A Lei de Diretrizes e Bases de Educação Nacional e a Reforma do Ensino Médio

MINISTÉRIO DA EDUCAÇÃO E DO DESPORTO SECRETARIA DE EDUCAÇÃO MÉDIA E TECNOLÓGICA

1 – Introdução O MINISTÉRIO DE EDUCAÇÃO E DO DESPORTO, por intermédio da Secretaria de Educação Média e Tecnológica , organizou, na atual administração, o Projeto de Reforma do Ensino Médio, como parte de uma política mais geral de desenvolvimento social, que prioriza as ações na área da Educação. O Brasil, como os demais países da América Latina, está empenhado em promover reformas na área educacional que permitam superar o quadro de extrema desvantagem, em relação aos índices de escolarização e de nível de conhecimento que apresentam os países desenvolvidos. Particularmente, no que se refere ao Ensino Médio, dois fatores de natureza muito diversa, mas que mantêm entre si relações observáveis, passam a determinar a urgência em se repensar as diretrizes gerais e os parâmetros curriculares que orientam este nível de ensino. O fator econômico que se apresenta e se define pela ruptura tecnológica característica da chamada terceira revolução técnicoindustrial, na qual os avanços da micro-eletrônica têm um papel preponderante, e, que, a partir década de 80, se acentua no país. A denominada "revolução informática" promove mudanças radicais, na área do conhecimento, que passa a ocupar um lugar central nos processos de desenvolvimento, em geral. É possível afirmar que, nas próximas décadas, a educação vá se transformar mais rapidamente do que em muitas outras, em função de uma nova compreensão teórica sobre o papel da escola, estimulada pela incorporação das novas tecnologias. As propostas de reforma curricular para o Ensino Médio se pautam nas constatações sobre as mudanças no conhecimento e seus desdobramentos, no que se refere à produção e as relações sociais de modo geral.

Nas décadas de 60 e 70, considerando o nível de desenvolvimento da industrialização na América Latina, a política educacional vigente priorizou, como finalidade para o ensino médio, a formação de especialistas capazes de dominar a utilização de maquinarias ou de dirigir processos de produção. Esta tendência levou o Brasil na década de 70, a propor a profissionalização compulsória, estratégia que também visava diminuir a pressão da demanda sobre o ensino superior. Na década de 90, enfrentamos um desafio de outra ordem. O volume de informações, produzido em decorrência das novas tecnologias, é constantemente superado, colocando novos parâmetros para a formação dos cidadãos . Não se trata de acumular conhecimentos. A formação do aluno deve ter como alvo principal a aquisição de conhecimentos básicos, a preparação científica e a capacidade para utilizar as diferentes tecnologias relativas às áreas de atuação. Propõe-se no nível do Ensino Médio, a formação geral em oposição à formação específica, o desenvolvimento de capacidades de pesquisar, buscar informações, analisá-las e selecioná-las; a capacidade de aprender , de criar, de formular ,ao invés do simples exercício de memorização . São estes os princípios mais gerais que orientam a reformulação curricular do Ensino Médio e que se expressam na nova Lei de Diretrizes e Bases da Educação -LEI 9394/96. Se é necessário pensar em reformas curriculares, levando em conta as mudanças estruturais que alteram a produção e a própria organização da sociedade, e que identificamos como fator econômico, não é menos importante conhecer e analisar as condições em que se desenvolve o sistema educacional do país. No Brasil , o Ensino Médio foi o que mais se expandiu, considerando como ponto de partida a década de 80. De 1988 a 1997, o crescimento da demanda superou 90% das matrículas até então existentes. Em apenas um ano, de 1996 a 1997, a matrícula do ensino médio cresceu 11,6%. É importante destacar, entretanto, que o índice de escolarização líquida neste nível de ensino, considerada a população de 15 a 17 anos, não ultrapassa 25%, o que coloca o Brasil em situação de desigualdade em relação a muitos países, inclusive da América Latina.

orientador da Lei de Diretrizes . Definiu-se que. incorporando os pressupostos acima citados e respeitando o princípio de flexibilidade. O padrão de crescimento das matrículas do Ensino Médio no Brasil . tem características que nos permitem destacar as suas relações com as mudanças que vêm ocorrendo na sociedade. revelam que 54% dos alunos são originários de famílias com renda mensal até 6 salários mínimos e nos estados da Bahia. e na maioria dos países do Caribe de língua inglesa. por exemplo. o índice de escolarização alcança de 55% a 60%. um modelo cuja principal preocupação era de proporcionar um diálogo constante entre os dirigentes da Secretaria de Educação Média e Tecnológica. 2. dada a compreensão sobre a importância da escolaridade. alterando o modo de organização do trabalho e as relações sociais e a expansão crescente da rede pública que deverá atender a padrões de qualidade que se coadunem com as exigências desta sociedade. É possível concluir que parte dos grupos sociais até então excluídos. a equipe técnica da Secretaria de Educação Média e Tecnológica e os professores convidados de várias universidades do país apontou para a necessidade de elaborar uma proposta que.Nos países do Cone Sul. entretanto. quando da avaliação dos concluintes do Ensino Médio em nove estados. seria fundamental a participação de professores e técnicos de diferentes níveis de ensino. cerca de 70%. tenha tido oportunidade de continuar os estudos em função do término do ensino fundamental ou. Os estudos desenvolvidos pelo INEP. têm renda familiar de até 3 salários mínimos. ligados direta ou indiretamente à educação. que esse mesmo grupo esteja retornando à escola. a equipe técnica coordenadora do projeto da reforma e os diversos setores da sociedade civil. em função das novas exigências do mundo do trabalho. Pernambuco e Rio Grande do Norte mais de 50% destes. Pensar um novo currículo para o Ensino Médio coloca em presença estes dois fatores : as mudanças estruturais que decorrem da chamada " Revolução do Conhecimento ". A primeira reunião entre os dirigentes. para a formulação de uma nova concepção do Ensino Médio. desde sua origem. As matrículas se concentram nas redes públicas estaduais e no período noturno.O processo de trabalho O projeto de reforma curricular do Ensino Médio teve como estrutura.

Esta metodologia de trabalho visava ampliar os debates. As reuniões subsequentes foram organizadas com a participação da equipe técnica de coordenação do projeto e representantes de todos as Secretarias Estaduais de Educação . Foram convidados a participar do processo de elaboração da proposta de reforma curricular professores universitários. considerando as desigualdades regionais. pelo então diretor do Departamento de Desenvolvimento da Educação Média e Tecnológica .se mostrasse exeqüível pelos estados da federação. foram realizadas duas reuniões nos estados de São Paulo e do Rio de janeiro com professores que lecionavam nas redes públicas. numa primeira abordagem. quanto no âmbito de cada estado. Foi elaborada a primeira versão da proposta de reforma. contendo novas questões e /ou sugestões de aperfeiçoamento dos documentos. Propôs-se. Concomitantemente à reformulação dos textos teóricos que fundamentavam cada área de conhecimento. envolvendo os professores e técnicos que atuavam no Ensino Médio. para as discussões dos textos que fundamentavam as áreas de ensino. . coordenados pelos professores representantes deveriam permitir uma análise crítica do material. com reconhecida experiência nas áreas de ensino e pesquisa que atuaram como consultores especialistas. escolhidos aleatoriamente. professor Ruy Leite Berger Filho e pela coordenadora do projeto. numa perspectiva de interdisciplinaridade e contextualização. em relação aos documentos produzidos. a reorganização curricular em áreas de conhecimento.e Bases. com a finalidade de verificar a compreensão e a receptividade. com o objetivo de facilitar o desenvolvimento dos conteúdos. Concluída esta primeira etapa. tanto no nível acadêmico. organizadas pela Secretaria de Educação Média e Tecnológica com esse objetivo específico. professora Eny Marisa Maia. O debate se ampliou por meio da participação dos consultores especialistas em diversas reuniões nos estados e pela divulgação dos textos de fundamentação das áreas entre os professores de outras universidades. os documentos foram submetidos à apreciação dos Secretários de Estado em reuniões do CONSED e outras.lei 9394/96. Os debates realizados nos estados.

seguindo-se a elaboração da resolução que estabelece as Diretrizes Curriculares Nacionais para o Ensino Médio. o professor Ruy Leite Berger Filho apresentou a proposta de reforma curricular que obteve dos participantes uma aprovação consensual. 3 – A Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional. O parecer do Conselho Nacional de Educação foi aprovado em 1/06/98 – Parecer nº 15/98da Câmara de Educação Básica-CEB do Conselho Nacional de Educação . foram submetidos à apreciação de consultores visando o aperfeiçoamento dos mesmos. A Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional. como o organizado pelo jornal " Folha de São Paulo " no início de 1997. Nesta etapa a Secretaria de Educação Média e Tecnológica trabalhou integradamente com a relatora do Conselho. Os textos de fundamentação das áreas de conhecimento. elaborados pelos professores especialistas. a equipe técnica de coordenação do projeto e os professores consultores.CNE .Lei 9394/96 foi a principal referência legal para a formulação das mudanças propostas. • O Ensino Médio é educação básica . O projeto foi também discutido em debates abertos à população.Lei 9394/96 e a Reforma Curricular do Ensino Médio A nova Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional vem conferir uma nova identidade ao Ensino Médio. O documento produzido foi apresentado aos Secretários de Estado de Educação e encaminhado ao Conselho Nacional de Educação em 7/07/97. professora Guiomar Namo de Mello.Obtivemos índices de aceitação muito satisfatórios nesses dois encontros. em reuniões especialmente agendadas para este fim e por meio de assessorias específicas dos professores consultores especialistas. o que se considerou como um indicador da adequação da proposta ao cotidiano das escolas públicas. representantes da escolas particulares e outros segmentos da sociedade civil. solicitando-se o respectivo parecer. a partir de uma série de discussões internas que envolveram os dirigentes. Os trabalhos de elaboração da reforma curricular foram concluídos em junho de 1997. Neste debate do qual participaram os sindicatos de professores. Resolução CEB/CNE nº 03/98. na medida em que estabelece os princípios e finalidades da Educação Nacional. a associação de estudantes secundaristas.

aprimorar o educando como pessoa humana possibilitar o . para o prosseguimento nos níveis mais elevados e complexos de educação. O ensino Médio deixa de ser obrigatório para as pessoas mas a sua oferta é dever do estado numa perspectiva de acesso para todos aqueles que o desejarem. referido à sua interação com a sociedade e sua plena inserção nela. ainda que não mais constitucional. O ensino Médio passa a ter a característica da terminalidade o que significa assegurar a todos os cidadãos a oportunidade de consolidar e aprofundar " os conhecimentos adquiridos no ensino fundamental ". ensino fundamental e ensino médio.22. garantia como dever do estado " a progressiva extensão da obrigatoriedade e gratuidade ao ensino médio ". A alteração provocada pela emenda constitucional merece entretanto um destaque. uma diretriz legal. inscrevendo no texto constitucional a "progressiva universalização do ensino médio gratuito ". sendo portanto esta. ou seja. a Emenda Constitucional nº 14/96. • O Ensino Médio como etapa final da educação básica A Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional explicita que o ensino médio é a "etapa final da educação básica " (Lei 9394/96 -Art. Lei 9394/96). Posteriormente. que " tem por finalidades desenvolver o educando . 21 estabelece. A Lei de Diretrizes e Bases reitera a obrigatoriedade progressiva do Ensino Médio.36) o que concorre para a construção de sua identidade. "Art. A educação escolar compõe-se de : I – educação básica. II – educação superior" Isto significa que o ensino médio passa a integrar a etapa do processo educacional que a nação considera básica para o exercício da cidadania. e para o desenvolvimento pessoal. formada pela educação infantil. A Lei 9394/96 deu condição de norma legal a esta condição quando por meio do Art. 21.A constituição de 1988 já prenunciava esta concepção quando . no inciso II do Art. assegurar-lhe a formação comum indispensável para o exercício da cidadania e fornecer-lhe meios para progredir no trabalho e em estudos posteriores" (Art. na vigência da Lei. modifica a redação deste inciso sem que se altere neste aspecto o espírito da redação original. 208. base para o acesso às atividades produtivas. A Constituição portanto confere a este nível de ensino o estatuto de direito de todo o cidadão.

obediência. Esta vinculação é orgânica e deve contaminar toda a prática educativa escolar. Em suma. incluindo a formação ética e o desenvolvimento da autonomia intelectual e do pensamento crítico. com a construção de competências básicas. dotar o educando dos instrumentos que permitam "continuar aprendendo" tendo em vista a desenvolver a compreensão dos" fundamentos científicos e tecnológicos dos processos produtivos" (Art. 4 –O Papel da Educação na Sociedade Tecnológica A centralidade do conhecimento nos processos de produção e organização da vida social rompe com o paradigma. a Lei nº5692/71. afinada com a contemporaneidade. portanto.prosseguimento de estudos. finalidades até então dissociadas. O ensino médio.1º § 2º da Lei9394/96 ). em níveis mais complexos de estudos. o desenvolvimento das competências para continuar aprendendo. Disciplina. é a etapa final de uma educação de caráter geral. numa mesma e única modalidade. de forma articulada. a preparação e orientação básica para a sua integração ao mundo do trabalho. que situem o educando como sujeito produtor de conhecimento e participante do mundo do trabalho. Nesta concepção. a educação seria um instrumento de "conformação" do futuro profissional ao mundo do trabalho. respeito . o aprimoramento do educando como pessoa humana . com funções equivalentes para todos os educandos: • • • • a formação da pessoa de forma a desenvolver os seus valores e as competências necessárias à integração de seu projeto individual ao projeto da sociedade em que se situa. e com o desenvolvimento da pessoa. para oferecer. a Lei estabelece uma perspectiva para este nível de ensino que integra.incisos I a IV. cujo 2º grau se caracterizava por uma dupla função: preparar para o prosseguimento de estudos e habilitar para o exercício de uma profissão técnica. com as competências que garantam seu aprimoramento profissional e permitam acompanhar as mudanças que caracterizam a produção no nosso tempo. garantir a preparação básica para o trabalho e a cidadania. a Lei 9394/96 muda no cerne a identidade estabelecida para o ensino médio contida na referência anterior. da Lei nº 9394/96). segundo o qual. como "sujeito em situação" – cidadão. o ensino médio como parte da educação escolar " deverá vincular-se ao mundo do trabalho e à prática social" ( Art. uma educação equilibrada.35. de forma autônoma e crítica. Na perspectiva da nova Lei.

a intolerância. Segundo Tedesco. podem fazer ou aprender a fazer. os que vão continuar atuando em atividades tradicionais e o mais grave. decorrente da revolução tecnológica e seus desdobramentos na produção e na área da informação apresenta características possíveis de assegurar à educação uma autonomia ainda não alcançada . Há que considerar a redução dos espaços para os que vão trabalhar em atividades simbólicas. a pobreza. Um outro dado a considerar diz respeito ao que alguns estudos denominam como banalização das competências. entre as competências exigidas para o exercício da cidadania e para as atividades produtivas recoloca-se o papel da Educação como elemento de desenvolvimento social. quais sejam a exclusão e a segmentação com todas as conseqüências . presente na sociedade tecnológica. na qual as capacidades para o desenvolvimento produtivo seriam idênticas para o papel do cidadão e para o desenvolvimento social". Isto é. via profissionalização. admitindo tal correspondência. Em contrapartida. aceitar tal perspectiva otimista. A nova sociedade que surge. cada vez mais .restrito às regras estabelecidas. perdem a relevância face às novas exigências colocadas pelo desenvolvimento tecnológico e social. o desenvolvimento das competências cognitivas e culturais exigidas para o pleno desenvolvimento humano passa a coincidir com o que se espera na esfera da produção. os que se vêem excluídos. outros. seria admitir que vivemos " uma circunstância histórica inédita. Esta tensão. muitos outros. pode se traduzir no âmbito social pela definição de quantos e quais segmentos terão acesso a uma educação que contribua efetivamente para a sua incorporação. em que o conhecimento é o instrumento principal. A " banalização das competências significa simplesmente que o que eu faço. Uma infinidade de competências reservadas até agora às elites foi banalizada de uns . é importante compreender que a aproximação entre as competências desejáveis em cada uma das dimensões sociais não garante uma homogeneização das oportunidades sociais. O novo paradigma emana da compreensão que . Isto ocorre na medida em que. A expansão da economia pautada no conhecimento caracteriza-se também por fatos sociais que comprometem os processos de solidariedade e coesão social. aproximam-se as competências desejáveis ao pleno desenvolvimento humano das necessárias à inserção no processo produtivo. a violência. presentes: o desemprego. condições até então necessárias para a inclusão social.hoje.

da capacidade para trabalhar em equipe. deve expressar a contemporaneidade e.. do desenvolvimento do pensamento sistêmico ao contrário da compreensão parcial e fragmentada dos fenômenos. a mais que 25% de seus jovens entre 15 e 17 anos. ( GORZ). ao invés de se colocar como elemento central de desenvolvimento dos cidadãos. Constata-se a necessidade de investir nas áreas de macroplanejamento. Estas são competências que devem estar presentes na esfera social. ou seja.. da disposição para procurar e aceitar críticas.. do saber comunicar-se. no que se refere à oferta do ensino médio.. na década de 90. Ao manter uma postura tradicional e distanciada das mudanças sociais.da capacidade de pensar múltiplas alternativas para a solução de um problema. de modo a garantir a superação de uma escola que pretende formar por meio da imposição de modelos. condições para o exercício da cidadania neste contexto. principalmente para um país em processo de desenvolvimento que.vinte anos para cá: a utilização do computador.. De que competências se está falando? Da capacidade de abstração. contribua para a sua exclusão. nas atividades políticas e sociais como um todo. a escola como Instituição Pública acabará também por se marginalizar. tratamento dos conteúdos e . da capacidade de buscar conhecimento.) Em conseqüência a banalização das competências e das qualificações superiores é o meio indispensável e o mais eficaz para combater a dualização da sociedade. sequer oferece uma cobertura no ensino médio. da ignorância dos instrumentos mais avançados de acesso ao conhecimento e da comunicação e desta forma. considerando a rapidez com que ocorrem as mudanças na área do conhecimento e da produção. o conhecimento de línguas estrangeiras(. cultural. da criatividade . Certamente. do desenvolvimento do pensamento divergente. considerado como parte da educação básica. ter a ousadia de mostrar-se prospectiva. Uma nova concepção curricular para o Ensino Médio. da fragmentação do conhecimento. Não se pode mais postergar a intervenção no ensino médio.. do desenvolvimento do pensamento crítico. o ponto de partida para a implementação da reforma curricular em curso é o reconhecimento das condições atuais de organização dos sistemas estaduais. uma vez que as medidas sugeridas exigem mudanças na seleção. da disposição para o risco. O desafio a enfrentar é grande. visando ampliar de modo racional a oferta de vagas e na. de exercícios de memorização.da curiosidade . de formação dos docentes. como apontamos anteriormente.

Estão presentes os avanços na biogenética. que fazem emergir questões de ordem ética merecedoras de debates em nível global. Em contrapartida. Nas sociedades tradicionais. a partir da década de 40. uma proposta curricular que se pretenda contemporânea deverá incorporar como um dos seus eixos as tendências apontadas para o século XXI. para a diminuição de oportunidades para o trabalho não qualificado. a estabilidade da organização política. Se o deslocamento das oportunidades de trabalho do setor industrial para o terciário é uma realidade. e outros mais. as inovações tecnológicas como a informatização. a busca de maior precisão produtiva e de qualidade homogênea. Houve uma diminuição gradativa mas significativa de empregos na agricultura.incorporação de instrumentos tecnológicos modernos como a informática. provocou a migração campo-cidade. Mesmo considerando os obstáculos a superar. É possível afirmar que o crescimento econômico não gera mais empregos ou que concorre para a diminuição do número de horas de trabalho e. Agora. observa-se uma situação semelhante na indústria e isso ocorre não apenas em . A transformação do ciclo produtivo. principalmente. e social garantia um ambiente educacional relativamente estável. que como conseqüência estabelece um ciclo permanente de mudanças. extensiva no país e a robótica. hoje. indicadas em todos os estudos desenvolvidos recentemente pela Secretaria de Educação Média e Tecnológica e pelo Instituto Nacional de Estudos Pedagógicos-INEP. Estas são algumas prioridades. os avanços do conhecimento que se observam neste século criam possibilidade de intervenção em áreas inexploradas. isto não significa que seja menor neste a exigência em relação à qualificação do trabalhador. A crescente presença da ciência e da tecnologia nas atividades produtivas e nas relações sociais. provocando rupturas rápidas. por exemplo. produtiva. têm concorrido para acentuar o desemprego. Comparadas com as mudanças significativas observadas nos séculos passados: como a máquina a vapor ou o motor a explosão cuja difusão se dava de modo lento e por um largo período de tempo. precisa ser considerada. por meio do Sistema Nacional de Avaliação da Educação Básica-SAEB e que subsidiaram a elaboração da proposta de reforma curricular. exigindo-se uma atualização contínua e colocando novas exigências para a formação do cidadão. a velocidade do progresso científico e tecnológico e da transformação dos processos de produção torna o conhecimento rapidamente superado. Atualmente.

Há. até mesmo. recoloca as questões da sociabilidade humana em espaços cada vez mais amplos. do outro. cria novas formas de socialização. por sua vez. ao promover o rompimento das fronteiras geográficas muda a geografia política. da liberdade e da justiça social ". tecnologias e informações. mais autêntico. portanto. A revolução tecnológica. Deve ser encarada "entre outros caminhos e para além deles. Alteram-se. com o sujeito ativo. de modo a fazer recuar a pobreza. A perspectiva é de uma aprendizagem permanente. Diante deste mundo globalizado. a pessoa humana que se apropriará desses conhecimentos para aprimorar-se. Não há o que justifique reter. portanto. memorizar conhecimentos que estão sendo superados ou cujo acesso é facilitado pela moderna tecnologia. considerando como elemento central desta formação a construção da cidadania em função dos processos sociais que se modificam. Prioriza-se a formação ética e o desenvolvimento da autonomia intelectual e do pensamento crítico. de um lado. de uma formação continuada. O que se deseja é que os estudantes desenvolvam competências básicas que lhes permitam desenvolver a capacidade de continuar aprendendo. como tal. provocando de forma acelerada a transferência de conhecimentos. buscou-se construir novas alternativas de organização curricular para o Ensino Médio comprometidas.. com o novo significado do trabalho no contexto da globalização e. como uma via que conduza a um desenvolvimento mais harmonioso. a educação surge como uma utopia necessária " indispensável à humanidade na sua construção da paz. necessidade de romper com modelos tradicionais para que se alcancem os objetivos propostos para o Ensino Médio. as incompreensões. novas definições de identidade individual e coletiva. Considerando tal contexto.. os objetivos de formação no nível do ensino médio.função das novas tecnologias como também em função do processo de abertura dos mercados que passa a exigir maior precisão produtiva e padrões de qualidade da produção dos países mais desenvolvidos. A globalização . .( Relatório da UNESCO sobre Educação para o século XXI ). processos de produção e. a exclusão social. que apresenta múltiplos desafios para o homem. no mundo do trabalho e na prática social. as opressões e as guerras".

É importante destacar . científico e cultural b. porque seu fundamento é o prazer de compreender. suficientemente ampla. Aprender a conhecer garante o aprender a aprender e constitui o passaporte para a educação permanente. enquanto forma de compreender a complexidade do mundo. a. atividade produtiva e experiência subjetiva. aprender a fazer. condição necessária para viver dignamente. com possibilidade de aprofundamento em determinada área de conhecimento. O aumento dos saberes que permite compreender o mundo. de descobrir. para se comunicar . estimula o senso crítico e permite compreender o real. Fim. 1994: 100). incorporadas nas determinações da Lei 9394/96. da simbolização subjetiva. visando a integração de homens e mulheres no tríplice universo do trabalho. a educação deve cumprir um triplo papel : econômico. e das relações políticas. favorece o desenvolvimento da curiosidade intelectual. a educação deve ser estruturada em quatro alicerces : aprender a conhecer. incorporam-se como diretrizes gerais e orientadoras da proposta curricular as quatro premissas apontadas pela UNESCO como eixos estruturantes da educação na sociedade contemporânea : • Aprender a conhecer Considera-se a importância de uma educação geral. (Severino. Meio. as considerações oriundas da Reunião da Comissão Internacional sobre Educação para o século XXI. aprender a viver e aprender a ser. na medida em que fornece as bases para continuar aprendendo ao longo da vida. considerado tanto como meio como fim. tendo em vista tais reflexões. . Nesta perspectiva . Prioriza-se o domínio dos próprios instrumentos do conhecimento. para desenvolver possibilidades pessoais e profissionais. mediante a aquisição da autonomia na capacidade de discernir. 5 – A nova proposta de reforma curricular : a expansão com qualidade O currículo enquanto instrumentação da cidadania democrática é aquele que contempla conteúdos e estratégias de aprendizagem que capacitam o ser humano para a realização de atividades que pertencem aos três domínios da ação humana: vida em sociedade. de conhecer.

É um ir e vir : do singular para o geral. tendo em vista as aprendizagens fundamentais acima enunciadas. de modo a poder decidir por si mesmo. da realidade para a possibilidade. desenvolvendo o conhecimento do outro e a percepção das interdependências de modo a permitir a realização de projetos comuns ou a gestão inteligente dos conflitos inevitáveis.• Aprender a fazer O desenvolvimento de habilidades e o estímulo ao surgimento de novas aptidões tornam-se processos essenciais na medida em que criam as condições necessárias para o enfrentamento das novas situações que se colocam. epistemológico e o cotidiano. Aprender a viver e aprender a ser decorrem. passa a ter uma significação especial no desenvolvimento da sociedade contemporânea. . sentimento e imaginação para desenvolver os seus talentos e permanecer tanto quanto possível. Supõe ainda desenvolver a liberdade de pensamento.aprender a conhecer e aprender a fazer e devem constituir ações permanentes que visem a formação do educando como pessoa e como cidadão. das duas aprendizagens anteriores . que se estabelece em torno de três eixos: o histórico-social. Privilegiar a aplicação da teoria na prática e enriquecer a vivência da ciência na tecnologia e destas no social. assim. • Aprender a viver Trata-se de aprender a viver juntos. (José Luiz Rodrigues) • • • Estes eixos orientam a elaboração de critérios para a seleção de conteúdos e das competências e habilidades que se pretende desenvolver no nível do ensino médio. frente as diferentes circunstâncias da vida. cuja essência consiste no entrelaçamento do desvelar da história do eu individual com o desvelar da história do eu coletivo. dono do seu próprio destino. do fenômeno para a essência. Aprender a ser supõe a preparação do indivíduo para elaborar pensamentos autônomos e críticos e para formular os seus próprios juízos de valor. discernimento. • Aprender a ser A educação deve estar comprometida com o desenvolvimento total da pessoa. Considera-se nesta perspectiva o currículo como " uma manifestação deliberada da cultura via escola.

tecnológicos. tecnologias. aplicação e solução de problemas concretos são combinados com uma revisão dos componentes socio-culturais. onde conceito. e os demais conhecimentos que permitem uma leitura crítica do mundo estejam presentes em todos os momentos da prática escolar. cultural. ciências.Gomes ) A proposta de reforma curricular do ensino médio propõe a divisão do conhecimento escolar em áreas. O eixo epistemológico " resgata e coloca no hoje a historicidade dos componentes curriculares ". Os intercâmbios que ocorrem na escola são mediados por determinações culturais "representações e comportamentos produzidos e socialmente construídos em espaços e em tempo concretos. mais facilmente se comunicam. O desenvolvimento pessoal permeia a concepção dos componentes científicos. inclusive. Ciências da Natureza e Matemática e Ciências Humanas tem como base a reunião daqueles conhecimentos que compartilham objetos de estudo e portanto. preconiza-se que a concepção curricular seja transdiciplinar. apontando para a função social dos conteúdos. de forma que linguagens. bem como a concepção de que a produção do conhecimento é situada. as competências que os alunos deverão alcançar ao concluir o ensino médio.O eixo histórico-cultural coloca a discussão sobre o valor dos conhecimentos tendo em vista o contexto da sociedade em constante mudança. A discussão sobre cada uma das áreas de conhecimento será apresentada em documento específico. O conceito de ciências está presente nos demais componentes. seja no âmbito do cotidiano da vida social A organização em 3 áreas : Linguagens e Códigos. sócio. socio-culturais e de linguagens . matricial. A estruturação por área de conhecimento justifica-se por assegurar uma educação de base científica e tecnológica. criando condições para que a prática escolar se desenvolva numa perspectiva de interdisciplinaridade. uma vez que entende os conhecimentos cada vez mais imbricados aos conhecedores seja no campo técnico-científico. A historicidade da produção de conhecimento precisa diacronizá-lo. que se apoiam em elaboração e aquisições anteriores " ( Sacristán e Perez. De modo geral estão assim definidas: . contendo. orientados por uma visão epistemológica que concilie humanismo e tecnologia ou humanismo numa sociedade tecnológica. Enfim. econômica e politicamente num determinado espaço e tempo. O cotidiano é o momento em que o currículo prescrito é submetido a uma verdadeira prova de validade e de relevância social.

a cidadania desejada. gráficas etc No mundo contemporâneo. à sociabilidade (Sociologia) . Matemática e Ciências da Natureza e suas tecnologias • A aprendizagem na área Ciências da Natureza. de onde decorrem peculiaridades metodológicas importantes de serem preservadas. aos processos de reflexão sobre comportamentos e pensamentos (Filosofia). é uma garantia de participação ativa na vida social. ao longo do Ensino Médio. são gerados e transformados e representações convencionadas e padronizadas. ao tempo (História) . e cujas especificidades ocorrem pelos focos diferenciados a partir dos quais olham o seu objeto em relação ao espaço ( Geografia) . nas práticas sociais e na história. de forma . em sistemas arbitrários de representação. a reflexão sobre a linguagem e seus sistemas que se mostram articulados por múltiplos códigos e sobre os processos e procedimentos comunicativos é mais do que uma necessidade.• Linguagens e Códigos e suas tecnologias A linguagem é considerada aqui como capacidade humana de articular significados coletivos e compartilhá-los. • Ciências Humanas e suas Tecnologias Entendemos por Área de Ensino em Ciências Humanas e suas Tecnologias a configuração a partir de um conjunto de conhecimentos específicos . que se confrontam. marcado por meio do apelo informativo imediato. fazendo com que a circulação de sentidos produza formas sensoriais e cognitivas diferenciadas. planejar. símbolos que estão em uso e permitem a adequação de sentidos partilhados. Os códigos se mostram no conjunto de escolhas e combinações discursivas. executar e avaliar as ações de intervenção na realidade. códigos. A principal razão de qualquer ato de linguagem é a produção de sentido. Para concretização das competências e habilidades que se pretende objetivar. a área deve envolver. lexicais fonológicas. Nas interações. cuja afinidade é definida pelo objeto comum de estudos – o comportamento humano – e por pontos de intersecção das metodologias específicas de produção desses conhecimentos. que variam de acordo com as necessidades e experiências da vida em sociedade. relações comunicativas de conhecimento e reconhecimento. Matemática e suas tecnologias indica a compreensão e a utilização dos conhecimentos científicos para explicar o funcionamento do mundo. Podemos assim falar em linguagens. gramaticais.

Pretendemos contribuir para que. se vá superando o tratamento estanque. A tendência atual. pretendemos superada pela perspectiva interdisciplinar e pela contextualização dos conhecimentos. sem desenvolver a compreensão dos múltiplos conhecimentos que se interpenetram e conformam determinados fenômenos. gradativamente. na nova proposta de reforma curricular. que respondam às necessidades da vida contemporânea. A interdisciplinaridade " pressupõe a existência de ao menos duas disciplinas como referência e a presença de uma ação recíproca" ( Germain. isto é.1991). a interdisciplinaridade escolar tem uma perspectiva instrumental.combinada. contribui o enfoque disciplinar que. em todos os níveis de ensino é analisar a realidade segmentada. O que une as disciplinas escolares e as científicas é o fato de que se pautam pela mesma lógica científica. por meio da prática escolar sejam . Há uma transposição didática na transmissão do conhecimento O conhecimento escolar pela sua natureza e função. compartimentalizado. Em suma. O conhecimento ensinado na escola não é o dito científico. Na proposta de reforma curricular do Ensino Médio. trata-se de recorrer a um saber diretamente útil e utilizável para responder às questões e aos problemas sociais contemporâneos ( Lenoir ). mas de utilizar os conhecimentos de várias disciplinas para resolver um problema concreto ou compreender um determinado fenômeno de diferentes pontos de vista. que caracteriza o conhecimento escolar. Estamos tratando da interdisplinaridade escolar e não de disciplinas científicas. o desenvolvimento de conhecimentos práticos e contextualizados. Para esta visão. diferentes perspectivas de visão de mundo de alunos e educadores em busca de soluções viáveis de vida (Murrie). Nesta perspectiva pressupõe a interação entre os conhecimentos. propõe-se que. Há uma importante diferenciação a fazer entre o que se entende por disciplina escolar e disciplina científica. distingue-se dos demais ao entrelaçar no seu âmbito. segmentada. A interdisciplinaridade na perspectiva escolar não tem a pretensão de criar novas disciplinas ou saberes. a interdisciplinaridade deve ser compreendida a partir da abordagem relacional.

convergência. 6. não há conhecimento que possa ser aprendido e recriado se não partirmos das preocupações que as pessoas detêm. na medida que ofereça maior liberdade aos professores e alunos para a seleção de conteúdos mais diretamente relacionados aos assuntos ou problemas que dizem respeito à vida da comunidade. tornando-se desta forma um acervo de conhecimentos quase sempre esquecidos ou que não se consegue aplicar por desconhecer suas relações com o real. no ensino fundamental e médio. O distanciamento entre os conteúdos programáticos e a experiência dos alunos certamente responde pelo desinteresse e até mesmo pela deserção que constatamos em nossas escolas. do que como científicas. não implica em permanecer apenas no nível de conhecimento que é dado pelo contexto mais imediato mas" em fazer avançar a capacidade de compreender e intervir na realidade para além do estágio presente. a ser complementada. por uma parte diversificada.estabelecidas ligações de complementaridade. em cada sistema de ensino e estabelecimento escolar.A Organização Curricular na Lei de Diretrizes e Bases da Educação 6. Esta postura. tendem a se perpetuar nos rituais escolares.A Base Nacional Comum É no contexto de Educação Básica que a lei 9394/96 determina a construção do currículo. ( Cortella). . Conhecimentos selecionados "a priori" e legitimados muito mais comumente pela prática docente como disciplinas escolares. com uma base nacional comum. trabalhado na perspectiva interdisciplinar e contextualizado partimos do pressuposto que toda a aprendizagem significativa implica uma relação sujeito/objeto e para que esta se concretize é necessário que sejam dadas as condições que os dois pólos do processo interajam. gerando autonomia e humanização ". A integração entre conhecimentos pode criar as condições necessárias para uma aprendizagem motivadora. Conforme Cortella. A aprendizagem significativa pressupõe a existência de um referencial que permita aos alunos identificar e se identificar com as questões propostas.1 . sem passar pela crítica e reflexão dos docentes. interconexões e passagens entre os conhecimentos. Ao propor uma nova forma de organizar o currículo.

por outro lado. é a leitura e escrita da realidade de uma situação desta. objetiva. seja ela psicomotora. de uma solução tecnológica. usá-las para solucionar problemas concretos na produção de bens ou na gestão e prestação de serviços. portanto. Enfim. É importante operar com algoritmos na matemática ou na física. da linguagem matemática. aponta que não há solução tecnológica sem uma base científica e que. Ressalve-se que uma base curricular nacional organizada por áreas de conhecimento não implica na desconsideração ou esvaziamento dos conteúdos.26. mas o estudante precisa entender que. da cultura. . sócio-afetiva ou cognitiva é um afinamento das competências básicas.exigida pelas características regionais e locais da sociedade. está de posse de uma sentença de linguagem. que a Biologia lhe dá os fundamentos para a análise do impacto ambiental. que pode dar conta da etapa de planejamento. precisa. A base nacional comum contém em si a dimensão de preparação para o prosseguimento de estudos e. Esta educação geral permite a construção de competências que se manifestarão em habilidades básicas. soluções tecnológicas podem propiciar a produção de um novo conhecimento científico. Esta dimensão tem que apontar para que este mesmo algoritmo seja um instrumento na solução de um problema concreto. com seleção de léxico e com regras de articulação/relações que geram uma significação e que. Esta educação geral que permite buscar informação. gerar informação. mas considera que os mesmos devem fazer parte de um processo global com várias dimensões articuladas. Esta concepção curricular não elimina o ensino de conteúdos específicos. Aponta também que a linguagem verbal se presta à compreensão ou expressão de um comando ou instrução clara. Na verdade. deve caminhar no sentido de que a construção de competências e habilidades básicas seja o objetivo do processo de aprendizagem e não o acúmulo de esquemas resolutivos preestabelecidos. A base nacional comum traz em si a dimensão de preparação para o trabalho. frente àquele algoritmo. mas na seleção e na integração dos que são válidos para o desenvolvimento pessoal e para o incremento da participação social. técnicas ou de gestão. da economia e da clientela ( art. ou para a prevenção de uma doença profissional. gestão ou produção de um bem. como tal. qualquer competência requerida no exercício profissional. da Lei 9394/96). é preparação básica para o trabalho.

quando o Art. Quando a LDB destaca as diretrizes curriculares específicas do ensino médio.36. superando a organização por disciplinas estanques e revigorando a integração e articulação dos conhecimentos num processo permanente de interdisciplinaridade e transdiciplinaridade. bem como o perfil de saída do educando sejam alcançados de forma a caracterizar que a educação básica seja uma efetiva conquista de cada brasileiro.. " o ensino da arte. o conhecimento do mundo físico e natural e da realidade social e política.. das letras e das artes. especialmente do Brasil" .A base nacional comum destina-se `a formação geral do educando e deve assegurar que as finalidade propostas em lei. Essa proposta de organicidade está contida no Art. Art. determina a obrigatoriedade. Garantir o desenvolvimento de competências e habilidades básicas comuns a todos os brasileiros é uma garantia de democratização.36. de " estudos da Língua portuguesa e da matemática.. estabelece. I – destacará a educação tecnológica básica.. as metodologias e as formas de avaliação serão organizados de tal forma que ao final do ensino médio o educando demonstre: I. da LDB. . ela se preocupa em apontar para um planejamento e desenvolvimento do currículo de forma orgânica. 26 da LDB. ao final do ensino médio deve demonstrar : Art. II. a língua portuguesa como instrumento de comunicação.conhecimento das formas contemporâneas de linguagem. integrada a proposta pedagógica da escola"..domínio dos princípios científicos e tecnológicos que presidem a produção moderna. em seu parágrafo 1º.. Os conteúdos. a compreensão do significado da ciência.de forma a promover o desenvolvimento cultural dos alunos " e. § 1º. acesso ao conhecimento e exercício da cidadania. as competências que o aluno .36. O Art. o processo histórico de transformação da sociedade e da cultura. nessa base nacional comum. A organicidade dos conhecimentos fica mais evidente ainda.36 . "a educação física. A definição destas competências e habilidades servirá de parâmetro para a avaliação da educação básica em nível nacional.

35 O ensino médio. a preparação básica para o trabalho e a cidadania do educando como pessoa humana. incluindo a formação ética e o desenvolvimento da autonomia intelectual e do pensamento crítico.terá como finalidade : I.. possibilitando o prosseguimento de estudo. quanto na metodologia a ser desenvolvida no processo ensino-aprendizagem e na avaliação. ver documento Ciências Humanas e suas tecnologias ) O perfil de saída do aluno do ensino médio está diretamente relacionado às finalidades desse ensino. de forma a ser capaz de confrontar diferentes interpretações e construir sua própria versão do mundo". Segundo Favaretto" a Filosofia é antes de mais nada uma disciplina cultural.35 da Lei : Art.domínio dos conhecimentos de Filosofia e de Sociologia necessários ao exercício da cidadania" . as linguagens e a experiência dos alunos". ( Favaretto). indicando. a compreensão dos fundamentos científicos-tecnológicos dos processos produtivos. A Lei 9394/96 ao estabelecer como fundamentais o domínio dos conhecimentos de Filosofia e de Sociologia não está propondo a inclusão destas ou de quaisquer outras disciplinas mas. II. a consolidação e aprofundamento dos conhecimentos adquiridos no ensino fundamental. a importância do desenvolvimento de "referências que permitam a articulação entre os conhecimentos. II. Essa flexibilidade deve ser assegurada. etapa final da educação básica. pois a formação que propicia diz respeito à significação dos processos culturais e históricos" (Ver no documento de Ciências Humanas e suas tecnologias ). . dos estabelecimentos de ensino e do educando de usufruírem da flexibilidade que a lei não só permite como estimula. a cultura.III. No que se refere à Sociologia trata-se de orientar o currículo no sentido de" contribuir para que o aluno desenvolva sua autonomia intelectual. (Martins . relacionando a teoria com a prática.. tanto na organização dos conteúdos mencionados em lei. no ensino de cada disciplina. conforme determina o Art. É importante compreender que a base nacional comum não pode constituir uma camisa de força que tolha a capacidade dos sistemas.

são os conhecimentos que estas disciplinas recortam e as competências e habilidades a eles referidos e mencionados nos citados documentos. da cultura. destina-se. do outro. as prioridades estabelecidas no projeto da unidade escolar e a inserção do educando na construção do seu currículo. da economia e da clientela. com o novo significado do trabalho no contexto da globalização e. (Art. projetos ou módulos em consonância com os interesse de alunos e da comunidade a que pertencem.Lei9394/96). Do ponto de vista dos sistemas de ensino está representada pela formulação de uma matriz curricular básica.A parte diversificada do currículo A parte diversificada do currículo . com o sujeito ativo que se apropriará desses conhecimentos para aprimorar-se. O seu objetivo principal é desenvolver e consolidar conhecimentos das áreas de forma contextualizada e referidos a atividades das práticas sociais e produtivas. no mundo do trabalho e na prática social. . O desenvolvimento da parte diversificada pode ocorrer no próprio estabelecimento de ensino ou em outro estabelecimento conveniado.2. 6. sob forma de disciplinas. ademais das incorporações dos sistemas de ensino. Deve refletir uma concepção curricular que oriente o ensino médio no seu sistema. A parte diversificada do currículo deve expressar. considerando as demandas regionais do ponto de vista sócio-cultural. O que é obrigatório pela LDB ou pela Resolução nº 03/98. como tal. econômico e político. que desenvolva a base nacional comum. significando-o.As considerações gerais sobre legislação indicam a necessidade de construir novas alternativas de organização curricular comprometidas. O fato destes Parâmetros Curriculares terem sido organizados em cada uma das áreas por disciplinas potenciais não significa que estas são obrigatórias ou mesmo recomendadas. É importante esclarecer que o desenvolvimento da parte diversificada não implica em profissionalização mas na diversificação de experiências escolares com o objetivo de enriquecimento curricular ou mesmo. aprofundamento de estudos quando o contexto assim exigir. a flexibilidade da manifestação dos projetos curriculares das escolas . de um lado. a atender às características regionais e locais da sociedade. sem impedir .26. Complementa a base nacional comum e será definida em cada sistema de ensino e estabelecimento escolar. entretanto. Considerará as possibilidades de preparação básica para o trabalho e o aprofundamento em uma disciplina ou uma área.

Parágrafo único.27.. de modo a ser capaz de se adaptar com flexibilidade a novas condições de ocupação ou aperfeiçoamento posteriores.5º. para continuar aprendendo. II. ...3.. orientação para o trabalho " Na seção IV..35. A educação profissional de nível técnico terá organização curricular própria e independente do ensino médio." Essa preparação geral para o trabalho faz parte da formação geral do educando e pode ser desenvolvida no próprio estabelecimento de ensino ou em cooperação com instituições especializadas. conforme disposto no §4º. até o limite de 25% do total da carga horária mínima deste nível de ensino. de 17 de abril de 1997. . no Art. dentre as finalidades do ensino médio. Numa interpretação do dispositivo legal. Os conteúdos curriculares da educação básica observarão . poderão ser aproveitadas no currículo de habilitação profissional.. estabelece: " Art. III. . cursadas na parte diversificada do currículo de ensino médio. para os currículos de educação básica: " Art. As disciplinas de caráter profissionalizante. ainda.A parte diversificada e a educação profissional A preparação geral para o trabalho decorre das diretrizes estabelecidas. do Art.. que eventualmente venha a ser cursada independentemente de exames específicos" Dois aspectos podem ser ressaltados no texto citado: .6. o Decreto nº2208. 27. da Lei nº9394/96. I.36. a preparação básica para o trabalho e a cidadania do educando. o Art. II. " Art. as seguintes diretrizes: I.35 estabelece.. que trata da educação profissional. do capítulo II da Lei nº9394/96.

em linhas gerais. A intenção é situar os leitores : professores. Os fundamentos teóricos da proposta curricular do Ensino Médio. a parte diversificada a cargo do estabelecimento de ensino pode constituir até 25% do mínimo estabelecido na Lei nº 9394/96 para duração do ensino médio. poderão ser aproveitados para a obtenção de uma habilitação profissional.a. 3. 26/06/98 ). Desta forma procuramos discutir: 1. logo 600 horas do currículo. A organização curricular na Lei de Diretrizes e Bases da Educação. 2. em cursos realizadas concomitante ou seqüencialmente. a Educação Básica e a proposta de Reforma Curricular do Ensino Médio.Lei 9394/96. Seguem-se os textos legais: . tanto da base nacional comum quanto da parte diversificada. as 600 horas podem conter disciplinas de caráter profissionalizante as quais podem ser aproveitadas quando o educando optar por um curso técnico. da Resolução do Conselho Nacional de Educação Básica quando se indica que : " estudos concluídos no ensino médio. no artigo 13. As relações entre a "Revolução do Conhecimento ". Os fundamentos legais que orientam a proposta de Reforma Curricular do Ensino Médio. 6. Esta questão é reiterada. O papel da Educação e da formação em nível de Ensino Médio na Sociedade Tecnológica. 5. Estas são as questões consideradas centrais para a compreensão da nova proposta curricular do ensino médio. técnicos de educação e demais interessados na questão educacional sobre os aspectos considerados centrais nesta proposta . a proposta de reforma curricular do ensino médio em seus principais elementos. As informações apresentadas neste texto tem como objetivo discutir. A metodologia de trabalho utilizada para a elaboração da proposta. até o limite de 25% do tempo mínimo legalmente estabelecido como carga horária para o ensino médio "(CNE Nº3. 4. b.

• Resolução nº 03/98 da Câmara de Educação Básica do Conselho Nacional de Educação .Diretrizes Curriculares do Conselho Nacional de Educação. • Parecer nº 15/98 da Câmara de Educação Básica do Conselho Nacional de Educação. .Lei nº 9.394/96 – Lei de Diretrizes e Bases da Educação – LDB. tal como se coloca na proposta : Linguagens e Códigos e suas tecnologias Ciências da Natureza. Matemática e suas tecnologias • Ciências Humanas e suas tecnologias • • Nestes textos o leitor encontra a fundamentação teórica de cada área e as competências e habilidades que os alunos deverão alcançar ao final da escolarização básica. • Serão apresentados em seguida os textos que se referem a cada área de conhecimento.

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