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Acórdão do Tribunal da Relação do Porto

Acórdãos TRP

http://www.dgsi.pt/jtrp.nsf/c3fb530030ea1c61802568d9005cd5bb/9e6

Acórdão do Tribunal da Relação do Porto

Processo:

0240173

Nº Convencional:

JTRP00036394

Relator:

TORRES VOUGA SUSPENSÃO PROVISÓRIA DO PROCESSO ASSISTENTE

Descritores:

Nº do Documento:

RP200311190240173

Data do Acordão:

19-11-2003

Votação: UNANIMIDADE

Tribunal Recorrido:

T J GUIMARÃES

Processo no Tribunal Recorrido:

1645/01

Texto Integral:

S

Privacidade:

1

Meio Processual:

REC PENAL. PROVIDO O RECURSO. .

Decisão:

Área Temática:

Sumário:

O termo assistente usado no artigo 281 do Código de Processo Penal de 1998 - suspensão provisória do processo - é sempre que em sentido rigoroso, não abrangendo a figura do ofendido com a possibilidade de se constituir assistente.

Reclamações:

Decisão Texto Integral:

Acordam, em conferência, os juízes da 4ª Secção do Tribunal da Relação do Porto:

No termo do Inquérito que correu termos na Delegação do MINISTÉRIO PÚBLICO da

, a suspensão provisória do processo, nos termos do art. 281º do Código de

Processo Penal, pelo período de dois meses, sob a condição de o Arguido ficar proibido de

entrar nas instalações do “G

Comarca de G ARISTIDES

sob o nº

/

o MINISTÉRIO PÚBLICO propôs ao Arguido

-Shopping”,

por idêntico período.

, efeito de este, nos termos do nº 1 do cit. art. 281º do CPP, dar ou não a sua concordância à referida suspensão provisória do processo, o mesmo, por despacho datado de 19NOVEMBRO2001, não concordou com tal suspensão, com fundamento na circunstância de o ofendido não ter sido sequer consultado sobre aquela suspensão, como exigiria a alínea a) do nº 1 do mesmo art. 281º.

Submetido o processo à apreciação do Juiz de Instrução da Comarca de G

para o

É desse despacho que o MINISTÉRIO PÚBLICO ora recorre para esta Relação, formulando, no termo da sua motivação, as seguintes conclusões:

“1. A vítima, no processo penal, apenas adquire o estatuto de sujeito processual quando se constitui assistente.

2. Não se constituindo assistente, não tem os direitos que são conferidos aos sujeitos

processuais – o Ministério Público, o Arguido.

3. O art. 281º, nº 1, a), do Código de Processo Penal, ao exigir para a suspensão do

inquérito a concordância do assistente, refere “assistente” em sentido técnico, aque le que se constitui como tal nos termos do artigo 68º do Código de Processo Penal, assim se constituindo como sujeito processual e passando a poder exercer intervenção no proce sso.

4. O ofendido que prescinda da faculdade de se constituir assistente não é sujeito

processual, não tem o direito de intervir no processo, não goza dos direitos que a Lei confere aos assistentes nos artigos 69º e 281º, nº 1, al. a) do Código de Processo Penal, pelo que não lhe assiste o direito de se opor à suspensão provisória do processo.

5. Deste modo, a decisão que não concordou com a suspensão provisória do inquérito, por o

ofendido que não se constituiu assistente (e a quem as coisas furtadas foram devolvidas) não ter sido ouvido, a fim de poder manifestar a sua concordância ou discordância, violou o disposto no artigo 281º do Código de Processo Penal e deve ser substituída por outra que permita a suspensão provisória do processo”.

Nesta instância, o Exmo. Procurador emitiu parecer no sentido da procedência do presente recurso, por também entender que a expressão “assistente” empregue no art. 281º, nº 1,

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al. a), do CPP vigente, é aí usada em sentido técnico-jurídico.

A

DECISÃO RECORRIDA

O

despacho judicial do Juiz de Instrução da Comarca de G

objecto do presente re curso

é do seguinte teor:

“Em nosso entender, a expressão “assistente”, utilizada no art. 281º, nº 1, al. a) do C.P.P., não é utilizada pelo legislador no sentido rigoroso a que se referem os arts. 68º e segs. do mesmo diploma.

Isto porque, sendo propósito do legislador processual penal dar inequívoco relevo à posição da vítima (propósito que perpassa todo o nosso sistema processual penal), constituiria grave entorse àquele considerar-se que só o acordo do ofendido que se constituiu assistente é necessário para se poder (verificando-se os restantes pressupostos processuais) suspender provisoriamente o processo, tendo em conta que (como acontece nos autos) as mais das vezes o ofendido, no momento em que se põe a questão da suspensão do processo, não está nos autos representado por advogado (pois que ainda não chegou o momento de formular pedido de indemnização civil) e que a própria constituição como assistente é monetariamente onerosa.

Aliás, veja-se que nas als. a) e b) do nº 2 do dispositivo legal em apreço é referida a

indemnização e satisfação moral do lesado, já não do assistente, pelo que é notório não ser

o termo assistente utilizado em sentido rigoroso, sob pena de contradição entre os pressupostos da suspensão e as injunções a aplicar.

Assim, estando em causa, na al. a) do nº 1 do art. 281º, como pressuposto da suspensão do processo, a concordância do ofendido, e não existindo o mesmo no caso dos autos, não dou

a

minha concordância à suspensão provisória do processo.”

A

QUESTÃO OBJECTO DO RECURSO

O

presente recurso versa unicamente uma questão de direito: a de saber se, quando a al.

a) do nº 1 do artigo 281º do Código de Processo Penal de 1987 faz depender, entre outros requisitos, da concordância do assistente a possibilidade de o MINISTÉRIO PÚBLICO, no termo do inquérito, se decidir pela suspensão provisória do processo, mediante a imposição ao arguido de determinadas injunções e regras de conduta, o termo “assistente” é ali utilizado na sua acepção técnico-jurídica, isto é, de sujeito processual que como tal já se encontra constituído, depois de ter visto deferido pelo juiz (nos termos do art. 68º, nº 4, do CPP) o requerimento que apresentou a solicitar expressamente a sua admissão como assistente, tendo, para esse efeito, necessariamente constituído advogado (nos termos do art. 70º, nº 1, do CPP), ou, pelo contrário, tal vocábulo é ali empregue no sentido de “ofendido que goza da faculdade de se constituir assistente”, independentemente de já se encontrar ou não constituído como tal.

A possibilidade de o MINISTÉRIO PÚBLICO, não obstante a verificação dos

pressupostos jurídico-criminais da acusação, poder decidir-se pela suspensão provisória do processo mediante a imposição ao arguido de injunções e regras de conduta e, após essa

suspensão - por um período que não pode ser superior a dois anos (cfr. o nº 1 do art. 282º do CPP) -, determinar o arquivamento do processo (cfr. o nº 3 do mesmo art. 282º), sem possibilidade de o reabrir, constitui uma inovação do CPP de 1987, «de grande alcance teórico e prático e também das mais controversas» [GERMANO MARQUES DA SILVA

in “Curso de Processo Penal”, vol. III, 2ª ed., 2000, p. 111], [No Acórdão nº 7/87 do

Tribunal Constitucional – tirado em sede de fiscalização preventiva da constitucionalidade do diploma que aprovou o CPP de 1987 e publicado in D.R., I Série, nº 33, de 9/1/1987, -, a solução legislativa adoptada no cit. art. 281º do CPP foi considerada inconstitucional pelos Conselheiros MÁRIO DE BRITO, VITAL MOREIRA e RAUL MATEUS. No texto do Acórdão, porém, considerou-se que a admissibilidade da suspensão, em si mesma, não levanta, em geral, qualquer obstáculo constitucional, apenas sendo incompatível com a Constituição a atribuição ao Ministério Público da competência para a suspensão do

processo e imposição das injunções e regras de conduta previstas na lei, sem a intervenção de um juiz, naturalmente o juiz de instrução,. [A necessidade da concordância do juiz de instrução, para que a suspensão seja válida, foi introduzida no texto legal - através do acrescentamento da expressão “com a concordância do juiz de instrução” -, porque o cit. Acórdão do Tribunal Constitucional nº 7/87, de 9/1/1987, considerou inconstitucional a

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disposição do Projecto, por violação dos arts. 32º, nº 4, e 206º da Constituição da República, na medida em que nela se não previa qualquer intervenção de um juiz].

Foi a Lei nº 43/86, de 26 de Setembro (Lei de Autorização legislativa), que, no seu art. 2º, nº 2, al. 46), estabeleceu a “admissibilidade, dentro das determinantes constitucionais, da suspensão provisória do processo quando, atento o carácter diminuto da culpa e a circunstância de a pena abstractamente aplicável não exceder prisão por mais de três anos (limite este posteriormente estabelecido em cinco anos pela Lei nº 59/98, de 25 de Agosto), o Ministério Público preveja que o cumprimento pelo arguido de determinadas injunções e regras de conduta seja suficiente para responder às exigências de prevenção que no caso se façam sentir, assegurando-se, em termos adequados, a concordância do arguido e do ofendido”.

«A suspensão provisória do processo assenta essencialmente na busca de soluções consensuais para a protecção dos bens jurídicos penalmente tutelados e a ressocialização dos delinquentes, quando seja diminuto o grau de culpa e em concreto seja possível atingir por meios mais benignos do que as penas os fins que o direito penal prossegue» [GERMANO MARQUES DA SILVA, ibidem].

Através do arquivamento em caso de dispensa de pena (solução prevista no art. 280º do CPP) e, principalmente, da suspensão provisória do processo (instituto previsto e re gulado no cit. art. 281º), procurou o legislador processual penal de 1987 fornecer ao MINISTÉRIO PÚBLICO instrumentos para resolver grande parte das chamadas bagatelas penais, levando em conta experiências recentes do Direito comparado e os ensinamentos da doutrina estrangeira e nacional (cfr., nesta, FIGUEIREDO DIAS in “para Uma Reforma Global do Processo Penal Português”, pp. 44-49, MANUEL DA COSTA ANDRADE in “O Novo Código Penal e a Moderna Criminologia” publicado in “Jornadas de Direito Criminal”, ed. do Centro de Estudos Judiciários, 1983, pp. 205-206 e 346-355 e, mais recentemente, FERNANDO PINTO TORRÃO in “a Relevância Político- Criminal da Suspensão Provisória do Processo”, 2000, pp. 136-144): isto mesmo é posto em relevo no nº 6, al. a) do Relatório preliminar do diploma – Decreto-Lei nº 78/87, de 17 de Fevereiro - que aprovou o C.P.P. de 1987.

Porém, contrariamente ao que sucede no caso do arquivamento (do processo) em caso de dispensa de pena, na suspensão provisória, o cit. art. 281º, nº 1, al. a) exige a concordância do arguido e também a do assistente, quando o houver.

Tudo está, porém, em saber se, para haver suspensão provisória do processo, também é necessária a concordância do ofendido com legitimidade para se constituir assistente mas que ainda não requereu nem obteve a sua admissão como tal.

Como se sabe, o assistente distingue-se, processualmente, do ofendido e do lesado. «O ofendido não é sujeito processual, salvo se se constituir assistente; o lesado, enquanto tal, nunca pode constituir-se assistente, mas apenas parte civil para efeitos de deduzir pedido de indemnização civil» [GERMANO MARQUES DA SILVA in “Curso de Processo Penal”, vol. I, 4ª ed., 2000, p. 333]. «O ofendido, enquanto titular dos interesses que a lei incriminadora especialmente quis proteger com a incriminação art. 68º, nº 1, al. a), do CPP, sendo maior de 16 anos, pode constituir-se assistente, mas enquanto não se constituir não é sujeito processual, mas simples participante processual» [GERMANO MARQUES DA SILVA ibidem].

Compreende-se, por isso, que a cit. al. a) do nº 1 do art. 281º mencione o assistente – e não

o ofendido – ao enumerar os sujeitos processuais de cuja concordância faz depender a

validade da decisão do MINISTÉRIO PÚBLICO de suspender provisoriamente o processo, no termo do inquérito, verificados que sejam os demais requisitos enunciados no proémio (ser o crime punível com pena de prisão não superior a cinco anos) e nas restantes alíneas (b), c), d) e e)) do mesmo preceito. Parece, na verdade razoável que só o assistente - mas já não também o mero ofendido que ainda se não constituiu como assistente e, portanto, ainda não adquiriu sequer o estatuto de sujeito processual – tenha de anuir à suspensão provisória do processo decidida pelo MINISTÉRIO PÚBLICO no fim do inquérito.

«Isto, desde logo, porque, a não ser assim, ir-se-ia permitir que o particular – em princípio

o ofendido -, que não se constituiu assistente no processo, assumisse um papel decisivo na

solução do caso, que se traduziria na ibviabilização da aplicação da suspensão provisória

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do processo» [FERNANDO PINTO TORRÃO in “A Relevância Político-Criminal da Suspensão Provisória do Processo”, 2000, p. 202]. «Ora, só aos sujeitos processuais se atribui o poder de influir decisivamente na justiça do caso concreto» [FERNANDO PINTO TORRÃO ibidem]. «Através da consagração da figura do assistente, entende Figueiredo Dias, não tem o legislador a intenção de minimizar a função processual do ofendido» [FERNANDO PINTO TORRÃO ibidem]. «Antes pelo contrário, a intenção será a de permitir uma realização mais efectiva dos seus interesses concretos» [FERNANDO PINTO TORRÃO ibidem]. «Porém, para isso, tornar-se-á necessária a formalização da constituição como assistente para que possa assumir a veste de sujeito processual» [FERNANDO PINTO TORRÃO ibidem].

«Deste modo, para que o ofendido possa rejeitar a aplicação da suspensão provisória do processo, terá que se constituir assistente e manifestar, no momento próprio, a sua discordância» [FERNANDO PINTO TORRÃO ibidem]. «Se o não fizer, enquanto mero participante no processo não poderá inviabilizar aquela forma de solucionar o conflito penal» [FERNANDO PINTO TORRÃO ibidem]. «Não entender assim seria subverter o conceito de sujeito processual e atribuir um significado à inércia do ofendido que, além de obstar a potenciais vantagens político-criminais resultantes da aplicação do instituto – nomeadamente, o seu carácter ressocializante – e de contrariar a vontade de todos os outros sujeitos processuais, poderia nem estar de acordo com a sua real vontade» [FERNANDO PINTO TORRÃO ibidem] [«Não quer isto, todavia, significar que, de “iure constituendo”, não seja defensável que ao Ministério Público – quando não houvesse assistente constituído no processo – fosse imposto o dever de notificar o denunciante com faculdade de se constituir assistente – como o deve fazer em casos de arquivamento, nos termos do artigo 277º, nº 3 do CPP – da intenção de promover a suspensão provisória do processo» (FERNANDO PINTO TORRÃO in “A Relevância…” cit., pp. 203-204). «Dar-se-ia, deste modo, a possibilidade de esse mesmo denunciante, discordando de tal solução processual, constituir-se assistente e vir ao processo manifestar a sua discordância, inviabilizando, por conseguinte, a suspensão provisóriado processo» (FERNANDO PINTO TORRÃO in “A Relevância…” cit., p. 204). Porém, como quer que

se perspective o problema no plano do direito a constituir, a verdade é que, perante a lei

actualmente vigente, «a exigência postulada na alínea a) do nº 1 do artigo 281º do CPP – no que toca à necessidade da concordância do assistente para a decisão de suspender provisoriamente o processo – apenas se deve ter em conta quando houver assistente previamente constituído» (FERNANDO PINTO TORRÃO in “A Relevância…” cit., pp. 202 in fine e 203)].

Não merece, portanto, acolhimento a interpretação – propugnada na decisão ora recorrida

– segundo a qual o vocábulo “assistente”, utilizado no art. 281º, nº 1, al. a) do C.P.P., não teria sido ali empregue pelo legislador no sentido rigoroso do termo a que se refere m os arts. 68º e segs. do mesmo diploma. De resto – como é sabido -, na interpretação de quaisquer textos legais, deve-se sempre partir do princípio que o texto exprime o que é natural que as palavras exprimam e que o legislador consagrou as soluções mais acertadas (artigo 9º, nº 3, do Código Civil), pelo que, no caso em apreço, sempre se deverá presumir que o emprego do vocábulo “assistente”, na cit. al. a) do nº 1 do art. 281º do CPP não se ficou a dever a qualquer equívoco do legislador, antes foi deliberado e intencional, não sendo, consequentemente, lícito concluir que, onde se escreveu “assistente”, o que antes

se

quis dizer foi “ofendido com legitimidade para se constituir assistente”.

O

despacho recorrido não pode, portanto, subsistir, ao menos na parte em que o Senhor

Juiz de instrução recusou dar a sua concordância à suspensão provisória do processo proposta pelo MINISTÉRIO PÚBLICO, exclusivamente com fundamento na não verificação do pressuposto exigido pela al. a) do nº 1 do cit. art. 281º do CPP, consistente na concordância do ofendido.

DECISÃO

Nestes termos, acordam os juízes da

provimento ao recurso interposto pelo MINISTÉRIO PÚBLICO contra o despacho do

Senhor Juiz de Instrução da Comarca de G

Inquérito pendente na Delegação do MINISTÉRIO PÚBLICO daquela Comarca sob o nº não concordou com a suspensão provisória do processo, pelo período de dois meses,

sob a condição de o Arguido ARISTIDES

“G

de o ofendido não ter sido sequer consultado sobre aquela suspensão, despacho esse que

Secção do Tribunal da Relação do Porto em dar

datado de 19NOVEMBRO2001 que, no

ficar proibido de entrar nas instalações do

/

,

-Shopping”,

por idêntico período, exclusivamente com fundamento na circunstância

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deve ser substituído por outro que dê ou não a sua concordância com a referida suspe nsão provisória do processo, consoante se verifiquem ou não, no caso concreto, os demais pressupostos legais de cuja verificação cumulativa depende a validade de tal suspensão.

Sem custas.

Porto, 19 de Novembro de 2003

Rui Manuel de Brito Torres Vouga

Arlindo Manuel Teixeira Pinto

Joaquim Rodrigues Dias Cabral