Planejamento e

Elaboração de Material
didático impresso para
Educação a Distância
Cristine Costa Barreto
Sonia Rodrigues
Roberto Paes de Carvalho
Carlos Otoni Rabelo
Ana Paula Abreu Fialho
José Meyhoas
Curso de Formação da UAB
para a Região Sudeste 1
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Fernando Haddad
Ministro da Educação
Carlos Eduardo Bielschowsky
Secretário de Educação a Distância
Celso Costa
Coordenador Geral da UAB
P712p
Planejamento e elaboração de material didático impresso para educação a distância /
Organizadora Cristine Costa Barreto; autores, Sônia Rodrigues; Roberto Paes de Carvalho;
Carlos Otoni Rabelo; Ana Paula Abreu Fialho; José Meyhoas. – Rio de Janeiro : Fundação
CECIERJ, 2007.
291p.; 19 x 26,5 cm.
Curso de Formação da UAB para a Região Sudeste 1.
ISBN: 978-85-7648-390-8
1. Educação a distância. 2. Desenho instrucional. 3. Aprendizagem. 4. Linguagem. 5. Prática de
ensino. 6. Arquitetura da informação. 7. Produção de material didático (EAD). I. Rodrigues, Sônia.
II. Carvalho, Roberto Paes de. III. Rabelo, Carlos Otoni. IV. Fialho, Ana Paula Abreu. V. Meyhoas,
José. VI. Título.

CDD: 371.35
Cristine Costa Barreto
Coordenação de Desenvolvimento
Instrucional e Revisão
Organizadora do Volume
Tereza Queiroz
Editora
José Meyohas
Revisor
Crsitina Freixinho
Elaine Bayma
Patrícia Paula
Revisão Tipográfica
Jorge Moura
Coordenador de Produção
Katy Araujo
Projeto Gráfico, Diagramação e Capa
Jefferson Caçador
Sami Souza
Ilustração
Referências Bibliográficas e catalogação na fonte, de acordo com as normas da ABNT.
Copyright © 2007, Fundação Cecierj / Consórcio Cederj
Nenhuma parte deste material poderá ser reproduzida, transmitida e gravada, por qualquer meio
eletrônico, mecânico, por fotocópia e outros, sem a prévia autorização, por escrito, da Fundação.
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Por onde começar?
Como parte do programa inter-institucional de capacitação em Educação a Distância, este
módulo tem sua origem na necessidade de se fundamentar os elementos instrucionais
associados a materiais impressos como recursos didáticos. Visa a desenvolver orientações para
você, professor, elaborar aulas que difiram de suas aulas presenciais, mas que, de alguma forma,
levem você ao aluno que estuda a distância, que o provoquem tanto quanto você o faria, que o
permitam navegar, ser autônomo e se apropriar mais de sua aprendizagem.
A Educação a Distância, nos termos em que a discutimos hoje, ainda é uma novidade para a qual
buscamos evolucionar. É preciso apurar os sentidos para trocarmos o falar/ouvir síncrono pelo
ler/escrever assíncrono; evocar nosso sentido “número seis”, nossa intuição pedagógica, para
transpormos nossa experiência como professores, da sala de aula para o papel, ou para a tela
do computador, ou para o rádio, ou para a televisão... Essa transformação, na verdade, não pára
nunca, evolui no tempo, emerge como propriedades de um sistema vivo.
O conceito de propriedades emergentes é um dos mais belos conceitos biológicos existentes:
propriedades não possuídas pelos indivíduos, que somente aparecem quando a comunidade é
o foco de atenção. Assim como um bolo, cuja textura e sabor não são previsíveis apenas pela
inspeção dos ingredientes da receita. Propriedades emergentes são imprevisíveis, irredutíveis,
que surgem porque o todo é maior do que a soma das partes. Porque decorre da interação entre
elas. Assim entendo o conceito por trás de nossas comunidades da Educação a Distância, por trás
de um projeto educacional em nível nacional: somar, interagir, recriar e exceder.
Creio que estejamos todos engajados em um tal processo, em que experiências anteriores
subsidiam a criação de outras novas, em que parcerias acadêmicas, pedagógicas, técnicas e
de gestão facilitam o estabelecimento de novos padrões, em que, coletivamente, podemos dar
mais suporte a cada uma de nossas comunidades e resistir a fatores que regulam nosso sistema
negativamente, sejam eles econômicos, políticos, circunstanciais, logísticos ou de qualquer outra
natureza restritiva.
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Gostaria que a experiência dos professores que redigiram esse módulo pudesse ser compartilhada
com você, que algumas trilhas pudessem ser aproveitadas, de forma a facilitar seu caminho,
suas escolhas. Espero que as informações disponíveis o instiguem a reviver a perplexidade
do aprendiz, renovar a inspiração para suas práticas como professor, levar seus estudantes a
modificar permanentemente o sistema educacional de que fazem parte. Esse parece ser um
bom começo para nos engajarmos na empreitada da aprendizagem cooperativa e para nossos
estudantes assumirem um papel mais ativo na investigação do saber, numa verdadeira simbiose
com seus propósitos como educador.
Aceita um conselho? Encare esses fatos como um desafio e pense que você pode estar iniciando
um processo transformativo em suas práticas educacionais; que seu confortável sentimento de
segurança e previsibilidade como professor está dando lugar à incerteza do novo e à beleza do
encontro de soluções para problemas que começarão a emergir.
Cristine Costa Barreto
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Quem somos?
Cristine Costa Barreto
Desde meu ingresso no curso de Ciências
Biológicas da UFRJ, em 1984, me divido entre
atividades de pesquisa e educação. Além da
docência nos programas de graduação, mestrado
e doutorado do Instituto de Biologia, coordenei
projetos em Educação Ambiental, voltados
para os ensinos fundamental e médio. O pós-
doutorado realizado no Centre for Population
Biology (Imperial College, Londres) consolidou
meu perfil de pesquisa em ecologia teórica,
onde me dediquei ao estudo da importância da
complexidade espacial do habitat na diversidade
das comunidades associadas. Simultaneamente,
atualizei minha formação como educadora
por meio da extensão em áreas voltadas para
concepção de ambientes virtuais de aprendizagem,
tecnologia da informação, ensino interativo e
aprendizagem baseada na resolução de problemas.
Ao retornar ao Brasil, em 2003, iniciei minhas
atividades no CEDERJ que culminaram com
a coordenação do Setor de Desenvolvimento
Instrucional, onde tenho a oportunidade de
reunir minha experiência na Educação ao
desenvolvimento de projetos de pesquisa
centrados no permanente aprimoramento do
desenho instrucional de nosso material didático.
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Sonia Rodrigues
Sou escritora, jornalista, doutora em Literatura
pela PUC-RJ, com larga experiência em combinar
pesquisa e desenvolvimento de produtos, pesquisa
e desenvolvimento de metodologia de ensino.
Nos últimos anos, tenho participado de projetos
com esse escopo junto a instituições públicas e
privadas. Atualmente sou pesquisadora da FAPERJ,
desenvolvendo, na Universidade Federal Fluminense,
o projeto Poesia para Físicos, ou, como usar o
modelo narrativo para ensinar o pessoal das exatas
e engenharias (professores e alunos) a promover
a leitura, a pesquisa e a produção de texto. E para
que serve na EAD? Serve, entre outras coisas, para
desenvolver jogos e/ou para aumentar a competência
de escrita e leitura. A nossa e a dos alunos.
Foto: Bel Pedrosa.
Roberto Paes de Carvalho
A linguagem sempre desempenhou um importante
papel em minha vida. Minhas primeiras lembranças da
infância, no que se refere aos processos de reflexão e
conscientização, remetem a questionamentos sobre
o significado das palavras e os contextos em que elas
eram inseridas. “Por que isso significa aquilo e não
aquilo outro...”.
E esse tipo de reflexão, felizmente, dura até hoje. Daí
ter caminhado para a Lingüística, ciência que me
inquieta mais do que esclarece.
Atualmente estou concluindo o doutorado em Estudos
Lingüísticos e atuo como elaborador de material
didático para EAD no CEDERJ, com ênfase à produção
de texto auto-instrucional e à capacitação de autores.
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Carlos Otoni Rabelo
Sou Publicitário, formado pela Universidade
Federal Fluminense e trabalho no CEDERJ
como Designer Instrucional desde agosto 2005.
Sempre fui fascinado pela linguagem e desde a
graduação tenho me aventurado pelo mundo da
escrita, inclusive contribuindo com uma coluna
semanal no Jornal Dois Estados, jornal da minha
querida cidade natal Miracema. Freqüentemente
sou questionado sobre a afinidade entre minha
formação e a EAD. Embora elas pareçam bem
diversas, costumo dizer que “convencer” alguém
a usar determinado produto ou serviço é como
“convencer” o aluno de EAD a vencer obstáculos,
superar desafios, e aprender!
Ana Paula Abreu Fialho
Cursei Ciências Biológicas, na UFRJ. Prestes a ingressar
no mestrado em Bioquímica, na mesma instituição,
participei de um curso para professores de Ensino Médio
que os colocava em laboratório para responderem
experimentalmente às suas curiosidades sobre um
determinado tema. Ali, senti estar “fazendo diferença”
para a formação de alguém. Mais, senti querer isso. Um
ano depois, em 2004, conheci a EAD, através do CEDERJ.
Encantei-me pelo Design Instrucional de materiais
didáticos impressos para formação de professores. Minha
afinidade com essa área foi tão grande que larguei os
tubos de ensaio. Hoje, estou terminando meu doutorado,
estudando o papel do Design Instrucional para a
aprendizagem de Bioquímica. Além disso, supervisiono, no
CEDERJ, a produção de materiais para cursos de formação
inicial de trabalhadores.
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José Meyohas
Comecei minhas atividades profissionais,
como professor, ainda antes de concluir
minha graduação/licenciatura em Letras
(Português/Inglês _Literaturas) na Faculdade
de Letras da UFRJ. Isso foi lá pelos idos de
1970, quando tive, pela primeira vez, registro
de professor em carteira profissional. De lá
para cá, não mais parei. Fiz toda espécie de
curso que vi pela frente, desde que na área
de significação na linguagem. É, como se
diz, “a minha praia”. Desenvolvi as funções
de assessor de treinamento e de analista de
comunicação no The Chase Manhattan Bank
N.A., ao mesmo tempo em que ministrava
aulas à noite no Colégio Paulo VI, que ajudei a
montar... Aulas sempre e sempre... Atualmente,
sou servidor público estadual ativo, professor
de Língua Portuguesa e Literatura Brasileira,
além de Supervisor de Linguagem do Setor de
Desenvolvimento Instrucional do CEDERJ, onde
redijo, reviso,faço copidesque, etc.
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Índice
Aula 1
Material impresso como recurso educacional: isso é história? ......................................................... 11
Cristine Costa Barreto
Aula 2
Desenho instrucional em materiais didáticos impressos – boa idéia! ............................................. 31
Cristine Costa Barreto
Aula 3
Objetivos de aprendizagem................................................................................................................................ 51
Carlos Otoni Rabelo e Roberto Paes de Carvalho
Aula 4
Linguagem: significado e funções................................................................................................................... 73
Sonia Rodrigues
Aula 5
O uso da linguagem. Por que tanta preocupação e tanto cuidado?................................................. 91
Ana Paula Abreu Fialho e José Meyhoas
Aula 6
Atividades – Praticando a boa prática ...................................................................................................... 115
Cristine Costa Barreto
Aula 6 – Apêndice
A bússola e o remo............................................................................................................................................. 139
Cristine Costa Barreto
Aula 7
Ajudando sua inspiração: modelos de atividades – Parte 1 ............................................ 149
Cristine Costa Barreto
Aula 8
Ajudando sua inspiração: modelos de atividades – Parte 2 ............................................................. 181
Cristine Costa Barreto
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Aula 7 e 8 – Apêndice
A bússola e o remo... novamente... ........................................................................................................... 207
Cristine Costa Barreto
Aula 9
Arquitetura da informação ............................................................................................................................ 217
Roberto Paes de Carvalho, Carlos Otoni Rabelo e Ana Paula Abreu Fialho
Aula 10
Etapas de produção de material didático impresso para EAD:
compartilhando uma experiência ............................................................................................................... 243
Cristine Costa Barret
Anexo 1
Parâmetros de avaliação de elementos instrucionais de uma aula .............................................. 271
Anexo 2
Cronograma de Produção de Material Didático Impresso................................................................ 277
Anexo 3
Questionário para avaliação de aula por alunos e tutores ............................................................... 285
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Material impresso
como recurso
educacional:
isso é história?
Cristine Costa Barreto
1
Aula
11
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12
Planejamento e elaboração de material didático impresso para EAD - elementos instrucionais e estratégias de ensino
Meta
Discutir os principais aspectos instrucionais relacionados à
utilização de materiais impressos na Educação a Distância
(EAD).
Objetivos
Ao final desta aula, você deverá ser capaz de:
1. Detectar elementos históricos e culturais relacionados
à importância de materiais impressos na Educação.
2. Identificar as vantagens e limitações da utilização de
materiais instrucionais impressos.
3. Determinar processos que contribuem para uma baixa
proficiência leitora e avaliar suas implicações para as
práticas de EAD baseadas em materiais impressos.
4. Detectar a aplicação de diferentes elementos visuais
para favorecer a aprendizagem em materiais impressos
voltados para EAD.
5. Relacionar a utilização de diferentes elementos gráficos
às especificidades de disciplinas de diferentes áreas.
Pré-requisitos
Antes de você iniciar o estudo desta aula, vá até sua
estante de livros, em casa ou no trabalho, e escolha um
livro-texto clássico de sua área de ensino ou pesquisa.
Mantenha esse livro ao seu lado, enquanto estuda.
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Aula 1 – Material impresso como recurso educacional: isso é história?
Era uma vez...
Você não está vendo que não podemos mais alimentar nossos filhos? Não tenho
coragem de vê-los morrer de fome diante dos seus olhos e estou resolvido a levá-los
amanhã à floresta e deixá-los lá, perdidos, o que não é difícil de fazer, pois enquanto
eles se distraírem catando gravetos, nós fugimos sem que eles percebam.
- Ai, Ai - gemeu a lenhadora - você será capaz, você mesmo, de abandonar os seus
filhos na floresta?
Não adiantou o marido mostrar a ela como era grande a sua miséria, ela não podia
consentir naquela idéia. Ela era pobre, mas era a mãe dos meninos. Contudo, depois de
refletir como seria doloroso ver os filhos morrerem de fome, ela acabou consentindo, e
foi-se deitar chorando.
(Trecho de “João e Maria” – Hans Christian Andersen)
Contos populares, segundo muitos estudiosos, surgiram como uma tentativa
de entender e explicar o mundo natural e o espiritual. Sua tradição oral fez com
que as histórias fossem disseminadas, absorvidas e modificadas pelas mais variadas
culturas. Uma vez surgidos, os contos eram espalhados, de país em país, por soldados,
marinheiros, mulheres roubadas de suas tribos, escravos, prisioneiros de guerra,
comerciantes, menestréis, músicos, monges, estudiosos e jovens viajantes. Dessa
maneira, as histórias se descolavam de seus contextos originais e subsistiam como uma
espécie de “energia social”, (re)produzindo e (re)propondo modelos sociais e culturais.
Essas práticas seculares foram modificadas de forma irrevogável pela invenção da escrita.
O conto oral, de tradição popular, converteu-se, assim, em um tipo de discurso literário,
com o objetivo de nutrir costumes, práticas e valores de certa época. Surgiam as primeiras
formas de educar a distância, informações trazidas de longe, antes pelos próprios contadores
de história, depois pelos manuscritos, para entusiasmar ouvintes e leitores de maneira
atemporal, ora retratando a realidade de forma cômica, ora sombria, ora fantasiosa.
Não precisamos entrar demasiadamente em detalhes históricos para reconhecer
que a Educação a Distância tem suas raízes mais profundas no meio impresso, no
que antes chamávamos cursos por correspondência. A despeito da emergência de
alternativas tecnológicas poderosas e atraentes, materiais impressos continuam a
exercer um importante papel nessa modalidade educacional. Por quê? Em parte, pelo
mesmo motivo que faz com que os contos populares permaneçam entre as formas de
literatura favoritas de crianças, jovens e adultos. Desde muito cedo a humanidade ouve,
conta, lê e escreve histórias.
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Planejamento e elaboração de material didático impresso para EAD - elementos instrucionais e estratégias de ensino
Registros escritos são o cimento da sociedade. A própria História surge como um
gênero literário no seio da narrativa literária grega, a começar por Hecateu de Mileto e sua
“historicização do mito”. Os historiadores antigos eram antes literatos
que cientistas, a História era concebida como opus oratorium p .
Er will bloss zeigen wie es eigentlich gewesen,
“Ele <o historiador> quer claramente mostrar como, na realidade, aconteceu...”
(Histórias dos povos românicos e germânicos. Von Ranke, 1826)
http:wwwunicamp.br/nee/arqueologia/arquivos/historia_antiga/filosofia.html
Para não nos restringirmos ao passado, o próprio jornalismo moderno é um esforço
para seguir a lógica de uma narrativa, para informar, para contar uma história de um
modo coerente, sem erros factuais. Ou seja, há séculos estamos acostumados a processar
informações na forma escrita, a partir de seu armazenamento, transmissão, combinação
e comparação. É natural a importância que permanece associada a materiais impressos na
Educação, em qualquer modalidade em que se apresente, a distância ou presencial.
Espero que, de alguma maneira, quando ensinar, você evoque seu lado contador
de histórias, “aquele que diz e, por isso, precisa saber bem o que irá dizer. Precisa
ter dúvidas, certezas, conhecimentos, estudo e talento. Talento de sedução. Contar
histórias é revelar segredos, é seduzir o ouvinte e convidá-lo a se apaixonar... pelo livro...
pela história... pela leitura. E tem gente que ainda duvida disso” (Grupo Morandubetá
de Contadores de História).
opus oratorium
= obra oratória
Visite o site http:www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttex&pid=s0101-32621998
00020006#back e leia mais sobre contos populares e conheça o trabalho da
Professora Anete Abramowicz, do Departamento de Metodologia de Ensino da
Universidade Federal de São Carlos.
Multimídia
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Aula 1 – Material impresso como recurso educacional: isso é história?
H
ecateu - Historiador, geógrafo e mitógrafo grego de Mileto, cidade destruída
(494 a. C.) por Dario (550-486 a.C.). Introduziu sensíveis modificações nos
mapas geográficos de Anaximandro (611-547 a. C.). Com seu livro Viagem ao redor do
mundo tornou-se um pioneiro da Geografia. Precursor de dois notáveis e brilhantes o
historiadores, Heródoto (484-425 a. C.) e Tulcídides (471-399 a.C.), escreveu quatro
livros denominados Histórias sobre genealogias ou mitologias, nos quais submeteu os
mitos e lendas gregas a um novo enfoque crítico. Uma pseudo-história que, apesar da
credulidade do autor, tornou-se precursora e protótipo das obras de história posteriores.
Com este escrito, inaugurou a análise das sociedades humanas em bases mais
sistemáticas do que as utilizadas até então. Provavelmente morreu também em Mileto.
Fonte: http://www.dec.ufcg.edu.br/biografias/cateu0.html
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Quais as vantagens de um material
didático impresso?
Antes de passarmos a uma discussão objetiva acerca das vantagens associadas
à utilização de materiais didáticos impressos na Educação a Distância, convido-o a
realizar uma atividade de forma que você incorpore as idéias apresentadas na seção
anterior à sua própria percepção acerca do valor dessa mídia nas práticas de ensino.
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Planejamento e elaboração de material didático impresso para EAD - elementos instrucionais e estratégias de ensino
Atividade 1
Atende aos objetivos 1 e 2 j
Materiais educacionais impressos: os prós
Analise as imagens e informações textuais a seguir:
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Fonte: www.sxc.hu/193035
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Fonte: www.sxc.hu/653159
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Fonte: www.sxc.hu/566956
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Fonte: www.sxc.hu/575203
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Aula 1 – Material impresso como recurso educacional: isso é história?
Buckminster Fuller – arquiteto, engenheiro, r designer, professor e rr
autor, inventor do domo geodésico, um dos visionários mais respeitados
do mundo, dirigiu suas previsões para a educação do futuro. Em um
discurso realizado em abril de 1961, comentou que “a maior parte do
sistema educacional atual tem como meta responder à pergunta: Como
vou conseguir um emprego? Eu preciso ganhar o meu sustento. Esse é
o item prioritário sob o qual trabalhamos todo o tempo – a idéia de que
necessitamos nos sustentar”.
4
“A Educação a Distância e suas variantes têm o potencial
de prover eqüidade de acesso ao conhecimento em
diversos níveis”.
Extraído do livro Educação a Distância ao redor do mundo
(Brown & Brown, 1994)
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Fonte: www.sxc.hu
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Planejamento e elaboração de material didático impresso para EAD - elementos instrucionais e estratégias de ensino
Agora relacione as informações que você analisou com o conteúdo da seção “Era uma
vez...”. A partir daí, enumere algumas das razões que, a seu ver, fazem do material
impresso um importante meio para a disponibilização de conteúdo na Educação a
Distância. No quadro a seguir, comecei enunciando uma dessas razões. Inclua, pelo
menos, outras duas.
Por que material didático impresso?
1. É um meio familiar aos leitores.
2. ________________________________________________________________
3. ________________________________________________________________
Resposta comentada
As informações textuais e visuais que você analisou provavelmente suscitaram muito mais
que apenas duas idéias. Imagino ainda que uma mesma imagem deve ter feito você pensar
em mais de um aspecto. Tentei reunir a seguir as principais idéias envolvendo a utilização
de materiais didáticos impressos. É possível que você tenha pensado ainda em outras. Se
isso aconteceu, aproveite o espaço Fórum Livre – Aula 1, na Plataforma, para trocar outras
impressões com os demais alunos da turma.
1. Começando pelo exemplo que dei, materiais impressos nos são bastante familiares, além
de razoavelmente bem compreendidos e aceitos pelos leitores.
2. Além disso, o estudo de um texto é um processo cujo ritmo é inteiramente ditado pelo
aluno. Se, à primeira leitura, algum conceito lhe escapou à compreensão, ele pode retomar
a passagem quantas vezes quiser.
3. Ao contrário do que pode parecer, materiais impressos podem perfeitamente ser
percorridos de forma não linear, desde que exista uma arquitetura da informação que
3
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Fonte: www.sxc.hu/707409
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Aula 1 – Material impresso como recurso educacional: isso é história?
assim o possibilite. Como em um jornal, em que podemos facilmente passar da seção de
Economia à de Turismo, à dos Classificados, conforme nos convier.
4. Não é necessário que se estabeleça um horário ou local para que o conteúdo seja
disponibilizado.
5. A leitura de um texto impresso não requer qualquer equipamento especial. Pode-se dar
em qualquer local ou circunstância, especialmente porque se trata de um recurso de fácil
transporte.
6. Materiais impressos são de fácil marcação, o que facilita as estratégias de estudo de
cada aprendiz e também as estratégias de revisão de um material previamente estudado e
marcado.
7. Um dos aspectos mais importantes associados ao uso de materiais impressos na Educação
a Distância é seu potencial de inclusão social. Hoje, embora o desenvolvimento tecnológico
possibilite uma miríade de experiências extremamente sofisticadas, a grande maioria da
população da América Latina, e mesmo mundial, não tem acesso à internet. A mídia digital,
portanto, não pode garantir de fato a democratização da informação em todos os níveis
sociais, embora a barreira tecnológica nesse sentido há muito tenha sido derrubada.
8. Materiais impressos tradicionalmente são usados para a oferta de grandes quantidades
de conteúdo, como é necessário a cursos de graduação, por exemplo, independente da
modalidade, presencial ou a distância. O ambiente digital e sua multimodalidade devem
ser explorados com a finalidade de promover experiências unicamente possíveis por
meio daquela mídia e contribuir para a aprendizagem do aluno de forma diferenciada
daquela do material impresso. Isso não inclui a disponibilização de um grande volume de
informações em aulas baseadas na web.
9. A tecnologia envolvida na elaboração de um texto é bastante familiar e razoavelmente
conhecida tanto por desenhistas instrucionais quanto pelos especialistas responsáveis
pela elaboração do conteúdo. Diagramadores experientes contribuem para um design
adequado a um texto cuja substância decorre da experiência de profissionais do ensino ou
da pesquisa que eles acumularam em anos de prática em publicações variadas, tais como
livros-texto e artigos científicos.
10. O custo de preparação e replicação de materiais impressos é relativamente baixo
quando comparado a outras mídias, tais como aulas baseadas na web, TV ou em
formato de vídeo.
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Planejamento e elaboração de material didático impresso para EAD - elementos instrucionais e estratégias de ensino
E viva a diferença!
A despeito das muitas vantagens associadas ao uso de materiais impressos para
a Educação a Distância, naturalmente você deve considerar as limitações em sua
utilização, especialmente se tem ou teve contato com recursos tecnológicos que, se bem
explorados, podem contribuir muito para facilitar a aprendizagem do aluno. Iniciamos
esta seção com uma nova atividade.
Figura 1.1: Atualmente, os recursos tecnológicos possíveis
abrem portas para uma aprendizagem mais versátil e criativa.
Fonte: www.sxc.hu (Carl Dwyer)
Atividade 2
Atende ao objetivo 2 j
Materiais educacionais impressos: os contras
Em sua opinião, qual a principal restrição associada a materiais didáticos impressos? Faça
um esforço antes de escrever no espaço a seguir o que, para você, realmente é o maior
problema associado a essa mídia.
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_________________________________________________
Fonte: www.sxc.hu/544853
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Aula 1 – Material impresso como recurso educacional: isso é história?
Resposta comentada
Novamente, diversas limitações podem ter passado por sua cabeça. Se sua principal
preocupação for diferente das listadas a seguir, não deixe de compartilhar sua percepção e
suas inquietudes com o restante do grupo participando do Fórum Livre – Aula 1.
1. Por mais realistas que sejam os recursos imagéticos encontrados em materiais impressos,
a realidade é sempre representada de maneira indireta. A leitura de um texto, a análise
de uma tabela, e mesmo a ilustração de maior qualidade requerem sempre o exercício
da analogia por parte do leitor, que deverá transpor aquela informação e associá-la,
mentalmente, ao domínio real.
2. Diretamente relacionado ao item acima, o fato de que em materiais impressos não se pode
fazer uso do recurso do movimento é uma limitação amplamente superada na mídia digital;
3. O uso da cor, se necessário, representa um investimento caro.
4. A limitação do tipo de feedback e interação possíveis de serem proporcionados por meio
dos materiais impressos é freqüentemente uma preocupação dos educadores a distância.
De fato, as possibilidades de interação com pares são incomparavelmente maiores no meio
digital. Mas atenção: um bom texto associado às imagens certas é capaz de provocar mais
o leitor do que o uso da tecnologia com fins meramente atrativos, sem que haja substância
pedagógica ou de conteúdo por trás da mágica digital.
5. A eficácia da aprendizagem por meio de materiais impressos depende da capacidade
leitora dos alunos. Infelizmente, uma proficiência leitora comprometida é uma lacuna
observada em diversas realidades sociais e culturais.
6. Associado à questão da dependência da capacidade leitora está, em minha opinião
particular, o aspecto mais difícil de abordar quando optamos pelo uso de textos em
processos educacionais. A maioria de nossos alunos foi altamente exposta à mídia
televisiva e cresceu provavelmente mais acostumada a decodificar informações sob o
formato de programas de TV que sob o de um livro.
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Planejamento e elaboração de material didático impresso para EAD - elementos instrucionais e estratégias de ensino
Letramento no Brasil
O
gráfico a seguir sintetiza os principais resultados de uma pesquisa realizada em 2001 sobre
as condições de letramento dos jovens e adultos brasileiros. Os dados foram recolhidos
em uma amostra representativa da população entre 15 e 64 anos, à qual foram aplicados um
teste de leitura e um questionário, visando levantar informações sobre histórico educacional,
usos da linguagem escrita em diferentes contextos, além do julgamento das pessoas sobre suas
capacidades e disposições quanto à leitura e à escrita.
Um exame cuidadoso dos itens listados na resposta comentada da Atividade 2
mostra que as limitações identificadas nos itens 1 a 3 não são realmente limitações,
mas simplesmente características do meio impresso que, para muitas situações educa-
cionais e instrucionais, podem não ter qualquer relevância. Ou seja, quando o uso de
movimentos ou a representação em cores, por exemplo, não forem essenciais para a
compreensão de um determinado tema (conforme freqüentemente é o caso), o material
impresso não é desvantajoso.
O mesmo não podemos dizer acerca dos itens 4 a 6, mais preocupantes porque
podem realmente interferir na aprendizagem no momento em que esperamos de
nossos alunos proficiência leitora para a compreensão dos conteúdos oferecidos.
O boxe “Letramento no Brasil” apresenta resultados interessantes acerca dos níveis
de alfabetismo dos jovens e adultos brasileiros. Uma proporção significativa dos
aprendizes não sabe fazer um uso ótimo de materiais impressos e está mais adaptada
à informação visual. Particularmente, esse é o tema que mais me preocupa quanto à
utilização de materiais impressos, e me parece tão nevrálgico que gostaria de discuti-lo
de forma mais detalhada na próxima seção.
%% 2% 2% 2%
1% 11%
0% 50%
38%
%%% 2%% 2%
44% 44%
43% 43%
12% 12%
42% 42%
44% 44%
3% 13%
%%%%% 55%
30% 30%
% 66%
100%
90%
80%
70%
60%
50%
40%
30%
20%
10%
0%
Alfabetismo segundo o grau de escolaridade
Até 3ª série (447) De 4ª a 7ª série
(764)
Ensino Fundamental
Completo e Médio
incompleto (384)
Ensino Médio
completo ou mais
(405)
Alfabetismo Nível 3
Alfabetismo Nível 2
Alfabetismo Nível 1
Analfabetismo
M
a
i
s
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Aula 1 – Material impresso como recurso educacional: isso é história?
Analfabetismo
A maioria das pessoas classificadas como analfa-betas não acertou nenhum dos itens do teste. Algumas,
entretanto, conseguiram responder a um ou dois itens mais simples, que não exigiram decifração das
letras, como, por exemplo, apontar o nome da revista na capa da publicação utilizada para a testagem.
Nível 1 de alfabetismo
As pessoas que acertaram de 3 a 9 itens do teste foram classificadas no nível 1 de alfabetismo. Esse
grupo consegue localizar informações explícitas em textos muito curtos e também ler títulos bem
destacados.
Nível 2 de alfabetismo
O nível 2 de alfabetismo corresponde às pessoas que acertaram de 10 a 15 itens do teste. Conseguem, com
grande freqüência, localizar informações explícitas em textos curtos. Muitas conseguem também localizar
informações em textos de extensão média, mesmo que não estejam explícitas.
Nível 3 de alfabetismo
Foram classificadas no nível 3 de alfabetismo as pessoas que acertaram de 16 a 20 itens do teste. Essas
pessoas demonstraram capacidade de ler textos mais longos, podendo orientar-se pelos subtítulos,
além de localizar nos textos várias informações de acordo com as condições estabe-lecidas, estabelecer
relações entre as partes do texto, comparar dois textos e realizar inferências e sínteses.
Trechos extraídos da pesquisa realizada por Vera Masagão Ribeiro, Claudia Lemos Vóvio e Mayra Patrícia Moura, da
ONG Ação Educativa – Assessoria, Pesquisa e Informação.
Disponível em <http://www.cedes.unicamp.br>
Figura 1.2:
Em 1973, chegava
à nossa TV o Vila Sésamo,
versão brasileira da série educativa
norte-americana Sesame Street.
Garibaldo, Ênio, Beto e só um probleminha
com a Vila Sésamo
Sou capaz de arriscar que, mesmo se você for o
professor mais jovem do grupo, terá assistido, em
sua infância, a algum episódio ou fita de vídeo do
programa de TV Vila Sésamo. Além dos personagens
mais famosos, lembro-me claramente de elementos
que capturavam minha atenção de forma quase
magnética! Seqüências de números associadas
a figuras do dia-a-dia (...cinco cachorros... seis
carrinhos... sete lâmpadas...), uma espécie de
montanha-russa percorrida por uma bolinha
que ultrapassava diversos obstáculos, situações-
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Planejamento e elaboração de material didático impresso para EAD - elementos instrucionais e estratégias de ensino
Vale a pena conferir o endereço abaixo e relembrar
a seqüência do programa Vila Sésamo que mostra
uma bolinha trafegando em complexo sistema que
lembra uma montanha russa. Quem se recorda?
Não se esqueça de que o espaço Fórum Livre
– Aula 1 está disponível na Plataforma também
para você compartilhar as influências de seus
hábitos de infância, da sua criação, na formação
de seu perfil como aluno, como professor .
problema gravíssimas como a falta de luz bem na hora em que Ênio ia para o banho, sem
ter conseguido achar seu patinho de borracha... Eram imagens que falavam comigo!
E eu cresci associando números a quantidades, deixando-me impregnar da idéia de sistemas
complexos e aprendendo a resolver problemas junto com uma ave azul de três metros de
altura, um sapo com jeito introspectivo que inspirava terapia, um sem-número de fantoches
com nomes tão esquisitos quanto Gugu, Funga-Funga e Come-Come, além de alguns seres
humanos para contrabalançar, é claro! Tudo isso enquanto almoçava calmamente em
frente à TV, assistindo a um programa educativo e divertido como há muito tempo não se
vê por aí.
http://www.youtube.com/watch?v=ewalHF0T0GY
Nós (se você me permite o plural), da geração Vila Sésamo, crescemos acostumados
a decodificar informações cujo apelo visual exercia um papel fundamental. Da mesma
forma, nossos estudantes foram criados na era televisiva. Programas de formatos variados
trazem, cada vez mais, informações já pensadas, concluídas e, não raramente, com menor
comprometimento educacional do que aquele sob o comando do Garibaldo.
Quando passamos à educação formal e ao conseqüente convívio, cada vez maior,
com materiais impressos tais como livros didáticos e paradidáticos, contamos com uma
figura decisiva ao nosso lado: o professor. Eventuais lacunas em nossa proficiência
leitora talvez tenham sido menos percebidas dada a presença constante do mestre em
sala de aula.
Multimídia
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Aula 1 – Material impresso como recurso educacional: isso é história?
Quando consideramos a educação a distância, em que alunos dependem da
conceituação de conteúdos textuais para procederem à sua aprendizagem, precisamos
ser capazes de resolver um problema mais grave do que a simples falta de luz na hora do
banho do Ênio. Como retomar o processo de concepção e conceituação de informações
a partir de um texto, como faziam mais freqüentemente nossos pais e avós ao lerem
contos populares? Como caminhar na contramão de quem está mais acostumado a
produzir a partir da imagem, cinética ou não?
Em materiais didáticos concebidos para ambientes digitais, a potencialidade do
elemento visual é naturalmente mantida. Digo potencialidade porque, curiosamente,
enquanto nos debatemos para superar as limitações de materiais impressos relativas à
impossibilidade de veiculação de movimento, som e interação, um número preocupante
de materiais didáticos digitais se atêm demasiadamente ao elemento textual. Parece
paradoxal que o consenso, quase global, ao redor das promessas tecnológicas como um
meio que finalmente possibilite romper paradigmas educacionais seja freqüentemente
acompanhado da criação de produtos digitais que em muito estão circunscritos às
ofertas cognitivas de um livro-texto convencional.
Antes de tudo, e principalmente, você é um educador. De cursos técnicos ou do
ensino superior, por meio de instrução formal ou informal, de jovens ou adultos: seu
propósito principal no contexto dessa capacitação é produzir bons materiais textuais
para instrução, sejam eles os materiais que você distribui em sala de aula, manuais de
atividades práticas em laboratório ou aulas para cursos a distância. Tornar a leitura
mais fácil para o leitor e, especialmente, para a sua aprendizagem, deve ser a maior
preocupação do educador.
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Planejamento e elaboração de material didático impresso para EAD - elementos instrucionais e estratégias de ensino
Matemática
Atividade Final
Atende aos objetivos 3, 4 e 5 j
Imagem e aprendizagem
Como fazer um uso equilibrado e potencializador do elemento imagético, de forma a
criar condições que favoreçam a aprendizagem? Observe páginas extraídas de diferentes
livros didáticos: Biologia, Matemática e Pedagogia. Tente detectar, em cada uma delas,
pelo menos um elemento gráfico que atenda mais eficazmente à aprendizagem de
conteúdos em uma dessas áreas.
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Aula 1 – Material impresso como recurso educacional: isso é história?
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Planejamento e elaboração de material didático impresso para EAD - elementos instrucionais e estratégias de ensino
Resposta comentada
A Matemática é uma ciência difícil de ensinar. A formalidade de uma linguagem própria
associada à freqüente necessidade do raciocínio lógico e abstrato fazem da Matemática
um desafio para alunos e professores. O elemento imagético é particularmente importante
na representação espacial, da perspectiva geométrica, contribuindo para a visualização de
conceitos. No entanto, ensinar Matemática contando histórias, contextualizando situações,
utilizando-se da linguagem escrita, é uma prática a que poucos professores devotam
atenção. No exemplo dado, repare a diagramação arejada valorizando a representação de
retas e planos, mas note também que há informações textuais, inclusive uma biografia que
traz a ciência para o mundo real. Some isso à comparação entre elementos geométricos
e uma figura humana e teremos bons pontos de conexão com o aluno. Possivelmente,
haveremos de ter mais chances de sucesso no ensino de Matemática.
Ensinar Biologia a partir de imagens é uma estratégia que prescinde de explicações. Fotos,
ilustrações, esquemas e diagramas são recursos que podem ser utilizados tanto quanto
sua criatividade e seus recursos de produção permitirem. É comum que os textos de aula
nessa área sejam excessivamente descritivos, longos, esgotando a capacidade analógica
do aluno em situações em que a imagem poderia ser mais eficazmente utilizada. Mesmo
com o farto uso de ilustrações, elementos periféricos adicionais, tais como verbetes e boxes
explicativos, contribuem para um design gráfico mais agradável e para aliviar um pouco o
peso do corpo do texto principal.
Se, por um lado, as ciências humanas são mais facilmente relacionáveis ao nosso cotidiano,
por outro, requerem mais inventividade para o uso de elementos imagéticos nos processos
de ensino e aprendizagem. É comum que as informações textuais nessas áreas sejam densas
e extensas, como um reflexo da necessidade natural de se exporem conteúdos sob forma
de descrição, reflexão e discussão. Um investimento diferenciado na diagramação, com o
texto “se movimentando” ao redor da imagem, associado ao uso de boxes, verbetes e demais
elementos periféricos contribui muito para facilitar a apreensão da informação, que fica mais
limpa, destacando-se no suporte impresso em que é veiculada. O uso de analogias, nesse
caso, é particularmente valioso, pois permite conexões com situações, contextos e demais
áreas do saber que em muito contribuem para o aluno expandir seu horizonte cognitivo.
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Aula 1 – Material impresso como recurso educacional: isso é história?
No exemplo, os professores propõem aos alunos “uma viagem pelas terras dos
Fundamentos da Educação”, em que um trem, ilustrado desde a capa do volume, simboliza
um meio de percurso pelas estações e temas da disciplina.
Em qualquer dos exemplos discutidos, não se esqueça de que, ao ensinar qualquer
disciplina, você pode sempre usar a imagem para ilustrar melhor a história que está
contando e, assim, envolver mais seus leitores/alunos com o conteúdo, com você, com a
aprendizagem em si.
Resumo
A
s práticas seculares de ouvir e contar histórias fazem parte das
razões pelas quais os materiais impressos exercem um importante
papel na Educação a Distância. Além de serem bastante familiares,
compreendidos e aceitos pelos leitores, a utilização desses materiais
está associada a vantagens, tais como a flexibilidade de estudo no
tempo e no espaço, as diferentes rotas de navegação decorrentes
de uma arquitetura de informação bem articulada, sua adequação
para a oferta de grandes quantidades de conteúdo e, especialmente,
seu incomparável potencial de inclusão social. Limitações como a
impossibilidade de representação de movimento e a menor interação
entre pares devem ser consideradas quando da elaboração de aulas
voltadas para a mídia impressa. Restrições relativas à baixa capacidade
leitora e ao hábito associado à informação visual são questões de
relevância primordial ao se considerar, especificamente, a educação
a distância. Nesse sentido, elementos imagéticos podem contribuir
bastante para maior eficácia na aprendizagem, especialmente se
utilizados de acordo com as especificidades de cada área ou disciplina
a que se destinem.
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Planejamento e elaboração de material didático impresso para EAD - elementos instrucionais e estratégias de ensino
Leituras Recomendadas
Infelizmente, a literatura em português acerca de materiais didáticos impressos não é vasta.
Para complementar sua leitura nos temas que serão abordados no Módulo II, é importante
explorar materiais em língua estrangeira. Caso você tenha interesse em se aprofundar nos temas
abordados nessa primeira aula, recomendo a leitura de duas publicações:
MISANCHUCK, E.R. 1994. Preparing instructional text – Document design using desktop
publishing. Educational Technolgy Publications In: Willis, B (ed) Distance Education: Strategies
and Tools. Englewood Cliffs, New Jersey.
MERRIL, MD, 1994. Instructional Design Theory. 1ed. New Jersey: Educational Technology yy
Publications, Inc.
Bibliografia consultada
Burns, D., Venit, S. and Hansen, R. 1988. The electronic publisher. New York: Brady.
Clark R. E. 1984. Research on student thought processes during computer-based instructions.
Dick, W. & Carey, L. 1990. The systematic design of instruction. Glenview, I.L.: Scott, Foresman.
Felici, J. & Nace, T. 1987. Desktop publishing skills: a primer for typesetting with computers and
laser prints. Reading, M.A.: Addison-Wesley.
Misanchuck, E.R. 1994. Preparing instructional text – Document design using desktop
publishing. Educational Technolgy Publications
Englewood Cliffs, New Jersey. 307 pp.
Shushan, R. & Wright, D. 1989. Desktop publishing by design. Redmond, W.A.: Microsoft
Press.
West, S. 1987. Design for desktop publishing. In The Waite Group (J. Stockford, Ed.), Desktop
publishing bible (pp. 53-72). Indianapolis, IN: Howard W. Sams.
Zipes, J. 1986. Les contes de fées et k’art de ka sybersion. Payot, Paris.
Abramowicz, A. 1998. Contos de Perrault, imagens de mulheres.
http:wwwscielo.br/scielo.php?script=sci_arttex&pid=S0101-32621998000200006#back
Informações para a próxima aula
Na Aula 2, teremos a oportunidade de discutir aspectos gerais do desenho instrucional de materiais
didáticos impressos para EAD. Na verdade, você vai perceber, ao longo do módulo, que todas as
aulas se voltam para este mesmo tema central, buscando facilitar nosso trabalho como educadores:
priorizar a máxima eficácia instrucional como elemento supremo de nosso trabalho.
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Desenho instrucional
em materiais
didáticos impressos
– uma boa idéia!
Cristine Costa Barreto
2
Au
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Planejamento e elaboração de material didático impresso para EAD - elementos instrucionais e estratégias de ensino
Meta
Discutir os principais aspectos educacionais que subsidiam
a concepção de projeto instrucional para materiais didáticos
impressos na Educação a Distância (EAD).
Objetivos
Ao final desta aula, você deverá ser capaz de:
1. Identificar os níveis em que o desenho instrucional opera
em materiais educacionais.
2. Determinar as limitações envolvidas na decodificação
das informações e comportamentos típicos do ensino
presencial para a linguagem da Educação a Distância.
3. Definir estratégias que contribuem para essa
decodificação.
4. Relacionar a linguagem escrita ao desenvolvimento de
elementos que favoreçam a aprendizagem do aluno a
partir de suas capacidades cognitiva, motivacional e
emocional.
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Aula 2 – Desenho instrucional em materiais didáticos impressos – uma boa idéia!
O que é desenho instrucional?
Boa pergunta; você provavelmente está pensando... Mas antes de começarmos a
conversar sobre o tema, peço que observe a imagem a seguir. Essa é a fotografia de
um tipo de vegetal chamado repolho-romanesco, tão comum à mesa de europeus e
americanos quanto é a couve-flor à nossa. Agora responda: qual parte desse repolho
se assemelha a uma estrutura cônica? Enquanto observa a imagem e tenta responder à
pergunta, aproveite e pense também sobre o que é desenho instrucional e o que essa
comida caseira tem a ver com o conceito.
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:

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a
n

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Atividade 1
Atende ao objetivo 1 j
Um jantar geométrico
Fonte: www.sxc.hu/722018
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Planejamento e elaboração de material didático impresso para EAD - elementos instrucionais e estratégias de ensino
E o que isso tem a ver com desenho instrucional? Aparentemente, não muito.
Mas assim como um exercício menos usual nos permite enxergar cones em repolhos
e formas geométricas no jantar, se prosseguirmos com a criatividade trabalhando a
nosso favor, podemos fazer uma analogia entre geometria fractal e processos de criação
de elementos instrucionais na Educação, só para começar. Não sabe bem o que é
geometria fractal? Então, dá uma olhada no boxe “Qual o tamanho do repolho?” antes
de passar à próxima seção, para continuarmos a conversa.
Resposta comentada
Se você é um bom observador, provavelmente detectou estruturas cônicas em, pelo
menos, três níveis do repolho-romanesco da foto. O repolho inteiro tem aspecto cônico,
mas é constituído de estruturas que parecem pequenas árvores de Natal que também se
assemelham a cones. Olhando ainda mais atentamente, cada “árvore” é constituída de
estruturas mais delicadas que, da mesma forma, possuem aspecto cônico. A foto sugere
que essa repetição de padrões cônicos se
dê, pelo menos, em mais uma escala de
observação, mais detalhada, e provoca
a imaginação que nos desafia a pensar
até aonde vai a auto-similaridade do
repolho-romanesco.
Auto-similaridade
Qualidade de um objeto que exibe uma
mesma aparência em diversas escalas de
observação; cujas partes são similares
ao todo e umas às outras.
Qual o tamanho do repolho?
D
iferentemente da geometria euclidiana, que aprendemos na escola, a geometria fractal
não trata de formas regulares como um quadrado ou um cone. Fractal é o nome dado
a uma forma geométrica irregular que pode ser subdividida em partes, e cada parte será uma
cópia reduzida da forma do todo. De modo simplificado, podemos dizer que é um objeto que se
apresenta igual aos nossos olhos por mais que nos aproximemos ou nos afastemos dele, algo
como um essencial quadro dentro de um quadro, dentro de um quadro, infinitamente. Uma das
características de um objeto fractal é ter comprimento infinito. Seu comprimento ou área (ou o
tamanho) são crescentes conforme tentamos medi-los com maior precisão, ou seja, conforme
vamos incluindo cada vez mais detalhes de suas formas na nossa medição. Um dos exemplos
mais famosos é o Floco de Neve de Koch:
M
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i
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Aula 2 – Desenho instrucional em materiais didáticos impressos – uma boa idéia!
Na natureza, poucas formas são consideradas
fractais de fato, embora possamos dizer que
algumas apresentem um padrão essencialmente
auto-similar, como é o caso do repolho-roma-
nesco. Dentro de uma certa escala, a estrutura
cônica do repolho se repete e, se fôssemos tentar
medir sua superfície com precisão cada vez maior,
levando em consideração cada vez mais detalhes
geométricos, perceberíamos que podemos ter
para o jantar um prato de tamanho infinito e que
nem por isso engorda mais!
Ensinar: a forma mais elevada de compreensão
O trabalho do professor apenas é conseqüencial no momento em que é compreendido
pelos estudantes... Ensinar tanto educa quanto seduz futuros estudantes... Grandes
professores estimulam a aprendizagem ativa, não a passiva, e encorajam seus alunos a
serem críticos, pensadores criativos, com a capacidade de prosseguir aprendendo... De
fato, como Aristóteles disse, “Ensinar é a forma mais elevada de compreensão”
(BOYER, 1990).
Se tivesse de responder a você, objetivamente, o que é desenho instrucional, eu
diria que é uma boa idéia que encontrou caminhos para fazer diferença na vida de
alguém que está tentando aprender alguma coisa. Para que esses caminhos sejam
encontrados, uma série de etapas devem ser cuidadosamente planejadas e executadas,
antes de termos certeza de que, como educadores, tivemos de fato uma idéia que
contribuiu para ensinarmos melhor. Há muitas definições para o termo desenho
instrucional. Basta você entrar com o termo em qualquer site de busca, para se deparar
com milhares de resultados possíveis. Uma conceituação que me agrada, especialmente
por sua abrangência, é descrita no boxe “Conceituando Desenho Instrucional”.
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Planejamento e elaboração de material didático impresso para EAD - elementos instrucionais e estratégias de ensino
No que se refere à Educação, o desenho instrucional é um processo que ocorre
em vários níveis. De forma geral, está voltado para assegurar a qualidade da instrução
em materiais que pretendam ensinar algum conteúdo ou procedimento. Mas para
assegurar essa qualidade em uma aula para EAD, por exemplo, o processo inteiro inclui
a análise das demandas de aprendizagem em um determinado contexto educacional,
o desenvolvimento de um sistema que atenda a essas demandas, a concepção de
estratégias e materiais instrucionais que reflitam as especificidades das diversas
modalidades de ensino e das diversas áreas de saber, além de mecanismos que nos
permitam testar e avaliar a eficácia das diretrizes estabelecidas em todos os níveis de
uma proposta político-pedagógica.
Por mais que os níveis sejam considerados, todos evidenciam e repetem um mesmo
padrão: a busca por melhor ensino e melhor aprendizagem. Uma espécie de sistema
auto-similar em que cada nível reproduz, em termos de princípios educacionais, uma
mesma estrutura global, como os cones do repolho-romanesco. Freqüentemente
precisaremos ir e vir, de um nível para o outro, de forma sistemática, para garantir
que todas as etapas sejam cumpridas, para aperfeiçoá-las de acordo com a evolução
das descobertas, resultados de avaliações, surgimento de novas demandas, mudanças
em cenários políticos, econômicos ou sociais, garantindo a integridade de cada parte e
abrindo caminhos seguros para cada uma das boas idéias que tivermos. Esse processo
é dinâmico, de movimentos incessantes, de um nível instrucional para o outro, para
facilitar a aprendizagem de grandes e pequenas unidades de conteúdo em níveis de
complexidade altos e baixos. Isso é o que garante a qualidade do material educacional.
Isso é o que define um bom desenho instrucional.
Conceituando Desenho Instrucional
D
esenho Instrucional é o desenvolvimento sistemático de materiais e processos educativos visando à alta
qualidade do aprendizado. Fundamenta-se em teorias comportamentais, cognitivas e construtivistas, a
fim de solucionar problemas relacionados à capacitação e educação.
Envolve etapas de análise de necessidades, análise dos objetivos educacionais, análise das condições
ambientais sob as quais o aprendizado deve ocorrer, bem como a avaliação de materiais educativos,
processos e resultados. Pode ser aplicado ao planejamento e desenvolvimento de cursos, materiais e
atividades didáticas através de diferentes mídias.
Fonte: http://www.idprojetoseducacionais.com.br/home.php
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Aula 2 – Desenho instrucional em materiais didáticos impressos – uma boa idéia!
A essa altura, você pode estar pensando que essas idéias até fazem algum
sentido, mas é difícil compreendê-las, combiná-las e aplicá-las a um contexto específico,
que seja útil para você, como professor desafiado a escrever uma aula (na verdade,
várias!) para um curso na modalidade de Educação a Distância. Tem razão. Então,
vamos ajustar nosso foco e falar de desenho instrucional em um dos níveis mais
importantes do nosso sistema: a aula.
Uma boa aula não termina em silêncio!
Naturalmente, as estratégias que asseguram a qualidade na Educação, presencial ou
a distância, diferem dependendo do nível que estejamos considerando. Embora, como
educadores, nos caiba a difícil tarefa de manter um olho na árvore e o outro na floresta
(sem ficarmos tontos!), no Módulo II estaremos mais voltados para os elementos que
compõem um bom desenho instrucional no nível de uma aula. Essa é uma opção que
nos garante abordagem mais pragmática e maior eficácia para transpormos juntos a
distância entre o que você já sabe e o que você precisa saber para elaborar aulas que
integrem materiais impressos para a Educação a Distância.
Na maior parte das vezes em que me deparei com livros voltados para a capacitação na
elaboração de aulas e outros materiais didáticos para a EAD, tive a estranha sensação de
que diferentes sistemas instrucionais eram representados por meio de uma infinitude de
diagramas e fluxogramas que me pareciam, freqüentemente, vazios. Não vazios, de fato.
Mas que informavam que atividades são um aspecto distintivo e imperativo para a EAD,
e diziam pouco acerca de como criá-las e em que contexto utilizá-las. Que insistiam na
necessidade de uma linguagem dialógica, sem de fato darem subsídios para a organização
mental que nos permitiria escrever adequadamente para nossos alunos. Que chamavam a
atenção para a importância de o material didático atender a diferentes interesses e perfis
cognitivos dos estudantes, como se esse fosse um cenário facilmente traduzido em ações
e bons resultados. Que repetiam, quase como um mantra, a necessidade de se estimular
a autonomia do aluno, como se fosse fácil não confundir autonomia com uma tremenda
carga de trabalho associada a muitas contradições.
As poucas vezes em que tive ajuda relevante nessa direção, senti-me como um
náufrago que tem um bote para salvá-lo e que, de repente, ganha o remo e a bússola que
faltavam para poder remar na direção certa de um porto seguro. Gostaria de preencher
alguns desses diagramas e fluxogramas vazios, tentando explicar como e por que fazer
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38
Planejamento e elaboração de material didático impresso para EAD - elementos instrucionais e estratégias de ensino
um bom desenho instrucional em uma aula de EAD, em vez de meramente dizer seu
significado. Gostaria de privilegiar a natureza mais prescritiva das teorias de instrução
em vez da natureza mais descritiva das teorias de aprendizagem. E, acredite, vamos ter
bastante trabalho para fazermos tudo isso no nível de uma aula apenas. Que nosso
heróico bote venha com remo e bússola!
Figura 2.1: Sem as diretrizes, exemplificações e orientações
adequadas, é difícil para nós, professores, nos orientarmos
no sentido correto, em meio a um oceano de dúvidas, ao
escrevermos uma aula para EAD que faça diferença na vida de
quem está tentando aprender o que temos para ensinar.
Fonte: www.sxc.hu
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o
Um ponto de partida para escolher para que lado começar a remar é se dar conta
de que, se você estiver escrevendo uma aula do mesmo modo que escreveu aquele
maravilhoso capítulo daquele fantástico livro-texto muito importante na sua área, você
está remando na direção errada! Isso porque uma aula na Educação a Distância deve
tentar fazer tudo que você faria pessoalmente, em sala de aula, com seus alunos, e não
apenas dar a conhecer o conteúdo de que você é especialista e, certamente, domina tão r
bem. Assim como você, sua aula deve ser capaz de ensinar!
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Aula 2 – Desenho instrucional em materiais didáticos impressos – uma boa idéia!
Atividade 2
Atende ao objetivo 2 j
Na minha sala de aula...
a. Pense em uma coisa que você costuma fazer em suas aulas no ensino presencial e que
acredita que não seria capaz de fazer por meio de uma aula impressa.
b. Agora reflita: por que essa impossibilidade? Pense um pouco em como contorná-la,
antes de ler a resposta comentada a seguir.
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Fonte: www.sxc.hu
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Planejamento e elaboração de material didático impresso para EAD - elementos instrucionais e estratégias de ensino
Respostas comentadas
a. Você há de concordar comigo: uma das limitações mais difíceis de serem contornadas
em um material textual é a menor possibilidade de interação que oferece. Provavelmente,
o que quer que você tenha pensado deve ter relação com essa limitação. Em sala, você não
mostra apenas o que sabe, mas se revela como uma pessoa real, capaz de olhar em volta,
conhecer o ambiente e os alunos, gerar estímulos motivacionais com sua movimentação,
olhar e voz; incitar em vez de responder. É a pessoalidade de que tanto se ressentem os
alunos de EAD. Por outro lado, você pode estar em sala de aula e seus alunos darem tanta
atenção a você quanto a alguém que esgota um conteúdo enquanto lê um livro-texto em
voz alta.
b. Há estratégias que favorecem a interação em materiais impressos (veja alguns exemplos
em seguida da atividade). Em grande medida, essas estratégias consistem na formalização
e codificação de informações normalmente comunicadas de outras maneiras – algumas
vezes não verbais – a um estudante típico, em uma sala de aula presencial. Ou você acha
que algum aluno seu precisou de mais de 30 segundos, após você entrar em sala pela
primeira vez, para se engajar em um festival de cálculos na tentativa de responder quem
é esse professor, qual seu estilo, o que posso esperar dessa aula hoje e durante todo o
ano? Isso, claro, sem você abrir a boca! Portanto, dar as boas-vindas pode ser uma boa
estratégia para se antecipar aos seus alunos. Afinal, mesmo em seus primeiros dias como
professor, você jamais pensaria em entrar em sala de aula e começar a ensinar sem antes
se apresentar a uma turma de novos alunos, certo? O mesmo em relação ao assunto da sua
disciplina. Pois quando estiver elaborando sua aula impressa para EAD, você não deveria
fazer menos que isso. Mais ainda, prover informações a seu respeito, como acadêmico ou
indivíduo, dá o tom para que se estabeleça um diálogo entre você e seus alunos. E alunos
são sempre alunos; uma aula é sempre uma aula e deve dar sempre o que falar.
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Aula 2 – Desenho instrucional em materiais didáticos impressos – uma boa idéia!
Você pode ter considerado outras estratégias, além das boas-vindas, para reproduzir
um pouco o clima da sua sala de aula, aumentar o potencial de interação nas aulas
impressas, dialogar e atender mais às expectativas dos alunos. Algumas possibilidades
estão descritas a seguir. Se você pensou em outras opções, aproveite o espaço Fórum Livre
– Aula 2, na Plataforma, para trocar outras impressões com os demais alunos da turma.
Esclareça suas metas e critérios de avaliação.
Em um curso presencial, as metas de sua disciplina (em termos
bastante gerais) são comunicadas aos alunos de uma série de maneiras
ao longo de um considerável período de tempo, usualmente todo um
semestre letivo. Você certamente faz comentários formais e informais
que ajudam ao seu aluno saber o que você considera importante
como resultados a serem atingidos, o que privilegiar ao se preparar
para uma avaliação etc.
Em um curso fortemente baseado em materiais impressos, essas oportunidades,
especialmente as que envolvem a comunicação informal, naturalmente são mais restritas.
É importante que as metas de sua disciplina – e de cada aula – sejam explicadas de forma
clara e completa no início, de forma a permitir que os alunos saibam, antecipadamente,
em que processo estão se envolvendo. Mapas conceituais, índices de conteúdo, objetivos
de aprendizagem, são elementos convenientes para comunicar a estrutura e o escopo de
uma disciplina ou de uma aula. Além disso, os alunos devem saber exatamente o que
será esperado deles em termos das tarefas a serem submetidas, quantas avaliações haverá,
em que momento e local se realizarão, de que natureza serão (prova discursiva, prova de
múltipla escolha, trabalhos individuais ou em grupo), como serão avaliados etc.
Abuse dos exemplos e analogias.
Uma lacuna extremamente freqüente em materiais impressos é o
fato de não proverem exemplos suficientes. Isso pode não preocupar o
professor presencial porque, ao surgir a necessidade, no momento certo,
frente à dúvida levantada por seus alunos, ele será sempre capaz de
evocar um exemplo ou dois para ilustrar um ponto em que perceba que
os alunos estejam apresentando dificuldade. Na Educação a Distância, é especialmente
importante que a freqüência e qualidade dos exemplos seja uma preocupação antecipada.
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O mesmo se aplica ao uso de analogias, um importante instrumento para assistir os
alunos na incorporação de novas idéias ao seu conhecimento anterior. Uma vez que a
detecção de dificuldades de aprendizagem é difícil na Educação a Distância (pode ser
atrasada muito tempo), é melhor fazer um esforço consciente para prover analogias desde
o início. Nesta aula, por exemplo, usei o repolho-romanesco como uma imagem a partir
da qual você pudesse compreender que o desenho instrucional é uma estratégia que deve
ser aplicada em vários níveis educacionais.
Processamento aplicação: pratique a prática.
A prática é uma contribuição importante para a eficácia da
instrução. A “má prática da prática” e a trivialização das atividades
propostas aos alunos, mesmo no ensino presencial, nos mostra
que a maioria de nós poderia contribuir mais para a provisão de
processamentos mentais e aplicações de novos conhecimentos. Em
parte, porque nós professores estamos acostumados a pensar em avaliação (que é
estritamente ligada à prática) apenas muito depois de a instrução ocorrer. É necessário
um esforço consciente para assegurar que o conhecimento apresentado em uma aula,
em blocos de tamanho adequado, seja imediatamente seguido de alguma estratégia que
promova a reflexão (processamento) e a aplicação (prática) do conhecimento.
Veja lá como fala!
O tipo de linguagem utilizada em materiais impressos para a Educação a Distância
tem importância decisiva. Tão decisiva que resolvi falar desse tema em uma seção à
parte. Quando utilizada adequadamente, a linguagem pode persuadir os aprendizes a
experimentar interatividade, mesmo quando confinados a um meio de comunicação
largamente unidirecional.
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Atividade 3
Atende aos objetivos 3 e 4 j
Incitação
Leia atentamente o texto transcrito do livro História, do grego Heródoto de Halicarnasso,
citado por Ryszard Kapuscinski em “Minhas viagens com Heródoto - Entre a história e o
jornalismo”:
Os indianos são o mais numeroso povo que conhecemos
Esses indianos têm relações em público com as mulheres, como os animais.
São todos da mesma cor, que muito se aproxima da dos etíopes. O líquido
seminal, entre eles, não é branco, como acontece entre os outros homens,
mas negro como a sua própria pele e também semelhante ao dos etíopes.
Sem parar muito para pensar, escreva abaixo de uma a três coisas que você sentiu ao ler
o trecho de Heródoto.
1. ________________________________________________________________
2. ________________________________________________________________
3. ________________________________________________________________
Resposta comentada
Difícil seria imaginar todos os efeitos causados pela leitura do trecho anterior. Indignação?
Repulsa? Surpresa? Comicidade? Desprezo? Perplexidade? Estranhamento? Incompreensão?
A verdade é que o sentimento em si importa menos do que a percepção de que alguns
textos dificilmente nos passam despercebidos e têm a capacidade de nos provocar, seja
por seu conteúdo, seja pela forma como são escritos. É essa capacidade de envolvimento e
provocação que devemos buscar com a redação de nossas aulas.
Recentemente, uma amiga me mostrou um livro cujo conteúdo julgou fosse me
interessar para um projeto voltado para perspectivas de letramento e desenvolvimento
de estratégias para aumentar a capacidade leitora em alunos de Educação a Distância.
Ao folhear o livro com olhos e mente curiosos, deparei-me com uma passagem que
acabou me fazendo pensar na questão que discutimos agora. O autor diz que leitura é:
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Planejamento e elaboração de material didático impresso para EAD - elementos instrucionais e estratégias de ensino
Reorganizar entrelinhas e especular o não-dito que deixou um rastro mínimo na
penumbra de alguma frase de suma importância. Um quebra-cabeça que exige
inteligência, sensibilidade e atenção. Às vezes acontece de um tema ou de um arranjo
de palavras mexer muito conosco; aí temos mais é de colocar o marcador naquele
instante e ir tomar um ar, procurar outra atividade para fazer.
Jonas Ribeiro (Colcha de leituras - s Unindo amores. Alinhavando leitores). s
Perspicazes palavras! Em que pese textos instrucionais não tenham sido feitos
para dar margem a muitas especulações ou entrelinhas, têm a palavra escrita como
um enorme trunfo a favor de sua capacidade de persuasão, envolvimento, motivação
e provocação. Quantos filmes ou peças de teatro foram capazes de te arrebatar os
sentidos e te fazer levantar para tomar um ar? Agora me diz: quantas vezes você precisou
pousar o marcador dentro de um livro, pelo mesmo motivo?
Esses sentimentos, típicos da leitura opcional, são os que devemos tentar associar
à leitura como parte de nossa formação educacional. Um prazer que muitos de nós
perdemos no momento da nossa formação, em que deixamos de ler gratuitamente
e passamos a ler para atender a uma forma de cobrança acadêmica. O propósito por
trás da preparação de qualquer texto é a comunicação – fazer chegar uma mensagem
do emissor ao leitor, com o mínimo de distorção possível. Mas podemos fazer isso de
forma prazerosa e eficaz a um só tempo. Se você é um leitor incansável, já tem boa parte
do caminho andado!
O tripé do desenho instrucional para EAD
A obtenção de atenção e a motivação são fundamentais em materiais instrucionais
para a Educação a Distância. A importância desses elementos se torna especialmente
clara se considerarmos que, na educação presencial, eles estão essencialmente associados
à presença do professor. Essa responsabilidade não recai, principalmente, sobre os textos
instrucionais.
O desenho instrucional dos materiais didáticos para EAD é o que permite que as
aulas sejam envolventes, motivantes e relevantes, para além de substanciais. Uma vez
bem-feito, o desenho instrucional é imperceptível (ou invisível). Ou seja, o aprendiz ou o
leitor geralmente não se aperceberão de um desenho bem-feito. Eles serão transparentes.
O aprendiz/leitor pode se concentrar somente na informação enviada pelo autor, que se
lhe aparecerá de forma mais clara, mais evidente.
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Aula 2 – Desenho instrucional em materiais didáticos impressos – uma boa idéia!
Figura 2.2: As características distintivas
de materiais didáticos para EAD podem ser
representadas por um tripé que sustenta
o desenho instrucional de cada aula: (1)
objetivos de aprendizagem claros e precisos,
(2) linguagem cuja forma e significado sejam
claros e contextualizados, associada a uma
arquitetura da informação bem articulada,
(3) aprendizagem centrada em atividades que
incentivem a construção do conhecimento e a
resolução de problemas.
Fonte: www.sxc.hu/582105
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Apenas quando o desenho instrucional é pobre, o
aprendiz irá notar que alguma coisa está interferindo na
recepção da mensagem. E vai percebê-lo inequivocamente.
O uso dos princípios do desenho instrucional é mais
significativo na determinação da eficácia do material
didático do que a mídia (televisão, web, material
impresso) escolhida. Instrução mal desenhada não pode
ser resgatada nem pelo tratamento visual mais criativo.
Mas instruções bem desenhadas podem suportar um
considerável abuso de layout e design.
Embora tenhamos falado de forma mais genérica sobre
desenho instrucional nesta aula, daqui para frente passaremos
a considerar o desenho instrucional do material didático
impresso no que se refere aos elementos instrucionais que
constituem o tripé que alicerça nossas aulas: plane-jamento,
linguagem e atividades.
Nas aulas que se seguem, procuraremos abordar cada
componente do tripé de forma bastante objetiva, de
maneira descritiva e prescritiva, compartilhando com você, de forma prática e pragmática,
as estratégias e aplicações diretas dos conceitos que discutirmos na elaboração de nossas
aulas. Dessa forma, esperamos deixar claro que desenho instrucional é uma espécie de
quebra-cabeça, com peças obtidas a partir de variados níveis educacionais. Na Educação,
presencial ou a distância, o trabalho do professor depende de uma peça central para definir
a imagem de sucesso no ensino e aprendizagem. Essa peça, quem coloca é o aluno... Essa
peça é o aluno. é
Figura 2.3: Um bom desenho instrucional representa
peças de um quebra-cabeças que, uma vez reunidas,
favorecem a aprendizagem e podem contribuir para
a formação de estudantes autônomos, orientados de
forma predominantemente interna.
Fonte: www.sxc.hu/713537
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Atividade Final
Atende aos objetivos 3 e 4 j
Aos mestres com carinho
Os diálogos a seguir são traduções livres que fiz de trechos do roteiro de três filmes
em que a figura de um professor é central e decisiva. Leia os diálogos e, a partir deles,
pense, em pelo menos, uma coisa que cada professor retratado fez para contribuir para a
aprendizagem de seus alunos.
Filme: Ao mestre com carinho
Mark Thackeray: [entrando na sala e vendo fumaça] Todos
vocês, rapazes, fora. Moças, vocês fiquem onde estão. For
[fecha a porta]
Mark Thackeray: Estou cansado da sua linguagem
horrorosa, seu comportamento rude e seus modos
indignos. Há certas coisas que uma mulher decente deve
guardar para si, e que apenas uma desocupada, largada,
faria. Aquelas que a encorajaram são igualmente
desprezíveis. Eu não quero saber quem fez – para mim,
vocês são todas responsáveis. Agora, eu vou sair da sala
por cinco minutos e, nesse tempo, é melhor que aquele
objeto repugnante seja eliminado e as janelas abertas
para dissipar o mau cheiro. Se vocês querem jogar
esses jogos repugnantes, façam isso em suas casas, não em minha
sala de aula.
Filme: Sociedade dos poetas mortos
John Keating: Feche os olhos - cerrados! Feche-os! Agora,
descreva o que você vê.
Todd Anderson: Eu... Eu fecho meus olhos, e essa imagem
flutua ao meu lado.
John Keating: Um maluco suado e desdentado.
Todd Anderson: Um maluco suado e desdentado com um
olhar que encurrala meu cérebro.
John Keating: Ah, isso é excelente! Agora dê a ele alguma
ação – faça-o fazer algo!
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Aula 2 – Desenho instrucional em materiais didáticos impressos – uma boa idéia!
Todd Anderson: Ele estica as mãos e me estrangula.
John Keating: Isso! Maravilhoso, maravilhoso!
Todd Anderson: E todo o tempo ele está resmungando.
John Keating: O que ele está resmungando?
Todd Anderson: Resmungando a verdade... A verdade é como um cobertor curto... Sempre
deixa seus pés com frio.
John Keating: [alguns na sala começam a rir] Esqueça-os, esqueça-os! Se concentra no r
cobertor. Me fala sobre esse cobertor!
Todd Anderson: V-você empurra, estica, não é nunca suficiente. Você chuta-o, bate, e
ele não vai nunca cobrir nenhum de nós. Do momento em que entramos chorando até o
momento em que saímos morrendo, ele vai cobrir somente a sua cabeça, enquanto você
lamenta e chora e grita!
Filme: Escola de rock
Dewey Finn: [continua a falar sobre “O Cara”] Sim ”
você não pode apenas dizer isso. Você tem que se
isso no seu sangue e nas suas entranhas! Se você
quiser o rock, você tem que quebrar regras. Você kk
que ficar possesso com O Cara! E bem agora, eu s
O Cara. Isso mesmo, eu sou O Cara, e quem vai te
peito de me demitir? Hein? Quem vai me demitir?
Freddy: Cala o diabo da boca!
Dewey Finn: É isso aí, Freddy, é isso aí! Quem vai
superá-lo?
Alicia: Cai fora daqui, seu idiota.
Dewey Finn: Sim, Alicia!
Summer Hathaway: Você é uma piada, você é o
professor que eu já tive!
Dewey Finn: Summer, isso é demais! Gostei da fala porque eu senti a sua raiva!
Summer Hathaway: Obrigada.
Lawrence: Você é um gordo perdedor e seu corpo fede.
Dewey Finn: ...Ok, ok! Todo mundo feliz e com raiva agora?
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Planejamento e elaboração de material didático impresso para EAD - elementos instrucionais e estratégias de ensino
Você é capaz de, no espaço abaixo, sintetizar o que mais o impressionou no compor-
tamento desses professores?
Resposta comentada
Você pode ter pensado em muitas coisas. Todos os professores provocaram seus alunos,
os fizeram sair do lugar-comum. Todos usaram de emoção, a sua própria e a dos alunos.
Todos mostraram pessoalidade. Todos tentaram provocar rompimentos de conceitos. Todos
deixaram clara a posição de mestre. Todos deixaram na mão do aluno a chance de colocar
uma peça no quebra-cabeça. Algo mais? Provavelmente, você percebeu coisas que para
mim chamaram menos a atenção.
E como você percebeu isso? Vendo o filme? Creio que não. Somente os diálogos, sem
absolutamente nenhum outro elemento explicativo, e pouquíssimas rubricas, deixaram
claros os comportamentos e as emoções por trás deles. Você se emocionou ao ler algum
desses trechos?
Você não está vendo o filme e eu não estou ao seu lado agora.
Fonte: www.sxc.hu/544853
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Aula 2 – Desenho instrucional em materiais didáticos impressos – uma boa idéia!
Leitura Recomendada
KAPUSCINSKI, R. Minhas viagens com Heródoto - Entre A história e o jornalismo. Companhia das
Letras. 2006, 312 pp.
Informações sobre a próxima aula
Na próxima aula, daremos início ao estudo de cada um dos principais elementos instrucionais
que sustentam materiais didáticos impressos para Educação a Distância. Nosso primeiro passo
será parar e planejar: como elaborar objetivos de aprendizagem?
Resumo
D
esenho Instrucional é o desenvolvimento sistemático de materiais
e processos educativos visando à alta qualidade da aprendizagem.
No que se refere à Educação, o desenho instrucional é um processo que
ocorre em vários níveis, desde a análise das demandas de aprendizagem
em um determinado contexto educacional até a elaboração de uma
aula, todos evidenciando e repetindo um mesmo objetivo: a busca
por melhor ensino e melhor aprendizagem. Uma das limitações de
materiais textuais é a menor possibilidade de interação que oferece.
Estratégias que favorecem a interação em materiais impressos
consistem, em grande medida, na formalização e codificação de
informações normalmente comunicadas de outras maneiras a um
estudante típico, em uma sala de aula presencial. Esclarecer metas
e critérios de avaliação, usar de exemplos e analogias, incentivar o
processamento e a aplicação dos conhecimentos são algumas dessas
estratégias. O tipo de linguagem utilizada em materiais impressos para
a Educação a Distância tem importância decisiva e pode favorecer ao
aluno a interatividade, o envolvimento e a provocação.
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Objetivos de
aprendizagem
3
Au
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Roberto Paes de Carvalho
Carlos Otoni Rabelo
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Planejamento e elaboração de material didático impresso para EAD - elementos instrucionais e estratégias de ensino
Meta da aula
Apresentar os elementos de organização prévia de
uma aula/curso e sua importância na produção
de aula para EAD, com ênfase à elaboração de
objetivos precisos.
Objetivos
Ao final desta aula, você deverá ser capaz de:
1. determinar elementos de organização prévia
numa aula;
2. definir objetivos de aprendizagem;
3. redigir objetivos de aprendizagem de forma
precisa.
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Aula 3 – Objetivos de aprendizagem
A flecha e o alvo
Os esportes olímpicos representam ideais de superação, precisão técnica e
espírito competitivo, dentre outros. Além disso, somente em jogos olímpicos
temos contato com atividades esportivas pouco comuns à nossa realidade, como
ginástica rítmica, nado sincronizado e arco-e-flecha, por exemplo. Particularmente
este último servirá de referência para iniciarmos esta aula.
No arco-e-flecha, o atirador se coloca a uma determinada distância do alvo,
formado por dez círculos concêntricos. O círculo central, também denominado
“mosca”, vale dez pontos; cada círculo seguinte perde um ponto em valor. Para
vencer, o competidor tem de somar o maior número possível de pontos enquanto
se empenha em lançar uma flecha no círculo central. Portanto, quando o jogador
não acerta na mosca, suas chances de sair vitorioso são notadamente menores.
Para alcançar seus objetivos, o arqueiro deve praticar uma série de atividades
– elaboradas e controladas pelo técnico – a fim de lograr êxito em seu desempenho.
O arqueiro só poderá considerar-se pronto
para uma competição à medida que domina
as técnicas e os fundamentos do esporte e os
executa com precisão.
Agora imagine uma relação entre esse esporte
e o Ensino a Distância (EAD). Nele, o arqueiro
corresponderia ao aluno, o técnico ao professor
e a mosca ao(s) objetivo(s) de uma sessão de
aprendizagem. A seqüência de atividades desen-
volvidas (o treinamento) seria a aplicação do
conhecimento adquirido pelo estudante. Afinal,
quem disse que o arqueiro – ou qualquer outro
atleta – também não é um estudante?
É a partir dessa comparação que iniciamos esta
aula que se propõe a apresentar, de forma breve,
alguns fundamentos teóricos acerca da impor-
tância da utilização de objetivos em materiais
impresso, bem como orientam sua utilização na
aprendizagem a distância.
Figura 3.1: No arco-e-flecha, assim como :
na EAD, os objetivos são valiosos e determi-
nantes para o êxito.
Fonte: www.sxc.hu/photo/602810
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Figura 3.2: Acertando na mosca.
Fonte: www.sxc.hu/photo/393663
mosca
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Planejamento e elaboração de material didático impresso para EAD - elementos instrucionais e estratégias de ensino
Um “pingo” de teoria: planejamento dos elementos
de organização prévia
Um princípio fundamental do desenho instrucional de material didático voltado
para EAD é o planejamento cuidadoso que deve preceder o desenvolvimento de
qualquer curso, independente da mídia. Do seu ponto de vista, como professor,
considere alguns aspectos tais como:
• É necessário antecipar como os futuros aprendizes – que podemos jamais vir a
encontrar! – irão se relacionar com o material didático e, portanto, é necessário
redigir antecipadamente todas as explicações necessárias à compreensão do conteúdo,
explicações que daríamos quase de forma inconsciente, se estivéssemos em sala de
aula com nossos alunos.
• O que antes era uma comunicação transitória e privada entre professor e alunos,
dentro de sala de aula, agora é compreendido, registrado e publicado em um
material que pode ser examinado e avaliado por alunos e colegas.
• Uma vez desenvolvidos e produzidos, o custo reformulação dos materiais pode ser
proibitivo para garantir modificações em um curto prazo.
Tais fatores parecem nos pressionar na direção de uma meta inevitável: garantir
que o material didático que produzimos seja tão eficaz quanto possível, antes de finali-
zarmos sua elaboração.
Do ponto de vista do aluno, é fundamental garantir um ambiente de aprendizagem
em que ele possa exercer todo o seu potencial autônomo de forma a realmente se
beneficiar de um sistema de aprendizagem flexível, no tempo, no espaço e em outras
dimensões de aprendizagem. Essa segurança pode ser oferecida em todos os níveis de
um sistema educacional, inclusive em uma aula.
Mais pragmaticamente, imagine, por exemplo, uma aula prática de Química em
EAD. Se o autor pretende fazer um ou mais experimentos, não seria interessante
alertar previamente o aluno sobre a necessidade de ele ter em mãos, antes de iniciar
a instrução, materiais necessários à aula em questão? Caso fosse uma aula de Biologia
Aquática, por exemplo, não seria necessário ao aluno saber quais conceitos prévios da
Biologia Geral precisam estar em mente para entender o novo conteúdo que segue?
Os elementos de organização prévia, do inglês advanced organizers, são as
informações trazidas no início da aula, que orientam o aluno acerca dos materiais e
conceitos que ele utilizará durante a aprendizagem. Aprofunde seus conhecimentos
lendo o boxe “Elementos de organização prévia”.
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Aula 3 – Objetivos de aprendizagem
Observe alguns exemplos destes elementos no quadro a seguir.
Quadro 3.1: Exemplos de elementos de organização prévia
Elementos de Organização Prévia (Advanced organizers) s
A
dvanced organizers é um conceito estabelecido e sistematicamente estudado por David s
Ausubel. A primeira aparição desse conceito se deu no artigo “O uso de elementos de
organização prévia no aprendizado e retenção de material verbal significativo” (The use of
advanced organizers in the learning and retention of meaningful verbal material - Journal of
Educational Psychology, nr. 51, 1960). yy
Influenciado pelas teorias de Jean Piaget, seu objetivo era provar, consistentemente, que
os advanced organizers facilitam o aprendizado. Tal posicionamento exerceu significativa s
influência no campo da Psicologia da Educação a partir da década de 1960.
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seja previamente disposta para o aluno.
Fonte: http://www.sxc.hu/photo/466348
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Planejamento e elaboração de material didático impresso para EAD - elementos instrucionais e estratégias de ensino
Atividade 1
Relacionada ao objetivo 1 j
Definindo elementos de organização prévia
Observe o seguinte experimento prático, de uma aula de Ciências, para aplicar o conceito
de tensão superficial:
No caso de uma atividade prática como essa, que propõe a realização de um experimento,
naturalmente os materiais que devem ser discriminados para o aluno antes do início do
seu estudo incluem um copo de vidro, água, detergente, agulha, conta-gotas e pinça.
Mas nem sempre as atividades que propomos são práticas, e mesmo se forem, pode
haver conceitos teóricos necessários à sua realização e compreensão que devem ser
Caracterizando tensão superficial
Esta atividade é um pouco diferente das demais que você
encontrou nesta aula pois é prática. Para realizá-la, você
precisará de alguns materiais bastante simples, como:
- 1 copo de vidro;
- água;
- 1 colher de sopa de detergente;
- 1 agulha (alfinete também serve);
- 1 conta-gotas;
- 1 pinça.
Tendo em mãos estes materiais, realize a seguinte seqüência
de procedimentos:
1. encha o copo com a água;
2. pegue a agulha com a pinça;
3. coloque cuidadosamente a agulha sobre a água;
4. com o conta-gotas, adicione lentamente o detergente ao
copo d’água. Observe o comportamento da agulha durante
suas adições.
O que aconteceu com a agulha depois de você adicionar deter-
gente ao copo d’água? Como você explicaria este fenômeno?
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Aula 3 – Objetivos de aprendizagem
destacados como pré-requisitos. Assim, materiais utilizados em um experimento bem
como elementos conceituais podem ser fundamentais para que uma atividade seja
realizada com sucesso.
Partindo deste modelo, imagine agora uma atividade qualquer, prática ou não, que você
possa propor em sua disciplina. Considere qualquer tema, de qualquer aula, pense em uma
pergunta que você faz comumente em sala de aula ou um experimento que faz parte de
seu conteúdo programático. Pense em um tema de que você goste. Pensou? Agora pense
quais os elementos de organização prévia que você deve informar ao seu aluno como pré-
requisito para a realização da atividade que você imaginou. Liste-os abaixo.
1. ______________________________
2. ______________________________
3. ______________________________
4. ______________________________
5. ______________________________
6. ______________________________
Resposta Comentada
Naturalmente não há apenas uma resposta para essa atividade. Esse foi apenas um
exercício para você praticar o conceito de elementos de organização prévia como pré-
requisitos à realização de uma atividade. Mas o importante mesmo é perceber que esses
elementos podem ser muito variados, e variam quanto à função que apresentam em
uma aula. Assim, além de pré-requisitos, informações preliminares tais como mapas
conceituais, orientações de estudo, leituras prévias, dentre outros, são comumente
apresentados no início de uma aula, unidade ou livro, de forma a oferecer ao aprendiz uma
idéia geral do que deve ser procedido para auxiliá-lo a organizar sua aprendizagem. Na
seção a seguir, vamos falar sobre um dos elementos de organização prévia mais relevantes
para a elaboração de materiais didáticos impressos para EAD.
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Planejamento e elaboração de material didático impresso para EAD - elementos instrucionais e estratégias de ensino
Metas e objetivos: poucas palavras,
muita importância
Imagine que você tem em mãos um livro didático para EAD. O título do livro é
O universo, a Terra, homem, evolução e origens. Imagine ainda que você começa a folhear
esse livro e se depara com os objetivos da primeira aula. Você lê, no topo da primeira
página, o seguinte objetivo:
• Fazer o estudante compreender a natureza e a composição do Universo e também
rastrear a origem da vida em geral bem como a origem e o desenvolvimento do
Homem, em particular.
Qual seria sua reação a esse objetivo? A situação que ilustrei foi transcrita
de um livro voltado para o design e a produção de materiais auto-instrucionais.
O autor segue a narrativa dizendo que a sua reação seria uma mistura de admiração
e incredulidade! Admiração pela abrangência da colocação. Incredulidade que isso
pudesse ser considerado um objetivo. E atribui a reação à possibilidade de diferentes
entendimentos acerca do que sejam metas e objetivos e sugere fortemente que um bom
tempo seja destinado a discussões entre colegas da mesma instituição para conceituar
esses termos.
No caso de nossas aulas, consideramos meta como uma descrição, em termos
bastante gerais, do que o professor pretende fazer ao longo de uma aula (ou de um
curso). Algumas características de uma meta de aula, conforme você poderá confirmar
ao longo de todo o Módulo II, são:
• Relacionar-se ao que o professor irá fazer naquela aula (as atividades dos estudantes
não são mencionadas explicitamente).
• Expressar a intenção do professor, sem especificações precisas do que será realizado.
A meta de uma aula define o conteúdo principal a ser abordado, de forma ampla,
situando-a em um contexto mais abrangente. Veja mais sobre a meta no boxe “Meta,
ementa ou conteúdo”.
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Aula 3 – Objetivos de aprendizagem
Meta, ementa ou conteúdo?
Diversos programas de EAD possuem formas distintas de apresentar a meta como elemento de
organização prévia, e essa variação segue critérios oriundos de linhas metodológico-editoriais
particulares.
No curso de pós-graduação a distância em Língua Portuguesa (2001), organizado pela UFRJ-
SEAD (em convênio com o Exército Brasileiro), por exemplo, adotou-se a divulgação do
conteúdo em vez de meta:
Conteúdo
- texto e discurso
- diferença entre coesão textual e coerência textual
- a coesão referencial
- a coesão seqüencial
- a coesão recorrencial
(In: Descrição do português à luz da lingüística do texto. OLIVEIRA,
H. F. Rio de Janeiro: CEP⁄SEAD, 2001)
Já no Curso de Aperfeiçoamento para Dirigentes Municipais (Gestão em Saúde), organizado
pela Escola Nacional de Saúde Pública (ENSP) da Fundação Oswaldo Cruz (FIOCRUZ), em
parceria com a UnB e com a FINATEC, foi adotada a ementa em vez de meta para designar a
composição dos módulos de ensino:
Ementa
O processo de saúde-doença: fatores de vida, adoecimento e morte das
pessoas. Apreciação histórica e cultural do processo saúde-doença e
das práticas de saúde correspondentes. Os fenômenos contemporâneos
de transição da estrutura populacional e da distribuição de doenças na
sociedade. Modelos de explicação do processo saúde-doença.
(In: Unidade I: formulação de políticas de saúde. Brasília: UnB, 1998)
M
a
i
s
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60
Planejamento e elaboração de material didático impresso para EAD - elementos instrucionais e estratégias de ensino
Dentre os elementos de organização prévia apresentados, merecem destaque os
objetivos, que são o foco principal desta aula.
Segundo o Dicionário Houaiss da língua portuguesa, objetivo quer dizer o que se quer
alcançar, sem rodeios, direto, funcional.
E de que forma tal definição nos ajuda a entender a importância da definição dos
objetivos em materiais impressos para a Educação a Distância? Fácil: os objetivos de
uma aula devem identificar claramente aquilo que você, professor, espera que o aluno
alcance ao final de uma aula. Se queremos saber se estamos ensinando corretamente,
devemos ter uma percepção clara do que deve ser atingido.
Em outras palavras, os objetivos estabelecem prioridades no conteúdo de uma
aula e definem exatamente o que o aluno deverá ser capaz de executar ao final de seu
estudo. Eles estão listados no início de cada aula, para que o aluno saiba quais pontos
são mais importantes.
O estabelecimento de objetivos contribui ainda para orientar o desempenho do
estudante, uma vez que norteiam a elaboração das atividades encontradas numa aula.
Explorando o conhecimento: como utilizar
tais elementos
Certas palavras (verbos ou locuções verbais, mais precisamente) concorrem para um
grau de maior ou menor eficiência e precisão e isso não é simplesmente uma questão
de gosto.
Selecionar uma palavra é, obrigatoriamente, abrir mão de outra, haja vista as imensas
possibilidades que existem em qualquer língua. Alguns verbos são mais precisos que outros
uma vez que definem exatamente o que o aluno deve executar ao final do seu estudo.
Antes de continuarmos a conversa, façamos um rápido exercício que vai ajudar a
compreender melhor a importância de escolher a palavra certa na redação de objetivos de
aprendizagem. Preencha o quadro a seguir respondendo à pergunta: Onde você mora?
Fonte: www.sxc.hu/544853
F
o
t
o
:

R
o
s
e

A
n
n
F
o
t
o
:
R
o
s
e
A
n
n
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Aula 3 – Objetivos de aprendizagem
Como você respondeu? Disse que morava no Brasil? Preencheu com o nome de seu
estado? Considerou apenas seu bairro ou optou por incluir o nome da rua, o número
do prédio etc? Provavelmente você teve dúvidas sobre o quão específico você deveria
ser. E se a pergunta fosse “Qual o seu endereço completo”?
Com certeza a variedade de respostas possíveis, nesse caso, é bem menor.
Ainda que você não tenha mencionado algum dado, como seu país por exemplo,
provavelmente anotou seu estado, cidade, bairro, rua, o número de seu prédio e
apartamento e talvez mesmo o CEP.
Isso revela que perguntas imprecisas provocam respostas variadas. Da mesma
maneira, alguns verbos denotam ações mais precisas que outros.
Observe as duas relações de verbos a seguir. Qual dos dois grupos indica
ações mais precisas?
Quadro 3.2: Verbos e seus graus de precisão
Lista A Lista B
Definir
Descrever
Listar
Distinguir
Aplicar
Comparar
Estabelecer
Identificar
Relacionar argumentos
Representar graficamente
Reconhecer
Ordenar
Exemplificar
Avaliar
Diferenciar
Compreender
Saber
Ter entendimento sobre
Apreciar
Ter noções de
Estar ciente de
Perceber
Perceber o significado de
Obter conhecimentos sobre
Acreditar em
Demonstrar
Familiarizar-se
Ter sentimento de
Informar-se
Dominar
Naturalmente, você respondeu que os verbos da lista A têm maior precisão. Mas
por que se preocupar tanto com isso na hora de redigir os objetivos de aprendizagem
de seu aluno? Simples: para ele saber exatamente o que você quer que ele saiba ou faça
ao final de cada aula.
Não podemos observar diretamente o acúmulo de conhecimento ou a aquisição de
habilidades estabelecidos nos objetivos, uma vez que são aspectos internos aos indivíduos.
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Planejamento e elaboração de material didático impresso para EAD - elementos instrucionais e estratégias de ensino
Mas podemos, no entanto, buscar evidências desses aspectos observando a maneira
como os estudantes se comportam. Por isso, objetivos de aprendizagem são estabelecidos,
tanto quanto possível, em termos do que os estudantes devem estar aptos a fazer ao final
do processo de aprendizagem.
Uma boa maneira de justificar a escolha pelos verbos do primeiro quadro é pensar
nas atividades que atenderão aos objetivos predefinidos. Por exemplo, imagine que um
dos objetivos de aprendizagem de sua aula seja:
• Perceber a importância das atividades em materiais didáticos para Educação a
Distância.
Que tipo de atividade você proporia ao seu aluno para que ele demonstrasse que
percebeu a importância das atividades em materiais didáticos para EAD? Difícil, não?
Isso porque o verbo perceber pressupõe um comando extremamente vago e é provável
que o aluno não saiba exatamente o que deve responder. Em contrapartida, imagine
que o objetivo de aprendizagem fosse:
• Definir três aspectos associados à importância das atividades em materiais didáticos
para Educação a Distância.
Definir a importância é um comando muito mais preciso. E na verdade, é isso
que você quer que ele faça para demonstrar que percebeu a importância do tópico em
questão. Além disso, é muito mais fácil pensar em uma atividade que permita ao aluno
atingir esse objetivo de aprendizagem, por exemplo a partir da análise de um texto, ou
de uma atividade em que ele tenha que integrar diferentes tipos de informações.
Vale a pena lembrar que objetivos de aprendizagem devem ser atingidos pelo aluno
e, portanto, sua redação deve representar uma ação, comportamento, capacidade, que
ele será capaz de atingir ao final do estudo.
Veja dois exemplos que ilustram melhor o emprego de verbos no estabelecimento
de objetivos.
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Aula 3 – Objetivos de aprendizagem
o
b
j
e
t
i
v
o
Meta da aula
Introduzir o estudo dos mecanismos
neuro-hormonais de regulação da
pressão arterial.
• definir as reações do aparelho cardiovascular a um
estado de hipotensão decorrente de uma hemorragia.
11
Pressão arterial A
U
L
A
(o que o aluno
deverá ser
capaz de fazer
após estudar a
aula)
(informações
que o professor
vai oferecer)
Curso de Ciências Biológicas
o
b
j
e
t
i
v
o
Meta da aula
Apresentar os elementos de uma
Demonstração do Resultado do
Exercício (DRE) e como construí-la.
calcular os elementos de uma DRE, incluindo:
a) a provisão para o Imposto de Renda;
b) as participações;
c) o lucro líquido por ações.
3
Demonstração do
– DRE A
U
L
A
(o que o aluno
deverá ser
capaz de fazer
após estudar a
aula)
(informações
que o professor
vai oferecer)
Curso de Administração de Empresas
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64
Planejamento e elaboração de material didático impresso para EAD - elementos instrucionais e estratégias de ensino
Um objetivo não é algo isolado, mas sim intimamente relacionado com compe-
tências, estratégias e habilidades. Lembre-se de que, ao estabelecer seus objetivos para
uma aula, você deverá ter em mente as competências que seus alunos deverão ter, as
habilidades que precisarão desenvolver e as estratégias que deverão ser utilizadas para
a construção de conhecimento. Leia mais sobre o assunto nos boxes “Competências e
habilidades” e “As competências no ENEM”.
Competências e habilidades
Existe uma discussão entre os conceitos de competências e habilidades. No texto a seguir,
destacamos um trecho do documento Construir competências é virar as costas aos saberes?, ?? de
Philippe Perrenoud, que acreditamos irá esclarecer suas dúvidas:
(...) a noção de competências remete a situações nas quais é preciso tomar
decisões e resolver problemas. Por que limitaríamos as decisões e os
problemas, ou à esfera profissional, ou à vida cotidiana ? As competências são
necessárias para escolher a melhor tradução de um texto em latim, levantar
e resolver um problema com o auxílio de um sistema de equações com
várias incógnitas, verificar o princípio de Arquimedes, cultivar uma bactéria,
identificar as premissas de uma revolução ou calcular a data do próximo
eclipse solar.
(Philippe Perrenoud, 1999)
Para ler o texto na íntegra, acesse o link:
http://www.patiopaulista.sp.gov.br/downloads/36/construircompetencias_perrenoud.doc
Multimídia
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65
Aula 3 – Objetivos de aprendizagem
As competências do ENEM
O ENEM, Exame Nacional do Ensino Médio, foi instituído em 1998 com o objetivo principal de
avaliar o desempenho do aluno ao término da escolaridade básica. Para tanto são utilizadas
competências e habilidades para avaliação dos alunos.
Se formos tomar a prova de Redação como exemplo, veremos que nela são exigidas cinco
competências, listadas a seguir. Isso exemplifica ações potenciais a serem desenvolvidas pelo
aluno em cada um dos quesitos propostos para sua avaliação.
Competência nº 1
Dominar a norma culta da língua portuguesa e fazer uso das linguagens matemática, artística
e científica.
Competência nº 2
Construir e aplicar conceitos das várias áreas do conhecimento para a compreensão de
fenômenos naturais, de processos histórico-geográficos, da produção tecnológica e das
manifestações artísticas.
Competência nº 3
Selecionar, organizar, relacionar e interpretar dados e informações representados de diferentes
formas, para tomar decisões e enfrentar situações-problema.
Competência nº 4
Relacionar informações, representadas de diferentes formas, e conhecimentos disponíveis em
situações concretas, para construir argumentação consistente.
Competência nº 5
Recorrer aos conhecimentos desenvolvidos na escola para elaboração de propostas de intervenção
solidária na realidade, respeitando os valores humanos e considerando a diversidade sociocultural.
Para saber mais, acesse o site do ENEM no link:
http://www.inep.gov.br/basica/enem/default.asp
Multimídia
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66
Planejamento e elaboração de material didático impresso para EAD - elementos instrucionais e estratégias de ensino
Atividade 2
Relacionada ao objetivo 2 j
Metas ou objetivos?
a. Defina, de forma direta, se as frases indicam um tema geral (meta) ou um objetivo.
1. ( ) Apresentar a 3ª Lei de Newton.
2. ( ) Introduzir o estudo dos acidentes geográficos.
3. ( ) Identificar cinco artistas que participaram da Semana de Arte Moderna de 1922.
4. ( ) Conceituar metas e objetivos de aprendizagem.
5. ( ) Explicar como elaborar um balanço patrimonial.
6. ( ) Listar três aspectos que definem uma política mercantilista.
b. Leia o texto a seguir:
Uma alimentação adequada contém água, proteínas, gorduras, carboidratos,
vitaminas e sais minerais. Esses nutrientes devem estar presentes de forma
balanceada e constante, sem que haja exagero ou carência de algum deles.
Carboidratos e gorduras são as principais fontes de energia para o corpo. Quando
consumidos em excesso, podem engordar. Mas eliminá-los do cardápio é privar-se
de importantes elementos energéticos.
As gorduras também não podem simplesmente ser banidas da alimentação.
Tanto quanto os outros nutrientes, elas também são essenciais. Assim como
os carboidratos (açúcares), os lipídeos (gorduras) que retiramos dos alimentos
podem fornecer energia às células. Quando consumimos mais energia do que
precisamos, nosso corpo reserva o excedente para as horas de necessidade.
Embora uma pequena parte da energia seja armazenada como glicogênio
(um tipo de carboidrato), a maior parte é acumulada permanentemente como
gordura.
BERTOLDI, O. G., Ciência &sociedade: a aventura do corpo, a aventura da vida, a aventura
da tecnologia. São Paulo, Editora Scipione, 2000.
Após a leitura do texto, que é parte integrante de uma aula de biologia, você deve
identificar que objetivos o texto permite que o aluno atenda. No quadro a seguir,
apontamos um objetivo; continue o preenchimento.
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Aula 3 – Objetivos de aprendizagem
1. identificar a importância dos carboidratos e gorduras para uma alimentação saudável
2. ______________________________________________________________
________________________________________________________________
3. ______________________________________________________________
________________________________________________________________
4. ______________________________________________________________
________________________________________________________________
Resposta Comentada
a. O que define, neste exercício, se as frases demonstram metas ou objetivos é, principalmente,
o grau de precisão (ou especificidade) conferido pelos verbos. Como você viu, a meta é
a definição de um tema de aula tratado de forma ampla, representando as intenções do
professor. Objetivos devem estabelecer prioridades em cada conteúdo, redigidos de forma
a revelar, de forma exata e inequívoca, o que o aluno deverá ser capaz de fazer ao final do
estudo de uma aula. Portanto a seqüência deve ser: 1. Meta; 2. Meta; 3. Objetivo; 4. Meta;
5. Meta; 6. Objetivo.
b. Enumeramos outros objetivos possíveis de serem atingidos a partir do conteúdo do
texto de Odete Bertoldi:
• definir qual a quantidade de carboidratos e gorduras ideal de ser consumida;
• identificar quando há o acúmulo de energia etc.
Caso você tenha apontado objetivos diferentes, acesse a plataforma e procure o Fórum
livre desta atividade. Lá você pode postar comentários e discutir com seu tutor e colegas
de turma.
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Planejamento e elaboração de material didático impresso para EAD - elementos instrucionais e estratégias de ensino
Conclusão
A determinação de metas e objetivos, apesar de parecer algo simples e de menor
importância, na verdade impõe um desafio ao conteudista: ser capaz de organizar o processo
de ensino de forma efetiva, clara e precisa. Objetivos, por exemplo, devem apresentar uma
nítida ligação com o(s) conceito(s) tratado(s); ambos (objetivos e conceitos), por sua vez,
devem apresentar uma nítida ligação com a(s) atividade(s) que procuram pôr em prática o
conteúdo explorado, constituindo, assim, uma integridade instrucional. Além disso, por se
tratar de material acadêmico voltado para EAD, elementos de organização prévia oferecem,
pelo menos, três benefícios que merecem ser destacados: a. antecipação às expectativas do
aluno em relação à aula e ao conteúdo, a partir da associação dos elementos de organização
prévia com os demais elementos instrucionais, que garantem a integridade instrucional de
uma aula; b. segurança para a autonomia do aluno a partir de informações precisas; e c.
maior sistematização dos estudos.
Atividade Final
Relacionada ao objetivo 3 j
Jogando beisebol...
Leia atentamente as informações a seguir:
O jogo
O beisebol é um jogo em que se utilizam um taco, uma bola e uma luva. Os fundamentos
do jogo são: arremessar, rebater e recuperar a bola. Logicamente, a execução dessas três
tarefas é algo mais complexo do que parece, e é esse desafio que obriga os jogadores de
beisebol a praticarem tanto.
Ao contrário da maioria dos jogos, um jogo de beisebol não é limitado pelo cronômetro.
Os dois times adversários, com nove jogadores cada, jogam durante períodos chamados
de entradas, ou innings, que correspondem aos sets do vôlei, por exemplo. Os jogos
profissionais e colegiais costumam ter nove entradas de duração.
A ação, em um jogo de beisebol, gira principalmente em torno de dois combatentes, um
de cada time: o arremessador e o rebatedor. No campo, o arremessador fica posicionado
sobre um monte alto de terra e o rebatedor fica em um dos lados da base principal,
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Aula 3 – Objetivos de aprendizagem
chamada de home plate, segurando o taco e encarando o arremessador. O time atacante
entra em campo com um jogador apenas: o rebatedor.
O time defensor entra em campo com seus nove jogadores: um arremessador e outros
oito jogadores, chamados defensores, que se posicionam na 1ª, 2ª e 3ª bases.
As regras básicas
A cada entrada o arremessador (time defensor) lança uma bola.
O rebatedor (time atacante) procura fazer pontos rebatendo a bola, com o bastão, para
fora do alcance dos defensores adversários, mas dentro dos limites do campo.
Ao acertar a bola, o rebatedor inicia a corrida pelas quatro bases, partindo da primeira
base, no sentido anti-horário. Se ele conseguir completar as quatro bases ganha 4
pontos. Essa corrida é chamada home-run.
Se os defensores conseguem recuperar a bola que foi rebatida, podem tentar interromper
a corrida do rebatedor de duas maneiras: tocando seu corpo ou lançando a bola para um
defensor, situado numa base seguinte, de modo que ela chegue àquela base antes do
rebatedor. Se isso acontece, o time atacante não marca nenhum ponto.
Uma entrada corresponde a três tentativas de acertar a bola pelo rebatedor de cada
time. Se errar nessas três tentativas, o time atacante perde um jogador e as posições se
invertem: o time defensor vira atacante e vice-versa.
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Planejamento e elaboração de material didático impresso para EAD - elementos instrucionais e estratégias de ensino
A partir da leitura do texto, você deverá destacar pelo menos dois objetivos do time
defensor e dois do time atacante usando verbos precisos.
• ______________________________________________________________
• ______________________________________________________________
• ______________________________________________________________
• ______________________________________________________________
• ______________________________________________________________
• ______________________________________________________________
Resposta Comentada
Verbos como vencer, ganhar e conquistar, por exemplo, são vagos, pouco esclarecedores
e não devem ser usados. Eles não refletem passos específicos que devem ser seguidos
pelos jogadores para alcançar a vitória. A seguir, listamos alguns verbos e objetivos mais
específicos:
Objetivos do time atacante:
• rebater a bola, dentro dos limites do campo, lançada pelo arremessador;
• correr o mais rápido possível por entre as bases;
• alcançar a base principal.
Objetivos do time defensor:
• impedir a marcação de pontos da equipe adversária;
• eliminar jogadores da equipe de ataque;
• capturar a bola rebatida pelo rebatedor;
• defender as regiões (bases).
Você pode ter mencionado objetivos que não estão explicitados aqui. Se isso aconteceu e
você ficou com dúvidas a respeito do que elaborou, vá até a plataforma, localize o fórum
livre desta aula e discuta com seu tutor e colegas.
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Aula 3 – Objetivos de aprendizagem
RESUMO
Q
ualquer material didático, em especial o auto-instrucional, necessita
de um planejamento consistente. Para tanto, os elementos de
organização prévia são uma ferramenta fundamental porque definem
quais elementos devem ser esclarecidos, no início de cada aula, para
orientar o aluno no estudo do conteúdo a ser estudado.
Objetivos são exemplos destes elementos. Eles dizem respeito ao
aluno e estabelecem prioridades no conteúdo de uma aula, definindo
exatamente o que o aluno deverá ser capaz de executar ao final de seu
estudo. Já os objetivos gerais, ou metas, dizem respeito às intenções do
professor e ao conteúdo apresentado.
Na definição dos objetivos, alguns verbos devem ser priorizados
porque conferem maior precisão aos comandos. Definir, listar,
avaliar, distinguir e analisar, por exemplo, são comandos claros e bem
definidos. Ao contrário, ter entendimento, acreditar e saber, entre
outros, são comandos imprecisos e pouco específicos.
Bibliografia consultada
LOCKWOOD, Fred. The design and production of self-instructional materials. Londres: Kogan Fage
Limited, 1998.
PERRENOUD, Philippe. Construir competências é virar as costas aos saberes? Faculdade de Psicologia e
Ciências da Educação, Universidade de Genebra, Genebra: 1999. Extraído do link: http://www.patiopau
lista.sp.gov.br/downloads/36/construircompetencias_perrenoud.doc; acesso dia 02/04/2007.
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Linguagem:
significado e
funções
Sonia Rodrigues
4
Aula
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74
Planejamento e elaboração de material didático impresso para EAD - elementos instrucionais e estratégias de ensino
Meta
Apresentar a importância do uso abrangente da Língua e
linguagens como condição para o ensino e aprendizagem
de qualquer disciplina, em especial na Educação a
distância.
Objetivos
1. Diferenciar os conceitos de Língua e linguagem.
2. Distinguir especificidades na linguagem matemática,
musical e escrita.
3. Identificar a importância de cinco elementos – clareza,
rapidez, precisão, consistência, multiplicidade de
conexões – de eficácia da linguagem escrita, funda-
mentais para o êxito dos processos de ensino e
aprendizagem de qualquer disciplina.
4. Analisar, em pelo menos dois casos, a contribuição
do autor para o bom ou mau uso dos elementos
de eficácia da linguagem escrita para utilização em
situações de EAD.
5. Produzir, a partir de uma seqüência específica de
procedimentos, trechos de aulas em que estejam
presentes os cinco elementos de eficácia da linguagem
escrita.
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Aula 4 – Linguagem: significado e funções
Para que serve a Língua?
Para a comunicação entre as pessoas. Para a expressão das idéias e sentimentos das
pessoas. Para a construção moral do mundo. Pretensioso demais o terceiro objetivo
dessa “ferramenta”? A Língua, o idioma, é ferramenta que começamos a adquirir no
primeiro ano de vida e que nos garante, no decorrer dela, conquistas tão distintas
quanto diplomas e títulos, aprovações em concursos públicos, escrever e contar
histórias, fazer inimigos e conquistar amores. Antes de começarmos a fazer uso da
Língua para conversarmos sobre um dos aspectos mais importantes na elaboração de
materiais didáticos impressos, vale a pena conferir as definições de Língua e Linguagem
fundamentais para você fazer. Em seguida, a primeira atividade desta aula:
Língua é o sistema de comunicação e expressão de um povo, nação, país, etc., que
permite a expressão e comunicação de pensamentos, desejos, emoções.
(Dicionário Caldas Aulete, Editora Nova Fronteira)
Linguagem é qualquer conjunto de símbolos usados para codificar ou decodificar
dados, é qualquer sistema de sinais ou signos, através dos quais dois ou mais seres
se comunicam entre si para transmitir e receber informações, avisos, expressões de
emoção ou sentimento.
(Idem)
Atividade 1
Atende aos objetivos 1 e 2 j
Falando sem palavras
Faça uma lista de três coisas possíveis de serem demonstradas sem o uso da linguagem
escrita.
1. ________________________________________________________________
2. ________________________________________________________________
3. ________________________________________________________________
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76
Planejamento e elaboração de material didático impresso para EAD - elementos instrucionais e estratégias de ensino
Resposta comentada
Você pode ter chegado a diversas conclusões, como, por exemplo, ter pensado em algo
semelhante a:
R ao cubo é proporcional a T ao quadrado (terceira Lei de Kepler).
Se pensou, você deve ter se dado conta de que é possível representar a cinemática
dos movimentos planetários de forma independente, usando a linguagem numérica, a
linguagem matemática.
Essa equação, no entanto, dependeu, para ser formulada, da comunicação presencial entre
Tyco Brahe e Kepler, e da comunicação a distância (no tempo e no espaço) entre Tyco
Brahe e Ptolomeu, Ptolomeu e Copérnico, Tyco Brahe e Kepler, e Kepler e Copérnico. Ou
seja, a definição dessa equação dependeu de comunicação e registros que passaram pelo
uso da linguagem escrita.
Você pode também ter escrito sobre o desempenho de Carlitos em Tempos modernos,
filme no qual ele representou, sem palavras, só com a linguagem corporal, a alienação do
homem pela máquina, uma importante conseqüência da Revolução Industrial. Ou talvez
tenha escrito a respeito de como a ocorrência de um assalto, usando o código Morse. Pode
ter pensado em uma aula de Química, usando Libras (Linguagem de sinais). Diferentes
tipos de emoção, condutas com base em sinais de trânsito, músicas a partir de partituras
são coisas que podem ter vindo à sua cabeça. Teve outras idéias? Compartilhe-as conosco
na plataforma, no espaço Fórum da Aula 4.
Figura 4.1: Muitas informações hoje em dia tão facilmente obtidas e discutidas
como, por exemplo, as fases da lua, dependeram de intensas discussões que se
deram no passado, presencialmente ou a distância entre os grandes físicos e
astrônomos que fizeram com que seja possível nos maravilharmos e compre-
endermos o movimento dos astros no céu que observamos todas as noites.
Fonte http://www.sxc.hu/484470
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Aula 4 – Linguagem: significado e funções
Figura 4.2: Não há dúvidas, para pedestre
ou motoristas, quanto ao significado de
uma luz verde em um sinal de trânsito.
Fonte http://www.sxc.hu/663648
Você terá observado que mesmo não usando a linguagem escrita ou
falada, nos exemplos anteriores, o pensamento traduz em palavras o
que está sendo visto. Porque o pensamento se constitui pela Língua,
pelo idioma. Porém – e esse porém é bastante importante –, em alguns
casos, a imaginação, o raciocínio lógico matemático, o repertório de
História jogam um papel importante para preencher os pontos de p
indeterminação ç .
Pontos de indeterminação
É uma expressão usada para caracterizar o que não
está dito numa determinada situação ou texto.
O que está em aberto, apenas sugerido ou indicado,
mas que depende da recepção para se concretizar
ou não.
Linguagens
A linguagem matemática pode ser a síntese, em determinado momento, de toda
uma trajetória de pesquisa. Mas, como já foi dito, a linguagem matemática só pode ser
a síntese se – antes de entrarem os números – uma série de pesquisadores, em tempo e
espaços distintos, tiver especulado, discutido, conversado sobre a discrepância entre a
observação da Natureza e o que a pesquisa dizia até aquele momento.
A linguagem musical é um exemplo diferente, porque é possível de se originar na
imaginação, sensações, sentimentos e prescindir da palavra na sua escritura.
Um exemplo:
mi mi fa sol sol fa mi re do do re mi mi re
mi mi fa sol sol fa mi re do do re mi re do
(início de “Ode à Alegria”, de Beethoven)
A linguagem musical também é uma construção/expressão autônoma do mundo, sem
vínculo obrigatório com a palavra. No entanto, para ser ensinada e absorvida pelo compositor,
foi preciso uma comunicação que passa pela língua. Alguém ensinou ao compositor (mesmo
um prodígio como Mozart) algo semelhante ao que Maria ensina às crianças no filme
A noviça rebelde. Você já assistiu ao filme? Num determinado trecho, fica clara a autonomia
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Planejamento e elaboração de material didático impresso para EAD - elementos instrucionais e estratégias de ensino
da linguagem musical, quando Maria propõe que elas
façam uma apresentação para a baronesa e as crianças
alegam não saber cantar.
Maria, então, explica que a gente aprende a ler com a,
b, c e a cantar com do, ré, mi.
As notas são, portanto, as chaves que a gente usa
para construir uma canção, as chaves que permitem ao
pensamento, à imaginação e à criatividade construir milhões
de músicas:
“When you know the notes to sing
You can sing most anything”.
Tente alugar esse clássico em sua locadora, preste
atenção na seqüência inteira e observe como o conceito
se aplica ao processo de ensino e aprendizagem de
qualquer disciplina.
Mesmo escrevendo sua aula sobre o suporte material
impresso, você poderá usar exemplos e elementos específicos
de outras linguagens, como eu fiz aqui.
Voltemos, então, à linguagem escrita como forma de
comunicação entre o estado da arte de um tema – em tempo e local determinados – somados
à inquietude de quem observa. Isso é o que provoca a inovação. Inclusive matemática ou
musical. A expressão dessa inquietude – em geral comunicada entre especialistas em um
tema – é o que permite o avanço do conhecimento. Esse avanço se representa pela língua e,
mentalmente, constrói outras hipóteses comprováveis (ou não) de mundo.
Figura 4.3: A noviça rebelde, um clássico do gênero
musical produzido em 1965, conta a história de Maria,
uma noviça que deixa o convento para trabalhar
como governanta na casa do Capitão Von Trapp, pai
de sete filhos educados em um esquema de disciplina
rígido. Maria acaba se apaixonando pelo capitão, mas
ele já está comprometido com uma rica baronesa.
Atividade 2
Corresponde ao objetivo 3 desta aula p j
Quem inventou mesmo??
Esta atividade será realizada na Plataforma Moodle, no espaço Fórum “Quem inventou
mesmo??”
Antes de fazer esta atividade, releia a resposta comentada da Atividade 1. Leu? Agora
vamos discutir a respeito, estamos te esperando no fórum.
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Aula 4 – Linguagem: significado e funções
Elementos fundamentais para a eficácia
da linguagem escrita no contexto de EAD
O material impresso voltado para EAD, nosso objeto de interesse aqui, depende,
para sua eficácia, de o professor conseguir produzir um texto com alguns elementos
fundamentais para a eficácia da comunicação escrita. Para isso, quem escrever tem de
considerar as aulas de EAD com uma particularidade:
A
educação a distância separa o momento
da produção (do professor) do momento
da recepção (do aluno). Costumamos dizer que
o maior problema que o professor enfrenta ao
escrever uma aula de EAD é o de que ele não
vai junto com a aula que escreve. Não vai junto,
não pode explicar de novo e não pode olhar para
o aluno e perceber que ele não entendeu.
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Fonte: http://www.sxc.hu/photo/181792
Como contornar esse problema? Compreendendo e privilegiando alguns elementos
quando estivermos redigindo nossa aula:
1. Buscando clareza no que se escreve. Um texto claro é aquele em que o tema e as
informações importantes são tratados com precisão.
2. É um texto que procura ser rápido na comunicação do conteúdo. Não basta, porém,
clareza e rapidez.
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Planejamento e elaboração de material didático impresso para EAD - elementos instrucionais e estratégias de ensino
3. O texto de EAD precisa ter consistência, o que significa transmitir informações
importantes ou sinalizar caminhos relevantes para a construção do conhecimento
de quem o lê.
4. Deve oferecer, sempre que possível, conexões entre o que apresenta e outros textos,
outras mídias, outras situações de forma a favorecer, a subsidiar a imaginação/
abstração do aluno. É a multiplicidade de conexões que vai permitir que o aluno
vá além do texto.
5. Essa multiplicidade é essencial para o diálogo. Quando se diz que um texto é
dialógico é porque ele traz pistas de outros textos, diferentes pontos de vista,
desdobramentos diversos ou tudo isso ao mesmo tempo.
Para estimular que o texto do aluno incorpore esses elementos – que podem ser
ensinados em qualquer disciplina -, é preciso que a atividade proposta pelo professor
tenha parâmetros bem definidos.
Esses cinco elementos de eficácia da comunicação escrita foram aprendidos por mim
nas seis propostas do escritor Ítalo Calvino para o próximo milênio que é exatamente este
no qual estamos vivendo.
Agora que você já sabe quais são esses cinco elementos da linguagem escrita,
leia de novo o enunciado da Atividade 2 e observe como o limite de palavras sugere
rapidez, o onde, quando, quem e estimula a clareza da informação e a consistência.
Os antecedentes forçam, por assim dizer, a multiplicidade de conexões e, de novo, a
consistência.
Rapidez se consegue com frases curtas, usando mais pontos do que ponto-vírgula.
Lendo em voz alta o que se escreve. Trocando palavras de lugar quando a leitura
em voz alta indica confusão/ambigüidade no que foi escrito, garantimos precisão e
consistência ao nosso texto. Não misturando perguntas/provocações com informações,
por mais que seja tentador fazer isso, teremos um texto claro.
O texto claro, preciso, rápido, múltiplo e consistente é aquele em que o aluno
visualiza os caminhos pelos quais pode expandir seu conhecimento, sua imaginação.
Um exemplo desse tipo de texto está reproduzido no próximo boxe. Confira antes de
continuarmos a análise desse material.
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Aula 4 – Linguagem: significado e funções
Noventa e oito palavras. Nesse trecho – extraído de um parágrafo um pouco mais
longo do livro Iniciação à literatura brasileira – Antonio Candido diz sobre o que
fala (literatura); quem é o autor Jorge Amado (alguém que começa com romances
proletários e evoluí para uma prosa comunicativa, popular, no Brasil e no mundo);
quando se desenvolve essa literatura e suas fases (1933, 1942, na maturidade do autor);
como se dá essa trajetória, primeiro com um traço ideológico demais e depois com
uma identificação afetiva com o povo; por que Jorge Amado foi importante, apesar das
falhas apontadas.
Trata-se de um texto claro, com a possibilidade de apreensão rápida do que é a literatura
de Jorge Amado com, pelo menos, duas conexões além do texto – o conceito de romance
proletário e a citação do livro Terras do sem fim – e, principalmente, é um texto consistente.
Por quê? Porque em 98 palavras, Antonio Candido deu informações que permitem ao leitor
uma entrada clara na literatura de Jorge Amado e provocam a vontade de saber mais.
Um pouco sobre Jorge Amado
“Jorge Amado (1912-2001) começou pelo que se chamava então
“romance proletário” (1933). Nesses livros, o negro entrou pela primeira
vez maciçamente na ficção brasileira, com sua poesia e sua pobreza, suas
lutas e suas crenças. Nesses romances, há um intuito ideológico ostensivo
demais... Isso se atenuou em livros posteriores, mais bem feitos, como
Terras do sem fim (1942), até desaparecer na obra madura, onde o ataque m
ideológico cedeu lugar a uma identi-ficação afetiva com o povo... numa
prosa generosa, comunicativa, que fez de Jorge Amado o romancista mais
popular do Brasil e o único a conquistar públicos apreciáveis no exterior.”
“Um pouco sobre Jorge Amado” é um trecho do livro do professor
Antonio Candido (USP), traçando um panorama da literatura brasileira.
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Atividade 3
Atende aos objetivos 3 e 4 j
O que funciona e o que não funciona
Antes de continuarmos a aula, é importante que você consiga um material fundamental
à compreensão adequada do tema sobre o qual discutimos. Procure, na sua área de
conhecimento, um texto de até 150 palavras que apresente elementos de eficácia da
linguagem escrita – clareza, precisão, rapidez, multiplicidade, consistência. Não importa
que o texto não tenha sido produzido com o objetivo de ser um texto de EAD. Todos os
textos de áreas específicas de conhecimento são passíveis de ser usados em situações
de ensino, e todos têm a produção separada da recepção (característica intrínseca à
linguagem escrita publicada).
Achou?
Agora encontre um outro texto, também na sua área, que seja importante, mas confuso,
impreciso, protelador do objetivo que o autor parece querer atingir, com um único ponto
de vista e sem consistência prática ou teórica.
Achou?
Mantenha esses dois textos perto de você durante todo o Módulo II e anote num diário
se até o final você mantém a mesma opinião sobre eles.
Fonte: //www.sxc.hu/712732
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Aula 4 – Linguagem: significado e funções
Linguagem e produção de texto: aula para EAD
Escrever é selecionar elementos da realidade e combinar esses elementos de forma
a produzir um efeito. Nesse sentido, todo texto escrito pressupõe um leitor real ou
imaginário. O autor pretende, com o que escreve, provocar um efeito nesse leitor.
Uma aula em EAD é produzida por alguém que domina um determinado conteúdo
e deseja que seu leitor/aluno aprenda esse conteúdo. O segredo está, portanto, em o
que selecionar e como combinar os vários itens selecionados para provocar um efeito
de sedução/convencimento que leve o aluno a aprender a partir do que foi escrito. Veja
o boxe “Família real”.
Família real
V
amos supor que sua aula seja sobre a vinda da família real para o Brasil. Você seleciona, por
exemplo, os seguintes itens como essenciais:
1. Antecedentes – Bloqueio continental empreendido pela França bonapartista, dependência
econômica de Portugal em relação à Inglaterra.
2. Repercussões da chegada da corte ao Brasil.
3. Primeiras medidas de D. João.
Como você vai combinar isso? Com um mapa da Europa e as razões da França e da Inglaterra
resumidas dentro de seus respectivos territórios? Com um texto corrido, sem ilustrações, com
destaque para os acontecimentos ordenados pelo tempo? Depende. Depende de quê? Do efeito
que você quer causar. Efeito não é objetivo. Efeito é o que permite que se alcance o objetivo.
É o que torna o texto eficaz e o objetivo alcançável.
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Um dos caminhos para produzir uma aula de EAD é fazer o seguinte roteiro antes
de escrever, como um rascunho para você mesmo:
Primeira etapa: Seleção
• Selecione os pontos essenciais do conteúdo que você pretende que o aluno
domine nessa aula; liste-os de maneira clara e precisa sob forma de objetivos de
aprendizagem.
• Selecione, entre esses pontos, quais se prestam a maior multiplicidade de
conexões.
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Planejamento e elaboração de material didático impresso para EAD - elementos instrucionais e estratégias de ensino
• Selecione quais pontos apresentam pré- requisitos, ou seja, para que o aluno entenda
um determinado item é preciso que ele tenha estudado no período anterior ou no
Ensino Médio conceitos ou técnicas, sem as quais ele não entenderá o que você
escreveu.
A questão dos pré-requisitos merece um pouco mais da nossa atenção. Vamos a
alguns pontos e exemplos importantes:
Indique o conceito que ele deverá retomar, conhecer. Quando o seu texto estiver
pronto, esse item será facilmente “cortado” e “colado” na seção destinada aos pré-
requisitos para o estudo de uma aula, de acordo com o projeto gráfico de sua instituição.
No caso de nossas aulas, os pré-requisitos são redigidos em forma de texto, na primeira
página: “para acompanhar este conteúdo, você deverá estudar ou rever os conceitos x,
y, z, que estudamos na aula anterior”.
Não se preocupe com isso na fase de rascunho.
Apenas selecione.
Coloque entre vírgulas, parênteses – ou qualquer
elemento com finalidade de destaque, como o travessão
que estou usando agora – palavras que podem ser
esclarecidas rapidamente, mas que seu aluno pode não
saber de antemão.
Observe os textos A e B e veja a diferença entre
esclarecer um conteúdo significativo através de um
parêntese explicativo ou através da determinação
dos pré-requisitos:
Texto A:
A situação econômica da colônia, naquele momento, prejudicava muito os mascates
– pequenos comerciantes que percorriam o sertão nordestino – a ponto de a
insatisfação destes preocupar as autoridades locais.
Por que, no exemplo acima, eu escrevi entre travessões a definição de mascates? Porque
o aluno pode não saber a que estou me referindo. É uma informação importante e fácil
de transmitir ou relembrar. Basta colocar entre vírgulas ou travessões. Se o aluno souber,
ótimo; se não souber, aprende na hora. Nesse caso, não é necessário incluir o conhecimento
do conceito de mascate como pré-requisito para a compreensão do texto apresentado.
O “rascunho” supre,
na linguagem escrita, a
maravilhosa característica da
linguagem falada equivalente
a “não foi bem isso o que
eu quis dizer”, quando
alguma coisa dá errado na
comunicação oral. Se você
fizer um rascunho roteirizado
de sua aula, começando
por selecionar pontos do
conteúdo, pré-requisitos
e redigindo textos a partir
dessa seleção, você mesmo
vai poder avaliar se “foi bem
isso exatamente o que você
quis dizer”.
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Aula 4 – Linguagem: significado e funções
Texto B:
A interseção entre os conjuntos A - dos jovens adultos pobres, brancos e desempre-
gados no Brasil, e B – jovens negros adultos, pobres e desempregados no Brasil está
no conjunto C dos jovens adultos pobres desempregados brasileiros.
É difícil identificar elemento de interseção entre dois conjuntos sem saber o
que são conjuntos. Isso demonstra que alguns conceitos não podem ser traduzidos
por palavras, trocados por palavras. É interessante estar atento para esse detalhe.
A definição de mascate pode ser colocada no texto, podemos, inclusive, optar pelo
recurso do verbete, caso pareça melhor deixar o texto com mais fluência, mas o aluno
precisa conhecer o conceito de Conjunto antes de ir adiante numa aula sobre esse tema.
Selecionar essas possibilidades no rascunho potencializa as qualidades da sua aula,
especialmente quando você temer que o aluno não consiga atingir os objetivos, fazer as
atividades, sem determinados pré-requisitos.
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ré-requisitos são conceitos e informações que os alunos precisam conhecer antes de
começar a estudar uma aula.
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Segunda etapa: Combinação
• Combine o conteúdo selecionado com um estilo de escrita no qual se sinta mais
confortável, mais criativo, dirigindo-se ao seu aluno imaginário.
Exemplos de estilo:
• mais coloquial, dirigindo-se diretamente ao aluno;
• claro, porém mais contido (não confundir com frio ou hermético);
• coloquial, usando exemplos tirados do noticiário ou com ênfase em conceitos
e argumentos, ou ainda contando histórias.
Enfim, a lista do que caracteriza um estilo é infindável. Escolha aquele em que você
se sente mais à vontade para escrever sobre o conteúdo que conhece bem, de forma a
ensinar alguém que você não conhece presencialmente.
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Planejamento e elaboração de material didático impresso para EAD - elementos instrucionais e estratégias de ensino
• Combine o conteúdo e o estilo do texto com
atividades, uma para cada objetivo listado,
buscando atender a cada uma das competências p
cognitivas g , sempre que possível.
Terceira etapa: Avaliação
• Neste momento, você terá a oportunidade de auto-avaliar seu desempenho como
professor de EAD.
• A aula ficou enorme?
• Há muito conteúdo e poucas atividades?
• Você não consegue imaginar atividades que levem o aluno adiante?
Reescreva.
Releia o que você reescreveu:
• O conteúdo está combinando com o estilo escolhido?
• As atividades combinam com os objetivos para essa aula?
Lembre sempre que o seu objetivo maior é provocar o efeito de entendimento, se
possível de prazer, para facilitar a aprendizagem de seu leitor/aluno. Todos os recursos
de linguagem devem ser claros, precisos, rápidos, conectados a outros conteúdos.
• Os comandos para as atividades estão claros e precisos e, sempre que possível,
conectados a outros conteúdos?
A maioria dos casos de ruído de comunicação entre professor e aluno está na
expressão de expectativas. Se eu espero que o aluno produza um texto rápido, claro,
consistente com um recorte do conteúdo, devo ser capaz de indicar, inequivocamente,
quais conceitos ele deve articular a partir do conhecimento recém-adquirido.
A
o definir seu estilo, lembre-se de que, em EAD, idealmente, o aluno deve ser capaz de “ouvir
a voz do professor saindo do papel” ( A ROWNTREE, 1988).
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As competências cognitivas
são as de identificar,
distinguir, comparar,
inferir, analisar, produzir,
sintetizar, criar, avaliar. Todas
fundamentais para o processo
de ensino e aprendizagem.
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Aula 4 – Linguagem: significado e funções
Exemplo de um trecho de aula e de proposta de atividade:
Texto A:
Diferença entre narrativa e dissertação
A narrativa se caracteriza por contar eventos e apresentar personagens, e a
dissertação por apresentar conceitos, discorrer sobre situações ou personagens
de forma argumentativa. No texto em prosa ou no texto em verso encontramos
exemplos de narrativa e de dissertação.
Atividade
As letras de “Faroeste Caboclo” de Renato Russo e “Faltando um pedaço” de Djavan
são exemplos de história contada e conceito apresentado de forma argumentativa.
Identifique três versos que indiquem eventos ocorridos, três versos que caracterizem
personagens, em uma, e três versos que caracterizem sentimento, em outra.
N
o exemplo de atividade proposto acima, precisamos considerar o que falamos acerca da
definição de pré-requisitos: será que o aluno tem internet em casa para pesquisar as letras
das músicas citadas? Será que conhece Renato Russo e Djavan? Não devemos partir do princípio
de que as respostas são afirmativas.
Quando você achar importante que o aluno pesquise, coloque o comando pesquise na atividade.
Se o mais importante for distinguir, inclua as letras das músicas na sua aula. Comandos são
verbos no imperativo como os que usamos para a redação de objetivos.
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Atividade Final
Atende aos objetivos 3, 4 e 5 j
Sistematizando o trabalho da escrita
Você fez todas as atividades da aula? Manteve os dois exemplos dos textos pesquisados
na Atividade 3 perto de você?
Leia mais uma vez seu rascunho. O rascunho apresenta um texto consistente e agradável
de ler? Não? Escreva-o novamente, se achar pertinente.
Depois de reescrever seu rascunho, pense: ele está claro, rápido, preciso, múltiplo,
consistente? Se for o caso, incorpore-o à aula quando for redigi-la, se não, inicie o
processo novamente.
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Planejamento e elaboração de material didático impresso para EAD - elementos instrucionais e estratégias de ensino
Resumo
A
Língua é o sistema de comunicação e expressão de um povo,
nação, país, etc., que permite a expressão e comunicação de
pensamentos, desejos, emoções. A linguagem é qualquer conjunto de
símbolos usados para codificar ou decodificar dados, qualquer sistema
de sinais ou signos, através dos quais dois ou mais seres se comunicam
entre si para transmitir e receber informações, avisos, expressões
de emoção ou sentimento. Embora seja possível representar idéias
usando as linguagens numérica, matemática e musical, dentre
outras, tais representações dependeram de intensas discussões, que
se deram presencialmente ou a distância, e que passaram pelo uso
da língua, falada ou escrita. O material impresso voltado para EAD,
em qualquer área de saber, depende, para sua eficácia, de o professor
conseguir produzir um texto com elementos fundamentais para a boa
comunicação escrita. Quem escreve aulas para EAD deve compreender
e privilegiar cinco elementos durante a redação do material didático:
um texto claro, em que o tema e as informações importantes
sejam tratados com precisão; um texto que procure ser rápido na
comunicação do conteúdo; um texto consistente, e que ofereça,
sempre que possível, conexões com outros textos, outras mídias,
outras situações de forma a favorecer, a subsidiar a imaginação/
abstração do aluno. Essa multiplicidade é essencial para a criação de
um texto dialógico, ou seja, que traz pistas de outros textos, diferentes
pontos de vista, e desdobramentos diversos. A produção de uma aula
impressa para EAD envolve selecionar os itens de interesse para o
tema em questão e, em seguida, combiná-los de forma a provocar
um efeito de sedução/convencimento que leve o aluno a aprender a
partir do que foi escrito. Após uma primeira seleção e combinação de
conteúdos, é fundamental a avaliação de acordo com os elementos
mencionados acima e sua reescrita, quando percebermos que o texto
produzido não atende às expectativas de um bom processo de ensino
e aprendizagem.
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Aula 4 – Linguagem: significado e funções
Informações sobre a próxima aula
Como tornar sua aula mais “legível”? Como fazer uso de recursos da língua para a elaboração de
aulas que sejam mais facilmente estudadas, sem comprometer em nada a formação de alunos de
Ensino Superior? A próxima aula será sobre recursos de legibilidade da língua escrita. Até lá!
Leituras recomendadas
KAPUSCINKSKI, Rysznard. Minhas viagens com Heródoto. São Paulo: Companhia das Letras, 2006.
LEE, Rupert. Eureka, as 100 descobertas científicas do século XX Rio de Janeiro, Ed. Nova Fronteira, 2006. XX
CALVINO, Italo. Seis propostas para o próximo milênio – Lições Americanas. Trad. Ivo Barroso. São
Paulo: Companhia das Letras, 1990.
Bibliografia consultada
CANDIDO, Antonio. Iniciação à literatura brasileira /. -- 4. ed. -- Rio de Janeiro: Ouro sobre azul, a
2004.135 p.
Aristóteles. Poética. Rio de Janeiro: Ediouro, s/d.
BORDINI, Maria da Glória & AGUIAR, Vera Teixeira. Literatura: a formação do leitor: alternativas
metodológicas. 2a ed. Porto Alegre: Mercado Aberto, 1993.
EAGLETON, Terry. Teoria da literatura: uma introdução. Trad. Waltensir Dutra. São Paulo: Martins
Fontes, 1983.
CALVINO, Italo. Seis propostas para o próximo milênio – Lições Americanas. Trad. Ivo Barroso. São
Paulo: Companhia das Letras, 1990.
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O uso da linguagem.
Por que tanta
preocupação e tanto
cuidado?
Ana Paula Abreu-Fialho
José Meyohas
5
Aula
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Planejamento e elaboração de material didático impresso para EAD - elementos instrucionais e estratégias de ensino
Meta
Apresentar meios e técnicas de como fazer uso adequado
da linguagem para EAD.
Objetivos
Ao final desta aula, você deverá ser capaz de:
1. introduzir elementos de pessoalidade em um texto;
2. substituir expressões por uma só palavra sem alterar
o sentido da frase;
3. detectar e substituir vocábulos inadequados a um
texto instrucional para EAD;
4. ordenar de maneira direta uma sentença;
5. usar perguntas retóricas em um texto;
6. construir sentenças curtas.
Pré-requisitos
Gostaríamos que você marcasse a que horas começou
a estudar. Além disso, manter ao seu lado um bom
dicionário talvez seja necessário...
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Aula 5 – O uso da linguagem. Por que tanta preocupação e tanto cuidado?
Prólogo
Indagando-se pode estar, acerca da relevância de unidades didáticas, um par delas,
relativas a conceituações e estratagemas endereçados à elaboração da escrita de um
determinado conteúdo, em volume impresso, para proceder ao ato pedagógico na
modalidade em que aquele que ensina e o outro, o que visa instruir-se, separados estão,
o leitor. A este, ministraremos, nos três parágrafos que se seguem, breve explanação.
Acredita-se que, de priscas eras, advenha, desde imemoriáveis tempos em que se
deu, pelo homem, a iniciação da implementação de ação continuada no sentido de
envolver-se em processos de transmissão e recepção de mensagens, para tanto, na
representação por signos e gráficos fiando-se, a basilar estimação pela elocução escrita.
Posto que, ainda, hodiernamente, não nos é factível prescindir, portanto improva-
velmente o será, de tal artifício da transmissão e recepção entre interlocutores
adjacentemente localizados ou temporalmente e espacialmente separados, com vistas a
estabelecer, de fato, entre as partes, a comunicação, mandatório nos é não deixarmos
de empenharmo-nos, no que à busca por fatores, recursos e elementos lingüísticos
alude, à culminação da não-obscuridade e ininterrupta objetividade de nossos escritos,
sob infortúnio de não se lograr a veiculação da expressão das acepções originais, da
semântica primeira, ambas que pelo autor da epístola foram intentadas.
Quando da apresentação de teores peculiares a cada campo de saber, no intuito
de realizar entre a realidade apresentada e o aprendiz não adjacentemente localizado,
conexões, além de possibilitar a apreensão eficiente e inequívoca do conteúdo em
questão, a utilização desta que se denomina linguagem é ferramenta de suma estimação,
para a qual é indubitavelmente imperativo o domínio por parte deste imediato leitor
e porvindouro autor.
Neste sentido, ficam clarificadamente as razões pelas quais o leitor desta deve ater-se
firme, dedicada e cuidadosamente a tais unidades didáticas expostas.
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Planejamento e elaboração de material didático impresso para EAD - elementos instrucionais e estratégias de ensino
Agora, sim: introdução
Imagine-se aluno de EAD e responda: gostou do “prólogo” que acabou de ler?
Aposto que sua resposta foi NÃO. Pois, nem nós... Aluno algum poderia ter gostado
de “coisa” tão imprecisa, cheia de expressões de efeito, sem objetividade, com falta de
clareza generalizada e – o que é pior – pedante. Afinal, haverá alguém que goste de não
entender aquilo que precisa entender? Ou que fique cheio de dúvidas sobre o assunto?
Ou que passe a ter mais dúvidas ainda do que as que já tinha?
Esse prólogo deu um enorme trabalho para ser escrito exatamente pelas características
(listadas no parágrafo anterior) que o fazem tão incompetente na transmissão de uma
mensagem. São 292 palavras e muito pouco significado... É justamente assim que não
se deve escrever, em especial para EAD.
Uma aula, uma conversa, nunca uma conferência!
ATIVIDADE 1
Mas as pessoas da sala de jantar...
Imagine que você foi convidado para um jantar por um casal de amigos. Você aceitou o
convite e, na data e hora combinados, você se dirigiu ao endereço que eles lhe deram. Ao
chegar, toca a campainha e...
1. é recebido pelo mordomo, que lhe encaminha à sala de estar; de lá, você pode ver a mesa
posta para a refeição: há dois pratos (um em cima do outro) apoiados em um suporte, três
taças (uma de cada tamanho), três garfos do lado esquerdo, três facas do direito e mais três
talheres de sobremesa na frente dos pratos; isso, claro, para cada pessoa;
2. é recebido pelo casal, que vai com você até a sala de estar; de lá, você pode ver a mesa
posta para a refeição: nada de incomum, exceto as lindas taças destinadas a um bom
vinho tinto; que, inclusive, já estão sendo abastecidas pelo seu amigo.
Diga: em qual situação você se sentiria mais confortável?
( ) 1 ( ) 2
Dê uma razão:
___________________________________________________________
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Aula 5 – O uso da linguagem. Por que tanta preocupação e tanto cuidado?
Uma das maiores dificuldades de nós, professores do ensino presencial, quando
vamos elaborar um material para Educação a Distância é entender que não estamos
redigindo capítulos de livros ou artigos científicos. É nos desprender da linguagem
rebuscada - com a qual estamos acostumados sem nos darmos conta.
Parece que, na hora em que nos sentamos para escrever, esquecemos de que quem
está “do outro lado” é um aluno como aquele que vemos em sala de aula. É um aluno
que não gosta de ler um texto frio e hermético tanto quanto um aluno que espera
que o professor entre em sala e dê aula não gosta de assistir a uma conferência. É um
aluno que, assim como o aluno presencial, provavelmente não entenderá boa parte da
conferência, embora possamos achar que ela esteja claríssima.
Você discorda? Pois vamos dar um exemplo de uma situação real que mostra como
nos enganamos a respeito da nossa capacidade de comunicação. Veja a história a seguir:
Resposta Comentada
São muito baixas as chances de você ter respondido que se sentiria mais confortável em
um ambiente com tamanha formalidade como o descrito na situação 1. Várias podem ter
sido as justificativas, e aqui listamos sete possibilidades:
1. é muito formal;
2. é um ambiente pouco acolhedor;
3. não sei comer com todos aqueles talheres, nem o que beber com cada taça;
4. não me sinto à vontade quando sou recebido pelo mordomo, e não pelos meus amigos;
5. o ambiente me pareceu frio e distante;
6. acho desnecessária esta ostentação diante da realidade atual do país;
7. parecia que chegava à casa do meu chefe, e não de amigos.
Todas essas justificativas se referem, no fundo, à formalidade que está por trás de uma
mesa posta com quantidades de pratos, taças e talheres que são, pelo menos, o triplo do
número de convidados. Isso para não falar no mordomo e nos amigos que não vieram
recebê-lo. Essa formalidade traz associada a si um distanciamento que não esperamos
encontrar quando vamos à casa de amigos.
Ao pegar seu material didático impresso para estudar, o aluno espera se sentir indo a uma
aula; em outras palavras, ele espera ser recebido pelo professor, sem formalidades que o
façam se sentir, de fato, a distância...
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96
Planejamento e elaboração de material didático impresso para EAD - elementos instrucionais e estratégias de ensino
Uma vez estava dirigindo, com minha sobrinha, então com uns
sete anos, no banco de trás. A certa altura, ela vira-se para mim e
pergunta:
- Tia, o que é maré?
Meu lado bióloga marinha estufou o peito, antecipando o
que certamente seria a consagração do meu maior momento
como professora.
- Maré, Nina? Ok, vamos lá! Sabe quando você está na praia e de
repente o mar vem e molha a toalha da gente?
A menina impaciente retruca:
- Tia, não perguntei o que é MAR, perguntei o que é MARÉ!
- Calma, Nina. Para saber o que é maré, primeiro tem que saber umas
coisas do mar!
Seguiu-se uma longa explicação, que para mim pareceu
absolutamente impecável dada a minha formação na área, minha
experiência em sala de aula, e a aluna que o orgulho genético só me
faria considerar brilhante.
- Entendeu?
- Tia, acho que eu estou ficando surda...
- Surda, Nina?
- É, tia. Quer ver? Por exemplo, me pergunta o que é lápis!
Já meio frustrada, entrei na onda da minha adorável aprendiz.
- Nina, o que é um lápis?
- Uma coisa de madeira, fina e pontuda. Entendeu?
Parei, pensei, e acabei percebendo que, de fato, não estava satisfeita
com a resposta.
- É, mas você poderia estar falando de um palito...
- É isso! Tá vendo, tia... Eu entendo o que você diz, só não entendo o
que você quer dizer!
Diálogo real, narrado por Cristine Barreto (coordenadora do módulo).
Aconteceu há sete anos, entre ela mesma e sua sobrinha que tinha
6 anos na época.
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97
Aula 5 – O uso da linguagem. Por que tanta preocupação e tanto cuidado?
Esse exemplo mostra o quanto podemos nos enganar em relação à nossa clareza.
A tia tinha certeza absoluta de que tinha dado a melhor das explicações sobre maré.
Não foi o que achou a sobrinha, que continuou sem saber o que havia perguntado.
Uma das maneiras de diminuir a dificuldade de os alunos entenderem um
determinado conteúdo é aproximá-lo deles. Isso pode ser feito de duas maneiras:
1. contextualizando, dando exemplos que concretizem conceitos abstratos;
2. fazendo com que o aluno se sinta de fato em uma aula, que ele sinta que há um
professor do outro lado do papel, preocupado em lhe ensinar aquele conteúdo.
Sobre a primeira maneira, você é o mais indicado para selecionar partes do
conteúdo em que valha a pena utilizar esta estratégia. Nós acabamos de fazer isso
mostrando o exemplo da conversa sobre maré.
Já sobre a segunda maneira, aí sim podemos contribuir mais.
Vemos em EAD que as aulas apresentadas em tom de conversa são sempre mais
atrativas e eficazes. Afinal, são aulas, e não conferências. Portanto, sugerimos que a
linguagem informal (mas cuidada!) e amigável seja a que você deva usar. Como fazer?
Que tal começar a descobrir, fazendo a Atividade 2?
Atividade 2
Objetivo 2 j
Chega mais, chega mais...
Uma linguagem mais amigável e informal é uma boa maneira de fazer o aluno se sentir
em uma aula, e das boas. Veja o trecho a seguir, retirado do prólogo desta aula:
“Neste sentido, ficam clarificadamente as razões pelas quais o leitor desta deve
ater-se firme, dedicada e cuidadosamente a tais unidades didáticas expostas.”
Agora você fará um exercício bastante direcionado:
a. Retire a palavra que explicita a que pessoa este texto se refere.
__________________________________________________________________
b. No contexto dessa aula, quem é essa pessoa?
__________________________________________________________________
c. O que você poderia escrever no lugar da que selecionou na letra a para trazer um a
pouco mais de pessoalidade ao texto?
__________________________________________________________________
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Planejamento e elaboração de material didático impresso para EAD - elementos instrucionais e estratégias de ensino
Resposta Comentada
a. Este texto está se referindo diretamente ao LEITOR...
b. ...que nesta aula é você, capacitando para a elaboração de material didático impresso
para Educação a Distância.
c. Trocar “leitor” por “você” já faz com que você se sinta mais próximo do autor do texto.
Afinal, ele estará se dirigindo diretamente a você, não é?!
A pessoalidade de um texto não passa só pela forma como se trata o aluno, mas
também pela maneira como o professor se coloca. Veja a diferença:
1- O autor apresentará a seguir os problemas que o aluno deverá identificar...
2- (eu) Vou apresentar a seguir os problemas que você deverá identificar...
No texto 1 há dois verdadeiros alienígenas tentando comunicação! Já no texto 2, há
uma relação explícita e direta entre duas pessoas.
Para alcançar esse tipo de linguagem mais intimista, use sempre pronomes pessoais
(eu, você, nós). Precisando usar pronomes que não permitam a imediata e clara
identificação do “quem” (ele ou eles; ela ou elas; nós; seu ou seus; sua ou suas; etc.)
esclareça no mesmo instante se se trata de eu e você, de eu e os outros professores, de
você, eu e os meus colegas especialistas etc.
C
uidado para não confundir informalidade com coloquialismo exagerado. O que buscamos
é uma linguagem pessoal, clara, objetiva e, quando possível, com tons humorísticos; no
entanto, não devemos nos descuidar em nenhum momento!
O uso de pra, pro, pras, pros não é aconselhável na nossa língua; muito menos será o uso
de contrações agramaticais, do tipo DA em vez de DE A (por exemplo: “O fato do aluno estar
distante” x “O fato de o aluno estar distante...”).
A
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n
ç
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o
Ainda nas características de um texto que converse com o aluno, não podemos
deixar de falar sobre as frases interrogativas – retóricas. Você saberia dizer o porquê?
Esse tipo de recurso lingüístico é capaz de instigar o aluno e, por conseqüência, o
mantém mais atento à aula e faz com que ele se encoraje a antecipar a resposta. (Se você
está estudando esta aula como um autêntico aluno, acabou de ser chacoalhado pela
pergunta do parágrafo anterior).
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Aula 5 – O uso da linguagem. Por que tanta preocupação e tanto cuidado?
Com o devido cuidado de não transformar sua aula num mero questionário,
faça perguntas introdutórias; saia da rotina de se limitar a conceituar e conceituar
indefinidamente; aproveite a chance de perguntar o que vai explicar depois e responder
com exemplos.
P
odemos (e devemos) ser sérios no ensino do conteúdo; no entanto, sem ser pedantes. Em
Educação a Distância, mais particularmente que na modalidade presencial, a linguagem
solene, professoral e acadêmica são sempre indesejadas, pois afasta o aluno do professor.
A linguagem simples, direta, precisa, objetiva, clara e concisa só faz aproximá-los. Não é
necessário dizer que tipo de “convivência” queremos ter, concorda?
A
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Cheio de nada? Nada bom...
Quando você escreve, o mundo de vocabulário que está armazenado em sua mente
fica inteiramente disponível para uso, não é verdade?
Todavia, quando você estiver escrevendo uma aula, você terá de fazer escolhas,
seleções, discriminações entre palavras, frases, expressões etc. Isso porque você não está
escrevendo para si, mas para o outro.
Um texto é mais consistente quando todas as suas palavras têm relevância para
o que ele se propõe a dizer. Assim, sugerimos que você corte tudo o que vai além do
essencial para passar sua mensagem.
Há frases e expressões que podem ser substituídas por uma ou duas palavras, e com
vantagem: seu receptor decodifica mais rápido, não se estressa, entende sem esforço,
não precisa mergulhar no dicionário, sente conforto na leitura...
Por que usar frases como ’’algo que não esteja aquém do mínimo esperado nem
além do que se consideraria o máximo”, se a gente pode usar “aproximadamente”?
Por que escrever “um extenso, inumerável montante de exemplares”, se podemos
simplesmente escrever “muitos” ou “muitíssimos”?
Sempre que possível, use a expressão que é mais objetiva, clara, simples, direta,
específica, dialógica. Evite tudo o que for vago, impreciso, abstrato, genérico (veja o
boxe “Fugindo do Vago...”); sob pena de seu aluno não entender ou – pior – entender
errado!
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Planejamento e elaboração de material didático impresso para EAD - elementos instrucionais e estratégias de ensino
Repare o exemplo:
“Perigo extremo pode estar associado ao uso operacional incorreto deste equipamento.”
A falta de precisão faz o aluno sentir-se como na areia movediça. Precisar ler três
vezes para entender algo que pode ser entendido de primeira é perda de tempo. E
tempo, lembre-se, é algo que o aluno NÃO tem para desperdiçar. Veja a diferença,
utilizando o mesmo exemplo:
“Mantenha distância ao operar esta máquina. Ela oferece grande risco.”
Fugindo do Vago...
Sugerimos que, para evitar o vago, você procure descartar expressões como:
Fatores Casos
Campos Tem conexão com
Geralmente Circunstâncias
A
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Atividade 3
Objetivo 3 j
Palavras, palavras...
Como você deve estar começando a perceber, o prólogo desta aula será a base dos nossos
trabalhos para aprender a construir um texto para uma aula em material impresso para
Educação a Distância. Releia o parágrafo a seguir:
Posto que, ainda, hodiernamente, não nos é factível prescindir, portanto
improvavelmente o será, de tal artifício [a escrita] da transmissão e recepção
entre interlocutores adjacentemente localizados ou temporalmente e espa-
cialmente separados, com vistas a estabelecer, de fato, entre as partes,
comunicação, mandatório nos é não deixarmos de empenharmo-nos, no que
à busca por fatores, recursos e elementos lingüísticos alude, à culminação da
não obscuridade e ininterrupta objetividade de nossos escritos, sob infortúnio
de não se lograr a veiculação da expressão das acepções originais, da
semântica primeira, ambas que pelo autor da epístola foram intentadas.
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Aula 5 – O uso da linguagem. Por que tanta preocupação e tanto cuidado?
De acordo com o que você acabou de ver nesta aula, deve estar fácil perceber que este
parágrafo está cheio de nada, não é? Então, sua tarefa será detectar as expressões
que “engordam” este texto desnecessariamente e substituí-las. Atenção: não estamos
falando dos termos que somente dificultam a leitura, mas das expressões que podem ser
substituídas por uma só palavra. Tente encontrar, pelo menos, três.
1. _______________________________________________
substituir por: ______________________________________
2. _______________________________________________
substituir por: ______________________________________
3. _______________________________________________
substituir por: ______________________________________
Resposta Comentada
Você provavelmente teve dificuldade em detectar e substituir as expressões que “engordam”
o texto porque, provavelmente, não está entendendo nada do que está escrito. Diríamos
que, a essa altura, você deva estar um pouco irritado... O texto do prólogo é realmente uma
obra de arte às avessas! É difícil pensar em melhorar algo que não se compreende. Demos
alguns exemplos a seguir. Você encontrou outros? Se encontrou, compartilhe conosco no
espaço Fórum da Aula 5.
1. artifício da transmissão e recepção entre interlocutores é exatamente como o dicionário
define COMUNICAÇÃO!
2. adjacentemente localizados é a mesma coisa que PRÓXIMOS, não?
3. fatores, recursos e elementos. Para que tanta coisa? Escolhamos 1: RECURSOS, por
exemplo!
4. não-obscuridade é um jeito esquisito de dizer CLAREZA.
5. lograr a veiculação da expressão... essa é demais! Por que não simplesmente EXPRESSAR?
Existe mais uma expressão que você pode ter detectado; na Atividade Final você vai
entender por que não a colocamos aqui...
No final das contas, sem grandes alterações, observe quanto mais conciso ele ficou:
Posto que, ainda, hodiernamente, não nos é factível prescindir, portanto impro-
vavelmente o será, da comunicação [escrita] entre interlocutores próximos
ou temporalmente e espacialmente separados, com vistas a estabelecer,
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Planejamento e elaboração de material didático impresso para EAD - elementos instrucionais e estratégias de ensino
de fato, entre as partes, comunicação, mandatório nos é não deixarmos de
empenharmo-nos, no que à busca por recursos lingüísticos alude, à culminação
da clareza e ininterrupta objetividade de nossos escritos, sob infortúnio e não se
expressar as acepções originais, a semântica primeira, ambas que pelo autor da
epístola foram intentadas.
Passamos, sem esforço, de 92 para 77 palavras! E se agora você olhar a nova versão desse
trecho, provavelmente encontrará mais algumas possibilidades de substituições. Ainda
não está bom? Também achamos que não...
“Hodiernamente” é coisa do passado!
Tudo de que não precisamos em um material instrucional para Educação a
Distância é de textos que o aluno não seja capaz de entender. Como você viu na seção
e atividade anteriores, textos mais enxutos contribuem expressivamente para a clareza;
no entanto, são apenas uma das componentes desse parâmetro.
De que adianta usar o número de palavras essencial para a sua mensagem, se as
palavras que se está utilizando são indecifráveis para quem está lendo?
Uma das vantagens do material impresso é o fato de ele ser de fácil transporte.
O aluno pode estudá-lo no ônibus, por exemplo, na volta do trabalho. Tendo isso em
mente, pense em algumas questões:
- Um texto como o que iniciou esta aula pode ser lido por um aluno sem um
enorme dicionário a seu lado?
- Quanto pesa um bom dicionário para ser carregado por aí?
- Qual é o prazer de ler tendo de consultar um dicionário a cada três palavras?
- Como é se sentir estrangeiro na sua própria língua, tentando, ao mesmo tempo,
aprender sobre marés, ou o que seja?
- Qual é o preço de fazer o aluno achar que está “surdo” (neste caso, “cego”)? Ele
fechar o livro e largar os estudos?
Com isso, queremos dizer: não sofistique o uso da linguagem na Educação a
Distância. Procure utilizar as palavras do conhecimento da maioria dos alunos, as
que lhes são familiares, corriqueiras. Sinônimos de palavras ”difíceis” serão sempre
bem-vindos.
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Aula 5 – O uso da linguagem. Por que tanta preocupação e tanto cuidado?
E
videntemente, estão excluídos da sugestão anterior os termos técnico-científicos indispen-
sáveis de colocação. Também não considere o conselho se sua intenção (ou eventual meta/
objetivo da aula) for o aprofundamento ou a análise de modos de falar e registros de linguagem
específicos, incomuns, não usuais.
A
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Atividade 4
Objetivo 4 j
A tonga da mironga do cabuletê...
Você continuará na saga de transformar o prólogo desta aula em algo legível por um
aluno... Sua tarefa é identificar e substituir - no trecho a seguir, retirado da resposta da
Atividade 3 - palavras que você imagine não serem de uso cotidiano de seu aluno, à luz
do que acabou de refletir sobre textos rebuscados:
“Posto que, ainda, hodiernamente, não nos é factível prescindir, portanto
improvavelmente o será, da comunicação [escrita] entre interlocutores próximos
ou temporalmente e espacialmente separados, com vistas a estabelecer,
de fato, entre as partes, comunicação, mandatório nos é não deixarmos de
empenharmo-nos, no que à busca por recursos lingüísticos alude, à culminação
da clareza e ininterrupta objetividade de nossos escritos, sob infortúnio de não
se expressar as acepções originais, a semântica primeira, ambas que pelo autor
da epístola foram intentadas.”
Empenhe-se em encontrar, pelo menos, 10 substituições.
1. ______________________________________________
substituir por______________________________________
2. ______________________________________________
substituir por______________________________________
3. ______________________________________________
substituir por______________________________________
4. ______________________________________________
substituir por______________________________________
5. ______________________________________________
substituir por______________________________________
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Planejamento e elaboração de material didático impresso para EAD - elementos instrucionais e estratégias de ensino
6. ______________________________________________
substituir por______________________________________
7. ______________________________________________
substituir por______________________________________
8. ______________________________________________
substituir por______________________________________
9. ______________________________________________
substituir por______________________________________
10. _____________________________________________
substituir por______________________________________
Resposta Comentada
Um vocabulário rebuscado é um grande inimigo do aluno na hora em que ele está
estudando um conteúdo. Isso porque, além de ter de aprender a equilibrar reações
químicas, compreender ciclos biogeoquímicos, resolver equações matemáticas, teorias da
educação, conceitos de contabilidade e empreendedorismo, características de estilos de
arte ou o que for conteúdo de seu curso, ele terá que, ao mesmo tempo, decifrar o que está
escrito (pense em como você se sentiu ao ler o prólogo desta aula...).
Se você quiser dar ao aluno a oportunidade de entrar em contato com novos termos - e
já fazemos isso com os termos técnicos – faça isso bastante moderadamente; escolha
momentos em que a aprendizagem dele não será sacrificada, caso ele não tenha em mãos
um dicionário na hora em que estiver lendo sua aula.
Vamos à resposta?
1. posto que já que
2. hodiernamente atualmente
3. com vistas a a fim de
4. as partes elas
5. mandatório necessário
6. culminação máximo
7. infortúnio pena
8. acepções significados
9. semântica sentido
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Aula 5 – O uso da linguagem. Por que tanta preocupação e tanto cuidado?
Simplificando e clarificando nossos textos
1. Não precisamos ir do Leme ao Pontal em uma só frase...
Materiais instrucionais impressos voltados para a Educação a Distância, como você
está vendo, possuem um gênero discursivo característico. Esse gênero é bem diferente
de artigos científicos, capítulos de livro e da literatura em geral (romances, poemas etc);
estarmos atentos a ele é fundamental para a aprendizagem do aluno.
Longos parágrafos com longos períodos de longas orações com longas palavras
demandam freqüentemente várias leituras para serem entendidos. É comum encontrar
alunos complexados com relação à sua capacidade de entendimento, embora quem
redigiu o texto seja o verdadeiro culpado!
10. epístola mensagem, texto
11. intentadas desejadas
Se você se preocupou muito com seu aluno, pode ter pensado em outras palavras que mereciam
ser substituídas para o texto se aproximar ainda mais da linguagem dele:
12. factível possível
13. prescindir abrir mão
14. Interlocutores pessoas
15. alude se refere
16. ininterrupta contínua
E depois dessas substituições todas, como ficamos? Veja:
Já que, ainda, atualmente, não nos é possível abrir mão, portanto improva-
velmente o será, da comunicação [escrita] entre pessoas próximas ou tempo-
ralmente e espacialmente separadas, a fim de estabelecer, de fato, entre elas,
comunicação, necessário nos é não deixarmos de empenharmo-nos, no que à
busca por recursos lingüísticos se refere, ao máximo da clareza e contínua objeti-
vidade de nossos escritos, sob pena de não de não se expressar os significados e
sentido originais, ambos que pelo autor da mensagem foram desejados.
E aí? Já está claro e fácil de ler?
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Planejamento e elaboração de material didático impresso para EAD - elementos instrucionais e estratégias de ensino
Frases simples, orações curtas, períodos rápidos de ler fazem com que você não se
perca na coesão textual, além de ser muito mais fácil detectar as incoerências come-
tidas involuntariamente. Com isso, queremos dizer que frases curtas são sempre mais
bem entendidas por serem sempre mais enfáticas. Quanto mais você usar pontos,
mais chances de parar para pensar sobre o que acabou de ler (se entendeu ou não, se
concorda ou não) você dará ao seu aluno.
C
uidado! Períodos curtos não significam que o texto deva ser tópico ou que seja fragmentado
demais, a ponto de ser monótono. Em geral, os períodos devem conter até vinte palavras.
Alguns podem exceder a isso, tendo de trinta a quarenta palavras. Se períodos mais longos
forem inevitáveis, tais parágrafos devem conter uma reduzida frase final, sintética, que ajude o
aluno na tarefa complexa de entender o que você escreveu. Em seguida, tente contrabalançá-los
com outros menos longos.
A
t
e
n
ç
ã
o
2. Não, não e mais não não são bem-vindos por aqui...
Outro ponto a que você deve estar atento é o uso das expressões de sentido negativo.
Há muitos alunos que sentem dificuldade em entender rapidamente as construções
desse tipo. Evite a dupla negativa como, por exemplo:
Não é possível duvidar de que as provas não sejam desprovidas de sentido.
Melhor dizendo:
Tenho certeza de que as provas são providas de sentido.
Ou, no máximo:
Não duvide de que as provas sejam providas de sentido.
Ou, ainda melhor:
As provas têm sentido.
O uso indiscriminado de negativas na linguagem faz com que o aluno duvide do
que entendeu, além de sentir-se cansado da leitura.
3. Encaixes precisos
As conjunções têm um papel importantíssimo na coesão e na coerência de um
texto. Usá-las sem o cuidado necessário pode acabar com uma idéia, pode levar o aluno
a uma grande confusão!
Freqüente é o uso de conjunções com sentido equivocado. Toda vez que escrever
“embora”, “no entanto”, analise se há mesmo idéia de concessão ou adversidade
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Aula 5 – O uso da linguagem. Por que tanta preocupação e tanto cuidado?
na sentença; se escrever “portanto”, “assim”, observe se há realmente relação de
conseqüência ou conclusão entre as orações.
Pode estar parecendo óbvio demais o que está no parágrafo anterior. Pode estar
parecendo que estamos gastando seu tempo com informações desnecessárias.
Pode ser que você esteja certo (e esperamos que, de fato, esteja). No entanto, uma
das imprecisões mais comuns de se encontrar ao analisar textos instrucionais (e de
diversas naturezas) é a do tipo narrado nos parágrafos anteriores.
Além da imprecisão no significado, temos de fugir do excesso de conjunções em
um texto. Use-as sem repetição exagerada e prefira as mais simples de cada espécie.
O contrário disso chama-se texto caótico!
4. Muitos adjetivos, muitos advérbios – para que isso tudo?!
Como já dissemos inúmeras vezes, um bom texto deve ser enxuto. Isso significa que,
assim como não é funcional termos expressões enormes que podem ser substituídas
por uma palavra, também não precisamos de adjetivos em excesso para explicar uma
mesma qualidade, estado ou situação. Do mesmo jeito, também não precisamos de
toneladas de advérbios. Quando alongamos as palavras colocando o “-mente” no final
delas para transformá-las em advérbios, a leitura se torna cansativa.
5. Verbos e suas vozes
O verbo é, sem dúvida, a palavra mais forte de qualquer
frase ou oração. A maneira de utilizar o verbo determina a
importância dos elementos em uma sentença e, portanto,
atribui peso e força ao que se quer dizer.
A voz ativa do verbo deve ser a opção na maior
parte dos casos, por ser mais direta e enfática. Estar
atento a esse detalhe pode ser um grande diferencial
entre escrever um trabalho científico e uma aula em
que se conversa com o aluno. Isso porque, nos textos
acadêmicos, é mais comum o uso da voz passiva p (pois
interessa mais o que foi feito, e não quem fez).
Voz ativa e voz passiva
Para você que não lembra
das aulas de português
dos tempos de colégio:
dizemos que houve o
emprego da voz ativa
quando o sujeito (agente)
tem maior ênfase do
que a ação. Por exemplo:
“O presidente assinou o
decreto” em vez de
“O decreto foi assinado
pelo presidente”. Na
segunda oração, o verbo
está em voz passiva (a
ação é mais importante
que o agente).
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Planejamento e elaboração de material didático impresso para EAD - elementos instrucionais e estratégias de ensino
6. Sobre termos técnicos...
Termos técnicos e científicos nem sempre podem (e nem devem!) ser omitidos
em uma aula. Os jargões também não podem ser desprezados, se as pessoas das áreas
de conhecimento especializado fazem uso deles freqüentemente. No entanto, todo
cuidado é pouco ao utilizá-los na linguagem de EAD! Eis algumas sugestões a respeito
de tais termos e jargões:
• Nunca use termos técnicos, a menos que você esteja certo de que o aprendiz
necessita deles.
• Explique o novo termo muito cuidadosamente quando for aplicado pela primeira
vez. Dê o significado, o propósito, o exemplo.
• Relembre o aluno do que se trata, quando voltar a usar um termo ou jargão depois
de muito conteúdo novo ou de aulas passadas.
• Use qualquer espécie de grifo, como a sublinha, as letras em CAIXA ALTA, o
negrito etc. Aproveite para inserir verbetes que contenham apenas a explicação do
sentido necessário para aquele momento.
• Não introduza mais que o número estritamente necessário de termos técnicos
novos no mesmo parágrafo.
• Não use termos técnicos alternativos para o mesmo conceito (microcomputador/
PC), a menos que você pretenda acostumar o seu aluno às variações dos termos.
Nesse caso, use uma variante de cada vez.
7. A palavra-de-ordem é palavra em ordem
Observe com cuidado como você está ordenando as palavras e/ou as orações do seu
texto. Em língua portuguesa, aluno novo não é o mesmo que novo aluno. Há ordens
de palavras que alteram completamente a mensagem. Casos clássicos são os do somente,
ou do apenas, por exemplo. Compare as três frases a seguir e veja se elas apresentam o
mesmo sentido:
Apenas o gato senta no sofá.
O gato apenas senta no sofá.
O gato senta apenas no sofá.
E aí? Na primeira, o gato é o único a sentar no sofá; na segunda; a única coisa que
o gato pode fazer no sofá é se sentar; na terceira, o gato não senta em nenhum outro
lugar além de no sofá.
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Aula 5 – O uso da linguagem. Por que tanta preocupação e tanto cuidado?
Outra questão relacionada à ordem das palavras em uma sentença é que, para
construir um texto claro, quanto menos inversões, melhor. Em outras palavras:
mantenha a ordem direta das palavras. Veja:
Ordem inversa:
Sobre elaboração de textos para Educação a Distância estudam os professores.
Ordem direta:
Os professores estudam sobre elaboração de textos para Educação a Distância.
8. Parênteses, travessões, vírgulas e ponto final
Pontuação tem a ver com norma gramatical e com o estilo de quem escreve. No
que se refere ao estilo, recomendamos apenas que não cometa exageros, especialmente
na aplicação das vírgulas de uso opcional. Entre o máximo e o mínimo de vírgulas
que uma oração pode conter, o que define o número adequado é a velocidade que
você deseja imprimir ao texto. Não voe nem ande quase parando; o aluno poderá não
acompanhá-lo ou esquecer-se de você. Veja aqui alguns casos em que pontuação se faz
necessária:
• Se você quiser que seu aluno faça uma pequena pausa, insira uma vírgula.
• Um ponto final leva a uma pausa maior.
• Se você deseja inserir um comentário (não muito extenso), faça o que acabamos de
fazer: coloque-o entre parênteses.
• Se você deseja unir pequenos períodos, use ponto-e-vírgula; isso dá uma pausa
maior que a vírgula e menor que o ponto.
• Se você deseja dar ênfase particular a uma palavra, sublinhe-a ou use negrito ou
LETRAS MAIÚSCULAS.
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Planejamento e elaboração de material didático impresso para EAD - elementos instrucionais e estratégias de ensino
Atividade final
Objetivos 4, 5 e 6 j
Construção
Não precisa ser nenhum especialista para perceber que o texto a seguir está bastante
truncado e mal escrito:
Já que, ainda, atualmente, não nos é possível abrir mão, portanto improva-
velmente o será, da comunicação [escrita] entre pessoas próximas ou temporal-
mente e espacialmente separadas, a fim de estabelecer, de fato, entre elas,
comunicação, necessário nos é não deixarmos de empenharmo-nos, no que
à busca por recursos lingüísticos se refere, ao máximo da clareza e contínua
objetividade de nossos escritos, sob pena de não se expressar os significados e
sentido originais, ambos que pelo autor da mensagem foram desejados.
Agora está na hora de consertá-lo de verdade, como provavelmente você está com vontade de
fazer desde o início da aula. Vamos parte a parte:
a. quantas sentenças há nesse parágrafo (definidas por pontos)?
__________________________________________________________________
__________________________________________________________________
b. qual é a expressão que apresenta uma negativa desnecessária, que retira objetividade
e clareza da frase? Como redigir a mesma expressão com mais objetividade?
__________________________________________________________________
__________________________________________________________________
c. identifique uma conjunção usada de maneira equivocada:
__________________________________________________________________
d. quantos advérbios você detecta facilMENTE entre as 25 primeiras palavras do texto?
Quais você substituiria (ajuste o texto, se for necessário)?
__________________________________________________________________
e. você encontra um verbo na voz passiva? Qual? Escreva o mesmo trecho colocando o
verbo na voz ativa.
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__________________________________________________________________
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Aula 5 – O uso da linguagem. Por que tanta preocupação e tanto cuidado?
f. detecte, pelo menos, duas inversões da ordem direta nesse trecho todo.
__________________________________________________________________
__________________________________________________________________
g. volte ao trecho que vai de “Já que” até “[escrita]”. Quantas palavras há neste trecho?
E quantas vírgulas? Qual é a velocidade do texto neste trecho (lenta, normal, rápida)?
__________________________________________________________________
h. identifique no texto um trecho que você colocaria entre parênteses (ou entre travessões).
__________________________________________________________________
i. agora que você já fez isso tudo, por que não reescreve o parágrafo? Fique à vontade:
corte as palavras que não contribuem para o significado do texto, troque as que achar
necessário.
Recomendações importantes: coloque pontos onde achar que deve (construa sentenças
curtas), retire vírgulas, reorganize as frases (privilegie a ordem direta), insira ao menos
uma pergunta retórica. Ah, e não se esqueça: seja fiel “à semântica primeira”!
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Resposta Comentada
Muito trabalho? Depois disso tudo, só conferindo as respostas:
a. inacreditavelmente, este parágrafo inteiro corresponde a uma única frase. Se isso é
absurdo, agora que ele já foi modificado por você duas vezes, imagina antes, quando ele
tinha 92 palavras (lembre-se de que recomendamos cerca de trinta por sentença).
b. “não deixarmos de empenharmo-nos” é o mesmo que empenharmo-nos, concorda? Para
que dar nó em pingo d’água? Isso é o que você poderia ter detectado na Atividade 3,
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Planejamento e elaboração de material didático impresso para EAD - elementos instrucionais e estratégias de ensino
mas que deixamos para falar somente agora que já apresentamos o efeito do excesso de
negativas na clareza de uma frase.
c. “não nos é possível abrir mão, portanto improvavelmente o será”. O “portanto” traz
uma idéia de conseqüência direta; neste caso, não existe este tipo de relação. De fato,
provavelmente nunca abriremos mão da comunicação escrita; no entanto, o motivo disso
não é o fato de que agora não podemos fazê-lo, mas o fato de ela permitir a comunicação
entre pessoas, por exemplo, separadas no tempo e no espaço!
d. facilmente você pode ter detectado 4 - os que apresentam “mente”: atualmente,
improvavelmente, temporalmente e espacialmente. Há mais, mas não os consideraremos
aqui.
Para substituir, você poderia escolher qualquer um deles. Possibilidades são:
- “Atualmente” nos dias de hoje;
- “improvavelmente o será” improvável que seja
- “temporalmente e
espacialmente separadas”
separadas no tempo e no
espaço.
e. “pelo autor da mensagem foram desejados” está valorizando o ato de desejar, e não
o autor. O agente não é o foco desta sentença e, por isso, dizemos que o verbo está em
voz passiva. Para passar para voz ativa: os significados e sentido originais, ambos, foram
desejados pelo autor da mensagem.
f. há várias inversões neste trecho: “não nos é possível abrir mão”, “estabelecer, de fato,
entre elas, comunicação”, “nos é não deixarmos de empenharmo-nos”, “no que à busca
por recursos lingüísticos se refere”, “que pelo autor da mensagem foram desejados”. Como
colocá-los em ordem direta? Vamos lá:
- não nos é possível abrir mão
não é possível a nós abrir mão, ou
não é possível abrirmos mão.
- estabelecer, de fato, entre
elas, comunicação
De fato, estabelecer comunicação
entre elas.
- nos é não deixarmos de
empenharmo-nos
É não deixarmos de nos
empenharmos, ou simplesmente,
nos empenharmos!
- no que à busca por recursos
lingüísticos se refere
no que se refere à busca por
recursos lingüísticos.
- que pelo autor da mensagem
foram desejados
que foram desejadas pelo autor da
mensagem.
g. 17 palavras e 5 vírgulas. Quase uma vírgula a cada três palavras. Isso faz a leitura lenta
e monótona.
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Aula 5 – O uso da linguagem. Por que tanta preocupação e tanto cuidado?
h. Três possibilidades:
- improvavelmente o será
- entre pessoas próximas ou temporalmente e espacialmente separadas
- no que à busca por recursos lingüísticos se refere
i. Quando você começou a ler esta aula deve ter pensado que nós éramos loucos e que
o prólogo não significava absolutamente nada. De fato, ele é o pior texto que já vimos:
uma quantidade enorme de palavras inúteis, de inversões desnecessárias, frases colossais,
clareza e objetividade nulas. Veja uma possibilidade de versão para o texto:
Ainda hoje, não é possível (e dificilmente será) abrir mão da linguagem escrita.
Por quê? Porque ela serve para nos comunicarmos com alguém que está
perto ou longe e para fazer registros que serão lidos no futuro. Para que isso
aconteça, é fundamental usar elementos lingüísticos que tragam para o nosso
texto mais clareza e objetividade; caso contrário, as chances de aquilo que
escrevemos ser compreendido por quem lê são baixas. (em 71 palavras).
Olhe as horas novamente. Há quanto tempo você está debruçado sobre esta aula?
Desconte uma parcela dedicada somente à leitura, 50% talvez? Ou seja, metade do tempo
que você passou estudando utilizou para decodificar um único parágrafo! Viu por que não
podemos descuidar da linguagem, especialmente para a Educação a Distância?
Epílogo...
Você pode estar se perguntando por que optamos por oferecer duas aulas sobre
linguagem voltada para material impresso para Educação a Distância. Vamos explicar
nos próximos parágrafos.
A importância da escrita vem de muito tempo, da época em que o homem começou
a se comunicar utilizando símbolos.
Ainda hoje, não é possível (e dificilmente será) abrir mão da linguagem escrita. Por
quê? Porque ela serve para nos comunicarmos com alguém que está perto ou longe e
para fazer registros que serão lidos no futuro. Para que isso aconteça, é fundamental
usar recursos lingüísticos que tragam para o nosso texto mais clareza e objetividade;
caso contrário, as chances de aquilo que escrevemos ser compreendido por quem lê
são baixas.
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Planejamento e elaboração de material didático impresso para EAD - elementos instrucionais e estratégias de ensino
A linguagem é uma ferramenta fundamental quando estamos ensinando um
conteúdo específico a distância. Se usada corretamente, permite ao professor fazer
conexões com o aluno e entre o aluno e o conteúdo.
É por isso que você deve estudar com tanto cuidado estas duas aulas sobre o tema!
162 palavras.
Reconheceu?
Resumo
A
o escrever a sua aula para EAD, faça uso da linguagem em tom
dialógico. Ponha-se no lugar do aluno. Não é mais agradável,
ao estudar uma aula, ler um texto que conversa com você? Fuja das
generalizações e das expressões vagas; use pronomes pessoais e frases
retóricas.
Tanto quanto possível, use palavras curtas, orações pequenas, períodos
curtos, parágrafos pequenos. Evite as duplas negativas. Prefira um
vocabulário familiar ao aluno. Opte pelos verbos ativos, pela ordem
direta, cuidando da ordenação de vocábulos. Ao mencionar temos
técnicos ou científicos, apresente-os aos poucos. De preferência, fuja
deles se puder.
A linguagem clara, objetiva, direta, amigável, simples e enxuta numa aula
faz com que o aluno a “ouça” e o estimula — ele ficará na boa expectativa
de “ouvir” a próxima.
Informações sobre a próxima aula
Na próxima aula você começará a estudar sobre as atividades em materiais instrucionais voltados
para Educação a Distância. Até lá!
Bibliografia Consultada
ROWNTREE, Derek. Teaching through self-instruction. 2ed. Londres: Kogan Page, 1994.
LOCWOOD, Fred. The design and production of self-instruction materials. 1ed. Londres: Kogan
Page, 1998.
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Praticando
a boa prática
Cristine Costa Barreto
6
Aula
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Planejamento e elaboração de material didático impresso para EAD - elementos instrucionais e estratégias de ensino
Meta
Discutir os principais aspectos relacionados à importância
de atividades autênticas em materiais impressos na
Educação a Distância (EAD).
Objetivos
Ao final desta aula, você deverá ser capaz de:
1. identificar a importância das atividades em materiais de
EAD para promover a aprendizagem a partir da utilização
dos conteúdos propostos;
2. conceituar atividade matemagênica;
3. identificar as dez características associadas a atividades
autênticas, conforme descrito na literatura;
4. detectar tais características em atividades voltadas
para materiais impressos de EAD.
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Aula 6 – Praticando a boa prática
Introdução
Eu ouço, e esqueço;
Eu vejo, e me lembro;
Eu faço, e compreendo.
– Confúcio
Se você me perguntasse qual o elemento instrucional mais difícil de ser assimilado por
quem começa a elaborar materiais didáticos impressos para EAD, eu responderia, sem
hesitar, que são as atividades. Se você me perguntasse por quê, eu diria que as atividades,
conforme devem ser concebidas na Educação a Distância, diferem muito da maneira
como as consideramos no ensino presencial. Essa educação não é tão marcante quando
se trata da linguagem, por exemplo. Sua experiência como leitor contribui para romper
as dificuldades relativas à redação de uma aula. É necessária a conquista de técnicas
adequadas e o estudo de diferentes modelos, é verdade. Mas um bom texto literário faz
parte do seu dia-a-dia, ainda que você não seja um escritor! Portanto, escrever é uma
prática de alguma maneira relacionada ao seu cotidiano de leitor.
Com as atividades, não é bem assim. O termo, em si, não tem nada de novo. Você
poderia, corretamente, definir atividade como qualquer coisa que o aluno faça, que não
seja apenas ouvir (ou ler), para aprender, aplicar, praticar, analisar, avaliar, dentre outras
respostas, um conteúdo oferecido. Então, antes de passarmos às especificidades das
atividades em EAD, vamos nos benefeciar de nossa própria experiência como professores.
Pense um pouco sobre suas aulas presenciais expositvas. Quando você está
apresentando novos conteúdos, por exemplo, que tipo de participação você solicita ou
espera de seus alunos?
Figura 6.1: Dependendo de como conduzimos
uma aula, nossos alunos podem participar de
maneiras variadas.
Fonte: www.sxc.hu
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Planejamento e elaboração de material didático impresso para EAD - elementos instrucionais e estratégias de ensino
Escreva, a seguir, as três primeiras coisas que lhe vieram à cabeça:
Imagino que você tenha incluído em sua lista a participação de seus alunos por
meio da colocação de dúvidas, do levantamento de questões, de respostas a perguntas
que você faz, da análise de recursos expositivos, de tarefas realizadas em grupo, de
apresentações de trabalho. Essas são maneiras, dentre várias, pelas quais, tenho certeza,
você busca manter um clima dinâmico, ativo, em sua sala de aula, fugindo de uma
exposição monológica longa e maçante enquanto garante que seus alunos atinjam os
objetivos propostos – maneiras que revelam sua boa prática como professor. Mas agora
gostaria de pedir a sua participação, como aluno, na realização da atividade a seguir.
Vamos lá?
Atividade 1
Atende ao objetivo 1 j
Problema, eu?
A seguir, estão listados a meta e os objetivos de aprendizagem de uma aula voltada
para doenças cardíacas que faz parte do conteúdo programático do curso de
Medicina oferecido por uma das mais conceituadas universidades da Inglaterra. Leia
atentamente.
Fonte: www.sxc.hu
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Aula 6 – Praticando a boa prática
Prof. Helen Hogan e Elizabeth Muir
Imperial College London
Mesmo que você não seja professor da área biomédica, pense em uma aula que permita a
um aluno atingir os objetivos propostos. Pense em como você incentivaria a participação
dos alunos. Pense em como engajar os alunos na aprendizagem do tema da aula e em
como você seria contributivo como professor que visa a formar profissionais de uma
determinada área (nesse caso, Medicina).
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Meta da aula
Avaliar o impacto do fumo na saúde, não só para
o indivíduo, mas para a sociedade como um todo.
Evidenciar de que forma a percepção de um indivíduo
acerca de sua própria saúde, bem como seu status
socioeconômico, influencia o sucesso de estratégias
para a promoção de hábitos de higiene e saúde.
Evidenciar conflitos éticos presentes na área de saúde.
Após esta aula, o aluno deverá ser capaz de:
1. identificar os efeitos físicos, fisiológicos e sociais
do fumo sobre o indivíduo e sua família (incluindo
aspectos tais como o vício e os efeitos do cigarro
para fumantes passivos);
2. relacionar fatores socioeconômicos ao hábito de
fumar;
3. detectar as causas que determinam o início do hábito
de fumar em crianças e adolescentes e quais fatores
contribuem para a manutenção do hábito e para o
abandono do vício;
4. distinguir entre prevenção primária, secundária e
terciária;
5. identificar os conflitos éticos inerentes a qualquer
programa de promoção de saúde;
6. explorar evidências do fumo como um fator de risco
para doenças cardíacas coronarianas.
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“O fumo e as doenças
do coração” A
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Planejamento e elaboração de material didático impresso para EAD - elementos instrucionais e estratégias de ensino
Pense um pouco antes de continuar estudando esta aula.
Resposta comentada
Você pode ter pensado em um sem-número de estratégias diferentes: o uso de fotos,
visitas a hospitais, análise de imagens radiográficas, entrevistas, pesquisas etc. Eu adoraria
que você compartilhasse comigo e com os outros alunos do curso suas idéias para esta
atividade. Deixe seu comentário na plataforma, no fórum da Aula 6. Mas antes de ir até
lá, dê uma olhada no texto seguinte, no qual foi baseada a aula original cujos objetivos
você leu anteriormente.
Jim Butler
Jim Butler é um operário de construção de 40 anos de idade, casado, com dois
filhos: um de dois e outro de cinco anos. Seu trabalho nem sempre é regular, o
que ocasionalmente causa problemas financeiros para a família. Jim gosta de
jogar futebol uma vez por semana e de ir a um bar encontrar com os amigos no
final de semana.
Jim é fumante e consome 20 cigarros por dia
há 20 anos. Depois de muita insistência de sua
esposa, ele concordou em fazer uma visita ao
posto de saúde e buscar aconselhamento do
médico de plantão acerca de como parar de
fumar. Esse médico é você. A esposa de Jim
acha que seria melhor para a saúde dele se ele
deixasse de fumar; recentemente ela mostrou
ao marido um panfleto informativo que
pegou na farmácia sobre doenças relacionadas ao fumo. Ela também acha que
isso os ajudaria a guardar algum dinheiro como reserva para as ocasiões em
que Jim estivesse sem trabalho.
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Fonte: www.sxc.hu Fonte: www.sxc.hu
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Fonte: www.sxc.hu
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Fonte: www.sxc.hu
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Fonte: www.sxc.hu
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Fonte: www.sxc.hu
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Aula 6 – Praticando a boa prática
Ele chega para uma consulta com você e diz: “Minha mulher me mandou aqui
hoje porque ela está preocupada com meu vício de fumar. Não sei por que
tanto estardalhaço, pois meu avô fumou 30 cigarros por dia durante toda a
sua vida e viveu até os 90 anos.
”Enquanto você conversa com Jim, ele revela que tanto seu pai quanto seu tio
morreram no início dos anos 50 em decorrência de “problemas no coração”.
Qual a melhor maneira de você ajudar Jim?
O caso anterior foi utilizado em uma dinâmica presencial de resolução de problemas,
mediada por um tutor (se você quiser saber mais sobre essa estratégia, leia o boxe
“Aprendizagem baseada na resolução de problemas”). A situação relatada pelo operário
Jim Butler é o núcleo a partir do qual todos os objetivos listados anteriormente devem
ser atingidos pelos alunos. Da maneira como essas dinâmicas são conduzidas, o aluno
aprende não apenas a resolver o problema específico proposto, mas se instrumentaliza
para a resolução de problemas em geral, a partir da aplicação de conceitos em contextos
reais e variados e da transferência dos conteúdos aprendidos para outros domínios.
Naturalmente, você poderia apresentar, em uma aula expositiva convencional, conteúdos
que permitissem aos alunos atingir os objetivos mencionados no início da atividade.
E você certamente faria isso com eloqüência, em uma aula bem ilustrada, fazendo uso das
estratégias que mencionou anteriormente, compartilhando com seus alunos toda a sua
experiência profissional. Você falaria de forma clara, e os alunos teriam acesso ao conteúdo
de forma muito mais rápida e objetiva do que por meio de discussões em grupo. Você
poderia fazer isso, obviamente. Mas diversos estudos indicam que a maioria dos estudantes
retém e utiliza pouco do que memoriza em situações de sala de aula.
Diferentemente, a aprendizagem baseada na resolução de problemas proporciona maior
significado, aplicabilidade e relevância ao conteúdo aprendido. É o extremo do que você pode
fazer em sala de aula, em que as participações de seus alunos, na verdade, sejam a própria
aula, já pensou nisso? Quando comparada à instrução tradicional, a adoção de problemas
úteis (significativos) e com alto grau de dificuldade motiva muito mais os aprendizes a
buscar soluções, proporcionando-lhes maior nível de compreensão e de desenvolvimento
de habilidades cognitivas e relacionais. Dessa forma, os alunos passam a utilizar idéias em s
vez de apenas ouvir (ou ler!) sobre elas. A constante aplicação de conceitos por meio das
atividades propostas é uma característica típica da Educação a Distância, que deveria ser, na
verdade, meramente um reflexo de nossas práticas em sala de aula no ensino presencial.
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Planejamento e elaboração de material didático impresso para EAD - elementos instrucionais e estratégias de ensino
Diferentemente dos livros-textos tradicionais, em que as atividades aparecem ao final
de cada capítulo como verificadoras de um aprendizado adquirido anteriormente, no caso
da Educação a Distância as atividades devem aparecer entremeadas no corpo do texto,
como parte integrante dos elementos instrucionais que promovem uma aprendizagem
eficaz. Representam um dos principais caminhos de interação entre o aluno e o material
didático, ao redor dos quais o processo de aprendizagem deve ser construído. Tudo
funciona como se você estivesse dando uma aula particular, para apenas um aluno...
De tempos em tempos, você solicita sua participação para se certificar de que ele está
acompanhando seu raciocínio, para que ele compartilhe de suas experiências, para que
ele pratique um conceito importante sobre o qual você acabou de falar. É esse ritmo que
você deve buscar ao elaborar uma aula impressa para EAD.
Figura 6.2: Enquanto elabora uma aula para Educação a Distância, pense
sempre em um aluno particular. Como você o interpelaria durante uma seção
de duas horas? Assim, você deve imaginar a freqüência com que deve oferecer
atividades para ele fazer.
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Mas você me disse que faz isso em sua sala de aula, não? Você busca a participação
de seus alunos de diversas maneiras. Assim como você, muitos professores tentam
romper com um modelo reproduzido há décadas, fortemente centrado na transmissão
de um vasto conteúdo que inunda o aluno com informações detalhistas; um sistema
que enfatiza exageradamente recuperação, reconhecimento, descrição ou comparação
de informações que foram memorizadas. Não é preciso ser um profissional da área
da Educação para deduzir que esse modelo gera muitos custos para o aprendiz e
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Aula 6 – Praticando a boa prática
exige pouco do professor, de forma que o balanço final é quase inevitavelmente a
massificação de alunos desestimulados com o conhecimento, com o processo de
aprendizagem e pouco autônomos no que se refere às suas capacidades de análise,
interpretação e decisão, dentre outras.
Se concentrarmos o foco das ações pedagógicas no aluno, inevitavelmente somos
levados a pensar no processo de aprendizagem de uma maneira inteiramente diferente,
com atividades educacionais que busquem integrar o aluno a um contexto aplicado,
refletindo as ações dos profissionais em um mundo real, onde menos tempo é gasto
freqüentando exposições teóricas do que na aplicação das informações apreendidas.
Ora, se todos somos capazes de detectar parâmetros educacionais que definem
sistemas eficazes, presenciais ou não, e distingui-los daqueles que claramente consideramos
inadequados, quer do ponto de vista pedagógico, quer do motivacional, por que então
a aprendizagem baseada em atividades ainda é percebida, por muitos professores, como
uma inovação e por que comecei a aula dizendo que é o elemento instrucional mais
difícil de ser assimilado e aplicado na elaboração de materiais de EAD?
Minha longa prática em sala de aula e minha experiência como pesquisadora
sugerem que, embora saibamos apreciar o bom material educacional e também detectar
aquele que nos desagrada, falta-nos a capacidade de mapear e formalizar os processos
técnicos e mentais que levaram este àquele. Novamente, por meio desta discussão,
espero contribuir para preencher alguns daqueles fluxogramas vazios a que me referi na
Aula 2 e ajudar você a criar boas atividades para suas aulas, para seus alunos.
Aprendizagem baseada na resolução de problemas
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aprendizagem baseada na resolução de problemas é uma estratégia pedagógica voltada
para a proposição de situações reais, significativas e contextualizadas ao mesmo tempo que
fornece recursos, orientação e instrução para os alunos adquirirem o conhecimento do conteúdo e
a habilidade de solucionar problemas. Diferentemente dos métodos de instrução tradicionais, com
freqüência conduzidos no formato de aulas expositivas, o ensino com base na resolução de problemas
normalmente ocorre com base em uma dinâmica de grupo de discussão facilitada por um tutor.
Originalmente, essa estratégia de ensino e aprendizagem foi utilizada, na área médica, para
aprimorar o desenvolvimento de habilidades de tomada de decisão dos estudantes. O modelo
médico original desdobrou-se em muitas variantes aplicáveis às demais áreas da ciência e,
atualmente, práticas de ensino com dinâmicas voltadas para a resolução de problemas são
utilizadas em diversos outros cenários.
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Planejamento e elaboração de material didático impresso para EAD - elementos instrucionais e estratégias de ensino
Dinâmicas de aprendizagem baseadas na
resolução de problemas (tutoriais) podem ser
conduzidas de diversas maneiras. Uma das
mais freqüentemente utilizadas é o processo
dos sete estágios, cujo formato pode ser
adaptado e/ou reduzido de diversas maneiras.
Os sete estágios de um tutorial típico podem
ser divididos da seguinte forma:
Estágio 1 g – Identificação e esclarecimento dos termos não-familiares apresentados nos
casos. O aluno eleito como escrevente relaciona aqueles que permanecerem inexplicáveis
após a discussão.
Estágio 2 g – Definição do problema ou dos problemas a serem discutidos. Os estudantes podem
ter diferentes visões acerca dos aspectos apresentados, e todas devem ser consideradas.
O escrevente registra uma lista de problemas conforme acordado entre os membros do grupo.
Estágio 3 g – Sessão de brainstorming para discutir os problemas, sugerindo possíveis
explicações com base no conhecimento prévio dos alunos. O grupo, como um todo,
beneficia-se do conhecimento prévio de cada membro individualmente e identifica áreas
de conhecimento que permaneceram incompletas. O escrevente registra todos os pontos
principais da discussão.
Estágio 4 g - Revisão dos estágios 2 e 3, e organização das explicações em termos de
possíveis soluções. O escrevente organiza as explicações e as reestrutura, se necessário.
Estágio 5 g - Formulação de objetivos de aprendizagem. O grupo chega a um consenso acerca
dos objetivos a serem atingidos. O tutor assegura que os objetivos definidos pelo grupo
sejam direcionados, atingíveis, compreensivos e apropriados. O grupo identifica as questões
que permaneceram sem explicação ou para as quais desenvolveram uma explicação parcial.
A primeira sessão, que dura em média 90 minutos, é concluída após este estágio.
Estágio 6 – Estudo individualizado. Todos os estudantes devem reunir informações relativas
a cada um dos objetivos de aprendizado definidos no estágio 5 e investigar as questões que
permaneceram total ou parcialmente sem solução.
Estágio 7 – Aproximadamente duas semanas após a conclusão do estágio 5, o grupo
se reencontra e compartilha dos resultados do estudo individualizado. Cada estudante
identifica sua fonte de aprendizado e expõe as informações obtidas. O grupo deve
concluir a resolução do caso. O tutor verifica que o aprendizado aconteceu, sendo possível
desenvolver algum tipo de estratégia de avaliação do grupo.
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Aula 6 – Praticando a boa prática
Comportamentos que dão origem à aprendizagem
Atividades são um aspecto característico de materiais didáticos para EAD. São vitais
para auxiliar o aluno a fazer inferências, relacionar suas próprias idéias e experiências
com o tópico em discussão, praticar os objetivos propostos, checar sua compreensão
e avaliar as implicações de sua aprendizagem. Mas qualquer atividade é capaz de
proporcionar tantas capacidades?
Um dos termos que refletem com maior beleza o desenvolvimento intelectual em
sua acepção mais legítima foi cunhado pelo pesquisador americano Ernst Rothkopf
(1970): matemagênico. A expressão deriva dos radicais gregos mathemain (aquilo que
é aprendido) e gignesthai (nascido). Comportamentos matemagênicos, portanto, são
comportamentos que dão origem à aprendizagem.
Naturalmente, as atividades de maior valor educacional, aquelas que nós,
educadores, devemos perseguir com avidez e reproduzir em larga escala, são as que
favorecem, nos alunos, o desenvolvimento de capacidades cognitivas que decorreram
de comportamentos analíticos e investigativos, pensamento crítico e criativo, resolução
de problemas, além da organização e reorganização de informações. Essas atividades
dão origem a um processo de aprendizagem eficaz, autêntico no que se refere às
possibilidades que oferece ao aluno. No que se refere a professores e tutores, a
elaboração de atividades matemagênicas estimula a utilização de seus conhecimentos e
potenciais criativos para irem além de seus próprios paradigmas educacionais.
Se temos motivos de sobra para desenvolver atividades que promovam o
engajamento e a aprendizagem de nossos alunos, as próximas perguntas a serem feitas
são: o que define uma atividade matemagênica? Que modelos e conceitos influenciam
seu formato? É possível criar padrões de atividades de alta qualidade instrucional e que
possam ser adaptados às diversas áreas de conhecimento científico?
Antes de retomarmos essas questões, proponho uma atividade importante para
orientar nossa discussão.
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Planejamento e elaboração de material didático impresso para EAD - elementos instrucionais e estratégias de ensino
Atividade 2
Atende ao objetivo 2 j
Como é que se aprende?
Leia os trechos abaixo extraídos de diversas fontes:
Aprender (Dicionário Novo Aurélio)
1. Tomar conhecimento de;
2. Reter na memória, mediante o estudo, a
observação ou a experiência;
3. Tornar-se apto ou capaz de alguma coisa,
em conseqüência de estudo, observação,
experiência, advertência, etc.
Não existe aprendizado no sentido de instrução, transferência de estruturas de fora do
organismo para dentro dele. A complexificação e produção de estruturas cognitivas novas é
sempre um processo de seleção de repertórios internos preexistentes. Por isso, desaconselho
que se continue a empregar o termo “aprendizagem” (learning).
Miriam Lemle, UFRJ
http://www.letras.ufrj.br/clipsen/aniela/skinner.pdf
Fonte: www.sxc.hu
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Instrutivismo é o processo de instrução direta por parte de um professor que se baseia em
planos de aula e objetivos de aprendizagem relacionados a uma grade curricular geral, a
fim de ensinar conteúdos específicos, usualmente sob a forma de aulas expositivas. No
instrutivismo:
• O conhecimento está em poder do professor.
• Há o ensino explícito de um corpo de conhecimento pré-acordado.
Learning and Teaching Centre
Staff Development Page
http://www.worc.ac.uk/LTMain/LTC/StaffDev/Constructivism
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Aula 6 – Praticando a boa prática
• O construtivismo privilegia o conceito de que toda a aprendizagem deve ser vista sob a estrutura
conceitual do aprendiz e de que novos aprendizados devem se acomodar a essa estrutura.
• É baseado na participação ativa do estudante na resolução de problemas e no pensamento crítico
no que se refere a uma atividade de aprendizagem que considere relevante e engajadora.
• Os alunos constroem seu próprio conhecimento testando idéias e abordagens,
baseados em seu conhecimento e exper
novas e integrando o novo conhecime
preexistentes.
Learning and Teaching Centre
Staff Development Page
http: //www. worc. ac. uk/LTMai n/LTC/StaffDev/
Constructivism/
“Meu filho foi comigo para a Inglaterra quando
tinha acabado de completar um ano de idade.
Aos dois, quando já falava português, começou a
freqüentar uma espécie de grupo de recreação em
que havia apenas crianças inglesas e lá permanecia
por apenas três horas ao dia. Era a única ocasião
em que era exposto à língua inglesa. Enquanto
estava na recreação, jamais falou qualquer palavra
em português e, aos três anos, falava inglês sem
qualquer sotaque, utilizando-se da estrutura
da língua tão bem como uma criança nativa e,
certamente, muito melhor do que eu.”
Relato pessoal;
uma experiência que vivi fora do país.
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Planejamento e elaboração de material didático impresso para EAD - elementos instrucionais e estratégias de ensino
Com base nos trechos lidos, pense em três características que uma atividade deve ter
para gerar uma aprendizagem matemagênica.
1. __________________________________________
2. __________________________________________
3. __________________________________________
Resposta Comentada
Você pode ter pensado em diversas características, provavelmente todas corretas. Pode
ter-se influenciado mais por um ou outro trecho para chegar às suas conclusões; não
importa. Atividades matemagênicas são, antes de tudo, uma boa idéia que ajuda o aluno
a desenvolver diversas capacidades enquanto contribui para a aprendizagem de um
conceito, de um conteúdo.
Tal como ocorreu na Biologia, a teoria do tipo instrutivista da aprendizagem cai por terra de
tal forma que leva a concluir que o aprendizado não é algo que a criança “faz”, e sim algo
que lhe “acontece”.
Miriam Lemle, UFRJ
http://www.letras.ufrj.br/clipsen/aniela/skinner.pdf
Treinar exaustivamente
Um conceito defendido por Carlos Alberto Parreiras
no livro de sua autoria Formando equipes vencedoras
é “treinar exaustivamente para lembrar do processo
que levou ao sucesso”. No livro, o autor conta uma
história ocorrida com Bernardinho, técnico da Seleção
Brasileira de vôlei masculino, que certa vez chegou
à Holanda num domingo e descobriu que não teria
quadra para treinar o time. Bernardinho não hesitou.
Levou o grupo a um estacionamento e fez o treino ali
mesmo. No final, o Brasil foi campeão e os jogadores
se lembraram daquele dia.
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Fonte: ww.sxc.hu
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Fonte: www.sxc.hu
Atividades matemagênicas contribuem para a autonomia do aluno, favorecem a colabo-
ração, promovem a reflexão, são baseadas na observação e análise de modelos, partem
do conhecimento e da experiência prévia do aluno, são significativas e contextualizadas,
favorecem a resolução de problemas, têm caráter experimental, permitem a aplicação e a
prática dos conteúdos aprendidos, contribuem para a quebra de paradigmas, permitem ao
aluno experimentar situações em vez de ser ensinado sobre elas. Mais alguma?
Em ambientes de aprendizagem construtivistas, as atividades dão significado à aprendi-
zagem, em um processo que prevê a orientação e o suporte de professores e tutores, além
da colaboração com outros alunos. Atividades dessa natureza podem ser complexas e
guiar a aprendizagem em um curso inteiro. Na verdade, as atividades são o próprio curso.
Dez características de atividades autênticas
Conforme a filosofia construtivista e os avanços tecnológicos impactam a teoria,
a pesquisa e o desenvolvimento educacionais, muitos estudos se voltaram para o
que atualmente chamamos de atividades autênticas (a meu ver, o termo é congênere
de matemagênicas; portanto, eu ficaria à vontade para utilizá-los indistintamente).
A partir da descrição de diversos autores, um estudo em particular identificou e reuniu
dez características de atividades autênticas referidas na literatura. Para nós, professores,
e para desenhistas instrucionais, tais características podem representar uma lista
valiosa!
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Planejamento e elaboração de material didático impresso para EAD - elementos instrucionais e estratégias de ensino
Quadro 6.1: Atividades autênticas e aprendizagem online (Authentic activities and online learning).
Thomas C. Reeves, Jan Herrington & Ron Oliver.
http://elrond.scam.ecu.edu.au/oliver/2002/Reeves.pdf
1. Relevantes para o
mundo real
Atividades correspondem, tanto quanto possível, a atri-buições
de profissionais em prática em vez de tarefas de sala de aula
descontextualizadas.
2. Pobremente
estruturadas
Os problemas propostos são pouco definidos em vez de facilmente
resolúveis pela aplicação de algoritmos existentes. Requerem que os
estudantes definam quais as tarefas e subtarefas necessárias para
completar a atividade.
3. Requerem
investimento de tempo
Atividades incluem tarefas complexas que devem ser
investigadas pelos estudantes ao longo de um período de
tempo. Devem ser concluídas em dias, semanas e meses, em
vez de em minutos ou horas. Além do tempo, requerem um
investimento significativo de recursos intelectuais.
4. Oferecem múltiplas
perspectivas de análise
Oferecem a oportunidade para os estudantes examinarem as
tarefas de diferentes perspectivas, teóricas e práticas, utilizando
uma variedade de recursos, em vez de apenas uma perspectiva
que os alunos devem reproduzir para serem bem sucedidos.
5. Oportunizam a
colaboração
A colaboração é parte integrante da tarefa, tanto no curso
quanto na situação real que simula.
6. Favorecem a reflexão
Atividades devem permitir aos estudantes realizar escolhas, além
de refletir quanto à sua aprendizagem individual ou em grupo.
7. Encorajam perspectivas
multidisciplinares
Atividades integram e são aplicadas a diferentes áreas e
possibilitam resultados para além daqueles referentes a domínios
determinados e específicos.
8. Integradas à avaliação
Atividades são integradas, de forma contígua, à avaliação que,
por sua vez, reflete processos avaliativos do mundo real. Não
pressupõem uma avaliação separada, artificial, desconectada da
natureza da atividade em si.
9. São, em si, um
produto
Atividades culminam com a criação de produtos valiosos em si,
em vez de servirem como preparação para se obter um outro
produto qualquer.
10. Permitem soluções
múltiplas
As atividades permitem um espectro e uma diversidade de
resultados abertos a soluções múltiplas, em vez de uma resposta
única obtida pela aplicação de regras e procedimentos.
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Aula 6 – Praticando a boa prática
Atividade final
Atinge os objetivos 3 e 4. g j
O Jogo de Casos
Uma das atividades mais criativas propostas em materiais didáticos do Consórcio CEDERJ
foi criada pela Profª Sonia Rodrigues, a partir de sua larga experiência no papel de jogos
na aprendizagem. O Jogo de Casos é uma atividade que incorpora o modelo narrativo
à aprendizagem baseada na resolução de problemas. Originalmente, a atividade foi
proposta para o ambiente digital, mas há também uma versão para materiais impressos.
A seguir, descrevo o Jogo de Casos conforme apresentado em sua versão para web, como
parte do conteúdo das aulas.
Apresenta-se ao estudante uma situação inicial, pouco definida, relacionada ao conteúdo
do curso. Por exemplo, no curso de Biologia, o caso do operário Jim Butler, descrito na
Atividade 1, ganhou a seguinte versão:
O aluno deve, então, escolher dois personagens de quatro que lhe são oferecidos.
Claudemir é pedreiro, casado, tem dois filhos,
fuma 20 cigarros por dia e seu pai e seu avô
morreram de problema no coração.
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Planejamento e elaboração de material didático impresso para EAD - elementos instrucionais e estratégias de ensino
O aluno deve, agora, criar um problema decorrente da situação inicial proposta e escrever
um diálogo entre os dois personagens que escolheu.
Em seguida, ele deve fazer um comentário final, sintetizando as idéias desenvolvidas no
diálogo. A seguir, um exemplo de comentário final em um Jogo de Casos do curso de
Administração:
Sra. Diga-me qual é
o problema, em que
posso ajudá-lo?
Diga-me uma coisa, ele
fuma muito?
Mas uma das principais
causas de doenças
cardíacas é o hábito de
fumar!
É o Claudemir, ele está com
muitas dores no peito.
Se ele fuma? Mas doutor,
eu não estou falando de
problema de respiração, tô
falando de coração!
Puxa, essa eu não sabia...
O Claudemir fuma feito
uma chaminé...
Mulher preocupada com dores no peito do marido
procura seu médico.
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Aula 6 – Praticando a boa prática
Depois de concluídos o diálogo e o comentário, o aluno submete o caso que criou
à apreciação do tutor e dos demais alunos. O tutor pode comentar um caso que
proponha um problema particularmente valioso para o conteúdo do curso. Os outros
estudantes também podem submeter suas impressões ao grupo que, por sua vez,
pode debater livremente os argumentos e questões levantados por cada participante.
Cada aluno pode jogar quantas vezes quiser, com a combinação de personagens que
quiser, e as discussões podem se dar durante o tempo em que uma aula estiver online
ou durante todo o semestre letivo, dependendo do interesse do professor. A idéia é de
que cada participação, criação de caso ou comentário seja recompensada com pontos e
incorporados a outras avaliações acadêmicas.
A partir da descrição do Jogo de Casos, tente definir quais das dez características de uma
atividade autêntica (conforme Reeves et al., 2002) fazem parte desta atividade.
Característica OK
1. Relevantes para o mundo real
2. Pobremente estruturadas
3. Requerem investimento de tempo
4. Oferecem múltiplas perspectivas de análise
5. Oportunizam a colaboração
6. Favorecem a reflexão
7. Encorajam perspectivas multidisciplinares
8. Integradas à avaliação
9. São, em si, um produto
10. Permitem soluções múltiplas
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Planejamento e elaboração de material didático impresso para EAD - elementos instrucionais e estratégias de ensino
Resposta comentada
Quando idealizava esta aula, especialmente a seção acerca das características de atividades
autênticas, tive dificuldades, logo de início, em conceber uma atividade voltada para esse
tema. Foi então que surgiu a idéia de propor a você que analisasse uma atividade qualquer
em função das características discutidas anteriormente. Pensei ainda que, de toda forma,
seria praticamente impossível imaginar uma atividade que reunisse as dez características
listadas. Mas o primeiro exemplo que me ocorreu foi precisamente o Jogo de Casos. Qual
não foi minha surpresa ao perceber que o Jogo de Casos atende a absolutamente todos
os quesitos de uma atividade matemagênica, de uma atividade autêntica. Concorda ou
discorda? Vamos conferir.
9 Relevantes para o mundo real: os casos propostos denotam situações problemáticas
idealizadas por cada aluno, com base no desenvolvimento do conteúdo, a partir da situação
inicial. Representam cenários contextualizados, possíveis de serem observados.
9 Pobremente estruturadas: a situação inicial é pouco definida, de forma a dar margem para
uma infinitude de problemas possíveis de serem idealizados.
9 Requerem investimento de tempo: ao longo de uma aula ou de um curso, a criação de
casos por cada aluno pode se dar de forma cada vez mais complexa e mais consistente.
A participação e o debate na comunidade virtual podem se dar por várias semanas.
9 Oferecem múltiplas perspectivas de análise: o fato de o aluno escolher dois personagens,
freqüentemente com posições antagônicas, é, por si, um exercício argumentativo em que
diversos pontos de vista são considerados durante a elaboração dos diálogos.
9 Oportunizam a colaboração: as possibilidades de discussão em grupo são incalculáveis.
9 Favorecem a reflexão: ao conceber o diálogo entre dois personagens e levar em
consideração aspectos variados acerca de um determinado tema a partir do conteúdo das
aulas, o aluno reflete, imediatamente, acerca das conseqüências de sua aprendizagem.
9 Encorajam perspectivas multidisciplinares: cada Jogo de Casos oferece, em si, a possibilidade
quase inevitável de se perpassar diversas áreas de ensino por meio dos argumentos do
médico, do operário, da dona de casa, do ministro etc.
9 Integradas à avaliação: intrinsecamente à avaliação do aluno nesta atividade, são consi-
derados seu potencial argumentativo - via personagens e via discussões em grupo -, sua
capacidade de análise e crítica, sua capacidade de elaborar um problema (fundamental na
investigação científica), sua percepção do conteúdo e sua capacidade de contextualização
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Aula 6 – Praticando a boa prática
Resumo
A
s atividades representam um dos principais caminhos de
interação entre o aluno e o material didático, ao redor das quais
o processo de aprendizagem deve ser construído. São um aspecto
característico dos materiais para EAD, vitais para auxiliar o aprendiz
a fazer inferências, relacionar suas próprias idéias e experiências com
o tópico em discussão, praticar os objetivos propostos, checar sua
compreensão e avaliar as implicações de sua aprendizagem. Ações
pedagógicas focadas no aluno associam o processo de aprendizagem
a atividades educacionais que busquem integrá-lo a um contexto
aplicado, refletindo as ações dos profissionais em um mundo real.
Atividades matemagênicas, ou autênticas, são aquelas que dão
e aplicação de conceitos. Esses são, sem exceção, aspectos fundamentais à prática
profissional em qualquer área do saber.
9 São, em si, um produto: cada caso proposto é, isoladamente, um resultado, um produto
finalizado. O mesmo em relação ao resultado das discussões.
9 Permitem soluções múltiplas: o número de personagens x o número de alunos em um
curso x o número de idéias que uma mente criativa pode ter = aprendizagem eficaz,
prazerosa e significativa, a partir de um número infinito de caminhos!
Quantos de nós seriam capazes de conceber uma atividade ao mesmo tempo
tão simples – do ponto de vista do que solicita ao aluno fazer – e tão complexa no
que se refere às possibilidades cognitivas que oferece? Poucos, eu diria. É verdade
que a interação, por meio da internet, foi fundamental para que o Jogo de Casos
abocanhasse, brilhantemente, todas as características apresentadas. Se considerarmos
estritamente o material impresso, o elemento colaborativo, naturalmente, é limitante.
Mas, a exemplo da criatividade do Jogo de Casos, podemos (e devemos!), todos, nos
esforçar em proporcionar aos nossos alunos tantas oportunidades quantas possíveis de
aprender por meio de atividades autênticas!
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Planejamento e elaboração de material didático impresso para EAD - elementos instrucionais e estratégias de ensino
Informações sobre para a próxima aula
Na próxima aula, continuaremos a conversar sobre atividades e discutiremos alguns modelos
que influenciam sua elaboração, para Educação a Distância.
Leitura recomendada
As três publicações a seguir são de imenso valor para quem está começando o processo de
escrever uma aula para Educação a Distância. Se tiver oportunidade, vale a pena conferir.
ROWNTREE, Derek, 1994. Teaching through self-instruction. 2ed. Londres: Kogan Page, 1994.
LOCKWOOD, Fred, 1998. The design and production of self-instruction 1ed. Londres: Kogan Page,
1998.
Lockwood, Fred, 1992. Activities in self-instructional texts. 1ed. Londres: Kogan Page, 1998.
Bibliografia Consultada
ALBANESE, MARK A.; MITCHELL, SUSAN MA., 1993. “Problem-based learning. A review of literature
on its outcomes and implementation issues”. Academic Medicine, 1993; 68 (1): 52-78. ”
ASPY, D.N.; ASPY, C.B.; QUIMBY, P.M., 1993. What doctors can teach teachers about problem-
based learning. Educational Leadership, 1993; 50 (7): 22-24.
LOCKWOOD, F., 1992. Activities in self-instructional texts. 1ed. Londres: Kogan Page, 1998.
LOCKWOOD, F., 1998. The design and production of self-instruction 1ed. Londres: Kogan Page,
1998.
MAYO, P.; DONELLY, M.B.; NASH, P.P.; SCHWARTZ, R.W., 1993. Student perceptions of tutor
effectiveness in a problem-based surgery clerkship. Teaching and Learning in Medicine, 1993; 5:
227-233.
ROTHKOPF, E.Z., 1970. The concept of mathemagenic activities. Review of educational research,
40 (3): 325-35.
origem a uma aprendizagem eficaz e significativa, que favorecem, nos
alunos, o desenvolvimento de capacidades cognitivas que decorrem
de comportamentos analíticos e investigativos, pensamento crítico e
criativo, resolução de problemas, além de organização e reorganização
de informações. A partir da descrição de diversos autores, dez
características de atividades autênticas são referidas na literatura.
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137
Aula 6 – Praticando a boa prática
VERNON, D.T.; BLAKE, R.L., 1993. Does problem-based learning work? A meta-analysis of
evaluative research. Academic Medicine, 1993; 68(7): 550-563.
WOOD, D.F., 2003. Problem based learning [Electronic version]. British Medical Journal, 2003; 326:
328-331.
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A bússola e o remo
Cristine Costa Barreto
Aula
6
Apêndice
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Aula 6 – Apêndice – A bússola e o remo
Logo que comecei a trilhar os caminh
nantes da Educação a Distância, sentia
conforme disse antes, como um náufrago
deriva em um bote salva-vidas sem rumo. Po
sorte, ainda no início do percurso, encontre
um livro que certamente foi o remo e
bússola de que precisava: Teaching through s
instruction – How to develop open learning m
(“Ensinando por meio da auto-instrução –
volver materiais para a aprendizagem abert
Rowntree.
Foi a primeira vez que consegui co
conceitos da Educação a Distância, por m
de informações pragmáticas e de uma
e analogias que finalmente me permiti
aqueles fluxogramas vazios em minha me
Um capítulo particularmente valioso se
referia ao que o autor chamava de aprendi-
zagem ativa. Dicas rápidas e objetivas acerca
de como provocar a participação de nossos
alunos por meio de materiais didáticos
impressos. Nesse apêndice, procurei extrair,
traduzir, adaptar e exemplificar os pontos
que me pareceram mais importantes do
capítulo “Promovendo uma aprendizagem
ativa” (Promoting active learning). Espero que gg
ajude você tanto quanto ajudou a mim.
Fonte: www.sxc.hu
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Planejamento e elaboração de material didático impresso para EAD - elementos instrucionais e estratégias de ensino
Um curso na Universidade Aberta do Brasil
pode ser gratuito... O tempo de seu aluno, não
Todos os indicadores de pesquisa existentes convergem no sentido de que
os benefícios proporcionados pelas atividades na Educação a Distância são
contrabalançados por um custo principal: o tempo de estudo que consomem. Se as
atividades não forem atraentes, prazerosas e eficazes, certamente o comportamento
esperado da parte de seu aluno seria o de alocação do tempo para outras tarefas dentro
do curso.
A seguir, reuni uma espécie de FAQ, com perguntas comuns da parte de quem está
começando a escrever uma aula impressa para EAD. Especialmente, perguntas acerca
da freqüência com que você deve propor uma atividade, de como conciliar a redação de
uma aula com a criação das atividades e de como variar seus formatos aparecem junto
com dicas do que fazer e do que não fazer quando o assunto é “atividades em EAD”.
Então, vamos lá!
Com que freqüência devo propor uma atividade em uma aula?
Quando ministramos uma aula particular, focamos nossas ações no aluno, sempre
criando possibilidades para que ele faça algo. Propomos as mais variadas atividades
desde uma simples pergunta até um exercício analítico mais complexo. Da mesma
maneira, atividades em materiais didáticos impressos devem estar entremeadas no
texto, de forma a ajudar o aprendiz a aprender! Em nossas aulas, você encontra
ainda uma atividade final, mais articuladora, que geralmente integra mais de um dos
objetivos propostos. Essa é uma boa maneira de amarrar uma seqüência de conteúdos
que você desenvolveu anteriormente.
Não há regras que definam o quão freqüentemente incluir uma atividade no texto
de uma aula. Depende do assunto, depende de você. Alguns conteúdos naturalmente
são mais propensos a atividades que outros. Em qualquer hipótese, me surpreenderia
se, após três, quatro páginas de texto escrito, por exemplo, não houvesse algo sobre
o que valha a pena perguntar ao seu aluno ou sobre a que propor uma atividade.
Se você passar mais que cinco ou seis páginas sem pedir que seu aluno faça algo,
talvez seja melhor esquecê-lo, provavelmente ele já terá ido embora. Embora seja
comum, em livros-texto tradicionais, que um questionário seja apresentado ao final de
cada capítulo, devemos fugir desse modelo. Afinal, você certamente não faz todas as
perguntas ao seu aluno particular no final da aula, certo?
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Aula 6 – Apêndice – A bússola e o remo
O que o aluno deve fazer para chegar à resposta de uma atividade?
Variar as maneiras pelas quais seu aluno deve chegar às respostas esperadas para
as atividades é uma ótima estratégia para motivá-lo, para imprimir um ritmo mais
dinâmico às suas aulas. Algumas atividades exigem pouco mais que parar e pensar,
por alguns segundos. Outras demandam a realização de um cálculo ou a confecção de
uma resposta escrita. Algumas podem solicitar que o aluno faça uma atividade prática
fora do texto por quinze minutos ou mais. Há várias possibilidades. Algumas idéias são
pedir que seu aluno:
• reflita acerca de uma leitura ou de uma experiência que teve;
• analise um texto (ou vídeo, imagem ou arquivo de som);
• analise um gráfico ou tabela;
• analise um problema;
• desenvolva uma equação;
• levante dados;
• realize uma entrevista com outros alunos ou com familiares;
• realize um experimento com materiais e equipamentos específicos, em casa ou no
laboratório;
• mantenha um diário de observações ao longo de algum período de tempo, em
relação ao desenvolvimento de algum processo que deva acompanhar;
• integre informações de naturezas diversas.
Como o aluno deve registrar a resposta?
Uma vez que seu aluno tenha chegado à resposta de uma atividade, é igualmente
importante variar as maneiras pelas quais ele vai registrá-la. Você pode pedir ao seu
aluno que:
• marque boxes em concordância ou discordância com uma série de afirmações,
solicitando, pelo menos, um motivo para justificar suas opiniões (nesse caso, em
um espaço adicional);
• responda a uma série de múltiplas escolhas;
• correlacione colunas;
• sublinhe passagens relevantes em um texto;
• complete um formulário ou questionário;
• escreva uma palavra ou frase em uma caixa ou espaço específico;
• escreva uma resposta mais longa no corpo do texto ou em um caderno de
exercícios;
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Planejamento e elaboração de material didático impresso para EAD - elementos instrucionais e estratégias de ensino
• complete um diagrama ou gráfico;
• desenhe um gráfico, mapa, fluxograma;
• produza algum artefato.
Você pode ter pensado ainda em muitas outras possibilidades. Quaisquer que
tenham sido suas idéias, lembre-se de três coisas importantes:
1. Toda atividade proposta em materiais voltados para EAD deve apresentar respostas
comentadas de forma a orientar o aluno em relação ao seu próprio progresso.
2. Mesmo uma atividade aparentemente simples, como correlação de colunas ou
múltipla escolha, pode exigir do aluno um alto grau de interpretação e análise.
Portanto, preocupe-se com os conteúdos trabalhados nas atividades e jamais se
restrinja a um simples gabarito quando for oferecer a resposta. Lembre-se de que os
conceitos e idéias por trás de uma atividade de correlação de colunas, por exemplo,
são fundamentais para que o aluno descubra os caminhos para chegar ao resultado
esperado.
3. Sempre disponibilize espaço para resposta. A maioria dos alunos com os quais
conversei dizem se sentir instigados a escrever no livro quando existe um espaço
específico para isso.
Quando devo pensar nas atividades?
Alguns professores conseguem pensar nas atividades mesmo antes de iniciar a
redação da aula! Na hora da redação, conseguem entremear essas atividades junto
com as exposições adequadas. Alguns autores preferem começar a redação do texto
e pensar nas atividades sempre que atingem um ponto crítico na construção do seu
argumento. Esse é o processo que sigo, mas estou convencida de que se trata de uma
opção que varia de acordo com cada um. Há ainda alguns professores que produzem
uma versão completa do texto, de uma vez só, e depois inserem as atividades, como um
processo mental posterior (você pode fazer isso, inclusive com materiais prontos que
não foram escritos por você). Para mim, particularmente, esta última abordagem é tão
difícil quanto colocar nozes em um brownie depois de pronto. O resultado pode ser
bom, claro, mas acredito que sua aula seria mais bem estruturada se você pensasse nas
atividades antes ou durante a redação.
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Aula 6 – Apêndice – A bússola e o remo
O que não devo esquecer de fazer?
Quaisquer que sejam os caminhos que você encontrar para conceber as atividades
de sua aula e os formatos que você escolher para apresentá-las:
• Tenha sempre em mente os objetivos de aprendizagem que você propôs no início de
sua aula; as atividades devem conduzir o aluno a esses objetivos.
• Considere idéias preconcebidas acerca dos conteúdos de sua aula. Faça atividades
em torno delas de forma a provocar uma discussão que possibilite ao aluno rever
conceitos.
• Relembre experiências que você viveu e que ajudaram na compreensão de
determinado tema. Tente recriar experiências comparáveis para seu aluno, mas
deixando-o criar as próprias rotas de entendimento.
• Identifique colocações de natureza mais geral ou mais abstrata que você tenha feito
em seu texto. Desenvolva um caso de estudo no qual o aprendiz possa concretizar as
idéias apresentadas. Idealmente, possibilite ao seu aluno exercer um determinado
papel. O Jogo de Casos, que você viu na Aula 6, é um excelente exemplo de como
fazê-lo.
• De gráficos, tabelas e ilustrações.
Não antecipe informações que seus alunos possam obter a partir da interpretação
desses. Faça uma atividade ao redor deles! Os alunos podem compartilhar da sua
opinião posteriormente, ao ler a resposta comentada.
• Tente não oferecer princípios, generalizações e interpretações importantes “de
bandeja”. As atividades são sempre um melhor caminho para isso.
Sempre que você se pegar escrevendo as seguintes frases:
– Portanto, segue-se que...
– A partir daí, podemos claramente deduzir...
– Aqui está uma síntese do que vimos até agora...
Tente, em vez disso, fazer perguntas:
– O que você esperaria que acontecesse como resultado?
– O que você pode deduzir, a partir daí?
– Quais foram as quatro principais idéias levantadas até agora?
Suas deduções e sumários podem sempre ser oferecidos como feedback na resposta
comentada, com os quais o aluno possa comparar suas próprias respostas.
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146
Planejamento e elaboração de material didático impresso para EAD - elementos instrucionais e estratégias de ensino
• Especifique o tempo que o aluno deve demorar em uma atividade mais aberta,
especialmente se ele não souber avaliar, de forma clara, o quão profundamente
deve se dedicar a uma tarefa. Você pode fazer isso simplesmente definindo o espaço
necessário à resposta.
• Equilibre atividades longas e breves, respostas escritas e reflexivas, respostas
fechadas e abertas, afim de evitar monotonia.
• De forma geral, coloque sua resposta comentada imediatamente após a pergunta.
Faz parte do nosso trabalho incentivar a autonomia e o controle por parte do
aluno de EAD. Tenha certeza de que, se ele quiser olhar a resposta, vai olhar, onde
quer que ela esteja. Respostas de cabeça para baixo, por exemplo, só vão irritar o
aluno, talvez a ponto de ele abandonar a atividade de vez. Se ele se sentir muito
tentado pela chance de olhar a resposta, pode facilmente colocar uma folha sobre
ela, enquanto resolve o exercício. Eu faço isso sempre que avalio aulas para EAD,
de forma a me colocar no lugar do aluno, enquanto, de fato, tento resolver uma
atividade. Você pode ainda utilizar paradores de leitura, como fiz na Atividade 1
da Aula 6. Esse é um recurso que cria uma distância física entre uma atividade
proposta e a leitura da resposta, que vem logo abaixo.
• A única exceção para oferecermos um feedback ao aluno no mesmo espaço de
uma atividade são os casos em que as respostas são gráficos ou diagramas muito
chamativos, de forma que seja difícil para o leitor evitar registrar seus aspectos mais
evidentes assim que se depara com a página.
• Esenvolva ao máximo em sua resposta comentada. Para alunos que trabalham
sozinhos, esta pode ser a única maneira de avaliar seu próprio progresso. A
relevância e a ajuda de seu feedback podem fazer toda a diferença em relação a
quão satisfatórias seus alunos acharão suas atividades e quão provavelmente irão
continuar a fazê-las (e a aprender com elas)!
O que nunca devo fazer?
• Não faça atividades vagas, que chamamos de pseudo-atividades:
Pense um pouco e escreva algumas de suas próprias idéias acerca de... O aluno,
provavelmente, e com razão, vai ignorar essas sugestões. A não ser que você
realmente ache que essa seria a melhor abordagem para o que quer ensinar a ele,
uma possibilidade é dizer: Marque quais dos seguintes pontos de vista, que revelam
visões divergentes acerca de..., são similares às suas próprias idéias.
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Aula 6 – Apêndice – A bússola e o remo
• Não proponha nenhuma atividade que não lhe garanta a confiança de que seu
aluno estará apto a fazer uma tentativa razoavelmente satisfatória para resolvê-la
(satisfatória para ele!). Isso envolve uma série de aspectos: ele tem o conhecimento
e as capacidades necessárias para tentar realizar a atividade? Você está pedindo uma
resposta longa para um aluno que tem fraca capacidade de exposição verbal escrita?
Você está se dirigindo a um público específico (p. ex.: homens, jovens, negros) sem
ter certeza de que todos os seus alunos pertencem a esse público?
• Não proponha atividades que não sejam relevantes para seu aluno e que não
compensem o investimento de tempo necessário. Os alunos rapidamente aprendem
a pular atividades que lhes pareçam triviais ou muito trabalhosas. Infelizmente, eles
podem estender o hábito para aquelas atividades que você realmente considera
cruciais.
Bibliografia consultada
ROWNTREE, Derek, 1994. Teaching through self-instruction. 2ed. Londres: Kogan Page, 342 pp.
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Ajudando sua inspiração: modelos
de atividades – Parte 1
Cristine Costa Barreto
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Au
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Planejamento e elaboração de material didático impresso para EAD - elementos instrucionais e estratégias de ensino
Meta
Apresentar modelos que influenciam o formato de atividades
em materiais impressos na Educação a Distância (EAD).
Objetivos
Ao final desta aula, você deverá ser capaz de:
Identificar os aspectos instrucionais que caracterizam os
seguintes modelos de atividade:
1. escondida no texto;
2. consulta e cálculo direto;
3. argumentativa;
4. integração de Informações.
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151
Aula 7 – Ajudando sua inspiração: modelos de atividades – Parte 1
Do Chapeuzinho Vermelho ao Darth Vader
A teoria da flexibilidade cognitiva sugere que os aprendizes compreendem a natureza
da complexidade mais prontamente quando têm contato com representações
múltiplas da mesma informação, em diferentes contextos. Por meio da observação
de múltiplas representações do mesmo fenômeno, os aprendizes desenvolvem o
arcabouço mental necessário para considerar novas aplicações, dentro do domínio do
conhecimento.
Duane Graddy
(Fonte: http://www.ipfw.edu/as/tohe/2001/Papers/graddy/graddy.htm)
Imagine que você está contando uma história para uma criança de cinco anos,
deitada na cama, pronta para dormir embalada pela sua voz. Vamos dizer que
você tenha escolhido a história de Chapeuzinho Vermelho. Você diz que a mãe da
Chapeuzinho mandou-a levar doces para a avó que morava do outro lado da floresta,
recomendou que ela não ficasse dando bobeira na estrada porque ali morava um lobo
mau, mas ela se distraiu, encontrou o lobo que a enganou e perguntou para onde
ela ia. Chapeuzinho entregou o jogo para o lobo, contou para onde ia, e ele correu
para casa da avó antes de ela chegar lá. O lobo comeu a avó, comeu a garota e, nas
versões mais modernas (se você não quiser aterrorizar a criança), surgiu um caçador
que abriu a barriga do lobo e salvou as duas. Muito bem, eu contei em 105 palavras,
você provavelmente faria o mesmo, esticando um pouco o assunto para dar tempo
de a criança adormecer. Agora experimenta contar a história de Guerra nas Estrelas.
O episódio 4, para simplificar. Por onde você começa? Explica quem é Luke Skywalker,
contextualiza a guerra intergaláctica, a aliança rebelde e o Império, conta que naquela
época tinha vários tipos de robôs, fala do Obi-Wan Kenobi logo depois de apresentar a
princesa Leia que se materializou do nada naquela mensagem que o R2D2 descobriu,
começa logo pela Estrela da Morte e o Darth Vader ou resolve que é melhor dizer que
era uma vez um vilarejo chamado Tatooine onde vivia um jovem órfão que morava com
os tios, consertava andróides e que acabou parando em um bar freqüentado por pilotos
meio malandros como o Hans Solo e criaturas estranhas – para dizer o mínimo – como
o Chewbacca? Isso só para começar, claro.
O que difere entre as duas histórias? Por que é mais difícil contar uma do que outra?
Pense em duas características que distingam a história de Chapeuzinho Vermelho e a
de Guerra na Estrelas. Anote suas impressões a seguir:
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Planejamento e elaboração de material didático impresso para EAD - elementos instrucionais e estratégias de ensino
Chapeuzinho Vermelho
Guerra nas Estrelas
Você provavelmente pensou que a história de Chapeuzinho Vermelho fosse mais
curta, mais claramente estruturada. Além disso, é uma história mais simples, com
menos cenários, menos personagens, menos ação, menos problemas, menos conexões.
Ou seja, dá para contar a história inteira de uma sentada só, de forma linear, sem
grandes dificuldades. Já Guerra nas Estrelas não. A complexidade do argumento e a
quantidade de referências internas tornam difícil a linearidade no relato sem correr
o risco de simplificarmos excessivamente a história. Talvez você tenha pensado ainda
que se trata de uma história para crianças um pouco mais velhas. Se você tivesse um
jeito de contar essa história usando uma espécie de narrativa hipertextual em que a
cabeça da criança pudesse abrir janelas para construir sucessões temporais e escolher
personagens, realizando saltos no tempo e no espaço com base em informações
referenciais, talvez você tivesse mais sucesso. E talvez você não tivesse mais criança...
Ou talvez ela não dormisse...
Assim como é mais difícil contar uma história complexa, é mais difícil ensinar
um conteúdo complexo, menos claramente estruturado, com muitas referências e
conexões internas, o que normalmente está associado a graus de dificuldade mais
altos, a níveis educacionais mais avançados como, por exemplo, o Ensino Superior.
Segundo Rand Spiro – professor de Aprendizagem, Tecnologia e Cultura na Michigan
State University – e seus colaboradores, as áreas de História, Medicina, Direito,
Literatura e Licenciatura são exemplos de domínios complexos em parte porque os
aprendizes devem ser capazes de aplicar o que aprenderam a situações novas e únicas.
Os pesquisadores afirmam ainda que a maneira pela qual os estudantes são ensinados
influencia de forma significativa os tipos de estrutura cognitiva criadas. Igualmente, a
maneira pela qual armazenam e estruturam o conhecimento adquirido determina, em
grande medida, o quão flexíveis serão quando precisarem utilizar tal conhecimento.
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Aula 7 – Ajudando sua inspiração: modelos de atividades – Parte 1
Métodos de instrução flexíveis ajudam os estudantes a aprender a complexidade
do material que estudam além de possibilitá-los a trabalhar com aquele conteúdo sob
diversas perspectivas. Informações apresentadas em uma variedade de formas, bem
como com uma variedade de propósitos, fazem parte de um ambiente de ensino flexível.
Imagino que você, como a maioria dos professores, tem consciência da necessidade de
variar o ensino, de forma a evitar que o mesmo se torne obsoleto, por meio de uma
prática repetitiva e previsível. Da mesma forma que você procura variar estratégias de
ensino nas aulas presenciais, é importante buscar a mesma variedade na Educação a
Distância. Um ótimo caminho para isso são as atividades! Quando apresentadas em
diferentes tipos, contribuem imensamente para aumentar a diversidade em sua aula,
tanto do ponto de vista do formato, quanto do ponto de vista intelectual.
E o mais interessante é que, assim como no ensino convencional, é possível criar
formatos novos de atividades (ou de práticas de ensino) sem que você conheça modelos
preconcebidos ou muitas teorias a esse respeito. Ou você alguma vez precisou reler
algum livro de didática, com o qual você não tinha contato desde a Licenciatura, para
inovar em sala de aula? Na Educação a Distância, é comum que a própria natureza da
atividade conduza a um formato diferente. Basta você confiar no seu taco de professor.
Mas mesmo assim, eu vou ajudar ainda mais sua criatividade apresentando alguns
modelos que vão inspirar você na hora em que estiver elaborando sua aula, com
atividades autênticas para ensinar conteúdos complexos. Quer apostar?
“A complexidade é uma parte inevitável do conhecimento avançado e um
problema particularmente espinhoso para o ensino e a aprendizagem.”
Rand Spiro
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Planejamento e elaboração de material didático impresso para EAD - elementos instrucionais e estratégias de ensino
Escondida no texto
Se você está estudando essa aula, é porque, de alguma forma, está relacionado
a práticas da Educação a Distância, quer como gestor, quer como professor, quer
como tutor. Imagino que você se debata com questões relativas às particularidades do
material didático e dos elementos instrucionais que o constituem, dentre os quais as
atividades merecem sempre atenção especial. Se eu pedisse agora que você pensasse
no formato instrucional do material que está elaborando, como você responderia a
questões tais como: que modelo de atividade aparece com mais freqüência em suas
aulas? Este modelo parece suficientemente atraente para provocar o aluno a fazê-las?
As atividades apresentam um grau de dificuldade compatível com o perfil dos alunos
a que se destinam? Você saberia dizer de que maneira os alunos de fato utilizam as
atividades propostas em aula? Você diria que eles fazem todas as atividades propostas?
Estas são perguntas para as quais, suspeito, muitos dos gestores, professores e tutores da
Educação a Distância não têm uma resposta clara. São perguntas que evidenciam – com
clareza cristalina – a necessidade imperativa de se investigar, de forma meticulosa, a maneira
pela qual os alunos percebem as atividades e interagem com elas. Mas este é um assunto que
retomaremos futuramente, em nossas discussões. Por ora, gostaria de perguntar se você se
deu conta do que eu acabei de fazer: além de falar um pouco acerca do terreno instável sobre
o qual caminhamos, escondi atividades no texto e deixei para você a decisão de responder
ou não às questões propostas. Espero que as questões tenham sido suficientemente
provocantes para fazê-lo refletir e identificar suas práticas educacionais voltadas para EAD
e compará-las às teorias que você eventualmente já conhece. Especialmente, quis mostrar
como é fácil esconder atividades no texto e levar os alunos à reflexão e à resposta mental
sem que seja necessário formalizar esta ação.
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o
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T
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C
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Figura 7.1: Atividades escondidas no texto são
importantes para garantir um exercício mental
permanente de seu aluno. É uma maneira
de assegurar que ele porá em prática alguns
conceitos, especialmente se você suspeitar
que o tempo de estudo é curto e que seu aluno
corre o risco de pular as atividades para alocar
o tempo para a leitura do texto em si.
Fonte www.sxc.hu
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Aula 7 – Ajudando sua inspiração: modelos de atividades – Parte 1
Naturalmente, nem todos os conteúdos permitem o uso de perguntas dessa
maneira. A maneira mais fácil de trazer atividades para dentro do texto é, novamente,
evocar, mentalmente, aquele seu aluno particular. Pense nas perguntas que você
faria ao longo da aula. Faça-as para seu aluno a distância. Algumas perguntas serão
feitas apenas para provocá-lo, para tirar seu aluno do lugar. Outras, você fará de fato
esperando uma resposta. No texto, sempre responda as que se incluem nesse último
caso. Vamos ver um exemplo?
Atividade 1
Atende ao objetivo 1 j
Alô?
O trecho a seguir foi retirado de uma aula da disciplina Corpo Humano I, parte do Curso
de Ciências Biológicas do CEDERJ. Leia o texto e procure:
1. identificar as perguntas feitas;
2. identificar aquelas para as quais houve resposta;
3. identificar aquelas para as quais não houve resposta.
Brincando de cabra-cega ao telefone ou do que preciso para me orientar?
Já brincou de cabra-cega? Não é do seu tempo? Nada de gracinhas, vamos
lá! Coloque um pano preto vedando a sua visão e, em seguida, peça a alguém
que posicione um telefone em algum local da sala, mas que você desconheça
essa localização. Então, alguém ligará para este telefone a partir de um outro
aparelho. Você atenderia ao telefone? Qual a diferença entre este experimento
e o que sugerimos no começo desta aula quando a sua visão estava livre?
Claro, esperamos que você seja capaz de atender. Se o som do telefone for
mantido, isto é, se ele ficar tocando todo o tempo, como você chegará até
ele? E se o som subitamente parar? Você seria capaz de encontrar o aparelho,
em completo silêncio? Estas questões mostram a importância dos órgãos dos
sentidos – visão e audição - nas formas pelas quais você moverá o seu corpo.
Nesse caso, você já percebeu que o som do telefone tocando o levará até ele.
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Planejamento e elaboração de material didático impresso para EAD - elementos instrucionais e estratégias de ensino
Neste contexto, convém lembrar que na execução correta dos movimentos,
a sensibilidade (isto é, a atuação dos sentidos) é de extrema importância.
No caso do telefonema, a função auditiva (percepção do som do telefone)
permitirá que você tenha uma noção da localização do aparelho, orientando o
seu corpo (movimento) na direção da mesa. O contato visual com o aparelho
daria ao cérebro a sua real localização. O contato da sua mão com o telefone
(tato) informará ao cérebro que uma parte do objetivo foi alcançada e que, a
partir de agora, começará o movimento de trazer o aparelho até a orelha. É
por esse meio que uma pessoa cega localiza e atende ao telefone. E como uma
pessoa completamente surda seria capaz de realizar essa atividade? Como
uma pessoa surda faz para saber que o telefone está tocando? Evidente que o
toque do telefone deve ser acompanhado, neste caso, de um sinal luminoso.
Você já pode antever que, em muitos casos, a impossibilidade de executar
movimentos estará relacionada a alguma deficiência nos órgãos dos sentidos
e não diretamente a problemas nos centros motores.
Prof. Adilson Sales
Resposta Comentada
No texto, o professor faz três perguntas às quais não responde:
• Já brincou de cabra-cega?
• Não é do seu tempo?
• Qual a diferença entre este experimento e o que sugerimos no começo desta aula quando
a sua visão estava livre?
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Fonte: www.sxc.hu
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Aula 7 – Ajudando sua inspiração: modelos de atividades – Parte 1
As primeiras perguntas foram usadas como uma provocação, para divertir um pouco o
aluno, falando de uma brincadeira de criança. A terceira pergunta não traz uma resposta
direta no texto, mas há informações que permitem ao aluno, sem grandes esforços,
relacionar a situação proposta aqui com aquela proposta anteriormente, na mesma aula
(embora você não esteja vendo a aula toda).
A seguir, transcrevo as perguntas para as quais houve resposta, seguidas das passagens
do texto que oferecem explicação para os questionamentos:
• Você atenderia ao telefone?
• Claro, esperamos que você seja capaz de atender.
• Se o som do telefone for mantido, isto é, se ele ficar tocando todo o tempo, como você
chegará até ele?
• Nesse caso, você já percebeu que o som do telefone tocando o levará até ele.
• No caso do telefonema, a função auditiva (percepção do som do telefone) permitirá que
você tenha uma noção da localização do aparelho, orientando o seu corpo (movimento) na
direção da mesa.
• E se o som subitamente parar?
• Você seria capaz de encontrar o aparelho, em completo silêncio?
• O contato visual com o aparelho daria ao cérebro a sua real localização.
• E como uma pessoa completamente surda seria capaz de realizar essa atividade? Como
uma pessoa surda faz para saber que o telefone está tocando?
• Evidente que o toque do telefone deve ser acompanhado, neste caso, de um sinal
luminoso.
Quando você opta por embutir atividades no texto, sob a forma de perguntas, lembre-se de
que é importante oferecer respostas aos alunos, ainda que você não o faça imediatamente
após os questionamentos. O único caso em que você pode prescindir de respostas é
quando as perguntas são feitas para provocar o diálogo com o aluno, de forma retórica,
sem que você esteja aludindo a um ponto importante para a compreensão do conteúdo
(Já brincou de cabra-cega? Não é do seu tempo?). ??
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Planejamento e elaboração de material didático impresso para EAD - elementos instrucionais e estratégias de ensino
Consulta direta/Cálculo simples
Em sua maioria, as atividades de consulta direta requerem do aluno simplesmente
voltar a alguma passagem da aula para chegar à resposta esperada, que normalmente
está incluída no texto. Não há um problema a ser resolvido pelo aluno. A resposta
comentada faz alusão à passagem específica do texto que atende à atividade.
Eventualmente, um grau mais alto de análise e interpretação é necessário.
Nessa categoria de atividade, incluem-se também exercícios de cálculo onde o aluno
é solicitado a realizar, por exemplo, uma operação matemática a partir da observação
de um modelo, de um exemplo resolvido. O aluno deve ser capaz de aplicar o modelo
a outras situações semelhantes disponíveis no exercício proposto.
Figura7.2: Atividades de cálculo simples são importantes para a prática de
conceitos e métodos.
Fonte: www.sxc.hu
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Qual a importância desse tipo de atividade? Normalmente, as atividades de consulta e
de cálculo simples favorecem a fixação de um conteúdo pela memorização, pela prática.
Atividades de consulta direta e cálculo simples são freqüentemente encontradas
em aulas para a Educação a Distância. Talvez porque reflitam o tipo de questão que
incluiríamos em uma avaliação, no ensino presencial. No caso das atividades de
consulta direta em que um grau mais alto de interpretação e análise é solicitado,
freqüentemente as questões propostas estão associadas a um nível de subjetividade
que impede que as respostas oferecidas pelos professores atendam satisfatoriamente a
grande variedade de soluções possíveis de serem dadas pelos alunos. Ou seja, em um
sistema que exige dos aprendizes a permanente verificação de seus progressos, os alunos
de EAD são lesados em uma de suas possibilidades mais nucleares – o controle sobre
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Aula 7 – Ajudando sua inspiração: modelos de atividades – Parte 1
sua própria aprendizagem – quando não são capazes de conferir adequadamente seu
desempenho nas atividades de aula. Esta perda se dá, não pela ausência da atividade
em si, mas pela inadequação e ineficácia de seu formato.
Naturalmente, queremos estimular a experiência individual dos alunos da
Educação a Distância por meio de atividades que não apresentem apenas um universo
circunscrito de respostas possíveis. Isso pode e deve ser feito, mas garantindo os
recursos pedagógicos necessários à autonomia do aluno. Retomaremos essa questão na
próxima aula, quando discutirmos o modelo mais adequado a esse tipo de objetivo.
Atividade 2
Atende ao objetivo 2 j
Consulta direta e cálculo simples
A seguir encontram-se algumas atividades de consulta direta e cálculo simples extraídas
de aulas de diversas áreas. Avalie as atividades propostas e critique-as levando em
consideração:
1. se o modelo é adequado para a proposta da atividade;
2. se a resposta comentada foi satisfatória;
3. o que poderia ser modificado, no caso de você não achar o modelo adequado ou da
resposta não lhe parecer satisfatória.
Exemplo 1
Calculando o pH de uma solução
Esta atividade é para você fixar a maneira de calcular o pH de uma
solução. Faça quantas vezes achar necessário até não ter mais nenhuma
dificuldade nesse procedimento!
Calcule o pH de uma solução cuja [H
+
] = 10
+ -2
M:
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Planejamento e elaboração de material didático impresso para EAD - elementos instrucionais e estratégias de ensino
Resposta comentada (Exemplo 1)
Como o passo a passo do cálculo do pH está bastante discriminado na
aula, nesta resposta você encontrará apenas a resolução do problema, sem
maiores explicações. Caso tenha dúvidas, volte ao texto da aula e compare,
etapa por etapa, o que você fez e identifique o ponto em que errou. Se
ainda assim não esclarecer todas as suas dúvidas, procure o tutor, pois
este assunto é muito importante na sua formação bioquímica e pode ser
aplicável a qualquer área de pesquisa pela qual você se interesse.
pH = - log [H
+
]
- log [H
+
] = pH
- log 10
-2
= pH
- (10
-2
) = 10
pH
- (-2) = pH →pH = 2
(Ana Paula Abreu-Fialho, Curso: Biologia, Disciplina: Bioquímica)
Exemplo 2
Instrumentos de política monetária
Como você já viu, a política monetária é o conjunto de medidas adotadas
pelo governo para controlar a oferta de moeda na economia para atingir
determinados objetivos. Contudo, para realizar esse tipo de política o
governo utiliza-se de alguns instrumentos. O que você deve fazer agora
é relacionar a maneira como o governo faz uso de cada instrumento ao
conseqüente incentivo às diferentes políticas econômicas:
Instrumento Política
Expansionista
Política
Contracionista
Compulsório
Redesconto
Operações de
mercado aberto
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Aula 7 – Ajudando sua inspiração: modelos de atividades – Parte 1
Resposta comentada (Exemplo 2)
Compulsório
O governo impõe aos bancos comerciais que guardem parte dos depósitos
à vista que eles receberam como reservas.
• Se o governo aumenta essa obrigatoriedade, os bancos comerciais terão
menos dinheiro para emprestar a outros correntistas (política contracionista);
logo, menos possibilidade de criação de depósitos à vista.
• Caso contrário, se o governo diminui essa obrigatoriedade, os bancos
terão mais dinheiro para emprestar (política expansionista); logo, maior
possibilidade de criação de depósito à vista.
Redesconto
O redesconto é o empréstimo que o Banco Central faz aos bancos
comerciais que precisam de reservas bancárias para fechar suas contas.
Para realizar esses empréstimos, quase sempre o Banco Central impõe uma
taxa de juros punitiva.
• Se o governo resolve aumentar essa taxa, maior será o custo dos bancos
comerciais ao recorrerem ao Banco Central (política contracionista); dessa
forma, mais cautelosos eles ficariam para fornecer empréstimos aos seus
clientes (menor possibilidade de depósito à vista).
• Em contrapartida, se o governo resolve diminuir essa taxa, menor será o
custo dos bancos para recorrerem ao Banco Central, menos cautelosos eles
ficariam para emprestar aos seus clientes (política expansionista).
Operações de mercado aberto
Operações de mercado aberto são operações de compra e venda de
títulos públicos feitas pelo governo.
• Caso o governo compre um título público que está em poder de algum outro
agente econômico, ele estará retirando desse agente o título e retornando
papel-moeda; logo, aumentando a base monetária da economia e, por
conseqüência, os meios de pagamento (política expansionista).
• Caso o governo esteja vendendo um título público, ele estará trocando
papel-moeda pelo título; dessa forma, diminui a base monetária da
economia (política contracionista).
(Roberto Paes de Carvalho, Curso: Administração, Disciplina: Macroeconomia)
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Planejamento e elaboração de material didático impresso para EAD - elementos instrucionais e estratégias de ensino
É no supermercado que o con
midor realmente percebe a no
de inflação ao deparar-se com
aumento generalizado de pre
Normalmente isso se reflete
quantidade de produtos que deix
de entrar no carrinho.
Fonte: www.sxc.hu
Exemplo 3
Más notícias no supermercado
José Ribamar é um chefe de família que recebe R$ 1.750,00 por mês com
seu emprego de bombeiro hidráulico. Ele é casado e tem dois filhos menores.
Todo dia 15 do mês, José Ribamar e sua esposa vão ao supermercado fazer
compras. Somando todos os itens que eles compram naquele período
(arroz, feijão, batata, iogurte, chocolate etc.), gastam R$ 150,00.
De uns meses para cá, José Ribamar e sua esposa perceberam que com
R$ 250,00 eles já não conseguem comprar as mesmas coisas que compravam
no início do ano. Eles perceberam também que houve um aumento nos
preços de vários itens da cesta de bens que eles compravam. Apesar de José
Ribamar não ter tido aumento de salário, seu gasto agora será de R$275,00
para comprar os mesmos produtos.
José Ribamar não consegue perceber, mas está ocorrendo inflação, isto é,
um aumento generalizado de preços. Ajude José Ribamar a calcular o valor
desta inflação.
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Aula 7 – Ajudando sua inspiração: modelos de atividades – Parte 1
Resposta comentada (Exemplo 3)
Para você calcular o valor da inflação, basta achar a variação entre o preço
final e o preço inicial e dividir esta variação pelo preço inicial. Em outras
palavras, você deve tomar o preço final (R$ 275,00) e diminuir o preço
inicial (R$ 250,00) e dividir esta diferença por R$ 250,00. Assim,
Inflação = (275 – 250) /250
Inflação = 0,1
Como a inflação está medida em termos nominais, basta você multiplicar
por cem para achar a inflação em termos percentuais. Assim,
Inflação = 10%
(Carlos Jaimovich, Curso: Administração, Disciplina: Macroeconomia)
Exemplo 4
A prática e a maturação
Responda às seguintes perguntas:
1. O que significa maturação?
2. Qual é o papel da prática no processo de maturação?
Resposta comentada (Exemplo 4)
1. Maturação se refere aos programas genéticos que produzem padrões
semelhantes de crescimento e mudanças. São instruções para o desdobra-
mento das seqüências do desenvolvimento.
2. O processo de maturação estabelece limites sobre o ritmo de crescimento
físico e desenvolvimento motor, mas o ritmo pode ser retardado pela
ausência de prática ou de experiências adequadas. Se você entendeu que
há alternâncias de influências genéticas, experiências e aprendizagens,
tanto específicas quanto acidentais, e que a maturação deve ser
entendida como uma disposição, torna-se mais flexível a importância do
ambiente no desenvolvimento, restringindo-se os momentos iniciais do
desenvolvimento ao âmbito do aspecto maturativo biológico.
(Maria Alice de Moura Ramos e Maria Ângela Monteiro Corrêa, Curso: Pedagogia,
Disciplina: Tópicos em Educação Especial)
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Planejamento e elaboração de material didático impresso para EAD - elementos instrucionais e estratégias de ensino
Resposta Comentada
Os dois exemplos de atividades de cálculo simples apresentados atendem aos objetivos
originalmente propostos na aula: o cálculo do valor do pH de uma solução (Exemplo 1) e
o cálculo da inflação (Exemplo 3). No primeiro exemplo, a autora foi bastante objetiva em
sua proposta, enquanto no exemplo 3 houve uma preocupação maior em criar um cenário
onde o aluno pudesse contextualizar a aplicação de um conceito. As respostas comentadas
são diretas, claras, atendendo satisfatoriamente ao tipo de atividade proposto.
Os Exemplos 2 e 4 são atividades de consulta direta. No primeiro caso, o autor procurou
criar uma atividade que articulasse vários conceitos vistos anteriormente na aula, e um
maior grau de análise esteve envolvido especialmente quando o aluno precisou definir
de que maneira a variação no uso de um mesmo instrumento poderia favorecer uma
ou outra política econômica. A resposta comentada, nesse caso, foi satisfatória, embora
provavelmente o aluno não fosse completar o quadro redigindo as respostas da maneira
como o autor fez. Talvez fosse mais interessante, nesse caso, um quadro em que os
diferentes usos dos três instrumentos fossem representados e ao aluno coubesse retomar
o tipo de política econômica esperado. Uma atividade mais simples, é verdade, mas que
talvez incentivasse mais o aluno a fazê-la e acabasse por atender igualmente ao objetivo
proposto no início da aula:
Instrumento Estratégia do governo Política esperada
Compulsório
Maior obrigatoriedade de depósito Contracionista*
Menor obrigatoriedade de depósito Expansionista*
Redesconto
Maior taxa de juros Contracionista*
Menor taxa de juros Expansionista*
Oper. Merc. Aberto
Compra títulos Contracionista*
Vende títulos Expansionista*
* Resposta esperada do aluno
No primeiro item do exemplo número 4, as autoras fazem uma pergunta direta, apenas
uma definição é solicitada e a resposta comentada é satisfatória. No segundo item,
aparentemente uma análise mais elaborada se faz necessário, embora a resposta seja
também bastante objetiva e se dê logo nas primeiras linhas do comentário: o processo
de maturação estabelece limites sobre o ritmo de crescimento físico e desenvolvimento
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Aula 7 – Ajudando sua inspiração: modelos de atividades – Parte 1
motor, mas o ritmo pode ser retardado pela ausência de prática ou de experiências
adequadas. Na aula original, as autoras discutem o papel da prática na maturação
relatando, por exemplo, pesquisas feitas com gêmeos e crianças filhas de índias hopis.
Essas passagens do texto poderiam ter sido incorporadas à pergunta, as autoras
poderiam ter pedido que o aluno emitisse sua opinião a respeito do papel da prática na
maturação e a resposta comentada poderia somar ao que foi especificamente perguntado
encaminhando a discussão do tema, em seguida, no corpo do texto. As autoras
responderam satisfatoriamente a pergunta que fizeram e, inclusive, ofereceram uma
resposta comentada rica, para além do necessário à questão em si. O tema destinado à
atividade (maturação) é bastante motivante mas seu formato, no entanto, pareceu pouco
incentivador e possivelmente não tenha estimulado o aluno a fazê-la.
Se você teve outras percepções acerca dessas atividades, não deixe de compartilhar sua
opinião comigo e com os outros participantes no Fórum da Aula 7.
Argumentativa
As atividades argumentativas são uma boa maneira de se tentar utilizar melhor os
conceitos apresentados na aula, fugindo um pouco das armadilhas das atividades de
consulta direta. Em vez de o aluno definir um conceito ou recuperar uma informação,
nas atividades argumentativas, o objetivo principal é que o aluno seja capaz de
desenvolver argumentos acerca de um determinado tema sem que necessariamente
chegue a uma resposta esperada. Nestes casos, a capacidade de análise e crítica é tão
importante quanto o conteúdo em si. Embora a capacidade argumentativa seja uma
habilidade valiosa, freqüentemente os professores não elaboram a atividade de forma
que o aluno tenha subsídios para interpretar seus resultados ou para compreender
que ele pode ter a opinião que quiser, sem demonstrar deferência pela resposta do
professor. Mais do que isso, o aluno fica com uma resposta que não é compartilhada e
normalmente o procedimento indicado pelo professor é de que ele vá ao pólo discutir
com o tutor. Isso sinaliza pouca estruturação e planejamento da parte do conteudista e
a tendência é o aluno deixar de fazer a atividade.
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Planejamento e elaboração de material didático impresso para EAD - elementos instrucionais e estratégias de ensino
Veja a seguir uma situação em que uma atividade argumentativa foi utilizada de
maneira criativa para consolidar o conceito de relações de poder.
Exemplo - “Divisão desigual de poder”
Imagine que você foi aprovado em uma universidade muito distante de sua casa, e
que precisará mudar-se de cidade para poder cursar a faculdade de sua escolha. Seus
pais não possuem recursos suficientes (não fazem parte da “nobreza”), portanto não
podem ajudá-lo(a) a alugar uma casa e também custear os seus estudos (compra de
livros, congressos etc.).
Antes de desistir da idéia de estudar tão longe, você leu no site da universidade que
há uma prática muito comum adotada por estudantes com poucos recursos: as
repúblicas. Nestas, os estudantes alugam uma casa comunitária. Cabe a cada um,
individualmente, e a todos, coletivamente, prover os recursos para manter o aluguel
(pagar as contas, conservar sua estrutura física etc.). Além disso, todos os moradores
têm direitos comuns (como o de usar a estrutura física da casa, por exemplo).
Depois de alguns meses morando nessa casa comunitária de oito habitantes, você
percebeu que o convívio entre pessoas diferentes não era nada fácil. Entretanto,
tudo corria bem, até que surgiu uma situação de desacordo generalizado...
A mais antiga moradora da república, Maria Antonieta, que ali já estava há dois anos,
decidiu impor uma ordem para todos: seria proibido fazer frituras na cozinha. Luis, seu
namorado (também morador da república), estava ao lado dela nessa decisão, já que
ambos entendiam ser a fritura responsável pela sujeira na cozinha e, por conseqüência,
na casa toda (pelo cheiro de óleo e pela fumaça que impregnava o ambiente).
“Se eu fosse nobre, seria tudo mais fácil.”
Fonte: www.sxc.hu
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Aula 7 – Ajudando sua inspiração: modelos de atividades – Parte 1
Porém, tanto Maria quanto Luís possuíam boas condições financeiras na família, e
quase sempre comiam em restaurantes. Todos os outros seis moradores, incluindo
você, preparavam a própria comida para diminuir os custos. Além disso, o contrato
do aluguel da casa estava em nome de Maria Antonieta, e por isso ela se julgava
detentora do poder de decidir as normas referentes à república.
“Ao vencedor, as batatas!”
Fonte: www.sxc.hu
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Diante dessa situação, você foi escolhido para representar os outros seis moradores
na reunião da república, que ocorre todo mês, na qual será confirmada (ou refutada)
a norma de não haver mais frituras.
Para fazer a defesa da maioria, você deve elaborar contra-argumentos que possam
“derrubar” os argumentos de Maria. Para tal, leia a seguir os pontos de vista dela e
posicione-se contrariamente, buscando mostrar suas incoerências e improbidades.
Elabore pelo menos dois argumentos contrários a cada uma das colocações de
Maria:
1. Eu não tenho culpa se
vocês querem cozinhar
em casa. O meu direito
começa onde termina o
de vocês!
2. Como o contrato está
em meu nome, eu tenho
o poder de estabelecer as
normas da casa!
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Planejamento e elaboração de material didático impresso para EAD - elementos instrucionais e estratégias de ensino
Resposta comentada (do exemplo):
A capacidade de argumentar – ou de criar argumentos que possam persuadir um
interlocutor – é essencial para a convivência social, pois possibilita expor razões que
podem mudar o ponto de vista acerca de um determinado assunto. A argumentação
propicia a apresentação de diversos posicionamentos e costuma representar a
forma de pensar de determinados indivíduos ou grupos. Em oposição, o conceito de
contra-argumento também é fundamental: é a partir da contra-argumentação que
se pode refutar um pensamento que parece inabalável.
Nessa atividade, há vários caminhos possíveis de contra-argumentação. Na
colocação 1, quando Maria diz que “não tem culpa...”, e que “meu direito começa
onde termina o de vocês”, você pode apontar que, como a república possui cozinha
– e esta faz parte da estrutura física comum da casa –, é óbvio que ela está ali para
ser usada. Além disso, a questão de um direito começar onde termina outro pode
levar a um caminho de hierarquia de direitos e de poder. Na verdade, o direito é
comum a todos, e não cabe sua posse a uma pessoa. Em outras palavras: ninguém
é detentor exclusivo de um direito, já que ele serve para todos. Se a casa possui
cozinha, e se cozinhar na casa é uma prática socialmente aceita pela república, essa
condição vale para todos.
No colocação 2, quando Maria diz ser “detentora do poder” por ter assinado o
contrato, você pode argumentar que isso é uma mera formalidade administrativa,
já que, se houver algum problema de qualquer ordem, todos os moradores são
responsáveis por sua resolução. Caso contrário, seria justificável não pagar o
aluguel, pois existiria um morador que seria o único responsável por essa taxa.
Pólo de São Fidélis.
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Obs.: Essa atividade não pretende resolver esse problema prático, pois você não
tem conhecimentos para tal, nem é advogado ou juiz. O que queremos é que você
estimule a prática da argumentação e da contra-argumentação com seus colegas,
e leve essa atividade para ser debatida no seu pólo, tendo por base a noção de
poder. Peça a seu tutor que exponha o caso novamente, tendo por mote esse novo
argumento de Maria: “Gordura faz mal à saúde e engorda, por isso há mais um
motivo para não haver frituras”. Todos os participantes devem construir um contra-
argumento para esse novo posicionamento de Maria. Divirta-se!
(Roberto Paes de Carvalho, Curso: Administração, Disciplina: Instituições de Direito Público e Privado)
Repare que, nessa atividade, o autor garantiu as condições necessárias para o aluno
fazer a atividade proposta sozinho, a partir da idealização de argumentos contrários a
duas colocações de Maria. No entanto, também abriu portas para que ele propusesse
ao seu tutor uma seção de discussão coletiva, a partir de colocações contrárias a um
novo argumento, dessa vez ainda mais polêmico: gordura faz mal à saúde e engorda.
Atividades argumentativas são uma boa alternativa para a aplicação de um conceito
de forma criativa, participativa e que favorecem o trabalho em grupo.
Atividade 3
Atende ao objetivo 3 j
Se eu não me mexer eu engatinho?
Depois de ter estudado essa seção e de ter analisado
um bom exemplo de atividade argumentativa, retorne
à Atividade 2 e releia o Exemplo 4 (a prática e a
maturação). A partir do trecho a seguir, extraído da
mesma aula, idealize uma atividade argumentativa que
possa ser realizada individualmente para a consolidação
do papel da prática na maturação. Se quiser, relate sua
idéia no Fórum da Aula 7.
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Fonte: www.sxc.hu
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2
3
Helen Bee e Sandra K. Mitchell, para ilustrar melhor a complexidade do processo de
maturação, fazem as seguintes perguntas: se uma criança for completamente imobilizada,
sem ter a oportunidade de praticar o ato de engatinhar, andar ou pegar objetos, essas
habilidades se desenvolveriam? O bebê precisa de oportunidade de experimentar a
coordenação dos ossos, músculos e sentidos?
Integração de informações
Vamos retomar uma atividade que você provavelmente já conhece. Analise as
informações abaixo e diga a que personalidade estou me referindo.
Personalidade 1
Sobre o amor...
“Que não seja imortal, posto que é chama
Mas que seja infinito enquanto dure”
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Anote aqui a sua resposta:
Fonte: www.sxc.hu
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Aula 7 – Ajudando sua inspiração: modelos de atividades – Parte 1
Personalidade 2
A comunicação humana é um processo que envolve a troca de
informações, e utiliza os sistemas simbólicos como suporte para este
fim. Estão envolvidos neste processo uma infinidade de maneiras de se
comunicar: duas pessoas tendo uma conversa face a face, ou por meio
de gestos com as mãos, mensagens enviadas utilizando a rede global
de telecomunicações, a fala, a escrita que permitem interagir com as
outras pessoas e efetuar algum tipo de troca informacional.
1
2
3
Anote aqui a sua resposta:
E aí? Descobriu? Você provavelmente não teve muita dificuldade em associar
Vinicius de Moraes às primeiras informações e Chacrinha às segundas, certo? Mas
como você fez isso? Pode parecer óbvio, mas vale a pena recuperar seus passos.
No caso de Vinicius, a fotografia mostrada é da praia de Ipanema, cenário de inspiração
para uma de suas canções mais famosas. A imagem do whisky provavelmente remeteu
você à particular predileção do poetinha pela bebida ou à sua frase “O whisky é o cão
engarrafado”. Ainda, o trecho de um de seus poemas mais conhecidos – “Soneto da
Fidelidade” – completou a charada.
Fonte: www.sxc.hu
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No caso do Chacrinha, a passagem que fala sobre comunicação é uma informação
e tanto para nos fazer lembrar do Velho Guerreiro e de sua máxima “quem não se
comunica se trumbica”, é ou não é? O abacaxi provavelmente te levou ao programa de
calouros mais famoso da TV brasileira e ao troféu recebido pelos participantes menos
gloriosos. Finalmente, o carro remeteu você à chacrete mais popular do programa: Rita
Cadillac.
Repare que, nos dois exemplos, as informações oferecidas não dizem respeito
diretamente à personalidade em questão. Eu não pedi que você adivinhasse quem era
a pessoa retratada em uma caricatura, por exemplo. Você precisou dar alguns passos
antes de conectar cada informação à personalidade, e só depois integrar todas para
chegar ao veredicto final, quer ver?
Praia de Ipanema → Garota de Ipanema → Autoria de Vinicius de Moraes
Whisky → Cão engarrafado → Autoria de Vinicius de Moraes
Trecho escrito →Soneto da Fidelidade →Autoria de Vinicius de Moraes
Trecho escrito →Quem não se comunica se trumbica →Autoria de Chacrinha
Abacaxi → programa de calouros → Comandado por Cacrinha
Cadillac → Rita Cadillac → Chacrete do programa do Chacrinha
Possivelmente você não tivesse sequer desconfiado da personalidade se visse apenas
a foto da Praia de Ipanema, ou do whisky, ou do abacaxi, ou do cadillac. Os trechos
escritos, especialmente o poema, são mais alusivos às personalidades em questão.
Você precisou das três informações. Em compensação, uma vez integradas, você
provavelmente não teve dúvidas de quem estava escondido nas charadas que propus.
Essa é a idéia por trás da atividade de integração de informações.
Nesse tipo de atividade, o aluno é levado a analisar e relacionar informações de
natureza variada (textos, gráficos, tabelas, ilustrações, notícias de jornal, etc.) para
deduzir a resposta esperada. A área de conhecimento enfocada pela atividade de
integração de informações é claramente identificável e é improvável que as respostas
difiram muito daquelas esperadas. Neste caso, as respostas comentadas são bastante
precisas e capazes de abranger satisfatoriamente o universo possível de resultados.
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Aula 7 – Ajudando sua inspiração: modelos de atividades – Parte 1
Atividades de integração de informações permitem que muitas capacidades
cognitivas sejam desenvolvidas simultaneamente. Retomando a teoria da flexibilidade
cognitiva do início da aula, o aluno aprende melhor quando obtém uma mesma
informação a partir de diversas fontes (formatos) diferentes. Ele tem mais trabalho para
chegar na mesma resposta que chegaria apenas por meio de uma atividade de consulta
simples. Mas os benefícios em termos das capacidades estimuladas não têm termo de
comparação. Esse tipo de atividade permite vários graus de dificuldade e sua utilização
deve ser balanceada, com o cuidado de manter uma proposta de acordo com o perfil e
o nível educacional de seu aluno.
Agora, como criar uma atividade de integração de informações? Parece uma charada
completamente indecifrável? De forma alguma... A chave para a elaboração desse tipo
de atividade é ser capaz de olhar o texto sob uma perspectiva diferente. Vamos tomar
como exemplo o caso do Chacrinha. Imagine uma aula sobre história da comunicação
brasileira, e uma seção voltada para a televisão. Certamente o Velho Guerreiro seria
figura de destaque. O texto da aula (que foi baseado em informações disponíveis na
Wikipédia) poderia ser assim:
José Abelardo Barbosa de Medeiros nasceu na cidade de Surubim, no agreste
pernambucano, em 20 de janeiro de 1916. Esse era o nome de um dos maiores
comunicadores de rádio que conhecemos e de um grande sucesso na TV dos anos
1950 aos 1980: Chacrinha.
Chacrinha chegou a iniciar a faculdade de Medicina, em Recife, para onde havia se
mudado com a família. Foi justamente dando uma palestra sobre alcoolismo, como
estudante da área médica, que teve o seu primeiro contato com o rádio.
Interrompeu os estudos e foi para o Rio de Janeiro, onde se tornou locutor na Rádio
Tupi. Em 1943, lançou na Rádio Fluminense um programa de músicas de Carnaval
chamado Rei Momo na Chacrinha, que fez muito sucesso. Passou então a ser
conhecido como Abelardo Chacrinha Barbosa. Nos anos 1950 comandaria o programa
Cassino do Chacrinha, no qual lançou vários sucessos da música brasileira como
“Estúpido Cupido” de Celly Campelo e “Coração de Luto”, do artista gaúcho Teixeirinha.
Em 1956 estreou na televisão com o programa Rancho Alegre, na TV Tupi, na qual
começou a fazer também a Discoteca do Chacrinha. Em seguida foi para a TV Rio e, em
1970, foi contratado pela Rede Globo. Chegou a fazer dois programas semanais:
A Buzina do Chacrinha (no qual apresentava calouros, distribuía abacaxis e perguntava
“-Vai para o trono, ou não vai?”) e Discoteca do Chacrinha. Dois anos depois voltou para
a Tupi. Em 1978 transferiu-se para a TV Bandeirantes e, em 1982, retornou à Globo.
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Planejamento e elaboração de material didático impresso para EAD - elementos instrucionais e estratégias de ensino
Os jurados ajudavam a criar o clima de farsa do programa de calouros. Outro elemento
para o sucesso dos programas para TV eram as chacretes - dançarinas, que faziam
coreografias bastante simples e ingênuas para acompanhar as músicas. Além da
coreografia ensaiada, as dançarinas recebiam nomes exóticos e chamativos como
Rita Cadillac, Índia Amazonense, Fátima Boa Viagem, Suely Pingo de Ouro, Fernanda
Terremoto etc.
Chacrinha era autor de frases muito citadas tais como “Na televisão nada se cria, tudo
se copia”, “Eu vim para confundir, não para explicar!” e “Quem não se comunica, se
trumbica!”.
Ora, antes de começar a falar do Velho Guerreiro, você poderia desafiar seu aluno
da área de comunicação com uma atividade que trouxesse informações que precisam
ser integradas para terem algum significado. Seria uma maneira descontraída, lúdica
de motivá-lo. Você proporia a charada que resolvemos juntos anteriormente, ofereceria
uma resposta comentada retomando os passos que provavelmente levaram seu aluno
à personalidade correta e, em seguida, você adaptaria o trecho anterior para continuar
falando do Chacrinha de forma a não repetir informações que você já tenha incluído
em sua resposta comentada. Um pouco de prática é suficiente para você perceber o
mecanismo por trás da criação de uma atividade de integração de informações e para
começar a dar seus próprios passos dentro do conteúdo de sua disciplina.
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Aula 7 – Ajudando sua inspiração: modelos de atividades – Parte 1
Atividade 5
Atende ao objetivo 5 j
Quanto custa mesmo?
Leia atentamente o trecho a seguir. O tema principal abordado é o conceito de
depreciação. Idealize uma atividade de integração de três informações ç de forma a ajudar
seu aluno a compreender melhor esse conceito. Você pode usar diversos recursos (figuras,
gráficos, tabelas, textos). Mas você não pode ultrapassar o número de 120 palavras, em
toda a atividade. Não se preocupe em fazer ilustrações precisas. Apenas faça um esboço
de sua idéia no espaço a seguir.
No ato de compra de um bem durável, é importante levar-se em consideração a
perda de valor que o tempo de uso acarretará ao produto adquirido, especialmente
se esse bem for mercadologicamente passível de transferência de propriedade.
Depreciação é isso. É o valor representativo da perda linear de eficiência de um
bem. Evidentemente, no momento de sua aquisição, logo após ser fabricado,
o bem tem depreciação nula, já que o equipamento é novo. Cabe considerar
que, mesmo sem uso constante ou com pouco desgaste devido a uma perfeita
manutenção, considera-se o valor originalmente pago pelo produto igual à
sua depreciação após o período estimado de sua vida útil, ou seja, o tempo
máximo previsto em que tal bem poderá gerar benefícios ao adquirente.
Bom exemplo de caso de depreciação é o dos automóveis. São tão variados os tipos,
marcas, qualidade de fabricação, finalidade de uso, que, variando entre esses dados,
encontram-se veículos iguais que têm vida útil média e depreciação diferentes.
Independentemente dos fatores anteriormente listados, determina-se a
depreciação de um bem sempre pelo tempo útil médio, em condições ideais.
Se se adquire um carro X, luxuoso, mas frágil, por exemplo, certamente seu
tempo de duração médio, em anos, será menor que o de um outro veiculo, o
Y, que é popular e resistente. Assim é, com tantos modelos de carros quanto
formos capazes de contar, no mercado automobilístico.
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Aula 7 – Ajudando sua inspiração: modelos de atividades – Parte 1
Resposta Comentada
Uma das possibilidades para transformar o trecho que você leu em uma atividade de
integração de informações está ilustrada a seguir. Você provavelmente chegou a outras
opções. Se quiser, vá até o Fórum da Aula 4 e discuta conosco suas idéias.
Observe as informações a seguir:
ATIVIDADE
Analise as informações 1, 2 e 3. Considerando que não há inflação, calcule
a depreciação acumulada em 31/12/2005 do veículo Andante, comprado
por João da Silva.
Resposta comentada (do exemplo proposto)
A depreciação anual é de R$ 2.000,00 (10.000/5). Do dia 1/7/2004 (data
explícita no recibo) a 31/12/2004 contamos seis meses. Então, temos de
calcular a depreciação mensal, que é de R$ 166,67. Logo, a depreciação
acumulada em 31/12/2004 será de R$ 1.000,00. É claro que você também
poderia resolver essa questão considerando que seis meses são equivalentes
a meio ano; então, a depreciação acumulada seria a metade da anual.
Ana Paula (Ativ.) José (Texto original)
Depreciação é um valor que representa
a perda de eficiência de um bem.
A depreciação de um equipamento
novo é nula; a depreciação do mesmo
equipamento após o período de sua
vida útil é igual ao valor pago por ele
originalmente.
1
Rio de Janeiro, 1º de julho de 2005
R$ 10.000,00
RECIBO
Recebi de João da Silva (CPF 098765432-10)
a quantia de R$ 10.000,00 (dez mil reais),
relativa à aquisição do automóvel ANDANTE®
modelo 2005, zero Km.
José de Souza
José de Souza
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5
Vida útil dos
automóveis
mais vendidos
(em anos)
6
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Planejamento e elaboração de material didático impresso para EAD - elementos instrucionais e estratégias de ensino
Um dos aspectos nucleares desse tipo de atividade é evitar oferecer informações,
procurando, em vez disso, deixar que o próprio aluno as deduza a partir da análise de
um gráfico, uma tabela etc. Você pode oferecer uma resposta comentada mais longa
que essa ou usar seu feedback para encaminhar o conteúdo que se seguirá no texto da
aula. Para criar uma atividade de integração de informações você deve ser capaz de
desconstruir seu próprio texto e de analisá-lo sob diferentes perspectivas. Uma questão
de treino e de criatividade. Você consegue, tenho certeza.
Resumo
M
étodos de instrução flexíveis ajudam os estudantes a aprender a
complexidade do material que estudam além de possibilitá-los
trabalhar com aquele conteúdo sob diversas perspectivas. Informações
apresentadas em uma variedade de formas fazem parte de um ambiente
de ensino flexível. Quando apresentadas em diferentes tipos, as atividades
contribuem imensamente para aumentar a diversidade em uma aula
voltada para a Educação a Distância. Há diversos modelos que influenciam
a elaboração de atividades em materiais didáticos impresso. Atividades
escondidas no texto são importantes para garantir um exercício mental
permanente de seu aluno. Atividades de consulta direta requerem do
aluno voltar a alguma passagem da aula para chegar à resposta esperada,
que normalmente está incluída no texto. Nessa categoria de atividade,
incluem-se também exercícios de cálculo simples, onde o aluno é
solicitado a realizar operações a partir da observação de um modelo,
de um exemplo resolvido. Nas atividades argumentativas, o objetivo
principal é que o aluno seja capaz de desenvolver argumentos acerca de
um determinado tema sem que necessariamente chegue a uma resposta
esperada. Nestes casos, a capacidade de análise e crítica é tão importante
quanto o conteúdo em si. No caso das atividades de integração de
informações, o aluno é levado a analisar e relacionar informações de
natureza variada (textos, gráficos, tabelas, ilustrações, notícias de jornal
etc.) para deduzir a resposta esperada. A área de conhecimento enfocada
pela atividade de integração de informações é claramente identificável
e é improvável que suas respostas difiram muito daquelas esperadas e
encontradas pelos demais alunos.
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Aula 7 – Ajudando sua inspiração: modelos de atividades – Parte 1
Informações sobre a próxima aula
Na próxima aula, continuaremos a estudar outros modelos de atividades.
Leitura Recomendada
LOCKWOOD, F. 1992. Activities in self-instructional texts. 1ed. Londres: Kogan Page, 1998.
Bibliografia Consultada
BOGER-MEHALL, S.R. Cognitive flexibility theory: implications for teaching and teacher education.
Fonte: http://www.kdassem.dk/didaktik/l4-16.htm.
ROWNTREE, D. Teaching through self-instruction. 2ed. Londres: Kogan Page, 1994.
LOCKWOOD, F. The design and production of self-instruction. 1ed. Londres: Kogan Page, 1998.
LOCKWOOD, F., 1992. Activities in self-instructional texts. 1ed. Londres: Kogan Page, 1998.
SPIRO, R. J., FELTOVICH, P. J., JACOBSON, M. J., & COULSON, R. L. (1992). Cognitive flexibility,
constructivism, and hypertext: Random access instruction for advanced knowledge acquisition in
ill-structured domains. In DUFFY, T. M. & JONASSEN, D. H. (Eds.) Constructivism and the technology
of instruction: A conversation (p. 57-76). Hillsdale, NJ: Lawerence Erlbaum Associates. n
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Ajudando sua
inspiração:
modelos de atividades
Cristine Costa Barreto
8
Aula
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182
Planejamento e elaboração de material didático impresso para EAD - elementos instrucionais e estratégias de ensino
Meta
Apresentar modelos que influenciam o formato de
atividades em materiais impressos na Educação a
Distância (EAD).
Objetivos
Ao final desta aula, você deverá ser capaz de:
• identificar os aspectos instrucionais que carac-
terizam os seguintes modelos de atividade:
a. transferência de domínio por resolução de
problema;
b. estudo de casos;
c. prática;
• distinguir, dentre os modelos propostos, ativi-
dades com respostas enumeráveis e atividades
com respostas não-enumeráveis.
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Aula 8 – Ajudando sua inspiração: modelos de atividades
Transferência de domínio por aplicação de modelo
Se eu dissesse que, ao longo de um curso, muito da aprendizagem poderia
se dar quando o aprendiz não estivesse de fato lendo o material de auto-
instrução, suspeito que você concordaria. Se eu dissesse que a maior parte
do tempo de estudo dedicado a um curso de Educação a Distância pode se
passar longe do material de auto-instrução, você poderia ainda concordar,
mas talvez menos prontamente. Se eu dissesse que, ao longo de um curso
de Educação a Distância, a natureza das atividades propostas pode ser tão
variada que seria extremamente difícil, ou mesmo impossível, predizer seu
resultado, suspeito que você começaria a se sentir desconfortável.
Com essas palavras, Fred Lockwood resume a essência do próximo modelo de
atividades que gostaria de apresentar a você: transferência de domínio por aplicação de
modelo. Nesse tipo de atividade, não há um conhecimento específico a ser desenvolvido
e a aprendizagem individual é encorajada.
Se por um lado as atividades de integração de informações exigem do aluno as
capacidades de análise, dedução e síntese no momento de integrar as informações
oferecidas, por outro, a estrutura do modelo conduz a uma pequena variação nas
soluções possíveis. Por isso eu posso enunciar uma resposta satisfatória, abrangendo
um pequeno universo de soluções.
Atividades de transferência de domínio abrem uma avenida de possibilidades de
resultados, na medida em que cada aluno pode explorar a área de conhecimento
apresentada de acordo com sua preferência, realidade cotidiana, disponibilidade e
interesse. Favorecem, dessa forma, a capacidade de transferência, para outros domínios,
de habilidades e conhecimentos adquiridos no material didático e incentivam a perda
da deferência pelo professor como a figura central, detentora de conhecimento, e
inquestionável provedor de informações a partir de quem o saber do aluno deve ser
construído. Esse modelo de atividade valoriza a incerteza da investigação científica e a
satisfação do encontro de soluções para os problemas.
Ora, mas a essa altura você deve estar pensando que concluí a última aula
declarando, de forma enfática, a inadequação da proposição de atividades em que
não é possível responder à variedade de soluções potencialmente associadas. De fato,
você está certo. Mas você deve se lembrar também, que mencionei a importância de
oferecermos experiências individuais para nossos alunos. Disse ainda que havia uma
maneira adequada para fazê-lo, na Educação a Distância. Pois bem, essa maneira é
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Planejamento e elaboração de material didático impresso para EAD - elementos instrucionais e estratégias de ensino
a atividade de transferência de domínio por aplicação de modelo. Nesse modelo,
embora não seja possível oferecer, a posteriori, soluções individuais satisfatórias para
as atividades, uma orientação antecipada garante ao aluno a segurança necessária para
realizá-las de forma independente, muitas vezes longe do material didático, em uma
situação de aprendizagem que exige pensamento crítico e reflexivo sobre suas próprias
ações. Por isso, se queremos que nossos alunos abusem de sua capacidade de pensar
sozinhos, excelente! Apenas devemos assegurar-lhes, de forma inequívoca, todas as
condições para que seu potencial criativo e de resolução de problemas não se perca
como um viajante que desbrava uma floresta sem bússola.
É comum que a orientação nas atividades de transferência de domínio seja oferecida
sob a forma de um modelo que se remete a todas as etapas para o seu desenvolvimento,
a partir do qual o aluno possa guiar suas práticas, comparando-as com as informações
providas antecipadamente.
Nesse tipo de atividade, as respostas podem (e devem) variar bastante de aluno
para aluno. Eles serão estimulados a fazer suas próprias investigações, levantar dados
e tirar conclusões de forma independente. A aprendizagem individual é fortemente
encorajada. A resposta comentada normalmente tem caráter de orientação, em que
seu aluno encontrará diretrizes para a realização do trabalho e para a interpretação
das informações obtidas. Atividades de transferência de domínio são fundamentais
para seu aluno desenvolver confiança, perder a deferência pela resposta do professor,
valorizar a própria experiência.
Naturalmente, você deve pensar bem antes de propor um atividade com essas
características. Como são atividades normalmente mais trabalhosas, se você não estiver
seguro de sua relevância e de sua adequação, talvez seja mais sensato optar por um
outro modelo. Além disso, devido ao fato de que seu aluno não irá dispor de uma
resposta comentada nos moldes em que discutimos para os outros modelos, você não
deve abusar de atividades de transferência de domínio e sua oferta não deverá constar
de todas as suas aulas.
Conteúdos próprios para esse modelo de atividades são aqueles que trazem uma
variabilidade intrínseca e múltiplas perspectivas de análise de um mesmo tema. Vamos
ver um exemplo?
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Aula 8 – Ajudando sua inspiração: modelos de atividades
Atividade 1
Atende ao objetivo 1 j
O Cliente
(Retirado de Thunhurst ,1990 - Front of house operations) s
O que os hóspedes desejam de um estabelecimento hoteleiro varia de acordo com as
razões pelas quais estão se hospedando naquele local. Freqüentemente, o primeiro
contato dos hóspedes em potencial é por telefone, quando perguntarão acerca das
facilidades e serviços disponíveis e a que preço. Uma resposta amigável e informativa
da parte da recepcionista pode significar a diferença entre um quarto ocupado ou vago.
Hóspedes pernoitando em um estabelecimento hoteleiro podem desejar:
• Quarto com banheiro privativo
• Quarto com cama de casal, com uma ou duas camas de solteiro
• Bar aberto durante toda a noite
• Café da manhã no quarto
• Filmes disponíveis em DVD
• Serviço de recebimento e transmissão de mensagens
• Pessoal treinado em recreação e cuidados infantis
• Acesso fácil ao quarto por hóspedes utilizando cadeiras de rodas ou bengalas
• Serviço para lavar, secar e passar roupas; serviços para lustrar sapatos
• Lavanderia com auto-atendimento
• Quarto com vista
• Colchão ortopédico
• Refeições disponíveis até tarde
• Telefone, rádio, televisão e DVD no quarto
• Limpeza e arrumação do quarto
• Serviço de despertador
• Opção de café da manhã continental
• Entrega de jornais no quarto
• Quarto familiar com berço e cama extra para crianças
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Planejamento e elaboração de material didático impresso para EAD - elementos instrucionais e estratégias de ensino
Veja alguns exemplos em que o tipo de estabelecimento hoteleiro é associado ao tipo de
serviço oferecido e ao tipo de cliente que potencialmente se hospedará:
Hotéis de turismo ou resorts
Hóspedes normalmente desejam relaxar e aproveitar o tempo; a maioria desses
estabelecimentos oferece suas próprias opções de lazer tais como piscinas e quadras de
esporte. Um serviço amigável e um ambiente descontraído não significam um serviço de
padrão mais baixo.
Motéis, ou hotéis de estrada
Principalmente procurados por pessoas que viajam de carro ao redor do país, a negócios.
Alguns dos hóspedes podem ser solitários e gostar de conversar, outros preferirão entrar
em seus quartos o mais cedo possível.
Hotéis de trânsito
Normalmente situados perto de uma estação ferroviária ou rodoviária, de aeroportos ou
regiões portuárias. Hóspedes podem fazer o check in e o check out a qualquer hora do t
dia. Recepcionistas devem ser hábeis para evitar situações que possam causar tensão, tal
como a necessidade de fazer o check out dos hóspedes rapidamente. t
Apart hotéis
Serviço de copa e de camareira para os hóspedes permanentes; uma atmosfera caseira
pode ser desejada.
Hotéis de negócios
Utilizados em sua maioria por executivos para pernoite, conferências ou encontros de
negócios. Um serviço rápido e eficiente com facilidades de comunicação, tais como
telefone, fax, e-mail e internet, pode ser exatamente o que os clientes procuram. A maioria
dos estabelecimentos é situada no centro da cidade, para onde o acesso é rápido.
TAREFA
Escolha um estabelecimento perto de sua residência ou local de trabalho para visitar. A seguir,
incluímos uma lista de estabelecimentos que podem facilitar sua escolha. Mas você não precisa
se prender a eles, pode optar por qualquer um. Descubra a partir dos folders de divulgação e
de entrevistas com os recepcionistas que tipos de facilidades e de serviços cada um oferece.
O que tais facilidades dizem acerca do tipo de cliente que utiliza o estabelecimento?
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Aula 8 – Ajudando sua inspiração: modelos de atividades
• Hospitais públicos
• Hospitais privados
• Residência de estudantes
• Condomínios
• Acampamentos
• Navios de turismo
• Barcas
• Trens
• Aviões
• Centros de treinamento de pessoal
• Locadoras de filmes
• Supermercados
Estabelecimento: ____________________________
Tipos do estabelecimento Serviços oferecidos Tipo de cliente
www.sxc.hu www.sxc.hu
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Planejamento e elaboração de material didático impresso para EAD - elementos instrucionais e estratégias de ensino
Resposta comentada
Qual estabelecimento você escolheu? Locadora de filmes? Supermercado? Algum outro?
É claro que não tenho como saber. Não resisto à idéia de contar para você, no entanto,
sempre que proponho essa atividade, secretamente, sempre escolho supermercado!
Mas isso não importa agora. O que importa é você se dar conta de que, naturalmente,
não existe uma resposta comentada que atenda a todas as possibilidades de
resultado associadas a esta atividade. Isso porque cada um de nós pode escolher um
estabelecimento diferente, visitar locais diferentes, conversar com pessoas diferentes e
levantar informações acerca de serviços diferentes. No entanto, espero que o modelo que
ofereci antes seja sólido o suficiente para ter permitido que você realizasse essa atividade
com segurança, mesmo que você não tenha uma resposta comentada que garanta ter
chegado a um resultado correto.
Claro que seu tutor estará devidamente avisado da existência de uma proposta como essa,
e seu aluno poderá recorrer à tutoria, presencial ou a distância, sempre que quiser. Mas
eu não esperaria, necessariamente, que ele assim o fizesse.
Você sentiu muita falta da resposta comentada da Atividade 3 da Aula 7? Espero que não.
Propus para você uma atividade de transferência de domínio por aplicação de modelo.
Atividades de transferência de domínio colocam seu aluno em uma situação nova
na qual ele deve aplicar um conceito recém-aprendido. Agora, pense comigo, isso não é
algo muito parecido com o que ele, aluno, irá vivenciar no momento em que se formar,
em que conseguir um emprego, em que precisar resolver um problema sem que tenha
um livro debaixo do braço dizendo: “Fulano, esse problema que você está enfrentando
agora se refere ao objetivo 3 daquela aula que vimos no terceiro período de seu curso.
Caso você não esteja certo de sua solução, consulte a resposta comentada daquela
atividade e fique tranqüilo quanto à decisão que tomou. Se tiver feito besteira, reveja
os passos 3 a 7 e tente novamente”.
Dada a baixíssima probabilidade de a situação descrita no parágrafo anterior
acontecer, parece ser uma boa idéia deixar seu aluno fazer tentativas, incorrer em erros
e acertos enquanto ele pode recorrer a você, ao tutor, aos colegas, para ganhar mais
independência profissional no futuro.
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Aula 8 – Ajudando sua inspiração: modelos de atividades
Ao propor uma atividade de transferência de domínio por aplicação de modelo,
certifique-se de que:
1. o tema proposto tem variabilidade intrínseca (não peça, por exemplo, para seu aluno
descobrir quantos gêneros sexuais existem nas diferentes instituições de trabalho);
2. você ofereceu um feedforward, como um exemplo detalhado do procedimento, de
forma que o aluno saiba exatamente o que fazer para obter seu resultado individual
e especialmente para conferi-lo;
3. você não está usando esse modelo excessivamente, de forma a desencorajar seu
aluno a fazer a atividade.
Estudo de caso
Não é novidade o fato de que alunos aprendem mais e melhor quando se envolvem na
aprendizagem de forma participativa. O estudo de casos é uma excelente opção para esse
tipo de abordagem, em que exemplos, simples ou complexos, permitem a compreensão
intuitiva do contexto de um problema, ao mesmo tempo que ilustram o núcleo conceitual
em questão. Demonstram conceitos teóricos em cenários aplicados, que incluem uma
variedade de situações, desde casos curtos para serem resolvidos individualmente até
atividades longas, para serem desenvolvidas em grupo. Existe uma grande sobreposição
entre o estudo de caso e a aprendizagem baseada na resolução de problemas.
Quando o aluno se vê diante de uma situação problemática, que precisa ser
analisada, e para a qual deve propor uma solução, ele interage com o material didático
em uma atividade que o expõe a questões do mundo real com as quais pode se deparar
em suas práticas profissionais. Isso normalmente aumenta a motivação dos alunos e
seu interesse nos temas de aula. O estudo de caso diminui a distância entre teoria e
prática, incentiva uma aprendizagem participativa, aumenta a satisfação do aluno com
o tópico estudado e, portanto, aumenta seu desejo de aprender.
Existem muitas maneiras de se propor um estudo de caso para seu aluno.
A atividade a seguir vai ajudar você a criar situações que possam ser utilizadas para isso.
Vamos lá?
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Planejamento e elaboração de material didático impresso para EAD - elementos instrucionais e estratégias de ensino
Atividade 2
Atende ao objetivo 2 j
Criando caso
Analise as duas atividades a seguir propostas em aulas das disciplinas Assistente
Administrativo e Bioquímica, respectivamente:
Exemplo 1
Caso Fundição Rio Negro
A Fundição Rio Negro é uma empresa de médio porte cujo ramo de atividade é o
a produção e venda de equipamentos para fundição. Seu diretor-presidente é
Alberto dos Santos Novaes, o diretor comercial, Júlio Siqueira Campos e o diretor
industrial, Marcos Roberto Magalhães.
Novaes é acionista majoritário da empresa, importando-se apenas com sua
situação financeira e com seu status social.
Campos está ligado ao setor de Vendas. Ficam a seu cargo as comissões sobre s
as vendas próprias e dos outros vendedores, no que tem demonstrado excesso
de interesse. Divide o número de ações com o terceiro diretor, Magalhães. Este é
voltado para a Produção, porém levando em consideração as condições de seus
subordinados. Constantemente, supervisiona a fábrica, porém, em alguns casos
de falha técnica, não respeita a autoridade do mestre, dirigindo-se diretamente
ao operário.
Cada um dos três diretores possui autoridade para contratar novos empregados e
despedi-los sem dar satisfação aos outros, não permitindo qualquer intervenção
em suas respectivas áreas.
O Departamento de Compras está sob a gerência de s Luiz Alves Macedo, que executa
suas tarefas sem planejamento algum ou controle e sem interesse pelo cargo que
ocupa, só funciona quando pressionado pelas circunstâncias. Seu procedimento
acarreta problemas para os demais setores da empresa, pois não se coordena
nem com o setor de almoxarifado. Falta-lhe técnica de compras e sua função é
independente, sem nenhum superior. Sua permanência dentro da empresa, apesar
desses problemas, é devida à estreita amizade com o diretor industrial. ll
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Aula 8 – Ajudando sua inspiração: modelos de atividades
O Departamento Técnico está subordinado ao o diretor industrial e apresenta sérias l
deficiências na elaboração de desenhos e projetos, erros nos cálculos, na escolha
dos materiais e colocação de materiais em lugar indevido no desenho e projeto.
O gerente, Manoel de Oliveira, não corrige os erros encontrados nos projetos para
não atrasar a produção, acarretando problemas para o Departamento de Custos
e para o Departamento de Produção, que corre o risco de produzir equipamentos
com defeitos, caso nenhum especialista localize o erro a tempo. Com todos esses
problemas, surgem atrasos na entrega dos equipamentos aos clientes e, às vezes,
devoluções em virtude de defeitos ou desvios de especificações.
Uma fundição efetuou diretamente a Campos a compra de um equipamento, s
com data marcada para a entrega. O pedido foi encaminhado ao departamento
competente, para as providências. Houve, porém, atraso na execução do pedido,
e intervenção direta e constante do diretor comercial na produção. Apesar da l
demora e da insistência o equipamento foi concluído e entregue, mas devolvido
depois por defeitos no funcionamento A compra só não foi cancelada devido à
necessidade que a firma compradora tinha de utilizar o equipamento.
A firma compradora provocou um conflito que atingiu os diretores da Rio Negro, os
gerentes, os supervisores e até mesmo os operários. Cada departamento apresenta
a sua desculpa, jogando a culpa sobre os demais, pois ninguém quis assumir a
responsabilidade do que aconteceu. O Departamento de Produção acusava o o
Departamento de Compras, que por sua vez acusava o Almoxarifado, e assim por
diante. Com os atrasos na entrega do equipamento e as devoluções causadas por
defeitos, a imagem da empresa estava se deteriorando no mercado.
(CHIAVENATO, Idalberto. Introdução à teoria geral da Administração. 2 ed. Campus. p. 70-71. p. 493).
O texto que você acabou de ler permite uma visão dos diversos setores
organizacionais de uma empresa. Sua tarefa deve ser feita em etapas, a
partir do conteúdo que você aprendeu nas últimas aulas. Essa atividade
faz parte do cronograma da tutoria presencial, portanto, você pode ler
e analisar o caso antes, mas somente deverá desenvolver as etapas a
seguir na presença de seu tutor, que vai organizar sua turma em grupos
de trabalho. Caberá ao seu grupo:
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Planejamento e elaboração de material didático impresso para EAD - elementos instrucionais e estratégias de ensino
1. citar possíveis atribuições do assistente administrativo;
2. marcar no texto quantos setores compõem a estrutura organizacional;
3. assinalar todos os seus departamentos e os seus responsáveis;
4. analisar o comportamento de cada um deles;
5. dar sua opinião, quanto à conclusão do caso;
6. elaborar um organograma de acordo com as informações do texto.
(Anna Paula José de Sara. Disciplina: Auxiliar de escritório)
Exemplo 2
Conceituando calor específico baseada em Chiavenato, 1990
Joana é mãe de um bebê de oito meses que se alimenta apenas de mingaus, os
quais recebe pela mamadeira.
Um dia, Joana, distraída, não se deu conta
do horário e se atrasou para preparar a
refeição de seu filho. A criança, com fome,
começou a chorar desesperadamente e
Joana não sabia o que fazer, pois mingau
era a única coisa que o bebê comia, e,
embora ela já tivesse acabado de preparar, o
alimento estava muito quente para ser dado
a seu filho.
Para esfriar o mingau, Joana começou a banhar a mamadeira em água corrente,
ao mesmo tempo que falava com uma amiga ao telefone perguntando por uma
sugestão de como resolver a situação mais rapidamente.
Emília, amiga de Joana, sugeriu que, em vez de banhar a mamadeira em água, ela o
fizesse em álcool, pois o álcool era mais refrescante e iria esfriar o mingau mais rápido.
Agora responda:
O que Joana deve fazer para ter o mingau de seu filho pronto mais
rapidamente: aceitar a sugestão da amiga ou continuar procedendo da
maneira que estava antes do telefonema (banhando a mamadeira em
água corrente)? Justifique sua resposta com base no que aprendeu nesta
aula (consulte a Tabela 2.1 para obter informações adicionais).
Fonte: www.sxc.hu
F
o
t
o
:

R
i
c
h
a
r
d

S
.
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Aula 8 – Ajudando sua inspiração: modelos de atividades
Resposta comentada (exemplo 2):
Conceituar calor específico é o primeiro objetivo que você deve alcançar
nesta aula, e você provavelmente o fez não apenas por esta atividade, mas
pela análise da Tabela 2.1 no texto da aula. Observando novamente esta
tabela, você pôde perceber que o calor específico da água é maior do que do
etanol. Significa que a água precisa de mais calor para ter sua temperatura
elevada do que a mesma quantidade de álcool necessita. Quando queremos
esfriar uma substância, é melhor a colocarmos em contato com outra que
absorva bastante calor e não sofra alteração de temperatura facilmente.
Por quê? A resposta é simples: colocar a mamadeira quente em contato
com o etanol iria rapidamente esquentar o álcool, e as trocas de calor de seu
interesse (passagem de calor da mamadeira para o álcool) iriam parar de
acontecer rapidamente. Já quando estamos utilizando uma substância como
a água, o equilíbrio térmico (temperatura igual para a mamadeira e para a
água) demora mais para acontecer e, enquanto isso, a água absorve bastante
calor da mamadeira, ajudando a esfriar o mingau da criança mais rápido.
Considerando, ainda, que Joana estava utilizando água corrente (sempre
saindo “fria” da torneira, isto é, não ficando mais aquecida pelo contato com
um material quente e permanecendo nesta situação), mais acertada ainda era
a maneira como estava procedendo. Portanto, ela não deve parar de colocar a
mamadeira na água para colocá-la para esfriar no álcool.
(Ana Paula Abreu-Fialho. Disciplina: Bioquímica)
Após ter lido os dois exemplos de atividade de estudo de caso, identifique pelo menos
dois aspectos que as diferenciem:
1. _______________________________________________________________
2. _______________________________________________________________
Fonte: www.sxc.hu
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Planejamento e elaboração de material didático impresso para EAD - elementos instrucionais e estratégias de ensino
Resposta comentada
Os casos propostos têm características muito diferentes. O primeiro exemplo propõe uma
situação muito mais complexa (a estrutura de uma empresa) e há um maior número
de problemas para o aluno resolver. Na verdade há, inclusive, problemas para o aluno
identificar! As tarefas propostas são de naturezas variadas: identificar setores, deduzir
atribuições, analisar comportamentos, emitir opinião, sintetizar graficamente. Claramente,
trata-se de uma atividade com maior grau de dificuldade e que, portanto, a professora
encaminhou para a realização na tutoria, em grupo. Note que, nesse caso, haverá uma
seção de tutoria especificamente dedicada ao estudo do caso e o tutor, naturalmente,
foi orientado pela professora nesse sentido. Para a realização dessa atividade, os alunos
deverão recorrer a mais de uma aula, articulando conteúdos entre si.
O segundo exemplo traz uma situação mais objetiva, que aplica um conceito bioquímico a
um contexto do dia-a-dia. Há um problema a ser resolvido, claramente proposto ao aluno:
O que Joana deve fazer para ter o mingau de seu filho pronto mais rapidamente? Para
isso, os conceitos apresentados na aula são suficientes para que ele resolva a situação
individualmente. Mas repare que o aluno teve de voltar à aula para integrar informações, r
tais como as apresentadas em uma tabela, e não apenas para fazer uma consulta direta ao
conteúdo que lhe ofereceria uma solução pronta para o problema.
Ao optar por uma atividade baseada no estudo de um caso, você pode propor uma
situação em que o aluno deva analisar um cenário profissional complexo, aplicando
conceitos discutidos anteriormente na aula, ou você pode simplesmente criar uma
situação problemática específica para ele resolver, também a partir dos conteúdos
apreendidos anteriormente. Em qualquer dos casos, certifique-se de que:
• o caso proposto atende a um ou mais pontos abordados em sua aula;
• o caso proposto traga um ou mais problemas para o aluno resolver;
• os problemas propostos são possíveis de serem solucionados pelos alunos com os
conhecimentos adquiridos até então;
• o caso proposto é pobremente estruturado de modo a permitir que o aluno faça
correlações com os conteúdos aprendidos para preencher lacunas que possibilitem
a resolução de um ou mais problemas;
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Aula 8 – Ajudando sua inspiração: modelos de atividades
• no caso de optar por materiais de outros autores, o caso proposto é claramente
relacionado ao conteúdo de suas aulas e atende aos objetivos de aprendizagem
propostos por você;
• você definiu claramente todas as tarefas que espera que seu aluno faça;
• você avaliou se o caso proposto é mais adequado ao trabalho em grupo ou
individual;
• seu feedback é amplo de forma a orientar o aluno quanto ao próprio progresso.
Novamente, para propor bons casos de estudo, você deve recorrer à sua experiência,
aos caminhos que levaram você a compreender determinados conceitos ou fenômenos,
à sua história como aluno, pesquisador e professor e, naturalmente, à sua criatividade.
Prática
A proposição de atividades práticas é particularmente comum em cursos tais como
os de Ciências Biológicas, Químicas e Físicas, e naqueles voltados para a instrumentação
de professores do Ensino Fundamental e Médio. No primeiro caso, o aluno deve realizar
experimentos que o possibilitem compreender determinados fenômenos ou conceitos de forma
mais completa do que o descrito no material impresso. No caso de cursos de instrumentação,
o objetivo é fornecer elementos teóricos e práticos que o professor em formação possa utilizar
de forma a ensinar seus alunos determinados fenômenos ou conceitos.
A razão pela qual estou chamando sua atenção para essa diferença é o fato de que,
freqüentemente, fazemos confusão entre os objetivos listados no início de uma aula e as
atividades práticas propostas, especialmente quando se trata de aulas de instrumentação
para o ensino de determinada ciência. O que ocorre é que, na maior parte das vezes, a
instrumentação se dá também a partir do aprofundamento de conceitos que não são
detalhadamente abordados nos cursos de licenciatura. Ora, o professor em formação
precisa, antes, aprender melhor um conceito, para posteriormente poder aplicar as
práticas que o ajudarão a ensiná-lo. Um curso de instrumentação deve promover os
dois processos, e os objetivos de cada aula devem atender, claramente, a ambos.
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Atividade 3
Atinge ao objetivo 3 g j
Professor ou aluno?
Leia a seguir a meta e os objetivos da primeira aula de uma disciplina que instrumenta
futuros professores de Ciências e de Biologia para o ensino de ambientes costeiros
marinhos e de água doce, bem como de suas comunidades biológicas. Como é uma
disciplina instrumental, o professor propõe diversas atividades que permitem ilustrar
fenômenos estudados ao longo das aulas e que podem ser facilmente utilizadas com
futuros alunos, mesmo que estejam a quilômetros da água salgada!
Disciplina: Instrumentação em Biologia Aquática.
Prof. Marcelo Vianna
A atividade final proposta na aula, que atende ao objetivo 3, é apresentada a seguir. Leia
cuidadosamente as orientações de procedimento e os comentários feitos pelo professor.
o
b
j
e
t
i
v
o
s
Meta da aula
Apresentar a diversidade estrutural dos ecossistemas
costeiros e demonstrar como fazer para identificá-los e
diferenciá-los.
Após esta aula, o aluno deverá ser capaz de:
· identificar alguns dos elementos fisiográficos
que compõem um ambiente de praia;
· apontar alguns fatores que influenciam
na visibilidade da água em um ambiente
de recife de coral;
· realizar experimento para simular a formação
de um ambiente costeiro.
1
Toda região costeira
é igual? A
U
L
A
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Aula 8 – Ajudando sua inspiração: modelos de atividades
ATIVIDADE FINAL
Agora você vai confeccionar um experimento que futuramente poderá
ser feito com seus alunos. Esta atividade simula o surgimento de uma
região costeira, maximizando os efeitos ambientais. Você vai precisar,
para fazer o experimento, de:
• uma bacia plástica (ou uma banheira de bebê, ou outro recipiente
qualquer largo e aberto em cima) com cerca de 40cm de diâmetro por
15cm de altura, que possa ser cheia de água e manuseada com pouco
risco de quebra;
• areia fina e limpa, equivalente à metade do volume da bacia;
• um ventilador pequeno;
• uma pedra qualquer de cerca de 15 x 10cm;
• um regador pequeno;
• uma luminária com lâmpada quente;
• água equivalente à metade do volume da bacia.
Procedimentos
1. Pegue a bacia plástica, cubra metade com areia limpa e complete com
água, deixando 5cm de areia à mostra.
2. Direcione o ventilador (ligado) para a água na bacia e deixe-o atuando
por uma hora.
Comentário
Após esse período, você vai verificar que a areia desceu, formando
uma região semelhante a uma praia, com os seus compartimentos.
3. Aumente o vento e poderá observar a formação de ondas quebrando
na praia. Verifique que as ondas chegam, no máximo, até um trecho da
areia (berma).
4. Coloque água em um regador e despeje-a lentamente na areia, em um
fluxo contínuo no meio da bacia.
Comentário
Veja como vai se formando uma baía semelhante a um estuário, no
qual a água do regador simula o aporte de água doce de rios.
A zona costeira apresenta uma grande diversidade estrutural de
ecossistemas litorâneos. Esses ecossistemas são característicos
das diferentes regiões do planeta e apresentam características
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Planejamento e elaboração de material didático impresso para EAD - elementos instrucionais e estratégias de ensino
fisiográficas particulares. Na costa (subdividida em praia, berma
e costa afora), temos ecossistemas que são compartimentos
de ambientes maiores, como a berma na praia. A costa abriga
ecossistemas importantes (como as lagoas costeiras, costões
rochosos, poças de maré, estuários, manguezais e recifes naturais)
que servem de habitat a espécies distintas de acordo com suas
feições fisiográficas. Existem também ecossistemas que, por estarem
em uma zona de transição entre o continente e o oceano, estão
continuamente em modificação, como um estuário originando uma
lagoa costeira.
5. Mude o ventilador de lugar, colocando-o na extremidade da bacia, e
perceba a criação de um cordão arenoso que tende a fechar o estuário e
originar uma lagoa costeira.
6. Pegue a pedra e coloque junto da areia, parte afundada e parte
emersa.
7. Ao lado da pedra, faça uma pequena poça e ligue uma luminária com a
lâmpada comum perto, com o foco direcionado para a poça.
Comentário
Cerca de 15 minutos depois, verifique como a temperatura da
água da poça e da pedra estão mais quentes do que o ambiente
ao redor, mostrando como um costão rochoso e uma poça de maré
são afetados pelo ambiente externo mais intensamente que o
ecossistema do entorno.
Em sua opinião, esta atividade foi proposta
para o futuro professor compreender melhor
as dinâmicas de uma região costeira ou como
um experimento que ele possa utilizar com seus
alunos em práticas futuras?
www.sxc.hu
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199
Aula 8 – Ajudando sua inspiração: modelos de atividades
Resposta comentada
Quando li esta atividade, tive dúvidas acerca de a quem ela se destinava. Há uma alusão
clara à prática de ensino no início do texto (agora você vai confeccionar um experimento
que futuramente poderá ser feito com seus alunos), no entanto, alguns dos comentários s
(confira o que se refere ao item 4) se dão em um nível condizente com um aluno do
Ensino Superior que está aprendendo, ele próprio, acerca de ecossistemas costeiros.
Naturalmente, há uma sobreposição entre esses dois aspectos, mas é importante, em uma
atividade prática, que fique claro a que objetivo ela atende. Nesse caso, o objetivo em
questão era:
• Realizar experimento para simular a formação de um ambiente costeiro.
Esse é um objetivo diferente de:
• Realizar experimento voltado para o Ensino Fundamental de Ciências para consolidar
a aprendizagem dos processos que conduzem à formação de um ambiente costeiro.
Mesmo que o professor também estivesse aprendendo acerca do tema (e estava, a julgar
pelo conteúdo da aula que você não teve chance de ver), era importante que, na atividade
prática, houvesse orientações acerca de possíveis dúvidas que um aluno do Ensino
Fundamental poderia apresentar, qual a maneira de respondê-las, que tipo de analogia
seria adequada para transpor o conteúdo para um nível adequado àquele aluno, como
solicitar a participação de cada aluno na realização do experimento etc. Essas decisões
foram deixadas para o professor em formação que teve acesso a uma excelente atividade
prática sem que pudesse apreciá-la inteiramente, tanto do ponto de vista de aluno quanto
do ponto de vista de professor.
Como você viu, nem sempre é fácil propor uma atividade prática que atenda aos
objetivos que temos em mente quando a idealizamos. As atividades podem ser simples
ou complexas, requerer o uso de materiais caseiros ou de equipamentos específicos,
ser realizadas em casa, no campo ou em laboratório. Você pode, em vez de propor
a atividade prática em si, utilizar protocolos de experimentos de forma a deixar o
aluno se sentir imerso em um laboratório de pesquisa. A melhor maneira de propor
uma atividade prática é fazer uso da sua experiência acumulada como professor e
pesquisador. Fica por conta da sua imaginação.
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200
Planejamento e elaboração de material didático impresso para EAD - elementos instrucionais e estratégias de ensino
Qualquer que seja o formato de uma atividade prática que proponha, você deve
saber exatamente o que pretende com ela. Se for ajudar seu aluno a compreender
um conceito, certifique-se de oferecer uma resposta comentada ampla, que articule
as diversas etapas do experimento de forma a ajudá-lo a construir o conhecimento
que você deseja. Se você quiser mostrar ao seu aluno, um futuro professor, qual
atividade prática pode ser mais adequada ou eficaz para ele utilizar com os próprios
alunos futuramente, então inclua em seus comentários possíveis perguntas que
seus alunos farão, questões desencadeadoras da discussão, quais os objetivos da
atividade, situações possíveis de serem exploradas etc. Práticas diferentes requerem
experimentos diferentes e orientações diferentes.
Respostas enumeráveis e não-enumeráveis
Até agora, você aprendeu acerca de diversos modelos que influenciam a elaboração
de materiais didáticos impressos para a Educação a Distância. Tudo sobre o que
conversamos se referia aos processos mentais e aos procedimentos envolvidos na
realização de cada atividade exemplificada. Mas, independentemente do modelo, as
atividades podem variar no que se refere ao tipo de produto gerado. Quando falo de
produto, estou indo além do que mencionei no apêndice da Aula 6, quando tratei
de diferentes formas de registro de respostas, você se lembra? Nesse caso, gostaria de
chamar sua atenção para dois tipos possíveis de resposta.
Atividades de respostas numeráveis são aquelas estruturadas de forma a conduzir
o aluno a uma (ou algumas poucas) resposta possível. Atividades de respostas
não-enumeráveis conduzem a um número imprevisível de respostas possíveis.
Naturalmente, alguns dos modelos de atividade que estudamos se prestam mais
a um tipo de produto do que a outro. Por exemplo, atividades de integração de
informações normalmente exigem muito do aluno na hora de interpretar e articular
dados, mas geralmente conduzem a um resultado bastante circunscrito. As respostas
comentadas atendem satisfatoriamente ao universo de resultados esperado a partir da
integração de um número limitado de informações específicas.
Atividades de transferência de domínio, por outro lado, favorecem, tipicamente,
respostas não-enumeráveis, por isso optamos por fazer um feedforward como um
comentário que orienta o aluno antecipadamente acerca dos procedimentos necessários
à sua realização. Atividades com respostas não-enumeráveis estão associadas a
experiências individuais e ações independentes da parte do aluno.
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201
Aula 8 – Ajudando sua inspiração: modelos de atividades
Atividade 4
Atende ao objetivo 4 j
Qual é a resposta?
Analise as atividades abaixo e indique se as respostas esperadas são numeráveis ou
não-enumeráveis:
Exemplo 1
DIAGRAMA DE ISHIKAWA NO COTIDIANO
Você poderá visualizar melhor esse tipo de diagrama adaptado a uma
situação da realidade cotidiana. Pense na seguinte situação-problema:
consumo excessivo de combustível por um carro. Em seguida, considere
os “tipos de causa”. O problema pode se originar, por exemplo, do modo de
dirigir (método), do próprio veículo, do motorista ou do material utilizado.
Observe o diagrama referente a esse problema (Figura 20.16 (( ). 6
Com base nesse exemplo, aplique o diagrama a um problema da sua
realidade cotidiana: em casa, no trabalho ou em outros espaços e
situações.
A seguir, você pode conferir três sugestões, mas certamente poderá
cogitar muitas outras situações com problema.
a) Aumento no valor de contas domésticas, como água, luz ou telefone.
b) Queda na produtividade no seu setor ou área de trabalho.
c) Baixo rendimento em alguma disciplina do seu curso.
(Solange Nascimento da Silva, Disciplina: História do Pensamento Administrativo)
Por que ocorre o problema?
MÉTODOS
Dirigir muito rápido.
Uso incorreto das marchas.
Falta de conhecimento.
Pouco treinamento.
MOTORISTA
Combustível fora da
especificação.
Lubrificação inadequada
MATERIAL
Alto consumo de
combustível.
VEÍCULO
Manutenção do motor.
Ajuste do carburador.
Diagrama de Ishikawa aplicado ao problema “alto consumo de combustível”.
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202
Planejamento e elaboração de material didático impresso para EAD - elementos instrucionais e estratégias de ensino
Exemplo 2
Desafio!
Uma das maneiras de monitorar a saúde do corpo de um indivíduo é
medir o pH dos seus líquidos corporais. É possível fazer isso provocando
a mudança do pH do líquido corpóreo (uma solução de pH desconhecido)
adicionando uma solução de pH de valor conhecido até alcançar a
neutralidade (pH = 7). Neste caso, de acordo com o volume utilizado da
solução conhecida, é possível inferir o valor do pH do líquido corpóreo.
Analise as informações 1, 2 e 3 e, em seguida, responda:
Sabendo que o técnico que analisou a amostra de suco gástrico gastou
2,5 ml de uma solução do estoque do laboratório para neutralizá-lo:
a. identifique a solução utilizada para reação de neutralização;
b. calcule quantos moles de OH- estão presentes nos 2,5 ml utilizados
para a neutralização do suco gástrico;
c. calcule a concentração (molar) de H+ no suco gástrico;
d. determine o pH do suco gástrico.
(Ana Paula Abreu-Fialho. Disciplina: Bioquímica)
Resposta comentada
Você não deve ter tido dificuldades em perceber que o exemplo 1 é uma atividade
que conduz a respostas não-enumeráveis enquanto o exemplo 2 conduz a respostas
1 3
Amostra Estoque de soluções do laboratório
Suco gástrico: secreção produzida pelas células da mucosa
estomacal, composta basicamente de ácido clorídrico (HCl)
e pepsina.
2
Definição
0,02 M 0,15 M 1 M 0,5 M
Paciente: 12321-0
Amostra: Suco gástrico
Hora da coleta: 6:00h (jejum)
Volume do frasco: 5ml
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203
Aula 8 – Ajudando sua inspiração: modelos de atividades
numeráveis. Repare que, no exemplo 1, mesmo havendo algumas sugestões de problemas
a serem representados no diagrama de Ishikawa, o aluno foi orientado a agir como
quisesse, inclusive ignorando as sugestões oferecidas (você pode conferir três sugestões,
mas certamente poderá cogitar muitas outras situações com problema). O diagrama
completo, no início da atividade, é a orientação de que ele precisa para aplicar o modelo
a uma outra situação. No exemplo 2, a resposta comentada (que eu omiti) é bastante
objetiva e atende ao resultado esperado. Você pode fazer um sem-número de combinações
entre processos e produtos associados a uma atividade que elabore. Divirta-se.
Considerações finais
Em uma ocasião, ao se aperceber da dificuldade que teria para manter seu aluno
de EAD engajado no estudo, um professor me disse, reflexivo: “O que vocês estão
me dizendo é que, na Educação a Distância, todos os alunos estão sentados naquela
cadeira que fica mais próxima da porta.” Sábia percepção. Cabe a nós impedi-los de
deixar a “sala de aula” com a mesma facilidade de quem está próximo da saída, de
quem fecha um livro, ou de quem desliga o computador.
As poucas oportunidades que tive de encontrar relatos que revelassem experiências
vividas por profissionais envolvidos na produção de materiais didáticos para o ensino
a distância foram extremamente valiosas para que eu pudesse definir minhas próprias
diretrizes de trabalho. Assim, nessas aulas de atividades, optei por compartilhar minha
experiência a partir de exemplos que permitissem a você concretizar conceitos, aplicar
métodos e encontrar seu próprio caminho no que se refere ao aspecto instrucional, a
meu ver, mais difícil de ser incorporado por quem começa a caminhada na Educação
a Distância.
Finalmente, por mais que nos esforcemos para desenvolver atividades de alto
nível instrucional para nossos alunos, é importante ter em mente que todos fazemos
parte de um sistema de aprendizagem flexível, no qual a distância é apenas uma das
dimensões que pode ser flexibilizada. O controle e a autonomia da parte do aprendiz
o fazem agente capaz de decidir acerca de que recursos utilizar, e em que momento,
na sua aprendizagem. Realizar algumas atividades e não outras, por exemplo, pode ser
consistente com o perfil efetivo e eficaz de um aprendiz. Muitos estudantes acreditam
que a seletividade é uma estratégia legítima de estudo e que o material didático oferece
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204
Planejamento e elaboração de material didático impresso para EAD - elementos instrucionais e estratégias de ensino
recursos acerca dos quais escolhas devem ser feitas. Há áreas em que a decisão deve
ser deixada para o aprendiz. Se queremos estimular a realização do maior número
de atividades possível da parte dos estudantes, então nos cabe refletir acerca do que
parece a melhor estratégia para tanto: oferecer ao aluno um banquete de atividades
variadas dentre as quais ele possa optar, ou selecionar um menor número de atividades
como o único caminho para que o aluno avalie seus progressos e verifique se atingiu
os objetivos específicos propostos pelo professor? Esta é uma pergunta central e difícil
de ser respondida, que certamente apresenta mais de uma solução, dependendo de
uma combinação de fatores que incluem o projeto pedagógico particular de cada
instituição educacional, o perfil dos estudantes envolvidos, a disponibilidade dos
conteudistas para reverem suas práticas de ensino e a potencialidade, quer em número,
quer em qualidade, do corpo técnico responsável pela capacitação e assessoramento
da competência acadêmica na elaboração de materiais de auto-instrução que atuem
de forma construtiva na conquista de conteúdos pelos alunos e que considere uma
metodologia de ensino que privilegie a atitude de pesquisa como princípio educativo.
Atividade final
Atende aos objetivos 1 a 4 da Aula 7, e 1 a 4 da Aula 8 j
Nas últimas duas aulas, apresentei sete modelos de atividades possíveis de serem
utilizados na Educação a Distância. Nessa atividade, gostaria que você incorporasse
todos os aspectos abordados anteriormente. Se você estiver redigindo aulas e elaborando
atividades, retome-as, pensando nos seguintes pontos:
• Identifique os aspectos apontados imersos em cada uma das atividades que você já
elaborou e que contribuem para sua eficácia de ensino.
• Tente avaliar o modelo em que se encaixam, fazendo as alterações que achar necessárias.
• Tente avaliar o tipo de resposta a que cada atividade conduz.
A classificação de atividades conforme você viu anteriormente foi criada pelo setor de
Desenvolvimento Instrucional do Consórcio CEDERJ e decorreu de nossa experiência
junto aos professores e de longas, calorosas e ricas discussões na equipe. A tabela a
seguir foi construída para facilitar nosso trabalho durante a análise das aulas. Tente
utilizá-la para a realização dessa atividade.
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205
Aula 8 – Ajudando sua inspiração: modelos de atividades
Classificação
Disc. Ativ. 1 Tipo de
resposta
Ativ. 2 Tipo de
resposta
Ativ. 4 Tipo de
resposta
Ativ. 5 Tipo de
resposta
Ativ. 6 Tipo de
resposta Aula___
Escondida no texto (não
confundir com dialogia)
Consulta / Cálculo /
Interpretação direta
Fórum
Prática para
compreensão de
conceito
Prática para ensinar a
ensinar um conceito
WebQuest/ Fórum
Virtual
Integração de
informações
Jogo
Resolução de problemas
Estudo de caso analítico
Estudo de caso aplicado
Transferência de
domínio pela aplicação
de modelo
Marque E para resposta enumerável e NE para resposta não-enumerável.
Resumo
A
tividades de transferência de domínio favorecem a capacidade
de transferência, para outros domínios, de habilidades e
conhecimento adquiridos no material didático. Nesse modelo, uma
orientação antecipada garante ao aluno a segurança necessária para
realizar a atividade de forma independente e a aprendizagem individual é
fortemente encorajada. A resposta comentada normalmente tem caráter
de orientação, na qual seu aluno encontra diretrizes para a realização
do trabalho. O estudo de casos é uma opção para envolver o aluno
na aprendizagem de forma participativa. Casos simples ou complexos,
para realização individual ou em grupo, demonstram conceitos teóricos
em cenários aplicados, que incluem uma variedade de situações.
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206
Planejamento e elaboração de material didático impresso para EAD - elementos instrucionais e estratégias de ensino
A proposição de atividades práticas é comum em cursos tais como
os de Ciências Biológicas, Químicas e Físicas e naqueles voltados para
a instrumentação de professores do Ensino Fundamental e Médio.
Ao propor uma atividade prática, é importante definir se o objetivo é
contribuir para a compreensão de um conceito ou indicar uma atividade
para ser utilizada pelo futuro professor, com seus próprios alunos.
Dependendo do caso, orientações diferentes devem ser oferecidas.
Atividades de respostas numeráveis são aquelas estruturadas de forma
a conduzir o aluno a uma (ou algumas poucas) resposta possível.
Atividades de respostas não-enumeráveis conduzem a um número
imprevisível de respostas possíveis. Alguns modelos de atividade se
prestam mais a um tipo de resposta do que a outro.
Leitura recomendada
Lockwood, Fred, 1992. Activities in self-instructional texts. 1ed. Londres: Kogan Page, 1998.
Bibliografia consultada
Boger-Mehall, S.R. Cognitive Flexibility Theory: Implications for Teaching and Teacher Education.
Fonte: http://www.kdassem.dk/didaktik/l4-16.htm.
ROWNTREE, Derek, 1994. Teaching through self-instruction. 2ed. Londres: Kogan Page, 1994.
LOCKWOOD, Fred, 1998. The design and production of self-instruction. 1ed. Londres: Kogan Page,
1998.
Lockwood, Fred, 1992. Activities in self-instructional texts. 1ed. Londres: Kogan Page, 1998.
Spiro, R. J., Feltovich, P. J., Jacobson, M. J., & Coulson, R. L. (1992). Cognitive flexibility,
constructivism, and hypertext: Random access instruction for advanced knowledge acquisition in
ill-structured domains. In T. M. Duffy & D. H. Jonassen (Eds.), Constructivism and the technology
of instruction: A conversation (pp. 57-76). Hillsdale, NJ: Lawerence Erlbaum Associates.
CHIAVENATO, Idalberto. Introdução à teoria geral da Administração. 2ed. Campus. 493 pp.
Thunhurst, A. 1990. Front of House operations. Macmillian Education, London.
Informações sobre a próxima aula
Na próxima aula, você vai aprender como oferecer ao seu aluno desdobramentos do conteúdo
central da aula. Até lá!
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A bússola e o remo...
novamente...
Cristine Costa Barreto
Aulas
7/8 /
Apêndice
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Aulas 7 e 8 – Apêndice – A bússola e o remo... novamente...
Fonte: www.sxc.hu
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:

D
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r
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Uma publicação fundamental para
consolidasse diversos aspectos relacionado
papel das atividades em materiais didátic
voltados para a Educação a Distânc
foi o livro Atividades em textos aut
instrucionais Activities in self-instruction
texts de Fred Lockwood. s
O pequeno volume traz informações va
as discute, magistralmente, em cinco capítu
a temas como a maneira pela qual as ativida
aprendizagem auto-instrucional; quais as ex
professores ao proporem atividades; qual
benefício, para os alunos, associada à realiz
propostas; dentre outros. Mais interess
discutidos à luz da pesquisa empírica e, os
amostrais nos permitem começar a avaliar
envolvidos na Educação a Distância, especialmente o aluno.
Em um dos capítulos mais interessantes
do livro – “o que os estudantes pensam das
atividades?” – o autor discute uma série de
aspectos que influenciam a realização das
atividades por parte dos alunos. Além do
tempo de estudo, foram apontados outros
cinco aspectos que influenciavam a decisão
de um aluno realizar ou não uma atividade
proposta e a maneira pela qual ele a realiza.
As seções a seguir sintetizam parte desse
capítulo e são da maior relevância para a
nossa prática como educadores a distância.
Os resultados mencionados e os depoimentos transcritos se referem a pesquisas
realizadas com base em diversos materiais didáticos da Open University, bem como em
entrevistas e questionários preenchidos pelos alunos de cursos variados. Procurei fazer
um comentário após cada seção de forma que pudesse contribuir para que você tenha
uma visão mais diversificada acerca dos temas discutidos.
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210
Planejamento e elaboração de material didático impresso para EAD - elementos instrucionais e estratégias de ensino
Posição relativa de uma atividade no texto
Imagino que, ao redigir suas aulas, você tenha a preocupação de propor atividades
ao seu aluno de forma regular, entremeadas no texto, atendendo a blocos de conteúdo
a intervalos razoavelmente constantes, certo? Você já parou para pensar se faz alguma
diferença para o seu aluno o fato de uma atividade estar no início, no meio ou no fim
de uma aula? Confesso que nunca havia feito essa reflexão, até me deparar com o livro
de Lockwood. Pois as pesquisas realizadas indicam que os alunos são mais diligentes ao
realizar tarefas no início da aula do que no final, quando a pressão do tempo começa
a ser mais determinante.
A
pesquisa baseada em materiais didáticos da Open University
revela que a proporção de atividades realizadas cai de 90-100%,
no início da aula, para 30-40%, conforme o texto se encaminha para
o final.
A
t
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n
ç
ã
o
Qual é a sua opinião a esse respeito? Como você se comportou ao longo do estudo das
aulas, até agora? Houve alguma diferença na sua determinação para realizar as atividades
que pudesse ser associada à posição que ocupavam no texto? Se eu fosse responder a
essas perguntas, arriscaria dizer que a posição das atividades não influenciaria minha
decisão acerca de realizá-las ou não. Pelo menos foi assim nas experiências que tive
com materiais de EAD. Mas nesse ponto, creio, resida uma questão importante: será
que você (assim como eu) é um aluno cujo perfil equivale àquele do aluno para quem
você redige suas aulas? Será que a pressão do tempo atuaria igualmente sobre nós, se
tivéssemos que nos dedicar à carga habitual de trabalho e ainda conciliar o tempo com
o estudo de 3-4 disciplinas por período, ao longo de 4-5 anos?
Eu tendo a achar que esses são elementos de influência. Mas sigo convicta de que
o aspecto determinante para a realização de uma atividade é sua relevância para a
aprendizagem e seu grau de persuasão do aluno, quer pela forma em que a apresentamos,
quer por seu conteúdo. Como aluna, eu realizaria uma atividade atraente, ao final de
uma aula. Talvez minha atitude fosse diferente se a disciplina em questão não fosse
de minha predileção, se as atividades propostas não me parecessem motivadoras, se o
conteúdo do texto não fosse coerente e coeso o suficiente para “armar” adequadamente
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211
Aulas 7 e 8 – Apêndice – A bússola e o remo... novamente...
A
tividades constituídas de muitas questões são mais frequentemente evitadas pelo aluno,
independente de sua posição na aula. Por exemplo, ler um texto, identificar os diferentes
significados de um determinado termo, comparar as diferentes definições desse termo. Nesses casos,
se o aluno não responde à primeira questão pode ser difícil, se não impossível, responder às demais.
A
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o momento exato de persuadir-me a fazer uma atividade. Esses são aspectos aos quais
devemos dedicar alguma reflexão antes de negligenciarmos o tempo, a dedicação e a
técnica necessários à elaboração de uma atividade para a Educação a Distância, não
importa se no início, meio ou fim de uma aula.
Presença ou ausência de espaço para resposta
Faz diferença para você que uma atividade ofereça um espaço específico para
registrar a resposta? Para mim faz. Seja uma linha, uma tabela para completar, boxes
para ticar, sempre me incentiva encontrar, em meu livro, um lugar para escrever,
realizar um cálculo, fazer uma marcação.
Essa também parece ser a opinião da maioria dos estudantes entrevistados, que
preferiu atividades que ofereciam espaço para resposta, e tenderam a realizá-la, mesmo
ao perceberem que se tratava de uma proposta com um grau de dificuldade mais alto:
Tem muito mais chance de eu fazer uma atividade se houver espaço no papel para eu
responder o que é pedido.
... quando você vai e tica determinadas coisas ou quando você faz pequenos
comentários [em lugares específicos]. Eu freqüentemente faço essas, porque tem um
espaço onde você pode realmente realizá-las.
Q
uando um espaço, uma lacuna ou uma grade foram oferecidos como local para
uma resposta simples (um tique, uma palavra, observações curtas), uma proporção
extremamente alta dos alunos – 80 a 100% – fez a atividade. No entanto, quando a atividade
solicitou a redação de uma resposta, mesmo curta, a proporção de alunos que fez a atividade
caiu dramaticamente para 30 a 50%, mesmo que houvesse espaço oferecido para isso.
A
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Planejamento e elaboração de material didático impresso para EAD - elementos instrucionais e estratégias de ensino
Particularmente, acho fundamental haver espaços específicos para respostas, de
preferência em diferentes formatos, e sugiro que você se empenhe em garantir esse
estímulo adicional ao seu aluno. Se for possível variar o tipo de registro que você
solicita, ótimo. Mas se a atividade que você elaborar for concebida de tal forma que
seja relevante registrar uma resposta sob forma de um trecho escrito, por exemplo, não
hesite em fazê-lo e jamais caia na armadilha de simplificar excessivamente a tarefa que
você decidiu propor ao seu aluno da educação superior.
O método de resposta solicitado
Em um conjunto de materiais impressos da Open University, havia muitas atividades
que solicitavam algum tipo de resposta mental ou de resposta escrita. A maioria delas era
similar entre si, o grau de dificuldade das atividades propostas era semelhante e não havia
espaço para respostas.
As atividades que solicitavam uma resposta mental foram mais frequentemente
respondidas que aquelas solicitando uma resposta escrita. Mesmo se, em uma única
atividade, houvesse uma parte da tarefa solicitando uma resposta mental e outra solicitando
uma resposta escrita, no primeiro caso, observou-se o dobro de participações.
E
ntre 70 e 80% dos alunos responderam às atividades que solicitaram uma resposta mental. Por
outro lado, apenas 30 a 50 % responderam a atividades que solicitaram uma resposta escrita.
Havia outras atividades que também sugeriam respostas mentais e que também não ofereciam
espaço para resposta. No entanto, suas demandas intelectuais eram maiores, requerendo
interpretação e análise em vez de apenas recuperação e compreensão. A proporção de alunos
que respondeu a essas atividades foi uma das mais baixas registradas em toda a pesquisa,
variando entre 10 e 40%.
A
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n
ç
ã
o
Um ponto interessante é que, para responder a uma atividade, não importa se
mentalmente ou de forma escrita, um aluno deve lê-la antes. Os resultados da pesquisa
indicam que o material textual que constitui a ativida1de invariavelmente é lido
mesmo se a tarefa proposta for ignorada. No entanto – e essa é uma informação da
maior relevância – na tentativa de economizar tempo de estudo, muitos aprendizes
simplesmente lêem as atividades e passam direto aos comentários fazendo pouco (ou
nenhum) esforço para realizá-las. Ao adotar essa estratégia, os alunos focam seu objetivo
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213
Aulas 7 e 8 – Apêndice – A bússola e o remo... novamente...
no produto da atividade em vez de no processo que ela compreende. Outra estratégia
comum é a simplificação da tarefa proposta, tornando-a menos demandante e menos
consumidora de tempo do que a proposta original. Em ambos os casos, os aprendizes
incorrem em um custo para seu estudo, a partir de um processo de degradação de uma
atividade proposta.
Eles pedem que você analise o argumento apresentado em um texto escrito – eu não
tenho tempo para isso, então eu apenas leio para ter uma idéia do que eles estão
dizendo e pensar um pouco a respeito antes de continuar a leitura da aula.
A atividade pede que você compare os diferentes pontos de vista, analisando os prós e
contras de cada um deles. Eu não me preocupo com isso. Apenas leio os argumentos e
decido quais têm mais a ver com minhas próprias percepções e por que.
As estratégias de estudo descritas anteriormente (preferência por respostas mentais
e degradação de atividades) permitem aos estudantes não só dar conta do curso, mas
também sobreviver a ele, de forma que a frustração decorrente do fracasso não os
conduza ao questionamento de suas habilidades e à reavaliação de suas expectativas
profissionais (Mathias, 1980).
Qual aluno vai optar por qual dessas estratégias é difícil de prever. Vale a
pena, no entanto, levar em consideração que a natureza das atividades que
propomos pode produzir custos educacionais e emocionais a nossos alunos, que
operam, permanentemente com uma análise de custo-benefício associada aos seus
comportamentos na Educação a Distância.
A resposta intelectual solicitada
...esse é o tipo de atividade que eu evito... parece um pouco complicado... é muito
difícil, então eu nem me preocupo.
Muitos alunos revelam uma certa relutância em se engajar em atividades que
demandam mais, intelectualmente, em comparação com aquelas que demandam
prioritariamente processos de recuperação e compreensão de conteúdos.
N
o material analisado [com atividades de alto grau de dificuldade], a presença de espaço
para resposta não pareceu influenciar a decisão do aluno [de realizar ou não a atividade].
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Planejamento e elaboração de material didático impresso para EAD - elementos instrucionais e estratégias de ensino
O ponto aqui me parece claro e simples. Não queremos banalizar nosso aluno da
Educação a Distância. Não há qualquer razão que me faça concluir que esses alunos
têm um potencial intelectual mais baixo que nossos alunos do ensino presencial.
A disciplina, a capacidade leitora e a capacidade interpretativa são diferenciais dos
alunos da Educação a Distância que contribuem para que eles tenham um desempenho
plenamente satisfatório ao longo de seus cursos superiores. A questão é nos perguntar,
sempre, se as atividades que propomos oferecem um grau de dificuldade compatível com
o curso, a disciplina e o conteúdo específicos, ou se estamos nos rendendo a algum tipo
de prática de tortura que deduz que alunos, do ensino presencial ou a distância, são
capazes de realizar atividades e aprender sozinhos conteúdos e processos extremamente
complexos, com um grau de autonomia para os quais não foram preparados.
Se suas práticas de ensino estiverem mais de acordo com a primeira opção, siga em
frente e tente oferecer a orientação e o suporte necessários para seu aluno transpor os
obstáculos que você considere indispensáveis à sua formação como profissional de uma
determinada área. Se estiverem mais de acordo com a segunda... bem, então sugiro que
você reveja suas práticas e que, talvez, considere o vodu como uma opção religiosa.
O tempo oficialmente alocado para a realização de
uma atividade
É comum, em muitos materiais, inclusive os da Open University, que se indique
o tempo necessário à realização de determinada atividade (por ex., 5 minutos, 15
minutos, 20 minutos). Em nossas aulas, nós não optamos por essa abordagem e o
limite do investimento que você deveria fazer em cada atividade foi estabelecido pelo
comando dado ou pelo espaço definido para você responder.
As opiniões dos estudantes a esse respeito são variadas e a informação acerca do
tempo foi utilizada de maneiras diferentes:
Eu não me oriento pelo tempo estimado porque ao longo dos cursos da Open
University eu percebi que essa estimativa é irreal... então, eu tendo a ignorá-la e a
gastar tanto tempo quanto achar necessário.
... o tempo alocado para cada atividade é provavelmente o fator decisivo para mim.
... se são [atividades] de cinco minutos, então eu faço, mas se são de quinze ou vinte
minutos, então não.
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Aulas 7 e 8 – Apêndice – A bússola e o remo... novamente...
Qual o objetivo de indicar, antecipadamente, o tempo que um aluno deve alocar para
a realização de uma atividade? Essa resposta me parece evidente: orientá-lo a não gastar
mais do que o tempo necessário, a fazer um investimento de acordo com o problema
e com suas expectativas como professor, antecipar situações difíceis. Que resultado
tem? Essa resposta, já não me parece tão óbvia. Assim como em dois dos comentários
anteriores, o aluno pode se guiar pelo tempo sugerido e fazer dessa informação um
elemento decisivo para sua estratégia de estudo. Pode acontecer também de um aluno
desistir porque se desestimulou ao olhar o tempo previsto, sem dar uma chance à
atividade (e a você!) de surpreendê-lo. Ou ele pode degradar a atividade, diminuindo
sua demanda intelectual, transformando-a em uma tarefa mais simples.
Uma vez escutei de um especialista inglês em arquitetura da informação que, até o
momento, o que ele vira em relação às práticas de Educação a Distância sobre as quais
discutíamos, eram tentativas de desconstrução do processo de ensinar, mas não do
processo de aprender. Essas foram palavras que marcaram minha vida como professora.
Como decidir quem vai gastar quanto tempo em que atividade? Como antecipar o
interesse de cada aluno por cada tema? Não há como controlar a relação de cada aluno
com o saber. Menos ainda quando falamos de Educação a Distância. Há como oferecer
possibilidades variadas de aprendizagem dentre as quais ele possa escolher, de acordo
com o que lhe interessar mais, o que lhe convier mais, o que ele puder mais! O melhor
que podemos fazer é abrir mão do poder de controle do professor, nos esforçar ao
máximo para elaborar atividades claras, variadas, relevantes, cujo contexto e comando
oferecidos sejam suficientes para orientar o aluno na direção que você quer, e deixar o
resto com ele. Pode ter certeza de que ele vai encontrar o próprio caminho dentre um
conjunto de rotas seguras que você ofereça a ele.
E agora, José?
Ao terminar de ler esse apêndice, talvez você esteja como uma sensação maior
de confusão que de clareza ou tranqüilidade. E provavelmente está se perguntando
– como se já não bastassem todas as demais questões que este módulo tenha lhe trazido
à cabeça até agora – se você deve deixar sua melhor atividade para o início ou fim da
aula, se você deve propor ao seu aluno uma atividade mental ou de resposta escrita, se o
grau de dificuldade deve ser alto ou baixo, se o espaço para registrar a resposta deve ser
uma linha, duas linhas, um boxe, uma lacuna, ou simplesmente uma área em branco.
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Planejamento e elaboração de material didático impresso para EAD - elementos instrucionais e estratégias de ensino
Isso para não falar em que tipo de modelo de atividade usar, com que freqüência, e
no tipo de resposta, enumerável, ou não, você deve privilegiar. Confuso? A princípio
sim, mas nem tanto. O importante é você considerar os aspectos que discutimos na
hora em que estiver elaborando uma atividade e, tenho certeza, você vai encontrar o
ponto de equilíbrio entre suas práticas de ensino, seu aluno, e as tarefas que propõe
em uma aula. Não é necessário fazer uma opção permanente ou definitiva por nenhum
conjunto de aspectos, em particular. Com o tempo, você vai conhecer mais seu aluno,
vai ficar mais à vontade para variar combinações de características em uma atividade,
vai conhecer melhor seu estilo de ensinar a distância. Divirta-se!
Bibliografia consultada
LOCKWOOD, Fred, 1998. The design and production of self-instruction 1ed. Londres: Kogan Page,
1998.
MATHIAS, H.S. 1980. Science Students approaches to learning. Higher Education 9: 39-51.
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Arquitetura da
informação
Roberto Paes de Carvalho Ramos
Carlos Otoni Rabelo
Ana Paula Abreu Fialho
9
Aula
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Planejamento e elaboração de material didático impresso para EAD - elementos instrucionais e estratégias de ensino
Meta da aula
Apresentar o conceito de Arquitetura da Informação
aplicado à elaboração de material didático impresso para
Educação a Distância.
Objetivos
Ao final desta aula, você deverá ser capaz de:
1. identificar em um texto conexões com outros conteúdos
correlatos;
2. utilizar os recursos para desdobramentos de conteúdo
apresentados nesta aula;
3. classificar desdobramentos de conteúdo de acordo
com os recursos apresentados para esse fim.
Pré-requisitos
Antes de começar a estudar esta aula, acessar o portal do
Ministério da Educação e entrar na página da Secretaria
de Educação a Distância (SEED) seria interessante... Após
chegar na página da SEED, feche o site e volte para a aula! e
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Aula 9 – Arquitetura da informação
E nós nem percebemos!
Embora esta seja uma aula voltada para capacitá-lo na produção de material didático
impresso, começamos propondo (nos pré-requisitos) que você acessasse a página da
Secretaria de Educação a Distância, no portal do Ministério da Educação.
Fizemos isso porque acreditamos que o bom desenho instrucional de uma aula, aquele
que passa sem ser percebido pelo aluno, deve despertar naquele que inicia o estudo um
sentimento acerca do que será aprendido. É esse sentimento que queremos lhe proporcionar!
No portal do Ministério da Educação, há uma enormidade de informações
disponíveis, por exemplo, todos os programas de melhoria da educação desenvolvidos
pelo governo, todas as secretarias e autarquias que compõem o ministério, matérias e
reportagens de divulgação das ações do MEC, entre outras tantas.
Você só consegue acessar estas informações todas porque a disponibilização delas foi
organizada, foi pensada para atender ao enorme público que visita o portal do MEC, que
possui maneiras diferentes de processar informações, de buscar informações, de acessá-las.
Chegamos a mais um ponto: não sabemos como você procedeu para chegar à página
da SEED a partir da página do MEC, mas posso dizer que há 75% de chance de ter sido
diferente da maneira como nós o fizemos. Isso porque, no portal do MEC, detectamos
quatro maneiras diferentes de chegar à página da Secretaria de EAD. Veja a figura a seguir:
Figura 5.1: Possíveis caminhos para acessar a página da Secretaria de Educação a Distância, pelo portal do MEC.
Você pode ter clicado em Educação a Distância, do lado esquerdo; em Mapa do Portal, na parte superior central;
digitado “SEED” na barra Pesquisa, no canto superior direito; ou, ainda, clicado em Estrutura, também do lado
direito da tela.
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Planejamento e elaboração de material didático impresso para EAD - elementos instrucionais e estratégias de ensino
O que está por trás da maneira como as informações são disponibilizadas e
podem ser acessadas/ consumidas por você, tanto em um site como em um material
didático impresso, é o tema da aula de hoje!
Afinal, o que é Arquitetura da Informação?
Quando se navega por qualquer página na Internet é possível perceber um
planejamento por trás da oferta daquele conteúdo: prioridade dada a certas
informações, estabelecimento de categorias de conteúdo, ordem e disposição na
página, por exemplo.
De maneira geral, podemos definir Arquitetura
da Informação como a organização estrutural da
informação a ser oferecida (produto) de acordo
com o meio pelo qual essa informação é veiculada
e o propósito a que se presta. Mais, a Arquitetura da
Informação é a combinação entre a organização do
conteúdo em categorias e a criação de uma interface
para permitir o uso de tais categorias.
Quando folheamos um livro, por exemplo,
é possível observar recursos padronizados de organização: a diagramação do livro,
número de páginas, sumário, índice, glossário etc. Se desejarmos ir diretamente a um
capítulo, provavelmente iremos observar o sumário e ali descobrir o número da página
em que este capítulo é iniciado, bem como consultar a bibliografia para ver a qual livro
se refere uma determinada citação. Há também, em determinados livros, glossários e
índices remissivos, que facilitam a busca de informações mais específicas (leia mais no
boxe Elementos organizacionais de um livro).
Interface
Segundo o dicionário Houaiss da Língua
Potuguesa, interface é um elemento que
proporciona ligação física ou lógica entre
dois sistemas ou partes de um sistema
que não poderiam ser conectados
diretamente. Ela deve ser facilmente
apreendida pelos sentidos (como visão
e audição) de modo que haja clareza e
objetividade no fluxo informativo.
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Aula 9 – Arquitetura da informação
A organização da informação, portanto, é fundamental para quem vai consumi-la.
No caso de materiais instrucionais, isso é mais fundamental ainda. Queremos oferecer
ao nosso aluno não apenas um conteúdo substancial, mas também o máximo de
possibilidades de desdobramento daquele conteúdo controlado por ele, valorizando e
orientando sua autonomia.
Elementos organizacionais de um livro
S
e você nunca percebeu esses elementos – o sumário, o número da página etc. – como
uma organização sistemática da informação, é porque eles já estão cristalizados em sua
experiência. Vejamos o que diz Pierre Lévy (1993:34):
“Estamos hoje tão habituados com esta
interface que nem notamos mais que
[ela] existe. Mas no momento em que foi
inventada, possibilitou uma relação com o
texto e com a escrita totalmente diferente
da que fora estabelecida com o manuscrito:
possibilidade de exame rápido do conteúdo,
de acesso não linear e seletivo ao texto,
de segmentação do saber em módulos, de
conexões múltiplas a uma infinidade de
outros livros graças às notas de pé de página
e às bibliografias.”
M
a
i
s
O
conteúdo não precisa ser oferecida em seu “estado puro”. Ele pode (e deve!) ser desdobrado,
permitindo sua interação com outras informações, sem destruir a fluidez da linha de
raciocínio principal.
A
t
e
n
ç
ã
o
As páginas amarelas, por exemplo, permitem uma
procura específica, de acordo com o interesse do
seu usuário.
Fonte: http://www.sxc.hu
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Planejamento e elaboração de material didático impresso para EAD - elementos instrucionais e estratégias de ensino
Atividade 1
Os bois...
Leia o texto e os quadros a seguir.
Você já ouviu falar emhemorragia, não é? O que talvez você nunca tenha se dado conta é de que a
perda de sangue promove queda da pressão arterial, o que afeta a homeostase do organismo. Por
esse motivo, o corpo deve rapidamente pôr em prática estratégias para contornar essa situação.
Imediatamente após uma hemorragia, há uma queda da pressão arterial, que tende a ser
restabelecida cinco minutos depois. Isso acontece também com o volume de sangue que é
ejetado do coração e com o volume que atravessa o cérebro. Isso porque, como o cérebro é uma
área nobre do nosso corpo, sua irrigação não pode ser comprometida.
1
Acho que vou desmaiar...
Você já ouviu alguém falar
“estou com pressão baixa?”.
Normalmente, essas pessoas
sentem tonteira, ficam pálidas
e, em alguns casos, desmaiam.
Sabe o porquê?
Diminuições na pressão de
circulação do sangue podem
privar o corpo de oxigênio
e de nutrientes, pois estas
substâncias fundamentais
são transportadas por
este líquido. O cérebro é
um dos órgãos afetados.
Sem oxigênio, perdemos a
consciência e desmaiamos.
Se a privação de oxigênio e
nutrientes for prolongada, os
danos cerebrais podem ser
irreversíveis.
5
Tum-tum, bate coração...
O coração é um músculo que
pesa 250 gramas, em média.
No ritmo normal, que é de 70
a 75 batidas por minuto, ele
chega a dar mais de 110.000
batimentos por dia; em caso
de pânico ou susto, pode
subir para 150 pulsações
por minuto. No corpo em
repouso, cinco litros de sangue
são bombeados por todo o
organismo em apenas um
minuto.
4
Manter a pressão arterial
é funda-mental para a
homeostase do organismo.
Alterações na pressão podem
acarretar, entre outras coisas,
danos em órgãos-chave para
o funcionamento do corpo,
como o cérebro.
2
Hemorragia é a perda
de sangue causada pelo
escoamento agudo deste para
fora dos vasos sanguíneos.
3
Embora não seja o único, o
cérebro é o principal centro
que concentra a percepção
e a resposta do organismo a
estímulos externos, ainda que
não percebamos.
Tudo é tão automático que
ninguém pensa quando vai
bocejar, com qual das mãos
escreverá uma carta, com o que
sonhará durante a noite. Mas o
cérebro está associado a cada
uma dessas atividades.
No livro O cérebro nosso de cada
dia - descobertas da neurociência
sobre a vida cotidiana, a
neurocientista Suzana
Herculano-Houzel explica, de
maneira bem-humorada e
simples, como os avanços feitos
na área da neurociência estão
relacionados com o dia-a-dia de
qualquer pessoa.
Vale a pena conferir o livro!
O cérebro nosso de cada dia
- descobertas da neurociência
sobre a vida cotidiana, Suzana
Herculano-Houzel Rio de Janeiro,
Vieira & Lent, 2002.
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223
Aula 9 – Arquitetura da informação
Agora responda mentalmente às seguintes questões:
Você percebeu que existem termos destacados no texto principal? Você leu todas as
informações adicionais (desdobramentos)? Quais chamaram à sua atenção?
Resposta comentada
A partir do pequeno trecho que você leu apresentamos cinco desdobramentos diferentes.
Cada um destes desdobramentos revela uma conexão com outros assuntos que, de
alguma forma, se relacionam e complementam o assunto principal.
Você provavelmente identificou, nestas pequenas caixas laterais, informações que julgou
como mais ou menos relevantes – e isso depende, exclusivamente, do seu interesse
pessoal. Um exemplo disso é a caixa que explica o que é hemorragia, termo bastante
conhecido que, muito provavelmente, deteve pouco tempo da sua atenção. Já a caixa
Tum-tum bate coração, em contrapartida, traz informações bastante curiosas e deve ter
despertado muito mais o seu interesse.
O seu futuro aluno se comportará da mesma maneira: você oferecerá as informações
adicionais, como desdobramentos do conteúdo, mas quem decide a quais quererá se ater
é ele, além de decidir também qual rota de estudo tomar!
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Planejamento e elaboração de material didático impresso para EAD - elementos instrucionais e estratégias de ensino
Assim como em um site como o do MEC existem diversas rotas de acesso à
informação, uma aula impressa deve buscar oferecer ao aluno o maior número de
rotas de estudo possíveis. Qual tomar cabe a ele! A nós, compete criar um texto com
multiplicidade de conexões, para que tenhamos o que desdobrar...
Você deve estar se perguntando, a esta altura, como transpor a versatilidade de um
ambiente informativo virtual para o meio impresso. Boa pergunta, e a resposta pode
começar a ser dada usando essas páginas que você acabou de ler como exemplo, e ficará
mais clara quando você chegar ao final desta aula.
Esta aula começou com uma introdução genérica; em seguida, apresentou o
conceito central desta aula, o que é Arquitetura da Informação. Além disso, três
informações relacionadas ao conteúdo que está sendo apresentado nesta aula não
foram apresentadas no corpo do texto principal: a definição de interface, a citação
de um autor sobre o tema e um reforço sobre a importância de desdobramentos do
conteúdo principal.
Tais informações foram deslocadas do texto principal, e isso corresponde a uma
estratégia para organizar as informações da aula de forma não linear e possibilitar mais
fluência ao texto principal. Sem que o aluno se dê conta, ele distingue claramente o
que é informação central e o que é adicional e, mais, tem à sua disposição um material
com mais de uma rota de estudo do conteúdo oferecido, e a oportunidade de montar
a aula da maneira que mais lhe for interessante.
A
possibilidade de organizar o material impresso de forma não linear é uma vantagem da
EAD em relação ao ensino presencial por duas razões. Primeiro, em uma aula presencial,
não é fácil sinalizar claramente para o aluno quando se está apenas contextualizando ou
complementando uma informação, e não apresentando o conteúdo nuclear. Para o aluno
da EAD, a hierarquia da informação é muito mais clara, desde que tenhamos um projeto
instrucional que valorize uma arquitetura da informação bem articulada. Segundo, no ensino
presencial você é quem decide a ordem em que o aluno vai ter acesso às informações; no ensino
a distância, quem está no comando é o aluno!
A
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ç
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o
E quem se responsabiliza por essa organização? É justamente o arquiteto da
informação, função que você irá desempenhar daqui para frente no papel de autor do
material didático impresso de sua disciplina.
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Aula 9 – Arquitetura da informação
Nesta aula, queremos, de maneira bastante pragmática, oferecer a você “instrumentos”
para atuar na organização de um conteúdo central de forma a disponibilizá-lo permeado
por informações adicionais – por intermédio do uso de recursos para desdobramento do
conteúdo.
É
preciso ter em mente que: 1) o conteúdo de aula é uma oferta informativa; 2) você é o
arquiteto da informação; 3) o material impresso é o produto; 4) diversos recursos podem ser
aplicados para desdobrar a informação; 5) o aprendiz é um usuário exigente do produto.
A
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e
n
ç
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o
Atividade 2
Atende aos objetivos 1 e 2 j
Tente e Invente!
Leia o texto a seguir e identifique dois termos que possibilitem conexões com outros
conteúdos correlatos. Em seguida, faça, nos espaços laterais disponíveis, dois pequenos
textos que sejam desdobramentos destes termos identificados por você.
“(...) Galileu Galilei teve um papel bastante expressivo tanto na astronomia
quanto na física. Ele validou as idéias de Copérnico através de observações
que fez, durante muitos anos, com os telescópios que construiu. Galileu foi o
primeiro a observar os anéis de Saturno e explicou os eventos que Copérnico
não havia interpretado ainda, tornando a Teoria Heliocêntrica mais aceitável.
(...)”
1 2
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Planejamento e elaboração de material didático impresso para EAD - elementos instrucionais e estratégias de ensino
Reposta comentada
Embora este trecho tenha 58 palavras apenas, ele possibilita uma grande quantidade
de conexões com informações diversas. Pedimos que você identificasse dois termos que
oferecessem possibilidades de desdobramento do conteúdo e, em seguida, escrevesse
sobre eles. A seguir, sugerimos algumas possibilidades:
• Galileu Galilei – você pode ter pensado em uma mini-biografia em contextualizar
historicamente suas descobertas (período do Renascimento), falar como a Inquisição
inibiu Galileu a assumir como verdadeiras as suas observações etc.
• Astronomia – você pode definir o termo, pode falar sobre descobertas recentes (como a
Plutão não ser mais planeta), sobre a diferença entre astronomia e astrologia etc.
• Física – você pode falar sobre as descobertas de Galileu nesta área, por exemplo, que a oscilação a
de um pêndulo apresenta uma freqüência constante dependendo da amplitude, etc.
• Copérnico – você pode ter pensado em uma mini-biografia; em comentar que ele é
polonês e que seu verdadeiro nome é Mikolaj Kopernik etc.
• Telescópios – você pode apresentar a definição e os usos destes equipamentos, falar
sobre o primeiro telescópio inventado, pode mencionar alguns telescópios atuais (como o
Telescópio Espacial Hubble) descrever algumas descobertas importantes realizadas através
dos telecópios etc.
• Anéis de Saturno – você pode apresentar as principais características desse planeta tão o
diferente dos demais, pode mencionar o fascínio pelos anéis de Saturno por parte dos
astrônomos e românticos, ilustrando com a música Desculpe o Auê da Rita Lee (por vc vou
roubar os anéis de saturno...)
• Teoria Heliocêntrica – você pode definir a teoria, mostrar a etimologia da palavra, remeter a
à teoria geocêntrica de Aristóteles e então falar de filósofos gregos, falar de Kepler, Tycho
Brahe etc.
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Aula 9 – Arquitetura da informação
Arquitetura da Informação e materiais
didáticos
Materiais voltados para EAD devem proporcionar uma leitura interativa. A
Arquitetura da Informação, nesse caso, deve permitir uma mudança do paradigma
acadêmico que vemos na maioria dos livros-texto tradicionais, que em geral obedecem a
um modelo centrado no conteúdo e proporcionam uma leitura linear não-interativa.
A Arquitetura da Informação, na Educação a Distância, é voltada para um modelo
de elaboração do conteúdo centrado no aluno, incentivando a participação dele na
aula. Um texto claro, dialógico, permeado por atividades e associado a uma arquitetura
da informação articulada, que organiza a distribuição do conteúdo, propicia essa
mudança de modelo.
Ao produzirmos um texto, estabelecemos informações contínuas que seguem
uma ordenação lógica (apresentação, desenvolvimento e conclusão). Entretanto,
percebemos que alguns termos ou tópicos mencionados nessa produção poderiam
somar informações ao conteúdo central. Esses tópicos representam latências no
conteúdo e atuam “abrindo uma porta” para a produção de um outro texto, adicional
ao texto central.
Em uma aula, as informações contínuas são os núcleos conceituais, que devem
estar explicados no corpo principal do texto, fornecendo ao aluno de maneira clara e
objetiva os conceitos que ele precisa estudar para, ao final da aula, alcançar os objetivos
listados no início da mesma.
Para não desestabilizar a ordenação lógica destas informações nucleares e garantir
fluência ao texto, entram em cena as informações periféricas. As informações
periféricas complementam o conteúdo nuclear apresentado, mas não são essenciais à
sua compreensão.
Ambos os tipos de informação precisam ser contemplados simultaneamente em
materiais didáticos para EAD, a fim de que não se desvincule o conteúdo de seus
contextos acadêmico, profissional e sócio-cultural.
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Planejamento e elaboração de material didático impresso para EAD - elementos instrucionais e estratégias de ensino
MOVIMENTO PARA FORA DA AULA
- links, sugestão de leitura, curiosidades
sobre o tema, filmes, jornais, letras de
música etc.
MOVIMENTO PARA DENTRO DA AULA
- relatos históricos, explicações mais detalhadas, resumo de
uma informação importante, cases, aplicações do conceito
no âmbito profissional, verbete etc.
DINÂMICA INFORMATIVA
Sobre informações periféricas...
Que tal entendermos melhor o processo
de disposição do conteúdo a partir da identi-
ficação de possíveis usuários do material
impresso? Vejamos o quadro ao lado.
Como você pode observar, há eixos, que
correspondem: a) ao tempo possível de o aluno
se dedicar ao estudo; e b) à sua vontade de
aprender (interesse).
É fundamental que o material produzido
atenda minimamente a todos os perfis
possíveis de usuário. Em outras palavras,
que contemple a diversidade do público - tanto aqueles que buscam uma informação
essencial, quanto aqueles que desejam usar a aula como um guia para orientar um
aprofundamento no conteúdo.
Vamos voltar ao quadro 1? O quadrado tracejado simboliza a totalidade de
possibilidades de uso do material, e é dividido em quatro quadrantes. Se você observar, verá
que o quadrante 4, por exemplo, representa um usuário de baixa disponibilidade de tempo
e baixo interesse; e assim por diante; cada quadrante representa um perfil específico.
O círculo central refere-se a uma Arquitetura da Informação eficiente, ou seja,
representa todos os elementos que devem ser oferecidos pela aula para atender a alunos
com perfis tão diferentes (naturalmente, perfis extremos não serão tão bem atendidos).
Um material didático impresso deve criar e utilizar recursos para permitir que todos os
aluno “naveguem” no texto, possibilitando assim uma interação própria do estudante
com o material, em oposição à simples transmissão direta de conteúdo. Vejamos como
isso funciona no quadro a seguir:
1
2
3
4
tempo
interesse
Quadro 1: tempo do aluno disponível para o estudo
x grau de interesse no conteúdo
O quanto um aluno irá se aproveitar das informações
disponíveis em uma aula é uma função que leva em
conta o tempo que ele tem disponível para estudar
e o grau de interesse que apresenta em determinado
conteúdo.
Quadro 2: INFORMAÇÕES PERIFÉRICAS
A
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229
Aula 9 – Arquitetura da informação
Texto-base

Compreender o comportamento do consumidor
já é bastante difícil para empresas que só operam
no mercado de seu país. Mas para empresas que
operam em muitos países, compreender e atender às
necessidades dos consumidores pode chegar a ser
assustador. Embora os consumidores dos diferentes
países possam ter coisas em comum, seus valores,
atitudes e comportamentos variam muito (...).
Os profissionais de marketing g precisam decidir
como irão adaptar seus produtos e programas de
marketing (...). Por um lado, devem padronizar suas
ofertas a fim de simplificar as operações e baixar
o custo. Por outro lado, adaptar os esforços de
marketing a cada país, resultando em produtos e
programas que satisfazem melhor as necessidades
dos consumidores locais.” (retirado de KOTLER, P.,
ARMSTRONG, G. Princípios de marketing. Rio de
Janeiro: LTC S/A, 1999, p. 113).
Os recursos para que o aluno “navegue” o texto são aqueles em que veiculamos as
informações adicionais de forma dinâmica. Como você viu no quadro 2, dependendo
da informação, o aluno pode aprofundar ou ampliar o seu conhecimento dentro da
aula ou sair dela para isso, visitando links, procurando livros, assistindo filmes, ouvindo
músicas. Quais são os recursos para desdobramento de conteúdo e como utilizá-los
para atender os diversos perfis de estudantes? É o que você verá a seguir!
Mãos à obra: desdobrando o conteúdo
Agora que você já teve uma perspectiva teórica acerca da Arquitetura da Informação
e uma primeira noção sobre as informações periféricas, vamos continuar esta aula
trazendo os recursos propriamente ditos que irão servir ao nosso propósito: materiais
sos para educação a distância. Para isso, é preciso que você leia
xto a seguir:
Marketing
Segundo o dicionário
Houaiss, uma das definições
de Marketing é: conjunto
de ações, estrategicamente
formuladas, que visam
influenciar o público
quanto a determinada idéia,
instituição, marca, pessoa,
produto, serviço etc.
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Planejamento e elaboração de material didático impresso para EAD - elementos instrucionais e estratégias de ensino
a) Caixa de ênfase
Em alguns momentos, na exposição de um conteúdo, é preciso pontuar aspectos
particulares de forma a alertar o leitor de que se trata de uma informação importante.
A caixa de ênfase permite atualizar a narrativa principal, pois ressalta parte do conteúdo
visto até aquele momento de forma sintética e reorienta a linha de raciocínio.
Em termos estruturais, ela deve ocupar um espaço central no corpo do texto e
transmitir uma informação precisa, pontual, em poucas linhas. Exemplos de seu uso
são: estabelecimento de um conceito geral, síntese de um conteúdo, a apresentação de
uma idéia importante, de um comentário essencial etc.
Sobre o texto base, teríamos:
D
eixar de atender às diferenças de costumes e comportamento de um país para outro
pode causar um verdadeiro desastre para o comércio dos produtos internacionais e seus
programas de marketing.
A
t
e
n
ç
ã
o
Como você viu nesse exemplo, a caixa de ênfase transmite uma informação
importante que relaciona o conteúdo da narrativa principal a um novo contexto.
b) caixa de explicação expandida
Em algumas situações, é preciso expandir a explicação contida no corpo
principal do texto com informações que contextualizam conceitos ou apresentam
situações de uso, entre outros, mas sem quebrar a fluência do texto principal. Isso
é feito utilizando-se a caixa de explicação expandida, de preferência apresentando
imagem e um título instigante. Seu texto não precisa ser curto, podendo satisfazer à
necessidade de conclusão de uma explicação sem sobrepor-se ao conteúdo nuclear, e
sim contextualizando a informação. Além disso, é importante haver uma chamada na
narrativa principal. Veja um exemplo de uso desta caixa em O que acontece na prática?
(lembre-se que o conteúdo da caixa faz relação com o texto-base).
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Aula 9 – Arquitetura da informação
c) caixa de dicionário
Esse recurso de desdobramento é usado para
estabelecer umverbete, ou seja, apresentar definições
de enciclopédias, dicionários ou redigidas pelo próprio
professor, oferecendo uma “definição padrão” que
não precisa estar necessariamente no corpo do texto
principal. Exemplos? Diferentes acepções de uma
palavra, acepções específicas relativas ao contexto
tratado na aula, pequenas biografias etc.
Em termos estruturais, a palavra a ser definida deve
estar presente no corpo do texto principal, e ser sinalizada para que o aluno saiba que
há um desdobramento de significado para aquele vocábulo (colocando a palavra a ser
destacada em negrito, por exemplo, como nas nossas aulas). O uso de imagens é comum
apenas quando se deseja criar um verbete do tipo enciclopédia, falando sobre uma
personalidade, por exemplo, com imagem do busto, data de nascimento e morte etc.
Este tipo de caixa, normalmente, é disposto à margem do texto. Se você voltar ao
texto-base, verá que a palavra marketing está destacada; ao lado dele, há sua definição.
O que acontece na prática?
H
á diferenças que são óbvias. Por exemplo,
nos Estados Unidos, onde grande parte
das pessoas come cereal diariamente no café da
manhã, o marketing da Kellogg’s concentra-se
em convencer os consumidores a escolherem a
marca Kellogg’s e não outra marca concorrente.
Na França, entretanto, a propaganda da Kellogg’s
tenta simplesmente convencer as pessoas a comer cereais no café da manhã. Neste país, na sua
embalagem, há instruções detalhadas sobre a forma de preparar o produto para aquela refeição.
M
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Verbete
De acordo com o dicionário
Houaiss, verbete significa
o conjunto das acepções,
exemplos e outras
informações pertinentes
contidas numa entrada de
dicionário, enciclopédia,
glossário etc.
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Valores culturais, como a alimentação, influenciam a
estratégia de marketing.
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Planejamento e elaboração de material didático impresso para EAD - elementos instrucionais e estratégias de ensino
Atividade 3
Atende ao objetivo 2 j
Dê um mergulho
Você acabou de aprender sobre três recursos para desdobramento do conteúdo: caixa de
ênfase, de explicação expandida e dicionário. Leia o trecho a seguir e escolha três termos
que possibilitem o uso de cada um destes recursos.
“Há cerca de uma década as pessoas perderam o hábito de escrever cartas
umas para as outras. Isso porque, com a Internet, as correspondências
eletrônicas ganharam espaço tanto pela praticidade quanto pelo imediatismo
a que correspondem.
O correio eletrônico é só uma das possibilidades trazidas pela Internet.
Atualmente há programas que possibilitam que, pela Internet, você converse
com pessoas que estão do outro lado do mundo, sem custo algum.
Proporcionar mais possibilidades de comunicação não é o único benefício
trazido pela grande rede.
Na era da informação, muito conhecimento é gerado e divulgado em grande
parte pela facilidade inerente ao meio digital. Qualquer pessoa que
possua acesso a um computador conectado à grande rede – mesmo que
por conexão discada – tem à sua disposição uma enorme quantidade de
informações sobre várias áreas do conhecimento. Precisa, para isso, apenas
saber utilizar um bom buscador ou escolher o portal certo de acordo com o
que procura.
O fluxo de informações de quaisquer naturezas e origens é tão alto que fica
praticamente impossível manter-se atualizado sobre um determinado assunto.
Levando isso em consideração, será que o papel do professor como aquele que,
majoritariamente, oferece o conteúdo para o aluno ainda é relevante?”
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Aula 9 – Arquitetura da informação
1
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Planejamento e elaboração de material didático impresso para EAD - elementos instrucionais e estratégias de ensino
Resposta comentada
Este texto oferece algumas possibilidades de desdobramento de conteúdo. Vamos
comentar um exemplo de cada. Caso você tenha pensado em alguma coisa diferente, vá
até o FÓRUM DA AULA 9 e exponha para seu tutor e colegas.
Tipos de conexão
B
asicamente, em sua casa, ao conectar o computador a Internet, você pode ter
dois tipos de conexão: discada e/ou banda larga.
A conexão discada é feita utilizando uma linha telefônica. Seu computador, através
de um aparelho chamado modem, realiza uma chamada telefônica para se conectar
a um provedor de Internet qualquer. Neste tipo de conexão, a velocidade de
transmissão de dados é lenta.
A conexão banda larga é o acesso à Internet em alta velocidade. Ele pode ser feito de
várias maneiras. Uma delas é através do aparelho chamado ADSL (Asymmetric Digital
Subscriber Line), que utiliza centrais telefônicas digitais para tráfego de dados. Outro
tipo de tecnologia usada nesta conexão é o acesso via rádio (radiofreqüência). Neste
tipo de conexão um aparelho de rádio é instalado no alto do prédio (ou casa) do
assinante para que possa haver comunicação com um provedor.
Nem tudo que reluz é ouro...
E
mbora a Internet seja uma aliada importante quando fazemos uma pesquisa, é
necessário estarmos atentos à fonte da informação. Na sua busca, se possível,
procure valorizar informações que venham de sites de universidades ou do governo,
por exemplo.
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Buscadores e portais
Buscador é o nome que se dá para um site
de busca, ou seja, que procura conteúdos
relacionados ao termo que você solicitou
(digitando na barra de busca) em outros sites.
Já um portal é um site que agrega vários links
e serviços, servindo como porta de entrada
ou ponto de partida para a navegação dos
internautas.
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235
Aula 9 – Arquitetura da informação
Até este momento você viu alguns recursos para desdobramento do conteúdo que,
de uma forma ou de outra, expandem a informação. Uma particularidade dos recursos
vistos até então (caixa de ênfase, explicação expandida e dicionário) é que o conteúdo
não apenas é complementar à informação central; ele também atua – de acordo com o
que você viu no quadro 2 – exclusivamente remetendo o aluno para “dentro” da aula o
tempo todo, sem a solicitar materiais externos para ampliar o conteúdo principal.
Agora, iremos ver outros dois recursos, cujas finalidades são as de instigar e permitir
uma navegação do aluno para fora da aula, funcionando como um despertador de
interesse e/ ou um guia de orientação para o uso de outras fontes informativas e
contextualizadoras. Isso, claro, sempre conservando a pertinência em relação ao
conteúdo ensinado. Vamos a eles.
d) caixa de informação avulsa ou de curiosidade
Se você voltar ao texto-base, verá que há possibilidades latentes de desdobrar o
conteúdo – como em seus valores, atitudes e comportamentos variam muito...
A caixa de informação avulsa ou de curiosidade busca integrar os conceitos
apresentados a um universo não circunscrito pela aula e, com freqüência, menos
acadêmico. Isso irá influenciar, inclusive, sua linguagem, que adotará uma narrativa
mais leve, com menos formalidades do que o texto principal. Em termos estruturais,
o uso de título e imagem é muito importante, sendo que ambos, preferencialmente,
devem funcionar como chamarizes, usando, por exemplo contextos humorísticos,
pitorescos etc. Veja o exemplo de emprego dessa caixa lendo Cada um com seu cada
qual...
Curiosidade
Cada um com seu cada qual...
E
m geral, as diferenças entre os mercados internacionais são mais sutis. Podem
resultar de diferenças físicas dos consumidores e de seu ambiente. Por exemplo,
a Remington faz barbeadores elétricos menores em função das mãos pequenas
dos consumidores japoneses; e faz barbeadores movidos a pilha para o mercado
britânico, onde poucos banheiros têm tomadas elétricas. Outras diferenças resultam
de costumes variados:
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236
Planejamento e elaboração de material didático impresso para EAD - elementos instrucionais e estratégias de ensino
- sacudir a cabeça de um lado para outro significa “não” na
maioria dos países, mas na Bélgica e no Sri Lanka significa “sim”;
- Na Noruega e na Malásia, é sinal de falta de educação deixar
resto de comida no prato. No Egito, é deselegante não deixar um
pouco no prato.
O vendedor porta-a-porta pode encontrar
dificuldades na Itália, onde é impróprio
um homem visitar uma mulher sozinha
em casa.
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e) caixa de conexão com outras mídias
Finalmente, temos a possibilidade de associar as informações contidas na aula com
outros meios, desdobrando não só o conteúdo como também sugerindo a interação
com outros universos (livros, filmes, seriados, documentários, sites etc.). Essa caixa
busca oferecer caminhos para outras informações que interagem, de uma forma ou de
outra, com a linha de raciocínio desenvolvida no texto.
Em termos estruturais, novamente sugerimos uma narrativa leve, mais próxima do
caráter jornalístico. O uso de título e imagem é muito importante, sendo que a imagem
deve fazer referência ao meio sugerido (capa de um filme ou livro, cartaz etc.). Veja um
exemplo de emprego desse recurso lendo A vida de um marqueteiro.
A vida de um marqueteiro
N
este momento da aula, resolvemos indicar uma “sessão pipoca” para relaxar. Que tal
uma sugestão de filme? Recomendamos para você Jerry Macguire: a grande virada.
Quer saber um pouco mais antes de ir à locadora? Pois bem, então leia um trecho da sinopse
do filme (adaptado da sinopse escrita por Luiz Carlos Merten – www.submarino.com):
Comédia dramática de Cameron Crowe, de 1996, com Tom Cruise, Cuba Gooding Jr., Renee
Zellweger e Kelly Preston, Jerry Macguire, a grande virada convenceu os críticos que o
astro Cruise sabia representar. O ator faz um agente de sucesso que vive um momento de
Multimídia
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Aula 9 – Arquitetura da informação
Atividade 4
Atende ao objetivo 2 j
Agora, dê um salto!
Na outra atividade você criou desdobramento do conteúdo circunscritos à aula. Agora,
você vai criar, a partir do mesmo texto, conteúdos periféricos que remetam o aluno para
fora da aula. Para isso, você utilizará os dois recursos que acabou de aprender: caixa de
curiosidade e caixa de conexão com outras mídias.
crise e perde todos os clientes, menos um, o atleta interpretado
ing Jr., numa criação tão carismática que lhe valeu
o de coadjuvante da Academia de Hollywood. O
vai além das receitas tradicionais porque o roteiro,
tado ao diretor, apresenta personagens sólidos e
imensionais. O conflito torna-se real e o público pode
creditar nele. Renee Zellweger faz a mulher que tem
um filho e apóia o herói. Ela também é ótima. Drama
com humor (você vai rir, com certeza), mas também
com cenas tocantes e responsáveis, junto com o
elenco, pelo sucesso de bilheteria.
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Planejamento e elaboração de material didático impresso para EAD - elementos instrucionais e estratégias de ensino
Resposta comentada
Mais uma vez vamos comentar um exemplo do uso de cada recurso. Caso você tenha pensado
em alguma coisa diferente, vá até o FÓRUM DA AULA 9 e exponha para seu tutor e colegas.
Curiosidade
Onde tudo começou?
F
oi entre as décadas de 1960 e 1970, durante a Guerra Fria, que o Departamento
de Defesa dos Estados Unidos criou uma forma de trânsito de informações entre os
computadores de uma base militar e de outra. Era a ARPANET, antecessora da Internet.
Ela se difundiu para as universidades e centros de pesquisa no início da década de 1990.
Com o passar do tempo, alterações no esquema técnico de transferência de dados
via computadores possibilitaram a Internet a que temos acesso nos dias de hoje!
Quem procura, acha!
F
icou curioso para saber como funciona um portal? Então visite a página do Ministério da
Educação, em www.mec.gov.br. Lá você verá como se concentram e são disponibilizados
diversos links relacionados a programas de educação desenvolvidos pelo governo, bem
como pode acessar qualquer outro site com domínio .gov.br.
Já sobre os buscadores, o mais utilizado é o Google, que foi criado por Larry Page e Sergey
Brin, em Stanford, nos EUA, em 1998. É muito provável que você já o tenha utilizado, mas,
caso não, se aventure pelo www.google.com.br.
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Aula 9 – Arquitetura da informação
Conclusão
A Arquitetura da Informação propicia a você, autor de um material instrucional
para Educação a Distância, estruturar a informação de acordo com diversos propósitos
educativos, ultrapassando o ambiente estritamente acadêmico e auxiliando a construção
do conhecimento, por parte do aluno, a partir de múltiplos desdobramentos do
conteúdo. Essa organização exige do professor mais planejamento e organização
dos conteúdos que deseja ensinar. Mais, exige também o desenvolvimento de novas
competências para exercer seu ofício em diferentes contextos, enriquecendo o seu
processo de ensino e, conseqüentemente, o de aprendizagem do aluno.
Atividade Final
Atende ao objetivo 3 j
Dando nome aos bois
Na Atividade 1, você teve contato, sem se dar conta, com os cinco tipos de
desdobramento de conteúdo que apresentamos durante a aula. Volte àquela atividade e,
no espaço em branco acima de cada caixa, classifique-os de acordo com a nomenclatura
que aprendeu.
Resposta Comentada
Se você saber formalmente a que se remetiam, aquelas caixas lhe explicaram porque
alguém pode desmaiar quando está com pressão baixa (1), contaram um dado curioso
sobre o funcionamento do coração (2), chamaram sua atenção para uma informação
importante no texto principal (3), definiram um termo (4) e ofereceram a possibilidade de
você continuar a desdobrar o conteúdo do texto lendo um livro (5). O conteúdo de cada
uma das caixas utilizou um recurso diferente para fazer isso. Veja quais foram:
1 – caixa de explicação expandida;
2 – caixa de dicionário;
3 – caixa de conexão com outras mídias;
4 – caixa de ênfase;
5 – caixa de curiosidade ou de informação avulsa.
E aí? Foi fácil dar nome àqueles bois?
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Planejamento e elaboração de material didático impresso para EAD - elementos instrucionais e estratégias de ensino
RESUMO
A
rquitetura da Informação é a organização estrutural da infor-
mação a ser oferecida (produto) de acordo com o meio pelo
qual essa informação é veiculada e o propósito a que se presta. Dessa
forma podemos dizer que ela é a combinação entre a organização do
conteúdo em categorias e a criação de uma interface para permitir o
uso de tais categorias.
A organização da informação é fundamental e no caso de materiais
didáticos, isso é mais fundamental ainda. Isto porque é necessário
oferecer ao aluno não apenas um conteúdo substancial, mas também
o máximo de possibilidades de desdobramento daquele conteúdo, para
que ele possa percorrer diversas rotas de estudo.
Para permitir que o aluno “navegue” pela aula, usamos alguns recursos
para disponibilizar informações adicionais ao conteúdo central:
• a caixa de ênfase permite atualizar a narrativa principal, pois ressalta
parte do conteúdo visto até aquele momento de forma sintética e
reorienta a linha de raciocínio.
• a caixa de explicação expandida é um “a mais” a respeito de alguma expli-
cação contida no corpo principal do texto, feita através de informações
que contextualizam conceitos ou que apresentam situações de uso.
• a caixa de dicionário é usada para apresentar definições de enciclo-
pédias ou dicionários.
• a caixa de informação avulsa ou de curiosidade busca integrar os
conceitos apresentados a um universo não circunscrito pela aula e,
com freqüência, menos acadêmico.
• a caixa de associação com outras mídias é associação entre as
informações contidas na aula e outras mídias, desdobrando não
só o conteúdo como também sugerindo a interação com outros
universos (livros, filmes, seriados, documentários, sites etc.)
A Arquitetura da Informação propicia, a partir de múltiplos desdobra-
mentos do conteúdo, estruturar a informação de acordo com diversos
propósitos educativos, ultrapassando o ambiente estritamente
acadêmico e auxiliando a construção do conhecimento.
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Aula 9 – Arquitetura da informação
Bibliografia Consultada
LÉVI, Pierre. As tecnologias da inteligência:o futuro do pensamento na era da informática (trad.
Carlos Irineu da Costa). Rio de Janeiro: Editora 34, 1993. 208 p.
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Etapas de produção de
material didático impresso
para EAD: compartilhando
uma experiência
Cristine Costa Barreto
10
Aula
11
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Planejamento e elaboração de material didático impresso para EAD - elementos instrucionais e estratégias de ensino
Meta
Apresentar as etapas envolvidas na produção do material
didático impresso do Consórcio CEDERJ.
Objetivos
Ao final desta aula, você deverá ser capaz de:
1. Discriminar os setores envolvidos na produção do
material didático impresso do Consórcio CEDERJ;
2. Identificar as ações do Setor de Desenvolvimento
Instrucional em sua parceria com professores
conteudistas;
3. Identificar o propósito da oficina de capacitação
dos professores conteudistas, bem como conhecer o
programa detalhado de seu desenvolvimento;
4. Discriminar o fluxo do material didático impresso do
Consórcio CEDERJ desde sua produção original, pelo
professor conteudista, até a entrega da versão final
para o aluno, nos pólos;
5. Diferenciar as ações exercidas pelo desenhista
instrucional daquelas exercidas pelo redator final;
6. Relacionar o tamanho de uma aula ao tempo
necessário para estudá-la;
7. Definir a contribuição de alunos e tutores avaliadores
na construção das aulas de cada disciplina;
8. Identificar as ações do Setor Editorial na produção
gráfica do material didático impresso do Consórcio
CEDERJ;
9. Discriminar alguns dos processos associados à
transposição de aulas impressas para aulas digitais,
bem como o papel dos profissionais dos Setores de
Web envolvidos na produção material didático do
Consórcio CEDERJ.
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Aula 10 – Etapas de produção de material didático impresso para EAD: compartilhando uma experiência
Comecei algo e agora não
I started something
I started something
Typical me, typical me
Typical me, typical me
I started something
And now I’m not too sure
(I started something I couldn’t finis
– The Smiths)
A tradução dos versos do pop rock lançado no final dos anos 80 pela banda inglesa
The Smiths poderia ser: “comecei algo - é a minha cara - comecei algo, e agora não
sei bem...” Outro dia, ouvia esses versos e me dei conta de que essa é uma sensação
comum a pessoas criativas: ter novas idéias, novas visões, às vezes em ritmo mais rápido
do que podem implementá-las ou mesmo registrá-las, descrevê-las... E, de repente, não
saber bem como fazer para colocá-las em prática, para concluir um projeto ou para
redigir uma aula, por exemplo.
A qualidade do nosso trabalho, como professores da Educação a Distância, reflete
também a capacidade de articularmos todas as informações que tivemos até agora,
transformá-las em boas idéias e executá-las em forma de aula impressa! O que pode
parecer confuso e desorganizado, na primeira vez, certamente se converterá em aulas
consistentes, claras e atraentes, com estilo próprio, na próxima tentativa.
Creio que a qualidade necessária à elaboração de materiais didáticos impressos esteja
para além da aula em si, quesito em que, naturalmente, você é figura fundamental.
Volto à idéia do Repolho Romanesco, discutida na Aula 2: educação de qualidade deve
ser o objeto de um projeto educacional contemplado em diversos níveis. Podemos dizer
que o primeiro nível começa em você, enquanto dedica tempo e atenção às teorias e
práticas que indicam um caminho possível para iniciar a redação de uma aula, de toda
uma disciplina.
Há outros níveis, no entanto. As diferentes etapas de produção de materiais didáticos
impressos ou digitais dependem de cada instituição, de cada projeto educacional. São
vários os caminhos possíveis, de acordo com demandas e possibilidades pedagógicas,
logísticas, financeiras, estruturais, políticas, dentre outras.
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Planejamento e elaboração de material didático impresso para EAD - elementos instrucionais e estratégias de ensino
Nesta última aula, que está mais para um bate-papo, novamente me proponho a
relatar uma experiência, desta vez com base na rotina de produção de aulas impressas
para as disciplinas oferecidas nos cursos de graduação do Centro de Educação Superior
a Distância do Estado do Rio de Janeiro - CEDERJ.
Todos os lados do cubo
Antes de começar a contar para você como se dão todas as etapas da produção do
material didático impresso do Consórcio CEDERJ, gostaria de apresentar os diferentes
setores envolvidos no processo.
A história toda começa no Setor de Desenvolvimento Instrucional, responsável pela
capacitação dos professores conteudistas e pelo acompanhamento da elaboração de
todas as aulas de todas as disciplinas de todos os cursos do CEDERJ. Ao mesmo tempo
em que o setor de desenvolvimento instrucional se dedica às aulas, outros setores se
integram ao processo desde o início, de forma que as disciplinas “nasçam” a partir da
experiência e das idéias de diversos profissionais, o que ajuda você a conceber materiais
didáticos ainda melhores.
Assim, cada curso de graduação, por exemplo, possui diferentes setores de Web
voltados para a criação das versões digitais das aulas. O Setor Editorial é responsável
por importantes etapas da construção do material impresso, como, por exemplo, a
ilustração e a programação visual. O Setor de Vídeos faz tomadas dos professores
Figura 10.1 A instituição de que você faz
parte, provavelmente, não reproduz a estrutura
concebida para atender ao projeto político-
pedagógico do Consórcio CEDERJ. Mas espero
que algumas das idéias que discutimos nesta
aula e nas anteriores ajudem você a continuar
o processo que iniciou com esta capacitação
e tragam mais certezas na hora de elaborar
materiais didáticos impressos de forma
harmônica, como uma composição única, de
sua autoria.
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Fonte: www.sxc.hu
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Aula 10 – Etapas de produção de material didático impresso para EAD: compartilhando uma experiência
apresentando suas aulas e produz seqüências curtas referentes a conteúdos que
integram o material digital. Há, ainda, o Setor de Direitos Autorais, que entra em
contato com autores de obras que precisam de autorização para serem utilizadas nas
aulas, e o Setor de Biblioteca, que se preocupa em colocar todas as referências e citações
bibliográficas no formato indicado pela ABNT.
A tramitação das aulas por entre todos os
setores, sem que se perca o controle de nenhuma
etapa do processo, é da responsabilidade do Setor
de Fluxo de Material Didático, que faz a ponte
entre você e todos os profissionais à sua disposição
para a elaboração de sua disciplina.
Com a colaboração de todos esses setores,
todos os lados do nosso Cubo de Rubik (veja o
boxe a seguir) estão completos, e fica ainda mais
fácil para cada professor mover peças e compor
todas as facetas de sua aula, sem que o processo
seja vivenciado de forma solitária, mas com uma
multiplicidade de caminhos que representam
soluções criativas para questões únicas de cada
disciplina.
ABNT
A Associação Brasileira de
Normas Técnicas (ABNT) é o órgão
responsável pela normalização
técnica no país, fornecendo a base
necessária ao desenvolvimento
tecnológico brasileiro. A ABNT é a
única e exclusiva representante,
no Brasil, das seguintes
entidades internacionais: ISO
(International Organization for
Standardization), IEC (International
Electrotechnical Comission); e
das entidades de normalização
regional COPANT (Comissão Pan-
americana de Normas Técnicas)
e a AMN (Associação Mercosul
de Normalização). Fonte: http:
//www.abnt.org.br
Cubo de Rubik
O
Cubo de Rubik é um quebra-cabeças
inventado em 1974 pelo escultor e
professor de arquitetura húngaro Erno Rubik.
Em 1980, a invenção ganhou o prêmio alemão
de jogo do ano (“Game of the Year” special
award for Best Puzzle) e é considerado por
alguns como o maior best-seller do mundo dos
brinquedos e quebra-cabeças. O cubo possui 9
facetas quadradas em cada um de seus lados.
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Fonte: www.sxc.hu
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Planejamento e elaboração de material didático impresso para EAD - elementos instrucionais e estratégias de ensino
Tipicamente, as facetas são cobertas por adesivos de 6 cores diferentes, uma para cada lado do
cubo. A articulação entre as peças que o compõem permite que, num piscar de olhos, as cores de
cada faceta se misturem. Quando o quebra-cabeças é solucionado, cada lado do cubo assume,
novamente, apenas uma cor. Você já tentou alguma vez brincar com esse cubo? Eu já, inclusive
recentemente. Diferentemente das tentativas da minha adolescência, confesso que, a certa altura,
tive vontade de descolar os adesivos e, depois, grudá-los novamente, cada cor no seu lugar! Mas
calma, nosso problema para a elaboração das aulas impressas certamente não é tão grave assim,
muito menos irá despertar em você tanta impaciência quanto o singelo brinquedo despertou em
mim. Isso eu garanto!
Setor de Desenvolvimento Instrucional
No Consórcio CEDERJ, o Setor de Desenvolvimento Instrucional tem um papel
central no que se refere à elaboração do material didático impresso. O desenhista
instrucional que integra essa equipe é responsável pelo desenvolvimento sistemático
de materiais e processos educativos visando à alta qualidade da aprendizagem. Além
disso, confere maior contextualização às aulas, está em contato direto e freqüente com
os conteudistas e com alunos avaliadores (veja o boxe a seguir), de forma a discutir e
estabelecer a metodologia de aprendizagem que integra o projeto político-pedagógico
da instituição.
Figura 10.2: O Setor de Desenvolvimento Instrucional do CEDERJ
tem um importante papel de articulação tanto com os professores
conteudistas quanto com os demais setores envolvidos na
elaboração do material didático impresso. Nesse sentido, é um setor
central ao consórcio.
Fonte: www.sxc.hu
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Aula 10 – Etapas de produção de material didático impresso para EAD: compartilhando uma experiência
Como não existe, no Brasil, um curso superior que forme profissionais de Desenho
Instrucional, o perfil desejado para o Setor de Desenvolvimento Instrucional é variado
e depende das capacidades de cada candidato ao cargo de desenhista, de sua visão
pedagógica, de seu potencial criativo, de sua percepção no que se refere à integridade
das informações veiculadas como parte do conteúdo de uma aula. Portanto, o
desenhista instrucional pode ter sua formação original em diversas áreas de saber, o
que faz com que você possa perfeitamente encontrar jornalistas, biólogos, pedagogos,
físicos, administradores, psicólogos e lingüistas dentre os profissionais que integram
esse setor. Em sua maioria, são profissionais com perfil acadêmico, de forma a tornar
mais rico o diálogo com os professores conteudistas.
P
ara Otto Peters, um renomado pesquisador da
Educação a Distância, a diferença mais óbvia
entre a tradição acadêmica e os processos
de ensino a distância é a substituição do
falar-ouvir síncrono pelo ler-escrever
assíncrono, um padrão de comunicação
relativamente novo e comparativamente
difícil. Nesse contexto, conciliar qualidade de
conteúdo com qualidade instrucional é uma
competência que, para ser desenvolvida, requer
estudo e prática, além de uma sólida parceria entre
todos os envolvidos na produção do material didático de
uma instituição de Educação a Distância (Peters 2002).
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Fonte://www.sxc.hu/photo
Figura 10.3: Em função do contato direto com
os professores, da cooperação na elaboração das
aulas, da necessidade de um perfil multifacetado e
dos prazos exíguos a que a equipe deve obedecer,
o Setor de Desenvolvimento Instrucional é visto, de
forma bem-humorada, como o “olho-do-furacão”
da instituição.
Fonte: www.sxc.hu
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Planejamento e elaboração de material didático impresso para EAD - elementos instrucionais e estratégias de ensino
Portanto, essa é uma equipe dinâmica, que privilegia discussões teóricas em
práticas sobre EAD, que se envolve em processos de capacitação internos voltados
para criatividade, mediação e aprendizagem flexível, além de definir, coletivamente,
parâmetros adotados na análise das aulas e que orientam o trabalho junto aos
professores conteudistas.
Mãos na massa: a oficina
Ao buscarmos um professor conteudista para elaborar aulas do CEDERJ, não
priorizamos - nem poderíamos - um conhecimento prévio em educação superior
a distância, mas o conhecimento em sua área de saber específica: Física, Biologia,
Pedagogia, Matemática, Administração etc.
Se, por um lado, sua riquíssima experiência como docente é a assinatura da
substância das aulas, por outro, a maior parte da sua produção textual provavelmente
se refere a artigos científicos, capítulos de livros ou mesmo materiais impressos de apoio
para seus cursos presenciais. Essa produção acadêmica não está no centro do processo
de ensino e aprendizagem na sala de aula presencial, onde motivar, informar, gerar
perguntas valiosas, antecipar dificuldades, estabelecer relações entre os participantes
e estimular a criação de vínculos são tarefas realizadas de forma síncrona, tipicamente
pelo professor, tipicamente por você.
Para cumprir o desafio de se colocar, assim como todos os seus atributos de
professor, dentro de uma produção textual, optamos por iniciar a parceria que se
forma, entre professores e técnicos do CEDERJ, por meio de uma oficina de um dia
inteiro – aproximadamente 8 horas de trabalho - com cada grupo de 10 a 15 novos
conteudistas.
Figura 10.4: No CEDERJ, é fundamental
a parceria formada entre professores
conteudistas e desenhistas instrucionais,
web-designers, roteiristas, ilustradores,
programadores visuais, entre outros
profissionais que integram o quadro
técnico do Consórcio.
Fonte: www.sxc.hu

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Aula 10 – Etapas de produção de material didático impresso para EAD: compartilhando uma experiência
Como esse intervalo de tempo é exíguo, definimos que o principal objetivo da
oficina é sensibilizar os conteudistas em relação aos principais temas discutidos
nas aulas anteriores e oferecer oportunidades de prática das técnicas instrucionais
necessárias aos primeiros passos na elaboração de um bom material impresso para
Educação a Distância. O restante do conhecimento é construído ao longo do
processo de elaboração das aulas e em reuniões com a equipe que integra o Setor de
Desenvolvimento Instrucional.
A seguir, o programa proposto para aproximadamente 8 horas de trabalho junto
dos professores:
Programa da oficina:
09:00 - 09:45 Apresentação do Projeto Político-Pedagógico do Consórcio CEDERJ.
Presidente da Fundação CECIERJ.
09:45 – 10:15 Dinâmica 1 (voltada para objetivos de aprendizagem e linguagem) -
Diálogos sucessivos de Bordenave & Pereira (1977), para sensibilizar
os conteudistas acerca da substituição do falar-ouvir síncrono pelo
ler-escrever assíncrono e da importância da clareza e precisão da
linguagem na compreensão de uma informação.
Equipe de Desenvolvimento Instrucional.
10:15 – 10:30 Intervalo.
10:30 – 11:00 Exposição de pressupostos teóricos acerca de objetivos de
aprendizagem claros e precisos.
Equipe de Desenvolvimento Instrucional.
11: 00 – 12: 00 Atividade 1 (voltada para objetivos de aprendizagem) – Prática de
elaboração de metas e objetivos de aula com base nas disciplinas
pelas quais os conteudistas são responsáveis.
Equipe de Desenvolvimento Instrucional.
12:00 – 13:30 Almoço.
13:30 – 14:15 Universidade Virtual - Apresentação da Plataforma CEDERJ e dos
recursos multimeios disponíveis para a elaboração das aulas na web.
Equipes das Webs, Equipe das Comunidades Virtuais e Equipe
de Vídeo.
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Planejamento e elaboração de material didático impresso para EAD - elementos instrucionais e estratégias de ensino
14:15 – 14:45 Atividade 2 (voltada para a linguagem) – Prática de redação de
uma instrução precisa a partir de uma situação-problema proposta
aos conteudistas. Revisão de um texto truncado de uma área
de conhecimento distinta daquelas em que os conteudistas são
especialistas.
Equipe de Desenvolvimento Instrucional.
14:45 – 15:10 Exposição de pressupostos teóricos acerca da redação clara dos
sistemas articulados de arquitetura da informação.
Equipe de Desenvolvimento Instrucional.
15:10 – 15:30 Formato diagramático e recursos imagéticos do material impresso.
Equipe de Diagramação, Equipe de Ilustração, Equipe de Direitos
Autorais.
15:30 – 15:50 Dinâmica 2 (voltada para a aprendizagem ativa) – Realização, pelos
conteudistas, de atividades propostas em dois formatos diferentes,
de forma a sensibilizá-los quanto à importância de um material
que promova o engajamento dos alunos e a aplicação de conceitos
e teorias.
Equipe de Desenvolvimento Instrucional.
15:50 – 16:15 Exposição de pressupostos teóricos acerca de dois modelos de
atividade para o material impresso.
Equipe de Desenvolvimento Instrucional.
16:15 – 17:00 Atividade 3 – Prática de elaboração de uma atividade de cada
modelo relacionada aos objetivos elaborados anteriormente.
Equipe de Desenvolvimento Instrucional.
17:00 – 17:30 – Instruções acerca de prazos e procedimentos. Fechamento da
oficina.
Equipe de Desenvolvimento Instrucional e Equipe de Fluxo de
Material Didático.
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Aula 10 – Etapas de produção de material didático impresso para EAD: compartilhando uma experiência
Ainda voltando às idéias de Otto Peters, as discussões decorrentes das dinâmicas e
práticas vivenciadas durante a oficina reforçam o quanto “falar e ouvir face a face (...) é
um padrão cultural universal e (...) transmite uma sensação de segurança a professores
e alunos”. A partir das atividades propostas, os conteudistas percebem, por exemplo,
que metas ou objetivos que julgavam claríssimos podem não estar tão claros para
outro professor que, não raramente, seja da mesma grande área de atuação. Da mesma
maneira, a prática de elaboração de atividades revela o quanto é necessário rompermos
com paradigmas educacionais que há décadas reproduzem um sistema educacional
centrado na transmissão de conteúdo e não em sua utilização. Os professores se
colocam, assim, na posição de alunos de um sistema de ensino a distância, favorecendo,
finalmente, de forma prática e pragmática, a mudança de foco tipicamente associada à
Educação a Distância.
Fluxo e divisão de trabalho
Após participar da oficina, cada professor tem prazo de uma semana para elaboração
da primeira aula da disciplina pela qual é responsável. Essa aula é encaminhada ao
Setor de Fluxo de Material Didático, que a distribui para todos os setores do Consórcio
CEDERJ envolvidos no processo (ver diagrama abaixo).
Conteudista Fluxo
Revisão
Fluxo
Reunião
A aula está pronta?
Produção gráfica
Não
Sim
Direitos
Avaliação
Biblioteca
Ilustração
Web/vídeo
Revisão
Ilustração Avaliação
Conteudista
Biblioteca
Direitos autorais
web/vídeo
O conteudista levará
uma cópia impressa
da aula para fazer as
alterações necessárias
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Planejamento e elaboração de material didático impresso para EAD - elementos instrucionais e estratégias de ensino
Após mais uma semana, dois desenhistas instrucionais se reúnem com o
conteudista para discutir as intervenções sugeridas no que se refere à linguagem,
atividades, arquitetura da informação etc. Esses desenhistas irão acompanhar o
desenvolvimento da disciplina, da primeira à última aula. No final dessa aula, o Anexo
I mostra a ficha completa utilizada como referência para a análise do material didático
pelos desenhistas instrucionais.
Na ocasião da reunião, os demais setores envolvidos na elaboração do material
didático comparecem e apresentam e discutem suas sugestões, levantando novas
questões e propondo soluções de abordagem para cada uma. Os desenhistas
instrucionais conduzem o processo junto com o professor, e uma nova versão é
proposta para a aula, a partir do trabalho colaborativo dos diversos profissionais.
Figura 10.5: Reunião entre desenhistas instrucionais e professores conteudistas.
Uma mesma aula pode demandar mais de uma reunião até que seja aprovada, em
caráter final, pelo conteudista e pela dupla de desenhistas instrucionais, antes de ser
encaminhada à produção gráfica.
A produção do material didático impresso de uma disciplina de 60 horas leva,
aproximadamente, 39 semanas, afora as 4 semanas necessárias à distribuição. Para
essa carga de produção, são envolvidos dois professores que dividem a elaboração do
conteúdo.
Cada disciplina conta com dois desenhistas instrucionais. Cada desenhista com
dedicação exclusiva ao setor pode arcar com até 6 disciplinas, em um fluxo normal de
produção, conforme o cronograma disponível no Anexo II, ao final desta aula.
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Aula 10 – Etapas de produção de material didático impresso para EAD: compartilhando uma experiência
Redação Final
Agora vou contar um “causo” para você. Uma vez fui chamada, de repente, para
uma reunião com meu diretor direto. Além de nós, havia um grupo de futuros parceiros
presentes, discutindo um projeto educacional conjunto, inclusive o material didático
impresso. Aconteceu de, por engano, uma aula que ainda estava em processo de análise
no Setor de Desenvolvimento Instrucional ser submetida à apreciação desses parceiros,
no formato em que havia sido entregue originalmente. Por uma peça que me pregou
o destino, era, talvez, a pior aula que passou por minhas mãos como coordenadora do
setor. Não havia muito tempo para contornar o problema, visto que chefe e parceiros
estavam visivelmente insatisfeitos com o que lhes havia sido apresentado como um
produto final. Fiz o que pude, deixando claro que havia algumas etapas para serem
cumpridas junto com os autores da aula, antes que pudéssemos apreciar uma versão
definitiva.
A certa altura, finda a reunião, fui novamente chamada à presença do diretor-
geral de material didático do CEDERJ, que me cobrou, para ontem, uma nova
versão daquela aula, a fim de que fosse outra vez submetida à apreciação de todos.
Não era minha área de saber específica. Era uma sexta-feira, final do dia. Não havia
como contactar os professores conteudistas. Sem muitas opções restantes, saí dali, fui
direto a uma livraria, comprei três livros introdutórios sobre o assunto em questão e
passei o fim de semana reformulando a aula, cujo conteúdo era bom, mas o formato
instrucional era de deixar qualquer aluno de cabelo em pé!
Resultado: inseri informações, reformulei as atividades propostas, pensei em uma
arquitetura da informação mais engendrada, criei caixas de explicação expandida e
caixas de conexão com outras mídias que estabeleciam relações com outros conteúdos,
selecionei imagens que ilustravam os tópicos discutidos na aula, fiz intervenções mais
expressivas que de costume e, no final, transformei duas aulas comprometidas em três
aulas mais integradas, mais estruturadas e mais interessantes. Diferentemente dos
desenhistas instrucionais, que trabalham em cima de arquivos impressos, trabalhei
diretamente em uma versão eletrônica da aula. Isso tudo, mantendo o conteúdo
originalmente proposto pelos autores.
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Planejamento e elaboração de material didático impresso para EAD - elementos instrucionais e estratégias de ensino
Essa foi uma situação de emergência. Não havia tempo para fazer diferente. Mas me
apercebi de que o processo que acabara de vivenciar poderia ser adotado em situações
em que, por exemplo, um professor demonstrasse grande dificuldade em produzir uma
aula que atendesse aos pré-requisitos instrucionais considerados fundamentais para
a proposta do CEDERJ. Ou quando o tempo urgisse, como sempre, e a necessidade
imperativa do cumprimento de prazos nos forçasse a uma solução para contornar os
gravíssimos problemas gerados quando um professor não respeita o cronograma de
produção de aulas previamente acordado.
Surgiu assim a figura do redator final, um desenhista instrucional com função
diferenciada que, com a anuência do professor, se encarrega de somar elementos
instrucionais à versão final da aula que ainda carece de intervenções mais
significativas.
Normalmente, o próprio professor conteudista é responsável por implementar as
sugestões decorrentes da parceria com os desenhistas instrucionais e demais técnicos
do Consórcio. Especialmente, após uma capacitação longa e detalhada como a
que você acabou de vivenciar. No entanto, em alguns casos, uma intervenção mais
significativa pode se fazer necessária para garantir aulas compatíveis com um projeto de
EAD concebido para apresentar um nível de qualidade alto.
Figura 10. 6: O redator final é um desenhista instrucional que exerce uma
intervenção mais expressiva nas aulas quando há necessidade de cumprimento de
prazos emergenciais ou quando a versão final de uma aula ainda requer atenção
e trabalho adicionais.
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Aula 10 – Etapas de produção de material didático impresso para EAD: compartilhando uma experiência
Qual o tempo de uma página?
No Consórcio CEDERJ, uma aula é prevista para ser estudada (não lida) em duas
horas. Normalmente, o número total de páginas fica entre 20 e 25, com tudo incluído,
desde o título até a bibliografia consultada.
Pedimos aos professores que trabalhem com fonte Arial 12, espaçamento de 1,5
linhas, de forma que o número de páginas do arquivo Word que nos enviam acabe
equivalendo ao número de páginas diagramadas.
Sempre lembramos que, nas aulas presenciais, não ultrapassamos o tempo
disponível para nossas disciplinas e que, da mesma forma, devemos obedecer à carga
horária planejada para o aluno que se inscreveu em um curso oferecido na modalidade
à distância.
Figura 10. 7: Seu tempo voa... O do aluno também. Atenção ao
planejar sua aula, o número de páginas e as informações que ela
contém. Lembre-se de que o aluno não é alguém que não tem
tempo para estudar. Ele tem. Mas é preciso que ele consiga dispor
desse tempo para aprender o que você tem para ensinar.
Fonte: www.sxc.hu
É fundamental termos disciplina para a seleção dos conteúdos que desejamos
incluir em cada aula e capacidade para optar por temas que ofereçam conexões,
manifestas ou latentes, com outras áreas de investigação, de forma a abrir portas para
o aluno continuar, autonomamente, sua aprendizagem, de acordo com seu tempo
disponível, possibilidade e interesse.
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Planejamento e elaboração de material didático impresso para EAD - elementos instrucionais e estratégias de ensino
Avaliação Discente
No CEDERJ, todas as aulas de todas as disciplinas de todos os cursos passam
pelo crivo de alunos e tutores que contribuem para a construção do material didático
impresso do Consórcio.
Cada disciplina é avaliada por, aproximadamente, 3 alunos e 2 tutores, que recebem
uma bolsa para analisar as aulas e, posteriormente, preencher um questionário semi-
quantitativo contendo questões acerca dos aspectos instrucionais considerados
relevantes em cada uma delas.
Os alunos selecionados são indicados pelos diretores de pólo em função de seu
desempenho no curso em que estão inscritos, sua assiduidade às atividades curriculares
e extra-curriculares propostas, além de sua facilidade de acesso diário a um endereço
eletrônico. Nesse momento, o foco é conceber uma aula que passou pelo olhar crítico
de um aluno atento e dedicado, com perfil diferenciado. Posteriormente, a totalidade
de alunos do CEDERJ participa da avaliação institucional do Consórcio, em todas as
suas dimensões, inclusive os materiais didáticos.
Figura 10. 8: Alunos avaliadores: um olhar fundamental no momento da construção das
aulas do Consórcio CEDERJ.
Fonte: www.sxc.hu
A participação dos tutores, presenciais ou a distância, traz uma contribuição de valor
inestimável. Sua experiência com os alunos do CEDERJ permite apontar aspectos
que podem suscitar dúvidas e que, portanto, merecem atenção especial. Fica mais fácil
antecipar e contornar problemas, uma prática importante para a Educação a Distância.
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Aula 10 – Etapas de produção de material didático impresso para EAD: compartilhando uma experiência
Alunos e tutores dispõem do mesmo tempo que os desenhistas instrucionais para
avaliar cada aula: uma semana. Ao final desse período, os questionários preenchidos
são devolvidos e as observações repassadas aos professores conteudistas, por ocasião
da reunião. Cada aluno ou tutor avalia de 4 a 6 disciplinas, em um ritmo normal de
produção.
Ao final desta aula, você encontrará o Anexo III com a cópia do questionário
repassado aos avaliadores.
Produção Gráfica
Considerado pronto, o material didático impresso vai para a produção gráfica,
última etapa antes de chegar ao aluno do CEDERJ.
No Setor Editorial, dentre outras atividades realizadas, uma equipe de ilustradores
se encarrega de desenhar figuras a partir de solicitações escritas ou de imagens de
referência apresentadas pelo professor, de forma a personalizar cada aula e incrementar
o papel do elemento imagético na aprendizagem.
Trecho da aula originalmente enviada pelo
conteudista:
“(...)
que preços cobrar sobre os produtos ou
serviços oferecidos;
-que descontos oferecer sobre os
produtos ou serviço da empresa;
- onde e quando anunciar;
- o que dizer aos clientes e como dizê-lo.
Enfim... É o motor que conduz todas as
atividades de uma Empresa.
Vendedores de porta em porta
Outdoors
Anúncios de revista
(...)”
Figura 10. 9: A partir de uma solicitação escrita feita
pelo professor conteudista, o ilustrador cria uma
imagem personalizada para a aula.
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Planejamento e elaboração de material didático impresso para EAD - elementos instrucionais e estratégias de ensino
Para agilizar o processo de ilustração das aulas, uma boa idéia é você investigar
alguns sites que oferecem imagens para uso livre, sem necessidade de concessão de
direitos autorais. Nem sempre isso é possível, pois, com freqüência, ao conceber
uma aula, você tem em mente uma imagem muito específica e, usualmente, as
fotos disponíveis não atendem ao objetivo. Daí é preciso, naturalmente, recorrer às
habilidades dos ilustradores.
De toda forma, uma boa fonte de busca é o site húngaro www.sxc.hu, onde fotos
de ótima qualidade são disponibilizadas e a única providenciar a tomar antes de usá-las
é garantir a autoria da imagem nos materiais impressos e enviar um e-mail de cortesia
para o fotógrafo, informando a utilização. A maioria das fotografias que você viu em
todas as nossas aulas foram obtidas a partir desse site. É só conferir a fonte.
Após o trabalho dos ilustradores ser concluído, uma equipe de profissionais
experientes confere às aulas uma programação visual elegante, arejada, adequada à
Educação a Distância, trazendo leveza ao material e facilitando o estudo.
originais.
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Aula 10 – Etapas de produção de material didático impresso para EAD: compartilhando uma experiência
Figura 10.11: O programador visual é responsável pela organização formal
dos elementos visuais e textuais. Deve dispor a informação de forma clara e
prazerosa.
4ELEMARKETINGn/QUE£ESTAFERRAMENTADEMARKETING
funcionava em
qualquer lugar,
pois as torres
de comunica-
ção telefônica
3AIBAMAIS
Na decada de 1990, com a expansão da telefonia no Brasil,
os contatos diretos começaram a se ampliar por meio dos famosos
e já quase extintos PAGERS.
Os PAGERSeram aparelhos que transmitiam mensa-
gens escritas (como um torpedo nos dias atuais).
sagens. Quando
alguem precisava
enviar a mensa-
gem, ligava para a
Central de Atendi-
mento da empresa
de
código do aparelho
para o qual pretendia mandar a mensagem e a ditava
para o operador que, automaticamente, enviava-a ao receptor.
3AIBAMAIS
Fonte: http://www.sxc.hu/photo/426032
Fonte: http://www.sxc.hu/photo/426032
4ELEMARKETINGn/QUE£ESTAFERRAMENTADEMARKETING
Aula 1

Existem dois tipos de marketing: o direto e o indireto.
Vamos saber um pouco mais sobre eles a seguir.
/
QUEÏM
ARKETINGDIRETO Diferentemente do que faziam os vendedores de antigamente
(que iam de porta em porta oferecer um produto), o marketing
direto e uma ferramenta de publicidade utilizada para produzir
lucro, sem ser necessário o contato pessoal. E uma opção que traz
vantagens como: baixo custo, relacionamento individual (apenas
um consumidor de cada vez), rapidez e, alem disso, escolha do
publico que se deseja atingir. O marketing direto utiliza vários tipos de comunicação
como, por exemplo:
·
jornais - usados diariamente por consumidores em geral, apre-
sentam maior volume de anuncios nas edições de domingo;
Fonte: http://www.sxc.hu/photo/418651
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Planejamento e elaboração de material didático impresso para EAD - elementos instrucionais e estratégias de ensino
Aula 2 )NSTALA½µESPREDIAISDEÕGUAFRIA
E como fazer isso se eu disser que, na obra de que estamos
falando, o piso ainda não está pronto?
Em uma situação como esta, você não poderá medir com o
metro a altura do piso ate o local onde a torneira será instalada.
Então, como assegurar que os pontos estarão na mesma altura?
E isso que você descobrirá nesta aula prática!
Você terá de utilizar uma mangueira de nível, que nada
mais e do que uma mangueira do tipo cristal, cheia de água, que
será utilizada como vaso comunicante. Para visualizar o papel da
mangueira neste experimento, volte à Figura 2.7. Você verincará
caso, aplicamos o princípio dos vasos comunicantes.
gua ao longo de toda mangueira, podemos considerar
resenta um vaso comunicante.
precisará tambem de um ajudante, que pode ser um
urso que fará essa prática com você no pólo. Veja passo
mo você deve proceder:
MEIROVOCãDEVESEPARARASFERRAMENTASDETRABALHO
as fotos da atividade foram feitas pelo fotógrafo Rauf,
pelo CEDERJ.
- Mangueira de nível tipo cris-
tal (com diâmetro de 7 a 15
milímetros). Nas obras, o com-
primento da mangueira varia
muito. Nessa prática, você usará
cerca de 5 metros de mangueira.
- Um lápis para marcar (recomenda-se usar lá-
pis de carpinteiro).
PARANDOAATIVIDADE
bre a mangueira ao meio
endo um U) e aproxime
extremidades lado a lado,
hadas.
)NSTALA½µESPREDIAISDEÕGUAFRIA
Aula 2

- Comece a encher a man-
gueira de água ate que
restem cerca de 50cm sem
água em cada extremi-
dade. Certin que-se de que
não há nenhuma bolha.
- Peça a seu ajudante que
n que segurando a man-
gueira pelas duas extremi-
dades enquanto você rea-
liza o passo seguinte.
C!GORAVOCãDARÕIN¤CIOÍSETAPASPARAFAZERATRANSFERãNCIA
DEN¤VEL
- Utilizando o lápis de
carpinteiro, marque na
parede o local exato
onde você quer instalar
o primeiro ponto de
utilização
(torneira),
fazendo uma linha de
aproximadamente 3cm.
Essa linha servirá de base para medir o outro ponto de ins-
talação.
- Pegue uma das extremidades
da mangueira de volta. Tampe
a extremidade com o dedo
polegar e recomende que seu
ajudante faça o mesmo.
- Encoste a extremidade da
mangueira que está com você
no lugar escolhido para o
primeiro ponto de instalação.
Figura 10. 12: Uma diagramação arejada traz elegância e facilita a leitura do
material impresso.
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Aula 10 – Etapas de produção de material didático impresso para EAD: compartilhando uma experiência
Além da ilustração e da programação visual, outros estágios envolvidos na produção
gráfica do material didático impresso do Consórcio CEDERJ incluem o copidesque,
a primeira etapa de revisão do texto, ainda nos originais, zelando pela clareza, coesão
e adequação do conteúdo e a revisão tipográfica, responsável pela última leitura do
livro. Nessa fase, são corrigidos erros gramaticais, verificada a clareza do texto e o
posicionamento de figuras, boxes e verbetes.
Após as etapas do copidesque e revisão tipográfica, o envio dos arquivos gerados
para impressão é responsabilidade do produtor gráfico, que acompanha ainda a
produção do material junto à gráfica, controla a qualidade da impressão e os prazos
de entrega, obedecendo ao cronograma em que permite ao aluno ter então, à sua
disposição, módulos com as aulas de cada disciplina que integra a grade curricular de
seu curso, no início de cada período letivo.
Aulas na Web
Embora a etapa de produção das aulas na web não faça parte da elaboração do
material didático impresso, os processos são, naturalmente, bastante relacionados.
Para começar, quanto melhor for a produção das aulas que passam pelo Setor
de Desenvolvimento Instrucional, maiores serão as chances de as equipes das
webs realizarem um trabalho de recriação em cima dos textos originais, de forma a
transcodificar, de fato, a linguagem escrita naquela própria do ambiente digital.
Essa transcodificação não é uma tarefa fácil. Não queremos, simplesmente, criar
um livro eletrônico e, assim, deixar de aproveitar os recursos únicos da mídia digital
para melhorar a qualidade da aprendizagem de nossos alunos. Em uma conversa com
a Profa. Sonia Rodrigues, discutindo precisamente essa questão, ela declarou, de forma
muito pertinente que, de saída, é preciso fazer algumas perguntas para garantir que as
aulas na web tenham linguagem própria:
• Que pontos de um determinado conteúdo se prestam à especificidade do meio
digital?
Normalmente, aqueles associados a movimentos, a diferentes ângulos de visão, ao
uso detalhado das cores, a recursos sonoros, dentre outros elementos representados e
explorados de forma realista em materiais didáticos digitais (ver caixa a seguir).
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Planejamento e elaboração de material didático impresso para EAD - elementos instrucionais e estratégias de ensino
A Vida Interna de uma Célula (The Inner Life of a Cell) é um filme de 8 minutos criado pela XVIVO,
uma empresa de animação científica americana que mostra mecanismos moleculares jamais
vistos. Particularmente impressionante é a possibilidade de visualizar processos desencadeados
desde dentro da célula como, por exemplo, a maneira pela qual nossas células brancas são
sensibilizadas e respondem a estímulos externos. Você não é da área biomédica? Assim mesmo,
no seu lugar, ia correndo conferir:
http://www.studiodaily.com/main/technique/tprojects/6850.html
Multimídia
• Quais partes do conteúdo permitem uma multiplicidade de conexões?
A idéia de conexões explorada na Aula 4 ganha potencialidade máxima em uma aula
concebida para o ambiente digital e para a internet. Recursos tais como hipertextos,
hiperlinks e inúmeros processos interativos estão a serviço de sua criatividade para
elaborar uma aula com vida própria.
• Quais partes do conteúdo permitem maior autoria do aluno em sua própria
aprendizagem?
Esse ponto é um importante desdobramento do item anterior (conexões). Uma
das maiores e melhores possibilidades associadas ao uso da internet na Educação é o
desdobramento do conteúdo controlado pelo aluno. Pelos alunos! Além de recursos
habituais, como fórum de discussão ou chats, há uma infinitude de maneiras de
garantir ao aprendiz autoria em sua própria aprendizagem. Jogos variados, praticados
individual ou coletivamente, são um excelente caminho para isso. Os próprios
hiperlinks representam janelas colocadas pelo professor à disposição do aluno, mas
podem ser exploradas de formas variadas e abrem novos e imprevisíveis caminhos a
partir dos quais o controle sobre nossos aprendizes rapidamente foge de nossas mãos.
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265
Aula 10 – Etapas de produção de material didático impresso para EAD: compartilhando uma experiência
Vale a pena conferir, na caixa a seguir, algumas idéias do sociólogo Marco Silva e
sua Pedagogia do Parangolé.
Pedagogia do Parangolé
“(...)
E
m nossos dias, mesmo ganhando maturidade teórica e técnica com o desenvolvimento
da internet e dos games, o termo interatividade sofre banalização quando usado como
“argumento de venda” em detrimento do prometido mais comunicacional. Basta ver a enxurrada
de aplicações do termo, desde xampu interativo e tênis interativo até mesmo a escola interativa,
nesse caso apenas por estar equipada com computador e internet e não por superar a velha
pedagogia da transmissão.
(...)
Vale a pena atentar para o sentido depurado do termo interatividade, que encontra seus
fundamentos na arte “participacionista” da década de 1960, definida também como “obra
aberta” por Umberto Eco. O “parangolé” do artista plástico carioca Hélio Oiticica é um exemplo
maravilhoso dessa arte.
O parangolé rompe com o modelo comunicacional baseado na transmissão. Ele é pura
proposição à participação ativa do “espectador” - termo que se torna inadequado, obsoleto.
Trata-se de participação sensório-corporal e semântica, e não de participação mecânica. Oiticica
quer a intervenção física na obra de arte, e não apenas contemplação imaginal separada da
proposição. O fruidor da arte é solicitado à “completação” dos significados propostos no
parangolé. E as proposições são abertas, o que significa convite à co-criação da obra. O indivíduo
veste o parangolé, que pode ser uma capa feita com camadas de panos coloridos que se revelam
à medida que ele se movimenta, correndo ou dançando.
(...)
Inspirado no parangolé, o professor propõe o conhecimento aos estudantes, como o artista
propõe sua obra potencial ao público. Isso supõe, segundo Thornburg & Passarelli, “modelar os
domínios do conhecimento como ‘espaços conceituais’, onde os alunos podem construir seus
próprios mapas e conduzir suas explorações, considerando os conteúdos como ponto de partida,
e não como ponto de chegada no processo de construção do conhecimento”. A participação do
aluno se inscreve nos estados potenciais do conhecimento arquitetados pelo professor, de modo
que evoluam em torno do núcleo preconcebido com coerência e continuidade. O aluno não está
mais reduzido ao olhar, ouvir, copiar e prestar contas. Ele cria, modifica, constrói, aumenta e,
assim, torna-se co-autor. Exatamente como no parangolé, ao invés de se ter obra acabada, têm-
se apenas seus elementos dispostos à manipulação.”
Fonte: Marco Silva, Sala de Aula Interativa
M
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266
Planejamento e elaboração de material didático impresso para EAD - elementos instrucionais e estratégias de ensino
• Que pontos de um determinado conteúdo são essenciais, sem os quais o aluno
não sobrevive?
Novamente aqui, selecionar é fundamental. Selecionar o que é decisivo para a
aprendizagem do aluno, selecionar o que é passível de ser explorado no ambiente
digital, selecionar o que é possível realizar com os recursos disponíveis, selecionar o
que é viável realizar no tempo disponível. Priorize os pontos nucleares, em vez de todo
o conteúdo de uma aula. Normalmente, não vale a pena, nem é possível, explorar todos
os temas em uma aula da web. Não é para isso que ela está ali. Está ali para trazer uma
possibilidade de aprendizagem diferenciada, que some àquela a partir de outras mídias,
que contribua, de forma própria, para a exploração do saber, feita pelo aluno.
Há outras perguntas que devemos nos fazer ao conceber uma aula digital em sua
plenitude. Mas isso é conversa para outra hora. Quis apenas trocar com você algumas
idéias que possam ser úteis, futuramente, para o seu trabalho. Então, vamos voltar ao
nosso material didático impresso?
Desvendando Enigmas
Muito mais desafiador que solu-cionar um quebra-cabeças mecânico é organizar
idéias, articular informações e concluir processos.
Por meio de cada etapa desse intrincado processo de produção, que se inicia em você,
procuramos garantir que todos os conteúdos acadêmicos e a abordagem pedagógica
sejam adequados aos objetivos metodológicos da instituição e ao perfil dos alunos.
Com o material impresso, procuramos garantir o acesso democrático ao conhecimento
e o atendimento às necessidades particulares dos estudantes. Estamos sempre atentos
aos resultados do trabalho, ao aproveitamento dos alunos, às estratégias didáticas, às
mídias; atentos ainda às demandas do mercado de trabalho na comunidade.
Procuramos, ao longo dessas dez aulas, mostrar caminhos possíveis, a partir dos
quais você pudesse fazer escolhas e criar novos rumos, somando ainda ao seu saber, à
sua experiência, as perspectivas propostas por outros autores.
Em vez de soluções, gostaria de trazer questões cujas respostas, espero, sejam uma
busca permanente em seu trabalho como educador:
• As inovações decorrentes da Educação a Distância estão avançando mais
rapidamente do que nossa compreensão acerca de suas aplicações práticas?
• Dominamos a pedagogia por trás da tecnologia?
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Aula 10 – Etapas de produção de material didático impresso para EAD: compartilhando uma experiência
• Estamos levando em conside-
ração as habilidades de nossos alunos
no uso da tecnologia?
• Podemos garantir que todos os
processos cognitivos são compatíveis
com a aprendizagem a distância
mediada exclusivamente por recursos
tecnológicos sem a intervenção da
presencialidade?
• Como criar ambientes para favo-
recer a aprendizagem?
• Como lidar com necessidades paradoxais como redução de custos e aumento do
acesso à educação superior e ao ensino e aprendizagem de qualidade?
• Como mudar de um modelo no qual decisões-chave são tomadas por professores
para outro em que um grande espectro de opções está nas mãos do aprendiz?
Essas são questões desafiadoras a que ainda não podemos responder completamente.
Creio que, em grande medida, a resposta a essas perguntas só poderá surgir da
combinação de diversas faces que investem no trabalho do educador como “arte”, onde
vocação e intuição pedagógica se somam à prática da Educação a Distância a partir de
um conjunto de técnicas que lhe são próprias, adequadas ao desenvolvimento natural
da aprendizagem nessa modalidade.
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Planejamento e elaboração de material didático impresso para EAD - elementos instrucionais e estratégias de ensino
Resumo
A
qualidade necessária à elaboração de materiais didáticos
impressos para Educação a Distância começa em você. No
Consórcio CEDERJ, há outros profissionais colaborando nesse
sentido. O Setor de Desenvolvimento Instrucional é responsável pela
capacitação dos professores conteudistas e pelo acompanhamento
da elaboração de todas as disciplinas do Consórcio. Desenhistas
instrucionais que integram a equipe têm perfil e formação variados,
onde visão pedagógica, potencial criativo e percepção da integridade
de informações são aspectos que indicam bons profissionais nessa
área. O redator final é um desenhista instrucional que exerce uma
intervenção mais expressiva nas aulas quando há necessidade de
cumprimento de prazos emergenciais ou quando a versão final de uma
aula ainda requer atenção e trabalho adicionais.
Alunos e tutores do CEDERJ trabalham como avaliadores “externos”
e contribuem para a construção das aulas do Consórcio por meio
da análise do material didático impresso e do preenchimento de um
detalhado questionário.
Os professores conteudistas do Consórcio CEDERJ participam de uma
oficina de capacitação, com um dia de duração, antes de iniciarem a redação
das aulas. O principal objetivo dessa oficina é sensibilizar os conteudistas
em relação aos principais temas relativos à EAD e oferecer oportunidades
de prática das técnicas instrucionais necessárias aos primeiros passos na
elaboração de um bom material impresso para Educação a Distância.
No Consórcio, uma aula é prevista para ser estudada em duas horas. O
número total de páginas de cada aula fica entre 20 e 25.
No Setor Editorial, uma equipe de ilustradores se encarrega de desenhar
figuras a partir de solicitações escritas ou de imagens de referência
apresentadas pelo professor. O programador visual é responsável
pela organização formal dos elementos visuais e textuais, garantindo
leveza e facilitando o estudo de cada aula. Outros estágios envolvidos
no Setor Editorial incluem o copidesque, a revisão tipográfica e a
produção gráfica das aulas.
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Aula 10 – Etapas de produção de material didático impresso para EAD: compartilhando uma experiência
Outras equipes que integram o processo desde o início fazem parte dos
setores de Web, Vídeo, Direitos Autorais, Biblioteca e Fluxo de Material
Didático. Este último é responsável pela tramitação das aulas entre
todos os setores, a fim de que não se perca o controle de nenhuma
etapa do processo.
Leitura recomendada
Silva, M. 2000. Sala de aula interativa. Editora Quartet, RJ. 232pp.
Peters, O. 2002. Distance Education in Transition. Oldenburg (Germany) Bibliotiks - und
Informationssystem der Universität Oldenburg.
Bibliografia consultada
Peters, O. 2002. Distance Education in Transition. Oldenburg (Germany) Bibliotiks - und
Informationssystem der Universität Oldenburg.
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Anexo 1
Parâmetros de
avaliação de elementos
instrucionais de uma aula
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272
Planejamento e elaboração de material didático impresso para EAD - elementos instrucionais e estratégias de ensino
A CRITÉRIOS ESSENCIAIS Sim Não OBS
A aula como um todo
1
Os objetivos da aula estão claros e
precisos: possuem verbos precisos não
são amplos e vagos, são mensuráveis por
uma atividade.
2
Os objetivos estão relacionados aos
núcleos conceituais.
3
Os objetivos estão relacionados às
atividades.
4
Os núcleos conceituais estão
organizados em diferentes seções.
5
A linguagem está clara: precisa,
objetiva, possui sentenças em ordem
direta, períodos curtos; não faz uso de
vocabulário excessivamente complexo; é
concisa; possui conectivos (conjunções
e preposições) que encadeiam as idéias
corretamente, clarificando a progressão
do conteúdo.
6
Há atividades entremeadas e com
respostas comentadas ou comentários
que explicam e justificam o acerto e
possíveis erros dos alunos.
7
Há atividades em número suficiente
para aplicação do volume de
informações oferecido na aula.
B. CRITÉRIOS DIFERENCIAIS Sim Parc Não OBS
B.1. Elementos de organização prévia
8
A meta esclarece o(s) conteúdo(s)
abordado(s) na aula.
9 Há pré-requisitos.
10
Os pré-requisitos explicitam
materiais necessários à realização de
experimentos.
11
Os pré-requisitos explicitam conceitos
necessários ao estudo da aula.
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273
Anexo 1 – Parâmetros de avaliação de elementos instrucionais de uma aula
B.2. Textos e Recursos Áudio-Visuais Sim Parc Não OBS
12
Os textos são claros e objetivos,
estimulam a leitura e a exploração
crítica dos assuntos; possuem conexões
com outros temas e estimulam a
busca de informações que ampliem o
conhecimento.
13
O texto estabelece ligação entre
princípios estudados e fenômenos
conhecidos por alunos.
14
O texto respeita o desenvolvimento
cognitivo do aluno;
15
O texto apresenta informações
suficientes para a compreensão dos
temas abordados;
16
O texto apresenta vocabulário específico
claramente explicado;
17
O texto sugere diferentes análises
e perspectivas para os mesmos
fenômenos, de forma a motivar a
curiosidade e desenvolver o espírito
crítico.
18 A linguagem é gramaticalmente correta.
19
Há uma introdução que estimula o aluno
à leitura da aula.
20
Possui resumo do conteúdo tratado na
aula.
21
Possui informações sobre a aula que virá
a seguir.
22
Apresentam sugestão de leituras
complementares para os alunos;
23 Possui referência bibliográfica.
24 Ilustrações transmitem idéias corretas.
25 As figuras são coerentes com os textos.
26 As figuras são isentas de estereótipos.
27 As figuras são isentas de preconceitos.
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274
Planejamento e elaboração de material didático impresso para EAD - elementos instrucionais e estratégias de ensino
28
As figuras possuem legendas e/ou
créditos e fontes de referência que
contribuam para sua compreensão.
B.3. Abordagem Pedagógica Sim Parc Não OBS
29
As experiências socioculturais e os
saberes do aluno aparecem como
elementos presentes e importantes,
dentro de seu contexto específico.
30
As experiências socioculturais e os
saberes do aluno aparecem sem
serem, de forma alguma, rotulados
pejorativamente.
31
As experiências socioculturais e os
saberes do aluno aparecem como ponto
de partida para o aprendizado.
32
As experiências socioculturais e os
saberes do aluno aparecem como
referência à realidade quando um
conhecimento científico for aplicado.
33
Existe algum exemplo em que um
saber popular, inadequado sob o
ponto de vista científico, tenha sido
desmistificado.
34
Existe algum exemplo de como um saber
popular tenha sido confirmado pelo
saber científico.
B.4. Atividades Sim Parc Não OBS
35
As atividades se apresentam em modelos
variados,
36
As atividades favorecem o
desenvolvimento cognitivo do aluno
37
A maioria das atividades é de cálculo ou
consulta simples
38
Há atividade que integre as informações
da parte da aula
39
As atividades propostas para
trabalho cooperativo são relevantes e
estruturadas, oferecendo orientações
claras para todas as suas etapas.
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275
Anexo 1 – Parâmetros de avaliação de elementos instrucionais de uma aula
B.5. Atividades Práticas Sim Parc Não OBS
40
Experimentos descritos são factíveis,
com resultados plausíveis, sem transmitir
idéias equivocadas de fenômenos,
processos e modelos explicativos.
41
Existem propostas de materiais
alternativos para a execução dos
experimentos;
42
As sugestões de experiências, se for o
caso, não trazem riscos para os alunos;
43
Os procedimentos de segurança, bem
como as devidas advertências sobre
periculosidade, são suficientes e estão
claramente indicados nas orientações
fornecidas aos alunos.
44
Apresentam algum tipo de articulação
com aulas anteriores e/ou outras
disciplinas a fim de tirar proveito de
conhecimentos e/ou habilidades já
adquiridas;
45
A execução dos experimentos /
demonstrações propostos é viável,
em termos da obtenção dos materiais
necessários;
46
Os experimentos e demonstrações
propostos são importantes e pertinentes
para compreender os fenômenos que
estão sendo discutidos.
B.6. Informações Periféricas Sim Parc Não OBS
47
Há informações periféricas que
expandem os núcleos conceituais da
aula com conteúdos relevantes ao tema
tratado.
48
Há informações periféricas que remetem
o aluno para outras mídias (sites, livros,
filmes etc).
49
Há informações periféricas que alertam
o aluno acerca de aspectos pontuais
importantes no conteúdo.
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276
Planejamento e elaboração de material didático impresso para EAD - elementos instrucionais e estratégias de ensino
50
Há informações periféricas que
oferecem curiosidades e/ ou analogias
relacionadas direta ou indiretamente ao
conteúdo da aula.
51
Informações periféricas estão
acompanhadas de recursos visuais.
B.7. Conteúdo Sim Parc Não OBS
52
Abordagem conceitual correta
predomina ao longo da aula
53
Informações factualmente corretas
predominam ao longo da aula.
54
Ausência de confusão terminológica
predomina ao longo da aula.
55
Existe coerência entre princípios e
pressupostos pedagógicos inerentes
ao modelo instrucional adotado pela
instituição e as práticas pedagógicas que
estimula.
56
Textos e ilustrações respeitam as
diferentes etnias, gêneros, classes
sociais, evitando criar estereótipos e
preconceitos prejudiciais à construção
da cidadania.
57
Há ausência de imprecisões conceituais,
desatualizações e pequenas incorreções
de informação na aula.
58
Utilizam vocabulário atualizado e
correto;
59
Existem propostas de experimentos que
utilizem materiais alternativos para sua
execução.
60
O tempo de estudo da aula pelo aluno
está adequado aquele determinado pela
coordenação do curso.
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Anexo 2
Cronograma de
Produção de Material
Didático Impresso
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278
Planejamento e elaboração de material didático impresso para EAD - elementos instrucionais e estratégias de ensino
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279
Anexo 2 – Cronograma de produção de Material Didático Impresso
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281
Anexo 2 – Cronograma de produção de Material Didático Impresso
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283
Anexo 2 – Cronograma de produção de Material Didático Impresso
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Anexo 3
Questionário para
avaliação de aula por
alunos e tutores
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Planejamento e elaboração de material didático impresso para EAD - elementos instrucionais e estratégias de ensino
Disciplina:____________________________________________________
Aula ________________________________________________________
Cod. Avaliador ________________________________________________
SOBRE ASPECTOS GERAIS E CONTEÚDO
1. Quanto do conteúdo da aula já era familiar para você?
( ) Tudo
( ) A maior parte
( ) Em torno da metade
( ) Uma pequena parcela
( ) Nada
2. Quão motivante lhe pareceu o conteúdo?
( ) Motivante
( ) Nem motivante nem desmotivante
( ) Desmotivante
( ) Bastante desmotivante
3. Em que medida você gostou desta aula?
( ) Gostei bastante
( ) Gostei
( ) Indiferente
( ) Não gostei
( ) Detestei
4. Quão difícil lhe pareceu a aula?
( ) Muito difícil
( ) Difícil
( ) Nem difícil nem fácil
( ) Fácil
( ) Muito fácil
5a. Durante a leitura da aula, você sentiu necessidade de consultar outras fontes de texto?
( ) Não senti necessidade
( ) Senti alguma necessidade
( ) informação para compreender o conteúdo do
( ) Senti muita necessidade
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287
Anexo 3 – Questionário para avaliação de aula por alunos e tutores
5b. Quais fontes você utilizou?
____________________________________________________________________
____________________________________________________________________
____________________________________________________________________
6. Tendo em vista o tempo utilizado no estudo desta aula, como você avalia o seu
aprendizado?
( ) Aprendi mais do que esperava
( ) Aprendi bastante
( ) Meu aprendizado foi razoável
( ) Aprendi pouco
( ) Aprendi menos do que esperava
7. Se o formato geral desta aula (seu grau de dificuldade, seu padrão de atividades
propostas etc.) fosse considerado um modelo para todas as aulas do curso, de que
maneira isto afetaria sua vontade de continuar o curso?
( ) Me sentiria bastante estimulado
( ) Me sentiria estimulado
( ) Não afetaria meu interesse
( ) Meu interesse diminuiria
( ) Meu interesse diminuiria bastante
8. Do que você GOSTOU netsta aula (você pode marcar mais de uma opção)?
( ) conteúdo
( ) atividades
( ) estilo de
( ) Resumo
( ) redação
( ) seqüência
( ) ilustrações
( ) auto-avaliação
( ) do conteúdo
9. Do que você NÃO GOSTOU nesta aula (você pode marcar mais de uma opção)?
( ) conteúdo
( ) atividades
( ) estilo de redação
( ) seqüência
( ) ilustrações
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Planejamento e elaboração de material didático impresso para EAD - elementos instrucionais e estratégias de ensino
( ) auto-avaliação
( ) do conteúdo
10a. Houve alguma parte da aula ou algum conceito que você tenha achado
particularmente difícil de entender ou que você considere mal explicado? Em caso
positivo, por favor, detalhe umpouco mais sua resposta.
____________________________________________________________________
____________________________________________________________________
____________________________________________________________________
10b. Nos casos descritos acima, o que poderia ter lhe ajudado a esclarecer as dúvidas?
____________________________________________________________________
____________________________________________________________________
____________________________________________________________________
SOBRE META(S), OBJETIVOS E ATIVIDADES
11. A aula conseguiu atingir a(s) sua(s) meta(s)? (Meta é o que o PROFESSOR pretende
atingir com a aula).
( ) Atingiu inteiramente
( ) Atingiu parcialmente
( ) Não cumpriu
12a. Os objetivos listados no início da aula deixam claro o que você deve aprender?
(Objetivo é o que o ALUNO deve alcançar durante e ao final da aula)
( ) Sim
( ) Parcialmente
( ) Não
12b. Quais objetivos deixaram dúvidas? Por quê?
_____________________________________________________________________
_____________________________________________________________________
_____________________________________________________________________
13. Os objetivos foram contemplados durante Inteiramente contemplados o
desenvolvimento do conteúdo?
( ) Contemplados em sua maioria
( ) Poucos foram contemplados
( ) Nenhum objetivo foi contemplado
13b. Quais objetivos não foram contemplados?
_____________________________________________________________________
_____________________________________________________________________
__________________________________________________________________(
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Anexo 3 – Questionário para avaliação de aula por alunos e tutores
14a. Realizando as atividades propostas você:
( ) Atingiu todos os objetivos listados da aula
( ) Atingiu parcialmente os objetivos da aula
( ) Não atingiu nenhum dos objetivos da aula
14b. Quais objetivos não foram atingidos pelas atividades?
_____________________________________________________________________
_____________________________________________________________________
_____________________________________________________________________
15. Ao término desta aula, em que medida você alcançou os objetivos listados?
( ) Tudo
( ) A maioria
( ) Uma pequena parcela
( ) Nada
16. As atividades propostas lhe pareceram motivadoras e incentivaram seu engajamento na
aula?
( ) Bastante motivadoras
( ) Motivadoras
( ) Indiferente
( ) Desestimulantes
17. Dentre as atividades propostas nesta aula, cite:
a. Aquela (s) que você MAIS gostou e explique por quê.
_____________________________________________________________________
_____________________________________________________________________
_____________________________________________________________________
b. Aquela(s) que você MENOS gostou e explique por quê.
____________________________________________________________________
_____________________________________________________________________
_____________________________________________________________________
18. Quão difíceis lhe pareceram as atividades propostas?
( ) Muito difíceis
( ) Difíceis
( ) Nem difícil nem fácil
( ) Fáceis
( ) Muito fáceis
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290
Planejamento e elaboração de material didático impresso para EAD - elementos instrucionais e estratégias de ensino
19. As atividades propostas lhe pareceram relevantes, ou seja, elas foram importantes para o
processo de aprendizado do conteúdo?
( ) Bastante relevantes
( ) Relevantes
( ) Indiferente
( ) Irrelevantes
( ) Bastante irrelevantes
20. Levando em consideração a sua rotina diária e o tempo que você tem disponível para
suas atividades acadêmicas, você diria que a realização das atividades propostas nesta aula
é viável?
( ) Sim, completamente factível
( ) Sim, mas com dificuldades
( ) As atividades não são factíveis
21. As atividades propostas foram claras no que se refere às instruções para o que você deve
fazer?
( ) Bastante claras
( ) Claras
( ) Pouco claras
( ) Obscuras
( ) Bastante obscuras
22. Você achou que as atividades propostas estavam bem distribuídas dentro do corpo da
aula, entremeadas no texto, facilitando o aprendizado de cada seção do conteúdo?
( ) Bem distribuídas
( ) Razoavelmente distribuídas
( ) Mal distribuídas
( ) Não havia atividades entremeadas
23. As atividades propostas foram suficientes para você praticar as idéias e o conteúdo da aula?
( ) As atividades foram excessivas
( ) As atividades foram satisfatórias
( ) As atividades foram insuficientes
24. Sabendo que esta aula foi planejada para um ensino semi-presencial, você acha que as
respostas das atividades propostas foram suficientemente discutidas na aula de forma a
orientar e contribuir para seu aprendizado?
( ) Foram amplamente discutidas
( ) A maioria foi discutida
( ) Poucas foram discutidas
( ) Nenhuma resposta foi discutida
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291
Anexo 3 – Questionário para avaliação de aula por alunos e tutores
SOBRE O ESTILO DE REDAÇÃO
25. Você achou o estilo de redação do texto agradável à leitura?
( ) Muito agradável
( ) Agradável
( ) Indiferente
( ) Pouco agradável
( ) Desagradável
26. Você achou que o estilo de redação do texto facilitou o aprendizado do conteúdo?
( ) Facilitou muito
( ) Facilitou
( ) Não facilitou nem dificultou
( ) Dificultou
( ) Dificultou muito
SOBRE AS ILUSTRAÇÕES
27. Você achou que as ilustrações da aula lhe ajudaram a compreender o conteúdo?
( ) Ajudaram bastante
( ) Ajudaram
( ) Indiferente
( ) Dificultaram
( ) Dificultaram bastante
28. Você achou que as ilustrações da aula estiveram presentes em número suficiente?
( ) Foram excessivas
( ) O número foi adequado
( ) O número foi pequeno
( ) Foram insuficientes
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Fernando Haddad Ministro da Educação Carlos Eduardo Bielschowsky Secretário de Educação a Distância Celso Costa Coordenador Geral da UAB

Cristine Costa Barreto
Coordenação de Desenvolvimento Instrucional e Revisão Organizadora do Volume

Tereza Queiroz
Editora

José Meyohas
Revisor

Crsitina Freixinho Elaine Bayma Patrícia Paula
Revisão Tipográfica

Jorge Moura
Coordenador de Produção

Katy Araujo
Projeto Gráfico, Diagramação e Capa

Jefferson Caçador Sami Souza
Ilustração

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P712p Planejamento e elaboração de material didático impresso para educação a distância / Organizadora Cristine Costa Barreto; autores, Sônia Rodrigues; Roberto Paes de Carvalho; Carlos Otoni Rabelo; Ana Paula Abreu Fialho; José Meyhoas. – Rio de Janeiro : Fundação CECIERJ, 2007. 291p.; 19 x 26,5 cm. Curso de Formação da UAB para a Região Sudeste 1. ISBN: 978-85-7648-390-8 1. Educação a distância. 2. Desenho instrucional. 3. Aprendizagem. 4. Linguagem. 5. Prática de ensino. 6. Arquitetura da informação. 7. Produção de material didático (EAD). I. Rodrigues, Sônia. II. Carvalho, Roberto Paes de. III. Rabelo, Carlos Otoni. IV. Fialho, Ana Paula Abreu. V. Meyhoas, José. VI. Título. CDD: 371.35
Referências Bibliográficas e catalogação na fonte, de acordo com as normas da ABNT.

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Por onde começar?
Como parte do programa inter-institucional de capacitação em Educação a Distância, este módulo tem sua origem na necessidade de se fundamentar os elementos instrucionais associados a materiais impressos como recursos didáticos. Visa a desenvolver orientações para você, professor, elaborar aulas que difiram de suas aulas presenciais, mas que, de alguma forma, levem você ao aluno que estuda a distância, que o provoquem tanto quanto você o faria, que o permitam navegar, ser autônomo e se apropriar mais de sua aprendizagem. A Educação a Distância, nos termos em que a discutimos hoje, ainda é uma novidade para a qual buscamos evolucionar. É preciso apurar os sentidos para trocarmos o falar/ouvir síncrono pelo ler/escrever assíncrono; evocar nosso sentido “número seis”, nossa intuição pedagógica, para transpormos nossa experiência como professores, da sala de aula para o papel, ou para a tela do computador, ou para o rádio, ou para a televisão... Essa transformação, na verdade, não pára nunca, evolui no tempo, emerge como propriedades de um sistema vivo. O conceito de propriedades emergentes é um dos mais belos conceitos biológicos existentes: propriedades não possuídas pelos indivíduos, que somente aparecem quando a comunidade é o foco de atenção. Assim como um bolo, cuja textura e sabor não são previsíveis apenas pela inspeção dos ingredientes da receita. Propriedades emergentes são imprevisíveis, irredutíveis, que surgem porque o todo é maior do que a soma das partes. Porque decorre da interação entre elas. Assim entendo o conceito por trás de nossas comunidades da Educação a Distância, por trás de um projeto educacional em nível nacional: somar, interagir, recriar e exceder. Creio que estejamos todos engajados em um tal processo, em que experiências anteriores subsidiam a criação de outras novas, em que parcerias acadêmicas, pedagógicas, técnicas e de gestão facilitam o estabelecimento de novos padrões, em que, coletivamente, podemos dar mais suporte a cada uma de nossas comunidades e resistir a fatores que regulam nosso sistema negativamente, sejam eles econômicos, políticos, circunstanciais, logísticos ou de qualquer outra natureza restritiva.

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Gostaria que a experiência dos professores que redigiram esse módulo pudesse ser compartilhada com você, que algumas trilhas pudessem ser aproveitadas, de forma a facilitar seu caminho, suas escolhas. Espero que as informações disponíveis o instiguem a reviver a perplexidade do aprendiz, renovar a inspiração para suas práticas como professor, levar seus estudantes a modificar permanentemente o sistema educacional de que fazem parte. Esse parece ser um bom começo para nos engajarmos na empreitada da aprendizagem cooperativa e para nossos estudantes assumirem um papel mais ativo na investigação do saber, numa verdadeira simbiose com seus propósitos como educador. Aceita um conselho? Encare esses fatos como um desafio e pense que você pode estar iniciando um processo transformativo em suas práticas educacionais; que seu confortável sentimento de segurança e previsibilidade como professor está dando lugar à incerteza do novo e à beleza do encontro de soluções para problemas que começarão a emergir.
Cristine Costa Barreto

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Quem somos?
Cristine Costa Barreto
Desde meu ingresso no curso de Ciências Biológicas da UFRJ, em 1984, me divido entre atividades de pesquisa e educação. Além da docência nos programas de graduação, mestrado e doutorado do Instituto de Biologia, coordenei projetos em Educação Ambiental, voltados para os ensinos fundamental e médio. O pósdoutorado realizado no Centre for Population Biology (Imperial College, Londres) consolidou meu perfil de pesquisa em ecologia teórica, onde me dediquei ao estudo da importância da complexidade espacial do habitat na diversidade das comunidades associadas. Simultaneamente, atualizei minha formação como educadora por meio da extensão em áreas voltadas para concepção de ambientes virtuais de aprendizagem, tecnologia da informação, ensino interativo e aprendizagem baseada na resolução de problemas. Ao retornar ao Brasil, em 2003, iniciei minhas atividades no CEDERJ que culminaram com a coordenação do Setor de Desenvolvimento Instrucional, onde tenho a oportunidade de reunir minha experiência na Educação ao desenvolvimento de projetos de pesquisa centrados no permanente aprimoramento do desenho instrucional de nosso material didático.

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na Universidade Federal Fluminense. a pesquisa e a produção de texto. Nos últimos anos. como usar o Foto: Bel Pedrosa. Daí ter caminhado para a Lingüística. no que se refere aos processos de reflexão e conscientização. entre outras coisas.”. Minhas primeiras lembranças da infância. felizmente.indd 6 10/10/2007.. A nossa e a dos alunos. modelo narrativo para ensinar o pessoal das exatas e engenharias (professores e alunos) a promover a leitura. remetem a questionamentos sobre o significado das palavras e os contextos em que elas eram inseridas. pesquisa e desenvolvimento de metodologia de ensino. E para que serve na EAD? Serve. ciência que me inquieta mais do que esclarece. “Por que isso significa aquilo e não aquilo outro. dura até hoje.Sonia Rodrigues Sou escritora. tenho participado de projetos com esse escopo junto a instituições públicas e privadas. jornalista. E esse tipo de reflexão. com ênfase à produção de texto auto-instrucional e à capacitação de autores. o projeto Poesia para Físicos. doutora em Literatura pela PUC-RJ. desenvolvendo. para desenvolver jogos e/ou para aumentar a competência de escrita e leitura. 10:19:05 AM . com larga experiência em combinar pesquisa e desenvolvimento de produtos. Atualmente estou concluindo o doutorado em Estudos Lingüísticos e atuo como elaborador de material didático para EAD no CEDERJ. iniciais. Atualmente sou pesquisadora da FAPERJ. ou.. Roberto Paes de Carvalho A linguagem sempre desempenhou um importante papel em minha vida.

Carlos Otoni Rabelo
Sou Publicitário, formado pela Universidade Federal Fluminense e trabalho no CEDERJ como Designer Instrucional desde agosto 2005. Sempre fui fascinado pela linguagem e desde a graduação tenho me aventurado pelo mundo da escrita, inclusive contribuindo com uma coluna semanal no Jornal Dois Estados, jornal da minha querida cidade natal Miracema. Freqüentemente sou questionado sobre a afinidade entre minha formação e a EAD. Embora elas pareçam bem diversas, costumo dizer que “convencer” alguém a usar determinado produto ou serviço é como “convencer” o aluno de EAD a vencer obstáculos, superar desafios, e aprender!

Ana Paula Abreu Fialho
Cursei Ciências Biológicas, na UFRJ. Prestes a ingressar no mestrado em Bioquímica, na mesma instituição, participei de um curso para professores de Ensino Médio que os colocava em laboratório para responderem experimentalmente às suas curiosidades sobre um determinado tema. Ali, senti estar “fazendo diferença” para a formação de alguém. Mais, senti querer isso. Um ano depois, em 2004, conheci a EAD, através do CEDERJ. Encantei-me pelo Design Instrucional de materiais didáticos impressos para formação de professores. Minha afinidade com essa área foi tão grande que larguei os tubos de ensaio. Hoje, estou terminando meu doutorado, estudando o papel do Design Instrucional para a aprendizagem de Bioquímica. Além disso, supervisiono, no CEDERJ, a produção de materiais para cursos de formação inicial de trabalhadores.

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José Meyohas
Comecei minhas atividades profissionais, como professor, ainda antes de concluir minha graduação/licenciatura em Letras (Português/Inglês _Literaturas) na Faculdade de Letras da UFRJ. Isso foi lá pelos idos de 1970, quando tive, pela primeira vez, registro de professor em carteira profissional. De lá para cá, não mais parei. Fiz toda espécie de curso que vi pela frente, desde que na área de significação na linguagem. É, como se diz, “a minha praia”. Desenvolvi as funções de assessor de treinamento e de analista de comunicação no The Chase Manhattan Bank N.A., ao mesmo tempo em que ministrava aulas à noite no Colégio Paulo VI, que ajudei a montar... Aulas sempre e sempre... Atualmente, sou servidor público estadual ativo, professor de Língua Portuguesa e Literatura Brasileira, além de Supervisor de Linguagem do Setor de Desenvolvimento Instrucional do CEDERJ, onde redijo, reviso,faço copidesque, etc.

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Índice
Aula 1
Material impresso como recurso educacional: isso é história? ......................................................... 11
Cristine Costa Barreto

Aula 2
Desenho instrucional em materiais didáticos impressos – boa idéia! ............................................. 31
Cristine Costa Barreto

Aula 3
Objetivos de aprendizagem................................................................................................................................ 51
Carlos Otoni Rabelo e Roberto Paes de Carvalho

Aula 4
Linguagem: significado e funções...................................................................................................................73
Sonia Rodrigues

Aula 5
O uso da linguagem. Por que tanta preocupação e tanto cuidado?................................................. 91
Ana Paula Abreu Fialho e José Meyhoas

Aula 6
Atividades – Praticando a boa prática ...................................................................................................... 115
Cristine Costa Barreto

Aula 6 – Apêndice
A bússola e o remo .............................................................................................................................................139
Cristine Costa Barreto

Aula 7
Ajudando sua inspiração: modelos de atividades – Parte 1 ............................................ 149
Cristine Costa Barreto

Aula 8
Ajudando sua inspiração: modelos de atividades – Parte 2 ............................................................. 181
Cristine Costa Barreto

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Aula 7 e 8 – Apêndice
A bússola e o remo... novamente... ........................................................................................................... 207
Cristine Costa Barreto

Aula 9
Arquitetura da informação ............................................................................................................................ 217
Roberto Paes de Carvalho, Carlos Otoni Rabelo e Ana Paula Abreu Fialho

Aula 10
Etapas de produção de material didático impresso para EAD: compartilhando uma experiência ...............................................................................................................243
Cristine Costa Barret

Anexo 1
Parâmetros de avaliação de elementos instrucionais de uma aula .............................................. 271

Anexo 2
Cronograma de Produção de Material Didático Impresso ................................................................ 277

Anexo 3
Questionário para avaliação de aula por alunos e tutores ............................................................... 285

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Aula

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Material impresso como recurso educacional: isso é história?
Cristine Costa Barreto

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Planejamento e elaboração de material didático impresso para EAD - elementos instrucionais e estratégias de ensino

Meta
Discutir os principais aspectos instrucionais relacionados à utilização de materiais impressos na Educação a Distância (EAD).

Objetivos
Ao final desta aula, você deverá ser capaz de: 1. Detectar elementos históricos e culturais relacionados à importância de materiais impressos na Educação. 2. Identificar as vantagens e limitações da utilização de
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materiais instrucionais impressos. 3. Determinar processos que contribuem para uma baixa proficiência leitora e avaliar suas implicações para as práticas de EAD baseadas em materiais impressos. 4. Detectar a aplicação de diferentes elementos visuais para favorecer a aprendizagem em materiais impressos voltados para EAD. 5. Relacionar a utilização de diferentes elementos gráficos às especificidades de disciplinas de diferentes áreas.

Pré-requisitos
Antes de você iniciar o estudo desta aula, vá até sua estante de livros, em casa ou no trabalho, e escolha um livro-texto clássico de sua área de ensino ou pesquisa. Mantenha esse livro ao seu lado, enquanto estuda.

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Aula 1 – Material impresso como recurso educacional: isso é história?

Era uma vez...
Você não está vendo que não podemos mais alimentar nossos filhos? Não tenho coragem de vê-los morrer de fome diante dos seus olhos e estou resolvido a levá-los amanhã à floresta e deixá-los lá, perdidos, o que não é difícil de fazer, pois enquanto eles se distraírem catando gravetos, nós fugimos sem que eles percebam. - Ai, Ai - gemeu a lenhadora - você será capaz, você mesmo, de abandonar os seus filhos na floresta? Não adiantou o marido mostrar a ela como era grande a sua miséria, ela não podia consentir naquela idéia. Ela era pobre, mas era a mãe dos meninos. Contudo, depois de refletir como seria doloroso ver os filhos morrerem de fome, ela acabou consentindo, e foi-se deitar chorando.
(Trecho de “João e Maria” – Hans Christian Andersen)

Contos populares, segundo muitos estudiosos, surgiram como uma tentativa de entender e explicar o mundo natural e o espiritual. Sua tradição oral fez com que as histórias fossem disseminadas, absorvidas e modificadas pelas mais variadas culturas. Uma vez surgidos, os contos eram espalhados, de país em país, por soldados, marinheiros, mulheres roubadas de suas tribos, escravos, prisioneiros de guerra, comerciantes, menestréis, músicos, monges, estudiosos e jovens viajantes. Dessa maneira, as histórias se descolavam de seus contextos originais e subsistiam como uma espécie de “energia social”, (re)produzindo e (re)propondo modelos sociais e culturais. Essas práticas seculares foram modificadas de forma irrevogável pela invenção da escrita. O conto oral, de tradição popular, converteu-se, assim, em um tipo de discurso literário, com o objetivo de nutrir costumes, práticas e valores de certa época. Surgiam as primeiras formas de educar a distância, informações trazidas de longe, antes pelos próprios contadores de história, depois pelos manuscritos, para entusiasmar ouvintes e leitores de maneira atemporal, ora retratando a realidade de forma cômica, ora sombria, ora fantasiosa. Não precisamos entrar demasiadamente em detalhes históricos para reconhecer que a Educação a Distância tem suas raízes mais profundas no meio impresso, no que antes chamávamos cursos por correspondência. A despeito da emergência de alternativas tecnológicas poderosas e atraentes, materiais impressos continuam a exercer um importante papel nessa modalidade educacional. Por quê? Em parte, pelo mesmo motivo que faz com que os contos populares permaneçam entre as formas de literatura favoritas de crianças, jovens e adultos. Desde muito cedo a humanidade ouve, conta, lê e escreve histórias.

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Planejamento e elaboração de material didático impresso para EAD - elementos instrucionais e estratégias de ensino

Multimídia Visite o site http:www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttex&pid=s0101-32621998 00020006#back e leia mais sobre contos populares e conheça o trabalho da Professora Anete Abramowicz, do Departamento de Metodologia de Ensino da Universidade Federal de São Carlos.

Registros escritos são o cimento da sociedade. A própria História surge como um gênero literário no seio da narrativa literária grega, a começar por Hecateu de Mileto e sua “historicização do mito”. Os historiadores antigos eram antes literatos
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p que cientistas, a História era concebida como opus oratorium.
opus oratorium = obra oratória

Er will bloss zeigen wie es eigentlich gewesen,
“Ele <o historiador> quer claramente mostrar como, na realidade, aconteceu...” (Histórias dos povos românicos e germânicos. Von Ranke, 1826) http:wwwunicamp.br/nee/arqueologia/arquivos/historia_antiga/filosofia.html

Para não nos restringirmos ao passado, o próprio jornalismo moderno é um esforço para seguir a lógica de uma narrativa, para informar, para contar uma história de um modo coerente, sem erros factuais. Ou seja, há séculos estamos acostumados a processar informações na forma escrita, a partir de seu armazenamento, transmissão, combinação e comparação. É natural a importância que permanece associada a materiais impressos na Educação, em qualquer modalidade em que se apresente, a distância ou presencial. Espero que, de alguma maneira, quando ensinar, você evoque seu lado contador de histórias, “aquele que diz e, por isso, precisa saber bem o que irá dizer. Precisa ter dúvidas, certezas, conhecimentos, estudo e talento. Talento de sedução. Contar histórias é revelar segredos, é seduzir o ouvinte e convidá-lo a se apaixonar... pelo livro... pela história... pela leitura. E tem gente que ainda duvida disso” (Grupo Morandubetá de Contadores de História).

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Aula 1 – Material impresso como recurso educacional: isso é história?

H

ecateu - Historiador, geógrafo e mitógrafo grego de Mileto, cidade destruída
(494 a. C.) por Dario (550-486 a.C.). Introduziu sensíveis modificações nos

mapas geográficos de Anaximandro (611-547 a. C.). Com seu livro Viagem ao redor do mundo tornou-se um pioneiro da Geografia. Precursor de dois notáveis e brilhantes o historiadores, Heródoto (484-425 a. C.) e Tulcídides (471-399 a.C.), escreveu quatro livros denominados Histórias sobre genealogias ou mitologias, nos quais submeteu os mitos e lendas gregas a um novo enfoque crítico. Uma pseudo-história que, apesar da credulidade do autor, tornou-se precursora e protótipo das obras de história posteriores. Com este escrito, inaugurou a análise das sociedades humanas em bases mais sistemáticas do que as utilizadas até então. Provavelmente morreu também em Mileto.
Fonte: http://www.dec.ufcg.edu.br/biografias/cateu0.html

Mais

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Quais as vantagens de um material didático impresso?
Antes de passarmos a uma discussão objetiva acerca das vantagens associadas à utilização de materiais didáticos impressos na Educação a Distância, convido-o a realizar uma atividade de forma que você incorpore as idéias apresentadas na seção anterior à sua própria percepção acerca do valor dessa mídia nas práticas de ensino.

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sxc.indd 16 Foto: José A.Planejamento e elaboração de material didático impresso para EAD .sxc.hu/575203 aula1.hu/653159 Fonte: www. 11:08:59 AM .elementos instrucionais e estratégias de ensino Atividade 1 Atende aos objetivos 1 e 2 j Materiais educacionais impressos: os prós Analise as imagens e informações textuais a seguir: Foto: Kristal Lindo 1 Fonte: www. Warletta 10/10/2007.sxc. Fonte: www.sxc.hu/193035 Fonte: www.sxc.hu/566956 Sergei Krassii Foto: Simona Dumitru 16 Fonte: www.hu/209562 Foto: Danilevici Filip-E.

comentou que “a maior parte do sistema educacional atual tem como meta responder à pergunta: Como vou conseguir um emprego? Eu preciso ganhar o meu sustento.indd 17 10/10/2007. dirigiu suas previsões para a educação do futuro. Extraído do livro Educação a Distância ao redor do mundo (Brown & Brown.sxc. 11:09:03 AM . inventor do domo geodésico. Esse é o item prioritário sob o qual trabalhamos todo o tempo – a idéia de que necessitamos nos sustentar”. designer. professor e r r autor. Foto: Katia Grimmer-Laversanne 4 aula1. engenheiro.Aula 1 – Material impresso como recurso educacional: isso é história? “A Educação a Distância e suas variantes têm o potencial de prover eqüidade de acesso ao conhecimento em diversos níveis”.hu Buckminster Fuller – arquiteto. um dos visionários mais respeitados do mundo. Em um discurso realizado em abril de 1961. 1994) 2 17 3 Fonte: www.

elementos instrucionais e estratégias de ensino 3 Fonte: www. A partir daí. Inclua.Planejamento e elaboração de material didático impresso para EAD . Além disso. 1. ele pode retomar a passagem quantas vezes quiser. materiais impressos nos são bastante familiares. aproveite o espaço Fórum Livre – Aula 1. ________________________________________________________________ 3. 3. 2. a seu ver. fazem do material impresso um importante meio para a disponibilização de conteúdo na Educação a Distância. o estudo de um texto é um processo cujo ritmo é inteiramente ditado pelo aluno. No quadro a seguir. Começando pelo exemplo que dei. enumere algumas das razões que. algum conceito lhe escapou à compreensão. É um meio familiar aos leitores. 2. desde que exista uma arquitetura da informação que aula1. ________________________________________________________________ Resposta comentada As informações textuais e visuais que você analisou provavelmente suscitaram muito mais que apenas duas idéias. além de razoavelmente bem compreendidos e aceitos pelos leitores. materiais impressos podem perfeitamente ser percorridos de forma não linear. Se isso aconteceu. Ao contrário do que pode parecer.sxc. à primeira leitura. na Plataforma. É possível que você tenha pensado ainda em outras. outras duas. Por que material didático impresso? 1..hu/707409 Agora relacione as informações que você analisou com o conteúdo da seção “Era uma vez. para trocar outras impressões com os demais alunos da turma. Tentei reunir a seguir as principais idéias envolvendo a utilização de materiais didáticos impressos. pelo 18 menos.. 11:09:08 AM . Imagino ainda que uma mesma imagem deve ter feito você pensar em mais de um aspecto.”. Se. comecei enunciando uma dessas razões.indd 18 Foto: Sanja gjenero 10/10/2007.

O ambiente digital e sua multimodalidade devem ser explorados com a finalidade de promover experiências unicamente possíveis por meio daquela mídia e contribuir para a aprendizagem do aluno de forma diferenciada daquela do material impresso. 10. Diagramadores experientes contribuem para um design adequado a um texto cuja substância decorre da experiência de profissionais do ensino ou da pesquisa que eles acumularam em anos de prática em publicações variadas. em que podemos facilmente passar da seção de Economia à de Turismo. Hoje. 9. Materiais impressos são de fácil marcação. à dos Classificados. independente da modalidade. a grande maioria da população da América Latina. não pode garantir de fato a democratização da informação em todos os níveis sociais. 8. conforme nos convier. tais como aulas baseadas na web. presencial ou a distância. especialmente porque se trata de um recurso de fácil transporte. embora a barreira tecnológica nesse sentido há muito tenha sido derrubada. portanto.indd 19 10/10/2007. 7. 4. aula1. Não é necessário que se estabeleça um horário ou local para que o conteúdo seja disponibilizado. embora o desenvolvimento tecnológico possibilite uma miríade de experiências extremamente sofisticadas. o que facilita as estratégias de estudo de cada aprendiz e também as estratégias de revisão de um material previamente estudado e marcado. A tecnologia envolvida na elaboração de um texto é bastante familiar e razoavelmente conhecida tanto por desenhistas instrucionais quanto pelos especialistas responsáveis pela elaboração do conteúdo. 11:09:12 AM . por exemplo. O custo de preparação e replicação de materiais impressos é relativamente baixo quando comparado a outras mídias.Aula 1 – Material impresso como recurso educacional: isso é história? assim o possibilite. TV ou em 19 formato de vídeo. não tem acesso à internet. e mesmo mundial. A mídia digital. 5. Materiais impressos tradicionalmente são usados para a oferta de grandes quantidades de conteúdo. como é necessário a cursos de graduação. Isso não inclui a disponibilização de um grande volume de informações em aulas baseadas na web. tais como livros-texto e artigos científicos. Pode-se dar em qualquer local ou circunstância. 6. A leitura de um texto impresso não requer qualquer equipamento especial. Um dos aspectos mais importantes associados ao uso de materiais impressos na Educação a Distância é seu potencial de inclusão social. Como em um jornal.

realmente é o maior problema associado a essa mídia.hu (Carl Dwyer) Atividade 2 Atende ao objetivo 2 j Materiais educacionais impressos: os contras Em sua opinião.elementos instrucionais e estratégias de ensino E viva a diferença! A despeito das muitas vantagens associadas ao uso de materiais impressos para a Educação a Distância. especialmente se tem ou teve contato com recursos tecnológicos que. os recursos tecnológicos possíveis abrem portas para uma aprendizagem mais versátil e criativa.sxc.sxc. Iniciamos esta seção com uma nova atividade. 11:09:13 AM .1: Atualmente.hu/544853 aula1. se bem explorados. Fonte: www.indd 20 _________________________________________________ _________________________________________________ 10/10/2007. F t Rose A Foto: R Ann Fonte: www. 20 Figura 1.Planejamento e elaboração de material didático impresso para EAD . naturalmente você deve considerar as limitações em sua utilização. qual a principal restrição associada a materiais didáticos impressos? Faça um esforço antes de escrever no espaço a seguir o que. podem contribuir muito para facilitar a aprendizagem do aluno. para você.

Aula 1 – Material impresso como recurso educacional: isso é história? Resposta comentada Novamente. 11:09:14 AM . Por mais realistas que sejam os recursos imagéticos encontrados em materiais impressos. A eficácia da aprendizagem por meio de materiais impressos depende da capacidade leitora dos alunos. A limitação do tipo de feedback e interação possíveis de serem proporcionados por meio dos materiais impressos é freqüentemente uma preocupação dos educadores a distância. A maioria de nossos alunos foi altamente exposta à mídia televisiva e cresceu provavelmente mais acostumada a decodificar informações sob o formato de programas de TV que sob o de um livro. uma proficiência leitora comprometida é uma lacuna observada em diversas realidades sociais e culturais. a análise de uma tabela. se necessário. representa um investimento caro. que deverá transpor aquela informação e associá-la. mentalmente. 3. Se sua principal preocupação for diferente das listadas a seguir. 21 aula1. diversas limitações podem ter passado por sua cabeça. o fato de que em materiais impressos não se pode fazer uso do recurso do movimento é uma limitação amplamente superada na mídia digital. ao domínio real.indd 21 10/10/2007. as possibilidades de interação com pares são incomparavelmente maiores no meio digital. 4. não deixe de compartilhar sua percepção e suas inquietudes com o restante do grupo participando do Fórum Livre – Aula 1. sem que haja substância pedagógica ou de conteúdo por trás da mágica digital. 6. e mesmo a ilustração de maior qualidade requerem sempre o exercício da analogia por parte do leitor. Infelizmente. o aspecto mais difícil de abordar quando optamos pelo uso de textos em processos educacionais. Mas atenção: um bom texto associado às imagens certas é capaz de provocar mais o leitor do que o uso da tecnologia com fins meramente atrativos. 1. 5. A leitura de um texto. Diretamente relacionado ao item acima. em minha opinião particular. 2. O uso da cor. a realidade é sempre representada de maneira indireta. Associado à questão da dependência da capacidade leitora está. De fato.

esse é o tema que mais me preocupa quanto à utilização de materiais impressos. o material impresso não é desvantajoso. usos da linguagem escrita em diferentes contextos. e me parece tão nevrálgico que gostaria de discuti-lo de forma mais detalhada na próxima seção. mas simplesmente características do meio impresso que. Alfabetismo segundo o grau de escolaridade 100% 90% 80% 70% 60% 50% 40% 30% 20% 10% 13% 3% 0% Até 3ª série (447) 2% % De 4ª a 7ª série (764) Ensino Fundamental Completo e Médio incompleto (384) 5% Ensino Médio completo ou mais (405) 44% 50% 0% 43% 66% % Alfabetismo Nível 3 Alfabetismo Nível 2 Alfabetismo Nível 1 Analfabetismo 30% 2% % 11% 1% 12% 42% 38% 44% aula1. visando levantar informações sobre histórico educacional. Letramento no Brasil O gráfico a seguir sintetiza os principais resultados de uma pesquisa realizada em 2001 sobre as condições de letramento dos jovens e adultos brasileiros. Uma proporção significativa dos aprendizes não sabe fazer um uso ótimo de materiais impressos e está mais adaptada 22 à informação visual. por exemplo.Planejamento e elaboração de material didático impresso para EAD . O mesmo não podemos dizer acerca dos itens 4 a 6. não forem essenciais para a compreensão de um determinado tema (conforme freqüentemente é o caso). quando o uso de movimentos ou a representação em cores. Particularmente. 11:09:14 AM . Ou seja. além do julgamento das pessoas sobre suas capacidades e disposições quanto à leitura e à escrita.elementos instrucionais e estratégias de ensino Um exame cuidadoso dos itens listados na resposta comentada da Atividade 2 mostra que as limitações identificadas nos itens 1 a 3 não são realmente limitações. podem não ter qualquer relevância. para muitas situações educacionais e instrucionais. à qual foram aplicados um teste de leitura e um questionário. mais preocupantes porque podem realmente interferir na aprendizagem no momento em que esperamos de nossos alunos proficiência leitora para a compreensão dos conteúdos oferecidos.indd 22 Mais 10/10/2007. O boxe “Letramento no Brasil” apresenta resultados interessantes acerca dos níveis de alfabetismo dos jovens e adultos brasileiros. Os dados foram recolhidos em uma amostra representativa da população entre 15 e 64 anos.

sete lâmpadas. aula1. mesmo que não estejam explícitas. Disponível em <http://www. como. situaçõesFigura 1. conseguiram responder a um ou dois itens mais simples. além de localizar nos textos várias informações de acordo com as condições estabe-lecidas. em sua infância. Além dos personagens mais famosos. localizar informações explícitas em textos curtos. Ênio. Nível 3 de alfabetismo Foram classificadas no nível 3 de alfabetismo as pessoas que acertaram de 16 a 20 itens do teste. Trechos extraídos da pesquisa realizada por Vera Masagão Ribeiro. Algumas.. a algum episódio ou fita de vídeo do programa de TV Vila Sésamo. chegava à nossa TV o Vila Sésamo..indd 23 10/10/2007.Aula 1 – Material impresso como recurso educacional: isso é história? Analfabetismo A maioria das pessoas classificadas como analfa-betas não acertou nenhum dos itens do teste. Nível 1 de alfabetismo As pessoas que acertaram de 3 a 9 itens do teste foram classificadas no nível 1 de alfabetismo... que não exigiram decifração das letras. Essas pessoas demonstraram capacidade de ler textos mais longos.2: Em 1973. mesmo se você for o professor mais jovem do grupo. Pesquisa e Informação.unicamp. entretanto. podendo orientar-se pelos subtítulos..br> 23 Garibaldo. da ONG Ação Educativa – Assessoria. Esse grupo consegue localizar informações explícitas em textos muito curtos e também ler títulos bem destacados. lembro-me claramente de elementos que capturavam minha atenção de forma quase magnética! Seqüências de números associadas a figuras do dia-a-dia (. Claudia Lemos Vóvio e Mayra Patrícia Moura. com grande freqüência. seis carrinhos.. estabelecer relações entre as partes do texto. terá assistido. Conseguem.. versão brasileira da série educativa norte-americana Sesame Street. comparar dois textos e realizar inferências e sínteses. Muitas conseguem também localizar informações em textos de extensão média. Nível 2 de alfabetismo O nível 2 de alfabetismo corresponde às pessoas que acertaram de 10 a 15 itens do teste. Beto e só um probleminha com a Vila Sésamo Sou capaz de arriscar que. 11:09:17 AM . por exemplo. apontar o nome da revista na capa da publicação utilizada para a testagem.).cedes. uma espécie de montanha-russa percorrida por uma bolinha que ultrapassava diversos obstáculos..cinco cachorros.

aula1. cada vez mais. crescemos acostumados a decodificar informações cujo apelo visual exercia um papel fundamental. na formação de seu perfil como aluno.elementos instrucionais e estratégias de ensino problema gravíssimas como a falta de luz bem na hora em que Ênio ia para o banho. um sapo com jeito introspectivo que inspirava terapia. não raramente. como professor .indd 24 10/10/2007. Da mesma forma. deixando-me impregnar da idéia de sistemas complexos e aprendendo a resolver problemas junto com uma ave azul de três metros de altura. cada vez maior. com menor comprometimento educacional do que aquele sob o comando do Garibaldo. um sem-número de fantoches com nomes tão esquisitos quanto Gugu. Quem se recorda? Não se esqueça de que o espaço Fórum Livre – Aula 1 está disponível na Plataforma também para você compartilhar as influências de seus hábitos de infância.. sem ter conseguido achar seu patinho de borracha.Planejamento e elaboração de material didático impresso para EAD . além de alguns seres humanos para contrabalançar. Funga-Funga e Come-Come. Eventuais lacunas em nossa proficiência leitora talvez tenham sido menos percebidas dada a presença constante do mestre em sala de aula. é claro! Tudo isso enquanto almoçava calmamente em frente à TV.com/watch?v=ewalHF0T0GY Nós (se você me permite o plural)..youtube. nossos estudantes foram criados na era televisiva. http://www. com materiais impressos tais como livros didáticos e paradidáticos. da sua criação. contamos com uma figura decisiva ao nosso lado: o professor. assistindo a um programa educativo e divertido como há muito tempo não se vê por aí. Programas de formatos variados trazem. da geração Vila Sésamo. Eram imagens que falavam comigo! E eu cresci associando números a quantidades. 11:09:18 AM . Quando passamos à educação formal e ao conseqüente convívio. concluídas e. informações já pensadas. Multimídia Vale a pena conferir o endereço abaixo e relembrar 24 a seqüência do programa Vila Sésamo que mostra uma bolinha trafegando em complexo sistema que lembra uma montanha russa.

Tornar a leitura mais fácil para o leitor e. por meio de instrução formal ou informal. 11:09:19 AM . deve ser a maior preocupação do educador. um número preocupante de materiais didáticos digitais se atêm demasiadamente ao elemento textual. ao redor das promessas tecnológicas como um meio que finalmente possibilite romper paradigmas educacionais seja freqüentemente acompanhado da criação de produtos digitais que em muito estão circunscritos às ofertas cognitivas de um livro-texto convencional. precisamos ser capazes de resolver um problema mais grave do que a simples falta de luz na hora do banho do Ênio. enquanto nos debatemos para superar as limitações de materiais impressos relativas à impossibilidade de veiculação de movimento. som e interação. sejam eles os materiais que você distribui em sala de aula.Aula 1 – Material impresso como recurso educacional: isso é história? Quando consideramos a educação a distância. você é um educador. para a sua aprendizagem. manuais de atividades práticas em laboratório ou aulas para cursos a distância. especialmente. em que alunos dependem da conceituação de conteúdos textuais para procederem à sua aprendizagem. Digo potencialidade porque. 25 aula1. a potencialidade do elemento visual é naturalmente mantida.indd 25 10/10/2007. cinética ou não? Em materiais didáticos concebidos para ambientes digitais. quase global. de jovens ou adultos: seu propósito principal no contexto dessa capacitação é produzir bons materiais textuais para instrução. e principalmente. Antes de tudo. Parece paradoxal que o consenso. curiosamente. como faziam mais freqüentemente nossos pais e avós ao lerem contos populares? Como caminhar na contramão de quem está mais acostumado a produzir a partir da imagem. Como retomar o processo de concepção e conceituação de informações a partir de um texto. De cursos técnicos ou do ensino superior.

indd 26 10/10/2007.elementos instrucionais e estratégias de ensino Atividade Final Atende aos objetivos 3. de forma a criar condições que favoreçam a aprendizagem? Observe páginas extraídas de diferentes livros didáticos: Biologia. 26 Matemática aula1. pelo menos um elemento gráfico que atenda mais eficazmente à aprendizagem de conteúdos em uma dessas áreas. Tente detectar. 4 e 5 j Imagem e aprendizagem Como fazer um uso equilibrado e potencializador do elemento imagético. em cada uma delas. 11:09:19 AM .Planejamento e elaboração de material didático impresso para EAD . Matemática e Pedagogia.

Aula 1 – Material impresso como recurso educacional: isso é história? 27 aula1.indd 27 10/10/2007. 11:09:37 AM .

contribuem para um design gráfico mais agradável e para aliviar um pouco o peso do corpo do texto principal. Some isso à comparação entre elementos geométricos e uma figura humana e teremos bons pontos de conexão com o aluno. requerem mais inventividade para o uso de elementos imagéticos nos processos de ensino e aprendizagem. por um lado. utilizando-se da linguagem escrita. é particularmente valioso. aula1. Possivelmente. Se. No exemplo dado. repare a diagramação arejada valorizando a representação de retas e planos. tais como verbetes e boxes explicativos. associado ao uso de boxes. por outro. É comum que as informações textuais nessas áreas sejam densas e extensas. destacando-se no suporte impresso em que é veiculada. pois permite conexões com situações. nesse caso. É comum que os textos de aula nessa área sejam excessivamente descritivos. da perspectiva geométrica. ilustrações. as ciências humanas são mais facilmente relacionáveis ao nosso cotidiano.Planejamento e elaboração de material didático impresso para EAD . contribuindo para a visualização de conceitos. 11:10:00 AM . como um reflexo da necessidade natural de se exporem conteúdos sob forma de descrição. esquemas e diagramas são recursos que podem ser utilizados tanto quanto sua criatividade e seus recursos de produção permitirem. verbetes e demais elementos periféricos contribui muito para facilitar a apreensão da informação. No entanto. reflexão e discussão. Fotos. 28 haveremos de ter mais chances de sucesso no ensino de Matemática. inclusive uma biografia que traz a ciência para o mundo real. O uso de analogias. Mesmo com o farto uso de ilustrações. Um investimento diferenciado na diagramação. que fica mais limpa. contextos e demais áreas do saber que em muito contribuem para o aluno expandir seu horizonte cognitivo. ensinar Matemática contando histórias. elementos periféricos adicionais. Ensinar Biologia a partir de imagens é uma estratégia que prescinde de explicações. esgotando a capacidade analógica do aluno em situações em que a imagem poderia ser mais eficazmente utilizada. com o texto “se movimentando” ao redor da imagem.elementos instrucionais e estratégias de ensino Resposta comentada A Matemática é uma ciência difícil de ensinar. contextualizando situações.indd 28 10/10/2007. A formalidade de uma linguagem própria associada à freqüente necessidade do raciocínio lógico e abstrato fazem da Matemática um desafio para alunos e professores. O elemento imagético é particularmente importante na representação espacial. é uma prática a que poucos professores devotam atenção. mas note também que há informações textuais. longos.

Restrições relativas à baixa capacidade leitora e ao hábito associado à informação visual são questões de relevância primordial ao se considerar. envolver mais seus leitores/alunos com o conteúdo.Aula 1 – Material impresso como recurso educacional: isso é história? No exemplo. as diferentes rotas de navegação decorrentes de uma arquitetura de informação bem articulada. assim. simboliza um meio de percurso pelas estações e temas da disciplina. seu incomparável potencial de inclusão social. Limitações como a impossibilidade de representação de movimento e a menor interação entre pares devem ser consideradas quando da elaboração de aulas voltadas para a mídia impressa. 11:10:00 AM . com a aprendizagem em si. a educação a distância. elementos imagéticos podem contribuir bastante para maior eficácia na aprendizagem. sua adequação para a oferta de grandes quantidades de conteúdo e. especialmente. você pode sempre usar a imagem para ilustrar melhor a história que está contando e. ao ensinar qualquer disciplina. com você. Além de serem bastante familiares. Nesse sentido. a utilização desses materiais está associada a vantagens. compreendidos e aceitos pelos leitores. especialmente se utilizados de acordo com as especificidades de cada área ou disciplina a que se destinem. os professores propõem aos alunos “uma viagem pelas terras dos Fundamentos da Educação”. Resumo A s práticas seculares de ouvir e contar histórias fazem parte das razões pelas quais os materiais impressos exercem um importante 29 papel na Educação a Distância. especificamente. não se esqueça de que. Em qualquer dos exemplos discutidos. ilustrado desde a capa do volume.indd 29 10/10/2007. tais como a flexibilidade de estudo no tempo e no espaço. em que um trem. aula1.

T. 1986.R. Preparing instructional text – Document design using desktop publishing. recomendo a leitura de duas publicações: MISANCHUCK. Instructional Design Theory. R. Dick. Abramowicz. Les contes de fées et k’art de ka sybersion. 1994.indd 30 10/10/2007. Sams. buscando facilitar nosso trabalho como educadores: priorizar a máxima eficácia instrucional como elemento supremo de nosso trabalho. 1989. Foresman. New York: Brady. S. Payot. 1994. Stockford. New Jersey: Educational Technology y Publications. imagens de mulheres.A. West. aula1. 30 Clark R.: Addison-Wesley. Educational Technolgy Publications Englewood Cliffs. L. Zipes. Paris.). D. E. W.php?script=sci_arttex&pid=S0101-32621998000200006#back Informações para a próxima aula Na Aula 2. a literatura em português acerca de materiais didáticos impressos não é vasta. New Jersey. Misanchuck. In The Waite Group (J. você vai perceber. E. 11:10:01 AM .: Scott. Desktop publishing by design. teremos a oportunidade de discutir aspectos gerais do desenho instrucional de materiais didáticos impressos para EAD. MERRIL. 1988. New Jersey. R. W. que todas as aulas se voltam para este mesmo tema central. S.Planejamento e elaboração de material didático impresso para EAD . E. Reading. MD. 1ed. é importante explorar materiais em língua estrangeira. & Wright. M. 1998. & Carey.R. 53-72). J. Contos de Perrault. Para complementar sua leitura nos temas que serão abordados no Módulo II.. Ed. Preparing instructional text – Document design using desktop publishing. A. http:wwwscielo. Research on student thought processes during computer-based instructions. IN: Howard W. 1990. Design for desktop publishing. Englewood Cliffs. Inc.A. 1987. B (ed) Distance Education: Strategies and Tools. Redmond. Felici. Shushan. Indianapolis. I. Na verdade. Venit. The electronic publisher. Desktop publishing skills: a primer for typesetting with computers and laser prints.br/scielo. Desktop publishing bible (pp.: Microsoft Press. D. and Hansen. Caso você tenha interesse em se aprofundar nos temas abordados nessa primeira aula.elementos instrucionais e estratégias de ensino Leituras Recomendadas Infelizmente. 1994. J. Glenview. The systematic design of instruction. 1984. 1987. 307 pp. Bibliografia consultada Burns. Educational Technolgy Publications In: Willis. & Nace. ao longo do módulo.L.

9:54:07 AM .Au 2 Desenho instrucional em materiais didáticos impressos – uma boa idéia! Cristine Costa Barreto aula2.indd 31 10/10/2007.

4. Determinar as limitações envolvidas na decodificação 32 das informações e comportamentos típicos do ensino presencial para a linguagem da Educação a Distância. 3.indd 32 10/10/2007. Objetivos Ao final desta aula. Identificar os níveis em que o desenho instrucional opera em materiais educacionais. 2. Definir estratégias que contribuem para essa decodificação. aula2. motivacional e emocional. Relacionar a linguagem escrita ao desenvolvimento de elementos que favoreçam a aprendizagem do aluno a partir de suas capacidades cognitiva.elementos instrucionais e estratégias de ensino Meta Discutir os principais aspectos educacionais que subsidiam a concepção de projeto instrucional para materiais didáticos impressos na Educação a Distância (EAD).Planejamento e elaboração de material didático impresso para EAD . você deverá ser capaz de: 1. 9:54:07 AM .

hu/722018 aula2. 9:54:08 AM .indd 33 10/10/2007. Essa é a fotografia de um tipo de vegetal chamado repolho-romanesco. Agora responda: qual parte desse repolho se assemelha a uma estrutura cônica? Enquanto observa a imagem e tenta responder à pergunta. Atividade 1 Atende ao objetivo 1 j Um jantar geométrico Foto: Johan Bolhuis 33 Fonte: www.sxc. você provavelmente está pensando.. tão comum à mesa de europeus e americanos quanto é a couve-flor à nossa.. Mas antes de começarmos a conversar sobre o tema. peço que observe a imagem a seguir. aproveite e pense também sobre o que é desenho instrucional e o que essa comida caseira tem a ver com o conceito.Aula 2 – Desenho instrucional em materiais didáticos impressos – uma boa idéia! O que é desenho instrucional? Boa pergunta.

9:54:09 AM Mais Qual o tamanho do repolho? . Não sabe bem o que é geometria fractal? Então. três níveis do repolho-romanesco da foto. em mais uma escala de observação. só para começar. Seu comprimento ou área (ou o tamanho) são crescentes conforme tentamos medi-los com maior precisão. infinitamente. algo como um essencial quadro dentro de um quadro. possuem aspecto cônico. Um dos exemplos mais famosos é o Floco de Neve de Koch: aula2. e cada parte será uma cópia reduzida da forma do todo. 34 Auto-similaridade Qualidade de um objeto que exibe uma mesma aparência em diversas escalas de observação. podemos fazer uma analogia entre geometria fractal e processos de criação de elementos instrucionais na Educação. mas é constituído de estruturas que parecem pequenas árvores de Natal que também se assemelham a cones. a geometria fractal não trata de formas regulares como um quadrado ou um cone.indd 34 10/10/2007. E o que isso tem a ver com desenho instrucional? Aparentemente. pelo menos. provavelmente detectou estruturas cônicas em. cujas partes são similares ao todo e umas às outras. mais detalhada. da mesma forma. Olhando ainda mais atentamente. cada “árvore” é constituída de estruturas mais delicadas que. O repolho inteiro tem aspecto cônico. Fractal é o nome dado a uma forma geométrica irregular que pode ser subdividida em partes. podemos dizer que é um objeto que se apresenta igual aos nossos olhos por mais que nos aproximemos ou nos afastemos dele. e provoca a imaginação que nos desafia a pensar até aonde vai a auto-similaridade do repolho-romanesco. pelo menos. conforme vamos incluindo cada vez mais detalhes de suas formas na nossa medição. Uma das características de um objeto fractal é ter comprimento infinito. A foto sugere que essa repetição de padrões cônicos se dê.Planejamento e elaboração de material didático impresso para EAD . para continuarmos a conversa. dentro de um quadro. ou seja. que aprendemos na escola. De modo simplificado. D iferentemente da geometria euclidiana. não muito. se prosseguirmos com a criatividade trabalhando a nosso favor. dá uma olhada no boxe “Qual o tamanho do repolho?” antes de passar à próxima seção. Mas assim como um exercício menos usual nos permite enxergar cones em repolhos e formas geométricas no jantar.elementos instrucionais e estratégias de ensino Resposta comentada Se você é um bom observador.

especialmente por sua abrangência. Para que esses caminhos sejam encontrados. tivemos de fato uma idéia que contribuiu para ensinarmos melhor. como é o caso do repolho-romanesco.. a estrutura cônica do repolho se repete e.. uma série de etapas devem ser cuidadosamente planejadas e executadas. Ensinar tanto educa quanto seduz futuros estudantes. pensadores criativos.. perceberíamos que podemos ter para o jantar um prato de tamanho infinito e que nem por isso engorda mais! 35 Ensinar: a forma mais elevada de compreensão O trabalho do professor apenas é conseqüencial no momento em que é compreendido pelos estudantes.indd 35 10/10/2007. Uma conceituação que me agrada. De fato. como Aristóteles disse.. 9:54:10 AM . Há muitas definições para o termo desenho instrucional. eu diria que é uma boa idéia que encontrou caminhos para fazer diferença na vida de alguém que está tentando aprender alguma coisa. antes de termos certeza de que. Dentro de uma certa escala. aula2. Basta você entrar com o termo em qualquer site de busca. se fôssemos tentar medir sua superfície com precisão cada vez maior. embora possamos dizer que algumas apresentem um padrão essencialmente auto-similar. e encorajam seus alunos a serem críticos. levando em consideração cada vez mais detalhes geométricos. objetivamente. o que é desenho instrucional..Aula 2 – Desenho instrucional em materiais didáticos impressos – uma boa idéia! Na natureza. é descrita no boxe “Conceituando Desenho Instrucional”. com a capacidade de prosseguir aprendendo. “Ensinar é a forma mais elevada de compreensão” (BOYER. não a passiva. Se tivesse de responder a você. poucas formas são consideradas fractais de fato. Grandes professores estimulam a aprendizagem ativa.. como educadores. para se deparar com milhares de resultados possíveis. 1990).

elementos instrucionais e estratégias de ensino D esenho Instrucional é o desenvolvimento sistemático de materiais e processos educativos visando à alta qualidade do aprendizado. de forma sistemática. o desenho instrucional é um processo que ocorre em vários níveis. para garantir que todas as etapas sejam cumpridas. de movimentos incessantes.br/home. de um nível para o outro. uma mesma estrutura global. está voltado para assegurar a qualidade da instrução 36 em materiais que pretendam ensinar algum conteúdo ou procedimento. para facilitar a aprendizagem de grandes e pequenas unidades de conteúdo em níveis de complexidade altos e baixos. surgimento de novas demandas. Isso é o que define um bom desenho instrucional. o processo inteiro inclui a análise das demandas de aprendizagem em um determinado contexto educacional. além de mecanismos que nos permitam testar e avaliar a eficácia das diretrizes estabelecidas em todos os níveis de uma proposta político-pedagógica. análise das condições ambientais sob as quais o aprendizado deve ocorrer. como os cones do repolho-romanesco. resultados de avaliações. materiais e atividades didáticas através de diferentes mídias. para aperfeiçoá-las de acordo com a evolução das descobertas. Uma espécie de sistema auto-similar em que cada nível reproduz. Por mais que os níveis sejam considerados. em termos de princípios educacionais. De forma geral. Fonte: http://www. Fundamenta-se em teorias comportamentais. garantindo a integridade de cada parte e abrindo caminhos seguros para cada uma das boas idéias que tivermos. Isso é o que garante a qualidade do material educacional.com.Planejamento e elaboração de material didático impresso para EAD . cognitivas e construtivistas. de um nível instrucional para o outro.idprojetoseducacionais. todos evidenciam e repetem um mesmo padrão: a busca por melhor ensino e melhor aprendizagem. a fim de solucionar problemas relacionados à capacitação e educação. o desenvolvimento de um sistema que atenda a essas demandas. a concepção de estratégias e materiais instrucionais que reflitam as especificidades das diversas modalidades de ensino e das diversas áreas de saber. Envolve etapas de análise de necessidades. bem como a avaliação de materiais educativos. por exemplo. econômicos ou sociais. Freqüentemente precisaremos ir e vir. análise dos objetivos educacionais. 9:54:12 AM Mais Conceituando Desenho Instrucional .indd 36 10/10/2007. processos e resultados. mudanças em cenários políticos. aula2. Esse processo é dinâmico. Mas para assegurar essa qualidade em uma aula para EAD.php No que se refere à Educação. Pode ser aplicado ao planejamento e desenvolvimento de cursos.

Mas que informavam que atividades são um aspecto distintivo e imperativo para a EAD. freqüentemente. como se fosse fácil não confundir autonomia com uma tremenda carga de trabalho associada a muitas contradições. Tem razão. Que repetiam. tive a estranha sensação de que diferentes sistemas instrucionais eram representados por meio de uma infinitude de diagramas e fluxogramas que me pareciam. Uma boa aula não termina em silêncio! Naturalmente. diferem dependendo do nível que estejamos considerando. Gostaria de preencher alguns desses diagramas e fluxogramas vazios. tentando explicar como e por que fazer 37 aula2. Que insistiam na necessidade de uma linguagem dialógica. nos caiba a difícil tarefa de manter um olho na árvore e o outro na floresta (sem ficarmos tontos!). de fato. a necessidade de se estimular a autonomia do aluno. que seja útil para você. como professor desafiado a escrever uma aula (na verdade. mas é difícil compreendê-las. de repente. vamos ajustar nosso foco e falar de desenho instrucional em um dos níveis mais importantes do nosso sistema: a aula. no Módulo II estaremos mais voltados para os elementos que compõem um bom desenho instrucional no nível de uma aula. como se esse fosse um cenário facilmente traduzido em ações e bons resultados. 9:54:12 AM .indd 37 10/10/2007. Não vazios. ganha o remo e a bússola que faltavam para poder remar na direção certa de um porto seguro. senti-me como um náufrago que tem um bote para salvá-lo e que. as estratégias que asseguram a qualidade na Educação. quase como um mantra.Aula 2 – Desenho instrucional em materiais didáticos impressos – uma boa idéia! A essa altura. Embora. presencial ou a distância. Na maior parte das vezes em que me deparei com livros voltados para a capacitação na elaboração de aulas e outros materiais didáticos para a EAD. você pode estar pensando que essas idéias até fazem algum sentido. vazios. Essa é uma opção que nos garante abordagem mais pragmática e maior eficácia para transpormos juntos a distância entre o que você já sabe e o que você precisa saber para elaborar aulas que integrem materiais impressos para a Educação a Distância. Que chamavam a atenção para a importância de o material didático atender a diferentes interesses e perfis cognitivos dos estudantes. Então. sem de fato darem subsídios para a organização mental que nos permitiria escrever adequadamente para nossos alunos. e diziam pouco acerca de como criá-las e em que contexto utilizá-las. As poucas vezes em que tive ajuda relevante nessa direção. combiná-las e aplicá-las a um contexto específico. várias!) para um curso na modalidade de Educação a Distância. como educadores.

em sala de aula. acredite. E. se você estiver escrevendo uma aula do mesmo modo que escreveu aquele maravilhoso capítulo daquele fantástico livro-texto muito importante na sua área. domina tão bem. você está remando na direção errada! Isso porque uma aula na Educação a Distância deve tentar fazer tudo que você faria pessoalmente. ao escrevermos uma aula para EAD que faça diferença na vida de quem está tentando aprender o que temos para ensinar. em meio a um oceano de dúvidas.indd 38 10/10/2007. nos orientarmos no sentido correto. professores.hu Um ponto de partida para escolher para que lado começar a remar é se dar conta de que. Que nosso heróico bote venha com remo e bússola! Foto: Luis Brito 38 Figura 2. Gostaria de privilegiar a natureza mais prescritiva das teorias de instrução em vez da natureza mais descritiva das teorias de aprendizagem.Planejamento e elaboração de material didático impresso para EAD . com seus alunos.1: Sem as diretrizes.elementos instrucionais e estratégias de ensino um bom desenho instrucional em uma aula de EAD. certamente. e não r apenas dar a conhecer o conteúdo de que você é especialista e. sua aula deve ser capaz de ensinar! aula2. exemplificações e orientações adequadas. 9:54:13 AM . Fonte: www. em vez de meramente dizer seu significado. Assim como você. é difícil para nós.sxc. vamos ter bastante trabalho para fazermos tudo isso no nível de uma aula apenas.

a. Foto: Jessica Dreschel 39 Fonte: www. Agora reflita: por que essa impossibilidade? Pense um pouco em como contorná-la.hu Foto: Bartlomiej Stroinski Fonte: www. b.indd 39 10/10/2007. 9:54:15 AM .hu aula2. antes de ler a resposta comentada a seguir.sxc.Aula 2 – Desenho instrucional em materiais didáticos impressos – uma boa idéia! Atividade 2 Atende ao objetivo 2 j Na minha sala de aula...sxc. Pense em uma coisa que você costuma fazer em suas aulas no ensino presencial e que acredita que não seria capaz de fazer por meio de uma aula impressa.

olhar e voz. claro. Pois quando estiver elaborando sua aula impressa para EAD. aula2. uma aula é sempre uma aula e deve dar sempre o que falar. qual seu estilo. você não mostra apenas o que sabe. o que quer que você tenha pensado deve ter relação com essa limitação. Afinal. Mais ainda. essas estratégias consistem na formalização 40 e codificação de informações normalmente comunicadas de outras maneiras – algumas vezes não verbais – a um estudante típico. após você entrar em sala pela primeira vez. incitar em vez de responder. para se engajar em um festival de cálculos na tentativa de responder quem é esse professor. Há estratégias que favorecem a interação em materiais impressos (veja alguns exemplos em seguida da atividade). você não deveria fazer menos que isso. Em grande medida. certo? O mesmo em relação ao assunto da sua disciplina.elementos instrucionais e estratégias de ensino Respostas comentadas a. você pode estar em sala de aula e seus alunos darem tanta atenção a você quanto a alguém que esgota um conteúdo enquanto lê um livro-texto em voz alta. Provavelmente.indd 40 10/10/2007.Planejamento e elaboração de material didático impresso para EAD . mesmo em seus primeiros dias como professor. 9:54:18 AM . sem você abrir a boca! Portanto. você jamais pensaria em entrar em sala de aula e começar a ensinar sem antes se apresentar a uma turma de novos alunos. Por outro lado. dá o tom para que se estabeleça um diálogo entre você e seus alunos. gerar estímulos motivacionais com sua movimentação. E alunos são sempre alunos. prover informações a seu respeito. dar as boas-vindas pode ser uma boa estratégia para se antecipar aos seus alunos. b. conhecer o ambiente e os alunos. É a pessoalidade de que tanto se ressentem os alunos de EAD. Você há de concordar comigo: uma das limitações mais difíceis de serem contornadas em um material textual é a menor possibilidade de interação que oferece. Em sala. capaz de olhar em volta. mas se revela como uma pessoa real. como acadêmico ou indivíduo. o que posso esperar dessa aula hoje e durante todo o ano? Isso. Ou você acha que algum aluno seu precisou de mais de 30 segundos. em uma sala de aula presencial.

Você certamente faz comentários formais e informais que ajudam ao seu aluno saber o que você considera importante como resultados a serem atingidos. de que natureza serão (prova discursiva. aproveite o espaço Fórum Livre – Aula 2.sxc. prova de múltipla escolha. quantas avaliações haverá. na Plataforma. Fonte: www. objetivos de aprendizagem. para reproduzir um pouco o clima da sua sala de aula. como serão avaliados etc. frente à dúvida levantada por seus alunos. é especialmente importante que a freqüência e qualidade dos exemplos seja uma preocupação antecipada. É importante que as metas de sua disciplina – e de cada aula – sejam explicadas de forma clara e completa no início. Algumas possibilidades estão descritas a seguir. trabalhos individuais ou em grupo). ao surgir a necessidade. em que momento e local se realizarão. Esclareça suas metas e critérios de avaliação. Foto: Piero Marsiaj Uma lacuna extremamente freqüente em materiais impressos é o fato de não proverem exemplos suficientes. dialogar e atender mais às expectativas dos alunos.hu 41 Em um curso fortemente baseado em materiais impressos. são elementos convenientes para comunicar a estrutura e o escopo de uma disciplina ou de uma aula. o que privilegiar ao se preparar para uma avaliação etc. Foto: Quentin SMITH Em um curso presencial. no momento certo. antecipadamente.indd 41 10/10/2007.sxc. Abuse dos exemplos e analogias. especialmente as que envolvem a comunicação informal. de forma a permitir que os alunos saibam. aumentar o potencial de interação nas aulas impressas. para trocar outras impressões com os demais alunos da turma. as metas de sua disciplina (em termos bastante gerais) são comunicadas aos alunos de uma série de maneiras ao longo de um considerável período de tempo.Aula 2 – Desenho instrucional em materiais didáticos impressos – uma boa idéia! Você pode ter considerado outras estratégias. além das boas-vindas. Mapas conceituais. índices de conteúdo. naturalmente são mais restritas. 9:54:18 AM . ele será sempre capaz de evocar um exemplo ou dois para ilustrar um ponto em que perceba que Fonte: www. Na Educação a Distância. usualmente todo um semestre letivo. os alunos devem saber exatamente o que será esperado deles em termos das tarefas a serem submetidas. Além disso. aula2. Se você pensou em outras opções. essas oportunidades.hu os alunos estejam apresentando dificuldade. em que processo estão se envolvendo. Isso pode não preocupar o professor presencial porque.

seja imediatamente seguido de alguma estratégia que promova a reflexão (processamento) e a aplicação (prática) do conhecimento. por exemplo. em blocos de tamanho adequado. usei o repolho-romanesco como uma imagem a partir da qual você pudesse compreender que o desenho instrucional é uma estratégia que deve ser aplicada em vários níveis educacionais. Processamento aplicação: pratique a prática.indd 42 10/10/2007. Uma vez que a detecção de dificuldades de aprendizagem é difícil na Educação a Distância (pode ser atrasada muito tempo). a linguagem pode persuadir os aprendizes a experimentar interatividade. Nesta aula. porque nós professores estamos acostumados a pensar em avaliação (que é estritamente ligada à prática) apenas muito depois de a instrução ocorrer.sxc. Tão decisiva que resolvi falar desse tema em uma seção à parte. é melhor fazer um esforço consciente para prover analogias desde o início. um importante instrumento para assistir os alunos na incorporação de novas idéias ao seu conhecimento anterior. mesmo quando confinados a um meio de comunicação largamente unidirecional. É necessário um esforço consciente para assegurar que o conhecimento apresentado em uma aula.elementos instrucionais e estratégias de ensino O mesmo se aplica ao uso de analogias. mesmo no ensino presencial. Quando utilizada adequadamente.hu parte. Veja lá como fala! O tipo de linguagem utilizada em materiais impressos para a Educação a Distância tem importância decisiva. 9:54:21 AM . Foto: Alfonso Diaz A prática é uma contribuição importante para a eficácia da instrução. A “má prática da prática” e a trivialização das atividades propostas aos alunos. Em 42 Fonte: www.Planejamento e elaboração de material didático impresso para EAD . nos mostra que a maioria de nós poderia contribuir mais para a provisão de processamentos mentais e aplicações de novos conhecimentos. aula2.

Indignação? Repulsa? Surpresa? Comicidade? Desprezo? Perplexidade? Estranhamento? Incompreensão? A verdade é que o sentimento em si importa menos do que a percepção de que alguns textos dificilmente nos passam despercebidos e têm a capacidade de nos provocar. entre eles. seja pela forma como são escritos. não é branco. O líquido seminal. deparei-me com uma passagem que acabou me fazendo pensar na questão que discutimos agora. O autor diz que leitura é: aula2. Sem parar muito para pensar. que muito se aproxima da dos etíopes.Aula 2 – Desenho instrucional em materiais didáticos impressos – uma boa idéia! Atividade 3 Atende aos objetivos 3 e 4 j Incitação Leia atentamente o texto transcrito do livro História. Recentemente.Entre a história e o jornalismo”: Os indianos são o mais numeroso povo que conhecemos Esses indianos têm relações em público com as mulheres. ________________________________________________________________ 3. São todos da mesma cor. ________________________________________________________________ 43 Resposta comentada Difícil seria imaginar todos os efeitos causados pela leitura do trecho anterior. seja por seu conteúdo. ________________________________________________________________ 2. 1. mas negro como a sua própria pele e também semelhante ao dos etíopes. escreva abaixo de uma a três coisas que você sentiu ao ler o trecho de Heródoto. É essa capacidade de envolvimento e provocação que devemos buscar com a redação de nossas aulas. 9:54:23 AM . Ao folhear o livro com olhos e mente curiosos. uma amiga me mostrou um livro cujo conteúdo julgou fosse me interessar para um projeto voltado para perspectivas de letramento e desenvolvimento de estratégias para aumentar a capacidade leitora em alunos de Educação a Distância. do grego Heródoto de Halicarnasso. como os animais. como acontece entre os outros homens.indd 43 10/10/2007. citado por Ryszard Kapuscinski em “Minhas viagens com Heródoto .

Uma vez bem-feito. típicos da leitura opcional. 9:54:23 AM . s s Perspicazes palavras! Em que pese textos instrucionais não tenham sido feitos para dar margem a muitas especulações ou entrelinhas. Às vezes acontece de um tema ou de um arranjo de palavras mexer muito conosco. eles estão essencialmente associados à presença do professor. O aprendiz/leitor pode se concentrar somente na informação enviada pelo autor. têm a palavra escrita como um enorme trunfo a favor de sua capacidade de persuasão.Unindo amores. na educação presencial. em que deixamos de ler gratuitamente e passamos a ler para atender a uma forma de cobrança acadêmica. o desenho instrucional é imperceptível (ou invisível). o aprendiz ou o leitor geralmente não se aperceberão de um desenho bem-feito. Eles serão transparentes. motivação e provocação. Um quebra-cabeça que exige inteligência. motivantes e relevantes. O desenho instrucional dos materiais didáticos para EAD é o que permite que as aulas sejam envolventes. Quantos filmes ou peças de teatro foram capazes de te arrebatar os sentidos e te fazer levantar para tomar um ar? Agora me diz: quantas vezes você precisou pousar o marcador dentro de um livro. aula2. A importância desses elementos se torna especialmente clara se considerarmos que. Jonas Ribeiro (Colcha de leituras . com o mínimo de distorção possível. que se lhe aparecerá de forma mais clara. aí temos mais é de colocar o marcador naquele instante e ir tomar um ar. principalmente.elementos instrucionais e estratégias de ensino Reorganizar entrelinhas e especular o não-dito que deixou um rastro mínimo na penumbra de alguma frase de suma importância.Planejamento e elaboração de material didático impresso para EAD . sensibilidade e atenção. para além de substanciais. procurar outra atividade para fazer. Se você é um leitor incansável. Essa responsabilidade não recai. Mas podemos fazer isso de forma prazerosa e eficaz a um só tempo. são os que devemos tentar associar 44 à leitura como parte de nossa formação educacional. Um prazer que muitos de nós perdemos no momento da nossa formação.indd 44 10/10/2007. envolvimento. O propósito por trás da preparação de qualquer texto é a comunicação – fazer chegar uma mensagem do emissor ao leitor. Alinhavando leitores). já tem boa parte do caminho andado! O tripé do desenho instrucional para EAD A obtenção de atenção e a motivação são fundamentais em materiais instrucionais para a Educação a Distância. sobre os textos instrucionais. Ou seja. mais evidente. pelo mesmo motivo? Esses sentimentos.

o trabalho do professor depende de uma peça central para definir a imagem de sucesso no ensino e aprendizagem.sxc. Fonte: www. favorecem a aprendizagem e podem contribuir para a formação de estudantes autônomos. com peças obtidas a partir de variados níveis educacionais. orientados de forma predominantemente interna. Instrução mal desenhada não pode ser resgatada nem pelo tratamento visual mais criativo. Essa peça é o aluno. quem coloca é o aluno. o aprendiz irá notar que alguma coisa está interferindo na recepção da mensagem. de 45 Figura 2.sxc. Figura 2. Embora tenhamos falado de forma mais genérica sobre desenho instrucional nesta aula. associada a uma arquitetura da informação bem articulada. Mas instruções bem desenhadas podem suportar um considerável abuso de layout e design. (2) linguagem cuja forma e significado sejam claros e contextualizados. Foto: Stefanie L.hu/582105 maneira descritiva e prescritiva. (3) aprendizagem centrada em atividades que incentivem a construção do conhecimento e a resolução de problemas. presencial ou a distância.2: As características distintivas de materiais didáticos para EAD podem ser representadas por um tripé que sustenta o desenho instrucional de cada aula: (1) objetivos de aprendizagem claros e precisos. daqui para frente passaremos a considerar o desenho instrucional do material didático impresso no que se refere aos elementos instrucionais que constituem o tripé que alicerça nossas aulas: plane-jamento. 9:54:23 AM .. O uso dos princípios do desenho instrucional é mais significativo na determinação da eficácia do material didático do que a mídia (televisão. Essa peça. de forma prática e pragmática. E vai percebê-lo inequivocamente. web. procuraremos abordar cada componente do tripé de forma bastante objetiva. esperamos deixar claro que desenho instrucional é uma espécie de quebra-cabeça. Na Educação. as estratégias e aplicações diretas dos conceitos que discutirmos na elaboração de nossas aulas.Aula 2 – Desenho instrucional em materiais didáticos impressos – uma boa idéia! Foto: Leo Cinezi Apenas quando o desenho instrucional é pobre. material impresso) escolhida. uma vez reunidas. compartilhando com você. Nas aulas que se seguem. linguagem e atividades.3: Um bom desenho instrucional representa peças de um quebra-cabeças que. Dessa forma. Fonte: www.hu/713537 aula2.indd 45 10/10/2007..

9:54:28 AM . Eu fecho meus olhos. em pelo menos. pense. isso é excelente! Agora dê a ele alguma ação – faça-o fazer algo! aula2. e essa imagem flutua ao meu lado.Planejamento e elaboração de material didático impresso para EAD . Se vocês querem jogar esses jogos repugnantes. eu vou sair da sala por cinco minutos e. e que apenas uma desocupada. Há certas coisas que uma mulher decente deve guardar para si. é melhor que aquele objeto repugnante seja eliminado e as janelas abertas para dissipar o mau cheiro. vocês são todas responsáveis. seu comportamento rude e seus modos indignos. faria. Agora.. John Keating: Um maluco suado e desdentado. fora. a partir deles. For [fecha a porta] Mark Thackeray: Estou cansado da sua linguagem 46 horrorosa. Filme: Sociedade dos poetas mortos John Keating: Feche os olhos . Aquelas que a encorajaram são igualmente desprezíveis. nesse tempo.indd 46 10/10/2007. não em minha sala de aula.cerrados! Feche-os! Agora. uma coisa que cada professor retratado fez para contribuir para a aprendizagem de seus alunos. Leia os diálogos e. Filme: Ao mestre com carinho Mark Thackeray: [entrando na sala e vendo fumaça] Todos vocês. vocês fiquem onde estão. rapazes. largada. Todd Anderson: Eu. façam isso em suas casas. John Keating: Ah. Moças.. descreva o que você vê. Eu não quero saber quem fez – para mim. Todd Anderson: Um maluco suado e desdentado com um olhar que encurrala meu cérebro.elementos instrucionais e estratégias de ensino Atividade Final Atende aos objetivos 3 e 4 j Aos mestres com carinho Os diálogos a seguir são traduções livres que fiz de trechos do roteiro de três filmes em que a figura de um professor é central e decisiva.

A verdade é como um cobertor curto. Dewey Finn: Sim. John Keating: O que ele está resmungando? Todd Anderson: Resmungando a verdade. John Keating: [alguns na sala começam a rir] Esqueça-os. maravilhoso! Todd Anderson: E todo o tempo ele está resmungando. Freddy..indd 47 10/10/2007. Você k que ficar possesso com O Cara! E bem agora. enquanto você lamenta e chora e grita! Filme: Escola de rock Dewey Finn: [continua a falar sobre “O Cara”] Sim ” você não pode apenas dizer isso... ok! Todo mundo feliz e com raiva agora? 47 aula2.. 9:54:29 AM . seu idiota. esqueça-os! Se concentra no r cobertor. eu s O Cara. Isso mesmo. Me fala sobre esse cobertor! Todd Anderson: V-você empurra. bate. Dewey Finn: . e quem vai te peito de me demitir? Hein? Quem vai me demitir? Freddy: Cala o diabo da boca! Dewey Finn: É isso aí. e ele não vai nunca cobrir nenhum de nós.. Sempre deixa seus pés com frio. é isso aí! Quem vai superá-lo? Alicia: Cai fora daqui. John Keating: Isso! Maravilhoso. Você chuta-o. ele vai cobrir somente a sua cabeça. você tem que quebrar regras. estica. eu sou O Cara. você é o professor que eu já tive! Dewey Finn: Summer.Ok. isso é demais! Gostei da fala porque eu senti a sua raiva! Summer Hathaway: Obrigada. Alicia! Summer Hathaway: Você é uma piada. Lawrence: Você é um gordo perdedor e seu corpo fede. Você tem que se isso no seu sangue e nas suas entranhas! Se você quiser o rock.. não é nunca suficiente. Do momento em que entramos chorando até o momento em que saímos morrendo.Aula 2 – Desenho instrucional em materiais didáticos impressos – uma boa idéia! Todd Anderson: Ele estica as mãos e me estrangula.

9:54:31 AM . Todos deixaram na mão do aluno a chance de colocar uma peça no quebra-cabeça. no espaço abaixo. E como você percebeu isso? Vendo o filme? Creio que não. Somente os diálogos.sxc.hu/544853 Resposta comentada Você pode ter pensado em muitas coisas. 48 os fizeram sair do lugar-comum. aula2. Todos mostraram pessoalidade. Todos os professores provocaram seus alunos. a sua própria e a dos alunos. Você se emocionou ao ler algum desses trechos? Você não está vendo o filme e eu não estou ao seu lado agora. sem absolutamente nenhum outro elemento explicativo. Algo mais? Provavelmente.elementos instrucionais e estratégias de ensino Você é capaz de. Todos tentaram provocar rompimentos de conceitos.indd 48 10/10/2007. sintetizar o que mais o impressionou no comportamento desses professores? Foto: Rose Ann Fonte: www. e pouquíssimas rubricas.Planejamento e elaboração de material didático impresso para EAD . você percebeu coisas que para mim chamaram menos a atenção. deixaram claros os comportamentos e as emoções por trás deles. Todos usaram de emoção. Todos deixaram clara a posição de mestre.

desde a análise das demandas de aprendizagem em um determinado contexto educacional até a elaboração de uma aula. Esclarecer metas e critérios de avaliação. R. Informações sobre a próxima aula Na próxima aula. em grande medida. na formalização e codificação de informações normalmente comunicadas de outras maneiras a um estudante típico. em uma sala de aula presencial. 9:54:31 AM . 2006. incentivar o processamento e a aplicação dos conhecimentos são algumas dessas estratégias.Entre A história e o jornalismo. O tipo de linguagem utilizada em materiais impressos para a Educação a Distância tem importância decisiva e pode favorecer ao aluno a interatividade. No que se refere à Educação. Companhia das Letras. todos evidenciando e repetindo um mesmo objetivo: a busca por melhor ensino e melhor aprendizagem. o envolvimento e a provocação. Uma das limitações de materiais textuais é a menor possibilidade de interação que oferece. 312 pp. usar de exemplos e analogias. Nosso primeiro passo será parar e planejar: como elaborar objetivos de aprendizagem? aula2. Estratégias que favorecem a interação em materiais impressos consistem. 49 Leitura Recomendada KAPUSCINSKI. o desenho instrucional é um processo que ocorre em vários níveis.Aula 2 – Desenho instrucional em materiais didáticos impressos – uma boa idéia! Resumo D esenho Instrucional é o desenvolvimento sistemático de materiais e processos educativos visando à alta qualidade da aprendizagem. daremos início ao estudo de cada um dos principais elementos instrucionais que sustentam materiais didáticos impressos para Educação a Distância.indd 49 10/10/2007. Minhas viagens com Heródoto .

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Au 3 Objetivos de aprendizagem Roberto Paes de Carvalho Carlos Otoni Rabelo aula3.indd 51 10/10/2007. 9:55:57 AM .

com ênfase à elaboração de objetivos precisos. redigir objetivos de aprendizagem de forma precisa.Planejamento e elaboração de material didático impresso para EAD .indd 52 10/10/2007. você deverá ser capaz de: 1.elementos instrucionais e estratégias de ensino Meta da aula Apresentar os elementos de organização prévia de uma aula/curso e sua importância na produção de aula para EAD. 9:55:58 AM . determinar elementos de organização prévia 52 numa aula. aula3. 3. 2. Objetivos Ao final desta aula. definir objetivos de aprendizagem.

Aula 3 – Objetivos de aprendizagem

A flecha e o alvo
Os esportes olímpicos representam ideais de superação, precisão técnica e espírito competitivo, dentre outros. Além disso, somente em jogos olímpicos temos contato com atividades esportivas pouco comuns à nossa realidade, como ginástica rítmica, nado sincronizado e arco-e-flecha, por exemplo. Particularmente este último servirá de referência para iniciarmos esta aula. No arco-e-flecha, o atirador se coloca a uma determinada distância do alvo, formado por dez círculos concêntricos. O círculo central, também denominado “mosca”, vale dez pontos; cada círculo seguinte perde um ponto em valor. Para vencer, o competidor tem de somar o maior número possível de pontos enquanto se empenha em lançar uma flecha no círculo central. Portanto, quando o jogador não acerta na mosca, suas chances de sair vitorioso são notadamente menores. Para alcançar seus objetivos, o arqueiro deve praticar uma série de atividades – elaboradas e controladas pelo técnico – a fim de lograr êxito em seu desempenho.
Foto: Aron Cody

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O arqueiro só poderá considerar-se pronto para uma competição à medida que domina as técnicas e os fundamentos do esporte e os executa com precisão. Agora imagine uma relação entre esse esporte e o Ensino a Distância (EAD). Nele, o arqueiro corresponderia ao aluno, o técnico ao professor e a mosca ao(s) objetivo(s) de uma sessão de aprendizagem. A seqüência de atividades desenvolvidas (o treinamento) seria a aplicação do conhecimento adquirido pelo estudante. Afinal, quem disse que o arqueiro – ou qualquer outro atleta – também não é um estudante? É a partir dessa comparação que iniciamos esta aula que se propõe a apresentar, de forma breve, alguns fundamentos teóricos acerca da importância da utilização de objetivos em materiais impresso, bem como orientam sua utilização na

Figura 3.1: No arco-e-flecha, assim como : na EAD, os objetivos são valiosos e determinantes para o êxito.
Fonte: www.sxc.hu/photo/602810 Foto: Colin Maykish

mosca

Figura 3.2: Acertando na mosca.
Fonte: www.sxc.hu/photo/393663

aprendizagem a distância.

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Planejamento e elaboração de material didático impresso para EAD - elementos instrucionais e estratégias de ensino

Um “pingo” de teoria: planejamento dos elementos de organização prévia
Um princípio fundamental do desenho instrucional de material didático voltado para EAD é o planejamento cuidadoso que deve preceder o desenvolvimento de qualquer curso, independente da mídia. Do seu ponto de vista, como professor, considere alguns aspectos tais como: • É necessário antecipar como os futuros aprendizes – que podemos jamais vir a encontrar! – irão se relacionar com o material didático e, portanto, é necessário redigir antecipadamente todas as explicações necessárias à compreensão do conteúdo, explicações que daríamos quase de forma inconsciente, se estivéssemos em sala de aula com nossos alunos.
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• O que antes era uma comunicação transitória e privada entre professor e alunos, dentro de sala de aula, agora é compreendido, registrado e publicado em um material que pode ser examinado e avaliado por alunos e colegas. • Uma vez desenvolvidos e produzidos, o custo reformulação dos materiais pode ser proibitivo para garantir modificações em um curto prazo. Tais fatores parecem nos pressionar na direção de uma meta inevitável: garantir que o material didático que produzimos seja tão eficaz quanto possível, antes de finalizarmos sua elaboração. Do ponto de vista do aluno, é fundamental garantir um ambiente de aprendizagem em que ele possa exercer todo o seu potencial autônomo de forma a realmente se beneficiar de um sistema de aprendizagem flexível, no tempo, no espaço e em outras dimensões de aprendizagem. Essa segurança pode ser oferecida em todos os níveis de um sistema educacional, inclusive em uma aula. Mais pragmaticamente, imagine, por exemplo, uma aula prática de Química em EAD. Se o autor pretende fazer um ou mais experimentos, não seria interessante alertar previamente o aluno sobre a necessidade de ele ter em mãos, antes de iniciar a instrução, materiais necessários à aula em questão? Caso fosse uma aula de Biologia Aquática, por exemplo, não seria necessário ao aluno saber quais conceitos prévios da Biologia Geral precisam estar em mente para entender o novo conteúdo que segue? Os elementos de organização prévia, do inglês advanced organizers, são as informações trazidas no início da aula, que orientam o aluno acerca dos materiais e conceitos que ele utilizará durante a aprendizagem. Aprofunde seus conhecimentos lendo o boxe “Elementos de organização prévia”.

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Aula 3 – Objetivos de aprendizagem

Observe alguns exemplos destes elementos no quadro a seguir.
Quadro 3.1: Exemplos de elementos de organização prévia

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seja previamente disposta para o aluno.
Fonte: http://www.sxc.hu/photo/466348

Elementos de Organização Prévia (Advanced organizers) s

A

dvanced organizers é um conceito estabelecido e sistematicamente estudado por David s Ausubel. A primeira aparição desse conceito se deu no artigo “O uso de elementos de

organização prévia no aprendizado e retenção de material verbal significativo” (The use of advanced organizers in the learning and retention of meaningful verbal material - Journal of Educational Psychology, nr. 51, 1960). y Influenciado pelas teorias de Jean Piaget, seu objetivo era provar, consistentemente, que os advanced organizers facilitam o aprendizado. Tal posicionamento exerceu significativa s influência no campo da Psicologia da Educação a partir da década de 1960.

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Mais
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Planejamento e elaboração de material didático impresso para EAD - elementos instrucionais e estratégias de ensino

Atividade 1
Relacionada ao objetivo 1 j

Definindo elementos de organização prévia
Observe o seguinte experimento prático, de uma aula de Ciências, para aplicar o conceito de tensão superficial:

Caracterizando tensão superficial Esta atividade é um pouco diferente das demais que você encontrou nesta aula pois é prática. Para realizá-la, você precisará de alguns materiais bastante simples, como: - 1 copo de vidro; - água;
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- 1 colher de sopa de detergente; - 1 agulha (alfinete também serve); - 1 conta-gotas; - 1 pinça. Tendo em mãos estes materiais, realize a seguinte seqüência de procedimentos: 1. encha o copo com a água; 2. pegue a agulha com a pinça; 3. coloque cuidadosamente a agulha sobre a água; 4. com o conta-gotas, adicione lentamente o detergente ao copo d’água. Observe o comportamento da agulha durante suas adições. O que aconteceu com a agulha depois de você adicionar detergente ao copo d’água? Como você explicaria este fenômeno?

No caso de uma atividade prática como essa, que propõe a realização de um experimento, naturalmente os materiais que devem ser discriminados para o aluno antes do início do seu estudo incluem um copo de vidro, água, detergente, agulha, conta-gotas e pinça. Mas nem sempre as atividades que propomos são práticas, e mesmo se forem, pode haver conceitos teóricos necessários à sua realização e compreensão que devem ser

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Aula 3 – Objetivos de aprendizagem

destacados como pré-requisitos. Assim, materiais utilizados em um experimento bem como elementos conceituais podem ser fundamentais para que uma atividade seja realizada com sucesso. Partindo deste modelo, imagine agora uma atividade qualquer, prática ou não, que você possa propor em sua disciplina. Considere qualquer tema, de qualquer aula, pense em uma pergunta que você faz comumente em sala de aula ou um experimento que faz parte de seu conteúdo programático. Pense em um tema de que você goste. Pensou? Agora pense quais os elementos de organização prévia que você deve informar ao seu aluno como prérequisito para a realização da atividade que você imaginou. Liste-os abaixo. 1. ______________________________ 2. ______________________________ 3. ______________________________ 4. ______________________________ 5. ______________________________ 6. ______________________________
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Resposta Comentada
Naturalmente não há apenas uma resposta para essa atividade. Esse foi apenas um exercício para você praticar o conceito de elementos de organização prévia como prérequisitos à realização de uma atividade. Mas o importante mesmo é perceber que esses elementos podem ser muito variados, e variam quanto à função que apresentam em uma aula. Assim, além de pré-requisitos, informações preliminares tais como mapas conceituais, orientações de estudo, leituras prévias, dentre outros, são comumente apresentados no início de uma aula, unidade ou livro, de forma a oferecer ao aprendiz uma idéia geral do que deve ser procedido para auxiliá-lo a organizar sua aprendizagem. Na seção a seguir, vamos falar sobre um dos elementos de organização prévia mais relevantes para a elaboração de materiais didáticos impressos para EAD.

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Imagine ainda que você começa a folhear esse livro e se depara com os objetivos da primeira aula.Planejamento e elaboração de material didático impresso para EAD . em termos bastante gerais. Incredulidade que isso pudesse ser considerado um objetivo. conforme você poderá confirmar ao longo de todo o Módulo II. ementa ou conteúdo”.indd 58 10/10/2007. muita importância Imagine que você tem em mãos um livro didático para EAD. sem especificações precisas do que será realizado. No caso de nossas aulas. • Expressar a intenção do professor. Qual seria sua reação a esse objetivo? A situação que ilustrei foi transcrita de um livro voltado para o design e a produção de materiais auto-instrucionais. do que o professor pretende fazer ao longo de uma aula (ou de um curso). situando-a em um contexto mais abrangente. O título do livro é O universo. E atribui a reação à possibilidade de diferentes entendimentos acerca do que sejam metas e objetivos e sugere fortemente que um bom tempo seja destinado a discussões entre colegas da mesma instituição para conceituar esses termos. homem. Você lê. 58 O autor segue a narrativa dizendo que a sua reação seria uma mistura de admiração e incredulidade! Admiração pela abrangência da colocação. aula3. Veja mais sobre a meta no boxe “Meta. evolução e origens. o seguinte objetivo: • Fazer o estudante compreender a natureza e a composição do Universo e também rastrear a origem da vida em geral bem como a origem e o desenvolvimento do Homem. são: • Relacionar-se ao que o professor irá fazer naquela aula (as atividades dos estudantes não são mencionadas explicitamente). de forma ampla. consideramos meta como uma descrição. a Terra. em particular. Algumas características de uma meta de aula.elementos instrucionais e estratégias de ensino Metas e objetivos: poucas palavras. 9:56:15 AM . no topo da primeira página. A meta de uma aula define o conteúdo principal a ser abordado.

No curso de pós-graduação a distância em Língua Portuguesa (2001). e essa variação segue critérios oriundos de linhas metodológico-editoriais particulares.a coesão referencial . Rio de Janeiro: CEP⁄SEAD. H. 9:56:15 AM . adotou-se a divulgação do conteúdo em vez de meta: Conteúdo . 1998) aula3. F.texto e discurso . organizado pela Escola Nacional de Saúde Pública (ENSP) da Fundação Oswaldo Cruz (FIOCRUZ). em parceria com a UnB e com a FINATEC.a coesão seqüencial . Brasília: UnB. por exemplo.Aula 3 – Objetivos de aprendizagem Meta.indd 59 10/10/2007. 2001) Já no Curso de Aperfeiçoamento para Dirigentes Municipais (Gestão em Saúde). ementa ou conteúdo? Diversos programas de EAD possuem formas distintas de apresentar a meta como elemento de organização prévia.diferença entre coesão textual e coerência textual . (In: Unidade I: formulação de políticas de saúde. adoecimento e morte das pessoas. Apreciação histórica e cultural do processo saúde-doença e das práticas de saúde correspondentes. OLIVEIRA. Modelos de explicação do processo saúde-doença.a coesão recorrencial (In: Descrição do português à luz da lingüística do texto. foi adotada a ementa em vez de meta para designar a composição dos módulos de ensino: Mais 59 Ementa O processo de saúde-doença: fatores de vida. Os fenômenos contemporâneos de transição da estrutura populacional e da distribuição de doenças na sociedade. organizado pela UFRJSEAD (em convênio com o Exército Brasileiro).

mais precisamente) concorrem para um grau de maior ou menor eficiência e precisão e isso não é simplesmente uma questão de gosto. espera que o aluno alcance ao final de uma aula. E de que forma tal definição nos ajuda a entender a importância da definição dos objetivos em materiais impressos para a Educação a Distância? Fácil: os objetivos de uma aula devem identificar claramente aquilo que você. objetivo quer dizer o que se quer alcançar. sem rodeios. Alguns verbos são mais precisos que outros uma vez que definem exatamente o que o aluno deve executar ao final do seu estudo. Selecionar uma palavra é.sxc.hu/544853 aula3. obrigatoriamente. funcional. os objetivos estabelecem prioridades no conteúdo de uma aula e definem exatamente o que o aluno deverá ser capaz de executar ao final de seu estudo. devemos ter uma percepção clara do que deve ser atingido. Preencha o quadro a seguir respondendo à pergunta: Onde você mora? Fonte: www. haja vista as imensas possibilidades que existem em qualquer língua. abrir mão de outra. Explorando o conhecimento: como utilizar tais elementos Certas palavras (verbos ou locuções verbais. que são o foco principal desta aula. O estabelecimento de objetivos contribui ainda para orientar o desempenho do estudante. para que o aluno saiba quais pontos 60 são mais importantes.Planejamento e elaboração de material didático impresso para EAD . direto. merecem destaque os objetivos. 9:56:16 AM . Segundo o Dicionário Houaiss da língua portuguesa. uma vez que norteiam a elaboração das atividades encontradas numa aula. professor. Eles estão listados no início de cada aula. façamos um rápido exercício que vai ajudar a compreender melhor a importância de escolher a palavra certa na redação de objetivos de aprendizagem. Em outras palavras. Antes de continuarmos a conversa.elementos instrucionais e estratégias de ensino Dentre os elementos de organização prévia apresentados.indd 60 Foto: Rose Ann 10/10/2007. Se queremos saber se estamos ensinando corretamente.

bairro. Observe as duas relações de verbos a seguir. cidade. é bem menor. rua. Ainda que você não tenha mencionado algum dado. 9:56:16 AM . aula3. uma vez que são aspectos internos aos indivíduos. nesse caso. Mas por que se preocupar tanto com isso na hora de redigir os objetivos de aprendizagem de seu aluno? Simples: para ele saber exatamente o que você quer que ele saiba ou faça ao final de cada aula. Da mesma maneira. você respondeu que os verbos da lista A têm maior precisão.indd 61 10/10/2007. o número de seu prédio e apartamento e talvez mesmo o CEP. o número do prédio etc? Provavelmente você teve dúvidas sobre o quão específico você deveria ser. Não podemos observar diretamente o acúmulo de conhecimento ou a aquisição de habilidades estabelecidos nos objetivos. alguns verbos denotam ações mais precisas que outros. como seu país por exemplo. Isso revela que perguntas imprecisas provocam respostas variadas.2: Verbos e seus graus de precisão 61 Lista A Definir Descrever Listar Distinguir Aplicar Comparar Estabelecer Identificar Relacionar argumentos Representar graficamente Reconhecer Ordenar Exemplificar Avaliar Diferenciar Lista B Compreender Saber Ter entendimento sobre Apreciar Ter noções de Estar ciente de Perceber Perceber o significado de Obter conhecimentos sobre Acreditar em Demonstrar Familiarizar-se Ter sentimento de Informar-se Dominar Naturalmente.Aula 3 – Objetivos de aprendizagem Como você respondeu? Disse que morava no Brasil? Preencheu com o nome de seu estado? Considerou apenas seu bairro ou optou por incluir o nome da rua. Qual dos dois grupos indica ações mais precisas? Quadro 3. E se a pergunta fosse “Qual o seu endereço completo”? Com certeza a variedade de respostas possíveis. provavelmente anotou seu estado.

por exemplo a partir da análise de um texto. aula3. Por isso.elementos instrucionais e estratégias de ensino Mas podemos. buscar evidências desses aspectos observando a maneira como os estudantes se comportam. Por exemplo. Uma boa maneira de justificar a escolha pelos verbos do primeiro quadro é pensar nas atividades que atenderão aos objetivos predefinidos. Que tipo de atividade você proporia ao seu aluno para que ele demonstrasse que percebeu a importância das atividades em materiais didáticos para EAD? Difícil. Vale a pena lembrar que objetivos de aprendizagem devem ser atingidos pelo aluno e. tanto quanto possível.indd 62 10/10/2007. que ele será capaz de atingir ao final do estudo. no entanto. E na verdade. imagine que um dos objetivos de aprendizagem de sua aula seja: • Perceber a importância das atividades em materiais didáticos para Educação a Distância. 9:56:17 AM . sua redação deve representar uma ação. objetivos de aprendizagem são estabelecidos. imagine que o objetivo de aprendizagem fosse: • Definir três aspectos associados à importância das atividades em materiais didáticos para Educação a Distância. portanto. capacidade. ou de uma atividade em que ele tenha que integrar diferentes tipos de informações. comportamento. Veja dois exemplos que ilustram melhor o emprego de verbos no estabelecimento de objetivos. Além disso. Em contrapartida. Definir a importância é um comando muito mais preciso. é isso que você quer que ele faça para demonstrar que percebeu a importância do tópico em questão. não? Isso porque o verbo perceber pressupõe um comando extremamente vago e é provável 62 que o aluno não saiba exatamente o que deve responder. em termos do que os estudantes devem estar aptos a fazer ao final do processo de aprendizagem. é muito mais fácil pensar em uma atividade que permita ao aluno atingir esse objetivo de aprendizagem.Planejamento e elaboração de material didático impresso para EAD .

(informações que o professor vai oferecer) objetivo calcular os elementos de uma DRE. c) o lucro líquido por ações. (o que o aluno deverá ser capaz de fazer após estudar a aula) aula3.Aula 3 – Objetivos de aprendizagem Curso de Ciências Biológicas Pressão arterial 11 Meta da aula AULA Introduzir o estudo dos mecanismos neuro-hormonais de regulação da pressão arterial. 9:56:17 AM . incluindo: a) a provisão para o Imposto de Renda. (o que o aluno deverá ser capaz de fazer após estudar a aula) 63 Curso de Administração de Empresas Demonstração do – DRE Meta da aula 3 AULA Apresentar os elementos de uma Demonstração do Resultado do Exercício (DRE) e como construí-la. (informações que o professor vai oferecer) objetivo • definir as reações do aparelho cardiovascular a um estado de hipotensão decorrente de uma hemorragia. b) as participações.indd 63 10/10/2007.

sp. Por que limitaríamos as decisões e os problemas.gov. (Philippe Perrenoud. 1999) Para ler o texto na íntegra.indd 64 10/10/2007. Leia mais sobre o assunto nos boxes “Competências e habilidades” e “As competências no ENEM”.. ou à esfera profissional.Planejamento e elaboração de material didático impresso para EAD . você deverá ter em mente as competências que seus alunos deverão ter. estratégias e habilidades. Multimídia Competências e habilidades Existe uma discussão entre os conceitos de competências e habilidades. ao estabelecer seus objetivos para uma aula. ou à vida cotidiana ? As competências são necessárias para escolher a melhor tradução de um texto em latim. as habilidades que precisarão desenvolver e as estratégias que deverão ser utilizadas para a construção de conhecimento.br/downloads/36/construircompetencias_perrenoud. de ? 64 Philippe Perrenoud. levantar e resolver um problema com o auxílio de um sistema de equações com várias incógnitas.patiopaulista. mas sim intimamente relacionado com competências. destacamos um trecho do documento Construir competências é virar as costas aos saberes?. Lembre-se de que.doc aula3. que acreditamos irá esclarecer suas dúvidas: (.elementos instrucionais e estratégias de ensino Um objetivo não é algo isolado.. identificar as premissas de uma revolução ou calcular a data do próximo eclipse solar.) a noção de competências remete a situações nas quais é preciso tomar decisões e resolver problemas. 9:56:19 AM . verificar o princípio de Arquimedes. acesse o link: http://www. No texto a seguir. cultivar uma bactéria.

asp 65 aula3. para tomar decisões e enfrentar situações-problema. Exame Nacional do Ensino Médio. Competência nº 1 Dominar a norma culta da língua portuguesa e fazer uso das linguagens matemática. artística e científica. Isso exemplifica ações potenciais a serem desenvolvidas pelo aluno em cada um dos quesitos propostos para sua avaliação. Competência nº 3 Selecionar. veremos que nela são exigidas cinco competências.gov. listadas a seguir. para construir argumentação consistente. organizar.inep. de processos histórico-geográficos. Competência nº 4 Relacionar informações. e conhecimentos disponíveis em situações concretas. Para tanto são utilizadas competências e habilidades para avaliação dos alunos. relacionar e interpretar dados e informações representados de diferentes formas. Para saber mais. representadas de diferentes formas.br/basica/enem/default. Se formos tomar a prova de Redação como exemplo. foi instituído em 1998 com o objetivo principal de avaliar o desempenho do aluno ao término da escolaridade básica. 9:56:19 AM . da produção tecnológica e das manifestações artísticas.Aula 3 – Objetivos de aprendizagem Multimídia As competências do ENEM O ENEM.indd 65 10/10/2007. Competência nº 5 Recorrer aos conhecimentos desenvolvidos na escola para elaboração de propostas de intervenção solidária na realidade. Competência nº 2 Construir e aplicar conceitos das várias áreas do conhecimento para a compreensão de fenômenos naturais. respeitando os valores humanos e considerando a diversidade sociocultural. acesse o site do ENEM no link: http://www.

Mas eliminá-los do cardápio é privar-se de importantes elementos energéticos. BERTOLDI. vitaminas e sais minerais. de forma direta. Defina.elementos instrucionais e estratégias de ensino Atividade 2 Relacionada ao objetivo 2 j Metas ou objetivos? a.Planejamento e elaboração de material didático impresso para EAD . ) Introduzir o estudo dos acidentes geográficos. Carboidratos e gorduras são as principais fontes de energia para o corpo. Quando consumimos mais energia do que precisamos. ( 4. aula3. continue o preenchimento. Embora uma pequena parte da energia seja armazenada como glicogênio (um tipo de carboidrato). Ciência & sociedade: a aventura do corpo. Após a leitura do texto. você deve identificar que objetivos o texto permite que o aluno atenda.. G. ) Conceituar metas e objetivos de aprendizagem. Tanto quanto os outros nutrientes. proteínas. que é parte integrante de uma aula de biologia. ( ) Apresentar a 3ª Lei de Newton. ) Explicar como elaborar um balanço patrimonial. ) Identificar cinco artistas que participaram da Semana de Arte Moderna de 1922. apontamos um objetivo. Quando consumidos em excesso. O. Leia o texto a seguir: Uma alimentação adequada contém água. a aventura da tecnologia. ) Listar três aspectos que definem uma política mercantilista. se as frases indicam um tema geral (meta) ou um objetivo. carboidratos. As gorduras também não podem simplesmente ser banidas da alimentação. os lipídeos (gorduras) que retiramos dos alimentos podem fornecer energia às células. 1. 2000. ( 6. a aventura da vida. Assim como os carboidratos (açúcares). 9:56:19 AM . São Paulo. 66 b. ( 3. gorduras. No quadro a seguir. sem que haja exagero ou carência de algum deles. elas também são essenciais. podem engordar. Editora Scipione. a maior parte é acumulada permanentemente como gordura. Esses nutrientes devem estar presentes de forma balanceada e constante. ( 5.indd 66 10/10/2007. ( 2. nosso corpo reserva o excedente para as horas de necessidade.

• identificar quando há o acúmulo de energia etc. acesse a plataforma e procure o Fórum livre desta atividade. Meta. Meta. 67 aula3. 5. O que define. ______________________________________________________________ ________________________________________________________________ 3. Caso você tenha apontado objetivos diferentes. neste exercício. 6. principalmente. Objetivo. redigidos de forma a revelar. o que o aluno deverá ser capaz de fazer ao final do estudo de uma aula. ______________________________________________________________ ________________________________________________________________ 4. 3. o grau de precisão (ou especificidade) conferido pelos verbos. Meta. 9:56:19 AM . Objetivo. Objetivos devem estabelecer prioridades em cada conteúdo. identificar a importância dos carboidratos e gorduras para uma alimentação saudável 2. Portanto a seqüência deve ser: 1. Enumeramos outros objetivos possíveis de serem atingidos a partir do conteúdo do texto de Odete Bertoldi: • definir qual a quantidade de carboidratos e gorduras ideal de ser consumida. de forma exata e inequívoca. representando as intenções do professor. 2. b. ______________________________________________________________ ________________________________________________________________ Resposta Comentada a. Lá você pode postar comentários e discutir com seu tutor e colegas de turma. 4.Aula 3 – Objetivos de aprendizagem 1. a meta é a definição de um tema de aula tratado de forma ampla. se as frases demonstram metas ou objetivos é.indd 67 10/10/2007. Como você viu. Meta.

. Os fundamentos do jogo são: arremessar. jogam durante períodos chamados de entradas. rebater e recuperar a bola. Os jogos profissionais e colegiais costumam ter nove entradas de duração. que correspondem aos sets do vôlei. em um jogo de beisebol. um de cada time: o arremessador e o rebatedor. gira principalmente em torno de dois combatentes. o arremessador fica posicionado sobre um monte alto de terra e o rebatedor fica em um dos lados da base principal. Leia atentamente as informações a seguir: O jogo O beisebol é um jogo em que se utilizam um taco. constituindo. antecipação às expectativas do aluno em relação à aula e ao conteúdo. elementos de organização prévia oferecem. a partir da associação dos elementos de organização prévia com os demais elementos instrucionais.indd 68 10/10/2007. Atividade Final Relacionada ao objetivo 3 j Jogando beisebol. aula3. por exemplo. segurança para a autonomia do aluno a partir de informações precisas. um jogo de beisebol não é limitado pelo cronômetro.. que garantem a integridade instrucional de uma aula. na verdade impõe um desafio ao conteudista: ser capaz de organizar o processo de ensino de forma efetiva. por exemplo. três benefícios que merecem ser destacados: a. uma integridade instrucional. assim. devem apresentar uma nítida ligação com a(s) atividade(s) que procuram pôr em prática o conteúdo explorado. Objetivos. e é esse desafio que obriga os jogadores de beisebol a praticarem tanto. A ação. ou innings. uma bola e uma luva. Ao contrário da maioria dos jogos. ambos (objetivos e conceitos). devem apresentar uma nítida ligação com o(s) conceito(s) tratado(s). b. Os dois times adversários. e c. por sua vez. pelo menos. apesar de parecer algo simples e de menor importância. por se tratar de material acadêmico voltado para EAD. No campo. com nove jogadores cada. 68 maior sistematização dos estudos. a execução dessas três tarefas é algo mais complexo do que parece.Planejamento e elaboração de material didático impresso para EAD . clara e precisa.elementos instrucionais e estratégias de ensino Conclusão A determinação de metas e objetivos. Além disso. Logicamente. 9:56:20 AM .

Se ele conseguir completar as quatro bases ganha 4 pontos. partindo da primeira base. 2ª e 3ª bases. o time atacante não marca nenhum ponto. aula3. Essa corrida é chamada home-run. com o bastão. O time defensor entra em campo com seus nove jogadores: um arremessador e outros oito jogadores. situado numa base seguinte. Se isso acontece. o rebatedor inicia a corrida pelas quatro bases.indd 69 10/10/2007. 9:56:20 AM . o time atacante perde um jogador e as posições se invertem: o time defensor vira atacante e vice-versa. mas dentro dos limites do campo. 69 Se os defensores conseguem recuperar a bola que foi rebatida. Ao acertar a bola. chamados defensores. Se errar nessas três tentativas. no sentido anti-horário. que se posicionam na 1ª. Uma entrada corresponde a três tentativas de acertar a bola pelo rebatedor de cada time. O rebatedor (time atacante) procura fazer pontos rebatendo a bola. podem tentar interromper a corrida do rebatedor de duas maneiras: tocando seu corpo ou lançando a bola para um defensor. de modo que ela chegue àquela base antes do rebatedor. O time atacante entra em campo com um jogador apenas: o rebatedor. segurando o taco e encarando o arremessador.Aula 3 – Objetivos de aprendizagem chamada de home plate. As regras básicas A cada entrada o arremessador (time defensor) lança uma bola. para fora do alcance dos defensores adversários.

indd 70 10/10/2007. lançada pelo arremessador. você deverá destacar pelo menos dois objetivos do time defensor e dois do time atacante usando verbos precisos. vá até a plataforma. Você pode ter mencionado objetivos que não estão explicitados aqui. aula3. Eles não refletem passos específicos que devem ser seguidos pelos jogadores para alcançar a vitória. localize o fórum livre desta aula e discuta com seu tutor e colegas. ganhar e conquistar. • alcançar a base principal. • ______________________________________________________________ • ______________________________________________________________ • ______________________________________________________________ • ______________________________________________________________ • ______________________________________________________________ • ______________________________________________________________ Resposta Comentada Verbos como vencer.elementos instrucionais e estratégias de ensino A partir da leitura do texto. são vagos. • defender as regiões (bases). por exemplo. dentro dos limites do campo. A seguir. • correr o mais rápido possível por entre as bases. 9:56:20 AM . pouco esclarecedores 70 e não devem ser usados. • capturar a bola rebatida pelo rebatedor.Planejamento e elaboração de material didático impresso para EAD . • eliminar jogadores da equipe de ataque. listamos alguns verbos e objetivos mais específicos: Objetivos do time atacante: • rebater a bola. Objetivos do time defensor: • impedir a marcação de pontos da equipe adversária. Se isso aconteceu e você ficou com dúvidas a respeito do que elaborou.

Fred. são comandos claros e bem definidos. no início de cada aula. Ao contrário. Philippe. entre outros. aula3.patiopau lista. os elementos de organização prévia são uma ferramenta fundamental porque definem quais elementos devem ser esclarecidos. listar. Para tanto. acreditar e saber. Universidade de Genebra. são comandos imprecisos e pouco específicos. em especial o auto-instrucional. ter entendimento. Construir competências é virar as costas aos saberes? Faculdade de Psicologia e Ciências da Educação.gov.Aula 3 – Objetivos de aprendizagem RESUMO Q ualquer material didático. distinguir e analisar. Londres: Kogan Fage Limited. ou metas. Definir. 1998. Genebra: 1999.sp. Eles dizem respeito ao aluno e estabelecem prioridades no conteúdo de uma aula. 71 Bibliografia consultada LOCKWOOD. Extraído do link: http://www. acesso dia 02/04/2007. alguns verbos devem ser priorizados porque conferem maior precisão aos comandos.br/downloads/36/construircompetencias_perrenoud. avaliar. definindo exatamente o que o aluno deverá ser capaz de executar ao final de seu estudo. necessita de um planejamento consistente.doc. The design and production of self-instructional materials. PERRENOUD. para orientar o aluno no estudo do conteúdo a ser estudado. dizem respeito às intenções do professor e ao conteúdo apresentado. por exemplo. Na definição dos objetivos. 9:56:21 AM . Objetivos são exemplos destes elementos.indd 71 10/10/2007. Já os objetivos gerais.

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9:58:02 AM .indd 73 10/10/2007.Aula 4 Sonia Rodrigues Linguagem: significado e funções aula4.

Planejamento e elaboração de material didático impresso para EAD . multiplicidade de conexões – de eficácia da linguagem escrita. em especial na Educação a distância. musical e escrita. 4. a partir de uma seqüência específica de procedimentos. Distinguir especificidades na linguagem matemática. trechos de aulas em que estejam presentes os cinco elementos de eficácia da linguagem escrita. Objetivos 1. consistência. a contribuição do autor para o bom ou mau uso dos elementos de eficácia da linguagem escrita para utilização em situações de EAD. fundamentais para o êxito dos processos de ensino e aprendizagem de qualquer disciplina. 74 3. 5. aula4.indd 74 10/10/2007. 9:58:03 AM . Produzir. Diferenciar os conceitos de Língua e linguagem.elementos instrucionais e estratégias de ensino Meta Apresentar a importância do uso abrangente da Língua e linguagens como condição para o ensino e aprendizagem de qualquer disciplina. rapidez. precisão. Analisar. Identificar a importância de cinco elementos – clareza. em pelo menos dois casos. 2.

Para a construção moral do mundo. Antes de começarmos a fazer uso da Língua para conversarmos sobre um dos aspectos mais importantes na elaboração de materiais didáticos impressos. país. etc. desejos. 9:58:03 AM . no decorrer dela. vale a pena conferir as definições de Língua e Linguagem fundamentais para você fazer. ________________________________________________________________ 3.indd 75 10/10/2007. emoções. Pretensioso demais o terceiro objetivo dessa “ferramenta”? A Língua. que permite a expressão e comunicação de pensamentos. expressões de emoção ou sentimento. nação. (Dicionário Caldas Aulete. o idioma. conquistas tão distintas quanto diplomas e títulos. através dos quais dois ou mais seres se comunicam entre si para transmitir e receber informações. Editora Nova Fronteira) 75 Linguagem é qualquer conjunto de símbolos usados para codificar ou decodificar dados. (Idem) Atividade 1 Atende aos objetivos 1 e 2 j Falando sem palavras Faça uma lista de três coisas possíveis de serem demonstradas sem o uso da linguagem escrita. ________________________________________________________________ aula4. Para a expressão das idéias e sentimentos das pessoas. 1.. a primeira atividade desta aula: Língua é o sistema de comunicação e expressão de um povo. fazer inimigos e conquistar amores. aprovações em concursos públicos. é ferramenta que começamos a adquirir no primeiro ano de vida e que nos garante. ________________________________________________________________ 2.Aula 4 – Linguagem: significado e funções Para que serve a Língua? Para a comunicação entre as pessoas. Em seguida. é qualquer sistema de sinais ou signos. avisos. escrever e contar histórias.

Pode ter pensado em uma aula de Química. só com a linguagem corporal. aula4. Se pensou. Teve outras idéias? Compartilhe-as conosco na plataforma. Diferentes tipos de emoção. sem palavras. Essa equação. dependeu. dependeram de intensas discussões que se deram no passado. Ou talvez tenha escrito a respeito de como a ocorrência de um assalto. músicas a partir de partituras são coisas que podem ter vindo à sua cabeça.sxc. ter pensado em algo semelhante a: R ao cubo é proporcional a T ao quadrado (terceira Lei de Kepler). e Kepler e Copérnico. por exemplo. Fonte http://www. por exemplo. as fases da lua. no espaço Fórum da Aula 4. usando Libras (Linguagem de sinais).1: Muitas informações hoje em dia tão facilmente obtidas e discutidas como. no entanto. e da comunicação a distância (no tempo e no espaço) entre Tyco Brahe e Ptolomeu. Ou seja. da comunicação presencial entre Tyco Brahe e Kepler. usando a linguagem numérica.elementos instrucionais e estratégias de ensino Resposta comentada Você pode ter chegado a diversas conclusões. usando o código Morse. Ptolomeu e Copérnico. a linguagem matemática. a definição dessa equação dependeu de comunicação e registros que passaram pelo uso da linguagem escrita. presencialmente ou a distância entre os grandes físicos e astrônomos que fizeram com que seja possível nos maravilharmos e compreendermos o movimento dos astros no céu que observamos todas as noites.Planejamento e elaboração de material didático impresso para EAD . 76 Figura 4. 9:58:03 AM . para ser formulada. a alienação do homem pela máquina. Tyco Brahe e Kepler. uma importante conseqüência da Revolução Industrial. filme no qual ele representou. como. você deve ter se dado conta de que é possível representar a cinemática dos movimentos planetários de forma independente.hu/484470 Você pode também ter escrito sobre o desempenho de Carlitos em Tempos modernos.indd 76 10/10/2007. condutas com base em sinais de trânsito.

discutido. No entanto. para ser ensinada e absorvida pelo compositor. o raciocínio lógico matemático. sentimentos e prescindir da palavra na sua escritura. pelo idioma. nos exemplos anteriores. em tempo e espaços distintos. apenas sugerido ou indicado. 77 Linguagens A linguagem matemática pode ser a síntese.hu/663648 Pontos de indeterminação É uma expressão usada para caracterizar o que não está dito numa determinada situação ou texto. a imaginação. O que está em aberto. conversado sobre a discrepância entre a observação da Natureza e o que a pesquisa dizia até aquele momento. Alguém ensinou ao compositor (mesmo um prodígio como Mozart) algo semelhante ao que Maria ensina às crianças no filme A noviça rebelde. Você já assistiu ao filme? Num determinado trecho.indd 77 10/10/2007. Fonte http://www. o pensamento traduz em palavras o que está sendo visto. Mas. mas que depende da recepção para se concretizar ou não. Porém – e esse porém é bastante importante –. ç Figura 4. porque é possível de se originar na imaginação. de Beethoven) A linguagem musical também é uma construção/expressão autônoma do mundo. o repertório de História jogam um papel importante para preencher os pontos de p indeterminação. Um exemplo: mi mi fa sol sol fa mi re do do re mi mi re mi mi fa sol sol fa mi re do do re mi re do (início de “Ode à Alegria”. como já foi dito. sem vínculo obrigatório com a palavra. 9:58:05 AM . sensações. A linguagem musical é um exemplo diferente.2: Não há dúvidas. fica clara a autonomia aula4. para pedestre ou motoristas. de toda uma trajetória de pesquisa. em determinado momento. tiver especulado.sxc.Aula 4 – Linguagem: significado e funções Você terá observado que mesmo não usando a linguagem escrita ou falada. em alguns casos. Porque o pensamento se constitui pela Língua. foi preciso uma comunicação que passa pela língua. a linguagem matemática só pode ser a síntese se – antes de entrarem os números – uma série de pesquisadores. quanto ao significado de uma luz verde em um sinal de trânsito.

indd 78 10/10/2007. à linguagem escrita como forma de comunicação entre o estado da arte de um tema – em tempo e local determinados – somados à inquietude de quem observa. Isso é o que provoca a inovação. Tente alugar esse clássico em sua locadora.3: A noviça rebelde. como eu fiz aqui. Maria acaba se apaixonando pelo capitão. Inclusive matemática ou musical. as chaves que a gente usa para construir uma canção. você poderá usar exemplos e elementos específicos de outras linguagens. constrói outras hipóteses comprováveis (ou não) de mundo. mi. releia a resposta comentada da Atividade 1. as chaves que permitem ao pensamento. portanto. mentalmente.elementos instrucionais e estratégias de ensino da linguagem musical. A expressão dessa inquietude – em geral comunicada entre especialistas em um tema – é o que permite o avanço do conhecimento. mas ele já está comprometido com uma rica baronesa. à imaginação e à criatividade construir milhões de músicas: “When you know the notes to sing You can sing most anything”. então. As notas são. pai de sete filhos educados em um esquema de disciplina rígido. quando Maria propõe que elas façam uma apresentação para a baronesa e as crianças alegam não saber cantar. Maria. atenção na seqüência inteira e observe como o conceito se aplica ao processo de ensino e aprendizagem de qualquer disciplina. conta a história de Maria.Planejamento e elaboração de material didático impresso para EAD . uma noviça que deixa o convento para trabalhar como governanta na casa do Capitão Von Trapp. Leu? Agora vamos discutir a respeito. então. Esse avanço se representa pela língua e. no espaço Fórum “Quem inventou mesmo??” Antes de fazer esta atividade. b. aula4. Atividade 2 Corresponde ao objetivo 3 desta aula p j Quem inventou mesmo?? Esta atividade será realizada na Plataforma Moodle. ré. 9:58:07 AM . estamos te esperando no fórum. Mesmo escrevendo sua aula sobre o suporte material impresso. preste 78 Figura 4. c e a cantar com do. explica que a gente aprende a ler com a. um clássico do gênero musical produzido em 1965. Voltemos.

Costumamos dizer que o maior problema que o professor enfrenta ao escrever uma aula de EAD é o de que ele não vai junto com a aula que escreve. não pode explicar de novo e não pode olhar para o aluno e perceber que ele não entendeu. para sua eficácia. Buscando clareza no que se escreve. 9:58:07 AM . É um texto que procura ser rápido na comunicação do conteúdo. aula4. de o professor conseguir produzir um texto com alguns elementos fundamentais para a eficácia da comunicação escrita.indd 79 10/10/2007. porém. clareza e rapidez. quem escrever tem de considerar as aulas de EAD com uma particularidade: Foto: Oleksiy Petrenkor Atenção A 79 educação a distância separa o momento da produção (do professor) do momento da recepção (do aluno). Um texto claro é aquele em que o tema e as informações importantes são tratados com precisão. 2.sxc. Para isso. Não basta. nosso objeto de interesse aqui. Não vai junto. Fonte: http://www. depende.hu/photo/181792 Como contornar esse problema? Compreendendo e privilegiando alguns elementos quando estivermos redigindo nossa aula: 1.Aula 4 – Linguagem: significado e funções Elementos fundamentais para a eficácia da linguagem escrita no contexto de EAD O material impresso voltado para EAD.

O texto claro.elementos instrucionais e estratégias de ensino 3. 4.indd 80 10/10/2007. Esses cinco elementos de eficácia da comunicação escrita foram aprendidos por mim nas seis propostas do escritor Ítalo Calvino para o próximo milênio que é exatamente este no qual estamos vivendo. Quando se diz que um texto é dialógico é porque ele traz pistas de outros textos. rápido. 5. de novo. Um exemplo desse tipo de texto está reproduzido no próximo boxe. Deve oferecer. Essa multiplicidade é essencial para o diálogo. teremos um texto claro. o que significa transmitir informações importantes ou sinalizar caminhos relevantes para a construção do conhecimento de quem o lê. quando. diferentes pontos de vista. O texto de EAD precisa ter consistência. Trocando palavras de lugar quando a leitura em voz alta indica confusão/ambigüidade no que foi escrito. usando mais pontos do que ponto-vírgula. aula4. É a multiplicidade de conexões que vai permitir que o aluno vá além do texto. múltiplo e consistente é aquele em que o aluno visualiza os caminhos pelos quais pode expandir seu conhecimento.Planejamento e elaboração de material didático impresso para EAD . sempre que possível. a multiplicidade de conexões e. o onde. leia de novo o enunciado da Atividade 2 e observe como o limite de palavras sugere rapidez. a subsidiar a imaginação/ abstração do aluno. 9:58:10 AM . quem e estimula a clareza da informação e a consistência. Lendo em voz alta o que se escreve. por mais que seja tentador fazer isso. Para estimular que o texto do aluno incorpore esses elementos – que podem ser 80 ensinados em qualquer disciplina -. Não misturando perguntas/provocações com informações. desdobramentos diversos ou tudo isso ao mesmo tempo. por assim dizer. outras situações de forma a favorecer. Os antecedentes forçam. outras mídias. Agora que você já sabe quais são esses cinco elementos da linguagem escrita. preciso. Rapidez se consegue com frases curtas. é preciso que a atividade proposta pelo professor tenha parâmetros bem definidos. garantimos precisão e consistência ao nosso texto. Confira antes de continuarmos a análise desse material. conexões entre o que apresenta e outros textos. a consistência. sua imaginação.

Isso se atenuou em livros posteriores. por que Jorge Amado foi importante. numa prosa generosa... duas conexões além do texto – o conceito de romance erras do sem fim – e. como Terras do sem fim (1942). proletário e a citação do livro T Por quê? Porque em 98 palavras. até desaparecer na obra madura. Nesse trecho – extraído de um parágrafo um pouco mais longo do livro Iniciação à literatura brasileira – Antonio Candido diz sobre o que fala (literatura). mais bem feitos. onde o ataque ideológico cedeu lugar a uma identi-ficação afetiva com o povo. principalmente. pelo menos. suas lutas e suas crenças.” “Um pouco sobre Jorge Amado” é um trecho do livro do professor Antonio Candido (USP). Nesses romances. no Brasil e no mundo). primeiro com um traço ideológico demais e depois com uma identificação afetiva com o povo. quem é o autor Jorge Amado (alguém que começa com romances proletários e evoluí para uma prosa comunicativa. Antonio Candido deu informações que permitem ao leitor uma entrada clara na literatura de Jorge Amado e provocam a vontade de saber mais. há um intuito ideológico ostensivo demais. comunicativa.Aula 4 – Linguagem: significado e funções Um pouco sobre Jorge Amado “Jorge Amado (1912-2001) começou pelo que se chamava então “romance proletário” (1933). o negro entrou pela primeira vez maciçamente na ficção brasileira. é um texto consistente... aula4. com sua poesia e sua pobreza. com a possibilidade de apreensão rápida do que é a literatura de Jorge Amado com. quando se desenvolve essa literatura e suas fases (1933. apesar das falhas apontadas. Nesses livros. 9:58:10 AM . Trata-se de um texto claro. traçando um panorama da literatura brasileira. que fez de Jorge Amado o romancista mais popular do Brasil e o único a conquistar públicos apreciáveis no exterior. como se dá essa trajetória. popular.indd 81 10/10/2007. 1942. 81 Noventa e oito palavras. na maturidade do autor).

Foto: Sanja Gjenero Fonte: //www. é importante que você consiga um material fundamental à compreensão adequada do tema sobre o qual discutimos. 82 Achou? Agora encontre um outro texto. aula4. na sua área de conhecimento. impreciso. e todos têm a produção separada da recepção (característica intrínseca à linguagem escrita publicada). mas confuso. também na sua área. protelador do objetivo que o autor parece querer atingir. precisão.hu/712732 Foto: Stefanie L. Achou? Mantenha esses dois textos perto de você durante todo o Módulo II e anote num diário se até o final você mantém a mesma opinião sobre eles.indd 82 10/10/2007. consistência. um texto de até 150 palavras que apresente elementos de eficácia da linguagem escrita – clareza. Procure. com um único ponto de vista e sem consistência prática ou teórica.sxc. multiplicidade.elementos instrucionais e estratégias de ensino Atividade 3 Atende aos objetivos 3 e 4 j O que funciona e o que não funciona Antes de continuarmos a aula. rapidez. Todos os textos de áreas específicas de conhecimento são passíveis de ser usados em situações de ensino. Não importa que o texto não tenha sido produzido com o objetivo de ser um texto de EAD. que seja importante. 9:58:11 AM .Planejamento e elaboração de material didático impresso para EAD .

por exemplo. O autor pretende. Repercussões da chegada da corte ao Brasil. É o que torna o texto eficaz e o objetivo alcançável. • Selecione. Nesse sentido. todo texto escrito pressupõe um leitor real ou imaginário. provocar um efeito nesse leitor. portanto. Veja o boxe “Família real”. entre esses pontos. aula4. Antecedentes – Bloqueio continental empreendido pela França bonapartista. Como você vai combinar isso? Com um mapa da Europa e as razões da França e da Inglaterra resumidas dentro de seus respectivos territórios? Com um texto corrido. Depende de quê? Do efeito que você quer causar. Primeiras medidas de D. 2. com destaque para os acontecimentos ordenados pelo tempo? Depende.indd 83 10/10/2007. em o que selecionar e como combinar os vários itens selecionados para provocar um efeito de sedução/convencimento que leve o aluno a aprender a partir do que foi escrito. como um rascunho para você mesmo: Primeira etapa: Seleção • Selecione os pontos essenciais do conteúdo que você pretende que o aluno domine nessa aula. Efeito não é objetivo. João. Efeito é o que permite que se alcance o objetivo. quais se prestam a maior multiplicidade de conexões. O segredo está. dependência econômica de Portugal em relação à Inglaterra. Uma aula em EAD é produzida por alguém que domina um determinado conteúdo e deseja que seu leitor/aluno aprenda esse conteúdo. sem ilustrações.Aula 4 – Linguagem: significado e funções Linguagem e produção de texto: aula para EAD Escrever é selecionar elementos da realidade e combinar esses elementos de forma a produzir um efeito. com o que escreve. 3. liste-os de maneira clara e precisa sob forma de objetivos de aprendizagem. Você seleciona. Um dos caminhos para produzir uma aula de EAD é fazer o seguinte roteiro antes de escrever. 9:58:15 AM . os seguintes itens como essenciais: 1. Família real Mais 83 V amos supor que sua aula seja sobre a vinda da família real para o Brasil.

que estudamos na aula anterior”. Nesse caso.Planejamento e elaboração de material didático impresso para EAD . você mesmo vai poder avaliar se “foi bem isso exatamente o que você quis dizer”. se não souber.indd 84 10/10/2007. você deverá estudar ou rever os conceitos x. de acordo com o projeto gráfico de sua instituição. no exemplo acima. Observe os textos A e B e veja a diferença entre esclarecer um conteúdo significativo através de um parêntese explicativo ou através da determinação dos pré-requisitos: Texto A: A situação econômica da colônia. aprende na hora. Não se preocupe com isso na fase de rascunho. prejudicava muito os mascates – pequenos comerciantes que percorriam o sertão nordestino – a ponto de a insatisfação destes preocupar as autoridades locais. É uma informação importante e fácil de transmitir ou relembrar. Apenas selecione. Se você fizer um rascunho roteirizado de sua aula.requisitos. eu escrevi entre travessões a definição de mascates? Porque o aluno pode não saber a que estou me referindo. como o travessão que estou usando agora – palavras que podem ser esclarecidas rapidamente. para que o aluno entenda um determinado item é preciso que ele tenha estudado no período anterior ou no Ensino Médio conceitos ou técnicas. 9:58:15 AM . O “rascunho” supre. conhecer. Coloque entre vírgulas. parênteses – ou qualquer elemento com finalidade de destaque. quando alguma coisa dá errado na comunicação oral. aula4.elementos instrucionais e estratégias de ensino • Selecione quais pontos apresentam pré. Por que. ótimo. Basta colocar entre vírgulas ou travessões. z. não é necessário incluir o conhecimento do conceito de mascate como pré-requisito para a compreensão do texto apresentado. A questão dos pré-requisitos merece um pouco mais da nossa atenção. começando por selecionar pontos do conteúdo. Se o aluno souber. 84 y. pré-requisitos e redigindo textos a partir dessa seleção. a maravilhosa característica da linguagem falada equivalente a “não foi bem isso o que eu quis dizer”. mas que seu aluno pode não saber de antemão. naquele momento. na linguagem escrita. No caso de nossas aulas. Vamos a alguns pontos e exemplos importantes: Indique o conceito que ele deverá retomar. os pré-requisitos são redigidos em forma de texto. esse item será facilmente “cortado” e “colado” na seção destinada aos prérequisitos para o estudo de uma aula. na primeira página: “para acompanhar este conteúdo. Quando o seu texto estiver pronto. sem as quais ele não entenderá o que você escreveu. ou seja.

É interessante estar atento para esse detalhe. trocados por palavras. • claro. caso pareça melhor deixar o texto com mais fluência. Segunda etapa: Combinação • Combine o conteúdo selecionado com um estilo de escrita no qual se sinta mais confortável. e B – jovens negros adultos. sem determinados pré-requisitos. Enfim. A definição de mascate pode ser colocada no texto. especialmente quando você temer que o aluno não consiga atingir os objetivos. Selecionar essas possibilidades no rascunho potencializa as qualidades da sua aula. a lista do que caracteriza um estilo é infindável. fazer as atividades. dirigindo-se diretamente ao aluno. podemos. Escolha aquele em que você se sente mais à vontade para escrever sobre o conteúdo que conhece bem. aula4. mas o aluno precisa conhecer o conceito de Conjunto antes de ir adiante numa aula sobre esse tema. 9:58:16 AM . porém mais contido (não confundir com frio ou hermético).Aula 4 – Linguagem: significado e funções Texto B: A interseção entre os conjuntos A . Exemplos de estilo: • mais coloquial. brancos e desempregados no Brasil. É difícil identificar elemento de interseção entre dois conjuntos sem saber o que são conjuntos. dirigindo-se ao seu aluno imaginário.indd 85 Mais 10/10/2007. de forma a ensinar alguém que você não conhece presencialmente. usando exemplos tirados do noticiário ou com ênfase em conceitos e argumentos. ou ainda contando histórias. optar pelo recurso do verbete. 85 P ré-requisitos são conceitos e informações que os alunos precisam conhecer antes de começar a estudar uma aula. pobres e desempregados no Brasil está no conjunto C dos jovens adultos pobres desempregados brasileiros.dos jovens adultos pobres. Isso demonstra que alguns conceitos não podem ser traduzidos por palavras. mais criativo. • coloquial. inclusive.

rápidos. • Combine o conteúdo e o estilo do texto com atividades. se possível de prazer. 1988). o aluno deve ser capaz de “ouvir a voz do professor saindo do papel” (ROWNTREE. idealmente.elementos instrucionais e estratégias de ensino A o definir seu estilo. lembre-se de que. Terceira etapa: Avaliação • Neste momento.indd 86 10/10/2007. sempre que possível. quais conceitos ele deve articular a partir do conhecimento recém-adquirido. analisar. Todos os recursos de linguagem devem ser claros. buscando atender a cada uma das competências p cognitivas. você terá a oportunidade de auto-avaliar seu desempenho como 86 professor de EAD. produzir. para facilitar a aprendizagem de seu leitor/aluno.Planejamento e elaboração de material didático impresso para EAD . Releia o que você reescreveu: • O conteúdo está combinando com o estilo escolhido? • As atividades combinam com os objetivos para essa aula? Lembre sempre que o seu objetivo maior é provocar o efeito de entendimento. inferir. Todas fundamentais para o processo de ensino e aprendizagem. criar. uma para cada objetivo listado. Se eu espero que o aluno produza um texto rápido. inequivocamente. claro. sempre que possível. devo ser capaz de indicar. avaliar. consistente com um recorte do conteúdo. • A aula ficou enorme? • Há muito conteúdo e poucas atividades? • Você não consegue imaginar atividades que levem o aluno adiante? Reescreva. 9:58:16 AM Mais . • Os comandos para as atividades estão claros e precisos e. conectados a outros conteúdos? A maioria dos casos de ruído de comunicação entre professor e aluno está na expressão de expectativas. distinguir. em EAD. precisos. aula4. conectados a outros conteúdos. g As competências cognitivas são as de identificar. sintetizar. comparar.

inicie o processo novamente. rápido. 9:58:16 AM . múltiplo. 4 e 5 j Sistematizando o trabalho da escrita Você fez todas as atividades da aula? Manteve os dois exemplos dos textos pesquisados na Atividade 3 perto de você? Leia mais uma vez seu rascunho. inclua as letras das músicas na sua aula. Atividade Final Atende aos objetivos 3. Se o mais importante for distinguir. No texto em prosa ou no texto em verso encontramos exemplos de narrativa e de dissertação. três versos que caracterizem personagens. se não. pense: ele está claro. e três versos que caracterizem sentimento. em outra.indd 87 Atenção 87 10/10/2007. N o exemplo de atividade proposto acima. incorpore-o à aula quando for redigi-la. em uma. Depois de reescrever seu rascunho. Atividade As letras de “Faroeste Caboclo” de Renato Russo e “Faltando um pedaço” de Djavan são exemplos de história contada e conceito apresentado de forma argumentativa. consistente? Se for o caso. aula4. precisamos considerar o que falamos acerca da definição de pré-requisitos: será que o aluno tem internet em casa para pesquisar as letras das músicas citadas? Será que conhece Renato Russo e Djavan? Não devemos partir do princípio de que as respostas são afirmativas. O rascunho apresenta um texto consistente e agradável de ler? Não? Escreva-o novamente. Quando você achar importante que o aluno pesquise. preciso. Identifique três versos que indiquem eventos ocorridos. discorrer sobre situações ou personagens de forma argumentativa.Aula 4 – Linguagem: significado e funções Exemplo de um trecho de aula e de proposta de atividade: Texto A: Diferença entre narrativa e dissertação A narrativa se caracteriza por contar eventos e apresentar personagens. se achar pertinente. e a dissertação por apresentar conceitos. Comandos são verbos no imperativo como os que usamos para a redação de objetivos. coloque o comando pesquise na atividade.

quando percebermos que o texto produzido não atende às expectativas de um bom processo de ensino e aprendizagem. conexões com outros textos. falada ou escrita. Essa multiplicidade é essencial para a criação de um texto dialógico. A linguagem é qualquer conjunto de símbolos usados para codificar ou decodificar dados. Após uma primeira seleção e combinação de conteúdos. que traz pistas de outros textos. expressões de emoção ou sentimento. emoções. um texto que procure ser rápido na comunicação do conteúdo. matemática e musical. depende.Planejamento e elaboração de material didático impresso para EAD . dentre outras. através dos quais dois ou mais seres se comunicam entre si para transmitir e receber informações. que permite a expressão e comunicação de pensamentos. que se deram presencialmente ou a distância. um texto consistente. a subsidiar a imaginação/ abstração do aluno..elementos instrucionais e estratégias de ensino Resumo A Língua é o sistema de comunicação e expressão de um povo. para sua eficácia. e que ofereça. qualquer sistema de sinais ou signos. avisos. em qualquer área de saber. em que o tema e as informações importantes sejam tratados com precisão. país. outras situações de forma a favorecer. sempre que possível. e desdobramentos diversos. etc. Embora seja possível representar idéias usando as linguagens numérica. combiná-los de forma a provocar um efeito de sedução/convencimento que leve o aluno a aprender a partir do que foi escrito. A produção de uma aula impressa para EAD envolve selecionar os itens de interesse para o tema em questão e. nação. Quem escreve aulas para EAD deve compreender e privilegiar cinco elementos durante a redação do material didático: um texto claro. O material impresso voltado para EAD. tais representações dependeram de intensas discussões. desejos. de o professor conseguir produzir um texto com elementos fundamentais para a boa comunicação escrita. 9:58:16 AM . outras mídias.indd 88 10/10/2007. ou seja. e que passaram pelo uso 88 da língua. é fundamental a avaliação de acordo com os elementos mencionados acima e sua reescrita. aula4. diferentes pontos de vista. em seguida.

Seis propostas para o próximo milênio – Lições Americanas. Teoria da literatura: uma introdução. 2006. Literatura: a formação do leitor: alternativas metodológicas. São Paulo: Companhia das Letras. as 100 descobertas científicas do século XX Rio de Janeiro. -.indd 89 10/10/2007. -. 1990. BORDINI. Trad. CALVINO.4. Rio de Janeiro: Ediouro. 1993. Eureka. São Paulo: Martins Fontes. Rupert. Ivo Barroso.Aula 4 – Linguagem: significado e funções Informações sobre a próxima aula Como tornar sua aula mais “legível”? Como fazer uso de recursos da língua para a elaboração de aulas que sejam mais facilmente estudadas. Porto Alegre: Mercado Aberto. Maria da Glória & AGUIAR. Ivo Barroso. Trad. Waltensir Dutra. a 2004.135 p. 2006. sem comprometer em nada a formação de alunos de Ensino Superior? A próxima aula será sobre recursos de legibilidade da língua escrita. Aristóteles. Italo. Rysznard. Bibliografia consultada CANDIDO. ed. Trad. 2a ed. 9:58:17 AM . Terry. Ed. X CALVINO. EAGLETON. São Paulo: Companhia das Letras.Rio de Janeiro: Ouro sobre azul. 1983. Até lá! Leituras recomendadas KAPUSCINKSKI. Antonio. 1990. Nova Fronteira. Seis propostas para o próximo milênio – Lições Americanas. Italo. São Paulo: Companhia das Letras. Minhas viagens com Heródoto. 89 aula4. Iniciação à literatura brasileira /. s/d. Poética. LEE. Vera Teixeira.

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indd 91 10/10/2007.Aula 5 O uso da linguagem. Por que tanta preocupação e tanto cuidado? Ana Paula Abreu-Fialho José Meyohas aula5. 10:00:01 AM .

5.indd 92 10/10/2007. 4. Além disso. 2. 10:00:02 AM . Pré-requisitos Gostaríamos que você marcasse a que horas começou a estudar. introduzir elementos de pessoalidade em um texto. Objetivos Ao final desta aula. 3. detectar e substituir vocábulos inadequados a um 92 texto instrucional para EAD. usar perguntas retóricas em um texto. substituir expressões por uma só palavra sem alterar o sentido da frase.. você deverá ser capaz de: 1.elementos instrucionais e estratégias de ensino Meta Apresentar meios e técnicas de como fazer uso adequado da linguagem para EAD. ordenar de maneira direta uma sentença. manter ao seu lado um bom dicionário talvez seja necessário.Planejamento e elaboração de material didático impresso para EAD .. aula5. 6. construir sentenças curtas.

pelo homem. breve explanação. relativas a conceituações e estratagemas endereçados à elaboração da escrita de um determinado conteúdo.Aula 5 – O uso da linguagem. para a qual é indubitavelmente imperativo o domínio por parte deste imediato leitor e porvindouro autor. Posto que. separados estão. para tanto. 10:00:02 AM . nos três parágrafos que se seguem. portanto improvavelmente o será. ainda. advenha. da semântica primeira. o leitor. recursos e elementos lingüísticos alude. à culminação da não-obscuridade e ininterrupta objetividade de nossos escritos. em volume impresso. para proceder ao ato pedagógico na modalidade em que aquele que ensina e o outro. mandatório nos é não deixarmos de empenharmo-nos. a iniciação da implementação de ação continuada no sentido de envolver-se em processos de transmissão e recepção de mensagens. ambas que pelo autor da epístola foram intentadas. Neste sentido. de tal artifício da transmissão e recepção entre interlocutores adjacentemente localizados ou temporalmente e espacialmente separados. ministraremos. a basilar estimação pela elocução escrita. de fato. hodiernamente. a utilização desta que se denomina linguagem é ferramenta de suma estimação. no que à busca por fatores. de priscas eras. com vistas a estabelecer. dedicada e cuidadosamente a tais unidades didáticas expostas. no intuito de realizar entre a realidade apresentada e o aprendiz não adjacentemente localizado. acerca da relevância de unidades didáticas. conexões. não nos é factível prescindir. a comunicação. Quando da apresentação de teores peculiares a cada campo de saber. ficam clarificadamente as razões pelas quais o leitor desta deve ater-se firme. entre as partes. na representação por signos e gráficos fiando-se.indd 93 10/10/2007. desde imemoriáveis tempos em que se deu. Acredita-se que. além de possibilitar a apreensão eficiente e inequívoca do conteúdo em questão. Por que tanta preocupação e tanto cuidado? Prólogo Indagando-se pode estar. 93 aula5. um par delas. A este. o que visa instruir-se. sob infortúnio de não se lograr a veiculação da expressão das acepções originais.

Pois. toca a campainha e. 1. claro. Você aceitou o convite e. é recebido pelo casal. você se dirigiu ao endereço que eles lhe deram. você pode ver a mesa posta para a refeição: nada de incomum. cheia de expressões de efeito.. exceto as lindas taças destinadas a um bom vinho tinto. 94 Uma aula.. é recebido pelo mordomo. sim: introdução Imagine-se aluno de EAD e responda: gostou do “prólogo” que acabou de ler? Aposto que sua resposta foi NÃO.elementos instrucionais e estratégias de ensino Agora.indd 94 10/10/2007. você pode ver a mesa posta para a refeição: há dois pratos (um em cima do outro) apoiados em um suporte. isso. São 292 palavras e muito pouco significado. de lá. Diga: em qual situação você se sentiria mais confortável? ( )1 Dê uma razão: ___________________________________________________________ ( )2 aula5.. que. Afinal. de lá. Ao chegar. Imagine que você foi convidado para um jantar por um casal de amigos.. com falta de clareza generalizada e – o que é pior – pedante. que lhe encaminha à sala de estar. três garfos do lado esquerdo. 10:00:03 AM .. três facas do direito e mais três talheres de sobremesa na frente dos pratos. para cada pessoa. nunca uma conferência! ATIVIDADE 1 Mas as pessoas da sala de jantar.Planejamento e elaboração de material didático impresso para EAD . 2. uma conversa. Aluno algum poderia ter gostado de “coisa” tão imprecisa. nem nós... que vai com você até a sala de estar. inclusive. É justamente assim que não se deve escrever. em especial para EAD. três taças (uma de cada tamanho). haverá alguém que goste de não entender aquilo que precisa entender? Ou que fique cheio de dúvidas sobre o assunto? Ou que passe a ter mais dúvidas ainda do que as que já tinha? Esse prólogo deu um enorme trabalho para ser escrito exatamente pelas características (listadas no parágrafo anterior) que o fazem tão incompetente na transmissão de uma mensagem. sem objetividade. na data e hora combinados. já estão sendo abastecidas pelo seu amigo..

com a qual estamos acostumados sem nos darmos conta. sem formalidades que o façam se sentir. É nos desprender da linguagem rebuscada . não sei comer com todos aqueles talheres. provavelmente não entenderá boa parte da conferência. de fato. 7. É um aluno que. na hora em que nos sentamos para escrever. taças e talheres que são.. 95 Uma das maiores dificuldades de nós.indd 95 10/10/2007. 5. quando vamos elaborar um material para Educação a Distância é entender que não estamos redigindo capítulos de livros ou artigos científicos. 10:00:03 AM . 2. é um ambiente pouco acolhedor.Aula 5 – O uso da linguagem. nem o que beber com cada taça. Parece que. Várias podem ter sido as justificativas. em outras palavras. à formalidade que está por trás de uma mesa posta com quantidades de pratos. é muito formal. não me sinto à vontade quando sou recebido pelo mordomo. Todas essas justificativas se referem. esquecemos de que quem está “do outro lado” é um aluno como aquele que vemos em sala de aula. e não pelos meus amigos. e aqui listamos sete possibilidades: 1. 4. acho desnecessária esta ostentação diante da realidade atual do país. e não de amigos. o ambiente me pareceu frio e distante. Isso para não falar no mordomo e nos amigos que não vieram recebê-lo. embora possamos achar que ela esteja claríssima. parecia que chegava à casa do meu chefe. assim como o aluno presencial. 6.. ele espera ser recebido pelo professor. a distância. 3. Ao pegar seu material didático impresso para estudar. Por que tanta preocupação e tanto cuidado? Resposta Comentada São muito baixas as chances de você ter respondido que se sentiria mais confortável em um ambiente com tamanha formalidade como o descrito na situação 1. o triplo do número de convidados. É um aluno que não gosta de ler um texto frio e hermético tanto quanto um aluno que espera que o professor entre em sala e dê aula não gosta de assistir a uma conferência. professores do ensino presencial. no fundo. Você discorda? Pois vamos dar um exemplo de uma situação real que mostra como nos enganamos a respeito da nossa capacidade de comunicação. Veja a história a seguir: aula5. o aluno espera se sentir indo a uma aula. Essa formalidade traz associada a si um distanciamento que não esperamos encontrar quando vamos à casa de amigos. pelo menos.

Nina.. primeiro tem que saber umas coisas do mar! 96 Seguiu-se uma longa explicação. o que é um lápis? . tia. . de fato.Tia.Planejamento e elaboração de material didático impresso para EAD .Tia. Aconteceu há sete anos. não perguntei o que é MAR. entrei na onda da minha adorável aprendiz.Surda. Para saber o que é maré. aula5. Nina? .. tia.elementos instrucionais e estratégias de ensino Uma vez estava dirigindo. . Entendeu? Parei.É isso! Tá vendo. Eu entendo o que você diz. mas você poderia estar falando de um palito. fina e pontuda. e a aluna que o orgulho genético só me faria considerar brilhante. acho que eu estou ficando surda. Quer ver? Por exemplo. com minha sobrinha.É. no banco de trás. . Nina? Ok. entre ela mesma e sua sobrinha que tinha 6 anos na época. me pergunta o que é lápis! Já meio frustrada. então com uns sete anos. e acabei percebendo que. que para mim pareceu absolutamente impecável dada a minha formação na área. perguntei o que é MARÉ! . . vamos lá! Sabe quando você está na praia e de repente o mar vem e molha a toalha da gente? A menina impaciente retruca: . só não entendo o que você quer dizer! Diálogo real. pensei.indd 96 10/10/2007.É. antecipando o que certamente seria a consagração do meu maior momento como professora. narrado por Cristine Barreto (coordenadora do módulo)..Uma coisa de madeira. o que é maré? Meu lado bióloga marinha estufou o peito. não estava satisfeita com a resposta.Tia.Entendeu? ... minha experiência em sala de aula. . A certa altura. 10:00:03 AM . .Maré.Calma. ela vira-se para mim e pergunta: .. Nina.

fazendo a Atividade 2? 97 Atividade 2 Objetivo 2 j Chega mais. 10:00:04 AM . Sobre a primeira maneira. você é o mais indicado para selecionar partes do conteúdo em que valha a pena utilizar esta estratégia. ficam clarificadamente as razões pelas quais o leitor desta deve ater-se firme.” Agora você fará um exercício bastante direcionado: a. Uma linguagem mais amigável e informal é uma boa maneira de fazer o aluno se sentir em uma aula. Uma das maneiras de diminuir a dificuldade de os alunos entenderem um determinado conteúdo é aproximá-lo deles. que ele sinta que há um professor do outro lado do papel. dedicada e cuidadosamente a tais unidades didáticas expostas.Aula 5 – O uso da linguagem. dando exemplos que concretizem conceitos abstratos. e não conferências. chega mais.. Isso pode ser feito de duas maneiras: 1. preocupado em lhe ensinar aquele conteúdo. quem é essa pessoa? __________________________________________________________________ c. Portanto..indd 97 10/10/2007. aí sim podemos contribuir mais. No contexto dessa aula. Afinal. O que você poderia escrever no lugar da que selecionou na letra a para trazer um pouco mais de pessoalidade ao texto? __________________________________________________________________ aula5. Vemos em EAD que as aulas apresentadas em tom de conversa são sempre mais atrativas e eficazes. Retire a palavra que explicita a que pessoa este texto se refere. Como fazer? Que tal começar a descobrir. Nós acabamos de fazer isso mostrando o exemplo da conversa sobre maré. __________________________________________________________________ b. e das boas. retirado do prólogo desta aula: “Neste sentido. sugerimos que a linguagem informal (mas cuidada!) e amigável seja a que você deva usar. A tia tinha certeza absoluta de que tinha dado a melhor das explicações sobre maré. fazendo com que o aluno se sinta de fato em uma aula. Veja o trecho a seguir. Já sobre a segunda maneira. que continuou sem saber o que havia perguntado. são aulas. contextualizando. 2. Por que tanta preocupação e tanto cuidado? Esse exemplo mostra o quanto podemos nos enganar em relação à nossa clareza. Não foi o que achou a sobrinha.

2. Afinal.indd 98 10/10/2007. objetiva e. não devemos nos descuidar em nenhum momento! O uso de pra. no entanto.(eu) Vou apresentar a seguir os problemas que você deverá identificar. (Se você está estudando esta aula como um autêntico aluno. não é?! A pessoalidade de um texto não passa só pela forma como se trata o aluno. Para alcançar esse tipo de linguagem mais intimista. aula5. eu e os meus colegas especialistas etc. Trocar “leitor” por “você” já faz com que você se sinta mais próximo do autor do texto. use sempre pronomes pessoais (eu.elementos instrucionais e estratégias de ensino Resposta Comentada a. Ainda nas características de um texto que converse com o aluno. pras. Veja a diferença: 1. você. o mantém mais atento à aula e faz com que ele se encoraje a antecipar a resposta.... não podemos deixar de falar sobre as frases interrogativas – retóricas. Você saberia dizer o porquê? Esse tipo de recurso lingüístico é capaz de instigar o aluno e. O que buscamos é uma linguagem pessoal. . há uma relação explícita e direta entre duas pessoas. nós)... capacitando para a elaboração de material didático impresso para Educação a Distância. com tons humorísticos.. nós. pro.O autor apresentará a seguir os problemas que o aluno deverá identificar. ela ou elas.. C uidado para não confundir informalidade com coloquialismo exagerado. 98 No texto 1 há dois verdadeiros alienígenas tentando comunicação! Já no texto 2. muito menos será o uso de contrações agramaticais. Precisando usar pronomes que não permitam a imediata e clara identificação do “quem” (ele ou eles.que nesta aula é você. acabou de ser chacoalhado pela pergunta do parágrafo anterior). mas também pela maneira como o professor se coloca. quando possível. de eu e os outros professores. b.”). do tipo DA em vez de DE A (por exemplo: “O fato do aluno estar distante” x “O fato de o aluno estar distante. clara. de você. ele estará se dirigindo diretamente a você. pros não é aconselhável na nossa língua. sua ou suas.Planejamento e elaboração de material didático impresso para EAD . 10:00:04 AM Atenção .) esclareça no mesmo instante se se trata de eu e você. seu ou seus. por conseqüência. c. Este texto está se referindo diretamente ao LEITOR.. etc...

indd 99 10/10/2007. Há frases e expressões que podem ser substituídas por uma ou duas palavras. abstrato. não se estressa. impreciso. professoral e acadêmica são sempre indesejadas. não precisa mergulhar no dicionário. Não é necessário dizer que tipo de “convivência” queremos ter.. Assim. frases. genérico (veja o boxe “Fugindo do Vago.. sem ser pedantes. discriminações entre palavras. objetiva. Por que tanta preocupação e tanto cuidado? Com o devido cuidado de não transformar sua aula num mero questionário. Por que usar frases como ’’algo que não esteja aquém do mínimo esperado nem além do que se consideraria o máximo”.Aula 5 – O uso da linguagem. sugerimos que você corte tudo o que vai além do essencial para passar sua mensagem. sente conforto na leitura. use a expressão que é mais objetiva. não é verdade? Todavia. quando você estiver escrevendo uma aula. 10:00:04 AM . expressões etc. o mundo de vocabulário que está armazenado em sua mente fica inteiramente disponível para uso. no entanto. sob pena de seu aluno não entender ou – pior – entender errado! Atenção 99 aula5. entende sem esforço. precisa. direta. P odemos (e devemos) ser sérios no ensino do conteúdo. a linguagem solene. Um texto é mais consistente quando todas as suas palavras têm relevância para o que ele se propõe a dizer.”). clara. e com vantagem: seu receptor decodifica mais rápido. inumerável montante de exemplares”. pois afasta o aluno do professor. Quando você escreve.. faça perguntas introdutórias. saia da rotina de se limitar a conceituar e conceituar indefinidamente. clara e concisa só faz aproximá-los. mas para o outro. você terá de fazer escolhas. específica. se a gente pode usar “aproximadamente”? Por que escrever “um extenso. Evite tudo o que for vago. direta. Isso porque você não está escrevendo para si. Em Educação a Distância. A linguagem simples. mais particularmente que na modalidade presencial.. se podemos simplesmente escrever “muitos” ou “muitíssimos”? Sempre que possível.. seleções.. concorda? Cheio de nada? Nada bom. dialógica. simples. aproveite a chance de perguntar o que vai explicar depois e responder com exemplos.

. utilizando o mesmo exemplo: “Mantenha distância ao operar esta máquina.Planejamento e elaboração de material didático impresso para EAD .. não nos é factível prescindir. E tempo. portanto improvavelmente o será.” A falta de precisão faz o aluno sentir-se como na areia movediça.indd 100 10/10/2007. da semântica primeira. o prólogo desta aula será a base dos nossos trabalhos para aprender a construir um texto para uma aula em material impresso para Educação a Distância. Precisar ler três vezes para entender algo que pode ser entendido de primeira é perda de tempo. Veja a diferença. você procure descartar expressões como: Fatores Campos 100 Casos Tem conexão com Circunstâncias Geralmente Atividade 3 Objetivo 3 j Palavras. Sugerimos que. de tal artifício [a escrita] da transmissão e recepção entre interlocutores adjacentemente localizados ou temporalmente e espacialmente separados.. ainda. com vistas a estabelecer. Como você deve estar começando a perceber.” Fugindo do Vago. é algo que o aluno NÃO tem para desperdiçar. Ela oferece grande risco. para evitar o vago. entre as partes..elementos instrucionais e estratégias de ensino Repare o exemplo: “Perigo extremo pode estar associado ao uso operacional incorreto deste equipamento. lembre-se. sob infortúnio de não se lograr a veiculação da expressão das acepções originais. palavras. Releia o parágrafo a seguir: Posto que. mandatório nos é não deixarmos de empenharmo-nos. 10:00:05 AM Atenção . à culminação da não obscuridade e ininterrupta objetividade de nossos escritos. recursos e elementos lingüísticos alude. aula5. comunicação. de fato. hodiernamente. no que à busca por fatores. ambas que pelo autor da epístola foram intentadas.

_______________________________________________ substituir por: ______________________________________ 3. lograr a veiculação da expressão. sua tarefa será detectar as expressões que “engordam” este texto desnecessariamente e substituí-las. adjacentemente localizados é a mesma coisa que PRÓXIMOS. O texto do prólogo é realmente uma obra de arte às avessas! É difícil pensar em melhorar algo que não se compreende. fatores.. sem grandes alterações. observe quanto mais conciso ele ficou: Posto que. portanto improvavelmente o será. Você encontrou outros? Se encontrou. mas das expressões que podem ser substituídas por uma só palavra.. ainda. não é? Então. da comunicação [escrita] entre interlocutores próximos ou temporalmente e espacialmente separados. Diríamos que. recursos e elementos. Atenção: não estamos falando dos termos que somente dificultam a leitura. não-obscuridade é um jeito esquisito de dizer CLAREZA. hodiernamente. compartilhe conosco no espaço Fórum da Aula 5. _______________________________________________ substituir por: ______________________________________ 101 Resposta Comentada Você provavelmente teve dificuldade em detectar e substituir as expressões que “engordam” o texto porque. Demos alguns exemplos a seguir.. pelo menos. provavelmente. artifício da transmissão e recepção entre interlocutores é exatamente como o dicionário define COMUNICAÇÃO! 2. três. essa é demais! Por que não simplesmente EXPRESSAR? Existe mais uma expressão que você pode ter detectado. a essa altura. 10:00:05 AM .. não? 3. não nos é factível prescindir. na Atividade Final você vai entender por que não a colocamos aqui. 5. No final das contas. aula5. 1. Tente encontrar. Para que tanta coisa? Escolhamos 1: RECURSOS. por exemplo! 4.Aula 5 – O uso da linguagem. 1.. _______________________________________________ substituir por: ______________________________________ 2. deve estar fácil perceber que este parágrafo está cheio de nada.indd 101 10/10/2007.. você deva estar um pouco irritado. com vistas a estabelecer. não está entendendo nada do que está escrito. Por que tanta preocupação e tanto cuidado? De acordo com o que você acabou de ver nesta aula.

Um texto como o que iniciou esta aula pode ser lido por um aluno sem um enorme dicionário a seu lado? . de 92 para 77 palavras! E se agora você olhar a nova versão desse trecho. Ainda não está bom? Também achamos que não. comunicação. Tendo isso em mente.Qual é o preço de fazer o aluno achar que está “surdo” (neste caso. Como você viu na seção e atividade anteriores. se as palavras que se está utilizando são indecifráveis para quem está lendo? Uma das vantagens do material impresso é o fato de ele ser de fácil transporte. por exemplo.. Sinônimos de palavras ”difíceis” serão sempre bem-vindos. aula5. à culminação da clareza e ininterrupta objetividade de nossos escritos.Planejamento e elaboração de material didático impresso para EAD . sem esforço. ao mesmo tempo. Passamos.indd 102 10/10/2007. a semântica primeira. Procure utilizar as palavras do conhecimento da maioria dos alunos. entre as partes.Qual é o prazer de ler tendo de consultar um dicionário a cada três palavras? . pense em algumas questões: . sob infortúnio e não se expressar as acepções originais. textos mais enxutos contribuem expressivamente para a clareza.elementos instrucionais e estratégias de ensino de fato. De que adianta usar o número de palavras essencial para a sua mensagem.. na volta do trabalho. O aluno pode estudá-lo no ônibus. mandatório nos é não deixarmos de empenharmo-nos. aprender sobre marés. “cego”)? Ele fechar o livro e largar os estudos? Com isso. tentando. ambas que pelo autor da epístola foram intentadas.Como é se sentir estrangeiro na sua própria língua. “Hodiernamente” é coisa do passado! Tudo de que não precisamos em um material instrucional para Educação a 102 Distância é de textos que o aluno não seja capaz de entender. 10:00:05 AM .Quanto pesa um bom dicionário para ser carregado por aí? . as que lhes são familiares. queremos dizer: não sofistique o uso da linguagem na Educação a Distância. no que à busca por recursos lingüísticos alude. no entanto. provavelmente encontrará mais algumas possibilidades de substituições. são apenas uma das componentes desse parâmetro. corriqueiras. ou o que seja? .

10:00:06 AM . ______________________________________________ substituir por______________________________________ 5. ______________________________________________ substituir por______________________________________ 3. da comunicação [escrita] entre interlocutores próximos ou temporalmente e espacialmente separados. Por que tanta preocupação e tanto cuidado? E videntemente. ainda. incomuns.Aula 5 – O uso da linguagem. portanto improvavelmente o será. ______________________________________________ substituir por______________________________________ 2.. ______________________________________________ substituir por______________________________________ aula5.” 103 Empenhe-se em encontrar.no trecho a seguir. Atividade 4 Objetivo 4 j A tonga da mironga do cabuletê. 1. hodiernamente. de fato. comunicação. a semântica primeira. com vistas a estabelecer. Também não considere o conselho se sua intenção (ou eventual meta/ objetivo da aula) for o aprofundamento ou a análise de modos de falar e registros de linguagem específicos.. ambas que pelo autor da epístola foram intentadas. estão excluídos da sugestão anterior os termos técnico-científicos indispensáveis de colocação.. à culminação da clareza e ininterrupta objetividade de nossos escritos. no que à busca por recursos lingüísticos alude. sob infortúnio de não se expressar as acepções originais. ______________________________________________ substituir por______________________________________ 4. retirado da resposta da Atividade 3 . Sua tarefa é identificar e substituir . Você continuará na saga de transformar o prólogo desta aula em algo legível por um aluno. à luz do que acabou de refletir sobre textos rebuscados: “Posto que. entre as partes. mandatório nos é não deixarmos de empenharmo-nos. pelo menos.. não nos é factível prescindir. não usuais. 10 substituições.palavras que você imagine não serem de uso cotidiano de seu aluno.indd 103 Atenção 10/10/2007.

infortúnio 8. escolha momentos em que a aprendizagem dele não será sacrificada. resolver equações matemáticas. Se você quiser dar ao aluno a oportunidade de entrar em contato com novos termos .).Planejamento e elaboração de material didático impresso para EAD . semântica já que atualmente a fim de elas necessário máximo pena significados sentido aula5.. as partes 5. características de estilos de arte ou o que for conteúdo de seu curso. ______________________________________________ substituir por______________________________________ 7. culminação 7. decifrar o que está escrito (pense em como você se sentiu ao ler o prólogo desta aula. ______________________________________________ substituir por______________________________________ 8. 10:00:06 AM . com vistas a 4. Isso porque. posto que 2. caso ele não tenha em mãos um dicionário na hora em que estiver lendo sua aula. ao mesmo tempo. ______________________________________________ substituir por______________________________________ 10. compreender ciclos biogeoquímicos. conceitos de contabilidade e empreendedorismo. _____________________________________________ substituir por______________________________________ Resposta Comentada 104 Um vocabulário rebuscado é um grande inimigo do aluno na hora em que ele está estudando um conteúdo. ele terá que. acepções 9. mandatório 6. hodiernamente 3. teorias da educação. além de ter de aprender a equilibrar reações químicas.. Vamos à resposta? 1.e já fazemos isso com os termos técnicos – faça isso bastante moderadamente.indd 104 10/10/2007. ______________________________________________ substituir por______________________________________ 9.elementos instrucionais e estratégias de ensino 6.

factível 13. prescindir 14. de fato. sob pena de não de não se expressar os significados e sentido originais. pode ter pensado em outras palavras que mereciam ser substituídas para o texto se aproximar ainda mais da linguagem dele: 12. possuem um gênero discursivo característico. atualmente. da comunicação [escrita] entre pessoas próximas ou temporalmente e espacialmente separadas.. ininterrupta possível abrir mão pessoas se refere contínua E depois dessas substituições todas. não nos é possível abrir mão. Esse gênero é bem diferente de artigos científicos. estarmos atentos a ele é fundamental para a aprendizagem do aluno. Longos parágrafos com longos períodos de longas orações com longas palavras demandam freqüentemente várias leituras para serem entendidos. É comum encontrar alunos complexados com relação à sua capacidade de entendimento. como você está vendo. a fim de estabelecer. alude 16..indd 105 10/10/2007. Por que tanta preocupação e tanto cuidado? 10. Não precisamos ir do Leme ao Pontal em uma só frase.Aula 5 – O uso da linguagem. E aí? Já está claro e fácil de ler? 105 Simplificando e clarificando nossos textos 1. intentadas mensagem. como ficamos? Veja: Já que. Interlocutores 15. poemas etc). capítulos de livro e da literatura em geral (romances. entre elas. texto desejadas Se você se preocupou muito com seu aluno. comunicação. portanto improvavelmente o será. no que à busca por recursos lingüísticos se refere. epístola 11. embora quem redigiu o texto seja o verdadeiro culpado! aula5. 10:00:06 AM . ao máximo da clareza e contínua objetividade de nossos escritos. ambos que pelo autor da mensagem foram desejados. Materiais instrucionais impressos voltados para a Educação a Distância. necessário nos é não deixarmos de empenharmo-nos. ainda.

Com isso.indd 106 10/10/2007.Planejamento e elaboração de material didático impresso para EAD . orações curtas. pode levar o aluno a uma grande confusão! Freqüente é o uso de conjunções com sentido equivocado. tendo de trinta a quarenta palavras. 10:00:07 AM Atenção . ainda melhor: As provas têm sentido. tais parágrafos devem conter uma reduzida frase final. Quanto mais você usar pontos. por exemplo: Não é possível duvidar de que as provas não sejam desprovidas de sentido. além de sentir-se cansado da leitura. Ou. Se períodos mais longos forem inevitáveis. sintética.. além de ser muito mais fácil detectar as incoerências cometidas involuntariamente.. Melhor dizendo: Tenho certeza de que as provas são providas de sentido. queremos dizer que frases curtas são sempre mais bem entendidas por serem sempre mais enfáticas. se concorda ou não) você dará ao seu aluno. a ponto de ser monótono. não e mais não não são bem-vindos por aqui. Alguns podem exceder a isso. Há muitos alunos que sentem dificuldade em entender rapidamente as construções desse tipo. períodos rápidos de ler fazem com que você não se perca na coesão textual.elementos instrucionais e estratégias de ensino Frases simples. C 106 uidado! Períodos curtos não significam que o texto deva ser tópico ou que seja fragmentado demais. Toda vez que escrever “embora”. Encaixes precisos As conjunções têm um papel importantíssimo na coesão e na coerência de um texto. Usá-las sem o cuidado necessário pode acabar com uma idéia. Evite a dupla negativa como. Em geral. mais chances de parar para pensar sobre o que acabou de ler (se entendeu ou não. 3. O uso indiscriminado de negativas na linguagem faz com que o aluno duvide do que entendeu. que ajude o aluno na tarefa complexa de entender o que você escreveu. analise se há mesmo idéia de concessão ou adversidade aula5. Não. 2. Ou. tente contrabalançá-los com outros menos longos. Em seguida. Outro ponto a que você deve estar atento é o uso das expressões de sentido negativo. os períodos devem conter até vinte palavras. “no entanto”. no máximo: Não duvide de que as provas sejam providas de sentido.

Aula 5 – O uso da linguagem. Verbos e suas vozes O verbo é. o verbo está em voz passiva (a ação é mais importante que o agente).indd 107 10/10/2007. O contrário disso chama-se texto caótico! 4. nos textos passiva (pois acadêmicos. aula5. uma das imprecisões mais comuns de se encontrar ao analisar textos instrucionais (e de diversas naturezas) é a do tipo narrado nos parágrafos anteriores. um bom texto deve ser enxuto. Isso significa que. Por que tanta preocupação e tanto cuidado? na sentença. esteja). Na segunda oração. de fato. A maneira de utilizar o verbo determina a importância dos elementos em uma sentença e. muitos advérbios – para que isso tudo?! Como já dissemos inúmeras vezes. 107 5. por ser mais direta e enfática. A voz ativa do verbo deve ser a opção na maior parte dos casos. estado ou situação. Voz ativa e voz passiva Para você que não lembra das aulas de português dos tempos de colégio: dizemos que houve o emprego da voz ativa quando o sujeito (agente) tem maior ênfase do que a ação. observe se há realmente relação de conseqüência ou conclusão entre as orações. atribui peso e força ao que se quer dizer. Pode estar parecendo que estamos gastando seu tempo com informações desnecessárias. Além da imprecisão no significado. Quando alongamos as palavras colocando o “-mente” no final delas para transformá-las em advérbios. a leitura se torna cansativa. No entanto. “assim”. Estar atento a esse detalhe pode ser um grande diferencial entre escrever um trabalho científico e uma aula em que se conversa com o aluno. Muitos adjetivos. é mais comum o uso da voz p interessa mais o que foi feito. Do mesmo jeito. também não precisamos de toneladas de advérbios. sem dúvida. Pode ser que você esteja certo (e esperamos que. se escrever “portanto”. portanto. Por exemplo: “O presidente assinou o decreto” em vez de “O decreto foi assinado pelo presidente”. a palavra mais forte de qualquer frase ou oração. Pode estar parecendo óbvio demais o que está no parágrafo anterior. assim como não é funcional termos expressões enormes que podem ser substituídas por uma palavra. Isso porque. e não quem fez). Use-as sem repetição exagerada e prefira as mais simples de cada espécie. também não precisamos de adjetivos em excesso para explicar uma mesma qualidade. 10:00:07 AM . temos de fugir do excesso de conjunções em um texto.

• Explique o novo termo muito cuidadosamente quando for aplicado pela primeira vez. use uma variante de cada vez. Compare as três frases a seguir e veja se elas apresentam o mesmo sentido: Apenas o gato senta no sofá. O gato senta apenas no sofá. Termos técnicos e científicos nem sempre podem (e nem devem!) ser omitidos em uma aula. por exemplo. Nesse caso. • Relembre o aluno do que se trata. como a sublinha. O gato apenas senta no sofá. aluno novo não é o mesmo que novo aluno. Há ordens de palavras que alteram completamente a mensagem. 10:00:07 AM . na terceira. ou do apenas. • Use qualquer espécie de grifo. Os jargões também não podem ser desprezados. Casos clássicos são os do somente. quando voltar a usar um termo ou jargão depois de muito conteúdo novo ou de aulas passadas.. se as pessoas das áreas de conhecimento especializado fazem uso deles freqüentemente. o 108 negrito etc. na segunda.indd 108 10/10/2007. o exemplo. o gato é o único a sentar no sofá. • Não introduza mais que o número estritamente necessário de termos técnicos novos no mesmo parágrafo. • Não use termos técnicos alternativos para o mesmo conceito (microcomputador/ PC). 7. Em língua portuguesa. Aproveite para inserir verbetes que contenham apenas a explicação do sentido necessário para aquele momento. Dê o significado. No entanto. a menos que você esteja certo de que o aprendiz necessita deles.elementos instrucionais e estratégias de ensino 6. a única coisa que o gato pode fazer no sofá é se sentar.. a menos que você pretenda acostumar o seu aluno às variações dos termos.Planejamento e elaboração de material didático impresso para EAD . o propósito. todo cuidado é pouco ao utilizá-los na linguagem de EAD! Eis algumas sugestões a respeito de tais termos e jargões: • Nunca use termos técnicos. as letras em CAIXA ALTA. Sobre termos técnicos. A palavra-de-ordem é palavra em ordem Observe com cuidado como você está ordenando as palavras e/ou as orações do seu texto. E aí? Na primeira. o gato não senta em nenhum outro lugar além de no sofá. aula5.

para construir um texto claro. especialmente na aplicação das vírgulas de uso opcional. Veja aqui alguns casos em que pontuação se faz necessária: • Se você quiser que seu aluno faça uma pequena pausa. Ordem direta: Os professores estudam sobre elaboração de textos para Educação a Distância. recomendamos apenas que não cometa exageros. • Se você deseja dar ênfase particular a uma palavra. 109 aula5. 8. Veja: Ordem inversa: Sobre elaboração de textos para Educação a Distância estudam os professores. vírgulas e ponto final Pontuação tem a ver com norma gramatical e com o estilo de quem escreve. Por que tanta preocupação e tanto cuidado? Outra questão relacionada à ordem das palavras em uma sentença é que. • Se você deseja inserir um comentário (não muito extenso). Em outras palavras: mantenha a ordem direta das palavras. No que se refere ao estilo. o que define o número adequado é a velocidade que você deseja imprimir ao texto. Não voe nem ande quase parando. faça o que acabamos de fazer: coloque-o entre parênteses. insira uma vírgula. Parênteses. travessões.indd 109 10/10/2007. Entre o máximo e o mínimo de vírgulas que uma oração pode conter. o aluno poderá não acompanhá-lo ou esquecer-se de você.Aula 5 – O uso da linguagem. 10:00:08 AM . isso dá uma pausa maior que a vírgula e menor que o ponto. quanto menos inversões. • Se você deseja unir pequenos períodos. melhor. use ponto-e-vírgula. sublinhe-a ou use negrito ou LETRAS MAIÚSCULAS. • Um ponto final leva a uma pausa maior.

10:00:08 AM . ambos que pelo autor da mensagem foram desejados. de fato. comunicação. Vamos parte a parte: a.indd 110 10/10/2007. a fim de estabelecer. necessário nos é não deixarmos de empenharmo-nos. no que à busca por recursos lingüísticos se refere. da comunicação [escrita] entre pessoas próximas ou temporalmente e espacialmente separadas. não nos é possível abrir mão. atualmente. como provavelmente você está com vontade de fazer desde o início da aula. você encontra um verbo na voz passiva? Qual? Escreva o mesmo trecho colocando o verbo na voz ativa. sob pena de não se expressar os significados e sentido originais. 110 Agora está na hora de consertá-lo de verdade. portanto improvavelmente o será. identifique uma conjunção usada de maneira equivocada: __________________________________________________________________ d. quantos advérbios você detecta facilMENTE entre as 25 primeiras palavras do texto? Quais você substituiria (ajuste o texto. que retira objetividade e clareza da frase? Como redigir a mesma expressão com mais objetividade? __________________________________________________________________ __________________________________________________________________ c. ainda. qual é a expressão que apresenta uma negativa desnecessária. se for necessário)? __________________________________________________________________ e.Planejamento e elaboração de material didático impresso para EAD .elementos instrucionais e estratégias de ensino Atividade final Objetivos 4. 5 e 6 j Construção Não precisa ser nenhum especialista para perceber que o texto a seguir está bastante truncado e mal escrito: Já que. ao máximo da clareza e contínua objetividade de nossos escritos. __________________________________________________________________ __________________________________________________________________ __________________________________________________________________ aula5. entre elas. quantas sentenças há nesse parágrafo (definidas por pontos)? __________________________________________________________________ __________________________________________________________________ b.

Por que tanta preocupação e tanto cuidado? f. quando ele tinha 92 palavras (lembre-se de que recomendamos cerca de trinta por sentença). “não deixarmos de empenharmo-nos” é o mesmo que empenharmo-nos. agora que você já fez isso tudo. Ah.Aula 5 – O uso da linguagem. troque as que achar necessário. identifique no texto um trecho que você colocaria entre parênteses (ou entre travessões). detecte. insira ao menos uma pergunta retórica. rápida)? __________________________________________________________________ h. volte ao trecho que vai de “Já que” até “[escrita]”. reorganize as frases (privilegie a ordem direta). pelo menos. só conferindo as respostas: a. Quantas palavras há neste trecho? E quantas vírgulas? Qual é a velocidade do texto neste trecho (lenta. este parágrafo inteiro corresponde a uma única frase. duas inversões da ordem direta nesse trecho todo. inacreditavelmente.indd 111 10/10/2007. retire vírgulas. Recomendações importantes: coloque pontos onde achar que deve (construa sentenças curtas). imagina antes. Se isso é absurdo. por que não reescreve o parágrafo? Fique à vontade: corte as palavras que não contribuem para o significado do texto. agora que ele já foi modificado por você duas vezes. 10:00:08 AM . e não se esqueça: seja fiel “à semântica primeira”! __________________________________________________________________ __________________________________________________________________ __________________________________________________________________ __________________________________________________________________ __________________________________________________________________ __________________________________________________________________ __________________________________________________________________ __________________________________________________________________ __________________________________________________________________ __________________________________________________________________ 111 Resposta Comentada Muito trabalho? Depois disso tudo. concorda? Para que dar nó em pingo d’água? Isso é o que você poderia ter detectado na Atividade 3. __________________________________________________________________ __________________________________________________________________ g. normal. __________________________________________________________________ i. b. aula5.

no entanto. “estabelecer. Para passar para voz ativa: os significados e sentido originais. mas não os consideraremos aqui. nos empenharmos! no que se refere à busca por recursos lingüísticos. O “portanto” traz uma idéia de conseqüência direta.os que apresentam “mente”: atualmente. facilmente você pode ter detectado 4 . ou simplesmente. por isso. dizemos que o verbo está em voz passiva. É não deixarmos de nos empenharmos. neste caso. foram desejados pelo autor da mensagem. Como colocá-los em ordem direta? Vamos lá: . ou não é possível abrirmos mão. “não nos é possível abrir mão. provavelmente nunca abriremos mão da comunicação escrita. portanto improvavelmente o será”. Há mais.estabelecer. improvável que seja separadas no tempo e no espaço. entre elas. que foram desejadas pelo autor da mensagem. “que pelo autor da mensagem foram desejados”. De fato. temporalmente e espacialmente. g. Isso faz a leitura lenta e monótona. separadas no tempo e no espaço! d.Planejamento e elaboração de material didático impresso para EAD . 17 palavras e 5 vírgulas. f. você poderia escolher qualquer um deles. o motivo disso não é o fato de que agora não podemos fazê-lo. Quase uma vírgula a cada três palavras. O agente não é o foco desta sentença e. aula5.não nos é possível abrir mão . c. Para substituir. ambos. Possibilidades são: . “no que à busca por recursos lingüísticos se refere”. “nos é não deixarmos de empenharmo-nos”.“improvavelmente o será” .“temporalmente e espacialmente separadas” e. há várias inversões neste trecho: “não nos é possível abrir mão”.indd 112 10/10/2007. de fato. de fato. não existe este tipo de relação. “pelo autor da mensagem foram desejados” está valorizando o ato de desejar.que pelo autor da mensagem foram desejados não é possível a nós abrir mão. mas o fato de ela permitir a comunicação entre pessoas. comunicação”.no que à busca por recursos lingüísticos se refere . comunicação . entre elas. e não o autor.elementos instrucionais e estratégias de ensino mas que deixamos para falar somente agora que já apresentamos o efeito do excesso de negativas na clareza de uma frase. De fato.nos é não deixarmos de empenharmo-nos .“Atualmente” 112 nos dias de hoje. estabelecer comunicação entre elas. improvavelmente. . por exemplo. 10:00:08 AM .

Por que tanta preocupação e tanto cuidado? h.no que à busca por recursos lingüísticos se refere i. da época em que o homem começou a se comunicar utilizando símbolos. Olhe as horas novamente. aula5. Há quanto tempo você está debruçado sobre esta aula? Desconte uma parcela dedicada somente à leitura.indd 113 10/10/2007.improvavelmente o será . 10:00:09 AM . Ainda hoje. (em 71 palavras). as chances de aquilo que escrevemos ser compreendido por quem lê são baixas. é fundamental usar elementos lingüísticos que tragam para o nosso texto mais clareza e objetividade. Veja uma possibilidade de versão para o texto: Ainda hoje. não é possível (e dificilmente será) abrir mão da linguagem escrita. metade do tempo que você passou estudando utilizou para decodificar um único parágrafo! Viu por que não podemos descuidar da linguagem. Por quê? Porque ela serve para nos comunicarmos com alguém que está perto ou longe e para fazer registros que serão lidos no futuro. não é possível (e dificilmente será) abrir mão da linguagem escrita. Para que isso aconteça. Três possibilidades: . especialmente para a Educação a Distância? 113 Epílogo.. De fato. A importância da escrita vem de muito tempo. Quando você começou a ler esta aula deve ter pensado que nós éramos loucos e que o prólogo não significava absolutamente nada. caso contrário.Aula 5 – O uso da linguagem. Você pode estar se perguntando por que optamos por oferecer duas aulas sobre linguagem voltada para material impresso para Educação a Distância. é fundamental usar recursos lingüísticos que tragam para o nosso texto mais clareza e objetividade.entre pessoas próximas ou temporalmente e espacialmente separadas . caso contrário.. 50% talvez? Ou seja. clareza e objetividade nulas. Por quê? Porque ela serve para nos comunicarmos com alguém que está perto ou longe e para fazer registros que serão lidos no futuro. Para que isso aconteça. de inversões desnecessárias. as chances de aquilo que escrevemos ser compreendido por quem lê são baixas. frases colossais. Vamos explicar nos próximos parágrafos. ele é o pior texto que já vimos: uma quantidade enorme de palavras inúteis.

simples e enxuta numa aula faz com que o aluno a “ouça” e o estimula — ele ficará na boa expectativa de “ouvir” a próxima.elementos instrucionais e estratégias de ensino A linguagem é uma ferramenta fundamental quando estamos ensinando um conteúdo específico a distância. use palavras curtas. ler um texto que conversa com você? Fuja das generalizações e das expressões vagas. faça uso da linguagem em tom dialógico.indd 114 10/10/2007. 10:00:09 AM . De preferência. Até lá! Bibliografia Consultada ROWNTREE. cuidando da ordenação de vocábulos. 1994. 1ed. Se usada corretamente. Reconheceu? Resumo A 114 o escrever a sua aula para EAD. Evite as duplas negativas. É por isso que você deve estudar com tanto cuidado estas duas aulas sobre o tema! 162 palavras. Ponha-se no lugar do aluno. Não é mais agradável. aula5. 2ed. parágrafos pequenos. 1998. ao estudar uma aula. Derek. Informações sobre a próxima aula Na próxima aula você começará a estudar sobre as atividades em materiais instrucionais voltados para Educação a Distância. The design and production of self-instruction materials. Londres: Kogan Page. direta. orações pequenas. objetiva. amigável. Prefira um vocabulário familiar ao aluno. Teaching through self-instruction. use pronomes pessoais e frases retóricas. Londres: Kogan Page. apresente-os aos poucos.Planejamento e elaboração de material didático impresso para EAD . A linguagem clara. períodos curtos. LOCWOOD. Fred. permite ao professor fazer conexões com o aluno e entre o aluno e o conteúdo. pela ordem direta. Opte pelos verbos ativos. fuja deles se puder. Ao mencionar temos técnicos ou científicos. Tanto quanto possível.

indd 115 10/10/2007. 10:01:28 AM .Aula 6 Praticando a boa prática Cristine Costa Barreto aula6.

4. conceituar atividade matemagênica. 2. identificar as dez características associadas a atividades autênticas. conforme descrito na literatura. 10:01:28 AM .Planejamento e elaboração de material didático impresso para EAD . 3. Objetivos Ao final desta aula. detectar tais características em atividades voltadas para materiais impressos de EAD. identificar a importância das atividades em materiais de EAD para promover a aprendizagem a partir da utilização 116 dos conteúdos propostos. você deverá ser capaz de: 1. aula6.elementos instrucionais e estratégias de ensino Meta Discutir os principais aspectos relacionados à importância de atividades autênticas em materiais impressos na Educação a Distância (EAD).indd 116 10/10/2007.

não é bem assim. definir atividade como qualquer coisa que o aluno faça. ainda que você não seja um escritor! Portanto. por exemplo. 10:01:29 AM . em si. para aprender. Eu vejo. vamos nos benefeciar de nossa própria experiência como professores. conforme devem ser concebidas na Educação a Distância. não tem nada de novo. que não seja apenas ouvir (ou ler). por exemplo. diferem muito da maneira como as consideramos no ensino presencial. eu diria que as atividades.indd 117 10/10/2007. praticar.hu aula6. antes de passarmos às especificidades das atividades em EAD. Com as atividades. Sua experiência como leitor contribui para romper as dificuldades relativas à redação de uma aula. Quando você está apresentando novos conteúdos. É necessária a conquista de técnicas adequadas e o estudo de diferentes modelos. O termo. e me lembro. avaliar. Pense um pouco sobre suas aulas presenciais expositvas. Então. escrever é uma prática de alguma maneira relacionada ao seu cotidiano de leitor. Se você me perguntasse por quê. um conteúdo oferecido. e compreendo. eu responderia. corretamente. Eu faço. sem hesitar. aplicar. que são as atividades. é verdade. – Confúcio Se você me perguntasse qual o elemento instrucional mais difícil de ser assimilado por quem começa a elaborar materiais didáticos impressos para EAD. Mas um bom texto literário faz parte do seu dia-a-dia.1: Dependendo de como conduzimos uma aula. nossos alunos podem participar de maneiras variadas.Aula 6 – Praticando a boa prática Introdução Eu ouço. dentre outras respostas. analisar.sxc. Você poderia. que tipo de participação você solicita ou espera de seus alunos? Foto: Ruth Strong Foto: Jeramey Jannene 117 Figura 6. Fonte: www. e esqueço. Essa educação não é tão marcante quando se trata da linguagem.

pelas quais.elementos instrucionais e estratégias de ensino Escreva.indd 118 10/10/2007. estão listados a meta e os objetivos de aprendizagem de uma aula voltada para doenças cardíacas que faz parte do conteúdo programático do curso de Medicina oferecido por uma das mais conceituadas universidades da Inglaterra.sxc. na realização da atividade a seguir. 10:01:31 AM . de apresentações de trabalho. ativo. Essas são maneiras. de respostas a perguntas que você faz. em sua sala de aula. da análise de recursos expositivos.Planejamento e elaboração de material didático impresso para EAD . de tarefas realizadas em grupo. fugindo de uma 118 exposição monológica longa e maçante enquanto garante que seus alunos atinjam os objetivos propostos – maneiras que revelam sua boa prática como professor. tenho certeza. a seguir. Vamos lá? Foto: Rose Ann Atividade 1 Atende ao objetivo 1 j Problema. Mas agora gostaria de pedir a sua participação. Leia atentamente. você busca manter um clima dinâmico. do levantamento de questões. eu? A seguir.hu Imagino que você tenha incluído em sua lista a participação de seus alunos por meio da colocação de dúvidas. as três primeiras coisas que lhe vieram à cabeça: Fonte: www. dentre várias. como aluno. aula6.

Prof. Pense em como engajar os alunos na aprendizagem do tema da aula e em como você seria contributivo como professor que visa a formar profissionais de uma determinada área (nesse caso. 6. o aluno deverá ser capaz de: 1. Medicina). relacionar fatores socioeconômicos ao hábito de fumar. 3. Evidenciar de que forma a percepção de um indivíduo acerca de sua própria saúde. aula6.Aula 6 – Praticando a boa prática “O fumo e as doenças do coração” Meta da aula 6 119 Avaliar o impacto do fumo na saúde. 10:01:31 AM . não só para o indivíduo. fisiológicos e sociais do fumo sobre o indivíduo e sua família (incluindo aspectos tais como o vício e os efeitos do cigarro para fumantes passivos). 5. bem como seu status socioeconômico. explorar evidências do fumo como um fator de risco para doenças cardíacas coronarianas. Evidenciar conflitos éticos presentes na área de saúde. detectar as causas que determinam o início do hábito de fumar em crianças e adolescentes e quais fatores contribuem para a manutenção do hábito e para o abandono do vício. 2. identificar os conflitos éticos inerentes a qualquer programa de promoção de saúde. pense em uma aula que permita a um aluno atingir os objetivos propostos. identificar os efeitos físicos. objetivos Após esta aula. mas para a sociedade como um todo. Pense em como você incentivaria a participação dos alunos. distinguir entre prevenção primária. 4. Helen Hogan e Elizabeth Muir Imperial College London Mesmo que você não seja professor da área biomédica.indd 119 AULA 10/10/2007. influencia o sucesso de estratégias para a promoção de hábitos de higiene e saúde. secundária e terciária.

Jim gosta de jogar futebol uma vez por semana e de ir a um bar encontrar com os amigos no final de semana.hu Fonte: www.hu Resposta comentada Você pode ter pensado em um sem-número de estratégias diferentes: o uso de fotos. A esposa de Jim acha que seria melhor para a saúde dele se ele deixasse de fumar. Foto: Simona Dumitru Jim é fumante e consome 20 cigarros por dia há 20 anos. Eu adoraria que você compartilhasse comigo e com os outros alunos do curso suas idéias para esta 120 atividade. aula6.sxc.sxc. recentemente ela mostrou Fonte: www. ele concordou em fazer uma visita ao posto de saúde e buscar aconselhamento do médico de plantão acerca de como parar de fumar. 10:01:32 AM .sxc. Deixe seu comentário na plataforma. Foto: Felipe Wiecheteck Foto: Sanja Gjenero Fonte: www.hu Fonte: www.hu ao marido um panfleto informativo Foto: Loleia que pegou na farmácia sobre doenças relacionadas ao fumo. Depois de muita insistência de sua esposa. no qual foi baseada a aula original cujos objetivos você leu anteriormente. Mas antes de ir até lá.sxc. Jim Butler Jim Butler é um operário de construção de 40 anos de idade.sxc. Seu trabalho nem sempre é regular. com dois filhos: um de dois e outro de cinco anos. entrevistas. análise de imagens radiográficas.hu Foto: Uffe Nielsen Fonte: www. no fórum da Aula 6.sxc. Ela também acha que isso os ajudaria a guardar algum dinheiro como reserva para as ocasiões em que Jim estivesse sem trabalho.indd 120 10/10/2007. visitas a hospitais.hu Foto: Brian Lary Fonte: www. o que ocasionalmente causa problemas financeiros para a família.elementos instrucionais e estratégias de ensino Pense um pouco antes de continuar estudando esta aula. casado. Esse médico é você.Planejamento e elaboração de material didático impresso para EAD . dê uma olhada no texto seguinte. pesquisas etc.

indd 121 10/10/2007. ele revela que tanto seu pai quanto seu tio morreram no início dos anos 50 em decorrência de “problemas no coração”. mas se instrumentaliza para a resolução de problemas em geral. o aluno aprende não apenas a resolver o problema específico proposto. em uma aula bem ilustrada. Diferentemente. mediada por um tutor (se você quiser saber mais sobre essa estratégia. em que as participações de seus alunos. os alunos passam a utilizar idéias em s vez de apenas ouvir (ou ler!) sobre elas. você poderia apresentar. sejam a própria aula. que deveria ser. Dessa forma. leia o boxe “Aprendizagem baseada na resolução de problemas”). em uma aula expositiva convencional. pois meu avô fumou 30 cigarros por dia durante toda a sua vida e viveu até os 90 anos. Mas diversos estudos indicam que a maioria dos estudantes retém e utiliza pouco do que memoriza em situações de sala de aula. a aprendizagem baseada na resolução de problemas proporciona maior significado. obviamente. Qual a melhor maneira de você ajudar Jim? O caso anterior foi utilizado em uma dinâmica presencial de resolução de problemas. Não sei por que tanto estardalhaço. 10:01:42 AM . a adoção de problemas úteis (significativos) e com alto grau de dificuldade motiva muito mais os aprendizes a buscar soluções. proporcionando-lhes maior nível de compreensão e de desenvolvimento de habilidades cognitivas e relacionais. e os alunos teriam acesso ao conteúdo de forma muito mais rápida e objetiva do que por meio de discussões em grupo. Você poderia fazer isso.Aula 6 – Praticando a boa prática Ele chega para uma consulta com você e diz: “Minha mulher me mandou aqui hoje porque ela está preocupada com meu vício de fumar. na verdade. fazendo uso das estratégias que mencionou anteriormente. ”Enquanto você conversa com Jim. E você certamente faria isso com eloqüência. Naturalmente. meramente um reflexo de nossas práticas em sala de aula no ensino presencial. conteúdos que permitissem aos alunos atingir os objetivos mencionados no início da atividade. 121 aula6. É o extremo do que você pode fazer em sala de aula. Da maneira como essas dinâmicas são conduzidas. A constante aplicação de conceitos por meio das atividades propostas é uma característica típica da Educação a Distância. a partir da aplicação de conceitos em contextos reais e variados e da transferência dos conteúdos aprendidos para outros domínios. compartilhando com seus alunos toda a sua experiência profissional. na verdade. aplicabilidade e relevância ao conteúdo aprendido. já pensou nisso? Quando comparada à instrução tradicional. Você falaria de forma clara. A situação relatada pelo operário Jim Butler é o núcleo a partir do qual todos os objetivos listados anteriormente devem ser atingidos pelos alunos.

no caso da Educação a Distância as atividades devem aparecer entremeadas no corpo do texto. ao redor dos quais o processo de aprendizagem deve ser construído. É esse ritmo que você deve buscar ao elaborar uma aula impressa para EAD. você deve imaginar a freqüência com que deve oferecer atividades para ele fazer. em que as atividades aparecem ao final de cada capítulo como verificadoras de um aprendizado adquirido anteriormente. reconhecimento. Como você o interpelaria durante uma seção de duas horas? Assim. Representam um dos principais caminhos de interação entre o aluno e o material didático.2: Enquanto elabora uma aula para Educação a Distância. para que ele compartilhe de suas experiências. não? Você busca a participação de seus alunos de diversas maneiras. para que ele pratique um conceito importante sobre o qual você acabou de falar. Mas você me disse que faz isso em sua sala de aula. você solicita sua participação para se certificar de que ele está acompanhando seu raciocínio. Tudo funciona como se você estivesse dando uma aula particular.indd 122 10/10/2007.elementos instrucionais e estratégias de ensino Diferentemente dos livros-textos tradicionais. fortemente centrado na transmissão de um vasto conteúdo que inunda o aluno com informações detalhistas. muitos professores tentam romper com um modelo reproduzido há décadas. como parte integrante dos elementos instrucionais que promovem uma aprendizagem eficaz. descrição ou comparação de informações que foram memorizadas. pense sempre em um aluno particular. Assim como você. 10:01:42 AM . um sistema que enfatiza exageradamente recuperação.. De tempos em tempos.. Não é preciso ser um profissional da área da Educação para deduzir que esse modelo gera muitos custos para o aprendiz e aula6. para apenas um aluno. Foto: Toni Rabelo 122 Figura 6.Planejamento e elaboração de material didático impresso para EAD .

na área médica. refletindo as ações dos profissionais em um mundo real. quer do motivacional. para seus alunos. significativas e contextualizadas ao mesmo tempo que fornece recursos. essa estratégia de ensino e aprendizagem foi utilizada. Novamente. aula6. 123 A aprendizagem baseada na resolução de problemas é uma estratégia pedagógica voltada para a proposição de situações reais. o ensino com base na resolução de problemas normalmente ocorre com base em uma dinâmica de grupo de discussão facilitada por um tutor. por meio desta discussão. interpretação e decisão. Originalmente. inevitavelmente somos levados a pensar no processo de aprendizagem de uma maneira inteiramente diferente. práticas de ensino com dinâmicas voltadas para a resolução de problemas são utilizadas em diversos outros cenários. espero contribuir para preencher alguns daqueles fluxogramas vazios a que me referi na Aula 2 e ajudar você a criar boas atividades para suas aulas. onde menos tempo é gasto freqüentando exposições teóricas do que na aplicação das informações apreendidas.indd 123 Mais 10/10/2007. se todos somos capazes de detectar parâmetros educacionais que definem sistemas eficazes. com atividades educacionais que busquem integrar o aluno a um contexto aplicado. Ora. embora saibamos apreciar o bom material educacional e também detectar aquele que nos desagrada. como uma inovação e por que comecei a aula dizendo que é o elemento instrucional mais difícil de ser assimilado e aplicado na elaboração de materiais de EAD? Minha longa prática em sala de aula e minha experiência como pesquisadora sugerem que. com freqüência conduzidos no formato de aulas expositivas. 10:01:44 AM Aprendizagem baseada na resolução de problemas . e distingui-los daqueles que claramente consideramos inadequados. dentre outras. Diferentemente dos métodos de instrução tradicionais. Se concentrarmos o foco das ações pedagógicas no aluno. de forma que o balanço final é quase inevitavelmente a massificação de alunos desestimulados com o conhecimento. atualmente. orientação e instrução para os alunos adquirirem o conhecimento do conteúdo e a habilidade de solucionar problemas.Aula 6 – Praticando a boa prática exige pouco do professor. por que então a aprendizagem baseada em atividades ainda é percebida. por muitos professores. O modelo médico original desdobrou-se em muitas variantes aplicáveis às demais áreas da ciência e. para aprimorar o desenvolvimento de habilidades de tomada de decisão dos estudantes. falta-nos a capacidade de mapear e formalizar os processos técnicos e mentais que levaram este àquele. quer do ponto de vista pedagógico. com o processo de aprendizagem e pouco autônomos no que se refere às suas capacidades de análise. presenciais ou não.

e todas devem ser consideradas. se necessário. O tutor assegura que os objetivos definidos pelo grupo sejam direcionados. 10:01:44 AM . O escrevente registra uma lista de problemas conforme acordado entre os membros do grupo. O escrevente organiza as explicações e as reestrutura. compreensivos e apropriados. como um todo. é concluída após este estágio. aula6. O tutor verifica que o aprendizado aconteceu. e organização das explicações em termos de g possíveis soluções. beneficia-se do conhecimento prévio de cada membro individualmente e identifica áreas de conhecimento que permaneceram incompletas.elementos instrucionais e estratégias de ensino Dinâmicas de aprendizagem baseadas na resolução de problemas (tutoriais) podem ser conduzidas de diversas maneiras. o grupo se reencontra e compartilha dos resultados do estudo individualizado. Os sete estágios de um tutorial típico podem ser divididos da seguinte forma: Estágio 1 – Identificação e esclarecimento dos termos não-familiares apresentados nos g casos. Estágio 4 .indd 124 Foto: Toni Rabelo 10/10/2007. O grupo chega a um consenso acerca g dos objetivos a serem atingidos. Estágio 7 – Aproximadamente duas semanas após a conclusão do estágio 5. O grupo.Formulação de objetivos de aprendizagem. A primeira sessão. sugerindo possíveis g explicações com base no conhecimento prévio dos alunos. Estágio 6 – Estudo individualizado. Os estudantes podem g ter diferentes visões acerca dos aspectos apresentados. Todos os estudantes devem reunir informações relativas a cada um dos objetivos de aprendizado definidos no estágio 5 e investigar as questões que permaneceram total ou parcialmente sem solução.Revisão dos estágios 2 e 3. 124 Estágio 2 – Definição do problema ou dos problemas a serem discutidos. Uma das mais freqüentemente utilizadas é o processo dos sete estágios. cujo formato pode ser adaptado e/ou reduzido de diversas maneiras. Estágio 3 – Sessão de brainstorming para discutir os problemas. atingíveis. O grupo deve concluir a resolução do caso. O grupo identifica as questões que permaneceram sem explicação ou para as quais desenvolveram uma explicação parcial. Cada estudante identifica sua fonte de aprendizado e expõe as informações obtidas. que dura em média 90 minutos. O aluno eleito como escrevente relaciona aqueles que permanecerem inexplicáveis após a discussão. O escrevente registra todos os pontos principais da discussão. sendo possível desenvolver algum tipo de estratégia de avaliação do grupo.Planejamento e elaboração de material didático impresso para EAD . Estágio 5 .

são comportamentos que dão origem à aprendizagem. resolução de problemas. 125 aula6. proponho uma atividade importante para orientar nossa discussão. portanto. o desenvolvimento de capacidades cognitivas que decorreram de comportamentos analíticos e investigativos. nos alunos. a elaboração de atividades matemagênicas estimula a utilização de seus conhecimentos e potenciais criativos para irem além de seus próprios paradigmas educacionais. São vitais para auxiliar o aluno a fazer inferências. aquelas que nós. são as que favorecem.indd 125 10/10/2007. relacionar suas próprias idéias e experiências com o tópico em discussão. autêntico no que se refere às possibilidades que oferece ao aluno. as atividades de maior valor educacional. pensamento crítico e criativo. educadores. Se temos motivos de sobra para desenvolver atividades que promovam o engajamento e a aprendizagem de nossos alunos. Mas qualquer atividade é capaz de proporcionar tantas capacidades? Um dos termos que refletem com maior beleza o desenvolvimento intelectual em sua acepção mais legítima foi cunhado pelo pesquisador americano Ernst Rothkopf (1970): matemagênico. além da organização e reorganização de informações. Essas atividades dão origem a um processo de aprendizagem eficaz. A expressão deriva dos radicais gregos mathemain (aquilo que é aprendido) e gignesthai (nascido). No que se refere a professores e tutores. Comportamentos matemagênicos. devemos perseguir com avidez e reproduzir em larga escala.Aula 6 – Praticando a boa prática Comportamentos que dão origem à aprendizagem Atividades são um aspecto característico de materiais didáticos para EAD. as próximas perguntas a serem feitas são: o que define uma atividade matemagênica? Que modelos e conceitos influenciam seu formato? É possível criar padrões de atividades de alta qualidade instrucional e que possam ser adaptados às diversas áreas de conhecimento científico? Antes de retomarmos essas questões. 10:01:47 AM . Naturalmente. checar sua compreensão e avaliar as implicações de sua aprendizagem. praticar os objetivos propostos.

Planejamento e elaboração de material didático impresso para EAD .worc.ac. Tornar-se apto ou capaz de alguma coisa. 3. Learning and Teaching Centre Staff Development Page http://www.elementos instrucionais e estratégias de ensino Atividade 2 Atende ao objetivo 2 j Como é que se aprende? Leia os trechos abaixo extraídos de diversas fontes: Aprender (Dicionário Novo Aurélio) 1. transferência de estruturas de fora do organismo para dentro dele. etc.letras.br/clipsen/aniela/skinner.indd 126 Foto: Alejandro Heredia 10/10/2007. Miriam Lemle. A complexificação e produção de estruturas cognitivas novas é sempre um processo de seleção de repertórios internos preexistentes. 126 Fonte: www. Por isso.pdf Instrutivismo é o processo de instrução direta por parte de um professor que se baseia em planos de aula e objetivos de aprendizagem relacionados a uma grade curricular geral. desaconselho que se continue a empregar o termo “aprendizagem” (learning). 10:01:47 AM . mediante o estudo. a observação ou a experiência. observação. Tomar conhecimento de. UFRJ http://www. experiência. No instrutivismo: • O conhecimento está em poder do professor. • Há o ensino explícito de um corpo de conhecimento pré-acordado.hu Não existe aprendizado no sentido de instrução. advertência. Reter na memória.ufrj. em conseqüência de estudo.sxc. 2. a fim de ensinar conteúdos específicos. usualmente sob a forma de aulas expositivas.uk/LTMain/LTC/StaffDev/Constructivism aula6.

uk/LTMain/LTC/StaffDev/ Constructivism/ 127 “Meu filho foi comigo para a Inglaterra quando Foto: Vicky S. Learning and Teaching Centre Staff Development Page http://www. certamente.ac. baseados em seu conhecimento e exper novas e integrando o novo conhecime preexistentes. • Os alunos constroem seu próprio conhecimento testando idéias e abordagens. muito melhor do que eu. Era a única ocasião em que era exposto à língua inglesa. uma experiência que vivi fora do país. aos três anos. utilizando-se da estrutura da língua tão bem como uma criança nativa e. • É baseado na participação ativa do estudante na resolução de problemas e no pensamento crítico no que se refere a uma atividade de aprendizagem que considere relevante e engajadora. aula6. Aos dois. falava inglês sem qualquer sotaque. jamais falou qualquer palavra em português e.indd 127 tinha acabado de completar um ano de idade.worc. 10:01:48 AM .” Relato pessoal. 10/10/2007. quando já falava português. começou a freqüentar uma espécie de grupo de recreação em que havia apenas crianças inglesas e lá permanecia por apenas três horas ao dia. Enquanto estava na recreação.Aula 6 – Praticando a boa prática • O construtivismo privilegia o conceito de que toda a aprendizagem deve ser vista sob a estrutura conceitual do aprendiz e de que novos aprendizados devem se acomodar a essa estrutura.

ufrj. __________________________________________ Resposta Comentada Você pode ter pensado em diversas características. a teoria do tipo instrutivista da aprendizagem cai por terra de tal forma que leva a concluir que o aprendizado não é algo que a criança “faz”. Atividades matemagênicas são. Com base nos trechos lidos.sxc. UFRJ http://www. Miriam Lemle.Planejamento e elaboração de material didático impresso para EAD . No final.indd 128 10/10/2007. uma boa idéia que ajuda o aluno a desenvolver diversas capacidades enquanto contribui para a aprendizagem de um conceito. o autor conta uma 128 Foto: Torn Fonte: ww. No livro. técnico da Seleção Brasileira de vôlei masculino.pdf Treinar exaustivamente Um conceito defendido por Carlos Alberto Parreiras no livro de sua autoria Formando equipes vencedoras é “treinar exaustivamente para lembrar do processo que levou ao sucesso”. antes de tudo.br/clipsen/aniela/skinner. e sim algo que lhe “acontece”. provavelmente todas corretas. Pode ter-se influenciado mais por um ou outro trecho para chegar às suas conclusões. aula6. que certa vez chegou à Holanda num domingo e descobriu que não teria quadra para treinar o time.hu história ocorrida com Bernardinho. de um conteúdo. 10:01:52 AM .elementos instrucionais e estratégias de ensino Tal como ocorreu na Biologia. Levou o grupo a um estacionamento e fez o treino ali mesmo.letras. não importa. pense em três características que uma atividade deve ter para gerar uma aprendizagem matemagênica. __________________________________________ 2. __________________________________________ 3. 1. Bernardinho não hesitou. o Brasil foi campeão e os jogadores se lembraram daquele dia.

indd 129 Foto: Peter Rol 10/10/2007. A partir da descrição de diversos autores. são baseadas na observação e análise de modelos. 10:01:53 AM . muitos estudos se voltaram para o que atualmente chamamos de atividades autênticas (a meu ver. 129 Dez características de atividades autênticas Conforme a filosofia construtivista e os avanços tecnológicos impactam a teoria. professores. eu ficaria à vontade para utilizá-los indistintamente). partem do conhecimento e da experiência prévia do aluno. Para nós. as atividades são o próprio curso. portanto. Na verdade. têm caráter experimental. além da colaboração com outros alunos. favorecem a colaboração. um estudo em particular identificou e reuniu dez características de atividades autênticas referidas na literatura. são significativas e contextualizadas. a pesquisa e o desenvolvimento educacionais. tais características podem representar uma lista valiosa! aula6. contribuem para a quebra de paradigmas. Mais alguma? Em ambientes de aprendizagem construtivistas. favorecem a resolução de problemas.Aula 6 – Praticando a boa prática Fonte: www. e para desenhistas instrucionais. permitem a aplicação e a prática dos conteúdos aprendidos. o termo é congênere de matemagênicas. permitem ao aluno experimentar situações em vez de ser ensinado sobre elas.hu Atividades matemagênicas contribuem para a autonomia do aluno.sxc. em um processo que prevê a orientação e o suporte de professores e tutores. promovem a reflexão. as atividades dão significado à aprendizagem. Atividades dessa natureza podem ser complexas e guiar a aprendizagem em um curso inteiro.

desconectada da natureza da atividade em si. de forma contígua. à avaliação que. 9.au/oliver/2002/Reeves. utilizando uma variedade de recursos. a atri-buições de profissionais em prática em vez de tarefas de sala de aula descontextualizadas. São. em vez de em minutos ou horas.scam. As atividades permitem um espectro e uma diversidade de resultados abertos a soluções múltiplas. tanto no curso quanto na situação real que simula. Atividades integram e são aplicadas a diferentes áreas e possibilitam resultados para além daqueles referentes a domínios determinados e específicos. Reeves. 5. Relevantes para o mundo real Atividades correspondem. tanto quanto possível. Atividades incluem tarefas complexas que devem ser 3.ecu. Além do tempo. Atividades culminam com a criação de produtos valiosos em si.1: Atividades autênticas e aprendizagem online (Authentic activities and online learning). 10:01:55 AM . semanas e meses. Atividades são integradas. Os problemas propostos são pouco definidos em vez de facilmente 2. em vez de servirem como preparação para se obter um outro produto qualquer. Encorajam perspectivas multidisciplinares 8. Oferecem múltiplas perspectivas de análise tarefas de diferentes perspectivas. em vez de uma resposta única obtida pela aplicação de regras e procedimentos. um produto 10. além de refletir quanto à sua aprendizagem individual ou em grupo. Permitem soluções múltiplas aula6. Devem ser concluídas em dias. Oportunizam a colaboração A colaboração é parte integrante da tarefa. 6. http://elrond.pdf 1. Requerem que os estudantes definam quais as tarefas e subtarefas necessárias para completar a atividade.indd 130 10/10/2007. Integradas à avaliação por sua vez. Não pressupõem uma avaliação separada. Requerem investimento de tempo 130 investigadas pelos estudantes ao longo de um período de tempo. reflete processos avaliativos do mundo real.elementos instrucionais e estratégias de ensino Quadro 6. Favorecem a reflexão 7.Planejamento e elaboração de material didático impresso para EAD . Jan Herrington & Ron Oliver. Atividades devem permitir aos estudantes realizar escolhas.edu. em vez de apenas uma perspectiva que os alunos devem reproduzir para serem bem sucedidos. teóricas e práticas. em si. requerem um investimento significativo de recursos intelectuais. Pobremente estruturadas resolúveis pela aplicação de algoritmos existentes. artificial. Oferecem a oportunidade para os estudantes examinarem as 4. Thomas C.

descrito na Atividade 1. Por exemplo. casado. mas há também uma versão para materiais impressos. O Jogo de Casos é uma atividade que incorpora o modelo narrativo à aprendizagem baseada na resolução de problemas. escolher dois personagens de quatro que lhe são oferecidos. Apresenta-se ao estudante uma situação inicial. O aluno deve. g j O Jogo de Casos Uma das atividades mais criativas propostas em materiais didáticos do Consórcio CEDERJ foi criada pela Profª Sonia Rodrigues.indd 131 10/10/2007. então. aula6. no curso de Biologia. A seguir. como parte do conteúdo das aulas. a partir de sua larga experiência no papel de jogos na aprendizagem.Aula 6 – Praticando a boa prática Atividade final Atinge os objetivos 3 e 4. 10:01:55 AM . ganhou a seguinte versão: 131 Claudemir é pedreiro. descrevo o Jogo de Casos conforme apresentado em sua versão para web. pouco definida. fuma 20 cigarros por dia e seu pai e seu avô morreram de problema no coração. Originalmente. tem dois filhos. o caso do operário Jim Butler. relacionada ao conteúdo do curso. a atividade foi proposta para o ambiente digital.

tô falando de coração! Puxa. em que posso ajudá-lo? Diga-me uma coisa. Diga-me qual é o problema. agora. ele deve fazer um comentário final. sintetizando as idéias desenvolvidas no diálogo. Sra. 132 Em seguida. Mulher preocupada com dores no peito do marido procura seu médico.. eu não estou falando de problema de respiração. criar um problema decorrente da situação inicial proposta e escrever um diálogo entre os dois personagens que escolheu.. um exemplo de comentário final em um Jogo de Casos do curso de Administração: aula6. A seguir. O Claudemir fuma feito uma chaminé. 10:01:56 AM . essa eu não sabia..elementos instrucionais e estratégias de ensino O aluno deve.indd 132 10/10/2007. Se ele fuma? Mas doutor. ele está com muitas dores no peito..Planejamento e elaboração de material didático impresso para EAD . ele fuma muito? Mas uma das principais causas de doenças cardíacas é o hábito de fumar! É o Claudemir.

A idéia é de que cada participação. 6.Aula 6 – Praticando a boa prática Depois de concluídos o diálogo e o comentário. o aluno submete o caso que criou à apreciação do tutor e dos demais alunos. um produto Permitem soluções múltiplas OK 1.. 2. e as discussões podem se dar durante o tempo em que uma aula estiver online ou durante todo o semestre letivo. criação de caso ou comentário seja recompensada com pontos e incorporados a outras avaliações acadêmicas. 2002) fazem parte desta atividade. 10. 10:02:00 AM . Característica Relevantes para o mundo real Pobremente estruturadas Requerem investimento de tempo Oferecem múltiplas perspectivas de análise Oportunizam a colaboração Favorecem a reflexão Encorajam perspectivas multidisciplinares Integradas à avaliação São.indd 133 10/10/2007. 5. com a combinação de personagens que quiser. 7. 4. 133 A partir da descrição do Jogo de Casos. pode debater livremente os argumentos e questões levantados por cada participante. tente definir quais das dez características de uma atividade autêntica (conforme Reeves et al. 3. Os outros estudantes também podem submeter suas impressões ao grupo que. aula6. dependendo do interesse do professor. 8. por sua vez. O tutor pode comentar um caso que proponha um problema particularmente valioso para o conteúdo do curso. em si. 9. Cada aluno pode jogar quantas vezes quiser.

Representam cenários contextualizados. em conceber uma atividade voltada para esse tema. Concorda ou discorda? Vamos conferir. tive dificuldades. A participação e o debate na comunidade virtual podem se dar por várias semanas. freqüentemente com posições antagônicas. possíveis de serem observados. por si. é. Favorecem a reflexão: ao conceber o diálogo entre dois personagens e levar em consideração aspectos variados acerca de um determinado tema a partir do conteúdo das aulas. do operário. o aluno reflete. a criação de casos por cada aluno pode se dar de forma cada vez mais complexa e mais consistente. da dona de casa. logo de início. acerca das conseqüências de sua aprendizagem. de forma a dar margem para uma infinitude de problemas possíveis de serem idealizados.indd 134 10/10/2007. um exercício argumentativo em que diversos pontos de vista são considerados durante a elaboração dos diálogos. com base no desenvolvimento do conteúdo.elementos instrucionais e estratégias de ensino Resposta comentada Quando idealizava esta aula.Planejamento e elaboração de material didático impresso para EAD . especialmente a seção acerca das características de atividades autênticas. Oportunizam a colaboração: as possibilidades de discussão em grupo são incalculáveis. 10:02:01 AM . Relevantes para o mundo real: os casos propostos denotam situações problemáticas 134 idealizadas por cada aluno.via personagens e via discussões em grupo -. sua capacidade de elaborar um problema (fundamental na investigação científica). a partir da situação inicial. sua capacidade de análise e crítica. Pobremente estruturadas: a situação inicial é pouco definida. de toda forma. Foi então que surgiu a idéia de propor a você que analisasse uma atividade qualquer em função das características discutidas anteriormente. imediatamente. Requerem investimento de tempo: ao longo de uma aula ou de um curso. Pensei ainda que. de uma atividade autêntica. do ministro etc. sua percepção do conteúdo e sua capacidade de contextualização aula6. seria praticamente impossível imaginar uma atividade que reunisse as dez características listadas. Mas o primeiro exemplo que me ocorreu foi precisamente o Jogo de Casos. Integradas à avaliação: intrinsecamente à avaliação do aluno nesta atividade. em si. Qual não foi minha surpresa ao perceber que o Jogo de Casos atende a absolutamente todos os quesitos de uma atividade matemagênica. Oferecem múltiplas perspectivas de análise: o fato de o aluno escolher dois personagens. a possibilidade quase inevitável de se perpassar diversas áreas de ensino por meio dos argumentos do médico. são considerados seu potencial argumentativo . Encorajam perspectivas multidisciplinares: cada Jogo de Casos oferece.

São. Ações pedagógicas focadas no aluno associam o processo de aprendizagem a atividades educacionais que busquem integrá-lo a um contexto aplicado. Se considerarmos estritamente o material impresso. Esses são. são aquelas que dão aula6. a partir de um número infinito de caminhos! Quantos de nós seriam capazes de conceber uma atividade ao mesmo tempo tão simples – do ponto de vista do que solicita ao aluno fazer – e tão complexa no que se refere às possibilidades cognitivas que oferece? Poucos. eu diria. O mesmo em relação ao resultado das discussões. é limitante. naturalmente.Aula 6 – Praticando a boa prática e aplicação de conceitos. por meio da internet. Permitem soluções múltiplas: o número de personagens x o número de alunos em um curso x o número de idéias que uma mente criativa pode ter = aprendizagem eficaz. aspectos fundamentais à prática profissional em qualquer área do saber. refletindo as ações dos profissionais em um mundo real. sem exceção. em si. podemos (e devemos!). Atividades matemagênicas. a exemplo da criatividade do Jogo de Casos. 10:02:01 AM . São um aspecto característico dos materiais para EAD.indd 135 10/10/2007. nos esforçar em proporcionar aos nossos alunos tantas oportunidades quantas possíveis de aprender por meio de atividades autênticas! 135 Resumo A s atividades representam um dos principais caminhos de interação entre o aluno e o material didático. um produto: cada caso proposto é. todos. brilhantemente. relacionar suas próprias idéias e experiências com o tópico em discussão. todas as características apresentadas. Mas. ou autênticas. vitais para auxiliar o aprendiz a fazer inferências. ao redor das quais o processo de aprendizagem deve ser construído. um resultado. um produto finalizado. checar sua compreensão e avaliar as implicações de sua aprendizagem. foi fundamental para que o Jogo de Casos abocanhasse. É verdade que a interação. prazerosa e significativa. o elemento colaborativo. isoladamente. praticar os objetivos propostos.

1994. 136 Leitura recomendada As três publicações a seguir são de imenso valor para quem está começando o processo de escrever uma aula para Educação a Distância.. A partir da descrição de diversos autores. A review of literature on its outcomes and implementation issues”... Londres: Kogan Page. M. ROTHKOPF. Fred. 1ed. 1992. Academic Medicine. Londres: Kogan Page.elementos instrucionais e estratégias de ensino origem a uma aprendizagem eficaz e significativa.P. The concept of mathemagenic activities.. Bibliografia Consultada ALBANESE. além de organização e reorganização de informações. 50 (7): 22-24. LOCKWOOD. Se tiver oportunidade. continuaremos a conversar sobre atividades e discutiremos alguns modelos que influenciam sua elaboração. Activities in self-instructional texts. NASH. ASPY. LOCKWOOD. Londres: Kogan Page. 1992. F. QUIMBY. ” ASPY. Activities in self-instructional texts. LOCKWOOD. MAYO. 1998. 1ed. Educational Leadership.. DONELLY. P. “Problem-based learning. Londres: Kogan Page.. P..M. Lockwood. E. dez características de atividades autênticas são referidas na literatura. ROWNTREE. Teaching through self-instruction.B. 1994. 1993. que favorecem. F. SCHWARTZ. Derek. o desenvolvimento de capacidades cognitivas que decorrem de comportamentos analíticos e investigativos. 1993. pensamento crítico e criativo. 1998. Fred. Teaching and Learning in Medicine. Student perceptions of tutor effectiveness in a problem-based surgery clerkship. 1998. vale a pena conferir.N.. MARK A. 10:02:01 AM . R. C. 1993.Z.B. 40 (3): 325-35. resolução de problemas. aula6. 1998. Londres: Kogan Page. The design and production of self-instruction 1ed. 1993. Review of educational research.indd 136 10/10/2007.. 1998. Informações sobre para a próxima aula Na próxima aula. 1993. What doctors can teach teachers about problembased learning. MITCHELL. The design and production of self-instruction 1ed. P. 1970.Planejamento e elaboração de material didático impresso para EAD .. 2ed. 5: 227-233.W. 68 (1): 52-78. para Educação a Distância. nos alunos. SUSAN MA.. 1998.. D. 1993.

10:02:02 AM . British Medical Journal.T. Does problem-based learning work? A meta-analysis of evaluative research. Academic Medicine.L.Aula 6 – Praticando a boa prática VERNON. D..indd 137 10/10/2007.. 68(7): 550-563. D. 2003..F. Problem based learning [Electronic version]. BLAKE. 2003. R. 1993. 1993. WOOD. 137 aula6. 326: 328-331.

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9:49:50 AM .Aula 6 Apêndice A bússola e o remo Cristine Costa Barreto apendice_6.indd 139 10/10/2007.

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encontre um livro que certamente foi o remo e bússola de que precisava: T eaching through s instruction – How to develop open learning m (“Ensinando por meio da auto-instrução – volver materiais para a aprendizagem abert Rowntree. Foi a primeira vez que consegui co conceitos da Educação a Distância. por m de informações pragmáticas e de uma e analogias que finalmente me permiti aqueles fluxogramas vazios em minha me Um capítulo particularmente valioso se Foto: Dave Green referia ao que o autor chamava de aprendizagem ativa. Espero que Fonte: www. como um náufrago deriva em um bote salva-vidas sem rumo. Nesse apêndice. Po sorte. procurei extrair.hu ajude você tanto quanto ajudou a mim. traduzir. sentia conforme disse antes.sxc.Aula 6 – Apêndice – A bússola e o remo Logo que comecei a trilhar os caminh nantes da Educação a Distância. ainda no início do percurso. 9:49:51 AM . Dicas rápidas e objetivas acerca de como provocar a participação de nossos alunos por meio de materiais didáticos impressos. apendice_6. adaptar e exemplificar os pontos que me pareceram mais importantes do capítulo “Promovendo uma aprendizagem g ativa” (Promoting active learning).indd 141 10/10/2007.

sempre criando possibilidades para que ele faça algo. por exemplo. 9:50:01 AM ..elementos instrucionais e estratégias de ensino Um curso na Universidade Aberta do Brasil pode ser gratuito. Propomos as mais variadas atividades desde uma simples pergunta até um exercício analítico mais complexo. Depende do assunto. certo? apendice_6. me surpreenderia se. Embora seja comum. depende de você.. perguntas acerca da freqüência com que você deve propor uma atividade. certamente o comportamento esperado da parte de seu aluno seria o de alocação do tempo para outras tarefas dentro do curso. talvez seja melhor esquecê-lo. Essa é uma boa maneira de amarrar uma seqüência de conteúdos que você desenvolveu anteriormente. Não há regras que definam o quão freqüentemente incluir uma atividade no texto de uma aula. não houvesse algo sobre o que valha a pena perguntar ao seu aluno ou sobre a que propor uma atividade. Em qualquer hipótese.Planejamento e elaboração de material didático impresso para EAD . Se as atividades não forem atraentes. não Todos os indicadores de pesquisa existentes convergem no sentido de que os benefícios proporcionados pelas atividades na Educação a Distância são contrabalançados por um custo principal: o tempo de estudo que consomem. você encontra ainda uma atividade final. reuni uma espécie de FAQ. provavelmente ele já terá ido embora. com perguntas comuns da parte de quem está começando a escrever uma aula impressa para EAD.indd 142 10/10/2007. Então. Afinal. que geralmente integra mais de um dos objetivos propostos. devemos fugir desse modelo. quatro páginas de texto escrito. A seguir. Se você passar mais que cinco ou seis páginas sem pedir que seu aluno faça algo. vamos lá! Com que freqüência devo propor uma atividade em uma aula? Quando ministramos uma aula particular. O tempo de seu aluno. de como conciliar a redação de 142 uma aula com a criação das atividades e de como variar seus formatos aparecem junto com dicas do que fazer e do que não fazer quando o assunto é “atividades em EAD”. atividades em materiais didáticos impressos devem estar entremeadas no texto. Alguns conteúdos naturalmente são mais propensos a atividades que outros. de forma a ajudar o aprendiz a aprender! Em nossas aulas. que um questionário seja apresentado ao final de cada capítulo. focamos nossas ações no aluno. você certamente não faz todas as perguntas ao seu aluno particular no final da aula. após três. mais articuladora. prazerosas e eficazes. Da mesma maneira. Especialmente. em livros-texto tradicionais.

apendice_6. • responda a uma série de múltiplas escolhas. para imprimir um ritmo mais dinâmico às suas aulas.indd 143 10/10/2007. • realize uma entrevista com outros alunos ou com familiares. solicitando. imagem ou arquivo de som). 143 Como o aluno deve registrar a resposta? Uma vez que seu aluno tenha chegado à resposta de uma atividade. • escreva uma resposta mais longa no corpo do texto ou em um caderno de exercícios. • analise um texto (ou vídeo. • escreva uma palavra ou frase em uma caixa ou espaço específico. • mantenha um diário de observações ao longo de algum período de tempo. Outras demandam a realização de um cálculo ou a confecção de uma resposta escrita. • complete um formulário ou questionário. • desenvolva uma equação. Algumas podem solicitar que o aluno faça uma atividade prática fora do texto por quinze minutos ou mais. 9:50:01 AM . • sublinhe passagens relevantes em um texto. Há várias possibilidades. um motivo para justificar suas opiniões (nesse caso.Aula 6 – Apêndice – A bússola e o remo O que o aluno deve fazer para chegar à resposta de uma atividade? Variar as maneiras pelas quais seu aluno deve chegar às respostas esperadas para as atividades é uma ótima estratégia para motivá-lo. pelo menos. Algumas idéias são pedir que seu aluno: • reflita acerca de uma leitura ou de uma experiência que teve. • integre informações de naturezas diversas. • levante dados. por alguns segundos. em casa ou no laboratório. em relação ao desenvolvimento de algum processo que deva acompanhar. • analise um problema. • realize um experimento com materiais e equipamentos específicos. • correlacione colunas. Algumas atividades exigem pouco mais que parar e pensar. em um espaço adicional). é igualmente importante variar as maneiras pelas quais ele vai registrá-la. • analise um gráfico ou tabela. Você pode pedir ao seu aluno que: • marque boxes em concordância ou discordância com uma série de afirmações.

mas acredito que sua aula seria mais bem estruturada se você pensasse nas atividades antes ou durante a redação. Toda atividade proposta em materiais voltados para EAD deve apresentar respostas comentadas de forma a orientar o aluno em relação ao seu próprio progresso. e depois inserem as atividades.elementos instrucionais e estratégias de ensino • complete um diagrama ou gráfico. como correlação de colunas ou múltipla escolha. fluxograma. mas estou convencida de que se trata de uma opção que varia de acordo com cada um.indd 144 10/10/2007. lembre-se de três coisas importantes: 1. A maioria dos alunos com os quais conversei dizem se sentir instigados a escrever no livro quando existe um espaço específico para isso. 3. Esse é o processo que sigo. 2. Mesmo uma atividade aparentemente simples. por exemplo. inclusive com materiais prontos que não foram escritos por você). Sempre disponibilize espaço para resposta. Alguns autores preferem começar a redação do texto e pensar nas atividades sempre que atingem um ponto crítico na construção do seu argumento. mapa.Planejamento e elaboração de material didático impresso para EAD . como um processo mental posterior (você pode fazer isso. Há ainda alguns professores que produzem uma versão completa do texto. apendice_6. preocupe-se com os conteúdos trabalhados nas atividades e jamais se restrinja a um simples gabarito quando for oferecer a resposta. • desenhe um gráfico. de uma vez só. claro. O resultado pode ser bom. particularmente. Quaisquer que tenham sido suas idéias. 9:50:01 AM . • produza algum artefato. esta última abordagem é tão difícil quanto colocar nozes em um brownie depois de pronto. são fundamentais para que o aluno descubra os caminhos para chegar ao resultado esperado. Para mim. conseguem entremear essas atividades junto com as exposições adequadas. Portanto. Quando devo pensar nas atividades? Alguns professores conseguem pensar nas atividades mesmo antes de iniciar a redação da aula! Na hora da redação. Lembre-se de que os 144 conceitos e idéias por trás de uma atividade de correlação de colunas. pode exigir do aluno um alto grau de interpretação e análise. Você pode ter pensado ainda em muitas outras possibilidades.

que você viu na Aula 6. Tente. as atividades devem conduzir o aluno a esses objetivos. • Identifique colocações de natureza mais geral ou mais abstrata que você tenha feito em seu texto.Aula 6 – Apêndice – A bússola e o remo O que não devo esquecer de fazer? Quaisquer que sejam os caminhos que você encontrar para conceber as atividades de sua aula e os formatos que você escolher para apresentá-las: • Tenha sempre em mente os objetivos de aprendizagem que você propôs no início de sua aula. As atividades são sempre um melhor caminho para isso. • Tente não oferecer princípios. – A partir daí. é um excelente exemplo de como fazê-lo. generalizações e interpretações importantes “de bandeja”. Não antecipe informações que seus alunos possam obter a partir da interpretação desses. em vez disso. Tente recriar experiências comparáveis para seu aluno. Faça atividades em torno delas de forma a provocar uma discussão que possibilite ao aluno rever conceitos. Idealmente.. segue-se que. – Aqui está uma síntese do que vimos até agora.. fazer perguntas: – O que você esperaria que acontecesse como resultado? – O que você pode deduzir. tabelas e ilustrações.. ao ler a resposta comentada. 9:50:02 AM . Sempre que você se pegar escrevendo as seguintes frases: – Portanto. Desenvolva um caso de estudo no qual o aprendiz possa concretizar as idéias apresentadas. mas deixando-o criar as próprias rotas de entendimento. a partir daí? – Quais foram as quatro principais idéias levantadas até agora? Suas deduções e sumários podem sempre ser oferecidos como feedback na resposta comentada. • De gráficos. podemos claramente deduzir. • Considere idéias preconcebidas acerca dos conteúdos de sua aula. • Relembre experiências que você viveu e que ajudaram na compreensão de determinado tema. possibilite ao seu aluno exercer um determinado papel. com os quais o aluno possa comparar suas próprias respostas...indd 145 10/10/2007.. Faça uma atividade ao redor deles! Os alunos podem compartilhar da sua opinião posteriormente. O Jogo de Casos. 145 apendice_6.

. e com razão. talvez a ponto de ele abandonar a atividade de vez. A não ser que você realmente ache que essa seria a melhor abordagem para o que quer ensinar a ele. pode facilmente colocar uma folha sobre 146 ela. vai olhar. como fiz na Atividade 1 da Aula 6. • A única exceção para oferecermos um feedback ao aluno no mesmo espaço de uma atividade são os casos em que as respostas são gráficos ou diagramas muito chamativos. esta pode ser a única maneira de avaliar seu próprio progresso.. de fato. o quão profundamente deve se dedicar a uma tarefa. por exemplo. onde quer que ela esteja. vai ignorar essas sugestões.. que chamamos de pseudo-atividades: Pense um pouco e escreva algumas de suas próprias idéias acerca de. Você pode fazer isso simplesmente definindo o espaço necessário à resposta. Tenha certeza de que. enquanto resolve o exercício. respostas escritas e reflexivas. são similares às suas próprias idéias. que revelam visões divergentes acerca de. coloque sua resposta comentada imediatamente após a pergunta. apendice_6. uma possibilidade é dizer: Marque quais dos seguintes pontos de vista. 9:50:02 AM .indd 146 10/10/2007. • Esenvolva ao máximo em sua resposta comentada.. se ele quiser olhar a resposta. O aluno. Eu faço isso sempre que avalio aulas para EAD. afim de evitar monotonia.. • Equilibre atividades longas e breves.Planejamento e elaboração de material didático impresso para EAD . tento resolver uma atividade. respostas fechadas e abertas. de forma a me colocar no lugar do aluno. só vão irritar o aluno. Você pode ainda utilizar paradores de leitura. provavelmente. que vem logo abaixo. enquanto. • De forma geral. Se ele se sentir muito tentado pela chance de olhar a resposta. de forma clara. A relevância e a ajuda de seu feedback podem fazer toda a diferença em relação a quão satisfatórias seus alunos acharão suas atividades e quão provavelmente irão continuar a fazê-las (e a aprender com elas)! O que nunca devo fazer? • Não faça atividades vagas. especialmente se ele não souber avaliar. Faz parte do nosso trabalho incentivar a autonomia e o controle por parte do aluno de EAD. Esse é um recurso que cria uma distância física entre uma atividade proposta e a leitura da resposta. Para alunos que trabalham sozinhos. de forma que seja difícil para o leitor evitar registrar seus aspectos mais evidentes assim que se depara com a página.elementos instrucionais e estratégias de ensino • Especifique o tempo que o aluno deve demorar em uma atividade mais aberta. Respostas de cabeça para baixo.

Teaching through self-instruction. 342 pp. ex. negros) sem ter certeza de que todos os seus alunos pertencem a esse público? • Não proponha atividades que não sejam relevantes para seu aluno e que não compensem o investimento de tempo necessário. Derek.Aula 6 – Apêndice – A bússola e o remo • Não proponha nenhuma atividade que não lhe garanta a confiança de que seu aluno estará apto a fazer uma tentativa razoavelmente satisfatória para resolvê-la (satisfatória para ele!).indd 147 10/10/2007. 1994. 147 Bibliografia consultada ROWNTREE. Infelizmente. Londres: Kogan Page. jovens. Os alunos rapidamente aprendem a pular atividades que lhes pareçam triviais ou muito trabalhosas. Isso envolve uma série de aspectos: ele tem o conhecimento e as capacidades necessárias para tentar realizar a atividade? Você está pedindo uma resposta longa para um aluno que tem fraca capacidade de exposição verbal escrita? Você está se dirigindo a um público específico (p. 2ed. 9:50:02 AM .: homens. eles podem estender o hábito para aquelas atividades que você realmente considera cruciais. apendice_6.

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indd 149 10/10/2007.Au 7 Ajudando sua inspiração: modelos de atividades – Parte 1 Cristine Costa Barreto aula7. 10:03:27 AM .

aula7. argumentativa. escondida no texto.elementos instrucionais e estratégias de ensino Meta Apresentar modelos que influenciam o formato de atividades em materiais impressos na Educação a Distância (EAD).Planejamento e elaboração de material didático impresso para EAD . consulta e cálculo direto. integração de Informações. Objetivos Ao final desta aula.indd 150 10/10/2007. 4. você deverá ser capaz de: Identificar os aspectos instrucionais que caracterizam os seguintes modelos de atividade: 1. 10:03:28 AM . 150 3. 2.

para simplificar. Você diz que a mãe da Chapeuzinho mandou-a levar doces para a avó que morava do outro lado da floresta. nas versões mais modernas (se você não quiser aterrorizar a criança).htm) Imagine que você está contando uma história para uma criança de cinco anos. Por onde você começa? Explica quem é Luke Skywalker. O episódio 4. contou para onde ia. fala do Obi-Wan Kenobi logo depois de apresentar a princesa Leia que se materializou do nada naquela mensagem que o R2D2 descobriu. esticando um pouco o assunto para dar tempo de a criança adormecer. conta que naquela época tinha vários tipos de robôs. O lobo comeu a avó. Vamos dizer que você tenha escolhido a história de Chapeuzinho Vermelho. Por meio da observação de múltiplas representações do mesmo fenômeno. Muito bem. eu contei em 105 palavras. mas ela se distraiu. comeu a garota e.ipfw. Duane Graddy (Fonte: http://www. você provavelmente faria o mesmo. dentro do domínio do conhecimento. claro. começa logo pela Estrela da Morte e o Darth Vader ou resolve que é melhor dizer que era uma vez um vilarejo chamado Tatooine onde vivia um jovem órfão que morava com os tios. O que difere entre as duas histórias? Por que é mais difícil contar uma do que outra? Pense em duas características que distingam a história de Chapeuzinho Vermelho e a de Guerra na Estrelas. surgiu um caçador que abriu a barriga do lobo e salvou as duas.Aula 7 – Ajudando sua inspiração: modelos de atividades – Parte 1 Do Chapeuzinho Vermelho ao Darth Vader A teoria da flexibilidade cognitiva sugere que os aprendizes compreendem a natureza da complexidade mais prontamente quando têm contato com representações múltiplas da mesma informação. contextualiza a guerra intergaláctica. em diferentes contextos. a aliança rebelde e o Império.indd 151 10/10/2007. encontrou o lobo que a enganou e perguntou para onde ela ia. e ele correu para casa da avó antes de ela chegar lá. Chapeuzinho entregou o jogo para o lobo. consertava andróides e que acabou parando em um bar freqüentado por pilotos meio malandros como o Hans Solo e criaturas estranhas – para dizer o mínimo – como o Chewbacca? Isso só para começar. recomendou que ela não ficasse dando bobeira na estrada porque ali morava um lobo mau. Agora experimenta contar a história de Guerra nas Estrelas. 10:03:28 AM . deitada na cama.edu/as/tohe/2001/Papers/graddy/graddy. pronta para dormir embalada pela sua voz. Anote suas impressões a seguir: 151 aula7. os aprendizes desenvolvem o arcabouço mental necessário para considerar novas aplicações.

Ou seja. o Ensino Superior. por exemplo. com muitas referências e conexões internas. as áreas de História. Medicina. Direito. o que normalmente está associado a graus de dificuldade mais altos.. menos conexões. é mais difícil ensinar um conteúdo complexo. Além disso.. a níveis educacionais mais avançados como. menos problemas.. realizando saltos no tempo e no espaço com base em informações referenciais. com menos cenários.. Os pesquisadores afirmam ainda que a maneira pela qual os estudantes são ensinados influencia de forma significativa os tipos de estrutura cognitiva criadas. de forma linear. é uma história mais simples. menos claramente estruturado. Talvez você tenha pensado ainda que se trata de uma história para crianças um pouco mais velhas.indd 152 10/10/2007. Se você tivesse um jeito de contar essa história usando uma espécie de narrativa hipertextual em que a cabeça da criança pudesse abrir janelas para construir sucessões temporais e escolher personagens. Igualmente. mais claramente estruturada. Literatura e Licenciatura são exemplos de domínios complexos em parte porque os aprendizes devem ser capazes de aplicar o que aprenderam a situações novas e únicas. Ou talvez ela não dormisse. a maneira pela qual armazenam e estruturam o conhecimento adquirido determina. o quão flexíveis serão quando precisarem utilizar tal conhecimento. 10:03:29 AM . E talvez você não tivesse mais criança. dá para contar a história inteira de uma sentada só.elementos instrucionais e estratégias de ensino Chapeuzinho Vermelho Guerra nas Estrelas Você provavelmente pensou que a história de Chapeuzinho Vermelho fosse mais curta. menos personagens. talvez você tivesse mais sucesso. menos ação. A complexidade do argumento e a quantidade de referências internas tornam difícil a linearidade no relato sem correr o risco de simplificarmos excessivamente a história. Segundo Rand Spiro – professor de Aprendizagem. aula7. Tecnologia e Cultura na Michigan State University – e seus colaboradores. Assim como é mais difícil contar uma história complexa. Já Guerra nas Estrelas não.Planejamento e elaboração de material didático impresso para EAD . sem 152 grandes dificuldades. em grande medida.

é possível criar formatos novos de atividades (ou de práticas de ensino) sem que você conheça modelos preconcebidos ou muitas teorias a esse respeito. tanto do ponto de vista do formato. Mas mesmo assim. bem como com uma variedade de propósitos. de forma a evitar que o mesmo se torne obsoleto. é comum que a própria natureza da atividade conduza a um formato diferente. eu vou ajudar ainda mais sua criatividade apresentando alguns modelos que vão inspirar você na hora em que estiver elaborando sua aula. Da mesma forma que você procura variar estratégias de ensino nas aulas presenciais. como a maioria dos professores.Aula 7 – Ajudando sua inspiração: modelos de atividades – Parte 1 “A complexidade é uma parte inevitável do conhecimento avançado e um problema particularmente espinhoso para o ensino e a aprendizagem. com atividades autênticas para ensinar conteúdos complexos. por meio de uma prática repetitiva e previsível. quanto do ponto de vista intelectual. fazem parte de um ambiente de ensino flexível.” Rand Spiro Métodos de instrução flexíveis ajudam os estudantes a aprender a complexidade do material que estudam além de possibilitá-los a trabalhar com aquele conteúdo sob diversas perspectivas. Ou você alguma vez precisou reler algum livro de didática. Basta você confiar no seu taco de professor. E o mais interessante é que. Um ótimo caminho para isso são as atividades! Quando apresentadas em diferentes tipos. assim como no ensino convencional. com o qual você não tinha contato desde a Licenciatura. tem consciência da necessidade de variar o ensino. para inovar em sala de aula? Na Educação a Distância. Quer apostar? 153 aula7. é importante buscar a mesma variedade na Educação a Distância. contribuem imensamente para aumentar a diversidade em sua aula. 10:03:38 AM . Imagino que você.indd 153 Mais 10/10/2007. Informações apresentadas em uma variedade de formas.

É uma maneira de assegurar que ele porá em prática alguns conceitos.hu aula7.indd 154 .sxc. Fonte www. escondi atividades no texto e deixei para você a decisão de responder ou não às questões propostas.Planejamento e elaboração de material didático impresso para EAD . de alguma forma. Imagino que você se debata com questões relativas às particularidades do material didático e dos elementos instrucionais que o constituem. quer como gestor. dentre os quais as atividades merecem sempre atenção especial. é porque. Por ora. gostaria de perguntar se você se deu conta do que eu acabei de fazer: além de falar um pouco acerca do terreno instável sobre o qual caminhamos. Se eu pedisse agora que você pensasse no formato instrucional do material que está elaborando. de forma meticulosa. a maneira pela qual os alunos percebem as atividades e interagem com elas. quer como professor. Espero que as questões tenham sido suficientemente provocantes para fazê-lo refletir e identificar suas práticas educacionais voltadas para EAD e compará-las às teorias que você eventualmente já conhece. professores e tutores da Educação a Distância não têm uma resposta clara. Especialmente. São perguntas que evidenciam – com clareza cristalina – a necessidade imperativa de se investigar. muitos dos gestores. especialmente se você suspeitar que o tempo de estudo é curto e que seu aluno corre o risco de pular as atividades para alocar o tempo para a leitura do texto em si. 10:03:39 AM Figura 7. Mas este é um assunto que retomaremos futuramente. suspeito.elementos instrucionais e estratégias de ensino Escondida no texto Se você está estudando essa aula. quis mostrar como é fácil esconder atividades no texto e levar os alunos à reflexão e à resposta mental sem que seja necessário formalizar esta ação.1: Atividades escondidas no texto são importantes para garantir um exercício mental permanente de seu aluno. Foto: Thomas Chorvat 10/10/2007. em nossas discussões. está relacionado a práticas da Educação a Distância. quer como tutor. como você responderia a questões tais como: que modelo de atividade aparece com mais freqüência em suas aulas? Este modelo parece suficientemente atraente para provocar o aluno a fazê-las? As atividades apresentam um grau de dificuldade compatível com o perfil dos alunos a que se destinam? Você saberia dizer de que maneira os alunos de fato utilizam as atividades propostas em aula? Você diria que eles fazem todas as atividades propostas? 154 Estas são perguntas para as quais.

para tirar seu aluno do lugar. mas que você desconheça essa localização. mentalmente. nem todos os conteúdos permitem o uso de perguntas dessa maneira. aquele seu aluno particular. Algumas perguntas serão feitas apenas para provocá-lo. em seguida. Faça-as para seu aluno a distância. Se o som do telefone for mantido. identificar as perguntas feitas. A maneira mais fácil de trazer atividades para dentro do texto é. Leia o texto e procure: 1.indd 155 10/10/2007. Outras. identificar aquelas para as quais houve resposta.nas formas pelas quais você moverá o seu corpo. você fará de fato esperando uma resposta. evocar. 2. Pense nas perguntas que você faria ao longo da aula. sempre responda as que se incluem nesse último caso. 155 Brincando de cabra-cega ao telefone ou do que preciso para me orientar? Já brincou de cabra-cega? Não é do seu tempo? Nada de gracinhas. identificar aquelas para as quais não houve resposta. alguém ligará para este telefone a partir de um outro aparelho. aula7. você já percebeu que o som do telefone tocando o levará até ele. se ele ficar tocando todo o tempo. Então. Vamos ver um exemplo? Atividade 1 Atende ao objetivo 1 j Alô? O trecho a seguir foi retirado de uma aula da disciplina Corpo Humano I. vamos lá! Coloque um pano preto vedando a sua visão e. isto é. No texto.Aula 7 – Ajudando sua inspiração: modelos de atividades – Parte 1 Naturalmente. novamente. parte do Curso de Ciências Biológicas do CEDERJ. peça a alguém que posicione um telefone em algum local da sala. 10:03:41 AM . em completo silêncio? Estas questões mostram a importância dos órgãos dos sentidos – visão e audição . como você chegará até ele? E se o som subitamente parar? Você seria capaz de encontrar o aparelho. 3. Você atenderia ao telefone? Qual a diferença entre este experimento e o que sugerimos no começo desta aula quando a sua visão estava livre? Claro. esperamos que você seja capaz de atender. Nesse caso.

O contato visual com o aparelho daria ao cérebro a sua real localização. orientando o seu corpo (movimento) na direção da mesa.elementos instrucionais e estratégias de ensino Fonte: www.sxc. convém lembrar que na execução correta dos movimentos. a função auditiva (percepção do som do telefone) 156 permitirá que você tenha uma noção da localização do aparelho. a atuação dos sentidos) é de extrema importância. em muitos casos. Você já pode antever que. a impossibilidade de executar movimentos estará relacionada a alguma deficiência nos órgãos dos sentidos e não diretamente a problemas nos centros motores. o professor faz três perguntas às quais não responde: • Já brincou de cabra-cega? • Não é do seu tempo? • Qual a diferença entre este experimento e o que sugerimos no começo desta aula quando a sua visão estava livre? aula7. Prof. O contato da sua mão com o telefone (tato) informará ao cérebro que uma parte do objetivo foi alcançada e que. a partir de agora.Planejamento e elaboração de material didático impresso para EAD . de um sinal luminoso. neste caso. No caso do telefonema.indd 156 Foto: Oliver Gruener 10/10/2007. 10:03:41 AM .hu Neste contexto. E como uma pessoa completamente surda seria capaz de realizar essa atividade? Como uma pessoa surda faz para saber que o telefone está tocando? Evidente que o toque do telefone deve ser acompanhado. É por esse meio que uma pessoa cega localiza e atende ao telefone. começará o movimento de trazer o aparelho até a orelha. a sensibilidade (isto é. Adilson Sales Resposta Comentada No texto.

? 157 aula7. em completo silêncio? • O contato visual com o aparelho daria ao cérebro a sua real localização. de forma retórica. neste caso. a função auditiva (percepção do som do telefone) permitirá que você tenha uma noção da localização do aparelho. transcrevo as perguntas para as quais houve resposta.indd 157 10/10/2007. falando de uma brincadeira de criança. sob a forma de perguntas.Aula 7 – Ajudando sua inspiração: modelos de atividades – Parte 1 As primeiras perguntas foram usadas como uma provocação. na mesma aula (embora você não esteja vendo a aula toda). de um sinal luminoso. A terceira pergunta não traz uma resposta direta no texto. você já percebeu que o som do telefone tocando o levará até ele. isto é. orientando o seu corpo (movimento) na direção da mesa. como você chegará até ele? • Nesse caso. mas há informações que permitem ao aluno. esperamos que você seja capaz de atender. A seguir. 10:03:43 AM . • Se o som do telefone for mantido. • E como uma pessoa completamente surda seria capaz de realizar essa atividade? Como uma pessoa surda faz para saber que o telefone está tocando? • Evidente que o toque do telefone deve ser acompanhado. relacionar a situação proposta aqui com aquela proposta anteriormente. sem que você esteja aludindo a um ponto importante para a compreensão do conteúdo (Já brincou de cabra-cega? Não é do seu tempo?). para divertir um pouco o aluno. lembre-se de que é importante oferecer respostas aos alunos. sem grandes esforços. Quando você opta por embutir atividades no texto. O único caso em que você pode prescindir de respostas é quando as perguntas são feitas para provocar o diálogo com o aluno. • No caso do telefonema. ainda que você não o faça imediatamente após os questionamentos. • E se o som subitamente parar? • Você seria capaz de encontrar o aparelho. seguidas das passagens do texto que oferecem explicação para os questionamentos: • Você atenderia ao telefone? • Claro. se ele ficar tocando todo o tempo.

sxc. Ou seja. 10:03:44 AM . freqüentemente as questões propostas estão associadas a um nível de subjetividade que impede que as respostas oferecidas pelos professores atendam satisfatoriamente a grande variedade de soluções possíveis de serem dadas pelos alunos. Fonte: www. por exemplo. Atividades de consulta direta e cálculo simples são freqüentemente encontradas em aulas para a Educação a Distância. Nessa categoria de atividade. O aluno deve ser capaz de aplicar o modelo a outras situações semelhantes disponíveis no exercício proposto. Não há um problema a ser resolvido pelo aluno. Talvez porque reflitam o tipo de questão que incluiríamos em uma avaliação.Planejamento e elaboração de material didático impresso para EAD . incluem-se também exercícios de cálculo onde o aluno é solicitado a realizar. de um exemplo resolvido. os alunos de EAD são lesados em uma de suas possibilidades mais nucleares – o controle sobre aula7. as atividades de consulta direta requerem do aluno simplesmente voltar a alguma passagem da aula para chegar à resposta esperada. Foto: Miguel Ugalde 158 Figura7.indd 158 10/10/2007.elementos instrucionais e estratégias de ensino Consulta direta/Cálculo simples Em sua maioria. Eventualmente. pela prática.2: Atividades de cálculo simples são importantes para a prática de conceitos e métodos. um grau mais alto de análise e interpretação é necessário. que normalmente está incluída no texto. as atividades de consulta e de cálculo simples favorecem a fixação de um conteúdo pela memorização.hu Qual a importância desse tipo de atividade? Normalmente. em um sistema que exige dos aprendizes a permanente verificação de seus progressos. No caso das atividades de consulta direta em que um grau mais alto de interpretação e análise é solicitado. A resposta comentada faz alusão à passagem específica do texto que atende à atividade. no ensino presencial. uma operação matemática a partir da observação de um modelo.

Aula 7 – Ajudando sua inspiração: modelos de atividades – Parte 1 sua própria aprendizagem – quando não são capazes de conferir adequadamente seu desempenho nas atividades de aula. Naturalmente.indd 159 10/10/2007. Isso pode e deve ser feito. 2. Atividade 2 Atende ao objetivo 2 j Consulta direta e cálculo simples A seguir encontram-se algumas atividades de consulta direta e cálculo simples extraídas de aulas de diversas áreas. o que poderia ser modificado. 10:03:46 AM . 159 Exemplo 1 Calculando o pH de uma solução Esta atividade é para você fixar a maneira de calcular o pH de uma solução. quando discutirmos o modelo mais adequado a esse tipo de objetivo. Avalie as atividades propostas e critique-as levando em consideração: 1. se a resposta comentada foi satisfatória. Faça quantas vezes achar necessário até não ter mais nenhuma dificuldade nesse procedimento! Calcule o pH de uma solução cuja [H+] = 10-2 M: aula7. não pela ausência da atividade em si. Retomaremos essa questão na próxima aula. no caso de você não achar o modelo adequado ou da resposta não lhe parecer satisfatória. Esta perda se dá. se o modelo é adequado para a proposta da atividade. 3. queremos estimular a experiência individual dos alunos da Educação a Distância por meio de atividades que não apresentem apenas um universo circunscrito de respostas possíveis. mas pela inadequação e ineficácia de seu formato. mas garantindo os recursos pedagógicos necessários à autonomia do aluno.

a política monetária é o conjunto de medidas adotadas pelo governo para controlar a oferta de moeda na economia para atingir determinados objetivos. O que você deve fazer agora é relacionar a maneira como o governo faz uso de cada instrumento ao conseqüente incentivo às diferentes políticas econômicas: Instrumento Política Expansionista Política Contracionista Compulsório Redesconto Operações de mercado aberto aula7. volte ao texto da aula e compare. Disciplina: Bioquímica) Exemplo 2 Instrumentos de política monetária Como você já viu. etapa por etapa.log [H+] = pH . procure o tutor. pois este assunto é muito importante na sua formação bioquímica e pode ser aplicável a qualquer área de pesquisa pela qual você se interesse. o que você fez e identifique o ponto em que errou.Planejamento e elaboração de material didático impresso para EAD . sem maiores explicações.(10-2) = 10pH 160 .log 10-2 = pH .(-2) = pH → pH = 2 (Ana Paula Abreu-Fialho. nesta resposta você encontrará apenas a resolução do problema.log [H+] . 10:03:46 AM .elementos instrucionais e estratégias de ensino Resposta comentada (Exemplo 1) Como o passo a passo do cálculo do pH está bastante discriminado na aula. Contudo. para realizar esse tipo de política o governo utiliza-se de alguns instrumentos. Caso tenha dúvidas. pH = .indd 160 10/10/2007. Curso: Biologia. Se ainda assim não esclarecer todas as suas dúvidas.

logo. Redesconto O redesconto é o empréstimo que o Banco Central faz aos bancos comerciais que precisam de reservas bancárias para fechar suas contas. ele estará retirando desse agente o título e retornando papel-moeda.indd 161 10/10/2007. por conseqüência. • Caso contrário. menor será o custo dos bancos para recorrerem ao Banco Central. logo. maior possibilidade de criação de depósito à vista. Operações de mercado aberto Operações de mercado aberto são operações de compra e venda de títulos públicos feitas pelo governo. aumentando a base monetária da economia e. ele estará trocando papel-moeda pelo título. Curso: Administração. se o governo diminui essa obrigatoriedade. os meios de pagamento (política expansionista). • Caso o governo esteja vendendo um título público. • Se o governo aumenta essa obrigatoriedade. • Em contrapartida. dessa forma. logo. • Caso o governo compre um título público que está em poder de algum outro agente econômico. • Se o governo resolve aumentar essa taxa. menos possibilidade de criação de depósitos à vista. mais cautelosos eles ficariam para fornecer empréstimos aos seus clientes (menor possibilidade de depósito à vista). Disciplina: Macroeconomia) 161 aula7. Para realizar esses empréstimos. os bancos terão mais dinheiro para emprestar (política expansionista). diminui a base monetária da economia (política contracionista). menos cautelosos eles ficariam para emprestar aos seus clientes (política expansionista).Aula 7 – Ajudando sua inspiração: modelos de atividades – Parte 1 Resposta comentada (Exemplo 2) Compulsório O governo impõe aos bancos comerciais que guardem parte dos depósitos à vista que eles receberam como reservas. maior será o custo dos bancos comerciais ao recorrerem ao Banco Central (política contracionista). os bancos comerciais terão menos dinheiro para emprestar a outros correntistas (política contracionista). 10:03:47 AM . (Roberto Paes de Carvalho. quase sempre o Banco Central impõe uma taxa de juros punitiva. dessa forma. se o governo resolve diminuir essa taxa.

José Ribamar e sua esposa vão ao supermercado fazer compras.00 para comprar os mesmos produtos.elementos instrucionais e estratégias de ensino Exemplo 3 Más notícias no supermercado José Ribamar é um chefe de família que recebe R$ 1. Apesar de José Ribamar não ter tido aumento de salário. Todo dia 15 do mês. Somando todos os itens que eles compram naquele período (arroz. um aumento generalizado de preços.sxc. 10:03:47 AM . Eles perceberam também que houve um aumento nos preços de vários itens da cesta de bens que eles compravam. É no supermercado que o con midor realmente percebe a no de inflação ao deparar-se com aumento generalizado de pre Normalmente isso se reflete quantidade de produtos que deix de entrar no carrinho. chocolate etc. iogurte. batata. Ajude José Ribamar a calcular o valor desta inflação.00 eles já não conseguem comprar as mesmas coisas que compravam no início do ano. Ele é casado e tem dois filhos menores. José Ribamar e sua esposa perceberam que com R$ 250.Planejamento e elaboração de material didático impresso para EAD . gastam R$ 150. José Ribamar não consegue perceber. aula7. isto é.hu De uns meses para cá.indd 162 10/10/2007. seu gasto agora será de R$275.00. 162 Fonte: www.).00 por mês com seu emprego de bombeiro hidráulico.750. mas está ocorrendo inflação. feijão.

O que significa maturação? 2. Qual é o papel da prática no processo de maturação? Resposta comentada (Exemplo 4) 1. Disciplina: Tópicos em Educação Especial) aula7.00) e dividir esta diferença por R$ 250. torna-se mais flexível a importância do ambiente no desenvolvimento. restringindo-se os momentos iniciais do desenvolvimento ao âmbito do aspecto maturativo biológico.00. basta você multiplicar por cem para achar a inflação em termos percentuais. Assim. São instruções para o desdobramento das seqüências do desenvolvimento. 2. Disciplina: Macroeconomia) Exemplo 4 A prática e a maturação 163 Responda às seguintes perguntas: 1. Curso: Administração.Aula 7 – Ajudando sua inspiração: modelos de atividades – Parte 1 Resposta comentada (Exemplo 3) Para você calcular o valor da inflação. Inflação = 10% (Carlos Jaimovich. (Maria Alice de Moura Ramos e Maria Ângela Monteiro Corrêa. tanto específicas quanto acidentais. Inflação = (275 – 250) /250 Inflação = 0. Curso: Pedagogia. você deve tomar o preço final (R$ 275. 10:03:51 AM . Em outras palavras. mas o ritmo pode ser retardado pela ausência de prática ou de experiências adequadas. basta achar a variação entre o preço final e o preço inicial e dividir esta variação pelo preço inicial. experiências e aprendizagens. Assim.indd 163 10/10/2007. Se você entendeu que há alternâncias de influências genéticas. Maturação se refere aos programas genéticos que produzem padrões semelhantes de crescimento e mudanças. e que a maturação deve ser entendida como uma disposição. O processo de maturação estabelece limites sobre o ritmo de crescimento físico e desenvolvimento motor.00) e diminuir o preço inicial (R$ 250.1 Como a inflação está medida em termos nominais.

embora a resposta seja também bastante objetiva e se dê logo nas primeiras linhas do comentário: o processo de maturação estabelece limites sobre o ritmo de crescimento físico e desenvolvimento aula7. Merc. As respostas comentadas são diretas. No primeiro exemplo. nesse caso. Aberto Vende títulos * Resposta esperada do aluno No primeiro item do exemplo número 4. foi satisfatória.Planejamento e elaboração de material didático impresso para EAD . Uma atividade mais simples. A resposta comentada. enquanto no exemplo 3 houve uma preocupação maior em criar um cenário onde o aluno pudesse contextualizar a aplicação de um conceito. No segundo item. claras. nesse caso.elementos instrucionais e estratégias de ensino Resposta Comentada Os dois exemplos de atividades de cálculo simples apresentados atendem aos objetivos originalmente propostos na aula: o cálculo do valor do pH de uma solução (Exemplo 1) e o cálculo da inflação (Exemplo 3).indd 164 10/10/2007. atendendo satisfatoriamente ao tipo de atividade proposto. um quadro em que os diferentes usos dos três instrumentos fossem representados e ao aluno coubesse retomar o tipo de política econômica esperado. mas que talvez incentivasse mais o aluno a fazê-la e acabasse por atender igualmente ao objetivo proposto no início da aula: Instrumento Compulsório Estratégia do governo Maior obrigatoriedade de depósito Menor obrigatoriedade de depósito Maior taxa de juros Política esperada Contracionista* Expansionista* Contracionista* Expansionista* Contracionista* Expansionista* Redesconto Menor taxa de juros Compra títulos Oper. a autora foi bastante objetiva em sua proposta. Os Exemplos 2 e 4 são atividades de consulta direta. as autoras fazem uma pergunta direta. No primeiro caso. é verdade. 10:03:52 AM . o autor procurou criar uma atividade que articulasse vários conceitos vistos anteriormente na aula. e um maior grau de análise esteve envolvido especialmente quando o aluno precisou definir de que maneira a variação no uso de um mesmo instrumento poderia favorecer uma ou outra política econômica. Talvez fosse mais interessante. apenas uma definição é solicitada e a resposta comentada é satisfatória. embora 164 provavelmente o aluno não fosse completar o quadro redigindo as respostas da maneira como o autor fez. aparentemente uma análise mais elaborada se faz necessário.

em seguida. as autoras discutem o papel da prática na maturação relatando. O tema destinado à atividade (maturação) é bastante motivante mas seu formato. Essas passagens do texto poderiam ter sido incorporadas à pergunta. a capacidade de análise e crítica é tão importante quanto o conteúdo em si. o objetivo principal é que o aluno seja capaz de desenvolver argumentos acerca de um determinado tema sem que necessariamente chegue a uma resposta esperada.indd 165 10/10/2007. no corpo do texto. fugindo um pouco das armadilhas das atividades de consulta direta. Na aula original. 165 Argumentativa As atividades argumentativas são uma boa maneira de se tentar utilizar melhor os conceitos apresentados na aula. para além do necessário à questão em si. as autoras poderiam ter pedido que o aluno emitisse sua opinião a respeito do papel da prática na maturação e a resposta comentada poderia somar ao que foi especificamente perguntado encaminhando a discussão do tema. ofereceram uma resposta comentada rica. freqüentemente os professores não elaboram a atividade de forma que o aluno tenha subsídios para interpretar seus resultados ou para compreender que ele pode ter a opinião que quiser. nas atividades argumentativas. no entanto.Aula 7 – Ajudando sua inspiração: modelos de atividades – Parte 1 motor. Se você teve outras percepções acerca dessas atividades. o aluno fica com uma resposta que não é compartilhada e normalmente o procedimento indicado pelo professor é de que ele vá ao pólo discutir com o tutor. inclusive. 10:03:52 AM . As autoras responderam satisfatoriamente a pergunta que fizeram e. não deixe de compartilhar sua opinião comigo e com os outros participantes no Fórum da Aula 7. pareceu pouco incentivador e possivelmente não tenha estimulado o aluno a fazê-la. pesquisas feitas com gêmeos e crianças filhas de índias hopis. Isso sinaliza pouca estruturação e planejamento da parte do conteudista e a tendência é o aluno deixar de fazer a atividade. Mais do que isso. sem demonstrar deferência pela resposta do professor. Em vez de o aluno definir um conceito ou recuperar uma informação. por exemplo. Nestes casos. aula7. mas o ritmo pode ser retardado pela ausência de prática ou de experiências adequadas. Embora a capacidade argumentativa seja uma habilidade valiosa.

decidiu impor uma ordem para todos: seria proibido fazer frituras na cozinha. os estudantes alugam uma casa comunitária.“Divisão desigual de poder” Imagine que você foi aprovado em uma universidade muito distante de sua casa. Foto: Renata Zaja “Se eu fosse nobre.sxc. Cabe a cada um.” Fonte: www.elementos instrucionais e estratégias de ensino Veja a seguir uma situação em que uma atividade argumentativa foi utilizada de maneira criativa para consolidar o conceito de relações de poder. individualmente. Maria Antonieta. e que precisará mudar-se de cidade para poder cursar a faculdade de sua escolha. A mais antiga moradora da república. Além disso. Exemplo . que ali já estava há dois anos. todos os moradores têm direitos comuns (como o de usar a estrutura física da casa. 10:03:52 AM . seria tudo mais fácil. congressos etc. Luis.).). tudo corria bem. Seus pais não possuem recursos suficientes (não fazem parte da “nobreza”).hu Depois de alguns meses morando nessa casa comunitária de oito habitantes. você percebeu que o convívio entre pessoas diferentes não era nada fácil. Nestas. Entretanto. Antes de desistir da idéia de estudar tão longe. coletivamente. seu namorado (também morador da república). e a todos. aula7. já que ambos entendiam ser a fritura responsável pela sujeira na cozinha e. prover os recursos para manter o aluguel 166 (pagar as contas.. por exemplo).Planejamento e elaboração de material didático impresso para EAD . até que surgiu uma situação de desacordo generalizado..indd 166 10/10/2007. estava ao lado dela nessa decisão. na casa toda (pelo cheiro de óleo e pela fumaça que impregnava o ambiente). você leu no site da universidade que há uma prática muito comum adotada por estudantes com poucos recursos: as repúblicas. portanto não podem ajudá-lo(a) a alugar uma casa e também custear os seus estudos (compra de livros. por conseqüência. conservar sua estrutura física etc.

você foi escolhido para representar os outros seis moradores na reunião da república. O meu direito começa onde termina o de vocês! 2. Para tal. tanto Maria quanto Luís possuíam boas condições financeiras na família. Elabore pelo menos dois argumentos contrários a cada uma das colocações de Maria: 1.sxc. buscando mostrar suas incoerências e improbidades. Além disso. Como o contrato está em meu nome. leia a seguir os pontos de vista dela e posicione-se contrariamente. preparavam a própria comida para diminuir os custos. eu tenho o poder de estabelecer as normas da casa! aula7.Aula 7 – Ajudando sua inspiração: modelos de atividades – Parte 1 Porém. Todos os outros seis moradores. e quase sempre comiam em restaurantes. as batatas!” Fonte: www.hu Diante dessa situação. Foto: Leandro Ercole 167 “Ao vencedor. você deve elaborar contra-argumentos que possam “derrubar” os argumentos de Maria. incluindo você. o contrato do aluguel da casa estava em nome de Maria Antonieta. Eu não tenho culpa se vocês querem cozinhar em casa. Para fazer a defesa da maioria. 10:03:54 AM . na qual será confirmada (ou refutada) a norma de não haver mais frituras.indd 167 10/10/2007. e por isso ela se julgava detentora do poder de decidir as normas referentes à república. que ocorre todo mês.

Na colocação 1. há vários caminhos possíveis de contra-argumentação.indd 168 10/10/2007. A argumentação propicia a apresentação de diversos posicionamentos e costuma representar a forma de pensar de determinados indivíduos ou grupos. Em outras palavras: ninguém é detentor exclusivo de um direito. o direito é 168 comum a todos. quando Maria diz ser “detentora do poder” por ter assinado o contrato. e que “meu direito começa onde termina o de vocês”. essa condição vale para todos. Na verdade. a questão de um direito começar onde termina outro pode levar a um caminho de hierarquia de direitos e de poder.”. Em oposição. Nessa atividade. é óbvio que ela está ali para ser usada.. já que. aula7. como a república possui cozinha – e esta faz parte da estrutura física comum da casa –. pois possibilita expor razões que podem mudar o ponto de vista acerca de um determinado assunto.Planejamento e elaboração de material didático impresso para EAD . já que ele serve para todos.. Além disso. se houver algum problema de qualquer ordem. No colocação 2. e se cozinhar na casa é uma prática socialmente aceita pela república. e não cabe sua posse a uma pessoa. você pode argumentar que isso é uma mera formalidade administrativa. Foto: Equipe CEDERJ Pólo de São Fidélis.elementos instrucionais e estratégias de ensino Resposta comentada (do exemplo): A capacidade de argumentar – ou de criar argumentos que possam persuadir um interlocutor – é essencial para a convivência social. 10:03:56 AM . quando Maria diz que “não tem culpa. todos os moradores são responsáveis por sua resolução. seria justificável não pagar o aluguel. pois existiria um morador que seria o único responsável por essa taxa. Caso contrário. Se a casa possui cozinha. você pode apontar que. o conceito de contra-argumento também é fundamental: é a partir da contra-argumentação que se pode refutar um pensamento que parece inabalável.

dessa vez ainda mais polêmico: gordura faz mal à saúde e engorda.hu Foto: Ramona Gaukel 10/10/2007. O que queremos é que você estimule a prática da argumentação e da contra-argumentação com seus colegas. Disciplina: Instituições de Direito Público e Privado) Repare que. Divirta-se! (Roberto Paes de Carvalho. Se quiser. Atividades argumentativas são uma boa alternativa para a aplicação de um conceito de forma criativa. 169 Atividade 3 Atende ao objetivo 3 j Se eu não me mexer eu engatinho? um bom exemplo de atividade argumentativa. Curso: Administração. 10:03:57 AM Depois de ter estudado essa seção e de ter analisado aula7.Aula 7 – Ajudando sua inspiração: modelos de atividades – Parte 1 Obs. e leve essa atividade para ser debatida no seu pólo. tendo por base a noção de poder. Fonte: www. nem é advogado ou juiz. Peça a seu tutor que exponha o caso novamente. No entanto. extraído da mesma aula. a partir de colocações contrárias a um novo argumento. Todos os participantes devem construir um contraargumento para esse novo posicionamento de Maria. idealize uma atividade argumentativa que possa ser realizada individualmente para a consolidação do papel da prática na maturação. tendo por mote esse novo argumento de Maria: “Gordura faz mal à saúde e engorda. participativa e que favorecem o trabalho em grupo.sxc. por isso há mais um motivo para não haver frituras”. relate sua idéia no Fórum da Aula 7. retorne à Atividade 2 e releia o Exemplo 4 (a prática e a maturação).indd 169 . nessa atividade. também abriu portas para que ele propusesse ao seu tutor uma seção de discussão coletiva. a partir da idealização de argumentos contrários a duas colocações de Maria. A partir do trecho a seguir. o autor garantiu as condições necessárias para o aluno fazer a atividade proposta sozinho. pois você não tem conhecimentos para tal.: Essa atividade não pretende resolver esse problema prático.

elementos instrucionais e estratégias de ensino Helen Bee e Sandra K. fazem as seguintes perguntas: se uma criança for completamente imobilizada. 10:03:58 AM .sxc. 1 “Que não seja imortal.indd 170 Foto: Rose Ann 10/10/2007. músculos e sentidos? Integração de informações Vamos retomar uma atividade que você provavelmente já conhece.Planejamento e elaboração de material didático impresso para EAD . Analise as informações abaixo e diga a que personalidade estou me referindo. 170 Personalidade 1 Sobre o amor. Mitchell..hu aula7. para ilustrar melhor a complexidade do processo de maturação. posto que é chama Mas que seja infinito enquanto dure” 2 3 Anote aqui a sua resposta: Fonte: www. andar ou pegar objetos.. essas habilidades se desenvolveriam? O bebê precisa de oportunidade de experimentar a coordenação dos ossos. sem ter a oportunidade de praticar o ato de engatinhar.

cenário de inspiração para uma de suas canções mais famosas. mas vale a pena recuperar seus passos.indd 171 10/10/2007. aula7. a fala. ou por meio de gestos com as mãos. A imagem do whisky provavelmente remeteu você à particular predileção do poetinha pela bebida ou à sua frase “O whisky é o cão engarrafado”. certo? Mas como você fez isso? Pode parecer óbvio. a fotografia mostrada é da praia de Ipanema.Aula 7 – Ajudando sua inspiração: modelos de atividades – Parte 1 Personalidade 2 A comunicação humana é um processo que envolve a troca de 1 informações. 10:04:01 AM . Ainda.sxc. a escrita que permitem interagir com as outras pessoas e efetuar algum tipo de troca informacional. o trecho de um de seus poemas mais conhecidos – “Soneto da Fidelidade” – completou a charada. 3 171 Anote aqui a sua resposta: Foto: Rose Ann Fonte: www.hu E aí? Descobriu? Você provavelmente não teve muita dificuldade em associar Vinicius de Moraes às primeiras informações e Chacrinha às segundas. mensagens enviadas utilizando a rede global 2 de telecomunicações. No caso de Vinicius. e utiliza os sistemas simbólicos como suporte para este fim. Estão envolvidos neste processo uma infinidade de maneiras de se comunicar: duas pessoas tendo uma conversa face a face.

etc. Você precisou das três informações. Nesse tipo de atividade. Você precisou dar alguns passos antes de conectar cada informação à personalidade.indd 172 10/10/2007. o carro remeteu você à chacrete mais popular do programa: Rita Cadillac. o aluno é levado a analisar e relacionar informações de natureza variada (textos. você provavelmente não teve dúvidas de quem estava escondido nas charadas que propus.elementos instrucionais e estratégias de ensino No caso do Chacrinha. gráficos. ilustrações. ou do abacaxi.Planejamento e elaboração de material didático impresso para EAD . são mais alusivos às personalidades em questão.) para deduzir a resposta esperada. 10:04:04 AM . as respostas comentadas são bastante precisas e capazes de abranger satisfatoriamente o universo possível de resultados. especialmente o poema. quer ver? Praia de Ipanema → Garota de Ipanema → Autoria de Vinicius de Moraes Whisky → Cão engarrafado → Autoria de Vinicius de Moraes Trecho escrito → Soneto da Fidelidade → Autoria de Vinicius de Moraes Trecho escrito → Quem não se comunica se trumbica → Autoria de Chacrinha Abacaxi → programa de calouros → Comandado por Cacrinha Cadillac → Rita Cadillac → Chacrete do programa do Chacrinha 172 Possivelmente você não tivesse sequer desconfiado da personalidade se visse apenas a foto da Praia de Ipanema. a passagem que fala sobre comunicação é uma informação e tanto para nos fazer lembrar do Velho Guerreiro e de sua máxima “quem não se comunica se trumbica”. Eu não pedi que você adivinhasse quem era a pessoa retratada em uma caricatura. Essa é a idéia por trás da atividade de integração de informações. aula7. por exemplo. ou do whisky. é ou não é? O abacaxi provavelmente te levou ao programa de calouros mais famoso da TV brasileira e ao troféu recebido pelos participantes menos gloriosos. notícias de jornal. as informações oferecidas não dizem respeito diretamente à personalidade em questão. ou do cadillac. tabelas. Em compensação. nos dois exemplos. uma vez integradas. Os trechos escritos. Finalmente. A área de conhecimento enfocada pela atividade de integração de informações é claramente identificável e é improvável que as respostas difiram muito daquelas esperadas. Repare que. Neste caso. e só depois integrar todas para chegar ao veredicto final.

distribuía abacaxis e perguntava “-Vai para o trono. o aluno aprende melhor quando obtém uma mesma informação a partir de diversas fontes (formatos) diferentes. 173 aula7. para onde havia se mudado com a família. Imagine uma aula sobre história da comunicação brasileira. onde se tornou locutor na Rádio Tupi. que fez muito sucesso. A chave para a elaboração desse tipo de atividade é ser capaz de olhar o texto sob uma perspectiva diferente. Em 1956 estreou na televisão com o programa Rancho Alegre. e uma seção voltada para a televisão. Em seguida foi para a TV Rio e. Esse era o nome de um dos maiores comunicadores de rádio que conhecemos e de um grande sucesso na TV dos anos 1950 aos 1980: Chacrinha. em Recife. Em 1943.Aula 7 – Ajudando sua inspiração: modelos de atividades – Parte 1 Atividades de integração de informações permitem que muitas capacidades cognitivas sejam desenvolvidas simultaneamente. ou não vai?”) e Discoteca do Chacrinha. Agora. como estudante da área médica. Retomando a teoria da flexibilidade cognitiva do início da aula. na qual começou a fazer também a Discoteca do Chacrinha. Mas os benefícios em termos das capacidades estimuladas não têm termo de comparação.. Ele tem mais trabalho para chegar na mesma resposta que chegaria apenas por meio de uma atividade de consulta simples. Esse tipo de atividade permite vários graus de dificuldade e sua utilização deve ser balanceada.. que teve o seu primeiro contato com o rádio. em 1970. do artista gaúcho Teixeirinha. Vamos tomar como exemplo o caso do Chacrinha. foi contratado pela Rede Globo. O texto da aula (que foi baseado em informações disponíveis na Wikipédia) poderia ser assim: José Abelardo Barbosa de Medeiros nasceu na cidade de Surubim. lançou na Rádio Fluminense um programa de músicas de Carnaval chamado Rei Momo na Chacrinha. no qual lançou vários sucessos da música brasileira como “Estúpido Cupido” de Celly Campelo e “Coração de Luto”. retornou à Globo. no agreste pernambucano. Em 1978 transferiu-se para a TV Bandeirantes e. Nos anos 1950 comandaria o programa Cassino do Chacrinha. em 20 de janeiro de 1916. Dois anos depois voltou para a Tupi. Passou então a ser conhecido como Abelardo Chacrinha Barbosa. Interrompeu os estudos e foi para o Rio de Janeiro. Chacrinha chegou a iniciar a faculdade de Medicina. 10:04:04 AM . Foi justamente dando uma palestra sobre alcoolismo. Chegou a fazer dois programas semanais: A Buzina do Chacrinha (no qual apresentava calouros.indd 173 10/10/2007. com o cuidado de manter uma proposta de acordo com o perfil e o nível educacional de seu aluno. na TV Tupi. Certamente o Velho Guerreiro seria figura de destaque. como criar uma atividade de integração de informações? Parece uma charada completamente indecifrável? De forma alguma. em 1982.

Chacrinha era autor de frases muito citadas tais como “Na televisão nada se cria. você poderia desafiar seu aluno da área de comunicação com uma atividade que trouxesse informações que precisam ser integradas para terem algum significado. você adaptaria o trecho anterior para continuar falando do Chacrinha de forma a não repetir informações que você já tenha incluído em sua resposta comentada. não para explicar!” e “Quem não se comunica. Índia Amazonense. Fátima Boa Viagem. antes de começar a falar do Velho Guerreiro.dançarinas.Planejamento e elaboração de material didático impresso para EAD . Seria uma maneira descontraída. Um pouco de prática é suficiente para você perceber o mecanismo por trás da criação de uma atividade de integração de informações e para começar a dar seus próprios passos dentro do conteúdo de sua disciplina. as dançarinas recebiam nomes exóticos e chamativos como Rita Cadillac. que faziam coreografias bastante simples e ingênuas para acompanhar as músicas.indd 174 10/10/2007. Além da coreografia ensaiada. se trumbica!”. Você proporia a charada que resolvemos juntos anteriormente. Fernanda Terremoto etc. em seguida. “Eu vim para confundir. Ora. aula7. Suely Pingo de Ouro. lúdica de motivá-lo.elementos instrucionais e estratégias de ensino Os jurados ajudavam a criar o clima de farsa do programa de calouros. 10:04:04 AM . tudo se copia”. Outro elemento para o sucesso dos programas para TV eram as chacretes . ofereceria 174 uma resposta comentada retomando os passos que provavelmente levaram seu aluno à personalidade correta e.

Mas você não pode ultrapassar o número de 120 palavras. que é popular e resistente. mesmo sem uso constante ou com pouco desgaste devido a uma perfeita manutenção. com tantos modelos de carros quanto formos capazes de contar. em toda a atividade. qualidade de fabricação. gráficos. É o valor representativo da perda linear de eficiência de um bem. em condições ideais. considera-se o valor originalmente pago pelo produto igual à sua depreciação após o período estimado de sua vida útil. marcas. no momento de sua aquisição. tabelas.Aula 7 – Ajudando sua inspiração: modelos de atividades – Parte 1 Atividade 5 Atende ao objetivo 5 j Quanto custa mesmo? Leia atentamente o trecho a seguir. será menor que o de um outro veiculo. encontram-se veículos iguais que têm vida útil média e depreciação diferentes. já que o equipamento é novo. no mercado automobilístico. Idealize uma atividade de integração de três informações de forma a ajudar ç seu aluno a compreender melhor esse conceito. variando entre esses dados. Bom exemplo de caso de depreciação é o dos automóveis. Independentemente dos fatores anteriormente listados. por exemplo. em anos. finalidade de uso. Evidentemente. Não se preocupe em fazer ilustrações precisas. mas frágil. Depreciação é isso. Apenas faça um esboço de sua idéia no espaço a seguir. Cabe considerar que. ou seja. No ato de compra de um bem durável. logo após ser fabricado. São tão variados os tipos. determina-se a depreciação de um bem sempre pelo tempo útil médio. luxuoso. certamente seu tempo de duração médio. o bem tem depreciação nula. Fernando Mengoni Rodolfo Clix 175 aula7. Assim é. O tema principal abordado é o conceito de depreciação.indd 175 10/10/2007. Você pode usar diversos recursos (figuras. é importante levar-se em consideração a perda de valor que o tempo de uso acarretará ao produto adquirido. o tempo máximo previsto em que tal bem poderá gerar benefícios ao adquirente. Se se adquire um carro X. textos). o Y. especialmente se esse bem for mercadologicamente passível de transferência de propriedade. 10:04:05 AM . que.

elementos instrucionais e estratégias de ensino 176 aula7.Planejamento e elaboração de material didático impresso para EAD .indd 176 10/10/2007. 10:04:16 AM .

1º de julho de 2005 1 Depreciação é um valor que representa a perda de eficiência de um bem. Observe as informações a seguir: Rio de Janeiro.indd 177 Co 20 che 05 An da 10/10/2007. Logo. Resposta comentada (do exemplo proposto) A depreciação anual é de R$ 2.00 (10.) José (Texto original) aula7. a depreciação acumulada em 31/12/2004 será de R$ 1. Se quiser. que é de R$ 166. Então. a depreciação do mesmo equipamento após o período de sua vida útil é igual ao valor pago por ele originalmente. José de Souza José de Souza 177 6 Vida útil dos automóveis mais vendidos (em anos) 5 4 3 Q Ga uebre lho - Vo Tur ado bo r nte ATIVIDADE Analise as informações 1.00. 10:04:16 AM . Do dia 1/7/2004 (data explícita no recibo) a 31/12/2004 contamos seis meses. Ana Paula (Ativ. 2 R$ 10. A depreciação de um equipamento novo é nula. relativa à aquisição do automóvel ANDANTE® modelo 2005. É claro que você também poderia resolver essa questão considerando que seis meses são equivalentes a meio ano. Você provavelmente chegou a outras opções. Considerando que não há inflação. 2 e 3. zero Km.000/5).000.00 (dez mil reais).000. temos de calcular a depreciação mensal. comprado por João da Silva. vá até o Fórum da Aula 4 e discuta conosco suas idéias. a depreciação acumulada seria a metade da anual.000. então.00 RECIBO Recebi de João da Silva (CPF 098765432-10) a quantia de R$ 10.000.67.Aula 7 – Ajudando sua inspiração: modelos de atividades – Parte 1 Resposta Comentada Uma das possibilidades para transformar o trecho que você leu em uma atividade de integração de informações está ilustrada a seguir. calcule a depreciação acumulada em 31/12/2005 do veículo Andante.

Uma questão de treino e de criatividade. tabelas. aula7. ilustrações. deixar que o próprio aluno as deduza a partir da análise de um gráfico. Quando apresentadas em diferentes tipos. Atividades escondidas no texto são importantes para garantir um exercício mental permanente de seu aluno. A área de conhecimento enfocada pela atividade de integração de informações é claramente identificável e é improvável que suas respostas difiram muito daquelas esperadas e encontradas pelos demais alunos. Resumo M 178 étodos de instrução flexíveis ajudam os estudantes a aprender a complexidade do material que estudam além de possibilitá-los trabalhar com aquele conteúdo sob diversas perspectivas. o objetivo principal é que o aluno seja capaz de desenvolver argumentos acerca de um determinado tema sem que necessariamente chegue a uma resposta esperada. Nestes casos. 10:04:16 AM .elementos instrucionais e estratégias de ensino Um dos aspectos nucleares desse tipo de atividade é evitar oferecer informações. tenho certeza. que normalmente está incluída no texto. Para criar uma atividade de integração de informações você deve ser capaz de desconstruir seu próprio texto e de analisá-lo sob diferentes perspectivas. as atividades contribuem imensamente para aumentar a diversidade em uma aula voltada para a Educação a Distância. Nessa categoria de atividade. Você pode oferecer uma resposta comentada mais longa que essa ou usar seu feedback para encaminhar o conteúdo que se seguirá no texto da aula. onde o aluno é solicitado a realizar operações a partir da observação de um modelo. notícias de jornal etc. Informações apresentadas em uma variedade de formas fazem parte de um ambiente de ensino flexível.indd 178 10/10/2007. No caso das atividades de integração de informações. Há diversos modelos que influenciam a elaboração de atividades em materiais didáticos impresso. Atividades de consulta direta requerem do aluno voltar a alguma passagem da aula para chegar à resposta esperada. Você consegue. a capacidade de análise e crítica é tão importante quanto o conteúdo em si.Planejamento e elaboração de material didático impresso para EAD . gráficos. procurando. incluem-se também exercícios de cálculo simples. Nas atividades argumentativas. uma tabela etc.) para deduzir a resposta esperada. de um exemplo resolvido. em vez disso. o aluno é levado a analisar e relacionar informações de natureza variada (textos.

constructivism. Londres: Kogan Page.) Constructivism and the technology of instruction: A conversation (p.. Fonte: http://www. NJ: Lawerence Erlbaum Associates. Activities in self-instructional texts. P. & COULSON. 1992. LOCKWOOD.. D. Londres: Kogan Page. F. & JONASSEN. H. Hillsdale. J. (1992). and hypertext: Random access instruction for advanced knowledge acquisition in ill-structured domains. F. Leitura Recomendada LOCKWOOD. 1998. continuaremos a estudar outros modelos de atividades. J. LOCKWOOD. (Eds. ROWNTREE. M. 1992. L. D. JACOBSON. Activities in self-instructional texts. Teaching through self-instruction. FELTOVICH. Cognitive flexibility theory: implications for teaching and teacher education.indd 179 10/10/2007. 57-76). Londres: Kogan Page. 1998. 1ed. 10:04:17 AM .dk/didaktik/l4-16.Aula 7 – Ajudando sua inspiração: modelos de atividades – Parte 1 Informações sobre a próxima aula Na próxima aula. In DUFFY.htm. n 179 aula7. 1ed. The design and production of self-instruction. 2ed. R. 1ed.kdassem. Bibliografia Consultada BOGER-MEHALL. 1998.R. Londres: Kogan Page. Cognitive flexibility. S.. R. 1994. M. J. F.. T. SPIRO.

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indd 181 10/10/2007.Aula 8 Ajudando sua inspiração: modelos de atividades Cristine Costa Barreto aula8. 10:05:26 AM .

indd 182 10/10/2007. atividades com respostas enumeráveis e atividades com respostas não-enumeráveis. aula8. dentre os modelos propostos. • distinguir.Planejamento e elaboração de material didático impresso para EAD . b. você deverá ser capaz de: • identificar os aspectos instrucionais que caracterizam os seguintes modelos de atividade: 182 a. estudo de casos. c.elementos instrucionais e estratégias de ensino Meta Apresentar modelos que influenciam o formato de atividades em materiais impressos na Educação a Distância (EAD). Objetivos Ao final desta aula. transferência de domínio por resolução de problema. 10:05:27 AM . prática.

de forma enfática. Se eu dissesse que. Fred Lockwood resume a essência do próximo modelo de atividades que gostaria de apresentar a você: transferência de domínio por aplicação de modelo. de habilidades e conhecimentos adquiridos no material didático e incentivam a perda da deferência pelo professor como a figura central. Nesse tipo de atividade. ou mesmo impossível. a inadequação da proposição de atividades em que não é possível responder à variedade de soluções potencialmente associadas. abrangendo um pequeno universo de soluções. ao longo de um curso. Pois bem. essa maneira é 183 aula8. Favorecem. muito da aprendizagem poderia se dar quando o aprendiz não estivesse de fato lendo o material de autoinstrução. Se por um lado as atividades de integração de informações exigem do aluno as capacidades de análise. disponibilidade e interesse. você está certo. a capacidade de transferência. dedução e síntese no momento de integrar as informações oferecidas. predizer seu resultado. suspeito que você começaria a se sentir desconfortável. a natureza das atividades propostas pode ser tão variada que seria extremamente difícil. você poderia ainda concordar. 10:05:28 AM . dessa forma. na medida em que cada aluno pode explorar a área de conhecimento apresentada de acordo com sua preferência. Se eu dissesse que a maior parte do tempo de estudo dedicado a um curso de Educação a Distância pode se passar longe do material de auto-instrução. na Educação a Distância. Ora. a estrutura do modelo conduz a uma pequena variação nas soluções possíveis.indd 183 10/10/2007. mas a essa altura você deve estar pensando que concluí a última aula declarando. Esse modelo de atividade valoriza a incerteza da investigação científica e a satisfação do encontro de soluções para os problemas. que mencionei a importância de oferecermos experiências individuais para nossos alunos. para outros domínios. Atividades de transferência de domínio abrem uma avenida de possibilidades de resultados. Por isso eu posso enunciar uma resposta satisfatória. ao longo de um curso de Educação a Distância. mas talvez menos prontamente. não há um conhecimento específico a ser desenvolvido e a aprendizagem individual é encorajada. Disse ainda que havia uma maneira adequada para fazê-lo. detentora de conhecimento.Aula 8 – Ajudando sua inspiração: modelos de atividades Transferência de domínio por aplicação de modelo Se eu dissesse que. suspeito que você concordaria. por outro. Mas você deve se lembrar também. realidade cotidiana. e inquestionável provedor de informações a partir de quem o saber do aluno deve ser construído. De fato. Com essas palavras.

excelente! Apenas devemos assegurar-lhes. todas as condições para que seu potencial criativo e de resolução de problemas não se perca como um viajante que desbrava uma floresta sem bússola. Por isso. uma orientação antecipada garante ao aluno a segurança necessária para realizá-las de forma independente. embora não seja possível oferecer. você deve pensar bem antes de propor um atividade com essas características. de forma inequívoca. as respostas podem (e devem) variar bastante de aluno para aluno. se você não estiver seguro de sua relevância e de sua adequação. Eles serão estimulados a fazer suas próprias investigações. Nesse tipo de atividade. A resposta comentada normalmente tem caráter de orientação. Naturalmente. Vamos ver um exemplo? aula8. em que seu aluno encontrará diretrizes para a realização do trabalho e para a interpretação das informações obtidas. levantar dados e tirar conclusões de forma independente. 10:05:28 AM . valorizar a própria experiência. soluções individuais satisfatórias para as atividades.Planejamento e elaboração de material didático impresso para EAD . Conteúdos próprios para esse modelo de atividades são aqueles que trazem uma variabilidade intrínseca e múltiplas perspectivas de análise de um mesmo tema. Além disso. É comum que a orientação nas atividades de transferência de domínio seja oferecida sob a forma de um modelo que se remete a todas as etapas para o seu desenvolvimento. devido ao fato de que seu aluno não irá dispor de uma resposta comentada nos moldes em que discutimos para os outros modelos. em uma situação de aprendizagem que exige pensamento crítico e reflexivo sobre suas próprias ações. Atividades de transferência de domínio são fundamentais para seu aluno desenvolver confiança. Como são atividades normalmente mais trabalhosas.indd 184 10/10/2007. muitas vezes longe do material didático. se queremos que nossos alunos abusem de sua capacidade de pensar sozinhos. você não deve abusar de atividades de transferência de domínio e sua oferta não deverá constar de todas as suas aulas. talvez seja mais sensato optar por um outro modelo. a posteriori.elementos instrucionais e estratégias de ensino a atividade de transferência de domínio por aplicação de modelo. perder a deferência pela resposta do professor. a partir do qual o aluno possa guiar suas práticas. A aprendizagem individual é fortemente encorajada. comparando-as com as informações 184 providas antecipadamente. Nesse modelo.

Hóspedes pernoitando em um estabelecimento hoteleiro podem desejar: • Quarto com banheiro privativo • Quarto com cama de casal. televisão e DVD no quarto • Limpeza e arrumação do quarto • Serviço de despertador • Opção de café da manhã continental • Entrega de jornais no quarto • Quarto familiar com berço e cama extra para crianças 185 aula8.Front of house operations) s O que os hóspedes desejam de um estabelecimento hoteleiro varia de acordo com as razões pelas quais estão se hospedando naquele local. Uma resposta amigável e informativa da parte da recepcionista pode significar a diferença entre um quarto ocupado ou vago. secar e passar roupas.indd 185 10/10/2007.1990 . 10:05:28 AM .Aula 8 – Ajudando sua inspiração: modelos de atividades Atividade 1 Atende ao objetivo 1 j O Cliente (Retirado de Thunhurst . serviços para lustrar sapatos • Lavanderia com auto-atendimento • Quarto com vista • Colchão ortopédico • Refeições disponíveis até tarde • Telefone. quando perguntarão acerca das facilidades e serviços disponíveis e a que preço. com uma ou duas camas de solteiro • Bar aberto durante toda a noite • Café da manhã no quarto • Filmes disponíveis em DVD • Serviço de recebimento e transmissão de mensagens • Pessoal treinado em recreação e cuidados infantis • Acesso fácil ao quarto por hóspedes utilizando cadeiras de rodas ou bengalas • Serviço para lavar. rádio. o primeiro contato dos hóspedes em potencial é por telefone. Freqüentemente.

Um serviço amigável e um ambiente descontraído não significam um serviço de padrão mais baixo. Mas você não precisa se prender a eles. de aeroportos ou regiões portuárias. a maioria desses estabelecimentos oferece suas próprias opções de lazer tais como piscinas e quadras de esporte. pode ser exatamente o que os clientes procuram. O que tais facilidades dizem acerca do tipo de cliente que utiliza o estabelecimento? aula8. Alguns dos hóspedes podem ser solitários e gostar de conversar. e-mail e internet. tais como telefone. tal como a necessidade de fazer o check out dos hóspedes rapidamente. Motéis. TAREFA Escolha um estabelecimento perto de sua residência ou local de trabalho para visitar. ou hotéis de estrada Principalmente procurados por pessoas que viajam de carro ao redor do país. conferências ou encontros de negócios. fax. Recepcionistas devem ser hábeis para evitar situações que possam causar tensão. para onde o acesso é rápido. A maioria dos estabelecimentos é situada no centro da cidade. uma atmosfera caseira pode ser desejada.elementos instrucionais e estratégias de ensino Veja alguns exemplos em que o tipo de estabelecimento hoteleiro é associado ao tipo de serviço oferecido e ao tipo de cliente que potencialmente se hospedará: Hotéis de turismo ou resorts Hóspedes normalmente desejam relaxar e aproveitar o tempo. t Apart hotéis Serviço de copa e de camareira para os hóspedes permanentes. Um serviço rápido e eficiente com facilidades de comunicação. a negócios. A seguir. pode optar por qualquer um. 186 Hotéis de trânsito Normalmente situados perto de uma estação ferroviária ou rodoviária. Descubra a partir dos folders de divulgação e de entrevistas com os recepcionistas que tipos de facilidades e de serviços cada um oferece. Hóspedes podem fazer o check in e o check out a qualquer hora do t dia.Planejamento e elaboração de material didático impresso para EAD . 10:05:29 AM .indd 186 10/10/2007. outros preferirão entrar em seus quartos o mais cedo possível. incluímos uma lista de estabelecimentos que podem facilitar sua escolha. Hotéis de negócios Utilizados em sua maioria por executivos para pernoite.

sxc.hu www. 10:05:29 AM .indd 187 10/10/2007.hu aula8.sxc.Aula 8 – Ajudando sua inspiração: modelos de atividades • Hospitais públicos • Hospitais privados • Residência de estudantes • Condomínios • Acampamentos • Navios de turismo • Barcas • Trens • Aviões • Centros de treinamento de pessoal • Locadoras de filmes • Supermercados Estabelecimento: ____________________________ Tipos do estabelecimento Serviços oferecidos Tipo de cliente 187 www.

consulte a resposta comentada daquela atividade e fique tranqüilo quanto à decisão que tomou. ao tutor. pense comigo. Agora. em que precisar resolver um problema sem que tenha um livro debaixo do braço dizendo: “Fulano. presencial ou a distância. visitar locais diferentes. aula8. Você sentiu muita falta da resposta comentada da Atividade 3 da Aula 7? Espero que não. Claro que seu tutor estará devidamente avisado da existência de uma proposta como essa. para ganhar mais independência profissional no futuro.Planejamento e elaboração de material didático impresso para EAD . incorrer em erros e acertos enquanto ele pode recorrer a você.elementos instrucionais e estratégias de ensino Resposta comentada Qual estabelecimento você escolheu? Locadora de filmes? Supermercado? Algum outro? É claro que não tenho como saber. No entanto. Isso porque cada um de nós pode escolher um estabelecimento diferente. O que importa é você se dar conta de que. secretamente. não existe uma resposta comentada que atenda a todas as possibilidades de resultado associadas a esta atividade. isso não é algo muito parecido com o que ele. Dada a baixíssima probabilidade de a situação descrita no parágrafo anterior acontecer.indd 188 10/10/2007. Se tiver feito besteira. conversar com pessoas diferentes e levantar informações acerca de serviços diferentes. necessariamente. irá vivenciar no momento em que se formar. mesmo que você não tenha uma resposta comentada que garanta ter 188 chegado a um resultado correto. Não resisto à idéia de contar para você. 10:05:31 AM . naturalmente. Propus para você uma atividade de transferência de domínio por aplicação de modelo. sempre que proponho essa atividade. sempre escolho supermercado! Mas isso não importa agora. Mas eu não esperaria. e seu aluno poderá recorrer à tutoria. parece ser uma boa idéia deixar seu aluno fazer tentativas. esse problema que você está enfrentando agora se refere ao objetivo 3 daquela aula que vimos no terceiro período de seu curso. reveja os passos 3 a 7 e tente novamente”. Atividades de transferência de domínio colocam seu aluno em uma situação nova na qual ele deve aplicar um conceito recém-aprendido. sempre que quiser. Caso você não esteja certo de sua solução. no entanto. que ele assim o fizesse. aluno. espero que o modelo que ofereci antes seja sólido o suficiente para ter permitido que você realizasse essa atividade com segurança. aos colegas. em que conseguir um emprego.

de forma a desencorajar seu aluno a fazer a atividade. e para a qual deve propor uma solução. 3. 10:05:32 AM . certifique-se de que: 1. Isso normalmente aumenta a motivação dos alunos e seu interesse nos temas de aula. Quando o aluno se vê diante de uma situação problemática. 2. em que exemplos. incentiva uma aprendizagem participativa.Aula 8 – Ajudando sua inspiração: modelos de atividades Ao propor uma atividade de transferência de domínio por aplicação de modelo. por exemplo. Existem muitas maneiras de se propor um estudo de caso para seu aluno. aumenta a satisfação do aluno com o tópico estudado e. para serem desenvolvidas em grupo. ao mesmo tempo que ilustram o núcleo conceitual em questão. Estudo de caso Não é novidade o fato de que alunos aprendem mais e melhor quando se envolvem na aprendizagem de forma participativa. o tema proposto tem variabilidade intrínseca (não peça. aumenta seu desejo de aprender. você ofereceu um feedforward. Existe uma grande sobreposição entre o estudo de caso e a aprendizagem baseada na resolução de problemas. O estudo de caso diminui a distância entre teoria e prática. desde casos curtos para serem resolvidos individualmente até atividades longas. Vamos lá? 189 aula8. como um exemplo detalhado do procedimento. para seu aluno descobrir quantos gêneros sexuais existem nas diferentes instituições de trabalho). portanto.indd 189 10/10/2007. que incluem uma variedade de situações. Demonstram conceitos teóricos em cenários aplicados. de forma que o aluno saiba exatamente o que fazer para obter seu resultado individual e especialmente para conferi-lo. simples ou complexos. que precisa ser analisada. ele interage com o material didático em uma atividade que o expõe a questões do mundo real com as quais pode se deparar em suas práticas profissionais. você não está usando esse modelo excessivamente. A atividade a seguir vai ajudar você a criar situações que possam ser utilizadas para isso. permitem a compreensão intuitiva do contexto de um problema. O estudo de casos é uma excelente opção para esse tipo de abordagem.

respectivamente: Exemplo 1 Caso Fundição Rio Negro A Fundição Rio Negro é uma empresa de médio porte cujo ramo de atividade é o a produção e venda de equipamentos para fundição. não permitindo qualquer intervenção em suas respectivas áreas. l aula8. Júlio Siqueira Campos e o diretor industrial. apesar desses problemas. Divide o número de ações com o terceiro diretor. Seu procedimento acarreta problemas para os demais setores da empresa. porém levando em consideração as condições de seus subordinados. no que tem demonstrado excesso de interesse. é devida à estreita amizade com o diretor industrial. Cada um dos três diretores possui autoridade para contratar novos empregados e despedi-los sem dar satisfação aos outros.elementos instrucionais e estratégias de ensino Atividade 2 Atende ao objetivo 2 j Criando caso Analise as duas atividades a seguir propostas em aulas das disciplinas Assistente Administrativo e Bioquímica. o diretor comercial. Ficam a seu cargo as comissões sobre s as vendas próprias e dos outros vendedores. Sua permanência dentro da empresa. não respeita a autoridade do mestre. dirigindo-se diretamente ao operário. sem nenhum superior. pois não se coordena nem com o setor de almoxarifado. que executa s suas tarefas sem planejamento algum ou controle e sem interesse pelo cargo que ocupa. supervisiona a fábrica. 10:05:32 AM . importando-se apenas com sua situação financeira e com seu status social. porém. Magalhães. O Departamento de Compras está sob a gerência de Luiz Alves Macedo.indd 190 10/10/2007. só funciona quando pressionado pelas circunstâncias. em alguns casos de falha técnica. Este é voltado para a Produção.Planejamento e elaboração de material didático impresso para EAD . Constantemente. Novaes é acionista majoritário da empresa. Falta-lhe técnica de compras e sua função é independente. Campos está ligado ao setor de Vendas. Seu diretor-presidente é 190 Alberto dos Santos Novaes. Marcos Roberto Magalhães.

a imagem da empresa estava se deteriorando no mercado. 10:05:32 AM . p. Introdução à teoria geral da Administração. caso nenhum especialista localize o erro a tempo. atraso na execução do pedido. mas somente deverá desenvolver as etapas a seguir na presença de seu tutor. (CHIAVENATO. erros nos cálculos. s com data marcada para a entrega. os supervisores e até mesmo os operários. Campus. a partir do conteúdo que você aprendeu nas últimas aulas. Uma fundição efetuou diretamente a Campos a compra de um equipamento. pois ninguém quis assumir a responsabilidade do que aconteceu. A firma compradora provocou um conflito que atingiu os diretores da Rio Negro.Aula 8 – Ajudando sua inspiração: modelos de atividades O Departamento Técnico está subordinado ao diretor industrial e apresenta sérias o l deficiências na elaboração de desenhos e projetos. 493). portanto. Com os atrasos na entrega do equipamento e as devoluções causadas por defeitos. você pode ler e analisar o caso antes. O pedido foi encaminhado ao departamento competente. os gerentes. Essa atividade faz parte do cronograma da tutoria presencial. e assim por diante. Com todos esses problemas. às vezes. Apesar da l demora e da insistência o equipamento foi concluído e entregue. e intervenção direta e constante do diretor comercial na produção. p. O Departamento de Produção acusava o o Departamento de Compras. que vai organizar sua turma em grupos de trabalho. 70-71. porém. na escolha dos materiais e colocação de materiais em lugar indevido no desenho e projeto. Houve. 2 ed. mas devolvido depois por defeitos no funcionamento A compra só não foi cancelada devido à necessidade que a firma compradora tinha de utilizar o equipamento. surgem atrasos na entrega dos equipamentos aos clientes e. acarretando problemas para o Departamento de Custos e para o Departamento de Produção. Cada departamento apresenta a sua desculpa. Caberá ao seu grupo: aula8. que por sua vez acusava o Almoxarifado. para as providências. Idalberto. 191 O texto que você acabou de ler permite uma visão dos diversos setores organizacionais de uma empresa. devoluções em virtude de defeitos ou desvios de especificações. que corre o risco de produzir equipamentos com defeitos.indd 191 10/10/2007. não corrige os erros encontrados nos projetos para não atrasar a produção. jogando a culpa sobre os demais. Sua tarefa deve ser feita em etapas. Manoel de Oliveira. O gerente.

Disciplina: Auxiliar de escritório) Exemplo 2 Conceituando calor específico baseada em Chiavenato.1 para obter informações adicionais). analisar o comportamento de cada um deles. 6. ela o fizesse em álcool. Emília. sugeriu que. os quais recebe pela mamadeira. citar possíveis atribuições do assistente administrativo. amiga de Joana. ao mesmo tempo que falava com uma amiga ao telefone perguntando por uma sugestão de como resolver a situação mais rapidamente. pois o álcool era mais refrescante e iria esfriar o mingau mais rápido.elementos instrucionais e estratégias de ensino 1. com fome. 1990 Joana é mãe de um bebê de oito meses que se alimenta apenas de mingaus. Para esfriar o mingau. não se deu conta do horário e se atrasou para preparar a refeição de seu filho. e. assinalar todos os seus departamentos e os seus responsáveis. elaborar um organograma de acordo com as informações do texto. pois mingau era a única coisa que o bebê comia.Planejamento e elaboração de material didático impresso para EAD . A criança. 2. 3. quanto à conclusão do caso. Fonte: www. começou a chorar desesperadamente e Joana não sabia o que fazer.hu 10/10/2007. marcar no texto quantos setores compõem a estrutura organizacional. Joana. 4. Joana começou a banhar a mamadeira em água corrente. o alimento estava muito quente para ser dado a seu filho. dar sua opinião.indd 192 . 192 Foto: Richard S.sxc. (Anna Paula José de Sara. Agora responda: O que Joana deve fazer para ter o mingau de seu filho pronto mais rapidamente: aceitar a sugestão da amiga ou continuar procedendo da maneira que estava antes do telefonema (banhando a mamadeira em água corrente)? Justifique sua resposta com base no que aprendeu nesta aula (consulte a Tabela 2. distraída. 10:05:33 AM Um dia. aula8. 5. embora ela já tivesse acabado de preparar. em vez de banhar a mamadeira em água.

e você provavelmente o fez não apenas por esta atividade. e as trocas de calor de seu interesse (passagem de calor da mamadeira para o álcool) iriam parar de acontecer rapidamente. ela não deve parar de colocar a mamadeira na água para colocá-la para esfriar no álcool. _______________________________________________________________ 2. enquanto isso. 10:05:35 AM . não ficando mais aquecida pelo contato com um material quente e permanecendo nesta situação).hu aula8.indd 193 10/10/2007. ainda. Significa que a água precisa de mais calor para ter sua temperatura elevada do que a mesma quantidade de álcool necessita.1 no texto da aula. Disciplina: Bioquímica) 193 Após ter lido os dois exemplos de atividade de estudo de caso.Aula 8 – Ajudando sua inspiração: modelos de atividades Resposta comentada (exemplo 2): Conceituar calor específico é o primeiro objetivo que você deve alcançar nesta aula. Por quê? A resposta é simples: colocar a mamadeira quente em contato com o etanol iria rapidamente esquentar o álcool. é melhor a colocarmos em contato com outra que absorva bastante calor e não sofra alteração de temperatura facilmente. mais acertada ainda era a maneira como estava procedendo. mas pela análise da Tabela 2. a água absorve bastante calor da mamadeira. Portanto. Já quando estamos utilizando uma substância como a água. _______________________________________________________________ Fonte: www. o equilíbrio térmico (temperatura igual para a mamadeira e para a água) demora mais para acontecer e. ajudando a esfriar o mingau da criança mais rápido. Observando novamente esta tabela. você pôde perceber que o calor específico da água é maior do que do etanol. (Ana Paula Abreu-Fialho. Quando queremos esfriar uma substância. isto é. que Joana estava utilizando água corrente (sempre saindo “fria” da torneira. identifique pelo menos dois aspectos que as diferenciem: 1. Considerando.sxc.

sintetizar graficamente. e não apenas para fazer uma consulta direta ao conteúdo que lhe ofereceria uma solução pronta para o problema. 194 O segundo exemplo traz uma situação mais objetiva.indd 194 10/10/2007. a professora encaminhou para a realização na tutoria. nesse caso. articulando conteúdos entre si. em grupo. Na verdade há. deduzir atribuições. você pode propor uma situação em que o aluno deva analisar um cenário profissional complexo. certifique-se de que: • o caso proposto atende a um ou mais pontos abordados em sua aula. Claramente. 10:05:36 AM . analisar comportamentos. • os problemas propostos são possíveis de serem solucionados pelos alunos com os conhecimentos adquiridos até então. naturalmente. • o caso proposto traga um ou mais problemas para o aluno resolver. O primeiro exemplo propõe uma situação muito mais complexa (a estrutura de uma empresa) e há um maior número de problemas para o aluno resolver. foi orientado pela professora nesse sentido. Ao optar por uma atividade baseada no estudo de um caso. haverá uma seção de tutoria especificamente dedicada ao estudo do caso e o tutor. portanto. que aplica um conceito bioquímico a um contexto do dia-a-dia. • o caso proposto é pobremente estruturado de modo a permitir que o aluno faça correlações com os conteúdos aprendidos para preencher lacunas que possibilitem a resolução de um ou mais problemas. trata-se de uma atividade com maior grau de dificuldade e que. os alunos deverão recorrer a mais de uma aula. Há um problema a ser resolvido. aplicando conceitos discutidos anteriormente na aula. Em qualquer dos casos.Planejamento e elaboração de material didático impresso para EAD . Mas repare que o aluno teve de voltar à aula para integrar informações.elementos instrucionais e estratégias de ensino Resposta comentada Os casos propostos têm características muito diferentes. aula8. Note que. também a partir dos conteúdos apreendidos anteriormente. ou você pode simplesmente criar uma situação problemática específica para ele resolver. inclusive. claramente proposto ao aluno: O que Joana deve fazer para ter o mingau de seu filho pronto mais rapidamente? Para isso. emitir opinião. os conceitos apresentados na aula são suficientes para que ele resolva a situação individualmente. Para a realização dessa atividade. problemas para o aluno identificar! As tarefas propostas são de naturezas variadas: identificar setores. r tais como as apresentadas em uma tabela.

naturalmente. pesquisador e professor e. você deve recorrer à sua experiência. a ambos. No primeiro caso. 10:05:37 AM .indd 195 10/10/2007. à sua criatividade. 195 aula8. Ora. aos caminhos que levaram você a compreender determinados conceitos ou fenômenos. na maior parte das vezes. o objetivo é fornecer elementos teóricos e práticos que o professor em formação possa utilizar de forma a ensinar seus alunos determinados fenômenos ou conceitos. Químicas e Físicas. o caso proposto é claramente relacionado ao conteúdo de suas aulas e atende aos objetivos de aprendizagem propostos por você. O que ocorre é que. o professor em formação precisa. Prática A proposição de atividades práticas é particularmente comum em cursos tais como os de Ciências Biológicas. Novamente. especialmente quando se trata de aulas de instrumentação para o ensino de determinada ciência. • seu feedback é amplo de forma a orientar o aluno quanto ao próprio progresso. • você avaliou se o caso proposto é mais adequado ao trabalho em grupo ou individual. para propor bons casos de estudo. à sua história como aluno. aprender melhor um conceito. para posteriormente poder aplicar as práticas que o ajudarão a ensiná-lo. fazemos confusão entre os objetivos listados no início de uma aula e as atividades práticas propostas. No caso de cursos de instrumentação. • você definiu claramente todas as tarefas que espera que seu aluno faça. e os objetivos de cada aula devem atender. o aluno deve realizar experimentos que o possibilitem compreender determinados fenômenos ou conceitos de forma mais completa do que o descrito no material impresso.Aula 8 – Ajudando sua inspiração: modelos de atividades • no caso de optar por materiais de outros autores. antes. claramente. Um curso de instrumentação deve promover os dois processos. a instrumentação se dá também a partir do aprofundamento de conceitos que não são detalhadamente abordados nos cursos de licenciatura. A razão pela qual estou chamando sua atenção para essa diferença é o fato de que. freqüentemente. e naqueles voltados para a instrumentação de professores do Ensino Fundamental e Médio.

Leia cuidadosamente as orientações de procedimento e os comentários feitos pelo professor. é apresentada a seguir.elementos instrucionais e estratégias de ensino Atividade 3 Atinge ao objetivo 3 g j Professor ou aluno? Leia a seguir a meta e os objetivos da primeira aula de uma disciplina que instrumenta futuros professores de Ciências e de Biologia para o ensino de ambientes costeiros marinhos e de água doce. aula8. bem como de suas comunidades biológicas. que atende ao objetivo 3. 10:05:37 AM . · apontar alguns fatores que influenciam na visibilidade da água em um ambiente de recife de coral. A atividade final proposta na aula. objetivos Após esta aula.indd 196 AULA 10/10/2007. mesmo que estejam a quilômetros da água salgada! Disciplina: Instrumentação em Biologia Aquática. · realizar experimento para simular a formação de um ambiente costeiro. Como é uma disciplina instrumental. o aluno deverá ser capaz de: · identificar alguns dos elementos fisiográficos que compõem um ambiente de praia. Marcelo Vianna Toda região costeira é igual? Meta da aula 1 Apresentar a diversidade estrutural dos ecossistemas costeiros e demonstrar como fazer para identificá-los e diferenciá-los.Planejamento e elaboração de material didático impresso para EAD . o professor propõe diversas atividades que permitem ilustrar fenômenos estudados ao longo das aulas e que podem ser facilmente utilizadas com futuros alunos. 196 Prof.

no máximo. deixando 5cm de areia à mostra. Comentário Após esse período. no qual a água do regador simula o aporte de água doce de rios. • um ventilador pequeno. equivalente à metade do volume da bacia. Você vai precisar. maximizando os efeitos ambientais.indd 197 10/10/2007. Esses ecossistemas são característicos das diferentes regiões do planeta e apresentam características 197 aula8. 10:05:38 AM . até um trecho da areia (berma). Coloque água em um regador e despeje-a lentamente na areia. 3. • uma pedra qualquer de cerca de 15 x 10cm. para fazer o experimento. Direcione o ventilador (ligado) para a água na bacia e deixe-o atuando por uma hora. com os seus compartimentos. • água equivalente à metade do volume da bacia. você vai verificar que a areia desceu. ou outro recipiente qualquer largo e aberto em cima) com cerca de 40cm de diâmetro por 15cm de altura. Aumente o vento e poderá observar a formação de ondas quebrando na praia. cubra metade com areia limpa e complete com água. 2. formando uma região semelhante a uma praia. 4. A zona costeira apresenta uma grande diversidade estrutural de ecossistemas litorâneos. • uma luminária com lâmpada quente.Aula 8 – Ajudando sua inspiração: modelos de atividades ATIVIDADE FINAL Agora você vai confeccionar um experimento que futuramente poderá ser feito com seus alunos. • areia fina e limpa. que possa ser cheia de água e manuseada com pouco risco de quebra. Pegue a bacia plástica. Verifique que as ondas chegam. • um regador pequeno. de: • uma bacia plástica (ou uma banheira de bebê. Esta atividade simula o surgimento de uma região costeira. Comentário Veja como vai se formando uma baía semelhante a um estuário. em um fluxo contínuo no meio da bacia. Procedimentos 1.

costões rochosos. verifique como a temperatura da água da poça e da pedra estão mais quentes do que o ambiente ao redor. esta atividade foi proposta para o futuro professor compreender melhor as dinâmicas de uma região costeira ou como um experimento que ele possa utilizar com seus alunos em práticas futuras? www. temos ecossistemas que são compartimentos de ambientes maiores. berma e costa afora). como a berma na praia. Ao lado da pedra. Mude o ventilador de lugar.elementos instrucionais e estratégias de ensino fisiográficas particulares. A costa abriga ecossistemas importantes (como as lagoas costeiras. com o foco direcionado para a poça. parte afundada e parte emersa. mostrando como um costão rochoso e uma poça de maré são afetados pelo ambiente externo mais intensamente que o ecossistema do entorno.hu aula8. estuários. manguezais e recifes naturais) que servem de habitat a espécies distintas de acordo com suas feições fisiográficas. Existem também ecossistemas que. por estarem em uma zona de transição entre o continente e o oceano. colocando-o na extremidade da bacia. Em sua opinião. estão continuamente em modificação. 6. 10:05:38 AM .Planejamento e elaboração de material didático impresso para EAD . poças de maré. Comentário Cerca de 15 minutos depois.indd 198 10/10/2007.sxc. faça uma pequena poça e ligue uma luminária com a lâmpada comum perto. Na costa (subdividida em praia. 7. como um estuário originando uma lagoa costeira. Pegue a pedra e coloque junto da areia. 5. e perceba a criação de um cordão arenoso que tende a fechar o estuário e 198 originar uma lagoa costeira.

no entanto. em vez de propor a atividade prática em si. Essas decisões foram deixadas para o professor em formação que teve acesso a uma excelente atividade prática sem que pudesse apreciá-la inteiramente. no campo ou em laboratório. utilizar protocolos de experimentos de forma a deixar o aluno se sentir imerso em um laboratório de pesquisa. era importante que. mas é importante. acerca de ecossistemas costeiros. a julgar pelo conteúdo da aula que você não teve chance de ver). houvesse orientações acerca de possíveis dúvidas que um aluno do Ensino Fundamental poderia apresentar. aula8. que tipo de analogia seria adequada para transpor o conteúdo para um nível adequado àquele aluno. nem sempre é fácil propor uma atividade prática que atenda aos objetivos que temos em mente quando a idealizamos. que fique claro a que objetivo ela atende. 10:05:40 AM . A melhor maneira de propor uma atividade prática é fazer uso da sua experiência acumulada como professor e pesquisador. Mesmo que o professor também estivesse aprendendo acerca do tema (e estava. tanto do ponto de vista de aluno quanto do ponto de vista de professor. alguns dos comentários s (confira o que se refere ao item 4) se dão em um nível condizente com um aluno do Ensino Superior que está aprendendo. Nesse caso. requerer o uso de materiais caseiros ou de equipamentos específicos. Há uma alusão clara à prática de ensino no início do texto (agora você vai confeccionar um experimento que futuramente poderá ser feito com seus alunos). o objetivo em questão era: • Realizar experimento para simular a formação de um ambiente costeiro. como solicitar a participação de cada aluno na realização do experimento etc. As atividades podem ser simples ou complexas.indd 199 10/10/2007. 199 Como você viu. ele próprio. Esse é um objetivo diferente de: • Realizar experimento voltado para o Ensino Fundamental de Ciências para consolidar a aprendizagem dos processos que conduzem à formação de um ambiente costeiro.Aula 8 – Ajudando sua inspiração: modelos de atividades Resposta comentada Quando li esta atividade. há uma sobreposição entre esses dois aspectos. Naturalmente. qual a maneira de respondê-las. na atividade prática. Você pode. em uma atividade prática. tive dúvidas acerca de a quem ela se destinava. ser realizadas em casa. Fica por conta da sua imaginação.

por isso optamos por fazer um feedforward como um comentário que orienta o aluno antecipadamente acerca dos procedimentos necessários à sua realização. Atividades com respostas não-enumeráveis estão associadas a experiências individuais e ações independentes da parte do aluno. Mas. certifique-se de oferecer uma resposta comentada ampla. aula8. quando tratei de diferentes formas de registro de respostas. Atividades de respostas não-enumeráveis conduzem a um número imprevisível de respostas possíveis. alguns dos modelos de atividade que estudamos se prestam mais a um tipo de produto do que a outro. qual atividade prática pode ser mais adequada ou eficaz para ele utilizar com os próprios alunos futuramente. As respostas comentadas atendem satisfatoriamente ao universo de resultados esperado a partir da integração de um número limitado de informações específicas. estou indo além do que mencionei no apêndice da Aula 6. Por exemplo. Atividades de transferência de domínio.elementos instrucionais e estratégias de ensino Qualquer que seja o formato de uma atividade prática que proponha. Tudo sobre o que conversamos se referia aos processos mentais e aos procedimentos envolvidos na realização de cada atividade exemplificada. mas geralmente conduzem a um resultado bastante circunscrito. quais os objetivos da atividade. Respostas enumeráveis e não-enumeráveis 200 Até agora. um futuro professor. você se lembra? Nesse caso. gostaria de chamar sua atenção para dois tipos possíveis de resposta. Quando falo de produto. favorecem. então inclua em seus comentários possíveis perguntas que seus alunos farão. você aprendeu acerca de diversos modelos que influenciam a elaboração de materiais didáticos impressos para a Educação a Distância. independentemente do modelo. por outro lado. situações possíveis de serem exploradas etc.indd 200 10/10/2007. Atividades de respostas numeráveis são aquelas estruturadas de forma a conduzir o aluno a uma (ou algumas poucas) resposta possível. as atividades podem variar no que se refere ao tipo de produto gerado. respostas não-enumeráveis. Naturalmente.Planejamento e elaboração de material didático impresso para EAD . você deve saber exatamente o que pretende com ela. 10:05:40 AM . atividades de integração de informações normalmente exigem muito do aluno na hora de interpretar e articular dados. tipicamente. Se você quiser mostrar ao seu aluno. questões desencadeadoras da discussão. Se for ajudar seu aluno a compreender um conceito. Práticas diferentes requerem experimentos diferentes e orientações diferentes. que articule as diversas etapas do experimento de forma a ajudá-lo a construir o conhecimento que você deseja.

mas certamente poderá cogitar muitas outras situações com problema. 6 201 MÉTODOS Dirigir muito rápido. (Solange Nascimento da Silva. Uso incorreto das marchas. no trabalho ou em outros espaços e situações. b) Queda na produtividade no seu setor ou área de trabalho. Por que ocorre o problema? Alto consumo de combustível.16).indd 201 10/10/2007. Em seguida. luz ou telefone. a) Aumento no valor de contas domésticas. considere os “tipos de causa”. Ajuste do carburador. do modo de dirigir (método). 10:05:40 AM . como água. aplique o diagrama a um problema da sua realidade cotidiana: em casa. c) Baixo rendimento em alguma disciplina do seu curso. Lubrificação inadequada MATERIAL Diagrama de Ishikawa aplicado ao problema “alto consumo de combustível”. Pense na seguinte situação-problema: consumo excessivo de combustível por um carro. MOTORISTA Combustível fora da especificação. do motorista ou do material utilizado. Observe o diagrama referente a esse problema (Figura 20. Falta de conhecimento. Com base nesse exemplo. Disciplina: História do Pensamento Administrativo) aula8.Aula 8 – Ajudando sua inspiração: modelos de atividades Atividade 4 Atende ao objetivo 4 j Qual é a resposta? Analise as atividades abaixo e indique se as respostas esperadas são numeráveis ou não-enumeráveis: Exemplo 1 DIAGRAMA DE ISHIKAWA NO COTIDIANO Você poderá visualizar melhor esse tipo de diagrama adaptado a uma situação da realidade cotidiana. do próprio veículo. por exemplo. você pode conferir três sugestões. A seguir. Pouco treinamento. VEÍCULO Manutenção do motor. O problema pode se originar.

(Ana Paula Abreu-Fialho. Analise as informações 1. calcule quantos moles de OH. é possível inferir o valor do pH do líquido corpóreo. identifique a solução utilizada para reação de neutralização.5 M 2 Definição Suco gástrico: secreção produzida pelas células da mucosa estomacal. d.02 M 0.5 ml de uma solução do estoque do laboratório para neutralizá-lo: a.indd 202 10/10/2007.Planejamento e elaboração de material didático impresso para EAD . responda: 1 Amostra 3 Estoque de soluções do laboratório 202 Paciente: 12321-0 Amostra: Suco gástrico Hora da coleta: 6:00h (jejum) Volume do frasco: 5ml 0. É possível fazer isso provocando a mudança do pH do líquido corpóreo (uma solução de pH desconhecido) adicionando uma solução de pH de valor conhecido até alcançar a neutralidade (pH = 7). 10:05:41 AM . Sabendo que o técnico que analisou a amostra de suco gástrico gastou 2.estão presentes nos 2. 2 e 3 e. em seguida. b.15 M 1M 0. composta basicamente de ácido clorídrico (HCl) e pepsina.5 ml utilizados para a neutralização do suco gástrico.elementos instrucionais e estratégias de ensino Exemplo 2 Desafio! Uma das maneiras de monitorar a saúde do corpo de um indivíduo é medir o pH dos seus líquidos corporais. Neste caso. calcule a concentração (molar) de H+ no suco gástrico. determine o pH do suco gástrico. Disciplina: Bioquímica) Resposta comentada Você não deve ter tido dificuldades em perceber que o exemplo 1 é uma atividade que conduz a respostas não-enumeráveis enquanto o exemplo 2 conduz a respostas aula8. c. de acordo com o volume utilizado da solução conhecida.

mas certamente poderá cogitar muitas outras situações com problema). inclusive ignorando as sugestões oferecidas (você pode conferir três sugestões. o aluno foi orientado a agir como quisesse. a meu ver. Você pode fazer um sem-número de combinações entre processos e produtos associados a uma atividade que elabore. por mais que nos esforcemos para desenvolver atividades de alto nível instrucional para nossos alunos. pode ser consistente com o perfil efetivo e eficaz de um aprendiz.” Sábia percepção. na sua aprendizagem. no qual a distância é apenas uma das dimensões que pode ser flexibilizada.indd 203 10/10/2007. um professor me disse. ou de quem desliga o computador. Repare que. optei por compartilhar minha experiência a partir de exemplos que permitissem a você concretizar conceitos. no exemplo 1. nessas aulas de atividades. no início da atividade. mais difícil de ser incorporado por quem começa a caminhada na Educação a Distância. Assim. No exemplo 2. Realizar algumas atividades e não outras. Finalmente. na Educação a Distância. Divirta-se.Aula 8 – Ajudando sua inspiração: modelos de atividades numeráveis. por exemplo. é importante ter em mente que todos fazemos parte de um sistema de aprendizagem flexível. é a orientação de que ele precisa para aplicar o modelo a uma outra situação. As poucas oportunidades que tive de encontrar relatos que revelassem experiências vividas por profissionais envolvidos na produção de materiais didáticos para o ensino a distância foram extremamente valiosas para que eu pudesse definir minhas próprias diretrizes de trabalho. de quem fecha um livro. todos os alunos estão sentados naquela cadeira que fica mais próxima da porta. a resposta comentada (que eu omiti) é bastante objetiva e atende ao resultado esperado. O controle e a autonomia da parte do aprendiz o fazem agente capaz de decidir acerca de que recursos utilizar. Cabe a nós impedi-los de deixar a “sala de aula” com a mesma facilidade de quem está próximo da saída. e em que momento. Considerações finais Em uma ocasião. O diagrama completo. 10:05:43 AM . reflexivo: “O que vocês estão me dizendo é que. ao se aperceber da dificuldade que teria para manter seu aluno de EAD engajado no estudo. aplicar métodos e encontrar seu próprio caminho no que se refere ao aspecto instrucional. Muitos estudantes acreditam que a seletividade é uma estratégia legítima de estudo e que o material didático oferece 203 aula8. mesmo havendo algumas sugestões de problemas a serem representados no diagrama de Ishikawa.

Há áreas em que a decisão deve ser deixada para o aprendiz. Atividade final Atende aos objetivos 1 a 4 da Aula 7. quer em qualidade. apresentei sete modelos de atividades possíveis de serem utilizados na Educação a Distância. dependendo de uma combinação de fatores que incluem o projeto pedagógico particular de cada instituição educacional. fazendo as alterações que achar necessárias. o perfil dos estudantes envolvidos. Tente utilizá-la para a realização dessa atividade.Planejamento e elaboração de material didático impresso para EAD . Nessa atividade. • Tente avaliar o modelo em que se encaixam.elementos instrucionais e estratégias de ensino recursos acerca dos quais escolhas devem ser feitas. • Tente avaliar o tipo de resposta a que cada atividade conduz. A classificação de atividades conforme você viu anteriormente foi criada pelo setor de Desenvolvimento Instrucional do Consórcio CEDERJ e decorreu de nossa experiência junto aos professores e de longas. A tabela a seguir foi construída para facilitar nosso trabalho durante a análise das aulas. ou selecionar um menor número de atividades como o único caminho para que o aluno avalie seus progressos e verifique se atingiu os objetivos específicos propostos pelo professor? Esta é uma pergunta central e difícil de ser respondida. 10:05:44 AM . aula8. e 1 a 4 da Aula 8 j Nas últimas duas aulas. do corpo técnico responsável pela capacitação e assessoramento 204 da competência acadêmica na elaboração de materiais de auto-instrução que atuem de forma construtiva na conquista de conteúdos pelos alunos e que considere uma metodologia de ensino que privilegie a atitude de pesquisa como princípio educativo. quer em número. Se queremos estimular a realização do maior número de atividades possível da parte dos estudantes. retome-as. a disponibilidade dos conteudistas para reverem suas práticas de ensino e a potencialidade. calorosas e ricas discussões na equipe. que certamente apresenta mais de uma solução.indd 204 10/10/2007. pensando nos seguintes pontos: • Identifique os aspectos apontados imersos em cada uma das atividades que você já elaborou e que contribuem para sua eficácia de ensino. gostaria que você incorporasse todos os aspectos abordados anteriormente. então nos cabe refletir acerca do que parece a melhor estratégia para tanto: oferecer ao aluno um banquete de atividades variadas dentre as quais ele possa optar. Se você estiver redigindo aulas e elaborando atividades.

demonstram conceitos teóricos em cenários aplicados. 5 Tipo de resposta Ativ. que incluem uma variedade de situações. Nesse modelo. 10:05:44 AM . para realização individual ou em grupo. aula8. de habilidades e conhecimento adquiridos no material didático. para outros domínios. na qual seu aluno encontra diretrizes para a realização do trabalho. 6 Tipo de resposta Escondida no texto (não confundir com dialogia) Consulta / Cálculo / Interpretação direta Fórum Prática para compreensão de conceito Prática para ensinar a ensinar um conceito WebQuest/ Fórum Virtual Integração de informações Jogo Resolução de problemas Estudo de caso analítico Estudo de caso aplicado Transferência de domínio pela aplicação de modelo Marque E para resposta enumerável e NE para resposta não-enumerável.Aula 8 – Ajudando sua inspiração: modelos de atividades Classificação Disc. Aula___ Ativ. 1 Tipo de resposta Ativ. 2 Tipo de resposta Ativ. 4 Tipo de resposta Ativ. A resposta comentada normalmente tem caráter de orientação. 205 Resumo A tividades de transferência de domínio favorecem a capacidade de transferência. uma orientação antecipada garante ao aluno a segurança necessária para realizar a atividade de forma independente e a aprendizagem individual é fortemente encorajada. Casos simples ou complexos.indd 205 10/10/2007. O estudo de casos é uma opção para envolver o aluno na aprendizagem de forma participativa.

orientações diferentes devem ser oferecidas.indd 206 10/10/2007. 1ed. Londres: Kogan Page. London. A. 1998. Spiro. 10:05:45 AM . LOCKWOOD. Atividades de respostas numeráveis são aquelas estruturadas de forma a conduzir o aluno a uma (ou algumas poucas) resposta possível. Ao propor uma atividade prática. 57-76). J. Feltovich. and hypertext: Random access instruction for advanced knowledge acquisition in ill-structured domains. J. Fonte: http://www. Informações sobre a próxima aula Na próxima aula. Até lá! aula8.dk/didaktik/l4-16. é importante definir se o objetivo é contribuir para a compreensão de um conceito ou indicar uma atividade para ser utilizada pelo futuro professor. 1994. Lockwood. M. Macmillian Education. Fred. Derek. 2ed.elementos instrucionais e estratégias de ensino A proposição de atividades práticas é comum em cursos tais como os de Ciências Biológicas. 1ed. Activities in self-instructional texts. P. Introdução à teoria geral da Administração. J. Campus. 1992. Atividades de respostas não-enumeráveis conduzem a um número imprevisível de respostas possíveis. constructivism. Fred. 206 Leitura recomendada Lockwood. Activities in self-instructional texts. CHIAVENATO. R. NJ: Lawerence Erlbaum Associates. Front of House operations. 1990.R. Hillsdale. Constructivism and the technology of instruction: A conversation (pp.kdassem. Idalberto. Teaching through self-instruction. In T. Bibliografia consultada Boger-Mehall.. Dependendo do caso. Fred. Químicas e Físicas e naqueles voltados para a instrumentação de professores do Ensino Fundamental e Médio. The design and production of self-instruction. 2ed. ROWNTREE. 1ed. 1994. Jacobson. Jonassen (Eds. R.). Thunhurst. 493 pp. Londres: Kogan Page. Alguns modelos de atividade se prestam mais a um tipo de resposta do que a outro. L.. Cognitive Flexibility Theory: Implications for Teaching and Teacher Education. Duffy & D. S. & Coulson. 1992.htm.Planejamento e elaboração de material didático impresso para EAD . Londres: Kogan Page. você vai aprender como oferecer ao seu aluno desdobramentos do conteúdo central da aula. com seus próprios alunos. 1998. H. M. 1998. Londres: Kogan Page. (1992). 1998. Cognitive flexibility..

.. 9:50:48 AM . novamente. Cristine Costa Barreto apendice7_8..indd 207 10/10/2007..Aulas 7/8 / Apêndice A bússola e o remo.

.

Uma publicação fundamental para consolidasse diversos aspectos relacionado papel das atividades em materiais didátic voltados para a Educação a Distânc foi o livro Atividades em textos aut instrucionais Activities in self-instruction texts de Fred Lockwood. magistralmente. 9:50:48 AM . Além do tempo de estudo. Procurei fazer um comentário após cada seção de forma que pudesse contribuir para que você tenha uma visão mais diversificada acerca dos temas discutidos.hu capítulo e são da maior relevância para a nossa prática como educadores a distância.Aulas 7 e 8 – Apêndice – A bússola e o remo. para os alunos. dentre outros. qual benefício.. Em um dos capítulos mais interessantes Foto: Dave Green do livro – “o que os estudantes pensam das atividades?” – o autor discute uma série de aspectos que influenciam a realização das atividades por parte dos alunos. quais as ex professores ao proporem atividades..sxc.indd 209 10/10/2007. Os resultados mencionados e os depoimentos transcritos se referem a pesquisas realizadas com base em diversos materiais didáticos da Open University. As seções a seguir sintetizam parte desse Fonte: www. associada à realiz propostas.. novamente.. em cinco capítu a temas como a maneira pela qual as ativida aprendizagem auto-instrucional. foram apontados outros cinco aspectos que influenciavam a decisão de um aluno realizar ou não uma atividade proposta e a maneira pela qual ele a realiza. s O pequeno volume traz informações va as discute. os amostrais nos permitem começar a avaliar envolvidos na Educação a Distância. Mais interess discutidos à luz da pesquisa empírica e. especialmente o aluno. bem como em entrevistas e questionários preenchidos pelos alunos de cursos variados. apendice7_8.

entremeadas no texto. eu realizaria uma atividade atraente. certo? Você já parou para pensar se faz alguma diferença para o seu aluno o fato de uma atividade estar no início. Mas sigo convicta de que o aspecto determinante para a realização de uma atividade é sua relevância para a aprendizagem e seu grau de persuasão do aluno. Talvez minha atitude fosse diferente se a disciplina em questão não fosse de minha predileção.elementos instrucionais e estratégias de ensino Posição relativa de uma atividade no texto Imagino que. arriscaria dizer que a posição das atividades não influenciaria minha decisão acerca de realizá-las ou não. ao longo de 4-5 anos? Eu tendo a achar que esses são elementos de influência. quer por seu conteúdo. no meio ou no fim de uma aula? Confesso que nunca havia feito essa reflexão. se o conteúdo do texto não fosse coerente e coeso o suficiente para “armar” adequadamente apendice7_8. Pois as pesquisas realizadas indicam que os alunos são mais diligentes ao realizar tarefas no início da aula do que no final. se tivéssemos que nos dedicar à carga habitual de trabalho e ainda conciliar o tempo com o estudo de 3-4 disciplinas por período. para 30-40%. 9:50:58 AM . conforme o texto se encaminha para o final. creio. até agora? Houve alguma diferença na sua determinação para realizar as atividades que pudesse ser associada à posição que ocupavam no texto? Se eu fosse responder a essas perguntas. atendendo a blocos de conteúdo a intervalos razoavelmente constantes. Pelo menos foi assim nas experiências que tive com materiais de EAD. no início da aula. resida uma questão importante: será que você (assim como eu) é um aluno cujo perfil equivale àquele do aluno para quem você redige suas aulas? Será que a pressão do tempo atuaria igualmente sobre nós. ao redigir suas aulas. se as atividades propostas não me parecessem motivadoras.Planejamento e elaboração de material didático impresso para EAD . Como aluna. você tenha a preocupação de propor atividades ao seu aluno de forma regular. 210 A pesquisa baseada em materiais didáticos da Open University revela que a proporção de atividades realizadas cai de 90-100%. quer pela forma em que a apresentamos.indd 210 Atenção 10/10/2007. até me deparar com o livro de Lockwood. Mas nesse ponto. quando a pressão do tempo começa a ser mais determinante. Qual é a sua opinião a esse respeito? Como você se comportou ao longo do estudo das aulas. ao final de uma aula.

mesmo ao perceberem que se tratava de uma proposta com um grau de dificuldade mais alto: Tem muito mais chance de eu fazer uma atividade se houver espaço no papel para eu responder o que é pedido. o momento exato de persuadir-me a fazer uma atividade. quando você vai e tica determinadas coisas ou quando você faz pequenos comentários [em lugares específicos].. 9:50:58 AM .. comparar as diferentes definições desse termo. quando a atividade solicitou a redação de uma resposta. Atenção 211 Q uando um espaço. em meu livro. A tividades constituídas de muitas questões são mais frequentemente evitadas pelo aluno. uma lacuna ou uma grade foram oferecidos como local para uma resposta simples (um tique. Seja uma linha. realizar um cálculo. não importa se no início. apendice7_8.Aulas 7 e 8 – Apêndice – A bússola e o remo. identificar os diferentes significados de um determinado termo. sempre me incentiva encontrar. boxes para ticar. Presença ou ausência de espaço para resposta Faz diferença para você que uma atividade ofereça um espaço específico para registrar a resposta? Para mim faz.indd 211 Atenção 10/10/2007. Por exemplo.. Essa também parece ser a opinião da maioria dos estudantes entrevistados. independente de sua posição na aula. a dedicação e a técnica necessários à elaboração de uma atividade para a Educação a Distância. uma tabela para completar. e tenderam a realizá-la. porque tem um espaço onde você pode realmente realizá-las. mesmo curta. ler um texto. novamente. No entanto. Esses são aspectos aos quais devemos dedicar alguma reflexão antes de negligenciarmos o tempo. . se não impossível. Nesses casos.. responder às demais. fazer uma marcação. que preferiu atividades que ofereciam espaço para resposta. uma proporção extremamente alta dos alunos – 80 a 100% – fez a atividade. observações curtas). mesmo que houvesse espaço oferecido para isso. meio ou fim de uma aula. a proporção de alunos que fez a atividade caiu dramaticamente para 30 a 50%. um lugar para escrever. uma palavra.. Eu freqüentemente faço essas.. se o aluno não responde à primeira questão pode ser difícil.

A maioria delas era similar entre si. No entanto. Mas se a atividade que você elaborar for concebida de tal forma que seja relevante registrar uma resposta sob forma de um trecho escrito. o grau de dificuldade das atividades propostas era semelhante e não havia 212 espaço para respostas. requerendo interpretação e análise em vez de apenas recuperação e compreensão. O método de resposta solicitado Em um conjunto de materiais impressos da Open University.Planejamento e elaboração de material didático impresso para EAD . Os resultados da pesquisa indicam que o material textual que constitui a ativida1de invariavelmente é lido mesmo se a tarefa proposta for ignorada. E ntre 70 e 80% dos alunos responderam às atividades que solicitaram uma resposta mental. A proporção de alunos que respondeu a essas atividades foi uma das mais baixas registradas em toda a pesquisa. um aluno deve lê-la antes. por exemplo. havia muitas atividades que solicitavam algum tipo de resposta mental ou de resposta escrita. Havia outras atividades que também sugeriam respostas mentais e que também não ofereciam espaço para resposta. não hesite em fazê-lo e jamais caia na armadilha de simplificar excessivamente a tarefa que você decidiu propor ao seu aluno da educação superior. e sugiro que você se empenhe em garantir esse estímulo adicional ao seu aluno. ótimo. variando entre 10 e 40%. não importa se mentalmente ou de forma escrita. Ao adotar essa estratégia. Mesmo se. apenas 30 a 50 % responderam a atividades que solicitaram uma resposta escrita. acho fundamental haver espaços específicos para respostas.elementos instrucionais e estratégias de ensino Particularmente. Se for possível variar o tipo de registro que você solicita. observou-se o dobro de participações.indd 212 10/10/2007. de preferência em diferentes formatos. houvesse uma parte da tarefa solicitando uma resposta mental e outra solicitando uma resposta escrita. em uma única atividade. para responder a uma atividade. Um ponto interessante é que. os alunos focam seu objetivo apendice7_8. muitos aprendizes simplesmente lêem as atividades e passam direto aos comentários fazendo pouco (ou nenhum) esforço para realizá-las. suas demandas intelectuais eram maiores. No entanto – e essa é uma informação da maior relevância – na tentativa de economizar tempo de estudo. As atividades que solicitavam uma resposta mental foram mais frequentemente respondidas que aquelas solicitando uma resposta escrita. Por outro lado. 9:50:59 AM Atenção . no primeiro caso.

Aulas 7 e 8 – Apêndice – A bússola e o remo. no produto da atividade em vez de no processo que ela compreende. Outra estratégia comum é a simplificação da tarefa proposta. N o material analisado [com atividades de alto grau de dificuldade]. parece um pouco complicado. tornando-a menos demandante e menos consumidora de tempo do que a proposta original.. então eu nem me preocupo. os aprendizes incorrem em um custo para seu estudo. a partir de um processo de degradação de uma atividade proposta. intelectualmente.. 213 A resposta intelectual solicitada . a presença de espaço para resposta não pareceu influenciar a decisão do aluno [de realizar ou não a atividade]. em comparação com aquelas que demandam prioritariamente processos de recuperação e compreensão de conteúdos. Vale a pena... levar em consideração que a natureza das atividades que propomos pode produzir custos educacionais e emocionais a nossos alunos. Em ambos os casos. Eu não me preocupo com isso.. no entanto. então eu apenas leio para ter uma idéia do que eles estão dizendo e pensar um pouco a respeito antes de continuar a leitura da aula. permanentemente com uma análise de custo-benefício associada aos seus comportamentos na Educação a Distância.. Muitos alunos revelam uma certa relutância em se engajar em atividades que demandam mais. As estratégias de estudo descritas anteriormente (preferência por respostas mentais e degradação de atividades) permitem aos estudantes não só dar conta do curso. mas também sobreviver a ele. analisando os prós e contras de cada um deles. de forma que a frustração decorrente do fracasso não os conduza ao questionamento de suas habilidades e à reavaliação de suas expectativas profissionais (Mathias. que operam.. novamente... A atividade pede que você compare os diferentes pontos de vista. apendice7_8.indd 213 Atenção 10/10/2007. 9:50:59 AM . é muito difícil. Eles pedem que você analise o argumento apresentado em um texto escrito – eu não tenho tempo para isso.esse é o tipo de atividade que eu evito. 1980).. Apenas leio os argumentos e decido quais têm mais a ver com minhas próprias percepções e por que. Qual aluno vai optar por qual dessas estratégias é difícil de prever.

então eu faço. ou se estamos nos rendendo a algum tipo de prática de tortura que deduz que alunos. A disciplina. do ensino presencial ou a distância. em muitos materiais. Se estiverem mais de acordo com a segunda. sempre.. siga em 214 frente e tente oferecer a orientação e o suporte necessários para seu aluno transpor os obstáculos que você considere indispensáveis à sua formação como profissional de uma determinada área. se são [atividades] de cinco minutos. 5 minutos. Se suas práticas de ensino estiverem mais de acordo com a primeira opção. então não. que se indique o tempo necessário à realização de determinada atividade (por ex. nós não optamos por essa abordagem e o limite do investimento que você deveria fazer em cada atividade foi estabelecido pelo comando dado ou pelo espaço definido para você responder. a disciplina e o conteúdo específicos. então sugiro que você reveja suas práticas e que. mas se são de quinze ou vinte minutos. inclusive os da Open University. com um grau de autonomia para os quais não foram preparados. 20 minutos). apendice7_8. o tempo alocado para cada atividade é provavelmente o fator decisivo para mim. . a capacidade leitora e a capacidade interpretativa são diferenciais dos alunos da Educação a Distância que contribuem para que eles tenham um desempenho plenamente satisfatório ao longo de seus cursos superiores.. Não há qualquer razão que me faça concluir que esses alunos têm um potencial intelectual mais baixo que nossos alunos do ensino presencial.Planejamento e elaboração de material didático impresso para EAD . As opiniões dos estudantes a esse respeito são variadas e a informação acerca do tempo foi utilizada de maneiras diferentes: Eu não me oriento pelo tempo estimado porque ao longo dos cursos da Open University eu percebi que essa estimativa é irreal. 9:50:59 AM .. considere o vodu como uma opção religiosa. bem. A questão é nos perguntar. 15 minutos. são capazes de realizar atividades e aprender sozinhos conteúdos e processos extremamente complexos. eu tendo a ignorá-la e a gastar tanto tempo quanto achar necessário....elementos instrucionais e estratégias de ensino O ponto aqui me parece claro e simples. O tempo oficialmente alocado para a realização de uma atividade É comum. se as atividades que propomos oferecem um grau de dificuldade compatível com o curso.. Não queremos banalizar nosso aluno da Educação a Distância.indd 214 10/10/2007. . então.. Em nossas aulas. talvez..

antecipar situações difíceis. Há como oferecer possibilidades variadas de aprendizagem dentre as quais ele possa escolher. Qual o objetivo de indicar. o que lhe convier mais. sem dar uma chance à atividade (e a você!) de surpreendê-lo.. mas não do processo de aprender. nos esforçar ao máximo para elaborar atividades claras. 9:51:00 AM . Que resultado tem? Essa resposta.. Pode ter certeza de que ele vai encontrar o próprio caminho dentre um conjunto de rotas seguras que você ofereça a ele. se o grau de dificuldade deve ser alto ou baixo. o que ele vira em relação às práticas de Educação a Distância sobre as quais discutíamos. E provavelmente está se perguntando – como se já não bastassem todas as demais questões que este módulo tenha lhe trazido à cabeça até agora – se você deve deixar sua melhor atividade para o início ou fim da aula. se você deve propor ao seu aluno uma atividade mental ou de resposta escrita. o aluno pode se guiar pelo tempo sugerido e fazer dessa informação um elemento decisivo para sua estratégia de estudo. novamente. se o espaço para registrar a resposta deve ser uma linha. Menos ainda quando falamos de Educação a Distância. Assim como em dois dos comentários anteriores.Aulas 7 e 8 – Apêndice – A bússola e o remo. uma lacuna. Como decidir quem vai gastar quanto tempo em que atividade? Como antecipar o interesse de cada aluno por cada tema? Não há como controlar a relação de cada aluno com o saber.. Pode acontecer também de um aluno desistir porque se desestimulou ao olhar o tempo previsto. já não me parece tão óbvia. antecipadamente. o tempo que um aluno deve alocar para a realização de uma atividade? Essa resposta me parece evidente: orientá-lo a não gastar mais do que o tempo necessário. o que ele puder mais! O melhor que podemos fazer é abrir mão do poder de controle do professor. relevantes. diminuindo sua demanda intelectual. eram tentativas de desconstrução do processo de ensinar. transformando-a em uma tarefa mais simples. duas linhas. até o momento. e deixar o resto com ele.. José? Ao terminar de ler esse apêndice.indd 215 10/10/2007. Essas foram palavras que marcaram minha vida como professora. variadas. cujo contexto e comando oferecidos sejam suficientes para orientar o aluno na direção que você quer. talvez você esteja como uma sensação maior de confusão que de clareza ou tranqüilidade. apendice7_8. de acordo com o que lhe interessar mais. ou simplesmente uma área em branco. um boxe. a fazer um investimento de acordo com o problema e com suas expectativas como professor. Ou ele pode degradar a atividade. Uma vez escutei de um especialista inglês em arquitetura da informação que. 215 E agora.

S. Fred. The design and production of self-instruction 1ed. MATHIAS. vai ficar mais à vontade para variar combinações de características em uma atividade. Londres: Kogan Page. Não é necessário fazer uma opção permanente ou definitiva por nenhum conjunto de aspectos. O importante é você considerar os aspectos que discutimos na hora em que estiver elaborando uma atividade e. Science Students approaches to learning. enumerável. Confuso? A princípio sim. 1998. você deve privilegiar.indd 216 10/10/2007. com que freqüência. Divirta-se! Bibliografia consultada LOCKWOOD. ou não. H.Planejamento e elaboração de material didático impresso para EAD . e no tipo de resposta. 9:51:00 AM . você vai encontrar o ponto de equilíbrio entre suas práticas de ensino.elementos instrucionais e estratégias de ensino Isso para não falar em que tipo de modelo de atividade usar. 216 1998. em particular. 1980. mas nem tanto. tenho certeza. seu aluno. Higher Education 9: 39-51. apendice7_8. você vai conhecer mais seu aluno. e as tarefas que propõe em uma aula. vai conhecer melhor seu estilo de ensinar a distância. Com o tempo.

Aula 9 Arquitetura da informação Roberto Paes de Carvalho Ramos Carlos Otoni Rabelo Ana Paula Abreu Fialho aula9. 10:07:29 AM .indd 217 10/10/2007.

10:07:29 AM . Objetivos Ao final desta aula. identificar em um texto conexões com outros conteúdos correlatos. utilizar os recursos para desdobramentos de conteúdo 218 apresentados nesta aula.. você deverá ser capaz de: 1. acessar o portal do Ministério da Educação e entrar na página da Secretaria de Educação a Distância (SEED) seria interessante.elementos instrucionais e estratégias de ensino Meta da aula Apresentar o conceito de Arquitetura da Informação aplicado à elaboração de material didático impresso para Educação a Distância. classificar desdobramentos de conteúdo de acordo com os recursos apresentados para esse fim.Planejamento e elaboração de material didático impresso para EAD . 2. Pré-requisitos Antes de começar a estudar esta aula. 3. feche o site e volte para a aula! e aula9.indd 218 10/10/2007. Após chegar na página da SEED..

todos os programas de melhoria da educação desenvolvidos pelo governo. entre outras tantas. Você só consegue acessar estas informações todas porque a disponibilização delas foi organizada. há uma enormidade de informações disponíveis. todas as secretarias e autarquias que compõem o ministério. É esse sentimento que queremos lhe proporcionar! No portal do Ministério da Educação.Aula 9 – Arquitetura da informação E nós nem percebemos! Embora esta seja uma aula voltada para capacitá-lo na produção de material didático impresso. de buscar informações. de acessá-las.indd 219 10/10/2007. também do lado direito da tela. na parte superior central. foi pensada para atender ao enorme público que visita o portal do MEC. matérias e reportagens de divulgação das ações do MEC. ainda. ou. mas posso dizer que há 75% de chance de ter sido diferente da maneira como nós o fizemos. que possui maneiras diferentes de processar informações. no portal do MEC. Isso porque. Você pode ter clicado em Educação a Distância. no portal do Ministério da Educação.1: Possíveis caminhos para acessar a página da Secretaria de Educação a Distância. do lado esquerdo. no canto superior direito. aquele que passa sem ser percebido pelo aluno. clicado em Estrutura. digitado “SEED” na barra Pesquisa. Veja a figura a seguir: 219 Figura 5. Fizemos isso porque acreditamos que o bom desenho instrucional de uma aula. detectamos quatro maneiras diferentes de chegar à página da Secretaria de EAD. deve despertar naquele que inicia o estudo um sentimento acerca do que será aprendido. começamos propondo (nos pré-requisitos) que você acessasse a página da Secretaria de Educação a Distância. em Mapa do Portal. Chegamos a mais um ponto: não sabemos como você procedeu para chegar à página da SEED a partir da página do MEC. por exemplo. aula9. 10:07:30 AM . pelo portal do MEC.

que facilitam a busca de informações mais específicas (leia mais no boxe Elementos organizacionais de um livro). estabelecimento de categorias de conteúdo. bem como consultar a bibliografia para ver a qual livro se refere uma determinada citação. podemos definir Arquitetura Interface Segundo o dicionário Houaiss da Língua Potuguesa. Se desejarmos ir diretamente a um capítulo. sumário.Planejamento e elaboração de material didático impresso para EAD . interface é um elemento que proporciona ligação física ou lógica entre dois sistemas ou partes de um sistema que não poderiam ser conectados diretamente. por exemplo. da Informação como a organização estrutural da informação a ser oferecida (produto) de acordo com o meio pelo qual essa informação é veiculada e o propósito a que se presta. 10:07:31 AM . Quando folheamos um livro. é o tema da aula de hoje! Afinal. Ela deve ser facilmente apreendida pelos sentidos (como visão e audição) de modo que haja clareza e objetividade no fluxo informativo. número de páginas. 220 é possível observar recursos padronizados de organização: a diagramação do livro. glossário etc. tanto em um site como em um material didático impresso. De maneira geral. o que é Arquitetura da Informação? Quando se navega por qualquer página na Internet é possível perceber um planejamento por trás da oferta daquele conteúdo: prioridade dada a certas informações. provavelmente iremos observar o sumário e ali descobrir o número da página em que este capítulo é iniciado.elementos instrucionais e estratégias de ensino O que está por trás da maneira como as informações são disponibilizadas e podem ser acessadas/ consumidas por você. por exemplo. índice. Há também. Mais.indd 220 10/10/2007. ordem e disposição na página. aula9. em determinados livros. a Arquitetura da Informação é a combinação entre a organização do conteúdo em categorias e a criação de uma interface para permitir o uso de tais categorias. glossários e índices remissivos.

Vejamos o que diz Pierre Lévy (1993:34): “Estamos hoje tão habituados com esta interface que nem notamos mais que [ela] existe. de conexões múltiplas a uma infinidade de outros livros graças às notas de pé de página e às bibliografias. permitindo sua interação com outras informações. 10:07:31 AM Mais .” 221 A organização da informação. sem destruir a fluidez da linha de raciocínio principal. mas também o máximo de possibilidades de desdobramento daquele conteúdo controlado por ele. por exemplo. Fonte: http://www. aula9. permitem uma procura específica. de acesso não linear e seletivo ao texto.indd 221 Atenção 10/10/2007. é fundamental para quem vai consumi-la. é porque eles já estão cristalizados em sua experiência. Queremos oferecer ao nosso aluno não apenas um conteúdo substancial. portanto.Aula 9 – Arquitetura da informação Elementos organizacionais de um livro S e você nunca percebeu esses elementos – o sumário. O conteúdo não precisa ser oferecida em seu “estado puro”. possibilitou uma relação com o texto e com a escrita totalmente diferente da que fora estabelecida com o manuscrito: As páginas amarelas. de segmentação do saber em módulos. No caso de materiais instrucionais. Mas no momento em que foi inventada.sxc. valorizando e orientando sua autonomia. Ele pode (e deve!) ser desdobrado. de acordo com o interesse do seu usuário. isso é mais fundamental ainda. o número da página etc.hu possibilidade de exame rápido do conteúdo. – como uma organização sistemática da informação.

descobertas da neurociência sobre a vida cotidiana.. O cérebro é um dos órgãos afetados. bate coração. em caso de pânico ou susto. No livro O cérebro nosso de cada dia . como o cérebro. Mas o cérebro está associado a cada uma dessas atividades. o corpo deve rapidamente pôr em prática estratégias para contornar essa situação. que tende a ser restabelecida cinco minutos depois. com qual das mãos escreverá uma carta.elementos instrucionais e estratégias de ensino Atividade 1 Os bois.indd 222 10/10/2007.000 batimentos por dia. Vieira & Lent. essas pessoas sentem tonteira.. em alguns casos.. Imediatamente após uma hemorragia. como os avanços feitos na área da neurociência estão relacionados com o dia-a-dia de qualquer pessoa. 222 1 Acho que vou desmaiar. desmaiam. perdemos a consciência e desmaiamos.descobertas da neurociência sobre a vida cotidiana. Tudo é tão automático que ninguém pensa quando vai bocejar. ainda que não percebamos. não é? O que talvez você nunca tenha se dado conta é de que a perda de sangue promove queda da pressão arterial.. Sem oxigênio. Isso acontece também com o volume de sangue que é ejetado do coração e com o volume que atravessa o cérebro. 2 Hemorragia é a perda de sangue causada pelo escoamento agudo deste para fora dos vasos sanguíneos. o que afeta a homeostase do organismo. No ritmo normal. ele chega a dar mais de 110. sua irrigação não pode ser comprometida. 10:07:32 AM . 3 Embora não seja o único. danos em órgãos-chave para o funcionamento do corpo. Por esse motivo. 2002. há uma queda da pressão arterial. O coração é um músculo que pesa 250 gramas. entre outras coisas. pois estas substâncias fundamentais são transportadas por este líquido. 5 Tum-tum. de maneira bem-humorada e simples. os danos cerebrais podem ser irreversíveis. com o que sonhará durante a noite. a neurocientista Suzana Herculano-Houzel explica. pode subir para 150 pulsações por minuto. 4 Manter a pressão arterial é funda-mental para a homeostase do organismo. Normalmente. Suzana Herculano-Houzel Rio de Janeiro.Planejamento e elaboração de material didático impresso para EAD . Se a privação de oxigênio e nutrientes for prolongada. Você já ouviu alguém falar “estou com pressão baixa?”.. que é de 70 a 75 batidas por minuto. No corpo em repouso. cinco litros de sangue são bombeados por todo o organismo em apenas um minuto. aula9. Vale a pena conferir o livro! O cérebro nosso de cada dia . Sabe o porquê? Diminuições na pressão de circulação do sangue podem privar o corpo de oxigênio e de nutrientes. o cérebro é o principal centro que concentra a percepção e a resposta do organismo a estímulos externos. Isso porque. Você já ouviu falar em hemorragia. ficam pálidas e. Alterações na pressão podem acarretar. em média. como o cérebro é uma área nobre do nosso corpo. Leia o texto e os quadros a seguir..

informações que julgou como mais ou menos relevantes – e isso depende. Você provavelmente identificou. Um exemplo disso é a caixa que explica o que é hemorragia. O seu futuro aluno se comportará da mesma maneira: você oferecerá as informações adicionais. como desdobramentos do conteúdo. em contrapartida.Aula 9 – Arquitetura da informação Agora responda mentalmente às seguintes questões: Você percebeu que existem termos destacados no texto principal? Você leu todas as informações adicionais (desdobramentos)? Quais chamaram à sua atenção? Resposta comentada A partir do pequeno trecho que você leu apresentamos cinco desdobramentos diferentes. nestas pequenas caixas laterais. deteve pouco tempo da sua atenção. se relacionam e complementam o assunto principal. de alguma forma. Já a caixa Tum-tum bate coração. do seu interesse pessoal. exclusivamente. Cada um destes desdobramentos revela uma conexão com outros assuntos que. 10:07:33 AM .indd 223 10/10/2007. muito provavelmente. mas quem decide a quais quererá se ater é ele. termo bastante conhecido que. além de decidir também qual rota de estudo tomar! 223 aula9. traz informações bastante curiosas e deve ter despertado muito mais o seu interesse.

Sem que o aluno se dê conta. uma aula impressa deve buscar oferecer ao aluno o maior número de rotas de estudo possíveis. a citação 224 de um autor sobre o tema e um reforço sobre a importância de desdobramentos do conteúdo principal. 10:07:33 AM Atenção . Boa pergunta. no ensino a distância. como transpor a versatilidade de um ambiente informativo virtual para o meio impresso.. compete criar um texto com multiplicidade de conexões. em seguida. a esta altura. Para o aluno da EAD.. o que é Arquitetura da Informação. no ensino presencial você é quem decide a ordem em que o aluno vai ter acesso às informações. não é fácil sinalizar claramente para o aluno quando se está apenas contextualizando ou complementando uma informação. e ficará mais clara quando você chegar ao final desta aula. quem está no comando é o aluno! E quem se responsabiliza por essa organização? É justamente o arquiteto da informação. apresentou o conceito central desta aula. Você deve estar se perguntando. Esta aula começou com uma introdução genérica. tem à sua disposição um material com mais de uma rota de estudo do conteúdo oferecido. A possibilidade de organizar o material impresso de forma não linear é uma vantagem da EAD em relação ao ensino presencial por duas razões.indd 224 10/10/2007. em uma aula presencial. três informações relacionadas ao conteúdo que está sendo apresentado nesta aula não foram apresentadas no corpo do texto principal: a definição de interface. Primeiro. a hierarquia da informação é muito mais clara. ele distingue claramente o que é informação central e o que é adicional e. Qual tomar cabe a ele! A nós. desde que tenhamos um projeto instrucional que valorize uma arquitetura da informação bem articulada.Planejamento e elaboração de material didático impresso para EAD . e a oportunidade de montar a aula da maneira que mais lhe for interessante. Além disso. mais. e não apresentando o conteúdo nuclear. e isso corresponde a uma estratégia para organizar as informações da aula de forma não linear e possibilitar mais fluência ao texto principal. Segundo.elementos instrucionais e estratégias de ensino Assim como em um site como o do MEC existem diversas rotas de acesso à informação. Tais informações foram deslocadas do texto principal. para que tenhamos o que desdobrar. função que você irá desempenhar daqui para frente no papel de autor do material didático impresso de sua disciplina. aula9. e a resposta pode começar a ser dada usando essas páginas que você acabou de ler como exemplo.

. dois pequenos textos que sejam desdobramentos destes termos identificados por você. Galileu foi o primeiro a observar os anéis de Saturno e explicou os eventos que Copérnico não havia interpretado ainda. 3) o material impresso é o produto. É preciso ter em mente que: 1) o conteúdo de aula é uma oferta informativa. nos espaços laterais disponíveis. 5) o aprendiz é um usuário exigente do produto. Ele validou as idéias de Copérnico através de observações que fez. faça. de maneira bastante pragmática. 2) você é o arquiteto da informação.. 4) diversos recursos podem ser aplicados para desdobrar a informação.Aula 9 – Arquitetura da informação Nesta aula. 10:07:34 AM . (.) Galileu Galilei teve um papel bastante expressivo tanto na astronomia quanto na física. Atividade 2 Atende aos objetivos 1 e 2 j 225 Tente e Invente! Leia o texto a seguir e identifique dois termos que possibilitem conexões com outros conteúdos correlatos. Em seguida. oferecer a você “instrumentos” para atuar na organização de um conteúdo central de forma a disponibilizá-lo permeado por informações adicionais – por intermédio do uso de recursos para desdobramento do conteúdo.. tornando a Teoria Heliocêntrica mais aceitável. “(. durante muitos anos.)” 1 2 aula9. queremos. com os telescópios que construiu.indd 225 Atenção 10/10/2007..

falar de Kepler. Tycho Brahe etc.. ele possibilita uma grande quantidade de conexões com informações diversas. em comentar que ele é polonês e que seu verdadeiro nome é Mikolaj Kopernik etc. • Anéis de Saturno – você pode apresentar as principais características desse planeta tão o diferente dos demais. aula9.indd 226 10/10/2007. escrevesse sobre eles. • Telescópios – você pode apresentar a definição e os usos destes equipamentos. em seguida. que a oscilação a 226 de um pêndulo apresenta uma freqüência constante dependendo da amplitude. 10:07:34 AM .elementos instrucionais e estratégias de ensino Reposta comentada Embora este trecho tenha 58 palavras apenas. por exemplo. A seguir..) • Teoria Heliocêntrica – você pode definir a teoria. pode falar sobre descobertas recentes (como a Plutão não ser mais planeta). falar sobre o primeiro telescópio inventado. Pedimos que você identificasse dois termos que oferecessem possibilidades de desdobramento do conteúdo e. etc. • Física – você pode falar sobre as descobertas de Galileu nesta área. remeter a à teoria geocêntrica de Aristóteles e então falar de filósofos gregos. pode mencionar alguns telescópios atuais (como o Telescópio Espacial Hubble) descrever algumas descobertas importantes realizadas através dos telecópios etc. pode mencionar o fascínio pelos anéis de Saturno por parte dos astrônomos e românticos. sobre a diferença entre astronomia e astrologia etc. mostrar a etimologia da palavra. • Copérnico – você pode ter pensado em uma mini-biografia. ilustrando com a música Desculpe o Auê da Rita Lee (por vc vou roubar os anéis de saturno. falar como a Inquisição inibiu Galileu a assumir como verdadeiras as suas observações etc. • Astronomia – você pode definir o termo.Planejamento e elaboração de material didático impresso para EAD . sugerimos algumas possibilidades: • Galileu Galilei – você pode ter pensado em uma mini-biografia em contextualizar historicamente suas descobertas (período do Renascimento).

227 aula9. mas não são essenciais à sua compreensão. Esses tópicos representam latências no conteúdo e atuam “abrindo uma porta” para a produção de um outro texto. que em geral obedecem a um modelo centrado no conteúdo e proporcionam uma leitura linear não-interativa. estabelecemos informações contínuas que seguem uma ordenação lógica (apresentação. que devem estar explicados no corpo principal do texto. ao final da aula. dialógico. A Arquitetura da Informação. permeado por atividades e associado a uma arquitetura da informação articulada. propicia essa mudança de modelo. alcançar os objetivos listados no início da mesma.indd 227 10/10/2007. nesse caso. na Educação a Distância.Aula 9 – Arquitetura da informação Arquitetura da Informação e materiais didáticos Materiais voltados para EAD devem proporcionar uma leitura interativa. fornecendo ao aluno de maneira clara e objetiva os conceitos que ele precisa estudar para. Entretanto. deve permitir uma mudança do paradigma acadêmico que vemos na maioria dos livros-texto tradicionais. é voltada para um modelo de elaboração do conteúdo centrado no aluno. Para não desestabilizar a ordenação lógica destas informações nucleares e garantir fluência ao texto. 10:07:34 AM . profissional e sócio-cultural. percebemos que alguns termos ou tópicos mencionados nessa produção poderiam somar informações ao conteúdo central. adicional ao texto central. Ambos os tipos de informação precisam ser contemplados simultaneamente em materiais didáticos para EAD. entram em cena as informações periféricas. Em uma aula. as informações contínuas são os núcleos conceituais. Ao produzirmos um texto. A Arquitetura da Informação. desenvolvimento e conclusão). que organiza a distribuição do conteúdo. Um texto claro. a fim de que não se desvincule o conteúdo de seus contextos acadêmico. As informações periféricas complementam o conteúdo nuclear apresentado. incentivando a participação dele na aula.

e b) à sua vontade de aprender (interesse). ou seja. Vejamos como isso funciona no quadro a seguir: Quadro 2: INFORMAÇÕES PERIFÉRICAS DINÂMICA INFORMATIVA A MOVIMENTO PARA FORA DA AULA .. perfis extremos não serão tão bem atendidos).indd 228 10/10/2007. filmes. Vamos voltar ao quadro 1? O quadrado tracejado simboliza a totalidade de possibilidades de uso do material. quanto aqueles que desejam usar a aula como um guia para orientar um aprofundamento no conteúdo. que contemple a diversidade do público . por exemplo. explicações mais detalhadas. MOVIMENTO PARA DENTRO DA AULA . É fundamental que o material produzido atenda minimamente a todos os perfis possíveis de usuário. jornais. Um material didático impresso deve criar e utilizar recursos para permitir que todos os aluno “naveguem” no texto. letras de música etc.tanto aqueles que buscam uma informação essencial. sugestão de leitura. verá que o quadrante 4. curiosidades sobre o tema. aplicações do conceito no âmbito profissional.relatos históricos.links. Como você pode observar. e é dividido em quatro quadrantes. possibilitando assim uma interação própria do estudante com o material. cases.elementos instrucionais e estratégias de ensino Sobre informações periféricas. representa um usuário de baixa disponibilidade de tempo e baixo interesse. aula9. resumo de uma informação importante. cada quadrante representa um perfil específico. em oposição à simples transmissão direta de conteúdo. Em outras palavras. representa todos os elementos que devem ser oferecidos pela aula para atender a alunos com perfis tão diferentes (naturalmente. 10:07:35 AM . Que tal entendermos melhor o processo de disposição do conteúdo a partir da identificação de possíveis usuários do material impresso? Vejamos o quadro ao lado. Se você observar.. e assim por diante. que correspondem: a) ao tempo possível de o aluno se dedicar ao estudo.Planejamento e elaboração de material didático impresso para EAD . 228 interesse Quadro 1: tempo do aluno disponível para o estudo x grau de interesse no conteúdo tempo 3 1 4 2 O quanto um aluno irá se aproveitar das informações disponíveis em uma aula é uma função que leva em conta o tempo que ele tem disponível para estudar e o grau de interesse que apresenta em determinado conteúdo. verbete etc. O círculo central refere-se a uma Arquitetura da Informação eficiente. há eixos.

estrategicamente formuladas. Os profissionais de marketing precisam decidir g como irão adaptar seus produtos e programas de marketing (. seus valores.Aula 9 – Arquitetura da informação Os recursos para que o aluno “navegue” o texto são aqueles em que veiculamos as informações adicionais de forma dinâmica. 10:07:35 AM . instituição. Quais são os recursos para desdobramento de conteúdo e como utilizá-los para atender os diversos perfis de estudantes? É o que você verá a seguir! Mãos à obra: desdobrando o conteúdo Agora que você já teve uma perspectiva teórica acerca da Arquitetura da Informação e uma primeira noção sobre as informações periféricas.). que visam influenciar o público quanto a determinada idéia. resultando em produtos e programas que satisfazem melhor as necessidades dos consumidores locais.). Para isso.indd 229 10/10/2007. ARMSTRONG. uma das definições de Marketing é: conjunto de ações. 113).. produto. procurando livros.. G. devem padronizar suas ofertas a fim de simplificar as operações e baixar o custo. Por um lado. atitudes e comportamentos variam muito (. Como você viu no quadro 2. p. Por outro lado. o aluno pode aprofundar ou ampliar o seu conhecimento dentro da aula ou sair dela para isso. Marketing Segundo o dicionário Houaiss.. P. compreender e atender às necessidades dos consumidores pode chegar a ser assustador. é preciso que você leia xto a seguir: 229 Texto-base “ Compreender o comportamento do consumidor já é bastante difícil para empresas que só operam no mercado de seu país. serviço etc. pessoa.” (retirado de KOTLER. 1999. Mas para empresas que operam em muitos países. Princípios de marketing. visitando links. marca. Rio de Janeiro: LTC S/A. assistindo filmes. Embora os consumidores dos diferentes países possam ter coisas em comum. ouvindo músicas.. vamos continuar esta aula trazendo os recursos propriamente ditos que irão servir ao nosso propósito: materiais sos para educação a distância. adaptar os esforços de marketing a cada país. dependendo da informação. aula9..

de preferência apresentando imagem e um título instigante. mas sem quebrar a fluência do texto principal. na exposição de um conteúdo. Seu texto não precisa ser curto. podendo satisfazer à necessidade de conclusão de uma explicação sem sobrepor-se ao conteúdo nuclear. entre outros. aula9. de um comentário essencial etc. pontual. teríamos: 230 D eixar de atender às diferenças de costumes e comportamento de um país para outro pode causar um verdadeiro desastre para o comércio dos produtos internacionais e seus programas de marketing. Como você viu nesse exemplo. ela deve ocupar um espaço central no corpo do texto e transmitir uma informação precisa. é importante haver uma chamada na narrativa principal.Planejamento e elaboração de material didático impresso para EAD . Isso é feito utilizando-se a caixa de explicação expandida. Além disso. pois ressalta parte do conteúdo visto até aquele momento de forma sintética e reorienta a linha de raciocínio.elementos instrucionais e estratégias de ensino a) Caixa de ênfase Em alguns momentos. em poucas linhas. síntese de um conteúdo. Exemplos de seu uso são: estabelecimento de um conceito geral. a apresentação de uma idéia importante. b) caixa de explicação expandida Em algumas situações. é preciso expandir a explicação contida no corpo principal do texto com informações que contextualizam conceitos ou apresentam situações de uso. Sobre o texto base. Em termos estruturais. 10:07:41 AM Atenção . e sim contextualizando a informação. Veja um exemplo de uso desta caixa em O que acontece na prática? (lembre-se que o conteúdo da caixa faz relação com o texto-base).indd 230 10/10/2007. A caixa de ênfase permite atualizar a narrativa principal. é preciso pontuar aspectos particulares de forma a alertar o leitor de que se trata de uma informação importante. a caixa de ênfase transmite uma informação importante que relaciona o conteúdo da narrativa principal a um novo contexto.

Na França.Aula 9 – Arquitetura da informação O que acontece na prática? H á diferenças que são óbvias. exemplos e outras informações pertinentes contidas numa entrada de dicionário. enciclopédia. 10:07:41 AM . Exemplos? Diferentes acepções de uma palavra. influenciam a estratégia de marketing. aula9. acepções específicas relativas ao contexto tratado na aula. ou seja. data de nascimento e morte etc. nos Estados Unidos. entretanto. ao lado dele. o marketing da Kellogg’s concentra-se em convencer os consumidores a escolherem a marca Kellogg’s e não outra marca concorrente. por exemplo. e ser sinalizada para que o aluno saiba que há um desdobramento de significado para aquele vocábulo (colocando a palavra a ser destacada em negrito. c) caixa de dicionário Esse recurso de desdobramento é usado para estabelecer um verbete. é disposto à margem do texto. Neste país. Por exemplo. oferecendo uma “definição padrão” que não precisa estar necessariamente no corpo do texto principal.indd 231 Foto: Klaus Post Mais 10/10/2007. a palavra a ser definida deve estar presente no corpo do texto principal. a propaganda da Kellogg’s tenta simplesmente convencer as pessoas a comer cereais no café da manhã. na sua embalagem. 231 Verbete De acordo com o dicionário Houaiss. falando sobre uma personalidade. apresentar definições de enciclopédias. glossário etc. dicionários ou redigidas pelo próprio professor. por exemplo. verá que a palavra marketing está destacada. Este tipo de caixa. onde grande parte das pessoas come cereal diariamente no café da manhã. com imagem do busto. verbete significa o conjunto das acepções. como nas nossas aulas). há instruções detalhadas sobre a forma de preparar o produto para aquela refeição. Em termos estruturais. Se você voltar ao texto-base. normalmente. O uso de imagens é comum apenas quando se deseja criar um verbete do tipo enciclopédia. como a alimentação. há sua definição. pequenas biografias etc. Valores culturais.

será que o papel do professor como aquele que. 10:07:45 AM . pela Internet. sem custo algum. de explicação expandida e dicionário. majoritariamente. “Há cerca de uma década as pessoas perderam o hábito de escrever cartas umas para as outras. com a Internet. muito conhecimento é gerado e divulgado em grande parte pela facilidade inerente ao meio digital. Qualquer pessoa que possua acesso a um computador conectado à grande rede – mesmo que por conexão discada – tem à sua disposição uma enorme quantidade de informações sobre várias áreas do conhecimento. as correspondências eletrônicas ganharam espaço tanto pela praticidade quanto pelo imediatismo a que correspondem. Proporcionar mais possibilidades de comunicação não é o único benefício trazido pela grande rede. Leia o trecho a seguir e escolha três termos que possibilitem o uso de cada um destes recursos. Isso porque. você converse com pessoas que estão do outro lado do mundo.elementos instrucionais e estratégias de ensino Atividade 3 Atende ao objetivo 2 j Dê um mergulho Você acabou de aprender sobre três recursos para desdobramento do conteúdo: caixa de ênfase. para isso. Precisa. Na era da informação. O correio eletrônico é só uma das possibilidades trazidas pela Internet. apenas saber utilizar um bom buscador ou escolher o portal certo de acordo com o que procura. oferece o conteúdo para o aluno ainda é relevante?” aula9. Levando isso em consideração. 232 Atualmente há programas que possibilitam que.indd 232 10/10/2007. O fluxo de informações de quaisquer naturezas e origens é tão alto que fica praticamente impossível manter-se atualizado sobre um determinado assunto.Planejamento e elaboração de material didático impresso para EAD .

10:07:45 AM .Aula 9 – Arquitetura da informação 1 2 233 3 aula9.indd 233 10/10/2007.

Vamos comentar um exemplo de cada. você pode ter dois tipos de conexão: discada e/ou banda larga. E mbora a Internet seja uma aliada importante quando fazemos uma pesquisa. realiza uma chamada telefônica para se conectar a um provedor de Internet qualquer. por exemplo. Tipos de conexão B 234 asicamente. procure valorizar informações que venham de sites de universidades ou do governo. que procura conteúdos relacionados ao termo que você solicitou (digitando na barra de busca) em outros sites. vá até o FÓRUM DA AULA 9 e exponha para seu tutor e colegas. Caso você tenha pensado em alguma coisa diferente. se possível. Na sua busca. ou seja. servindo como porta de entrada ou ponto de partida para a navegação dos internautas. Buscadores e portais Buscador é o nome que se dá para um site de busca. Uma delas é através do aparelho chamado ADSL (Asymmetric Digital Subscriber Line). através de um aparelho chamado modem.. aula9. Neste tipo de conexão um aparelho de rádio é instalado no alto do prédio (ou casa) do assinante para que possa haver comunicação com um provedor. Nem tudo que reluz é ouro. Ele pode ser feito de várias maneiras. ao conectar o computador a Internet. Já um portal é um site que agrega vários links e serviços.elementos instrucionais e estratégias de ensino Resposta comentada Este texto oferece algumas possibilidades de desdobramento de conteúdo. A conexão discada é feita utilizando uma linha telefônica. que utiliza centrais telefônicas digitais para tráfego de dados. é necessário estarmos atentos à fonte da informação. em sua casa.indd 234 Atenção 10/10/2007.Planejamento e elaboração de material didático impresso para EAD . Seu computador. Neste tipo de conexão.. a velocidade de transmissão de dados é lenta. A conexão banda larga é o acesso à Internet em alta velocidade. 10:07:45 AM Mais . Outro tipo de tecnologia usada nesta conexão é o acesso via rádio (radiofreqüência).

d) caixa de informação avulsa ou de curiosidade Se você voltar ao texto-base.indd 235 10/10/2007. funcionando como um despertador de interesse e/ ou um guia de orientação para o uso de outras fontes informativas e contextualizadoras. com menos formalidades do que o texto principal. cujas finalidades são as de instigar e permitir uma navegação do aluno para fora da aula. pitorescos etc. com freqüência. E m geral.. explicação expandida e dicionário) é que o conteúdo não apenas é complementar à informação central.. de uma forma ou de outra. 10:07:45 AM . as diferenças entre os mercados internacionais são mais sutis. verá que há possibilidades latentes de desdobrar o conteúdo – como em seus valores. Em termos estruturais. menos acadêmico. e faz barbeadores movidos a pilha para o mercado britânico. iremos ver outros dois recursos. expandem a informação. devem funcionar como chamarizes. Uma particularidade dos recursos vistos até então (caixa de ênfase. atitudes e comportamentos variam muito. que adotará uma narrativa mais leve. Isso.. por exemplo contextos humorísticos. Podem resultar de diferenças físicas dos consumidores e de seu ambiente. usando. onde poucos banheiros têm tomadas elétricas.Aula 9 – Arquitetura da informação Até este momento você viu alguns recursos para desdobramento do conteúdo que. Veja o exemplo de emprego dessa caixa lendo Cada um com seu cada qual. 235 Curiosidade Cada um com seu cada qual.. Por exemplo. Agora. claro. Vamos a eles.. sendo que ambos. inclusive. Outras diferenças resultam de costumes variados: aula9. sempre conservando a pertinência em relação ao conteúdo ensinado. A caixa de informação avulsa ou de curiosidade busca integrar os conceitos apresentados a um universo não circunscrito pela aula e. a Remington faz barbeadores elétricos menores em função das mãos pequenas dos consumidores japoneses. sem a solicitar materiais externos para ampliar o conteúdo principal. Isso irá influenciar. o uso de título e imagem é muito importante. preferencialmente. ele também atua – de acordo com o que você viu no quadro 2 – exclusivamente remetendo o aluno para “dentro” da aula o tempo todo. sua linguagem..

desdobrando não só o conteúdo como também sugerindo a interação com outros universos (livros.).). Renee Zellweger e Kelly Preston. e) caixa de conexão com outras mídias 236 Finalmente. temos a possibilidade de associar as informações contidas na aula com outros meios. com Tom Cruise. a grande virada convenceu os críticos que o astro Cruise sabia representar.indd 236 10/10/2007.submarino. novamente sugerimos uma narrativa leve.com): Comédia dramática de Cameron Crowe. resolvemos indicar uma “sessão pipoca” para relaxar. documentários. O ator faz um agente de sucesso que vive um momento de aula9. Essa caixa busca oferecer caminhos para outras informações que interagem. Multimídia A vida de um marqueteiro N este momento da aula. cartaz etc. 10:07:45 AM . filmes. então leia um trecho da sinopse do filme (adaptado da sinopse escrita por Luiz Carlos Merten – www. é sinal de falta de educação deixar resto de comida no prato. é deselegante não deixar um pouco no prato. Cuba Gooding Jr. de 1996.Na Noruega e na Malásia. Veja um exemplo de emprego desse recurso lendo A vida de um marqueteiro. seriados. de uma forma ou de outra.elementos instrucionais e estratégias de ensino Foto: Daniel Cruz . Em termos estruturais.. No Egito.sacudir a cabeça de um lado para outro significa “não” na maioria dos países. O uso de título e imagem é muito importante. sites etc. mais próxima do caráter jornalístico. mas na Bélgica e no Sri Lanka significa “sim”. onde é impróprio um homem visitar uma mulher sozinha em casa. com a linha de raciocínio desenvolvida no texto. O vendedor porta-a-porta pode encontrar dificuldades na Itália. .Planejamento e elaboração de material didático impresso para EAD . sendo que a imagem deve fazer referência ao meio sugerido (capa de um filme ou livro. Que tal uma sugestão de filme? Recomendamos para você Jerry Macguire: a grande virada. Quer saber um pouco mais antes de ir à locadora? Pois bem. Jerry Macguire.

O conflito torna-se real e o público pode creditar nele. aula9. junto com o elenco. a partir do mesmo texto. numa criação tão carismática que lhe valeu o de coadjuvante da Academia de Hollywood. você utilizará os dois recursos que acabou de aprender: caixa de curiosidade e caixa de conexão com outras mídias.indd 237 10/10/2007. O vai além das receitas tradicionais porque o roteiro. Drama com humor (você vai rir. dê um salto! Na outra atividade você criou desdobramento do conteúdo circunscritos à aula. Renee Zellweger faz a mulher que tem um filho e apóia o herói. Ela também é ótima.. tado ao diretor. 237 Atividade 4 Atende ao objetivo 2 j Agora. o atleta interpretado ing Jr. com certeza). pelo sucesso de bilheteria. menos um. conteúdos periféricos que remetam o aluno para fora da aula. Agora.Aula 9 – Arquitetura da informação crise e perde todos os clientes. apresenta personagens sólidos e imensionais. mas também com cenas tocantes e responsáveis. 10:07:48 AM . Para isso. você vai criar.

que o Departamento de Defesa dos Estados Unidos criou uma forma de trânsito de informações entre os computadores de uma base militar e de outra.elementos instrucionais e estratégias de ensino Resposta comentada Mais uma vez vamos comentar um exemplo do uso de cada recurso. Já sobre os buscadores. durante a Guerra Fria. vá até o FÓRUM DA AULA 9 e exponha para seu tutor e colegas. aula9.Planejamento e elaboração de material didático impresso para EAD .br.br. Com o passar do tempo. acha! F icou curioso para saber como funciona um portal? Então visite a página do Ministério da Educação. em 1998. Curiosidade Onde tudo começou? F oi entre as décadas de 1960 e 1970. Caso você tenha pensado 238 em alguma coisa diferente. antecessora da Internet. Ela se difundiu para as universidades e centros de pesquisa no início da década de 1990. alterações no esquema técnico de transferência de dados via computadores possibilitaram a Internet a que temos acesso nos dias de hoje! Multimídia Quem procura. É muito provável que você já o tenha utilizado.br. que foi criado por Larry Page e Sergey Brin. se aventure pelo www.google. em www.indd 238 10/10/2007. caso não.mec.com. nos EUA. bem como pode acessar qualquer outro site com domínio . mas. 10:07:49 AM . o mais utilizado é o Google. Lá você verá como se concentram e são disponibilizados diversos links relacionados a programas de educação desenvolvidos pelo governo.gov. Era a ARPANET. em Stanford.gov.

Veja quais foram: 1 – caixa de explicação expandida. autor de um material instrucional para Educação a Distância. chamaram sua atenção para uma informação importante no texto principal (3). Volte àquela atividade e.indd 239 10/10/2007. Resposta Comentada Se você saber formalmente a que se remetiam.Aula 9 – Arquitetura da informação Conclusão A Arquitetura da Informação propicia a você. contaram um dado curioso sobre o funcionamento do coração (2). sem se dar conta. a partir de múltiplos desdobramentos do conteúdo. enriquecendo o seu processo de ensino e. ultrapassando o ambiente estritamente acadêmico e auxiliando a construção do conhecimento. por parte do aluno. você teve contato. 3 – caixa de conexão com outras mídias. E aí? Foi fácil dar nome àqueles bois? aula9. no espaço em branco acima de cada caixa. estruturar a informação de acordo com diversos propósitos educativos. Mais. 5 – caixa de curiosidade ou de informação avulsa. aquelas caixas lhe explicaram porque alguém pode desmaiar quando está com pressão baixa (1). definiram um termo (4) e ofereceram a possibilidade de você continuar a desdobrar o conteúdo do texto lendo um livro (5). Atividade Final Atende ao objetivo 3 j 239 Dando nome aos bois Na Atividade 1. classifique-os de acordo com a nomenclatura que aprendeu. com os cinco tipos de desdobramento de conteúdo que apresentamos durante a aula. exige também o desenvolvimento de novas competências para exercer seu ofício em diferentes contextos. 2 – caixa de dicionário. Essa organização exige do professor mais planejamento e organização dos conteúdos que deseja ensinar. o de aprendizagem do aluno. 10:07:49 AM . O conteúdo de cada uma das caixas utilizou um recurso diferente para fazer isso. conseqüentemente. 4 – caixa de ênfase.

com freqüência. desdobrando não só o conteúdo como também sugerindo a interação com outros universos (livros.indd 240 10/10/2007. seriados. • a caixa de informação avulsa ou de curiosidade busca integrar os conceitos apresentados a um universo não circunscrito pela aula e. • a caixa de associação com outras mídias é associação entre as informações contidas na aula e outras mídias. pois ressalta parte do conteúdo visto até aquele momento de forma sintética e reorienta a linha de raciocínio. para que ele possa percorrer diversas rotas de estudo.) A Arquitetura da Informação propicia. Isto porque é necessário oferecer ao aluno não apenas um conteúdo substancial. usamos alguns recursos para disponibilizar informações adicionais ao conteúdo central: • a caixa de ênfase permite atualizar a narrativa principal. 10:07:49 AM . mas também o máximo de possibilidades de desdobramento daquele conteúdo. aula9.Planejamento e elaboração de material didático impresso para EAD . 240 Para permitir que o aluno “navegue” pela aula. filmes. documentários.elementos instrucionais e estratégias de ensino RESUMO A rquitetura da Informação é a organização estrutural da informação a ser oferecida (produto) de acordo com o meio pelo qual essa informação é veiculada e o propósito a que se presta. • a caixa de explicação expandida é um “a mais” a respeito de alguma explicação contida no corpo principal do texto. feita através de informações que contextualizam conceitos ou que apresentam situações de uso. • a caixa de dicionário é usada para apresentar definições de enciclopédias ou dicionários. a partir de múltiplos desdobramentos do conteúdo. isso é mais fundamental ainda. ultrapassando o ambiente estritamente acadêmico e auxiliando a construção do conhecimento. A organização da informação é fundamental e no caso de materiais didáticos. Dessa forma podemos dizer que ela é a combinação entre a organização do conteúdo em categorias e a criação de uma interface para permitir o uso de tais categorias. sites etc. menos acadêmico. estruturar a informação de acordo com diversos propósitos educativos.

10:07:50 AM . 241 aula9.indd 241 10/10/2007. Pierre.Aula 9 – Arquitetura da informação Bibliografia Consultada LÉVI. Rio de Janeiro: Editora 34. As tecnologias da inteligência:o futuro do pensamento na era da informática (trad. 208 p. 1993. Carlos Irineu da Costa).

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indd 243 10/10/2007.Aula 1 10 Cristine Costa Barreto Etapas de produção de material didático impresso para EAD: compartilhando uma experiência aula10. 9:52:19 AM .

indd 244 10/10/2007. nos pólos. Identificar as ações do Setor Editorial na produção gráfica do material didático impresso do Consórcio CEDERJ. Discriminar o fluxo do material didático impresso do Consórcio CEDERJ desde sua produção original. 9. Identificar as ações do Setor de Desenvolvimento Instrucional em sua parceria com professores 244 conteudistas. aula10. 3. bem como conhecer o programa detalhado de seu desenvolvimento. 9:52:20 AM . Discriminar os setores envolvidos na produção do material didático impresso do Consórcio CEDERJ.elementos instrucionais e estratégias de ensino Meta Apresentar as etapas envolvidas na produção do material didático impresso do Consórcio CEDERJ. 5. 6. até a entrega da versão final para o aluno. pelo professor conteudista. você deverá ser capaz de: 1. Identificar o propósito da oficina de capacitação dos professores conteudistas. Objetivos Ao final desta aula.Planejamento e elaboração de material didático impresso para EAD . Diferenciar as ações exercidas pelo desenhista instrucional daquelas exercidas pelo redator final. 2. Relacionar o tamanho de uma aula ao tempo necessário para estudá-la. 4. 7. 8. Discriminar alguns dos processos associados à transposição de aulas impressas para aulas digitais. Definir a contribuição de alunos e tutores avaliadores na construção das aulas de cada disciplina. bem como o papel dos profissionais dos Setores de Web envolvidos na produção material didático do Consórcio CEDERJ.

enquanto dedica tempo e atenção às teorias e práticas que indicam um caminho possível para iniciar a redação de uma aula. Creio que a qualidade necessária à elaboração de materiais didáticos impressos esteja para além da aula em si. dentre outras.. de repente. As diferentes etapas de produção de materiais didáticos impressos ou digitais dependem de cada instituição. políticas. Há outros níveis. discutida na Aula 2: educação de qualidade deve ser o objeto de um projeto educacional contemplado em diversos níveis. com estilo próprio. estruturais. e agora não sei bem. ouvia esses versos e me dei conta de que essa é uma sensação comum a pessoas criativas: ter novas idéias. às vezes em ritmo mais rápido do que podem implementá-las ou mesmo registrá-las. Volto à idéia do Repolho Romanesco. descrevê-las. no entanto. 245 aula10. A qualidade do nosso trabalho.” Outro dia. por exemplo. 9:52:21 AM . E.. typical me I started something And now I’m not too sure (I started something I couldn’t finis – The Smiths) A tradução dos versos do pop rock lançado no final dos anos 80 pela banda inglesa The Smiths poderia ser: “comecei algo . você é figura fundamental. transformá-las em boas idéias e executá-las em forma de aula impressa! O que pode parecer confuso e desorganizado. para concluir um projeto ou para redigir uma aula. typical me Typical me. de cada projeto educacional. logísticas.é a minha cara . São vários os caminhos possíveis. como professores da Educação a Distância. claras e atraentes..comecei algo. naturalmente. de toda uma disciplina. não saber bem como fazer para colocá-las em prática. de acordo com demandas e possibilidades pedagógicas. quesito em que.Aula 10 – Etapas de produção de material didático impresso para EAD: compartilhando uma experiência Comecei algo e agora não I started something I started something Typical me. novas visões. na próxima tentativa. reflete também a capacidade de articularmos todas as informações que tivemos até agora. financeiras.. certamente se converterá em aulas consistentes.indd 245 10/10/2007. na primeira vez. Podemos dizer que o primeiro nível começa em você.

provavelmente. Ao mesmo tempo em que o setor de desenvolvimento instrucional se dedica às aulas. de sua autoria.hu Todos os lados do cubo Antes de começar a contar para você como se dão todas as etapas da produção do material didático impresso do Consórcio CEDERJ. por exemplo.indd 246 10/10/2007. não reproduz a estrutura concebida para atender ao projeto políticopedagógico do Consórcio CEDERJ. desta vez com base na rotina de produção de aulas impressas para as disciplinas oferecidas nos cursos de graduação do Centro de Educação Superior a Distância do Estado do Rio de Janeiro . outros setores se integram ao processo desde o início. Fonte: www.1 A instituição de que você faz parte. O Setor Editorial é responsável por importantes etapas da construção do material impresso.elementos instrucionais e estratégias de ensino Nesta última aula. como uma composição única. por exemplo. como. 9:52:23 AM . possui diferentes setores de Web voltados para a criação das versões digitais das aulas. Foto: Davide Guglielmo 246 Figura 10. cada curso de graduação. o que ajuda você a conceber materiais didáticos ainda melhores. O Setor de Vídeos faz tomadas dos professores aula10. Assim.Planejamento e elaboração de material didático impresso para EAD . que está mais para um bate-papo. Mas espero que algumas das idéias que discutimos nesta aula e nas anteriores ajudem você a continuar o processo que iniciou com esta capacitação e tragam mais certezas na hora de elaborar materiais didáticos impressos de forma harmônica. gostaria de apresentar os diferentes setores envolvidos no processo. a ilustração e a programação visual. responsável pela capacitação dos professores conteudistas e pelo acompanhamento da elaboração de todas as aulas de todas as disciplinas de todos os cursos do CEDERJ.sxc. novamente me proponho a relatar uma experiência. A história toda começa no Setor de Desenvolvimento Instrucional. de forma que as disciplinas “nasçam” a partir da experiência e das idéias de diversos profissionais.CEDERJ.

Fonte: http: //www. e fica ainda mais fácil para cada professor mover peças e compor todas as facetas de sua aula.sxc.Aula 10 – Etapas de produção de material didático impresso para EAD: compartilhando uma experiência apresentando suas aulas e produz seqüências curtas referentes a conteúdos que integram o material digital. das seguintes entidades internacionais: ISO (International Organization for Standardization). a invenção ganhou o prêmio alemão de jogo do ano (“Game of the Year” special award for Best Puzzle) e é considerado por alguns como o maior best-seller do mundo dos brinquedos e quebra-cabeças. ainda. no Brasil. que se preocupa em colocar todas as referências e citações bibliográficas no formato indicado pela ABNT. é da responsabilidade do Setor de Fluxo de Material Didático. aula10.indd 247 Mais 10/10/2007. IEC (International Electrotechnical Comission). que faz a ponte entre você e todos os profissionais à sua disposição para a elaboração de sua disciplina.abnt. que entra em contato com autores de obras que precisam de autorização para serem utilizadas nas aulas. ABNT A Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT) é o órgão responsável pela normalização técnica no país. sem que o processo seja vivenciado de forma solitária. 9:52:23 AM . O cubo possui 9 facetas quadradas em cada um de seus lados. A ABNT é a única e exclusiva representante. mas com uma multiplicidade de caminhos que representam soluções criativas para questões únicas de cada disciplina. e das entidades de normalização regional COPANT (Comissão Panamericana de Normas Técnicas) e a AMN (Associação Mercosul de Normalização). Com a colaboração de todos esses setores. e o Setor de Biblioteca. A tramitação das aulas por entre todos os setores. Há. o Setor de Direitos Autorais. todos os lados do nosso Cubo de Rubik (veja o boxe a seguir) estão completos.org.br 247 Cubo de Rubik Foto: Georgi Marinov Fonte: www. fornecendo a base necessária ao desenvolvimento tecnológico brasileiro.hu O Cubo de Rubik é um quebra-cabeças inventado em 1974 pelo escultor e professor de arquitetura húngaro Erno Rubik. sem que se perca o controle de nenhuma etapa do processo. Em 1980.

num piscar de olhos. a certa altura. é um setor central ao consórcio. Diferentemente das tentativas da minha adolescência. Isso eu garanto! Setor de Desenvolvimento Instrucional 248 No Consórcio CEDERJ. Além disso.indd 248 10/10/2007. está em contato direto e freqüente com os conteudistas e com alunos avaliadores (veja o boxe a seguir).hu aula10. A articulação entre as peças que o compõem permite que.2: O Setor de Desenvolvimento Instrucional do CEDERJ tem um importante papel de articulação tanto com os professores conteudistas quanto com os demais setores envolvidos na elaboração do material didático impresso. o Setor de Desenvolvimento Instrucional tem um papel central no que se refere à elaboração do material didático impresso. as cores de cada faceta se misturem. Foto Marco Michelini) Figura 10.sxc. as facetas são cobertas por adesivos de 6 cores diferentes. uma para cada lado do cubo. apenas uma cor. cada cor no seu lugar! Mas calma. cada lado do cubo assume. inclusive recentemente. nosso problema para a elaboração das aulas impressas certamente não é tão grave assim. Você já tentou alguma vez brincar com esse cubo? Eu já. novamente. confere maior contextualização às aulas.Planejamento e elaboração de material didático impresso para EAD . depois. muito menos irá despertar em você tanta impaciência quanto o singelo brinquedo despertou em mim. Quando o quebra-cabeças é solucionado. Nesse sentido. 9:52:25 AM .elementos instrucionais e estratégias de ensino Tipicamente. Fonte: www. tive vontade de descolar os adesivos e. de forma a discutir e estabelecer a metodologia de aprendizagem que integra o projeto político-pedagógico da instituição. O desenhista instrucional que integra essa equipe é responsável pelo desenvolvimento sistemático de materiais e processos educativos visando à alta qualidade da aprendizagem. confesso que. grudá-los novamente.

de seu potencial criativo.indd 249 . o que faz com que você possa perfeitamente encontrar jornalistas. o Setor de Desenvolvimento Instrucional é visto. Portanto. a diferença mais óbvia entre a tradição acadêmica e os processos de ensino a distância é a substituição do falar-ouvir síncrono pelo ler-escrever assíncrono.3: Em função do contato direto com os professores. um padrão de comunicação relativamente novo e comparativamente difícil. Em sua maioria. da cooperação na elaboração das aulas.sxc. no Brasil. como o “olho-do-furacão” da instituição. conciliar qualidade de conteúdo com qualidade instrucional é uma competência que. pedagogos. de sua percepção no que se refere à integridade das informações veiculadas como parte do conteúdo de uma aula. um curso superior que forme profissionais de Desenho Instrucional. administradores. requer estudo e prática. de forma a tornar mais rico o diálogo com os professores conteudistas. além de uma sólida parceria entre todos os envolvidos na produção do material didático de uma instituição de Educação a Distância (Peters 2002). Nesse contexto. o desenhista instrucional pode ter sua formação original em diversas áreas de saber. Foto: Christophe Libertr 10/10/2007. biólogos.sxc.Aula 10 – Etapas de produção de material didático impresso para EAD: compartilhando uma experiência P ara Otto Peters.hu aula10. psicólogos e lingüistas dentre os profissionais que integram esse setor. um renomado pesquisador da Educação a Distância. de forma bem-humorada. físicos. de sua visão pedagógica. Fonte: www. da necessidade de um perfil multifacetado e dos prazos exíguos a que a equipe deve obedecer. Fonte://www.hu/photo Fonte: Julia Freemanr Woolpert Freemanr-Woolpert Atenção 249 Como não existe. 9:52:26 AM Figura 10. o perfil desejado para o Setor de Desenvolvimento Instrucional é variado e depende das capacidades de cada candidato ao cargo de desenhista. para ser desenvolvida. são profissionais com perfil acadêmico.

por meio de uma oficina de um dia inteiro – aproximadamente 8 horas de trabalho . entre outros profissionais que integram o quadro técnico do Consórcio.elementos instrucionais e estratégias de ensino Portanto.nem poderíamos . Administração etc. informar. onde motivar. Foto: Andreas Furxer 10/10/2007. estabelecer relações entre os participantes e estimular a criação de vínculos são tarefas realizadas de forma síncrona. a maior parte da sua produção textual provavelmente se refere a artigos científicos. ilustradores. Pedagogia. não priorizamos . roteiristas. mas o conhecimento em sua área de saber específica: Física. mediação e aprendizagem flexível. capítulos de livros ou mesmo materiais impressos de apoio para seus cursos presenciais. Para cumprir o desafio de se colocar.hu aula10.Planejamento e elaboração de material didático impresso para EAD . que privilegia discussões teóricas em práticas sobre EAD. Biologia. parâmetros adotados na análise das aulas e que orientam o trabalho junto aos professores conteudistas. além de definir. é fundamental a parceria formada entre professores conteudistas e desenhistas instrucionais. antecipar dificuldades. por outro. 9:52:28 AM Figura 10.um conhecimento prévio em educação superior a distância. que se envolve em processos de capacitação internos voltados para criatividade.indd 250 . Matemática. Essa produção acadêmica não está no centro do processo de ensino e aprendizagem na sala de aula presencial. entre professores e técnicos do CEDERJ. programadores visuais. Mãos na massa: a oficina Ao buscarmos um professor conteudista para elaborar aulas do CEDERJ. optamos por iniciar a parceria que se forma.com cada grupo de 10 a 15 novos conteudistas. web-designers. tipicamente pelo professor. por um lado.4: No CEDERJ. sua riquíssima experiência como docente é a assinatura da 250 substância das aulas. gerar perguntas valiosas. assim como todos os seus atributos de professor. tipicamente por você.sxc. coletivamente. essa é uma equipe dinâmica. Fonte: www. dentro de uma produção textual. Se.

Equipe de Desenvolvimento Instrucional. Equipe de Desenvolvimento Instrucional. Equipe das Comunidades Virtuais e Equipe de Vídeo. Exposição de pressupostos teóricos acerca de objetivos de aprendizagem claros e precisos. aula10. Presidente da Fundação CECIERJ. Equipe de Desenvolvimento Instrucional.Apresentação da Plataforma CEDERJ e dos recursos multimeios disponíveis para a elaboração das aulas na web. para sensibilizar os conteudistas acerca da substituição do falar-ouvir síncrono pelo ler-escrever assíncrono e da importância da clareza e precisão da linguagem na compreensão de uma informação. Universidade Virtual . Equipes das Webs. 09:45 – 10:15 Dinâmica 1 (voltada para objetivos de aprendizagem e linguagem) Diálogos sucessivos de Bordenave & Pereira (1977). A seguir.Aula 10 – Etapas de produção de material didático impresso para EAD: compartilhando uma experiência Como esse intervalo de tempo é exíguo. definimos que o principal objetivo da oficina é sensibilizar os conteudistas em relação aos principais temas discutidos nas aulas anteriores e oferecer oportunidades de prática das técnicas instrucionais necessárias aos primeiros passos na elaboração de um bom material impresso para Educação a Distância.09:45 Apresentação do Projeto Político-Pedagógico do Consórcio CEDERJ. 12:00 – 13:30 13:30 – 14:15 Almoço. 10:15 – 10:30 10:30 – 11:00 Intervalo.indd 251 10/10/2007. 9:52:34 AM . 251 11: 00 – 12: 00 Atividade 1 (voltada para objetivos de aprendizagem) – Prática de elaboração de metas e objetivos de aula com base nas disciplinas pelas quais os conteudistas são responsáveis. o programa proposto para aproximadamente 8 horas de trabalho junto dos professores: Programa da oficina: 09:00 . O restante do conhecimento é construído ao longo do processo de elaboração das aulas e em reuniões com a equipe que integra o Setor de Desenvolvimento Instrucional.

9:52:34 AM . Revisão de um texto truncado de uma área de conhecimento distinta daquelas em que os conteudistas são especialistas. de forma a sensibilizá-los quanto à importância de um material que promova o engajamento dos alunos e a aplicação de conceitos e teorias. 15:10 – 15:30 Formato diagramático e recursos imagéticos do material impresso. Equipe de Ilustração. Equipe de Diagramação. 14:45 – 15:10 Exposição de pressupostos teóricos acerca da redação clara dos sistemas articulados de arquitetura da informação. Equipe de Desenvolvimento Instrucional. Equipe de Desenvolvimento Instrucional. aula10. 17:00 – 17:30 – Instruções acerca de prazos e procedimentos.Planejamento e elaboração de material didático impresso para EAD . Equipe de Direitos Autorais. Equipe de Desenvolvimento Instrucional. 15:50 – 16:15 Exposição de pressupostos teóricos acerca de dois modelos de atividade para o material impresso. 252 15:30 – 15:50 Dinâmica 2 (voltada para a aprendizagem ativa) – Realização. pelos conteudistas. 16:15 – 17:00 Atividade 3 – Prática de elaboração de uma atividade de cada modelo relacionada aos objetivos elaborados anteriormente. Fechamento da oficina.elementos instrucionais e estratégias de ensino 14:15 – 14:45 Atividade 2 (voltada para a linguagem) – Prática de redação de uma instrução precisa a partir de uma situação-problema proposta aos conteudistas. de atividades propostas em dois formatos diferentes. Equipe de Desenvolvimento Instrucional. Equipe de Desenvolvimento Instrucional e Equipe de Fluxo de Material Didático. Equipe de Desenvolvimento Instrucional.indd 252 10/10/2007.

as discussões decorrentes das dinâmicas e práticas vivenciadas durante a oficina reforçam o quanto “falar e ouvir face a face (. a prática de elaboração de atividades revela o quanto é necessário rompermos com paradigmas educacionais que há décadas reproduzem um sistema educacional centrado na transmissão de conteúdo e não em sua utilização. A partir das atividades propostas.. 253 Fluxo e divisão de trabalho Após participar da oficina.Aula 10 – Etapas de produção de material didático impresso para EAD: compartilhando uma experiência Ainda voltando às idéias de Otto Peters. de forma prática e pragmática. a mudança de foco tipicamente associada à Educação a Distância. seja da mesma grande área de atuação.) transmite uma sensação de segurança a professores e alunos”. favorecendo.. que a distribui para todos os setores do Consórcio CEDERJ envolvidos no processo (ver diagrama abaixo). Da mesma maneira.indd 253 10/10/2007.. Essa aula é encaminhada ao Setor de Fluxo de Material Didático.) é um padrão cultural universal e (. 9:52:35 AM . cada professor tem prazo de uma semana para elaboração da primeira aula da disciplina pela qual é responsável. por exemplo. assim. os conteudistas percebem. não raramente. Os professores se colocam. Conteudista Fluxo Direitos Avaliação Revisão Biblioteca O conteudista levará uma cópia impressa da aula para fazer as alterações necessárias Ilustração Fluxo Web/vídeo Revisão Reunião Ilustração Não A aula está pronta? Sim Biblioteca Produção gráfica Direitos autorais web/vídeo Conteudista Avaliação aula10.. que metas ou objetivos que julgavam claríssimos podem não estar tão claros para outro professor que. finalmente. na posição de alunos de um sistema de ensino a distância.

Uma mesma aula pode demandar mais de uma reunião até que seja aprovada. aula10. em um fluxo normal de produção. antes de ser encaminhada à produção gráfica.elementos instrucionais e estratégias de ensino Após mais uma semana. aproximadamente. levantando novas questões e propondo soluções de abordagem para cada uma.Planejamento e elaboração de material didático impresso para EAD . Para essa carga de produção.indd 254 10/10/2007. pelo conteudista e pela dupla de desenhistas instrucionais. afora as 4 semanas necessárias à distribuição. Os desenhistas instrucionais conduzem o processo junto com o professor. os demais setores envolvidos na elaboração do material didático comparecem e apresentam e discutem suas sugestões. Cada desenhista com dedicação exclusiva ao setor pode arcar com até 6 disciplinas. Na ocasião da reunião. a partir do trabalho colaborativo dos diversos profissionais. em caráter final. ao final desta aula. No final dessa aula. atividades. Esses desenhistas irão acompanhar o desenvolvimento da disciplina. Cada disciplina conta com dois desenhistas instrucionais.5: Reunião entre desenhistas instrucionais e professores conteudistas. o Anexo I mostra a ficha completa utilizada como referência para a análise do material didático pelos desenhistas instrucionais. dois desenhistas instrucionais se reúnem com o conteudista para discutir as intervenções sugeridas no que se refere à linguagem. são envolvidos dois professores que dividem a elaboração do conteúdo. 254 Figura 10. 9:52:35 AM . arquitetura da informação etc. 39 semanas. e uma nova versão é proposta para a aula. conforme o cronograma disponível no Anexo II. da primeira à última aula. A produção do material didático impresso de uma disciplina de 60 horas leva.

antes que pudéssemos apreciar uma versão definitiva. cujo conteúdo era bom. a fim de que fosse outra vez submetida à apreciação de todos. A certa altura. criei caixas de explicação expandida e caixas de conexão com outras mídias que estabeleciam relações com outros conteúdos. talvez. deixando claro que havia algumas etapas para serem cumpridas junto com os autores da aula. Fiz o que pude. trabalhei diretamente em uma versão eletrônica da aula. Não havia como contactar os professores conteudistas. fui direto a uma livraria. no final. Diferentemente dos desenhistas instrucionais. que trabalham em cima de arquivos impressos. Além de nós.Aula 10 – Etapas de produção de material didático impresso para EAD: compartilhando uma experiência Redação Final Agora vou contar um “causo” para você. pensei em uma arquitetura da informação mais engendrada. para uma reunião com meu diretor direto. de repente. inclusive o material didático impresso. a pior aula que passou por minhas mãos como coordenadora do setor. Não havia muito tempo para contornar o problema. transformei duas aulas comprometidas em três aulas mais integradas. discutindo um projeto educacional conjunto. Aconteceu de. era. 255 aula10. mas o formato instrucional era de deixar qualquer aluno de cabelo em pé! Resultado: inseri informações. selecionei imagens que ilustravam os tópicos discutidos na aula. mantendo o conteúdo originalmente proposto pelos autores. final do dia. uma aula que ainda estava em processo de análise no Setor de Desenvolvimento Instrucional ser submetida à apreciação desses parceiros. fui novamente chamada à presença do diretorgeral de material didático do CEDERJ. por engano. reformulei as atividades propostas. Era uma sexta-feira. uma nova versão daquela aula. no formato em que havia sido entregue originalmente. Sem muitas opções restantes. visto que chefe e parceiros estavam visivelmente insatisfeitos com o que lhes havia sido apresentado como um produto final. para ontem.indd 255 10/10/2007. que me cobrou. comprei três livros introdutórios sobre o assunto em questão e passei o fim de semana reformulando a aula. Isso tudo. mais estruturadas e mais interessantes. Uma vez fui chamada. havia um grupo de futuros parceiros presentes. fiz intervenções mais expressivas que de costume e. Por uma peça que me pregou o destino. finda a reunião. saí dali. 9:52:37 AM . Não era minha área de saber específica.

Não havia tempo para fazer diferente. 6: O redator final é um desenhista instrucional que exerce uma intervenção mais expressiva nas aulas quando há necessidade de cumprimento de prazos emergenciais ou quando a versão final de uma aula ainda requer atenção e trabalho adicionais. 256 Normalmente. Figura 10. o próprio professor conteudista é responsável por implementar as sugestões decorrentes da parceria com os desenhistas instrucionais e demais técnicos do Consórcio. em alguns casos. um desenhista instrucional com função diferenciada que. Mas me apercebi de que o processo que acabara de vivenciar poderia ser adotado em situações em que. com a anuência do professor. como sempre. aula10. um professor demonstrasse grande dificuldade em produzir uma aula que atendesse aos pré-requisitos instrucionais considerados fundamentais para a proposta do CEDERJ.indd 256 Foto: Toni Rabelo 10/10/2007.Planejamento e elaboração de material didático impresso para EAD . No entanto. após uma capacitação longa e detalhada como a que você acabou de vivenciar. Especialmente. se encarrega de somar elementos instrucionais à versão final da aula que ainda carece de intervenções mais significativas. Ou quando o tempo urgisse. uma intervenção mais significativa pode se fazer necessária para garantir aulas compatíveis com um projeto de EAD concebido para apresentar um nível de qualidade alto. Surgiu assim a figura do redator final.elementos instrucionais e estratégias de ensino Essa foi uma situação de emergência. e a necessidade imperativa do cumprimento de prazos nos forçasse a uma solução para contornar os gravíssimos problemas gerados quando um professor não respeita o cronograma de produção de aulas previamente acordado. por exemplo. 9:52:38 AM .

Lembre-se de que o aluno não é alguém que não tem tempo para estudar. Atenção ao planejar sua aula. o número total de páginas fica entre 20 e 25. com tudo incluído.Aula 10 – Etapas de produção de material didático impresso para EAD: compartilhando uma experiência Qual o tempo de uma página? No Consórcio CEDERJ.indd 257 10/10/2007. espaçamento de 1. da mesma forma. O do aluno também. 9:52:40 AM . devemos obedecer à carga horária planejada para o aluno que se inscreveu em um curso oferecido na modalidade à distância..hu É fundamental termos disciplina para a seleção dos conteúdos que desejamos incluir em cada aula e capacidade para optar por temas que ofereçam conexões. 7: Seu tempo voa. autonomamente. Pedimos aos professores que trabalhem com fonte Arial 12. com outras áreas de investigação. Foto: André Larsson 257 Figura 10. uma aula é prevista para ser estudada (não lida) em duas horas. nas aulas presenciais. possibilidade e interesse. aula10. de forma a abrir portas para o aluno continuar. de acordo com seu tempo disponível. não ultrapassamos o tempo disponível para nossas disciplinas e que. Fonte: www. Mas é preciso que ele consiga dispor desse tempo para aprender o que você tem para ensinar. sua aprendizagem. Ele tem. desde o título até a bibliografia consultada.sxc. o número de páginas e as informações que ela contém.5 linhas.. manifestas ou latentes. Normalmente. Sempre lembramos que. de forma que o número de páginas do arquivo Word que nos enviam acabe equivalendo ao número de páginas diagramadas.

sua assiduidade às atividades curriculares e extra-curriculares propostas.sxc. com perfil diferenciado. inclusive os materiais didáticos. 9:52:42 AM .indd 258 10/10/2007. posteriormente. Sua experiência com os alunos do CEDERJ permite apontar aspectos que podem suscitar dúvidas e que. Fonte: www. Fica mais fácil antecipar e contornar problemas. Nesse momento. preencher um questionário semiquantitativo contendo questões acerca dos aspectos instrucionais considerados relevantes em cada uma delas. o foco é conceber uma aula que passou pelo olhar crítico 258 de um aluno atento e dedicado. Os alunos selecionados são indicados pelos diretores de pólo em função de seu desempenho no curso em que estão inscritos. Cada disciplina é avaliada por. 8: Alunos avaliadores: um olhar fundamental no momento da construção das aulas do Consórcio CEDERJ. aula10. 3 alunos e 2 tutores. Foto: Carlos de la Orden Figura 10.hu A participação dos tutores. a totalidade de alunos do CEDERJ participa da avaliação institucional do Consórcio.elementos instrucionais e estratégias de ensino Avaliação Discente No CEDERJ. Posteriormente. merecem atenção especial. portanto. presenciais ou a distância. traz uma contribuição de valor inestimável. aproximadamente. todas as aulas de todas as disciplinas de todos os cursos passam pelo crivo de alunos e tutores que contribuem para a construção do material didático impresso do Consórcio. uma prática importante para a Educação a Distância.Planejamento e elaboração de material didático impresso para EAD . que recebem uma bolsa para analisar as aulas e. em todas as suas dimensões. além de sua facilidade de acesso diário a um endereço eletrônico.

onde e quando anunciar. No Setor Editorial.. de forma a personalizar cada aula e incrementar o papel do elemento imagético na aprendizagem... 9: A partir de uma solicitação escrita feita pelo professor conteudista.Aula 10 – Etapas de produção de material didático impresso para EAD: compartilhando uma experiência Alunos e tutores dispõem do mesmo tempo que os desenhistas instrucionais para avaliar cada aula: uma semana. Cada aluno ou tutor avalia de 4 a 6 disciplinas.. dentre outras atividades realizadas. você encontrará o Anexo III com a cópia do questionário repassado aos avaliadores. 259 Trecho da aula originalmente enviada pelo conteudista: “(. Enfim. -que descontos oferecer sobre os produtos ou serviço da empresa. Ao final desse período. .. uma equipe de ilustradores se encarrega de desenhar figuras a partir de solicitações escritas ou de imagens de referência apresentadas pelo professor. É o motor que conduz todas as atividades de uma Empresa.indd 259 10/10/2007. última etapa antes de chegar ao aluno do CEDERJ. . os questionários preenchidos são devolvidos e as observações repassadas aos professores conteudistas. o material didático impresso vai para a produção gráfica. Vendedores de porta em porta Outdoors Anúncios de revista (.o que dizer aos clientes e como dizê-lo. Produção Gráfica Considerado pronto. aula10. o ilustrador cria uma imagem personalizada para a aula. em um ritmo normal de produção.) que preços cobrar sobre os produtos ou serviços oferecidos. Ao final desta aula. por ocasião da reunião.. 9:52:43 AM Imagem: Sami Souza .)” Figura 10.

pois. uma boa idéia é você investigar alguns sites que oferecem imagens para uso livre. 9:52:45 AM . você tem em mente uma imagem muito específica e. recorrer às habilidades dos ilustradores. informando a utilização. Após o trabalho dos ilustradores ser concluído. onde fotos de ótima qualidade são disponibilizadas e a única providenciar a tomar antes de usá-las é garantir a autoria da imagem nos materiais impressos e enviar um e-mail de cortesia para o fotógrafo. as fotos disponíveis não atendem ao objetivo. Daí é preciso. aula10. É só conferir a fonte. 260 Para agilizar o processo de ilustração das aulas. com freqüência. sem necessidade de concessão de direitos autorais. De toda forma. uma boa fonte de busca é o site húngaro www.Planejamento e elaboração de material didático impresso para EAD . uma equipe de profissionais experientes confere às aulas uma programação visual elegante.hu.indd 260 10/10/2007. arejada. Nem sempre isso é possível. ao conceber uma aula.sxc. trazendo leveza ao material e facilitando o estudo. naturalmente. adequada à Educação a Distância. usualmente. A maioria das fotografias que você viu em todas as nossas aulas foram obtidas a partir desse site.elementos instrucionais e estratégias de ensino originais.

261 Foto: Ana Paula Abreu-Fialho Aula 1 aula10.11: O programador visual é responsável pela organização formal dos elementos visuais e textuais.Aula 10 – Etapas de produção de material didático impresso para EAD: compartilhando uma experiência Figura 10. 9:52:45 AM . Deve dispor a informação de forma clara e prazerosa.indd 261 10/10/2007.

elementos instrucionais e estratégias de ensino Aula 2 Aula 2 262 Figura 10. aula10.Planejamento e elaboração de material didático impresso para EAD . 12: Uma diagramação arejada traz elegância e facilita a leitura do material impresso. 9:52:52 AM .indd 262 10/10/2007.

coesão e adequação do conteúdo e a revisão tipográfica. Em uma conversa com a Profa. boxes e verbetes. discutindo precisamente essa questão. ao uso detalhado das cores. que acompanha ainda a produção do material junto à gráfica. deixar de aproveitar os recursos únicos da mídia digital para melhorar a qualidade da aprendizagem de nossos alunos. quanto melhor for a produção das aulas que passam pelo Setor de Desenvolvimento Instrucional. os processos são. 9:52:56 AM .indd 263 10/10/2007. obedecendo ao cronograma em que permite ao aluno ter então. a primeira etapa de revisão do texto. ela declarou.Aula 10 – Etapas de produção de material didático impresso para EAD: compartilhando uma experiência Além da ilustração e da programação visual. bastante relacionados. criar um livro eletrônico e. Não queremos. maiores serão as chances de as equipes das webs realizarem um trabalho de recriação em cima dos textos originais. Sonia Rodrigues. é preciso fazer algumas perguntas para garantir que as aulas na web tenham linguagem própria: • Que pontos de um determinado conteúdo se prestam à especificidade do meio digital? Normalmente. de forma a transcodificar. ainda nos originais. Após as etapas do copidesque e revisão tipográfica. módulos com as aulas de cada disciplina que integra a grade curricular de seu curso. a diferentes ângulos de visão. zelando pela clareza. 263 aula10. controla a qualidade da impressão e os prazos de entrega. Essa transcodificação não é uma tarefa fácil. simplesmente. são corrigidos erros gramaticais. responsável pela última leitura do livro. de forma muito pertinente que. Para começar. o envio dos arquivos gerados para impressão é responsabilidade do produtor gráfico. verificada a clareza do texto e o posicionamento de figuras. dentre outros elementos representados e explorados de forma realista em materiais didáticos digitais (ver caixa a seguir). de saída. à sua disposição. aqueles associados a movimentos. no início de cada período letivo. a recursos sonoros. de fato. Nessa fase. naturalmente. a linguagem escrita naquela própria do ambiente digital. outros estágios envolvidos na produção gráfica do material didático impresso do Consórcio CEDERJ incluem o copidesque. assim. Aulas na Web Embora a etapa de produção das aulas na web não faça parte da elaboração do material didático impresso.

no seu lugar. Jogos variados. são um excelente caminho para isso.elementos instrucionais e estratégias de ensino Multimídia A Vida Interna de uma Célula (The Inner Life of a Cell) é um filme de 8 minutos criado pela XVIVO. como fórum de discussão ou chats. Você não é da área biomédica? Assim mesmo. hiperlinks e inúmeros processos interativos estão a serviço de sua criatividade para elaborar uma aula com vida própria. praticados individual ou coletivamente. há uma infinitude de maneiras de garantir ao aprendiz autoria em sua própria aprendizagem. aula10.html 264 • Quais partes do conteúdo permitem uma multiplicidade de conexões? A idéia de conexões explorada na Aula 4 ganha potencialidade máxima em uma aula concebida para o ambiente digital e para a internet. Particularmente impressionante é a possibilidade de visualizar processos desencadeados desde dentro da célula como. • Quais partes do conteúdo permitem maior autoria do aluno em sua própria aprendizagem? Esse ponto é um importante desdobramento do item anterior (conexões). Pelos alunos! Além de recursos habituais.com/main/technique/tprojects/6850. mas podem ser exploradas de formas variadas e abrem novos e imprevisíveis caminhos