A Lei de Diretrizes e Bases de Educação Nacional e a Reforma do Ensino Médio

MINISTÉRIO DA EDUCAÇÃO E DO DESPORTO SECRETARIA DE EDUCAÇÃO MÉDIA E TECNOLÓGICA

1 – Introdução O MINISTÉRIO DE EDUCAÇÃO E DO DESPORTO, por intermédio da Secretaria de Educação Média e Tecnológica , organizou, na atual administração, o Projeto de Reforma do Ensino Médio, como parte de uma política mais geral de desenvolvimento social, que prioriza as ações na área da Educação. O Brasil, como os demais países da América Latina, está empenhado em promover reformas na área educacional que permitam superar o quadro de extrema desvantagem, em relação aos índices de escolarização e de nível de conhecimento que apresentam os países desenvolvidos. Particularmente, no que se refere ao Ensino Médio, dois fatores de natureza muito diversa, mas que mantêm entre si relações observáveis, passam a determinar a urgência em se repensar as diretrizes gerais e os parâmetros curriculares que orientam este nível de ensino. O fator econômico que se apresenta e se define pela ruptura tecnológica característica da chamada terceira revolução técnicoindustrial, na qual os avanços da micro-eletrônica têm um papel preponderante, e, que, a partir década de 80, se acentua no país. A denominada "revolução informática" promove mudanças radicais, na área do conhecimento, que passa a ocupar um lugar central nos processos de desenvolvimento, em geral. É possível afirmar que, nas próximas décadas, a educação vá se transformar mais rapidamente do que em muitas outras, em função de uma nova compreensão teórica sobre o papel da escola, estimulada pela incorporação das novas tecnologias. As propostas de reforma curricular para o Ensino Médio se pautam nas constatações sobre as mudanças no conhecimento e seus desdobramentos, no que se refere à produção e as relações sociais de modo geral.

Nas décadas de 60 e 70, considerando o nível de desenvolvimento da industrialização na América Latina, a política educacional vigente priorizou, como finalidade para o ensino médio, a formação de especialistas capazes de dominar a utilização de maquinarias ou de dirigir processos de produção. Esta tendência levou o Brasil na década de 70, a propor a profissionalização compulsória, estratégia que também visava diminuir a pressão da demanda sobre o ensino superior. Na década de 90, enfrentamos um desafio de outra ordem. O volume de informações, produzido em decorrência das novas tecnologias, é constantemente superado, colocando novos parâmetros para a formação dos cidadãos . Não se trata de acumular conhecimentos. A formação do aluno deve ter como alvo principal a aquisição de conhecimentos básicos, a preparação científica e a capacidade para utilizar as diferentes tecnologias relativas às áreas de atuação. Propõe-se no nível do Ensino Médio, a formação geral em oposição à formação específica, o desenvolvimento de capacidades de pesquisar, buscar informações, analisá-las e selecioná-las; a capacidade de aprender , de criar, de formular ,ao invés do simples exercício de memorização . São estes os princípios mais gerais que orientam a reformulação curricular do Ensino Médio e que se expressam na nova Lei de Diretrizes e Bases da Educação -LEI 9394/96. Se é necessário pensar em reformas curriculares, levando em conta as mudanças estruturais que alteram a produção e a própria organização da sociedade, e que identificamos como fator econômico, não é menos importante conhecer e analisar as condições em que se desenvolve o sistema educacional do país. No Brasil , o Ensino Médio foi o que mais se expandiu, considerando como ponto de partida a década de 80. De 1988 a 1997, o crescimento da demanda superou 90% das matrículas até então existentes. Em apenas um ano, de 1996 a 1997, a matrícula do ensino médio cresceu 11,6%. É importante destacar, entretanto, que o índice de escolarização líquida neste nível de ensino, considerada a população de 15 a 17 anos, não ultrapassa 25%, o que coloca o Brasil em situação de desigualdade em relação a muitos países, inclusive da América Latina.

alterando o modo de organização do trabalho e as relações sociais e a expansão crescente da rede pública que deverá atender a padrões de qualidade que se coadunem com as exigências desta sociedade. a equipe técnica coordenadora do projeto da reforma e os diversos setores da sociedade civil. seria fundamental a participação de professores e técnicos de diferentes níveis de ensino. orientador da Lei de Diretrizes . que esse mesmo grupo esteja retornando à escola. por exemplo. É possível concluir que parte dos grupos sociais até então excluídos. um modelo cuja principal preocupação era de proporcionar um diálogo constante entre os dirigentes da Secretaria de Educação Média e Tecnológica. têm renda familiar de até 3 salários mínimos. desde sua origem.Nos países do Cone Sul. As matrículas se concentram nas redes públicas estaduais e no período noturno. incorporando os pressupostos acima citados e respeitando o princípio de flexibilidade. O padrão de crescimento das matrículas do Ensino Médio no Brasil . para a formulação de uma nova concepção do Ensino Médio. a equipe técnica da Secretaria de Educação Média e Tecnológica e os professores convidados de várias universidades do país apontou para a necessidade de elaborar uma proposta que. Definiu-se que. Os estudos desenvolvidos pelo INEP. em função das novas exigências do mundo do trabalho. ligados direta ou indiretamente à educação. entretanto. tem características que nos permitem destacar as suas relações com as mudanças que vêm ocorrendo na sociedade. quando da avaliação dos concluintes do Ensino Médio em nove estados. A primeira reunião entre os dirigentes. Pernambuco e Rio Grande do Norte mais de 50% destes. e na maioria dos países do Caribe de língua inglesa. cerca de 70%. tenha tido oportunidade de continuar os estudos em função do término do ensino fundamental ou. 2. o índice de escolarização alcança de 55% a 60%. revelam que 54% dos alunos são originários de famílias com renda mensal até 6 salários mínimos e nos estados da Bahia. dada a compreensão sobre a importância da escolaridade. Pensar um novo currículo para o Ensino Médio coloca em presença estes dois fatores : as mudanças estruturais que decorrem da chamada " Revolução do Conhecimento ".O processo de trabalho O projeto de reforma curricular do Ensino Médio teve como estrutura.

O debate se ampliou por meio da participação dos consultores especialistas em diversas reuniões nos estados e pela divulgação dos textos de fundamentação das áreas entre os professores de outras universidades. professor Ruy Leite Berger Filho e pela coordenadora do projeto. escolhidos aleatoriamente. numa primeira abordagem. Esta metodologia de trabalho visava ampliar os debates. numa perspectiva de interdisciplinaridade e contextualização.e Bases. coordenados pelos professores representantes deveriam permitir uma análise crítica do material. os documentos foram submetidos à apreciação dos Secretários de Estado em reuniões do CONSED e outras. para as discussões dos textos que fundamentavam as áreas de ensino. a reorganização curricular em áreas de conhecimento. contendo novas questões e /ou sugestões de aperfeiçoamento dos documentos.se mostrasse exeqüível pelos estados da federação. com reconhecida experiência nas áreas de ensino e pesquisa que atuaram como consultores especialistas.lei 9394/96. foram realizadas duas reuniões nos estados de São Paulo e do Rio de janeiro com professores que lecionavam nas redes públicas. Os debates realizados nos estados. Foi elaborada a primeira versão da proposta de reforma. Concomitantemente à reformulação dos textos teóricos que fundamentavam cada área de conhecimento. quanto no âmbito de cada estado. Concluída esta primeira etapa. com a finalidade de verificar a compreensão e a receptividade. Foram convidados a participar do processo de elaboração da proposta de reforma curricular professores universitários. . professora Eny Marisa Maia. envolvendo os professores e técnicos que atuavam no Ensino Médio. As reuniões subsequentes foram organizadas com a participação da equipe técnica de coordenação do projeto e representantes de todos as Secretarias Estaduais de Educação . Propôs-se. organizadas pela Secretaria de Educação Média e Tecnológica com esse objetivo específico. tanto no nível acadêmico. com o objetivo de facilitar o desenvolvimento dos conteúdos. em relação aos documentos produzidos. considerando as desigualdades regionais. pelo então diretor do Departamento de Desenvolvimento da Educação Média e Tecnológica .

Neste debate do qual participaram os sindicatos de professores. Nesta etapa a Secretaria de Educação Média e Tecnológica trabalhou integradamente com a relatora do Conselho. A Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional. como o organizado pelo jornal " Folha de São Paulo " no início de 1997. elaborados pelos professores especialistas. seguindo-se a elaboração da resolução que estabelece as Diretrizes Curriculares Nacionais para o Ensino Médio. solicitando-se o respectivo parecer. o professor Ruy Leite Berger Filho apresentou a proposta de reforma curricular que obteve dos participantes uma aprovação consensual. na medida em que estabelece os princípios e finalidades da Educação Nacional. Os textos de fundamentação das áreas de conhecimento. O documento produzido foi apresentado aos Secretários de Estado de Educação e encaminhado ao Conselho Nacional de Educação em 7/07/97. O parecer do Conselho Nacional de Educação foi aprovado em 1/06/98 – Parecer nº 15/98da Câmara de Educação Básica-CEB do Conselho Nacional de Educação . • O Ensino Médio é educação básica . em reuniões especialmente agendadas para este fim e por meio de assessorias específicas dos professores consultores especialistas.Lei 9394/96 e a Reforma Curricular do Ensino Médio A nova Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional vem conferir uma nova identidade ao Ensino Médio.CNE . a associação de estudantes secundaristas. O projeto foi também discutido em debates abertos à população. o que se considerou como um indicador da adequação da proposta ao cotidiano das escolas públicas. a partir de uma série de discussões internas que envolveram os dirigentes. Os trabalhos de elaboração da reforma curricular foram concluídos em junho de 1997. professora Guiomar Namo de Mello. representantes da escolas particulares e outros segmentos da sociedade civil.Obtivemos índices de aceitação muito satisfatórios nesses dois encontros. Resolução CEB/CNE nº 03/98. foram submetidos à apreciação de consultores visando o aperfeiçoamento dos mesmos. 3 – A Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional. a equipe técnica de coordenação do projeto e os professores consultores.Lei 9394/96 foi a principal referência legal para a formulação das mudanças propostas.

na vigência da Lei. A Lei de Diretrizes e Bases reitera a obrigatoriedade progressiva do Ensino Médio.22. A educação escolar compõe-se de : I – educação básica. A Constituição portanto confere a este nível de ensino o estatuto de direito de todo o cidadão. O ensino Médio passa a ter a característica da terminalidade o que significa assegurar a todos os cidadãos a oportunidade de consolidar e aprofundar " os conhecimentos adquiridos no ensino fundamental ". • O Ensino Médio como etapa final da educação básica A Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional explicita que o ensino médio é a "etapa final da educação básica " (Lei 9394/96 -Art. a Emenda Constitucional nº 14/96. 21. formada pela educação infantil. 208. II – educação superior" Isto significa que o ensino médio passa a integrar a etapa do processo educacional que a nação considera básica para o exercício da cidadania. A Lei 9394/96 deu condição de norma legal a esta condição quando por meio do Art. Posteriormente. O ensino Médio deixa de ser obrigatório para as pessoas mas a sua oferta é dever do estado numa perspectiva de acesso para todos aqueles que o desejarem. aprimorar o educando como pessoa humana possibilitar o . referido à sua interação com a sociedade e sua plena inserção nela. "Art. 21 estabelece. ainda que não mais constitucional. base para o acesso às atividades produtivas. garantia como dever do estado " a progressiva extensão da obrigatoriedade e gratuidade ao ensino médio ". sendo portanto esta. modifica a redação deste inciso sem que se altere neste aspecto o espírito da redação original. que " tem por finalidades desenvolver o educando .36) o que concorre para a construção de sua identidade. uma diretriz legal. Lei 9394/96). para o prosseguimento nos níveis mais elevados e complexos de educação. ensino fundamental e ensino médio. assegurar-lhe a formação comum indispensável para o exercício da cidadania e fornecer-lhe meios para progredir no trabalho e em estudos posteriores" (Art. ou seja.A constituição de 1988 já prenunciava esta concepção quando . inscrevendo no texto constitucional a "progressiva universalização do ensino médio gratuito ". A alteração provocada pela emenda constitucional merece entretanto um destaque. no inciso II do Art. e para o desenvolvimento pessoal.

com funções equivalentes para todos os educandos: • • • • a formação da pessoa de forma a desenvolver os seus valores e as competências necessárias à integração de seu projeto individual ao projeto da sociedade em que se situa. dotar o educando dos instrumentos que permitam "continuar aprendendo" tendo em vista a desenvolver a compreensão dos" fundamentos científicos e tecnológicos dos processos produtivos" (Art. garantir a preparação básica para o trabalho e a cidadania. a preparação e orientação básica para a sua integração ao mundo do trabalho. em níveis mais complexos de estudos. Em suma. O ensino médio. o ensino médio como parte da educação escolar " deverá vincular-se ao mundo do trabalho e à prática social" ( Art. obediência. Esta vinculação é orgânica e deve contaminar toda a prática educativa escolar. Na perspectiva da nova Lei. finalidades até então dissociadas. numa mesma e única modalidade. a Lei nº5692/71.incisos I a IV. e com o desenvolvimento da pessoa. com as competências que garantam seu aprimoramento profissional e permitam acompanhar as mudanças que caracterizam a produção no nosso tempo. da Lei nº 9394/96). Nesta concepção. o aprimoramento do educando como pessoa humana .35. é a etapa final de uma educação de caráter geral. a Lei 9394/96 muda no cerne a identidade estabelecida para o ensino médio contida na referência anterior. o desenvolvimento das competências para continuar aprendendo. respeito .1º § 2º da Lei9394/96 ). que situem o educando como sujeito produtor de conhecimento e participante do mundo do trabalho. a educação seria um instrumento de "conformação" do futuro profissional ao mundo do trabalho. como "sujeito em situação" – cidadão. segundo o qual. uma educação equilibrada. portanto.prosseguimento de estudos. Disciplina. com a construção de competências básicas. de forma articulada. para oferecer. a Lei estabelece uma perspectiva para este nível de ensino que integra. 4 –O Papel da Educação na Sociedade Tecnológica A centralidade do conhecimento nos processos de produção e organização da vida social rompe com o paradigma. incluindo a formação ética e o desenvolvimento da autonomia intelectual e do pensamento crítico. de forma autônoma e crítica. cujo 2º grau se caracterizava por uma dupla função: preparar para o prosseguimento de estudos e habilitar para o exercício de uma profissão técnica. afinada com a contemporaneidade.

O novo paradigma emana da compreensão que . seria admitir que vivemos " uma circunstância histórica inédita. em que o conhecimento é o instrumento principal. outros. a intolerância. é importante compreender que a aproximação entre as competências desejáveis em cada uma das dimensões sociais não garante uma homogeneização das oportunidades sociais. Em contrapartida. Isto é. Uma infinidade de competências reservadas até agora às elites foi banalizada de uns .hoje. presente na sociedade tecnológica. presentes: o desemprego. o desenvolvimento das competências cognitivas e culturais exigidas para o pleno desenvolvimento humano passa a coincidir com o que se espera na esfera da produção. decorrente da revolução tecnológica e seus desdobramentos na produção e na área da informação apresenta características possíveis de assegurar à educação uma autonomia ainda não alcançada . aproximam-se as competências desejáveis ao pleno desenvolvimento humano das necessárias à inserção no processo produtivo. Isto ocorre na medida em que. entre as competências exigidas para o exercício da cidadania e para as atividades produtivas recoloca-se o papel da Educação como elemento de desenvolvimento social. quais sejam a exclusão e a segmentação com todas as conseqüências . A expansão da economia pautada no conhecimento caracteriza-se também por fatos sociais que comprometem os processos de solidariedade e coesão social. Esta tensão. perdem a relevância face às novas exigências colocadas pelo desenvolvimento tecnológico e social. muitos outros. admitindo tal correspondência. a pobreza. condições até então necessárias para a inclusão social. cada vez mais . via profissionalização. aceitar tal perspectiva otimista. Um outro dado a considerar diz respeito ao que alguns estudos denominam como banalização das competências. pode se traduzir no âmbito social pela definição de quantos e quais segmentos terão acesso a uma educação que contribua efetivamente para a sua incorporação. podem fazer ou aprender a fazer. os que se vêem excluídos. os que vão continuar atuando em atividades tradicionais e o mais grave.restrito às regras estabelecidas. A " banalização das competências significa simplesmente que o que eu faço. Segundo Tedesco. na qual as capacidades para o desenvolvimento produtivo seriam idênticas para o papel do cidadão e para o desenvolvimento social". Há que considerar a redução dos espaços para os que vão trabalhar em atividades simbólicas. a violência. A nova sociedade que surge.

como apontamos anteriormente. do desenvolvimento do pensamento sistêmico ao contrário da compreensão parcial e fragmentada dos fenômenos. considerando a rapidez com que ocorrem as mudanças na área do conhecimento e da produção. a escola como Instituição Pública acabará também por se marginalizar. ou seja. Uma nova concepção curricular para o Ensino Médio.. ao invés de se colocar como elemento central de desenvolvimento dos cidadãos. uma vez que as medidas sugeridas exigem mudanças na seleção. de exercícios de memorização. contribua para a sua exclusão. do desenvolvimento do pensamento crítico. da capacidade de buscar conhecimento. principalmente para um país em processo de desenvolvimento que. De que competências se está falando? Da capacidade de abstração. ( GORZ). do desenvolvimento do pensamento divergente.da capacidade de pensar múltiplas alternativas para a solução de um problema. Não se pode mais postergar a intervenção no ensino médio. da criatividade . considerado como parte da educação básica.. Certamente. O desafio a enfrentar é grande. na década de 90. de formação dos docentes. Ao manter uma postura tradicional e distanciada das mudanças sociais. da ignorância dos instrumentos mais avançados de acesso ao conhecimento e da comunicação e desta forma. visando ampliar de modo racional a oferta de vagas e na. no que se refere à oferta do ensino médio. cultural. da disposição para procurar e aceitar críticas.) Em conseqüência a banalização das competências e das qualificações superiores é o meio indispensável e o mais eficaz para combater a dualização da sociedade. do saber comunicar-se.vinte anos para cá: a utilização do computador. Estas são competências que devem estar presentes na esfera social. da disposição para o risco. da fragmentação do conhecimento.da curiosidade . a mais que 25% de seus jovens entre 15 e 17 anos. Constata-se a necessidade de investir nas áreas de macroplanejamento.. condições para o exercício da cidadania neste contexto. nas atividades políticas e sociais como um todo. deve expressar a contemporaneidade e. sequer oferece uma cobertura no ensino médio. de modo a garantir a superação de uma escola que pretende formar por meio da imposição de modelos.. tratamento dos conteúdos e . o ponto de partida para a implementação da reforma curricular em curso é o reconhecimento das condições atuais de organização dos sistemas estaduais. ter a ousadia de mostrar-se prospectiva... o conhecimento de línguas estrangeiras(. da capacidade para trabalhar em equipe.

principalmente. as inovações tecnológicas como a informatização. a busca de maior precisão produtiva e de qualidade homogênea. A crescente presença da ciência e da tecnologia nas atividades produtivas e nas relações sociais. Em contrapartida. Estas são algumas prioridades. produtiva. indicadas em todos os estudos desenvolvidos recentemente pela Secretaria de Educação Média e Tecnológica e pelo Instituto Nacional de Estudos Pedagógicos-INEP. por meio do Sistema Nacional de Avaliação da Educação Básica-SAEB e que subsidiaram a elaboração da proposta de reforma curricular. os avanços do conhecimento que se observam neste século criam possibilidade de intervenção em áreas inexploradas. uma proposta curricular que se pretenda contemporânea deverá incorporar como um dos seus eixos as tendências apontadas para o século XXI. precisa ser considerada. isto não significa que seja menor neste a exigência em relação à qualificação do trabalhador. Nas sociedades tradicionais. a estabilidade da organização política. Houve uma diminuição gradativa mas significativa de empregos na agricultura. Atualmente. Mesmo considerando os obstáculos a superar. têm concorrido para acentuar o desemprego.incorporação de instrumentos tecnológicos modernos como a informática. a velocidade do progresso científico e tecnológico e da transformação dos processos de produção torna o conhecimento rapidamente superado. a partir da década de 40. Se o deslocamento das oportunidades de trabalho do setor industrial para o terciário é uma realidade. provocando rupturas rápidas. É possível afirmar que o crescimento econômico não gera mais empregos ou que concorre para a diminuição do número de horas de trabalho e. exigindo-se uma atualização contínua e colocando novas exigências para a formação do cidadão. hoje. provocou a migração campo-cidade. que fazem emergir questões de ordem ética merecedoras de debates em nível global. para a diminuição de oportunidades para o trabalho não qualificado. observa-se uma situação semelhante na indústria e isso ocorre não apenas em . que como conseqüência estabelece um ciclo permanente de mudanças. e outros mais. Estão presentes os avanços na biogenética. extensiva no país e a robótica. Agora. e social garantia um ambiente educacional relativamente estável. por exemplo. Comparadas com as mudanças significativas observadas nos séculos passados: como a máquina a vapor ou o motor a explosão cuja difusão se dava de modo lento e por um largo período de tempo. A transformação do ciclo produtivo.

a pessoa humana que se apropriará desses conhecimentos para aprimorar-se. de uma formação continuada. Considerando tal contexto. Alteram-se. A revolução tecnológica. como tal. Não há o que justifique reter. portanto. como uma via que conduza a um desenvolvimento mais harmonioso.função das novas tecnologias como também em função do processo de abertura dos mercados que passa a exigir maior precisão produtiva e padrões de qualidade da produção dos países mais desenvolvidos. ao promover o rompimento das fronteiras geográficas muda a geografia política. A perspectiva é de uma aprendizagem permanente. novas definições de identidade individual e coletiva. considerando como elemento central desta formação a construção da cidadania em função dos processos sociais que se modificam. Deve ser encarada "entre outros caminhos e para além deles.. com o sujeito ativo. as opressões e as guerras". necessidade de romper com modelos tradicionais para que se alcancem os objetivos propostos para o Ensino Médio. a educação surge como uma utopia necessária " indispensável à humanidade na sua construção da paz. a exclusão social. provocando de forma acelerada a transferência de conhecimentos. Diante deste mundo globalizado. do outro. de modo a fazer recuar a pobreza. no mundo do trabalho e na prática social. buscou-se construir novas alternativas de organização curricular para o Ensino Médio comprometidas. Há. O que se deseja é que os estudantes desenvolvam competências básicas que lhes permitam desenvolver a capacidade de continuar aprendendo. os objetivos de formação no nível do ensino médio.( Relatório da UNESCO sobre Educação para o século XXI ). cria novas formas de socialização. com o novo significado do trabalho no contexto da globalização e. tecnologias e informações. Prioriza-se a formação ética e o desenvolvimento da autonomia intelectual e do pensamento crítico. as incompreensões. por sua vez. até mesmo. portanto. que apresenta múltiplos desafios para o homem. mais autêntico. A globalização .. recoloca as questões da sociabilidade humana em espaços cada vez mais amplos. processos de produção e. da liberdade e da justiça social ". memorizar conhecimentos que estão sendo superados ou cujo acesso é facilitado pela moderna tecnologia. . de um lado.

de conhecer. porque seu fundamento é o prazer de compreender. favorece o desenvolvimento da curiosidade intelectual. tendo em vista tais reflexões. aprender a fazer.É importante destacar . aprender a viver e aprender a ser. a educação deve cumprir um triplo papel : econômico. as considerações oriundas da Reunião da Comissão Internacional sobre Educação para o século XXI. mediante a aquisição da autonomia na capacidade de discernir. Aprender a conhecer garante o aprender a aprender e constitui o passaporte para a educação permanente. Nesta perspectiva . estimula o senso crítico e permite compreender o real. 1994: 100). considerado tanto como meio como fim. a. 5 – A nova proposta de reforma curricular : a expansão com qualidade O currículo enquanto instrumentação da cidadania democrática é aquele que contempla conteúdos e estratégias de aprendizagem que capacitam o ser humano para a realização de atividades que pertencem aos três domínios da ação humana: vida em sociedade. na medida em que fornece as bases para continuar aprendendo ao longo da vida. O aumento dos saberes que permite compreender o mundo. científico e cultural b. de descobrir. condição necessária para viver dignamente. da simbolização subjetiva. visando a integração de homens e mulheres no tríplice universo do trabalho. atividade produtiva e experiência subjetiva. enquanto forma de compreender a complexidade do mundo. a educação deve ser estruturada em quatro alicerces : aprender a conhecer. Fim. e das relações políticas. para se comunicar . Prioriza-se o domínio dos próprios instrumentos do conhecimento. com possibilidade de aprofundamento em determinada área de conhecimento. suficientemente ampla. incorporam-se como diretrizes gerais e orientadoras da proposta curricular as quatro premissas apontadas pela UNESCO como eixos estruturantes da educação na sociedade contemporânea : • Aprender a conhecer Considera-se a importância de uma educação geral. Meio. . incorporadas nas determinações da Lei 9394/96. (Severino. para desenvolver possibilidades pessoais e profissionais.

tendo em vista as aprendizagens fundamentais acima enunciadas. discernimento. de modo a poder decidir por si mesmo. Supõe ainda desenvolver a liberdade de pensamento. É um ir e vir : do singular para o geral. (José Luiz Rodrigues) • • • Estes eixos orientam a elaboração de critérios para a seleção de conteúdos e das competências e habilidades que se pretende desenvolver no nível do ensino médio. assim. que se estabelece em torno de três eixos: o histórico-social. passa a ter uma significação especial no desenvolvimento da sociedade contemporânea. desenvolvendo o conhecimento do outro e a percepção das interdependências de modo a permitir a realização de projetos comuns ou a gestão inteligente dos conflitos inevitáveis. do fenômeno para a essência. das duas aprendizagens anteriores . sentimento e imaginação para desenvolver os seus talentos e permanecer tanto quanto possível. . Aprender a viver e aprender a ser decorrem.• Aprender a fazer O desenvolvimento de habilidades e o estímulo ao surgimento de novas aptidões tornam-se processos essenciais na medida em que criam as condições necessárias para o enfrentamento das novas situações que se colocam. frente as diferentes circunstâncias da vida. • Aprender a ser A educação deve estar comprometida com o desenvolvimento total da pessoa. Privilegiar a aplicação da teoria na prática e enriquecer a vivência da ciência na tecnologia e destas no social. dono do seu próprio destino. cuja essência consiste no entrelaçamento do desvelar da história do eu individual com o desvelar da história do eu coletivo. • Aprender a viver Trata-se de aprender a viver juntos. da realidade para a possibilidade. Considera-se nesta perspectiva o currículo como " uma manifestação deliberada da cultura via escola. Aprender a ser supõe a preparação do indivíduo para elaborar pensamentos autônomos e críticos e para formular os seus próprios juízos de valor. epistemológico e o cotidiano.aprender a conhecer e aprender a fazer e devem constituir ações permanentes que visem a formação do educando como pessoa e como cidadão.

aplicação e solução de problemas concretos são combinados com uma revisão dos componentes socio-culturais. A discussão sobre cada uma das áreas de conhecimento será apresentada em documento específico. tecnológicos.O eixo histórico-cultural coloca a discussão sobre o valor dos conhecimentos tendo em vista o contexto da sociedade em constante mudança. A historicidade da produção de conhecimento precisa diacronizá-lo. uma vez que entende os conhecimentos cada vez mais imbricados aos conhecedores seja no campo técnico-científico. O conceito de ciências está presente nos demais componentes. De modo geral estão assim definidas: . onde conceito. mais facilmente se comunicam. preconiza-se que a concepção curricular seja transdiciplinar. inclusive. O eixo epistemológico " resgata e coloca no hoje a historicidade dos componentes curriculares ". e os demais conhecimentos que permitem uma leitura crítica do mundo estejam presentes em todos os momentos da prática escolar. apontando para a função social dos conteúdos. bem como a concepção de que a produção do conhecimento é situada. tecnologias. Ciências da Natureza e Matemática e Ciências Humanas tem como base a reunião daqueles conhecimentos que compartilham objetos de estudo e portanto. cultural.Gomes ) A proposta de reforma curricular do ensino médio propõe a divisão do conhecimento escolar em áreas. criando condições para que a prática escolar se desenvolva numa perspectiva de interdisciplinaridade. O cotidiano é o momento em que o currículo prescrito é submetido a uma verdadeira prova de validade e de relevância social. ciências. contendo. A estruturação por área de conhecimento justifica-se por assegurar uma educação de base científica e tecnológica. Os intercâmbios que ocorrem na escola são mediados por determinações culturais "representações e comportamentos produzidos e socialmente construídos em espaços e em tempo concretos. seja no âmbito do cotidiano da vida social A organização em 3 áreas : Linguagens e Códigos. sócio. as competências que os alunos deverão alcançar ao concluir o ensino médio. O desenvolvimento pessoal permeia a concepção dos componentes científicos. que se apoiam em elaboração e aquisições anteriores " ( Sacristán e Perez. econômica e politicamente num determinado espaço e tempo. matricial. socio-culturais e de linguagens . Enfim. orientados por uma visão epistemológica que concilie humanismo e tecnologia ou humanismo numa sociedade tecnológica. de forma que linguagens.

a reflexão sobre a linguagem e seus sistemas que se mostram articulados por múltiplos códigos e sobre os processos e procedimentos comunicativos é mais do que uma necessidade. Os códigos se mostram no conjunto de escolhas e combinações discursivas. de forma . em sistemas arbitrários de representação. à sociabilidade (Sociologia) . Nas interações. planejar. fazendo com que a circulação de sentidos produza formas sensoriais e cognitivas diferenciadas. e cujas especificidades ocorrem pelos focos diferenciados a partir dos quais olham o seu objeto em relação ao espaço ( Geografia) . a área deve envolver. Matemática e Ciências da Natureza e suas tecnologias • A aprendizagem na área Ciências da Natureza. Matemática e suas tecnologias indica a compreensão e a utilização dos conhecimentos científicos para explicar o funcionamento do mundo. gráficas etc No mundo contemporâneo. é uma garantia de participação ativa na vida social. de onde decorrem peculiaridades metodológicas importantes de serem preservadas. Podemos assim falar em linguagens. nas práticas sociais e na história. ao tempo (História) . relações comunicativas de conhecimento e reconhecimento. A principal razão de qualquer ato de linguagem é a produção de sentido. cuja afinidade é definida pelo objeto comum de estudos – o comportamento humano – e por pontos de intersecção das metodologias específicas de produção desses conhecimentos. ao longo do Ensino Médio. executar e avaliar as ações de intervenção na realidade. que se confrontam. lexicais fonológicas. aos processos de reflexão sobre comportamentos e pensamentos (Filosofia). códigos. símbolos que estão em uso e permitem a adequação de sentidos partilhados. • Ciências Humanas e suas Tecnologias Entendemos por Área de Ensino em Ciências Humanas e suas Tecnologias a configuração a partir de um conjunto de conhecimentos específicos . que variam de acordo com as necessidades e experiências da vida em sociedade.• Linguagens e Códigos e suas tecnologias A linguagem é considerada aqui como capacidade humana de articular significados coletivos e compartilhá-los. gramaticais. marcado por meio do apelo informativo imediato. a cidadania desejada. são gerados e transformados e representações convencionadas e padronizadas. Para concretização das competências e habilidades que se pretende objetivar.

o desenvolvimento de conhecimentos práticos e contextualizados. Em suma. em todos os níveis de ensino é analisar a realidade segmentada. na nova proposta de reforma curricular. A interdisciplinaridade na perspectiva escolar não tem a pretensão de criar novas disciplinas ou saberes. contribui o enfoque disciplinar que. que respondam às necessidades da vida contemporânea. Há uma importante diferenciação a fazer entre o que se entende por disciplina escolar e disciplina científica. a interdisciplinaridade deve ser compreendida a partir da abordagem relacional. trata-se de recorrer a um saber diretamente útil e utilizável para responder às questões e aos problemas sociais contemporâneos ( Lenoir ). Nesta perspectiva pressupõe a interação entre os conhecimentos.combinada. Na proposta de reforma curricular do Ensino Médio. compartimentalizado. gradativamente. pretendemos superada pela perspectiva interdisciplinar e pela contextualização dos conhecimentos. O que une as disciplinas escolares e as científicas é o fato de que se pautam pela mesma lógica científica. mas de utilizar os conhecimentos de várias disciplinas para resolver um problema concreto ou compreender um determinado fenômeno de diferentes pontos de vista. que caracteriza o conhecimento escolar. Pretendemos contribuir para que. por meio da prática escolar sejam . Estamos tratando da interdisplinaridade escolar e não de disciplinas científicas. propõe-se que. A interdisciplinaridade " pressupõe a existência de ao menos duas disciplinas como referência e a presença de uma ação recíproca" ( Germain. diferentes perspectivas de visão de mundo de alunos e educadores em busca de soluções viáveis de vida (Murrie). Para esta visão. sem desenvolver a compreensão dos múltiplos conhecimentos que se interpenetram e conformam determinados fenômenos. A tendência atual.1991). Há uma transposição didática na transmissão do conhecimento O conhecimento escolar pela sua natureza e função. O conhecimento ensinado na escola não é o dito científico. a interdisciplinaridade escolar tem uma perspectiva instrumental. isto é. segmentada. distingue-se dos demais ao entrelaçar no seu âmbito. se vá superando o tratamento estanque.

por uma parte diversificada. interconexões e passagens entre os conhecimentos. A aprendizagem significativa pressupõe a existência de um referencial que permita aos alunos identificar e se identificar com as questões propostas. tendem a se perpetuar nos rituais escolares. em cada sistema de ensino e estabelecimento escolar. O distanciamento entre os conteúdos programáticos e a experiência dos alunos certamente responde pelo desinteresse e até mesmo pela deserção que constatamos em nossas escolas. trabalhado na perspectiva interdisciplinar e contextualizado partimos do pressuposto que toda a aprendizagem significativa implica uma relação sujeito/objeto e para que esta se concretize é necessário que sejam dadas as condições que os dois pólos do processo interajam. ( Cortella). Ao propor uma nova forma de organizar o currículo. do que como científicas. no ensino fundamental e médio. na medida que ofereça maior liberdade aos professores e alunos para a seleção de conteúdos mais diretamente relacionados aos assuntos ou problemas que dizem respeito à vida da comunidade. não implica em permanecer apenas no nível de conhecimento que é dado pelo contexto mais imediato mas" em fazer avançar a capacidade de compreender e intervir na realidade para além do estágio presente. a ser complementada. convergência.A Base Nacional Comum É no contexto de Educação Básica que a lei 9394/96 determina a construção do currículo. Conforme Cortella. . Esta postura.estabelecidas ligações de complementaridade. 6. tornando-se desta forma um acervo de conhecimentos quase sempre esquecidos ou que não se consegue aplicar por desconhecer suas relações com o real. Conhecimentos selecionados "a priori" e legitimados muito mais comumente pela prática docente como disciplinas escolares.A Organização Curricular na Lei de Diretrizes e Bases da Educação 6.1 . A integração entre conhecimentos pode criar as condições necessárias para uma aprendizagem motivadora. sem passar pela crítica e reflexão dos docentes. com uma base nacional comum. gerando autonomia e humanização ". não há conhecimento que possa ser aprendido e recriado se não partirmos das preocupações que as pessoas detêm.

Esta educação geral que permite buscar informação. com seleção de léxico e com regras de articulação/relações que geram uma significação e que. soluções tecnológicas podem propiciar a produção de um novo conhecimento científico. ou para a prevenção de uma doença profissional.exigida pelas características regionais e locais da sociedade. sócio-afetiva ou cognitiva é um afinamento das competências básicas. qualquer competência requerida no exercício profissional. deve caminhar no sentido de que a construção de competências e habilidades básicas seja o objetivo do processo de aprendizagem e não o acúmulo de esquemas resolutivos preestabelecidos. seja ela psicomotora. Esta educação geral permite a construção de competências que se manifestarão em habilidades básicas. A base nacional comum traz em si a dimensão de preparação para o trabalho. Aponta também que a linguagem verbal se presta à compreensão ou expressão de um comando ou instrução clara. É importante operar com algoritmos na matemática ou na física. técnicas ou de gestão. Na verdade. Ressalve-se que uma base curricular nacional organizada por áreas de conhecimento não implica na desconsideração ou esvaziamento dos conteúdos. usá-las para solucionar problemas concretos na produção de bens ou na gestão e prestação de serviços.26. gestão ou produção de um bem. como tal. da Lei 9394/96). que a Biologia lhe dá os fundamentos para a análise do impacto ambiental. portanto. Esta dimensão tem que apontar para que este mesmo algoritmo seja um instrumento na solução de um problema concreto. mas o estudante precisa entender que. está de posse de uma sentença de linguagem. é preparação básica para o trabalho. mas na seleção e na integração dos que são válidos para o desenvolvimento pessoal e para o incremento da participação social. por outro lado. frente àquele algoritmo. Enfim. que pode dar conta da etapa de planejamento. é a leitura e escrita da realidade de uma situação desta. da economia e da clientela ( art. objetiva. Esta concepção curricular não elimina o ensino de conteúdos específicos. . precisa. aponta que não há solução tecnológica sem uma base científica e que. mas considera que os mesmos devem fazer parte de um processo global com várias dimensões articuladas. gerar informação. A base nacional comum contém em si a dimensão de preparação para o prosseguimento de estudos e. de uma solução tecnológica. da cultura. da linguagem matemática.

. em seu parágrafo 1º. o processo histórico de transformação da sociedade e da cultura. superando a organização por disciplinas estanques e revigorando a integração e articulação dos conhecimentos num processo permanente de interdisciplinaridade e transdiciplinaridade.36. da LDB.domínio dos princípios científicos e tecnológicos que presidem a produção moderna. o conhecimento do mundo físico e natural e da realidade social e política.. de " estudos da Língua portuguesa e da matemática. quando o Art. integrada a proposta pedagógica da escola". estabelece. as metodologias e as formas de avaliação serão organizados de tal forma que ao final do ensino médio o educando demonstre: I. das letras e das artes. O Art. acesso ao conhecimento e exercício da cidadania. bem como o perfil de saída do educando sejam alcançados de forma a caracterizar que a educação básica seja uma efetiva conquista de cada brasileiro.36. " o ensino da arte.36 . ao final do ensino médio deve demonstrar : Art.36.conhecimento das formas contemporâneas de linguagem. especialmente do Brasil" .de forma a promover o desenvolvimento cultural dos alunos " e. a compreensão do significado da ciência. Quando a LDB destaca as diretrizes curriculares específicas do ensino médio.A base nacional comum destina-se `a formação geral do educando e deve assegurar que as finalidade propostas em lei. Os conteúdos.. ela se preocupa em apontar para um planejamento e desenvolvimento do currículo de forma orgânica. as competências que o aluno . 26 da LDB. Art. A organicidade dos conhecimentos fica mais evidente ainda. Garantir o desenvolvimento de competências e habilidades básicas comuns a todos os brasileiros é uma garantia de democratização. § 1º. nessa base nacional comum. a língua portuguesa como instrumento de comunicação. I – destacará a educação tecnológica básica. A definição destas competências e habilidades servirá de parâmetro para a avaliação da educação básica em nível nacional. II.. ... Essa proposta de organicidade está contida no Art. "a educação física. determina a obrigatoriedade.

A Lei 9394/96 ao estabelecer como fundamentais o domínio dos conhecimentos de Filosofia e de Sociologia não está propondo a inclusão destas ou de quaisquer outras disciplinas mas. a importância do desenvolvimento de "referências que permitam a articulação entre os conhecimentos.35 O ensino médio. Segundo Favaretto" a Filosofia é antes de mais nada uma disciplina cultural. etapa final da educação básica. a preparação básica para o trabalho e a cidadania do educando como pessoa humana. No que se refere à Sociologia trata-se de orientar o currículo no sentido de" contribuir para que o aluno desenvolva sua autonomia intelectual. Essa flexibilidade deve ser assegurada. II. dos estabelecimentos de ensino e do educando de usufruírem da flexibilidade que a lei não só permite como estimula. (Martins . ver documento Ciências Humanas e suas tecnologias ) O perfil de saída do aluno do ensino médio está diretamente relacionado às finalidades desse ensino. . É importante compreender que a base nacional comum não pode constituir uma camisa de força que tolha a capacidade dos sistemas. II.. relacionando a teoria com a prática. de forma a ser capaz de confrontar diferentes interpretações e construir sua própria versão do mundo". incluindo a formação ética e o desenvolvimento da autonomia intelectual e do pensamento crítico..35 da Lei : Art. quanto na metodologia a ser desenvolvida no processo ensino-aprendizagem e na avaliação. a compreensão dos fundamentos científicos-tecnológicos dos processos produtivos.III. conforme determina o Art. a consolidação e aprofundamento dos conhecimentos adquiridos no ensino fundamental. a cultura. no ensino de cada disciplina. as linguagens e a experiência dos alunos". possibilitando o prosseguimento de estudo. pois a formação que propicia diz respeito à significação dos processos culturais e históricos" (Ver no documento de Ciências Humanas e suas tecnologias ). ( Favaretto).terá como finalidade : I. tanto na organização dos conteúdos mencionados em lei. indicando.domínio dos conhecimentos de Filosofia e de Sociologia necessários ao exercício da cidadania" .

a atender às características regionais e locais da sociedade. considerando as demandas regionais do ponto de vista sócio-cultural. que desenvolva a base nacional comum. Do ponto de vista dos sistemas de ensino está representada pela formulação de uma matriz curricular básica. as prioridades estabelecidas no projeto da unidade escolar e a inserção do educando na construção do seu currículo. a flexibilidade da manifestação dos projetos curriculares das escolas . no mundo do trabalho e na prática social. Complementa a base nacional comum e será definida em cada sistema de ensino e estabelecimento escolar. econômico e político.Lei9394/96).A parte diversificada do currículo A parte diversificada do currículo . (Art. com o novo significado do trabalho no contexto da globalização e. A parte diversificada do currículo deve expressar.As considerações gerais sobre legislação indicam a necessidade de construir novas alternativas de organização curricular comprometidas. Deve refletir uma concepção curricular que oriente o ensino médio no seu sistema. ademais das incorporações dos sistemas de ensino. sem impedir . destina-se. significando-o. O que é obrigatório pela LDB ou pela Resolução nº 03/98. O fato destes Parâmetros Curriculares terem sido organizados em cada uma das áreas por disciplinas potenciais não significa que estas são obrigatórias ou mesmo recomendadas. Considerará as possibilidades de preparação básica para o trabalho e o aprofundamento em uma disciplina ou uma área. com o sujeito ativo que se apropriará desses conhecimentos para aprimorar-se. de um lado.2. projetos ou módulos em consonância com os interesse de alunos e da comunidade a que pertencem. da economia e da clientela. como tal. O seu objetivo principal é desenvolver e consolidar conhecimentos das áreas de forma contextualizada e referidos a atividades das práticas sociais e produtivas. É importante esclarecer que o desenvolvimento da parte diversificada não implica em profissionalização mas na diversificação de experiências escolares com o objetivo de enriquecimento curricular ou mesmo. da cultura. O desenvolvimento da parte diversificada pode ocorrer no próprio estabelecimento de ensino ou em outro estabelecimento conveniado. aprofundamento de estudos quando o contexto assim exigir. são os conhecimentos que estas disciplinas recortam e as competências e habilidades a eles referidos e mencionados nos citados documentos. entretanto. do outro.26. 6. . sob forma de disciplinas.

" Essa preparação geral para o trabalho faz parte da formação geral do educando e pode ser desenvolvida no próprio estabelecimento de ensino ou em cooperação com instituições especializadas. 27. o Art. estabelece: " Art. que eventualmente venha a ser cursada independentemente de exames específicos" Dois aspectos podem ser ressaltados no texto citado: .... . Numa interpretação do dispositivo legal.3. I. Os conteúdos curriculares da educação básica observarão .27. . a preparação básica para o trabalho e a cidadania do educando.5º. para os currículos de educação básica: " Art. A educação profissional de nível técnico terá organização curricular própria e independente do ensino médio. cursadas na parte diversificada do currículo de ensino médio. dentre as finalidades do ensino médio.35 estabelece. que trata da educação profissional. o Decreto nº2208. II. até o limite de 25% do total da carga horária mínima deste nível de ensino. III. poderão ser aproveitadas no currículo de habilitação profissional. da Lei nº9394/96. de modo a ser capaz de se adaptar com flexibilidade a novas condições de ocupação ou aperfeiçoamento posteriores.A parte diversificada e a educação profissional A preparação geral para o trabalho decorre das diretrizes estabelecidas... conforme disposto no §4º. de 17 de abril de 1997. do capítulo II da Lei nº9394/96. do Art.36. ainda. . As disciplinas de caráter profissionalizante..35. " Art. orientação para o trabalho " Na seção IV..6.. para continuar aprendendo. as seguintes diretrizes: I. Parágrafo único. no Art. II.

até o limite de 25% do tempo mínimo legalmente estabelecido como carga horária para o ensino médio "(CNE Nº3. Esta questão é reiterada. a parte diversificada a cargo do estabelecimento de ensino pode constituir até 25% do mínimo estabelecido na Lei nº 9394/96 para duração do ensino médio. A intenção é situar os leitores : professores. 2.Lei 9394/96. b. as 600 horas podem conter disciplinas de caráter profissionalizante as quais podem ser aproveitadas quando o educando optar por um curso técnico. A organização curricular na Lei de Diretrizes e Bases da Educação. a proposta de reforma curricular do ensino médio em seus principais elementos. 6. 5. 26/06/98 ). Seguem-se os textos legais: . poderão ser aproveitados para a obtenção de uma habilitação profissional. em cursos realizadas concomitante ou seqüencialmente. Os fundamentos legais que orientam a proposta de Reforma Curricular do Ensino Médio.a. 3. As relações entre a "Revolução do Conhecimento ". em linhas gerais. Desta forma procuramos discutir: 1. tanto da base nacional comum quanto da parte diversificada. As informações apresentadas neste texto tem como objetivo discutir. técnicos de educação e demais interessados na questão educacional sobre os aspectos considerados centrais nesta proposta . O papel da Educação e da formação em nível de Ensino Médio na Sociedade Tecnológica. no artigo 13. logo 600 horas do currículo. Estas são as questões consideradas centrais para a compreensão da nova proposta curricular do ensino médio. a Educação Básica e a proposta de Reforma Curricular do Ensino Médio. Os fundamentos teóricos da proposta curricular do Ensino Médio. 4. da Resolução do Conselho Nacional de Educação Básica quando se indica que : " estudos concluídos no ensino médio. A metodologia de trabalho utilizada para a elaboração da proposta.

• Serão apresentados em seguida os textos que se referem a cada área de conhecimento. • Parecer nº 15/98 da Câmara de Educação Básica do Conselho Nacional de Educação. tal como se coloca na proposta : Linguagens e Códigos e suas tecnologias Ciências da Natureza. • Resolução nº 03/98 da Câmara de Educação Básica do Conselho Nacional de Educação .Diretrizes Curriculares do Conselho Nacional de Educação. .Lei nº 9.394/96 – Lei de Diretrizes e Bases da Educação – LDB. Matemática e suas tecnologias • Ciências Humanas e suas tecnologias • • Nestes textos o leitor encontra a fundamentação teórica de cada área e as competências e habilidades que os alunos deverão alcançar ao final da escolarização básica.