiva. g. “no que à busca por recursos lingüísticos se refere”. e não o autor. É não deixarmos de nos empenharmos. ambos.estabelecer. ou não é possível abrirmos mão. comunicação . por isso.os que apresentam “mente”: atualmente. “pelo autor da mensagem foram desejados” está valorizando o ato de desejar. o motivo disso não é o fato de que agora não podemos fazê-lo. por exemplo. “que pelo autor da mensagem foram desejados”. aula5. f. portanto improvavelmente o será”. foram desejados pelo autor da mensagem. Como colocá-los em ordem direta? Vamos lá: . neste caso.

Há quanto tempo você está debruçado sobre esta aula? Desconte uma parcela dedicada somente à leitura. é fundamental usar elementos lingüísticos que tragam para o nosso texto mais clareza e objetividade.improvavelmente o será . caso contrário. as chances de aquilo que escrevemos ser compreendido por quem lê são baixas. Você pode estar se perguntando por que optamos por oferecer duas aulas sobre linguagem voltada para material impresso para Educação a Distância. De fato. caso contrário. frases colossais. Por quê? Porque ela serve para nos comunicarmos com alguém que está perto ou longe e para fazer registros que serão lidos no futuro.. 50% talvez? Ou seja. (em 71 palavras). Olhe as horas novamente. da época em que o homem começou a se comunicar utilizando símbolos. Para que isso aconteça. Ainda hoje. Veja uma possibilidade de versão para o texto: Ainda hoje. ele é o pior texto que já vimos: uma quantidade enorme de palavras inúteis. 10:00:09 AM . não é possível (e dificilmente será) abrir mão da linguagem escrita.entre pessoas próximas ou temporalmente e espacialmente separadas . clareza e objetividade nulas. de inversões desnecessárias.indd 113 10/10/2007. A importância da escrita vem de muito tempo. aula5.no que à busca por recursos lingüísticos se refere i. Quando você começou a ler esta aula deve ter pensado que nós éramos loucos e que o prólogo não significava absolutamente nada. Por que tanta preocupação e tanto cuidado? h. é fundamental usar recursos lingüísticos que tragam para o nosso texto mais clareza e objetividade. as chances de aquilo que escrevemos ser compreendido por quem lê são baixas. especialmente para a Educação a Distância? 113 Epílogo. metade do tempo que você passou estudando utilizou para decodificar um único parágrafo! Viu por que não podemos descuidar da linguagem. não é possível (e dificilmente será) abrir mão da linguagem escrita. Vamos explicar nos próximos parágrafos. Por quê? Porque ela serve para nos comunicarmos com alguém que está perto ou longe e para fazer registros que serão lidos no futuro. Para que isso aconteça.Aula 5 – O uso da linguagem. Três possibilidades: ..

parágrafos pequenos. cuidando da ordenação de vocábulos. Opte pelos verbos ativos. LOCWOOD.Planejamento e elaboração de material didático impresso para EAD .elementos instrucionais e estratégias de ensino A linguagem é uma ferramenta fundamental quando estamos ensinando um conteúdo específico a distância. amigável. 2ed. fuja deles se puder. permite ao professor fazer conexões com o aluno e entre o aluno e o conteúdo. Evite as duplas negativas. 1994. Londres: Kogan Page. ao estudar uma aula. faça uso da linguagem em tom dialógico. Fred. apresente-os aos poucos. use pronomes pessoais e frases retóricas. Tanto quanto possível. Ponha-se no lugar do aluno. 10:00:09 AM . direta. aula5. Prefira um vocabulário familiar ao aluno. Ao mencionar temos técnicos ou científicos. períodos curtos. Reconheceu? Resumo A 114 o escrever a sua aula para EAD. Até lá! Bibliografia Consultada ROWNTREE. orações pequenas. A linguagem clara. pela ordem direta. objetiva. ler um texto que conversa com você? Fuja das generalizações e das expressões vagas. Não é mais agradável. Derek. simples e enxuta numa aula faz com que o aluno a “ouça” e o estimula — ele ficará na boa expectativa de “ouvir” a próxima. Se usada corretamente. Teaching through self-instruction. use palavras curtas. É por isso que você deve estudar com tanto cuidado estas duas aulas sobre o tema! 162 palavras. The design and production of self-instruction materials. 1ed. Informações sobre a próxima aula Na próxima aula você começará a estudar sobre as atividades em materiais instrucionais voltados para Educação a Distância. De preferência. 1998.indd 114 10/10/2007. Londres: Kogan Page.

10:01:28 AM .indd 115 10/10/2007.Aula 6 Praticando a boa prática Cristine Costa Barreto aula6.

identificar as dez características associadas a atividades autênticas. Objetivos Ao final desta aula. conforme descrito na literatura. identificar a importância das atividades em materiais de EAD para promover a aprendizagem a partir da utilização 116 dos conteúdos propostos.indd 116 10/10/2007. você deverá ser capaz de: 1.elementos instrucionais e estratégias de ensino Meta Discutir os principais aspectos relacionados à importância de atividades autênticas em materiais impressos na Educação a Distância (EAD). 3. 4. conceituar atividade matemagênica.Planejamento e elaboração de material didático impresso para EAD . aula6. 10:01:28 AM . 2. detectar tais características em atividades voltadas para materiais impressos de EAD.

É necessária a conquista de técnicas adequadas e o estudo de diferentes modelos. Então. O termo. em si. 10:01:29 AM . vamos nos benefeciar de nossa própria experiência como professores. que não seja apenas ouvir (ou ler). e me lembro. – Confúcio Se você me perguntasse qual o elemento instrucional mais difícil de ser assimilado por quem começa a elaborar materiais didáticos impressos para EAD. Você poderia. não é bem assim. definir atividade como qualquer coisa que o aluno faça.indd 117 10/10/2007. eu diria que as atividades. conforme devem ser concebidas na Educação a Distância. Essa educação não é tão marcante quando se trata da linguagem. Mas um bom texto literário faz parte do seu dia-a-dia. Pense um pouco sobre suas aulas presenciais expositvas. Se você me perguntasse por quê. e compreendo. não tem nada de novo. aplicar. nossos alunos podem participar de maneiras variadas. avaliar. por exemplo. antes de passarmos às especificidades das atividades em EAD. Fonte: www. analisar. dentre outras respostas.Aula 6 – Praticando a boa prática Introdução Eu ouço. é verdade. e esqueço. Com as atividades.sxc. que tipo de participação você solicita ou espera de seus alunos? Foto: Ruth Strong Foto: Jeramey Jannene 117 Figura 6. que são as atividades.1: Dependendo de como conduzimos uma aula. praticar. corretamente. ainda que você não seja um escritor! Portanto.hu aula6. Sua experiência como leitor contribui para romper as dificuldades relativas à redação de uma aula. escrever é uma prática de alguma maneira relacionada ao seu cotidiano de leitor. um conteúdo oferecido. Quando você está apresentando novos conteúdos. sem hesitar. Eu vejo. Eu faço. diferem muito da maneira como as consideramos no ensino presencial. por exemplo. eu responderia. para aprender.

Leia atentamente.elementos instrucionais e estratégias de ensino Escreva. como aluno. em sua sala de aula. as três primeiras coisas que lhe vieram à cabeça: Fonte: www. aula6.indd 118 10/10/2007.sxc. de apresentações de trabalho. Essas são maneiras. de respostas a perguntas que você faz. você busca manter um clima dinâmico. a seguir. ativo. dentre várias. estão listados a meta e os objetivos de aprendizagem de uma aula voltada para doenças cardíacas que faz parte do conteúdo programático do curso de Medicina oferecido por uma das mais conceituadas universidades da Inglaterra.hu Imagino que você tenha incluído em sua lista a participação de seus alunos por meio da colocação de dúvidas. pelas quais. 10:01:31 AM . fugindo de uma 118 exposição monológica longa e maçante enquanto garante que seus alunos atinjam os objetivos propostos – maneiras que revelam sua boa prática como professor. Vamos lá? Foto: Rose Ann Atividade 1 Atende ao objetivo 1 j Problema. Mas agora gostaria de pedir a sua participação. da análise de recursos expositivos.Planejamento e elaboração de material didático impresso para EAD . do levantamento de questões. eu? A seguir. tenho certeza. de tarefas realizadas em grupo. na realização da atividade a seguir.

Aula 6 – Praticando a boa prática “O fumo e as doenças do coração” Meta da aula 6 119 Avaliar o impacto do fumo na saúde. distinguir entre prevenção primária. Evidenciar de que forma a percepção de um indivíduo acerca de sua própria saúde. objetivos Após esta aula. mas para a sociedade como um todo.indd 119 AULA 10/10/2007. identificar os conflitos éticos inerentes a qualquer programa de promoção de saúde. secundária e terciária. 3. aula6. 6. Medicina). fisiológicos e sociais do fumo sobre o indivíduo e sua família (incluindo aspectos tais como o vício e os efeitos do cigarro para fumantes passivos). pense em uma aula que permita a um aluno atingir os objetivos propostos. Pense em como engajar os alunos na aprendizagem do tema da aula e em como você seria contributivo como professor que visa a formar profissionais de uma determinada área (nesse caso. o aluno deverá ser capaz de: 1. 2. 4. influencia o sucesso de estratégias para a promoção de hábitos de higiene e saúde. bem como seu status socioeconômico. identificar os efeitos físicos. não só para o indivíduo. explorar evidências do fumo como um fator de risco para doenças cardíacas coronarianas. 5. Helen Hogan e Elizabeth Muir Imperial College London Mesmo que você não seja professor da área biomédica. Pense em como você incentivaria a participação dos alunos. Evidenciar conflitos éticos presentes na área de saúde. detectar as causas que determinam o início do hábito de fumar em crianças e adolescentes e quais fatores contribuem para a manutenção do hábito e para o abandono do vício. relacionar fatores socioeconômicos ao hábito de fumar. Prof. 10:01:31 AM .

análise de imagens radiográficas.hu Resposta comentada Você pode ter pensado em um sem-número de estratégias diferentes: o uso de fotos. no fórum da Aula 6. Jim gosta de jogar futebol uma vez por semana e de ir a um bar encontrar com os amigos no final de semana. o que ocasionalmente causa problemas financeiros para a família.hu Foto: Uffe Nielsen Fonte: www. entrevistas.hu Fonte: www. Esse médico é você.sxc.elementos instrucionais e estratégias de ensino Pense um pouco antes de continuar estudando esta aula. ele concordou em fazer uma visita ao posto de saúde e buscar aconselhamento do médico de plantão acerca de como parar de fumar. Depois de muita insistência de sua esposa.indd 120 10/10/2007.sxc. Foto: Felipe Wiecheteck Foto: Sanja Gjenero Fonte: www. Mas antes de ir até lá.hu Fonte: www. Eu adoraria que você compartilhasse comigo e com os outros alunos do curso suas idéias para esta 120 atividade. aula6.Planejamento e elaboração de material didático impresso para EAD . Foto: Simona Dumitru Jim é fumante e consome 20 cigarros por dia há 20 anos. pesquisas etc.sxc. A esposa de Jim acha que seria melhor para a saúde dele se ele deixasse de fumar.hu ao marido um panfleto informativo Foto: Loleia que pegou na farmácia sobre doenças relacionadas ao fumo.sxc. recentemente ela mostrou Fonte: www. com dois filhos: um de dois e outro de cinco anos.sxc.sxc. visitas a hospitais. Jim Butler Jim Butler é um operário de construção de 40 anos de idade. Ela também acha que isso os ajudaria a guardar algum dinheiro como reserva para as ocasiões em que Jim estivesse sem trabalho. Deixe seu comentário na plataforma. no qual foi baseada a aula original cujos objetivos você leu anteriormente. 10:01:32 AM . dê uma olhada no texto seguinte. Seu trabalho nem sempre é regular. casado.hu Foto: Brian Lary Fonte: www.

É o extremo do que você pode fazer em sala de aula. aplicabilidade e relevância ao conteúdo aprendido. fazendo uso das estratégias que mencionou anteriormente. você poderia apresentar.indd 121 10/10/2007. em que as participações de seus alunos. leia o boxe “Aprendizagem baseada na resolução de problemas”). Da maneira como essas dinâmicas são conduzidas. Qual a melhor maneira de você ajudar Jim? O caso anterior foi utilizado em uma dinâmica presencial de resolução de problemas. Você poderia fazer isso. obviamente. e os alunos teriam acesso ao conteúdo de forma muito mais rápida e objetiva do que por meio de discussões em grupo. mas se instrumentaliza para a resolução de problemas em geral. A constante aplicação de conceitos por meio das atividades propostas é uma característica típica da Educação a Distância. mediada por um tutor (se você quiser saber mais sobre essa estratégia. a adoção de problemas úteis (significativos) e com alto grau de dificuldade motiva muito mais os aprendizes a buscar soluções. 10:01:42 AM . proporcionando-lhes maior nível de compreensão e de desenvolvimento de habilidades cognitivas e relacionais. a partir da aplicação de conceitos em contextos reais e variados e da transferência dos conteúdos aprendidos para outros domínios. conteúdos que permitissem aos alunos atingir os objetivos mencionados no início da atividade. pois meu avô fumou 30 cigarros por dia durante toda a sua vida e viveu até os 90 anos. A situação relatada pelo operário Jim Butler é o núcleo a partir do qual todos os objetivos listados anteriormente devem ser atingidos pelos alunos. em uma aula bem ilustrada. ”Enquanto você conversa com Jim. compartilhando com seus alunos toda a sua experiência profissional. E você certamente faria isso com eloqüência. Você falaria de forma clara. em uma aula expositiva convencional. a aprendizagem baseada na resolução de problemas proporciona maior significado. o aluno aprende não apenas a resolver o problema específico proposto. Naturalmente. Dessa forma. Não sei por que tanto estardalhaço. sejam a própria aula. Diferentemente. Mas diversos estudos indicam que a maioria dos estudantes retém e utiliza pouco do que memoriza em situações de sala de aula. na verdade. 121 aula6. os alunos passam a utilizar idéias em s vez de apenas ouvir (ou ler!) sobre elas.Aula 6 – Praticando a boa prática Ele chega para uma consulta com você e diz: “Minha mulher me mandou aqui hoje porque ela está preocupada com meu vício de fumar. na verdade. já pensou nisso? Quando comparada à instrução tradicional. ele revela que tanto seu pai quanto seu tio morreram no início dos anos 50 em decorrência de “problemas no coração”. meramente um reflexo de nossas práticas em sala de aula no ensino presencial. que deveria ser.

você solicita sua participação para se certificar de que ele está acompanhando seu raciocínio. descrição ou comparação de informações que foram memorizadas. Como você o interpelaria durante uma seção de duas horas? Assim. muitos professores tentam romper com um modelo reproduzido há décadas. em que as atividades aparecem ao final de cada capítulo como verificadoras de um aprendizado adquirido anteriormente. reconhecimento. Tudo funciona como se você estivesse dando uma aula particular. você deve imaginar a freqüência com que deve oferecer atividades para ele fazer. para que ele pratique um conceito importante sobre o qual você acabou de falar. Representam um dos principais caminhos de interação entre o aluno e o material didático. pense sempre em um aluno particular. para apenas um aluno. no caso da Educação a Distância as atividades devem aparecer entremeadas no corpo do texto.indd 122 10/10/2007. É esse ritmo que você deve buscar ao elaborar uma aula impressa para EAD.Planejamento e elaboração de material didático impresso para EAD . Foto: Toni Rabelo 122 Figura 6. De tempos em tempos. um sistema que enfatiza exageradamente recuperação. Não é preciso ser um profissional da área da Educação para deduzir que esse modelo gera muitos custos para o aprendiz e aula6..2: Enquanto elabora uma aula para Educação a Distância. para que ele compartilhe de suas experiências. não? Você busca a participação de seus alunos de diversas maneiras. ao redor dos quais o processo de aprendizagem deve ser construído. Assim como você. Mas você me disse que faz isso em sua sala de aula. 10:01:42 AM . fortemente centrado na transmissão de um vasto conteúdo que inunda o aluno com informações detalhistas. como parte integrante dos elementos instrucionais que promovem uma aprendizagem eficaz.elementos instrucionais e estratégias de ensino Diferentemente dos livros-textos tradicionais..

espero contribuir para preencher alguns daqueles fluxogramas vazios a que me referi na Aula 2 e ajudar você a criar boas atividades para suas aulas. com freqüência conduzidos no formato de aulas expositivas. embora saibamos apreciar o bom material educacional e também detectar aquele que nos desagrada. Diferentemente dos métodos de instrução tradicionais. o ensino com base na resolução de problemas normalmente ocorre com base em uma dinâmica de grupo de discussão facilitada por um tutor. O modelo médico original desdobrou-se em muitas variantes aplicáveis às demais áreas da ciência e. se todos somos capazes de detectar parâmetros educacionais que definem sistemas eficazes. onde menos tempo é gasto freqüentando exposições teóricas do que na aplicação das informações apreendidas. aula6. por meio desta discussão. interpretação e decisão. atualmente. por que então a aprendizagem baseada em atividades ainda é percebida. refletindo as ações dos profissionais em um mundo real. e distingui-los daqueles que claramente consideramos inadequados. com o processo de aprendizagem e pouco autônomos no que se refere às suas capacidades de análise. 10:01:44 AM Aprendizagem baseada na resolução de problemas . Novamente. Ora. Se concentrarmos o foco das ações pedagógicas no aluno.indd 123 Mais 10/10/2007. orientação e instrução para os alunos adquirirem o conhecimento do conteúdo e a habilidade de solucionar problemas. quer do motivacional. para aprimorar o desenvolvimento de habilidades de tomada de decisão dos estudantes. inevitavelmente somos levados a pensar no processo de aprendizagem de uma maneira inteiramente diferente. dentre outras. na área médica. presenciais ou não.Aula 6 – Praticando a boa prática exige pouco do professor. práticas de ensino com dinâmicas voltadas para a resolução de problemas são utilizadas em diversos outros cenários. com atividades educacionais que busquem integrar o aluno a um contexto aplicado. significativas e contextualizadas ao mesmo tempo que fornece recursos. Originalmente. essa estratégia de ensino e aprendizagem foi utilizada. quer do ponto de vista pedagógico. falta-nos a capacidade de mapear e formalizar os processos técnicos e mentais que levaram este àquele. como uma inovação e por que comecei a aula dizendo que é o elemento instrucional mais difícil de ser assimilado e aplicado na elaboração de materiais de EAD? Minha longa prática em sala de aula e minha experiência como pesquisadora sugerem que. por muitos professores. de forma que o balanço final é quase inevitavelmente a massificação de alunos desestimulados com o conhecimento. para seus alunos. 123 A aprendizagem baseada na resolução de problemas é uma estratégia pedagógica voltada para a proposição de situações reais.

Estágio 5 . O grupo chega a um consenso acerca g dos objetivos a serem atingidos.Formulação de objetivos de aprendizagem. aula6. 124 Estágio 2 – Definição do problema ou dos problemas a serem discutidos. se necessário. A primeira sessão.indd 124 Foto: Toni Rabelo 10/10/2007.Planejamento e elaboração de material didático impresso para EAD . O escrevente registra todos os pontos principais da discussão. e organização das explicações em termos de g possíveis soluções. Os sete estágios de um tutorial típico podem ser divididos da seguinte forma: Estágio 1 – Identificação e esclarecimento dos termos não-familiares apresentados nos g casos. o grupo se reencontra e compartilha dos resultados do estudo individualizado. que dura em média 90 minutos. O grupo identifica as questões que permaneceram sem explicação ou para as quais desenvolveram uma explicação parcial. sugerindo possíveis g explicações com base no conhecimento prévio dos alunos. compreensivos e apropriados. Cada estudante identifica sua fonte de aprendizado e expõe as informações obtidas. beneficia-se do conhecimento prévio de cada membro individualmente e identifica áreas de conhecimento que permaneceram incompletas. O grupo.elementos instrucionais e estratégias de ensino Dinâmicas de aprendizagem baseadas na resolução de problemas (tutoriais) podem ser conduzidas de diversas maneiras. O grupo deve concluir a resolução do caso. Todos os estudantes devem reunir informações relativas a cada um dos objetivos de aprendizado definidos no estágio 5 e investigar as questões que permaneceram total ou parcialmente sem solução. cujo formato pode ser adaptado e/ou reduzido de diversas maneiras. e todas devem ser consideradas. como um todo. Estágio 4 . O escrevente registra uma lista de problemas conforme acordado entre os membros do grupo. atingíveis. O aluno eleito como escrevente relaciona aqueles que permanecerem inexplicáveis após a discussão. O tutor verifica que o aprendizado aconteceu.Revisão dos estágios 2 e 3. Uma das mais freqüentemente utilizadas é o processo dos sete estágios. O escrevente organiza as explicações e as reestrutura. Estágio 7 – Aproximadamente duas semanas após a conclusão do estágio 5. Estágio 6 – Estudo individualizado. Estágio 3 – Sessão de brainstorming para discutir os problemas. é concluída após este estágio. O tutor assegura que os objetivos definidos pelo grupo sejam direcionados. sendo possível desenvolver algum tipo de estratégia de avaliação do grupo. Os estudantes podem g ter diferentes visões acerca dos aspectos apresentados. 10:01:44 AM .

No que se refere a professores e tutores. aquelas que nós. Comportamentos matemagênicos. as atividades de maior valor educacional.indd 125 10/10/2007.Aula 6 – Praticando a boa prática Comportamentos que dão origem à aprendizagem Atividades são um aspecto característico de materiais didáticos para EAD. educadores. relacionar suas próprias idéias e experiências com o tópico em discussão. Se temos motivos de sobra para desenvolver atividades que promovam o engajamento e a aprendizagem de nossos alunos. portanto. nos alunos. resolução de problemas. proponho uma atividade importante para orientar nossa discussão. Naturalmente. o desenvolvimento de capacidades cognitivas que decorreram de comportamentos analíticos e investigativos. as próximas perguntas a serem feitas são: o que define uma atividade matemagênica? Que modelos e conceitos influenciam seu formato? É possível criar padrões de atividades de alta qualidade instrucional e que possam ser adaptados às diversas áreas de conhecimento científico? Antes de retomarmos essas questões. além da organização e reorganização de informações. praticar os objetivos propostos. pensamento crítico e criativo. 125 aula6. 10:01:47 AM . são as que favorecem. são comportamentos que dão origem à aprendizagem. a elaboração de atividades matemagênicas estimula a utilização de seus conhecimentos e potenciais criativos para irem além de seus próprios paradigmas educacionais. A expressão deriva dos radicais gregos mathemain (aquilo que é aprendido) e gignesthai (nascido). Essas atividades dão origem a um processo de aprendizagem eficaz. checar sua compreensão e avaliar as implicações de sua aprendizagem. São vitais para auxiliar o aluno a fazer inferências. autêntico no que se refere às possibilidades que oferece ao aluno. devemos perseguir com avidez e reproduzir em larga escala. Mas qualquer atividade é capaz de proporcionar tantas capacidades? Um dos termos que refletem com maior beleza o desenvolvimento intelectual em sua acepção mais legítima foi cunhado pelo pesquisador americano Ernst Rothkopf (1970): matemagênico.

10:01:47 AM . observação.ac.pdf Instrutivismo é o processo de instrução direta por parte de um professor que se baseia em planos de aula e objetivos de aprendizagem relacionados a uma grade curricular geral. Por isso. Miriam Lemle. • Há o ensino explícito de um corpo de conhecimento pré-acordado. experiência. 3.elementos instrucionais e estratégias de ensino Atividade 2 Atende ao objetivo 2 j Como é que se aprende? Leia os trechos abaixo extraídos de diversas fontes: Aprender (Dicionário Novo Aurélio) 1.hu Não existe aprendizado no sentido de instrução. A complexificação e produção de estruturas cognitivas novas é sempre um processo de seleção de repertórios internos preexistentes. a observação ou a experiência. Learning and Teaching Centre Staff Development Page http://www.letras. etc. usualmente sob a forma de aulas expositivas. Reter na memória.ufrj. Tomar conhecimento de.sxc.br/clipsen/aniela/skinner. No instrutivismo: • O conhecimento está em poder do professor.Planejamento e elaboração de material didático impresso para EAD . mediante o estudo. Tornar-se apto ou capaz de alguma coisa. advertência. a fim de ensinar conteúdos específicos.indd 126 Foto: Alejandro Heredia 10/10/2007. UFRJ http://www. 126 Fonte: www. em conseqüência de estudo. desaconselho que se continue a empregar o termo “aprendizagem” (learning).uk/LTMain/LTC/StaffDev/Constructivism aula6.worc. 2. transferência de estruturas de fora do organismo para dentro dele.

começou a freqüentar uma espécie de grupo de recreação em que havia apenas crianças inglesas e lá permanecia por apenas três horas ao dia.Aula 6 – Praticando a boa prática • O construtivismo privilegia o conceito de que toda a aprendizagem deve ser vista sob a estrutura conceitual do aprendiz e de que novos aprendizados devem se acomodar a essa estrutura. 10/10/2007.indd 127 tinha acabado de completar um ano de idade. Aos dois. certamente. • É baseado na participação ativa do estudante na resolução de problemas e no pensamento crítico no que se refere a uma atividade de aprendizagem que considere relevante e engajadora. utilizando-se da estrutura da língua tão bem como uma criança nativa e. • Os alunos constroem seu próprio conhecimento testando idéias e abordagens. Learning and Teaching Centre Staff Development Page http://www. falava inglês sem qualquer sotaque. 10:01:48 AM . Enquanto estava na recreação.uk/LTMain/LTC/StaffDev/ Constructivism/ 127 “Meu filho foi comigo para a Inglaterra quando Foto: Vicky S. jamais falou qualquer palavra em português e.ac. muito melhor do que eu. aula6. uma experiência que vivi fora do país.worc. quando já falava português. aos três anos.” Relato pessoal. baseados em seu conhecimento e exper novas e integrando o novo conhecime preexistentes. Era a única ocasião em que era exposto à língua inglesa.

br/clipsen/aniela/skinner. Bernardinho não hesitou. No final. No livro. uma boa idéia que ajuda o aluno a desenvolver diversas capacidades enquanto contribui para a aprendizagem de um conceito. Levou o grupo a um estacionamento e fez o treino ali mesmo. o Brasil foi campeão e os jogadores se lembraram daquele dia.sxc. aula6. e sim algo que lhe “acontece”. UFRJ http://www. provavelmente todas corretas. Pode ter-se influenciado mais por um ou outro trecho para chegar às suas conclusões. antes de tudo. de um conteúdo. não importa.ufrj. técnico da Seleção Brasileira de vôlei masculino. Atividades matemagênicas são. __________________________________________ Resposta Comentada Você pode ter pensado em diversas características.hu história ocorrida com Bernardinho.indd 128 10/10/2007.letras. que certa vez chegou à Holanda num domingo e descobriu que não teria quadra para treinar o time. 10:01:52 AM .Planejamento e elaboração de material didático impresso para EAD .elementos instrucionais e estratégias de ensino Tal como ocorreu na Biologia. a teoria do tipo instrutivista da aprendizagem cai por terra de tal forma que leva a concluir que o aprendizado não é algo que a criança “faz”. o autor conta uma 128 Foto: Torn Fonte: ww. Com base nos trechos lidos. Miriam Lemle. __________________________________________ 3.pdf Treinar exaustivamente Um conceito defendido por Carlos Alberto Parreiras no livro de sua autoria Formando equipes vencedoras é “treinar exaustivamente para lembrar do processo que levou ao sucesso”. pense em três características que uma atividade deve ter para gerar uma aprendizagem matemagênica. 1. __________________________________________ 2.

10:01:53 AM .sxc. Mais alguma? Em ambientes de aprendizagem construtivistas. o termo é congênere de matemagênicas. Para nós. são baseadas na observação e análise de modelos. as atividades dão significado à aprendizagem.hu Atividades matemagênicas contribuem para a autonomia do aluno. contribuem para a quebra de paradigmas. Na verdade. a pesquisa e o desenvolvimento educacionais. promovem a reflexão. muitos estudos se voltaram para o que atualmente chamamos de atividades autênticas (a meu ver. partem do conhecimento e da experiência prévia do aluno. são significativas e contextualizadas. favorecem a colaboração. em um processo que prevê a orientação e o suporte de professores e tutores. favorecem a resolução de problemas. um estudo em particular identificou e reuniu dez características de atividades autênticas referidas na literatura. e para desenhistas instrucionais. portanto. permitem ao aluno experimentar situações em vez de ser ensinado sobre elas. A partir da descrição de diversos autores. têm caráter experimental. tais características podem representar uma lista valiosa! aula6. eu ficaria à vontade para utilizá-los indistintamente).indd 129 Foto: Peter Rol 10/10/2007.Aula 6 – Praticando a boa prática Fonte: www. as atividades são o próprio curso. professores. permitem a aplicação e a prática dos conteúdos aprendidos. além da colaboração com outros alunos. Atividades dessa natureza podem ser complexas e guiar a aprendizagem em um curso inteiro. 129 Dez características de atividades autênticas Conforme a filosofia construtivista e os avanços tecnológicos impactam a teoria.

São. Atividades integram e são aplicadas a diferentes áreas e possibilitam resultados para além daqueles referentes a domínios determinados e específicos. de forma contígua. tanto no curso quanto na situação real que simula.scam. requerem um investimento significativo de recursos intelectuais. Além do tempo. Relevantes para o mundo real Atividades correspondem. tanto quanto possível. Atividades culminam com a criação de produtos valiosos em si. artificial. Os problemas propostos são pouco definidos em vez de facilmente 2. desconectada da natureza da atividade em si. Atividades incluem tarefas complexas que devem ser 3. em vez de em minutos ou horas. à avaliação que.elementos instrucionais e estratégias de ensino Quadro 6. Reeves. Atividades devem permitir aos estudantes realizar escolhas. a atri-buições de profissionais em prática em vez de tarefas de sala de aula descontextualizadas. Pobremente estruturadas resolúveis pela aplicação de algoritmos existentes. utilizando uma variedade de recursos. Requerem investimento de tempo 130 investigadas pelos estudantes ao longo de um período de tempo. Requerem que os estudantes definam quais as tarefas e subtarefas necessárias para completar a atividade. um produto 10. Permitem soluções múltiplas aula6.edu. Oportunizam a colaboração A colaboração é parte integrante da tarefa. Encorajam perspectivas multidisciplinares 8. Oferecem a oportunidade para os estudantes examinarem as 4.ecu. Integradas à avaliação por sua vez. teóricas e práticas.1: Atividades autênticas e aprendizagem online (Authentic activities and online learning). 5. semanas e meses. Não pressupõem uma avaliação separada. http://elrond.Planejamento e elaboração de material didático impresso para EAD . em vez de servirem como preparação para se obter um outro produto qualquer. além de refletir quanto à sua aprendizagem individual ou em grupo. em vez de apenas uma perspectiva que os alunos devem reproduzir para serem bem sucedidos. reflete processos avaliativos do mundo real. Devem ser concluídas em dias. As atividades permitem um espectro e uma diversidade de resultados abertos a soluções múltiplas.pdf 1. 6. Oferecem múltiplas perspectivas de análise tarefas de diferentes perspectivas. 10:01:55 AM . Atividades são integradas. Thomas C. em si. Jan Herrington & Ron Oliver.au/oliver/2002/Reeves. Favorecem a reflexão 7.indd 130 10/10/2007. 9. em vez de uma resposta única obtida pela aplicação de regras e procedimentos.

descrito na Atividade 1. O aluno deve. g j O Jogo de Casos Uma das atividades mais criativas propostas em materiais didáticos do Consórcio CEDERJ foi criada pela Profª Sonia Rodrigues. Apresenta-se ao estudante uma situação inicial.Aula 6 – Praticando a boa prática Atividade final Atinge os objetivos 3 e 4. pouco definida. escolher dois personagens de quatro que lhe são oferecidos. A seguir. mas há também uma versão para materiais impressos. então. tem dois filhos. ganhou a seguinte versão: 131 Claudemir é pedreiro. casado. a atividade foi proposta para o ambiente digital. fuma 20 cigarros por dia e seu pai e seu avô morreram de problema no coração. descrevo o Jogo de Casos conforme apresentado em sua versão para web. a partir de sua larga experiência no papel de jogos na aprendizagem. relacionada ao conteúdo do curso. no curso de Biologia. 10:01:55 AM . o caso do operário Jim Butler. Originalmente. Por exemplo.indd 131 10/10/2007. aula6. O Jogo de Casos é uma atividade que incorpora o modelo narrativo à aprendizagem baseada na resolução de problemas. como parte do conteúdo das aulas.

. 132 Em seguida. criar um problema decorrente da situação inicial proposta e escrever um diálogo entre os dois personagens que escolheu.indd 132 10/10/2007. ele está com muitas dores no peito..Planejamento e elaboração de material didático impresso para EAD . Se ele fuma? Mas doutor. tô falando de coração! Puxa. sintetizando as idéias desenvolvidas no diálogo. ele fuma muito? Mas uma das principais causas de doenças cardíacas é o hábito de fumar! É o Claudemir.elementos instrucionais e estratégias de ensino O aluno deve. Diga-me qual é o problema. O Claudemir fuma feito uma chaminé. Sra. eu não estou falando de problema de respiração.. Mulher preocupada com dores no peito do marido procura seu médico. agora. A seguir. em que posso ajudá-lo? Diga-me uma coisa. 10:01:56 AM .. essa eu não sabia. um exemplo de comentário final em um Jogo de Casos do curso de Administração: aula6. ele deve fazer um comentário final.

tente definir quais das dez características de uma atividade autêntica (conforme Reeves et al. 5. um produto Permitem soluções múltiplas OK 1. aula6. 6. A idéia é de que cada participação. por sua vez. Cada aluno pode jogar quantas vezes quiser. 9. Os outros estudantes também podem submeter suas impressões ao grupo que. e as discussões podem se dar durante o tempo em que uma aula estiver online ou durante todo o semestre letivo. com a combinação de personagens que quiser. em si. 10. Característica Relevantes para o mundo real Pobremente estruturadas Requerem investimento de tempo Oferecem múltiplas perspectivas de análise Oportunizam a colaboração Favorecem a reflexão Encorajam perspectivas multidisciplinares Integradas à avaliação São. pode debater livremente os argumentos e questões levantados por cada participante. O tutor pode comentar um caso que proponha um problema particularmente valioso para o conteúdo do curso.indd 133 10/10/2007. dependendo do interesse do professor. 10:02:00 AM . o aluno submete o caso que criou à apreciação do tutor e dos demais alunos. 4. 133 A partir da descrição do Jogo de Casos. 2. 8. 2002) fazem parte desta atividade..Aula 6 – Praticando a boa prática Depois de concluídos o diálogo e o comentário. 7. 3. criação de caso ou comentário seja recompensada com pontos e incorporados a outras avaliações acadêmicas.

freqüentemente com posições antagônicas. Mas o primeiro exemplo que me ocorreu foi precisamente o Jogo de Casos. logo de início. Relevantes para o mundo real: os casos propostos denotam situações problemáticas 134 idealizadas por cada aluno. Representam cenários contextualizados.elementos instrucionais e estratégias de ensino Resposta comentada Quando idealizava esta aula. um exercício argumentativo em que diversos pontos de vista são considerados durante a elaboração dos diálogos. de uma atividade autêntica. A participação e o debate na comunidade virtual podem se dar por várias semanas. são considerados seu potencial argumentativo . sua capacidade de elaborar um problema (fundamental na investigação científica). a possibilidade quase inevitável de se perpassar diversas áreas de ensino por meio dos argumentos do médico. Integradas à avaliação: intrinsecamente à avaliação do aluno nesta atividade. por si. de forma a dar margem para uma infinitude de problemas possíveis de serem idealizados.via personagens e via discussões em grupo -. do operário. Encorajam perspectivas multidisciplinares: cada Jogo de Casos oferece.Planejamento e elaboração de material didático impresso para EAD . seria praticamente impossível imaginar uma atividade que reunisse as dez características listadas. Foi então que surgiu a idéia de propor a você que analisasse uma atividade qualquer em função das características discutidas anteriormente. Qual não foi minha surpresa ao perceber que o Jogo de Casos atende a absolutamente todos os quesitos de uma atividade matemagênica. o aluno reflete. a partir da situação inicial. 10:02:01 AM . imediatamente. especialmente a seção acerca das características de atividades autênticas. do ministro etc. Oportunizam a colaboração: as possibilidades de discussão em grupo são incalculáveis. da dona de casa. a criação de casos por cada aluno pode se dar de forma cada vez mais complexa e mais consistente. possíveis de serem observados. tive dificuldades. Favorecem a reflexão: ao conceber o diálogo entre dois personagens e levar em consideração aspectos variados acerca de um determinado tema a partir do conteúdo das aulas. Oferecem múltiplas perspectivas de análise: o fato de o aluno escolher dois personagens. de toda forma. em conceber uma atividade voltada para esse tema. sua capacidade de análise e crítica. sua percepção do conteúdo e sua capacidade de contextualização aula6.indd 134 10/10/2007. acerca das conseqüências de sua aprendizagem. com base no desenvolvimento do conteúdo. Pobremente estruturadas: a situação inicial é pouco definida. Pensei ainda que. em si. Concorda ou discorda? Vamos conferir. é. Requerem investimento de tempo: ao longo de uma aula ou de um curso.

nos esforçar em proporcionar aos nossos alunos tantas oportunidades quantas possíveis de aprender por meio de atividades autênticas! 135 Resumo A s atividades representam um dos principais caminhos de interação entre o aluno e o material didático. relacionar suas próprias idéias e experiências com o tópico em discussão. Ações pedagógicas focadas no aluno associam o processo de aprendizagem a atividades educacionais que busquem integrá-lo a um contexto aplicado. isoladamente. o elemento colaborativo. por meio da internet. vitais para auxiliar o aprendiz a fazer inferências. são aquelas que dão aula6. em si. Permitem soluções múltiplas: o número de personagens x o número de alunos em um curso x o número de idéias que uma mente criativa pode ter = aprendizagem eficaz. São um aspecto característico dos materiais para EAD. praticar os objetivos propostos. São. É verdade que a interação. um produto: cada caso proposto é. todos. a partir de um número infinito de caminhos! Quantos de nós seriam capazes de conceber uma atividade ao mesmo tempo tão simples – do ponto de vista do que solicita ao aluno fazer – e tão complexa no que se refere às possibilidades cognitivas que oferece? Poucos. é limitante. brilhantemente. Se considerarmos estritamente o material impresso.indd 135 10/10/2007. Mas. podemos (e devemos!). O mesmo em relação ao resultado das discussões. refletindo as ações dos profissionais em um mundo real. sem exceção.Aula 6 – Praticando a boa prática e aplicação de conceitos. ao redor das quais o processo de aprendizagem deve ser construído. prazerosa e significativa. 10:02:01 AM . um resultado. Atividades matemagênicas. foi fundamental para que o Jogo de Casos abocanhasse. ou autênticas. naturalmente. um produto finalizado. checar sua compreensão e avaliar as implicações de sua aprendizagem. todas as características apresentadas. Esses são. aspectos fundamentais à prática profissional em qualquer área do saber. a exemplo da criatividade do Jogo de Casos. eu diria.

F. o desenvolvimento de capacidades cognitivas que decorrem de comportamentos analíticos e investigativos. LOCKWOOD. 50 (7): 22-24.. C. M. 1993.M. 1998. 1998. A review of literature on its outcomes and implementation issues”. pensamento crítico e criativo. ASPY.Z.N. 1ed. Londres: Kogan Page. DONELLY. A partir da descrição de diversos autores. F. R. além de organização e reorganização de informações. 1998.. 40 (3): 325-35. Academic Medicine. vale a pena conferir. 1992. 1993. Derek. The design and production of self-instruction 1ed. 136 Leitura recomendada As três publicações a seguir são de imenso valor para quem está começando o processo de escrever uma aula para Educação a Distância. Teaching and Learning in Medicine. LOCKWOOD. 1994. Teaching through self-instruction. ROTHKOPF. E.B. 2ed. Fred. NASH. 1998. 1993. 1993... 1998. nos alunos.W. MAYO. P. 1993. SCHWARTZ. QUIMBY. Londres: Kogan Page. SUSAN MA. 1ed. LOCKWOOD. ROWNTREE. 68 (1): 52-78. 1993. 1992. Lockwood.indd 136 10/10/2007. MARK A. 1998. D.. dez características de atividades autênticas são referidas na literatura. ” ASPY.. Londres: Kogan Page. continuaremos a conversar sobre atividades e discutiremos alguns modelos que influenciam sua elaboração. aula6. What doctors can teach teachers about problembased learning.elementos instrucionais e estratégias de ensino origem a uma aprendizagem eficaz e significativa. P.. 10:02:01 AM . Informações sobre para a próxima aula Na próxima aula. The design and production of self-instruction 1ed. 1970. Fred. Londres: Kogan Page. para Educação a Distância.. Activities in self-instructional texts.. Bibliografia Consultada ALBANESE. The concept of mathemagenic activities. Londres: Kogan Page.. 1994.P.. Review of educational research. resolução de problemas. Se tiver oportunidade. Activities in self-instructional texts. “Problem-based learning.B.. P.Planejamento e elaboração de material didático impresso para EAD . Educational Leadership. MITCHELL. 5: 227-233. que favorecem. Student perceptions of tutor effectiveness in a problem-based surgery clerkship.

D.F.indd 137 10/10/2007. 326: 328-331.T. WOOD. 68(7): 550-563. 2003. BLAKE. 137 aula6. 1993.Aula 6 – Praticando a boa prática VERNON..L. 1993... Problem based learning [Electronic version]. 2003. 10:02:02 AM . Does problem-based learning work? A meta-analysis of evaluative research. R. D. British Medical Journal. Academic Medicine.

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9:49:50 AM .Aula 6 Apêndice A bússola e o remo Cristine Costa Barreto apendice_6.indd 139 10/10/2007.

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sentia conforme disse antes. Foi a primeira vez que consegui co conceitos da Educação a Distância. como um náufrago deriva em um bote salva-vidas sem rumo.indd 141 10/10/2007. ainda no início do percurso. Nesse apêndice. adaptar e exemplificar os pontos que me pareceram mais importantes do capítulo “Promovendo uma aprendizagem g ativa” (Promoting active learning). por m de informações pragmáticas e de uma e analogias que finalmente me permiti aqueles fluxogramas vazios em minha me Um capítulo particularmente valioso se Foto: Dave Green referia ao que o autor chamava de aprendizagem ativa.sxc. Espero que Fonte: www. procurei extrair.Aula 6 – Apêndice – A bússola e o remo Logo que comecei a trilhar os caminh nantes da Educação a Distância.hu ajude você tanto quanto ajudou a mim. Dicas rápidas e objetivas acerca de como provocar a participação de nossos alunos por meio de materiais didáticos impressos. apendice_6. encontre um livro que certamente foi o remo e bússola de que precisava: T eaching through s instruction – How to develop open learning m (“Ensinando por meio da auto-instrução – volver materiais para a aprendizagem abert Rowntree. Po sorte. 9:49:51 AM . traduzir.

Em qualquer hipótese. você certamente não faz todas as perguntas ao seu aluno particular no final da aula. de forma a ajudar o aprendiz a aprender! Em nossas aulas. Essa é uma boa maneira de amarrar uma seqüência de conteúdos que você desenvolveu anteriormente. A seguir. não houvesse algo sobre o que valha a pena perguntar ao seu aluno ou sobre a que propor uma atividade..elementos instrucionais e estratégias de ensino Um curso na Universidade Aberta do Brasil pode ser gratuito. O tempo de seu aluno. Especialmente. certamente o comportamento esperado da parte de seu aluno seria o de alocação do tempo para outras tarefas dentro do curso. Não há regras que definam o quão freqüentemente incluir uma atividade no texto de uma aula. de como conciliar a redação de 142 uma aula com a criação das atividades e de como variar seus formatos aparecem junto com dicas do que fazer e do que não fazer quando o assunto é “atividades em EAD”. provavelmente ele já terá ido embora. devemos fugir desse modelo. após três. Propomos as mais variadas atividades desde uma simples pergunta até um exercício analítico mais complexo. vamos lá! Com que freqüência devo propor uma atividade em uma aula? Quando ministramos uma aula particular. Afinal.indd 142 10/10/2007. em livros-texto tradicionais. talvez seja melhor esquecê-lo. Então.. depende de você. você encontra ainda uma atividade final. Alguns conteúdos naturalmente são mais propensos a atividades que outros. quatro páginas de texto escrito. Da mesma maneira. que geralmente integra mais de um dos objetivos propostos. focamos nossas ações no aluno.Planejamento e elaboração de material didático impresso para EAD . mais articuladora. que um questionário seja apresentado ao final de cada capítulo. com perguntas comuns da parte de quem está começando a escrever uma aula impressa para EAD. 9:50:01 AM . sempre criando possibilidades para que ele faça algo. prazerosas e eficazes. me surpreenderia se. Embora seja comum. reuni uma espécie de FAQ. Se as atividades não forem atraentes. por exemplo. Depende do assunto. perguntas acerca da freqüência com que você deve propor uma atividade. Se você passar mais que cinco ou seis páginas sem pedir que seu aluno faça algo. atividades em materiais didáticos impressos devem estar entremeadas no texto. não Todos os indicadores de pesquisa existentes convergem no sentido de que os benefícios proporcionados pelas atividades na Educação a Distância são contrabalançados por um custo principal: o tempo de estudo que consomem. certo? apendice_6.

em casa ou no laboratório. por alguns segundos. • realize uma entrevista com outros alunos ou com familiares. Algumas podem solicitar que o aluno faça uma atividade prática fora do texto por quinze minutos ou mais. • correlacione colunas. Outras demandam a realização de um cálculo ou a confecção de uma resposta escrita. em um espaço adicional). 143 Como o aluno deve registrar a resposta? Uma vez que seu aluno tenha chegado à resposta de uma atividade. pelo menos. imagem ou arquivo de som). Você pode pedir ao seu aluno que: • marque boxes em concordância ou discordância com uma série de afirmações. • sublinhe passagens relevantes em um texto. • analise um gráfico ou tabela. • integre informações de naturezas diversas. Há várias possibilidades. • desenvolva uma equação. Algumas idéias são pedir que seu aluno: • reflita acerca de uma leitura ou de uma experiência que teve. um motivo para justificar suas opiniões (nesse caso. • complete um formulário ou questionário. • analise um problema.Aula 6 – Apêndice – A bússola e o remo O que o aluno deve fazer para chegar à resposta de uma atividade? Variar as maneiras pelas quais seu aluno deve chegar às respostas esperadas para as atividades é uma ótima estratégia para motivá-lo. • levante dados. em relação ao desenvolvimento de algum processo que deva acompanhar.indd 143 10/10/2007. solicitando. Algumas atividades exigem pouco mais que parar e pensar. para imprimir um ritmo mais dinâmico às suas aulas. • analise um texto (ou vídeo. apendice_6. • escreva uma resposta mais longa no corpo do texto ou em um caderno de exercícios. • escreva uma palavra ou frase em uma caixa ou espaço específico. 9:50:01 AM . • mantenha um diário de observações ao longo de algum período de tempo. é igualmente importante variar as maneiras pelas quais ele vai registrá-la. • realize um experimento com materiais e equipamentos específicos. • responda a uma série de múltiplas escolhas.

Toda atividade proposta em materiais voltados para EAD deve apresentar respostas comentadas de forma a orientar o aluno em relação ao seu próprio progresso.indd 144 10/10/2007. Alguns autores preferem começar a redação do texto e pensar nas atividades sempre que atingem um ponto crítico na construção do seu argumento.elementos instrucionais e estratégias de ensino • complete um diagrama ou gráfico. Há ainda alguns professores que produzem uma versão completa do texto. fluxograma.Planejamento e elaboração de material didático impresso para EAD . mas estou convencida de que se trata de uma opção que varia de acordo com cada um. 3. Esse é o processo que sigo. 9:50:01 AM . Quando devo pensar nas atividades? Alguns professores conseguem pensar nas atividades mesmo antes de iniciar a redação da aula! Na hora da redação. inclusive com materiais prontos que não foram escritos por você). mapa. claro. Quaisquer que tenham sido suas idéias. como correlação de colunas ou múltipla escolha. Para mim. Portanto. particularmente. apendice_6. preocupe-se com os conteúdos trabalhados nas atividades e jamais se restrinja a um simples gabarito quando for oferecer a resposta. conseguem entremear essas atividades junto com as exposições adequadas. mas acredito que sua aula seria mais bem estruturada se você pensasse nas atividades antes ou durante a redação. e depois inserem as atividades. de uma vez só. Você pode ter pensado ainda em muitas outras possibilidades. • produza algum artefato. Lembre-se de que os 144 conceitos e idéias por trás de uma atividade de correlação de colunas. Sempre disponibilize espaço para resposta. lembre-se de três coisas importantes: 1. como um processo mental posterior (você pode fazer isso. esta última abordagem é tão difícil quanto colocar nozes em um brownie depois de pronto. O resultado pode ser bom. 2. Mesmo uma atividade aparentemente simples. • desenhe um gráfico. pode exigir do aluno um alto grau de interpretação e análise. são fundamentais para que o aluno descubra os caminhos para chegar ao resultado esperado. A maioria dos alunos com os quais conversei dizem se sentir instigados a escrever no livro quando existe um espaço específico para isso. por exemplo.

• De gráficos. – A partir daí. Tente. – Aqui está uma síntese do que vimos até agora.. • Relembre experiências que você viveu e que ajudaram na compreensão de determinado tema.. Faça atividades em torno delas de forma a provocar uma discussão que possibilite ao aluno rever conceitos. Sempre que você se pegar escrevendo as seguintes frases: – Portanto. O Jogo de Casos. • Considere idéias preconcebidas acerca dos conteúdos de sua aula. possibilite ao seu aluno exercer um determinado papel. Idealmente. tabelas e ilustrações.. segue-se que. é um excelente exemplo de como fazê-lo.. As atividades são sempre um melhor caminho para isso.. as atividades devem conduzir o aluno a esses objetivos. podemos claramente deduzir. ao ler a resposta comentada.Aula 6 – Apêndice – A bússola e o remo O que não devo esquecer de fazer? Quaisquer que sejam os caminhos que você encontrar para conceber as atividades de sua aula e os formatos que você escolher para apresentá-las: • Tenha sempre em mente os objetivos de aprendizagem que você propôs no início de sua aula. Faça uma atividade ao redor deles! Os alunos podem compartilhar da sua opinião posteriormente. que você viu na Aula 6. 9:50:02 AM . Tente recriar experiências comparáveis para seu aluno. com os quais o aluno possa comparar suas próprias respostas. Não antecipe informações que seus alunos possam obter a partir da interpretação desses. generalizações e interpretações importantes “de bandeja”.indd 145 10/10/2007. 145 apendice_6. mas deixando-o criar as próprias rotas de entendimento. fazer perguntas: – O que você esperaria que acontecesse como resultado? – O que você pode deduzir. • Identifique colocações de natureza mais geral ou mais abstrata que você tenha feito em seu texto. em vez disso. a partir daí? – Quais foram as quatro principais idéias levantadas até agora? Suas deduções e sumários podem sempre ser oferecidos como feedback na resposta comentada. • Tente não oferecer princípios. Desenvolva um caso de estudo no qual o aprendiz possa concretizar as idéias apresentadas..

Faz parte do nosso trabalho incentivar a autonomia e o controle por parte do aluno de EAD. Eu faço isso sempre que avalio aulas para EAD. Para alunos que trabalham sozinhos.Planejamento e elaboração de material didático impresso para EAD . Respostas de cabeça para baixo. coloque sua resposta comentada imediatamente após a pergunta. A não ser que você realmente ache que essa seria a melhor abordagem para o que quer ensinar a ele. uma possibilidade é dizer: Marque quais dos seguintes pontos de vista. pode facilmente colocar uma folha sobre 146 ela.. como fiz na Atividade 1 da Aula 6. esta pode ser a única maneira de avaliar seu próprio progresso. por exemplo. vai olhar. Esse é um recurso que cria uma distância física entre uma atividade proposta e a leitura da resposta. enquanto resolve o exercício. afim de evitar monotonia. e com razão. que vem logo abaixo. são similares às suas próprias idéias.indd 146 10/10/2007.. provavelmente. • Equilibre atividades longas e breves. tento resolver uma atividade. O aluno. vai ignorar essas sugestões..elementos instrucionais e estratégias de ensino • Especifique o tempo que o aluno deve demorar em uma atividade mais aberta.. onde quer que ela esteja. Você pode fazer isso simplesmente definindo o espaço necessário à resposta. Se ele se sentir muito tentado pela chance de olhar a resposta. especialmente se ele não souber avaliar. respostas escritas e reflexivas. A relevância e a ajuda de seu feedback podem fazer toda a diferença em relação a quão satisfatórias seus alunos acharão suas atividades e quão provavelmente irão continuar a fazê-las (e a aprender com elas)! O que nunca devo fazer? • Não faça atividades vagas. só vão irritar o aluno. • A única exceção para oferecermos um feedback ao aluno no mesmo espaço de uma atividade são os casos em que as respostas são gráficos ou diagramas muito chamativos. que chamamos de pseudo-atividades: Pense um pouco e escreva algumas de suas próprias idéias acerca de. que revelam visões divergentes acerca de. enquanto. • De forma geral. de fato. de forma que seja difícil para o leitor evitar registrar seus aspectos mais evidentes assim que se depara com a página. Tenha certeza de que. se ele quiser olhar a resposta. Você pode ainda utilizar paradores de leitura. apendice_6.. talvez a ponto de ele abandonar a atividade de vez. de forma clara. respostas fechadas e abertas. 9:50:02 AM . de forma a me colocar no lugar do aluno. o quão profundamente deve se dedicar a uma tarefa. • Esenvolva ao máximo em sua resposta comentada.

indd 147 10/10/2007. 9:50:02 AM . Derek. ex. apendice_6.: homens. 1994. Os alunos rapidamente aprendem a pular atividades que lhes pareçam triviais ou muito trabalhosas.Aula 6 – Apêndice – A bússola e o remo • Não proponha nenhuma atividade que não lhe garanta a confiança de que seu aluno estará apto a fazer uma tentativa razoavelmente satisfatória para resolvê-la (satisfatória para ele!). Teaching through self-instruction. negros) sem ter certeza de que todos os seus alunos pertencem a esse público? • Não proponha atividades que não sejam relevantes para seu aluno e que não compensem o investimento de tempo necessário. 342 pp. 2ed. 147 Bibliografia consultada ROWNTREE. eles podem estender o hábito para aquelas atividades que você realmente considera cruciais. Londres: Kogan Page. Infelizmente. Isso envolve uma série de aspectos: ele tem o conhecimento e as capacidades necessárias para tentar realizar a atividade? Você está pedindo uma resposta longa para um aluno que tem fraca capacidade de exposição verbal escrita? Você está se dirigindo a um público específico (p. jovens.

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indd 149 10/10/2007. 10:03:27 AM .Au 7 Ajudando sua inspiração: modelos de atividades – Parte 1 Cristine Costa Barreto aula7.

2. você deverá ser capaz de: Identificar os aspectos instrucionais que caracterizam os seguintes modelos de atividade: 1.Planejamento e elaboração de material didático impresso para EAD . consulta e cálculo direto. 150 3. aula7.indd 150 10/10/2007. escondida no texto. 10:03:28 AM . Objetivos Ao final desta aula. argumentativa.elementos instrucionais e estratégias de ensino Meta Apresentar modelos que influenciam o formato de atividades em materiais impressos na Educação a Distância (EAD). 4. integração de Informações.

fala do Obi-Wan Kenobi logo depois de apresentar a princesa Leia que se materializou do nada naquela mensagem que o R2D2 descobriu. O episódio 4. O que difere entre as duas histórias? Por que é mais difícil contar uma do que outra? Pense em duas características que distingam a história de Chapeuzinho Vermelho e a de Guerra na Estrelas.htm) Imagine que você está contando uma história para uma criança de cinco anos. O lobo comeu a avó. deitada na cama. surgiu um caçador que abriu a barriga do lobo e salvou as duas. a aliança rebelde e o Império.edu/as/tohe/2001/Papers/graddy/graddy. recomendou que ela não ficasse dando bobeira na estrada porque ali morava um lobo mau.indd 151 10/10/2007. Você diz que a mãe da Chapeuzinho mandou-a levar doces para a avó que morava do outro lado da floresta.Aula 7 – Ajudando sua inspiração: modelos de atividades – Parte 1 Do Chapeuzinho Vermelho ao Darth Vader A teoria da flexibilidade cognitiva sugere que os aprendizes compreendem a natureza da complexidade mais prontamente quando têm contato com representações múltiplas da mesma informação. pronta para dormir embalada pela sua voz. começa logo pela Estrela da Morte e o Darth Vader ou resolve que é melhor dizer que era uma vez um vilarejo chamado Tatooine onde vivia um jovem órfão que morava com os tios. 10:03:28 AM .ipfw. em diferentes contextos. claro. conta que naquela época tinha vários tipos de robôs. Anote suas impressões a seguir: 151 aula7. contextualiza a guerra intergaláctica. nas versões mais modernas (se você não quiser aterrorizar a criança). mas ela se distraiu. Chapeuzinho entregou o jogo para o lobo. Agora experimenta contar a história de Guerra nas Estrelas. Por meio da observação de múltiplas representações do mesmo fenômeno. comeu a garota e. esticando um pouco o assunto para dar tempo de a criança adormecer. os aprendizes desenvolvem o arcabouço mental necessário para considerar novas aplicações. e ele correu para casa da avó antes de ela chegar lá. eu contei em 105 palavras. você provavelmente faria o mesmo. encontrou o lobo que a enganou e perguntou para onde ela ia. para simplificar. Muito bem. contou para onde ia. dentro do domínio do conhecimento. consertava andróides e que acabou parando em um bar freqüentado por pilotos meio malandros como o Hans Solo e criaturas estranhas – para dizer o mínimo – como o Chewbacca? Isso só para começar. Duane Graddy (Fonte: http://www. Vamos dizer que você tenha escolhido a história de Chapeuzinho Vermelho. Por onde você começa? Explica quem é Luke Skywalker.

sem 152 grandes dificuldades. Direito. menos claramente estruturado... mais claramente estruturada. a maneira pela qual armazenam e estruturam o conhecimento adquirido determina. Se você tivesse um jeito de contar essa história usando uma espécie de narrativa hipertextual em que a cabeça da criança pudesse abrir janelas para construir sucessões temporais e escolher personagens. Os pesquisadores afirmam ainda que a maneira pela qual os estudantes são ensinados influencia de forma significativa os tipos de estrutura cognitiva criadas. é mais difícil ensinar um conteúdo complexo. a níveis educacionais mais avançados como. Ou talvez ela não dormisse.indd 152 10/10/2007. em grande medida. com menos cenários. aula7. dá para contar a história inteira de uma sentada só. com muitas referências e conexões internas. menos problemas. o que normalmente está associado a graus de dificuldade mais altos. o quão flexíveis serão quando precisarem utilizar tal conhecimento. as áreas de História. Medicina. Além disso. E talvez você não tivesse mais criança. Igualmente. 10:03:29 AM . talvez você tivesse mais sucesso. realizando saltos no tempo e no espaço com base em informações referenciais. Já Guerra nas Estrelas não.Planejamento e elaboração de material didático impresso para EAD . Tecnologia e Cultura na Michigan State University – e seus colaboradores. Ou seja. menos personagens. Assim como é mais difícil contar uma história complexa. Talvez você tenha pensado ainda que se trata de uma história para crianças um pouco mais velhas. menos ação. o Ensino Superior. Segundo Rand Spiro – professor de Aprendizagem. de forma linear... A complexidade do argumento e a quantidade de referências internas tornam difícil a linearidade no relato sem correr o risco de simplificarmos excessivamente a história.elementos instrucionais e estratégias de ensino Chapeuzinho Vermelho Guerra nas Estrelas Você provavelmente pensou que a história de Chapeuzinho Vermelho fosse mais curta. é uma história mais simples. por exemplo. Literatura e Licenciatura são exemplos de domínios complexos em parte porque os aprendizes devem ser capazes de aplicar o que aprenderam a situações novas e únicas. menos conexões.

Quer apostar? 153 aula7. quanto do ponto de vista intelectual. assim como no ensino convencional. é importante buscar a mesma variedade na Educação a Distância. contribuem imensamente para aumentar a diversidade em sua aula. tem consciência da necessidade de variar o ensino. tanto do ponto de vista do formato. Informações apresentadas em uma variedade de formas. eu vou ajudar ainda mais sua criatividade apresentando alguns modelos que vão inspirar você na hora em que estiver elaborando sua aula.Aula 7 – Ajudando sua inspiração: modelos de atividades – Parte 1 “A complexidade é uma parte inevitável do conhecimento avançado e um problema particularmente espinhoso para o ensino e a aprendizagem. Mas mesmo assim. para inovar em sala de aula? Na Educação a Distância. Basta você confiar no seu taco de professor. fazem parte de um ambiente de ensino flexível. com o qual você não tinha contato desde a Licenciatura. por meio de uma prática repetitiva e previsível. Imagino que você. como a maioria dos professores. de forma a evitar que o mesmo se torne obsoleto. bem como com uma variedade de propósitos. é comum que a própria natureza da atividade conduza a um formato diferente. é possível criar formatos novos de atividades (ou de práticas de ensino) sem que você conheça modelos preconcebidos ou muitas teorias a esse respeito. E o mais interessante é que.indd 153 Mais 10/10/2007. Da mesma forma que você procura variar estratégias de ensino nas aulas presenciais.” Rand Spiro Métodos de instrução flexíveis ajudam os estudantes a aprender a complexidade do material que estudam além de possibilitá-los a trabalhar com aquele conteúdo sob diversas perspectivas. com atividades autênticas para ensinar conteúdos complexos. Ou você alguma vez precisou reler algum livro de didática. Um ótimo caminho para isso são as atividades! Quando apresentadas em diferentes tipos. 10:03:38 AM .

de alguma forma. como você responderia a questões tais como: que modelo de atividade aparece com mais freqüência em suas aulas? Este modelo parece suficientemente atraente para provocar o aluno a fazê-las? As atividades apresentam um grau de dificuldade compatível com o perfil dos alunos a que se destinam? Você saberia dizer de que maneira os alunos de fato utilizam as atividades propostas em aula? Você diria que eles fazem todas as atividades propostas? 154 Estas são perguntas para as quais. Foto: Thomas Chorvat 10/10/2007. Se eu pedisse agora que você pensasse no formato instrucional do material que está elaborando. quis mostrar como é fácil esconder atividades no texto e levar os alunos à reflexão e à resposta mental sem que seja necessário formalizar esta ação. Espero que as questões tenham sido suficientemente provocantes para fazê-lo refletir e identificar suas práticas educacionais voltadas para EAD e compará-las às teorias que você eventualmente já conhece. quer como professor.Planejamento e elaboração de material didático impresso para EAD . é porque. 10:03:39 AM Figura 7. está relacionado a práticas da Educação a Distância. Mas este é um assunto que retomaremos futuramente. Especialmente. quer como tutor. a maneira pela qual os alunos percebem as atividades e interagem com elas. Por ora. gostaria de perguntar se você se deu conta do que eu acabei de fazer: além de falar um pouco acerca do terreno instável sobre o qual caminhamos. Fonte www.elementos instrucionais e estratégias de ensino Escondida no texto Se você está estudando essa aula. Imagino que você se debata com questões relativas às particularidades do material didático e dos elementos instrucionais que o constituem. dentre os quais as atividades merecem sempre atenção especial. em nossas discussões. É uma maneira de assegurar que ele porá em prática alguns conceitos.indd 154 . suspeito. professores e tutores da Educação a Distância não têm uma resposta clara. São perguntas que evidenciam – com clareza cristalina – a necessidade imperativa de se investigar.sxc. de forma meticulosa. muitos dos gestores.1: Atividades escondidas no texto são importantes para garantir um exercício mental permanente de seu aluno. especialmente se você suspeitar que o tempo de estudo é curto e que seu aluno corre o risco de pular as atividades para alocar o tempo para a leitura do texto em si. escondi atividades no texto e deixei para você a decisão de responder ou não às questões propostas.hu aula7. quer como gestor.

você já percebeu que o som do telefone tocando o levará até ele. vamos lá! Coloque um pano preto vedando a sua visão e. alguém ligará para este telefone a partir de um outro aparelho. peça a alguém que posicione um telefone em algum local da sala. mentalmente. você fará de fato esperando uma resposta.nas formas pelas quais você moverá o seu corpo. A maneira mais fácil de trazer atividades para dentro do texto é. Então. Algumas perguntas serão feitas apenas para provocá-lo. novamente. para tirar seu aluno do lugar. identificar as perguntas feitas. Leia o texto e procure: 1.indd 155 10/10/2007. Se o som do telefone for mantido.Aula 7 – Ajudando sua inspiração: modelos de atividades – Parte 1 Naturalmente. aula7. identificar aquelas para as quais houve resposta. mas que você desconheça essa localização. Outras. Vamos ver um exemplo? Atividade 1 Atende ao objetivo 1 j Alô? O trecho a seguir foi retirado de uma aula da disciplina Corpo Humano I. identificar aquelas para as quais não houve resposta. 3. Nesse caso. Faça-as para seu aluno a distância. 155 Brincando de cabra-cega ao telefone ou do que preciso para me orientar? Já brincou de cabra-cega? Não é do seu tempo? Nada de gracinhas. Pense nas perguntas que você faria ao longo da aula. 2. sempre responda as que se incluem nesse último caso. Você atenderia ao telefone? Qual a diferença entre este experimento e o que sugerimos no começo desta aula quando a sua visão estava livre? Claro. em completo silêncio? Estas questões mostram a importância dos órgãos dos sentidos – visão e audição . isto é. No texto. parte do Curso de Ciências Biológicas do CEDERJ. se ele ficar tocando todo o tempo. 10:03:41 AM . nem todos os conteúdos permitem o uso de perguntas dessa maneira. evocar. aquele seu aluno particular. em seguida. esperamos que você seja capaz de atender. como você chegará até ele? E se o som subitamente parar? Você seria capaz de encontrar o aparelho.

10:03:41 AM . a impossibilidade de executar movimentos estará relacionada a alguma deficiência nos órgãos dos sentidos e não diretamente a problemas nos centros motores. em muitos casos.sxc. a função auditiva (percepção do som do telefone) 156 permitirá que você tenha uma noção da localização do aparelho. começará o movimento de trazer o aparelho até a orelha. Você já pode antever que. orientando o seu corpo (movimento) na direção da mesa. neste caso. E como uma pessoa completamente surda seria capaz de realizar essa atividade? Como uma pessoa surda faz para saber que o telefone está tocando? Evidente que o toque do telefone deve ser acompanhado. convém lembrar que na execução correta dos movimentos. O contato da sua mão com o telefone (tato) informará ao cérebro que uma parte do objetivo foi alcançada e que. a sensibilidade (isto é. a partir de agora. O contato visual com o aparelho daria ao cérebro a sua real localização. É por esse meio que uma pessoa cega localiza e atende ao telefone. o professor faz três perguntas às quais não responde: • Já brincou de cabra-cega? • Não é do seu tempo? • Qual a diferença entre este experimento e o que sugerimos no começo desta aula quando a sua visão estava livre? aula7. de um sinal luminoso.elementos instrucionais e estratégias de ensino Fonte: www.hu Neste contexto.indd 156 Foto: Oliver Gruener 10/10/2007.Planejamento e elaboração de material didático impresso para EAD . No caso do telefonema. a atuação dos sentidos) é de extrema importância. Adilson Sales Resposta Comentada No texto. Prof.

• E se o som subitamente parar? • Você seria capaz de encontrar o aparelho. 10:03:43 AM . se ele ficar tocando todo o tempo. • Se o som do telefone for mantido. orientando o seu corpo (movimento) na direção da mesa. em completo silêncio? • O contato visual com o aparelho daria ao cérebro a sua real localização. você já percebeu que o som do telefone tocando o levará até ele. A seguir. ? 157 aula7. de um sinal luminoso. para divertir um pouco o aluno. O único caso em que você pode prescindir de respostas é quando as perguntas são feitas para provocar o diálogo com o aluno. • E como uma pessoa completamente surda seria capaz de realizar essa atividade? Como uma pessoa surda faz para saber que o telefone está tocando? • Evidente que o toque do telefone deve ser acompanhado. esperamos que você seja capaz de atender. Quando você opta por embutir atividades no texto. falando de uma brincadeira de criança. relacionar a situação proposta aqui com aquela proposta anteriormente. seguidas das passagens do texto que oferecem explicação para os questionamentos: • Você atenderia ao telefone? • Claro. lembre-se de que é importante oferecer respostas aos alunos. ainda que você não o faça imediatamente após os questionamentos. na mesma aula (embora você não esteja vendo a aula toda). sob a forma de perguntas. como você chegará até ele? • Nesse caso. mas há informações que permitem ao aluno. transcrevo as perguntas para as quais houve resposta. sem que você esteja aludindo a um ponto importante para a compreensão do conteúdo (Já brincou de cabra-cega? Não é do seu tempo?).Aula 7 – Ajudando sua inspiração: modelos de atividades – Parte 1 As primeiras perguntas foram usadas como uma provocação. • No caso do telefonema. de forma retórica. isto é. neste caso.indd 157 10/10/2007. sem grandes esforços. A terceira pergunta não traz uma resposta direta no texto. a função auditiva (percepção do som do telefone) permitirá que você tenha uma noção da localização do aparelho.

no ensino presencial. as atividades de consulta direta requerem do aluno simplesmente voltar a alguma passagem da aula para chegar à resposta esperada.elementos instrucionais e estratégias de ensino Consulta direta/Cálculo simples Em sua maioria. incluem-se também exercícios de cálculo onde o aluno é solicitado a realizar. de um exemplo resolvido. O aluno deve ser capaz de aplicar o modelo a outras situações semelhantes disponíveis no exercício proposto. Nessa categoria de atividade. as atividades de consulta e de cálculo simples favorecem a fixação de um conteúdo pela memorização. Fonte: www.hu Qual a importância desse tipo de atividade? Normalmente. Foto: Miguel Ugalde 158 Figura7. Eventualmente. No caso das atividades de consulta direta em que um grau mais alto de interpretação e análise é solicitado. que normalmente está incluída no texto. freqüentemente as questões propostas estão associadas a um nível de subjetividade que impede que as respostas oferecidas pelos professores atendam satisfatoriamente a grande variedade de soluções possíveis de serem dadas pelos alunos.indd 158 10/10/2007. Ou seja. os alunos de EAD são lesados em uma de suas possibilidades mais nucleares – o controle sobre aula7. pela prática. em um sistema que exige dos aprendizes a permanente verificação de seus progressos.Planejamento e elaboração de material didático impresso para EAD .sxc. um grau mais alto de análise e interpretação é necessário. Talvez porque reflitam o tipo de questão que incluiríamos em uma avaliação. 10:03:44 AM . Atividades de consulta direta e cálculo simples são freqüentemente encontradas em aulas para a Educação a Distância. A resposta comentada faz alusão à passagem específica do texto que atende à atividade. Não há um problema a ser resolvido pelo aluno. uma operação matemática a partir da observação de um modelo. por exemplo.2: Atividades de cálculo simples são importantes para a prática de conceitos e métodos.

mas pela inadequação e ineficácia de seu formato. Esta perda se dá. mas garantindo os recursos pedagógicos necessários à autonomia do aluno. Isso pode e deve ser feito.indd 159 10/10/2007. 3. Faça quantas vezes achar necessário até não ter mais nenhuma dificuldade nesse procedimento! Calcule o pH de uma solução cuja [H+] = 10-2 M: aula7. Avalie as atividades propostas e critique-as levando em consideração: 1. quando discutirmos o modelo mais adequado a esse tipo de objetivo. no caso de você não achar o modelo adequado ou da resposta não lhe parecer satisfatória. 2. Naturalmente. se a resposta comentada foi satisfatória.Aula 7 – Ajudando sua inspiração: modelos de atividades – Parte 1 sua própria aprendizagem – quando não são capazes de conferir adequadamente seu desempenho nas atividades de aula. não pela ausência da atividade em si. se o modelo é adequado para a proposta da atividade. Atividade 2 Atende ao objetivo 2 j Consulta direta e cálculo simples A seguir encontram-se algumas atividades de consulta direta e cálculo simples extraídas de aulas de diversas áreas. Retomaremos essa questão na próxima aula. queremos estimular a experiência individual dos alunos da Educação a Distância por meio de atividades que não apresentem apenas um universo circunscrito de respostas possíveis. o que poderia ser modificado. 159 Exemplo 1 Calculando o pH de uma solução Esta atividade é para você fixar a maneira de calcular o pH de uma solução. 10:03:46 AM .

sem maiores explicações.log 10-2 = pH . Disciplina: Bioquímica) Exemplo 2 Instrumentos de política monetária Como você já viu. 10:03:46 AM . Contudo. O que você deve fazer agora é relacionar a maneira como o governo faz uso de cada instrumento ao conseqüente incentivo às diferentes políticas econômicas: Instrumento Política Expansionista Política Contracionista Compulsório Redesconto Operações de mercado aberto aula7. a política monetária é o conjunto de medidas adotadas pelo governo para controlar a oferta de moeda na economia para atingir determinados objetivos.Planejamento e elaboração de material didático impresso para EAD .elementos instrucionais e estratégias de ensino Resposta comentada (Exemplo 1) Como o passo a passo do cálculo do pH está bastante discriminado na aula. Se ainda assim não esclarecer todas as suas dúvidas. o que você fez e identifique o ponto em que errou. nesta resposta você encontrará apenas a resolução do problema.log [H+] = pH .(10-2) = 10pH 160 . etapa por etapa. procure o tutor. pois este assunto é muito importante na sua formação bioquímica e pode ser aplicável a qualquer área de pesquisa pela qual você se interesse.indd 160 10/10/2007.log [H+] . Caso tenha dúvidas. pH = . Curso: Biologia.(-2) = pH → pH = 2 (Ana Paula Abreu-Fialho. volte ao texto da aula e compare. para realizar esse tipo de política o governo utiliza-se de alguns instrumentos.

logo. ele estará trocando papel-moeda pelo título. por conseqüência. • Caso contrário. • Caso o governo esteja vendendo um título público. maior possibilidade de criação de depósito à vista. quase sempre o Banco Central impõe uma taxa de juros punitiva.indd 161 10/10/2007. dessa forma. logo. aumentando a base monetária da economia e. se o governo diminui essa obrigatoriedade. os bancos terão mais dinheiro para emprestar (política expansionista). Redesconto O redesconto é o empréstimo que o Banco Central faz aos bancos comerciais que precisam de reservas bancárias para fechar suas contas. os bancos comerciais terão menos dinheiro para emprestar a outros correntistas (política contracionista). menos cautelosos eles ficariam para emprestar aos seus clientes (política expansionista). (Roberto Paes de Carvalho. Para realizar esses empréstimos. 10:03:47 AM . se o governo resolve diminuir essa taxa.Aula 7 – Ajudando sua inspiração: modelos de atividades – Parte 1 Resposta comentada (Exemplo 2) Compulsório O governo impõe aos bancos comerciais que guardem parte dos depósitos à vista que eles receberam como reservas. ele estará retirando desse agente o título e retornando papel-moeda. menor será o custo dos bancos para recorrerem ao Banco Central. • Em contrapartida. logo. diminui a base monetária da economia (política contracionista). os meios de pagamento (política expansionista). • Caso o governo compre um título público que está em poder de algum outro agente econômico. • Se o governo aumenta essa obrigatoriedade. menos possibilidade de criação de depósitos à vista. Curso: Administração. • Se o governo resolve aumentar essa taxa. Operações de mercado aberto Operações de mercado aberto são operações de compra e venda de títulos públicos feitas pelo governo. maior será o custo dos bancos comerciais ao recorrerem ao Banco Central (política contracionista). dessa forma. Disciplina: Macroeconomia) 161 aula7. mais cautelosos eles ficariam para fornecer empréstimos aos seus clientes (menor possibilidade de depósito à vista).

10:03:47 AM .sxc.750. gastam R$ 150. iogurte. Apesar de José Ribamar não ter tido aumento de salário. Ajude José Ribamar a calcular o valor desta inflação.indd 162 10/10/2007.00 para comprar os mesmos produtos. mas está ocorrendo inflação.elementos instrucionais e estratégias de ensino Exemplo 3 Más notícias no supermercado José Ribamar é um chefe de família que recebe R$ 1. chocolate etc. É no supermercado que o con midor realmente percebe a no de inflação ao deparar-se com aumento generalizado de pre Normalmente isso se reflete quantidade de produtos que deix de entrar no carrinho.). um aumento generalizado de preços. batata.Planejamento e elaboração de material didático impresso para EAD . Somando todos os itens que eles compram naquele período (arroz. feijão. José Ribamar e sua esposa vão ao supermercado fazer compras.00 eles já não conseguem comprar as mesmas coisas que compravam no início do ano.00 por mês com seu emprego de bombeiro hidráulico.hu De uns meses para cá. José Ribamar e sua esposa perceberam que com R$ 250. Eles perceberam também que houve um aumento nos preços de vários itens da cesta de bens que eles compravam.00. seu gasto agora será de R$275. José Ribamar não consegue perceber. aula7. isto é. Ele é casado e tem dois filhos menores. Todo dia 15 do mês. 162 Fonte: www.

Inflação = (275 – 250) /250 Inflação = 0. O processo de maturação estabelece limites sobre o ritmo de crescimento físico e desenvolvimento motor. Disciplina: Tópicos em Educação Especial) aula7. Disciplina: Macroeconomia) Exemplo 4 A prática e a maturação 163 Responda às seguintes perguntas: 1. O que significa maturação? 2. você deve tomar o preço final (R$ 275. experiências e aprendizagens. restringindo-se os momentos iniciais do desenvolvimento ao âmbito do aspecto maturativo biológico. torna-se mais flexível a importância do ambiente no desenvolvimento. Curso: Pedagogia. Assim.00) e diminuir o preço inicial (R$ 250. tanto específicas quanto acidentais. e que a maturação deve ser entendida como uma disposição. mas o ritmo pode ser retardado pela ausência de prática ou de experiências adequadas. Se você entendeu que há alternâncias de influências genéticas.00) e dividir esta diferença por R$ 250. Qual é o papel da prática no processo de maturação? Resposta comentada (Exemplo 4) 1. basta você multiplicar por cem para achar a inflação em termos percentuais.Aula 7 – Ajudando sua inspiração: modelos de atividades – Parte 1 Resposta comentada (Exemplo 3) Para você calcular o valor da inflação. Assim. basta achar a variação entre o preço final e o preço inicial e dividir esta variação pelo preço inicial. 2. Curso: Administração. São instruções para o desdobramento das seqüências do desenvolvimento.indd 163 10/10/2007.00. (Maria Alice de Moura Ramos e Maria Ângela Monteiro Corrêa. Em outras palavras. Inflação = 10% (Carlos Jaimovich.1 Como a inflação está medida em termos nominais. 10:03:51 AM . Maturação se refere aos programas genéticos que produzem padrões semelhantes de crescimento e mudanças.

a autora foi bastante objetiva em sua proposta. aparentemente uma análise mais elaborada se faz necessário. Uma atividade mais simples. 10:03:52 AM . embora a resposta seja também bastante objetiva e se dê logo nas primeiras linhas do comentário: o processo de maturação estabelece limites sobre o ritmo de crescimento físico e desenvolvimento aula7. embora 164 provavelmente o aluno não fosse completar o quadro redigindo as respostas da maneira como o autor fez. No primeiro exemplo. claras. mas que talvez incentivasse mais o aluno a fazê-la e acabasse por atender igualmente ao objetivo proposto no início da aula: Instrumento Compulsório Estratégia do governo Maior obrigatoriedade de depósito Menor obrigatoriedade de depósito Maior taxa de juros Política esperada Contracionista* Expansionista* Contracionista* Expansionista* Contracionista* Expansionista* Redesconto Menor taxa de juros Compra títulos Oper. No primeiro caso. Merc. Os Exemplos 2 e 4 são atividades de consulta direta. as autoras fazem uma pergunta direta. foi satisfatória. As respostas comentadas são diretas. é verdade. e um maior grau de análise esteve envolvido especialmente quando o aluno precisou definir de que maneira a variação no uso de um mesmo instrumento poderia favorecer uma ou outra política econômica. Aberto Vende títulos * Resposta esperada do aluno No primeiro item do exemplo número 4. o autor procurou criar uma atividade que articulasse vários conceitos vistos anteriormente na aula.indd 164 10/10/2007.Planejamento e elaboração de material didático impresso para EAD . enquanto no exemplo 3 houve uma preocupação maior em criar um cenário onde o aluno pudesse contextualizar a aplicação de um conceito.elementos instrucionais e estratégias de ensino Resposta Comentada Os dois exemplos de atividades de cálculo simples apresentados atendem aos objetivos originalmente propostos na aula: o cálculo do valor do pH de uma solução (Exemplo 1) e o cálculo da inflação (Exemplo 3). No segundo item. A resposta comentada. atendendo satisfatoriamente ao tipo de atividade proposto. Talvez fosse mais interessante. um quadro em que os diferentes usos dos três instrumentos fossem representados e ao aluno coubesse retomar o tipo de política econômica esperado. apenas uma definição é solicitada e a resposta comentada é satisfatória. nesse caso. nesse caso.

Essas passagens do texto poderiam ter sido incorporadas à pergunta. 165 Argumentativa As atividades argumentativas são uma boa maneira de se tentar utilizar melhor os conceitos apresentados na aula. no corpo do texto. o aluno fica com uma resposta que não é compartilhada e normalmente o procedimento indicado pelo professor é de que ele vá ao pólo discutir com o tutor. ofereceram uma resposta comentada rica. para além do necessário à questão em si. O tema destinado à atividade (maturação) é bastante motivante mas seu formato. não deixe de compartilhar sua opinião comigo e com os outros participantes no Fórum da Aula 7. Mais do que isso. a capacidade de análise e crítica é tão importante quanto o conteúdo em si.Aula 7 – Ajudando sua inspiração: modelos de atividades – Parte 1 motor.indd 165 10/10/2007. 10:03:52 AM . Embora a capacidade argumentativa seja uma habilidade valiosa. o objetivo principal é que o aluno seja capaz de desenvolver argumentos acerca de um determinado tema sem que necessariamente chegue a uma resposta esperada. aula7. Nestes casos. no entanto. pesquisas feitas com gêmeos e crianças filhas de índias hopis. freqüentemente os professores não elaboram a atividade de forma que o aluno tenha subsídios para interpretar seus resultados ou para compreender que ele pode ter a opinião que quiser. mas o ritmo pode ser retardado pela ausência de prática ou de experiências adequadas. em seguida. por exemplo. sem demonstrar deferência pela resposta do professor. nas atividades argumentativas. as autoras poderiam ter pedido que o aluno emitisse sua opinião a respeito do papel da prática na maturação e a resposta comentada poderia somar ao que foi especificamente perguntado encaminhando a discussão do tema. Na aula original. fugindo um pouco das armadilhas das atividades de consulta direta. Se você teve outras percepções acerca dessas atividades. Em vez de o aluno definir um conceito ou recuperar uma informação. Isso sinaliza pouca estruturação e planejamento da parte do conteudista e a tendência é o aluno deixar de fazer a atividade. pareceu pouco incentivador e possivelmente não tenha estimulado o aluno a fazê-la. inclusive. as autoras discutem o papel da prática na maturação relatando. As autoras responderam satisfatoriamente a pergunta que fizeram e.

indd 166 10/10/2007.. estava ao lado dela nessa decisão. Entretanto. Seus pais não possuem recursos suficientes (não fazem parte da “nobreza”). Maria Antonieta. por exemplo).hu Depois de alguns meses morando nessa casa comunitária de oito habitantes. por conseqüência.Planejamento e elaboração de material didático impresso para EAD . conservar sua estrutura física etc.sxc. todos os moradores têm direitos comuns (como o de usar a estrutura física da casa. Exemplo .” Fonte: www. que ali já estava há dois anos.). seu namorado (também morador da república). Luis. individualmente. e a todos. congressos etc. coletivamente. tudo corria bem. Cabe a cada um.). você leu no site da universidade que há uma prática muito comum adotada por estudantes com poucos recursos: as repúblicas. você percebeu que o convívio entre pessoas diferentes não era nada fácil. os estudantes alugam uma casa comunitária. Além disso. A mais antiga moradora da república. Antes de desistir da idéia de estudar tão longe. 10:03:52 AM . prover os recursos para manter o aluguel 166 (pagar as contas. até que surgiu uma situação de desacordo generalizado. Foto: Renata Zaja “Se eu fosse nobre. portanto não podem ajudá-lo(a) a alugar uma casa e também custear os seus estudos (compra de livros. aula7.. decidiu impor uma ordem para todos: seria proibido fazer frituras na cozinha. e que precisará mudar-se de cidade para poder cursar a faculdade de sua escolha.elementos instrucionais e estratégias de ensino Veja a seguir uma situação em que uma atividade argumentativa foi utilizada de maneira criativa para consolidar o conceito de relações de poder. na casa toda (pelo cheiro de óleo e pela fumaça que impregnava o ambiente). já que ambos entendiam ser a fritura responsável pela sujeira na cozinha e. seria tudo mais fácil.“Divisão desigual de poder” Imagine que você foi aprovado em uma universidade muito distante de sua casa. Nestas.

Aula 7 – Ajudando sua inspiração: modelos de atividades – Parte 1 Porém. as batatas!” Fonte: www. Para fazer a defesa da maioria. preparavam a própria comida para diminuir os custos. Eu não tenho culpa se vocês querem cozinhar em casa.hu Diante dessa situação. Foto: Leandro Ercole 167 “Ao vencedor. Como o contrato está em meu nome. 10:03:54 AM . Para tal. você deve elaborar contra-argumentos que possam “derrubar” os argumentos de Maria. tanto Maria quanto Luís possuíam boas condições financeiras na família. Todos os outros seis moradores. e quase sempre comiam em restaurantes. buscando mostrar suas incoerências e improbidades. que ocorre todo mês. O meu direito começa onde termina o de vocês! 2. eu tenho o poder de estabelecer as normas da casa! aula7. e por isso ela se julgava detentora do poder de decidir as normas referentes à república. Além disso. o contrato do aluguel da casa estava em nome de Maria Antonieta. na qual será confirmada (ou refutada) a norma de não haver mais frituras.indd 167 10/10/2007.sxc. Elabore pelo menos dois argumentos contrários a cada uma das colocações de Maria: 1. incluindo você. leia a seguir os pontos de vista dela e posicione-se contrariamente. você foi escolhido para representar os outros seis moradores na reunião da república.

. todos os moradores são responsáveis por sua resolução. se houver algum problema de qualquer ordem. No colocação 2. essa condição vale para todos.Planejamento e elaboração de material didático impresso para EAD . é óbvio que ela está ali para ser usada. Em outras palavras: ninguém é detentor exclusivo de um direito. 10:03:56 AM . o conceito de contra-argumento também é fundamental: é a partir da contra-argumentação que se pode refutar um pensamento que parece inabalável.”. já que ele serve para todos. Se a casa possui cozinha. pois possibilita expor razões que podem mudar o ponto de vista acerca de um determinado assunto. e que “meu direito começa onde termina o de vocês”. seria justificável não pagar o aluguel. já que. quando Maria diz que “não tem culpa. Na verdade. quando Maria diz ser “detentora do poder” por ter assinado o contrato. e se cozinhar na casa é uma prática socialmente aceita pela república. e não cabe sua posse a uma pessoa. Em oposição. Nessa atividade. Caso contrário. A argumentação propicia a apresentação de diversos posicionamentos e costuma representar a forma de pensar de determinados indivíduos ou grupos. há vários caminhos possíveis de contra-argumentação.elementos instrucionais e estratégias de ensino Resposta comentada (do exemplo): A capacidade de argumentar – ou de criar argumentos que possam persuadir um interlocutor – é essencial para a convivência social.. Além disso. o direito é 168 comum a todos. Foto: Equipe CEDERJ Pólo de São Fidélis. a questão de um direito começar onde termina outro pode levar a um caminho de hierarquia de direitos e de poder. como a república possui cozinha – e esta faz parte da estrutura física comum da casa –. Na colocação 1. você pode argumentar que isso é uma mera formalidade administrativa. aula7.indd 168 10/10/2007. pois existiria um morador que seria o único responsável por essa taxa. você pode apontar que.

tendo por mote esse novo argumento de Maria: “Gordura faz mal à saúde e engorda. tendo por base a noção de poder. relate sua idéia no Fórum da Aula 7. nem é advogado ou juiz. O que queremos é que você estimule a prática da argumentação e da contra-argumentação com seus colegas. a partir da idealização de argumentos contrários a duas colocações de Maria. Peça a seu tutor que exponha o caso novamente. e leve essa atividade para ser debatida no seu pólo. No entanto. a partir de colocações contrárias a um novo argumento. A partir do trecho a seguir. o autor garantiu as condições necessárias para o aluno fazer a atividade proposta sozinho. também abriu portas para que ele propusesse ao seu tutor uma seção de discussão coletiva. dessa vez ainda mais polêmico: gordura faz mal à saúde e engorda.: Essa atividade não pretende resolver esse problema prático. 169 Atividade 3 Atende ao objetivo 3 j Se eu não me mexer eu engatinho? um bom exemplo de atividade argumentativa. Disciplina: Instituições de Direito Público e Privado) Repare que. extraído da mesma aula. idealize uma atividade argumentativa que possa ser realizada individualmente para a consolidação do papel da prática na maturação.Aula 7 – Ajudando sua inspiração: modelos de atividades – Parte 1 Obs.hu Foto: Ramona Gaukel 10/10/2007. pois você não tem conhecimentos para tal. por isso há mais um motivo para não haver frituras”. Se quiser. Curso: Administração. 10:03:57 AM Depois de ter estudado essa seção e de ter analisado aula7.indd 169 . retorne à Atividade 2 e releia o Exemplo 4 (a prática e a maturação). Atividades argumentativas são uma boa alternativa para a aplicação de um conceito de forma criativa. Fonte: www. Divirta-se! (Roberto Paes de Carvalho.sxc. nessa atividade. participativa e que favorecem o trabalho em grupo. Todos os participantes devem construir um contraargumento para esse novo posicionamento de Maria.

elementos instrucionais e estratégias de ensino Helen Bee e Sandra K.Planejamento e elaboração de material didático impresso para EAD . andar ou pegar objetos..sxc. Mitchell. 170 Personalidade 1 Sobre o amor. 1 “Que não seja imortal.. essas habilidades se desenvolveriam? O bebê precisa de oportunidade de experimentar a coordenação dos ossos. músculos e sentidos? Integração de informações Vamos retomar uma atividade que você provavelmente já conhece. para ilustrar melhor a complexidade do processo de maturação.indd 170 Foto: Rose Ann 10/10/2007. posto que é chama Mas que seja infinito enquanto dure” 2 3 Anote aqui a sua resposta: Fonte: www. 10:03:58 AM . sem ter a oportunidade de praticar o ato de engatinhar. Analise as informações abaixo e diga a que personalidade estou me referindo.hu aula7. fazem as seguintes perguntas: se uma criança for completamente imobilizada.

certo? Mas como você fez isso? Pode parecer óbvio. mas vale a pena recuperar seus passos. 10:04:01 AM . No caso de Vinicius. a fala. a fotografia mostrada é da praia de Ipanema.sxc.Aula 7 – Ajudando sua inspiração: modelos de atividades – Parte 1 Personalidade 2 A comunicação humana é um processo que envolve a troca de 1 informações. A imagem do whisky provavelmente remeteu você à particular predileção do poetinha pela bebida ou à sua frase “O whisky é o cão engarrafado”. 3 171 Anote aqui a sua resposta: Foto: Rose Ann Fonte: www. a escrita que permitem interagir com as outras pessoas e efetuar algum tipo de troca informacional. e utiliza os sistemas simbólicos como suporte para este fim. o trecho de um de seus poemas mais conhecidos – “Soneto da Fidelidade” – completou a charada.hu E aí? Descobriu? Você provavelmente não teve muita dificuldade em associar Vinicius de Moraes às primeiras informações e Chacrinha às segundas. ou por meio de gestos com as mãos. mensagens enviadas utilizando a rede global 2 de telecomunicações. cenário de inspiração para uma de suas canções mais famosas. aula7. Ainda.indd 171 10/10/2007. Estão envolvidos neste processo uma infinidade de maneiras de se comunicar: duas pessoas tendo uma conversa face a face.

etc. o carro remeteu você à chacrete mais popular do programa: Rita Cadillac. e só depois integrar todas para chegar ao veredicto final. Os trechos escritos.Planejamento e elaboração de material didático impresso para EAD . Finalmente. Você precisou das três informações. ou do whisky. o aluno é levado a analisar e relacionar informações de natureza variada (textos. Neste caso. Repare que. são mais alusivos às personalidades em questão.) para deduzir a resposta esperada. aula7. Em compensação. ou do cadillac. você provavelmente não teve dúvidas de quem estava escondido nas charadas que propus. ou do abacaxi.indd 172 10/10/2007. tabelas. Eu não pedi que você adivinhasse quem era a pessoa retratada em uma caricatura. ilustrações. especialmente o poema. as informações oferecidas não dizem respeito diretamente à personalidade em questão. gráficos.elementos instrucionais e estratégias de ensino No caso do Chacrinha. as respostas comentadas são bastante precisas e capazes de abranger satisfatoriamente o universo possível de resultados. notícias de jornal. é ou não é? O abacaxi provavelmente te levou ao programa de calouros mais famoso da TV brasileira e ao troféu recebido pelos participantes menos gloriosos. A área de conhecimento enfocada pela atividade de integração de informações é claramente identificável e é improvável que as respostas difiram muito daquelas esperadas. a passagem que fala sobre comunicação é uma informação e tanto para nos fazer lembrar do Velho Guerreiro e de sua máxima “quem não se comunica se trumbica”. nos dois exemplos. uma vez integradas. Você precisou dar alguns passos antes de conectar cada informação à personalidade. Nesse tipo de atividade. 10:04:04 AM . Essa é a idéia por trás da atividade de integração de informações. por exemplo. quer ver? Praia de Ipanema → Garota de Ipanema → Autoria de Vinicius de Moraes Whisky → Cão engarrafado → Autoria de Vinicius de Moraes Trecho escrito → Soneto da Fidelidade → Autoria de Vinicius de Moraes Trecho escrito → Quem não se comunica se trumbica → Autoria de Chacrinha Abacaxi → programa de calouros → Comandado por Cacrinha Cadillac → Rita Cadillac → Chacrete do programa do Chacrinha 172 Possivelmente você não tivesse sequer desconfiado da personalidade se visse apenas a foto da Praia de Ipanema.

foi contratado pela Rede Globo. Ele tem mais trabalho para chegar na mesma resposta que chegaria apenas por meio de uma atividade de consulta simples. e uma seção voltada para a televisão. no qual lançou vários sucessos da música brasileira como “Estúpido Cupido” de Celly Campelo e “Coração de Luto”. em 20 de janeiro de 1916. ou não vai?”) e Discoteca do Chacrinha. no agreste pernambucano. para onde havia se mudado com a família. Passou então a ser conhecido como Abelardo Chacrinha Barbosa. Vamos tomar como exemplo o caso do Chacrinha.. Retomando a teoria da flexibilidade cognitiva do início da aula. Em 1943. Foi justamente dando uma palestra sobre alcoolismo. Nos anos 1950 comandaria o programa Cassino do Chacrinha. na qual começou a fazer também a Discoteca do Chacrinha. Dois anos depois voltou para a Tupi. Esse era o nome de um dos maiores comunicadores de rádio que conhecemos e de um grande sucesso na TV dos anos 1950 aos 1980: Chacrinha. que fez muito sucesso. O texto da aula (que foi baseado em informações disponíveis na Wikipédia) poderia ser assim: José Abelardo Barbosa de Medeiros nasceu na cidade de Surubim. Em 1978 transferiu-se para a TV Bandeirantes e. Mas os benefícios em termos das capacidades estimuladas não têm termo de comparação. em Recife..Aula 7 – Ajudando sua inspiração: modelos de atividades – Parte 1 Atividades de integração de informações permitem que muitas capacidades cognitivas sejam desenvolvidas simultaneamente. com o cuidado de manter uma proposta de acordo com o perfil e o nível educacional de seu aluno. Em 1956 estreou na televisão com o programa Rancho Alegre. Chacrinha chegou a iniciar a faculdade de Medicina. na TV Tupi. que teve o seu primeiro contato com o rádio. A chave para a elaboração desse tipo de atividade é ser capaz de olhar o texto sob uma perspectiva diferente. 173 aula7. distribuía abacaxis e perguntava “-Vai para o trono. Chegou a fazer dois programas semanais: A Buzina do Chacrinha (no qual apresentava calouros.indd 173 10/10/2007. 10:04:04 AM . Interrompeu os estudos e foi para o Rio de Janeiro. Certamente o Velho Guerreiro seria figura de destaque. o aluno aprende melhor quando obtém uma mesma informação a partir de diversas fontes (formatos) diferentes. Agora. Esse tipo de atividade permite vários graus de dificuldade e sua utilização deve ser balanceada. Em seguida foi para a TV Rio e. Imagine uma aula sobre história da comunicação brasileira. lançou na Rádio Fluminense um programa de músicas de Carnaval chamado Rei Momo na Chacrinha. como criar uma atividade de integração de informações? Parece uma charada completamente indecifrável? De forma alguma. onde se tornou locutor na Rádio Tupi. retornou à Globo. em 1970. do artista gaúcho Teixeirinha. em 1982. como estudante da área médica.

não para explicar!” e “Quem não se comunica. Ora. Você proporia a charada que resolvemos juntos anteriormente. você adaptaria o trecho anterior para continuar falando do Chacrinha de forma a não repetir informações que você já tenha incluído em sua resposta comentada. tudo se copia”. Além da coreografia ensaiada. em seguida.indd 174 10/10/2007. ofereceria 174 uma resposta comentada retomando os passos que provavelmente levaram seu aluno à personalidade correta e. Índia Amazonense. Um pouco de prática é suficiente para você perceber o mecanismo por trás da criação de uma atividade de integração de informações e para começar a dar seus próprios passos dentro do conteúdo de sua disciplina. Chacrinha era autor de frases muito citadas tais como “Na televisão nada se cria.Planejamento e elaboração de material didático impresso para EAD . Fátima Boa Viagem. antes de começar a falar do Velho Guerreiro. aula7.dançarinas. lúdica de motivá-lo. 10:04:04 AM . se trumbica!”. Suely Pingo de Ouro. que faziam coreografias bastante simples e ingênuas para acompanhar as músicas. as dançarinas recebiam nomes exóticos e chamativos como Rita Cadillac. você poderia desafiar seu aluno da área de comunicação com uma atividade que trouxesse informações que precisam ser integradas para terem algum significado.elementos instrucionais e estratégias de ensino Os jurados ajudavam a criar o clima de farsa do programa de calouros. “Eu vim para confundir. Outro elemento para o sucesso dos programas para TV eram as chacretes . Fernanda Terremoto etc. Seria uma maneira descontraída.

em anos. ou seja.indd 175 10/10/2007. mesmo sem uso constante ou com pouco desgaste devido a uma perfeita manutenção. Depreciação é isso. determina-se a depreciação de um bem sempre pelo tempo útil médio. variando entre esses dados. finalidade de uso. Não se preocupe em fazer ilustrações precisas. Se se adquire um carro X. o Y. no mercado automobilístico. em toda a atividade. que. mas frágil. especialmente se esse bem for mercadologicamente passível de transferência de propriedade. é importante levar-se em consideração a perda de valor que o tempo de uso acarretará ao produto adquirido. o tempo máximo previsto em que tal bem poderá gerar benefícios ao adquirente. Evidentemente. Independentemente dos fatores anteriormente listados. em condições ideais. já que o equipamento é novo. É o valor representativo da perda linear de eficiência de um bem. tabelas. Bom exemplo de caso de depreciação é o dos automóveis. gráficos. por exemplo. Apenas faça um esboço de sua idéia no espaço a seguir. Idealize uma atividade de integração de três informações de forma a ajudar ç seu aluno a compreender melhor esse conceito. certamente seu tempo de duração médio. qualidade de fabricação. que é popular e resistente. será menor que o de um outro veiculo. Cabe considerar que. logo após ser fabricado. Assim é. Mas você não pode ultrapassar o número de 120 palavras. marcas. textos). no momento de sua aquisição. considera-se o valor originalmente pago pelo produto igual à sua depreciação após o período estimado de sua vida útil. O tema principal abordado é o conceito de depreciação.Aula 7 – Ajudando sua inspiração: modelos de atividades – Parte 1 Atividade 5 Atende ao objetivo 5 j Quanto custa mesmo? Leia atentamente o trecho a seguir. Fernando Mengoni Rodolfo Clix 175 aula7. com tantos modelos de carros quanto formos capazes de contar. São tão variados os tipos. 10:04:05 AM . encontram-se veículos iguais que têm vida útil média e depreciação diferentes. o bem tem depreciação nula. Você pode usar diversos recursos (figuras. No ato de compra de um bem durável. luxuoso.

elementos instrucionais e estratégias de ensino 176 aula7.Planejamento e elaboração de material didático impresso para EAD . 10:04:16 AM .indd 176 10/10/2007.

Do dia 1/7/2004 (data explícita no recibo) a 31/12/2004 contamos seis meses. a depreciação acumulada em 31/12/2004 será de R$ 1.000/5). Resposta comentada (do exemplo proposto) A depreciação anual é de R$ 2. José de Souza José de Souza 177 6 Vida útil dos automóveis mais vendidos (em anos) 5 4 3 Q Ga uebre lho - Vo Tur ado bo r nte ATIVIDADE Analise as informações 1. Observe as informações a seguir: Rio de Janeiro. 2 R$ 10. 1º de julho de 2005 1 Depreciação é um valor que representa a perda de eficiência de um bem. 2 e 3.000.indd 177 Co 20 che 05 An da 10/10/2007. Então.67. 10:04:16 AM .) José (Texto original) aula7. temos de calcular a depreciação mensal. zero Km. Se quiser.000. Considerando que não há inflação. Ana Paula (Ativ. a depreciação acumulada seria a metade da anual. relativa à aquisição do automóvel ANDANTE® modelo 2005. comprado por João da Silva.00 (10.000.Aula 7 – Ajudando sua inspiração: modelos de atividades – Parte 1 Resposta Comentada Uma das possibilidades para transformar o trecho que você leu em uma atividade de integração de informações está ilustrada a seguir. que é de R$ 166. então. A depreciação de um equipamento novo é nula.00 (dez mil reais).000. Logo.00 RECIBO Recebi de João da Silva (CPF 098765432-10) a quantia de R$ 10. a depreciação do mesmo equipamento após o período de sua vida útil é igual ao valor pago por ele originalmente. Você provavelmente chegou a outras opções. vá até o Fórum da Aula 4 e discuta conosco suas idéias. calcule a depreciação acumulada em 31/12/2005 do veículo Andante.00. É claro que você também poderia resolver essa questão considerando que seis meses são equivalentes a meio ano.

gráficos. uma tabela etc. em vez disso. Você pode oferecer uma resposta comentada mais longa que essa ou usar seu feedback para encaminhar o conteúdo que se seguirá no texto da aula. Nestes casos. Você consegue. Uma questão de treino e de criatividade. de um exemplo resolvido. tabelas. o objetivo principal é que o aluno seja capaz de desenvolver argumentos acerca de um determinado tema sem que necessariamente chegue a uma resposta esperada. A área de conhecimento enfocada pela atividade de integração de informações é claramente identificável e é improvável que suas respostas difiram muito daquelas esperadas e encontradas pelos demais alunos. Nessa categoria de atividade. o aluno é levado a analisar e relacionar informações de natureza variada (textos. notícias de jornal etc. Atividades de consulta direta requerem do aluno voltar a alguma passagem da aula para chegar à resposta esperada. Atividades escondidas no texto são importantes para garantir um exercício mental permanente de seu aluno. Quando apresentadas em diferentes tipos. a capacidade de análise e crítica é tão importante quanto o conteúdo em si. Nas atividades argumentativas. Informações apresentadas em uma variedade de formas fazem parte de um ambiente de ensino flexível. que normalmente está incluída no texto. No caso das atividades de integração de informações. Há diversos modelos que influenciam a elaboração de atividades em materiais didáticos impresso. ilustrações. tenho certeza. onde o aluno é solicitado a realizar operações a partir da observação de um modelo.elementos instrucionais e estratégias de ensino Um dos aspectos nucleares desse tipo de atividade é evitar oferecer informações.Planejamento e elaboração de material didático impresso para EAD . Para criar uma atividade de integração de informações você deve ser capaz de desconstruir seu próprio texto e de analisá-lo sob diferentes perspectivas. incluem-se também exercícios de cálculo simples. as atividades contribuem imensamente para aumentar a diversidade em uma aula voltada para a Educação a Distância. 10:04:16 AM . deixar que o próprio aluno as deduza a partir da análise de um gráfico. procurando. aula7. Resumo M 178 étodos de instrução flexíveis ajudam os estudantes a aprender a complexidade do material que estudam além de possibilitá-los trabalhar com aquele conteúdo sob diversas perspectivas.indd 178 10/10/2007.) para deduzir a resposta esperada.

SPIRO. ROWNTREE. Leitura Recomendada LOCKWOOD. Fonte: http://www. 1ed. L.htm. R. & COULSON. LOCKWOOD. J. 1992. H. Activities in self-instructional texts. D. 1ed. Londres: Kogan Page. (Eds. JACOBSON. 2ed. (1992). Londres: Kogan Page. 1998.Aula 7 – Ajudando sua inspiração: modelos de atividades – Parte 1 Informações sobre a próxima aula Na próxima aula.. S.dk/didaktik/l4-16. 1998. In DUFFY. n 179 aula7. J. NJ: Lawerence Erlbaum Associates.indd 179 10/10/2007. J. M. & JONASSEN. F. F. 1998. continuaremos a estudar outros modelos de atividades. Teaching through self-instruction. P. Cognitive flexibility theory: implications for teaching and teacher education. The design and production of self-instruction. 1992.. D. Activities in self-instructional texts. 1ed.. LOCKWOOD. 1994. 57-76). constructivism. F. Hillsdale. T. R. and hypertext: Random access instruction for advanced knowledge acquisition in ill-structured domains.kdassem. Londres: Kogan Page. M. 10:04:17 AM .R.. Bibliografia Consultada BOGER-MEHALL. FELTOVICH. Londres: Kogan Page.) Constructivism and the technology of instruction: A conversation (p. Cognitive flexibility.

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indd 181 10/10/2007.Aula 8 Ajudando sua inspiração: modelos de atividades Cristine Costa Barreto aula8. 10:05:26 AM .

atividades com respostas enumeráveis e atividades com respostas não-enumeráveis. 10:05:27 AM .elementos instrucionais e estratégias de ensino Meta Apresentar modelos que influenciam o formato de atividades em materiais impressos na Educação a Distância (EAD). transferência de domínio por resolução de problema. b. • distinguir. você deverá ser capaz de: • identificar os aspectos instrucionais que caracterizam os seguintes modelos de atividade: 182 a. dentre os modelos propostos. prática. estudo de casos. Objetivos Ao final desta aula.Planejamento e elaboração de material didático impresso para EAD . aula8. c.indd 182 10/10/2007.

Esse modelo de atividade valoriza a incerteza da investigação científica e a satisfação do encontro de soluções para os problemas. disponibilidade e interesse. realidade cotidiana. que mencionei a importância de oferecermos experiências individuais para nossos alunos. por outro. 10:05:28 AM . dedução e síntese no momento de integrar as informações oferecidas. você está certo. a inadequação da proposição de atividades em que não é possível responder à variedade de soluções potencialmente associadas. Mas você deve se lembrar também. abrangendo um pequeno universo de soluções. ou mesmo impossível. Com essas palavras. Favorecem. Fred Lockwood resume a essência do próximo modelo de atividades que gostaria de apresentar a você: transferência de domínio por aplicação de modelo. essa maneira é 183 aula8. Se eu dissesse que a maior parte do tempo de estudo dedicado a um curso de Educação a Distância pode se passar longe do material de auto-instrução. não há um conhecimento específico a ser desenvolvido e a aprendizagem individual é encorajada. detentora de conhecimento. de habilidades e conhecimentos adquiridos no material didático e incentivam a perda da deferência pelo professor como a figura central. mas a essa altura você deve estar pensando que concluí a última aula declarando. dessa forma. e inquestionável provedor de informações a partir de quem o saber do aluno deve ser construído. a natureza das atividades propostas pode ser tão variada que seria extremamente difícil. suspeito que você começaria a se sentir desconfortável. Se eu dissesse que. ao longo de um curso. a estrutura do modelo conduz a uma pequena variação nas soluções possíveis. de forma enfática. Se por um lado as atividades de integração de informações exigem do aluno as capacidades de análise. mas talvez menos prontamente. você poderia ainda concordar. ao longo de um curso de Educação a Distância.Aula 8 – Ajudando sua inspiração: modelos de atividades Transferência de domínio por aplicação de modelo Se eu dissesse que. suspeito que você concordaria. a capacidade de transferência. na medida em que cada aluno pode explorar a área de conhecimento apresentada de acordo com sua preferência. Nesse tipo de atividade. Pois bem. para outros domínios. Por isso eu posso enunciar uma resposta satisfatória. Disse ainda que havia uma maneira adequada para fazê-lo. Atividades de transferência de domínio abrem uma avenida de possibilidades de resultados.indd 183 10/10/2007. Ora. predizer seu resultado. muito da aprendizagem poderia se dar quando o aprendiz não estivesse de fato lendo o material de autoinstrução. na Educação a Distância. De fato.

A resposta comentada normalmente tem caráter de orientação. as respostas podem (e devem) variar bastante de aluno para aluno. Vamos ver um exemplo? aula8. soluções individuais satisfatórias para as atividades. Conteúdos próprios para esse modelo de atividades são aqueles que trazem uma variabilidade intrínseca e múltiplas perspectivas de análise de um mesmo tema. uma orientação antecipada garante ao aluno a segurança necessária para realizá-las de forma independente. Por isso. levantar dados e tirar conclusões de forma independente. perder a deferência pela resposta do professor. se você não estiver seguro de sua relevância e de sua adequação. todas as condições para que seu potencial criativo e de resolução de problemas não se perca como um viajante que desbrava uma floresta sem bússola. A aprendizagem individual é fortemente encorajada. Naturalmente. 10:05:28 AM . Além disso.elementos instrucionais e estratégias de ensino a atividade de transferência de domínio por aplicação de modelo. se queremos que nossos alunos abusem de sua capacidade de pensar sozinhos. em uma situação de aprendizagem que exige pensamento crítico e reflexivo sobre suas próprias ações. excelente! Apenas devemos assegurar-lhes. valorizar a própria experiência.indd 184 10/10/2007. Nesse tipo de atividade. muitas vezes longe do material didático. embora não seja possível oferecer. comparando-as com as informações 184 providas antecipadamente. de forma inequívoca. Como são atividades normalmente mais trabalhosas. a posteriori.Planejamento e elaboração de material didático impresso para EAD . É comum que a orientação nas atividades de transferência de domínio seja oferecida sob a forma de um modelo que se remete a todas as etapas para o seu desenvolvimento. Eles serão estimulados a fazer suas próprias investigações. você deve pensar bem antes de propor um atividade com essas características. você não deve abusar de atividades de transferência de domínio e sua oferta não deverá constar de todas as suas aulas. devido ao fato de que seu aluno não irá dispor de uma resposta comentada nos moldes em que discutimos para os outros modelos. talvez seja mais sensato optar por um outro modelo. Nesse modelo. Atividades de transferência de domínio são fundamentais para seu aluno desenvolver confiança. em que seu aluno encontrará diretrizes para a realização do trabalho e para a interpretação das informações obtidas. a partir do qual o aluno possa guiar suas práticas.

10:05:28 AM .indd 185 10/10/2007. serviços para lustrar sapatos • Lavanderia com auto-atendimento • Quarto com vista • Colchão ortopédico • Refeições disponíveis até tarde • Telefone.1990 . televisão e DVD no quarto • Limpeza e arrumação do quarto • Serviço de despertador • Opção de café da manhã continental • Entrega de jornais no quarto • Quarto familiar com berço e cama extra para crianças 185 aula8. Uma resposta amigável e informativa da parte da recepcionista pode significar a diferença entre um quarto ocupado ou vago.Aula 8 – Ajudando sua inspiração: modelos de atividades Atividade 1 Atende ao objetivo 1 j O Cliente (Retirado de Thunhurst . Freqüentemente. o primeiro contato dos hóspedes em potencial é por telefone. Hóspedes pernoitando em um estabelecimento hoteleiro podem desejar: • Quarto com banheiro privativo • Quarto com cama de casal. com uma ou duas camas de solteiro • Bar aberto durante toda a noite • Café da manhã no quarto • Filmes disponíveis em DVD • Serviço de recebimento e transmissão de mensagens • Pessoal treinado em recreação e cuidados infantis • Acesso fácil ao quarto por hóspedes utilizando cadeiras de rodas ou bengalas • Serviço para lavar. quando perguntarão acerca das facilidades e serviços disponíveis e a que preço. secar e passar roupas. rádio.Front of house operations) s O que os hóspedes desejam de um estabelecimento hoteleiro varia de acordo com as razões pelas quais estão se hospedando naquele local.

outros preferirão entrar em seus quartos o mais cedo possível. t Apart hotéis Serviço de copa e de camareira para os hóspedes permanentes.elementos instrucionais e estratégias de ensino Veja alguns exemplos em que o tipo de estabelecimento hoteleiro é associado ao tipo de serviço oferecido e ao tipo de cliente que potencialmente se hospedará: Hotéis de turismo ou resorts Hóspedes normalmente desejam relaxar e aproveitar o tempo. a maioria desses estabelecimentos oferece suas próprias opções de lazer tais como piscinas e quadras de esporte. incluímos uma lista de estabelecimentos que podem facilitar sua escolha. e-mail e internet. pode ser exatamente o que os clientes procuram. Um serviço rápido e eficiente com facilidades de comunicação. Recepcionistas devem ser hábeis para evitar situações que possam causar tensão. Hotéis de negócios Utilizados em sua maioria por executivos para pernoite. Um serviço amigável e um ambiente descontraído não significam um serviço de padrão mais baixo. uma atmosfera caseira pode ser desejada. 186 Hotéis de trânsito Normalmente situados perto de uma estação ferroviária ou rodoviária. para onde o acesso é rápido. fax. O que tais facilidades dizem acerca do tipo de cliente que utiliza o estabelecimento? aula8. A maioria dos estabelecimentos é situada no centro da cidade. Mas você não precisa se prender a eles. conferências ou encontros de negócios. tais como telefone. Alguns dos hóspedes podem ser solitários e gostar de conversar. ou hotéis de estrada Principalmente procurados por pessoas que viajam de carro ao redor do país. Hóspedes podem fazer o check in e o check out a qualquer hora do t dia. pode optar por qualquer um. tal como a necessidade de fazer o check out dos hóspedes rapidamente. 10:05:29 AM . Motéis. TAREFA Escolha um estabelecimento perto de sua residência ou local de trabalho para visitar. Descubra a partir dos folders de divulgação e de entrevistas com os recepcionistas que tipos de facilidades e de serviços cada um oferece. a negócios.indd 186 10/10/2007. A seguir. de aeroportos ou regiões portuárias.Planejamento e elaboração de material didático impresso para EAD .

sxc.indd 187 10/10/2007.hu aula8.Aula 8 – Ajudando sua inspiração: modelos de atividades • Hospitais públicos • Hospitais privados • Residência de estudantes • Condomínios • Acampamentos • Navios de turismo • Barcas • Trens • Aviões • Centros de treinamento de pessoal • Locadoras de filmes • Supermercados Estabelecimento: ____________________________ Tipos do estabelecimento Serviços oferecidos Tipo de cliente 187 www. 10:05:29 AM .hu www.sxc.

10:05:31 AM . Dada a baixíssima probabilidade de a situação descrita no parágrafo anterior acontecer.Planejamento e elaboração de material didático impresso para EAD . conversar com pessoas diferentes e levantar informações acerca de serviços diferentes. no entanto. Atividades de transferência de domínio colocam seu aluno em uma situação nova na qual ele deve aplicar um conceito recém-aprendido.elementos instrucionais e estratégias de ensino Resposta comentada Qual estabelecimento você escolheu? Locadora de filmes? Supermercado? Algum outro? É claro que não tenho como saber. Agora. aos colegas. para ganhar mais independência profissional no futuro. esse problema que você está enfrentando agora se refere ao objetivo 3 daquela aula que vimos no terceiro período de seu curso. irá vivenciar no momento em que se formar. necessariamente. Propus para você uma atividade de transferência de domínio por aplicação de modelo. Mas eu não esperaria. visitar locais diferentes. isso não é algo muito parecido com o que ele. reveja os passos 3 a 7 e tente novamente”. secretamente. Não resisto à idéia de contar para você.indd 188 10/10/2007. sempre que proponho essa atividade. incorrer em erros e acertos enquanto ele pode recorrer a você. Se tiver feito besteira. sempre que quiser. naturalmente. em que precisar resolver um problema sem que tenha um livro debaixo do braço dizendo: “Fulano. aula8. Caso você não esteja certo de sua solução. Isso porque cada um de nós pode escolher um estabelecimento diferente. Você sentiu muita falta da resposta comentada da Atividade 3 da Aula 7? Espero que não. ao tutor. Claro que seu tutor estará devidamente avisado da existência de uma proposta como essa. aluno. mesmo que você não tenha uma resposta comentada que garanta ter 188 chegado a um resultado correto. parece ser uma boa idéia deixar seu aluno fazer tentativas. presencial ou a distância. sempre escolho supermercado! Mas isso não importa agora. O que importa é você se dar conta de que. espero que o modelo que ofereci antes seja sólido o suficiente para ter permitido que você realizasse essa atividade com segurança. não existe uma resposta comentada que atenda a todas as possibilidades de resultado associadas a esta atividade. No entanto. pense comigo. que ele assim o fizesse. e seu aluno poderá recorrer à tutoria. consulte a resposta comentada daquela atividade e fique tranqüilo quanto à decisão que tomou. em que conseguir um emprego.

O estudo de caso diminui a distância entre teoria e prática. aumenta a satisfação do aluno com o tópico estudado e. ele interage com o material didático em uma atividade que o expõe a questões do mundo real com as quais pode se deparar em suas práticas profissionais. e para a qual deve propor uma solução. O estudo de casos é uma excelente opção para esse tipo de abordagem. 2. de forma que o aluno saiba exatamente o que fazer para obter seu resultado individual e especialmente para conferi-lo. Vamos lá? 189 aula8. para seu aluno descobrir quantos gêneros sexuais existem nas diferentes instituições de trabalho). desde casos curtos para serem resolvidos individualmente até atividades longas. permitem a compreensão intuitiva do contexto de um problema. 3. o tema proposto tem variabilidade intrínseca (não peça. que incluem uma variedade de situações. incentiva uma aprendizagem participativa. para serem desenvolvidas em grupo. A atividade a seguir vai ajudar você a criar situações que possam ser utilizadas para isso. Isso normalmente aumenta a motivação dos alunos e seu interesse nos temas de aula.Aula 8 – Ajudando sua inspiração: modelos de atividades Ao propor uma atividade de transferência de domínio por aplicação de modelo. por exemplo. como um exemplo detalhado do procedimento. você não está usando esse modelo excessivamente. aumenta seu desejo de aprender. Estudo de caso Não é novidade o fato de que alunos aprendem mais e melhor quando se envolvem na aprendizagem de forma participativa. Demonstram conceitos teóricos em cenários aplicados. em que exemplos. você ofereceu um feedforward. 10:05:32 AM .indd 189 10/10/2007. de forma a desencorajar seu aluno a fazer a atividade. simples ou complexos. Existem muitas maneiras de se propor um estudo de caso para seu aluno. Existe uma grande sobreposição entre o estudo de caso e a aprendizagem baseada na resolução de problemas. ao mesmo tempo que ilustram o núcleo conceitual em questão. Quando o aluno se vê diante de uma situação problemática. que precisa ser analisada. certifique-se de que: 1. portanto.

Magalhães. dirigindo-se diretamente ao operário. pois não se coordena nem com o setor de almoxarifado. Sua permanência dentro da empresa. porém. Seu diretor-presidente é 190 Alberto dos Santos Novaes. Júlio Siqueira Campos e o diretor industrial.indd 190 10/10/2007.Planejamento e elaboração de material didático impresso para EAD . Novaes é acionista majoritário da empresa. Ficam a seu cargo as comissões sobre s as vendas próprias e dos outros vendedores. importando-se apenas com sua situação financeira e com seu status social. Marcos Roberto Magalhães. O Departamento de Compras está sob a gerência de Luiz Alves Macedo. Divide o número de ações com o terceiro diretor. não permitindo qualquer intervenção em suas respectivas áreas. Falta-lhe técnica de compras e sua função é independente. 10:05:32 AM . Seu procedimento acarreta problemas para os demais setores da empresa. supervisiona a fábrica.elementos instrucionais e estratégias de ensino Atividade 2 Atende ao objetivo 2 j Criando caso Analise as duas atividades a seguir propostas em aulas das disciplinas Assistente Administrativo e Bioquímica. em alguns casos de falha técnica. Cada um dos três diretores possui autoridade para contratar novos empregados e despedi-los sem dar satisfação aos outros. porém levando em consideração as condições de seus subordinados. respectivamente: Exemplo 1 Caso Fundição Rio Negro A Fundição Rio Negro é uma empresa de médio porte cujo ramo de atividade é o a produção e venda de equipamentos para fundição. sem nenhum superior. Constantemente. que executa s suas tarefas sem planejamento algum ou controle e sem interesse pelo cargo que ocupa. só funciona quando pressionado pelas circunstâncias. não respeita a autoridade do mestre. o diretor comercial. é devida à estreita amizade com o diretor industrial. l aula8. Este é voltado para a Produção. Campos está ligado ao setor de Vendas. no que tem demonstrado excesso de interesse. apesar desses problemas.

A firma compradora provocou um conflito que atingiu os diretores da Rio Negro. mas somente deverá desenvolver as etapas a seguir na presença de seu tutor. pois ninguém quis assumir a responsabilidade do que aconteceu. Sua tarefa deve ser feita em etapas. p. porém. a imagem da empresa estava se deteriorando no mercado. devoluções em virtude de defeitos ou desvios de especificações. Com todos esses problemas. Manoel de Oliveira. 10:05:32 AM . 70-71. O Departamento de Produção acusava o o Departamento de Compras. que corre o risco de produzir equipamentos com defeitos. os gerentes. Essa atividade faz parte do cronograma da tutoria presencial. os supervisores e até mesmo os operários. Com os atrasos na entrega do equipamento e as devoluções causadas por defeitos. que por sua vez acusava o Almoxarifado. 493). O pedido foi encaminhado ao departamento competente. não corrige os erros encontrados nos projetos para não atrasar a produção.indd 191 10/10/2007. para as providências. portanto. atraso na execução do pedido. Idalberto. às vezes. acarretando problemas para o Departamento de Custos e para o Departamento de Produção. Caberá ao seu grupo: aula8. que vai organizar sua turma em grupos de trabalho. Uma fundição efetuou diretamente a Campos a compra de um equipamento.Aula 8 – Ajudando sua inspiração: modelos de atividades O Departamento Técnico está subordinado ao diretor industrial e apresenta sérias o l deficiências na elaboração de desenhos e projetos. mas devolvido depois por defeitos no funcionamento A compra só não foi cancelada devido à necessidade que a firma compradora tinha de utilizar o equipamento. surgem atrasos na entrega dos equipamentos aos clientes e. p. a partir do conteúdo que você aprendeu nas últimas aulas. e assim por diante. você pode ler e analisar o caso antes. e intervenção direta e constante do diretor comercial na produção. O gerente. Apesar da l demora e da insistência o equipamento foi concluído e entregue. caso nenhum especialista localize o erro a tempo. na escolha dos materiais e colocação de materiais em lugar indevido no desenho e projeto. Campus. 2 ed. Houve. 191 O texto que você acabou de ler permite uma visão dos diversos setores organizacionais de uma empresa. erros nos cálculos. Cada departamento apresenta a sua desculpa. s com data marcada para a entrega. jogando a culpa sobre os demais. Introdução à teoria geral da Administração. (CHIAVENATO.

quanto à conclusão do caso.sxc. ao mesmo tempo que falava com uma amiga ao telefone perguntando por uma sugestão de como resolver a situação mais rapidamente. 10:05:33 AM Um dia. 3. 1990 Joana é mãe de um bebê de oito meses que se alimenta apenas de mingaus. aula8. pois o álcool era mais refrescante e iria esfriar o mingau mais rápido. A criança. distraída. Fonte: www. o alimento estava muito quente para ser dado a seu filho. analisar o comportamento de cada um deles. começou a chorar desesperadamente e Joana não sabia o que fazer. em vez de banhar a mamadeira em água. marcar no texto quantos setores compõem a estrutura organizacional. 5. Joana. 6. Agora responda: O que Joana deve fazer para ter o mingau de seu filho pronto mais rapidamente: aceitar a sugestão da amiga ou continuar procedendo da maneira que estava antes do telefonema (banhando a mamadeira em água corrente)? Justifique sua resposta com base no que aprendeu nesta aula (consulte a Tabela 2. amiga de Joana. os quais recebe pela mamadeira.elementos instrucionais e estratégias de ensino 1. dar sua opinião. Para esfriar o mingau. não se deu conta do horário e se atrasou para preparar a refeição de seu filho. 4. Emília. elaborar um organograma de acordo com as informações do texto. pois mingau era a única coisa que o bebê comia.Planejamento e elaboração de material didático impresso para EAD . sugeriu que.indd 192 . Joana começou a banhar a mamadeira em água corrente. citar possíveis atribuições do assistente administrativo. e. (Anna Paula José de Sara. 192 Foto: Richard S. 2. assinalar todos os seus departamentos e os seus responsáveis. Disciplina: Auxiliar de escritório) Exemplo 2 Conceituando calor específico baseada em Chiavenato. com fome.hu 10/10/2007.1 para obter informações adicionais). ela o fizesse em álcool. embora ela já tivesse acabado de preparar.

a água absorve bastante calor da mamadeira. enquanto isso. é melhor a colocarmos em contato com outra que absorva bastante calor e não sofra alteração de temperatura facilmente. você pôde perceber que o calor específico da água é maior do que do etanol.hu aula8. Já quando estamos utilizando uma substância como a água. não ficando mais aquecida pelo contato com um material quente e permanecendo nesta situação). mais acertada ainda era a maneira como estava procedendo. ainda. Por quê? A resposta é simples: colocar a mamadeira quente em contato com o etanol iria rapidamente esquentar o álcool. Quando queremos esfriar uma substância. ela não deve parar de colocar a mamadeira na água para colocá-la para esfriar no álcool. que Joana estava utilizando água corrente (sempre saindo “fria” da torneira.sxc.Aula 8 – Ajudando sua inspiração: modelos de atividades Resposta comentada (exemplo 2): Conceituar calor específico é o primeiro objetivo que você deve alcançar nesta aula. e você provavelmente o fez não apenas por esta atividade. (Ana Paula Abreu-Fialho. ajudando a esfriar o mingau da criança mais rápido. _______________________________________________________________ 2. Considerando. _______________________________________________________________ Fonte: www. e as trocas de calor de seu interesse (passagem de calor da mamadeira para o álcool) iriam parar de acontecer rapidamente. o equilíbrio térmico (temperatura igual para a mamadeira e para a água) demora mais para acontecer e. 10:05:35 AM . mas pela análise da Tabela 2. Disciplina: Bioquímica) 193 Após ter lido os dois exemplos de atividade de estudo de caso. isto é. Observando novamente esta tabela.indd 193 10/10/2007. Significa que a água precisa de mais calor para ter sua temperatura elevada do que a mesma quantidade de álcool necessita. identifique pelo menos dois aspectos que as diferenciem: 1. Portanto.1 no texto da aula.

que aplica um conceito bioquímico a um contexto do dia-a-dia.indd 194 10/10/2007. os conceitos apresentados na aula são suficientes para que ele resolva a situação individualmente. sintetizar graficamente. a professora encaminhou para a realização na tutoria. certifique-se de que: • o caso proposto atende a um ou mais pontos abordados em sua aula. também a partir dos conteúdos apreendidos anteriormente. inclusive. Mas repare que o aluno teve de voltar à aula para integrar informações. Claramente. Na verdade há. r tais como as apresentadas em uma tabela. Note que.Planejamento e elaboração de material didático impresso para EAD . 194 O segundo exemplo traz uma situação mais objetiva. portanto. Há um problema a ser resolvido.elementos instrucionais e estratégias de ensino Resposta comentada Os casos propostos têm características muito diferentes. analisar comportamentos. aula8. em grupo. Para a realização dessa atividade. nesse caso. Em qualquer dos casos. ou você pode simplesmente criar uma situação problemática específica para ele resolver. O primeiro exemplo propõe uma situação muito mais complexa (a estrutura de uma empresa) e há um maior número de problemas para o aluno resolver. naturalmente. Ao optar por uma atividade baseada no estudo de um caso. emitir opinião. foi orientado pela professora nesse sentido. • o caso proposto traga um ou mais problemas para o aluno resolver. articulando conteúdos entre si. trata-se de uma atividade com maior grau de dificuldade e que. deduzir atribuições. • os problemas propostos são possíveis de serem solucionados pelos alunos com os conhecimentos adquiridos até então. haverá uma seção de tutoria especificamente dedicada ao estudo do caso e o tutor. 10:05:36 AM . claramente proposto ao aluno: O que Joana deve fazer para ter o mingau de seu filho pronto mais rapidamente? Para isso. • o caso proposto é pobremente estruturado de modo a permitir que o aluno faça correlações com os conteúdos aprendidos para preencher lacunas que possibilitem a resolução de um ou mais problemas. problemas para o aluno identificar! As tarefas propostas são de naturezas variadas: identificar setores. você pode propor uma situação em que o aluno deva analisar um cenário profissional complexo. os alunos deverão recorrer a mais de uma aula. aplicando conceitos discutidos anteriormente na aula. e não apenas para fazer uma consulta direta ao conteúdo que lhe ofereceria uma solução pronta para o problema.

para posteriormente poder aplicar as práticas que o ajudarão a ensiná-lo. claramente. aos caminhos que levaram você a compreender determinados conceitos ou fenômenos.Aula 8 – Ajudando sua inspiração: modelos de atividades • no caso de optar por materiais de outros autores. o professor em formação precisa. Um curso de instrumentação deve promover os dois processos. à sua criatividade. No caso de cursos de instrumentação. A razão pela qual estou chamando sua atenção para essa diferença é o fato de que. na maior parte das vezes. o objetivo é fornecer elementos teóricos e práticos que o professor em formação possa utilizar de forma a ensinar seus alunos determinados fenômenos ou conceitos. Prática A proposição de atividades práticas é particularmente comum em cursos tais como os de Ciências Biológicas. o aluno deve realizar experimentos que o possibilitem compreender determinados fenômenos ou conceitos de forma mais completa do que o descrito no material impresso. • você avaliou se o caso proposto é mais adequado ao trabalho em grupo ou individual. a instrumentação se dá também a partir do aprofundamento de conceitos que não são detalhadamente abordados nos cursos de licenciatura. você deve recorrer à sua experiência. 10:05:37 AM . O que ocorre é que. freqüentemente. o caso proposto é claramente relacionado ao conteúdo de suas aulas e atende aos objetivos de aprendizagem propostos por você. aprender melhor um conceito. pesquisador e professor e. Ora. 195 aula8. Novamente. especialmente quando se trata de aulas de instrumentação para o ensino de determinada ciência. antes. e naqueles voltados para a instrumentação de professores do Ensino Fundamental e Médio. e os objetivos de cada aula devem atender. naturalmente. No primeiro caso. • você definiu claramente todas as tarefas que espera que seu aluno faça. Químicas e Físicas. fazemos confusão entre os objetivos listados no início de uma aula e as atividades práticas propostas. para propor bons casos de estudo. à sua história como aluno. a ambos.indd 195 10/10/2007. • seu feedback é amplo de forma a orientar o aluno quanto ao próprio progresso.

mesmo que estejam a quilômetros da água salgada! Disciplina: Instrumentação em Biologia Aquática. · apontar alguns fatores que influenciam na visibilidade da água em um ambiente de recife de coral. aula8. 10:05:37 AM . A atividade final proposta na aula.elementos instrucionais e estratégias de ensino Atividade 3 Atinge ao objetivo 3 g j Professor ou aluno? Leia a seguir a meta e os objetivos da primeira aula de uma disciplina que instrumenta futuros professores de Ciências e de Biologia para o ensino de ambientes costeiros marinhos e de água doce. Como é uma disciplina instrumental. o professor propõe diversas atividades que permitem ilustrar fenômenos estudados ao longo das aulas e que podem ser facilmente utilizadas com futuros alunos. Marcelo Vianna Toda região costeira é igual? Meta da aula 1 Apresentar a diversidade estrutural dos ecossistemas costeiros e demonstrar como fazer para identificá-los e diferenciá-los. é apresentada a seguir. objetivos Após esta aula. · realizar experimento para simular a formação de um ambiente costeiro.Planejamento e elaboração de material didático impresso para EAD . 196 Prof. que atende ao objetivo 3.indd 196 AULA 10/10/2007. o aluno deverá ser capaz de: · identificar alguns dos elementos fisiográficos que compõem um ambiente de praia. Leia cuidadosamente as orientações de procedimento e os comentários feitos pelo professor. bem como de suas comunidades biológicas.

• uma pedra qualquer de cerca de 15 x 10cm. • um regador pequeno. Direcione o ventilador (ligado) para a água na bacia e deixe-o atuando por uma hora. Comentário Após esse período. Você vai precisar. 3.Aula 8 – Ajudando sua inspiração: modelos de atividades ATIVIDADE FINAL Agora você vai confeccionar um experimento que futuramente poderá ser feito com seus alunos. maximizando os efeitos ambientais. Pegue a bacia plástica. de: • uma bacia plástica (ou uma banheira de bebê. com os seus compartimentos. cubra metade com areia limpa e complete com água. 10:05:38 AM . Esses ecossistemas são característicos das diferentes regiões do planeta e apresentam características 197 aula8. que possa ser cheia de água e manuseada com pouco risco de quebra. no máximo.indd 197 10/10/2007. até um trecho da areia (berma). • um ventilador pequeno. • água equivalente à metade do volume da bacia. no qual a água do regador simula o aporte de água doce de rios. Procedimentos 1. • uma luminária com lâmpada quente. Verifique que as ondas chegam. em um fluxo contínuo no meio da bacia. • areia fina e limpa. Coloque água em um regador e despeje-a lentamente na areia. deixando 5cm de areia à mostra. Aumente o vento e poderá observar a formação de ondas quebrando na praia. 2. Esta atividade simula o surgimento de uma região costeira. para fazer o experimento. você vai verificar que a areia desceu. ou outro recipiente qualquer largo e aberto em cima) com cerca de 40cm de diâmetro por 15cm de altura. A zona costeira apresenta uma grande diversidade estrutural de ecossistemas litorâneos. equivalente à metade do volume da bacia. formando uma região semelhante a uma praia. 4. Comentário Veja como vai se formando uma baía semelhante a um estuário.

poças de maré. e perceba a criação de um cordão arenoso que tende a fechar o estuário e 198 originar uma lagoa costeira. esta atividade foi proposta para o futuro professor compreender melhor as dinâmicas de uma região costeira ou como um experimento que ele possa utilizar com seus alunos em práticas futuras? www. com o foco direcionado para a poça. estão continuamente em modificação.hu aula8. mostrando como um costão rochoso e uma poça de maré são afetados pelo ambiente externo mais intensamente que o ecossistema do entorno. colocando-o na extremidade da bacia. parte afundada e parte emersa.elementos instrucionais e estratégias de ensino fisiográficas particulares. 5. 10:05:38 AM . Na costa (subdividida em praia. Existem também ecossistemas que. costões rochosos. manguezais e recifes naturais) que servem de habitat a espécies distintas de acordo com suas feições fisiográficas. A costa abriga ecossistemas importantes (como as lagoas costeiras.Planejamento e elaboração de material didático impresso para EAD . Ao lado da pedra. Comentário Cerca de 15 minutos depois. Pegue a pedra e coloque junto da areia. berma e costa afora). temos ecossistemas que são compartimentos de ambientes maiores. como a berma na praia.indd 198 10/10/2007. 7. como um estuário originando uma lagoa costeira. Em sua opinião. Mude o ventilador de lugar. por estarem em uma zona de transição entre o continente e o oceano. 6. estuários. faça uma pequena poça e ligue uma luminária com a lâmpada comum perto. verifique como a temperatura da água da poça e da pedra estão mais quentes do que o ambiente ao redor.sxc.

em uma atividade prática. como solicitar a participação de cada aluno na realização do experimento etc. 199 Como você viu. 10:05:40 AM . que tipo de analogia seria adequada para transpor o conteúdo para um nível adequado àquele aluno. A melhor maneira de propor uma atividade prática é fazer uso da sua experiência acumulada como professor e pesquisador. Esse é um objetivo diferente de: • Realizar experimento voltado para o Ensino Fundamental de Ciências para consolidar a aprendizagem dos processos que conduzem à formação de um ambiente costeiro. alguns dos comentários s (confira o que se refere ao item 4) se dão em um nível condizente com um aluno do Ensino Superior que está aprendendo. As atividades podem ser simples ou complexas. nem sempre é fácil propor uma atividade prática que atenda aos objetivos que temos em mente quando a idealizamos. ele próprio. Essas decisões foram deixadas para o professor em formação que teve acesso a uma excelente atividade prática sem que pudesse apreciá-la inteiramente. o objetivo em questão era: • Realizar experimento para simular a formação de um ambiente costeiro. há uma sobreposição entre esses dois aspectos. em vez de propor a atividade prática em si. Mesmo que o professor também estivesse aprendendo acerca do tema (e estava. na atividade prática. a julgar pelo conteúdo da aula que você não teve chance de ver). houvesse orientações acerca de possíveis dúvidas que um aluno do Ensino Fundamental poderia apresentar. no campo ou em laboratório. tive dúvidas acerca de a quem ela se destinava. Há uma alusão clara à prática de ensino no início do texto (agora você vai confeccionar um experimento que futuramente poderá ser feito com seus alunos). acerca de ecossistemas costeiros. mas é importante. Você pode. aula8. que fique claro a que objetivo ela atende. Naturalmente. Fica por conta da sua imaginação. tanto do ponto de vista de aluno quanto do ponto de vista de professor. qual a maneira de respondê-las.indd 199 10/10/2007. era importante que. ser realizadas em casa. requerer o uso de materiais caseiros ou de equipamentos específicos. Nesse caso. no entanto. utilizar protocolos de experimentos de forma a deixar o aluno se sentir imerso em um laboratório de pesquisa.Aula 8 – Ajudando sua inspiração: modelos de atividades Resposta comentada Quando li esta atividade.

você se lembra? Nesse caso. Mas. questões desencadeadoras da discussão. estou indo além do que mencionei no apêndice da Aula 6. Atividades de transferência de domínio. gostaria de chamar sua atenção para dois tipos possíveis de resposta. as atividades podem variar no que se refere ao tipo de produto gerado. Tudo sobre o que conversamos se referia aos processos mentais e aos procedimentos envolvidos na realização de cada atividade exemplificada. quais os objetivos da atividade. Atividades de respostas numeráveis são aquelas estruturadas de forma a conduzir o aluno a uma (ou algumas poucas) resposta possível. um futuro professor. que articule as diversas etapas do experimento de forma a ajudá-lo a construir o conhecimento que você deseja. Quando falo de produto. você deve saber exatamente o que pretende com ela. respostas não-enumeráveis. Naturalmente. certifique-se de oferecer uma resposta comentada ampla. Respostas enumeráveis e não-enumeráveis 200 Até agora. Práticas diferentes requerem experimentos diferentes e orientações diferentes. independentemente do modelo. alguns dos modelos de atividade que estudamos se prestam mais a um tipo de produto do que a outro. favorecem. Por exemplo. situações possíveis de serem exploradas etc. Se for ajudar seu aluno a compreender um conceito.indd 200 10/10/2007. tipicamente. por isso optamos por fazer um feedforward como um comentário que orienta o aluno antecipadamente acerca dos procedimentos necessários à sua realização. Se você quiser mostrar ao seu aluno. você aprendeu acerca de diversos modelos que influenciam a elaboração de materiais didáticos impressos para a Educação a Distância. 10:05:40 AM . por outro lado. qual atividade prática pode ser mais adequada ou eficaz para ele utilizar com os próprios alunos futuramente. Atividades com respostas não-enumeráveis estão associadas a experiências individuais e ações independentes da parte do aluno. aula8. As respostas comentadas atendem satisfatoriamente ao universo de resultados esperado a partir da integração de um número limitado de informações específicas. Atividades de respostas não-enumeráveis conduzem a um número imprevisível de respostas possíveis. quando tratei de diferentes formas de registro de respostas. então inclua em seus comentários possíveis perguntas que seus alunos farão.elementos instrucionais e estratégias de ensino Qualquer que seja o formato de uma atividade prática que proponha.Planejamento e elaboração de material didático impresso para EAD . atividades de integração de informações normalmente exigem muito do aluno na hora de interpretar e articular dados. mas geralmente conduzem a um resultado bastante circunscrito.

O problema pode se originar. do motorista ou do material utilizado. do próprio veículo. a) Aumento no valor de contas domésticas. por exemplo. Por que ocorre o problema? Alto consumo de combustível.16). c) Baixo rendimento em alguma disciplina do seu curso. Observe o diagrama referente a esse problema (Figura 20. Disciplina: História do Pensamento Administrativo) aula8. luz ou telefone. como água. 10:05:40 AM . 6 201 MÉTODOS Dirigir muito rápido. MOTORISTA Combustível fora da especificação. considere os “tipos de causa”. VEÍCULO Manutenção do motor. Lubrificação inadequada MATERIAL Diagrama de Ishikawa aplicado ao problema “alto consumo de combustível”. Ajuste do carburador. mas certamente poderá cogitar muitas outras situações com problema. Em seguida. A seguir. do modo de dirigir (método). (Solange Nascimento da Silva.indd 201 10/10/2007. Pouco treinamento. Uso incorreto das marchas. você pode conferir três sugestões. Com base nesse exemplo. Falta de conhecimento.Aula 8 – Ajudando sua inspiração: modelos de atividades Atividade 4 Atende ao objetivo 4 j Qual é a resposta? Analise as atividades abaixo e indique se as respostas esperadas são numeráveis ou não-enumeráveis: Exemplo 1 DIAGRAMA DE ISHIKAWA NO COTIDIANO Você poderá visualizar melhor esse tipo de diagrama adaptado a uma situação da realidade cotidiana. Pense na seguinte situação-problema: consumo excessivo de combustível por um carro. b) Queda na produtividade no seu setor ou área de trabalho. no trabalho ou em outros espaços e situações. aplique o diagrama a um problema da sua realidade cotidiana: em casa.

15 M 1M 0. Analise as informações 1. Disciplina: Bioquímica) Resposta comentada Você não deve ter tido dificuldades em perceber que o exemplo 1 é uma atividade que conduz a respostas não-enumeráveis enquanto o exemplo 2 conduz a respostas aula8. de acordo com o volume utilizado da solução conhecida. calcule a concentração (molar) de H+ no suco gástrico. 2 e 3 e. d. em seguida. composta basicamente de ácido clorídrico (HCl) e pepsina. É possível fazer isso provocando a mudança do pH do líquido corpóreo (uma solução de pH desconhecido) adicionando uma solução de pH de valor conhecido até alcançar a neutralidade (pH = 7). calcule quantos moles de OH.5 ml de uma solução do estoque do laboratório para neutralizá-lo: a. (Ana Paula Abreu-Fialho. Sabendo que o técnico que analisou a amostra de suco gástrico gastou 2. 10:05:41 AM .5 ml utilizados para a neutralização do suco gástrico. c.indd 202 10/10/2007. determine o pH do suco gástrico. responda: 1 Amostra 3 Estoque de soluções do laboratório 202 Paciente: 12321-0 Amostra: Suco gástrico Hora da coleta: 6:00h (jejum) Volume do frasco: 5ml 0. b. identifique a solução utilizada para reação de neutralização.02 M 0. é possível inferir o valor do pH do líquido corpóreo.5 M 2 Definição Suco gástrico: secreção produzida pelas células da mucosa estomacal.Planejamento e elaboração de material didático impresso para EAD .estão presentes nos 2. Neste caso.elementos instrucionais e estratégias de ensino Exemplo 2 Desafio! Uma das maneiras de monitorar a saúde do corpo de um indivíduo é medir o pH dos seus líquidos corporais.

Cabe a nós impedi-los de deixar a “sala de aula” com a mesma facilidade de quem está próximo da saída. é importante ter em mente que todos fazemos parte de um sistema de aprendizagem flexível. Você pode fazer um sem-número de combinações entre processos e produtos associados a uma atividade que elabore. o aluno foi orientado a agir como quisesse. No exemplo 2. ou de quem desliga o computador. na sua aprendizagem. de quem fecha um livro. na Educação a Distância. todos os alunos estão sentados naquela cadeira que fica mais próxima da porta. Assim. As poucas oportunidades que tive de encontrar relatos que revelassem experiências vividas por profissionais envolvidos na produção de materiais didáticos para o ensino a distância foram extremamente valiosas para que eu pudesse definir minhas próprias diretrizes de trabalho. mesmo havendo algumas sugestões de problemas a serem representados no diagrama de Ishikawa. inclusive ignorando as sugestões oferecidas (você pode conferir três sugestões. no exemplo 1. Divirta-se. Finalmente. a resposta comentada (que eu omiti) é bastante objetiva e atende ao resultado esperado. 10:05:43 AM . O controle e a autonomia da parte do aprendiz o fazem agente capaz de decidir acerca de que recursos utilizar. mas certamente poderá cogitar muitas outras situações com problema). mais difícil de ser incorporado por quem começa a caminhada na Educação a Distância. Repare que. pode ser consistente com o perfil efetivo e eficaz de um aprendiz. nessas aulas de atividades. por mais que nos esforcemos para desenvolver atividades de alto nível instrucional para nossos alunos. um professor me disse. a meu ver. aplicar métodos e encontrar seu próprio caminho no que se refere ao aspecto instrucional. O diagrama completo.” Sábia percepção. Considerações finais Em uma ocasião.indd 203 10/10/2007.Aula 8 – Ajudando sua inspiração: modelos de atividades numeráveis. Muitos estudantes acreditam que a seletividade é uma estratégia legítima de estudo e que o material didático oferece 203 aula8. Realizar algumas atividades e não outras. no qual a distância é apenas uma das dimensões que pode ser flexibilizada. reflexivo: “O que vocês estão me dizendo é que. é a orientação de que ele precisa para aplicar o modelo a uma outra situação. por exemplo. no início da atividade. e em que momento. ao se aperceber da dificuldade que teria para manter seu aluno de EAD engajado no estudo. optei por compartilhar minha experiência a partir de exemplos que permitissem a você concretizar conceitos.

fazendo as alterações que achar necessárias. gostaria que você incorporasse todos os aspectos abordados anteriormente.Planejamento e elaboração de material didático impresso para EAD .elementos instrucionais e estratégias de ensino recursos acerca dos quais escolhas devem ser feitas. então nos cabe refletir acerca do que parece a melhor estratégia para tanto: oferecer ao aluno um banquete de atividades variadas dentre as quais ele possa optar. apresentei sete modelos de atividades possíveis de serem utilizados na Educação a Distância. • Tente avaliar o tipo de resposta a que cada atividade conduz. Nessa atividade. quer em qualidade. Tente utilizá-la para a realização dessa atividade. e 1 a 4 da Aula 8 j Nas últimas duas aulas. pensando nos seguintes pontos: • Identifique os aspectos apontados imersos em cada uma das atividades que você já elaborou e que contribuem para sua eficácia de ensino. Atividade final Atende aos objetivos 1 a 4 da Aula 7. A classificação de atividades conforme você viu anteriormente foi criada pelo setor de Desenvolvimento Instrucional do Consórcio CEDERJ e decorreu de nossa experiência junto aos professores e de longas. aula8. • Tente avaliar o modelo em que se encaixam. dependendo de uma combinação de fatores que incluem o projeto pedagógico particular de cada instituição educacional. quer em número. 10:05:44 AM . ou selecionar um menor número de atividades como o único caminho para que o aluno avalie seus progressos e verifique se atingiu os objetivos específicos propostos pelo professor? Esta é uma pergunta central e difícil de ser respondida. do corpo técnico responsável pela capacitação e assessoramento 204 da competência acadêmica na elaboração de materiais de auto-instrução que atuem de forma construtiva na conquista de conteúdos pelos alunos e que considere uma metodologia de ensino que privilegie a atitude de pesquisa como princípio educativo. Se queremos estimular a realização do maior número de atividades possível da parte dos estudantes. a disponibilidade dos conteudistas para reverem suas práticas de ensino e a potencialidade. Há áreas em que a decisão deve ser deixada para o aprendiz. Se você estiver redigindo aulas e elaborando atividades.indd 204 10/10/2007. A tabela a seguir foi construída para facilitar nosso trabalho durante a análise das aulas. calorosas e ricas discussões na equipe. que certamente apresenta mais de uma solução. retome-as. o perfil dos estudantes envolvidos.

indd 205 10/10/2007. aula8. que incluem uma variedade de situações. uma orientação antecipada garante ao aluno a segurança necessária para realizar a atividade de forma independente e a aprendizagem individual é fortemente encorajada. demonstram conceitos teóricos em cenários aplicados. para realização individual ou em grupo. na qual seu aluno encontra diretrizes para a realização do trabalho. O estudo de casos é uma opção para envolver o aluno na aprendizagem de forma participativa. 1 Tipo de resposta Ativ. 2 Tipo de resposta Ativ. 6 Tipo de resposta Escondida no texto (não confundir com dialogia) Consulta / Cálculo / Interpretação direta Fórum Prática para compreensão de conceito Prática para ensinar a ensinar um conceito WebQuest/ Fórum Virtual Integração de informações Jogo Resolução de problemas Estudo de caso analítico Estudo de caso aplicado Transferência de domínio pela aplicação de modelo Marque E para resposta enumerável e NE para resposta não-enumerável. Casos simples ou complexos. de habilidades e conhecimento adquiridos no material didático. A resposta comentada normalmente tem caráter de orientação. Aula___ Ativ. 4 Tipo de resposta Ativ. para outros domínios.Aula 8 – Ajudando sua inspiração: modelos de atividades Classificação Disc. 10:05:44 AM . 5 Tipo de resposta Ativ. Nesse modelo. 205 Resumo A tividades de transferência de domínio favorecem a capacidade de transferência.

Activities in self-instructional texts. NJ: Lawerence Erlbaum Associates. Constructivism and the technology of instruction: A conversation (pp. J. Químicas e Físicas e naqueles voltados para a instrumentação de professores do Ensino Fundamental e Médio. Londres: Kogan Page. CHIAVENATO. 1ed. Londres: Kogan Page. ROWNTREE. Cognitive Flexibility Theory: Implications for Teaching and Teacher Education. Londres: Kogan Page. H. Teaching through self-instruction. L. Fred. 57-76). constructivism. and hypertext: Random access instruction for advanced knowledge acquisition in ill-structured domains. 1990.kdassem.. Dependendo do caso. Derek. Jacobson. R. Ao propor uma atividade prática. orientações diferentes devem ser oferecidas. R. 1992. M.R. J. Introdução à teoria geral da Administração. Feltovich. P. A. & Coulson. Activities in self-instructional texts. London. com seus próprios alunos. 1994. 493 pp. Duffy & D. Fonte: http://www. Alguns modelos de atividade se prestam mais a um tipo de resposta do que a outro. 10:05:45 AM . Thunhurst. Londres: Kogan Page. Até lá! aula8. Atividades de respostas numeráveis são aquelas estruturadas de forma a conduzir o aluno a uma (ou algumas poucas) resposta possível. 2ed. 1998. Hillsdale. (1992). Lockwood. 2ed.). J.dk/didaktik/l4-16. Campus. 206 Leitura recomendada Lockwood. 1ed. LOCKWOOD. Macmillian Education.htm. 1998. In T. M.. S. Spiro. você vai aprender como oferecer ao seu aluno desdobramentos do conteúdo central da aula. Bibliografia consultada Boger-Mehall. Front of House operations.. Informações sobre a próxima aula Na próxima aula. é importante definir se o objetivo é contribuir para a compreensão de um conceito ou indicar uma atividade para ser utilizada pelo futuro professor. 1998. Fred. 1992. 1998. 1994.Planejamento e elaboração de material didático impresso para EAD . Idalberto. Cognitive flexibility.elementos instrucionais e estratégias de ensino A proposição de atividades práticas é comum em cursos tais como os de Ciências Biológicas.indd 206 10/10/2007. The design and production of self-instruction. Atividades de respostas não-enumeráveis conduzem a um número imprevisível de respostas possíveis. 1ed. Jonassen (Eds. Fred.

Cristine Costa Barreto apendice7_8..indd 207 10/10/2007.. novamente.. 9:50:48 AM .Aulas 7/8 / Apêndice A bússola e o remo..

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As seções a seguir sintetizam parte desse Fonte: www.Aulas 7 e 8 – Apêndice – A bússola e o remo. apendice7_8. os amostrais nos permitem começar a avaliar envolvidos na Educação a Distância.hu capítulo e são da maior relevância para a nossa prática como educadores a distância. especialmente o aluno. Procurei fazer um comentário após cada seção de forma que pudesse contribuir para que você tenha uma visão mais diversificada acerca dos temas discutidos. Mais interess discutidos à luz da pesquisa empírica e. Em um dos capítulos mais interessantes Foto: Dave Green do livro – “o que os estudantes pensam das atividades?” – o autor discute uma série de aspectos que influenciam a realização das atividades por parte dos alunos. qual benefício.sxc. quais as ex professores ao proporem atividades. foram apontados outros cinco aspectos que influenciavam a decisão de um aluno realizar ou não uma atividade proposta e a maneira pela qual ele a realiza.. magistralmente.. dentre outros. 9:50:48 AM .. Uma publicação fundamental para consolidasse diversos aspectos relacionado papel das atividades em materiais didátic voltados para a Educação a Distânc foi o livro Atividades em textos aut instrucionais Activities in self-instruction texts de Fred Lockwood. associada à realiz propostas. para os alunos. bem como em entrevistas e questionários preenchidos pelos alunos de cursos variados. Os resultados mencionados e os depoimentos transcritos se referem a pesquisas realizadas com base em diversos materiais didáticos da Open University.indd 209 10/10/2007. Além do tempo de estudo. novamente. s O pequeno volume traz informações va as discute. em cinco capítu a temas como a maneira pela qual as ativida aprendizagem auto-instrucional..

conforme o texto se encaminha para o final. eu realizaria uma atividade atraente. 210 A pesquisa baseada em materiais didáticos da Open University revela que a proporção de atividades realizadas cai de 90-100%. para 30-40%. entremeadas no texto. Qual é a sua opinião a esse respeito? Como você se comportou ao longo do estudo das aulas. até me deparar com o livro de Lockwood. se o conteúdo do texto não fosse coerente e coeso o suficiente para “armar” adequadamente apendice7_8.Planejamento e elaboração de material didático impresso para EAD . Pelo menos foi assim nas experiências que tive com materiais de EAD. creio. você tenha a preocupação de propor atividades ao seu aluno de forma regular. quer por seu conteúdo. Pois as pesquisas realizadas indicam que os alunos são mais diligentes ao realizar tarefas no início da aula do que no final. ao final de uma aula. ao longo de 4-5 anos? Eu tendo a achar que esses são elementos de influência. certo? Você já parou para pensar se faz alguma diferença para o seu aluno o fato de uma atividade estar no início. até agora? Houve alguma diferença na sua determinação para realizar as atividades que pudesse ser associada à posição que ocupavam no texto? Se eu fosse responder a essas perguntas. 9:50:58 AM .elementos instrucionais e estratégias de ensino Posição relativa de uma atividade no texto Imagino que. ao redigir suas aulas. quando a pressão do tempo começa a ser mais determinante.indd 210 Atenção 10/10/2007. atendendo a blocos de conteúdo a intervalos razoavelmente constantes. se as atividades propostas não me parecessem motivadoras. arriscaria dizer que a posição das atividades não influenciaria minha decisão acerca de realizá-las ou não. Mas nesse ponto. resida uma questão importante: será que você (assim como eu) é um aluno cujo perfil equivale àquele do aluno para quem você redige suas aulas? Será que a pressão do tempo atuaria igualmente sobre nós. Talvez minha atitude fosse diferente se a disciplina em questão não fosse de minha predileção. se tivéssemos que nos dedicar à carga habitual de trabalho e ainda conciliar o tempo com o estudo de 3-4 disciplinas por período. no início da aula. Como aluna. Mas sigo convicta de que o aspecto determinante para a realização de uma atividade é sua relevância para a aprendizagem e seu grau de persuasão do aluno. no meio ou no fim de uma aula? Confesso que nunca havia feito essa reflexão. quer pela forma em que a apresentamos.

apendice7_8.. Atenção 211 Q uando um espaço.. fazer uma marcação. porque tem um espaço onde você pode realmente realizá-las.. responder às demais. independente de sua posição na aula. boxes para ticar. realizar um cálculo. em meu livro. quando você vai e tica determinadas coisas ou quando você faz pequenos comentários [em lugares específicos]. meio ou fim de uma aula.. a proporção de alunos que fez a atividade caiu dramaticamente para 30 a 50%. não importa se no início.indd 211 Atenção 10/10/2007. uma proporção extremamente alta dos alunos – 80 a 100% – fez a atividade. uma palavra. e tenderam a realizá-la. quando a atividade solicitou a redação de uma resposta.. Seja uma linha. ler um texto. Esses são aspectos aos quais devemos dedicar alguma reflexão antes de negligenciarmos o tempo. que preferiu atividades que ofereciam espaço para resposta. o momento exato de persuadir-me a fazer uma atividade. A tividades constituídas de muitas questões são mais frequentemente evitadas pelo aluno. uma lacuna ou uma grade foram oferecidos como local para uma resposta simples (um tique.. se não impossível. 9:50:58 AM . sempre me incentiva encontrar. Essa também parece ser a opinião da maioria dos estudantes entrevistados. mesmo ao perceberem que se tratava de uma proposta com um grau de dificuldade mais alto: Tem muito mais chance de eu fazer uma atividade se houver espaço no papel para eu responder o que é pedido. mesmo curta. Eu freqüentemente faço essas. identificar os diferentes significados de um determinado termo. No entanto. Nesses casos. Presença ou ausência de espaço para resposta Faz diferença para você que uma atividade ofereça um espaço específico para registrar a resposta? Para mim faz. a dedicação e a técnica necessários à elaboração de uma atividade para a Educação a Distância. um lugar para escrever. novamente. observações curtas).Aulas 7 e 8 – Apêndice – A bússola e o remo. Por exemplo. comparar as diferentes definições desse termo. uma tabela para completar. se o aluno não responde à primeira questão pode ser difícil. mesmo que houvesse espaço oferecido para isso. .

para responder a uma atividade. os alunos focam seu objetivo apendice7_8. apenas 30 a 50 % responderam a atividades que solicitaram uma resposta escrita. observou-se o dobro de participações. Por outro lado. E ntre 70 e 80% dos alunos responderam às atividades que solicitaram uma resposta mental. havia muitas atividades que solicitavam algum tipo de resposta mental ou de resposta escrita. e sugiro que você se empenhe em garantir esse estímulo adicional ao seu aluno. Mesmo se. O método de resposta solicitado Em um conjunto de materiais impressos da Open University.elementos instrucionais e estratégias de ensino Particularmente. Mas se a atividade que você elaborar for concebida de tal forma que seja relevante registrar uma resposta sob forma de um trecho escrito. 9:50:59 AM Atenção . de preferência em diferentes formatos. requerendo interpretação e análise em vez de apenas recuperação e compreensão.Planejamento e elaboração de material didático impresso para EAD . suas demandas intelectuais eram maiores. em uma única atividade. houvesse uma parte da tarefa solicitando uma resposta mental e outra solicitando uma resposta escrita. acho fundamental haver espaços específicos para respostas. Havia outras atividades que também sugeriam respostas mentais e que também não ofereciam espaço para resposta. A proporção de alunos que respondeu a essas atividades foi uma das mais baixas registradas em toda a pesquisa. No entanto – e essa é uma informação da maior relevância – na tentativa de economizar tempo de estudo.indd 212 10/10/2007. não importa se mentalmente ou de forma escrita. no primeiro caso. A maioria delas era similar entre si. o grau de dificuldade das atividades propostas era semelhante e não havia 212 espaço para respostas. variando entre 10 e 40%. Ao adotar essa estratégia. um aluno deve lê-la antes. As atividades que solicitavam uma resposta mental foram mais frequentemente respondidas que aquelas solicitando uma resposta escrita. Se for possível variar o tipo de registro que você solicita. Os resultados da pesquisa indicam que o material textual que constitui a ativida1de invariavelmente é lido mesmo se a tarefa proposta for ignorada. por exemplo. muitos aprendizes simplesmente lêem as atividades e passam direto aos comentários fazendo pouco (ou nenhum) esforço para realizá-las. não hesite em fazê-lo e jamais caia na armadilha de simplificar excessivamente a tarefa que você decidiu propor ao seu aluno da educação superior. No entanto. Um ponto interessante é que. ótimo.

Em ambos os casos.Aulas 7 e 8 – Apêndice – A bússola e o remo. As estratégias de estudo descritas anteriormente (preferência por respostas mentais e degradação de atividades) permitem aos estudantes não só dar conta do curso. Eles pedem que você analise o argumento apresentado em um texto escrito – eu não tenho tempo para isso. de forma que a frustração decorrente do fracasso não os conduza ao questionamento de suas habilidades e à reavaliação de suas expectativas profissionais (Mathias. então eu apenas leio para ter uma idéia do que eles estão dizendo e pensar um pouco a respeito antes de continuar a leitura da aula. A atividade pede que você compare os diferentes pontos de vista. 9:50:59 AM ... apendice7_8. no produto da atividade em vez de no processo que ela compreende.esse é o tipo de atividade que eu evito.indd 213 Atenção 10/10/2007. Vale a pena. levar em consideração que a natureza das atividades que propomos pode produzir custos educacionais e emocionais a nossos alunos.... Qual aluno vai optar por qual dessas estratégias é difícil de prever. intelectualmente.. no entanto. Muitos alunos revelam uma certa relutância em se engajar em atividades que demandam mais. parece um pouco complicado. Apenas leio os argumentos e decido quais têm mais a ver com minhas próprias percepções e por que... que operam.. Eu não me preocupo com isso. tornando-a menos demandante e menos consumidora de tempo do que a proposta original. novamente. permanentemente com uma análise de custo-benefício associada aos seus comportamentos na Educação a Distância. 213 A resposta intelectual solicitada . então eu nem me preocupo. 1980). é muito difícil. analisando os prós e contras de cada um deles. N o material analisado [com atividades de alto grau de dificuldade].. a partir de um processo de degradação de uma atividade proposta. a presença de espaço para resposta não pareceu influenciar a decisão do aluno [de realizar ou não a atividade]. os aprendizes incorrem em um custo para seu estudo. mas também sobreviver a ele. Outra estratégia comum é a simplificação da tarefa proposta. em comparação com aquelas que demandam prioritariamente processos de recuperação e compreensão de conteúdos.

apendice7_8. .. o tempo alocado para cada atividade é provavelmente o fator decisivo para mim. que se indique o tempo necessário à realização de determinada atividade (por ex. a disciplina e o conteúdo específicos.. mas se são de quinze ou vinte minutos. do ensino presencial ou a distância. 5 minutos. então eu faço. 15 minutos. então não. eu tendo a ignorá-la e a gastar tanto tempo quanto achar necessário..indd 214 10/10/2007.. A disciplina. . ou se estamos nos rendendo a algum tipo de prática de tortura que deduz que alunos. inclusive os da Open University. com um grau de autonomia para os quais não foram preparados.. 9:50:59 AM .Planejamento e elaboração de material didático impresso para EAD . então. A questão é nos perguntar. nós não optamos por essa abordagem e o limite do investimento que você deveria fazer em cada atividade foi estabelecido pelo comando dado ou pelo espaço definido para você responder. considere o vodu como uma opção religiosa.elementos instrucionais e estratégias de ensino O ponto aqui me parece claro e simples. se são [atividades] de cinco minutos. 20 minutos). talvez. Não queremos banalizar nosso aluno da Educação a Distância. siga em 214 frente e tente oferecer a orientação e o suporte necessários para seu aluno transpor os obstáculos que você considere indispensáveis à sua formação como profissional de uma determinada área.. sempre. se as atividades que propomos oferecem um grau de dificuldade compatível com o curso. a capacidade leitora e a capacidade interpretativa são diferenciais dos alunos da Educação a Distância que contribuem para que eles tenham um desempenho plenamente satisfatório ao longo de seus cursos superiores. bem.. O tempo oficialmente alocado para a realização de uma atividade É comum. As opiniões dos estudantes a esse respeito são variadas e a informação acerca do tempo foi utilizada de maneiras diferentes: Eu não me oriento pelo tempo estimado porque ao longo dos cursos da Open University eu percebi que essa estimativa é irreal. Não há qualquer razão que me faça concluir que esses alunos têm um potencial intelectual mais baixo que nossos alunos do ensino presencial.. em muitos materiais. então sugiro que você reveja suas práticas e que. Se suas práticas de ensino estiverem mais de acordo com a primeira opção.. são capazes de realizar atividades e aprender sozinhos conteúdos e processos extremamente complexos. Se estiverem mais de acordo com a segunda. Em nossas aulas.

o que ele puder mais! O melhor que podemos fazer é abrir mão do poder de controle do professor. Uma vez escutei de um especialista inglês em arquitetura da informação que.. Menos ainda quando falamos de Educação a Distância. e deixar o resto com ele. relevantes. E provavelmente está se perguntando – como se já não bastassem todas as demais questões que este módulo tenha lhe trazido à cabeça até agora – se você deve deixar sua melhor atividade para o início ou fim da aula. duas linhas. talvez você esteja como uma sensação maior de confusão que de clareza ou tranqüilidade. um boxe. diminuindo sua demanda intelectual. Essas foram palavras que marcaram minha vida como professora. Qual o objetivo de indicar. nos esforçar ao máximo para elaborar atividades claras.. variadas. já não me parece tão óbvia. o aluno pode se guiar pelo tempo sugerido e fazer dessa informação um elemento decisivo para sua estratégia de estudo.. sem dar uma chance à atividade (e a você!) de surpreendê-lo. o que lhe convier mais. apendice7_8. Há como oferecer possibilidades variadas de aprendizagem dentre as quais ele possa escolher.indd 215 10/10/2007. se o grau de dificuldade deve ser alto ou baixo. 215 E agora. eram tentativas de desconstrução do processo de ensinar. de acordo com o que lhe interessar mais. mas não do processo de aprender. Assim como em dois dos comentários anteriores.. antecipadamente. José? Ao terminar de ler esse apêndice. Como decidir quem vai gastar quanto tempo em que atividade? Como antecipar o interesse de cada aluno por cada tema? Não há como controlar a relação de cada aluno com o saber. Pode acontecer também de um aluno desistir porque se desestimulou ao olhar o tempo previsto. uma lacuna. até o momento. novamente. cujo contexto e comando oferecidos sejam suficientes para orientar o aluno na direção que você quer. antecipar situações difíceis. Ou ele pode degradar a atividade. 9:51:00 AM . o tempo que um aluno deve alocar para a realização de uma atividade? Essa resposta me parece evidente: orientá-lo a não gastar mais do que o tempo necessário. se você deve propor ao seu aluno uma atividade mental ou de resposta escrita. se o espaço para registrar a resposta deve ser uma linha. o que ele vira em relação às práticas de Educação a Distância sobre as quais discutíamos. Pode ter certeza de que ele vai encontrar o próprio caminho dentre um conjunto de rotas seguras que você ofereça a ele. ou simplesmente uma área em branco. a fazer um investimento de acordo com o problema e com suas expectativas como professor. Que resultado tem? Essa resposta. transformando-a em uma tarefa mais simples.Aulas 7 e 8 – Apêndice – A bússola e o remo.

216 1998. vai ficar mais à vontade para variar combinações de características em uma atividade. Confuso? A princípio sim. tenho certeza. Com o tempo. MATHIAS. Higher Education 9: 39-51. ou não. e no tipo de resposta. apendice7_8. você vai encontrar o ponto de equilíbrio entre suas práticas de ensino. Science Students approaches to learning. The design and production of self-instruction 1ed. Divirta-se! Bibliografia consultada LOCKWOOD. Fred. e as tarefas que propõe em uma aula. H.S. O importante é você considerar os aspectos que discutimos na hora em que estiver elaborando uma atividade e. você vai conhecer mais seu aluno. com que freqüência. mas nem tanto. em particular.indd 216 10/10/2007. 1980. seu aluno.Planejamento e elaboração de material didático impresso para EAD . vai conhecer melhor seu estilo de ensinar a distância.elementos instrucionais e estratégias de ensino Isso para não falar em que tipo de modelo de atividade usar. Londres: Kogan Page. 9:51:00 AM . 1998. Não é necessário fazer uma opção permanente ou definitiva por nenhum conjunto de aspectos. você deve privilegiar. enumerável.

Aula 9 Arquitetura da informação Roberto Paes de Carvalho Ramos Carlos Otoni Rabelo Ana Paula Abreu Fialho aula9.indd 217 10/10/2007. 10:07:29 AM .

Objetivos Ao final desta aula. Após chegar na página da SEED. classificar desdobramentos de conteúdo de acordo com os recursos apresentados para esse fim. identificar em um texto conexões com outros conteúdos correlatos. você deverá ser capaz de: 1..elementos instrucionais e estratégias de ensino Meta da aula Apresentar o conceito de Arquitetura da Informação aplicado à elaboração de material didático impresso para Educação a Distância.indd 218 10/10/2007. 3.. 10:07:29 AM .Planejamento e elaboração de material didático impresso para EAD . acessar o portal do Ministério da Educação e entrar na página da Secretaria de Educação a Distância (SEED) seria interessante. 2. utilizar os recursos para desdobramentos de conteúdo 218 apresentados nesta aula. Pré-requisitos Antes de começar a estudar esta aula. feche o site e volte para a aula! e aula9.

que possui maneiras diferentes de processar informações. Isso porque. ainda. no canto superior direito. Você pode ter clicado em Educação a Distância. Fizemos isso porque acreditamos que o bom desenho instrucional de uma aula. deve despertar naquele que inicia o estudo um sentimento acerca do que será aprendido. foi pensada para atender ao enorme público que visita o portal do MEC. Você só consegue acessar estas informações todas porque a disponibilização delas foi organizada.indd 219 10/10/2007. 10:07:30 AM . por exemplo. há uma enormidade de informações disponíveis. Veja a figura a seguir: 219 Figura 5. aquele que passa sem ser percebido pelo aluno. detectamos quatro maneiras diferentes de chegar à página da Secretaria de EAD. matérias e reportagens de divulgação das ações do MEC. começamos propondo (nos pré-requisitos) que você acessasse a página da Secretaria de Educação a Distância. todos os programas de melhoria da educação desenvolvidos pelo governo. no portal do Ministério da Educação. É esse sentimento que queremos lhe proporcionar! No portal do Ministério da Educação. de acessá-las. pelo portal do MEC. Chegamos a mais um ponto: não sabemos como você procedeu para chegar à página da SEED a partir da página do MEC. ou. clicado em Estrutura. do lado esquerdo. no portal do MEC.1: Possíveis caminhos para acessar a página da Secretaria de Educação a Distância.Aula 9 – Arquitetura da informação E nós nem percebemos! Embora esta seja uma aula voltada para capacitá-lo na produção de material didático impresso. mas posso dizer que há 75% de chance de ter sido diferente da maneira como nós o fizemos. em Mapa do Portal. digitado “SEED” na barra Pesquisa. de buscar informações. entre outras tantas. na parte superior central. também do lado direito da tela. todas as secretarias e autarquias que compõem o ministério. aula9.

220 é possível observar recursos padronizados de organização: a diagramação do livro. 10:07:31 AM . número de páginas. a Arquitetura da Informação é a combinação entre a organização do conteúdo em categorias e a criação de uma interface para permitir o uso de tais categorias. sumário.Planejamento e elaboração de material didático impresso para EAD . Quando folheamos um livro. é o tema da aula de hoje! Afinal. podemos definir Arquitetura Interface Segundo o dicionário Houaiss da Língua Potuguesa. em determinados livros. glossários e índices remissivos. Há também. estabelecimento de categorias de conteúdo. da Informação como a organização estrutural da informação a ser oferecida (produto) de acordo com o meio pelo qual essa informação é veiculada e o propósito a que se presta. glossário etc. Se desejarmos ir diretamente a um capítulo. por exemplo. De maneira geral. que facilitam a busca de informações mais específicas (leia mais no boxe Elementos organizacionais de um livro). por exemplo.indd 220 10/10/2007. Ela deve ser facilmente apreendida pelos sentidos (como visão e audição) de modo que haja clareza e objetividade no fluxo informativo. Mais. ordem e disposição na página. provavelmente iremos observar o sumário e ali descobrir o número da página em que este capítulo é iniciado. aula9. bem como consultar a bibliografia para ver a qual livro se refere uma determinada citação.elementos instrucionais e estratégias de ensino O que está por trás da maneira como as informações são disponibilizadas e podem ser acessadas/ consumidas por você. tanto em um site como em um material didático impresso. índice. o que é Arquitetura da Informação? Quando se navega por qualquer página na Internet é possível perceber um planejamento por trás da oferta daquele conteúdo: prioridade dada a certas informações. interface é um elemento que proporciona ligação física ou lógica entre dois sistemas ou partes de um sistema que não poderiam ser conectados diretamente.

é porque eles já estão cristalizados em sua experiência. 10:07:31 AM Mais .sxc.Aula 9 – Arquitetura da informação Elementos organizacionais de um livro S e você nunca percebeu esses elementos – o sumário. Ele pode (e deve!) ser desdobrado. aula9. permitem uma procura específica. No caso de materiais instrucionais. valorizando e orientando sua autonomia. por exemplo. o número da página etc. de acordo com o interesse do seu usuário.hu possibilidade de exame rápido do conteúdo. Queremos oferecer ao nosso aluno não apenas um conteúdo substancial. sem destruir a fluidez da linha de raciocínio principal.indd 221 Atenção 10/10/2007. de segmentação do saber em módulos. Mas no momento em que foi inventada. Fonte: http://www. é fundamental para quem vai consumi-la. mas também o máximo de possibilidades de desdobramento daquele conteúdo controlado por ele. O conteúdo não precisa ser oferecida em seu “estado puro”. portanto. permitindo sua interação com outras informações. – como uma organização sistemática da informação. isso é mais fundamental ainda.” 221 A organização da informação. de conexões múltiplas a uma infinidade de outros livros graças às notas de pé de página e às bibliografias. de acesso não linear e seletivo ao texto. Vejamos o que diz Pierre Lévy (1993:34): “Estamos hoje tão habituados com esta interface que nem notamos mais que [ela] existe. possibilitou uma relação com o texto e com a escrita totalmente diferente da que fora estabelecida com o manuscrito: As páginas amarelas.

. Tudo é tão automático que ninguém pensa quando vai bocejar. ficam pálidas e. perdemos a consciência e desmaiamos. com qual das mãos escreverá uma carta. Sabe o porquê? Diminuições na pressão de circulação do sangue podem privar o corpo de oxigênio e de nutrientes.elementos instrucionais e estratégias de ensino Atividade 1 Os bois. O coração é um músculo que pesa 250 gramas. danos em órgãos-chave para o funcionamento do corpo. 2 Hemorragia é a perda de sangue causada pelo escoamento agudo deste para fora dos vasos sanguíneos. No ritmo normal. pode subir para 150 pulsações por minuto. 3 Embora não seja o único. 222 1 Acho que vou desmaiar.. ainda que não percebamos. que tende a ser restabelecida cinco minutos depois. bate coração. 10:07:32 AM .descobertas da neurociência sobre a vida cotidiana. há uma queda da pressão arterial. o cérebro é o principal centro que concentra a percepção e a resposta do organismo a estímulos externos. Você já ouviu alguém falar “estou com pressão baixa?”. Por esse motivo. em alguns casos. 4 Manter a pressão arterial é funda-mental para a homeostase do organismo. cinco litros de sangue são bombeados por todo o organismo em apenas um minuto. Suzana Herculano-Houzel Rio de Janeiro. o que afeta a homeostase do organismo. com o que sonhará durante a noite. Leia o texto e os quadros a seguir. como o cérebro. Vieira & Lent. No livro O cérebro nosso de cada dia .. sua irrigação não pode ser comprometida. a neurocientista Suzana Herculano-Houzel explica.indd 222 10/10/2007. ele chega a dar mais de 110. pois estas substâncias fundamentais são transportadas por este líquido.descobertas da neurociência sobre a vida cotidiana... em caso de pânico ou susto. Você já ouviu falar em hemorragia. O cérebro é um dos órgãos afetados. Isso acontece também com o volume de sangue que é ejetado do coração e com o volume que atravessa o cérebro. Se a privação de oxigênio e nutrientes for prolongada. Normalmente. como os avanços feitos na área da neurociência estão relacionados com o dia-a-dia de qualquer pessoa. Sem oxigênio.. 2002. Imediatamente após uma hemorragia. entre outras coisas. não é? O que talvez você nunca tenha se dado conta é de que a perda de sangue promove queda da pressão arterial.000 batimentos por dia. aula9. em média. Vale a pena conferir o livro! O cérebro nosso de cada dia . o corpo deve rapidamente pôr em prática estratégias para contornar essa situação. Isso porque. como o cérebro é uma área nobre do nosso corpo. de maneira bem-humorada e simples. No corpo em repouso. os danos cerebrais podem ser irreversíveis. desmaiam. essas pessoas sentem tonteira. que é de 70 a 75 batidas por minuto.Planejamento e elaboração de material didático impresso para EAD . Mas o cérebro está associado a cada uma dessas atividades. Alterações na pressão podem acarretar. 5 Tum-tum.

10:07:33 AM . em contrapartida. Já a caixa Tum-tum bate coração. O seu futuro aluno se comportará da mesma maneira: você oferecerá as informações adicionais. traz informações bastante curiosas e deve ter despertado muito mais o seu interesse. muito provavelmente.indd 223 10/10/2007. como desdobramentos do conteúdo. de alguma forma. exclusivamente. Um exemplo disso é a caixa que explica o que é hemorragia. nestas pequenas caixas laterais. se relacionam e complementam o assunto principal. do seu interesse pessoal. termo bastante conhecido que.Aula 9 – Arquitetura da informação Agora responda mentalmente às seguintes questões: Você percebeu que existem termos destacados no texto principal? Você leu todas as informações adicionais (desdobramentos)? Quais chamaram à sua atenção? Resposta comentada A partir do pequeno trecho que você leu apresentamos cinco desdobramentos diferentes. Você provavelmente identificou. deteve pouco tempo da sua atenção. além de decidir também qual rota de estudo tomar! 223 aula9. informações que julgou como mais ou menos relevantes – e isso depende. mas quem decide a quais quererá se ater é ele. Cada um destes desdobramentos revela uma conexão com outros assuntos que.

. tem à sua disposição um material com mais de uma rota de estudo do conteúdo oferecido. o que é Arquitetura da Informação. mais. quem está no comando é o aluno! E quem se responsabiliza por essa organização? É justamente o arquiteto da informação. como transpor a versatilidade de um ambiente informativo virtual para o meio impresso. a citação 224 de um autor sobre o tema e um reforço sobre a importância de desdobramentos do conteúdo principal. Segundo. para que tenhamos o que desdobrar. não é fácil sinalizar claramente para o aluno quando se está apenas contextualizando ou complementando uma informação. Qual tomar cabe a ele! A nós. em seguida. três informações relacionadas ao conteúdo que está sendo apresentado nesta aula não foram apresentadas no corpo do texto principal: a definição de interface.Planejamento e elaboração de material didático impresso para EAD . Tais informações foram deslocadas do texto principal.indd 224 10/10/2007. função que você irá desempenhar daqui para frente no papel de autor do material didático impresso de sua disciplina.. aula9. A possibilidade de organizar o material impresso de forma não linear é uma vantagem da EAD em relação ao ensino presencial por duas razões. Esta aula começou com uma introdução genérica. 10:07:33 AM Atenção .elementos instrucionais e estratégias de ensino Assim como em um site como o do MEC existem diversas rotas de acesso à informação. Primeiro. em uma aula presencial. e ficará mais clara quando você chegar ao final desta aula. Para o aluno da EAD. e isso corresponde a uma estratégia para organizar as informações da aula de forma não linear e possibilitar mais fluência ao texto principal. no ensino a distância. Boa pergunta. apresentou o conceito central desta aula. Sem que o aluno se dê conta. desde que tenhamos um projeto instrucional que valorize uma arquitetura da informação bem articulada. compete criar um texto com multiplicidade de conexões. Além disso. Você deve estar se perguntando. no ensino presencial você é quem decide a ordem em que o aluno vai ter acesso às informações. e não apresentando o conteúdo nuclear. ele distingue claramente o que é informação central e o que é adicional e. a hierarquia da informação é muito mais clara. e a resposta pode começar a ser dada usando essas páginas que você acabou de ler como exemplo. a esta altura. e a oportunidade de montar a aula da maneira que mais lhe for interessante. uma aula impressa deve buscar oferecer ao aluno o maior número de rotas de estudo possíveis.

nos espaços laterais disponíveis..) Galileu Galilei teve um papel bastante expressivo tanto na astronomia quanto na física. de maneira bastante pragmática. 5) o aprendiz é um usuário exigente do produto. Ele validou as idéias de Copérnico através de observações que fez. 4) diversos recursos podem ser aplicados para desdobrar a informação. (.. com os telescópios que construiu. Em seguida.. queremos. 2) você é o arquiteto da informação. tornando a Teoria Heliocêntrica mais aceitável. Atividade 2 Atende aos objetivos 1 e 2 j 225 Tente e Invente! Leia o texto a seguir e identifique dois termos que possibilitem conexões com outros conteúdos correlatos. Galileu foi o primeiro a observar os anéis de Saturno e explicou os eventos que Copérnico não havia interpretado ainda. 10:07:34 AM .Aula 9 – Arquitetura da informação Nesta aula. durante muitos anos.. faça.)” 1 2 aula9. É preciso ter em mente que: 1) o conteúdo de aula é uma oferta informativa. dois pequenos textos que sejam desdobramentos destes termos identificados por você. oferecer a você “instrumentos” para atuar na organização de um conteúdo central de forma a disponibilizá-lo permeado por informações adicionais – por intermédio do uso de recursos para desdobramento do conteúdo. 3) o material impresso é o produto. “(.indd 225 Atenção 10/10/2007.

ele possibilita uma grande quantidade de conexões com informações diversas. pode falar sobre descobertas recentes (como a Plutão não ser mais planeta). sugerimos algumas possibilidades: • Galileu Galilei – você pode ter pensado em uma mini-biografia em contextualizar historicamente suas descobertas (período do Renascimento). por exemplo. pode mencionar alguns telescópios atuais (como o Telescópio Espacial Hubble) descrever algumas descobertas importantes realizadas através dos telecópios etc. pode mencionar o fascínio pelos anéis de Saturno por parte dos astrônomos e românticos. ilustrando com a música Desculpe o Auê da Rita Lee (por vc vou roubar os anéis de saturno.. etc.Planejamento e elaboração de material didático impresso para EAD . aula9. falar de Kepler. • Telescópios – você pode apresentar a definição e os usos destes equipamentos. Pedimos que você identificasse dois termos que oferecessem possibilidades de desdobramento do conteúdo e. A seguir. que a oscilação a 226 de um pêndulo apresenta uma freqüência constante dependendo da amplitude. Tycho Brahe etc. • Física – você pode falar sobre as descobertas de Galileu nesta área. • Copérnico – você pode ter pensado em uma mini-biografia.. • Astronomia – você pode definir o termo. remeter a à teoria geocêntrica de Aristóteles e então falar de filósofos gregos. em comentar que ele é polonês e que seu verdadeiro nome é Mikolaj Kopernik etc. falar sobre o primeiro telescópio inventado. em seguida.) • Teoria Heliocêntrica – você pode definir a teoria.indd 226 10/10/2007. • Anéis de Saturno – você pode apresentar as principais características desse planeta tão o diferente dos demais. sobre a diferença entre astronomia e astrologia etc. 10:07:34 AM .elementos instrucionais e estratégias de ensino Reposta comentada Embora este trecho tenha 58 palavras apenas. falar como a Inquisição inibiu Galileu a assumir como verdadeiras as suas observações etc. mostrar a etimologia da palavra. escrevesse sobre eles.

Entretanto. Ambos os tipos de informação precisam ser contemplados simultaneamente em materiais didáticos para EAD.indd 227 10/10/2007. mas não são essenciais à sua compreensão. Ao produzirmos um texto. que em geral obedecem a um modelo centrado no conteúdo e proporcionam uma leitura linear não-interativa. que organiza a distribuição do conteúdo. deve permitir uma mudança do paradigma acadêmico que vemos na maioria dos livros-texto tradicionais. fornecendo ao aluno de maneira clara e objetiva os conceitos que ele precisa estudar para. propicia essa mudança de modelo.Aula 9 – Arquitetura da informação Arquitetura da Informação e materiais didáticos Materiais voltados para EAD devem proporcionar uma leitura interativa. 227 aula9. é voltada para um modelo de elaboração do conteúdo centrado no aluno. ao final da aula. a fim de que não se desvincule o conteúdo de seus contextos acadêmico. Um texto claro. incentivando a participação dele na aula. alcançar os objetivos listados no início da mesma. Para não desestabilizar a ordenação lógica destas informações nucleares e garantir fluência ao texto. Em uma aula. 10:07:34 AM . adicional ao texto central. profissional e sócio-cultural. na Educação a Distância. A Arquitetura da Informação. percebemos que alguns termos ou tópicos mencionados nessa produção poderiam somar informações ao conteúdo central. desenvolvimento e conclusão). As informações periféricas complementam o conteúdo nuclear apresentado. nesse caso. estabelecemos informações contínuas que seguem uma ordenação lógica (apresentação. permeado por atividades e associado a uma arquitetura da informação articulada. Esses tópicos representam latências no conteúdo e atuam “abrindo uma porta” para a produção de um outro texto. entram em cena as informações periféricas. as informações contínuas são os núcleos conceituais. que devem estar explicados no corpo principal do texto. A Arquitetura da Informação. dialógico.

possibilitando assim uma interação própria do estudante com o material..indd 228 10/10/2007. que correspondem: a) ao tempo possível de o aluno se dedicar ao estudo. e b) à sua vontade de aprender (interesse). verbete etc. em oposição à simples transmissão direta de conteúdo. que contemple a diversidade do público . curiosidades sobre o tema. por exemplo. 228 interesse Quadro 1: tempo do aluno disponível para o estudo x grau de interesse no conteúdo tempo 3 1 4 2 O quanto um aluno irá se aproveitar das informações disponíveis em uma aula é uma função que leva em conta o tempo que ele tem disponível para estudar e o grau de interesse que apresenta em determinado conteúdo. Em outras palavras. verá que o quadrante 4. aplicações do conceito no âmbito profissional. perfis extremos não serão tão bem atendidos).Planejamento e elaboração de material didático impresso para EAD . Como você pode observar. cada quadrante representa um perfil específico. Vamos voltar ao quadro 1? O quadrado tracejado simboliza a totalidade de possibilidades de uso do material. jornais. Um material didático impresso deve criar e utilizar recursos para permitir que todos os aluno “naveguem” no texto. sugestão de leitura.tanto aqueles que buscam uma informação essencial.links. quanto aqueles que desejam usar a aula como um guia para orientar um aprofundamento no conteúdo. Que tal entendermos melhor o processo de disposição do conteúdo a partir da identificação de possíveis usuários do material impresso? Vejamos o quadro ao lado. resumo de uma informação importante. MOVIMENTO PARA DENTRO DA AULA .. O círculo central refere-se a uma Arquitetura da Informação eficiente. Vejamos como isso funciona no quadro a seguir: Quadro 2: INFORMAÇÕES PERIFÉRICAS DINÂMICA INFORMATIVA A MOVIMENTO PARA FORA DA AULA . há eixos. letras de música etc.elementos instrucionais e estratégias de ensino Sobre informações periféricas. explicações mais detalhadas.relatos históricos. e é dividido em quatro quadrantes. Se você observar. filmes. e assim por diante. representa todos os elementos que devem ser oferecidos pela aula para atender a alunos com perfis tão diferentes (naturalmente. É fundamental que o material produzido atenda minimamente a todos os perfis possíveis de usuário. ou seja. representa um usuário de baixa disponibilidade de tempo e baixo interesse. 10:07:35 AM . aula9. cases.

uma das definições de Marketing é: conjunto de ações. 10:07:35 AM .. devem padronizar suas ofertas a fim de simplificar as operações e baixar o custo. que visam influenciar o público quanto a determinada idéia. assistindo filmes.. vamos continuar esta aula trazendo os recursos propriamente ditos que irão servir ao nosso propósito: materiais sos para educação a distância. atitudes e comportamentos variam muito (.). pessoa.. procurando livros. marca. instituição. 1999.” (retirado de KOTLER. produto. resultando em produtos e programas que satisfazem melhor as necessidades dos consumidores locais. Mas para empresas que operam em muitos países.. Princípios de marketing. visitando links. Embora os consumidores dos diferentes países possam ter coisas em comum. seus valores. estrategicamente formuladas.Aula 9 – Arquitetura da informação Os recursos para que o aluno “navegue” o texto são aqueles em que veiculamos as informações adicionais de forma dinâmica. G. Quais são os recursos para desdobramento de conteúdo e como utilizá-los para atender os diversos perfis de estudantes? É o que você verá a seguir! Mãos à obra: desdobrando o conteúdo Agora que você já teve uma perspectiva teórica acerca da Arquitetura da Informação e uma primeira noção sobre as informações periféricas.). p. é preciso que você leia xto a seguir: 229 Texto-base “ Compreender o comportamento do consumidor já é bastante difícil para empresas que só operam no mercado de seu país. Rio de Janeiro: LTC S/A. serviço etc. Marketing Segundo o dicionário Houaiss. Para isso. adaptar os esforços de marketing a cada país. Por um lado. Como você viu no quadro 2. dependendo da informação. o aluno pode aprofundar ou ampliar o seu conhecimento dentro da aula ou sair dela para isso.. 113). ARMSTRONG. aula9. ouvindo músicas. Os profissionais de marketing precisam decidir g como irão adaptar seus produtos e programas de marketing (. compreender e atender às necessidades dos consumidores pode chegar a ser assustador. P.indd 229 10/10/2007. Por outro lado.

ela deve ocupar um espaço central no corpo do texto e transmitir uma informação precisa. pois ressalta parte do conteúdo visto até aquele momento de forma sintética e reorienta a linha de raciocínio. Como você viu nesse exemplo.indd 230 10/10/2007. a caixa de ênfase transmite uma informação importante que relaciona o conteúdo da narrativa principal a um novo contexto. Seu texto não precisa ser curto. Isso é feito utilizando-se a caixa de explicação expandida. de preferência apresentando imagem e um título instigante. podendo satisfazer à necessidade de conclusão de uma explicação sem sobrepor-se ao conteúdo nuclear. b) caixa de explicação expandida Em algumas situações. Veja um exemplo de uso desta caixa em O que acontece na prática? (lembre-se que o conteúdo da caixa faz relação com o texto-base). na exposição de um conteúdo. mas sem quebrar a fluência do texto principal. entre outros. em poucas linhas. de um comentário essencial etc. é preciso expandir a explicação contida no corpo principal do texto com informações que contextualizam conceitos ou apresentam situações de uso. Em termos estruturais. Sobre o texto base.Planejamento e elaboração de material didático impresso para EAD . e sim contextualizando a informação. 10:07:41 AM Atenção . a apresentação de uma idéia importante. pontual. síntese de um conteúdo. teríamos: 230 D eixar de atender às diferenças de costumes e comportamento de um país para outro pode causar um verdadeiro desastre para o comércio dos produtos internacionais e seus programas de marketing. Além disso.elementos instrucionais e estratégias de ensino a) Caixa de ênfase Em alguns momentos. Exemplos de seu uso são: estabelecimento de um conceito geral. aula9. A caixa de ênfase permite atualizar a narrativa principal. é preciso pontuar aspectos particulares de forma a alertar o leitor de que se trata de uma informação importante. é importante haver uma chamada na narrativa principal.

normalmente. Por exemplo. aula9. enciclopédia. como a alimentação.indd 231 Foto: Klaus Post Mais 10/10/2007. Em termos estruturais. com imagem do busto.Aula 9 – Arquitetura da informação O que acontece na prática? H á diferenças que são óbvias. Na França. acepções específicas relativas ao contexto tratado na aula. o marketing da Kellogg’s concentra-se em convencer os consumidores a escolherem a marca Kellogg’s e não outra marca concorrente. influenciam a estratégia de marketing. por exemplo. 231 Verbete De acordo com o dicionário Houaiss. Exemplos? Diferentes acepções de uma palavra. a propaganda da Kellogg’s tenta simplesmente convencer as pessoas a comer cereais no café da manhã. c) caixa de dicionário Esse recurso de desdobramento é usado para estabelecer um verbete. Valores culturais. verbete significa o conjunto das acepções. oferecendo uma “definição padrão” que não precisa estar necessariamente no corpo do texto principal. dicionários ou redigidas pelo próprio professor. apresentar definições de enciclopédias. O uso de imagens é comum apenas quando se deseja criar um verbete do tipo enciclopédia. Este tipo de caixa. data de nascimento e morte etc. verá que a palavra marketing está destacada. a palavra a ser definida deve estar presente no corpo do texto principal. ou seja. entretanto. Se você voltar ao texto-base. exemplos e outras informações pertinentes contidas numa entrada de dicionário. 10:07:41 AM . onde grande parte das pessoas come cereal diariamente no café da manhã. Neste país. ao lado dele. pequenas biografias etc. há sua definição. como nas nossas aulas). por exemplo. e ser sinalizada para que o aluno saiba que há um desdobramento de significado para aquele vocábulo (colocando a palavra a ser destacada em negrito. nos Estados Unidos. glossário etc. há instruções detalhadas sobre a forma de preparar o produto para aquela refeição. na sua embalagem. falando sobre uma personalidade. é disposto à margem do texto.

Planejamento e elaboração de material didático impresso para EAD . as correspondências eletrônicas ganharam espaço tanto pela praticidade quanto pelo imediatismo a que correspondem. sem custo algum. majoritariamente. 232 Atualmente há programas que possibilitam que. você converse com pessoas que estão do outro lado do mundo. “Há cerca de uma década as pessoas perderam o hábito de escrever cartas umas para as outras. O correio eletrônico é só uma das possibilidades trazidas pela Internet. para isso. O fluxo de informações de quaisquer naturezas e origens é tão alto que fica praticamente impossível manter-se atualizado sobre um determinado assunto. será que o papel do professor como aquele que. de explicação expandida e dicionário. muito conhecimento é gerado e divulgado em grande parte pela facilidade inerente ao meio digital. Precisa. 10:07:45 AM . oferece o conteúdo para o aluno ainda é relevante?” aula9. Na era da informação. pela Internet. Proporcionar mais possibilidades de comunicação não é o único benefício trazido pela grande rede.indd 232 10/10/2007. apenas saber utilizar um bom buscador ou escolher o portal certo de acordo com o que procura. Levando isso em consideração. Isso porque. com a Internet. Qualquer pessoa que possua acesso a um computador conectado à grande rede – mesmo que por conexão discada – tem à sua disposição uma enorme quantidade de informações sobre várias áreas do conhecimento.elementos instrucionais e estratégias de ensino Atividade 3 Atende ao objetivo 2 j Dê um mergulho Você acabou de aprender sobre três recursos para desdobramento do conteúdo: caixa de ênfase. Leia o trecho a seguir e escolha três termos que possibilitem o uso de cada um destes recursos.

indd 233 10/10/2007.Aula 9 – Arquitetura da informação 1 2 233 3 aula9. 10:07:45 AM .

Caso você tenha pensado em alguma coisa diferente. servindo como porta de entrada ou ponto de partida para a navegação dos internautas. Vamos comentar um exemplo de cada. vá até o FÓRUM DA AULA 9 e exponha para seu tutor e colegas. Nem tudo que reluz é ouro. A conexão discada é feita utilizando uma linha telefônica. através de um aparelho chamado modem.indd 234 Atenção 10/10/2007. Outro tipo de tecnologia usada nesta conexão é o acesso via rádio (radiofreqüência). por exemplo. Na sua busca. 10:07:45 AM Mais . em sua casa. Neste tipo de conexão.. A conexão banda larga é o acesso à Internet em alta velocidade. Seu computador. se possível. você pode ter dois tipos de conexão: discada e/ou banda larga. ou seja. Já um portal é um site que agrega vários links e serviços. que utiliza centrais telefônicas digitais para tráfego de dados. procure valorizar informações que venham de sites de universidades ou do governo. Buscadores e portais Buscador é o nome que se dá para um site de busca. Tipos de conexão B 234 asicamente. Neste tipo de conexão um aparelho de rádio é instalado no alto do prédio (ou casa) do assinante para que possa haver comunicação com um provedor. a velocidade de transmissão de dados é lenta. é necessário estarmos atentos à fonte da informação. ao conectar o computador a Internet. aula9. que procura conteúdos relacionados ao termo que você solicitou (digitando na barra de busca) em outros sites.. realiza uma chamada telefônica para se conectar a um provedor de Internet qualquer. Uma delas é através do aparelho chamado ADSL (Asymmetric Digital Subscriber Line).elementos instrucionais e estratégias de ensino Resposta comentada Este texto oferece algumas possibilidades de desdobramento de conteúdo. Ele pode ser feito de várias maneiras.Planejamento e elaboração de material didático impresso para EAD . E mbora a Internet seja uma aliada importante quando fazemos uma pesquisa.

de uma forma ou de outra. que adotará uma narrativa mais leve.. A caixa de informação avulsa ou de curiosidade busca integrar os conceitos apresentados a um universo não circunscrito pela aula e. e faz barbeadores movidos a pilha para o mercado britânico. sua linguagem. o uso de título e imagem é muito importante. Vamos a eles. Agora.Aula 9 – Arquitetura da informação Até este momento você viu alguns recursos para desdobramento do conteúdo que. a Remington faz barbeadores elétricos menores em função das mãos pequenas dos consumidores japoneses. claro. E m geral.. inclusive. Veja o exemplo de emprego dessa caixa lendo Cada um com seu cada qual. por exemplo contextos humorísticos. iremos ver outros dois recursos. usando. expandem a informação. onde poucos banheiros têm tomadas elétricas. verá que há possibilidades latentes de desdobrar o conteúdo – como em seus valores. devem funcionar como chamarizes. pitorescos etc. sem a solicitar materiais externos para ampliar o conteúdo principal. explicação expandida e dicionário) é que o conteúdo não apenas é complementar à informação central. preferencialmente. Isso. cujas finalidades são as de instigar e permitir uma navegação do aluno para fora da aula. Por exemplo.. funcionando como um despertador de interesse e/ ou um guia de orientação para o uso de outras fontes informativas e contextualizadoras. 10:07:45 AM . Uma particularidade dos recursos vistos até então (caixa de ênfase. as diferenças entre os mercados internacionais são mais sutis. 235 Curiosidade Cada um com seu cada qual. com menos formalidades do que o texto principal. Outras diferenças resultam de costumes variados: aula9. atitudes e comportamentos variam muito. Em termos estruturais.. sempre conservando a pertinência em relação ao conteúdo ensinado.. Isso irá influenciar. ele também atua – de acordo com o que você viu no quadro 2 – exclusivamente remetendo o aluno para “dentro” da aula o tempo todo. Podem resultar de diferenças físicas dos consumidores e de seu ambiente.indd 235 10/10/2007. com freqüência. d) caixa de informação avulsa ou de curiosidade Se você voltar ao texto-base.. menos acadêmico. sendo que ambos.

é deselegante não deixar um pouco no prato. mas na Bélgica e no Sri Lanka significa “sim”. resolvemos indicar uma “sessão pipoca” para relaxar. cartaz etc.sacudir a cabeça de um lado para outro significa “não” na maioria dos países. a grande virada convenceu os críticos que o astro Cruise sabia representar. Cuba Gooding Jr. temos a possibilidade de associar as informações contidas na aula com outros meios. sites etc.com): Comédia dramática de Cameron Crowe. Que tal uma sugestão de filme? Recomendamos para você Jerry Macguire: a grande virada. sendo que a imagem deve fazer referência ao meio sugerido (capa de um filme ou livro. No Egito. de 1996. Essa caixa busca oferecer caminhos para outras informações que interagem. documentários. filmes. 10:07:45 AM . onde é impróprio um homem visitar uma mulher sozinha em casa. Em termos estruturais. . O uso de título e imagem é muito importante.. é sinal de falta de educação deixar resto de comida no prato.submarino. mais próxima do caráter jornalístico.Planejamento e elaboração de material didático impresso para EAD . então leia um trecho da sinopse do filme (adaptado da sinopse escrita por Luiz Carlos Merten – www.elementos instrucionais e estratégias de ensino Foto: Daniel Cruz . O vendedor porta-a-porta pode encontrar dificuldades na Itália.). Jerry Macguire.indd 236 10/10/2007. Renee Zellweger e Kelly Preston. com Tom Cruise. desdobrando não só o conteúdo como também sugerindo a interação com outros universos (livros. seriados. com a linha de raciocínio desenvolvida no texto.).Na Noruega e na Malásia. Veja um exemplo de emprego desse recurso lendo A vida de um marqueteiro. e) caixa de conexão com outras mídias 236 Finalmente. Quer saber um pouco mais antes de ir à locadora? Pois bem. novamente sugerimos uma narrativa leve. O ator faz um agente de sucesso que vive um momento de aula9. Multimídia A vida de um marqueteiro N este momento da aula. de uma forma ou de outra.

. a partir do mesmo texto. O vai além das receitas tradicionais porque o roteiro. Ela também é ótima. pelo sucesso de bilheteria. O conflito torna-se real e o público pode creditar nele.indd 237 10/10/2007. junto com o elenco.Aula 9 – Arquitetura da informação crise e perde todos os clientes. Para isso. aula9. Agora. apresenta personagens sólidos e imensionais. 10:07:48 AM . conteúdos periféricos que remetam o aluno para fora da aula. menos um. você utilizará os dois recursos que acabou de aprender: caixa de curiosidade e caixa de conexão com outras mídias. você vai criar. com certeza). o atleta interpretado ing Jr. Renee Zellweger faz a mulher que tem um filho e apóia o herói. Drama com humor (você vai rir. numa criação tão carismática que lhe valeu o de coadjuvante da Academia de Hollywood. tado ao diretor. 237 Atividade 4 Atende ao objetivo 2 j Agora. mas também com cenas tocantes e responsáveis. dê um salto! Na outra atividade você criou desdobramento do conteúdo circunscritos à aula.

vá até o FÓRUM DA AULA 9 e exponha para seu tutor e colegas. antecessora da Internet. Lá você verá como se concentram e são disponibilizados diversos links relacionados a programas de educação desenvolvidos pelo governo. em www. É muito provável que você já o tenha utilizado.com. aula9. Curiosidade Onde tudo começou? F oi entre as décadas de 1960 e 1970. acha! F icou curioso para saber como funciona um portal? Então visite a página do Ministério da Educação.br. que o Departamento de Defesa dos Estados Unidos criou uma forma de trânsito de informações entre os computadores de uma base militar e de outra. Com o passar do tempo.br. Ela se difundiu para as universidades e centros de pesquisa no início da década de 1990. mas. Caso você tenha pensado 238 em alguma coisa diferente.elementos instrucionais e estratégias de ensino Resposta comentada Mais uma vez vamos comentar um exemplo do uso de cada recurso. 10:07:49 AM . em 1998. o mais utilizado é o Google. Já sobre os buscadores.google.gov. em Stanford.Planejamento e elaboração de material didático impresso para EAD . se aventure pelo www.br. caso não. alterações no esquema técnico de transferência de dados via computadores possibilitaram a Internet a que temos acesso nos dias de hoje! Multimídia Quem procura. Era a ARPANET.mec. durante a Guerra Fria.gov.indd 238 10/10/2007. nos EUA. que foi criado por Larry Page e Sergey Brin. bem como pode acessar qualquer outro site com domínio .

E aí? Foi fácil dar nome àqueles bois? aula9. Resposta Comentada Se você saber formalmente a que se remetiam. a partir de múltiplos desdobramentos do conteúdo.indd 239 10/10/2007. 10:07:49 AM . com os cinco tipos de desdobramento de conteúdo que apresentamos durante a aula.Aula 9 – Arquitetura da informação Conclusão A Arquitetura da Informação propicia a você. Volte àquela atividade e. 5 – caixa de curiosidade ou de informação avulsa. 2 – caixa de dicionário. conseqüentemente. Mais. definiram um termo (4) e ofereceram a possibilidade de você continuar a desdobrar o conteúdo do texto lendo um livro (5). Veja quais foram: 1 – caixa de explicação expandida. no espaço em branco acima de cada caixa. 4 – caixa de ênfase. classifique-os de acordo com a nomenclatura que aprendeu. aquelas caixas lhe explicaram porque alguém pode desmaiar quando está com pressão baixa (1). chamaram sua atenção para uma informação importante no texto principal (3). o de aprendizagem do aluno. exige também o desenvolvimento de novas competências para exercer seu ofício em diferentes contextos. você teve contato. autor de um material instrucional para Educação a Distância. ultrapassando o ambiente estritamente acadêmico e auxiliando a construção do conhecimento. O conteúdo de cada uma das caixas utilizou um recurso diferente para fazer isso. estruturar a informação de acordo com diversos propósitos educativos. enriquecendo o seu processo de ensino e. por parte do aluno. Essa organização exige do professor mais planejamento e organização dos conteúdos que deseja ensinar. sem se dar conta. Atividade Final Atende ao objetivo 3 j 239 Dando nome aos bois Na Atividade 1. 3 – caixa de conexão com outras mídias. contaram um dado curioso sobre o funcionamento do coração (2).

documentários.) A Arquitetura da Informação propicia. A organização da informação é fundamental e no caso de materiais didáticos. estruturar a informação de acordo com diversos propósitos educativos. seriados.Planejamento e elaboração de material didático impresso para EAD . filmes. isso é mais fundamental ainda. feita através de informações que contextualizam conceitos ou que apresentam situações de uso. menos acadêmico. • a caixa de dicionário é usada para apresentar definições de enciclopédias ou dicionários. 10:07:49 AM .indd 240 10/10/2007. 240 Para permitir que o aluno “navegue” pela aula. para que ele possa percorrer diversas rotas de estudo. desdobrando não só o conteúdo como também sugerindo a interação com outros universos (livros. • a caixa de explicação expandida é um “a mais” a respeito de alguma explicação contida no corpo principal do texto. • a caixa de associação com outras mídias é associação entre as informações contidas na aula e outras mídias. mas também o máximo de possibilidades de desdobramento daquele conteúdo. Isto porque é necessário oferecer ao aluno não apenas um conteúdo substancial. Dessa forma podemos dizer que ela é a combinação entre a organização do conteúdo em categorias e a criação de uma interface para permitir o uso de tais categorias.elementos instrucionais e estratégias de ensino RESUMO A rquitetura da Informação é a organização estrutural da informação a ser oferecida (produto) de acordo com o meio pelo qual essa informação é veiculada e o propósito a que se presta. ultrapassando o ambiente estritamente acadêmico e auxiliando a construção do conhecimento. sites etc. com freqüência. pois ressalta parte do conteúdo visto até aquele momento de forma sintética e reorienta a linha de raciocínio. a partir de múltiplos desdobramentos do conteúdo. usamos alguns recursos para disponibilizar informações adicionais ao conteúdo central: • a caixa de ênfase permite atualizar a narrativa principal. aula9. • a caixa de informação avulsa ou de curiosidade busca integrar os conceitos apresentados a um universo não circunscrito pela aula e.

10:07:50 AM .Aula 9 – Arquitetura da informação Bibliografia Consultada LÉVI. 241 aula9. As tecnologias da inteligência:o futuro do pensamento na era da informática (trad. 1993. Carlos Irineu da Costa). Pierre. Rio de Janeiro: Editora 34. 208 p.indd 241 10/10/2007.

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indd 243 10/10/2007.Aula 1 10 Cristine Costa Barreto Etapas de produção de material didático impresso para EAD: compartilhando uma experiência aula10. 9:52:19 AM .

até a entrega da versão final para o aluno. 5. bem como o papel dos profissionais dos Setores de Web envolvidos na produção material didático do Consórcio CEDERJ.Planejamento e elaboração de material didático impresso para EAD . você deverá ser capaz de: 1. bem como conhecer o programa detalhado de seu desenvolvimento. Discriminar os setores envolvidos na produção do material didático impresso do Consórcio CEDERJ. 9. Identificar as ações do Setor Editorial na produção gráfica do material didático impresso do Consórcio CEDERJ. Discriminar o fluxo do material didático impresso do Consórcio CEDERJ desde sua produção original. pelo professor conteudista.indd 244 10/10/2007. 2. 8. 6. Relacionar o tamanho de uma aula ao tempo necessário para estudá-la. Objetivos Ao final desta aula. Definir a contribuição de alunos e tutores avaliadores na construção das aulas de cada disciplina. Identificar as ações do Setor de Desenvolvimento Instrucional em sua parceria com professores 244 conteudistas. 7. aula10. Diferenciar as ações exercidas pelo desenhista instrucional daquelas exercidas pelo redator final. Discriminar alguns dos processos associados à transposição de aulas impressas para aulas digitais. 9:52:20 AM .elementos instrucionais e estratégias de ensino Meta Apresentar as etapas envolvidas na produção do material didático impresso do Consórcio CEDERJ. 3. Identificar o propósito da oficina de capacitação dos professores conteudistas. 4. nos pólos.

discutida na Aula 2: educação de qualidade deve ser o objeto de um projeto educacional contemplado em diversos níveis. certamente se converterá em aulas consistentes.. não saber bem como fazer para colocá-las em prática. descrevê-las. dentre outras. 245 aula10. como professores da Educação a Distância. 9:52:21 AM . novas visões. de repente. com estilo próprio.. Há outros níveis.é a minha cara . quesito em que. você é figura fundamental.. de toda uma disciplina. por exemplo. e agora não sei bem.” Outro dia.comecei algo. políticas. Volto à idéia do Repolho Romanesco.indd 245 10/10/2007. typical me Typical me. na próxima tentativa. reflete também a capacidade de articularmos todas as informações que tivemos até agora. de acordo com demandas e possibilidades pedagógicas. E. financeiras. Podemos dizer que o primeiro nível começa em você. A qualidade do nosso trabalho. claras e atraentes. para concluir um projeto ou para redigir uma aula. enquanto dedica tempo e atenção às teorias e práticas que indicam um caminho possível para iniciar a redação de uma aula. no entanto. na primeira vez..Aula 10 – Etapas de produção de material didático impresso para EAD: compartilhando uma experiência Comecei algo e agora não I started something I started something Typical me. transformá-las em boas idéias e executá-las em forma de aula impressa! O que pode parecer confuso e desorganizado. typical me I started something And now I’m not too sure (I started something I couldn’t finis – The Smiths) A tradução dos versos do pop rock lançado no final dos anos 80 pela banda inglesa The Smiths poderia ser: “comecei algo . de cada projeto educacional. estruturais. às vezes em ritmo mais rápido do que podem implementá-las ou mesmo registrá-las. logísticas. Creio que a qualidade necessária à elaboração de materiais didáticos impressos esteja para além da aula em si. naturalmente. São vários os caminhos possíveis. As diferentes etapas de produção de materiais didáticos impressos ou digitais dependem de cada instituição. ouvia esses versos e me dei conta de que essa é uma sensação comum a pessoas criativas: ter novas idéias.

por exemplo. possui diferentes setores de Web voltados para a criação das versões digitais das aulas. cada curso de graduação. O Setor Editorial é responsável por importantes etapas da construção do material impresso. Ao mesmo tempo em que o setor de desenvolvimento instrucional se dedica às aulas.Planejamento e elaboração de material didático impresso para EAD .hu Todos os lados do cubo Antes de começar a contar para você como se dão todas as etapas da produção do material didático impresso do Consórcio CEDERJ. gostaria de apresentar os diferentes setores envolvidos no processo. como. outros setores se integram ao processo desde o início.indd 246 10/10/2007.elementos instrucionais e estratégias de ensino Nesta última aula. de forma que as disciplinas “nasçam” a partir da experiência e das idéias de diversos profissionais. Mas espero que algumas das idéias que discutimos nesta aula e nas anteriores ajudem você a continuar o processo que iniciou com esta capacitação e tragam mais certezas na hora de elaborar materiais didáticos impressos de forma harmônica.CEDERJ. O Setor de Vídeos faz tomadas dos professores aula10. Foto: Davide Guglielmo 246 Figura 10. a ilustração e a programação visual. que está mais para um bate-papo. não reproduz a estrutura concebida para atender ao projeto políticopedagógico do Consórcio CEDERJ. responsável pela capacitação dos professores conteudistas e pelo acompanhamento da elaboração de todas as aulas de todas as disciplinas de todos os cursos do CEDERJ. Assim. de sua autoria. por exemplo.sxc. como uma composição única. 9:52:23 AM . provavelmente. o que ajuda você a conceber materiais didáticos ainda melhores. Fonte: www.1 A instituição de que você faz parte. novamente me proponho a relatar uma experiência. desta vez com base na rotina de produção de aulas impressas para as disciplinas oferecidas nos cursos de graduação do Centro de Educação Superior a Distância do Estado do Rio de Janeiro . A história toda começa no Setor de Desenvolvimento Instrucional.

sem que se perca o controle de nenhuma etapa do processo. IEC (International Electrotechnical Comission). A ABNT é a única e exclusiva representante. ainda.abnt. 9:52:23 AM . o Setor de Direitos Autorais. A tramitação das aulas por entre todos os setores. é da responsabilidade do Setor de Fluxo de Material Didático. mas com uma multiplicidade de caminhos que representam soluções criativas para questões únicas de cada disciplina. O cubo possui 9 facetas quadradas em cada um de seus lados. e das entidades de normalização regional COPANT (Comissão Panamericana de Normas Técnicas) e a AMN (Associação Mercosul de Normalização). fornecendo a base necessária ao desenvolvimento tecnológico brasileiro. Fonte: http: //www.Aula 10 – Etapas de produção de material didático impresso para EAD: compartilhando uma experiência apresentando suas aulas e produz seqüências curtas referentes a conteúdos que integram o material digital. sem que o processo seja vivenciado de forma solitária. no Brasil.hu O Cubo de Rubik é um quebra-cabeças inventado em 1974 pelo escultor e professor de arquitetura húngaro Erno Rubik. Em 1980. e o Setor de Biblioteca. que se preocupa em colocar todas as referências e citações bibliográficas no formato indicado pela ABNT.indd 247 Mais 10/10/2007. Há. todos os lados do nosso Cubo de Rubik (veja o boxe a seguir) estão completos. a invenção ganhou o prêmio alemão de jogo do ano (“Game of the Year” special award for Best Puzzle) e é considerado por alguns como o maior best-seller do mundo dos brinquedos e quebra-cabeças.org. que faz a ponte entre você e todos os profissionais à sua disposição para a elaboração de sua disciplina. Com a colaboração de todos esses setores. ABNT A Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT) é o órgão responsável pela normalização técnica no país.br 247 Cubo de Rubik Foto: Georgi Marinov Fonte: www. que entra em contato com autores de obras que precisam de autorização para serem utilizadas nas aulas. aula10. das seguintes entidades internacionais: ISO (International Organization for Standardization). e fica ainda mais fácil para cada professor mover peças e compor todas as facetas de sua aula.sxc.

tive vontade de descolar os adesivos e.sxc. nosso problema para a elaboração das aulas impressas certamente não é tão grave assim. Quando o quebra-cabeças é solucionado.2: O Setor de Desenvolvimento Instrucional do CEDERJ tem um importante papel de articulação tanto com os professores conteudistas quanto com os demais setores envolvidos na elaboração do material didático impresso. as facetas são cobertas por adesivos de 6 cores diferentes. Foto Marco Michelini) Figura 10. Fonte: www. A articulação entre as peças que o compõem permite que. 9:52:25 AM .indd 248 10/10/2007. num piscar de olhos. grudá-los novamente. Você já tentou alguma vez brincar com esse cubo? Eu já.Planejamento e elaboração de material didático impresso para EAD . está em contato direto e freqüente com os conteudistas e com alunos avaliadores (veja o boxe a seguir). Isso eu garanto! Setor de Desenvolvimento Instrucional 248 No Consórcio CEDERJ. confere maior contextualização às aulas. O desenhista instrucional que integra essa equipe é responsável pelo desenvolvimento sistemático de materiais e processos educativos visando à alta qualidade da aprendizagem. uma para cada lado do cubo. cada cor no seu lugar! Mas calma. confesso que. novamente. depois. é um setor central ao consórcio. a certa altura.hu aula10. cada lado do cubo assume.elementos instrucionais e estratégias de ensino Tipicamente. inclusive recentemente. Nesse sentido. o Setor de Desenvolvimento Instrucional tem um papel central no que se refere à elaboração do material didático impresso. de forma a discutir e estabelecer a metodologia de aprendizagem que integra o projeto político-pedagógico da instituição. Diferentemente das tentativas da minha adolescência. as cores de cada faceta se misturem. apenas uma cor. muito menos irá despertar em você tanta impaciência quanto o singelo brinquedo despertou em mim. Além disso.

de sua percepção no que se refere à integridade das informações veiculadas como parte do conteúdo de uma aula.Aula 10 – Etapas de produção de material didático impresso para EAD: compartilhando uma experiência P ara Otto Peters. de sua visão pedagógica. biólogos. administradores. Fonte://www. o desenhista instrucional pode ter sua formação original em diversas áreas de saber. são profissionais com perfil acadêmico. o perfil desejado para o Setor de Desenvolvimento Instrucional é variado e depende das capacidades de cada candidato ao cargo de desenhista. da necessidade de um perfil multifacetado e dos prazos exíguos a que a equipe deve obedecer. Nesse contexto. Em sua maioria.indd 249 . no Brasil. físicos. para ser desenvolvida. a diferença mais óbvia entre a tradição acadêmica e os processos de ensino a distância é a substituição do falar-ouvir síncrono pelo ler-escrever assíncrono.hu aula10.3: Em função do contato direto com os professores. psicólogos e lingüistas dentre os profissionais que integram esse setor.sxc. de forma bem-humorada. de seu potencial criativo. da cooperação na elaboração das aulas. o Setor de Desenvolvimento Instrucional é visto. além de uma sólida parceria entre todos os envolvidos na produção do material didático de uma instituição de Educação a Distância (Peters 2002). o que faz com que você possa perfeitamente encontrar jornalistas. um curso superior que forme profissionais de Desenho Instrucional.hu/photo Fonte: Julia Freemanr Woolpert Freemanr-Woolpert Atenção 249 Como não existe. 9:52:26 AM Figura 10. de forma a tornar mais rico o diálogo com os professores conteudistas. Fonte: www. pedagogos. um padrão de comunicação relativamente novo e comparativamente difícil. Foto: Christophe Libertr 10/10/2007. como o “olho-do-furacão” da instituição. Portanto. conciliar qualidade de conteúdo com qualidade instrucional é uma competência que. requer estudo e prática. um renomado pesquisador da Educação a Distância.sxc.

Matemática.Planejamento e elaboração de material didático impresso para EAD . Foto: Andreas Furxer 10/10/2007.com cada grupo de 10 a 15 novos conteudistas. 9:52:28 AM Figura 10. além de definir. parâmetros adotados na análise das aulas e que orientam o trabalho junto aos professores conteudistas. antecipar dificuldades. que se envolve em processos de capacitação internos voltados para criatividade. sua riquíssima experiência como docente é a assinatura da 250 substância das aulas. onde motivar. web-designers. roteiristas. por meio de uma oficina de um dia inteiro – aproximadamente 8 horas de trabalho . ilustradores. mediação e aprendizagem flexível.elementos instrucionais e estratégias de ensino Portanto. essa é uma equipe dinâmica. informar. tipicamente pelo professor.um conhecimento prévio em educação superior a distância. que privilegia discussões teóricas em práticas sobre EAD. entre professores e técnicos do CEDERJ. capítulos de livros ou mesmo materiais impressos de apoio para seus cursos presenciais. não priorizamos . Se. Fonte: www.4: No CEDERJ. Biologia. optamos por iniciar a parceria que se forma. Mãos na massa: a oficina Ao buscarmos um professor conteudista para elaborar aulas do CEDERJ.indd 250 . é fundamental a parceria formada entre professores conteudistas e desenhistas instrucionais. dentro de uma produção textual. entre outros profissionais que integram o quadro técnico do Consórcio. coletivamente. a maior parte da sua produção textual provavelmente se refere a artigos científicos. Administração etc.nem poderíamos . Essa produção acadêmica não está no centro do processo de ensino e aprendizagem na sala de aula presencial. Para cumprir o desafio de se colocar. por outro. Pedagogia. assim como todos os seus atributos de professor. mas o conhecimento em sua área de saber específica: Física. estabelecer relações entre os participantes e estimular a criação de vínculos são tarefas realizadas de forma síncrona. gerar perguntas valiosas. programadores visuais.hu aula10.sxc. tipicamente por você. por um lado.

Apresentação da Plataforma CEDERJ e dos recursos multimeios disponíveis para a elaboração das aulas na web. Equipe de Desenvolvimento Instrucional. o programa proposto para aproximadamente 8 horas de trabalho junto dos professores: Programa da oficina: 09:00 . Equipe de Desenvolvimento Instrucional. Equipe das Comunidades Virtuais e Equipe de Vídeo. Presidente da Fundação CECIERJ. Equipe de Desenvolvimento Instrucional.09:45 Apresentação do Projeto Político-Pedagógico do Consórcio CEDERJ. 09:45 – 10:15 Dinâmica 1 (voltada para objetivos de aprendizagem e linguagem) Diálogos sucessivos de Bordenave & Pereira (1977).Aula 10 – Etapas de produção de material didático impresso para EAD: compartilhando uma experiência Como esse intervalo de tempo é exíguo. 10:15 – 10:30 10:30 – 11:00 Intervalo. definimos que o principal objetivo da oficina é sensibilizar os conteudistas em relação aos principais temas discutidos nas aulas anteriores e oferecer oportunidades de prática das técnicas instrucionais necessárias aos primeiros passos na elaboração de um bom material impresso para Educação a Distância. Universidade Virtual . 12:00 – 13:30 13:30 – 14:15 Almoço. aula10. 9:52:34 AM . A seguir. Exposição de pressupostos teóricos acerca de objetivos de aprendizagem claros e precisos. 251 11: 00 – 12: 00 Atividade 1 (voltada para objetivos de aprendizagem) – Prática de elaboração de metas e objetivos de aula com base nas disciplinas pelas quais os conteudistas são responsáveis. O restante do conhecimento é construído ao longo do processo de elaboração das aulas e em reuniões com a equipe que integra o Setor de Desenvolvimento Instrucional. Equipes das Webs. para sensibilizar os conteudistas acerca da substituição do falar-ouvir síncrono pelo ler-escrever assíncrono e da importância da clareza e precisão da linguagem na compreensão de uma informação.indd 251 10/10/2007.

Equipe de Diagramação.elementos instrucionais e estratégias de ensino 14:15 – 14:45 Atividade 2 (voltada para a linguagem) – Prática de redação de uma instrução precisa a partir de uma situação-problema proposta aos conteudistas. Revisão de um texto truncado de uma área de conhecimento distinta daquelas em que os conteudistas são especialistas. 15:10 – 15:30 Formato diagramático e recursos imagéticos do material impresso. Equipe de Direitos Autorais. Equipe de Desenvolvimento Instrucional e Equipe de Fluxo de Material Didático. de forma a sensibilizá-los quanto à importância de um material que promova o engajamento dos alunos e a aplicação de conceitos e teorias. Equipe de Desenvolvimento Instrucional. Equipe de Desenvolvimento Instrucional. pelos conteudistas. 17:00 – 17:30 – Instruções acerca de prazos e procedimentos.indd 252 10/10/2007. 14:45 – 15:10 Exposição de pressupostos teóricos acerca da redação clara dos sistemas articulados de arquitetura da informação. 9:52:34 AM . Equipe de Desenvolvimento Instrucional. Equipe de Ilustração. Equipe de Desenvolvimento Instrucional. 16:15 – 17:00 Atividade 3 – Prática de elaboração de uma atividade de cada modelo relacionada aos objetivos elaborados anteriormente. 252 15:30 – 15:50 Dinâmica 2 (voltada para a aprendizagem ativa) – Realização. 15:50 – 16:15 Exposição de pressupostos teóricos acerca de dois modelos de atividade para o material impresso. Fechamento da oficina. aula10.Planejamento e elaboração de material didático impresso para EAD . Equipe de Desenvolvimento Instrucional. de atividades propostas em dois formatos diferentes.

seja da mesma grande área de atuação. Conteudista Fluxo Direitos Avaliação Revisão Biblioteca O conteudista levará uma cópia impressa da aula para fazer as alterações necessárias Ilustração Fluxo Web/vídeo Revisão Reunião Ilustração Não A aula está pronta? Sim Biblioteca Produção gráfica Direitos autorais web/vídeo Conteudista Avaliação aula10. cada professor tem prazo de uma semana para elaboração da primeira aula da disciplina pela qual é responsável. não raramente.. favorecendo.. finalmente. os conteudistas percebem.. que metas ou objetivos que julgavam claríssimos podem não estar tão claros para outro professor que. as discussões decorrentes das dinâmicas e práticas vivenciadas durante a oficina reforçam o quanto “falar e ouvir face a face (. assim. na posição de alunos de um sistema de ensino a distância. A partir das atividades propostas. Os professores se colocam. por exemplo. 9:52:35 AM . 253 Fluxo e divisão de trabalho Após participar da oficina.Aula 10 – Etapas de produção de material didático impresso para EAD: compartilhando uma experiência Ainda voltando às idéias de Otto Peters. Da mesma maneira.) transmite uma sensação de segurança a professores e alunos”. a prática de elaboração de atividades revela o quanto é necessário rompermos com paradigmas educacionais que há décadas reproduzem um sistema educacional centrado na transmissão de conteúdo e não em sua utilização. que a distribui para todos os setores do Consórcio CEDERJ envolvidos no processo (ver diagrama abaixo). de forma prática e pragmática.indd 253 10/10/2007. a mudança de foco tipicamente associada à Educação a Distância.) é um padrão cultural universal e (.. Essa aula é encaminhada ao Setor de Fluxo de Material Didático.

Esses desenhistas irão acompanhar o desenvolvimento da disciplina.5: Reunião entre desenhistas instrucionais e professores conteudistas. Cada desenhista com dedicação exclusiva ao setor pode arcar com até 6 disciplinas. Uma mesma aula pode demandar mais de uma reunião até que seja aprovada. dois desenhistas instrucionais se reúnem com o conteudista para discutir as intervenções sugeridas no que se refere à linguagem.elementos instrucionais e estratégias de ensino Após mais uma semana. levantando novas questões e propondo soluções de abordagem para cada uma.indd 254 10/10/2007. aproximadamente. pelo conteudista e pela dupla de desenhistas instrucionais. 254 Figura 10. os demais setores envolvidos na elaboração do material didático comparecem e apresentam e discutem suas sugestões. e uma nova versão é proposta para a aula. Na ocasião da reunião. ao final desta aula. da primeira à última aula. A produção do material didático impresso de uma disciplina de 60 horas leva. aula10. afora as 4 semanas necessárias à distribuição. 39 semanas. antes de ser encaminhada à produção gráfica. o Anexo I mostra a ficha completa utilizada como referência para a análise do material didático pelos desenhistas instrucionais. a partir do trabalho colaborativo dos diversos profissionais. são envolvidos dois professores que dividem a elaboração do conteúdo. 9:52:35 AM .Planejamento e elaboração de material didático impresso para EAD . conforme o cronograma disponível no Anexo II. Cada disciplina conta com dois desenhistas instrucionais. No final dessa aula. atividades. Os desenhistas instrucionais conduzem o processo junto com o professor. em um fluxo normal de produção. em caráter final. Para essa carga de produção. arquitetura da informação etc.

mais estruturadas e mais interessantes. para uma reunião com meu diretor direto. que me cobrou. Além de nós. final do dia. deixando claro que havia algumas etapas para serem cumpridas junto com os autores da aula. por engano. Não era minha área de saber específica. selecionei imagens que ilustravam os tópicos discutidos na aula. era. talvez. discutindo um projeto educacional conjunto. pensei em uma arquitetura da informação mais engendrada. Aconteceu de. inclusive o material didático impresso. reformulei as atividades propostas. saí dali. Não havia como contactar os professores conteudistas. Sem muitas opções restantes. que trabalham em cima de arquivos impressos. comprei três livros introdutórios sobre o assunto em questão e passei o fim de semana reformulando a aula. criei caixas de explicação expandida e caixas de conexão com outras mídias que estabeleciam relações com outros conteúdos. cujo conteúdo era bom. uma aula que ainda estava em processo de análise no Setor de Desenvolvimento Instrucional ser submetida à apreciação desses parceiros. Não havia muito tempo para contornar o problema. fui direto a uma livraria. a pior aula que passou por minhas mãos como coordenadora do setor. Diferentemente dos desenhistas instrucionais. mas o formato instrucional era de deixar qualquer aluno de cabelo em pé! Resultado: inseri informações. Uma vez fui chamada. Fiz o que pude. fiz intervenções mais expressivas que de costume e. A certa altura. de repente. 9:52:37 AM . uma nova versão daquela aula. havia um grupo de futuros parceiros presentes. fui novamente chamada à presença do diretorgeral de material didático do CEDERJ. para ontem.Aula 10 – Etapas de produção de material didático impresso para EAD: compartilhando uma experiência Redação Final Agora vou contar um “causo” para você. Por uma peça que me pregou o destino. no final. finda a reunião. visto que chefe e parceiros estavam visivelmente insatisfeitos com o que lhes havia sido apresentado como um produto final. no formato em que havia sido entregue originalmente. 255 aula10. transformei duas aulas comprometidas em três aulas mais integradas. Era uma sexta-feira. trabalhei diretamente em uma versão eletrônica da aula. Isso tudo. antes que pudéssemos apreciar uma versão definitiva. mantendo o conteúdo originalmente proposto pelos autores. a fim de que fosse outra vez submetida à apreciação de todos.indd 255 10/10/2007.

Mas me apercebi de que o processo que acabara de vivenciar poderia ser adotado em situações em que. se encarrega de somar elementos instrucionais à versão final da aula que ainda carece de intervenções mais significativas. No entanto. o próprio professor conteudista é responsável por implementar as sugestões decorrentes da parceria com os desenhistas instrucionais e demais técnicos do Consórcio. com a anuência do professor. e a necessidade imperativa do cumprimento de prazos nos forçasse a uma solução para contornar os gravíssimos problemas gerados quando um professor não respeita o cronograma de produção de aulas previamente acordado. como sempre. 6: O redator final é um desenhista instrucional que exerce uma intervenção mais expressiva nas aulas quando há necessidade de cumprimento de prazos emergenciais ou quando a versão final de uma aula ainda requer atenção e trabalho adicionais. após uma capacitação longa e detalhada como a que você acabou de vivenciar. por exemplo. 9:52:38 AM . Não havia tempo para fazer diferente. Especialmente.Planejamento e elaboração de material didático impresso para EAD . Figura 10. 256 Normalmente. um professor demonstrasse grande dificuldade em produzir uma aula que atendesse aos pré-requisitos instrucionais considerados fundamentais para a proposta do CEDERJ. Ou quando o tempo urgisse. aula10. um desenhista instrucional com função diferenciada que.indd 256 Foto: Toni Rabelo 10/10/2007. Surgiu assim a figura do redator final. uma intervenção mais significativa pode se fazer necessária para garantir aulas compatíveis com um projeto de EAD concebido para apresentar um nível de qualidade alto. em alguns casos.elementos instrucionais e estratégias de ensino Essa foi uma situação de emergência.

. o número total de páginas fica entre 20 e 25.hu É fundamental termos disciplina para a seleção dos conteúdos que desejamos incluir em cada aula e capacidade para optar por temas que ofereçam conexões. Pedimos aos professores que trabalhem com fonte Arial 12. nas aulas presenciais. não ultrapassamos o tempo disponível para nossas disciplinas e que. Sempre lembramos que. O do aluno também.sxc. Normalmente. espaçamento de 1.Aula 10 – Etapas de produção de material didático impresso para EAD: compartilhando uma experiência Qual o tempo de uma página? No Consórcio CEDERJ. o número de páginas e as informações que ela contém. de forma que o número de páginas do arquivo Word que nos enviam acabe equivalendo ao número de páginas diagramadas. possibilidade e interesse. Fonte: www.indd 257 10/10/2007. Foto: André Larsson 257 Figura 10. 9:52:40 AM . Lembre-se de que o aluno não é alguém que não tem tempo para estudar. da mesma forma. Mas é preciso que ele consiga dispor desse tempo para aprender o que você tem para ensinar. desde o título até a bibliografia consultada. Atenção ao planejar sua aula. 7: Seu tempo voa. de forma a abrir portas para o aluno continuar. manifestas ou latentes. aula10. uma aula é prevista para ser estudada (não lida) em duas horas. com outras áreas de investigação. devemos obedecer à carga horária planejada para o aluno que se inscreveu em um curso oferecido na modalidade à distância. autonomamente. com tudo incluído. Ele tem.. sua aprendizagem. de acordo com seu tempo disponível.5 linhas.

Posteriormente. uma prática importante para a Educação a Distância. todas as aulas de todas as disciplinas de todos os cursos passam pelo crivo de alunos e tutores que contribuem para a construção do material didático impresso do Consórcio. presenciais ou a distância. traz uma contribuição de valor inestimável. 3 alunos e 2 tutores. em todas as suas dimensões. com perfil diferenciado.sxc. Os alunos selecionados são indicados pelos diretores de pólo em função de seu desempenho no curso em que estão inscritos. merecem atenção especial.elementos instrucionais e estratégias de ensino Avaliação Discente No CEDERJ. preencher um questionário semiquantitativo contendo questões acerca dos aspectos instrucionais considerados relevantes em cada uma delas. 8: Alunos avaliadores: um olhar fundamental no momento da construção das aulas do Consórcio CEDERJ. aproximadamente. Sua experiência com os alunos do CEDERJ permite apontar aspectos que podem suscitar dúvidas e que.Planejamento e elaboração de material didático impresso para EAD . a totalidade de alunos do CEDERJ participa da avaliação institucional do Consórcio. o foco é conceber uma aula que passou pelo olhar crítico 258 de um aluno atento e dedicado. inclusive os materiais didáticos. 9:52:42 AM . Nesse momento. portanto. Cada disciplina é avaliada por. posteriormente.indd 258 10/10/2007. além de sua facilidade de acesso diário a um endereço eletrônico. que recebem uma bolsa para analisar as aulas e. Fonte: www. Foto: Carlos de la Orden Figura 10. Fica mais fácil antecipar e contornar problemas.hu A participação dos tutores. sua assiduidade às atividades curriculares e extra-curriculares propostas. aula10.

você encontrará o Anexo III com a cópia do questionário repassado aos avaliadores. Enfim. 9: A partir de uma solicitação escrita feita pelo professor conteudista. 9:52:43 AM Imagem: Sami Souza . ..)” Figura 10. o ilustrador cria uma imagem personalizada para a aula. uma equipe de ilustradores se encarrega de desenhar figuras a partir de solicitações escritas ou de imagens de referência apresentadas pelo professor.onde e quando anunciar. última etapa antes de chegar ao aluno do CEDERJ. Ao final desta aula.o que dizer aos clientes e como dizê-lo. Produção Gráfica Considerado pronto. em um ritmo normal de produção..indd 259 10/10/2007. No Setor Editorial... os questionários preenchidos são devolvidos e as observações repassadas aos professores conteudistas. 259 Trecho da aula originalmente enviada pelo conteudista: “(. Vendedores de porta em porta Outdoors Anúncios de revista (. por ocasião da reunião. Cada aluno ou tutor avalia de 4 a 6 disciplinas.) que preços cobrar sobre os produtos ou serviços oferecidos. Ao final desse período. É o motor que conduz todas as atividades de uma Empresa.. de forma a personalizar cada aula e incrementar o papel do elemento imagético na aprendizagem.Aula 10 – Etapas de produção de material didático impresso para EAD: compartilhando uma experiência Alunos e tutores dispõem do mesmo tempo que os desenhistas instrucionais para avaliar cada aula: uma semana. -que descontos oferecer sobre os produtos ou serviço da empresa.. o material didático impresso vai para a produção gráfica. . aula10. dentre outras atividades realizadas.

hu. 9:52:45 AM . recorrer às habilidades dos ilustradores. usualmente. informando a utilização. uma equipe de profissionais experientes confere às aulas uma programação visual elegante. onde fotos de ótima qualidade são disponibilizadas e a única providenciar a tomar antes de usá-las é garantir a autoria da imagem nos materiais impressos e enviar um e-mail de cortesia para o fotógrafo. adequada à Educação a Distância. sem necessidade de concessão de direitos autorais. você tem em mente uma imagem muito específica e.sxc. naturalmente.Planejamento e elaboração de material didático impresso para EAD . É só conferir a fonte. aula10.elementos instrucionais e estratégias de ensino originais.indd 260 10/10/2007. A maioria das fotografias que você viu em todas as nossas aulas foram obtidas a partir desse site. uma boa fonte de busca é o site húngaro www. De toda forma. arejada. Após o trabalho dos ilustradores ser concluído. 260 Para agilizar o processo de ilustração das aulas. as fotos disponíveis não atendem ao objetivo. Nem sempre isso é possível. pois. Daí é preciso. ao conceber uma aula. com freqüência. trazendo leveza ao material e facilitando o estudo. uma boa idéia é você investigar alguns sites que oferecem imagens para uso livre.

9:52:45 AM . 261 Foto: Ana Paula Abreu-Fialho Aula 1 aula10.Aula 10 – Etapas de produção de material didático impresso para EAD: compartilhando uma experiência Figura 10.indd 261 10/10/2007.11: O programador visual é responsável pela organização formal dos elementos visuais e textuais. Deve dispor a informação de forma clara e prazerosa.

indd 262 10/10/2007. aula10.Planejamento e elaboração de material didático impresso para EAD . 9:52:52 AM .elementos instrucionais e estratégias de ensino Aula 2 Aula 2 262 Figura 10. 12: Uma diagramação arejada traz elegância e facilita a leitura do material impresso.

9:52:56 AM . criar um livro eletrônico e. obedecendo ao cronograma em que permite ao aluno ter então. discutindo precisamente essa questão. é preciso fazer algumas perguntas para garantir que as aulas na web tenham linguagem própria: • Que pontos de um determinado conteúdo se prestam à especificidade do meio digital? Normalmente. boxes e verbetes. ela declarou.Aula 10 – Etapas de produção de material didático impresso para EAD: compartilhando uma experiência Além da ilustração e da programação visual. Em uma conversa com a Profa.indd 263 10/10/2007. Após as etapas do copidesque e revisão tipográfica. que acompanha ainda a produção do material junto à gráfica. de fato. o envio dos arquivos gerados para impressão é responsabilidade do produtor gráfico. Essa transcodificação não é uma tarefa fácil. bastante relacionados. quanto melhor for a produção das aulas que passam pelo Setor de Desenvolvimento Instrucional. naturalmente. Aulas na Web Embora a etapa de produção das aulas na web não faça parte da elaboração do material didático impresso. são corrigidos erros gramaticais. ainda nos originais. de saída. 263 aula10. coesão e adequação do conteúdo e a revisão tipográfica. controla a qualidade da impressão e os prazos de entrega. os processos são. de forma muito pertinente que. verificada a clareza do texto e o posicionamento de figuras. a diferentes ângulos de visão. Nessa fase. deixar de aproveitar os recursos únicos da mídia digital para melhorar a qualidade da aprendizagem de nossos alunos. módulos com as aulas de cada disciplina que integra a grade curricular de seu curso. de forma a transcodificar. no início de cada período letivo. a linguagem escrita naquela própria do ambiente digital. Sonia Rodrigues. outros estágios envolvidos na produção gráfica do material didático impresso do Consórcio CEDERJ incluem o copidesque. responsável pela última leitura do livro. maiores serão as chances de as equipes das webs realizarem um trabalho de recriação em cima dos textos originais. Não queremos. a recursos sonoros. a primeira etapa de revisão do texto. aqueles associados a movimentos. dentre outros elementos representados e explorados de forma realista em materiais didáticos digitais (ver caixa a seguir). ao uso detalhado das cores. Para começar. assim. à sua disposição. simplesmente. zelando pela clareza.

indd 264 10/10/2007. uma empresa de animação científica americana que mostra mecanismos moleculares jamais vistos. Recursos tais como hipertextos. como fórum de discussão ou chats. Uma das maiores e melhores possibilidades associadas ao uso da internet na Educação é o desdobramento do conteúdo controlado pelo aluno.Planejamento e elaboração de material didático impresso para EAD . são um excelente caminho para isso. praticados individual ou coletivamente. Os próprios hiperlinks representam janelas colocadas pelo professor à disposição do aluno.com/main/technique/tprojects/6850. Jogos variados. há uma infinitude de maneiras de garantir ao aprendiz autoria em sua própria aprendizagem. mas podem ser exploradas de formas variadas e abrem novos e imprevisíveis caminhos a partir dos quais o controle sobre nossos aprendizes rapidamente foge de nossas mãos.html 264 • Quais partes do conteúdo permitem uma multiplicidade de conexões? A idéia de conexões explorada na Aula 4 ganha potencialidade