Dom Luiz de Bragança, um Príncipe Perfeito

90º ano de falecimento
* Brasil, 1878 † França, 1920

Pág. 10
Centenário de Morte de Joaquim Nabuco
Joaquim Nabuco hoje é nome de fundação, de instituição de ensino, de ruas e até de cidade, mas pouca gente sabe quem foi este homem. É no Centenário de sua morte que devemos trazer a biografia de Joaquim Nabuco, e nele nos inspirarmos. Trazer à discussão o patriotismo e as ações deste grande monarquista. Pág. 3

Príncipe Dom Rafael:
o futuro da Monarquia no Brasil

Pág. 23

Com 24 anos, formado em Engenharia de Produção, altamente politizado, Dom Rafael, assim como nas palavras de seu pai, tem sido para todos os monarquistas, a esperança da Restauração Monárquica no Brasil. O Príncipe tem um grande senso de dever e sabe o que representa.

Dom Bertrand de Orleans e Bragança: defensor das garantias individuais
O Príncipe Imperial Dom Bertrand tem cada vez mais se destacado como defensor das garantias individuais de cada cidadão, com respeito a propriedade privada, a tradição e a família. Dom Bertrand reúne todos os predicados para gerir uma nação. Conferencista de grandes multidões, o Príncipe cativa a todos quando fala sobre temas polêmicos como o PNDH 3 e o aborto. Pág. 42

188 ANOS DA INDEPENDÊNCIA DO BRASIL: Primeiro discurso que Dom Pedro I proferiu como Imperador do Brasil, na Abertura da Assembléia Constituinte Brasileira. Pág. 34

Canhão El Cristiano: governo federal quer devolver relíquia secular
Pág. 6

Museu Imperial completa 70 anos
Pág. 7

O Blog Monarquia Já lança a 1ª Edição do Anuário de mesmo nome, trata-se de uma retrospectiva do ano Monárquico. Procuramos trazer nesta edição uma amostra do que noticiamos durante o ano no Blog. Fatos, fotos, momentos e eventos que marcaram o ano de 2010 e, ainda, artigos e textos inéditos. O Anuário Monarquia Já evidência a Família Imperial Brasileira, notícia os eventos monárquicos e propaga a Monarquia Constitucional Parlamentar. Acompanhe!

XXI Encontro Monárquico do Rio de Janeiro
Pág. 15

Os 72 anos de S.A.I.R. Dom Luiz
Pág. 15 O Anuário Monarquia Já é uma publicação do Blog Monarquia Já –
http://imperiobrasileiro-rs.blogspot.com.

A Imperatriz Dona Amélia é destaque de exposição em Munique
Pág. 14

Sugestões, reclamações, retificações devem ser feitas pelo e-mail: anuariomj@gmail.com. Os textos aqui transcritos são de responsabilidade de seus autores, os demais são de responsabilidade e exclusividade do Anuário Monarquia Já. A impressão deste informativo deve ser feita em papel A4 de mesma cor da edição, sendo preservadas as características e as imagens dispostas nesta obra.

Na data de seu aniversário, Dom Antonio é investido como Cavaleiro de Honra e Devoção da Ordem de Malta
Pág. 17

88 anos do Falecimento do Marechal Conde d’Eu
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Coroação e Sagração de S.M., o Imperador Dom Pedro II
Pág. 25 Dedicamos esta edição do Anuário Monarquia Já, ao Príncipe Dom Luiz, Chefe da Casa Imperial do Brasil, a Princesa Dona Maria, de jure Imperatriz Mãe do Brasil e a Princesa Dona Teresa de Orleans e Bragança, última neta viva da Princesa Isabel, a Redentora.

Casamento de Dona Isabel de Orleans e Bragança com o Conde Alexander de Stolberg-Stolberg
UM ANO Pág. 41

Internacional
Pág. 43

Sociedade
Pág. 46

História
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Falecimentos
Pág. 43

Joaquim Nabuco Centenário de Morte
“Como vê, sou um homem de uma só idéia, mas não me envergonho dessa estreiteza mental porque essa idéia é o centro e a circunferência do progresso brasileiro.”
Do Blog Monarquia Já
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Joaquim Nabuco

Nabuco teve formação sólida. Em 1857 mudou-se para o Rio de Janeiro, onde estudou humanidades no prestigiado Colégio Pedro II, bacharelando-se em Letras. Aos 15 anos publicou Ode à Política, obra com que obteve elogios de Machado de Assis; aos 18 anos apresentou o drama O destino, que teve como espectador Dom Pedro II. Em São Paulo, no ano de 1865, iniciou os três primeiros anos de Direito, formando-se, mais tarde, em 1870, no Recife. De retorno ao Rio, publicou seu primeiro livro, Camões e Lusíadas. Publicou anteriormente entre 1864 e 1869, três obras, O gigante da Polônia, O povo e o trono e Le droit du meurtre. Em 1872, Joaquim Nabuco herdou da madrinha, dona Ana Rosa Falcão de Carvalho, o Engenho Serraria, o qual vendeu para viajar à Europa, buscando “instrução”; na viagem, aproveitou para entrar em contato com intelectuais e políticos. Indo a Londres, apaixonou-se pelo povo inglês, pela geografia daquela terra, e mais ainda pela monarquia parlamentar daquele país. Em 1876, foi enviado a Washington, como adido de primeira classe, incorporando-se ao Serviço Diplomático do Brasil e lá permaneceu de 1876 a 1878. Joaquim Nabuco, por veia famí-

Joaquim Nabuco hoje é nome de fundação, de instituição de ensino, de ruas e até de cidade, mas pouca gente sabe quem foi este homem. É no Centenário de sua morte que devemos trazer a biografia de Joaquim Nabuco, e nele nos inspirarmos. Trazer à discussão o patriotismo e as ações deste grande monarquista. Joaquim Aurélio Barreto Nabuco de Araújo nasceu no Recife, Pernambuco, no dia 19 de agosto de 1849; era membro de uma importante família do Império, tendo antepassados que pairaram na vida pública do Brasil. Era filho de José Tomás Nabuco de Araújo Filho, jurista, Senador do Império e Presidente da Província de São Paulo, e de Ana Benigna de Sá Barreto Nabuco de Araújo, sendo de tal forma, neto de José Tomás Nabuco de Araújo, Deputado Geral, Ministro de Justiça e Senador do Império. Era sobrinho, por parte materna, do Marquês do Recife, Francisco Paes Barreto. Descendência, pois, de grandes famílias do nordeste brasileiro, os Nabuco de Araújo, da Bahia, que desde o Primeiro Reinado contribuíam com Senadores ao Império, mas também descendência dos Paes Barreto, que tinham grande influência e poderio desde o século XVI em Pernambuco.

liar e por personalidade própria, sempre teve gosto pela política, atração que o encaminhou para a eleição, em 1878, como deputado-geral por província natal, quando então passou a residir no Rio de Janeiro. A entrada de Joaquim Nabuco na política foi o marco inicial de sua luta pela Abolição, luta esta que tinha o apoio da Família Imperial, sobretudo de Dona Isabel. Em 1880, Nabuco funda em sua casa — esquina da atual Rua Correa Dutra com Praia do Flamengo —, a Sociedade Brasileira Contra a Escravidão. Em 1882, muda-se para Londres, pois havia perdido a reeleição. Na capital inglesa vive do exercício da advocacia e do jornalismo, sendo representante do Jornal do Commercio,, do Rio de Janeiro. Em Londres, no ano de 1884, escreveu O abolicionismo, tido como uma de suas grandes obras. De volta ao Brasil em 1884, Nabuco fez campanha para seu retorno à Câmara dos Deputados, defendendo mais uma vez o abolicionismo. Sua campanha apaixonada e seus discursos eloqüentes deram origem ao livro A campanha abolicionista, publicado em 1885, no mesmo ano saiu vitorioso nas eleições, mais foi expurgado pela Casa para a qual havia sido eleito,

Joaquim Nabuco: político, diplomata, jornalista, escritor, jurista. Monarquista.

fato que causou comoção geral e indignação aos pernambucanos. Erminio Coutinho e Francisco Cavalcanti renunciaram aos seus mandatos de deputado, colocando Nabuco novamente na Câmara. Lá defendeu a Lei dos Sexagenários e o federalismo. Em 1886 perdeu as eleições e passou a dedicar-se ao jornalismo, escrevendo e publicando compilações: O Erro do Imperador, O Eclipse do Abolicionismo e Eleições liberais e eleições conservadoras, todos publicados em 1886. Joaquim Nabuco, em 1887, volta à Câmara novamente, elegendo-se historicamente por Pernambuco. No ano seguinte vai a Roma, encontrar o Santo Padre Leão XIII, ocasião em que relatou a luta pela abolição da escravatura no Brasil, as ações dos abolicionistas, as ações de Dona Isabel. Atribui-se a Nabuco a influência possivelmente exercida sobre o Sumo Pontífice para que elaborasse a encíclica In Plurimis, dirigida aos Bispos do Brasil, pedindo-lhes que apóias-sem o Imperador, a Princesa Imperial e a Dinastia, na luta contra a escravidão, contra as oligarquias e na abolição da escravidão de forma definitiva. Em 1888 é composto o Gabinete de João Alfredo Corrêa de Oliveira, com vistas à aprovação da lei que colocaria fim à escravidão no Brasil. A este Gabinete e aos projetos abolicionistas de João Alfredo, Nabuco deu total apoio, chegando ao auge quando da sanção da Princesa Dona Isabel à Lei Áurea (13 de Maio de 1888). Disse Nabuco: “No dia em que a Princesa Imperial se decidiu ao seu grande golpe de humanidade, sabia tudo o que arriscava. A raça que ia libertar não

tinha para lhe dar senão o seu sangue, e ela não o quereria nunca para cimentar o trono de seu filho. A classe proprietária ameaçava passar-se toda para a República, seu pai parecia estar moribundo em Milão, era provável a mudança de reinado durante a crise, e ela não hesitou; uma voz interior disse-lhe que desempenhasse sua missão, a voz divina que se faz ouvir sempre que um grande dever tem que ser cumprido ou um grande sacrifício que ser aceito. Se a Monarquia pudesse sobreviver à abolição, esta seria o seu apanágio. Se sucumbisse, seria o seu testamento. Quando se tem, sobretudo uma mulher, a faculdade de fazer um bem universal, como era a eman-cipação, não se deve parar diante dos presságios; o dever é entregar-se inteiramente nas mãos de Deus.”

na Torres Soares Ribeiro, filha do Barão de Inoã, sobrinha do Visconde de Itaboraí e neta do Barão de Itambi, de família influente de fazendeiros fluminenses. Tiveram cinco filhos: Mauricio, Joaquim, Carolina, Mariana e José Tomás. Ainda no fatídico ano de 1889, Nabuco foi eleito para mais uma legislatura, quando manifestou o medo de um golpe contra a Monarquia brasileira. Em 15 de novembro daquele ano, Nabuco estava fora da Corte. Quando soube do ocorrido, amargou a data, mas permaneceu firme em suas convicções, estas arraigadas em seu íntimo e desde tão cedo cultivadas. Em 1890, de Londres, antevendo sua convocação para a Constituinte de 1891, publica a compilação Por que continuo a ser monarchista, carta ao Diário do Commércio, a qual reproduzimos no Blog Monarquia Já e que agora grifamos uma parte: “A história recordará como uma das mais originais essa monarquia brasileira que não era militar, nem clerical, nem aristocrática, e por isso derribada pelo exército, depois da revolta do escravismo, entre a indiferença da igreja. Se o Brasil fosse uma das grandes nações do mundo, seria uma grande casa reinante essa curta dinastia que deu a metade do seu trono para fazer a Independência e a outra fazer a Abolição. Estou pronto a dizer-me republicano, mesmo com a certeza da restauração diante de mim, se se modificar em meu espírito a convicção de que a república no Brasil há de ser fatalmente uma forma inferior de despotismo, desde que não pode ser

A entrada de Joaquim Nabuco na política foi o marco inicial de sua luta pela Abolição, luta esta que tinha o apoio da Família Imperial, sobretudo de Dona Isabel.
Em 1888, Joaquim Nabuco proferiu seus maiores discursos na Câmara dos Deputados. Saiu em defesa de João Alfredo, de Dona Isabel e da Abolição, com tra os escravagistas. Em abril de 1889, casou-se com dona Eveli-

uma forma superior de anarquia; não basta, porém, a certeza que tem todos de que a monarquia não voltará mais, para eu deixar de ser monarquista. Monarquista sem esperança de monarquia, para que serve? Serve para não ser republicano sem esperança de liberdade. ” Fundado o Jornal do Brasil em 1891, por Rodolpho de Souza Dantas, o diário contava com a colaboração de grandes nomes, como José Veríssimo, José Maria da Silva Paranhos Jr., Aristides Spínola e Joaquim Nabuco. O jornal era reduto monarquista e defendia a volta do Regime Imperial. No mesmo ano, Joaquim Nabuco abriu escritório de advocacia em sociedade com o Conselheiro João Alfredo, antigo presidente do conselho de ministros do gabinete da Abolição. O dever dos monarquistas, escrito por Joaquim Nabuco em 1895, serviu como resposta ao Almirante Jaceguai, que havia escrito O dever do momento, defendendo a adesão à República. Este monarquismo de Nabuco foi reforçado em 1896, com a publicação, no Jornal do Commercio, do Manifesto do Partido Monarquista, que haviam recém fundado, os Conselheiros Visconde de Ouro Preto, João Alfredo, Laffayette Rodrigues Pereira, Candido de Oliveira, Andrade Figueira e os antigos deputados juniores do Império: Joaquim Nabuco, Affonso Celso, Candido Mendes e outros. Sem aceitar os cargos que lhe ofereciam na República, entre os anos 1893 a 1899, Joaquim Nabuco dedicou-se a escrever artigos para revistas e jornais, destacando-se sobremaneira. Em 1895 publica Balmaceda, sobre a guerra cível chilena, e A intervenção estrangeira na Revolta de 1893. Em 1896, publica o clássico Um estadista do Imperio, misto de biografia do Senador Nabuco de Araújo, seu pai, e teoria política sobre a obra da

monarquia brasileira no II Reinado. Joaquim Nabuco tornou-se de fato “imortal” em 1896, quando junto de grandes nomes da literatura, fundou a Academia Brasileira de Letras, sendo Nabuco, o secretário perpétuo desta honrosa instituição. Fundador da cadeira de número 27. No mesmo ano é convidado aos quadros do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro. Ufanista brasileiro, mesmo na República, no ano de 1899, Joaquim Nabuco aceitou defender seu país frente à Guiana Inglesa, questão internacional que teve como árbitro o Rei de Itália, Vittorio Emanuelle II. Em 1900, dizendo-se apenas plenipotenciário em missão especial, por causa da morte de Sousa Correa em Londres, Nabuco aceitou de fato o seu primeiro cargo na República, mais tarde tornando-se o legatário do Brasil na Inglaterra. Mesmo sendo funcionário da República, não encarou sua tarefa como sendo de governo, mas sim de Estado, notadamente depois de 1889, não mais se candidatou a cargos no parlamento, mas agiu somente na diplomacia, tarefa genuínamente de Estado, de serviço à nação, apartidária e essencialmente patriótica. Segundo o livro Joaquim Nabuco - Diários 1873-1910, da editora carioca Bem te vi, (2006), em 1900, estando Nabuco em Paris, encontrou-se com a exilada Princesa Dona Isabel, num Congresso anti-escravagista. Em 1903 repete o feito de 1900, enviando no 13 de maio, flores à Princesa Redentora, ao que ela agradece com um telegrama. Enfim, em 1900, lança Minha formação, pioneira autobiografia brasileira. Em 1905, a representação diplomática do Brasil na capital norte-americana é elevada a Embaixada e Joaquim Nabuco é nomeado como

primeiro embaixador do Brasil, sendo recebido pelo Presidente Theodore Roosevelt. Muito prestigiado, Nabuco palestrou nas mais diversas instituições de ensino dos Estados Unidos, chegando em 1906, a organizar a III Conferência Pan-americana, no Rio de Janeiro. Joaquim Aurélio Barreto Nabuco de Araújo faleceu aos 17 dias do mês de janeiro de 1910, na condição de embaixador em seu posto de Washington. Sua descendência enaltece sua ilustre ascendência, vindo seu trineto, Bernardo Nabuco de Almeida Braga Ratto, a casar-se com uma descendente do fundador do Império do Brasil, sendo ela Dona Maria Francisca de Orleans e Bragança, filha de Dom Eudes e Dona Mercedes, por conseqüência neta de Dom Pedro Henrique, Chefe da Casa Imperial do Brasil, de 1921 a 1981, este, o neto de Dona Isabel a Redentora e bisneto do Imperador Dom Pedro II. Bernardo Ratto é descendente de Joaquim Nabuco por sua mãe, Maria do Carmo Nabuco de Almeida Braga, esta, filha de Sylvia Maria da Glória de Mello Franco Nabuco, que é a filha de José Tomás Nabuco de Araújo, o caçula de Joaquim Nabuco. Joaquim Nabuco: político, diplomata, jornalista, escritor, jurista. Monarquista. 2010: no ano do centenário de sua morte, saudamos e reverenciamos este grande homem público, este monarquista incompreendido, este homem que desafiou suas origens, saudamos o abolicionista Joaquim Nabuco. Este que não é apenas Imortal pela Academia Brasileira de Letras, mas Imortal por seus feitos, suas ações, suas obras e suas lições. Saudamos Joaquim Nabuco!

Canhão El Cristiano
Governo brasileiro planeja devolver canhão histórico da Guerra do Paraguai
Do Blog Monarquia Já
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Passados 140 anos da morte do caudilho ditador paraguaio Francisco Solano López (*1827 +1870), que lutou contra Brasil, Argentina e Uruguai, na célebre Guerra do Paraguai, em 1864, o atual vice-presidente paraguaio, Frederico Franco solicitou a devolução dos chamados Troféus de Guerra, ao Paraguai. Veja a reportagem da “Folha de São Paulo”, por Fabiano Maisonnave: "Em discurso comemorativo aos 140 anos do fim da Guerra do Paraguai, o vice-presidente do país, Federico Franco, afirmou que a "cicatrização do povo paraguaio" só começará depois que o Brasil devolva um suposto arquivo militar e o canhão "Cristão", hoje em exibição no Museu Histórico Nacional, no Rio de Janeiro. ‘O meu país nunca vai cicatrizar a ferida da epopéia de 1865 a 1870 se o Brasil não devolver o arquivo militar que injusta e injustificadamente retém hoje, como também retém o canhão Cristão, que devem retornar ao Paraguai para que se inicie a cicatrização do povo paraguaio’, disse Franco, em discurso eloqüente. O vice paraguaio disse esperar ‘que essa mensagem chegue ao presidente Lula’ para que a devolução seja feita ‘antes cedo do que tarde’. Para ele, é ‘incrível’ que o Brasil ainda mantenha troféus da guerra.

Franco participou na condição de presidente em exercício de ato na cidade de Cerro Corá, onde o ditador paraguaio Francisco Solano López foi morto por tropas brasileiras, dando fim à guerra. O presidente do Paraguai, Fernando Lugo, estava no Uruguai anteontem. Em exibição no Museu Histórico Nacional, o ‘Cristão’ recebeu esse nome porque foi construído a partir de sinos de igreja. A arma foi apreendida em fevereiro de 1868, quando o Brasil tomou a fortaleza de Humaitá, no rio Paraguai. Já um arquivo militar paraguaio provavelmente não existe, afirma o historiador Francisco Doratioto, autor do livro ‘Maldita Guerra’ (ed. Cia. das Letras), um dos estudos mais importantes sobre o período. Ele acredita que, no máximo, existam documentos ainda desconhecidos, mas não de uma forma organizada." Lula da Silva, simpatizante das ditaduras esquerdistas, socialistas-comunistas do mundo (muito especialmente da América Latina), resolveu ceder aos pedidos de Frederico Franco, mas ainda não efetivou a entrega ao país vizinho. Os paraguaios ainda reivindicam a devolução de arquivos sobre a guerra mantido pelo governo brasileiro. A devolução do canhão El Cristiano, é mais uma prova do desapego histórico e cultural por parte do sistema político brasileiro. Uma afronta a Soberania Nacional, à 50 mil pessoas, “Vo-

luntários da Pátria”, que morreram para defender o Brasil do ditador paraguaio. A Guerra do Paraguai foi uma das maiores demonstrações do poderio da Soberania Nacional, nela, o Imperador Dom Pedro II, o Marechal Conde d’Eu, estiveram presentes, lutando, crédulos nos ideais brasileiros. Foi, na época, a luta da Democracia Brasileira contra a ditadura antidemocrática paraguaia. Hoje, o presidente brasileiro retifica esta luta, pondo-se ao lado dos paraguaios “pela ditadura socialista-comunista”, deixando o povo brasileiro sem memória, sem História. O MONARQUISTAS LANÇAM SITE até mesmo o muito digno ExércitoCONTRA A DEVOLUÇÃO DO CANHÃO Brasileiro, através do presidente do Clube Militar, general GilMonarquistas, Figueiredo, pesberto Barbosa membros do Círculo Monárquico do Rio de Janeiro, soa que deveria, por suas atribulançaram um site que conheciições e por seu alto visa impedir a dos fatos, defender a mento devolução do Canhão. Pátria, mas que no entanto faz o Visite o um e assine manifesto contrário, site episodioofrustrante, contra mais civis, quanto para tanto para os esta ação arbitrária governo ainda osdomilitares, brasileiro. mais pela memória dos lutadores daquela http://www.ocanhaoenosso.com.br época, que como já foi dito, morreram em nome de um ideal. Hoje, o referido general aplaude as insanidades, os achincal

Museu Imperial: 70 anos
O Museu Imperial de Petrópolis foi criado em 1940, com o objetivo inicial de acumular a História do Brasil Império. Passados 70 anos o Museu é o mais visitado do Brasil
Do Blog Monarquia Já
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A bela residência de verão dos Imperadores, outrora chamada de Palácio Imperial de Petrópolis, situada na Serra Fluminense, tornou-se Museu Imperial pelo decreto de Getulio Vargas, conservando e recebendo objetos pessoais da Família Imperial e do áureo período monárquico brasileiro. O Palácio, que por mais de 50 anos (anteriores a fundação do Museu) ficou no ostracismo, foi reformado e teve seus ambientes recompostos tal qual o Imperador conservou por mais de 40 anos. Mais tarde o Museu pôde contar com peças que hoje são símbolos de nossa nacionalidade, representando personagens e épocas que demarcaram nossa identidade. A Coroa que pertenceu a Dom Pedro I e outra que pertenceu a Dom Pedro II são duas dessas peças de destaque absoluto. Completam o quadro, o Cetro e objetos pessoais de nossos Monarcas. A pena com que a Princesa Dona Isabel assinou a Lei Áurea está no Museu, foi adquirida há poucos anos e é uma das peças que mais chamam a atenção. Os visitantes, quase 350 mil por ano, além de se encantarem com as peças raríssimas, também podem desfrutar dos cômodos onde o Imperador Dom Pedro II viveu com a Imperatriz, as filhas e os netos. Cômodos onde Dom Pedro II despachou e recebeu várias autoridades. A sala do Trono, copiada conforme a sala de mesmo nome do

Palácio de São Cristóvão, tem na majestade da cadeira do Imperador, seu maior charme, elegância e pompa. Em visita ao Museu, pode-se ver o violino StradiVarius de Dom Pedro II, além de seus objetos tecnológicos, incluindo o primeiro telefone do Brasil, e outros de pesquisa, como uma luneta. É de se destacar que além do acervo de quadros, tapetes, mobílias, objetos pessoais e do arquivo de imagens, o Museu Imperial conserva os jardins de Dona Teresa Cristina, este composto por árvores centenárias, flores belíssimas e peculiaridades da época Imperial, espaço que hoje é palco dos eventos de Som e Luz promovidos pelo Museu, além do Sarau Imperial, uma encenação relembrando a época em que o Museu era Palácio, trazendo aos espectadores a oportunidade de reviver o século XIX. No dia 29 de março de 2010, numa cerimônia que contou com a presença de autoridades civis, militares e eclesiásticas, o Diretor do Museu, Senhor Maurício Vicente Ferreira Junior, fez discurso elogioso, citando os benfeitores, os que ajudaram o Museu desde seu início, reafirmando o compromisso da instituição e conclamando os brasileiros a irem visitar o Museu Imperial de Petrópolis. Destaca-se parte do discurso, que pode ser acessado na íntegra através do site, http://www.museuimperial.gov.br: “E todos que hoje comparecem a esta celebração o fazem, porque acreditam na importância do Museu Imperial no cenário nacional. É por isso que aqui

estão. Desde a sua criação, o Museu Imperial tem como funções básicas a preservação, a pesquisa e a comunicação de peças relativas ao período imperial brasileiro e à formação histórica de Petrópolis. E as equipes do Museu têm sido fiéis ao compromisso, desenvolvendo suas atividades em consonância com essas duas dimensões: a nacional e a local. A nacional é a mais evidente, uma vez que o Museu preserva objetos-símbolo da monarquia e da fundação do Estado Nacional brasileiro que, como sabemos, foi criado sob a égide do regime monárquico. E a memória produzida sobre o eterno idealizador e proprietário desta casa muito contribui para que entendamos o Museu como um polo irradiador de princípios éticos e morais válidos para a nossa nação. Mas o palácio deu origem a uma cidade; Petrópolis nasceu como destino da vilegiatura do imperador, de sua corte e dos grupos médios urbanos beneficiados pelo advento das vias de penetração que transformaram a região em um ponto de conexão entre o centro (representado pela capital do Império) e o interior do país. São modelos de ocupação que produziram objetos, formas e práticas específicas que passaram a integrar o cotidiano de gerações de brasileiros e cuja preponderância superou até mesmo uma mudança de regime político. E esse caráter regional (e mesmo local) também está representado no acervo da instituição, fazendo dela um museu de pluralidades temáticas.

[...] O Museu Imperial registra em sua trajetória incrível número de atendimentos e serviços prestados a grupos de estudantes durante as visitas monitoradas ou nos projetos educativos de média e longa duração; espetacular visitação, com média de 300.000 pessoas ao ano, que se deslocam para a cidade de Petrópolis a fim de conhecer o Museu e seus acervos histórico, artístico e paisagístico; cursos e seminários com conteúdo programático para a reciclagem de profissionais de áreas afins e temas de interesse para formação de estudantes de diversos segmentos; doações, com destaque para a Coleção Carlos Gomes, doada pela filha do compositor, Ítala Gomes Vaz de Carvalho em 1946, o Arquivo da Casa Imperial, doado pelo príncipe d. Pedro de Orleans e Bragança em 1948, o legado Cláudio de Sousa, entregue ao Museu Imperial pela viúva do ex-presidente da Academia Brasileira de Letras em 1956, a Coleção Maria Cecília e Paulo Fontainha Geyer, doada pelo casal em 1999; as conferências, como a ministrada pelo acadêmico francês André Maurois em 1950 e a do Secretário de Cultura Aloísio Magalhães sobre o decreto presidencial, concedendo a Petrópolis o título de “Cidade Imperial” em 1981; eventos, como as comemorações do Sesquicentenário da Independência em 1972; projetos culturais, como o espetáculo Som e Luz que se notabilizou como um instrumento de estímulo à economia local, especialmente os setores de serviços e o segmento do turismo; os catálogos de exposições, as publicações seriadas, os guias e instrumentos de pesquisa que consolidaram o Museu Imperial como uma marca editorial respeitável; o oferecimento do jardim do Museu como um espaço para atividades educativas e de recreação por parte de diversos

segmentos da sociedade petropolitana; e a ação da Sociedade de Amigos do Museu Imperial, criada para auxiliar o Museu no desempenho de suas funções institucionais. [...] E para finalizar, gostaríamos de anunciar a disponibilização do acervo do Museu Imperial como parte do esforço representado pelo projeto DAMI – Digitalização do Acervo do Museu Imperial, patrocinado pela IBM Brasil. O projeto prevê a disponibilização, via portal do Museu na internet, de todo o acervo da instituição; ou seja, 250 mil documentos, 55 mil livros e folhetos e mais de 7 mil objetos de arte e história em um período de 10 anos. Os primeiros conjuntos de peças constituem coleções doadas ao Museu em diferentes momentos da história da instituição. Com o projeto DAMI, o Museu Imperial consolida a sua posição como um museu do século XXI, na medida em que aprimora a preservação de seu acervo, cria novos instrumentos de gestão de suas coleções e oferece a totalidade das informações que produz, sobre os bens históricos e artísticos, para a população em um ambiente favorável à participação de todos os cidadãos. Nós, do Museu Imperial, costumamos repetir a seguinte frase: NOSSO MUSEU, NOSSA HISTÓRIA. Muito obrigado! Maurício Vicente Ferreira Júnior 29 de março de 2010” Nas palavras do Diretor da instituição tem-se certeza da continuidade do serviço prestado a população, que também garante o futuro acesso ao Museu, através da digitalização de todo o acervo, quando então todos

os brasileiros terão a chance conhecer nosso passado. O jornal “O Estado de São Paulo”, em 4 de abril, traz a reportagem “Símbolo nacional, Museu Imperial chega aos 70 anos”, onde transfere ao grande público a importância dos 70 anos da Instituição. Assim é este patrimônio nacional, criado para guardar as memórias de um paíscontinente, trazendo às novas gerações a História de um país rico, grande, monárquico. Em Petrópolis, na Rua da Imperatriz, pode-se retornar aos tempos do Império, com "NOSSO MUSEU, com NOSSA HISTÓRIA".

Dona Maritza de Orleans e Bragança reconstrói os jardins do antigo Palácio da Princesa Dona Isabel

O jornal “O Globo”, em sua edição impressa do dia 23 de janeiro de 2010, no caderno “Ela”, página 4, traz uma reportagem sobre Dona Maritza, esposa do Príncipe Dom Alberto de Orleans e Bragança, portanto cunhada do Chefe da Casa Imperial do Brasil, Dom Luiz de Orleans e Bragança. A reportagem de Suzete Aché fala da profissão que Dona Maritza escolheu, o paisagismo. Recentemente ela esteve à frente das reformas dos jardins do Palácio Guanabara, antiga residência da Princesa Dona Isabel e do Conde d’Eu, bisavôs de seu marido. Transcrevemos abaixo, parte da matéria: “PAISAGEM REAL Suzete Aché Até a proclamação da República, o Palácio Guanabara serviu de residência à Princesa Isabel e ao Conde d´Eu e, ironia do destino, apesar da Família Real ter tentado, inutilmente, retomar a posse do imóvel, um de seus integrantes deixou agora sua marca no jardim do anexo. A paisagista Maritza, casada com Alberto de Orleans e Bragança, foi escolhida através de uma concorrência para refazer o paisagismo desse jardim, que acaba de passar por reformas. É um de seus trabalhos mais recentes. Mas a suave princesa, mãe de quatro filhos - de 12 a 22 anos - apesar da curta carreira, tem uma lista de clientes de peso "real" (sem trocadilhos). Foi ela, por exemplo, quem projetou os jardins da Casa França-Brasil. - Fiz faculdade de arquitetura e parei antes de me formar. Desde aquela época eu já gostava de paisagismo, mas não existia uma cadeira específica - conta ela. Um ano depois de casada, Maritza foi morar em Londres com o marido e aproveitou para fazer cursos, visitar os castelos e os jardins da cidade e dos arredores. No Rio, freqüentou todos os cursos que abriam no Jardim Botânico e trabalhou um ano na Floresta da Tijuca. - Chegava às oito horas da manhã e gostava muito da bruma que se formava - diz Maritza, que chegou a fazer estágio com Sérgio Bernardes e com Burle Marx.”

Dom Bertrand em visita aos EUA
Em fevereiro de 2010, Dom Bertrand de Orleans e Bragança, Príncipe Imperial do Brasil, visitou os escritórios da redação da revista Crusade, nos Estados Unidos. A revista é uma publicação em defesa da tradição, da família e da propriedade.

Dom Luiz de Bragança: virtuoso, valente, piedoso. Perfeito.
2010: Ano do 90º ano de falecimento de S.A.I.R., o Príncipe Senhor Dom Luiz de Orleans e Bragança, o Príncipe Perfeito
No transcurso dos 90 anos da morte de Dom Luiz de Bragança, cognominado O Príncipe Perfeito, cabe uma reflexão sobre sua vida e obra. Não se trata de apenas relembrar sua morte, mas sim de reavivar seus idealismos, seu Patriotismo. Trata-se, pois, de relembrar esta grande figura de brasileiro. Mas o que dizer de Dom Luiz? Um Príncipe tão admirado e amado, motivo de grande honra e alegria. O orgulho dos pais. O orgulho de uma nação. O que dizer de um Príncipe que ainda tão jovem perdeu a vida? “Homem como poucos, Príncipe como nenhum”. Morto em nome de seus idealismos, de sua coragem. O que dizer de um Príncipe Perfeito? Talvez nunca se diga tudo. Mas para relembrá-lo, uso o artigo do ilustríssimo Doutor Sebastião Moreira de Azevedo, transcrito pela “Revista Genealógica Latina”, em 1949 e, originalmente escrito para o “Diário de Belo Horizonte”, publicado a 3 de abril de 1948. O PRÍNCIPE PERFEITO *Por Sebastião Moreira de Azevedo Na aristocrática cidade de Petrópolis, a 26 de janeiro de 1878, nasceu um dos mais ilustres membros da Família Imperial Brasileira: o Príncipe Dom Luiz de Bragança, filho de Dona Isabel, a Redentora e do marechal Conde d’Eu. A educação dêsse neto de Dom Pedro II foi feita sob as vistas vigilantes de seus pais. “Foram seus preceptores o militar Manuel Cursino Peixoto Amarante, antigo companheiro de armas do Conde d’Eu no Paraguai, e o Barão de Ramiz Galvão. Êste, trinta e tantos anos depois, ao fazer o elogio fúnebre do antigo discípulo, no Instituto Histórico, havia de relembrar a sua clara Inteligência, ao lado de um caráter reservado, isto contràriamente ao que sucedia com o irmão mais velho” (Helio Viana, in revista “Espelhos”, do Rio, setembro de 1935). Em 1889, caindo pela fôrça a Monarquia, Dom Luiz acompanhou os seus pais ao exílio. Na França, o jovem Príncipe terminou os seus estudos secundários, e, em 1895, matriculou-se na Escola Militar Técnica de Viena, donde saiu com a patente de segundotenente da artilharia. Mas demorou pouco tempo no exército de Francisco José, pois não desejava fazer carreira militar no estrangeiro. Abandonando a farda, Dom Luiz percorreu várias terras, que descreveu em seus livros: “Dans les Alpes”, “Tour d’Afrique” e “A travers Indu-Kush”. O seu trabalho mais importante é “Sous La Croix-Du-Sud”, 1912, traduzido por êle para o português com título de “Sob o Cruzeiro do Sul” (edição do Centro de Monarquista do Amazonas), no qual “narra a viagem que fez, em 1907, à America do Sul, sem póder, por causa da lei do banimento, rever a “Pátria feérica e longínqua”, que êle tão entusiástica e calorosamente descrevera ao Maarajá de Cachemira”. O govêrno republicano não permitiu que o Príncipe Prefeito desembarcasse no solo pátrio, pois só a sua presença ameaçou o regime que Floriano “consolidára...” Dom Luiz na infância: o prodígio já denunciava o grande espírito de estadista A Academia Francesa e a Sociedade de Geografia da França premiaram o Príncipe-escritor pe-

la publicação de suas obras, que mereceram grandes elogios da crítica literária do Brasil e do estrangeiro. Como era justo, Dom Luiz quis ingressar na Academia Brasileira de Letras, mas não o conseguiu, em virtude da violenta oposição do caudilho Pinheiro Machado, a quem o povo chamava, significativamente, de “general pente fino” ... “Dom Luiz, que era o segundo filho da Princesa Dona Isabel, em 30 de outubro de 1908, tornou-se o Pretendente ao Trono do Brasil, por renúncia do seu irmão mais velho” (Guilherme Auler, in “Aspectos da vida de Dom Luiz de Bragança” p. 10). Esse importante acontecimento foi comunicado aos Conselheiros Lafayette Rodrigues Pereira, Cândido de Oliveira e Visconde de Ouro Preto, chefes do Partido Monarquista, pela Princesa Dona Isabel, que lhes enviou a seguinte carta, datada do Castelo d’Eu em novembro de 1908: “Exmos. Srs. Membros do Diretório Monárquico De todo coração agradeço-lhes as felicitações pelos consórcios de meus queridos filhos Pedro e Luís. O do Luís teve lugar em Cannes no dia 4 com todo o brilho que desejava para ato tão solene da vida de meu sucessor no Trono do Brasil. Fiquei satisfeitíssima. O do Pedro deve ter lugar no dia 14 próximo. Antes do casamento do Luís assinou ele sua renúncia à coroa do Brasil, e aqui lha envio, guardando eu papel idêntico. Acho que deve ser publicada essa notícia o quanto antes (os senhores quererão fazê-lo da forma que julgarem mais adequada) a fim de evitar-se a formação de partidos que seriam um grande mal para nosso país. Pedro continuará a amar sua pátria, e prestará a seu irmão todo o

apoio que for necessário e estiver ao seu alcance. Graças a Deus são muito unidos. Luís ocupar-se-á ativamente de tudo o que disser a respeito à monarquia e qualquer bem para nossa terra. Sem desistir por ora de meus direitos quero que ele esteja ao fato de tudo a fim de preparar-se para a posição à qual de todo coração desejo que um dia ele chegue. Queiram pois escreverlhe todas as vezes que julgarem necessário pondo-o ao par de tudo o que for dando.

de Martin Francisco, e obrigou o Apostolado Positivista do Brasil, com Teixeira Mendes à frente, a sair a campo com uma “resposta” ao Príncipe, que apontara as mazelas da República. Ao rebentar a guerra de 1914-18, Dom Luiz “pretendeu alistar-se no exército francês, mas o presidente Poincaré, ponderando-lhe a impossibilidade de o aceitar, devido a lei que proibia a presença no exército dos descendentes das antigas famílias reinantes, aconselhou-o a que o fizesse no exército inglês, onde efetivamente serviu de 23 de agôsto de 1914 a 15 de junho de 1915”. Pelos serviços prestados à causa aliada, Dom Luiz foi condecorado pela França com a Cruz de Guerra e, a título póstumo, nomeado Cavaleiro da Legião de Honra. De Alberto I, da Bélgica, recebeu a medalha militar do Yser. E o gôverno inglês lhe deu o posto de capitão honorário do exército britânico e o agraciou com a “British War Medal”, “Victory Medal” e “Star”. Dom Luiz casou-se com a Princesa Dona Maria Pia de BourbonSicília, da Casa Real das DuasSicílias, nascendo dêsse enlace três filhos: Dom Pedro Henrique de Orleans e Bragança, atual Chefe da Casa Imperial do Brasil e Herdeiro do trono do Brasil, residente no Rio de Janeiro; Dom Luiz Gastão, falecido em 1931, e Dona Pia Maria de Orleans e Bragança. Em virtude de doença contraída no “front” europeu, Dom Luiz faleceu em 26 de março de 1920, “depois de ter recebido, com profunda piedade, os Santos Sacramentos, tendo, então, dito a sua espôsa: “quero que meus filhos me vejam receber os últimos sacramentos, a fim de conservarem sempre a recordação dêsse grande dever cumprido por seu pai”. Como é belo e tocante êsse espetáculo de fé. Que lição digna dos tempos de Cavalaria!

Minhas fôrças já não são o que eram, mas meu coração é o mesmo para amar minha pátria e todos aqueles que nos são tão dedicados. Tôda a minha amizade e confiança”. Qual o monarquista, nobre ou plebeu, que duvida da palavra da Redentora, profanado, assim, a sua memória? Desde essa época, Dom Luiz assumiu o comando das hostes monarquistas, lançando ao país dois manifestos, famosos, nos quais traçou o programa da Restauração e fez uma crítica serena e objetiva da realidade brasileira. O segundo manifesto – o de Montreux (1913) – foi transcrito nos anais do Congresso, por proposta

Evocando a figura de Dom Luiz de Bragança, para que nos seus exemplos e no seu caráter a mocidade brasileira encontre uma lição de amor à Pátria, transcrevo as palavras que de sua pessoa escreveu o historiador Luiz da Câmara Cascudo: “Príncipe Perfeito, impecável de graça, de elegância, de polidez, nele se reuniam virtudes altíssimas de coração, de cultura e de caráter. Nasceu para um trono que estava cada dia mais próximo de si. De redor de sua figura moça e altiva, de sua palavra ardente e alta, agrupavam-se as expressões moças de sua pátria. De redor de sua fisionomia admirável de beleza moral, de honestidade, de patriotismo vibrante, de alegria vitoriosa, havia uma perpétua e crescente curiosidade por todos os conhecimentos. Seu nome era um orgulho para a mocidade de sua pátria. Havia em sua vida sadia e luminosa um sinal de irresistibilidade, de arrancada para a glória. Jornalistas, escritores, industriais, poetas, soldados e marinheiros voltavam fascinados por aquele moço de olhos azuis, aquele brasileiro exilado, que falava do Brasil sabendo tudo, prevendo tudo, amando tôdas as coisas, todos os homens de sua terra maravilhosa. Diante de seus olhos claros o Destino desdobrava perspectivas inesperadas e ridentes. Aos seus passos as simpatias multiplicavam-se como por milagre de fé e de esperança nas reservas morais de sua personalidade”. Sensatas as palavras do Dr. Sebastião, mais ainda as do Professor Luiz da Câmara Cascudo. Era verdadeiramente um “Príncipe Perfeito, impecável de graça, de elegância, de polidez, nele se reuniam virtudes altíssimas de coração, de cultura e de caráter”, seria nosso grande Chefe de Estado. Neste tocante, cabe-nos relembrar os celebres manifestos que Dom Luiz lançou a todos brasilei-

ros, numa prova indizível do amor que nutria por sua Pátria, pode-se ler na carta de 1909: “O progresso seguro e persistente que a Nação apresentou entre sua independência e a hora em que desapareceu o império, demonstraria que a mais favorável das formas de governo para ela, era a que lhe permitiu um frutuoso e pacífico progredir em tão largo período de fecundas evoluções; mas, assim como o benéfico regime com que se tornou benemérito o Sr. Dom João VI foi mister substituir o da Constituição Imperial e do Ato Adicional, quando as condições da existência do país foram outras, também agora uma restauração monárquica, conservando as linhas gerais daquelas duas cartas constitucionais, deverá atender circunstâncias novas que tornam forçosas modificações na estrutura das instituições políticas brasileiras”. Manifesto em que discorreu brilhantemente sobre seus desejos para o Brasil. Já em 1913, no seu último manifesto, defendeu seus ideais com argumentos irrefutáveis: “O Brasil não precisa somente de homens que compreendem a situação dos grandes problemas que se impõem ao nosso estudo. Precisa, sobretudo, de instituições que permitam a estes homens realizar os seus programas. Não necessitamos de estéreis lutas políticas, mas sim de idéias claras, lógicas, definitivas e proveitosas, que importam na satisfação exata de nossas conveniências atuais e futuras. O que nos importa não é a vitória de tal ou tal grupo, mas a formação de um Brasil grande, forte e próspero, de um Brasil onde tornem a desabrochar a honestidade o desinteresse pessoal, a justiça e a imparcialidade, onde se consorciem a ordem com a liberdade, o capital com o trabalho, as classes armadas com o elemento civil, o progresso com a probidade, o respeito ao Governo, com a inviolabilidade de todos os direitos garantidos pela Constituição”. E completa: “Quanto a mim, colo

cado por minha mãe, à testa do nosso partido, representante, depois dela, do principio monárquico do Brasil, estarei à disposição de nossa Pátria para desempenhar o papel que, por aclamação do povo, nos foi outrora atribuído. Para cumprir a meu dever, dever que resulta da própria história brasileira, que justificou, justifica e justificará os nossos direitos dinásticos, estou pronto a todos os sacrifícios, inclusive ao da própria vida”. Dom Luiz recebeu o dom de buscar e por vezes conseguir a perfeição. Era impecável em tudo o que se propunha a fazer. Por isso, recebeu muitas deferências dos altos comandantes do exército em que lutou, é o que atesta o recordatório fúnebre distribuído pela Família Imperial em 1920, embasado em um documentocarta do tenente-coronel A. Jamer, da Missão Militar Francesa adida ao Corpo Expedicionário Britânico: “Agregado como tenente ao E. M. do 1º Corpo Britânico desde 25 de agosto de 1914, S.A.R. o Príncipe Dom Luiz de Orleans e Bragança contribuiu com a máxima eficácia para assegurar a comunicação com os corpos franceses vizinhos, notadamente no combate de Landrecies a 25 de agosto, e depois a retirada por zonas expostas às incursões de patrulhas alemãs e particularmente a 3 de setembro nos arredores de ChâteauThyerry. Depois da batalha do Marne, assistiu com o 18º Corpo ao ataque de Montereau-lesProvins a 7 de setembro; no dia 8 ao combate de Treloire e finalmente de 13 de setembro a 15 de outubro à primeira batalha do Aisne no setor de Bourg-et-Comin, onde assegurou muitas vezes repetidas, em zonas dominadas pelo fogo da artilharia, a comunicação com os setores vizinhos do 18º Corpo”. E os comentários elogiosos seguem: “Durante as trágicas jornadas da primeira batalha de Ypres de 20 de outubro, em que a linha inglesa escapou de ser rompida várias vezes,

ele prestou serviços dos mais assinalados contribuindo dia e noite, com inalterável dedicação e energia a toda a prova, para assegurar a comunicação com os Corpos Franceses vizinhos em um setor que, formando uma saliência para dentro da linha inimiga, sofria tiros intensos de sua artilharia; especialmente a 22 de outubro no combate de Bischoote, em Zonnebeckc, com a 18º Divisão, no combate de Veldhock com os Zuavos do Coronel Eychéne, e a 31 de outubro”. “A datar de 1º de janeiro de 1915, o Príncipe acompanhando o General Douglas Hatg passou para o E. M. do 1º Exército e ali continuou a prestar serviços igualmente relevantes, particularmente a 10 de março por ocasião da tomada de Neuve-Chapelle, em Cambrin, em Fosse-Calonne, no setor do 10º Exército. Nessas diferentes missões nunca deixou de mostrarse de uma dedicação a toda prova, de uma animação comunicativa, de um sangue-frio notável nas mais árduas conjunturas, de uma coragem inalterável no fogo, e de uma compreensão muito para notar-se das situações táticas. Sua saúde, gravemente alterada pela rude campanha do Yser, obrigou-o a retirar-se prematuramente do seu Estado Maior, no qual só deixou amizades, elevado apreço de suas belas qualidades militares e pesar unânime de sua partida”. Dom Luiz foi citado na “Ordem do Dia do Exército Francês”, a 27 de julho de 1920, desta forma: “Agregado sucessivamente ao Estado Maior do 1º Corpo do Exército Britânico, distingui-se como oficial de Ligação entre as topas francesas e inglesas, particularmente em outubro de 1914 e no correr dos primeiros meses do ano de 1915, desempenhando as missões que lhe eram confiadas, com o maior sangue-frio, na zona avançada e sob o bombardeio da artilharia inimiga. Faleceu em conseqüência da moléstia contraída na linha de batalha”.

Está moléstia, que o deixou gravemente debilitado por cinco anos, levou-o a morte a 26 de março de 1920, aos 42 anos de idade, deixando uma viúva da mesma idade, e órfão de pai, 3 filhos, Dom Pedro Henrique com 11 anos, Dom Luiz Gastão com 9
Dona Maria Pia com a idade de 7 anos. Dona Isabel, mãe amorosa,

faleceu no ano seguinte. Ascendeu a Chefia da Casa Imperial do Brasil, tomando o lugar que deveria ser do pai Dom Luiz, o filho, o Príncipe Dom Pedro Henrique. Não seria salutar salientar a tristeza da Família Imperial na data do falecimento do Príncipe, nem descrever as lágrimas da realeza européia na época, muito menos a dor dos brasileiros e demais enlutados. O momento é de rememorar, lembrar com revêrência. Não é justo que se fale da morte, perante a pujante vida do Príncipe Dom Luiz.

custa ficar aqui de braços cruzados, quando penso que um punhado de homens decididos bastaria para arrancar a Pátria das garras dos aventureiros que a exploram... Se for para o bem do Brasil, estou pronto a arriscar a pele na primeira ocasião que se apresentar. Quando precisarem de mim, bastará um simples telegrama.” 2010 é o ano do nonagésimo aniversário de morte do Príncipe Dom Luiz. Em 120 anos passados não tivemos a honra de recepcionar o Príncipe, nem em vida, nem em morte. O Príncipe repousa no Mausoléu dos Orleans, em Dreux, quando é de direito de todos os brasileiros, tê-lo sepultado no solo que ele tanto defendeu. Seria, pois, um desejo para o centenário da morte do Príncipe, vê-lo honrosamente ser transladado para o Brasil, juntamente com sua esposa e filho, num Mausoléu erguido para a Família Imperial e sua descendência. Reafirmando o que disse o Abade Emérito do Mosteiro de São Bento do Rio de Janeiro, Dom José Palmeiro Mendes, na homilia da missa por ocasião dos 180 anos do casamento de Dom Pedro I com Dona Amélia, no Rio de Janeiro, na Igreja de Nossa Senhora do Carmo da Antiga Sé (outubro de 2009): “Será um sonho, imaginar a construção de uma grande Necrópole Imperial, talvez no Rio de Janeiro ou em Petrópolis, onde repousariam mais dignamente do que hoje (em S. Paulo, Petrópolis, no Convento de Santo Antonio e em Vassouras, em Dreux na França e em Coburgo na Alemanha) nossos Imperadores e todos os demais membros da Família Imperial Brasileira?” Enfim, Dom Luiz foi para todos os que o conheceram e ouviram dele falar, um receptáculo de esperança, um espelho das virtudes do homem. Dom Luiz foi realmente um Príncipe que buscou a perfeição.

Fica a todos as belas palavras, certeza das virtudes do Príncipe Dom Luiz, verdadeira prova do amor ao Brasil e aos brasileiros, em carta a Martim Afonso de Andrada, em 11 de setembro de 1913: “não imagina quanto me

Um ano sem Dom Pedro Luiz
Em 1º de junho de 2010 completou-se um ano do trágico acidente com o avião da Air France, que vitimou 228 pessoas entre o trajeto Rio – Paris. O Príncipe Dom Pedro Luiz, filho de Dom Antonio e Dona Christine de Orleans e Bragança, 4º na linha de sucessão ao Trono do Brasil, estava no vôo. Ele voltava a Europa, onde estudava e trabalhava, depois de passar alguns dias com a Família no Brasil. A notícia da morte do Príncipe chocou a Família Imperial, os parentes na Europa e os monarquistas de todo o Brasil. Dom Pedro Luís Maria José Miguel Gabriel Rafael Gonzaga de Orleans e Bragança nasceu em 12 de janeiro de 1983, desempenhando, desde muito cedo, papel fundamental nas ações monárquicas, inclusive no plebiscito de 1993, pois simbolizava o processo de continuidade da monarquia, traduzia a juventude do movimento e toda a capacidade do sistema perante uma sociedade tão carente de grandes líderes. Era o símbolo de um sistema de governo atual, que em longo prazo possibilitaria a vivência de um terceiro Reinado, espelhado em seu antepassado, Dom Pedro II. Para tanto, coube ao Príncipe buscar formação à altura. Era formado em Administração de Empresas pela Ibmec e pós-graduado em Economia pela FGV. Em 2005, Dom Pedro Luiz foi viver no Luxemburgo, GrãoDucado governado por seu primo, o Grão-Duque Henri. Lá trabalhava no importante Banco Paribas, tendo, atestado por seu chefe, trajetória profissional invejável e promissora. Aos monarquistas representava a esperança do futuro monárquico do Brasil. O Príncipe foi sepultado em Vassouras, Rio de Janeiro. Em 1º junho de 2010, Dom Antonio mandou celebrar missa por Dom Pedro Luiz no Mosteiro São Bento do Rio de Janeiro, presidida por Dom José Palmeiro Mendes, Abade Emérito daquele Mosteiro. A celebração lotou o templo com membros da Família Imperial, da Família dos Condes de Nicolay e com a presença de muitos monarquistas e amigos do saudoso Príncipe Dom Pedro Luiz.

Fotos de Luis Mendes

“Penso que meu filho era bom demais, e talvez por isso Deus tenha o chamado para perto mais cedo. O problema é a saudade, que é muita.”
Dom Antonio de Orleans e Bragança, à revista Época – 04/06/09

XXI Encontro Monárquico do Rio de Janeiro
Há 21 anos o Encontro Monárquico do Rio de Janeiro reúne monarquistas do Brasil inteiro, para juntos discutir a política, preservar a memória e cultivar as tradições
O vigésimo primeiro Encontro Monárquico do Rio de Janeiro, ocorrido em 5 de junho de 2010, foi um grande sucesso. Presentes grande número de participantes. Monarquistas do Rio de Janeiro, São Paulo, Rio Grande do Sul, Minas Gerais, Bahia e Paraná compareceram a este grande evento monárquico. Dom Luiz não pôde comparecer, substituindo-o o Príncipe Imperial, S.A.I.R. Dom Bertrand, que em suas palavras iniciais saudou os presentes, falando também da “Vocação Providencial do Brasil”. O Príncipe fez o encerramento dos trabalhos no início da noite.
Foto Brasil Imperial

O programa transcorreu normalmente. O Prof. Rogério Tjader, em suas considerações sobre o nonagésimo ano de falecimento do Príncipe Perfeito, aproveitou para lançar um pequeno livro, com cerca de 50 páginas, com o título “O que é Monarquia?” Dom Rafael, no lugar de seu pai, discursou a respeito das eleições 2010, fazendo retificações a respeito da política adotada pelo atual governo federal. Dona Maria Gabriela também compareceu ao Encontro Monárquico.

72º Aniversário de S.A.I.R., o Príncipe Senhor Dom Luiz, Chefe da Casa Imperial do Brasil
Dia 6 de junho de 2010, completou 72 anos o Imperador de direito do Brasil, S.A.I.R., o Príncipe Dom Luiz de Orleans e Bragança. S.A.I.R. Dom Luiz assumiu a Chefia da Casa Imperial do Brasil, em 5 de julho de 1981, quando seu Augusto pai, o Príncipe Dom Pedro Henrique, faleceu. O aniversário foi comemorado no Rio de Janeiro, com Santa Missa na Igreja da Imperial Irmandade de Nossa Senhora da Gloria do Outeiro, às 12h15mim. Seguindo-se, no Hotel Windsor Florida, almoço festivo. Dom Luiz, acometido por uma doença, não pôde comparecer, representado-o os Príncipes Dom Bertrand e Dom Antonio.

Imperatriz Dona Amélia: Destaque de exposição na Alemanha
Desconhecida de muitos brasileiros, a Imperatriz Dona Amélia é destaque de exposição em Munique
triz do Brasil era filha de Eugênio de Beauharnais, Príncipe da França, Vice-Rei da Itália, Príncipe de Veneza, Grão Duque de Frankfurt, Duque de Leuchtenberg, Príncipe de Eichstätt e Arquichanceler de Estado do Império Francês, filho dos Viscondes de Beauharnais, Josefina e Alexandre de Beauharnais, que mais tarde, com o falecimento do pai e o novo casamento da mãe foi, pelas circunstâncias, enteado e homem de extrema confiança de Napoleão Bonaparte. A mãe de Dona Amélia era a Princesa Augusta Amélia da Baviera, filha do Rei Maximiliano I José da Baviera e da Rainha Augusta Guilhermina, nascida Princesa de Hesse-Darmstadt. Tinha como irmãos a Princesa Carolina Clotilde; nascida e falecida em 1806, a Rainha Josefina (1807-1876); casada com o Rei Oscar I da Suécia e da Noruega, a Princesa Eugênia (1808-1847); casada com o Príncipe Constantino HohenzollernHechingen, o Príncipe Augusto (1810 – 1835); casado com sua enteada D. Maria II, filha de Dom Pedro I, Rainha de Portugal, a Duquesa Teodolinda (1814 – 1857); casada com o Duque Guilherme von Urach e Maximiliano (1817 – 1852); casado com a Grã-Duquesa Maria Nikolaievna, filha de Nicolau I da Rússia. Educada privativamente nos Palácios da Família, Dona Amélia teve sua apresentação formal a Corte da Baviera em 1828. Em 1826, no Brasil, faleceu a Imperatriz Dona Leopoldina, primeira esposa do Imperador Dom Pedro I, mãe de seus sucessores. Esteve então, a partir de 1827, o Marquês de Barbacena, em viagem para encontrar uma segunda esposa para o Imperador. Chegando a Europa, muitos eram os nomes para possíveis alianças, mas a Princesa Amélia de Leuchtenberg chamava a atenção pela juventude e beleza, sendo ela a escolhida. Em 30 de junho

Sob a curadoria da Baronesa Suzane von Seckendorff e do Conde Heinrich Von Spreti aconteceu até 30 de setembro de 2010, no Palácio de Leuchtenberg, em Munique, na Alemanha, a exposição “Estritamente Confidencial! – Munique, Rio de Janeiro, Amélia Von Leuchtenberg torna-se Imperatriz do Brasil”. A mostra tem como base o diário do Conde Friedrich Von Spreti, que em 1829 foi responsável pela administração financeira da viagem nupcial da futura Imperatriz ao Brasil. O diário já havia sido editado e transformado em livro em 2008 sobre o título “Das Reisetagebuch des Grafen Friedrich von Spreti: brasilianische Kaiserhochzeit 1829” e agora é personificado através da exposição, como afirma a Baronesa von Seckendorff: "O livro é o cerne da exposição. Transformamos quase 400 páginas em banners e vitrines". O Conde Friedrich von Spreti, em 1829, além de registrar toda a negociação do casamento e a viagem de Dona Amélia, que foi tratada na época como sigilosa, registrou fatos da Corte do Rio de Janeiro. A exposição atesta que antes da vinda para o Brasil, Dona Amélia teve aulas de português e de cultura brasileira. Sobre a Imperatriz Dona Amélia Nascida Amélie Auguste Eugénie de Leuchtenberg, Princesa de Leuchtenberg, em Milão, a 31de julho de 1812, a segunda Impera-

de 1829, sua mãe, a Duquesa Augusta Amélia, assinou o contrato de casamento, que um mês mais tarde foi confirmado no Brasil. Em 2 de agosto, foi celebrado na Capela do Palácio de Leuchtenberg a cerimônia de casamento, sendo o procurador do Imperador Dom Pedro I, o próprio Marquês de Barbacena. A vinda de Dona Amélia para Brasil deusê em meio as turbulências da usurpação do trono de Portugal por Dom Miguel, Trono que Dom Pedro I havia herdado e abdicado em favor da Princesa Dona Maria da Glória, tendo, o navio que trazia a Imperatriz, de passar por portos da Bélgica e Inglaterra, chegando ao Brasil em 16 de outubro de 1829. A bordo do navio também estava o 2º Duque de Leuchtenberg, Príncipe Augusto de Beauharnais, condecorado pelo Imperador como Duque de Santa Cruz, a quem deu a mão de sua filha, a Rainha Dona Maria II de Portugal, em casamento. Em 17 de outubro daquele ano o casal recebeu as bênçãos na Capela Imperial. O Imperador criou a Imperial Ordem da Rosa para homenagear a esposa e comemorar o casamento. A trajetória de Dona Amélia como Imperatriz foi bastante curta, dada a abdicação de Dom Pedro I em 7 de abril 1831, esteve no Trono efetivamente por apenas 2 anos. Resignada, estudiosa e comprometida, chegou ao Brasil entendendo o português e falando quase perfeitamente o idioma. Aos filhos do marido representou a mãe que haviam perdido, inclusive à filha ilegítima do Imperador, a Duquesa de Goiás, que adotou pra si. Organizou os protocolos do Palácio de São Cristovão, configurando ao lugar, ares da Corte européia. Em 1831, com a abdicação do Imperador ao Trono do Brasil, embarcaram para a Europa estando ela grávida de 4 meses. Passaram então pelos Açores e

França, onde a Imperatriz deu à luz a única filha do casal, Dona Maria Amélia de Bragança, lá também aguardavam por Dom Pedro I que estava liderando as lutas contra o usurpador Dom Miguel, que havia roubado o Trono de Dona Maria da Gloria. Em agosto de 1834, as Cortes de Portugal confirmam a vitória de Dom Pedro I nas batalhas contra os miguelistas, ao conceder o título de Rainha a Dona Maria da Gloria. O Imperador passou a residir com a Imperatriz Dona Amélia e as filhas, Dona Maria Amélia e a Duquesa de Goiás, no Palácio de Queluz, em Lisboa, onde faleceu em 24 de setembro de 1834. Após a morte do marido, Dona Amélia se dedicou a caridade, ao auxílio dos desprovidos e aos cuidados com a filha e a enteada, retornando a Baviera em 1850. Pouco tempo depois, pelas evoluções da tuberculose da Princesa Dona Maria Amélia, a Imperatriz viu-se obrigada a rumar com a filha para a Ilha da Madeira, em busca de ares favoráveis ao seu tratamento, não obtendo êxito, a Princesa faleceu aos 22 anos de idade em 4 de fevereiro de 1853. A Imperatriz retornou a Lisboa, onde faleceu em 26 de janeiro de 1876. Atualmente Dona Amélia jaz na Cripta Imperial do Monumento à Independência do Brasil, em São Paulo, ao lado do Imperador Dom Pedro I e da Imperatriz Dona Leopoldina. A exposição “Estritamente Confidencial! – Munique, Rio de Janeiro, Amélia Von Leuchtenberg torna-se Imperatriz do Brasil”, foi organizada pela Sociedade Brasil-Alemanha, que completa 50 anos em 2010, com o apoio do Governo do Estado da Baviera e da Fundação Karl Graf Spreti.

Ao lado direito, a Imperatriz Dona Amélia em várias fases da vida. No lado esquerdo, a insígnia da Imperial Ordem da Rosa

A morte da Imperatriz Dona Leopoldina
Gisele Marques da Revista Radiante recorda as cerimônias fúnebres da morte de Dona Leopoldina. Esta mulher que foi grande esposa, mãe e política e que desenvolveu papel fundamental no processo de Independência do Brasil
As exéquias de Dona Leopoldina: [...] Foi vestida de grande gala, e com ornamentos competentes, foi reposta no seu leito sobre uma riquíssima colcha da China cor de pérola, encostada em duas almofadas de seda verde e ouro. Neste camarim, forrado de seda branca e verde, com portas de veludo verde e galões de ouro, deu Sua Majestade a Imperatriz, pelo meio dia solene Beija-mão, sendo o primeiro, que cumpriu esse doloroso dever Sua Alteza Imperial, o Príncipe Imperial. Ali o corpo foi colocado, sendo velado por dois longos dias, quando oradores oficiais revezavam-se de duas em duas horas nessa árdua tarefa. Após 18 horas de vigília, foi iniciado o beijamão. Toda a preparação do cadáver tinha como objetivo deixar o máximo possível a presença daquele corpo morto entre seus súditos, de modo que eles pudessem venerá-lo antes da separação final. Mas não se poderia deixá-lo por muito tempo sem o cuidado devido, uma vez que a decomposição natural afastaria todos. [...] Assim, o corpo foi sendo velado, onde as Damas de Honra da Imperatriz, os viadores, bem como a família composta pelo restante dos filhos revezavam-se nas orações. Até o dia 13 às 23 horas, o cadáver permaneceu no leito imperial. Logo depois, o corpo foi colocado dentro de um caixão de chumbo que foi fechado dentro de um outro de madeira simples, sendo exposto para receber as honras da Corte e do povo, e recebendo as orações dos diferentes religiosos que para ali se dirigiam. Somente no dia do cortejo é que o corpo foi colocado em um terceiro caixão também de madeira, mas fechado à chave e coberto de veludo preto agaloado de ouro. Era o monumento funerário feito em 1817 para colocar os restos mortais de D. Maria I, que aí ficaram até 1821, quando foram traslados juntamente com os ossos do Infante D. Carlos, seu neto, para Portugal. Depois de todos cuidados, o corpo envolto nesses caixões foi colocado sobre uma mesa na sala do Paço Imperial, cercado de 22 tocheiros de prata, coberto com rico pano de veludo preto bordado, agaloado de ouro. Aos pés dos caixões, foram respeitosamente colocados em duas almofadas o cetro e a coroa, sendo todo ambiente decorado em verde, amarelo, preto e roxo. Ao amanhecer do dia 14 começaram as cerimônias religiosas feitas pelos cleros regular e secular, onde destacaram-se o Ofício de Defuntos, os responsos cantados e a presença das ordens religiosas que findaram a encomendação da alma. Somente às 20 horas foi dado início aos preparativos para a procissão que levaria o corpo até seu destino final. O corpo saiu do Palácio de São Cristóvão para sua última morada somente às 20h30min do dia 14 de dezembro de 1826, seguindo riquíssimo cortejo atrás. Pelas ruas por onde passava, via-se uma fila dupla de monges e eclesiásticos. Após seguir por vários bairros fluminenses de modo a dar oportunidade aos súditos de despedirem-se da Imperatriz, a procissão finalmente chegou às 23 horas ao seu destino, a Igreja do Convento da Ajuda, terminando a cerimônia somente às duas horas da madrugada. A rica decoração da igreja incluía até mesmo magnífica tapeçaria que forrava suas paredes, tudo ocorrendo ao som de uma imponente orquestra. Nela notavam-se três pousos preparados com riqueza, o primeiro tinha um degrau e seis tocheiros, o segundo com dois degraus e dez tocheiros; e finalmente o terceiro, com três degraus e dez tocheiros. Havia outro pouso próximo ao Coro das Religiosas, e a um lado duas lanças cobertas de veludo verde, sobre as quais estavam quatro castiçais de prata. No pouso mais simples e mais baixo, situado próximo à porta, é que o corpo foi depositado. Neste momento, o clero da irmandade deu início ao ofício dos mortos, enquanto os irmãos carregavam o caixão até o segundo pedestal, mais elevado e ornamentado, onde estava o senado da Câmara do Rio de Janeiro. Após esta segunda etapa, os membros da Câmara levaram o corpo ao terceiro ponto, ainda mais rico que os precedentes. Todo o espetáculo era aumentado com os efeitos produzidos pela música, enquanto a nobreza transportava o corpo por uma porta lateral da grade claustral, aberta para receber os restos mortais da soberana. Depositaram então uma coroa dourada e o pano mortuário no esquife. Às duas horas, findando-se o funeral, as salvas da artilharia avisaram que as portas do claustro estavam sendo fechadas.

O Príncipe Dom Antonio ingressa na Ordem de Malta
“A Família Imperial Brasileira sempre manteve vínculos com a Ordem ”
de Malta, continuando a tradição da Família Real Portuguesa (o 11º Grão-Mestre foi um Príncipe Português, Dom Afonso de Portugal, possivelmente filho do Rei Dom Afonso Henriques).
dos enfermos e dos territórios cristãos na Terra Santa, assumiu o caráter de Ordem de Cavalaria, religiosa e militar ao mesmo tempo. no de Rodes, e por um Soberano Conselho, cunhava moeda e mantinha relações diplomáticas com os demais Estados. Os cavaleiros rechaçaram com êxito numerosos assaltos dos otomanos, mas diante do ataque do Sultão Solimão o Magnífico, com uma grande frota e um poderoso exército, tiveram que capitular e deixaram a ilha em 1523. O Imperador Carlos V, então, cedeu à Ordem as ilhas de Malta, Gozo e Comino, assim como a cidade de Trípoli, como feudo soberano. Em 1530 a Ordem tomou posse de Malta, com a aprovação do Papa Clemente VII. Durante o Grande Assédio, em 1565, os otomanos foram derrotados pelos Cavaleiros. A frota da Ordem de São João (ou de Malta, como começou a chamar-se) foi uma das mais poderosas do Mediterrâneo e contribuiu para a destruição definitiva dos otomanos na célebre batalha de Lepanto de 1571. Em 1798 Napoleão Bonaparte, durante a campanha do Egito, ocupou a ilha de Malta e os cavaleiros, por causa da Regra da Ordem que lhes proíbe lutar contra outros cristãos, não resistiram e se viram obrigados a abandonar a ilha, que em 1802 começou a ser ocupada pelos ingleses. A Ordem se estabeleceu definitivamente em Roma em 1834, aí possuindo nos dias de

Justamente no dia de seus 60 anos, o Príncipe Dom Antonio ingressou na Ordem Soberana de Malta, que festejou no dia 24 de junho de 2010 seu padroeiro, São João Batista, com Missa solene no Mosteiro de São Bento, presidida por Dom Abade Roberto Lopes, que é também Capelão Conventual da Ordem. A celebração foi às 18h, seguindo-se uma recepção na Casa Julieta de Serpa, com jantar em benefício das obras assistenciais da Ordem na cidade. Dom Antonio ingressa na Ordem dentro da alta categoria de Cavaleiro de Honra e Devoção, que é reservada a nobres católicos (no Brasil a maior parte dos membros da Ordem são Cavaleiros de Graça Magistral, o que não exige prova de nobreza). A Ordem de São João de Jerusalém, dita Ordem de Malta, nasceu pelo ano 1048, como comunidade monástica, que tratava dos peregrinos e enfermos e acolhia os indi-centes. Sob o Beato Gerardo e por uma Bula do Papa Pascoal II de 1113, converteu-se numa Ordem isenta da Igreja. Diante da responsabilidade de ter que assumir a defesa militar

Dom Antonio ingressa na Ordem dentro da alta categoria de Cavaleiro de Honra e Devoção, que é reservada a nobres católicos.
Em 1291, depois da perda de São João d´Acre, último baluarte da Cristandade na Terra Santa, a Ordem estabeleceu-se em Chipre e em 1310 ocupou a ilha de Rodes, ali adquirindo uma soberania territorial. Para defender o mundo cristão, constituiu uma poderosa frota. Governada por um Grão-Mestre, Príncipe sobera-

hoje o Palácio de Malta, na via Condotti, e a Villa Magistral, no Aventino, que gozam do privilégio de extraterritorialidade. A missão original da Ordem, a serviço dos pobres e dos enfermos, voltou a ser sua missão principal. Por tradição os cavaleiros de Malta provinham, no passado, em grande maioria, de famílias da nobreza católica da Europa. Ainda hoje é uma Ordem cavalheiresca, tendo mantido os valores da cavalaria e da nobreza. Na Europa boa parte de seus membros provém ainda dos círculos da nobreza. Mas tanto na Europa como, mais ainda, em outros Continentes, são também admitidas pessoas da todas as classes sociais, mas com especiais méritos e com espírito altruístico. Graças a uma história ininterrupta de quase nove séculos, a Soberana Militar Ordem de Malta é hoje a única sucessora da Ordem Hospitalar de São João de Jerusalém, reconhecida pela Igreja Católica em 1113. É a única a ser ao mesmo tempo Ordem religiosa e Ordem de cavalaria. Possui cavaleiros professos, que emitem votos religiosos. Deles sai o Príncipe e Grão-Mestre e a maioria dos membros do Soberano Conselho, o órgão Dirigente máximo da Ordem. Sujeito do direito internacional público, a Ordem nunca deixou de ser reconhecida como soberana. O Grão-Mestre (Frei Matthew Festing, inglês, é desde 2008 o 79º Grão-Mestre) governa a Ordem como Príncipe Soberano – sendo reconhecido como Chefe de Estado por muitos países – e como superior religioso. Tem o tratamento único de Alteza Eminentíssima, tendo uma categoria na Igreja equivalente a dos Cardeais. A Ordem mantém relações diplomáticas com 104 países e 17 organizações internacionais (como a FAO e a UNESCO e tem uma representação permanente na ONU). Está presente em 54

países, entre os quais o Brasil. Em nosso país houve alguns cavaleiros e damas no tempo do Império (cf. João Hermes Pereira da Araújo, “A Ordem de Malta e o Brasil Imperial” in “Anuário do Museu Imperial”, vol. XVIII, 1957). A verdadeira organização, porém, começou em 1957 com a fundação da Associação Brasileira do Rio de Janeiro e da Associação de São Paulo e do Brasil Meridional. Em 1984 foi criada uma terceira Associação, a de Brasília e do Brasil Setentrional.

A Família Imperial Brasileira sempre manteve vínculos com a Ordem de Malta, continuando a tradição da Família Real Portuguesa (o 11º Grão-Mestre foi um Príncipe Português, Dom Afonso de Portugal, possivelmente filho do Rei Dom Afonso Henriques). Reinando a dinastia de Avis, por várias vezes Príncipes da Casa Real ocuparam a sede Priorado do Crato. O Priorado do Crato é um extenso e valioso senhorio que abrangia vasta extensão de território e que foi cedido em 1232 pelo Rei Dom Sancho II aos cavaleiros da Ordem de São João de Jerusalém, em recompensa dos serviços prestados por eles na luta contra os mouros. Em meados do sec. XIV, a vila do Crato passou a ser a sede dos Cavaleiros de São João em Portugal. O primeiro GrãoPrior foi Dom Luis de Portugal, filho do Rei Dom Manuel I, o Venturoso, tão ligado à O Chefe da Casa Imperial portando, entre outras distinções, História do Brasil. o colar de Bailio Grão-Cruz de Honra e Devoção da Ordem Sob a dinastia de de Malta. Bragança, as re-

lações da Família Real com o Priorado do Crato se tornaram permanentes. Em 1789 o Papa Pio VI publicou um breve, determinando que um Príncipe da Família Real fosse sempre o Grão-Prior do Crato. D. Pedro III e depois seu filho D. João VI sempre manifestaram afeição pela Ordem de São João. Nosso Imperador D. Pedro I foi Grão-Prior do Crato desde 1799. Vários retratos do Soberano mostram o uso constante que fazia, colocando o hábito pendente de Malta sob as insígnias da Ordem do Tosão de Ouro. A Imperatriz Dona Leopoldina foi admitida também na Ordem, em 1817, na condição de Dama GrãCruz de Honra e Devoção. Igualmente o Imperador Dom Pedro II entrou na Ordem, em 1846, como Bailio Grã-Cruz de Honra e Devoção, a mais alta graduação da Ordem; a imperatriz Dona Teresa Cris-tina foi, a partir de 1878, Dama Grã-Cruz de Honra e Devoção (como retribui

ção, o Grão-Mestre Ceschi, foi feito Grão-Cruz da Ordem de Cristo). Interessante que nem a Princesa Dona Isabel, nem seu marido, o Conde d’Eu, e também nenhum de seus filhos, ingressaram na Ordem de Malta. A Família Imperial voltou a integrar a Ordem em nosso tempo. Primeiro foi admitido, em 1972, como Bailio GrãoCruz de Honra e Devoção o Príncipe Dom Pedro Gastão, o qual em 1966 recepcionou no Palácio Grão-Pará, em Petrópolis, o Príncipe e Grão-Mestre da Ordem, Frei Ângelo de Mojana di Cologna, em visita oficial ao Brasil. Em 1974 foi a vez do próprio Chefe da Família Imperial, Dom Pedro Henrique, ser admitido, igualmente na condição de Bailio GrãoCruz de Honra e Devoção, o grau máximo da Ordem. Ele recebeu depois a Cruz de Profissão. Várias vezes participou da anual Missa da Ordem, no Mosteiro de São Bento, ao lado do Presidente Juscelino Kubits-chek de Oliveira. Em 2002 foi a vez de entrarem na Ordem Dom Luiz e Dom Bertrand, sempre como Bailios Grão-Cruzes de Honra e Devoção. O ingresso dos dois ocorreu numa cerimônia singular: foi diretamente em Roma, na sede da Ordem, presidindo a cerimônia o próprio GrãoMestre, na época Frei Andrew Bertie. É de se lembrar que também outro descendente de Dom Pedro II é membro proeminente da Ordem: Dom Carlos Tasso de Saxe-Coburgo e Bragança é não só Cavaleiro Grão-Cruz de Obediência da Ordem, mas um dos presidentes de honra da Associação de São Paulo e Brasil Meridional, depois de ter sido seu presidente efetivo de 1960 a 1965.

Sobre Dom Antonio
Nascido no Rio de Janeiro a 24 de junho de 1950, sendo o sétimo dos doze filhos do Príncipe Dom Pedro Henrique, Chefe da Família Imperial e Herdeiro do Trono do Brasil, e da Princesa Dona Maria, nascida Princesa Real da Baviera, o Príncipe recebeu no batismo o nome de Antonio em homenagem ao tio avô, filho mais moço da Princesa Isabel; João por ter nascido justamente no dia de São João Batista; Maria José pela devoção dos pais à Nossa Senhora e seu esposo; Jorge é o nome de seu padrinho, o Arquiduque Jorge da Áustria (ramo da Toscana), primo-irmão de seu pai; Miguel Gabriel Rafael Gonzaga são os nomes dos três Santos Arcanjos e são tradicionais na Casa de Bragança desde Dom João VI. Em sua infância, Dom Antonio viveu em Jacarezinho, Paraná, no período em que seus pais lá moravam como fazendeiros. Mais tarde mudou-se com a Família para Vassouras. Formou-se em 1976 em Engenharia Civil pela Universidade de Barra do Pirai, ligada ao complexo da Companhia Siderúrgica Nacional. Fez um estágio na Alemanha, na área da Engenharia Nuclear e trabalhou em várias empresas no Rio de Janeiro. Como seu pai, é conceituado pintor aquarelista, tendo realizado exposições em várias cidades do Brasil e também no exterior. Retrata geralmente em suas telas igrejas, antigas fazendas, prédios históricos, visões, enfim, de um Brasil tradicional. Dom Antonio é o único dos Príncipes homens de sua geração – bisnetos da Princesa Dona Isabel e do Conde d’Eu – a realizar um casamento Principesco. Daí ficar em terceiro lugar na linha da Sucessão do Trono, tendo a ele renunciado seus irmãos mais velhos, Dom Eudes, Dom Pedro de Alcântara, Dom Fernando. Casou no Castelo de Beloeil, na Bélgica, a 26 de setembro de 1981, com S.A. a Princesa Christine Maria Elisabeth de Ligne, nascida no mesmo Castelo a 11 de agosto de 1955, filha de Antonio, 14º Príncipe de Ligne, Príncipe d´Amblise e d´Epinoy, e de Alix, Princesa do Luxemburgo, de Nassau e de Bourbon Parma. Os Ligne constituem uma das primeiras Famílias do Reino da Bélgica, sendo uma Casa nobre de origem feudal, conhecida já no século XI. É Dona Christine neta materna da Grã-Duquesa Carlota do Luxemburgo (e prima irmã do atual Grão-Duque, Henri). Alguns meses antes do matrimônio de Dom Antonio e Dona Christine, no mês de março, casaram no Outeiro da Glória, no Rio de Janeiro, a Princesa Dona Eleonora, irmã de Dom Antonio, com o irmão de Dona Christina, o Príncipe Michel de Ligne, que com a morte do pai, Antonio, em 2005, é o 15º Príncipe de Ligne. Do casamento de Dom Antonio e Dona Christine nasceram quatro filhos, sendo o mais velho o saudoso Príncipe Dom Pedro Luiz, falecido em 2009, com 26 anos, no trágico acidente do vôo 447 da Air France, em pleno Oceano Atlântico. Os outros filhos do casal são a princesa Dona Amélia, 26 anos, arquiteta, trabalhando atualmente em Madri, o Príncipe Dom Rafael, 24 anos, que é formando em Engenharia de Produção e já trabalha numa grande empresa no Rio de Janeiro; e a princesa Dona Maria Gabriela, 21 anos, estudando Comunicação Social na PUC/RJ. Dom Antonio reside no Rio e em Petrópolis, estando bem integrado nesta cidade Imperial. É, por exemplo, membro do Conselho Consultivo da Associação dos Amigos do Museu Imperial (seu primo Dom Pedro Carlos é presidente de honra da entidade).

Dom Antonio e Dom Bertrand em visita ao Arcebispo do RJ

No dia 24 de julho de 2010, os Príncipes Dom Antonio e Dom Bertrand de Orleans e Bragança visitaram o Arcebispo do Rio de Janeiro, Dom Orani João tempesta. Acompanhados do monarquista Mario de Oliveira, os Príncipes foram agradecer o apoio de Sua Reverendíssima na ocasião do fatídico acidente com o avião da Air France, que acabou por vitimar o Príncipe Dom Pedro Luiz. Durante a visita, Dom Bertrand e Dom Antonio discutiram com o Arcebispo a respeito do aborto e outros temas de interesses sociais.

Baroneza de Muritiba Uma grande Dama do Paço
Artigo de Ricardo Gumbleton Daunt, extraído da Revista do Instituto de Estudos Genealógicos, ano III, nº5, 1º semestre de 1939. Esta brilhante compilação traz um pequeno retrato da Baronesa de Muritiba, Dama de Companhia da Imperatriz Dona Teresa Cristina e das Princesas Dona Isabel e Dona Leopoldina, que tinha na fidelidade a Família Imperial, o sentido de sua vida
Já antes eu a conhecia, pelo excepcional prestigio de seu illustre nome, evocado na phrase imaginosa e colorida de uma devotada amiga, minha venerada e saudosa tia Dona Alicia O’Connor de Camargo Dauntre, que se comprazia em deslumbrar-me, exaltando suas aprimoradas feições espirituaes. E comtudo, sómente muito depois, é que tive o privilegio de conhecer esta fidalga senhora, quando ali, na formosa Petropolis e em sua tranquila vivenda, fui levar-lhe minha commovida homenagem. Sua affabilidade aristocratica e a finura de conversação estavam a realçar, nella, uma figura patricia. Toda absorta pelas recordações do passado, proporcionou-me o ensejo de conhecer alguma reminiscencia de sua vida de Dama do Paço, fidelissimamente consagrada á Família Imperial do Brasil. Nesses momentos, a sua physionomia intelligente e illuminada deixava expandir os mais elevados sentimentos de uma alma escól. Em sua honrosa companhia e a seu convite desvanecedor, visitei enternecido antigos solares imperiaes, distribuidos na paizagem serrana, bem como me inclinei reverente ante os despojos dos Magnanimos Imperadores, até hoje depositados na inacabada Cathedral de Petropolis, a espera de que a Nação lhes dê condigno mausoléo. Em 7 de Agosto de 1851, na chacara de Joana, mais tarde palacete do Duque de Saxe, na corte, então residencia de seus avós maternos, nasceu a gracil Dona Maria José, mais tarde Baroneza de Muritiba. Veiu ao mundo afagada pelo destino. Nas veias corria-lhe o sangue de casas illustres. Brazões da mais esclarecida estirpe enxertavam-se-lhe no tronco de sua arvore genealogica. Era filha de Joaquim Ribeiro Avellar, importante agricultor, tenente-coronel da Guarda Nacional, da I. Ordem da Rosa, fidalgo e cavalleiro da Casa Imperial, e de sua esposa Dona Marianna Velho da Silva, titulados com grandeza Viscondes de Ubá, em 14 de Março de 1887. Teve por avô paterno o Barão de Capivary, Grande do Imperio, condecorado com a Imperial Ordem da Rosa, tio dos Barões de S. Luiz, de Guaribú, Baroneza de Paty do Alferes e do Visconde da Parahyba, e, por avós maternos, o Conselheiro José Maria Velho da Silva, Veador da Casa Imperial, e sua esposa Dona Leonarda Maria Motta, Dama de Honra deS. M. a Imperatriz e senhora de notaveis predicados culturaes. Aos 8 anos de idade, Dona Maria José passava a residir com seus paes, Viscondes de Ubá, em Petropolis, onde lhe foi dado por mestre o educador Padre Nicolau Germaine, seu primeiro vigario. Instruida nas rigidas tradições da familia, com o maior esmero, cercada do esplendor que sóem dar a virtude christan, a nobreza, a posição, a graça e a distincção juvenil e a fortuna, ia com freqüência durante o verão, ao Paço Imperial, levada pelas mãos da austera Dona Leonarda, sua

MuriNa casa da Princesa Dona Isabel: a Baronesa de MuriBa tiba, a Princesa Dona Isabel e a Baronesa de Loreto. Petrópolis - 1866

avó, para entreter-se em folguedos com as Princezas Izabel e Leopoldina, ambas mais velhas do que ella. Herdára, á imitação de sua mãe, Dona Marianna, e de sua avó, Dona Leonarda, o viço intellectual e o culto das boas letras e artes, que se passavam por constituir prenda de familia, assim como nella tambem já se manifestava o nobre e jamais desmentido sentimento de dedicação á Familia Imperial. Desde jovem, Dona Maria José votou ás Princezas Imperiaes, e muito particularmente á S. A. I. e R. a Princeza Izabel, uma amizade firmada em respeitosa ternura que cirscumstancias futuras deviam evidenciar. Casam-n’a, aos 17 de Novembro de 1869, com um varão cuja nobreza de nascimento e de alma condizia bem com a de sua jovem esposa. Foi um casamento venturoso. O Dr. Manoel Vieira Tosta, diplomado pela Faculdade de Direito de S. Paulo, depois Barão de Muritiba, nessa ocasião Chefe de Policia do Desterro (Santa Catharina), era um homem de caracter, de rara distincção e de aprimorada cultura.

Primogenito do Marquez de Muritiba, grande dignitario do Imperio, integro e energico magistrado a quem Nabuco rendeu justiça dizendo em “Um Estadista do Imperio”: “Tosta era um conservador, dos raros, que tinha a Religião, a Monarchia, a Ordem Publica, a Lei, como dogmas indiscutiveis”. O filho era do mesmo quilate e, cioso de sua nobre estirpe, adoptava as armas de seu pae, que eram: “Em campo de blau, um chaveirão de ouro, entre tres estrelinhas de prata, de cinco pontas; chefe de ouro, carregado de tres vieiras de góles, alinhadas em faxa. Divisa: Tive Santo Amor á Lei ”. Os Barões de Muritiba gozaram de ininterrupta felicidade. A quéda da Monarchia pôz fim á carreira do Barão de Muritiba, que occupou os cargos de Dezembargador da Relação da Côrte, ultimo Procurador da Corôa, Soberania e Fazenda Nacional, Veador de S. M. a Imperatriz, Grande do Imperio, Gran Cruz da Ordem de S. Gregorio Magno (de Roma), Dignatario da Ordem Romana de São Pio IX, Membro Honorario do Instituto Historico e Geographico Brasileiro e do de S. Paulo. Dona Maria José, Baroneza de Muritiba, era então Dama de Honra de S. M. a Imperatriz e da Princeza Imperial, Dona Izabel, a Redemptora. Ambos, consultando apenas o seu desinteressado devotamento, decidiram acompanhar no exilio a Familia Imperial. Os Barões de Muritiba encontraram no exilio, durante 32 annos, na Familia Imperial, os seus mais carinhosos affectos, partilhando de todas as alegrias e soffrimentos. Os tres Principes D. Pedro, D. Luiz

e D. Antonio de Orleans e Bragança cresceram cercados de seus carinhos; as festas dos casamentos dos dois primeiros e dos nascimentos dos principes constituiram, para os Barões de Muritiba, verdadeiras festas de familia. Foi a Baroneza que teve a honra de apresentar na pia baptismal o neto primogenito da Princeza Izabel, o Principe D. Pedro Henrique, nascido em Cannes, em 1909. Quando a dôr pungente veiu novamente ferir por duas vezes o coração dos Condes d’Eu, arrebatando-lhe em curto espaço de tempo dois filhos estremecidos, os Principes D. Antonio e Dom Luiz, cheios de vida e de virtudes, ás lagrimas de S. S. A. A. se misturaram ás dos Barões de Muritiba. Dir-se-ia que tambem elles perdiam seus filhos estremecidos. Mas, uma das dores mais cruciantes por elles experimentada, foi a morte de S. A. a Princeza Izabel. A vida dos Barões de Muritiba lhe tinha sido consagrada, por assim dizer. Jamais se consolaram desta perda irreparavel. Depois do fallecimento da Princeza Izabel, em 1921, os Barões de Muritiba voltaram ao Brasil, no vapor Bagé, quando a 15 de Agosto de 1922, ainda em aguas do Espirito Santo, o Barão de Muritiba entregou a Deus sua alma piedosa, deixando inconsolavel sua viuva. A Baroneza, profundamente abalada pela separação de seu companheiro fidelissimo de 52 anos, achou na sua piedade a resignação perfeita, o completo abandono á vontade de Deus. Quem teve a ventura de conhece-la de perto e de admirar sua serenidade constante, seu desprendimento completo, sua incomparavel modestia, sua caridade discreta, jamais olvidará a physionomia dessa grande christã, dessa fidalga raça, dessa bra-

Baronesa de Muritiba

sileira, que tanto amou a Deus, á Patria e a seus Principes. Confortada pelos sacramentos da Igreja e rodeado dos carinhosos afecctos dos sobrinhos, que muito lhe queriam, falleceu na madrugada de 13 de Julho de 1932. Teve então muitas desillusões, o que lhe abalou a saúde já precária. Poucos mezes antes de fallecer, ajudada por seu sobrinho e afilhado Dr. Paulo Avellar Figueira de Mello, fez um appelo aos amigos de S. S. M. M. Imperaes, afim de concorrerem para o acabamento da capella do mausoléo de S. S. M. M. na cathedral de Petropolis. Encontrou, da parte de poucos amigos, o melhor acolhimento. A Baroneza de Muritiba despojára-se de todas as suas joias para o acabamento do mausoléo, dando assim, até o fim de sua vida, provas inolvidaveis do seu grande devotamento á Familia Imperial. Com os donativos dos amigos da Familia Imperial, obtidos por iniciativa daquella Dama Illustre, foi adquirido, depois de sua morte, o altar que deve ser collocado na capella do mausoléo de S. S. M. M. “Fiel até a morte!”, parece ter sido sua divisa. Entretanto, se o brazão d’armas de seu digno esposo ostentava a divisa “Tive Santo Amor á Lei”, o coração da Illustre Dama, Baroneza de Muritiba, trazia o seu “Santo Amor á Família Imperial”.

Conde d’Eu, 88 anos de falecimento
Em 33 anos de exílio o Príncipe Louis Philippe Marie Ferdinand Gaston, Conde d’Eu, marido de da Princesa Isabel, amargou a dor da perda da sogra, a Imperatriz Dona Teresa Cristina, em 1889; do sogro, o Imperador Dom Pedro II, em 1891; dos filhos, o Príncipe Dom Antonio, em 1918 e o Príncipe Imperial Dom Luiz, em 1920 e da esposa, em 1921. Foram perdas irreparáveis ao Conde, que já acumulava 80 anos de vida. O retorno a França natal, a vida no Castelo d’Eu, as recepções no Palacete de Bologne-sur-Seine, não minimizavam a falta dos sogros e do Brasil Imperial, mais tarde, quando o filho Dom Luiz se foi, o pai estremeceu, numa tristeza que um ano depois o deixaria ainda mais debilitado, com a morte da esposa. Em 1922, o governo republicano Brasileiro convidou a Família Imperial exilada para as comemorações do Centenário da Independência do Brasil, quando então Dona Maria Pia, Dom Pedro Henrique; Chefe da Casa Imperial do Brasil, Dom Luiz Gastão e o Conde d’Eu, rumaram a bordo do navio Massília e Dom Pedro de Alcântara, a Condessa Maria Elisabeth e Dom Pedro Gastão a bordo do navio Curvelo, rumaram para o Brasil. Na noite de 28 de agosto, ainda no navio em direção ao Brasil, acompanhado de sua nora, Dona Maria Pia, o Conde d’Eu jantava com o comandante do Massília, quando, de um mal súbito, veio abraçar-se em sua nora, que, evitando a queda do sogro, o amparou. Mais tarde constataram que o Conde, naquele momento, havia perdido a vida. Alguns dias depois, desembarcou no Rio de Janeiro, a Princesa Dona Maria Pia, trazendo consigo a triste notícia da morte do sogro. O Conde d’Eu foi velado no Brasil e depois levado ao mausoléu francês de Dreux, para ser enterrado na Cripta da Família de Orleans, de onde saiu para ser transladado para o Brasil em 1953.

O mausoléu Imperial
No texto, a grafia da época foi conservada.

Príncipe Dom Rafael, o futuro da Monarquia no Brasil
de relaxamento em várias áreas em que se vive hoje. A condição de príncipe tem certamente algum prestígio social em muitos ambientes, mas na verdade não dá nenhum direito, só deveres. Os monarquistas brasileiros esperam que Dom Rafael tenha consciência da missão histórica da Família Imperial Brasileira e saiba manter as tradições de seus antepassados. Um ponto particularmente significativo é o do casamento, que no seu caso de Príncipe Herdeiro, não é uma questão particular sua, mas uma questão de interesse de toda a causa monárquica, pode-se dizer mesmo uma questão de Estado. Parece que os monarquistas em geral esperam que ele mantenha o costume de um matrimônio com uma Princesa ou uma aristocrata européia, podendo talvez ser admitida nos dias atuais uma aliança matrimonial com uma jovem brasileira descendente de alguma família tradicional, de alguma figura importante da História do Brasil, talvez de algum titular do Império, além de ser católica praticante e monarquista convicta, podendo assim melhor coadjuvar a atividade do Príncipe. Destaca-se, a propósito disto tudo que se disse, o que escreveu S.A.I.R., o Príncipe Dom Luiz, Chefe da Família Imperial, na nota que publicou a 5 de junho do ano passado, por ocasião da morte de Dom Pedro Luiz: “Se o momento é de apreensão e de tristeza, não pode ele ser desprovido de esperança. Esperança que se volta, de modo particular, para D. Rafael irmão do desaparecido - a quem auguro ânimo e determinação diante do infortúnio, e exorto a que seja, na sua geração, um exemplo de verdadeiro Príncipe, voltado para o bem do Brasil e exemplo de virtudes cristãs.” E no ano em que se celebra 90 anos da morte do Príncipe Imperial Dom Luiz, Herdeiro de Dona Isabel, é de se recordar também as palavras do seu Manifesto de 1913: “Quanto a mim, colocado por minha mãe à testa do nosso partido, representante, depois dela, do principio monárquico do Brasil, estarei à disposição de nossa Pátria para desempenhar o papel que, por aclamação do povo, nos foi outrora atribuído. Para cumprir a meu dever, dever que resulta da própria história brasileira, que justificou, justifica e justificará os nossos direitos dinásticos, estou pronto a todos os sacrifícios, inclusive ao da própria vida.” Dom Rafael tem em seu bisavô um exemplo de vida. O Príncipe Dom Antonio em recente entrevista ao Instituto Brasil Imperial (Gazeta Imperial, ano XV, nº. 176, junho 2010), relata: “estou tranquilo quanto ao futuro do movimento monárquico. D. Rafael, na missa em memória do irmão, assumiu o compromisso de seguir os mesmos passos. Ele está se preparando para liderar e ser um grande Chefe de Estado.” Nas palavras de Dom Antonio têm-se a esperança dos monarquistas brasileiros para continuarem lutando por um país melhor.

Dom Rafael Antonio Maria José Francisco Miguel Gabriel Gonzaga, Príncipe de Orleans e Bragança, nasceu no Rio de Janeiro a 24 de abril de 1986, sendo filho do Príncipe Dom Antonio de Orleans e Bragança e da Princesa Dona Christine, nascida Princesa de Ligne. Dom Rafael estudou em escolas de Petrópolis (ensino fundamental no Instituto Social São José e ensino médio no Colégio Ipiranga). Atualmente reside no Rio, com a família e acaba de concluir o Curso de Engenharia da Produção na PUC/RJ. Três anos mais moço que Dom Pedro Luiz, tem ainda uma irmã mais velha, Dona Amélia, 26 anos, arquiteta, trabalhando num grande escritório de arquitetura em Madri, e uma irmã mais moça, Dona Maria Gabriela, com 21 anos, estudante de Comunicação Social também da PUC/RJ. Ocupando, desde a morte de seu irmão Dom Pedro Luiz, num trágico acidente de avião no passado, o 4º lugar na linha da sucessão ao trono do Brasil, sendo de esperar que um dia seja ele o Herdeiro do Trono e Chefe da Família Imperial, pois seus tios Dom Luiz e Dom Bertrand são solteiros, Dom Rafael tem se feito presente, desde menino, em companhia dos pais ou dos tios, em eventos monarquistas. Como futuro Herdeiro da Coroa Imperial deve agora preparar-se de forma especial para assumir tal responsabilidade, sendo ele o último Orleans e Bragança dinasta. De fato, não é fácil ser príncipe na república e no ambiente de gran-

Na realidade, cabe a Dom Rafael decidir este importante passo de sua vida, desde que mantenha a consciência histórica de seu dever e leve em consideração o que sua condição representa a todos os que defendem a volta da Monarquia como forma de governo.

Lançamentos
Durante o ano de 2010, o meio monárquico foi premiado com lançamentos de muitos livros. Entre os destaques estão o recente livro “Dom Pedro II em Viena”; de Dom Carlos Tasso de Saxe-Coburgo e Bragança, o esperado livro “Dom Luís de Orleans e Bragança – peregrino de impérios”; de Teresa Malatian, “Eu, Maria Pia”; de Dona Diana, Duquesa do Cadaval e “O que é Monarquia?”; de Rogério Tjader.
Livro “Dom Luís de Orleans e Bragança – peregrino de impérios”, de Teresa Malatian Aguardado como grande promessa de 2010, o livro que biografa o Príncipe Perfeito, depois de lançado, não frustra as expectativas iniciais, pelo contrário, traz ao leitor um relatório de qualidade sobre a vida de Dom Luiz, que no presente ano completa 90 anos de falecimento. A autora, Teresa Malatian, é professora titular da UNESP, Campos de Franca, já lançou inúmeros livros, entre eles “Os Cruzados do Império” e “Império e Missão: um monarquismo brasileiro”. Lançado em São Paulo e no Rio de Janeiro, a Família Imperial esteve presente ou foi representada nos eventos. Dom Antonio e Dom Francisco de Orleans e Bragança, por exemplo, estiveram presentes na Livraria da Travessa no Rio. O livro já é comercializado nas melhores livrarias do Brasil. Livro “Dom Pedro II em Viena – 1871 e 1877”, de Dom Carlos Tasso de Saxe-Coburgo e Bragança Nesta obra, Dom Carlos Tasso conta com minúcias dignas de um descendente dos Saxe-Coburgo e dos Bragança, respaldado em fontes familiares e arquivos pessoais, as viagens do Imperador Dom Pedro II a Viena, de 1871 a 1877. Dados sobre a comitiva do Imperador, bem como fatos ocorridos durante a viagem, passando pela morte da Princesa Dona Leopoldina, bisavó do autor, são objeto desta bela composição. Esta obra foi lançada em 5 de outubro de 2010, no Instituto Histórico e Geográfico do Rio de Janeiro, sendo editado pelo IHGB-SC e junta-se aos outros imperdíveis livros de Dom Carlos.
Livro “Eu, Maria Pia”, de Dona Diana, Duquesa de Cadaval e d’Anjou O livro conta a história da Rainha Maria Pia de Portugal, nascida Princesa da Itália, que se casou em 1864 com o Rei Dom Luiz I de Portugal. Figura conhecida e admirada dos monarquistas, a autora, Dona Diana é a 11º Duquesa de Cadaval (titular) e d’Anjou (por casamento). A Casa Ducal de Cadaval tem suas origens em São Nuno de Santa Maria. O livro pode ser adquirido pelo site da editora “Esfera dos Livros”. Livro “O que é Monarquia?”, do professor Rogério da Silva Tjader Reedição e atualização das compilações sobre estudos monárquicos do Prof. Rogério da Silva Tjader, o livro “O que é Monarquia?”, é leitura obrigatória não só a todos que desejam entender da organização do Estado. O livro “O que é Monarquia?” foi publicado originalmente em 1991 para esclarecer a população sobre a Monarquia, no plebiscito de 1993. Esta reedição é prefaciada por S.A.I.R. Dom Luiz de Orleans e Bragança, que em suas palavras reafirma a necessidade desta composição e homenageia o autor.

O Prof. Rogério da Silva Tjader é

Coroação e Sagração de S. M., o Imperadordo Dom Pedro II Jornal Commercio
20 de julho de 1841
Blog Monarquia Já
http://imperiobrasileiro-rs.blogspot.com

“Às 11 horas da manhã do dia 18 de Julho S. M. I. determinou que seguisse o Cortejo para a Capela Imperial, na forma do programa n.º 2. O Corpo Diplomático aguardava a passagem e chegada de S. M. I. no passadiço, que comunica o Palácio com a Capela Imperial. Um quarto de hora depois chegou S. M., tendo ao lado esquerdo suas Augustas Irmãs, e recebido o cortejo do Corpo Diplomático, ao qual S. M. se dignou corresponder com a maior afabilidade, despediu-se delas, e esperou de capacete na mão que passassem todas as senhoras, que formavam o cortejo de SS. AA. A este tempo já tinha aparecido na varanda o manto do Fundador do Império e a espada Imperial do Ipiranga, e já as tropas estavam em continência tocando o hino da independência, cujas recordações tornavam o ato mais solene. Apenas S.M.I. apareceu na varanda, foi saudado por um viva entusiástico de topo o povo que se achava na praça, ao qual S. M. se dignou corresponder; e assim foi saudado até entrar na Capela Imperial. S. M. foi recebido à portada Igreja pelo Exm.º

Bispo Capelão-Mor e Cabido, e descoberto recebeu a aspersão do mesmo Bispo, e, pondo depois na cabeça o capacete de cavaleiro, dirigiu-se à Capela do Sacramento onde, tirando-o, fez oração, e repondo-o dirigiu-se aos cancelos, onde foi recebido por uma deputação de seis Bispos, com seus assistentes, mandada pelo Exm.º Arcebispo Metropolitano, que em faldistório o esperava no presbitério. S. M., saudando esta deputação, tirou o capacete, saudou SS. AA. Irmãs que já se achavam na tribuna, a cruz e o sagrante; subiu ao Trono, onde se sentou. Revestidos os seis Bispos, vieram em deputação buscar S. M., que subiu ao presbitério, levando à direita o Condestável, à deste o Mordomo-Mor, à deste o Reposteiro-Mor, e à deste o Mestre de Cerimônias da Corte, e à esquerda o Camarista-mor, à deste o Camarista de semana, à deste o Capitão da guarda, e à deste o Mestre de Cerimônia do Sólio. Aproximando-se S. M. ao sagrante, tirou o capacete, fez uma reverência. e o Exm.º Ministro da Fazenda o recebeu em uma rica salva, que tinha levado a coroa, e o fez colocar na credência. Sentado o Imperador em uma rica ca-

deira fronteira ao sagrante, a qual foi ministrada pelo ReposteiroMor, que a recebeu do Guarda-tapeçarias, ouviu o discurso do mesmo celebrante, e levantando-se, ajoelhou em uma almofada ministrada pelo Reposteiro-Mor, e o Exm.º Ministro da Justiça leu a protestação de fé. Tendo o Exm.º celebrante o missal aberto no seu regaço, S. M. I. pôs ambas as mãos sobre ele e disse: - Sie me Deus adjuvet, et haec sancta Dei evangelia. - E fechando o missal, beijou a mão do celebrante. Levantando-se S. M. ajoelhou segunda vez, o ouviu a oração do celebrante, finda a qual levantandose foi ajoelhar ao lado do Evangelho, prostrando-se sobre o genuflexório em duas almofadas, uma para os joelhos e outra para encostar a cabeça, e ouviu as ladainhas, versos e duas orações. Findo este ato, S. M. levantou-se, aeio para diante do celebrante, e despiu os Colares do Tosão de Ouro, da Torre e Espada, e de Santo André da Rússia, que foram recebidos pelo Exm.º Visconde de S. Leopoldo; entregou a espada de cavaleiro ao Exm.º Ministro da Guerra, e o Camareiro-Mor tiroulhe o manto de cavaleiro e as luvas,

entregando o primeiro ao Exm.º Visconde de Baependi, e a segunda ao Exm.º Conde de Valenna. Depostas estas insígnias, foi S. M. I. ungido no pulso do braço direito, e esta unção foi purificada pelo Exm.º Bispo de Crisópolis com globos de algodão e micapanis ministrados por um moço fidalgo. S. M. I. inclinou-se depois sobre o regaço do celebrante, e foi ungido nas espáduas por uma abertura praticada na veste imperial, e depois de purificada a unção pelo mesmo Exm.º Bispo, o Exm.º Camareiro–Mor fechou novamente a veste por meio de colhetes para isto destinados. Terminadas as unções, o Mestre de Cerimônias do sólio, conduzindo o Dia-

cono ao altar, entregoulhe o manto imperial, este o deu ao celebrante, que o vestiu a S. M. I., ajudado pelo Camareiro-Mor. O mesmo Mestre de Cerimônias entregou ao Diácono a murça, este a ofereceu ao celebrante, que revestiu S. M. com ela. Feito isto, S. M. I. subiu ao Trono, acompanhado pelos quatro Bispos mais antigos, e por toda a sua comitiva. Seguiu-se a Missa até o último verso do gradual exclusive, e então S. M. I., tendo sido avisado pelo Mestre de Cerimônias da Corte, dirigiu-se ao altar, acompanhado das pessoas acima mencionadas, e dos quatro Bispos e assistentes para receber as insígnias imperiais. Chegado defronte do celebrante, e feitas as vênias do costume, ajoelhou em uma almofada ministrada pelo Reposteiro-Mor. O Diácono foi então ao altar, trouxe a espada embainhada, e chegando ao pé do celebrante, desembainhou-a, e dando a bainha ao Ministro da Guerra, que foi chamado para esse ministério, ofereceu a mesma espada pela extremidade da folha ao Exm.º celebrante, o qual tomando-a pela mesma extremidade, ofereceu-a a S. M. pelos copos, dizendo a oração - accipe gladium etc. Acabada a oração, o Exm.º celebrante recebeu outra vez, a espada da mão de S. M. I., e entregou-a ao Diácono; este deu-a ao Ministro da Guerra que a meteu na bainha, e tornando a

oferecê-la ao Diácono, este apresentou-a de novo ao celebrante, que a meteu no cinturão de S. M., dizendo as palavras - Accingere gladium etc. - Finda esta cerimônia, S. M. I. levantouse, e desembanhando a espada, fez com ela alguns movimentos ou vibrações, e correndo-a

sobre ela disseram ao mesmo tempo as palavras - Accipe coronam imperii etc. Depois disto o Diácono foi ao altar buscar o anel e as luvas cândidas na mesma salva em que estavam, e ofereceu estas insígnias ao Exm.º celebrante, o qual calçou as luvas em ambas as mãos a S. M., e

a S. M., que a entregou ao Exm.º Ministro da Justiça. Finalmente o Diácono foi ao altar, e trazendo o cetro, ofereceuo ao celebrante: este o apresentou a S. M. na mão direita, dizendo as palavras: Accipe virgam virtutis. Acabada esta cerimônia, levantou-se S. M., e acompanhado pelo Exm.º Celebrante à direita, pelo Exm.º Bispo Capelão-Mor à esquerda, e pelos mais Bispos assistentes no altar e mais comitivas, subiu ao Trono, sentou-se, e o celebrante disse as palavras. - Sta. etc. S.M.I. conservou-se sentado em todo o tempo do Te Deum, versos e duas orações cantadas pelo Exm.º Arcebispo, que ficou em pé à sua direita e descoberto, e em seguimento deles os ministros do altar. No primeiro degrau do Trono, junto ao Capitão da guarda, estava o Exm.º Ministro da Justiça com a sua insígnia; adiante o Exm.º Ministro dos Estrangeiros com o globo; o Condestável no seu lugar, assim como toda a mais comitiva. Findo o Te Deum e as orações, seguiu-se a Missa, assistindo S.M.I. ao Evangelho, sem coroa, e beijou-o no fim no livro apresentado pelo Exm.º Bispo Capelão-Mor. Acabado o ofertório, S.M.I., seguido pelas pessoas que já referimos, dos quatro Bispos mais antigos, do Bispo Esmoler-Mor e do CopeiroMenor, sustentando na

pelo braço esquerdo como quem a limpava, meteu-a na bainha, e tornou a ajoelhar. O Exm.º celebrante levantando-se foi ao altar buscar a Coroa Imperial, e chegando defronte de S. M., lha ofereceu; S. M. pós a Coroa na cabeça, e tanto o Arcebispocelebrante como os Bispos, pondo a mão direita

lhe meteu o anel no dedo anular da mão direita. O mesmo Diácono voltou ao altar a buscar o globo Imperial, e ofereceu-o ao celebrante, e este o ofereceu a S. M., que o entregou ao Exm.º Ministro dos Negócios Estrangeiros. O Diácono foi novamente ao altar buscar a mão da justiça, e a entregou ao celebrante; este a ofereceu

mão esquerda os doispães em uma salva, e na direita o círio acesa, subiu ao altar, e ajoelhando em uma almofada ministrada pelo Reposteiro-Mor, recebeu das mãos do Bispo EsmolerMor, e ofereceu ao celebrante o pão de prata, o de ouro, e o círio aceso, no qual estavam encrustadas treze peças de 10$ rs. em ouro. Isto feito, S.M.I. retirou-se ao Trono com as vênias do costume. Continuou a Missa, sendo S.M.I. incensado de cetro e coroa pelo Exm.º Bispo CapelãoMor. S.M.I. esteve sem coroa desde o Sanctus até ao Communio, exclusive, recebendo unicamente a paz por amplexo ao Exm.º Bispo Capelão-Mor. S.M.I. esteve igualmente sem coroa enquanto se recitaram as orações e evangelho do fim da Missa. Acabada a bênção, o Exm.º Bispo Capelão-Mor concedeu duzentos e quarenta dias de indulgências aos assistentes, que foram publicadas pelo Cônego Mestre de Cerimônias do Sólio. Acabada a Missa, S. M. I. sentou-se sem coroa para ouvir o sermão, que foi pregado pelo Reverendíssimo D. Abade Geral dos Bentos, que tomou por tema Sadoc sacerdos ... unxit Salomonem... Salomon autem sedit super thronum patris sui, et firmatum est regnum ejus nimis. O Pontífice Sadoc sagrou a Salomão; este tomou posse do trono de seu pai, e seu reino se firmou em sólidas bases.

Findo o sermão, o Mestre de Cerimônia da Corte, tendo recebido as ordens de S. M., mandou desfilar o cortejo para a varanda, o qual partiu na ordem seguinte: A Câmara Municipal e os Juizes de Paz, que se colocaram no pavilhão do Prata; os indivíduos que vieram em deputações assistir ao ato da Sagração; os membros dos tribunais da Corte; os titulares; os membros da Assembléia Geral Legislativa; a Corte, tendo em frente o Rei de Armas, Arauto e Passavante; os Porteiros da maça e da cana; os moços da câmara; o Porteiro da Imperial Câmara; os Oficiais da Câmara em exercício; os moços fidalgos; os Grandes do Império, e os que de Grandeza têm as honras, indo em alas a estes os porta-insígnias. Logo que o Mestre de Cerimônias da Corte avisou a S.M.I. que o cortejo tinha desfilado, desfilou o Cabido com as duas cruzes, a arquiepiscopal e a catedrática, assim como os Bispos e Arcebispo. Feita a oração ao SS. Sacramento, S.M.I., de coroa e cetro, debaixo do pálio, tendo à direita o condestável, à deste o Exm.º Ministro da Justiça com a mão alçada, e ÈL deste o Exm.º Ministro dos Negócios Estrangeiros com o globo imperial, em frente o Alferes-Mor e o Mestrede-Cerimônias, e depois o Camareiro-Mor pegando na cauda do manto, o Capitão da guarda, o Camarista de semana, o ReposteiroMor, desceu até a porta principal da igreja, e, ao

sair do adro, foi saudado por entusiásticos vivas da Imensa população, que, ávida, aguardava a vista do seu Monarca, e S.M.I. graciosamente agradeceu esta primeira saudação. Subiu S. M. ao pavilhão do Prata, onde os Grandes do Império largaram o pálio aos moços da câmara, que ali lho tinham entregue., e estes aos porteiros que estavam no mesmo pavilhão. S.M. dirigiu-se à sala do Trono da varanda, e em círculo formado pela Representação Nacional, pelo Cabido, Grandes do Império, Grandes Dignitários da Corte, Câmara Municipal, Tribunais, e Oficiais-Mores da Casa, subiu ao Trono, acompanhando pelo Exm.º Arcebispo Sagrante, fazendo uma reverência a SS. AA. II., que estavam com todas as Damas na sua respectiva tribuna, e outra ao Corpo Diplomático, que já se achava na tribuna fronteira, e recebendo a mão da justiça do Exm.º Ministro respectivo, com ela na esquerda, e com o cetro na direita, foi saudado pelo Cabido, indo dois a dois até o primeiro degrau do Trono fazer sua profunda reverência, dizendo - Per multos annos. - Feito Isto por todos, e pelos Exmos. Bispos e Reverendíssimo Sagrante, desfilou o Cabido pelo pavilhão do Prata. Imediatamente S. M. I., descendo do Trono, velo apresentar-se ao seu fiel povo pela maneira seguinte: O Condestável tomava a direita do Imperador, à

daquele o Exm.º Ministro do Império com a Constituição na mão, à deste o Exm.º Ministro dos Negócios Estrangeiros com o globo Imperial, à deste o Exm.º Mordomo-Mor, e à esquerda de Sua Majestade o Alferes-Mor, os Exm.08 Ministros da Justiça, da Fazenda e da Guarda. Assim em linha marchou Sua Majestade até em frente às colunas do grande templo da varanda, e no centro da Representação Nacional, e de todos os que levamos referidos, mandou ao Mestre-deCerimônias da Corte que fizesse funcionar o Rei de Armas, o qual estava em um degrau próprio, dentro de um maciço formado por uma seção da guarda de Arqueiros, porteiros da cana e da maça, e moços da câmara, o pelos charameleiros imperiais. Então o Rei de Armas, alçando a mão direita, na qual tinha um rico chapéu de plumas, disse em alta voz: - Ouvide, ouvide, estai atentos! - A este tempo o Exm.º AlferesMor saindo da linha avançou em frente ao peristilo do templo, o desenrolando a bandeira disse: Está sagrado o muito alto e muito poderoso Príncipe o Senhor D. Pedro II por graça de Deus, e unânime aclamação dos povos. Imperador Constitucional e Defensor Perpétuo do Brasil. - Viva o Imperador! O Alferes-Mor não pôde repetir três vezes, como lhe cumpria, os vivas a S.M.I., porque os do Imenso concurso do pó

vo lhe não deram lugar, nem a emoção que todos possuíam poderia deixar de tocar também o Alferes-Mor. Então S.M.I. determinou ao Mestre-de-Cerimônias que dissesse ao General que mandasse começar as descargas, e a lato não ter sido assim, o entusiasmo do imenso concurso do povo, que era tanto quanto na praça, cabia, não dava lugar a esperar-se ocasião. S.M.I. não pôde assistir senão a 1.ª descarga, porque o sol, que estava bastante forte, lho não permitiu, ainda que o Exm.º Alferes-Mor, com a bandeira, o garantia de seus raios. O Imperador, fazendo três reverências ao seu povo, uma à direita, outra ao centro, e outra à esquerda, retirou-se ao Trono entre vivas e aclamações, e subindo a este sentou-se, colocou a coroa em um bufete que estava ao lado da cadeira imperial, e sentado recebeu o cortejo de todos aqueles cidadãos, que estavam no pavilhão do Amazonas, findo o qual contramarcharam a fazerlho os que estavam no pavilhão do Prata, e o dos Representantes da Nação. Logo que todos os que estavam no salão cumpriram este dever, S.M.I. ordenou que desfilasse a Corte, e, descendo do Trono, saudou a suas Augustas Irmãs, que estavam na tribuna, e ao Corpo Diplomático, que se achava na outra fronteira, e retirou-se à sala do Trono do Palácio, encontrando-se no passadiço com SS. AA. Ir

mãs, e com elas incorporado, recebeu ali as Senhoras de distinção, a quem as Janelas do Paço foram oferecidas para verem a aclamação do seu Monarca. É impossível descrever a beleza, que apresentavam estas janelas ornadas todas de damas ricamente vestidas, que a porfia se disputavam a preferência do entusiasmo. Concluída a felicitação das damas, S.M.I. se dirigiu ao seu aposento pela galeria maior do Paço, e ordenou que o banquete fosse servido às 6 horas. Um Imenso concurso de pessoas distintas assistiu ao banquete de S.M.I., que foi servido segundo o programa (A). Duas ricas bandas de música tocaram durante este festim. Retirado o Imperador aos seus aposentos, serviu-se uma mesa de noventa e seis talheres a todos os funcionários da Corte. As 8 horas da noite, franqueou-se a varanda e o Paço para serem visitados pelas pessoas decentemente vestidas, que se apresentassem com este intuito. Supõe-se que de doze a quinze mil pessoas os visitaram. As 10 horas da noite anunciou-se que acabava a visita, e o bom povo que não tinha podido entrar pacienteesperou o dia seguinte. Se o concurso for tanto como na primeira noite, os cinco dias destinados para tais visitas serão poucos para satisfazer a avidez e curiosidade

pública. Tanto a mesa do banquete como a credência das insígnias têm estado expostas no novo salão que tem de servir para o Trono. COROA CÍVICA QUE A GUARDA NACIONAL DO RIO DE JANEIRO OFERECEU AO SENHOR D. PEDRO II NO DIA 19 DE JULHO, IMEDIATO AO DA SUA COROAÇÃO Ontem, 10 de julho, S.M.I.

tar a Coroa Cívica, que S.M. se tinha dignado aceitar; e a um discurso rrecitado pelo Comandante Superior, S.M. respondeu que agradecia muito o testemunho de fidelidade que lhe dava a Guarda Nacional do Município da Corte. A Coroa foi colocada, por ordem de S.M., entre as Insígnias Imperiais. Passando S.M. meia hora depois à sala do Trono,

recebeu, na sala em que estão as insígnias Imperiais, perante toda a Corte, o Comandante Superior da Guarda Nacional, acompanhado dos Comandantes de Legião e dos Corpos que tiveram a honra de lhe apresen-

recebeu as felicitações do Senado, da Câmara dos Deputados, do Corpo Diplomático, das Assembléias Legislativas Provinciais, dos Presidentes de Províncias das Academias e Sociedades Científicas, das Câ-

maras Municipais, dos Cabidos, Ordens Religiosas e outras sociedades, e depois todos os cidadãos que concorreram ao Paço, cujo número excedeu a seiscentos. Retirou-se a seus aposentos às 4 horas da tarde, e às 7:30 h honrou com sua presença o Teatro de S. Pedro de Alcântara. DESCRIÇÃO DA COROA CÍVICA A Coroa Cívica, que a Guarda Nacional da Corte ofereceu a S.M. o Imperador, o cuja prontificação foi confiada aos Srs. J.J.P. de Faro Filho, Manoel Antônio Airoza, João Batista Lopes e J.P. Darrigue Faro, compõem-se de dois ramos de carvalho, feitos de ouro, com os seus competentes frutos, a que dão o nome de landes. Estes ramas são presos por uma fita de brilhantes em forma de um perfeito laço; esta fita é rendada com diferentes flores no centro, formando-lhes debrum recortado, limitando a folha da salsa. No centro do laço tremula um fiarão. Todo este trabalho é transparente, feito de brilhantes cravados a filete, com grampas nos lugares competentes. As duas pontas das fitas trabalham sobre dois cilindros de ouro, por onde passam duas molas que lhes imprimem o movimento logo que sofre o mais pequeno abalo. A fita prende os dois ramos que unidos formam a coroa, brotando de cada um deles quatro ramos mais pequenos de quatro folhas. Do tronco

rebentam seis hastes com três folhinhas lavradas de cada uma das quais pendem três frutos com seus cazulos de brilhantes, abertos transparentemente. Esta peça tem de ouro de lei 1 marco 28 oitavas, e contém de brilhantes de diferentes tamanhos 114 quilates. Está posta em uma caixa de feitio oitavado, forrada por dentro de veludo carmesim, com as armas do Império gravadas no centro, e por fora forrada de marroquim verde, com diferentes lavrados de ouro, contendo no centro o seguinte letreiro em letras douradas: A S.M.I. o Senhor D. Pedro II oferece a Guarda Nacional do Município da Corte, 18 de julho de 1841. A Coroa é feita pelo artista Fortunato Rodrigues da Silva, Guarda Nacional, e a caixa é obra de M. Duplanil. DESCRIÇÃO DA VARANDA DO PAÇO, QUE SERVIU PARA O MAJESTOSO ATO DA COROAÇÃO DO SENHOR D. PEDRO II A varanda Imperial, que o Governo mandou construir para a coroação do Sr. D. Pedro II, ocupa uma superfície de quase quatorze mil palmos quadrados. Este monumento provisório difere em tudo da quele que foi construído no Rio de Janeiro para a coroação del'Rei D. João VI em 1818; quádrupla mão-de-obra, tríplice riqueza, brevidade na execução, e a quarta

parte do custo, sem a potente mão de um governo absoluto, provam que a civilização no Brasil tem feito grandes progressos. O diretor, arquiteto e pintor da obra foi o Sr. Araújo Porto Alegre; o mestre carpinteiro, o falecido Serafim dos Anjos, cuja inteligência, probidade e atividade lhe granjearam a afeição do Exm.º Mordomo do Paço, de quem recebeu as maiores provas de estima e consideração. Esta grande obra foi executada no espaço de sete meses, e principiaremos a descrevê-la pelo seu externo antes de passarmos ao Interior. Do adro da Capela Imperial ao passadiço se estende a varanda, tendo de extensão trezentos e dez palmos; uma escada de quarenta e dois palmos, ornada de quatro soberbos leões, dá ingresso ao pavilhão do Amazonas; mas o que fere mais a vista é o templo do centro, cujo peristilo é de seis colunas coríntias de trinta palmos de altura, bem digno de ser imitado nos monumentos públicos desta Capital. O templo, desde a base até a cabeça do gênio do Brasil tem noventa e seis palmos de alto. Uma escada de cinqüentapalmos de largo desce do peristilo à praça; no alto tem um corpo saliente semicircular onde aparece S.M.I., e na base tem duas estátuas colossais representando

a Justiça e a sabedoria, atributos do trono. O fastígio do templo tem um baixo-relevo representando as Armas Imperiais, e no friso a seguinte inscrição: - Deus protege o Imperador e o Brasil. - o ático é coroado por uma quadriga, em cujo carro triunfante está o Gênio do Brasil, tendo ria mão esquerda as rédeas dos ginetes, e na direita o cetro Imperial. Da parte do Norte, e num gradim inferior, está a estátua do rio Amazonas, sentada, com os atributos que lhe são próprios, assim como na esquerda a do rio da Prata. As estátuas, os rios e os capitéis coríntios são de uma rara perfeição o de um ultra-acabado, que atestam o talento e a presteza do Sr. Marcos Ferrez. As galerias laterais que se ligam aos pavilhões são da ordem dórica: nota-se nelas a perfeição das bases e capitéis, e a fineza de contornos no entablamento. O ático que as coroas, decorado de ornatos de bronze e de palmetas nas pilastras, é acabado por um renque de trípodas, onde a mão-deobra ainda brilha pelo acabado dos ornatos e das pinhas que fazem o pingete do globo que serve de perfumador. Grandes baixos-relevos servem de friso a um intercolúnio dórico grego, que, indo de nível ao grande soco do templo,

produzem um efeito admirável: estes baixosrelevos representam troféus de armas antigas, e o que há de mais notável, além da composição variada e fidelidade do caráter, é a perfeita ilusão que causam, vistos à certa distância; honra seja dada ao Sr. Professor José dos Reis Carvalho, e honra a M. Debret, que deu ao Brasil um artista tão distinto.

colunas dóricas; é preenchido por um arabesco realçado de prata, de uma ilusão perfeita; estes pavilhões são coroados por duas bigas, em cujo carro triunfal estão duas vitórias na atitude de voar, com duas coroas na mão. Riquíssimas lâmpadas de bronze com globos baços pendem do centro do intercolúnio, forman-

randa, parece simples pela razão de sua extensão; a multiplicidade de ornatos no exterior dos edifícios é nociva quando sua distribuição não é calculada na razão harmônica das grandes massas; é preciso, segundo as regras dos mestres, que o olho abranja de um só golpe o aspecto geral, e não seja entrecortado pela chamada de pequenos datalhes. O Brasil é a primeira vez que vê uma quadriga executada em relevo e em ponto colossal; a reunião do templo e do triunfo é própria para estas solenidades, e atesta a majestade do alto destino para que fora edificada semelhante obra. Para descrevermos o interior é necessário começarmos pelo pavilhão do Amazonas, que é o destinado para a entrada do público. O teto do pavilhão é ornado de flores e arabescos, e dele pendem cinco lustres. sendo o do centro de uma dimensão soberba; em grandes letras se lê o pomposo nome do rei dos rios sobre um fundo verde, e no friso da colunata interna estão gravados os nomes de todas as cidades principais do Norte, assim como dos rios principais. As cidades são designadas por uma coroa mural por cima do

nome, e os rios por duas pás no mesmo lugar; as cidades capitais da província têm por cima da coroa mural uma estrela; e o Rio de Janeiro, que está no pavilhão do Prata, distingue-se de todas as outras por três estrelas de ouro, como a maior, a mais bela e a Capital do Império. Rios. - Amazonas, Madeira, Tocantins, Xingu, S. Francisco, Araguai, Tapajós e o Negro. Cidades. - Recife, Olinda, Sergipe, Bahia, Cachoeira, Cuiabá, Vitória, Belém, S. Luiz, Oeiras, Ceará, Maceió, Natal e Paraíba. As paredes do pavilhão estão adornadas de silvados pintados, e o fundoé é forrado de nobreza cor-de-rosa, com grandes listões de alto a baixo, brancos, que produzem um efeito agradável à vista. A galeria que se segue, e dá ingresso ao grande templo, tem de notável além da variedade de cores do teto, duas cousas: a 1.ª é o nome dos ilustres mortos que foram úteis e fizeram serviços reais à civilização do Brasil; ali se acham os nomes de muitas ilustrações brasileiras que iremos numerando, notando de passagem os documentos que as tornaram dignas de aparecerem neste lugar no dia o mais solene do Brasil. Fr. S. Carlos, poeta e orador distinto, autor do poema da Assunção da Virgem; Caldas, orador e lírico ilustre; Fr. Gaspar da

Os pavilhões, tanto o do Prata como o do Amazonas, fazem uma continuação da ordem das galerias; o arco de vinte um palmos, que abrange o Intervalo das quatro

do harmonia com finíssimos festões de flores, atados por bandeletas, obra de Mme. Finot. O aspecto geral do monumento, chamado va-

Madre de Deus, historiador; Rocha Pita, conhecido de todos os que se ocupam da história pátria; José Bonifácio de Andrada e Silva, cujo nome basta; Prudêncio do Amaral, conhecido dos literatos; o CapitãoMor Clemente Pereira, célebre na guerra contra os Emboabas; o famoso Rodovaldo, Bispo de Angola; o Bispo Desterro, criador de monumentos; Paraguassu, a Princesa do Brasil, e seu marido Caramuru; Valentim, o arquiteto da igreja da Cruz, de S. Francisco de Paula, do antigo Passeio, do Parto, e de quase todos os maiores monumentos da cidade; o Conde de Linhares, cuja nobreza é a fundação da escola militar, e os bens que fez ao Brasil; J. Manço Pereira, o primeiro que fez porcelana no Brasil; e a quem seus trabalhos químicos celebrizaram; Estácio Gulart e Mello Franco, célebres médicos; A. P. da Silva Pontes, o que marcou os limites do Brasil com trabalhos indizíveis; Fr. Leandro, botânico célebre e fundador do pitoresco e ameno jardim da Lagoa; Alvarenga, poeta; José Leandro, pintor distinto, autor do quadro da Capela Imperial; Manoel da Cunha, que pintou o descimento da cruz da sacristia da Capela, e o retrato do Conde de Bobadella que está na Câmara; o Conde de Bobadella, que toda a cidade venera, porque bebe todos os dias os seus benefícios, as águas que correm pelos aquedutos da Carioca; os apóstolos Nóbrega e Anchieta; o

célebre mestre Marcos Portugal; Antonio Joaquim Velasques, pintor baiano, célebre pela sua valentia e imaginação; Leandro Joaquim, cujos quadros ornam o Parto e muitas outras igrejas desta cidade e província; J. M. de Noronha, conhecido pelos literatos; Araribóia, Tibiriçá, tão conhecidos como J. Basílio da Gama e o seu Poema

tão gratas, excitadas por homens tão ilustres; depois de se atravessarem duas galerias semeadas de lustres, lâmpadas e globos, de pinturas, sedas, tapetes e ouro, uma sensação insólita se apodera quando se entra na majestosa sala do Trono, alta de cinqüenta e sete palmos e larga de sessenta e quatro. A primeira coisa que fere a

Império do Brasil. Tem de altura quarenta e dois palmos; sete degraus forrados de veludo dão acesso ao Trono por uma tela de ouro fino orlada de uma larga franja. A forma da cadeira é suntuosa, tudo é ouro, e no meio de tanto esplendor brilham nos braços da cadeira duas esferas de marfim cintadas por duas zonas de ouro esmaltadas de azul e semeadas de estrelas. A franja, que custou quase onze contos de réis, é uma obra de finíssimo lavor, e o manto de veludo verde está orlado de um largo galão de ouro e todo semeado de estrelas; o forro é de lhama de ouro fino, e o fundo da cúpula de um gosto raro, pela harmonia do cetim azul com uma estrela no centro, arraiada de canotões entrançados de verde e ouro. A cúpula arremata com a forma esférica, forrada de cetim azul, semeada de estrelas: representa uma esfera armilar coroada pela cruz. As plumas e os ornatos, que circulam a base, fazem uma harmonia perfeita. Dos lados do Trono e das credências estão dois leões alados, símbolo de força e de inteligência, sustentando um candelabro que arremata na parte superior com uma coroa de louro, sobre a qual pousa um dragão alado, timbre da ilustre casa de Bragança; nestas coroas se ligam, por magníficas bordas, as abas do manto, deixan-

do Uruguai; Antônio José da Silva, que, além de suas engraçadas comédias que dominaram mais de cinqüenta anos Portugal e o Brasil, se tornou mais interessante pela tragédia do seu ilustre compatriota o Sr. Dr. Magalhães; Mem de Sá, o fundador do Rio de Janeiro; João Fernandes Vieira, o Castrioto lusitano, o restaurador de Pernambuco; J. Pereira Ramos, o reformador dos códigos portugueses e Secretário do Marquês de Pombal. Depois de recordações

vista nesta vasta sala régia é o aspecto grandioso, que dá uma só ordem de colunas coríntias; a mesma dimensão, mesmo acabado, o mesmo estrilado do peristilo aqui se observa. O Trono Imperial é o primeiro que o Brasil vê com tanta majestade, riqueza e elegância; esta peça, que custou quase vinte e cinco contos de réis, é verdadeiramente digna do alto emprego a que é destinada; parece prognosticar grandeza e riqueza para o

do cair para os lados em amplas pregas a rica franja, e deixando ver a riqueza interna. O Sr. Leger compreendeu otimamente o risco do Sr. Porto Alegre. No arco que acoberta o Trono está à direita um medalhão representando o perfil do Imperador D. Pedro I, e à esquerda o do Imperador D. João VI. Sobre o fundo do mesmo arco vê-se um Gênio, conduzido por uma águia, símbolo da realeza, descendo com um ramo de palma em uma mão e uma coroa na outra, e olhando para o Imperador. No lado fronteiro ao Trono, o espaço compreendido pelo arqueamento do teto e pela cimalha interior é ocupado por um quadro de sessenta palmos de comprido, o qual representa alegoricamente os faustíssimos resultados da ascensão do Monarca ao Trono, e a glória do seu reinado. Os quadros laterais por cima das galerias representam os dois maiores fatos da Independência do Brasil. O quadro da galeria do Amazonas representa o grito de Independência ou Morte - no Ipiranga; é composto pelo Sr. Porto Alegre e executado pelo Sr. Reis Carvalho e Motta. O outro, que representa o dia 9 de Janeiro é todo do pincel do Sr. Porto Alegre. Passando à galé

ria do Prata, nela se renova a sensação que tivemos na do Amazonas pela continuação da leitura de mais outras notabilidades do país. Ali se encontram: Pedro Álvares Cabral, o descobridor do Brasil; o guerreiro e político fluminense Salvador Correia de Sá; B.L. de Gusmão, o inventor dos balões aerostáticos, e seu grande irmão Alexandre de Gusmão, ambos ilustrados pela sábia pena do Exm.º Visconde de S. Leopoldo; Amador Bueno, que recusou a Coroa do Brasil; o mavioso lírico Gonzaga; Hipólito, o escritor do Correio Braziliense, e irmão de uma nossa notabilidade científica; Antônio José de Morais, o mestre da língua portuguesa; o Índio Maneco, e seu colega Abreu, ambos o terror de Artigas; o General Câmara; o famoso Visconde de Cairu, e seu ilustre irmão Baltazar da Silva Lisboa; Monsenhor Pizarro, que tanto ilustrou a história da Pátria; o General Curado; Rafael Pinto Bandeira, cujos prodígios o fizeram passar por ter pacto com o diabo; Camarão; o autor do Caramuru, Santa Rita Durão; Padre Ângelo; Paes Leme, o descobridor de Minas; M.A. de Sousa; José de Oliveira, o maior dos pintores braseiros, autor do teto da igreja de S. Francisco; D. Marcos Teixeira; Almeida Serra, companheiro de Silva Pontes, assim como Lacerda; Calderon, e o insigne e melancólico

José Maurício; Azeredo Coutinho, o Conde Bispo de Coimbra; o fecundo orador Sampaio, e o Padre Antônio Vieira; Cláudio Manoel da Costa, esse infeliz gênio, companheiro de infortúnio de Gonzaga e outros. O pavilhão do Prata se assemelha ao do Amazonas, exceto no teto e nas cores das paredes: nota-se nele uma grinalda de flores da mão do Sr. Carvalho, que o coloca no número dos bons floristas. No friso se acham gravados os nomes dos rios e cidades principais do Sul com os mesmos atributos que notamos no pavilhão do Amazonas. Rios: - Tietê, Paraíba, Paranapanema, Guaíba, Paraná, Doce, S. Francisco, Negro. Cidades: - Rio Pardo, Rio de Janeiro, S. Paulo, Pelotas, Desterro, Barbacena, Mariana, Campos, Cabo Frio, Porto Alegre, Angra, Ouro Preto. Na pequena galeria que dá ingresso à varanda do passadiço, e que une a este o pavilhão do Prata, lê-se no meio do friso, em letras de outro, esta sublime inscrição Deus salve o Imperador -, e dos lados ainda se encontram oito nomes bem ilustres e bem caros ao Brasil! O Conde da Barca, o Marquês do Lavradio, João Pereira Ramos, o Desembargador Mosqueira a quem o Brasil deve a sua elevação à

categoria de reino: Canto, o conquistador das Missões: o Marquês de Aguiar, que abriu os portos aos estrangeiros, o introdutor da pimenta da Índia e mais plantas exóticas no Brasil; e, finalmente, Luiz de Vasconcelos, cujo nome basta para uma recordação saudosa. Quarenta e três lustres, duzentas arandelas, vinte e cinco lâmpadas e uma infinidade de globos pendem do teto desta vasta galeria: ricas alcatifas se estendem por toda a sua superfície até às escadas, com uma observação particular, que a estrada do Imperador, do Trono ao peristilo, é marcada sobre a alcatifa por uma finíssima tela de prata, orlada de galão de esteira de ouro. O Governo Imperial comprou tudo, e a despesa do edifício não monta a cem contos de réis. Transcrevendo a descrição deste magnífico monumento, não podemos deixar de tributar os maiores elogios ao distinto artista brasileiro o Sr. Manoel de Araújo Porto Alegre, pintor da Câmara, diretor arquiteto e pintor deste suntuoso edifício. Todas as pinturas são compostas por ele e executadas por seus discípulos, à exceção dos quadros alegóricos do teto e do quadro de sessenta palmos da arquivolta.”

Internet ajuda a alavancar a luta pela Restauração da Monarquia no Brasil
Com o auxílio da internet, blogs, revistas virtuais e sites de relacionamento ajudam a alavancar o Movimento Monárquico no Brasil.
O blog Monarquia Já, surgido para esclarecer as dúvidas dos gaúchos em relação à Monarquia, a Família Imperial e a História do Brasil, completou em 3 de agosto de 2010, 1 ano. O blog alcançou em curta trajetória, todos os cantos do Brasil e mais de 80 países do exterior. Os blogs Diretório Monárquico do Brasil, Monarquia em Ação, A Real Democracia, Matutando, Rede Imperial, entre outros, endossam a lista de sítios virtuais que atraem os leitores que buscam esclarecer suas dúvidas sobre o regime monárquico. Estes blogs, que contam com atualização diária, semanal ou mensal, são um instrumento de informação de fácil manuseio, alcançado grande número de pessoas, democratizando e facilitando o acesso as notícias na propagação do ideário monárquico no Brasil e no mundo.

O Instituto Brasil Imperial, com anos de luta pela Restauração da Monarquia no Brasil, foi remodelado para melhor atender os interessados no assunto e angariar novos monarquistas. O Instituto teve seu quadro diretivo mudado, remodelou também seu site e virtualizou a Gazeta Imperial, seu antigo informativo. A Associação Causa Imperial passa por processo similar e em breve anunciará seu novo formato.

Ainda na grande demanda para atender os internautas, o site do Pró Monarquia também repaginou o site oficial da Casa Imperial do Brasil. Lá a população pode ter acesso as notícias, fotos da Casa Imperial e também entrar em contato com os Príncipes Dom Luiz, Dom Bertrand e Dom Antonio. A instituição ainda inaugurou um canal no twitter, onde postam conteúdos sobre a atualidade do Movimento Monárquico Brasileiro.

Difundindo os ideais da Monarquia Parlamentar e evidenciando a Família Imperial, a rede mundial de computadores tem servido de veículo de propagação do ideário monárquico no país, oferecendo acesso fácil e rápido a grande número de pessoas. Leitor Paulo Azevedo em

comentário ao blog Monarquia Já

Longe de ter “criado” voluntariamente o Brasil, Portugal combateu com todas as forças militares de que pôde dispor a Independência do seu território na América. Só depois de muitas expedições militares contra a antiga colônia, proclamada estado Independente em 1815, e que as Cortes Constituintes queriam fazer voltar à situação de Colônia, e da constatação da impossibilidade de reconquistar aquele imenso território, após a declaração de Independência, é que Portugal aceitou, por intermédio de Dom João VI, e da forte pressão diplomática da GrãBretanha, reconhecer a independência do Brasil, em 1825. E, de fato, à data do discurso, a Baía ainda estava ocupada por tropas portuguesas, comandadas pelo general Madeira de Melo, e apoiadas pela esquadra de Pereira de Campos. As forças militares portuguesas só abandonaram aquela cidade brasileira em 2 de Julho. Este discurso de Dom Pedro explica bem, do ponto de vista brasileiro, a sequência de acontecimentos que levaram à declaração da independência, da declaração do “Fico!”, passando

pelo “Grito do Ipiranga”, até à reunião da Assembléia Constituinte, que tendo redigido um projeto de Constituição foi dissolvida, como o imperador já mostrava poder vir a acontecer neste discurso, sem ter aprovado uma Constituição, que acabou por ser outorgada por Dom Pedro em 25 de Março de 1824.

Segue o discurso de S. M. na ocasião: DIGNOS REPRESENTANTES DA NAÇÃO BRASILEIRA. É hoje o dia maior, que o Brasil tem tido; dia, em que ele pela primeira vez começa a mostrar ao Mundo, que é Império, e Império livre. Quão grande é Meu prazer, Vendo juntos Representantes de quase todas as Províncias fazerem conhecer umas às outras seus interesses, e sobre eles basearem uma justa e liberal Constituição, que as seja. Deveríamos já ter gozado de uma Representação Nacional: mas a Nação não conhecendo à mais tempo seus verdadeiros interesses, ou conhecendoos, e não os podendo patentear, vista a força, e predomínio do partido Português, que sabendo muito bem a que ponto de fraqueza, pequenez, e pobreza Portugal já estava reduzido, e ao maior grau a que podia chegar de decadência, nunca quis consentir (sem embargo de proclamar Liberdade , temendo a separação) que os Povos do Brasil gozassem de uma Representação igual aquela, que eles então tinham. Enganaram-se nos seus planos conquistadores, e desse engano nos provem toda a nossa fortuna.

O Portugal vintista não tinha compreendido que não poderia voltar atrás no tempo, e que não conseguiria realizar no Brasil o que a Grã-Bretanha não tinha também conseguido fazer 30 anos antes na América do Norte.

O Brasil, que por espaço de trezentos, e tantos anos sofreu o indigno nome de Colónia, e igualmente todos os males provenientes do sistema destruidor então adoptado, logo que o Senhor D. João VI, Rei de Portugal, e Algarve, Meu Augusto Pai o elevou à categoria de Reino pelo Decreto de 16 de Dezembro de 1815, exultou de prazer; Portugal bramiu de raiva, tremeu de medo. O contentamento, que os Povos deste vasto Continente mostraram nessa ocasião, foi inaudito: mas atrás desta medida política não veio, como devia ter vindo, outra, qual era a convocação de uma Assembleia, que organizasse o novo Reino. O Brasil sempre sincero no seu modo de obrar, e mortificado por haver sofrido o jugo de ferro por tanto tempo antes, e mesmo depois de tal medida, imediatamente, que em Portugal se proclamou a Liberdade, o Brasil gritou Constituição Portuguesa; assentando, que por esta prova, que dava de confiança a seus pseudo Irmãos, seria por eles ajudado a livrar-se dos imensos vermes, que lhe roíam suas entranhas; não esperando nunca ser enganado. Os Brasileiros que verdadeiramente amavam seu País jamais tiveram a intenção de se sujeitarem a Constituição, em que todos não tivessem parte, e cujas vistas eram de os converter repentinamente de homens livres, em vis escravos. Contudo, os obstáculos, que antes de 26 de Abril de 1821 se opunham à Liberdade Brasileira, e que depois continuaram a existir sustentados peta Tropa Europeia, fizeram com que estes Povos temendo que não pudessem gozar de uma Assembleia sua, fossem pelo amor da Liberdade, arrastados a seguir as infames Cortes de Portugal, para ver se, fazendo, tais sacrifícios, poderiam deixar de ser insultados pelo seu partido demagógico, que predominava nesse Hemisfério.

Nada disto valeu: fomos maltratados pela Tropa Europeia de tal modo, que Eu Fui obrigado a fazê-la passar há outra banda do Rio; pu-la em sitio, mandá-la embarcar, e sair barra fora, para salvar a honra do Brasil, e podermos gozar daquela Liberdade, que devíamos, e queríamos ter, para a qual debalde trabalharíamos por possui-la, se entre nós consentíssemos um partido heterogéneo à verdadeira Causa. Ainda bem não estávamos livres destes inimigos quando poucos dias depois aportou outra Expedição, que de Lisboa nos era enviada para nos proteger; Eu Tomei sobre Mim proteger este Império, e não a Recebi. Pernambuco fez o mesmo e a Baía, que foi a primeira em aderir a Portugal, em prémio da sua boa fé , e de ter conhecido tarde qual era o verdadeiro trilho, que devia seguir, sofre hoje crua guerra dos Vândalos, e sua Cidade, só por eles ocupada, está a ponto de ser arrasada quando nela se não possam manter. Eis em suma a Liberdade, que Portugal apetecia dar ao Brasil; ela se convertia para nós em escravidão, e faria a nossa ruína total, se continuássemos a executar suas ordens, o que aconteceria, a não serem os heróicos esforços, que por meio de representação fizeram primeiro que todos, a Junta do Governo de S. Paulo, depois a Câmara desta Capital, e após destas todas as mais Juntas de Governos, e Câmaras; implorando a Minha ficada. Parece-Me, que o Brasil seria desgraçado, se Eu as não Atendesse, como Atendi: bem Sei, que este era Meu dever, ainda que expusesse Minha Vida; mas como era em defesa deste Império, estava pronto, assim como hoje, e sempre se for preciso. Mal unira acabado de Proferir estas Palavras: «Como é para o bem de todos, e felicidade geral da Nação, diga ao Povo que Fico:» recomendando-lhe ao

mesmo tempo «União e Tranquilidade.» Comecei imediatamente a tratar de Nos pormos em estado de sofrer os ataques de nossos inimigos até aquela época encobertos, depois desmacarados, uns entre nós existentes, outros nas Democráticas Cortes Portuguesas; providenciando por todas as Secretarias, especialmente pela do Império e Negócios Estrangeiros as medidas, que dita a prudência, que Eu cale agora, para vos serem participadas pelos diferentes Secretários de Estado em tempo conveniente. As circunstâncias do Tesouro Público eram as piores, pelo estado a que ficou reduzido, e muito principalmente, porque até a quatro, ou cinco meses foi somente Provincial. Visto isto, não era possível repartir o dinheiro, para tudo quanto era necessário, por ser pouco, para se pagar a Credores, a Empregados em efectivo serviço, e para sustentação da Minha Casa, que despendia uma quarta parte da do Rei, Meu Augusto Pai. A dele excedia quatro milhões; e a Minha não chegava a um. Apesar da diminuição ser tão considerável, assim mesmo Eu não Estava a contente, quando Via, que a despesa, que Fazia, era muito desproporcionada à Receita, a que o Tesouro estava reduzido, e por isso Me limitei a viver como um simples particular, percebendo tão somente quantia de 110.000$000 reis para todas as despesas da Minha Casa, exceptuando a mesada da Imperatriz, Minha muito Amada, e prezada Esposa, que Lhe era dada em consequência de ajustes de Casamento. Não satisfeito com fazer só estas pequenas economias na Minha Casa, por onde Comecei, Vigiava sobre todas as Repartições, como era Minha Obrigação, Querendo modificar também suas despesas, e obstar seus extravios. Sem embargo de tudo, as rendas não chegavam; mas com pequenas mudanças de indiví-

duos não afectos à Causa deste Império, e só ao infame partido Português, que continuamente nos estavam atraiçoando, por outros, que de todo o seu coração amavam o Brasil, uns por nascimento, e princípios outros por estarem intimamente convencidos, que a Causa era a da Razão. Consegui, (e com quanta glória o Digo ) que o Banco, que tinha chegado a ponto de ter quase perdido a fé pública, e estar por momentos a fazer bancarrota, tendo ficado no dia, em que o Senhor D. João VI saiu a barra duzentos contos em moeda, única quantia para troco de suas Notas, restabelecesse seu crédito de tal forma, que não passa pela imaginação a indivíduo algum, que ele um dia possa voltar ao triste estado, a que o haviam reduzido: que o Tesouro Público, apesar de suas demasiadas despesas, as quais deviam pertencer a todas as Províncias, e que ele só fazia, tendo ficado desacreditado, e exausto totalmente, adquirisse um crédito tal, que já soa na Europa, e tanto dinheiro, que a maior parte dos seus Credores, que não eram poucos, nem de pequenas quantias, tenham sido satisfeitos de tal forma, que suas casas não tenham padecido: que os Empregados Públicos estejam em dia, assim como os Militares em efectivo serviço: que as mais Províncias, que têm aderido à Causa Santa, não por força, mas por convicção (que Eu amo a justa liberdade) tenham sido fornecidas de todos os apetrechos de guerra para sua defesa, grande parte deles comprados, e outros do que existiam nos Arsenais. Além disto têm sido socorridas com dinheiro, por não chegarem suas rendas para as despesas, que deviam fazer. Em suma Consegui, que a Província rendesse onze para doze milhões, sendo o seu rendimento anterior à saída de Meu Augusto Pai de seis a sete, quando muito. Nestas despesas extraordinárias

entram também fretes de navios das diferentes Expedições, que deste Porto regressaram para o de Lisboa, compras de algumas Embarcações, e concertos de outras, pagamentos a todos os Empregados Civis, e Militares, que em Serviço aqui tem vindo, e aos expulsos das Províncias, por paixões particulares, e tumultos, que nelas tem havido. Grandes foram sem dúvida as despesas; mas contudo , ainda se não lançou mão da Caixa dos Dons gratuitos, e Sequestros das propriedades dos ausentes por opiniões políticas, da Caixa do Empréstimo que se contraiu de 400.000$000 reis para compra de Vasos de guerra, que se faziam urgentemente necessários para defesa deste Império, o que tudo existe em ser, e da Caixa da Administração dos Diamantes. Em todas as Administrações se faz sumamente precisa uma grande reforma: mas nesta da Fazenda, ainda muito mais por ser a principal mola do Estado. O Exército não tinha nem armamento capaz, nem gente, nem disciplina: de armamento está pronto perfeitamente; de gente vai-se completando, conforme o permite a população: e de disciplina em breve chegará ao auge, já sendo em obediência o mais exemplar do mundo. Por duas vezes tenho Mandado socorros à Província da Baía, um de 210 homem, outro de 735 compondo um Batalhão com o nome de «Batalhão do Imperador» o qual em oito dias foi escolhido, se aprontou, e partiu. Além disto foram criados um Regimento de Estrangeiros, e um Batalhão de Artilharia de Libertos, que em breve estarão completos. No Arsenal do Exército tem se trabalhado com toda actividade, preparando-se tudo quanto tem sido preciso para defesa das diferentes Províncias, e todas desde a Paraíba do Norte até Montevideu receberam os socorros, que pediram.

Todos os reparos de Artilharia das Fortalezas desta Corte, estavam totalmente arruinados; hoje acham-se prontos; imensas obras de que se carecia dentro do mesmo Arsenal, se fizeram. Pelo que toca a Obras militares; repararam-se as muralhas de todas as Fortalezas; e fizeram-se algumas totalmente novas. Construíram-se em diferentes pontos os mais apropriados para neles, se obstar a qualquer desembarque, e mesmo em gargantas de serra, a qualquer passagem do inimigo no caso de haver desembarcado [o que não será fácil ] entrincheiramentos, fortins, redutos, abatizes, e baterias rasas. Fez-se mais o Quartel da Carioca; prepararamse todos os mais Quartéis; está quase concluído o da Praça da Aclamação, e em breve se acabará, o que se mandou fazer para Granadeiros. A Armada constava somente da Fragata Piranga, então chamada União, mal pronta; da Corveta Liberal só em casco; e de algumas muito pequenas, e insignificantes Embarcações. Hoje achase composta da Nau D. Pedro I, Fragatas Piranga, Carolina, e Niterói – Corvetas Maria da Glória e Liberal prontas; e de uma Corveta nas Alagoas, que em breve aqui aparecerá com o nome de Massaió; e dos Brigues de guerra Guanari pronta, Cacique, e Caboclo em concerto, – diferentes em Comissões; assim como também várias Escunas. Espero seis Fragatas de 50 peças prontas de gente, e armamento, e de tudo quanto é necessário para combate, para cuja compra já Mandei Ordem. Parece-Me que o custo não excederá muito a trezentos contos de reis, segundo o que Me foi participado. Obras no Arsenal da Marinha fizeram-se as seguintes. Concertaram-se todas as Embarcações, que actualmente estão em serviço. Fizeram-se Barcas Canhoneiras, e muitas mais, que não Enumero por pequenas; mas que

com tudo somadas montam a grande número, e importância. Pretendo, que este ano no mesmo lugar, em que se não fez por espaço de treze, mais do que calafetar, tingar e atamancar Embarcações, enterrando somas considerabilíssimas, de que o Governo podia muito bem dispor com suma utilidade Nacional, se ponha a quilha de uma Fragata de 40 peças, que a não faltarem os cálculos, que Tenho feito, as Ordens, que Tenho dado, e as medidas, que para isso Tenho tomado, Espero seja concluída por todo este ano, ou meados do que vem, pondo-lhe o nome de Campista. Quanto a Obras públicas muitas se têm feito. Pela Polícia reedificou-se o Palacete da Praça da Aclamação; privou-se esta extensa Praça de inundações, tornando-se um passeio agradável, havendo-se calçado por todos os lados, além das diferentes travessas que se vão fazendo para mais embelezá-la. Concertou-se a maior parte dos Aquedutos da Carioca e Maracanã. Repararam-se imensas pontes, umas de madeira, outras de pedra; e além disto tem-se feito muitas totalmente novas; também se concertaram grande parte das estradas Apesar do exposto, e de muito mais em que não Toco, seu cofre, que estava em Abril de 1821 devedor de 60 contos de reis hoje não só não deve; mas tem em ser sessenta, e tantos mil cruzados. Por diferentes Repartições fizeram-se as seguintes Obras. Aumentou-se muito a Tipografia Nacional. Concertou-se grande parte do Passeio Público. Reparou-se se e Casa do Museu, enriqueceu-se muito com minerais, e fez-se uma Galeria com excelentes pinturas, umas que se compraram, outras, que havia no Tesouro Público, e outras, Minhas, que lá Mandei colocar. Tem-se trabalhado com toda a força no cais da Praça do Comércio, de modo que esta quase

concluído. As calçadas de todas as ruas da Cidade foram feitas de novo, e em breve tempo fez-se esta Casa da Assembleia, e todas as mais que a ela estão juntas, foram prontificadas pare este mesmo fim. Imensas Obras, que uno silo do toque destas, se tem empreendido, começado, e acabado, que Eu Omito, para não fazer o Discurso nimiamente longo.

que abaixo Falarei) uma Lotaria para melhor se puderem manter Estabelecimentos de tão grande utilidade, Determinei ao mesmo tempo, que uma quota parte desta mesma Lotaria fosse dada ao Seminário de S. Joaquim, para que melhor se pudesse conseguir o útil fim, para que fora destinado por seus honrados fundadores. Acha-se hoje com imensos Estudantes. A primeira vez, que Fui à roda dos Expostos Achei (parece impossível) 7 crianças com 2 amas; nem berços, nem vestuário, Pedi o mapa, e Vi, que em 13 anos, tinham entrado perto de 12$, e apenas tinham vingado 1$, não sabendo a Misericórdia verdadeiramente, aonde elas se achavam. Agora com a concessão da Lotaria; edificou-se uma Casa própria para tal Estabelecimento, aonde há trinta, e tantos berços, quase tantas amas, quantos Expostos; e tudo em muito melhor administração. Todas estas coisas, de que acima Acabei de Falar, devem merecer-vos suma consideração. Depois de ter arranjado esta Província, e Dado imensas providências para as outras, Entendi, que devia Convocar, e Convoquei por Decreto de 16 de Fevereiro do ano próximo passado um Conselho ele Estado composto de Procuradores Gerais, eleitos pelos Povos, Desejando que eles tivessem quem os representasse junto de Mim, e ao mesmo tempo quem Me aconselhasse, e Me requeresse, o que fosse a bem de cada uma das respectivas Províncias. Não foi somente este o fim, e motivo, por que Fiz semelhante convocação, o principal foi, para que os Brasileiros melhor conhecessem a Minha Constitucionalidade, quanto Eu Me lisonjearia Governando a contento dos Povos, e quanto Desejava em Meu Paternal Coração (escondidamente, porque o tempo não permitia, que tais ideias se patenteassem de outro modo) que esta leal, grata, brio-

Tenho promovido os estudos públicos, quanto é possível, porém necessita-se para isto de uma Legislação particular. Fez-se o seguinte – Comprou-se para engrandecimento da Biblioteca Pública uma grande colecção de livros dos de melhor escolha: aumentou-se o número das Escolas, e algum tanto o Ordenado de seus Mestres permitindo-se além disto haver um sem número delas particulares: Conhecendo a vantagem do Ensino Mútuo também Fiz abrir uma Escola pelo método Lancasteriano. O Seminário de S. Joaquim, que seus fundadores tinham criando para educação da mocidade, achei-o servindo de Hospital da Tropa Europeia: Fi-lo abrir na forma de sua Instituição, e havendo Eu Concedido à Casa da Misericórdia, e roda dos Expostos (de

sa, e heróica Nação fosse representada numa Assembleia Geral, Constituinte e Legislativa, o que graças a Deus, se efectuou em consequência do Decreto de 3 de Junho do ano presente, a requerimento dos Povos, por meio de suas Câmaras, seus Procuradores Gerais e Meus Conselheiros de Estado. Bem custoso seguramente Me tem sido, que o Brasil até agora não gozasse de Representação Nacional; e Ver-Me Eu por força de circunstâncias Obrigado a Tomar algumas medidas legislativas; elas nunca parecerão, que foram tomadas por ambição de legislar, arrogando um poder, em o qual somente Devo Ter parte; mas sim, que foram tornadas para salvar o Brasil, visto que a Assembleia, quanto a umas não estava convocada quanto a outras, não estava ainda junta, e residiam então de facto, e de direito, vista a Independência total do Brasil de Portugal, os três Poderes no Chefe Supremo da Nação, muito mais sendo Ele Seu Defensor Perpétuo. Embora algumas medidas parecessem demasiadamente fortes, como o perigo era iminente, os inimigos, que Nos rodeavam imensos (e provera a Deus que entre Nós ainda não existissem tantos) cumpria serem proporcionadas. Não Me Tenho poupado, nem pouparei a trabalho algum, por maior que seja, contanto que dele provenha um ceitil de felicidade para a Nação. Quando os Povos da Rica, e Majestosa Província de Minas estavam sofrendo o férreo jugo do seu deslumbrado Governo, que a seu arbítrio dispunha dela, e obrigava seus pacíficos, e mansos habitantes a desobedeceremMe, Marchei para lá com os Meus Criados somente. Convenci o Governo, e seus sequazes do crime, que tinham perpetrado, e do erro, em que pareciam querer persistir; Perdoei-lhes, porque o

crime era mais em ofensa a Mim, do que mesmo à Nação, por estarmos ainda naquele tempo unidos a Portugal. Quando em S. Paulo surgiu dentre o brioso Povo daquela Agradável, e Encantadora Província, um partido de Portugueses, e Brasileiros degenerados, totalmente afeitos às Cortes do desgraçado, e encanecido Portugal, Parti imediatamente para a Província, Entrei sem, receio porque Conheço; que todo o Povo Me ama, Dei as providencias, que Me pareceram convenientes, a ponto que a nossa Independência lá foi primeiro, que em parte alguma, proclamada no sempre memorável sítio do Piranga. [sic] Foi na Pátria do fidelíssimo, e nunca assaz louvado Amador Bueno de Ribeira aonde pela primeira vez Fui Aclamado Imperador. Grande tem sido seguramente o sentimento, que enluta Minha Alma, por não Puder Ir à Baía, como já Quis, a não Executei, Cedendo às Representações de Meu Conselho de Estado, misturar Meu sangue com o daqueles guerreiros, que tão denodadamente tem pelejado pela Pátria. A todo o custo, até arriscando a Vida, se preciso for, Desempenharei o Título, com que os Povos deste Vasto, e Rico Continente em 13 de Maio do ano pretérito, Me honraram de Defensor Perpétuo do Brasil. Este Título penhorou muito mais Meu Coração, do que quanta glória Alcancei com a espontânea, e unânime Aclamação de Imperador deste invejado Império. Graças sejam dadas à Providência, que vemos hoje a Nação representada por tão dignos Deputados. Oxalá, que a mais tempo pudesse ter sido; mas as circunstâncias anteriores, ao Decreto de 3 de Junho não o permitiam, assim como depois as grandes distâncias, a falta de amor da Pátria em alguns , e tolos aqueles incómodos, que em lon-

gas viagens se sofrem , principalmente num País tão novo, e extenso, como o Brasil, são quem tem retardado esta apetecida, e necessária junção apesar de todas as recomendações, que Fiz de brevidade por diferentes vezes. Afinal raiou o grande Dia para este vasto Império, que fará época na sua história. Está junta a Assembleia para constituir a Nação. Que prazer! Que fortuna para todos Nós! Como Imperador Constitucional, e muito especialmente como Defensor Perpétuo deste Império, Disse ao Povo no Dia 1.º de Dezembro do ano próximo passado, em que, Fui Coroado, e Sagrado, «Que com a Minha Espada Defenderia a Pátria, a Nação, e a Constituição, se fosse digna do Brasil, e de Mim» Ratifico hoje muito solenemente perante vós esta promessa, e Espero, que Me ajudeis a desempenhá-la, fazendo uma Constituição sábia, justa, adequada, e executável, ditada pela Razão, e não pelo capricho que tenha em vista somente a felicidade geral, que nunca pode ser grande, sem que esta Constituição tenha bases sólidas , bases, que a sabedoria dos séculos tenha mostrado, que são as verdadeiras, para darem uma justa liberdade aos Povos, e toda a força necessária ao Poder executivo. Uma Constituição, em que os três Poderes sejam bem divididos de forma; que não possam arrogar direitos, que lhe não compitam, mas que sejam de tal modo organizados, e harmonizados, que se lhes torne impossível, ainda pelo decurso do tempo, fazerem-se inimigos, e cada vai mais concorram de mãos dadas para a felicidade geral do Estado. A final uma Constituição, que pondo barreiras inacessíveis ao despotismo, quer Real, quer Aristocrático, quer Democrático, afugente a anarquia, e plante a árvore daquela liberdade, a cuja sombra deve crescer a União, Tranquilidade, e lndependência

deste Império, que será o assombro do Mundo novo, e velho. Todas as Constituições, que à maneira das de 1791, e 92 têm estabelecido suas bases, e se tem querido organizar, a experiência nos tem mostrado, que são totalmente teoréticas e metafísicas, e por isso inexequíveis, assim o prova a França, Espanha, e ultimamente Portugal. Elas não tem feito, como deviam, a felicidade geral; mas sim, depois de uma licenciosa liberdade, ventos, que em uns Países já apareceu, e em outros ainda não tarda a aparecer o Despotismo em um, depois de ter sido exercitado por muitos, sendo consequência necessária, ficarem os Povos reduzidos à triste situação de presenciarem, e sofrerem todos os horrores da Anarquia. Longe de nós tão melancólicas recordações; elas enlutariam a alegria, e júbilo de tão fausto Dia. Vós não as ignorais, e Eu certo, que a firmeza dos verdadeiros princípios Constitucionais, que têm sido sancionados; pela experiência, caracteriza cada um dos Deputados, que compõe esta Ilustre Assembleia, Espero, que a Constituição, que façais, mereça a Minha Imperial Aceitação, seja tão sábia, e tão justa, quanto apropriada à localidade, e civilização do Povo Brasileiro; igualmente, que haja de ser louvada por todas as Nações; que até os nossos inimigos venham a imitar a santidade, e sabedoria de seus princípios, e que por fim a executem. Uma Assembleia tão Ilustrada, e tão patriótica, olhará só a fazer prosperar o Império, e cobri-lo de felicidades; quererá, que seu Imperador seja respeitado, Não só pela Sua, mas pelas mais Nações: e que o Seu Defensor Perpétuo, Cumpra Exactamente a Promessa feita no 1.º de Dezembro do ano passado, e ratificada hoje solenissimamente perante a Nação legalmente representada.

, 2.ª ed., Ouro Preto, Na Typographia de Silva, 1836, págs. 288 a 300

PI

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Um ano do casamento de Dona Isabel de Orleans e Bragança com o Conde Alexander de Stolberg-Stolberg
Celebrou-se em 16 de outubro de 2010, o primeiro ano de casamento da Princesa Dona Isabel de Orleans e Bragança com o Conde Alexander de Stolberg-Stolberg. Ela, filha do Príncipe Dom Fernando e de Dona Maria da Graça de Orleans e Bragança, neta do Chefe da Casa Imperial do Brasil de 1922 a 1981, Dom Pedro Henrique e de Dona Maria de Orleans e Bragança, sendo bisneta, por isso, de Dom Luiz de Bragança e trineta da Redentora, a Princesa Dona Isabel. Ele, de Família Condal mediatizada da Alemanha, filho do Conde Franz Joseph e da Condessa Jacqueline de StolbergStolberg, tendo antepassados que já permeavam a história desde 1200. O casamento trouxe ao Rio grande número de estrangeiros, nobres e aristocratas da Europa. Destacava-se ainda a presença de Dom Duarte Pio, Duque da Bragança, Chefe da Casa Real Portuguesa (primo da noiva), do Duque de Vendôme, o Príncipe Jean de Orleans, Herdeiro do atual Chefe da Casa Real de França (primo da noiva e grande amigo do noivo), o Príncipe Jost Cristian, 4º Príncipe e Conde de Stolberg-Stolberg, Chefe Casa de Stolberg-Stolberg, que vieram exclusivamente para a data. Compareceram também os Príncipes de Bourbon Duas-Sícilias, notadamente os filhos de Dom Casimiro, entre eles o concelebrante, Padre Alessandro, da Ordem de Cristo, e, também membros da Família dos Condes de Nicolay, dos Condes de Gambá, dos Condes d’Ursel, da Família Principesca de Merode, de Arenberg, de Looz-Corwaren e de Erbach-Fürstenau. Em evidência, é claro, os Príncipes de Ligne, tios da noiva, e os Príncipes da Baviera, primos de Dona Isabel. Os dias que antecederam o casamento, em que os convidados europeus chegavam ao Brasil, foram de grande festa, oscilando entre passeios por pontos turísticos e históricos, como o Mosteiro de São Bento, e jantares e festas, como a agradável reunião nos salões do Copacabana Palace, oferecida pelo Conde Franz e também o jantar na casa de Dom Alberto no Itanhangá, oferecido por aquele Príncipe. A belíssima cerimônia de casamento se deu na Igreja de Nossa Senhora da Gloria, onde nobres europeus, monarquistas de toda parte e a Família Imperial se reuniram para assistir a celebração presidida pelo Abade Emérito do Mosteiro de São Bento do Rio de Janeiro, Dom José Palmeiro Mendes OSB, concelebrada pelo primo da noiva, o Padre Alessandro, também pelo Capelão daquele templo, Monsenhor Sergio da Costa Couto e pelo Padre Jorjão. A festa que se precedeu no Paço Imperial, onde a Redentora havia assinado a Lei Áurea, onde Dom Pedro I foi aclamado como primeiro Imperador do Brasil, onde a história da Família da noiva havia sido exaltada, foi grandiosa. O Conde e a Condessa de Stolberg-Stolberg vivem atualmente na Bélgica, onde Também trabalham.
Fotos: Revista Caras, Instituto Dona Isabel I (IDII), Arquivo pessoal Dionatan da Silveira Cunha

Dom Bertrand,
defensor dos direitos do homem
Dom Bertrand Maria José Pio Januário, nasceu em Mandelieu, na França, a 2 de fevereiro de 1941, sendo o terceiro dos doze filhos do Príncipe Dom Pedro Henrique, Herdeiro do Trono Imperial do Brasil e de Dona Maria, nascida Princesa Real da Baviera. Veio com sua família para o Brasil em 1945, estudando em escolas do Rio de Janeiro e de Jacarezinho, no Paraná. É bacharel em Direito pela Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo (1964). Com a morte do pai, em 1981, seu irmão mais velho, Dom Luiz, passou a ser o representante dos princípios monárquicos brasileiros e Chefe de Família Imperial, e ele (tendo em vista a renúncia Príncipe Dom Eudes ao trono do em 1966) passou a usar o título de Príncipe Imperial do Brasil que a Constituição Imperial de 1824 dá ao Príncipe Herdeiro do Trono brasileiro. Não só é o Príncipe Herdeiro, mas de fato é o braço direito de Dom Luiz, sendo seu principal conselheiro e estando ao seu lado ou o representando várias vezes (o que fez particularmente em 2009 e 2010 em vários eventos). É excelente orador e conferencista. Reside com Dom Luiz na capital paulista. Já antes de Dom Luiz, pelo final dos anos 50, passou Dom Bertrand a integrar em São Paulo o Grupo de “Catolicismo”, grupo católico em torno do conhecido Prof. Plínio Corrêa de

Dom Bertrand assume posições em defesa das tradições, da instituição familiar e do direito a propriedade
Oliveira, que em 1960 passou a denominar-se Sociedade Brasileira de Defesa da Tradição, Família e Propriedade (TFP), hoje Associação dos Fundadores. Dom Bertrand é figura de relevo da entidade, tendo viajado, a seu serviço, ano passado, várias vezes ao exterior (Alemanha, Estados Unidos, Argentina). Em janeiro passado esteve em Roma para participar de um congresso no auditório do Pontifício Instituto Augustinianum, ao lado da Praça de São Pedro, que comemorou o cinqüentenário do livro “Revolução e ContraRevolução”, obra fundamental do Prof. Plínio Corrêa de Oliveira. Coordena a campanha “Paz no Campo”, tendo um blog atualizado

constantemente, onde deposita suas opiniões. Neste espaço, o Príncipe divulga artigos sobre temas como a reforma agrária, o aquecimento global, as reservas indígenas, o MST, os quilombos, entre outros assuntos polêmicos. Dom Bertrand assume posições em defesa das tradições, da instituição familiar e do direito a propriedade. As opiniões do Príncipe nem sempre vão de encontro com a de grandes empresários, políticos ou dos meios assistencialistas, paternalistas ou socialistas que estão instituídos. Dom Bertrand, sempre isento do medo da verdade, reage contra conceitos prematuros, pensados por aspecto único. Dedicado como seu avô, Dom Luiz de Bragança, O Príncipe reúne predicados que o qualificam para assumir a Chefia de Estado do Brasil aliados a sóbria educação que recebeu e a magnífica cultura que lhe é característica. Dom Bertrand recebeu em abril de 2009, a Ordem do Mérito Judiciário Militar, no grau de Alta Distinção; no Dia de Caxias, em Brasília, recebeu a Medalha do Pacificador, a mais alta comenda do Exército Brasileiro. O Príncipe é Grão-cruz das Ordens Imperiais brasileiras, da Rosa e de Pedro I. É Bailio honorário e Grão-cruz da Ordem Soberana de Malta e GrãoCruz da Ordem Contantiniana de São Jorge, da Casa Real das Duas-

Sicílias.

A Monarquia no mundo
Fatos, eventos. Nascimentos, casamentos e falecimentos que marcaram o ano no mundo monárquico internacional.
Faleceu no dia 14 de abril de 2010, em Innsbruck, o Príncipe João Henrique de Saxe-CoburgoGotha. O Príncipe, nascido na Áustria em 1931, era descendente de Dona Leopoldina de Bragança, filha do Imperador Dom Pedro II. Era filho do Príncipe Rainier (1900 - 1945), neto do Príncipe Augusto Leopoldo (1867 1922), bisneto da Princesa Dona Leopoldina (1847 - 1871) e trineto do Imperador Dom Pedro II. O Príncipe deixou dois filhos.

Faleceu dia 3 de fevereiro de 2010, a Arquiduquesa Regina, esposa do Arquiduque Otto de Habsburgo, Chefe da Casa dinástica de Habsburgo (da Áustria e Hungria). Aos 85 anos, deixou 7 filhos e 22 netos. Em 18 de agosto de 2010, o Príncipe Carlos Hugo de Bourbon – Parma, Duque de Parma e Piacenza, faleceu vitimado por um câncer que já lhe abatia desde 2008. O Chefe da Casa Ducal de Bourbon-Parma deixou 4 filhos, entre eles seu Herdeiro e Sucessor, o Príncipe Carlos Xavier.

Em 16 de setembro de 2010 faleceu o Príncipe Friedrich Wilhelm de Hohenzollern, Chefe da Casa Principesca de Hohenzollern-Sigmaringen. Aos 96 anos, o Príncipe era viúvo da Princesa Margarida de Leiningen (1932-1996), deixou três filhos, entre os quais o Príncipe Karl Friedrich que lhe sucedeu como dinasta.
Fotos: Divulgação

Faleceu em Madri no dia 24 de maio de 2010, a GrãDuquesa Leonida da Rússia. Nascida Princesa Bragation Moukhranski a 23 de setembro de 1914, em Tiflis. Casouse com o Grão-Duque Vladmir da Rússia, bisneto do Czar Alexandre II e pretendente ao Trono Russo, em Lausanne, em 1948, tendo deste matrimônio uma filha, a GrãDuquesa Maria Vladmirovna, atual pretende ao Trono da Rússia. A Grão-Duquesa Leonida com sua filha, Maria e, o neto, George. A Grã-Duquesa foi enterrada na mesma sepultura do marido, no Forte de São Pedro e São Paulo, em São Petersburgo.

Em 23 de outubro de 2010, aos 87 anos de idade, faleceu a Princesa Irmingard da Baviera. A Princesa era viúva do Príncipe Ludwig da Baviera, filho do Príncipe Franz e da Princesa Isabele, sendo de tal forma, irmão da Princesa Dona Maria, esposa de Dom Pedro Henrique, Chefe da Casa Imperial do Brasil. A Princesa Irmingard era prima e cunhada da Princesa Mãe do Brasil. O casal teve três filhos: o Príncipe Luipold (1951), e as Princesas Marie-Irmingard e Philippa (ambas natimortas). Os Príncipes Irmingard e Ludwig da Baviera.

Noivado Liedekerke Nicolay

Também em 2010, precisamente em abril, foi noticiado o noivado entre o Conde Carlos Antonio de Liedekerke e Maria Adelaide de Nicolay. A noiva é neta do Conde René de Nicolay e de Dona Pia Maria de Orleans e Bragança, condessa de Nicolay por casamento, nascida Princesa de Orleans e Bragança, (filha de Dom Luiz, o Príncipe Perfeito e irmã de Dom Pedro Henrique, sendo Dona Pia Maria, tia do atual Chefe da Casa Imperial do Brasil, Dom Luiz). O casamento de Marie-Adelaide de Nicolay será o primeiro casamento de um dos sete netos de Dona Pia Maria.

Casamento Real

Fotos: Casa Real da Suécia

No ano em que a Casa Real da Suécia comemora os 200 anos de Soberania da Dinastia Bernadotte, o Rei Carl XVI Gustavo e a Rainha Silvia da Suécia casaram a Herdeira do Trono numa das mais belas cerimônias da monarquia moderna. A Catedral de Estocolmo, palco do enlace, recebeu cerca de 1.100 convidados, muitos membros da nobreza e da realeza mundial, entre eles, pode-se citar, por parte da Espanha, a Rainha Sofia, os Príncipes Filipe e Letizia, da Família Real da Holanda compareceram a Rainha Beatriz, também o Príncipe Guilherme e a Princesa Máxima, por parte da Família Real Britânica compareceu o Príncipe Edward e sua esposa, Sophie. Por parte da Dinamarca, a Rainha Margareth II e o Príncipe Henrik, acompanhados dos Príncipes Herdeiros, Frederico e Mary. Presentes ainda os Reis da Noruega, os Príncipes Hereditários Haakon e Mette-Marit. A Família Imperial do Japão foi representada pelo Príncipe Herdeiro Naruhito. Da Jordânia compareceram os Rei Abdullah II e a Rainha Rania. Por parte do Luxemburgo, o Grão Duque Henri e a Grã-Duquesa Maria Teresa, o Príncipe Herdeiro Guilherme, por parte da Iugoslávia, o Príncipe Alexandre e a Princesa Catherine, por parte do Liechtenstein, os Príncipes Herdeiros Alois e Sofia, ainda, por parte da Grécia, o Rei Constantino e a Rainha Ana Maria, e, de Mônaco, o Príncipe Albert.

Casamento Lippe Wittelsbach
Em 8 de junho de 2010, na Abadia de Andechs, perto de Munique, a Princesa Augusta da Baviera, filha de Príncipe Luitpold e da Princesa Beatrix da Baviera, neta do príncipe Ludwig e da Princesa Irmingard da Baviera, trineta do Rei Luís III da Baviera, casou com o Príncipe Ferdinand de LippeWeissenfeld. Após a cerimônia religiosa, celebrou-se a festa no Castelo de Leutstetten, próximo a Starnberg, onde os pais da Princesa Augusta residem. O Príncipe Franz, O Duque Max e a Duquesa Elisabeth da Baviera, o Príncipe Emich Karl, a Princesa Isabel de Leiningen e vários membros de Famílias Principescas alemãs assistiram ao casamento. A Princesa Augusta é sobrinha-neta de Dona Maria da Baviera, de jure Imperatriz do Brasil.

O Sumo Pontífice chegou a Lisboa em 11 de maio de 2010 sendo recebido pela multidão que se aglomerava nas ruas. Junto ao povo, os Duques de Bragança, acompanhados dos Infantes, aguardavam a passagem do Papa. Logo após os protocolos, seguiu-se missa no Terreiro do Paço, contando com incrível número de expectadores. A Família Real Portuguesa e a Princesa Senhora Dona Teresa, nascida Princesa de Orleans e Bragança, estavam presentes na primeira fila, em lugar de destaque, seguidos dos ilustres membros da Ordem de Malta em Portugal. No dia 13 de maio, o Santo Padre rumou para Fátima, destino original de sua visita. Lá celebrou missa para fiéis de todas as partes da Europa. Os Duques de Bragança foram mais uma vez ao encontro do Papa, pois naquela data celebravam 15 anos de casamento. Em Fátima, os Duques presentearam o Papa com uma imagem em bronze de Nossa Senhora do Rosário. A visita que o Sumo Pontífice empreendeu a Portugal foi definitiva para o reconhecimento da firme postura adotada pelos portugueses diante das tentativas de difamação da Igreja e do Santo Padre. Portugal se vestiu de amarelo, branco e azul para recepcionar o Papa. Prova de toda devoção por parte daquele povo, pôde ser acompanhado no blog “Família Real Portuguesa”, que acompanhou intensamente as atividades dos Duques de Bragança durante a visita do Papa a Portugal.
Fotos: Maria Menezes, Blog Família Real Portuguesa

O Portugal Papa em


Declaração de Fidelidade a
Dom Duarte, Duque de Bragança
Por Guimarães Digital: http://www.guimaraesdigital.com/index.php?a=noticias&id=42060

“No dia em que Portugal assinalou o centenário da república, o Herdeiro do Trono foi a Guimarães para realizar uma Proclamação de Lealdade. Depois de colocar uma coroa de flores na estátua de D. Afonso Henriques, Dom Duarte fez uma alocução perante membros de diversas Reais Associações e simpatizantes da Causa Monárquica, citando diversos escritores portugueses para realçar as virtualidades da Monarquia. No final e em declarações aos jornalistas, Dom Duarte de Bragança sublinhou que a Monarquia pode ser útil à Democracia Portuguesa e que a actual situação do país desacredita a democracia.”

Dona Lily recebe os Príncipes da Dinamarca em presença de Príncipes brasileiros

Em 15 de setembro de 2010, Dona Lily Marinho recebeu para um jantar em sua mansão do Cosme Velho, no Rio de Janeiro, o Príncipe Joachim e, sua esposa, a Princesa Marie da Dinamarca que passaram em visita pelo Brasil.

Fotos: Sebastião Marinho, Blog da Hildegard Angel

Nesta oportunidade, Dona Lily recebeu amigos e grandes nomes da alta sociedade brasileira. Estavam presentes Carlos e Celia Giesta, Gilberto Chateaubriand, Gérard Larragoiti, as Embaixatrizes Thereza Castelo Branco e Maria Elisa Amarante, a colunista Hildegard Angel e Emita Larragoiti; Condessa de Pourtalés, entre outros.

Estiveram presentes também, o Príncipe Dom Pedro de Orleans e Bragança com sua esposa, Dona Fátima, que são respectivamente, irmão e cunhada do Chefe da Casa Imperial do Brasil, S.A.I.R. Dom Luiz de Orleans e Bragança. Abaixo, Dona Fátima rodeada pelas amigas Celia Giesta e Thereza Castelo Branco, seguidas de Dom Pedro em agradável conversa com Yves Saint – Geours, Embaixador da França.

Brasil

A monarquia em cada canto do país...

Há momentos na vida de um povo em que, apesar da fraude e da tirania, a vontade nacional surge impetuosa, invencível, triunfadora. Para cumprir a meu dever, dever que resulta da própria história brasileira, que justificou, justifica e justificará os nossos direitos dinásticos, estou pronto a todos os sacrifícios, inclusive ao da própria vida.
Dom Luiz de Bragança, Manifesto novembro de1919. De 11 a 16 de aos Brasileiros, 2010,
2010: 90º Ano o nordeste brasileiro recebeu a de Falecimento do Príncipe Perfeito.

visita de membros da Família Imperial brasileira.

Dom Antonio e Dom Rafael de Orleans e Bragança

visitam o nordeste brasileiro
Na mesma semana (13/11), chegou à Bahia, o Príncipe Dom Rafael para sua primeira viagem oficial como Príncipe da Casa Imperial brasileira e Herdeiro presuntivo dos Imperadores do Brasil. A convite dos membros da Associação da Nobreza Histórica do Brasil, Dom Rafael foi conhecer a Bahia de Todos os Santos e seu principais pontos turísticos, sendo recebido pelo Arcebispo de São Salvador da Bahia e Primaz do Brasil, Dom Geraldo Majella. No Instituto Feminino, o Príncipe pôde conhecer o vestido usado por sua tetravó, a Princesa Dona Isabel, no juramento feito pela ocasião de uma de suas regências em nome do Imperador. Na Igreja de São Pedro, Dom Rafael também pôde conferir a bela imagem de São Pedro de Alcântara, Santo de devoção da Família Imperial. No dia 13 de novembro, os membros da Associação da Nobreza Histórica do Brasil reuniram-se em torno de Dom Rafael para um jantar em sua honra no Yacht Clube da Bahia.
Fotos: Tarso Marketing

O Príncipe Dom Antonio e seu filho, Dom Rafael, estiveram em visita a pontos turísticos, em encontros com autoridades políticas e religiosas e em eventos monárquicos. Dom Antonio passou por Sergipe, onde visitou Laranjeiras e Aracaju, acompanhado de uma comitiva numerosa, o Príncipe participou do I Encontro Monárquico de Sergipe, celebrando também a criação de núcleos municipais do Instituto Brasil Imperial naquele estado. Dom Antonio foi recebido com festa, ao som de bandas marciais e solenidades honrosas por toda a parte percorrida, vivenciando a história e passando por caminhos anteriormente feitos pelo Imperador Dom Pedro II, seu antepassado. Em todos os lugares, o Príncipe foi reverenciado com respeito e com manifestos de grande carinho e admiração.

Fotos: Flávio Antunes e Jadilson Simões

Dom Antonio participou de cerimônias religiosas e eventos políticos. Ao lado, Dom Rafael com Dom Geraldo Majela e nas outras imagens, o vestido usado por Dona Isabel.

Dom Antonio visita Colégio no Rio de Janeiro
A formação de Jovens Monarquistas
O Príncipe é recebido com festa em colégio de Jacarepaguá, no Estado do Rio de Janeiro

A convite da pequena monarquista Ana Luíza Bertoloso Benício, o Príncipe Dom Antonio de Orleans e Bragança, acompanhado pela Alta Gestão do Diretório Monárquico do Brasil, foi a Jacarepaguá visitar o Colégio Cruzeiro. No Colégio, o Príncipe palestrou sobre assuntos monárquicos e debateu com alunos e professores o sistema em questão. Durante a visita, o Diretório Monárquico do Brasil sorteou broches e camisetas com as Armas do Império. O passeio terminou com almoço juntamente com os alunos, ocasião em que Dom Antonio declarou sua franca crença no futuro da Monarquia no Brasil, comovendo a todos os presentes. A Chanceler Maria da Gloria, Charles Van Hombeeck Júnior; Secretário-Geral, e Marcelo Roberto Ferreira; Diretor Jurídico do Diretório Monárquico do Brasil, acompanharam Dom Antonio na emblemática visita ao Colégio.

Fonte: Diretório Monárquico do Brasil

Insurreição
A reviravolta imposta pelo eleitorado ao mundo políticopublicitário, nas eleições presidenciais, é tema que se impõe. Não me atenho ao palco eleitoral, onde os figurantes desenrolam seus papéis para convencer o público e arrastá-lo a uma escolha. Chamo a atenção para a larga e vigorosa fatia da opinião pública capaz de reescrever o roteiro do pleito eleitoral. A falta de idéias, de princípios e de debates sobre problemas nacionais, marcou a campanha do 1º turno. Prognosticou-o o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso ao afirmar que o teatro eleitoral se organizava para esconder o que verdadeiramente estava em discussão. Coube à revista “Veja” sintetizar graficamente a frustração do público ante tal vácuo, com uma capa em branco, a simbolizar as “grandes propostas para o Brasil feitas na campanha presidencial”. A falta de autenticidade somouse à falta de representatividade dos principais candidatos – todos eles de esquerda – deixando o amplo setor conservador do eleitorado sem legítimo porta-voz. O quadro eleitoral, segundo

Folha de São Paulo publica artigo de Dom Bertrand de
Orleans e Bragança, sobre as eleições 2010.
Publicado na Folha de S. Paulo, dia 28/10/10, seção Tendências/Debates

Eleitoral

aparatosa, mas superficial. Ignorou os brasileiros, silenciados nos seus anelos mais autênticos – particularmente nos morais e religiosos – que se moviam e preparavam uma “vingança”. À margem das estruturas partidárias e políticas, esse Brasil fez irromper como um géiser, no panorama artificialmente inexpressivo, as preocupações que assombram a maioria silenciosa, pacata e conservadora de nossa população. O tema do aborto despontou com ímpeto chamativo. Mas foi a panóplia de metas radicais do PNDH 3 o que maior apreensão causou em vastos setores da sociedade. As ameaças do PNDH3 – cavilosamente adjetivadas de “boataria” – fizeram vislumbrar o gérmen da perseguição religiosa, ao pretenderem subverter os fundamentos cristãos que ainda pautam a sociedade e tutelar sectariamente os indivíduos. O mundo políticopartidário e as potentes tubas publicitárias tentaram celeremente adaptarse à realidade a tanto custo abafada. Sinal inequívoco da crescente fraqueza desse Brasil de superfície, que tenta relegar ao anonimato o Brasil autêntico, o qual se quer manter fiel a si mesmo, à suas tradições, ao seu modo de pensar e de viver.

dogmatizavam inúmeros “especialistas”, caminhava para a vitória arrasadora do lulo-petismo, com uma população indiferente a princípios e valores e embaída pelos benefícios de uma situação sócio-econômica favorável.

O mundo publicitário e político – mais precisamente, preponderantes setores da esquerda – enganou-se com relação ao País. De tanto prestar atenção ao Brasil oficial, acreditou que a Nação se cinge a essa minoria frenética e

Assistimos a uma verdadeira insurreição eleitoral. Qualquer que seja o resultado do presente pleito, sirva ela de lição para o grave divórcio que se vai estabelecendo entre o Brasil oficial e o Brasil profundo. Outras surpresas sobrevirão.

Monarquia

A continuidade, a honestidade, a transparência e os valores que a república não oferece.

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